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Ciclos Termodinâmicos de

Refrigeração
Ciclo de Carnot

Prof. MSc. José Fábio Abreu de Andrade

Refrigeração e Ar Condicionado 1
Ciclos Termodinâmicos de Refrigeração

➢ Ciclo de Carnot:
• Dos estudos de Nicolas Carnot (1796-1832), Sir William Thomson ou Lord
Kelvin (1824-1907) e Rudolf Clausius (1822- 1888), nasceu a teoria
moderna sobre a refrigeração, onde, através da adição de trabalho, é
possível retirar calor de um reservatório a baixa temperatura e transportá-
lo para um reservatório térmico a alta temperatura;
• O ciclo ideal (reversível) responsável por esse processo é chamado de
Ciclo de Carnot (ou ciclo de Rankine reverso). É o modelo ideal para o
ciclo de refrigeração operando entre duas temperaturas fixas ou entre dois
fluidos a diferentes temperaturas e cada um com capacidade térmica
infinita (duas bacias térmicas). Nele, todos os processos são reversíveis, o
que significa ausência de atrito, processos de compressão e expansão
quase estáticos, transferência de calor com diferença de temperatura
infinitesimal e as trocas de calor são somente aquelas indicadas no ciclo;

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➢ Ciclo de Carnot:
• Nenhum ciclo de refrigeração pode possuir um coeficiente de performance,
COP maior que o ciclo reversível de Carnot, operando entre as mesmas
temperaturas;
• Todos os ciclos reversíveis, operando entre as mesmas temperaturas, terão
COP idênticos;

1-2 ⇒ compressão A entropia apesar de ser uma


isentrópica propriedade das mais fundamentais
2-3 ⇒ rejeição e amplamente utilizada na
isotérmica de calor termodinâmica, em sistemas de
3-4 ⇒ expansão refrigeração não tem grande relevo,
isentrópica mas está fundamentalmente
4-1 ⇒ admissão associada a uma grandeza de
isotérmica de calor desordem interna da substância.

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➢ Ciclo de Carnot:

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➢ Coeficiente de performance de Carnot:


• A eficiência do ciclo é normalmente definida como a relação entre a
energia útil (refrigeração), que é o objetivo do ciclo, e a energia que deve
ser gasta para a obtenção do efeito desejado, conforme a equação abaixo:

• Para processos reversíveis: dQ = Tds


• Para processos adiabáticos: dQ = 0
• Para processos reversíveis e adiabáticos
(compressão e expansão): Tds = 0
• Como T≠0, então ds = 0 ou s = constante,
que define um processo isentrópico.
C → Condensador (Fonte Quente)
E → Evaporador (Fonte Fria)
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➢ Coeficiente de performance de Carnot:

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➢ Coeficiente de performance de Carnot:


• Um COP elevado é interessante, pois equivale a uma quantidade pequena
de trabalho para uma dada capacidade de refrigeração;
• O COP de um ciclo de Carnot depende somente das temperaturas limites,
podendo variar entre zero a infinito;
• Um valor baixo de TC produzirá um COP alto. Um valor alto de TE aumenta
o valor do numerador e diminui o do denominador, aumentado o COP.
Assim, TE tem um efeito mais significativo sobre o COP que TC, mas
ambos limitados às condições de operação do ciclo.
• Uma medida do afastamento do ciclo real do ciclo ideal reversível é dada
pelo rendimento de refrigeração, ƞR, como definido:

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➢ O Ciclo de Carnot para um refrigerante real:

• Gás refrigerante é o ar;


• Conhecido como Ciclo de Jaule;
• O ciclo a gás apresenta um valor de COP
mais baixo que ciclo de Carnot;
• O ciclo de Carnot consome uma fração do
trabalho líquido (área 1A3B), mas produz
uma quantidade maior de refrigeração
(área abaixo de B1). Ou seja, a diferença
entre o ciclo a gás e o de Carnot
(operando entre os mesmos níveis de
temperatura) é dada pelas áreas A23 e
1B4. O efeito destas áreas adicionais é
aumentar o trabalho necessário,
diminuindo o COP. O efeito da área 1B4,
além de aumentar o trabalho necessário,
reduz a refrigeração.
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➢ O Ciclo de Carnot para um refrigerante real:


• Apesar destes inconvenientes, o ciclo a gás apresenta duas grandes
vantagens: componentes simples e mais leves, tornando este ciclo
adequado para o resfriamento de aeronaves e, quando incorporando a
regeneração, pode ser utilizado para a liquefação de gases e aplicações
criogênicas.
• Para utilizar o ciclo de Carnot, em vez de um gás, utiliza-se uma
substância, denominada refrigerante, que condensa durante a rejeição de
calor e vaporiza durante a retirada de calor do espaço refrigerado. Tal
refrigerante operaria entre os estados de líquido e vapor:

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:


• A refrigeração por compressão mecânica do vapor consiste na produção
contínua de líquido refrigerante, que por ebulição, retira calor do meio a
refrigerar;
• Para que se consiga a vaporização de um líquido, é necessário que a
tensão de seu vapor (função da temperatura) seja superior à pressão a
que está submetido. Assim, quanto mais baixa for a pressão, mais baixa
será a temperatura de vaporização e, portanto, mais baixa a temperatura
conseguida no meio a refrigerar;
• Os líquidos refrigerantes se caracterizam por ter uma tensão de vapor
muito baixa, permitindo que vaporize a temperaturas baixas. Para
aproximar o ciclo de Carnot a uma condição mais real, algumas
modificações são necessárias.

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

• Compressão úmida e compressão seca:


• A compressão, a partir de um estado onde
coexistam as fases líquida e vapor, estado ①, é
denominada compressão úmida, uma vez que
ocorre com a presença da fase líquida;
• Nesta situação, o compressor está sujeito a dois
problemas:
▪ O primeiro é a diluição do óleo de lubrificação
pela presença do refrigerante líquido (caso dos
compressores alternativos). Esta diluição reduz a
eficiência de lubrificação do óleo;
▪ O segundo problema ocasionado pela presença de
líquido na compressão está relacionado com a
possibilidade de ocorrência de danos nas válvulas,
resultantes da ação de erosão promovida pelo
líquido.

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

• Adicionalmente a estes dois problemas, ainda


teria a dificuldade de controlar exatamente as
vazões de líquido e vapor de modo que estado
da mistura seja o estado ①;
• Assim, desloca-se o ponto de início da
compressão para a condição de vapor saturado,
estado ❶ . Considerando-se ainda o processo
de compressão como isentrópico, o estado final
do vapor, na saída do compressor, passaria do
estado ② para o estado ❷;
• Pela análise do ciclo de Carnot, o processo de
expansão entre os estados ③ e ④ foi realizado
por um motor térmico reversível, realizando um
processo isentrópico;
• O trabalho produzido por este motor seria
utilizado no processo de compressão.
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➢ Ciclo padrão de refrigeração:


• Uma série de problemas práticos, no entanto, torna este processo bastante
complexo:
▪ a dificuldade de desenvolver um motor que opere com uma mistura líquido-
vapor; a dificuldade no controle do motor, considerando que a vazão de
refrigerante a ser admitida no evaporador deve ser adequadamente controlada
a fim de garantir a proporção correta de vapor saturado na saída;
▪ a dificuldade em acoplar este motor ao compressor.
• Para simplificar este processo, substitui-se o motor térmico por um
dispositivo de estrangulamento (válvula de expansão ou tubo capilar);
• Desta forma, o processo deixa de ser isentrópico. Aplicando-se para este
processo a Equação da Conservação da Energia para regime permanente,
com algumas hipóteses simplificadoras, chega-se ao resultado que o
processo de expansão é isentálpico, isto é, h4 = h3, que será mostrado em
seguida.
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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

• Diagrama pressão x entalpia (pxh):


• A entalpia descreve a energia interna total
de uma substância, que em determinados
processos a sua variação será igual ao calor
transferido nesse processo;
• As trocas térmicas nos trocadores
(condensador 2-3 e evaporador 4-1) são
praticamente isobáricas e isotérmicas, já que
são processos com mudança de fase (calor
latente);
• A expansão do fluido se dá dentro da zona
de saturação, numa forma praticamente
isentálpica 3-4.

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

• 1-2 ⇒ compressão teoricamente isentrópica


desde o estado de vapor saturado até a
pressão de condensação;
• 2-3 ⇒ rejeição de calor à pressão constante,
diminuindo a temperatura do refrigerante
inicialmente (subresfriando) e condensando
depois;
• 3-4 ⇒ expansão irreversível à entalpia
constante desde o estado de líquido
saturado até a pressão de vaporização;
• 4-1 ⇒ admissão de calor à pressão
constante, produzindo a ebulição do
refrigerante até o estado de vapor saturado.

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

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➢ Ciclo padrão de refrigeração:

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