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ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

Excelentíssimo Senhor Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal

Decisão judicial que deferiu o pedido de


antecipação dos efeitos da tutela recursal para
suspender decisões que apreciaram pedidos
liminares em ações de interdito proibitório
propostas pela União, objetivando a
expedição de mandado inibitório de esbulho
ou turbação de sua posse, atinente às rodovias
federais localizadas nos Estados-membros a
que se referem. Grave lesão à ordem jurídica
e à ordem pública.

A UNIÃO, pessoa jurídica de direito público interno, representada


pela Secretária-Geral de Contencioso (Lei Complementar nº 73/93, art. 2º,
parágrafo 4° e Decreto nº 10.608/2021, art. 7º), vem, com fulcro no artigo 4º da
Lei nº 8.437/1992, artigo 1º da Lei nº 9.494/1997 e artigo 297, caput, do
Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, apresentar pedido de

SUSPENSÃO DE TUTELA ANTECIPADA


(em caráter de urgência)

em face da decisão proferida pela Sra. Desembargadora Federal do TRF da 1ª


Região, em regime de plantão, nos autos de agravo de instrumento nº 0085416-
89.2021.4.01.8000 (número provisório SEI - doc. 12), pelos motivos de fato e de
direito declinados a seguir.
I – DO CASO DOS AUTOS

No caso em apreço, a União ajuizou ações de proteção possessória


(interditos proibitórios), com pedidos de tutela provisória de urgência, em face
da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, da
Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotivos e do Conselho
Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, objetivando a expedição de
mandados proibitórios que impedissem a ocupação ou obstrução de rodovias em
vários Estados da Federação em razão do movimento de paralisação de
caminhoneiros anunciado para 1º de novembro de 2021.

Tendo em vista o deferimento dos pedidos de liminares formulados


pela União, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores –
ABRAVA interpôs agravo de instrumento em face das decisões proferidas nos
Processos n: 1074613-20.2021.4.01.3800; 1051466-89.2021.4.01.3500;
1038338-63.2021.4.01.3900; 1009370-84.2021.4.01.4300; 1084218-
35.2021.4.01.3300; 1084220-05.2021.4.01.3300; 1074634-93.2021.4.01.3800;
1027714-18.2021.4.01.3200; 1040594-67.2021.4.01.4000; e 1016914-
44.2021.4.01.4100 (docs. 02 a 11).

Em síntese, a agravante alegou que as decisões liminares violam a


Súmula Vinculante n. 23 do Supremo Tribunal Federal – STF, que possui a
seguinte redação: “A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar
ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve
pelos trabalhadores da iniciativa privada”.

Em regime de plantão, a Sra. Desembargadora Federal do TRF-1ª


Região deferiu o pedido de antecipação da tutela recursal, acolhendo a
argumentação deduzida pela agravante, ao entendimento, em síntese, de que “a
manutenção das decisões agravadas teria o condão de frustrar as manifestações

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pertinentes, a partir de decisões judiciais proferidas por juízos absolutamente
incompetentes” (doc. 01).

Idêntica pretensão foi apresentada pela ABRAVA perante esse


Supremo Tribunal Federal, por meio da RCL 50217, cujo seguimento foi negado
em decisão proferida pela Ministra Relatora CÁRMEN LUCIA.

II – DA COMPETÊNCIA DO STF PARA APRECIAR O PEDIDO

Como é sabido, a competência para apreciar o pedido de suspensão


é do Presidente do Tribunal com atribuição para conhecer de eventual recurso
especial ou extraordinário (Lei nº 8.437/92, art. 4º, §4º).

In casu, a decisão objeto do presente pedido de suspensão busca


fundamento em matéria constitucional para amparar o deferimento de tutela
antecipada, a partir de interpretação do inciso II do art. 114 da CRFB/1988, o
qual atribui à Justiça do Trabalho a competência para processar e julgar as ações
que envolvam o exercício do direito de greve, compreendida em sentido amplo.

Desta forma, resta configurada a competência do Supremo Tribunal


Federal para processar e julgar este pedido de suspensão de tutela antecipada.

III – DA GRAVE LESÃO À ORDEM PÚBLICA E À ORDEM


JURÍDICA

O pedido de suspensão de liminar tem por objetivo evitar grave


comprometimento da ordem, saúde, segurança e economia públicas.

Os pressupostos para o deferimento da suspensão compõem um


juízo misto: o periculum in mora, constituído pela possibilidade de
comprometimento de um dos valores previstos na lei (ordem, segurança, saúde
ou economia públicas) e o fumus boni juris, consubstanciado na probabilidade

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de a decisão contra a qual se pede a suspensão ser contrária às normas existentes
na ordem jurídica.

De início, deve-se registrar que as ações de interdito proibitório


ajuizadas pela União têm por objeto assegurar a livre circulação de bens e
pessoas nas rodovias nacionais, bem como a continuidade dos serviços públicos
essenciais e a proteção de infraestruturas críticas (conforme Decreto nº 9.573, de
22 de novembro de 2018), impedindo a ocupação ou obstrução de rodovias em
vários Estados da Federação em razão do movimento de paralisação de
caminhoneiros anunciado para 1º de novembro de 2021.

A relevância da proteção possessória buscada pela União objetivou


evitar que o país sofresse novamente com uma paralisação similar àquela
constatada no ano de 2018, cujos prejuízos gerados foram notórios, tendo sido
veementemente repelida por meio de provimento cautelar deferido nos autos da
ADPF nº 519.

A garantia da ordem pública ao assegurar a circulação de bens e


pessoas em rodovias pelo país é o objetivo comum que amparou o deferimento
das liminares nos interditos promovidos pela União (docs. 02 a 11), cuja
eficácia deve ser restabelecida, justamente para evitar o agravamento da
situação de risco de lesão à ordem pública.

Sobre os impactos gerados por manifestações do gênero, confira-se


o que informa a Diretoria Executiva da Polícia Rodoviária Federal (doc. 13):

2. Como se sabe, a interdição de rodovias, além de comprometer a segurança dos


usuários da via e dos próprios manifestantes, prejudica a circulação de pessoas e
de mercadorias, com perdas econômicas e transtornos na vida pessoal de milhares
de indivíduos que dependem desses importantes corredores de serviço para a
locomoção e transporte e com grande risco para o patrimônio da União.
3. Essas mobilizações ocasionam insegurança para o trânsito e para a circulação
viária nas rodovias federais, comprometendo a segurança de todos e causando
inúmeros prejuízos ao País. Não há como negar, no caso, o grave risco
representado pela ameaça de paralização do fluxo rodoviário pois este é o principal

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modal que impulsiona a economia nacional. Os documentos anexos evidenciam o
risco iminente de realização de manifestações com forte potencial para interromper
e bloquear rodovias, colocando em risco a integridade física tanto dos
manifestantes, como das demais pessoas, pedestres, ciclistas e motoristas, que
circulam nos pontos em que ocorrem os congestionamentos e paralisações.
4. Destaca-se, neste propósito, que as rodovias são de estratégica e fundamental
importância para o País. Assim, as obstruções, caso se consolidem,
indubitavelmente causarão prejuízos ao abastecimento de alimentos e mercadorias
básicas às cidades, à circulação de veículos, sejam de carga, de transporte público,
de passeio ou mesmo ambulâncias. Neste sentido, muito embora possa se cuidar de
manifestações pacíficas, as rodovias federais já sofreram invasões conforme já se
verificou em outras manifestações realizadas recentemente e divulgadas na mídia,
sendo evidente o risco de transtornos aos demais usuários.
(...)
8. Este é o quadro fático que se apresenta, sendo incomensuráveis os potenciais
prejuízos causados aos usuários, dentre os quais se encontrarão os que estarão em
trânsito local, interestadual, internacional e os que transportam cargas perigosas e
perecíveis, havendo inclusive grande risco de ocorrerem acidentes de trânsito
devido à dinâmica do tráfego em rodovias.

Observe-se que a Justiça Federal é competente para apreciar os


interditos proibitórios ajuizados pela União, a qual possui interesse direto em
assegurar a livre circulação nas rodovias federais diante da ameaça de bloqueios
pelo referido movimento.

Por sua vez, no que se refere ao argumento invocado de ferimento


ao que preceitua o enunciado da Súmula Vinculante nº 23, não é este aplicável à
hipótese dos autos.

É imprescindível, nesse sentido, observar o que dispõe a Lei n°


11.442, de 5 de janeiro de 2007, que trata do Transporte Rodoviário de Cargas -
TRC realizado em vias públicas, no território nacional, por conta de terceiros e
mediante remuneração. De acordo com o seu art. 2°, a atividade econômica
referente ao Transporte Rodoviário de Cargas é de natureza comercial,
exercida por pessoa física ou jurídica em regime de livre concorrência.

Consoante o mesmo dispositivo legal supracitado, a aludida


atividade pode ser executada nas categorias de (i) Transportador Autônomo de

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Cargas - TAC, pessoa física que tenha no transporte rodoviário de cargas a sua
atividade profissional; (ii) Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas - ETC,
pessoa jurídica constituída por qualquer forma prevista em lei que tenha no
transporte rodoviário de cargas a sua atividade principal; e (iii) Cooperativa de
Transporte Rodoviário de Cargas (CTC), sociedade cooperativa na forma da lei,
constituída por pessoas físicas e/ou jurídicas, que exerce atividade de transporte
rodoviário de cargas.

Vê-se, assim, que os profissionais representados pela Associação


Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores – ABRAVA enquadram-se
na primeira categoria acima citada.

Nesse contexto, e para afastar qualquer dúvida quanto às relações


decorrentes do transporte de cargas executado por tais profissionais, o art. 5° da
Lei n° 11.442, de 2007, afirma que essas relações são sempre de natureza
comercial, não ensejando, em nenhuma hipótese, a caracterização de vínculo de
emprego.

Na mesma esteira, conforme o parágrafo 5° do art. 4° da referida


Lei, “as relações decorrentes do contrato estabelecido entre o Transportador
Autônomo de Cargas e seu Auxiliar ou entre o transportador autônomo e o
embarcador não caracterizarão vínculo de emprego”.

É patente, dessa forma, a ausência de relação trabalhista nas


relações que envolvem o Transporte Rodoviário de Cargas, cujos denominados
Transportadores Autônomos de Cargas explicitamente se encontram
enquadrados.

Esse foi o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal,


na ocasião do julgamento da ADC 48 e da ADI 3961, a seguir:

Ementa: Direito do Trabalho. Ação Direta de Inconstitucionalidade e Ação

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Declaratória da Constitucionalidade. Transporte rodoviário de cargas. Lei
11.442/2007, que previu a terceirização da atividade-fim. Vínculo
meramente comercial. Não configuração de relação de emprego. 1. A Lei
nº 11.442/2007 (i) regulamentou a contratação de transportadores
autônomos de carga por proprietários de carga e por empresas
transportadoras de carga; (ii) autorizou a terceirização da atividade-fim
pelas empresas transportadoras; e (iii) afastou a configuração de vínculo
de emprego nessa hipótese. 2. É legítima a terceirização das atividades-fim de
uma empresa. Como já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a
Constituição não impõe uma única forma de estruturar a produção. Ao
contrário, o princípio constitucional da livre iniciativa garante aos agentes
econômicos liberdade para eleger suas estratégias empresariais dentro do
marco vigente (CF/1988, art. 170). A proteção constitucional ao trabalho não
impõe que toda e qualquer prestação remunerada de serviços configure relação
de emprego (CF/1988, art. 7º). Precedente: ADPF 524, Rel. Min. Luís Roberto
Barroso. 3. Não há inconstitucionalidade no prazo prescricional de 1 (um) ano,
a contar da ciência do dano, para a propositura de ação de reparação de danos,
prevista no art. 18 da Lei 11.442/2007, à luz do art. 7º, XXIX, CF, uma vez que
não se trata de relação de trabalho, mas de relação comercial. 4. Procedência da
ação declaratória da constitucionalidade e improcedência da ação direta de
inconstitucionalidade. Tese: “1 – A Lei 11.442/2007 é constitucional, uma vez
que a Constituição não veda a terceirização, de atividade-meio ou fim. 2 – O
prazo prescricional estabelecido no art. 18 da Lei 11.442/2007 é válido porque
não se trata de créditos resultantes de relação de trabalho, mas de relação
comercial, não incidindo na hipótese o art. 7º, XXIX, CF. 3 – Uma vez
preenchidos os requisitos dispostos na Lei nº 11.442/2007, estará configurada a
relação comercial de natureza civil e afastada a configuração de vínculo
trabalhista”. (ADI 3961, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno,
julgado em 15/04/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-140 DIVULG 04-
06-2020 PUBLIC 05-06-2020) grifou-se

Sob outro aspecto, o caso concreto envolve manifestação política de


caminhoneiros fora de qualquer contexto de vínculo de emprego ou de relação

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de trabalho, sendo deduzidas pretensões (pauta) em face de atos estatais, os
quais não são aptos a caracterizar movimento de greve nos termos do artigo 2º
da Lei nº 7.783/1989, nem tampouco estão sob o amparo do enunciado da
Súmula Vinculante nº 23/STF.

Veja-se que a jurisprudência desse Supremo Tribunal Federal tem


acolhido o conceito de ordem jurídico-constitucional ao fixar o que se deve
entender por ordem pública no pedido de suspensão, o que pode ser extraído do
entendimento assentado nos seguintes precedentes do Tribunal Pleno dessa
Suprema Corte:
AGRAVO REGIMENTAL. SUSPENSÃO DE SEGURANÇA.
ACUMULAÇÃO DE PROVENTOS: PROCURADOR DE JUSTIÇA E
JUIZ FEDERAL. LESÃO À ORDEM PÚBLICA NA ACEPÇÃO
JURÍDICO-CONSTITUCIONAL DEMONSTRADA. SUPERVENIÊNCIA
DO ACÓRDÃO CONCESSIVO DA SEGURANÇA: EFEITOS.
ALEGAÇÕES REFERENTES AO ATO JURÍDICO PERFEITO E AO
DIREITO ADQUIRIDO: CUNHO MERITÓRIO DO MANDADO DE
SEGURANÇA. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME NA ESTREITA VIA
DA SUSPENSÃO DE SEGURANÇA COM BASE NA LEI 4.348/64 E NO
RISTF.
1. Demonstração da lesão à ordem pública em sua acepção jurídico-
constitucional, tendo em vista que a liminar em apreço impedia a
Administração do Tribunal Regional Federal da 5ª Região de fazer
cumprir os arts. 37, § 10; 40, § 6º, da Constituição Federal e 11, parte
final, da EC 20/98.
2. A superveniência do acórdão concessivo da segurança, no caso, não tem o
condão de repercutir no presente agravo regimental, até porque a suspensão
de segurança vigorará enquanto pender recurso, ficando sem efeito se a
decisão concessiva for mantida pelo Supremo Tribunal Federal ou transitar
em julgado, nos termos do art. 297, § 3º, do RISTF.
3. O argumento no sentido de que as aposentadorias estariam protegidas por
força do ato jurídico perfeito e do direito adquirido, porque diz respeito ao
mérito propriamente dito do mandado de segurança, não pode ser sopesado e
apreciado na estreita via da suspensão de segurança, tendo em vista o
contido nos arts. 4º da Lei 4.348/64 e 297 do RISTF. 4. Agravo regimental
improvido.
(SS 2860 AgR, Relatora Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em
11/10/2007, DJe-139 Divulg 08-11-2007 Public 09-11-2007 DJ 09-11-2007
PP-00030 Ement VOL-02297-01 PP-00083).

AGRAVO REGIMENTAL. SUSPENSÃO DE SEGURANÇA.


OCORRÊNCIA DE GRAVE LESÃO À ORDEM PÚBLICA,
CONSIDERADA EM TERMOS DE ORDEM JURÍDICO-
CONSTITUCIONAL. TETO. SUBTETO. ART. 37, XI, DA

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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, REDAÇÃO DA EMENDA
CONSTITUCIONAL 41/03. DECRETO ESTADUAL 48.407/04.
1. Lei 4.348/64, art. 4º: subsunção a uma de suas hipóteses. Configuração de
grave lesão à ordem pública: deferimento do pedido de contracautela.
2. Alegação de afronta aos princípios do direito adquirido e da
irredutibilidade de vencimentos: matéria de mérito do processo principal.
Inadequação da sua apreciação em suspensão de segurança, que tem
pressupostos específicos.
3. Não-aplicação, ao caso, do decidido pelo Supremo Tribunal Federal no
MS 24.875/DF, rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 06.10.2006.
4. Precedentes do Plenário.
5. Agravo regimental improvido.
(SS 2932 AgR, Relatora Min. Ellen Gracie (Presidente), Tribunal Pleno,
julgado em 17/03/2008, DJe-074 Divulg 24-04-2008 Public 25-04-2008
Ement Vol-02316-02 PP-00304)

A título de reforço, vale colacionar os seguintes precedentes em que


se acolheu a violação à ordem pública por inobservância da ordem jurídico-
constitucional: SS 5205, Relatora Min. Presidente, Decisão Proferida pela
Ministra CÁRMEN LÚCIA, julgado em 02/04/2018, publicado em 11/04/2018; SS
5182, Relatora Min. Presidente, Decisão Proferida pela Ministra CÁRMEN
LÚCIA, julgado em 27/06/2017, publicado em 02/08/2017.

Assim, no conceito de ordem pública está o de ordem jurídico-


constitucional, concebida esta como a impossibilidade de que seja inviabilizado
o cumprimento de mandamento constitucional ou que seja chancelada
interpretação que possa acarretar no esvaziamento do que previsto na
Constituição da República.

Diante do exposto, revelam-se fortes os fundamentos trazidos para a


suspensão dos efeitos da decisão judicial impugnada, restaurando-se a eficácia
das liminares em interditos proibitórios e mantendo-se a competência da Justiça
Federal, nos termos do art. 109, inciso I, da Constituição Federal, considerando
o movimento dos caminhoneiros afetar diretamente o uso de sua propriedade
sobre as rodovias federais, de interesse direto da União.

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IV - DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO LIMINAR DA
DECISÃO ATACADA – RELEVÂNCIA DOS ARGUMENTOS E
URGÊNCIA NA MEDIDA

Nos termos do já mencionado art. 4º da Lei nº 8.437/92,


verificando-se a plausibilidade do direito invocado e a necessidade de prestação
jurisdicional em caráter de urgência – sob pena de causar danos irreparáveis a
toda coletividade –, poderá o Presidente do Tribunal, em juízo prévio, atribuir
imediato efeito suspensivo liminar.

In casu, apresenta-se premente a necessidade da concessão do efeito


suspensivo liminar, em vista da plausibilidade dos argumentos aqui apresentados
e da fragilidade da tese acolhida na decisão que suspendeu a eficácia de
liminares deferidas pela Justiça Federal da 1ª Região e declinou a
competência para a Justiça do Trabalho.

Conforme detalhado no tópico anterior, a decisão atacada


desconsiderou (i) o interesse direto da União na proteção da circulação de bens e
pessoas nas rodovias nacionais e na continuidade dos serviços públicos
essenciais; (ii) a existência de relações de natureza comercial regidas pela Lei n°
11.442, de 2007; (iii) a manifestação política ocorre em face de atos estatais, e
não tem relação com seus eventuais empregadores.

Por sua vez, ao suspender a eficácia dos interditos proibitórios


concedidos liminarmente, a decisão deixou ao desamparo a necessidade de zelar
pela livre circulação de bens e pessoas nas rodovias nacionais, gerando grave
lesão à ordem pública e à ordem jurídica.

De igual modo, resta evidenciado o fundado receio de dano


irreparável (periculum in mora), uma vez que há risco de retomada da obstrução
na circulação nas rodovias e no acesso à infraestruturas críticas, com prejuízos

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para o país.

Diante do quadro narrado, e dos prejuízos transversais que ele é


capaz de impor à ordem econômica e social do país, é necessário que essa
Suprema Corte adote uma resposta enérgica e preventiva contra as ameaças de
novas paralisações que possam ser estimuladas pela decisão objeto deste pedido
de suspensão.

Desta forma, presentes os requisitos do fumus boni iuris e do


periculum in mora, postula-se a essa Eminente Presidência a suspensão
incontinenti da tutela antecipatória recursal deferida no âmbito do TRF/1ª
Região, para que se previna a instalação generalizada de pontos de bloqueio
rodoviário que impeçam a trafegabilidade e o acesso a instalações de
infraestrutura que são críticas para o funcionamento da economia nacional.

V - PEDIDOS

Por todo o exposto, estando presente o relevante interesse público


na liberdade de locomoção das pessoas (artigo 5º, inciso XV), no direito de
propriedade (artigo 5º, inciso XXII), na segurança pública (artigos 5º, caput; 6º
caput; e 144) e na continuidade dos serviços públicos essenciais (art. 175, caput
e inciso IV), tutelados por meio de várias decisões concessivas de liminares por
Juízos Federais da 1ª Região, requer a União seja concedida a suspensão da
tutela antecipada proferida por Desembargadora Federal do TRF/1ª Região,
restabelecendo-se as liminares deferidas até o trânsito em julgado das ações
possessórias, tendo em vista a iminência da concretização de graves
consequências para a ordem pública, seja sob a ótica da própria segurança
pública, seja no que se refere a sua dimensão jurídica.

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Nestes termos pede deferimento

Brasília, 03 de novembro de 2021.

Assinado de forma digital por IZABEL


IZABEL VINCHON NOGUEIRA VINCHON NOGUEIRA DE
DE ANDRADE:63569043134 ANDRADE:63569043134
Dados: 2021.11.03 02:16:07 -03'00'

IZABEL VINCHON NOGUEIRA DE ANDRADE


Secretária-Geral de Contencioso

ROL DE DOCUMENTOS

1. Decisão objeto do pedido de suspensão (proferida em regime de plantão);


2. Decisão suspensa proferida no proc. 1074613-20.2021.4.01.3800;
3. Decisão suspensa proferida no proc. 1051466-89.2021.4.01.3500;
4. Decisão suspensa proferida no proc. 1038338-63.2021.4.01.3900;
5. Decisão suspensa proferida no proc. 1009370-84.2021.4.01.4300;
6. Decisão suspensa proferida no proc. 1084218-35.2021.4.01.3300;
7. Decisão suspensa proferida no proc. 1084220-05.2021.4.01.3300;
8. Decisão suspensa proferida no proc. 1074634-93.2021.4.01.3800;
9. Decisão suspensa proferida no proc. 1027714-18.2021.4.01.3200;
10. Decisão suspensa proferida no proc. 1040594-67.2021.4.01.4000;
11. Decisão suspensa proferida no proc. 1016914-44.2021.4.01.4100;
12. Certidão número provisório autuação do agravo de instrumento no TRF1;
13. OFÍCIO Nº 73/2021/CGAT/DIREX;
14. Nota Técnica nº 3/2021/CREDEN/SADSN.

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