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Ementário Forense

(Votos que, em matéria criminal, proferiu o Desembargador


Carlos Biasotti, do Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo. Veja a íntegra dos votos no Portal do Tribunal de
Justiça: http://www.tj.sp.gov.br).

• Prazo Processual (1a. Parte)


(art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.)

Voto nº 6875

“Habeas Corpus” nº 922.253-3/8-00


Art. 155, § 4º, ns. III e IV, do Cód. Penal;
arts. 648, nº II, 654, § 2º, e 580 do Cód. Proc. Penal;
art. 5º da Const. Fed.

– Dos mais sagrados direitos do réu é ver-se processar, rigorosamente, nos


prazos que lhe assina a lei. Donde o haver fixado a Jurisprudência em 81
dias o prazo legal máximo para a formação da culpa de réu preso. Esse é o
marco miliário que estrema a legalidade do arbítrio.
– Grave que lhe seja o crime e abjeto seu caráter, nenhum réu decai nunca da
proteção da lei, que todos iguala (art. 5º da Const. Fed.).
– O escrúpulo de restituir à sociedade, sem julgamento, aquele de seus
membros que fundamente a agravou cede ao dever que tem o Juiz de
cumprir a lei e respeitar o direito, ainda que em seu titular pese acusação
grave.
–“Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de
habeas corpus, quando no curso do processo verificarem que alguém sofre
ou está na iminência de sofrer coação ilegal” (art. 654, § 2º, do Cód. Proc.
Penal).
–“É justo que, em caso igual, a mim e aos outros se aplique o mesmo direito”
(Demóstenes, A Oração da Coroa, 1877, p. 25; trad. Latino Coelho).
Voto nº 924

Recurso em Sentido Estrito nº 1.098.357/1


Art. 179 do Cód. Penal (fraude à execução)
art. 370, § 1º, do Cód. Proc. Penal

– Ainda que o patrono judicial não deva exonerar-se do dever de acompanhar,


com especial diligência, o andamento das causas que lhe foram confiadas,
dispõe a lei que a intimação do advogado do querelante se fará por
publicação em órgão da imprensa (cf. art. 370, § 1º, do Cód. Proc. Penal).
–“A grande tortura profissional dos advogados: a constante vigilância em
matéria de prazos” (Eliézer Rosa, Cadernos de Processo Civil, 1973, vol.
I, p. 69).
– Se vários advogados constam do instrumento de procuração, não há
mister mais que a publicação do nome de um deles para os efeitos da lei,
exceto se houve requerimento para que as intimações se fizessem em nome
de advogado certo, caso em que a omissão importará a nulidade do ato.

Voto nº 2158

“Habeas Corpus” nº 361.762/2


Art. 155, “caput”, e art. 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

– Por amor da muita estima em que tiveram sempre a liberdade do homem


(bem supremo sem o qual a própria vida não merece os cuidados que lhe
reservamos), fixaram os Tribunais em 81 dias o prazo máximo razoável
para a apuração da responsabilidade criminal de réu preso.
–“Nunca é demais enfatizar que vigora no nosso sistema legal, por força de
compromisso internacional que o Brasil está obrigado a cumprir, o
mandamento segundo o qual todo o acusado tem o direito de obter, num
prazo razoável, pronunciamento judicial que defina sua situação perante a
lei” (Rev. Sup. Trib. Just., vol. 97, p. 321; rel. Min. Edson Vidigal).
Voto nº 3102

Recurso em Sentido Estrito nº 1.249.863/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 107, nº IV; 109, nº III, 110 e 115 do Cód. Penal

– Das decisões proferidas pelo Juízo de Direito da Vara das Execuções


Criminais cabe, em princípio, agravo, por força do preceito do art. 197 da
Lei de Execução Penal.
– Se o Estado, por seus agentes, não revela, durante largo trato de tempo,
interesse algum em cumprir ordem de prisão expedida contra réu já
reintegrado no convívio social (e afastado da esfera do crime), decai do
direito de fazê-lo à véspera da consumação do prazo prescricional da
pretensão executória de sua pena. Por ferir de frente o sentimento de
justiça e a lógica do razoável, a cega obediência à lei, em tal caso, seria
rematado arbítrio e vingança; mas justiça excessiva não é senão injustiça,
proclamou com assaz de razão o eloquente Cícero: “Summum jus, summa
injuria” (De Officiis, I, 10).
– Ao Estado não pode interessar mais a expiação do delito cometido pelo
infrator do que sua recuperação, fim último da pena.
–“Não há vinculação à lei que seja suficientemente forte para romper o
compromisso que todo Juiz Criminal deve ter com a equidade e, portanto,
com a própria Justiça” (Alberto Silva Franco, in JTACrSP, vol. 76, pp.
307-308).

Voto nº 7070
“Habeas Corpus” nº 964.353-3/1-00
Art. 159, § 1º, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, e 798, § 4º, do Cód.Proc. Penal;
art. 5º, nº LXVI, da Const. Fed.

– É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que


somente o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal,
não a demora na inquirição de testemunhas por precatória, que tem o caráter
de força maior, motivo de suspensão do curso dos prazos (art. 798, § 4º,
do Cód. Proc. Penal).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
–“Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução,
provocado pela defesa”(Súmula nº 64 do STJ).
– No tem jus à liberdade provisória o autor de extorsão, pela falta de
requisito intrínseco: inocorrência de hipótese que autorize a prisão
preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
– A natureza e a gravidade do crime de extorsão mediante sequestro
impedem se outorgue a seu autor, ainda que primário e de bons
antecedentes, o benefício da liberdade provisória. A defesa dos direitos e
interesses da sociedade é que reclama a segregação, até a decisão final de
mérito, daquele que violou profundamente a ordem jurídica (art. 159, § 1º,
do Cód. Penal).

Voto nº 11.735

“Habeas Corpus” nº 990.09.069019-4


Arts. 155, § 4º, nº IV, e 71 do Cód. Penal;
arts. 156 e 647 do Cód. Proc. Penal

–“Estará ausente o legítimo interesse, se não houver ato de coação, ou de


ameaça ao direito de ir e vir” (José Frederico Marques, Elementos de
Direito Processual Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 408).
– Pequena demora na solução da lide não constitui constrangimento ilegal
reparável por “habeas corpus”; sucesso que pertence ao círculo da previsão
humana, todo infrator sabe que, delinquindo, sua liberdade poderá ser
coartada em grau menor ou maior.
– Se não prova o paciente (como lhe cabe, por força do preceito do art. 156
do Cód. Proc. Penal) que está a sofrer constrangimento ilegal — que é sua
pedra-de-toque —, não há dispensar-lhe o remédio do “habeas corpus”
(art. 647 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2520

“Habeas Corpus” nº 367.776/0


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Preso o réu em flagrante por delito inafiançável, estando o respectivo auto


em forma regular, não se lhe relaxa a custódia provisória, exceto se
decorrido lapso de tempo superior àquele que a Jurisprudência tem
estabelecido como o máximo razoável para o encerramento da instrução
criminal.
– Ainda o prazo de 81 dias, estimado pela Jurisprudência como a meta
derradeira da instrução, não é fatal nem peremptório, pois se sujeita às
contingências inerentes ao processo-crime (v.g.: complexidade da causa,
falta de apresentação de réu preso à audiência, força maior, etc.).
– Isto de defender-se em liberdade é direito somente do réu primário e de
bons antecedentes, quando comprovada a ausência de hipótese que autorize
a decretação da prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).
– Mesmo que o paciente o não prove, mas apenas alegue ser portador do
vírus HIV, a autoridade judiciária indicada como coatora dará as
providências que estiverem em suas posses para averiguá-lo e dispor não
lhe faltem os cuidados médicos urgentes.

Voto nº 3723

“Habeas Corpus” nº 406.814/2


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ

– Todo o excesso é danoso; a própria bondade morre do excesso. A parêmia


sobe de ponto e alcance em matéria de restrição da liberdade, bem
valiosíssimo do homem. A jurisprudência dos Tribunais, por isso, fixou em
81 dias o prazo máximo para o término da instrução criminal de réu preso.
Esse é o marco temporal que, em linha de princípio, separa a legalidade do
arbítrio.
– Não é fatal, porém, nem peremptório esse prazo; o excesso de prazo na
formação da culpa só importa constrangimento ilegal remediável por
“habeas corpus”, se provocado pela incúria ou desídia do Magistrado ou
do Promotor de Justiça.
– O escopo do processo é a pesquisa da verdade real; pequena demora na
tramitação compreende-se entre as contingências ou circunstâncias
aleatórias a que estarão sujeitos sempre aqueles que transgredirem a ordem
jurídica.
– Preso em flagrante, natural é responda o acusado no cárcere ao processo
que lhe instaurou a Justiça Pública. Em se tratando de crimes inafiançáveis,
só em casos excepcionais é lícito deferir-lhe o benefício de aguardar solto a
decisão de mérito.
Voto nº 5094

“Habeas Corpus” nº 453.318/5


Arts. 157, § 2º, nº I, e 331 do Cód. Penal;
art. 648, nº I, do Cód. Proc. Penal

– A demora justificada no encerramento da instrução da causa não constitui


constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus”. É desse número o
atraso na formação da culpa de réu preso decorrente da realização do
exame de sanidade mental requerido pela Defesa. Trata-se de caso de
força maior, ou razão de ordem superior, contra a qual nada pode o Juiz,
ainda o mais diligente e prevenido; donde o haver disposto o legislador que,
no caso de força maior, “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód.
Proc. Penal).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– Isto de defender-se em liberdade é direito somente do réu primário e de
bons antecedentes, quando comprovada a ausência de hipótese que autorize
a decretação da prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).

Voto nº 3449

“Habeas Corpus” nº 396.936/8


Art. 10, “caput”, da Lei nº 9.437/97;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

– Por evitar abuso e afronta ao “status libertatis” do indivíduo, orçou a


jurisprudência dos Tribunais em 81 dias o prazo máximo para a apuração
da responsabilidade criminal do réu preso. Este é o marco miliário que
separa a legalidade do arbítrio. Pelo que, exceto se justificado, o excesso de
prazo na formação da culpa configura constrangimento ilegal, remediável
por “habeas corpus” (art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal).
– Pequena demora no encerramento da instrução criminal, motivada por
força maior, que não estava nas mãos do Juiz prevenir nem conjurar,
sempre se releva e compreende, pois ninguém é obrigado ao impossível
(“nemo tenetur ad impossibilia”).
– O Juiz, em suas decisões, deve sempre guiar-se pela lógica do jurista, que
é, na expressão de Recaséns Siches, a “lógica do razoável”.
Voto nº 193

Embargos de Declaração nº 1.030.569/5


Art. 157, § 2º, nº 2, do Cód. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 619 do Cód. Proc. Penal

– Assaz de razão teve o ínclito Eliézer Rosa para penalizar-se dos


advogados, “cuja grande tortura profissional é a constante vigilância em
matéria de prazos” (Cadernos de Processo Civil, 1973, vol. I, p. 69). Sabia
o provecto Magistrado que ainda o advogado mais diligente lá um dia terá
de recolher seu tributo a essa esfinge sem entranhas (os prazos processuais),
que lhe devora os frutos do trabalho.
– Dispõe o art. 619 do Cód. Proc. Penal que os embargos de declaração
devem ser opostos “no prazo de dois dias” contado da publicação do
acórdão.

Voto nº 269

“Habeas Corpus” no 302.582/2


Art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.

– No cômputo da Jurisprudência, a meta para a apuração da responsabilidade


criminal de réu preso são 81 dias. Este, ordinariamente falando, é o marco
sagrado que separa a legalidade do arbítrio.
– Não se trata, contudo, de prazo fatal e peremptório, antes está sujeito à
universal contingência dos eventos de caráter inexorável, impossíveis de
impedir ou evitar.
– Tão somente o excesso de prazo injustificável é que configura a coação
ilegal, não aquele imposto por motivo de força maior, como expedição de
precatória para inquirir testemunha fora da sede do Juízo, sucessivas
renúncias de defensores do réu, etc.
Voto nº 274

“Habeas Corpus” no 302.560/3


Art. 648. nº II, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.

– Dos mais sagrados direitos do réu é ver-se processar, rigorosamente, nos


prazos que lhe assina a lei. Donde o haver fixado a Jurisprudência em 81
dias o prazo legal máximo para a formação da culpa de réu preso. Esse é o
marco miliário que estrema a legalidade do arbítrio.
– Grave que lhe seja o crime e abjeto o caráter, nenhum réu decai nunca da
proteção da lei, que todos iguala.
– O escrúpulo de restituir à sociedade, sem julgamento, aquele de seus
membros que fundamente a agravou cede ao dever que tem o Juiz de
cumprir a lei e respeitar o direito, ainda que em seu titular pese acusação
gravíssima.

Voto nº 315

“Habeas Corpus” no 303.348/0


Art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.

– Nem todo excesso de prazo deve reputar-se causa e motivo de coação


ilegítima, senão unicamente o que decorre da desídia do Juiz e do Promotor
de Justiça.
– Se a demora na prestação jurisdicional advém da impontualidade na prática
de determinado ato por terceiro (v.g., Instituto de Criminalística), justifica-
se ela em face do motivo de força maior, que não estava nas mãos do Juiz
prevenir ou atalhar.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
Voto nº 615

“Habeas Corpus” nº 313.384/9


Art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.

– Nem todo o excesso de prazo deve reputar-se causa e motivo de coação


ilegal, mas somente aquele que se origine da desídia do Magistrado ou do
Promotor de Justiça.
– Para quem está preso, um dia representa uma eternidade.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 774

“Habeas Corpus” nº 316.142/1


Art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ;
art. 5º, nº LXXVIII, da Const. Fed.

– Não se considera ilegal todo o excesso de prazo, senão só aquele que


decorre da desídia do Juízo ou do Ministério Público. Em suma: unicamente
a demora injustificada na formação da culpa autoriza a concessão de
“habeas corpus”, que ponha cobro à ofensa ao “status libertatis” do
paciente.
– Eventual retardamento na conclusão do sumário de culpa inscreve-se entre
as contingências ou vicissitudes a que estão sujeitos os que, acusados de
violar a lei penal, devam aguardar, sob custódia, o pronunciamento da
Justiça.
– O Magistrado olhará, entretanto, não persista o motivo do queixume do
paciente, prestando sua jurisdição com a brevidade que couber no possível,
lembrado sempre do desespero de quem está preso, o que o eminente
Eliézer Rosa retratou bem nestas palavras: cárcere, casa dos mortos (in
Jurídica, nº 110, p. 17).
Voto nº 1045

“Habeas Corpus” nº 326.754/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– Dentre os mais respeitáveis direitos do preso conta-se o de ser processado


estritamente nos prazos que lhe assina a lei, pois que inadmissível fique
indefinidamente privado do bem supremo da liberdade, antes da sentença
condenatória final. É que “não há maior tormento no mundo que o
esperar” (Vieira, Sermões, 1959, t. V, p. 210).
– Daqui o haver a Jurisprudência fixado em 81 dias o prazo máximo para a
instrução criminal de processo de réu preso. Tal prazo contudo não é fatal
nem peremptório, antes está sujeito a temperamentos e contingências.
Primeiro que o mais, para se caracterize o excesso de prazo, há mister lhe
tenha dado causa a desídia do Magistrado ou do Promotor de Justiça.
– Isto de exceder-se, ao de leve, a meta cronológica fixada para a apuração da
responsabilidade criminal de réu preso passa, muita vez, por infortúnio a
que (ainda mal!) se haverá de sujeitar quem, violando a ordem jurídica, deu
a conhecer não soubera preservar a própria liberdade.
– O autor de roubo (excetuados casos especialíssimos, ao prudente arbítrio
do Juiz) não faz jus à liberdade provisória, mercê esta incompatível com
os criminosos violentos, por presumir-lhes a lei a periculosidade (cf. art. 83
do Cód. Penal).

Voto nº 934

“Habeas Corpus” nº 323.134/3


Art. 171 do Cód. Penal

– É princípio geralmente recebido que, entre os mais sagrados direitos do


preso, está o de ser julgado, rigorosamente, nos prazos que lhe assina a lei.
– A Jurisprudência fixou em 81 dias o prazo máximo para a apuração da
responsabilidade criminal de réu preso. Esse é o padrão cronológico ideal
para a formação da culpa.
– Algum excesso, contudo, sempre haverá, pois não está nas mãos do
Magistrado atalhar todos os incidentes que possam acarretar involuntária
dilação dos trâmites legais do processo. O prazo da instrução criminal deve
aferir-se, portanto, pelo estalão da razoabilidade, segundo o prudente
arbítrio do Juiz.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– Ainda o pior dos delinquentes não decai nunca da proteção da lei nem pode
ficar privado de justiça. É que, segundo a alta doutrina do insigne Vieira,
“ao mesmo Demônio se deve fazer justiça, quando ele a tiver” (Sermões,
1696, t. XI, p. 295).

Voto nº 1059

“Habeas Corpus” nº 327.184/5


Art. 157, § 2º, ns. I, II e III, do Cód. Penal

– Um processo não se arrasta: tramita, e nunca o faz sem dignidade!


– Entre os mais sagrados direitos do preso inscreve-se o de ser julgado,
rigorosamente, nos prazos da lei, pois que inadmissível fique privado, por
tempo indefinido, antes da sentença condenatória final, do bem excelso da
liberdade. Demais, nenhuma coisa se tem por mais difícil que unir a dor à
paciência.
– Donde o haver a Jurisprudência fixado em 81 dias o prazo máximo para a
apuração da responsabilidade criminal de réu preso. Tal prazo, contudo,
não é fatal nem peremptório.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– Para a decretação da prisão preventiva não se exige prova pontual da
autoria; bastam indícios suficientes. “Trata-se de prova estritamente
necessária a apagar caráter de violência e de arbitrariedade, de ato que
não é sentença” (Orosimbo Nonato, in Rev. Tribs., vol. 150, p. 335).

Voto nº 1130

“Habeas Corpus” nº 328.960/6


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal

– O intuito de abreviar o rigor do cárcere – transformado muita vez em


“curral de alvenaria” – esteve sempre entre os mais graves cuidados da
Justiça Criminal. Daqui o haver a jurisprudência dos Tribunais orçado em
81 dias o prazo máximo para o encerramento da instrução criminal de
processo de réu preso, sob pena de caracterizar-se constrangimento ilegal
por excesso de prazo.
– Vem a ponto advertir, no entanto, que somente configura constrangimento
ilegal o excesso de prazo a que tenha dado causa a incúria do Magistrado
ou do Promotor de Justiça.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo (Súmula nº 52 do STJ).
– A prática de roubo inculca no agente profundo desprezo das regras que
disciplinam a vida em sociedade, sobre descobrir-lhe alentada carga de
desajuste ético. Em princípio, não tem jus à liberdade provisória.

Voto nº 1168

“Habeas Corpus” nº 329.652/1


Art. 157, § 2º, ns. I, II e III, do Cód. Penal

– Deve a Justiça olhar sempre não se agrave o rigor da lei ao réu


encarcerado; seria iníquo, de feito, acrescentar o suplício àquele que,
privado já da liberdade, a própria vida lhe parecera de pouco preço.
– Não está nas posses do Magistrado atalhar todos os percalços a que se
sujeita o processo-crime (dentre os quais, a indesejável, porém muita vez
forçosa, delonga no encerramento da instrução criminal). É que se acham
na esfera do caso fortuito, ou de força maior, “cujos efeitos não era
possível evitar ou impedir” (art. 1.058, parág. único, do Cód. Civil).
–“Não há constrangimento ilegal se o decreto, conquanto conciso, justifica
plenamente a necessidade da prisão preventiva” (Revista do Superior
Tribunal de Justiça, vol. 95, p. 378).

Voto nº 1275

Recurso em Sentido Estrito nº 1.114.503/1


Art. 129 do Cód. Penal;
arts. 88 e 91 da Lei nº 9.099/95

– No caso de dúvida sobre sua tempestividade, é entendimento do STF que


se deve admitir o recurso interposto (cf. Rev. Trim. Jurisp., vol. 89, p. 799;
apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 13a. ed.,
p. 404).
– Para os crimes de lesão corporal leve e culposa cometidos após 26.11.95 –
data da entrada em vigor da Lei nº 9.099, de 26.9.95 –, o prazo para o
oferecimento da representação do ofendido será de 6 meses, “contado do
dia em que vier a saber quem é o autor do crime” (art. 38 do Cód. Proc.
Penal); o prazo de 30 dias, previsto no art. 91 da sobredita lei, entende-se
apenas dos fatos ocorridos antes de sua vigência (cf. Julio Fabbrini
Mirabete, Juizados Especiais Criminais, 2a. ed., p. 138; Ada Pellegrini
Grinover et alii, Juizados Especiais Criminais, 2a. ed., p. 203, etc.).
– O art. 75 da Lei nº 9.099/95, embora conceda “ao ofendido a oportunidade
de exercer o direito de representação verbal” na audiência preliminar, não
lhe reabre novo trato de tempo de 6 meses; constitui somente mais um
modo de exercer seu direito de representação, ressalvada sempre a
observância do prazo estabelecido pelo art. 38 do Cód. Proc. Penal: 6
meses.

Voto nº 1465

“Habeas Corpus” nº 343.110/1


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal

– A jurisprudência dos Tribunais, como a advertir da necessidade de


imprimir-se trâmite célere aos processos-crimes, orçou em 81 dias o prazo
máximo para a instrução criminal, estando o réu preso. E parece bem que o
fizesse, pois para quem está preso um dia vale tanto como um século. Tal
prazo, todavia, não é peremptório nem fatal, antes está sujeito a
contingências.
– A necessidade de ouvir testemunhas fora da terra é uma das causas que
incoercivelmente retardam o desfecho da instrução; não caracteriza,
entretanto, constrangimento ilegítimo, por indispensável e inerente à
instrução processual.
– O benefício da liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal) unicamente se defere àqueles que, embora delinquentes, não se
reputem portadores de periculosidade, o sobrescrito de todo o autor de
roubo, crime grave como os que mais o sejam.
Voto nº 1221

“Habeas Corpus” nº 332.012/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Pelo excesso de prazo, móvel de constrangimento ilegal, responsável é só o


Juiz que, por desídia nos atos de seu ofício, concorre para a demora
injustificada no encerramento da instrução do processo.
–“Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.
Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito escrito
das partes e, assim, as lesa no patrimônio, honra e liberdade” (Rui,
Oração aos Moços, 1a. ed., p. 42).
– Só em circunstâncias muito especiais tem a Justiça Criminal deferido
liberdade provisória a autor de roubo. É que repugna à consciência
jurídica fique em liberdade quem representa ameaça permanente à vida e ao
patrimônio das pessoas de bem.

Voto nº 1526

“Habeas Corpus” nº 340.528/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Rendida a prestação jurisdicional, com a prolação da sentença conde-


natória, já não tem lugar o clamor do paciente acerca de eventual
constrangimento ilegítimo pela demora na instrução criminal. Foi o que
assentou o Colendo Superior Tribunal de Justiça na Súmula nº 52 de sua
jurisprudência: “Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação
de constrangimento por excesso de prazo”.
– A edição do decreto condenatório torna impossível, no âmbito do “habeas
corpus”, a verificação da justa causa para a ação penal, por insustentável
— exceto no Juízo recursal —, a tese da manifesta improcedência da
imputação.
– A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à
satisfação de requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a
prisão preventiva (cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por
sua periculosidade, o autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo
que, não tem jus ao benefício.
Voto nº 1826

Recurso em Sentido Estrito nº 1.175.333/0


Art. 129, § 6º, do Cód. Penal;
art. 91 da Lei nº 9.099/95

– No caso de dúvida sobre sua tempestividade, é entendimento do STF que


se deve admitir o recurso interposto (cf. Rev. Trim. Jurisp., vol. 89, p. 799;
apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 13a. ed.,
p. 404).
– Para os crimes de lesão corporal leve e culposa cometidos após 26.11.95 –
data da entrada em vigor da Lei nº 9.099, de 26.9.95 –, o prazo para o
oferecimento da representação do ofendido será de 6 meses, contado do
dia em que vier a saber quem é o autor do crime (art. 38 do Cód. Proc.
Penal); o prazo de 30 dias, previsto no art. 91 da sobredita lei, entende-se
apenas dos fatos ocorridos antes de sua vigência (cf. Julio Fabbrini
Mirabete, Juizados Especiais Criminais, 2a. ed., p. 138; Ada Pellegrini
Grinover et alii, Juizados Especiais Criminais, 2a. ed., p. 203); Damásio
E. de Jesus, Lei dos Juizados Especiais Criminais Anotada, 4a. ed., p.
130), etc.
– O art. 75 da Lei nº 9.099/95, embora conceda ao ofendido a oportunidade
de exercer o direito de representação verbal na audiência preliminar, não
lhe reabre novo trato de tempo de 6 meses; constitui somente mais um
modo de exercer seu direito de representação, ressalvada sempre a
observância do prazo estabelecido pelo art. 38 do Cód. Proc. Penal: 6
meses.

Voto nº 2140

“Habeas Corpus” nº 362.010/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

– Tem-se por arbitrária e abusiva toda a prisão que, injustificadamente,


exceda aos termos da lei. A razão é que, para quem está preso, um dia
importa o mesmo que uma eternidade. Destarte, sem razão relevante que o
justifique, de todo o ponto intolerável é o excesso de prazo na formação da
culpa de réu preso, pois ainda o mais vil dos homens não decai nunca da
proteção da Lei.
– Exceto se comprovada, sem falta, hipótese de força maior, contra que nada
pode o Juiz, a demora no encerramento da instrução criminal de réu preso
argui ilegalidade que se deve conjurar pela via heróica do “habeas corpus”.

Voto nº 2309

Apelação Criminal nº 1.193.253/3


Arts. 155, § 4º, nº I, e 14, nº II, do Cód. Penal

– O processo, conforme a comum opinião dos doutores, “é movimento


dirigido para diante” (Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário
Penal, 1958, vol. I, p. 24).
– O réu que é inocente já o proclama na fase do inquérito, não se reserva
para fazê-lo só em Juízo. Aquele que opta pelo silêncio, embora direito seu
(art. 5º, nº LXIII, da Const. Fed.), nisto mesmo dá a conhecer sua culpa. É
que a própria razão natural ensinou o indivíduo a repelir, ainda com o
emprego da força, injusta acusação.

Voto nº 2421

“Habeas Corpus” nº 369.208/5


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 10, “caput”, da Lei nº 9.437/97

– Passa por verdade irrefutável que, entre os mais respeitáveis direitos do


preso, conta-se o de ser processado, rigorosamente, nos prazos que lhe fixa
a lei. A razão bem se entende: é iníquo dilatar, sem motivo justo e relevante,
o sofrimento e o desespero do encarcerado.
– A falta de apresentação do réu a Juízo tem-na geralmente interpretado a
Jurisprudência por motivo de força maior, que justifica eventual
retardamento da prática de atos processuais. É que, segundo dispõe o art.
798, § 4º, do Cód. Proc. Penal, em caso de força maior, não correrão os
prazos.
– A autoridade judiciária não perdoará a tempo nem a diligências, em
ordem a alcançar, com a maior brevidade que caiba no possível, o termo da
instrução criminal, pondo destarte cobro a eventual constrangimento do
réu preso.
Voto nº 536

“Habeas Corpus” nº 311.022/9


Art. 112 da Lei de Execução Penal

– O “habeas corpus” não é meio idôneo para apressar a entrega de prestação


jurisdicional relativa a incidente de execução de pena.
– A Justiça deve olhar não se viole um dos mais sagrados direitos do preso: o
de lhe serem despachados com presteza os requerimentos; que é coisa mui
difícil unir a dor à paciência!

Voto nº 581

Recurso em Sentido Estrito nº 1.067.559/1


Arts. 382 e 798, § 5º, do Cód. Proc. Penal

–“Grande tortura profissional é a constante vigilância em matéria de


prazos” (Eliézer Rosa, Cadernos de Processo Civil, 1973, vol. I, p. 69).
– “Salvo os casos expressos, os prazos correrão da intimação” (art. 798,
§ 5º, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2551

“Habeas Corpus” nº 371.742/2


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Tratando-se de réu preso, deve a Justiça desvelar-se porque não se agrave o


rigor daquele que, perdida a liberdade, foi já profundamente ferido em sua
condição humana.
– Consoante retrilhada jurisprudência de todos os Tribunais do País, isto de
liberdade provisória é benefício especial, que apenas se concede a réu
primário, de bons antecedentes e que não tenha praticado crime cuja
gravidade lhe justifique a segregação social.
– Dispôs o legislador que liberdade provisória unicamente se defere ao réu
preso, nos casos em que não concorram os motivos ensejadores da custódia
preventiva (cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). O autor de
roubo está compreendido na cláusula restritiva de concessão do benefício,
pela presunção de sua periculosidade.

Voto nº 2589

“Habeas Corpus” nº 372.176/1


Arts. 157, § 2º, ns. I e II, e 14, nº II, do Cód. Penal

– Máximo bem do homem, excetuada a vida, a liberdade não pode sofrer


senão as restrições impostas por lei. Daqui veio fixarem os Tribunais em 81
dias o prazo para a apuração da responsabilidade de réu preso.
– Quanto esteja em suas posses, portanto, deve o Juiz pôr timbre em que se
não ultrapasse aquele marco de tempo, o qual, todavia, não é fatal nem
peremptório: admite quebra e temperamento, nos casos de força maior.
Aliás, dispõe a lei que, se houver força maior, os prazos não correrão (art.
798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 2709

“Habeas Corpus” nº 376.088/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal

– Nunca perderá atualidade a severa exortação de Rui: “Não há sofrimento


mais confrangente que o da privação da justiça” (Obras Completas, vol.
XL, t. VI, p. 202).
– Ao Juiz cabe prover não tenha o sentenciado agravada sua pena por
eventual incúria do Estado. Contudo, se fez quanto estava em suas mãos por
evitar-lhe inconvenientes e prevenir gravames, não podia ser obrigado a
mais.
– Alguma demora que, porventura, haja na efetivação da transferência do
sentenciado para o regime prisional que lhe é próprio, reputa-se tolerável,
pois não raro intervêm motivos de força maior, contra os quais nada pode a
jurisdição do Magistrado.

Voto nº 2713
“Habeas Corpus” nº 376.662/7
Art. 155, § 1º, do Cód. Penal;
art. 10, “caput”, e § 1º, nº III, da Lei nº 9.437/97

– A demora no encerramento da instrução criminal de réu preso, embora


possa configurar, em tese, coação ilegal reparável por “habeas corpus”,
decai de importância com o advento da fase derradeira do processo, como o
proclama a Súmula nº 52 do STJ: “Encerrada a instrução criminal, fica
superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo”.
– De ser afiançável o delito não resulta, por força, tenha seu autor direito à
liberdade provisória; cumpre-lhe satisfazer ao requisito do merecimento.
A periculosidade é francamente incompatível com o benefício.

Voto nº 2829

“Habeas Corpus” nº 380.372/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Por amor da liberdade, bem entre todos estimável, assentaram nossos


Tribunais que a apuração da responsabilidade criminal do réu preso deve
encerrar-se em 81 dias. Mas não é fatal nem peremptório esse prazo:
sujeita-se a algum elastério, que possa ditar a necessidade de ouvir
testemunhas por precatória, pois o fim último do processo, no qual põe
timbre a Justiça, é a pesquisa da verdade real.
– Liberdade provisória é benefício que a lei dispensa unicamente ao réu,
quando ausentes os motivos que autorizam a decretação da prisão
preventiva; o autor de roubo, portanto, por sua presumida periculosidade,
dele está excluído (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 2995
Embargos de Declaração nº 1.219.995/3 1
Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;
art. 619 do Cód. Proc. Penal

– Até pela via “fax” a jurisprudência do STF tem admitido a interposição de


recurso; não há razão plausível, portanto, para que o apelante oponha
embargos de declaração a destempo (art. 619 do Cód. Proc. Penal). Trata-
se de prazo preclusivo, que não pode o Juiz nem o Tribunal reabrir. É a
implacável sanção do tempo, consumidor de todas as coisas: “Tempus edax
rerum” (Ovídio, Metamorfoses, liv. XV, v. 234).
–“A ordem e a disciplina do processo exigem que a manifestação da
inconformidade com a decisão e o desejo de interposição de recurso para
provocar o novo exame da causa, se verifiquem dentro de lapso de tempo
previamente fixado” (Vicente de Azevedo, Curso de Direito Judiciário
Penal, 1958, vol. II, p. 285).

Voto nº 3240

“Habeas Corpus” nº 390.540/8


Art. 155 do Cód. Penal;
art. 366 do Cód. Proc. Penal

– Não tem direito ao “habeas corpus”, com base em constrangimento ilegal


por excesso de prazo na solução do feito, o paciente que o provocou,
atribuindo-se falsa identidade ao ser preso. A necessidade de apurar-lhe a
verdadeira identidade justifica a demora no curso da ação penal, sem ofensa
ao direito de locomoção, pois ninguém pode beneficiar-se da própria
malícia (“turpitudinem suam allegans, non est audiendus”).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 3379
“Habeas Corpus” nº 396.082/1
Art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal

– A via judicial do “habeas corpus” não é apropriada para apressar pedido de


benefícios nem obter progressão de regime de cumprimento de pena.
Pequena demora na apreciação de requerimentos do condenado deve
interpretar-se como efeito das invencíveis dificuldades que gravam a
atividade judiciária, além das contingências a que estarão sujeitos sempre
os que violarem a ordem jurídica.

Voto nº 3425

Embargos de Declaração nº 1.247.947/1 1


Art. 619 do Cód. Proc. Penal

– Embargos de declaração opostos depois do segundo dia são considerados


intempestivos à luz do art. 619 do Cód. Proc. Penal, pelo que deles não se
conhece.
–“Todo processo é fonte de angústias, tanto para o Juiz, como para as partes.
Uma das coisas mais angustiantes num processo são os prazos” (Eliézer
Rosa, Novo Dicionário de Processo Civil, 1986, p. 214).

Voto nº 3659

“Habeas Corpus” nº 403.706/6


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

– Entre os mais sagrados direitos do preso inscreve-se o de ser processado


rigorosamente nos prazos que lhe assina a lei; donde o haver a Juris-
prudência fixado, para a instrução criminal, o termo de 81 dias, o qual, uma
vez transposto sem relevante razão jurídica, importará constrangimento
ilegal, reparável por “habeas corpus”.
– Para o encarcerado, o tempo não se conta por dia, senão por instantes, que
não valem menos que uma eternidade.
– Na busca da verdade real, que é a alma e o escopo do processo, tem direito
o Ministério Público, guardião da lei (“custos legis”) e fiscal de sua
execução, de requerer a diligência que lhe parecer, a qual deferirá ou não o
Juiz, sempre com prudente arbítrio.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 3604

“Habeas Corpus” nº 398.302/0


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 566 do Cód. Proc. Penal; Súmula nº 52 do STJ

– O exame de provas no âmbito do “habeas corpus”, para a verificação da


falta de justa causa para a ação penal, tem sido pábulo de tormentosas
disputas. Mas, a inteligência que, de presente, prevalece a tal respeito,
assim na Doutrina como na Jurisprudência, é a de que, embora incompatível
o processo de “habeas corpus” com o contraditório ou ampla indagação
probatória, tem lugar o exame dos elementos dos autos, “para avaliar-se
da legalidade ou ilegalidade da ação penal” (cf. Rev. Tribs., vol. 491, p.
375; rel. Min. Costa Lima).
–“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF;
HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).
– Por amor da liberdade, bem entre todos estimável, assentaram nossos
Tribunais que a apuração da responsabilidade criminal do réu preso deve
encerrar-se em 81 dias. Mas esse prazo não é peremptório nem fatal, antes
se sujeita às contingências próprias de todo processo, como os motivos de
força maior — a que se equipara a falta de apresentação do réu preso à
audiência (quando requisitado na forma da lei) — , pois nesse caso “não
correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 4409
“Habeas Corpus” nº 431.578/9
Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– A demora justificada no encerramento da instrução da causa não constitui


constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus”. É desse número o
atraso na formação da culpa de réu preso não-apresentado a Juízo, embora
devidamente requisitado. Trata-se de caso de força maior, ou razão de
ordem superior, contra a qual nada pode o Juiz, ainda o mais diligente e
prevenido; donde o haver disposto o legislador que, no caso de força maior,
“não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
– Embora seja o roubo dos crimes que mais afligem a sociedade e afrontam a
ordem jurídica, pode-se deferir a seu autor liberdade provisória, em
caráter excepcional, se ausentes os motivos que autorizam a decretação da
prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Assim, tem
jus ao benefício o réu primário, de bons antecedentes, menor de 21 anos,
residente no foro da culpa, acusado de tentativa de roubo sem violência.
– A concessão da liberdade provisória, nesses casos, não se entende por
complacência da Justiça com os que transgridem a Lei, senão oportunidade
singularíssima que lhes enseja de endireitar os passos para o caminho do
bem e da honra.

Voto nº 3784

“Habeas Corpus” nº 408.968/6


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 499 do Cód. Proc. Penal; Súmula nº 52 do STJ

– É princípio geralmente recebido que, entre os mais sagrados direitos do


preso, está o de ser julgado, rigorosamente, nos prazos que lhe assina a lei.
– A Jurisprudência fixou em 81 dias o prazo máximo para a apuração da
responsabilidade criminal de réu preso. Esse é o padrão cronológico ideal
para a formação da culpa.
– Algum excesso, contudo, sempre haverá, pois não está nas mãos do
Magistrado atalhar todos os incidentes que possam acarretar involuntária
dilação dos trâmites legais do processo. O prazo da instrução criminal deve
aferir-se, portanto, pelo estalão da razoabilidade, segundo o prudente
arbítrio do Juiz.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 4600

Apelação Criminal nº 1.346.811/0


Art. 302 do Código de Trânsito

– Em obséquio ao princípio da presunção de inocência (art. 5º, nº LVIII, da


Const. Fed.) e do devido processo legal (nº LV), não é defeso à Segunda
Instância conhecer do recurso do réu, ainda que intempestivo, se o
despacho de prelibação (ou admissibilidade) do Juízo da condenação lhe
determinou o regular processamento.
– É grave, e portanto passível do rigor da lei, a culpa do motorista que,
trafegando com seu veículo em condições precárias de manutenção,
colide-o com outro, por falha no sistema de freios, e provoca acidente fatal
(art. 302 do Código de Trânsito).

Voto nº 4414

“Habeas Corpus” nº 433.394/9


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
Súmula nº 52 do STJ

– A preocupação de atenuar o rigor do cárcere – “horrível mansão do


desespero e da fome”, como lhe chamou Beccaria (Dos Delitos e das
Penas, § VI) –, é das que sobrelevam em importância a quantas avassalam o
espírito do Juiz Criminal.
– Fixou a Jurisprudência em 81 dias o prazo máximo para o encerramento da
instrução criminal, estando o réu preso; este é o marco temporal que
estrema a legalidade do arbítrio.
– Constrangimento ilegal, no entanto, somente haverá se a desídia do
Magistrado ou do Promotor de Justiça tiver sido a causa do excesso de
prazo.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
Voto nº 4046

“Habeas Corpus” nº 421.062/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal;
art. 647 do Cód. Proc. Penal

– A progressão de regime prisional, como está sujeita à verificação prévia


do concurso dos requisitos, de caráter objetivo e subjetivo, definidos pelo
art. 112 da Lei de Execução Penal, é providência privativa do Juízo das
Execuções Criminais (art. 66, nº III, alínea b); ao Tribunal cabe apenas,
em grau de recurso, o reexame da questão ali decidida, sendo-lhe defeso, na
via sumaríssima e estreita do “habeas corpus”, deferir ao sentenciado o
benefício.

Voto nº 4626

Apelação Criminal nº 1.356.359/2


Art. 34 da Lei das Contravenções Penais;
arts. 107, nº IV; 110, §§ 1º e 2º, e 114 do Cód. Proc. Penal

– O decurso do tempo apaga a memória do fato punível e a necessidade do


exemplo desaparece (Abel do Vale; apud Ribeiro Pontes, Código Penal
Brasileiro, 8a. ed., p. 154).
– Se a única aplicada, a pena de multa prescreve em 2 anos (cf. art. 114, nº I,
do Cód. Penal).
– Decretada a extinção da punibilidade do apelante pela prescrição da
pretensão punitiva estatal, já nenhuma outra matéria poderá ser objeto de
exame ou deliberação.

Voto nº 4725

Recurso em Sentido Estrito nº 1.370.433/3


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 593, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Não cabe censura à decisão que inadmite, por intempestiva, apelação da


Defesa. Como em tudo o mais nas relações jurídicas, prevalece aqui o
adágio “dormientibus non succurrit jus” (art. 593, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
– Ainda que praxe mui salutar saber do réu se deseja recorrer da sentença
condenatória — e, em caso afirmativo, tomar-lhe por termo a declaração da
vontade —, não é nula a certidão que apenas menciona tê-lo o oficial de
justiça “intimado do inteiro teor da sentença condenatória”, que mais não
pede a lei. Além de que, a intimação da sentença ao réu não dispensa a de
seu advogado, e este se presume saberá sempre que fazer em prol do
assistido (art. 392 do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 5046

Apelação Criminal nº 1.368.995/2


Art. 147 do Cód. Penal; art. 82 da Lei nº 9.099/95;
art. 38 do Cód. Proc. Penal

– O recurso cabível da decisão que manda arquivar, de plano, termo


circunstanciado de ocorrência policial é a apelação, por interpretação
extensiva do art. 82 da Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei nº
9.099/95).
– Suposto seja a apelação o recurso próprio a impugnar decisão proferida em
processo instaurado sob o regime da Lei nº 9.099/95, por aplicação
extensiva do que preceitua seu art. 82 (cf. Caetano Lagrasta Neto et alii,
A Lei dos Juizados Especiais Criminais na Jurisprudência, 1999, p. 270),
nada obsta se conheça de espécie recursal outra, em obséquio ao princípio
da fungibilidade consagrado pelo art. 579 do Cód. Proc. Penal.
– Não cabe censura à decisão que, pela falta ou intempestividade da
representação do ofendido, em caso de ameaça, indefere pedido de
audiência preliminar formulado pelo Ministério Público (art. 72 da Lei nº
9.099/95) e julga extinta a punibilidade do autor do fato pela decadência
(art. 107, nº IV, 2a. fig., do Cód. Penal).
– Nos ilícitos penais cometidos após o advento da Lei nº 9.099/95, o prazo
decadencial para a representação da vítima, nos casos que prevê, é o que
assina o art. 38 do Cód. Proc. Penal: 6 meses.
Voto nº 4351

“Habeas Corpus” nº 429.832/9

Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;


art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Maior bem do homem depois da vida, a liberdade sempre mereceu dos


Tribunais muito especiais desvelos, como se mostra da construção
jurisprudencial de que 81 dias são o prazo máximo para a formação da
culpa de réu preso. Rasgo foi esse de grande sabedoria dos Julgadores,
porque, para quem está preso, um dia não importa menos que uma
eternidade!
– Essa meta cronológica não é, porém, fatal nem peremptória, antes está
sujeita a temperamentos. O excesso de prazo na instrução apenas constitui
constrangimento ilegal quando injustificado. A própria lei dispõe que a
força maior suspende o curso dos prazos (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
– Liberdade provisória é direito que se reconhece unicamente ao réu preso,
quando ausentes os motivos que justificam a decretação da prisão
preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Repugna concedê-
la a autor de roubo, crime grave, que infunde temor no espírito das pessoas
e argui em quem o comete ressaibo notável de periculosidade.

Voto nº 6367

“Habeas Corpus” nº 854.099-3/4-00


Art. 157, § 2º, ns. I, II e V, do Cód. Penal;
arts. 156 e 563 do Cód. Proc. Penal

– Não configura constrangimento ilegal reparável por “habeas corpus” a


demora na instrução criminal, quando provocada pela natureza complexa
do processo ou pela inquirição de testemunhas por precatória; é que, nesses
casos, equiparados ao motivo de força maior, os prazos “não correrão”
(art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
– Não cabe a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo, se o
réu está preso por outro processo.
– Nulidade de ato processual somente se declara em face de prova plena e
incontroversa de prejuízo às partes, ou se “houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa” (arts. 563 e 566 do Cód.
Proc. Penal).

Voto nº 6466

“Habeas Corpus” nº 881.270-3/8-00


Arts. 157, § 2º, nº II, e 14, nº II, do Cód. Penal;
arts. 393, nº I; 499 e 659 do Cód. Proc. Penal

– A concessão de liberdade provisória ao réu preso a lei subordina à


satisfação de requisito indeclinável: inocorrência de motivo que autorize a
prisão preventiva (cf. art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal). Ora, por
sua periculosidade, o autor de roubo incide na cláusula restritiva; pelo
que, não tem jus ao benefício.
– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
– Proferida sentença, já não colhe o argumento da coação ilegal por excesso
de prazo na formação da culpa, visto que outro o título prisional: a
condenação do réu (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto no 6801

“Habeas Corpus” no 916.668-3/2-00


Arts. 12 e 18, nº IV, da Lei nº 6.368/76;
arts. 41; 310, parág. único, e 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90 (Lei dos Crimes Hediondos);
Súmula nº 64 do STJ

–“Habeas Corpus” — Instrução criminal — Demora provocada pela


necessidade de expedição de carta precatória — Alegação de constran-
gimento ilegítimo — Improcedência — Ordem denegada.
– Improcede a arguição de constrangimento ilegal por excesso de prazo na
formação da culpa, se a demora foi provocada pela necessidade de
expedição de carta precatória para inquirir testemunhas, pois se trata de
razão superior, que obsta ao curso regular dos prazos processuais; donde o
haver disposto a lei que, em caso de força maior,“não correrão os prazos”
(art. 798, § 4º, do Cód. Proc. Penal).
– Unicamente faz jus à liberdade provisória o preso que, havendo cometido
delito afiançável, reúna méritos pessoais; importa ainda não seja o caso de
decretação de prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).
– Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de crime
hediondo não merece recobrar a liberdade primeiro que dê estritas contas à
Justiça, ao termo do devido processo legal.
– Pedido de desclassificação do fato criminoso não cabe na esfera angusta
do “habeas corpus”, onde não têm entrada questões de alta indagação, ou
que impliquem aprofundado exame da prova dos autos.

Voto nº 6467

“Habeas Corpus” nº 872.291-3/2-00


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
arts. 312; 321 e 323 do Cód. Proc. Penal;
arts. 5º, ns. LVII e LVIX, e 93, nº IX, da Const. Fed.

– Não entra em dúvida que, a despeito do princípio da presunção de


inocência, consagrado na Constituição da República (art. 5º, nº LVII),
subsiste a providência da prisão preventiva, quando conspiram os
requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal: garantia da
ordem pública, conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, desde que comprovada a materialidade da infração
penal e veementes indícios de sua autoria.
– Não requer o despacho de prisão preventiva o mesmo rigor que deve
encerrar a decisão definitiva de condenação. É o escólio de Damásio E. de
Jesus ao art. 312 do Cód. Proc. Penal: “A prisão preventiva exige prova
bastante da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não é
necessária a mesma certeza que deve ter o juiz para a condenação do réu”
(cf. Código de Processo Penal Anotado, 21a. ed., p. 246).
–“Não foge, nem se teme a inocência da Justiça” (Antônio Ferreira, Castro,
ato IV, cena I, v. 27).
– Matéria de alta indagação, como a que entende com o elemento moral do
crime (dolo), é insuscetível de exame em processo de “habeas corpus”, de
rito sumaríssimo; apenas tem lugar na instância ordinária, com observância
da regra do contraditório. Trancamento de ação penal por falta de justa
causa unicamente se admite quando comprovada, ao primeiro súbito de
vista, a atipicidade do fato imputado ao réu, ou a sua inocência (art. 648, nº
I, do Cód. Proc. Penal).
–“Exame de provas em habeas corpus é cabível desde que simples, não
contraditória e que não deixe alternativa à convicção do julgador” (STF;
HC; rel. Min. Clóvis Ramalhete; DJU 18.9.81, p. 9.157).

Voto nº 6458

“Habeas Corpus” nº 842.441-3/3-00


Arts. 12 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
arts. 393, nº I, e 659 do Cód. Proc. Penal

– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
– Proferida sentença, já não colhe o argumento da coação ilegal por excesso
de prazo na formação da culpa, visto que outro o título prisional: a
condenação do réu (art. 393, nº I, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 6817
“Habeas Corpus” nº 902.207-3/2-00
Art. 157, “caput”, do Cód. Penal
Súmula nº 52 do STJ

– Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser


processado, rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da
liberdade — bem preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-
lhe o sofrimento, dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
– É inteligência consolidada em todos os Tribunais de Justiça do País que
somente o excesso de prazo injustificado constitui constrangimento ilegal,
não a demora decorrente da ausência de testemunhas, se intimadas na
forma da lei, pois não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente,
prevenir motivos de força maior que obstam à realização do ato processual.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 3866

Embargos de Declaração nº 1.277.167/3 1


Art. 22 da Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa);
arts. 600, § 4º, e 619 do Cód. Proc. Penal

– Devem ser rejeitados “in limine” embargos de declaração que não


atendam ao pressuposto geral dos recursos: tempestividade (art. 619 do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 7533

“Habeas Corpus” nº 1.013.262-3/8-00


arts. 12; 14 e 18, nº III, da Lei nº 6.368/76;
art. 310 do Cód. Proc. Penal;
arts. 1º, nº I, e 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90

– Inscreve-se entre os mais estimáveis direitos do réu preso o de ser


processado, rigorosamente, nos prazos previstos em lei. É que, privado da
liberdade — bem preciosíssimo do homem —, não parecera lícito agravar-
lhe o sofrimento, dilatando os dias de sua permanência no cárcere.
–“Não se configura coação ilegal quando o excesso de prazo na formação da
culpa decorre de incidentes processuais não imputáveis ao juiz do processo
ou ao Ministério Público” (Jurisprudência do STJ, vol. 8º, p. 236).
– Nisto de alegação de excesso de prazo, importa muito o princípio de
razoabilidade. Faz ao propósito a lição do competente Damásio E. de
Jesus: “é admissível o excesso em determinadas circunstâncias: a con-
tagem do prazo não deve ser rigorosa” (Código de Processo Penal
Anotado, 22a. ed., p. 560).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– O crime de tráfico de entorpecentes a lei equipara a hediondo e, pois, em
princípio, é insuscetível de liberdade provisória (cf. arts. 1º, nº I, e 2º,
nº II, da Lei nº 8.072/90).

Voto nº 8877

“Habeas Corpus” nº 1.088.733-3/1-00


Art. 180 do Cód. Penal;
art. 659 do Cód. Proc. Penal

– Não cabe a alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo, se o


réu está preso por outro processo.
– Dispõe o art. 659 do Cód. Proc. Penal que, se o Tribunal verificar ter já
cessado a violência ou coação ilegal de que se queixa o paciente, lhe julgará
prejudicado o pedido de “habeas corpus”.
–“Julga-se o habeas corpus prejudicado quando o impetrante obtém, durante
a ação, a situação jurídica reclamada” (STJ; HC nº 1.623/2; 6a. Turma;
rel. Min. Vicente Cernicchiaro; j. 18.12.96).

Voto nº 10.668

Embargos de Declaração nº 993.07.115221-8/5


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 226 e 619 do Cód. Proc. Penal

– Embargos de declaração opostos depois do segundo dia são considerados


intempestivos à luz do art. 619 do Cód. Proc. Penal, pelo que deles não se
conhece.
–“Todo processo é fonte de angústias, tanto para o Juiz, como para as partes.
Uma das coisas mais angustiantes num processo são os prazos” (Eliézer
Rosa, Novo Dicionário de Processo Civil, 1986, p. 214).

Voto nº 11.005

“Habeas Corpus” nº 990.08.122398-8


Art. 121, § 2º, ns. I, II e IV, do Cód. Penal;
arts. 312; 408, § 2º, e 422 do Cód. Proc. Penal

– Dado que importa restrição à liberdade, sumo bem do indivíduo, a


custódia cautelar não pode prolongar-se “in aeternum”; daqui a razão por
que os Tribunais de Justiça do País, olhando pela intangibilidade da pessoa
humana, tiveram a bem fixar prazo à instrução criminal de processo de réu
preso: 81 dias; este é o último padrão que separa a legalidade do arbítrio.
– Não se trata, porém, de termo peremptório nem fatal: ao invés, sujeita-se a
circunstâncias excepcionais (como complexidade da causa, necessidade de
inquirir testemunhas por precatória, adiamento de audiência pela falta de
apresentação de réu preso devidamente requisitado, interposição de recurso
pela Defesa, etc.) que escusam pequena demora no encerramento da
instrução. Não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente e avisado,
conjurar todos os empecilhos que podem alterar o curso normal do
processo.
– O homicídio, mesmo em sua forma tentada, é crime em extremo grave, que
justifica a subsistência da custódia provisória de seu autor, enquanto não
julgado na forma da lei (art. 121 do Cód. Penal e art. 312 do Cód. Proc.
Penal).
–“Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento ilegal da
prisão por excesso de prazo na instrução” (Súmula nº 21 do STJ).

Voto nº 6207

“Habeas Corpus” nº 839.831-3/6-00


Arts. 121, § 2º, ns. I e IV, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 12 da Lei nº 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento);
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

– A jurisprudência dos Tribunais orçou em 81 dias o prazo máximo para a


apuração da responsabilidade criminal de réu preso; esse é o padrão
temporal que estrema a legalidade do arbítrio. Mas, ainda que se não deva
remeter o disco assim longe, que se considere fatal e peremptório esse trato
de tempo, é de todo o ponto inadmissível permaneça alguém preso durante
um ano, à espera da formação de sua culpa, sem que lho tenha dado causa
(art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal).
– Entre os mais sagrados direitos do réu preso está o de ser processado,
rigorosamente, nos prazos previstos em lei (art. 5º, nº LXXVIII, da Const.
Fed.).
– A finalidade precípua do “habeas corpus” é a tutela do direito deambu-
latório, segundo a lição do eminente Pedro Lessa: “É exclusiva missão do
habeas corpus garantir a liberdade individual na acepção restrita, a
liberdade física, a liberdade de locomoção” (apud M. Costa Manso, O
Processo na Segunda Instância, 1923, p. 390).
– Não é de bom exemplo, no instrumento processual de “habeas corpus”,
optar por solução que agrave o rigor da lei, em contradição com o
velho brocardo de alçada universal: “Odiosa restringenda, favorabilia
amplianda”.
Voto nº 11.312

“Habeas Corpus” nº 990.08.183922-9


Arts. 121, § 2º, nº V; 157, § 2º, ns. I, II e III, e 288 do Cód. Penal;
art. 310 do Cód. Proc. Penal;
art. 2º, nº II, da Lei nº 8.072/90

– Dado que importa restrição à liberdade, sumo bem do indivíduo, a


custódia cautelar não pode prolongar-se “in aeternum”; daqui a razão por
que os Tribunais de Justiça do País, olhando pela intangibilidade da pessoa
humana, tiveram a bem fixar prazo à instrução criminal de processo de réu
preso: 81 dias; este é o último padrão que separa a legalidade do arbítrio.
– Não se trata, porém, de termo peremptório nem fatal: ao invés, sujeita-se a
circunstâncias excepcionais (como complexidade da causa, necessidade de
inquirir testemunhas por precatória, adiamento de audiência pela falta de
apresentação de réu preso devidamente requisitado, interposição de recurso
pela Defesa, etc.) que escusam pequena demora no encerramento da
instrução. Não está nas mãos de Juiz, ainda o mais diligente e avisado,
conjurar todos os empecilhos que podem alterar o curso normal do
processo.

Voto nº 5378

“Habeas Corpus” nº 461.720/4


Art. 157, § 2º, ns. I e V, do Cód. Penal;
art. 105, nº I, alíneas a e c, da Const. Fed.;
Súmula nº 52 do STJ

– É princípio acolhido sem reserva que, tanto que passe em julgado sua
decisão, já não tem o Juiz competência para revê-la. Vem a ponto a lição de
Hélio Tornaghi: “Já no Direito romano, Ulpiano ensinava: Depois de
pronunciada a sentença, o juiz perde a jurisdição e não pode corrigi-la,
quer haja exercido seu ofício bem, quer o tenha feito mal” (Curso de
Processo Penal, 1980, vol. II, p. 353).
– É ao Colendo Superior Tribunal de Justiça que compete julgar os
“habeas corpus” impetrados contra ato do Tribunal de Alçada Criminal,
conforme o preceito do art. 105, nº I, alíneas “a” e “c”, da Constituição
Federal, explicitado pela Emenda Constitucional nº 22, de 18 de março de
1999 (cf. HC nº 78.069-9/MG; 2a. Turma; rel. Min. Marco Aurélio; DJU
14.5.99).
– A meta cronológica de 81 dias, fixada pela Jurisprudência como o prazo
máximo para a formação da culpa de réu preso, não tem caráter peremptório
nem fatal, ao revés está sujeita a contingências: somente configura
constrangimento ilegal o excesso de prazo a que houver dado causa a
incúria do Juiz ou do Promotor de Justiça.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 3164

“Habeas Corpus” nº 389.780/1


Art. 155, § 4º, nº I, do Cód. Penal;
art. 122 da Lei de Execução Penal

– Aquele que faz tudo o que deve não pode ser obrigado a mais: “ad
impossibilia nemo tenetur”.
– A autorização de saída temporária do preso (art. 122 da Lei nº 7.210/84) é
benefício que ao Juiz da Execução, por implicar análise de méritos
pessoais, cabe originariamente conceder, que não ao Tribunal, máxime no
âmbito angusto do “habeas corpus”.

Voto nº 3179

“Habeas Corpus” nº 391.288/7


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 648, nº II, e 798, § 4º do Cód. Proc. Penal

– Em obséquio à condição do preso, deve a Justiça timbrar de pontual,


porque não acrescente, com a espera na solução da causa-crime, a angústia
do cárcere. Por isso, os Tribunais assentaram, com notável sabedoria, que o
prazo de 81 dias é o termo que separa a legalidade do arbítrio.
– Há hipóteses, contudo, de ligeira demora na instrução do processo que se
devem entender como efeito inexorável das contingências, que a todos
sujeitam. Assim, a delonga provocada pelo adiamento de audiência pela
falta de apresentação do réu preso a Juízo. Exemplo de força maior,
dispõe a lei que, nesse caso, “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do
Cód. Proc. Penal).

Voto nº 3347

Carta Testemunhável nº 1.279.517/3


Art. 32 da Lei das Contravenções Penais;
art. 586 do Cód. Proc. Penal

– Superior à crítica é o despacho que deixa de receber, por intempestivo,


recurso em sentido estrito interposto pelo Ministério Público fora do
quinquídio legal (art. 586 do Cód. Proc. Penal).
– O prazo para recorrer é preclusivo; se não praticado o ato no momento
legal, já não haverá abrir nova oportunidade ao interessado, sem manifesta
violação da ordem jurídico-processual.
– Ao assinar termo de audiência, no qual está consignado que a sentença lhe
vai acostada, presume-se que desta houve a parte ciência plena. Trata-se de
inferência lógica imediata: nenhuma pessoa de suficiente consideração
firma documento, primeiro que entre na inteligência de seu conteúdo.

Voto nº 3448

“Habeas Corpus” nº 395.238/1


Arts. 155, § 4º, ns. III e IV, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal

– Pequena demora no encerramento da instrução do processo não constitui


constrangimento ilegal, se causada por força maior, cujos efeitos não podia
o Juiz coibir. Esta, a razão por que o próprio legislador dispôs que, em caso
de força maior, “não correrão os prazos” (art. 798, § 4º, do Cód. Proc.
Penal).
– Se preso em flagrante delito, a regra geral é que o acusado aguarde, no
cárcere, a verificação de sua culpabilidade ou inocência, principalmente se
não satisfaz às condições de caráter subjetivo que lhe permitam a concessão
de liberdade provisória (art. 310, parág. único, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 4042
“Habeas Corpus” nº 418.530/4
Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
arts. 310, parág. único, e 647 do Cód. Proc. Penal

– É generalizado (e não raro justo) o clamor contra a demora na solução dos


pleitos judiciais. Poucas coisas, com efeito, há debaixo do Sol mais difíceis
que unir a dor à paciência: aquele que sofre não quer esperar; para quem
está preso, um dia não importa menos que uma eternidade. Estas, as razões
que moveram nossos Tribunais a fixar, com assinalada sabedoria, termo e
marco para a formação da culpa de réu preso: 81 dias.
– A meta cronológica de 81 dias, no entanto, não é fatal nem peremptória:
admite alguma dilação, no caso que razões especiais o justifiquem, sempre
com o caráter de força maior, a cujo número pertencem as dificuldades
mesmas inerentes aos processos complexos, com muitos réus, vítimas e
testemunhas.
– Unicamente faz jus à liberdade provisória o preso que, havendo cometido
delito afiançável, reúna méritos pessoais; importa ainda não seja o caso de
decretação de prisão preventiva (art. 310, parág. único, do Cód. Proc.
Penal).
– Inimigo potencial da ordem jurídica e da sociedade, o autor de roubo não
merece recobrar a liberdade, primeiro que dê estritas contas à Justiça, à luz
do devido processo legal.

Voto nº 8007

Revisão Criminal nº 590.477-3/6-00


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 621, nº I, do Cód. Proc. Penal

– Sem fazer tábua rasa do instituto da coisa julgada, deve o Juiz entrar no
conhecimento da causa que lhe é submetida, por prevenir (ou conjurar)
possível erro judiciário, o péssimo dos vícios de julgamento.
–“Errar é humano, e seria crueldade exigir do juiz que acertasse sempre. O
erro é um pressuposto da organização judiciária que, por isso mesmo,
instituiu sobre a instância do julgamento a instância da revisão” (Mílton
Campos; apud João Martins de Oliveira, Revisão Criminal, 1a. ed., p.
63).
– Nunca foram mais verdadeiras, do que naqueles casos em que o réu se
obstina a pelejar contra a evidência de sua culpa, estas palavras de
Talleyrand, ministro de Napoleão: A palavra foi dada ao homem para
esconder o pensamento. “La parole a été donnée à l’homme pour déguiser
sa pensée” (apud Giuseppe Fumagalli, Chi l’ha detto?, 1995, p. 485).
– O réu que é deveras inocente não hesita em afirmá-lo desde o primeiro
instante. Se, na fase policial, preferiu remeter-se a obliterado silêncio, nisto
mesmo deu a conhecer sua culpa. É que ninguém, exceto se não estiver em
seu acordo e razão, permanece calado, quando devia falar para defender-se
de acusação injusta e infame.
– A palavra da vítima, porque protagonista do fato delituoso, não se recebe
geralmente com reservas, senão como expressão da verdade, que só a prova
do erro ou da má-fé pode abalar.
– Tão-só a decisão que se aparte rudemente das provas incorre na pecha de
contrária à evidência dos autos, não a que as mete em conta e avalia
segundo a luz da razão lógica e as regras do Direito.

Voto nº 12.103

Recurso em Sentido Estrito nº 990.09.079914-5


Arts. 157, § 2º, nº I, e 33, § 2º, alínea b, do Cód. Penal;
arts. 392, nº I, e 593, nº I, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 719 do STF

– Não cabe censura à decisão que inadmite, por intempestiva, apelação da


Defesa. Como em tudo o mais nas relações jurídicas, prevalece aqui o
adágio “dormientibus non succurrit jus” (art. 593, nº I, do Cód. Proc.
Penal).
– Ainda que praxe mui salutar saber do réu se deseja recorrer da sentença
condenatória — e, em caso afirmativo, tomar-lhe por termo a declaração da
vontade —, não é nula a certidão que apenas menciona tê-lo o oficial de
justiça “intimado do inteiro teor da sentença condenatória”, que mais não
pede a lei. Além de que, a intimação da sentença ao réu não dispensa a de
seu advogado, e este se presume saberá sempre que fazer em prol do
assistido (art. 392 do Cód. Proc. Penal).
–“Todo processo é fonte de angústias, tanto para o Juiz, como para as partes.
Uma das coisas mais angustiantes num processo são os prazos” (Eliézer
Rosa, Novo Dicionário de Processo Civil, 1986, p. 214).
–“Vencido o prazo de interposição do recurso, cria-se, quase sempre, uma
preclusão absoluta no tocante às decisões interlocutórias, e a suma
preclusão (ou coisa julgada formal), relativamente às sentenças
definitivas” (José Frederico Marques, Elementos de Direito Processual
Penal, 1a. ed., vol. IV, p. 203).
–“A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena
aplicada permitir exige motivação idônea” (Súmula nº 719 do STF).

Voto nº 3871

“Habeas Corpus” nº 412.852/7


Arts. 157, “caput”, e 14, nº II, do Cód. Penal;
art. 61 da Lei das Contravenções Penais;
art. 310, parág. único do Cód. Proc. Penal

– Notável sabedoria encerra o entendimento jurisprudencial de que o prazo


máximo para a formação da culpa de réu preso é de 81 dias, pois repugna
ao senso de justiça permaneça alguém no cárcere, por tempo indefinido,
sem julgamento. Para quem está preso, um dia não vale menos que uma
eternidade! Tal meta cronológica, no entanto, não é fatal nem peremptória,
podendo ceder a motivo de força maior, que não está nas mãos do Juiz
prevenir nem remediar.
– Que se ultrapasse ligeiramente a meta de 81 dias, assinada pela
jurisprudência dos Tribunais como o máximo legal permitido para a
formação da culpa de réu preso, pode sofrer-se, no caso que o exijam a
segurança social e o rigor da lei. Que, no entanto, sem lhe esteja liqüidada a
culpa, permaneça o réu em custódia por tempo superior a 4 meses, é
excesso que se não pode tolerar, sob pena de subversão da ordem legal.
Nem ao mais empedernido facínora deve o Juiz negar a aplicação da lei que
o favoreça (art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal).

Voto nº 11.778

“Habeas Corpus” nº 990.09.070749-6


Art. 648, ns. I e II, do Cód. Proc. Penal;
art. 5º, nº LVII, da Const. Fed.
– Notável sabedoria encerra o entendimento jurisprudencial de que o prazo
máximo para a formação da culpa de réu preso é de 81 dias, pois repugna
ao senso de justiça permaneça alguém no cárcere, por tempo indefinido,
sem julgamento. Para quem está preso, um dia não vale menos que uma
eternidade! Tal meta cronológica, no entanto, não é fatal nem peremptória,
podendo ceder a motivo de força maior, que não está nas mãos do Juiz
prevenir nem remediar.
– Que se ultrapasse ligeiramente a meta de 81 dias, assinada pela juris-
prudência dos Tribunais como o máximo legal permitido para a formação
da culpa de réu preso, pode sofrer-se, no caso que o exijam a segurança
social e o rigor da lei. Que, no entanto, sem lhe esteja liquidada a culpa,
permaneça o réu em custódia por tempo superior a um ano, é excesso que se
não pode tolerar, sob pena de subversão da ordem legal. Nem ao mais
empedernido facínora deve o Juiz negar a aplicação da lei que o favoreça
(art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal).
–“Embora o tempo do processo não seja mera soma dos prazos fixados em
lei, é de se afirmar o constrangimento ilegal quando o seu excesso escapa
à razoabilidade” (Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, vol.
175, p. 97).
– Em pontos de justiça, ninguém lançou a barra mais longe que o
incomparável Antônio Vieira: “Ao mesmo Demônio se deve fazer justiça,
quando ele a tiver” (Sermões, 1697, t. XI, p. 295).

Voto nº 1236

“Habeas Corpus” nº 331.622/1


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 112 da Lei de Execução Penal

– Se a autoridade judiciária já deu as providências que lhe cumpria para a


transferência do paciente ao regime fixado na sentença condenatória, não
tem lugar a arguição de constrangimento ilegal por eventual demora na
sua efetivação, pois à Coespe é que incumbe prover as vagas nos
estabelecimentos penais, segundo o critério da precedência cronológica.

Voto nº 366

Apelação Criminal nº 1.055.189/0


art. 155, § 4º, nº IV, do Cód. Penal;
arts. 593, nº I, e 798 do Cód. Proc. Penal

– Ainda que o contrário tenha certificado o Cartório do Ofício, intempestiva


é a apelação criminal protocolada no primeiro quinquídio após as férias
forenses pelo defensor do réu, intimado da sentença condenatória um dia
antes de seu ínicio.
– É que “as férias forenses, previstas na legislação estadual, não
interrompem os prazos processuais, que são contínuos e peremptórios”
(Rev. Tribs., vol. 130, p. 524; apud Damásio E. de Jesus, Código de
Processo Penal, 1996, p. 51).

Voto nº 1246

Apelação Criminal nº 1.114.541/9


Arts. 21 e 22 da Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa)

– A contagem dos prazos, notadamente os de decadência ou de prescrição,


deve obedecer às normas de Direito Penal, por mais favoráveis ao réu. “O
dia do começo inclui-se no cômputo do prazo” (art. 10 do Cód. Penal).
– O prazo decadencial para o exercício do direito de queixa, em caso de
crime de imprensa ou de radiodifusão, é de 3 meses, contados da data da
publicação ou transmissão incriminada (art. 41, § 1º, da Lei nº 5.250/67).
–“O mês, em Direito Penal, é contado de determinado dia à véspera do
mesmo dia do mês seguinte” (Damásio E. de Jesus, Código de Processo
Penal Anotado, 13a. ed., p. 500).
– Fatal e peremptório, o prazo de 3 meses, assinado pela Lei de Imprensa
para o exercício do direito de queixa, não se interrompe nem prorroga,
ainda que seu último dia seja domingo, feriado ou férias forenses.

Voto nº 142

“Habeas Corpus” nº 297.154/9


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
Súmula nº 52 do STJ
– Liquidada a prova e revonhecido o delito, não há senão decidir a sorte do
acusado. Pelo que, haver-se-á por intempestiva e serôdia toda a arguição
que aí se faça de constrangimento ilegal por excesso de prazo. Esta
inteligência do cânon do Direito Judiciário tem por fiador não menos que o
Colendo Superior Tribunal de Justiça, que assentou na Súmula nº 52 de sua
jurisprudência: “Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação
de constrangimento por excesso de prazo”.
– O parág. único do art. 310 do Cód. Proc. Penal faculta ao Juiz conceder
liberdade provisória ao preso em flagrante, desde que não ocorra hipótese
de decretação da prisão preventiva. A hipótese dos autos cai exatamente
debaixo da exceção legal. Estivera solto o paciente e, decerto, haveria de
alcançá-lo a medida constritiva, por amor da garantia da ordem pública. Se
a Justiça Criminal, com efeito, atender, sem discrição, às pretensões dos
que delinquiram (e não raro gravemente), os bons para quem voltarão os
olhos?!

Voto nº 144

Recurso em Sentido Estrito nº 1.036.581/3


Arts. 593, nº I, e 798 do Cód. Proc. Penal

– A alegação da Defesa não colhe se desacompanhada de prova. Alegar e não


provar o alegado, importa nada alegar. “Allegare nihil, et allegatum non
probare paria sunt”.
–“Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios”
(art. 798 do Cód. Proc. Penal), para desespero dos lidadores do Direito, os
advogados sobretudo, “cuja grande tortura profissional é a constante
vigilância em matéria de prazos” (Eliézer Rosa, Cadernos de Processo
Civil, 1973, vol. I, p. 69).

Voto nº 174

“Habeas Corpus” nº 299.966/3


Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal
– A Jurisprudência orçou em 81 dias o prazo máximo para o encerramento da
instrução criminal, estando o réu preso. Tal prazo, contudo, não tem
caráter fatal nem peremptório: tolera flexibilidade, que circunstâncias de
peso e vulto acaso imponham (v.g., inquirição de testemunhas por
precatória, grande número de réus e defensores, complexidade da causa,
etc.).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso” (Súmula nº 52 do STJ).

Voto nº 175

“Habeas Corpus” nº 299.396/3


Art. 157, § 2º, nº I, do Cód. Penal;
art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal

–“Bem que se não deve perder senão com o próprio sangue”, na expressão
eloquente de um de nossos maiores (cf. Bluteau, Vocabulário, 1726, vol. V,
p. 112), a liberdade sempre mereceu extremos desvelos aos que entendem
em matéria de ordem pública.
– O legislador processual penal buscou, a todo o poder que pôde, evitar-lhe o
sacrifício, ainda nos casos de prisão em flagrante. A custódia cautelar, para
que já não subsista, é bastante não estejam presentes os motivos que a
justificaram. Hoje, a regra geral é se defenda o réu em liberdade, mercê da
consagração, entre nós, do princípio da presnção de inocência (art. 5º, nº
LVII, da Const. Fed.). De presente, constitui notável exceção, pois, isto de
ser alguém obrigado a aguardar preso a decisão de seu processo.
– Só em casos estritamente forçosos, quando periclitam a segurança pública e
a incolumidade do organismo social, deve privar-se o indivíduo do seu
“status libertatis”. A paciente está nesse número. Acusada de crime grave
(roubo), representaria sua liberdade provisória sério risco à incolumidade
dos cidadãos.
– Assim como nas hipóteses de legítima defesa prevalece a regra de Direito
de que todo o cidadão é autoridade (“omnis civis est miles”), de igual
passo, naquelas em que a própria sociedade é vítima da torrente de delitos
graves, caberá ao Juiz, guardião legítimo dos valores que ela lhe confiou,
usar do rigor adequado à prevenção do mal.

Voto nº 190
Carta Testemunhável nº 1.038.247/1
Art. 581 do Cód. Proc. Penal;
art. 366 do Cód. Proc. Penal

– Em verdade, reza o art. 579 do Cód. Proc., Penal que, “salvo a hipótese de
má-fé, a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por
outro”.
– A espécie dos autos está nesse número: o teor de proceder do testemunhante
não argui má-fé. Ainda: tendo interposto o recurso no primeiro dia do
prazo, não entra em dúvida que o fizera tempestivamente.

Voto nº 193

Embargos de Declaração nº 1.030.569/5


Art. 619 do Cód. Proc. Penal

– Assaz de razão teve o ínclito Eliézer Rosa para penalizar-se dos


advogados, “cuja grande tortura profissional é a constante vigilância em
matéria de prazos” (Cadernos de Processo Civil, 1973, vol. I, p. 69). Sabia
o provecto Magistrado que ainda o advogado mais diligente lá um dia terá
de recolher seu tributo a essa esfinge sem entranhas (os prazos processuais),
que lhe devora os frutos do trabalho.
– Dispõe o art. 619 do Cód. Proc. Penal que os embargos de declaração
devem ser opostos “no prazo de dois dias” contado da publicação do
acórdão.

Voto nº 194

“Habeas Corpus” nº 300.220/2


Art. 648, nº II, do Cód. Proc. Penal;
Súmula nº 52 do STJ
– Embora decorrido tempo superior àquele que a jurisprudência dos Tribunais
tem estimado pelo máximo razoável para o término da instrução criminal de
réu preso, todavia, no particular de que se trata, não está caracterizado o
constrangimento por excesso de prazo.
– É que, ferindo o ponto, proclamou o Pretório Excelso que “o simples
excesso de prazo não justifica a concessão de habeas corpus. Os prazos
têm por fim evitar a procrastinação do processo. Não são, porém, prazos
de decadência” (Rev. Tribs., vol. 414, p. 80).
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constran-
gimento por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– No que tange à liberdade provisória, a pretensão do paciente chofra as
diretrizes que a Justiça estatuiu para a garantia da ordem social e eficaz
prevenção da criminalidade violenta. A prática de roubo, com efeito, argui
no agente franco menoscabo das regras que disciplinam a vida em
sociedade, sobre denunciar-lhe acentuada carga de desajuste ético. Deferir
liberdade a infratores de tão perigoso estofo não seria só quebrantar os
grilhões que os mantêm a prudente distância dos bons, porque era também
encorajá-los a fazer do crime profissão, a péssima das resoluções do homem
livre.

Voto nº 200

Agravo em Execução nº 1.043.377/6


Art. 586 do Cód. Proc. Penal

– Irresignado com o teor da decisão, dela agravou o patrono da peticionária;


fê-lo, porém, intempestivamente. Quando recorreu, já fluíra o quinquídio
legal (art. 586 do Cód. Proc. Penal). Portanto, ao tempo em que a agravante
pretendeu reagitá-la na Superior Instância, a questão já estava sob o selo da
coisa julgada.

(Em breve, novas ementas).