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Conhecendo um pouco mais da cultura dos Himbas

Hoje em dia a população tem tendência a uniformizar-se, deixando de lado as


tradições, é por isso que vou apresentar uma das tribos africanas mais conhecidas
e mais antigas que luta diariamente pela sua existência, essa tribo chama-se
“Himbas”.

Quem são os Himbas ?

Os Himbas são um povo semi-nómada africano e um grupo que provem do povo


Hereró, este povo é mais conhecido sobre o apelido de “o povo vermelho”. Esta
tribo é muito antiga, foi descoberta no século XV, mas sem dúvida que já existia
antes, só que o território Africano ainda era um território inexplorado pelos
europeus, e então a maioria dos povos africanos eram desconhecidos na Europa.

Inicialmente esta tribo habitava num só território porque os países Africanos


ainda não estavam definidos, tal como os conhecemos atualmente. Hoje em dia,
podemos dizer que os Himbas vivem algures entre a atual Namíbia e o atual
território de Angola. Este povo foi dividido em dois após a criação destes dois
países, o que criou uma separação da tribo.

Os Himbas são uma etnia Bantu que vivem principalmente no Kaokoland (atual
região de Cunene), um território imenso, desértico e um pouco montanhoso.
Estima-se que vivem 10 000 habitantes no Kaokoland o que faz 1 Himba por km
quadrado, e em Angola existem 3 000 habitantes, que se situam ao longo do rio
que separa os dois países.

Esta etnia apresenta alguns traços distintivos das demais tribos africanas que
cativaram o nosso interesse, por exemplo, eles são uma sociedade matriarcal.

Mas o que é uma sociedade matriarcal?

Podemos afirmar que é uma coletividade na qual a mulher tem um poder muito
importante. É uma organização onde o sexo feminino pode exercer um poder
político ou econômico. Nesta tribo as mulheres também transmitem o direito de
propriedade e de herança, isto significa que é a elas que pertence o gado e as casas
onde elas vivem.

Os Himbas estimam, por exemplo, que os pais transmitem uma propriedade


espiritual e a mãe a propriedade de sangue, mais basicamente os pais transmitem
toda a cultura, o saber, etc. e as mães tudo o que é do domínio material: casa,
gado…

Assim são constituídos dois clãs: os herdeiros da mãe que são chamados os Eanda
e os herdeiros dos pais que são os Oruzos.
Todos os grupos culturais possuem as suas tradições, hábitos, lendas e costumes.
A mais visível na tribo dos Himbas é sem dúvida a tradição indumentária. Eles
não são chamados o Povo Vermelho sem nenhuma razão. Os Himbas
têm a tradição de pintarem a pele de vermelho. Mas porquê ?

É sobretudo uma questão de prática, porque esta pigmentação da pele permite


protegê-los do calor, dos raios de sol, da secura do ar e sobretudo dos insetos.
Esta pigmentação é feita à base de gordura animal, de cinzas e de argila.

Os acessórios e os penteados também são elementos aos quais os Himbas dão um


grande significado. O penteado da mulher por exemplo pode significar o estado
civil da mulher : depois do casamento elas colocam um pequeno chapéu em pele
de cabra que se chama o “errembe”, e assim os outros solteiros da tribo já sabem
que esta mulher é casada.

Quando são pequenos, homens e mulheres, têm tranças mas as do homem são
para a frente e as das mulheres para trás, depois do casamento a trança do homem
é posicionada para trás.

As mulheres colocam pulseiras em couro e colares. O significado destes é mais


pessoal e difícil de compreender… Mas, por exemplo: un colar com uma concha
branca é sinal de fertilidade, este colar chama-se o “ohumba”.

Ao nível culinário eles alimentam-se à base de carne, leite, cereais e


frutos. Habitualmente as mulheres preparam a comida, mas, são os homens que
se ocupam de caçar e tratar do gado.

O gado é uma riqueza para este povo, é o sinal da riqueza de cada família, quanto
mais gado possuírem mais influência têm na tribo, dado que o gado também é
muito utilizado no sistema de troca e venda. E o roubo pode ser condenado pela
morte.

Este gado também é usado para pagar o que podemos chamar de crimes, multas
e violações…

-Por exemplo:

-se alguém ferir outro, deve pagar 8 bois.

-se as feridas matarem, 35 bois para um homem, e, 45 bois se for uma mulher.

-se um homem dorme com a mulher de um outro 6 bois, 3 bois são para o homem
e 3 bois são para a mulher.

E como toda a gente, os Himbas têm a suas ocupações, para se divertirem eles
inventaram alguns jogos como matangululu, que é o mais conhecido e que
consiste em um duelo de cariz físico entre duas pessoas. Outros jogos existem
semelhantes ao matangululu, que consistem em duelos um pouco como a
esgrima. Os protagonistas destes jogos são sobretudo os jovens que querem
mostrar a sua agilidade e a sua força.

Em termos religiosos, os Himbas têm algumas tradições bastante singulares.

Para muitos a religião é venerar um deus. Os Himbas são diferentes, eles veneram
sobretudo os seus antepassados, os que já morreram. Eles consideram que os seus
antepassados ainda estão vivos mas de uma outra maneira, como espíritos.

De uma certa forma, podemos dizer que estão ligados a um certo do idealismo
filosófico, como o defendido por Bergson na tradição ocidental. Este filósofo,
representava a morte através da metáfora do prego e do lenço, o corpo é um prego
que prende o lenço ( o espírito) na parede (as situações da vida) e quando este
prego cai o lenço liberta-se do que o aprisionava, sendo assim livre.

Como todas as tribos africanas desta região, o povo Himba tem um feiticeiro, uma
espécie de guru , um sábio que pode entrar em comunicação com os antigos
espíritos, e, por vezes, consegue ver o futuro. Estas pessoas chamam-se
otchimbandas, eles podem curar um espírito doente, através da magia branca ou
de ervas medicinais.

Para concluir sobre os Himbas, eles pensam que existem espíritos e não um deus.
Que cada espírito é livre e que nunca se deve faltar o respeito a um espírito antigo
senão serão castigados.

Os tempos passam… e a África evoluiu em termos geopolíticos e nomeadamente


em termos de fronteiras. Esta mudança provocou uma enorme dificuldade a estas
tribos, que tiveram de se separar fazendo nascer outras.

Para compreender a disposição destas “novas” tribos temos que estudar a


situação geográfica destes povos.

Para começar Angola é constituída de 18 províncias: Bengo, Benguela, Bié,


Cabinda , Kwando-Kubango, Cunene, Kwanza-Nord, Kwanza-Sud, Huambo,
Huíla, Luanda, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Malanje, Moxico, Namibe, Uíge, Zaire.

O número de províncias mostra bem que Angola é um país constituído por várias
culturas. Por exemplo, em Angola falam-se seis línguas bantus que têm um
estatuto de língua nacional que são o Umbundo (35,7 %), Kimbundu (26,7 %),
quicongo (9,8 %), chokwe (4,5 %), nganguela (6 % ) e finalmente kwanyama. A
multitude de línguas faladas é uma prova da multitude de culturas que coabitam
no mesmo território.

Tal como Angola, a Namíbia está divida em 13 regiões, cada uma com uma capital
diferente.
A língua oficial é o inglês mas só 7% da população o fala realmente.

Entre as tribos mais populares derivadas dos Himbas, existem os Mudimba,


muito parecidos com os Himbas, mas este povo não vive de maneira tão isolada,
eles têm contactos com o mundo exterior.
O que os caracteriza é sobretudo os cabelos coloridos, os penteados, e sobretudo
uma maneira de se vestir bem típica do país, com roupas bem coloridas, com tons
que representam este mesmo país que é Angola.

Depois existe a tribu Mucubal (Mucubai, Mucabale o Mugubale) o que


caracteriza esta tribo é sobretudo as tradições de vestuário das mulheres que têm
um chapéu na cabeça que se chama Ompota, com padrões por vezes atípicos e
bem coloridos mais uma vez, também têm uma corda que lhes aperta o peito que
se chama oyonduthi, a origem desta tradição é desconhecida mas crê-se que deva
haver alguma questão prática ligada ao uso dessa corda.

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