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Didática UNIDADE 03 AULA 11

Fabiana Sena da Silva


Josali Amaral
Maria Betânia da Silva Dantas

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Elaborando um
planejamento

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Compreender o processo de elaboração de planejamento;


„„ Relacionar o projeto didático com planejamento de ensino.
Elaborando um planejamento

2 COMEÇANDO A HISTÓRIA

Caro aluno, nesta aula 11, percorreremos o nosso caminho na dinâmica interna do
processo de ensino e aprendizagem, relacionando o planejamento de ensino com
projetos didáticos. Buscando compreender como ocorre o processo de elaboração
de um planejamento de ensino, discutiremos e apontaremos os passos para a
produção de um planejamento e como relacioná-lo com um projeto didático.

Com o propósito de apresentar, discutir a relevância do planejamento de ensino


e o projeto didático, vamos nos embasar nos textos teóricos de Danilo Gandin,
Carlos Henrique Carrilho Cruz, José Carlos Libâneo e Celso Vasconcelos para
fazermos um passeio por este que é considerado um instrumento pedagógico
menor na escola, mas que supera o simples domínio cognitivo da informação:
o planejamento de ensino.

3 TECENDO CONHECIMENTO

3.1 Planejamento de ensino e suas características

O planejamento de ensino no cotidiano escolar é muito importante, pois dele


resultará implicações tanto dentro como fora da sala de aula, ou seja, no seio
do meio social. De acordo com Libâneo (1994, p. 222), “O planejamento é um
processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente,
articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social”. Ele é um
meio para se programar as ações, mas é também um momento de pesquisa e
reflexão intimamente ligado à avaliação.

Os tipos de níveis de planejamento são: Planejamento Educacional, Planejamento


Escolar, Planejamento Curricular e Planejamento de Ensino. A seguir iremos
pontuar cada um deles:

a) Planejamento Educacional: pode também ser denominado de


Planejamento do Sistema de Educação e se refere ao planejamento
realizado no nível nacional, estadual e municipal, incorporando as
grandes políticas educacionais;
b) Planejamento Escolar: atividade referente ao processo de reflexão
e pesquisa, configurando como uma tomada de decisões sobre a
organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição;
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c) Planejamento Curricular: é a atividade que decide sobre a ação


escolar, prevendo de forma sistemática e ordenada toda a vida
escolar do aluno;
d) Planejamento de Ensino: é o processo de tomada de decisão sobre a
ação dos professores no seu trabalho pedagógico, relacionando as
atitudes e circunstâncias que envolvem professor e alunos e entre
os próprios alunos.

É na dinâmica do cotidiano escolar que o planejamento não pode ser tratado


como algo isolado, elaborado individualmente. Deve ser um trabalho coletivo
entre os professores e outros profissionais da escola, que contemple os anseios
de todos os envolvidos no ambiente escolar. Considerando contexto, limites,
recursos e realidade própria, os professores têm a possibilidade de planejar e
realizar, junto com seus alunos, projetos de intervenções/projetos didáticos, de
acordo com as dificuldades diagnosticadas.
Figura 1

Ao planejar o caminho a ser percorrido, a classe assume feição própria, adquire


personalidade, por demonstrar a intenção, o propósito de ação para se resolver
problemas, alcançando, assim, um fim determinado. Sendo assim, a parceria
entre professores e alunos na produção de um projeto permite que o ensino-
aprendizagem ocorra a partir das ações planejadas, incluindo estudos e pesquisas
para retomada de conteúdos e metodologias. Além disso, no processo de
planejamento, deve-se prever levantamentos, conversas e acertos com os
alunos, para que se possa propor atividades mais coerentes com as metas e
mais adequadas à escola.

Nessa perspectiva, o planejamento deve ter caráter político-social, tendo como


base aspectos políticos, sociais, econômicos, culturais e educacionais e organizado
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de acordo com os seguintes pontos: o que pretendemos alcançar? (objetivos); qual


é área do conhecimento? (conteúdo); o que faremos para alcançar os objetivos
propostos? (metodologia); quais os materiais físicos e humanos dos quais vamos
precisar? (recursos); e o momento de reflexão de todo o processo (avaliação),
que irá fazer com que voltemos ao ponto inicial.

A aula é a forma predominante de organização didática do processo de ensino. É


na aula que organizamos ou criamos as situações pedagógicas, isto é, as condições
e meios necessários para que os alunos aprendam de modo significativo os
conhecimentos, as habilidades e desenvolvam suas capacidades cognoscitivas.

O plano de aula é o detalhamento do plano de ensino. As unidades didáticas e


subunidades (tópicos) que foram previstas em linhas gerais são agora especificadas
e sistematizadas para uma situação didática real. A preparação da aula é uma
tarefa indispensável do professor e, assim como o plano de ensino, deve resultar
em um documento escrito que servirá não só para orientar as ações do professor
como também para possibilitar constantes revisões e aprimoramentos de ano
para ano (LIBÂNEO, 1994).

Figura 2

Na produção do plano de aula, faz-se necessário considerar que a aula é um


período de tempo variável e que dificilmente completamos, numa só aula, o
desenvolvimento de uma unidade didática ou tópico de unidade, pois o processo
de ensino e aprendizagem se compõe de uma sequência articulada de fases:

„„ Preparação e apresentação dos objetivos, conteúdos e tarefas;


„„ Desenvolvimento da matéria nova;
„„ Consolidação (fixação, exercícios, recapitulação, sistematização);
„„ Síntese integradora e aplicação;
„„ Avaliação.

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Para tanto, não devemos preparar uma aula, mas um conjunto de aulas.

3.2 Elaborando um plano de aula

Aqui mostraremos passo a passo como elaborar um plano de aula. O modelo


utilizado foi extraído da Revista Nova Escola, disponível em:
àà http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/carlos-drummond-
andrade-versos-transformados-bordoes-755642.shtml.

Figura 3

O primeiro passo é indicar o tema central da aula. Exemplo: Os poemas de


Carlos Drummond de Andrade.

É preciso estabelecer o tempo e o público-alvo:

Tempo: 10 aulas Público: alunos de ensino médio

A seguir devem-se estabelecer os objetivos da aula.

Exemplo: Ao final das atividades propostas, o aluno será capaz de:

„„ Ler e interpretar poemas de Carlos Drummond de Andrade;


„„ Mapear as figuras de linguagem utilizadas por
Drummond na construção dos textos;
„„ Elaborar releituras de textos drummondianos;
„„ Desenvolver a oralidade por meio da récita.
Em terceiro lugar, indica-se o conteúdo que será objeto de estudo.

Exemplo:

„„ Análise de poemas canônicos da Literatura Brasileira;


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„„ Incorporação da obra de Carlos Drummond


de Andrade pelo discurso cotidiano.
Em quarto lugar, estabelecem-se os procedimentos e recursos de ensino, isto
é, estabelecem-se as formas de utilizar o conteúdo selecionado para atingir os
objetivos propostos.

„„ Seleção de poemas de Carlos Drummond de Andrade.


„„ Cópias da reportagem “E agora, José?” (Veja, 2 de outubro de 2013, 2341);
„„ Samba-enredo “O Reino das Palavras” (Estação
Primeira de Mangueira) disponível no Youtube; 
„„ Canção “José?”, de Paulo Diniz.
„„ Computador com acesso à internet e caixa de som ou CD player.
Em quinto lugar, o professor deverá apresentar de forma detalhada como irá
utilizar os recursos.

Metodologia

1ª etapa 

Comece o estudo da obra de Drummond mostrando o quanto a palavra


poética do escritor, apesar de extremamente sofisticada, ganhou
popularidade. Mostre aos alunos que o poeta foi tema do samba-
enredo “O Reino das Palavras”, da escola de samba Estação Primeira de
Mangueira, que o homenageou quando ele ainda estava vivo, em 1987.
Se possível, toque o samba-enredo para a turma. Em conjunto com os alunos, analise
a letra da música e d estaque as obras drummondianas mencionadas no samba.

2ª etapa 

Faça uma seleção de poemas de Carlos Drummond que você considere adequados
para a faixa etária e para o grau de compreensão dos seus alunos. Durante duas aulas,
trabalhe com a turma a leitura e a interpretação desses poemas. Não se esqueça de
que os alunos do 1º ano do Ensino Médio não são especialistas em literatura. Por
isso, os textos mais densos de Drummond não são adequados para essa faixa etária.
Lembre-se também de que oferecer uma grande quantidade de
textos não quer dizer, nesse caso, que o poeta está sendo estudado
de forma aprofundada. É melhor lidar com um número limitado de
poemas, mas que possam ser analisados adequadamente pelo grupo.
Como sugestão de textos a serem trabalhados em classe, indicamos: “No Meio
do Caminho”, “Congresso Internacional do Medo”, “Confidência do Itabirano”,

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“Mãos Dadas” e “Mundo Grande”. Encerre esta etapa com a versão musicada do
poema “José?”, na voz de Paulo Diniz.

3ª etapa

Após estudo e interpretação de alguns poemas de Drummond, vale a pena


levantar com os alunos os procedimentos estéticos adotados pelo autor para
construir sua proposta poética. Como essa análise pode ser bastante exaustiva,
vale a pena focar em um ponto de interesse: o levantamento das figuras de
linguagem utilizadas pelo autor e como elas ajudam a criar sentidos por ele
pretendidos. Divida a turma em grupos e peça que os alunos realizem a análise
formal dos poemas, destacando as figuras de linguagem presentes nos textos.
Depois, cada grupo apresentará à classe os resultados de suas reflexões.

4ª etapa

Leia com a turma a reportagem da Revista Veja sobre Carlos Drummond de


Andrade. Com base na observação de que alguns versos dos poetas estão
presentes na fala popular, convide os alunos a produzirem individualmente
textos em verso em que utilizem algumas das famosas passagens do autor,
elaborando dessa forma releituras do grande poeta mineiro.

5ª etapa

É chegada a hora de desenvolver a oralidade da classe. A récita de poemas,


atividade atualmente deixada em segundo plano nas aulas de Língua Portuguesa,
pode e deve ser estimulada. Organize com os alunos um “Sarau Drummond”,
oportunidade na qual cada um poderá recitar o poema que produziu na etapa
anterior. Dessa maneira, o estudante poderá partir da leitura de poemas canônicos
e compartilhar sua produção com o grupo.

Em sexto lugar, o professor proporciona a consolidação com atividades variadas,


que podem ser realizadas no decorrer do processo e não apenas em um momento
específico.

Avaliação

A avaliação será feita em duas vertentes: primeiro, o professor deve aferir a


qualidade das análises produzidas em sala de aula, em relação à forma e também
ao conteúdo dos poemas de Drummond; em segundo lugar, devem ser levadas
em consideração as etapas referentes à produção de textos e a récita no sarau.

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3.3 Planejando por meio de projeto

Conforme estudamos na aula passada, a metodologia de projetos busca revisar


a organização do currículo por disciplinas e o modo de situá-lo no tempo e no
espaço da escola. Para tanto, torna-se necessária a construção de uma proposta
curricular, na qual a representação dos conhecimentos não seja fragmentada,
separada dos problemas cotidianos dos alunos, mas que venha solucionar os
seus problemas, suprindo as suas necessidades.

Os projetos levam em consideração o que ocorre fora dos muros da escola, em


termos de transformações sociais e saberes socialmente construídos, a grande
produção de informação que caracteriza a sociedade atual e, também, o aprender
a dialogar de forma crítica com todos esses fenômenos (HERNÁNDEZ, 1998, p.
61). Nessa perspectiva, a prática pedagógica por meio do desenvolvimento de
projetos busca articular o aluno, o professor, os recursos disponíveis e todas as
interações que se estabelecem no espaço escolar.

O termo projeto tem sido muito debatido no âmbito escolar. Não podemos
considerar a Pedagogia de Projetos como um modismo, de acordo com algumas
visões reducionistas do meio escolar (SILVA, 2003). Formulamos projetos para
buscar resolver problemas cotidianos ou problemas particulares de interesse
pessoal, para desenvolver pesquisas de todos os tipos e/ou para construir
conhecimento.

Em relação aos projetos pedagógicos, considera-se que eles são atividades


organizadas com o objetivo de resolver determinado problema. Na prática escolar,
partimos de uma situação problema e global dos fenômenos, da realidade, do
grupo e não da interpretação teórica já sistematizada através das disciplinas. Cada
assunto constrói-se sobre ele próprio e estende-se sobre as outras disciplinas.
Acontece a interação de duas ou mais disciplinas, num processo que pode
variar da simples comunicação de ideias até a integração recíproca de objetivos,
finalidades, conceitos, conteúdos, terminologia, metodologia, procedimentos,
dados e formas de estruturá-los e sistematizá-los no processo de elaboração do
conhecimento (GONÇALVES, 2005).

Os projetos não têm uma estrutura única e pré-concebida. Cada tipo de projeto
terá sua organização diferente conforme o problema considerado, com as
concepções apresentadas e refletidas do grupo e das possibilidades reais da
escola. Essa organização deve ser flexível e aberta a mudanças, para não se
tornar uma forma singular e repetitiva de examinar e ver o mundo. Um projeto
pensado de maneira ampla e abrangente pode não parecer real inicialmente,
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mas se torna real a partir da realização das ações e das articulações destas. Ele
nos permite fazer antecipações, referências ao futuro, buscar a realização de
um ideal (SILVA, 2003).

De acordo com Zabala (1998), a prática pedagógica é a forma de intervenção do


professor no decorrer do processo de aprendizagem do aluno. Dito de outro modo,
a prática pedagógica é o fazer daquilo que foi pensado e planejado pelo professor.
Assim, a estrutura da prática pedagógica segue vários determinantes, sendo
justificada por modelos institucionais, organizativos, tradições metodológicas,
possibilidades reais do corpo docente, dos recursos e condições físicas. A prática
pedagógica pode ser caracterizada como algo fluido, fugidio, difícil de determinar
com coordenadas simples. Ela é muito complexa, visto que, por meio dela, são
refletidas várias ideias, valores, hábitos pedagógicos e outros fatores (MORESCO
e BEHAR, 2010).

A concepção pedagógica que se tem sobre o modo de fazer o processo de


aprendizagem é a base para estabelecer os critérios que nortearão o fazer docente
em sala de aula. Para Zabala (1998), as aprendizagens apenas ocorrem em situações
de ensino ou pouco explícitas ou intencionais, nas quais é impossível diferenciar,
na prática, os processos de aprendizagem e de ensino. Nessa perspectiva, os
conhecimentos psicológicos sobre os níveis de desenvolvimento humano, os
tipos cognitivos, os ritmos de aprendizagem, as estratégias de aprendizagem e
outros fatores são importantes para estabelecer o referencial que se deve analisar
ao tomar decisões didáticas. A compreensão que se tem dos processos de ensino
e aprendizagem é mais um referencial para o exame da prática educativa.

Na perspectiva de Libâneo (1994, p. 28), a didática surge quando os adultos


começam a intervir na atividade de aprendizagem, através da direção deliberada
e planejada do processo, de maneira oposta às formas de intervenção mais ou
menos espontâneas anteriores. A tomada de decisões sobre cada uma das áreas
da intervenção educativa sofre influência através das informações de fontes
socioantropológicas, epistemológicas, didáticas e psicológicas. Todavia, nem
todas essas fontes se estabelecem no mesmo patamar. Existem diversos graus
de dependência e articulação entre as fontes, o que nos possibilita agrupá-las
em dois grupos.

O primeiro grupo está ligado ao sentido e ao papel da educação. Ele se envolve


com as finalidades da educação ou do ensino. As finalidades, objetivos, propósitos
e intenções da educação formam o ponto de partida que justifica, determina e
dá sentido à intervenção pedagógica. Neste grupo, a fonte socioantropológica
que é produzida pela concepção ideológica responde às questões de para que
educar ou ensinar, condicionando e demarcando o papel e o sentido que terá a
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fonte epistemológica. Nesse sentido, a sua função não pode ser compreendida
no mesmo patamar, a menos que seja determinada pelos fins que decorrem do
papel que se tenha atribuído ao ensino. O uso dos conhecimentos, das disciplinas
e das matérias que decorrem da fonte epistemológica estará sujeito, de uma
forma ou de outra, às finalidades da educação, de acordo com o sentido e a
função social que se concede ao ensino (MORESCO e BEHAR, 2010).

A fonte psicológica e a didática apresentam inter-relações em níveis diferentes,


considerando que dificilmente pode responder à questão de como ensinar,
caso não se tenha o conhecimento de como as aprendizagens acontecem. A
ideia sobre como acontece o processo de aprendizagem constitui a base para
estabelecer os critérios que deverão nos permitir tomar decisões didáticas.
Devemos considerar que as aprendizagens acontecem em situações de ensino
relativamente intencionais, nas quais é praticamente impossível separar, de
modo prático, os processos de ensino e de aprendizagem. Desta forma, o outro
referencial para a análise da prática docente será o que é determinado pela
concepção que se tem dos processos de ensino e aprendizagem (MORESCO e
BEHAR, 2010).

Quando se trata de projetos, dentre os vários aspectos que devemos considerar, um


dos mais importantes refere-se à ênfase colocada no ensino e na aprendizagem.
Os conceitos de ensino e aprendizagem encontram-se indissociavelmente
relacionados. Contudo, ao se reportar ao ensino, evocam-se os seguintes conceitos:
instrução, orientação, comunicação e transmissão de conhecimentos, que
apontam o professor como elemento essencial do processo. Em contrapartida, ao
mencionar aprendizagem, salientam-se conceitos como: apreensão, apropriação,
descoberta, modificação de comportamento e construção de conhecimentos,
em que o professor é um orientador, um problematizador no decorrer de todo
o processo.

O enfoque dado no ensino ou na aprendizagem reflete a prática docente e o


projeto de trabalho ou de pesquisa do professor (GIL, 1990). Tem-se, assim, uma
díade que provoca os professores quando se propõem a desenvolver projetos.
Com referência em cada enfoque, podemos refletir: que concepção seria a mais
indicada para se trabalhar com projetos?

Considerando tais concepções epistemológicas, se pensarmos em uma escola


tradicional, ensinar seria a melhor opção para se trabalhar com projetos, contudo, se
pensarmos em uma escola que adota uma concepção construtivista, fundamentada
nas interações, a aprendizagem será a ênfase do professor (SILVA, 2003).

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De acordo com Fagundes (1999), tem-se que, no ensino, o professor possui todo
o controle sobre as decisões. É como se o professor fosse a único a dispor do
conhecimento que deve ser transmitido ao aprendiz. Assim, apenas ele decidirá o
que, como e com que qualidade deverá ser aprendido. O aluno não tem escolha,
pois não está nas mãos dele o poder de tomar decisões, mas, sim, de obedecer
às regras impostas.

Contudo, a “aprendizagem por projetos” considera a construção de questões pelo


autor do projeto, pelo sujeito que elaborará conhecimento. Nesta perspectiva,
o aluno não é uma tábula rasa, pois se considera o seu conhecimento prévio,
formulado no decorrer da sua vida até o momento atual. Tendo como base as
suas concepções espontâneas, o aluno vai interagir e constituir relações com o
novo, aperfeiçoando-se do conhecimento específico.

Um projeto para aprender deve surgir de inquietações no sistema de significações


do aluno, isto é, o projeto deve vir do interesse do aluno, mas pode ser auxiliado
pelo professor. O próprio estudante deve apresentar suas questões de pesquisa,
que devem surgir de seus interesses, na sua história de vida, em seu ambiente,
em seu sistema de valores, nas suas condições pessoais ou numa situação
provocadora (MORESCO e BEHAR, 2010).

Exercitando

A fim de aprofundar as ideias aqui apresentadas, escolha um conteúdo de


Literatura ou Língua Portuguesa que você já discutiu neste curso e elabore um
plano de aula, seguindo os passos que orientamos no item 3.2 desta aula.

4 TROCANDO EM MIÚDOS

Com frequência, os docentes perguntam se tudo pode ser ensinado por meio
de projetos. Isso não deixa de ser uma questão com algo de armadilha, porque
nunca a escola ensina “tudo” (entre outras razões, porque o docente não pode ou
não sabe “tudo” e, por trás dessa crítica, continua latente a visão enciclopédica do
currículo). Ninguém põe em dúvida que os alunos devem aprender a ler e escrever,
calcular e resolver problemas, identificar fatos históricos e artísticos, acidentes
geográficos e compreender conceitos científicos. Mas também devem aprender
a utilizar um índice, um dicionário, uma enciclopédia (em papel ou multimídia) e
um computador. Deverão saber interpretar dados, apresentar argumentos a favor
e contra e aprender sobre a natureza do conhecimento do qual se aproximam.
O dilema não está só em o que vão aprender, mas também em como aprendem
e contextualizam. Por isso, só estabelecer que não é necessário que tudo o que
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Elaborando um planejamento

é necessário aprender na escola possa ser organizado como um projeto, mas


sim possa ser ensinado como um projeto de trabalho (HERNÁNDEZ, 1998, p. 88).

5 AUTOAVALIANDO

Ao final desta aula, a fim de garantir a compreensão do conteúdo nela abordado,


é necessário que você se faça os seguintes questionamentos:

1) O que estou compreendendo a respeito de projetos?

2) Preciso definir um tipo de projeto para utilizar nas atividades de Língua


Portuguesa ou nos meus trabalhos na escola?

3) Consigo identificar a relação entre projeto e plano?

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REFERÊNCIAS

FAGUNDES, Lea da Cruz. Aprendizes do Futuro: as inovações começaram. Coleção


informática para a mudança na Educação. Brasília: PROINFO/SEED/MEC, 1999.

GONÇALVES, Francisca dos Santos. Interdisciplinariedade. Disponível em:


http://rooda.edu.ufrgs.br/paginas/projetosinterdisciplinares/texto2.htm. Acesso
em: 15 jan. 2005.

HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos


de trabalho. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

______. Cultura Visual, Mudança Educativa e Projeto de Trabalho. Porto


Alegre: ArtMed, 2000.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

REVISTA NOVA ESCOLA. Carlos Drummond de Andrade: versos transformados em


bordões. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/carlos-
drummond-andrade-versos-transformados-bordoes-755642.shtml. Acesso em:
14 maio 2014.

SILVA, Maristela Alberton. O Trabalho com Projetos Um Convite À Descoberta.


Disponível em: http://pontodeencontro.proinfo.mec.gov.br/ad3.htm. Acesso
em: 3 jan. 2005.

ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: Como ensinar. Tradução Ernani F. da F.


Rosa. Porto Alegre: Artmed, 1998.

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