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DOUTO JUÍZO TITULAR DA VARA DO TRABALHO DE PARINTINS – AM.

ALZEIR FERREIRA DA SILVA,


brasileiro, solteiro, autônomo, RG 2155639-3/AM, CPF 924.007.522-49,
residente e domiciliado na cidade de Barreirinha-AM, na Rua da Olaria, s/nº,
Santa Luzia, CEP 69.160-000, celular (92) 99413-4385, por seu advogado
abaixo assinado (procuração, RG, e CPF – docs. 1 e 2), vem perante Vossa
Excelência, propor a presente AÇÃO TRABALHISTA em desfavor do senhor
RAIMUNDO SOUZA DE ANDRADE (NEGO), brasileiro, casado, pecuarista,
RG e CPF desconhecidos, com endereço para notificação na zona rural do
Município de Barreirinha-AM, Fazenda Ilha Bela, no Paraná do Ramos,
Comunidade do Sapateiro, CEP 69.160-000, telefone para contato nº (92)
99206-0264, o que faz nos termos do artigo 837 e seguintes do Decreto-Lei
nº 5.452, de 1º de maio de 1943, que aprovou a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), bem como pelas razões de fato a seguir elencadas:

Urge informar, antes de tudo, que é a


segunda vez que o reclamante ingressa com ação perante esta Justiça
Especializada contra os reclamados com o mesmo objeto. A primeira, que
tramitou sob o nº de ordem 858-27.2019.5.11.0101, foi arquivada no dia 23
de fevereiro de 2021 por ausência do reclamante, uma vez que a localidade
onde se encontrava, interior do Estado, não era servida por sinal de internet.

Com efeito, interrompida a


prescrição, nos termos do artigo 202 do Código Civil, aplicado
subsidiariamente ao direito do trabalho por força do artigo 8º da CLT e da
Súmula nº 268 do TST, apto o reclamante a reajuizar a ação, como de fato o
faz.
1. A ADMISSÃO. A FUNÇÃO. O
SALÁRIO CONTRATUAL. A RESCISÃO CONTRATUAL. O reclamante foi
admitido aos serviços do reclamado no dia 1º de março de 2019 para
trabalhar como vaqueiro em duas fazendas, a de terra-firme era localizada
na região do Andirá, interior de Barreirinha, neste Estado, a outra, de várzea,
ficava no Paraná do Ramos.

Incumbia ao reclamante cuidar


praticamente sozinho de cerca de 124 búfalos, mediante remuneração
mensal de R$ 600,00, conforme teor dos recibos anexos, preenchidos pelo
próprio reclamado. Na verdade, a única ajuda que recebia era para ordenhar
34 vacas na fazenda da várzea e 37 na de terra-firme, todos os dias (recibos
– docs. 3 a 5).

No dia 7 de outubro de 2019, sem


o comunicado do aviso prévio, o reclamante foi demitido sem justa causa
e até a presente data, apesar dos esforços empreendidos, nada recebeu a
título de verbas rescisórias e indenizatórias do contrato de emprego.

2. A CTPS. A CTPS do reclamante


não foi anotada, razão pela qual o reclamado deverá fazê-lo, sob as penas
adiante apontadas.

3. A JORNADA DE TRABALHO. O
REPOUSO SEMANAL REMUNERADO EM DOBRO. O reclamante residia
nas fazendas do reclamado, prestando serviços de domingo a sábado, 8 horas
diárias em média, sem folga, pelo que faz jus ao repouso remunerado na
forma dobrada, pedido limitado a 8 horas por semana, 32 mensais.

É que o artigo 67 da CLT1 assegura a


todo empregado o direito de um descanso semanal de 24 horas seguidas, do
que não gozava o reclamante, uma vez que a tarefa de soltar o rebanho do

1
Artigo 67. Será assegurado a todo empregado um descanso semanal de 24 (vinte e quatro)
horas consecutivas, o qual, salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do
serviço, deverá coincidir com o domingo, no todo ou em parte.
gado pela manhã e reuni-lo e prendê-lo no final da tarde era diária e
dificultosa, ainda mais do gado búfalo, que por ser andarilho por natureza
percorre grandes distâncias.

Com isso, é devido pelo reclamado a


importância de R$ 2.029,44 (R$ 998,00 : 220 = R$ 4,53 x 2 = R$ 9,06 x 8
horas aos domingos = R$ 72,48 x 4 domingos/mês = R$ 289,92 x 7 meses =
R$ 2.029,44) a título de repouso remunerado em dobro em vista de o
reclamante não ter tido oportunidade de exercê-lo como determina a lei.

5. O AVISO PRÉVIO. O reclamado


não comunicou previamente ao reclamante acerca da rescisão contratual,
dever imposto à parte que pretender rescindir imotivadamente o contrato de
trabalho no tempo mínimo previsto em lei (CLT, artigo 487, incisos I e II), e
tampouco efetuou o pagamento correspondente.

O aviso prévio, impende destacar,


mesmo que indenizado deve integrar o tempo de serviço do empregado (CLT,
artigo 487, § 1º), de forma que a data da rescisão contratual, para efeitos
legais, é o dia 7 de novembro de 2019.

Trata-se de verba rescisória de


natureza incontroversa, razão pela qual a reclamadas deverão efetuar o
pagamento em inaugural, sob pena de acréscimo de 50% (CLT, artigo 467).

6. O DÉCIMO TERCEIRO
SALÁRIO DE 2019. A reclamada não pagou o décimo terceiro proporcional
de 2019 (10/12), verba devida nos termos do artigo 7º, inciso VIII, da CF c/c
artigo 1º e §§ da Lei 4.090, de 13 de julho de 1962.

Também se trata de verba rescisórias


de natureza incontroversa, razão pela qual a reclamada deverá efetuar o
pagamento correspondente em inaugural, sob pena de acréscimo de 50%
(CLT, artigo 467).
7. AS FÉRIAS + 1/3
CONSTITUCIONAL. Direito dos trabalhadores estabelecido no artigo 7º,
inciso XVII, da CF c/c os artigos 129 e 130 da CLT.

Pendentes de pagamento as férias


proporcionais 2019/20 a 10/12 avos, acrescidas de 1/3.

Tratam-se de verbas rescisórias de


natureza incontroversa, razão pela qual a reclamadas deverão efetuar os
pagamentos correspondentes em inaugural, sob pena de acréscimo de 50%
(CLT, artigo 467).

8. AS DIFERENÇAS SALARIAIS
RETIDAS. Como visto, o reclamado pagava apenas R$ 600,00 mensais para
o reclamante, afrontando o inciso VI do artigo 5º da CF, que trata do salário
mínimo, voltado para a finalidade primordial de garantir condições mínimas
de existência aos trabalhadores e suas famílias.

Ante isso, é devido para o reclamante


a importância de R$ 2.985,59, conforme demonstrativo a seguir:

MÊS SALÁRIO PAGAMENTO RECEBIDO RETIDO


Março/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Abril/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Maio/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Junho/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Julho/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Agosto/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Setembro/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 398,00
Outubro/2019 R$ 998,00 R$ 600,00 R$ 199,59
(saldo 6 dias)

Tratam-se de verbas rescisórias


incontroversas, devendo o reclamado efetuar o pagamento em inaugural sob
pena de fazê-lo com acréscimo de 50%, nos termos do artigo 467 da CLT.

9. O FUNDO DE GARANTIA DO
TEMPO DE SERVIÇO (FGTS). O reclamado não efetuou os depósitos de
que fala o artigo 15 da Lei 8.036, de 11 de maio de 1990, devendo fazê-lo
por intermédio da presente ação, no total de R$ 1.117,76 (R$ 998,00 x 8% =
R$ 79,84 x 10 meses = R$ 798,40 x 40% = R$ 319,36 + R$ 798,40 = R$
1.117,76), já com a multa rescisória estabelecida no § 1º do artigo 18 da
mesma Lei Federal.

Trata-se de verba rescisória de


natureza incontroversa, razão pela qual a reclamadas deverão efetuar o
pagamento em inaugural, sob pena de acréscimo de 50% (CLT, artigo 467).

10. A MULTA DO ARTIGO 477, §


8º, DA CLT. Extinto o contrato de trabalho, como ocorreu na questão
vertente, era dever do reclamado proceder à anotação da saída em CTPS do
reclamante, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e a promover o
pagamento das verbas rescisórias no prazo legal de dez dias, sob pena de
arcar com uma multa equivalente ao valor da remuneração devida ao
empregado (CLT, artigo 477, §§ 6º e 8º).

A CTPS, porém, sequer foi anotada,


quanto mais a comunicação da dispensa ao Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), à Previdência Social através da Receita Federal e à Caixa
Econômica Federal, assim como o pagamento das verbas rescisórias.

Devida, pois, a multa de que fala o §


8º do artigo 477 da CLT.

11. A MULTA DO ARTIGO 467 DA


CLT. É dever do empregador em caso de rescisão do contrato de emprego,
independentemente de quem partiu a iniciativa, pagar em inaugural a parte
incontroversa das verbas rescisórias devidas, sob pena de fazê-lo como o
acréscimo de 50% incidente sobre esta parte. É o que vem do artigo 467 da
CLT:

Art. 467. Em caso de rescisão do contrato do trabalho,


motivada pelo empregador ou pelo empregado, e havendo
controvérsia sobre parte da importância dos salários, o
primeiro é obrigado a pagar a este à data do seu
comparecimento ao tribunal de trabalho a parte incontroversa
dos mesmos salários, sob pena de ser, quanto a essa parte,
condenado a pagá-la em dobro.

Há de se observar, ainda, que mesmo


em caso de revelia e confissão ficta esse acréscimo deve ser aplicado caso o
devedor não quite o valor das verbas em inaugural, nos termos da Súmula nº
69 do TST, donde se extrai:

Súmula 69/TST. RESCISÃO DO CONTRATO DE


TRABALHO. REVELIA. VERBA RESCISÓRIA. ACRÉSCIMO
DE 50%. CLT, ART. 467.

A partir da Lei 10.272, de 05/09/2001, havendo rescisão do


contrato de trabalho e sendo revel e confesso quanto à
matéria de fato, deve ser o empregador condenado ao
pagamento das verbas rescisórias, não quitadas na primeira
audiência, com acréscimo de 50% (cinquenta por cento).

Nessa esteira, verbas rescisórias


como aviso prévio, décimo terceiro proporcional, férias proporcionais
acrescidas de 1/3, diferenças salariais retidas, FGTS e multa de 40% devem
ser em inaugural a fim de a reclamada obstar a aplicação do acréscimo legal
de 50% estabelecido no artigo 467 da CLT mesmo em caso de revelia e
confissão ficta.

12. O DEMONSTRATIVO DO
DÉBITO. Segue o demonstrativo de débito:

Aviso prévio ................................................................... R$


998,00
13º proporcional/2019 (10/12) ....................................... R$
831,66
Férias proporcionais 2019/20 (10/12) .............................. R$
831,66
1/3 sobre férias proporcionais ......................................... R$
277,22
Repouso semanal remunerado em dobro ......................... R$
2.029,44
Diferenças salariais retidas ............................................. R$
2.985,59
FGTS (depósito) ............................................................. R$
798,40
Multa 40% FGTS ............................................................ R$
319,36
Multa artigo 477, § 8º, da CLT ........................................ R$
998,00
TOTAL ....................................................................... R$
10.069,33

13. AS NOVILHAS DO
RECLAMANTE. No curso da relação de emprego, o reclamante comprou
com os salários recebidos duas novilhas, sendo que, agora, o reclamado não
quer devolver os animais.

Alguns dias antes do ingresso da


presente ação, para se ter ideia, o reclamado o contatou apresentando alguns
recibos em branco para que fossem assinados, condição para devolução dos
semoventes. Lógico que o reclamante não aceitou a coação.

Com efeito, ou o reclamado devolve


os animais ou indeniza o reclamante no valor de R$ 3.000,00.

14. OS HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. São devidos os honorários
advocatícios de sucumbência entre os percentuais de 5% a 15% sobre o valor
que resultar da liquidação de sentença, do proveito econômico obtido ou, não
sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, é o que dispõe
o artigo 791-A da CLT.

Observando-se, pois, a fórmula que


agrega os dois critérios para a sua fixação, a do coeficiente máximo e
mínimo, 15% e 5%, respectivamente, e o da interpretação discricionária das
condições a serem avaliadas pelo juiz da causa elencadas nos incisos I a IV
do § 2º do artigo 791-A da CLT, impõe-se a fixação da verba de sucumbência
em favor do patrono subscrevente, na forma da lei.

15. OS PEDIDOS. Ante o exposto,


requer:

a) os BENEFÍCIOS DA GRATUIDADE
DA JUSTIÇA, posto que o reclamante declara expressamente estar
desempregado e por isso sem condições de pagar as custas processuais sem
prejuízo próprio e de sua família, tudo nos termos do artigo 4º da Lei
1.060/50 e § 3º do artigo 7902 da CLT;

b) a NOTIFICAÇÃO do reclamado
para comparecer à audiência de conciliação, instrução e julgamento, na qual
poderá apresentar contestação, sob pena de revelia e confissão ficta;

c) a TOTAL PROCEDÊNCIA DA
PRESENTE AÇÃO, sendo, por via de efeito, declarada a existência de relação
de emprego entre as partes, condenando-se o reclamado ao pagamento da
importância de R$ 10.069,33 (dez mil, sessenta e nove reais e trinta e
três centavos), conforme verbas trabalhistas discriminadas no tópico acima
que trata do demonstrativo do débito, devidamente atualizada;

2
Art. 790. Omissis.
§ 3º. É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer
instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a
traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento)
do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
§ 4º. O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para
o pagamento das custas do processo.
d) observadas as condições
estampadas no § 2º do artigo 791-A da CLT, a fixação dos HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA;

e) ANOTAÇÕES DO CONTRATO DE
EMPREGO em CTPS do reclamante, com os seguintes dados: admissão no
dia 1º de março de 2019 e saída no dia 7 de novembro de 2019,
devido a projeção do aviso prévio no tempo de serviço, cargo vaqueiro,
CBO 6231-10, e remuneração de R$ 998,00, sob pena de multa de R$
100,00 por dia até o limite de R$ 3.000,00 a fim de emprestar coercitividade
à condenação na obrigação de fazer para que a medida tenha efetividade,
nos termos do artigo 497 do CPC, e anotações pela Secretaria da Vara às
suas expensas, nos termos do artigo 39, § 1º, da CLT;

f) seja determinado ao reclamado que


devolva as duas novilhas pertencentes ao reclamante, sob pena de multa de
R$ 3.000,00 a fim de emprestar coercitividade à condenação na obrigação de
fazer para que a medida tenha efetividade, nos termos do artigo 497 do CPC;

g) em caso de não pagamento das


verbas rescisórias incontroversas pela reclamada em inaugural (aviso prévio,
décimo terceiro proporcional, férias proporcionais acrescidas de 1/3,
diferenças salariais retidas, FGTS e multa de 40%), aplicação do ARTIGO 467
DA CLT, inclusive em caso de revelia e confissão ficta das partes
demandadas.

Protesta-se por todos os meios de


provas em Protesta-se por todos os meios de provas em Direito admitidos,
mormente depoimento pessoal das partes e oitiva das testemunhas que serão
apresentadas à audiência de conciliação, instrução e julgamento, perícias que
se fizerem necessárias, juntadas de documentos novos etc.
Ficam autenticados todos os
documentos anexados à presente, inclusive os que se referem à
representação processual (CLT, artigo 830).

Valor da causa: R$ 10.069,33.

P. D.

Parintins, 28 de outubro de 2021.

Aroldo Dênis Magalhães Silva


ADVOGADO
OAB-AM 2.821

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