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TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0001303-24.2013.8.26.0445 e código RI000000TSCZV.
Registro: 2015.0000941328

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº


0001303-24.2013.8.26.0445, da Comarca de Pindamonhangaba, em que são
apelantes MARCO ANTONIO LEME CELIDONIO, ROSANA DALLE LEME
CELIDONIO, MARLY DE ALVARENGA SANTOS MONTINI, NEWTON

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por HAMID CHARAF BDINE JUNIOR, liberado nos autos em 14/12/2015 às 17:09 .
MONTINI, LUCY DE ALVARENGA ALICKE, ARTHUR RICARDO ALICKE
JUNIOR, ANTONIO ALVES DOS SANTOS FILHO, HEIDI DE OLIVEIRA
SANTOS, JOSE FRANCISCO LEME CELIDONIO, MARCIA FORGIARINI
COTRIM, DENISE FORGIARINI JEREZ, SERGIO KOURY JEREZ, ANA
PAULA ANDRADE FORGIARINI, ANA SILVIA ANDRADE FORGIORINI,
JOSE PAULO ANDRADE FORGIARINI, SONIA MARIA RAMOS DE
CARVALHO SANTOS, ANTONIO DA SILVA SANTOS JUNIOR, MARCO
ANTONIO DE CARVALHO SANTOS, MAGDA ALEXANDRINA LOBATO N
DE CARVALHO SANTOS e ANA CRISTINA DE CARVALHO SANTOS, é
apelado MARIA DAS DORES BRANDÃO.

ACORDAM, em 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de


Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso.
V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores


FÁBIO QUADROS (Presidente) e TEIXEIRA LEITE.

São Paulo, 10 de dezembro de 2015.

HAMID BDINE

RELATOR

Assinatura Eletrônica
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Voto n. 11.620 – 4ª Câmara de Direito Privado.
Ap. com revisão n. 0001303-24.2013.8.26.0445.
Comarca: Pindamonhangaba.
Apelantes: MARCO ANTONIO LEME CELIDONIO e outros.
Apelada: MARIA DAS DORES BRANDÃO.
Juiz: Hélio Aparecido Ferreira de Sena.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por HAMID CHARAF BDINE JUNIOR, liberado nos autos em 14/12/2015 às 17:09 .
Testamento público. Ação de declaração de nulidade.
Impugnação de herdeiros. Alegação de que o testamento é
nulo em razão da falta de discernimento da testadora em
virtude de enfermidade. Decadência do direito dos autores
de impugnar a validade do testamento. Aplicabilidade do
prazo de cinco anos do art. 1.859 do CC, contado da data
do registro do testamento. Ação ajuizada mais de dez anos
depois da referida data. Cerceamento de defesa não
configurado. Inutilidade da prova requerida, diante da
ocorrência da decadência. Inaplicabilidade do prazo
previsto no art. 1.909 do CC. Pretensão de declaração de
nulidade do testamento, e não de anulação de disposições
testamentárias. Prazo que, de qualquer modo, deve ter
início na data do registro do testamento, para evitar grave
incoerência com a disposição do art. 1.859 do CC.
Litigância de má-fé. Inocorrência. Sentença mantida.
Recurso improvido.

A r. sentença de fs. 189/194, cujo relatório se


adota, reconheceu a decadência do direito dos autores de obter
a decretação de nulidade do testamento público deixado por
sua prima, e julgou extinto o processo, com resolução do
mérito, nos termos do art. 269, IV, do CPC.

Inconformados, os autores apelaram. Em


preliminar, suscitaram a nulidade da sentença por cerceamento
de defesa, tendo em vista a necessidade de produção de prova
oral para demonstrar que a testadora, quando da elaboração do

Apelação nº 0001303-24.2013.8.26.0445 -Voto nº 2


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testamento público, não gozava de plena saúde.

No mérito, sustenta que o direito de anular


disposição testamentária extingue-se em quatro anos contados
de quando o interessado tiver conhecimento do vício.

Recurso regularmente processado, com preparo

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(fs. 212/213) e contrarrazões (fs. 219/225).

É o relatório.

A preliminar de cerceamento de defesa se


confunde com o mérito da demanda e com ele será apreciada.

Os apelantes ajuizaram a presente demanda


visando à declaração de nulidade da escritura pública de
testamento deixado por sua prima, sob o argumento de que ela
era portadora de embriaguez crônica e não estava apta a
manifestar sua vontade na ocasião da lavratura da escritura.

A apelada, em sua defesa, alegou a decadência


do direito dos apelantes de impugnar a validade do testamento,
tendo em vista que o ajuizamento da demanda se deu após o
transcurso de mais de dez anos do registro do testamento.

Os documentos juntados quando da oferta da


contestação demonstram que o testamento público deixado pela
prima dos apelantes foi registrado em 14 de janeiro de 2003 (fs.

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136/138).

O artigo 1.859 do Código Civil estabelece prazo


decadencial de cinco anos para impugnar a validade do
testamento. Segundo esse dispositivo legal, o prazo é contado
do seu registro.

O prazo de cinco anos supramencionado aplica-

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se tanto aos casos de nulidade absoluta quanto aos de nulidade
relativa, de maneira que o art. 1.859 do CC estipula uma
exceção à regra geral de que a nulidade absoluta não
convalesce pelo decurso do tempo (CC, art. 169):

“Ao se referir à arguição de invalidade do


testamento, sem fazer diferenciação, o artigo
contempla as hipóteses de nulidade e anulação.
Se pretendesse referir-se exclusivamente às
hipóteses de anulabilidade, não teria sido
empregada a expressão genérica impugnação da
validade. No plano da invalidade estão os
negócios jurídicos nulos e os anuláveis. Fixando
o prazo decadencial para arguição de nulidade
absoluta, o artigo estabelece exceção à regra
geral de o ato nulo não convalescer pelo decurso
do tempo (art. 169). O testamento nulo,
portanto, pode ser sanado se a nulidade não for
arguida em cinco anos” (Mauro Antonini,
Código Civil Comentado. Doutrina e
Jurisprudência. Min. Cezar Peluso (Coord.),
8ª ed., Manole, 2014, p. 2076).

Assim sendo, considerando que a presente ação


de declaração de nulidade de testamento foi ajuizada somente

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em 6 de fevereiro de 2013 (fs. 2), correto o reconhecimento da
decadência do direito dos apelantes, pois decorridos mais de
dez anos da data do registro do testamento (fs. 136).

Observe-se que não se aplica ao caso o prazo de


quatro anos previsto no parágrafo único do art. 1.909 do CC,
na medida em que esse prazo tem aplicabilidade somente nos
casos de anulação de disposições testamentárias inquinadas de

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erro, dolo ou coação, e os apelantes pretendem a declaração de
nulidade do testamento, de maneira que o prazo aplicável à
hipótese é o de cinco anos contados da data do registro do
testamento (art. 1.859 do CC).

Ademais, ainda que se tratasse de aplicação do


prazo do art. 1.909 do CC, não haveria como admitir que o
termo inicial da contagem desse prazo fosse outro que não a
data do registro do testamento a despeito da previsão legal de
que, nesse caso, o prazo se inicia a partir do conhecimento do
vício pelo interessado , tendo em vista que, como observa
Maria Berenice Dias, “como o testamento é levado a registro,
se presume sua publicidade, e não é possível eleger outro
momento para o início do prazo para impugná-lo” (Manual das
sucessões, RT, 2008, p. 447).

A respeito do termo inicial da contagem do


prazo previsto no art. 1.909 do CC, Mauro Antonini afirma que
“há grave incoerência entre este parágrafo único e o prazo de

Apelação nº 0001303-24.2013.8.26.0445 -Voto nº 5


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cinco anos do art. 1.859, para ajuizamento de ação de nulidade
de testamento, contado do registro deste. É possível o
conhecimento do vício só ocorrer muitos anos após o registro do
testamento, de modo que o prazo para a anulação, sanção mais
branda, pode, na prática, ser mais dilatado do que o prazo para
a declaração de nulidade. Por causa dessa incoerência o PL n.
699/2011 (reapresentação do PL n. 6.960/2002 e do PL n.

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276/2007) propõe alteração desse parágrafo único, para que o
prazo de quatro anos também inicie do registro do testamento”
(Código Civil Comentado. Doutrina e Jurisprudência. Min.
Cezar Peluso (Coord.), 8ª ed., Manole, 2014, p. 2104).

Acrescente-se, nesse ponto, que os apelantes


sequer fazem alusão à data em que teriam tomado
conhecimento de suposto vício.

Destarte, configurada a decadência do direito


dos apelantes de obter a declaração de nulidade do testamento,
não havia mesmo razão para se permitir a produção da prova
oral requerida, diante de sua inutilidade para o julgamento da
demanda, ficando afastada, portanto, a alegação de nulidade da
sentença por cerceamento de defesa.

Por fim, não é o caso de se aplicar aos apelantes


as penas pela litigância de má-fé reclamadas em contrarrazões,
pois não se verificou nenhuma das hipóteses do art. 17 do CPC.

Apelação nº 0001303-24.2013.8.26.0445 -Voto nº 6


recurso.

Apelação nº 0001303-24.2013.8.26.0445 -Voto nº


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Relator
Hamid Bdine
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a conclusão do julgado, de rigor a manutenção da r. sentença.
Destarte, ausente argumento capaz de modificar

Diante do exposto, NEGA-SE provimento ao


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