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ESQUEMA DA MENTE (Inteligência Multifocal – Augusto Jorge Cury)

1. O ser humano capta as informações e experiências vividas no mundo interno e externo através
dos 5 sentidos. A esse processo chamamos processo RAM ou registro automático da memória.
Tudo seja externo ou interno é registrado.

2. Cada informação ou experiência é armazenada como um sistema de código físico-quimico,


chamado de RPS ou Representação Psicosemântica que representa o significado ou conteúdo da
experiência. E este código é dado pelo usuário da mente.

3. Quando as informações e experiências são captadas elas são registradas em relatórios que as
traduzem /interpretam.

4. Estes relatórios são armazenados e este processo é chamado memória. Ela contêm a história
intra-psíquica do ser humano composta de milhões de experiências de prazer, medo, apreensão,
tranqüilidade, raiva que temos desde a concepção. A leitura de memória não é simplesmente um
resgate de informações, mas uma organização destas informações.

5. Existem dois tipos de memória:

Memória existencial - todas as experiências que vão sendo registradas ao longo da vida.
Memória de uso contínuo – informações que vão sendo usadas e rearquivadas continuamente.

6. Sempre que as informações são utilizadas pela memória de uso continuo elas ficam mais
disponíveis ao acesso. Sempre que deixamos de usar informações elas saem da memória de uso
continuo e vão ser arquivadas na memória existencial e passam a ficar em local de acesso mais
difícil.

7. Fobias, vícios e transtornos obsessivos acontecem porque as informações são administradas


pela memória de uso continuo portanto ficam sempre disponíveis.

8. Cada relatório de interpretação da experiência que é arquivado carrega consigo todo o


emocional do momento em que a experiência ocorre e a cada atualização do relatório a emoção
daquele novo momento também é arquivada.

9. Tudo o que se vive é registrado:

Experiências psíquicas: pensamentos, idéias, raciocínios analíticos, ansiedades, angústias,


prazeres. Por serem mais subjetivas e complexas são menos organizadas e sofrem distorções de
leitura.

Informações psíquicas: nomes, números, símbolos lingüísticos, símbolos visuais, fórmulas


matemáticas. Por serem mais objetivas estas informações recebem códigos mais bem organizados
na memória. E também sofrem menos distorções na leitura.

Os condicionamentos e fobias ocorrem quando estes três elementos atuam sem a atuação da
Essência (Eu).

10. Quando lembramos não nos lembramos das experiências originais pois elas já não existem
mais. A história original está morta em sua essência. Cada vez que recordamos o que a mente faz
é buscar a pasta no arquivo, ler e interpretar e as informações do relatório daquela pasta e
reconstruir a experiência gerando uma “matriz de pensamentos essenciais”, ou seja, a base de
dados. Essa informação arquivada é então virtual pois perdeu sua essência original. Toda
recordação tem um débito emocional em relação a experiência original. E a mente entende nessa
leitura que estamos vivendo nova experiência.

11. O processo é rearquivado na mesma pasta para servir de base para a próxima leitura. Portanto
as experiências arquivadas nunca são idênticas a experiência original porque sofre diversas
modificações que incluem os dados colhidos no momento do arquivamento.

12. Quando formamos pensamentos o que estamos fazendo é ler a matriz e interpretar essa
leitura.

13. Quando tratamos de pensamentos dialéticos usamos um programa de leitura chamato LVD,
leitura virtual dialética. Quando se trata de pensamentos antidialéticos a utilização do LVD fica
mais difusa.

14. Através dessa matriz formamos dois tipos de pensamentos:

Pensamentos dialéticos: são conscientes, lógicos, bem organizados, bem definidos. Números,
endereços, nomes, palavras, etc. São expressos com facilidade pois são facilmente codificados
pelo sistema nervoso central.

Eles tem dimensões maiores do que a expressa pela comunicação através das verbalizações. Este
tipo de pensamento é expresso por símbolos sonoros e visuais.

Pensamentos antidialéticos: são mais difusos. São expressos por imagens mentais, conceitos
difusos, fantasias, consciência das experiências.

15. Quando a matriz gerada não é utilizada para formara pensamentos ainda assim são gerados
reações emocionais instintivas e motoras inconscientes

16. Sempre que a memória é checada e lida ela gera matrizes essências pois a mente deixa tudo
preparado para a formação do pensamento mesmo que ele não ocorra.

17. A matriz de pensamentos essenciais é gerada sempre que ocorre a leitura da memória.

Os pensamentos essenciais que geram esta matriz são constituídos da mesma energia psíquica
que existe no real e ocorrem de forma inconsciente. Já os pensamentos dialéticos e antidialéticos
formados pelos essências, por se tratarem de interpretação consciente dos essenciais são
considerado virtuais e portanto não possuem a mesma energia.

18. Quando formamos pensamentos dialéticos e antidialéticos sobre coisas que estamos
vivenciando neste momento, estes são pensamentos virtuais. Estes mesmos pensamentos se
formados sobre coisas do ontem ou do amanhã são chamados pensamentos virtuais imaginários.

19. A leitura das PRS ligadas a informações simples e que estão em geral armazenadas na
memória de uso continuo, como nosso nome por exemplo, serão matrizes mais fiéis a experiência
original.

A memória existencial não terá RPS tão fiéis pois elas serão resultado da interpretação da
experiência.

20. O processo de registro, arquivamento e leitura pode ser consciente ou inconsciente, ou seja,
sem a presença da Essência (Eu).

21. No processo consciente a Essência escolhe e utiliza as matrizes que deseja


22. Mas a mente possui em si mesma outros três processos inconscientes (automático):

Auto-checagem da memória ou gatilho de memória – que dá o “start” do processo reagindo aos


estímulos captados pelos sentidos sejam eles internos (pensamentos) ou externos. Este é um
processo que ocorre automaticamente independente da vontade dirigida do Eu. Como temos
milhares de contatos sensoriais ao longo do dia temos o acionamento do fenômeno de checagem
da memória mesmo numero de vezes. Reações fóbicas, movimentos musculares involuntários e
reações impulsivas não são leituras da Essência mas o gatilho de memória em ação. Este processo
se inicia na vida intra-uterina.

Auto fluxo – representa o fluxo por si mesmo. É o fenômeno que dá continuidade ao processo e
que lê propriamente dito a memória. Representa o fluxo espontâneo de energia psíquica que gera
continuamente a produção de pensamentos, idéias, motivações e emoções. Ele é responsável pela
leitura da memória, pela construção inconsciente das idéias, pela construção do Eu.

Quem forma o Eu não é a educação mas o continuo pensar processo mantido pelo autofluxo que
nos mantêm pensando sempre. Como cada pensamento auxilia na construção da história de cada
um todo e qualquer pensamento auxiliará na formação do ser e isso acontece porque a máquina
mental não para de gerar pensamentos através do auto-fluxo. Pensar não é uma opção do
homem, pensar é o seu destino inevitável.

Ancora da memória – Este é um fenômeno que influi e é influenciado pelos outros 3 processos
mentais.

Este fenômeno é importante pois, quando a mente sofre o processo de leitura, para evitar que a
máquina mental tenha que ler todo o arquivo contido nela, o que levaria muito tempo para
acontecer, a âncora de memória irá direcionar o auto fluxo para as gavetas específicas onde
existam referências diretas ou associativas ao tema tratado.

Para cada ambiente, situação ou momento em que vivemos a âncora de memória irá nos conduzir
apenas para as gavetas onde possam existir referência ao tema.

Isso é facilmente entendido quando uma pessoa costuma ter um comportamento sóbrio em seu
trabalho e no momento em que se encontra em um ambiente festivo com amigos passa a ter
comportamentos condizentes com a situação.

Este fenômeno atua intensamente em processos como a Síndrome do Pânico quando a leitura da
memória é direcionada as gavetas e pastas onde existem relatos de crises anteriores. A leitura
destes arquivos gera pensamentos do tipo “vou morrer”. Estes pensamentos, por padrão da
máquina, geram emoções intensas, ansiosas, estas emoções são direcionadas ao córtex cerebral,
preparado para reações de fuga, gerando uma reação fóbica tão intensa que causa a Síndrome.

23. Os estímulos intrapsíquicos (pensamentos, idéias, análises, reações fóbicas, ansiedade, etc.),
os estímulos extrapsíquicos (ambientes sociais, comportamento das pessoas, elogios, ofensas,
situações de discriminação, cobranças socioprofissionais, provas escolares, entrevistas, testes,
etc.) e

24. Todos os processos automáticos da mente humana quando acontecem movimentam o fluxo
vital da energia psíquica. Tudo o que pensamos produz essa energia. É um processo ininterrupto e
que impulsiona os pensamentos. Como o fluxo vital de energia psíquica não pode ser interrompido
e ele condiciona a produção de pensamentos também estes não podem ser interrompidos.
Se o fluxo vital de energia psíquica pudesse ser interrompido e conseqüentemente não produzisse
mais os pensamentos a vida psíquica seria um tédio pois gastamos diariamente grande parte de
nosso tempo mergulhados em nosso mundo intrapsiquico.

25. A auto-checagem da memória produz cadeias de pensamentos essenciais, que são lidas
virtualmente, gerando pensamentos dialéticos e antidialéticos, trazendo assim a consciência
existencial.

26. Concluímos que desde a vida fetal registramos pelo fenômeno RAM uma memória. A medida
que isso ocorre automaticamente são gerados cadeias de pensamentos essenciais e que serão
utilizados quando na vida extra-uterina para formar pensamentos dialéticos e não dialéticos.

Dessa forma começamos a formar nossa personagem (Eu). Na infância ainda produzimos
pensamentos simples mas a medida em que interagimos no planeta vamos enriquecendo este
processo e ao mesmo tempo treinando nossa maquina mental para trabalhar.

Sem que a máquina aprenda a exercitar o seu oficio a personagem fica impossibilitada de crescer
e atuar nos processos mentais.

27. A Nos transtornos obsessivo-compulsivos o auto-fluxo lê continuamente as RPs de conteúdo


negativo e reconstroem-nas interpretativamente gerando experiências angustiantes e uma reação
aversiva.
A aversão gera um registro na memória de uso continuo das RPS referentes a experiência e a cada
nova leitura idéias dialéticas e antidialéticas vão sendo produzidas sempre com conteúdo
semelhante.

A produção de pensamentos é multifocal, ou seja, produzida por multiplos fenômenos.

Os pensamentos dialéticos são o instrumento que o Eu/Essência se utiliza para gerenciar a mente
e conseqüentemente atuar no mundo. Este processo torna-se complexo porque o pensamento
dialético tem base virtual.

E o que é virtual pode conscientizar-se do que real mas não atuar diretamente nele, modificando-
o.

Portanto, por serem virtuais, os pensamentos dialéticos podem dar ao indivíduo condições de
compreender o mundo mas não capacidade de atuar no mundo.

Por serem dialéticos eles dão consciência dos conflitos e da causa dos conflitos mas não tem
capacidade de removê-los. O individuo torna-se consciente de suas dores internas, angustias e
ansiedades, mas não tem como intervir transformando essas emoções.

Porque por serem de natureza virtual eles não tem força para atuar no campo emocional e nem na
construção dos pensamentos essenciais.

As teorias psicológicas, como a Psicanálise por exemplo, acreditam que pelo fato do indivíduo
compreender as causas inconscientes de seus conflitos, ele conseguirá removê-los.

Compreender as causas de uma doença não é o suficiente para supera-la.

A Terapia Cognitiva, despreza os aspectos inconscientes e trabalha diretamente nos conflitos, nos
humores, nas reações fóbicas.
Dessa forma essa terapia estimulo o indivíduo a usar mais os pensamentos essenciais do que os
dialéticos.

A Psicanálise usa mais os dialéticos através da técnica de livre-associação, do que os essenciais. A


Terapia Cognitiva usa mais o pensamento essencial que é inconsciente, como instrumento
terapêutico.

Os pensamentos conscientes são gerados a partir de pensamentos essenciais. Estes pensamentos


conscientes vão lendo a memória e dessa forma motive a mente a formar mais pensamentos
essenciais que gerarão outros conscientes, expandindo assim a capacidade de pensar.

Mas, a memória armazena de fato os pensamentos essenciais, de caráter real, e não os


conscientes que são de caráter virtual.

Quando recordamos, realizamos este processo e a produção de pensamentos essenciais que vão
sendo arquivados na memória vão reescrevendo a história.

Para que isso aconteça é importante que os pensamentos essenciais gerados tenham uma carga
emocional intensa, para que sejam registrados na memória.

A técnica de reprogramação é aplicada usando o pensamento consciente (dialético) para fazer o


cliente consciente de sua história e usa os pensamentos essenciais para modificar essa história
(técnica do resgate da liderança do Eu nos focos de tensão.

Provavelmente, mais da metade de nosso tempo de vigília é gasto com os pensamentos dialéticos
que são produzidos na mente e que não chegam a ser expressos. No entanto, este processos leva
o indivíduo a introspecção, a autocontemplação que o ajuda a assimilar as experiências.

Estes pensamentos gastam a energia psíquica gerada durante a leitura virtual das matrizes de
pensamentos essenciais.

Essa é uma das causas da agitação das crianças de colo e das autistas. Elas produzem infinitos
pensamentos essenciais e não conseguem transformá-los em pensamentos dialéticos mas sofrem,
a influência da energia psíquica relacionada a eles.

Desde a vida fetal até o inicio do estágio extra-uterino a máquina mental sofre o arquivamento de
sensações que irão formar o primeiro formato de personalidade. São as primeiras instruções
recebidas pela máquina e que produzem pensamentos essenciais a-históricos.

Quando os três processos automáticos da máquina acontecem de forma acelerada e impedem a


atuação do Eu / Essência na leitura e administração deste processo ocorre o que a Psiquiatria
chama de Psicose Esquizofrênica, que nada mais é o comprometimento da estrutura lógica da
autochecagem, ancora e autofluxo.

Como a produção de idéias não pode ser paralizada o esquizofrênico retroalimenta sua mente com
pensamentos delirantes.

Quando o esquizofrênico recebe uma dose de medicação antipsicótica o que acontece é que
ocorre uma desaceleração do sistema, diminuindo o ritmo dos pensamentos, permitindo a leitura
da memória, a construção dos pensamentos dentro dos parâmetros de realidade interrompendo
com os delírios e alucinações.

O Eu/Essência consegue administrar bem os pensamentos dialéticos mas não tão bem os
antidialéticos.
Isso explica a dificuldade de gerenciamento do Eu/Essência em casos de fobias e Síndrome do
Pânico quando acontece uma larga produção de pensamentos antidialéticos.

Quando estas doenças estão em estágios iniciais é possível com psicoterapia orientar a Essência
para que ela administre eficientemente o processo de pensamentos antidialeticos mas quando o
estágio da doença é avançado, quando acontece a desorganização dos pensamentos, como nas
psicoses e na fase eufórica dos transtornos bipolares é importante que aconteça também a
medicação psicótica para auxiliar na construção de pensamentos conscientes.

Na mente há cinco grandes etapas de produção mental que se processam em frações de


segundos, das quais as três primeiras são inconscientes.

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