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MICHELÃO, RIBEIRO Maria Luiza Michelão Penasso

Marco Antonio de Souza


José Francisco Martins
ADVOGADOS ASSOCIADOS Sérgio Luiz Ribeiro

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CIVEL


DA COMARCA DE BAURU

AÇÃO DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM


REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS – COM PEDIDO DE TUTELA
ANTECIPADA

NIVALDO APARECIDO SILVA, brasileiro, casado,


topógrafo, portador do RG. nº 9.490.711 - SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o n.º
959.339.988-49, residente e domiciliado na Rua Nelson Bonachela Gimenes, nº
1-82, nesta cidade de Bauru/SP, por seus advogados e procuradores que esta
subscrevem, com escritório na Rua Araújo Leite, nº 35-76, Cep 17.012-432, na
cidade de Bauru/SP (doc.1) vem, respeitosamente à presença de Vossa
Excelência, com fulcro nos Artigos 186 e 927 do Código Civil, e artigo 461, do
Código de Processo Civil, para propor a presente AÇÃO DE CUMPRIMENTO DE
OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM REPARAÇÃO DE DANOS
MATERIAIS E MORAIS, com pedido de TUTELA ANTECIPADA, em face do
estabelecimento JR – BAURU AUTOMÓVEIS LTDA, inscrito no CNPJ sob o n.º
00.887.783/0001-77, estabelecido na Avenida Nações Unidas, nº 16-37, nesta
cidade de Bauru/SP, pelos motivos de fatos e razões de direito que passa a
expor:

I - DOS FATOS

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ESCRITÓRIO: RUA ARAÚJO LEITE Nº 35-76 – Cep 17012-432 – BAURU/SP
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O REQUERENTE, no dia 03 de dezembro de 2001,


efetuou a venda do veículo marca VW/PARATI CL 1.6, cor preta, ano 1996,
modelo 1997, gasolina, placa CKB-0508 ao estacionamento JR-Bauru

Automóveis Ltda., pelo valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais), conforme


comprova a Nota Fiscal nº 0974, que registra a natureza da operação COMPRA.

Todavia, decorridos praticamente 5 anos da data da


compra do bem, o Requerido ainda não providenciou a transferência do
mencionado veículo, o que tem causado sérios prejuízos ao Requerente, como
os seguintes:

- o Requerente foi surpreendido através da cobrança realizada pelo Governo do


Estado de São Paulo por dívidas em aberto do veículo, relativas aos IPVAs de
2003 a 2006 = R$ 2.672,90; do seguro DPVAT dos anos de 2005 e 2006 = R$
129,45; de Taxa de licenciamento = R$ 47,36e ainda 3 multas aplicadas pelo
DETRAN =R$ 436,58, os quais totalizam R$ 3.304,62 (três mil trezentos e
quatro reais e sessenta e três centavos).

- em conseqüência, as multas do veículo estão sendo pontuadas na Carteira de


Habilitação do Requerente;

- com relação ao IPVA do ano de 2003, o débito de R$ 797,29 já foi lançado pela
Diretoria Executiva da Administração Tributária da Secretaria de Estado dos
Negócios da Fazenda, e será inscrita em dívida ativa em nome do Requerente, no
prazo de 30 dias, no caso de não pagamento, conforme notificação de
30/09/2006, encontrando-se assim ameaçado de sofrer execução fiscal.

Ocorre ainda que o Requerente recebeu uma


Notificação, enviada pelo Sr. Luiz Carlos Montilha Junior, onde este declara
haver comprado, em 13.05.2002, o veículo VW Parati junto ao Requerido “JR
Bauru Automóveis Ltda” e acusa o Requerente de reter o Certificado de Registro
do veículo, impossibilitando a sua transferência.

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Ao ter conhecimento desses fatos, o Requerente


passou a procurar insistentemente o Requerido, há mais de dois anos, para que
regularize a compra efetivada do veículo, e pague todos os débitos decorrentes
da propriedade do bem, realizando a transferência de sua propriedade, todavia
este vem procrastinando a sua obrigação, sempre justificando-se que esta
prestes a resolver pendências do negócio praticado com o Sr. Luiz Carlos
Montilha Junior, a quem afirma ter vendido o mesmo veículo, sempre
assegurando ao Requerente tudo seria resolvido, que tudo estava sendo
providenciado, sem qualquer prejuízo para este.

Na boa fé, o Requerente ainda confiou no Requerido e


aguardou.

Todavia, diante da recente comunicação recebida pelo


Requerente, datada de 30/09/2006, expedida pela Diretoria Executiva da
Administração Tributária da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, na
qual consta que o IPVA do ano de 2003, no valor de R$ 797,29 já foi lançado e
que será inscrito em dívida ativa em nome do Requerente, no prazo de 30 dias,
no caso de não pagamento, novamente demonstra que o Requerido não cumpriu
com a sua obrigação de transferir e pagar os débitos inerentes ao bem.

A desídia do Requerido também restou confirmada


através do extrato do DETRAN, que revela todos os débitos do veículo em ser,
desde o ano de 2003 (doc. anexo).

Esses fatos têm causado ao Autor grandes transtornos


e retirado completamente a sua paz e noites de sono, diante das dívidas que se
acumulam indevidamente em seu nome, do risco de inclusão de seu nome junto
aos órgãos de proteção ao crédito, o que fatalmente ocorrerá com a distribuição
de execução fiscal, e na qual responderão seus bens; com o risco de perder a
sua carteira de habilitação, em face das multas vinculadas ao veículo, posto que
continua o mesmo cadastrado em seu nome junto ao DETRAN, visto que soube
que o mesmo já chegou a ser recolhido no pátio do Ciretran, por transitar com
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documentação irregular, e com outras conseqüências que poderá ainda a vir


sofrer.

Diante disso tudo, o Requerente ainda notificou o


Requerido em 24/10/2006, dando-lhe o prazo de 5 dias, para que tomasse as
providencias devidas, mas também foi em vão, pois as informações colhidas em
06/11/2006 junto site da Secretaria da Fazenda, revelam que os débitos
continuam em ser.

Assim sendo, o Autor vem sofrendo danos de ordem


material e moral, diante das cobranças indevidas perpetradas e ante a exposição
do seu nome como devedor de tal montante junto à Fazenda Pública, restando
evidenciada a culpa do Requerido, que deixou de efetuar a transferência do
mencionado veículo quando da aquisição do mesmo.

Em tais condições é a presente ação para reclamar o


cumprimento da obrigação de fazer, qual seja, a determinação ao Requerido para
que:
a-) realize a imediata transferência da propriedade do veículo, e comprove a
quitação de todos os impostos, taxas e multas que pesam sobre o veículo, desde
a data em que o adquiriu (03/12/2001), cominando-lhe multa diária de R$
1.000,00 por atraso no cumprimento da obrigação;
b-) caso não comprove o pagamento de todas as dívidas que constam sobre o
veículo até a presente data, que de acordo com a última informação obtida chega
ao montante de R$ 3.304,62 (três mil trezentos e quatro reais e sessenta e dois
centavos), seja ele condenado a ressarcir o Requerente todos os prejuízos
patrimoniais e morais, na medida em que este terá que realizar os referidos
pagamentos.

Pretende ainda o Requerente obter a reparação por


todos os danos sofridos, patrimoniais e morais, na medida em que figura como
inadimplente junto aos órgãos de Trânsito, inclusive está na iminência de sofrer
contra si uma ação de execução fiscal, referente ao IPVA de 2003, que se
encontra inscrito pela Fazenda Pública Estadual, das pontuações em sua CNH
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pelas multas aplicadas no veículo, tudo em razão da negligência do


REQUERIDO, que de posse da autorização para transferência assinada pelo
Requerente, com firma devidamente reconhecida a ele entregue na data da venda
(03/12/2001) , deixou de transferi-lo no prazo legal.

II - DO DIREITO

A pretensão do REQUERENTE encontra o mais


límpido amparo legal, conforme se demonstra a seguir:

No ato da transação o Requerente-Vendedor entregou


ao Requerido o veículo e os documentos pertinentes, inclusive a AUTORIZAÇÃO
PARA TRANSFERÊNCIA DE VEÍCULO, devidamente preenchido, assinado, e
com sua firma reconhecida, de forma a viabilizar a imediata transferência da
propriedade do veículo para o então comprador JR – Bauru Automóveis Ltda.,
junto ao Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN, conforme cópia do
documento em anexo.

Aludido documento contém a seguinte declaração: “O


VENDEDOR SE ISENTA DE QUALQUER RESPONSABILIDADE
ADMINISTRATIVA, CIVIL OU CRIMINAL A PARTIR DA DATA ACIMA,
CABENDO AO COMPRADOR A IMEDIATA TRANSFERÊNCIA DO REGISTRO
DO VEÍCULO PARA O SEU NOME”.

Essa declaração encontra suporte nas disposições do


Artigo 123, inciso I, § 1º, do Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece ao
comprador a obrigação de promover, no prazo de 30 dias, as providências
necessárias para obter em seu nome o novo Certificado de Registro de Veículo:

“Art. 123. Será obrigatória a expedição de novo Certificado de


Registro de Veículo quando:
I - for transferida a propriedade;

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§ 1º. No caso de transferência de propriedade, o prazo para o


proprietário adotar as providências necessárias à efetivação
da expedição do novo Certificado de Registro de Veículo é de
trinta dias, sendo que nos demais casos as providências
deverão ser imediatas.”

Nos termos do Art. 186, 927 e 944 do Código Civil, está


o REQUERIDO obrigado a indenizá-lo, face à responsabilidade estabelecida em
decorrência do evento danoso.

Segundo consta da Ementa do STJ a seguir transcrita


e das demais jurisprudências de E. Tribunais, não subsiste a responsabilidade do
antigo proprietário, ainda que não se tenha aperfeiçoado a transferência junto ao
órgão de trânsito, senão vejamos:

CIVIL. INDENIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE. AINDA QUE NÃO SE


TENHA APERFEIÇOADO A TRANSFERENCIA JUNTO AO ORGÃO
DE TRANSITO, NÃO SUBSISTE A RESPONSABILIDADE DO
ANTIGO PROPRIETARIO. A EXISTENCIA DE CONDIÇÃO
RESOLUTIVA, QUE VEIO A ENSEJAR A POSTERIOR RESCISÃO
DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA, EM NADA INTERFERE.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (STJ – 3ª Turma – R. Esp. nº
66.928 – Rel. Min. Paulo Costa Leite – Julg. 23/04/1996 – Pub. DJU
05/08/1996 - pág. 26345).

41036205 – AÇÃO INDENIZATÓRIA – ACIDENTE DE TRÂNSITO –


Ilegitimidade passiva de quem não é mais proprietário do veículo.
Não é parte legítima para figurar no pólo passivo da relação
processual, em ação indenizatória, quem já não é mais dono do
veículo, em razão de alienação, embora permaneça o antigo
proprietário nessa condição junto ao órgão de trânsito,
considerando que a transferência da propriedade móvel se dá pela
tradição. Inteligência da súmula 132 do STJ. A declaração do
imposto de renda demonstra a transferência do veículo.
Confirmação da sentença. Apelação improvida". (TJBA – AC
27.119-4/2003 – (12266) – 2ª C.Cív. – Rel. Des. José Milton Mendes
de Sena – J. 01.03.2005)

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DOS DANOS MORAIS

O dano Moral vem tratado na Constituição Federal no


artigo 5º, incisos V e X, onde expressam:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer


natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo,
além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
(...)
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem
das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação.”

Já em relação às normas infraconstitucionais, o dano


moral também vem tratado no Código Civil, notadamente nos artigos 186 e 927,
ao expressar:

“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência


ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano
a outrem, fica obrigado a repará-lo.”

Cumulativamente, é importante ressaltar que, por se


tratar de uma relação de consumo, a responsabilidade do Réu é objetiva, nos
termos do artigo 14 da Lei 8.078/90 (CDC).

Ainda, os requisitos caracterizadores do dano moral


estão presentes, quais sejam: o ATO, o DANO e o NEXO DE CAUSALIDADE.
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Nesse diapasão, assevera o notório professor, e


membro do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, o desembargador José
Osório de Azevedo Júnior, em sua palestra "O DANO MORAL E SUA
AVALIAÇÃO", encartada na Revista do Advogado nº 46,
página08,expressando:

"O tema do dano moral normalmente é tratado, aliás sempre é 


tratado,  dentro do campo da RESPONSABILIDADE CIVIL e a
responsabilidade civil, geralmente é estudada em sua forma
esquemática. Esse esquema  parte   dos pressupostos da
Responsabilidade  Civil. Um  ato ou omissão, um dano, o nexo  de
causalidade E A CULPA, QUE PODE ESTAR PRESENTE OU NÃO. 
Os três primeiros elementos estão sempre presentes e sem eles
não  se estabelece  uma situação de responsabilidade civil. A
CULPA COMO TODOS   SABEM, PODE ESTAR   PRESENTE   OU  
NÃO,  DEPENDENDO  SE SE TRATA DE RESPONSABILIDADE
SUBJETIVA OU OBJETIVA. “(destacamos)

Pois bem, o ATO praticado pelo Requerido está


materializado na omissão do dever legal de realizar a transferência da
propriedade do veículo VW/Parati junto ao CIRETRAN, no prazo de 30 dias a
contar de 03.12.2001.

O DANO consubstancia-se no fato de o Autor


continuar figurando como proprietário do veículo junto aos órgãos de
trânsito, injustamente sofrendo todos os ônus de devedor do montante de
R$ 3.304,62, da ameaça de sofrer execução fiscal, pelas dívidas inscritas em
seu nome pela Fazenda, do risco de perdeu a sua CNH pela pontuação das
multas, além da acusação de reter os documentos necessários à
transferência, tudo em decorrência da inadimplência do Requerido.

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Já o NEXO CAUSAL, exterioriza-se


inequivocamente, pois, se o Requerido tivesse efetuado a transferência do
veículo conforme acordado, logo após a tradição, nada disso teria ocorrido.

Enfim, uma vez configurados os pressupostos legais


acima demonstrados, atribuí-se ao Autor o direito de obter do Réu uma
indenização a título de danos morais.

DO VALOR DO DANO MORAL

Sobre a fixação do quantum a ser indenizado a título de


danos morais, é oportuno trazer os ensinamentos do notável jurista ARAKEN DE
ASSIS, citado por Nehemias Domingos de Melo, na obra DANO MORAL PELA
INCLUSÃO INDEVIDA NA SERASA (INDÚSTRIA DO DANO MORAL OU FALHA
NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS?), publicada no Juris Síntese nº 57 –
JAN/FEV de 2006, com trecho expressando:

“Nos últimos tempos, controverte-se a indenização pecuniária do


dano moral. Averbam-se tais indenizações como uma fonte de
enriquecimento sem causa e a própria constatação desta espécie
de dano, em inúmeros ilícitos, como uma trava perniciosa à vida
em sociedade, é o intróito do bem articulado artigo escrito pelo
Desembargador ARAKEN DE ASSIS que o utiliza, para, em
contraponto, afirmar com toda a veemência que, “com tais
proposições, honestamente, não posso concordar. Em geral, elas
provêm de contumazes contraventores de regras de conduta e de
litigantes contumazes, interessados em minimizar os efeitos dos
seus reiterados atos ilícitos. Ao contrário do que se alega, é
imperioso, na sociedade de massas, inculcar respeito máximo à
pessoa humana, freqüentemente negligenciada, e a indenização
do dano moral, quando se verificar ilícito e dano desta natureza,
constitui um instrumento valioso para alcançar tal objetivo. Ainda
no mesmo artigo, ao tratar da liquidação do dano, renomado
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mestre ao asseverar que o órgão judiciário deve agir com


prudência e severidade na fixação do quantum explicita que, em
alguns casos, a indenização deverá punir exemplarmente o
ofensor, com o fito de impedir sua reiteração...” (destacamos)

Aliás, sobre os critérios acerca à indenização do


quantum, a ser indenizado nos ensina o eminente jurista CAIO MÁRIO DA SILVA
PEREIRA, em sua obra RESPONSABILIDADE CIVIL, 3ª edição, editora Forense,
Rio de Janeiro-RJ, ano 1992, nº 45, página 55, expressando:

“Quando se cuida do dano moral, o fulcro do conceito


ressarcitório acha-se deslocado para a convergência de duas
forças: caráter punitivo, para que o causador do dano, pelo fato da
condenação, se veja castigado pela ofensa que praticou; e o
caráter compensatório para a vítima, que receberá uma soma que
lhe proporcione prazeres como contrapartida do mal sofrido.”

E acrescenta:

“O ofendido deve receber uma soma que lhe compense a dor ou


o sofrimento, a ser arbitrada pelo juiz, atendendo às
circunstâncias de cada caso, e tendo em vista as posses do
ofensor e a situação pessoal do ofendido. Nem tão grande que se
converta em enriquecimento, nem tão pequena que se torne
inexpressiva.” (ob. Cit. nº 49, página 60)(destacamos)

Por sua vez, o entendimento jurisprudencial,


publicado na obra Responsabilidade Civil, de Rui Stoco, editora RT, 4.ª Edição,
de 1.999, veja “ipsis verbis”:

‘‘A INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS DEVE SER FIXADA EM


IMPORTÂNCIA, QUE DENTRO DE UM CRITÉRIO DE PRUDÊNCIA E
RAZOABILIDADE, LEVE EM CONTA SUA NATUREZA PENAL E
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COMPENSATÓRIA. A PRIMEIRA, COMO UMA SANÇÃO IMPOSTA


AO OFENSOR, ATRAVÉS DA DIMINUIÇÃO DE SEU PATRIMÔNIO.
A SEGUNDA, PARA QUE A REPARAÇÃO PECUNIÁRIA TRAGA
UMA SATISFAÇÃO QUE ATENUE O DANO HAVIDO.’’ (TJMS- 2.ª t.
– ap. Rel. Milton Mlulei – j. 4.6.96 – Rep. IOB Jurisp. 17/96, p. 302).
(fls. 755)’’

Diante disso, requer seja arbitrado o valor da


indenização por danos morais, em quantia que represente justa compensação ao
lesado pelos danos sofridos, e que sirva de desestímulo ao lesante, a reiteração
da mesma conduta.

III- DOS REQUISITOS AUTORIZADORES PARA


CONCESSÃO DA ANTECIPAÇÃO PARCIAL DA TUTELA

O direito à obtenção da Antecipação da tutela, encontra-se previsão


legal no artigo 273 do CPC, onde expressa:

“Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar,


total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido
inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da
verossimilhança da alegação e:

I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil


reparação; ou.”
(...).

Pois bem, os requisitos para que o Autor possa obter a antecipação


parcial da tutela, para que se proceda a imediata TRANSFERÊNCIA DO
VEÍCULO DE SEU NOME JUNTO AO DETRAN, estão presentes, conforme
seguem:

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a) A PROVA INEQUÍVOCA E A
VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES: materializam-se nos
documentos carreados nos autos, notadamente na cópia do
documento de transferência do veículo, devidamente assinado com
firma do vendedor, ora Requerente, devidamente reconhecida, datado
de 03/12/2001, bem como o extrato do Detran que comprova o
descumprimento da obrigação legal pelo Requerido;

b) O FUNDADO RECEIO DE DANO


IRREPARÁVEL: O DANO consubstancia-se no fato de o Autor continuar
figurando como proprietário do veículo junto aos órgãos de trânsito,
injustamente responde por todos os ônus das dívidas que pesam sobre o
veículo, no montante de R$ 3.304,62; da ameaça de sofrer execução fiscal
das dívidas inscritas em seu nome pela Fazenda Pública Estadual; do risco
de perdeu a sua CNH pela pontuação das multas; tudo em decorrência da
inadimplência do Requerido, o que lhe retira completamente a paz e
tranquilidade de que é merecedor, e assim, caso o Autor tenha que esperar
até o final provimento jurisdicional o seu prejuízo será muito maior.

Enfim, é fato que o Autor faz jus à antecipação parcial da


tutela, para que seja determinado por esse MM Juízo a IMEDIATA
TRANSFERÊNCIA DO VEÍCULO, IMPONDO AO REQUERIDO A
COMINAÇÃO DE MULTA DIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DA
OBRIGAÇÃO.

IV – DO PEIDO

Ex positis, requer digne-se Vossa Excelência


determinar o seguinte:

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A) A concessão da tutela antecipada para determinar ao Requerido que promova


a imediata transferência do veículo para seu nome, decorrente da compra por ele
praticada em 03/12/2001, no prazo máximo de 48 hs, mediante comprovação nos
autos, inclusive do pagamento do montante das dívidas em ser do aludido
veículo, referente aos IPVA, licenciamentos, multas, e outros encargos, desde a
data da venda, cominando-lhe a multa diária de R$ 1.000,00, por dia de
inadimplemento.

B) A citação do REQUERIDO, para que, no prazo legal ofereça a defesa que


julgar conveniente, sob pena de incorrer em revelia, aceitando assim, todos os
fatos aduzidos pelo REQUERENTE;

C) A procedência da presente ação, condenando o REQUERIDO a cumprir a


obrigação de fazer, no sentido de efetuar a imediata transferência do veículo, bem
como o pagamento do IPVA, Taxas de Licenciamento, DPVAT, Multas e outros
encargos pendentes de pagamento relativos ao veículo, desde 03/12/2001,
diretamente ao Órgão competente, cominando-lhe a multa diária de R$ 1.000,00
por dia de atraso;

D) Seja o pedido acima convertido em perdas e danos, em favor do Requerente,


em caso de descumprimento, condenando o Requerido a pagar ao Requerente a
quantia de R$ 3.304,62 (três mil trezentos e quatro reais e sessenta e dois
centavos), acrescida de todos os encargos cobrados pelo Governo de Estado de
São Paulo, inclusive em eventual ação de execução fiscal promovida contra o
Requerente, além de outras dívidas que acaso pesem sobre o veículo e que
serão comprovadas no curso da ação;

E) A condenação do Requerido a reparar os Danos Morais suportados pelo


Requerente, a serem arbitrados por V. Excelência, conforme fundamentação
retro;

F)A condenação do REQUERIDO nas custas e despesas processuais, verba


honorária advocatícia, em seu grau máximo, e demais consectários legais.

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Protesta provar o alegado por todos os meios de prova


em direito admitidas, sem exceção, especialmente pelo depoimento pessoal do
REQUERIDO, oitiva de testemunhas, juntada de documentos, perícias e outras
que se fizerem necessárias e que desde já ficam requeridas.

Dá à causa o valor de R$ 3.304,62 (três mil trezentos


e quatro reais e sessenta e dois centavos), para fins fiscais e de alçada.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Bauru/SP, 27 de novembro de 2006.

NIVALDO APARECIDO SILVA

MARIA LUIZA MICHELÃO PENASSO


Advogada - OAB/SP 122.698

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