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Metodologia do trabalho científico

1º Semestre - 1º Tema
1º Período

“Em educação, nenhuma oportunidade deve ser perdida, tanto para aprender, quanto para
ensinar, como para sentir”.

Apresentação da disciplina

Querido Estudante!

A humanidade tem passado por mudanças significativas a partir das últimas décadas,
 precisamente nesse período que vem sendo chamado de globalização. Desde o advento da
imprensa, que pode ser considerado o grande marco distintivo da cultura moderna, quando o
conhecimento produzido e acumulado pela humanidade começou a ser socializado, não
assistimos a tantas mudanças em termos de disseminação do conhecimento.

Frente às sucessivas mudanças que vem ocorrendo no mundo, evidenciamos a necessidade do


homem estar preparado para as demandas sociais, o mercado de trabalho, o conhecimento
 pluricultural, as novas tecnologias da informação etc. Por isso, investir no estudo e na pesquisa,
enfim, na construção do conhecimento, no desenvolvimento do espírito científico e do
 pensamento crítico
crítico e reflexivo é o mais seguro
seguro método para alcançarmos
alcançarmos o progresso
progresso da ciência e
da humanidade.

 Nossa disciplina é o eixo norteador que lhe dará subsídios para a sistematização dos
conhecimentos adquiridos em todas as outras disciplinas ao longo do curso, viabilizando a
instrumentalização de normas e procedimentos acadêmicos e científicos importantes e
necessários para a sua vida profissional.

Vamos iniciar agora a disciplina “Metodologia do Trabalho Científico”. Ela está dividida em 2
 blocos e 4 temas.
temas.

Portanto, nossa postura diante do curso, dos textos, das atividades e dos conteúdos que serão
trabalhados ao longo de todo o processo é que nos oportunizará absorver os conhecimentos
necessários para a compreensão das constantes mudanças que estamos vivendo nos últimos
tempos.

Desejo discernimento, iniciativa e realizações.

 Profª Ana Paula Amorim


Amorim
 Edição revisada
revisada e ampliada por:
por: Profª. Naurelice Maia (tema 01), Profª. Leila
Leila Cruz (tema 02),
 Profª. Rita Cristiane Gusmão(tema
Gusmão(tema 03) e Profª.
Profª. Patrícia Sena (tema
(tema 04).

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Metodologia do trabalho científico
1º Semestre - 1º Tema
1º Período

“Em educação, nenhuma oportunidade deve ser perdida, tanto para aprender, quanto para
ensinar, como para sentir”.

Apresentação da disciplina

Querido Estudante!

A humanidade tem passado por mudanças significativas a partir das últimas décadas,
 precisamente nesse período que vem sendo chamado de globalização. Desde o advento da
imprensa, que pode ser considerado o grande marco distintivo da cultura moderna, quando o
conhecimento produzido e acumulado pela humanidade começou a ser socializado, não
assistimos a tantas mudanças em termos de disseminação do conhecimento.

Frente às sucessivas mudanças que vem ocorrendo no mundo, evidenciamos a necessidade do


homem estar preparado para as demandas sociais, o mercado de trabalho, o conhecimento
 pluricultural, as novas tecnologias da informação etc. Por isso, investir no estudo e na pesquisa,
enfim, na construção do conhecimento, no desenvolvimento do espírito científico e do
 pensamento crítico
crítico e reflexivo é o mais seguro
seguro método para alcançarmos
alcançarmos o progresso
progresso da ciência e
da humanidade.

 Nossa disciplina é o eixo norteador que lhe dará subsídios para a sistematização dos
conhecimentos adquiridos em todas as outras disciplinas ao longo do curso, viabilizando a
instrumentalização de normas e procedimentos acadêmicos e científicos importantes e
necessários para a sua vida profissional.

Vamos iniciar agora a disciplina “Metodologia do Trabalho Científico”. Ela está dividida em 2
 blocos e 4 temas.
temas.

Portanto, nossa postura diante do curso, dos textos, das atividades e dos conteúdos que serão
trabalhados ao longo de todo o processo é que nos oportunizará absorver os conhecimentos
necessários para a compreensão das constantes mudanças que estamos vivendo nos últimos
tempos.

Desejo discernimento, iniciativa e realizações.

 Profª Ana Paula Amorim


Amorim
 Edição revisada
revisada e ampliada por:
por: Profª. Naurelice Maia (tema 01), Profª. Leila
Leila Cruz (tema 02),
 Profª. Rita Cristiane Gusmão(tema
Gusmão(tema 03) e Profª.
Profª. Patrícia Sena (tema
(tema 04).

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Bloco Temático 01
O conhecimento humano e a ciência

O nosso primeiro bloco temático versa sobre “O conhecimento humano e a ciência”. Nesta
oportunidade, são contempladas questões tais como: a formação humana, o conhecimento
(significação, principais elementos, tipos, registro e sistematização), a relação entre metodologia
e universidade, estudo, aprendizagem e leitura.
l eitura.

Conversaremos também acerca da ciência, suas concepções e características, buscando fazer um


 panorama de sua natureza/estrutura e dimensão. Trataremos ainda da metodologia científica
enquanto recurso e instrumento para a ciência da educação.

Dentre as contribuições proporcionadas pelos conteúdos propostos neste bloco temático consta a
formação contínua do estudante na qualidade de sujeito ativo e transformador que percebe seu
entorno de modo reflexivo, crítico e criativo e se constitui enquanto produtor de conhecimento e
saberes.

O ser humano, a sociedade e o conhecimento

 Nesse conteúdo oferecemos subsídios à discussão em torno do CONHECIMENTO, como ele


acontece e quais os seus principais tipos com as respectivas características.

Esse conteúdo é muito importante pelo fato


f ato de o estudante do Ensino Superior estar lidando com
ele durante os conteúdos propostos pelas diversas disciplinas ao longo do curso. Aumentando,
cada vez mais, o conjunto de conhecimentos e saberes que conferem ao aluno a qualidade de
estudante, de sujeito ativo e transformador, comprometido a CONHECER, buscar o
conhecimento e organizá-lo sistematicamente, construindo seu próprio ser.

Então vamos juntos nessa caminhada com determinação e disposição constante para a
aprendizagem!!!

Ser Humano , Conhecimento e Saber

O que significa “Ser Humano”? O Ser Humano nasce já pessoa ou torna-se pessoa?
Como cada um de nós percebe a significação do humano mediante o contexto que vivencia
e as escolhas que faz?

Que tal postar em nosso fórum, tópico “Ser Humano, Conhecimento e Saber”, possíveis
respostas e comentários para os questionamentos acima? Estamos aguardando sua participação!

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Esses e outros questionamentos remetem ao vasto campo de
discussão que hoje se estabelece sobre a formação humana.
Conforme o educador francês contemporâneo, Charlot (2000),
nascer significa ver-se submetido à obrigação de aprender. Aprender
 para construir-se em triplo processo de hominização (tornar-se
homem), de singularização (tornar-se um exemplar único de
homem), de socialização (tornar-se membro de uma comunidade,
 partilhando seus valores e ocupando um lugar nela).

 Nesse triplo processo o ser humano vai construído seu próprio ser, se estabelecendo na qualidade
de sujeito transformador, de ser da e para a relação... Para as diversas relações com o saber.

O conceito de relação com o saber

A relação com o saber é uma forma da relação com o mundo: é essa a proposição básica.
Voltemos ao ponto de partida: a condição antropológica, fundamento de toda e qualquer
elaboração teórica sobre a relação com o saber. "Por um lado", a criança enquanto indivíduo
humano inacabado; "do outro", um mundo pré-existente e já estruturado. Mas, precisamente, não
se deve situá-las assim, frente a frente, pois isso impedirá que se pense sua relação. A criança
não é um objeto incompleto situado em um "ambiente" (um conjunto de outros objetos em torno
dela). Situar o problema em termos de ambiente é precipitar-se em inextricáveis dificuldades,
 pois, assim, é-se obrigado a raciocinar em termos de influências do ambiente sobre a criança.
Mas "a influência" não influencia senão quem se deixa influenciar por essa influência... Um
evento, um lugar, uma pessoa produzem efeitos sobre tal indivíduo sem por isso surtir
obrigatoriamente um efeito sobre outro indivíduo, que apresenta no entanto as mesmas
características objetivas. Em outras palavras, um é "influenciado" e o outro, não. Para entender
isso, deve-se procurar a relação que existe entre cada um desses indivíduos e esse evento, esse
lugar, etc. Isso quer dizer que, na verdade, a "influência" é uma relação e, não, uma ação
exercida pelo ambiente sobre o indivíduo [...].

A relação com o saber é relação de um sujeito com o mundo, com ele mesmo e com os outros. É
relação com o mundo como conjunto de significados, mas, também, como espaço de atividades,
e se inscreve no tempo. Precisemos esses três pontos.

O mundo é dado ao homem somente através do que ele percebe, imagina, pensa desse mundo,
através do que ele deseja, do que ele sente: o mundo se oferece a ele como conjunto de
significados, partilhados com outros homens. O homem só tem um mundo porque tem acesso ao
universo dos significados, ao "simbólico"; e nesse universo simbólico é que se estabelecem as
relações entre o sujeito e os outros, entre o sujeito e ele mesmo. Assim, a relação com o saber,
forma de relação com o mundo, é uma relação com sistemas simbólicos, notadamente, com a
linguagem.

 Nem por isso devemos esquecer que o sujeito e o mundo não se confundem. O homem tem um
corpo, é dinamismo, energia a ser despendida e reconstituída; o mundo tem uma materialidade,
ele preexiste, e permanecerá, independentemente do sujeito. Apropriar-se do mundo é também
apoderar-se materialmente dele, moldá-lo, transformá-lo. O mundo não é apenas conjunto de
significados, é, também, horizonte de atividades. Assim, a relação com o saber implica uma

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atividade do sujeito. E exatamente para marcar essa "exterioridade" do mundo e do sujeito é que
eu falo em "relação" com o saber, de preferência a "ligação" com o saber: o termo "relação"
indica melhor que o sujeito se relaciona com algo que lhe é externo (Mosconi, in Beillerot,
Blanchard-Laville, Mosconi et al., 1996).

Por fim, a relação com o saber é relação com o tempo. A apropriação do mundo, a construção de
si mesmo, a inscrição em uma rede de relações com os outros - "o aprender" - requerem tempo e
 jamais acabam. Esse tempo é o de uma história: a da espécie humana, que transmite um
 patrimônio a cada geração; a do sujeito; a da linhagem que engendrou o sujeito e que ele
engendrará. Esse tempo não é homogêneo, é ritmado por "momentos" significativos, por
ocasiões, por rupturas; é o tempo da aventura humana, da espécie, do indivíduo. Esse tempo, por
fim, se desenvolve em três dimensões, que se interpenetram e se supõem uma à outra: o presente,
o passado, o futuro.

São essas as dimensões constitutivas do conceito de relação com o saber. Analisar a relação com
o saber é estudar o sujeito confrontado à obrigação de aprender, em um mundo que ele partilha
com outros: a relação com o saber é relação com o mundo, relação consigo mesmo, relação com
os outros. Analisar a relação com o saber é analisar uma relação simbólica, ativa e temporal.
Essa análise concerne à relação com o saber que um sujeito singular inscreve num espaço social.
CHARLOT, Bernard. A relação com o saber: conceitos e definições. Disponível em:
< http://pedagogia.incubadora.fapesp.br/portal > Acesso em: 14 nov. 2006.

Desta forma, a construção/autoconstrução humana ocorre de modo processual e contínuo, na


infinita teia das inter-relações, contribuindo à construção social da realidade.

A compreensão de uma sociedade só é possível quando seu estudo se dá de modo abrangente,


envolvendo aspectos diversos, e muitas vezes entrelaçados, como religiosidade, relação com a
morte, cotidiano, organização, entre outros

Você já se indagou sobre todo este conhecimento e informações que nos deparamos em nosso
dia-a-dia?

Como você pensa que esse conhecimento é produzido?

Para você existem tipos diferenciados de conhecimento?

Quem produz esses conhecimentos?

Você produz conhecimento? Como?

E então para você...

Como ocorre o conhecimento?

Qual o papel e importância do ato de pesquisar e de estudar neste processo de aquisição e


produção de conhecimento?

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Pois é...
Estas e muitas outras indagações serão discutidas ao longo dos nossos estudos e teremos o prazer
de manter diálogos investigativos em nosso fórum de discussão para, cada vez mais,
conhecermos essas questões.

O Ato de conhecer

O século XXI se apresenta como a Era do Conhecimento. Nos meios políticos, econômicos,
acadêmicos, por toda a parte houve-se dizer que o conhecimento é a moeda corrente e a
informação é matéria prima que constrói o conhecimento. Mas que informações, que
conhecimento? Conhecimento racional construído pelos setores intelectualizados da sociedade
que considera os fora da Universidade como seres de segunda categoria? Conhecimento afetivo,
 perceptivo, construído a partir da subjetividade individual entrelaçado nas inter-relações
 pessoais?

Desde cedo, os mestres nos falam da necessidade de aprender a conhecer o mundo e


 posteriormente da necessidade de autoconhecimento.

Agora que você já visualizou a animação ”Caçador de Mim” e esteve diante dos
questionamentos propostos em torno do autoconhecer e de suas implicações na qualidade de
movimento educativo, importa pensar sobre a nossa intencionalidade perante o processo de
construção dos saberes, importa pensar as finalidades do educar...

Nessa perspectiva, qual seria um dos maiores objetivos do ato de conhecer?

Comumente, as pessoas entram na engrenagem do conhecimento do mundo sem colocar em


 pauta o que significa conhecer. Todavia, à medida que nos defrontamos, na relação com o
mundo, com os vários campos e formas de conhecimento. Entramos num emaranhado de
conceitos.

Então percebemos que quase não tematizamos questões básicas como:

• Quem conhece?
• Como Conhece?
• Para que conhece?
• O conhecimento verdadeiro
é o conhecimento objetivo?
• E o conhecimento subjetivo
é falso?

Hoje recebemos passivamente, através das instituições escolares, um modelo de conhecimento


imposto pela ideologia do sistema tecnocrata. É o modelo, muitas vezes deturpado, do
conhecimento científico.

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Esse modelo tem a sua razão de ser, expressa um modo de conhecer e dominar racionalmente a
realidade, mas não deveria ser a única abordagem. E mais ainda, esse modelo se acha
comprometido muitas vezes com os interesses e discursos ideológicos de dominação social.

O estudo desses problemas nos remete à constatação de controvertidas respostas a exigir uma
análise esclarecedora do sentido do conhecimento.

Então, finalmente, o que é conhecimento?

Partindo da etimologia da palavra, o termo conhecimento vem do latim cognoscere, que significa
conhecer pelos sentido.

É o pensamento que resulta da relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a
ser conhecido.

Modos de Conhecer

O conhecimento também pode ser definido como a manifestação da consciência-de-conhecer.


Em outras palavras, ele existe quando o indivíduo consegue explicar um “dado” vivido. Portanto,
o conhecimento e/ou o ato de conhecer existe como forma de solução de problemas próprios e
comuns à vida.

 No dia-a-dia, o ato de conhecer se manifesta tão natural que nem nos damos conta da sua
complexidade. Visto que existem múltiplas interpretações a respeito do real, diversos são os
modos de significar o conhecimento. Só o exame nos possibilita compreender o que está sendo
 passado de obscuro e de ideológico no meio cultural, e recebido por nós, na maioria das vezes
sem nenhuma crítica.

Uma síntese de como ocorre o conhecimento no homem.

Então...

O conhecimento é o atributo geral que tem os seres vivos de reagir ativamente ao mundo
circundante, na medida de sua organização biológica e no sentido de sua sobrevivência. O
homem, utilizando de suas capacidades, procura conhecer o mundo que o rodeia, o
conhecimento, a informação, enfim, a prática de vida resulta em conhecimentos.

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À primeira vista pode até parecer complicado, mas é só impressão...
Entender o conhecimento é entender a nossa realidade.

Vamos pensar em respostas possíveis para as questões abaixo? Essas reflexões convidam outras
questões? Quais?

Na produção do conhecimento, qual é o ponto de


partida?

O sujeito?
O objeto?
 A relação entre
entre sujeito
sujeito e objeto?

E, no cotidiano escolar, qual o ponto de partida para


produção dos saberes?

De que modo a experiência e o envolvimento se


constituem como elementos indispensáveis à produção
dos saberes?

Você sabia que a “incerteza” é favorável ao


conhecimento e, especialmente, à construção da nossa
 práxis enquanto educadores
educadores e educadoras?
educadoras?

Sua participação é fundamental!


f undamental! Estamos aguardando!

Então, para compreendermos de fato esse assunto vamos lançar o olhar sobre a Teoria do
Conhecimento.

A Teoria do Conhecimento
A Teoria do Conhecimento é uma explicação ou interpretação filosófica do conhecimento
humano. É também denominada de filosofia da ciência, e tem seus fundamentos estabelecidos de
acordo com cada perspectiva de interpretação.

A Teoria do Conhecimento tem os seus fundamentos estabelecidos de acordo com cada


 perspectiva de interpretação, constituindo assim diferentes correntes do conhecimento como: o
dogmatismo, o ceticismo, o criticismo, o idealismo, o realismo, etc.

 No conhecimento encontram-se frente


f rente a frente a consciência e o objeto, o sujeito e o objeto. O
conhecimento apresenta-se como uma relação entre estes dois elementos, que nela permeiam
eternamente separados um do outro. O dualismo sujeito e objeto pertence à essência do
conhecimento.

A relação entre os dois elementos é ao mesmo tempo uma correlação. O sujeito só é sujeito para
um objeto e o objeto para um sujeito. Ambos só são o que são enquanto o são para o outro. Mas
esta correlação não é reversível. Ser sujeito é algo completamente distinto de ser objeto. A
função do sujeito consiste em apreender o objeto, a do objeto em ser apreendido pelo sujeito.

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Os homens são os únicos seres que possuem razão, capacidade de relacionar, e ir além da
realidade imediata. O conhecimento é uma forma de estar no mundo, e o processo do
conhecimento mostra aos homens que eles jamais são alguma coisa pronta na medida em que
estão sempre nascendo de novo, quando têm a coragem de se mostrar abertos diante da realidade.
A capacidade dos homens pode:

POSICIONAR-SE DIANTE
FAZER CONHECIMENTO USAR CONHECIMENTO DO CONHECIMENTO
ESTAR CRIATIVAMENTE  NO
 NO MUNDO ESTAR SIMPLESMENTE  NO
 NO MUNDO ESTAR CRITICAMENTE  NO
 NO MUNDO
usa alguma coisa que já está
estar aberto para reavaliar a própria  pronta, acabada, definitiva, implica colocar a relação do
capacidade no trabalho do conforme determinado fazer e do usar de maneira
conhecer  conhecimento considerado como dialética
suficiente

TIPOS DE CONHECIMENTO

Conhecimento Popular

Denominado de popular ou senso comum, resulta do modo espontâneo e corrente de conhecer. É


o conhecimento do dia-a-dia e se obtém pela experiência cotidiana.

É o modo comum, espontâneo ou pré-crítico da maioria das pessoas conhecer; vem da tradição
ou do ouvir-dizer dentro da sociedade [...].

Cada um ao longo de sua vida vai acumulando experiências, interiorizando tradições,


reforçando-as com novos comportamentos e armazenando, assim, conhecimentos.
conhecimentos.

Surge fragmentariamente, sem método ou sistema conforme as ocasiões da vida aparecem; tal
conhecimento não é procurado por si, mas acontecimentos da vida familiar, profissional,
religiosa e social colocam a pessoa ao par de informações[...].

Este conhecimento atinge o fato, o fenômeno sem se preocupar com leis mais gerais que o
explique, por isso gera certezas intuitivas e pré-criticas.
CAMARGO, Marculino. Filosofia do Conhecimento e Ensino-Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 48-49

Algumas características desse tipo de conhecimento:

a) Sensitivo: É a característica que se dá segundo a faculdade do sujeito cognoscente em


sentir aquilo que lhe é meramente agradável ou desagradável. [...] Nessa característica, o
homem em seu processo de conhecimento não consegue discernir o essencial do
acidental, apreendendo apenas aspectos externos dos objetos e dos fatos [..].
b) Superficial:  Retém-se, nesse caso, aquilo que é aparente, sem ater-se à análise de
antecedentes e conseqüentes que provocam a ocorrência do fenômeno. Exemplificando,
toma-se consciência de que os corpos caem até o solo ou sobre um outro objeto apoiado
na terra. No dia-a-dia, o homem pode contentar-se com essa observação, achando ser isso
tão comum e tão simples que não procura uma explicação para o fato, não constata por

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conseqüência o que Isaac Newton demonstrou: que a matéria em uma relação equacional
e que a força de atração entre os corpos é denominada gravidade.
c) Subjetivo: Há, nesse caso, uma concepção individual e particular das coisas que estão
dispostas no cosmo. Trata-se de um conhecimento direto com o mundo objetivo imediato,
em que se projeta o eu individual com a sua competência espontânea e sensitiva.
d) Destituído de método  (assistemático): Não possui definições metodológicas que
 permitem a ordenação intencional e generalizada de fases que viabilizem a construção de
um modelo inteligível, simples, preciso e verificável do mundo em que se vive.
Consequentemente,
Consequentemente, o saber é dispersivo e assistemático.

e) Impregnado de projeções psicológicas : Trata-se de um conhecimento impregnado de


ilusões e paixões. Tal é o caso das superstições.
BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia
Científica: um guia para a iniciação científica. 2ª ed. São Paulo: Paerson, 2006. p.33

CONHECIMENTO CIENTÍFICO

É o conjunto organizado de conhecimentos sobre um determinado objeto, em especial obtidos


mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Caracterizando-se pela
capacidade de analisar, de explicar, de desdobrar, de justificar, de induzir ou aplicar leis, de
 predizer com segurança
segurança eventos futuros. Ele explica os
os fenômenos e não só os apreende.
apreende.

O conhecimento científico é factual [...], denotando coisas que existem no espaço e no tempo.

O conhecimento científico é verificável ou demonstrável; ele se baseia num método de


observação, formulação de hipótese e demonstração; com este processe atinge as causas da
realidade, formulando leis gerais comprovadamente.
comprovadamente.

O conhecimento científico é analítico enquanto disseca ou dissocia aspectos do fenômeno,


decompondo o todo para perceber as interconexões a fim de remontar ou sintetizar novamente.

O conhecimento científico é metódico e sistemático, rigoroso e crítico, acumulativo e falível: a


ciência se constrói, faz e refaz caminhos.
CAMARGO, Marculino. Filosofia do Conhecimento e Ensino-Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 47-48

CONHECIMENTO FILOSÓFICO

Em sentido etimológico, Filosofia significa devotamento à sabedoria / amigo da sabedoria, isto é,


interesse em acertar nos julgamentos sobre a verdade e a falsidade, sobre o bem e sobre o mal.

Veja de que modo Marilena Chauí nos convida ao entendimento da atitude e da reflexão
filosófica e da atitude crítica.

A atitude filosófica

Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer
 perguntas inesperadas. Em vez de "que horas são?" ou "que dia é hoje?", perguntasse: O que é o

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tempo? Em vez de dizer "está sonhando" ou "ficou maluca", quisesse saber: O que é o sonho? A
loucura? A razão?

Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras:
“Onde há fumaça, há fogo”, ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é causa?
O que é efeito? ; “seja objetivo”, ou “eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O
que é a subjetividade? ; “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é
“menos”? O que é o belo?

Em vez de gritar “mentiroso!”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o


erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê?
Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, inquirisse: O que é o amor? O que é o
desejo? O que são os sentimentos?

Se, em lugar de discorrer tranqüilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”,


resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade?
E se, em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas idéias, os mesmos gostos,
as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é um valor? O que é um
valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a
liberdade?

Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo,
teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente,
nossa existência.

Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no
que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos.
Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.

Assim, uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não
aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os
comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado
e compreendido.

Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “Para que Filosofia?”. E ele respondeu: “Para não darmos
nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Disponível em: <http://www.pfilosofia.pop.com.br/03_filosofia/
03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia.htm>. Acesso em: 09 nov. 2006

A atitude crítica

A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum,
aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que “todo
mundo diz e pensa”, ao estabelecido.

A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são
as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É
também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como

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tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações
fundamentais da atitude filosófica.

A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude
crítica e pensamento crítico.

A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto,
começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o
grego Sócrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada
sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filósofo grego Platão, a Filosofia começa com a admiração;
 já o discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, acreditava que a Filosofia começa com o espanto.
Admiração e espanto significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro, através de
nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos
tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o
que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e
 precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar
também o que somos, por que somos e como somos.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Disponível em: Pfilosofia.pop.com.br. Acesso em: 09 nov. 2006

A reflexão filosófica

Reflexão significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. A


reflexão é o movimento pelo qual o pensamento volta-se para si mesmo, interrogando a si
mesmo.

A reflexão filosófica é radical porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo


 para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento.
 Não somos, porém, somente seres pensantes. Somos também seres que agem no mundo, que se
relacionam com os outros seres humanos, com os animais, as plantas, as coisas, os fatos e
acontecimentos, e exprimimos essas relações tanto por meio da linguagem quanto por meio de
gestos e ações.

A reflexão filosófica também se volta para essas relações que mantemos com a realidade
circundante, para o que dizemos e para as ações que realizamos nessas relações.
A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões:

1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Isto é,
quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que
dizemos, fazermos o que fazemos?

2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que
queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos,
dizemos ou fazemos?

3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é,
qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos?

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Essas três questões podem ser resumidas em: O que é pensar, falar e agir? E elas pressupõem a
seguinte pergunta: Nossas crenças cotidianas são ou não um saber verdadeiro, um
conhecimento?

Como vimos, a atitude filosófica inicia-se indagando: O que é? Como é? Por que é?, dirigindo-se
ao mundo que nos rodeia e aos seres humanos que nele vivem e com ele se relacionam. São
 perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas.

Já a reflexão filosófica indaga: Por quê?, O quê?, Para quê?, dirigindo-se ao pensamento, aos
seres humanos no ato da reflexão. São perguntas sobre a capacidade e a finalidade humanas para
conhecer e agir.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Disponível em:

<http://www.pfilosofia.pop.com.br/03_filosofia/03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia.htm>. Acesso em:


09 nov. 2006

O quadro a seguir apresenta reflexões sobre a experiência que, conforme Platão e Aristóteles,
 proporcionam ao ser humano o empenho do pensar filosoficamente. Essa experiência
corresponde ao thauma, perplexidade...

Admiração e Desbanalização

Platão e Aristóteles deram à filosofia uma de suas melhores definições. Eles viram a filosofia
como um discurso admirado e/ou espantado com o mundo. É difícil abandonar a idéia, que vem
dos clássicos gregos, de que um discurso que fala sobre o mundo e que responde questões do tipo
“o que é um raio?”, “como acontece um raio?”, é um discurso curioso – como discurso da
ciência –, mas que não denota alguém tão admirado e/ou tão espantado quanto aquele que
 pergunta “o que é o que é ?” – uma pergunta do discurso filosófico. As perguntas da filosofia
mostram uma atitude de máxima admiração, pois demonstram inquietude com aquilo que até
então era o mais banal. Se alguém pergunta “o que é o que é ?”, este alguém está criando a
desbanalização de algo superbanal, que é a condição de ser , o que até então não havia
 preocupado ninguém. Nós, por exemplo, estamos cotidianamente preocupados em saber coisas
que não sabíamos. Agora, perguntar pelo ser   das coisas que queremos saber o que são, nos
 parece meio fora de propósito – por que teríamos de perguntar pelo que é tão banal? Ora, o que a
filosofia faz, na acepção tradicional que vem de Platão e Aristóteles, é justamente isto: ela põe
certas perguntas que nos obrigam a olhar o banal como não mais banal. A filosofia, então, é o
vocabulário com o qual desbanalizamos o banal. Tudo com o qual estamos acostumados fica sob
suspeita, sob o crivo de uma sentença indignada – e, assim, deixamos de nos ver acostumados
com as coisas às quais, até então, estávamos acostumados!
GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. Que é Filosofia?  Disponível em: <http://www.pfilosofia.pop.com.br/03_filosofia/
03_07_leia_tam_bem/leia_tambem_16.htm> . Acesso em: 09 nov. 2006

CONHECIMENTO RELIGIOSO

O conhecimento religioso supõe e exige a autoridade divina; nela se fundamenta e só a ela


atende. Apóia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativas).

A teologia é um conhecimento direcionado à compreensão da totalidade da realidade homem-

12
mundo. O Objetivo é detectar um princípio e um fim unívoco no que se refere à gênese essencial
e existencial do cosmo. A teologia tem por objetivo de estudo os princípios da vida enquanto
estes têm a sua causa suficiente em outro ser.

É o estudo do Absoluto e da relação que existe entre Absoluto X relativo. [...] Há, nesse nível de
conhecimento, a reflexão sobre a essência e a existência naquilo que elas têm como causa
 primeira e última de toda a vida. [...] Do ponto de vista teológico, a existência divina é evidente,
e evidencia não se demonstra e nem se experimenta (pr1ocedimento experimental), mas analisa,
interpreta-se e explica-se.
BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia
Científica: um guia para a iniciação científica. 2ª ed. São Paulo: Paerson, 2006. p.36.

Apesar desta separação "metodológica" e categórica no processo de apreensão da realidade do


objeto, o sujeito pode penetrar nas diversas categorias. Por sua vez, estas formas de
conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista, voltado ao estudo da física, pode
ser praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos
de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum.

Agora, busque ativar sua memória e tente relacionar os diversos tipos de conhecimento
destacando as principais características de cada um deles e/ou associando à prática
pedagógica. Lembre-se, é para buscar na memória... Não vale olhar no texto. Utilize-o
apenas para verificar se suas observações estavam corretas, ok?!
Confiamos em você e aguardamos sua participação em nosso fórum!

Concepções de Ciência

O homem sempre empreendeu esforços em busca da verdade, da compreensão do real, da


explicação de sua natureza interna e da natureza externa que o cerca, sempre buscando dar conta
das razões de sua existência, a melhor maneira de superar os desafios. Nas diferentes dimensões
do conhecimento humano, o homem apresenta respostas e avança na compreensão do mundo.

Visto que a ciência é fruto da tendência humana para procurar respostas e justificações positivas
e convincentes, nesse conteúdo iremos analisar a natureza da ciência, conceituando seu aspecto
lógico como método de raciocínio e de inferência acerca dos fenômenos já conhecidos ou a
serem investigados.

A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem.


Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área de serviços e
 pesquisas científicas. À medida que a ciência avança, o indivíduo se torna cada vez mais capaz
de dominar as circunstâncias à sua volta.

A Ciência

Do latim scientia, isto é, conhecimento, arte, habilidade.

A ciência pode ser entendida como uma sistematização de conhecimentos,


um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o
comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar.

13
Para Ander-Egg (1978) a ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis,
obtidos metodologicamente sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma
mesma natureza.

Para Freire-Maia (1991) a ciência é um conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis,


modelos, etc., visando ao conhecimento de uma parcela da realidade, em contínua ampliação e
renovação, que resulta da aplicação deliberada de uma metodologia especial (metodologia
científica).

Desses conceitos emana a característica de apresentar a ciência como um pensamento racional,


objetivo, lógico e confiável.

São múltiplos os olhares lançados sobre a ciência, gerando diversas correntes do pensamento.
Vejamos as considerações realizadas por Barros e Lehfeld sobre duas dentre essas correntes e
seus principais postulados:

Positivismo

A Ciência é uma postura epistemológica


representada pela maturidade do espírito
humano. A imaginação está subordinada à
observação. A Ciência é eminentemente
 programática. O critério de definição sobre um
conhecimento verdadeiro é um consenso entre
humanos de boa-fé, competentes etc. O grande
expoente do positivismo é Augusto Comte, que
defende a tese de que o homem, em seu processo
de conhecimento, assume três estágios de
explicação: teológico; metafísico; positivo ou
científico. No primeiro item, estão contidas as
explicações mitológicas; no segundo, as
explicações místicas e, só no terceiro as
científicas. Positivamente, a Ciência trata de
 perscrutar e de encontrar ligações e descrições de
como os fatos ocorrem.
BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide
Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia
Científica: um guia para a iniciação científica. 2ª ed. São
Paulo: Paerson, 2006. p.42

14
Dialética

A Ciência é definida como sendo o


ato de se conhecer a análise do
 processo do fenômeno como uma
 parte do processo do conhecimento,
realizada a partir de uma
consciência crítica. A dialética não
explica, não dá esquema de
interpretação, ela [...] prepara os
quadros da explicação. Assim
sendo, a concepção dialética de
Ciência reproduz um sistema de
conhecimento em desenvolvimento
que permite a elaboração de
conceitos concernentes às atividades
do individuo e, portanto, estabelece
 previsões a respeito da
transformação da realidade e da
sociedade.
BARROS, Aidil Jesus da Silveira;
LEHFELD, Neide Aparecida de Souza.
Fundamentos de Metodologia Científica:
um guia para a iniciação científica. 2ª ed.
São Paulo: Paerson, 2006. p.43.

Concepções da ciência

 Não existe uma única concepção de ciência. Podemos dividí-la em períodos históricos, cada um
com modelos e paradigmas teóricos diferentes a respeito da concepção de mundo, de ciência e de
método, destacando-se três grandes concepções: a ciência grega, que abrange o período que vai
do século VIII a.C. até o final do século XVI; a ciência moderna, do século XVII até o início do
século XX; e a ciência contemporânea, que surge no início deste século até nossos dias.

Com os gregos, a ciência é tida e conhecida como filosofia da natureza. Tinha como única
 preocupação a busca do saber, a compreensão da natureza das coisas e do homem.

A concepção de ciência moderna opõe-se à ciência grega e ao dogmatismo religioso. Propõe


como caminho do conhecimento, o caminho da ciência, através do experimentar, do medir e
comprovar. Surge o cientificismo, isto é, a crença de que o único conhecimento válido era o
científico e de que tudo poderia ser conhecido pela ciência.

A visão contemporânea de ciência centra-se na incerteza e na ruptura com o cientificismo


(dogmatismo e a certeza da ciência). É o contexto de crise da ciência e da ruptura do paradigma
cartesiano, fundamentado na experiência e adotando a indução e a confirmabilidade para
constatar a certeza de seus enunciados.

15
Os mitos da ciência

 Nos últimos três séculos, a ciência e a tecnologia foram capazes de alterar a face do
mundo, com mudanças tão radicais como nunca se teve notícia antes. Era inevitável que se
criasse uma aura em torno desse saber e desse poder, fazendo surgir, lá onde se pensava
apenas existires as luzes da razão, algumas regiões “nebulosas”, os mitos da ciência.

Esses mitos atingem leigos e cientistas, maravilhados com o rigor do saber e a eficácia da
técnica, alcançando a sociedade como um todo, sempre que os critérios da razão
instrumental   [...] passam a interferir nos domínios da vida afetiva, fazendo com que a
ciência e a técnica se desviem de sua destinação humana.

O mito do cientificismo

À medida que a ciência se mostrou capaz de compreender a realidade de forma mais


rigorosa, fazendo previsões e transformando o mundo, houve a tendência de desprezar as
demais abordagens da realidade, tais como o mito, a religião, o bom senso da vida
cotidiana, as intuições da vida afetiva, a arte e a filosofia, que passaram a ser consideradas
formas “menores” de conhecimento.

A confiança total na ciência valoriza apenas a recionalidade científica, como se ela fosse a
única forma de resposta às perguntas que fazemos. Essa maneira de pensar começa com os
 primeiros sucessos da ciência, e foi valorizada no século XIX pelo filósofo francês
Augusto Comte, fundador do positivismo [...].

Os críticos desse exagerado otimismo acusam o cientificismo de criar formas destrutivas e


opressivas tanto da natureza quanto do ser humano. O filósofo alemão Max Weber (1864-
1920) percebe que a formalização da razão, tendo em vista o rendimento e a eficácia,
caminha ao lado do desencantamento do mundo , agora despojado de seus aspectos
míticos, sagrados, para se tornar mecânico e casual.

Também os pensadores da Escola de Frankfurt, como Horkheimer e Adorno, criticam a


 predominância da razão instrumental controladora – responsável por reduzir a atuação
humana ao campo da eficácia, além de fazer esquecer que a relação do ser humano com a
natureza não deve ser de dominação, mas harmonia [...].

O mito da neutralidade científica

A ciência é um tipo de saber capaz de superar a subjetividade d o próprio cientista e os


 preconceitos do senso comum. O rigor do método permite atingir alto grau de
objetividade, e seus processos e produtos podem ser verificados pela comunidade
científica.

Em decorrência disso, muitos pensam que a ciência é um saber neutro, ou seja, que as
 pesquisas científicas não sofrem influencia social ou política e visam apenas ao
conhecimento “puro” e desinteressado. Nesse sentido, o cientista se ocuparia com a
descrição dos fenômenos, e não com juízos de valor. Estando a atividade científica à
margem das questões históricas, não caberia ao cientista discutir o uso político de suas
descobertas.

16
 No entanto, sabemos que não é bem assim: a humanidade corre riscos diante do “aprendiz
de feiticeiro” incapaz de discutir os fins a que se destinam suas descobertas. Basta
indagarmos a respeito dos valores do indivíduo “urbano e civilizado” que sofre de solidão
e tem sido vítima dos desconfortos do progresso, como a poluição ambiental. Isso nos leva
a questionar o mito do progresso, que justifica as ilusões e preconceitos dos povos
“civilizados” quando se julgam superiores aos “menos desenvolvidos” [...].

A bomba atômica não pode ser apenas o resultado do saber sobre a energia atômica, nem
da simples técnica de produzir explosão. Trata-se de um saber e de uma técnica que dizem
respeito à vida e à morte de seres humanos [...].

[...] As altas cifras destinadas às pesquisas exigem o apoio financeiro de instituições


 publicas e privadas, desejosas de subvencionar os trabalhos que mais lhe interessem.
Pode-se falar que, por muito tempo, houve uma “indústria da guerra” alimentando a
corrida armamentista e exigindo o constante desenvolvimento da ciência e tecnologia no
campo militar.

Diante dessas questões, não há como sustentar a neutralidade da ciência. Cabe ao cientista
a responsabilidade social de indagar sobre os fins a que se destinam suas descobertas, sem
alegar isenção, uma vez que a produção científica não se realiza fora de um determinado
contexto social e político.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. 2ª ed. São Paulo:
Moderna, 2000. p. 111 – 112.

Lembre-se que quanto mais informações adquirimos, mais condições temos de construir
conhecimento. Portanto, busque investigar um pouco mais acerca dessas concepções de ciência:
ciência grega, ciência moderna e ciência contemporânea. Aproveite para descobrir outras
concepções de ciências que não estão citadas aqui.

Após estudar tipos de conhecimento , concepções de ciência e


cientificismo , dentre outras temáticas, veja um breve relato do mito
de Ícaro e leia o poema “Todo Risco”. A partir dessas leituras,
correlacionadas aos saberes e expectativas que você vem construindo
ao longo de sua trajetória humano-estudantil, elabore reflexões sobre
os significados das expressões a seguir: avanço tecnológico, progresso
científico, desenvolvimento humano e educação. Por exemplo, pensado a
questão dos limites...   Existe um limite para o conhecimento
científico? Se existe, qual seria? Por quê? E qual a relação entre
os atos educativos e tais questões?

Visite nosso fórum! Para as questões acima, acesse o tópico


“Considerações sobre conhecimento e educação”.

17
Todo risco
(Damário da Cruz)

A possibilidade de arriscar
É que nos faz homens
Vôo perfeito
no espaço que criamos
 Ninguém decide
sobre os passos que evitamos
Certeza
de que não somos pássaros
e que voamos
Tristeza
de que não vamos
 por medo dos caminhos

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Natureza/Dimensão da Ciência

A palavra ciência pode ser entendida em duas acepções:

Em se tratando de analisar a natureza da ciência, podem ser explicitadas duas dimensões, na


realidade inseparáveis, ou seja, a compreensiva (contextual ou de conteúdo) e a metodológica
(operacional), abrangendo tanto aspectos lógicos quanto técnicos. Pode-se conceituar o aspecto
lógico da ciência como o método de raciocínio e de inferência acerca dos fenômenos já
conhecidos ou a serem investigados; em outras palavras, pode-se considerar que o aspecto lógico
constitui o método para a construção de proposições e enunciados, objetivando, dessa maneira,
uma descrição, interpretação, explicação e verificação mais precisas.

Podemos ainda considerar a natureza da ciência sob três aspectos. São eles:

• Componentes da Ciência

As ciências caracterizam-se por possuírem:

Objetividade ou finalidade:  preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais


que regem determinados eventos.

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Função: aperfeiçoamento, através do crescente acervo de conhecimentos, da relação do homem
com o seu mundo.

Objeto: subdividido em material, aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou


verificar, de modo geral; formal, o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem
o mesmo objeto material.

• Classificação e Divisão da Ciência

Pode-se classificar as ciências em duas grandes categorias: formais e empíricas. As primeiras


tratam de entidades ideais e de suas relações, sendo a Matemática e a Lógica as mais
importantes. As segundas tratam de fatos e de processos, incluem-se nesta categoria ciências
como a Física, a Química, a Biologia, a Psicologia.

As ciências empíricas, por sua vez, podem ser classificadas em naturais e sociais. Dentre as
ciências naturais estão: a Física, a Química, a Biologia, a Astronomia. Dentre as ciências sociais
estão: a Sociologia, a Antropologia, a Ciência Política, a Economia, a Psicologia, a História.

• Características

De maneira geral, a ciência possui características e exigências comuns a serem consideradas. São
elas: Conhecimento pelas causas (racionalismo); profundidade e generalidade de suas
condições; objeto formal; controle dos fatos; exige investigação e a utilização de métodos ; é
comunicável.

- Conhecimento pelas causas (racionalismo)

Implica em conhecer pelas causas. Se o cientista observa a chuva, ele quer saber por que chove,
dispensando a influência dos deuses. Utiliza-se o raciocínio analítico, lógico e despojado de
impactos emocionais. Trata-se da racionalização do conhecimento.

- Profundidade e generalidade de suas condições

O conhecimento pelas causas é o modo mais íntimo e profundo de se atingir o real. A ciência não
se contenta em registrar fatos, quer também verificar a sua regularidade, a sua coerência lógica, a
sua previsão etc. A ciência generaliza porque atinge a constituição íntima e a causa comum a
todos os fenômenos da mesma espécie. A validade universal dos enunciados científicos confere à
ciência a prerrogativa de fazer prognósticos seguros.

- Objeto formal

A finalidade da ciência é manifestar a evidência dos fatos e não das idéias. Procede por via
experimental, indutiva, objetiva; suas demonstrações consistem na apresentação das causas
físicas determinantes ou constitutivas das realidades experimentalmente controladas. Não se
submete a argumentos de autoridade, mas tão-somente à evidência dos fatos.

- Controle dos fatos

Ao utilizar a observação, a experiência e os testes estatísticos tenta dar um caráter de exatidão


aos fatos. Embora os enunciados científicos possam ser possíveis de revisões pela sua natureza

20
“tentativa”, no seu estado atual de desenvolvimento, a ciência fixa degraus sólidos na subida para
o integral conhecimento da realidade. (RUIZ, 1979, p. 124 a 126).

- Exige investigação e a utilização de métodos

Investigar implica em pesquisar, e a ciência ocorre à base de questionamentos, buscas e


descobertas. Na ciência, a investigação é também a disposição do pesquisador em submeter-se a
um rigor metodológico.

- É comunicável

Os estudos e resultados das investigações científicas devem ser comunicados à sociedade. Para
tal, o cientista deve fazer uso das definições, conceitos e termos, a fim de representar fielmente
as idéias que se quer expressar.

Objetivos e Funções da Ciência

Os objetivos da ciência são determinados pela necessidade que o homem tem de compreender e
controlar a natureza das coisas e do universo. Delineados os objetivos, cabe à ciência realizar
suas três funções, a saber: descrever, explicar e prever os dados que permeiam a realidade em
estudo.

Segundo Ferrari (1982), a ciência ainda deve proporcionar “aumento e melhoria de


conhecimento; descoberta de novos fatos e fenômenos; aproveitamento espiritual;
aproveitamento material do conhecimento”.

Metodologia Científica Aplicada às Ciências da Educação

Metodologia Científica não é um simples conteúdo a ser decorado pelos estudantes. Numa
definição em sentido amplo, é o estudo dos métodos de conhecer. Trata-se de fornecer aos
estudantes um instrumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da
Academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área do conhecimento. Trata-se, então, de
se aprender também fazendo, conforme sugerido por perspectivas contemporâneas da Educação.

O que se deve fazer, na medida do possível, é seguir rigorosamente as regras definidas pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, para elaboração de trabalhos científicos.
Caso alguma regra não esteja sendo cumprida, a responsabilidade é da desatenção do autor.

Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo a uma Academia de Ciências, já
que qualquer Faculdade corresponde ao local próprio da busca incessante do saber científico.
 Neste sentido, a Metodologia Científica tem uma importância fundamental na formação do
 profissional. Se os estudantes procuram a Academia para buscar saber, precisamos entender que
a Metodologia Científica é também compreendida como o “estudo dos caminhos do saber”, se
entendermos que “método” quer dizer caminho, “logia”  quer dizer estudo e “ciência” quer dizer
saber.

• Conceitos e Objetivos

Método, etimologicamente, significa methodos  ou metodus meta = meta, hodos = caminho.

21
Caminho para se chegar a determinado fim.

O Método Científico é a ordem que se segue na investigação da verdade, no estudo feito por uma
ciência, ou para alcançar um fim determinado. Não há ciência sem o emprego de métodos
científicos.

Métodos científicos

A Metodologia Científica é uma disciplina que está intimamente relacionada com o estudo
crítico dos fatos. Ela estuda e avalia os métodos disponíveis e suas implicações, além de avaliar
as técnicas de pesquisa. De modo geral, ela é uma reunião de procedimentos utilizados por uma
técnica.

É por meio da Metodologia Científica que ocorre o contato entre o conhecimento e a análise
crítica, possibilitando a ampliação do saber, posicionando-o no plano sócio-histórico e político.
Vale considerar que a Metodologia Científica não aponta soluções, mas indica o caminho para
encontrá-las.

Visto que essa disciplina permite o questionamento da realidade, ela tem função também de
oferecer suporte à Pesquisa Científica. Dessa forma, ela pode ser entendida como uma abstração,
observando-se a relação intrínseca entre o conhecer e o intervir.

Recordando o tempo de escola... Em sua


formação estudantil, você vivenciou essa
interação entre o conhecer e o intervir? De que
forma a presença ou ausência dessa interação
contribuiu ao modo pelo qual hoje você
estabelece as relações e produz saberes?
Visite nosso fórum!

A sua maior importância está na apresentação e exame de diretrizes para a eficácia do estudo e
da aprendizagem. Ela está sincronicamente relacionada com o principal objetivo da universidade
que é ensinar e divulgar o procedimento científico.

Portanto, para adquirir o método de estudo mais adequado e conveniente, o estudante deve fazer
uso dos fundamentos que o orientará no processo de investigação para tomadas de decisões
oportunas na busca do saber e na formação do seu espírito crítico.

• Metodologia Científica e Universidade

A história da ciência é a da conquista gradual, pela ciência experimental, de uma posição central
na cultura e na visão do mundo do homem moderno. A ciência se desenvolveu basicamente fora

22
das universidades tradicionais, e só no século XIX a ligação íntima entre ciência e universidade,
que hoje muitos consideram natural, ocorre de forma efetiva.

Os novos parâmetros curriculares serão propostos visando a orientar as ações educativas nas
escolas e assegurar a todos "a aquisição do instrumental básico para acesso aos códigos do
mundo contemporâneo (leitura, escrita, expressão oral, cálculo, etc.)".

Também deverão incentivar um conjunto de conhecimentos de habilidades e valores que


contribuam para que os estudantes desenvolvam-se para o exercício da cidadania, o desempenho
das atividades cotidianas e a inserção no mercado de trabalho.

2º Tema
Metodologia do trabalho científico
"Aprendendo a Aprender"

O aprendizado é um fenômeno bastante presente em nossas vidas, concorda? Algumas vezes


aprendemos com prazer e entusiasmo, em outras travamos uma verdadeira luta com os livros e
conteúdos que insistem em deixar a nossa vida sempre mais difícil. De qualquer forma, o fato é
que aprender significa sobreviver, desde a origem da espécie humana e principalmente agora, na
era da informação globalizada.

E provável que vocês já tenham ouvido a expressão que serve de título para o nosso tema.
“Aprender a aprender” tornou-se um verdadeiro lema da educação na atualidade, na qual se
entende que a preparação para a vida e o trabalho depende muito mais do desenvolvimento de
habilidades relevantes que dos conteúdos a que se tem acesso na vida escolar. Nosso objetivo
aqui será, portanto, discutir atitudes e ações úteis para que você, estudante, possa aprender de
maneira cada vez mais eficiente, organizada e integrada.

Para alcançar este objetivo, lançaremos um novo olhar para a prática do estudo, para que
 possamos adotar atitudes compatíveis com sua importância para a aprendizagem, em particular
no ensino à distância. Discutiremos também a leitura como uma habilidade imprescindível para o

23
estudo e a aprendizagem, e ofereceremos a você técnicas para melhorar a leitura e a compreensão
de textos. Por fim, apresentaremos diversos recursos para organizar e sistematizar os
conhecimentos aprendidos, para que você possa aproveitá-los durante toda a sua vida acadêmica
e profissional.

Esperamos, assim, que você termine a disciplina munido das ferramentas necessárias para
alcançar o sucesso ao longo do curso e, mais importante, para sobreviver em uma sociedade que
exige o aprendizado em tempo integral. Bom trabalho!

Registro e Sistematização do Conhecimento

Informação e Conhecimento

O mundo de hoje é um mundo de informação. A constatação de que as novas tecnologias


mudaram a velocidade e qualidade das informações que circulam na sociedade, bem como nosso
modo de interagir com elas, é tão óbvia que quase chega a ser um clichê. A compreensão dessa
nova ordem mundial, no entanto, ainda está sendo construída, tanto pela sociedade em geral
quanto pela academia.

Uma coisa é certa: a dinâmica da informação demanda certas habilidades para que os indivíduos
se integrem a ela de maneira autônoma e responsável. O ensino tradicional, centrado na
transmissão de conteúdos, já não é mais suficiente para assegurar uma formação humana integral
(ZABALA, 1998), e portanto fica aquém da missão de contribuir para a inserção autônoma e
responsável dos indivíduos.

Segundo Dudziak (2003), o reconhecimento da informação como um elemento-chave das


relações sociais na contemporaneidade impõe a aquisição da “information literacy”, ou
competência em informação, em uma tradução aproximada e provisória. Segundo esta autora, a
competência em informação poderia ser definida como o domínio “dos fundamentos conceituais,
atitudinais e de habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo
informacional e sua dinâmica” (DUDZIAK, 2003, p. 28). O objetivo dessa competência seria
 proporcionar aos indivíduos a possibilidade de aprendizado constante ao longo da vida e os
meios de sobrevivência na sociedade atual, “tal qual um consumidor de informação”
(DUDZIAK, 2003, p. 23, grifo no original).

Mas será que consumir informação é equivalente a construir conhecimento? À primeira vista,
 parece que não: enquanto a informação corresponde a um dado da realidade, o conhecimento
supõe uma elaboração intelectual desses dados, a reflexão. Evidentemente, a informação é
necessária para construir o conhecimento, mas se tratam de objetos diferentes. Para o filósofo
alemão Robert Kurz, o paradoxo da chamada “sociedade do conhecimento” é que nela estamos
cada vez mais soterrados de informação e menos reflexivos, ou seja, mais ignorantes (KURZ,
2006). Acesse o texto em: http://obeco.planetaclix.pt/rkurz95.htm

24
APRENDIZADO E METACOGNIÇÃO

Como podemos, então, construir conhecimento a partir das informações a que temos acesso?
Essa construção do conhecimento, ou aprendizado, depende de vários fatores relativos ao
ambiente da aprendizagem e aos próprios aprendizes. Segundo revisão da literatura acerca dos
 padrões de aprendizado dos estudantes, Vermunt e Vermetten (2004), os fatores relativos aos
estudantes que influenciam em seu aprendizado são de ordem cognitiva, metacognitiva e
afetiva/motivacional.

Os fatores de ordem cognitiva correspondem às ações mentais envolvidas no processamento do


conteúdo, levando diretamente a resultados em termos de conhecimento, compreensão,
habilidades, entre outras. Os fatores afetivos e motivacionais constituem a maneira com que os
estudantes se relacionam com as emoções que emergem durante o aprendizado, que produz
estados que podem influenciar o andamento da aprendizagem de forma positiva, neutra ou
negativa. Por fim, os fatores metacognitivos dirigem os fatores cognitivos e
afetivos/motivacionais, levando indiretamente aos resultados da aprendizagem. É sobre estes
últimos que trataremos aqui; nas demais seções desse tema, discutiremos aspectos relacionados
aos fatores cognitivos e afetivos/motivacionais.

O que é a metacognição e como ela influencia no aprendizado?

Vamos primeiro examinar o próprio termo “metacognição”. Ele é formado por duas palavras:
meta + cognição. A palavra “meta” corresponde a um prefixo grego, significando “mudança,
 posteridade, além, transcendência” (FERREIRA, 1975, p. 922). Cognição, segundo o mesmo
dicionário, corresponde à “aquisição de um conhecimento” (FERREIRA, 1975, p. 343), ou
segundo Ribeiro (2003, p. 110), “representação dos objetos e fatos” da realidade. Assim, o termo
“metacognição” pode ser entendido como uma visão mais ampla do conhecimento. De acordo
com Ribeiro (2003, p. 110):
Assim, como objeto de investigação e no domínio educacional encontramos duas
formas essenciais de entendimento da metacognição: conhecimento sobre o
conhecimento (tomada de consciência dos processos e das competências necessárias
 para a realização da tarefa) e controle ou auto-regulação (capacidade para avaliar a
execução da tarefa e fazer correções quando necessário - controle da atividade
cognitiva, da responsabilidade dos processos executivos centrais que avaliam e orientam
as operações cognitivas).

25
As discussões acadêmicas sobre a metacognição ganharam proeminência a partir da década de
1970, e em pouco tempo a literatura estava repleta de termos derivados da definição original
(VEENMAN; Van HOUT-VOUTERS; AFFLERBACH, 2006). O interesse na área surgiu
depois que vários estudos demonstraram que estudantes bem-sucedidos em geral empregam
estratégias tanto para “adquirir, organizar e utilizar seu conhecimento, como na regulação de seu
 processo cognitivo” (RIBEIRO, 2003, p. 109). Em suma: estudantes bem-sucedidos parecem
monitorar conscientemente seu processo de aprendizado.

Por favor, pare um momento!

Essa é a sua oportunidade de parar para pensar sobre você mesmo. Como vai a sua vida de
estudante? Quais são os seus hábitos de estudo? Em que tarefas você se sai muito bem, e quais
são aquelas em que tem mais dificuldade?

A disciplina de Metodologia é o ponto inicial de sua jornada na graduação. Por isso, vale a pena
fazer uma “revisão de viagem”, para verificar como andam seus “equipamentos” de aprendizado.
E claro que a partir de agora, essa terá de ser uma atividade rotineira, sobretudo no ensino a
distância.

Por fim, reflita: como você controla seu processo de aprendizado? Você dispõe de técnicas e
hábitos de avaliação constante do andamento de seu estudo? Quando você percebe que o
estudo não está chegando aos objetivos esperados, o que você faz?

A influência da metacognição sobre o aprendizado e a motivação para os estudos foi verificada


em um grande número de trabalhos. O desempenho no aprendizado foi melhorado
independentemente da habilidade cognitiva, idade, e contexto social dos estudantes, e para
diferentes tipos de tarefas e domínios do conhecimento (veja VEENMAN; Van HOUT-
VOUTERS; AFFLERBACH, 2006). Diversos autores reconhecem que a metacognição abrange
 pelo menos dois aspectos distintos (ver RIBEIRO, 2003):

• Metaconhecimentos - Conhecimentos sobre os conhecimentos:   referem-se às estratégias


empregadas na aprendizagem, à natureza do assunto a ser aprendido, à tarefa a ser desempenhada
(objetivos, critérios, dificuldade), bem como aos conhecimentos acerca das próprias capacidades
e habilidades pessoais (auto-imagem, confiança, motivação).

26
• Estratégias metacognitivas - Conhecimentos sobre a regulação dos processos de
 aprendizagem: referentes à execução da auto-regulação, apóiam-se nos metaconhecimentos para
a monitoração e controle da aprendizagem. Incluem o planejamento, a decisão sobre as
estratégias mais adequadas à realização de determinada tarefa, a aplicação dessas estratégias, a
avaliação de seu desempenho e a correção de cursos de ação quando necessário.

Toda essa discussão se relaciona diretamente com os conteúdos tratados no tema 2 de nossa
disciplina. Agora que você já tem uma idéia geral do que é a metacognição e de sua importância,
 perceberá que todos aqueles conteúdos se referem a estratégias e atitudes relativas à consciência
sobre o aprendizado, bem como a estratégias úteis para realizá-lo, e se destinam dar a você maior
controle sobre ele. Estas estratégias, no entanto, precisam estar aliadas à reflexão, ou então
ficarão reduzidas a um amontoado de procedimentos automatizados e vazios. Essa breve
introdução nem mesmo se aproxima de esgotar todas as discussões relacionadas à metacognição.
 Nossa intenção aqui foi despertar seu interesse e sua atenção a você mesmo, a suas atitudes e
ações, e temos certeza de que sua reflexão lhe tornará uma pessoa mais crítica e consciente.

O estudante no ensino a distância

A educação a distância (EaD) tem sido vista como uma grande promessa por seu potencial para
democratizar o acesso à educação. Trata-se de uma modalidade em expansão em todo o mundo,
cada vez mais integrada às novas tecnologias de comunicação, e estendendo-se além do
tradicional público adulto para alcançar jovens e mesmo crianças (SHERRY, 1995). A principal
característica da educação a distância você já conhece até pela sua denominação: a separação
física e temporal entre professores e aprendizes. Embora seja alvo de muitas críticas, diversos
trabalhos apontam que seus resultados são pelo menos equivalentes aos alcançados pelo ensino
tradicional.

Uma outra marca inconfundível da EaD é a centralização da aprendizagem em torno do


estudante.

Isso significa que o processo de ensino-aprendizagem é, na maioria das vezes, dirigido e


controlado pelo estudante, e que os professores assumem de fato seu papel como facilitadores.
 No ensino tradicional, centrado em aulas expositivas, normalmente é o professor quem assume o
 papel central pois ele é quem detém o conteúdo e suas formas de transmissão, restando ao
estudante o papel de receptor passivo das informações veiculadas. As críticas da Pedagogia a

27
esse modelo classificam-no como “verbalista, autoritário e inibidor da participação do aluno”
(LOPES, 1991, p. 36-37).

 Na EaD, por outro lado, a distância entre alunos e professores ressalta ainda mais o fato de que a
aula não é suficiente para que o estudante saia do curso com o domínio da matéria. Isto ocorre
também no ensino tradicional, mas nos acomodamos com a conveniência de ter outra pessoa
responsável pelo andamento do processo de ensino-aprendizagem e pela transmissão dos
conteúdos: tudo o que temos a fazer é ouvir. Desse modo, na EaD opera-se uma mudança no
 papel de estudantes e professores, que pode ser de difícil assimilação no primeiro momento. No
entanto, segundo Briggs (2005), o esclarecimento dos papéis de estudantes e professores é
fundamental para o desenvolvimento das competências necessárias ao desempenho de cada um
destes papéis.

Para isso, podemos refletir um pouco acerca do que significa ser um estudante do ensino a
distância. O perfil geral desse estudante é o de um adulto, que necessita de flexibilidade para
superar dificuldades relativas a horários, distância de centros de ensino, e financiamento dos
cursos (SHERRY, 2005). Desse público normalmente heterogêneo, no entanto, espera-se o
mesmo comportamento (RAILTON; WATSON, 2005): a atuação como aprendizes autônomos
desde o ingresso no curso superior.

De acordo com Railton e Watson (2005), ser um estudante autônomo exige que você domine as
habilidades necessárias para gerir, com eficiência, uma grande porção de tempo de estudo
independente, com pouca ou nenhuma orientação expressa. Tais habilidades incluem,
 principalmente (KERR; RYNEARSON; KERR, 2006):

1. Habilidades de leitura e escrita: a comunicação escrita é a forma preponderante


de troca de idéias e experiências entre professores e alunos e também entre alunos e
alunos. Além disso, a mais importante do conteúdo é trabalhada com a linguagem escrita.
Portanto, na EaD como em qualquer outra parte da vida acadêmica e profissional, o
domínio da leitura e escrita é essencial.
2. Técnicas de aprendizado independente: Lembra-se das habilidades
metacognitivas? Utilize-as!

28
3. Motivação:  Estudantes motivados guiam-se pelos objetivos que impõem a si
mesmos, assumindo maior responsabilidade pelo processo de aprendizagem.
4. Familiaridade com a tecnologia:  A facilidade com que os estudantes utilizam os
recursos tecnológicos disponíveis traduz-se também em maior facilidade no processo de
aprendizagem. Afinal, a tecnologia é o meio através do qual os conteúdos são
trabalhados.

As informações acima são fruto de alguns estudos acadêmicos acerca da situação do estudante na
EaD. De posse desses dados, avalie sua própria situação. Como estamos no início do curso, esta
é a hora de estabelecer um programa de ações para melhorar seu desempenho acadêmico. O
 primeiro passo é a reflexão sobre as próprias características, e a avaliação de pontos fortes e
fracos. A seguir, estabeleça prioridades: que aspectos necessitam ser trabalhados primeiro?
Alguns deles provavelmente já serão abordados aqui na disciplina. Então, aproveite o máximo e
mãos a obra!

ATIVIDADE PROPOSTA

Complete o quadro abaixo com as  atividades em que você tem mais facilidade e mais dificuldade
durante o estudo, realizadas habitualmente. A seguir, liste os aspectos que você supõe que
exigirão mais trabalho no estudo à distância. Essa parte do quadro será o DIAGNÓSTICO dos
seus hábitos de estudo. Agora, apresente propostas de ações que você poderia utilizar para
avaliar seu próprio desempenho; essa será a parte de AVALIAÇÃO. Por fim, na parte de
SUGESTÕES, imagine que atividades você pode praticar, ou que conteúdos terá de aprender
 para se tornar um estudante bem-sucedido e... feliz!

DIAGNÓSTICO AVALIAÇÃO SUGESTÕES


É FÁCIL: É DIFÍCIL: E na EaD, Como saber se O que fazer para aprender
como será? aprendi? melhor?

Agora, pergunte aos seus colegas como ficou o quadro deles!

Método e Estratégia de Estudo e Aprendizagem


Estudar exige empenho responsável e dedicação generosa. Conseqüentemente, pressupõe
sacrifícios e escolhas conscientes. Quem de fato quer estudar deve estabelecer uma hierarquia de
valores em sua vida.

Agir metodologicamente é condição básica de qualquer pesquisa científica, por mais elementar
que seja.

29
Trata-se efetivamente de um conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na
investigação e demonstração da verdade. Não devemos considerar o método como o essencial,
mas lembrar que ele é um instrumento intelectual, um meio de acesso, enquanto a inteligência,
 junto com a reflexão, descobre o que os fatos realmente são.

Um estudo é eficaz quando se torna significativo, isto é, quando os novos conhecimentos e


informações são assimilados pessoalmente e confrontados e integrados no complexo de
conhecimentos já existentes, podendo ser reutilizados em outras situações. Assim, o estudo
contribui para a formação integral da pessoa e de sua maturação.

• Fundamentos do Método do Estudo

Entre duas pessoas que tenham o mesmo grau de escolaridade, processos cognitivos semelhantes
e graus de motivação semelhantes, certamente aquele que fizer uso de um método de estudar
compatível terá melhor rendimento. A eficiência do estudo depende de método, mas o método
depende de quem o aplica, da maneira como o faz, adequando-o as suas necessidades e
convicções. Podemos citar como pontos essenciais para eficiência nos estudos o que se segue:

a) finalidade:  desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se restrinjam apenas a


determinado setor de atividade ou matéria específica;

b) abrangência:  servir de instrumento a todos os que tenham as mesmas necessidades e


interesses, em qualquer fase de desenvolvimento e escolaridade, podendo aperfeiçoar-se à
medida que o indivíduo progride, através de seus próprios recursos.

• Fatores Condicionantes do Estudo

O ofício de estudar requer algumas qualidades específicas que podemos sintetizar na seguinte
trilogia: constância, paciência e perseverança. A constância vence as impressões de falso cansaço
que freqüentemente se apoderam do espírito e do corpo. A persistência, no entanto, faz as
articulações se desenferrujarem, os músculos se revigorarem, a respiração se dilatar, de repente,
um novo ânimo empurra para frente, coisa semelhante pode acontecer com os estudos, em vez de
ceder diante dos primeiros sintomas de fadiga, o estudante deve romper para frente, forçar a
saída da energia interior. E a paciência para aguardar com amor o natural resultado dos esforços
desenvolvidos.

É regra de ouro não empreender nada além da capacidade pessoal. Cada um tem seu ritmo
 próprio e suas limitações. O presunçoso é aquele que se julga superior ao que realmente é e pode
ser, contenta-se com aparências e facilmente é vítima de auto-ilusão. Conhecer os reais limites
 pessoais é fator de honestidade para consigo mesmo e para com os outros. Quando o trabalho é
fruto do próprio esforço, então é que tem valor, mesmo não atingindo inteiramente a qualidade
acadêmica exigida. Deve-se desistir da tentação de sempre querer comparar-se com os outros. O
que eu mesmo sou capaz de produzir, dentro das minhas condições pessoais, é o que contribui
efetivamente para minha realização humana.

Portanto, as condições físicas e as do seu ambiente de estudo devem ser favoráveis,


 possibilitando o trabalho atento e tranqüilo.

Ambiente: Procura-se, se possível, um lugar sossegado. O quarto de estudo deve ser bem
arejado e iluminado. Na escrivaninha do estudante devem ser afastados todos os objetos que

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 podem distrair. O que não pode faltar é um bom dicionário, papel ou fichas, lápis, borracha e
caneta.

Saúde: Às vezes tratam-se de casos relativamente simples de serem resolvidos. Assim, por
exemplo, sonolência constante em períodos de estudos pode ter como motivação a inadequação
do horário de estudo ou tipo de alimentação efetuada antes do estudo.

Intercâmbio: É de grande utilidade reunir-se de tempos em tempos com colegas estudantes para
trocar experiências de estudo, confrontar resultados, preparar um exame ou um debate em aula.
Esse tipo de intercâmbio abre novos horizontes, estimula o esforço e esclarece dúvidas.

Motivação: Um fator absolutamente central no estudo é a motivação, ou seja, uma disposição


interior que nos impulsiona a adotar e manter um estilo de vida e um comportamento que
expressam e concretizam valores tidos como importantes. Sem objetivos concretos, que devem
ser constantemente lembrados, corremos o risco de desanimar diante das primeiras dificuldades
que se apresentam, enquanto a experiência de fracasso provoca uma profunda frustração
 psicológica. Ao contrário, uma forte motivação garante um estudo perseverante e bem-sucedido.

Autodisciplina:  No campo da formação intelectual nada se faz sem autodisciplina. A


concentração – elemento primordial nos estudos – depende em boa parte dela, pelo fato de exigir
força de vontade e tenacidade na ação. Sem esta disposição firme e empenho decidido não
adianta absolutamente nada oferecer subsídios metodológicos, acompanhamento pessoal nos
estudos ou técnicas sofisticadas de aprendizagem.

• A aprendizagem

Toda aprendizagem é uma “estrutura” que deve ser assimilada globalmente, portanto deve-se
 pensar sempre em termos de totalidade e relação das partes entre si.

Um estudo eficiente passa necessariamente por três etapas que, articuladas, levarão o educando a
atingir com mais eficiência a aprendizagem desejada, denominada aqui de síncrese, a primeira
etapa, análise, a etapa intermediária, e síntese, a etapa final.
Vejamos o quadro abaixo:

SINCRESE ANÁLISE SÍNTESE


Procurar o sentido Procurar ver e
estrutural compreender Eliminar da investigação tudo que não for fundamental
do todo todos os detalhes
Conclusões, definições, princípios, esquemas,
Visão difusa do conteúdo Ordenar o conteúdo
diagramas

• Planejamento e Organização

 Não se pode esperar ter êxito nos estudos sem planejamento e organização. O planejamento diz
respeito ao tempo disponível, enquanto a organização se refere à utilização eficiente deste tempo
em termos de estudo. Estudo exige, por sua própria natureza, autodisciplina e disponibilidade.
Elaborar um “Quadro de Horário” prevendo a distribuição do tempo dedicado ao estudo é um
excelente recurso para otimização do tempo, possibilitando o acompanhamento das tarefas a
médio e longo prazo. Também no sentido de contribuir na organização das atividades seria bom
elaborar um “Quadro de Tarefas”, possibilitando o acompanhar das atividades.

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• Regras Gerais de Estudo

Se você adotar as técnicas aqui expostas, em pouco tempo terá aprendido a aprender. Seu estudo
renderá mais, terá maior eficácia. Mas as regras apresentadas não devem escravizá-lo. Você
deverá dominá-las e aplicá-las como um senhor, usando-as em seu proveito.

MÉTODO DE ESTUDO
Fases Atitude e Técnicas Básicas do Estudo
Comportamento
1. Perguntar-se antes do estudo:
- Qual é o assunto?
Curiosidade - O que sei sobre isso?
Interesse - Que acho que vai tratar-se aqui?
Propósito definido 2. Pausa para responder-se mentalmente a essas perguntas.
G 3. Leitura rápida sobre todo o livro (quando é o primeiro contato com
L ele):
O - Tentar obter o plano da obra
B - Informações sobre o autor e seu trabalho
A - Tentar descobrir seu método expositivo4. Leitura rápida sobre o
“Olho clínico” capítulo, a lição:
L Atenção - Tentar apenas se informar do que se trata
 Não-passividade - Tentar esboçar o plano do capítulo ou do texto
- Estabelecer rapidamente relações com temas anteriores
- Sem anotações – veloz
- Esta primeira leitura é sem análise

5. Nova leitura: demorada, refletida


- Assinalar as partes importantes
Concentração - Obtenção da idéia principal
Análise - Obtenção dos detalhes importantes
Crítica - Assinalar a lápis no livro
- Relacionar as partes
P - Criticar (se for o caso) pontos de vista do autor
A - Confrontá-los com os próprios
R Síntese - Levantar dúvidas
- Procurar respostas
C 6. Anotações (de preferência em fichas)
I - Breves transcrições
A - Esquemas
Sistematização
L - Resumos próprios
- Conclusões tiradas
Ordenação lógica - Análises e críticas pessoais (se for o caso)
- Documentar-se não apenas para o presente, o imediato. A anotação deve
servir para o futuro. Daí ser concisa, sem ser obscura
7. Relacionar o assunto com o anterior e o seguinte
- Consultar outras fontes. Não se escravizar ao livro de textos

G Concentração 8. Revisão e assimilação


L Persistência - Rever toda a anotação feita
O - Confrontar com o texto
- Repetir para si o aprendido, imaginando que o está comunicando a alguém
B Adaptação às situações - Treinar-se para que tal “comunicação” tenha clareza e seqüência lógica
A reais, fora do contexto - Testar a memória para assegurar-se de que não esqueceu algo importante.
L lido  Não decorar, mas assimilar.

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ATIVIDADE PROPOSTA

Exercite agora com o próprio conteúdo de MTC. Na etapa de Síncrese, descubra qual o sentido
da estrutura de nosso material: como a organização das partes se relaciona com o conteúdo
apresentado no material inteiro? Na etapa de Análise, faça um resumo de tudo o que você
aprendeu até aqui. Na etapa de Síntese, aponte suas principais conclusões em forma de tópicos.

Leitura e Análise de Textos


É preciso ler, e principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar
apontamentos e, finalmente, não saberá estudar. Ler bem é o ponto fundamental para os que
quiserem ampliar e desenvolver as orientações e aberturas das aulas.

O processo de aprendizagem, no que tange as atividades estudantis,


depende, dentre outros elementos, da capacidade de leitura e assimilação
reflexiva dos conteúdos trabalhados. As leituras necessárias e justificáveis
 podem ser realizadas de modo proveitoso e com menor grau de esforço
quando efetuadas com base em algumas técnicas. O que é uma leitura
 proveitosa, que técnicas podemos fazer uso, que cuidados devemos ter
 para maior proveito será agora objeto do nosso estudo. Vamos a ele!

• Elementos da Leitura

A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada vez mais os
horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação, disciplinando a
mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o
mesmo problema pode ser considerado. Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lê
memoriza elementos de um todo que não se atingiu.

Apesar de todo o avanço tecnológico observado na área de comunicações, principalmente


audiovisuais, nos últimos tempos, ainda é, fundamentalmente, através da leitura que se realiza o
 processo de transmissão/aquisição do conhecimento. Daí a importância capital que se atribui ao
ato de ler, enquanto habilidade indispensável. Aprender a ler não é uma tarefa tão simples, pois
exige uma postura crítica, sistemática, uma disciplina intelectual por parte do leitor, e esses
requisitos básicos só podem ser adquiridos através da prática, da experiência.
Os livros, de modo geral, expressam a forma pela qual seus autores vêem o mundo. Para
entendê-los é indispensável não só penetrar em seu conteúdo básico, mas também ter
sensibilidade e espírito de busca, para identificar, em cada texto lido, os vários níveis de
significação e as várias interpretações das idéias expostas por seus autores.

Os livros ou textos selecionados servem para leituras ou consultas: podem ajudar nos estudos em
face dos conhecimentos técnicos e atualizados que contêm, ou oferecer subsídios para a
elaboração de trabalhos científicos, incluindo seminários, trabalhos escolares, monografias etc.

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• Modalidades de Leitura

A realidade da leitura é extremamente complexa e variada, visto que o diálogo que se estabelece
entre emissor e receptor não se dá sempre da mesma forma. As nossas leituras têm origens e
objetivos bastante diferenciados. Assim, há leituras de pura informação, como noticiários,
 jornais, revistas; leituras de passatempo, como revistas em quadrinhos, romances etc.; leituras
literárias que são, antes de tudo, uma comunicação íntima entre o texto e o leitor.

 No caso específico de leituras acadêmicas, trata-se de uma linguagem científica que se
caracteriza pela clareza, precisão e objetividade. Ela é fundamentalmente informativa e técnica,
firma-se em dados concretos, a partir dos quais analisa e sintetiza, argumenta e conclui. A
objetividade e racionalidade da linguagem científica a distingue de outras expressões, igualmente
válidas e necessárias.

O que é mais presente é a leitura de estudo ou informativa, pois visa à coleta de informações para
determinado propósito, destacando-se três objetivos predominantes:

- certificar-se do conteúdo do texto, constatando o que o autor afirma, os dados que apresenta e
as informações que oferece;

- correlacionar os dados coletados a partir das informações do autor com o problema em pauta;

- verificar a validade dessas informações.

• Etapas da Leitura

- Decodificação: Tradução dos sinais gráficos em palavras;

- Intelecção: Percepção do assunto, emissão de significado ao que foi lido;

- Interpretação: Apreensão das idéias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto;

- Aplicação: Função prática da leitura, de acordo com os objetivos que se propôs.

• Motivação para Leitura

A leitura pode ser feita com diferentes finalidades. Em outras palavras, você está lendo para
adquirir conhecimentos suficientes que o levará ao sucesso.
A seleção dos seus textos de leitura deve ser feita a partir daí. As técnicas de leitura que você
deverá usar serão escolhidas também a partir dessa finalidade principal. Portanto:

- determine inicialmente a principal finalidade da leitura mantendo as unidades de pensamento,


avaliando o que se lê;
-  escolha os textos (livros, apostilhas, etc.) tendo em vista a finalidade principal da leitura;
- use as técnicas de leitura mais indicadas à finalidade fixada e aos textos a ler;
- leia com objetivo determinado, preocupe-se com o conhecimento de todas as palavras,
utilizando para isso glossários, dicionários especializados da disciplina ou mesmo dicionário
geral;
- interrompa a leitura, quer periódica quer definitivamente, se perceber que as informações não
são as que esperava ou não são mais importantes;

34
- discuta freqüentemente o que foi lido com os colegas, professores e outras pessoas.

• Condições para uma Leitura Proveitosa

Para um estudo proveitoso de um texto, de um artigo ou de um livro, com boa assimilação de seu
conteúdo, alguns passos fazem-se necessários:

a) atenção - aplicação cuidadosa e profunda da mente, buscando o entendimento, a assimilação


dos conteúdos básicos do texto;

b) intenção - interesse ou propósito de conseguir algum proveito por meio da leitura;

c) reflexão - consideração e ponderação sobre o que se lê, observando todos os ângulos, tentando
descobrir novos pontos de vista, novas perspectivas e relações;

d) espírito crítico - ler com espírito crítico significa fazê-lo com reflexão, não admitindo idéias
sem analisar ou ponderar, proposições sem discutir, nem raciocínio sem examinar;

e) análise - divisão do tema em partes, determinação das relações existentes entre elas, seguidas
do entendimento de toda sua organização;

f) síntese -  reconstituição das partes decompostas pela análise, procedendo-se ao resumo dos
aspectos essenciais, deixando de lado tudo o que for secundário e acessório, sem perder a
seqüência lógica do pensamento.

• Etapas da Análise e Interpretação de Textos

DECOMPOSIÇÃO GENERALIZAÇÃO ANÁLISE CRÍTICA


Permite a classificação,
Verificação dos componentes Objetividade, explicação e a justificativa são
fundamentada em traços
de um conjunto e suas possíveis três elementos importantes para se chegar à
comuns, dos elementos
relações. validade.
constitutivos.

O QUE DEVO IDENTIFICAR NUM TEXTO?

TEMA: Idéia central ou assunto tratado pelo autor, o fenômeno que se discute no decorrer do
texto. Em primeiro lugar, busca-se saber do que fala o texto. A resposta a esta questão revela o
tema ou assunto da unidade.

PROBLEMA: A apreensão da problemática, aquilo que “provocou” o autor, isto é, pode ser
visto como o questionamento de motivação do autor.

TESE: A idéia de afirmação do autor a respeito do assunto. Captada a problemática, a terceira


questão surge espontaneamente: o que o autor fala sobre o tema, ou seja, como responde à
dificuldade, ao problema levantado? Que posição assume, que idéia defende, o que quer
demonstrar? A resposta a esta questão revela tese, proposição fundamental: trata-se sempre da
idéia mestra, da idéia principal defendida pelo autor naquela unidade.

OBJETIVO: A finalidade que o autor busca atingir. Que mensagem ele espera transmitir com o
texto. O objetivo pode estar explícito ou implícito no texto.

35
IDÉIAS CENTRAIS:  Idéias principais do texto. A cada parágrafo podemos selecionar idéias
centrais ou secundárias.

ATIVIDADE PROPOSTA
 Nada como a prática! Sugerimos que você utilize as técnicas que apresentamos na leitura de um
texto que será muito útil na realização da sua Atividade Orientada. O texto se chama “ O
professor, seu saber e sua pesquisa ”, de autoria da Profª Menga Lüdke. Para ler o artigo, acesse
o endereço:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302001000100006
&lng=en&nrm= iso

Técnicas para Sistematização do Conhecimento I

A necessidade de romper com a tendência fragmentadora e desarticulada do processo do


conhecimento, justifica-se pela compreensão da importância da interação e transformação
recíprocas entre as diferentes áreas do saber. Essa compreensão crítica colabora para a superação
da divisão do pensamento e do conhecimento, que vem colocando a pesquisa e o ensino como
 processo reprodutor de um saber parcelado que conseqüentemente muito tem refletido na
 profissionalização, nas relações de trabalho, no fortalecimento da predominância reprodutivista e
na desvinculação do conhecimento do projeto global de sociedade.

Faz-se necessário a produção e a sistematização do conhecimento, no sentido de minimizar a


complexidade do mundo em que vivemos. Neste sentido, a interdisciplinaridade aparece como
entendimento de uma nova forma de institucionalizar a produção do conhecimento,
 possibilitando a articulação de novos paradigmas, as determinações do domínio das
investigações, as pluralidades dos saberes e as possibilidades de trocas de experiências.
Você já aprendeu que o estudo envolve relações com o tema estudado em dois níveis, o global e
o parcial, aprendeu as condições para um estudo eficiente, e os princípios de uma leitura
 proveitosa. Isso não é suficiente para ter um aprendizado ótimo do conteúdo?

Em geral, um bom estudo envolve a consulta a diferentes fontes de informação e a integração e


reelaboração dos conteúdos aprendido. A sistematização permite que os conteúdos aprendidos
 possam ser reelaborados: quando você escreve o que entendeu, está trabalhando de forma
criativa com o conhecimento. Esse trabalho criativo permite que você integre o conhecimento de
forma funcional a sua estrutura mental e além disso, possa organizar todo o seu estudo. Enquanto
organiza, você estabelece relações significativas entre cada momento de estudo, articulando-os e
reduzindo a fragmentação do conhecimento. Vamos agora ver técnicas para essa sistematização.
A seguir, verificaremos as diversas técnicas de sistematizar o conhecimento e as suas devidas
aplicações práticas. Vamos a elas!

Técnica para Sublinhar

Devemos compreender que cada texto tem uma idéia principal, um conceito fundamental, que se
apresenta como fio condutor do pensamento. Portanto, devemos captar o fato essencial do texto,
destacando, com marcas e cores diferentes, cada parte importante do todo. A técnica de sublinhar
tem por objetivo destacar, no próprio texto, as idéias principais e secundárias do argumento
elaborado pelo(a) autor(a). Se não seguir essa técnica, muitas vezes o estudante acaba
sublinhando idéias demais, o que prejudica a leitura do texto depois por deixar as páginas
“poluídas”, ou então sublinha palavras ou idéias que se mais aparecem, levando à redundância.

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a) Leitura integral do texto;

b) Esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outras;

c) Releitura do texto, para identificar as idéias principais;

d) Não sublinhar após a primeira leitura;

e) Ler e sublinhar, em cada parágrafo, as palavras que contém a idéia-núcleo e os detalhes mais
importantes. Não sublinha-se a mesma palavra novamente;

f)  Sublinhar apenas as idéias principais e os detalhes importantes, usando dois traços para as
 palavras-chave e um para os pormenores mais significativos, assinalar com uma linha vertical, à
margem do texto, os tópicos mais importantes, com dois os tópicos muito importantíssimos;

g) Assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos de discordância, as


 passagens obscuras, os argumentos discutíveis;

h) Reconstruir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas;

i) Ler o texto sublinhado com continuidade e plenitude de um telegrama.

Técnica para Esquematizar

O esquema é utilizado como trabalho preparatório para o resumo, para memorizar mais
facilmente o conteúdo integral de um texto. Utiliza-se de setas, linhas retas ou curvas, círculos,
colchetes, chaves, símbolos diversos. Pode ser montado em linha vertical ou horizontal. É
importante que nele apareçam as palavras que contém as idéias principais, de forma clara,
compreensível.

Um esquema é uma representação diagramática de um texto. Depois da leitura, você já percebeu


as idéias principais discutidas pelo autor. Se você tiver sublinhado o texto, terá uma visão ainda
melhor de quais são as idéias principais e secundárias do argumento. De posse dessas
informações, comece a ordenar graficamente as idéias em uma hierarquia. Os esquemas têm
formas variadas, conforme o objetivo de quem esquematiza; por isso, além de refletir a
ordenação de idéias do texto, também refletem a compreensão de quem o leu. Assim, um bom
esquema lhe dará uma visão global e rápida sobre como aquele texto está organizado,
lembrando-lhe de como você o entendeu no momento da leitura.

Normas para Esquema

a) seja fiel ao texto;

b) aponte o tema do autor, destaque títulos, subtítulos;

c) seja simples, claro, distribuindo organicamente o conteúdo;

d) subordine idéias e fatos, não os reúna apenas;

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e) faça uma distribuição gráfica do assunto, mediante divisões e subdivisões que representem a
sua subordinação hierárquica;

f)  construa o esquema através de chaves de separação ou por listagens itemizadas com
diferenciação de espaço e/ou classificação numérica para as divisões e subdivisões dos
elementos;

g) lembre-se que o esquema tem, também, um conteúdo pessoal.

Técnicas para Sistematização do Conhecimento II

Depois que você verificou as principais técnicas que facilitam a compreensão do texto, vamos
examinar algumas técnicas que permitem a organização das diversas leituras. A partir dessa
organização você poderá construir um arquivo ou banco de dados a partir de suas leituras,
armazenando sua interpretação, opiniões, resumos, citações, enfim: tudo o que você julgar
 pertinente em relação ao texto lido.

Aqui, é importante adotar o espírito científico e perceber que, para a construção do


conhecimento, é preciso organização e planejamento. Muito de nossas idéias é construído a partir
de nossos estudos; por isso, convém sistematizá-los para que possamos lançar mão deles quando
for necessário produzir qualquer trabalho intelectual.

Técnica para Fichar

Fichar é transcrever anotações em fichas, para fins de estudo ou pesquisa. À medida que o
 pesquisador tem em mãos as fontes de referência, deve transcrever os dados em fichas, com o
máximo de exatidão e cuidado. A ficha, sendo de fácil manipulação, permite a ordenação do
assunto, ocupa pouco espaço e pode ser transportada de um lugar para outro. Até certo ponto,
leva o indivíduo a pôr ordem no seu material. Possibilita ainda uma seleção constante da
documentação e seu ordenamento.

Composição/Estrutura das Fichas

A estrutura das fichas, de qualquer tipo, compreende três partes principais: cabeçalho, referência
 bibliográfica e corpo ou texto, a indicação da obra (quem, principalmente, deve lê-la) e o local
em que ela pode ser encontrada (qual biblioteca).

38
39
Elaboração de fichas passo a passo

A elaboração de fichas pode parecer uma atividade nova para você. Na verdade, a técnica serve
apenas para organizar algo que já realizamos cotidianamente, que é a anotação durante a leitura.
À medida que vamos lendo, vamos naturalmente questionando, interpretando, estabelecendo elos
com outras leituras. Essas idéias é que constituem a base dos trabalhos acadêmicos, então nada
melhor do que registrá-las para que você se beneficie de seu pensamento.

Etapa 1 – Fazer um plano de estudos

A primeira coisa a fazer para iniciar um fichamento é realizar um plano do tema que você quer
estudar. Às vezes, não temos certeza ainda do que vamos estudar; nesse caso, você não vai
conseguir fazer o plano, e vai precisar deixar vários campos do cabeçalho em branco. Mas não se
apresse. Vamos ver uma hipótese em que sabemos o que queremos estudar e fazemos então um
 plano desse assunto. Um plano nada mais é que uma organização hierarquizada dos assuntos.
Quando você faz um índice de um trabalho, você pode colocar, por exemplo, o nome do capítulo
1 numa linha, e depois, nas linhas seguintes, colocar as seções que aquele capítulo contém. No
 plano, vai ser a mesma coisa.
coisa. Observe o nosso exemplo
exemplo aí embaixo. Nosso
Nosso exemplo aqui trata do
ensino de ciências. Que tal tentar elaborar um esquema a partir de um tema de seu interesse?

1. Ensino de Ciências

1.1. História do ensino de ciências no Brasil.


1.2. Alfabetização científica
1.2.1. Concepção educacional
educacional
1.2.2. Funções e competências
1.2.3. Dificuldades
1.3. Recursos didáticos
1.3.1. Mapas conceituais
1.3.2. Projetos

Veja que, nesse exemplo, o Tema geral, mais abrangente, do meu estudo, é o ensino de ciências.
Podemos, depois, estudar diversos aspectos diferentes do ensino de ciências. Por exemplo,
 poderia estudar métodos
métodos de avaliação, planejamento
planejamento de currículo,
currículo, etc. Mas eu escolhi
escolhi estudar três
aspectos em especial: a história do ensino de ciências no Brasil, o processo de alfabetização
científica e os recursos didáticos disponíveis para o ensino de ciências. Esses três aspectos estão
contidos no tema geral, o Ensino de Ciências. Por sua vez, em cada aspecto desses, eu posso
ainda particularizar meu estudo ainda mais. Por exemplo, eu escolho estudar apenas dois
recursos didáticos dos muitos que existem disponíveis: os mapas conceituais e os projetos. Da
mesma forma, esses dois recursos estão contidos no item “Recursos Didáticos”.

Você percebeu a hierarquia? Agora perceba, no exemplo, que essa hierarquia está marcada pela
atribuição de uma seqüência de números a cada item. Examine o exemplo e veja como essa
numeração funciona.

Etapa 2 – Que ficha você quer fazer?

Você pode fazer vários tipos de fichas diferentes. Tenha em mente que cada ficha vai se referir a
apenas um livro ou artigo ou qualquer tipo de trabalho científico. No entanto, para um mesmo
livro, você pode fazer uma ficha bibliográfica, e depois decidir fazer uma outra ficha, de citação.

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Veja que, nesse exemplo, a ficha de citação não é seqüência da ficha bibliográfica, elas atendem
a objetivos diferentes.

Digamos que eu queira, agora, fazer uma ficha bibliográfica. Decida qual o tamanho da ficha (do
 papel cartão que você compra na papelaria). Para ter mais flexibilidade, você pode escolher um
tamanho grande, caso depois decida fazer uma ficha de resumo, ou citação, etc. No entanto,
agora eu vou fazer a ficha bibliográfica.

Etapa 3 – Preencha o cabeçalho da ficha

O cabeçalho da ficha é o elemento que vai organizar todo o seu fichamento. Isso porque ele deve
ser preenchido de acordo com o esquema que você fez anteriormente. Veja abaixo quais são os
campos do cabeçalho, isto é, os espaços que você vai ter que preencher.

Então, vejam que o cabeçalho deve ocupar duas linhas. Na primeira, você vai colocar o Título
genérico remoto, isto é, aquele título que é o mais abrangente do planejamento que você fez. No
nosso exemplo, vai ser, então, Ensino de Ciências. A linha de baixo tem quatro campos, ou
espaços, delimitados pelas caixinhas na figura. No primeiro, você vai colocar o título genérico
 próximo, ou seja, o tema de seu estudo que se refere de forma mais próxima ao texto que vai ser
fichado. Digamos que, no nosso exemplo, eu esteja lendo um trabalho sobre mapas conceituais.
Então, no local destinado ao Título Genérico Próximo, eu vou preencher com o item “Recursos
Didáticos”. Vejam que esse título inclui o tema do meu texto, mas ainda é mais abrangente do
que ele; no esquema, o item “Recursos Didáticos” inclui “Mapas conceituais” e “Projetos”.
Então, no próximo campo, o do título específico, eu coloco o Título que se refere mais
diretamente ao assunto do meu texto. No caso, então, vai ser o item “Mapas Conceituais”. Vejam
que eu usei, até agora, as informações do esquema, e não disse nada sobre o texto.

 Nos dois últimos espaços temos o número de classificação e o código indicativo da seqüência. O
número de classificação corresponde àquele número da hierarquia do plano de trabalho que você
fez antes. No exemplo, chegamos até o item “mapas conceituais”. Lá no nosso plano, o número
associado a ele é “1.3.2”, e colocamos esse número no espaço adequado. Por fim, o código da
seqüência só é preenchido quando você precisa usar mais de um papel para a mesma ficha.
Digamos que você queira fazer uma ficha de esboço, que é extensa, e apenas uma folha daquele
 papel que você comprou não foi suficiente para escrever todo o seu esboço. Você então pode
 pegar outro papel, repetir todas as informações do cabeçalho, exceto esse código, vai repetir a
referência, e simplesmente continuar seu esboço a partir do ponto em que parou no papel
anterior. Daí, para você diferenciar as duas e indicar a seqüência de leitura, pode preencher esse
campo no primeiro papel com uma indicação da seqüência, como por exemplo “1/2”, em que se
lê “primeira página de duas”, e nesse campo, na segunda ficha, preencher com “2/2”, ou
“segunda página de duas”. Assim você vai saber por qual ficha começar a leitura.

41
Etapa 4 – Referência .

Aqui, você coloca a referência bibliográfica do texto que você leu, de acordo com as normas da
ABNT. Por exemplo, digamos que o texto seja:

VILLANI, Alberto; CABRAL, Tânia Cristina Baptista. Mudança Conceitual, Subjetividade e


Psicanálise. Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/>. Acesso em: 13 mai. 2005.

Etapa 5 – Corpo .

Aqui, você vai preencher com as informações que pretende armazenar com o fichamento. No
caso da ficha bibliográfica, basta uma descrição breve do que o texto trata.
 No nosso exemplo,
exemplo, vou colocar
colocar simplesmente o seguinte:
seguinte:

“Aborda a influência da subjetividade do aluno na realização das quatro etapas necessárias ao


 processo de mudança
mudança conceitual
conceitual e na realização de mapas conceituais.”

Etapa 6 – Indicação .

Aqui, você indica para que público aquele texto é interessante. Nosso exemplo:
“Indicado para alunos de licenciatura em ciências e para estudos de psicologia cognitiva”.

Etapa 7 – Localização .

Escreva em que local o texto pode ser encontrado. Pode ser na sua biblioteca pessoal, na
 biblioteca municipal, pode ser que o texto original seja de um amigo seu. Não importa, diga
exatamente onde ele pode ser encontrado. No nosso exemplo, poderia ser: “Página da revista
eletrônica Investigações no Ensino de Ciências - Instituto de Física, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul . Disponível em
e m <http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/>.

Construa agora sua ficha! Experimente construir uma ficha de um texto que você já leu.

42
E se você não conseguiu fazer o plano de estudos?

 Não deixe de fichar suas leituras, mesmo que você ainda não tenha o plano definido. Você pode
 preencher no cabeçalho somente o título genérico remoto. Coloque pelo menos um título bem
geral, como “Didática”, “Filosofia da Educação” ou “Avaliação”. E não esqueça de colocar a
referência de maneira correta, porque sem isso seu fichamento perderá a função de organizador
dos seus estudos.

Espero que a técnica de fichamento tenha ficado mais clara para você. Relaxe e aproveite suas
leituras!

Ficha Bibliográfica

Também denominada de ficha de indicações bibliográficas, trata da reunião de elementos que


 permitem a identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em
diversos tipos de material, sendo fundamentalmente os seguintes: autor, título, número da edição
(da segunda em diante); local de publicação; editora; data da publicação; outras informações
(campo do saber; tema; aspectos significativos). Essas indicações bibliográficas obedecem às
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Constituem-se, também, num
grande auxílio no momento de colocar as obras em ordem alfabética, para organizar a
 bibliografia de um trabalho. Recomenda-se:

a) Ser breve - quando se desejam maiores detalhes sobre a obra, o ideal é a ficha de resumo ou
conteúdo, ou, melhor ainda, a de esboço. Na ficha bibliográfica algumas frases são suficientes;

b) Utilizar verbos ativos -   para se caracterizar a forma pela qual o autor escreve, as idéias
 principais devem ser precedidas por verbos tais como: analisa, compara, contém, critica, define,
descreve, examina, apresenta, registra, revisa, sugere.

c) Evitar repetições desnecessárias - não há nenhuma necessidade de colocar expressões como:


esse livro, esta obra, este artigo, o autor.

Ficha de Citações

Enquanto se realiza a leitura analítica ou interpretativa das fontes bibliográficas, convém


selecionar trechos de alguns autores, que poderão (ou não) ser usados como citações no trabalho
ou servir para destacar idéias fundamentais de determinados autores, nas obras consultadas.
Deve-se observar os seguintes cuidados:

a) Toda citação tem de vir entre aspas -  é através desse sinal que se distingue uma ficha de
citações das de outro tipo. Além disso, a colocação das aspas evita que, mais tarde, ao utilizar a
ficha, se transcreva como do fichador os pensamentos nela contidos;

b) Após a citação, deve constar o número da página de onde foi extraída -  isso permitirá a
 posterior utilização no trabalho, com a correta indicação bibliográfica;

c) A transcrição tem de ser textual -  isso inclui os erros de grafia, se houver. Após eles, coloca-
se o termo sic, em minúsculas e entre parênteses ou colchetes;

43
d) A supressão de uma ou mais palavras deve ser indicada , utilizando-se no local da omissão,
três pontos, precedidos e seguidos por espaços, no início ou final do texto e entre parênteses, no
meio;

e) A supressão de um ou mais parágrafos também deve ser assinalada,  utilizando-se uma


linha completa de pontos;

f) A frase deve ser complementada, se necessário -  quando se extraí uma parte ou parágrafo de
um texto, este pode perder seu significado, necessitando de um esclarecimento, o qual deve ser
intercalado, entre colchetes;

g) Quando o pensamento transcrito é de outro autor, tal fato tem de ser assinalado -  muitas
vezes o autor fichado cita frases ou parágrafos escritos por outra pessoa. Nesse caso, é
imprescindível indicar, entre parênteses, a referência bibliográfica da obra da qual foi extraída a
citação.

Ficha de Resumo

Apresenta uma síntese bem clara e concisa das idéias principais do autor ou um resumo dos
aspectos essenciais da obra. Na sua elaboração, considere que a ficha de resumo:
a) Não é um sumário ou índice das partes componentes da obra, mas  exposição abreviada
das idéias do autor;

b) Não é transcrição,  como na ficha de citações, mas é elaborada pelo leitor, com suas próprias
 palavras, sendo mais uma interpretação do autor;

c) Não é longa,   apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica, que por sua vez, é
menos extensa do que a do esboço;

d) Não precisa obedecer estritamente à estrutura da obra,   lendo a obra, o estudioso vai
fazendo anotações dos pontos principais. Ao final, redige um resumo, contendo a essência do
texto.

Ficha de Esboço

 Na ficha de esboço, você registrará impressões gerais sobre a obra sendo fichada. Um esboço
corresponde a um rascunho, uma primeira tentativa de alguma ação. Pode-se entender a natureza
de esboços e rascunhos observando seu emprego nas artes: o artista, antes de iniciar o desenho
ou pintura definitiva, traça as linhas gerais do objeto a ser representado.

 No caso da ficha de esboço, o texto que você escreverá é o primeiro passo na elaboração de um
outro texto posterior, definitivo, que pode ser um resumo ou uma resenha. Assim, ao escrever
seu esboço você deverá treinar sua redação tendo em mente o trabalho final. Como se trata da
ficha mais extensa, é interessante que você indique as páginas do texto original às quais
correspondem os parágrafos ou seções do seu texto de esboço.

Ficha de Comentário

Sempre que estamos lendo um texto, estamos ao mesmo tempo avaliando-o. A leitura é
interessante e acessível? O conteúdo é relevante? A argumentação é convincente ou apresenta

44
contradições? Todas essas impressões do leitor, e muitas outras, podem ser registradas na ficha
de comentário. Este modelo de fichamento destina-se a explicitar o julgamento, a avaliação, a
opinião do leitor sobre os mais diversos aspectos do texto sendo fichado, incluindo a forma, o
estilo, a argumentação, os propósitos, as conclusões, entre outras. É interessante que você
compare a obra sendo fichada a outros trabalhos lidos sobre o mesmo tema, para que se
estabeleça uma rede de conexões entre suas leituras. Não é preciso que se transcreva as partes do
texto a serem comentadas.

Técnica para Resumir

Um resumo é uma apresentação breve, concisa e seletiva de um texto que permite ao destinatário
tomar conhecimento de um documento sem a necessidade de ler as partes componentes. Nele
destacam-se os elementos de maior interesse e importância, identificando as idéias principais do
autor e da obra. Um resumo precisa explicitar a abordagem implícita, o valor dos achados e a
originalidade, se houver. A finalidade de se resumir consiste na difusão das informações contidas
em livros, artigos, teses etc., permitindo a quem o ler decidir sobre a conveniência ou não de
consultar o texto completo.

O como fazer um resumo depende muito do objetivo ou demanda que se tenha. Ele pode ser uma
apresentação de um sumário narrativo das partes mais significativas, não dispensando a leitura
do texto; uma condensação do conteúdo, expondo ao mesmo tempo, tanto a metodologia e as
finalidades quanto os resultados obtidos e as conclusões, permitindo a utilização em trabalhos
acadêmicos, dispensando, assim, a leitura posterior do texto original; uma análise interpretativa
de um documento criticando os diferentes aspectos inerentes ao texto.

Como Resumir

Levando-se em consideração que quem escreve obedece a um plano lógico através do qual
desenvolve as idéias em uma ordem hierárquica, ou seja, proposição, explicação, discussão e
demonstração, é aconselhável, em uma primeira leitura, fazer um esboço do texto, tentando
captar o plano geral da obra e seu desenvolvimento.

A seguir, volta-se a ler o trabalho para responder a duas questões principais: de que trata este
texto? o que pretende demonstrar? Com isso, identifica-se a idéia central e o propósito que
nortearam o autor.

Em uma terceira leitura, a preocupação é com a questão: como disse? Em outras palavras, trata-
se de descobrir as partes principais em que se estrutura o texto. Esse passo significa a
compreensão das idéias, provas, exemplos etc. que servem como explicação, discussão e
demonstração da proposição original (idéia principal). É importante distinguir a ordem em que
aparecem as diferentes partes do texto. Geralmente quando o autor passa de uma idéia para outra,
inicia novo parágrafo.

Uma vez compreendido o texto, selecionadas as palavras-chave e entendida a relação entre as


 partes essenciais, pode-se passar à elaboração do resumo.

Tipos de Resumo

Um resumo pode ser de três tipos:

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a) Resumo descritivo ou indicativo - nesse tipo de resumo descrevem-se os principais tópicos
do texto original, e indicam-se sucintamente seus conteúdos.

b) Resumo informativo ou analítico -   é o tipo de resumo que reduz o texto a 1/3 ou 1/4 do
original, abolindo-se gráficos, citações, exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as
idéias principais.

c) Resumo crítico - consiste na condensação do texto original a 1/3 ou 1/4 de sua extensão,
mantendo as idéias fundamentais, mas permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre
o trabalho e não sobre o autor. Estes comentários podem se centrar na forma (com relação aos
aspectos metodológicos), no conteúdo (análise do teor em si do trabalho), do desenvolvimento
(da lógica utilizada na demonstração); e na técnica de apresentação das idéias principais.

Para elaborar um bom resumo crítico, você pode seguir a seqüência das estratégias que
mostramos aqui:

1. Leia o texto a fim de obter uma idéia geral do conteúdo e do argumento;


2. Faça uma segunda leitura, mais atenta, e sublinhe as idéias principais e
secundárias. Não esqueça de tirar as dúvidas de vocabulário.
3. Construa um esquema que organize hierarquicamente as idéias que você
sublinhou, para que você tenha uma idéia mais clara da seqüência e organização do
argumento do autor.

Comece a escrever seu resumo com base nesse esquema, utilizando uma linguagem clara e
direta: evite frases longas e repetições. É essencial manter a fidelidade às idéias do autor mas
observe: isso NÃO significa que você deve COPIAR o texto original, nem fazer transcrições.
A elaboração do resumo exige que você reescreva as idéias apresentadas com a suas palavras;
assim asseguramos a construção do seu conhecimento.

ATIVIDADE PROPOSTA

Sei que você adorou o texto que sugerimos, da profª Lüdke: então, que tal trabalhá-lo um pouco
mais? Faça a união do útil com o agradável e elabore uma ficha de resumo para ele!

Vamos concluir este tema exercitando?

Para fechar com chave de ouro seu estudo do tema 2, propomos abaixo uma representação
conceitual dos temas que trabalhamos até aqui. Seu desafio será relacionar entre si os conceitos
colocados nas caixas, por meio de setas, reorganizando-os de modo a formar uma rede. Cada seta
deverá vir acompanhada de uma palavra ou expressão que informe o tipo de relação representada
 por ela. Por exemplo, se você vir os conceitos abaixo:

Você poderá reorganizar e relacionar as caixas de diversas maneiras, adicionando uma ou outra
nova caixa quando julgar necessário (abaixo, as caixas acrescentadas estão com a linha
 pontilhada), como por exemplo:

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Exemplo 01 Exemplo 02

 Não há uma única maneira certa de organizar os conceitos, o importante é que você pense bem
antes de fazer as relações. Tente estabelecer uma hierarquia de conceitos, identificando quais são
os mais importantes e quais são os secundários; de preferência, coloque os conceitos principais
no topo da sua rede. Quanto mais conexões você fizer, melhor; isso significará que seu
conhecimento está bastante integrado.

Os conceitos que propomos são:

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Agora, pode começar a organizá-los e a relacioná-los. Ao terminar, que tal comparar sua rede
com a de outro colega? Comparem as hierarquias e relações estabelecidas, e discutam os motivos
 pelos quais colocaram um conceito como muito importante ou atribuíram certa relação. Será que
é possível elaborar uma rede conjunta? Pode ser um pouco difícil, mas vencer desafios é sempre
divertido.

3º Tema
Existem algumas técnicas e procedimentos que podem ser adotados para a eficiente elaboração
de seus trabalhos acadêmicos. De posse dos conhecimentos adquiridos ao longo da nossa
disciplina, podemos agora aprofundar mais um pouco e aplicar tais conhecimentos nos trabalhos
que serão elaborados por você daqui para frente.

Portanto, aprenderemos adiante como é a estrutura adequada para elaboração de trabalhos


acadêmicos, bem como a melhor maneira de redigi-los, segundo as normas da ABNT que já
veremos em nossos estudos. Vamos lá?

Mãos à obra!!! Bom estudo!!!

Estrutura e Organização de Trabalhos Acadêmicos

A partir de agora trataremos da parte prática do nosso curso, ou seja, todo conhecimento
adquirido até então serviu de base para a construção adequada dos seus trabalhos acadêmicos.

Daqui a diante, você será mais exigido quanto ao rigor das normas técnicas.

Esteja atento às normas e à redação dos seus textos.

A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE


NORMAS TÉCNICAS (ABNT).

É sabido que a linguagem se processa por uma manifestação mental que juntamente com o
 pensamento, significa e orienta o contacto inter-pessoal, ou seja, ela é responsável pela
comunicação entre aquele que fala (o emissor) com aquele que recebe a mensagem (o receptor).

Quando estudamos a linguagem, devemos perceber sua distinção, a expressão verbal (fala) e a
expressão gráfica (escrita). Ambas as expressões são um conjunto de sinais próprios de cada
língua com os quais manifestamos nosso pensamento.

Ela também se faz a partir de um sistema constituído por diversos elementos de signos,
gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, que tem como principal objetivo a comunicação,
que podemos definí-la como permuta de informações entre sujeitos ou objetos.

Redação Científica (Normas da ABNT)

Toda atividade pressupõe o uso de normas que visam auxiliar e uniformizar os procedimentos,
melhorando a comunicação de modo geral, além de imprimir qualidade e facilitar o intercâmbio
de informações. Desta forma, a normatização ou o conjunto de procedimentos padronizados se

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aplica à elaboração de documentos técnicos e científicos, organizando assim, todo o seu
conteúdo.

 No caso específico de redação de trabalhos acadêmicos, esta deve atender algumas
características para que a transmissão da informação e a sua compreensão por parte do leitor
sejam eficazes. Alguns dos princípios básicos desta interação que deve existir entre autor e leitor
são os seguintes:

Clareza de expressão Precisão na linguagem


Objetividade na apresentação Utilização correta das regras da língua

Clareza de expressão

Todo o texto escrito deve ser perfeitamente compreensível pelo leitor. Este não deve ter
nenhuma dificuldade para entender o texto.

As sentenças estão bem construídas? As idéias estão bem encadeadas? Há uma seqüência
adequada na apresentação dos seus resultados e de sua argumentação?
Leia cuidadosamente o que escreveu como se você fosse o seu leitor.

Precisão na linguagem

A linguagem científica deve ser precisa. Cuidado com termos vagos ou que podem ser mal
interpretados. As palavras e figuras que entrarão no seu texto devem ser escolhidas com cuidado
 para exprimir o que o você tem em mente.

Objetividade na apresentação

Convém selecionar os conteúdos que farão parte do seu texto. Selecione a informação que você
dispõe e apresente só o que for relevante. Elabore um relato lógico, objetivo e, se possível,
retilíneo tanto das observações como do raciocínio. Isto é ainda mais importante em um artigo,
em que a concisão é geralmente desejada pelo periódico e pelo leitor.

Utilização correta das regras da língua

Escrever erradamente pode resultar de ignorância ou de desleixo. Se for por ignorância, informe-
se melhor, consulte dicionários e textos de gramática. Se for por desleixo, o leitor (e membro da
Banca Examinadora) terá todo direito de pensar que o trabalho em si também foi feito com
desleixo. Seja qual for a razão, é um desrespeito ao leitor.

• Trabalho Científico

São Teses, Dissertações, Resenhas, Artigos, Memoriais, Projetos de Pesquisa, Relatórios,


Monografias, e Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). Faz-se necessário lembrar que , todos
devem ser inéditos,  datilografados ou digitados , desde que sejam obedecidas as dimensões,
disposições, margens e espaços exigidos pelas Normas Oficiais. Aqui, como já foi dito,
estudaremos a elaboração dos trabalhos acadêmicos , seguindo as normas da ABNT mais atual.

Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com normas preestabelecidas e com os
fins a que se destinam, devendo ser inéditos ou originais e contribuírem não só para a ampliação

49
de conhecimentos ou a compreensão de certos problemas, mas também servirem de modelo ou
oferecer subsídios para outros trabalhos.

Os trabalhos científicos, originais, devem permitir a outro pesquisador,baseado nas informações


dadas:

a)  Reproduzir as experiências e obter os resultados descritos, com a mesma precisão e sem
ultrapassar a margem de erro indicada pelo autor;

b) Repetir as observações e julgar as conclusões do autor;

c) Verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às conclusões.

Aponta-se como trabalhos científicos, aqueles que apresentam, concomitantemente, uma das
seguintes características:

a)  observações ou descrições originais de fenômenos naturais, espécies novas, estruturas e


funções e variações, dados ecológicos etc.;

b)  trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e representando uma das mais
férteis modalidades de investigação, por submeter o fenômeno estudado às condições controladas
da experiência;

c) trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos, levando à produção de conceitos


novos por via indutiva ou dedutiva; apresentação de hipóteses, teorias etc.

Os trabalhos científicos podem ser realizados com base em fontes de informações primárias ou
secundárias e elaborados de várias formas, de acordo com a metodologia e com os objetivos
 propostos.

Para elaboração de trabalhos científicos, consulte as normas atualizadas da ABNT.

Mas o que é ABNT?

Associação Brasileira de Normas Técnicas – Órgão responsável pela normalização técnica no


 país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É uma entidade
 privada, sem fins lucrativos, reconhecida como Fórum Nacional de Normalização – ÚNICO –
através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de 24.08.1992.

É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da COPANT


(Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de
 Normalização.

Disponível em <www.creapa.com.br/servicos/ABNT/abnt.htm>. Acesso em de out.2006

Você sabe responder: O QUE É UM PROJETO?

A palavra projeto, vem do latim que quer dizer  pro-jicere: literalmente falando é colocar adiante.
A elaboração de qualquer projeto, seja ele de pesquisa ou não, depende exclusivamente de dois
fatores fundamentais. São eles:

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1. A capacidade de construir uma imagem mental de uma situação futura;

2. A capacidade de conceber um plano de ação a ser executado em um tempo determinado que


vai permitir sua realização. No projeto define-se:

- O que fazer;

- Porque fazer;

- Para quem fazer;

- Onde fazer;

- Como, com que, quanto e quando fazer;

- Com quanto fazer e como pagar;

- Quem vai fazer.

E aí, você já tem condições de elaborar projeto?

Estrutura do trabalho acadêmico

Já sabemos que para elaboração do trabalho científico é necessário seguir uma estrutura
composta por partes definidas. Usaremos ABNT,  que estabelece uma ordenação lógica,
esclarecendo que, algumas dessas partes são consideradas essenciais e outras opcionais.
Abaixo elas se encontram na ordem em que devem ser apresentadas.
Partes do trabalho científico: Todo o trabalho científico é definido em três partes: pré-textual;
textual e pós-textuais.

Pré-textuais
Capa (obrigatório)
Folha de rosto (obrigatório)
Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional)
Agradecimento (opcional)
Epígrafe ( opcional)
Resumo na língua vernácula (obrigatório)
Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações ( opcional)
Lista de tabelas se ( opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário (obrigatório)

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A seguir, veja modelos de capa, folha de rosto e sumário

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TEXTO COMPLEMENTAR

Para a elaboração de trabalhos científicos, é necessário seguir orientações conforme adaptação


das regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas para Trabalhos Acadêmicos NBRs
6022/1994, 6023/2002 e 10520/2002.

1. Tipo de fonte Arial ou Times New Roman;

2. Número da fonte :12;

3. Papel formato A4: 210mm X 297mm.;

4. Cor da folha: Branca;

5. Margens:

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5.1 Superior 3 cm;

5.2 Inferior 2 cm;

5.3 Esquerda 3 cm;

5.4 Direita 2 cm.

6. Espaçamento: entre linhas e entre parágrafos é 1,5;

7. Parágrafos: justificados;

8. Numeração de páginas: no canto superior direito iniciando na introdução do trabalho;

9. Estruturas de parágrafos: iniciar sempre o parágrafo com uma tabulação para indicar o início
(faça um recuo no começo do parágrafo).

Agora vamos apresentar, de maneira bastante detalhada, os chamados Elementos textuais. São
eles:

Introdução - parte do texto que deve constar a formulação, delimitação do tema e os objetivos
do trabalho a ser apresentado. O modo como se inicia um texto, e basicamente, o título, são de
grande importância para despertar e segurar a atenção do leitor.

Desenvolvimento  - É a parte mais importante do texto, é considerada por muitos como a


 principal e a mais extensa etapa do trabalho, aqui, deve ser apresentada a fundamentação, os
embasamento da pesquisa, a metodologia aplicada, os resultados obtidos pelas observações e a
discussão. Precisar ser dividido em seções e subseções.

Conclusões -  Na conclusão é indispensável apresentar as respostas do questionamento indicados


na pesquisa, correspondentes aos objetivos e hipóteses; aconselha-se que sejam elaborados de
maneira breve podendo apresentar recomendações e sugestões para trabalhos futuros.

Elementos Pós-textuais

Referências (obrigatório)

Obras consultadas(opcional)

Glossário (opcional)

Apêndice (opcional)

Anexos(opcional)

ATENÇÃO:

As referencias  são obrigatórias em qualquer trabalho acadêmico. Os demais elementos pós-


textuais apresentados são opcionais.

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Saiba Mais

 Na introdução deve-se expor a finalidade e os objetivos do trabalho de modo que o leitor tenha
uma visão geral do tema abordado.

A introdução deve apresentar:

a)”o assunto” objeto de estudo;

 b) o ponto de vista sob o qual o assunto foi abordado;

c) trabalhos anteriores que abordam o mesmo tema;

d) “as justificativas que levaram a escolha do tema, o problema de pesquisa, a hipótese de


estudo, o objetivo pretendido, o método proposto, a razão de escolha do método e principais
resultados.” (GUSMÃO; MIRANDA 1997 apud RELATÓRIO... 2003).

Agora que já sabemos como estruturar uma pesquisa, vamos falar de cada um dos trabalhos
científicos estudados, apontando características específicas de cada um deles. Começaremos com
a elaboração da Resenha.

RESENHA, ARTIGO CIENTÍFICO E MEMORIAL

Resenha

A Resenha é a apresentação do conteúdo de uma obra. Consiste na leitura, no resumo, na crítica


e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista.

- É um tipo de trabalho que exige conhecimento do assunto, para estabelecer comparação com
outras obras da mesma área e maturidade intelectual para fazer avaliação e emitir juízo de valor.
(ANDRADE, 1995);

- Tipo de resumo crítico, contudo mais abrangente: permite comentários e opiniões, inclui
 julgamentos de valor, comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da
obra com relação às outras do mesmo gênero. (ANDRADE, 1995).

Elementos da Resenha

• Reais: reunião e acontecimentos em geral;


• Textuais: livros, peças teatrais, texto, filme e etc.

*Tipos de Resenha

• Descritiva: Trabalho com a estrutura da obra, resumo da obra, a perspectiva


teórica, o método dotado etc;
• Critica: possui todos os elementos da descritiva, além da apreciação (comentário e
 julgamento)

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Aspectos Gerais da Resenha

• Desenvolve a capacidade de síntese, interpretação e crítica;


• Ultiliza-se a linguagem na terceira pessoa;
• Conduz o leitor para informações puras;
• Resenha é diferente de Resumo. Ela admite juízo valorativo, comentários, crítica,
enquanto o resumo, pode abolir tais elementos.

Modelo de resenha

Em algumas revistas estão elaboradas boas resenhas de livros e filmes. Vale a pena verificar.

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Estrutura da Resenha Crítica

Estrutura da Resenha Crítica

a ) Referência Bibliográfica:
Autor. Título da obra. Local da edição, Editora, Data. Número de páginas.

b) Credenciais do autor:
Informações sobre o autor, nacionalidade, formação universitária, títulos, cargos exercidos e
obras publicadas.

c) Resumo da obra (digesto):

- Resumo das principais idéias expressas pelo autor;


- Descrição sintetizada do conteúdo dos capítulos ou partes em que se divide a obra.

d ) Conclusões da autoria:

- Indica os resultados obtidos pelo autor


- Quais as conclusões que o autor chegou?

e) Crítica do resenhista (apreciação da obra):

- É o momento de posição pessoal do resenhista:


- Qual a contribuição da obra?
- Como é o estilo do autor: conciso, objetivo, simples? Idealista? Realista?

f) Indicações do resenhista:

- A quem é dirigida a resenha (estudantes, especialistas, leitores em gerais)


- Fornece subsídios para o estudo de que disciplina(s)?
- Pode ser adotado(a) em que tipo de curso?

Artigo Científico

É a apresentação do resultado de uma pesquisa, de forma sucinta, para ser lido ou estudado por
um grupo de pesquisadores ou comunidades afins. É um texto dissertativo sobre determinado
tema, de pequena extensão (máximo de 20 páginas), usado para publicação em revistas
especializadas. Deve conter introdução, desenvolvimento e conclusão.

Para se fazer um bom artigo científico deve-se fazer uma descrição seqüencial dos componentes
típicos de um documento desta natureza. O artigo científico comunica idéias e informações de
maneira clara e concisa. Sua característica principal é ser publicado em periódicos científicos.

Quanto à análise de conteúdo, os artigos estão divididos nos seguintes tipos:

- Artigo de divulgação:   É o relato analítico de informações atualizadas sobre um tema de


interesse para determinada especialidade. Não requer necessariamente uma revisão de literatura
retrospectiva.

58
- Artigo de revisão:  São conhecidos como “reviews”. Os artigos de revisão com enfoque
histórico devem obedecer a uma ordem cronológica de pensamento.

É necessário conter em um artigo:

• Título
• Autores (caso tenha mais de um autor, colocar em ordem alfabética )
• Resumo
• Texto
• Referência bibliográfica das obras citadas no texto.

O artigo é uma pequena parcela de um saber maior, cuja finalidade, de um modo geral, é tornar
 pública parte de um trabalho de pesquisa que se está realizando. São pequenos estudos, porém
completos, que tratam de uma questão verdadeiramente científica, mas que não se constituem em
matéria para um livro.

Modelo de primeira página de artigo

59
Saiba Mais

Para elaboração de artigos, a ABNT traz novidade:


1. Tamanho da fonte:
1.1 No título do artigo (em letras maiúsculas) = 12;
1.2 No nome do(s) autor(es) = 10;
1.3 Na titulação (nota de rodapé) 10;
1.4 No resumo = 10;
1.5 Nas palavras-chave = 12;
1.6 Na redação do texto (introdução, desenvolvimento e conclusão) = 12;
1.7 Nas citações longas = 10
1.8 Nas referências = 12.
2. Citação:
2.1 Destacar a fonte em negrito itálico, quando citação breve de até três linhas no mesmo
 parágrafo;
2.2 Utilizar um recuo maior do parágrafo, quando citação longa, com tamanho da fonte 10,
aplicar espaço simples no parágrafo (não é necessário negrito nem itálico) no parágrafo;
2.3 Atentar para NBR 10520/2002;
2.4 Apor o sobrenome do autor, ano da publicação da obra e número da página.

Título do Artigo (Modelo de estrutura)


(apor o nome do tema abordado; centralizado em letras maiúsculas; tamanho da fonte 12)
Apor(colocar) dois espaços 1,5

Resumo: elaborar um resumo para convidar o leitor para a leitura do artigo, um parágrafo


estruturado de cinco a dez linhas, sobre o tema indicando os objetivos do estudo desenvolvido
com espaço entre linha simples; tamanho da fonte 10; com parágrafo justificado.

Apor dois espaços 1,5

Palavras-chave: escolher entre três e cinco palavras importantes sobre o tema que foi
desenvolvido, e colocar como palavras-chave do artigo (fonte 12; espaço entre linhas 1,5;
 parágrafo justificado).

Apor dois espaços 1,5


Iniciar a redação sobre o tema com estruturação de parágrafos, introdução, desenvolvimento e
conclusão de forma clara e ortograficamente correta. (tamanho da fonte 12; espaço entre linhas
1,5; parágrafos justificado).

Apor dois espaços 1,5


Iniciar em ordem alfabética as Referências, conforme modelo e adaptação da NBR 6023/2002 .

Disponível em <http://paginas.terra.com.br/servicos/monografiaabnt/metodologia.htm>. Acesso dia 24 de out.2006.

Texto Complementar

60
NBR 6023 – Referências é o “[ . . . ] conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados
de um documento, que permite sua identificação individual” (ABNT, 2002, p. 2) no todo ou em
 parte, impressos ou registrados em diversos tipos de suporte.

As referências aparecem sempre alinhadas à margem esquerda e de forma a se identificar


individualmente cada documento, em espaço simples e separado entre si por espaço duplo.

São de mera importância para identificação de uma obra, é imprescindível conter na sua
elaboração, dados minuciosos, para facilitar ao leitor a identificação do texto citado ou estudado
 pelo pesquisador.

Saiba Mais

As citações são apresentadas no texto com objetivo de ilustrar ou completar as opiniões do autor,
dando suporte para as afirmações. Toda documentação consultada deve ser obrigatoriamente
citada em decorrência aos direitos autorais, e para possíveis consultas.

As citações se justificam quando nos referir às idéias de outros autores, a frases específicas e
conclusões de outros autores/trabalhos. Elas podem ser transcrições do texto original ou
referências que nem sempre precisam ser cópias.

A própria natureza da pesquisa pressupõe a inspiração em outras obras, buscando nelas o apoio
necessário para fundamentar pontos de vista, elaborar exemplos e ilustrações. Desta forma,
 podemos usar citações literais (textuais), isto é, quando transcrevemos as palavras de um texto
incorporando-as ao nosso ou citações livres (paráfrases), quando retiramos do texto a idéia que
nos interessa e apresentamos com nossas próprias palavras.
SANTOS, Gildenir Carolino ; PASSOS,Rosemary .Curso Online de Citações Bibliográficas . Disponível
em<www.bibli.fae.unicamp.br/citbib/cbb.html - 27k> Acesso em 14 de nov.2007

No texto, devemos apresentar os seguintes sinais para indicar:


Supressões: [...]
Interpolações, acréscimos ou comentários: [ ]
Ênfase ou destaque: grifo, ou negrito ou itálico

Citações diretas no texto (até três linhas)

 No caso das citações que possuam até 3 linhas, devemos mantê-las dentro do parágrafo,
incorporadas ao texto. Observe o exemplo abaixo:

Para Piaget (2001, p. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno [...]”. Como a
citação possui menos de 3 linha, a citação apresenat aspas e está dando continuidade ao
 parágrafo. Os colchetes com reticências indicam que uma parte do texto foi suprimida.

Citações diretas no texto (mais de três linhas)

Para as citações mais longas, com mais de 3 linhas, devemos recuar 4 cm à margem esquerda,
mas não é necessário o uso de aspas. Veja o exemplo:

61
A concepção materialista de Marx carrega em sua base uma concepção de natureza e da relação
do homem com essa natureza. Para Marx, [...] o homem é um ser natural porque foi criado pela
 própria natureza, porque depende da natureza, da sua transformação para sobreviver. Por outro
lado, o homem não se confunde com a natureza, [...] já que usa a natureza transformando-a
conscientemente segundo suas necessidades e, nesse processo, faz-se homem. (ANDERY, 2004,
P. 403).

Citação indireta no texto

A escola deve perceber o educando e suas necessidades (PIAGET, 2001).

Citar no texto o nome do autor

Piaget (2001) considera que a escola deve atender as necessidades do educando.

Grifo em citação

Deve-se utilizar itálico ou negrito para destacar a parte fundamental da citação, indicando, por
meio da expressão “grifo nosso” ou “grifo do autor”. Veja os exemplos:

Sendo assim, a escola deve atender as necessidades básicas do aluno  levando em consideração
seu conhecimento [...] (PIAGET, 2001, p. 26, grifo nosso).

OU

Sendo assim, a escola deve atender as necessidades básicas do aluno  levando em consideração
seu conhecimento [...] (PIAGET, 2001, p. 26, grifo do autor).

Citação de Citação (Apud)

Aplicamos a citação de citação quando queremos fazer referência a uma idéia à qual não tivemos
acesso direto, mas por intermédio de outro texto. Ela só pode ser utilizada se for impossível
entrar em contato com o texto original. Veja o exemplo:

Piaget, citado por Zabala, afirma que a escola deve atender as necessidades básicas do aluno
levando em consideração seu conhecimento [...].
A expressão “citado por” pode ser substituída pela expressão latina apud , como no exemplo a
seguir:
Para Piaget, ( apud   ZABALA, 2002, p. 57) a escola deve atender as necessidades básicas do
aluno levando em consideração seu conhecimento [...].

REFERÊNCIA:

SANTOS, Gildenir Carolino ; PASSOS,Rosemary .Curso Online de Citações Bibliográficas .


Disponível em<www.bibli.fae.unicamp.br/citbib/cbb.html - 27k > Acesso em 14 de nov.2007.

Memorial

Trata-se de uma autobiografia que descreve, analisa e crítica acontecimentos sobre a trajetória
acadêmico-profissional e intelectual do autor, avaliando cada etapa da sua experiência. Deve

62
incluir todas as fases do autor, enfatizando-se as fases mais significativas e importantes. Deve-se
destacar as experiências mais relevantes, fazendo-se um comparativo entre a vida profissional e a
vida pessoal, evidenciando-se as influências de uma para com a outra, e vice-versa.

O memorial deve ser iniciado com uma breve introdução, evidenciando a finalidade da
elaboração do mesmo. Deve-se incluir em sua estrutura informações significativas como
formação do autor, atividades tecno-científicas e artístico-culturais importantes, produções
científicas, dentre outras. O texto do memorial deve ser escrito na primeira pessoa do singular.

Estrutura de um Memorial

a) Capa e folha de rosto – deve conter nome, título (memorial), local, ano;
b) Sumário –  deve vir logo depois da folha de rosto;
c) Corpo do memorial –  apresenta-se de forma narrativa. Devem-se inserir comentários sobre as
diversas etapas da vida pessoal, acadêmica e profissional do autor. As folhas devem vir
numeradas com algarismos romanos.

Apresentação Gráfica de um Memorial (formatação)

a) Formato do papel – recomenda-se a utilização de papel A4 (210x297mm);

b) Digitação – margens: superior e esquerda = 3cm; inferior e direita = 2cm;

c) Entrelinhamento do texto – 1,5 linha;

d) Fonte e tamanho da letra –  preferencialmente Times New Roman ou Arial 12;

e) Paginação –   Numerar as páginas dos elementos pré-textuais com algarismos romanos


minúsculos no centro inferior, sendo que a capa e a folha de rosto não são contadas e não
recebem número. As folhas textuais são numeradas com algarismos arábicos, no canto superior
direito ou centralizados ao pé da folha. A primeira folha de texto é contada, mas não numerada.

Fiquem bem atentos na elaboração do memorial, pois ele será muito presente na sua caminhada
do conhecimento. Ele será exigido para ingressar em alguns cursos de pós-graduação de  Lato e
Stricto Sensu.

Seminário, Painel e Mesa Redonda

Agora que já sabemos como elaborar trabalhos científicos com a linguagem escrita, vamos
 passar para os trabalhos que usam a oralidade como meio de divulgação de suas pesquisas.

Também conhecidos como eventos acadêmicos, suas propostas levam o caráter educativo,
esportivo, cultural, social, científico, artístico ou tecnológico, sem necessariamente possuir o
caráter de continuidade. São desenvolvidas de forma planejada com objetivos e períodos de curto
 prazo.

Seminário

O seminário é uma técnica de estudo que inclui pesquisa, discussão e debate, constituindo-se
numa das técnicas mais eficientes de aprendizagem, quando convenientemente elaborado e

63
apresentado. A pesquisa, especialmente a bibliográfica, é o primeiro passo, requisito
indispensável na elaboração do Seminário.

A pesquisa leva à discussão do material pesquisado, mas, para que os objetivos sejam
alcançados, não se pode dispensar o debate.

Objetivos dos Seminários

As finalidades gerais da técnica de Seminário basicamente são duas: aprofundar o estudo a


respeito de determinado assunto; desenvolver a capacidade de pesquisa, de análise sistemática
dos fatos, através do raciocínio, da reflexão, preparando o aluno para a elaboração clara e
objetiva dos trabalhos científicos.
O Seminário possibilita ensinar pesquisando; revelar tendências e aptidões para a pesquisa;
ensinar a utilização de instrumentos lógicos de trabalho intelectual; ensinar a coletar material
 para análise e interpretação e crítica de trabalhos mais avançados; ensinar a trabalhar em grupo e
desenvolver o sentimento de comunidade intelectual entre os educandos e professores; ensinar a
sistematizar fatos observados e a refletir sobre eles; levar a assumir atitude de honestidade e
exatidão nos trabalhos.

Estrutura de um Seminário

Coordenador -  geralmente o professor, pode eventualmente orientar as pesquisas.

Organizador - figura que surge apenas quando o seminário é grupal, e as tarefas são divididas
entre seus integrantes.

Relator ou Relatores - é aquele que expõe os resultados dos estudos; pode ser um só elemento,
vários ou todos do grupo, cada um apresentando uma parte.

Comentador - pode ser um só estudante ou um grupo diferente do responsável pelo seminário.


Só aparece quando se deseja um aprofundamento crítico dos trabalhos e é escolhido pelo
 professor. Deve estudar com antecedência o tema a ser apresentado com o intuito de fazer
críticas adequadas à exposição, antes da discussão e debate dos demais participantes da classe.

Debatedores - correspondem a todos os alunos da classe. Depois da exposição e da crítica do


comentador (se houver), devem participar fazendo perguntas, pedindo esclarecimentos,
colocando objeções, reforçando argumentos ou dando alguma contribuição.

As etapas de um seminário, de modo geral, são as seguintes:

64
1. o coordenador propõe determinado estudo, indica a bibliografia mínima, forma os grupos de
seminário, escolhe o comentador e o secretário;

2. formado o grupo, este escolhe o organizador, decide se haverá um ou mais relatores, divide as
tarefas, inicia o trabalho de pesquisa, de procura de informações, através de bibliografia,
documentos, entrevistas com especialistas, observações etc. Depois reúne-se diversas vezes, sob
a coordenação do organizador, para discutir o material coletado, confrontar pontos de vista,
formular conclusões e organizar os dados disponíveis.

Normas para Apresentação de um Seminário

A apresentação escrita de um Seminário segue normas gerais da apresentação dos trabalhos de


graduação. Quanto à apresentação oral, compreende os seguintes aspectos:

a) Domínio do assunto (por todos os componentes do grupo);

b) Clareza nos conceitos expostos;

c) Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado;

d) Adequação da extensão do relato ao tempo disponível;

e) Encadeamento das partes (seqüência discursiva).

Quanto ao material de ilustração, comumente, constitui-se de cartazes, retroprojeções e projeções


de slides. Os dizeres ou legendas do material, devem estar em cor contrastante a cor do papel
utilizado, observando o tamanho que deverá permitir a leitura do que foi escrito até pelos alunos
sentados na última fila de carteiras, no fundo da sala. Quando se tratar de imagens ou desenhos,
os critérios de tamanho e inteligibilidade da ilustração devem ser igualmente observados,
devendo assim evitar a apresentação de vários desenhos pequenos acumulados na mesma folha.

Para refletir

O Seminário é uma atividade acerca de um tema ou assunto, onde educador e educando, de modo
teórico e/ou prático, interagem suas percepções , sentimentos e experiências buscando suscitar,
através de análise, raciocínio e reflexão, novas considerações dos seus participantes.

Você já participou de algum seminário? Gostou? Você acha que realmente é uma prática
adequada para facilitar o estudo?

Tente formular um seminário no decorrer do curso. O seu conhecimento na prática, com certeza,
fará a diferença.

Painel

O Painel é uma reunião de vários alunos interessados que vão expor suas idéias sobre
determinado assunto, diante dos demais colegas, de maneira informal e dialogada, em tom de
conversa, de troca de idéias, mesmo que exponham posições diversas e apreciem perspectivas
diferentes.
Tem por objetivo proporcionar o conhecimento mais aprofundado de um tema, através da

65
discussão informal que implica a participação mais ativa dos presentes, que não se limitam a
ouvir as exposições. A discussão do assunto entre os expositores, diante do auditório, induz o
ouvinte à participação espontânea, por meio de perguntas e respostas dirigidas aos componentes
do painel.

O tom da conversa informal não dispensa a participação de um coordenador, que elabora um


roteiro, de acordo com os componentes, cujo número vai de três a seis. Sua duração mais
adequada é de 50 a 90 minutos, a depender do número de participantes.

O Painel pode ser:

a) de interrogação, onde cada um dos participantes buscará responder algumas questões básicas
indicadas pelo professor consideradas centrais ao tema;

b)  de debate, onde os participantes, além de expressar seu pensamento, questionaram o


 pensamento e sentimento dos demais, que preferencialmente devem ter posições diferentes.

Condução de um Painel:

Exige do coordenador, além do domínio do assunto, grande habilidade para produzir as


discussões que não devem gerar polêmicas. As atribuições do coordenador são as seguintes:

• abrir a sessão e apresentar os componentes do painel;


• levar os componentes a apresentarem os esclarecimentos que os presentes esperam
ouvir;
•  propiciar as condições materiais necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos,
inclusive os solicitados pelos convidados;
• distribuir os painelistas ä mesa de forma que fiquem em posição oposto aos que
tiveram opiniões divergentes;
• intervir na discussão, quando necessário, a fim de:

- pedir esclarecimento de pontos que deixaram dúvidas;

- encerrar assuntos e iniciar outros, não permitindo que se voltem a discutir temas já debatidos;
- evitar a dispersão, comprometendo a obtenção dos resultados pretendidos;

• mesmo sem expor seu ponto de vista, propor questões para discussão entre os
componentes;
• levar a platéia ä participação organizada,através de perguntas pertinentes;
• fazer uma síntese dos trabalhos;
• agradecer aos componentes e encerrar a sessão.

Mesa Redonda

Trata-se da apresentação de pontos de vistas ou análises diferentes ou mesmo divergentes,


fundamentados sobre um tema específico, seguido de sessão de perguntas e debates. Envolve
apresentação de pontos de vista sobre um mesmo tema. Cada mesa poderá ser composta por no
mínimo, dois profissionais e no máximo seis, tendo em média um total de 2 horas e meia, sendo
esse tempo dividido entre os que compõem a mesa.

66
Estudo de Caso, Palestra e Conferência

Estudo de Caso

A técnica do estudo de caso no processo de aprendizagem parte do pressuposto de que


aprendizagem é fundamentalmente preparar-se para resolver situações ou problemas não
habituais, fazendo uso para tanto do pensamento reflexivo na busca de uma solução satisfatória.

Pode ser aplicado de modo individual, acentuando-se os traços de solução do problema e decisão
 pessoal, quando grupal, a solução de caso, requer que cada participante do grupo tenha clara
compreensão da questão, além de conhecimentos e argumentos que permitam convencer os
demais membros, na busca de uma solução comum ou aceita por todos. Esta capacidade de
convencimento deve ser desenvolvida, pois será fundamental na vida profissional.

Se você já é professor ou aluno, faça da sua sala de aula o objeto a ser observado. Perceba que
existem vários pontos interessantes que precisam ser estudados. A sala de aula será o objeto
usado na pesquisa do Estudo de Caso.

Saiba Mais

DISSERTAÇÃO –  Documento resultante de uma pesquisa científica sobre um tema, tratado de


forma aprofundada e extensa, contendo ampla discussão dos fundamentos e dos dados coletados.
Usando na pós-graduação stricto sensu (curso de mestrado).

TESE  - Documento resultante de uma pesquisa científica sobre um tema, inédito,  tratado de
forma aprofundada, contendo ampla discussão dos fundamentos e dos dados coletados. Usado
 para obtenção do grau de doutor.

Comunicação (paper)  – Texto dissertativo sobre um tema, de pequena extensão (máximo de 20


 páginas), usando para publicação em revistas especializadas. Deve conter introdução,
desenvolvimento e conclusão.

Ensaio – Texto com a estrutura de um artigo que busca expressar a visão ou impressões pessoais
do autor sobre um tema, de forma aprofundada.

O estudo de caso estimula a tomada de decisão ou escolha, haja visto que ,sempre haverá mais de
uma solução adequada para um problema,e que cada indivíduo poderá propor uma das diferentes
alternativas. Buscar, ainda assim, a unidade na ação.

Quando aplicado em grupo, faz-se necessário a escolha de um coordenador que deverá volver-se
com a tarefa e contribuir para que o grupo efetivamente trabalhe de modo conjunto e articulado,
 buscando considerar a contribuição dos membros, de maneira que todos venham a contribuir
com suas percepções e intuições, evitando que um membro venha a prevalecer sobre os demais
 participantes.

*Etapas Básicas do Estudo de Caso

O Estudo de Caso envolve algumas etapas básicas na solução do problema, que podem ser
apontados como:

67
• leitura cuidadosa do caso: o caso, habitualmente tem nexos com situações do
cotidiano das pessoas,incluindo fatos e opiniões congruentes ou divergentes, que podem
esconder ou distorcer fatos que realmente ocorreram;
• identificação dos fatos: deve-se reunir os principais elementos contidos no caso,
de modo sistematizado por escrito, dos elementos objetivos, assim como dos elementos
subjetivos, podendo já considerar as opiniões, sentimentos, intuições;
• avaliação dos fatos: em função da relevância dos fatos reunidos, separe-os
deixando de lado, aqueles que não tem importância para o caso. Por isso, importa indicar
os fatos de maior e menor importância, através de alguma indicação ou sinalização;
• identificação do problema: parte mais delicada do caso, e que pressupõe a clara
compreensão do caso e do elemento central do mesmo, o problema , além claro, dos seus
 possíveis desdobramentos.
• identificação das alternativas de solução para o problema: não se preocupe em
encontrar de imediato uma solução, mas, nesse momento,diversas soluções sempre
embasadas em fatos, relatando todas as alternativas e seus desdobramentos no presente e
no futuro;
• escolha da alternativa mais adequada: pressupõe a escolha de uma das alternativas
que melhor se aplique a situação, verificando se é claro para você as razões de tal
escolha, que o nível de argumentos objetivos, como de elementos subjetivos, a exemplo
de sentimentos , intuições;
• implementação: aponte com base nos elementos envolvidos, uma proposta para
implementação da alternativa escolhida;
• respeite suas percepções e sentimentos: não se deixe levar por preconceitos, juízo
de valor , ousando construir algo baseado no seu sentimento para com o caso trabalhado.

Palestra

A palestra é uma atividade pedagógica centrada em exposição oral acerca de um tema ou


assunto. Objetiva suscitar, motivar, esclarecer e divulgar, em linhas gerais, a experiência e o
trabalho desenvolvido pelo palestrante acerca de um dado tema ou assunto.

A palestra caracteriza-se enquanto atividade


onde o palestrante desenvolve de modo
metódico e estruturado o tema ou assunto, sem
aprofundar-se, ainda que de modo esclarecedor
e contribuitivo para a sua audiência,
evidenciando a relevância de tais estudos e/ou
experiências.

A duração considerada adequada para uma palestra e esclarecimento de possíveis indagações é


de 1:30 min (uma hora e trinta minutos), que poderão ser dirigidas durante ou ao final da
 palestra, como melhor convier ao palestrante.

68
Saiba Mais

Para saber mais como elaborar uma palestra acesse o site: www.milpalestras.com.br

Conferência

Conferência é uma exposição científica, oral, acerca de um determinado tema, realizada por
especialista, de modo simples e direto, permitindo ao público compreender e assimilar melhor o
que está sendo exposto. Ao término da conferência, o conferencista poderá facultar aos
 participantes a formulação de indagações sobre os pontos que o desejam esclarecer.

A duração considerada adequada para a conferência deve ser de 01h (uma hora), em razão de
indagações dirigidas pela platéia ao conferencista. Considera-se 30min (trinta minutos) um
tempo ideal para exposição, pois o alongar da mesma torna-a cansativa, com perda de interesse.

TEXTO COMPLEMENTAR

Também é conhecido na comunidade acadêmica:

- Oficina: atividade pedagógica centrada na valorização da experiência por parte dos alunos,
através de estudos teóricos já estudados e, principalmente, práticos.

- Simpósio: reunião ou colóquio geralmente de cunho educativo, pedagógico e científico, para


discussão acerca de um assunto ou tema, com a intenção de realizar um intercâmbio ou uma
rede de conhecimentos diversos.

- Fórum: local ou reunião pública para discussão de assuntos relevante, não só de cunho
acadêmico, mais principalmente de interesse social.

Disponível em:

<www.uniformg.edu.br/imagens/depcom/outros/modalidadesdeatividadesextensionistas.doc >.
Acesso em: 09 de nov.2006.

69
4º Tema
Já vimos que lidaremos constantemente com o conhecimento nessa disciplina e em todas as
outras ao longo do nosso Curso. Por isso, tenho certeza que você já tem conhecimento suficiente
 para aprofundarmos um pouco mais os nossos conteúdos.

Iniciaremos agora o estudo acerca da pesquisa científica, sua importância para a descoberta de
novos acontecimentos e novos fatos. Iremos abordar também como elaborar um projeto de
 pesquisa, buscando capacitá-lo nesta jornada rumo ao seu trabalho de conclusão.

Bom estudo!!!

A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES

Conceito, finalidades e requisitos da Pesquisa Científica

Pode-se definir pesquisa como um processo formal e sistemático, controlado e crítico, que
 permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento.

Esse processo é reflexivo, pois avalia a todo o momento sua própria realização; é sistemático,
uma vez que se organiza de acordo com um sistema de pensamento e ação; é controlado, tendo
em vista que consiste na observação de características específicas de um fenômeno em um dado
contexto; e crítico  porque pressupõe o conhecimento dos fundamentos lógicos, teóricos e as
implicações de suas ações na interpretação dos resultados. (Ander-Egg 1978:28 apud  Marconi &
Lakatos 2003).

Existem diversos aspectos da realidade que podem despertar o nosso interesse em compreendê-


los e desvendá-los, constituindo questões para investigação e pesquisa. Isso porque, a realidade é
o mundo exterior a nós mesmos, sujeitos cognoscentes, e que representa o principal objeto de
nossa curiosidade.

Mas a realidade é múltipla, diversa nas relações sociais, políticas, culturais e nos aspectos
naturais, biológicos, físicos e químicos que permeiam a interação entre os seres humanos e a
natureza. A partir dessa imensidão de objetos do nosso conhecimento, que integram a realidade
em que vivemos, podemos nos perguntar: quando uma pesquisa se torna necessária?

A pesquisa é requerida quando não se dispõe de informações suficientes para responder ao


 problema, ou então quando a informação disponível se encontra em tal estado de desordem que
não possa ser adequadamente relacionada ao problema.

A pesquisa, portanto, é um procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que


requer um tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou para
descobrir verdades parciais.

Entretanto, a atividade de pesquisa, por ser um “ato dinâmico de questionamento, indagação e


aprofundamento” (Barros; Lehfeld, 2000, p. 67), está relacionada ao questionamento, à
indagação e à necessidade de obter respostas para um problema específico. Desta forma, a
 pesquisa não se conforma com as aparências, mas perguntam o porquê, examina, analisa,
explica, interpreta, aprofundando o entendimento da realidade ao estabelecer relações mais
 profundas. Esta atividade deve ser realizada com rigor e critério. Como alguns de seus principais

70
elementos, encontram-se: a seleção do assunto que se deseja investigar, a formulação e
delimitação do problema/questão para a qual se pretende buscar uma (ou várias) resposta (s), o
levantamento de hipóteses para indicar as possibilidades de solução para o problema, a coleta,
sistematização e classificação dos dados, análise e interpretação dos dados e a elaboração de um
documento científico capaz de comunicar os resultados da pesquisa realizada.

Disponível em: < http://www.cbpf.br/~caruso/tirinhas/webvol03/einstein_com_dados.jpg >. Acesso em: 7 Nov.


2006.

O Método Científico

 Na tentativa de compreender a realidade, a ciência necessita de critérios precisos que sejam
capazes de perceber criticamente os preconceitos, as ilusões dos sentidos, as superstições. Mas o
que é o método científico? Podemos dizer que é um conjunto de critérios definidos pela
comunidade científica, destinado à busca de explicações e à construção de conhecimento. É por
isso que todos que querem estudar e fazer ciência precisam conhecer os métodos específicos da
investigação científica: eles representam o percurso a ser seguido nessa viagem rumo à
construção do saber!

Fases da Pesquisa Científica

Veremos agora com detalhes quais são as fases que constituem o método de investigação
científica.

- Escolha do Tema:  tema é o assunto que se deseja estudar e pesquisar. O trabalho de definir
adequadamente um tema pode, inclusive, perdurar por toda a pesquisa. Nesse caso, deverá ser
freqüentemente revisto.

- Levantamento de Dados:  Para obtenção de dados podem ser utilizados três procedimentos:
 pesquisa documental, pesquisa bibliográfica e contatos diretos. A pesquisa bibliográfica é um
apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem
capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema.

Esta fase inclui a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental e a pesquisa de campo, realizada
 por meio de contatos diretos com as fontes. Aqui serão coletados os dados e informações
necessários à pesquisa.

71
O que é um dado?

“O termo revela-se um pouco enganador. Contrariamente ao que poderia fazer crer a definição
do  Dicionário Aurélio  transcrita, [elemento ou quantidade conhecida que serve de base à
resolução de um problema], ele designa, na verdade, algo que não é dado, que não é evidente,
mas que é preciso ir procurar com o auxílio de técnicas e de instrumentos, busca que demanda
esforços e precauções.

Para os pesquisadores, os dados são esclarecimentos, informações sobre uma situação, um


fenômeno, um acontecimento. A verificação da hipótese apóia-se sobre tais informações; nesse
sentido, os dados constituem um dos ingredientes que fundamentam a pesquisa, a matéria de
 base que permite construir a demonstração”. (Laville; Dionne, 1999, p. 132)

O levantamento de dados pode ser feito de duas maneiras:

1. Pesquisa bibliográfica:  busca o reconhecimento da área de pesquisa na qual está incluído o


tema selecionado. Desenvolve-se a partir da busca de todo material já elaborado que trate do
mesmo tema, especialmente de livros, artigos científicos e textos. A pesquisa bibliográfica é pré-
requisito para pesquisas em qualquer área, pois ela contribui para que o pesquisador construa um
domínio sobre o tema, a partir do conhecimento de todo, senão de grande parte, de tudo o que já
foi escrito acerca do seu tema de investigação.

2. Pesquisa documental:  Embora pareça com a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental se


diferencia pela natureza das fontes pesquisadas. Enquanto a pesquisa bibliográfica se caracteriza
 pela busca de fontes secundárias, isto é, de documentos científicos produzidos por autores como
resultado de seus estudos, a pesquisa documental investiga as fontes primárias, isto é,
documentos que foram produzidos no momento em que os fatos / fenômenos se desenrolaram.
As fontes primárias são materiais que ainda não foram utilizados como objeto de análise ou
documentos que já receberam tratamento analítico, mas que podem ser usadas em novas
investigações, conferindo-lhes uma abordagem distinta.

- Formulação do Problema:  Problema é uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento


de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução. Definir um
 problema significa especificá-lo em detalhes precisos e exatos. Na formulação de um problema
deve haver clareza, concisão e objetividade.

- Definição dos Termos:  O objetivo principal da definição dos termos é torná-los claros,
compreensivos e objetivos e adequados. É importante definir todos os termos que possam dar
margem a interpretações errôneas. O uso de termos apropriados, de definições corretas, contribui
 para a melhor compreensão da realidade observada.

- Indicação de Variáveis:  Ao se colocar o problema e a hipótese, deve ser feita também a


indicação das variáveis dependentes e independentes. Elas devem ser definidas com clareza e
objetividade e de forma operacional.

- Delimitação da Pesquisa:  Delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação. A


 pesquisa pode ser limitada em relação ao assunto – selecionando um tópico, a fim de impedir que
se torne ou muito extenso ou muito complexo; a extensão – porque nem sempre se pode abranger
todo o âmbito onde o fato se desenrola.

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- Seleção dos Métodos e Técnicas:  Os métodos e as técnicas a serem empregados na pesquisa
científica podem ser selecionados desde a proposição do problema, da formulação das hipóteses
e da delimitação do universo ou da amostra.

- Organização do Instrumental de Pesquisa:  A elaboração ou organização dos instrumentos de


investigação não é fácil, necessita de tempo, mas é uma etapa importante no planejamento da
 pesquisa. Em geral, as obras sobre pesquisa científica oferecem esboços práticos que servem de
orientação na montagem dos formulários, questionários, roteiros de entrevistas, escalas de
opinião ou de atitudes e outros aspectos, além de dar indicações sobre o tempo e o material
necessários à realização de uma pesquisa.

Saiba Mais

“Entendendo o mundo como uma partida de futebol”

Vamos nos permitir alguma liberdade criativa e imaginar que um alienígena recém chegado à
Terra, interessado em conhecer nossos costumes, decide ir ao Maracanã assistir a uma partida de
futebol.

Certamente no início da partida o ET ficaria bastante confuso, vendo todas aquelas pessoas
correndo atrás de uma bola, e muito intrigado ao ver como alguns jogadores ficam tão sensíveis
quando ela se aproxima demais daquelas redes localizadas nas extremidades do campo. Mas ao
longo da partida, percebendo que alguns lances se repetem e têm sempre o mesmo desfecho (por
exemplo, a partida é sempre interrompida quando a bola sai dos limites traçados no campo), ele
 provavelmente formularia algumas hipóteses sobre o jogo: “será que o objetivo é enviar a bola o
mais distante possível?”, ele talvez pensasse após assistir um infeliz chute de fora da área; “ou
talvez o objetivo seja matar o humanóide que carrega a bola”, pensaria ao ver um zagueiro
aplicando uma tesoura na altura do pescoço de um outro jogador. É quase certo que após algum
tempo observando a partida e depois de vários palpites errados, o visitante extraterrestre fosse
capaz de compreender a maior parte das regras do nosso futebol.

Pois nós somos como este alienígena. Estamos imersos no grande “jogo” da natureza tentando
entender suas “regras”: será que tudo o que sobe desce? Por que as coisas têm cor? Será que a
 posição que os corpos celestes ocupavam no instante de nosso nascimento pode afetar nossa
 personalidade? Em outras palavras, ou melhor, nas palavras do físico Richard Feynmann,
“Entender a natureza é como aprender a jogar xadrez somente assistindo a partida”.

Porém ainda que nossa metáfora seja didática, ela não é completa. Pois nela o ET assiste
 passivamente ao desenrolar dos lances na partida e propõe hipóteses que somente tem como
verificar esperando que se repitam. Nós por outro lado, não somos meros expectadores da
natureza mas participamos dela; podemos interagir com ela realizando experimentos”.
REIS, Widson Porto. “Método Científico”. 30 de Março de 2003. 10p (artigo não publicado).

Os métodos empregados, portanto, variam entre as ciências em função, principalmente, da


natureza do objeto de estudo. Mas nem sempre foi assim.

 No início do século XX, os cientistas sociais começaram a questionar se o método de


investigação utilizado pelas ciências naturais e físicas deveria continuar sendo aplicado no

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entendimento de fenômenos sociais. Até então, os métodos de investigação eram orientados pela
 perspectiva positivista que supunha:
que os fatos humanos são, como os da natureza, fatos que começam a ser observados
tais quais, sem idéias preconcebidas; fatos que, em seguida, devem ser submetidos à
experimentação, para que se possa determinar sua ou suas causas; depois, tomando uma
medida precisa das modificações causadas pela experimentação, daí tirar explicações
tão gerais quanto possível. Esse procedimento é realizado com a esperança de
determinar, no campo do humano, as leis naturais que o regem. (Laville ; Dionne, 1999,
 p. 31)

A produção científica do século XIX entendia a construção da ciência a partir da abordagem


 positivista, acreditando que ela poderia ser aplicada com sucesso a todos os objetos de
conhecimento, fossem naturais ou sociais / humanos. No entanto, a percepção de que se tratava
de objetos de naturezas diferenciadas, com graus de complexidade distintos não tardou a
acontecer. Os cientistas sociais buscaram uma metodologia diferente para as ciências humanas,
considerando a dinâmica das relações e dos fenômenos que envolvem o comportamento dos
seres humanos, o que impossibilita o estabelecimento de leis gerais, comumente aplicadas nos
estudos da física ou da biologia. Com base nessas especificidades, houve uma valorização da
abordagem metodológica pautada na hermenêutica, que busca conhecer a partir da interpretação
dos significados de um texto, que pode ser entendido como a própria realidade. Desta forma, a
 prioridade das ciências sociais deveria se voltar para a compreensão dos significados das ações
dos sujeitos e dos significados que eles atribuem às suas próprias ações. Para isso, é necessário
colocar essas ações dentro de um contexto de relações, considerar que a natureza humana é
diferente, pois o ser humano é sujeito, possui valores, opiniões e capacidade de agir de maneira
autônoma, o que faz suas ações serem imprevisíveis e impossíveis de se encaixarem em leis
gerais que sirvam para compreendê-las.

O debate acerca da metodologia mais adequada para os diversos objetos de pesquisa, fossem eles
de natureza física ou social, permaneceu ativo até a década de 1980 e, ainda hoje se reflete nas
discussões sobre objetividade/subjetividade os nos debates sobre pesquisa qualitativa/pesquisa
quantitativa. Sobre isso, veremos mais adiante. Importa saber que as ciências em geral se
distanciaram da perspectiva positivista e construíram uma orientação que representa o seu
 principal método de construção de conhecimento: o método hipotético-dedutivo.

Ao definir um objeto de investigação, o pesquisador precisa delimitar e estabelecer uma questão


que lhe inquieta, isto é, o problema que ele deseja solucionar. Ao perceber este problema, o
 pesquisador levanta possíveis respostas ou explicações lógicas capazes de fornecer uma solução
 para o questionamento inicial: as hipóteses. Caberá ao pesquisador testar as suas hipóteses e
conservar aquela que ele pensa ser mais adequada para a compreensão do problema. Quando
considerar a explicação obtida por meio da hipótese é satisfatória e válida, o pesquisador já pode
divulgá-la para a comunidade científica. Para tanto,
dirá quais são as delimitações do problema, como as percebeu, por que sua hipótese é
legítima e o procedimento de verificação empregado justificado. Desse modo, cada um
 poderá julgar os saberes produzidos e sua credibilidade. Essa operação de objetivação,
como a concentração em um problema, está hoje no centro do método científico.
(Laville ; Dionne, 1999, p. 46. Grifos dos autores).

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Em linhas gerais, esboça-se um caminho que se caracteriza pela definição de um problema,
levantamento de hipótese(s), verificação da(s) hipótese(s) e conclusão. Confira o quadro a seguir:

(Laville ; Dionne, 1999)

Técnicas de Pesquisa

Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência ou arte; é a


habilidade para usar esses preceitos ou normas, a parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras
técnicas na obtenção de seus propósitos.

As técnicas de pesquisa podem ser categorizadas em três grandes grupos: documentação indireta;
documentação direta e observação direta intensiva, a seguir delineadas.

- Documentação Indireta: Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes,


quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas. É a fase da pesquisa realizada com
intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse. Esse levantamento de dados,
 primeiro passo de qualquer pesquisa científica, é feito de duas maneiras: pesquisa documental
(ou de fontes primárias) e pesquisa bibliográfica (ou de fontes secundárias).

1. Pesquisa documental: a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não,
constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser feitas no momento em que
o fato ou fenômeno ocorre.

2.  Pesquisa bibliográfica: A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda


 bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins,
 jornais, revistas, livros, monografias, teses etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações

75
em fita magnética e audiovisuais: filme e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em
contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto. Esses documentos
 permitem ao cientista o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou na manipulação de suas
informações.

- Documentação Direta: A documentação direta constitui-se, em geral, no levantamento de


dados no próprio lecal onde os fenômenos ocorrem. Esses dados podem ser obtidos de duas
maneiras: através da pesquisa de campo ou da pesquisa de laboratório.

1.  Pesquisa de campo: Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir
informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta,
ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as
relações entre eles.

2. Pesquisa de laboratório: A pesquisa de laboratório é um procedimento de investigação mais


difícil, porém mais exato. Ela descreve e analisa o que será ou ocorrerá em situações controladas.
Exige instrumental específico, preciso, e ambientes adequados.

• Níveis de Pesquisa

Outro modo de delinear os diferentes tipos de pesquisa é considerar o nível de progresso


decorrente da pesquisa, assim como do uso de conhecimentos já a disposição, da utilização dos
mesmos, e da constituição desse conhecimento inovador.

- Pesquisas Exploratórias: Têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar


conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses
 pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos [e níveis] de pesquisa, estas são as que
apresentam menor rigidez no planejamento. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico
e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de caso. Procedimentos de amostragem e
técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas.
São desenvolvidas, tais pesquisas, com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo
aproximativo, acerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente
quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses
 precisas e operacionalizáveis.

- Pesquisas Descritivas: Têm como objetivo primordial a descrição das características de


determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. São
inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características
mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. Dentre as
 pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um
grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde, etc.
Pesquisas que se propõem estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma
comunidade, as condições de habitação de seus habitantes, etc. Algumas pesquisas descritivas
vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo
determinar a natureza dessa relação. Neste caso, tem-se uma pesquisa descritiva que se aproxima
da explicativa.

- Pesquisas Explicativas: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam
ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa que mais
aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica o porquê das coisas. Por isso mesmo é o

76
tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente.
Pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados oferecidos pelos
estudos explicativos. Isto não significa, porém, que as pesquisas exploratórias e descritivas
tenham menos valor, porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se
 possam obter explicações científicas. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra
descritiva, posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este
esteja suficientemente descrito e detalhado. As pesquisas explicativas nas ciências naturais
valem-se quase que exclusivamente do método experimental. Nas ciências sociais, em virtude
das dificuldades já comentadas, recorre-se a outros métodos, sobretudo ao observacional. Nem
sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais,
mas em algumas áreas, sobretudo da Psicologia, as pesquisas revestem-se de elevado grau de
controle, chegando mesmo a ser designadas “quase-experimentais”.

- Pesquisa Bibliográfica:  A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já


elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os
estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas
exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. As pesquisas sobre ideologias, bem como
aquelas que se propõem à análise das diversas posições acerca de um problema, também
costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.

- Pesquisa Documental:  A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A


diferença essencial entre ambas está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica se
utiliza fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto, a
 pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou
que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa.

O desenvolvimento da pesquisa documental segue os mesmos passos da pesquisa bibliográfica,


cabendo considerar que, enquanto na pesquisa bibliográfica as fontes são constituídas sobretudo
 por material impresso localizado nas bibliotecas, na pesquisa documental, as fontes são muito
mais diversificadas e dispersas. Há, de um lado, os documentos “de primeira mão”, que não
receberam nenhum tratamento analítico, e os “de segunda mão”, que de alguma maneira já foram
analisados.

- Pesquisa Experimental:  De modo geral, o experimento representa o melhor exemplo de


 pesquisa científica. Essencialmente, a pesquisa experimental consiste em determinar um objeto
de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as formas de
controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.

- Estudo de Caso: O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou


de poucos objetos, de maneira que permita o sem amplo e detalhado conhecimento, tarefa
 praticamente impossível mediante os outros delineamentos considerados. A maior utilidade do
estudo de caso é verificada nas pesquisas exploratórias. Por sua flexibilidade, é recomendável
nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos, para a construção de hipóteses ou
reformulação do problema.

Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente
conhecido a ponto de ser enquadrado em determinado tipo ideal. Por exemplo, se as informações
disponíveis fossem suficientes para afirmar que existem três tipos diferentes de comunidades de
 base e houvesse interesse em classificar uma comunidade específica em algum desses tipos,
então o estudo de caso seria o delineamento mais adequado.

77
- Pesquisa-Ação: A pesquisa-ação tem sido objeto de bastante controvérsia, em virtude de exigir
o envolvimento ativo do pesquisador e a ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no
 problema, a pesquisa-ação tende a ser vista em certos meios como desprovida da objetividade
que deve caracterizar os procedimentos científicos. A despeito, porém, destas críticas, vem sendo
reconhecida como muito útil, sobretudo por pesquisadores identificados por ideologias
“reformistas” e “participativas”.

- Pesquisa Participante: A pesquisa participante, assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se


 pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas. Há autores que
empregam as duas expressões como sinônimas. Todavia, a pesquisa-ação, geralmente supõe uma
forma de ação planejada, de caráter social, educacional, técnico ou outro.

A pesquisa participante, por sua vez, envolve a distinção entre ciência popular e ciência
dominante. Esta última tende a ser vista como uma atividade que privilegia a manutenção do
sistema vigente e a primeira como o próprio conhecimento derivado do senso comum, que
 permitiu ao homem criar, trabalhar e interpretar a realidade sobretudo a partir dos recursos que a
natureza lhe oferece.

Tipos de pesquisa

- Pesquisa Quantitativa

Adequada quando se deseja conhecer a extensão (estatisticamente falando) do objeto de estudo,


do ponto de vista do público pesquisado. Aplica-se nos casos em que se busca identificar o grau
de conhecimento, as opiniões, impressões, seus hábitos, comportamentos, seja em relação a um
 produto, sua comunicação, serviço ou instituição. Ou seja, o método quantitativo oferece
informações de natureza mais objetiva e aparente. Seus resultados podem refletir as ocorrências
do mercado como um todo ou de seus segmentos, de acordo com a amostra com a qual se
trabalha.

O instrumento de coleta de dados mais utilizado é o questionário, que pode conter questões
fechadas (alternativas pré-definidas) e/ou abertas (sem alternativas e com resposta livre).

 Na pesquisa quantitativa, a fim de comprovar as hipóteses, os recursos de estatística nos dirá se
os resultados obtidos são significativos ou mero fruto do acaso.

A Pesquisa Quantitativa é baseada em rígidos critérios estatísticos, que servem de parâmetro para
definição do universo a ser abordado pela pesquisa. Como o nome já diz, o método quantitativo é
útil para o dimensionamento de mercados, levantamento de preferências por produtos e serviços
de parcelas da população, opiniões sobre temas políticos, econômicos, sociais, dentre outros
aspectos.

Os passos para o desenvolvimento e aplicação do método quantitativo tem início com a definição
dos objetivos que o cliente pretende alcançar. Em seguida faz-se o levantamento amostral do
universo, ou seja, o número de entrevistas a serem realizadas; elaboração aplicação de pré-teste
 para validação do questionário e, posteriormente, a pesquisa em campo; apuração, cruzamento e
tabulação dos dados; e, por fim, elaboração de relatórios para análise estratégica.

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- Pesquisa Qualitativa

A pesquisa qualitativa é uma designação que abriga correntes de pesquisa muito diferentes. Em
síntese, essas correntes se fundamentam em alguns pressupostos contrários ao modelo
experimental e adotam métodos e técnicas de pesquisa diferentes dos estudos experimentais. Os
cientistas que partilham da abordagem qualitativa em pesquisa se opõem, em geral, ao
 pressuposto experimental que defende um padrão único de pesquisa para todas as ciências,
calcado no modelo de estudo das ciências da natureza. Estes cientistas se recusam a admitir que
as ciências humanas e sociais devam-se conduzir pelo paradigma das ciências da natureza e
devam legitimar seus conhecimentos por processos quantificáveis que venham a se transformar,
 por técnicas de mensuração, em leis e explicações gerais.

Um segundo marco que separa a pesquisa qualitativa dos estudos experimentais está na forma
como apreende e legítima os conhecimentos. A abordagem qualitativa parte do fundamento de
que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o
sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.

O conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa;
o sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos,
atribuindo-lhes um significado. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de
significados e relações que sujeitos concretos criam em suas ações.

Algumas pesquisas qualitativas não descartam a coleta de dados quantitativos, principalmente na


etapa exploratória de campo ou nas etapas em que estes dados podem mostrar uma relação mais
extensa entre fenômenos particulares.

A pesquisa qualitativa privilegia algumas técnicas que coadjuvam a descoberta de fenômenos


latentes, tais como a observação participante, pesquisa-ação e pesquisa-intervenção, história ou
relatos de vida, análise de conteúdo, entrevista não diretiva, estudo de caso, etc., que reúnem um
corpus qualitativo de informações que, segundo Habermas, se baseia na racionalidade
comunicacional. Observando a vida cotidiana em seu contexto ecológico, ouvindo as narrativas,
lembranças e biografias, e analisando documentos, obtém-se um volume qualitativo de dados
originais e relevantes, não filtrados por conceitos operacionais, nem por índices quantitativos.
A pesquisa qualitativa pressupõe que a utilização dessas técnicas não deve construir um modelo
único e exclusivo. A pesquisa é uma criação que mobiliza a acuidade inventiva do pesquisador,
sua habilidade artesanal e sua perspicácia para elaborar a metodologia adequada ao campo de
 pesquisa, aos problemas que ele enfrenta com as pessoas que participam da investigação. O
 pesquisador deverá, porém, expor e validar os meios e técnicas adotadas, demonstrando a
cientificidade dos dados colhidos e dos conhecimentos produzidos.

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QUADRO COMPARATIVO DOS TIPOS DE PESQUISA
PESQUISA QUALITATIVA PESQUISA QUANTITATIVA
Questões abertas e exploratórias Predomínio de questões fechadas
Amostra pequena Amostra grande
Análise estatística, a partir de informações rigorosas e
Análise subjetiva e interpretativa
científicas
Pesquisa exploratória Pesquisa descritiva ou casual
Resultado da linha de conduta (opiniões, atitudes e Resultados quantificáveis condensados em tabelas
expectativas) e gráficos
Caráter subjetivo Caráter objetivo
Interpretação Mensuração
Múltiplas realidades Uma realidade
Sistema Organicista Sistema Mecanicista
Raciocínio dialético
Raciocínio lógico e dedutivo
e indutivo
Utiliza a comunicação
Utiliza instrumentos específicos (ex.: questionário)
e a observação (ex.: entrevista)
Trabalha com particularidades Trabalha com generalizações

Saiba Mais

“Quantitativo versus qualitativo

O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus defensores e
adversários. Esses debates continuam ainda hoje.

Pode-se verificá-lo principalmente na oposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa


A pesquisa de espírito positivista aprecia números.

Pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica. É, para ela, uma das
 principais chaves da objetividade e da validade dos saberes construídos. Conseqüentemente,
deve escolher com precisão o que será medido e apenas conservar o que é mensurável de modo
 preciso. Para os adversários desse método, trata-se de truncar o real, afastando numerosos
aspectos essenciais à compreensão.

Os adversários propõem respeitar mais o real. Quando se trata do real humano, afirmam,
tentemos conhecer as motivações, as representações, consideremos os valores, mesmo se
dificilmente quantificáveis; deixemos falar o real a seu modo e o escutemos. Os defensores da
quantificação apenas das características objetivamente mensuráveis respondem, então, que esse
encontro incontrolado de subjetividades que se adicionam só pode conduzir ao saber “mole”, de
 pouca validade. Esquecem, desse modo, que para construir suas quantificações, tiveram que
afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras convenções estatísticas que, do real estudado, corre-
se o risco de não ter restado grande substância. Mas é verdade que o que resta é assegurado por
um procedimento muito rigoroso, testado e preciso. E alguns gostam de afirmar que são as
exigências estritas desse rigor que afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente

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 parece, às vezes, correto, sobretudo em vista do saber matemático e do estatístico necessário!).

 Na realidade, esse debate, ainda que muito presente, parece freqüentemente inútil e até falso.
Inútil, porque os pesquisadores aprenderam, há muito tempo, a conjugar suas abordagens
conforme as necessidades. Vê-se agora pesquisadores de abordagem positivista deixar de lado
seus aparelhos de quantificação de entrevistas, de observações clínicas, etc., e inversamente, vê-
se pesquisadores adversários da perspectiva positivista que não procedem de outro modo quando
é possível tratar numericamente alguns de seus dados para melhor garantir a sua generalização.

Inútil, sobretudo, porque realmente é querer se situar frente a uma altura estéril. A partir do
meomento em que a pesquisa centra-se em um problema específico, é em virtude desse problema
específico que o pesquisador escolherá o procedimento quantitativo, qualitativo, ou uma mistura
de ambos. O essencial permanecerá: que a escolha da abordagem esteja a serviço do objeto de
 pesquisa, e não o contrário, com o objetivo de daí tirar, o melhor possível, os saberes desejados.

 Nesse sentido, centralizar a pesquisa em um problema convida a conciliar abordagens


 preocupadas com a complexidade do real, sem perder o contato com os aportes anteriores”.
(Laville ; Dionne, 1999, p. 43)

• Projeto de Pesquisa Científica

Em uma pesquisa, nada se faz ao acaso. Desde a escolha do tema, fixação dos objetivos,
determinação da metodologia, coleta dos dados, sua análise e interpretação para a elaboração do
relatório final, tudo é previsto no projeto de pesquisa. Este, portanto, deve responder às clássicas
questões: o quê? porquê? para quê e para quem? onde? como, com quê, quanto e quando? quem?
com quanto?

Entretanto, antes de redigir um projeto de pesquisa, alguns passos devem ser dados. Em primeiro
lugar, exigem-se estudos preliminares que permitirão verificar o estado da questão que se
 pretende desenvolver sob o aspecto teórico e de outros estudos e pesquisas já elaborados. Tal
esforço não será desperdiçado, pois qualquer tema de pesquisa necessita de adequada integração
na teoria existente e a análise do material já disponível será incluída no projeto sob o título de
“revisão da bibliografia”.

A seguir, elabora-se um anteprojeto de pesquisa, cuja finalidade é a integração dos diferentes


elementos em quadros teóricos e aspectos metodológicos adequados, permitindo também ampliar
e especificar os quesitos do projeto, a “definição dos termos”. Finalmente, prepara-se o projeto
definitivo, mais detalhado e apresentando rigor e precisão metodológicos.

• Estrutura do Projeto de Pesquisa

CAPA: Constituída pelos seguintes elementos:

a) entidade;

b) título (e subtítulo, se houver) - denominação do projeto.

SUMÁRIO: Relacionar nos itens e subitens que compõe o projeto, com o respectivo número da
 página, onde o mesmo pode ser encontrado.

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APRESENTAÇÃO: Composto por dois elementos chaves, Quem apresenta, que deverá efetuar
um breve histórico e experiências desenvolvidas e realizadas pela Organização e pela
Coordenação responsável, e O que apresenta, que também se composto por um breve histórico
da atividade em questão e O que espera com tal apresentação.

OBJETO:  Composto pela caracterização do O que é a atividade ou trabalho científico de


maneira sucinta, óbvia e lúcida.

FINALIDADE:  Composto pelo termo Para que é tal trabalho científico, descritos no seu
contexto geral e específico.

a) Objetivo Geral:

b) Objetivos Específicos:

JUSTIFICATIVA/FUNDAMENTOS: Versa acerca do O por quê da existência da atividade


 proposta, evidenciando ainda os fundamentos, quer teóricos, quer práticos que o sustenta.

MÉTODO: Versa acerca de como será realizado a atividade, o modo, a maneira.

RECURSOS: Busca atender as indagações acerca de Com quem, com quanto e com que será
realizado, desdobrando-se nos seguintes elementos:

a) Humanos

b) Financeiros

c) Técnicos (Conhecimento teórico/prático científico)

d) Materiais

- De consumo

- De uso permanente

BIBLIOGRAFIA: Relacionar as fontes consultadas, indicadas e/ou existentes afeita ao assunto


desenvolvido no projeto em questão.

ANEXOS: Relacionar e inserir os formulários citados no corpo do projeto e que serão utilizados


no desenvolvimento das atividades propostas pelo mesmo.

CAPA DE FUNDO: Contento a identificação e o contato do autor/realizador.

Saiba mais

http://www.cbj.g12.br/~bibcal/bca_manual.html

82
Relatório de Pesquisa e Monografia

Ao iniciar a redação do relatório de um projeto de pesquisa, o pesquisador deve sentir-se


gratificado por ter conseguido chegar ao término de um processo, que na maioria das vezes foi
trabalhoso, cheio de dificuldades. Significa o ápice de um trabalho realizado, podendo
representar o surgimento de novos projetos de pesquisa, a partir de questionamentos não
concluídos ou da descoberta de aspectos relevantes no estudo da problemática.

A preocupação do relator será a de poder deixar registrado todo o caminho percorrido durante a
 pesquisa, especificando os elementos que possam ser importantes para a análise posterior do
estudo realizado.

• Estrutura do Relatório de Pesquisa

 No relatório de pesquisa, fazendo uso da metodologia, dá-se a sua divisão nas seguintes partes:
a) INTRODUÇÃO:  Na introdução considerada como introdutória ao corpo geral do relatório, o
 pesquisador descreverá, em termos gerais, os objetivos e a finalidade do estudo realizado. É uma
 justificativa que o autor tratará da relevância do tema-problema trabalhado, tentando motivar o
interesses do leitor. Aqui é necessário clarear a definição do assunto e a delimitação do tema,
situando-o no espaço e no tempo; é o significado do problema.

Segue-se ainda a apresentação da hipótese formulada e que se há de demonstrar. O suporte


teórico utilizado para o estudo poderá agora ser enfocado, tanto para clarear as definições
operacionais consideradas, bem como a inter-relação da fundamentação teórica com o material
empírico coletado, quando o trabalho possui está fase.

b) APRESENTAÇÃO:  Poucas diferenças há entre a apresentação do projeto e a do relatório.


Pode também conter elementos de natureza opcional, a exemplo de Dedicatória, Agradecimentos
e Epígrafe (citação, seguida da autoria, relacionada à matéria tratada no trabalho).

c) SINOPSE: Consiste numa breve síntese, de no máximo 15 a 20 linhas, acerca do conteúdo do


relatório, realizado pelo autor do trabalho, não devendo ser confundido com uma relação de
 partes ou capítulos, nem com a enumeração das conclusões. Quando realizado por uma outra
 pessoa, recebe o nome de resumo. Denomina-se de abstract a síntese do trabalho, redigido na
língua inglesa, visando a divulgação da pesquisa de modo abrangente, não deve ser confundido
com uma tradução da sinopse, ainda que seja comum, pois a construção do enunciado deve ser
efetuado na língua inglesa.

d) SUMÁRIO:  Relação das partes, capítulos, itens e subitens do trabalho, com a respectiva
indicação do número de páginas iniciais.

e) INTRODUÇÃO: A introdução, enquanto parte inicial do texto, na qual se expõe o assunto


como um todo. Inclui informações sobre a natureza e a importância do trabalho, relação com
outros estudos sobre o mesmo assunto, razões que levaram à realização do trabalho, suas
limitações e, principalmente, seus objetivos. Devem constar também as partes principais que
compõem o trabalho. Abrange ainda, três itens do relatório: objetivo, justificativa e objeto,
incorporando as modificações realizadas depois de aplicada a pesquisa-piloto.

83
f) DESENVOLVIMENTO:  O desenvolvimento de um relatório, também denominado corpo, é
a parte mais extensa. Nesta fase deve-se apresentar muito claramente a metodologia usada e todo
o traçado e caminho do estudo envolvendo variáveis e componentes. Estes elementos são de
especial importância pois a partir da análise dos mesmos é que se pode julgar a validade
científica do estudo.

O corpo ou desenvolvimento de um relatório de pesquisa tem por objetivo fornecer a análise dos
componentes mais importantes de um tema-problema. O desenvolvimento de um relatório de
 pesquisa deve sofrer um processo metodológico divisório. O corpo do trabalho distribui-se em
 partes, as partes em capítulos, os capítulos em secções ou subtítulos, os subtítulos em parágrafos,
os parágrafos em frases ou orações.

g) CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES:   Em um relatório de pesquisa é imprescindível


que se institua um item especial para as conclusões. Nas conclusões e recomendações os
resultados considerados valiosos e finais para a compreensão e exame da problemática estudada
serão aqui apresentados. Como fechamento do trabalho, a conclusão é expressa em termos de
síntese dos elementos relevantes analisados no trabalho. A conclusão define o ponto de vista do
autor, por isto mesmo expressa as suas características pessoais acerca do assunto tratado – é a
sua ideologia.

h) BIBLIOGRAFIA: Inclui todas as obras já apresentadas no projeto, acrescidas das que foram


sendo sucessivamente utilizadas durante a execução da pesquisa e a redação do relatório, de
modo ordenado, organizado por autor, em ordem alfabética.

i) APÊNDICES:  Apresentando tabelas, quadros, gráficos e outras ilustrações que não figuram
no texto; assim como o(s) instrumento(s) de pesquisa, o apêndice é composto de material
trabalhado pelo próprio pesquisador. Deve ter ordenação própria e, no sumário, constar apenas o
título genérico “Apêndices”.

 j) ANEXOS: Constituídos de elementos esclarecedores de outra autoria, devem ser limitados,


incluindo apenas o estritamente necessário à compreensão de partes do relatório. Deve ter
ordenação própria e, no sumário, constar apenas o título genérico “Anexos”.

- Monografia

Trata-se de um estudo sobre um tema específico ou particular, com suficiente valor


representativo e que obedece a rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto não só em
 profundidade, mas também em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que se
destina. Tem como base a escolha de uma unidade ou elemento social, sob duas circunstâncias:

1) ser suficientemente representativo de um todo cujas características de análise;

2)  ser capaz de reunir os elementos constitutivos de um sistema social ou de refletir as


incidências e fenômenos de caráter autenticamente coletivo.

Localiza-se na origem histórica da monografia aquilo que até hoje caracteriza essencialmente
esse tipo de trabalho científico: a especificação, ou seja, a redução da abordagem a um só
assunto, a um só problema. Mantém-se assim o sentido etimológico: monos (um só) e graphein
(escrever: dissertação a respeito de um assunto único).

84
• Estrutura da monografia

Os trabalhos científicos, em geral, apresentam a mesma estrutura: introdução, desenvolvimento e


conclusão. Pode haver diferenças quanto ao material, ao enfoque dado, a utilização desse ou
daquele método, dessa ou daquela técnica, mas não em relação à forma ou à estrutura.

a) Introdução -  formulação clara e simples do tema da investigação; é a apresentação sintética


da questão, importância da metodologia e rápida referência a trabalhos anteriores, realizados
sobre o mesmo assunto;

b) Desenvolvimento -  fundamentação lógica do trabalho de pesquisa, cuja finalidade é expor e


demonstrar. No desenvolvimento, podem-se levar em consideração três fases ou estágio:
explicação, discussão e demonstração.

• Explicação. Explicar é apresentar o sentido de uma noção, é analisar e compreender,


 procurando suprimir o ambíguo ou obscuro.

• Discussão é o exame, a argumentação e a explicação da pesquisa, ou seja, explica, discute,


fundamenta e enuncia as proposições.

• Demonstração é a dedução lógica do trabalho; implica o exercício do raciocínio. Demonstra


que as proposições, para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema.
c) Conclusão -  é a fase final do trabalho de pesquisa, mas não somente um fim. Como a
introdução e o desenvolvimento, possui uma estrutura própria. A conclusão consiste no resumo
completo, mas sintetizado, da argumentação dos dados e dos exemplos constantes das duas
 primeiras partes do trabalho. Da conclusão devem constar a relação existente entre as diferentes
 partes da argumentação e a união das idéias e, ainda, conter o fecho da introdução ou síntese de
toda reflexão.

- Elementos da Monografia

A praxe é apresentar a monografia com os seguintes elementos:

1. Elementos Pré-textuais

a)  capa, deverá conter apenas os dados indispensáveis à identificação do trabalho: título em
destaque na parte superior, o nome do autor em destaque; especificação do trabalho (dissertação,
monografia etc.); dados referentes ao curso; dados referente a instituição acadêmica, com a
respectiva localização; data;

b) dorso com o título e nome do autor;

c)  contracapa, geralmente sem gravação ou impressão, às vezes utilizada para apresentar um
resumo da obra;

d) após a capa, uma a duas folhas em branco;

e) uma página que repete a capa;

85
f) a página de rosto que contém: na parte superior, o nome completo do autor, sem abreviaturas,
com seus títulos ou cargos logo abaixo; o título real do trabalho com subtítulos, se houver;
indicação de prefácio ou prólogo ou apresentação com o nome do apresentador (quando não
houver apresentador, esse item não deve aparecer); nome da instituição; cidade, ano;

g) página de dedicatória, se houver;

h) epígrafe, ou página destinada a um pensamento, frase, dístico, se o autor achar conveniente;

i) sumário completo (de todos os capítulos e suas seções) ou sumário (enumeração das partes
 principais) com a indicação das páginas iniciais dos capítulos ou partes destacadas;

 j) listas de tabelas e/ou quadros, ilustrações, abreviaturas, siglas, símbolos, etc.;

k) prefácio, caso haja;

l) apresentação, caso haja.

2. Elementos Textuais

a) introdução;
b) desenvolvimento com a seqüência dos capítulos destinados ao corpo do trabalho;
c) capítulo(s) das conclusões.

3. Elementos Pós-textuais

a) anexos, elementos que se acrescentam para demonstração, exemplificação ou comprovação do


texto, ordenados de acordo com o desenvolvimento;

b) adendos, dados que se acrescentam para complementação do trabalho;

c) notas, fruto de observações ou aditamentos do texto;

d) apêndices, elementos que se anexam para complementação do trabalho;

e) bibliografia ou referência bibliográfica em ordem alfabética dos sobrenomes dos autores;

f)  índice de assuntos, nomes de pessoas, nomes geográficos, acontecimentos, etc., em ordem
alfabética, com indicação de sua localização no texto;

g) glossário, caso se julgue importante;

h) uma ou duas páginas em branco antes da contracapa.

86
VAMOS PRATICAR?

Para que possamos por em prática alguns dos conhecimentos adquiridos nesse tema que você
acaba de estudar, sugiro a atividade seguinte:

1. Escolha três temas que lhe interessem dentro da área científica da sua licenciatura ou
da área de Educação. Delimite-os utilizando uma frase ou palavras-chave.

2. Para observar se os temas que você escolheu são relevantes ou se são de interesse da
comunidade científica, faça uma pesquisa bibliográfica buscando artigos, livros virtuais e
textos na internet que estejam relacionados aos temas que você escolheu. Você pode
começar pesquisando em sites como: www.google.com.br ou www.scielo.br, iniciando a
 busca a partir das palavras-chave que você elaborou no item 1 deste exercício.

87
3. Procure também livros, textos e artigos em revistas especializadas.

4. Construa um diário de pesquisa   no qual você deve anotar todas as etapas da sua
investigação separando-as por data: Para cada dia de pesquisa, descreva os passos que
você realizou, anotando as idéias que surgiram, as impressões obtidas com as leituras,
refletindo sobre a atividade que você está realizando.

5. Depois disso, converse com seus colegas sobre os temas que lhe interessam e veja se
eles também acham interessantes. Tenho certeza que será uma troca de conhecimentos
 bastante rica! Quem sabe dessa atividade não surge um bom projeto de pesquisa?

Vamos lá! Mãos à obra!

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