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THOMAS JR., George . B.; Cálculo - Tomos I e II
VoGEL, Arthur I.; Química Orgânica - Análise Orgânica Quali-
tativa (em 3 volumes)
WEHR, M. Russel e RrcBARD JR., James A.; Física do A.tomo
•'

A 1!!. EDICÃO DESTA OBRA FOI


PUBLICADA COM A COLABORAC:ÃO DA

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

REITOR: Prof. Dr. Miguel Reale

EDITÔF.lA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Comissão Editorial:
Presidente - Prof. Dr. Mário Guimarães Ferri
(Instituto de· Biociências). Membros: Prof. Dr.
A. Brito da Cunha (Instituto de Biociências),
Prof. Dr. Carlos· da · Silva Lacaz (1 nstituto de
Ciências Biomédicas). Prof. Dr. lrineu Strenger
(Faculdade de Direito) e Prof. Dr. Pérsio de
Souza Santos (Escola Politécnica).
(c)(1)
"Traduzido da 3' Edição  ‬‫‮‬‭⁾†

A edição original desta obra foi publicada nos E. U. A.


(c)(1)
por D. Van Nostrand Company, Inc., com o titulo
STRENGTH OF MATERIAIS

(c)(1)

⁾‬•
†

1• Edição - 1g66
Reimpressões - 1g67, Jg69, 1971, 1972,1973

Tiragem desta impreaaio: 2..000 exemplarea

Copyright @, 1930, 1941, 1956 by


D. Van Nostrand Company, Inc.
Copyright 1958 renovado por S. Timoshenko

Direitos Reservados, 1966, por


AO LIVRO 'N:CNICO S.A., Rio de Janeiro - Brasil

(c)(1)
IMPRESSO NO BRASIL

l'RINTED IN BRAZIL

AO LIVRO T.J!:CNICO S .A.


Av. Prea. Vargaa, 962 - 6• andai:, - ZC-58 - C.P. 3655

RIO DE JANEIRO :::-- GB


APRESENTAÇÃO

O J~rande desenvolvimento industrial moderno repousa nos


princípios e nas leis da ciência pura Seus maiores progressos, re-
gistrados nestes últimos ·vinte e cinco anos, verificaram-se justa-
mente nos países onde estava mais avançado o espírito cientifico. A
influência dêste na formação dos quadros técnicos é decisiva, já que
exerce ação destacada não só sôbre a educação como na evolução
da cultura. Da mesma maneira, origina a fundação de departamen-
tos especializados para a execução de pesquisas e utili.Zação dos seus
resultados.
Houve época em que era corrente a idéia de que ao engenheiro
bastavam, principalmente, conhecimentos práticos; prescindia-se,
assim, duma formação teórica profunda. Esta época, porém, já pas-
sou e hoje não se discute mais a necessidade que tem êsse pro-
fissional de estar familiarizado com a ciência pura, principalmente
com os ramos que interessam à sua especialidade. Os planos do en-
sino técnico moderno são, todos êles, elaborados de acôrdo com êste
conceito.
Por outro lado, é fato reconhecido por todos que os institutos
de pesquisas científicas não devem mais deixar de considerar os
problemas que interessam à vida prática; assim sendo, procura-se
hoje acabar com a diferença profunda que havia entre ciência e téc-
nica, o que, uma vez conseguido, será de grande alcance prático. As
esperanças na realização dêste propósito se tornam maiores, dia
a dia.
O valor das pesquisas científicas, tratando-se de problemas
técnicos, tem-se imposto, cada vez mais, à indústria, o que deu em
6 APRE~ENTAÇAO

resultado a fundação de laboratórios, não só oficiais como parti-


culares. É de se esperar que êsses centros de pesquisas adquiram
importância crescente, dado que contribuem para .desenvolver
conhecimentos valiosos não só para a técnica como para a ciência.
O reconhecimento atual do valor da ciência pura tem sua base
no rápido desenvolvimento da grande indústria moderna. O enge-
nheiro do passado dispunha de tempo suficiente para a solução
lenta de seus problemas técnicos, baseado em fórmulas empíricas.
Nas suas próprias construções é que se achava seu campo de pes-
quisas; tudo isto era perfeitamente razoável, tendo-se em vista a
lentidão do desenvolvimento industrial. A situação hodierna, porém,
é bem diversa: a rapidez com que se deve executar urna construção
não permite a obtenção de dados colhidos naquelas demoradas
observações experimentais. Assim sendo, é óbvio que ·a existência
de laboratórios de pesquisas para a colheita dos. elerr1entos necessá-
rios à elaboração da construção, se torne de importância capital.
Um exemplo disso se encontra nas grandes conquistas da indústria
moderna, como na eletrotécnica, na construção de aviões, turbinas,
etc. Tal surto rápido só foi possível pela utilização intensiva dos
princípios científicos ..
As idéias gerais, que acabamos de expor, aplicam-se igualmente
quando se analisa a importância crescente que tem a teoria mate-
mática da elasticidade no tratamento dos problemas técnicos. A
realização de um t:álculo prévio para as construções modernas e
para os projetos de máquinas se torna cada vez mais necessária..
Em muitas questões da técnica da construção moderna, as soluções
elementares obtidas com o conhecimento da clássica resistência dos
materiais não são suficientes; impõe-se um apêlo aos mêtodos. da
teoria matemática da elasticidade, a fim de se obter um resultado
mais real. Tomemos, como exell).plo, .O importante problema das
concentrações de tensões produzidas por furos, saliências ou varia-
ções b~cas de seção nas barras.· São inúmeros os acidentes que se
têm verificado pelo aparecimento destas tensões locais elevadas,
especial.Illente nos casos de vibrações ou cargas variáveis. Com o
concurso dos métodos elementares não nos é possível chegar a um
processo para o· cálculo destas tensões. A teoria matemática da
elasticidade, porém, nos fornece a solução real do problema.
APRESENTAÇÃO 7

Outro grupo de questões em que a análise matemática adquire


importância fundamental é aquêle em que aparecem tensões dinâ-
micas. Por exemplo, no caso de máquinas em que existam peças
giratórias de grande velocidade, sujeitas, portanto, a choques e vi-
brações, não podemos obter melhores condições de estabilidade au-
mentando apenas as dimensões. A· solução ótima, para êste caso,
só será conseguida por meio de cálculo rigoroso. Teremos, então,
que lidar com· problemas de distribuição de tensões em discos gira-
tórios, em eixos ôcos, em engrenagens; com problemas de veloci-
dades críticas de eixos giratórios, de vibração de eixos com torção
e de transmissões por meio de engrenagens. A aplicação da teoria
matemática da elasticidade permite obter não só a solução do pro-
blema prático, como também a do seu aperfeiçoamento, mediante
a elaboração de métodos aproximados. Nos últimos tempos fizeram-
-se grandes progressos na obtenção de métodos para solução das
equações diferenciais que aparecem na teoria matemática da elas-
ticidade. Tais progressos dizem respeito não só a p:r;ocessos gráficos
como· de cálculo numérico.
Para os casos em que a análise matemática não fornece nenhu-
ma solução simples, foram construídos métodos experimentais vi-
. sando o estudo da distribuição de tensões. Assim, o método foto-
-elástico, para determinação de tensões, em pesquisas realizadas
. com modelos de material transparente, adquire grande valor prá-
tico. Outro exemplo interessante se observa na determinação de
tensões das barras sujeitas à torção, por meio da analogia de mem-
brana. Além disso, é fato sabido que a analogia hidrodinâmica, tra-
tando-se das questões complicadas de tensões locais nos prismas
sujeitos à torção, leva a resultados valiosos. Tudo isso nos mostra
quanto de útil se pode obter da união entre a ciência pura e a
técnica.
Tudo que dissemos acima com referência à análise na teoria
matemática da elasticidade, poderíamos dizer, também, com refe-
rência às pesquisas experimentais. Houve época em que só se em-
pregavam nas construções aços-carbono comuns. Hoja, porém,
usam-se aços especiais, em grande número, o que se fêz possível pelo
estudo cuidadoso das propriedades características de cada um dêles.
8 APRESENTAÇÃO

Ao progresso no setor da ciência metalúrgica e no das provas de


material, feito nestes últimos vinte e cinco anos, devemos êstes re-
sultados. O conhecimento das propriedades características do ma-
terial adquiriu grande importância, nos tempos modernos, devido
à concorrência, cada vez mais acentuada, das organizações indus-
tríais. O construtor é obrigado a adotar taxas de trabalho maiores,
e isto o conduz a um estudo mais profundo do material utilizado.
Outro ponto importante é o pêso próprio da construção. An-
tigamente, o engenheiro, para projetar uma máquina a vapor fixa,
não necessitava conhecer-lhe o pêso total. Hoje, basta pensar nos
aviões e nos submarinos para ver que a situação é bem diversa.
Aqui, a questão do pêso próprio merece atenção especial. O desen-
volvimento das provas de material têm mostrado que as pesquisas
estáticas do comportamento do material não são decisivas e que a
escolha dêste deve ser baseada em provas dinâmicas.
Entre os engenheiros que mais têm con~ribuíqo para essa es-
treita ligação entre a ciência pura e a técnica "destaca-se o professor
Stephan Prokofievitch Timoshenko, que tem dedicado tôda sua vida
à aplicação da teoria matemática da ~lasticidade aos problemas da
técnica. Nascido em Shpotovka, vila perto de Kiev, na Rússia, a
10 de Dezembro de 1878, formou-se em engenharia no ano de 1901
no Instituto de Estradas de S. Petersburgo (Leningrado). Durante
o período de 1901 a 1906 ocupou o lugar de explicador, primeira-
mente RO Instituto de Estradas e, depois, no Instituto Politécnico
de S. Petersburgo. Estêve na Alemanha, onde passou um semestre
de 1904 com August Foeppl, em Munich, e um semestre nos anos
de 1905 e 1906 com Ludwig Prandtl, em Goettingen. Em 1906, acei-
tou o convite para ocupar a cadeira de Matemática Aplicada (Es-
tática, Resistência dos Materiais e Teoria das Estruturas) no Ins-
tituto Politécnico de Kiev, ficando também encarregado do Labora-
tório de Pesquisas de Material. Em 1907, recebeu o grau de «Adjunto
de Mecânica Aplicada» com a tese intitulada Flambagem Lateral
das Vigas, que foi traduzida para o alemão e para o francês, tendo
recebido menção honrosa da «Societé des Ingenieurs des Ponts et
Chaussées», de Paris. Em 1909, foi eleitó ·Deão da Escola de En-
genharia Civil do .Instituto Politécnico de Kiev. Em 1911, recebeu
APRESENTAÇÃO 9

a medalha Jouravsky, pelo seu trabalho intitulado Sôbre a Esta-


bilidade dos Sistemas Elásticos.
Em 1913, voltou ao Instituto de Estradas de S. Petersburgo,
como profess'Or de Teoria da Elasticidade, e de 1914 até 1918, ocupou
também a cadeira de Teoria da Elasticidade Aplicada aos Navios,
no Instituto Politécnico daquela cidade. Era, também, consultor das
Estradas de Ferro Russas, da Marinha e da Aviação, durante a
primeira guerra mundial.
Por ocasião da revolução russa de 1917, deixou S. Petersburgo
e foi para Kiev, onde passou dois anos tomando parte ativa na orga-
nização da Academia de Ciências desta última cidade. Em 1920,
Timoshenko estava em Zagreb, Iugoslávia, ocupando a cadeira de
Mecânica Aplicada, no Instituto Politécnico, onde organizou o La-
boratório de Pesquisas de Materiais.
Em 1922, a «Vibration SpeciaJi;y Company», de Filadélfia, con-
vidou-o para ir aos Estados Unidos, admitindo-o como engenheiro
consultor. No ano seguinte, tornou-se membro do corpo de pesquisas
da «Westinghouse Eletric and Manufacturing Coinpany», de Fítts-
burg. Em 1927, aceitou o lugar de professor de «Engineering Me-
chanics», na Universidade de Michigan, época em que se naturalizou
cidadão norte-americano. O resultado imediato desta sua ligação
com a Universidade foi de influência considerável no ensino da
Mecânica na região, tendo sido publicados vários livros pelo ilustre
autor. Timoshenko organizou, em Michigan, vários «Symposia» de
verão, sôbre Mecânica Aplicada, que atrairam grande número de
estudantes de diferentes partes dos Estados Unidos. Em 1936, pro-
curou um clima mais salubre que o de Michigan, tendo assumido a
cátedra de Mecânica Racional, na Universidade de Stanford. Nesta
época recebeu a medalha «Worcester Reed Warner» da «American
Society of Mechanical Engineers» e o grau honorário de Doutor
em Engenharia, conferido pela· Universidade de Lehigh.. Em 1938,
obteve êste mesmo grau da Universidade de Michigan.
Uma das obras do Professor Timoshenko, «Strenght of Mate-
rials, Second Edition», foi por nós traduzida, em 1948, quando ti-
vemos em mira, Unicamente, tornar mais acessivel aos estudiosos
da engenharia no Brasil, uma das grandes obras do eminente en-
10 APRESENTAÇÃO

genheiro. Era um livro que, tendo como objetivo imediato os pro-


blemas da vida prática, repousava integralmente sôbre uma base
científica pura, estando redigido com caráter absolutamente didá-
tico.
Surge, agora, por iniciativa da Editôra cAo Livro Técnico
Ltda.», a tradução da terceira edição, de abril de 1955, do mesmo
livro. É com grande satisfação que vemos, assim, que o nosso tra-
balho inicial não foi perdido, nem limitadq, continuando a produzir
bons frutos, já que, na presente tradução, o trabalho por nós apre-
sentado, anteriormente, foi tomado por base.
Os benefícios que esta edição mais moderna, encerrando no-
ções de grande importância prática, com partes totalmente revistas
e ampliadas, trará aos futuros engenheiros do Brasil são tão eviden-
tes que dispensam todo e qualquer comentário.
Pelo que sabemos do autor e pelos cuidados dispensados pela
Editôra ao preparar o livro, não hesitamos em apontar esta obr~
como uma das de maior importância no campo da nossa engenharia.

Antonio Alves de Noronha


Catedrático de Pontes e Gran-
des Estruturas da Escola Nacional
de Engenharia e da Escola Técnica
do Exercito.
Catedrático de Estabilidade da
Escola Politécnica da Pontl!lcla
Universidade Católica.
PREFACIO DA TERCEIRA EDIÇÃO AMERICANA

A terceira edição dêste livro traz um grande número de pro-


blemas novos e a resposta de muitos dos antigos. Foram acrescen-
tados dois novos Capítulos: o Capítulo VIIl, que. trata da flexão da
viga em um. plano que não é plano de simetria, e o Capítulo XII,
que estuda a flexão das barras curvas. Aparece no Capítulo VIII
a noção de centro de torção, de grande importânciá prática no caso
das estruturas de paredes delgadas, enquanto que o Capítulo XII
encerra o estudo das barras curvas que, inicialmente, aparecia no
segundo volume desta obra. Esta parte foi totalmente revista e am-
pliada. Esperamos que êstes melhoramentos bem como inúmeros
outros de menor extensão, existentes em todo o texto, não somente
tornem a obra mais completa como também a façam mais adequada
como livro texto nos cursos de resistência dos materiais O autor
agradece ao Professor James M. Gere, de Stanford University, a
colaboração na revisão do volume e na leitura das provas.

Stanford University
25, Março, 1955
S. Timoshenko
PREFACIO DA SEGUNDA EDIÇÃO AMERICANA

Preparando a segunda edição dêste volume, fêz-se esfôrço para


adaptar o livro às exigências didáticas de nossas escolas de en-
genharia.
Com isso em vista, uma parte da matéria de caráter mais
avançado, que existia na edição anterior dêste volume, foi retirada
e será incluída na nova edição do segundo volume. Ao mesmo
tempo, algumas partes do livro que eram estudadas só ligeiramente
na primeira edição, foram desenvolvidas com a intenção de tornar
o livro mais fácil de ser lido pelo principiante. Por esta razão, o ca-
pitulo II, que trata das tensões compostas, foi inteiramente revisto.
Também a parte do livro que trata dos diagramas das fôrças cor-
tantes e dos momentos fletores foi desenvolvida, e adicionou-se
quantidade considerável de matéria ao estudo das linhas elásticas
pelo método da integração. No capítulo VIII foi incluído um estudo
da teoria dos pilares e suas aplicações, por que êste assunto é ge-
ralmente exigido nos cursos ·elementares de resistência dos mate-
riais. Vários acréscimos foram feitos ao capítulo X, que trata da
aplicação dos métodos da energia de deformação à solução dos
problemas estàticamente indeterminados. Em várias partes do livro
existem muitos novos problemas que podem ser úteis aos exercícios
escolares.
Nas notações foram feitas várias alterações a fim de atender
às exigências da «American Standard Symbols for Mechanics of
Solid Bodies», recentemente adotadas pela «The American Society
of Mechanical Engineers».
Espera-se que, com as modificações introduzidas, o livro se
torne mais conveniente ao ensino da resistência dos materiais nos
cursos elementares e que forneça base melhor para o estudo da
matéria mais elevada exposta no segundo volume.

Palo Alto, Califórnia.


13, Junho, 1940.
S. Timoshenko
PREFÃCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO AMERICANA 15

vel é dedicado aos métodos para resolver os problemas de elastici-


dade, baseados na consideração da energia de deformação dos corpos
elásticos. Êstes métodos são aplicados no estudo dos sistemas estàti-
camente indeterminados. Foram estudadas também as tensões pro-
duzidas pelo impacto.
O livro é ilustrado com numerosos problemas cujas soluções são
dadas. Em muitos casos, .os problemas são escolhidos de modo a
desenvolv~r o assunto dado no texto e a ilustrar a aplicação da
teoria na solução dos problemas do projeto. Espera-se que êstes pro-
blemas sejam de interêsse para fins didáticos e também úteis aos
engenl:J.eiros projetistas.
O autor aproveita esta oportunidade para agradecer a s._us cole-
gas que o auxiliaram com sugestões, com a leitura do manuscrito e
das provas, particularmente aos senhores W. M. Coates e L. H.
Donell, professôres de matemática e de mecânica na Escola de Enge-
nharia da Universidade de Michigan, e ao Sr. F. L. Everett do Depar-
tamento de Pesquisas de Engenharia da Universidade de Michigan.
É grato também ao Sr. F. C. Wilharm pela confecção dos desenhos,
à Sra. E. D. Webster por ter datilografado o manuscrito e a «Van
Nostrand Company» por seu cuidado na publicação do livro.
Ann Arbor, Michigan.
1, Maio, 1930

S. Timoshenko
NOTA: Em alguns problemas aparecem, no enunciado, os dados em dois
sistemas de unidades diferentes: o sistema métrico, oficial no Brasil, e,
dentro de parêntesis, o sistema inglês, comum na técnica por se usar
constantemente tabelas e catálogos americanos e inglêses. Chamamos a
atenção do leitor para o fato de não haver sempre correspondência exata
entre os dois valores dados, isto é, o elemento no sistema métrico nem sem-
pre é a conversão exata do que aparece no sistema inglês.
PREFACIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO AMERICANA

Atualmente, manifestou-se mudança acentuada no critério dos


engenheiros que projetam, tendendo para a aplicação dos métodos
analíticos na solução dos problemas de engenharia. A base principal
do projeto não é mais a fórmula empírica. A importância dos mé-
todos analíticos, associados aos ensaios de laboratório, impôs-se na
solução dos problemas técnicos.
Os tipos de máquinas e de estruturas ··estão mudando muito ràpi-
damente, de modo especial nos novos campos da indústria e, em
geral, o tempo não permite que se acumulem os dados empíricos ne-
cessários. O tamanho e o custo das estruturas estão aumentando
constantemente, criando, dêste modo, exigência seyera de maior
confiança nas estruturas. O fator econômic0 no projeto tornou:se de
importância fundamental nas atuais condições de concorrência. A
construção deve ser suficientemente forte e segura e, ainda, proje-
tada com a maior economia possível de material. Nestas condições,
o problema de um engenheiro projetista torna-se extremamente di-
fícil. A redução no pêso próprio acarreta um aumento nas tensões
admissíveis, o que só pode ser consegUido com segurança, tendo por
base uma análise cuidadosa da distribuição de tensões na estrutura
e uma investigação experimental das propriedades mecânicas dos
materiais empregados.
O objetivo dêste livro é apresentar problemas que dirijam a aten-
ção do estudante para as aplicações práticas do assunto. Se isto fôr
atingido e tiver como resultado, numa certa medida, correlação
maior entre os estudos de resistência dos materiais e os projetos de
engenharia, ter-se-á dado um grande passo a frente.
14 PREFACIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO AMERICANA

O livro e~tá dividido em dois volumes. O primeiro contém, princi-


palmente, a matéria que é, em geral, dada nos cursos de resistência
dos materiais de nossas escolas de engenharia. As partes mais eleva-
das do assunto interessam, mais de perto, aos estudantes dos cursos
superiores e aos engenheiros de pesquisas, e estão expostas no se-
gundo volume do livro. Êste contém, ainda, os novos desenvolvimen-
tos de importância prática no campo da resistência dos materiais.
Escrevendo o primeiro volume da resistência dos materiais, aten-
deu-se à simplificação de tôdas as deduções, tanto quanto possível,
de modo que o t:?studante com o preparo de matemáticá usual, fôsse
capaz de estudá-las sem dificuldade. Por exemplo, deduzindo a teoria
da linha elástica, o método dos momentos estáticos das áreas foi usa-
do exces~ivarnente. Dêste modo, fez-se simplificação considerável na
dedução dos deslocamentos lineares das vigas para várias condições
de carregamento e _de apoios. Estudando os sistem::!.s estàticamente
indeterminados, aplicou-se o método da superposição, o qual é muito
útil para resolver·problemas, tais como os de vigas contínuas e qua-
dros rijos. Para explicar as tensões compostas e deduzir as tensões
principais, empregou-se o círculo de Mohr, o que representa uma
simplificação substancial na apresentação .desta parte da teoria.
Usando êstes métodos de simplificação de exposição, o autor foi
capaz de condensar a matéria e estudar alguns problemas de caráter
mais elevado. Por exemplo, estudando a torção, considerou a torção
de barras retangulares e de seções laminadas, como cantoneiras, vi-
gas em U e vigas em I. A deformação e a tensão nas molas helicoi-
dais foram estudadas com.detalhe. Na teoria da flexão, foi estudado
o caso das seções transversais não simétricas, definido e explicado o
centro de torçd.o e considerado o efeito da fôrça cortante na defor-
mação das vigas. A teoria geral dà flexão das vigas, cujos materiais
não seguem a lei de Hooke, foi estudada e aplicada à flexão das vi-
gas além do limite do escoamento. A flexão das vigas de concreto ar-
mado também foi abordada. Estudando as combinações das tensões
a;xiais e das tensões de flexão, foi considerado o efeito dos desloca-
mentos no momento fletor e explicado o limite do método da super-
posição. Tratando da flexão combinada com a torção, foram estuda-
dos os casos de seções transversais retangulares e elípticas, e feitas
aplicações ao projeto de árvores de manivelas. Um trecho considerá-
NOTAÇõES

a . . . . . . . . . .Ãngulo, coeficiente de dilatação térmica, coeficiente


numérico.
f1 . . . . . . . . . Ângulo, coeficiente numérico.
y . . . . . . . .. J?eslizamento relativo, p~o específico.
t::.. • • . . . . . • • Dilatação cúbica, distância.
8 •... : . . . . . Alongamento total, flecha, distância.
" ......... Deformação específica, alongamento relativo.
e,,, e 11 , Ez . . . Deformações específicas nas direções x, y e z.
B •. ••. . ••. Ãngulo, deformação angular por unidade de compri-
mento do eixo.
µ. . . . . . . . . . Coeficiente de Poisson.
u . ~'··'·~, .. ··"'· . Tensão normal.
u,, u, . . . . . . Tensões principais.
un . . . . . . . . Tensão normal no plano perpendicular à direção n.
u,,, u 11, u:: • • . Tensões normais nos planos perpendiculares aos eixos
dos x, dos y e dos z. (c)(1)
u, . . . . . . . . . Tensão máxima ....._
uadm • . . . . . • Tensão admissível.
u. . . . . . . . . . Tensão normal no ponto de escoamento.
T •• ,:•• : • . . • Tensão de cisalhamento
Ty,,, T:: 11 Tz:: • • Tensões de cisalhamento nos planos perpendiculares
aos eixos dos x, y e z e paralelas aos eixos dos y, z
ex.
Tadm .~. ".".. . . Tensão de cisalhamento admissível.
Te •••.•••.• Limite de escoamento em cisalhamento.
'f' • . . . . . . . • . Ãngulo .
., . . . . . . . . . Velocidade angular.
A . . . . . . . .. Seção transversal.
__ a, b, e, d. . . Distâncias.
C . . . . . . . .. Rigidez à torção, constante de integração.
D, d . . . . . . Diâmetros.
E . . . . . . . .. Módulo de elasticidade longitudinal
- F . . . . . . . .. Fôrça axial numa barra.
18 NOTAÇÕES

G ........ Módulo de elasticidade transversal.


H . . . . . . . .. Fôrça horizontal, potência.
h ....... .. Altura, espessura.
lp ......... Momento de inércia polar.
lv, I. . . . . . . Momento de inércia de uma figura plana em relação
aos eixos dos y e dos z.
lvz . . . . . . . Produto de inércia de uma figura plana em relação
aos eixos dos y e dos z.
K ......... Módulo de elasticidade de volume.
k . ........ Constante de mola, fator numérico.
kv, k •....... Raios de giração correspondente a ly e lz.
Z . • • • • • . • •• Comprimento de uma barra, vão de uma viga.
·- M ........ Momento fletor.
M1 ........ Mom~I1!9 !Q!§Q_r, conjugado.
n ..... .... Fator de segurança, rotações por minuto, normal a
um plano.
P, Q ...... Fôrças.
p ......... Pressão; relação entre a área da seção transversal e
a do ferro, nas vigas de concreto armado.
q ......... Carga por unidade de comprimento, pressão.
R ........ Reação, fôrça, raio.
r . .. .. .... Raio, raio de curvatura.
t . . . . . . . . .. Temperatura, espessura.
U . . . . . . . .. Energia de deformação
u . .... .... Afundamento, distãncia.
V . . . . . . . .. Volume, fôrça cortante.
v . ........ Velocidade, afundamento, distãncia.
W ....... . Carga total, pêso.
w . . . . . . .. Carga por unidade de comprimento, energia de de-
formação por unidade de volume.
w, . . . . . . . . Energia de deformação por unidade de pêso.
X, Y, Z . . . . Fõrças axiais nas barras, reações desconhecidas.
x, y, z . . . . . Coordenadas retangulares.
-· Z . . . . . . . . . Módulo de. resistência à flexão.
INDICE

C A P IT U L O I
T R A Ç Â O E C O M P R E S S Â O E N T R E O S L IM I T E S E L À S T IC O S 23
T. Ë lâ s tic id a d e ...................................................................................................... 23
2. L e i de H o o k e .................................................................................................. 24
3. D ia g r a m a d o s e n s a io s de tr a g â o ..................................................... 28
4. T e n s â o a d m i s s i v e l ......................................................................................... 29
- 5. T e n s â o e d e fo r m a ç â o p ro d u z id a s n u m a b a r r a p o r s e u p ê so
p rô p r io ................................................................................................................ 35
6. P r o b le m a s de tr a ç à o e d e c o m p re s s â o e s t à ti c a m e n t e inde-
te r m in a d o s ................ 41
T. T e n s â o in ic ia l e te n s â o té r m i c a ......................................................... 47
8. D is te n s â o de u m a n e l c i r c u l a r .......................................................... 51

C A P IT U L O II
A N Â L IS E D A S T E N S Ô E S E D A S D E F O R M A Ç Û E S ..................... 57
9. V a ria ç â o d a te n s â o c o m a o r ie n ta ç â o d a s e ç â o t r a n s v e r s a l,
n o c a so d a te n s â o e c o m p r e s s â o s im p le s .............................. .. 57
(10., C irc u lo d a s te n s ô e s . C îrc u lo d e M o h r ........................................... 60
tT . T ra ç à o o u c o m p re s s â o e m d u a s d ire ç ô e s o r to g o n a is .............. 64
12. C îrc u lo d a s te n s ô e s p a r a te n s ô e s c o m p o s ta s ............................. 65
13j T e n s ô e s p r in c ip a is ..................................................................................... 68
14. A n â lis e d a d e f o r m a ç â o n o c a so d a tr a ç à o s i m p l e s ................. 71
15. D e fo rm a ç â o no c a so d e tr a ç à o o u c o m p re s s â o e m d u a s di-
re ç ô e s o r t o g o n a i s ................................................ 72
">16. C is a lh a m e n to p u ro . M ô d u lo d e e la s tic id a d e t r a n s v e r s a l . . . . 75
17., T e n s ô e s d e c is a lh a m e n to a d m is s iv e is ........................................... 79
18. T r a ç à o o u c o m p re s s â o e m tr è s d ire ç ô e s o rto g o n a is ............... 82

C A P IT U L O m
FO RÇA C O R TA N TE E M O M ENTO F L E T O R ................................... 87
19. T ip o s d e v i g a s ............................................................................................. .. 87
>20. M o m e n to f l e t o r e f o r ç a c o r t a n t e .......................................................... 8S
21. R e la ç â o e n t r e o m o m e n to f l e to r e a f o r ç a c o r t a n te ................ 93
22. D ia g r a m a s de m o m e n to s f l e to r e s e d e f o r ç a s c o r t a n te s . . . . 94

CAPITULO IV
T E N S Ô E S N A S V IG A S C A R R E G A D A S T R A N S V E R S A L M E N T E 107
23. F le x â o p u r a .................................................................................................... 107
24. V a ria s f o r m a s d e s e ç ô e s t r a n s v e r s a i s d e v ig a s ..................... 113
25. C a so g é r a i d a s v ig a s s i m é t r ic a s c a r r e g a d a s tr a n s v e r s a l-
m e n te ........... .................................................................................................... 118
26. T e n s ô e s de c is a lh a m e n to n a fle x â o ................................................. 125
27. D is trib u iç â o d a s te n s ô e s d e c is a lh a m e n to n o c a so de u m a
s e ç â o tr a n s v e r s a l c i r c u l a r ........................................................................ 131
28. D is trib u iç â o d a s te n s ô e s d e c is a lh a m e n to n a s v ig a s e m I 133
29. T e n s ô e s p r in c ip a is n a f le x â o ............................................................... 135
30. T e n s ô e s n a s v ig a s c o m p o s ta s ............................................................... 140

CAPITULO V
D E F O R M A Ç A O D A S V IG A S C A R R E G A D A S T R A N S V E R S A L ­
M E N T E ....................................................... 147
31. E q u a ç â o d if e re n c ia l d a lin h a e l â s ti c a ............................................ 147
32. F le x â o de u m a v ig a u n if o r m e m e n t e c a r r e g a d a ..................... 149
33. D e fo rm a ç â o d e u m a v ig a s im p l e s m e n t e a p o ia d a s o lic ita d a
- p o r u m a c a r g a ç o n c e n t r a d a ................................................................... 152
34. ND e te rm in a ç à o d o s a f u n d a m e n to s u s a n d o o d ia g r a m a d o s
m o m e n to s f l e to r e s ; m é to d o d o s m o m e n to s e s t â ti c o s d a s
a r e a s ...................... 156
35. D e fo rm a ç â o d e u m a v ig a e m b a la n ç o p e lo m é to d o d o s m o- “
m e n to s e s tâ tic o s d a s a r e a s ................................................................. 158
36. D e fo rm a ç â o de u m a v ig a s im p le s m e n te a p o ia d a d e te rm i-
n a d a p elo m é to d o d o s m o m e n to s e s t â ti c o s d a s â r e a s ............. . . 162
37. M é to d o d a s u p e r p o s iç à o ........................................................................... 169
38. D e fo rm a ç â o d a s v ig a s c o m a s e x t r e m i d a d e s e m b a la n ç o . 174
39. E fe ito d a fo r ç a c o r t a n te n a d e f o r m a ç â o d a s v i g a s ................... 177

CAPITULO VI
PR O B LEM A S D E FLEX A O E S T À T IC A M E N T E IN D E T E R M I- ° v
N A D O S ......................... 183
40. L ig a ç ô e s s u p e r a b u n d a n te s ...................................................................... 183
41. V ig a s e n g a s t a d a s n u m a e x t r e m i d a d e e a p o ia d a s n a o u t r a ......186
42. V ig a s b ie n g a s ta d a s ...................................................................................... 191
43. Q u a d ro s r i jo s .................................................................................................. 195
44. V ig a s s ô b r e t r è s a p o i o s ............................................................................. 204
45. V ig a s c o n tin u a s ............................................................................................. 207

CAPITULO V U
V IG A S D E S E Ç A O T R A N S V E R S A L V A R IA V E L . V IG A S C O N S-
T IT U ID A S D E D O IS M A T E R IA IS ................................................... 217
46. V ig a s de s e ç â o t r a n s v e r s a l v a r iâ v e l ................................................. 217
^ 47. V ig a s de d o is m a te r i a is d if e r e n te s ................................................ 224
48. V ig a s de c o n c re to a r m a d o ..................................................................... 228
49. T e n s ô e s d e c i s a lh a m e n to n a s v ig a s d e c o n c re to a r m a d o . . . 232

CAPITULO VIII
F L E X A O D A S V IG A S N U M P L A N O Q U E N A O É P L A N O D E
S IM E T R IA ..................................................................................................... ' 2 3 4
50. F le x â o p ü r a n u m p ia n o q u e n â o é p ia n o d e s i m e t r i a ............234
51. F le x â o d a v ig a te n d o d o is p la jro s de s i m e t r ia ......................... 240
52. F le x â o d a v ig a n u m p ia n o p rin c ip a l, q u e n â o é p ia n o de
s i m e t r ia ; c e n tro de to r ç â o ................................................................... 242
\ '■

CAPITULO IX
FL EX A O CO M PO STA COM TRA ÇA O OU CO M PRESSA O ;
T E O R IA D O S P IL A R E S ....................................................................... 253
53. F le x â o a c o m p a n h a d a d e c o m p re s s â o o u tr a ç à o ..................... 253
54. C a r r e g a m e n to e x c é n tric o de u m p ila r c u r to .............................. 257
55. N u c le o c e n t r a l d a se ç â o ....................................................................... 262
56. C o m p re s s â o e x c ê n tr ic a d e u m p il a r e s b e lto .............................. 268
57. C a rg a c r itic a ................................................................................................... 273
58. T e n s â o c r itic a ; c â lc u lo e s tâ tic o de p ila r e s .................................... 278
59. C â lc u lo e s tâ tic o de p ila r e s b a s e a d o e m im p e rfe iç ô e s p rè v ia -
m e n te a d m itid a s .......................................................................................... 284
60. F o r m u la s e m p iric a s p a r a c â lc u lo s e s tâ tic o s de p ila re s . . . . 287

CAPITULO X
T O R Ç A O E F L E X A O C O M P O S T A C O M T O R Ç A O ......................... 291
61. T o rç â o de u m eix o c i r c u la r ................................................................... 291
62. T o rç â o de u m e ix o ôco ............................................................................ 298
63. E ix o de se ç â o t r a n s v e r s a l r e t a n g u l a r .............................................. 299
64. M ola h e lic o id a l co m p a s s o p e q u e n o .............................................. 301
65. F le x â o c o m p o s ta co m to r ç â o d o s e ix o s c irc u la r e s ................ 306

CAPITULO XI
T R A B A L H O D E D E F O R M A Ç A O ................................................................ 311
6 6. T r a b a l h o d e d e f o r m a ç â o e l â s ti c a n a t r a ç à o .............................. 311
67. T ra ç à o p ro d u z id a p o r c h o q u e .............................................................. 315
68. T r a b a lh o d e d e f o r m a ç â o e lâ s tic a n o c is a lh a m e n to e n a
to r ç â o ................................................................................................... ............. 322
69. T r a b a lh o de d e fo r m a ç â o e l â s tic a n a f le x â o ................................ 326
70. F le x â o p ro d u z id a p o r c h o q u e .............................................................. 331
71. E x p r e s s à o g é r a i do tr a b a lh o de d e fo r m a ç â o ..................... .. 336
7 2. T e o re m a de C a s tig lia n o ......................................................................... 339
7 3. D e s lo c a m e n to s d a s t r e l i ç a s ..................................................................... 346
74. A p lic a ç â o do te o r e m a d e C a s tig lia n o n a so lu ç â o de p r e b le '
m a s e s t à ti c a m e n t e in d e te r m in a d o s ....................................... 350
75. T e o re m a d a re c ip ro c id a d e ....................................................... ..
76. C a so s e x c e p c io n a is .......................................................................... 369
CAPITULO XII
E ARRAS CURVAS ...................................................... 373
77. F lexâo nas b a rra s c u r v a s ..................... 373
78. F lexâo de b a rra s curvas p o r fo rç a s agindo no piano de
sim etria ..................................................................................................... 377
79. C asos p a r t i c u l a r e s .................................................................................. 379
^0. D eform açôes ............................................................................................ 388
81. A rco artic u la d o nas e x tre m id a d e s ................................................ 404
82. V olante; an â lise das t e n s ô e s ............................................................... 407
83. L in h a e lâstica de um a b a rra em q ue a lin h a dos ce n tro s é
u m a c i r c u n f e r é n c ia ................................................... 411
84. F lexâo de tubos c u r v o s .................................... 414
85. F lexâo de um a b a rra c u rv a fo ra de seu piano de c u rv a tu ra
inicial ....................................................................................................... . 419

APÉX D K E A
M OM ENTOS D E IN É R C IA DAS F IG U R A S P L A N A S : .................. 425
I. M om ento de inércia de u m a â re a p la n a em relaçâo a uin
eixo situ ad o no seu p i a n o ................................................................... 425
II . M om ento de inércia p o la r de u m a â re a p la n a .......................... 428
II I. T ra n sla ç â o de eixos. T e o re m a dos eixos p a ra le lo s ................. 430
IV . P ro d u to de inércia. E ixos p rin c ip a is ........................................... 431
V. M udança de direçâo dos eixos. D e te rm in a ç à o dos eixos
p rincipais ..................................................................................... 434

APËXDICE B .
P e rfis em I, em U e em L '•
•Tabelas .................................................................................................................... 439
IN D ICE DOS A U TO R ES ......... 445
IN D ICE DOS A SSU NTO S ..................................................................................... 447
CAPÍTULO I

TRAÇÃO E C01UPRESSÃ0 ENTRE fi>S Lli\llTES ELÃSTIC8S

1. Elasticidade. - Admitimos que um cm·po é constituído de


pequenas particulas ou moléculas. entre as quais estão atuando fôr-
ças. Estas fôrças moleculares opõem-se à mudança de formâ que
fôrças exteriores tendem a produzir. Se estas firças exteri@res são
aplicadas no corpo, súas partículas de;;locam-se e os deslocamentos
mútuos continuam até que o equilíbrio entre as fôrças exteriores
e inter.iores seja estab_>J_ycido. Diz-se, então, que o corpo está num
estado de dr>/onnação. Durante a deformação, as fôrças exteriores
que estão atuando num corpo produzem trabalho, o qual é trans-
formado completa ou parcialmente em enc1·gia p,gtencial de defor-
mcrçãol 1Como exemplo dt'ste acúmulo de :-· '<'P//~'0 ""~
energia potencial num corpo deformado.
citaremos o caso da corda de relógio.
Se as fôrças que produziram a deforma-
ção do corpo diminuirem gradualmente.
o corpo volta total ou parcialmente à z
sua forma inicial e, durante esta defor-
mação inversa, a energia potencial de
deformação acumulada no corpo, pode
->er recuperada sob a forma de trabalho
exterior. p
t p
Tomemos, por exemplo, uma barra
(ai (b)
prismática carregada na extremidade, Fig. 1
como mostra a Fig. l 1. Sob a ação dessa
carga, manifestar-se-á certo alongamento da barra. O ponto tie
aplicação da carga mover-se-á, então, para baixo e, durante êste
movimento, a carga produzirá trabalho positivo. Quando a carga
diminui, o alongamento da barra também diminui, a extremidade
carregada se desloca para cima e a ·energia potencial de deformação
transformar-se-á em trabalho, produzido pelo movimento da carga
para cima.
A propriedade dos corpos de voltarem à forma inicial, após a
retirada da carga, é chamada de f]~11_t_icicf!!ªf!~ Diz-se que o corpo

1 Admite-se a carga ·a:\.ial, Isto é. agindo no l'ing11 cta linha que passa pe°lns
centros de gravidade das secões transversa1s.
24 RESIST!:NCIA DOS MATERIAIS

é perfeitamente elástico se recupera completamente sua forma ori-


ginal depois da retirada da carga; parcialmente elástico, se a
deformação produzida pelas fôrças exterior$!s não desaparece com-
pletamente depois da retirada da carga./No caso de um corpo
perfeitament~~lªsfü;Q, o t~~"t>a~.hº p_r9dljz_iqo_ p~las fôrças ex..t'_g_:riores
durantea deformação, será completamente transformado em ener-
gia I!.Q~nc:_~_al de deformação~. No caso de um corpo parcialmente
elástico, parte do trabalho produzido pelas fôrças exteriores, duran-
te a deformação, será perdida sob a forma de calor, o qual será
desenvolvido no corpo durante a deformação não elástica. As
experiências mostram que alguns materiais estruturais, como o
aço, a madeira e a pedra podem ser considerados como perfeita•
mente elásticos entre certos limites, os quais dependem das pro-
priedades do material. Admitindo as fôrças exteriores que atuam
na estrutura, sejam conhecidas, constitui um problema fun-
damental para o engenheiro que projeta, estabelecer proporções
tais para os elementos da estrutura que esta se aproxime da con-
dição de um corpo perfeitamente elástico, sob tôdas as condições
de trabalho. Sómente sob estas condições, teremos uma utilização
conveniente da estrutura, sem haver defarmação permanente de
nenhum de seus elementos.

~ 2. Lei de Hooke. - Por meio de. experiências diretas relativas


à distensão de barras prismáticas (Fig. 1), estabeleceu-se, para
vários materiais estruturais que o alongamento de barra, entre
certos limites, é proporcional à fôrça de tração. Esta relação linear
simples entre a fôrça e o alongamento que ela produz foi.formulada,
primeiramente, em 1678, pelo cientista inglês Robert Hookeª e
recebeá seu nome. Adotando-se as notações:
P fôrça que produz a distensão da barra.
l comprimento da barra,
A = área da seção transversal da barra,
ll .alongamento total da barra,
E constant elástica do material, chamada lmódulo de elas7
ti cidade
a lei experimental de Hooke pode ser dada pela seguinte equação:

ll= ..~ (1)


· AE

m~~~e~e~~:r1~!sv!r~~ç~i~c:: J:~~f~~t~~~r~~~n'!f:~;!~:"ce~e oª~~gªa~~~nf:, 1~;~~;


desprezadas. (Ver Parte II).
1 Robert Hooke, De Potentia restltutlva, Londres, 1678.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 25

O q.longamento da barra é diretamente prruiorci 0 nal à fô_rç_a_!i_e tra-


~ e ª~!?!!.1p.e11t<?._gª ºªi::ra, e l~~~rsaf!1.~n.!e pro~qrclonal à área
da seção trans~_i;§.aj_e__aq_ __IDQ91.l!º- gg__eJªsticidade. 1
Aõfã:Zernios-Emsaios de tração, tomamos, comu-
mente, precauções com o fim de assegurar uma
aplicação axial da fôrça de tração. Na Fig. 2 vê-se
um modo de fixar as extremidades de um corpo de
prova, de seção circular, num ensaio de tração.
Dêste modo, prevenimo-nos contra qualquer flex~o
da barra. Não se considerando as partes da barra
situadas na vizinhança das fôrças aplicadas,• ·pode
admitir-se que, durante a tração, tôdas as fibras longitudinais da
barra prismática sofrem o mesmo alongamento e que as seções
transversais da barra, originàriamente planas e perpendiculares a
seu eixo, permaneçam assim depois da distensão.
Ao estudarmos a grandeza das fôrças interiores, ·imaginemos a
barra cortada em duas partes por uma seção transversal mn e con-
sideremos o equilíbrio da parte inferior da barra (Fig. l, b). Na
extremidade inferior desta parte está aplicada a fôrça de tração P.
Na extremidade superior estão atuando as fôrças·que representam
a ação das partículas da parte superior da barra deformada, sõbre
as partículas da parte inferior. Estas fõrças estão distribuídas con-
tinuamente sôbre a seção transversal. Um exemplo comum desta
distribuição contínua de fõrças sôbre uma superfície, ·é a pressão
hidrostática ou a pressão de vapor. Lidando com fõrças distribuí-
das continuamente, é de grande importância a intensidade do esfôr-
ço, isto é, a fôrça por unidade de área. Em nosso caso de tração
axial, no qual tôdas as fibras têm um mesmo alongamento, a dis-
tribuição de fõrças sôbre a seção transversal mn será uniforme.
A resultante destas fôrças passará pelo centro de gravidade da
seção transversal e agirá ao longo do eixo da barra. Levando-se em
conta que a soma destas fôrças, pela condição de equilíbrio (Fig.
1, b), deve ser igual a P e representando-se a fôrça por· un1aacre-
de área da seção transversal por-O-~ obteremos
---------- ·--- --·-·- -·-
p (c)(1)
(1 = - (2)
·. A
Esta fôrça por unidade de área é chamada tensão. No que se segue,
a fôrça será medida emJuilogramas e a área em centím~tros qua-
~ drados, dé modo que, @. tensões serã_o medidas em @l~ramas
/; por mmtime ro quadradQ) O aJongamento da barra por un11:1~de de
• A distribuicão de tensões, mais complexa, perto dos pontos de ap li c 11 cãq 11as ror-
cns, será discutida posteriormente na parte II.
26 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

comprimento, é determinado pela equação


,. ir
\.. E = --z- (3)

e é chamado alongamento relativo ou deformação de tração. Empre-


gando-se as equações (1), (2) e (3), a lei de Hooke p_ode ser
representada da seguinte forma
E -- - a. (4)

1v1 1 a elo alongamento relativo, podendo ser fàcilmente calcula-


do desde que se determinem a tensão e o alongamento correspon-
dente, num ensaio de tração. O alongamento relatiyo c_é um número
abstrato, representando a relãção entre dÓis -comprimentos (veja
equação ·3·); porta;tél, Cià..'equãÇão '( 4)' conclui-se que o mó.dulo de
elasticidade deve ser medido nas mesmas unidades que as tensões
u, isto é, em quilogramas por centimetro quadrado. Na tabela 1,
que se· segue, os valores médios do módulo de elasticidade estão
dados, na primeira coluna, para vários materiais.•
As equações (1) - (4) podem, também, ser usadas para o caso de
compressão de barras prismáticas. Então, ll denotará o encurta-
mento longitudinal total, , a deformação de compressão e u a tensão
de compressão. o módulo de elasticidade à compressão é, para a
maioria dos materiais estruturais, o- mesmo da distensão. Nos cál-
culos, §_Jensõ_ês e as deformações de tração são consideradas po-
sitivas e as tensões e-deformações de comp~essão, negativas.

TABELA 1
PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS
Limite de Tensão de ruptura
Materiais .E 1 escoamento
kg/cm: kg/cm• kg/cm:

A~o de construção com


0,15 a 0,25% de carbono 21X10• 21 X 10'-28 X 10' 38 X 10' --16 X 10'
Aço niquei com 3 a 3,5%
de níquel. ............. 20 X 10' 28 X 10'--35 X 10' 54 X lO' ·-70 X 10'
Duralumínio ........... 7 X 10• 24 X 10'-32 X 10' .38 X 10'-46 X 10'
Cobre, laminado a frfo 11 ~< lQ5 20 X 10'-28 X 10'
Vidro ··········· ...... 7 X 105 2,5 X 10'
Pinho, solicitação para-
leia às fihras ........ 1,1 X 10'· 5,5 X 10'· -14 ;< 10'
Concreto, em compressiLo 3 X 10" 2,1 X 10'

:i Mais det~lhcs acêrca dHs propriedades mccáni<'as dos materiais, são apresentados
na parte II.
TKAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELÃSTICOS 27

(c)(1) PROBI.E:\IAS
⁾‫†‬⁖※‮‬
v .1. i;>et<?rminar o alongamento total de. uma· Q.arra de aço com 60 cm de
compnmento, sendo a tensfto ele tração igual a 1050 kg/cm'.
60
Resposta. ~ º--~ ii X l = 200Õ-- = ~ cm

2. Determinar a fõrça de traçào numa barra de aço cilíndrica com 3 cm


de diâmetro, sendo o alongamento r'elativo igual a 0,7 X 10-•.
Solução. A tensüo ele traçüo na barra é, pela equaçüo (4):
" -~ ' E = 14.7 >~ 10' kg:cm'
A fõrça de tração é, pela equação (2):
..
P ~ u A = 14,7 :< 10' )". - 4-- / 3' :- 10-tOO kg

3. Qual a relação entre os mõdulos de elasticidade· dos materiais de


rluas barras do mesmo tamanho, se, soh a açflo dt> fôn;as de traçüo iguai;,
os alongamentos relativos das barras estão na relaçfto 1 :21/11. Determii1ar
êstes alongamentos, sendo uma das barras de aço e a outra c'e cobre, e a
tensão ele ~ração igual a 100 kg;cm'.
Sol;11çtio. Os módulos sftc inversamente proporcionais aos alongamentos
relativos. Para o aç'.>. (c)(1)⁾⁾₷‭••† ~
700 1
< = 2t >~--iõ;- = 3000 (c)(1)
p«ra o cobre E
1 (c)(1)
• -· -i570-

(c)(1)

(c)(1)

A
cular o alongamento total da barra.
11 = 25 cm
So/11('rio. A fôrça de traçf10 nas partes superior e infe·

p -+ r,,:11 25 cm
rior da barra é Q, enquanto que na parte central é Q - P.
O alongamento total da barra será:
(c)(1)
p

-+ l1 = 25 cm
== 2 X
420 X 25
5 X 21 X 10' ..
210 X 25
5 ;., 21 >~ 10'
B
1
Q ~ - 400 cm.
Fig. 3
28 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

7. Resolver o Prob. 6, supondo que o material é duraluminio e


p = Q = 420 kg.

3. Diagrama dos ensaios de tração. - A proporcionalidade entre


a fôrça de tração e o alongamento, só existe até um certo valor limi-
te da tensão de tração, chamado limite de propo2·cionalidade, o qual
depende das propriedades do materiaL Além dêste"limite, a relação
entre o alongamento e a tensão de tração, torna-se mais complicada.
Para um material, como o aço de construção, a proporcionalidade
entre a carga e o alongamento, existe
u
numa zona considerável e o limite de
_g_ropru:cjonalidade pode atingir~ 750 -
0 2lOQ_~gfcm•. Para materiais como ferro
fundido ou cobre doce o limite de pro-
porcionalidade é muito baixo, de modo
A
(o} que podemos observar um afastamento
da lei de Hooke para tensões de tração
r baixas. Estudando-se as propriedades
o'----------- mecânicas dos materiais além do limite
de proporcionalidade, a relação entre a
u deformação e a tensão correspondente
é, geralmente, representada em gráficos
pelo diagrama de ensaios de tração. A
figura 4 (a) apresenta um diagrama
r11J típico para aço de construção. Aí, os
alongamentos estão marcados no eixo
e horizontal e as tensões correspondentes
o'----------- vão dadas pelas ordenadas da curva
Diagramas de ensaios de tra~ão o ABC D. De o a A a tensão e a de-
' Fig. 4 formação são proporcionais; além de
A o afastamento da lei de Hooke torna-se acentuado; portanto, a
tensão em A é o limite de proporcionalidade. Carregando-se além
dêste. limite, o alongamento cresce m~is ràpidamente e o diagrama
toma-se curvo. Em B manifesta-se alongamento rápido da barra
sem acréscimo apreciável da fõrça de tração. ÊSte fenômeno, cha-
mado escoamento do metal, acha-se representado no diagrama por
uma parte da curva quase horizontal. A tensão correspondente ao
ponto B é chamada de limite de escoamento. Após o escoamento da
barra, o material sofre um revigoramento e, como se pode ver pelo
diagrama, a fôrça de tração necessária cresce com o alongamento
até o ponto G, em q~e essa fôrça atinge seu valor máximo. A tensão
correspondente é chamada de tensão de rµ,ptura do material. Além
do ponto e, o alongamento da barra manifesta-se com diminuição
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELA.STICOS 29

de carga, ocorrendo, finalmente, a ruptura com ~1ma carga corres-


pondente ao ponto D do diagrama.
Notemos que o escoamento da barra está ligado a uma contração
lateral, mas é de prática corrente, ao calcular-se o limite de escoa-
mento e a tensão de ruptura, usar-se a área inicial A da seção trans-
versal. Esta questão será estudada mais tarde, com mais detalhes
(veja Parte II).
A figura 4 (b) representa o diagrama de ensaios de tração para
ferro fundido. Êste material tem limite de proporcionalidade muito
baixo• e não possui limite de escoamento definido.
Diagramas análogos a êsses de tração, podem também ser obti-
dos para a compressão de vários materiais e os pontos caracterís-
ticos, como o limite de proporcionalidade, o limite de escoamento
no caso do aço, e a tensão de ruptura à compressão podem ser esta-
belecidos. As propriedades mecânicas elos materiais na tração e na
compressão serão estudadas mais tarde, com mais detalhes (veja
Parte II).
4. Tensão admissível. - Um diagrama de ensaio de tração nos
dá informações valiosas sôbre as propriedades mecânicas de um
material. Conhecendo-se o limite de proporcionalidade, o limite de
escoamento e a tensão de ruptura do material, é possível estabele-
cer-se, para cada problema particular de engenharia, a grandeza da
tensão que pode ser considerada como tensão de segurança.
Esta tensão é, comumente, chamada de tensão admissível ou taxa
de trabalho.

Ao escolhermos a grandeza da tensão admissível para o aço,


devemos levar em conta que, para tensões abaixo do limite de
proporcionalidade, êsse material pode ser considerado como perfei-
tamente elástico e, além dêsse limite, parte da deformação perma-
nece, geralmente, depois de descarregada a barra, isto é, ocorre uma
deformação permanente. A fim de têrmos a estrutura em condição
elástica e afastarmos a possibilidade de deformação permanente,
é de uso corrente adotar-se tensão admissível muito inferior ao
limite de proporcionalidade. Na determinação e_xperimental dêste
limite são necessários instrumentos de medidà sensíveis (extensô-
metros) e a posição do limite depende, em grande parte, da precisão
-com que são feitas as medidas. Com o objetivo de eliminarmos esta
dificuldade, tomamos, em geral, como base para a determinação
1 t:ste limite só pode ser estabelecido usando-se extensõmetros multo iensivels para

medir os alongamentos. Veja Grüneisen, Berichte d. de'ustcli. phys. Ges~JISchatt, l906.


30 RESISTJ;:NCIA DOS MATI::RIAIS

da grandeza da tensão admissivel, o. limite de escoamento ou a


tensão de ruptura. Representando-se por cr,,.;,,., ue e 11', respectiva-
mente, a tensão admissível, o limite de escoamento e a tenséo àe
ruptura do material, a grandeza da tensão admissível será determi-
nada por uma das duas equações seguintes:

u,,,,,,, (5)
n

Nestas expressões, n e n, são fatôres comumente chamados de


··coe/ icicntes de .~cywrn1ça, os quais determinam a grandeza da tensão
admissível. No caso do aço de construção, é lógico que se tome o
limite de escoamento como base para a fixação da tensão admissível,
porque, aqui, pode ocorrer uma deformação permanente considerá-
vel, a qual não é admissível nas estruturns de engenharia. Neste
c~so, um coeficiente de segurança n = 2 dará valor seguro para a
tensão admissível, contanto que só atuem na estrutura cargas cons-
tantes. N.o caso de cargas aplicadas repentinamente ou de cargas
variáveis, as quais ocorrem freqüentemente nos elementos de má-
quinas, um coeficiente de segurança maior torna-se necessário. Para
materiais quebradiços como o fei-ro fundido. o concreto, várias
espécies de pedra e para material como a madeira, a tensão de
ruptura é, em geral, tomada como base para a determinação das
tensões admissíveis. •
A grandeza do coeficiente de segurança depende, grandemente,
da precisão com que são conhecidas as fôrças exteriores que estão
atuando na estrutura, da precisão com que podem ser calculadas
as tensões nos elementos de uma estrutura e, também, da homo-
geneidadé dos mate1'iais empregados. Esta importante questão das
tensões admissíveis será estudada com mais detalhes, posterior-
mente (veja Parte II). Aqui daremos vários exemplos simples sôbre
determinação de dimensões seguras de seções transversais das
barras, admitindo que as tensões admissíveis sejam conhecidas.
PROBLEMAS

1. Determinar o diâmetro d das barras de aço N de uma prensa, para


uma .fõrça de compressão máxima P = 50000 kg (figura 5l, sabendo-se
que a tensão admissível para o aço, nesse caso, é de
~ "••• = -50
1
k g / cm·. -= ";o.i,:'>-.Oi../
I?•. /..'./

Determfoai; o alongarnento total das barras sob a carga max1ma,


desde que o comprimento entre suas extremidades seja igual a Z = 125 cm.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 31

SoZução. A ãrea da seção t versal necessária é, pela equação (2);


(c)(1) (c)(1) (c)(1)
A= 7rd' = ~\‽
(c)(1)25000 _
4 2a••• 750 -
⁾‭⁾†₷⁾⁾‭⁾‭‭‭‭‭⁾‭‭‧†
(c)(1)
= 33,33 cm';
então

d = V 133; 33 = 6,5 cm.

O alongamento total é dado pelas fórmulas


e '(4),
(3)

:,_ __..
,.~---.--------,-- ._ __ ., aZ 750 X 125
1 a= .z =E 21 X 10'
= 0,0446 cm.

Fig. 5

2. Uma estrutura consistindo de duas


barras de aço iguais (figura 6) com 450 cm
de comprimento e articulações nas duas
extremidades, é submetida à ação de uma
carga vertical P. Determinar as ãreas ne·
cessárias da seção transversal das barras
i';,~ e o afundamento do ponto B, sendo
p 1 .•
(c)(1)
'--i-- - P = 2500 kg, ª••• =
750 kg/cm' e o
F tlJJ . ângulo inicial de inclinação das barras
(...-'

o = 300.
Fig. 6

SoZução. Pela figura 6 (b), representan~o a condição de equilíbrio d"


articulação B, vemos que a fôrça de tração nas barras é:
(c)(1)
s=~ 8
(c)(1)
(c)(1)
F = 2 ; para 8 = 30", F = P = 2500 kg.
(c)(1) (c)(1)
A área necessãria da seção transversal é :
F 2500
A = -;::;:--- = """""150" = 3,33 cm,.
O _afundamento BB, será determinado pelo pequeno triângulo retângulo
DBB., onde o arco BD, de raio igual ao comprimento da~ barras, é conside.
rado como uma perpendicular baixada sôbre 'AB_., que é a posiÇão da barra
32 RESISTltNCIA DOS MATERIAIS

AB depois da deformação. Então, o alongamento da barra AB é :

ªº""*. z 750 X 450


B,D = e.l = -E--= 21 X 10, = 0,161 cm
e o afundamento
B,D
BB, = sen B
= 0,322 cm.
Vê-se que a variação do ângulo devida ao afundamento BB, é muito pe-
e
quena o cálculo prévio de F, baseado na hipótese de que 8 30°, é bas- =
tante preciso.

-;,, 3. Determinar as dimensões da seção transversal de uma viga de ma-


deira BO e da barra de aço AB da estrutura ABC, carregada em B, sendo
a tensão admissivel para madeira tomada igual a 11 kg/cm' e para o aço
igual a 700 kg/cm'. A carga é P =
3000 kg. As dimensões da estrutura
estão dadas na figura 7. Determinar as componentes vertical e horizontal
do deslocamento do ponto B devido à deformação das barras.

Solução. Pela figura 7 (b) que nos dá a condição de equilibrio da arti·


culação B, semelhante ao triângulo ABC da figura 7 (a), temos

P X 450
F= 270 = 5000 kg;
p X 360
F, 270 =· 4000 kg.

r,

~
"'"'o 8 p

ª r
/
I
/
/
360 cm I
(q} p 1 I/ ~)
1 /
I;
8'
Fig. 7

As áreas da seção transversal da barra de aço e da viga de madeira são:

A= _f__ 5000 = 714 cm'·


O'ad111 700 ' •
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELÃSTICOS 33

o alongamento total da barra de aço e o encurtamento total da viga


de madeira são:
Fl = 700 X 450 = 0,150 cm
AE. 21 X 10'

ll, = F,l,
A,E .. =
11 X 360
1,1 X 10" = 0,036 cm

Para determinar o deslocamento da articulação B, devido à deformação.


traçamos arcos de circulo com centros A e C (figura 7 al e raios iguais aos
comprimentos da barra alongada e da viga encurtada, respectivamente.
J;:les se interceptam na nova posição B' da articulação B. Isso acha-se re-
presentado, numa escala maior, na figura 7 (c), onde BB, é alongamento
da barra de aço e BB, o encurtamento da viga de madeira. As perpendi-
culares pontilhadas substituem os arcos acima mencionados. Então, BB' é o
deslocamento da articulação B. As componentes, dêste deslocamento, podem
ser obtidas fàcilmente pela figura.

4. Determinar, para o problema anterior, a inclinação que deve ter a


barra AB para tornar seu pêso um mínimo.
Solução. Se 6 representa o ângulo entre a barra e a viga horizontal e
!, o comprimento da viga, então, o. comprimento da barFa é l = Z,/cos 6,
a fprça de tração na barra é F = P/sen 6 e a área necessária da seção
transversal ê .A= PI a .... sen 6. O volume da barra será:

! . .A = ___Z,_P_ _ _ = __2_Z_,P--:::--
ª••• sen 6 cos 6 a.... sen 2 6

Vê-se que o volume e o pêso da barra se tornam um minimc- quando


sen 2 9 = 1 donde 9 = 45".

5. O quadro quadrado ABCD (figura 8, a) formado de cinco barras de


aço com área de seção transversal igual a 6 cm', ê submetido à ação de duas
fôrças P = 5000 kg na direção da diagonal. Determinar as variações dos
ângulos A e C devidas à deformação do quadro. Determinar as variações dos
mesmos ângulos, estando as fôrças aplicadas como mostra a figura 8 Cbl.

(b}
34 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

Solução. No caso representado na figura 7 (a), a diagonal absorverá a


carga completa P. Admitindo que a articulação D e a direção da diagonal
sejam fixas, o deslocamento da articulação B, na direção da diagonal, será
igual ao alongamento da diagonal, a = PZI AE.
A determinação da nova posição O' da articulação O, está indicada na
figura por linhas pontilhadas.
Vê-se, pelo pequeno triãngulo retângulo 00,0', que 00' = a/\12. Então, o
ãngulo de rotação da barra DO devido à deformação do quadro, é igual a:

oo· ll p 1
DO = -l- =6 X E = 2520 radianos

Então, o acréscimo do ângulo em O será :

1 1 d"
2 X 2520 = 1260 ra ianos.
Deixa-se ao estudante achar a solução do problema representado na
figura 8 (b).
6. Determinar a posição da carga P na viga ABD, de modo que a fôrça
na barra BO se torne um máximo. Determinar o ângulo 8 que torne o vo·
lume da barra BO um mínimo (fig. 9).

e
Fig. 9 Fig. 10 1
A fôrça na barra BC torna-se máxima quando a carga P tem
Resposta.
sua pos1çao extrema, exatamente no ponto D.
O volume da barra será um mínimo quando /1 = 45º.
7. Determinar a área necessária da seção transversal da barra de aço
BO ,ífigura 10>. desde que a tensão admissível O'nrin• = 1050 kg/cm' e a
carga vertical uniformemente distribuída sôbre . a viga A B é
q = 1500 kg/m.
Resposta. A =>= 3,85 cm'.

12 000 12 000
8. Determinar as áreas ne-
250 cm j 250 cm
cessárias da seção .transversal
das barras AB e BO da estrutura
'·]~ representada na figura 11, desde
o que
'6---:::lf'..-----..L.::2 O'ad"' = 1100 kg/cm 2 •
B
Fig. 11 Resposta. 18,68 cm 2 ; 15,15 cm 2 •
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 35

9. Determinar a área necessária da seção transversal das barras AB


e BO da estrutura vista na Fig. l2a, sendo u.o1m = 1100 kg/cm•.

Fig. 12

Sol-ução. Seja m p o, Fig. 12b, o triãngulo das fõrças que agem na ar-
ticulação B. Traçando a horizontal on, concluímos que os triãngulos m no
e n p o são semelhantes aos triãngulos BF' A e F'BO, na Fig. 12a, respectiva-
mente. Por esta semelhança, determinam-se as fôrças que agem nas barras
AB e BO bem como suas projeções horizontal e vertical, como se vê na
Fig. l2b. As áreas necessárias são:

Barra AB .. . A -- 17600 - = 16 cm'


1100

4400 \/13
Barra BO . .. A, = llOQ
14,4 cm'

.. 10. Determinar a área da seção transversal e o alongamento total da


barra CD, Fig. 11, sabendo que ê de aço de construção com
..... = 1100 kg/cm=.
Resposta. A = 18,68 cm'; 8 = 0,161 cm.

11. Resolver o Prob. 8 supondo que a carga está aplicada em um nó


apenas, na parte superior, distante 250 cm do apoio A.

12. Um quadro quadrado de aço está carregado


como se vê na Fig. 13. Sendo ã. área da seção trans-
versal de cada barra 5 cm', di:terminar o alongamen-
to total de cada uma delas.
Resposta. Alongamento total da barra AB
= 0,21 cm. Nas outrasbarras é nulo.
Fig. 13
+
5. Tensão e deformação produzidas numa barra por seu pêso
próprio. - Estudando-se a distensão de uma barra, figura l, levou-se
em conta, sàmente, o caso de uma carga P aplicada na extremidade.
Desde que o comprimento da barra seja grande, seu pêso p·róprio
pode produzir uma tensão adicional considerável. a qual deverá ser
36 RESisT:i;:NcIA DOS MATERIAIS

levada em conta. Neste caso, a tensão máxima manifestar-se-á na


seção transversal superior de engastamento. Representando por 1
o pêso específico da barra, o pêso total será A yl e a tensão máxima
será dada pela equação:
P + Ayl p
CTrnnz = A A +yl. (6)
O segundo têrmo do segundo membro da equação (6) representa
a tensão produzida pelo pêso da barra. O pêso da parte da barra
abaixo da seção transversal, situada a uma distância x da extremi-
dade inferior (figura 1) é A yx e a tensão será dada pela equação:

a=
P +AAyx (7 )

Substituindo-se am.,,. na equação (6) pela tensão admissível aadm,


a equação para calcular a área da seção transversal com segurança
será:
p
A= (8)
O'adm - yl
interessante notar-se que crescendo o comprimento l da barra,
É
seu pêso próprio torna-se cada vez mais importante, o denominador
do segundo membro da equação (8) diminui e a área da seção
transversal necessária A cresce. Quando yl = aadm, isto é, a tensão
devida exclusivamente ao pêso da barra torna-se igual à tensão
admissível, o segundo membro da equação (8) torna-se infinito. Em
tais circunstâncias é impossível projetar-se uma barra prismática,
devendo recorrer-se a uma barra de seção transversal variável.
Ao calcularmos o alongamento total de urna barra prismática,
submetida à ação de uma fôrça de tração P na extremidade e ao
seu pêso próprio, devemos considerar primeiramente o alongamento
de um elemento de comprimento dx, cortado da barra por duas se-
ções transversais adjacentes (veja figura 1). Pode-se admitir que,
ao longo do comprimento infinitamente pequeno dx, a tensão de
tração é constante e dada pela fórmula (7) . Então, o alongamento
dB do elemento será:
P + Ayx d
AE x.
O alongamento total da barra será obtido integrando-se os alonga-
mentos de todos os elementos. Então:

s = 11p +
AE
Ayx
dx = l
AE e p + 21 Ayl
) . (9)
o
TRAÇÃO E COMI".RESSAO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 37

Comparando-se esta equação com a equação (1), vê-se que o alon-


gamento total produzido pelo pêso próprio da barra, é igual ao
produzido por uma carga aplicada na extremidade e tendo. para
valor a metade do pêso. (c)(1)
(c)(1)
PROBLEMAS

1. Determinar a área da seção transversal de uma barra de aço pris-


mática vertical, suportando na sua extremidade inferior uma carga
P = 32000 kg, sendo o comprimento da barra de 220 m, a tensão admissível
=
"•••M 700 kg/.Cm' e o pêso específico do aço igual a 0,00785 kg/cm'. De-
terminar o alongamento total da barra. '
Solução. A área da seção transversal é, pela equação C8J:
32000
.A = 700 - 0,00785 X 22000 = 6º·68 cm' ·
O alongamento total é, pela equação (9) :

a= 22ººº
60 ,68 X 21 X lO':
e 32000 + T1 X 10480 ) = 6.43 cm.
--·
2. Determinar o alongamento de uma barra cônica sob a ação de seu
pêso próprio (figura 14), sendo o comprimento da barra igual a Z, o diâ-
metro da base igual a d e o pêso especifico do material igual a y.
Solução. O pêso da barra será :
[;.'TT"d' ly
Q =-4- x-3-·
Para uma seção· transversal qualquer, situada a uma
distância x de extremidade inferior da barra, a fôrça
de tração, igual ao pêso da parte inferior da barra, será :
Qx' 'TT"d' yx'
-z,- = -4- X 3i' ·
Fig. 14
Admitindo-se que a fôrça de tração esteja uniformemente distribuida sôbre
a seção transversalT e considerando-se o elemento de comprimento dx
col!lo uma barra prismática, o alongamento dêste elemento, será:
yx
da = 3E dx

e o alongamento total da barra será :

a=3E
yf xdx=
l yl'
SE
0

1':ste alongamento é um têrço do de uma barra prismática do mesmo


comprimento (veja equação 9J.

' Tal consideração é justl!lcãvel quando o ãngulo do cone é peQUtni!·


38 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

3. A haste prismática vertical de uma bomba de mina


desloca·se par.a cima e para baixo, por meio de uma ár-
vore de manivelas (figura 15) Admitindo-se que o
material seja aço e a tensão admissível igual a
"••• = 500 kg/cm', determinar a área da seção transversal
da haste, sendo a resistência do êmbolo, durante o movi-
mento para baixo, de 100 kg e, durante o movimento para
cima, de 1000 kg. O comprimento da haste é de 96 m.
Determinar o comprimento necessário do raio r da mani-
vela, sendo o curso do êmbolo da bomba igual a 20 cm.
Fig. 15
Solução. A área da seção transversal necessária da
haste será determinada pela equação (8), em que se faz P = 1000 kg.
Então:
1000
A = 500 - 0,00785 X 9600 = 2 •35 cm'

A diferença no alongamento total da haste quando ela se move para


cima e quando ela se move para baixo, é devida à resistência do êmbolo
e será igual a:
nooo x100 > x 9600
= 2.14 cm
21 X 10' X 2,35

O :i;aio da manivela deve ser :

r = 20 + 2,14
= 11,07 cm.
2

8Pedaços de fio de aço e de alumínio são suspensos verticalmente


Determinar, para cada um dêles, o comprimento em que a tensão devi-
da ao pése do fio iguala a tensão de ruptura, sendo para o fio de aço
,,, = 21000 kg/cm' e y = 0,00785 kg/cm' e para o fio de alumínio
,,, = 3500 kg/cm' e y = 0,00285 kg/cm'.
@. Em que proporção a tensão máxima produzida numa barra pris-
matica por seu pêso próprio cresce, se tôdas as dimensões da barra crescem
na proporção n : 1 (figura 1)?
. R_~sposta. A tensão crescerá na relação n : 1 .
6. ' Um pilar de ponte, formado de duas partes prismáticas de igual com-
primento (figur.a 16), é carregado na extremidade superior por uma .fôrça
de compressão P == 270 t. Determinar o volume de alvenaria, sabendo-se
que a altura do pilar é de 36 m, .seu pêso especifico igual a 0,0017 kg/cm•.
e a tensão de compressão máxima, em cada, parte, de 11 kg/cm'. Comparar
êste volume com il de um pilar prismático simples, projetado para as
mesmas condições.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 39

Solução. A área da seção transversal da parte superior do pilar é,


pela equação (8): .. -·

270000
A = 11 - 0,0017 X 1800 = 34oo5 cm'

Para a parte inferior do pilar, vem:

11 X 34005
A, = 11 - 0,0017 X 1800 47110 cm'

o volume total da alvenaria é:

V = (34005 + 47110) 1800 = 146 007 000 cm' ou


V = 146,007 m'

Para o pilar prismático simples, tem-se:

270000
A = -,-11.,-----0""",0""'0""'1"'1,..--x--=3~50""'0~ = 55328 cm' e

V = 55328 X 3600 = 199:1c_80 800 cm' ou


V = 199,180 800 m'.
Q Resolver o problema anterior imaginando trés partes prismáticas de
igual comprimento.

Fig. 16 Fig. 17

8. Determinar a forma do pilar da figura 17, tal que, em cada seção


transversal, a tensão seja justamente igual à tensão admissível aaam·
A forma que satisfaz esta condição é chamada forma de igual resistência.
Solução. Considerando-se um elemento diferencial, tracejado na figura,
é evidente que a fôrça de compressão na seção transversal m,n,, é maior
do que na seção transversal mn da grandeza do pêso do elemento. Assim,
desde que a tensão em ambas as seções seja a mesma e igual a ªªd""
40 RESIST&NCIA DOS MATERIAIS

a diferença dA na área da secão transversal deve ser tal que compense a


diferença na fõrça de compressão. Então

dAa... = yAd:c (a)

onde o segundo membro da equação representa o pêso do elemento. Divi·


dindo-se esta equação por Aa••• e integrando-se, acharemos:

f~ = f ;~:
donde

l.A

A = Ge .,,z 1,..d,. (Q)

onde e é a. base do logaritmo neperiano e O = e". Para :z: = O, esta equa·


ção dá para área da seção transversal no tôpo do pilar:

(A) ••• = O.
Mas a área da seção transversal ai é igual a P /a .... ; então O = P / ª••• e a
equação ( b) torna-se:

A= _P_ e '1'Z/aorl• (e)


ª•"•
A área da seção transversal na base do pilar obtém-se substituindo na
equação (e) :z; por Z, o que dá:

A .... = _P
__ e .,1 /aadn (d)
O'ad•

9. Achar o volume de alvenaria para um pilar de igual resistência,


projetado tendo em vista satisfazer as condições do problema 6.

Solução. Aplicando-se a equação (dl, a diferença das áreas da seção


transversal na base e no tõpo do pilar, é determinada por :
p p p
=--- (e ''/•••• - ll.
ª•••
Esta diferença muJtiplicada pela tensão admissível a ••• dá, evidentemente,
o pêso do pilar; seu volume é pois :
p ( ,., ••••
V=--
y
e
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 41

6. Problemas de tração e de compressão estàticamente inde-


terminados. - Há casos em que as fôrças axiais que estão atuando
nas barras de uma estrutura, não podem ser determinadas sô-
mente pelas equações da estática, devendo levar-se em conta,
portanto, a deformação da estrutura. Estas estruturas são cha-
madas sistemas estàticamente indeterminados.
Exemplo simples de um sistema como êste, está representado
na figura 18. A carga P produz distensão nas barras OB, OC e
OD, as quais estão no mesmo plano .. As condições de equilíbrio
para a articulação O dão duas equa-
ções da estática que não são sufici-
entes para determinar as três fôrças
de tração incógnitas nas barras, tor-
nando-se necessária uma terceira
equação, obtida levando-se em conta
a deformação do sistema. Admita-
mos, por simplicidade, que: o sistema
seja simétrico em relação ao eixo
p vertical OC; a barra vertical seja
Fig. 18 de aço, tendo A. e E., respectiva-
mente, como área da seção trans-
versal e módulo de elasticidade do material; e, as barras inclinadas
sejam de cobre, com A 0 e E 0 como área e módulo. O comprimento
da barra vertical é l e o das barras inclinadas li cosa. Represen-
tando por X a fôrça de tração na barra vertical e por Y as fõrças
nas barras inclinadas, a única equação de equilíbrio para a arti-
culação O, neste caso de simetria, será:

X+2Ycosa=P (a)

A fim de deduzir a segunda equação necessária para a determi-


nação das grandezas incógnitas X e Y, devemos considerar a
configuração deformada do sistema, indicada na figura por li-
nhas pontilhadas. Seja 8 o alongamento total da barra vertical
sob a ação da carga P; então, o alongamento 8, das barras incli-
nadas será obtido pelo triãngulo OF0 1 • Admitindo-se que êsses
alongamentos sejam muito pequenos, o arco circular OF com
centro em D, pode ser substituído por uma linha perpendicular
e o ângulo em O, toi-nado igual ao ãngulo inicial a ; entáQ:

8, = 8 COS a.
42 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

Os alongamentos relativos e as tensões das barras vertical e


inclinadas serão:
_ 8 . "_ E.8 _ 8 cos• a . ª _ Ec 8 cos• a
•• --i-· "--z- e Ec - Z ' e - Z '

respectivamente. Então, as fôrças nas barras serão obtidas multi-


plicando as tensões pelas áreas das seções transversais, como segue:

X= u.A. = -A.E.
-2- , (b)

donde
Y = Xcos• a AcEc
A.E.
Levando na equação (a), obteremos:
p
X= (10)
1 + 2cos 3 a AcEc
A.E.
Vê-se que a fôrça X depende, não somente do ângulo de inclina-
ção a, mas também das áreas das ações transversais e das pro-
priedades mecânicas dos materiais das barras. No caso particular,
em que tôdas as barras têm a mesma seção transversal e o mesmo
módulo, obteremos, pela equação (10) :
p
X=
1 + 2 cos" a
Quando i; se aproxima de zero, cos a aproxima-se da unidade
e a fôrça na barra vertical, de 1/3 P. Quando a se apro-
xima de 90°, as barras inclinadas tornam-se muito longas e a carga
total será absorvida pela barra do meio.
Como outro exemplo de sistema estàticamente indeterminado,
consideremos uma barra prismática engastada nas extremidades e
carregada axialmente numa seção transversal intermediária mn
(figura 19). A carga P estará em equilíbrio com as reações R .e R,_
nas extremidades e teremos:
(e)

A fim de deduzir a segunda equação para determinação das fôrças


R e R,, devemos considerar a deformação da barra. A carga P, com
a fôrça R, produz encurtamento da parte inferior da barra e, com
a fôrça R,, alongamento da parte superior. O encurtamento total
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 43

de uma parte é igual ao alongamento total da outra; então, aplican-


do-se a equação (1), obteremos:
R,a Rb
AE = AE R,
~
portanto
o
R
R::
a
= -b- (d)
mt- . z
b
p
isto é, as fôrças R e R, são inversamente pro-
porcionais às distâncias entre seus pontos de
aplicação e a seção transversal carregc.:i.da mn. ,, ~

Agora, pelas equações (e) e (d) podemos cal- Fig. 19 \


1
cular ràpidamente as grandezas dessas fôrças e
as tensões na barra.

~· ,/: . PROBLEMAS
p
~

/
,_( 1. 'Um cilindro de aço e um tubo de cobre são
,""',...--,.,,,.,,......,__../..:-:c;àmprimidos entre os pratos d~ uma prensa (fi.
gura 20). Determinar as tensões no aço e no cobre
e, também, oTencurtamento relatiVQl. sabendo-se que
P = 50000 kg, d = 10 cm. e D = 20 cm.

p Solução. Aqui, novamente, as condições da está.


Fig. 20 tica não chegam e devemos considerar a deforma-
ção do cilindro e do tubo, a fim de obtermos as partes da carga que cada
material absorve. Os encurtamentos relativos no aço e no cobre serão
Iguais; entretanto, as tensões de cada material estarão na mesma relação
de seus módulos (equação 4, página 26), isto é, a tensão de compressão no
aço será 21/11 da tensão de compressão no cobre. Então, a grandeza '" da
tensão no cobre será determinada pela equação da estática:

~d' 21 ~
P = -4-· X ·-u a,+ 4 (D' - d'),a,

Substituindo os valores numéricos, obteremos :


21
a, = 130 kg/cm', ª• = 11 X ª• = 248 kg/cm';
e o encurtamento relativo

e = ;;-~ = 118 X 10"'.


44 RESIST1':NCIA DOS MATERIAIS

2. Um pilar de concreto armado é compri·


mido por uma fõrça P = 30000 kg. Que parte
desta carga será absorvida pelo concreto e que
parte pelo aço, sabendo-se que a área da seção
transversal do aço é, sõmente 1/10 da área da
seção transversal do concreto?

3. Um corpo rijo AB de pêso Q está suspen-


AI
......___+.()____, rc 18
so em trés fios verticais simétricamente situa- Fig. 21
dos em relação ao centro de gravidade a do
ccirpo (figura 21). Determinar as fôrças de tra-
ção nos fios, sabendo-se que o fio do meio é de aço e os outros dois de
cobre. As áreas das seções transversais de todos os fios são iguais.
Sugestão: Use o método do problema 1.

4. Determinar as fôrças nas quatro


pernas de uma mesa quadrada (figura
22), produzidas pela carga P atuando em
A. O tôpo da mesa e o piso são supostos
absolutamente rijos e as pernas estão li-
gadas ao piso de tal forma, que possam
sofrer tração tão bem como compressão.
Soluçã": Ad,mitindo-se que a nova posi-
ção do tõpo da mesa é a indicada pela
linha pontilhada mn, a compressão das
pernas 2 e 4 será a média da das pernas·
1 e 3. Então:
Fig. 22
2 Y= X+ Z

e como 2Y + X +Z = P, obteremos :
p
2Y =X+ Z = 2-" (e)

Obtém-se uma equação adicional para a determinação de X e Z, quando se


toma o momento de tôdas as fôrças em relação ao eixo horizontal O - O,
paralelo a y e no plano da fôrça P. Então:
X <%a \12 + e) + 1h P. e= Z (%a \12 - e). (/)

De (e) e (/), tiramos:

z P c·_!_4 + e
a v'2 .
)

Y2
Quando e>a T' X se torna negativo. Isso indica que há tração na perna 1.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 45

5. Determinar as fôrças nas pernas da mesa do problema anterior,


quando a carga está aplicada no ponto de coordenadas
a
y= 5·

Sugestão: Ao resolvermos êste problema devemos notar que, quando


o ponto de aplicação de carga P não está na diagonal da mesa, esta
carga deve ser substituída por duas outras, estáticamente equivalentes
àquela P, e aplicadas em pontos situados nas duas diagonais. Cada uma
destas duas cargas originam fôrças nas pernas que serão determinadas
como foi exposto acima. Somando·!::e os efeitos das duas cargas compo-
nentes, as fôrças nas pernas serão obtidas para qualquer posição da
carga P.
p p 6. Urr, quadro retangular com diagonais é subme-
tid~ à ação de fôrça de compressão P (figura 23).
·Determinar as fôrças nas barras, se são tôdas do mesmo
material, sendo a área da seção transversal "das barras
verticais A e a das ºoutras barras A,.

Solução. Seja X a fôrça de compressão em cada


barra vertical, Y a fôrça de compressão em cada diago-
nal e Z a fôrça de tração em cada horizontal. Então,
Fig. 23 pela condição de equilíbrio de uma das articulações:

y = (P -
sena
XI ; z· =y cos a = (P - XJ cotg a. (g)

Á terceira equação sera obtida da condição de que o quadro, depois da


deformação, permanece retangular em virtude da simetria; portanto:

(a' + h' J ( 1 - A:E ) " = h' ( 1 - A~ )


2
+ a' ( 1+ A~E y
dai tiramos, desprezando-se as grandezas pequenas de ordem superior;

(a' + h'J Y h'X a'Z (h)


A,E - AE - A,E

Resolvendo-se as equações (g) e (h), obteremos o seguinte valor da fôrça


numa diagonal:
p
y = a' + h' A a' A
h' xA;-+YxA . cos ª + sen ª
As fôrças nas outras barras serão agora fàcilmente determinatias pelas
equações (g).
7. Resolver o problema anterior, supondo a= h, A= 5A, e P:::; 25000kg.
46 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

8. Que tensões se produzirão num parafuso de aço e


num tubo de cobre (figura 24), quando se der ·~ de volta
à porca, sabendo-se que o comprimento do parafuso é
z = 75cm, o passo h = 3 mm, a área da seção transversal
A .. = 6cm' e a área da seção transversal do tubo
A, = 12cm ? 2

Solução.Representemos por X a fôrça de tração in·


cógnita no parafuso e a fôrça de compressão no tubo. A
grandeza de-X será obtida da condição de que, a distensão
do parafuso mais o encurtamento do tubo, é igual ao des-
locamento da porca ao longo do parafuso. Em nosso caso,
admitindo-se que Q comprimento do tubo seja igual ao
Fig. 24 comprimento do parafuso, obteremos:

_E__+ _E;__= ~
A.E. A,E, 4 '
donde

= ____hA__;;_.E__;•;,___ _
X
e = 6447 kg.
0,3 X 6 X 21 X 10'
A.E.) 6 X 21 X 10')
41 ( . 1 +-A-,-E-, 4X75 1+12XllX10'

A tensão de tração no parafuso "• = X4A .. = 1075 Kg;cm•.


A tensão de compressão no tubo 骕= X/A,= 538 Kg/cm'.

9. Que mudanças se produzirão nas tensões calculadas no problema


anterior quando aplicamos fôrças de tração P = 2500 kg nas extremidades
do parafuso ?

Solução. Representemos por X o acresc1mo da fôrça de tração no


parafuso e por Y o decréscimo da fôrça de compressão no tubo. Então,
da condição de equilíbrio,

X+ Y = P. (i)

Uma segunda equação pode ser escrita baseada na consideração de que


os alongamento!! relativos do p·arafuso e do tubo, sob a aplicação das fôr-
ças _P, devem se:i- iguais, isto é:

X y (j)
A .. E. = A,E,

Pelas equações (i) e (j) calcularemos fàcilmente as fôrças X e Y e as


tensões correspcl?ldentes.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 47

10. Uma barra prismática, com as extremidades engas-


tadas, é carregada axialmente em duas seções transver-
sais intermediárias (figura 25) por fôrça!l P, e P,. Deter-
,,., minar as reações R e R 1 •
Sugestão. A solução será obtida aplicando-se a equa-
....- ção (d) da página 43; calculando-se as reações produzidas
pelas cargas, separadamente; e, depois, somando-se P.stas
reações. Determinar as reações quando
R
Fig. 25
a = 0,3!, b = 0.3! e P, = 2P, = 500 kg.

11. Determinar as fõrças nas barras do sistema


dado na figura 26, onde OA é um eixo de simetria.
Resposta. A fôrça de tração na barra OB é igual % tJ
à fôrça de compressão na barra OC e é P/2sen a.
A fôrça na barra horizontal OA é igual a zero.

12. Resolver o problema 10, supondo-se que a


parte inferior da barra, de comprimento e, tem uma
área ele seção transversal duas vêzes maior do que
a área da seção transversal das duas partes supe· Fig. 26
riores, de comprimentos a e b.

Resposta:
R = 2aP, + 2P, (! - e) P,(2b + e) + e P,
2l - e R, = 2! - e
(c)(1) (c)(1)

7. Tensão inicial e tensão térmica. - Num sistema estàtica-


mente indeterminado é possível haver algumas tensões iniciais
produzidas por ocasião da montagem, devidas às imperfeições nos
comprimentos das· barras ou variações intencionais dos valores
exatos dêsses comprimentos. Estas tensões existirão quando não
houver cargas exteriores e dependerão, exclusivamente, das proprie-
dades geométricas do sistema, das propriedades mecânicas dos
materiais e da grandeza das imperfeições. São denominadas tensões
iniciais. Admitamos, por exemplo, que o sistema representado na
figura JS tenha, por engano, o comprimento da barra vertical igual
a
a Z + _em vez de Z. Então, depois da montagem das barras BO
e DO, a barra vertical só poderá ser montada após compressão
inicial e, devido a isto, se produzirão ;tlgumas fôrças de tração nas
barras inclinadas. Representemos por X a fôrça de compressão na
barra vertical, a qual, aparece, finalmente, depois da montagem.
48 RESIST:eNCIA DOS MATERIAIS

Dêste modo, as fôrças de tração correspondentes nas barras incli-


nadas serão X/2cos a e o deslocamento da articulação O, devido à
distensão destas barras, !!jerá (veja equação b, página 42):
8= XL (a)
2ArEc COS 3 a

O encurtamento da barra vertical será


X/,
8,=--- (b)
AaEa
De considerações geométricas elei;nentares concluímos que o des-
locamento da articl,tlação O, juntamente com o encurtamento da
barra vertical, deve ser igual ao êrro a no comprimento da barra
vertical. Isso dá a seguinte equação para determinação de X:
X/, X/,
+ AaEa =a.
Portanto
aAaEa
X=---,----------,,· (11)
z(i + 2AcEcCOS
AaEa
3 a
)

Agora, as tensões iniciais em tôdas as barras podem ser cal-


culadas. A distensão das barras de um sistema devido a va-
riações de temperatura, pode, também, ter o mesmo efeito que
as imperfeições nos comprimentos. Admitamos uma barra com
as extremidades engastadas. Se a temperatura da barra eleva-se
de t 0 a t e ~ dilatação térmica é obstada pelas reações nas extre-
midades, produzir-se-ão na barra tensões de compressão, cuja
grandeza pode ser calculada pela condição de que o comprimento
permanece constante. Representemos por a o coeficiente de dila-
tação térmica e por a a tensão de compressão produzida pelas
reações. Então, a equação para a determinação de a será:

a (t - t 0 ) = -r
a

donde
a = Ea (t - t 0 ) • (12)
Como segundo exemplo, consideremos o sistema representado •na
figura 18 e admitamos que a barra vertical seja aquecida de t 0 ,
temperatura de montagem, até t, uma nova ·temperatura. A
dilatação térmica correspondente será parcialmente obsU!da pelas
outras duas barras do sistema, originando-se certas tensões de
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 49

compressão na barra vertical e certas tensões de tração nas barras


inclinadas. A grandeza da fôrça de compressão na barra vertical,
será dada pela equação (11), em que, no lugar da grandez3. a
da imprecisão de comprimento, aparec.erá a· dilatação térmica
al (t - t 0 ) da barra vertical.

PROBLEMAS

1. Os trilhos de uma lin}?.a de bondes são soldados a uma temperatura


de 10' centigrados. Que tensões se produzirão nestes· trilhos quando,
aquecidos pelo sol, atingem a temperatura de 38'C, sabendo·se que c
coeficiente de dilatação térmica do aço é 12 X 10"""?
Resposta. a =706 kg/cm'.
2. Que variação de tensões se produzirá no caso dado na figura 24,
crescendo a temperatura de t.º a t°, sabendo·se que o coeficiente de dila-
tação térmica do aço é ª• e do cobre a,?
Solução. Devido ao fato de que ac > ªª o aumento de temperatura
produz compressão no cobre e tração no aço. Os alongamentos relativos
do cobre e do aço devem ser iguais. Representando-se _por X o aumento
da fôrça de tração no parafuso devido à variação de temperatura,
obteremos:

ª• (t - t.) + -A....,.X""""'.E=-.- = ª• (t - t.J - A~,


donde

(a, - a.) (t - t.) A.E.


X=
1
.
+ A.E.
A,E,

A variação das tensões no parafuso e no tubó pode, agora, ser calculada.


da maneira usual.

3. Uma lâmina de cobre é soldada entre duas lâminas de aço (figura 27).
Que tensões se produzirão no aço e no
cobre por um aumento de temperatura
das lâminas de t. a t graus?
Su.qestão. Deve ser usado o mesmo
Fig. 27
método empregado no problema anterior.

4. Que tensões se produzirão nas barras do sistem11- representado na


figura 18, se a temperatura de tôdas as barras passar de t. a t gral,IS?
50 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

Solução. Representemos por X a fôrça de tração produzida na barra


de aço por aumento de temperatura. Então, da condição de equilíbrio da
articulação O pode ver-se que nas barras de cobre, atuam fôrças de com·
pressão iguais a X/2 cosa; por conseguinte, o alongamento da barra de
aço torna-se:

8 = "ª (t - t.) l + }:!.


e o alongamento das barras de cobre é:

a, = a. (t - t .. ) -- 1~­
cos a
Xl
2cos'aA,E,

Além disso, pelas considerações· anteriores (veja página 41);


a, = 8 cos a;
portanto
Xl l Xl
a. (t - t,) l + A.E. = a, (t - t.J cos'a 2 cos' a A, E,
donde

X
(t - t.)
= ______:_c_o_s~'-ª----'--~~--
(--ª·- . :. . a.) A. E.

1 A. E.
1+ _2_c_o_s-'a-.X A, E,

As tensões no aço e no cobre serão agora obtidas pelas seguintes equações:

aa=~; "• = -=---x_....,_


A. 2cos a A,

5. Admitindo-se que no caso representado n'.1 figura 20, seja aplicada


carga constante P =
50000 kg à temperatura inicial t., determinar em que
aumento de temperatura a carga será completamente transmitida ao cobre,
sabendo-se que a. = 12 X 10... e a, = 16 X 10-•.
Solução.

( G!c - a,,) (t - t.) = 4P


r,r (D' - d'J E.
donde

t - t. = 48ª centígrados

6. Uma barra de aço composta de duas partes de comprimento Z. e Z.


e áreas das si!c;ões transversais A, e A,, é fixada nas extremidades. Achar
as tensões tértnicas quando a temperatura aumenta de 50ª centígrados.
Admitir que i, = l,, A, = 2A, e ª• = 12 X lo-•.
.TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELÁSTICOS 51

7. Achar as tensões térmicas no sistema dado na figura Yl7, desde que a


temperatura de tõdas três lâminas cresça de 50º centigrados. A espessura
de cada uma das três lâminas é a mesma e os coeficientes de dilatação
térmica são a. =
12 X 10-• e "'• =
16 X lo-'. Admitir que E.: E. 21/11. =
8. A temperatura do sistema representado na figura 18 aumenta de 50º
centígrados. Achar as tensões térmicas, se tõdas três barras são de aço
e têm ãreas de seções transversais iguais. Tomar:
ª• = 12 X 10-' e E. = 21 X 10' kg/cm'.
9. Achar as tensões nos fios do sistema dado na figura 21, se a ãrea da
seção transversal dos fios é de 0.6 cm', a carga Q = 2000 kg e a tempera-
tura do sistema cresce, depois da montagem, de 5º centígrados. Tomar:
a, = 16 X 10..., ª' = 12 X 10-•, E. = 11 X 10_, kg/cm',
E. = 21 X 10' kg/cm'.
10. Determinar as tensões que se despertarão no sistema representado
na figura 23, se a temperatura da barra horizontal superior cresce de
t 0 a t graus.
Resposta. A fõrça de compressão X na barra superior é dada pela
equação:

2h tg'a 2h
a(t - t,) a= X ( + -~~~~~~ +A,E
-2a
-)
AE A, E cos' a sen a

8. Distensão de um anel circular. - Se fôrças radiais uniforme-


mente distribuídas atuarem ao longo da circunferência de um anel
circular fino (figura 28), produzir-se-á aumento uniforme do

(b)

(a)

Fig. 28

anel. A fim de determinarmos a fôrça de tração P no anel, imagi-


nemos que êste seja cortado na seção diàmetral horizontal
52 RESIS~NCIA DOS MATERIAIS

(figura 28, b) e consideremos a parte superior como um corpo


livre. Se q representar a carga uniforme por unidade de compri·
mento da linha média do anel e r o raio desta mesma linha, a
fôrça que atua num anel limitado por duas seções transversais
adjacentes será qrdip, onde dip é o ângulo central correspondente
ao elemento. Tomando-se a soma das componentes verticais de
tôdas as fôrças que atuam na metade do anel, obter-se-á a seguinte
equação de equilíbrio:

2P = 2qr,

donde
P=qr. (13)
A tensão de tração no anel será, agora, obtida dividindo-se a
fôrça P pela área· da seção transversal do anel.•
Nas aplicações práticas é necessário, muitas vêzes, determinar
as tensões de tração num anel rotativo. Então, q representa a
fôrça centrífuga, por unidade de comprimento do anel, e é dado
pela equação :
w v•
q=-- (14)
g T
na qual w é o pêso do anel por unidll;de de comprimento, r o raio
da linha média, v a velocidade do anel no raio r e g a aceleração
devida à gravidade. Levando-se êste valor de q na equação (13),
obteremos:
p = WV'
g '
e a tensão de tração correspondente será:

(15)
Vê-se que a tensão é proporcional à massa especifica y/g do mate-
rial e ao quadrado da velocidade tangencial. 0 Para anel de aço e
velocidade v = 30· metros por segundo, esta tensão torna-se
72 kg/cm•. Tutão, para o mesmo material e uma outra velocidade
qualquer, v,, a tensão será O,Osv•, kg/cm•, quando v, é dado em
metros por segundo.

1 Ver-se-à mais tarde !Parte IIJ que no caso de anéis finos é razoãvel supor
que as tensões são uniformemente dlstrlbuldas sõbre a seção transversal do anel.
1 Para um anel fino, a velocidade na linha central pode ser tomada Igual à
periférica.
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE OS LIMITES ELASTICOS 53

PROBLEMAS

1. Determinar a tensão de tração na parede ctl1ndrica da prensa re-


presf'ntada na figura 5, sendo o diâmetro interno igual a 25cm e a es-
pessura da· parede 2,5cm.
Solução. A pressão hidrostática máxima p no cilindro será determi-
nada pela equação :
.,, 25'
P X = 50000 kg,
4
donde p = 102 kg/cm'. Cortando-se do cilindro um anel elementar de lar·
gura igual a 1 cm na direção do eixo do cilindro e aplicando-se a equação
(13), na qual para êste caso, q = p =
102 kg/cm' e r = 12,5 cm, obte-
remos:
P 102 X 12,5 k / .
ª = A = 1 X 2,5 = 510 g cm·.

2. Um tubo de cobre é ajustado sôbre um tubo de aço a alta tempe-


ratura t (figura 291, a ajustagem sendo tal que não exista pressão entre
os tubos nessa temperatura. Determinar as tensões que
se produzirão no cobre e no aço, quando a temperatura
baixar até a temperatura ambiente de t., sendo o diá· - ~
metro externo do tubo de aço igual a d, a espessura aro
orob•·e
do tubo de aço h. e a do tubo de cobre h,.
Solução. Devido à diferença dos coeficientes de di·
latação térmica a. e a. haverá pressão entre os tubos
externo e interno, depois do resfriamento. Represen- Fig. 29
temos por a: a pressão por centímetro quadrado; então a tensão de tração
no tubo de cobre será:
a:d
2h,
e a tensão de compressão no tubo de aço será:
a:d
"• = 2h.

A pressão :i: será agora determinada pela condição de que, durante o


resfriamento, ambos os tubos sofrem a mesma contração circunferencial;
portanto: •
ª' (t - t,) - a:d
2E,h, = ª• (t - t.) + ---=!:___
2E.h.
donde
:i:d (a, - a.) (t - t.) E.
... = 2h, = l + h, E.
h. E.
Da mesma maneira pode ser calculada a tensão no aço.
54 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

3. Referindo-se à figura 29, que tensão de tração adicional se produ·


zirá no tubo que é submetido à pressão hidrostática interna p = 7,0 kg/cm'.
= =
sendo o diâmetro interno d, 10 cm, h. 0,25 cm e .h. 21/11 X 0,25 cm? =
Solução. C~rtando-se do tubo um anel elementar da largura igual a
um centímetro, a fôrça de tração total no anel será:

p = pd,
2
= 35 kg

Devido ao fato de que o alongamento relativo circunferencial no cobre e


no aço é o mesmo, as tensões estarão na relação dos. módulos, isto é,
a tensão no cobre será 11/21 da no aço. Ao mesmo tempo a ârea da seção
transversal do cobre é 21/11 da do aço; portanto, a fõrça P estará dis-
tribuída igualmente entre os dois metais e a tensão de tração no cobre
produzida por pressão hidrostática, será:

p 35
"• = 2h. = = 36,7 kg/cm'
2 X~ X 0,25
11

A tensão no aço será:

21
"• = 11 X 36,7 = 70,0 kg/cm'-

4. Um anel cintado compõe-se de um anel de cobre interno e de um


anel de aço externo. O diâmetro interno do anel de aço é menor do que
o diâmetro externo do anel de cobre da quantidade a, e a estrutura é
montada após aquecimento preliminar do anel de aço. Quando o anel de
aço resfria, produz pressão no anel de cobre (pressão de ajustagem por
contração). Determinar as tensões no aço e no cobre depois da montagem,
sabendo-sé que ambos os anéis têm seÇões transversais retangulares,
com as dimei;isões h. e h. na direção radial e dimensões iguais a unidade
na direção perpendicular ao plano do anel. As dimensões h. e h. podem
ser consideradas pequenas quando comparadas ao diâmetro d da super-
ficie de contato dos dois anéis.
Solução. Seja x a pressão uniformemente distribuída por unidade de
área da superfície de conta to dos anéis; então, a tensão de compressão
no cobre e a tensão de tração no aço serão determinadas pelas equações:

xd xd
"•::::;: 2;i:- (a)
2h.
O decréscimo do diâmetro externo do anel de cobre será:

~. = " . d
-E' = -:i:d'
--
, 2hcEe
TRAÇÃO E COMPRESSÃO ENTRE . OS LIMITES ELASTICOS 55

O acréscimo do diâmetro interno do anel de aço será:

ª• d xd'
ll, = E;- = 2h.E.

A pres!lâO incógnita x será determinada pela equação:

ll1 + ll, = -
xd'
-( · -l - + -1- ) =ll,
2 . h,E, h.E.
donde

2 ll h.E.
:z:=
d' e1+h.& h.E. ) \

Agora, as tensões ª• e a, serão obtidas pelas equações (a)

ª' = dll _hh., X ___E_._ __ _ll_ X E.


l + _h. E. ' ª• d l + h, E.
h, E, h, E,

5. Determinar as tensões que se produzirão no anel cintado do pro-


blema anterior, pela rotação do anel com velocidade constante de n
rotações por minuto.

Solução : Devido ao fato de que o cobre tem densidade maior e módulo


de elasticidade menor do que o aço, o anel de cobre comprimirá o anel
de aço durante a rotação. Representemos por x a pressão por centímetro
quadrado da superfície de contato entre os dois anéis. Então, as tens3es
correspondentes serão dadas pelas equações (a) do problema anterior.
Em adição a estas tensões, devemos levar em conta as tensões produzidas
pelas fôrças centrífugas. Representanto por y. e y, os pesos específicos
do aço e do cobre, e aplicando-se a equação !15), obteremos:

_
ª• - gY• e 2r.n )
--00--
2 e+ d
2
h. ) 2 •
• ª'
= i( 2o;rn)
g 60
2 (d -
2
h,) 2
.

Combinando estas tensões com as tensões devidas à pressão :z: e notando


que o alongamento relativo de ambos os anéis deve ser o mesmo,
obter-se-á a seguinte equação para a determinação de x:

...!_[i(
E.
2r.n )
60 g
2
e+d
2
h. ) 2
+ xd ]
2h. =

= ~, [ ~ e 2~; ye d -; h. ) •
-
xd
2h,.'
J
da qual :z: pode ser calculado para cada caso particular. Conhecendo-se :i:,
a tensão total no cobre e no aço pode ser determinada sem dificuldade.
56 RESIST!:NCTA DOS ,MATERIAIS

6. Determinar a velocidade tangencial limite de um anel de


cobre, sabendo-se que a tensão admissivel é ª·•~ =
210 kg/cm' e
y, =0,0088 kg/cm'.
7. Referindo-se ao problema 2 e à figura 29, determinar a tensão no
cobre à temperatura ambiente, sendo t - t. = 50, centigrados, h, = h.
e a, - a. = 4 X 10-•.
8. Referindo-se ao problema 5, determinar o número de revoluções n,
por minuto, em que a tensão no anel de cobre se torna igual a zero, se
a tensão de montagem inicial no mesmo anel era de compressão e igual
a a,; h, = h. e E. = 2E,.
Sól·ução : O número de revoluções n será determinado pela equação :

9. Achar as tensões no anel cintado do problema 4, admitindo que,


8= 0,0025 cm, d= 10 cm, h. = h., e E,/E, = 21/11.
Achar as variações dessas tensões, se a temperatura dos anéis cresce, depois
da montagem, de 5º centigrados. Tomar a, = 16 X 10-• e ª• = 12 X 10....
10. Referindo-se ao problema 5, achar as tensões no aço e no cobre,
sendo n = 3000 r. p. m., d = 60 cm, h. = h, = 1,25 cm,
y, = 0,00785 kg/cm', e y, = 0,00880 kg/cm'.

(c)(1)
(c)(1)

CAPÍTULO II

ANALISE DAS TENSÕES· E DAS DEFORMAÇÕES

9. Variação da tensão com a orientação da seção transve~I;


no caso da tensão e compressão simples. - Estudando as ten~ões
numa barra prismática submetida à tração axial P, considerafnos
previamente (artigo 2), só a tensão
nas seções transversais perpendicula-

~
res ao eixo da barra. Agora, conside-
raremos o caso em que a seção trans-
versal pq (figura 30a), perpendicular I·
(O) '/
.
ao plano da figura, é inclinada em
relação ao eixo da barra. Desde que
p
tôdas as fibras longitudinais têm o
mesmo alongamento (veja página
25), as fôrças que representam a ação
da parte direita da barra sôbre a par- Fig. 30
te esquerda, estarão uniformemente
distribuídas na seção transversal pq. A parte esquerda da barra, iso-
lada na figura 30b. está em equilíbrio sob a ação dessas fôrças e
da fôrça exterior P aplicada na extremidade esquerda. Portanto,
a resultante das fôrças distribuídas na seção transversal pq é igual
a P. Representando por A a área da seção transversal normal ao
eixo da barra e por 'P o ângulo entre o eixo dos x e a normal n
à seção transversal pq, a área da seção transversal de pq será
A/cosip e a tensão s nessa seção transversal será
Pcos 'P
8 = A
= Uz COS l(J (16)

onde uz = P /A representa a tensão na seção transversal normal ao


eixo da barra. Vê-se que a tensão s, numa seção transversal incli-
nada qualquer da barra, é menor do que a tensão uz na seção trans-
versal normal ao eixo da barra e que ela diminui quando o ângulo
'P aumenta. Para 'P igual a r./2,. ~ seção pq é paralela ao eixo da
barra e a tensão s torna-se igual a zero, o que indica que não há
pressão entre as fibras longitudinais da barra.
58 RESISnNCIA DOS MATERIAIS

A tensão s, definida pela equação (16), tem a direção da fôrça


P e não é perpendicular à seção trans-
versal pq. Nesses casos, é comum
decompor-se a tensão totai em duas
componentes como mostra a figura
31. A componente da tensão perpen-
dicular à seção transversal 17,. é cha-
Fig. ·31 mada tensão normal. Sua grandeza é
17,. = s cos 'P = a,, COS 2 'P· (17)
A componente tangencial .,. é chamada tensão de cisalhamento e
tem para valor

.,. = s sen 'P = cr,cos 'P sen 'P = 2


17,,
sen 2 rp. (18)

Para formarmos a imagem da deformação que cada componente


da tensão produz, consideremos um pequeno elemento cortado da
barra por duas seções paralelas adjacentes pq e p, q, figura 32a.
As tensões que atuam nesse elemento es- ~
tão representadas na figura 32a. As fi- ,..__...!!~.....-----,.<.....>,,._....,
guras 32b e 32c são obtidas decompondo~ ~ ~
estas tensões nas suas componentes nor-
mal e tangencial, como foi explicado aci- R~raJ '1, '1
ma, e mostram, separadamente, a açã'o / ~~·-.r
de cada uma dessas componentes. Vê-se 6• '~,
que as tensões normais a,. produzem dis- <11J 'I. '1 fC'J 1. 9
tensão do elemento na direção da normal Fig. 32
n à seção transversal pq e as tensões de cisalhamento produzem
deslizameoto da seção pq em relação à p, q,.
Pela equação (17), observa-se que a tensão normal máxima
atua nas seções transversais, normais ao eixo da barra, e teremo~

A tensão de cisalhamento máxima, como se vê pela equação (18),


atua na seção tl'ansv~~s~) - 8" i?cünada de 45° e~-reiã"Ção ãociiOJ
da barra, para a qual :se~ 2.'J' = J, .le t_g_m..parª--~ªndez.q_J
1 (19)
T max = 2 Uz.

Se bem que a tensão de cisalhamento max1ma seja a metade da


tensão normal rnáxima, aquela é, algumas vêzes, o fator contro-
lador, o que acontece quando consideramos a resistência de mate-
riais que são muito mais fracos ao cisalhamento do que à tração.
ANÁLISE DAS TENSóES E DAS DEFORMAÇÕES 5~l

Por exC'mplo, num L'nsaio dt• t r<it:;"111 clt• uma l1arra dt• ;i~·o d11t'l' l'lll!l
superfície polida, o L's1·oamt•11to do 11wtal (• \·isi\·l'I a ,->lho nu 1i'igur; 1
33). ÊStc cscoamL•nto Ul'Ol'l't' ao longo dt• planos i11di11aclos, ~l'gt11Hl11
(c)(1)

(c)(1)

linhas inclinadas, ck•nominadas linhas de LUL'dl'r, pal'a us quais a


tensüo d<' cisalhamL•nto é um múximo L' para um ,·,tlor da
fôn:a P que l'OlTL'sponde ao ponto B da figura -lu. [sso indica qu1•
no cuso do aL:o doCL'. a l'llptura é prnduzida pela IL'nsüo dt' cisa-
lhamcnto máxima, apesar dL•sta tensão SL'r igual, a1JL>nus, da lt•nsào
not'mal máxima.
As fórmulas 117) L' ( 18) deduzidas para uma barra solil'itada à
trac;ão, podem também SL'r usadas para o caso ela i:ompn'ssão.
Considcrnm-SL' positivas as tL•nsiiL's de tnic;iio l' nt'gativas ;1s dt•
compn•ssüo. Portanto, para uma bat'ru
(+) c-J suj('ita i1 compn•ssão axial, IPr!'mos, ~(,.
lílt
(a}
'[}' nwntL', que tomar '" com sinal nL'gativo
1 1 ILJt nas fórmulas 07 L' 18). O sinal negativo
1 1 1 1 ck "" indicará, L'ntão, que na figma :~2/J
(t:) (d)
(b} obtPremos cm lugar de trac:ão uma ac:üo
Fig. :i 1 de compressüo no pequeno elemento
compreendido l'ntrc as seçüPs transvNsais adjacentes Jl<J e p, <J,. O
sinal negativo de , na fórmula (lRl indicará qul' para compressão
60 RESISttNCIA DOS l\lATERIAIS

da barra, a ação da tensão de cisalhamento no elemento tem dire-


ção oposta à representada na figura 32c. A figura 34 ilustra as re-
gras de sinais de tensões normal e de cisalhamento que serão usadas.
O sinal positivo para o cisalhamento toma-se quando as tensões for-
mam um conjugado no sentido do movimento dos ponteiros do re-
lógio, e o negativo no caso contrário.

PROBLEMAS

1. Mostrar que os conjugados nas figuras 32b e 32c equilibram-se.


2. Uma barra prismática, cuja área da seção transversal é A cm' esta
sujeita a uma fõrça axial de compressão ·p = 5000 kg. Achar cr. e T para
um plano inclinado de 45° com o eixo da barra.
2500
Resposta. cr. = ± T =- -A-- l<g/cm 2

3. Achar a variação da distância entre os planos pq e p, q,, na figura


32a, produzida por fõrças P = 15000 kg sabendo que a distância inicial
entre aquêles dois planos é 1,25 cm, a área da seção transversal é
A =
6 cm' e rp 45" =
4. Determinar o ângulo q: <figura 32al que define o plano pq em que~
(1) a tensão normal cr. é a metade da tensão máxima cr.; (2) a tensão de
cisalhamento T é um têrço de cr ...
• 1
Resposta. (1) rp = ± 45"; (2) rp = arctg 3
10. Círculo das tensões - Círculo de Mohr. - As fórmulas (17)
e (18) podem ser representadas gràficamente 1 • Tomemos um sis-
tema de eixos coordenados ortogonais com
a origem e,m O e com o sentido positivo i
dos eixos representado na figura 35. Co- T

meçando com a seção transversal pq, per-


pendicular ao eixo da barra, teremos, para
êste caso, rp = O na figura 31 e acharemos
pelas fórmulas (17) e (18), <T,, = <T,,, ,. = o.
Escolhendo-se uma escala para as tensões,
medindo-se as componentes normais ao
longo do eixo horizontal e as componentes
de cisalhamento ao longo do eixo vertical Fig. 35
a tensão que atua no plano 'P = O é repre-
sentada na figura 35 pelo ponto A, que tem atiscissa ·igual a cr,, e
• Esta representação gráfica é devida a O. Mohr. Civili1'genieur, 1882, p. 113. Veja
também o seu Abhafldlugefl, p. 219 1906. Neste llvro serão dadas, também, rete-
rências a outras publicações no mesmo assunto.
A."<ALISE DAS TENSôES E DAS DEFORMAÇÕES 61

ordenada zero. Tomando-se agora um plano para,lelo ao eixo da


barra, teremos ip = .,,.;2 e observando-se que ambas as componentes
da tensão se anulam para ésse plano, concluiremos que a origem o
na figura 35 corresponde a éste plano. Construindo-se então, sôbre
OA como diâmetro, um circulo, provaremos fàcilmente que as com-
ponentes da tensão para qualquer seção transversal pq, com um
ângulo ip escolhido arbitràriamente, figura 31, serão representadas
pelas coordenadas de um ponto naquele circulo. Para obtermos o
ponto no circulo correspondente a um ângulo rp, é necessárió, so-
mente, medir-se a partir do ponto A, no sentido contrário ao do
movimento dos ponteiros do relógio, um arco correspondendo a um
ângulo igual a 2rp. Seja Do ponto obtido dessa maneira; então, pela
figura,

OF = OV + CF = ~ + ~ cos 2 ip = ur cos'1"

DF = (JIJ sen 2 rp = ~ sen 2 rp.

Comparando estas expressões das coordenadas do ponto D com as


expressões (17) e (18), vê-se que éste ponto define as· tensões que
atuam no plano pq, figura 31. Quando a seção pq gira no sentido
contrário ao do movimento dos ponteiros do relógio, em tôrno de
um eixo perpendicular ao plano da figura 31, rp variando de O
até r./2, o ponto D move-se de A até O, de modo que o semicír-
culo superior determina as tensões para todos os valores de \' entre
ésses limites. Se o ângulo cp fôr maior do que ir/2, obteremos uma
seção transversal, como se acha indicada na figura 36a, pelo
plano mm que tem uma normal exterior 2 n,, a qual faz com o eixo
dos x um ângulo maior do que ,,./2. Medindo, novamente, na figura
35, o arco que corresponde a um ângulo igual a 2,,, no sentido
contrário ao do movimento dos ponteiros do relógio, a partir de
A, obteremos, agora, um ponto no semicírculo inferior.
Tomemos, como exemplo, o caso em que mm é perpendicuiar à
seção transversal pq que foi considerada anteriormente. Neste caso,
o ponto correspondente do circulo na figura 35 é o po::lto D, tal
que, o ângulo DOD, seja igual a ,,.; assim DD, é um diâmetro do

' A parte da barra na qual as tensões agem, é Indicada pelo hachur1jdO' A


normal e"terna "' é dirigida para tora desta parte.
62 RESIST:€NCIA DOS MATERIAIS

círculo. Usando as coordenadas do ponto D., acharemos as com-


ponentes da tensão uni e T1 para o plano mm

Un1 =
7'l"T.i""
vF = vG -
1
7'l7"õ • --
F,G = 2<Tz - 2O"z cos 2ip = u., sen 2 ip (20)

- FiD1 = - GD1 sen 2rp = ...!!..=....sen2ip


2
3 (21)

Comparando êstes resultados com as expressões (17) e (18) acha-


remos:
u,. + <Tn1 = O"z COS 2 'P +
O"z sen• 'P = O"., (22)
T1 = - T. (23)
Isso indica que a soma das tensões normais que atuam em dois
planos perpendiculares permanece constante e igual a <Tz. As ten-
sões de cisalhamento que atuam em dois planos perpendiculares
são numericamente iguais, mas de sinais contrários.

fP
p .JHJ?---+-..\. __,.
p

{a)

Fig.· 36

Tomando-se as seções transversais adjacentes m1 m1 e P1 qi para-


lelas a mm e pq, isolaremos um elemento, como mostra a figura
36b, e as direções das tensões que atuam neste elemento estão aí
indicadas. Vê-se que as tensões de cisalhamento que atuam nos
lados do elemento, paralelos ao plano pq, produzem um conjugado
no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, as quais, de
acôrdo com a regra definida na figura 34c, devem ser consideradas
positivas. As tensões de cisalhamento que atuam nos outros dois
lados do elemento, produzem um conjugado no sentido contrário
ao do movimento dos ponteiros do relógio, as quais, de acôrdo com
a regra definida na figura 34d, são negativas.
• Toma-se o sinal negativo porque o ponto D, está no lado das ordenadas ne·
gativas.
ANÃLISE DAS TENSôES E DAS DEFORMAÇOES 63

O círculo da figura 35, chamado circulo das tensões ou círculo


de Mohr é usado para determinar as componentes da tensão .;.,.
e T para uma seção transversal pq, cuja normal faz um ângulo
qualquer rp com o eixo dos x, figura 31. Construção semelhante
pode ser usada para resolver o problema inverso, em que as co~­
ponentes u,. e T são dadas e se procura determinar a tensão de
tração ur na direção axial e o ângulo 'P· Observemos que o ângulo
entre a corda OD e o eixo dos x é igual a rp, figura 35. Portanto,
depois de têrmos construido o ponto D de coordenadas u,. e T, obte-
remos rp, traçando a linha OD. Conhecendo-se o ângulo rp, o raio
DC que faz o ângulo 2rp com o eixo OC pode ser traçado e o centro
e do círculo das tensões será obtido. o diâmetro dêste círculo dá
a tensão u: procurada.

PROBLEMAS

1. Determinar cr. e T, analítica e gràficamente, sendo cr. = 1050 kg/cm' e


op =
30º ou op =
120º. Usando os ângulos de 30º e 120° isolar um elemento,
como está indicado na figura 36b, e mostrar com setas os sentidos das
tensões que estão atuando no elemento.
2. Resolver o problema anterior admitindo que, em lugar de tensão de
tração cr ., atua tensão de compressão da mesma grandeza. Observar que
neste caso, o diâmetro do círculo, figura 35, deve estar no lado negativo
das abscissas.
3. Num plano pq, figura 31, atua a tensão normal cr. = 840 kg/cm' e a
tensão de cisalhamento T = 280 kg/cm'. Achar o ângulo 'P e a tensão cr.
Resposta:
1 cr.
tgop = ª" = 933 kg/cm•
3 cos''P
4. Nos dois lados ortogonais do elemento da figura 36b, atuam as ten-
sões normais cr. =
840 kg/cm' e cr., 420 kg/cm'.=
Achar cr. e T.
Resposta
cr. = 1260 kg/cm', T = ± 594 kg/cm'

5. Achar a tensão de cisalhamento máxima para o caso do problema 1.


. 6. Determinar a inclinação das seções transversais para as quais as
·tensões normal e de cisalhamento são numericamente iguais.
'Ir 37r
Resposta. "' = T e _ 4_
64 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

11. Tração ou compressão em duas direções ortogonais. ,;___ Há


casos em que o material de uma estrutura é submetido à ação de
tração ou de compressão em duas direções ortogonais. Como exem-
plo dêste estado de tensão, con11ideremos as tensões na parede ci-
líndriça de uma caldeira submetida à pressão interna de p kg/cm•.•
Cortemos um pequeno elemento da parede cilíndrica da caldeira
por meio de duas seções axiais adjacentes e duas seções circulares,
figura 37a. Devido à pressão interna, o cilindro distender-se-á tanto

(d)

Fig. 37

na direção axial como na direção radial. A tensão de tração ªu na


direção radial será determinada da mesma maneira que no caso
do anel circular (artigo 8). Representando o diâmetro interno da
caldeira por d e a espessura de sua parede por h, esta tensão será
pd
aV = """"2h"" (24)

Ao calcularmos a tensão de tração a, na direção axial, imaginamos


a caldeira cortada por um plano perpendicular ao eixo dos x. Con-
siderando o equilíbrio de uma parte da caldeira verificaremos que
a fôrça de tração que produz a distensão longitudinal da caldeira,
é igual à resultante da pressão nas extremidades da caldeira, isto
é, igual a:

p = p e7r:· ).
A área da seção transversal da parede da caldeira é 5 :

A= ..dh.
Portanto
p pd
(25)
A - 4h •

' Com mais precisão, 11 representa a diterenc:-a entre a pressão interna e a pressão
atmosférica.
' Considera-se a espessura da parede multo ..,quena em relação ao diâmetro
e usa-se a fórmula aproximada para a ãre:=t da seC"ão transversal.
ANÃLISE DAS TENSõES F: DAS DEFORMAÇôES 65

Vê-se que o elemento de parede sofre tensões de tração "·· e 11., em


duas direções ortogonais.'; A tensão de tração '"' na direção radial
é o dôbro da tensão cr,. na direção axial. Consideremos, agora a
tensão numa seção transversal qualquer pq, figura 37a, p~·p~n­
dicular ao plano :xy e cuja normal n faz o ângulo .;: com o eixo
dos x. Aplicando as fórmulas (17) e (18) do artigo anterior, con-
c!uímos qu~ ·as tensões de tração o-,;, que atuam na direção axial,
produzem no plano pq tensões normal e de cisalhamento de gran-
dezas.
....
I
"· cos·',:, 2 IT.

2 Sl'll o;. (<1)

Para calcular as componentes de tensão produzidas num mesmo


plano pq pela tensão de tração '"'' observaremos que o ângulo com-
preendido entre o-,,, e a·normal n. figura 3711, é e mede-se -f- ·.;:
a partir do eixo dos y, no sentido do movimento dos ponteiros do
relógio; enquanto que .;: é medido a partir do l'ixo dos .r e cm
sentido contrário. Dai, concluiremos que, aplicando as fórmulas
(17) e (18), deveremos substituir, nesse c.:aso, "·'por ,,.,, e .; por
- (.í" - <f). Isso dá:
li,, " 1r, sen\:, ''·· Sl'll 2 .:.
'J

Somando-se as componentes de tensão (a) e (/>) prnduzidas, res-


pectivamente, pelas tensões cr,. e 11,,, a resultante das componentes
da tensão normal e de cisalhamento. para o caso de tração cm
duas direções ortogonais, são obtidas
( 2li)
1
• -- - 0 ,· (.r. · 11 .. ) Sl'll ~-- !271
~

12. Círculo das tensões para


tensões compostas. - Proceden- tTn,

do, como no artigo 10, podemos+T


obter, ràpidamente, uma repre-
sentação gráfica das fórmulas T,
( 26) e ( 27 J , usando o círculo º-t-----r---r-r-t~--+ª;;__1--''c.::."­
das tensões. Admitindo, nova-
l'
mente, que as abscissas e as or- o;
denadas rq1resentam as compo-
nentes d;: · ·nsão normal e de
cisalhamento, numa certa es-
cala, concluiremos que os pontos A e B, na figura 38, com abscissas
iguais a 11,. e cr,, representam as tensões que atuam nos lados do
'" A supcrfic·ie interna do elemento dlindriro sofre tamhém pressãt> qual. ª
porém. C' pequena c.·omparada com 1r. e 11 11 e, portanto, negligenciada nos estudos
llnstertores.
66 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

elemento da figura 37a, perpendiculares, respectivamente-, aos


eixos dos x e dos y. Para obter as compon~ntes de tensão, num
plano inclinado qualquer, definido pelo ângulo .,, na figura 37a,
teremos de construir apenas um círculo, tendo AB para diâmetro,
e traçamos o raio CD fazendo o ângulo ACD, igual a 2.,, e medido
a partir do ponto A em sentido contrário ao do movimento dos
ponteiros do relógio. Pela figura, concluímos que:
OE = UG - CE = ~ (OA + OE) - }<OB - OA) cos 2rp

= -+- a!I - -
Ur
2 2 Uz
Uu -
- cos 2 rp = u; cos-" 'P + u 11 sen-• 'P·
Isso indica que a abscissa OE do ponto D no círculo, dá a com-
ponente de tensão normal u,. (26) ·quando medida na escala
adotada.
A ordenada do ponto D é:
DE = CJ5 sen 2rp -Uy--2-U.r- sen 2rp
Observando que esta ordenada deve ser tomada com o sinal nega-
tivo, concluiremos que a ordenada do ponto D, tomada com o sinal
apropriado, dá a componente de tensão de cisalhamento T (27).
Quando o plano 'P'1. gira no sentido contrário ao do movimento
dos ponteiros do relógio, em relação a um eixo perpendicular ao
plano xy, na fi~ra 37a, o ponto D .correspondente move-se no
mesmo sentido, ao longo do círculo de tensões da figura 38, de
modo que, para cada valor de .,,, os valores correspondentes cr,, e· T
são obtidos como as coordênadas do ponto D.
Dessa representação gráfica das fórmulas (26) e (27) conclui-se
logo que a componente da tensão normal máxima em nosso caso 1 ,
é igual a ·u11 e a tensão de cisalhamento máxima, representada pelo
raio CF' do círculo da figura 38, é
_ u!I - Ur
..,, . -- - 2 - - (28)
e ocorre quando sen 2.,, = - 1 e "' = 3... /4. No plano determinado
por .p = ... /4, atua uma tensão de cisalhamento de mesma grandeza
mas de sinal negativo.
Tomando-se dois planos ortogonais definidos pelos ângulos
.,, e ...;2 + "'• que as normas n e n1 fazem com o eixo dos x, as
componentes de tensão correspondentes são dadas pelas coorde-
nadas dos pontos De D,, da figura 38, e concluiremos que:
(29)
Tt = - T. (30)
,. Consideramos somente planos perpendiC"ulares ao plano .1·.11. Para um raso mais
geral. ver o artigo 18.
ANALISE DAS TENSôES E DAS DEFORMAÇôES 67

Isso indica que a soma das tensões normais que atuam em dois
planos ortogonais permanece constante quando o ângul~·-"" varia.
As tensões de cisalhamento que atuam em dois planos ortogonais
são numericamente iguais, mas de sinais contrários.
O círculo das tensões, semelhante ao da figura 38, pode também
ser construído, desde que uma ou ambas as tensões ar e ªv sejam de
compressão, sendo necessário somente medir as tensões de com-
pressão no lado negativo do eixo das abscissas. Admitindo, por
exemplo, que as tensões que atuam num elemento são representadas
na figura 39a, o círculo correspondente acha-se representado na
figura 39b. ""

p r "
1'

e o
•ti A
"
..,
(11)
(b)
..
Fig. 39

As componente da tensão que_ atuam num plano pq de normal n,


são dadas pelas coordenadas do ponto D~ no diagrama.

PROBLEMAS

1. A caldeira representada na figura 37 tem d = 250 cm, h = 1,25 cm.


Determinar a, e a,, sendo p =
7 kg/cm". Isolar um pequeno elemento pelos
planos para os quais cp =
30° e cp -=
120º, e mostrar as grandezas e os
sentidos das componentes de tensão que atuam nas partes laterais daquele
elemento.
2. Determinar a tensões a,, a,,, ,. e ,., sendo, na figura 39a,
a. =
700 kg/cm", a_, =-
350 kg/cm", cp =
30" e .,,, =
120".
Resposta: a. =
437,5 kg/cm",a, 1 = - 87,5 kg/cm", ,. = - ,., = 455 kg/cm".
3. De.terminar a,, a,,. ,. e ,., no problema anterior, sendo o ângulo <P
escolhido de tal modo que T seja um máximo.
Resposta: a. = a., =
175 kg/cm", ,. = - ,., = 52,5 kg/cm".
68 RESISTl'.!:NCIA DOS MATERIAIS

13. Tensões principais. - Mostrou-se, no artigo anterior, que


para tração ou compressão em duas direções ortogonais x e y, uma
das duas tensões a,, ou ªu é a tensão máxima e a outra a mínima.
Para todos os planos inclinados, como os planos pq nas figuras 37a
e 39a, o valor da tensão normal an está compreendido entre êsses
valores limites. Ao mesmo tempo estão atuando em todos os
planos inclinados ·não somente tensões normais an, mas também
tensões de cisalhamento T. Essas tensões ª" e ay, que são uma a
tensão normal máxima, e a outra mínima, são chamadas de ten-
sões principais e os dois planos ortogonais em que elas atuam
são chamados planos principais. Não há tensões de cisalhamento
atuando nesses planos.
No exemplo do artigo anterior, figura 37, as tensões principais
a,, e ªu foram obtidas de considerações muito simples, e foram
pesquisadas as expressões para as componentes da tensão normal
e de cisalhamento que atuam num plano inclinado qualquer, tal
como o plano pq na figura 37a. Em nosso estudo posterior (veja
parágrafo 126) haverá casos em que será possível determinarem-se
as componentes da tensão normal e de cisalhamento que atuam
em dois planos ortogonais. Do estudo anterior, já sabemos que
essas tensões normais não representam a tensão máxima, que é a
tensão particularmente importante num projeto. A fim de obtermos
o valor máximo da tensão, precisamos· conhecer as tensões princi-
pais. O caminho mais simples para resolver êsse problema, consiste
em se fazer uso do circulo das tensões que consideramos na figu-
ra 38. Admitamos que as tensões que atuam num paralelepípedo
retangular elementar abcd são as representadas na figura 40a. As
.Y
.,.

•T
a
;IC
o
d
"'
(ai

(b)
·Fig. 40
tensões a,, e ªu não são tensões principais, uma vez que nos planos
perpendiculares aos eixos dos x e dos y estão atuando não só ten-
sões normais, como também tensões de cisalhamento. Para cons-
truirmos o círculo das tensões ·neste caso, usaremos, primeiro, as
ANALISE DAS TENSOES E DAS DEFORMAÇÕES 69

componentes de tensões uz, uu e T e construiremos os pontos D e


D., como se acha indicado na figura 40b. Desde que êstes dois
pontos representam as tensões que atuam em dois planos ortogo-
nais, o comprimento DD1 representa um diâmetro do .•~rculo das
tensões. A interseção deste diâmetro com o eixo dos x dá o cen-
tro G do círculo, de modo que o círculo pode ser construído fàcil-
mente. Os pontos de interseção A é B do círculo com o eixo dos
x definem as grandezas das tensões normais máxima e mínima,
que são as tensões principais e que representamos por u1 e u 2•
Aplicando-se o círculo, as fórmulas para calcular u1 e u, podem ser
fàcilmente obtidas. Pela figura, temos

u, = OA = OC +VD- <Tz -r
2 +·vc<T11 Uz
~
-
2
<ru) •
+ T2, (31)

u, = OB=OV - CD=
<Tz + -VC
2
u,,
2
r
<ru ) • + T2,Uz
(32)
-

As direções das tensões principais podem também ser obtidas


pela figura. Sabemos que ângulo DCA é o dôbro do ângulo com-
preendido entre a tensão u, e o eixo dos x, e como 2,, é medido
de D para A no sentido do movimento dos ponteiros do relógio,
o sentido de u, deve ser o indicado na.figura 40a." Se isolarmos o
elemento tracejado na figura tendo os lados normal e paralelo a a 11
haverá sómente tensões normais u 1 e u, atuando em seus lados.
Para o cálculo do valor numérico do. ângulo ,, temos, pela figura,
DE
jtg 2 'P 1 = "UE .
Com relação ao sinal do ângulo cp, êste deve ser tomado negativo
nesse caso, pois que é medido no sentido contrário ao do movimento
jos ponteiros do relógio, a partir do eixo dos x, figura 40a. Portanto
tg 2cp = - DE = - 2T (33)
V1!f <Tz - <Tu

A tensão de cisalhamento máxima é dada pela grandeza do raio


do círculo das tensões e temos

Tmaz = Ut 2 <T2 = V( Uz ; <Tu y+ T• • (34)

As equações de (31) a (34) resolvem completamente o problema


da dete:rminação das tensões normal máxima e de cisalhamento
máxima, desde que as tensões normal e de cisalhamento, que atuam
em dois planos ortogonais quaisquer, sejam dadas, por isso que um
círculo é fixado por dois pontos situados nas extremidades de um
diâmetro." .
70 RESISTJ;':NCIA DOS MATERIAIS

PROBLEMAS

Um elemento, figura 40a, é submetido à ação de tensões ª'


1. =
=- 350 kg/cm', ª• =: 210 kg/cm', = 70 kg/cm'.
T Determinar as grandezas
e os sentidos das tensões principais a, e ª''
Solução. Aplicando-se as fórmulas 31 e 32, obteremos:

ª' =_ 350 +2 210 + lV/ e 350 - 210 ) •


2 + 70' = 280 +. 99 = 379 kg/cm',

ª' = 280 - 99 = 181 kg/cm'.


Pela fórmula 33, teremos:
tg 2 'P =- 1, 2<p = - 45º, 'P = _:_ 22º 30'.
O sinal menos indica que 'P é medido a partir do eixo dos :z; como mostra a
figura 40a, no sentido do movimento dos pon·
teiros do relógio.

2. Determinar a direção das tensões princi-


pais no problema anterior, sendo
a, = - 350 kg/cm'.
pr=-r--=..::,.o:::l:::__--!! 8 Solução. O circulo das tensões correspon-
dente acha-se representado na figura 41;
tg 2 rp = 0,25, 2 'P = 14º2'. Portanto, o ângulo
que faz a tensão de compressão máxima com
o eixo dos x é igual a 7º1' e é medido a par-
Fig. 41 tir dêsse eixo no sentido contrário ao do mo-
vimento dos ponteiros do relógio .
Achar o circulo das tensões para o caso de duas trações iguais,
.3.
ª• = ª• ::;: a e para duas compressões iguais ª~ = "• = -- "·
T = O em am-

bos os casos.
Resposta. Os círculos transformam-se em pontos no eixo horizontal com
as abscissas a e - a, respectivamente.

4. Nos lados do elemento representado na figurâ 42a estão atuando as


tensões ª• = - 35 kg/cm', ª• = 105 kg/cm', " = 70 kg/cm'. Achar, aplican-
do-se o circulo das tensões, as grandezas das tensões normal e de cisalha-
mento: Cal nos planos principais, (b) ·nos planos das seções de cisalhamento
m{iximo.
Solução. O circulo correspondente das tensões está dado na figura 42b.
Os pontos D e D, .representam as tensões que atuam nos lados do ele-
mento da figura 42a, perpendiculares aos eixos dos x e dos !/, OB e õA
representam as tensões principais. Suas grandezas são "' = 134 kg/cm' e
ª' =- 64 kg/cJ'll', respectivamente. A direção da tensão de compressão má-
ANALISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇÕES 71

xima ª' faz o ângulo 22º 30' com o eixo dos x, o qual é medido a partir
désse eixo no sentido contrãrio ao do movimento dos ponte~os do relógio,
como se vê na figura 42a. Os pontos F e F, representam as tensões que

·+1'
F

lf
Fig. 42
atuam nos planos sujeitos ao cisalhamento mãximo. A grandeza dêsse ci·
salhamento é 99 kg/cm•. OG representa a tensão normal igual a 35 kg/cm'
que atua no mesmo plano.
5. Resolver o problema anterior, sendo a. = - 350 kg/cm',
a, = 210 kg/cm'. = 70 kg/cm•.
T

14. Análise da deformação no caso da tração simples. - No ar-


tigo 2, foi estudado o alongamento axial de uma barra solicitad~ à
tração. As experiências mostram que êsse alongamento axial é sem-
pre acompanhado de uma contração lateral da barra, e que a relação
contração lateral relativa . . . . .
l t . l z t·
a ongamen o axia re a ivo
e constante entre os hmites elasticos
para uma determinada barra. Esta constante será designada por µ.
e é chamada de coeficiente de Poisson, nome do matemático fran-
cês que determinou esta relação analiticamente, lançando mão da
teoria molecular da estrutura do material. Para materiais que têm
as mesmas propriedades elásticas em tõdas as direções, chamados
materiais isótropos, Poisson achou p. = 1/4. Uma investigaçãe ex-
perimental da contração lateral em metais estruturaisª mostra que
p., comumente, não está muito afastado do valor calculado por
Poisson. Por exemplo, no caso do· aço de construção pode ser to-
mado como sendo p. = 0,30. Conhecendo o coeficiente de Poisson
para um material, pode-se calcular a variação de volume de uma
barra sujeita à tração. O comprimento da barra crescerá na re-
lação (1 + e) : 1. As dimensões laterais diminuem na relação

1 l!:stes materiais podem ser considerados lsótropos (veja parte II).


72 RESISTJ;;NCIA DOS MATERIAIS

(1 - µE): 1; portanto, a área da seção transversal diminui na re-


lação ( 1 - µE)": 1. Então o volume da barra varia na relação
(í + f) (1 - p.E)": 1, a qual se torna (1 + f. - 21LE): 1, desde
qi..e notemos ser E uma quantidade pequena e desprezível o seu qua-
drado. Então, a dilatação cúbica específica, dilatação da unidade
de volume, será F (1 - 2µ). É improvável que qualquer material
diminua de volume quando solicitado à tração; portanto p. deve ser
menor do que 0,50. Para materiais como a borracha e a parafina p.
aproxima-se do limite acima e o volume dêsses materiais, durante
a distensão, permanece aproximadamente constante. Por outro
lado, material como o concreto, tem pequena grandeza para 1-'·
(µ == 1/8 a 1/12) e para a cortiça µ pode ser tomado igual a zero.
O estudo anterior da contração lateral durante a tração pode
ser aplicado, com as mudanças necessárias, ao caso da compressão.
A compressão longitudinal será acompanhada de expansão lateral
e para calcularmos esta, usaremos o mesmo valor de ,.. do caso
da tração.
PROBLEMAS
1.Determinar o aumento de volume unitário da barra solicitada à
tração, sendo a-••• = 392 kg/cm', ,,. = 0,30, E = 21 X 10" kg/cm'.
Solução. O aumento da unidade de volume é:
o-••,.. 392
.
dl - 2µ) = ----
E
n - 2,,.1 =- - - C1
21 X IO-'
- 0,6) = 74,7 X 10-•

2. Determinar o aumento de volume de uma barra, em que a distensão


é produzida pela fõrça P, que atua na extremidade, e p~lo pêso próprio da
barra ! veja artigo 5 l.
Respostá. O aumento de volume é igual a:

Al(lE- 2p.l (: + ~I)


3. Uma barra de aço de seção circular escá sujeita à ação de uma fõrça
de tração, axial, P, tal que o diâmetro inicial da barra. de 12,5 cm C5in),
diminuiu de 0,025 mm C0,001 in). Achar P.
Resposta: !393000 lbl.
4. A barra do problema anterior é tracionada por _ uma fõrça
P = 50000 kg. Determinar quanto diminuiu a área da seção transversal.
15. Deformação no caso de tração ou compressão em duas di-
reções ortogonais. - Se uma barra com a forma de paralelepípedo
retangular fôr submetida a fôrças de tração atuando em duas di-
reções ortogonais x e y (figura 37) , o alongamento em uma dessas
ANALISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇõES 73

direções dependerá não sàmente da tensão de tração nesta direção,


como também da tensão na direção perpendicular. O ~~ongamento
relativo na direção do eixo dos x, devido à tensão de tração a,,,
será crr./E. A tensão de tração "• produzirá contração lateral, na
direção dos x, igual a µ.a.IE; então, se ambas as tensões a,, e cr,,
atuarem simultâneamente, o alongamento relativo na direção x
será:
(35)

De modo semelhante para a direção y, obteremos:


_ <Ty Uz
1111 - ""E - µ. ""E . (36)

A contração do paralelepípedo na direção Z, será:

e~
_
- - µ. EClr - /J. E"v .-
_
- Eµ. (
cr, T
1
Uu
)

No caso particular em que as duas trações são iguais, a,= u" =o,
obteremos:
Eu = E:r: = -_ir- (1 - µ.) • (37)

Pelas equações (35) e (36), poderemos obter as tensões u,, e u 11 em


função das deformações relativas E,, e E11, como segue:

U:: = (E, -f- p.fy) E .


<Tu =
(F.,, + /J.Er) E (38)
-
1 - ,,.. 1 - 11!
Sendo, no caso representado na figura 37a, o alongamento i;,, na
direção axial e o alongamento e 11 na direção circular medidos por
um extensômetro, as tensões de tração correspondentes u,, e "•
serão determinadas pelas equações (38).
PROBLEMAS
. . ],. Determinar o aumento de volume da caldeira cilíndrica de aço, sob
· pressão interna (figura 37), desprezando-se a deformação das extremidades
e tomando-se a, = 420 kg/cm'. / .. _
,,.':-•·,

Solução. Aplicando-se as equações (35) e (36) teremos:


420 210 357
Eu= - 0,3 X = - - - - - = 17 X 10-•
21 X 10' 21 X 10' 21 X 10'
210 420 84
!& = - 0,3 X = = 4 X 10...
21 X 10' 21 X 10' 21 X 10'
O volume da caldeira crescerá na relação:
( 1 + .. ) (
1 + .. )' :
1 = ( 1 + •. + 2 •• ) : 1 = 1,00038 1
74 RESIST!l:NCIA DOS MATERIAIS

2. Um cubo de concreto é comprimido em duas direções ortogonais pelo


· dispositivo dado na figura 43. Determinar a diminuição de volume do cubo,
sendo o comprimento da aresta igual a lOcm, a tensão de compressão
uniformemente distribuída nas faces,
p
µ. =
0,1 e P = 10000 kg.
Solução. Desprezando o atrito nas
articulações e considerando o equilíbrio
de cada articulação !figura 43bl, pode·
p se mostrar que o bloco é submetido à
(6/ compressão igual em duas direções or-
"') togonais e que a fôrça de compressão
Fig. 43. é igual a Pv2 = 14140 kg.

A deformação correspondente é, pela equação !37!

14140
E'.r = EH = -- X !1 - 0,1) = - 0,000424.
10' X 3 X 10'
Na direção perpendicular ao plano da figura, manifestar-se-á expansão
lateral do bloco, a qual é:

a. a, 14140
·'' = - µ. --:g- - µ. -E = 0,2 X _l_O'___X_3_X_l_O-__- 0,0000943.

O decréscimo por unidade de volume do bloco será:

Fz + Eu + '' = - 2 X 0,0004240 "+ 0,0000943 = - 0,0007537.


3. Determinar o aumento da superfície lateral cilindrica da caldeira
considerada no problema 1 anterior.
Solução. O aumento por unidade de área da superfície lateral é igual
a ,, + " = 21 X 10-•.
4. Determinar o _alongamento na direção ª' de uma barra de aço,
sendo as condições de tensão as indicadas no problema 1, página 70.
Solução.

!t = -21-X1-10'- !379 - 0..3 X 181! = 154,6 X 10-".


5. Uma barra, sujeita a uma tração a. = :noo kg/cm' tem um alon-
gamento específico e. = 0,001.
A razão entre a variação por unidade de volume e a variação por uni-
. 3
dade de área da seção transversal e - - ·
4
Calcular E e µ..
2
Resposta: E =
21 X 10' kg/cm'; ·µ. =
7
ANALISE DAS TENSõES E DAS DEFORMAÇÕES 75

6. A figura 44 mostra um paralelepipedo sujeito à tração em duas


direções ortogonais. Achar o alongamento específico, '• n~ direção """õ(J:
Solução. Depois da deformação, as coordenadas do ponto O serão:
a (1 + •·> e b (1 + '•) , e o comprimento de 00 será
a 1 e. b" ~,,
V a' (1 + 2•• ) + b' (1 + +
2 •• > ::::: V a' b' Cl+a' +
b' + a' + b'
Subtraindo o comprimento inicial, V a' + b- , e dividindo por êsse mesmo
valor vem: e = e:s cos21 a + e, se.n1 a. •

b
....

Fig. 44
16. Cisalhamento puro. Módulo de elasticidade transversal.
Consideremos o caso particular de tensões normais atuando em
duas direções ortogonais, em que a tensão de tração a,, na direção
horizontal é igual, numericamente, à tensão de compressão ªv na
y
+.,

_, +a

4
(b}

Fig. 45

• Esta equa~ão é semelhante à equacão (26). Logo, pode-se usar uma repre-
sentacão gráfica, circulo das deformações, semelhante ao circulo de Mohr para as
tensões.
í6 RESIST:iõ:NCIA DOS MATERIAIS

direção vertical (figura 45a). O círculo das tensões correspondente


está traçado na figura 45b. O ponto D neste circulo representa as
tensões que atuam nos planos ab e cd perpendiculares ao plano xy
e inclinados de 43'' em relação ao eixo dos x. O ponto D, representa
as tensões que atuam nos planos ad e bc perpendiculares à a.b e
cd. Vê-se pelo circulo das tensões que a tensão normal em cada um
dêsses planos é zero e que a tensão de cisalhamento nos mesmos
planos, representada pelo rnio do círculo, é igual, numêricamente,
ü tensão normal " . de modo que
õ : : lTr (r,,. (li)

Se imaginarmos o elemento abcd isolado, êle estará cm equilíbrio


sob as tensões de cisalhamento, sómente no caso da figura 45a.
Êsse estado de tensão é chamado l'Sfado de cisalhm11cnto p11ru.
Pode-se concluir que o estado de cisalhamento purn é equivalente
ao estado de tensão produzido por tração numa direção, e,
compressão igual, na direção perpendicular. Se um elemento retan-
gular, semelhante ao elemento abcd da figum 45a, fõr isolado por
planos que façam com o eixo dos ;r ângulos que não sejam de 45",
teremos atuando nos lados dêsse elemento, tanto tensão normal
como tensão de cisalhamento. A grandeza dessas tensões pode ser
obtida pelo círculo das tensões, figura 45b, da maneira usual.
Consideremos, agora, a deformação do elemento abcd. Desde que
não haja tensões normais atuando nos lqdos dêste elemento, os com-
primentos ab, ad, bc e cd não mudarão devido à deformação, mas a
diagonal horizontal bd se alonga· :i e a diagonal vertical ac encur-
tar-se-á, transformando o qn· . ado abcd num losango, depois da
deformação, como está irn: .. J.do na figura por linhas pontilhadas.
O ângulo em b, o qual era ,,.12, antes da deformação, torna-se agon1,
f) -
menor do' que .,,.;2, isto é, igual a ( y e, ao mesmo tempo, o

ângulo em a aumenta, e torna-se igual a(~)+ 1. O ângulo pequeno


, determina a· distorção do elemento abcd r
e é chamadó de dcfarmação de cisalha- ºr--~----,..-b
Ia, -;-1"'
rnento. A deformação de císalhamento / ,, '
pode ser compreendida da seguinte ma- ,, f/
neira: - O elemento abcd da figura 45a
é girado de 45" no sentido contrário ao do
movimento dos ponteiros do relógio, e
d
colocado na posição indicada na figura
46. Depois da distorção, produzida pelas Fig. 46
tensões de cisalhamento '· o mesmo elemento adquire a posição in-
dicada pelas linhas pontilhadas. A deformação de cisalhamento, re-
presentada pela grandeza do ângulo pequeno y, pode ser tomada
ANALISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇôES 77.

igual à relação aa,/ad, isto é, igual ao deslizamento,horizontal aa.,


do lado ab em relação ao lado de dividido pela distância entre êsses
dois lados. Se o material obedece à lei de Hooke, êste deslizamento
é proporcional à tensão. r e podemos exprimir a relação entre a ten-
são de cisalhamento e a deformação de cisalhamento pela equação:

(39)

na qual G é uma constante que depende das propriedades mecânicas


do material. A equação (39) é semelhante à equação (4) que foi
estabelecida para tração simples, e a constante G é chamada de
módulo de elasticidade trans1:ersal.
Desde que a distorção do elemento abcd, figura 46, é definida
pelo alongamento da diagonal bd e o encurtamento da diagonal ac,
deformações essas que podem ser calculadas aplicando as equações
do artigo ante'rior, podemos concluir que o módulo G pode ser ex-
presso em função do módulo de tração E e do coeficiente de Pois-
son µ.. Para estabelecermos esta função, consideraremos o triângu-
lo Oab, figura 45a. O alongamento do lado Ob e o encurtamento do
lado Oa dêste triângulo, durante a deformação, serão: determinados
aplicando-se as equações (35) e (36). Em função de Ez e Ev teremos:
Ob, = Ob (1 + Ez) , Oa, = Oa (1 + Eu)
e, ·pelo triângulo, Oa,b,:

tg (Ob,a,) = tg ( ~
.oa, 1 -!- ,,,
+) = Ob, = 1 + fz
(b)

Para um ângulo pequeno y, teremos:


tg ~ - tg _Y_ 1 - J_
tg ( -
r.
-- Y)-- 4 2 -
2
(e)
4 2 l+tg~tg_L 1 '
'2
y
4 . 2
Observando-se que no caso de cisalhamento puro

=
_ <Tz (1 + µ.) _ T (1 + p.)
Er Eu - E - E
e iguafanno-se as expressões (b) e (e), obteremos:
r(l + µ.) y
1- E 1-2
----=--:-~ =
1 + r(l + µ.) 1+ ~
E
78 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

donde
y = T(l + µ.)
2 E
ou
y=

Comparando-se êste resultado com a fórmula (39), concluiremos


que:
E
G=~~~- (40)
2 (1 + µ.)
Vemos que o módulo de elasticidade transversal pode ser fàcilmente
calculado, desde que sejam conhecidos o módulo de elasticidade lon-
gitudinal E e o coeficiente de Poisson µ.. No caso do aço, por
exemplo:
21 X 105
G = 2 (l + 0130 ) = 8,05 X 10• kg/cm 2 •
Convém notar que a aplica,ção de uma tensão de cisalhamento
uniforme nos lados de um bloco, como foi considerado na figura 46,
é muito difícil de ser realizada de modo que a
condição de cisalhamento puro é, comumente, pro-
duzida pela torção de.um tubo circular, figura 47.
I I
.... _ a/_rb -
Devido à pequena rotaÇão de uma extremidade do
,_of_~ tubo em relação à outra, as geratrizes traçadas na
d/-f<: superfície cilíndrica tornam-se inclinadas em rela-
I / ção ao eixo do cilindro e um elemento abcd, for-
mado por duas geratrizes e duas seções transver-
Fig. 47 sais circulares adjacentes, sofre deformação de
cisalhamento semelhante à representada na figura 46. O problema
da torção será estudado mais tarde (veja capítulo 10), onde mos-
traremos como a tensão de cisalhamento T e a deformação de cisa-
lhamento y do elemento abcd podem ser calculadas, se o conjugado
de torção e o ângulo de torção correspondente da árvore forem
medidos. Se T e y forem determinados por ensaio de torção, o valor
do módulo G pode ser calculado pela equação 39. Com êste valor de
G e conhecendo E pelo ensaio· de tração, o coeficiente de Poisson µ
pode ser calculado pela equação (40) . A determinação direta de µ.
medindo-se a contração lateral durante um ensaio de tração, é mais
complicada, uma "vez que a contração é muito pequena e necessi-
tar-se-ia um instrumento extremamente sensível para medi-la com
precisão suficiente.
ANALISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇÕES 79

PROBLEMAS
1. O bloco abcd, figura 46, é feito de material para o qual E = 7 x
lÓ' kg/cm' e µ = 0,25. Achar y e o alongamento relativo da diagonal bd,
sendo .,.= 700 kg/cm'.
Resposta: y = 0,0025, , = 0,00125.
2. Achar, para o problema anterior, o· deslizamento aa, do lado ab
em relação ao lado de, sendo a diagonal bd =
5 cm.
Resposta: C5v'2i2J y.
3. Provar que a mudança de volume do bloco abcd, da figura 46, é
zero desde que consideremos somente as primeiras potências das com·
ponentes de deformação •· e e,.
4. Provar que, no caso do cisalhamento puro, fig. 46, a deformação
específica da diagonal bd é igual à metade da deformação de cisalha·
mento, y.
5. Achar a deformação especifica dos lados do elemento abcd, fig. 45a,
levando em conta as quantidades infinitamente pequenas de segunda
ordem.
Solução. Chamando de l o comprimento inicial dos lados do elemento
l .
abcd, encontramos, depois das deformações, Oa 1 =- ---=- ( 1 - •· J e
v'2

Ob, =~ (1 + e.l. Então: a 1 b, =~ l / (1 - ,.)' + (1 + e,)' =


v2 v2 V
= zv 1 + •·' ::::: z( 1 ++•·' ).o alongamento específico dos la·

dos do· elemento abcd é +,.• .


17. Tensões de cisa.lha.mento admissíveis. - Submetendo um
material ao cisalhamento simples, figura 47, podemos estabelecer,
experimentalmente, a relação que existe entre a tensão de cisalha-
mento e a deformação de cisalhamento..Essa
relação é, comumente, representada por um
diagrama, figura 48, em que as abscissas
A representam as deformações de cisalhamento
e as ordenadas, as tensões de cisalhamento.
O diagrama é semelhante ao de um ensaio
de tração e podemos marcar nêle o limite
o~-------
., de proporcionalidade A e o limite de escoa-
Fig. 48
mento B. As experiências mostram que,
para material como o aço de construção, o limite de escoamento ao
cisalhamento .,., é somente cêrca de 0,55 a 0,60 de ª•· Ocorrendo,
80 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

no limite de escoamento, distorção cm:isiderável sem mudança apre-


ciável de tensão, é lógico que se tome, como tensão· admfssível ao
cisalhamento, somente uma parte do limite de escoamento, de
modo que
- T,
Tadn~ (41)

onde n é o coeficiente de segurança. Tomando êste coeficiente com


a mesma grandeza do da tração ou compressão, obteremos:
Tad1n = 0,55 a 0,60 de O"adm

o que indica que a tensão admissível ao cisalhamento deve ser to-


mada muito menor do que a tensão admissível à tração. Já indi-
camos que nas aplicações práticas não encontraremos distribuição
uniforme de tensõ_es de cisalhamento nos lados de um bloco, como
admitimos na figura 46, e que o cisalhamento simples é realizado
no caso da torção. Veremos mais tarde que o cisalhamento simples
ocorre, também, na flexão de vigas. Há, porém, vários proble-
mas práticos em que só obtemos uma solução na hipótese de que
estamos tratando de um caso de cisalhamento simples, se bem que
essa hipótese seja somente aproximação grosseira. Tomemos, por
exemplo, o caso da ligação da figura 49. É evidente que se o diâme-
tro do parafuso ab não fôr bastante•grande, a ligação pode romper

Fig. 49

devido ao cisalhamento ao longo das seções transversais mn e m, n,.


Embora estudo mais rigoroso do problema indique que as tensões
de cisalhamento não estão uniformemente distribuídas nessas seções
transversais, e que o parafuso sofre não somente cisalhamento mas
também flexão sob a ação das fôrças de tração P, uma aproxima-
ção grosseira para o diâmetro ne'Cessãrio do parafuso obtém-se
admitindo que temos ao longo dos planos mn e m 1 n, tensão de
cisalhamento uniformemente distribuída T, a qual é determinada
dividindo a fôrça P pela soma das áreas das seções transversais
mn em, n,.
ANALISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇÕES 81

Portanto:
2P
T = Trd2
e o diâmetro procurado do parafuso é obtido pela equação
2P
·!
(42)

Temos· outro exemplo dessa consideração s_implificada dos pro-


blemas de cisalhamento no caso da.S ligações rebitadas, figura 50.

11 o o 1 !
Fig. 50

Como as cabeças dos rebites são formadas a alta temperatura, os


rebites produzem, depois do resfriamento, grande compressão das
chapas'º· Se aplicarmos fôrças P, o movimento relativo das chapas
é obstado pelo. atrito devido à pressão entre as placas, mencionado
acima. Somente depois que o atrito é vencido, os rebites começam
a trabalhar ao cisalhamento e, se o diâmetro dos rebites não fôr
suficiente, pode ocorrer uma ruptura, devido ao cisalhamento, ao
longo dos planos mn e m, n, . .Vê-se que o problema da análise das
tensões, para uma ligação rebitada, é muito complicado. Geral-
mente, obtém-se a solução do problema com aproximação gros-
seira, desprezando o atrito e admitindo que as tensões de cisalha-
mento são uniformemente distribuidas ao longo das seções transver-
sais mn e m, n,. Então, o diâmetro exato dos rebites é obtido apli-
cando a equação ( 42) como no exemplo anterior.

PROBLEMAS
L Determinar o diâmetro do parafuso da ligação representada na
figura 49, sendo P = 5000 kg e T••• = 420 kg/cm'.
Resposta: 2,75 cm.
,. Experiências mostram que a tensão de tração nos rebites aproxima-se· gerall-
mente do ponto de escoamento do material, do qual, os rebites são feitos. 1{e a
e. Bach. Zeit.•chr. d. Ver. Deutsch. I11g. 1912.
82 RESIST:tNCIA DOS MATERIAIS

2. Achar o comprimento necessário 2! da ligação de duas barras re-


tangulares de madeira, figura 51, submetidas à tração, sendo P = 5000 kg,
,.,,. = 7 kg/cm' para cisalhamento paralelo às fibras e b = 25 cm. Deter-
minar a altura necessária mn,, sendo o limite de segurança para a. tensão
de compressão local, ao longo das fibras da madeira, igual a 56 kg/cm'.
Resposta: 2l =
57,2 cm; mn, 3,6 cm. =

Fig. 51

3.: Achar o diâmetro dos rebites da figura 50, sendo T•·•~ = 560 kg/cm'
=
e ·p· 4000 kg.
Resposta: 2,13 cm.
4. Determinar as dimensões l e li na ligação de duas barras retan-
gulares por meio de placas de aço, figura 52, sendo as fõrças, as dimensões
e as tensões admissiveis as mesmas do problema 2.
Resposta: l =
14,3 cm; li 1,8 cm. =

p f-1 p

Fig. 52 Fig. 53

5 Determinar a distância a que é necessária na estrutura represen-


tada na figura 53, sendo a tensão de cisalhamento admissível a mesma do
problema 2 e as dimensões da seção transversal de tõdas as barras de
10 por .20 cm. Desprezar o efeito do atrito.

18. Tração ou compressão em três direções ortogonais. - Se


submetermos uma barra com a forma de
paralelepípedo à ação de fôrças P,, Pu e P=
(figura 54) , as tensões normais nas seções
transversais perpendiculares aos eixos dos
x, dos y e dos z são, respectivamente:
- =~.
a,, - TP, .' ªv Au ' ª= = Fig. 54
Admitiremo~ a seguir que a,,> au>a•.
ANÁLISE DAS TENSÕES E DAS DEFORMAÇOES 83

·combinando os efeitos das fôrças P,,, P 11 e P., pe_demos concluir


que numa seção que contenha o eixo dos z, sàmente as fôrças P.
e Pu produzem tensões e que, portanto, essas tensões podem ser cal-
culadas pelas equações (26) e (27) e representadas, gràficamente,
usando o circulo de Mohr. Na figura 55, o círculo das tensões de
r ------- diâmetro AB representa estas ten-
1sões; do mesmo modo, as tensões em
Tmo• qualquer seção que contenha o eixo
dos x podem ser representadas por
0 +---+---+'~----+--~ um círculo tendo BC para diâmetro.

O círculo de diâmetro AO representa


as tensões em qualquer seção que
contenha o eixo dos y. Os três cir-
- - - - - 4'. culos de Mohr representam as tensões
Fig. 55 nas três séries de seções que contêm
os eixos das x, dos y e dos z. Para qualquer seção inclinada em
relação aos eixos dos x, dos y e dos z, as componentes das tensões
são as coordenadas de um ponto situado na área tracejada da figura
55. 11 Baseados nisso, podemos concluir que a tensão de cisalhamen-
to máxima será representada pelo raio do maior dos. três círculos e
será dada pela equação Tma.z = 1/2 (a,, - az). Ela atuará na seção
que contém o eixo dos y e que é o plano bissetor do ângulo formado
pelos eixos dos x e dos z.
As equações para calcular os alongamentos relativos nas dire-
ções dos eixos dos x, dos y e dos z podem ser obtidas, combinando
os efeitos de P,,, P11 e Pz da mesma maneira por que o fizemos quando
estudamos a tração ou compressão em duas direções ortogonais
(veja artigo 15). Dêste modo, obteremos:

e,, = ~ - ~ (au + a,) ,

- ªu µ.
E11-E-E ( a,, + <Tz'
) (43)

e,=<Tz E - E
µ. (
a,, + <Tu.
)
O volume da barra aumenta na razão
(1 + e,,) (1 + eu) (1 + e:) : 1,
ou, desprezando as grandezas pequenas de ordem superior,
(1 + Ez + Eu + Ez) : 1.
11 A prova desta afirmação pode ser encontrada no livro de A. Foppl, Technische
Mechanik. Vol. 5, p. 18, 1918. Veja tambt!m H. M. Westergaard, z. angew. Matll. MeclL.
Vol. 4, p. 520, 1924.
84 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Vê-se que a dilatação cúbica especifita. é:


!::,. = e. + e11 + e,.. (44)

A relação entre a dilatação cúbica especifica e as tensões que atuam


nas faces da barra, será obtida adicionando, membro a membro,
as equações (43). Dêsse modo, obteremos:

l::i. = e. + e11 + e. = (1 -E 211)


(a. + a11 + a.). (45)
No caso particular de pressão hidrostática uniforme, teremos:
O'z = 0'11 = ª= = p.
Então, pelas equações ( 43)

sz=ev=sz- -1!_ (1 - 211) ' (46)


E
e pelas equações (45)
3(1 - 211)
!::,. = E p, (47)

ou, adotando-se a notação


E
~3-(1~~2-11)- = K' (48)

obteremos

Ll=-Jl:. (49)
A contração cúbica especifica é diretamente proporcional à tensão
de compressão p e inversamente proporcional à quantidade K, que
é chamada módulo d,e elasticidade de volume.

PROBLEMAS
L Determinar o decréscimo de volume de uma esfera de aço maciça,
de 25 cm de diâmetro, submetida à pressão hidrostãtica uniforme
p= 700 kg/cm•.
BoZução. Pela equação (49)
700X3Cl-2X0,3) 4
ll=-..!!_=- =
K 21 X 10" 10"
O decréscimo de volume é portanto

- - =. 3,267 cmª.
6
ANALISES DAS TENSÕES E DAS DEFORMACOES 85

2. Referindo à figura 56, um clllndro de borracha .A é comprimido num


cilindro de aço B por wna fôrça P. Determinar a pressão que se exerce
entre a oorracha e o aço, sendo P = 500 kg, à ..b. 5 cm, 0
coeficiente de Poisson para a borracha p. 0,45. Desprezar=
o atrito entre a borracha e o aço.

.
Í
lJ
.

Solução. Chamemos de p as tensões de compressão
numa seção transversal qualquer perpendicular ao eixo
do cilindro e q a pressão entre a borracha e a superfície
interna do cilindro de aço. Tensão de compressão da mes-

@)-, ma grandeza atuará entre as superflcles laterais das fi·


bras longitudinais do cilindro de borracha, do qual isola-
remos um. elemento com a forma de um paralelepípedo
retangular com lados paralelos ao eixo do cilindro (veja
figura 56). ll:ste elemento está em equilíbrio sob a ação das
Fig. 56
tensões de compressão q, nas faces laterais do elemento,
e a tensão de compressão axial p. Admitindo que o cilindro de aço seja
absolutamente rijo, a expansão lateral da borracha nas direções x e y de-
verá ser igual a zero e pelas equações (43), obteremos:

O= _!L_
E ~
(p
"' + q).
Donde:
p.p 0,45 500 X 4
q= X = 20,85 kg/cm'.
1-p. = 1 - 0,45 '7T X 5'

S. Uma coluna de concreto é encerrada num tubo de aço (figura 57).


Determinar a pressão que se exerce entre o aço e o concreto, e a tensão
de tração circular no tubo, admitindo que não haja atrito entre o concreto
e o aço e que tõdas as dimensões e a tensão de compressão longitudinal na
coluna sejam conhecidas.
Solução. Chamemos de p a tensão de compressão lon- r
gitudinal e de q a· lateral, à o diâmetro interno do tubo e h
sua espessura, E. o módulo de elasticidade do aço, E., p., o
módulo de elasticidade e o !!ºeficiente de Poisson para
o concreto. A expansão do concreto numa direção lateral
.ierá, pelas equações (43):

•• = - :. + ;: (p + ql (a)
Fig. 57

Esta expansão deverá ser. igual à expansão circular do tubo (yeja


equação 13)

qà (bl
•= 2hE.
86 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Pelas equações (a)_ e Cbl, obteremos



=--q-+
2hE. E.
donde

I'•
q =p à E.
2h E':"" +1- I'•

A tensão de tração circular no tubo serâ agora calculada pela equação



a=--
2h
4. Determinar a tensão de cisalhamento maxrma na coluna de con·
creto do problema anterior, admitindo-se que p 70 kg/cm', "' =
0,10 =
e à/2h = 7,5.
Solução.
p-q p
Ta••= = ( 1 - -0,1)
- = 33,2 kg/cm1 •
2 2 1,9
5. Uma ·esfera ôca de aço (Fig. 58) estâ sujeita a uma pressão interna
uniforme e a uma pressão externa p. Achar a redução, a, do diâmetro
interno. Construir o circulo de Mohr como o da Fig. 55.
Resposta.
pà(l-2"
a=--------
E
neste caso os três circulas reduzem-se a um ponto cuja abscissa é
a=-p.

Fig. 58
CAPÍTULO III

FôRÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR

19. Tipes de vigas. - Neste capítulo estudaremos os tipos de vi-


gas mais simples, tendo um plano vertical de simetria passando
pelo eixo longitudinal, e suportadas
como se vê na figura 59. Supõe-se
que tôdas as fôrças sejam verticais
e que atuem no plano de simetria,
d::! modo que a flexão. ocorra nesse
plano. A_ figura 59a representa uma
B viga simplesmente apoiada nas extre-
midades. Os pontos de apoio A e B
(b)
são articulados, de modo que as ex-
A C 8

~ (e}
47 tremidades da viga podem girar livre-
mente durante a flexão. Admite-se,
Fig. 59 também, que um dos apoios está co-
locado sôbre rolos e que se pode mover livremente na direção ho-
rizontal. A figura 59b representa uma viga em balanço. A extremi-
dade A desta viga é engastada no apoio e não pode girar durante
a flexão, enquanto que a extremidade B é inteiramente livre. A
figura 59c representa uma viga com uma extremida<le em balanço.
Esta viga é articulada num apoio fixo na extremidade A e assenta
num apoio móvel em C.
Todos os três casos anteriores representam vigas estàticamente
determinadas, uma vez que, as reações nos apoios produzidas por
uma determinada carga, podem ser determinadas pelas equações
da estática. Por exemplo, considerando a viga simplesmente apoia-
da que suporta uma carga vertical P, figura 59a, vemos que a
reação R. na e'xtremidade B deve ser vertibal, portanto essa extre-
midade pode mover~_se livremente na direção horizontal. Então, da
equação da estática, !.X = O, conclui-se que a reação Ri é também
vertical. As grand~~ de Ri e R, são, então, determinadas pelas
equações ~entos. Igualando a zero a soma dos momentos
88 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

de tôdas as fôrças em relação ao ponto B 11 obteremos:


R,Z - Pb =O,
donde
Pb
R,_=-z-
De modo semelhante, considerando os momentos em relação ao
ponto A, obteremos:
Pq,
R1 = -z- ·
As reações da viga com uma extremidade em balanço, figura 59c,
podem ser calculadas da mesma maneira.
No caso da viga em balanço, figura 59b, a carga Pé equilibrada
pelas reações que atuam na extremidade onde está o engastamento.
Pelas equações da estática ~ X = O e ~ Y = O, concluiremos, de
uma vez, que a resultante das reações R, deve ser vertical e igual a
P. Da equação dos momentos,~ M =O, conclui-se que o momento
M, das reações em relação ao ponto A, é iguaf a P~ ;a.t-Uano- ~en­
tido contrário ao movimento dos ponteiros do relógio, como se acha
indicado na figura.
As reações produzidas por qualquer outra espécie de carrega-
mento nos tipos de vigas ante;riores, podem ser calculadas por pro-
cesso semelhante.
Deve ser notado que os dispositivos especiais permitindo rotação
livre das extremidades e movimento livre do apoio, são usados na
prática, sómente para as vigas de grandes vãos, tais como aquelas
que encontramos nas pontes. Nas vigas de vãos pequenos, as con-
dições no apoio são, em geral, as
que estão ilustradas na figura 60.
bA
>wz~ 1 ~
' Durante a flexão dessas vigas pro-
duzir-se-ão fôrças de atrito entre as
r- superfícies de apoio e as vigas, as
Fig. 60 '· quais se oporão à rotação e ao mo-
vimento horizontal das extremidades das vigas. Essas fôrças podem _
ser de alguma importância no caso das barras flexíveis e das cha-
pas metálicas finas, veja página 185; para uma viga rija porém,
que sofre um afundamento muito pequeno em comparação com o
comprimento Z do vão, essas fôrças podem ser desprezadas e as
reações calculadas como se a viga fôsse simplesmente apoiada, fi-
gura 59a.
, 20. Momento fletor e fôrça cortante. - Consideremos, agora,
uma viga simplesmente apoiada, sôbre a qual atuam fôrças verti-
cais P,, P., e P., figura 61a. Admitimos que a viga tem um plano
FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 89

axial oe simetria e que as cargas atuam neste plano. Então, das


considerações de simetria, concluímos que a flexão ocorre também
nésse mesmo plano. Na maioria dos casos da prática esta condição
de simetria é perfeitamente satisfeita, uma vez que as formas usuais
das seções transversais, tais corpo o círculo, o retângulo, o I ou o
T são simétricas. O caso mais geral de uma seção assimétrica será
estudado mais tarde (veja Cap. VIII)
!(
R,
P,
.. I! "' P,
8
,, (c)(1)
~z I
y (d)
(c)(1)
F-1c'IP, r
P,

~t z _-=:],.
"" N(fv
(e/
Fig. 61
Para investigarmos as tensões produzidas numa viga durante a
flexão, procederemos da mesma maneira porque o fizemos quando
estudamos as tensões produzidas numa barra por tração axial, fi-'
gura 1. Imaginaremos que a viga AB é corté!,da em duas partes por
uma seção transversal mn situada a uma distância qualquer x do
apoio esquerdo A, figura 6la, e que a parte da direita da viga é
afastada. Ao estudarmos o equilíbrio da parte esquerda da viga res-
tante, figura 61b, devemos considerar não sõmente as fôrças exte-
riores tais como as cargas Pi-:P~. ·e a reaçãà1 R1, mas· também, as
fôrças interiores que estão distribuídas na seção transversal m~>
que representam a ação da parte 4ire~a_vig~_sõb_r~_iLPªdi":°es- __
querda. Essas fôrças interiores devem ter grandeza tal que equili-
bre as fôrças exteriores P ,, p" ~ ·'R, mencionadas acima"
No estudo seguinte será· vantajoso reduzir o atual sistema de
fôrças exteriores a um sistema de fôrças equivalente simplificado.
Da estática sabemos que um_i;jaj:ema· de fôrças paralelas pode ser
substituído pcir umafôrÇa igual à somà-aigebriCa'àás~fÕrças dãdas,
juntamente corri um conjugàdo. Em nosso caso particular, podemos
substituir as fôrças P 1 , P,.- e ~?pela fôrça V!!.!!:!ç_alf__ atuando no
plano da seção transversafmnepelo conjuia,do M. A ~deza da
fôrça é: / ~; . - - / -
V = R, - P, - P2, (a)
90 RESIST:i;:NCIA DOS MATERIAIS

e a grandeza do conjugado é:
M = R,x - P, (x - e,) - P, (x - e,). (b)
A fôrça V,_que é igual à soma algébrica das fôrcas exteriores que
estão à esquerdá da seção transversal mn, é chamada de JQ!ç~_QQI­
tantena seção_~-?!-.:. O conjug~ que é igual à soma algébrica
d_os momentos das fôrças exter!c:>!:e_~u~ estão à esquerda da se~
transversãCmn~ em relação ao centro cfo-gravidade dessa seção
fransyersal,-ê chamado de momento fletor na seÇ-áo transversal
m~A-Ssim, o sistema de fÔrças exteriores - à . esquerda-aãseÇãil
·tnnrsversal mn, pode ser substituído pelo sistema estàticam~IJ,te
equivaÍente fõrmâdo pela fôrça êõrfante V qüe atua· iiõ Plano da
seção transversal e pelo conjugado M~ figura 6lc. As tensões que
estão distribuidas na seção transversal mn e quê represeritam a.
ação da-pãrtedireit~ d.à \'.igli_ sf)b_rg~_sua parte escil.ierda, devem- ser"
tais que equilibrem-
·o ·mômento fletor M e a ·-·:fôrÇa
--------
-cortante V ..'-:-
-- ·-·-- --------- -

Se tivermos uma carga-distribuída, em lugar de certo número


de cargas concentradas atuando numa viga, podemos aplicar o
mesmo raciocínio do caso precedente. Tomemos como exemplo a
viga uniformemente carregada dada na figura 62a. Representando
por q a carga por unidade de comprimento, as reações nesse caso
serão:
- R - ql
R, - ~,--y

A fim de investigarmos as tensões que estão distribuídas numa


seção transversal mn, consideraremos, novamente, o equilíbrio da

l'
parte esquerda da viga, figura 62b. As fôrças exteriores que atuam
nesta parte, são a reação1'R, e

~ " --im
1l j l l 1111 /) 1: 111 :e
a carga uniformemente distri-
buída ao ~o~go do comprimento
------- 1 --·- x. Esta ultima carga tem, de
<aJ ,111 fato, uma resultante igual a qx.
1n1T1-ril!'l'llrrlTI -n-i,..,._.,..,. A soma algébrica de tôdas ·as
R.:--
uoml.,.,1

.e ==::::ln fôrças que estão à esquerda da


(/JJ seção transversal !!!11---é,-pais_,
Fig. 62 R, - qx. A soma algébrica dos
momentos de tôdas as fôrças que estão à esquerda da seÇão trans-
versal mn, em. relação ao centro de gravidade desta seção trans-
versal, obtém-se subtraindo o momento da resultante da carga dis-
tribuída, do momento R,x da reação:-0--m~~ent°Õ. dã--carga distri-
buída é, evídebtemente, igual a:
X qx 2 ·
qx X 2 = --2-
FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 91

Assim, obteremos para a soma algébrica do~, momentos, a


expressão:
qx•
Ri X - -2-
Tôdas as fôrças que atuam na parte esquerda da viga podem, agora,
ser substituídas por uma fôrça atuando no plano da seção trans-
versal mn e igual a
V = Ri - qx =
juntamente com um conjugado igual a
q e+ - X ) (e)

qx 2 qx
M = R,x - - 2- = ----r (l - x) . (d)

As expressões (e) e (d) representam, respectivamente, a fôrça


cortante e o momento fletor na seção transversal mn.
Nos exemplos anteriores foi estudado o equilíbrio da parte es-
querda da viga. Se, em lugar da parte esquerda, considerarmos a
parte direita, a soma algébrica das fôrças que estão a direita de
uma seção transversal e a soma algébrica dos momentos daquelas
fôrças, têm as mesmas grandezas V e M que achamos anteriormen-
te; serão, porém, de sentidos contrários. Isso é conseqüência do fato
de que as cargas que atuam numa viga, juntamente com as reações
Ri e R., representam um sistema de fôrças em equilíbrio; e o mo-
mento de tôdas estas fôrças em relação a qualquer ponto de seu
plano, bem como sua soma algébrica, deve ser igual a zero. Logo, o
momento das fôrças que atuam na parte esquerda da viga, em re-
lação ao centro de gravidade de uma seção mn, deve ser igual e
contrário ao momento, em relação ao mesmo ponto, das fôrças que
atuam na parte direita da viga. Também, a soma algébrica das fôr-
ças que atuam na parte esquerda da viga, deve ser igual e contrá-
ria à soma algébricçi das fôrças que atuam na parte direita.
No estudo que se segue, o momento fletor e a fôrça cortante,
numa seção transversal mn, são considerados positivos se, conside-
rando a parte esquerda de uma viga, as direções obtidas são as
indicadas na figura 61c.. Para concretizar a imagem desta regra de
sinais para os momentos fletores, isolemos um elemento da viga por
meio de duas seções transversais adjacentes mn e min,, figura 63,

Fig. 63 -----
(-)

{b)
92 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

Se os momentos fletores nestas seções transversais forem positivos,


as fôrças à esquerda da seção transversal mn dão um momento
no sentido do movimento dos ponteiros do relógio e as fôrças à
direita da seção transversal m,n 1, um momento de sentido contrário,
como se vê pela figura 63a. Dêste modo, os sentidos dos momentos
são tais que se produz uma flexão da viga com a convexidade vol-
tada para baixo. Se ~os-fletores nas-seções transversais __
mn e m 1n, forem negativos, produzir-se-á flexão com a convexic!ade
voltada para cima, como se acha indica,_dp na figura 63b. As~ii;tt,
nas partes de uma viga em que o momento fletor fôr positiyo,_ a
curva elástica será convexa. para baixo, enquanto nas partes em
que o momento fletor· fôr negativo, a curva elástica será convexa
para cima.
A regra de sinais para as fôrças cortantes· está indicada -qa
figura 64.

PROBLEMAS

p'
1. Achar a fôrça cortante V e o mo·

rfmo""-1 l
~- ..,
)
mento fletor M numa seção transversal
a l,22m (4 ft) da extremidade esquerda
n,tJ
(

L-,. í.. __J da viga esq.;_ematizada na Fig 59a, sendo


' a = 1,83 m (6 ft), Z= 3,05 m (10 ft) e
(+) (-) p = 4536 kg (10000 lb)
{a) (/J) Resposta: V = 1814 kg (4000 lb),
Fig. 64 M = 2212 mkg (16000 ft lbl.

2. Achar a fôrça cortante V e o mo-


mento fletor M numa seção transvi::rsal a 0,61 m (2 ft) da extremidade
esquerda da viga esquematizada na Fig. 59b, sendo a = 2,44 m (8 ft) e
p = 5443 kg (12000 lb).
_____,,.. Resposta. V= 5443 kg (12000 lb), M = - 9955 m. kg { - 72000 ft. lb)
3. Achar a fôrça cortante V e o momento fletor M para a seçã9 trans-
versal mn da viga esquematizada na Fig 61a, sendo P, P, 5443 kg = =
(12000 lb), P, =
O, O, =
0,61 m (2 ft), o, =
1,22 m (4 ftl. :x: 1,83 m =
16 ft), Z = 3,66 m (12 ft).
Resposta. V = - 2722 kg (- 6000 lb), M = 4977 m. kg (36000 ft. lb.).
4. Achar a fôrça cortante V e o momento fletor M no meio da viga
esquematizada na Fig. 62a, sendo q = 1490 kgim (1000 lb/ft) e Z = 2,44 rn
(8 ft.).
Resposta: V = O, M = 1106 m. kg (8000 ft. lbJ.
FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 93

21. Relação entre o momento fletor e a fôrça cortante. - Con-


sideremos um elemento de uma viga, cortado por Ciuas seções trans-
versais adjacentes, mn e m 1n,, distantes uma da outra de dx, fi-
gura 65. Admitindo que haja um momento fletor positivo e uma
fôrça cortante positiva na seção transversal mn, a ação da parte
esquerda da viga sôbre o elemento é representada pela fôrça V e
o conjugado M, como se acha indicado na figura 65a. Pa mesma

(ç)
Fig. 65
maneira, admitindo que na seção m,n,, o momento fletor e a fôrça
cortante sejam positivos, a ação da parte direita da viga sôbre o
elemento é representada pelo conjugado e pela fôrça indicada. Se, na
viga, não atuarem fôrças entre as seções transversais mn e m,n,,
figura 65a, as fôrças cortantes nessas duas seções transversais
serão iguais. l Com relação aos momentos fletores, podemos ver
pelo equilíbrio do elemento, que não são iguais em duas seções
transversais adjacentes, e que o acréscimo dM do momento fletor
é igual ao momento do conjugado, formado pelas duas fôrças iguais
e contrárias V, isto ·é:
dM = TTdx
e
dM =V (50)
dx .
Assim, em tôdas as partes de uma viga compreendidas entre car-
gas; a fôrça cortante é a derivada do momento fletor em relação a x.
Consideremos, agora, . o caso em que uma carga distriblJ.ida de
intensidade q atua entre as· seções transversais mn e m.n,, figura
65b. Então, a carga total que atua no elemento, será qdx. Se q fõr
considerado positivo quando a carga atua para baixo, pudemos
1 Despreza-se neste estudo o pêso do elemento da vlga.
94 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

concluir, pelo equilíbrio do elemento, que a fôrça cortante na seção


transversal m 1 n 1 é diferente da fôrça cortante em mn de uma gran-
deza
dV = - qdx,
donde se segue que
dV
-dx = - q (51)

Portanto, a derivada da fôrça cortante em relação a x é igual à


intensidade da carga com sinal negativo.
Tomando o momento de tôdas as fôrças que atuam no elemento,
obteremos:
dx
dM = Vdx - qdx X - 2 -

Desprezando o segundo têrmo do segundo membro por ser gran-


deza pequena de segunda ordem, chegaremos, novamente, à equa-
ção (50) e concluiremos que a derivada do momento fletor é igual,
também, à fôrça cortante, no caso da carga distribuída.
Se uma carga concentrada P atuar entre as seções transversais
adjacentes mn e m,n1 , figura 65c, haverá mudança brusca na gran-
deza da fôrça cortante. Representemos por V a fôrça cortante na
seção transversal mn e por V, aque?a da seção transversal m,n,.
Então, pelo equilíbrio do elemento mm 1n 1n, acharemos:
V,= V - P.
Assim, a grandeza da fôrça cortante varia de uma quantidade P
quan<:"o passamos pelo ponto de aplicação da carga. Pela equação
(50), póde-se, então, concluir que no ponto de aplicação de uma
carga concentrada há mudança brusca na grandeza da derivada~~·
22. Diagramas de momentos fletores e de fôrças cortantes. -
Mostrou-se, no estudo precedente, que as tensões que atuam numa
seção transversal mn de urna viga são tais que equilibram o mo-
mento fletor M e a fôrça cortante V, naquela seção transversal.
Dêste modo, as grandezas de M e V, em qualquer seção transver-
sal, definem completamente as grandezas das tensões que atuam
naquela seção. Com o fim de simplificar o estudo das tensões numa
viga, é conv~niente usar-se uma representação gráfica da variação
do momento fletor e da fôrça cortante ao longo do eixo da viga.
Nessa repre~entação as abscissas indicam a posição da seção trans-
versal e as ordenadas, os valores, respectivamente, do momento
FORÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 95

fletor e da fôrça cortante que atuam nesta seção.. transversal, sendo


os valores positivos marcados acima do eixo hori'zontal e os negati-
vos abaixo. Essas representações gráficas são chamadas de diagra-
mas de momentos fletores e de fôrças cortantes, respectivamente.
Consideremos, como exemplo, uma viga simplesmente apoiada
com uma só carga concentrada P, figura 66." As reações neste caso
serão: (c)(1)

Pb Pa
R, =. -l- e R, = -l-.

Tomando uma seção transversal mn à esquerda de P, podemos con-


cluir que nessa seção
V= Pb Pb
l
e M = --y- X. (a)

A fôrça cortante e o momento fletor têm o mesmo sentido que


está indicado nas figuras 63a e 64a e são, portanto, positivos. Vê-se
que a fõrça cortante permanece constante, ao longo da parte da
viga à esquerda da carga, e que o momento fletor varia proporcio-
nalmente a x. Para x = O o momento é zero e para x = a, isto é,
na seção transversal onde está aplicada a carga, -é igual a Pab /l.
As partes correspondentes dos diagramas das fôrças cortantes e
dos momento_s fletores, estão indicadas nas figuras 66b e 66c, res-
pectivamente, pelas retas ac e a, c1 •

t X
(1

1: r =1' " b

(1
(o}

PM[C (+)

(b)
J .
(-)

íl
b
~

~ ~ (e)
4
Fig. 66
Para simplificar nas !lguras subseqüentes serão omitidos os rolos sob os apoios
móveis.
96 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

Para uma seção transversal à direita da carga, obteremos:


Pb Pa Pb
V=--P=-- e M = -l- x - P (x - a) , (bJ
l l

x sendo, sempre, a distância contada a partir da extremidade es-


querda da viga. A fôrça cortante para esta parte da viga permanece
constante e negativa. Na figura 66b esta fôrça é representada pela
linha e' b, paralela ao eixo dos x. O momento fletor é uma função
linear de x, o qual, para x = a é igual a Pab/l e para x = l é igual
a zero. É sempre positivo e sua variação ao longo da parte direita
da viga é repr:esentada pela reta c1 b1 • As linhas quebradas acc'b e
a,c,b,, nas figuras 66b e 66c, representam, respectivamente, os dia-
gramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores para tódo o
comprimento da viga. No ponto de aplicação de carga P há mu-
dança brusca na grandeza da fôrça cortante, a qual passa do valor
positivo Pb/l ao valor negativo - Pa/l, e variação acentuada na
declividade do diagrama dos momentos fletores.
Deduzindo as expressões (b) para a fôrça cortante e para o mo-
mento fletor, consideramos a parte esquerda da viga, parte esta
que sofre a ação das duas fôrças R, e P. Teria sido mais simples
neste caso considerar a parte direita da viga, onde só atua a.reação
Pa/l. Seguindo esta marcha e adotando a regra de sinais irdicada
nas figuras 63 e 64, obteremos
Pa
V=--z- e (e)

As expressões (b) obtidas previamente podem também tomar esta


forma mais simples, se observarmos que a = l - b.
É interéssante notar que o diagrama das fôrças cortantes consiste
de dois retângulos, cujas áreas são iguais. Levando em consideração
os sinais contrários dessas áreas, concluiremos que a área total do
diagrama das fôrças cortantes é nula. É'.:ste resultado não é aciden-
tal. Integrando a equação (50), teremos:

(d)

onde os limites A e B indicam que a integração é tomada ao longo


do comprimento total da viga, da extremidade A à extremidade B.
O segundo membro da equação (d) representa, então, a área total
do diagrama das fôrças cortantes. O primeiro membro da mesma
FôRÇA CORTANTE ~ MOMENTO FLETOE 97

equação, depois da integração, dá a diferença.M'n - MA dos mo-


mentos fletores nas extremidades B e A. No caso de uma viga sim-
plesmente apoiada, os momentos nas extremidades anulam-se;
portanto, a área total do diagrama das fôrças cortantes é nula.
Se várias cargas atuarem· numa viga, figura 67, a viga ficará
dividida em vários trechos e deveremos estabelecer expressões para
V e M, para cada trecho. Medindo x a partir da extremidade
6,

~)

Fig. 67
esquerda da viga e tomando· x<a., obteremos para o primeiro
trecho da viga:
e M = R, X. (e)
Para o segundo trecho da viga, isto é, para a 1 <x<a,, obteremos:
V = R, - P 1 e M = R,x - P, ( x - a, ) . (f)
Para o terceiro trecho da viga, isto é, para a,<x<a., é vanta-
joso considerar a parte da direita da viga em ~ugar da esquerda.
Dêste modo, obteremos:
V = - (R, - P:) e M = R, (l - X) - P, (l - x - b,). (g)
Finalmente, para a última parte da viga,·obteremos:
V= - R, e M = R, (l - x). (h)
Pelas expressões (e) ... (h) vemos que em cada trecho da viga a
fôrça cortante permanece constante; portanto, o diagrama d1:ts
fôrças cortantes tem a forma dada na figura 67b. O momento fle-
tor em cada trecho da viga é função linear de x; portanto, 110
98 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

diagrama correspondente, é representado por uma linha reta incli-


nada. Para desenharmos estas linhas, notaremos, pelas expressões
(e) e (h), que nas extremidades x = O e x = · z os momentos são
nulos. Os momentos debaixo das. cargas são obtidos fazendo, nas
expressões (e), (f) e (h), x =a, x =a, ex=ª"' respectivamente.
Dêste modo, obteremos para os momentos mencionados acima, os
valores:
M = R,a,, llf = R,a, - P,(a, - a,) e M = R,b 3 •
Usando êsses valores construiremos, ràpidamente, o diagrama dos
momentos fletores representado na figura 67c.
Nas aplicações práticas, é importante açhar as seções transver-
sais em que o momento fletor tem seus valores máximo ou mínimo.
No caso de cargas concentradas que consideramos acima, figura 67,
o momento fletor máximo ocorre debaixo da carga P". Esta carga
corresponde, no diagrama dos momentos fletores, ao ponto d,, no
qual a declividade do diagrama muda de sinal. Ainda mais, pela
equação (50), sabemos que a declividade do diagrama dos momen-
tos fletores em qualquer ponto é igüal à fôrça cortante. Portanto,
o momento fletor tem seus valores máximo ou mínimo nas seções
transversais em que a fôrça cortante muda de sinal. Se, quando
percorremos o eixo dos x, a fôrça cortante muda de valor positivo
para negativo, como acontece sob a carga P", na figura 67, a in-
clinação no diagrama dos momentos fletores passa, também, do
positivo para o negativo. Portanto, teremos o momento fletor má-
ximo nessa transversal. A mudança do valor negativo para posi-
tivo de V, indica um momento fletor mínimo. No caso geral, o
diagramá de fôrças cortantes pode interceptar o eixo horizontal
em vários lugares. A cada um dêsses pontos de intercepção corres-
ponde, então, um máximo ou mínimo no diagrama dos momentos
fletores. Os valores numéricos de todos êsses máximos e mínimos,
devem ser investigados, a fim de que achemos o momento fletor
numericamente maior.
Consideremos, a seguir, o caso de uma carga uniformemente
distribuída, figura 68. Por nosso estudo anterior (página 91), tere-
mos que, pata uma 'seção transversal distante x do apoio esquerdo,

e (i)

Vemos que o diagrama das fôrças cortantes consiste, nesse caso,


de uma linh&. reta inclinada, cujas ordenadas para x = O e x = l
FORÇA CORTAL'l"TE E MOMENTO FLETOR 99

são iguais a ql/2 e - ql/2, respectivamente, como está indicado na


figura 68b. Como podemos ver pela expressão (i), o momento

~!l!llll~~l!!lllllll!!!llli; "'
·i.::,__ % ,,

o (a}

~~-
~}~1
b t:,

4
/G (q
Fig. 68
4

fletor, neste caso, é uma curva parabólica com seu eixo vertical no
meio do vão da viga, figura 68c. Os momentos nas extremidades,
isto é, para x = O e x = l anulam-se; e o valor máximo do mo-
mento ocorre no meio do vão, onde a fôrça cortante muda de si-
nal. Êste máximo obtém-se substituindo x = Z/2 na expressão (i) ,
a qual dá, Mmax = ql' /8.
-...... . Se uma carga uniforme q está aplicada sômente numa parte do
vão, figura 69, devemos considerar três partes da viga de compri-
mentos a, b e e. Começando com a determinação das reações R,
e R,, substituímos a carga uniformemente distribuída por sua re-
sultante qb. Pelas equações da estática, para os momentos em relação

o,'--------------~&,
Q:J
Fig. 69
100 RESJSTJ!:NCIA DOS MATERIAIS

a B e a A, obtemos então:

R, = qb (
-z- e+ Tb) e R2 = ~b ( a + +) .
A fôrça cortante e o momento fletor, para a parte esquerda da
viga, que não tem carga ( O<x<a ), são:

V= R, e M = R 1x. (j)

Para uma seção transversal mn tomada na parte carregada da


dga, a fôrça eortante é obtida subtraindo a carga q (x - a) à es-
querda da seção transversal, da reação R 1 • O momento fletor, na
mesma· seção transversal, é obtido subtraindo o momentq_ da carga
à esquerda da seção transversal, do momento da reação, R,. Dêste
.modo, acharemos:

V = R1 q (x - a) e M = R 1x - q (x - a) X
X - a (k)
-
2

Para a parte direita da viga, que não tem carga, considerando as


fôrças à direita de µma seção transversal, acharemos:
V =- R, e M = R, (l - x) . (l)

Usando as expressões (j), (k) e (l), podemos construir, pronta-


mente, 9s diagramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores.
O diagrama das fôrças cortantes, figura 69b, consiste dos trechos
horizontáis a,c, e d,b 1 correspondentes às partes sem carga da viga,
e da linha inclinada c 1 d 1 correspondente à parte uniformemente
carregada. O diagrama dos momentos fletores, figura 69c, consiste
das duas linhas inclinadas a 2c 2 e b 2 d 2 correspondentes às partes da
viga sem carga, e da curva parabólica c2e2 d 2, com eixo vertical,
correspondente à parte carregada. O momento fletor máximo ma-
nifesta-se no ponto e,, o qual corresponde ao ponto e, em que a
fôrça cortante muda de sinal. Nos pontos c 2 .e d, a parábola é tan-
gente às linhas inclinadas a 2c 2 e d,b,, respectivamente. Isto é con-
seqüência do fato de que nos pontos e, e d 1 do diagrama das fôrças
cortantes não há mudança brusca da grandeza da fôrça cortante;
portanto, em virtude da equação (50) não poderá ocorrer mudança
brusca na inclinação do diagrama dos momentos fletores nos pon-
tos correspondentes c 2 e d,.
FôRÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 101

No caso de uma viga em balan-


ço, figura 70, usaremos o mesmo
método anterior para construirmos
os diagramas das fôrças cortantes
e dos momentos fletores. Contan-
do os x a partir da extremidade
esquerda da viga e considerando .a
parte que fica à esquerda da carga
P, (O<x<a), obteremos: .
V = - P, e M ~-"' -- P,.>:.
O sinal negativo nessas expres-
Fig. 70 sões é conseqüência da regra de
sinais indicada nas figuras 63b e 64b. ·Para a parte direita da viga
(a<x<l), obteremos:
V ,. - P, - P, e M = - P,;~· - P" (.i· - n) ·
Os diagramas correspondentes das fôrças cortantes e dos momentos
fletores estão dados nas figuras 70b e 70c. A área total do diagra-
ma das fôrças cortantes não se anula neste caso e é igual a
- P,l - P,b, que é o momento fletor Mn na extremidade B da viga.
O diagrama dos momentos fletores é formado de duas linhas incli-
nadas a,c, e c,b,, cujas inclinações são iguais aos valores da fôrça
cortante nas partes correspondentes da viga em balanço. O máximo
numérico do momento fletor ocorre na seção de engastamento B
da viga.
Se uma viga em balanço suporta carga uniforme, figura 71, a
fôrça cortante e o momento fletor à distância x da extremidade
esquerda são: . :r q :>:'
i' .,.., - <p: e M = q:t ', -2 - = - - 2-
A fôrça cortante é representada
.mmnl1i111111111111111111 i~ no diagrama pela linha inclinada
"[-,._,n l 8 ab e o momento fletor pela pará-
{O/ bola a,b,, que tem um eixo verti-

-~i~
cal e é tangente ao eixo horizon-
tal em a,, onde a fôrça cortante
se anula. O máximo numérico do
momento fletor e da fôrça cortan-
(-) te ocorre na extremidade B da
1 ~viga.
''1! Se, na viga, atuarem simultâ-
neamente cargas concentradas e
cargas distribuídas é van.tajoso
Fi~. 71 14 desenhar os diagramas, sepan\Gla-
102 RESISTtNCIA DOS MATERIAIS

mente, para cada espécie de carregamento e obter os valores totais


de V ou M, em qualquer seção transversal, somando as ordenadas
correspondentes dos dois diagramas parciais .. Por exemplo, se
tivermos cargas concentradas P,, P, e P,,, figura 67, atuando simul-
tâneamente com uma carga uniforme, figura 68, obteremos o
momento fletor numa seção transversal qualquer, somando as
ordenadas correspondentes dos diagramas das figuras 67c e 68c.

PROBLEMAS

· 1. Desenhar. aproximadamente em escala. os diagramas das fõrças


cortantes e dos momentos fletores e marcar os valores máximos das fQrças
cortantes positiva e negativa e dos momentos fletores, para as vigas dadas
na figura 72.

4
r 1,20
1
2,dO--,
1,0 1 m

(b)

L
r-vo
1
"'9.601111
!
i.aol
0.80:m i r2.40

J/60t.'m
1
!
1.20 r
~
1.ao 1

~ ic) (d) •
500 ko • 500 kg 500 kg
,1.20-1-1.80±1.201 i 1.20--r- 1.80-t-1.201
.f); ! 500 kg (e)
4 á (f) . ?à
Fig. 72

• 2. Desenhar, aproximadamente em escala, os diagramas das fõrças cor·


tantcs e dos momentos fletores e marcar os valores máximos das fôrças.

(:: l 500kg ~ O.óO•m=i


1.ao __j_ 1.ao:+o.9oJ J.00 500 kg
(a) 500 kg (b)

~ó:J•i:l
1•8º =..L- i.ao-=l 500 kg
(~)

Fig. 73

cortantes positiva e negativa e dos momentos fletores, para as viga!:' em ba-


lanço dadas na .figura 73.
FôRÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 103

3. Uma viga em balanço suportando uma carga total W que cresce


uniformemente de zero na extremidade esquerda, como se acha indicado
pela linha inclinada AO, figura 74a, é engastada na extremidade direita.
Desenhar os diagramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores.
Solução. A fôrça cortante numa seção
transversal mn a uma distãncia x da extre-
midade esquerda da viga em balanço é,
numéricamente, igual à parte tracejada da
carga. Sendo a carga total W representada
pelo triângulo AOB, a parte tracejada será
Wx'IZ'. Usando a regra de sinais adotada
anteriormente, figura 64, obteremos:
N x'
V=-W--
Z'
O diagrama das fôrças cortantes é, assim,
representado na figura 74b, pela parábola
ab que tem um eixo vertical no ponto a.
O momento fletor na seção transversal mn
obtém-se tomando o momento da parte tra-
cejada da carga em relaç~o ao centro de
gravidade da seção transversal mn. Assim:
Fig. 74 x' X
M = - W -Z'- X - 3 -.

l:ste momento é representado pela curva a,b, na figura 74c.


4. Uma viga, de comprimento Z, apoiada uniformemente ao longo de
todo o seu comprimento, suporta nas extremidades duas cargas iguais P,
figura 75. Desenhar os diagramas das fôrças cortantes e dos momentos
fletores.
Resposta. Os diagramas são obtidos das figuras 68b e 68c substitu-
indo qZ por - 2P.
soo kg
r- 'Ỽ ;f--;- 'Ỽ1 11 1
1 1 1
Fig. 75 Fig. 76
• 5. Uma viga de comprimento Z, apoiada uniformemente ao longo de
todo o seu comprimento, recebe no centro uma carga concentrada
P = 500 kg, figura 76. Achar o máximo numérico do momento fletor.
Desenhar os diagramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores.
Resposta. M ••• = 225 m.kg.
Os diagramas, para cada metade da viga, têm o aspecto do que se vê nas
figuras 7lb e 71c.
104 RESIST:eNCIA DOS MATERIAIS

• 6. Uma viga de comprimento l, simplesmente apoiada, suporta


uma carga distribuída total W, cuja intensidade cresce uniformemente de
zero na extremidade esquerda, como se ficha indicado na figura 77a. ·De-
senhar, aproximadamente em escala, os diagramas das fõrças cortantes e
dos momentos fletores, sendo W = 6000 kg e l = 7,20 m.
Solução. As reai;ões de apoio, neste caso, são R, = 1/3 W = 2000 kg
e R, = 4000 kg. A fõrça cortante, numa seção transversal mn, obtém-se
subtraindo a parte tracejada da carga,
da reação R,. Portanto:

V = R - W -
x' = W (1- - x')
-
, 7/ 3 l'
O diagrama das fôrças cortantes é re·
presentado pela curva parabólica acb,
na figura 77b. O momento fletor numa
seção transversal mn é:
X' X
M = R,x - W -·- X
r- 3

= .2_ W. X ( 1 - ~) •
3 r-
:este momento é representado pela cur-
va a,c,b,, na figura 77c. O momento
fletor máximo ocorre em e,, onde a
fõrça cortante muda de sinal e onde
. X = l!V3.

reJ 7.Uma viga, simplesmente apoiada


AB, recebe uma carga distribuída,
Fig. 77· cuja intensidade é representada pela
' linha ACB, figura 78. Achar as expres-
sões para a fôrça cortante e o momento fletor numa seção transversal mn.

_____ ,w
Fig ..78

Solução. Admitindo que a carga total W esteja aplicada no centro de


gravidade do triângulo ACB, as reações de apoio são:

R, =W l +b e R,= W
l +a
3Z 3Z
FôRÇA CORTANTE E MOMENTO FLETOR 105

A carga total está então, dividida em duas partes, representadas pelos·


triângulos ACD e CBD de grandezas Wa/Z e Wb/l, respectivamente. A

parte tracejada da carga é W ~ X ..!!..__ = W ..!!..__, Para a fôrça cor·


Z a' al
tante e o momento fletor em mn obteremos, então:
x' X
V=R,-W_!!!_ e M = R,x - W '"(il X - 3
- .
al
De modo semelhante poderemos obter a fôrça cortante e o momento fletor
para uma seção transversal na parte DB da viga.

8. Achar M ••• no problema anterior, sendo Z = 3,60 m, b = 0,90 cm


e W = 6000 kg.
9. Desenhar, aproximadamente em escala, os diagramas das fôrças
cortantes e dos momentos fletores e marcar os valores mãximos das
fôrças cortantes positiva e negativa, e dos momentos fletores das vigas
com uma extremidade em balanço, dadas na figura 79.

e = 0.00Cl/m
A !LI 11111111H1111111 l@Q i l l l l l l l ll:
~'-----1.80 - 1,20 _J . '500kg

l= ==t_Lo.90~
6'

2.40 500 kg
(/;) o

1,50 1,50
500 kg
q = 0,60 1/m

Fig. 79

Solução. No caso dado na figura 79a, as reações são A 0,300 t e, =


B = 1,500 t. A fõrça cortante na parte esquerda da \'iga é
V = 0,300 .- 0,600 :z:. :t representada, na figura, pela linha inclinada a.b.
A fõrça C<ortante na parte direita da viga é determinada como par~ a viga
em balança e é representada pela linha inclinada b'c. O momentb fletor
para a parte esquerda da viga é: M = 0,300 a: - O,~ :Jf'. • :t r11presen·
tado pela parábola a,e,b,. O mâximo do momento em e, corresponde ao
106 RESISTJ::NCIA DOS MATERIAIS

ponto e, onde a fõrça cortante muda de sinal. O diagrama dos momentos


fletores, para a parte direita, é o mesmo de uma viga em balanço e é
representado pela parábola b,c, tangente em e,.

1111111~~1~1111111

Fig. 80

· 10. Uma viga com as duas extremidades em balanço, figura 80, rece-
bendo uma carga uniformente distribuida, tem um comprimento l. Achar
a distância d entre os apoios que torne o momento fletor no meio da
viga, igual, numericamente, aos momentos nos apoios. r;>esenhar os dia·
gramas das fõrças cortantes e dos momentos fletores para êste caso.
Resposta: d = 0,586 l.
CAPÍTULO IV

TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS


TRANSVERSALMENTE

23. Flexão pura. - Dissemos, no capítulo anterior, que a gran-


deza das tensões numa seção transversal é definida pela grandeza
da fôrça cortante e do momento fletor naquela seção. Para cal-
cularmos as tensões, começaremos
• p a--! imaginando que a fôrça cortante
A1-~-ª~~P_ _......_'m----~--iB se anule e atue somente o momen-
P e :n faJ o P to fletor. Êste caso é chamado de
flexão pura. Um exemplo dessa
flexão é dado na Fig. 81. Da sime-
tria concluímos que, neste caso, as
reações são iguais a P. Conside-
Fig. 81 rando o equilíbrio .da parte da viga
à esquerda de uma seção transversal mn, podemos concluir que
as fôrças interiores que estão distribuídas na seção transversal
mn e representam a ação da parte direita da viga removida sôbre
a parte esquerda, devem ser estàticamente equivalentes a um con-
jugado igual e contrário ao momento fletor Pa. Para acharmos
a distribuição destas fôrças interiores na seção transversal, deve-
remos considerar a deformação da viga. No caso simples de uma
viga tendo um plano de simetria longitudinal com os conjugados
de flexão exteriores atuando neste plano, a flexão realizar-se-á
nesse mesmo plano. Se a viga fôr de seção transversal retangular
e tirarmos duas linhas verticais adjacentes mn e pp sôbre seus
lados, experiências diretas mostram que essas linhas permanecem
retas durante a flexão e giram de tal forma que permanecem
normais às fibras longitudinais da viga (figura 82). A seguinte
teoria da flexão é baseada na hipótese de que não só essas linhas
permanecem retas, como também a seção transversal inteira da
viga, originàriamente plana, permanece plana e normal às fibras
longitudinais da viga depois da flexão. As experiências mostram
que a teoria baseada nesta hipótese, dá resultados muito precisos
para a deformação das vigas e a deformação das fibras longitudi-
nais. Da hipótese anterior conclui-se que durante a flexão, as
RESIS'.ttNCIA DOS MATERIAIS

seções transversais mm e pp giram, uma em relação à outra, em


tôrno de eixos perpendiculares ao plano da flexão, de modo que. as
fibras longitudinais do lado convexo sofrem distensão e as do
D
,,,,
1

r-....._,
•'
I '
I \
I"' 1P
~z+----rc---+- h

{a)

Fig. 82
lado côncavo contração. A linha· nn, é o traço da superfície em
que as fibras não sofrem deformação durante a flexão. Esta su-
perfície é chamada de superfície neutra e sua interseção com
qualquer seção transversal é chamada de eixo neittro. O alonga-
mento s' S1 de qualquer fibra, à distância y da superfície neu.tra,
é obtido traçando a linha nis 1 paralela à mm (figtJ.ra 82a). Re-
presentando por r o raio de curvatura do eixo da viga1 deformado
e usando a semelhança dos triângulos non, e s,n,s', o alongamento
relativo da fibra .ss' é: ·

( 52)

Pode-se ver que as deformações das fibras longitudinais são pro-


porcionais à~ suas distâncias y da superfície neutra e inversamente
proporcionais ao raio de curvatura.
As experiêrtcias mostram que a distensão longitudinal das fi-
bras do lado convexo da viga é acompanhada de contração lateral,
e a contração longitudinal do lado côncavo, de distensão lateral,
como no caso da tração ou compressão simples (veja artigo 14).
Isto inuda a forma de tôdas· as seções transversais; os lados ver-
ticais da seção retangular tornam-se inclinados, um em relação ao
outro, como se vê na figura 82b. A deformação relativa na direção
lateral é:
y
p.- (53)
T

1 O eixo da viga é a Unha que passa pelos centros de gravidade das suas
seções transversais. O ponto o ê o centro ele curvatura: ·
TENSOES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 109

onde µ. é o coeficiente de Pois.~on. Devido a esta distorsão tôdas as


retas na seção transversal, paralelas ao eixo dos z, curvam-se de
tal forma que permanecem normais aos lados da seção. Seus raios
de curvatura R serão maiores do que r, na mesma proporção
em que Ez é, numericamente, maior do que Ez (veja equação 53) e
obteremos:

R =·_!__ r. (54)
µ.

Das deformações das· fibras longitudinais, tiraremos as tensões cor-


respondentes, aplicando a lei de Hooke (equação 4, página. 26):
- Ey (55)
Uz - -r-.
A distribuição destas tensões acha-se indicada na figura 83. A ten-
são em qualquer fibra é proporcional à sua distârlcia do eixo neu-
z tro nn. A posição do eixo· neutro
e o ·raio de curvatura r, as du_as
incógnitas da equação (55), podem
l../..'1"'-lr+-''<"---- x agora ser determinados pela con-
dição de que as fõrças distribuídas
numa seção transversal qualquer
da viga, devem dar lugar a um
y
conjugado resistente que equilibre
Fig. 83
o conjugado exterior M (figura 81).
Representemos por dA a área elementar da seção transversal dis-
tante y do eixo neutro. (figura 83). A fôrça que atua nesta área ele-
mentar é o produto da ténsão (equação 55) e sua área dA, isto é,
(Ey/r)dA. Devido ao fato de que tôdas estas fôrças distribuídas na
seção transversal representam um sistema equivalente a um conju-
gado, a resultante destas fôrças na direção x deve ser igual a
zero, e obtemos :

J~y ~A ~ .r = ydA = O,

isto é, o momento estático da área da seção transversal, em rela-


ção ao eixo neutro, é igual a zero; portanto, o eixo neutro Passa
pelo centro de gravidade da seção.
O momento estático da fôrça no elemento anterior em relaçilo ao
eixo neutro é (Ey/r) · dA · y. Somando êstes momentos na seção
110 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

transversal e fazendo a resultante igual ao momento M das fôrças


exteriores, obteremos a seguinte equação para a determinação do
raio de curvatura r :
M
f~r y dA =
1 _
0 El=

= M ou -,.-- El= (56)

onde

I= .! y"dA

é o momento de inércia da seção transversal em relação ao eixo


neutro z (veja apêndice A). Pela equação (56), vemos que a
curvatura varia diretiimente com o momento fletor e inversamente
com a quantidade El:, a qual é chamada de módulo de rijeza à
flexão ou 11:ód1ll~- de'-ri~--ft-/.l,'!._~ác~ da viga _A eliminação ~e ·r
pelas equaçoes (;J;J) e (56), da a seguinte equaçao para as tensoes:
~
. /
1 Ur = -r-- . )
Mv "-
(;J7)
Na equação (57) M é posi_lli:g_.-qü~ndo produz deformação da
barra com a convexidade voltada para baixo, como se vê na figu-
ra 82; y é positivo para baixo. Um sinal negativo para u, indica
tensão de compressão.
Fêz-se o estudo anterior para o caso da seção transversal retangu-
lar. Serve, também, para barra de qualquer tipo de seção trans-
versal que tenha um plano de simetria longitudinal e seja solicitada
à flexão por conjugados aplicados nas suas extremidades e atuando
neste plano, uma vez que, para êsses casos, a flexão manifesta-se,
também, no plano dos conjugados e os planos das seções transver-
sais permanecem planos e normais às fibras longitudinais depois
da flexão.
As tensões de tração e compressão máximas ocorrem nas fibras
extremas, e para a seção transversal retangular ou qualquer outro
tipo de seção que tenha seu centro de gravidade no meio da al-
tura h, ocorrem quando y = ±' h/2 e são:
e (58)
Por simplificasão, usaremos a seguinte notação:
, z 2/, -h (59)
Então:
111
(ur)noa.: = z; (u,),,.;,. (60)
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 111

A quantidade Z é ·chamada de módulo de resistência, módulo da


seção 011 módulo de_ t'.~~istê11-(~a à flS-ccio:~!ªso da seção trans-
versal retangular (figura· 82b} , teremos:
bh·' i bh"
\ I: =-12- ·, - -/ 1\ Z = -6- .
Para a seção t~~if~ula~e-diâ~.t/o d:\
-dJ
Z=-··_
. 32
Para as várias ~çôgs dos. ferros laminados, Jst/.é, para as vigas
em I, em U, ~te., as grn_-ndezas de l: e Z, para os tamanhos manu-
faturados, estão tabeladas em manuais. Em apêndice apresentamos
uma tabela abreviada para tais seções.
Quando o centro de gravidade da seção transversal não está no
meio da altura como, por exemplb, no caso de uma viga em T,
rept ·sentamos por h, e h, as distâncias ao eixo neutro, das fibras
extremas inferior e superior, respectivame_nte. En1ª:o, para um mo-
mento fletor positivo obte?emos: · . ·
Mh,
( a,,)maz = J:- Mh ..
_; -. (u,),.;n = - f: - _ (61)

Para um momento fletor,,,..negativo, obteremos: -----


( ) - --~- Mh ..
O', """' = - --y;=- ; (62)

PROBLEl\IAS

1. Determinar a tensão máxima num eixo de locomotiva (figura 84),


sendo e = 35 cm, o diâmetro d do eixo
igual a 25 cm e a carga P em cada mola ( i -------'!/-'----
12.000 kg.
Sol11çtio. O . momento fletor que atua ·1
0

cl 1
na parte média do eixo é M Pc = =
Fig. 84
12 X 0,35 = 4,20 mt. A tensão máxima é,
pela equação (60),
M 32 · M
ª"'.,~ = -z =- ':i'd:s

., Determinar o raio de curvatura r e a flecha do eixo, do problema


anterior, sendo o material aço e a distância entre os centros dos eixos das
molas igual a 150 cm.
Solução. O raio de curvatura r é determinado pela equação (55) substi-
tuindo-se y =
d/2 =
12,5 cm, (O",)m., = 254 kg/cm'. Então:
E d 21 X 10"; X 25,0
r = -"- .2 =
254 X 2 1033~6 cm. =
112 RESISTJ!:NCIA DOS MATERIAIS

Para calcularmos li (figura 84), notaremos que a curva elástica é um arco


de circulo de raio r e DB é um cateto do triângulo retângulo DOE, onde
O é o centro de curvatura. Portanto

DB' 1~ - 1r - =
li J' = 2 rll - li'.
~ é muito pequeno em comparação com o raio r e, a quantidade li' pode
ser desprezada na equação anterior; então
150'
8=~=
DB'
8 X 103346
= 0,0272 cm.

~3. Uma viga de madeira de seção transversal quadrada de 25 X 25 cm


é apoiada em A e B, figura 84, e as cargas P são aplicadas nas extremi·
dades. Determinar a grandeza de P e o afundamento 11 no meio, sendo
AB =
lSOcm; e= 30cm; (11,) .... = 70 kg/cm' e E= l,l X 10'. ·o péso
da viga deve ser desprezado. Traçar os diagramas das fõrças êortantes e

a
dos momentos fletores.
4. Uma viga em I de mesa larga, com
como se vf: na figura 85, e acha-se
eo•reg•d• n°' b•l•noo• P" melo
de uma carga uniformemente dis·
tribuída de 15 t/m. Determinar
5 altur~ de 75 cm, está apoiada,

37 · 5 cm
~
l
1

a tensii:o máxima na parte média 3.0 m..i=" 6,0 m =:.t.3.0 m 37,5 cm


~~e~fl~~~~~= ~
316300 cm'. Fig. 85
Solução. O momento fletor na parte média da viga é M 15 X 3 X 1,5 = =
= 67,5 tm.
M 6750000 X 37,5 • .
(u,) ~·· = = --z
316300 =
800 kg/cm·; li = 0.46 cm.

ií. Determinar a tensão máxima produzida num fio de aço de diàmetro


d = 0,08 cm quando se acha enrolado em tõrno de uma polia de diâmetro
D = 50 cm.
Soluç~o. O alongamento máximo devido à flexã,o é, pela equação (52),
o.os
•. = D +d d ::: 5Q = 0,0016,
e a tensão de tração correspondente,
(11,) .... = ' E = 0,0016 X 21 >< l(f' = 3360 kg/cm'.
6. Uma régua de aço, tendo uma seção transversal de 0,08 X 2,50 cm
e um comprimento de l = 25 cm, é solicitada à flexão por conjugados apli·
cados nas extremidades, de tal modo, a !letirem-na de um arco de 60º. De·
terminar a tensão máxima e a flecha.
Solução.
donde T
O raio de curvatura r é determinado pela equação Z
= 23,89 Cm e a tensão máxima será dada pela equação (55).
= + 2;.r,

Cu.l .... = E X 0,04 21 X 10' X 0,04 = 3516 kg/cm'.


T = 23,89
A flecha, calculada como se fôra de um arco circular, será
ll = r Cl - cos 30º1 3,20 cm. =
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 113

\ 7. Determinar a tensão máxima e a grandeza dos conjugados aplicados


nas extremidades da régua do problema anterior, sendo a flecha máxima
igual a 2,5 cm.
8. Determinar a curvatura produzida numa viga de aço, de seção trans.
versai retangular, simplesmente apoiada, produzida por aquecimento não
uniforme ao longo da altura h da seção transversal. A temperatura em
qualquer ponto à distância y do plano médio xz da viga 1 figura R2l é dada
pela equação : ·
t - t, + t .. (t, - t.)y
+
- 2 h '
onde t, é a temperatura na parle inferior da. viga, t. a temperatura na parte
superior. t, - t., =
60"C e o coeficiente de dilatação termica o:. = 12 Y.
:< 10-·•. Que tensões produzir-se-ão, sahenrlo que as extremidades da viga
são engastadas?
-
S o l llÇao. A temperatura d o pano
1 me"d'10 :i.:z t, + - t .. e a
e• a cons t ante-- 2
variação de temperatura nas outras fibras é proporcional a y. As dilata-
ções térmicas unitárias correspondentes são também proporcionais a y,
isto é, seguirão a mesma lei que os alongamentos relativos dados pela
equa_ção 1521. Como conseqüência desta dilatação não uniforme das fibras,
ocorrerá flexão da viga e o raio de curvatura r é determinado pela equa-
ção 152 l, tomando a. 1t, - t.) /2 para ,, e h/2 para y. Então:
h -
r =
ª' 1t, _ t .. 1 = 1389 h
Se as extremidades da viga são engastadas, produzir-se-ão conjugados de
reação, nas extremidades, de grandezas tais que anulem a curvatura devido
ao aquecimento não uniforme. Portanto
M _ El, ~ El,
-
-1389h r
Levando êste valor na equação !57), obteremos:
Ey
,,, =-138-9~h- ''
e a tensão máxima será:
(a,) ••• = 2 X E1389 = 756 kg/cm'.
9. Resolver os problemas 6 e 7, sendo o arco de 10" e o material o cobre.
10. Resolver o problema 4, admitindo que a viga seja de madeira, a
seção transversal seja quadrada de 30 X 30 cm e que a intensidade da
carga distribuída seja de 1,5 t/m. Construir os diagramas dos momentos
fletqres e dos esforços cortantes.
24. Várias formas de seções transversais .de vigas.'_ - Do es-
tudo feito no artigo precedente, concluímos que as tensões de tra-
ção e de cqmpressão máximas numa viga sujeita à flexão pura,
' Estudo multo completo das várias formas de secões transversais d~ viga~ é
dado por Barré de Saint Venant em suas notas ao livro de Navler Besi•U'"ºe es
Corps Sol-ides, terceira edição, 1864. Veja páginas 128 - 162.
lU RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

são proporcionais às distâncias das fibras mais afastadas do eixo


neutro da seção transversal. Portanto, se o material tiver a mesma
resistência à tração e à compressão, é lógico que escolhamos aque-
las formas de seçã9 transversal em que o centro de gravidade esteja
no meio da altura da viga. Desta maneira, obteremos o mesmo
coeficiente de segurança para as fibras à tração e à compressão.
Esta é a idéia fundamental na escolha de seções simétricas, em
relação ao eixo neutro, para materiais, como o aço de construção,
o qual tem o mesmo limite de escoamento à tração e à compressão.
Se a seção não fõr simétrica em relação ao eixo acima, por exem-
plo, a seção .de um trilho, o material é distribuído de tal modo
entre o boleto e o patim que o centro de gravidade esteja no meio
da altura.
Para um material de pequena resistência à tração e grande
resistência à compressão, por exemplo, o ferro fundido ou o con-
creto, a seção transversal aconselhável para uma viga, não é a
seção simétrica em relação ao eixo neutro, mas aquela em que as
distâncias h, e h, das fibras mais afastadas do eixo neutro, à tração
e à compressão, estejam na mesma proporção que as resistências
do material à tração e à compressão. Desta maneira, obteremos
igual resistência à trnção e à compressão. Por exemplo, com seção
em T, o centro de gravidade da seção poderá cair em. qualquer po-
sição fixada ao longo da altura da seção, uma vez que dimensione-
mos convenientemente sua alma e mesa.
Para um momento fletor dado, a tensão máxima depende do
momento de resistência da seção e é interessante notar que há ca-
sos em que o aumento de área não produz diminuição de tensão.
Como exemplo, citemos o caso de uma barra de seção transversal
quadrada 'solicitada à flexão por conjugados atuando no plano ver-
tical, que passa por uma diagonal da seção transversal (figura 86).
Ela terá tensão máxima mais baix.a se os cantos, tracejados da fi-
gura, forem eliminados. Designando por a o comprimento do lado
da seção transversal quadrada, o momen-
to de inércia em relação ao eixo dos Z é
(veja apêndice) l: = a•/12 e o módulo de
,,, resistê_ncia da seção correspondente é:

Z = I, \12 = V 2 aª
a 12 ·
p Cortemos agora os cantos, de modú que
~
mp = aa, onde a é uma ·fração a ser de-
Fig. 86 terminada depois. A nova seção transver-
sal consiste dt? 1.trn quadrado mm,mm, c"om os lados a (1 - a) e
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 115

de dois paraielogramos mnn,m,. O momento de inércia dessa seção


transversal em relação ao eixo dos z é:

I '~
a4(1 -
12
a)'
+ 2. "ª V2
3
[ a(l - ,.)
,, 2
r =
a'(l - a)'
= 12
(1 + 3a)

e o módulo de resistência da seção é:

Z' I:' y
== a(l r
- a)
= ' 112
2
2 . aº (1 - n:F (1 + 3a).

Agora, se· determinarmos o valor de a que torna êste módulo de


resistência máximo, acharemos a = 1/9. Com êste valor de a leva-
do em Z' acharemos que, cortando-se os cantos, decresce a ten-
são de flexão máxima, cêrca de 570. Êste resultado é fàcilmente
compreendido desde que consideremos ser o módulo de resistência
da seção o quociente do momento de inércia pela metade da altura
da seção transversal. Cortando os cantos, o momento de inércia da
seção trànsversal diminui numa proporção menor do que a altura;
pbrtanto, o módulo de resistência cresce e (a,)"'"' ·decresce. Efeito
semelhante pode-se obter. em outros casos. Para um retângulo com
pequenos apêndices retangulares estreitos (figura 87a), o módulo
de resistência cresce, sob certas condições, cortando êstes apêndi-
ces. Para seção transversal circular (figura 87b), o módulo de re-
sistência da seção é aumentado, de
cêrca de 0,7~ó, quando se cortam os
dois segmentos tracejados que têm fle-
cha 8 = 0,011 d. No caso da seção
triangular (figura 87c), o módulo de
Fig. 87
resistência da seção pode ser aumen-
tado cortando-se o canto tracejado.
Ao projetarmos uma viga para ser solicitada à flexão pura, de-
vemos satisfazer não só às condições de resistência, mas também
à economia de pêso próprio da viga. De duas seções transversais
tendo o mesmo módulo de resistência, isto é, satisfazendo à comli-
ção de resistência com o mesmo coeficiente de segurança, a que
tem a menor área é a mais econõmica. Comparando várias formas
de seções transversais, consideraremos,primeiro, o retângulo de
altura h e de largura b. O módulo de resistência é:
(a)

onde A representa a área da seção transversal.


116 RESISTJ!:NCIA DOS MATERIAIS

Vê-se que a seção transversal retangular torna-se tanto mais


econômica quanto maior fôr sua altura h. Entretanto, há um certo
limite a êste aumento e a questão da estabilidade da viga surge
à proporção que a seção se torna mais estreita. O colaps9 de uma
viga de seção retangular muito estreita, pode ser devido, não por
se ter ultrapassado a resistência do material, mas por flambagem
lateral (veja parte II).
No caso da seção transversal circular, teremos:
..d" 1
z =32 = .T Ad. (b)

Comparando seções transversais circular e quadrada de mesma


área, acharemos qu~ o lado h do quadrado será h = d V r./2, para
o qual a equação (a) dá:
Z = 0,147 Ad.
Da comparação desta expressão com (b), vemos que a seção
transversal quadrada é mais econômica do que a seção circular.
A consideração da distribuição de tensões ao longo da altura
da seção transversal (figura 83), conduz à conclusão de que para
se obter um projeto econômico deve-se di.spor a maior parte do ma-
terial da viga, o mais afastado possível do eixo neutro. O caso mais
favorável para área de seção transversal A e altura h dada, seria·
aquêle em que distribuíssemos cada metade da área à distância
h/2 do eixo neutro. Então:

A ',(
l, '= 2 >'. -2 "
e h )-•
-2 Ah"
= -4-·. Z =·; Ah. (e)

Êste é um limite do qual nos podemos aproximar na prática usando·


uma seção em I com.a maior parte do material nas mesas. ~vida
à necessidade de colocar-se parte do máteríal na alma da viga, a
condição limite (e) jamais poderá ser realizada, e para os perfis
normais I, teremos aproximadamente:
Z :::::: 0,35 Ah. (d)

A comparação de (d) com (a) mostra que seção em I é mais


econômica do que a seção retangular da mesma altura. Ao mesmo
tempo, devido às suas grand~s mesas, a viga em I será sempre mais
estável em relação à flambagem lateral, do qúe a viga de seção re-
tangular da mesma altura e de mesmo módulo de resistência.
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 117

PROBLEMAS
1. Determiqar a largura x da mesa de uma viga de ferro fundido tendo
a seção dasla na figura 88, de tal forma que a tensão de tração máxima

Fig. 88
1 seja um têrço da tensão de compressão máxima. A altura da viga é
h = lQ cm, a espessura da alma e da mes_a é t = 2,5 cm.
Solução. A fim de satisfazermos às condições dadas, é necessário que
a viga tenha dimensões tais que a distância do centro de gravidade à
parte inferior da viga, satisfaça a equação e =· h/4. Agora, referindo-nos
à figura 88, _calcularemos a posição do centro de gravidade pela equação

ht-h- t (x - tl_!_
2 2 h
e= ht + (X - t) t
= -4-·
donde
h' 100
X =t + h _ 2t = 2,5 + 10 - 5
= 22,5 cm.
,., ,.,
(&--------------~)
Fig. 89
2. Determinar a relação (.,.,),. •• : (.,.,),.,. de uma víga em U solicitada à
flexão, como está indicado na figura 89, sabendo-se que t = 5 cm, h = 25·cm,
b=60cm. ·
3. Determinar a condição em que a diminuição de
altura h,, da seção representada mi. figura 90, é acom-
panhada de aumento do módulo de resistência.
Solução.
z = bh' + dh,'
6h, 6 '
~=
dh,
- bh:
6h.-
+ dh,
3 Fig. 90
A condição para o aumento de Z com a diminuição de h, é
bh' dh, . b h,'
6h,' > :3ou 2d > ---;;;;- .
4. Determinar que quantidade deve·ser cortada de uma seção transver·
sal triangular equilátera (figura 87c), a fim de se obter o máximo de Z.
5. Det~rminar a relação entre os pesos de três vigas do mesmo com-
primento, sob a ação dos mesmos M e (a.),.,., tendo como seções trans-
versais, respectivamente, um circulo, um quadrado e um retângulo com
as proporções h = 2b.
Solução. ·
1.12 : 1 : 0,793
118 RESISTl!:NCIA DOS MATERIAIS

6. Comparar os módulos de resistência de duas vigas do mesmo pêso,


sendo uma de seção transversal circular, com diâmetro d, e a outra com
a seção transversal em coroa circular, com os diâmetros D, externo, e
D., interno.
Solução. A ârea da seção transversal de ambas as vigas é:
-..a- -.. CD' - D,')
A= - 4 - = 4

'
P ara a V1ga d e seção c1rcu
. 1ar Z = - Ad
8- e para a outra:

-..CD' - D,'l = AD (. l ...:... D,' )


Z, = 32D 8 ' D' .

Notando que D,' = D' - ...i:!_, vem:


"

de modo que

Assim, para tubos muito grossos (paredes espêssas), D aproxima-se de


d e Z, de Z. Para tubos de paredes delgadas, D é grande em relação a
d e a relação z,;z aproxima-se do valor 2Dld.

25. Caso geral das vigas simétricas carregadas transver-


sabnente. - No caso geral das vigas carregadas transversalmente
num plano de simetria as tensões distribuídas numa seção trans-
versal, devem equilibrar a fôrça cortante e o momento fletor
naquela seção. O cálculo das tensões é feito, comumente, em duas
etapas, determinando, primeiro, as tensões produzidas pelo mo-
mento fletor, tensões chamadas de tensões de flexão e, depois, as
tensões de cisalhamento produzidas pela fôrça cortante. Neste
artigo limitar-nos-emos ao cálculo das tensões de flexão; o estudo
das tensões de cisalhamento será feito no próximo artigo. Cal-
culando as tensões de flexão, admite-se que estas tensões sejam
distribuídas da mesma maneira que no caso da flexão pura e
usar-se-ão as fórmulas deduzidas para as tensões no artigo 23. As
experiências mostram que êsse procedimento dá resultados satisfa-
tórios, desde que se tratem de seções que não estejam muito pró-
ximas do ponto de aplicação de ,cargas concentradas. Na vizinhança
do ponto de aplicação de uma carga concentrada a distribuição
de tensões é tnais complicada. :E:ste problema será estudado na
parte II.
O cálculo das· tensões de flexão é feito, em geral, para as seções
transversais etn que o momento fletor tem o valor positivo ou
negativo máxitno. Quando se tem o máximo numérico do momento
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 119

fletor e a grandeza da tensão admissível à flexão ªªd"" as dimen-


sões procuradas da seção transversal de uma viga, serão obtidas
pela equação:
Mmaz
-z- (63)
Veremos, agora, a aplicação desta· equação por um certa número
de exemplos.

PROBLEl\IAS

1. Determinar as dimensões necessárias de uma viga em perfil normal


I destinada a suportar uma carga distribuída de 0,60 t/m, r,omo se acha
indicado na figura 91, sendo a tensão admissível ª••• = 1100· kg/cm'.
Devem ser levadas em consideração sômente as tensões normais a, e, o pêso
próprio da viga, desprezado.

A
.
1
B

3,60 m •0.901 l.8Q m•


R, m Rz
1Y foi 1
1 1
' 1

~,,r
1
1
1
+ 1
1

Fig. 91

__ Solução. Para obtermos a seção perigosa, deveremos construir o dia·


grama das fôrças cortantes (figura 9lb). A reação no apoio esquerdo ê
R, = 3,60 X 0,60 X 4,50 + 1,80 X 0.60 X 0,90 = 1,697 t.
6,30
A fôrça cortante para qualquer seção transversal do trecho AC da viga ê

V = R, - qx = 1,697 - 0,600 x.
Esta fõrça é zero para x = ~:~~~ = 2,83 m. Para esta seção o momen-
to fletor é máximo:
120 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

M ... = 1,697 X 2,83 - 0,600 X 1/2 X 2,83' 2,408 mt.


O módulo de resistência necessário é (equação 63).
Z = 240800
1100
= 219 cm'.
" Esta condição é satisfeita por uma viga nor·
mal em I de altura igual a 20 cm, área de
seção transversal 33,50 cm• e Z = 214 cm'.
7M~f.z1>m:;omw;;~~~W.~~ 2. Uma ensecadeira de madeira (figura 92)
..· consiste de barras verticais, tais como AB,
} • de seção transversal retangular e dimensões
h = 30 cm, apoiadas nas extremidades. Deter·
minar (a.) •••;sendo o comprimento das barras
Fig. 92 Z = 5,40 m e o pêso das barras desprezado.
Solução. Sendo b a largura de uma barra, a pressão hidrostática total
na barra, representada pelo prisma triangular ABC, é:
1
W = 2- bl' X 0,001 kg.

A reação em A é:
w 1
R1=--g = 6 . bl' X 0,001 kg e a fõrça cortante,

em qualquer seção transversal mn, é igual à reação R, menos o pêso do


prisma de água Am~, isto é, ·
x' . 1 • a;'
V = R, - W T 0,001 = W ( -3- - X 0,001 kg. T-)
A posição da seção transversal correspondente a Mm•• é determinada· pela
condição V = O ou
1 x'
3--y.-=O,
donde
:i: = _z_
v3
= 5•40
vT
= 3,12 m = 312 cm.
O momento fletor numa seção transversal qualquer mn, é igual ao mo-
mento da reação K, menos o momento da carga distribuida; representada
pelo prisma triangular Amn. Então:

M = R,:i: - 0,001 X
Wx'
-z,- · - :i:3- = - W:i:
3-
( :i:'· ) ·
1 --r- X 0,001 cm kg.

x' 1 .
Substituindo os valores obtidos 7 =a e :i: = 3,12 m, obteremos:

M ••• = -bl"9- X 312 X 0,001 cm kg,

M... 6 M...
)
Ca. ••• = -z- = ~ = 32 (
,--;i-
Z )'
X 312 X 0,001 67,4 kg/cm'.
TENSOES NAS VIGAS CARREGADAS. TRANSVERSALMENTE 121

3. Determinar a grandeza de M •••


numa viga solicitada por .uma carga trl·
angular ADB igual a W = 6000 kg,
sendo Z = 3,60 m e d 0,90 m (fi· =
gura 93).
Solução. A distância e da vertical
que passa pelo centro de gravidade o
ao apoio B é, no caso de um triângulo,
Fig. 93 e =
1/3 CZ d) +
150 cm. =
A rea:ção no Q.J?Oio A é, então
Wc6000 X 150
R, = -l- = = 2500 kg.
360
A fôrça cortante em qualquer seção transversal mn, é igual à reação R,
menos o péso da carga, representado pela área Amn. Uma vez que a
carga representada pela área ADE é ·
wrz - dl 3
l =TW,
obteremos
3 x'
V = R, - 4 dl' .
W Cl -
A posição da seção em que ocorre.M ••• ·é determinada pela condição
· · 3 x'
R, - T w (l - dl' o =
ou
x'
-(l----d-)'-
= 3W
4 R,
= 9
5

donde.
x = 201 cm.
O momento fletor em qualquer seção transversal mn, é igual ao momento
da reação R, menos ó momento da carga A.mn. Então
3 x' X
'M=R,x--yW CZ d)'. 3
Substituindo X pelo seu valor
M-... = 335000 .cm kg =
3,35 mt.
4. Construir os diagramas dos mo- ..
mentas fletores e das fôrças cortan-
tes, para o ca.so da figura 94a, e de-
terminar a viga normal em I neces-
. z .
sãria, sen!lo a = e = 4 = 1,80 m,
P = 1000 kg, q = 600 kg/m, ""••• =
= 1200 kg/cm'. O pêso da viga pode a.,, (b) d
ser despre~ado.
Solução. Nas figuras C94b) e Cc),
estão representados os diagramas dos
momentos fletores e das fôrças cor·
tantes produzidos pelas cargas distrl- .
buidas. A êstes devem ser adicionados. Fig. 94
os momentos :fletores e as fõrcas
cortantes produzidos por P. o mo·
122 RESISTI:NCIA DOS MA 'IERIAIS

mento fletor máximo ocorrerá no meio do vão, M ••• = -~f + ~l .•


M ••• = 276000 kg cm = 2,76 tm.
O momento de resistência necessário será

Z -- 276000 -- 230 cm ' .


--i2õO
A viga normal em I de altura 20 cm e de área de .;;r.1;,\o tr:ansversal
33,5 cm', Z =
214 ·cm', ê a que possui seção mais próxima da seção que
satisfaz às condições de resistência.
5. Determinar a posição mais desfavorável das rodas de uma ponte
rolante sôbre uma viga de rolamento, como está indicado na figura 95.
Achar M ... se a carga em cada roda ê P 5000 kg, l =
7,20 m, =
d = 1,80 m. O pêso da viga ê desprezado.

t · •
~

p
d
p
3 Solução. Sendo x a distância da roda es·
querda ao apoio esquerdo da viga, o momento
fletor sob esta roda é
z 2 Pll-x - \~d) x
Fig. 95 l -·---·

:i;;ste momento torna-se máximo quando


l d
x=2-4
portanto, a fim de obtermos o momento fleto.r máximo sob a roda esquerda,
a ponte rolante deve ser deslocada, do centro da viga para o apoio direito,
de uma distância d/4. A mesma grandeza de momento fletor pode ser obti-
da, também, sob a roda direita, deslocando-se a ponte rolante, do centro da
viga para o apoio esquerdo de d/4.
2 P(l/2-d/41'
M ... = l = 13781 m.kg

Fig. 96
6. As rodas de um guindaste (figura 96) são suportadas por duas vigas
normais em 1. Determinar a posição do guindaste, a mais desfavorável, o
momento máximo M... correspondente e as dimensões das vigas em I, sen-
do u.,. =
1200 k~/cm', l =
9,00 m, a =
3,60 m, d = 1,80 m, o pêso do
guindaste W = 5000 kg, a carga levantada pelo guindaste P = 1000 kg.
As cargas estão Atuando no plano médio das duas vigas em I e são igual·
mente distribuida!; entre elas.
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 123

Solução. O momento fletor máximo ocorrerá sob a roda direita quando


a distância dessa roda ao apoio da direita fôr igual a l, =
l/2(l- l/6 à);
Mm .. = 12,66 mt. Dividindo igualmente, o momento entre as duas vigas,
acharemos o momento de resistência necessário

z = 1266000 528 cm'.


2X1200

A viga em I necessária tem uma altura de 28 cm, uma área de seção


transversal de 61,10 cm'; Z = 542 cm'. O pêso da viga é desprezado.
7. Uma viga de madeira circular, apoiada em O e ligada à fundação
em A (figura 97), suporta uma carga de 0,45 t/m uniformemente distri·
buída ao longo de BO.

, '"
1r~.
8

~
a

Fig. 97 Fig. 98

Construir o diagrama dos momentos fletores e determinar o diâme-


tro necessário à, sendo ª••m = 90 kg/cm', a = 0,90 m, b = 1,80 m.
Solução. O diagrama dos momentos fletores está dado na figura 97b.
O momento fletot· máximo, numêricamente, ocorrerá em O e é igual a
0,729 mt. Da equação (63):

à= V 32
--X

M
Uach•
= 20,2 cm.

8. Uma ensecadeira de madeira sustentada por barras verticais engas-


tadas nas extremidadas inferiores (figura 98), consiste de tábuas horizon-
tais. Determinar a dimensão da seção transversal quadrada das barras
verticais, sendo l = 1,80 m, à = 0,90 m e ª••• = 35 kg/cm'. "Construir os
diagramas dos momentos fletores e das fôrças cortantes.
124 RESIST:é:NCIA. DOS MATERIAIS

Solução. A carga lateral total sôbre uma barra vertical é representada


pelo pêso W do prisma de água triangular ABC. Em qualquer seção trans.
versai -mn, a fôrça cortante ·e o momento fletor são
w·x= Wx' x
V= - -!"-'- ; M = - ---y:---3- ·

Ao determinarmos os sinais de V e M, admitimos que a figura 98 estivesse


girada a 90º no sentido contrário ao do movimento dos ponteiros do relógio,
de modo que os eixos x e y coincidissem com os da figura 61. A dimensao
necessária b é achada pela equaçao (63J
b·' M... 90 X iSO' X 0,001
Z = .= 2500,0 cm•
-G- a .. ,.· 2 X 35 X 3
donde
b = 24,66·cm.
A construção dos diagramas fica reservada ao leitor.
9. Determinar as dimensões necessârias de uma viga em balanço, com
uma seção normal em I, que suporta carga uniforme q =
0,30 ti ... e carga
concentrada P = 250 kg na extremidade, sendo o comprimento Z = 150 m
e ª•••= 1050 kg/cm'. ·
Solução.

W= 250 X 150 +
450 X 75
= 67,952 cm'
1050

"
p
,,,
p
h
1

Fig. 99
A viga normal em I necessária tem 14 cm de altura e 18,3 cm' de área de
seção transversal.
.10. Determinar as tensões de flexão num rebite, admitindo que· as
cargas que atuam no rebite estão distribuidas como se acha indicado na
figura 99. O diâmetro do rebite é d = 19 mm, h = 6 mm, h, = 9 mm e
p = 5000 kg.
Solução. O momento fletor na seção transver~al -mn é P/, -X h/,.
O mome!'1to na seção transversal do meio 111,n, é

.!.2 e_.!!:.__
2
+ ~--)
4
ll:ste illtimo momento é que deve ser levado em conta ao calcular as ten-
sões. E~tão
4P 2h + h,
ia,).~,= ; (-} -T- -~J-) ~~" : d'"á'
1950 kg/cm'.
TENSOES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 125

11. Determinar as vigas em 1 necessárias para os casos das figuras


72a, 72c e 73b, admitindo que a tensão admissível é de 1100 kg/cm'.
12. Determinar as dimensões necessárias de uma viga normal em I,
simplesmente apoiada, de modo que ela possa suportar uma carga uniforme
de 0,60t/m e uma carga de P = 2000 kg colocada no meio. O comprimento
da viga é de 4,50 m e a tensão admiss1vel de 110 kg/cm'.
13. Uma viga em U, cuja seção transversal está dada na figura 89, é
simplesmente apoiada nas extremidades· e suporta uma carga concentrada
no meio. Calcular o valor máximo da carga que pode suportar a viga,
sendo a tensão admissivel à tração de 70 kg/cm' e à compressão· de
140 kg/cm'.
26. Tensões de cisalhamento na flexão. - Mostramos, no ar-
tigo precedente, que, quando uma viga é solicitada à flexão por
cargas transversais, produzir-se-ão não somente tensões normais a,,
mas também tensões de cisalhamento , em qualquer- seção trans-
versal mn, figura 100. Considerando a ação sôbre a parte direita
da viga, figura 96, podemos can- o
cluir, pelas condições de equilibro,
que a grandeza dessas tensões de I:1
+1 1
. l
m

~
4 "
cisalhamento é tal que a sua soma H~
é igual à fôrça cortante V. Estu-
dando a lei de sua distribuição
sôbre a á.rea da seção transversal, Fig. 100
começaremos com o caso simples de uma seção transversal retan-
gular, fig. 101. Nesse caso é natural admitirmos que a tensão
de cisalhamento em cada ponto da seção transversal seja paralela
à fôrça cortante V, isto é, paralela aos lados mn da seção transver-

(o) Fig. 101

sal. Representaremos 13- tensão, neste caso, por , 0 ,. O índice Y em


•u.r indica que a tensão de cisalhamento é paralela ao eixo dos Y e
o índice x que a tensão atua num plano perpendicular .ao eixo
126 RESISTtNCIA DOS MATERIAIS

dos x. Como segunda hipótese, admitiremos que a distribuição das


tensões de cisalhamento seja uniforme ao longo da largura cc, da
viga. Estas duas hipóteses habilitar-nos-ão a determinar, comple-
tamente, a distribuiç:io das tensões de cisalhamento. Uma investi-
gação mais cuidadosa do problema mostra que a solução aproxi-
mada assim obtida é, em geral, suficientemente precisa e que, para
um retângulo estreito (h grande em presença de b, figura 101) ,
pràticamente coincide com a solução exata."
Se cortarmos um elemento por meio de duas seções transversais
adjacentes e de dois planos adjacentes paralelos ao plano neutro,
como se vê na figura lOlb, de acõrdo com nossa hipótese, haverá
distribuição uniforme das tensões de cisalhamento '"' sôbre a face
vertical acc,a,. Estas tensões têm um momento (•u,bdy) dx em
relação à aresta inferior ee, do elemento, o qual deve ser equi-
librado pelo momento ( .,.11 bdx) dy devido às tensões de cisalhamen-
to distribuídas sôbre a face horizontal do elemento cdd,c,. Então
e Ty.: = Tz!Jr

isto é, as tensões de cisalhamento que atuam em duas faces per-


pendiculares do elemento são iguais.< A mesma conclusão foi en-
contrada, anteriormente, na tração simples (veja página 62) e tam-
bém na tração ou compressão em duas direções ortogonais (página
66). A existência dessas tensões de cisa!hamento nos planos para-
lelos ao plano neutro, pode ser demonstrada por experiências sim-
ples. Tomemos duas barras retangulares iguais e as coloquemos,

Í-.
lP
i
juntamente, sôbre apoios simples, como
se acha indicado na figura 102, soli-
n t L ( : citando-se à flexão por meio de uma
O: 'faJ_f carga concentrada P. Se não houver
( atrito entre as barras, a flexão de uma
} barra será independente da outra;
_J_ cada uma sofrerá compressão nas fi-
fbJ bras longitudinais superiores e tração
nas inferiores, e a condição será a in-
Fig. 102 dicada na figura 102b. As fibras lon-
gitudinais inferiores da barra superior, deslizarão em relação às
fibras superiores da barra· inferior. Numa barra única de altura
' A solutão exata dêste problema é devida a Saint Venant, Journal de Math.
!I.inuvillel, 1856. Ull\a descrição do trabalho famoso de Saint Venant é dada na
Hi.•t<JrJJ of tlie Theo?-y of Elasticity, de Todhunter e Pearson. A solução aproxi-
mada dada abaixo é de Jourawskl. Para a tradução francesa de seu trabalho veja
Annale.• <les Ponts et Chaussées, 1856. A teoria exata mostra que, quando a altura
da viga fõr pequena ern presença da largura, a discrepância entre as teorias exata
e aproximada torna·~e considerável.
' Consideramos aJ)enas os \'atores absolutos.
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 127

2h (figura 102a) haverá tensões de cisalhamento ao longo do plano


neutro mn de Ui.l grandeza que impeça êste deslizamento da parte
superior da barra em relação à inferior, como está indicado na
figura 102b. 5 Devido a esta resistência ao deslizamento, a barra
única de altura 2h é muito mais rija e mais forte, do que duas
barras separadas de altura h cada uma. Na prática usaremos ca-
vilhas, tais como se vê em a, b, e, . .. nas vigas compostas de
madeira a fim de impedirmos o deslizamento (figura 103a). A
observação das folgas em tõrno de uma cavilha (figura 103b),
habilita-nos a determinar o sentido do deslizamento no caso da
viga composta e, portanto, a direção das tensões de cisalhamento
no plano neutro, no caso de uma viga única.ª
O estudo anterior mostra que a tensão de cisalhamento Tu,, em
qualquer ponto da seção transversal vertical, é vertical em direção
e numêricamente igual à ten-
p
são de cisalhamento horizon-
tal Tru no plano horizontal
que passa pelo mesmo ponto.
Esta última tensão pode ser
;--l e. i-- (QJ
calculada, facilmente, pela con-

c;;:LJl~
dição de equilíbrio do elemento
pp,nn,, cortado da viga por
~·1-W duas seções transversais adja-
(bi (e)
centes mn e m 1n, e pelos planos
Fig. 103
horizontais PP1 figura 104 (a)
e (b). As únicas fõrças que atuam nesse elemento, na direção do
eixo dos x, são as tensões de cisalhamento Tru sõbre o lado .PP,,
e a tensão normal a,., sõbre os lados pn e p,n,. Se os momentos fle-
tores nas seções mn e m,n, são iguais, isto é, no caso da flexão

Fig. 104

s As setas superiores indicam a a17ão dn metade inferior sõbre a superior,


enquanto que as setas in[eriores indicam o contrário.
' Para um estudo das vigas compostas de madeira, ver "Schwere Notbrückc
mit verdübelten Balken", Ge•el•srhaft rür militarl•che Bautechnik. Zürich.
128 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

pura, as tensões normais u., nos lados np n,p, serão, também, iguais
e estarão em equilíbrio entre si. Então, a tensão de cisalhamento
,,.Y deve ser igual a zero.
Consideremos, agora, o caso mais geral de um momento fletor
variável, representando por M e M + dM os momentos nas seções
transversais mn e m 1 n 1 , respectivamente. Então, a fôrça normal
que atua na área elementar dA rlo lado nppn será (equação 57),

- My
u,, dA - ---y;- dA.

A soma de tõdas estas fôrças distribuídas no lado nppn do ele-


mento será

f l
hf2 My
!,
dA.
(a)

Da mesma maneira, a soma das fôrças normais que atuam no lado


n,p,p,n 1 será

f y
l
11/•
(M +
1,
dM) y
dA. (b)

A fôrça devida às tensões de cisalhamento Tzu que atuam na face


superior pp, do elemento é
(e)

As fõrças dadas em (a), (b) e (e) devem satisfazer a equação


'i.X =a, portanto
T,ubdX =f
''!" (M + dM) y dA - ''I' _Jj_
M dA
[,
f [, '
f
y
1 1

donde ht•
.,.,,J/ = : . b~. . u, ydA,

ou, aplicando-se a equação (50),


- Q - (''''
Tzu = Tyz - bl,, j 111 ydA. (64)

A integral nesta equação tem significado muito simples. Repre-


senta o momento estático da parte tracejada da seção transversal,
TENSôES NAS VIGAS CARRECADAS TRANSVERSALMENTE 129

figura 104b, em relação ao eixo neutro z. Para a seção retangular


estudada
dA bdy
e a integral torna-se
f /1/,

UI
by· 1 h/•
bydy = 1-2- UI = 2
b ( 4-y,'
h' ) . (d)

O mesmo resultado pode ser obtido multiplicando a área


b[ (h/2) - Y1L da parte tracejada, pela distância 1.·2 1 (h 2) !
+- y,] de seu centro de gravidade ao eixo neutro.
Levando (à) na equação (64), obteremos para a seção retan-
gular
V h• ) (65)
Tzu = Tyz = 2/, ( 4 - Y/ ·

Vê-se que as tensões de cisalhamento ,,,,. não estão uniformemente


distribuídas da parte superior da viga à inferior. O valor máximo
de •ur ocorre para y, = O, isto é, para pontos no eixo neutro; e é
pela equação ( 65) , ·
V h'
1
(Turlmar =sr
i bh·'
ou, desde que~ l.: =
12
3 V
(Tyz)maz =2 . bh • (66)
Assim, a tensão de cisalhamento máxima, no caso da seção trans-
versal retangular, é 50% maior do que a tensão de cisalhamento
média, obtida dividindo a fôrça cortante pela área da seção trans-
versal.
No estudo feito, consideramos o elemento pnp,n, da parte inferior
da viga. Obteríamos o mesmo resultado considerando um elemento
da parte superior.
Para as extremidades inferior e superior da seção transversal
y, = ± h/2, a equação (65) dá Tyr = O. O gráfico da equação (65)
(figura 104c), mostra que a distribuição das tensões de cisalha-
mento ao longo da altura da viga, segue uma lei parabólica. A
área tracejada, limitada pela parábola,
multiplicada pela largura b da viga, dá
i- (, 9 ,) ,,..,rbh = V, como deveria ser.

Uma conseqüência natural dessa.s ten-


sões de cisalhamento é a deformação de
cisalhamento, a qual faz com que ~s se-
ções transversais, inicialmente plana.~. 'f:or-
Fig. 105 nem-se curvas. Esta curvatura pode ser
130 RESISTE:NCIA DOS MATERIAIS

demonstrada, fàcilmente, fletindo-se uma peça retangular de borra-


cha (figura 105) por meio de uma fôrça aplicada na extremidade,
e em cujos lados tenhamos traçado linhas verticais. As linhas não
permanecem retas, como se acha indicado por meio de linhas pon-
tilhadas, mas se tornam curvas, de tal modo que a deformação de
cisalhamento máximo ocorre na superfície neutra. Nos :pontos
m', m',, n', n',, a deformação de cisalhamento é zero, portanto, as
curvas m' n' e m', n', são normais às superfícies superior e inferior
da barra depois da flexão. Na superfície neutra os ângulos forma-
dos pelas tangentes as curvas m'n' e m',n', e às seções normais
mn e m 1 n,, são iguais a y = (liG) (ru:) ma:· Enquanto a fôrça cor-
tante permanece constante ao longo da viga, a curvatura de tôdas
as seções transversais é a mesma, de modo que mm'= m,m'i. nn' =
= n,n' ,, e o alongamento ou o encurtamento produzido pelo momen-
to fletor nas fibras longitudinais não será afetado. Êste fato ex-
plica a validade aqui da equação (57) , a qual foi deduzida para a
flexão pura e baseada na hipótese de que as seções transversais de
uma barra permanecem planas durante a flexão.
Investigação mais cuidadosa do problema 7 mostra que a curva-
tura das seções transversais também não afeta, substancialmente,
a deformação das fibras longitudinais, se atuar na viga uma carga
distribuida e a fôrça cortante variar continuamente ao longo da
viga. No caso de cargas concentrad~, a distribuição das tensões
perto das cargas é mais
complicada, mas êste
afastamento da lei da
linha reta é de tipo lo-
cal ( vej~ a parte II) .

PROBLEMAS
+
1. Determinar os valores 1
i
limites da carga P que atua
na viga de madeira retan·
gular, figura 106, sendo IFl
b = 20cm, h
ª•••
=
=
= 25cm,
60 kg/cm'. ,.,.,. =
15 kg/cm', e :::: 45 cm.
lJ
Fig. 106
' Veja W. Volgt, Goettingen Abhandlungen, Bd. 34 (1887); J. H. Michell, Quart.
J. of Math., Vol. 32 (1901); e L. N. G. Fllon, Phil. Traens. Roy Soe. (Ser. A),
Vol. 201 (1903) e tondon Roy. Soe. Proc., Vol. 72 (1904).
Ver, também, Tl1, Kármán, Ablandl. Aerodyn. Inst., Tech. Hochschule (Aachen),
Vol. 7, 1927.
\!~NSôE~AS VIGAS \cARREGADA~RANSVERSALMENTE la:/

Solução. Os diagramas dos momentos fletores e das fôrças cortantes


estão dados na figura 106.
V.u = P; M ••• = Pc .
.....:. Das equações~
Pc
z= Uad.M

_ obteremos -t
P =
2780 kg e P =
5000 kg;
portanto P = 2780 kg é o valor limite.da carga P.
2. Determinar a tensão normal máxi-

r..
ma a. e a tensão de cisalhamento máxima
no plano neutro da viga, dada a fi-
gura 107, sendo a = 60 cm, e = 120 cm,
b =
20 cm, h =
25 cm e P =3000 kg.
Fig. 107 3. Determinar a tensão de cisalha-
mento máxima no plano neutro de uma
viga retangular unüormemcnte carregada, se o comprimento da viga é
Z = 180 cm, a carga q = 1,50 t/m, a altura da seção transversal
h = 25 cm e a largura b = 20 cm.
4. Determinar as tensões de cisalhamento máximas no problema 2 do
artigo 25. _
27. Distribuição das tensões de cisalhamento no caso de uma
seção transversal circular. - Ao considerarmos a distribuição numa
seção transversal circular (fi-
V
gura 108), não temos base
para emitirmos a hipótese de
que as tensões de cisalhamen-
to sejam paralelas à fqrça
cortante V. De fato, podemos
mostrar, ràpidamente, que y (o}
Sp
z

{b) y
·nos pontos p (figura 108b ) Fig. 108
da seção transversal, ao longo
do contôrno a tensão de cisalhamento é tangente àquele contôrno.
Consideremos um elemento infinitesimal abcd (figura 108 c), com
a forma de um paralelepípedo tendo a face adfg na superfície da
viga e a face abcd no plano yz da seção transversal. Se a tensão de
cisalhamento, que atua na face abcd do elemento, tiver uma: direção
tal como a de r, poderá sempre ser deeomposta em duas compo-
nentes, r,z numa direção radial e r 1z na direção da tangente ao con-
tôrno. Provamos anteriormente (veja página 125) pela aplicação da
equação de equilíbrio de um elemento, que se uma tensão de cisa-
lhamento r atua numa área elementar, uma tensão de cisalhamento
igual numericament.e atuará sôbre uma área elementar perpendi-
cular ar. Aplicando isso a nosso caso devemos concluir que se uma
132 RESISnNCIA DOS MATERIAIS

tensão de cisalhamento Trz atua no elemento abcd numa direção ra-


dial, deve existir uma tensão de cisalhamento Tzr igual na face adfg
do elemento que está na superfície da viga. Se a superfície lateral
da viga estiver livre de tensões de cisalhamento, a componente ra-
dial Trr da tensão de cisalhamento T deve ser igual a zero, isto é,
T deve estar na direção da tangente ao contôrno da seção trans-

versal da viga. No ponto médio n da corda pp, a simetria exige


que a tensão de cisalhamento tenha a direção da fôrça cortante V.
Então, as direções das tensões de cisalhamento nos pontos p e n
interceptar-se-ão em algum ponto O do eixo dos y (figura 108 b) .
Admitindo agora que a tensão de cisalhamento em qualquer outro
ponto da linha pp seja também dirigida para o ponto O, teremos
uma determinação completa das direções das tensões de cisalha-
mento. Como segunda hipótese, admitamos que as componentes ver-
ticais das tensões de cisalhamento sejam iguais em todos os pontos
da linha pp. • Como esta hipótese coin-
cide, perfeitamente com a emitida no
caso de uma seção transversal retan-
gular, poderemos empregar a .equação
(64) para calcular esta componente.
Neste caso, b será o comprimento da
corda pp .• Conhecendo a direção da
tensão de cisalhamento e sua compo-
~
nente vertical, poderemos calcular, fà-
Fig. 109
cilmente, sua grandeza para qualquer
ponto da seção transversal.
Calculemos, agora, as tensões de cisalhamento ao longo da linha
pp da seção transversal (figura 109). Aplicando a equação (64)
para o cálculo da componente vertical Tvz destas tensões, devemos
achar o momento estático do segmento do circulo situado abaixo
da linha pp, em relação ao eixo dos z. A área elementar mn tem o
comprimento
2 v R• - yi e a largura dy. A área é dA = 2 v R• - y•. dy.
O momento desta fatia em relação a Cz é ydA e o momento total
para todo o segmento será

j (R
111
2yR 2 - y". ydy .=g
2 ( R• - y,• )ª/ 2

1 A teoria aproximada, baseada nas duas hipóteses acima, dá precisão suficiente


e a comparacão com a teoria exata mostra que o êrro na grandeza da tensão de
cisaihamento máxima é de cêrca de 5%. o qual não é grande para as aplicações
práticas. Veja Saint Venant, loc. cit., p. 110. Veja também o livro de A. E. H. Love,
MathematicaZ Teory of EZasticity 4. éd., 1927, p. 346.
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 133

Levando êste valor na equação (64) e tomando 2 yR 2 - y,• por b


obteremos
_ V(R' - y,')
Tyz - 3 l: (67)

e a tensão de cisalhamento total nos pontos p (figura 109), será

,. = Tuz • R = V R l/ R" - y,"


VR" - y," 3 ],

Vemos que é obtido para y 1 = O, isto é, para o eixo neutro


T.,.,,

7J'R•
da seção transversal. Então, substituindo I= - - 4-

4 V 4 V
Tm<JZ =3 7rR 2 = 3 • --:;r- (68)

No caso de uma seção transversal circular, portanto, a tensão de


cisalhamento máxima é 33 % maior do que o valor médio, obtido
dividindo a fôrça cortante pela área da seção transversal.
28. Distribuição das tensões de cisalha-
V
mento nas vigas em 1. - Ao considerarmos

r
a distribuição das tensões de cisalhamento
nas vigas em I (figura 110), para a seção da
alma, faremos as mesmas hipóteses que para
h h, zrt-t-+---.- uma seção transversal retangular; nessas vi-
mos que as tensões de cisalhamento são

1~
paralelas à fôrça cortante V e são uniforme-
mente distribuídas na espessura bl da alma.
l-11 'Y Então, a equação (64) será usada para cal-
cularmos as tensões Tuz· Para os pontos da
Fig. 110
linha pp a uma distância Y1 do eixo neutro,
onde a largura da seção transversal é b1 , o momento estático da
parte tracejada em relação ao eixo neutro z é

r. 111
A/• y dA =

Substituindo na equação (64) obteremos


~ ( ~· - h,t ) + ~1 ( h4' ~ Y1' )

Tyz = b~: [ ~ ( h~ - ~· ) + ~l eh4' - y 12 ) ] (69)


134 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

A tensão varia, então, ao longo da altura da viga, seguindo uma


lei parabólica. Os valores máximo e minimo de Tvz na alma da
viga são obtidos fazendo Y1 = O e Y1 = Y1/2:
V [ bh 2 hi•
(Tvz)m.,,, = b1fz -8- - -8- (b - bi) ;J (70)
V ( bh 2 bh,•) (71)
(Tvz)min = b,l, -8- - -8- •
Quando b1 fôr muito pequeno em presença de b não haverá grande
diferença entre (Tvz)m.,,, e (Tvz)m;n e a distribuição das tensões de
cisalhamento na seção transversal da alma será, pràticamente,
uniforme.
Obtemos boa aproximação para (TvzLnaz, dividindo a fôrça cor-
tante total V pela área da seção transversal da alma sómente.
Isso é conseqüência do fato de que as tensões de cisalhamento distri-
buídas na seção transversal da alma, fornecem uma fôrça que é,
com pouca diferença, igual a V, o que significa que a alma toma,
aproximadamente, tôda a fôrça cortante e que as mesas têm
sómente uma parte secundária em sua transmissão. Para provarmos
isso notemos que a soma das tensões Tvz na alma, a qual designare-
mos por V 11 será
h,/2 .
f Tvz b1 dy, donde. pela equação (69) teremos:
- h,/2

V,~ b~l:.:J: (: -~, )+ b; (~' -yc)] My

e depois da integração

V 1 = ~[b(h - h,) h + h, ~ b,h,"]


1. 2 . 2 . 2 + 12 . (a)

Para pequenas espessuras das mesas, isto é, quando h 1 se aproxima


de h, o momento de inércia l, é representado, com precisão sufi-
ciente, pela equação
I _ b(h. - h,) (h + h 1 )2 b1 h 1 3
• - 2 • 8 +12· (b)

na qual o primeiro têrmo representa a área da seção transversal


das mesas multiplicada pelo quadrado da distância (h + hi) /4 de
seus centros ao eixo dos z, que é, pouco mais ou menos, o mo-
mento de inércia da seção transversal das mesas. O segundo têrmo
é o momento de inércia da seção transversal da alma. Compa-
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 135

rando (a) e (b), vemos que à proporção que hi se aproxima de h,


a fôrça V1 aproxima-se de V e a fôrça cortante será tomada somen-
te pela alma.
Ao considerarmos a distribuição das tensões de cisalhamento nas
seções transversais das mesas, não podemos fazer a hipótese de que
não haja variação ao longo da largura da seção. Por exemplo, no
nível ae (figura 110) , ao longo do contôrno inferior da mesa, ac e
áe, a tensão de cisalhamento Tv:r: deve ser zero, por isso que a tensão
igual correspondente Tzu na superfície inferior livre da mesa é zero
(veja página 125 e também figura 108c). Na parte cd, entretanto,
as tensões de cisalhamento não são nulas, mas têm as grandezas
calculadas acima para ( Tuz) min na alma. Isso indica que na junção
cd da alma com a mesa, a distribuição das tensões de cisalhamento
segue uma lei mais complicada do que a que pode ser investigada
por nosso estudo elementar. Com o fim de eliminarmos concen-
tração de tensões nos pontos e e d, os cantos vivos são, comu-
mente, substituídos por frisos, como podemôs ver indicado na fi-
gura pelas linhas pontilhadas. Estudo mais detalhado da distribui-
ção de tensões de cisalhamento nas mesas será feito posteriormente
(veja parte II).
PROBLEMAS
1. Determinar (Tv<> ••• e (T,.).,. na seção transversal
da alma de uma viga em I (figura 110), sendo b =
= 12,5 cm, b, = 1,25 cm, h= =
30 cm, h, 26,25 cm,
Q = 15000 kg. Determinar a fôrça cortante V, transmi-
tida pela alma.
2. Determinar a tensão de cisalhamento máxima na
alma de uma viga em T (figura llll sendo h = 20 cm,
=
h.. = 17,5 cm, b =
10 cm, b, =
2,5 cm, Q 500 kg.
3. Determinar a tensão de cisalhamento máxima nos
problemas 1 e 6 do artigo 25. Empregar uma viga em I
normal e supor que a fôrça cortante total está uniformemente distribuída
na seção transversal da alma da viga.
4. Deterrni11ar a tensão de cisalhamento máxima na viga em U do
problema 2, página 117 sendo V = 6000 kg.
29. Tensões principais na flexão. - Aplicando as equações (57)
e (64) podemos calcular, fàcilmente, para qualquer ponto de uma
seção transversal a tensão normal ª"' e a tensão de cisalhamento
Tv:r:, contanto que sejam conhecidos o momento M e a fôrça cortan-
te V nesta seção. O valor numérico máximo de ª"' ocorrerá na fibra
mais afastada do eixo neutro e o valor máximo de Tvz• comumente,
136 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

no eixo neutro. Na maioria dos casos, usaremos no projeto somente


os valores máximos de u,, e Tuz obtidos dessa maneira, e as dimen-
sões da seção transversal das vigas são escolhidas de tal modo que
satisfaçam as condições
(u,,)maz:<'.<Tadm e (Tvz)maz<:Tadm•
Admitimos aqui que o material trabalhe igualmente à tração e à
compressão e u ad•• seja o mesmo para ambas. No caso contrário,
as condições de resistência à tração e à compressão devem ser
satisfeitas, separadamente, e obteremos
(u .. )maz < u adm à tração; c;,,,)min < u adm à compressão.
Há casos, entretanto, que requerem análise mais detalhada das
condições de tensões. Demonstraremos, agora, o método de análise
necessário para êsses casos, com a viga simplesmente apoiada e
carregada no meio (figura 112) . Para o ponto A abaixo do eixo

Fig. 112

neutro na seção transversal mn, as grandezas das tensões


u,,e Tzv = T 11,,, são dadas pelas equações (57) e (64). Na figura
112b, aquelas tensões estão indicadas atuando no elemento infinite-
simal cortado da viga no ponto A, seus sentidos sendo fàcilmente
determinados pelos de M e V. Para êsse elemento infinitesimal, as
variações das tensões u,, e T 11,, dos vários pontos do elemento, podem
ser desprezadas e podemos admitir que o elemento está no estado
de tensão homogéneo, isto é, que as quantidades u,, e T 11,, podem ser
TENSõES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 137

consideradas como constantes ao longo do elemento. ÊSte estado de


tensão é ilustrado pelo elemento de dimensões finitas da figura 40a.
Do nosso estudo anterior (veja página 65), sabemos que as ten-
sões nas faces de um elemento cortado de um corpo sob solicitação,
variam com as direções dessas faces e que é possível girarmos 0
elemento, de tal forma, que apareçam somente tensões normais
(veja página 68). As direções das faces são então, chamadas de
.direções principais e as tensões correspondentes de tensões prin-
cipais. As grandezas destas tensões podem ser determinadas
pelas equações (31) e (32), fazendo nessas equações cru = O. Então
obteremos:

u,,..,, = IT2:r +V(T )"+ Ty/• (72)

IT niin = -y.- ·v( ~~) '+ Tu/- (73)

Devemos notar queª"'"" é sempre tração e <Tmin sempre compressão.


Conhecendo as tensões principais, obteremos a tensão de cisalha-
mento máxima em qualquer ponto pela equação (34) (veja pági-
na 69):

Tma:r - <Tmor ; <Tm;,. = 1· c.-IT2:r) 2 + 7yz-. (74)

Para a determinação das direções das tensões principais podemos


usar o circulo de Mohr. Para um elemento como o do ponto A
(figura 112b), o círculo de Mohr correspondente está dado na figu-
ra 112c. Fazendo a distância OF = u:r e DF = Ty:r, o ponto i5 que
representa as tensões nos lados bc e ad do elemento, será obtido.
A distância OF é tomada na direção dos u positivos e DF na di-
reção contada para cima, porque u:r é uma tensão de tração e as
tensões de cisalhamento T""' nos lados bc e ad, dão um conjugado
no sentido do movimento dos ponteiros do relógio (veja página 93).
O ponto D, representa as tensões nos lados ab e de do elemento,
no qual as tensões normais são nulas e as tensões de cisalhamento
negativas. O círculo construído com o diâmetro DD1 determina
u "'ª" = OA eu min = - OB. Da mesma construção podemos tirar o
ângulo 2rp e a direção de u na figura 112b, será obtida medindo
111 .,,,

rp a partir do eixo dos x, no sentido do movimento dos ponteiros


do relógio. De fato, u,nin é perpendicular a <Tmaz•
138 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

Tomando a seção m,n, à direita da carga P (figura 112a) e con-


siderando o ponto A acima do eixo neutro, a direção das tensões
que atuam no elemento abc em A, será a indicada na figura 112d.
O círculo do Mohr correspondente está indicado na figura 112e. O
ponto D representa as tensões nos lados ab e de do elemento abcd
e o ponto D,, as tensões nos lados ad e bc. O ângulo 'P que deter-
mina a direção de u naaz, deve ser medido, no sentido do movimento
dos ponteiros do relógio, a partir da normal exterior ao lado ab
ou cd, como está indicado na figura 112d.
Se tomarmos um ponto na superfície neutra, u,, torna-se, então,
zero. Um elemento neste ponto estará na condição de cisalhamento
puro. As direções das tensões principais formarão com os eixos
dos x e dos y, ângulos de 45º.
É possível construirmos dois sistemas de curvas ortogo'nais, cujas
tangentes, em cada ponto, estejam nas direções das tensões prin-
cipais neste ponto. Essas curvas são chamadas de trajetórias das
tensões. A figura 113 mostra as trajetórias das tensões para uma
viga em balanço retangular, carregada na extremidade. Tôdas essas
curvas cortam a superfície neutra com o ângulo de 45º e têm tan-
gentes horizontal ou vertical nos pontos onde a tensão de cisalha-
mento Tyz é zero, isto é, nas superfícies superior e inferior da viga.
As trajetórias dando as direções de uma! (tração) são representa-
das por linhas cheias e o outro sistema de trajetórias por linhas
pontilhadas. A figura 114 dá as trajetórias e os diagramas da dis-
tribuição de tensões para u,, e Tyz em várias seções transversais
da viga retangular, simplesmente apoiada, solicitada por uma

~l~t
Fig. 113
:1 cm
l l
Fig. 114

··"i
carga uniforme. Vemos, claramente, que u,, tem valor máximo no
meio, onde o momento fletor M é máximo e Tyz é máximo nos
apoios onde atua a fôrça cortante máxima. 9 No projeto de vigas
o interêsse é pelos valores máximos numéricos de u. Pela equação
(72) podemos ver que, para as fibras solicitadas mais afastadas,
• Vários exernpll)s de tracado de trajetória de teusões são estudados por J.
Wagner Zeitschr, d. óesterr. Ing u. Arcllit. Ver., 191;1, p. 615.
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 139

onde o cisalhamento é zero, a tensão normal longitudinal ªz tor-


na-se tensão principal, isto é, ""'""' = (crz) maz· Para as fibras mais
próximas do eixo neutro, a tensão ªz da fibra longitudinal é menor
do que na fibra extrema; entretanto, temos agora, também a
tensão de cisalhamento •uz e as tensões az e Tuz que atuam simul-
tâneamente neste ponto, que podem produzir a tensão principal,
dada pela equação (72), a qual será numericamente maior do que
a da fibra extrema. No caso de vigas de seção transversal retan-
gi,tlar ou circular, em que a tensão de cisalhamento Tvz varia con-
tinuamente aó longo da altura da viga (êste não é o taso comum),
a tensão (a,,)"'ª~ calculada para as fibras· mais afastadas na seção
de momento fletor máximo, é a tensão máxima que atua na viga.
Mas, num caso como o da viga em I, onde a mudança brusca da
grandeza da tensão de cisalhamento ocorre na junção da mesa com
a
a alma (veja página 135) J tensão máxima calculada nesta emen-
da, pela equação (72), pode ser maior do que a tensão de tração
(a,)"'ª" na fibra mais afastada e deverá ser levada em conta no
projeto. Para ilustrar isso, consideremos o caso representado na
figura 112a de uma viga de seção em I e com as mesmas dimen-
sões dadas no p1;oblema 1, página 135, de comprim~nto l = 60 cm e
P = 30000 kg. Então M,,,.,, = 4,50 mt, V mu = 15 t. Pela equação
(57) a tensão de tração na fibra mais afastada é
450000 X 15 _ 605 k / 2
(a,) maz 11158 g cm
Agora, para um ponto na junção da mesa e da alma, obteremos os
seguintes valores para as tensões normal e de cisalhamento:
ª" = 605 ~O 26,25 = 530 kg/cm• ;

Tyz = 354 kg/cm2 •


Então, pela equação (72), a tensão principal será
a.,.,, = 707 kg/cm•.
Podemos ver que a,,,.,, na junção da mesa com a alma, é maior
do que a tensão de tração na fibra mais afastada e, portanto,
deverá ser considerada no projeto.

PROBLEMAS
1. Determinar a ... e ª••• num ponto situado 5 cm abaixo do eixo
neutro, na seção distante 0,90 m da extremidade carregada de uma viga em
balanço (figura 113), sendo a altura h = 20 cm, a largura b = 10 cm
e a carga P = 1000 kg. Determinar o ãngulo formado por ª••• neste
ponto e o eixo dos x.
140 RESIST:G:NCIA DOS MATERIAIS

2. Determinar am,. e am••• no eixo neutro e na seção transversal distante


30 cm do apoio esquerdo, para a viga retangular apoiada nas extremidades
e unüormente carregada (figura 114). As dimensõ2s da seção transversal
são as mesmas do problema anterior e q =
1.5t/m; Z =
3,00 m.
3. Determinar o comprimento da viga em I, considerada na página 139,
sendo (a.) naz igual a am .. na junção da mesa com a alma. ·

30. Tensões nas vigas compostas. - Na prática corrente da


engenharia são empregadas, freqüentemente, vigas compostas e as
tensões nessas vigas são, em geral, calculadas na hipótese de que
suas partes estão ligadas rijamente. O estudo compreenderá, então,
(a) o projeto da viga como viga única, e (b} o projeto e o espaça-
mento dos elementos que ligam as partes da viga. No primeiro
caso usaremos as fórmulas de vigas únicas, fazendo uma concessão
para o efeito dos furos dos rebites, parafusos, cavilhas, etc., me-
diante a introdução de seções reduzidas. Os estudos necessários
para a ligação dos elementos serão agora ilustrados.
Estudemos, primeiramente, uma viga de madeira composta corno
está na figura 103. Admitamos que as cavilhas usadas entre as duas
partes da viga, sejam bastante fortes para resistirem às fôrças cor-
tantes F' (figura 103b). Então podemos usar a equação (57) para
calcular <rz. A fim de levarmos em conta o enfraquecimento da
seção produzido pelos encaixes das cavilhas e pelos furos dos para-
fusos, devemos tomar em consideração sõmente a parte tracejada
da seção indicada na figura 103c. Então:
lz = (b ~ d) [. (2h) 3 - (2c) 3 J
Ao calcular a fôrça cortante F que atua em cada cavilha, admita-
mos que esta fôrça seja igual à fôrça cortante distribuída numa viga
única, sôbre a área eb da superfície neutra, onde b é a largura da
viga e e a distância entre os centros das cavilhas (veja figura
103a). Então, pela aplicação da equação (66) e considerando que
a altura da viga é igual a 2h, neste caso, obteremos:
3 V 3 Ve
F' = eb · 2 b 2 h - 2 ---zii: <75 >
As dimensões das cavilhas e a distância e entre elas devem ser
escolhidas de modo que garantam uma resistência suficiente contra
o corte da cavilha e contra o esmagamento da madeira nas faces·
laterais da cavilha e de seu encaixe. Nesses cálculos faz-se, geral-
mente, a hipótese grosseira de que as tensões de cisalhamento
sejam uniformemente distribuídas na seção média a X b da cavilha
e, também, que a pressão nas faces laterais das cavilhas seja uni-
TENSÕES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 141

formemente distribuída nas áreas e X b. Então, representando por


r..im a tensão de cisalhamento admissível para as cavilhas e por
iladm a tensão admissível à compressão lateral da madeira das
cavilhas ou de seus encaixes, obteremos as seguintes equações para
o projeto das cavilhas:
F
ab < Todm;

É necessário garantirmos, também, uma resistência suficiente


contra o corte da madeira da viga ao longo das fibras, entre duas
caVilhas. A fôrça cortante será novamente igual a F e a área resis-
tente será b X (e -·a). Representando por r'..im a tensão de cisa-
lhamento admissível, para o material da viga ao longo das fibras,
a condição de resistência torna-se:
F '
b(e - a) < r ac1m •

Além das cavilhas, há parafusos (figura 103) ligando as partes


da viga. Apertando-os produziremos atrito entre as partes da viga.
É'.:Ste atrito é, comumente, desprezado no cálculo e admitimos que
a fôrça cortante total seja absorvida pelas cavilhas. As experiên-
cias mostram que essas vigas de madeira compostas são mais
fracas do que as vigas únicas das mesmas dimensões. 10
Ao calcularmos as tensões a,, nas vigas de aço compostas em I
leva-se em conta, em geral, o efeito do enfraquecimento produzido
pelos furos dos rebites, admitindo que todos os furos estejam na
mesma seção transversal (figura 115a) da viga 11 e subtraindo as
suas seções diametrais ao calcularmos 1,, na equação 57.
M

o o

o o o o
(o)

Fig. 115

10 As experiências feitas pelo Prof. E. Kldwell no cMlchlgan College ot Mines•


mostram que as vigas de madeira compostas têm cêrca de 75% da reslsttncla da
viga de secão Qnlca de mesmas dimensões.
u Os furos na alma vertical aparecem nas secões onde sejam rebitados reforcas
verticais à viga. ·
142 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

Ao calcularmos a tensão de cisalhamento máximo Tuz é, também,


de prática corrente, levarmos em conta o efeito do enfraqueci-
mento produzido pelos furos dos rebites. Podemos ver que a área
da seção transversal da alma diminui, devido aos furos, na relação
(e - d) /e, onde e é a distância entre os centros dos furos e d
o diâmetro dêles. Portanto, o fator e/ (e - d) está, ordinària-
mente, incluído no segundo membro da equação (64) para o cál-
culo de Tvz na alma das vigas compostas em I. Devemos notar que
esta maneira de calcular o efeito do enfraquecimento produzido
pelos furos dos rebites é, somente, uma aproximação grosseira.
A distribuição real das tensões perto dos furos não é simples.
Daremos mais tarde (veja a parte II) algumas observações sôbre
a concentração de tensões perto dos bordos de um furo.
Para calcularmos a fôrça cortante que atua num rebite, como
o rebite A (figura 115b), consideremos as duas seções transversais
mn e m,n,. Devido à diferença de momentos fletores nessas duas
seções transversais, as tensões normais <rz nas seções mn e m,n,
serão diferentes e haverá tendência da mesa da viga, tracejada na
figura 115c, para deslizar ao longo da alma. J!:ste deslizamento é
obstado pelas fôrças de atrito e pelo rebite A. Desprezando o
atrito, a fôrça que atua no rebite torna-se igual à diferença das
fôrças que atuam nas seções mn e m,n, da mesa. A fôrça na mesa
na seção transversal mn é (veja equa~ão {a), página 128):

ff ydA;
onde a integração deve ser estendida sôbre tôda a área tracejada
da seção transversal da mesa. Da mesma maneira para a seção
transver;;al m 1 n 1 , obteremos:

(M ~. b.M) f ydA.

Então, a fôrça transmitida pelo rebite A da mesa à alma, será:

F= c,.l~f ydA. (a)

Aplicando a equação (50) e substituindo dx pela distância e


entre os rebites, obteremos:
t:J.M = Ve,
onde V é a fôrça cortante na seção transversal da viga que passa
pelo rebite A. Substituindo na equação (a), obteremos:

F = i: I ydA. (76)
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 143

A integral que aparece n~sta equação representa o momento


estático da S".!Çâo transversal tracejada da mesa (fig. 115c), em
relação ao eixo neutro z.
É fácil de ver que para· produzir um deslizamento da mesa ao
longo da alma, o rebite deve ser cortado por meio de duas seções
transversais. Admitindo que a fõrça S seja uniformemente dis-
tribuida sôbre estas duas seções trànsversais, a tensão de cisa-
lhamento no rebite será:

T = 2 ~~d' = "~~~=! ydA. (77)

A fôrça F produz, algumas vêzes, tensão de cisalhamento con-


siderável na alma da viga ao longo do plano ab (veja figura 115b),
a qual deve ser levada em conta. Admitindo que essas tensões se-
jam uniformemente distribuidas e dividindo F pela área b, (e - d),
obteremos:

(b)

Além desta tensão produzida pelas fôrças F transmitidas das


mesas, atuarão, ao longo do mesmo plano ab, tensões de cisalha-
mento ,", devidas à flexão da· alma. A grandeza dessas tensões
será obtida aplicando a equação acima (b) e substituindo a in-
tegral J ydA pelo momento estático, em relação ao eixo neutro
z, da parte da seção transversal retangular da alma, situada acima
do plano ab. Desta maneira, chegaremos à· seguinte equação para
a tensão de cisalhamento •r11 na alma, aq longo do plano ab
(Fig. 115b):

T" -~.
bJ~
e~dJydA, (78)

na qual, a integral é estendida sôbre a área tracejada da seção


transversal, dada na figura 115d. Conhecendo u, e Tzu poderemos
calcular umar e u,,,;,. para os pontos no plano ab pelas equações (72)
e (74), como foi explicado no artigo precedente, e poderemos de-
terminar as direções das tensões principais.
Pelo estudo anterior, vemos que para calcular as tensões nas
vigas compostas em I, fizemos várias hipóteses com o fim de
simplicar os cálculos. Isto reduz de um certo grau a precisão. das
144 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

tensões calculadas, o que deve ser considerado ao escolhermos as


tensões admissíveis para as vigas compostas em I. ;,

PROBLEMAS

(!J Uma viga de madeira composta !figura 103l, consiste de duas


barras de seção transversal retangular ligadas por cavilhas. Determinar a
fôrça cortante que atua nas cavilhas, a tensão de cisalhamento na cavilha
e a pressão em suas faces laterais, sendo a carga P 2500 kg, a largura =
da viga b =
12,5 cm, a altura 2h =
40 cm, a largura da cavilha a =
= 7,5 cm, a altura da cavilha 2c = 6,25 cm e a distância entre os centros
das cavilhas e =
27,5 cm.
Rc.~posta ..
3 1250 X 27.5
F=y 40 1290 kg.

A tensão de cisalhamento na cavilha é


1290 '.
••,- =_--'i,5 X 12 ,5 = 138 kg/cm'.

A pressão na face lateral é


F _1~2~90=-'"X-'--o2~~ = 330 kg/cm'.
12,5 X 6,25

2. Determinar a tensão de cisalhamento no eixo neutro de ~ma viga de


alma cheia, cuja espessura da alma é 19 Jllm e cuja altura 1250 mm; as
mesas sendo formadas de dois pares de cantoneiras de 150 X 150 X 14 mm,
e a fôrça cortante total na seção, igual a 70 000 kg. Determinar, também,
as tensões de cisalhamento nos rebites que ligam as mesas â alma, sendo
o diâmetro dêsses rebites igual a 26 mm e o espaçamento entre êles igual
a 100 mm (figura 115).
S11/w;tici, Para as dimensões dadas temos
1,9X125' •
I. = 12 + 4(845 + 40,3 X 58,3-l = 859000 cm•.

f .,
O momento estático de metade da seção transversal em relação ao eixo
1eutro é
ydA =
1,9 X 62,5'
2
+
2 X 40,3 X 58,3 = 8420 cm•.

Neste cálculo, 40,3 cm' é a área da seção transversal de uma cantoneira,


845 cm• o momento de inércia da seção transversal de uma cantoneira em

" As experiências mostram que a ruptura das vigas em 1 ocorre. em geral. por
causa da tlambagem das mesas comprimidas ou da alma também comprimida (veja
H. F. Moore, Unlverslty o! Illinois. Bulletin 68, 1913). Esta questão de !lambagem
será considerada depois. O e!eito da !Jexão dos rebites na dlstribulcão de tensões
nas vigas em 1 !oi estudado por Arnovlevlc, Zeitschr, /. Architek, "· Ingenieurwesen,
1910, p. 57, o qual achou que as tensões para as dimensões usuais crescem de cêrca
de 6 % por causa desta flexão.
TENSôES NAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 145

relação ao eiJ<o paralelo ao eixo neutro da viga, passando pelo seu centro de
gravidade, 58,3 cm a distãncia do centro de gravidade de cada cantoneira
ao eixo z da ·viga. Todos êstes dados numéricos podem ser obtidos direta·
mente de um manual. Agora, obteremos pela equação 1641,
70000 X 8420
<T.,) ••• = 1,9 X 859000 = 362 kg/cm'.

Se considerarmos o enfraquecimento da alma produzido pelos furos dos


rebites teremos: ·
e
(T.,) ••• = e_ d X 362 = 100
74 X 362 = 488 kg/cm·.•
A fõrça F trânsmitida por um rebite é dada pela equação (76):
F _ 70000 X 10 X 4710 ·
- 859000 = 3850 kg.

A tensão de cisalhamento no rebite é, pela equação <77>.


3850 X 2
T=
'"X 2,6' = 363 kg/cm'.

3. Determinar a ••.• nos pontos do plano ab (figura 115) distante 53.75


cm do eixo neutro, sendo as dimensões da viga as mesrrias do problema
precedente, V = 70000 kg e o momento fletor M = 3750000 cm kg.
Solução. Pela equação !78):
70000 10 .
T-. = l,9 X 859000 · -·fT 14710 960) = 330 kg/cm·,+
3750000 X 53.75
ª' = 859000 = 235 kg/cm',

ª••• = ;· + l/ ª;.' + Tzv' =- 468 kg/cm'.

4. Determinar a fôrça cortante nos rebites


que ligam os dois trilhos da viga dada na figura
116, sendo a ârea da seção transversal de um
trilho A = 65 cm', a distãncia do patim do tri-
lho ao centro de gravidade de sua seção trans-
versal e = 7,5 cm, o momento de inércia da
seção transversal do trilho em relação ao eixo
que passa pelo seu centro de gravidade e e pa-
ralelo ao eixo dos z é 1650 cm', a distância en-
tre os rebites e = 15 cm e a fôrça cortante
V = 2500 kg.
Fig. 116
Solução. 1 2500 X 15 X 65 X 7,5
2 =865 kg.
F= 2<T65o + 65 x 7,5'>
CAPÍTULO V

DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS


TRANSVERSALMENTE

31. Equação diferencial da linha elástica. - No projeto de uma


viga o engenheiro interessa-se, em geral, não sõmente pelas tensões
produzidas pelas cargas que atuam nessa viga, mas, também, pela
deformação produzida por essas cargas. Em muitos casos, além
disso, especifica-se que o afundamento máximo não deve exceder
a determinada pequena parte do vão.
o
dtl
r

..

y
Fig. 117
Representemos pela curva AmB da figura 117, a forma do eixo
da viga depois da flexão. A flexão se processa no plano de simetria
devido às fôrças transversais que agem nesse plano. Esta curva é
chamada de linha elástica. Para deduzirmos a equação diferencial
desta linha, tomemos os eixos de coordenadas como estão repre-
sentados na figura e -admitamos que a curvatura da linha elástica
em qualquer ponto dependa, sõmente, da grandeza do momento
fletor M naquele ponto. 1 Neste caso, a relação entre a curvatura
e o·momento será a mesma do caso da flexão pura (veja equação
56) e obteremos:
1 M (a)
-T- = Efz
Para deduzirmos uma expressão que nos dê a relação entre a cur-
vatura e a forma da linha, devemos con8iderar dois pontos adja-
1 O efeito da !Orça cortante sõbre a curvatura serã estudado posteriormente (veja
artigo 39). Mostrar-se-ã que êste êtelto é, em geral. pequeno e pode ser desprezado.
148 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

centes m e m 1 na linha elástica, distantes um do outro de ds. Se


o ângulo que a tangente em m faz com o eixo dos x fôr chamado
de 8, o ângulo entre as normais à curva em m e m, será d8. O
ponto de interseção O destas normais dá o centro de curvatura e
define o comprimento r do raio de curvatura. Então

ds = r d8 e + = J : 1 (b)
as barras indicando que consideramos aqui somente o valor numé-
rico da curvatura. Com relação ao sinal devemos notar que o mo-
mento fletor é considerado positivo na equação (a) se produz
concavidade virada para cima (veja página 91). Portanto, a curva-
tura será positiva quando o centro da curvatura estiver acima da
curva como na figura 117. Entretanto, é fácil de ver que, para
essa curvatura, o ângulo 8 decresce à proporção que o ponto m se
move ao longo da curva de A para B. Portanto a um aumento
positivo ds corresponde um negativo d8. Assim, para têrmos o sinal
conveniente, a equação (b) deve ser escrita sob a forma ·
1 -
-r- - -
d8
a:s· (e)

Nas aplicações práticas só são permitidos afundamentos muito pe-


quenos das vigas e as linhas elásticas serão muito achatadas. Nes-
ses casos podemos admitir, com precisão suficiente, que
ds :::::: dx e
0

8 -;:::, tg 8 = ~ . (d)

Levando êsses valores aproximados de ds e 8 na equação (e),


obteremos:
_1_ = d•y (e)
r - dx2 •
A equação (a) torna-se pois
d"y - (79)
El, dx• - - M
Esta é a equação diferencial da linha elástica que deve ser inte-
grada em cada caso particular, a fim de acharmos as deformações
das viga'!>.
Devemos notar que o sinal na equação (79) depende da direção
dos eixos coordenados. Por exemplo, se tomarmos os y positivos
para cima é necessário que ponhamos

- - .i:JL
dx O-

no lugar da equação (d); e obteremos mais em vez de menos, no


segundo membro da equação (79).
/
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANS\TEÍtSALMENTE 149

No caso de barras muito delgadas, onde a deformação pode ser


grande, não é admissível que se usem as simplificações (d); e
deve-se recorrer à expressão exata.

8 = are tg ( dy )
dx ·
Então

d8 -
darctg(:~) dx
=
T dS- dx ds
[1 +( ~; ) J
2 3/2

(f)
Comparando êste resultado com a equação (e), po9.e-se concluir
que são equivalentes desde que se admita a quantidade (dy/dx) •
no denominador da fórmula exata (/), pequena em presença da
unidade, podendo, portanto, ser desprezada. •
Düerenciando a equação (79) em relação a x e aplicando as
equações (50) e (51) obteremos
d3y
El: dx3 -V
e
d•y
El, dX" = q. (80)
A última equação é usada, algumas vêzes, quando se considera a
deformação de vigas com carga distribuída.

32. Flexão de uma viga uniformemente carregada. - No caso


de· uma viga simplesmente apoiada com carga unüorme, figura 68,
o momento fletor numa seção transversal mn distante x do apoio
esquerdo é
M = qlx _ qx•
2 2
e a equação düerencial (79) torna-se,
El d•y =_ qlx + qx•
'dx• 2 2

' A expressão exata (f) para a curvatura rot usada pelos primeiros 111vestl-
gadores das curvas elásticas. Foi usada, por exempÍ:o, por L. Euler em suo. obra
famosa sõbre "Elastic Curves», uma tradução lnglêsa da qual foi publl<;e,d~h n~
"lsis", Vol. 20, p. 1, Nov. 1933. Ver também S. Tlmoshenko, Histo111 o/ Stre11(1 °
Materiais, N. Y., p. 32, 1953.
150 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

Multiplicando ambos os membros por dx e integrando, obtém-se


El dy - - qlx' qx3 + C (a)
=dx- 4+6
onde C é a constante de integração, que deverá ser ajustada de
maneira a satisfazer as condições dêste problema particular. Para
isto, note-se que por cam~a da simetria, o deslocamento angular no
meio do vão é zero. Fazendo dy/dx = O para x = l/2, obtém-se
ql•
e =24
e a equação (a) torna-se
dy _ qlx• qx 3 ql3
El: dx - - - 4 - +-6- +2if · (b)

Uma segunda integração dá


qlx• qx• -ql"x
El:Y = - ----r2 +24 + 24 + C, · (e)

A nova constante de integração G1 é determinada pela condição


de que o afundamento nos apoios é zero. Fazendo-se y = O e
x =O na equação (e), acha-se G1 =O. A equação (e) torna-se então
Y = 2 J;1• (l'x - 2lx3 + x-•) . (81)
Esta é a linha elástica de uma viga simplesmente apoiada e uni-
formemente carregada. O afundamento máximo desta viga dá-se,
evidentE;?rrienj:_i?.,_
ãCha=se meio do -vão. -Fazendo x ~ l/2 na. equação
-no -------------
------~ -~:____:---:_ . ----- ----(81)
----
5 ql• ' (82)
y.,...,, = 384 EJ,_ .
O deslo€amento angular máximo ocorre na extremidade esquerda
da viga, onde se obtém, fazendo-se
x = O na equação (b),

(a)
e dy )
dx m.u -
- _!l!!_
24E/z (83)

No caso de uma viga em balanço


uniformemente carregada, ·figura
118a, o momento fletor numa se-
ção transversal mn distante x da
extremidade esquerda é
y
M=/~
Fig. 118
e_y
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 151

e a equação (79) torna-se


dºy qx•
EI= dx• = ~
A primeira integração dá
(c)(1) dy qxª
6-
EIz - dx = -.- + C. (d)
A constante de integração é determinada pela condição de que o
deslocamento angular na extremidade de engastamento é zero, isto
e,dy/dx = o para X = l. Substituindo êsses valores na equação (d)
acharemos
e= qlª
--6-
(c)(1)

A segunda integração dá
-
El:Y -
qx·•
24 - ql 3 X + e,. (e)
6
A constante C, é determinada pela condição de que o afundamento
desaparece, na extremidade engastada. Assim, fazendo x = l,
y = O na equação (e), obteremos (c)(1)
ql'
e,= ---s-
Levando êste valor na equação (e) acharemos
~ q -
y = ÚEI: (x-• - 4l 3 X + 3Z•). (84)

Esta equação define a linha elástica de uma viga em balanço uni-


formemente carregada.
Se a extremidade esquerda da viga, ao invés da direita, fôr a do
engastamento, figura 118b, a linha elástica é obtida, evidentemen-
te, substituindo x por l - x na equa~ão (84). Desta maneira acha-
remos
Y = 24EI:
q ( X • - 4l• 3 T 6l 2•º)• (85) 1

PROBLEMAS
1. Uma viga de aço em I apoiada nas extremidades e uniformemente
carregada, sofre, no meio, um afundamento de 8 = 0.8 cm, enquanto que
o deslocamento angular da linha elástica na extremidade é O 0,01 rad. =
Achar a altura h da viga, sendo a tensão de flexão máxima " =
= 1250 kg/cm'.
Solução. Aplicaremos as fórmulas
- 5 ql' - ql' ql' h
8 - 384 EJ,' 9 -2-lEl,' u ... =-s-X 21, •
152 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Das duas primeiras fórmulas tiramos

- 5- X l ==-8- = 08 X 100 cm e l = 255 cm.


16 8 '

A segunda fórmula dá então


· qT,' 3EB 3 X 21 X 10' X 0,01
-gy; = -z- = 255
Levando êste valor na terceira fórmula obteremos
2X255X1250
h = 3 X 21 X 10' X 0,01 = lO,lO cm.

2. Uma viga de madeira simplesmente apoiada e unüormemente car-


regada, de seção transversal quadrada, tem um vão l = 3,0 m. Uil._ft).
Achar o afundamento máximo, sendo (a.ln .. = 70 kg/cm', (1000psi)
E = lO'kg/cm' (1,5 X 10' psi) e q = 0,60 t/m. (400 lb/ft). -···--
Resposta: (8 = 0,281 in).
3. Achar a altura de uma ·viga de aço em I, simplesmente apoiada e
uniformemente carregada, tendo um vão de 3,0m (10 ft), sendo a tensão
de flexão máxima 1200 kg/cm' (16 000 psi) e o afundamento máximo
8 =0,25 cm (0,1 in).
Resposta: (h = 16 in)
·4. Uma viga em balanço uniformemente carregada, com um vão l sofre
um afundamento na extremidade igual a 0,01!. Qual o deslocamento an-
gular da linha elástica na extremidade?
Resposta: e = 0,0133 radianos.
5. Qual o comprimento de uma viga em balanço uniformemente carre-
gada, sendo o seu afundamento na extremidade livre de 2,5 cm (1 in) e o
deslocamento angular da linha elástica no mesmo ponto 0,01?
Resposta: (1 = 11,l ft)
33. Deformação de uma viga simplesmente apoiada solicitada
por uma caPga concentrada.. - Neste caso há duas expressões dife-
p
rentes para o momento fletor
(veja Art. 22), correspon-
dentes às duas partes da vi-
ga, figura 119. A equação
(79) da linha elástica deve,
p::>rtanto, ser escrita para
Fig. 119 cada parte. Dêste modo
obtemos
d•y Pb
EI. dx' = -z-· X para
e
E/. d•y = Pb
· dx 2 - -z- x + P(x - a) para x~a.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 153

Integrando estas equações obtemos


. .
EI= ~ =
Pbx 2 + C para x~a
~
e (a)
EI-_ dx
dy = _ Pbx
l
2

2
+ P(x - . a)2 + 01 para X~ a.
2

Como os dois ramos da linha elástica devem ter uma tangente co-
mum no ponto de aplicação da .carga P, as expressões acima (a) pa-
ra O deslocamento angular devem ser iguais para X = a.
Daí concluímos que as constantes de integração são iguais, isto é,
e=
obtemos
ª··
Efetuando a segunda integração e substituindo 01 por e

Pbxª
El=Y = - ---sz + Cx + e. para
e (b)
Pbxª P(x - a)ª
El=y = - 6 l + 6 + Cx + 03 par!!- x ~a.

Como os dois ramos de linha elástica têm um afundamento co-


mum no ponto de aplicação da carga, as duas expressões (b) de-
vem ser idênticas para x = a. Daí segue-se que 0 2 = 0 3 • Final-
mente, necessitamos determinar somente as duas constantes
e e e2 para cuja determinação temos duas condições que são, a de
serem os afundamentos em cada uma das extremidades da viga,
iguais a zero. Fazendo x = O e y = O na primeira das expressões
(b), acharemos
e. = e.= o. (c)
Fazendo y = Oe x = l na segunda das expressões (b) obteremos
Pbl ·Pbª Pb(l 2 - b") (d)
0 = -6- - 6l = 6Z
Levando os valores (e) e (d) das constantes nas equações (b) da.
linha elástica, obteremos
Pbx
El,y = ----sz- ( l' - b2 - X2 ) para X~ a. (86)
e
EI,y =p~~ (Z 2 - b• - x•) + p (x ~ ª )ª para x ~a. (87)
154 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

A primeira dessas equações dá os afundamentos para a parte es-


querda da viga e a segunda para a parte direita.
Levando o valor (d) nas equações (a), obteremos
EI, dy = Pb (l' - b' - 3x 2 ) para
dx 6l
e
(e)
EI dy - _!!!___ (l' - b• - 3x2 ) + P (x - a) 2
• dx - 6l 2
para x 2::.a.
Por estas equações podemos calcular, prontamente, o deslocamento
angular em qualquer ponto da linha elástica. Necessitamos, fre-
qüentemente, os valores dos deslocamentos angulares nas extremi-
dades da viga. Fazendo x = O na primeira das equações (e),
x = l na segunda e representando por 81 e 8, os deslocamentos
angulares nas extremidades correspondentes. obteremos ª

8
'
=(~)
dx .• = = Pb(l2 - b')
6lEI,
(88)

Pab(l + a)
º· =( ~) z ;: l
. 6ZEI,
(89)

O afundamento máximo ocorre no ponto onde a tangente à linha


elástica é horizontal. Se tivermos a > b como na figura 119, o
afundamento máximo está, evidentemente, na parte esquerda da
viga. Podemos achar a posição dêste ponto igualando a primeira
das expressões (e) a zero, o que dá
z• - b' 3x' = o,
donde
• 1 l"-b"
X= V (/)
y3
Esta é a "distância do apoio esquerdo, ao ponto de afundamento
máximo. Para acharmos êste afundamento máximo levamos a ex-
pressão (/) na equação (86), o que dá
Pb (l2 - b') •1•
Yrnaz = (g)
9 V 3 lEI,
• Para as curvas achatadas, que teremos na maioria dos casos, os desloca-
mentos angulares 9, t s, podem ser tomados, numéricamente, iguais aos ll.ngulos
de rotatão das extretnldades da viga, durante a flexão, sendo <'nnslderados posi-
tivos quando dirigidoil no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 155

Se a carga P estiver aplicada no meio do vão, o afundamento


máximo dá-se, também, evidentemente, no meio. Sua grandeza
obtém-se fazendo b = l/2 na equação (g), o que dá
Pl3
(y) " z/ 2 = ___,..,=-==-- (90)
a = b
48El =

Pela equação (f) podemos concluir que, no caso de uma carga


concentrada, o afundamento máximo dá-se sempre perto do meio
da viga. Quando b = l/2, êle se dá no meio; no caso limite,
quando b fôr muito pequeno e P estiver no apoio, a distância x
dada pela equação (f) é l/y3 e o ponto de afundamento máximo
dista sómente de
l l
\! 3 - 2 - 0,077 l
do meio. Devido a êste fato, o afundamento no meio será uma
boa aproximação do afundamento máximo. Para obtermos o afun-
damento no meio fazemos x = l/2 na equação (86), o que dá
Pb
(y) "= 1/2 = 4 SEI = ( 3l0 - 4b 0 ). (91)
a>b

A diferença entre os afundamentos (g) e (91), no caso mais des-


favorável, isto é, quando b se aproxima de zero, é sómente de
cêrca de 2,5% do afnndamento máximo.

PROBLEMAS

1. Achar a pos1çao da carga P, figura 119, sendo a relação entre os


valores numéricos dos deslocamentos angulares nas extremidades da viga
igual a, J e,/e, 1 = +. Resposta. a = +
2. Achar a diferença entre o afundamento máximo e o afundamento
l.

Pl'
no meio da viga da figura 119, sendo b = 2a. Resposta: 0,0046 27 EJ,

3. Achar o afundamento máximo da viga dada na figura 119, sendo AB


uma viga em I, perfil normal, com 20 cm de altura, 33,50 cm' de área
da seção transversal, a = 3,60 m, b = 2,40 m, P = 1000 kg.
4. Qual será o afundamento máximo se a viga em I, do problema prece·
dente, fôr substituida por uma viga de madeira tendo uma seção trans·
versai ·de 25 X 25 cm. O módulo de elasticidade da madeira· pode ser
tomado igual a E = 10' kg/cm'.
156 RESISTJõ:NCIA DOS MATERIAIS

34. Determinação dos afundamentos usando o diagrama dos


momentos fletores; método dos momentos estáticos das áreas. -
Nos artigos precedentes, mostramos como a linha elástica de uma
viga pode ser determinada pela
integração da equação diferencial
(79). Em muitos casos, todavia,
e especialmente, se necessitarmos
do afundamento num determinado
ponto, em vez da equação geral
de linha elástica, o câlculo poderá
ser consideràvelmente simplificado
usando o diagrama dos momentos
fletores, como será exposto no
estudo que se segue.'
Na figura 120, AB representa
um trecho da linha elástica e
a,b, o trecho correspondente do Fig. 120
diagrama dos momentos fletores. Duas seções transversais adja-
centes da viga, distantes uma da outra de ds, interceptar-se-ão,
depois da flexão formando um ângulo d8 e pela equação (56)
d8 = ___!__ ds =_!!_ds.
r Ipl,
Para as vigas empregadas nas estruturas, a curvatura é muito
pequena e podemos trocar ds por dx. Então
1
.•,.-
d8 = El: (Mdx) . (a)
Isto, interpretado gràficamente, significa que o ângulo elementar
d8, formado por dois raios consecutivos ou por duas tangentes à
linha elástica, consecutivas, é igual à área elementar tracejada
Mdx do diagrama dos momentos fletores, dividida pelo módulo de
\ rijeza da viga.• Como para cada elemento existe uma expressão
! como esta, o ângulo (J formado pelas tangentes em A e B será obti-

ddo=do M ::7r: :;:- :: (92)


' O uso do diagrama dos momentos fletores para calcular os deslocamentos
das vigas, foi desenvolvido 8.ºr O. Mohr, veja Zeitschr, ti. Architektet1 und It1genieur-
Vereit1• zu Hannover, p. 1 , 1868. Veja também O. Mohr, Abhandlunget1 aus dem
Gebiete der Technisch.et1 Mech.anik, p. 294, Berlln, 1906. Um método semelhante foi
desenvolvido, Independentemente de O. Mohr, pelo Prof. C. E. Green, Universlty
ot Michigan, 1874. Parece que o Iniciador do método. foi St. Venant. Ver suas
notas no livro de Navier, páginas 72 e 79.
' Por melo da análise dimensional: ti• é em radlanos, Isto é, um número abstra-
to; Md:i: em cm kg multiplicados por cm; Elz em kg/cm• multiplicados por cm•.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERsALMENTE 157

/
ist~ é, o ângulo formado pelas tangentes em dois pontos A e B
da linha elástica, é igual à área "do diagrama dos momentos fleto-
res, compreendida entre as verticais correspondentes, dividida pelo
módulo de rijeza da viga./
Consideremos, agora, a distância do ponto B à tangente AB' no
ponto A. Lembrando que a linha elástica é uma curva achatada
a distância acima pode ser medida ao longo ~ vertical BB'. Á
contribuição feita a esta distância pela flexão de um elemento mn
<Ia viga e compreendida entre as duas tangentes consecutivas em
menéiguala
xd9 = x Mdx
EI.

Interpretado gràficamente isto é: ; 1• X (momento estático da

área tracejada Mdx em relação à vertical q11e passa por B). A in-
tegração dá o afundamento total BB':

H11' = 8 =f A
8
-
1-
El, xMdx'
(93)

isto é, a distância de B à tangente em A é igual ao momento está-


tico em relação à vertical que passa por B, da área do· diagrama
dos momentos flet~res compreendida entre A e B, dividida pelo
módulo de rijeza EI.. Aplicando as equações (92) e (93), o des-
locamento angular da linha elástica e a grandeza do afundamento
em qualquer seção transversal da viga, podem ser fàcilmente cal-
1"'> ~
AÍ'ea ~ lh

1.

AÍ'ea~~lh1
l t:

l -lJi
Porábolo
r- j...,___ l ----t
Parábola Cúbico

Fig. 121
158 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

culados, Calculam-se, primeiro, os valores absolutos de O e 8. Em


seguida, tomando os sentidos positivos dos eixos coordenados como
se vê na figura 122, considera-se a rotação de uma tangente à
elástica como positiva se se processa no sentido dos ponteiros de
um relógio e o afundamento da viga positivo se estiver no sen-
tido positivo do eixo dos x. l!:ste método de calcular os afundamen-
tos é chamado método dos momentos estáticos das áreas.
/O cálculo das integrais das equações (92) e (93) ·pode, muitas
/ vêzes, ser simplificado pelo uso de fórmulas conhecidas relativas
à áreas e centros de gravidade. Várias fórmulas que são freqüen-
temente en:::ontradas nas aplicações, estão dadas na figura 121./

35. Deforma@,o de uma viga em balanço pelo método dos


momentos estáticos das áreas. - Para o caso de uma viga em
balanço com uma carga concentrada na ponta (figura 122a), o
q.iagrama dos momentos fletores está dado na figura 122b. Como
uma tangente na extremidade engastada A permanece fixa, as
distâncias dos pontos da linha elástica a esta tangente são os afun-
damentos reais. O ângulo Ob que a tangente à linha elástica em

Pl
ll "
n

...
-----
:

~_: __
,__
1
_______ ~

Fig. 122
B faz com a tangente em A, é chamado de deformação angu'lar de
B em relação a A. Então, pela equação (92) •
.z PZ2 1 g
fJb = Pl X T 2EI.
X EI. = l 4)
O afundamento 8 é calculado pela equação (93), como o momento
da área aoo1 em relação ao eixo bb', dividido por EI.. Então

• o valor n\lmérlco do deslocamento angular é calculado. O sentido do deslo-


camento vê-se, prontamente, pelas condições de carregamento é positivo no sentido
dos ponteiros de um relógio.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 159

l 2 1 PZ 3
8 = Pl X 2 X 3 l X El, = 3El: (95)

Para qualquer seção transversal como mn, o deslocamento angular


de A será a área m'n'aa11 da figura 122b, dividida por El,. No
0

.caso de curvas achatadas, como as linhas elásticas das vigas, os


deslocamentos angulares podem ser considerados iguais à inclinação
da curva e obteremos
_
() -
dy
dx
_
-
Pl2
2EI=
[
l
_ (Z -
Z2
X) 2 J •
(96)

O afundamento y, na mesma seção transversal, é o momento está-


tico da área m'n'aa1 em relação a m'n' dividido por El, (veja
equação 93). Dividindo está área, no retângulo e no triângulo
indicados na figura, teremos

y = El:
1 [
P(l -
x•
x)2 Px• 2x
+-2- 3 J= El,
P e 2Zx - 6x•) . C97 >
2

Para uma viga em balanço, com uma carga concentrada P numa


seção transversal distante e do apoio (figura 123a), o diagrama dos
momentos fletores ~stá dado na
figura 123b. O deslocamento an-
ta) o;
ir gular e o afundamento, para qual-
% ! - - - l .;..'--....;_ _ 8 quer seção à esquerda do ponto de
o': •m aplicação da carga, são determi-
;,,.
Pc 1 nados pelas equações (96) e (97)
x·ic~ com e em lugar de l. Para qual-
~ (b)
quer seção transversal à direita da
Fig. 123 carga, o momento fletor e a curva-
tura são nulos; portanto, esta parte da viga permanece reta. O
deslocamento angular é constante e igual ao deslocamento angular
em D, isto é, pela equação (94), Pc2/2EI•. O afundamento em
qualquer seção transversal mn é o momento estático da área do
triângulo aa,d em rela!;ão à vertical m'n', dividido por El,, o
que dá
1 Pc
31 e ) .
2
y = El = • --:r (
X - (98)
No caso de uma viga em balanço, com uma carga uniforme de
intensid~de q (figura 124a), o momento fletor em qualquer seção
transversal mn distante x 1 da extremidade engastada é
_ q(l - x,)'
M - --
2
160 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

e é representado pela parábola a 1db, na figura 124b.


O deslocamento angular em qualquer
seção transversal distante x do apoio
é, pela equação (92),

1tÃu.wJ..li~~±lilfttttfll--x e = dy _ ~1" q(Z - x,)• ~- =-


8 dx - EI 2 <=i
• o

= 2~1. ( z•x - zx• + ~3 )~ (99)


O deslocamento angular na extremi-
dade é obtido substituindo x por Z na
o, equação· acima, o que dá
Fig. 124 (~)
dx ,, = 1
_ _!lE_
- 6EI z •
(100)

O afundamento em qualquer seção transversal distante x da extre-


midade engastada é o momento estático da área aa,cd em relação
à vertical cd, dividido por El,, (figura 124b). O momento de um
elemento desta área, representado tracejado, é ·

x, ) q(Z - 2 x,) ....,,,


(x _ 2 Ã-

e o momento total é a integral em relação a x,, de x, = O a x 1 = x.


Portanto

1
y = EI,, ~ f"
0
(x - xi) (l ·- x,) 2 dx,.

O ~~undamento em qualquer ponto distante x do apoio é, então,


depois da integração
q
y = 2EI=
e z•x•
-2- -
zxs
-3+12.
ar ) (101)

Para o afundamento na extremidade x = ~ ,


ql' (102)
8 = (y)" = 1 = SEI.
O mesmo problema pode ser resolvido usando o método da su-
perposição. A carga uniforme pode ser considerada como um
sistema de cargas infinitesimais qdc, como se acha indicado pela
área tracejada da figura 140, página 171.
PROBLEMAS
1. Determinar o afundamento do tôpo da barra vertical engastada re·
presentada na figura 98.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 161

Solução: O inomento fletor em qualquer seção transversal mn dis-


tante :i: do tôpo é
Wx'
M=-ar
onde W 112 CdZ' X 0,001) é a pressão hidrostática transmitida a uma
barra vertical. Aplicando a equação !93), o afundamento do tõpo da
barra vertical é

11=
W
EI.
f
0
1 :x:'d:J:
""3f
WZ'
15EI. =
90 X 180' X 0,001 X 180'
=
2 X 15 X 10' X 309000 = O,l84 cm.

2. Determinar o afundamento e o deslocamento angular, de uma viga·


em- balanço, solicitada por um conjugado M !figura 125).
Resposta:

Cy) •• , = - MT: :
2EI. ~~ ) .. ,
( ....., =_ MEiz.

Fig. 125 Fig. 126


3. Duas vigas retangulares de madeira ligadas na extremidade es-
querda são solicitadas à flexão (figura 126), quando apertamos o parafuso
na extremidade direita. Determinar o diámetro d do parafuso que torna
os coeficientes de segurança das vigas de madeira e do parafuso de aço,
iguais. O comprimento das vigas é Z =
90 cm, a altura h. = 20 cm, a lar.
gura b = 15 cm, a tensão admissível para o aço ª••• =
840 kg/cm', para
a madeira ª••• = 84 kg/cm'. Determinar o afundamento das vigas quan·
do a tensão de tração no parafuso, é de 840 kg/cm'.
Solução. Se P fôr a fôrça no parafuso, a equação que determina o
diâmetro d será
6Pl 840
bh.' = 84 = 10•
donde
'TT'd' .
d = 1,19 cm e p = 840 x-4- = 930 kg.
Então pela equação (95) fazendo-se E 10', o =
afundamento será ll = 0,225 cm.
4. Qual deve ser a equação da barra curva ~8
AB antes da flexão se a carga P que se move ao tp ...
longo da barra permanece sempre no mesmo nível Fig. 127
Cfigura 127 J ?

Resposta:
Pr
y =- 3El.
162 RESIST:Jô:NCIA DOS MATERIAIS

5. Determinar o afundamento permissível da viga representada nll


figura 125 quando a tensão admissível ª••• é dada. Idem para uma viga
em balanço carregada na extremidade (figura 122).
Resposta:
(1)
6=~
a ••• l' (2) 6 = ~ a••• l'
3 Eh

6. Um disco circular N de raio R (figura 128)


produz, numa lâmina fina de aço de espessura h, uma
atração de q kg/cm', unüormemente distribuída. De-
terminar o comprimento l da parte não apoiada AO
da lâmina e a tensão máxima na mesma, sendo h =
Fig. 128 = 0,025 cm. R = 7,5 cm e q = 1 kg/cm'.
Solução: O comprimento da parte não apoiada da lâmina pode ser
determinado pela condição de que no ponto O a curvatura produzida pela
carga uniformemente distribuída q, deve ser igual a 1/R. Portanto
ql' E!,
-2-=~

donde

r~ V 2:;:, = o,85 cm.


A tensão máxima é rleterriunada pela equação
Eh
ª••• = ~ = 3500 kg/cm'.
36. Deformação de uma viga sbnplesmente apoia.da determi-
nada pelo método dos momentos estáticos das áreas - Considere-
mos o caso de uma viga simplesmente apoiada com uma carga P
aplicada no ponto F, figura 129. O diagrama

,.
\,
·~tc-------L.+--1---+-----"l

Pttlfz

Fig. 129
dos momentos fletores consiste do triângulJ>-a~,. Sua área é
a
Pab/2, e seu centro de gravidade dista (Z +b)/3 da vertical Bb,.
·--~
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 163

A distância 8 da extremidade B à linha Ab', que é tangente à linha


elásti~a em A, obtém-se pela equação (93) e_ é · · · (c)(1)
_ 1 Pab X l + b _ Pab(l + b)-
8 - Efz 2 -3-- 6 Elz ..
Aplicando êste valor, o deslocamento angular o~. na extremidade
esquerda da viga será (c)(1) ‭‽‭⁾‧/ ⁾‭ (c)(1)
(c)(1)
8 'Pab(l + b)'
O, = -z- = 6lElz (a)
o qual coincide com a fórmula obtida anteriormente (88)1. Para
calcular o deslocamento angular 02 da extremidade- B da viga (figu-
ra 129a), tem-se que a rotação dessa extremidade ·em relação à A,
pela equação (92), é:
Pab
O- 2Elz
Assim!
02 = 91 _ 0 = Pab(l+b) Pab(l +a)Pab (b)
6lElz -
6lElz 2El, -
Obtém-se uma interpretação simples das fórmulas (a) e (b), con-
siderando a 1 b1 como uma viga simplesmente apoiada, suportando a
carga triangular representada pelo triângulo a,bif,, figura 129b. A
reação na extremidade esquerda ª• d~sta viga imaginária é, eviden-
temente, ,,.
(c)(1)
‫⁐⁾‮‬‬ ‮‬‭›‫ ‮‬R, = Pab Z+ b 1 Pab (Z + b)
---2- X - 3 - X -z = 6l
Anàlogamente:
R _ ·Pab (l +a)
• - --6z--
comparando estas fórmulas com (a) e (b) pode-se concluir que~­
...deslocamentos angl!lares 61 e 62 são iguais às reaçQ~S do apoio cor-
respond.ente_da_vigaJmaginária ª• o;"diViélida pela· módulo de rijeza
da viga real El,. O deslocamento angular 62 na extreiiiidade direita
da viga pode ser
obtido de modo semelhante; para se ter o sinal
verdadeiro de 62 , a reação na extremidade direita deve ser tomada
com o sinal menos, o que representa a fôrça cortante na extremi-
dade direita da viga imaginária. A viga imaginária a1b, que suporta
a carga fictícia representada pela áreaLdo diagrama dos momentos
fletores é chamada de viga conjugada.fPode-se concluir, assim, que
os valores numéricos dos deslocamentos angulares de uma viga sim-
plesmente apoiada, podem ser obtidos dividindo as reações nas

' Note que 11 = 1 - b.


164 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

extremidades da viga conjugada, pelo módulo de rijeza El:. Esta


conclusão, que foi deduzida para o caso de uma carga úriica, serve
para qualquer carregamento transversal, desde que, como se verá
adiante (página 169), os momentos e os afundamentos no caso de
várias cargas, podem ser obtidos pela superposição dos momentos
e afundamentos devidos às cargas isoladas.
,J:::°Para calcularmos o deslocar.1ento angular em qualquer IJ(?nto .à
da linha elástica, figura 129a, é necessário que subtraiamos o â.J!gy:
lq_ir_ formado pelas tangentes em A e em d, do âli.gulo8~ -no-apoio.
Aplicando a equação (92) para o cálculo do ângulo 8 obteremos, da
figura 129b, · (c)(1)

dy - - - 1 .
-a:x -81 - 8 - Elz (Ri - Ã a1mn).
O primeiro têrmo dentro do parêntesis é a reação no apoio esquer-
do da viga conjugada a, b1 e o segundo é a carga na viga conjugada
à esquerda da seção transversal mn. A expressão no parêntesis
representa, portanto, a fôrça cortanté na seção transversal mn
da viga conjugada: Conseqüentemente, q deslocam~r!°--l:\l'!~l'::!ia:­
viga real num pontÕ d pode ser obtido dividindo a fôrç~___çortante (
- - - - - - - ----- - - - ----· ··-· ---- . ·- ----1
na s_eção transversal correspondente da viga conjugada, pelo mó- ·
_dulo de -rijezaEI.. , ' ·· - · ---~----- -
Considerando a segilir o afundamento y nµm ponto d pode-se
ver pela figura 129a que • (c)(1)
y=ce-de. ⁾⁜⁜† (e)
Do triângulo Ace obtém-se a relação
- R,x
ce = o,x
.
=- -
El:
(d)
onde R, é a reação no apoio esquerdo da viga conjugada. O segun-
do têrmo do segundo membro da equação (e) representa a distân-·
eia do ponto d da linha elástica à tangente Ae e é obtido pela equa-
ção (93),
:r.: 1 . X X
ue = EI • . area à a1mn 3 (e)

Levando as expressões (d) e (e) na equação (e), obtém-se


1 X
y = - - ( R 1x - Ã a1mn X - 3 ) . (f)
EI.
Vê-se que a expressão dentro do parêntesis é o momento fletor
na seção transversal mn da viga conjugada. Assim, o afundamento,
~m qualquer ponto de ilma viga simplesmente apoiada, é obtido_
dividindo o-morriento fletor na seção transversal cori-éspondente
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 165

da viga conjugada, pelo módulo de_ljjeza EI=. Substituindo 0


Vãto'r real de R1 na equação (f) e notando que
Pbx 2
área t.. a,mn = -~

obtém-se
· _ 1 [Pabx (Z + b) Pbx Pbx
y - EI = - - 6 z - - - ----m- -3 ]-
6lEI= (l' - b" - x").

Esta expressão coincide com a equação (86) que foi obtida pre-
viamente pela integração da equação diferencial da linha elástica.
O afundamento para um ponto à direita da carga P pode ser cal-
culado de maneira semelhante. Decerto que o resultado será o
mesmo que o da equação (87). Verifica-se, assim, que empregando
o método dos momentos estáticos das áreas, elimina-se o processo
de integração que foi usado no t111 --j ( /1 --1

Art. ·33. O mesmo método é apli- AR


1111! 111111 111 ' li t 1111118
cável, também, ao caso de uma (a) 1 t111
ca:rga distribuída. Como exemplo
tomaremos o caso de uma viga
simplesmente apoiada, sob a ação
de uma carga uniformemente dis-
tribuida (figura 130a).
Consideraremos a viga conju- (6)
gada ab, figura 130b, carregada Fig. 130
pelo segmento ·parabólico acb, o qual é o diagrama de m_omentos
fletores neste caso. A carga fictícia total da viga co~jugada é

~ X ..!{1:_ X Z
3 8 '
e cada reação é igual a q l /24. O deslocamento angular na ex-
3

tremidade A da viga real, então, dividindo esta reação .por EI•.


Para calcularmos o afundamento no meio, acharemos o momento
fletor no meio da viga conjugada, o qual é

_!1E_
24
c-z _~)
2 16
= 5qZ•
384
O afundamento é obtido, então, dividindo êste momento por EI•.
No caso de uma viga simplesmente apoiada AB, com um conjugado
M atuando na extremidade, figura 131, o diagrama dos momentos
166 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

fletQres é um triângulo abd, como se vê na figura 13lb. Conside-


rando ab como a viga conjugada, a carga fictícia total é MZ/2. As
reações nas extremidades da viga conjugada, são assim, Ml/6 e

M/1 (b}

"''h
Fig. 131
Ml/3. Portanto, os valores numéricos dos deslocamentos an-
gulares nas extremidades da viga real são
Ml
(}, = (103)
6El,
e
Ml
82 = (104)
- 3EI=
O sinal do deslocamento angular na extremidade direita é, de-
certo,. negativo. O afundamento numa seção transversal mn da
viga é obtido dividindo o momento fletor na seção transversal
correspondente m,n, da viga conjugada por Elz, o que dá

y = El:
1 ( Ml
6
Ml x•
x - -2-. ----zo· 3
x ) M"l:J;
= 6E/z
e_ l
~)
Z2 (105)

PROBLEMAS
1.Determinar os ângulos nas extremi-
dades da viga dada na figura 132 e os
afundamentos nos pontos de aplicação das
cargas e no meio.
Solução: A viga conjugada será carre.
gada pelo trapézio adeb, cuja área é
Pc (l - e). Os ângulos nas extremidades
. Fig. 132
são
1 Pc(Z - cl
8' =- 8' =.
El, . 2
DEFORMAÇÃO D,AS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 167

O a~undamento no ponto de aplicação das cargas é

(y),., = 1
E!,
[ Pd' ( l -
2
e) Pd' X ...E._
- -2- 3 J =

= ;;, e+ -+
O afundamento no meio é, pela equação (91),
c ) •

"(yl:-11: = 2::1. (3l' - 4c').

2. Determinar o deslocamento angular nas extremidades da viga dada


na figura (92).
Respostq:

e~) ·-· 7
180
WZ:
"E!;" ;
e ...
dy )
([x' = -
8
180
Pl'
E!= .

3. Uma viga .4.B, simplesmente apoiada; está carregada como se vê


na figura 133. Achar o afundamento no centro da viga e o afundamento
máximo; determinar os deslocamentos angulares nas extremidades.
Resposta:
2 V2PZ' ·
(27)' V3EI,

=· e dy )
dx .z,, 1
Pl'
= 81 E1=

p~' ..
V,
,,J 1

4.
t ·=r lp

Fig. 133
Determinar os ângulos 9 1 e 9, e o afundamento em qualquer seção
transversal mn de uma viga simplesmente apoiada nas extremidades e
solicitada por um conjugado Pc (figura 134).
Solução. O carregamento da viga conjugada está indicado na figura
134b. As reações em a, e b, são

Fig. 134
168 RESIST:G::NCIA DOS MATERIAIS

R _
• -
_!_[ l
Pca'
2l
e b -1-~)- Pcb' X 2-_ b ]·
3 2l 3 '

R 1 [
' _- -z- P ca' X ~ _
2Z 3
P cb'
2Z
e + _!!-)]a 3 ·
Portanto

6' = Pc
2Z'EI._
[
a-•
(b + 3a ) 2 b' .]
~3 = e Pc
2ZEI.
Z' -
3 b" )
. ;

= - 2Z'PcEI. [ 32 a, -
6' b"- e+ a 3b )] e
Pc
= 2ZEI. T.'
3-- a, ) .

Se a = b = Z/2, obteremos
Pcl
61 = B: = 24El.

Se a > li V 3, o ângulo s, muda de sinal e, em qualquer ponto, o deslo-


camento angular é para baixo. O momento fletor na seção transversal
m,n, da viga conjugada é
R ~· -
•,
P ca' X
2Z
~
a-
X _3!_ =
3
Pcx
2Z'
[a' e + ~)
3
- b _?_
3
b' ] - P c:i:' .
6Z
Portanto a linha elástica para a parte esquerda da viga real é
_
y -
Pc:x: [ , (
2l' EI. a b + 3a )
- 3
2
b
, J_ P ex'
6l EI. .

5. Uma viga é solicitada à flexão por dois conjugados, como se vê na


figura 135. Determinar a relação

~j
M,:M,, se o ponto de inflexão está
à distância Z/3 do apoio esquerdo.
Resposta: M, = 2M,.
I
6. Duas tábuas de espessuras dife-
rentes h, e h, assentes uma sôbre a Fig. 135
outra, supÓrtam uma carga uniformemente distribuída como está indicado
na figura 136. Determinar a relação entre as tensões máximas que ocor-
rem em cada uma delas.
Solução. Ambas as tábuas têm as mesmas linhas elásticas e as mes-
mas curvaturas; portanto, seus momentos fletores estão na mesma re-
lação que os momentos de inércia de suas seções transversais, isto é, na
relação h,':h-,'. Os módulos de resistência à flexão estão na relação
h,':h,'; portanto as tensões máximas estão na relação h,:h.,.

1' 111111" l~~


h,

Fig. 136 Fig. 137


7. Uma bari:a de aço AB tem uma curvatura inicial tal que depois de
ter sido retificada pelas fôrças P (figura 137) produz pressão uniforme·
mente distribuída ao longo do comprimento da superfície plana rija MN.
DEFORMAÇÃO,DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 1G9

Determinar as fõrças P necessárias para retificar a barra e a tensão


mâxima nela produzida, sendo l 50 cm, 8 = =
0,25 cm e a seção trans-
versal da barra um quadrado tendo 2,5 cm de lado.
Solução. Para obtermos uma pressão uniformemente distribuída, a
curvatura inicial da barra deve ser a mesma da linha elástica de uma
viga simplesmente apoiada suportando uma carga unüormemente dis-
tribuida de intensidade 2Pll. Então,. obteremos
(g)

\ (h)

A tensão máxima será


_ Mma• _ Plh
a ••• - -iv·- - 81, . (i)

Agora de (h) e (i)


24E8h 24 X 21 X 10• X 0,25 X 2,5 = 2510 kgtcm'.
a .. u =-sr--·- = 5 X 50'
e de (i)
p = 522 kg.
8. Calcular o afundamento, 8, no meio da viga de madeira que se vê
na figura 72a, sendo a seção transversal um quadrado de 25 cm de lado.
Determinar a tensão de flexão máxima.
9. Na mesma viga do problema anterior, calcular a tensão de flexão
máxima e o afundamento no meio para as condições de carregamento
fixados na figura 72e.

37. Método da Superposição. - Do estudo do método dos mo-


mentos estáticos das áreas (Art. 34) vê-se que os afundamentos
de uma viga são completamente definidos pelo diagrama dos
momentos fletores. Da definição de momento fletor (Art. 20) se-
gue-se que o momento fletór produzido numa seção transversal
qualquer de uma viga, por várias cargas atuando simultâneamente,
é igual à soma dos momentos produzidos, na seção considerada,
pelas cargas individuais atuando separadamente. Então, o afun-
damento produzido num ponto de uma viga por um sistema de
cargas atuan~o simultâneamente, pode ser obtido somando-se os
afundamentos produzidos, naquele ponto, pelas cargas individuais.
Tendo-se, por exemplo, as linhas elásticas para os casos ilustrados
nas figuras 123 e 119, pode-se obter, por simples soma, os afun-
damentos para uma viga em balanço ou simplesmente apoiada com
qualquer carga transversal.
Tomando, como um exemplo, o caso visto na figura 138, as
equações (97) e (98) permitem concluir que ·o· afuJ'ldamento
em B é:
170 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

Ql 3 Pc• · e ·
ôb = 3EI = + 2EI =( l - 3)
Anàlogamente, o afundamento em
D é:
Q e• )
( lc 2 Pc3
ôd = EI-; 2-6 + 3EI:
Fig. 138
O afundamento em qualquer seção transversal mn, no trecho DB
da viga em balanço, será:
Pc' ( e ) Q ( lx' x• )
Y = 2El = _x - 3 + EI = _2 - 6
No caso da carga distribuída, a soma será substituída, natural-
mente, pela integral. Como exemplo, tomaremos o caso de uma
viga sob a ação de uma carga uniformemente distribuída, figura
130, e calcularemos os deslocamentos angulares nas extremidades
e a flecha no meio. Pela equação (a) Art. 36, o acréscimo de des-
locamento angular d8, produzido na extremidade esquerda da
viga pelo elemento de carga qdb representado na figura 130 é:
dO = qabdb (l + b) = ·qb(l2 - bº)db
' 6lEI: · 6lEI.
O deslocamento angular 8,, produzido pe:ta carga total é, então, a
soma dos acréscimos de deslocamento produzidos por todos os ele-
mentos qdb de b = O a b = l. Assim:

qb(l• - b')db - ql3


(a)
6lEI= - 24EI =

· A flecha no meio é obtida pela equação (91), a qual foi deduzida


supondo que a carga estivesse à direita do meio. Qualquer ele-
mento de carga qdb à direita do meio produz no meio um afun-
damento

(dy)
.
r = 11, =
qb.db
48EI=
(3z• - 4b') .

Somando os afundamentos produzidos por todos êstes elementos


de carga à direita do meio e notando que a carga na metade es-
querda da viga produz o mesmo afundamento no meio que a carga
na metade direita, obtém-se para o afundamento total

' ~ (y) .. " ' ~ 2.f"':::; (3l' - 4b') ~ 3~ ~;, (b)


DEFORMAÇÃQ DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 171

Os resultados (a) e (b) coincidem com as fórmulas (83) e (82)


obtidas previamente pela integração da equação diferencial da
\
r e • 1111111111 t d
linha elástica.
1
o método da superposição é especial-
mente útil, se ·a carga distribuida cobre
Fig. 139
somente uma parte do vão, como na
figura 139. Aplicando a exi)ressão deduzida acima para
(dy) • = z/2 o afundamento produzido no meio pela carga à di-
reita do meio é,

8 =
1
J .
l/2

- qbdb (3l2
48EI,
- 4b2 )
.

A carga à esquerda do meio produz o afundamento

82 =f' ' e
flbdb (3l' -
48EI =
4b')

O afundamento total no meio é, portanto,

_ -J'I•
õ - õ1 + õ2 -
qbdb •
48Ef: (3l- - 4b 2 ) +Jl/z 0
qbdb _
48 EI • (3Z2 - 4b 2 )

Consideremos, agora, uma viga em balanço, com carga uniforme-


mente distribuida, figura 140. O afun-
damento produzido na seção transver-
sal mn, por uma área elementar qdc,
ª'"'-:'7-!'i+--:;;;;:±:::=it-1--A à sua esquerda, pode ser determinado
pela equação (98) substituindo-se P
Y por qdc. O afundamento Y1 produzido
Fig. 140 pela carga total à esquerda de mn, é a
soma dos afundamentos produzidos por tôdas as cargas ·elemen-
tares, com e variando de e = O à e = x:

y, ~ E~ .f ªf e z - ~ e ) de ~ 0:1. ~ .
O afundamento produzido na seção transversal mn, por uma car-
ga elementar qdc1 à sua direita, é determinado pela equação (97) ,
substituindo-se P por qdc~ e Z por c1 • O afundamento y, produ-
zido em mn pela carga total à direita é a soma dos afundamentos
172 RESISTI;;NCIA DOS MATERIAIS

devidos a tôdas as cargas elementares, com c1 variando de


c1 = x a C1 = Z:

y, ~E~.{ qc~· -~)de•~ -


=-q-(
2EI
_~ + x•z•
=· 6 2
_.!E~)
3 .
Então, o afundamento total na seção mn será
q ( Z2x 2 zx• x4 )
Y =Y +
1 Y• = 2Ef; -2- - 3 + 12 '

o que coincide com a equação 101 achada anteriormente.

PROBLEMAS
L Determinar o afundamento no meio da viga AB, representada na
figura 141, sendo I. = 4246 cm', q = 750 kglm.
l = 7,20 m, a = 3,6G m, b = 2,40 m. ·
E = 21 X 10' kg/cm'.
Solução. Devido ao fato de que a = Z/2, o
afundamento produzido no meio pela carga
atuando na metade esquerda da viga, é, pela Fig. 141
equação (82),
1 5 ql' •
(y,J •• ,t, =2 X 384 X ET;"º

O afundamento produzido no meio, pela carga na metade direita da viga, é


(y,)~112 = J• 0
qcdc (3l' -
48EJ.
4c'l
-
25
48 X 162
X ql'
El.
O afundamento total é
(y) .. ,;, = (y,) ... ,;, + (y,)_,,, =
-( 1 5 25 ~ -
- 2 X 384 + 48 X 162 ) EI. - 2•19 cm.

2. Determinar o afundamento no meio da viga dada na figura (95)


quando a carga estiver na posição que produz o momento fletor máximo.
8uge8tão. O afundamento pode ser obtido aplicando a equação (9;1.l ju'n-
tamente com o método da superposição e fazendo b = Z/2 - d/4 nesta
- para uma carga e b = l/2 - - 3d- para a outra.
equaçao 4
3. Determinar os afundamentos no meio 'e os ângulos de rotação nas ex-
tremidades das vigas dadas nas figuras (72 b e dl. Admitir nestes câlculos
uma viga em I normal de 20 cm de altura e 33,50 cm' de ârea; E = 21 X
X .10' kg/cm'.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 173

4. Uma viga simplesmente apoiada é solicitada por dois conjugados


M, e M, aplicados nas extremidades (figura 142). Determinar os ângulos de

Fig. 142
rotação das extremidades e a posição da seção transversal em que o afun·
damente é máximo.
Solução. Os valores absolutos dos ângulos são
M,l M,l M-l M,l
9' = 3El, + 6EI, ; 19'1 = 3Ei, + 6El, .
A linha elástica é, aplicando a equação 105,

y = M,Z(Z-:r:)[l
6El,
-cz-x )' J+l
M,l.x
6El,
(i _.E_) l' .

A posição do afundamento máximo pode ser determinada por esta equação,


igualando a zero a derivada primeira.
5. Qual a relação entre os afundamentos nas ex·
tremidades das vigas em balanço, dadas na figura
143, sendo a intensidade da carga uniforme a mesma
em ambos os casos?
Resposta. 7:41.
6. Calcular os afundamentos nas extremidades
!~~B das vigas em balanço representadas na figura 73,
supondo que o material é aço, a altur·a h de cada
Fig. 143 viga 25 cm e que a tensão de flexão máxima é
1100 kg/cm'. Empregar o método da superposição.
Solução. Tomando, por exemplo, o caso representado na figura 73b e
notando que a carga uniformemente distribuída é ql l,8t e que a carga =
na extremidade é P = 500 kg= 158 ql, tem-se:
ql' Pl' 47aZ'
a = SEI, + 3El: = 216EI,

ª"'ª'° =
M •••
21.
X _h_(
h =
21.
Pl + _g.J:._)
2
= 7q"l'h
IBr.-
Eliminando 1., tem-se:
a = 47 a ... r- 47 X 1100 X C300l'
84 X 21 X 10" X 25 = l,06crn
84E h.
Anàlogamente podem ser resolvidos os outros três problemas.
7. Determinar o afundamento da extremidade B de uma viga efll ba·
lanço AB, suportando uma carga triangular AOB, figura 144.
174 RESIS'fll:NCIA DOS MATERIAIS

Solução. Aplicando o método de superposição e empregando a eq. (102)


e o resultado do problema 1, Art. 35, obtém-se:
_ qZ' qZ' _ llqZ'
B- SEI, - 30EI, - 120EI,

Fig. 144

38. Deformação das vigas com as extremidades em balanço. -


Uma viga com uma extremidade em balanço pode ser dividida em
duas partes: uma entre os apoios, a qual deve ser tratada como
uma viga simplesmente apoiada; e a outra, o balanço, o qual deve
ser tratado como uma viga em ba- e.
lanço. Como ilU8tração consideremos 4 J.I;nn-1"'"'!!"T"l{-1..::irfl-l.M-J....i..,.fT'1R..,.J.,...ll..,.~.,..,l-lJTun ..,
a flexão de uma viga com uma ex- I 'e.i;" a --q e
tFemidade em balanço, sob a ação / (o} 1 ª-I
de_ uma car~a unifori::iemente ~istri: 'i ~ 11111111111111111 ~'\
bu1da q. {figura 14::>). A viga e· ./Hc~ I
dividida nas partes AB e BC e a . r N f"
lt
ação do balanço, na parte da viga .a;~ e;
compreendida entre os apoios, subs- ly ª -l
tituida por uma fôrça cortante qa e (e)
Fig. 145
um conjugado M = qa• /2. A fôrça
cortante 'é transmitida diretamente ao apoio e só o conjugado
qa• /2 precisa ser considerado. Então, o afundamento em qualquer
seção transversal, compreendida entre os apoios, é obtido subtraindo
o afundamento produzido pelo conjugado qa• /2, dos afundamentos
produzidos pela carga uniforme q {figura +45b). Aplicando as
equações {81) e {105) obteremos

y =
q + qa•lx ( 1 - ·-y.
x•)
24EI • (l•x - 2lx• x•) - 12EI.
O ângulo de rotação da seção transversal em B é obtido aplicando
as equações (83) e (104), das quais, considerando rotação positiva
quando no sentido do movimento dos ponteiros do relógio, teremos,
_ qa•z ql3
92 - 6EI. - 24EI.
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 175

O afundamento em qualquer seção transversal do balanço (figura


145c)' é obtido, agora, superpondo o afundamento de uma viga em
b~nço (equação 101), ao afundamento
qa•z ql• )
e,x = ( 6EI. - 24EI = x,
devido à rotação da seção transversal B.
PROBLEMAS
1, Determinar o afundamento e o deslocamento angular na extre-
midade O da viga dada na figura 147a.
Resposta.
Afundamento: y=
Pa'CZ + a)
3EI.

Deslocamento angular: B=
Pa(2l + 3al
6El,
2. Para a viga dada na figura 146 determinar o afundamento na ex·
tremidade C e também o afupdamento no meio do vão AB.
Solução. A parte da viga com-
preendida entre os apoios estará na
condição de uma viga carregada
pela fôrça P e pelos conjugados
P,a e P,b nos apoios. Aplicando
as equações (91) e (105), páginas Fig. 146
155 e 166, e o método da super-
posição, o afundamento no meio será

8 = ~( 3 l' _ 4c') P,ar- P,bl'


48EI, ~ 16El, - - 16El,
O ângulo 81 no apoio A é obtido pelas equações (88), (103) e (104):
Pc(f- - e') P,al P,bl
81 = 6lEI, - 3EI, - 6Ef: .
Pela equação (95) o afundamento na extremidade C será
P,a'
3EI. - as,.
3. Uma viga com uma extremidade
em balanço é solicitada à flexão, num
caso pela fôrça P na extremidade Cfl·
gura 147a) e noutro caso pela mesma
fôrça aplicada no meio do vão (fi·
gura 147b). Provar que o afundamento
no ponto D no primeiro caso é igual
ao afundamento na extremidade C no
segundo caso.·
176 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

Resposta. Em cada caso o afundamento é


PPa
16El.º
4. Uma viga de comprimento Z com dois balanços iguais é carregada por
duas fõrças iguais P nas extremidades (figura 148). Determinar a relação
q;/i em que (1) o afundamento no meio é igual ao afundamento nas ex-
tremidades, (2) o afundamento no meio tem o seu valor mãximo.
Resposta. (1) q; = 0,152Z; (2) q; = Z/6.

Fig. 148 Fig. 149


5. Uma viga de madeira de seção transversal circular apoiada em C,
com a extremidade fixada em A, suporta uma carga uniformemente dis-
tribuída q no balanço CD (figura 149). Determinar o diâmetro da seção
transversal e o afundamento em D, sendo l = 90 cm, a = 180 cm,
,.q = 1800 kg/m .e O"a•• = 84 kg/cm'.
Solução. O diâmetro é determinado pela equação
qa' 'üd'
-2-: "32""= a......
Então, o afundamento na extremidade D é
_ qa• qa'l _ qa•
8 - SEI. + 6EI, - 24EI, <3a + 4 ll •

6. Uma viga de comprimento l suporta uma carga uniformemente dis-


tril:!uida de intensidade q (figura 150). Deter-

@~!jlf!1r111!!'e!..'§
minar o comprimento necessãrio dos balanços
para tornar o valor numérico mãximo do mo-
mento fletor tão pequeno quanto possível. De-
terminar o afundamento no meio para esta
Fig. 150
condição.

Solução. Fazendo os valores numéricos dos momentos fletores no meio


e nos apoios iguais, obteremos
[!; = 0,207 l.
O afundamento no meio é determinado pela equação

8 = _5_ X qCZ - 2$)' _ q:z:'(l - 2xJ'


384 E! , 16EI , '
onde o primeiro têrmo do segundo membro representa o afundamento pro-
duzido pela carga compreendida entre os apoios (equação 82) e o segundo,
o afundamento produzido pela carga nos balanços (equação 105).
DEFORMAÇÁ.O DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 177

7. Determinar os afundamentos nas extremidades dos balanços para as


vigas representadas nas figuras 79a, b, e. Admitir uma viga em I normal
\de 20 cm de altura e 33,50 cm2 de área; E :== 21 X 10' kg/cm•.
Resposta.
_
ll • -
qa'
SEI, . t
e qa'Z
6EI.
_ ql' )
24EI, a
p;;;_z Ü7Pa'
ll ' = 4EI, - 384EI.
qa'
ll. = SEI• (a + 2l),
sendo z o comprimento entre os apoios e a o comprimento da parte em·
balanço.
39. Efeito da fôrça cortante na deformação das vigas. _.:.. No
estudo anterior (veja página 147) consideramos somente a ação
do momento fletor produzindo deformação. Uma deformação adi-
cional será produzida pela fôrça cortante, sob a forma de um des-
lizamento mútuo de seções transversais adja-
centes, ao longo umas das outras. Como resul-
tado da distribuição não uniforme das tensões
de cisalhamento, as seções transversais, · pre·
viamente planas, tornam-se curvas como na
figura 151, a qual mostra a deformação de-
vida sõ ao cisalhamento.ª Os elementos das Fig. 151
seções transversais nos centros de gravidade
permanecem verticais e deslizam uns ao longo dos outros; portanto,
o deslocamento ângular da linha elástica devido, somente, ao cisa-
lhamento é igual em cada seção transversal à deformação de cisa-
lhamento no centro de gravidade desta seção transversal. Repre-
sentado por y 1 Qs afundamentos devidos ao cisalhamento, obteremos
para qualquer seção transversal, a seguinte expressão para o des-
locamento angular:
(a)

onde V/ A é a tensão de cisalhamento média -rp, G o módulo de


elasticidade transversal e, a um coeficiente numérico que deve ser
multiplicado pela tensão de cisalhamento média, a .fim de obtermos
a tensão de cisalhamento no centro de gravidade das seções trans-
versais. Para uma secão transversal retangular a= 3/2 (veja equa-
ção 66, página 129); para uma seção transversal circular a = ~/3
(veja equação 68, página 133). Com uma carga continua ria viga,
e A detonnacão produzida pelo momento fletor e que consiste de ulTlll- rotacão
mútua das secões transversais adjacentes tol removida.
178 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

a fôrça cortante V é uma função continua que pode ser diferen-


ciada em relação a x. A curvatura produzida apenas pelo cisalha-
mento é, então
d•y, a dV a
(lX2 = AG . dx = - AG q,
onde q é a intensidade da carga.
A soma desta e da curvatura produzida pelo momento fletor (veja

d'y
dx• = - EI.
e
equação 79), dá a expressão completa para a curvatura:
1
M + aEI. )
AG q · • (l06 )
Esta equação deve ser empregada ao invés da equação (79) para
determinar os afundamentos em todos os casos em que o efeito
da fôrça cortante deva ser tomado em consideração.9 Conhecendo
M e q como funções de x, a equação 106, pode ser integrada fàcil-
mente da mesma maneira por que foi feita no artigo 32.
O método da viga conjugada (veja página 163) pode ser aplicado,
também, com muita vantagem neste caso, tomando como ordenadas
do diagrama de carga imaginário
. M + EI. (b)
ª AG q,
em vez de M somente.
Consideremos, por exemplo, o caso de uma viga simplesmente
apoiada com uma carga uniforme (figu:;.a 152). O momento fletor
em qualquer seção x é
M = ~z x - q; 2
• (e)

A carga na viga conjugada consiste de duas partes: (1) a repre-


sentada pelo primeiro têrmo de (b) e dada pelo diagrama dos mo-
mentos fletores parabólico (figura 152b), e (2) a representada
pelo segundo têrmo de (b), que é a (EI./AG)q. Desde que q é
constante, o segundo têtmo é uma
c a r g a uniformemente distribuída,
como está indicado na figura 152c.
O afundamento adicional em qual-
f
11!11111Ú11111111l• ,
quer seção devido à fôrça cortante,
é o momento fletor produzido nesta f
~~t·
seção da viga conjugada pela carga
(b) f
vista na figura 152c, dividida por !1r---....,...,...---.1.J "~
(t:J t.
El •. No meio da viga o afunda- Fig. 152
mento adicional é, por conseguínte,
• Outro melo de determinar o deslocamento adicional devido ao clsalhamento
serâ estudado no artigo 69.
DEFORMAÇA.6 DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVE;RSALMENTE 179

1 ( EI. ) z• a z•q
81 = EI. ª -xc}q s = 8.AG.

ldicion~do
êste, ao afundamento devido ao momento fletor (veja
equação 82, página 150), obtém-se o afundall)ento total
1 5 qZ' a Z2 q 5 · qZ• ( . 48a k=• E)
8 =384 °EI. +8.AG = 384. EI • . l + 5.T.G ~ (d)

onde k. = v J./ .A é o raio de giração da seção transversal em re-


lação ao eixo dos z.
Para uma seção transversal retangular de altura h, k=2 = 1~ h•
a = 3/2. Fazendo E/G = 2(1 + µ.) = 2,6, obtém-se por (d)

ql~ (
.8 -
- 5
384 . El z 1 + 3 •12 Th') .
Pode-se ver que para Z/h = 10, o efeito da fôrça c:ortante no afun-
damento é de cêrca de. 3%. A proporção que a relação Z/h de-
cresce, êste efeito cresce.

O coeficiente a é, comumente, maior do que 2 para as vigas em


l e quando elas são curtas, o efeito da fôrça cortante pode ser rela-
tivamente grande. Aplicando a equação (70) e a figura 110,
obtém-se

donde

.A- [ -
a=-
2
bh- -
b,I, 8 8
2
-h,- ( b - b,) J · (e)

Por exemplo, suponha-se h = 60 cm, .A = 254 cm•, I. = 138957 cm•,


a espessura da alma b, = 2,15 cm, Z = 6h. Então, a equação (e)
dá a = 2,34. Substituindo na equação (d), achamos

5 ( 48 138957 ) qZ• _
8 = 384 l +5 X 2•34 X 254 X 3602 X 2•6 El z -

5qZ•
= 1,246 X 384E/ •
180 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

O afundamento adicional devido à fôrça cortante, neste caso, é


igual a 24,6% do afundamento produzido pelo momento fletor e
deve portanto, ser considerado.

,. No caso de uma carga concentrada


P (figura 153), esta pode ser conside-

l b
rada como o caso limite de uma carga
distribuída num trecho muito ;iequeno
e da viga. A grandeza do carregamento
imaginário P1 na viga conjugada AiB.,
corres:iJOndente ao segundo têrmo da
Fig. 153 expressão (b), será

P EI, p
'=a AG . (f)

O afundamento adicional devido às fôrças cortantes é obtido divi-


dindo por EI =, o momento fletor produzido na viga conjugada
pela carga concentrada imaginária, dada pela equação (f). Por
~xemplo, para o carregamento central de uma viga, o momento
fletor no meio da viga conjugada produzido pela carga (f) será
a (EI:! AG) Pl/4 e o afundamento adicional no meio, devido às
fôrças cortantes, é
a PZ·
81 = AG. T· (g)

Adicionando êste, ao afundamento produzido pelo momento fletor


isoladamente (veja equação 90, página 155), obtém-se a seguinte
expressão para o afundamento total:
PZ 3 a PZ PZ• ( 12ak-• E )
~ = 48EI, + AG X 4 = 48EI~ 1 +--V-. G .
Para uma viga de seção transversal retangular de altura h, obtém-se
k," h2 3
-z.- = 12z• ; a =2 .
donde
8 = PP ( 1
48EI: + 3 •9 h•) .
T (h)

Para h/l = 1/10, o efeito adicional da fôrça cortante é de cêrca


de 4%.
Admitiu-se, em todo o estudo precedente, que as seções trans-
versais da viga podiam curvar-se livremente, como se vê na figura
151. A viga uniformemente carregada é uni caso em que esta
condição é aproximadamente satisfeita. A f!)rça cortante no meio
DEFORMAÇÃO DAS VIGAS CARREGADAS TRANSVERSALMENTE 181

dessa viga é zero e não haverá aqui encurvamento. O encurva-


mento cresce graduahnente com a fôrça cortante, quando percor-
retnos a viga a partir do meio para a esquerda ou para a direita.
A condição de simetria de deformação em relação à seção do
· meio é, portanto, satisfeita. Consideremos agora a flexão pro-
duzida por uma carga concentrada no meio. Pela condição de si-
metria, a seção transversal do meio da viga deve permanecer
plana. Ao mesmo tempo, as seções transversais adjacentes situa-
das à direita e à esquerda da carga, suportam uma fôrça cortante
igual a P /2 e manifestar-se-á um encurvamento dessas seções
transversais causado por essas fôrças cortantes. Da condição de
continuidade de deformação, entretanto, sabemos não poder haver
mudança brusca de uma seção plana no meio, para seções encur-
vadas adjacentes. Deve haver aumento continuo no eg.curvamento
quando percorremos a viga em qualquer .sentido a partir do meio,
e só a alguma distância da carga pode o encurvamento ser igual
ao produzido pela fôrça cortante P /2, sob as condições de liber-
dade ao encurvamento. Dêste estudo deve-se concluir que na vi-
zinhança da seção transversal média, a distribtiição de tensões não
será aquela prescrita pela teoria elementar da flexão (veja página
109).
O encurvamento será parcialmente crustado e o afundamento
adicional, devido às fôrças cortantes, será qualquer coisa menor
do que o achado acima (veja equação g). Uma investigação mais
detalhada 10 mostra que no caso de uma carga concentrada no
meio o afundamento no meio é:

ll = 4~;1 [1 + 2,85 ~: - 0,84 ( 4-y J (i)


Temos uma condição análoga,
p
também, no caso da viga em
balanço. Se a seção transver-
sal do engastamento puder en-
curvar livremente, como está
1 indicado na figura 154 (a), as
1
1--i condições serão as mesmas
l
Fig. 154
admitidas na dedução da equa-
ção (k). O afundamento de
uma viga em balanço de seção retangular, será obtido substitu-
indo Z/2 por Z e P/2 por P nesta equação, o que dá:
" Veja L. N. G. Fllon, Phil. Tram. Roy. Soe. (A), Vol. 201, p. 63, 190S3~p~á
Tlmoshenko, Phil. Mag., Vol. 47,IJ. 1095, 1924. Veja também Th. v. Kârmân.· 'í. -.ty'"
Univeroitatia atque Bibliothecae ieroaolmitanarum, 1923, e a uTheory o/ EltUI ci
do autor, p. 95, 1934.
182 RESISTll:NCIA DOS MATERIAIS

ll = ~; -( 1 + 0,98 ~.· ) . (j)

Quando a seção do engastamento é impedida completamente de


encurvar-se (figura 154b), as condições serão as mesmas que foram
admitidas na dedução da equação (i) e o afundamento será:

ll = :~~ [ 1 + 0,71 ~: - 0,10 ( 4--) 3


J' (k)
o qual é menor do que o afundamento dado por (j).
CAPÍTULO VI

PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE


INDETERIDNADOS

40. Ligações superabundantes. - Em nosso estudo ante.rior,


consideramos três tipos de viga: (a) a viga em balanço, (b) a viga
simplesmente apoiada nas extremidades e (c) a viga com as ex-
tremidades em balanço. Nesses três casos as reações de apoio podem
ser determinadas pelas equações fundamentais da estática; portan-
to, os problemas são estàticamente determinados. Consideraremos,
agora, problemas relativos à flexão de vigas, em que as equações
da estática não são suficientes para determinarem tôdas as reações
de apoio, de modo que devemos deduzir equações adicionais basea-
das numa consideração da deformação das vigas. Êsses problemas
são chamados de estàticamente indeterminados. -
Consideremos os vários tipos de apoio que uma viga pode ter. /
O apoio representado na figura 155a é chamado de apoio móvel
com articulação ou de apoio do primeiro gênero. Desprezando
o atrito na articulação e nos rolos, é evidente, que neste tipo de
apoio, a reação deve passar pelo centro da articulação e ser per-
pendicular ao plano mn, em que se movem os rolos. Portanto,
conhecemos o ponto de aplicação da reação e sua direção. Perma-
nece incógnito sõmente um elemento, a intensidade da reação.

~~
.~V~
R

Fig. 155
Na figura 155b está representado um apoio em articulação fixa,
ou apoio do segundo gênero. Neste caso a reação deve passar
pelo centro da articulação, podendo ter, porém, qualquer direção
no ·plano da figura. Temos duas incógnitas a serem determinadas
pelas equações da estática: a direção da reação e sua intensidade,
ou, se preferirmos, as componentes vertical e horizontal da reação.
Na figura 155c está representado um engastamento ou apoio
do terceiro gênero. Neste caso, são incógnitas não só a direção e
184 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

a intensidade da reação, como também seu ponto de aplicação.


As reações que estão distribuídas no engastamento, podem ser
substituídas por uma fõrça R aplicada no centro de gravidade da
seção e um conjugado M. Temos então três incógnitas a serem de-
terminadas pelas equações da estática: as duas componentes . da
reação R e a grandeza do conjugado M.
Para as vigas solicitadas por cargas transversais no plano de
simetria temos, para a determinação das reações nos apoios, as
três equações seguintes da estática:
~X= O; !.Y = O; ~M =O. (a)
Se a viga estiver apoiada de modo que só haja três elementos de
reação incógnitos, êles poderão ser determinados pelas equações
(a); portanto o problema é estàticamente determinado. ÊStes três
elementos são justamente suficientes para garantirem a imobilidade
da viga. Quando o número de elementos de reação fõr maior do
que três, dizemos que há ligações superabundantes e o problema
será estàticamente indeterminado.
Uma viga em balanço está apoiada na seção do engastamento.
Neste caso, como explicamos acima, o número de elementos de
reação incógnitos é três, os quais podem ser determinados pelas
equações da estática. Para as vigas apoiadas em ambas as extre-
midades e as vigas com as extremidades em balanço admite-se, em
geral, que um dos apoios seja uma articulação fixa e o outro uma
articulação móvel. Nesse caso,
teremos novamente três ele-
mentos de reação incógnitos, os
quais podem ser determinados
pelas equações da estática.
Fig. 156 Se a viga tiver articulações
fixas em ambas as extremidades
(figura 156), o problema torna-se estàticamente indeterminado.
Em cada extremidade temos dois elementos incógnitos, as duas
componentes da reação correspondente e, para a determinação
dessas quatro incógnitas, temos sàmente as três equações (a). Por-
tanto temos uma ligação superabundante e torna-se necessária uma
consideração da deformação da viga. para determinarmos as rea-
ções. As componentes verticais das reações podem ser calculadas
pelas equações da estática. No caso de cargas verticais pode-se con-
cluir, também, pela estática, que as componentes horizontais H são
iguais e de sentidos contrários. Para acharmos a intensidade de H
consideremos o alongamento do eixo da viga durante a flexão.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 185

Obte:i;emos uma boa aproximação para êste alongamento admitindo


q1f a linha elástica da viga seja uma parábola, 1 cuja equação é:
I 4 8x(l - X)
y=
z• (b)
onde 8 é a flecha. no meio. O comprimento da curva é

8 = 2 f 0
11
" V dx• +dy• = 2 J:i, V +( :})"·
dx 1 (e)

No caso de uma curva achatada, a grandeza (dy/dx)• é pequena


comparada com a unidade e, desprezando as grandezas infinitamen-
te pequenas de ordem superior à segunda, obteremos aproximadéf-
mente

V +e ~; ). ~ +~e~)·.
1 1
Levando esta expressão na equação (e) e aplicando a equação (b)
acharemos que o comprimento da curva é

s = z ( 1· + 38 T8
2 )
.
Então, a diferença entre o comprimento da curva e a distância Z
entre os apoios representa o alongamento axial total da viga e é
(8/3) (8 2 /l); o alongamento relativo é então (8/3) (8 2 /l2 ). Co-
nhecendo êste alongamento e representando por E o módulo de
elasticidade do material da viga e por A sua área da seção trans-
versal, obteremos a reação horizontal pela equação
8 a•
H = 3-v-EA. (d)

É interessante notar que para a maioria das vigas, na prática, a


flecha 8 é muito pequena quando comparada ao comprimento e, a
tensão de tração (8/3) (8 2 /Z 2 )E, produzida pelas fôrças H é, comu-
mente. pequena em relação às tensões de flexão podendo ser des-
preiada. Isso justifica a prática corrente de calcular vigas simples-
mente apoiadas, admitindo que um dos apoios seja uma articulação
móvel, pôsto que 9s dispositivos especiais que permitem o movi-
me:qto livre da articulação sejam usados, atualmente, só nos casos
de grandes vãos como os das pontes.
No caso da solicitação à flexão de barras flexíveis e de lâminas
metálicas finas, onde o afundamento 8 não seja mais muito pequeno
em presença de Z, as tensões de tração produzidas pelas fôrça:l lon-
' A expressão exata da linha elãsllca serã dada depois (veja a par.to II>
186 RESISTI::NCIA DOS MATERIAIS

gitudinais H não podem ser desprezadas. É'.:sses problemas serão


estudados mais tarde (veja parte II). No estudo seguinte dos pro-
blemas de flexão estàticamente indeterminados, usaremos o mé-
todo da superposição e as soluções serão obtidas combinando casos
estàticamente determinados de tal modo a satisfa,zerem as con-
dições de limite nos apoios.
41. Vigas engastadas numa extremidade e apoiadas na outra.
Consideremos, primeiramente, o caso em que há uma única carga
concentrada P (figura 157a). Neste caso, temos três elementos de
reação incógnitos na extremidade esquerda e um na direita. Por-
tanto, o problema é estàticamente indeterminado com uma ligação
superabundante. Na solução dêste problema, consideremos como
superabundante a ligação que impede a extremidade esquerda A
da viga de girar durante a flexão. Removendo esta ligação, obtere-
mos o problema es:tàticamente determinado dado na figura 157 b.
A flexão produzida pelo conjugado estàticamente indeterminado
Ma será estudada separadamente
como está indicado na figura
157 e. 2 É evidente que a flexão da
viga representada na figura 157a /
pode ser obtida pela combinação ~'Y 1 (a} + OhP~PJ~~
dos casos (b) e (e). É necessário ~lliJ~t _
que se ajuste somente a grandeza
do conjugado Ma no apoio, de tal 'Y iS! 1 (b)
modo que satisfaça à condição .~
01 = - O/. (a) ~(~imn..,,,._~
Assim, a rotação da extremidade ~I <t:
esquerda .da viga devido à fôrça P r ~ 11:-J...)í
será anulada por Ma e a condição 1._ _j_
de uma extremidade· engastada " ÇJJ b
com deslocamento angular zero Fig. 157
será satisfeita. Para obtermos o conjugado Ma estàticamente inde-
terminado é necessário, somente, que levemos na equação (a) os
valores conhecidos dos angulos 01 e Oi' das equações (88), página
154 e (104), página 166.
Então Pc(l 2 - c2 l
=
6lEI.
donde
_ Pc(l' - e')
Ma - - 2z• (107)

' As Unhas elê.Stlcas e os diagramas dos momentos fletores estão representados


Juntos.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 187

O diagl'ama dos momentos fletores pode agora ser obtido combi-


n~do os diagramas dos casos (b) e (e), como se vê pela área tra-
cejada da figura 157d. O momento fletor máximo será o de
aoud.
O afundamento em qualquer ponto pode ser fàcilmente obtido
subtraindo do afundamento neste ponto produzido pela carga P,
o afundamento produzido pelo conjugado Ma. As equações das
linhas elásticas para ambos êstes casos já foram dadas em (86) e
(87), página 153 e em (105) página 166. Tomemos, por exemplo, o
caso a < 1 / , Z e calculemos o afundamento no meio do vão. Pelas
equações (91) e (105)
Pc Mal'
8 = 48EI. (3Z2 - 4c•) + l6EI.
ou, aplicando a equação (107),
8 = 9~~I. (3Z 2 - 5c2 ) .
No ponto C, onde o momento fletor torna-se zero, a curvatura da
linha elástica é também zero e temos um ponto de inflexão, isto é,
um ponto onde a curvatura muda de sinal.
Pode-se ver pela equação (107) que o momento fletor na extre-
midade engastada depende da posição da carga P. Se igualarmos
a zero a crerivada da equação (107) em relação a e, acharemos que
o momento Ma tem seu valor numérico máximo quando e = Z/y3.
Então:
Pl
1 Ma lma.z = = 0,192PZ (108)
3y3
O momento fletor no ponto de aplicação· da carga é, pela equação
157 (d).
M _Pc(Z - e) _ __!?__ Pc(Z• - c 2 ) _ Pc (Z _ )'( 2l + ) (b)
4 - Z z 2z2 - 2za e e
Se tomarmos a derivada de (b) em relação a e e igualarmos a
zero, acharemos que M 4 se torna máximo quando
z -
e = 2 ( v 3 - 1) = 0,366Z.
Levando êste valor na equação (b), obteremos
(M4)mu = 0,174PZ.
Comparando êste resultado com a equação (108), acharemos que
no. caso de uma carga móvel, as tensões normais máximas· ª" estão
na seção do engastamento e ocorrem quando
z
e=-=
V3
188 RESIS'N:NCIA DOS MATERIAIS

Tendo a solução para uma única carga concentrada e aplicando


o método da superposição, o problema poderá ser resolvido para
outros tipos de carregamento trans-
, 1~b~ versal, por meio de uma simples
Aq z tt"
..........+<='-_- 11
--~"'i"I---
ª_
extensão da teoria acima. Tome-
mos, por exemplo, o caso repre-
. sentado na figura 158. O momento
Fig. 158 no apoio A, produzido por qual-
quer elemento qdc da carga é obtido pela equação (107) substi-
tuindo P por qdc. O momento total M. no apoio será

M =
ª
-f b qcdc(l2
2l2
- 0 2) _ _ _g_[l2(b 2
2l2 2
- a•)
-
b• -
4
a•].
(e)
a

Se a carga estiver distribuída ao longo de todo o comprimento da


viga obteremos, então, fazendo na equação (e) a = O, b = l, ·
ql•
M. = - -8- (109)

O diagrama dos. momentos fletores é obtido subtraindo o diagra-


ma triangular devido ao conjugado Ma (figura 159), do diagrama
parabólico devido à carga uniforme. Pode-se ver que as tensões de
flexão máxima ocorrerão na seção de
engastamento. O afundamento em
___ ,
qualquer ponto é obtido subtraindo o
afundamento neste ponto produzido
pelo conjunto M. (veja equação 105,
página 166), do afundamento no
mesmo ponto produzido pela carga
uniforme' (veja equação 81, página Fig. 159
150). Para o meio do vão, obteremos
·5 ql• M z2 ql•
(llOJ
ll = 384 EI, + l6EI. = 192EI,

PROBLEMAS
1. Traçar os diagramas das fôrças cortantes para os casos representados
nas figuras 157 e 159.
2. Determinar o afundamento máximo para o caso de uma carga unifor-
memente distribuida dado na figura 159.
Solução. Combinando as equações (81) e (105) obteremos a seguinte
equação para a linha elástica

y = 48'kl. (3Z':Jf - 5Zz' + 2a;'). (à)


PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 189

Fazendo a derivada dy/dx igual a zero, acharemos que o ponto de afun-


damento máximo está em :x: =
Cl/16) (15 - V 33) = 0,5791. Levando em
(d), obteremos

- ql'
8 ••• - 185E/, .
3. Determinar a reação no apoio direito da viga dada na figura 159,
considerando esta reação como ligação superabundante.

Solução. Retirando o apoio B, o afundamento desta extremidade da


viga, considerada como balanço, será ql'/SEI, pela equação (84). A rea-
ção R. em B Cfigura.159a) deve ser tal que elimine o afundamento acima.
Então, aplicando a equação (95), obteremos

donde
3
R, =-s- ql.

4. Uma viga é .carregada como


mostra a figura 160. Determinar
o momento M. e as reações R. e
R, nos apoios.

Resposta.
Fig. 160

- - ql' 7 .. 5 9 3 11
M. - °T + 120 . q,'l', R. =""°'8" ql + 4Qq,l; R. =sql + 4Q q,l.

5. Determinar a reação R, no apoio B da viga, dada na figura 159,


com carga uniformemente distribuida, supondo o apoio B elástico, de tal
forma, que uma fôrça dirigida para baixo de intensidade k abaixe o
apoio de uma distância unitária.
Solução. Usando o mesmo método do problema 3 acima, a equação ~ue
determina R. será
ql' R,l' _ R,
SEI, - 3El, - -,C '
donde
l
Rb = -83- ql X
l + 3El,
kl'
6. Construir o diagrama dos mom:mtos fletores para uma viga as11ente
sõbre três apoios eqüidistantes e uniformemente carregada.
190 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

Sugestão. Pela condição de simetria,


a seção transversal média não gira du-
rante a flexão e cada metade da viga
estarâ nas condições de uma viga engas-
tada numa extremidade e apoiada na
outra.
7. Determinar o afundamento da ex-
tremidade a da viga representada: na fi- ri'"' "· ~
*"
(b)
gura 161.
0 .,e;
l'a
Solução. Substituindo a ação do ba-
li~ e;.~ *t\ (e)
lanço por um conjugado Pa, a flexão da
viga entre os apoios serâ obtida super-
pondo os casos (b) e (e) figura 161. O Fig. 161
conjugado estàticamente indeterminado
M. serâ obtido pela equação Ili o,, =-
ou
Pal M.Z
6EI. = 3EI, '
donde M. = Pa/2. O afundamento em O serâ
Pa' Pa' Pa'Z
8 = 3EI, + a (e, - e,') = 3EI, + 4EI • .
O primeiro têrmo do segundo membro representa o afundamento de um
balanço e o segundo o devido a rotação da seção transversal em B.
8. Determinar a fôrça adicional da viga AB no apoio B (figura 157),
devido ao aquecimento não uniforme da viga, desde que a temperatura
varie de t. na parte inferior da viga, a t .na parte superior, segundo uma
lei linear Ct>t.).
Solução. Se o apoio em B fôr afastado, o aquecimento não uniforme
da viga produzirâ uma linha elástica em arco de circulo. O raio dêste
circulo pode ser determinado pela equação 1/r = a(t - t.)/h, onde h é
a altura da viga e a o coeficiente de dilatação térmica. O afundamento
correspoz;idente em B pode ser determinado como no problema 2, pâgina
111, e é:
r- Z'a (t - t,)
B=2T= 2h ·'
!ô:ste afundamento é eliminado pela reação no apoio B. Representemos
por R. esta reação,
Z'a(t - t.)
2h
donde
R • -_ 2hZ
3El,
a(t - t .• l .

9. Um balanço, figura 162, AB carregado


na extremidade é suportado por um balanço
menor OD da mesma seção transversal que
aquêle. Determinar a ação X entre as duas
vigas em a.
Solução. A ação X serã. determinada pela Fig. 162
condição de que em O, ambos os balanços têm
PROBLEMAS. DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE lL'<DETERMTNADOS 191

o mesmo afundamento. Aplicando a equação (95) para o balanço inferior


e a equação (97) junto com a equação (95) para o superior, obteremos
Xl,'
3El. = EI.
P e ll,'
~- G
l.' )
-
Xl,'
3E1=-,
donde
c-z ___!_)
/

X = 3P
4 l, 3 .
Pelos diagramas dos momentos fletores para os balanços superior e infe.
rior, concluímos que em O o balanço superior tem um deslocamento an-
gular maior do que o inferior. Isso indica que os dois balanços só têm
contato nos pontos D e O.
10. Resolver o problema 7 admitindo em vez de uma carga concentrada
P, uma carga unüormemente distribuída de intensidade q, (1) a.o longo
do comprimento a do balanço, (2) ao longo de todo o comprimento da viga.
Traçar os diagramas dos esforços cortantes e dos momentos fletores
para os dois casos.
11. Traçar os diagramas dos momentos fletores e das fôrças cortantes
para o caso dado na figura 158, sabendo que a =
1,20 m, b = 3,60 m,
l = 4,50 m e q = 0,60 t/m.

42. ·Vigas biengastadas. - Neste caso, figura 163, temos seis


elementos de reação (três em cada extremidade), isto é, o proble-
ma tem três elementos estàticamente indeterminados. Entretanto,
para as vigas comuns, as componentes horizontais das reações
podem ser desprezadas (veja página 185), o que reduz o número de
quantidades estàticamente indeter-
minadas a duas. Tomemos os mo-
mentos Ma e Mb nos apoios, como
quantidades estàticamente indeter-
minadas. Então, para o caso de
uma única carga concentrada P
(figura 163a), a solução pode ser
obtida combinando os dois proble-
mas estàticamente determinados
dados nas figuras 163 (b) e (e).
É evidente que as condições nas
extremidades engastadas da viga
AB serão satisfeitas se os conju-
gados Ma e Mb forem determinados
Fig. 163
de forma a fazer:
8, = - 8,' ; 8, = - 82' . (a)
Dessas duas equações podemos determinar os dois conjugados està-
ticamente indeterminados. Aplicando as equações (88) e (89) para
192 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

urna carga concentrada e as equações (103) e (104) para os con-


jugados, as equações (a) tornam-se
Pc(Z 2 - c 2 ) _ M.Z + Mbl
6lEI: - 3EI: 6EI: '
Pc(l - e) (2Z - e) M.l Mbl
6lEI: = 6EI: + 3EI: '
donde
Pc 2 (Z - e) Pc(l - e)•
Mb = - - - - =1, - - - (111)
z•
Ambos os momentos são negativos, produzindo flexão com a con-
cavidade para baixo.
Combinando os diagramas de momentos fletores para os casos (b)
e (e) obteremos o diagrama da figura 163d. O momento fletor
máximo positivo está no ponto C de aplicação da carga. Sua gran-
deza pode ser determinada pela figura 163d e é dada pela seguinte
expressão:
M = Pc(l - e) + M.c Mdl - e) _ 2Pc2 (Z - e)• . (112)
e l z+ l - z•
Pela figura 163 (d) vemos que o momento fletor máximo numé-
rico está ou em C ou no apoio mais próximo. Para uma carga
móvel, isto é, quando e varia, admitindo que c<Z/2, o valor numé-
rico máximo de Mb é obtido fazendo a= Z/3 na equação 111. J!:ste
máximo é igual a 2~ PZ. O momento fletor no ponto de
aplicação da carga é máximo quando e = Z/2 êste máximo é igual
Pl
a 8 pela equação (112). Portanto, para uma carga móvel o
momento máximo está na extremidade.
Usando o método da superposição pode-se obter o afundamento
em qualquer ponto, combinando-se o afundamento produzido pela
carga P, com o produzido pelos conjugados M. e Mb.
Tendo a solução para uma única carga concentrada P, pode-se
estudar, fàcilrnente, qualquer outro tipo de carregamento trans-
versal, usando o método da superposição.

PROBLEMAS
1. Traçar o diagrama das fôrças cortantes para o caso da figura 163a
sabendo que P = 500 kg, Z = 3,60 m e e = 1,20 m.
PROBLEMAS• DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 193

2. Determinar os momentos . fletores


nas extremidades da viga esquematizadit
p p
na figura 164. Traçar os diagramas dos
momentos fletores e dos esforços cor-
l/J l/J l/J tantes.
e o Resposta.

Fig. 164 3. Resolver o problema anterior, su-


pondo a fôrça que atua em D no sentido
oposto.
2
Resposta. M. - M, -'J.7 PZ.
4. Construir o diagrama dos momen-
tos fletores para uma viga biengastada
uniformemente carregada (figura 165).
Solução. O momento em A produzido
por um elemento qdc da carga (figura
165a) é, pela equação Clll),
dM _ _ qdcc'(l - e>
li - z: .
(b)
Fig. 165 O momento produzido pela carga sôbre
todo o vão é, então,

M. = -f' qdc X c'<l -·cl


l'
- q"f
12'

O momento no apoio B terã a mesma grandeza. Combinando o diagrama


dos momentos fletores parabóiico, produzido pela carga uniforme, com o
diagrama retangular dado pelos dois conjugados iguais aplicados nas ex-
tremidades, obteremos o diagrama representado na figura 165b pela
ãrea tracejada.
5. Determinar os momentos nas
extremidades de uma viga biengastada
solicitada por uma carga triangular in·
dicada na figura 166.
Solução. A intens.idade da carga à
distância e do apoio B é q.c/Z e a carga Fig. 166
representada pelo elemento tracejado é
q.c.dc/l. Os conjugados que atuam nas extremidades, produzidos por esta
carga elemeiltar,.. são dados pelas equações (111)
q.c'Cl - cldc · q.c'Cl - c)'dc
dM. = Z' dM, = - Z'
portanto

M. =- J.' q.c'(l -

c)dc
20;
q.l'
194 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

M, -!' . . . ~ ~
cl'dc

q,7,'
30·

6. Determinar os conjugados-reações M.
e M, numa viga biengastada solicitada por
um conjugado P, (figura 167).
soiução. Aplicando a solução do problema
4, página 167 e as equações (103) e (104),
.Fig. 167 obteremos as seguintes equações ·

2M. + M, = ~[
Z' a' ( b + ~)
3
- _±..__
3
b' J. '

2M, + M. = - -z-·
3Pc- [ 2
3 a, - b' ( a + +)].
donde podemos calcular fàcilmente M. e M,.
7. Determinar os momentos fletores, nas extremidades de uma viga
pi-engastada, devido ao aquecimento não unüorme da viga, sabendo que a
temperatura varia de t, na parte inferior da viga, a t na parte superior,
segundo urna lei linear.
Resposta.

aE!,(t - t,J
M. = M, = h

onde a é o coeficiente de dilatação térmica e h a altura da viga.


8. Determinar o efeito sôbre o fôrça-reação e o conjugado-reação na
extremidade A de uma viga biengastada AB (figura 163), produzido por
um pequeno deslocamento vertic!!.l 8 da extremidade engastada A.
Solução.' Retiremos o apoio A; então, o afundamento a, em .A e o des-
locamento angular 11, neste ponto, serão determinados como para o caso de
um balanço engastado em B e carregado por P, isto é,

Pc' P<f Pc'


8' = 3EI. + . 2EI. (Z - e); 81 = 2EI= º

Aplicando em A uma fôrça-reação X para cima e um conjunto-reação Y na ·


mesma direção de M ., de grandezas tais que anulem o deslocamento angu-
lar o, e façam o afundamento igual a 8, as equações para a determinação
das grandezas incógnitas X e Y serão

xr- YZ Pc'
2EI, Eh = 2EI: '
XZ' YZ:
3EI. 2EI. =
8, - a.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE INDETERMINADOS 195

9•. ,Tra.çar os ~agramâs das fôrças cortantes e dos momentos fletore~


para a viga da figura 166, sendo q. = 0,60 '/m e Z =
4,50 m.
10. Traçar os diagramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores
para uma viga bi-engastada, sabendo que a metade esquerda da Viga re-
cebe uma carga unüormemente distribuida q =
0,60 '/,,..O comprimento da
viga é Z = 4,80 m.
43. Quadros rijos. - O método usado acima para os casos de
vigas estàticamente indeterminadas pode também ser aplicado ao
estudo dos quadros rijos. Tomemos, como exemplo simples, o qua-
dro rijo simétrico e simetricamente carregado, figura 168, arti-
culado em C e D. A forma do quadro depois da deformação
está indicada pelas linhas pontilhadas. Pesprezando a variação de
comprimento das barras e o efeito das fôrças axiais na flexão das
barras,3 podemos considerar o quadro como formado de três vi-
gas, como se acha representado na figura 168 (b). É evidente, que
haverá conjugados M nas extremidades da viga horizontal AB
que se oporão à rotação livre dessas extremidades e que represen-
tarão a ação das barras verticais sôbre a horizontal. Êste conjugado
M pode ser considerado como a única grandeza· estàticamente

.(b)

Fig. 168

indeterminada. Conhecendo M, podemos pesquisar, sem nenhuma


dificuldade, a flexão de tôdas as três barras. Para determinarmos
M, temos a condição de que em A e em B há ligações rijas entre
as barras, de .modo que a rotação da extremidade superior da barra
' A ação simultânea da flexão e da fôrça axlal será estudada depois (veja
parte II).
196 RESIST.€NCIA DOS MATERIAIS

vertical AC de\ie ser igual à rotação da extremidade esquerda da


barra horizontal. Portanto, a equação para a dete't'minação de M
será
(a)

(), deve ser determinado pela flexão da viga horizontal AB. Repre-
sentando por l o comprimento desta viga e por EI seu módulo
de rijeza, a rotação da extremidade A devida à carga P será
PZ• /16El pela equação (88) em que b = Z/2. Os conjugados nas
extremidades resistem a esta flexão e produzem uma rotação de
sentido contrário, a qual, pelas equações (103) e (104), é igual a
Ml/2El. O valor final do ãngulo de rotação será

Considerando, agora, a barra vertical AC como uma viga simples-


mente apoiada, solicitada à flexão por· um \conjugado M e repre-
sentando por h seu comprimento e por El, seu módulo de rijeza,
o ãngulo na extremidade superior será, pela equação (104)

()' - Mh
' - 3EI,

Substituindo na equação (a), obteremos


PZ• Ml Mh
l6EI - 2EI - 3EI, '
donde
M _ Pl 1
- ---g 1 + ~ _!!:_ _l_ (113)
3 Z I,
:i!:ste é o valor absoluto de M. Seu sentido está dado na figura
l68b. Conhecendo. M, podemos construir o diagrama dos momentos
fletores como vemos na figura· 168c. As reações nas articulações
C e D estão dadas também na figura 168a. As componentes ver-
tJcais destas fôrças são, pela consideração da simetria, cada uma
igual a P /2. Com relação às componentes horizontais, obteremos
sua grandeza M/h, considerando as barras verticais como vi~as
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE INDETERMINADOS 197

simplesmente apoiadas e carregadas na extremidade superior pelos


conjugados M.
O mesmo problema pode ser resolvido de um outro modo, to-
mando a reação horizontal H nas articulações O e D como a
grandeza estàticamente indeterminada, em vez de M (figura 169).
O problema estàticamente indetermi-
p nado é resolvido superpondo os dois
-,.A _ __.. _ _ _.8
problemas estàticamente determinados,
dados na figura 169 (b) e (e). No
(a/
caso (b) a ligação superabundante que
impede o movimento horizontal das ar-
H e ticulações C e D é removida. As barras
verticais não sofrem mais qualquer fle-
xão. A barra horizontal AB está na
condição de uma barra simplesmente
apoiada, cujos ângulos de rotação são
e iguais a Pl 2 /l6EI, e o ~ovimento hori-
zontal de cada articulação C e D é, por-
tanto, h(Pl2 /l6El). No caso (e) o
efeito das fôrças H é estudado. Estas
fôrças, produzem conjugados de flexão
nas extremidades da barra horizontal
AB iguais a Hh, de modo que os ângu-
FIG. 169 los de rotação fJ' de suas extremidades
serão Hhl!2EI. O afundamento de cada
articulação e e D "'Compõe-se de duas partes, o afundamento
fJ'h = Hh 2 Z/2EI devido à rotação da extremidade superior e o
afundamento Hh'/3E1 1 das barras verticais como balanços. No
caso atual (figura 169.a) as articulações C e D não se movem; por-
tanto, os deslocamentos horizontais produzidos pela fôrça P (figura
169b) devem ·ser eliminados pelas fôrças H (figura 169c), isto é

PZ2 Hh2.z . Hh3


16EI h = 2EI + 3EI1 '
donde

II = _!_ Pl --~1-~~
h 8 1 X~_!!:__!_
3 l !,
198 RESISTJô:NCIA DOS MATERIAIS

Recordando que Hh = M, êste resultado


coincide ·com a equação (113) obtida
acima.
Êste último método de análise é espe-
cialmente útil para os carregamentos
assimétricos como o dado na figura 170. H
Retirando a ligação que impede o mo-
vimento horizontal das articulações e
e D, temos a condição representada na
figura 170 (b). :E evidente que o acrés-
cimo da distância entre C e D pode ser
obtido multiplicando por h a soma dos Fig. 170
ângulos IJ, e IJ,. Aplicando as equações ·
(88) e (89), êste acréscimo da distância
será

h
- Pc(l' -
6lEI
e') + Pc(l - e)
6lEI
(2Z - e) J = Pc(l - c)h
2EI '
'
que dew~ ser eliminado pelas reações horizontais H (figura 169c).
Então, usando os resultados obtidos no problema precedente,
obtém-se a seguinte equação para a determinação de H:
- Hh'l Hh 3 ' Pc(l - c)h
2 ( -2EI + 3ET,) = 2EI
donde
H = Pc(l - e) 1 (l1 4 }
2hl 1 + ~ _!_ _!!:_
3 !, l
Tendo a solução para uma carga concentrada, pode-se estudar
fàcilmente, pelo método da superposição, qualquer outro caso de
carregamento da viga AB do quadro rijo.
Consideremos, agora, um quadro rijo com as extremidades en-
gastadas e um carregamento assimétrico, como se vê na figura 171.
Neste caso, temos três elementos de reação em cada apoio e o
sistema tem três· elementos estàticamente indeterminados. Na so-
· Iução dêste problema usaremos um método baseado no método da
superposição e que consiste em se decompor o sistema de carrega-
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 199
....
mehto dado, em partes tais que para cada carregamento parcial,
possa ser obtida uma solução simples.• O problema repres~ntado
na figura 171 (a) pode ser resolvido superpondo as soluções dos

l /,
(o) (b}
h

e
V.
1--
t~ o
\A
\ ~
1

(e}

Fig. 171

dois problemas dados na figura 171 (b) e (e). O caso dado em (b)
é um caso simétrico e pode ser considerado da mesma maneira
por que o fizemos no primeiro exemplo representado na figura
168. Um estudo do caso dado em (e) mostrará que o ponto de in-
flexão O da barra horizontal AB está situado no meio da barra.
Isso é conseqüência da condição de que as cargas P /2 estão igual~
mente distantes do eixo de simetria vertical do quadro rijo e que
são de sentidos contrários. O momento, o afundamento e a fôrça
axial produzidos no ponto O do meio da viga horizontal AB por
uma das cargas P /2 serão eliminados pela ·ação da outra carga
Pj2. Portanto, não haverá momento fletor, deslocamento vertical
e fôrça axial em O. A grandeza da fôrça cortante X nesse mesmo
ponto, pode ser determinada pela condição de que o deslocamento
vertical de O seja igual a zero (figura 171, d). Êste deslocamento
compõe-se de duas partes, um deslocamento 8 1 devido à flexão do
balanço OB e um afundamento 82 devido à rotação da extremidade

' l!:sse método !ol usado com freqüéncia por w. L. Andrée; veja seu livro "Das
B-U Verfaliren", Muenchen e Berlln, 1919.
200 RESISTENCIA DOS MATERIAIS

B da barra vertical BD. Aplicando as equações conhecidas para


um balanço (equação 98) e usando as anotações dadas na figura,
obteremos as seguintes aquações:

81 =2
P e•
3EI +2
-P e•
2EI
(z2 - e
) - x(+)"
3EI
Pc l~l
82 = ( -2-- X2 )El1 y·
Substituindo êsses valores na equação 81 + 82 = O, a grandeza X
da fôrça cortante_ pode ser determinada. Tendo determinado X,
pode-se calcular o momento fletor em tôdas as seções transver-
sais do quadro rijo para o caso (e). Combinando êste com os mo-
mentos fletores para o caso assimétrico (b), obtém-se a solução
do problema (a). •
PROBLEMAS
1. Achar as fôrças axiais que agem nas barras do quadro rijo repre·
sentado na figura 168a.
p
Resposta. Compressão nas barras verticais - 2
Compressão na barra horizontal = ~
2. Traçar o diagrama dos momentos fletores do quadro rijo represen-
tado na figura 170a.
3. Determinar os momentos fletores nos nós do quadro rijo da figura
172.
Solução. Considerando a barra AB como uma viga simplesmente

Fig. 172
• A solucão de muitos problemas Importantes relativos a quadros rijos pode
ser enC'ontrada no livro de Klelnlogel, ''Melr.rstielige .Rahmen'', Berlin· 1927. Tradu-
ção inglesa, New York. 1952.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE INDETERMINADOS 201

ªP,oiada nas extremidades e representando por M os momentos noS' nós,


o ângulo 8, será (figura 172, b)
Pf- Ml
16EI - 2EI .
Fazendo esta expressão igual ao ângulo e., das extremidades qas barras
verticais, as quais sofrem apenas a ação' dos conjugados M, obteremos a
seguinte equação para M:
Pl' Ml Mh
I6EI - ~EI 2EI, '
donde
M = ~l . 1
1 + ..!!:..__!_
l [,
4. Traçar o diagrama dos momentos fletores para o quadro rijo do
problema anterior.

5. Determinar as reações horizontais para o caso da figura 173.


Sugestão. Aplicando a equação (114) e o método
da superposição, obteremos
ql' 1
H = 24h . 1 +:...!._l_ _!!:._
3 /, l

6. Traçar o diagrama dos momentos fletores


Fig. 173
para astrês barras do problema anterior, admi·
tindo que h = l e I = I,.
7; Determinar os momentos fletores nos nós do quadro rijo da
figura 174.

Fig. 174

Solução. Cortando o quadro, como mostra a figura 174 (b}, as equações


para a determinação dos conjugados M e M, são:

e 8, = 8,'.
202 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Substituindo nessas equações


Pc(l-c) Ml
9' = 2EI - 2EI H A 8

91 , = Mh _ M,h .
3EI, 6EI, '
M,l
9' = 2EJ, ;
Mh
B:' = 6EI1

obteremos as duas equações para a de-


terminação de M e M •.
H~,1H_;;l
8. Traçar o diagrama dos momentos 11;
fletores e determinar as fõrças axiais nas
barras do quadro rijo da figura 174a, o.'·
sendo h = l e I = J, = J,.
9. Um quadro retangular simétrico é
~~&~'e,....;.~----~--:.
(b}
submetido à ação de uma fôrça horizon·
tal H, como se vê na figura 175. Deter- Fig. 175
minar os momentos fletores M e M, nos
nós.
Solução. A deformação do quadro seria a que se vê na figura 175 (a).
Cortando o quadro, como mostra a figura 1'!5 (b), e aplicando momentos
com sentidos escolhidos, de tal modo que produzam a mesma deformação
do quadro, figura 175 (a) teremos para a barra CD

9' = 6EI =
M,l e Hh
-2-- M
) Z
SEJº (b)

ConsideranJo, agora, a barra vertical AO como um balanço com um en-


gastamento na extremidade O tal que se produza um ângulo 9, , teremos
para deslocamento angular na extremidade A

, _ H h' Mh
9' - 9' +2 2EI, - E/, .
(C)

Finalmente, devido à flexão da barra AB,


, Ml (à)
9' = 9' = 6EI,.

Então, pelas equações (b), (e) e (à) •

M = Hh
2
el + 3h
z
_I_)--~l----=---=--
J, 1 + _I_ +6~ _I_ (e)
1. z [,
PROBLEMAS DE FLEXAO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 203

Substituindo na equação (b) acharemos o momento fletor M,. Quando a


bar'ra horizontal CD tiver uma grande rijeza, aproximar-nos-emos da
condição do quadro da figura 17la, submetido a uma carga lateral H.
Fazendo em (e) I =
oc, obteremos para êste caso

M = Hh 1
-4-1 +-1...:.!.l! (/)
6 h [,

O caso do quadro da figura 168, com apoios articulados e submetido à


ação de uma carga lateral aplicada em A pode também ser obtido fazendo
I= O na equação (e).
10. Determinar as reações horizontais H e os momentos fletores M. e
M, nos nós A e B do quadro rijo da figura 176.

Resposta.
H = qh llm + 20
20 2m +3
qh' 7m
illf. =Mo=
EiO 2m +3 '
onde
l h
m = [ , X - 1- .

lL Um quadro é formado de duas barras ligadas rijamente em B e


engastadas em A e O (figura 177). Determinar o momento fletor M em
B e a fôrça. de compressão P em AB quando, devido a um aun:iento de

r l

.
e
.

Fig. 176 · Fig. 177

temperatura, a barra AB tem o seu comprimento acrescido de


.o. = aZ (t - t.) .

Resposta: P e M são determinados pelas equações:

PZ.' MZ,' =.o.


3EI 2El '
204 RESIST:eNCIA DOS MATERIAIS

P'l,' Ml, - Ml
2EI - El - 4El •

44. Vigas. sôbre três apoios. - No caso de uma viga sôbre três
apoios (figura 178, a) há um elemento de reação estàticamente
indeterminado. Seja a reação do apoio intermediário êste elemento.
Então, aplicando o método da superposição, obtém-se a solução do
caso (a) combinando os casos dados em (b) e (e), (figura 178). A
reação intermediária X é determinada lançando mão da condição
de que o afundamento 8 produzido .em C pela carga P, deve ser·
eliminado pela reação X. Aplicando a equação (86), obtém-se a
seguinte equação para a determinação de X:

Pcl, [ (Z1 + Z,) 2 - e• - Z. 2 ]


6(Z1 + Z2 )EI. 3(Z1 + l,)EI. '

donde

(115)

Se P estiver atuando no vão esquerdo da yiga pode-se usar a


mesma equação, devendo, porém, a distância e ser medida a partir
do apoio A e serem trocados Z1 e z•• Para Z1 = z. = Z, temos (115),

Pc(3Z2 - e•).
X= 2ZS (116)

Tendo a solução para uma única carga P, pode-se estudar fàcil-


mente qualquer outro caso de carregamento, aplicando o método
da superposição.

l!:ste mesmo problema pode ser resolvido de uma outra maneira.


Imaginemos a viga cortada em duas partes em e (figura 178, d)
e representemos por Me a grandeza do momento fletor da viga
primitiva nesta seção transversal. Desta maneira, o problema fica
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 205

reduzido a
consideração das duas vigas simplesmente apoiadas
dadas em (d), que são estàticamente determinadas. A grandezjl de

e- - _.,..1=--
6, X
-~
(&)

1~-~&
11
J_ .
- -
O'

A~ l, 8 C;)>(
(d}
'°'1t= 1, ~8
Fig. 178

Me é obtida da condição de continuidade da linha eiástica no apoio


C. Desta condição, () = ()', • donde, aplicando as equações (88),
página 154 e (104), página 166, obter~mos

_ !!Eel1,__ = Pc(l,' - e') + M 0 l,


~ 6l,El, 3El,'
donde
Pc(l! eº)
Me=:==------- (U:7)
21, (l, + l,)

O sentido de Me, determinado pela condição de flexão, está indi-


cado por setas na figura 178 (d) . O diagrama dos momentos fle-
tores é dado pela área tracejada da figura 178 (d).

PROBLEMAS

L Para o exemplo da figura 178, provar que a grandeza do momento


fletor M, dada pela equação (117) é a mesma que a dada para a seção
transversal e pela equação (115).

• O ângulo é positivo se a rotação tõr no sentido dos ponteiros de um relógio.


206 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

2. Traçar o diagrama das fôrças cortantes para a viga do problema


anterior, sendo l, = Z:, e = l,/2 e P = 500 kg.
3. Uma viga sôbre três apoios (figura 178a) suporta uma carga uni·
formemente distribuida de intensidade q. Determinar o momento fletor
no apoio O.
Solução. Pelo método da superposição, substituindo P por qdc na equa.
ção (117) e integrando ao longo de ambos os vãos, obteremos:

M, = - J~ qc(l:' -
2Z,(l,
c')dc
+ Z,)
-f 0
Z, qc(l,' -
. 2!,fZ, +c'ldc
Z,) =
q
-g
l,' + !,'
l,-!- !,

Quando
qf-
z. = Z, = l, teremos i"\II, = - -8- •
O sentido dêste momento está dado na figura 173 (d).

4. Traçar o diagrama das fôrças cortantes para o problema anterior,


admitindo que i. =
Z:, q 0,75 t/m. =
5. Determinar o momentd fletor máximo numérico da viga AOB (figura
178al sendo P = 5000 kg, z. = 2,70 m, z, 3,60 m, e 1,80 m. = =
Resposta. M ••• = 3,52 tm.
6. Uma viga sõbre três apoios eqüidistantes suporta uma carga uni-
formemente distribuída de intensidade q. Que efeito terá na reação do meio
um afundamento 8 do apoio do meio?
Solução. Aplicando o método dado na figura 178 (b) e (e), a reção X
no meio é dada pela equação:

5 q(2Zl' XC2ll'
384 --"EJ = 48EI +- 8•
donde
5 68EI
X= S 2ql --l-,-

7. Determinar a ação adicional da viga AB sõbre o apoio O (figura


178a) devido ao aquecimento não uniforme da viga, quando a tempera-
tura varia de t na sua parte inferior, a t, na superior, de acõrdo com uma
lei linear, t > t, e i. = i. = z.
Solução. Se afastássemos o apoio em O, a linha elástica da viga devido
ao aquecimento não unüorme seria um arco de círculo. O raio dêste circulo
é determinado pela equação
1 a(t - t,)
r = h
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 207

orade h é a altura da viga e, <> o coeficiente de dilatação térmica. o aiun-


dameríto correspondente no meio é ll = Z2/2r e a reação X em O pode ser
obtida pela equação

XC2Zl'
4SEI = ll.

8. Determinar o diagrama dos momentos fletores para a viga ABC


apoiada sôbre três pontões (figura 179), sendo A a área da seção trans·
versal horizontal de cada pontão e y o pêso especifico da água.
Solução. Afastando o apoio em
O, o afundamento ll produzido neste
ponto pela carga P consiste de duas
partes: (a) o afundamento devido à
flexão da viga e (b) o·afundamento
devido à imersão dos pontões A e
Fig. 179
B. Pela equação (91) obteremos

Pc P
ll = 48EL [3(2!)' - 4c'l + 2Ay . (a)

A reação X do apoio do meio reduz o afundamento acima de


XC2Zl' X
4SEI, + 2Ay .
(b)

A diferença entre (a) e (b) representa a grandeza X/Ay de que afunda o


pontão do meio, donde obtemos a seguinte equação para a determinação
de X:
Pc • • P XC2Zlª X X
4SEI, [ 3 <2 ZJ- - 4c-l +2Ay - 48El, - 2Ay- = Ay

Conhecendo X, pode-se obter fàcilmente o diagrama dos momentos fletores.

45. Vigas contínuas. - No caso de uma viga contínua sôbre


vários apoios (figura 180) consideramos, em geral, um dos apoios
com articulação fixa e todos os outros com articulações móveis
sôbre rolos. Com esta disposição, todos os apoios intermediários
têm somente um elemento de reação incógnito, a grandeza da
reação vertical; portanto, o número de elementos estàticamente
indeterminados é _igual ao número de apoios intermediário. Por
exemplo, no caso da figura 180 (a), o número de elementos estàti-
.camente indeterminados é cinco. Podemos usar aqui, também, am-
bos os métodos dados no artigo precedente. Se porém, 'o número de
apoios fôr grande, o segundo método em que os momentos fletores
208 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

H, H,

(o)
H,,~, 9/ H. 11. IJ 1 1'.,
1 ~~ ~LJ_J_J_
'\
<Fy
1.-~
z

Cb)
~/

(e)

Fig. 180

dos apoios são considerados como elementos estàticamente indeter-


minados, é muito mais simples do que o -primeiro. Representemos
na figura 180 (b) os vãos adjacentes n e n + 1 de uma viga con-
tínua cortados nos apoios n - 1, n e n + 1. Representemos por
Mn-i, M,. e M,.+i, os momentos fletores nestes apoios. Os senti-
dos dêstes momentos dependem das cargas das vigas. Admitiremos
os sentidos positivos dados na figura. 7 É evidente que se os momen-
tos fletores nos apoios forem conhecidos, o problema da viga con-
tínua reduzir-se-á ao cálculo de "tantas vigas simplesmente
apoiadas quantos forem os vãos da continua. Para calcularmos os
momentos fletores M,._,, M,., Mui usaremos a condição de con-
tinuidade da linha elástica nos ap~ios. Para qualquer apoio n, esta
condição. de continuidade será satisfeita se as linhas elásticas dos
dois vãos adjacentes tiverem uma tangente comum no apoio n,
isto é, se o deslocamento angular na extremidade direita do vão
n, fôr igual ao deslocamento angular da extremidade esquerda do
vão n + 1. Para calcularmos êstes deslocamentos angulares usa-
remos o método dos momentos das áreas. Representemos por A,.
a área· do diagrama dos momentos fletores para o vão n, figura
180c, considerado como uma viga simplesmente apoiada, devido à
carga real dêste vão; representemos por a,. e b,. as distâncias ho-
rizontais do centro de gravidade C,. da área dos momentos aos

' Se no final aparecem sinais negativos, Isto lndlcarll. que o sentido dêstes
momentos são opostos aos representados na figura.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE INDETER:r.flNADOS 209

a-poio,s n - 1 e n. Entã<\ o deslocamento angular na extremidade


direita, para esta condição de carregamento é (veja artigo 36} 1

Em adição ao afundamento causado pela própria carga do vão,


temos que considerar ·o afundamento causado pelos conjugados
M,,_ 1 e M,,. Pelas equações (103} e (104), o deslocamento angular
produzido no apoio n por êstes conjugados é

_ ( M,,Z,, + M..-1Z..)
3El, 6EI, .

O ângulo de rotação total é, então,ª.

_ ( M,.Z,, + M,._1 z,, + A,,a,.) (a}


O- - 3EI. 6EI. l,,EI. .

Da mesma maneira, para a extremidade esquerda do vão n + 1,


obteremos

An+1bn+l + M,.l,.+l + M,,+lZ..+1


(J' = (b}
Z..+1EI. . 3EI, 6El,
Pela condição de continuidade conclui-se que

(J = (J'. (e}

Substituindo as expressões (a} e (b}, obteremos

6A,.a,, 6A,,+1bn+1
= -z..- _ _Z.._+_l__ (118}

Esta é a clássica equação dos três momentos.• É evidente que o


número destas equações é igual ao número de apoios intermediá-
rios e os momentos fletores nestes apoios podem ser calculados
sem dificuldade.

1 O ângulo serà positivo, se a rotação tõr na direção (los ponteiros do relógio.


• Esta equação foi calculada por Bertot, veja Comptes rendus de la Soctlté
des Ingenleura ciulla, p. 278, 1855; veJa também Clapeyron, Paris, e. R., t. 45 (185'1l.
210 RESISTJô:NCIA DOS MATERIAIS

No começo admitiu-se que as extremidades da viga contínua


eram simplesmente apoiadas. Se uma ou ambas as extremidades
forem engastadas, então, o número de grandezas estàticamente
indeterminadas será maior do que o número de apoios interme-
diários e precisaremos deduzir equações adicionais que exprimam
a condição de que não ocorre rotação m.s extremidades engastadas
{veja problema 5) .
Conhecendo os momentos nos apois não há dificuldade para se
calcular as reações nos apoios de uma viga contínua.
Tomando, por exemplo, os dois vãos adjacentes n e n + 1 {fi-
gura 180b) e considerando-os como duas vigas simplesmente
apoiados, poderemos calcular fàcilmente a reação R.' no apoio n
devido às cargas nesses dois vãos. Além desta haverá uma reação
devido aos momentos M._,, M. e M._,. Tomando os sentidos dêstes
m::imentos como estão indicados na figura 180 (b) a ação adicional
no apoio n será:

M,,_, - M,, - 1W,, -!- M •• ,


--z:;----- + Zu + 1

Adicionando à reação acima R,, a reação total será:

RI+ M.-• ..=-~ + ---,--:;--


- M,, + M,,., (119)
" l,, --

Se tivermos cargas concentradas aplicadas nos apoios, elas serão


transmitidas díretamente aos apoios correspondentes e deveremos
adicioná-ias ao segundo membro da equação (119).
A equação geral de continuidade (e) pode ser usada também
para os casos em que, por um alinhamento defeituoso, os apoios não

. /J,, 1 •

t: ::::::::=:_~---------p;.~-----i
ln
tn--~-~--------{n•I
z,,..,------t

FIG. 181

estiverem situados num mesmo nível (figura 181). Representemos


por /J,, e # •. , os ângulos de inclinação em relação à horizontal, das
retas que ligam os pontos de apoio dos vãos n e n + 1. O ângulo de
PROBLE!VIAS DE FLEXAO ESTATICAMENTE INDETERMINADOS 211

rótação dado pelas equações (a) e (b) foi medido a partir da linha
que liga os centros das articulações; portanto, o ângulo fl formado
pela tangente em n e a horizontal será, para o vão n,

(J = _ (Mnln + M,._,l,. + A,,a,.


- {3 .. ) .
3El: 6EI, l,,El,

Da mesma maneira para o vão n + l

IJ'
A,,.:..1b11+1 + MJ,,_1 , M,, . . 1Z,, . . 1 +
l,. + ,El: -- 3EIT T -6El,

Igualando êstes ângulos obteremos


M,, - ,l,, + 2M,. (l,, + z,._,) + M ... ,z... , =

6 A .,· 1 0·~
1
6A,,a,, -
--z,.-- n+l
6EI, ({3,,., - f3,t) . (120)

Se h •.. ,, h. e h •. ,, representam as alturas dos apoios n - 1, n e


n + 1 medidas a partir de uma linha de referência horizontal, te-
remos:

f3 = h,,_, hgf . h,, - h,._,


f'311TI
11
ln z•• ,

Substituindo na equação (120), poderemos calcular fàcilmente os


momentos fletores nos apoios devido ao alinhamento defeituoso.

PROBLEMAS

1. Determinar os diagramas dos momentos fletores e das fôrças cor-


tantes de uma viga continua com três vãos iguais suportando uma carga
uniformemente distribuída de intensidade q (figura 182) ..
Solução. Para uma viga simplesmente apoiada com uma carga unifor·
memente distribuída, o diagrama dos momentos fletores é uma parábola
com ordenada máxima igual a ql,,•/8. A área do segmento parabólico é:

2 Z. qZ.' - qZ.'
A.=3 8 -~·
212 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

O centro de gravidade está no meio do vão, de modo que a. = b. = Z./2.


Substituindo na equação (118), obteremos:

ql.' q(Z••,)•
M._,z. + .2M.<Z. + z••• J + M •• ,z••• = 4-
-- - -- 4--. (118')

Aplicando esta. equação ao nosso ·caso (figura 182), para o primeiro e


segundo vãos e notando que no apoio O, o momento fletor é zero, obteremos:

ql'
4M,Z + M,Z = - - 2- . (àl

Pela condição de simetria, é evidente


que M, = M,. Então, de (à), M, =
=- (qZ'/10). O diagrama dos mo-
mentos fletores está representado na
figura 182 (a) pela área tracejada. A ,,.,
reação no apoio O é:

- ql qZ' 1 4
R. - 2 - 1 0 · -z-=wqz.
Fig. 183
A reação no apoio 1 é
qZ' 1 11
R, = ql +10· -z- = 10 ql.

O diagrama das fôrças cortantes está dado na figura 182 (b). O momento
máximo estará, evidentemente, à distância 4Z/10 das extremid,!ldes da viga,
onde a fôrça cortante é zero. O momento fletor máximo numérico está
nos apoios intermediários.
2. Escreva a expressão do segundo membro da equação (118), quando
há uma carga concentrada no vão " e não há carga no vão n 1 (figu· +
ra 183J.
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAMENTE INDETERMINADOS 213

•· Soluçdo. Neste caso 4. é a ârea do triângulo de altura Pc (l, - cl/Z.


e de base z.; portanto, A.= Pc(l. - c) /2 e l. - b. a.=
z. - (l, c)/3. = +
Substituindo em í118) teremos

Pc<l. - e) (2l, - cl
M. - ,z. + 2M. (l. + z••• ) + M ••• z••• = - z.
3. Determinar os momentos fletores nos apoios e as reações da viga
contínua dada na figura 184.

Fig. 184

Resposta. M, = - 0,462 mt; M, = - 1,12 mt; M, = - 0,495 mt. As


reações são:
R, = - 0,386 t; R, =
2,69 t; R, = 6,22 t; R, = 3,75 t; R, = - 0,274 t.
Os momentos nos apoios são negativos e produzem convexidade para cima.
4. Construir os diagramas dos momentos fletores e das fôrças cortantes
da viga continua da figura 185 (a), sendo P = ql, e Z/4. =
Solução. Neste caso, o carregamento ímaginârio para o primeiro vão
é S, = ql'/12, para o segundo s, = O, e para o terceiro

PcCl - cl 2l - e l +e
s, = 2 a, = 3
b, -3-

Substituindo na equação (118), obteremos as seguintes equações para a


determinação dos momentos M, e M, :

ql'
4M,l + M,l = - - 4-

M,l + 4M,l = - - z- -c'J-


-Pc(l'
donde

M, = -
49
960 ql' ; M, = ~

44 q·
900

Ambos os momentos são negativos, de modo que o diagrama dos rriomen·


tos fletores serâ o que se vê na figura 185 (b). Para obtermos o diagrama
das fôrças cortantes é necessârio que achemos as reações nos apoios dos
214 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

vãos separados (equação 119). As ações nos apoios O e 1 do primeiro


vão da viga são

~l + ~' = 0,449qZ e ql
-2- - M, ....:_ O551 l
-l- - ' q .

As ações nos apoios 1 e 2 do segundo vão à.a viga são

- M,
l
+ M, =
000
' 5ql e - M, + M,
l· = - O'005 q.l

e nos apoios 2 e 3 do terceiro vão

pt - ~· = 0,296ql e P(l -
z e) + M,
l
= O704 l
' q.

Daí tiramo's o diagrama das fôrças cortantes, como vemos na figura


185 (e).

5. Determinar o diagrama dos momentos fletores para o caso dado


na figura 186 (a).
Solução. A equação (118); para êste caso, torna-se
M,l + 4M,l + M,Z =O.
Agora, M, =-
Pc, enquanto que a condição de engastamento (apoio OJ
dá (pelas equações 103 e 104)
M,Z + M,z · O
3EI 6EI = .
Pelas equações acima, obtemos M, =- ~ Pc; M, =+ ; Pc; M, = -: :- Pc.
O diagrama dos momentos fletores está dado na figura 186 (b).
"\
PROBLEMAS DE FLEXÃO ESTÃTICAl'ilENTE INDETERMINADOS 215

t-- /
'p (11)

L~~
Pc17,l9'"
- r[,'
T
1 Pt:
(b)

. • 1
Fig. 186

6. Determinar os momentos fletores nos apoios de uma viga contínua


com sete vãos iguais, quando o vão do meio está solicitado por uma carga
unüormemente distribuída q.

Resposta:
ql' 1 1
M, = M, = - 18,9 ; M,=M,=- 3.75 M,; M, = M, =15 M,.

7. Uma viga contínua tendo quatro vãos iguais de comprimento de


4,80 m, recebe uma carga uniformemente distribuída no último vão. Traçar
os diagramas das fôrças cortantes e dos momentos fletores sendo
q = 0,60 t/m.
8. Resolver o problema 5 admitindo que exista uma carga unüorme de
intensidade q distribuída .ao longo de todo o comprimento da viga e que
e = Z/2. Traçar o diagrama das fôrças cortantes para êste carregam.::nto.
Resposta:

M, = - 5~ ql' M, - 1~ qf M, =- + ql'
CAPfTULO VII

VIGAS DE SEÇÃO TRA..'llilSVERSAL VARIAVEL. VIGAS


CONSTITUIDAS DE DOIS MATERIAIS.

46. Vigas de seção transversal variável. - No estudo prece-


dente, tôdas as vigas consideradas foram de forma prismática.
Uma investigação mais cuidadosa mostra que as equações (56) e
(57), deduzidas para barras prismáticas, podem, também, ser usa-
das, com precisão suficiente, para barras de seção transversal va-
riável, desde que a variação não seja excessivamente forte. Os
casos de variações bruscas de seção transversal, em que ocorre con-
siderável concentração de tensões, serão estudados na Parte II.
Como primeiro exemplo de uma viga de seção- transversal variá-
vel, consideremos a deformação de uma viga em balanço de resis-
tência uniforme, isto é, uma viga em que o momento de resistência
varia ao longo da viga na mesma proporção que o momento fletor.
Então, como vemos pelas equações (60), (u,) m... permanece cons-
tante ao longo da viga e podemos tomá-lo igual a o-.,.,.,. Essa condi-
ção é favorável sob o ponto de vista da quantidade de material
usado, porque tôdas as seções transversais terão somente a área
necessária para satisfazer as condições de resistência.
Para um balanço com uma carga na ex-
tremidade (figura 187), o momento fletor
numa seção transversal distante x da car-
ga, é numericamente, igual a Px. A fim
de têrmos uma viga de igual resistência, p~·_,,.....(
Jt ,
o momento de resistência deve também 1
l
ser proporcional a x. Esta condição pode
ser satisfeita de vários modos. Fig. 187

Tomemos, como primeiro exemplo, o


caso de uma seção transversal retangular
218 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

de largura constante b e altura variável h, figura 187. Da condição


de viga de resistência uniforme, conclui-se que
M 6Px ' 6Pl
-z- '-= bh' = bho' =. const.,

onde h. é a altura da viga na extremidade engastada. Então,


h •x
h" --z-
-· o

Pode-se ver que, neste caso, a altura da viga varia segundo uma
lei parabólica. Na extrempade carregada a área da seção trans-
versal é zero. Êste resultado é obtido, porque foi desprezada a
tensão de cisalhamento na dedução da forma da viga de resistência
uniforme. Nas aplicações práticas deve-se levar em conta esta
tensão, fazendo certas mudanças da forma acima, na extremidade
carregada, a fim de que se tenha uma área de seção transversal
suficiente para transmitir a fôrça cortante. O afundamento da
viga na extremidade é determinad() pela equação (93):

ll -
_f o
1 12Px'dx -· 12Pl"I"
Ebh....,---- - Ebh n" J. t yx.dx = ~ . ~~º , (121)

onde Ia = bh,'/12 representa o momen-


to de inércia da seção transversal na
extrerp.idaqe engastada. A comparação
com a equação (95) mostra "que êste
afundamento é o dôbro do de uma barra
prismática do mesmo módulo de rijeza
Elo e l?Ujeita à mesma carga. Isto signi-
fica que a barra tem a mesma resistên- (e)
cia da barra prismática, mas não possui
a mesma rijeza.
Como segundo exemplo, consideremos
<;;; <:::~: <::J r
um balanço de seção transversal retan-
gular de altura constante h e largura
lp (d) =4
variável b (figUras 188a e b). Como o Fig. 188
módulo de resistência à ·flexão e o
VIGAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL VARIAVEL 219

momento de inérciá l= de uma viga de forma triangular crescem


com x ·na mesma proporção que o momento fletor, a tensão má'.l'ima
(rr,.) maz e a curvatura (veja equação 56) permanecem constantes ao
longo da viga e a grandeza do raio de curvatura pode ser deter-
minada pela equação (veja equação 55):
hE
(uz) maz = ~ (a)

O afundamento na extremidade de um arco circular pode ser su-


pos.to, para pequenos afundamentos, igual a
l" Pl 3
ll = 2r = 2Elo (122)
ou, aplicando (a),

(123)

Vê-se por esta equação que, para êste tipo de balanço de resistência
uniforme, o ~ndamento na extremidade varia com o quadrado
de seu comprimento e inversamente com sua alhlra.
ÊSte resultado pode ser empregado para se computar as tensões
aproximadas e os afundamentos de uma mola de lâminas. A placa
triangular considerada acima é suposta dividida em lâminas, dis-
tribuídas como se vê na figura 188 (b, e, d). A curvatura inicial e
o atrito entre as lâminas são desprezados em primeira aproxi-
mação e a equação (123) pode ser então considerada como de
precisão suficiente. 1
O método dos momentos estáticos das áreas (ver Art. 34) pode
ser empregado, vantajosamente, para calcular a deformação das
vigas de seções transversais variáveis. Para isso é necessário, so-
mente, que nos lembremos ser a curvatura da linha elástica, em

' Esta solução !ol obtida por E. Phillips, Amiales àes Mines, Vol. I, pp. 195-336,
1852. Veja, também Todhunter e Pearson, History of Elasticity, Vol. 2, parte I, p. 330,
Theorie der Biegungs-und Torsions-Federn por A. Castlgllano, Wlen, 1888. O efeito
do atrito entre as lâminas foi estudado por G. Marlé, Annales de• Mines, Vols. 7-S,
1905 e 1906. D. Landau e P. H. Parr estudaram a distribuição de carga entre as
lâminas Individuais da mola, Jour. of the Franklin l"8t., Vols. 185, 186, 187. Uma
bibllogra!ia completa sõbre molas mecânicas foi publicada pela Amer. Soe. Mech.
Eng., New York, 1927. Veja também o !lyro de S. Gross e E. Lehr, "Die Federn"
V. D. I. Verlag, l.938. Um estudo bem detalhado de vários tipos de molas !ol !eito
no livro "Mechanical Springs", de 'A. M. Wahl, Cleveland, 1944.
220 RESISTI!:NCIA DOS MATERIAIS

qualquer seção .transversal, igual à relação MIEI= (equação 56,


página 110}. Portanto, o aumento da rijeza à flexão numa dada
seção, terá o mesmo efeito sôbre a deformação que o decréscimo
do momento fletor nesta seção e guarda a mesma relação. Por
conseguinte, o problema da deformação de vigas de seção trans-
versal variável pode ser reduzido ao de vigas de seção transver-
sal constante, usando para isso o diagrama dos momentos fletores
reduzidos, em que cada ordenada é multiplicada por 10 /l, sendo
l o momento de inércia naquela seção transversal e l º o momen-
to de inércia constante de uma barra uniforme a cuja deformação
reduziremos ::i. de nossa barra de seção transversal variável.
Por exemplo, o problema da deformação de um eixo circular
(figura 189} que tem seções com dois diâmetros diferentes, de
momentos de inércia I º e l, e carre-
gado por P, pode ser reduzido ao de
um eixo circular tendo um momento
de inércia da seção transversal çons-
tante 10 , como segue. Considerando
a viga conjugada A,B,, em vez de
um carrega!Ilento triangular A,C,B,,
Fig. 189 representando o diagrama dos mo-
mentas fletores, usaremos o carrega-
mento representado pela área tracejada. Esta área é obtida redu-
zindo as ordenadas do diagrama, ao longo da parte média do eixo,
na relação Lo/l ,. A determinação dos afundamentos e dos desloca-
mentos angulares pode ser feita, agora, como no caso de barras
prismáticas, sendo a grandeza do afundamento e do deslocamento
angular, em qualquer seção transversal da viga, igual ao momento
fletor e à fôrça cortante da viga conjugada dividida por Elo.
Deve-se notar que, no caso representado na figura 189, há mu-
dança brusca do diâmetro do eixo a uma distância l/4 'dos apoios,
o que produz tensões locais nestes pontos. Estas não têm efeito
substancial na deformação do eixo desde que a diferença de diâ-
metro das duas partes seja pequena, quando comparada aos seus
comprimentos.
O método usado para um eixo de seção transversal variável
pode também ser aplicado às vigas compostas em 1, de seção
VIGAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL VARIAVEL 221

transversal variável. Um exemplo de viga em I apoiada nas ex-


tremidades e carregada uniformemente, está dado na figura 190.
O momento fletor decresce do meiO para as extremidades da viga
e o seu pêso pode ser reduzido diminuindo o número de mesas;
como está indicado, esquemàticamente, na figura;"' A deformação
dessa viga pode ser calculada quando se tem por base o momento

E
l
==

de inércia da seção transversal do meio. A carga da viga conju-


gada, em vez de ser a simples parábola, indicada ~ela linha trace-
jada, é a que está representada na figura 190 pelo diagrama tra-
cejadQ, sendo cada diminuição da seção transversal compensada
por um aumento das ordenadas do i;liagrama dos momentos na
relação I111e10/I.

PROBLEMAS

1. Uma placa de aço, da forma represen-


tada na figura 191, é engastada numa extre-
midade e carregada na outra por uma fôrça
P. Determinar o afundamento nesta extremi-
dade, sendo seu comprimento igual a 2Z, sua
largura igual a a, h a espessura e P a carga
na extremidade. Fjg. 191
Solução. 'O afundamento é formado de:
Pl' Pl'
(1) a, = JEI, + 2El, , afundamento em B,

(2) 8, = 3Pl'
2 El, , afundamento em C devido ao deslocamento angular em B.
e

(3) a, = 2Pl;
~, afundamento devido à flexão da parte BO da .pl aca.
222 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

O afundamento total é dado por li = 1\, + ô, + ô,.


2. Resolver o problema anterior admitindo Z 3,00 m, a =
7,5 cm, =
P = 500 kg e "••• = 4900 kg/cm'.
3. Determinar a largura d de uma mola de lâminas (figura 188) e seu
afundamento, sendo P = 3000 kg, h = 1,25 cm, Z= 60 cm, "••• = 4900 kg/cm•
e o número de lâminas n 10. =
Solução. Considerando as lâminas da mola como sendo cortadas de
placas triangulares (figura 188b), a tensão máxima será
6Pl
ª""11: = ndh: '
donde
6X3000Xti0
14,l cm.
10 X ,1900 X 1,25'
O ufundamento é determinado pela equação (123),
4900 y 60'
8 = 1,25 X 21 X 10' = 6·73 cm.
4. Comparar o afundamento no meio e o deslocamento angular nas
extremidades do eixo dado na figura 189, com os. de um eLxo do mesmo
comprimento, mas de seção transversal constante com momento de inér-
cia igual a I •. Tomar J,: I. 2. =
Sol!tção. Devido à maior rijeza à flex~o no meio do eixo dado na
figura 189, os deslocamentos angulares nas extremidades serão menores
do que os das extremidades do eixo cilíndrico, na relação da área tra-
cejada para a área total do triângulo A,C,B,. jl. área total é o carrega-
mento para o caso do eixo cilíndrico. Para
os valores dados, esta. relação é 5/8: 1.
Os afundamentos no meio para os
dois tipos de eixo guardam a relação
dada pelo momento fletor produzido
pela área tracejada dividido pelo pro·
duzido pela área do triângulo A,B,C,. Fig, 192
Esta será 9/16 : 1.
5. Uma viga simplesmente apoiada nas extremidades é carregada como
mostra a figura 192. Como deve variar a ·altura da viga a fim de se ter
uma forma de igual resistência, sendo a largura b da seção transversal
retangular constante ao longo da viga?

Resposta:

h' ho' ( 1 - 8 ~' }


VIGAS DE SEÇÃO TRANSVERSAL '.'ARIAVEL 223

6. Determinar o afundamento de uma placa de aço com a espessura de


13 mm dada na figura 193 a e b sob a ação de uma carga P, igual a
10 kg, no meio.
Solução. Reduzindo o problema ao da de-
formação de uma placa de largura constante
igual a 10 cm, a área dos momentos trans-
formada para êste caso será a representada
pelo trapézio adeb e se obtém

......
7. Determinar o afundamento máximo de uma mola de lâminas
(figura 188a), sendo l =
90 cm, h 1,25 cm, E =
21 X 10' kg/cm' e =
ª•dm = 4200 kg/cm'.
8. Uma viga retangular simplesmente apoiada recebe uma carga P
que se desloca ao longo do vão. Como deve variar a altura h da viga
a fim de se ter uma forma de igual resistência sendo a largura b de seção
transversal retangular constante ao longo da viga?
Solução. Para qualquer posição dada da carga, o momento máximo
ocorre sob a carga. Representando a distância da carga ao meio do vão
por x, o momento fletor sob a carga é

M
p e+- X) (++X)
A altl!ra necessária h ·da viga sob a carga é obtida pela equação
GM
- bh'
donde

h'
-
6M
baa.1111 -
6P(l'
lba•.1. 4 - r)
e
h' •
6Pl/4ba... + l:;;4 = 1.
Pode-se ver que, neste caso, a altura da viga varia segundo uma lei
elíptica, sendo os semi-eixos da elipse

l/2 e \16Pl/4ba, ...


224 RESISTJ!:NCIA DOS MATERIAIS

9. Determinar os momentos fle-


P tores nas extremidades da viga AB
dada na figura 194, com as extre-
midades engastadas e carregada no
1 z(o)O z meio. Tomar /, / 1o = 2.
4 'l ;r
,,.-:::-----r Solução. Obtém-se uma solução

~r
combinando os dois casos simples
dados em (b) e (e). É claro que a
condição de engastamenta nas ex-
(b) "
tremidades será satisfeita se os

Mclílliíl,~fi,ffi~jiõ1õl!l)M
deslocamentos angulares ai forem
iguais a zero, isto é, se as reações
devidas ao carregamento imaginário
Fig. 194
(veja página 163), representado
pelas áreas tracejadas em (b) e (e), forem iguais. Portanto, a equa-
ção para calcular o valor numérico de M é
Pl l 3 Pl l Ml
42-842= MZ--4-·

donde
5
M =48Pl.

10. Resolver o problema anterior admitindo que duas cargas iguais


P estejam aplicadas em O e D.

Resposta.
M = PZ/6

47. Vigas de dois materiais diferentes. - Há casos em que


são usadas vigas de dois ou mais materiais diferentes. A figura
195 (a) representa um caso simples; uma viga de madeira refor-
çada por uma placa de aço aparafusada na parte inferior da viga.
Admitindo que não haja deslisamento do aço em relação à madeira
durante a flexão, poderemos usar aqui, também, a teoria das vigas
de seção única. De acôrdo com esta teoria
os alongamentos e encurtamentos das fibras
longitudinais são proporcionais às suas dis-
tâncias ao eixo neutro. Devido ao fato de
que o módulo de elasticidade da madeira
(b} Em é muito menor do que o do aço E 1, a
"''
Fig. 195 parte de madeira da viga, na flexão, será
VIGAS DE DOIS MATERIAIS · 225

equivalente a uma fatia muito mais estrêita de aço, como se vê na


figura 195 {b). Para têrmos o momento das fôrças interiores inal-
terado, para uma dada curvatura, isto é, para um dado alonga-
mento e um dado encurtamento, a espessura b1 desta fatia deve
ser a seguinte:

b _ bEm
{a)
i - E,

Desta maneira, o problema fica reduzido ao da flexão de uma viga


de aço de seção em T, chamada seção equivalente, o qual pode
ser resolvido baseado na teoria precedente. Consideremos, por
exemplo, uma viga simplesmente apoiada de 3,00 m de compri-
mento, carregada no meio do vão com 500 kg. As dimensões
da seção transversal da parte de madeira da viga são b = 10 cm e
h = 15 cm e do lado convexo é reforçada por uma placa de aço
com 2,5 cm de largura e 1,25 cm de espessura. Admitindo que
Em/E1 = 1/20 e aplicando a equação {a), a seção equivalente terá
uma alma de 15 X 0,5 e mesa de 2,5 X 1,25. As distâncias ao eixo
neutro das fibras extremas {figura 195b) são h, = 6,35 cm e
h, = 9,90 cm. O momento de inércia em relação ao eixo neutro
é 1= = 288 cm•, donde as tensões nas fibras extremas são {pelas
equações 61, página 111)

Mmazh1 37500 X 6,35


O'maz = = 288 = 828 kg/cm'
1:

Mmazho 37500 X 9,90


O'min = = 1290 kg/cm'
1: 288

Para obtermos a tensão de compressão máxima na madeira da


viga real, a tensão um;,. obtida, acima, para o aço, para a seção
equivalente, deve ser multiplicada por Em/E1 = 1/20. A tensão
de tração máxima, neste caso é a mesma, tanto para a viga real
como para a equivalente.
Outro exemplo de flexão de viga de dois materiais diferentes,
nos é fornecido pelo caso de uma lâmina bimetálica formada de
aço-níquel e de metal monel {figura 196). A flexão dessas lâminas
produzida por fôrças exteriores pode ser estudada da mesma ma-
neira que o problema anterior de madeira e aço, sendo necessário,
226 RESIST:eNCIA DOS MATERIAIS

somente, conhecer a relação E,,./E 1 em que E,,. e E 1 são, respecti-


vamente, os módulos de elasticidade' do metal · monel e do aço-
níquel. Consideremos agora a flexão dessa lâmina devida à va-
riação de temperatura. O coeficiente de dilatação térmica do
metal monel é maior do que o do aço-níquel e quando a tempera-
tura crescer, ocorrerá uma concavidade do lado do aço produzi'aa
pela flexão. :E:ste fenómeno de flexão de lâminas bimetálicas, sob
temperaturas variáveis, é usado em vários instrumentos automá-
ticos de regulagem de .temperatura.• Seja h/2 a espessura de cada
metal, b a largura da lâmina, t aumento de temperatura, r o raio
de curvatura, ª' e a,,. os coeficientes de dilatação térmica do aço
e do monel, respectivamente, E 1I, o módulo de rijeza do aço, E,,Jm
o módulo de rijeza do metal monel. Quando a temperatura cresce,
a lâmina de metal monel, tendo um coeficiente de dilatação tér-
mica maior, será solicitada tanto à flexão como à compressão
e a de aço será solicitada à flexão e à tração. Considerando um
elemento da lâmina cortada por duas seções transversais adja-
centes mn ·e m,n, (figura 196, e), as fôrças interiores na seção

~aço
---+-t--4
'" {1---:+--i 1=~3>-%
~) 1-i • (6) manei

·n n,
(e}

Fig. 196

transversal do aço podem ser reduzidas a uma fôrça de tração


P, e a um conjugado M,. Da mesma maneira para o metal monel,
as fôrças interiores ppdem ser reduzidas a uma fôrça de com-
pressão P. e a um conjugado M ,. As fôrças interiores em qual-
quer seção transversal da viga devem estar em equilíbrio;
portanto
P, = P, = P
e
Ph
- 2- .= M, + M •. (b)

z Veja o artigo do autor no Journal of the Optical Soe. of Amer., Vol. II.
1925 p. 23
VIGAS DE DOIS MATERIAIS 227

Aplicando as equações:

M, = E 111 M,
= Emlm
r. \
r
então, pela equação (b),
Ph E 111 · E,,.l,,.
~2~ - ~r~+ ~-r~ (e)

Outra equação para determinação de P e r pode ser d~duzida da


condição de que na superfície de junção e - e, o alongamento re-
lativo do metal monel e do aço-niquel deve ser o mesmo; portanto

h
4T
ou
2P(l
hb E1 + Em
1 ) = (am - ai)
h
t - 2r (d)

Pelas equações (e) e (d) obteremos

b;'r (E1l1 + Emlm) ( "i, + i,,.) = (a,,. - a1)t - ~ (e)

Substituindo nesta equação


bh 3
I, = I,,. =-gs e E 1 = 1,15 E,,.,

obteremos a seguinte equação aproximada:


1 3 (a,,. a1)t
(f)
----,;--= 2 h
Agora, pela equação (e)
3 ' bh
P = ·h' (am - a1)t (E1l1 + E,nlm) =~(a., - ar) t (Er +E,,,) (g)

e
M 3 (am - ar)t E [ . (h)
,=2 h ,,,

Pelas equações (g) e (h) podemos determinar P, M, e M,. A ten-


são máxima no aço é obtida adicionando, à tensão de tração pro-
duzida pela fôrça P, a tensão de tração devida à curvatura 1/r:
228 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

2P h Er 4 ( bhª )
<Yniax = bh + T-r- = bhZr Erlr + Emlm +~ E1 .

Admitindo, por exemplo, que ambos os materiais tenham o mesmo


módulo E, obteremos

Uma::

ou, aplicando a equação (/) ª

Para E = 18 X 105 kg/cm 2 , t 4 X 10- 0 ,


acharemos

u,.az = 720 kg/cm'


A distribuição das tensões devido ao aquecimento está dada na
figura 196 (e).

PROBLEMAS

L Achar o momento fletor que pode suportar utna viga de madeira


reforçada por uma placa de aço, figura 19~.- sendo b =
15 cm, h 20 cm =
e a espessura da placa de aço igual a 1,25 cm. Admitir que E.= 10' kg/cm',
E1 =
21 X 10' kg/cm', cr,,. =
80 kg/cm' para a madeira e cr••• 1100 =
kg/cm' para o aço

··· 2. Admitir que a viga de madeira do problema precedente seja refor·


çada na pFJ,rte superior com uma placa de aço de 5 CI"(l de largura e 2,5 cm
de espessura e na parte inferior com uma placa de aço de 15 cm de largura
e 1,25 cm de espessura. Calcular o momento fletor que pode suportar
sendo E e cr,,. os mesmos do problema precedente.

3. Uma lâmina bimetálica tem um comprimento l = 2,5 cm. Achar o


afundamento no meio produzido por um aumento de temperatura igual a
200 graus centígrados, sendo E/ =
1,15 EM e aft - a 1 4 _X 10..... =
48. Vigas de concreto armado. - É fato bem conhecido que a
resistência do concreto à compressão é muito maior do que à
tração. Portanto, uma viga de concreto retangular romperá pelas
tensões de tração do lado convexo. A viga pode ter a sua resis-

3 Esta equacão serve também para E 1 = E,,..


VIGAS DE DOIS MATERIAIS 229

tência majorada enormemente pela adição de barras de aço do


lado convexo, como se vê na figura 197. Como o concreto adere
fortemente ao aço, não• haverá
m deslizamento das barras de aço
em relação ao concreto, durante
a flexão, e os mêtc<ios deduzi-
----------- dos no artigo precedente po-
(b}
dem, também, ser usados aqui
Fig. 197 para calcular as tensões de
flexão. Na prática, a área da
seção transversal das barras de aço é, em geral, tal que a resis-
tência à tração do concreto do lado convexo, seja vencida antes
que principie o escoamento do aço e, para grandes cargas só o
aço tome pràticamente tôda a tração. Portanto, na prática cor-
rente para se calcular as tensões de flexão nas vigas de concreto
armado, admite-se que tôda a tração seja absorvida pelo aço e que
a compressão o seja pelo concreto. Substituindo as fôrças de tração
nas barras de aço por sua resultante R, a distribuição das fôrças
interiores, em qualquer seção transversal mp, será a da figura
197 (b). Admitindo, como anteriormente, que as seções transver-
sais permaneçam planas durante a flexão e representando por kd
a distância do eixo neutro nn à parte superior,• o encurtamento
relativo máximo do concreto ec, e o alongamento relativo dos eixos
das barras de aço er, são dados pelas seguintes expressões:
kd (1 - k)d
Ec = - -r-; Er = (a)
r

O concreto não segue a lei de Hooke e o diagrama de ensaio de


compressão, para êsse material, tem forma semelhante ao do ferro
a
fundido da figura 4 (b). Quando tensão de compressão cresce, a
inclinação da tangente ao diagrama 'decresce, isto é, o módulo do
concreto decresce, crescendo a tensão. Calculando as tensões nas
vigas de concreto armado, é comum admitir que o concreto siga
a lei de Hooke e fazer a compensação do módulo variável, to-
mando um valor menor para êste módulo, do que o obtido pelos
ensaios de compressão quando as tensões são pequenas. Nas espe-
cificações para concreto armado admite-se, comumente, que

• k é um coe!iclente numérico menor do que a unidade.


230 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

E 1/Ec = 15. Então, pelas equações (a), a tensão de compressão má-


xima no concreto e a tensão de tração no aço• são, respectivamente,
kd (1 -:-- k)d
ªe= - --Ec· E,. (b)
r ' r
Calcularemos, agora, a posição do eixo neutro pela condição de
que as fôrças normais na seção transversal mp, reduzem-se a um
conjugado igual ao momento fletor. A soma das fôrças de com-
pressão no concreto deve ser igual à fôrça de tração R nas barras
de aço, ou
bkdac _ A
(e)
2 ª' f'

onde Ar é a área da seção transversal total do aço. Usando a no-


tação A 1/bd = ni e E 1/Ec = n, obteremos por (e) e (b)
k• = 2 (1 - k)nn1, (d)
donde k = nn1 + V (nn,) • + 2nn, (124)
Depois da determinação da posição do eixo neutro pela equação
(124), a relação entre a tensão máxima no concreto e a tensão
no aço torna-se, pelas equações (b),
=
k.
- _!!..E_ (125)
(1 - k)n
ª'
A distância jd entre as resultantes R das fôrças de compressão e
de tração que atuam na seção transversal da viga (figura
197, b) é: 6

jd =~ kd + (1 - k) d =( 1 - ~) d (126)

e o momento das fôrças interiores, igual ao momento fletor M, é

J"dR - - JdA
0

'ª' -- - jkbd• ac
--2- = M,
donde
M
(127)
ª1 - A 1 jd
2M
ª• = - jkbd2 (128)

' As dimensões das secões transversais das barras de aço são, em geral, pe-
quenas e a tensão de tração média é usada em vez da tensão máxima.
• J é um coeficiente numérico menor do que a unidade.
VIGAS DE DOIS MATERIAIS 231

Aplicando as equações 124 a 128, podemos calcular, fàcilmente as


tensões de flexão nas vigas de concreto armado. '

PROBLEMAS

1. Sendo Er/E, =
15 e Ar =
0,008bd, determinar a distância do eixo
neutro à parte superior da viga (figura 197).
SoZução. Substituindo na equação (124), n = 15, n, 0,008, obteremos =
k = 0,384 e a distância da parte superior da viga é kd = 0,384d.

,2. Determinar a relação n, = Ar!bd, sendo a tensão de tração má-


xima no aço de 840 kg/cm', a tensão de compressão máxima no concreto
de 45 kg/cm' e Er/E, = n igual a 15.
SoZução. Pela equação (125) k = 0,412. Então, pela equação (d),

k"
n, = 2 (1 _ k)n = 0,0096.

3. Determinar a relação n., sendo a tensão de compressão máxima,


no concreto, 1/12 da tensão de tração no aço.
Resposta. n, = 0,0107.
4. Sendo n =
15, e a tensão de tração admissível para o concreto de
45 kg/cm', determinar a carga que podemos colocar no meio de uma viga
de concreto armado, com 3m de comprimento, apoiada nas extremidades
e tendo b = 25 cm, d = 30 cm, Ar 7,50 cm'. =
Resposta. P = 2430 kg.
5. Calcular o momento máximo que uma viga de concreto pode su·
portar com segurança, sendo b 20 ,cm, d =
30 cm, Ar 13 cm', = =
Er/E, = 12 e a tensão admissível para o aço de 1050kg/cm' e para o
concreto 60 kg/cm'.
Resposta. M = 2,26 mt.
6. Determinar o valor de k para o qual a tensão max1ma admissível
no concreto e no aço, sejam atingidas simultâneamente.
Solução. Sejam a, e ar as tensões admissíveis para o concreto e para
o aço. Então, tomando a relação dessas tensões dadas pelas fórmulas Cb)
e considerando sõmente o valor absoluto desta relação obteremos

a, kE.
-,.-r- - -<"'1----,k"""'l"""'E=-r- '

donde

ac + tr/~
E,
232 RESISTJ;;NCIA DOS MATERIAIS

Se esta condição fôr satisfeita di'z-se que a viga tem armação compe11-
sada. Tendo k e aplicando a equação (126), a altura é obtida pela
equação (128) e a área A 1 pela equação (127).

7. Determinar a percentagem de ferro n, = Atlbd, sendo "' = 840 kg/cm',


"' = 45 kg/cm' e n =EtfE, = 15.
Solução. Pela fórmula do problema precedente achamos

k = 0,446.
Substituindo na equação (d) obtemos
n, = 0,012.

8. Projetar uma viga de 25 cm de largura para resistir com segurança


a um momento fletor de 3,40 mt, sendo ,,, = 50 kg/cm', "' = 840 kg/cm',
EtfE, = 12. Achar a altura d e a seção de ferro, A,. Admitir uma arma-
ção compensada como no problema 6.

49. Tensões de cisalhamento nas vigas de concreto armado.


Usando o mesmo método do artigo 26, quando se considera um
elemento mnm,n, entre as duas seções
transversais adjacentes mp e m,p1 (fi-
gura 198) , pode-se concluir que a tensão
de cisalhamento máxima Tu, atuará na
superficie neutra nn,. Representando
por dR a dife'rença entre as duas fôrças
de compressão do concreto, nas seções
Fig. 198
transversais mp e m 1p 1 a tensão de
cisalhamento T.•u na superfície neutra é determinada pela seguinte
expressão:
(T,y)111 ..bdx = dR,
donde

( T.r11) um:oc (a)

Sendo o momento fletor


M Rjd
a equação (a) torna-se
1 dM V
(b)
( Tzu) max
- bjd <IX = bjd 1

onde V é a fôrça cortante na seção transversal considerada. Apli-


cando a equação (126), a equação acima para as tensões de cisa-
lhamento torna-se:
j

VIGAS DE DOIS MATERIAIS 233

3V
( 7.ry) max = bd (3 - k) . (129)
\
·Nos cálculos práticos são de importância, não somente as ten-
sões de cisalhamento na superfície neutra, mas, também, as tensões
de cisalhamento na superfície de contato entre o aço e o con-
cn~to. Considerando, novamente, · as duas seções transversais
adjacentes (figura 198), a diferença entre as fõrças de tração das
barras de aço, nessas duas seções, é

Vdx
dR=-jd"

Esta diferença é equilibrada pelas tensões de cisalhamento


distribuídas na superfície das barras. Representando por A a ·su-
perfície lateral total de tôdas as barras de aço por unidade
de comprimento da viga, a tensão de cisalhamento na superfície
das ba:rras é

dR V 3V (130)
Adx = Ajd = (3 - k)dA

Esta tensão torna-s~ maior do que a tensão na superfície neutra


(equação 129), se A fôr menor do que (b). Para aumentar A e, ao
mesmo tempo, manter constante a área da seção transversal do
ferro, é necessário, somente, aumentar o número de barras e de-
crescer seu diâmetro.
CAPÍTULO VIII

FLEXÃO DAS VIGAS NUM PLANO QUE ~ÃO :e


PLANO. DE SIMETRIA

50. Flexão pura num plano que não é plano de simetria. -


Se uma viga possuir um plano de simetria, plano xy, por exem-
plo, Fig. 199a, e conjugados agindo neste plano forem aplicados
sôbre suas extremidades, a flexão da viga processar-se-á dentro do
plano de simetria e o eixo neutro nn de uma seção transversal,
(figura 199a)' passará pelo centro de gravidade, e, e será perpen-
dicular ao plano dos conjugados.

{b)
y
Fig. 199
Por simetria, é possível concluir que os esforços correspondentes
a esta direção do eixo neutro dão um momento resultante no plano
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 235

xy e que, com a seleção apropriada da intensi~ade do 'esfôrço


(ver equação 56, pág. 110), êste momento equilibrará o momento
externo M.
Consideremos, agora, o caso em que o plano em que agem os
conjugados, Fig. 199b, hão é um plano de simetria e investi-
guemos sôbre que condições o eixo neutro permanecerá perpen-
dicular àquele plano. Supondo que o eixo nn seja perpendicular
ao plano xy e procedendo como no Art. 23, achamos que a fôrça
que age sôbre um elemento infinitesimal, dA, da seção transver-
sal, é normal a essa seção, tendo a intensidade igual a EydA/r.
Para a parte da viga vista na Fig. 199b, a operação de equilíbrio
será'

~1ydA = O, ~ly'dA M, ~JyzdA =O (a)


.{ ,1

A primeira destas equações estabelece que o eixo neutro passa


pelo centro de gravidade da seção transversal; a segunda define
a grandeza da curvatura 1/r da linha elástica e a terceira esta-
belece que os eixos dos y e dos z são os eixos principais de inér-
cia da seção transversal (ver Apêndice A, Art. IV) e que os planos
xy e xz são os planos principais da viga. Isto mostra que, no caso
geral da flexão pura, o plano de flexão coincidirá com o plano dos
conjugados sómente se êste fôr um dos planos principais da barra.
Se o plano dos conjugados não passar por um dos eixos prin-
cipais da seção transversal da barra, a terceira das equações de
equilíbrio (a) não será satisfeita. Então, a direção do eixo neutro
não será perpendicular ao plano dos momentos fletores e deve
ser determinada como se segue. Suponha que um momento M
age num plano axial da barra, interceptando a seção transversal
segundo a linha mm, inclinada, em ·relação ao eixo principal, de
um ângulo 8, Fig. 200.

1 As três equações estão sempre satisfeitas porque os momentos de tõdas as


!Orças em relação ao eixo dos :z: e as projeções das !Orças sõbre os eixos dos
y e dos z são nulos.
236 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

O vetor M, representativo do momento, pode ser decomposto se-


gundo as duas componentes que aparecem na figura. Como essas
componentes agem nos planos principais da viga, as tensões cor-
respondentes podem ser obtidas pelo formulário comum das vigas,
sendo a tensão total num ponto A, qualquer, da seção transversal,
obtida pela fórmula:

a =
My coso + Mz sen O
(b)
l= 111

"

Fig. 200

Igualando a zero, tem-se a equação do eixo neutro:

ycoso + zseno = 0 (e)


1. I 11

e o ângulo f3, que define a direção dêsse eixo, é dado por :

tgp = - -y- = -l=- tgO. (à)


z . 111

Vê-se que o ângulo {3, em geral, é diferente de 8 e que o eixo


neutro não é perpendicular ao plano axial mm em que atuam os
momentos fletores. ~ses dois ângulos serão iguais sàmente
quando 8 = O ou l= = 1,,. No primeiro caso, os momentos fle-
tores agem no plano principal xy e o eixo neutro coincide com o
eixo principal z. No segUndo caso os dois momentos principais
de inércia da seção transversal são iguais. Neste caso, a elipse
de inércia: da seção transversal (ver Apêndice A, Art. V) trans-
forma-se nnm círculo e um par qualquer de eixos perpendiculares,
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 237

passando pelo centro de gravidade, pode ser considerado como eixos


principais sendo o eixo neutro, então, sempre perpendicular ao plano
dos conjugados. 1

Na discussão precedente os conjugados que atuavam na viga


foram decompostos em duas componentes agindo nos planos prin-
cipais da viga, calculando-se, em seguida, as tensões produzidas
por essas componentes, separadamente. Algumas vêzes é vantajoso
trabalhar diretamente sôbre os conjugados dados e ter-se a fór-
mula para o cálculo das tensões por êles produzidas. Para o esta-
belecimento dessa fórmula, consideremos a flexão de uma viga por
dois momentos M= e Mu agindo em dois planos axiais, perpen-
diculares, xy e xz, Fig. 201, arbitràriamente escolhidos. Supo-

Fig. 201

nhamos que as grandezas dêsses sejam tais que a flexão ocorra


no plano xy, de modo que o eixo neutro de uma seção transversal
seja paralelo ao eixo dos z. Sendo r, o raio de curvatura corres-
pondente, as tensões de flexão serão ar = Ey/r,, obtendo-se os
seguintes valores para os momentos :

M: f
= yu,dA = ~:= Mu = -1 za.dA = (e)

Anàlogamente, admitindo a flexão no plano xz vem ar = - Ez/r,,


o que dá:

M u = Elu M,, = _ EI,,, (f)


r= r,,
238 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

No caso geral, quando se têm deflexões em ambos os planos,


as relações entre os momentos fletores e as curvaturas são obtidas
combinando-se as equações (e) e (f), o que dá:

M,, = E1u (g)


T:

Se os momentos agirem somente no plano xy, tem-se M,, = O e

E1 E1v= _ O
-;;:;- 11
- ----:;:;;- - '
Considerando a SElgunda das equações (g), vem:
M _ l:._ E(l:1v - 1,,,2 )
= r,, 1,,

1
(131)
r,,
A tensão de flexão produzida pelo momento M= será, então:
_ Ey Ez M=
ª= :--- T;- - G = 1:111 - 1,,=2 UuY - 1y:Z). (132)

Anàlogamente, anulando-se M., tem-se:·

ª= = 1: 1li ~11 1l/Z


2 Uu:Y - 1zz) . (133)

As equações (132) e (133) são especialmente úteis para vigas que


possuem alma e mesas paralelas aos eixos dos y e dos z.

PROBLEMAS

1. Uma viga em balanço, de seção transversal retangular, Fig. 202, é


flexionada por um conjugado M que age no plano axial mm. Determinar
a curva descrita pela extremidade da viga quando o ângulo 1, que define
o plano do momento fletor, varia de O a 2'11'.

"'
,..
Fig. 202
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 239

Solução. Decompondo M em duas componentes M cos s e M sen 6 ,


agindo nos planos principais xy e xz, respectivamente, os componentes
u e v da deflexão da extremidade da viga, nas direções y e z, serão:

Ml' cos s Ml' sen fJ


u =- 2El,
V= -
2El,
/
Dai:

u' v'.
(Ml'/2El,)' + (Ml'/2El,)' = l

Vê-se que a extremidade da viga descreve uma elipse com os semi-eixos


iguais a Mf-/2El, e Ml'/2EI •.
2. Determinar no problema anterior o valor numérico da relação
entre as deflexões vertical e horizontal da extremidade da viga, para
s = 45° e h = 2b.

Resposta. u/v = I,/I. = T1


3. Na viga da Fig. 202, determinar o ângulo de inclinação {3, do eixo
neutro com a horizontal e a grandeza da tensão máxima, quando fJ = 45°,
h = 2b = 15 cm (6 inl e M =
1383 cm. kg (1200 in. lb.l.

Resposta. tg f3 = 4, cr ••• = 9,9 kg/cm' (141 lb/in'l.


4. Uma viga em I, perfil 8 I 18,4, simplesmente apoiada, é fletida
por dois momentos M iguais e opostos, atuando nas extremidades da
viga, no plano mm, Fig. ·203. Achar a tensão máxima e a deflexão má-

l,27cm( T,. )
1tr
a r ra.4 "'
'"

...
Fig. 203 Fig. 204
xima, ll, da viga, para M =
5 X 10' in. lb, s 30", Z = = 12 ft (ver ta-
bela nara êste perfil no Apêndice B, Tabela 17).
240 RESISTJ;;NCIA DOS MATERIAIS

Resposta. A tabela fornece: I, = 38 in' e I, = 56,9 in'.

4M COSll
.l. 2 M sen
· /1 = 16200 lb/in'
/, , I• .

• , _ ( Ml' cos 9 ) ' +( Ml' sen ·


ºª" - SE/, SEI,
/1 ) '
e a••• = 0'573 m.
5. Uma barra de seção em L, representada na ·Fig. 204, é carregada
pQ.r momentos M aplicados nas extremidades e agindo no plario da aba
maior. Achar as direções dos eixos principais u e v, as grandezas /, e /,
dos momentos principais de inércia e a tensão de flexão mãxima, sendo
M = 11525 cm. kg (10' in; lb). Verificar o resultado empregando a fór·
mula (132l.
Resposta cp = 14"' 20'; I. = 389 cm• f9,36 in•), /, = 41,l cm• f0,99 in');
la .... ! = 339,5 kg/cm' (4S50 lb/in') no ponto A.

51. Flexão das vigas tendo dois planos de simetria. - Se uma


viga tiver dois planos de simetria, o problema da flexão por fôrças
transversais, inclinadas em relação a êsses planos e que cortem
o eixo da viga, poderá ser resolvido por meio do método de super-
posição. Cada uma das fôrças pode ser decomposta em duas com-
ponentes, agindo nos planos de simetria, obtendo-se as tensões
finais pela superposição dos efeitos das componentes, após a solu-
ção do problema de flexão naqueles plànos.
Consideremos, por exemplo, uma viga em balanço, seção trans-
versal retangular, Fig. 205, com uma fôrça transversal P, aplicada

"

Fig. 205

na extremidade, fazendo um ângulo 8 com o plano vertical de


simetria. Considerando as duas componentes P cos 8 e P sen 8, que
flexionam a viga no$ planos vertical e horizontal de simetria, de-
terminamos os momentos fletores correspondentes na seção de
;FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 241

engastamento: Pl cos O e Pl seno. Levando em conta os sentidos


dêstes momentos, a tensão de flexão em um ponto qualquer da
seção de engastamento é:

a=
Ply cos O + Plz sen O
/
/= lu
A tensão de flexão máxima ocorre no ponto A e seu valor é:

= 6Pl (coso + seno)


ªmaz bh h b ·

As deflexões vertical e horizontal da extremidade carregada são:

8 = Pl3coso Pl3 sen O


11 3EI. 3Elu

sendo a deflexão total obtida pela equação:

ª =V ª. + a-·
y . -

PROBLEMAS

1. Uma viga de madeira, horizontal, seção transversal retangular, su·


porta uma carga vertical, uniformemente distribuida ao longo do eixo.
A viga está apoiada nas extremidades como aparece na Fig. 206. De-
terminar a tensão normal máxima e o afundamento vertical no meio do

Fig. 206

vão, sendo Z =3 m (10 ft), q = 300 kg/m (200 lb/ft) h = 20 cm 18 inl;


b = 15cm (6in); tg a.=+
Resposta: ..... = 45 kg/cm' (643 lb/in'l; a = 0,32 cm 10,126 inl.

2. Resolver o problema anterior para uma distância entre apoios de


2 m, tendo a viga as extremidades em balanço, com 0,5 m cada.
242 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

3. Uma barra horizontal, seção transversal circular, bi-engastada, de


comprimento !, suporta uma carga uniformemente distribuida, de inten-
sidade q, e uma carga transversal, horizontal, concentrada., P, no meio
do vão. Achar a tensão máxima, sabendo que: PZ = 276 m. kg
(24000 in. lb), ql' = 553 m. kg (48000 in. lb) e o diâmetro da barra
à = 10 cm (4 inJ.
Resposta: 55,7 kg/cm' !796 lb/in').

4. Uma viga horizontal, seção transversal quadrada, bi-apoiada (Fig.


207), suporta duas fôrças iguais P, uma horizontal e outra vertical, nos

R,=;
-----------
'

Fig. 207

pontos situados a Z/3 das extremidades, sendo l o comprimento da viga.


Achar um .. sabendo que: l =3,66 m (12 ft); a =
30,5 cm (12 in),
p = 2722 kg (6000 lb).

Resposta: """' = 2:,z = 70,3 kg/cm' (1000 lb/in'l.


52. Flexão das vigas num plano principal que não é um plano
de simeti;ia. Centro de torção. - No estudo da flexão pura (veja
página 235) mostrou-se que. o plano da curva elástica coincide com
o plano dos conjugados de flexão, desde que êstes atuem em um
dos dois p"l<inos principais de flexão. Isto, todavia, não vale para
o caso de flexão de uma viga produzida por um sistema com-
planar de fôrças transversais. Se o plano principal em que estão
agindo as fôrças não fôr um plano de simétria da viga, a fle-
xão é, comumente, acompanhada de torção. O estudo seguinte
mostrará como se pode eliminar esta torção e estabelecer flexão
simples, por meio de deslocamento conveniente do plano em que
estão agindo as fôrças, paralelamente a si mesmo.
Começaremos com exemplos simples em que a seção transver-
sal da viga tem um eixo de simetria (eixo dos z), e as fôrças
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 243

estão atuando num plano perpendicular a êste, figura 208. Con-


sideremos o caso representado na figura 208a e determinemos a
posição do plano vertical em que as cargas transversais devem
agir, para produzirem flexão simples da viga num plano vertical.
De nosso estudo anterior, de distribuição de tensões d( cisalha-
mento verticais •uz (veja página 133), podemos concluir que,
pràticamente, a fôrça cortante total V será resistida, sàmente,
pelas mesas. Se considerarmos as mesas como duas vigas separa-
das, cujas seções tr:ansversais têm momentos de inércia J/ e
l:'', respectivamente, en.tão, suas curvaturas e seus afundamentos
na flexão serão iguais se as cargas forem. distribuídas entre elas
na relação //: 1=1'.' As fôrças cortantes nestas mesas estarão

Fig. 208

.também na mesma relação. Esta condição será satisfeita se as


cargas transversais atuarem no plano vertical que passa pelo ponto
O (figura 208a), de tal modo que

onde h, e h, são as distâncias de O aos centros de gravidade das


seções transversais das mesas. Dêste modo acharem.os que para
o caso de mesas de espessura pequena, o ponto O desloca-se do
centro de gravidade C da seção transversal, para a mesa cuja
seção transversal tenha o maior momento de inércia. No caso li-
mite, representado na figura 208b, em que uma das mesas desa-
parece, pode admitir-se, com precisão suficiente, que o ponto O
coincide com o centro de gravidade da mesa e que as cargas
transversais deverão atuar no plano vertical que passa por êste

• O eleito da !õrça cortante sõbre a deformação das mesas é desprezado


nesta consideração.
244 RESISttNCIA DOS MATERL<\IS

ponto, a fim de haver flexão simples. O ponto O, pelo qual deve


P!iSSar o plano das cargas para eliminar a torção, é chamado de
centro de torção.
Consideremos a seção canal ~figura 208c) e determinemos a
posição do plano em que devem atuar cargas verticais para pro-
duzir flexão simples com o eixo dos z sendo o eixo neutro. Para
conseguirmos isso, é necessário considerar a distribuição das ten-
sões de cisalhamento na seção transversal, no caso da flexão sim-
ples. Para calcular as tensões de cisalhamento verticais Tu& para
a seção transversal da alma, usaremos o mesmo método empre-
gado para o caso de uma viga em I (pagina 133) e podemos
admitir, com precisão suficiente; que a fôrça cortante vertical V
é absorvida somente pela alma. Nas mesas haverá tensões de ci-
salhamento horizontais, que designaremos por T=&· Para achar a
grandeza destas tensões consideremos um elemento da mesa cor-
tado por· duas seções transversais adjacentes, distantes dx, e por
um plano vertical mnm1n1 paralelo à alma (figur;i. 209). Se de-
pois da flexão, a viga fôr convexa para baixo, a mesa inferior será
distendida e as fôrças de tração N e N + dN que atuam, serão
iguais a

Fig. 209

N= Mf
1:
ydA e N + dN 9 ;:x- )f
( M +dM dx
ydA
FLEXAO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 245

onde a integração deve ser feita na parte da seção transversal da


mesa tracejada. A integral representa o momento da 1ãrea trace-
jada em relação ao eixo dos z. A diferença das fôrças de tração
N e N + dN deve ser igual à soma das tensões de cisalhamento
Tzz que estão agindo sôbre a face . mnm,n, do elemento. Admi-

tindo que estas tensões sejam uniformemente distribuídas sôbre


esta face e representando .Por t a espessura da mesa, obteremos a
seguinte equação para calcular Tz=:

T.-ztdX = - dN = - : • ~~ f ydA,

donde:

Tzz = - t~ f ydA. (a)

o momento da área tracejada é proporcional à distãncia u da ex-


tremidade da mesa; então, r,., é proporcional a u. ·como mostra-
mos, anteriormente, (veja pâgina"" 125), as tensões de cisalha-
mento Tz:n iguais a Tz:, devem atuar horizontalmente nos pontos
situados ao longo da linha nn,, na seção transversal da mesa.
Então, as tensões r:z, são distribuídas não uniformemente sôbre
a seção transversal da mesa, mas são proporcionais à distãncia u.
Na junção da mesa com a alma a distribuição das tensões de ci-
salhamento é complicada. Em nosso cálculo aproximado, admiti-
remos que a equação (a) é válida de ·u = O até u ::;: b. Então,
representando por h a distância entre os centros de gravidade da.5
mesas e observando que o momento da seção transversal bt da
mesa em relação ao eixo dos z é, numericamente, bt (h/2), obte-
remos da equação (a) :
Vbh
{r,..,),,.... = (r.,.)maz =- 21: • (b)

A resultante R (Fig. 210) das tensões ele cisalhamento Tzo distri-


buídas sôbre a seção transversal bt da mesa é:

Vbh bt Vb 2 ht (e)
R= 21• . -y = 41.
246 RESIS'Tl!:NCIA DOS MATERIAIS

A soma das tensões de cisalhamento T:% sôbre a seção transversal


da mesa inferior será, evidentemente, ~a fõrça igual e oposta.
Assim, as tensões de cisalhamento sôbre uma seção canal, redu-
zem-se às fôrças representadas na figura 210. J!:ste sistema de fôr-
ças é estàticamente equivalente a uma fôrça V aplicada num ponto
O, à distância do centro da alma dada por :
Rh b'h"t
e=-v-=--- (d)
41=
Por ai vemos que, com o fim de obter flexão simples, tendo o
eixo dos z para eixo neutro, o plano vertical em que agem as
cargas transversais deve passar pelo q:::::::::::::::::;=t--R
ponto O, que é chamado centro de
torção. Para qualquer outra posição

w
h
c..-n+---..;º;..._-
dêste plano, a flexão da viga será acom-
panhada de torção e as tensões não se-
y
guirão mais a lei simples em que <rz é R--E:::!::==~
proporcional a y e, portanto, não de-
V .
pende inteiramente da coordenada z . • Fig. 210
No caso de uma seção em cantoneira (figura 211), a tensão de
cisalhamento T nos pontos situados ao longo de mn estará na di-
reção indicada e será igual a 3

T = ti,fydA,
onde a integral representa o momento da área tracejada em rela-
ção ao eixo dos z. Estas tensões de cisalhamento dão uma fôrça
· resultante na direção indicada na figura 211 b igual a

Vb 3 t
R=
3I=V2
Uma fôrça da mesma grandeza será também obtida para a mesa
inferior. A resultante destas duas fôrças é igual a N e passa pelo

• Usou-se o mesmo método para calcular estas tensões no caso da seção em U.


FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 247

ponto de interseção das linhas médias das mesas O, o qual é,


portanto, o centro de torção, neste ·caso.

y
(o} (b}

Fig. 211

Nos casos anteriores admitimos a viga com um plano de sime-


tria e a flexão ocorrendo perpendicularmente a êste plano. Nestes
casos o centro de torção está sôbre o eixo de simetria da seção trans-
versal e para determinar sua posição necessitamos apenas de uma
coordenada.
Consideremos, agora, uma viga não simétrica, para a qual ne-
cessitamos duas coordenadas para a determinação do centro de
_torção,• Como exemplo, tomemos um canal de espessura t, unifor-
me, porém com abas desiguais, figura 212. Tomando os eixos yz,
passando pelo centro de gravidade e paralelos às abas, faremos,
primeiro, a hipótese de que as fôrças transversais que atuam
na viga são paralelas às abas e a uma distância tal que não
haja torção na viga. À fôrça cortante vertical V u opor-se-á a re-
sistência da alma, sõmente.

• O problema da determinação do centro de torção foi estudado por diversos


autores. Ver, por exemplo, A. A. Grlfflth e G. 1. Taylor, Ad11isory Oomm. Aeronaut.
(Inglaterra), Tech. Repta., Vol 3, p. 950, 1917; R. Malllart, Sch.weiz Bauzeitung, vol.
77, p. 197, vol. 79, p. 254 e vol. 83, pp. 111 e 176; e. Weber, Z. angew. Math..
u. Mech., vol. 4, p. 334, 1924; A. Eggenschwyler, Proc. 2d Internat. Oong. Appl.
Mech., Zürlch, p. 434, 1926. Ver, também, artigos do J. Franklin Inst. Vol. 239,
p. 201, 1945. Atualmente, o problema tornou-se Importante no projeto de aviões.
Uma anil.Use da literatura correspondente aparece no artigo de P. K.uhn, Nat.
Ad11iaory Oomm. Aeronaut. Tech. Notes, N• 691.
248 RESIS'fl<:NCIA DOS MATERIAIS

Para calcular as fôrças cortantes horizontais nas abas, proce-


deremos como anteriormente e consideraremos as fôrças agindo
sôbre um elemento da aba inferior, destacado na figura 212. A
equação (132), para as tensões normais longitudinais, permite
calcular a fôrça longitudinal N que age nesse elemento. Temos,
então:

onde as integrais do segundo membro representam os momentos,


em relação. aos eixos dos z e dos y, da área assinalada na

v,.
:1
Fig. 212

figura 212, de modo que:

J ydA = ctu
e

JzdA = - tu ( b, - d - T) t e~
2
.+ du - b,u ) .
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA

Diferenciando, obtemos:

e a equação do equilíbrio do elem~nto considerado será:

A tensão de cisalhamento horizontal na seção transversal da aba,


será:

'
sendo o esfôrço cortante correspondente igual a:

Como as fôrças que agem sôbre a viga são tôdas verticais, as


fôrças cortantes horizontais sôbre as abas formam um conjugado,
que pode ser obtido multiplicando-se a fôrça cortante da aba in- ·
ferior pela distância h. O momento,~ em relação ao centro de
gravidade e, figura 212, de tôdas as fôrças cisalhantes que atuam
na seção. transversal da viga é, então:

o que indica que o plano vertical em que as fôrças agem, a fim de


produzir a flexão da viga sem torção, está a uma distância
_ d + b,'ht [ luc _ l ( d b, )] (/)
Zo - I:_Iu - lu=' 2 u= 2 - 3
do centro de gravidade C da seção transversal. No caso particular
em que as abas são iguais, os eixos dos y e dos z são eixos prin-
. . e I u= se. anul a e e = h
c1pa1s , o que d"a
2
• Positivo no sentido dos ponteiros do relógio.
250 RESISTJ!:NCIA DOS MATERIAIS

Zo
-
-
d + b, 2 h 2 t
4f: '

o que concorda com o resultado obtido anteriormente (d) (ver


página 246).
A distância z0 representa a coordenada horizontal do centro de
torção. Para calcular a coordenada y suporemos que a fôrças 0,

externas transversais ajam num plano paralelo ao plano xz. Para


o cálculo das tensões normais uz, usaremos, agora, a eq. (133).
Considerando, novamente, o elemento assfo.alado na figura 212 e
procedendo como anteriormente, obtemos:

l=lu- _v/u=• [ lv=ctu - l:t (~ + du - b,u ) ]

O esfôrço cortante horizontal na aba inferior é:


tf
o
b,
T;=
d
U
= - V=b,ºt
J.J - j .2
- V V-
[~
2
- 1
Z
(.!!__2 - ~)]
3

Tomando o momento desta fôrça, em relação ao ponto B, figura 212,


e dividindo pelo esfôrço cortante horizontal, V,, produzido pelas
fôrças externas, obteremos a distância, f., do plano em que
agem as fôrças ao ponto B. A coordenàda do centro de torção
procurada será, então:

Yo
=f
+e
_ h _ _ ...1... b 1 2 ht
-·e h ' l:lu - lv="
[ly:C
2
_ ]=e~-~)]
. 2 3 .
(g)

h
No caso particular de abas iguais, vem: lv= = O, e =-y e, cal-
culando d e lv, vê-se que a equação (g) se anula e que o centro
de torção, em conseqüência, cai sôbre o eixo
dos z. As coordenadas Yo e z0 dadas pelas
equações (f) e (g) definem, completamente,
a posição do centro de torção para o canal
visto na figura 212.
H-'c"----- z ,,
No caso de uma seção em I, figura 213,
considerando primeiro a ação das fôrças
transversais num plano paralelo a aba e
obtendo uma equação semelhante à equação
(e), prova-se fàcilmente, que o esfôrço cor- >'
tante horizontal nas abas se anula. Assim, a Fig. 213
FLEXÃO FORA DO PLANO DE SIMETRIA 251

coordenada horizontal, z do centro de torção, também se anula.


0,

Considerando, em seguida, as fôrças transversais agindo num


' horizontais
plano horizontal, encontra-se que as fôrças cortantes
o
sôbre as abas são iguais a ~ Vz, o que indica que plano hori-
zontal de carga deve passar pelo. centro de gravidade O. Assim,
y. = O e o centro de torção, neste caso, coincide com o centro de
gravidade O.
Em todos os casos em que as abas (mesas) de uma viga cor-
tam-se segundo um eixo O, como nos exemplos que aparecem
na figura 214, verifica-se que a fôrça cortante, resultante,

.L (a)
o
1

~-
fb) + (e)

Fig. 214

passa através do mesmo eixo e que êste eixo, evidentemente, é o


eixo do centro de torção.
Voltando, agora, ao caso va flexão de vigas não simétricas, con-
cluimos, da discussão anterior, q~e, a fim de se ter flexão
simples de uma viga (flexão sem torção), as fôrças externas devem
ser distribuídas segundo o eixo do centro de torção. Para o cál-
culo das deflexões produzidas por estas fôrças, podemos utilizar os
métodos vistos para o caso da flexão pura. (ver Art. 50). Po-
demos decompor cada fôrça em duas componentes, paralelas
aos eixos principais centrais de inércia da seção transversal da
viga, estudar a flexão da viga em cada um dêsses planos, aplicando
o formulário usual, e obter as deflexões totais somando, geomêtri-
camente, as deflexões encontradas nos dois planos principais.
Um outro processo seria selecionar os eixos dos y e dos z pa-
ralelos à alma e às abas da viga que aparece na figura 212,
252 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

decompor cada fôrça transversal em duas componentes paralelas·


aos eixos escolhidos e usar as fórmulas (131) para as fôrças no
plano xy. Fórmulas semelhantes podem ser estabelecidas para as
fôrças do plano xz. A deflexão total será obtida, novamente, por
<
soma geométrica.

.(·
CAPtruLo IX

FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO;


TEORIA DOS PILARES.

X 53. Flexão acompanhada de compressão ou tração. - Admi-


te-se aqui que uma barra prismática é carregada por fôrças num
de seus planos de simetria, mas, no estudo precedente, estas fôrças
eram tôdas transversais, e agora podem ter componentes ao
longo do eixo da barra. Um caso simples désta espécie é dado na
figura 215, a qual representa um pilar carregado por uma fôrça
inclinada P. Esta é decomposta numa componente transversal N
e numa longitudinal T, e admite-se que o pilár seja relativamente
rijo, tendo uma_ deformação tão pequena· que possa ser desprezada
quando se estudar as tensões produzidas pela força T. Então,
a tensão resultante, em qualquer ponto,
é obtida superpondo a tensão de com-
pressão devida à fôrça T, à tensão de
flexão produzida pela carga transversal
N

1

N. O caso de um pilar flexivel, em


que o afastamento do tôpo do pilar /
devido à sua deformação. (figura 215,b)
tem considerável efeito na flexão, será
estudado posteriormente (veja artigo
56). A tensão devida à fôrça T é cons- Fig. 215
tante para ºtôdas as seções transversais
do pilar e igual a T /A onde A é a área da ·seção transversal. A
tensão de flexão depe~de do momento, o qual cresce de zero no
tôpo do pilar, até o máximo Nl na base. Portanto, a seção peri-
gosa está na extremidade engastada e a tensão ai, para um ponto
distante y do eixo dos z, é:

Nly (a)
Uz = - -1-.-
254 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Admitindo, por exemplo, que a seção transversal do pilar da figura


215a seja um retângulo b X h, com o lado h paralelo ao plano da
flexão, teremos A = bh e J. = bh3 /l2. A tensão de compressão
máxima dar-se-á no ponto n, em que:

T
(b)
bh (c)(1)

Esta tensão é a máxima numérica. (c)(1)


No ponto m, obteremos:
_ 6NZ
{a,) mar - bh'

Quando a fõrça P não fôr paralela a um dos dois planos prin-


cipais de flexão, as tensões de flexão, produzidas por sua com-
ponente transversal N, são determinadas, decompondo N em com-
ponentes paralelas àquêles planos· (veja o estudo no artigo 51).
A tensão resultante, em qualquer ponto, é obtida superpondo estas
tensões de flexão à tensão de compressão produzida pela fôrça
longitudinal.

PROBLEMAS

L Determinar a tensão de compressão máxima nos postes circulares


de madeira de 6 m de altura e 20 cm de diâmetro, dados na figura 216,
sendo a carga P no fio ABC igual a 30 kg. A fôrça de tração em cada
cabo DF' é F' = 500 kg; tg a = 1/10; sen f3 = 1/5 e DK 4,50 m. =
N. T,

N.

"' n
(d} (li}

Fig. 216

Solução. As componentes da fôrça 110 fio BC (figura 216, bJ são


N, = 150 kg; T, = 15 kg. As componentes da fôrça no cabo DF são
N, = 100 kg; T, = 490 kg. O momento fletor máximo manüesta-se na
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 255

extremidade engastada, onde M ••, = 45000 cm kg. A compressão na


mesma seção transversal é T, + T: = 505 kg. A tensão de compressão
máxima no ponto m é:

4 X 505 32 X 45000
"= 'üd' - + 'üd' = 1,61 + 57,31 = 58,S2 kg/cm'.
2. Determinar a tensão de tração máxima na viga retangular de ma-
deira dada na figura 217. sendõ S 2000 kg; b =
20 cm; h = 25 cm. =
Resposta.

(a.),..a.c = 6 X 90000
20 X 625 + 5õO
2000
43,2 + 4,0 = 47,2 kg/cm'.

.r

E~-,:j; Fig. 217


m11
b

Fig. 218
1
; 3. Determinar a tensão de compressão máxima na estrutura ABC
que suporta a carga P =
1000 kg (figura 218) e tem ligação rija entre
as barras em B, articulação fixa em A e articulação móvel em C. A
seção transversal das barras AB e BC é um quadrado de 25 X 25 cm.
Resposta.
6 X 5~
5,X 2•4º + ~~? = 46,12 + 0,48 = 46,60 kg/cm'

4. Um muro de· tijolos com l,80m de espessura


e 4,50 m de altura recebe um empuxo de areia (figura
219). Determinar as tensões máximas na base do
muro, sendo o seu pêso específico y 2 t/m' e o =
empuxo da areia igual a 5000 kg por metro de muro.
A distribuição do empuxo da areia ao longo da altura
do muro segue uma lei linear dada pela linha AB. ~

Resposta. A tensao em m
-
=. - 2000 X 450
lOO' -
º· ' H
1,80
5000 X 150 X 6
100 X 180' = -' 0,90 - 1,39 = - 2,29 kg/cm'. ·Fig. 219

A tensão em n
_2000 X 450 + 5000 X 150 X 6
0,90 + 1,39 =
100' 100 X 180'
= 0,49 kg/cm'.
5. Determinar a espessura do muro do problema anterior que anule
a tensão em n.
Res'[JOsta. 224 cm.
256 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

6. Um pilar circular com 1,80 m de altura, figura 215, é solicitado na


parte superior por uma fôrça P cujas componentes N e T são iguais,
cada uma, a 500 kg. Achar o diâmetro do pilar, sendo a tensão de com·
pressão máxima de 70 kg/cm'.
7. Achar ..... e ... ,. na seção transversal do meio da barra BC, figura
218, se, em vez da carga concentrada P, atuar a carga vertical uniforme
q = 0,60 t/m ao longo do eixo ABC.
8. Uma barra circular AB, figura 220, articulada em B e simples-
mente apoiada em uma superfície vertical lisa (sem atrito), em A, é
submetida à ação de seu pêso próprio. Determinar a posição da seção
transversal mn (figura 220) em que a tensão de
compressão é máxima
Solução. Representemos por l o comprimento
da barra, por q seu pêso por unidade de compri-
mento e por a seu ângulo de inclinação em
relação ao horizonte. A reação horizontal em
A é R = (ql/2) cotga. A fôrça de compressão em
qualquer seção transversal mn, distante x de A,
8 é qx sena + (ql/2) (cos'a/sena); o momento fle-
tor na mesma seção transversal, é
Fig. 220 M = (ql/2lxcosa - (qcosa/2lx'.
A tensão de compressão máxima na seção trans-
versai mn, é: •

4 (
r.d' qx
sena +~
2
cos'a )
sena
+~
'TT'à'
(..5!_2 xcosa -
qcosa
2

onde à é o diâmetro da barra.


Igualando à zero a derivada desta te.nsão em relação a x, obteremos
a distância procurada:

z
x=y+g-tga.
à

· 9. A barra representada na figura 215 tem 1,80 m de comprimento e


30 cm de diâmetro. Determinar a grandeza da fôrça P, se suas componentes
N e T são iguais e a tensão de compressão máxima em n é de 70 kg/cm•.

10. Uma fôrça P produz flexão na barra ABC, engastada em A (fi-


gura 221). Determinar o ângulo de rotação da extremidade C, durante
a flexão, sendo os momentos fletores em A e em B numêricamente
iguais.
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇA.O OU COMPRESSAO 257

Solução. Da igualdade dos momentos fletores em A e B segue-se que


a fôrça P passa pelo ponto médio D da barra AB. Então, P. = P,Z/2a,
e as componentes P. e P, podem agora
ser calculadas. A rotação da seção trans-
versal B devido à flexão da parte AB
pela componente P, é P,f-/2EI, no .sen-
tido do movimento dos ponteir9s do re-
lógio. A rotação da mesma seção trans·
versal devido à componente P. é P.al/EI,
no sentido contrário ao do movimento dos
p
ponteiros do relógio. A rotação da seção
Fig. 221
transversal O em· relação à seção trans·
versal B, devido à flexão da parte BO
da viga é P.a'/2EI, no sentido contrário ao do movimento dos ponteiros
do relógio. O ângulo de rotação total da extremidade O, no sentido do
movimento dos ponteiros do relógio é:

11. Uma estrutura triarticulada ABO, figura 222, -suporta uma carga
vertical P. Achar o momento fletor máximo, numéricamente, M ...., que
age na estrutura e a fôrça de compressão N nas barras horizontais.

PZ
Resposta. M ..... = ~-N
4 • - 4h

p
a
l,? Z/.?

]
B
h

e A
~

Fig. 222 Fig. 223


12. Achar o ângulo de inclinação a da fôrça P que age na peça ABO,
figura 223, sabendo que a deflexão em B é nula.
2h
Resposta. tga = Ja

Y. 54. Carregamento excêntrico de um pilar curto. - Um carre-


gamento excêntrico é um caso particular de combinação de
258 RESIS'N:NCIA DOS MATERIAIS

tensões axiais com tensões de flexão . Quando o comprimento


da barra não fôr muito grande, em com-
paração com suas dimensões laterais, sua
deformação é tão pequena que pode
ser desprezada em comparação com a ex-
centricidade inicial e, portanto, podemos
usar o. método da superposição. 1 Tome-
mos, por exemplo, o caso da compres-
são produzida por uma fôrça longitudinal
P, aplicada em um dos dois eixos da seção
transversal (figura 224), com excentrici-
dade e. Então, se aplicarmos duas fôrças
Fig. 224
iguais e contrárias P no centro de gravi-
dade O da seção transversal, o problema
não se modifica, uma vez que elas são
equivalentes a zero, e obteremos compressão axial pela fôrça P,
produzindo tensões de compressão - (P /A), como se vê na fi-
gura 224 (b) e uma flexão num dos planos principais pelo conju-
gado Pe, produzindo tensões de flexão - (Pey/1.), como se vê na
figura 224 (e). A tensão total é, então:

a:1 = (a)

O diagrama da distribuição dessas tensões totais está dado na fi-


gura 224 (d). Admitiu-se que a tensão de flexão máxima é menor
do que a tensão axial; então, haverá tensões de compressão e~
tôd.a a seção transversal da barra. Se a tensão de flexão máxima
fôr maior do que a tensão de compressão axial, haverá uma linha
de tensões n111as, paralela ao eixo dos z, dividindo a seção trans-
versal em duas zonas, tendo a da esquerda tensões de tração e a
da direita tensões de compressão. Para uma seção transversal
retangular com lados h e b (figura 224, a) a equação (a) torna-se
p 12Pey
""• = - bh - (a')
bhª

• Para o caso de carregamento excêntrico de barras longas, ver Art. 56.


FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 259

e obteremos, fazendo y. =- (h/2) :

(a~)m..., = - P
bh + 6Pe
bh2 = P
bh. e· (b)

e fazendo-se y = + h/2,

P 6Pe P ( 1 6e)
- bh =-w-= - bh +""lt . (e)

Pode-se vêr que, quando e<h/6, não haverá mudança de sinal


das tensões na seção transversal; quando e = h/6, a tensão de
compressão máxima, pela equação (e), é 2P/bh e a tensão do
lado oposto da seção transversal retangular é zero; quando
e>h/6 haverá mudança de sinal das tensões e a posição da linha
de tensões nulas obtém-se igualando a zero a expressão geral (a')
para a~, o que dá:


y=-12eº (d)

ou, usando a notação k,. para o raio de giração em relação ao


eixo dos z (veja apêndice),

k.•
y= - - - (134)
e

Veremos que a distância da linha de tensões nulas ao centro


de gravidade O, diminui quando a excentricidade e aumenta.
O mesmo estudo aplica-se muito bem ao caso do carregamento
excêntrico com tração. A equação (134) pode, também, ser usada
para outras formas de seções transversais, desde que o ponto de
aplicação da carga esteja num dos eixos principais de inércia1
Consideremos, agora, o caso em que B, ponto de aplicação d~
fôrça de compressão P excêntrica, não esteja num dos dois eixos
principais da seção transversal, tomados como eixos dos ·y e dqs
z na figura 225. Usando m e n como coordenadas dêste . pontr>,
os momentos de P em relação ..aos eixos dos y e dos z 8'.o
260 RESIS'Tl!:NCIA DOS MATERIAIS

Pn e Pm, respectivamente. Por superposição, a tensão em qual-


quer ponto F da seção transversal é:

_ P Pmy Pnz
u,, - - T - ! ; - - -y;- (e)

onde o primeiro têrmo do segundo mem-


bro representa a tensão axial e os dois
outros têrmos são as tensões de flexão
produzidas pelos momentos Pm e Pn,
respectivamente. Podemos vêr que a dis-
tribuição de tensões segue uma lei linear.
A equação da linha das tensões nulas Fig. 225
obtém-se igualando o segundo membro da equação (e) a zero.
Usando a·; notação !,/A = k, 2 e Ivl A = kl onde k. e kv são
os raios de giração em relação aos eixos dos z e dos y, respectiva-
mente, vem:

(/)

Fazendo nesta equação, primeiro, y = O e, então, z = O obtém-se


os pontos M e N de interseção da linha das tensões nulas com os
eixos de coordenadas z e y (figura 225). As coordenadas s e r
dêsses pontos são:

T = - k.• (g)
m

Dessas equações, obtém-se:

k,,•
n= m= - -T-

Estas equações têm a mesn.a forma das equações (g) e podemos


concluir que, quando a carga estiver aplicada no ponto B' de
coordenadas s e r, a linha correspondente das tensões nulas será
FLEXAO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 261

a linha N' M', indicada na figura pela linha pontilhada e cortando


nos eixos dos y e dos z os comprimentos m e n.
Há outra relação importante entre o
ponto de apli~ação B da carga e a Eosi-
ção da linha correspondente das tensões
nulas, a qual é: quando B se desloca ao
t4r-=---t=--=-~-+.' longo da linha B 1 B, (figura 226), a linha
correspondente das tensões nulas gira em
tôrno de um certo ponto B' constante,
Fig. 226 o que se prova como se segue. Decom-
ponhamos a carga em B em duas com-
ponentes paralelas, uma em B1 e outra em B,. A componente em
B1 atua no plano principal xz; portanto, a linha correspondente
das tensões nulas é paralela ao eixo dos y e corta o eixo dos z a
uma distâncias. que por uma equação analoga à equação (134), é

k,/
8 = - --. (h)
n1
De modo semelhante, a linha das tensões nulas para a componente
B., é paralela ao eixo dos z e sua distância dêste eixo é:
k•
r=--z- (i)
m1
Para qualquei; posição da carga na linha B, B2 haverá tensões nulas
em B'; portanto, quando o ponto de aplicação da carga se move
ao longo da reta B 1 B,, a linha correspondente das tensões nulas
gira em torno do ponto B', cujas coordenadas são determinadas
pelas equações (h) e (i).
PROBLEMAS
L A ârea da seção transversal de uma barra quadrada é
reduzida à metade em mn (figura 227). Determinar a tensão
de tração mãxima nesta seção transversal produzida por
uma carga axial P.
Resposta.
2P Pa 24 8P
(a.)••• = ~- + -4- li.' = (].'
Fig. 227
262 RESISTI:NCIA DOS MATERIAf::>

2. Resolver o mesmo problema, admitindo que a barra tenha uma


seção transversal circular.
8. Uma barra de seção em .L é carregada excêntricamente pelas fôrças
P (figura 228). Determinar as tensões de tração e de compressão mâximas
nesta barra, sendo d = 2,5 cm, h =
12,5 cm, a largura da mesa
b = 12,5 cm e P::::::: 2000kg.

Fig. 228
Solução. As distâncias do centro de gravidade da seção em .L das
fibras extremas inferior e superior são, respectivamente, h.,. = 4,02 cm
e h., = 8,48 cm. A excentricidade da fôrça P é e 1,25 = +
4,02 = 5,27 cm.
O momento de inércia I. =
766 cm'. As tensões de flexão são:
( ) _ Peh, _ 2000 X 5,27 X 4,02
"• ••• - -I-.- - 766 = 55,5 kg/cm',

( ) _ _ Peh,.,, _ _ 2000 X 5,27 X 8,48 _ _ 116 8 k / 2


"• ••• - -Z:- - 766 - · ' g cm
Compondo com as tensões axiais PIA== 2000/56 = 35,8kg/cm2, obtere-
mos a tensão de tração mâxima 35,8 + 55,5 91,3 kg/cm' =
e a tensão de compressão máxima 35,8 - 116,8 =
= -:- 81,0 kg/cm'.
4. Determinar a tensão dê tração mâxima na seção
mn da prensa dada na figura 229, sendo P = 150 kg,
b. = 7,5 cm e a seção transversal um retângulo de di-
mensões 2,50 X 0,6375 cm.
Resposta. O'maz = 1710 kg/cm'.
5. Determinar a largura da seção transversal mn, do

Fig. 229
problema precedente,
= 1400 kg/cm'.
necessâria para fazer a... =
6. Determinar as tensões máxima e minima, na seção
transversà.l do engastamento do pilar retangular, dado na
figura 224, sendo b = 25 cm, h. = 30 cm, P = 2500 kg e as coordenadas
do ponto B de aplicação da carga, figura 225, m n =
5 cm. Achar a
posição do eixo neutro.

55. Núcleo central da seção. - No artigo precedente mostrou-


-se que, para pequena excentricidade e, as tensões normais têm o
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇA.O OU COMPRESSÃO 263

mesmo sinal em tôd~ a seção transversal de uma barra carregada


excêntricamente. Para valores grandes de e, a linha das tensões
nulas corta a seção transversal e há mudança de sinal das tensões.
No caso de material muito fraco à tração, tal como a alvenaria,
a questão consiste em se determinar a região em que a _çarga de
compressão pode ser aplicada sem que se produza qualquer tensão
de tração na seção transversal. Esta região é chamada de núcleo
central da seção transversal. O método para a determinação do
núcleo central é ilustrado com os seguintes exemplos simples.
No caso de uma seção transversal circular de raio R, podemos
concluir, pela simetria, que o núcleo central é um círculo. O raio a
dêste circulo é determinado pela condição de que, quando o ponto
de aplicação da carga está no limite do núcleo central, a linha
das tensões zero deve ser tangente ao contôrno da seção trans-
versal. Lembrando que o momento de inércia de um circulo em
relação a um diâmetro é 1TR•/4 (veja apêndice), e que, portanto,
o raio de giração é k = y l/A.= R/2, acharemos pela equação
(134), (página 259), substituindo e por a e - y por R, que:
_ kº _ R
a------ (135)
R 4 '
isto é, o raio do núcleo central é um quarto do raio da· seção
transvers;µ.
Para o caso de uma seção em coroa circular com o raio ex-
terno R. e o raio interno R;, teremos
I R.2 + R;2
I = ~ (R? - R;') ; k 2 = g= ----.,4- -

e o raio do núcleo central torna-se, pela equação (134),

a - k2 - R.2 + R;2 (136)


- R. - 4R.
Para R; = O, a equação (136) coincide
com a equação (135). Para uma coroa
muito estreita, quando R; se aproxima de
R., o raio a do núcleo central aproxima-
-se do valor R./2.
No caso de uma seção transversal re-
tangular (figura 230), a linha das tensões
264 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

nulas coincide com o lado cg, quando a carga estiver no ponto A,


distante b/6 do centro de gravidade (veja página 259). Da mesma
maneira, a linha das tensões nulas coincide com o lado gf
quando· a carga estiver no ponto B, distante h/6 do centro de
gravida~e. Quando a carga move-se ao longo da linha AB, o eixo
neutro gira em tôrno do ponto g (veja página 261) sem cortar a
seção transversal. Portanto AB é um dos lados do núcleo central.
Os outros lados deduzem-se pela simetria. O núcleo central é,
portanto, um losango com diagonais iguais a h/3 e b/3. Enquanto
o pon~o de aplicação da carga estiver dentro dêste losango, a
linha das tensões nulas não cortará a seção transversal e não
haverá mudança de sinal das tensões.
Para uma seção em 1 (figura 231), as
B
posições extremas das linhas de tensões
nulas, em que elas não cortam a seção trans-
versal, são dadas pelos lados AB e CD e pelas
linhas pontilhadas AC e BD. As posições cor-
y D respondentes do ponto de aplic~ção da carga
podem ser determinada'.s pela equação (134).
Fig. 231
Pela simetria, podemos concluir que ês~es
pontos serão os vértices de um losango, tracejado na figura: 231.
Se o ponto de aplicação da carga excêntrica estiver do lado de
fôra do núcleo central. de uma seção transversal, a linha corres-
pondente das tensões· nulas corta a seção e a carga produz, não
somente tensões de compressão, mas, também, de tração. Se o
material não resistir de modo algum a tensões de tração, uma
parte da seção transversal ficará inativa e o resto suportará
sozinho as tensões de compressão. Tomemos, por exemplo, uma
seção transversal retangular (figura 232) com o ponto de aplica-
ção A da carga no eixo principal y e a uma distância e do lado da
seção. Se e fôr menor do que h/3, uma parte da seção transver-
sal não trabalhará. A parte que trabalha será determinada pela
condição de que a distribuição das fôrças de compressão, na seção
transversal, segue uma lei linear, representada na figura pela li-
nha mn e que a resultante destas fôrças é P. Uma vez que esta
-
FLEXAO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 265

resultante deve passar pelo centro de gravidade do triângulo mns,


a dimensão ms da parte que trabalha da seção transversal deve
ser igual a 3c.
No caso de uma seção transversal circular
(figura 233), se a excentricidade CA da carga
fôr maior do que R/4 e o material não resistir
a tensões de tração, sómente uma parte da b
seção transversal trabalhará. Seja a linha nn,
perpendicular a AC, o limite desta parte. Sua
distância b do ponto A pode ser determinada Fig. 232
pelas condições de que, (1) as tensões de compressão são propor-
cionais às distâncias y de nn, (2) a soma das fôrças de compressão
na ·parte da seção transversal que trabalha, é igual
à carga P e, (3) o momento destas fôrças em relação
y
a nn, é igual ao momento Pb da carga P, em relação
ao mesmo eixo. Representando a tensão de com-
pressão máxima por am..,, a tensão de compressão
em qualquer ponto distante y de nn é:
Fig. 233

Yama:
<r = b +e
e as equações para determinação de b, tornam-se:·

J Yama:
b +e
dA = p.
' Jr~-;, dA = Pb,

donde:

1.... (a)
b - M,.,.

em que 1,.,. = fy•dA é o momento de inércia da parte da seção


transversal que trabalha, em relação ao eixo nn, e M,.,. =· fydA é o
momento estático da parte da seção transversal que t..-abalha, em
relação ao mesmo eixo. Aplicando a equação (a), a posição de A
para qualquer posição dada de nn pode ser, fàcilmente, achada.
266 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

A mesma equação pode, também, ser usada para outras formas de


seções transversais, contanto que A seja um dos eixos principais. 1
Se a carga não estiver num eixo principal, o problema da determi-
nação da parte da seção transversal que trabalha torna-se mais
complexo.•
Usando a noção de núcleo central, o cálculo das tensões de fle-
xão máximas, quando a flexão não se der num plano principal,
pode ser enormemente simplificado. Por exemplo, na figura 230,
seja mm o plano axial da viga em que atua um momento fletor
M e nn o eixo neutro correspondente, o qual faz um ângulo a com
o plano mm (veja página 236). Representando por um,,., a tensão
máxima no ponto mais afastado e e por d sua distância ao eixo
neutro nn, a tensão em qualquer outro ponto distante w de nn,
é a = am.,,W/d, e o momento' de tôdas as fôrças distribuidas na
seção transversal em relação ao eixo nn é:

UmuW 2 dA = Umcur [ (b)


d d .....

onde I nn é o momento de inércia da seção transversal em relação


ao eixo n-n. O momento das fôrças exteriores em relaÇão ao mesmo
eixo é M sena. Igualando êste a (b), teremos:

Mdsena
(e)
1,.,.

Esta equação pode ser grandemente simplificada, usando a proprie-


dade do núcleo central da seção transversal. ' Seja O o ponto de
interseção do plano mm com o núcleo central e r sua distância
do centro de gravidade da seção transversal. Pela propriedade
do núcleo central, conclui-se que uma fôrça de compressão P em

• Para os casos de seções transversais circulares e seções em coroa circular


que têm Importância no cá.J.culo das tensões das chamlnés, existem tabelas publi-
cadas que slmpll!lcam êstes cá.J.culos. Veja Keck, z. Hannover. Arch.. u. Ing. Vsr.,
1882, p. 627; veja também V. D. I., 1902, p. 1321, e o artigo por G. Dreyer no
"Dle Bautechnlk", 1925.
• Alguns cãlculos para seção transversal retangular serão encontrados nos
seguintes artigos: Engesser, Zentralblat d. Bau11., 1919, p. 429; K. Pohl, Dsr Eiaenbau,
1918, p. 211; o. Henkel, Zentralbl. d. Bauú. 1918, p. 447; F. K. Esllng, Proc. of th.e
Imtitue of Ci11. Eng., 1905-1906, part. 3, Londres.
• Veja R. Land, Zeitach.r. f. Arclr.itektur u~d Ingenieurweaen, 1897, p. 291.
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 267

O, produz tensão zero no vértice e; portanto, a tensão de tração


produzida em e pelo momento fletor Pr que atua no plano mm,
é, numericamente, igual à tensão de compressão ~al P /A ou,
substituindo M por Pr na equação (e):
p Prdsena
---:r = 1,.,.
donde:
dsena 1
1,.,. = Ar (d)

Substituindo êste valor, na equação (e), obteremos

M
ama = Ar . (137)

.o produto Ar é chamado de módu'lo de resistência à flexão da seção


transversal, no plano mm. Esta definição coincide com a defi-
nição que tinhamas dado previamente (veja página 111) ; e para
a flexão num plano principal, Ar torna-se igual a Z.

PROBLEMAS

1. Determinar o núcleo central de uma viga normal em I, com 60 cm


de altura, para a qual A =
254 cm', I. 138957 .cm•, k. =
23,4 cm =
I, = 4668 cm', k, =
4,29 cm. A largura das mesas b 21,5 cm. =
Reapoata. O núcleo central -é um losango com diagonais iguais a
36,50 cm e 3,43 cm.
2. Determinar o raio do núcleo central de uma corôa circular, sendo
R, = 25 cm e R, = 20 cm.
Reapo8ta. O raio do núcleo central é 10,25 cm.
3. Determinar o núcleo central de uma seção transversal com a forma
de triângulo equilâtero.
4. Determinar o núcleo central da seção transversal de um tubo fino
quadrado.
SoZução. Sendo h a espessura do tubo e b o lado do quadrado da seção
transversal, teremos:

b'
I. = I, ::;; 32 hb' ; k.' = k.' =-s
268 RESIST!:NCIA DOS MATERIAIS

O núcleo central é um quadrado com diagonal

k' 2b
à = 2 O,Sb = -3- •

X 56·; Compressão excêntrica de um pilar esb6tfxl. - Ao estudar


a flexão de um pilar esbelto, sob a ação de uma carga excêntrica,
figura 234, não podemos mais desprezar o
deslôcamento 8, como sendo pequeno em
comparação com a excentricidade e. Admi-
tindo que a excentricidade se manifeste na
direção de um dos eixos principais da seção
transversal do pilar, o deslocamento linear
ocorre no mesmo plano axial xy· em que
atua a carga P e o momento fletor em qual-
quer seção transversal mn, é:
M = - P(8 + e - y). (a)
Ao determinar o sinal do momento deve-
Fig. 234
mos notar que, girando a figura 234 de um
ângulo 7!'/2, no sentido do movimento dos ponteiros do relógio,
obteremos as mesmas direções dos eixos coordenados que foram
usadas na dedução da equação (79). Portanto, para seguir a regra
dada na figura 63 (b), o momento (a) é tomado com o sinal
menos, uma vez que a curva elástica é côncava para a direção
positiva .do eixo dos y. A equação diferencial da linha elástica
obtida substituindo (a) na equação (79) é:

d•y
Elz d,x• = P (8 + e - y) (b)

Usando a notação:
p
p• (138)
Elz

obteremos pela equação (b):

d•y
<fi2 + p•y = p" (8 + e). (e)
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 269

Por substituição, pode-se provar, prontamente, que

y = e. sen px + e. cos px + ll + e (d)

é a solução da equação (e). Esta solução possue duas constantes


de integração e. e e., cujas grandezas devem ser determinadas
de tal forma que sejam satisfeitas as condições nas ·extremidades
do pilar, desde que tenhamos que obter a verdadeira linha elástica
do pilar. Na extremidade inferior, a qual é engastada, as con-
dições são:

(y)~=O = Ü, (e)

Usando estas condições, juntamente com a expressão (d) e sua


derivada primeira, obtém-se:

e,= o. e. = - . (ll + e)

A equação da linha elástica (d) torna-se assim:·


y = (ll + e) (1 - cos px) . (f)

Para obtermos a grandeza do deslocamento linear ll na extremi-


dade superior do pilar, fazemos x = Z no segundo membro da
equação (/). O deslocamento y do lado esquerdo deve ser igual a
ll o que dá a equação:
8 = (ll + e) (1 cos pZ)

donde:

8 = e(l cos pl) (139)


cos pl
Levando êste valor na equação (f) obteremos a linha elástica
e(l - cos px) (140)
y = --'----~·
cos pl

Aplicando esta equação, pode-se calcular, prontamente, o desloca-


mento linear em .qualquer seção transversal do pilar.
270 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

No caso dos pilares curtos, que foram considerados no artigo


54, a quantidade pZ é pequena em comparação com a unidade e
é suficientemente preciso fazer-se:
cos pZ :::::: 1 1
2p-·z2 (g)

Usando êste valor de cos pZ e desprezando a quantidade p 2Z2 /2 no


denominador da expressão (139), como sendo pequena em compa-
ração com a unidade, obtém-se:
ep•z• ePl•
8 = ---= - - (h)
2 2EI.
'
Isso representa a grandeza do deslocamento linear, na extremidade
de um balanço, solicitado à flexão por um conjugado Pe, aplicado
na extremidade. Portanto, o emprego da expressão aproximada
(g) ,. é equivalente a desprezar-se o efeito dos deslocamentos sobre
a grandeza do momento fletor e tomar-se um momento constante
igual a Pe.
Se pl não fôr pequeno, como é, em geral, o caso,. quando a co-
luna é esbelta, devemos usar a expressão (139) para calcular 8.
Desta maneira achamos que o deslocamento linear não é mais pro-
porcional à carga P. Ao contrário, cresce mais ràpidamente do
que P, como podemos ver pelos vafores dêstes deslocamentos
dados na segunda linha da tabela 2 seguinte.

TABELA 2

DESLOCAMENTOS PRODUZIDOS POR UMA CARGA LONGITUDINAL


EXCtNTR!CA

pZ ............ 0,1 0,5 1,0 1,5 .... /2


8 ............. 0,005e 0,139e 0,85le 13,le 00
8 aproximado ... 0,005e 0,139e 0,840e 12,Se 00
sec pZ ........• 1,005 ;L,140 1,867 13,2 00
P/Pcr ......... 0,004 0,101 0,405 0,911 1

O momento fletor máximo ocorre nà extremidade engastada do


pilar e tem a grandeza:
M......, = P(e + 8) = Pe sec pZ. (141)
Uma série de valores da sec pZ é dada na quarta linha do quadro
anterior. ~tes valores mostram como o momento cresce ràpida-
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇA.O OU COMPRESSÃO 271

mente quando pl se aproxima do valor rr/2. ~ste fenômeno será


;\ estudado no artigo seguinte.
Aqui, entretanto, gostariamos de repetir que, no caso êm es-
tudo, não há proporcibnalidade entre a grandeza da fôrça de com-
pressão e o deslocamento ll que ela produz. Portanto, o método
da superposição (página 169) não po.de ser usado aqui. Uma fôrça
P aplicada axialmente produz, somente, compressão da barra;
quando, porém, a mesma fôrça atua juntamente com um conju-
gado de flexão Pe, produz, não somente compressão, mas também,
flexão adicional, de modo que a deformação resultante não pode
ser obtida por simples superposição de uma compressão axial devida
à fôrça P e uma flexão devida ao conjugado Pe. A razão por
que, neste caso, o método da superposição não é aplicável pode
ser vista, prontamente, desde que comparemos êste problema com
o da flexão de uma viga, produzida por cargas transversais. Neste
· último caso, pode-se admitir que os deslocamentos pequenos da
viga não alteram as distâncias entre as fôrças, e os momentos
fletores podem ser calculados sem considerar-se a deformação da
viga. No caso da compressão excêntrica de um pilar, os desloca-
mentos produzidos pelo conjugado Pe alteram, completamente, o
carater da ação da carga axial, fazendo com que esta tenha uma
ação de flexão tão acentuada quanto uma ação de compressão.
Em todos os casos, em que a deformação produzida por uma
carga, altere a ação da outra carga, achar-se-á que a deformação
final não pode ser obtida pelo método da superposição.
No estudo precedente considerou-se a flexão num dos planos
principais do pilar. Se a excentricidade e não se manifestar
na direção de um dos eixos principais da seção transversal, é
necessário decompor-se o conjugado de flexão Pe, em dois con-
~ugados componentes, cada um atuando num plano principal do
pilar. A deformação em cada um dos dois planos principais pode,
então, ser estudada da mesma maneira por que o fizemos aêíma.
O estudo precedente da flexão de um pilar engastado numa ex-
tremidade pode, também, ser aplicado,. ao caso de uma escora
1- comprimida excêntricamente por duas fôrças P iguais e contrá-
L
272 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

rias, figura 235. Pela simetria pode-se notar que a seção trans-
versal A, no meio, não gira durante a flexão e que cada metade
da escora da figura 235, está exatamente na
mesma condição que a escora da figura 234.
Portanto, o deslocamento e o momento fletor
máximos são obtidos substituindo l por Z/2
nas equações 139 e 141. Desta maneira, obte-
remos:
A ~
e (1-cos~)
3 (142)

u
'lz
cos__E!_
2
p

-l~ Mmaz = Pe sec ~ (143)


Fig. 235
e a equação da tensão de compressão máxima torna-se:
_ P Pe pl
am.., - A + -z sec - 2-

onde Z é o módulo de resistência à fleKáo.

PROBLEMAS

1. Achar o deslocamento linear no meio de uma escora comprimida


excêntricamente e as tensões de tração e de compressão, sabendo que é
articulada · nas extremidades, tem 3,00 m de comprimento, s'eção trans·
versal em U com 20 cm de altura e I. =
148 cm', I, = 1.9,11 cm',
A = 25,28 cm'. A distância entre o centro de gravidade e a parte posterior
da seção em U é 20,1 cm e as fôrças de compressão P = 2000 kg
atuam no plano da parte posterior e no plano de simetria da seção em U.
2. Uma barra de aço quadrada de 2 in por 2 in e 6 ft de comprimento
é comprimida excêntricamente por fôrças P = 1000 lb. A excentricidade
manifesta-se ao longo de uma diagonal do quadrado e é igual a 1 in.
Achar a tensão de compressão máxima, admitindo que as extremidades
da barra sejam articuladas.
Resposta: a = 1330 psi.
3. Uma barra, de aço com 1,20 m de comprimento e tendo uma seção
transversal retangular 2,5 por 5,0 cm é comprimida por duas fôrças
P = 500 kg aplicadas nos vértices das seções transversais extremas,
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 273

de modo que a excentricidade se manifeste na direção de uma diagonal


da seção transver~al e seja igual à metade do comprimento da diagonal.
Considerando as extremidades como articuli.das, achar a tensão., de com-
pressão máxima.
(c)(1)
⁾ c:5J2 Carga critica. - Indicou-se, no artigo precedente, que a
d~ormação de um pilar comprimido excêntricamente, cresce muito
mais ràpidamente quando a quantidade pl, na equação (139), se
aproxima do valor 11/2. Quando pl se torna igual a 7r/2, as fór-
mulas (139) para os deslocamentos lineares e (141) para o mo-
mento fletor máximo, dão valores infinitos. Para achar o valor
correspondente da carga, usaremos a fórmula (138). Fazendo
p = .,,. /2l nesta expressão, acharemos que o valor da carga para o
qual as expressões (139) e (141) tornam-se infinitamente grandes é:
>r 2 El- (144)
Pcr = 4l' -
ÊSte valor dependendo, como vemos, somente das dimensões do
pilar e do módulo do material, é chamado de qarga crítica ou
carga de Euler, uma vez que foi Euler o primeiro a deduzir seu
valor, em seu famoso estudo de linhas elásticas. 5 Para ver mais
claramente o significado físico desta carga, tracemos curvas re-
presentando a relação entre a carga P e o deslocamento 3, dado
pela equação (139). Várias curvas desta espécie, feitas para vários
valores da relação de excentricidade e/k., estão dados na figura
236. As abscissas dessas curvas são os valores da relação 8/k., en-
quanto que as ordenadas s_ão as relações P / P cr, isto é, os valores
da relação entre a carga que atua e o seu valor crítico, definido
pela equação (144).. Vemos, pelas curvas, que os deslocamentos
8 se tornam cada vez ll}enores e que as survas se aproximam cada
vez mais do eixo vertical á proporção que a excentricidade e
decresce. Ao mesmo tempo, os deslocamentos crescem ràpidamente
quando. a carga p se apro:tlina de seu valor crítico (144), e tôdas
as curvas têm como assintota a linha horizontal P/Pcr = 1.
A equação <jiferencial da linha elástica (79), usada no estudo
do artigo precedente, foi deduzida baseadà. na hipótese de que

• Uma tradução· lnglêsa deste trabalho foi publicada no "laia" l'I• 58


(vol. XX ..1) 1933.
274 RESISTI!:NCIA DOS MATERIAIS

os deslocamentos são pequenos em comparação com o compri-


mento Zdo pil~/Portanto, a fórmula (139) para o deslocamnto 8,
não pode dar resultado preciso quando o valor de P estiver muito
próximo do de Per· Entretanto, as curvas da figura 236, indicam

~o.º
ep5 l
.:::;. o, '
i\""i <P
4 1/ 1\'f.'t

, /
11,6
711
1J
,S
I
o,,.

4J

'.!

o0 - ._ H - Q;I li lf. W • qz M ._ N M 4.J

Fig. 23_6

que se produzem deslocamentos muito grandes desde que o valor


da carga P esteja suficientemente próximo do seu valor crítico,
por menor que seja a excentricidade e. Se o deslocamento torna-se
grande, o momento fletor ·na extremidade engastada e as tensões
são grandés também.
As experiências relativas à compressão de pilares mostram que,
mesmo no caso de serem tomadas tôdas as precauções possíveis
para aplicar-se a carga axialmente, existirão, sempre, pequenas
excentricidades inevitáveis. Por conseguinte, nessas experiências,
a carga P produz não somente compressão, mas, também, flexão.
As curvas da figura 237 mostram os resultados dessas experiências,
tais como foram obtidos por vários experimentadores. Pode-se
vêr que, aumentando a precisão na aplicação da carga, as curvas
aproximam-se cada vez mais do eixo vertical e que o crescimento
rápido do deslocamento, quando a carga se aproxima de seu valor
critico, torna-se cada vez mais pronunciado/ As cargas P que
/ \
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSAO 275

estão próximas de seus valores críticos, produzem sempre grandes


deformações, as quais, em geral, vão além do limite de elasticidade·
/M. P. A. Dahll!m
100

90
80
V

."
-o
70
E
.
ti>
60
~ . 50
~ 40
a.
E
.;; 30
'~
,_.
zo
10

Fig. 237

do material, de modo que o pilar, sob êsse carregamento, perde


sua utilidade prática. Isso indica que o valor critico da carga
dado pela equação (144), deve ser considerado como uma carga
de ruptura, a qual produzirá ruptura completa do pilar. Nas apli-
cações práticas, a carga admissível deve ser menor do que a carga
critica e é obtida dividindo o valor crítico da carga por um certo
coeficiente de segurança. Estudo melhor desta questão será dado
nos dois próximos artigos.
No estudo precedente considerou-se um pilar com uma extre-
midade engastada e a outra livre.LConclusões semelhantes podem
ser obtidas para o caso_ de uma escora com articulações nas ex-
tremidades, figura 235 ..: As equações (142) e (143) dão valores
infinitos quando:
pl 11"
-2-=2

Substituindo p por seu valor dado pela fórmula (138), obteremos:

p = 11"2 EI. (145)


<r z•
276 RESIST~NCIA DOS MATERIAIS

Êste é o valor crítico da fôrça de compressão para uma escora


biarticulada.
No caso de compressão de pilares, com as extremi-
dades engastadas, a deformação tem a forma dada na
f figura 238. A Iínha elástica pode ser considerada como
'
''' formada de quatro partes, semelhante cada uma à
'
'' curva obtida previamente para um pilar engastado
r
numa extremidade e livre na outraz'._O valor crítico da
carga é obtido nesse caso substituindo l por l/ 4 na
j_ equação (144), o que dá:
p = 471"'El: (146)
CT z2
Fig. 238
Esta é a carga crítica para um pilar biengastado.
Deve-se notar que na dedução da equação (139), admitiu-sé
que a excentricidade se manisfestasse na direção do eixo dos y e
que a flexão ocorresse no plano xy. Fórmulas semelhantes serão
obtidas, se a excentricidade inicial manifestar-se na direção do
eixo dos z. A flexão ocorre· então no plano xz e para calcular os
deslocamentos, l, deve ser substituido· por lu na equação (139).
Se tivermos cuidado ao aplicar axialmente a carga e ocorrer uma
flexão, em resultado de pequenas excentricidades inevitáveis,
devemos considerar deslocamentos, em ambos os planos princi-
pais xy e xz, e, ao calcular o valor critico da carga, devemos
usar nas 'equações (144), (145) e (146) o menor dos dois mo-
mentos principais de inércia. No estudo seguinte adniite-se que
[, é o menor momento de inércia principal e k, o raio de giração
correspondente.
C'.llculando os deslocamentos é, muitas vêzes, vantajos_Q __~.!,!ar
fórmulas aproximadas,-- ein vez das fórmulas exatas (l~jl)___!
(142).
Mostrou-se, no-ar.tigo___p:recedente, que para pequenas cargas,
isto é, quando pl fôr uma fração pequena, digamos menor do
que 1/10, o deslocamento linear será dado, com precisão sufici-
ente, pela equação:
Pel 2
8 (a)
2El,
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 277

em que a influência da fôrça longitudinal na flexão é desprezada


e na qual admite-se um momento fletor constante Pe. Para car-
gas grandes a equação (a) não é bastante precisa e a influência
da fôrça de compressão, na flexão,~ve ser considerada. Esta
influência depende, principalmente, da relação P/P., e o deslo-
camento pode ser obtido, com precísão muito boa, pela fórmula
aproximada:

8 = Pel 2 1
(b)
2EJ,

Os deslocamentos calculados com esta fórmula estão dados na ter-


ceira linha da tabela 2 da página 270. A comparação dêstes valores
com os da segunda linha da mesma tabela, mostra que a fórmula
(b) é suficientemente precisa, quase que até o valor crítico da
carga.
Uma fórmula aproximada semelhante, para o deslocamento de
uma escora biarticulada é: 6

Pel 2 1
8 p (e)
- SEI,,
1--
Pcr
O primeiro fator do segundo membro é o deslocamento produzido
pelos dois conjugados Pe, aplicados nas extremidades. O segundo
fator representa o efeito da fôrça de comp.ressão P longitudinal
sôbre o deslocamento.
A equação (e) é muito útil para a determinação da carga crí-
tica de uma experiência feita com uma escora comprimida. Se os
resultados dessa experiência forem representados sob a forma de
uma curva, tal como vemos na figura 237, devemos tirar a
assintota horizontal àquela curva para determinarmos Per· Esta
operação não pode ser feita, com precisão suficiente, especial-
mente, se as excentricidades inevitáveis não forem muito pequenas

• Esta solu1:ão aproximada foi dada por Thomas Young em seu famoso livro,
"A Courae o/ Lectures º" Natural PhiZoaophy and the Mechanical Arta", Londres,
1807. .
278 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

e a curva não virar mugo acentuadamente quando se aproximar


da assintota horizontal. _Determinação mais satisfatória de P .. é
obtida empregando a equação (e). Dividindo esta equação por
P/Per obtém-se:

8 e'Tr• 1
p·Per = -8- p
l - Per

p
8
Per - 8 - -8-
e,,.•

Esta equação mostra que, se marcarmos


ó
a relação 8/P, correspondente ao desloca-
mento 8, medido durante a experiência, os
Fig. 239
pontos estarão numa reta, figura 239.
Esta reta cortará o eixo horizontal (8/P =
= 0) a uma distância e.,,.• /8 da origem e o inverso da inclinação
da reta dará a carga critica. 1
K ~ Tensão critica - Cálculo estático de pilares. - Conside-
rando o caso de uma escora biarticulada, a tensão crítica ob-
tém-se, dividindo a carga crítica dada pela equação (142), pela
área da seção transversal A. Desta maneira, vem:
Per 7r2E
(147)
<rcr =~ = (Z/k,,)•

Vê-se que, para um dado material, o valor da tensão critica de-


pende da grandeza da relação Z/k. que é chamada de grau
de esbelteza. Na figura 240, a,,&rva ACB representa 8 a relação
entre crer e l/k. para o caso do aço, sendo E = 21 X lO~Jtg/_çm,.2 •
Notar-se~ quea êür\Ta ·e inteiramente definida ~~ ~~deza do
módulo do material e independe de sua-·ca~a de ruptura. Parava-

1 2ste método sugerido por R. V. Southwell, Proc. Roy, Soe. London, aérie A,
vol. 135 p. 601, 1932, provou ser multo iitll e é largamente usado nos ensaios de
pilares.
• Est11. curva é, algumas vêzes, chamada de e""'ª de E1'1er, visto que rol
deduzida da fórmula de Euler para a carga critica.
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 279

!ores grandes do grau de esbelteza Z!k: , a tensão crítica torna-se


pequena, o que indica que uma escora muito esbelta flamba e perde
sua resistência a uma tensão de compressão muito baixa. Esta
condição não pode ser melhorada tomando um aço de alta .. re-
sistência, uma vez que o módulo do aço não varia muito com a
liga e o tratamento térmico, permanecendo pràticamente constante.
A escora pode ser tornada mais forte aumentando o m01.1ento de

Fig. 240

inércia 1: e o raio de giração k=, o que se pode conseguir, muitas


vêzes, sem nenhum aumento da área da se~o transversal, co-
locando o material da escor~ tão afastado quanto possível do eixo.
Assim, as seções vasadas são mais econômicas nos pilares do que
as seções cheias. Quando o grau de esbelteza diminui, a tensão
crítica cresce e a curva ACB tende a tornar-se assintota ao eixo
vertical. Entretanto, deve haver um certo limite ao emprego da
curva de Euler para as escoras curtas. A dedução da expressão
para a carga· crítica, baseia-se no empre.zo ca equação diferencial
(79) da linha elástica, a qual admite que o material seja perfeita-
mente elástico e siga a lei de Hooke (veja artigo 31). Portanto,
a curva ACB na figura 240, só dá resultado satisfatório para bar-
ras relativamente esbeltas em que ª•r permaneça na região elástica
do material. Para as escoras curtas em ª•r, sendo obtido pela
equação (147), é maior do que o limite de proporcionalidade do
material, a curva de Euler não dá mais resultado satisfâtório,
devendo-se recorrer às experiências de flambagem de escoras com-
280 RESIST:f::NCIA DOS MATERIAIS

primidas além do limite de proporcionalidade. Estas experiências


mostram que as escoras feitas de materiais, tais como o aço de

3500

~-J
limite do 1
escoamento+
,:\
2800

"e
"\~"'-
'?~ºº E= 20,6x10• k9/cm 2
G"e • 3150 k9/crn 2
~
\9::;
1400
~

700

10 20 30 40 50 60 70 BO !!O 100 110 1ZO


l
iê,
Fig. 241
construção, que têm um limite de escoamento acentuado, perdem
tôda a sua estabilidade e flambam logo que a tensão de compressão
torna-se igual ao limite de escoamento. Alguns resultados experi-
mentais estão dados na figura 241. O material é aço de cons-
trução tendo o limite de escoamento muito acentuado, igual a
3150 kg/cm'. Vê-se que, para as escoras de esbelteza relativa-
mente grande (l/k,>80), os valores experimentais das tensões cri-
ticas coincidem, satisfatàriamente, com a curva de Euler, enquanto
que para as escoras curtas, a tensão crítica permanece indepen-
dente do grau de esbelteza l/k, e é igual ao limite de escoamento.
No caso do aço de construção com teor de carbono baixo,
o limite de escoamento não é tão acentuado como no exemplo
anterior e tem valor muito menor. Para êsse aço podemos tomar
"• = 2380 kg/cm'. O limite de proporcionalidade é, também,
muito menor, de modo que a curva de Euler só é satisfatória para
graus -de esbelteza começando com l/k, = 100, cujo valor corres-
ponde à tensão de compressão "e• = 2100 kg/cm•. Para tensões
mais altas, isto é, para l/k,<100, o material não segue a lei de
Hooke e a curva de Euler não pode ser usada. É, em geral, substi-
tuida na região não elástica pelas duas retas AB e BC que se vêm
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 281

na figura 242. A linha horizontal AB corresponde ao limite de


escoamento, e a linha inclinada BC é tomada para as tehsães com-
preendidas entre os limites de proporcionalidade e de escoamento
do ~aterial.
Tensões críticas ·
2380 A

6cr. ~~· 11
Te,,,Õ8s
1400

t,70

l
o 20 40 60 80 100 120 140 x,
Fig. 242
Tendo um diagrama, como a linha ABCD, na figura 242, cons·
truído para aço de construção comum, a tensão critica para uma
escora de aço, de quaisquer dimensões, pode ser obtida pronta-
mente. É necessário, somente, que se calcule, para cada caso
particular, o valor do grau de esbelteza l/kz e que se tome a orde-
nada correspondente da curva. Para se obter a tensão admissível
na escora, a tensão critica deve ser então dividida por um coefi-
ciente de segurança conveniente. Escolhendo êste coeficiente
deve-se considerar que, quando o grau de esbelteza cresce, várias
imperfeições tendem, também, a crescer tais como uma curvatura
inicial do pilar. Parece lógico, portanto, que se introduzá um coe-
ficiente de segurança variável, que cresça com o grau de esbelteza.
Em algumas especificações, o coeficiente de segurança cresce de
1,7 para l/k, = O, até 3,5 para l/k, = 100. Varia de tal forma
que a tensão admissível, no domínio não elástico, segue uma lei
parabólica. Para Z/kz>lOO o coeficiente de segurança é tomado
como constante e igual a 3,5 e as tensões admissíveis são calcula-
das pela curva de Euler. Na figura 242 estão dadas curvas que
representam a tensão admissível e o coeficiente de segurança em
função do grau de esbelteza, para o aço de construção comum.
No estudo precedente . considerou-se uma escora biarticulada.
ÊSte caso, é, algumas vêzes, chamado de caso fund.amental da
282 RESIST:ll:NCIA DOS MATERIAIS

flambagem dos pilares, uma vez que é encontrado freqüentemente


no projeto dos elementos comprimidos das treliças com nós arti-
culados. & tensões admissíveis, estabelecidas pelo diagrama da
figura 242 para o caso fundamental podem, também, ser empre-
gadas em outros casos, contanto que tomemos, em vez do compri-
m~nto real do pilar, um comprimento reduzido, cuja grandeza
depende das condições nas extremidades do pilar/Considerando,
por exemplo, o caso de um p!Jar com uma extremidade engastada
e a outra livre, ver-págin~68 e, também, o do__pi~ar com ambas
as extremidades engastadas, ver página 276, as_ fórmulas· corres-
po111.aentes para as car~as_ c::ríticas podem ser escritas, respectiva-
merite, sob a forma:

Per = e

Comparando estas fórmulas com a fórmula (145), para o caso


fundamental, podemos concluir que no projeto de um pilar com
uma extremidade engastada e a outr~ livre, devemos tomar um
comprimento igual a duas vêzes o comprimento real do pilar
quando tivermos que empregar o diagrama da figura 242. No
caso de um pilar biengastado o comprimento reduzido é igual a
metade do comprimento real.
A escolha das dimensões convenientes da seção transversal de
wn pilar é feita, em geral, por tentativa. Tendo a carga P que
atua no pilar, admitimos certas dimensões para a seção transversal
e calculamos k. e Z/k. para essas dimensões. Então, o valor que
pode atingir a tensão de compressão será obtido pelo diagrama da
figura 242. Multiplicando êste valor pela área da seção transversal
admitida, obtém-se a carga que o pilar pode suportar. Se esta
carga não fôr nem muito menor nem muito maior do que P, a seção
transversal adotada é satisfatória. No caso contrário, devemos re-
petir os cálculos. No caso de pilares compostos, a seção transve~al_
total será usada no cálculo de k., uma vez que os furos dos rebites
não afetam sensivelmente a grandeza da carga crítica. Entretanto,__
ao calcular a carga que pode suportar o pilar devemos m~tip~~~-
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSAO 283

;:i. te11.~_ã,o_
admi_ssível pela área da seção transversal útil, afim de
ficarmos garantidos contra tensões excessivas no pilar.

PROBLEMAS
1. Uma barra de aço de seção transvj!rsal retangular de 2,5 pot 5,0 cm
e tendo articulação nas duas extremidades, é cOII}primida axialmente.
Determinar o comprimento mínimo em que a equação (147), para a tensão
critica, pode ser aplicada, sabendo que o limite de proporcionalidade do
material é 2100 kg/cm• e o módulo de elasticidade é 21 X 10' kg/cm'.
Determinar a grandeza da tensão critica sendo o comprimento da barra
l,5m.
Resposta. Comprimento mínimo igual a 71,7 cm. A tensão critica para
Z = 1,50 m é 479 kg/cm'.
2. Resolver o problema precedente supondo uma barra com seção
transversal circular de 2,5 cm de diâmetro e biengastada.
3. Determinar a carga de compressão crítica para uma viga de seção
normal em l, com 1,80 de comprimento e 16 cm de altura, supondo-a
biarticulada. I. = 935 cm', I, = 54,7 cm' e A = 22,8 _cm'. Determinar
a carga que ela pode suportar pela curva da figura 242.
4. Resolver o problema precedente admitindo que as extremidades do
pilar sejam engastadas.
5. Calcular, pelo emprêgo da figura 242, a carga
que pode suportar um elemento da peça composta de

I~
duas vigas em I, de seções transversais iguais às do
problema 3, figura 243. O comprimento é 3 m e as ex·
tremidades são articuladas. Admitir que os elementos
~ 10 cm~ de ligação são de tal modo rijos que ambas as vigas
Fig. 243 em I trabalhem juntamente, como se fossem uma
única barra.
Solução. I. = 2 X 935 = 1870 cm•, r. = 2[54,7 + 22,8(5) 2 ]
= 1249,4 cm'
O maior valor para o grau de esbelteza é:

300
k:- = /!_12_4_9-,4-
-1- = 57·• 3
V 2x 22,8

Da figura 242, a tensão de compressão admissível é, aproximadamente,


1100 kg/cm' o que dá para a carga o valor:
1100 X 2 X 22,8 :::::: 50000 kg.
284 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

6. Resolver o problema precedente admitindo que as extremidades do


elemento são engastadas.
7. Um pilar com 3 m de comprimento, biarticulado, é feito de duas
peças em U com 20 cm de altura tendo I. =
1910 cm', I, =
148 cm',
A = 32,2 cm' e uma distãncia entre o centro de gravidade e a parte
posterior da seção em U de e = 2,01 cm. Achar a carga que pode SU·
portar o pilar se a distância entre as partes posteriores das seções em
U é 10 cm.
8. Determinar a dimensão da seção transYersal de uma escora de aço
quadrada com 1,8 m de comprimento; sendo a carga P =
20 t e as
extremidades articuladas. Empregar a figura 242.
9. Resolver o problema precedente admitindo que as extremidades da
escora sejam engastadas

5~. Cálculo estático de pilares baseado em imperfeições pre-


viamente admitidas. - N() artigo_ precedente, obtivemos a carga
que um pilar pode suportar, dividindo a carga crítica na coluna
por um coeficiente de segurança conveniente. A falha dêste método
reside numa certa arbitrariedade na seleção do coeficiente de se-
gurança, o qual, como vimos, varia com o grau de esbelteza. Para
tornarmos o processo de cálculo estático do pilar mais racional,
desenvolveremos um ou~ro método baseado em imperfeições
previamente admitidas.• ~_Qdemos admitir, baseados e~ _dados
experimentais existentes, certos valores para a grandeza da excen-
tricidade inevitável e na aplicação da fôrça de compressão P. _En-
tão, aplicando êstes valores nas fórmulas do artigo 56, pode-se
calcular a' grandeza P. da carga em que a tensão máxima-na es-
cora comprimida, torna-se igual ao limite de escoament-0 do mate-
rial. A carga que ela pode suportar é, então, obtida dividindo a
carga Pi por um coeficiente de segurança conveniente. Assim, em
véZ de empregar a carga crítica, que é equivalente à carga
de ruptura, usaremos a carga em que principia o escoamento, como
base para o cálculo da carga de segurança.
l!:ste método de cálculo estático dos pilares pode ser simplifi-
cado pelo emprêgo de diagramas de cujo cálculo .nos ocuparemos

• Veja artigo por D. H. Yuung. Proceedings Am. Soe. Civil Eng. Dezembro, 1934.
Ver, também, H. K. Stephenson e K. Clonlnger, Jr., Texas Eng. E:i:p. Sta.,
Buli. N• 129, 1953.
FLEXÃO COMPO~_TA Cü_~-~~ÇÃO OU COMPRESSÃO 285

agora. Tomando o caso de uma escora biarticulada, 'figura 235,


obteremos o momento fletor máximo pela equaçã:o-(143) e a ten-
são de compressão máxima será:
...
amaz = ~ + 1i sec V~. · -;- (a)

O primeiro têrmo do segundo membz:o é__ a te~sã~~i_aLe_o s~g_tJp<}o,


a ~n_são máxima de compressão devida à flexão_~ A carga em que
principia ci escoamento é obtida substituindo ªmaz por u. nesta
equação, o que dá:

ª• = 1; ( ~ + + 2~.V:Á )
sec (b)

Introduzir~~os, agora, as notações r = ! para o raio do núcleo


central da seção transversal (veja página 263) e kz = vT.lA. para
o raio de giração pJ,"incipal menor. A quantidade P./A é a tensão
de com'[lressão média em que principia o escoamento. Represen-
tando esta tensão por ªm obteremos:

ª• = a
m
( 1 +~
T
sec _l_l r;:: )
2k, V E
(c)

Desta equação podemos obter, prontamente, o valor de u,,. para


um dado valor da excentricidade relativa e/r e para qualquer
·valor do grau de esbelteza l/k.. Os resultados dêsses cálculos para
um aço de construção, tendo u. = 2520 kg/cm• são representados

1960

.E
1680
400
~ j.
...."'
1120
~
E
b 840
560
280

ºo 40 80 120 1&0 zoo t


Valores do grau de esbelteza

Fig. 244
286 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

pelas curvas da figura 244. Pelo uso dessas curvas, a tensão de


compressão média um e a carga de compressão P. = Aum, em.que
principia o escoamento, pode ser calculada, ràpidamente, se forem
dados e/r e l/kz. A carga de segurança é obtida então, dividindo
P. pelo coeficiente de segurança.
Admitimos, no estudo anterior, que as imperfeições inevitáveis
do pilar pudessem ser representadas por uma excentricidade da
carga. De modo sem!!lhante, podemos também, considerar as im-
perfeições como equivalentes a uma curvatura inicial do pilar.
Representando o desvio inicial máximo do eixo do pilar em relação
a uma reta 10 por a, obteremos curvas semelhantes às dadas na
figura 244, representando um como uma função da relação a/r
e do grau de esbelteza l/kz.
2 520
2 240

/ 060

"'E 1680
~
~ 1 400
E
~ 1120
E
b
840

560
280

OO 20 40 óO 80 100 120 140 160 180 ZOO


Valores do grau de esbelteza

Fig. 245

No cálculo _est;ítico _p!'_át!~o _~~i~e~~e, _~Ill- gerl3], qu~ o_ 4E!slq~


mento inicial a guarda certa relação com o comprimento l do
pjlar_. '.l'omancÍo certa grandeza para aquela relação, 11 calcttla-se ~
grandeza de a e obtém-se, então, o valor de un, pelas curvas acima
mencionadas. Os resultados obtidos dêste modo, para três valores
diferentes da relação a/l e para u. = 2520 kg/cm2 , são dados
para uma seção em I na figura 245. Para pilares muito curtos tôd.as

" Uma mela onda de uma curva senoldal é, em geral, admitida como re-
presentando a curvatura Inicial de um pilar.
1 1
u :S: tomada, em geral, entre os limites 400"""" !E;; a !E;; 1000 •
FLEXÃO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 287

as três curvas dão u,,. = 2520 kg/cm•. Para pilares muitos finos,
os valores dados pelas curvas, aproximam-se dos obtidos pela
curva de Euler. Empregando uma das curvas e dividindo o valor
u,,. da curva por um coeficiente de segurança conve:aiente, digamos
por 2, obtém-se o valor permissível da tensão de compressão mé-
dia. A vantagem dêste método é que emprega um coeficiente de
segurança constante, uma vez que o aumento das imperfeições com
o comprimento l do pilar já foi levado em conta, admitindo que
a excentricidade é proporcional ao vão. Entretanto, a grandeza
das imperfeições que devemos considerar, permanece, até certo
ponto, indefinida e dependendo dos dados experimentais existentes.

:§ Fórmulas empíricas para cálculos estáticos de pilares. -


Em ambos os métodos do cálculo estático de pilares, expostos
nos dois -últimos artigos, baseados em considerações teóricas,
ocorrem algumas incertezas, tais como o coeficiente de segurança
variável no processo de cálculo estático;?. ilustrado pela figura 242
·ou, as imperfeições admitidas e que foram usadas p~ra a constrQção
das curvas na figura 245. Estas quantidades só podem ser esco-
- - - - - . - -· . - --·----·----- ·--· -· . ·-
lhidas convenientemente, tendo como base experiências feitas com
pilares reais.-Nessas condições, é natural, que muitos engenheiros
práticos prefiram usar diretamente os resultados das experiências,
tais como são apresentados nas fórmulas empíricas. Êsse processo
é absolutamente legitimo, desde que a aplicação destas fórmulas
permaneça dentro dos limites para os quais elas foram estabele-
cidas e para os quais haja informação experimental suficiente.
Entretanto, logo que seja necessário ir-se além daqueles li-
mites as fórmulas devem ser modificadas para se adaptarem às
novas condições. Neste trabalho, as considerações teóricas tornam-
-se de importância primordial.
Uma das fórmulas empíricas mais velhas foi estabelecida por
TredgolãJ• foi adaptada por Gordon a fim de representar os resul-
tados das experiências de Hodgkinson e foi dada sob sua forma

12 Com relacão a história da fórmula E. H. Salmon "Columnsª, London, 1921.


Veja também Todhunter and Pearson, "History of the Theory of Elaaticityª, vol.
I, p. 105.
288 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

final por Rankine. A tensão de compressão média permissível,


tal como é dada pela fórmula de Gordon-Rankíne é:

a (a)

e~ que a é lll!1ª tensão e b um coeficiente numérico, os quais são_


constantes para um determinado material. J;>or uma escolha con-
veniente destas constantes, a fórmula pode ser construída para
concordar satisfatoriamente com os resultados das experiências
dentro de certos limites.

A fórm~a_ ºª
linha reta, ba~~ada nos trabalhos experimentais
de L. V. Tetmajer, usada pela "American Railway Engíneeríng
Association" e incorporada, também, no código de construção da
cidade de Chicago, de 1924, dá a tensão admissível, em kg/cm•, sob
a forma:
O"adm = 0,07 (16()()() - 70l/k:) (b)

para ser usada para 30 < l/k= < 120 para os elementos princi-
pais, podendo ir até l/k= = 150 para -os elementos secundários.
Para valores de l/k. < 30, toma-se ª®m = 980 kg/cm•.
A_Ji(n-rry!!.la parabólica proposta por A. Ostenfed13 é usa,qa, tam-
bém freqüentemente. Dá para tensão de compressão crítica:

(e)

onde as constantes a e b dependem das propriedades mecânicas do


material. Para o aço de construção, a equação (e) é, algumas vêzes,
tomada sob a forma:

_:_ Ucr = 2800 - 0,0931(-~-:--) 2 (d)

Esta dá uma parábola tangente à curva de Euler em Z/k. = 122,5


e torna ªe• = 2800 kg/cm• para os pilares curtos. Um coeficiente

11 Zeitachr. Ver. Deutach lng. vol. 42, p. 1462, 1898. Veja também C. E. Fuller e
W. A. Johnston, "Applied Mechanica", vol. 2, p. 359, 1919.
F\LEXAO COMPOSTA COM TRAÇÃO OU COMPRESSÃO 289

de segurança conveniente variando de 2,5 a 3,0 deve ser empregado,


com esta fórmula, para se obter a tensão admissível.
A "American Institute of Steel Construction" (AISC), em suas
especificações de 1948, dá uma fórmula parabólica para a tensão
admissível em compressão:

O'adn• = 0,07 [ 17000 - 0,485 ( ~< ) " J {e)

para l/k: < 120, seja o elemento principal ou secundário.


Para os elementos secundários (escoras, etc.,) com 120 < -J; < 200
a tensão de compressão admissivel é dada pela fórmula do tipo
Gordon-Rankine:
1260
(.fJ
l"
1 + 18000 kT
Para os elementos principais com 120 < -~. < 200 a tensão de
compressão admissivel é obtida multiplicando-se a equação (f)
pela seguinte fração:

(g)

A "American Railway Engineering Association" (AREA), em suas


especificações para 1946, e a "American Association of State
Highway Officials" (AASHO), nas especificações para 1949, usam
a seguinte fórmula parabólica, para os elementos em compressão:
- ·z · . z
ªª~"' = 1050 - 0,0175 ( k: } , para k. < 140 (h)

O código de construção da cidade de New York (1947) especifica


l
a fórmula (/) para elementos com k, < 120, com um valor
máximo de 1050 kg/cm" (15000 psi).

NOTA - Os coeficientes numéricos que aparecem nas fórmulas acima Coram


preparados de modo que se tenha sempre a tensão em kg/cm:.
290 RESISTl!:NCIA DOS MATERIAIS

PROBL&.'1AS

L Uma viga em H de 16 X 16 cm, 45,00 kg/m, l, = 831 cm', A= 57,5 cm',


é empregada como pilar biarticulado. Devem ser considerados três com.
primentos Z = l,50m, 3,00m, 4.00m. Quais são as cargas de segurança,
empregando (1) .as especificações da AISC, (2) o código de construção
da cidade de New York, (3) a fórmula (b) e (4) as especificações da AREA?
Resposta.

Fórmula 1=150cm Z = 300cm 'z = 400cm


(b) 1080 1040 1012

2. Escolher a seção de uma viga Carnegie para servir como pilar, de


7,5 m de comprimento, biengastada e destinada a suportar uma .carga
de 100 t. Usar as especificações da AISC.
Solução. Tomando o comprimento reduzido Z= 3,75 m a equação (e) dâ

10~00 ::::: 0.01 [ i 1000 - o,485 ( 3;,5 ) • .]

supondo l/k, < 120


A área mínima pode ser determinada tomando ª••ft = 1050 kg/cm' como
para um pilar curto. Isto dâ .4. = 95,24 cm' = 100000/1050. Não preci-
samos, portanto, experimentar nenhuma seção que tenha uma área menor
do que 95,24 cm'. Experimentamos uma seção de 12" X 10", 53 libras, para
a qual A = 100,50 cm•, k, = 6,3 cm e l/k, = 59,5. A tensão admissível,
dada pelo segundo membro da equação (i), é 1070 kg/cm•. A tensão real
dada pelo, primeiro membro é 995 kg/cm•. Pode se ver que se deve expe-
rimentar uma seção menor. Tomando uma seção de 12" X 8", 50 libras,
para a qual A = 94,80_cm', k, = 4,98 cm, Z/k, = 75,2, a tensão permis-
sível é achada igual a 1000 kg/cm'. l!:ste valor É menor do que o dado
pelo primeiro membro da equação (i) que é 1055 kg/cm'. A seção pro·
curada estâ, pois, compreendida entre as duas escolhidas por nós.
CAPíruLo X

TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇAÔ

61. Torção de um eixo circular. - Consideremos um eixo


circular engastado na extremidade superior e solicitado à torção
por um conjugado aplicado na extremidade inferior (figura 246).
Pode-se mostrar, por meio de medidas feitas na superfície, que as
seções circulares do eixo permanecem circulares durante a torção
e que seus diâmetros e as distâncias entre êles não variam, iiesde
que seja pequeno o ângulo da torção.
Um disco isolado, como se vê na figura 246 (b), estará no se-
guinte estado de deformação: haverá uma rotação de sua seção
transversal inferior em relação à superior de um ângulo drp, em

Fig. 246

que .p mede a rotação da seção mn em relação à extremidade


engastada. Um elemento abcd da superficie do disco, cujos lados
eram verticais antes da deformação, toma a forma dada na figura
246 (b). Os comprimentos dos lados permanecem, essencialmente,
os mesmos e somente os ângulos nos vértices variam. O elemento
292 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

está num estado de cisalh,amento puro (veja artigo 16) e a gran-


deza da deformação de cisalhamento y é determinada pelo pequeno
triângulo cac':

c'c
Y - ac'

Uma vez que de é um arco pequeno, de raio d/2 correspondente


à diferença drp do ângulo de rotação de duas seções transversais
adjacentes, c'c = (d/2)drp, o que dá:

1 drp
y =-y dx d. (a)

Para um eixo solicitado à torção por um conjugado aplicado na


extremidade, o ângulo de torção é proporcional ao seu compri-
mento e a quantidade drp/dx é constante. Ela representa o ângulo
de torção por .unidade de comprimento do eixo e será representada
por:

1
y = 2 8d. (148)

As tensões de cisalhamento que atuam nas faces do elemento e


produzem o cisalhamento acima têm as direções dadas. A grandeza
de cada uma é, pela equação (39),

1
T = 2 G8d, (149)

Assim, fica completamente definido o estado de tensão de um ele-


mento na superfície do eixo. Para os elementos no interior do
eixo, far-se-á a hipótese de que não somente o contôrno circular
das seções transversais do eixo permanece indeformado, mas
também que as próprias seções transversais permaneçam planas
e girem como se fossem absolutamente rijas, isto é, todos os diâ-
metros da seção transversal permanecem retos e giram do mesmo
ângul!>. Os ensaios com eixos circulares, mostram que a teoria
desenvolvida baseada nesta hipótese, está em muito boa concor-
dância com os -resultados experimentais. Assim sendo, o estudo
feito para o elemento abcd na superfície do eixo (figura 246 b),
TORÇA.O E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 293

servirá também para um elemento semelhante da superfície de um


cilindro interior, cujo raio r substitua d/2 (figura 246, e). A es-
pessura do elemento na direção radial é considerada como sendo
muito pequena.
J!:sses elementos estão, também; num estado de cisalhamento
puro e a tensão de cisalhamento em suas faces é: .

T = GrfJ. (b)

Isto indica que a tensão de cisalhamento varia, diretamente, com


a distância r do centro do eixo. A figura 247 mostra esta dis-
tribuição de tensões.- A tensão máxima ocorre na superfície
exterior do eixo. Para um material dútil, manifesta-se, primeira-
mente, escoamento plástico nesta superficie. Para um material que
seja mais fraco ao cisalhamento longitudinal
do que ao transversal, isto é, um eixo de ma-
deira com as. fibras paralelas a seu eixo geomé-
trico, os primeiros fendilhamentos serão produ-
Fig. 247 zidos pelas tensões de cisalhamento que atuam
nas seções aJdais e aparecerão na superfície do
eixo, na direção longitudinal. No caso de material que seja mais
fraco à tração do que ao cisalhamento, isto é, um eixo circular
de ferro fundido ou uma peça cilindrica de giz, um fendilhamento
ocorre, em geral, ao longo de uma hélice inclinada
de 45° em relação a seu eixo geométrico (figura 249).
A explicação é sini'ples. Lembramos que o estado de
cisalhamento puro é equivalente ao da tração numa
direção e compressão igual na direção normal (veja
figura 45). Um elemento retangular, cortado da ca-
mada exterior de um eixo solicitado à torção, tendo os
seus lados inclinados de 45° em relação a seu eixo geo-
Fig. 248 métrico, estará submetido a tensões como as que estão
indicadas na figura 248. As tensões de tração mos-
tradas produzem o fendilhamento helicoidal mencionado acima.
Procuraremos, agora, a relação entre .o momento torsor M 1
aplicado e as tensões que êle produz. Do equilibrio da parte do
eixo, compreendida entre a seção inferior e a seção imaginária
294 RESISnNCIA DOS MATERIAIS

mn, (figura 246a) concluiremos que as tensões de cisalhamento


distribuídas na seção transversal, são estàticamente equivalentes
a um conjugado igual e oposto ao momento torsor M1. Para cada
elemento de área dA (figura 246 e), a fôrça cortante é igual a
TdA. O momento desta fôrça em relação ao eixo geométrico da
peça é (TdA)r = GfJr•dA pela equação (b). O momento total
M 1 em relação ao eixo da peça é a soma dêsses momentos parciais
relativos a cada elemento individual. estendida a tôda área da
seção transversal, isto é,

M1 = f r
'= 0
=d/2
GfJr 2dA = GfJ
f r
, =0
=d/2
r•dA =· GfJ/9 , (e)

onde /p é o momento de inércia polar da seção transversal, cir-


cular. Do apêndice A, tiramos para um círculo de diâmetro d,
I 9 = .,..d• /32, donde:
.,..d•
M1 = GfJ 32

(150)

Vemos que fJ, ângulo de torção por unidade de comprimento do


eixo, varia diretamente com o momento torsor aplicaçlo e,
inversaménte, com o módulo de elasticidade transversal G e a
quarta potência do diâmetro. Se o eixo fôr de comprimento l o
ângulo total de torção será:

rp = oz = ~lzp . (151)

Esta equação é útil na verificação física da teoria e é compro-


vada por numerosas experiências que justificam as hipóteses feitas
na dedução da teoria. Deve-se notar que as experiências de torção
são, comumente, usadas para a determinação do módulo de elas-
ticidade transversal dos materiais. Se o ângulo de torção produ-
zido num eixo por um momento torsor dado, fôr medido, a
grandeza de G pode ser fàcilmente calculada pela equação (151).
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 295

Substituindo 8, dado pela equação (150), na equação (149),


obteremos uma equação para calcular a tensão de cisalhamento
máxima produzida pela torção de um eixo circular:

' (152)

Isto é, esta tensão é proporcional ao momento torsor M 1 e inver-


samente proporcional ao cubo do diâmetro do eixo. Nas aplicações
práticas, o diâmetro do eixo deve ser calculado, em geral, pela
potência H que transmite. Tendo H, em cavalos vapor, o momento
torsor é obtido em mt pela conhecida equação:

M 1 ~,..n = 75 X 10-" H (153)


60

onde n representa o número de revoluções do eixo por minuto.


A quantidade 2...n/60 é, então, o ângulo de rotação por segundo,
e o primeiro membro da equação (153) representa· o trabalho pro-
duzido, durante um segundo, pelo momento de torção medido em
mt. O segundo membro da mesma equação representa o trabalho
produzido, em mt por segundo, quando calculado pela potência
H em cavalos vapor. Tomando M 1 da equação (153) e substituindo
na equação (152), obteremos, em cm,

(154)

Tomando, por exemplo, a tensão admissível ao cisalhamento igual


a •adm = 630 kg/cm•, teremos

d = 8,34-v ~ .

PROBLEMAS

1. Determinar o di~metro do eixo de uma mãquina de 200 O. V. com


a velocidade de 120 r.p.m., sendo a tensão admissivel 210 kg/cm'.
Resposta.
d = 14,3cm.
296 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

2. Determinar a potência transmitida por um eixo, sendo d = 15 cm,


n = 120 r.p.m. , G = 84 X 10' kg/cm 2 e o ângulo de torção, medido entre
1
duas seções transversais distantes 7,5 m, 15 de radiano.

Solução. Pela equação (151)

'P G _ '1T X 15' 84 X 10'


-l- - 32 X 15 X 750 372000 cm kg 3,72 mt.

A potência transmitida é, pela equação (150),

H = 3,72 X 2'1Tn
623 C. V.
60X75X10...

3. Um eixo de diâmetro d = 9 cm dá 45 r.p.m. Determinar a potência


transmitida, sendo a tensão de cisalhamento máxima igual a 315 kg/cm 2 •
4. Um eixo de aço (G = 84 X 10' kg/cm 2 ) deve ter dimensões tais que
a tensão de cisalhamerito mãxima seja de 950 kg/cm 2 para um ângulo
de torção de 90º. Determinar a relação li d.
5. Um eixo de aço, engastado nas extremidades (figura 249), é subme-
tido à ação de um momento torsor M,, aplicado na seção transversal
intermediária mn. Determinar o ângulo de torção, se a tensão admissível
T••• fôr conhecida.
Solução. Para ambas as partes do eixo os ângulos de torção são iguais;
portanto, pela equação (151), os momentos que produzem a torção são
inversamente proporcionais aos comprimentos destas partes. Se a>b, o
maior momento de torção atua na parte direita do eixo e sua gran-
deza é M,a/(a + b).

L. Fig. 249 Fig. 250

Substituindo o momento torsor por êste valor e T••• por T••• na equação
052), obtém-se a seguinte equação para d:

d _
-
v (a
16aM,
+ b) "'T"••

Agora. o ângulo de torção pode ser obtido aplicando a equação (151).


TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 297

6. 500 C. V. são transmitidos da polia I, sendo 200 C. V. à polia II e


300C. V. à polia III (figura 250). Achar a relação dos diâmetros d, e à,
que dão a mesma tensão mãxima em ambas as partes do eixo. Achar a
relação dos ângulos de torção para essas duas partes.
Solução. Os momentos torsores, nas duas partes do eixo, es~ão na re·
lação 5 ; 3. Afim de ter a mesma tensão máxima dada pela equação
(152), temos:
3 r--

~-v·
d, - 3
5 .

Os ângulos de torção, pelas equações (151) e (152), devem estar na relação

3 -
. - t, .-1 3
l. -v 5 .
\ 'I'•. 'P• -

'-i 7. Admitindo que o eixo do problema precedente tenha diâmetro cons.


tante e gire com 200 r.p.m., achar o diâmetro, sendo T . . . 420 kg/cm•. =
Achar o ângulo de torção para cada parte do eixo, sendo
G = 84 X 10' kg/cm• e l, = l, = 1,20 m.
~ 8. Determinar o comprimento do eixo de aço com ·5 cm de diâmetro
(G = 84 X 10' kg/cm•), sendo a tensão máxima)gúal a 950 kg/cm',
quando o ângulo de torção é de 6º.
9. Determinar o diâmetro em que o ângulo dé torção do eixo é o fator
de contrôle do projeto e não a tensão mâxima, sendo G 84 X 10' kg/cm•,
1
=
T••• = 210 kg/cm• e a torção admissivel máxima 4 de grau por metro
Solução. Eliminando M, das equações

16M, = 210. 32M, '1T


'üd:J J
G.'1Td' = 180 X 4 X 100
obteremos 11,5 cm; para d < 11,5 cm, o ângulo de torção é o fator de
contrôle do projeto.
10. Determinar o momento torsor em
cada parte do eixo biengastado solicitado
à torção pelos momentos M,' e M," apli·
cados em duas seções intermediãrias (figura
251). e
Solução. Achando os momentos torsores
produzidos em cada parte do eixo pelos Fig. 251
momentos M,' e .M," separadamente (veja
o problema 5) e adicionando êstes momentos para cada parte, obtém-se
M,'(b + e) + M,"c Mr'a - M,"c M,'a + M,"(a + bl
z z z
298 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

11. Determinar os diâmetros e os ângulos de torção para o eixo do


= =
problema 6, sendo n 120 r.p.m., .-. •• 210 kg/cm', z, 1,80 m, Z. 1,20 m. = =
62. Torção de um eixo ôco. - Pelo estudo anterior da torção
de um eixo cheio, vê-se que (figura 247) sõmente o material na
superfície exterior do eixo, pode ser solicitado até o limite dado
para a tensão admissível. O material no interior de eixo traba-
lhará com tensão mais baixa e, no caso em que uma redução de
pêso seja de grande importância, por exemplo nos eixos de pro-
pulsão dos aviões, é aconselhável que se usem eixos ôcos. Es-
tudando a torção dos eixos ôcos, podemos emitir as mesmas hi-
póteses que nos casos dos eixos cheios. A expressão geral para as
tensões de cisalhamento, será, então, a mesma que foi dada pela
equação (b) do artigo precedente. Calculando o momento das ~en­
sões de cisalhamento, entretanto, o raio r varia do raio da parte
interna ôca, que designaremos por ~ d 11 ao raio externo do eixo,

que designaremos, como anteriormente, por ~ d. Então a equa-


ção (e) do artigo precedente deve ser substituída pela seguinte:

G9 = J
'hd,
'hd
r 2dA = M1 ·= GBlp,

onde lp = ("/32) (d• - d,•) é o momento de inércia polar da


seção em coroa circular. Então,
8 = __ 32M1 __ M, (155)
"(d• - d,•)G. =-ai-;
e o ãngulo de torção será:

'P = 8z = -~;!- . (156)


Substituindo a equação (155) na equação (149), obteremos:
16M, _ M1d
= (157)
Tma::
1 d,•~\ - -21-;-
.,.d· ( - -d·'r-:f
Vemos pelas equações (156) e (157) que, tomando, por exemplo,
d; = +d, o ãngulo de torção e a tensão máxima, quando compa-
radas com as mesmas quantidades para um eixo cheio de diâme-
tro d, crescerão cerca de 6%, enquanto que a redução de pêso do
eixo será de 25 %
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 299

PROBLEMAS

1. Um eixo cilindrice ôco de aço, com 25 cm de diâmetro externo e


15 cm de diâmetro interno, gira com 1000 r.p.m. Que potência está sendo
transmitida quando ..... =
560 kg/cm2.
2. Achar o momento torsor mãximo que pode ser aplicado a um eixo
circular ôco, sendo d = 15 cm, d, = 10 cm e T . . . 560 kg/cm'J=
S. Um eixo de propulsão ôco de um navio, transmite 8000 C. V. com
rotação de 100 r.p.m. e tensão admissivel de 320 kg/cm". Sendo d/d, = 2,
achar d.
Solução.

M,= 8000 X 75 X 10""' X 60 = 57 .3 mt.


2'11" X 100

A equação (157) torna-se:

donde:
s
d =v__!Q_
15
X is--;-573o00o
'U 320
= 46,04 cm
" ~Jtão,
~ d, = 23,02 cm.
63. Eixo de seção transversal retangu-
lar. - O problema da torção de um ei,xo
de seção transversal retangular não é simples
devido ao encurvamento da seção transversal
durante a torção. É'.:ste encurvamento pode
ser mostrado, experimentalmente, por meio
de uma barra retangular de borracha, em
cujas faces traçamos um sistema de pequenos
quadrados. Vê-se pela fotografia 1 (Fig. 252),
que durante a torção as linhas, inicialmente
Fig. 252
perpendiculares ao eixo da barra, tornam-se
curvas. Isso indica que a distorção dos pequenos quadrados,
mencionada acima, varia ao longo dos lados desta seção trans-
1 Fotografia retirada de e. Bach, Elasticitat und Festigkeit, 6• edlcão, 1911,
pág. 312.
300 RESISTENCIA DOS MATERIAIS

versa! e atinge um valor máximo no meio, desaparecendo nos vér-


tices. Esperamos, portanto, que a tensão de cisalhamento varie
com esta distorsão, isto é, seja máxima no meio dos lados e zero
nos vértices da seção transversal. O estudo do problema, • indica
que a tensão de cisalhamento máxima ocorre no meio dos lados
maiores da seção transversal retangular e é dada pela equação:

(158)

onde b é o lado maior e e o menor. da seção transversal retangular


e a um coeficiente numérico que depende da relação b/c. Vários
valores de a estão dados no quadro 3 abaixo. É interessante notar
que a grandeza da tensão máxima pode ser calculada, com pre-
cisão suficiente, pela seguinte equação aproximada:

Tmaz
Mt
= bc• ( 3 + 1,8 b e) ·
TABELA 3
DADOS PARA A TORÇÃO DE UM. EIXO DE SEÇÃO
TRANSVERSAL RETANGULAR

b i
e = 1,00 1,50 11,75 2,00 2,50 3,00 4,00 6 8 1 10 00

a= 0,208 0,231 10,239 0,246 0,258 0,267 0,282 0,299 0,307 0,313 0,333

/3 = 0,141 0,196 J 0,214 0,229 0,249 0,263 0,281 0,299 0,307 0,313 0,333

O ângulo de torção por unidade de comprimento, no caso de uma


seção retangular, é dado pela equação:

M1 (159)
8 = (3bcªG

Os valores do coeficiente numérico (3 estão dados na terceira linha


do quadro acima.

• A solucão completa é devida a Saint Venant, Mém. des Sa,,anta Jf!trangers,


t. 14 (1855). Uma descrição dêste trabalho serâ encontrada na ªHi3tory o/ the
Theory o/ Elasticity" de Todhunter e Pearson, Vol. Il, p. 312 Cambridge, 18!!3.
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORCAO 301

Em todos os casos considerados, o ângulo de torção por unidade


de comprimento, é proporcional ao momento torsão e pode ser
representado pela equação:

(a)

onde C é uma constante chamada módulo de rijesa à torção do


eixo.
No caso de eixo circular (equação 150), C = Glp.
Para um eixo retangular (equação 159), C = [3bc3G.

64. Mola helicoidal com passo pequeno. - Admitamos que


uma mola helicoidal, de seção transversal circular, seja submetida
à ação de fôrças axiais P (figura 253), e que qualquer dos trechos
da hélice correspondente a uma volta inteira, (espira), esteja
aproximadamente num plano perpendicular ao ei?CO da hélice.
Considerando o equilíbrio da parte superior da mola, limitada po~.
uma seção axial tal como mn (figura 253, b), podemos concluir,
pelas equações da estática, que as tensões na seção transversal mn
de uma espira da hélice, reduzem-se a uma fôrça cortante P que
passa pelo centro da seção transversal e a um conjugado que

Fig. 253

atúa no plano da seção transversal, no sentido contrário ao do


movimento dos ponteiros do relógio, e de grandeza PR, onde R
é o raio da superfície cilíndrica que contem a linha dos centros
da mola. O conjugado PR solicita uma espira da hélice à torção
302 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

e produz uma tensão de cisalhamento máxima, dada pela equação


.(152), a qual se torna agora
16PR
Ti =--rr-d~3- (a)

onde d é o diâmetro da seção transversal mn da mola. Além desta


tensão devida à torção, existe a tensão produzida pela fôrça
cortante P que deve ser superposta àquela. Com uma aproximação
grosseira, podemos admitir que a fôrça cortante esteja uniforme-
mente distribuída na seção transversal; a tensão de cisalhamento
correspondente será
4P
(b)

No ponto m (figura 253 b) as direções de Ti. e T• coincidem de


modo que a tensão de cisalhamento máxima ocorre aqui e tem a
grandeza

Tm~ = Ti + T2 = 1::.~ ( 1 + ~} (160)

Pode-se ver que o segundo termo no parêntesis, o qual representa


o efeito da fôrça cortante, cresce com a relação d/R. Isso é de
importância prática nas molas helicoidais pesadas, tais como as
usadas nos vagões de estradas de ferro. Devido a êste têrmo os
pontos como m no lado interno de uma mola estão numa condição
menos favorável do que os pontos tais como n. A experiência com
molas pesadas mostra que a ruptura principia, em geral, no lado
interno da mola.
Há outra razão para se esperar tensões mais altas no lado in-
terno da mola. Calculando as tensões devidas à torção, empre-
gamos a equação (a) , a qual foi deduzida· para barras cilíndricas.
Na realidade, cada elemento da mola estará na condição dada na
figura 254. Vê-se que, se a seção transversal bf gira em relação
à ac, devido à torção, o deslocamento do
ponto b em relação a a, será o mesmo que
o do ponto f em relação a e. Devido ao fato
de que a distância ab é menor do que a
distância cf, a defarmação de cisalhamento
Fig. 254 no lado interno ab será maior do que a do
lado externo cf e, portanto, as tensões de
cisalhamento Produzidas pelo conjugado PR serão maiores em
b do que em f. ·Levando isto em conta, juntamente com o efeito
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 303

da fôrça cortante,• substituiremos a equação (160) pela seguinte


equação, para calcular a tensão de cisalhamento máxima:

Tma.&
16 PR ( 4m - 1 + 0,615 ) (161)
rrd• 4m - 4 m '
onde
2R
rn=-d-.

Pode-se ver que o fator de correção no parêntesis cresce decrescendo


m; por exemplo, no caso m = 4 êste fator é cêrca de 1,40 e para
m = 10 é igual a 1,14. Calculando o deslocamento linear da mola,
levamos em conta, em geral, sõmente o efeito da torção das espiras
da hélice. Para o ângulo de: torção de um elemento compreendido
entre duas seções transversais adjacentes mn e m'n' (figura 253, e),
aplicando a equação (151), onde Rda. é usado em lugar de l, obte-
remos:

Devido a esta torção, a parte inferior da mola gira em relação ao


centro de mn (figura 253, a), e o ponto de aplicação B da fôrça P
descreve o pequeno arco BB' igual a ad'P. A componente vertical
dêste deslocamento é:

B'B" = BB' ~ = Rd'P (e)


a
O deslocamento total da mola é obtido .
. -somando os deslocamentos
B'B" de cada elemento mnm'n'; relativos a todo o comprimento da
mola. Então:
-J
8 -
o
•irn PR 3 da. _ 64nPR•
I pG - d•G '
(162)

onde n representa o número de espiras da hélice.

• Estas Investigações toram teltas por V. Roever, V. D. I., Vol. 57, p. 1906, 1913;
também A. M. Wahl, Trans. A111. Soe. Mech. Eng., 1928. O último determinou, tam-
bém .. experimentalmente, as tensões, fazendo medidas na superticle das molas. Um
estudo completo de vários tipos de molas to! feito por Wahl. obra citada, pág. 212.
304 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

Para uma mola de qualquer outra seção transversal que não


seja circular, o método acima pode ser empregado para calcular
as tensões e os deslocamentos desde que, em vez das equações
(151) e (152), tomem-se as equações correspondentes para esta
forma de seção transversal. Por exemplo, no caso de uma seção
transversal retangular devem ser usadas as equações (158~ e (159).

PROBLEMAS

1. Determinar a tensão mãxima e a distensão da mola helicoidal (figura


253), sendo P = 125 kg., R 10 cm d = =
2 cm, o número de espiras
sendo 20 e G = 84 X 10' kg/cm'.
Resposta.
Ta•• = 912 kg/cm'; ~ = 11,9 cm.
2. Resolver o problema precedente, admitindo que a mola tem seção
transversal quadrada com 2 cm de lado.
Solução. Admitindo que o fator de correção para a fôrça cortante e
a curvatura das voltas da hélice (veja equação 161), neste caso, seja a
mesma que para uma seção transversal circular, obteremos pela equa-
ção (158)
PR 125 X 10 X 1,14 •
Tm.. 0,208 X b' X 1,14 = 0,208 X 2' = 855 kg/cm-.
Calculando a distensão, 0,14ld' (veja equação 159), em vez de 'lTd'/32
deve ser usado na equação (162); então
11,9 X '1T
il = 32 X 0,141
8,28 cm.

3. Comparar os pesos de duas molas helicoidais, uma


de seção transversal circular e a outra de seção transver-
sal quadrada, projetadas para as condições estipuladas no
problema 1 e tendo a mesma tensão máxima. Tomar
para ambos os casos o fator de correção 1,14. Comparar
os deslocamentos lineares dessas duas molas. "
Solução. O comprimento do lado da seção transversal
quadrada é d;terminado pela equação 'lTd'/16 = 0,208 b',
donde b = v 0,944 . d = 0,981 d. Os pesos das molas
estão na mesma relação que as áreas das seções trans-
versais, isto é, na relação Fig. 255
'7Td'
-4 : 0,98l'd' = 0,816.
Os deslocamentos lineares das duas molas estão na relação
'7Td'
0,14lb' : "32 = 0,141 X 0,926 :
'1T
32 = 1,33.
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇAO 305

4. Como se distribuirá a carga P entre as duas extremidades da mola


helicoidal, dada na figura 255, sendo o número de espiras acima do ponto
de aplicação da carga igual a 6 e, abaixo déste ponto igual a 5?
Resposta. R, : R, = 5 : 6
5. Duas molas helicoidais do mesmo material, de comprir.1entos e se-
ções transversais circulares iguais, mont~das como mostra a figura 256, são
comprimidas entre dois planos paralelos. Determinar a tensão máxima em
cada mola, sendo d = 1,25 cm e P = 50 kg.
Solttção. Pela eci.uação (162) segue-se que a carga P está distribuída entre
as duas molas na razão inversa dos cubos dos raios das espiras, isto é,
as fõrças que comprimem as molas externa e interna estão na relação
422 : 1000. As tensões máximas nestas molas são, então, (pela equação
16li, 230 kg/cm' e 430 kg/cm', respectivamente.
6. Qual será a carga limite para a mola do problema 1, sen-
do a tensão admissível T••m = 1400 kg/cm'? Qual o desloca·
mento linear da mola com esta carga limite?
7. Uma mola cõnica (figura 257) é submetida à ação de fôr·
ças axiais P. Determinar a grandeza da carga P que pode
suportar, para uma tensão admissível T-•<m = 3150 kg/cm'. O
diâmetro da seção transversal é d = 2.5 cm, o raio do cone na
parte superior da mola é R, = 5 cm; na parte inferior R, =
= 20 cm. Determinar a distensão da mola, sendo o número de
voltas igual a n e a projeção horizontal da linha dos centros
Fig. 256
da mola uma espiral dada pela equação
R = R, + (R, - R.la
2'iin
Solução. Para qualquer ponto A da mola,
determinado I?ela grandeza do ângulo a, a
distância do eixo à mola é
R = R
1
+ CR, - R.la
2?Tn ,
e o momento torsor correspondente é
M, = p [ R, + (R, 2-:nR,la J
O momento torsor máximo em a = 2'«n é
P R,. A carga de segurança para P será,
pela equação {161)
= 16PR (4m - 1 + 0,615 ).
T .. a:r 'iid3 4m - 4 1)1,

P _ r,rX 2,5' X 3150 = 443 kg.


- 16 X 20· X 1,09
Fig. 257
306 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

O deslocamento linear da mola será obtido pela equação (e) veja página
(303), como segue:

8. Determinar a área da seção transversal necessária das espiras de


uma mola cônica, projetada para as mesmas condições do problema pre-
cedente, mas com seção transversal quadrada. Tomar 1,09 como fator de
correção (veja problema precedente).

65. Flexão composta com torção dos eixos circulares. - No


estudo precedente da torção (veja página 291), admitiu-se que o
eixo circular estivesse sob simples torção. Nas aplicações práticas,
temos, muitas vêzes, casos em que atuam simultâneamente, mo-
mentos de torção e de flexão.
As fôrças transmitidas a um
eixo por uma polia, engre-
nagem ou volante podem,
em geral, ser reduzidas a um
momento torsor e a um
momento de flexão. Caso
simples desta espécie está
dado na figura 258. Um eixo
circular está engastado numa
extremidade e carregado na
outra por uma fôrça vertical
P distante t R do eixo geo-
Fig. 258 métrico. Êste caso reduz-se
ao de um carregamento cons-
tituído de um momento torsor M 1 = PR e de uma fôrça trans-
versal P aplicada na extremidade livre.• O momento torsor é cons-
tante ao longo do eixo e o momento fletor devido a P, em qualquer
seção transversal, é:

M = - P (l - x). (a)

Estudando a tensão máxima produzida no eixo é necessário que


consideremos, (1) tensões de cisalhamento devidas a um momento
torsos Mi. (2) tensões normas devidas ao momento fletor (a)

• Neste problema desprezou-se o pêso do eixo e da polia.


/
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 307

e (3) tensões de cisalhamento devidas à fôrça cortante P. A tensão


de torção máxima ocorre na circunferência do eixo e tem o valor
16M1
Tmaz=~ (b)

A tensão normal máxima uz devida à flexão ocorre na fibra mais


afastada do eixo neutro, na extremidade engastada, onde o mo-
mento fletor é um máximo numérico, tendo o valor

M 32M
(uz)maz = - = -- (e)
Z ?Td•

A tensão devida à fôrça cortante é, em geral, de importância se-


cundária. Seu valor máximo ocorre no eixo neutro onde a tensão
normal devida à flexão é zero; portanto, a tensão composta má-
xima ocorre, ordinàriamente, no ponto onde as tensões (1) e (2)
são máximas, neste caso, nos elementos das superfícies superior e
inferior da .extremidade engastada.
A figura 258 (b) é uma vista da parte superior do trecho do
eixo na extremidade engastada, mostrando um elemento e as ten-
sões que atuam nêle. As tensões principais neste elemento são de-
terminadas pelas equações (72) e (73) (página 137):

ou, empregando as equações (b) e (e),

um..,, = iz (M + VM• + M1 2) = :;. (M + VM• + M1 2) • (163)

Da mesma maneira, aplicando a equação (73):

Umin ~ iz (M -V M• + M1 2) = ;;. (M - VM• + M1 2). (163'}

Deve-se notar que um..,, terá o mesmo valor de um caso de flexão


simples em que o momento fletor equivalente é:
308 RESIST!:NCIA DOS MATERIAIS

A tensão de cisalhamento máxima no mesmo elemento (figura


258, b) é, pela equação (34), (página 69)

= a...u- a,,.;,. = ~V
mf.ª M• + M 1• • (164)
Tmaz 2

Para os metais dúteis, tais como os que são usados na confecção


de eixos, é agora, de prática corrente, usar a tensão de cisalha-
mento máxima para determinar o diâmetro necessário do eixo.
Chamando de Tadm a tensão admissível ao cisalhamento e levando-a
na equação (164) que nos dá Tmaz, o diâmetro deverá ser então
3 -~~~~~~-

d = 1
V /_1_6_ VM·
11"Tadm
+ M,•. (165)

O estudo acima pode também ser usado no caso de um eixo ôco


de diâmetro externo d e interno d,. Então

z= .,,.(d• - d,•) = ~[ 1 - (~)· ]


32d 32 d ,

e fazendo d,/d = n, as equações (163). e (163') para um eixo ôco,


tornam-se
Umaz = 16
r.d3 (1-n•)
(M + V (M• + M,•)' (166)

· '!miu 16
.,,.d3 (1 - n•)
(M- VM" + M,•). (167)

A tensão de cisalhamento máxima é:

Tm"" --;
- 16
.,,.da (1- n•)
VM• + M'•t • (168)

e d torna-se

d = V 1TTIJdm"(l -
16
n•)
V M· + M,•. (169)

Se várias fôrças transversais paralelas atuarem no eixo, o momento


fletor total M e o momento torsor total M1 , em cada seção trans-
versal, devem ser considerados no cálculo do diâmetro necessário
TORÇÃO E FLEXÃO COMPOSTA COM TORÇÃO 309

naquêle ponto, pelas equações (165) ou (169). Se as fõrças trans-


versais que atuam no eixo não forem paralelas, os momentos fle-
tores devidos a elas devem ser somados geometricamente a fim de
obter-se o momento fletor resultante M. Um exemplo dê~e cál-
culo está exposto no problema 3.

PROBLEMAS

1. Um eixo circular com 6,25 cm de diâmetro, suporta uma polia de


75 cm de diâmetro, pesando 250 kg (figura 259). Determinar a tensão de

~ ,.

r,
..j;;;
n
3

Fig. 259
cv:·· •se kg
250 kg

Fig. 260

cisalhamento máxima na seção transversal mn, sendo a :tôrça de tração


horizontal nas partes superior e inferior da correia 830 kg e 150 kg, res-
pectivamente.

BoZução. Na seção transversal mn,

M, = (850 - 150) 37,5 = 26250 cm kg.

M = 15 '\/ 250' + 1000' = 15450 cm kg.

Então, pela equação (164)


...... = 640 kg/cm'.
2. Um tubo vertical dado na figura 260, é submetido à ação de uma fôrça
horizontal P ~ 125 kg, que atua a 90 cm do eixo do tubo. Determinar
ª••• e ......, sendo o comprimento do tubo igual a 7,50 m e o modulo de
resistência à flexão da seção Z = 150 cm'.

3. Determinar o diâmetro necessário para um eixo uni:torme. (figura


261) suportando duas polias iguais, de 75 cm de diâmetro, pesando cada
310 RESISTll:NCIA DOS MATERIAIS

uma 250 kg. As fôrças horizontais na correia para


uma polia e as fôrças verticais para a outra estão
=
dadas na figura. T . . . 420 kg/cm'.

SoZução. As seções mais perigosas são mn e


m,n, que suportam o momento torsor total e os
momentos fletores maiores. O momento torsor em
ambos os pontos é M, · ·=
(750 - 250) 37,5 =
= 18750 cm kg. O momento fletor em mn é
(750+ 250+ 250) 15 = 18750 cm kg. O momento
fletor em m,n., no plano horizontal é:
Fig. 261
41 (750 + 250) X 75 = 18750 cm kg.

O momento fletor na mesma seção transversal no plano vertical é:

250 X 75 1250 X 15 X 37,5


4 75
= 4685 - 9375 = - 4690 cm kg.

O momento fletor composto na seção transversal m,.n, é

M = v 18750' + 4690' = 19350 cm kg.


1':ste é maior do que o momento na seção transversal mn e deve, portanto,
ser usado juntamente com o M, calculado acima, na equação (162), donde

à= 6,88 cm.

4. Determinar o diâmetro do eixo dado na figura 259, sendo a tensão


admissivel ao cisalhamento T .... = 420 kg/cm'.

5. Detérminar o diâmetro externo de um eixo ôco, sendo T••• =


= 420 kg/cm', d,,/à = 1/3 e as outras dimensões e fôrças, dadas na figura
261.

6. Resolver o problema 3, admitindo que o mesmo momento torsor


é produzido por uma fôrça horizontal tangente ao contõrno da polia, em
vez de ser produzido por trações verticais de 750/kg e 250 kg na correia
que atúa na polia da direita.
CAPÍTULO XI

TRABALHO DE DEFORMAÇÃO

66. Trabalho de deformação elástica na tração. - No estudo de


uma barra solicitada à tração simples (veja figura 1), vimos que,
durante o alongamento que se manifesta sob a aç~o de uma carga
que cresce gradualmente, produz-se trabalho na barra e que êste
trabalho é transformado parcial ou totalmente em energia poten-
cial de deformação. Se a deformação permanece entre os limites
elásticos, o trabalho produzido será totalmente transformado em
energia potencial, podendo ser recuperado durante o descarrega-
mento gradual da barra deformada.

Se a grandeza final da carga fôr P e o alongamento correspon-


dente ll, o diagrama do ensaio de tração será o dado na figura 262,
onde as abscissas são os alongamentos
e as ordenadas as cargas corresponden-
tes. P 1 representa um valor interme-
diário da carga e 81 o alongamento de-
vido a ela. Um acréscimo dP, da car-
ga produz um acréscimo dll 1 do alonga-
mento. O trabalho produzido por Pi
durante êste alongamento é P 1d8i. re-
presentado na figura pela área trace-
jada. Se levarmos em conta o acrésci-
mo de P 1 durante o alongamento, o Fig. 262
trabalho produzido será representado
pela área do trapézio ahcd. O trabalho
total produzido quando a carga cresce de O até P é a soma des-
' elementares e é dado pela área do triângulo OAB. Esta
sas áreas
área representa a energia total U acumulada na barra durante a
312 RESIST:Jô:NCIA DOS MATERIAlS

deformação. Então:
U = P8 (170)
2

Aplicando a equação (1) obtem-se as duas expressões seguintes


o
para trabalho de deformação de uma barra prismática: ;

P•Z
U= 2AE'
(171)

AE8 2
u =-2z- (172)

A primeira destas dá o trabalho de deformação em função da car-


ga P e a segunda o mesmo trabalho em função do alongamento
8. ·Para uma barra de dimensões dadas e um determinado módulo
de elasticidade, o trabalho de deformação é determinado completa-
mente pelo valor da fôrça P ou pelo valor do alongamento 8.

Nas aplicações práticas, i o trabalho de deformação por unidade


de volume, trabalho específico de deformação.' é, muitas vêzes, de
grande importância; êste é, pelas equações (171) e (172):

w =
U
Al =
u•
2E' (173) OU W = ~e• (174)

onde:'u =~ é a tensão de traçã~e(e =-f o alongamento relativo.)


. '
A maior quantidade de ·trabalho específico de deformação que
pode ser acumulado numa barra, sem deformação permanente, 1 é
determinada pela substituição de u_ na equação (173), pelo limite
de elasticidade do material. O aço que tiver limite de elasticidade
de 2100 kg/cm• e módulo de elasticidade E = 21 X 10• kg/cm\
dará w = 1,05 kg cm/cmª; a borracha com módulo de elasticidade
10,5 kg/cm• e limite de elasticidade de 21 kg/cm•, dá w =
= 21 kg cm/cmª. É, algumas vêzes, de interêsse conhecer a maior
quantidade de trabalho de deformação por unidade de pêso, w 11 do
material que pode ser acum~da sem que se produza deformação
permanente. Esta quantidade é calculada pela equação (173) subs-
tituindo u pelo limite de elasticidade e dividindo w pelo pêso de
' Esta quantidade é, algumas vêzes, chamada de módulo de resilillncia.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO

um centímetro cúbico do material. Vários resultados numéricos


calculados desta maneira estão dados no quadro que se segue:

TABELA4

Densi- E Limite de w w,
Material dade elasticidade
kg/cm' kg/cm• por cm' por kg

Aço de cons-
trução ..... 7,8 21X10' 1960 0,915kg cm 117,3 kg cm
Aço de ferra-
menta 7,8 21X10' 8400 ,16,8 kg cm 2160 kg cm
Cobre ....... 8,5 11X10' 280 0,036 kg cm 4,24 kg cm
Carvalho .... 1,0 1X10' 280 0,392 kg cm 392 kg cm
Borracha .... 0,93 10,5 21 21,0 kg cm 22580 kg cm
1

Isso indica que a quantidade de energia que pode ser acumulada


num determinado pêso de borracha, é cêrca de 10 vêzes maior do
que para o aço de ferramenta e cêrca de 170 vêzes maior do que
para o aço de construção.
PROBLEMAS
L Uma barra de aço pri~ática com 25 cm de comprimento e 25 cm•
de ârea de seção transversal, é solicitada à compressão por uma fôrça
P = 2000 kg. Determinar a quantidade de trabalho de deformação.
Res'[JOsta. U = 0,952 kg. cm.
2. Determinar a quantidade de trabalho de deformação, no problema
precedente, se a área da seção transversal fôr 12,50 cm' em vez de 25 cm'.
ReS'[JOBta. U = 1,904 kg. cm.
3. Determinar a quantidade de trabalho de deformação, numa barra
uniforme vertical de aço, deformada por seu pêso próprio, sendo o com-
primento da barra de 30 m, a área da seção transversal 6,50 cm', e o pêso
especifico do aço OL00785 kg/cm'.
RB8'fJ08ta. U = 0,652 kg. cm.
4. Determinar a quantidade de trabalho de deformação, no problema
precedente, se, em adição a seu pêso próprio, a barra suportar uma carga
axial P de 500 kg aplicada na extremidade.
Re8'[J08ta.. U = 28,15 kg. cm.

5. Verificar a solução do problema dado na figura 18, para o caso em


que tôdas as barras tiverem a mesma seção transversal e o mesmo módulo
de elasticidade, igualando o trabalho de deformação ao trabalho produzido
pela carga P.
314 RESIST:E:NCIA DOS MA'TERIAIS

Solução. Sendo X a fôrça na barra vertical, seu alongamento é Xl/ AE

e o trabalho produzido por P é+ P (Xl/AE).

Igualando esta expressão ao trabalho de deformação, obteremos:


__!__ p Xl X'l +2 (X cos'aJ'Z
2 AE - 2AE 2AE cos a
donde
p
X = 1 + 2 cos' a '

u que verüica a solução dada préviamente.


6. Provar o problema 2, página 31, mostrando que o trabalho pro-
duzido pela carga é igual ao trabalho de deformação das duas" barras.
7. Uma barra de aço com 75 cm de comprimento e uma área de seção
transversal de 6,50 cm' é alongada de 0,05 cm. Achar a quantidade de
trabalho de deformação.

5
Resposta. Pela equação (172),
0,05' X 6,50 X 21 X 10"
U= 2 X 75 ,0 = 227 kgcm.
.

~
8. Comparar as quantidades de trabalho
-,d de deformação de duas barras circulares da-

m (o)
d

ld
(4:,
b.1
Fig. 263
r
P
(t:)
das na figura 263 (a) e (b), admitindo uma
distribuição de tensões uniforme nas seções
transversais das- barras.
Solução. O trabalho de deformação da bar-
ra prismática é:

U =
P'l
2AE
O trabalho de deformação da barra estrangulada é:

1 3
TJ, = 4ZP' 4 ZP' 7 P'Z
2AE + SAE = 16 2AE.

Portanto,

7
U,: U = ls
Para determinada tensão máxima, a quantidade de energia an.nazenada
numa barra estrangulada é menor do que a armazenada numa barra de
espessura unüorme. Ela absorve sõmente muito pequena quantidade de
trabalho, de modo que a tensão de tração é logo levada a um limite
perigoso numa barra tal como a que vemos.na figura 263 {c), tendo uma
seção estrangulada muito pequena e um grande diâmetro externo, mesmo
que seu diâmetro no lugar mais fraco, seja igual ao de uma barra ci~drica.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 315

67. Tração produzida por choque. Um arranjo simples para


produzir ~ração por choque está representado na figura 264. Um
pêso W cai de uma altura h na chapa mn e, durante
o choque, produz-se distensão da barra vertical AB
que está fixada na extr.emidade superior. Se as mas-'
w sas da barra e da chapa forem pequenas em compara-
ção com a massa do corpo que cai, uma solução apro-
ximada e suficiente é obtida, desprezando a ma~sa da
barra, e admitindo que não haja perda de energia du-
Fig. 264 rante o choque. Depois de bater na chapa mn, o corpo
W continua a se mover para baixo, produzindo uma
distensão da barra. Devido à resistência da barra, a velocidade do
corpo que cai diminui até tornar-se igual a zero. Neste momento,
o alongamento da barra e as tensões de tração correspondentes,
atingem os seus valores máximos e suas grandezas são calculadas
baseadas na hipótese de que o trabalho total, produzido pelo pêso .
W, é transformado em trabalho de deformação da barra. • Se 8 re-
presenta o alongamento máximo, o trabalho prodilzido por W é
W (h + 8). O trabalho de deformação da barra é dado pela equação
(172}. Então, a equação para calcular 8 é:

W(h + 8} = AE 82
2Z '
(a}

donde:
8 (175}
onde

é o alongamento estático da barra produzido pela carga W e


v = ~ é a velocidade do corpo que cai, no momento em que
bate na chapa mn. Se a altura h fôr grande em comparação com
8.11 , o deslocamento reduz-se aproximadamente a

8=v1~.
g UestV-.

Nos casos reais uma parte da energia será perdida e o alongamento real será
sempre menor do que o calculado na hipótese acima.
316 RESIS'ttNCIA DOS MATERIAIS

A tensão de tração correspondente na barra é

a = BE
l
= _.!!!___
l
Vg 1 8
..1v• -
-
VAr.2E Wv"
~
(176)

A expressão sob o radical é diretamente proporcional à energia


cinética do corpo que cai, ao módulo de elasticidade do material
da barra e, inversamente proporcional ao volume Al da barra.
Portanto, a tensão pode ser diminuída, não sómente por aumento
da seção transversal, mas também, por aumento do comprimento
da barra ou diminuição do módulo E. Isto é completamente diferen-
te da tração estática de uma barra, onde a tensão é independente
do comprimento e do módulo E.
Substituindo a pela tensão admissivel na equação (176), obte-
remos a seguinte equação para o dimensionamento de uma barra
solicitada por choque axial:

Al = 2E2 • Wv• _ 2EWh (177)


Uadm ~ - Uadm 2

isto é, para um dado material, o volume da barra deve ser propor-


cional à energia cinética do corpo que cai a fim de que a tensão
máxima permaneça constante.
Considf;remos, agora, outro caso extremo em que h é igual a
zero, isto é, o corpo W é, instantâneamente, colocado no suporte
mn (figura 264), sem velocidade inicial. Se bem que, neste caso,
não tenhamos energia cinética no comêço da distensão da barra,
o problema é completamente diferente do de um carregamento
estático da barra. No caso de tração estática, admitimos uma
aplicação gradu~ da carga e, por conseguinte, haverá sempre equi-
líbrio entre a carga que atúa e as fôrças de elasticidade que resis-
tem na barra. A questão da energia cinética da carga não apa-
rece, absolutamente, no problema sob essas condições. No caso
de aplicação instantânea da carga, o alongamento da barra e a
tensão na barra são nulos no comêço e a carga aplicada instan-
tâneamente principia a cair sob a ação de seu pêso próprio. Du-
rante êste movimento a fôrça resistente da barra cresce gradual-
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 317

mente, até que se torne, justamente, igual a W, quando o desloca-


mento vertical do pêso é B•.i. Mas, neste momento, a carga tem
certa energia cinética, adquirida durante o deslocamento a., 1; por-
tanto, continua a mover-se para baixo, até que sua velocidade seja
anulada pela fôrça resistente na barra. O alongamento .má:l\.imo para i
esta condição é obtido pela equação (175), fazendo v O. Então

a = 2 a•.,·. (178)

isto é, uma carga aplicada instantãnea-


A
mente, devido a condições dinâmicas, pro-
duz um' deslocamento que é o dôbro do
obtido quando a carga é aplicada gra-
dualmente.
Isto, também, pode ser mostrado, grà-
ficamente, como se vê na figura 265. A
linha inclinada OA é o diagrama do en-
-t-------;-,..---~ 6 saio de tração para a barra dada na figura
264. Então, para qualquer alongamento
tal como OC, a área AOC dá o trabalho
de deformação correspondente na barra.
A linha horizontal DB está à distãncia
W do eixo dos 8 e a área ODBC dá o tra-
balho produzido pela carga W durante o deslocamento OC. Quando
8 fôr _igual a 8,,, , o trabalho produzido por W é representado na
figura pela área do retãngulo ODA,C,. Ao mesmo tempo, a ener-
gia acumulada na barra é dada pela área do triângulo OA,C, que
é somente a metade da área do retângulo acima. A outra metade
do trabalho produzido é transformada em energia cinética do corpo
que se desloca. Devido à velocidade adquirida. o corpo continua a
mover-se e, só volta ao repouso, à distância 8 = 2 a., 1 da origem.
Neste momento, o trabalho total produzido pela carga W, repre-
sentado pelo retângulo ODBC é igual à quantidade de energia
armazenada na barra e representada pelo triângulo OAC.

O estudo do choque, feito acima, baseia-se na hipótese de que a


tensão na barra permaneça entre os limites elásticos. Além dêste li-
318 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

mite, o problema torna-se mais complexo, por causa do alonga-


mento da barra, que não é mais proporcional à fôrça de tração.
Admitindo que o diagrama do ensaio de tração não dependa da
velocidade de deformação da barra, ª o alongamento, além do limite
de elasticidade, durante o choque, pode
,. ser determinado por um diagrama de
ensaio de tração comum, tal como o
,8 que vemos na fig11ra 266. Para qual-
quer alongamento máximo admitido 8,
1 a área correspondente OADF dá o tra-
11
1 bal!'io necessário para produzir êsse
e '1 alongamento; êste deve ser igual ao

Fig. 266
trabalho W(h + 8) produzido pelo pêso
W. Quando W(h + 8) fôr igual ou
maior do que a área total OABC do diagrama do ensaio de tração,
o corpo que cai romperá a barra.
Daí conclui-se que qualquer mudança de forma da barra que
result~ na diminuição da área total OABC do diagrama, diminui
também o poder resistente da barra ~o choque. Nos tipos estran-
gulados dados na figura 263 (b) e (e), por exemplo, o escoamento
plástico do metal concentrar-se-á na zona estrangulada e o alon-
gamento total e o trabalho necessário para produzir a ruptura, serão
muito menores do que no caso da barra cilíndrica dada na mesma
figura. ~ses tipos estrangulados são muito fracos ao choque; um
pequeno choque pode produzir a ruptura, mesmo que o material
seja dútil. Elementos tendo furos de rebites ou qualquer variação
pronunciada de seção transversal são, semelhantemente, fracos em
relação ao choque. •
No estudo precedente desprezamos a massa da barra em presença
da massa do corpo W que cai. Só assim, podemos admitii' que a
energia total do corpo que ca~ é transformada em trabalho de

' As experiências com aço dútil mostram que o limite de escoamento é mais alto
e a quantidade de trabalho necessário paro. produzir a ruptura é maior nos ensaios
feitos com grande velocidade de aplicação de carga, do que nos ensaios estáticos.
Veja N. N. Davldenkoff, Buli. Polytecl" Inst. (St. Petersburg), 1913; Welter, Z.
Metalkunde, 1924; e M. J. Manjolne, J. Appl. J'l!ech., Vol. 11. pág. 211, 1944.
• Veja Hackstroh, Baumaterialienkunde, pág. 321, 1905; e H. Zimmermann, Zentr.
Bauverwalt., pág. 265, 1899.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 319

deformação da barra. As condições reais do choque· são mais com-


plicadas e, quando a barra tem massa apreciável, uma parte da
energia será perdida durante o choque. É fato bem conhecido que
quando a massa W /g, que se move com velocidade v, bate no cen--
tro de uma massa em repouso W,/g e a deformação no ponto de
contato é plástica, a velocidade final comum v. dos dois corpos é

w
v. = w+w. v. (b)

No caso da barra da figura 264 as condições são mais complexas.


Durante o choque, a extremidade superior A está em repouso,
enquanto a extremidade inferior B adquir~ a velocidade do corpo
W que se desloca. Portanto, para calcula,r a velocidade final
v. pela equação ( b) , usaremos uma massa reduzida em lugar da
massa real da barra. Admitindo que a velocidade da barra varie
linearmente ao longo de seu comprimento, podemos mostrar que
a massa reduzida, neste caso, é igual a um têrço da massa da
barra. 5 Para uma barra de pêso q por unidade de comprimento
a equação (b) torna-se

v.
w (e)
w + .!l!:.. v.
3
Esta é a velocidade comum da carga W e da extremidade inferior
da barra que se estabelece no primeiro momento do choque. Admi-
tindo deformação plástica na superfície de contato entre a carga
que cai e o suporte mn (figura 264), de modo que não haja pe-
rigo de ressaltar, a energia cinética correspondente é

v.2 Wv 2 1
2g (W + ql/3) = ~ .
1 + _2_
3W

• Esta solucão to! obtida por H. Cox. Cambridge Phil. Soe. Trans., 1849, p. 73.
Veja também Todhunter e Pearson, History of the Theory EZastiçity, Vol. 1, p. 895,
Cambridge, 1886.
320 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

Esta quantidade deve substituir


Wv•
= Wh
2Y
na equação (a), a fim de se levar em conta a perda de energia no
primeiro momento do choque. Então, em vez da equação (175),
obteremos

B = B.,, + V s.,,• + - 1-
g
B•• ,v•
- 1 +
1 ql

3W
(179}

O método descrito acima dá resultado satisfatório, enquanto a


massa da barra fôr pequena em presença da massa do corpo que
cái. No caso contrário, torna-se necessária a consideração das vi-
brações longitudinais da barra.ª A deformação local no ponto de
contato, durante o choque, tem sido estudada por J. E. Sears 1 e
por J. E. P. Wagstaff. 8

PROBLEMAS

1. Um pêso de 5 kg ligado a um fio de aço de 3mm de diâmetro (figura

D
267), cai de A com a aceleração g. Determinar a tensão produ-
zida no fio quando sua extremidade superior A é parada ins-
" tantânearnente. Desprezar a massa do fio.
Solução. Se a aceleração do pêso W fôr igual a g, não há
w ' tensão de tração no fio. A tensão depois que o fio para em A
obtém-se pela equação (176) em que a.. , é desprezado. Fazendo
=
Fig. 26í v = 2gh. e Z h., obteremos:

a= V 2ÂEW = V 2 X 21 X 10' X 5
0,785 X 0,3' = 17180 kg/cm'.

• As vibrações longitudinais de uma barra prismática durante o choque foram


consideradas por Navler. Uma solucão mais compreenslvel foi desenvolvida por Saint
Venant; veja sua tradução da "Theorie der Elasticitaet fester Koerper" de Clebsch.
nota sõbre par, 61. Veja também J. Bousslnesq, "Application des Potencieis•, p. 508,
e C. Ramsauer, Ann. Phys., Vol. 30,- 1909.
' Trans. Cambridge Phil. S~c., Vol. 21 (1908), p. 49.
• London Royal Soe. Proc. (Ser. A.), Vol. 105, 1924, p. 544.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 321

Pode-se vêr que a tensão não depende da altura h de que cai o pêso, porque
a energia cinética do corpo cresce na mesma proporção do volume do
fio.
2. Um pêso W = 500 kg cai de uma altura h = 90 cm sõbre um poste-·
de madeira vertical, com 6,0 m de comprimento e 30 cm de diâmetro,
fixado na extremidade inferior. Determinar a tensão de compressão má·
. xima no poste, admitindo que para a madeira E = 10' kg/cm' e despre-
zando a massa do poste e a quantidade a....
8. Um pêso W = 5000 kg. ligado ·na extremidade de um cabo de aço
(figura 267), move-se para baixo com velocidade constante 11 90 cm/seg. =
Que tensões se produzirão no cabo, quando sua extremidade superior é
parada instantâneamente? O comprimento livre do cabo no momento do
choque é l =
18 m, a área de sua seção transversal é A 16 cm' e =
E = 11 X 10' kg/cm'.

Solução. Desprezando a massa do cabo e admitindo que a energia


cinética do corpo em movimento seja completamente transformada em
energia potencial de deformação do cabo, a equação para a determinação
do alongamento máximo 8 do cabo é

AEa'
-2l-
AEll .. ,' _ _!l::'._ • + W (. a•• r>, (d)
2l - 2g 'IT 0

onde a... representa o alongamento estático do cabo. Notando que W =


= AE8 .. ,/l, obteremos pela equação (d).

AE
2z
(ll
- a... )' = Wv'
2g •

donde

a = a... + V wv=z . AEg

Portanto, depois da parada brusca do movimento, a tensão de tração no


cabo cresce na relação

-ª-
a... = 1 +-11-v 8 .. , wz =
AEg 1 +-11-
...;-gr;;-, (6}

Para os dados numéricos acima

wz 5000 X 1800 0,512 cm.


8 "' = AE 16 X 11 X 10'

8 90
a.. , 1 + ---::::;;;;=:::::;::::;:;;:;;=
v 978 X 0,512
= 5,02
322 RESISTJ::NCIA DOS MATERIAIS

Portanto

" = 5,02 ~ = 1570 kg/cm'.

4. Resolver o problema precedente se uma mola que se alonga de


2,50 cm por tonelada de carga, fõr colocada entre a corda e a carga.
Solução.
11 .. , = 0,512 + 2,5 X 5 = 13,012 cm.
Levando na equação (e)

- 11 -
ll .. r
= 1 + 0,797 = 1,797; " = 1,797 Aw = 562kg/cm'.
Comparando com a solução do problema anterior verifica-se a grande
redução da tensão máxima decorrente do choque, pela incorporação da
mola ao sistema.

5. Para o caso dado na figura 264, determinar a altura h para a qual


a tensão máxima na bar.ra durante o choque seja de 2100 kg/cm'. Admitir
W = 12 kg, l =
1,80 m, A 3 cm', E = =
21 X 10" kg/cm'. Desprezar a
massa da barra.

68. Trabalho de deformação elástica no cisalhamento e na


torção. - O trabalho de deformação armazenado num elemento
submetido a tensão de cisalhamento puro (figura 268), pode ser
calculado pelo método usado no caso da tração simples. Se a face
inferior ad do elemento fôr considerada como
,_
ó-l P fixa, só precisa ser considerado o trabalho pro-
"t--,+----1:-rT ª
duzido, durante deformação, pela tôrça P na.
P r:.. I~' i face superior bc. Admitindo que o material siga
/ / a lei de Hooke, a deformação de cisalhamento
"1,.,.,.?Z7"'7n:'l"ri:dr--~ é proporcional à tensão de cisalhamento e o
Fig. 268 diagrama que mostra a sua relação é semelhan-
te ao dado na figura 262. O trabalho produzido
pela fõrça P e acumulado sob a forma de {irabalho de deformação
elástic~ é, então, (veja equação 170),

U=~ (170')
2
Recordando que

B
-l- = y
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 323

onde G é o módulo de elasticidade ao cisalhamento, obteremos as


duas seguintes equações de (170'):

p2z AG8 2
-U = 2AG (180) e U=~ (181)

· Obteremos duas expressões para o trabalho de deformação de ci-


salhamento por unidade de volume, isto é, o trabalho específico
de deformação de cisalhamento, dividindo essas equações pelo vo-
lume Al do elemento:
T2
w = 2G . (182) e (1&3)

onde -~ ~~f/4.. a tensão de cis~lh11m~ritp ~ y, ~. u~ ·i:i: deformação


"e
de cisalhamento. A grandeza do trabalho específico de deformação
de cisalhamento, que pode ser acumulado no elemento, sem defor-
mação permanente, é obtida substituindo T na equação (182) , pelo
limite de elasticidade.
A energia armazenada num eixo circular solicitado à torção é,
fàcilmente, calculada empregando a equação (182). Se Tma: fôr
a tensão de cisalhamento máxima na superfície do eixo, então
T1ncu (2r/d) é a tensão de cisalhamento em um ponto distante r do

eixo geométrico, sendo d o diâmetro do eixo. O trabalho específico


de deformação neste ponto é, pela equação (182),

(a)

O trabalho acumulado no material compreendido entre as duas su-


perfícies cilíndricas de raios r e r + dr é

onde l é o comprimento do eixo. Então, o trabalho total armaze-


nado no eixo é

(184)
324 RESISTI:NCIA DOS MATERIAIS

Isto mostra que o trabalho total é somente a


metade daquele que se produziria, se todos os
elementos do eixo fossem solicitados com a ten-
são máxima de cisalhamento Tma•·

A energia de deformação de torção pode ser


calculada pelo diagrama de torção (figura 269), or----Fr--+,,....._'JI
em que o momento torsor é representado pelas
ordenadas e o ãngulo de torção pelas abscissas.
Fig. 269
Entre os limites elásticos, o ãngulo de torção é
proporcional ao momento torsor, como se vê pela
linha inclinada OA. A área pequena tracejada na figura representa
o trabalho produzido pelo momento de torção durante um acrés-
cimo dcp do ãngulo de torção 'I'· A área OAB = M,cp/2 represen-
ta a energia total armazenada no eixo durante a torção. Lembrando
que 'P = M,l/Glp, obteremoi::

U = M1 2 l ou U = cp Glp
2
_2_Z_ (185)
2Glp

Na primeira destas duas equações, o trabalho é dado em função


do momento torsor e na segunda, em 'função do ãngulo de torção.

No caso geral de qualquer forma da seção transversal e de um


momento torsor variando ao longo do comprimento do eixo, o ãn-
gulo de torção entre as duas seções transversais adjacentes é dado
pela equação (veja página 300).

~= M, ,,_
dx e t=.

O trabalho de deformação de um elemento do eixo é

__.!_ M1-.!!:!__ dx
2 dx
= ..Q.(
2
dcp)
dx
2
dx

e o trabalho total de deformação da torção é


TRABALHO DE DEFORMAÇAO 325

PROBLEMAS

1. Determinar a relação entre o limite de elasticidade no cisalhamento


e o limite de elasticidade na tração, sendo a quantidade de trabalho es-
pecífico de deformação que pode ser acumulado, sem deformação perma-
nente, o mesmo na tração e no cisalhame.nto.
Solução. Pelas equações (173) e (182),

donde

Para o aço

T = a 1VrT
2.6
= 0,62a.
2. Determinar o deslocamento de uma mola helicoidal (figura 253)
usando a expressão do trabalho de deformação da torção.
Solução. Representemos por P a fôrça que atua na direção do eixo da
hélice (figura 253), por R o raio das espiras e por n o número de espiras.
O trabalho de deformação de torção acumulado na mola é, pela equação
(185),

CPRl'2"1TRn
U= 2GI,

Igualando esta expressão ao traba1ho produzido Pa/2, obteremos

• _ 2'lTnPR' 64nPR'
u - GI, = Gd'

que coincide com a equação (162)

3. O pêso de uma mola helicoidal de aço é 5 kg. Determinar a quanti-


dade de energia que pode ser acumulada nesta mola, sem que se produza
deformação permanente, sendo o limite de elasticidade no cisalhamento
de 5000 kg/cm2.
Solução. O trabalho especifico de deformação é, pela equação (182l,

5000'
w = -2-x--s-x--1os- 15,6 kg cm
326 RESISnNCIA DOS MATERIAIS

O trabalho por unidade de pêso do material {veja página 312) é 2160 kg cm


Então, o trabalho total de deformação de torção' que pode ser acumulado
·na mola é

1/2 X 5 X 2160 = 5400 kg cm.

4. Um eixo circular cheio e um tubo fino do mesmo material e do


mesmo pêso, são solicitados à torção. Em que relação estão as quantidades
de energia no eixo e no tubo, sendo as tensões máximas em ambos os
casos iguais?
1
Resposta. 2 : 1
5. Um eixo de aço circular com um volante numa extremidade gira com
120 r.p.m. É parado, instantâneamente, na outra extremidade. Determinar
a tensão máxima no eixo, por ocasião do choque, sendo o comprimento
do eixo l = 1,50 m, o diâmetro d = 5 cm, o péso do volante W = 50 kg,
• seu raio de giração r = 25 cm.
Solução. A tensão máxima no eixo produz-se quando a energia ciné-
tica total do volante, fõr transformada em trabalho de deformação de
torção do eixo. A energia cinética do volante é

50 X 25' X (4rr-l'
2520 kg cm.
2 X 978

Leva1\~o êste valor na equação (184),

-V
Tn.. -
16 X 8 X 10' X 2S20
r. X 25 X 150 = 1660 kg/cm'.
6. Duas barras circulares do mesmo material, do mesmo comprimento,
mas de seções transversais diferentes A e A, são solicitadas à torção pelo
mesmo conjugado. Em que relação estão as quantidades de trabalho de
deformação acumuladas nestas duas barras?
Resposta. Inversamente proporcional aos quadrados .das áreas das
seções transversais. ·

69. Trabalho de deformação elástica na flexão. - Comecemos


com a flexão pura. Para uma barra prismática engastada numa
extremidade e solicitada a flexão por um con-
jugado M aplicado na outra extremidade (figura
270), o deslocamento angular na extremidade
livre é
Fig. 270
rp (a)

' Admitiu-se que a dlstrlbulcão de tensões fõsse a mesma de uma barra circular
solicitada ê. torcão.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 327

Ê'.:ste deslocamento é proporcional ao momento fletor M e, usando


. um diagrama semelhante ao da figura 269 pode-se concluir, por
um raciocínio semelhante, que o trabalho produzido durante a de-
formação pelo momento fletor M, ou também o trabalho acumulado
na barra, é

U = Mv:
-2- (b)

Pelo emprego da equação (a) êste trabalho pode ser expresso por
uma dessas formas:

u= ""E/, (188)
(187) T
~

É, algumas vêzes útil, ter-se a energia potencial expressa em fun-


ção da tensão normal máxima rr,...,, = M,,,.,/Z; assim, para uma
barra retangular rr,,,., = 6M/bh" ou M = bh"rr.,w/_6, e a equação
( 187 l torna-se:

U = _.!__ bhl a,.,.u' (189)


3 2E

Neste caso, a energia total é, evidentemente, só um têrço daquela


que se produziria se tôdas as fibras fôssem solicitadas com a ten-
são máxima <Imar•

No estudo da flexão produzida por fôrças transversais, o traba-


lho de deformação de cisalhamento será, inicialmente, desprezado.
· O trabalho acumulado num elemento da viga de comprimento dx
é, pelas equações (187) e (188),

M"dx
dU = 2El, ou

Aqui, o momento fletor ·M é variável em relação a x e

dx
d,,,=--= ldºyl
- - dx
r r dx•
328 RESISTll:NCIA DOS MATERIAIS

(veja página 148). O trabalho total armazenado na viga é, por


conseguinte,

U = f 0
1 M•dx
2EI: ' (190) ou U - -f
0
1
Elz( d"y
2\ dx• ) 'dx. (191)

Tomemos, por exemplo, o balanço AB (figura 271a). O momento


fletor em qualquer seção transversal mn é M = - Px. Levando
na equação (190), obtemos

(e)

Para uma barra retangular, <rmaz =


6Pl!bh 2 e a equação (c) pode ser pos-
ta sob a forma

U = -~- bhl .!!2'i/ . (e')

Isto mostra que a quantidade de Fig. 271


energia que pode ser armazenada nu-
ma viga em balanço, retangular, carregada na extremidade, sem
que se produza deformação permanente, é um têrço da energia da
flexão pura da mesma barra e um nono da energia de deforma-
ção para a, mesma barra na tração simples. Esta consideração é
de importância no projeto de molas, as quais devem absorver de-
terminada quantidade de energia sem prejuízo e ter ainda pêso tão
pequeno quanto possível. A capacidade de um balanço de absor-
ver energia pode ser aumentada dando-lhe seção transversal va-
riável. Por exemplo, um balanço de resistência uniforme com se-
ção transversal retangular de altura constante h (figura 188) e
com os mesmos valores para P, h e <Tmaz tem um deslocamento e,
portanto, uma quantidade de energia armazenada 50% maior do
que para a barra prismática. Ao mesmo tempo, a barra de igual
resistência tem a metade do pêso da barra prismática, de modo
que pode armazenar três vêzes mais energia por unidade de pêso.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 329

Voltando à equação (e) e igualando o trabalho de deformação


ao trabalho produzido pela carga P, durante o deslocamento, obte-
remos
(d)

donde, o deslocamento na extremidade é:


Pl3
8 = 3EI. '

o qual coincide com a equação (95).

O deslocamento adicional devido ao cisalhamento pode, também,


ser determinado pela energia potencial de deformação. Para o ba-
lanço dado na figura 271, com uma seção transversal retangular,
a tensão de cisalhamento a uma distância y do eixo neutro é (ve-
ja equação 65).
_!_(..!!!__ - y• ) .
2/, 4

A energia de cisalhamento num volume elementar bdxdy é, por-


tanto, pela equação (182) ,
2
p2 ( h' y•) bdxdy.
8G/, 2 4

e o trabalho total de deformação de cisalhamento é

( i f,+1•1• p• h' • P•lh'


(e)
U = ) 0 •• ,, 8G/,2 ( 4 - y• ) bdxdy = 20G/, .

ÊSte deve ser adicionado ao segundo membro da equação (d) aci-


ma'º para obter-se a equação que determina o deslocamento total:

P8 P 2 l• P2 lh 2
(/)
2 = 6EI, + 20G/, ;

" Essa adlcão da energia de ctsalhamento à energia devida às tensões normais é


justl!lcada porque as tensões de clsalhamento que atuam num elemento (!lgura 268)
não alteram os comprimentos dos lados do elemento e se atuarem nestes lados
!Orcas normais, elas não produzirão trabalho durante a de!ormacão de clsalha-
mento. Portanto, as tensões de ·c1salhamento não modl!lcam a quantidade de ener-
gia devida à tra~ão ou compressão e as duas espécies de energias podem s_er,
simplesmente, somadas.
330 RESISTJ;:NCIA DOS MATERIAIS

por conseguinte:
(g)

O segundo termo no parêntesis representa o efeito das tensões de


cisalhamento no deslocamento da viga. Empregando o método de-
senvolvido no artigo 39, sob a hipótese de que o. elemento da se-
ção transversal no centro de gravidade da extremidade engastada
permaneça vertical .(figura 271, b), o deslizamento adicional devi-
do ao cisalhamento é:

e o deslocamento adicional é:

3 Pl
2 bhG;

portanto,

Pl" 3 Pl Pl" 3 h" E


8 = 3EJ= +2 bhG = 3EI= ( 1 +8 T a.-) (g')

Veremos que as equações (g) e (g') não coincidem. A discrepân-


cia é explicada como segue: - A dedução do artigo 39 foi baseada
na hipótese de que as seções transversais da viga pudessem encur-
var-se livremente, sob a ação das tensões de cisalhamento. Neste
caso, a seção transversal engastada será deformada numa superfí-
cie encurvada mon (figura 271, b) e, calculando o trabalho total
produzido no balanço, deve-se considerar, não somente o trabalho
produzido pela fôrça P, (figura 271, a), mas também o trabalho
produzido pelas tensões que atuam na seção transversal engastada,
(figura 271, b). Se êste último trabalho fôr levado em conta, o
deslocamento calculado pela consideração do trabalho de deforma-
ção coincide com o obtido no artigo 39 e dado na equação (g')
acima.

No caso de uma viga simplesmente apoiada carregada no meio,


a seção transversal do meio não encurva, como se pode concluir
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 331

pelas considerações de simetria. Neste caso a equação (g), quando


aplicada a cada metade da viga, dará uma melhor aproximação
para o deslocamento do que a equação aproximada (g') . Isto pode
ser visto comparando as equações (g) e (g') com a solução mais
rigorosa dada no artigo 39.

PROBLEMAS

1. Uma viga de madeira, em balanço, com l,80m de comprimento, de


seção transversal retangular 20 por 12,5 cm, recebe uma carga uniforme
q = 0,30 t/m. Determinar a quantidade de energia de deformação acumu-
lada, sendo E = 10• kg/cm2.
Resposta.
q'l' 3' X 180' X 12
U = 40EI, 40 X 10' X 12,5 X 20' º·
= 5 8 kgcm.

2. Em que relação cresce a quantidade de energia de deformação


calculada no problema precedente se a altura da viga é 12.5 cm e a largura
20 cm?
20'
Resposta. A energia de deformação cresce na relai:ão 12,5, .

3. Duas barras idênticas, uma simplesmente apoiada e a outra bi-en-


gastada são solicitadas à flexão por cargas iguais aplicadas no meio. Em
que relação estão as quantidades de energia de deformação acumulada?
Resposta. 4 : 1.

4. Resolver o problema precedente, para uma carga uniformemente


distribuída de mesma intensidade q, para ambas as barras.

5. Achar a relação das quantidades de energia de deformação armaze-


nada em vigas de seção retangular igualmente carregadas, tendo o mesmo
comprimento e a mesma largura, mas cujas alturas estão na relação 2 : 1.

Solução. Para uma carga dada, a energia de deformação é proporcio-


nal à deformação e esta é inversamente proporcional ao momento de
inércia da seção transversal. Dividindo ao meio a altura, a deformação
é, por causa disso, aumentada de 8 vêzes e a quantidade de energia de
deformação cresce na mesma proporção.

70. Flexão produzida por choque. - A deformação dinâm.ica de


uma viga que é batida por um corpo W que cai, pode ser determi-
nada pelo método usado no caso do choque que produz tração
(artigo 67). Tomemos, como exemplo, uma viga simplesmente
apoiada, que recebe um choque no meio (figura 272) e admitamos
332 RESIST:eNCIA DOS MA TERIAI:S

que a massa da viga possa ser desprezada em presença da massa


do corpo que cai e que não seja solicitada além do limite de escoa-
mento. Então, não haverá perda de energia durante o choque e
o trabalho produzido pelo pêso W durante sua queda, é completa-
mente transformado em trabalho de deformação de flexão da viga. 11
Representemos por 8 o afundamento máximo da viga durante o
choque. Se admitirmos que a linha elástica durante o choque tenha
a mesma forma que durante a defor-
mação estática, a fôrça que causará
essa deformação é, pela equação (90), •

(a)
Fig. 272

A energia total acumulada na viga é igual ao trabalho produzido


pela fôrça P:
U _ PB _ 82 24El:
- -2- - -l-,-

Se h representa, como anteriormente, a altura da queda, a equação


para determinação de 8 é

W(h + cS) (b)


donde

8 (192)

onde

e V= J/ 2gh.

A equação (192) é exatamente a mesma que obtivemos para o


choque que produz tração (equação 175) .

Deve notar-se que a forma da equação permanece a mesma para


qualquer outro caso de choque, contanto que a deformação no
ponto do choque seja proporcional à fôrça P exercida neste ponto.

" Neste cálculo foi desprezada a deforma~ão local na superticle de contato.


TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 333

Se representarmos por a o coeficiente de proporcionalidade que


depende da estrutura, teremos

aP = 8 e u
Então

8"
W(h + 8) = 2" ,

e, uma vez que 8.,, = Wa, esta se reduz à equação (192) anterior.

Deve notar-se, também, que o deslocamento linear 8, calculado


por (192), representa o limite superior, para o qual tende o deslo-
camento dinâmico máximo quando não há perdas de energia du-
rante o choque. Qualquer perda reduzirá a deformação dinâmica.
Quando o deslocamento dinâmico é determinado pela equação (192),
as tensões correspondentes podem ser achadas multiplicando as
tensões obtidas para uma aplicação estática da carga W por 8/ 8,, 1 •

Quando h fôr grande em presença de 8.. 1 ou se o choque fôr na


direção horizontal a equação (192) pode tomar a forma mais
simples

8 l/ 1 .. (e)
" - g 8.a1 v-.

Para o caso de uma viga simplesmente apoiada nas extremidades


e batida no meio, esta equação dá

8 - -Vwv•
~
za
24El:
(d)

O momento fletor máximo, neste caso, é

z
Mmaz = TPZ 8.48El:
Z3 4
e
Mmaz 8.48EI= z
ªmeu = -z- Z3 4Z
334 RESISTll:NCIA DOS MATERIAIS

Para uma seção transversal retangular, aplicando a equação (d),

1/ Wv 2 18E (e).
J! 2g ZA

Isto indica que a tensão max1ma depende da energia cinética do


corpo que cai e do volume ZA da viga.
Ao determinar o efeito da massa da viga sôbre o afundamento
máximo, admitiremos que a linha elástica, durante o choque, tenha
a mesma forma que durante a deformação estática. Então, pode
mostrar-se que a massa reduzida da viga" simplesmente apoiada
nas extremidades, é 17/35 (ql/g) e a velocidade comum que se
estabelece no primeiro momento do choque é
w
v. =
W + (17/35)qZ
t".

A energia cinética total, depois que se estabelece a velocidade co-


mum v. é

~;" [ W + (17/35)qZ J =
Wv"
2g--17-qz
1 ..!..
1

-3ç··w
usando esta expressão, en:i vez de
Wv•
Wh
2g
na equação (b), obteremos

8 '= 8eicf + l /.
,. 8•• 1 2 +
g 1 + 17 !E._
35 w
(193)

a qual leva em conta o efeito da massa da viga sôbre o desloca-


mento 813 •

" Veja o artigo de Homersham Cox mencionado antes (veja p. 3191.


" Vários exemplos da aplicação desta equacão serão encontrados l)O artigo do
Prof. Tschetsche, Zeitschr d. Ver. D. b&g., 1894, p. 134. Uma teoria mais precisa d 0
<'hoque transversal nas vigas baseia-se no estudo de sua vibração lateral, simultâ-
neamente com o das deformações locais no ponto do choque. Veja Saint Venant,
loc. cit., p. 537. Compt. rend., Vol. 45, 1857, p. 204. Veja também o artigo do
autor no Ztscl&r. f. Jl!atll. u. Phys., Vol. 62, 1913, p. 198. Experiências com vigas
sujeitas a choque foram feitas na Suica e apresentam concordância satisfatória
com a teoria aproximada dada acima; veja ·"Tech. Komm. d: Verband Schweiz.
Brueckenbau - u. Eisenhochbaufabriken", Berlcht von M. Ros, Março, 1922. Veja
também os artigos recentes por Tuzi, Z., e Nlslda, ·M., Pllil. Mag. (7), Vol. lll, p .. 448:
e R. N. Arnold, Proc. da Institution of Mechanical E>1gineers, Vol. 137, 1937, p. 217;
e E. H. Lee, J. Appl. :llech., \'ol. 7, p. 129, 1940.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 335

No caso de um balanço, se o pêso W bate na viga na extremidade


a grandeza da massa reduzida da viga é 33/140 (ql/g). Quand~
uma viga simplesmente apoiada nas extremidades é batida num
ponto cujas distâncias dos apoios são, respectivamente, a e b, a
massa reduzida é

1 [ 1+2
105 e. z• )
l+lib
2
Jg"
gl

e a equação (193) deve ser transformada de acôrdo.


PROBLEMAS
L Uma viga de madeira de seção retangular, simplesmente apoiada nas
extremidades, com 2,70 m de comprimento, é batida no meio por um pêso
de 20 kg que cai de uma altura h = 30 cm. Determinar a área da seção
transversal necessária, sendo a tensão admissível ª••• = 70 kg/cm',
E = 10' kg/cm' e a... desprezível em comparação com h.

Solução. Aplicando a equação (e), página 334,"

A= Wv'
2g
18E_
la.,.·
= 20 X 30 X 18 X 10' =.817 cm'.
270 X 70'

2. Em que proporção varia a área do problema precedente (1) se o


vão da viga cresce de 2,70m a 3,_60m; (2) se o pêso W cresce de 50%?
Resposta. (1) A área diminui na relação 3:4. (2) A área cresce de 50%.

3. Um pêso W = 50 kg cai de 30 cm sôbre o meio de uma viga em I,


simplesmente apoiada, com 3m de comprimento. Achar as dimensões
necessárias, sendo ª••• = 2100 kg/cm'.

-Solução. Desprezando a.. , em presença de h (veja equação cl, a relação


entre os" deslocamentos dinâmico e estático é

~
8
= V- v'
ga •• ,
v- 2h
= a:;-·
Se a linha elástica, durante o choque, fôr da mesma forma que no caso
da deformação estática, as tensões de flexão máximas estarão na mesma
relação dos deslocamentos; portanto

Z _6EW h
ª•••,donde
e - ª•••ª -z-'
" Neste cálculo foi desprezada a deformacão local na superflcle de · contacto
da carga com a viga.
336 RESISttNCIA DOS· MATERIAIS

onde Z é o módulo de resistência à flexão da seção e e é a distância da


fibra mais afastada ao eixo neutro, a qual é a metade da altura da viga
em nosso caso. Substituindo os valores numéricos,

6X21Xl0SX50X30
eZ = ---2100' X 300 14,35 cm'.

A viga em 1 necessária tem 16 cm de altura e pesa 17,9 kg/m.

4. Que tensão se produz na viga do problema precedente quando um


péso de 100 kg cai no meio da viga de uma altura de 15 cm?

5. Uma viga de madeira em balanço, com l,8m de comprimento e uma


seção transversal quadrada de 30 por 30 cm, é batida: na extremidade por
um pêso W =
50 kg que cai de uma altura h =
30 cm. Determinar o
afundamento máximo, levando em conta a perda de energia devida â
massa da viga.

Solução. Desprezando 8,., em presença de h, a equação análoga à equa·


ção (193!, torna-se

li,.,v' 1
li= g 33 ql
l + 140W

Para ql = 72 X 1,8 = 130 kg ,

11 = V 8
.... 60
33 X 130
1 +.140 X 50
.
= V 12 X 50 X 180' X 37,2
a X 1os X ao• = o.734 cm.

6. Uma viga simplesmente apoiada nas extremidades é batida no meio


por um pêso W que cai de uma altura h. Desprezando a,.; ém presença
de h, achár a grandeza da relação ql/W em que o efeito da massa da viga
reduz o deslocamento dinâmico de 10%.
Resposta.

wql -- 0,483.

71. Expressão geral do trabalho de deformação. - No estudo


dos problemas de tração, compressão, torsão e flexão mostrou-se
que o trabalho de deformação pode ser representado, em cada caso,
por uma função do segundo gr~u das fôrças exteriores (equaçõesº
171, 180 e 187), ou por uma função do segundo grau dos deslo-
camentos (equações 172 181 e 188) . 'IJsto é ta"mbém verdadeiro
para a deformação mais geral de um corpo elástico com as seguin-
tes restrições: (1) o material segue a lei de Hooke e (2) as condi-
ções são tais que os pequenos deslocamentos, devidos à deformação,
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 337

não afetam a ação das fôrças exteriores e são desprezíveis no cál-


culo das tensões. u Com estas duas restrições, os deslocamentos de
um sistema elástico são funções lineares das cargas exteriores; se
estas cargas crescem numa certa proporção, todos os deslocamentos
crescem rta mesma proporção. Consideremos um corpo submetido à
ação das fôrças exteriores P,, P,, P,, ... (figura 273) e apoiado
de tal maneira que o movimento, como corpo rígido, seja impossível
e que os deslocamentos sejam devidos somente às deformações elás-
ticas. Representemos por 8,, 8., 83 • • • , os deslocamentos dos pontos
de aplicação das fôrças, medidos na direção da
fôrça correspondente. 1 • Se as fôrças exteriores
crescerem gradualmente, de modo que estejam
sempre em equilíbrio com as fôrças elásticas
interiores, resistentes, o trabalho que produ-
zirão durante a deformação será igual ao tra-
balho de deformação armazenado no corpo
deformado. A quàntidade dêste trabalho não
Fig. 273 depende da ordem em que as fôrças são apli-
cadas e é completamente determinada por
suas grandezas finais. Admitamos que tôdas as fôrças exteriores
P,, P,, Pa, ... cresçam, simultâneamente, na mesma relação; então,
a relação entre cada fôrça e o deslocamento correspondente a ela,
pode ser representada por um diagrama análogo ao dado na figura
262 e o trabalho produzido por tôdas as fôrças P ,, P,, P,, . . . igual
ao trabalho de deformação armazenado no corpo é:

U = _f~ + P,8, + P,8,. + (194)


2 2 2

isto é, o trabalho total de deformação é igual à metade da soma


dos produtos de cada fôrça exterior por seu deslocamento corres-

11 Os problemas como êste da flexão de barras produzida por !õrças laterais


simultâneamente com tração ou compressão axial, não satisfazem à condição acima
e estão excluldos dêste estudo. Com relação a êstes casos excepclonals veja o
artigo 76.
" Os deslocamentos dos mesmos pontos nas direções perpendiculares às tõrças
correspondentes não serão considerados no estudo seguinte.
338 RESISTil:NCIA DOS MATERIAIS

pondente.17 Baseado nas hipóteses feitas acima, os deslocamentos


8,, 8,, 8,, ... , são funções lineares das fôrças P,, P 2 , P, . .. A substi-
tuição destas funções na equação (194) dá uma expressão geral
do trabalho de deformação, sob a forma de função homogênea do
segundo grau das fôrças exteriores. Se as fôrças forem representa-
das como funções lineares dos deslocamentos e essas funções subs-
tituidas na equação (194), obteremos uma expressão do trabalho
de deformação, sob a forma de função homogênea do segundo
grau dos deslocamentos
No estudo acima, as reações nos apoios não foram consideradas.
O trabalho produzido por estas reações, durante a deformação, é
igual a zero, uma vez que o deslocamento de um apoio fixo tal
como A (figura 273), é zero e o deslocamento de um apoio móvel,
tal como B, é normal à reação, sendo desprezado o atrito nos
apoios. Por conseguinte, as reações nada adicionam à expressão
da energia potencial (194).
Como ex~mp10 aa aplicação da equação (194) consideremos a energia
acumulada num elemento cúbico unitário submetido à tração uniforme
em três direções ortogonais (figura 54). Se a aresta do cubo tiver um
comprimento unitário, as fôrças de tração em suas faces serão, numerica-
mente, "'• "•· a, e as deformações correspondentes e., ••· •·· Então, a
energia de deformação acumulada num cubo de um centímetro de lado é,
pela equação (194)

Substituindó as deformações por seus valores dados em {43) "

W = 2~ (a.' + "•' + a,') - + (a.au + ª•ª• + a,a,). (195)

Esta expressão pode também ser usada quando algumas das tensões nor-
mais são de compressão, caso em que elas devem ser tomadas com o sinal
negativo.
Se além das tensões normais houver tensões de cisalhamento atuando
nas faces do elemento, a energia de cisalhamento pode ser adicionada à
energia de tração ou compressão {veja página 329) e aplicando a equação

" Esta conclusão foi obtida, primeiramente, por Clapeyron; Lamé, Leçona sur la
théorie mathématique de 'l'élll8ticité, 2 ed., 1866, p. 79.
11 Aqui, as variações de temperatura devido â deformação foram consideradas
sem Importância prãtlca. Para estudo mais detalhado veja o livro .de T. Weyrauch,.
•Theorie elastischer Korper» Leipzig, 1884, p. 163. Veja também Z. Architekt Uftd
lngenieurweaen, Vol. 54, 1908 p. 91 e p. 277.
TRABALHO DE DEFORMAÇAO 339

(182! teremos a energia total acumulada num cubo de um centímetro


de lado:

W
1 ( a,·.
= 2E + "•' + a,') - ~ (a.a, + "•"' + a,a,) +
+ 2~ (Tzr'. + T,,' + T,.2) <196)

Como segundo exemplo, consideremos uma viga simplesmente apoiada


nas extremidades, carregada no meio por uma fõrça P e solicitada à
flexão por um conjugado M aplicado na extremidade A. O deslocamento
no meio é, pelas equações (90) e (105):

Pl' Ml'
8 = 48EI- + -16EI . •.a)

O deslocamento angular na extremidade A é, pelas equações <881 e <104)

Pl' Ml
8 = 16EI + 3EI '
tb)

Então, o trabalho de deformação da viga, igual ao trabalho produzido pela


fõrça P e pelo conjugado M, é:

_ P8 M8 _ 1 ( P'l' M'l MPI'-)


U-2+-2--ET 96+6 +15. (e)

Esta expressão é uma função homogénea do segundo grau da fõrça exte-


rior e do conjugado exterior. Resolvendo as equações Cal e (bl para M
e P e levando na equação (e), obteremos uma expressão para o trabalho
de deformação, sob a forma de função homogénea do segundo grau dos
deslocamentos. Deve notar-se que, quando tivermos conjugados exteriores
atuando no corpo, os deslocamentos correspondentes são deslocamentos
angulares dos elementos de superfície em que éstes conjugados estejam
atuando.
72. Teorema de Castigliano. - Das expressões do trabalho de
deformação para os vários casos, podemos estabelecer um método
muito simples para calcularmos os deslocamentos de pontos de um
corpo elástico, durante a deformação. Por exemplo, no caso da tra-
ção simples (figura 1), o trabalho de deformação dado pela equa-
ção (171), e

Tomando a derivada desta expressão em relação a P, obteremos


dU _ Pl _
dP-- AE- - 8•
340 RESIST:e:NCIA DOS MATERIAIS

isto é, a derivada do trabalho de deformação em relação à carga


dá o deslocamento co1Tespondente à carga, isto é, no ponto de apli-
cação . da carga e erp sua direção. ~o caso de um balanço carre-
gado na extremidade, o trabalho de deformação é .(equação e,
página 328) .
P'l'
U = 6El

A derivada desta expressão em relação à carga P dá o desloca-


mento conhecido na extremidade livre Pl3 /3El .
. Na torção de um eixo circular, o trabalho de deformação é
(equação 185)
U = M./l
2G/p

A derivada desta expressão em relação ao momento torsor dá:

que é o ângulo de. torção do eixo e representa o deslocamento cor-


respondente ao momento torsor.
Quando várias cargas atuam num corpo elástico, podemos usar
o mesmo método de cálculo de deslocamentos. Por exemplo, a ex-
pressão (e) do artigo precedente dá o trabalho de deformação de
uma viga solicitada à flexão por urna carga P aplicada no meio e
por um conjugado M aplica;do na extremidade. A derivada parcial
dei;;ta expressão em relação a P, dá o deslocamento no ponto de
aplicação da carga e a derivada parcial em relação a M, dá o ân-
gulo de rotação da extremidade da viga em que atua o conjuga-
do M.

O teorema de Castigliano é uma afirmação geral dêsses resulta-


dos.'" Se o material do sistema s-egue a lei de Hooke e as condi-
ções são tais que os pequenos deslocamentos devidos à deformação,
possam ser desprezados estudando a ação das fõrças, o trabalho
de deformação dêsse sistema pode ser dado por uma função homo-
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 341

gênea do segundo grau das fôrças que atuam (veja artigo 71).
Então, a derivada parcial do. trabalho de deformação em relação
a qualquer fôrça, dá o deslocamento correspondente a esta fôrça
(para os casos excepcionais veja o artigo 76). Os têrmos "fôrça"
e "deslocamento". podem aqui ter s~us sentidos generalisados, isto
é, incluem "conjugado" e "deslocamento angular", respectivamente.
Consideremos um caso geral, tal como o que vemos na figura
273. Admitamos que o trabalho de deformação seja representado
como função das fôrças P,, P 2, P 3 • • • • de modo que

U = f(P,, P,, P3, ... ). (a)

Se dermos um pequeno acréscimo dP71 a qualquer carga exterior


P71, o trabalho de deformação· crescerá também e sua nova gran-
deza será:

(b)

A grandeza do trabalho de deformação não depende, porém, da


ordem em que as cargas são aplicadas ao corpo, isto é, depende
sómente de seu~ valores finais. Pode admitir-se, por exemplo, que
a carga infinitesimal dP71 foi aplicada em primeiro lugar e que,
depois, foram aplicadas as cargas P ,, P 2, P 3 , • • • A quantidade
~inal do trabalho de deformação permanece a mesma que foi dada
pela equação (b). A carga dP,., aplicada em primeiro lugar, pro-
duz somente deslocamento infinitesimal, de modo que o . trabalho
produzido correspondente será uma quantidade pequena de segun-
da ordem, podendo, portanto, ser desprezada. Aplicando, agora, as
cargas P,, P 2, P,, ... devemos observar que seu efeito não ser4
modificado pela carga dP., aplicada, previamente,'º e ·O trabalho
produzido por estas cargas será igual a U (equação a), como an-
teriormente. Durante a aplicação destas fôrças, porém, dP,. sofre
um certo deslocamento 8 na direção de P e produz o trabalho
71 71

'°. Isto é consequência das hipóteses te.ltas na pãglna 336 baseadas nas quais
o trabalho de detormacão foi obtido como uma funcão homogênea do segundo grau.
342 RESIST:E:NCIA DOS MATERIAIS

(dP n) Bn. As duas expressões para o trabalho devem ser iguais;


portanto:
oU
U + oP. (dPn) = U + (dPn) Bn,

oU (197)
8" = oPn
o que prova o teorema de Castigliano.

Corno aplicação do teorema, consideremos uma viga em balan-


ço, suportando uma carga P e um conjugado Ma na extremidade,
figura 274. O momento fletor numa seção transversal mn é
M = - Px - Ma e o trabalho de deformação é, pela equação 187,

U =J.' 0
}'!
2EI
2
dx

Para obter o deslocamento 8 na extremidade do balanço, tere-


mos somente que achar a derivada parcial de U em relação a P,2 1
o que dá:
CU 1 oM
8 = r.P = ET º M aP dx.
f.'
Substituindo M por sua expressão equivalente em função de P e
Ma, obteremos:

=
1.f'
EI) 0 (Px + Ma)xdx =
Pl3 Ml 2
+ 2ÊI .
8 3EI
A mesma expressão teria sido obtida aplicando um dos métodos
descritos anteriormente, tal como o método dos momentos das
áreas ou o método de integração da equação diferencial (79) da
linha elástica.
Para obter o deslocamento angular na extremidade, calcula·
remos a derivada parcial do trabalho de deformação em relação
ao conjugado Ma. Então:

e= CU l
êM,, = EI
1 0
1
cM
M cMa dx =

lj'
=-ET º (Px + M.)dx Pl 2
= 2EI
+ M.l
El
" O processo mais simples é derivar primeiro sob o sinal da integral, para depois
Integrar, em vez de Integrar primeiro para depois derivar.
TRABALHO DE DEFORMACAO 343

ad
O sinal positivo obtido para 8 e 6 indica que
A ,,. o afundamento e a rotação da extremidade
8
/t n têm as mesmas direções e sentidos que a fôrça
P z. ' e o conjugado, respectivamente, da figura 274.
Fig. 274
Deve notar-se que a derivada parcial
'iJMl'iJP mede o aumento do momento M em re-
lação ao aumento da carga P e pode ser objetivada pelo diagrama
dos momentos fletores para uma carga igual à unidade, como se
vê na figura 275 (a). A derivada parcial 'iJM/'iJMa pode ser objeti-

,.r- z -j
I ___,

t z ,l.~ zl
l
,.,
--1

l
~-,
I

% z

(q) (ó)
Fig. 275

vada da mesma maneira, pelo diagrama dos momentos fletores


da figura 275 (b). Usando as notações

oM _ M' cM
ap - P e oM. =Mm'

podemos representar nossos resultados precedentes da seguinte


forma

8 = 11'
EI
0
MM/dx; (198)

Estas equações, deduzidas para o caso particular dado na figura


274, servem também para o caso geral de uma viga com qualquer
espécie de carregamento e qualquer espécie de apoios. Podem tam-
bém ser. usadas no caso de cargas distribuidas.
Consideremos, por exemplo, o caso de uma viga simplesmente
apoiada, uniformemente carregada, figura 276 e calculemos o afun-
damento no meio desta viga aplicando o teorema de Castigliano.
Nos casos precedentes, atuavam cargas concentradas e conjugados
e, as derivadas parciais em relação a estas cargas e conjugados
davam os deslocamentos e rotações correspondentes. No ·caso de
344 RESIST1'lNCIA DOS MATERIAIS

uma carga uniforme não há fôrça vertical atuando no meio da


viga, a qual corresponderia ao afundamento no meio. Assim, não
podemos proceder como no problema precedente. Esta dificuldade
pode, entretanto, ser removida, prontamente, admitindo que haja
uma carga fictícia P de grandeza infinitamente pequena no meio.
Essa fôrça, evidentemente, não afetará o afundamento nem o

,,
diagrama dos momentos fletores dado na figura 276 (b). Ao mes-

,~~ --t
f~-"X'~1111t""~,"ti~-A-l (t:)

o~6~ (4) (ai)


Fig. 276
mo tempo, o valor do aumento do momento fletor devido ao au-
mento da carga P, representado pela derivada parcial oM/oP, é o
que se vê nas figuras 276 (e) e 276 (d). Com êsses valores de M
e oM/oP, o valor do afundamento é

8 =
au
~ =
1
El:
.
f
o
z

M

aM
aP dx.

Observando que M e oM/oP são ambos simétricos em relação ao


meio do· vão, obteremos:

2
a = EI-
-
j'''
.
o
oM dx
M aP =

-
-
~
El: j
(''' ( qlx -
2
qx• )
· 2
~
2
dx = 3854 Eqlz•_ .
_
0

Se quizermos calcular o desloca-

f-~~
mento angular na extrémidade B
I i da viga da figura 276 (a), aplicando
o teorema de Castigliano, tem que
(o! 1 --------1} . ser ádmitido, somente, um conjugado
~__J infinitamente pequeno Mb em B.
(6) Êste conjugado não altera o diagra-
Fig. 277 ma dos momentos fletores da figura
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 315

276 (b). A derivada parcial ôM/ôMb é, então, como se vê na figura


277 (a) e (b). A rotação procurada da extremidade B da viga é:

8 = ~
ôMb
= _l_l'M~
E/, ôMb
dx=

~1.·1 í e~Zx - ' ~· )-1- dx = 2:1.


Vemos que os resuÍtados obtidos pelo emprêgo do teorema de Cas-
tigliano coincidem com os previamente obtidos (página 150).
PROBLEMAS
1. Empregando o teorema de Cas-
tigliano, determinar o afundamento e
a inclinação da extremidade de uma
I viga em balanço, uniformemente
Fig. 278 carregada.
2. Determinar o afundamento na
extremidade B da parte em balanço da viga apresentada na Fig. 278.
3. Calcular o deslocamento horizontal do apoio B do quadro da Fig.
279, produzido pela fõrça horizontal If.

Resposta. 11 •. = - 32- Hh'


~
Hh'l
+ ----m-
4. Determinar o aumento da distância AB produzido pelas fôrças H
(Fig. 280), sabendo que as barras AC e BC têm as mesmas dimensões e
considerando apenas a flexão das barras. Admite-se. que o ângulo a tenha
grandeza suficiente para permitir desprezar o efeitb das deflexões sõbre
o valor do momento fletor.
2 HZ'sen'a
R&posta. li
EI

Fig. 279
5. Deternµnar o afundamento a uma
distância a da extremidade esquerda da l--.. 1
viga uniformemente carregada vista na 1 ",
Fig. 276a. ~it-;--.-...:....-.1:.---.....,..--p.
Solução. Aplicando uma carga P, in· . .e
finitamente pequena, a uma distância a
r
da extremidade· esquerda da viga, a
d eriva
· d a pareia · 1 cll!l
êP toma o aspecto
que se vê nas Figs. 281 a e b. Usando Fig. 281
RESIST:E:NC:IA DOS MATERIAIS
3..;6

para M c:i diagrama parabólico da Fig. 276 b, o afundamento procurado é:

5 = ~~~ = ~[ i' M ~~ dx = ~[ Ju •( q~ -q: )~b d:c +

+ET.
1 f' e ql:z; -
2
q:z;' ) a(l - :z;) d:c
2. z

a = 2~0.:1 (a' + b' + 3ab).


substituindo a por x e b por CZ - :z;) éste resultado pode ser transformado
na equação da curva elástica, obtida anteriormente (pág. 150).
/7s. Deslocamentos das treliças. - O teorema de Castigliano é
e~pecialmente útil no cálculo dos deslocamentos das treliças. Como
exemplo, consideremos o caso dado na figura 282. Todos os mem-

Fig. 282
bros do sistema estão numerados e seus comprimentos e áreas de
seção transversal estão dados no quadro 5 a seguir. A fôrça F, pro-
duzida em qualquer barra i pelas cargas P 1 , P, e P, pode ser cal-
culada pelas simples equações da estática. Estas fôrças estão dadas
na coluna 4 do quadro. O trabalho de deformação de qualquer
barrai é F1 2Z1/2A1E pela equação (171). A quantidade de trabalho
de deformação, em todo o sistema, é
• =m F.2l.
U = I '' , (199)
'=• 2A,E
onde a soma é extendida a todos os membros do sis.tema, os quais
em n~o caso são m = 11. As fôrças F, são funções das cargas
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 347

P e o deslocamento lln sob qualquer carga P n é, portanto, pela


equação (197),

au
lln = aPn = (200)

·-<:. J ' •..:1

TABELA 5 ,, -;,rco ,_ -,
DADOS PARA A TRELIÇA DA FIGURA 282 .:E'- ccr •'

1 2 3 4 5 7
z. A, F, F.''
cm cm' t

1 625 37,50 -13,75 - 0,625 143,2 o


2 375 18,75 8,25 0,375 62,0 1
3 500 12,50 8,00 o o o
4 375 18,75 8,25 0,375 62,0 1
5 625 12,50 3,75, 0,625 117,2 o
6 750 25,00 - 10,50 - 0,750 - 23,6 o
7 625 12,50 6,25 0,625 195,2 o
8 375 18,75 6,75 0,375 ' 50,8 o
9 500 12,50 4,00 o o o
10 625 37,50 - 11,25 - 0.625 117,2 o
11 375 18,75 6,75 0,375 50,8 o

= 822 t/cm

A derivada aFJaPn é o valor do acréscimo da fôrça F; para o


. acréscimo da carga P n· Seu valor numérico é igual à fôrça produ-
zida na barra i, por uma carga unitária aplicada na posição de P n,
e nos valeremos disto, para achar a derivada acima. Estas de-
rivadas serão de agora em diante representadas por F;'. A equação
para calcular os afundamentos torna-se:

lln = ~ (201)
i =1

Consideremos, por exemplo, o deslocamento ll, correspondente a P,


em A na figura 282 (a). As grandezas F; tabeladas na coluna 5,
do quadro, são obtidas pelos princípios simples da estática, das con-
dições de carregamento dadas na figura 282 (b), em que tôdas as
cargas reais foram removidas e está aplicada, na articulação A.
348 RESISttNCIA DOS MATERIAIS

sõmente uma carga vertical de 1 tonelada. Os valores tabelados


· na coluna 6 foram calculados por intermédio das colunas de ~ a 5.
A soma e divisão pelo módulo E = (21/1000) X 10• t/cm• dão o
deslocamento em A, equação (201),

822 X 1000
8, = 21 X lQ• = 0,392 cm.

O estudo acima teve em mira a determinação dos deslocamentos


8,, 82 • • • correspondentes às fôrças exteriores dadas P 1 , P 2 •••
Pesquisando a deformação de um sistema elástico pode ser neces-
sário calcular o deslocamento de um ponto, em que não haja abso-
lutamente carga, ou o deslocamento de um ponto carregado numa
direção diferente da carga. O método de Castigliano pode, também,
ser usado aqui. Basta que apliquemos naquele ponto uma carga
imaginária Q, infinitamente pequena, adicional, na direção em que
se quer medir o deslocamento e calcular a derivada ôU/ôQ. Nesta
derivada a carga adicional Q é feita igual a zero e obtém-se o des-
locamento procurado. Por exemplo, na treliça dada na figura 282
(a), calculemos o deslocamento horizontal do ponto A. Uma fôrça
horizontal Q é aplicada neste ponto e ·o deslocamento horizontal
correspondente é

i =m

(a)
i =1

onde a soma é extendida a todos os membros do sistema. As fôrças


F; na equaçãq (a) têm o mesmo significado que anteriormente,
porque a carga adicional Q é zero e suas derivadas ôF;/ôQ = F;''
são obtidas como sendo as fôrças nas barras da treliça, produzidas
pelo carregamento dado na figura 282 (e). Estas estão tabeladas
na coluna 7. Substituindo estas fôrças na equação (a), acharemos
que o deslocam~nto horizontal de A é igual à soma dos alongamen-
tos das barras 2 e 4, isto é,

8h = ___!__( F.z. + F.z. ) = 375 X 1000 (8,25 + 8,25) =


E. A, A. 18,75 X 21 X 10•
= 0,157 cm.
TRABALHO DE DEFORMAÇÃO 349

Pesquisando a deformação das treliças é, mui-


tas vêzes, necessário conhecer a variação de dis-
tância entre dois pontos do sistema. Isto,
também, pode ser .feito pelo método de Casti-
gliano. Determinemos, por exemplo, que decrés-
cimo 8 na distância entre os nós A e B (figu-
ra 283, a), produz-se pela aplicação das cargas
lt C•I
l!