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Curso de DIREITO Prof. Esc.

Lister de Freitas Albernaz 1

Curso de DIREITO

APOSTILA
N132 - MÉTODOS ALTERNATIVOS DE
SOLUÇÃO DE CONFLITOS:
NEGOCIAÇÃO E MEDIAÇÃO

Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz

Goiânia
2021
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 2

MÉTODOS ALTERNATIVOS DE
SOLUÇÃO DE CONFLITOS: NEGOCIAÇÃO E MEDIAÇÃO
APRESENTAÇÃO DA MATÉRIA. OBJETIVOS.

 Promover a compreensão e a importância dos métodos alternativos de resolução de conflitos, assim


como apresentar e discutir aos conhecimentos teóricos e práticos a respeito das formas alternativas
de solução de controvérsias e sua interação com o Poder Judiciário.

 Apresentar os fundamentos dos métodos alternativos de resolução de conflitos.

 Preparar para utilização de elementos de doutrina, jurisprudência e legislação componentes dos


métodos alternativos de resolução de conflitos.

 Analisar criticamente os recursos – normalmente privados – para a solução de conflitos,


controvérsias, litígios e impasses.

 A disciplina tem como objetivos gerais a transmissão das noções gerais, princípios e regras do novo
direito processual civil, numa abordagem interdisciplinar da mediação e demais temas relacionados.
Utilizar o modelo da abordagem de ganhos mútuos na negociação, em diferentes contextos de uma
organização, somados aos objetivos específicos a seguir descritos.

 Estimular estudo da mediação, assegurando um arcabouço de conhecimento que possibilite a


análise crítica e a escolha dos instrumentos alternativos adequados ao alcance efetivo da ordem
jurídica justa, na busca da solução dos conflitos de interesses ou da transformação do conflito.
Definir negociação. Abordar o conceito de ganho mútuo. Diferenciar contextos de competição e
cooperação. Compreender as matrizes de negociações complexas e identificar as etapas da
negociação e suas manifestações.

INTRODUÇÃO

 Com o advento da globalização e competição mais acirrada no mundo dos negócios, torna-se
importante e necessário que as decisões relativas a conflitos de ordem negocial sejam tomadas com
rapidez, de forma efetiva, criativa, amigável e econômica.

 O modelo tradicional de solução de controvérsias, pela via do Judiciário, não tem acompanhado a
expansão da economia de mercado e poderá interferir no desenvolvimento de nosso País.

 O sistema emperrado e o desfuncionamento do atual modelo do Judiciário brasileiro ocorre:


burocracia da Justiça, morosidade nos processos, sobrecarga dos tribunais e elevado custo da
demanda judicial.

 Em transações comerciais, não mais se admite que cargas de produtos perecíveis fiquem paradas
em razão de entraves burocráticos e discussões judiciais, para somente serem liberadas após seu
perecimento.

 O NOVO CPC, no art. 3º erigiu os métodos alternativos de resolução de conflitos como norma
fundamental do Processo Civil de ordem Constitucional, apontando que no § 1º é permitida a
arbitragem, na forma da lei, no § 2º, o Estado promoverá, sempre que possível, a solução
consensual dos conflitos, e no § 3º, a conciliação, a mediação e outros métodos de solução
consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial.
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TEORIA GERAL DO CONFLITO


QUE SÃO CONFLITOS?

Existem várias definições de Conflito e do que pode ser o conflito mas podemos dizer que os
conflitos são situações que se caracterizam por uma escassez de recursos onde se associa um
sentimento de hostilidade. Também podemos definir o conflito como sendo o processo que se inicia
quando uma parte percepciona que a outra o tem afetado negativamente ou está com intenções de
o fazer em algo importante. Ele faz parte da nossa vida pessoal, social, empresarial, etc.

O Conflito é sustentado pelas ações e reações de ambas as partes, ou seja pela interação entre
ambas. Pelo menos uma das partes percepciona que a situação se caracteriza pela
incompatibilidade de objetivos, metas, valores, e que tal pode dificultar ou inviabilizar o que
pretende.

Existem vários níveis de conflitos:

 Intrapessoais - O conflito ocorrer dentro do indivíduo. Pode tratar-se de um conflito atração–


atração, repulsão–repulsão ou ainda atração-repulsão.

 Interpessoal – O conflito ocorre entre indivíduos.

 Organizacionais - Os conflitos organizacionais podem ser divididos em várias vertentes.


Temos o conflito intragrupal, quando o conflito ocorrer dentro de um pequeno grupo. Existe
também o conflito intergrupal onde o conflito ocorrer entre grupos de uma mesma
organização.

De referir que temos ainda os conflitos inter-organizacionais que ocorrem entre organizações e os
conflitos intra-organizacionais que abrangem a generalidade das partes da organização.

Identicamente existem outras designações para os níveis de conflitos. Diversos autores indicam que
os conflitos podem ser divididos em dois grupos:

 Cognitivos – Que resultam da divergência na avaliação de dados empíricos ou factuais e


expressam-se controversamente.

 Normativos – Da qual resultam de divergências em assuntos e matérias relacionadas com as


formas apropriadas de comportamento.

SITUAÇÕES QUE GERAM CONFLITOS

Para se fazer uma boa gestão de conflitos e também os prevenis é necessário conhecer as
situações que têm tendência a gerar conflitos.

A interdependência de funções são das situações-chave que dão origem a conflito, pois se o
trabalho de uma pessoa esta dependente do trabalho de outra é bastante provável que surjam
conflitos.

Outra situação que se deve referir é a indefinição das “regras do jogo”. Quando se instala a
ambiguidade quer seja em relações profissionais como pessoais, dá origem a interpretações às
quais as partes intervenientes podem não estar de acordo. Igualmente geradora de conflitos está a
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situação de interdependência de recursos. Em todas as situações em que os recursos são escassos


em relação ao desejado vai ocorrer uma discordância em como reparti-los.

O conflito está presente em situações onde existe um sistema de recompensas competitivas pois
basicamente se verifica que para um indivíduo ganhar e ser premiado o outro não o será.

Possivelmente a situação mais geradora de conflitos será a mudança. O ser humanos é um animal
de hábitos e nem sempre encara a mudança como algo positivo ou desejável, pois a mudança
provoca ansiedade. Ansiedade essa que depois se vai traduzir em falta de segurança e num esforço
adicional para se adaptar à nova realidade. Podem igualmente surgir situações de conflito quando a
mudança é imposta ao indivíduo. Basicamente o receio da mudança é devido a incerteza do futuro,
perda de privilégios adquiridos e que ela constitua uma crítica.

QUAIS AS ESTRATÉGIAS FUNDAMENTAIS NA GESTÃO DE CONFLITOS?

Neste estudo sobre a gestão de conflitos podemos referir as cinco principais estratégias de gestão
de conflitos, salientando as vantagens e desvantagens de cada uma.

Uma das cinco estratégias é o evitamento, onde um indivíduo opta por não entrar na divergência e
evita a todo o custo a confrontação. A principal vantagem deste tipo de estratégia e o ganho de
tempo para resolver a divergência. A desvantagem é que se trata de uma solução provisória que
não ataca o problema diretamente. Quando o problema é trivial e impossível de concretizar os
interesses de ambas as partes é uma estratégia a ter em consideração.

A acomodação também é uma estratégia de gestão de conflito com a vantagem de encorajamento


de cooperação futura mas a desvantagem de poder ocorrer o fracasso em lidar com o problema
subjacente. Não se aconselha este tipo de atitude quando os problemas são complexos e difíceis.
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Um exemplo em que este tipo de estratégia e apropriada é quando existe o receio de a outra parte
não ter uma ação ética.

Uma estratégia muito conhecida na gestão de conflitos é a competição/dominação, onde o próprio


nome da estratégia define o tipo de comportamento. A vantagem deste tipo de atitude é que pode
estimular a criatividade, a rapidez e energizar as pessoas. A grande desvantagem é que cria
ressentimentos da outra parte interveniente, o que pode dificultar negociações futuras. Este tipo de
estratégia não é aconselhável em ambientes abertos e participativos e quando o assunto é
complexo. No entanto, é adequado quando uma decisão que não agrada ambas as partes têm de
ser tomada e o prazo limite de tempo está a expirar.

O compromisso permite soluções rápidas não gerando perdedores em ambas as partes. Por
norma, com este tipo de estratégia, nenhuma das partes fica satisfeita ocorrendo o abafamento de
ideias criativas para os problemas. O compromisso torna-se apropriado quando ambas as partes
intervenientes detêm poderes equilibrados e quando é necessário uma solução temporária para um
problema complexo. É desaconselhável quando a questão a ser resolvida necessita de uma
abordagem colaborativa.

Resta então referir a quinta estratégia de gestão de conflitos que será a colaboração. Neste tipo de
situação, vai acontecer ambas as partes lidarem com os problemas e não com os sintomas. Vão
lidar com interesses e não posições, o que é uma vantagem da colaboração. O único inconveniente
a salientar é o tempo excessivo que é necessário neste tipo de situações. Quando se tem de tomar
uma decisão a longo prazo e os assuntos são complicados é uma estratégia adequada, mas se o
tempo é escasso e a outra parte atua de um modo competitivo é uma estratégia a não ter em
consideração.

POTENCIAIS EFEITOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO CONFLITO

Atualmente a abordagem ao Conflito é positiva, pois é encarado como um fator de mudança e um


estimulador a criatividade e à inovação.

A abordagem tradicional ao conflito é exatamente o oposto. É algo negativo, assustador e a evitar.


Tanto uma abordagem como a outra são aceitáveis e referem aspectos positivos e negativos do
conflito.

- Alguns aspectos positivos do conflito são:

■ Gera motivação e energia para executar melhor as tarefas

■ Facilita a inovação, a mudança e a adaptação

■ Torna o clima organizacional mais entusiasmante

■ Reduz a preguiça social

■ As pessoas aprendem através do confronto de ideias, o que pode melhorar a qualidade das
decisões

■ Permite libertar tensões

- Alguns aspectos negativos do conflito são:

● Induz cada adversário a fazer atribuições hostis ao outro

● Provoca impasses e atrasos no processo decisório


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● Provoca decréscimo nos níveis de satisfação

● Reduz o empenhamento organizacional

● Destrói a moral dos grupos e organizações

● Suscita comportamentos retaliatórios e irresponsáveis

A Negociação e os conflitos são processos complexos que ocorrem nos mais diversos sectores da
vida quotidiano de todos os seres humanos.

A CULTURA DA PACIFICAÇÃO.

Os institutos da mediação e conciliação, bem como outros métodos adequados de solução de


conflitos, surgem na atual dinâmica processual brasileira como instrumentos pacificadores, de forma
célere, menos burocrática e mais eficiente.

Também intitulados como “cultura da paz”, trazem em seu bojo a dinâmica consensual de resolução
de conflitos de interesses, em caráter endo e extraprocessual devidamente disposto nos artigos
inseridos no “Novo” Código de Processo Civil.

Conforme prevê o art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal de 1988, representante primaz do
princípio da inafastabilidade do poder judiciário, o direito de acesso à Justiça é de todos aqueles
buscam a efetividade da tutela jurisdicional do Estado, em seu aspecto efetivo, eficaz e legal;
Contudo, há muitos anos o sistema judiciário brasileiro vivencia uma crise de ordem estrutural,
pragmática, paradigmática e tecnológica, que culmina consequentemente em um atravancamento
das demandas judiciais, o que atualmente, segundo os dados do Conselho Nacional de Justiça,
ultrapassa a ordem de 10 milhões de demandas judiciais em tramitação.

Várias Implementações foram realizadas no Sistema Judiciário brasileiro, a fim de dar mais
celeridade à efetiva tutela jurisdicional, e desta forma, promover o acesso à justiça de forma
resoluta.
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Sem dúvida, uma das principais ações do Estado em sua função jurisdicional foi à criação do CNJ,
que por meio da Emenda Constitucional Nº 45/2004, trouxe apontamentos estratégicos a fim de
melhorar a eficiência operacional, e sobre tudo, dar mais efetividade, tratando-o com maior
responsabilidade social e de forma humanizada.

Este cenário trouxe à baila um tema relevante: “a cultura do conflito”.

Vislumbrando-se a impossibilidade de se manter esse caminho, o CNJ passou a exercer um papel


imprescindível na organização e promoção de ações de incentivo à cultura das soluções adequadas
de conflitos de interesse, a fim de reverter o excesso de litigância e os altos índices de
congestionamento dos processos, já que, naquela toada, não seria mais possível conviver com a
premissa maior de que o acesso à Justiça seria sinônimo de judicialização de qualquer questão.

Nesse sentido, surge um esforço institucional e pedagógico para redução deste congestionamento
que permeia não somente à efetivação das garantias fundamentais do Estado Democrático de
Direito, como também dá guarida ao devido processo legal, motivo pela qual surgem esforços
conjuntos, dando início a uma força tarefa, lançando a Semana Nacional da Conciliação.

Nesse caminhar, nasce a Resolução 125/2010 do CNJ, que institui a Política Judiciária Nacional de
Tratamento Adequado dos Conflitos de Interesses no âmbito do Poder Judiciário, dando destaque à
Conciliação e à Mediação como instrumentos da pacificação social.

Com a chegada da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, trazendo o texto aprovado
no Art.3° parágrafo 3º, tais anseios instituídos pelo CNJ foram chancelados e recepcionados,
estimulando o que vem sendo denominada de “cultura da paz”.

Assim, a Conciliação, a Mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos, firmam-se


como instrumentos pacificadores, de forma célere, menos burocrática e mais eficiente.

Todavia, para que haja uma solidez nessa nova forma de pensar, será necessária uma mudança de
postura, bem como a disseminação de ações efetivas, concedendo suporte material, estímulo,
treinamento, inclusive com a previsão de remuneração dos Mediadores, já que na maioria dos
Estados a atuação não é remunerada, sob pena de perecer todo o esforço legislativo até então
empreendido.

Contudo, precisamos acreditar num olhar humanizado, voltado para as partes e não para a
demanda, estimulando, e permitindo que as partes envolvidas no litígio possam restabelecer a
comunicação, saindo da espiral de conflito que cada uma se encontra, fomentando uma
comunicação pacifica e eficiente, e consequentemente velar para que os cidadãos que fazem a
opção por utilizar essa via, sejam contemplados com a possibilidade real da solução do conflito.

E é exatamente isto que o instituto da mediação proporciona às partes, independentemente do tipo


de demanda, onde envolva uma relação continuada, tanto no âmbito pessoal, nas demandas de
família, quanto nas demandas empresariais e negociais, pode se lançar mão deste instrumento tão
eficaz e resolutivo.

A Mediação apresenta inúmeras vantagens, dentre as quais as partes dispõem de maior controle
sobre o procedimento, e principalmente a redução do desgaste emocional, possibilitando uma
melhora no relacionamento entre as partes, estendendo a cultura da pacificação para o convívio
familiar e social.

Essa ferramenta, embasada por princípios que incluem a celeridade, a informalidade, a


confidencialidade, economicidade e autonomia, abraçam objetivamente a utilização desses métodos
resolutivos, proporcionando o bem-estar e a segurança jurídica a respeito daquilo que se buscou
com a chancela da efetiva tutela jurisdicional.
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É também um procedimento flexível, vez que a Mediação pode ser realizada extrajudicialmente,
antes da existência efetiva da demanda judicial ou a qualquer tempo no decorrer desta, e mesmo
sendo estruturada, não se compara com a rigidez de um procedimento judicial.

No decorrer de uma sessão que ocorre num espaço neutro, sem hierarquia, as partes envolvidas
percebem que pode ser o momento oportuno para debaterem e chegarem a um termo, vislumbram
a possibilidade de juntos construírem a própria sentença, que não é necessário delegar essa função
a um terceiro.

Estudos apontam de forma positiva o cumprimento dos acordos estabelecidos de maneira


consensual, como na mediação, vez que os envolvidos no conflito, ao participarem voluntariamente
da elaboração do termo consensual (acordo), posicionam-se mais satisfeitos e comprometidos
quanto ao seu cumprimento.

Nesse diapasão, retornam ao seio da sociedade, nos seus núcleos familiares e profissionais com
uma postura mais pacificadora, disseminando a tão almejada cultura da paz.

A eficácia, dos meios adequados de solução de conflitos de interesses, não atingiria o seu objetivo,
se não houvesse a presença dos Mediadores e Conciliadores, pessoas com capacitação prático
teórica, e técnicas voltadas especificamente para que possam desenvolver a dinâmica dos conflitos,
através da leitura dos anseios e objetivos reais das partes.

Podemos concluir que o papel dos Mediadores e Conciliadores como auxiliares da justiça são
fundamentais na construção de um novo cenário no judiciário brasileiro.

Os benefícios são grandes, na utilização destes institutos, vez que o tempo urge, temos pressa na
resolução das demandas e por meio destes métodos Adequados de solução de conflitos, é possível
proporcionar um atendimento humanizado onde todos saiam ganhando; o Poder Judiciário, os
Juízes, os Advogados, e principalmente as partes, pois trata-se de uma evolução jurídica,
democrática e cidadã.

Em relação aos princípios, adotando-se a concepção formal de direitos fundamentais, qual seja,
aquela que menciona que os direitos fundamentais são aqueles previstos no Título II da Constituição
Federal, observa-se a menção ao acesso à justiça e à razoável duração do processo, eis que
presentes nos incisos XXXV e LXXVIII do art. 5º.

Nesse sentido, sem delongas, buscar-se-á, neste artigo, analisar se os métodos alternativos de
resolução de conflitos a seguir analisados podem ser analisados à luz dos direitos fundamentais, eis
que, entre os seus objetivos, está conferir ao cidadão a resolução de sua lide, garantindo-lhe o
acesso à justiça, preferencialmente de forma menos morosa.

Para entender os meios de resolução de conflitos, é preciso lembrar da história e surgimento do


monopólio jurisdicional. No início, o Estado apenas se preocupava em garantir os direitos das
pessoas. Após, com a grande demanda de litígios e a prevalência da “lei do mais forte”, o Estado
resolveu intervir, limitando o poder dos mais fortes, igualando-os aos mais fracos.

Dentre as formas de resolução de conflitos, pode-se citar duas formalmente reconhecidas pelo
nosso ordenamento jurídico: os mecanismos judiciais e os extrajudiciais. Estes, por sua vez, serão
analisados no decorrer do capítulo como formas “paralelas” ao caminho jurisdicional, porém, não de
menor importância.

Hoje, no Brasil, há vários meios de resolução de conflitos desta natureza. Vê-se o legislador
preocupado com a demanda que se acumula a cada ano no judiciário, deixando muitas vezes a
sociedade a mercê de uma solução célere e justa para cada caso. A reforma do CPC trouxe
sensíveis reformas nesse sentido, principalmente no que se refere às audiências de conciliação e
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mediação.

É neste sentido que se torna meio de utilidade pública a criação de métodos à resolução de conflitos
entre as pessoas, agregando técnicas, ferramentas ou mecanismos para enfrentar o problema social
e a grande demanda que a sociedade dispõe.

Preocupados com a grande demanda no Poder Judiciário, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça)
criou a Resolução 70, de 18 de março de 2009, com o intuito de estabelecer critérios e metas
quantitativas para julgamentos de casos antigos, a fim de dar conta da crescente demanda
existente. Com isso, os tribunais estão reduzindo, ano a ano, os índices significativos até então
existentes.

Entre as preocupações de grandes demandas de processos abarrotando o judiciário, tem-se a


necessidade de saída da justiça. A partir daí, encontra-se o desafio de manter um leque de opções
colocadas à disposição do cidadão, a fim de solucionar o conflito de forma alternativa. Com o grande
volume de casos que já ingressaram no Judiciário, planejar a saída da justiça no Brasil, é uma
questão de necessidade.

Os métodos não jurisdicionais para resolução de conflitos, dividem-se em duas categorias: métodos
adversariais e métodos consensuais. Naqueles, um terceiro imparcial colhe informações sobre a
lide, viabiliza a produção de provas e como resultado produz um veredicto (solução ganha/perde). O
método permite a apresentação de posições, como consequência implica no acolhimento de uma e
rejeição da outra. Aqui não tem lugar para cooperação, expressão de sentimentos etc.

Nos métodos consensuais (ou métodos não adverariais), um terceiro imparcial colhe informações
sobre o conflito, investiga as necessidades, os sentimentos de cada um, estimulando-os a encontrar,
por eles mesmos, as soluções desejadas (solução ganha/ganha). Tal método permite expressões de
emoções, sentimentos, a fim de identificar os verdadeiros interesses.

Em vários estudos e pesquisas realizadas ao decorrer do tempo, demonstram uma certa


insatisfação da comunidade, principalmente as mais carentes, em relação ao Poder Judiciário. A
anomia, observada no conceito do desinteresse do Estado em relação às comunidades carentes,
vem causando grandes debates de políticas públicas, tanto pela gravidade de tais condutas, como
pelo impacto na segurança pública.

Para entender melhor, as comunidades mais carentes, que estão desintegradas e excluídas do
sistema, não se sentem como pertencentes ao Estado, causando a ausência da observância ao
sistema legislativo oficial e a observância de regras próprias. Diante de uma pluralidade de direitos,
convivendo e interagindo de diferentes maneiras, a comunidade busca formas de solução dos
litígios caracterizadas pela informalidade, rapidez, participação ativa da comunidade, pela
conciliação ou mediação.

Porém, ocorre em muitas situações, que líderes do crime organizado tomam conta dessas
comunidades. Assim, passam a fornecer serviços não ofertados pelo estado em troca de sigilo pelos
crimes praticados pelo grupo no cumprimento de suas regras. Em consequência, a comunidade
deixa de observar regras e limites oficiais e os assassinatos e outras barbáries não são vedados,
muitas vezes servindo de exemplo e coação destinadas a manutenção do controle social e a
fidelidade de sigilo ofertada pelos moradores.

Importante destacar que a presença e atuação dos líderes do crime organizado é rápida, embora
vincule e obrigue os eventuais favorecidos ao silêncio e a subordinação do grupo.

O Estado deve se fazer presente urgentemente, para tentar diminuir a incidência do crime
organizado. Há de se buscar alternativas eficazes para a solução de conflitos e a presença efetiva
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do Estado dentro dessas comunidades. De nada adianta ao cidadão garantias formais e


fundamentais descritas em nossa Constituição, sem ter nenhuma efetividade no seu dia a dia. Só a
presença efetiva do Estado e o atendimento aos serviços básicos resgatarão nessas comunidades o
sentimento de pertencimento. É preciso entender que dentro ou fora do Estado é possível abrir
frentes de acesso à resolução de conflitos.

Além do já exposto, pode-se analisar outras formas que estão sendo criadas para facilitar o acesso
à justiça, seja para dar mais celeridade ao Poder Judiciário, seja para garantir uma justiça realmente
justa e acessível a todos. Entre outras hipóteses pode-se citar uma medida tomada em parceria
pelos municípios e o Poder Judiciário que é a Casa da Justiça e Cidadania, um lugar onde é
oferecido vários serviços de forma integrada e até ambiente jurídico.

Tem objetivo de promover o princípio constitucional da cidadania e disseminar práticas voltadas à


proteção de direitos fundamentais e acesso à cultura e à justiça. Ainda, para sua criação não é
preciso burocracias nem gastos astronômicos de valores e estruturas onerosas. Basta a simples
vontade da população, a partir de despesas e investimentos mínimos.

Tem-se ainda o mutirão da cidadania, também criado pelo CNJ que visa estabelecer medidas
concretas para o auxílio e proteção dos direitos fundamentais das pessoas que sofrem maior
vulnerabilidade. Os temas geralmente tratam da criança, do idoso, dos portadores de deficiência e
da mulher, vítima de violência doméstica e familiar.

Assim, percebe-se que o Estado preocupou-se com a criação de várias alternativas para facilitar o
acesso à justiça do cidadão. Acabou com seu monopólio jurídico que perdurava por muitos anos
antes da criação da Lei da Arbitragem, da Lei dos Juizados Especiais, a nova Lei da Mediação, o
Novo CPC, entre outros programas criados para facilitar o consenso e acordo pacífico de conflitos
mesmo de forma extrajudicial. Com isso, os equivalentes jurisdicionais são meios de acesso à
justiça que emergem da conceituação de pluralismo jurídico, ainda que o paradigma pluralista prevê
maior interação entre o cidadão e o Estado.

Descobriu-se que as formas alternativas de resolução de conflitos como a conciliação, mediação e


arbitragem são capazes de proporcionar uma justiça célere e eficaz para resolver conflitos, com ou
sem a tutela estatal. Há de se destacar que o Estado vem se preocupando com a criação de outros
meios alternativos, como citado, a fim de resolver e auxiliar nas demandas judiciais.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO

O ordenamento jurídico brasileiro é um condensado de normas regidas e interpretadas em


conformidade com diversos princípios basilares do direito adquirido da cultura romano-germânica.
Ocorre que, não há apenas liames entre normas e princípios, mas também, entre um vínculo
produtor de efeitos provenientes da conversação de um princípio com o outro, formando uma cadeia
interminável de ligações que se comungam a fim de demonstrar a unidade do direito.

Podemos perceber, com bastante clareza, que existem princípios que estabelecem uma melhor
afinidade com outros, especificamente, como o princípio do contraditório e da ampla defesa, do livre
convencimento motivado e do dispositivo, dentre outros.

O princípio da cooperação, tema de nosso trabalho, possui uma ligação muito estrita com o princípio
da celeridade processual ou razoável duração do processo, pois em largas explicações o princípio
da cooperação é o exercício dentro da relação processual existente entre as partes e o juiz com o
fim de praticar atos de forma cooperativa tendo em vista alcançar a resolução de mérito do conflito.
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Nas palavras de Humberto Teodoro Júnior, o princípio da cooperação:

Trata-se de um desdobramento do princípio moderno do contraditório assegurado


constitucionalmente, que não mais pode ser visto apenas como garantia de audiência
bilateral das partes, mas que tem a função democrática de permitir a todos os sujeitos da
relação processual a possibilidade de influir, realmente, sobre a formação do provimento
jurisdicional. (TEODORO; 2016, p. 106)

A partir de tal consideração, o princípio da cooperação mostra-se ligado de forma constitucional, ao


princípio do contraditório, uma vez que, as partes deixam de figurar apenas como meros inimigos
processuais, e, a prática de seus atos, assegurados pelo contraditório e ampla defesa, faz com que
busquem alcançar a pretensão perquirida pelas partes, ou seja, buscam a solução do conflito
existente e se abstêm de uma relação processual recheada de vícios advindos do simples embate.

De outro lado, fica clara a relação existente entre os três pilares do direito processual atualmente
vigente: o estado democrático de direito, o novo movimento processual que o CPC/15 trouxe e a
aplicabilidade de princípios fundamentais com vistas à celeridade processual.

O princípio da cooperação, como formador da ideia de que as partes da relação processual devem
cooperar entre si, agindo de boa-fé, para que a solução da lide seja alcançada, já é pressuposto
evidente da respeitabilidade do estado democrático de direito, pois só nele, as partes podem agir
mutuamente e com iguais condições de manifestação, para que o estado-juiz possa dar uma justa
solução de mérito ao conflito.

A nova roupagem que o CPC/15 trouxe para o ordenamento jurídico brasileiro, demonstra uma
maior preocupação com a celeridade processual, bem como, com a busca de uma solução de
mérito para o processo. Diante disso, o princípio da cooperação entra como um instituto formador da
dignidade processual, onde não se pode identificá-lo apenas como a prática de atos de boa-fé
realizados por ambas as partes, mas, principalmente, como um dever processual imposto às parte,
não podendo elas abrir mão deles, pois caso contrário, figuraria um ato atentatório a dignidade da
justiça.

Alguns doutrinadores elencam um rol de deveres provenientes do princípio da cooperação, sendo


estes de caráter exemplificativo, como: o dever de esclarecimento, dever de consulta, dever de
prevenção, dever de auxílio, dever de correção e urbanidade, dentre outros.

O princípio da cooperação fica bastante evidente na mediação, uma vez que, as partes devem se
auxiliar e cooperar para chegar a um consenso e solucionar a questão litigiosa. Por sua vez, o
princípio da informalidade prevalece de forma muito mais evidente, pois é através da prática de atos
informais que a mediação possui sua eficácia, ou seja, através da não obrigatoriedade acerca do
formalismo procedimental exigido no processo ordinário.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE

O princípio do informalismo ou da informalidade é um instituto relativizador, e em determinado


ponto, reforçador do princípio da instrumentalidade das formas do direito processual. O processo é
na realidade um misto de atos praticados formalmente, vez que, estão descritos na lei a forma como
devem ser praticados, e, atos que a lei dispõe uma forma, mas não exige a sua obrigatoriedade, ou
seja, são atos que podem ser praticados de formas diversas, dispensando o formalismo legal, desde
que não acarrete prejuízos processuais às partes pertencentes a relação processual.

O princípio da informalidade é uma norma jurídica que impõe ao julgador um abrandamento dos
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rigores formais dos ritos processuais, reduzindo-os ao núcleo mínimo indispensável para que se
alcance a finalidade do processo do Trabalho (realização do direito material do trabalho), inclusive
devendo agir o magistrado de forma mais diligente para suprir as eventuais faltas na formação pela
parte dos elementos do núcleo essencial. (LIMA; 2014)

A citação, acima descrita, trata especificamente do processo do trabalho, no entanto, é possível


estender o princípio mencionado às diversas áreas do direito processual, com o intuito de tornar o
processo mais célere e menos formal em determinados pontos.

O princípio da informalidade é, muitas vezes, a prática de atos processuais destituídas da capa do


formalismo legal e proporcionando às partes uma maior facilidade em sua prática. Um exemplo
bastante marcante que o novo CPC/15 trouxe acerca da informalidade processual é a ordem que se
deve realizar a oitiva das partes nas audiências, pois a lei declara que deve ser ouvido
primeiramente perito, depois a parte autora e por último a parte ré. No entanto, se o magistrado
modificar essa ordem, ainda que a lei a tenha formalizado, a modificação poderá ser mantida desde
que não reste comprovado o prejuízo de alguma das partes no processo.
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DA NEGOCIAÇÃO EM SENTIDO AMPLO


O QUE É A NEGOCIAÇÃO?

A Negociação ocorre nos mais diversos planos da vida de um indivíduo, a nível pessoal, econômica,
social e organizacional. Trata-se do processo através do qual as partes que se encontram em
disputa tentam alcançar uma decisão conjunta nos assuntos em questão. A negociação faz parte do
nosso dia a dia: O comprador negocia com o vendedor, os trabalhadores e a administração de uma
empresa negociam as condições de prestação de serviços, um jovem negocia a sua hora de
regresso a casa.

A necessidade de negociar está presente no nosso dia a dia podendo surgir a qualquer momento.
Apesar das negociações se realizarem diariamente não é fácil fazê-las bem, onde as estratégias
conhecidas de negociação podem deixar as pessoas insatisfeitas, exaustas ou indiferentes. Perante
este dilema existem duas formas gerais de negociar: ou são flexíveis ou inflexíveis. O negociador
flexível tenta evitar o conflito pessoal o que por vezes o pode fazer sentir explorado. O negociador
inflexível encara qualquer situação como um confronto de vontades, no qual assume uma posição
de querer ganhar, o que pode dar origem a uma resposta igualmente agressiva afetando assim a
sua relação com a parte contrária.

Resta também referir que a negociação é um processo complexo que ocorrer no quotidiano de
todos, consoante as origens culturais em que cada pessoa está inserida. De referi que sem
comunicação não há negociação, é um processo de comunicação recíproco com o intuito de
alcançar uma decisão comum. Não é fácil comunicar, mesmo entre as pessoas com valores e
experiências comuns.

CARACTERÍSTICAS DE NEGOCIAÇÃO?

Para se conduzir uma Negociação com efeitos positivos que vão de encontro ao que pretendemos
inicialmente, temos de ter uma ideia das características chaves da negociação. Um das
características chaves é o MAPAN (Melhor Alternativa Para um Acordo Negociado). Este
conceito resume a alternativa mais favorável que os negociadores dispõem caso não alcancem um
acordo. Por norma define os limites de resistência aos quais estamos dispostos a chegar.

Outro conceito a ter em consideração será o ponto de resistência. Basicamente o ponto de


resistência representa o limite que os negociadores não estão dispostos a ultrapassar, por exemplo,
é o salário abaixo do qual o candidato a um emprego prefere não aceitar. Por norma o ponto de
resistência é ocultado por ambas as partes, mas pode ocorrer a sua divulgação durante a
negociação. Este representa um elemento crucial na negociação pois o negociador que não tenha
uma clara noção do seu ponto pode ser arrastado por propostas que não aceitaria noutras
circunstâncias.

Como conceito básico e chave da negociação temos também o nível de aspiração. Este é o
resultado que o negociador deseja realmente atingir. O nível de aspiração deve ser realista para não
induzir o negociador a apresentar ofertas irrealistas. O nível de aspiração é determinado por vários
factores, nomeadamente a percepção dos negociadores, a personalidade de ambos, etc.

Por fim resta referir o conceito de oferta inicial, pois ela constitui um elemento crucial em qualquer
negociação. Por norma a oferta inicial tem uma grande influência decisiva nos termos finais do
acordo. Muitas vezes associado a oferta inicial fica associado um efeito designado por ancoragem,
porque quando a incerteza se instala na negociação de um acordo, a oferta inicial funciona como
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uma âncora. Posteriormente o processo negocial é desenvolvido em torno dessa proposta.

COMO SE PREPARA UMA NEGOCIAÇÃO?


O Ato Negocial pode ser visto em três etapas fundamentais:

● Preparação – Ela envolve três áreas principais: as características do conflito, o negociador e a


contraparte. A negligência de um negociador devido a escassez de tempo ou o excesso de
confiança pode sofrer graves consequências de perda, como, por exemplo:

 Perder flexibilidade negocial para aceitar propostas que se ajustam satisfatoriamente aos
seus objetivos.
 Fazer propostas irrealistas que induzem de imediato a sua rejeição pela parte oposta, que
podem conduzir ao negociador “perder a face”.
 Não ter consciência das suas fraquezas e forças nem as do oponente, o que pode dar
origem a perde de credibilidade e poder persuasivo.
 Aceitar propostas desfavoráveis por não ter estudado a sua MAPAN (São as alternativas
estudadas pelo negociador, dependendo dos cenários possíveis na negociação. Poderão
não ser ideais mas são admissíveis).
 Perante atuações lentas e ambíguas do negociador, o oponente “perde a paciência” e recusa
atual e futuras negociações.

● Negociação – O contexto da negociação integra o componente social e o componente físico em


que ela ocorre. Para estudar o componente físico temos de identificar variáveis como: o local da
negociação e sua organização e os limites de tempo que a condicionam. A vantagem de negociar
em território próprio é que o negociador pode interpretar um papel dominante, enquanto que um
negociador na situação de convidado, vai ter um estatuto subordinado o que pode induzir a um
comportamento menos afirmativo.

Muitas vezes ambas as partes em negociação optam por um território neutro, o que vai suprimir o
estatuto de dominador e de dominado. No estudo da componente social, as variáveis identificadas
são: a presença de audiência, a existência de uma terceira parte e o papel que ela desempenha e o
número de partes envolvidas na negociação.

A questão principal em relação às audiências durante o processo negocial é o seu impacto nas
estratégias que os negociadores utilizam e a sua influência no desfecho do processo.
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A existência de uma terceira parte, independente de ambas as partes, na estrutura social da


negociação vai influenciar o decorrer da negociação e até mesmo a efetivação do acordo.

O número de partes envolvidas na negociação também tem um papel na negociação. O aumento do


número de partes envolvidas no processo pode ser um fator impeditivo para se chegar a um acordo.
A dificuldade de identificar os indivíduos em grupos cooperação e competição para se conseguir
manter uma identidade social comum.

● Efetivação do Acordo – Ocorrer quando ambas as partes encontram em acordo e termina as


negociações. Nesta etapa podemos concluir que o processo de comunicação ocorrer de maneira
clara e precisa pois sem isso não se conseguiria chegar a uma conclusão comum.

ESTRATÉGIAS E TÁTICAS NEGOCIAIS

As estratégias são as intenções mais gerias das táticas negociais. As táticas por sua vez são mais
específicas, de mais curto prazo, que ambas as partes executam para evidenciar as estratégias. As
principais quatro estratégias são:

● Obter um acordo final próximo do ponto de resistência do oponente.


● Aumentar a amplitude positiva da negociação induzindo o opositor a baixar o seu ponto de
resistência.
● Transformar a amplitude negativa em positiva, impedindo o opositor a baixar o seu ponto de
resistência.
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● Aliciar o oponente, levando-o a acreditar que um determinado resultado é o melhor que ele
pode alcançar.

Estas quatro estratégias vão implicar uma atuação sobre as percepções da parte opositora, para
que fundamentalmente, seja feita uma recolha e gestão da informação. Quando os dois
negociadores atuam de modo igual, a comunicação torna-se complexa e podem surgir situações de
“bluff” (blefe, fingimento, simulação).

As tácticas da negociação podem ser competitivas ou integrativas.

Vamos primeiro abordar algumas das tácticas competitivas da negociação, elas são:

■ Lisonjear o opositor – Quando o oponente é lisonjeado, ele vai ter mais dificuldades em adotar
uma posição agressiva e dizer que não. Tende a não ter efeito quando provinda de um
negociador inferior.
■ Persuadir o opositor – É um processo de influência social o qual o negociador tenta convencer
a outra parte que as suas propostas são vantajosas e razoáveis. Implica que o negociador seja
credível e as informações sejam enquadradas de forma adequada aos interesses do alvo.
■ Demonstração de poder – O negociador pode fazer demonstrações da sua força com o
objetivo de colocar o seu opositor uma posição de inferioridade e submissão. Pode ocorrer que a
outra parte em função deste comportamento pode reagir do mesmo modo.
■ Ofertas iniciais e concessões – Ofertas iniciais elevadas e concessões reduzidas transmitem a
ideia de firmeza. A firmeza pode apressar o acordo mas também pode gerar conflitos e
dificuldades de futuras negociações.
■ Ofertas finais – Podem determinar-se num curto prazo para que o oponente tome uma decisão
de aceitação/recusa. Tem como objetivo pressionar a outra parte a aceitar a oferta e deixar de
procurar alternativas. Pode gerar ruptura negocial.
■ Técnica do espantalho – O negociador faz a simulação de grande empenho numa variável que
no fundo não está interessado. Em fase posterior ele cede nessa mesma variável para exigir ao
seu opositor concessões na matéria realmente importante. Este tipo de técnica pode desperdiçar
o potencial de entendimento em variáveis muito relevantes.
■ Técnica da mordiscadela – O negociador tenta obter uma concessão pequena numa matéria
que não foi discutida, o que faz o opositor sentir que por causa dessa concessão não vale a
pena perder o negócio. O opositor também poderá fazer uma análise diferente, interpretando
como um sinal de má fé, recusando o acordo e negociações futuras.
■ Ataques pessoais e intimidações – Podem ser feitos de forma verbal ou não verbal. O
negociador vai incomodar bastante a outra parte.
■ Decisões irreversíveis – Implicam grande dose de credibilidade pois se não forem eficazes
podem fomentar um conflito. Um modo potencial eficaz de a outra parte reagir consiste em
ignorar ou desdramatizar a posição do ameaçador.

As táticas integrativas ocorrem quando o problema é em torno de um bolo de recursos não


expansível, que é necessário dividir. Vai ocorrer por ambas as partes uma comunicação franca e
aberta sobre as suas preferências e opções. Ocorrer também a troca de ideias em relação a
soluções viáveis e possíveis. A predisposição de ambas as partes para aceitar soluções
mutuamente satisfatórias é a condição para que a negociação integrativa ocorra.

Por norma primeiro ocorre a identificação do problema, seguidamente da definição do mesmo. Ao


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decorrer o processo negocial os negociadores vão descortinando as suas verdadeiras necessidades


e interesses. Por fim após terem acordado uma definição do problema e compreendido os
interesses e objetivos mútuos criam soluções alternativas para a satisfaçam de todos, avaliando
assim soluções apropriadas para ambos chegando a um acordo.

INTERVENÇÃO DE TERCEIRAS PARTES


Por vezes os processos negociais entre as partes intervenientes fracassam. Nestas situações pode
ocorrer a intervenção de terceiras partes para a resolução desse fracasso podendo-se chegar a um
acordo. Normalmente a intervenção de terceiros tem de ser aceite por ambas as partes e não só
uma delas. Existem vários tipos de intervenção que podem ocorrer, nomeadamente um papel
inquisitorial, onde ocorrer a filtragem de posições onde se tenta obter uma solução satisfatória para
ambas as partes.

Outro tipo de intervenção em um papel impulsionador, onde é diagnosticado rapidamente a fonte do


conflito que impede a negociação. Neste caso se não for acordado nenhuma solução a terceira
parte que tem o papel impulsionador impõe uma solução.

A intervenção arbitral também ocorre muito frequentemente quando ambas as partes não chegam a
um acordo. A arbitragem em questão vai ter controlo sobre a decisão final depois de ouvir ambas as
partes envolvidas e também se envolve no próprio processo da negociação.

Resta então salientar a intervenção por mediação. O mediador vai ter a função de facilitar a
interação, apoiar ambas as partes no processo comunicacional e remover barreiras entre eles. Este
tipo de papel exige uma grande imparcialidade dos terceiros intervenientes, seno muitas vezes
denominado como uma “negociação assistida”.

ALGUNS ERROS COMUNS NA NEGOCIAÇÃO


Como dado adquirido, em todos os processos ocorrem erros. Na negociação existem erros
frequentes que são cometidos que com um pouco de cuidado se conseguem evitar. Um erro
frequente é a falta de preparação, um negociador que não tenha noção dos níveis de resistência
nem de aspiração facilita o fracasso na negociação. Não fazer concessões, tentar vencer em tudo o
que é proposto, não ter em atenção as diferenças culturais são alguns erros comuns praticados.

Outros tipos de erros que podem ocorrer são os erros perceptivos. O fato de criar estereótipos, criar
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efeito de halo1 ou de contraste são erros comuns que comprometem a negociação. Por natureza
humana existem erros que não conseguimos muito bem evitar como o efeito da semelhança ou o
habitual erro das primeiras impressões. Qualquer tipo de erro sozinho ou em conjunto com outros
podem custar negociação entre as partes não se chegando a um acordo final.

MODALIDADES DE MÉTODOS DE COMPOSIÇÃO DE CONFLITOS

• Conceito : São as vias informais para solução de conflitos

• Espécies:

 Autotutela (vence o mais forte);


 Heterocomposição (processo judicial e processo arbitral) – vence quem o juiz ou árbitro
disserem que vence;
 Autocomposição (mediação, conciliação, negociação direta) - todos vencem

1 Efeito indesejável, que consiste no surgimento de uma auréola negra ao redor de um objeto claro e brilhante, em função do forte contraste
com a área ao seu redor.
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DA AUTOCOMPOSIÇÃO
Conceito
Autocomposição é a prevenção ou solução do litígio por decisão consensual das próprias partes
envolvidas no conflito. As modalidades praticadas no Brasil são a negociação direta, a mediação e a
conciliação. A maior vantagem dos mecanismos para obtenção da autocomposição repousa no seu
“alto grau de êxito quanto a três resultados, a saber, rapidez, eficácia e baixo custo, bem assim pela
abrangência com que atinge bem esses resultados e pelo baixo grau de efeitos danosos colaterais.”
(Calmon, Petrônio. Fundamentos da Mediação e da Conciliação, Ed. Forense, 2007, p. 154)

Vantagens:

• Mais célere;
• Mais econômico;
• Mais efetivo ou eficiente do que os métodos heterocompositivos, pois, a solução advém do
diálogo entre as partes e não de um ato impositivo externo;
• É simples e informal;
• Se bem utilizados, com técnica, servirão para solucionar o conflito sociológico e não apenas a
lide, ao passo que o limite da sentença é a lide processual;
• Pode resolver interesses supralegais ou extrajurídicos.
1. Prática: Menos onerosa. De fácil acesso. Menos formal.
2. Controle: Mais participativa e previsível.
3. Soluções: Criativas, práticas, duradouras e realizáveis.
4. Privacidade: Confidencial, não cria jurisprudência.
5. Relações: Menos confrontantes, melhor para as relações continuadas.

Natureza Jurídica

É excludente da jurisdição e da autotutela. É, pois, um negócio jurídico (daí exigir objeto lícito, forma
prevista ou não defesa e agentes capazes)

Objeto

Em geral, para direitos patrimoniais disponíveis

Forma

É livre, mas, conforme seja o negócio jurídico, deve observar a forma determinada em lei. Mas,
autocomposição judicial deve ser apresentada sempre por escrito

Sujeitos

Apenas os titulares dos direitos e obrigações sobre os quais versa o conflito, desde que sejam capazes

Espécies

• Endoprocessual ou extraprocessual/pré-processual (pode ser: antes de se cogitar no processo; na


iminência do processo; e fora do processo)
• Judicial ou Extrajudicial;
• Preventiva ou Sucessiva;
• Genérica ou Específica;
• Unilateral ou bilateral.
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VERTENTES ALTERNATIVAS Á JURISDIÇÃO


• Classificação por tema a ser abordado conforme plano de ensino:

• Negociação direita/autocomposição propriamente dita – sem envolvimento de terceiro


• Mediação – envolve terceiro sem poder decisório
• Conciliação – na modalidade pré-jurisdicional
• Arbitragem – justiça privada com cunho decisório - heterocompositiva

INOVAÇÃO A VISTA - CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA PROJETO QUE EXIGE ADVOGADO
EM CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

A Comissão de Constituição e Justiça e da Câmara dos Deputados aprovou proposta para tornar
obrigatória a presença de advogados na solução consensual de conflitos, como conciliação e mediação.
O projeto de lei (PL 5.511/2016) busca alterar o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94) e foi analisado no
dia 05/06/2018. Se não houver recurso, será enviado ao Senado sem precisar passar pelo Plenário da
Casa de origem.
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A proposta foi apresentada em 2016 pelo deputado José Mentor (PT-SP). Na justificativa do projeto, ele
afirmou que métodos alternativos de pacificação de conflitos são fundamentais, mas dispensar
advogados desse tipo de instrumento afronta o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Mentor atendeu a pedido do presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil,
Marcos da Costa. Em São Paulo, há vários anos existe uma controvérsia porque o Tribunal de Justiça
considera facultativa a presença de profissionais da área nos Centros Judiciários de Solução de
Conflitos e Cidadanias (Cejuscs).

“Trata-se de um passo importante em direção ao reconhecimento legal da importante da presença da


advocacia como garantia de que as conciliações serão conduzidas sem que haja prejuízo para os
cidadãos”, afirma Marcos da Costa.

Texto:
"Art. 2º O art. 2º da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994, passa a vigorar com a seguinte
redação:
“Art. 2º ...........................
§ 4º É obrigatória a participação do advogado na solução consensual de conflitos, tais
como a conciliação e a mediação (NR).”

O texto já foi aprovado na Câmara e agora foi para o SENADO em junho de 2018. Projeto de Lei da
Câmara n° 80, que atualmente aguarda realização de audiência pública na CCJ, desde de fevereiro de
2020.

Ressalte-se que Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça prevê a atuação de


advogados e outros membros do Sistema de Justiça nos casos, mas não obriga a presença deles para
que ocorra a solução dos conflitos.

A norma criou a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses e
definiu a instalação de Cejuscs e o incentivo ao treinamento permanente de magistrados, servidores,
mediadores e conciliadores nos métodos consensuais de solução de conflito.

Entendeu-se que obrigar a presença dos advogados nos Cejuscs é incompatível com a busca por uma
Justiça menos burocrática e mais ágil, pois a presença de um advogado durante uma sessão passa
maior segurança e empodera as partes, mas a conciliação/mediação não pode deixar de ocorrer pela
falta do profissional. Lembrando que o procedimento é voluntário, por este motivo, não pode ser exigida
a assistência do advogado.

No Fórum Nacional de Mediação e Conciliação (Fonamec) foi feito o pedido e durante a 294ª Sessão
Ordinária do CNJ, realizada em 06/08/2019, o CNJ entendeu que seria importante enviar uma nota ao
Senado para que seja conhecida a orientação do Conselho sobre a política de soluções consensuais de
conflito, enquanto a matéria ainda está em tramitação.
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DA NEGOCIAÇÃO DIRETA

OU AUTOCOMPOSIÇÃO PROPRIAMENTE DITA


HISTÓRICO
A ideia hodierna de autocomposição não sofreu profundas mudanças no decorrer da história; ocorreu,
na verdade, a substituição por outras formas de solução de conflitos, onde foram consagradas figuras
importantes no cerne jurídico e na processualística moderna.

Na medida do seu desenvolvimento, novas teorias e caracteres foram elaborados, figuras revistas e
atividades especificadas, na busca de melhorar o relacionamento e legitimar concretamente a
pacificação social.

A convivência do homem em grupamentos e, depois, em comunidade, gera alguns atritos entre os


membros, por meio dos interesses que surgem em cada um. Nessas pretensões, ao não serem
satisfeitas devido à resistência alheia, com interesse também em foco, surgem os conflitos, dado como
elemento de perturbação da paz social. Na clássica definição de Francesco Carnelutti (1999, p. 54),
sendo “o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”.

Turbada essa convivência, procura proporcionar a retomada das condições próprias para continuar a
existência, sendo necessário pacificar os sujeitos sociais, determinando com quem estava a razão, ou
seja, o direito.

Diante disso,“a eliminação desses conflitos ocorrentes na vida em sociedade pode ocorrer por obra de
um ou de ambos os sujeitos envolvidos no conflito, ou por intermediação de um terceiro” (MAGALHÃES;
CASELLA, 2011).

As maneiras com que o homem se relacionava na sociedade ditavam novas formas para a avaliação de
conflitos, na medida em que colocavam mais segurança aos efeitos dos acordos encontrados. Diante
disso, a autocomposição de conflitos não fora a primeira espécie para firmar acordos, contudo, suas
raízes encontram relatos desde a Antiguidade, mas pouco evidenciado durante o Direito romanístico,
onde predominara a escolha de árbitros.

Após a autotutela rústica, formulada como primeira forma de solução da resistência, onde o homem
dispunha sua força para alcançar seus interesses, prevalecendo aquele que detivesse maior poder ou
influência, emana a concepção de que o indivíduo com pretensões resistidas poderia recorrer a formas
diferentes de se adequar aos reclamos da outra parte, ainda independendo de intervenção de um
terceiro que aprovasse aquele concerto, elemento que apareceria posteriormente com a arbitragem
através de um ancião ou um sábio da comunidade.

Nesse diapasão, era através da vontade das partes que se estabelecia um acordo, em que um dos
indivíduos cedia parcela dos seus interesses, para auferir algo da outra parte.

Ou até mesmo, abdicava do objeto em questão em benefício exclusivo da outra parte. Compondo as
pretensões, entre as próprias partes, conseguia-se delinear a pacificação daquele conflito que os
envolvia e, por isso, chama-se de autocomposição.

Segundo Fredie Didier Jr., pode este instituto ser caracterizado como “forma de solução do conflito pelo
consentimento espontâneo de um dos contendores em sacrificar o interesse próprio, no todo ou em
parte, em favor do interesse alheio” (2010, p. 93).

Conceito

A negociação direta, ou a autocomposição propriamente dita, se caracteriza pela solução da


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controvérsia pelas próprias partes, sem a intervenção de pessoa estranha. Cada uma delas renuncia
aos interesses ou a parte deles, concretizando-se pela desistência, transação ou pelo reconhecimento,
por parte da parte demandada da procedência do pedido, com o que se obtêm o acordo, pondo fim ao
litígio.

Espécies

• Desistência ou renúncia
• Reconhecimento ou submissão
• Transação ou negociação per si

a) Desistência ou renúncia

• O autor abre mão de postular sua pretensão através de ato liberal.


• Pode ser total ou parcial
• Pode ser unilateral (sem resposta do “réu”) ou bilateral ( o “réu” concordando)
• Tem como requisitos:
• Vontade livre para pessoa capaz, não podendo prejudicar terceiros
• Possibilidade jurídica (bens disponíveis)
• Forma extraprocessual (deixar de postular) e endoprocessual (por escrito a ser homologado)
• É diferente da remissão (perdão)

b) Reconhecimento ou submissão

• É o ato do “réu” (devedor) inverso da renúncia, pelo expresso reconhecimento do pedido feito
pelo credor, pela razão de ser mais interessante e proveitosa ou menos prejudicial ao devedor.
• Não pode ter reservas
• Pode se dar extraprocessual (pagamento espontâneo) ou endoprocessual (revelia ou confissão
– depósito elisivo)
• Deve ter os requisitos do negócio jurídico para ser válido pondo fim ao conflito.

c) Transação ou negociação

• É a mais comum forma de composição com as partes através de concessões recíprocas


previnem ou findam a controvérsia.
• Base obrigacional civil, mas tem aplicação penal (Juizado Especial Criminal)
• Elementos: consenso, reciprocidade, fim da controvérsia, individualidade (um todo só)
• Requisitos: capacidade, bens patrimoniais disponíveis, sempre por escrito (público ou
particular).
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CONCILIAÇÃO
HISTÓRICO

O histórico da Conciliação no Brasil é marcado por idas e vindas. Prevista nas Ordenações Manuelinas
(1514) e Filipinas (1603; Livro III, Título XX, § 1º), a Conciliação continuou presente no art. 161 da 1 º
Constituição Imperial, ao proclamar que “Sem se fazer constar que se tem intentado o meio da
reconciliação não se começará processo algum”.

Na segunda metade do século XIX, porém, a conciliação começou a ser banida, sendo esquecida pelo
Código de Processo Civil de 1939. Só em 1974 com o Código de Processo Civil de tal ano que se
ressuscitou a Conciliação.

Assim, a conciliação é bastante conhecida na cultura jurídica brasileira. Quando trabalhada na esfera
dos procedimentos extrajudiciais (quando o fato não se caracteriza como um Direito incontroverso e diz
respeito a um Direito patrimonial privado), se identifica com as técnicas da mediação com enfoque no
acordo (Modelo Tradicional baseado na Escola de Harvard) e trabalha com o esforço do terceiro
conciliador (ou conciliadores, se mais de um) na condução de um entendimento que ponha fim ao
conflito entre as partes.

A Constituição Federal prevê a pacificação social como um dos objetivos fundamentais da República
(art. 3º, I), atribuindo ao juiz, como agente político, a implementação de alternativas jurisdicionais,
adequadas e céleres, para a consecução desse objetivo (art. 5º, LXXVIII).

A Conciliação voltou ao ordenamento jurídico brasileiro devido à inúmeros motivos, quais sejam:
sobrecarga dos tribunais; complexidade da estrutura da Justiça Comum, pouco ou nenhum acesso do
povo à Justiça; despesas altas com os processos; solução rápida para os litígios; decisões são mais
bem aceitas; alternativa de pacificação social.

Hoje no Brasil a conciliação está prevista nos Juizados Especiais - Lei 9099\95; Instituto da Arbitragem
– Lei 9307\96; Juízes de Paz – Lei Complementar 59, de 18/01/2001; CPC de 1973, que prega que o
Juiz deve tentar a conciliação a qualquer tempo; Juizados de Conciliação.

No dia 23/08/06 foi lançado oficialmente pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ,
ministra Ellen Gracie o Movimento pela Conciliação, que é uma parceria do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) com órgãos do Judiciário, Ordem dos Advogados de Brasil (OAB) e Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP), além de magistrados, entidades, universidades, escolas de magistratura e
outros setores da vida civil que buscam com tal movimento criar juízos informais de conciliação criados
pelas comarcas e distritos em que uma pessoa da própria comunidade age como conciliador no intuito
de resolver querelas que nunca chegariam aos fóruns e muitas vezes resolver processos que já estejam
lá. A implantação de tal projeto independe de aprovação de lei e de investimentos financeiros, já que ele
utiliza a estrutura administrativa do Judiciário

É devido à superlotação de processos nos Juizados Especiais, e pela facilidade de acesso para resolver
casos de menor complexidade, que a Justiça quer disseminar uma idéia trazida de outros países e uma
prática já em execução em alguns estados brasileiros.

Com o slogan “Conciliar é Legal”, o movimento pretende promover a mudança de procedimento dos
agentes de Justiça, de todos os seus usuários, dos operadores de Direito e da sociedade. Através da
cultura da conciliação, o objetivo do projeto é mudar o comportamento dos envolvidos em processos
judiciais e induzir na sociedade a ideia de que um entendimento entre as partes é sempre o melhor
caminho para o encerramento de uma disputa jurídica.
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Segue estatísticas sobre conciliação pelo CNJ

Conciliação no NOVO CPC:

No NOVO CPC de 2015, no art. 3º o legislador erigiu os métodos alternativos de resolução de conflitos
como norma fundamental do Processo Civil de ordem Constitucional, apontando que no § 1º é permitida
a arbitragem, na forma da lei, no § 2º, o Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual
dos conflitos, e no § 3º, a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos
deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público,
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inclusive no curso do processo judicial.

A importância é tão acentuada que o NOVO CPC, existe a Seção V - Dos Conciliadores e Mediadores
Judiciais (arts. 165 a 175), exclusivamente para tratar do profissional que realizará tal desiderato.

Nas ações de Tutela Antecipada (antiga ação cautelar) a conciliação está prevista no art. 308. § 3º, que
apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a audiência de conciliação ou de
mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou pessoalmente, sem necessidade de nova
citação do réu.

O art. 319 prevê que na petição inicial deverá constar a opção do autor pela realização ou não de
audiência de conciliação ou de mediação.

Conforme a CAPÍTULO V - DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO (arts. 334), o juiz


designará audiência de conciliação ou de mediação, que poderá ocorrer em duas sessões ou mais,
desde que não ultrapasse dois meses da data de realização da primeira sessão e desde que
imprescindíveis à composição das partes, podendo até realizá-la por meio eletrônico.

Somente se oferecerá contestação se, da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última


sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver
autocomposição (art. 335).

Nas ações de direito de família (Capítulo X, arts. 693 a 699), aplicável aos processos contenciosos de
divórcio, separação, reconhecimento e extinção de união estável, guarda, visitação e filiação, a
conciliação também tem papel de destaque.

O Código prevê, ainda, que antes de julgar um processo, o juiz será obrigado a tentar uma conciliação
entre as partes, independentemente do emprego anterior de outros meios de solução consensual de
conflitos.

Vê-se que o objetivo na nova lei é realmente estimular a autocomposição quando preceitua que: não se
realizará a audiência de conciliação ou mediação se ambas as partes manifestarem, expressamente,
desinteresse no acordo; a audiência poderá realizar-se por meio eletrônico; e haverá aplicação de multa
diante do não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência.

Neste último caso a aplicação da multa poderá gerar discussão, pois o autor indicará na inicial seu
interesse na autocomposição, e o réu, caso não tenha interesse no acordo, deverá peticionar sobre seu
desinteresse com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência. Em empresas em que
o volume de processos e consequentemente citações, intimações e ofícios é alto poderá haver
aplicação de multa invariavelmente.

O novo Código dispõe, ainda, que antes de julgar um processo, o juiz será obrigado a tentar uma
conciliação entre as partes, independentemente do emprego anterior de outros meios de solução
consensual de conflitos.

Busca-se como alternativa de solução da lide a composição amigável, pois o direito processual deve
estar a serviço do direito material, como um instrumento para a realização deste. Entretanto, cabe
também as partes se disporem a resolver o caso, deixando para o poder judiciário a apreciação de
processos que realmente mereçam defesa.

Quando uma das partes envolvida é uma pessoa jurídica esta deverá ter como princípio o
desenvolvimento sustentável da sociedade. Logo, admitir um erro é adotar uma atitude ética,
desafogando o judiciário e colaborando para o desenvolvimento da sociedade como um todo. Isso
também gera uma imagem positiva da empresa junto aos consumidores, ao poder judiciário, aos
funcionários, aos colaboradores e a comunidade em geral.
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Temos, ainda, os seguintes destaques sobre a Conciliação e também à Mediação, como veremos em
seguida, prevendo e disciplinando sua aplicação em várias oportunidades, a saber:

1. O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos.

2. A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser


estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público,
inclusive no curso do processo judicial.

3. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe promover, a


qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e
mediadores judiciais;

4. São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de
organização judiciária, o mediador e o conciliador judicial.

5. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela


realização de sessões e audiências de conciliação e mediação, e pelo desenvolvimento de
programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.

6. O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não tiver havido vínculo anterior
entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer
tipo de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem.

7. O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que tiver havido vínculo anterior entre
as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de
modo que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios,
soluções consensuais que gerem benefícios mútuos.

8. A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da independência, da


imparcialidade, da autonomia da vontade, da confidencialidade, da oralidade, da informalidade e
da decisão informada.

9. A confidencialidade estende-se a todas as informações produzidas no curso do procedimento,


cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele previsto por expressa deliberação
das partes.

10. Em razão do dever de sigilo, inerente às suas funções, o conciliador e o mediador, assim como
os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou depor acerca de fatos ou elementos
oriundos da conciliação ou da mediação.

11. Admite-se a aplicação de técnicas negociais, com o objetivo de proporcionar ambiente favorável
à autocomposição.

12. A mediação e a conciliação serão regidas conforme a livre autonomia dos interessados, inclusive
no que diz respeito à definição das regras procedimentais.

13. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão


inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional
federal, que manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua área
profissional.

14. Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de curso realizado por entidade
credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em
conjunto com o Ministério da Justiça, o conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado,
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 28

poderá requerer sua inscrição no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de


tribunal regional federal.

15. Efetivado o registro, que poderá ser precedido de concurso público, o tribunal remeterá ao
diretor do foro da comarca, seção ou subseção judiciária onde atuará o conciliador ou o
mediador os dados necessários para que seu nome passe a constar da respectiva lista, para
efeito de distribuição alternada e aleatória, observado o princípio da igualdade dentro da mesma
área de atuação profissional.

16. Do credenciamento das câmaras e do cadastro de conciliadores e mediadores constarão todos


os dados relevantes para a sua atuação, tais como o número de causas de que participou, o
sucesso ou insucesso da atividade, a matéria sobre a qual versou a controvérsia, bem como
outros dados que o tribunal julgar relevantes.

17. Os conciliadores e mediadores judiciais cadastrados, se advogados, estarão impedidos de


exercer a advocacia nos juízos em que exerçam suas funções.

18. O tribunal poderá optar pela criação de quadro próprio de conciliadores e mediadores, a ser
preenchido por concurso público de provas e títulos.

19. As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o mediador ou a câmara privada de
conciliação e de mediação.

20. O conciliador ou mediador escolhido pelas partes poderá ou não estar cadastrado junto ao
tribunal.

21. Inexistindo acordo na escolha do mediador ou conciliador, haverá distribuição entre aqueles
cadastrados no registro do tribunal, observada a respectiva formação.

22. Sempre que recomendável, haverá a designação de mais de um mediador ou conciliador.

23. O conciliador e o mediador, ressalvadas as exceções previstas na lei, receberão pelo seu
trabalho remuneração prevista em tabela fixada pelo tribunal, conforme parâmetros
estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça.

24. A mediação e a conciliação podem ser realizadas como trabalho voluntário, observada a
legislação pertinente e a regulamentação do tribunal.

25. Os tribunais determinarão o percentual de audiências não remuneradas que deverão ser
suportadas pelas câmaras privadas de conciliação e mediação, com o fim de atender aos
processos em que haja sido deferida gratuidade da justiça, como contrapartida de seu
credenciamento.

26. No caso de impedimento, o conciliador ou mediador o comunicará imediatamente, de


preferência por meio eletrônico, e devolverá os autos ao juiz da causa, ou ao coordenador do
centro judiciário de solução de conflitos e cidadania, devendo este realizar nova distribuição.

27. Se a causa de impedimento for apurada quando já iniciado o procedimento, a atividade será
interrompida, lavrando-se ata com relatório do ocorrido e solicitação de distribuição para novo
conciliador ou mediador.

28. O conciliador e o mediador ficam impedidos, pelo prazo de um ano, contado do término da
última audiência em que atuaram, de assessorar, representar ou patrocinar qualquer das partes.

29. Será excluído do cadastro de conciliadores e mediadores aquele que agir com dolo ou culpa na
condução da conciliação ou da mediação sob sua responsabilidade; atuar em procedimento de
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 29

mediação ou conciliação, apesar de impedido ou suspeito.

30. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e


conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito
administrativo, tais como: dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração
pública; avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de
conciliação, no âmbito da administração pública; promover, quando couber, a celebração de
termo de ajustamento de conduta.

31. O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de conciliação ou


de mediação, designada pelos juiz nas ações de Procedimento Ordinário.

32. Poderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não excedentes a dois
meses da primeira, desde que necessárias à composição das partes.

33. A autocomposição obtida pelo conciliador ou mediador será reduzida a termo e homologada por
sentença.

34. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a respeitar o
intervalo mínimo de vinte minutos entre o início de uma e o início da seguinte.

Conceito

É o procedimento onde pelo esforço de um terceiro (conciliador) na condução de um entendimento põe


fim a uma controvérsia.

“Processo autocompositivo, informal, porém estruturado, no qual um ou mais facilitadores ajudam as


partes a encontrar uma solução aceitável para todos.”

“Negociação assistida ou catalisada por um terceiro”

Característica:

É a hipótese em que as partes não chegam a uma autocomposição, o conciliador propõe uma solução,
que a seu critério, é mais adequada para a controvérsia. Entretanto sem efeito vinculante as partes.

É um processo voluntário e pacífico que cria um ambiente propício para as partes se concentrarem na
procura de soluções criativas.

As técnicas utilizadas na conciliação são as mesmas utilizadas na mediação com foco no acordo e têm
como principal objetivo proporcionar às partes uma ótima solução para seu problema.

Dentro da ótica do conciliador, a proposta a ser oferecida às partes deve parecer a melhor alternativa
para composição daquele conflito, a mais justa e equitativa e a que melhor satisfaz os interesses das
partes.

É um método de solução de conflitos, baseado em um procedimento, via de regra judicial, mas podendo
ser privado, conduzido por um terceiro imparcial e capacitado (o conciliador) que utiliza algumas
técnicas com intuito de auxiliar os envolvidos a criarem opções positivas e sustentáveis visando
alcançar o objetivo principal do procedimento que é o acordo.

Neste procedimento, o Conciliador pode avaliar e opinar sobre essas opções criadas, exercendo o
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 30

papel de agente da realidade.

Resumindo, É a autocomposição facilitada por um terceiro que pode sugerir opções; Célere; Judicial ou
Privada. Deve buscar os interesses e não posições. Este método é baseado em algumas técnicas de
comunicação.

Fases:

• Sensibilização das partes para buscarem uma solução amigável para o litígio
• Delimitação dos critérios objetivos em que irão se basear os seus interesses
• Estabelecimento e discussão das bases da solução
• O fechamento da solução proposta e a formalização das responsabilidades e direito das partes

Objetivos:

Este processo voluntário e pacífico que cria um ambiente propício para as partes se concentre na
procura de soluções criativas.

Princípios Básicos

 Princípio da Neutralidade e Imparcialidade de Intervenção;


 Princípio da Aptidão técnica;
 Princípio da Autonomia de Vontades ou Consensualismo Processual;
 Princípio da Decisão Informada;
 Princípio da Confidencialidade;
 Princípio Pax est Quaerenda; - quando a paz é buscada..
 Princípio do Empoderamento;
 Princípio da Validação;
 Princípio fundamentais dos juizados especiais (Informalidade, Simplicidade, Economia
Processual, Celeridade, Oralidade, Flexibilidade Processual)
Espécies:

• Preventiva ou pré-processual
• Sucessiva ou endoprocessual
• Judicial
• Extrajudicial
• Genérica – órgão
• Específica – órgão
• Facultativa – não há necessidade de procedimentos
• Obrigatória

Aplicação da Conciliação:

Trabalhista; Família; Empresarial; Societário; Contratual; Ambiental; Escolar; Comunitária;


Internacional; Órgãos públicos e Autarquias e Outros.

Sua aplicabilidade abrange todo e qualquer contexto de convivência capaz de produzir conflitos,
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sendo utilizada, assim como a mediação, como técnica em impasses políticos e étnicos,
nacionais ou internacionais, em questões trabalhistas e comerciais, locais ou dos mercados
comuns, em empresas e conflitos familiares.

Vantagens da Conciliação:

Rapidez; agilidade; sigilo absoluto e Restabelecimento das relações humanas envolvidas no


conflito. É homologado pelo próprio juiz arbitral/conciliador, tendo o mesmo valor da Justiça
Pública.

Entre os principais benefícios desse recurso, destacam-se a rapidez e efetividade de seus


resultados, a redução do desgaste emocional e do custo financeiro e a garantia de privacidade e
de sigilo.

Estágios do Processo de Conciliação - Fases:

 Preparação
 A Sessão de Abertura
 Reunindo Informações
 Identificando Questões, Interesses e Sentimentos
 Como Estimular Mudanças de Percepções e Atitudes
 Sessões Individuais
 Sessão Conjunta Final
 A Construção do Acordo
 Orientando a Discussão

1. Preparando-se para a Conciliação


Contatos iniciais com as partes
Planejando o formato
Estruturando o local
Reunindo-se com o cofacilitador
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2. Iniciando a Conciliação
Apresentações
Declaração de abertura pelo conciliador

3. Reunindo informações
Declarações das partes
Formulação de perguntas pelo conciliador
Escutando ativamente

4. Identificando questões, interesses e sentimentos


Sumário pelo conciliador:
com enfoque nas necessidades
com enfoque prospectivo neutro

5. Esclarecendo a controvérsia e os interesses, reconhecendo os sentimentos


Formulação de perguntas pelo conciliador
Discussão da controvérsia
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6. Resolvendo questões
Questões selecionadas para discussão pelo conciliador mediante o consentimento das partes
Avaliação pelas partes de possíveis métodos de resolução
Análise das opções

7. Aproximando-se do acordo
Testando soluções
Confirmação do acordo ou, em caso de impasse, discussão dos passos a serem tomados
Decisão acerca da necessidade de um acordo escrito e, se considerado necessário, sua redação
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8. Encerrando a sessão
Leitura e assinatura do termo
Em caso de impasse, revisão das questões e interesses das partes e discussão das opções
Validação do esforço e do trabalho das partes

9. Monitorando a implementação do acordo


Gestão de Qualidade

Conciliador:
Importante auxiliar da justiça (judicial) sob supervisão do juiz, que colabora na agilização dos trabalhos,
esclarecendo sobre os inconvenientes de uma demanda judicial, aumentando as soluções forenses

Objetivos do Conciliador

 Identificar o “tom” do caso e a base para as declarações

 Dar às partes oportunidade para ouvir o outro lado

 Ajudar as partes sentirem-se “ouvidas”

 Estabelecer confiança (em relação ao processo, ao conciliador e à outra parte)

Papel do Conciliador:

 Escutar ativamente

 Fazer perguntas abertas

 Fazer perguntas que permitam o esclarecimento de questões

 Administrar interações entre as partes

 Identificar as questões

 Identificar interesses subjacentes (não necessariamente aqueles juridicamente tutelados)

 Reconhecer sentimentos

 Fazer um resumo utilizando linguagem neutra

 Propor organização que gere uma discussão produtiva

Organizar os debates :

Enquadrando as questões : Uma QUESTÃO em Conciliação é um tópico em razão do qual surgiu uma
controvérsia. Quando o conciliador enquadra uma questão, ele está confirmando com as partes o seu
entendimento daquilo que elas desejam discutir.

1. Elucidar uma necessidade ou interesse de ambas as partes.

2. Suscetível de ser resolvido numa Conciliação.

3. Neutro.

4. Não contém atribuição de culpa.

5. Referência ao comportamento, não à personalidade ou caráter.


Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 35

6. Declara a matéria em disputa.

7. Prospectivo

Tarefas do Conciliador:

1. Ouvir as partes;

2. Identificar todas as questões da controvérsia;

3. Enquadrar as questões de modo a preservar a neutralidade do conciliador e não agredir


nenhuma das partes;

4. Sugerir as questões como ponto de partida da discussão; e Registrar as questões suscitadas


a fim de certificar-se que todas as questões sejam discutidas

CONCILIAÇÃO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS


É uma questão de sobrevivência atendermos a crescente demanda de nossos serviços, posicionando
concretamente o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, em status compatível com as recentes
conquistas, tanto em termos de eficiência jurídica, como de importância política.

É necessário dar uma visão moderna às ações do Judiciário Goiano, por isso, o Tribunal de Justiça de
Goiás segue a orientação aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ que recomenda o
planejamento e a execução de ações tendentes a dar continuidade ao Movimento Nacional pela
Conciliação.

O Movimento pela Conciliação TJGO está aberto a sugestões, opiniões e críticas, que poderão ser
encaminhadas ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (email:
mov.conciliacao@tjgo.jus.br) ou pelos telefones (62) 3216-2698 / 3216-2221 / 3216-2702 / 3216-2530),
pois, qualquer que seja o resultado, é bastante salutar, até mesmo indispensável, a união de todo o
judiciário, parceiros e segmentos da sociedade, para que, juntos, possamos alcançar uma justiça plena
e eficaz no exercício de sua função pacificadora e de solução de conflitos.

Composição do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Decreto


Judiciário nº 472, de 09 de fevereiro de 2017).
 Desembargador Gilberto Marques Filho - Presidente do Tribunal de Justiça de Goiás
 Maria Cristina Costa - Juíza Auxiliar da Presidência
 Sirlei Martins da Costa - Juíza Auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça
 Doraci Lamar Rosa da Silva Andrade - Juíza Coordenadora do Núcleo Permanente (Juíza de
Direito Substituta em 2º grau)
 Paulo César Alves das Neves - Juiz Coordenador Adjunto do Núcleo Permanente (Juiz de
Direito da 5ª Vara Cível e Arbitragem da Comarca de Goiânia)
 Sílvio José Rabuske - Juiz de Direito Aposentado

- Objetivos
1. Atender à orientação do CNJ, implantando o Movimento Nacional pela Conciliação no Tribunal
de Justiça de Goiás.
2. Implementar de modo cooperativo e consensual, a Justiça de Conciliação.
3. Estimular condutas de cooperação e de conciliação entre os membros da justiça, demais
operadores de direito, a sociedade e destes entre si.
4. Promover a reforma da justiça através do diálogo e da cooperação entre seus membros, os
demais operadores de direito e a sociedade.
5. Demonstrar à sociedade, através da mudança de comportamento dos operadores de direito e da
implementação da justiça de conciliação, os benefícios da conciliação.
6. Fomentar a cultura da paz em toda a sociedade em geral, sensibilizar os operadores do direito
para utilizarem as técnicas apropriadas para a conciliação, diminuir e prevenir o número de
conflitos existentes, buscar elevar o número de audiências de conciliação designadas e um
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 36

melhor índice de acordos na Justiça Estadual, a exemplo dos países mais desenvolvidos que
chegam a solucionar 70% (setenta por cento) a 80% (oitenta por cento) dos litígios.

- Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania instalados no Estado de Goiás

Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos do Tribunal de Justiça de


Goiás (NUPEMEC )
Localização: sala 730 (7º andar) do Fórum Cível. Avenida Olinda, R. L. B, 04 - Qd G - Park Lozandes,
Goiânia - GO, 74884-120
Contato: (62) 3018-6738 ; 3018-6737. Email: mov.conciliacao@tjgo.jus.br
Juiz Coordenador do Núcleo Permanente: Dr. Romério do Carmo Cordeiro
Juiz Coordenador Adjunto do Núcleo Permanente e Diretor do Foro da Comarca de Goiânia: Dr. Paulo
César Alves das Neves
Secretária: Marielza Nobre Caetano da Costa

COMARCA DE GOIÂNIA
- Centro Judiciário de Solução de Conflitos de 2º Grau da Comarca de Goiânia
Localização: Av. Assis Chateaubriand, nº 195 - Setor Oeste, Goiânia - Goiás - CEP: 74130-011
Contato: (62) 3216-2680 - 3219-2682 / Email: cejusc2grau@tjgo.jus.br
Juiz Coordenador: Dr. Maurício Porfírio Rosa - Juiz de Direito Substituto da 2ª Câmara Cível.
Juiz Coordenador Adjunto: Wilson Safatle Faiad - Juiz de Direito Substituto da 6ª Câmara Cível.
- 1º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania da Comarca de Goiânia
Avenida Olinda, R. L. B, 04 - Qd G - Park Lozandes, Goiânia - GO, 74884-120
Contato: (62) 3018-8084. / Email: bancaconciliacao@tjgo,jus.br
Juiz Coordenador: Dr. Sandro Cássio de Melo Fagundes - Juiz de Direito da 9° Vara Cível (2º Juiz) da
Comarca de Goiânia.
Juiz Coordenador Adjunto: Dr. Nickerson Pires Ferreira - Juiz de Direito da 17ª Vara Cível e Ambiental
da Comarca de Goiânia.
- 2º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania
Localização: Avenida Olinda, R. L. B, 04 - Qd G - Park Lozandes, Goiânia - GO, 74884-120
Contato: (62) 3018-8424 / Email: 2cejuscfamilia@tjgo.jus.br
Juíza Coordenadora: Dra. Vânia Jorge da Silva - Juíza de Direito da 6ª Vara de Família da Comarca de
Goiânia.
Juiz Coordenador Adjunto: Dra. Claudiney Alves de Melo - Juíza de Direito da 4ª Vara de Família da
Comarca de Goiânia.
- 3º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - PUC Goiás (Inaugurado em 25 de abril de
2013)
Localização: PUC-GO, Avenida Fued José Sebba, nº 1184, Térreo do bloco A, Campus V, Jardim
Goiás, Goiânia-Goiás.
Contato: (62) 3946-3078. / Email: terceirocentrojudiciario@gmail.com
Juiz Coordenador: Dr. Gilmar Luiz Coelho - Juiz de Direito da 10ª Vara Cível da Comarca de Goiânia
Juiz Coordenador Adjunto: Dr. Mábio Antônio da Costa - Juiz de Direito da 5ª Vara de Família e
Sucessões da Comarca de Goiânia.
- 4º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - FACLIONS (Inaugurado em 09 de outubro
de 2013)
Localização: Avenida Armogaste José da Silveira, nº 350, Setor Fama, Goiânia-Goiás.
Contato: 3211-1151 / Email: 4cejuscc.goiania@tjgo.jus.br
Juiz Coordenador: Dr. Salomão Afiúne - Juiz de Direito do 3º Juizado Especial Cível da Comarca de
Goiânia.
- 5º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - FASAM (Inaugurado em 16 de maio de
2014)
Localização: BR-153, KM 502, Jardim da Luz, Faculdade Sul-Americana de Goiânia, FASAM, Goiânia -
GO. CEP: 74.850-370.
Contato: (62) 3219-4013 / 3219-4014 / Email: 5cejuscc.goiania@tjgo.jus.br
Juiz Coordenador: Dr. Heber Carlos de Oliveira - Juiz de Direito do 1º Juizado Especial Cível da
Comarca de Aparecida de Goiânia.
Juiz Coordenador Adjunto: Dr. Wild Afonso Ogawa - Juiz de Direito do 1º Juizado Especial Cível da
Comarca de Goiânia.
- 6º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - UNIANHANGUERA (Inaugurado em 23 de
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 37

fevereiro de 2015)
Localização: Rua Lázaro Costa, nº 456, Cidade Jardim, Faculdade Uni Anhanguera, Goiânia - GO
Contato: (62) 3287-2288 / Email: 6cejuscc.goiania@tjgo.jus.br
Juiz Coordenador: Dr. Carlos Magno Rocha da Silva - Juiz de Direito da 14ª Vara Cível e Ambiental da
Comarca de Goiânia.
- 7º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Inaugurado em 30 de junho de 2016)
Localização:Fórum Dr. Heitor Moraes Fleury, Térreo, Sala 190, Goiânia - Goiás.
Contato: 062- 3216-2726 / 062-35242990
Juíza Coordenadora: Dra. Jussara Cristina Oliveira Louza - Juíza de Direito da 3ª Vara da Faz. Púb.
Mun. e de Reg. Púb. da Comarca de Goiânia.
- 8º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Inaugurado em 19 de Maio de 2017
Localização: Endereço: Edifício Torres - Rua 8, 242 - Lote 36 - St. Central, Goiânia - GO, 74013-030
Contato: 3201-2863 / Email: audiencia@procon.go.gov.br
Juiz Coordenador: Fernando Mello Xavier
- Conflitos de Direito do Consumidor (Inaugurado em 11 de Dezembro de 2018)
Ato: Despacho nº 16/2018, de 29 de Novembro de 2018
Localização: Av. Independência, 2716 - St. Leste Vila Nova, Goiânia - GO - CEP: 74645-010
Contato: (62) 3201-1529
Juíza Coordenadora: Dr. Fernando Montefusco - Juiz de Direito do 2ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais.
Juiz Coordenador Adjunto: Fernando Moreira Gonçalves - Juiz de Direito do 8º Juizado Especial Cível
da Comarca de Goiânia.
- Justiça Móvel de Trânsito
Ato: Termo de Cooperação Técnica, de 26 de agosto de 2012.
Localização: 4º Juizado Especial Cível, Praça Universitária, s/nº, Prédio da Faculdade de Direito da
Universidade Federal de Goiás, Setor Universitário, Goiânia-Goiás.
Contato: (62) 0800 6460118, (62) 3501-9109.
Juíza Coordenadora: Dra. Doraci Lamar Rosa da Silva Andrade, Juíza Substituta em Segundo Grau e
Coordenadora do Núcleo Permanete de Métodos Consensuais de Solução de Conflito e Cidadania da
Comarca de Goiânia

- Centro Judiciário de Soluções de Conflito e Cidadania da Saúde – CEJUSC da Saúde


Implementada com o objetivo de realizar justiça através da utilização adequada dos métodos
consensuais de soluções de disputas, assegurando à sociedade um serviço de tratamento dos conflitos
de saúde de forma acessível, ágil, eficaz e efetiva, garantindo o direito de acesso à
soluções justas e à cidadania.
Contato: Telefones: (62) 3018-6198 / (62) 3018-6199 Email: cejuscsaudegoiania@tjgo.jus.br
Endereço: Fórum Cível da Comarca de Goiânia, Sala M05, Mezanino, Avenida Olinda, R. L. B, 04, Qd
G, Park Lozandes, Goiânia - GO, 74884 120.
Coordenador: Juiz de Direito ANDRÉ REIS LACERDA
Coordenadora Adjunta: Juíza Patrícia Dias Bretas
Chefe do CEJUSC: Raquel Magalhães Antonini

COMARCA DE APARECIDA DE GOIÂNIA


- 1º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania: Portaria 023/2013, de 01º de abril de 2013
Localização: FÓRUM DA COMARCA DE APARECIDA DE GOIÂNIA, Rua Versalles, s/n, Quadra 03,
Lotes 08/14, 3º Andar, Residencial Maria Luiza - CEP.: 74.980-970
Contato: (62) 3238-5187
Juiz Coordenador: Dr. Társio Ricardo de Oliveira Freitas - Juiz de Direito da 2ª Vara de Família e
Sucessões da Comarca de Aparecida de Goiânia
- 2º Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania: Portaria 062/2013, de 26 de agosto de 2013
(Inaugurado em 11 de março de 2014)
Localização: Rua Campo Grande, Qd. 26, Lt. 26, Prédio III, UNIFAN, Jardim das Esmeraldas, Aparecida
de Goiânia - CEP 74.853-410
Contato: (62) 3545-4895
Juiz Coordenador: Dra. Mariúccia Benício Soares Miguel - Juíza de Direito da 1ª Vara de Família e
Sucessões da Comarca de Aparecida de Goiânia

- Câmaras Privadas Credenciadas - Deliberação 001/2016 de 28 de setembro de 2016.


Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 38

- 1ª CCMFA – CÂMARA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO FINANCEIRA E AMBIENTAL.


Ato: Credenciamento, de 19 de Junho de 2019
Área de atuação: cível e preferencialmente questões financeiras e ambiental.
Localização: Rua 83 n°407, Setor Sul, Goiânia-Goiás. CEP: 74083-020.
Contato: (62) 3218-5050.
Responsáveis técnica: Lívia Márcia Borges Marques Grama e Patricia de Lima Marques Alves.
- MEDIALLE CÂMARA DE MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO
Ato: Credenciamento, de 17 de março de 2017, com prorrogação de Credenciamento, de 29 de março
de 2019.
Área de atuação: Cível, Família, entre outros, âmbito público e privado.
Localização: Av. Anhanguera, nº 5674, Sala 503, 5º andar, Ed. Palácio do Comércio, Centro, Goiânia -
GO. CEP:74043906.
Contato: (62) 3996-6969.
Responsáveis técnica: Luiz Cláudio Duarte e Sônia Maria Carneiro Caetano Fernandes.
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 39

MEDIAÇÃO
INTRODUÇÃO

A palavra mediação antes de derivar de uma palavra latina (medium, medius, mediator) terá aparecido
na enciclopédia francesa em 1694, cujo aparecimento é identificado nos arredores do século XIII., para
designar a intervenção humana entre duas partes.

A raiz ”medi” parece ter sido utilizada pelos Romanos que a terão recebido, por associação de ideias do
nome deste país desaparecido, a Media, (para resumir), um país vizinho das terras da antiga Persa que
se tornou o Irã.

Antes de qualquer coisa é preciso afastar determinados preconceitos que os operadores do Direito tem
em relação à mediação :

 Esse negócio de mediação, negociação... Isso é coisa de psicólogo.

 Negociação? Isso é coisa de administrador, comerciante...

 Ensino Jurídico - processo dialético

 Guerra, briga, disputa, adversidade, adversariedade...

A mediação baseia-se na arte da linguagem para permitir a criação ou recriação da relação. Implica a
intervenção de um terceiro interveniente neutro, imparcial e independente, o mediador que desempenha
uma função de intermediário nas relações. Operacionaliza a qualidade da relação e da comunicação.

Existem contudo concepções e aplicações muito diversas da mediação. Estas decorrem da simples
intervenção pedagógica na transmissão de saberes até à aplicação em todos os domínios de
dificuldade e de bloqueios relacionais.

A mediação permite o confronto das diferenças através de uma terceira parte facilitadora.

Hoje a mediação se encontra regulamentada pela recente Lei 13.140/2015, de 26 de junho de 2015,
que entrará em vigor 25 de dezembro de 2015, que trata da mediação entre particulares como meio de
solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública.
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Preocupações Normais das Pessoas:

 “Usar a mediação sugere que estarei assumindo responsabilidade por tudo que aconteceu”

 “Não tenho tempo para essas coisas”

 “Esse processo diminui minha autoridade”

 “Não me interessa a reconciliação com essa pessoa”

 “Serei forçado a aceitar uma solução que eu não quero”

 “Eu não tenho autoridade para resolver este assunto”

 “O que é isso?... Uma nova moda do momento?”

 “Se o mediador não vai dizer o que tenho que fazer, para que devo participar?”

Conceito

É a vertente alternativa na qual um terceiro (mediador), intervém na pendência das partes, objetivando
que componham o litígio sem intervenção no mérito. Atuará como uma espécie de facilitador. Sua
função é a de tentar estabelecer um ponto de equilíbrio na controvérsia, aproximando as partes e
captando os interesses que ambas têm em comum, com a finalidade de objetivar uma solução que seja
a mais justa possível para as mesmas.

A mediação pode ser definida como uma negociação facilitada ou catalisada por um terceiro. Alguns
autores preferem definições mais completas sugerindo que a mediação é um processo autocompositivo
segundo o qual as partes em disputa são auxiliadas por uma terceira parte neutra ao conflito ou por um
painel de pessoas sem interesse na causa, para se chegar a uma composição.

Trata-se de um método de resolução de disputas no qual se desenvolve um processo composto por


vários atos procedimentais pelos quais o(s) terceiro(s) imparcial(is) facilita(m) a negociação entre as
pessoas em conflito, habilitando-as a melhor compreender suas posições e a encontrar soluções que se
compatibilizam aos seus interesses e necessidades.

Os chamados “processos autocompositivos” compreendem tanto os processos que se conduzem


diretamente ao acordo, como é de forma preponderante a conciliação, quanto às soluções facilitadas ou
estimuladas por um terceiro geralmente, mas nem sempre, denominado “mediador”. Em ambos os
casos, existe a presença de um terceiro imparcial, significa que os interessados renunciaram parte do
controle sobre a condução da resolução da disputa.

Os interessados têm ainda a possibilidade de encerrar a mediação a qualquer hora sem sofrerem
maiores prejuízos, pois esse é um processo não vinculante. Diz-se que um processo é vinculante
quando os interessados possuem o ônus de participar dos atos procedimentais – em que a desistência
de participação no processo gera uma perda processual e uma potencial perda material.
Exemplificativamente, se, em uma arbitragem ou em um processo judicial, a parte ré opta por não mais
participar do procedimento, presumir-se-ão verdadeiros alguns dos fatos alegados pela outra parte e,
como consequência, há uma maior probabilidade de condenação daquela que não participou do
processo. Já nos processos não vinculantes, não há maiores prejuízos decorrentes da desistência de
participação no processo. Naturalmente, isso não significa que a parte não sofrerá perdas em razão do
não atingimento dos objetivos que possivelmente seriam alcançados se esse não tivesse desistido do
processo. A característica dos processos não vinculantes consiste na inexistência do ônus de participar
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do processo.

A criação da Resolução 125 do CNJ foi decorrente da necessidade de se estimular, apoiar e difundir a
sistematização e o aprimoramento de práticas já adotadas pelos tribunais. Desde a década de 1990,
houve estímulos na legislação processual à autocomposição, acompanhada na década seguinte de
diversos projetos piloto nos mais diversos campos da autocomposição: mediação civil, mediação
comunitária, mediação vítima-ofensor (ou mediação penal), conciliação previdenciária, conciliação em
desapropriações, entre muitos outros, bem como práticas autocompositivas inominadas como oficinas
para dependentes químicos, grupos de apoio e oficinas para prevenção de violência doméstica, oficinas
de habilidades emocionais para divorciandos, oficinas de prevenção de sobre-endividamento, entre
outras. Criou-se políticas públicas em Resolução Adequada de Disputas (RAD).

A Lei de Mediação (Lei n. 13.140/2015) e o Código de Processo Civil vigente (CPC) foram marcos
legais importantes para os meios consensuais. Embora não se possa dizer que mudanças culturais
ocorram a partir de alterações normativas, elas costumam ter impacto na institucionalização da
mediação e da conciliação, tratando de princípios e garantias básicas que devem ser resguardadas
(como a imparcialidade do mediador, a autonomia de vontade, confidencialidade, informalidade, dentre
outros previstos no art. 166 do CPC e art. 2º da Lei de Mediação).

O CPC também previu a tentativa de solução consensual obrigatória no início do procedimento, com a
citação do réu para comparecer à audiência de conciliação ou mediação, salvo se ambas as partes
manifestarem expressamente desinteresse ou se o caso não admitir autocomposição. O não
comparecimento injustificado do autor ou do réu à referida audiência é considerado inclusive ato
atentatório à dignidade da Justiça, com sanção de multa de até dois por cento da vantagem econômica
pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado (CPC, art. 334).

Aplicação e Diferenças com outras vertentes

Tem maior aplicação no Direito Comercial, Internacional Público ou Internacional Privado, exemplos:
conflitos de vizinhança, separação, divórcio, conflitos trabalhistas, direito de recesso do sócio etc.

A diferença entre mediação e negociação é simples: o negociador é uma parte envolvida. Representa
os interesses de uma das partes. Isto implica que o negociador vai procurar alcançar uma solução que
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satisfaça a parte que representa. O mediador não se encontra envolvido. Acompanha a reflexão das
duas partes permitindo-lhes encontrar um acordo. Tal acordo é definido de várias formas, ou seja
baseando-se das abordagens da negociação ou como acima indicado de forma que seja o mais
satisfatório possível ou também o menos insatisfatório possível entre as duas partes.

A diferença entre mediação e conciliação reside no papel do terceiro interveniente. Basicamente a


terceira parte mediadora apoia as partes na sua reflexão e na sua decisão: faz emergir a decisão das
mesmas, em conciliação, a terceira parte conciliadora propõe uma solução às partes no processo.

Segundo Warat (2001), o problema conceitual está na realidade de sua aplicação no judiciário.
Para Warat, “um recurso alternativo ao Judiciário não pode ser concebido com as crenças e os
pressupostos do imaginário comum dos juristas, pois, a mentalidade jurídica termina convertendo a
mediação em uma conciliação”.

O objetivo da Mediação é, através do diálogo, o mediador auxilia os participantes a descobrirem os


verdadeiros conflitos, seus reais interesses e a trabalhar cooperativamente na busca de melhores
soluções. A solução obtida culminará no acordo voluntário dos participantes.
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Características:

• Intervenção de um terceiro, neutro quanto ao litígio


• Existência de controvérsia entre 2 ou mais pessoas
• Necessidade do elemento volitivo (intenção de promover o acordo) pondo fim ao conflito –
aceitabilidade
• Não necessidade de chegar a um acordo
• O terceiro não pode intervir no mérito da disputa (não é autoritária)
• Não é compulsória, tem o caráter voluntário;
• Funda-se no diálogo e na comunicação.
• O poder dispositivo das partes, respeitando o princípio da autonomia da vontade, desde que
não contrarie os princípios de ordem pública;
• A complementariedade do conhecimento;
• A credibilidade e a imparcialidade do Mediador;
• A competência do Mediador, obtida pela formação adequada e permanente;
• A diligência dos procedimentos
• A flexibilidade, a clareza, a concisão e a simplicidade, tanto na linguagem quanto nos
procedimentos, de modo que atenda à compreensão e às necessidades do mercado para o qual
se volta;
• A possibilidade de oferecer segurança jurídica, em contraponto à perturbação e ao prejuízo
que as controvérsias geram nas relações sociais

Princípios Básicos - VEREMOS COM MAIS DETALHES AO FALAR DO MEDIADOR

 Princípio da Neutralidade e Imparcialidade de Intervenção;


 Princípio da Aptidão técnica;
 Princípio da Autonomia de Vontades ou Consensualismo Processual;
 Princípio da Decisão Informada;
 Princípio da Confidencialidade;
 Princípio Pax est Quaerenda; - quando a paz é buscada..
 Princípio do Empoderamento;
 Princípio da Validação;
 Princípios fundamentais dos juizados especiais (Informalidade, Simplicidade, Economia
Processual, Celeridade, Oralidade, Flexibilidade Processual)
 A Lei 13.140/2015, em seu art. 2º, relaciona os seguintes princípios:
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 I - imparcialidade do mediador;
 II - isonomia entre as partes;
 III - oralidade;
 IV - informalidade;
 V - autonomia da vontade das partes;
 VI - busca do consenso;
 VII - confidencialidade;
 VIII - boa-fé.
 Na hipótese de existir previsão contratual de cláusula de mediação, as partes deverão
comparecer à primeira reunião de mediação.
 Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação.

REQUISITOS

A Lei 13.140/2015, em seu art. 3º, determina que pode ser objeto de mediação o conflito que verse
sobre direitos disponíveis ou sobre direitos indisponíveis que admitam transação.
A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele.
E o consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em
juízo, exigida a oitiva do Ministério Público.

TIPOS/TÉCNICAS DE MEDIAÇÃO

Muito tem-se dito sobre mediação. De fato, o próprio Novo Código de Processo Civil Brasileiro deu
ênfase às formas de conciliação e mediação, tornando-a uma etapa obrigatória pré-processual.
Portanto, compreender o fenômeno e os tipos de mediação existentes tem sido cada vez mais essencial
aos profissionais da área jurídica.

Abordaremos, neste artigo, cinco tipos de mediação:

 Mediação do tipo facilitadora;


 Mediação do tipo avaliativa;
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 Mediação do tipo narrativa;


 Mediação do tipo transformativa; e
 Mediação do tipo warattiana.

Cada uma delas representa uma técnica diferente para se chegar ao resultado: um acordo entre as
partes.

Isso porque a mediação, diferentemente dos processos judiciais, não procura um vencedor, mas um
ponto de convergência entre os envolvidos.

O papel do mediador não é o de julgador, e o profissional não tem poder de decisor, mas, sim, de
catalisador, visando permitir o melhor diálogo entre os mediados.

1. Mediação Facilitadora

Também chamada de mediação tradicional, de mediação satisfativa, ou de modelo tradicional-linear de


Harvard.

O tipo de mediação facilitadora é um dos mais antigos em termos de aplicação, embora sua
estruturação formal tenha sido estudada e formatada no começo do século XX.

Essa técnica entende que as partes sempre podem chegar a um acordo sólido e duradouro se munidas
de informação, tempo e apoio o bastante.

É composta de cinco fases:

 abertura do mediador, que introduz o que está sendo negociado;


 abertura das partes em sessão conjunta, que expõem seus pontos de vista;
 sessões privadas, em que o mediador dialoga com cada parte;
 negociação, em que se discute o que seria possível ceder ou concordar;
 acordo, em que as partes entram em denominador comum.

Nesse tipo de mediação, o mediador raramente emite qualquer opinião, especialmente sobre os
resultados de uma possível ação judicial.

2. Mediação Avaliativa

Nesse modelo de mediação, o intuito é alcançar um acordo entre as partes, com foco no resultado, e
não no interesse de cada parte.

O tipo de mediação avaliativa se baseia em uma possível previsão de como o conflito se desenrolaria
em um tribunal.

Com base nessa avaliação, o mediador, que geralmente é da área jurídica, avalia o caso e expõe como
acredita que seria a resolução em juízo. Esse método tende a emular um processo judicial.

3. Mediação Narrativa

Também conhecida como mediação narrativa circular, essa técnica tende a levar em consideração as
histórias das partes e conseguir encontrar o sentido na construção da relação entre elas para a
existência e a resolução do problema.

Esse tipo de mediação tem, como ponto de partida, que todas as pessoas vivem através de histórias e
discursos, ou seja, a formação é construída por meio das relações. Procura, por isso, evitar
determinismos essencialistas, ou seja, não assume que as pessoas possam ser intrinsecamente
agressivas, frágeis, boas, ou depressivas, por exemplo, mas que desenvolvem esses comportamentos.

Por meio da escuta dual das histórias das partes, busca-se uma ressignificação destas. Assim, o
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objetivo é o de encontrar a resolução na construção de uma nova história.

4. Mediação transformativa

Esse modelo de mediação tem como objetivos restabelecer a relação e empoderar as pessoas em
conflito para, depois, resolver a disputa. O método foca em que cada uma das partes possa
compreender as necessidades e os interesses da outra.

Similar ao método tradicional, aqui, o mediador serve apenas como um facilitador da conversa, não
influindo no resultado ou na decisão.

5. Mediação warattiana

Proposta por Luis Alberto Warat, a mediação warattiana é um dos tipos de mediação mais peculiares,
pois trabalha o amor. E não tem como objetivo chegar necessariamente em um acordo, mas em
construir a diferença e a alteridade entre as partes. Desse modo, visa que os litigantes possam
reconhecer o amor ao outro.

Esse modelo se intitula Terapia do Amor Mediado e propõe não apenas o amor e a sensibilidade como
uma forma de mediação, mas como sentimentos desenvolvidos ao longo do processo judicial.

Estágios do processo:

• Reunião de apresentação (estipulação das regras) -


Rapport significa apresentar-se às partes e identificar o problema,
Quem fala primeiro: decisão das partes;
Enquanto um fala o outro escuta;
Objetivo: organizar o procedimento;
Ações: informar, falar, ouvir
• Coleta de Informações - recolher informações de qualidade das partes envolvidas
Conseguir realmente conhecer o problema
Ouvir as versões
Identificar e esclarecer pontos obscuros ou ausentes
Fazer a inversão de papéis
Diálogo socrático
Clarificar, confirmar, resumir os pontos
• Sessões conjuntas
• Sessões em separado
• Fechamento do acordo:
Critérios objetivos para a escolha das soluções propostas
Obrigações escolhidas pelas partes
Qualidade do procedimento: o acordo deve refletir a vontade das partes
O cumprimento depende da qualidade do procedimento
Registro formal do acordo
Ações:
- redigir o acordo
- verificar os elementos essenciais
- conferir o entendimento
- conferir a voluntariedade

Requisitos:

• Subjetivos (capacidade e disponibilidade)


• Objetivos (objeto material juridicamente possível)
• Formal (por escrito – preferencialmente)
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Natureza jurídica:
Equivalente jurisdicional

Vantagens:

• Tendência de mitigar e eliminar as tensões - É que ela pode evitar um longo e desgastante
processo judicial, pois a mesma se dá antes que as partes se definam por uma briga nos
tribunais, resolvendo suas diferenças de forma extrajudicial
• Grande aceitação, pois a decisão é das partes e não imposta por terceiros
• Formação de base amigável para futuras discussões sem tantos problemas
• Grande eficácia pela transação ser dada em equilíbrio
• Confidencialidade e voluntariedade
• Leva-se ao Judiciário/Arbitragem as questões que não podem ser resolvidas de outra forma.

Desvantagens:

• Não tem força executiva judicial (as vezes extrajudicial)


• Consome muito tempo
• Depende da boa vontade das partes, boa-fé
• Nem sempre resulta em acordo, não põem fim a disputa

MEDIADOR

É um especialista imparcial, competente, diligente, com credibilidade e comprometido com o sigilo.

Sua principal qualificação deve ser a habilidade de reunir as partes sob regras específicas de
comunicação e resolução de conflito, bastando que tenha conhecimento superficial das questões
substantivas que irão ser discutidas.

Estimula, viabiliza, facilita a comunicação e auxilia na busca da identificação dos reais interesses
envolvidos.

Facilitar, neste contexto, significa:


1. Melhorar a comunicação entre as partes;
2. Abrir espaço para novas soluções;
3. Capacitar as partes para utilizarem suas habilidades, de forma construtiva, interagindo
positivamente.

O Mediador, através de uma série de procedimentos e de técnicas próprias, identifica os interesses das
partes e constrói, com elas, sem caráter vinculativo, opções de solução, visando o consenso e/ou a
realização do acordo.

Características:
1. É bom ouvinte;
2. É objetivo (neutro);
3. Conhece seus próprios preconceitos;
4. Tem familiaridade com os fortes sentimentos das partes;
5. Sabe avaliar de forma realista as suas próprias habilidades, bem como as suas
6. limitações, para ajudar as partes a chegarem a um acordo;
7. Comunica-se bem;
8. É assertivo.

Observação: A Lei 13.140/2015, em seu art. 4º, determina que o mediador será designado pelo tribunal
ou escolhido pelas partes, conduzirá o procedimento de comunicação entre as partes, buscando o
entendimento e o consenso e facilitando a resolução do conflito. Aos necessitados será assegurada a
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gratuidade da mediação.
A Lei 13.140/2015, em seu art. 5º, define que se aplicam ao mediador as mesmas hipóteses legais de
impedimento e suspeição do juiz. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de
revelar às partes, antes da aceitação da função, qualquer fato ou circunstância que possa suscitar
dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito, oportunidade em que poderá
ser recusado por qualquer delas.
No art. 6º, fica criada uma quarentena ao mediador, ficando impedido, pelo prazo de um ano, contado
do término da última audiência em que atuou, de assessorar, representar ou patrocinar qualquer das
partes. E no art. 7º, o mediador não poderá atuar como árbitro nem funcionar como testemunha em
processos judiciais ou arbitrais pertinentes a conflito em que tenha atuado como mediador.
Ademais, conforme art. 8º. o mediador e todos aqueles que o assessoram no procedimento de
mediação, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, são equiparados a servidor público,
para os efeitos da legislação penal.
Estes dois últimos artigos são aplicados também ao árbitro no procedimento de arbitragem estipulado
na Lei 9.307/96.

MEDIADOR JUDICIAL

Embora a autocomposição esteja prevista em várias disposições legais (art. 125, IV, art. 277, § 1º e
331, do CPC), não há lei que discipline a atuação do mediador. Isso porque a atividade está mais
relacionada à adequada aplicação de técnicas originárias de outros campos do conhecimento humano,
como psicologia, comunicação, administração, semiótica, matemática aplicada, do que propriamente à
interpretação e à aplicação do direito.

Isto está associado também aos princípios da mediação, dos quais se destacam a informalidade e
oralidade do processo e a autonomia das partes, cuja aplicação é incompatível com a existência de
regras rígidas previstas em leis ou outras fontes normativas. No entanto, não significa que se deva
negar a importância do mediador no processo.

O mediador tem papel reconhecido como auxiliar da justiça (art. 7º da Lei n. 9.099/1995) e exerce um
papel relevante no desenvolvimento da cidadania, pois não apenas facilita o entendimento entre os
cidadãos na busca da melhor solução para seus conflitos, mas também os ajuda na condução dos
processos, no aspecto técnico, obviamente mantendo a imparcialidade que lhe é própria, mas dando
mais objetividade ao processo, caso não haja acordo.

As atribuições do Mediador Judicial, relacionadas com a direção da sessão de mediação e com o


atendimento às partes, são:
a) abrir e conduzir a sessão de mediação, sob a supervisão do Juiz togado, promovendo o
entendimento entre as partes;
b) redigir os termos de acordo, submetendo-os à homologação do Juiz togado;
c) certificar os atos ocorridos na sessão de mediação;
d) controlar a comunicação entre as partes, não permitindo que ela se realize de maneira ineficiente;
e) reduzir a termo os pedidos das partes, em conformidade com o que ficar acertado com o Juiz.

Uma das funções do mediador é a de abrir e conduzir a sessão de mediação, sob a orientação do Juiz
de Direito, promovendo o entendimento entre as partes. A sessão de mediação é um ato processual,
embora o seu conteúdo não tenha regras predeterminadas. “Nos Juizados Estaduais se exige sempre o
comparecimento pessoal. Faculta-se a assistência por advogado nas causas de até 20 salários mínimos
e, nas de valor superior, a assistência é obrigatória.

PRINCÍPIOS NORTEADORES DA CONDUTA DO MEDIADOR

A conduta do mediador deve estar pautada na realização dos diversos princípios norteadores de
processos autocompositivos. Entre eles destacam-se:

a) Princípio da neutralidade e imparcialidade de intervenção. O princípio da neutralidade e


imparcialidade de intervenção determina que, ao desenvolver seu ofício, o autocompositor proceda com
neutralidade – isto é, isento de vinculações étnicas ou sociais com qualquer das partes – bem como se
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abstendo de tomar partido no curso da autocomposição. Cabe registrar que essa imparcialidade de
intervenção deve ser percebida pelas próprias partes, cabendo ao mediador conduzir o processo de
forma a assegurar tal percepção.

b) Princípio da consciência relativa ao processo. Outro mandamento nuclear relevante a processos


autocompositivos consiste no princípio da consciência relativa ao processo. Segundo esse princípio, as
partes devem compreender as consequências de sua participação no processo autocompositivo, bem
como a liberdade de encerrar a mediação a qualquer momento. Como corolário, por esse princípio
recomenda-se que as partes sejam estimuladas a tratarem a autocomposição como uma efetiva
oportunidade para se comunicarem de forma franca e direta, pois, considerando a confidencialidade do
que é debatido em mediação, elas somente têm a ganhar com essa comunicação aberta. Cabe registrar
que, em especial em autocomposições forenses, ante a aproximação com a estrutura estatal, muitas
partes demonstram receio de que o mediador conte ao magistrado os pontos materiais debatidos na
mediação e, devido a essa equivocada percepção, frequentemente se abstêm de os exprimirem com
franqueza ou veracidade. Diante de uma situação como está exemplificada, cabe ao(s) mediador(es)
explicar adequadamente o funcionamento do processo de mediação e assegurar às partes a
confidencialidade da autocomposição para que elas possam desenvolver adequada consciência quanto
a esse processo autocompositivo.

c) Princípio do consensualismo processual. Outro elemento fundamental à autocomposição consiste


no princípio da autonomia de vontades ou consensualismo processual. Por este princípio se estabelece
que somente deve haver mediação se as partes consentirem espontaneamente com esse processo. A
despeito de alguns ordenamentos jurídicos estabelecerem a obrigatoriedade da autocomposição, como
em alguns casos, multas para as partes que não aceitarem determinadas propostas de acordos, a maior
parte da doutrina especializada entende que a participação voluntária mostra-se necessária, em
especial em países que ainda não desenvolveram uma cultura autocompositiva adequada, para a
obtenção de resultados legítimos. Vale ressaltar que, no Brasil, a obrigatoriedade da conciliação em
sede de Juizados Especiais consiste tão somente na presença das partes na sessão de conciliação –
dessa forma, as partes não estão obrigadas a conciliar.

d) Princípio da decisão informada. Considerado por alguns como corolário do princípio da autonomia
de vontades ou consensualismo processual, o princípio da decisão informada estabelece como
condição de legitimidade para a autocomposição a plena consciência das partes quanto aos seus
direitos e a realidade fática na qual se encontram. Nesse sentido, somente será legítima a resolução de
uma disputa por meio de autocomposição se as partes, ao eventualmente renunciarem a um direito,
tiverem plena consciência quanto à existência deste seu direito subjetivo. Da mesma forma, por razões
mais bem explicadas pela psicologia cognitiva, frequentemente as partes têm suas percepções quanto
aos fatos ou aos seus interesses alteradas em razão do envolvimento emocional de uma disputa. Nesse
contexto, cabe ao mediador aplicar técnicas específicas (e.g. teste de realidade) para que as partes
possam aprender a utilizar da melhor maneira possível o processo autocompositivo.

e) Princípio da confidencialidade. Pelo princípio da confidencialidade se estabelece que as


informações constantes nas comunicações realizadas na autocomposição não poderão ser ventiladas
fora desse processo nem poderão ser apresentadas como provas no eventual julgamento do caso, nem
em outros processos judiciais. Nesse sentido, o mediador não pode servir como testemunha acerca de
fato relacionado com seu ofício como facilitador de comunicações. Em regra, pode-se afirmar que a
eficiência do mediador está relacionada à confiança que as partes depositam nele e à segurança de que
alguns pontos debatidos em mediação não poderão ser utilizados como prova em um processo judicial.
Sem poder coercitivo sobre as partes, o mediador depende da melhora da comunicação (se não de uma
verdadeira construção de confiança) entre os disputantes. Portanto, a disposição de se expressar com
franqueza é essencial à eficácia do processo, isso porque para que as partes possam se comunicar
com maior liberdade há de ser garantido o sigilo profissional, para evitar o uso dessas informações em
um ulterior julgamento. Como já registrado neste manual, a despeito de inexistir dispositivo legal
específico destinado a assegurar a confidencialidade das comunicações realizadas em mediações, há
dispositivos legais genéricos visando garantir tal confidencialidade. Nesse sentido, o art. 154 do Código
Penal dispõe acerca do tipo penal de violação de segredo profissional ao apenar a conduta de revelar,
sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja
revelação possa produzir dano a outrem. De forma semelhante o art. 229, I, do Código Civil, estabelece
que ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
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guardar segredo. Ademais, entendemos que, se não há tratamento legal específico e detalhado acerca
da autocomposição na legislação brasileira, há dispositivos abrangentes referentes à autocomposição
(e.g. art. 227, § 1º, do Código de Processo Civil) que recomendam a adoção de técnicas eficientes.

f) Princípio do empoderamento. Como mencionado anteriormente, com a reinclusão de novos


processos autocompositivos em modernos sistemas processuais, estes passaram a incorporar novos
escopos, como a capacitação (ou empoderamento) das partes (i.e. educação sobre técnicas de
negociação e resolução de conflitos) para que as partes em disputa possam, cada vez mais, por si
mesmas compor parte de seus futuros conflitos. Nesse contexto, o princípio do empoderamento
estabelece a necessidade de haver um componente educativo no desenvolvimento do processo
autocompositivo que possa ser utilizado pelas partes em suas relações futuras. Considerando que o
mediador estabelece uma relação com as partes de modo a estimular a comunicação, espera-se em
razão do princípio do empoderamento que, após uma adequada autocomposição, as partes tenham
aprendido, ainda que parcialmente, algum conjunto de técnicas de negociação e aperfeiçoado as suas
formas de comunicação tornando-a mais eficiente inclusive em outros contextos.

g) Princípio da validação. Pelo princípio da validação se estabelece importante disposição na medida


em que institui maior humanização do processo de resolução de disputas. Esse princípio preconiza a
necessidade de reconhecimento mútuo de interesses e sentimentos visando a uma aproximação real
das partes e uma consequente humanização do conflito decorrente da maior empatia e compreensão. A
participação de um terceiro neutro ao conflito no decorrer do processo direciona cada parte para que
tome consciência dos seus interesses, sentimentos, necessidades, desejos e valores, e para que cada
uma venha a entender como e porque algumas das soluções ventiladas satisfazem ou não as suas
necessidades. Nessa linha, estando ausentes a conscientização ou a compreensão desses valores, as
partes estarão menos dispostas e aptas a criar soluções ou a sugerir propostas. Ademais, ao instruir as
partes sobre a melhor maneira de se comunicar, de examinar as questões controvertidas e de negociar
com a outra parte, o terceiro neutro ao conflito está capacitando (ou empoderando) as partes,
habilitando-as a lidar não somente com o conflito em análise, mas também com futuras controvérsias.

h) Princípio da simplicidade. A simplicidade traduz-se na desburocratização das formas, bem como


aproveitamento dos atos que não comprometam o fim buscado (instrumentalidade das formas)
objetivando sempre descomplicar o procedimento, tornando-o totalmente compreensivo às partes.
Como nos juizados especiais “o procedimento deve ser simples, natural, sem aparato, franco e
espontâneo, a fim de deixar os interessados à vontade para exporem seus objetivos."

i) Demais princípios. Este trabalho não se propõe a exaurir todos os princípios referentes à
autocomposição. Foram prescindidos princípios que se encontram bem desenvolvidos em outras obras
como os princípios da informalidade, economia processual, celeridade, oralidade, flexibilidade
processual, entre outros.

O MEDIADOR E AS PARTES

O mediador deve dirigir-se às partes pelo nome, manter contato visual direto, sem se preocupar com o
tempo. Caso haja alguma restrição temporal, deve o mediador comentar isso com as partes para que
eventual outro encontro possa ser agendado. Deve perguntar às partes como gostariam de ser
chamadas, fazendo-o inicialmente de forma cerimoniosa, tratando as pessoas como senhor ou senhora.
Algumas partes, dependendo da idade ou das características pessoais, preferem ser chamadas de
maneira menos formal como você. Eis algumas recomendações sobre como se comportar em situações
diversas:

a) Ânimos exaltados. A expressão de emoção frequentemente faz parte da mediação. Todavia, isso
não quer dizer que a espiral de conflito se acentua em razão dessa forma emotiva de comunicação. E.g.
uma parte indicar para a outra, com os olhos mareados, que ficou muito triste quando chegou em casa
e viu o vaso que ganhou de sua mãe quebrado e os filhos do vizinho brincando com os cacos não
prejudica a comunicação entre os envolvidos nem se mostra contraproducente na mediação – pelo
contrário. Todavia, o mediador deverá estar atento para que as partes não se exaltem de forma
agressiva ao narrarem os fatos. O mediador não deve permitir que as partes sejam verbalmente
agressivas e tomem atitudes como a de interromper a fala da outra ou gritar.
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Na hipótese de uma das partes chorar durante uma mediação, recomenda-se que o mediador apenas
ofereça um copo de água (às duas partes) e pergunte se as partes precisam de uma pausa antes de
continuar. As práticas intuitivas de agir como nada estivesse acontecendo ou sinalizar para a parte que
tudo terminará bem não são recomendadas porque na primeira hipótese a parte tende a perceber tal
atitude como insensibilidade do mediador e a segunda prática como uma desvalidação de sentimentos.

b) Agressão. São raríssimas as hipóteses em que o mediador se encontra diante de agressões físicas
na mediação. Isso porque, como a relação conflituosa se desenvolve em espirais, a agressão física é
precedida de uma série de interações verbais agressivas que envolvem ofensas e outras agressões
verbais. Assim, como um mediador experiente não permite que as partes se comuniquem de forma
agressiva, a espiral de conflito não chega a se desenvolver a ponto de as partes se agredirem
fisicamente. Se eventualmente ocorrer uma agressão física, o mediador deve acionar o serviço de
segurança ou a polícia. Vale indicar que ainda não foram registrados atos de violência física em
quaisquer programas de mediação judicial no Brasil nos quais os mediadores tenham sido submetidos a
mínimo treinamento em técnicas e habilidades autocompositivas.

c) Embriaguez. Quando se nota que alguma das partes está embriagada, a mediação não deve
prosseguir. Neste caso deve a parte ser informada que em razão do fato a sessão será redesignada.
Caso isso volte a ocorrer, recomenda-se marcar outra data para audiência de instrução e julgamento,
na qual a proposta de conciliação será realizada pelo próprio Juiz.

d) Porte de arma. Se alguma das partes comparecer armada, o mediador deve instruí-la a deixar a
arma na secretaria do juízo ou na portaria do edifício, de acordo com a orientação do Juízo. Algumas
vezes, policiais “fora de serviço” costumam comparecer armados, o que justifica a recomendação. Caso
este porte de arma seja ilegal a autoridade policial deve ser contatada.

e) Preposto. Se a parte estiver impossibilitada de comparecer, recomenda-se a remarcação da sessão


de mediação em vez de realizá-la por intermédio de preposto. Caso esta impossibilidade seja
permanente, a parte poderá fazer-se representar por preposto.

f) Réu menor. Na eventualidade de um dos interessados ser menor, por se tratar de mediação judicial,
faz-se necessária a participação de seu responsável legal para que se produzam os efeitos jurídicos
legais da autocomposição. Vale destacar que já para outras formas de mediação, como a comunitária
(e.g. referente ao conflito entre mãe e filha) ou a escolar (e.g. referente ao conflito entre colegas de uma
turma que se envolveram em uma briga), não há.

O MEDIADOR E O ADVOGADO

O advogado quando se encontra em processos autocompositivos tem os mesmos interesses que possui
quando atua em processos heterocompositivos: ter um bom desempenho para satisfazer seu cliente e
assim, progressivamente, aumentar sua clientela ao mesmo tempo em que recebe o merecido
reconhecimento profissional. Nesse contexto, muitas vezes os advogados são recebidos por
mediadores que desconsideram os interesses desses profissionais e se orientam apenas para a meta
de buscar concluir o processo por meio de um acordo. Naturalmente, nessas circunstâncias, os
advogados tendem a se posicionar de forma contrária à mediação. Exemplificativamente, se um
advogado ouvir do mediador que não pode participar da mediação porque esse processo depende
apenas das partes ou que advogados em mediações devem permanecer calados, a tendência de um
diligente advogado consiste precisamente em se colocar em choque com o mediador com o intuito de
efetivamente desempenhar um bom trabalho e ser reconhecido como um bom profissional.
Naturalmente se um advogado busca ser visto como diligente profissional, este não aceitará participar
de uma conciliação ou mediação e permanecer calado por todo tempo. Isso seguramente faria com que
seu cliente imaginasse que seu advogado não atuaria de forma diligente.

Assim, o papel do mediador consiste em estimular o advogado a ter um desempenho profissional que
permita o atingimento das metas do seu cliente ao mesmo tempo em que é reconhecido
profissionalmente. Isto é, cabe ao mediador esclarecer qual vem a ser o papel do advogado em
processos autocompositivos e deixar claro que bons advogados são muito importantes para a mediação
Curso de DIREITO Prof. Esc. Lister de Freitas Albernaz 52

na medida em que apresentam propostas que as partes não vislumbrariam sozinhas e trazem a
segurança de que a parte não está, inadvertidamente, abrindo mão de seus direitos.

A atuação do advogado em processos autocompositivos é bastante distinta daquela usualmente


adotada em procedimentos heterocompositivos judiciais. Essa mudança de comportamento profissional
decorre principalmente das características fundamentais da mediação em função das quais: i) se
estimula um intercâmbio de informações; ii) auxilia-se a parte a compreender melhor a perspectiva da
outra parte; iii) busca-se expressar de maneira mais clara interesses, sentimentos e questões que não
sejam necessariamente tutelados pela ordem jurídica, contudo podem contribuir para a composição da
controvérsia; iv) promove-se o diálogo voltado para a melhoria do relacionamento das partes no futuro
(e não em uma atribuição de culpa ou responsabilidade como no processo heterocompositivo judicial); e
v) estimula-se a procura por opções criativas para a resolução da controvérsia baseadas nos interesses
das partes, entre outras.

Nesse sentido, nota-se que a mediação não pode ser compreendida pelo advogado apenas sob uma
dimensão jurídico-contenciosa. O advogado em processos autocompositivos deve ser estimulado para
atuar com o intuito de compor a controvérsia de maneira criativa e incentivando seu cliente a entender
as necessidades da parte contrária, a comunicar-se bem e com clareza, a buscar opções de ganho
mútuo, a aperfeiçoar seu senso de empatia, entre outras condutas.

A função do advogado no processo de mediação deve ser entendida no contexto das características
peculiares desta modalidade de resolução de conflitos. Assim, há uma postura própria demandada ao
advogado em conformidade com os objetivos da autocomposição, de maneira a proporcionar a
otimização de resultados no processo autocompositivo e consequente satisfação das partes.

Vale ressaltar que o discurso do mediador deve configurar expectativas das partes e advogados
sinalizando-se que “bons advogados são importantes para o processo de mediação na medida em que
apresentam propostas e alternativas muitas vezes não vislumbradas pelos próprios clientes”.

Quando se tratar de situação em que a outra parte não tem advogado (não sendo o caso de presença
obrigatória), e não lhe sendo designado um, deve-se ter cuidado para que a sua presença não
signifique um desequilíbrio no processo.

Neste caso, pode-se aplicar, com as alterações necessárias, o art. 9º, §1º da Lei n. 9.099/1995,
segundo o qual “sendo facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida por advogado,
ou se o réu for pessoa jurídica ou firma individual, terá a outra parte, se quiser, assistência judiciária
prestada por órgão instituído junto ao Juizado Especial, na forma da lei local”.

Tendo sempre em mente que a igualdade de todos perante a lei consiste em tratar igualmente os iguais
e desigualmente os desiguais na medida da sua desigualdade, deve o mediador, na condição de
condutor da sessão, conduzi-la de forma a evitar que as partes deixem de receber o que lhes é devido,
concedendo-lhes o direito a um processo justo, o que só ocorrerá se as partes estiverem atuando em
igualdade de condições. Em suma, havendo qualquer desconfiança de que há desequilíbrio de poder
entre as partes, deve o mediador interromper a mediação e pedir que as partes busquem orientação de
um advogado ou da defensoria pública.

O MEDIADOR E O JUIZ

Para um melhor desempenho das atividades é fundamental um bom relacionamento entre o mediador e
o Juiz a que for vinculado. Isso porque é em nome do juiz, e por delegação deste que o mediador
judicial atua.

Não se pode falar em um moderno sistema público de resolução de disputas sem enfocar a
autocomposição bem gerenciada pelo magistrado que delega e supervisiona – direta ou indiretamente –
seus autocompositores.
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Vale registrar que muitos magistrados se encantam com o processo de mediação e manifestam
interesse em conduzir mediações. A doutrina mais atualizada tem indicado que o papel do magistrado
consiste em gerenciar um sistema público de resolução de disputas. Assim, considerando que a
atuação do mediador pode ser delegada até mesmo para um voluntário e essa atuação de gestão
sistêmica não, concluímos pela recomendação que, como regra, o magistrado não deva conduzir
mediações principalmente para economizar esse recurso humano escasso. Naturalmente, essa
mediação pode ser feita por um magistrado, em seu horário livre, como voluntário, em outra vara ou
comarca. Esta recomendação se faz em razão de um princípio prático de que se um gestor deixa de
delegar uma ação que poderia ser delegada provavelmente deixará de realizar algo que não poderia ser
delegada (e.g. a instrução dos processos a serem julgados). Vale ressaltar ainda que o magistrado
pode utilizar diversas técnicas de mediação na audiência de conciliação.

Áreas do Direito e a Aplicação da MEDIAÇÃO

1. MEDIAÇÃO INTRAEMPRESARIAL

Diante de situações ocorridas no âmbito estrutural da empresa, relacionadas às suas próprias


atividades organizacionais ou de recursos humanos, busca resguardar, aprimorar ou até mesmo
resgatar as relações entre os sócios, diretores e/ou empregados.

Além disso, serve como um modelo pertinente para solucionar conflitos envolvendo estes agentes,
considerando que seu foco é a busca pela restauração das relações interpessoais.

Nesse contexto, o mediador possui as ferramentas que auxiliarão as partes na retomada do diálogo, na
identificação dos conflitos institucionais e de relacionamento e consequentes alternativas de resolução
dos mesmos.

Pode ser Societária, onde desentendimentos entre sócios podem virar disputas bastante acirradas, e
quanto mais tempo passar, mais difícil a questão tende a ficar. É por isso que se aconselha que a
contratação de profissionais para fazer a mediação empresarial das conversas o quanto antes.
Mediadores podem ser contratados para ajudar a lidar com conflitos existentes ou para evitar que
conflitos escalem e cheguem a patamares destrutivos.

Nos casos de conflitos prolongados entre sócios, quem mais tende a perder, com frequência, é a
empresa. As decisões não são tomadas, a equipe é impactada pela briga, os clientes acabam sabendo
da situação, e assim o conflito se espalha… E quando a rentabilidade da empresa começa a ser
impactada, o conflito invariavelmente tende a ficar ainda mais inflamado.

Temos ainda a Corporativa, entre colaboradores ou entre departamentos. Por vezes a solução não é
nada simples, mas todos concordam que não pode continuar do jeito que está. Neste caso, trazer
profissionais externos à empresa, sem vínculos com as pessoas, externos ao dia-a-dia, pode facilitar
muito a discussão. O olhar externo, sem vícios, pode levar a discussão por caminhos diferentes
daqueles que já foram tentados.

Se tais conflitos fossem resolvidos por meio de processos judiciais, uma formalidade maior seria exigida
na sua condução. Já na mediação, o diálogo estruturado é o método utilizado como ferramenta para
resolução de impasses. Com isso, todos os envolvidos podem argumentar seus pontos de vista,
entender a colocação do outro e considerar de forma cautelosa todas os meios de resolver a situação.
Lembrando que, a todo momento o diálogo é acompanhado pelo mediador, fornecendo sugestões para
que ela ocorra de forma construtiva.

Por fim, existe a mediação de Empresas Familiares, que abrange todos os desafios que as empresas
não-familiares têm, e mais alguns. As dimensões da gestão empresarial, da sociedade/propriedade e da
família, e todas as suas interações, acrescentam uma complexidade que, talvez, outras empresas não
imaginem.

Um exemplo frequente é a diferença entre gerações. A maioria das empresas enfrenta o desafio de
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harmonizar a participação entre profissionais de idades muito diferentes. Mas quase que
exclusivamente as empresas familiares enfrentam este desafio com todos atuando em cargos de
liderança. Por outro lado, quando as diferenças entre gerações são percebidas e gerenciadas como
complementariedades, e não como contrariedades, as sinergias geradas podem ser extremamente
benéficas, não só para a empresa, como também para os laços familiares.

Acrescente a este contexto a preocupação com a longevidade da empresa e a natural sucessão dos
gestores. São questões que, embora cruciais para todos os envolvidos, muitas vezes não são
devidamente discutidas, gerando desconforto e eventuais desentendimentos.

Dificilmente a opção por não discutir esses assuntos é a melhor opção. Mas então, por que isto
acontece com tanta frequência? Na verdade, o mais comum é que estas discussões sejam adiadas,
muitas vezes eternamente adiadas, pelo fato de não serem discussões fáceis. Mas infelizmente, quanto
mais se adia a conversa, mais complexa ela tende a ficar. Protelar raramente funciona.

Contar com a ajuda de profissionais especializados em viabilizar este tipo de conversa pode ser uma
boa alternativa. Não é preciso haver conflitos para se contratar mediadores. A confidencialidade evita
que as questões daquela família e daquela empresa sejam expostas para colaboradores, fornecedores
e clientes, atingindo a imagem do negócio e até mesmo a sua rentabilidade.

Os mediadores podem contribuir porque especializados em viabilizar conversas difíceis, não estão
emocionalmente envolvidos com a questão e estarão sempre em busca da melhor maneira de
solucionar o impasse, sem que haja um vencedor e um perdedor, mas para que todos os envolvidos se
satisfaçam com a solução.

2. MEDIAÇÃO INTEREMPRESARIAL

Nos dias de hoje, com as crescentes interações entre as empresas que vislumbram nas parcerias
empresariais instrumentos de expansão de mercado, não raro é o surgimento de conflitos advindos de
interesses aparentemente discrepantes.

É neste cenário que a atuação do mediador se revela pertinente, posto ser o mediador o profissional
capacitado para atuar junto às empresas nas fases preliminares, anteriores ao estabelecimento das
parcerias, bem como para assistir as partes, quando já em curso as parcerias, no processo de
reconhecimento dos interesses e objetivos comuns e divergentes, contribuindo para o surgimento de
respostas adequadas, pelas próprias partes, e que promoverão o fortalecimento da parceria.

Temos como exemplo na área Comercial, com questões entre parceiros comerciais, franqueador e
franqueados, e até mesmo entre concorrentes.

Nos dois primeiros casos, em geral, a mediação empresarial resolve questões relacionadas à
interpretação dos contratos, ou a questões que não estavam previstas nestes.

No caso de conflitos entre concorrentes, um exemplo frequente são as questões de propriedade


intelectual, que envolvem quebra de patente ou uso de marca.

Todos estes casos podem levar a depósitos judiciais enquanto as empresas disputam na justiça a
solução da questão.

Na mediação empresarial ninguém sai como ganhador. A busca é sempre por uma solução que atenda
os interesses de todos de forma satisfatória.

Outro ponto que merece destaque é a confidencialidade. Toda a mediação é regida por ela e os
envolvidos possuem total liberdade para expressarem seus pontos de vista sobre o conflito, sem medo
de que isso possa prejudicá-los. Isso também permite que o embate não seja exposto ao mercado,
evitando que clientes, fornecedores e concorrentes saibam da existência de tal controvérsia.
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3. MEDIAÇÃO FAMILIAR

Nas relações familiares, mais do que em quaisquer outras, a falta de diálogo é o fator que contribui de
maneira decisiva para o surgimento de conflitos, desde os menores, relacionados ao dia a dia da
família, aos maiores, emergentes de processos de divórcio, pensão, sucessão etc. São nos conflitos
familiares onde permeiam sentimentos como, raiva, rancor, vingança, depressão, hostilidade que a
mediação se faz necessária, visto que se não solucionado pelos litigantes, o conflito pode transformar-
se em disputas intermináveis e perdurar por gerações.

No processo de mediação familiar, o mediador controla e gere os conflitos envolvidos, devolvendo às


partes a oportunidade de se expressarem e o poder de decisão sobre suas relações, de forma a
construírem uma solução capaz de atender às suas necessidades individuais e familiares.

O procedimento da mediação familiar incentiva às próprias partes envolvidas no conflito a discutirem


sobre seus problemas de maneira pacífica, criando assim, com o auxílio do mediador, um espaço
apropriado à formação do diálogo funcional, na medida em que afasta o sentimento adversarial,
rancoroso e irracional.

É indicada para aqueles que querem solucionar um impasse ou conflito de forma rápida e eficaz.
Quanto mais rápida uma questão for resolvida, menor costuma ser o impacto nos relacionamentos.

Inserido nesse contexto, surge a mediação familiar como forma de buscar o melhor convívio dos casais
em conflito, com o intuito de ouvir cada personagem daquela família, para delimitar as pretensões
conflitantes, detectando sua verdadeira causa.

Deste modo, tem-se como conceitos de mediação familiar: "(...) processo, através do qual, pessoas, em
disputa por questões de divórcio, pensões alimentícias, guarda de filhos, herança, divisão de bens ou
qualquer outra questão familiar, que sejam ou possam ser objeto de procedimentos legais, são
ajudadas no sentido de chegar a acordos ou estreitar as áreas de desentendimento entre elas, com a
ativa intervenção de terceira parte imparcial."

A mediação familiar é a opção que se apresenta às famílias com adolescentes que buscam a resolução
de determinados conflitos familiares. Nela, as partes refletem e dialogam com o objetivo de gerar vias
de superação dos conflitos. É processo voluntário e confidencial, no qual a responsabilidade pela
construção das resoluções, sua autoria, está nas mãos das partes. Da conceituação trazida pelos
doutrinadores é possível verificar que a mediação aplicada ao Direito de Família auxiliará na resolução
de conflitos. Nesse processo é permitido às partes negociarem suas divergências, por intermédio de
uma terceira parte neutra.

No Inventário – Partilha de bens: ajuda-se os herdeiros a conversarem e encontrarem uma


distribuição equilibrada dos bens que atenda a todos os envolvidos. Por mais difícil que possa parecer,
a negociação entre todos os interessados é sempre o caminho mais ágil para resolver a partilha. A
construção de um acordo costuma ser muito melhor do que uma disputa judicial que frequentemente
torna os bens indisponíveis por anos, até mesmo décadas.

Em caso de Divórcio ou Separação: um casal com filhos quando se separa precisa desenhar um novo
modelo de convivência familiar. Marido e mulher se separam, mas pai e mãe terão de conviver
minimamente para poderem, juntos, garantir o bem-estar dos filhos. Como será a convivência de cada
um dos pais com os filhos? Quem terá a guarda legal? Qual será a responsabilidade financeira de cada
um? Como será a comunicação entre eles para tratar todos os imprevistos do dia a dia? Como
minimizar o impacto do desentendimento entre os pais nos filhos? Além disso, o casal tinha bens em
comum? Quem ficará com o que?

Em meio aos sofrimentos e crises de ordem emocional, vivenciadas pelos casais em processo de
separação e divórcio, a mediação familiar encontra ampla aplicação em decorrência do momento
transacional pelo qual passa a família.

Os casais que decidem pela dissolução da sociedade e vínculo conjugal poderão, de livre iniciativa,
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optar pelo procedimento da mediação ou serem encaminhados por uma pessoa de sua confiança (como
ocorre com maior frequência).

Esse procedimento tende a ser bastante útil e eficaz, pois as partes envolvidas comumente conseguem
ultrapassar essa fase sem um clima desagradável de disputa, típico das querelas judiciais que chegam
a resolver o conflito processual, mas não o conflito psicológico, o qual se encerra com a elaboração do
luto pelo casal.

Quando não há filhos, as discussões entre o casal envolvem geralmente decisões relacionadas às
questões patrimoniais, ou seja, à partilha de bens. Mas, em havendo filhos, além dessas questões, o
casal precisará decidir sobre aquelas relacionadas à guarda dos filhos, regulamentação de visita,
pensão alimentícia etc.

O que a mediação familiar visa a trabalhar em um processo de separação é justamente o entendimento


do casal, no sentido de fazê-los compreender que a conjugalidade (relação no plano conjugal) pode ter
um fim, no entanto a parentalidade (relação entre os pais decorrente da filiação) perdura, vez que se
tratam de relações que necessitam continuar, principalmente em função dos filhos.

Na grande maioria dos casos, os casais que decidem pelo rompimento, passam por um processo de
intenso sofrimento de desconstrução da família. O autor Haim Grunspun, em sua obra Mediação
Familiar – o mediador e a separação de casais com filhos, aponta para as fases de desconstrução
familiar. São elas: I- desilusão de uma das partes, II- a manifestação de insatisfações, III- a decisão de
se divorciar, IV- agindo na decisão e, por fim, V- aceitação crescente [37].

Até a aceitação pacífica da separação, ambos os cônjuges vivenciam momentos de turbulência


emocional o que, salvo exceções, repercute diretamente nos filhos que, geralmente, sentem-se
culpados pelo término do relacionamento de seus pais, temendo ainda, que todos os laços familiares
possam também ser rompidos.

“Durante uma separação conturbada, os filhos não conseguem exercer seu direito de amar seu pai e
sua mãe ao mesmo tempo. Muitas vezes, movido pelo ódio, um dos pais induz a criança a excluir o
outro”. É o que se denomina de Síndrome da Alienação Parental.

Pode-se afirmar que a separação e o divórcio deixam marcas profundas nos pais e nos filhos. No
entanto, essas marcas podem ser sensivelmente abrandadas, a depender da forma como o rompimento
for conduzido. Daí o papel da mediação, pois ela “procura transformar a crise familiar e a ‘falência’ do
casamento em uma relação estável parental, abrindo caminhos para uma reconstrução satisfatória da
vida”.

Para tanto, o mediador familiar deverá promover a escuta dos problemas de cada um dos cônjuges,
esclarecendo sobre possíveis pontos controvertidos e buscando, sempre que viável, restabelecer o
diálogo funcional entre os mesmos, fazendo-os entender que a separação judicial e o divórcio, na
realidade, não dissolvem a família, esta apenas entra em uma fase de reestruturação, em que o pai e a
mãe passam a apresentar novos papéis, em vistas, também, do bem-estar dos seus filhos.

Cumpre salientar que muito se discute acerca da participação das crianças no processo de mediação
em que há separação de casais. Deixando à margem, os entendimentos prós e contrários, é de se
saber que a sua participação implicará em uma “imprescindível capacitação do mediador, que deve
possuir um aguçado entendimento para determinar em quais casos esse envolvimento é benéfico para
a solução”.

Todavia, mesmo que a criança não participe do procedimento, ela deverá estar consciente da situação,
devendo ser informada, de acordo com sua idade e capacidade compreensiva, dos motivos da
separação.

4. MEDIAÇÃO NA ÁREA CÍVEL

Com vistas a trazer a responsabilidade da solução de conflitos para as mãos das partes envolvidas e
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mitigando a ideia de que os conflitos só podem ter uma resposta satisfatória se levados ao poder
Judiciário, a mediação se revela como o método mais célere e eficaz de prevenção e solução de
impasses entre as partes em suas diversas relações cotidianas.

O mediador, capacitado para atuar em conflitos de todas as áreas do direito civil, além de ser um
facilitador da comunicação, estimula as partes a visualizarem o conflito por uma nova perspectiva,
abrindo caminhos para o entendimento de que um acordo construído pelos envolvidos é mais
satisfatório do que uma decisão judicial, pois equaliza os interesses destas.

5. MEDIAÇÃO AMBIENTAL

Apesar de o meio ambiente ser um bem jurídico indisponível, que não pode ser negociado, a mediação
deve ser utilizada como método alternativo de solução de conflitos socioambientais por permitir às
partes envolvidas – comunidade, poder público e empresas privadas – maior flexibilidade e criatividade
na construção cooperada de respostas satisfatórias e duradouras voltadas não apenas para a
harmonização dos diversos interesses envolvidos, mas, e principalmente, para a preservação
ambiental.

6. MEDIAÇÃO NAS ESCOLAS

A escola, para além de ser o local destinado ao ensino coletivo, é o ambiente de formação intelectual e
moral dos membros da sociedade, e por congregar num mesmo espaço alunos, professores, diretores e
diversos profissionais, cada qual com visões e valores heterogêneos, se mostra como um campo fértil
para o surgimento de conflitos.

A mediação escolar desponta como o método menos invasivo e mais eficiente de que se podem valer
as instituições, tanto na adoção de práticas preventivas aos conflitos, quanto na resolução prática
destes.

O mediador que pode ser, por exemplo, pedagogo ou psicólogo, ao promover o diálogo, devolve a
autonomia às partes envolvidas, sendo responsável por ouvir as demandas e organizá-las de forma
clara visando à pacificação, prevenindo atos de violência.

7. MEDIAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE

Uma das principais características dos conflitos que surgem na área da saúde é o envolvimento de
muitas partes – pacientes e seus familiares, corpo clínico e de enfermagem, diretores, terceirizados, etc.

Em razão do componente emocional e dos momentos delicados vividos, por exemplo no ambiente
hospitalar, o mediador auxilia as partes na busca de respostas efetivas e soluções globais e definitivas
que congreguem ao máximo os diferentes pontos de vista.

Além disso, o mediador ao permitir que as partes sejam ouvidas, devolve a estas o sentimento de
acolhida, o que favorece os tratamentos e o próprio funcionamento harmônico do estabelecimento.

8. MEDIAÇÃO EXTRAJUDICIAL

A mediação extrajudicial deve ser buscada espontaneamente pelas partes que estão envolvidas no
problema e que não conseguem resolvê-lo.

Dessa forma, o mediador, com técnicas de pacificação, facilitará o diálogo para que as partes
envolvidas no conflito evidenciem esforços para encontrar solução ao impasse – assim preserva os
relacionamentos que precisam ser mantidos.

Nesses casos, o mediador será escolhido pelas partes. Sobre ele recaem as mesmas hipóteses legais
de impedimento ou suspeição que incidem sobre os magistrados, previstas no art. 145, do novo CPC.
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Além disso, de acordo com as regras previstas contratualmente pelas partes, existem prazos, mínimos
e máximos, local para a realização da primeira reunião de mediação, contado a partir da data do
recebimento do convite, e penalidade no caso de não comparecimento da parte convidada.

Caso não tenham previsão contratual completa entre as partes, é necessário observar alguns critérios
para poder realizar a primeira reunião de mediação como: um prazo mínimo de dez dias úteis, e
máximo de três meses, contados a partir do recebimento do convite para manifestação; terá um local
adequado para uma reunião que possa envolver informações confidenciais; será elaborada uma lista
com cinco nomes de mediadores capacitados - assim, a parte convidada poderá escolher e, caso não
se manifeste, será considerado o primeiro nome da lista.

Caso a parte convidada à primeira reunião de mediação não compareça, e posteriormente ela entre
com um procedimento arbitral ou judicial que envolva o mesmo assunto da mediação para a qual foi
convidada, ela acarretará a aceitação de pagar cinquenta por cento das custas e honorários
sucumbência - que é quando a parte perdedora no processo é obrigada a arcar com honorários do
advogado da parte vencedora.

9. MEDIAÇÃO JUDICIAL

Já na mediação judicial quem realiza as audiências é um mediador indicado pelo tribunal, ou seja, o juiz
é quem designa, não estando este condicionado a uma prévia aceitação das partes.

O prazo de duração do procedimento é até 60 dias, contados da primeira sessão, exceto se houver
pedido de prorrogação feita pelas partes. E, caso as partes comprovem insuficiência de recursos, elas
poderão ser assegurado pela Defensoria Pública.

Sendo assim, o juiz designará a audiência de mediação quando receber a petição inicial, numa tentativa
pré-processual de solução do litígio. Caso contrário, o processo seguirá em curso normal.

Os mediadores judiciais são os advogados com, pelo menos, três anos de efetivo exercício de
atividades jurídicas capacitados, devidamente selecionados e inscritos no registro de mediadores das
seccionais da OAB.

DA LEI DA MEDIAÇÃO

A Lei 13.140/2015, baseada no Projeto de Lei 517/2011, foi sancionada da presidente Dilma Rousseff
em 26/06/2015, tem 48 artigos, e define a mediação como a atividade técnica exercida por terceiro
imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar
ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia, e entrará em vigor somente 180 dias da sua
publicação, em 25/12/2015, antes do NOVO CPC.

O texto estabelece que qualquer conflito pode ser mediado, de forma judicial ou extrajudicial, inclusive
na esfera da Administração Pública. Ficam de fora casos que tratarem de filiação, adoção, poder
familiar, invalidade de matrimônio, interdição, recuperação judicial ou falência. As partes têm direito de
ser acompanhadas por advogado ou defensor público.

A proposta permite que a mediação se torne a primeira fase de um processo judicial, antes de qualquer
decisão. Quando processos forem protocolados no Judiciário, o juiz poderá enviar cada caso ao
mediador judicial, e a negociação poderá durar 60 dias (art. 28). O processo fica suspenso, mas não
impede que o juiz ou árbitro conceda medidas de urgência. E ninguém deve ser obrigado a adotar o
procedimento.

Na esfera extrajudicial, qualquer pessoa com confiança das partes poderá ser mediador, sem precisar
se inscrever em algum tipo de conselho ou associação. Também não há prazo para que o diálogo seja
concluído.
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Presidente da comissão de juristas que elaborou o projeto de lei, o Ministro do Superior Tribunal de
Justiça Luís Felipe Salomão afirmou que a norma impulsionou o florescimento da prática no Brasil.

A partir de então, o Ministério da Educação tornou obrigatória a disciplina de soluções extrajudiciais de


conflito em faculdades de Direito, enfraquecendo a cultura do litígio. Um aspecto importante da lei, é a
possibilidade de haver uma cláusula de mediação nos contratos. A convenção estabelece que, antes de
irem à Justiça, as partes devem passar por uma mediação. Empresas de diversos setores, como o
financeiro, o energético e o de turismo, tornaram essa cláusula padrão em seus contratos.

Ressalte-se que começaram a surgir câmaras especializadas em mediação, inclusive online, e que a
prática vem se popularizando em áreas como Direito de Família e Direito Societário.

O Min. Salomão destaca que a lei abriu um novo mercado para a advocacia. Hoje temos discussões
sobre a ampliação do uso de plataformas digitais e de audiências virtuais (Lei 13.994/2020), acordos de
não persecução civil (ações de improbidade) e penal (ambos formalmente inseridos pela Lei
13.964/2019), potencialização das transações envolvendo a Fazenda Pública (Lei 13.988/2020), além
de um amadurecimento institucional do Poder Judiciário e da própria sociedade para lidar de forma mais
positiva e construtiva com a gestão dos conflitos. Esse conjunto normativo inova, especialmente no
acesso à ordem jurídica e aos tribunais, quando institui a primazia da solução consensual em relação ao
próprio processo judicial.

Outra novidade é o sistema multiportas, como acesso preferencial ao tratamento adequado dos
conflitos, o que contribui para a difusão de uma nova cultura em que se privilegia a autonomia do
cidadão, em especial nestes momentos de Pandemia do COVID-19..Parte substancial parte dos
conflitos será resolvida em sistemas digitais online e pela negociação assistida, reservando-se o
judiciário, cada vez mais, para os conflitos complexos que tenham ultrapassado os filtros da solução
consensual.

A mediação propõe, fundamentalmente, reduzir a beligerância que caracteriza a sociedade brasileira. O


litígio não deve ser a primeira opção da parte. Os atores do processo precisam incorporar essa ideia
nos seus campos de atuação. A busca permanente pelas soluções consensuais, que aceleram o
desfecho do processo, reduzem custos e trazem melhores resultados.

O problema é que o brasileiro parece mais acostumado a ter seus conflitos decididos por um terceiro,
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que diz quem detém a razão. Se multiportas diz respeito a ter à disposição instrumentos outros que não
o processo judicial, então seria possível afirmar que outras portas existem, mas que ainda são
desconhecidas de muitos cidadãos.

O procedimento da mediação exige um afastamento da estrutura fixa e formal que é inerente aos
órgãos de Justiça, de modo que às partes e seus advogados seja propiciada uma maior liberdade de
diálogo, com ampla autonomia de tempo e de procedimento, com reais possibilidades de aproximação.
/Ainda estamos no desafio de implementá-la.

Segue o texto na lei que fez 5 (cinco) anos em 2020:

LEI Nº 13.140, DE 26 DE JUNHO DE 2015.


Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito
da administração pública; altera a Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997, e o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972; e revoga o §
2o do art. 6o da Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a mediação como meio de solução de controvérsias entre particulares e sobre a autocomposição de
conflitos no âmbito da administração pública.
Parágrafo único. Considera-se mediação a atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou
aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a controvérsia.
CAPÍTULO I
DA MEDIAÇÃO
Seção I
Disposições Gerais
Art. 2o A mediação será orientada pelos seguintes princípios:
I - imparcialidade do mediador;
II - isonomia entre as partes;
III - oralidade;
IV - informalidade;
V - autonomia da vontade das partes;
VI - busca do consenso;
VII - confidencialidade;
VIII - boa-fé.
§ 1o Na hipótese de existir previsão contratual de cláusula de mediação, as partes deverão comparecer à primeira reunião de
mediação.
§ 2o Ninguém será obrigado a permanecer em procedimento de mediação.
Art. 3o Pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis ou sobre direitos indisponíveis que admitam
transação.
§ 1o A mediação pode versar sobre todo o conflito ou parte dele.
§ 2o O consenso das partes envolvendo direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em juízo, exigida a oitiva do
Ministério Público.
Seção II
Dos Mediadores
Subseção I
Disposições Comuns
Art. 4o O mediador será designado pelo tribunal ou escolhido pelas partes.
§ 1o O mediador conduzirá o procedimento de comunicação entre as partes, buscando o entendimento e o consenso e facilitando a
resolução do conflito.
§ 2o Aos necessitados será assegurada a gratuidade da mediação.
Art. 5o Aplicam-se ao mediador as mesmas hipóteses legais de impedimento e suspeição do juiz.
Parágrafo único. A pessoa designada para atuar como mediador tem o dever de revelar às partes, antes da aceitação da função,
qualquer fato ou circunstância que possa suscitar dúvida justificada em relação à sua imparcialidade para mediar o conflito,
oportunidade em que poderá ser recusado por qualquer delas.
Art. 6o O mediador fica impedido, pelo prazo de um ano, contado do término da última audiência em que atuou, de assessorar,
representar ou patrocinar qualquer das partes.
Art. 7o O mediador não poderá atuar como árbitro nem funcionar como testemunha em processos judiciais ou arbitrais pertinentes a
conflito em que tenha atuado como mediador.
Art. 8o O mediador e todos aqueles que o assessoram no procedimento de mediação, quando no exercício de suas funções ou em
razão delas, são equiparados a servidor público, para os efeitos da legislação penal.
Subseção II
Dos Mediadores Extrajudiciais
Art. 9o Poderá funcionar como mediador extrajudicial qualquer pessoa capaz que tenha a confiança das partes e seja capacitada
para fazer mediação, independentemente de integrar qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou associação, ou nele
inscrever-se.
Art. 10. As partes poderão ser assistidas por advogados ou defensores públicos.
Parágrafo único. Comparecendo uma das partes acompanhada de advogado ou defensor público, o mediador suspenderá o
procedimento, até que todas estejam devidamente assistidas.
Subseção III
Dos Mediadores Judiciais
Art. 11. Poderá atuar como mediador judicial a pessoa capaz, graduada há pelo menos dois anos em curso de ensino superior de
instituição reconhecida pelo Ministério da Educação e que tenha obtido capacitação em escola ou instituição de formação de
mediadores, reconhecida pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados - ENFAM ou pelos tribunais,
observados os requisitos mínimos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com o Ministério da Justiça.
Art. 12. Os tribunais criarão e manterão cadastros atualizados dos mediadores habilitados e autorizados a atuar em mediação
judicial.
§ 1o A inscrição no cadastro de mediadores judiciais será requerida pelo interessado ao tribunal com jurisdição na área em que
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pretenda exercer a mediação.


§ 2o Os tribunais regulamentarão o processo de inscrição e desligamento de seus mediadores.
Art. 13. A remuneração devida aos mediadores judiciais será fixada pelos tribunais e custeada pelas partes, observado o disposto no
§ 2o do art. 4o desta Lei.
Seção III
Do Procedimento de Mediação
Subseção I
Disposições Comuns
Art. 14. No início da primeira reunião de mediação, e sempre que julgar necessário, o mediador deverá alertar as partes acerca das
regras de confidencialidade aplicáveis ao procedimento.
Art. 15. A requerimento das partes ou do mediador, e com anuência daquelas, poderão ser admitidos outros mediadores para
funcionarem no mesmo procedimento, quando isso for recomendável em razão da natureza e da complexidade do conflito.
Art. 16. Ainda que haja processo arbitral ou judicial em curso, as partes poderão submeter-se à mediação, hipótese em que
requererão ao juiz ou árbitro a suspensão do processo por prazo suficiente para a solução consensual do litígio.
§ 1o É irrecorrível a decisão que suspende o processo nos termos requeridos de comum acordo pelas partes.
§ 2o A suspensão do processo não obsta a concessão de medidas de urgência pelo juiz ou pelo árbitro.
Art. 17. Considera-se instituída a mediação na data para a qual for marcada a primeira reunião de mediação.
Parágrafo único. Enquanto transcorrer o procedimento de mediação, ficará suspenso o prazo prescricional.
Art. 18. Iniciada a mediação, as reuniões posteriores com a presença das partes somente poderão ser marcadas com a sua
anuência.
Art. 19. No desempenho de sua função, o mediador poderá reunir-se com as partes, em conjunto ou separadamente, bem como
solicitar das partes as informações que entender necessárias para facilitar o entendimento entre aquelas.
Art. 20. O procedimento de mediação será encerrado com a lavratura do seu termo final, quando for celebrado acordo ou quando
não se justificarem novos esforços para a obtenção de consenso, seja por declaração do mediador nesse sentido ou por
manifestação de qualquer das partes.
Parágrafo único. O termo final de mediação, na hipótese de celebração de acordo, constitui título executivo extrajudicial e, quando
homologado judicialmente, título executivo judicial.
Subseção II
Da Mediação Extrajudicial
Art. 21. O convite para iniciar o procedimento de mediação extrajudicial poderá ser feito por qualquer meio de comunicação e deverá
estipular o escopo proposto para a negociação, a data e o local da primeira reunião.
Parágrafo único. O convite formulado por uma parte à outra considerar-se-á rejeitado se não for respondido em até trinta dias da
data de seu recebimento.
Art. 22. A previsão contratual de mediação deverá conter, no mínimo:
I - prazo mínimo e máximo para a realização da primeira reunião de mediação, contado a partir da data de recebimento do convite;
II - local da primeira reunião de mediação;
III - critérios de escolha do mediador ou equipe de mediação;
IV - penalidade em caso de não comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação.
§ 1o A previsão contratual pode substituir a especificação dos itens acima enumerados pela indicação de regulamento, publicado por
instituição idônea prestadora de serviços de mediação, no qual constem critérios claros para a escolha do mediador e realização da
primeira reunião de mediação.
§ 2o Não havendo previsão contratual completa, deverão ser observados os seguintes critérios para a realização da primeira reunião
de mediação:
I - prazo mínimo de dez dias úteis e prazo máximo de três meses, contados a partir do recebimento do convite;
II - local adequado a uma reunião que possa envolver informações confidenciais;
III - lista de cinco nomes, informações de contato e referências profissionais de mediadores capacitados; a parte convidada poderá
escolher, expressamente, qualquer um dos cinco mediadores e, caso a parte convidada não se manifeste, considerar-se-á aceito o
primeiro nome da lista;
IV - o não comparecimento da parte convidada à primeira reunião de mediação acarretará a assunção por parte desta de cinquenta
por cento das custas e honorários sucumbenciais caso venha a ser vencedora em procedimento arbitral ou judicial posterior, que
envolva o escopo da mediação para a qual foi convidada.
§ 3o Nos litígios decorrentes de contratos comerciais ou societários que não contenham cláusula de mediação, o mediador
extrajudicial somente cobrará por seus serviços caso as partes decidam assinar o termo inicial de mediação e permanecer,
voluntariamente, no procedimento de mediação.
Art. 23. Se, em previsão contratual de cláusula de mediação, as partes se comprometerem a não iniciar procedimento arbitral ou
processo judicial durante certo prazo ou até o implemento de determinada condição, o árbitro ou o juiz suspenderá o curso da
arbitragem ou da ação pelo prazo previamente acordado ou até o implemento dessa condição.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às medidas de urgência em que o acesso ao Poder Judiciário seja necessário
para evitar o perecimento de direito.
Subseção III
Da Mediação Judicial
Art. 24. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e
audiências de conciliação e mediação, pré-processuais e processuais, e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar,
orientar e estimular a autocomposição.
Parágrafo único. A composição e a organização do centro serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas as normas do
Conselho Nacional de Justiça.
Art. 25. Na mediação judicial, os mediadores não estarão sujeitos à prévia aceitação das partes, observado o disposto no art. 5o
desta Lei.
Art. 26. As partes deverão ser assistidas por advogados ou defensores públicos, ressalvadas as hipóteses previstas nas Leis nos
9.099, de 26 de setembro de 1995, e 10.259, de 12 de julho de 2001.
Parágrafo único. Aos que comprovarem insuficiência de recursos será assegurada assistência pela Defensoria Pública.
Art. 27. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará
audiência de mediação.
Art. 28. O procedimento de mediação judicial deverá ser concluído em até sessenta dias, contados da primeira sessão, salvo
quando as partes, de comum acordo, requererem sua prorrogação.
Parágrafo único. Se houver acordo, os autos serão encaminhados ao juiz, que determinará o arquivamento do processo e, desde
que requerido pelas partes, homologará o acordo, por sentença, e o termo final da mediação e determinará o arquivamento do
processo.
Art. 29. Solucionado o conflito pela mediação antes da citação do réu, não serão devidas custas judiciais finais.
Seção IV
Da Confidencialidade e suas Exceções
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Art. 30. Toda e qualquer informação relativa ao procedimento de mediação será confidencial em relação a terceiros, não podendo
ser revelada sequer em processo arbitral ou judicial salvo se as partes expressamente decidirem de forma diversa ou quando sua
divulgação for exigida por lei ou necessária para cumprimento de acordo obtido pela mediação.
§ 1o O dever de confidencialidade aplica-se ao mediador, às partes, a seus prepostos, advogados, assessores técnicos e a outras
pessoas de sua confiança que tenham, direta ou indiretamente, participado do procedimento de mediação, alcançando:
I - declaração, opinião, sugestão, promessa ou proposta formulada por uma parte à outra na busca de entendimento para o conflito;
II - reconhecimento de fato por qualquer das partes no curso do procedimento de mediação;
III - manifestação de aceitação de proposta de acordo apresentada pelo mediador;
IV - documento preparado unicamente para os fins do procedimento de mediação.
§ 2o A prova apresentada em desacordo com o disposto neste artigo não será admitida em processo arbitral ou judicial.
§ 3o Não está abrigada pela regra de confidencialidade a informação relativa à ocorrência de crime de ação pública.
§ 4o A regra da confidencialidade não afasta o dever de as pessoas discriminadas no caput prestarem informações à administração
tributária após o termo final da mediação, aplicando-se aos seus servidores a obrigação de manterem sigilo das informações
compartilhadas nos termos do art. 198 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.
Art. 31. Será confidencial a informação prestada por uma parte em sessão privada, não podendo o mediador revelá-la às demais,
exceto se expressamente autorizado.
CAPÍTULO II
DA AUTOCOMPOSIÇÃO DE CONFLITOS EM QUE FOR PARTE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO
Seção I
Disposições Comuns
Art. 32. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão criar câmaras de prevenção e resolução administrativa de
conflitos, no âmbito dos respectivos órgãos da Advocacia Pública, onde houver, com competência para:
I - dirimir conflitos entre órgãos e entidades da administração pública;
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de composição, no caso de controvérsia entre particular
e pessoa jurídica de direito público;
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta.
§ 1o O modo de composição e funcionamento das câmaras de que trata o caput será estabelecido em regulamento de cada ente
federado.
§ 2o A submissão do conflito às câmaras de que trata o caput é facultativa e será cabível apenas nos casos previstos no
regulamento do respectivo ente federado.
§ 3o Se houver consenso entre as partes, o acordo será reduzido a termo e constituirá título executivo extrajudicial.
§ 4o Não se incluem na competência dos órgãos mencionados no caput deste artigo as controvérsias que somente possam ser
resolvidas por atos ou concessão de direitos sujeitos a autorização do Poder Legislativo.
§ 5o Compreendem-se na competência das câmaras de que trata o caput a prevenção e a resolução de conflitos que envolvam
equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com particulares.
Art. 33. Enquanto não forem criadas as câmaras de mediação, os conflitos poderão ser dirimidos nos termos do procedimento de
mediação previsto na Subseção I da Seção III do Capítulo I desta Lei.
Parágrafo único. A Advocacia Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, onde houver, poderá instaurar,
de ofício ou mediante provocação, procedimento de mediação coletiva de conflitos relacionados à prestação de serviços públicos.
Art. 34. A instauração de procedimento administrativo para a resolução consensual de conflito no âmbito da administração pública
suspende a prescrição.
§ 1o Considera-se instaurado o procedimento quando o órgão ou entidade pública emitir juízo de admissibilidade, retroagindo a
suspensão da prescrição à data de formalização do pedido de resolução consensual do conflito.
§ 2o Em se tratando de matéria tributária, a suspensão da prescrição deverá observar o disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro
de 1966 - Código Tributário Nacional.
Seção II
Dos Conflitos Envolvendo a Administração Pública Federal Direta, suas Autarquias e Fundações
Art. 35. As controvérsias jurídicas que envolvam a administração pública federal direta, suas autarquias e fundações poderão ser
objeto de transação por adesão, com fundamento em:
I - autorização do Advogado-Geral da União, com base na jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal ou de tribunais
superiores; ou
II - parecer do Advogado-Geral da União, aprovado pelo Presidente da República.
§ 1o Os requisitos e as condições da transação por adesão serão definidos em resolução administrativa própria.
§ 2o Ao fazer o pedido de adesão, o interessado deverá juntar prova de atendimento aos requisitos e às condições estabelecidos na
resolução administrativa.
§ 3o A resolução administrativa terá efeitos gerais e será aplicada aos casos idênticos, tempestivamente habilitados mediante pedido
de adesão, ainda que solucione apenas parte da controvérsia.
§ 4o A adesão implicará renúncia do interessado ao direito sobre o qual se fundamenta a ação ou o recurso, eventualmente
pendentes, de natureza administrativa ou judicial, no que tange aos pontos compreendidos pelo objeto da resolução administrativa.
§ 5o Se o interessado for parte em processo judicial inaugurado por ação coletiva, a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta a
ação deverá ser expressa, mediante petição dirigida ao juiz da causa.
§ 6o A formalização de resolução administrativa destinada à transação por adesão não implica a renúncia tácita à prescrição nem
sua interrupção ou suspensão.
Art. 36. No caso de conflitos que envolvam controvérsia jurídica entre órgãos ou entidades de direito público que integram a
administração pública federal, a Advocacia-Geral da União deverá realizar composição extrajudicial do conflito, observados os
procedimentos previstos em ato do Advogado-Geral da União.
§ 1o Na hipótese do caput, se não houver acordo quanto à controvérsia jurídica, caberá ao Advogado-Geral da União dirimi-la, com
fundamento na legislação afeta.
§ 2o Nos casos em que a resolução da controvérsia implicar o reconhecimento da existência de créditos da União, de suas
autarquias e fundações em face de pessoas jurídicas de direito público federais, a Advocacia-Geral da União poderá solicitar ao
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a adequação orçamentária para quitação das dívidas reconhecidas como legítimas.
§ 3o A composição extrajudicial do conflito não afasta a apuração de responsabilidade do agente público que deu causa à dívida,
sempre que se verificar que sua ação ou omissão constitui, em tese, infração disciplinar.
§ 4o Nas hipóteses em que a matéria objeto do litígio esteja sendo discutida em ação de improbidade administrativa ou sobre ela
haja decisão do Tribunal de Contas da União, a conciliação de que trata o caput dependerá da anuência expressa do juiz da causa
ou do Ministro Relator.
Art. 37. É facultado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, suas autarquias e fundações públicas, bem como às
empresas públicas e sociedades de economia mista federais, submeter seus litígios com órgãos ou entidades da administração
pública federal à Advocacia-Geral da União, para fins de composição extrajudicial do conflito.
Art. 38. Nos casos em que a controvérsia jurídica seja relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil
ou a créditos inscritos em dívida ativa da União:
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I - não se aplicam as disposições dos incisos II e III do caput do art. 32;


II - as empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens ou de prestação de serviços em regime de concorrência não poderão exercer a faculdade prevista no art.
37;
III - quando forem partes as pessoas a que alude o caput do art. 36:
a) a submissão do conflito à composição extrajudicial pela Advocacia-Geral da União implica renúncia do direito de recorrer ao
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais;
b) a redução ou o cancelamento do crédito dependerá de manifestação conjunta do Advogado-Geral da União e do Ministro de
Estado da Fazenda.
Parágrafo único. O disposto no inciso II e na alínea a do inciso III não afasta a competência do Advogado-Geral da União prevista
nos incisos X e XI do art. 4º da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.
Art. 39. A propositura de ação judicial em que figurem concomitantemente nos polos ativo e passivo órgãos ou entidades de direito
público que integrem a administração pública federal deverá ser previamente autorizada pelo Advogado-Geral da União.
Art. 40. Os servidores e empregados públicos que participarem do processo de composição extrajudicial do conflito, somente
poderão ser responsabilizados civil, administrativa ou criminalmente quando, mediante dolo ou fraude, receberem qualquer vantagem
patrimonial indevida, permitirem ou facilitarem sua recepção por terceiro, ou para tal concorrerem.
CAPÍTULO III
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 41. A Escola Nacional de Mediação e Conciliação, no âmbito do Ministério da Justiça, poderá criar banco de dados sobre boas
práticas em mediação, bem como manter relação de mediadores e de instituições de mediação.
Art. 42. Aplica-se esta Lei, no que couber, às outras formas consensuais de resolução de conflitos, tais como mediações
comunitárias e escolares, e àquelas levadas a efeito nas serventias extrajudiciais, desde que no âmbito de suas competências.
Parágrafo único. A mediação nas relações de trabalho será regulada por lei própria.
Art. 43. Os órgãos e entidades da administração pública poderão criar câmaras para a resolução de conflitos entre particulares, que
versem sobre atividades por eles reguladas ou supervisionadas.
Art. 44. Os arts. 1o e 2o da Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1o O Advogado-Geral da União, diretamente ou mediante delegação, e os dirigentes máximos das empresas públicas federais,
em conjunto com o dirigente estatutário da área afeta ao assunto, poderão autorizar a realização de acordos ou transações para
prevenir ou terminar litígios, inclusive os judiciais.
§ 1o Poderão ser criadas câmaras especializadas, compostas por servidores públicos ou empregados públicos efetivos, com o
objetivo de analisar e formular propostas de acordos ou transações.
§ 3o Regulamento disporá sobre a forma de composição das câmaras de que trata o § 1o, que deverão ter como integrante pelo
menos um membro efetivo da Advocacia-Geral da União ou, no caso das empresas públicas, um assistente jurídico ou ocupante de
função equivalente.
§ 4o Quando o litígio envolver valores superiores aos fixados em regulamento, o acordo ou a transação, sob pena de nulidade,
dependerá de prévia e expressa autorização do Advogado-Geral da União e do Ministro de Estado a cuja área de competência
estiver afeto o assunto, ou ainda do Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, de
Tribunal ou Conselho, ou do Procurador-Geral da República, no caso de interesse dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário ou
do Ministério Público da União, excluídas as empresas públicas federais não dependentes, que necessitarão apenas de prévia e
expressa autorização dos dirigentes de que trata o caput.
§ 5o Na transação ou acordo celebrado diretamente pela parte ou por intermédio de procurador para extinguir ou encerrar processo
judicial, inclusive os casos de extensão administrativa de pagamentos postulados em juízo, as partes poderão definir a
responsabilidade de cada uma pelo pagamento dos honorários dos respectivos advogados.” (NR)
“Art. 2o O Procurador-Geral da União, o Procurador-Geral Federal, o Procurador-Geral do Banco Central do Brasil e os dirigentes
das empresas públicas federais mencionadas no caput do art. 1o poderão autorizar, diretamente ou mediante delegação, a
realização de acordos para prevenir ou terminar, judicial ou extrajudicialmente, litígio que envolver valores inferiores aos fixados em
regulamento.
§ 1o No caso das empresas públicas federais, a delegação é restrita a órgão colegiado formalmente constituído, composto por pelo
menos um dirigente estatutário.
§ 2o O acordo de que trata o caput poderá consistir no pagamento do débito em parcelas mensais e sucessivas, até o limite máximo
de sessenta.
§ 3o O valor de cada prestação mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês
subsequente ao da consolidação até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento
estiver sendo efetuado.
§ 4o Inadimplida qualquer parcela, após trinta dias, instaurar-se-á o processo de execução ou nele prosseguir-se-á, pelo saldo.” (NR)
Art. 45. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 14-A:
“Art. 14-A. No caso de determinação e exigência de créditos tributários da União cujo sujeito passivo seja órgão ou entidade de
direito público da administração pública federal, a submissão do litígio à composição extrajudicial pela Advocacia-Geral da União é
considerada reclamação, para fins do disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário
Nacional.”
Art. 46. A mediação poderá ser feita pela internet ou por outro meio de comunicação que permita a transação à distância, desde que
as partes estejam de acordo.
Parágrafo único. É facultado à parte domiciliada no exterior submeter-se à mediação segundo as regras estabelecidas nesta Lei.
Art. 47. Esta Lei entra em vigor após decorridos cento e oitenta dias de sua publicação oficial.
Art. 48. Revoga-se o § 2o do art. 6o da Lei no 9.469, de 10 de julho de 1997.
Brasília, 26 de junho de 2015; 194o da Independência e 127o da República.
DILMA ROUSSEFF

FLUXOGRAMA DA MEDIAÇÃO
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PRÉ-MEDIAÇÃO
EXPLICAÇÃO DETALHADA
SOBRE O INSTITUTO E PROCESSO.
PELA DOUTRINA, ACONSELHA-SE SEJA FEITA
POR PESSOA QUE NÃO O MEDIADOR DO CASO.

1ª FASE
MEDIADOR EXPLICA O PROCESSO E PROMOVE
A ASSINATURA DO TERMO DE MEDIAÇÃO.

2ª FASE
PARTES FALAM DOS PROBLEMAS
DE FORMA ORDENADA.

3ª FASE
MEDIADOR FAZ RESUMO DO EXPLICADO PELAS PARTES
E SALIENTA OS PONTOS DE CONVERGÊNCIA,
SEMPRE COM AS PALAVRAS DAS PARTES.
SALIENTA OS PONTOS POSITIVOS PARA ESTABELECER
MELHOR COMUNICAÇÃO ENTRE AS PARTES.

4ª FASE
DISCUSSÃO DIRETA
CONTROLADA PELO MEDIADOR.
VERIFICAR NECESSIDADE DE CAUCUS.
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5ª FASE
MEDIADOR SINTETIZA OS TERMOS ABORDADOS
ENSINANDO AS PARTES A RACIOCINAREM
EM BUSCA DE SOLUÇÕES SATISFATÓRIAS
E DE CUMPRIMENTO POSSÍVEL.

6ª FASE
REDAÇÃO DO ACORDO EM LINGUAGEM SIMPLES
E DE FORMA COMPLETA E EXEQUÍVEL.

INSTITUIÇÕES DE MEDIAÇÃO EM GOIÁS

- REDE DE MEDIAÇÃO INSTITUTO LIS


Endereço: R. 19, N° 241 - Centro, Goiânia - GO, 74030-090
Site: redelis.com.br
Contato: (62) 99171-1113
Responsáveis técnica: Kaito Carneiro

- MEDIALLE CÂMARA DE MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO


Localização: Av. Anhanguera, nº 5674, Sala 503, 5º andar, Ed. Palácio do Comércio, Centro, Goiânia -
GO. CEP:74043906.
Contato: (62) 3996-6969.
Responsáveis técnica: Luiz Cláudio Duarte e Sônia Maria Carneiro Caetano Fernandes.

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