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pena de prisão concreta que se quis substituir; determinar a pena concreta do outro crime;

e só depois, em relação a pena única conjunta, e que o juiz poderia decidir pela suspensão
ou não – se chegasse a uma pena de prisão concreta até 5 anos.
2.5. Punição do crime continuado
O crime continuado não se confunde com crime permanente. Em termos muito
simples, um crime continuado supõe sempre um concurso verdadeiro ou efetivo de
crimes – o agente, com o seu comportamento, preencheu mais que um tipo legal de crime,
ou o mesmo tipo legal de crime mais do que uma vez.
Só que, de acordo com o art. 30º/2 (exceção ao número 1), o legislador – uma vez
verificados os pressupostos – vai ficcionar que em vez de vários crimes tem só um único
continuado. Vai punir menos gravemente o agente.
No quadro da solicitação de uma mesma situação exterior que diminua a culpa do
agente (pressuposto material) – em regra, o agente que pratica o crime continuado é
menos punido que o agente que não o é neste âmbito. Isto porque se houver um crime
continuado não seguimos o pp- cúmulo jurídico, mas sim o pp. da exasperação.
Considera-se que há uma menor culpa do agente.
Os exemplos de escola são os seguintes.
Eu faço uma chave para assaltar um apartamento que acho que tem coisas rentáveis. Assalto o
apartamento. Quando estou a sair do prédio, tento por acaso ver se a chave funciona no
apartamento ao lado – e funciona, também o assalto.
Ora, há dois crimes, mas pode entender-se que existe um circunstancialismo externo que diminui
a culpa relativamente ao segundo crime: deter uma chave que provavelmente entrava no
apartamento, o apartamento estar vazio.
O caixa de banco, por não haver caixas MB, quer passar na sexta uma noite com os amigos, mas não
tem disponibilidade para o fazer. Então, retira da caixa o dinheiro para o fim de semana, convicto
que na semana seguinte reporá o dinheiro. Não repõe.
Três semanas depois, repete o ato.
Entende-se que nestas situações há circunstancialismo que arrasta o agente para a reiteração
criminal.
No edifício do Arnado, uma senhora arranja forma de ficar com parte do dinheiro do
estacionamento – do ponto de vista processual, esta senhora todos os dias cometeria um crime
(fazer prova de todos os crimes? Muito complicado).
Há uns tempos, em Coimbra, foi julgado um jovem que foi acusado de milhares de crimes de
pornografia infantil. Aqui, 26.300 crimes de pornografia infantil: o jovem viu um filme, movido pela
curiosidade, de pornografia infantil que estava na sua caixa de mail (que só por si é já um crime); o
programa estava feito de modo a que partilhasse com outros (cadeia) – também crime. Acabou por
ir a julgamento por esse número de crimes.
Vamos tratar esta situação como situação de crime continuado?
Olhemos para o art 79º CP – o crime continuado é punível com a pena aplicável à
conduta mais grave que integra a continuação (pp. exasperação).

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