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Cap 1

Como sempre acordei tarde é de ressaca, depois da noite movimentada de balada que tive
com minhas amigas.

- Ai minha cabeça.

Levantei, mas tive que sentar na beirada da cama novamente. Me deu tontura e meu
estômago estava embrulhado, corri para o banheiro e coloquei tudo para fora como de
costume.

- Não sei porque bebo.

Fiz uma careta para meu reflexo no espelho, estava com a aparência horrível e descuidada.

- Celeste Adams, de novo chegando em casa de manhã?

Minha mãe invade o meu banheiro.

- Fala baixo mãe, minha cabeça está explodindo.

- Isso deveria servir de de lição para você parar de beber.

- Eu sei mãe, eu sei.

Passo a mão pelos meus cabelos embaraçados.

- Até quando vai ser assim? Fico preocupada se você vai voltar para casa no dia seguinte, ou se
vai aparecer alguém  para me dar uma notícia ruim.

Seus olhos se enchem de lágrimas, e ignoro.

Se eu sou sem coração? Sim eu sou!

Odeio quando ela vem me dar lição de moral, parecendo que somos uma família unida e feliz.
- Poderia me dar licença, quero tomar um banho gelado, quem sabe assim minha cabeça para
de doer.

- Vou pedir para Mary te preparar alguma coisa pra comer.

Me olha com preocupação, e aquilo me irrita.

- Não precisa, vou me arrumar e sair para fazer compras, no Shopping eu como alguma coisa.

- Você mal chegou em casa e já vai sair de novo Celeste? Seu pai não vai gostar disso.

- A novidade seria se ele se importasse com isso dona Emma.

Dou uma gargalhada.

Meu pai não se importa com ninguém a não ser ele mesmo, e só se lembra que tem uma
família quando depende dela para alguma coisa. Esse é o "Grande" senhor Antony.

Amor de pai e filha? Existiu quando eu era criança e achava ele o meu herói. Agora o vejo
como um mostro.

Minha mãe é protetora ao extremo e isso me irrita, por ela, ficaria trancada nessa prisão que
ela chama de "lar".

Odeio tudo isso. Só suporto ficar nessa casa pelo meu irmão e o dinheiro que recebo de
mesada todo mês.

Se eu sou rebelde? Com certeza eu sou!

E não me importo com a opinião alheia, faço o que tenho vontade e quando eu quero, e
ninguém é louco de me impedir.

- Sai mãe, deixa eu me arrumar que as meninas já estão me esperando.


- Celeste eu te proibo de sair de casa.

- Desde quando você manda em mim?

Sorrio debochada da sua cara de espanto.

- Celes...

Não espero ela terminar de falar, empurro ela para fora do banheiro e bato a porta na sua
cara.

- Celeste abra essa porta agora!

Ignoro, e começo a tirar minha roupa da noite anterior, faço um coque no meu cabelo e entro
debaixo do chuveiro. 30 Minutos depois estou de banho tomado.

Saio para fora do banheiro e vou para meu closet escolher o que vestir,  acabo optando por um
shortinho jeans, e uma camiseta preta com uma caveira na frente, e uma sapatilha preta,
ajeito meu cabelo em um rabo de cavalo, passo uma maquiagem de leve e estou pronta para
mais um dia de compras.

Saio do meu quarto e fecho a porta, desço as escadas e minha mãe está sentada no sofá da
sala. Lá vem sermão como sempre.

- Nem começa mãe. Eu vou sair e ponto final.

- Meu amor, já que você quer sair vamos nos duas, fazer um dia de mãe e filha.

Ela fala toda animada, só de pensar já fico entediada. Olho com desdém para ela.

- Obrigada mas não. Prefiro sair com pessoas da minha idade, você já está velha. Chama suas
amigas chatas para ir com você.

Ela me lança o olhar triste e ignoro.


- Ah, pede para alguém limpar meu quarto que está um lixo, empregados imprestáveis. É para
isso que são pagos.

Dou as contas à ela e antes de sair digo por cima dos ombros.

- Não me espere acordada.

Vou para garagem pego meu mustang e saio em alta velocidade.

Cap 2

Quando cheguei ao shopping minhas amigas estavam me esperando.

- Você demorou Celeste, achei que nem viria mas.

Resmunga Emile.

- Oi para você também.

Sorrio para elas, e as abraço.

- Por que demorou tanto?

Pergunta hanna.

- Minha mãe falando demais como sempre, me dando sermão mesmo antes de acordar.

Reviro os olhos com irritação.

- Vamos as compras, já perdemos tempo demais conversando.


Hanna pega no meu braço esquerdo e segura, e do outro lado Emile. Começamos a andar
abraçadas, cochichando e sorrindo. Entramos em uma loja de roupas de grife, já na entrada
vejo um mini vestido vermelho que já amei.

A atendente vem nos receber com um sorriso no rosto. Ela está com os cabelos loiros preso
em um rabo de cavalo, usa um vestido preto colado ao corpo e um sapato vermelho.

- Bem vindas! No que posso ajudar?

- Obrigada!

Responde Hanna e Emile. Não precioso ser educada, já que estou pagando com meu
dinheiro... Quer dizer, do senhor Antony.

Vou direto para o vestido vermelho e o pego, coloco na frente do meu corpo e percebo que vai
ficar perfeito, ele é tomara que caía, e bem justo, do jeito que eu gosto.

- Amei!

Escolho muitas outras roupas, não que eu precise, mas adoro gastar o dinheiro do "papai".

Saímos da loja de roupas e entramos em uma de calçados, como na outra loja, a atendente
vem nos receber com bajulação forçada. Após escolhemos o que queríamos, fomos para a
praça de alimentação.

Peço um milk shak de morango, Hanna e Emile pede o mesmo.

- Está animada para a festa do Mark hoje?

Hanna me pergunta. Faço cara de pouco caso e respondo...

- Quando é que eu perco uma boa festa?

Gargalhamos alto, as pessoas ao lado nos olha e ignoramos. Logo Emile se pronuncia.
- Acho que ele está afim de você.

Mark é um rapaz de boa aparência. Ela tem 23 anos é  Alto, cabelos loiros na altura dos
ombros, olhos verdes claro. Mas não me atraí fisicamente. Falta alguma coisa que não sei
explicar.

- Mark se interessa por qualquer uma  Emile, você bem sabe disso.

- Isso é verdade - Responde Hanna.

- E para falar a verdade, não me interesso nem um pouco por ele. Arrogante demais.

- Em alguma coisa vocês combinam.

Hanna fala, me olhando debochada. Olho para ela com irritação fingida. Nosso pedido chega e
vamos embora.

- Vou me arrumar na casa de uma de vocês, não quero ir para casa e ter que escutar minha
mãe, repetindo tudo de novo.

- Vamos as duas lá para casa, estou sozinha. Papai e mamãe foram viajar hoje.

Diz Emile. Hanna e eu aceitamos e entramos em ambos os carros e partimos...

Cap 3

Quando Hanna, Emile e eu, chegamos a mansão de Mark, a festa já estava a todo vapor,
música alta e pessoas com copos de bebidas alcoólicas por todos os lados.

- Essa festa está um arraso! - Emile fala, e pega um copo de bebida de um rapaz, que está
passando com uma bandeja, com vários tipos de bebidas e cores.

Quando Mark nos vê, vem em nossa direção, com um sorriso malicioso nos lábios. Ele está
com uma camiseta pólo preta, calça jeans e o cabelo bagunçado.

- Até que enfim minhas garotas chegaram.


Me abraça e me beija no rosto, seu hálito está quente e cheirando a bebida, meu estômago
embrulha, tento sair do seu aperto, mas ele não me libera.

- Sua festa está ótima Mark. - Hanna diz tímida.

- Eu sei!

Ele responde arrogante. Ele me encara de um jeito que me dá calafrios.

- Bem... Vou atender os outros convidados que chegaram, até daqui a pouco gatinha.

Beija meu rosto novamente, sinto nojo e passo a mão com força, onde ele acabou de beijar.

- Ele está muito afim de você amiga.

Emile fala, e ignoro seu comentário.

- Vamos dançar.

Digo, já puxando elas pela mão. A música está alta, e tem várias pessoas que já estão na pista
de dança.

Começamos a dançar. Fecho os olhos, e começo a me mover conforme o ritmo da música.


Quando abro meus olhos, Mark está me encarando de um jeito que me dá medo.

Me sinto desconfortável, com o seu olhar intenso. Paro de dançar, e vou procurar algo para
beber. Ele aparece atrás de mim, e cochicha no meu ouvido.

- Você está linda está noite.

Beija meu pescoço lentamente, me dá repulsa seu toque. Dessa vez consigo me afastar dele.
- Adoro gatinhas difíceis. Vale mas a pena a caçada.

Dá uma gargalhada sombria, passa a mão pelo meus braços nus, pega um copo de bebida e me
dá as costas.

Fico ali parada, olhando para o nada, com o coração acelerado.

- Até que enfim te achamos -Resmunga Hanna. Elas estão suadas da dança intensa.

- Estávamos dançando e do nada você sumiu. - Reclama Emile, já me deixando  irritada.

- Me deu cede, vim pegar algo para beber. - Respondo de mal gosto. Não quero assumir que,
estou ficando com medo, das investidas do Mark.

- O Mark não tira os olhos de você.

Emile diz, e sorri com malícia.

- Pois pode desistir, não estou interessada.

Digo irritada. Emile levanta as mãos em sinal de rendição.

- Ei, que isso? Só falei o que vi.

Não que eu também não tenha percebido, só que aquilo estava me dando uma sensação
horrível. Estava louca para ir embora daquela casa, mas não queria acabar com a festa, para as
meninas.

- Desculpe, é que essa festa está meio chata.

Digo me defendendo.
- Para, você que está chata, estou achando um arraso.

Hanna diz animada.

- Viu o tanto de gatinhos que tem aqui?

Ela aponta para alguns rapazes conversando alegremente. Já devem estar todos bêbados a
essa hora.

- Vou dar uma circulada por aí, quem sabe não encontro algo interessante.

Emile diz sorrindo com malícia, e Hanna a segue.

Vejo a porta que dá para o jardim, e decido tomar ar fresco, aquela festa está me sufocando.

Abro a porta de vidro, e saio para fora, depois a fecho atrás de mim. Quero ficar sozinha um
minuto.

Me sento em um banco de pedra, e olho para o céu, fecho os olhos e respiro fundo. Tenho a
impressão que tem alguém atrás de mim, meu corpo se arrepia todo, e não é com um
sensação boa.

- Até que enfim te encontrei sozinha.

Estou morrendo de medo, mas tento soar mas firme possível.

- O que você quer Mark?

Seu sorriso se alarga, e não é um sorriso agradável. Minhas mãos estão suando no colo, e
meus dedos já estão brancos de tanto apertar.

Ele se aproxima, e senta ao meu lado. Chega para perto do meu ouvido e diz:
- Você sabe o que eu quero Celeste.

- N... Não sei do q... que você está falando.

Minha voz falha e eu gaguejo.

- Não se faça de inocente Celeste.

Começa a passar as mãos pelo meu braço, e o meu pescoço. Perco minhas forças, e não
consigo me mover.

Tento me levantar e ele me segura, e me beija a força. Me debato, mas ele é mais forte que
eu.

- Me solta Mark.

Grito com ele mas não adinta. Ele não desiste, ele tenta arrancar o meu vestido, mas não
consegue, e começa a passar suas mãos nojentas pelo meu corpo.

- Socorro! socorro! Alguém me ajuda por favor!

Ele dá um tapa no meu rosto. Caio no chão, pois não consigo me equilibrar.

- Cala boca sua vadia! - Ele grita.

- Por favor Mark, não!

Tento me levantar, mas ele me derruba no chão novamente, a música está alta, ninguém
escuta meu pedido de socorro. Lágrimas correm pelo meu rosto. Ele se joga em cima de mim,
e começa me beijar.

Estou desesperada e sem saída.


- Me ajuda meu Deus.

Ele tampa minha boca, e aproveito e o mordo com toda minha força, até sentir gosto de
sangue na boca.

- Ai! Eu vou te matar!

Consigo empurrar ele, com uma força que não sei de onde veio. E saio correndo sem olhar
para trás. 

Saio da casa, e fujo o mas rápido que consigo, não sei quanto tempo corri sem olhar para trás.

Minhas pernas já não me obedeçam mas, caio na calçada da rua e choro compulsivamente. Foi
nesse momento que escuto bem baixinho, uma música.

"Pai eu quero te amar, tocar o teu coração, e me derramar aos teus pés, mas perto eu quero
estar Senhor, e te adorar com tudo que eu sou, e te render, Glória e Aleluia"

Começo a andar, devagar para descobrir de onde vem essa música tão linda. Foi quando me
deparei com uma Igreja.

E é aí, que a minha redenção começa.

Cap 4

Entrei na igreja aos prantos, a música falando comigo profundamente, me sentei no último
banco, percebo que a igreja está vazia, o coral estava ensaiando.

"Pai eu quero te amar, tocar o teu coração, e me derramar aos teus pés, mais perto eu quero
estar Senhor, e te adorar com tudo que sou, e te render Glória e Aleluia..."

Me lembrei de quando vovó me levava a Igreja aos domingos. Eu amava ir com ela aos cultos,
mas quando Antony descobriu a proibiu de me levar, a maltratou com palavras e a ameaçou
de que se me levasse novamente a Igreja, ela não entraria mas em sua casa. Disse que não
queria sua família envolvida com esses "crentinhos", me bateu e me deixou de castigo por um
mês.
Patrick tentou me defender, mas quando o Senhor Antony fala, ninguém pode contradize-lo.
Minha mãe como sempre, ficou ao seu lado, talvez por medo de sua reação. Antony sempre
teve o temperamento muito forte, nessa parte puxei a ele.

Vovó faleceu pouco tempo depois, acho que ela era a única pessoa que me amava de verdade
naquela família. Meu mundo desabou, me senti sozinha e desamparada.

Antony nunca foi um pai amoroso comigo, a única pessoa que ele realmente se importa
naquela casa, é meu irmão, e um pouco com minha mãe.

Ele foi atencioso comigo quando eu era criança, mas me amar de verdade, isso nunca
aconteceu, depois que cresci, ele só me via como um instrumento para usar, em favor de suas
ambições. 

Me lembro de quando ele quis me casar com um homem que era mais velho que ele, só para
conseguir mais ações na empresa. Eu estava com apenas 16 anos na época. Por sorte Patrick
descobriu a tempo. Foi a última vez que ele disse não para Antony, faz tudo que o mandam
fazer, e ele obedece igual um cachorrinho.

Patrick é seu queridinho, sempre foi.

Tenho pena de meu irmão, por não viver sua vida e sim de Antony.

Patrick é o seu sucessor na empresa, coisa que não invejo, já que aquilo é um ninho de cobras.
Penso que Antony quer transformar meu irmão, em sua cópia, só torço para que ele seje um
homem melhor.

Minha mãe só se importa comigo enquanto estamos a sós, na frente de Antony eu não existo.

Tenho inveja de minhas amigas que tem pais amorosos, e que se importam com elas, que as
amam de verdade.

Saio de casa todos os dias porque não suporto meu pai, ele também quase não para em casa,
ou está na empresa destilando seu veneno, ou em casa infernizando a vida dos empregados.

Estou cansada dessa vida, daquela casa sem amor, de ninguém se importar comigo de
verdade.
Quando percebo o coral já acabou o ensaio, me levanto para ir embora, mas trombro em
alguém na saída.

Meu rosto está doendo pelo tapa que levei, tento arrumar meu vestido rasgado.

- Me desculpe moça.

Aceno com a cabeça.

-  Você está bem querida? Precisa de algo?

Minha vontade é de ir embora, mas meu coração me manda ficar. Ele se senta em um banco
próximo, me aproximo e me sento ao seu lado.

- Você quer compartilhar comigo o que a está preocupando?

Fico em dúvidas se conto ou não, nunca vi esse homem, mas alguma coisa nele o torna
famíliar.

- Percebo que você não é muito de conversar. Estou certo?

- Desculpe - Murmuro baixinho.

- Eu sou o reverendo Frederick Johnson.

Estende a mão me cumprimentando, e eu retribuo.

- Sou Celeste.

- Então Celeste... Me conte o que está te angustiando.


Fico um minuto em silêncio, por fim decido contar o que houve.

- Fui em uma festa hoje com minhas amigas. Tinha várias pessoas bebendo e dançando. E
havia um rapaz que estava me olhando de um jeito estranho, e aquilo estava me deixando
desconfortável, para falar a verdade já faz um tempo desde que ele fica meio que atrás de
mim, mas alguma coisa nele me dá medo. Decidi fugir daquele loucura por uns minutinhos, eu
não estava me sentindo muito bem. Aquela festa estava me sufocando, decidi ir para o jardim
tomar um pouco de ar fresco - Meus olhos então ardendo pelas lágrimas que estou segurando,
mas decido continuar a contar o que houve - Foi então que ele apareceu, e... e... ten...  tentou
me agarrar a força. Eu pedi para ele parar mas... mas ele não parou, comecei a gritar pedindo
socorro, mas a música estava alta, ninguém me escutava. Fiquei apavorada, e em meio a
minha angustia, pedi a ajuda de Deus. Fiquei tão desesperada, mordi a sua mão, e o empurrei
com toda as minhas forças, saí correndo sem olhar para trás. Quando dei por mim, estava em
frente a igreja, ouvi o coral cantando e decidi entrar, pois a música estava falando
profundamente comigo, e eu precisa encontrar um pouco de paz no momento.

- Você foi a polícia minha filha?

- Não. E não adiantaria em nada, ninguém acreditaria em mim, só quero esquecer esse dia, e
seguir em frente.

- Mas isso não pode ficar impune.

- Ele é um rapaz bem educado, de família rica, que se faz de bom samaritano. Quem
acreditaria em mim? Uma garota fútil e mimada?

- Mas você deveria fazer o que é      certo - Ele diz.

- Eu sei.

Ficamos em silêncio por um tempo, por fim decido quebrar o silêncio.

- Quando eu era criança, minha vó me levava a Igreja, mas acabei me afastando, não por opção
- sorrio com as lembranças - Foi a melhor fase da minha vida.

- O que te levou a afastar dos caminhos do senhor?


- Meu pai sempre foi um homem rigoroso, que não gosta de cristãos, minha vó me levava
escondido a igreja, quando ele descobriu, a proibiu.

- Depois disso você nunca mais foi a igreja?

- Não. Minha vó que me levava, mas ela faleceu poucos meses depois. Eu fui crescendo, sem
incentivo. E me distanciei cada vez mais.

- Sabe, nunca é tarde demais para nos arrependemos, e voltarmos para os braços do pai.

- Eu fiz tantas coisas terríveis, não sei se Jesus me aceitaria de volta - Digo sem esperanças.

- Jesus está sempre de braços abertos para nos receber, mas temos que dar o primeiro passo,
em busca de reconciliação com o Pai. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo
para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.

Lágrimas quentes correm pelo meu rosto.

- Você quer aceitar Jesus Celeste, como seu Salvador?

- Sim. Eu quero - Digo emocionada, sentindo um amor sobrenatural me envolver.

Cap 5

Estou com uma sensação muito boa, uma paz interior, que a muito tempo eu não sentia. Sei
que irei enfrentar dificuldades de agora em diante, mas Deus estará comigo me guiando no
caminho certo.

Meu pai não irá ficar nada feliz em saber que me converti, ainda não sei se conto para ele.
Tenho medo do que ele pode fazer. Mas como o Pastor mesmo disse. As vezes temos que
fazer sacrifícios por amor a Cristo.

Não irei esconder a verdade, mesmo com as consequências, e eu sei que terei muitas.
Depois que aceitei Jesus como meu Único, e Suficiente Salvador, o Reverendo Frederick orou
por mim, me deu conselhos que seguirei para o resto de minha vida. Me mostrou o quanto fui
egoísta com minhas atitudes errôneas. 

Senti vergonha da vida que eu levava.

Mas Deus em sua infinita bondade e misericórdia, me tirou das trevas, e me trouxe para a sua
maravilhosa luz.

O Reverendo me deu uma bíblia para mim ler, e aprender mais de Deus. Passamos tanto
tempo conversando, e ele me aconselhado, que quando fomos ver já era muito tarde da noite.

- Acho que já passou de nossa hora. - Diz olhando no relógio.

- Verdade.

- Nos vemos no próximo culto então, estarei te esperando.

- Estarei aqui Reverendo. 

Nos despedimos, e o Reverendo Frederick pagou o táxi para mim ir embora para casa, pois
deixei minha bolsa para trás quando fugi.

Chego em casa já é tarde, está tudo silencioso, com apenas algumas luzes acesas. Já devem
estar dormindo a essa hora.

Subo para meu quarto correndo, quando entro dentro dele tranco a porta. Me sento em
minha cama, e começo a ler a bíblia.

Não sei que até que horas eu fiquei lendo a palavra de Deus, pois adormeci com a bíblia.
Quando acordei, a luz entrava pelas janelas largas de vidro. A minha Bíblia estava ao meu lado.

Escutei alguém mexer na maçaneta da porta do meu quarto, sai da cama depressa e escondi
minha Bíblia em um criado mudo, ao lado de minha cama. Escutei minha mãe me chamar.
- Abra a porta Celeste.

- Já vai. - Digo me acalmando.

Ando até a porta bem devagar, a destranco, minha mãe entra para dentro.

- O que aconteceu com você? Está horrível. - Diz.

Passa a mão no meu rosto, onde levei o tapa, deve estar vermelho. Me olha de cima em baixo.

- Eu cai mãe, foi só isso. Bati meu rosto no Chão, e rasguei meu vestido. - Minto.

- Isso que dá beber igual uma louca nessas festas.

- Eu não bebi nada, apenas escorreguei e cai. Não foi nada demais. - Digo.

Ela parece não estar convencida com as minhas explicações, mas para de insistir. Agradeço
mentalmente por isso.

Quando olho para a porta, minhas amigas estão entrando no meu quarto. Parecem estar
bravas comigo.

Comprimentam minha mãe, e ela sai do quarto para nos deixar só.

- Por que você sumiu da festa? - Pergunta Hanna.

- Não estava me sentindo bem, e não queria que vocês fossem embora por minha causa. -
Digo.

- Você deixou sua bolsa para trás, Mark entregou para nós. O que vocês estavam fazendo?

Com a menção do nome dele, me dá uma sensação ruim, mas finjo que que não houve nada.
- Estávamos conversando. Decidi ir embora, nem me lembrei de minha bolsa. - Minto.

- Desde quando você esquece sua bolsa em algum lugar Celeste? - Emile pergunta.

- Como eu disse antes, não estava me sentindo muito bem. Devo te-lá esquecido em cima do
banco.

Eu queria muito contar para elas o que aconteceu, mas não sei se elas acreditariam em mim.

- E onde você foi sem celular, e sem dinheiros? - Emile pergunta.

- Comecei a andar sem rumo, acabei em uma Igreja.

Elas me olham assustada, continuo a falar.

- Conheci o Reverendo, ele me deu uns conselhos. Me mostrou como estou errada em muitas
coisas que faço, e que mesmo assim Deus perdoa meus pecados. Pois nos ama
incondicionalmente.

- Você está falando sério? - Hanna pergunta.

Me olham incrédulas.

- Sim. Estou falando muito sério.

Corro para o criado mudo, pego a bíblia que ganhei, e mostro a elas.

- Vejam. Ele me deu essa Bíblia para mim ler. - Digo entusiasmada.

- Você só pode estar louca. - Emile diz, revirando os olhos.


- Vocês deveriam ir comigo no culto, vai ser a primeira vez em anos que vou a igreja
novamente. - Digo.

- Você só pode estar brincando. - Hanna diz.

Eu só queria que minhas amigas entendesse o que estou sentindo, a felicidade interior que a
muito tempo eu não sentia.

- Meninas e...

Elas me interrompem.

- Vamos embora Hanna. - Emile diz puxando Hanna pelo braço.

- Vamos. - Diz Hanna.

Fico sem palavras pela atitude delas, em nem me deixar terminar de falar. Quando elas
chegam na porta, Hanna virá para mim e diz:

- Quando você estiver com seu juízo no lugar, nos avise. Se continuar com essa bobeira de
igreja, esqueça que sou sua amiga.

Elas saem do quarto e fecha a porta.

Fico olhando para a porta por um tempo. Sento na cama e começo a chorar.

Agora percebo que minhas "Amigas" nunca se importaram de verdade comigo, pois não teriam
me abandonado.

Mas isso não vai interferir na minha Fé em Deus, tenho certeza absoluta que com Ele posso
contar em qualquer hora, em qualquer lugar, Ele sempre estará lá, com as mãos estendidas
para me ajudar. E essa, é a amizade mais sincera, pura e verdadeira que terei de agora em
diante.
Cap 6

Quando cheguei na igreja, estacionei meu carro na rua. Saí e liguei o alarme. O sol estava se
pondo, tinha uns tons alaranjados e azuis no céu. Estava lindo.

A rua estava pouco movimentada, mas já tinha outras pessoas chegando.  Respirei fundo e
comecei a andar rumo a igreja.

Acabo trombando em alguém. Levanto meu olhar, e me deparo com o homem mais lindo que
já vi.

Ele é bem mais alto que eu, tem os olhos mais azuis que já vi, cabelos lisos castanhos claros,
pele morena. Está vestido com uma camiseta preta, e calça jeans. Sua barba está por fazer, e
seu cabelo bagunçado. O deixa com um ar de desleixado, mas combina perfeitamente com ele.

- Olhe por onde anda garota. - Diz irritado.

- M... me desculpe. - Gaguejo.

Gaguejar? Não acredito! Nunca fui de ficar nervosa perto de ninguém. Mas algo nele me deixa
desconfortável.

- Tenha Educação Dominic.

Quando olho para frente, vejo o Reverendo Frederick. Está vindo em nossa direção.

Então esse é o nome do sem modos. Ele revira os olhos com desdém.

- Não sei que horas vou chegar em casa, não me espere acordado. - Diz Dominic.

- Não vai ficar para o culto filho? - Pergunta o Reverendo.

Então o sem educação é filho do reverendo. Fico encarando, eles se parecem muito, tem a
mesma altura, o mesmo porte físico.
- Não tenho tempo para isso pai. - Diz Dominic com irritação.

Frederick dá um sorriso triste.

- Vá com Deus. - Diz Frederick.

Dominic dá as costas ao pai sem dizer nada. Ele suspira alto. Ficamos em silêncio por um
tempo.

- Desculpe meu filho, ele nem sempre foi assim. - Diz triste.

- Tudo bem. - Digo o tranquilizando.

Fomos interrompidos por mais pessoas que chegaram a Igreja. Me sento em um dos bancos
mais a frente. Fico aguardando o culto começar.

Fico me perguntando o que aconteceu com o filho do Reverendo. Ele parece frio e sem vida
interior. Percebi, porque fui assim a minha vida toda.

Felizmente o culto começa. O Reverendo faz uma oração.

"Deus, mais uma vez estamos aqui em sua presença, para adorar e exaltar o Teu Santo e
Maravilhoso nome. Abençoe a vida de todos os presentes aqui nesta noite, nos dê
entendimentos para aprender mais de Ti, fale aos nossos corações, derrame suas bênçãos
sobre as nossas vidas. É o que te peço. Amém".

Logo o Coral começa a cantar. Sinto minha alma leve. Sinto a presença de Deus em minha vida.
Oro em silêncio, meu coração se transborda de alegria, tenho uma sensação tão boa, que tem
alguém me confortando, e eu sei que é Deus.

Por fim o Reverendo faz o sermão. A palavra falou fortemente ao meu coração. Meu rosto está
banhado por lágrimas. Sinto uma alegria imensa.

O culto acabou com mais uma oração e a bênção. Cumprimentei as pessoas que estavam perto
de mim.
- Você deve ser Celeste. - Diz uma voz desconhecida.

Me viro para trás. Tem uma mulher linda, e alta me olhando e sorrindo. Está tem cabelos
castanhos claros solto, tem olhos azuis, nariz minúsculo. Está com um vestido florido rodado.

- Sim. Sou eu mesma. - Digo por fim.

- Sou Camily. - Diz e me estende a mão. - Mas pode me chamar de Camy se quiser.

Retribuo o aperto. E ela sorri para mim.

- Meu esposo me falou de você. - Diz Camily.

Ela percebe minha cara de confusão.

- O Reverendo. - Diz.

- Ah! Me desculpe. Espero que tenha falado bem. - Digo sorrindo.

- Foi sim. - Diz também sorrindo. - Bem vinda a nossa Igreja querida, se precisar de algo é só
pedir.

Aceno com a cabeça em concordância.

- Bem... Deixa eu ir cumprimentar as outas pessoas. - Diz e me abraça em despedida.

Saio da igreja, e vou para o estacionamento. Entro no carro, fecho a porta, jogo minha bolsa no
outro banco.

Mas antes de ligar meu carro. Meu pensamento vai para Dominic, tenho a sensação que
vamos nos ver novamente. E não é uma sensação muito agradável.
Cap 7

Quando cheguei na igreja, estacionei meu carro na rua. Saí e liguei o alarme. O sol estava se
pondo, tinha uns tons alaranjados e azuis no céu. Estava lindo.

A rua estava pouco movimentada, mas já tinha outras pessoas chegando.  Respirei fundo e
comecei a andar rumo a igreja.

Acabo trombando em alguém. Levanto meu olhar, e me deparo com o homem mais lindo que
já vi.

Ele é bem mais alto que eu, tem os olhos mais azuis que já vi, cabelos lisos castanhos claros,
pele morena. Está vestido com uma camiseta preta, e calça jeans. Sua barba está por fazer, e
seu cabelo bagunçado. O deixa com um ar de desleixado, mas combina perfeitamente com ele.

- Olhe por onde anda garota. - Diz irritado.

- M... me desculpe. - Gaguejo.

Gaguejar? Não acredito! Nunca fui de ficar nervosa perto de ninguém. Mas algo nele me deixa
desconfortável.

- Tenha Educação Dominic.

Quando olho para frente, vejo o Reverendo Frederick. Está vindo em nossa direção.

Então esse é o nome do sem modos. Ele revira os olhos com desdém.

- Não sei que horas vou chegar em casa, não me espere acordado. - Diz Dominic.

- Não vai ficar para o culto filho? - Pergunta o Reverendo.

Então o sem educação é filho do reverendo. Fico encarando, eles se parecem muito, tem a
mesma altura, o mesmo porte físico.
- Não tenho tempo para isso pai. - Diz Dominic com irritação.

Frederick dá um sorriso triste.

- Vá com Deus. - Diz Frederick.

Dominic dá as costas ao pai sem dizer nada. Ele suspira alto. Ficamos em silêncio por um
tempo.

- Desculpe meu filho, ele nem sempre foi assim. - Diz triste.

- Tudo bem. - Digo o tranquilizando.

Fomos interrompidos por mais pessoas que chegaram a Igreja. Me sento em um dos bancos
mais a frente. Fico aguardando o culto começar.

Fico me perguntando o que aconteceu com o filho do Reverendo. Ele parece frio e sem vida
interior. Percebi, porque fui assim a minha vida toda.

Felizmente o culto começa. O Reverendo faz uma oração.

"Deus, mais uma vez estamos aqui em sua presença, para adorar e exaltar o Teu Santo e
Maravilhoso nome. Abençoe a vida de todos os presentes aqui nesta noite, nos dê
entendimentos para aprender mais de Ti, fale aos nossos corações, derrame suas bênçãos
sobre as nossas vidas. É o que te peço. Amém".

Logo o Coral começa a cantar. Sinto minha alma leve. Sinto a presença de Deus em minha vida.
Oro em silêncio, meu coração se transborda de alegria, tenho uma sensação tão boa, que tem
alguém me confortando, e eu sei que é Deus.

Por fim o Reverendo faz o sermão. A palavra falou fortemente ao meu coração. Meu rosto está
banhado por lágrimas. Sinto uma alegria imensa.
O culto acabou com mais uma oração e a bênção. Cumprimentei as pessoas que estavam perto
de mim.

- Você deve ser Celeste. - Diz uma voz desconhecida.

Me viro para trás. Tem uma mulher linda, e alta me olhando e sorrindo. Está tem cabelos
castanhos claros solto, tem olhos azuis, nariz minúsculo. Está com um vestido florido rodado.

- Sim. Sou eu mesma. - Digo por fim.

- Sou Camily. - Diz e me estende a mão. - Mas pode me chamar de Camy se quiser.

Retribuo o aperto. E ela sorri para mim.

- Meu esposo me falou de você. - Diz Camily.

Ela percebe minha cara de confusão.

- O Reverendo. - Diz.

- Ah! Me desculpe. Espero que tenha falado bem. - Digo sorrindo.

- Foi sim. - Diz também sorrindo. - Bem vinda a nossa Igreja querida, se precisar de algo é só
pedir.

Aceno com a cabeça em concordância.

- Bem... Deixa eu ir cumprimentar as outas pessoas. - Diz e me abraça em despedida.

Saio da igreja, e vou para o estacionamento. Entro no carro, fecho a porta, jogo minha bolsa no
outro banco.
Mas antes de ligar meu carro. Meu pensamento vai para Dominic, tenho a sensação que
vamos nos ver novamente. E não é uma sensação muito agradável.

Cap 8

Cheguei em casa já passava das 22:00 horas. Entrei para dentro em silêncio para ninguém me
ver.

Escutei minha mãe e Antony conversarem alto, na sala de estar. Mas eles não notaram minha
presença.

Corro para meu quarto e fecho a porta. Me jogo na cama, e sorrio comigo mesma. Ainda
estou  extasiada pelo culto de hoje.

Depois de um tempo me levanto, vou para o banheiro, faço minha higiene pessoal. Volto para
meu closet, pego um pijama vermelho e me visto.

Sento em minha cama. Pego minha Bíblia que está dentro da bolsa e começo a ler.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".

Leio até não aguentar mas de sono. Guardo minha Bíblia embaixo do meu travesseiro ao lado.
Acabo pegando no sono rapidamente.

    

                ¤

Acordo e olho para o relógio na cabeceira da cama. Já é tarde. Me levanto ainda com sono.

Tomo um banho rápido, visto um vestido rodado azul, prendo meu cabelo em um coque
bagunçado.

Desço para cozinha para comer alguma coisa. A casa está silenciosa. Olho em volta procurando
alguém, mas não encontro. Pego um pacotinho de biscoito, e subo para meu quarto
novamente.
Ligo a TV, enquanto como meu biscoito, deixo em um canal que está passando clipes gospel.

Pego minha Bíblia debaixo do travesseiro. Começo a ler de onde eu parei na noite passada.

De repente a porta do meu quarto se abre. Meu pai entra no quarto nada feliz.

- Celeste, quantas vezes eu já te avisei para não estourar o limite dos cartões? - Diz furioso.

Minha boca seca na hora. Tento esconder a bíblia, mas é em vão.

- O que é isso aí na tua mão? - Pergunta com grosseria.

- É... é... min... minha Bíblia. - Digo gaguejando.

Decido não mentir. Hoje ele vai saber que me converti.

- É o que? - Pergunta furioso. - Me dá isso aqui.

- Não pai. Por favor. - Digo já com lágrimas nos olhos.

- A quanto tempo você tem isso Celeste? - Pergunta e toma a Bíblia de minha mão.

Tento pegar novamente, mas ele me empurra para a cama com brutalidade.

- A quanto tempo Celeste? - Grita.

Com seus gritos minha mãe, e meu irmão entram correndo no quarto.

- O que está acontecendo aqui? - Pergunta minha mãe aflita.

- É a filha imprestável que você criou. - cospe essas palavras.


Meu irmão senta ao meu lado. Não consigo segurar as lágrimas, e choro.

- A quanto tempo Celeste? É a última vez que te faço essa pergunta.

Vejo irá no seu olhar.

- N... não tem mui... muito tempo. - Digo chorando.

- Por que você fez isso Celeste? - Meu irmão me pregunta, e passa a mão pelos meus cabelos
embaraçados.

- Vocês não entenderiam. - Digo quase sussurrando.

- Você vai parar com essa bobeira de Bíblia. - Diz meu pai irado. - Ou fora de minha casa.

Joga a bíblia em cima de mim, e se vira para sair do meu quarto.

- Desculpe, mas eu não vou parar.

Sei que vai ter consequências a minha escolha. Mas eu não vou abandonar Deus novamente.

Ele para de andar, olha para mim. Seus olhos transmitem toda a raiva que ele está sentindo de
mim no momento.

- Você disse o que? - Me pergunta com a voz ameaçadora.

- Eu... eu não vou abandonar a minha Fé por ninguém.

- Celeste, pense bem no que você está fazendo. - Patrick diz.


- Me perdoe. Eu amo você, mas não me peça para escolher entre você e Deus. Porque vai
sempre ser Ele!

Sorrio fraco para ele. Sinto uma mão apertar meu braço.

- Ai! - Grito com a dor.

- Fora de minha casa sua imunda. - Meu pai me puxa pelos braços. Acabo tropeçando e caindo
no chão.

Antony me levanta com brutalidade.

- Para pai! - grito.

Mas ele não me escuta, continua a me empurrar para fora de meu quarto.

- Mãe. - Olho para minha mãe pedindo ajuda. Ela desvia o olhar.

- Senhor. - Marry aparece chorando.

- Cala sua maldita boca, se não quiser ser expulsa também. - Diz meu pai gritando.

- Pai. - Patrick tenta conversar com ele.

- Fica fora disso. - Diz alto.

Meu braço está doendo pelo seu aperto. Tento me soltar mas é em vão.

Antony me joga na calçada da rua. Acabo caindo de mal jeito. Mas me levanto logo em
seguida.

- Nunca mais coloque seus pés em minha casa!


- Pai....

Sinto meu rosto esquentar com a bofetada que levei, minha boca está com gosto de sangue.

- Não me chame de pai. Eu nunca tive uma filha, para mim ela morreu. - Diz trincando os
dentes.

Cospe no chão ao meu lado. Me dá as costas, e sai de perto de mim como se eu fosse uma
doença.

Minha mãe me dá uma última olhada e segue Antony, meu irmão faz o mesmo.

Me desmorono no chão frio. Lágrimas correm pelo meu rosto. Sinto uma dor imensa em meu
rosto pelo tapa. Não sei o que dói mais, a dor física ou a sentimental.

Depois de não ter mais lágrimas para chorar, me levanto. Começo a andar sem rumo. Não sei
para onde ir. Mas tenho a certeza que Deus está comigo. Com Ele, eu sei que jamais estarei
desamparada.  

Cap 9

Andei sem rumo por tanto tempo, que meus pés começaram a doer. Não tinha dinheiro para
pagar um hotel para passar a noite, e nem para pagar uma corrida de táxi.

Depois de tanto andar, decido ir para a Igreja, vou pedir ajuda ao Reverendo Frederick, talves
ele me ajude nesse momento que estou precisando muito. Pelo menos por essa noite.

Meu corpo todo dói, estava me esforçando ao máximo para não deitar em um canto qualquer
na rua, e dormir por ali mesmo.

De longe vejo a Igreja. Suas luzes ainda estão acesas. Continuo andar lentamente até ela.
Minhas pernas estão pesadas  pelo cansaço.

Quando enfim chego a porta da Igreja, caio no chão e tudo escurece.


Acordo com a claridade da luz nos meus olhos. Olho em volta, estou em um quarto de
hospital.

Vejo Camily sentada em uma cadeira de almofadas no canto do quarto. Ela está folheando
uma revista de moda. Quando ela percebe que acordei, ela se levanta, e vem ao meu encontro
com um sorriso no rosto.

- A bela adormecida acordou. Como está se sentindo? - Me pergunta.

- Parece que um carro me atropelou, tudo dói. - Digo fazendo careta. - O que houve comigo?

- Você desmaiou na porta da Igreja. Ainda bem que o Fred ainda estava por lá.

Me sinto envergonhada, ela percebe.

- A quanto tempo estou aqui? -Pergunto.

- Dois dias.

- Dois dias? - Arregalo os olhos de espanto.

- Isso mesmo. A médica disse que você teve um esgotamento físico. - Diz.

Me lembro do ocorrido com Antony, e a expulsão de casa.

- Você ficou comigo aqui?

- Sim querida. - Diz e passa a mão no meu cabelo embaraçado.

A porta se abre. Uma mulher loira entra para dentro. Está de jaleco branco, sem nenhuma
mancha.
- Como está se sentindo senhorita?

- Com sede. - Digo.

- Vou pedir para uma enfermeira lhe trazer água já já. - Diz sorrindo. - Agora deixa eu te
examinar. - Ela me examina por um tempo, depois diz: -  Está tudo em ordem, sua pressão
normalizou, e até o fim da tarde você terá alta.

- Obrigada doutora.

Ela vai rumo a porta e sai para fora, o Reverendo Frederick entra logo em seguida.

- Tudo certo por aqui? - Pergunta.

- Está sim querido. - Camily diz indo ao seu encontro.

Eu queria ter uma família assim, que se amam de verdade e que se apoiam. Meus olhos se
enchem de lágrimas, desvio o olhar do casal e fico olhando a parede banca.

- Quer nos contar o que aconteceu Celeste? - Pergunta o Reverendo.

Suspiro alto.

- Meu pai me expulsou de casa. Ele me pegou lendo a bíblia. Mandou eu escolher entre parar
de ler a bíblia, ou ir embora de sua casa. Como eu não quis, ele me expulsou de casa sem nada.

Passo a mão no meu rosto com a lembrança. Meus lábios estão um pouco inchados pelo tapa.
Mas o que mais doi não é o corpo, e sim ser abandonada pelo meu irmão e a minha mãe. Eles
viraram as costas para mim. Que tipo de família é aquela? Fico me perguntando, e logo tenho
a resposta. "Uma família sem Deus".

Camily senta ao meu lado, e pega minhas mãos.

- Tudo vai se acertar querida. - Diz confiante.


- Dessa vez eu não tenho tanta certeza. - Sorrio fraco.

- Deus tem seus modos de trabalhar. Nós podemos não entender na hora, mas com o tempo
você saberá. - Frederick diz.

Aceno com a cabeça em concordância.

- Para onde você vai depois que sair daqui? - Me pergunta Camily.

- Não faço a menor idéia. - Digo frustrada.

Minhas "amigas" nem falam mais comigo, faz tempo que já não as vejo. Não adianta nem ir
atrás.

- Ela pode ficar lá em casa por enquanto Fred? - Camy pergunta ao Reverendo.

- Claro! - Diz sorrindo.

- Não precisa. Eu não quero incomodar vocês com meus problemas. - Digo.

- Não será incômodo nenhum querida. É bom que você me ajuda com a ceia para a festa na
igreja.

- Vocês tem certeza disso? - Pergunto, ainda em dúvida se aceito ou não.

- Sim. - Os dois dizem ao mesmo tempo.

- Muito obrigada. Não sei por onde começar a agradecer.

Meus olhos se enchem de lágrimas novamente.


- Não vá chorar, se não eu acabo chorando também. - Diz Camy sorrindo para mim.

Retribuo o sorriso. Se não fosse por eles, eu não teria idéia do que fazer, e para onde ir.

Mesmo nas adversidades, Deus não nos desampara, e não nos deixa desprotegidos. Mesmo
nós achando que Ele nos abandonou, Ele sempre estará lá segurando nossa mão, e nos dando
forças para continuar a caminhada.

Cap 10

Depois que Camy e eu saímos do hospital, ela me levou para sua casa. Era uma casa simples,
pequena, mas muito aconchegante.

Estou me sentindo meia intrusa, não quero abusar da boa vontade de ninguém. Mas não
tenho outra alternativa.

Agradeci muito a Deus em primeiro lugar, por ter me abençoada com um lugar para ficar por
enquanto. Depois a Camy e o Reverendo.

Camy me colocou em um quarto infantil, não sei onde está a dona do quarto, e também não
serei indelicada de perguntar.

Tem uma cama de solteiro no canto do quarto, um guarda roupa rosa com um espelho na
frente. Uma mesinha pequena no outro quanto do quarto, cheio de bonecas. É um quarto
pequeno, mas é lindo.

- Vou pegar alguma de minhas roupas para você, parece que usamos o mesmo tamanho. - Diz
Camy.

- Obrigada Camy. Não sei nem como te agradecer por isso. - Digo sorrindo fraco.

- Não precisa agradecer querida, para mim é um prazer ajuda-la. - Diz sorrindo feliz.

Ela sai do quarto, me sento na beirada da cama para esperar por Camily.  Depois de um tempo
ela volta, com algumas roupas em mãos.
Me levanto rapidamente. Ela coloca as roupas em cima da cama, pega um vestido preto
rodado, e coloca em frente ao meu corpo.

- Acho que serve sim. Se quiser experimentar depois do banho fique a vontade. - Diz para mim.
- Tenho esse conjunto de lingerie que nunca usei, serve por hoje, amanhã vamos em alguma
loja comprar algumas coisas para você.

- Por favor não faça isso, já está me ajudando demais. Eu vou tentar falar com algum dos
empregados de casa, para ver se eles pegam algumas coisas para mim. Não gaste seu dinheiro
comigo. - Digo.

- Tudo bem. Mas se você não conseguir, me avisa que damos um jeito.

- Obrigada mais uma vez. - Digo e a abraço.

Ela retribui meu abraço. Sai do quarto e  fecha a porta atrás de si, sento na cama e pego as
roupas e as dobro, e coloco dentro do guarda roupa. Escolho a roupa que irei usar, e vou rumo
ao banheiro.

Tomei um banho demorado para relaxar meus nervos doloridos, meus lábios ainda estão um
pouco inchados, mas já estão bem melhor. Saio do banheiro, me visto com o vestido que Camy
escolheu, penteio meus cabelos com os dedos, e os deixo soltos para secar mas rápido.

Alguém bate na porta, vou até ela e a abro.

- Está com fome? Fred fez um bolo que está uma delícia. - Diz Camy sorrindo.

- Sim, obrigada.

Camy pega meu braço, e me guia até a cozinha.

- Sente-se. - Diz para mim.

Me sento em uma das cadeiras. O Reverendo Frederick está fazendo um suco, pelo cheiro, é
de maracujá. Minha boca saliva na hora.
- Pode comer querida, não precisa ficar envergonhada.

Sorrio sem graça, corto um pedaço do bolo, e começo a comer. Camy se sente a mesa
também, e come junto comigo. O Reverendo serve suco para nós duas.

- Está uma delícia. - Digo de boca cheia.

- Meu talento na cozinha é conhecido por muitos. - Diz Frederick se gabando.

Sorrimos todos juntos. Depois de comermos ficamos conversando um bom tempo. Meus olhos
começaram a pesar de sono. Camy percebe e me manda ir dormir um pouco.

Agradeço a eles por tudo e vou para o quarto. Me deito na cama e meu corpo relaxa. Não sei
quanto tempo eu dormir, acabei acordando assutada com alguém gritando.

- O que você pensa que está fazendo no quarto de minha irmã?

Engulo em seco, minha voz some, começo a tremer com o nervosismo, e não sai uma palavra
de minha boca.

Percebo que é o filho do Reverendo, que está me olhando muito, mais muito irritado.

Cap 11

Dominic está me encarando furioso, esperando a resposta para sua pergunta. Não sei o que
dizer para ele, como me explicar.

Minhas mãos começam a suar, minha garganta seca, e eu só consigo ficar o encarando sem
dizer uma única palavra.

Ele caminha cada vez mas para perto de mim, seu olhar está frio. Os punhos fechados ao lado
do corpo. Me olha como se quisesse me exterminar.

- O que você está fazendo nesse quarto? - Pergunta com a voz ameaçadoramente baixa.

- Eu... é... Camy me... me disse que eu poderia ficar aqui. - Digo gaguejando.
- Ela o que? - Grita comigo.

Me encolho cada vez mas de medo. Não o conheço, não sei o que ele poderia fazer comigo. Ele
está furioso.

- O que está acontecendo aqui? Pergunta Camy entrando no quarto.

- Quem é essa garota? O que ela faz no quarto de minha irmã? - Pergunta para Camy.

Ela suspira alto, e tenta tocar em Dominic, mas ele se esquiva de seu toque com brutalidade.

- Filho, essa é a Celeste. Precisava de um lugar para ficar, conversei com seu pai e decidimos
ajuda-lá, até ela conseguir outro lugar para ficar. - Se explica Camy para Dominic.

- Os bons samaritanos. - Diz com sarcasmo.

Camy o encara irritada com sua atitude grosseira.

- Dominic você me respeite, e a seu pai também. Não foi essa a educação que lhe demos.

Ele revira os olhos e bufa alto. Fico sem saída, não sei o que fazer, ou falar. Me sinto frustrada
comigo mesmo.

- Eu não quero ela no quarto de minha irmã. - Diz irritado.

- Você não tem que querer nada. Esta é a minha casa, e eu coloco quem eu bem entender aqui
dentro. Me entendeu bem? - Pergunta muito brava. - Eu não criei um homem mal educado, e
sem coração.

- Mas... - Diz frustrado.

- Nada de mas... Melanie não está mas conosco, é já passou da hora de você aceitar isso.
Fico me perguntando o que aconteceu com Melanie. Dominic me encara com fúria contida.

- Nunca irei aceitar o que aconteceu com ela. Você já deveria estar acostumada com isso dona
Camily. - Diz Dominic a sua mãe.

- Domi...

Ele lhe dá as costas, sem deixá-la terminar de falar com ele, e sai do quarto batendo a porta
com força.

Solto a respiração que estava presa até então, não havia percebido que estava segurando.
Minhas pernas estão bambas. Me sento na cama para não cair no chão.

Camy senta ao meu lado. Me dá um sorriso triste. Percebo como ela ficou magoada com a
atitude de Dominic.

Me lembro de como já tratei tão mal a minha mãe. Mesmo ela não demostrando seu amor por
mim. Provavelmente as minhas grosseiras com ela, deixou alguma sequela.

- Acho melhor eu ir embora. - Digo a Camy.

- De jeito nenhum. Dominic vai ter que te aceitar.

- Não quero ser a causa de brigas entre sua família. Então para evitar, é melhor eu ir embora. -
Sorrio fraco.

Camy pega as minhas mãos. Ela está um pouco trêmula. Me sinto culpada.

Ela percebe e logo fala:

- Não se sinta culpada Celeste. - Diz apertando minhas mãos de leve. - Meu filho era um
homem feliz. Cantava no coral da igreja, era de uma bondade incrível. - Sorri com as
lembranças. - Mas tudo mudou depois da morte de Melanie.
- Não precisa me contar.

- Mas eu quero. - Diz.

Aceno com a cabeça em concordância.

- Melanie foi diagnosticada com câncer aos sete anos de idade. Quando descobrimos,
começaram os tratamentos intensivos. Minha filha perfeita, com todo saúde, estava agora
fraca, e sem seus cabelos longos. Foi um tempo de luta para todos nós. Mas infelizmente,
mesmo com o tratamento não foi possível salva-lá.

Lágrimas correm pelo rosto de Camy. Não consigo segurar as minhas, e choro com ela.

- Meu filho não aceitou a morte de sua irmã. Se voltou contra Deus, e se tornou um homem
frio e sem coração. - Diz triste. - Peço a Deus todos os dias, para que ele volte a ser como
antes. Mas eu sei que Deus tem um propósito para cada um de nós, tenho fé que meu menino
ainda vai me dar muito orgulho. - Sorri confiante.

- Não desiste dele não. Ele está passando por essa fase ruim, mas se ele tiver a família ao lado
dele. Tudo se torna mais fácil.

- Nunca irei desistir dele. Tenho a sensação que Deus já começou a trabalhar na vida dele. E
pode ser através de você, que essa mudança acontecerá.

Me assusto.

- Eu? - Digo espantada - Acho que ele me odiou

- Tenha fé minha querida. Deus é o Deus do impossível. - Sorri confiante.

Retribuo com um sorriso fraco. Não sei o que o futuro me reserva, a única coisa que tenho
certeza, é que continuarei nos braços do Pai. E de lá, não sairei jamais.
Cap 12

Dominic

Saio de casa irritado com minha mãe. E comigo mesmo, por maltrata-lá. Eu sei o quanto isso a
machuca, mas na hora da raiva falo coisas sem pensar.

Me sinto culpado e envergonhado comigo mesmo. Tenho que aprender a me controlar. Com
isso acabo ferindo as pessoas que mas amo nesse mundo.

Depois de andar sem destino, acabo sentando em baixo de uma árvore, em uma praça.

Fico olhando para o lago que tem ao lado. Tem uma vista incrível. Vou me acalmando aos
poucos. Me sinto frustrada comigo mesmo.

Me lembro da garota que estava no quarto de Melanie. Sua aparência estava abatida. Olheiras
abaixo dos olhos, os lábios um pouco inchados. Mas isso não interferiu em sua beleza.

Fico me perguntando o que será que aconteceu com ela.

Fiquei tão irado quando entrei no quarto de minha irmã, e vi uma desconhecida deitada em
sua cama. Que perdi a cabeça, ela acordou assustada com meus gritos.

Por um momento eu senti pena dela, mas logo a máscara fria estava novamente em meu
rosto. Vi medo em seus olhos arregalados, e me senti um monstro, percebi que ela achou que
eu iria machuca-lá. Eu jamais seria capaz de agredir fisicamente uma mulher.

Alguma coisa em seu olhar me fez por um segundo, desejar ser o Dominic de antes. Mas logo
me lembro que ele era fraco, inútil.

Eu fui um rapaz de fé um dia, faria tudo por Jesus sem pensar duas vezes.  Mas o que eu
ganhei com essa fé toda? a morte de minha irmã, a pessoa que eu mas amava na vida. Uma
criança inocente, que tinha um futuro brilhante pela frente. Sorria para tudo e todos.

Sinto sua falta todos os dias de minha inútil vida. Já faz dois anos que ela se foi. Mas essa dor
nunca se vai, nunca se torna mas fácil de aceitar. Ela anda ao meu lado todos os dias, não me
abandona nunca.
Nunca serei capaz de superar minha perda. Sou tão egoísta ao ponto de não me importar, com
a dor que meu pai e minha mãe também sentem.

Eu daria tudo para tela-lá em meus braços apenas mais uma vez, ver seu sorriso feliz sempre
que eu chegava em casa depois do trabalho. Sentir seu abraço apertado. Ter a chance de dizer
o quanto ela era importante para mim, e o quanto eu a amava.

Sinto meus olhos encherem de lágrimas. Pisco para conte-las.

Quando descobrimos sua doença, fiquei sem chão, estava de mãos atadas porque eu não
poderia fazer nada para salvá-lá.

Coloquei toda minha fé em Deus, orei e implorei para que Ele não levasse minha irmãzinha.
Mas Ele me deu as costas, e não atendeu ao meu pedido.

Enquanto minha irmã morria em uma cama de hospital.

Sempre me lembro do que ela me disse antes de falecer.

"-Eu sei que você está sofrendo Dom, mas não coloque a culpa em Deus pelo que me
aconteceu. Ele tem seu modo de trabalhar em nossas vidas, seus planos pode ser difícil de
entender as vezes, mas Ele é Soberano, nunca devemos questionar os Seus planos em nossas
vidas. Mesmo que isso não seja o que desejamos. Eu sei que estou preparada para me
encontrar com Ele nesse momento. Eu sempre estarei com você aqui. - Colocou a mão magra
sobre meu peito. - E nunca se esqueça do quanto eu te amo."

Dois dias depois ela partiu.

Abandonei a igreja, e me tornei um homem frio e sem vida. Culpando Deus pela minha perda.

Eu sei que ela ficaria triste se soubesse o tipo de homem que me tornei, mas nada disso
importa agora. Sou o que sou, e não mudarei jamais.

Sei o quanto deixo meus pais decepcionados comigo, e que eles esperam pacientemente pela
meu arrependimento.
Meus pensamentos voltam para uma garota, que insiste em me atormentar com seu olhar de
medo. Ficou gravado em minha memória sua aparência frágil. Decido que meu próximo passo,
é descobrir o que aconteceu a ela.

Eu sei onde encontrar as respostas para minhas perguntas.

Cap 13

"O Senhor é meu pastor,

e nada me faltará."

Já faz 2 dias que Dominic invadiu o quarto que estou. Eu sinceramente achei que ele iria me
bater, pela tamanha fúria que vi em seu olhar. De lá para cá, ele não conversara  comigo. Fica
me encarando, mas nunca diz nada. Isso já está me irritando.

Fiquei muito abalada, em saber sobre a morte de Melanie. Mas não somos ninguém para
interferir nas escolhas de Deus. Mesmo não sabendo lidar com a perda.

Deixei para mim ir em casa hoje a noite, para tentar apanhar alguns dos meus pertences. Me
lembrei de um evento que meu pai terá que participar, Patrick e minha mãe com certeza
também irão.

Será a oportunidade perfeita para tentar entrar escondida em casa. Conheço uma entrada
secreta. Patrick, e eu descobrimos por acaso. Com certeza meu pai proibiu os seguranças de
deixar eu entrar na casa. Essa entrada secreta será minha única alternativa.

Estou cada dia mais próxima de Deus. Sinto um alívio tão grande em minha alma. Uma luz que
havia se apagado a tempos. Sei que preciso melhorar muitas coisas. Mas Deus me dará forças
para continuar minha caminhada.

Reverendo Frederick me presenteou com uma nova bíblia. Já que a minha ficou jogada em
cima de minha cama.

Estou me dando muito bem com Camy, ela é um amor de pessoa. Está me ajudando muito,
tanto no espiritual, como no psicológico. Tive pesadelos horríveis. Acabei acordando a casa
toda com meus gritos.
Me sinto envergonhada, por trazer meus problemas para dentro da casa dela. Mas ela insiste
em me ajudar. Eu sou muito grata por isso.

Dominic reclamou que não dormiu por minha causa. Não me disse nada, mas escutei ele
reclamar com o pai.

Não quero ser um peso na vida de ninguém. Preciso arrumar um emprego, e aprender a me
virar, e não passar a vida toda dependendo de alguém.

Mas quem daria um emprego para quem não sabe fazer nada? Todas as vezes que tento
ajudar Camy, alguma coisa sai errado. Já quebrei vários dos seus jogos de cozinha. Ela ao invés
de ficar brava comigo. Ela sorri para mim, e me manda ter paciência comigo mesma. Uma hora
descobrirei em que sou boa.

____________◇___________◇____________

Estou sentada em um carro ao lado de Dominic. Ele está muito bravo, porque Camy o fez me
trazer em minha antiga casa.

Ele está emburrado. Escuto seus suspiros de irritação. Fico olhando pela janela do carro.

A cidade está movimentada. Carros para todos os lados, pessoas andando rápido nas ruas.

Dominic para em um sinal. Enquanto esperamos o sinal abrir, vejo Hanna e Emile saindo de
uma loja, todas sorridentes.

Quando elas me vêem, seus sorrisos morrem nos lábios. Sorrio para elas, mas não sou
correspondida. Elas fingem não me conhecer, e vão embora.

- Você as conhece? - Dominic me pergunta.

- Sim. - Digo triste.

- São suas amigas? - Continua a perguntar.


- Eu achei que eram. - Suspiro alto.

O sinal se abre, o carro começa a andar novamente.

O silêncio voltou a reinar. Sinto seu olhar sobre mim de vez em quando. Mas ele não fala nada.
E nem eu.

Vinte minutos depois estávamos em frente a entrada secreta de minha casa. Falei para
Dominic deixar o carro um pouco mais distante. Pois os guardas iriam suspeitar de alguma
coisa. Pensei que ele iria ficar no carro me esperando, mas para minha surpresa ele me
acompanhou.

- Não seremos presos não é? - Pergunta sorrindo.

Percebo que é a primeira vez que o vejo sorrindo.

- Você deveria sorrir mais. Lhe cai bem. - Percebo que ele não gostou do que eu disse.

- Não tenho motivos para sorrir. - Diz ríspido.

Decido não continuar com a conversa.

Pois estou aqui para pegar alguns de meus pertences.

- Vamos. - Digo pegando em sua mão.

Ele para no mesmo instante em que meus dedos tocam sua mão. E olha para elas.

- Desculpe. - Digo soltando sua mão, envergonhada.

Andamos lado a lado em silêncio, até chegar a porta que dá para a cozinha, pego a chave que
fica em baixo de um vaso, e abro a porta.
Entramos para dentro de vagar. A casa está silenciosa.

Subimos a escada lentamente para não fazer barulho. Enfim, entramos em meu antigo quarto.
Aperto o interruptor para acender a luz. Está tudo como eu havia deixado.

Percebo que minha bíblia não estava mas em cima da cama.

Dominic fecha a porta devagar. Vejo ele observar o ambiente. Um sorriso sarcástico surgiu em
seus lábios.

- Que mudança não? - Me pergunta com desdém.

- Como? Não entendi. - Finjo não entender o que ele quis dizer.

- Não estamos aqui para conversar. -  Diz irritado. - Pega o que você precisa logo, e vamos
embora. Eu tenho mais o que fazer, do que ficar de babá para um garota rica e mimada. - Diz.

Suspiro alto. Porque ele está quase certo. Por isso decido não discutir.

Vou para o meu closet. Pego algumas das roupas que não é vulgar. Alguns pares de calçados.
Jogo tudo dentro de uma mala. Pego alguns dos itens de higiene, minha carteira com meus
documentos, e a chave de meu carro.

Depois que peguei tudo que precisava. Olho para trás por um tempo. Não sinto falta de minha
vida antiga, antes eu não vivia, apenas existia. Muitas coisas mudaram.

Estavamos decendo a escada, quando fomos surpreendidos com minha família.

- O que você pensa que está fazendo aqui? - Antony pergunta muito irado.

Cap 14

Minha família está me encarando. Meu pai está muito bravo. Sinto meu estômago revirar.

- O que você pensa que está fazendo em minha casa? - Pergunta Antony muito irritado.
- Só vim pegar algumas coisas que eu precisava. - Digo o encarando.

Peço a Deus forças, para não fraquejar nesse momento.

Percebo que minha mãe está mas magra do que o habitual, suas feições estão tristes. Sinto
pena dela nesse momento.

- Pelo jeito arrumou alguém para te sustentar. - Diz Antony com malícia. - Nunca imaginei que
você iria virar uma vadiazinha.

Seu sorriso perverso se alarga no rosto. Sinto nojo de seu sorriso debochado.

- Pai. - O repreende Patrick.

- Cala a boca! - Rosna Antony.

Eu sinceramente gostaria muito de entender, todo o ódio que ele sente por mim. Eu sei que
sempre fui caprichosa, mimada. Mas isso não é motivos, para ser odiada.

- Vamos embora. - Dominic diz.

Pega minha mão, e começa a me puxar rumo a porta.

Somos impedidos de passar, quando Antony entra em nossa frente.

- Antony. - Diz minha mãe, segurando seu braço.

Ele empurra sua mão de forma ríspida. Ela se encolhe no canto. Seus olhos se enchem de
lágrimas.

Não sei o que se passa na cabeça de minha mãe, continuar com um homem assim, que odeia a
todos, não tem um pingo de amor no coração. A única coisa que o interessa, é lucros. Não é
carinhoso com ela, a trata com grosserias. Ela merece um marido melhor, como eu mereço um
pai que me ame.

- O que ela te deu para você vir até aqui? - Pergunta Antony segurando o braço de Dominic. -
Não precisa nem dizer, eu já imagino. - Sorri com desdém.

- Solte meu braço agora mesmo. - Dominic diz com a voz ameaçadora.

Antony sorri ainda mas com a atitude de Dominic.

- Se não o quê? - Pergunta.

Me assusto com Dominic esmurrando o rosto de meu pai. Antony cambaleia para trás, e cai no
chão.

Seu nariz começa a sangrar. Minha mãe e Patrick correm para junto dele.

- Você deveria ficar aí no chão, que é seu lugar seu verme. - Diz Dominic furioso.

- Fora da minha casa agora. - Grita Antony.

- Não precisa dizer duas vezes. - Diz Dominic com desdém.

Pega minha mão e me puxa para fora de casa.

Minha mãe nos interrompe de continuar a andar.

- Como você está minha filha? - Pergunta aflita.

A encaro por um segundo.

- Eu estou bem mãe, graças a Deus. - Digo sorrindo.


- Fico feliz. - Sorri para mim.

Somos interrompidas de continuar a conversa, com meu pai gritando.

- Vai. - Digo a ela.

Ela me abraça demoradamente. Beija minha testa, e me dá as costas.

- Isso foi intenso. - Diz Dominic. - Sua família sempre foi assim? - Pergunta sorrindo.

- Oh não! Isso tudo foi depois que aceitei Jesus. Mas meu pai sempre foi assim, autoritário,
exigente, não aceita ser contrariado. - Digo. - Eu no seu lugar, viveria a minha vida toda,
agradecendo a Deus pela família que tem.

Ele não diz nada, apenas me encara.

- Droga!

- O que houve? - Pergunta Dominic.

- Acho que esqueci a chave do meu carro. - Digo procurando na bolsa.

- Deixa eu adivinhar... É um carro caro, que chama atenção por onde passa.

- Sim, é. - O respondo.

- Pelo jeito bateu saudade de sua vida fácil, e cheia de dinheiro. - Diz com desdém.

Aquilo me irrita profundamente.


- Deixa eu te explicar uma coisa seu idiota. Não diga que minha vida é fácil, você não sabe pelo
que eu já passei, então não venha dar sua opinião sobre uma coisa que você não sabe. - Digo
furiosa. - Você acha que é fácil perder as pessoas que você ama? As amizades que um dia
achou que existia? Sua família te virar as costas, no momento que você mais precisava? Temos
a definição errada do que é fácil. Eu era egoísta, mimada, não me importava com ninguém,
mas  hoje sou outra pessoa. Graças a Deus e seu pai que me aconselhou muito. Então se você
não tem nada de inteligente para falar, cale a boca. E não me julgue sem me conhecer direito.

Lhe dou as costas, e começo a andar rápidamante. Meus olhos ardem pelas lágrimas não
derramadas.

- Idiota! - Murmuro baixinho.

Não olho para trás, para saber se ele está em meu encalço. Sei que é errado, mas nesse
momento eu queria muito tirar do rosto dele, aquele sorriso debochado com uns belos tapas.

Deus que me perdoe por isso, mas ele passou dos limites.

Percebo que as pessoas sempre irão me julgar pela antiga eu. Mas Deus conhece meu coração,
e para mim, isso é o que importa.

Cap 15

Celeste ficou muito brava comigo pelo que eu disse. Eu mereci até certo ponto sua fúria sobre
mim. Não é fácil perder alguém que ama, é uma dor que não passa, e é uma coisa que não tem
volta.

Mas sua família ainda tem a chance de remissão. Enquanto eu não tenho a chance de ver
minha pequena mais uma vez.

Não sei pelo que ela passou, e acabei a julgando cedo demais. Não deve ser nada fácil viver
com uma família que não demonstra amor por você. Sempre tive o amor de meus pais, mesmo
eu não merecendo na maioria das vezes.

Celeste por trás daquela máscara de forte, é uma mulher quebrada, que está juntando os
pedaços. Eu sei disso porque eu estou da mesma forma.

Fico me perguntando o que se passa na cabeça de um pai tratar a filha, da maneira que o pai
de Celeste a tratou.
Ela deve ter vivido um inferno com aquele homem. É até compreensivo suas atitudes
anteriores. Deve que estava tentando chamar a atenção para si. Mas pelo jeito não deu muito
certo.

- Me desculpe. - Digo.

Ela me olha assutada, como que se estivesse surpresa por um pedido de desculpas de minha
parte.

Fico um pouco envergonhado com isso. Não sou o monstro que ela provavelmente pensa que
sou.

Por trás dessa máscara fria, e arrogante. Existe um homem que precisa de algo para se apoiar,
e continuar a viver.

- Tudo bem. - Diz suspirando. - Eu não queria o carro para poder me lembrar da antiga vida. Eu
iria vende-lo para comprar um pequeno apartamento, se o dinheiro fosse o suficiente. Não
quero ficar amolando seus pais, e nem a você com minha presença indesejável. - Se explica.

Me sinto ainda mais envergonhado por te-lá tratado tão mal.

Celeste não tem culpa da família que tem. Uma mãe submissa que aceita as humilhações do
marido, um irmão fraco que é feito de fantoche pelo pai. Ela foi forte em enfrentar seu pai.
Mesmo que saiu perdendo com isso... Ou talvez não.

Ela encosta a cabeça no vidro do carro, enquanto dirijo de vagar pelas ruas movimentadas.

Vejo que seu corpo se estremesse de repente. Provavelmente ainda há alguma coisa em sua
vida, que eu ainda não descobri.

Tentei perguntar para minha mãe, mas ela me cortou e não disse nada. Deve ser um segredo
nada agradável.

Volto minha atenção para o tráfego, e continuo a dirigir.


                               🌹

Estou deitado em meu quarto, rolando de um lado para o outro, mas o sono não vem. Fico
passando em minha mente o dia de hoje.

De repente escuto alguém gritando, e eu sei que é Celeste com mais um de seus pesadelos.

Me levanto rápido, saio de meu quarto e vou para o seu.

Abro a porta de vagar,  e entro para dentro. Aperto o interruptor ao lado da porta.

Meu coração se aperta com a cena em minha frente. Celeste está suada, com os cabelos
embaraçados pela movimentação constante de cabeça para os lados. Lágrimas escorrem pelo
seu rosto pálido.

- Não me toque. - Choraminga. - Por favor não.

Saio do transe e corro para seu lado.

- Acorde Celeste. - Digo a chacoalhando de leve.

Ela continua se debatendo, e não acorda.

- Celeste. - Chamo-a um pouco alto demais.

Ela abre os olhos assustada, tira minhas mãos de seus ombros, e se encolhe toda na cama.

Ela está tão frágil nesse momento, que meu pensamento era só consola-lá.

Passo a mão pelos seus cabelos molhados pelo suor. Ela se assusta com minha atitude. Me
olha nos olhos, e começa a chorar novamente.
Sou surpreendido comigo mesmo, quando a puxo para meus braços, e a aperto forte contra o
meu peito.

- Shiiii. Já passou. - Digo baixinho.

Não sei por quanto tempo ficamos na mesma posição.

Quando Celeste parou de chorar, senti meu peito molhado pelas suas lágrimas. Eu só queria
consola-lá e tirar essa tristeza de dentro de sua alma.

Mas um homem como eu seria capaz de faze-lá esquecer seus medos? Eu teria a chance de
fazê-la confiar em mim, para me dizer o que se passa em seu íntimo? Eu não tenho as
respostas para essas perguntas.

Mas eu sinto no meu coração quebrado, que podemos ajudar um ao outro se curar de nossas
feridas ainda abertas.

Cap 16

Quando acordei assutada com Dominic me chamando, fiquei sem entender o porque dele
estar sendo tão gentil comigo. Chorei até molhar seu peito, eu precisava desabafar. E
chorando foi a melhor forma que encontrei no momento.

- Me desculpe. - Peço envergonhada.

- Está melhor? - Pergunta.

- Sim. - Sorrio fraco.

- Tente voltar a dormir novamente. - Diz se levantando da cama.

Ele olha para mim por um tempo. Me dá as costas e vai saindo do quarto.

- Dominic. - O Chamo.
- Sim. - Ele se volta para mim.

- Obrigada. - Digo.

Ele acena com a cabeça, sorri e sai do quarto fechando a porta atrás de si.

                              

                 ☆

Passei o resto da noite em claro, não consigo dormir um minuto sequer.

Olho no relógio em cima de uma mesinha ao lado da cama. Já passou das seis horas. Decido
me levantar.

Faço minha higiene pessoal. Arrumo o quarto, e saio para fora.

A casa ainda está silenciosa. Devem estar dormindo ainda.

Me vem uma idéia louca na cabeça. Decido que vou fazer o café da manhã para ajudar Camy.

Vou para cozinha, pego todos os ingredientes que acho que será necessário. Começo a
aprontar tudo.

Arrumo a mesa, e coloco tudo em cima. Fiz o café, ovos mexidos e bacon.

- Bom dia. - Ouço uma voz grave atrás de mim.

- Bom dia. - Respondo tímida a Dominic.

- Acordou animada hoje?

- Mais ou menos isso. - Sorrio. - Sente-se. Deixe eu servir seu café.


Dominic me olha desconfiado.

- Eu não coloquei veneno. - Reviro os olhos.

Ele sorri, puxa uma cadeira e se senta.

Pego o café e coloco em uma xícara para ele. Sirvo o ovo com bacon em um prato. E o entrego.

Coloco para mim também, só que porções menores.

Me sento em uma cadeira em sua frente.

Dominic está meio estranho. Ficou vermelho de repente.

- O que foi? Está passando mal? - Pergunto aflita.

- Não. Está tudo bem.

- Que bom. - Digo. - Está bom?

- O que? - Pergunta.

- O Café.

- Ah! Sim. Está ótimo. - Diz, fazendo uma careta que não passou despercebida.

Decido experimentar o café. Está horrível. Café amargo demais, parece que coloquei uma
concha de sal nos ovos, o bacon está duro. Um desastre.

- Pare de comer isso. - Digo fazendo careta.


- Está bom Celeste. - Se força a comer.

- Está horrível Dominic. Vai morrer se comer isso. - Digo.

Me levanto, tiro o prato de suas mãos e coloco em cima da pia.

- Nem para fazer um café eu sirvo. - Suspiro alto.

- Não diga isso. - Se levanta e vem para meu lado.

- Vejo sua mãe fazer, parece tão fácil.

Ele me encara, não sei o que pensar desse Dominic atencioso.

Camy e Fred entram na cozinha.

- Café pronto! - Diz Camy animada.

- Nem sonhe em colocar isso na boca. - Digo a ela.

- Por quê? - Pergunta.

- Está muito forte.

- Não deve estar tão ruim assim. Eu gosto de café forte mesmo. - Serve um pouco em uma
xícara e leva a boca.

Sua careta vem logo em seguida.

- Humm. Isso está forte mesmo em Celeste? - Sorri.


- Eu te avisei. - Digo gargalhando.

                               ☆

Depois de meu desastre na cozinha, Camy tentou me ensinar algumas técnicas na área da
gastronomia. Mas é tudo tão complicado. Não sei se tenho o dom para ser dona de casa.

Fred me deu uma notícia ótima. Consegui um emprego de assistente em uma clínica
veterinária de um dos membros da igreja.

Meu salário não será nada extravagante, mas irá ajudar com minhas despesas.

Fiquei tão feliz com a notícia que acabei pulando nos braços de Dominic e o abraçando. Ficou
um clima meio estranho na hora, mas logo passou.

                                 ☆

Hoje começo a trabalhar. Acordei mais cedo que o necessário para me arrumar. Fiquei
esperando ansiosa para Camy me levar, mas acabou que Dominic que me levou. Camy teve
outros compromissos.

Andamos o caminho todo em silêncio. Não era tão longe da casa de Fred, eu quis ir andando,
mas Camy insistiu tanto para Dominic me levar, que acabei cedendo.

O carro para em frente a uma construção pequena, com fotos de animais na parede.

- Obrigada por me trazer. - Dou-lhe um beijo na bochecha.

Percebi o que fiz no momento em que me distanciei dele. Dominic me encarou


demoradamente. Não conseguia decifrar seu olhar enigmático.

- Não precisa agradecer. - Diz por fim, e sorri.


Retribuo o sorriso e saio do carro. Aceno com a cabeça, e lhe dou as costas.

Percebo que ele não vai embora enquanto eu não entrei na clínica.

- Bom dia. - Digo.

Há uma moça toda de branco sentada atrás de uma mesa de vidro. Seus cabelos encaracolados
estão presos em um coque bagunçado, tem a pele negra, olhos grandes e verdes. Ela me olha
e sorri.

- Bom dia. Em que posso ajudar? -  Pergunta simpática.

- Acho que sou a nova assistente. - Sorrio para ela.

- Celeste?

- Sim.

Ela se levanta, vem até mim, e me abraça. Sou pega de surpresa com sua atitude íntima.

- Eu sou Karem. Muito prazer. - Diz me atendendo a mão.

- O prazer é todo meu Karem. - Retribuo o cumprimento.

- Fico feliz por ter uma companhia feminina que não sejam as cachorrinhas. - Diz sorrindo.

Karem percebe minha confusão e logo se explica.

- Sou estagiária do Dr. Smith. - Diz sorrindo. - Logo me formarei também.  - Diz animada.

Sorrio com sua animação. Karem parece ser uma pessoa muito simpática.
- Te conheço a o quê? - Diz olhando no relógio no pulso esquerda. - 5 minutos, e já gostei de
você Celeste.

- Eu também. - Digo sorrindo.

Poderá sair uma amizade desse encontro? Eu realmente espero que sim.

Cap 17

Já faz uma semana que comecei a trabalhar, por incrível que pareça, estou me saindo muito
bem. Por mais que o meu trabalho não seja nada difícil. Mas para quem nunca fez nada na
vida, estou indo bem.

Karem, e Dr. Smith foram muito pacientes comigo, me ensinaram tudo que eu precisava saber.
Estão sendo sempre muito gentis. Karem é um amor de pessoa. Acho que seremos grandes
amigas um dia.

Já até fui visitar sua casa, fui muito bem recebida pelos seus pais. Pessoas simples, mas que
são extremamente felizes. São todos membros da Igreja que Fred dirige.

Dominic continua a me tratar bem, não foi grosso comigo novamente. Está sempre me
observando de longe.

Vou a Igreja sempre que consigo, não abandonei minha fé. Mas tem dias que chego tão
cansada em casa, que a única coisa que quero fazer é dormir.

Hoje saí um pouco mais cedo da clínica. Decidi ir andando mesmo, não quis ligar para Camy
para ela me buscar.

Ela sempre me leva, ou pede a que Dominic o faça. Não gosto de incomodar mais que o
necessário, mas ela sempre ganha.

Visto meu casaco simples por cima de um vestido que Camy me deu. Coloco minha bolsa no
ombro e vou embora andando devagar.
Fico pensando em tudo que já aconteceu em tão pouco tempo. Encontrei Deus novamente, e
estou feliz, como eu nunca estive antes em toda minha vida. Mesmo não tendo quem eu mais
amo ao meu lado.

- Olha quem eu encontro sozinha. - Diz uma voz, que eu não queria escutar nunca mais.

Levanto minha cabeça, e lá está Mark, com um sorriso nojento nos lábios.

Sinto um calafrio percorrer meu corpo, minhas pernas começam a fraquejar.

Me obrigo a começar a andar rápido. Ele gargalha atrás de mim.

Sou interrompida de continuar a andar, pelas suas mãos nojentas em meu braço.

- Me solta. - Digo baixinho.

Seu sorriso se alarga, e aperta meu braço ainda mais.

- Fiquei sabendo que foi expulsa de casa. - Diz sorrindo.

- Não é de sua conta o que acontece em minha vida. - Digo ríspida.

Ele joga a cabeça para trás gargalhando alto.

- A gatinha está arisca. Temos assuntos inacabados. - Diz, se aproxima de meu corpo tenso.

Tento me soltar, mas é em vão. Começa a me puxar para perto de seu carro parado na rua.
Começo a me desesperar.

Mark me empurra no carro, e beija meu rosto. Luto com todas minhas forças para fugir de seu
aperto. Mas quando mais me esforço, mais ele me aperta.
As ruas estão desertas. Não passa ninguém para me ajudar nesse momento.

Finjo ceder ao seu toque, para conseguir uma brecha para fugir.

- Desculpe interromper o casal. - Diz uma voz conhecida.

Mark se distância um pouco de mim, o empurro para longe. Corro para perto de Dominic.

- Graças a Deus você apareceu. - Digo passando as mãos pelos meus braços doloridos, pelo
aperto de Mark.

Dominic me olha de cima em baixo com desdém. Sorri com malícia.

- Quem é você? - Pergunta Mark a Dominic.

- Ninguém. - Diz Dominic irritado.

Seu sorriso perverso não sai dos lábios. Seu olhar frio está novamente no lugar.

- Pode continuar o que estavam fazendo. Não vou atrapalhar mais. - Diz, dando as costas.

- Dominic. - O chamo. - Não é o que você está pensando. - Digo pegando em seu braço para ele
parar.

- Não é o que eu estou pensando? - Pergunta. - Estava igual uma vadia, se agarrando com um
homem no meio da rua, e não é o que eu estou pensando?

De repente sinto minha mão arder, pelo tapa que acabei de desferir em seu rosto.

- Nunca mais, na sua vida me chame de vadia. - Digo furiosa. - Me ouviu bem?

Lágrimas quentes começam a rolar pelo meu rosto.


Mark está rindo sinico. Pego minha bolsa que caiu no chão. Vou até ele. E desfiro um chute no
meio da suas pernas.

Ele cai no chão pragejando algumas coisas que não entendo.

- A próxima vez que você colocar essas suas mãos imundas em cima de mim, eu vou a polícia,
me ouviu bem? - Digo ameaçadoramente baixo.

Dou as costas para Mark o deixando no chão.

Dominic está de olhos arregalados pela minha atitude. Está a marca de minha mão em sua
face.

- Eu achei que nos poderíamos ser amigos um dia. - Sorrio triste. - Mas eu estava enganada.
Você só pensa em você mesmo, julga a todos como se você tivesse direito para tal coisa. Olhe
mais para sua vida vazia sem Deus Dominic. Você é feliz fazendo os outros infelizes? -
Pergunto.

- Celeste...

Lhe dou as costas e começo a correr. Escuto ele gritar meu nome de longe, mas não olho para
trás. Algum dia serei feliz? Com essa pergunta sinto um baque em meu corpo, e tudo escurece.

Cap 18

Dominic

Como eu estou me sentido nesse momento? Culpado!

Culpado por não ter confiado em Celeste, por mais uma vez tirar conclusões precipitadas a seu
respeito. Culpado por não protege-lá.

Eu fiquei tão cego na hora, que ignorei seu olhar de alívio quando me viu. Mas eu como
sempre, a magoei profundamente com as minhas atitudes e palavras.

Agora ela está em uma uma mesa de cirurgia entre a vida e a morte, e tudo por minha culpa.
Vi o exato momento quando ela foi atropelada. Fiquei parado em choque no lugar, minhas
pernas não funcionaram. Passou tantas coisas pela minha cabeça, e não foram nada boas.

Saí do transe, corri até ela. Meu corpo tremeu com a visão que tive. Ela estava coberta de
sangue por todos os lados, sua perna quebrada com fratura exposta. Achei que ela estava sem
vida, mas escutei ela gemer baixinho.

O motorista do carro já havia chamado a ambulância.

Chegando no hospital liguei para minha mãe, para avisa-lá o que havia acontecido.

Não muito tempo depois ela chegou ao hospital com meu pai. Contei a eles o que houve.

Minha mãe me contou sobre a tentativa de estupro que Celeste sofreu. Provavelmente era o
mesmo homem de hoje, pois ela o ameaçou.

Isso só me fez me sentir ainda mais culpado, se eu tivesse acreditado nela, isso tudo não teria
acontecido, e ela estaria bem agora.

- Parentes de Celeste? - Pergunta um homem alto de cabelos grisalhos.

- Sim. - Diz minha mãe. - Como ela está doutor?

- Agora está instável. Teve duas paradas cardíacas, mas conseguimos traze-lá de volta, mas
infelizmente ela entrou em coma induzido por causa do inchaço no cérebro. Se ela acordar,
poderá haver seqüelas. Mas estou confiante que ela irá lutar com garra. - Sorri o doutor.

- Teve mais algumas lesões sérias? - Pergunta meu pai.

- Estão operando sua perna nesse momento, mas o Dr. Malik disse que vai ficar nova como
antes. Ele é muito bom no que faz. - Diz. - É torcer para que o inchaço de seu cérebro melhore,
é o que mais preocupa.
O Dr continua a conversar com meus pais, mas minha mente está longe.

- Dominic. - Chama minha mãe.

- Oi. - Digo acordando do transe.

- Precisamos avisar a família de Celeste.

Uma lágrima solitária rola no rosto pálido de minha mãe.

A abraço forte, beijo o topo de sua cabeça.

- Você avisa a família dela, que eu aviso Karem. - Diz.

- Tudo bem.

Eu não queria sair do hospital até eu poder ve-lá, mas a cirurgia era demorada. Decidi por fim
ir avisar sua família.

                                   ☆

Já era tarde quando cheguei a casa dos pais de Celeste. Se eu tentasse falar com os guardas,
eles provavelmente não iriam me deixar passar.

Entrei no Jardim pela entrada que Celeste usou da última vez que veio a casa.

Toquei a campainha da casa. Escutei alguém se movimentando atrás da porta fechada.

- Pois não? Em que posso ajudar? - Pergunta uma senhora.

- Eu gostaria de falar com seus patrões. - Digo.


- Claro. Entre. - Diz abrindo ainda mais a porta.

A senhora anda na frente, com seu vestido preto rodado balançando para os lados.

Ela nos leva até uma sala que parece ser de jantar.

- Senhor, esse rapaz deseja falar com o senhor. - Diz a senhora.

- O que você está fazendo em minha casa? - Solta entre dentes. - Quem te deixou entrar?

- Ninguém me deixou entrar. - Digo com tranquilidade.

- Fora de minha casa, ou eu chamo a polícia. - Diz estridente.

Olho em volta, está o irmão e a mãe de Celeste, sentados a mesa. Todos me olham assustados.

- Eu só vim lhes informar algo. Depois irei embora. - Digo.

- Não quero saber de nada que vem de você. - Diz Antony com desdém.

Olho para a loira bonita que está ao lado do pai de Celeste.

- Então direi para a senhora. - Digo apontando para a mãe de Celeste.

- Eu? - leva as mãos ao peito, em sinal de nervosismo.

- Celeste sofreu um grave acidente hoje, foi atropelada quando foi atravessar a rua.

- Ai meu Deus. - Diz se levantando desesperada de sua cadeira. - Eu preciso ver minha filha.

Seu filho corre para ela e a ampara para que não caia.
- É muito grave? - Pergunta Patrick.

- Ela está em coma. Não sabem se ela vai acordar. E se acordar... poderá haver seqüelas.

Meu coração dói com essas hipóteses.

- Por mim que morra. - Diz Antony. - Não tenho filha, nunca tive.

- Chega pai! - Grita Patrick. - Você passou dos limites.

- Me res...

Mas o rapaz o corta.

- Vamos mãe. - Diz pegando suas mãos. - Vamos ver Celeste.

- Não é para vocês saírem dessa casa. - Grita o pai de Celeste. - Eu os proibo.

Patrick continua andando com sua mãe ao lado, rumo a porta.

Os sigo para fora da casa.

A única coisa que consigo pensar é em como eu sou um idiota completo. Como eu fui burro e
cego.

- Não a leve meu Deus. - Digo com lágrimas nos olhos. - Não a tire de mim.

Cap 19

Passei a noite no hospital, sentado em um estofado no quarto de Celeste. Sua mãe me pediu
que ficasse com ela enquanto ela ia em sua casa com Patrick, para tentar convercer Antony a
vir vê-la. Não consegui dormir um minuto sequer, na esperança que ela acordasse, mas isso
não aconteceu.
Quando a vi deitada naquela cama, meu coração se quebrou. Ela estava irreconhecível, seu
rosto estava inchado, com tubos por todos os lados em seu corpo frágil.

Eu merecia estar em seu lugar. Merecia pagar pelas coisas horríveis que disse a ela.

Sua mãe e Patrick também não saíram de seu lado, a não ser o tempo que foram atrás de
Antony. Foi triste ver o desespero de Emma quando viu a filha naquele estado. Ela deve ter se
arrependido amargamente por não ter apoiado a filha, e ter ficado ao lado de Antony.

- Dominic. - Chama minha mãe.

- Oi mãe. - Digo suspirando cansado.

- Você precisa descansar meu filho. - Diz preocupada. - Não vai adiantar de nada você ficar ao
lado dela, se não estiver saudável.

Pega minha mão gelada, e aperta com carinho e apoio.

- Eu só quero estar aqui quando ela acordar.

Vejo ela sorrir fraco, e olhar para cama onde Celeste está deitada.

Minha mãe também não saiu do hospital. Está sendo um conforto para mim, te-lá ao meu
lado. Não suportaria a espera sem ela.

Celeste teve outra parada cardíaca. Foi uma correria louca. Mas graças a Deus os médicos
chegaram a tempo de reanima-lá.
Meu corpo gelou com a possibilidade de perde-lá. Senti minhas forças indo embora. Já estava
sem esperanças de ve-lá acordar. Mas coloquei os pensamentos negativos de lado.

- Você tem que ser forte Celeste. - Digo pegando em sua mão.

Mas ela não me respondeu, não acordou. Continuou em seu sono profundo.

- Como nossa garota está? - Pergunta Karem entrando no quarto.

- Na mesma. - Digo triste.

- Tenha Fé Dominic. - Ela aperta meu ombro. - Ela irá acordar. - Sorri pensando na
possibilidade. - Você vai ver. Celeste ainda vai nos dar muito trabalho.

Sorrio fraco. Mas uma pequena palavra não sai da minha mente... Fé.

Se Deus não me ouviu antes, por que me ouviria agora?

Uma semana depois.

Já se passou uma semana e Celeste ainda não acordou. Os médicos disseram que o inchaço de
seu cérebro está normalizado, e ela está fora de perigo. É esperar ela acordar para ter certeza
se haverá alguma sequela.

Cada dia que passa me sinto ainda mais impotente, sem poder fazer nada para ajudar, a não
ser esperar pacientemente.

Patrick e Emma vem todos os dias ao hospital, assim como meus pais e Karem. Antony nem
sequer deu as caras para visitar a filha.
Fico me perguntando que tipo de pai, odeia tanto uma filha para não aparecer em um
momento desses?

Antony colherá o que está plantando, e não será uma colheita nada agradável.

Eu sei disso, porque estou colhendo o que plantei. Eu mereço meu castigo.

Deixei Celeste com sua família no quarto, e comecei a vaguear pelo hospital.

De longe vejo uma pequena capela, e decido ir até ela.

Entro para dentro, me sento no último branco, e fico a olhar uma cruz no centro da capela.

- Eu sei que não tenho o direito de te pedir nada depois de como eu venho me comportando,
sei que não mereço ao menos falar com o Senhor. - Digo sorrindo fraco. - Mas eu não quero
pedir nada para mim, e sim para Celeste. Ela merece ter a chance de ser feliz. - Meus olhos se
enchem de lágrimas. - Eu não tenho sido um bom filho, culpei o Senhor pelo que aconteceu a
Melanie, descontei minhas frustrações em quem não merecia. Fui um mal filho, um mal amigo,
e o pior de tudo... fui duvidar de quem me deu a vida. - Suspiro triste. - O Senhor poderia me
perdoar? Poderia me dar a chance de consertar meus erros? Poderia entrar nesse coração
imundo que está morrendo mais e mais a cada dia? - Lágrimas correm pelo meu rosto. - Eu sei
que não mereço essa oportunidade, mas eu a quero mais que tudo. Eu quero o antigo Dominic
de volta, quero os sonhos e propósitos que o Senhor sonhou para mim. - Coloco minhas mãos
sobre meu peito. - Se não for tarde demais meu Deus, me aceite de volta.

Abro meus olhos e olho para a cruz novamente.

- Não é tarde demais meu amor. - Diz minha mãe pegando em meu ombro.

Me levanto e a abraço forte.

- Me perdoe mãe? - Peço. - Por tudo.

Ela chora em meu peito. Me aperta ainda mais contra sim.


- Eu te perdoo meu filho. - Beija meu rosto com carinho. - Mas não se esqueça de uma coisa
Dom. Lutas e adversidades sempre virão, para testar a nossa fé. Não desista na primeira delas,
se apague ainda mais com Deus, que tudo se torna mais fácil.

Passa a mão pelo meu rosto secando minhas lágrimas.

- Eu não vou mãe. - Digo sorrindo. - Agora será para sempre.

Ela retribui o sorriso. Vejo alegria em seu semblante.

Minha alma está alegre, sinto meu corpo leve, sinto a presença de Deus ao meu lado. Agora eu
sei que mesmo em meio a minha rebeldia, Ele não me deu as costas, continuou ao meu lado.
Tenho certeza que Melanie ficaria orgulhosa de mim. Um dia irei me encontrar com ela
novamente.

Voltamos para o quarto. Quando abri a porta, um sorriso automático se instalou em meus
lábios.

Agradeci mentalmente a Deus, pela dádiva da vida.

- Olá Celeste. - Digo.

- Quem é você? - Me olha confusa.

Cap 20

Acordei com uma dor de cabeça horrível, senti meu corpo todo dolorido. Olhei em volta sem
entender onde eu estava, e o que havia acontecido comigo.

- Mãe.

Ela se levanta depressa do estofado que estava sentada, corre até mim.

- Graças a Deus você acordou. - Diz sorrindo. - Como está se sentindo?


- Como se eu tivesse sido atropelada. - Digo tentando me mecher. - Estou com sede. O
aconteceu comigo?

Tento me levantar mas mamãe não deixa.

- Eu vou chamar alguém para te atender.

Sai do quarto antes mesmo que eu consiga dizer algo, e sem me explicar nada.

Minha garganta dói um pouco, e estou com a boca seca.

De repente alguém entra no quarto. Sorri para mim.

- Oi Celeste. - Diz o estranho.

O encaro por um segundo.

- Quem é você? Pergunto desconfiada.

Seu sorriso morre nos lábios.

Minha mãe volta para o quarto, antes que eu tenha a chance de saber de quem se trata o
rapaz que me encara.

- Como está se sentindo Celeste? - Pergunta um homem de cabelos grisalhos.

- Minha cabeça dói um pouco, e meu corpo.

O homem pega um copo de água, e me entrega.

- Beba em pequenos goles.


Obedeço o doutor.

- O que aconteceu comigo? - Pergunto confusa. - Alguém pode me dizer?

- Você não se lembra de nada? - Pergunta minha mãe.

A única coisa que me lembro é que estava saindo do meu emprego e... e daí em diante não
consigo me lembrar o que aconteceu.

O rapaz me olha demoradamente, sorri para mim, e sai do quarto.

Tenho a sensação que o conheço de algum lugar, mas não estou o reconhecendo.

- Não me lembro de nada. - Digo suspirando.

- Você foi atropelada meu amor. - Diz minha mãe triste.

Fico estranhando o comportamento de minha mãe. Ela nunca foi de demonstrar muito
carinho.

- Atropelada?

- Sim. Mas graças a Deus você sobreviveu. - Pega minha mão e a beija. - Você estava saindo do
trabalho, foi atravessar a rua e acabou sendo atropelada. Dominic estava com você.  Mas
agora não é hora para lhe contar os detalhes.

- Quem é Dominic? - Pergunto confusa.

- Você não se lembra de Dominic? - Minha mãe arregala os olhos.

- Não. - Passo as mãos pelo meu rosto.


- Você está morando na casa dele Celeste. Dominic é filho de Camy e o reverendo.

Camy e o reverendo eu sei quem é, mas Dominic...

- Não consigo me lembrar.

Minha mãe me olha assustada, depois olha para o doutor. 

- Isso é normal doutor? - Pergunta apreensiva. - Ela irá se lembrar dele?

- Possivelmente foi pela pancada na cabeça, mas com o tempo ela irá se lembrar sim. - Diz
confiante.

- Quando eu posso ir embora doutor? - Pergunto.

Não sou muito fã de hospitais.

- Temos que fazer alguns exames primeiro, ver se está tudo em ordem. Conforme os
resultados, poderá sair em uma semana. Temos que ficar de olho em você por enquanto.

- Obrigada.

- Daqui a pouco eu volto. - Diz sorrindo, e indo rumo a porta.

                 ☆

Karem, Camy e Fred já vieram me visitar, todos demonstraram muita alegria em me ver
acordada e bem.

Minha mãe e Patrick não saíram do meu lado, enquanto meu pai nem se dignou a aparecer.
Dominic também não voltou mais a meu quarto. Camy falou que ele teve alguns
compromissos. Provavelmente ele está fugindo de mim.

Os exames estão tudo em ordem. Não tem nada de errado comigo, a não ser minha pequena
falha de memória. Mas os médicos disseram que irei me lembrar logo.

Agradeci muito a Deus por ter me dado a chance de viver por mais algum tempo. A vida é uma
dádiva, e devemos sempre agradecer a Deus por ela.

Minha mãe e Camy estão conversando animadamente enquanto observo. Escuto minha mãe
dizer a ela que vai me levar para casa.

- Eu não vou mãe.

- Como? - Me olha assustada.

- Se Camy permitir continuarei em sua casa. - Digo. - Não vou voltar com a senhora. Antony ira
fazer um escândalo se eu chegar perto daquela casa. Quero evitar isso, e evitar que vocês dois
briguem por minha causa.

De um jeito ou de outro Antony sempre arruma alguma coisa para humilhar minha mãe, e não
ficarei calada enquanto isso acontece perto de mim.

- Mas Celeste...

- Não mãe. Eu te agradeço por te-lo enfrentado para poder estar aqui comigo, mas eu não
quero voltar para aquela casa. - Digo. - Qualquer coisa vendo meu carro, e vejo se consigo
comprar um pequeno apartamento com o dinheiro.

- Você sabe que é bem vinda em minha casa. - Diz Camy. - Se você quiser pode continuar
morando comigo. Me acostumei com sua presença. - Sorri para mim.

Eu me acostumei tanto com Camy e Fred, que não me vejo dentro daquela mansão que só
existe ódio e rancor.
- Obrigada Camy.

- Tudo bem então, mas eu quero te visitar sempre que eu conseguir. - Diz minha mãe.

- Será bem vinda sempre que quiser ir visitar Celeste. - Diz Camy pegando em sua mão.

Sorrio triste, porque eu sei que meu pai não irá deixar isso acontecer tão fácil.

- Eu vou estar te esperando. - Sorrio para ela com carinho.

              

                 ☆

Saí do hospital hoje, minha mãe ficou triste por eu não ter voltado para casa com ela. Patrick
também não ficou muito feliz, mas aceitaram minha escolha.

Em pouco tempo que vivo com Camy, fui mais feliz que a minha vida toda. Aquela é uma casa
onde reina o amor, respeito, amizade. Eu sei que estou incomodando, será ainda pior pois
dependerei de sua ajuda por causa de minha perna quebrada. Ela não viu problema nenhum
em me ajudar, mas eu sei que incomoda.

- Bem vinda de volta Celeste. - Diz Fred sorrindo.

- Obrigada Fred. - Retribuo o sorriso.

Está sendo um sacrifício andar de moletas, esse negócio é mas complicado do parece.

- Deixa eu te ajudar a ir para o quarto. - Diz Camy já ao meu lado.

- Camy você já fez demais por mim. - Digo sorrindo. - Eu tenho que pelo menos conseguir
andar só.

- Você é tão teimosa quanto Dominic. - Diz sorrindo.


Dominic não voltou ao hospital, e eu não consegui me lembrar dele. Passei as noites em claro
tentando me lembrar, mas foi em vão.

Camy deixou eu ir para o quarto sozinha, mas ficou de longe me observado.

- Olá Celeste.

Me assusto e acabo escorregando. Mas antes que eu caia, sou amparada por Dominic. Ele me
levanta como seu eu fosse uma boneca.

Nossos olhares se encontram, ele sorri de lado. Chega para mais perto, meu coração se acelera
com sua proximidade.

- Por que não consigo me lembrar de você? - Pergunto baixinho.

Cap 21

- Por que não consigo me lembrar de você? - Pergunto baixinho

- Talvez porque eu seja o culpado de seu acidente.

O olho assustada.

- Você me atropelou? - Pergunto confusa.

- Não. - Diz Dominic pensativo. - Nós brigamos, eu disse coisas imperdoáveis. Você ficou
furiosa comigo e saiu correndo, atravessou a rua sem olhar para os lados. E acabou sendo
atropelada.

- Então a culpa não foi sua. - Digo. - Eu que fui a irresponsável, em atravessar a rua sem olhar.

- Mas se nós...

O interrompo.
- Não me lembro o porque de nossa briga. - Digo. - Mas você não tem culpa alguma.

Dominic me olha triste. Ele se culpa pelo que houve, sem ser o culpado.

- Talvez quando você se lembrar do que aconteceu, você também me culpe. - Diz sorrindo
fraco.

- Tenho certeza que não irá acontecer. - Sorrio para ele. - Mesmo sem eu saber o que houve
naquele dia, eu te perdoo.

Pego sua mão e aperto com carinho. Ele retribui o aperto e me encara. Não consigo decifrar
seu olhar enigmático.

- Eu gosto de você Celeste. - Diz baixinho. - Eu realmente gosto.

Dito isso me dá as costas, e me deixa sem saber o que pensar sobre essa declaração.

                ☆

Acordei assustada com um sonho horrível. Mark estava em meu pesadelo.

Parecia mais uma lembrança de que um sonho.

Mas acabei ficando feliz. Se esse pesadelo for realmente uma lembrança, quer dizer que estou
me lembrando do que aconteceu. Logo me lembrarei de Dominic.

Sinto que o conheço. Eu sinto que gosto dele. Mais do que eu devia.

Com Dominic em meus pensamentos acabo dormindo novamente.

               
                 ☆

- Acorde bela adormecida.

Jogo o cobertor por cima de minha cabeça, para evitar o reflexo da luz.

- Que horas são? - Pergunto bocejando.

- São exatamente oito horas. - Diz Karem.

- Você não tinha que estar no trabalho? - Pergunto me sentando na cama.

- Hoje é domingo Celeste. - Diz Karem sorriso.

- Nem estava me lembrando desse detalhe. - Digo sorrindo.

Karem senta na beirada da cama.

- Como está se sentindo? - Pergunta preocupada.

- Com um pouquinho de dor no corpo. - Digo. - E tendo um trabalho enorme para andar com
aquela coisa.

Aponto para as moletas ao lado da cama.

- Logo você pega prática. Ou então pede para Dominic te carregar. - Diz sorrindo abertamente.

Jogo meu travesseiro em seu rosto.

- Cale a boca. - Digo sorrindo.


- Você gosta dele! - Gargalha. - Está toda corada.

Será que está tão na cara assim que gosto de Dominic? Realmente espero que não!

Como é possível gostar de alguém que não se lembra? Não tenho a resposta para essa
pergunta.

- Ele está se sentindo culpado pelo que aconteceu. - Digo suspirando.

- Está mesmo. Ele não saiu do hospital. - Diz Karem. - Dava até dó de ver o estado do coitado,
esperando você acordar. E quando acordou... Não se lembra dele.

- Agora sou eu que estou me sentindo culpada. - Sorrio triste.

- Pois não deve. - Diz Karem pegando minhas mãos, e apertando de leve. - Você irá se lembrar
em breve. Aí poderam casar e ser felizes para sempre.

Gargalho alto.

- De onde você tirou essa idéia louca? - Pergunta ainda sorrindo.

- Não é loucura. Eu apenas sei. - Diz séria. - Você encontrará a felicidade que tanto deseja ao
lado Dominic.

- Você está me assustando. - Digo tensa.

O que deu em minha amiga para falar isso? Mas... pensando bem, me casar não seria uma má
idéia.

- Não precisa se assustar. - Aperta a ponta de meu nariz. - Você vai ser feliz minha amiga. -
Sorri. - Eu sinto isso bem aqui.

Coloca a mão sobre o coração.


- Amém. - Digo sorrindo.

Feliz já sou, desde o momento que voltei para os braços do Pai. Mas se Deus tem mais um
pouquinho de felicidade para colocar em minha vida. Aceito de bom grado.

                                 ☆

Karem e eu passamos amanhã conversando. Depois que ela foi embora saí do quarto.

Estava morrendo de fome, pois não havia tomado café da manhã.

Quando entrei na cozinha fui logo abrindo a geladeira.

- Boa tarde!

- Meu Deus que susto! - Levo uma das  mãos ao peito.

- Me perdoe. - Diz Dominic sorrindo.

Esse homem consegue o que quiser com seu sorriso, nunca vi um mas lindo que o seu.

Pigarreio, pois percebo que estava encarando demais.

- Cadê Camy e Fred? - Pergunto.

- Foram fazer algumas visitas. - Diz.

Pego um pedaço grande de bolo. E fico pensando em como vou leva-lo até a mesa.

- Eu te ajudo. - Diz Dominic já ao meu lado.


- O... obrigada. - Digo gaguejando.

- Não precisa agradecer.

Seu sorriso se alarga. Me ajuda a me sentar em uma das cadeiras, e me entrega o bolo.

- Hum! Que delícia! - Digo com a boca cheia.

Dominic fica me encarando enquanto devoro o bolo. Fico sem graça com seu olhar intenso
sobre mim.

- Tem um pedaço de bolo no seu rosto. - Diz sorrindo.

- Onde? - Pergunto passando a mão em meu rosto.

- Aqui. - Diz, passando o dedo no canto de minha boca.

Devo estar vermelha de vergonha, pois ele sorri ainda mais.

- Obrigada. - Agradeço.

Eu sei que é errado, mas nesse momento eu queria muito ser beijada por ele. Mas ignoro esse
pensamento louco, e volto minha atenção ao bolo.

Será que Karem está certa em relação a Dominic? Eu sinceramente espero que sim.

Cap 22

Dominic

- Eu me lembrei! - Celeste invade meu quarto gritando.

- Se lembrou de quê? - Pergunto curioso.


- De você bobo. - Sorri feliz.

Me levanto rápido de minha cama.

Quando chego mas perto dela, ela se joga em meus braços se esquecendo de suas muletas que
cai no chão.

A aperto firme contra meu corpo. Sua proximidade me causa sensações nunca antes sentidas.

- Fico feliz. - Digo sorrindo.

Já faz duas semanas que Celeste saiu do hospital, e ainda não se lembrava de mim.

Fiquei extremamente feliz com sua melhora. Mas um pouco triste por ser o único a não ser
lembrado. Mas  graças a Deus isso já é passado.

- Eu também. - Diz alegre. - Enfim me lembrei.

Seu sorriso morre nos lábios de repente.

- O que aconteceu? - Pergunto aflito.

- Só me lembrei do nojento de Mark. - Diz nervosa. - Eu já havia sonhado. Desconfiava que era
uma lembrança e não apenas um sonho ruim.

Me lembro do que minha mãe me falou sobre Celeste. Fico muito bravo comigo mesmo por
não ter defendido ela. Ao invés disso acabei falando coisas que não devia.

- Você me perdoa pelo que eu te disse? - Peço.

Ela me encara por um tempo. Seu olhar é indecifrável.


- É claro. - Diz por fim. - O que você me disse? - Pergunta sorrindo. - Nem me lembro.

- Obrigada. - Sorrio abertamente.

Pego sua mão e aperto de leve.

Nossa amizade se intensificou essas duas semanas. Nunca tive muitas amizades, depois que
Malanie se foi piorou ainda mas. Por sorte Celeste me perdou. E nossa amizade continua firme
e forte.

- Que animação é essa? - Pergunta minha mãe entrando no quarto.

- Eu me lembrei de Dom Camy. - Diz Celeste.

Foi a primeira vez que ela não me chamou pelo nome. Gostei de como soa meu apelido dito
por ela.

- Olha que bênção. - Diz minha mãe  animada. - Agora vamos tomar café, estou faminta.

- Eu também. - Digo passando a mão na barriga.

                                 ☆

Minha vida está incrivelmente melhor depois que me reconciliei com o senhor. Deus tem me
abençoado de uma forma maravilhosa. Eu realmente não achei que seria perdoado, mas Deus
em sua infinita graça e misericórdia não me desamparou.

Falta apenas um mês para me formar em Medicina. Foi uma caminhada longa e complicada.
Optei por medicina para poder salvar vidas com a ajuda de Deus.

Estudei muito para chegar onde estou. Ganhei a bolsa graças a Deus, e a meus esforços para
aprender cada vez mais.
- Tenho uma novidade para contar a vocês. - Digo a minha família.

- Conte meu amor. - Diz mamãe vindo ao meu encontro.

- Se lembram o hospital em que fiz alguns estágios ano passado? - Pergunto sorrindo. - Eles
querem que eu trabalhe para eles depois que me formar.

- Série? - Pergunta meu pai sorrindo.

- Sério! - Digo.

- Glória Deus por isso. - Diz mamãe me abraçando forte. - Estou tão feliz por você meu filho. E
muito  orgulhosa também.

- Obrigada mãe. - Beijo seu rosto.

Meu pai me abraça forte e deseja muitas bênçãos de Deus em minha nova jornada.

- Escutei comemorações e vim ver do que se trata. - Diz Celeste entrando na sala.

- Dom nem terminou a faculdade e já conseguiu emprego. - Diz minha mãe sorrindo orgulhosa.

- Que bênção. - Celeste sorri para mim. - Fico muito feliz por você.

- Obrigada.

Nos encaramos por um tempo. Seu sorriso feliz sempre nos lábios.

- Você e Celeste poderia comemorar não? - Diz minha mãe sorrindo cúmplice com meu pai.

- Que tal vocês dois jantarem fora? - Pergunta meu pai.


Tenho a leve impressão que meus pais estão dando uns de cupido para nosso lado.

- Acho uma excelente idéia. - Digo sorrindo.

- Se você não se importar de sair comigo andando com moletas, tudo bem. - Celeste sorri.

- Então está tudo certo. - Diz dona Camy.

Será apenas um jantar entre amigos? Um encontro?

Fico me perguntando se Celeste me vê apenas como um amigo, ou como homem que sou.

Terei as repostas para minhas perguntas em breve.

Não sei ao certo o que sinto por ela, mas sei que não é apenas amizade. Tem algo a mais. E
quando eu descobrir o que realmente sinto. Não a deixarei partir.

                 ☆

- Dom tem certeza que quer entrar aí? - Pergunta Celeste.

- Sim. - Digo. - Quero que sua noite seja perfeita.

- A sua noite tem que ser perfeita. - Diz. - A comemoração é sua.

- E sua. - Sorrio. - É nossa.

Pego sua mão e aperto de leve. Celeste não quis trazer as moletas e está me usando de apoio.

Gosto da idéia de que ela vê em mim apoio e confiança.


- Esse restaurante é muito caro. - Diz tensa. - Não estou dizendo que você não possa pagar.
Mas podemos ir em algo mais simples? Onde não nos olhem com desdém.

- A escolha é sua. - Digo sorrindo.

- Vamos naqueles restaurante de quilo? - Me olha com malícia.

Gargalho alto.

- Você decide.

- Então está decidido. - Diz feliz. - Vamos comer bem mais e ainda voltar com dinheiro para
casa.

Voltamos para o carro, abro a porta para ela entrar.

- Olha olha quem eu vejo por aqui. - Diz uma voz desconhecida.

Me viro para trás e dou de cara com o rapaz que estava beijando Celeste a força, com uma
moça ao seu lado.

Meus punhos se fecham ao lado de meu corpo. Minha vontade é de esfregar a cara desse mal
caráter pelo chão.

- Vamos embora Dom. - Diz Celeste tensa.

- Vamos. - Digo por fim.

- O que? Nem vai cumprimentar velhos amigos?

- Não sou sua amiga. - Diz Celeste o cortando.


O rapaz jogo a cabeça para trás e gargalha alto, e coloca a mão em meu ombro.

- Tire sua mão de mim. - Digo ameaçadoramente baixo.

Seu sorriso sinico se alarga ainda mais.

- Deixa eu adivinhar. - Coloca a mão no queixo. - Está dormindo com a vadiazinha, estou certo?

Nesse momento perdi o resto de paciência que tinha. Esmurrei seu rosto com toda a minha
força.

Ele cambaleia para trás e cai no chão.

- Lave sua boca para falar de Celeste. - Digo irritado.

Ele permanece no chão com o nariz sangrando.

Deus que me perdoe pela minha atitude. Sei que estou errado. Mas quando alguém ofende
quem você gosta, você acaba fazendo coisas sem pensar, e foi exatamente o que aconteceu.

- Não vale a pena Dom. - Diz Celeste ao meu lado. - Vamos.

Vou me esforçar o máximo para fazer de sua noite a melhor de sua vida. Não deixarei um
idiota sem caráter interferir em sua felicidade.

Meu mais novo objetivo, é fazer Celeste feliz.

Cap 23

- Obrigada por me defender. - Digo quebrado o silêncio constrangedor.

- Eu deveria ter feito isso da primeira vez. - Diz Dom entre dentes.

- Você fez hoje. - Coloco minha mão em seu braço. - Por isso te agradeço.
Ele me olha por um segundo e volta sua atenção para o tráfego. Tira sua mão esquerda do
volante e aperta de leve a minha.

Gosto da sensação que sinto quando ele me olha ou me toca. Estou apaixonada por Dom, mas
será que ele sente o mesmo por mim? Ou apenas me vê como sua amiga? Ou sente culpa pelo
que houve?

Decido não ficar pensando muito para não estragar nossa noite. Mark não irá se interferir em
minha vida, e muito menos estará em meus sonhos. Quero seguir em frente e esquecer o meu
passado. É impossível eu sei, mas agora sou nova criatura, a velha Celeste está morta.

                  ☆

- Se você não estivesse me amparando, eu não conseguiria nem andar. - Digo rindo. - Acho que
nunca comi tanto em minha vida.

Dom gargalha alto enquanto me ajuda a chegar no carro.

- Comemos demais mesmo.

- E ainda estamos voltando para casa feliz, de barriga estourando, e dinheiro na carteira. - Digo
me apoiando ainda mais em Dom.

Quando chegamos no carro ele abriu a porta para mim.

- Vamos sentar um pouco ali. - Digo apontando para um banco em frente a um lago.

- Você decide.

- Não quero que a noite acabe ainda.

- Então vamos. - Diz fechando o carro novamente.


Dom me apoia em seu corpo mais uma vez e vamos rumo ao banco.

- O céu está lindo. - Diz olhando para o alto.

- Está lindo mesmo. - Digo olhando para ele.

Ele volta sua visão para mim. Eu desvio a minha rápidamante e começo a olhar para o lago.

Dom pega minha mão e aperta de leve.

Olho para ele. Seu olhar está enigmático enquanto ele me encara.

- Eu gostaria muito de te beijar nesse exato momento. - Diz Dom baixinho.

- O... o que te impede? - Gaguejo.

Dom passa sua mão pelo meu rosto corado. Fecho os olhos enquanto suas mãos percorrem
meu rosto.

- Não tenho certeza se é isso que você deseja. - Diz. - Não quero te deixar desconfortável.

- Você não deixaria. - Digo baixando o olhar.

Dom levanta meu rosto novamente. Chega para mas perto de mim.

- Olhe para mim. - Segura meu queixo. - Olhe nos meus olhos e diga que você quer.

Por um momento fiquei apenas o encarando. Enquanto minha voz some.

Me aproximo de seu rosto. Me atrevo a passar minha mão pelo seu rosto.
- Eu quero. - Digo por fim. - Quero muito.

Me aproximo ainda mais. Sinto seu hálito quente contra minha pele. Dom sorri abertamente, e
cola seus lábios nos meus finalmente.

Me beijou lentamente. Minhas mãos foram parar em volta de seu pescoço, enquanto ele me
puxava para mais perto de si.

Havia beijado apenas um garoto em toda minha vida. E tinha sido horrível. Mas com Dom foi
completamente diferente. Incrível!

- Isso foi bom. - Diz encerrando o beijo por falta de ar. - Incrivelmente bom.

Sorri para mim, sinto meu rosto se esquentar.

Não deu tempo de eu dar minha opinião, pois ele me beijou novamente.

             

                                  ☆

Passei a maior parte da noite pensando em Dom e nosso beijo. Sorrio para mim mesma,
enquanto levo a mão aos lábios.

Foi a melhor noite de minha vida. Dominic foi incrível e carinhoso comigo. Ele está diferente,
sempre sorrindo, brincando com os pais e comigo.

Fiquei extremamente feliz quando soube que ele havia voltado para a Igreja. Ele não poderia
ter feito melhor escolha.

Alguém bate a porta.

- Entre. - Grito.
- Bom dia Celeste. - Deseja Camy sorridente.

- Bom dia. - Digo retribuindo o sorriso.

- Sua mãe acabou de chegar.

- Já vou recebe-lá.

Pego minhas moletas que estão ao lado da cama e me levanto. 

Agora que peguei o ritmo de andar de moletas, não estou tão lerda.

Camy me dá passagem enquanto fecha a porta atrás de nós.

- Oi mamãe. - Digo entrando na sala.

Se levanta e vem ao meu encontro. Beija meu rosto e me abraça demoradamente.

- Como você está? - Pergunta.

- Estou ótima graças a Deus. - Digo sorrindo abertamente.

- Fico feliz. - Sorri alegremente.

- Por que Patrick não veio? - Pergunto.

- Foi viajar com seu pai hoje. - Diz. - Aproveitei para vir te visitar sem que ele saiba. - Suspira
triste.

Pego sua mão e aperto de leve. Ela me olha com os olhos cheios de lágrimas e sorri fraco.
- Eu estava com saudades. - Digo.

- Eu também. - Levanta minha mão até os lábio e beija com carinho.

Camy entra na sala com uma bandeja.

- Aqui. - Me entrega uma xícara com café.

Pega a outra xícara e entrega a minha mão e se senta conosco.

Bebo um pouco de meu café. Enquanto escuto as duas conversarem.

- Eu quero voltar a trabalhar. - Digo de repente.

As duas ficam em silêncio e me olham.

- Tem certeza? - Pergunta Camy.

- Sim. - Digo sorrindo.

- Não quer esperar mas um pouco? - Pergunta minha mãe preocupada.

- Vou ficar louca se ficar na cama o dia todo. - Digo. - O serviço me ajuda a distrair. E Karem
disse que o Dr falou que posso voltar quando eu quiser. A vaga ainda é minha.

- Se é o que você deseja então tudo bem. - Diz Camy sorridente.

- Você vai precisar de seu carro. - Diz mamãe. - Para falar a verdade eu vim com ele.

Pega sua bolsa e tira a chave de dentro.


- Sei que seu pai vai ficar louco quando souber o que fiz. - Sorri triste. - Mas o carro é seu.

Coloca a chave em minha mão.

- Pode dizer a ele que eu fui lá e peguei. - Digo.

Não gosto da idéia de mentir. Mas não quero que minha mãe se prejudique por minha causa.

- Eu me viro com ele. - Diz um pouco tensa.

Conversamos por um bom tempo até mamãe ir embora. Estou muito feliz com nossa
proximidade, não será fácil nos encontrarmos por causa de Antony. Mas quero ela presente
em minha vida de agora em diante.

- Celeste? - Me chama Dominic batendo na porta de meu quarto.

- Entra.

A porta se abre e ele entra para dentro.

Começa a andar de um lado para o outro sem dizer uma palavra sequer.

- Você está me deixando tonta Dominic. - Digo.

Ele para e me olha. Caminha até a cama, se senta na beirada e pega minha mão que estava
sobre o colo.

- Quer namorar comigo? - Diz do nada.

Arregalo os olhos de surpresa.


- Eu... Eu... Por quê? - Pergunto confusa.

- Eu gosto de você. - Diz sorrindo. - Não percebeu isso ainda? Quero que seja minha namorada.
- Aperta minha mão com carinho. - Quero ser seu amigo e namorado.

Sorrio para ele. Meus olhos se enchem de lágrimas.

- Tem certeza disso? - Pergunto.

- Nunca tive tanta certeza de uma coisa em minha vida.

- Sim. - Digo.

- Sim o que? - Pergunta confuso.

- Sim. Eu aceito ser sua namorada.

Seu sorriso se alarga. Me puxa para junto de si e me abraça forte.

Sinto que em seus braços sempre foi o meu lugar. De agora em diante sou de Dominic, e ele é
meu.

Cap 24

Três meses depois

Minha vida está cada dia melhor, fiz amizades verdadeiras, tenho um namorado incrível, e uma
família que amo. Deus está me abençoando de uma forma maravilhosa, só tenho que
agradecer.

Tenho esperanças em fazer as pazes com meu pai, mas infelizmente ele não dá o braço a
torcer. Oro para que ele me aceite um dia. Já perdoei ele.

Não quero ser e não sou aquela pessoa de antes, sem amor e paz na alma.
- Você está linda. - Diz Dom me abraçando por trás.

Sorrio para ele com carinho.

- Obrigada.

- Poderiam ajudar? - Pergunta Karem com um prato nas mãos.

- Sim senhora. - Digo sorrindo.

Ela revira os olhos mas sorri.

- Vamos, antes que ela acabe jogando algo em nós. - Diz Dom pegando em minha mão.

Uma vez por mês Camy oferece um jantar em sua casa, e convida Karem e sua família. Minha
mãe já conseguiu vir uma vez, mas as outras vezes meu pai estava em casa.

- Celeste. - Diz mamãe atrás de mim.

- Oi mãe.

Vou até ela e a abraço forte. Sinto seu corpo trêmulo, sei que tem algo errado. Olho para
minha mãe, ela está com os olhos cheios de lágrimas.

- O que houve? - Pergunto confusa.

- Seu pai foi preso. - Diz com a voz embargada.

- O quê!?

- Foi preso por fraude. - Diz tremendo.


- Sinto muito mamãe.

A consolo, enquanto ela chora em meu ombro.

- Os advogados iram recorrer, mas não estou muito confiante.

- Sente-se por favor. - Digo a levando até o sofá.

Dom vem da cozinha trazendo um copo na mão e entrega a mamãe.

Suas mãos estão trêmulas enquanto leva o copo a boca.

- E Patrick? - Pergunto.

- Ele está desesperado. - Diz triste. - Não acreditou no que o pai foi capaz de fazer.

Dom aperta minha mão em forma de consolo.

- O que exatamente ele fez?

- Estava desviando o dinheiro das festas beneficentes que fazia. - Passa as mãos pelo rosto. -
Não acredito que ele foi capaz de fazer uma coisa horrível dessas.

Suspiro alto porque sei exatamente que meu pai é capaz de qualquer coisa.

- Vai dar tudo certo mãe. - Digo. - Se ele fez isso realmente, terá que arcar com as
consequências.

- Eu sei. - Suspira.

                                   ☆
Dom está me encarando mas não diz nada.

- O que está te preocupando?

- Você pode voltar para sua casa agora. - Diz sorrindo tenso. - Sua mãe irá querer você ao lado
dela nesse momento.

Não havia pensado nessa possibilidade ainda.

- Não sei o que irei fazer. - Digo suspirando.

- Se voltar para sua casa promete não me esquecer? - Me olha com desdém contido. - Terá
tudo aos seus pés novamente.

- De onde você tirou essa idéia absurda? - Pergunto.

Dom se levanta depressa da cama e começa andar de um lado para o outro.

- Eu não sei. - Diz por fim. - Somos de mundos completamente diferente. Você é rica enquanto
eu não tenho uma renda fixa ainda. - Suspira. - Não posso te dar o futuro que você merece.

- Dom pare. - Me levanto da cama e vou até ele. - Você ainda acha que sou aquela garota fútil,
que só se importa com bens materiais?

Dom fica em silêncio, mas seu olhar diz exatamente o que pensa a meu respeito.

- Eu não sei o que pensar. - Diz por fim.

- Eu achei que você confiasse em mim. - Digo sorrindo triste. - Eu realmente pensei isso. Mas
não confia não é? - Pergunto. - Continua a pensar o pior de mim. Mas meus parabéns, você
consegue disfarçar muito bem. - Lágrimas enchem meus olhos. - Que idiota eu fui não? Acabei
entregando meu coração para um homem que não confia em mim, que só me vê como uma
garota mimada que só se importa consigo mesma.

Saio do quarto e fecho a porta atrás de mim.

Não consigo mas segurar as lágrimas e as deixo rolar.

- Celeste o que houve? - Pergunta Fred preocupado.

- Não foi nada. - Digo enxugando minhas lágrimas.

- Ninguém chora por motivo nenhum. - Sorri.

Suspiro alto e levo as mãos ao rosto.

- Briguei com Dom. - Digo. - Ele não confia em mim. Nunca confiou.

Fred pega em minha mão e aperta de leve.

- Meu filho é um bobo. - Diz sorrindo. - Não percebe a garota incrível que você se tornou.

- Para Dom serei sempre a velha Celeste. - Sorrio fraco.

                 ☆

- O que você irá fazer? - Pergunta Karem.

- Eu realmente não sei. - Digo cansada.  - Mamãe quer que eu volte para casa, mas eu não me
sinto confortável naquele lugar. Mas como irei deixa-lá nesse momento?
Estou entre a cruz e a espada.

- Eu não gostaria de estar em seu lugar nesse momento. - Diz sorrindo.

Posso ter perdido o namorado, mas minha amiga confia em mim e está ao meu lado para
qualquer que seja minha decisão. Não sei o que pensar e como agir nesse momento. Só Deus
para iluminar meus pensamentos e me ajudar na escolha.

Cap 25

- O que você está fazendo aqui? - Pergunta meu pai me encarando. - Veio rir de minha
desgraça?

- Não pai. - Digo tranquilamente. - Só vim ver como você está.

Meu pai me encara mas não diz nada. Sua frieza e arrogância ainda está em seu olhar.

- Pode ir embora então. - Diz se levantando da cadeira.

- Por que você me odeia tanto? - Pergunto triste. - O que eu te fiz para merecer tamanho
desprezo?

Ele para e olha para onde estou sentada. Sinto seu olhar vacilar por um segundo.

- Você nasceu mulher. - Diz com desdém. - Mulheres são fracas.

- E onde sua força te levou não? - Digo sorrindo fraco. - A prisão.

- Não quero ver você nunca mais. - Diz entre dentes. - Não volte aqui novamente.

Me levanto e vou até ele.

Beijo seu rosto com carinho. Ele se assusta com minha atitude mas não sai do lugar.
- Eu te perdoo por tudo. - Sorrio. - Mesmo o senhor me desprezando, eu te amo. Peço a Deus
todos os dias que um dia esse amor seja retribuído, nem que seja por um pouquinho sequer.

Lhe dou as costas e chamo o guarda para sair da sala, deixando meu pai sem palavras pela
primeira vez em toda minha vida.

                                ☆

Já faz duas semana que voltei para casa para ficar ao lado de minha mãe. Mas não deixei meu
emprego, e vou visitar Camy quase todos os dias depois do culto.

Dominic me mandou escolher entre ele ou minha família, foi egoísmo de sua parte me mandar
escolher entre os dois. Como eu poderia deixar minha mãe nesse momento tão difícil para ela?
Que tipo de filha eu seria?

Tenho certeza que se ele tivesse em meu lugar, faria a mesma escolha em não abandonar sua
família.

Ele não fala mas comigo. Quando vou visitar Camy ele corre para o quarto me ignorando, e
não aparece.

Sua atitude me magoa profundamente. Mas eu oro para que Deus ilumine sua mente, e o faça
entender o quanto ele está errado.

- Vai sair Celeste? - Pergunta mamãe.

- Vou a igreja. - Digo. - Quer ir comigo?

- Melhor não.

- Vamos mãe. - Pego sua mão e beijo.

Ele me encara por um tempo.


- Está bem. - Sorri. - Eu vou. Deixa eu pegar minha bolsa.

Corre para seu quarto enquanto termino de me arrumar.

Depois de pronta pego minha bolsa e minha bíblia e saio para fora do quarto.

- Pronta? - Pergunto a mamãe.

- Sim. - Enlaça seu braço no meu.

- Onde vocês pensam que vão? - Pergunta Patrick descendo as escadas.

- A igreja. - Sorrio. - Mamãe irá comigo hoje. Quer ir também?

Meu irmão não diz nada mas percebo que ele está querendo ir.

- Vamos meu filho. - Diz mamãe. - Vai ser bom para nós.

- Está bem. - Sorri enquanto vem até nós.

Sorrio de felicidade. É um grande passo minha família indo comigo a igreja.

                                 ☆

O culto estava uma bênção. Como sempre Deus falou fortemente ao meu coração.

Percebi como minha mãe e meu irmão ficaram mexidos com a palavra de Deus. Sinto que é
questão de tempo até minha família vir para a Igreja também. Oro para que isso aconteça.

- Oi. - Diz Karem vindo em minha direção.


- Como está? - Pergunto a ela.

- Muito bem obrigada. - Sorri para mim enquanto percebe meu irmão ao meu lado.

- Minha mãe você já conhece. - Digo apontando a ela.

- Prazer em reve-lá. - Diz cumprimentando minha mãe.

Percebi que Patrick não tira os olhos de cima de minha amiga.

- Este é o irmão mais feio da família. - Digo sorrindo. - Patrick essa é Karem minha amiga.

Patrick empurra meu ombro de leve.

- Muito prazer senhorita. - Diz sorrindo galanteador.

- O prazer é todo meu. - Sorri tímida.

Meu olhar se encontra com o de Dom. Não havia visto ele na igreja ainda. Deve ter se sentado
nos últimos bancos.

Ele me encara por um longo tempo e sorri. Retribuo o sorriso.

Dom caminha até mim. Sinto minhas pernas trêmulas. E minhas mãos suarem.

- Posso falar com você? - Pergunta.

- Sim. - Digo baixinho.

Ele coloca sua mão em minhas costas e me guia para fora da Igreja.
- Eu...  - Fica em silêncio. - Eu queria te pedir perdão pelo que te fiz passar. Foi egoísmo de
minha parte pedir para você decidir entre mim e sua família.

- Sim. Foi egoísmo. - Digo ríspida.

- Eu sei. - Suspira triste. - Fui um completo idiota. Fiquei com tanto medo de te perder, que
acabei agindo de uma forma horrível.

Dom pega minhas mãos e aperta de leve. Leva ao lábios e beija demoradamente.

- Você tem que confiar em mim Dom. - Digo. - Que tipo de relacionamento teríamos, se em
qualquer dificuldade que aparecer você irá desconfiar de mim?

- Eu sei que fui errado. Me perdoe?

- Eu te perdoo é claro. - Digo sorrindo. - Mas você promete compartilhar seus medos comigo?

- Eu prometo. - Diz sorrindo. - Eu te amo Celeste.

Meus olhos se enchem de lágrimas. É a primeira vez que Dom diz que me ama.

- Eu também te amo. - O abraço fortemente. - Muito.

Ele me aperta contra si e beija os meus cabelos.

- Farei o possível para lhe dar tudo que merece. - Diz.

- Não me importo Dom. - Digo. - Apenas me ame e esteja ao meu lado, quando eu estiver triste
ou feliz. Apenas esteja lá para segurar minhas mãos.

Sinto que meu lugar sempre foi nos braços de Dominic.


- Até que enfim. - Diz uma voz conhecida atrás de mim.

Meu sorriso se alarga ainda mais no rosto.

- E agora sai casamento? - Pergunta meu irmão.

- Vai com calma aí garotão. - Digo feliz.

Meu irmão e Dom se encaram silenciosamente. Estão se ameaçando com certeza.

- Cuide bem de minha irmãzinha. - Diz Patrick por fim.

- Cuidarei. - Diz Dom.

Está quase tudo perfeito em minha vida. A única coisa que falta para me deixar 100% feliz. É a
redenção de meu pai.

Cap 26

Seis meses depois

- Alô?

- Celeste? - Pergunta uma voz desconhecida.

- Sim.

- Sou o advogado de seu pai. Ele gostaria de conversar com você. - Diz. - Poderia se encontrar
com ele hoje na parte da tarde?

Levo um susto pois meu pai proibiu minhas visitas.

- Claro. - Digo pensativa.


Tentei ir ver ele na prisão, mas ele não quis me receber.

O tempo passou tão rápido que parece que foi ontem que tudo aconteceu. Papai pegou vários
anos de prisão pois as provas estavam contra ele. Foi um escândalo enorme. Ficou difícil de
sair de casa e não encontrar algum fotógrafo a espreita querendo notícias.

Marco o horária certinho com o advogado e desligo o celular.

- Quem era? - Pergunta mamãe.

- O advogado de papai. - Fico pensativa por um tempo. - Ele quer se encontrar comigo.

- Isso é uma surpresa e tanto. - Diz.

Meu pai querendo me ver é uma surpresa e tanto para mim.

Nesse seis meses que se passaram minha mãe e Patrick também vierem para a Igreja.

Fiquei tão feliz com suas escolhas. Deus ouviu minhas oração em prol da salvação deles.

E para minha completa felicidade meu irmão e minha melhor amiga começaram a namorar.
Ameacei Patrick, pois minha amiga não é do tipo de garota que ele saia, mas ele me prometeu
que gostava dela de verdade.

Já estão juntos a três meses, e felizes como eu e Dom.

Dominic é um namorado maravilhoso, carinhoso, atencioso. Agradeço a Deus todos os dias por
ter colocado ele em minha vida. O início de nosso relacionamento não foi o dos melhores, mas
o que importa é o agora. Estamos firmes e fortes com a bênção de Deus.

Cada dia que passa o amo ainda mais e tenho certeza que fiz a escolha certa. Quero ficar
velhinha ao teu lado. Ter muitos filhos para amar e ensinar o caminho em que se deve andar.
É claro que nem tudo é perfeito, temos nossos desentendimentos as vezes, mas nada que
atrapalhe o que sentimos um pelo outro.

- Você irá ve-lo? - Pergunta minha mãe.

- Sim. - Digo sorrindo fraco. - Quero saber o que ele quer comigo.

Acho que meu pai querendo me ver, já é um passo dado em nossa aproximação.

                                ☆

- Sente-se. - Manda meu pai.

O encaro por um tempo, mas obedeço sua ordem.

Puxo a cadeira e me sento em sua frente.

- Como o senhor está? - Pergunto por fim.

- Estou bem graças a Deus.

Arregalo meus olhos de surpresa. Meu pai falando em Deus é novidade para mim.

- Que bom. - Digo sorrindo.

- Eu... eu... queria te pedir perdão por tudo que já te fiz passar. - Diz. - Fui um pai horrível para
você. Te tratei como lixo e te desprezei. Mas se você não me perdoar eu te entenderia. - Sorri
triste.

Meus olhos se enchem de lágrimas, pego suas mãos que estavam sobre a mesa a aperto de
leve.
- Eu já te perdoei pai. - Digo sorrindo. - A muito tempo.

Pela primeira vez em toda minha vida vejo meu pai chorar. O homem arrogante que ele era
desapareceu nesse momento.

Ele se levanta, vem até meu lado da mesa e me olha.

- Pode me dar um abraço? - Pede envergonhado.

Me levanto e me jogo em seus braços. Ele me aperta contra seu corpo e choramos juntos.

- Eu te amo. - Digo soluçando pelas lágrimas.

- Me perdoa meu amor? - Pede beijando minha cabeça.

- Já está perdoado. - Digo entre meio a sorrisos e lágrimas.

Continuo o abraçando. Não quero perder a sensação que estou sentindo nesse momento. A
tanto tempo esperei por isso, e agora está acontecendo.

- Eu te amo Celeste. - Diz sorrindo. - Eu te amo demais.

- Eu também te amo papai.

- Repita por favor? - Pede beijando meu rosto.

- Eu te amo papai. - Digo sorrindo.

Meu pai enchuga minhas lágrimas com carinho. Nem nos meus melhores sonhos, poderia
imaginar isso acontecendo algum dia.
-  Eu encontrei Deus minha filha. - Diz animado. - Todo final de semana o reverendo Frederick
vem ao presídio.

Eu sabia que Fred vinha ao presídio, mas ele nunca me disse nada sobre meu pai.

- Ele falou de Deus para mim. Me deu uma bíblia. - Sorri com a lembrança. - Eu o tratei mal, e
disse coisas horríveis, mas ele apenas sorriu e disse que Jesus me amava. Eu tentei jogar a
bíblia fora mas não consegui. Comecei a ler, e não parei mais. - Aperta minha mão de leve. -
Suas mensagens sempre tão profundas, parecia que era sempre para mim. Fui sentindo uma
vontade de mudar, não queria mas ser aquele homem amargurado com a vida. Eu necessitava
de mudanças. E de seu perdão.

- Você já o tem papai. - Digo feliz. - Fico tão feliz que isso tenha acontecido. Fred é um homem
incrível, Deus o usa maravilhosamente.

- Você o conhece? - Pergunta confuso.

- Alto, magro e dos cabelos grisalhos?

- Sim.

- Congrego em sua igreja. - Digo. - Foi ele que me deu abrigo depois de tudo o que aconteceu.

Meu pai abaixa a cabeça envergonhado.

- Pelo visto tenho que agradecer ele por mais coisas. - Diz.

- E além de tudo ele é meu sogro. - Digo sorrindo. - Namoro seu filho Dominic.

Meu pai sorri abertamente. É a primeira vez que vejo isso acontecer. Hoje está sendo um dia
de surpresas para mim.

- Fico feliz. - Sorri feliz. - Tenho que ter uma conversa séria, com esse tal de Dominic. - Diz
fingindo irritação.
- Dom é incrível. - Sorrio. - O amo demais.

Infelizmente não deu tempo de por todas as novidades em dias, pois o horário acabou. Me
despedi de meu pai com a promessa que voltaria muito em breve para ve-lo novamente. Fui
embora sorrindo para tudo e todos. Minha felicidade não tem tamanho. Minha vida agora está
perfeita. Ou quase... só falta um detalhe. O casamanto.

Cap 27

Minha mãe irá oferecer um jantar em casa hoje, já está tudo preparado, só falta os convidados
chegarem.

Ela colocou na cabeça que tem que comemorar alguma coisa mas não me diz sobre o que.
Tenho certeza que ela está escondendo algo de mim.

Dom está agindo estranho também essa semana. Quase não nos vimos e também nos falamos
muito pouco.

Estou com medo dele já ter se cançado de mim.

- Celeste abra a porta. - Grita minha mãe me tirando de meus pensamentos.

Corro até a porta e a abro. Karem sorri para mim.

- Bem vinda. - Digo sorrindo.

- Obrigada. - Me abraça.

- Cadê Marlie e Benedit? - Pergunto.

- Papai e mamãe não puderam vir. - Diz. - Mas mandou lembranças.

Karem está linda. Os cabelos encaracolados estão soltos, vestido na altura do joelho, rodado e
florido.
- Oi amor. - Diz Patrick descendo as escadas.

Minha amiga ainda cora perto de meu irmão. Mesmo depois de três meses de namoro.

A campainha toca novamente, vou para a porta e a abro.

- Boa noite minha nora preferida. - Diz Camy.

- Eu sou a única. - Digo sorrindo.

Cumprimento Fred logo depois de Camy.

Dom está logo atrás com um buquê de rosas vermelhas nas mãos.

- Para você. - Diz me entregando o buquê.

- Obrigada. - Agradeço. - São lindas.

- Não mais que você. - Diz galanteador e beija meu rosto.

                ☆

O jantar está correndo tranquilamente, todos conversam animadamente. Estaria ainda melhor
se meu pai estivesse aqui.

Estamos nos dando muito bem graças a Deus. Tem momentos que ainda não acredito que meu
pai mudou tanto. Só Deus é capaz de mudar uma pessoa assim.

Digo isso pois eu não era a filha desejada, era rebelde, mesquinha e egoísta, olhando para trás
vejo o quanto eu melhorei como pessoa. E busco melhorar ainda mais.
Não tenho palavras para agradecer a Deus por todas as bênçãos recebidas. As novas mudanças
e descobertas. Vivo minha vida para agradecer a Jesus.

Pela família incrível que tenho, amigos verdadeiros que posso contar em todo momento.

Dom está silencioso. Fica me encarando mas não diz nada.

- Você está bem? - Pergunto .

- Sim. - Diz sério.

Me levanto de minha cadeira.

- Onde você vai? - Pergunta mamãe.

- Vou buscar mais suco. - Digo.

Vou rumo a cozinha.

- O que está acontecendo Celeste? - Pergunta Karem.

- Eu não sei. - Suspiro alto. - Dom está agindo estranho a semana toda.

- É impressão sua. - Diz pegando em minha mão para me tranquilizar.

Fecho os olhos e suspiro cansada.

- Não. - Sorrio fraco. - Ele nem mesmo está conversando comigo, não diz nada apenas me
encara.

- Para de ser boba. Dom te ama. - Sorri abertamente.


Pego um jarra de suco de maracujá que estava dentro da geladeira, e voltamos para a sala de
jantar.

Sento novamente em meu lugar. Sirvo um pouco de suco para mim.

- Já decidiu o que vai cursar Celeste? - Pergunta Fred.

Decidi começar a estudar, estou com 22 anos, já passou da hora de fazer alguma coisa de
minha vida.

Karem com 24 anos já terminou de fazer veterinária. Dom com 28 já se formou em Medicina,
meu irmão é formado em administração de empresas, enquanto eu não fiz nada ainda, apenas
o colegial.

- Sim. - Digo animada. - Pensei muito, acho que irei fazer administração de empresas, papai
que me deu a idéia.

- Fico feliz. - Diz Camy. - Deus te abençoe nessa nova etapa de sua vida.

- Obrigada. - Sorrio agradecida.

Dom continua em silêncio, isso já está me deixando irritada.

Ele se levanta de repente.

- Quero a atenção de todos por favor. - Diz.

Minha mãe está com um sorriso enorme nos lábios. Encaro todos desconfiada.

- Boa sorte amigo. - Diz meu irmão.

Dom sorri para ele. Vem até mim e se ajoelha em meus pés.
- Ai meu Deus. - Digo.

Todos riem alto. Será que é o que estou pensando?

- Celeste, te amei a primeira vez que te vi na igreja, mas demorei muito para descobrir esse
sentimento. Acabei te machucando de várias maneiras. - Abaixa a cabeça. - Mas você tem um
coração enorme e me perdoou. Agradeço a Deus todos os dias por isso. - sorri. - Eu te amo.
Quero passar minha vida ao teu lado, quero que você seja a última pessoa que eu veja quando
dormir, e a primeira pessoa quando acordar. - Enfia a mão no bolso da calça e tira uma
caixinha de cor vermelha. - Você aceita se casar comigo? Construir uma família, ter um monte
de filhos, vivermos o que Deus planejou para nós até que a morte nos separe?

Minha visão está embaçada pelas lágrimas.

- Eu aceito! - Digo animada.

Dom abre a caixinha, e tira um anél com uma pedra de diamante solitária em cima.

- Eu sei que você merecia um anél melhor. - Diz colocando o anél em meu dedo. - Mas este é a
prova de meu amor por você.

- Eu amei. - Digo chorando. - Você é tudo o que me importa.

Dom se levanta enchuga minhas lágrimas, e beija minha mão.

- Eu te amo.

- Eu também te amo. - Digo sorrindo.

Quando me volto para minha família, as mulheres estão enxugando as lágrimas. Sorrio de
felicidade, pois Deus colocou em minha vida pessoas incríveis que amo.

Cap 28

- Eu queria tanto que papai estivesse aqui para me levar ao altar. - Digo triste.
- Não chore por favor. - Diz mamãe. - Ele vai estar em seu coração.

Sorrio fraco.

Hoje é meu casamento com Dom, mas infelizmente papai não estará presente.

Dois meses atrás Dom me fez o pedido em um jantar em minha casa, para falar a verdade eu
estava com medo, pois ele estava estranho a semana toda, mas a surpresa foi incrível. Todos
sabiam, menos eu é claro.

Esses dois meses foram uma correria e tanto. Mamãe, Camy e Karem me ajudaram bastante.
Era decoração para escolher, comidas e bebidas, meu vestido de noiva. Mas no final deu tudo
certo.

Dom foi comigo visitar meu pai para conhecê-lo. Por incrível que pareça os dois se deram
muito bem. Ver os homens que amo conversando animadamente, fez meu coração se
transbordar de alegria.

- Você está linda. - Diz Karem sorrindo.

- Obrigada. - Reribuo o sorriso.

Me olho no espelho mais uma vez, e para falar a verdade, estou incrível.

Meu vestido estilo princesa é lindo, tem alguns detalhes de renda, e um cinto com predrinhas
prata na cintura. Meus ombros ficaram nus deixando ainda mais atraente. Meus cabelos
longos, foram presos apenas algumas mechas, deixando a maioria solta. Maquiagem nada
exagerado, apenas um batom roxo. Gosto de minha aparência.

- Está maravilhosa. - Diz Camy.

Sorrio agradecida.

- Quero que você use isto. - Diz mamãe me entregando um colar de ouro com uma pedrinha
de rubi. - Era de sua Avó Antonieta.
Meus olhos se enchem de lágrimas. Sinto tanta saudade de minha Vó.

- É lindo. - Digo emocionada.

Minha mãe pega o colar de minha mão e coloca em meu pescoço. Combinou perfeitamente
com meu vestido princesa.

- Prontas? - Pergunta Patrick invadido meu quarto.

- Sim! - Digo animada.

                                ☆

Estou em frente a igreja que Fred pastoreia observando em volta. Ele fará meu casamento com
Dom.

Karem é minha madrinha, enquanto meu irmão é padrinho de Dom. Os dois se tornaram
grandes amigos. Fico muito feliz, pois as pessoas que mais amo no mundo se dão bem.

Entrarei sozinha, pois ninguém irá substituir meu pai nesse momento.

- Pronta? - Pergunta Karem sorrindo.

- Prontíssima. - Digo.

- Acho que está faltando alguém para te levar ao altar. - Diz uma voz conhecida atrás de mim.

Me viro para trás e lá está meu pai.

Ele vem até mim e me beija.


- Como? - Pergunto confusa. - Como o senhor conseguiu estar aqui?

- Estou em liberdade provisória. - Diz radiante. - Pelo meu bom comportamento, e a entrega
do dinheiro desviado, minha pena foi reduzida. Eu não poderia faltar no dia mais importante
da vida de minha garota.

Me jogo em seus braços e o aperto forte.

- Fico muito feliz. - Digo. - Não seria perfeito sem o senhor ao meu lado.

Papai beija meu rosto.

- Está preparada?

- Sim. - Sorrio abertamente.

Papai entrelaça nossos braços enquanto caminhamos.

A porta se abre, e meu olhar vai direto ao altar onde Dom me espera. Está impecável em um
terno preto, camisa branca por baixo, gravata também preta, e uma flor de lapela no lado
esquerdo de seu terno.

Nossos olhares se encontram a distância. Caminho cada vez mais rápido para chegar ao seu
lado.

- Calma Celeste. - Cochicha papai.

Aperto seu braço de leve. Não olho em volta para ver quem está presente, deixo para
descobrir isso no final, meu olhar está focado em Dom, que enchuga as lágrimas.

Quando enfim estamos frente a frente, pego sua mão e a beijo com carinho.

- Cuide bem de minha menina. - Diz papai o encarando sério.


Dom sorri abertamente e olha para mim.

- Farei isso. - Diz.

Entrego meu buquê para Karem antes de Fred começar a cerimônia.

Nos encaramos felizes.

- Dominic Johnson está disposto a prometer diante de Deus e de todos aqui presentes a tomar
a está mulher Celeste Adams por tua legítima esposa, para viveres com ela segundo foi
ordenado por Deus?

- Sim.

- Celeste Adams está disposta a prometer diante de Deus e de todos aqui presentes a tomar a
este homem Dominic Johnson por teu legítimo esposo, para viveres com ele segundo foi
ordenado por Deus?

- Sim. - Sorrio abertamente.

Tudo correu perfeitamente bem, as trocas dos votos, as alianças, e o enfim casados selado
com um beijo terno.

Antes de Dominic nunca imaginei me casando, tornando uma mulher de família, e ter filhos.
Mas Deus me surpreendeu maravilhosamente o colocando em meu caminho.

Não foi fácil, tivemos nossas brigas e desentendimentos. Mas pela graça do Pai, hoje
oficializamos nosso amor. Eu sei que teremos lutas e dificuldades, pois nada nesse mundo é
perfeito, mas se enfrentarmos juntos venceremos, pois Deus está sempre ao nosso lado. Nos
mostrando o caminho certo a seguir, basta acreditarmos e confiar em seu poder.

"Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão
acrescentadas."

Mateus 6:33
Cap 29

Estou sonolenta, mas sinto alguém beijando meu rosto.

- Bom dia. - Digo me espreguiçando.

- Bom dia meu amor.

Sorrio com as lembranças da noite passada. Foi tudo tão perfeito. Dom foi extremamente
carinhoso, e cuidadoso em nossa noite de núpcias.

- Eu vou acabar me acostumando acordar assim todos os dias. - Digo passando a mão em seus
cabelos bagunçados.

- Essa é a intenção. - Sorri abertamente.

Infelizmente não deu para viajar-mos, pois essa semana começo a faculdade, e Dom começa a
trabalhar no hospital. Mas vamos fazer essa viagem futuramente.

Papai fez uma surpresa e tanto para nós. Nos presenteou com um apartamento. Ele prometeu
que foi pago com dinheiro limpo. Dom não estava querendo aceitar, acho que por orgulho,
mas por fim acabou cedendo.

- Você é lindo até quando acorda. - Digo sorrindo. - Devo estar destruída.

- Você está maravilhosa. - Me beija.

Me aconchego ainda mais em seu corpo forte. Dom me beija com ternura, e nos amamos mais
uma vez.

                                 ☆

Uma semana de casados, está sendo tudo incrível, a não ser...


- Você aprende amor. - Diz confiante.

- Não consegui fazer um café decente para meu marido, é para acabar. - Suspiro frustrada. -
Não quero nem saber o que vai sair se eu cozinhar alguma coisa.

Dominic sempre cozinha, enquanto eu cuido dos serviços de casa. Mas hoje fui inventar de
fazer café da manhã para ele, antes dele ir trabalhar, mas não deu muito certo. Queimei os
ovos, o bacon, as torradas, café extremamente doce. Tudo horrível.

- Quem se importa com comida, quando tem a mulher mais linda do mundo ao seu lado? - Me
puxa para si.

- Você só está querendo me fazer sentir melhor. - Sorrio.

Seu sorriso se alarga, mas Dom não diz nada, apenas abaixa seus lábios nos meus e me beija.

- Eu te ensino o que quiser. - Diz baixinho em meu ouvido.

- Acho bom mesmo. - Sorrio. - A não ser que queira ser internado com intoxicação alimentar.

Dominic joga a cabeça para trás e gargalha alto.

- Não exagere.

- Só estou dizendo a verdade.

- Exagerada. - Beija meu rosto.

Deus me abençoou grandemente com um esposo incrível. Agradeço a Ele todos os dias por
isso. Em tão pouco tempo juntos, percebo que nascemos um para o outro. Deus escolheu Dom
para mim. Completamos um ao outro.

- Eu já te disse o quanto eu te amo? - Pergunto.


- Já. Mas é sempre bom repetir. - Me aperta contra sim.

- Eu te amo Dr. Dominic Steven.

- Eu te amo senhora Celeste Steven. - Sorri. - Futura administradora de empresas.

Estou amando o curso que estou fazendo, estou me saindo bem graças a Deus. É difícil? É. Mas
se estudarmos, e nos esforçarmos venceremos mais uma batalha.

- Está na minha hora. - Diz Dom olhando o relógio em seu braço esquerdo.

- Vai com Deus meu amor. - O beijo.

                ☆

- Como está a vida de casada amiga? - Pergunta Karem.

- Tudo ótimo graças a Deus. - Sorrio. - Logo logo será você.

- Patrick não tocou no assunto ainda. - Sorri fraco.

- Meu irmão te ama Karem. - Pego em sua mão.

Karem vem me visitar uma vez na semana, para colocarmos os assuntos em dia.

Meu irmão já comprou as alianças, para pedi-la em casamanto, mas me pediu segredo.

- E se ele se cansou de mim?

- Para de ser boba. - Digo. - Isso não irá acontecer. Ele só não deve ter achado o momento
certo. Fique calma.
- Espero que você tenha razão.

- Lembra quando fui eu no seu lugar? - Pergunto. - Mas você me aconselhou? Então agora é
minha vez de te dizer que vocês serão muito felizes juntos. Creia.

- Obrigada.

- Não precisa agradecer. - Sorrio. - Irmãs servem para isso.

                               ☆

Quatro meses depois

Hoje foi o casamento de Karem e Patrick, estava tudo tão perfeito que até me deu vontade de
me casar novamente. Fred fez a cerimônia.

Dom ao meu lado segurava firme minha mão, e sorria para mim. Até me deu um lenço para
enxugar as lágrimas de felicidade.

Tudo estava em seu devido lugar. Papai e mamãe felizes, Camy e Fred sempre ajudando o
próximo, meu irmão e minha amiga unidos em matrimônio perante Deus e os homens, por
fim... Dom e eu vivendo o que Deus preparou para nós. Há dificuldades pelo caminho? Sim.
Mas com Deus ao nosso lado, e nos guiando sempre, venceremos por mais difícil que seja a
batalha.

Cap 30

Seis meses depois

- Parabéns amor. - Beijo Dom com carinho.

- Obrigada. - Sorri.

Hoje é aniversário de Dom, não tinha idéia com o que presentea-lo. Mas no fim acabei
encontrando o presente certo.
- Abre. - Entrego uma caixinha para ele.

Dominic pega a pequena caixa e começa a abri-lá. 

- Leia o papel.

Dom abre o papel, e começa ler em silêncio.

- É sério isso? - Pergunta sorrindo.

- Sim. - Coloco as mãos em minha barriga ainda plana.

Dominic corre até mim e me abraça. Beija todo meu rosto.

- Eu te amo. - Me aperta contra sim. - Eu te amo.

- Eu também te amo. - Sorrio.

Dom abaixa até minha barriga e a beija com carinho.

- Papai já te ama meu amor.

Estou tão feliz, que nao tenho nem palavras para agradecer a Deus.

- Amor tenho mais uma surpresa. - Digo.

- Mais? - Pergunta.

- Então... são dois bebês. - Digo.


Quando soube que seria mãe de duas crianças ao mesmo tempo, fiquei deseperada e com
tanto medo. Mas conforme o susto foi passando, me acostumei com a idéia e achei incrível.

Sei que terei trabalho redobrado, mas amarei também em dobro. Se Deus me permitiu tal
coisa acontecer em minha vida, é porque ele sabe que sou capaz de cuidar.

- Dois? - Pergunta tenso.

- Sim. - Sorrio. - Fiquei desesperada quando soube, mas agora estou amando a idéia.

Dom ainda está meio pálido. Mas logo seu sorriso volta aos lábios.

- Quando você soube?

- Já faz uma semana. - Digo pegando sua mão. - Estava louca para te contar, mas decidi esperar
até seu aniversário. Apenas Karem sabe.

- Quantos meses?

- Três. - Digo.

Até agora não senti enjoos, espero que continue assim.

- Você me faz o homem mais feliz desse mundo. - Dom aperta minha mão de leve. - Deus foi
generoso comigo, só tenho que agradecer.

- Foi, e está sendo com todos nós. - Digo.

                               ☆

- Serei vovó? - Pergunta Camy animada.


- Sim mãe. - Diz Dom.

Camy sorri de felicidade, me abraça e me beija com carinho.

- Seremos Avós. - Diz mamãe revirando os olhos.

- Nada de ciúmes por favor. - Digo sorrindo. - Terão dois bebês, então podem ficar calmas.

As duas me olham assustadas.

- Deus nos presenteou em dobro. - Papai diz sorrindo de orelha a orelha.

- Estou muito contente com a notícia. - Diz Fred. - Que Deus abençoe meus netos, e que venha
com muita saúde.

- Nossos netos. - Diz em

uníssono papai, mamãe e Camy.

Estou tão feliz por ter minha família reunida e feliz.

Quem poderia imaginar que Antony, aquele homem arrogante, presunçoso se tornaria um pai
exemplar, e aceitaria Jesus como seu único Salvador?

Dominic um homem quebrado, que perdeu a vontade de viver, e se trancou dentro de si, e
culpava a Deus por sua perda, se tornaria um marido excelente, um médico incrível que salva
vidas com a ajuda de Deus. Se deu a chance de confiar plenamente  no Pai, e assumiu que
estava errado.

Mamãe, uma mulher frágil que vivia para o marido abusivo, esqueceu dos filhos. De
desmonstar amor, carinho e afeto. Acabaria sendo uma mulher forte e de garra, que venceu os
medos e recomeçou.
Eu, uma garota mimada, arrogante, sem amor ao próximo, que se importava apenas comigo
mesma. Como pessoas assim foram capazes de tamanha mudanças? Eu tenho a resposta para
essa pergunta... Deus.

Deus age de uma forma maravilhosa, transforma o abatido, e o faz nova criatura. Se for
preciso Ele quebra para depois concertar.

Sempre há uma esperança no fim do túnel, basta você querer ser melhor. Se dê a chance de se
tornar uma pessoa melhor, você nunca saíra perdendo por isso.

- Felicidades ao casal. - Patrick sorri.

- Obrigada meu irmão. - O abraço forte.

- Logo será vocês. - Dom diz a Karem e Patrick.

- Vamos esperar mais um pouquinho ainda. - Karem sorri.

              

                               ☆

Sete meses depois

- É a minha cara. - Diz Frank animado.

- É a minha. - Retruca papai.

Todos gargalham.

Já faz um mês que meus bebês nasceram, vieram ao mundo com muita saúde graças a Deus.
Melanie Antonieta é mais esperta que o irmão Joshua. Meu filho é mais preguiçoso e dorme
bastante, enquanto Malanie vive acordando os pais de madrugada.

Quando disse a Dom que gostaria de colocar o nome de sua falecida irmã em nossa filha, meu
marido chorou muito, o amparei pois sei que sua perda ainda o afeta muito, choramos juntos,
mas também choramos por felicidade por termos a chance de sermos pais.

Fred e Camy também se emocionaram com minha escolha.

Como Dom sabe de meu amor por minha falecida Avó, quis colocar também o nome em nossa
filha, minha pequena acabou com um nome enorme.

Karem e meu irmão que queriam esperar mais um pouco para ter filhos, foram surpreendidos
com a notícia de um bebê a caminho.

Minha amiga está linda com sua barriguinha de seis meses de grávides.

- Acho que quero outro filho amor. - Diz mamãe a meu pai.

- Está louca mulher? - Pergunta sorrindo. - Já teremos três netos para nos deixar com os
cabelos brancos.

- Você já tem cabelos brancos. - Sorri mamãe e o abraça.

- Mais cabelos brancos então. - Beija seu rosto.

Fico observando todos conversarem animadamente, e percebo como sou uma mulher
abençoada por Jesus Cristo.

Olho para meu marido que está com Joshua no colo. Ele levanta a cabeça e olha para mim. Seu
sorriso está radiante. Eu sei como ele está se sentindo nesse exato momento.

- Eu te amo. - Digo baixinho.


- Eu também te amo. - Sorri com carinho.

Epílogo

Cinco anos depois.

Olho para meus filhos correndo e brincando pelo jardim, e me lembro de como tudo
aconteceu anos atrás.

Me recordo da primeira vez que vi Dominic saindo da igreja, ele estava tão lindo. Me apaixonei
por ele naquele momento.

Tantas coisas aconteceram para podermos estar juntos, brigas e desencontros. Mas
superamos com a ajuda de Deus.

- Mamãe já to tu fome. - Elisa reclama dengosa.

Não conclui a faculdade, tive que interromper por causa da gravides, mas pretendo voltar
muito em breve.

- Espere só mais um pouquinho meu amor. - Beijo seu rosto. - Seus avós já já chegam.

Dois anos depois que tive os gêmeos,  descobri que estava grávida novamente. Foi um choque,
pois Dom e eu queríamos mais filhos, mas quando os gêmeos estivessem grandinhos.

Mas Deus nos presenteou com uma garotinha incrível, Doce, e meiga.

Joshua é mais centrado, sério, não confia de cara, tem que saber lidar com ele. É super
apegado a mim, enquanto Malanie é apegada ao pai. Minha filha tem o temperamento forte.
Acho que ela puxou alguém que eu conheço... Senhor Antony.

- Vamos fazer cócegas na mamãe! - Melanie diz animada.

Ela e seu irmã correm até mim, pula no banco que estou sentada, e começam a fazer cócegas
em mim.
- Socorro. - Peço gargalhando. - Vocês vão acabar me matando um hora. - Digo suspirando.

- Estou perdendo a festa é? - Dom sorri.

Pega Elisa e a levanta no ar.

- Eles crescem tão rápido. - Digo abraçando os gêmeos.

- Vamos ter mais então. - Dom me olha maliciosamente.

- Está querendo montar uma creche Dr. Dominic?

- Se for com a mulher, e mãe incrível que acorda todos os dias ao meu lado... A reposta é sim.

Na gravides de Elisa sofri com muitos enjoos, estava até com medo de prejudicar meu bebê,
pois nada parava em meu estômago.

- Vou pensar em seu caso. - Digo o abraçando.

Dom me beija de leve.

- Eca. - Melanie tapa os olhos.

Meu marido e eu sorrimos um para o outro.

- Chegamos. - Diz Camy ao lado de Fred, meus pais, Karem e Patrick com  Violeta sua filha.

- Vovó. - As crianças gritam em uníssomo, e correm até eles.

Karem está com a barriga enorme, Benjamim está a caminho.


- Vamos comer que estou com fome. - Diz Fred.

Nos cumprimentos e vamos todos para a mesa debaixo de uma árvore no jardim.

Depois que tivemos as crianças compramos uma casa mais espaçosa, já que o apartamento
não era tão grande.

Todos os finais de semana nos reúnimos, para um almoço em família.

Camy e mamãe coloca as crianças em seus devidos lugares, e servem suas comidas.

Dom vem até mim, me abraça por trás, e beija meu pescoço.

Meus pensamentos vão ao passado, me lembro de Emile e Hanna. Já as vi novamente, ambas


estão casadas, e felizes. Me pediram perdão pelo que aconteceu no passado, mas eu nunca
tive raiva delas. Estamos nos reaproximando aos poucos, elas já vieram me visitar algumas
vezes. Mark está preso, por tentativa de estupro. Apareceu várias vítimas em seu julgamento,
ele levou pena perpetua. Espero que ele se arrependa algum dia, e deixe Deus entrar em sua
vida.

- Você está feliz? - Pergunta Dominic.

- Muito feliz, extremamente feliz. - Sorrio. - Completamente feliz.

Dom beija meu rosto, e me aperta contra si.

- Eu te amo senhora Johnson.

- Eu também te amo Dr. Jhonson.

Todos conversam animadamente enquanto comem. O cheiro da comida vem até mim, sinto
meu estômago revirar.

- O que foi Celeste? - Pergunta Dom preocupado.


- Acho que vou vomi... - Mas vomito antes de terminar a frase.

Todos correm até nós, e me olham assustados.

- O que houve? - Pergunta papai.

- Acho que serão avós novamente. - Diz Dominic.

                                                            Fim.