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J. J.

Gremmelmaier

O Espelho

Edição do Autor
Primeira Edição
Curitiba
2021

1
Autor; J. J. Gremmelmaier Ele cria historias que começam
Edição do Autor aparentemente normais, tentando narrativas
Primeira Edição diferentes, cria seus mundos imaginários, e
2021 muitas vezes vai interligando historias
O Espelho aparentemente sem ligação nenhuma, então
existem historias únicas, com começo meio e
------------------------------------------
fim, e existe um universo de historias que se
CIP – Brasil – Catalogado na Fonte
encaixam, formando o universo de
------------------------------------------ personagens de J. J. Gremmelmaier.
Gremmelmaier, João Jose Um autor a ser lido com calma, a
O Espelho, Romance de Ficção, mesma que ele escreve, rapidamente, bem
195 pg./ João Jose Gremmelmaier / vindos as aventuras de J. J. Gremmelmaier.
Curitiba, PR. / Edição do Autor / 2021
1 - Literatura Brasileira –
Romance – I – Titulo
-----------------------------------------
85 – 62418 CDD – 978.426

As opiniões contidas neste livro são


dos personagens e não obrigatoriamente
assemelham-se as opiniões do autor, esta é
uma obra de ficção, sendo quase todos ou
quase todos os nomes e fatos fictícios.
©Todos os direitos reservados a J. J.
Gremmelmaier
É vedada a reprodução total ou parcial
desta obra sem autorização do autor. O Espelho
Sobre o Autor;
João Jose Gremmelmaier, nasceu em Mais um João, João Roger Junior,
Curitiba, estado do Paraná, no Brasil, formação reporter cronista, em seus ultimos dias de
em Economia, empresário por mais de 15 trabalho, resolve criar um negocio, e
anos, teve de confecção de roupas, empresa começam as confusões.
de estamparia, empresa de venda de
equipamentos de informática, trabalhou em Agradeço aos amigos e colegas que
um banco estatal. sempre me deram força a continuar a
J.J Gremmelmaier escreve em suas escrever, mesmo sem ser aquele escritor,
horas de folga, alguns jogam, outros viajam, mas como sempre me repito, escrevo para
ele faz tudo isto, a frente de seu computador, me divertir, e se conseguir lhes levar juntos
viajando em historias, e nos levando a viajar nesta aventura, já é uma vitória.
juntos. Ele sempre destaca que escreve para se
divertir, não para ser um acadêmico. Ao terminar de ler este livro,
Autor de Obras como a série Fanes, empreste a um amigo se gostou, a um
Guerra e Paz, Mundo de Peter, Trissomia, inimigo se não gostou, mas não o deixe
Crônicas de Gerson Travesso, Earth 630, Fim
parado, pois livros foram feitos para
de Expediente, Marés de Sal, e livros como correrem de mão em mão.
Anacrônicos, Ciguapa, Magog, João Ninguém, J. J. Gremmelmaier
Dlats e Olhos de Melissa, entre tantas
aventuras por ele criadas.

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©Todos os direitos reservados a J.J.Gremmelmaier

J. J. Gremmelmaier

O Espelho

3
O espelho é um conto, novamente na maior
idade, onde nos olhamos e não nos reconhecemos,
onde nos perdemos em corpos que não lembramos
como chegamos a eles.
Lembro até hoje de minha mãe, olhando para a
vitrine da Pernambucanas, e falando da senhora
gorda, como era gorda, ela estava falando, a mão
direita estava minha irmã e eu na esquerda, não
lembro do Sergio, mas deveria estar ao lado da Sueli,
lembro como hoje ela estava falando das senhora
quando ela olha para as crianças que ela segurava as
mãos, lembro do silencio, lembro dela olhar como se
não pudesse ser, estranho os efeitos do espelho,
estranho a vida como voa e sai de nossas mãos.
Este conto surgiu em um lançamento de livro,
em meio a um sarau de poesias, sim, as vezes a
inspiração está ao lado, e não a vemos, as vezes esta
distante, e fazemos de tudo para cruzar com ela.
Às vezes sinto como se tivesse me apropriando
de uma ideia, de uma narrativa expressa nas
entrelinhas de uma poesia, então já peço desculpas
antecipadas.
“Desculpa ai Jaqueline, desculpa ai Lia”

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Toda manha, mesmo nas mais frias
de minha vida, acordo e vou lavar o rosto, e
me deparo com um ser que não conheço
mais, as vezes para me ver naquele senhor,
tenho de focar os olhos, para não parecer
que não o conheço.
Sim, o tempo me arrastou ao
espelho, e o espelho, para minha tristeza ou alegria, reflete quem
sou, o que sou, mesmo que na alma, não me sinta assim.
Quando se fala em ficar velho, sempre pensamos longe, gosto
daquele ditado.
“Velho é alguém com mais de 15 anos que eu. Jovem todos
com menos de 15 anos que eu.”
Mas o espelho me mostra outra coisa, me mostra a
experiência do tempo, a barba cada vez mais branca, os cabelos
cada vez mais ralos, as memorias de um passado que já não existe
no espelho, ali é o agora, e como sei que futuro não existe, e
passado é apenas lembranças, tenho de me deparar como este ser
ao espelho e dizer, prazer, meu nome é João.
Me deparar com o espelho, sempre foi um ponto difícil em
minha vida, pois os prospectos que eu sei de meu passado, apenas
eu o sei, cada falha ou preguiça que me trouxe a este momento, é
refletido neste ser ao espelho.
Se olhar no espelho pode ser uma experiência ao futuro, ao
passado, ou ao agora, então a escolha é minha, observar, lembrar,
ou apenas ir ao futuro.
Espelho, o que você me diz?
Onde esconde aquela criança que cantava rock sem saber as
letras, gritando sua ignorância a todos, esperando que alguém lhe
falasse, não é isto é tá na musica, e mesmo querendo saber, o que
cantar, ninguém nunca me falou a verdadeira letra, então espelho,
você que estava lá, qual era a letra?

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Sei que olho em volta e muitos ainda querem minha opinião,
mas estou prestes a me perder neste espelho, e não sei como
enfrentar, estou a cada dia, me esquecendo de coisas, talvez
esquecendo do que sou.
Se ao me olhar, não vejo mais o reflexo do menino que eu
era, como posso saber se este ai sou eu?
Quantas indagações, a cada manha, olhando o espelho, a
barba cada dia mais branca, as palavras mais roucas e fracas.
As vezes temo ter de terminar meus dias só, mas não quero
pesar na vida de ninguém, e sei que no fim, isto me isola.
Mas a pergunta de toda manha.
“Quem é este velho ao espelho!”
As dores na perna, me fazem pensar sobre as dores, sobre
como cheguei a isto tão rápido, ontem corria pelo terreno da
família, hoje, me arrasto em uma casa, sozinho.
Sim, todos os meus atos, foram para terminar assim e sei que
a maioria não entende, mas prefiro a solidão.
Saio pela porta, chamo um carro de aplicativo, pois minha
vista já não me permite dirigir, o carro a garagem a cada dia fica
com mais poeira.
Chego a região do trabalho, estranho trabalhar em algo,
fazendo algo, sabendo que lá fora, ninguém mas lê o que
escrevemos, foi-se o tempo que colunista politico, tinha espaço, foi-
se o tempo que alguém respeitava os repórteres, hoje em dia, uma
mentira, que todos querem que seja verdade, é mais compartilhada
do que uma verdade.
Olhar as pessoas, ainda escrevo as vezes no computador, mas
quando entrei nesta repartição, as maquinas elétricas eram a
sensação, hoje estas maquinas estão nos museus, será que é uma
dica de onde deveria estar?
Não acredito que vivi o que vivi, e lembro de meu pai, ele
falava que nunca imaginaria o mundo que ele viveu, pois ele viveu
no mundo antes do concreto armado, e isto me leva a estes que
trabalham aqui, eles nunca viveram sem uma rede de informação,
então para eles, isto sempre existiu, assim como para mim, o
concreto parece algo que sempre existiu.

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Olha as noticias, embora existam coisas sensacionais, ficamos
cada vez em noticias mesquinhas, as vezes queria voltar a infância,
as vezes, contradizendo-me, meus joelhos reclamam.
Estes dias, quer dizer, já faz quase uns 10 anos, mas lembro
de uma senhora aos meus 50 anos, uma senhora, simpática, me
olha e me parabeniza e fala. “Es moço, ainda vai uns 50 anos a
frente!” Sabe quando o pensar em viver mais 50 anos, me pareceu
cansativo.
E pior, o corpo não o quer, a mente, sim, sempre.
Quando estou escrevendo, sejam ideias para o Jornal, seja a
coluna On-line, seja dedilhando o violão, me sinto jovem, mas dai
vem o pensamento do porque não pensei em estudar isto quando
os dedos não tremiam.
A vida vai passando, as mãos a cada dia mais tremulas, a vida
cada vez mais na corda bamba entre as dores, doenças, memorias
do passado mais vivas, as de ontem, sumindo, e sabendo que tudo
que faço, é mais cansativo.
Estranho o homem querendo ir a Marte, e eu não conseguir
manter a casa limpa, o homem falando que a inteligência artificial é
uma ameaça, e ela é a única companhia deste velho.
Às vezes, canso, mas hoje escrevi duas crônicas e por mais
que pareça estanho, foram bem recebidas na parte online do jornal,
o que me fez sentir-se bem.

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Acordo pela manha, com o som da
“Guta”, inteligência artificial que me deseja
bom dia, e fala que o café já está sendo
esquentado na cozinha, mas que deveria
me ater a tomar apenas uma xicara, pois
meu índice de cafeína no corpo, estava alto.
Eu já cotei o açúcar, pois estava no
caminho de uma diabete, parei de tomar o remédio que me fazia
não tremer as mãos, mas ele me tirava toda a vida, parecia um
zumbi e não um ser inteligente.
Eu levanto e vou ao banheiro, pego uma toalha, ela estava
cheirando a úmida, mas os últimos dias tem chovido, e não tenho
como secar direito as roupas.
Falando a verdade, só lembro disto quando vou tomar banho,
após me secar esqueço de novo disto.
Quando chego a cozinha, uma coisa é bom ser sozinho, posso
apenas me secar e chegar a cozinha de cueca, hoje evitei olhar no
espelho, ele me deprime.
Coloco o café na caneca, a pia esta cheia de canecas sujas, as
vezes eu tenho preguiça, olho para fora, lembro quando tinha gatos,
hoje já não os tenho, olho o fundo do quintal, as mudas que plantei
na pandemia de 2020 já estão grandes, assim como o mato a volta,
eu apenas olho aquele quintal que precisava de uma inchada, mas
não estava com vontade de fazer força, o mundo está parando, e
estou começando a tentar me desprender de obrigatoriedades, mas
isto não quer dizer que seja algo positivo na minha vida, mas
quando Guta me avisa que estava na hora, apenas peço para ela
providenciar o aplicativo de transporte e quando o mesmo buzina
na entrada, lá vou eu para mais um dia de trabalho, sexta feita,
saudades de quando poderia beber algo no fim das sextas, hoje,
bebo uma cerveja, já tenho de ir a um banheiro, não tenho mais
capacidade de segurar muito tempo.

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As vezes ouço uns amigos falando que estão aderindo as
fraudas e eu mesmo tirando sarro, começo a pensar se não terei de
começar a usar elas.
Sim, a idade começa me tirar os prazeres da vida, e não vejo
como posso retomar algo, eu sou apenas um velho que tem medo
do dia que vai morrer, por temer a dor, mas começa a me parecer
natural um dia sentir ela e me ir para baixo da terra.
Alguns me perguntam as vezes de meu Deus, e em meio a
tantas coisas estranhas da velhice, eu as vezes duvido dele, e o que
me faz mais duvidar, é que se fosse para ter outra vida, minha alma
não estaria perdendo as memorias, ou vão me convencer que
minha alma já renasceu e ficou só esta casca aqui?
Mas por outro lado, tenho passagens que não se explicam, e
não sei, as da infância parecem ao mesmo tempo, mais certezas, e
menos reais, não sei como será minha vida, quando não tiver mais
memoria, talvez acabe em uma calçada, sem saber nem meu nome,
esperando o dia da minha morte.
Então perder a memoria total do hoje, é um dos meus
maiores medos, chego a repartição, vou ao banheiro, pois as vezes
acontecia de ter de tirar agua do joelho, olho-me no espelho e algo
parecia estranho naquele ser, e não sei, eu me olho e fico pensando
o que estava diferente naquele rosto, cabeços ainda esparsos, barba
cada vez mais branca, cabelo desajeitado.
Vou a minha mesa e tinha um recado para ir falar com o
chefe da repartição, talvez ainda na memoria de um dia bom no dia
anterior, vi o rapaz, bem mais novo, deveria ter uns 30 anos, ele me
cumprimenta e com educação fala que estavam encurtando a linha
de funcionários, pois as vendas não estavam boa, e me afirma que
estava em aviso prévio, e que seria desligado em um mês.
Sai da sala, as vezes ouvimos e não reagimos, eu não sei, olhei
o local, mais de 40 anos ali, e agora estavam me colocando para
fora, eu não sei, as vezes me parece que é apenas a confirmação de
que a vida está chegando ao fim.
Chego a minha mesa e o assunto do dia, Zapear, eu escrevo
uma crônica, talvez o não ter mais de agradar, pois eu seria afastado
de qualquer forma, me fez escrever sem uma cobrança de ser
agradável, quase na certeza que estava errado, mas a afirmação que
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mais da metade das pessoas que usavam o terno, não estavam
usando o aplicativo que gerou aquele nome, me parecia uma
afirmativa chutada, e era, pois eu nunca li algo a respeito, e minha
fonte era nenhuma, apenas eles devem ter passado para mim o
assunto, para depois tirar sarro.
Saio como toda sexta, normalmente passaria no mercado e
iria para casa, mas como alguém que talvez em pouco tempo
deixasse de vir ao centro, foi ao Largo da Ordem, sentei em uma
lanchonete e pedi um Submarino, eu nem terminei o primeiro e já
precisei ir ao banheiro, paguei e fui para casa.

10
Fim de semana, lavei as roupas, e as
louças, embora em casa basicamente eu
usava as canecas, pois eu comia fora todo
dia, eu tentei dar uma geral rápida, mas
logo começa a doer as costas e foi difícil
dormir entre sábado e domingo, com as
dores.
Me olho no espelho quando acordo, e estava um lixo,
caminho até a farmácia, e compro um Dorfex, tomo e sento a
varanda do fundo, eu não escrevi nada neste fim de semana,
geralmente eu rascunhava, a lápis mesmo, e sonhava sobre os
rascunhos.
Domingo foi de olhar as plantas, mas sem mexer nelas,
lembro quando plantei aquelas mudas de Cereja do Rio Grande,
agora arvores, e apenas colhi poucas, as mais roxas, fim de semana
sempre fui isolado, e não mudei isto.
Quando acordei na segunda, fui a repartição, os documentos
do tempo de aviso prévio, não me deram um assunto e o editor
falou para escrever sobre o que achasse bom.
Não sei, as dores da idade, por estar doido, pareceu um bom
assunto, e apenas o escrevi, sabia que as vezes ninguém lia mesmo,
então era apenas um desabafo.
Eu sai para almoçar e um rapaz chega a minha mesa,
geralmente eu comia sozinho, a maioria das pessoas que
começaram comigo já se aposentaram ou morreram, então eu era
um dinossauro que não existia muitos espécimes na repartição.
— Boa tarde senhor João, podemos conversar?
Sabia que o nome do rapaz era Sergio, e apenas fiz sinal para
ele sentar, eu estava comendo ainda.
— Mandaram lhe perguntar se tinha base no que escreveu na
sexta ou foi um dado chutado.
Olhei o rapaz e falei.

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— Quando se escreve, “Acredito que”, se estabelece que não
existe o dado, é um chute.
— E acredita naquilo.
— Estou de aviso prévio rapaz, acho que ninguém mais lê
minha crônica, então não vejo motivos para uma discussão
daquelas.
— Vai ser afastado?
— Sim, não farei o quadragésimo primeiro ano na empresa, e
sei que eles me olham como velho, estranho estar na idade que o
governo quer que nos aposentemos, e somos colocados como
velhos, então apenas quando terminar meu aviso prévio, vou dar
entrada no meu pedido de aposentadoria, e talvez, morrer quieto.
— As vezes acho que o Jornal está morrendo.
— Hoje é parte dos novos, ouvirem no YouTube da vida, se
antes já não liam, agora, apenas ouvem Podcast e se acham
especialistas.
— Mas acha que ele está morrendo?
— Mudando, hoje eu acho mais fácil fazer uma reportagem
que antes, é muito mais fácil verificar fontes, mas também é muito
mais fácil se prender a fonte que lhe agrada.
— E tem planos para quando se aposentar.
— Morrer quieto.
— Não fale assim senhor, faz parte da historia do jornal que
estamos.
— O problema de ser parte da historia, é que só lembrarão
disto, quando estiver morto, mas estou ficando velho, já não tenho
a energia do passado, já sinto os custos de anos fumando, de anos
na eterna sanfona de anos muito gordos, anos muito magro, agora
vou aos anos, muito velho.
— Não é tão velho assim senhor João.
Sorri, eu não queria discutir, mas apenas falei.
— O que falei ontem, é que para mim, não sei se é isto, pois
estes termos novos, parecem apenas palavras ao vento, mas o
termo Zapeando, deveria ser algo de ação que lhe leva a algo novo,
e o aplicativo que gerou este termo, você não acha nada novo,
apenas os mesmos amigos, os parentes e chatos, nada novo.

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O rapaz ficou ali, eu voltei ao local de trabalho, sempre achei
que o tempo ali, era perde de tempo, mas aquela coisa de empresa
que lhe manda fazer uma única coisa, e obriga o bater do ponto,
então eu escrevi as crônicas do resto da semana, se eles dessem um
assunto mudaria e escreveria algo, mas se fizessem como hoje, seria
algo que teria mais tempo livre.
Uma ideia boba me passou a mente e fiz uma pesquisa de o
que precisaria para gerir uma gravação para a internet, eu nem
tinham parado para pensar nisto, mas me fez pensar no que poderia
falar, e sorri.
No fim do dia, passei na Americana, a 4 quadras da
repartição, e comprei uma mascara de borracha, um óculos, e um
celular melhor.
Com aquela sacola fui para casa, quando eu coloquei a
mascara, eu um senhor idoso, vi quanto estava velho, ou melhor
acabado, pois 59 anos não é tanta idade, mas quando uma mascara
de velho lhe deixa mais jovem, sinal que a coisa está ruim.
Sempre digo que tenho de manter a lucides, sei que este tipo
de ganho, já foi maior, mas a ideia, ter algo para fazer, via como
uma forma de não enlouquecer antes do fim.
Olho o cadastro no aplicativo, vejo que meu computador era
lento, para aquele tipo de coisa, mas não queria gastar ainda,
estranho o conversor de vídeo do celular ser mais rápido que ele.
Coloco a mascara e os óculos, seria mais fácil, pois não teria
de maquiar na altura dos olhos, a boca fechada, me fez pensar que
era uma péssima ideia, vou a gaveta e olho uma daquelas mascaras
mofadas de um passado distante, pego a melhor, passo uma agua e
penduro no varal.
Penso no que falaria, e não me veio nada de importante e
começo pelo texto teste, sobre ser velho, foquei na parte alta do
rosto, onde se via a marcara e os óculos, a bagunça ao fundo,
quando vi o vídeo, pensei em arrumar o fundo, depois deixei como
estava.
O conversor começa e vou a um banho, pela primeira vez
estava ocupando, depois de anos, em algo.

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Eu coloco o primeiro vídeo no YouTube, isto já teve mais
destaque, e fora menos profissional como meu vídeo, mas isto foi
no passado, agora eu fazia como diversão.
O ir dormir e acordar e não ter uma única visualização, me fez
encarar como era, texto ruim, vídeo primário, eu gostei, isto que
fazia diferença.

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Acordo na terça novamente chamado
a realidade por Guta, que me avisa que o
café estava sendo passado, a cafeteira
eletrônica, com cafés especiais, já não era
das novas, deveria ter mais de um ano, mas
aquilo em si, mudou uma parte da minha
manhã, me acomodando mais ainda.
Eu nem olhei as visualizações, entendi que isto poderia me
desmotivar, e estava apenas no texto base, e não sabia editar um
vídeo, e olhando o mato do terreno, talvez agora tivesse tempo
para eliminar parte dele.
Aplicativo, centro, repartição, eu começava a olhar em volta,
acho que o me avisarem que tinha dias contados, me fez olhar em
volta, me tirou da área de conforto.
Olho os demais na repartição, se eu me distraia com o ler das
noticias, via gente que registrava partes do dia, como sendo algo
incrível, eu não tinha esta paciência, fiz a minha crônica e na saída,
sai com o celular e filmei alguns locais, a frente do shopping, a
frente de uma casa de eventos da prefeitura, a praça frontal, pensei
que iria a praça Tiradentes, mas entrei em uma lanchonete, comi
um salgado e estava no horário de voltar.
Eu terminei o dia e fui para casa, eu estava pensando em algo
que talvez fosse um memorial para no futuro, não esquecer parte
do que vivi.
A frente da câmera dos vereadores, filmando, falei da época
que fiz campanha para um candidato, era década de 90, e este
senhor, velho, ainda era vereador.
Eu colocava a imagem no fundo, na TV de 60 polegadas, e fiz
o primeiro vídeo, depois fiz o vídeo do que era a antiga Rodoviária,
agora um shopping, que por ali, na década de 30, os apoios de
Getúlio Vargas chegaram a cidade. Fiz um terceiro vídeo, estava de
mascara, então embora estivesse contando minha versão, era do
senhor da mascara, de óculos. A terceira fala da época que trabalhei
15
no prédio ao fundo, que foram 40 anos fazendo algo, que não se dá
mais a devida importância.
Eu termino o quarto vídeo, era próximo a meia noite, teria de
cuidar para não perder a hora, e não parecia preocupado, coloquei
os vídeos a converter, tomei um banho e fui a cama, a cabeça
estava a toda, e não parecia que iria parar, sorri, pois o pouco que
filmei, deu 4 vídeos.
Adormeço pensando e me sentido um pouco mais vivo.

16
Acordo com o despertador alto de
Guta, olho assustado, dormi de mais,
levanto, penteio o cabelo e saio, nem tomei
o café, estava atrasado, mas não atrasei no
serviço.
Entro na repartição, precisava de um
café, o editor pediu para apenas fazer um
texto, e passei para ele o texto antes das 9 e desci para tomar um
café.
Eu não era de ouvir conversas paralelas, pois a muito meu
grupo de pessoas, dentro da repartição, se desfez, as vezes acho
que fui teimoso demais, a ponto de nem me preocupar em sair dali,
enquanto alguns, tentaram voos altos, saíram viajar pelo mundo,
mas isto não me faz feliz.
Tomo o café e volta a minha mesa, chego lá e o diretor de
conteúdo me olha, não sabia o que esperar, e ouço.
— Consegue refazer?
Agora com cafeína no estomago, olho o papel e sorri, passei o
errado para eles, e apenas concordei com a cabeça.
Pego outro texto e passo para eles, não era 10 da manha
ainda.
Agora não voltou, eu olho o texto que passei e sorri, não era
algo que deveria ter sido lido por outros, mas era apenas um
esboço, talvez eles nem tenham entendido.
Mas saio no horário do almoço, e dou um pulo até a Praça
Zacarias, e a filmo, sabia o que falaria, subo uma quadra e filmo
uma parte do calçadão da XV de Novembro, paro a frente de um
prédio, e o filmo, depois paro a frente da biblioteca publica,
filmando um pouco de cada local, eu precisava de uma imagem de
fundo, então se ela se repetisse em LUP na fala, não interessaria.
Subo para a Tiradentes e atravesso a praça, descendo
novamente para a região da Carlos Gomes.

17
Entro em uma lanchonete, que muitas vezes almocei ali, e
peço um PF, sento ao fundo e vejo Sergio me olhar a entrada, ele
veio direto, ele queria algo, e não sabia ser tão simpático assim.
— Boa tarde senhor João, posso me sentar.
Apenas sorri, eu não era o dono do local para o proibir de
algo, meu prato chegou e comecei a comer.
— As vezes estranho como é isolado na repartição.
— Pensava nisto estes dias, e 99% das pessoas que
trabalhavam no Jornal quando entrei, já não estão nele, então os
amigos ou se aposentaram, ou morreram, e alguns, saíram viver a
vida.
— Desculpa a intromissão, mas pela segunda vez na semana,
vejo um texto seu, e me pergunto, como alguém que parece isolado
do meio, consegue enxergar o meio.
— Não entendi? – Não havia entendido mesmo.
— Sua colocação sobre a auto idolatria, que foi o texto de
ontem, reflete uma sociedade de mudanças de perspectiva, que
parece um caminho sem volta.
— No meu texto não tem esta perspectiva de não ter saída,
apenas é uma ideia, que poucos vão ler, mas que norteia a atual
sociedade, se eu tiver hoje um computador, seja ele físico, seja ele
no celular, seja ele como for, e for curioso, se eu começar a me
dedicar aos meus 12 anos, aos meus 22, esta criança, já terá visto
300% a mais de informação, do que um mestrando da minha época
acadêmica.
— Embasado?
— Sim, se você me citar qualquer livro, isto já não é de hoje,
vem evoluindo a cada ano, mas se você me citar um livro e me
interessar por isto, eu abro um aplicativo e em dois minutos estou
com ele no meu celular, e antes o texto vinha no natural, na língua
de origem, hoje, vem uma pergunta se quer em português e o
sistema traduz ele para você.
— Dando acesso a quem tem interesse.
— Sim. – Voltei a comer, estava pensando no que faria ao fim
do dia, e o rapaz pergunta algo que me deixou sem saber se
respondia, mas ele perguntou.
— Nunca pensou em fazer vídeos na rede?
18
— Estaria mentindo se falasse que não, mas as vezes,
precisamos de tempo para elaborar isto.
— Verdade, sabe que aquele texto que o diretor não aceitou
hoje, seria um inicio de conteúdo.
Olhei ele descontente, mais por não gostar de gente muito
enxerida na minha vida.
— Desculpa se fui evasivo, mas parecia um texto que o
diretor não entendeu, mas sinal que pensa nas coisas as vezes mais
livres de amarras editoriais.
— Eu nem sei se algo que eu fizer, alguém veria, minhas
ideias são como minhas crônicas, rápidas.
— A internet é para coisas rápidas senhor João.
Olhei o rapaz e falei, as vezes talvez precisasse de uma
opinião, talvez fosse a hora de ver o que os demais acham.
— Certo, devo ter 5 testos rápidos na internet, todos
colocados a menos de uma semana, eu não acho que vai dar em
algo, mas nem sei o que pensar disto.
— E está no seu nome?
— Não, uma pagina no Youtube com o nome de “O Espelho!”
O rapaz pega o celular e procura, mas não achou nada, ou
não me falou nada, terminei de comer e falei.
— Agora deixa eu voltar ao trabalho.
Fui a minha mesa, acabo sempre achando que falei demais, e
que não deveria ter falado, então apenas me desligo e olho o que
passei por engano, sim, o prospecto do que faria hoje, então pego o
mesmo e mudo, não era para ficar tão inocente assim.
Eu as vezes olhava as pessoas se dedicando a confirmar fonte,
as vezes, em corre atrás de novidades, e eu, pensando em como
seria entediante este mês de aviso prévio.
Chego em casa, no final do dia, coloco a TV na varanda da
casa, mudava o clima, acendo as luzes da varanda, e olho os textos
que faria, as vezes pareciam inocentes de mais, mas eu estava
mostrando imagens de hoje, mas meu texto era do passado.
Eu ajeito o cabelo da mascara, e coloco uma mascara
descartável, ao rosto, como se voltássemos a época da pandemia,
alguns ainda usavam a rua, mas o trauma já era pouco.

19
Começo pelo texto da praça Zacarias, e depois da minha
lembrança mais marcante ali, trote dos calouros de Jornalismo, isto
fora na década de 80.
A segunda lembrança, foi do calçadão, da época dos discos de
vinil, que pouca coisa sobrou a este respeito, mas que fazia parte da
minha adolescência, que os prédios poderiam parecer os mesmos,
mas estavam bem melhor cuidados.
A terceira lembrança foi diante do predio que hoje era uma
loja de departamento, mas que fora a Livraria Requião, falando da
adolescência como atendendo de balcão.
Quarta lembrança, quantos trabalhos fizemos na biblioteca,
hoje, se consegue informação facilmente pela internet, mas ali, era
pesquisar e achar fontes de informação sobre os temas, não apenas
um comentário geral na internet.
Quinta lembrança foi do meu primeiro terno, comprado na
esquina da Praça Tiradentes com a Rua Monsenhor Celso, a alegria
de algo que hoje se ridiculariza na rua, mas era de uma importância,
sua veste de trabalho.
Eu iria fazer mais um texto mas Guta me avisou que estava na
hora de dormir, resolvi não abusar muito naquela noite, coloco os
vídeos para compilar e o celular para carregar, tomo um banho, e
deito pensando que aquilo estava me ajudando a pensar.
Adormeci bem naquele dia.

20
Acordei sedo, Guta coloca o café para
fazer, e publico os 5 vídeos do dia anterior,
como morador do bairro do Bacacheri, e
ainda sedo, pego a câmera e filmo a
nascente de uma bica ainda a rua, algo que
se mantivera ali por décadas, faço o vídeo
na frente do trilho do trem, em frente ao
quartel dos bombeiros, um vídeo a frente da Graciosa Country Club,
e o ultimo vídeo, em frente ao 20º Batalhão de Infantaria Blindada.
Volto para casa, pego um aplicativo e vou ao centro, eu paro
a minha mesa e tinha um recado do chefe da repartição, estranhei,
mas talvez ainda quisessem um assunto que somasse a outros
temas, isto era muito usado, quando se falava de transporte
publico, muitos buscavam dados sobre isto.
Chego a sala dele, ele me olha e fala.
— Entre João, soube que está em uma semana criativa, pois
me perguntaram sobre as suas crônicas duas vezes esta semana.
— Algo errado com elas? – Sempre fui arisco com sorrisos,
confio mais na coisa direta.
— Se desarma, sei que fui eu que lhe dei a noticia de que
estamos contendo gastos, mas parece que liberdade de criação está
lhe fazendo bem, e a crônica sobre “Conteúdo Bom ou Ruim,
depende de você a escolha!”, fez alguns me perguntarem as bases
da noticia, alguns querem aprofundar isto.
Apenas olhei o senhor, não sabia o que falar naquele
momento.
— Deve estranhar isto?
— Não, apenas um texto normal, estranho ter chamado
atenção, pois está bem no meu estilo de textos, dos últimos 40
anos. – Falei olhando o senhor.
— E qual seria o tema de hoje?

21
— Um alerta para os pais, sobre vídeos com conotação
sexual, e que parecem e são recomendados aos menores, por
estarem listados como de instrução de uso.
— Pelo jeito estava pensando mesmo nestes assuntos, mas é
um bom caminho, continue assim João.
Sai da sala, o texto já estava pronto, eu quis provocar, e não
sabia como chegar aquele assunto, então introduzi o assunto, mas
era apenas respeito aos poucos que acompanhavam meus textos.
Olho a repartição, continuavam sem me olhar, mesmo Sergio
ao longe, quando na repartição, evitava chegar perto, as vezes acho
que as pessoas não entendem, velhice não pega pelo contato,
infelizmente para todos eles, ela vai chegar independente de
estarem próximo ou distantes dos velhos.
Mas para quem fez jornalismo, pensando em mudar o
mundo, o dando o máximo de informação real, já não tinha esta
motivação.
No almoço, fiz um vídeo longo, mas algo como um passeio, as
vezes ficava difícil filmar, pois tinha muita gente olhando para este
velho, e obvio, não se fazer de rogado ou desentendido, pois se o
fizesse, acabaria assaltado.
Comecei com a filmagem do ligeirão na Carlos Gomes, fui ao
Mercado da Matriz, na lateral da Tiradentes, depois, gravei a frente
da Santa Casa, depois entrando na Paróquia Bom Jesus dos Perdões,
ainda na Praça, subo a Visconde de Guarapuava e filmo a Rua 24
horas, que a muito não era mais 24 horas, filmo o calçadão da
Comendador Araújo, que dava a praça Osório, a filmagem da praça,
foi muito rápida, guardei o celular para passar pela praça, voltei a
filmar na Boca Maldita, e depois na frente da Galeria Tijucas,
terminei o filmar no bondinho da XV de novembro, peguei um
sanduiche na região e desci para a repartição, comendo o
sanduiche, eu estava criando imagens de fundo para meus textos.
Entrego o meu texto e fico a rascunhar a quantidade de
vídeos pequenos que conseguiria fazer apenas com aquelas
imagens, daria trabalho, distração, acho que atrás disto que estava,
algo para me sentir um pouco vivo. Começo a anotar algumas
coisas.
Feiras típicas. – Praça Osório
22
Transporte Publico – Carlos Gomes
Mercado Central e seus serviços – Tiradentes
Santa Casa – Tiradentes – Sempre precisando de doadores.
Paróquia Bom Jesus – Um dia casei ali.
Rua 24 Horas – Saudades de um Chope as 6 da manha.
Calçadão da Comendador Araújo – Briga Copa de 90.
Bondinho – Mais em reforma que funcionando.
Dei um intervalo e olhei os vídeos que fizera mais cedo e
anoto algumas coisas.
Quartel em que servi.
Aqui Jaz um Cinema que tinha matine.
Um dia vão tirar o trem do centro, ou educar os motoristas.
Nascentes, quantas já foram canalizadas pela Sanepar, que
agora fala que falta agua.
Enquanto alguns se modernizam, alguns ainda jogam golfe.
Os homens que salvam nossas casas.
Olho a lista e vejo que tenho 14 temas, não sei se alguém
veria, mas era uma forma de fazer, entro no site da Americana, pois
queria dois outros modelos de mascaras, acabei vendo um sistema
de estabilização da câmera, um de luzes e segurei a vontade de
comprar um computador pessoal a mais, mas um celular melhor e
comprei.
Estranho algumas coisas na modernidade, hoje se compra
online, no cartão e se recebe no mesmo dia que comprou,
dependendo de onde está, e antes do fim do expediente me
entregaram ali o que pedi.
Me contive em olhar, no fim do expediente peguei um
aplicativo e fui para casa.
Eu começo a noite, instalando o novo pedestal, depois o novo
celular, agora teria dois ângulos, eu texto aquela peruca, com óculos
escuros, e sorrio ao espelho, faço os 4 primeiros testos com aquela
imagem, e coloco para compilar, recorto um trecho do caminho que
filmei e como se estivesse caminhando a rua, vou narrando uma
historia, e após isto, olho aquela prótese sintética para parecer
careca, faço bem a barba e gravo mais 4 testos.

23
Enquanto terminava o processo de edição e complilação, eu
fico olhando um sistema de óculos com inteligência artificial e
pergunto a Guta o que ela recomendava.
“Existe o sistema Ótico 6X 300” que posso acompanhar e
ajudar nas edições de conteúdo.
Sorri, propaganda de um sistema ao seu fabricante era algo
normal, mas o meu sorriso era pela possibilidade, óculos com
aproximação, com possibilidade de gravar um caminho, e para mim
que sou meio xucro nisto, parecia igual a qualquer óculos que se usa
por ai.
Guta me avisou do horário, tomei um banho e novamente
cama.

24
Sexta feira novamente, eu iria testar
meu brinquedo novo, o óculos, coloquei um
cartão de memória, coloquei no bolso e fui
ao trabalho, coloco no sistema a crônica
próximo do meio dia, pouco antes de sair
para o almoço, eu sento a meia quadra da
repartição e vejo Sergio sentar a mesa, mas
ele veio com uma moça, não conhecia.
— Podemos sentar?
Sorri e falei.
— Um dia falo não só para ver a reação.
A moça sorriu e Sergio e ela sentaram.
— Pelo jeito o redator chefe começa a se arrepender de o ter
mandado embora. – Sergio.
— Acho que não, mas as vezes estamos em semanas mais
inspiradas, as vezes, não vem nenhuma indagação inteligente a
cabeça.
Peço ao garçom um PF e os dois acompanham no pedido.
— Come sempre nestes botecos? – A moça.
Sorri e falei.
— Sou do tempo que descíamos para o almoço, e tomávamos
4 cervejas no almoço, e depois voltávamos a trabalhar.
— E não erravam muito assim?
— Geralmente neste horário, já temos os testos feitos, mas
não vou negar que as vezes, saiam textos realmente cômicos.
— E não ganhavam a conta por isto? – A moça.
— Advertência as vezes, mas a direção queria conteúdo, se
tinha, não ficavam com mimimi.
— Sergio me mostrou uns vídeos, e falou que acha que eram
seus, pois você não aparece.
Olhei Sergio que fala.
— Vídeos curtos, mas bem construídos, parece que está
contando a própria historia.
25
— Tentando não me olhar no espelho, comecei nesta
repartição, com 19 anos, fazem 40 anos, então quando me falaram,
você está fora, precisei me agarrar a algo, pois parecia que estava
velho, e sem um caminho a seguir.
— E resolveu fazer pequenos textos.
— Daqui a pouco me encho disto, mas é um canal de uma
semana, e hoje está com 19 vídeos, mas acho a ideia primaria ainda.
Os dois me olham e Sergio pergunta me olhando.
— As vezes tem de pedir para as pessoas se inscreverem no
seu canal, curtirem, comentarem, pois senão não ganha visibilidade.
Sorri sem graça, pois eu era um velho, me sentia um velho, e
para pessoas como eu, um canal tem de ter conteúdo, se não tiver,
não adianta alguém querer se inscrever, pois não terá o que ver.
Sergio queria ainda falar algo.
— Eu olhei os vídeos, sei que parece estranho, mas você tem
conteúdo, sim, poucos vídeos ainda, mas está contando uma
historia, aos poucos, ressaltando as mudanças, que muitos não
viveram, e estão ficando bons senhor João.
Nestas horas eu sorrio pouco, sem graça, e começo a comer e
a moça fala.
— Sergio acha que está desperdiçando talento, pois não se
dedica ao seu canal.
Sorri, eu tivera uma ideia a uma semana, criara 19 vídeos e a
moça estava falando que eu não estava me dedicando, talvez não
no marketing, mas uma ideia me passou a cabeça.
— Eu acho que é algo a apostar senhor João, parece que você
resolveu parar diante de locais e falar o que vivera ali, isto é legal.
Eu sorri, pois eu tinha pensado em uma noite longa, e não
sabia como ela acabaria, mas com certeza, sexta, voltaria ao
trabalho na segunda, e queria ter algumas ideias a mais.
Continuava a comer e a moça fala.
— Não parece ter interesse.
Não respondi, odiava ser analisado, pois sei que estou velho
para me dedicar a algo assim, mas até este momento, estava me
divertindo.
Termino o almoço, vi que os dos mal beliscaram, era outra
juventude, nós comíamos o que tinha no prato, eles escolhem.
26
Voltamos a redação, mas vi que quando entramos, eles se
afastam, pareciam ter vergonha, ou não querer juntar suas imagens
a alguém que estava sendo afastado da empresa.
Volto a minha mesa e vejo um sistema de teleponto, para por
ao lado do celular, que me gravava, seria mais fácil com um apoio
de texto, e adquiro mais algumas coisas, acho que estou gastando
minhas reservas, muito rápido.
Os pedidos chegam, vou para casa, deixo as coisas e depois
de anos, vou ver meu time jogar no Couto Pereira, quando acaba o
jogo, desci no sentido do centro cívico, tomei duas cervejas durante
o jogo, mas os banheiros do estádio de futebol ainda não encaro,
então desci até o Shopping Mueller, para usar o banheiro, dali fui ao
largo, e sentei e pedi uma meia dúzia de caranguejo, comi com
calma, depois de um tempo, depois de ir ao banheiro de novo,
chamado por uma publicidade que distribuíram nas mesas, fui ao
teatro Lala Schneider, estavam em uma peça chamada “A Tarada do
Boqueirão!”, era registrar, não era apenas assistir, então estava
criando meu conteúdo.
O espetáculo terminou próximo da uma da manha, pedi um
aplicativo e fui para casa.

27
Acordo no sábado, lavo a pouca louça
da pia da cozinha, coloco na fritadeira sem
óleo, os pãezinhos de queijo que se compra
congelados, a cafeteira começa a esquentar
o café, e vou ajeitar o material de filmagem,
na minha cabeça, eu tinha projetado fazer
algumas gravações ali, dai pegar a câmera,
os óculos, e sair para fazer algumas coisas na cidade.
Então gravei 5 textos, e fiz 3 vídeos que variavam da paixão
pelo time do coração, amor a culinária, mesmo com as pessoas lhe
olhando ao longe com nojo, e uma comedia, sempre era um bom
fim de dia.
Os vídeos eu coloquei para converter, então o sistema dizia
que todos eles estariam prontos em duas horas.
Eu aproveito e vou a Reitoria, tinha uma peça de um autor
Curitibano, sendo encenada, e depois, assisti no Guairinha uma
peça infantil, como algo no Cantinho Árabe na Rua Schiller, e após
isto vou para casa.
Chego com uma ideia pronta, e penteio a peruca loira, e
coloco a cabeça, um pouco de maquiagem, uma fala meio infantil e
uma dizer convidando a participar, se inscrever, ativar o sininho, e
curtir o vídeo, que em segundos, vinha mais um “Espelho”.
Eu gravei, e editei como sendo o inicio de todos os vídeos que
eu colocaria naquele dia, então o vídeo somou 45 segundos a mais,
deixando os primeiros 8 vídeos do dia prontos.
Começo a colocar os testos no teleponto, e começo a gravar
mais 3 assuntos, e depois, mais três participações, eu não estava
cobrando ainda dos locais para falar deles, estava sendo sincero
apenas.
Próximo das oito da noite, eu contrariado, coloco a frauda,
depois a cueca, o jeans e novamente me aventuro na noite, desta
vez fui mais para o Portão, primeiro uma peça no Portão Cultural,
depois um filme no Shopping, depois um show de punk rock no
28
Butekinho, quando as forças daquele sábado falavam com todas as
forças que tinham acabado, pego um aplicativo e volto para casa.
Chego em casa, tomo um banho, troco de roupa, e coloco os
vídeos para ver, adormeço ali, com dificuldades, quando vejo que
tinha adormecido, me arrasto a cama, e apago.

29
Ser velho, o dia de ontem foi bom,
gostoso, mas hoje, o corpo doido, a alma
doida, a solidão, os pensamentos sobre o
que vi, gente feliz, gente acompanhada,
gente que são felizes, não apenas
aparentam o ser.
A felicidade dos demais, as vezes me
machuca, foi-se o tempo que fui feliz, foi-se o tempo que me achava
criativo, olho a câmera, penso em não fazer nada.
Domingo é dia de descanso, estava quebrado, tomo um
remédio para dor física, e tomo o café, saio para fora, olho o que eu
queria fazer, faço o calculo do que gastei, teria de parar um pouco,
estranho trabalhar uma vida, e uma semana fora do controle.
A edição de três eventos, precisava do narrador, eu começava
a criar, e mesmo cansado, me divertia, o menino, de cabelos longos,
cara de sapeca, era o Zezinho, o que apresentava o local e pedia
inscrições e agora, seria o narrador da paixão pelo futebol, pelo
teatro, pelos bares e comidas especiais, pelas festas jovens.
Eu pensei que ficaria pior, mas quando aquele personagem
fazia a narração, dava outra dinâmica.
Fiz a apresentação do Zezinho, ao senhor João, o
personagem, e o senhor João, faz uma interpretação toda diferente
do Jogo de Futebol, da festa de Punk Rock, fala do texto indecoroso
da peça teatral, da bagunça no Largo, fazendo uma sequencia de
eventos.
Meu maior desafio, é que o terceiro personagem, era
Jaqueline, uma moça, obvio, que eu fazendo, parecia uma senhora,
então o batom, os óculos, para ocultar as rugas, tento uma voz, eu
estava criando, mesmo que parecesse que era a mesma estrutura,
mas mudando os vídeos, tinham cenas diferenciadas, e os mesmos
eventos, agora com uma posição da personagem feminina, então
sei que poderiam me taxar, mas era mostrar a ideia sobre três
perspectiva, e nem todos entenderiam.
30
Eu converti os vídeos, eram 21 vídeos, sobre 7 eventos, e com
três narrativas, e verifiquei com a Guta, se dava para ela deixar na
programação dela, a inserção dos vídeos, 3 por dia, para a próxima
semana.
Depois de alguma dificuldade, o sistema entendeu a logica,
um vídeo as nove da manha, um ao meio dia e outro às três da
tarde.
Quando vi já estava escurecendo do lado de fora, e o
domingo, embora produtivo, fora cansativo, e ainda doía o ter
sacudido o corpo no sábado, mas meu prospecto foi por não ter
recursos fartos, então agora seriam inserções mais lentas.
Eu tinha os vídeos do personagem com a mascara, este era
Pedro, tinha o careca, que era o João, o menino, que era o Zézinho,
Jaqueline, uma visão menos machistas dos mesmos assuntos, e
começo a fazer os vídeos do senhor Pedro, e programo para a
inserção as 6 da tarde de toda semana seguinte.
Próximo a meia noite, tomo um analgésico e vou dormir,
estava cansado, mas depois de anos, produzia algo por gostar, não
por que alguém estava mandando.

31
Acordo e olho Guta, a inteligência
artificial que ficava a beira da cama, que
virou moda a poucos anos, uma companhia
virtual, que é apenas um pequeno aparelho,
mas que se conecta a tudo que es tem a
casa, que tenha um processador, então de
TV a Micro-ondas, de Geladeira a Cafeteira,
de Fritadeira sem óleo a panela de pressão, hoje tem um comando,
e ela controla estas coisas, ela desperta após eu estar no banho, e
pela primeira vez nos últimos 5 anos, eu me sirvo de café, antes do
horário dela me acordar.
Olho os equipamentos, a ideia e por um breve momento
pensei em sair a rua, e filmar.
As vezes o impulso me leva para os locais, mas tomei o café,
tomei um relaxante muscular, ainda doido, sabia que eu estava
produzindo sem qualidade, pois estava priorizando a quantidade,
não a qualidade de edição, .
Eu gravava os locais, mas após gravar, eu precisava de pelo
menos 30 minutos para cada inserção, entendi que fazer eles na
sequencia, facilitava, pois já estava produzido e com os vídeos
separados de fundo, era questão de se ater ao texto e a mínima
interpretação.
Eu procuro na rede da internet um editor de vídeos melhor,
achei caros, mas nada que parecesse pratico, teria de perguntar a
alguém sobre isto, talvez fazer um curso rápido disto.
Eu separo as vestes dos personagens, para quem teve a ideia
a uma semana, já estava com 4 personagens, e cada um deles tinha
uma voz, uma personalidade e uma montagem.
Chamo o aplicativo e vou ouvindo os vídeos, enquanto vou a
repartição, entro nela, passo o cartão na entrada, que registrava
meu ponto, e na minha mesa não tinha nada especifico, então era
para criar algo novo.

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Sento e penso na sequencia dos 5 textos da semana, e após
isto, procuro algo sobre curso de edição de vídeo, quase nada,
coloco o fone e fico vendo um vídeo sobre edição.
Estranho as vezes a mudança, quando jovem, sempre vinha
gente falar comigo, agora parecem todos distantes.
Eu olho o diretor de conteúdo vindo no meu sentido e apenas
paro o vídeo, esperando ele falar algo ou passar direto, mas ele me
olha e pergunta.
— Quais as ideias para a semana, vi que vai fazer como
semana passada, começa um assunto e vai ampliando.
— Tentando passar algo a meus poucos leitores senhor, eles
acabam se inteirando, tentando manter meus poucos leitores.
— Mas qual a logica desta semana.
— Sobre as diferenças, eu não preciso odiar os torcedores do
outro time, eu não preciso odiar o que não é rock, eu não preciso
odiar os heterossexuais, por ser homossexual.
— Uma indagação que gera problemas?
— Não, uma abordagem pedindo paz, não guerra.
— Certo, a semana anterior teve muita repercussão, e
quando li o texto hoje, sinal que vai dar assunto.
— Sim, a de hoje, escrevi na sexta, já preparando o assunto,
para a semana.
O senhor saiu e continuei a ver o texto sobre edição, tinham
formas mais fáceis de fazer, e alguns efeitos bem mais caros.
Anotei como dispor da tela, com o endereço no canto, e com
o espaço para novos cards, de outros assuntos, correlacionados.
Eu anotei e entendi, quando saio para o almoço, eu apenas
fui a Americanas do outro lado da rua, verifiquei uma câmera, e
comparando ao preço, fui verificar qual era melhor, mas compraria
pela internet, pois sairia mais barato, provavelmente sairia do
estoque daquela loja, mas pela internet, tinha uns 20% a menos no
preço.
O querer de duas câmeras, um sistema de armazenamento,
um sistema de baterias, fazia eu estar gastando uma reserva, mas
ainda dentro do aceitável, pois vi que algumas coisas, poderiam
melhorar a qualidade da imagem e a escolha de cores.

33
Com a ideia a toda, sentei na mesma lanchonete, o mesmo PF
e vi Sergio entrar pela porta, pelo jeito ele andava com aquela
moça, não queria ser indiscreto e não me fazia diferença o nome
dela.
— Podemos sentar?
— Sim. – Com o meu prato já vindo a mesa.
— Pelo jeito tem gente trabalhando para você nesta ideia de
por vídeos na internet.
— Ainda não.
— Mas acabam de colocar um vídeo, fez no trabalho?
— Não.
— E estas pessoas que gravam os testos.
Sorri e não respondi, pois para mim, era muito claro que era
eu mesmo, não iria falar sobre isto.
Termino o almoço e passo ao diretor do meu setor a
informação de que iria correr atrás de uma fonte, para fechar o
assunto da semana.
Ele concorda, eu pego o óculos e saio a caminhar calmamente
e paro em dois locais, deixei uma proposta de publicidade, mas que
poderiam não aceitar.
Gravo eu mesmo, mas pelo meu olhar, com 3 jornais na mão,
e apenas compro os mesmos e penso no que faria.
Passo a frente do passo municipal, depois entro na galeria
Andrade, atravesso ela, paro na entrada do curso de direito da
Federal, atravesso por dentro a Universidade, e paro a frente da
federal, olho para a mesma um tempo, o óculos me dava a visão, e
precisava dele um tempo, e depois me viro para a praça Santos
Andrade e a filmo um momento, atravesso ela e filmo um tempo a
entrada principal do Teatro Guaíra, chego a bilheteria e pego o
cronograma da semana.
Desço Pela Conselheiro Laurindo e paro a frente do Espaço
Cultural Capela Santa Monica, pego o cronograma de eventos do
local, caminho calmamente até o outro lado da rua e pego o
cronograma da Caixa Cultural, e após isto caminho calmamente até
a repartição novamente.

34
Eu olho os prospectos dos assuntos e verifico algumas fontes,
para embasar o que iria por, embora fosse na maioria apenas
opinião, não fato, o que falava nos vídeos.
As vezes acho que estou pondo muito esforço nisto, as vezes,
que poderia por mais, mas escrevo o prospecto dos textos que iria
tentar gravar a noite, e não sei, as vezes as coisas pareciam apenas
papo de velho, que não tinha mais o que falar, as vezes tenho a
sensação de já ter falado os meus textos muitas vezes, mas talvez
fosse a primeira vez naquele ambiente.
Pela primeira vez escrevo um texto que seria eu falando, não
um personagem, e fiz um cronograma, que parecia maluquice por
em funcionamento, talvez o ideal fosse colocar vídeos duas ou no
máximo 3 vezes por semana.
Olho os dados e se estava pesado, queria aumentar o peso, e
as vezes, isto me desmascararia, mas era divertido criar algumas
coisas, e a ideia de passar a ser algo quase de programação normal,
me fez pensar nas ideias, pois estava querendo por algo, que ficasse
24 horas por dia no ar, mesmo tendo programação estabelecida em
horários específicos.
As vezes eu achava que estava sonhando alto, mas na
verdade, estava me divertindo, talvez fazendo a ultima coisa de
minha vida, então não estava muito pensando no futuro, e sim no
momento em si.
Na minha cabeça passa a ideia de que 24 horas por dia não
seria algo preciso, mas algo que entrasse no ar, 15 minutos antes do
primeiro personagem, e que terminasse ao fim do ultimo
personagem.
Fiz pela primeira vez um esquema.

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Pretencioso, sim, eu estava sendo pretencioso, e não parecia
dividir a ideia ainda, e não sei, as vezes parecia que precisaria de
mais coisas.
Começo a mexer em uma arte, e salvar no meu e-mail, a
ideia, todo inicio de dia, ter a variante do dia dos programas.

Ainda estava na ideia inicial, e parecia que tinha muita coisa a


fazer ainda.
Ter idade e estar a muito tempo neste ramo de comunicação,
me fez pedir para um amigo, que a muito não via, desenvolver uma
chamada para cada um dos personagens, e uma chamada para o
canal.
Sabia que a ideia estava grande e pela primeira vez, viu uma
notificação no meu e-mail, e fiquei olhando aquilo, não poderia ser
real, ou era?
Fico a olhar e o e-mail do YouTube falava que alcançara 5 mil
inscritos na primeira semana do canal.
E as instruções para mudar os vídeos para conteúdo
monetizado, eu nem tinha pensado nisto, estava pensando como
um velho, que consegue o patrocínio, não que um canal da internet
pudesse me gerar dinheiro.
Mas enquanto a semana estava determinada, eu começava a
pensar na próxima semana, não nesta, tudo que estava pensando,
não dizia respeito a esta semana, e sim a próxima.
Num e-mail da confeitaria das famílias, ela perguntava quanto
custaria para patrocinar o canal, e tive de pesquisar quanto, mas eu
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pedi o que era meu salario, por mês, pensando que eles iriam ratear
e tentar uma redução, e no aceito, soube que o preço deveria estar
barato, mas a ideia era ter pelo menos 4 patrocínios, e se o
conseguisse, mesmo me aposentando, ganharia um trocado ali.
Fim do dia, vi Carlos entrar na redação e vir a mim, a muito
não via Carlos que me olha e fala.
— Não entendi toda a ideia, mas poderíamos tomar um café
e me explicar.
Saímos dali e caminhamos até a Boca, sentamos em uma
cafeteria e apenas falei mostrando no celular, cada um dos
personagens, que já estavam criados, e o senhor, que tinha minha
idade sorriu.
— Está querendo entrar neste mundo?
— Estou no meu aviso prévio Carlos.
— Lhe mandaram embora, entendi, começando algo novo?
— Eu pensei que a ideia era ruim, mas o próprio sistema de
vídeos, me instruiu a monetizar os vídeos, e vídeos que pensei que
ninguém veria, tem alguns com 10 mil visualizações, para quem tem
apenas 5 mil inscritos, achei que poderia melhorar.
— 5 mil, já tem este canal a quanto tempo para ter
conseguido estes seguidores.
— Isto que não entendi, faz muito pouco tempo.
— Vou fazer as chamadas dos que me mostrou, pelo jeito
quer colocar antes deles?
— Semana que vem, vou começar um programa que vai falar
um pouco de café da manha, e um pouco de café da tarde, a ideia,
fazer uma parte da semana, dentro de um patrocinador, geralmente
a segunda, logo sedo, para falar de confeitos no café da manha.
— Pensando em ter um patrocínio?
— Eu não entendo deste mercado Carlos, para mim, tudo é
novidade, comecei a fazer vídeos curtos apenas para me distrair.
— E pretende melhorar pelo jeito.
— Nem que aos poucos.
Carlos saiu, e gravei umas imagens dentro da cafeteria, e
depois caminhei até a praça, peguei um Taxi e fui para casa.
Eu apenas verifiquei os dados, separei os vídeos, e com uma
peruca que chegara a tarde e um novo óculos, uma camisa polo
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com uma gravata, eu começo a fazer o primeiro piloto do Boêmio,
gravo a minha ideia que era a crônica da manha, aproveito e gravo
eu com a imagem pela janela da praça ao fundo, os 5 testos que
faria esta semana, mais enfáticos, pois quando se fala algo, fica
diferente de quando você escreve algo.
Fantasio uma cabeça, de peruca, da época que minha esposa
ainda era viva, com uma peruca e um óculos, mascara ao rosto, e
gravo as frases para serem faladas pela Guta, que repete as frases
que vou gravando, formando o sexto personagem, o nome de Guta,
foi alterado para Lia, e quando montei o vídeo, ouve uma colocação
de Guta no sentido de tornar sua voz, mais famosa ainda.
Eu não fiz para por no ar estes personagens, eu o fiz, para
conseguir mostrar a Carlos como eram os personagens.
Pela primeira vez fui ler os comentários dos vídeos, eu não
olhava isto, e tinha um rapaz que parecia tentar detonar com a
ideia, sorri e apenas entrei na conta do mesmo, estranho, pois
embora ele assinasse diferente, vi que tinha comunidades, e nelas
tinha dois outros canais, e ali estava Sergio, estanhei, mas olhando o
canal, vi que tinha como por Playlists, e fui verificar na minha conta
como fazer isto, e criei uma lista para cada personagem.
As vezes pensamos que a pessoa está olhando querendo
participar, ajudar, e continuaria a olhar como se não soubesse de
nada, talvez ele quisesse uma reação, mas eu não tinha nem noção
do que estava fazendo, pela primeira vez coloquei uma capa no meu
canal, e a maioria dos comentários eram positivos.
Quando Guta me chamou a atenção sobre o horário que
havia a mandado me alertar, fui ao banho e depois para cama.

38
Toda manha eu pego basicamente o
mesmo rapaz, pois peço o aplicativo quase
na mesma hora e o mesmo rapaz, me
pergunta algo que não esperava quando
íamos ao centro.
— Desculpa a intromissão, mas vi que
estava ouvindo aquele canal novo, O
Espelho, gosta deste pessoal também?
Olhei ele meio estranho, e pensei para responder.
— As vezes temos de distrair a cabeça, mas gosta de que
parte deles?
— Existia um senhor, acho que deve ter sido quem começou
o canal, que nos apresentava parte de sua historia, e como quem
nasceu na cidade, acabamos por conhecer os pontos que eles falam.
— Pergunto pois não sou muito deste meio, e me convidaram
para fazer uma entrada mais sedo, estava ouvindo para entender
onde estava colocando-me.
— Vai participar de algo assim?
— Estou ainda pensando, mas se acontecer, vai ficar sabendo.
— Eles estão crescendo, um amigo me indicou, e estas coisas
quando são boas correm como pólvora.
Chego ao Jornal e viu o diretor a porta e ele me fala.
— A direção do jornal está pensando em mandar alguém para
que a instrua, para passar o bastão.
Olhei com uma cara de não sei se vai dar certo, e o senhor
falou.
— Tenta, sei que estes jovens são meio displicentes.
— Posso perguntar uma coisa diretor?
— Pergunte?
— Poderia filmar alguma tomada interna a redação, para uma
inserção no YouTube.
— Pergunto para a direção, alguma ideia?

39
— Me convidaram para fazer uma inserção diária em um
canal do YouTube.
— Sobre os assuntos que fala aqui?
— Pensei em discutir o assunto uma semana após falar aqui.
— Acho que não tem problema, pelo jeito pensando em não
parar, isto é bom.
— Se é bom não sei, mas vou tentar.
Sento-me e começo a escrever alguns textos, e vejo Carlos me
passar um vídeo da apresentação do canal, e um do Zezinho, eu
entrei no site online e comprei um violão, que não sei tocar, e um
tamborim, as vezes ideias torpes surgem a minha mente.
O sindicato me passou no e-mail quando o Jornal acertaria a
saída, então ainda estavam penando em me mandar embora.
Eu entro no site do INSS e vejo quanto seria o acerto, e até
pensei que seria um bom começo de poupança.
Eu escrevo para a Confeitaria da Família, para gravar imagens
lá, e o rapaz me confirma o horário que ficava melhor, e recebo a
confirmação da Americanas, eu passei um prospecto de
publicidade, e dela nem esperava retorno, mas a proposta, ai sim
parecia uma boa ideia.
Marquei com um representante da empresa, eu marquei na
cede do Jornal, e no fim da manha, aquele senhor senta-se a minha
frente, se apresenta e pergunta se teria espaço para uma parceria, e
pela primeira vez, penso seriamente sobre o assunto, apresento a
ideia, que era um canal de YouTube, ainda estávamos criando os
conteúdos, mas que dentro de duas semanas, queríamos ter
inserções rápidas a cada hora, como um canal mesmo, e que os
intervalos, teríamos espaço publicitário, teríamos o mesmo espaço
diante dos personagens e que poderíamos se fosse autorizado, fazer
passagens que se davam na loja, já que eu era um comprador da
Americanas.
As vezes os ventos ainda favorecem as coisas, pois dois
pedidos da Americana chegam enquanto conversávamos.
Estava querendo falar meu preço, mas sabia que não tinha
noção de quanto isto valia, e fico a ouvir, talvez o senhor esperasse
alguém mais novo, mas quando a proposta de publicidade,
estabelecia a liberdade de ofertas extras para produtos oferecidos,
40
soube que minha vida estava mudando, pela segunda vez, pois a
primeira foi a minutos, vi que era serio aquele produto.
O senhor me fez assinar, eu passei a Carlos uma segunda
proposta, e antes mesmo do mesmo recebível, com as imagens do
óculos que gravava meu dia a dia, tinha material para propaganda e
publicidade, e isto me fez ter uma ideia, e talvez fosse uma forma
de estabelecer o material ali, mas teria de ter os materiais a parte.
O senhor saiu, ainda não recebera, mas o assinado, me dava
uma obrigação, e obvio, se o cumprisse, teria como pagar o que
gastei.
Eu olho na internet um curso de violão, acordes básicos, e
sorrio, olho o violão que tinham entregue e o abro, talvez os demais
em uma segunda estivessem pensando em outra coisa, sorri, eu
apenas o olhei e guardei novamente.
Olho os pedidos e coloco todos eles ali, guardados esperando
o fim do expediente.
Estava quase saindo para o almoço, quando o e-mail do Ifood
me confirma o interesse também.
Eu começava a estranhar, pois uma ideia de uma semana,
começava a ter retorno, isto me fazia querer ter algo a mais, não a
menos, pois sabia que patrocínio era positivo, geralmente eles não
investem onde não veem potencial ou valor da marca.
Almoço, eu saio dali e com o óculos, entro na Americana, e
pergunto ao rapaz sobre a câmera que comprei online, pergunto
das memorias, pergunto de vários produtos, reparei em um
brinquedo com rosto autômato, feminino, eu olho aquele
brinquedo e sorrio, seria talvez mais difícil de o fazer, mas daria
para usar a frente de um monitor, como se estivesse nos locais, as
vezes é estranho um senhor como eu, comprando uma boneca,
imagina se eles tivessem ideia para que queria aquilo, na parte de
aplicativos para a Guta, compro mais memorias, mais sistemas de
interação, e faço uma gravação geral da loja.
Saio com mais uma sacola, onde tinha duas mascaras de
silicone a mais, mascaras de terror, peças de uma montagem, mas
estava ainda fazendo os personagens a minha cabeça.
Peguei um salgadinho e um refrigerante e voltei a repartição,
e coloquei o óculos sobre a mesa, gravando, apenas ali, para ter o
41
movimento, se via para fora o movimento, era somar dados,
fundos, hoje estava me contendo com algumas coisas, termino o
texto do dia, e vi o editor vir a minha mesa e perguntar para que
tanta coisa, e falei que era para um aniversario, como tinha uma
boneca, e eles não sabiam nada da minha vida, devem ter pensado
em alguma festa de neta, ou coisa assim.
Ele pede mais um texto sobre o assunto da semana anterior,
e começo a olhar os prospectos, e desenvolvo um, era próximo das
3 da tarde quando entrego o texto para ele.
Sergio chega a minha mesa e pergunta.
— Vai dar uma festa?
— Apenas uma festa.
— Certo, queria trocar uma ideia.
Olhei o rapaz e falei.
— Sergio, tem de dedicar mais a seu canal, não ao dos
demais, o meu conteúdo, o dos demais, não influenciam o seu
canal, eu não olho os demais, apenas o meu, dedicação é para o
seu, não para o dos demais.
Ele me olha como se pego pela surpresa e pergunta.
— Sabia que tinha um canal?
— Acho que todos a volta tem um Sergio, mas o foco no
conteúdo tem de ser maior do que na concorrência.
— E não se preocupa mesmo com a concorrência?
— Me preocupo quando o menino do 99 me pergunta se
ouvia aquele canal todo dia, não se alguém me critica, eu quero
saber o que os demais gostam, não o que eu gosto.
— E resolveu fazer uma festa?
— Mês que vem tenho tempo livre, então vou aprender a
tocar um violão, para acalmar, curtir a família.
— Sabe que poucos sabem ainda quem está por trás daquele
canal, se não tivesse me falado, eu não lhe ligaria aquilo.
— Uma pequena parte, que vai ao ar apenas a partir da
semana que vem.
— Vai crescer?
— Como falou, sozinho não se faz nada.
— Sim, e quando não tiver mais um emprego, terei tempo
para fazer um Podcast, com entrevistas, mas estamos em Curitiba, e
42
poucos sabem o que existe nesta cidade, eles tentam falar dos
demais locais, e não das ideias locais.
— E vai tentar fazer uma parte de entrevistas?
— Somente mês que vem, pois este mês, não tenho tempo.
— E pelo jeito tem muita gente participando?
— Agora posso dizer que tem, antes, era apenas ideias soltas.
— Pelo jeito está gastando pela ideia?
— Nem sei, quando se tem alguém fazendo parte, mesmo
quando se está cumprindo aviso prévio, já é um começo, quando se
tem gente fazendo conteúdo, quando estamos parados, e gente
assistindo e comentando, mostra que a ideia está maior que esta
pequena pessoa.
— Mas não entendi a logica do seu canal.
— Não ser apenas meu, esta é a ideia.
— E basearia seu podcast no que?
— Eu vejo pessoas diferentes, não iguais, entrevistar alguém
que já tentaram, mas não conseguiram, é algo, mas a ideia, ter a
cara da cidade, não do país.
— E acha que existiria interesse?
— Eu não penso no que eles querem, mas no que sei fazer,
partindo do meu ponto de conforto para desfraldar novas ideias.
— Não entendi.
— Estou apenas criando algo temporário, não acredito tanto
nesta ideia.
— Não deve ter noção do que falam deste seu canal.
— Como disse, ele não é apenas meu.
— Parece que tem muito conteúdo gravado, pois você parado
aqui e entra mais um vídeo.
— Frequência é parte do que o canal gosta.
— Não entendi a lógica.
— Ainda não tem muita lógica, mas a ideia, maluca, é ter um
canal no ar, 16 horas por dia, ajustar o conteúdo, entre temas, e
tocar cada semana, um misto de criação, entrevista, alternativa para
quando não se tem mais nada a fazer.
— E como pretende fazer isto?
— Não estou fazendo nada ainda. – Olhe o rapaz, ele não fora
sincero antes e mesmo assim, queria algo a mais.
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O rapaz se despediu e foi falar com o diretor de conteúdo, eu
não entendia o que estava acontecendo, mas vi os dois através do
óculos que gravava, ao lado, pela tela do celular, os dois olhando
para minha mesa.
Era próximo das 5 da tarde, quando o diretor veia a minha
mesa e me apresentou Lia, sorri da coincidência, mas agora sabia o
nome da moça que se arrastava ao lado de Sergi, o diretor fala para
ela que eu a passaria os prospectos de como funcionava o ser uma
cronista do Jornal.
O diretor saiu e ela me olha.
— Acha que não vamos o cercar?
— Não entendi o que estão pensando.
— Saber qual a estrutura que monta a volta de você, para
fazer algo tão organizado.
— Acho que estão dando muito valor a mim.
— E como escreve suas crônicas?
— Ser repórter é absorver as noticias e as narrar sem pontos
favoráveis ou contrários, ser cronista, é olhar em volta, e sentir a
verdade, mesmo que todos a volta, não queiram suas fotografias
mais intimas sendo colocadas em palavras.
— E pelo jeito está pronto para uma festa hoje.
— Não, ainda tenho de passar em casa mudar de roupa. –
Falei para ver qual a reação.
— Sabe que Sergio parece invejar seu blog.
— Na idade dele, queria ser colunista social, quando jovens
achamos que certas coisas são boas, até precisarmos viver naquele
lugar.
— E não tem espaço para mais colocações no seu canal.
— Tem, mas ainda não tenho propostas e nem ideias a mais,
acho que 7 personagens, gravando para ter 15 minutos por dia,
requer um dia de gravação, e mais um dia de elaboração e um dia
de edição.
— E faz isto quando?
— Quando durmo.
— Tô falando serio. – Fala a moça.

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— Tem uma coisa que não sabia, seu nome, e Lia, é o nome
da personagem que esta em elaboração, é um autômato de serviço
que comenta as coisas tecnológicas que estão sendo lançadas.
— E pelo jeito enquanto você cumpre seu aviso prévio,
alguém trabalha.
— Sim, alguém trabalha.
Deu meu horário e peço o aplicativo e desço com todas as
compras do dia.
Ir para casa, e olhar todos aqueles apetrechos, pego a TV,
mudo de peça e coloco ao fundo e coloco a boneca a frente da
câmera, fiz um coque no cabelo da boneca, prendendo acima da
cabeça, pego jornal e coloco a volta do rosto dela, e pinto seu rosto
com tinta prateada, coloco uma lâmpada de led no óculos com
pilha, espero o secar da tinta, alta, pinto os cabelos de brando, na
posição que estavam, espero secar enquanto escrevo os textos e
gravo os áudios de Guta, quando dá como seco, eu visto a boneca,
faço o teste de gravação, gravar a boneca, sem olhar o som, pois era
silencio, as vezes tinha de regravar, gravei pequenos trechos da
boneca mudando de câmera, as vezes tinha de parar pois um carro
barulhento passou a rua, mas gravei com 7 fundos, os 20 minutos,
com 3 câmeras, e começo encaixar as vozes, eu não sei, mas a voz
de Guta, naquela imagem ficou melhor, e olho o resultado do
primeiro texto, e ouço o interfone, a muito não recebia gente em
casa, mas sabia que marcara com Carlos, que sobe, e quando chega
a sala, viu tudo armado para gravar a boneca e me olha.
— O que está aprontando Jota.
Eu o acompanho ao escritório, um quarto que usava para ter
meu computador, minhas crônicas e minhas historias, eu coloco o
vídeo que acabara de montar e mostro para Carlos.
— Esta personagem, se chama Lia, “Large Intelligence
Anarchic”, mas ainda estou a modelando ao prospecto.
Carlos olha o vídeo e fala.
— E está fazendo na sua sala, algo que parece ser no centro.
— Sim, a repórter de amanha, tem como fundo o visual que
alguém que me olhasse a minha sala de criação teria da praça.
— E quais outros personagens que quer algo?

45
— Tenho o velho, mas este ainda tenho de fazer o primeiro
prospecto, é um velho que olha as noticias no jornal, então obvio, o
velho está no fato de ler o jornal físico, e comentar reportagens,
tenho o prospecto do vídeo, mas não coloquei a voz ainda.
— E pretende fazer o que com isto, parece algo fora do
contexto que vejo na internet.
— Eu comecei a ideia a pouco mais de uma semana Carlos, eu
achava até hoje, que era uma ideia que não se pagaria, mas hoje
parece que o mundo resolveu me falar, continua.
— Certo, e resolveu gravar o prospecto da personagem ali.
— Quando você pega uma boneca que se vende aos quilos,
faz um penteado, pinta a boneca, a maquia sobre a pintura, a
colocando óculos para não pegarem os olhos, e usa o movimento
natural da boca para fazer as falas, parece uma maluquice.
— Deixar claro que gostei, sei que você não é tão confiante
assim como se demonstra, mas fiz algumas coisas e gostaria de ver
se teria como por o áudio.
Eu olho ele puxar o computador pessoal e me mostra o texto
que o boneco teria de falar, olho o prospecto de imagens que ele
tirou do próprio canal, e que dava um ar profissional no puxar dos
assuntos, e sorri.
Eu coloco no meu sistema e gravo a voz sobre o vídeo e
coloco a olhar e Carlos sorri e me olha.
— Não entendi a ideia?
— Nem eu sei ainda, mas um canal, na internet que toca
músicas, que tem participações e que tem quadros, mas ainda estou
pensando no que fazer ao todo.
— Musicas tem problemas de direitos autorais.
— Sim, mas vou criando aos poucos, e o pouco todo dia, gera
o conteúdo que quero, talvez em um mês eu esteja querendo
ideias.
— E não se negaria a elas?
— Eu juro que não sei o que está acontecendo Carlos.
— O que lhe perturba?
— Ontem tinha 5 mil inscritos, hoje, 14 mil.
— Certo, está olhando os prospectos e tem gente assistindo?

46
— Eu programei para colocar vídeos esta semana, de segunda
a domingo, 3 por dia, a maioria tem entre 12 e 15 minutos, e o
YouTube começa a me indicar como conteúdo.
— E os números que ontem pareciam bons, hoje parecem
passado.
— Tem gente me olhando e pensando, não pode ser ele por
trás disto, pois estou lá sentado e a programação coloca meus
conteúdos nos horários marcados.
— E pretende ampliar?
— Estou criando conteúdo a semana, e no domingo, quero
programar para colocar 6 vídeos no automático no dia.
— Ampliando o alcance?
— Quando você tem conteúdos entrando as 6 da manha,
você concorre com os que estão colocando naquele horário, quando
você tem as 6, as 9, as 12 as 15, as 18 e as 21 horas, você amplia os
olhos do automático do sistema.
— Certo, e quer colocar conteúdo em 6 horários, de
personagens diferentes.
— Tem de ver que tenho de gravar eles, e pode ser que no
fim, algo não seja publicado, pois estou criando em uma semana,
para a semana seguinte.
— E pelo jeito resolveu sair da sombra.
— Acha que consegue fazer as chamadas dos personagens?
— Sim, vou pensar neles, pelo jeito enquanto eu tento lá, faz
por aqui.
— Sim.
Carlos sai e coloco na gravação de Lia, a narrativa, e o
endereço que ela estava através de um mapa pequeno no canto da
imagem.
Eu faço a primeira inserção de som, nas imagens da
Americana, da gravação, faço de forma a parecer que era Lia
falando, e na parte do conteúdo da personagem, ela chama a
propaganda e parece em um quadro de meia pagina, ela olhando
para o quadro, a imagem da Americana com a apresentação do
produto.
Nos quadros ao fundo da personagem, eu coloco os três
símbolos das empresas patrocinadoras do programa.
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Faço a mudança dos vídeos que iriam ao ar a partir do dia de
amanha colocando as imagens dos três patrocinadores, com os QR
dos seus endereços nos estremos dos vídeos.
Guta confirma a mudança dos vídeos e coloca na
programação do dia seguinte.
Eu vou a janela para fora, e coloco uma câmera filmando a
Av. Pref. Erasto Gaertner, e vou ao banheiro e coloco a segunda, no
segundo sentido, era pegar de longe, mas era dar vista para estes
sentidos, crio um segundo canal naquela conta eu coloco aquelas
duas câmeras, as vezes eu estava parecendo um maluco, mas nestes
vídeos, eu coloquei também o patrocínio, e de 30 em 30 minutos,
entrava uma chamada do Zezinho, referente ao outro canal.
Hora de tomar um banho e dormir.

48
Acordo cedo e olho os comentários, e
apenas olho a garoa do lado de fora, desço
para o primeiro andar do sobrado, pego a
caneca e olho para o quintal, os vizinhos
estavam virando prédios, e a cada que foi
de meu pai, agora minha, era das ultimas
na avenida, que tinha apenas dois pisos.
Olho o horário e entro e coloco a voz em mais três sequencias
da Lia, e programo na Guta para introduzir as 21 horas de Sexta,
Sábado e Domingo.
Chamo o aplicativo e olho o rapaz me olhar e falar.
— Pelo jeito não começou ainda.
— As vezes as coisas são mais lentas do que pensamos, mas
acho que amanha começa a primeira, o problema é que será as 6 da
manha, não sei se alguém ouve.
— A vantagem da Internet e que vemos na hora que
queremos.
— Verdade.
Chego ao trabalho e olho aquela moça a minha mesa,
mexendo no meu computador, e olho para ela e pergunto.
— Vai usar este computador?
— Não, estava vendo o que tanto tem neste computador.
— Word apenas.
— E fez o que ontem?
— Me diverti um pouco.
— Acho que Sergio acreditou ser você o responsável, mas
você não faz nada, e parece que o canal que ele está olhando, só
cresce.
— As vezes no lugar de ficar olhando o dos demais, deveria
ele, pensar no seu canal.
— E acha que acredito que você está por trás de uma ideia
tão boa desta?
— Ideia boa?
49
— Aquele “O Espelho!”, sei que sabe do que falo.
Ela sai do meu lugar e olho o quanto ela havia mexido nas
telas e sorrio, alguém que colocava tudo na primeira pagina, eu
nunca poluía minha tela inicial.
— Eu acho que nunca declarei isto para você.
— Certo, mas teria algo que fizesse acreditar que você fez
aquilo?
— Não, acho que preciso faze meu texto do dia agora.
Eu começo a escrever, ela foi falar com o pessoal, ela não
queria aprender, ela queria me controlar, mas vi que tinha algo
instalado naquele computador, pois ele estava mais lento.
Passo o texto que estava no meu celular para o meu e-mail da
empresa e acesso o mesmo, o baixo, ajeito no padrão da coluna e
mando para o diretor de conteúdo.
Estava olhando para as ideias, quando olho meu e-mail, no
celular, pensei em entrar na conta pelo computador e evitei.
O registro de ter chego aos 20 mil inscritos, e os vídeos do dia
de ontem, tiveram esta media de visualizações, o que gerava 60 mil
visualizações no dia, o prospecto mostrava onde estava sendo
assistido, e mais uma vez, fiquei assustado, gente vendo os vídeos
em mais de 20 países.
Eu fiz uma pesquisa no google do meu computador,
procurando alguma coisa para edição de textos, vi que o
computador foi ficando lento e apenas alerto o diretor que o
computador estava lento.
Ele pareceu olhar para a moça e fala.
— Tudo que Lia mexe parece dar problemas.
— Consegue uma mesa para ela, e avisa que amanha ela vai
escrever parte da crônica. – Falei olhando ele.
— Acha que ela vai dar conta?
— Me mandaram embora, acho que não estão preocupados
com isto senhor, não com meu conteúdo.
As vezes poderia ficar quieto, mas eles escolheram.
— Estão querendo fazer uma reportagem sobre um
fenômeno que parece crescer na cidade, e me perguntaram se você
não escreveria sobre isto.
— Qual fenômeno?
50
— Um canal de internet de nome “O Espelho!”
Olhei com desgosto e falei.
— Internet não é meu forte, mas que saiba dos que mais faz
parte das criticas nos comentários deste canal, é Sergio.
— Ele me indicou você.
— Não somaria nada neste assunto senhor.
— Porque não quer fazer, nunca se recusa a assuntos assim.
— Porque me convidaram a falar de politica as 6 da manha,
pequenos textos, e não quero falar de algo que parece ser um
caminho para mim.
— Então conhece os fundadores disto, muitos querem saber
quem fundou isto.
— Senhor, eu fundei isto, mas não quer dizer que sou o
responsável pelo conteúdo, uma pessoa apenas não faz aquilo, e
não quero dar uma conotação que não seria boa, pois eu falar de
algo que eu criei, parece propaganda.
O senhor me olha estranho, e pergunta quase como se
duvidasse das palavras.
— Você que é o responsável pelo canal “O Espelho!”
— Sim, algum problema nisto diretor?
— E não fala disto aqui dentro?
— A ideia ainda está sendo montada, então é muito recente
ainda, para entender o que acham que está acontecendo.
— E não participa ainda?
— Acho que eles estão fazendo a parte técnica ainda, para
conseguir manter o conteúdo, mas tenho 5 pequenos vídeos
filmados, não sei quando começam a ir ao ar.
— Algo sobre aquela autorização de filmar dentro da
repartição que lhe passei ontem?
— Ali é uma voz metalizada criada, de um personagem que
vai falar de tecnologia, deve começar na Sexta.
— Autômatos?
— É um pouco satírico, pois os atuais controladores da vida
alheia, falam que as noticias tem de ser fieis e sem interpretação,
sem tomar partido, então surgiu LIA, de “Large Intelligence
Anarchic”, que narra as coisas sem emoção, apenas como

51
aconteceu, é uma parte satírica da politica, com incrementos de
tecnologia, mas apenas algo satírico.
— E não quer falar sobre isto?
— Senhor, o projeto tem duas semanas, o canal, duas
semanas, pode ser que na quarta semana, ninguém mais o veja.
— Tão recente assim.
— Sim, muito recente e com metade do conteúdo ainda em
elaboração, conteúdos curtos de fácil entendimento.
— E começa a fazer algo para eles em breve.
— Sim, mas se puder formatar minha maquina ali, fica mais
fácil de fazer as coisas.
— Acha preciso?
— Se for para deixar assim, para mim tanto faz, mas o
próximo a usar a maquina vai precisar.
O técnico veio e formatou a maquina, reinstalou o sistema do
Jornal e voltei a maquina, e fiz uma pesquisa sobre novos sons.
Eu começava a fazer uma lista de convidados, que seriam
entrevistados pela LIA, e obvio, os convites ainda não eram
respondidos, mas tentaria.
Instalei um sistema que apagava tudo da maquina voltando a
configuração anterior, quando desligada, apagando tudo que não
fosse autorizado pelo servidor, e reinicio a maquina.
Quando perto do meio dia, antes de alguém chegar ao local,
eu saio para o almoço, e vou a Confeitaria da Família, e faço as
gravações, o casal que toca a confeitaria viu que mesmo antes de
assinar já tínhamos os colocado lá, e a recepção foi boa, o filmar e o
comer de doce, me tirou a fome, mas quando volto já tinha o
conteúdo de publicidade, o Velho era quem faria as inserções da
Confeitaria da Família, eu não pretendia fazer apenas aquela
propaganda a tela em todos os vídeos.
Obvio que as anotações eram importantes nesta hora, e
tomei cuidado com cada descrição do doce.
Volto ao jornal e a moça estava novamente na minha mesa,
ela não queria aprender, ela queria saber o que estava fazendo, e
obvio, as vezes entramos na provocação, e o computador estava
novamente lento.
A olhei e falei.
52
— Para que isto?
Ela me olha e responde.
— Isto o que, não fiz nada.
— Então fazia o que ai, se não estava fazendo nada?
Ela me olha e fala.
— O diretor passou para Sergio a reportagem sobre O
Espelho e falou que a ética não o deixou aceitar, mas não acredito
no que eles falam.
— E como vai ser nossa crônica de amanha Lia? – Mudando
de assunto.
— Não sei.
— Já que está sentada ai, vamos começar, o assunto, sua
visão sobre as discriminações interpessoais.
— Não sei, é algo de pessoas que tem preconceitos.
— Então faz um texto ai sobre preconceito.
Ela olha a maquina, ela bate no Word e fala.
— Mas não está funcionando.
— Antes de você mexer estava, e agora vai digitar com a
merda da maquina que a tornou.
— Mas...
— Não vou pedir o técnico duas vezes no mesmo dia, e se não
adianta formatar que vão por merda na maquina de novo, para que
fazer moça, mas digita ai, quero ver sua visão sobre preconceitos.
Eu fico a olhar, a maquina estava muito lenta, deveria estar
vigiando cada linha, e ela se bateu a fazer um texto simples e
pergunto após.
— Agora escreve sobre o que você acha das fobias.
— O que tem haver.
— Palavras que se usa, mas que não descrevem nada, eu não
acredito que alguém que tenha discriminação sobre
homossexualismo, tenha medo dos homossexuais, e muito menos
preconceitos, as pessoas misturam as três palavras, mas fobias, são
medos, e geralmente ligadas a doença, se você tem medo de um
homossexual, isto seria homofobia, você teria medo deles, e teria
de ter tratamento, pois seria uma doença, se você tem conceitos
anteriores sobre homossexuais, você os pode mudar, pois somos

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seres que mudam, mas se é apenas discriminação, isto sim, estes
sim, deveriam ser enfrentados.
— Mas porque não escreve então, se já sabe o que vai
escrever?
— Porque em menos de três semanas, você estará com o
computador a frente, e precisando entregar um texto por dia, por 5
dias.
— E acha que o assunto dá visualizações.
— Estamos no fim, dos jornais escritos, tem de considerar,
que poucos leem o físico ainda, mas a ideia é um texto que se leia,
não que se fique no cabeçalho.
— Certo, e parece escrever com facilidade.
— Faço isto ao dobro do tempo de sua idade menina.
— Certo, mas todos falam sobre as chamadas criativas e que
tragam o leitor.
— Se você fizer apenas por chamadas criativas, eles nunca
saberão quem escreve a crônica, apenas vão ler a chamada e vão
criticar a chamada, não a crônica.
— Isto é um modelo antigo.
— Sim, bem antigo. – Falei serio.
— Mas o computador não funciona.
— Se vira, ele funcionava bem antes, se não esta funcionando
agora, e não fez nada, para mudar a configuração dele, o que posso
fazer, é contra você, pede a conta, pois as maquinas serão a cada
dia mais usadas, e se não se dá com elas, sabe que não vai se criar
neste ramo.
— Mas você não parece ligado a modernidade.
— Sou velho, eu apenas usufruo dela, não preciso viver para
ela, pois já chegou a hora de me aposentar e curtir ela.
— E não almoçou ali a frente, foi fazer o que hoje.
— Confirmar a assinatura de um patrocínio.
— Não entendi.
— Você diz não acreditar, mas estou esperando o texto.
Ela tenta um texto, escrevia bem, mas tinha preguiça, ou
demonstrava preguiça, as vezes tenho de me ater a diferença das
duas coisas.

54
Ela se levanta, eu salvo o texto dela no servidor, e reinicio a
maquina, puxo o texto dela e coloco o meu, colocando um final, a
diferença de gerações, uma que discutira, e uma que apenas quer
apagar os inimigos, ignorar as diferenças, e se fazer de corretos, que
preferia a sociedade real, não esta fantasia atual.
Passo para o redator, com a assinatura dos dois.
Ela olha a maquina funcionar direito e pergunta.
— O que fez?
— Nada, pelo jeito ela não gosta de você.
Acessei meu e-mail e estava lá dois materiais, não os abri,
mas sorri, teria mais coisas a ajeitar.
— Não vai olhar o que lhe mandaram?
Não respondi, eu havia mandado uma proposta para uma
concessionaria da cidade, e ela queria discutir o prospecto, e olho
para a moça e pergunto.
— Sabe dirigir?
— Logico.
— Tem carro ou apenas pega carona?
— Logico que tenho carro.
Passo ao diretor o pedido de saída para analisar uma fonte e
ele autoriza e falo.
— Então que tal me dar uma carona enquanto fecho algo a
favor do que você fala não existir.
Ela me olha atravessado e fala.
— E iriamos onde?
— Bariguí Veículos.
— E o que faremos lá?
— Ainda não sei.
Ela pareceu desconfiada, mas fomos ao Champagnat e
paramos na concessionaria da Fiat, pedimos para falar com o
senhor que me estica a mão e fala.
— Senhor João?
— Sim, vi ouvir a proposta.
— A direção mandou perguntar se poderíamos chegar a um
acordo, eles tem um veiculo, já não é novo, mas que serve para o
proposito, e uma proposta de patrocínio, mandaram eu acelerar o

55
acordo, pois o senhor queria fechar com 4 patrocinadores, e parece
ter três deles.
— Os custos de algo assim, tem de ser mantidos, mas qual a
proposta?
O senhor nos levou para a parte de Usados, e nos apresentou
uma Ducato, ela parecia em perfeito estado, 2019, 11 anos de uso,
mas estava bem conservada, e o senhor me passa a proposta.
Leio a proposta e falo.
— A proposta é boa senhor, mas a nível de recebível, tenho
de pensar, deixando claro, o veiculo não precisa entrar no negocio,
ele incialmente, é cedido, mas não transferido para o projeto, a
ideia é algo que tenha as propagandas e as dinâmicas de algo que
possa nos apresentar a cidade, talvez alguns locais a volta, e deixar
a marca da empresa de vocês ali, como parte disto.
— Está dizendo que não precisa ser de vocês o veiculo, pode
ser até um empréstimo.
— Sim, nos responsabilizamos por multas, documento do
ano, seguro durante o uso, apenas não precisa fazer parte do
pacote, facilita, mas não precisa fazer parte.
— Vou passar para a direção, mas deixa eu passar isto para
eles, eles querem fechar isto, não entendi a pressa.
O senhor foi a sala do lado e olho Lia.
— Seu nome é Lia mesmo?
— Sim, Lia Machado.
— Qual sua relação com o Sergio?
— Ele parece falar mais de você que você mesmo.
— Já se formou?
— Porque da pergunta.
— Quando ficamos velhos, perdemos um pouco a noção de
diferença entre idades como 16 e 26 anos.
— Me formei a 3 anos.
— Tem espaço em sua agenda para um ganho a mais?
— Me cooptando para seu grupo?
— Tentando ter uma motorista e uma Youtuber.
— Não entendi a ideia.
— Saberá se topar.
— E quando faz estas coisas?
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— Quando sobre tempo.
— E tenho até quando para aceitar?
— Sexta a noite.
— Paga hora extra?
— Não, é um contrato de parceria, onde preciso conseguir
uma marca que a pague o salario, e os custos das inserções online.
— E se não aceitar?
— Eu ainda não estou desesperado por esta função menina,
as vezes escolhemos quem está a nossa frente.
— Sabe que estou lhe vigiando e me propõem algo?
— Me vigiando?
— Sergio disse para grudar em você.
— Então tem algo com ele? Um compromisso?
— Não, deus me livre, somos amigos apenas.
— Então faz isto para ele porque?
Sabe quando você pergunta e sabe a resposta, mas queria
ouvir da moça a resposta.
— Eu ajudo ele na organização do canal dele.
— Dois vídeos em 15 dias, e o que faz no resto do tempo?
— Ele é um amigo, mas deixar claro, ele não gosta de
meninas, e quando ele falou de você, pensei que ele estava de olho
em você.
— As vezes pode até ser, mas eu não vi nada neste sentido,
apenas no de querer saber quem trabalhava comigo.
— E me convidaria para o grupo?
— O convite foi para produzirmos algo junto, provavelmente
no sábado, todo sábado, pelo menos 7 locais, 7 gravações,
enquanto giramos de Ducato.
— E seria a motorista e a Youtuber deste projeto, que não vai
me dizer o que é?
— Ideia boba, com uma grande patrocinadora até agora.
— Mas ele acha que é algo com outras 3 patrocinadoras.
— Quando fechar com eles, se você topar, ai vamos tentar
que eles entrem com patrocínio neste novo canal.
— Não será o mesmo canal?
— Já falei demais.
— Vou pensar no seu caso.
57
— Se não for aceitar, é só não responder, e se até sexta não
responder, outra pessoa será convidada.
— Tá afim de mim? Não me envolvo fácil assim.
Pela primeira vez ela tocou em um assunto que não sou fácil
de confessar ou me envolver, a meço de cima a baixo e falo.
— Não tinha pensado nisto ainda.
Ela me olha e sorri, estranhei este sorriso, mas ela estava
jogando, e velhos não acreditam em amor assim, tão fácil, eu muito
menos.
O senhor volta e fala que poderiam fechar o prospecto para
os primeiros 6 meses, um teste, se desse certo, conversaríamos de
novo.
Eu assinei o compromisso, o senhor sorriu e depois disto
fomos falar da publicidade no veiculo, vermelho, eu iria plotar ele
todo, e falei que o rapaz do projeto iria procurar o senhor no dia
seguinte.
Voltamos a repartição e a moça viu que o computador estava
normal, me olha e pergunta.
— Não vai falar sobre o que fomos tratar lá?
— Não disse sim ainda, e não assinou um contrato de
prestação de serviço.
— E pagaria quanto incialmente?
— Por enquanto por diária, já que somente após o assinar
que vamos tratar de procurar os demais patrocinadores. – Eu menti,
mas não achava que ela toparia.
Ela se afastou, o diretor de conteúdo, que raramente falava
comigo veio me parabenizar por estar ensinando a moça e fazendo
o trabalho em conjunto.
Não respondi, deu meu horário, desci, comprei os jornais do
dia e fui para casa.
Um banho completo, coloco o visual do Boêmio e gravo 7
textos rápidos, não era algo para ser didático, era tirar sarro do
comportamento de alguns, que se enfeitavam todos mas no fim da
noite estavam beijando a calçada.
Fiz a montagem dos testos do Velho, não tinha rosto este
personagem, ele olha para o jornal, eu aproximo a câmera, e
começo a comentar um texto do jornal, depois um segundo, olho
58
para o lado e falo que estou com fome, e olho como se para o fundo
e a imagem da Confeitaria e do rapaz explicando qual doce era, e
depois se deliciando com o doce, voltava e fazia o ultimo
comentário do jornal.
Foi demorado o primeiro, mas as noticias mudavam, a
propaganda não, então o formato estava feito, e coloco o endereço
da confeitaria com um mapa no canto, tinha jornal para 3
gravações, e por fim, eu olho a câmera, a imagem é de estar ao
escritório, os meus livros ao fundo, e faço os 7 textos que queria,
estes foram quase sem edição, pois eram assuntos bons, mas
rápidos, e indagações sobre comportamento.
Eu olho o horário, e coloco os vídeos para compilar, tomo um
banho, programo Guta para por as inserções, verifico o criar da
pagina e não tinha o nome, então descubro o
“www.radiooespelho.com.br”, e registro o nome, e começo a
pensar em uma programação para a mesma.
Cansado adormeço.

59
Acordo e olho pela janela, levanto e
pego o café, varanda dos fundos e olho o
quintal, confirmo com Guta a inserção dos 7
dias do Boêmio, 7 inserções do João, o
repórter, e as 3 gravações do Velho.
Consegui colocar o meu vídeo, antes
das 6, e agora sabia que teria eles por 7 dias,
gravei a voz do Zezinho em um anuncio do Velho e do Boêmio, que
entraria no fim dos vídeos do dia.
Não era 7 da manha quando o rapaz me passa o prospecto do
envelopamento da Ducato, e autorizo, e passo o endereço do
serviço e com quem falar.
Olho os números e estranho ainda estarem crescendo.
Pego o aplicativo e o rapaz de sempre, parecia ser o mais
próximo da casa dele fala.
— Bom dia senhor João.
Ele agora sabia meu nome, então agora tinha de me ater a
lembrar de quem eu conhecia, pois muitos saberiam meu nome.
— Pelo jeito o assunto pegou fogo hoje sedo, tem gente
comentando sua posição sobre Haters.
— As vezes as pessoas tem de entender que temos palavras
para estas pessoas, que não precisamos de termos em inglês.
— Pelo jeito entrou com os pés no peito deste canal, eu
gostei do texto, as vezes é bom aprender algo.
Sorri, chego a repartição e Lia estava ao lado, não no
computador.
Sentei e pensei no texto de hoje, e ela ficou apenas me
olhando, ela não falou nada.
O redator me olha e fala entrando.
— Aquele assunto tá pegando fogo na internet.
Lia viu eu começar o texto e fala.
— Não vai falar nada?
— Não entendi. – Respondi a olhando.
60
— Você ontem duvidou primeiro, convidei a fazer parte, você
ainda não falou sim, então não sei qual cobrança é esta?
— Às vezes as pessoas querem destaque, você parece se
esconder.
— Às vezes as pessoas não entendem, eu não preciso
aparecer, e sim a ideia.
— E o convite está de pé?
— Sim.
— O que Sergio vai pensar disto?
— Não sei o que ele quer Lia.
— E o texto de hoje vai falar do que?
— Meus textos são sequenciais, abordam o mesmo texto, o
único que muda é o de amanha.
— Porque muda?
— Porque é a publicação de segunda.
— E pelo jeito não fala dos seus planos antes das pessoas
estarem nele.
— Cada um dos personagens, vai ter uma abertura, então
cada vídeo, ganha 30 segundos a mais de apresentação, o canal
ganha publicidade, ganha conteúdo, e 30 segundos a mais no fim,
mas ainda acho que minhas ideias vão acabar em 15 dias.
— E pelo jeito ainda pensando em quem vai participar.
— Pense até amanha, sabe que não fui claro, e apenas se
quiser fazer parte vou falar.
Olhei ela ir a direção, não sei quem era o acima que a indicou,
pois parecia alguém perdida ali.
Saio ao meio dia, e com o óculos filmando, filmo mais alguns
locais no centro, precisava dos conteúdos e dos vídeos, e começava
a achar que as ideias estavam acabando.
À tarde faço a moça escrever parte do texto, e parece que
quase liguei o sobrenome da moça ao do Diretor de Conteúdo
Geral, fazemos o texto novamente em conjunto, e passamos ao
pessoal, eu pensei já no do dia seguinte, e apenas anotei e deixei
salvo no meu e-mail.
O rapaz da Bariguí me passa a imagem do veiculo já plotado,
e falo que devo pegar ele no dia de amanhã, estava pensando em
onde estacionar o carro.
61
Pego o aplicativo e vou para casa, na sala estava uma
bagunça, eu subo para o quarto vago no segundo piso, coloco no
guarda roupa cada uma das montagens de personagens, eu olho o
que era o narrador da cidade, e começo novamente a narrar os
acontecimentos da minha vida, explicando passagens de minha
historia, ligadas a pontos da cidade, e fiz os 9 vídeos, olho o horário,
ajeito as coisas naquele quarto, abrindo espaço na sala, desmontei a
cama e coloquei desmontada no quarto de hospedes, e montei o
local de gravação todo ali, vi que as minhas inserções eu conseguia
fazer mais rápido, faço as outras 4 do Velho, e preparo 7 textos
sobre parques da cidade, detalhando o parque Tingui em 7 partes, o
texto de sábado, se alguém aceitasse.
Coloco os vídeos para compilar.
Eu faço os textos e penso no que faria no sábado e talvez
colocasse mais alguém nisto.
Eu gosto da ideia, e lembro que dormir fazia parte.

62
Acordo sexta feira, olho em volta,
estava agitado, pois estava acordando
antes de ser despertado, acho que estava
muito acomodado antes, mas anoto todos
os passos que queria para aquele dia.
Eu ajeito os nomes e coloco o nome
dos vídeos que eu narrava os locais e minha
vida como Curitiboca, e os coloco para ser
inseridos as 19 horas, e os que Carlos me passara a apresentação do
personagens e coloco uma chamada 15 minutos antes, era curta,
mas repedida cada minuto até começar o novo vídeo.
Programo a inserção dos outros quatro vídeos do Velho,
deixando parte do conteúdo sempre encaminhado.
Pego o aplicativo e olho o rapaz e pergunto.
— Como é seu nome rapaz?
— Pedro.
— Quer ganhar um extra todo sábado?
— Extra?
— Ser meu motorista, para inserções de algo que será
gravado todo sábado, e preciso de um motorista.
— Ficar disponível que horário?
— Das oito ao meio dia, acho que dá para gravar tudo.
— E paga bem?
— 300 por sábado.
— E como posso ganhar este dinheiro?
— Amanha as 8 na entrada do sobrado. – O rapaz me estica
um cartão dele e pergunta.
— Vamos com o meu carro?
— Estaciona na garagem, pois vamos com um veiculo que não
entregaram ainda.
— Certo, eu apareço, pois um extra no sábado sempre é bom.
— Lhe espero amanha.
Desço na repartição e olho para Sergio na entrada e ele fala.
63
— Vai me roubar a minha editora de vídeo?
— Não, ainda sobra muito tempo para editar seus vídeos.
— Mas a convidou para que?
— Ela não aceitou ainda, e se não aceitar, saberão quando
estiver no ar.
Entrei e olhei para Lia lá, ela ainda não tinha se posicionado,
então esperava que ela falasse não.
— Podemos conversar?
— Fala. – Eu de manha sou curto com as palavras.
— Meu pai mandou não me envolver com você.
— Então é um não?
— Não estou falando deste assunto.
— Não temos nada além deste assunto e da coluna que
vamos escrever juntos por mais 15 dias.
— Certo, se vai separar as coisas, acho que ele não vai ser
contra.
— Não entendi o problema?
— Ele me falou que você é velho demais para mim.
— Quem é seu pai?
— Sabino Machado.
— Pelo jeito andou falando de mais, pois não vejo problemas
em um adendo de salario por um dia a mais de trabalho.
— Ele tem medo de que me envolva.
— E porque ele teria este medo?
Ela apenas sorri e fala.
— Aceito fazer parte, mas não entendi a sua ideia ainda.
— Eu estou a tendo, eu faço enquanto caminho.
— Está falando serio?
— Estava pensando em quem convidaria, você estava me
enrolando, mas quer algo informal ou quer algo formalizado.
— Formalizado é melhor.
— Então meio dia formalizamos, pegamos o carro na Bariguí e
conversamos no fim do expediente.
— Vai me fazer esperar?
— Eu tenho a pré ideia, mas tem de ver que depende de você
querer fazer parte.
— Pelo jeito quer mais de uma inserção.
64
— Se der espaço, quando ver, terá um canal do YouTube.
— Já tenho um canal.
— Certo, terá um canal dentro do meu canal.
— E sobre o que escreveremos semana que vem?
— Sobre o Espelho.
— Não disse que não iria escrever sobre isto?
— Não vou falar do meu canal, vou falar da teoria do espelho,
que a imprensa reflete o que aconteceu, mas mostrando que ela
consegue refletir apenas uma pequena parte, e uma parte que
tende a cultura de quem a está narrando.
— E qual o nome da minha personagem.
— Lia, a Real.
— Não entendi.
— Hoje a meia noite LIA, “Large Intelligence Anarchic”, tem
seu primeiro vídeo no ar.
— E porque Lia?
— Nem sabia seu nome quando o personagem surgiu.
— Uma coincidência bem cômoda.
— Sim, algo que me fez lhe convidar para fazer parte.
— Certo, mas pelo jeito se deixar cria um personagem a mais.
— Eu tenho um personagem que estreou ontem, o Boêmio,
precisamos da Boêmia.
— E teria um recebível para cada personagem.
— Acho que ainda estou oferecendo algo que possa pagar do
bolso, daqui a pouco, vamos ter de estudar estes recebíveis.
— Daqui a pouco me convence a largar o Jornal.
— Talvez não entenda, mas estamos criando um Jornal Online
Descontraído, mas acho que você aguenta trabalhar aqui muito
tempo, ainda.
Trocamos ideias e escrevemos o primeiro texto e expliquei
que projetava algo para 5 abordagem, para não atropelar tudo no
primeiro texto, e que após aquilo, era seguir a cartilha.
Ela anota e fala.
— Sergio quer conversar.
— Ele quer fazer um canal, mas não quer se dedicar a ele.
— Certo, e pelo jeito não o vai ajudar.
— Não teria como o ajudar, se ele não quiser ajuda Lia.
65
— Certo, e vou conhecer os demais personagens.
— Você conhece todos os demais personagens.
— Vai dizer que são pessoas daqui e que não falam nada.
Sorri e não comentei, mas obvio, mais sedo ou mais tarde ela
ficaria sabendo.
Olhei ela serio e perguntei.
— Quer fazer A Boêmia?
— Sim.
— Tem de saber, que raramente parecemos nós nos vídeos.
— O que quer falar?
— Apenas que vamos gravar a noite, e apenas tem de manter
a sobriedade e a mente aberta.
Ela me olha com um olhar que me deu medo, aquilo foi
malicia no olhar, mas fiz que não entendi.
— E se Sergio quisesse fazer parte?
— O problema é que hoje, estes grupos GLBT são muito
frescos, se fala em Bichinha, não pode, Veadinho, não pode, eles
estão podando a eles mesmos, e ele não se encaixa em nenhum
destes como personagem, ele é um Homossexual assumido entre os
dele, e que não quer deixar transparecer isto.
— E não teria um personagem para ele?
— Ele não quer participar, ele continua a bater nos temas,
não entendi o problema dele ainda.
— Acha que devo ajudar ele.
— Sim, mas ele tem de se esforçar mais, somos indicados
pela busca, pois temos conteúdo novo toda dia, mais de um por dia.
— Certo, isto faz as pessoas verem, e não são vídeos longos.
— Sim.
— E o que faremos hoje a noite?
— Se estiver disposta, vamos gravar muito, sem verem que
estamos gravando.
— Não entendi.
— Eu não preciso de óculos para enxergar Lia.
Ela me olha e fala.
— Fica gravando o tempo inteiro?
— Sim, depois tiramos o som, e colocamos outro som.
— Parece saber o que quer fazer?
66
— Criar mais três inserções no meu canal.
— E começamos hoje a noite?
— Sim, e o segredo faz parte do canal.
— E como mantem toda esta estrutura.
— Assim que assinar com o canal nós falamos.
Ela me olha e fala.
— Clausula de sigilo?
— O sigilo, faz eles pagarem mais Lia, tem de entender.
— E não vai ficar muito cheio o canal?
— Não tenho nada ainda entre a meia noite e as 6 da manha,
e a tarde está livre para Podcast futuros.
— E não fechou o cronograma ainda.
— Ainda não.
Saímos no almoço, e Sergio pareceu grudar em nós, mas
fomos a entrada e pegamos um aplicativo para a Bariguí Veículos,
cumprimento o gerente e ele nos apresenta o mesmo carro, mas
agora todo plotado, se Sergio achava que estávamos brincando,
não, não estávamos, pegamos o carro, deixamos no
estacionamento, fomos a Americana, comprei um óculos para ela,
maquiagem, peruca, uma denotação bem vagabunda, de vampira e
alguns apetrechos a mais.
Saímos dali e com a pasta que já tinha na mão, entramos em
um cartório, e registramos o acordo trabalhista entre eu e ela.
Sergio nos acompanhava e não estava entendendo.
— Os dois parecem estar em sincronia, pelo jeito o negocio é
serio, firmaram até em cartório.
— Não entendo o que quer Sergio. – Falei serio.
— Você está me tirando a minha editora de vídeo.
— Ela ainda está trabalhando para você, mas 4 vídeos ao mês,
e sem pagar ela, é sacanagem.
— Mas meus conteúdos são especiais, não faço todo dia.
— Paciência, meus conteúdos são vomitados na internet e
saem 7 vídeos todo dia.
— Não é a toa que só falam deste Espelho, vocês estão
avacalhando com o mercado.

67
— Não Sergio, eu tenho em media 70 mil visualizações por
dia, longe de ter um milhão de visualizações, para ser um pequeno
pedaço do todo.
— E quer chegar a quanto?
— Eu estou feliz com esta quantia, e começo a pensar em o
que fazer com meu tempo vago, daqui a 15 dias.
Lia me olha e fala.
— Dai vai querer fazer um Podcast?
— Sim, mas estes serão uma vez por semana, pois não tenho
ainda 52 pessoas para entrevistar.
— Pessoas normais? – Sergio.
— Não, pessoas que o curitibano conhece, e somente o
Curitibano conhece.
— Um exemplo?
— Não vou entregar a surpresa ainda não.
Pego dois sanduiches e voltamos ao trabalho, não deu tempo
de almoçar direito.
Olho para o senhor Sabino nos vendo chegar e ele olha a
filha.
— O que tanto conversavam?
— Fomos pegar o carro que vai servir ao programa que vamos
gravar, a Bariguí cedeu uma van Ducato, e fomos pegar.
— Não entendi, vão gravar um programa e conseguiram
patrocínio? – Sergio – Isto que foram fazer lá?
— Acha que fomos fazer o que? – Lia olhando Sergio.
— Pegar o carro apenas.
Lia mostra a foto que tirou da van para o pai que pareceu
olhar interessado.
— E vai fazer o que neste prospecto.
— Vamos pela primeira vez falar disto, não tinha aceitado
ainda pai, e calma.
— E tudo isto ai? Estavam fazendo compras?
Sorri e olhei para o senhor e falei.
— O problema de qualquer empreendimento no começo, é
achar as parcerias certas, estamos começando a acertar o prospecto
ainda.
— E vão conversar disto quando? – O senhor.
68
Não era de falar muito, e apenas cheguei a mesa e falei para
Lia.
— Explica para seu pai, é apenas um canal do Youtube.
O senhor viu que estava fazendo cena, e Sergio olha para mim
e fala.
— E o que pretende com a levando para dentro do seu grupo,
parece a querer tirar da minha parceria.
— Parceria é onde as duas partes ganham Sergio, você fica
cobrando, mas não corresponde economicamente, e nem em
oportunidades.
Lia e o pai saem dali e Sergio fala serio.
— O pai dela é ciumento.
— Vou tentar lembrar disto, mas parece querer algo ainda
Sergio, e não estar disposto a pedir.
— Queria uma oportunidade de gerar um conteúdo.
— Teria coragem, pois no meu canal, poucas pessoas
aparecem, seria algo a parte e com um contrato de participação,
pois não sou sua concorrência, por sinal, acredito que não
influenciasse no seu canal, já que é outro publico.
— Mas que papel seria este?
— Um traveco bichona com todos os trejeitos.
— Mas...
— Poucas pessoas veriam você neste personagem Sergio.
— Como pode garantir isto?
— Ninguém me enxerga na Jaqueline.
Ele me olha estranho e pergunta quase como se afirmando.
— Não pode ser você, a Jaqueline?
— Acredite, é!
— Mas...
— Faz um texto, conseguimos um patrocínio, e faz o seu
personagem, não é um local para gerar dinheiro, é para se divertir.
— E se os demais me reconhecerem?
— Sergio, qual o problema em lhe reconhecerem?
— Eu tento manter a aparência, meus pais não gostam disto.
— Então pensa, no Espelho, as pessoas são elas, não o que os
demais querem que elas sejam.

69
— Vou pensar, pelo jeito vai mesmo a por para fazer as
coisas.
— A posição do pai dela, me manda procurar outra pessoa,
estranho quando se vê um pai tratando a moça como uma criança.
— E pelo jeito ainda tem espaço, pois me propôs a fazer este
personagem.
— Como falei para Lia, a parte da manha tem 3 espaços de
tempo ainda, a tarde, 4 delas, e não temos nenhuma programação
entre a uma da manha e as 5 da manha.
— E se deixarem você coloca.
— Não estarei fazendo nada além de dormir neste horário,
mas quanto mais colocamos, mais o Youtube nos indica como
conteúdo.
— E seu formato basicamente não dá espaço a muitos Cortes.
— Eu ainda não pensei em um canal de cortes, vou pensar
nisto quando tiver os conteúdos.
— E não declara nada ainda.
— Não, temos personagens, quem sabe onde isto vai parar,
pois vou criando ideias, mas para cada ideia, preciso de um
conteúdo.
Depois de um tempo Lia veio da parte interna, e me olha,
Sergio ainda estava ali.
— Como vamos fazer?
— Amanha de manha tem motorista, hoje não tenho ainda. –
Falei olhando ela.
— Certo, e começamos como?
— Nos preparando para os dois personagens, mas tem de
considerar que as pessoas não veem os personagens na rua, e a
maioria das pessoas não entende como.
— Tem um segredo?
— Sim, tem um segredo.
Sergio se afasta e Lia fala.
— Este é um fofoqueiro, evita falar para ele qualquer coisa
que lhe comprometa.
— No máximo terei de criar outro canal.
— Não leva a serio.

70
Eu não comentei e peguei o óculos e coloquei na tomada, o
que havia comprado, e o meu também, coloco o cartão de
memoria, e peço o celular dela, e coloco espelhamento com o
óculos dela, para ela poder ver o que estava sendo filmado.
Coloco no rosto dela e falo.
— Pode não ficar bonito, mas estamos criando a visão do
personagem, não apenas do que vai acontecer.
— E vamos nos produzir para ir aos locais.
— Não, vamos como estamos, e depois, quando terminar de
filmar amanha, lhe explico os 3 personagens, e se pensar em algo
mais, fazemos.
— Três personagens?
— Talvez a noite seja curta, mas vou tentar não me cansar
muito hoje.
— A vamos fazer o que?
— Vou tentar lhe mostrar como fazemos, mas hoje, é apenas
gravação, e sei que não está entendendo.
— Não estou entendendo mesmo.
Sorri e olhei para o senhor vindo e falei.
— Ainda dá tempo de pular fora.
— Não quero pular fora, estranho como ele falou que deveria
aprender a função com o você, lhe deu parabéns antes de ontem e
já está enciumado.
— Ele tem razão, não deve se envolver com senhores que
usam frauda geriátrica.
Ela achou que foi uma piada, mas eu sabia que não era, o pai
dela passou direto, como se tentasse apenas dizer, estou olhando.
Ela olha o pai fugindo e fala.
— Já tentando escapar?
— Deixando claro que é uma furada.
— E porque se dedica tanto a este plano?
— Talvez por já ter feito de quase tudo na vida.
— E resolveu criar algo para falarem de você?
— Não, eles não precisam falar de mim.
— Não entendi ainda sua calma, parece que não vai fazer
nada esta noite.

71
— Eu ainda estou recuando, então se não avançar, a noite é
produtiva e administrável.
— E se avançar, recuaria?
— Homens na maioria das vezes, não prestam menina.
Ela sorri e pergunta.
— E teria um espaço para meu amigo bichinha?
— Se ele topar, dois espaços, mas teria de trabalhar, esta
coisa de um vídeo por semana, viraria 14 curtos por semana.
— E pelo jeito acha que ele não toparia?
— Ele entende do mundo que vive, e uma das ideias, eu
passei para ele, mas como falou, quem tem de decidir é ele.
Preparei todo o material e quando deu 6 horas, eu estava
com fome, então pegamos a van e fomos ao largo, primeiro comer
algo no Bar do Alemão, expliquei para ela que gravaríamos sempre.
— Mas o que faremos hoje?
— Comer, depois um cinema, depois um teatro, a meia noite
tem o passeio no Cemitério São Francisco, estamos com as reservas,
dai um pouco de punk na rua São Francisco, e cama.
— Vai me deixar em casa?
— Não, você vai me deixar em casa, e espero que não perca a
hora, pois temos de gravar amanha cedo.
— Não entendi nada ainda.
— Sei disto.
Ela entendeu menos ainda, quando ela foi ver um filme e eu
outro, os dois na mesma peça de teatro, mas no Cemitério,
filmamos mais os túmulos do que os demais participantes, eu não
filmava ela, pois eu estava pensando no personagem, não na
aventura.
Na saída do cemitério ela fala sobre as historias e fomos a um
bar e ela pergunta.
— Está falando que o que interessa são as imagens.
— As interações você vai entender como fazemos após.
— E pelo jeito tem uma ideia?
— Quando se fala em Lia Real, é quase como criar um
segundo nome para a repórter, investir no futuro, quando se fala na
Boêmia, estas imagens, servem, dai você dança um pouco no salão,
pede uma bebida, mas estamos apenas na sua visão das coisas.
72
— Certo, e pretende algo a mais?
— Não sei até onde você iria nisto, mas a personagem do
cemitério é A vampira, precisamos das imagens do local, e vamos
contar testos macabros, para publico da madrugada.
— Eu não sei qual o primeiro.
— Lia vai apresentar a historia da cidade através dos parques
e locais públicos, podendo assim falar de problemas sociais, de
preservação, de educação, a repórter séria que tem uma inserção
no nosso canal.
— E pensou em algo mais?
— Isto após testar os primeiros personagens vou propondo.
— Não entendi.
— Mas vai entender.
— Pelo jeito consegue pensar no conteúdo, não no que
estamos fazendo aqui.
— Sim.
Nos despedimos e ela me deixa em casa e vai para sua casa,
vejo ela ir com a van sem saber onde ela morava.
Baixo todos os vídeos, estava cansado, então tomei um banho
e fui a cama.

73
O acordar cedo, e o organizar das
coisas, estabelecia um caminho que não
entendia, mas parecia ser preciso trilhar, eu
como toda manha, pego o café, passo a
Guta, os textos que ira gravar, e ela começa
a fazer as vozes, enquanto isto, olho o
material, apuro o texto, e olho para todos
os prospectos.
O colocar de todos os prospectos, vi que daria trabalho, não
seria tão fácil fechar o prospecto, e começava a pensar nos
convidados, anoto algumas letras, que poderiam ser inspiração de
cada personagem, mas seriam as chamadas musicais, pensar em 24
musicas, eu nunca tido sido musico, estabelecia um desafio, e o que
eu estava me fazendo, eram desafios, para provar que não era
velho, embora me olhar ao espelho, ainda me dava o velho.
Olho os prospectos, e o prospecto em si falava, convidados da
noite e convidados das tardes, minha ideia era trazer pessoas a
vitrine, pois muitos falavam das escolas de sambas de locais
famosos, mas quem eram os presidentes das escolas de samba da
cidade, todos falavam das boates, mas quem eram os proprietários
destes locais, por outro lado, todos falavam dos grandes
empreendimentos da cidade, e queria mostrar estas pessoas, por
outro lado, mostrar a parte pessoal dos personagens da capital do
Paraná, antes que eles sumissem, pois alguns já sumiram.
As pessoas pesavam em grandes entrevistas, eu pensava em
4 por semana, que me gerassem material para 7 inserções cada, me
gerando 28 inserções na semana.
Preparo as memorias, as baterias, e os apetrechos, e começo
a pensar no que gravaríamos naquele dia, as vezes as pessoas
pensam em algo incrível, eu apenas em preencher uma tabela, e no
conteúdo de cada personagem.
Reparei que o que fazia nas minhas crônicas, poderia fazer
nos personagens, fazer textos que durassem uma hora e quarenta e
74
cinco minutos, pois editando, se conseguia com estes textos, 7
inserções durante a semana, de 12 a 15 minutos, que com a entrada
e a saída, geram o conteúdo dos personagens.
Confirmei por mensagem se Lia e Pedro viriam.
Pedro chegou antes e fiz sinal para ele estacionar o carro, e
entrar.
— Pega um café, tem pão de queijo se quiser.
— Obrigado, não entendi a ideia.
— Uma pergunta, quer fazer parte de um canal de internet?
— Como fazer parte?
— Primeiro entrevistado de um programa que nem existe,
entrevistando um motorista de aplicativo.
— E acha que daria assunto?
— Na verdade, a ideia é ter uma câmera no seu carro,
mostrando a rua e a condição do tempo, entre as oito da manha e
as oito e meia da manha, todos os dias, e após isto, uma entrevista.
— Eu vou entrevistar?
— O personagem Joãozinho vai entrevistar.
— E isto dá dinheiro?
— A ideia é complicada, mas é criar um personagem, que
narra como está o transito, e colocamos após uma entrevista com
ele, feita na Van do Espelho, este mesmo personagens, vai ter seus
dingos e suas musicas, que são apenas a chamada para deixar as
pessoas atentas.
— Não respondeu?
— Não sei o que seria uma proposta boa de trabalho.
— Sei que alguns não se dedicam tanto, mas dá para ganhar
no aplicativo, próximo de 10 mil mês, e não vou largar fácil assim.
— Não pedi para largar, deixar claro, é um adendo, pode ser
que seja uma ideia que não dê retorno, mas a proposta de sábado, é
motorista das nove ao meio dia, o programa de entrevista pela
manha, seria gravado uma vez por semana, e editado para passar
pelos 7 dias da semana, as gravações das musicas, dos personagens,
gravadas uma vez a cada 15 dias, pois não vamos criar uma musica
todo dia, e se topar, dai surgiria dois personagens a mais, o
Joãozinho personagem e o Joãozinho entrevistador.
— Porque está me convidando?
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— Tem de saber falar, ter uma voz diferenciada, e ser calmo,
isto é apenas observação de quem lhe conhece pouco rapaz.
— Mas daria dinheiro?
— Depende de você topar, para tentarmos um patrocínio,
quando falo em personagem, é que lhe difere do rapaz do
aplicativo, evita problemas, quem está ganhando dinheiro, não
precisa ficar na vitrine.
— Eu topo, mas pelo jeito alguém está atrasada.
— Terminamos de gravar próximo das duas da manha.
Ouvi a buzina, e quando Lia encostou na entrada, apresentei
o motorista, com a ajuda de Pedro descemos o equipamento, dei
um óculos para o rapaz, pois ele gravaria todo o percurso, estava
um dia de sol, e nem sempre faz sol nesta cidade, então começamos
pelo parque Tingui, Memorial Ucraniano, pontes, passagens, uma
pequena corrida de 15 minutos, que tirou o folego dos dois, saímos
dali e fomos ao parque Tanguá, mirante, túnel em pedra,
restaurante, filmamos em vários ambientes, geralmente gravações
de próximo a 15 minutos, saímos dali e filmamos na Opera de
Arame e na Pedreira, sempre com gravações do veiculo por fora, e
quando chegou meio dia, deixei Pedro em casa, paguei a diária, e
falei que se ele tivesse interesse, me ligasse.
Deixamos ele em casa e fomos almoçar em Santa Felicidade.
— Não entendi nada do que fizermos, pensei que iriamos
gravar conteúdo.
— Tem de entender, vamos almoçar, e depois explico como
vamos produzir, nosso produto é de um estúdio improvisado, não
de algo profissional.
— Muitos querem o seu improvisado.
— Eu não tenho a grade nem metade cheia, e por mais que
pareça fácil, não é, pois se hoje tenho 7 horários preenchidos, eu
quero ter 24 horários preenchidos Lia.
— Quer por conteúdo no mesmo horário?
— Não, conteúdo em português, no Youtube, 24 horas por
dia, e o que me fez pensar nisto, um comentário bobo de uma moça
em Macau, que ela gostava dos conteúdos.
— Então acha que dá para crescer.

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— Sim, esta abrangência que fez o Ifood entrar em contato
para por uma publicidade nos 6 personagens.
Comemos e fomos para minha casa, ela olhou desconfiada,
mas eu não estava pensando em nada além de produzir a moça e
fazer a gravação de dois personagens, Lia Real, e Boêmia, talvez
tentar alguns assuntos mais pesados numa conversa entre Boêmia e
Boêmio.
— Aqui que reúne o pessoal.
— Tem de entender Lia, não existe o Pessoal.
— Como assim?
— O pessoal até agora é eu, você e Pedro, apenas os três,
pode ser que tenhamos Sergio no grupo, mas ele tem de querer.
— E o que vamos fazer aqui?
— Gravar os textos, de Lia, e ver como fica, depois tentar
gravar os textos de Boêmia, mas ai tem a produção.
— Produção?
— Boêmia não vai ser você na aparência, vai ser a Boêmia, e
se topar, tentamos gravar testos de Maria, e Guta.
— Não entendi.
— Sei disto.
Ela estranhou, pois me viu colocar as câmeras, indicar para
ela, olhar para as câmeras, variando de câmera, ao fundo dela, a TV,
e uma tela verde após na parede, e gravamos o texto de 1 hora e
quarenta e cinco minutos em 2 horas, dai eu comecei a passar para
ela a veste e os apetrechos da Boemia, ela entrou na brincadeira, o
difícil foi achar uma voz para a personagem, mas uma vez pego o
jeito, ela conseguiu fazer o texto, após isto, gravamos o texto de
Maria, e era próximo das 3 da manha, quando terminamos o texto
de Guta, vi que ela estava cansada e ela pegou um aplicativo e foi
para casa, não sei o que ela pensou.
Eu cansado nem tomei um banho, apenas cai na cama.

77
A noite foi curta, e nesta hora que
sinto a idade, pego o café, e um analgésico,
sento ao computador e começo a olhar o
que tinha de conteúdo, o separar do texto
de Lia em 7 partes, me garantiu a ideia,
olho o e-mail e passo para Carlos os
prospecto das 4 personagens, e parte de
seus vídeos.
Olho a hora, teria de comer algo de novo, e parecia que
estava amanhecendo.
Separo os vídeos, deixo preparado, precisaria da
apresentação de Zezinho, gravo as chamadas, das 4 personagens,
somo da entrada da primeira leva de 7 vídeos, a chamada com a
chagada da Van no Tingui, e coloco para compilar para transmissão.
Peço algo para comer e começo a separação dos vídeos da
Maria, era uma estudante, que tinha duvidas sobre coisas da vida, o
texto dela poderia ser imenso, mas gravamos apenas duas horas,
das quais, quase nada foi desperdiçado, foram 10 pedaços de
perguntas com duvidas, cada qual próximo de 11 minutos, com a
chamada do Zezinho, e com a propaganda do programa ao fim, do
Boêmio pedindo algo no Ifood, fechou os 10 vídeos, e novamente
coloco para compilar, e atendo a porta pegando a comida.
Os vídeos da Boemia, foram os mais desconcertantes, e gerou
apenas 5 vídeos, teria de acrescentar algo a mais, mas teria de
pensar mais sobre o assunto, fechei aqueles vídeos, e começo a
fazer o de Guta, enquanto Maria era toda cheia de incertezas, Guta
sabia o que queria, sabia se portar e falava absurdos, e este foi um
personagem que as divisões ficaram bem facilitadas, novamente
monto os vídeos e coloco para compilar.
Era oito da noite quando ouvi a campainha e fiz sinal para Lia
subir, não estava esperando ela ali, mas ela parecia contrariada.
— Podemos conversar?
Ela parecia gostar desta frase.
— Sim.
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— Não entendi nada do que fizemos ontem.
— Certo, senta ia que compilado está apenas Lia e Maria, mas
assim você entende o como fazemos.
Ela parecia desconfortável até olhar o vídeo, e ver que o que
parecia algo sem proposito, gerou o local da gravação e me olha ao
final.
— Está dizendo que lá fora ninguém precisa saber do que se
faz aqui?
Sorri e coloquei a Maria e ela entendeu, não parecia ela, era
outra pessoa e o olhar de encantada foi comovente.
— Então enquanto eu dormia estava criando o conteúdo.
— Amanha é um dia chato.
— E as demais?
— Estão em compilação para o formato da plataforma, e após
isto eu coloco no sistema da Guta – apontei o equipamento, para
ela não confundir – a programação para todo dia da semana as 10
da manha entrar o vídeo da Maria, que estreia amanha, as 11
estreia o vídeo da Guta, as 20 horas estreia Lia Real, e as 22 estreia
Boêmia, mas não sei se gostou do pouco de viu.
— Pensei que tinha entrado em uma furada, mas quanto vai
me pagar por isto.
— Temos de falar sobre isto ainda.
— Certo, não sabe se vai dar retorno ainda.
— Sim, mas quanto gostaria de ganhar?
— Uns 10 mil por todo este trabalho.
— Sabe que vai dar trabalho para ganhar isto, mas acho que
dá para levantar até o fim do mês.
— Pensei que tentaria reduzir.
— A ideia é 12 Lia.
— Está falando serio?
— Sim, mas a pergunta, já que está ai, quer gravar os áudios
da ultima personagem?
— Não eram apenas esta?
— Tem A vampira, que é para usar aquelas imagens do
cemitério.
— E vai ser sempre corrido assim?

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— Não sei, temos algumas coisas gravadas, eu ainda tenho de
gravar os meus videos para compilar de madrugada.
— E o resto do pessoal.
— É como esta linda Maria ai.
Ela pareceu duvidar, mas realmente não parecia ela, pior,
cada uma das personagens, tinha uma voz.
Gravo o áudio da Vampira, e depois o do Zezinho as minhas
inserções como João, e quando a meia noite eu me produzo de
Jaqueline, Lia sorriu e gravei os vídeos, teria de descansar, ela se
insinuou em ficar e eu apenas disse que estava cansado.
Tomo um banho e caio a cama.

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Acordo com o despertar de Guta, e
olho o vídeos compilados e começo a
colocar na ordem, e próximo das oito peço
o aplicativo e Pedro me cumprimenta.
— Bom dia, pelo jeito foi até tarde
editando.
— Bom dia, pensou no que falei?
— Acho que não me parece real.
— Sem problema, mas se quiser um extra no sábado, está de
pé.
— Juro que não entendi nada do Sábado.
— Às vezes nem eu.
Chego a repartição e olho que o senhor Machado estava
esperando que chegasse até minha mesa, respirei fundo e como
alguém que não devia, não deveria me portar como culpado.
— Bom dia. – Falei e o senhor me encara e fala.
— Deixar claro que reclamei do senhor a direção.
— O que fiz profissionalmente aqui, que mereceu uma
reclamação senhor Machado.
— Não sabe mesmo seu lugar. – O senhor.
— Não acordei ainda, o que fiz senhor.
— Minha filha sumiu quase o fim de semana inteiro, e falou
que passou ele com o senhor.
— Primeiro, sua filha tem 26 anos, segundo, não foi aqui,
terceiro, não tem haver com este emprego, quarto, trabalhar no fim
de semana não é pecado senhor, e quinto, não aconteceu nada
além de trabalho, então não entendo este piti do senhor.
Eu tinha a sensação que todos a volta estavam me olhando
neste momento, não sei se estavam, mas o senhor olha em volta e
fala.
— Não gosto do senhor, ficar bem claro.
— Sei disto, mas vim trabalhar, por sinal, a folgada da sua
filha está atrasada, espero a mesma reclamação dela.

81
O senhor estava revoltado, e sai dali, eu sentei a mesa, ficou
evidente que as pessoas estava olhando para mim, o velho da
repartição, dando encima de uma das herdeiras do local.
Abro meu computador, começo a escrever a crônica do dia,
eu não sabia exatamente o que escrever, mas o caminho traçado na
sexta, me dava o caminho, organização sempre acima da
criatividade, pois criatividade sem condição de por em pratica, não
adiantava muito.
Sergio chega a mesa e pergunta.
— Sabe onde está Lia?
— Se duvidar presa em casa pelo pai.
— Estou falando serio.
— Chegando ao fundo, deve ter perdido a hora.
— E este escândalo todo na repartição.
— Imagina se me deixasse tentar assim, no primeiro fim de
semana, como o senhor Machado estaria pulando.
Entre o começo da frase e o fim, Lia chegou a nós, e ouviu o
fim da frase.
— Problemas com meu pai.
— O que aconteceu? – Perguntei.
— Ele me descascou o verbo quando cheguei as duas e meia
da manha, devo ter ido dormir as 4, perdi a hora.
— Quase tive pena dos seus namorados a pouco, quando ele
tentava dizer que fez uma reclamação formal a direção contra mim.
— Acha que ele vai pegar pesado.
— Estou na minha penúltima semana aqui dentro Lia, ele
pode espernear, e o que ele vai ouvir da direção é que estou em
aviso prévio.
— E acha que ele vai perturbar muito? – Lia.
— Não sei, precisa fazer sua parte do texto de hoje, a minha
já está pronta.
— Não entendi toda a produção, pelo jeito terei de ver
pronto.
— A partir de amanha, vou começar a entrar como fazia
quando mais novo, as 7 da manha, para poder ter 3 horas de
almoço.
— O que vamos fazer?
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— Tenho de pensar ainda, mas vou fazer a primeira
entrevista, com o fundador do Acrotona.
— Vai começar a fazer entrevistas? – Lia.
— Quarta feira, põem na agenda, você vai comigo na
entrevista do Petralia.
Lia sorri e fala.
— Sabe que é difícil ver você naquela imagem de Jaqueline.
— Imagina seu pai sabendo disto Lia.
— Certo, ele pensando que estávamos aprontando e
estávamos gravando a Jaqueline.
Sergio me olha estranho e pergunta.
— Não tem uma ideia melhor para mim?
— O problema é que uma inserção por semana, vai depois
reclamar que estamos lhe explorando.
Sergio olha Lia e pergunta.
— Quanto ele lhe ofereceu para sei lá o que estão fazendo.
— Ainda negociando, ele disse que pode chegar a 12 no fim
do mês.
— 12 mil reais?
Ela concorda e Sergio me olha.
— Prometendo alto, e se não conseguir?
— Ela me mata, o pai dela coloca fogo no meu corpo e todos
ainda culpam o morto.
— Não me parece que você consegue pagar 12 mil para cada
um dos colaboradores.
— Com uma gravação por semana, eu não lhe pagaria dois
mil Sergio.
— Então vai a explorar, por isto o Machado está furioso.
— Pode ser. – Falei e olhei para Lia e falei.
— O texto.
Vi ela sentar e olhar o texto, ela pega a ideia, coloca a visão
mais nova sobre o assunto, eu pensaria sobre aquilo no almoço e
colocaria a conclusão.
Após isto respondo 3 propostas e marco com alguém ali, para
a tarde, Sergio via que estava acelerando e me pergunta.
— E vai parar quando?

83
— As vezes me assusto, o canal tem duas semanas e chegou
hoje a 100 mil inscritos.
— E vai manter os personagens.
— Eu ainda estou me batendo sobre isto, não fechei o
prospecto ainda, e se for aceitar, tem de decidir até sexta Sergio,
semana que vem vou por outro a fazer a mesma coisa.
— A bichona?
— Sim.
Sergio sai e Lia me olha.
— Meu pai olha ao fundo, acha que vai fugir sempre?
— Acho que montei algo que está pesado apenas para três
pessoas, e agora sabe o segredo, e não pense que estamos
fechando a ideia.
— Não entendi.
— Tenho de terminar de fechar a ideia, mas o Boêmio, seria
melhor interpretado por Sergio, mas ele não quer, ele acha que tem
de manter a figura dele ilibada.
— Pelo jeito criou os personagens, e ninguém viu.
— Já viu o Zezinho?
— Sim.
— A ideia era criar a personagem Maria, para algo mais
provocador, tiradas de pia cantando Maria e ela cortando ele.
— Uma interação de personagens.
— Sim, mas ainda precisa que Maria tope.
— Certo, quer criar um canal real.
— Sim, e as desventuras do Boêmio era para ser com
Jaqueline, mas poderíamos fazer Boêmio e Boêmia.
— Porque pensou neste dois.
— Tem um senhor que vem ai, a tarde, e ele comprou a ideia,
mas ainda não temos o quadro, ele tem 8 moteis na cidade.
— Um patrocino e usaríamos o fundo dos quartos?
— Sim, filmaríamos no local e este é conteúdo que entraria as
duas da manha na programação.
— Acha que alguém vê neste horário?
— Como Pedro falou, internet se assiste na hora que se quer.
— Certo, e no canal se divide por personagem.

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— Sim, pois se a pessoa quer assistir uma sequencia ela
consegue.
— E pretende fechar a noite com coisas assim.
— Não, vamos fazer entrevistas pesadas com personagem
noturnos, e vamos por nos dois horários da madrugada que estão
livres, dai teremos a Lia, autômato, abrindo a noite a meia noite,
Zezinho e Maria, a uma da manha, Boêmio e Boêmia as duas,
Bichona as 3 e duas entrevistas após.
— E quer duas entrevistas a tarde também.
— Sim, e uma pela manha.
— Fechando o prospecto inteiro?
— Quase, ainda falta coisa.
— Terminou a Vampira?
— Não, estava cansado e tem de fazer com calma a edição.
— Muitos perdem tempo com edições, você a faz rápido.
— Sei cada erro de edição desde o primeiro vídeo, mas não
vou trocar ele por isto.
— E quantos personagens estão hoje no ar?
— Acho que 10.
— Todos colocando um vídeo por dia e você colocando 10.
— Talvez isto explique mais o crescimento do que qualquer
coisa.
— Certo, vários assuntos e pelo jeito está pensando em
ampliar.
— Transformar em um canal que passa na Internet, no site,
que passe o conteúdo um após o outro.
— Para os que tem de preguiça de procurar?
— Sim.
— Mas falta muito.
— Sim, falta muita coisa.
— E filmaríamos nos quartos quando?
— Quem sabe quando o testássemos? – Falei olhando Lia, era
uma provocação.
— Provoca e depois me coloca para correr.
— Velho, que se acha velho, faz isto.
— Mas falando serio.
— Estava falando serio. – A olhei serio.
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Ela sorri e fala para provocar.
— Aceito o desafio, não vale fugir.
— 8 motéis, em media 3 tipos de quarto por hotel, vamos ter
trabalho de testar todas estas camas. – Falei para ver a reação.
— Uma boa profissão finalmente, testar colchão de motel.
Sorri.
Confirmei com 9 pessoas para entrevistar, 4 ao meio dia, e 5
depois do horário de trabalho. Estava tentando deixar o fim de
semana ainda livre, pois estava me parecendo corrido.
— E vamos gravar algo hoje? – Lia com ar de malicia.
— Preciso gravar um entrevistado hoje, depois gravar partes
do Velho e do Boêmio hoje a noite.
— Apenas as falas?
— Sim, mas como perco duas horas em media para cada um,
e mais duas horas de edição, acabo de madrugada.
— Teria algo contra eu retomar meu canal.
— Nenhum problema.
— E me ajudaria a editar personagens, vi que você quase
transforma isto em automático, a primeira não sabia o que fazer, na
ultima já estava preparada para aquilo.
— O desafio, é criar personagens a mais, pois todo
personagem tem um tempo, depois temos de por outro ali.
— E pelo jeito quer chocar as pessoas.
— As entreter.
— Não entendo você mesmo.
— Acho que me considero um velho, quando eu sair pela
porta em duas semanas, poucos vão me dar adeus, pois quem
começou comigo aqui, já pulou fora a muito tempo, e quando o
fizer, vou entrar com meu pedido de aposentadoria.
— Porque disto?
— Se me perguntarem o que faço, dizer Aposentado.
Saímos para almoçar, mas antes fui a uma loja na Westphalen
de equipamentos musicais, eu comprei pouca coisa, mas pouca
coisa quando se fala em musica, parece muita coisa.
Paramos no vegetariano quase na praça para almoçar.
— Pelo jeito quando se fala em gastar não tem dó.

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— Eu preciso ter uma ideia, e isto não quer dizer, a ideia é
boa ou ruim, apenas tenho de aprender a fazer ruídos rapidamente.
— E pelo jeito não esta contente com o resultado.
— Concordo com uma das criticas que li no Domingo,
estamos fazendo apenas mais do mesmo.
— Acho que estamos fazendo diferente.
Não queria discutir, mas para mim, era mais do mesmo,
muita gente fazia isto, e queria ainda entender, o que estava
chamando tanta atenção, a ponto desta repercussão.
— E vai entrevistar quem hoje a noite.
— Entramos naquele ditado, “Falem mal, mas falem de
mim!”.
— O que faremos?
— Entrevistar um transformista famoso das ruas de Curitiba.
— E porque falariam mal?
— Porque vamos o entrevistar em um Motel.
— Imagens pesadas?
— Não, texto pesado, apenas isto.
Voltamos a repartição, termino o texto e vou a recepção
receber o senhor Durigan na entrada e subimos a minha mesa.
— Boa tarde, as vezes recebemos uma proposta e não
sabemos como reagir a ela, parece querer mostrar algo diferente.
Conversamos e acertamos detalhes que o senhor estava na
duvida e estava conseguindo com aquilo um local de filmagem e um
local de entrevistas.
Estranho tratar coisas assim ali, mas até aquele momento não
tinha uma sede do canal, mas começava a parecer incomodo tratar
assim, sem um local físico.
Fechamos o acordo e marquei com o senhor para fim do dia
para fazer um piloto e mostrar no dia seguinte, para ter dois testes
de conteúdo, ele queria saber se não ficaria muito pesado para por
sua marca naquilo.
Ri por dentro, mas tratei o problema como algo serio, pois
eram marcas que estavam sendo ligadas aquele produto.
Lia me olha quando subo e pergunta.
— O diretor passou ai para falar com você.

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— Não esquece, temos compromisso hoje, e temos de pegar
as peças de montagem dos personagens lá em casa.
— Pelo jeito mudou de ideia?
— Preciso de um ploto que pode lhe garantir aquele trocado
por mês, então vamos tentar.
— Certo, investidores, você parece pensar em como fazer
antes de montar o personagem.
— Vai tentando achar dentro de você a voz da Maria, da Guta
e da Boêmia.
— Quem vamos entrevistar?
— Renata Carvalho e Megg Rayara.
— E pelo jeito não sabe começar por baixo.
— Eu acho que podemos perder as demais gravações, mas
quem sabe não fica bom algo assim.
Vou a sala do diretor e lá estava o senhor Machado que olha
o diretor e fala.
— Este repórter está tentando afastar minha filha de casa.
— Boa tarde João, queria apenas tirar duvidas, sei que já está
deixando a casa, mas não gosto de climão na repartição.
— Eu não fiz clima senhor, e apenas propus a filha do senhor
Machado, fazer uma inserção de noticia naquele canal que falamos
outro dia, nada de mais.
— E porque ele lhe acusa?
— Tenho pena dos namorados da menina, pois ela tem 26 e
um pai que a trata como 12, mas a inserção vai ao ar as 20 horas,
então não sei, deu trabalho dividir o assunto em sete partes e editar
tudo, quando se tem a mesma pessoa, fazendo áudio, vídeo,
compilando e produzindo, as vezes demora um pouco.
— E não teve nada com ela?
— Se tive ou não tive, não é assunto de diretoria de jornal,
não se fala nem bem e nem mal das pessoa internas aqui senhor,
isto não é assunto interno, obvio, quando um dos proprietários
reclama, explicamos, mas sabe que estou com aviso prévio,
cumprindo pois não quiseram o pagar sem eu passar a frente, mas
se me quer longe, apenas muda aquele aviso prévio, e sumo.
— Não gosto desta saída.

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— Nem eu, pois dai a moça aparece lá em casa, para algo,
que marcamos, ele vai fazer o que, inventar algo senhor, pois é
apenas ciúmes de pai, entendo, mas não tenho o que fazer, pois
não é baseado em algo concreto.
— E está passando a parte dela?
— Sim, ela tem escrito meia crônica todo dia, e assim ela vai
pegando o jeito, as regras, os horários, toda a dinâmica de como
fazer algo aqui dentro.
O senhor olhou o senhor Machado e que pergunta.
— Porque a está desviando do futuro dela.
— Se não entende, que Jornal Impresso está sumindo, e os
jornais online estão se modificando, não posso o instruir do que já
sabe, apenas mostrando que o que hoje fazemos, amanha
provavelmente não existira.
— Não entendo o que ela quer?
— Mostrar o seu valor, o que mais?
— Não quero você perto dela.
— Isto é problema seu doutro Machado, pois colocamos
filhos no mundo para eles terem asas, e não sou eu que terei de
aparar as asas.
— Não vai o afastar? – Machado olhando o diretor.
— Ele já está cumprindo aviso prévio, o senhor que sabe se
vão mudar isto acima, pois ele já foi afastado do quadro, ele
começou algo fora por isto, não por outro motivo senhor.
O senhor me dispensa e volto a minha mesa, olho para Lia e
falo.
— Falta meia hora para minha hora, mas não aguento mais
aqui dentro, vai junto ou fica?
— Lhe espero lá embaixo, desço primeiro. – Ela fala me
olhado seria.
Vou a minha mesa e transmito para o chefe de conteúdo, as
próximas 9 crônicas, e coloco um adendo que talvez as mudasse,
mas se o diretor sobre pressão me afastasse, ele não teria
problemas com aquele espaço antes da nova funcionaria assumir o
posto.
Pego minhas coisas e saio, era 5 e meia e estávamos entrando
no aplicativo sentido da minha casa.
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Pegamos o material de filmagem, a montagem dos
personagens e o que lembramos de pegar, como computador,
editor e muita bugiganga, colocando tudo na Van.
Fomos no sentido da BR 277, e paramos a frente da direção
do Motel Oasis e pedimos para falar com o senhor, que nos mostrou
um salão de festas, e um quarto, suíte, filmamos o quarto, as duas
camas, os banheiros, liguei o chuveiro e filmei o cair da agua, a
piscina, e após estas imagens, ao lado da van, parada ao lado do
Oasis artificial ao centro dos quartos, criamos as primeiras cenas, e
após isto montamos o local de entrevista.
Um carro de aplicativo pegou as moças no hotel no centro e
passam direto a recepção, e chegam ao local, eu explico a ideia e
pergunto se as duas topavam, fazemos a gravação das perguntas
para a primeira, depois as perguntas para a segunda, e o tira teima,
de uma perguntando a outra, coisas daquela vida, sobre as
mudanças e os ainda recorrentes desafios de discriminação.
Pago as duas, agradeço e olho para Lia e falo.
— Pega a roupa de Guta, é ela que vai gravar as perguntas.
— Porque não poderia ser eu.
— Vai entender amanha, este é o típico assunto que as
famílias de classe da cidade não gostam, e não vamos vincular nem
o meu nome e nem o seu a isto.
— E sabe o que podemos estar gerando.
— Sim, e não esquece, se me afastarem amanha, a escolha é
sua se vamos continuar nesta parceria.
Enquanto ela grava as perguntas eu me produzo de Zezinho, e
me preparo para a gravação das inserções, e enquanto ela termina a
gravação no fundo, eu coloco as publicidades iniciais e finais do
vídeo, uma que gravamos a pouco, no centro do local.
Faço as gravações e olho para Lia e pergunto.
— Consegue mudar de roupa?
— Qual dos personagens?
— Maria.
— O que vamos gravar?
— Provocações.
Eu termino as inserções e começo a gravar agora em um
canto diferente do mesmo lugar, as falas de Zezinho, quando
90
termino, ajeito a maquiagem de Lia e faço no mesmo lugar, câmera
oposta, as gravações de Maria.
Era duas da manha quando eu passo para o E-mail do senhor
Durigan o piloto das entrevistas, fomos ao quarto, era próximo das
duas da manha, armo as câmeras, e mudo para a montagem do
Boêmio, mas começamos filmando na salinha intima que era uma
mini danceteria dentro do quarto, ele lavando o fora de Maria,
depois fazemos a parte da Guta, outro fora, e por fim, Boêmia, dai
algumas provocações, e colocações, era próximo das 4 e meia
quando coloco todo material na van, fecho o local e vamos ao
quarto, um banho, e pela primeira vez, depois de mais de 10 anos,
vi alguém me atacar a cama.
Adormeço com ela nos braços.

91
O telefone me acorda e olho a
mensagem, acordo Lia, que estava
querendo ficar a cama, eu estava acabado,
não era 7 da manha ainda.
— Bom dia senhor Durigan.
— Bom dia, pelo jeito quer algo mais
serio em assuntos.
— O segundo prospecto lhe passo agora pela manha, se for
do agrado, apenas temos de marcar quando usamos, e a filmagem
dos quartos.
— Está onde?
— Acabei dormindo no Oasis mesmo, a gravação e edição foi
até umas 4 da manha.
— Vou ai e me explica bem a ideia, pensei que iria por apenas
um adendo do motel, você colocou uma propaganda de entrada.
— Vou tomar um banho e assim que chegar conversamos.
Aquela moça deitada a cama, parecia muito para este velho,
as vezes eu tento me achar no que sou, pois a curiosidade acabara,
agora que vinha o estar ali ou o fugir.
Peço um café forte pelo atendimento, e depois enquanto Lia
dormia, eu editava as entradas, as separações e as insinuações dos
dois prospectos, dividindo a entrevista, ficou 7 inserções de cada, e
preparei para a semana seguinte, o desafio de perguntas das duas.
O preparar as entradas e saídas, preparar a separação de
Zezinho e Maria, e por fim, preparar as 7 partes de Boêmio e
Boêmia. Deixo preparado, pois eram os três assuntos que queria o
senhor Durigan patrocinando.
Tomei o café, me vesti, sabia que chegaria atrasado hoje, e
não teria jeito.
O senhor chega, fui a sala dele no local, bonita e o mesmo
fala.

92
— Gosto quando falo com pessoas serias senhor João, as
vezes as pessoas me passam um prospecto, você me passou a
primeira entrevista.
Abro o computador e falo.
— Que bom que gostou senhor, as entrevistas de ontem,
darão inserções por 14 dias, mas queria lhe mostrar a ideia em si.
Pego o prospecto e falo.
— A ideia, é ter assuntos noturnos, e colocar coisas a partir
da meia noite – Mostro a gravação de LIA, com a publicidade de um
dos motéis – o visitar cada um deles é para pegar a essência deles e
fazer uma abertura para cada senhor. – Coloco o segundo assunto
que era Zezinho e Maria – este é o segundo prospecto noturno, a
parte mais natural, e que pode ser vinculado durante o dia,
facilmente – coloco as duas primeiras, uma ele já havia visto, coloco
a segunda, e falo – duas entrevistas por noite, rápidas – e coloco o
Boêmio e a Boêmia e falo – O ultimo prospecto da madrugada.
— Pensei que estava elaborando a ideia.
— Gravamos até as 4 para lhe mostrar algo senhor.
— Certo, entendo que a proposta é boa, pensei que era bem
menor, estava colocando no papel, pelo jeito atravessaram a noite.
— A moça que fez as gravações está lá desmaiada.
— Certo, mas com certeza a assinatura de ontem, está de pé,
e vou depositar a primeira parte do mensal, pelo jeito quando quer
algo atravessa a noite.
— Agora tenho de encarar o marasmo da repartição.
O senhor me cumprimenta, termino de colocar as coisas na
van e acordo Lia, ela parecia quer ficar a cama, mas chegaríamos 15
minutos atrasado se tudo desse certo, e ela não se enrolasse.
Passei para o senhor o prospecto de gravação da noite, e ele
me confirma o ceder e o gerente do Vis a Vis me apresentaria o
local a noite.
Com a dificuldade de quem acordara, ela dirige até o centro,
ela me olha acabada, mas com um sorriso.
— Este velho não é de se jogar fora.
— Sobe que vou chegar depois de você hoje.
— Quer disfarçar?
— Segura seu pai, que ele vai estar uma fera.
93
Ela lembra do pai e fala.
— Custos de não ter saído de casa.
— Verdade.
Eu sento na lanchonete e peço mais um café, e meu telefone
toca e atendo.
— Fala Pedro.
— Não vai trabalhar hoje, pois não pediu aplicativo hoje sedo.
— Tô tomando um café, para encarar o dia, sem ter dormido.
— Certo, queria conversar.
— Vem para o endereço que me deixa todo dia e pede para
falar comigo na recepção.
Tomo o café, estava terminando e o telefone toca.
— Vai faltar hoje João? – Diretor.
— Passei mal a noite, esta coisas de beber e ser velho, me
revoltou o estomago, mas devo chegar ai daqui a pouco, se o rapaz
do aplicativo, que me deixou no hospital chegar, apenas pede para
ele me esperar, estava tão mal que não o paguei.
— Certo, mas está melhor?
— Ainda achando que tenho de cair na cama.
Eu quando vi o Pedro chegando fui a região e apenas o
cumprimentei.
— O que quer falar?
— Teria um tempo?
— Deixa eu bater o ponto antes de qualquer coisa.
— Chegando atrasado.
— Inventando uma historia, e sou péssimo em inventar
historias, então apenas vou bater o ponto, falar com o chefe de
conteúdo, confirmar se ele recebeu a crônica do dia, falar para a
moça que faz a segunda parte escrever a parte dela, e conversamos.
Subi, a cara de poucos amigos de Sergio, não parecia fazer
sentido, o diretor a porta, não era para tanto, eu apenas cheguei
um dia atrasado nos últimos 40 anos.
Chego ao computador e Lia estava nele.
— Eu escrevi minha parte da crônica do dia, precisa da sua
parte, para mandar para o redator.
— To acabada.
— O que fez, parece não ter dormido.
94
— Vai me gelar?
— Sabe que aqui dentro, é assim.
— Certo, vou escrever a minha parte, inventou uma historia
pelo jeito.
— Se fosse você dava um jeito de dormir um pouco naquele
sofá do seu pai, lembra que falei em chegar mais cedo hoje.
— Certo, acabamos chegando mais tarde.
— Sim, e tem uma entrevista ao meio dia.
— Não para nunca?
— Não reclamou ontem a noite.
Ela sorri e fala.
— Meu pai está uma fera.
— Como alguém fala, custos de viver na casa dos pais.
Eu desci e fui falar com o redator, e depois sentei a recepção
com Pedro.
— As vezes acho que vai faltar força.
— Queria dizer que gostaria de tentar, e não sei qual a sua
ideia, pois parecia muito fora de padrão a ideia.
— Hoje vou ter de dormir a noite, mas a ideia, criar dois
personagens, que não se parecem com você, mas você saberá que é
você, receberá por isto, e muitos falaram disto.
— Personagens invisíveis?
— Ninguém me enxerga na Jaqueline Pedro, e sou eu ali.
Pedro me olha e fala.
— E não se preocupa, ouvi que a posição dela deveria ser
seguida por todas as mulheres da cidade, feminista mas que ama
seu parceiro.
— Então já entendeu porque não falar quem faz a
personagem.
— E quais personagens iria me fazer interpretar?
— Joãozinho, pois as mazelas de Joãozinho já são conhecidas,
então vamos as modernizar.
— E este personagem terá destaque?
— Você terá a sua parte, uma entrevista por semana, e
começamos com 12 musicas no Spotify.
— Não entendi.

95
— Vai cantar coisas de abertura, dois temas, e se tiver
interesse, amanha ao meio dia, vamos gravar a primeira entrevista.
— Primeira entrevista?
— Sim, você vai entrevistar uma das ancoras deste canal.
— Lia Machado?
— Sim.
— O segundo convidado?
— Eu.
— O terceiro?
— Sergio Trombini.
— E vai por ai?
— Sim, você vai até se entrevistar.
— Fala serio.
— Sim, mas isto é tecnologia aplicada em um canal.
— Começo apresentando as pessoas do próprio canal.
— Sim.
— Depois vai melhorando?
— Sim, gravou ontem o levar das moças para o Motel Oasis
como falamos?
— Sim, mas não entendi.
— Parte das perguntas feitas a moça, na entrevista, vai
parecer que foram feitas no seu carro.
— Tecnologia.
— Sim.
— E como começamos?
— Amanha ao meio dia, a van vai começar a ficar no
estacionamento aqui do centro, dai saímos sempre com ela.
— Mas...
— Hoje eles vão instalar o interno da Van, amanha deve estar
pronto.
— Um local para entrevistas?
— Sim, e obvio que existirá pessoas que falarão mal do seu
personagem, apenas ignora.
— Mas...
— Inveja mata, não precisa você fazer ou falar nada Pedro.
Eu tomo mais um café e falo.
— Amanha falamos, hoje estou um caco.
96
Subo e olho para Lia e falo.
— Deixa o texto pronto e já enviado para o redator.
— Acha que podemos atrasar.
— Sim.
Próximo das 10 da manha, saímos dali e fomos ao Vitoria
Regia, um hotelzinho de duas estrelas da rua Saldanha Marinho, os
dois apagaram na cama, estávamos muito cansados, o atendente
nos acorda meio dia, tomamos uma ducha, pagamos a conta, e
caminhamos até o Restaurante Acrotona, e Lia fez a entrevista,
agora era algo profissional, então deixamos a personagem fora disto
e colocamos a Repórter, e próximo da uma hora, voltamos a
repartição, fora mais fácil, mas vi Sergio parar a minha frente e
falar.
— Colocou ela como repórter?
— Ainda tenho aquela vaga até Sexta feira, você que escolhe.
— Mas...
— Para de viadice Sergio.
Eu revisei o texto e esperei eles me chamarem, soube mais
tarde que a repercussão positiva da crônica de Lia no Canal, fez o
pai dela relevar um pouco, embora não soube ainda a desculpa que
ela deu, mas depois das duas horas de sono, começava a melhorar
um pouco, mas não queria exagerar.
Marquei com o diretor do Museu da Imagem e do Som, para
uma entrevista as 6 e meia, no próprio museu, e perguntei se ele
não nos autorizaria filmar o local, naquele horário.
Lia próximo das 5 me pergunta o que faríamos e perguntei
como estava a reação de seu pai.
— Ele acalmou com o aparecer da filha em uma crônica.
— E acha que ele vai de boa até quando?
— Tem gente reclamando que você não saiu para o horário
do almoço e não entendi.
— Sai e entrei pela porta do lado, do segurança, fiz que passei
o cartão, como as pessoas geralmente não querem perder o ponto,
ele nem olhou.
— Experiência de quem está a 40 anos no lugar.
— Sim, mas já dou uma saída, tomo um café e volto.

97
Fui a entrada, sai e fui a um lanche leve, pois o estomago
estava com muito café, e não comemos no Acrotona, pois eu ficaria
com mais sono.
Tomo com calma e meia hora após volto, compensando parte
do atraso e sento ao computador.
Lia chega ao lado e falo.
— As perguntas que vai fazer.
Ela lê e pergunta.
— Mas quem é Marcos Saboia?
— Diretor do Museu da Imagem e do Som.
— Certo, trazer a luz pessoas invisíveis.
Estava quase na hora de ir embora mesmo, Lia falou em
pegar o carro e falei que era mais pratico ir a pé, pois andar duas
quadras era mais pratico.
O segurança nos conduziu a sala do senhor e enquanto Lia
fazia as perguntas, uma entrevista com um rapaz que sentia-se
curitibano, mesmo não tendo nascido na cidade, as perguntas
chegando ao museu, e depois ao que ele esperava de melhoras para
aquele tipo de acervo.
Eu quando fui gravar o museu, aproveitei e fiz imagens para a
gravação do velho, com jornais a mão, era uma soma de arquivos
que estavam começando a me confundir.
Voltamos, pegamos a van e fomos ao Vis a Vis, iriamos filmar
o quarto 5, o quarto 10 e o 14.
Filmamos no quarto 5, e fizemos uma segunda leva de
provocações entre Zezinho e Maria, e por fim filmamos trechos da
Boêmia, acordando no motel e não sabendo onde estava,
procurando carteira, documentos, e olhando perdida.
10 da noite chegamos ao meu sobrado no Bacaxeri,
estacionamos e fiz apenas a verificação dos vídeos compilados e
preparei para inserção, Guta o faria, abracei Lia, fomos a um banho
e cama, precisava dormir aquela noite.

98
Acordo sedo, instrução para Guta por
a roupa para secar, na maquina, preparar o
café e me mostrar a agenda.
Eu levanto e sinto Lia me segurar.
— Vai onde?
— Confirmar o que faremos hoje.
— Lhe dou um beijo curto, vou ao
banheiro, higiene pessoal e depois desço, olho os vídeos, olho os
números, e começo a olhar os vídeos que gravamos no dia anterior,
monto as duas entrevistas, separo elas em pedaços, e coloco a
publicidade de entrada, saída e monitor, coloco a chama, a saída e
para compilar.
Pego o café e vou a varanda, e olho o céu começando a abrir,
um ar de praia, ventos quentes do mar, embora distante, sentia-se
no ar naquele dia.
Olho a planilha de coisas a fazer e começo a rabiscar o que
tinha e o que não tinha.

Sinto Lia me abraçar as costas, ela estava semi nua e apenas


aponto os prédios e ela sorri.
— Sem privacidade?
— Sim, os prédios cresceram a volta, ainda bem que tem a
base aérea, senão viravam imensos prédios, são apenas de 5
andares.
Ela olha minha mão e pergunta.

99
— Rabiscando o que?
Alcanço para ela e falo.
— Muita coisa ainda falta para a primeira faze de
implementação do canal, e as pessoas já falam que estou fazendo
de mais, eu juro que não entendo, tenho de fazer pouco porque
eles tem preguiça?
Ela olha a planilha e fala.
— Eles não estão pensando em uma escravidão, e sim em
uma descontração.
— O montar dá mais trabalho, sei que muitos não entendem.
— E quer fechar o que esta semana?
— Joãozinho, Degustando, Dirigindo, e esperando Sergio
mudar de ideia.
— Ele é turrão.
— Ontem no final do dia, tínhamos 10 inserções, hoje
teremos 19, e eles acham que deveríamos ter parado.
— E quer chegar as 24.
— Sim, para terminar a primeira fase.
— E depois disto?
— Se tivermos mais conteúdo, tenho de abrir canais, quem
sabe a Lia não cria um segundo canal, onde não seja a repórter
herdeira da cidade.
— Tirando sarro?
— Eles tiram sarro, eu apenas falo pelos cotovelos.
— Certo, e o que criaríamos?
— Vampirizando Curitiba, o personagem Vampira ganharia o
primeiro canal que sai deste, com pelo menos 2 inserções por dia.
— Quer me fazer um canal pequeno?
— A maioria faz uma inserção por dia, quando faz.
— E criaríamos este canal quando?
— O canal da Lia Machado está muito parado, primeiro temos
de fazer inserções lá, depois começamos a fazer os demais.
— E qual o primeiro conteúdo que publicaremos lá?
— Uma entrevista dada ao Joãozinho, ela vai sair nos dois
canais.
— Eu vou dar uma entrevista?
— Sim, algo para mostrar quem é você.
100
— E porque eu?
— Porque as pessoas tem curiosidade de saber quem é você.
— E como você sabe disto?
— Seu vídeo de antes de ontem tem mais de 60 mil
visualizações completas.
— Já querendo controlar minha vida?
Não respondi, ela entrou na minha vida e não eu na dela, mas
poderia não fazer e apenas falei.
— A escolha é sua, sabe disto.
— Não insiste mesmo?
— Sabe que não estamos ainda em algo oficial.
— Certo, me escondo aqui ainda, mas pelo jeito acha que
meu pai não vai aceitar.
— Temo ser apenas um objeto usado para você conseguir
coisas de seu pai.
Ela me olha serio e fala.
— As vezes parece frio.
— As vezes tememos abrir o coração, pois o estrago será
grande se o fizer.
— Então tenta não se apaixonar João.
Eu ouvi aquilo e sabia que era um dos riscos, mas olho para
ela e falo.
— Se veste, você vai com seu carro para o trabalho.
— E você?
— De aplicativo, após você já estar por lá.
— Mas é cedo.
— Vou bater o ponto mais sedo hoje.
Ela foi se vestir e eu apenas confirmo os horários de inserção
e todas as chamadas para cada vídeo. Ele a viu sair e logo depois ele
sai, ele queria bater o ponto antes e ter mais tempo de almoço.
Desta vez não foi Pedro que me levou ao jornal, quando o
cheguei no jornal ligo para ele e confirmo se ele estaria ali meio dia.
— Bom, espero que tudo de certo hoje.
O diretor de conteúdo estava a sua mesa quando ele chegou,
sinal que lhe alertaram que ele estava subindo.
— Qual o assunto que quer que faça.
— Insistiram em você fazer a reportagem.
101
— Posso sugerir?
— Eles querem sua posição, entendeu João.
— Sim, mas faço as perguntas como se fosse a Lia
perguntando e entrevistando este senhor, que esta saindo do Jornal
devido ao trabalho árduo que está dando levantar o outro ponto.
— Vê se não se envolve com a moça. – Diretor.
— Sou um velho, crianças não olham para os velhos.
O senhor sorriu e olho Lia chegando a mesa.
— Perdida aqui tão cedo?
Ela olha em volta e fala.
— Me falaram que estava por aqui.
— Mandaram você me entrevistar, como assunto de capa e
da pagina 3.
— Tá brincando?
— Não, não estou.
— E vai se alto entrevistar?
— Não, vamos fazer uma entrevista, narrada, não mastigada,
pela colunista Lia Machado.
— E acha que eles vão por na pagina 3?
— A ideia é esta, uma chamada na capa, entrevista com o
criador de O Espelho, falando de como está absorvendo todo este
crescimento que toma o país, não mais a cidade.
— Acha que estão falando de nós mesmo?
— Sim, e nem entramos nas fofocas ainda.
— Certo, mas pelo jeito vamos entrevistar mais um hoje.
Sorri, eram três entrevistas mais a dela e a minha, deixando o
conteúdo pronto, para apenas ir ao ar.
— E quando saímos?
— Devem estar entregando a van a qualquer momento ai
embaixo, dai começa.
— Como assim começa.
— Vou lhe filmando e fazendo perguntas, que você vai tentar
responder naturalmente.
— Que perguntas?
— Coisas que as pessoas não perguntam, ou todos
perguntam, se tem namorado, torce para algum time do Paraná, se
acha pesado ser herdeira de um dos conglomerados de
102
comunicação, sua preferencia sexual, seus amores, seus vícios, seus
desencantos, data de nascimento, se acredita em signo, sua posição
sobre os terra planistas, se acredita em Deus, como é estar fazendo
parte da criação de um novo canal de comunicação no Paraná,
coisas assim.
— E vai me entrevistar enquanto vamos a uma entrevista?
— Porque não?
— E quem vai dirigir?
— Pedro.
— E vamos onde?
— Arena.
— Vamos filmar?
— Sim.
Sergio chega a mesa e me olha, os demais estavam chegando
agora e já estava com tudo encaminhado ali.
— Podemos conversar no horário do almoço?
— Acho que na hora do almoço hoje não vai dar. – Respondi.
— Corrido ao meio dia?
— Sim.
— Não gosto da ideia de fazer parte deste seu grupo de
formadores de opinião, parece um bando de palhaços.
— Então posso por outro no lugar?
— Nem tem espaço ali para mais alguém.
Lia olha Sergio e fala.
— Não me mandou o vídeo para editar.
Sergio olha para Lia e fala.
— Mandei para o Marquinhos, pois não quero algo meu
vazando por este dai.
Lia sorriu e fala.
— Então vou aceitar aquele horário a mais. – Me olhando.
— Não precisam brigar Lia, pelo palhaço em seus últimos 8
dias aqui dentro.
— E vai por quem no lugar dele?
— Estava esperando ele decidir, o Brunão está querendo
fazer parte e não sabe ainda que vai.
— Quem é Brunão. – Sergio.
— Mais um palhaço, do nosso bando, como você falou.
103
Lia sorri e fala.
— E pelo jeito vai ser corrido?
— Decora as perguntas, pois vai entrevistar Petralia, a uma da
tarde, não esquece, tem de parecer natural.
— Certo, vou olhar atenta as perguntas.
— Vai entrar na lábia deste dai?
— Você me colocou aqui, lembra, pois ele parecia ser o nome
por trás do Espelho.
— Mas não era para se envolver.
— Quem está pulando fora é você Sergio.
O rapaz da recepção me chama e desço, olho aquela van em
fila dupla, e olho como tinha ficado.
Lia desce e muitos olhavam pela janela e olho para cima e
vejo muita gente na janela e pergunto para ela.
— Eles não tem o que fazer?
— Acabo de passar a entrevista para o redator, estão lá
pensando o que fazem com aquilo.
— A nossa crônica está escrita.
Ela olha a parte interna e fala.
— Parece uma poltrona de avião particular.
— O convidado que entrevistamos, é o centro da ideia, e tudo
que precisa está a altura da mão.
— E vamos usar isto para que?
— Locomoção e entrevistas, do personagem que ainda não
montamos, chamado Joãozinho.
— Mais uma fantasia.
— Sim, mas não vestida por mim.
— Quem vai por fazendo isto?
— Pedro.
— Pessoas que estão no caminho?
— Sim, e quando fechar o caminho, você vai fazer a parte
Bruninho e Brunão.
— E quando começamos a desenvolver estes?
— Hoje a noite vamos falar sobre isto.
— Trabalho com certeza.
— Sim.
Ela foi deixar a Van no estacionamento enquanto subia.
104
As 11:45 estávamos pegando a van de novo no
estacionamento, e esperamos Sergio, ele assume o volante e
começo a filmar enquanto rodamos, faço as perguntas, o carro visto
por 4 câmeras, todas gravando e teria de editar o melhor caminho,
mas a parte de Joãozinho gravaríamos a noite. Chegamos a Baixada
e o presidente emérito do Atlético nos recebe, e Lia faz a
reportagem caminhando com ele no gramado sintético, e o senhor
viu que era algo de uma simplicidade, mas com perguntas
diferenciadas, agradecemos e na volta inverto de posição e Lia faz
as perguntas e vou respondendo, ela não entendeu, mas estávamos
criando um local de entrevistas, quando terminei de responder as
perguntas, pedi para Sergio encostar, ele sentou-se na cadeira e fiz
as perguntas para ele, enquanto girávamos no centro. Quando
saímos da van, marquei com Sergio ali as 18 horas, para
continuarmos. Subimos e vi o senhor Machado a mesa e ele me
pergunta.
— Estavam onde?
— Sua filha estava entrevistando o Petralia na Baixada.
— Mas...
— Tem de entender senhor Machado, ela ou faz o nome dela,
ou todos estes a volta, vão continuar tirando sarro dela, por estar
aqui por ser sua filha.
— Eles não...
— Pela frente nunca, e enquanto o senhor está vivo, vão
manter a pose, mas ela está assumindo a sina de ser repórter
senhor, estranho o senhor não a apoiar.
— Ela tem chegado tarde em casa.
— Uma hora ela teria de trabalhar para comprar sua própria
casa, para saber o valor das coisas, pois quem não sabe o valor das
coisas, perde elas entre os dedos senhor.
— E aquela Van lá embaixo.
— Do canal que ela é a segunda repórter, já que Sergio não
quis ser o repórter.
— Sergio está nitidamente enciumado.
— Não tenho nada com ele para ele ter ciúmes senhor.
O senhor me olha estranho, como se a informação fosse
muito difícil para ele aceitar.
105
Ele vai para dentro e Lia fala.
— Ele não gosta de quem o encara de frente.
— Ele pediu para me mandarem embora, 40 anos de casa, e
não temos nem o respeito de alguns.
O diretor chega a mesa e me olha e fala.
— Sabe que a reportagem ficou boa, não sei se vai dar
repercussão, mas eu gostei.
A tarde passou, quarta feira era normal, eu pedi algumas
coisas na Americana, e eles entregaram antes do fim do dia.
Eu olhei os três tipos de peruca, e olho para Lia.
— Estes são de que personagens?
— Bruno pequeno e Bruno adulto, adulto ele já é meio calvo.
— E terei de achar a voz do senhor.
— Algo sem força, apenas um tom agradável no grave.
— E o outro ai?
— Joãozinho ganha rosto, e começo a pensar na minha ultima
criação, já que Sergio não quis fazer e já tinha o texto.
— A Bichona?
— Sim. – Peguei uma mascara com muitos enchimentos de
bochecha, uma mascara de gordo e ela me pergunta.
— E este?
— Zé degustador.
— Querendo fechar mesmo aquela planilha?
— Para por as entrevistas que estamos fazendo, tive de abri
espaço na grade, então sua participação está maior que a minha
agora.
— E vou ganhar mais?
— Se der certo, sim.
— Certo, e o que seria dar certo.
— Ainda sem os números.
— E pelo jeito não fala muito do que pretende.
— A entrevista que deu a Joãozinho, vai para o nosso canal e
para o seu, assim como temos parte da entrevista que de Petralia,
que vai ao nosso canal e parte para o seu.
— Não tem medo mesmo de concorrência.
— Tem algo que não entendo, o Youtube fala que temos 7 mil
inscritos em Macau.
106
— Seu canal tem mais gente em Macau do que tenho em
seguidores?
— Sim, por isto vamos começar a dividir.
— E quer entender.
— Sim, eu achava que teria depois de anos, mil seguidores.
— E o ter seguidores lhe fez mudar?
— O ter seguidores, gerou os investidores, isto gera dinheiro
que me permite fazer mais.
— Certo, e quais as entrevistas de hoje?
— Diretor do teatro Lala Schneider, o dono do Lido, e vamos
para casa fazer vozes.
Saímos as 18, Pedro nos esperava, e fomos ao Teatro,
pegamos o diretor e fiz uma entrevista, o servindo, perguntando
coisas sobre a vida cultural girando com o veiculo. Ele sorri de
depois de uma hora o devolvermos ali, agradecemos, pegamos a
eterna autorização de conteúdo, e vamos ao Lido, casa noturna, e
fizemos mais uma entrevista girando, mas fiz a mesma, não queria
apenas deixar as coisas na mão de Lia, e perguntas de homem para
homem, no caso de casas de pornografia, sempre tinham uma
conotação diferente. Agradecemos, o deixamos para trabalhar e
fomos para minha casa, e subimos, eu expliquei para Pedro que
hoje nascia Joãozinho, e precisava que ele tentasse uma voz, e
repetisse algumas frases, eu liguei a câmera, e fui me produzir,
alguém gordo sempre é complicado, e não sei se eles ficaram
olhando, mas coloquei a imagem do Bar do Alemão e fiz o primeiro
texto do personagem, fiz outra com a imagem do Bar a frente, das
primeiras gravações, e cada local que tivemos comendo, recebe a
aprovação do personagem e obvio, o fim, na Confeitaria da Família,
sempre, a propaganda gravada pelo personagem, Faço a montagem
enquanto eu achava que os dois estava testando as falas. Coloquei
os vídeos para compilar, olho os dois e coloco as frases de Pedro, e
faço ele olhando a câmera, fundo verde, falar as perguntas, os
comentários, os adendos, depois gravei as frase de Bruninho, e
monto o prospecto, e começo a separar as gravações, coloco o
primeiro vídeo de Joãozinho para Pedro ver, em primeira mão e ele
fala.
— Quando fala em fazer, é isto?
107
— Sim, mas todos podemos aprender e evoluir.
— Precisava ser sincero senhor João.
— Sincero? – Vinha bomba.
— Provavelmente amanha quando chamar o aplicativo, outro
vira o atender.
— Não entendi.
— Bati o carro ontem a noite, voltando para casa, estava
cansado, não tenho seguro, ainda pagando o carro, e
provavelmente vou ter de parar um pouco de fazer aplicativo.
— E quer um emprego, é isto? – Perguntei.
— Preciso.
— Tem de saber a hora de parar, sei que eu as vezes forço a
barra, esqueci que você começava sedo, e pedi para ir pegar as
moças ontem a noite, entendo, quase 24 horas acordado.
— Não o estou culpando senhor João. Emprestei um carro
ontem para tentar falar com o senhor cedo, mas não pediu o
aplicativo.
— Certo, vamos ter de estabelecer pontos a mais, para que os
seus ganhos melhorem.
— E tem como?
— Sim, as coisas tem de ser feitas direito para dar certo.
— E como fazemos?
— Tem como ir para casa ou quer uma carona.
— Dou um jeito.
— Aparece meio dia amanha, resolvemos isto.
O rapaz sai e Lia me olha e fala.
— Meu pai diz que não podemos ajudar todos, acabam
achando que temos que os ajudar sempre.
— Eu não o estou ajudando Lia, o prospecto do Bruno e do
Joãozinho estão vendidos, preciso eles funcionando.
— E fará o que?
— Ainda não sei.
Comecei a acertar os demais vídeos das entrevistas, e era
perto das duas da manha, quando a abraço e vamos descansar.

108
Quinta feira e acordo com o celular, e
sabia que vinha bomba, pois o redator me
ligando cedo.
— Bom dia. – Uma preguiça na voz.
— Desculpa a hora João, mas o
diretor de conteúdo quer saber se sabe
onde está Lia.
— Problemas?
— Sergio Trombini publicou na coluna dele que é de fofocas
que Lia Machado estava de caso com o dono da Espelho.
— Liga para ela diretor, não para mim.
— E não sabe onde ela está?
— Eu ligo para ela e me informo.
— Mas ela não tá atendendo.
— Ligo para o rapaz ao lado da cama, apenas isto, mas não
sou de fazer fofoca senhor.
— Certo, e pelo jeito foi dormir tarde.
— Fechando finalmente o cronograma da empresa que vou
tocar assim que me livrar de vocês.
— Certo, mas viu ela ontem?
— Sim, pois ela veio aqui para ajudar a editar o vídeo que sai
parte no meu canal e parte no canal dela.
— Liga para ela e fala para ela ligar para o pai.
Levantei e Lia me olha e fala.
— O que aconteceu?
— Seu amigo Sergio, publicou ontem no vídeo dele, que eu e
você estamos tendo um caso, por isto ele não pediu para você
editar o vídeo.
— Ele o que?
— Liga para seu pai, eles estão querendo falar com você.
— E falo o que?
— Toda noite fala para não me apaixonar, então não sei o
que vai falar Lia.
109
— Certo, mas você falaria o que?
— Diz que dormiu na casa de um amigo e que liguei para
você, e você está ligando o celular agora, pois foi dormir tarde, se
perguntarem o que estava fazendo, editando o vídeo que sai agora
as 9 da manha no seu canal.
— Mas ele não vai acreditar.
— Eu ligo o computador e coloco um funk de fundo e você
liga para ele.
Ela sorri, vi ela pegar a roupa e ir ao banho e ligar para o pai,
o que o senhor falou não sei, mas ela não entrou em detalhes, e
pediu um aplicativo para ir para casa.
Ela me beija e fala.
— Vai ser corrido hoje?
— Quem sabe não descansamos um pouco.
Ela sorri e ligo para Pedro e ele pegou um aplicativo e veio no
sentido da minha casa, ainda faltava duas horas para entrar, e
resolvi dar uma volta com Pedro, se era para achar pessoas
especiais, entrevistaria naquela manha, duas pessoas, e somaria em
apenas uma semana, dois dias um, três o outro.
Saímos de van e pegamos uma garota de programa, e fizemos
uma entrevista com ela em vestes mínimas naquela cadeira da van,
depois foi um travesti, pagamos os dois, para não termos
problemas, e pedi para Pedro fazer alguns vídeos, iria testar se ele
era bom naquilo, mas chego com o cartão de memoria no estojo,
coloco no computador e vi o editor chegar perto e falar.
— Estava onde, todos lhe apontam como quem esta dando o
golpe do baú.
Eu estava com o vídeo e apenas toco nele e falo.
— Desculpa o atraso, as vezes resolvemos entrevistar alguém
na hora que a pessoa está indo dormir.
O senhor olha a imagem e fala.
— Vai por seu nome ai?
— Não, eu tenho personagens para fazer este tipo de
entrevista, mas as perguntas, são de uma criança, sobre coisas que
ignora, é para ser instrutivo e para desmistificar isto.
O senhor foi para dentro e olho para Sergio ao fundo e sorrio.

110
— Ele estava me encarando, queria mostra que iria me dar
mal, o encaro e falo.
— Problemas Sergio?
Todos olham para ele e para mim, tinha uns 30 metros entre
os dois, com mais de 30 pessoas neste intervalo cheio de pessoas.
— Você quer dar o golpe do baú, e vem me encarar.
— Inventa, fale o que quiser, mas não vou lhe dar o cu para
não publicar.
Todos olham para Sergio que olha todos olharem para ele, e
apenas termino.
— E se quiser dar o golpe, o que você tem haver com isto,
virou agora defensor dos bons modos?
Eu desci e fui pegar um café, estava ruim estes últimos dias,
mas ainda faltavam 7 dias.
Estava no café quando o senhor Machado chega ao meu lado
e fala.
— Pelo jeito achou mais alguém para brigar.
— Apenas mais 7 dias e se livram de mim.
— E não estava com minha filha mesmo?
— Liga para ela antes do redator, é chato ser velho, sozinho, e
estar dormindo, sozinho, e ser acordado lhe acusando de algo
assim, deve ser para me reduzir psicologicamente, mas enfrento.
— Ela falou ontem que estava se apaixonando por você.
— Se ela falou isto para você e para mim para não me
apaixonar, sinal que é um jogo, e não sou a peça no tabuleiro.
— E pelo jeito Sergio ficou enciumado.
— Pensa, eu convidei ele a fazer parte, ele não quis, sua filha
aceitou a ideia de criar um nome como repórter, agora ele está com
ciúmes ou é apenas uma bichinha tendo um piti.
— Acha que ele é homossexual?
— Ele é homossexual senhor Machado.
— E você?
— Um velho, que fui casado, que perdeu a esposa para uma
pandemia, mas que é alguém sozinho.
— Acha que o que tirou Sergio do centro, ele não é de fazer
estas coisas descaradamente, fofocar sim, declarar a fofoca não.

111
— Convidei sua filha a montar um canal, e se desse certo, que
é o que está acontecendo, ela ganhar nesta empreitada,
experiência, influencia, e 12 mil reais mês.
— Acha que pode ser o dinheiro.
— O todo, mas para toda entrevista pesada, ideia de sua filha,
criamos um personagem, não sou nem eu nem ela entrevistando,
para não nos expor, já nos mais conhecidos ou profundos,
aparecemos.
— Dizem que está trabalhando muito por esta ideia.
— Sim, e sei onde ele vão pagar pesado, vou virar
homofônico, mas desculpa, eu não tenho medo de homossexual, se
eles não sabem nem usar palavras, não os vou ensinar.
— E não tem medo de ser cancelado?
— Pode ser que tentem.
— E não se preocupa.
— Tem coisa que não estou entendendo, estão dando valor
para um canal, que criei a menos de um mês, e porque eles estão
dando valor?
— Não sabe?
— Sei, eles não sabem.
— Como assim?
— Eu cheguei a quase 300 mil seguidores, devo chega a isto
esta semana, mas de alguma forma, o conteúdo está sendo
ofertado a todos que falam a língua portuguesa, e o mais estranho,
é que somente agora, estou crescendo no país.
— Não entendi.
— 200 mil seguidores de fora do país.
— E os demais?
— 80 mil da cidade e o resto espalhado no país.
— Destaque local e mundial sem passar pela nação, e não
sabe porque está acontecendo.
— Imagino, certeza não.
Subi, terminei o meu texto e desci e fui falar com Pedro na
recepção, ele me mostra os vídeos, e pego a memoria do óculos
dele, e coloco no adaptador para ver o vídeo.
— O que pretende?

112
— A ideia inicial, era parecer que você estava na cidade em
meio ao transito da cidade, e começar a entrevista após pegar um
cliente.
— Certo, e precisa de que?
— Meio dia vamos ver como ficou os carros.
— Não tenho dinheiro senhor João.
— Deveria estar sobrando segundo seu discurso.
Ele me olha sem graça e falo.
— Vamos ver o carro e ver como vai resolver isto, partir do
problema para a solução, vou lhe descontar isto aos poucos, mas
vamos dar caminho a isto.
— Mas...
— Vamos reformar e mudar seu carro de aplicativo, e vamos
o preparar para o que vamos fazer, não para o que você fazia.
— E pelo jeito vamos fazer coisas diferentes como a
entrevista de madrugada.
— Todos os pontos, uma coisa é dizer, sou especial, outra, fui
entrevistado pelo Espelho.
— E vai criar mais participações?
— Vai ser o motorista, personagem e participante do canal,
sei que é maluquice, mas como falo, quando estamos no mesmo
barco nos protegemos, então aos amigos a mão, aos inimigos, que
fiquem ao caminho.
— E vai me fazer ser um personagem?
— Tem de entender, isto é um projeto, vamos colocar a partir
de hoje suas inserções, e dentro disto, vamos vender a publicidade,
e dependendo da publicidade, seu salario melhora ou piora.
— Quer dizer que o valor depende da aceitação.
— Depende da sua dedicação.
— E acha que conseguimos o que quer?
— Estamos quase lá.
— Quase lá?
— Falta muito, mas estamos quase lá. – Saímos gravar ao
meio dia.
Subi e olhei para Lia me olhando.
— O que vamos fazer hoje?

113
— Vamos sentar e estabelecer uma meta, e vamos caminhar
no sentido da meta.
Eu olho as colocações dos amigos de Sergio, chamando eu de
homofônico nos comentários.
— Ele vai pegar pesado.
— Sei disto, mas seu pai não teria um imóvel vazio no centro,
para fazermos nossa base das dois canais.
— Achando muito longe?
— Perdi minha casa para isto.
— Certo, eu pergunto, ele vai estranhar.
— Precisamos para ontem.
— Certo, mas qual a ideia?
— Vamos sentar em uma mesa no shopping e vamos
estabelecer o que vamos fazer, eles acham que temos um grande
custo e um grande grupo Lia.
— Entendi isto, eles acharem que somos muitos, aumenta o
preço e o envolvimento.
— Sim.
— E o que faremos realmente.
— Precisamos reforçar o valor das marcas que nos apoiam,
então vamos filmar os motéis, as americanas, a confeitaria da
família, o restaurante Madaloso velho e novo, a Transportadora
Guedes e fazer inserções do Ifood e 99.
— E porque disto?
— Porque agora você terá noção de quanto me pagam, e não
terei como discordar.
— Vai abrir esta parte?
— Vou tentar puxar para seu canal cada um destes
patrocinadores, o que nos garante os mantendo, fluxo de caixa.
— Certo, e acha que vamos precisar de gente?
— Temos de decidir isto, ate agora a ideia tem 3 pessoas
internas e uma externa.
— Uma externa?
— Quem cria as chamadas dos personagens.
— Certo, esqueci que esta parte é um diferencial.
— Sim, vamos por todas as ideias, no papel, mas tenta
conseguir um imóvel com seu pai.
114
— Não quer pagar aluguel?
— Se der certo pagamos, mas entrar em uma conta de um
ano por algo que pode acabar rápido, não vale a pena.
— Certo, falo com ele.
Eu comecei a ajeitar as ideias, todos olhavam-me diferente,
estranho quando se olha olhares de reprovação por um lado, de
tentação por outro, as vezes o homo sapiens se mostra mais um
homo hormonal.
Eu olho o prospecto e penso nas musicas, marco com Carlos
na Shopping e sabia que precisava falar com ele, passar as
propostas e o conjunto de ideias, para cada personagem ter seu
avatar, cada personagem ter seu jingle de apresentação, mas estava
pensando nas musicas.
Marquei com um primo distante, Luciano Krueger.
Deu meio dia e saímos e fomos ao Shopping, andando,
poderíamos ter ido de carro, mas era hora de andar.
Sentei na mesa e vi Carlos chegar e depois Luciano e
apresentei a Pedro e Lia, e falei.
— Conseguiu algo Carlos?
Ele abre o computador e me mostra as entradas de cada
personagem faltava 3 deles ainda, e um ele nem sabia como seria,
pois ainda não estava no canal.
Salvei o que deu e olhei meu primo e falei.
— A ideia pode parecer maluca primo, mas preciso de algo
simples, tenho as letras do que seriam musicas, mas preciso por elas
em ritmo, e não conheço ninguém que saiba fazer isto, tentei estes
dias, mas com 60 não vou aprender o que deveria ter aprendido aos
15.
Ele sorriu e olha as letras e pergunta.
— Pode ser rock?
— Sim, assim como pode ser qualquer ritmo que se encaixar,
pois depois os personagens vão ter de gravar as vozes.
— Não entendi a ideia?
— Estou convidando você a por barulho em algo que se der
resultado, vai estar em todas as bocas do país.
— Sempre modesto.
— Sempre.
115
Pensa em você passar para alguém, 48 letras e falar.
— O maior problema, pressa.
— Quando quer elas?
— For ficando pronto me passa.
— Vai pagar isto primo?
— Sim, vou pagar.
Ele pega as letras e sai, olho para Carlos e falo.
— Tem os Avatares?
Ele pega o prospecto de cada Avatar, sorri, olhei ele e falei.
— Preciso também de um avatar para cada um dos três.
— Parte do projeto?
— Sim, vamos dar rostos ao projeto apenas agora.
— E vai me passar os demais personagens.
— Um nem gravamos ainda, e os demais lhe passo, criar
enquanto se elabora um projeto, gera mais planos.
— Certo.
Olhei Pedro e falo.
— Temos de fechar nosso contrato, não o fizemos ainda.
— Verdade, mas não entendi a ideia?
— Vamos ter entrevistas que duram 7 programas, que são as
feitas por eu e Lia, e você vai entrevistar pessoas como hoje sedo, e
todo dia.
— Isto vai dar trabalho. – Pedro.
— Sim. Mas é para pegar o jeito, vi que tem boa noção de
centralizar as imagens, e você vai filmar pelo menos uma hora e
meia alguns lugar que você goste, durante o dia.
— Mas para que?
— Fazemos aos poucos. – Puxei o contrato e Pedro assinou,
eu não queria a ideia saindo pela janela, e falei.
— Quando você fez o prospecto de Joãozinho, o que achou?
— Estranho, estou dando voz a uma criança com assuntos
sérios.
— Aquelas duas participações, lhe garantem se filmar mais 3
deles, mil reais por personagem ao mês.
— Sabe que não é muito.

116
— Sei, seu carro ainda não entrou na conta, então vamos
tentar por a funcionar, e você estar a rua, dá para sentir o ritmo, e
podemos estar prontos para um serviço diferenciado.
— Não entendi.
— Cada personagem, quanto tiver seu rosto, como falava, seu
avatar, terá suas frases, e um rosto e frases, geram camisetas,
canecas, brindes para cada personagem.
Lia me olha e fala.
— Vamos vender coisas?
— Tem coisas que acompanho a mais de 10 anos, e são
pessoas que começaram em um ramo que lhes dava visibilidade, e
de uma hora para outra, assumiram outros ramos de comercio.
— E pelo jeito quer trabalhar depois de velho. – Carlos.
— Não, eu comecei fazendo o atrativo, agora, tenho de
colocar as pessoas que vão tocar, pensa em eu ter de fazer Lia
assumir mais dois personagens, porque alguém não o quis fazer.
— E pelo jeito está ampliando?
— Não filmado, temos Brunão e Bichona, o resto já tem rosto,
então estamos quase fechando os primeiros personagens, mas
estes, tem de trabalhar, Boêmio e Boêmia, já tem partes jutas,
separadas e entrevistas, Joãozinho já tem ele, e entrevista, temos
de fazer ele interagir com algo, Lia tem o programa e as entrevistas,
eu tenho a minha parte, eu velho, eu personagem, entrevista,
Jaqueline, Zezinho, Boêmio e vou fazer o Bichona, Lia esta com
Maria, Guta, Boêmia, Bruninho e Brunão, além de Boêmia. Mas se
reparou, nós concentramos o inicio, agora vamos ampliar a parte
dela.
— A minha?
— O prospecto que iria propor, a diferença, é que aqui é Lia,
no seu é Lia Machado, então se topar, vamos fazer entrevistas,
crônicas, desafios, e criações, mas tem de querer, entrevista na
segunda e sexta, crônicas na terça e no sábado, isto semanal, e uma
vez a cada quinze dias, um desafio na Quarta, e um desafio por mês
no domingo, a quinta é para criações, você apresentando alguém,
algo, programa mensal.
— Quatro vídeos semanais?

117
— Sim, as vezes chegaria a 7, mas é o crescer de um canal,
começamos assim, e vamos com calma o ampliando.
— Quer fazer com meu canal o que fez com o seu?
— São públicos diferentes.
Olho para Carlos e pergunto.
— Assim que tiver todos os personagens, passo para você,
agora vamos dar uma ida a uma oficina.
— Problemas?
— Sabe que um dos meus maiores defeitos, é que não dirijo,
quando adolescente tentei, mas disfunção visual, depois dos 100
metros.
— Certo, mas nos falamos.
Olho Pedro e falo.
— Sabe o endereço desta oficina?
— Sim.
— Pede um aplicativo e vamos lá.
Saímos dali e descobri que o veiculo estava em uma oficina
em uma transversal da Itupava, Rowal, ser velho nesta cidade, é
lembrar de quando a Rowal era na Itupava, hoje já não dos mesmo
donos, aqueles nomes antigos, onde se pegava os nomes dos donos,
o inicio de cada e cria-se um nome.
Paramos e vi o estrago, estavam os dois carros ali, peço para
falar com quem tocava a oficina e a sorte em parte, é que o estrago
no outro carro não era tão grande.
Lia nitidamente incomodada, ela não fora feita para ajudar,
eu, não sabia o que fazer, mas ajudava pouco, mas como podia,
acertei o concerto do outro carro e descemos para ver o estrago no
carro de Pedro, o rapaz foi dando os preços e falando os valores e
que o concerto sairia mais caro que um novo, pior, sem seguro, vejo
se o rapaz tinha interesse em comprar o que sobrou, ele teria a
parte frontal com motor boa, o problema era troca de peças de um
carro que não fazia carros para concertar.
Verifico o valor e olho para Pedro, era uma saída, quitar com
o que foi oferecido o carro, dar como perda total e vender o resto
do carro para a oficina.
Solucionado uma parte, voltamos a Repartição, Pedro ficaria
na região esperando para as filmagens do fim do dia.
118
Olho o conteúdo e ligo para Roberval na Bariguí e perguntei
se conseguiria uma van da Nissan, sabia que a Barigui também tinha
uma revendedora da Nissan, elétrica, do ano, quanto custava e se
poderia me passar os prospectos.
Ele me fala do veiculo, dos pontos de recarga, e pergunto
como poderíamos acertar isto, pois eu iria esperar o emplacar e o
adesivar antes de tirar da concessionaria.
Acerto por transferência, sem falar nada, e pegaria o carro na
segunda, passei para o rapaz que fizera a plotagem do primeiro,
para medir e verificar se poderia fazer este segundo.
Todos queriam um escândalo, pois me olhavam, eu sorrio e
apenas penso na merda que daria aquilo, mas talvez o clima
explicasse, alguém fez fofoca, pior, para atacar, esqueceu das
consequências, e esta não seria silenciosa.
Lia chega a mesa e fala.
— Sergio vai se dar mal.
— Ele não se preocupa se nos daremos mal.
— Certo, meu pai fez cara de dor, mas conseguiu um
apartamento no Montreal a frente.
— Temos como ver o local?
— Vamos lá, estão todos nos olhando.
— Sim, e se der vamos começar a montar as coisas ali.
— Quer pelo jeito nós longe da sua casa.
— Quero poder chegar em casa e dormir.
— Certo, chega em casa e começa a pensar nas coisas.
— Sim.
Descemos, fiz sinal para Pedro, que nos acompanha, pegamos
a chave na portaria e subimos, um senhor ponto comercial, mais de
400 metros quadrados, e era apenas meio prédio, olha as salas e
sento ao chão, Pedro sorri e fala.
— O que vamos fazer aqui?
— Garantir o futuro de vocês, pois eu já já morro.
— Não fala assim. – Lia.
— Minha falecida esposa falava que vazo ruim não quebra
fácil, e eu era o vazo, pior que ela conhecera.
— Ela morreu de que? – Pedro.

119
— Naquela confusão do ano dois mil e vinte um, ela descobre
fez exame para Covid no Sábado, domingo deu positivo, ela não
levou a serio, piorou na quinta e a entrei no sábado, de longe,
sempre quis estender isto, tinha pessoas que sofreram mas
viveram, tem pessoas que parecem ter sido atropados por esta
doença.
— Foram anos tristes. – Pedro.
Olhei ele e falei.
— Sabe a sala alta do sobrado?
— Sim.
— Pega a van, estaciona lá, e traz tudo, deixando lá apenas o
armário que não tem como desmontar aquilo.
— Certo, vamos começar a mudar.
— Sim, pela primeira vez, vamos sair de uma associação de
criadores, para uma empresa.
— Associação de Criadores? – Lia.
— Sim, você e Pedro assinaram um contrato de associação
comigo, com recebíveis resultado de seus trabalhos.
— E não havia criado a empresa ainda? – Pedro.
— Precisava de no mínimo 3 pessoas para ser uma associação
de criadores.
— Certo, e Sergio não veio antes! – Lia.
Sergio sai, ele se informa onde poderia encostar para subir
coisas e descobre que tem uma entrada do condomínio, mas teria
de subir pelo elevador de serviço.
Descemos e fizemos 3 copias das chaves, e deixamos uma
com o rapaz, falando que iriamos começar a mudar para lá.
Voltamos e sentei a minha mesa e olhei para Lia.
— Pronta para a noite?
— Tô pregada.
— Mas temos apenas de não ir até tarde hoje.
— Certo, resolveu o problema de Pedro sem gastar quase
nada, e pelo jeito vai descontar dele.
— As pessoas dão valor ao que pagam para fazer.
— E vai fazer algo a mais?
— Sim, comprar uma van, da empresa, e ampliar a
publicidade da Barigui.
120
— Vai conseguir um veiculo vindo do patrocínio?
— Agora um carro zero, Nissan, que vamos criar uma área de
entrevista.
— Você ainda não parou.
— Sim, hoje a noite, temos uma entrevista as seis e meia,
uma as vinte e trinta, uma as 22 e trinta, e temos de tentar não nos
arrastar nestas entrevistas.
— 3?
— Começando a pensar no seu canal Lia.
— Quer mesmo o ampliar?
Eu não tinha o esquema, teria de terminar e falei.
— Tem de considerar que só sei fazer as pessoas trabalharem
— E não se preocupa em por peso.
— Este espaço é para reduzir o peso Lia, pois uma coisa é
irmos a eles sempre, outra, eles virem a nós.
— Certo, e pelo jeito vai agitar o local.
— Acho que começamos a pensar no amanha, não no ontem,
estava correndo a muito tempo pensando no ontem.
Quando saímos as 18 horas, Pedro nos pegou e fomos a
região do Couto Pereira e fizemos uma entrevista com o presidente
do clube, depois fomos a região do Cabral e fizemos uma entrevista
com o dono das Empresas Gulin, e por fim, fomos ao Graciosa Clube
e fizemos uma entrevista com o prefeito da cidade.
Fomos para meu sobrado, dali um pulo, e Pedro foi para casa
com a van enquanto dormíamos um pouco.

121
Acordo cedo, passo uma vassoura no
quarto que tiramos as coisas, separo os
materiais de cada personagem, desço e
começo a editar os vídeos, e quando
próximo das oito da manha, Lia me abraça,
já vestida, pergunto.
— Qual o código do seu canal.
— Querendo o invadir?
Apenas a olhei, ela respondeu e falei.
— Guta, grave esta senha.
Lia me olha e falo.
— Inserção das 6 divisões da entrevista do prefeito, a partir
da segunda feira, no canal de Lia Machado, com entrada de segunda
a sábado, as 9 e meia da manha.
Lia me abraça e fala.
— Vai mesmo assumir minha carreira na internet?
O problema é que vou pensando, e fazendo, não apenas
pensando. Coloco a entrevista do presidente do Coritiba, na semana
seguinte do Espelho, na divisão da Lia Real.
E coloco a entrevista do Gullin como sendo minha parte da
divisão da semana seguinte.
— Vai mesmo por tudo aos poucos.
— Pode parecer pouco Lia, mas colocamos as entrevistas e
vamos avançando, tenho de fazer alguns personagens, e vamos o
fazer entre hoje e segunda sedo.
Ela sorriu com malicia, o que queria dizer este olhar ainda não
sabia.
Pedro nos pega na parte baixa, e vamos a repartição, Sergio
foi para o apartamento, eu passei para ele o que iriam entregar lá, e
alguém teria de receber.
Lia via que estava ainda montando algo, mas se antes ela não
tinha ainda a entrevista da semana seguinte, sabia que teria
inserções de 15 minutos por 6 dias, da entrevista.
Chegamos e olhei para ela antes de entrar.
122
— Fala para seu pai que vamos adiantar a semana que vem
entre hoje e amanha nas gravações, que não precisava ficar
pressionando, que vamos trabalhar, trabalhar muito. – Ela sorri e vai
a sala do pai.
Sento a mesa e sabia que depois de hoje, faltariam 5 dias
para ser colocado para fora.
As vezes pareço um burro de carga, quando coloco uma ideia
a cabeça, mas quando se tem um prospecto e se olha que o
YouTube pede sua conta bancaria para deposito, e lhe fazem a
transferência da semana anterior, quase 8 mil reais, eu não
esperava ganhar por ai, mas era um caminho.
Estava olhando o deposito e Lia chega as costas.
— Quem pagou mais publicidade?
— O Youtube pagando a semana anterior.
Lia sorri e fala.
— E ninguém está olhando.
— Esta semana deve ter dado o dobro Lia, e quando
fecharmos a semana que vem, deve vir a dar perto disto em
dólares.
Lia olha e fala.
— As vezes duvido das suas ideias, mas está abraçando a
ideia, e parece ainda elaborando ela.
— Tenho de terminar os personagens, e meu primo
perguntou se daria para pagar de outra forma o musicar das
entradas.
— Sei que ele parece conhecido, não liguei pessoa ao visual?
— Já ouviu Motorocker?
— Sim.
— Baixista da banda.
— Mas você o chamou de Luciano.
— As pessoas tem nome, não apelidos.
— Certo, mas o que ele propôs?
— Marcelus ouviu ele fazendo e propôs fazer o som das
musicas, então teríamos de gravar os personagens, em estúdio, com
a banda, um dueto da banda com os personagens.
— E está pensando?
— Nunca cantei com uma banda.
123
— Não entendo a ideia.
— As entradas das chamadas, serão presididas de uma
musica, as do horário inicial, cantadas por você, na voz de Maria, as
da tarde na voz de Joãozinho, o Pedro, e faço Jaqueline e Boêmio.
— Quantas musicas?
— Começar com as primeiras 28, para ver se dá resultado, e
se der, outras 28 musicas.
— Precisa de tudo isto?
— De mais que isto.
— E pelo jeito o projeto que todos acham redondo, está ainda
em construção.
— Sim.
Era nítido que Lia não estava mais falando com outros, talvez
a posição de Sergio, e o comportamento dos demais em apoiar ele,
fez a maioria, a isolar, mas todos com desculpas para se
precisassem se reaproximar rapidamente.
Quando na hora de sair o senhor Machado me olha, fiquei
tenso, as vezes me sentia um adolescente nesta hora.
— Vão fazer o que hoje?
— Começamos por entrevistar uma banda local, depois
entrevistamos mais dois convidados e após isto vamos ao
Armageddon, estúdio de gravação, gravar as musicas de chamadas
do canal.
— Pelo jeito quando falaram em estarem prontos, ainda não
cheguei ao ponto que quer?
— Senhor, acredito que estamos a uma semana de ter pelo
menos, o básico no ar.
— O básico.
— A estrutura, com os personagens, os horários, a estrutura,
mas como falei com Lia, algo que pode durar anos, ou virar pó
muito rápido.
— E pelo jeito quer algo que tenha estrutura.
— Eu vou propor mais uma coisa esta noite, e quem sabe,
não vire 4 canais, o Espelho, o Lia Machado, o João e Maria e o
Deboche Club.
— Não terminou o primeiro, mas pensando em mais 3.
— O Lia Machado, é um Canal de uma Jornalista.
124
— Certo, e o resto?
— Um de personagens e outro de musica.
— E ninguém sabe disto ainda?
— Estamos ainda nos adaptando. Agora nos dê licença,
vamos a uma entrevista com a banda Anacrônica.
Saímos dali e fomos ao largo, estacionamos a van a frente do
Memorial de Curitiba, paramos a van no calçadão, e Pedro ficou a
entrada, eu coloquei o óculos nele, para ele gravar tudo, e eu em Lia
fomos fazer a entrevista, sinto como se as pessoas estivessem
mudando a forma de encarar o canal, mais disponíveis, mais
agradáveis, elogios a Lia, pois eu era apenas o velho ao fundo
gravando, apenas fazendo perguntas as vezes.
Saímos dali e subimos pela rua, Pedro pega o veiculo e
estaciona a frente do Garibaldi, onde entrevistamos o diretor da
Associação Garibaldi, sobre o manter da cultura, sobre a historia do
local, e obvio, gravamos no local.
Filmo a frente do Casarão na esquina da Almirante Barroso e
da Jaime Reis, já pensando no Curitiboca, narrando quando ouviu A
Chave ali, pela primeira vez, década de 70.
Quando chegamos a Sociedade Operária Beneficente 13 de
Maio, e o entrevistar ali do antigo Governador, Requião, estabelecia
o que teríamos entrevistas com posição politica, e isto iria para o
canal de Lia, após isto, descemos a rua Clotário Portugal até a Rua
Saldanha Marinho e lá entrar no Bife Sujo e encontrar com Paulo
Juk e Paulinho Teixeira para entrevista.
Pedro posicionava sempre a van a rua, e entravamos, era
como se fossemos agora quase esperados, mas ainda éramos
desconhecidos.
Entrevistamos, fizemos perguntas sobre a banda, sobre cada
um dos dois, da antiga A Chave, e o que cada um estava fazendo a
parte, e perguntei se não teríamos como resgatar as musicas de A
Chave, pois eu sempre ouvi que existiam mais de 100 musicas, mas
nunca ouvi mais de 12 delas, Teixeira se mostra interessado, deixo
meu contato, e vi meu primo chegar, o pessoal da banda chegar,
juntamos uma mesa e o assunto foi a musica, e Luciano, que todos
conheciam por Krüger me passa uma amostra, eu ouvi, estranho ter
de pensar em por a voz do Boêmio naquela musica, mas entendi a
125
ideia, eles tinham gravado a base com a banda, com vocalista, e as
chamadas, era chegar a criar não uma entrada, e sim uma serie de
musicas, olhei para Marcelus e perguntei.
— As vezes me assusto com ideias assim.
— As vezes, surgem letras, entendi que a ideia poderia ser
mais simples, mas não se pode negar, e queremos a parceria, pois
pelo jeito isto daria quando comecei, um CD duplo, hoje não se
vende mais assim.
— A ideia era por no canal e nos canais de frames, mas pensei
em coisas bem menos inspiradas.
Marcelus me olha e pergunta serio.
— Teria problema de gravarmos as musicas em estúdio para
uma turnê?
— Não vejo problemas, não entendi a prontidão.
— Estamos precisando de um novo caminho, e este parece
um caminho entre o romântico, o rock e o satírico.
Saímos dali e fomos ao estúdio, chegamos perto da uma da
manha e comecei a me inteirar do como fazer, colocamos as vozes,
era o que faltava em 10 musicas, eles começam a gravar outras, mas
aquilo já me parecia incrível, e obvio, atropelado pela própria ideia,
as vezes ficamos tensos.
Estava amanhecendo quando Pedro nos deixa no sobrado, e
falo para ele deixar a van e ir de aplicativo para casa, pois estava tão
cansado como nós.
Antes de dormir, fui a Guta e programei as musicas que tinha,
ainda era pouco, mas espalho na grade, a partir do dia que
começava, eu não era de esperar, eu era de agir.
Deitamos e adormecemos, mas com instrução para Guta nos
acordar.

126
Acordo com o celular, não com Guta,
olho para Lia e apenas sento a cama, estava
acabado.
— Fala Pedro.
— Acessa o canal do Espelho.
— Não entendi.
Eu como alguém que estava
acordando no Sábado, ainda no começo do
fim de semana, tinha tocado apenas duas das musicas ainda, e já
tinha uma leva de comentário nas duas musicas, gente falando da
genialidade, da qualidade, e que quando parecia que iriam recuar,
vinham com mais qualidade.
Eu achei normal, até o clique do e-mail, e olhar para o que
parecia impossível, mas eu olho duas vezes e Lia me abraça e
pergunta.
— O que aconteceu?
— Acabamos de passar o patamar de um milhão de inscritos.
Lia parece se calar, a olho e apenas deito novamente, e falo.
— Preciso de cama ainda.
Ela sorriu e adormeci de novo, o acordar com Guta, me dizia
que agora sim, era onze da manha, levanto, peço um café.
Passo um recado para meu primo se a gravação no estúdio,
poderia por no ar, ou eles iriam colocar.
Sento ao computador e penso no que teria de gravar e
começo a me produzir, gravar dois personagens, e não saberia ainda
onde por, mas um seria a Bichona, o segundo, Vampiro Impotente,
eu produzo o fundo do primeiro, e começo a gravar as frases da
Bichona, e quando termino, começo a editar, era hora de fechar o
primeiro projeto.
Eu faço Guta falar textos em sequencia, ela estava ainda
repetindo, e eu gravando, quando Lia sai da cama, e coloco o fundo
moderno de uma cidade na China, que peguei na Internet, numa
câmera 24 horas, mudei de ideia, não usaria aquilo, mas estico a

127
tela verde, sem todo equipamento que foi para o outro local, ficava
mais fácil de criar, depois produziria com maior qualidade.
Pego a mascara que um dia, milha falecida esposa usava
segundo ela para melhorar a pele do rosto, e começo a gravar a
boneca, com cada uma das 5 cores que aquela mascara dava as
costas, e o que era um personagem chamado LIA, a Autômato, virou
LIA e suas irmãs Autômato.
No canal que apenas tinha a transmissão da rua a frente,
agora ganhava o primeiro programa.
Lia olha e fala.
— Quantos destes vai criar?
— Apenas complemento dos personagens, oito assuntos.
— Todo dia?
— Porque não.
— Os demais pensando em parar e quer acelerar?
— A edição e criar a minha parte eu consigo fazer aqui.
— E vamos sair que hora?
— Daqui a pouco, mas a noite vamos gravar mais vozes,
vamos entrevistar algumas pessoas a mais, a reportagem do
Requião é a segunda do seu canal da semana que vem.
— Certo, já tenho parte do cronograma?
— 12 vídeos para a semana que vem.
— Até ontem não tinha nenhum.
— Segunda começa a reforçar seu nome menina,
— Meu pai está quase aceitando você.
— Quem manda falar algo para ele, e outra para mim.
— Certo, mas acha que as musicas vão reforçar algo?
— Uma ideia boba, apenas isto.
— Certo, os demais querem conteúdo, você quer conteúdo e
entretenimento.
— Vamos gravar no outro endereço hoje a tarde, tem de
entender, conteúdo se cria.
— Mas quer conseguir chegar a quanto?
— Você ganhar por semana uns 6 mil reais no seu canal, e
Pedro outros 6 mil.
— E vamos quando?
— Assim que Pedro chegar.
128
Alguns vídeos estava sendo compilados, ouço a campainha e
desço, pego o pedido, mais mascaras, mais maquiagem, e mais
equipamento, parte eu nem desembalei, mas subi com as mascaras,
fecho q cortina do quarto de gravação, coloco um tecido a parede, e
um a porta, eu queria um local escuro, olho para o sistema de LED
das mascaras, e coloco a mascara do Zezinho, coloco um capuz, uma
luz frontal fraca, coloco a mascara com LED amarelo, ligo a câmera e
começo mais um texto, era algo sobre os medos da madrugada, as
coisas que colocavam as pessoas tremendo de medo.
Eu gravei perto de 15 minutos com cada mascara, estava
gravando com a quinta cor de Led, quando Pedro surgiu a porta, eu
apenas olho ele e falo para por tudo que estava na parte baixa na
Van que já iriamos sair.
Termino aquela gravação, coloco os cartões de memoria, e
pego um sistema de compartilhamento de inteligência artificial,
para que a que eu instalasse no escritório, fosse a mesma da casa,
apenas em dois lugares.
Vamos ao escritório, o pessoal da instalação tinha colocado
divisórias, separado três salas de gravação, e tínhamos a recepção e
a área de produção, entramos e começamos a fazer a gravação na
sala um das vozes do Brunão, e as vozes das entrevistas de Pedro,
proponho os testos a mais, e Joãozinho no Halloween vira algo
legal, nem tinha pensado nesta mascara para isto, mas trocando
ideias, saiu, depois peço para Lia gravar as vozes de Maria em 3
testos, e me produzo de Jaqueline e Lia de Guta e começamos uma
conversa atravessada, cheia de pegadinhas.
Era próximo das oito da noite, quando saímos no sentido do
largo, sentamos para comer no Bar do Alemão, e Lia viu alguns
virem querer uma foto, vantagem de ser o velho na mesa, era que
ninguém olhava para mim.
Comi com calma e comecei a rabiscar alguns textos e Pedro
me pergunta.
— Quer mais coisas pelo jeito.
— Sim, mas as vezes, são apenas ideias bobas.
Lia me olha e fala.
— Ninguém além dos amigos me cumprimentava.
— Por sinal, onde estão seus amigos? – Perguntei.
129
— Acha que vou deixar você sair fácil da minha vida João?
— Sei que não.
Terminamos de comer e pegamos a van e fomos no sentido
da Rua Mateus Leme, paramos a frente do John Bull e ali
entrevistamos o proprietário e um Deputado Federal, saímos dali já
próximo da meia noite, fizemos imagens na parte externa do Museu
Oscar Niemeyer, deixamos Pedro em casa e vamos a um motel na
região de Colombo, algo bem mais simples, Castelinho, acho que eu
precisava apenas de uma cama, e como queria filmar ainda, me
diverti um pouco, entre sorrisos de cobrança.
Uma coisa eu continuo ouvindo, o cuidar para não me
apaixonar, aquilo ainda mostrava algo que não entendia, pois era
um alerta, que não parecia mais fazer sentido, então estava
tentando manter no racional.

130
Amanhece domingo, ela atende o
telefone, diz que tem de ir para casa, e sai,
como se não tivéssemos marcado nada, eu
a olho pensando se era algo serio, mas não
parecia.
Eu vou para casa, pego algumas
coisas a mais, coloco na van e olho em
volta, o dia parecia que seria de sol.
Vou o novo endereço na Carlos Gomes, e o porteiro me barra,
estranho, saio para fora e vejo Pedro atravessar a rua e falar.
— O que tá acontecendo, me barraram?
— Não entendi, mas deve ser um mal entendido.
Eu olho para cima, tinha muita coisa ali, eu apenas vou para
casa e acesso Guta, que estava já instalada no dois locais, e coloco a
câmera dela a transmitir para a TV, o que estava acontecendo.
Pedro me olha e pergunta.
— Desconfiou de algo?
— Não, estava instalando para facilitar, não para complicar.
— E o que acha que está acontecendo.
Olho para Pedro, ele não deveria estar naquele horário lá e
falo, desligando a comunicação e falo.
— Apenas não vou conseguir acesso por aqui para fazer,
como falam, sou um burro de carga.
— E vamos fazer o que hoje?
— Vou descansar, hoje é dia de descansar.
— Pensei que tinha muito a fazer?
— Nada que fuja do normal, por sinal, tenho de descansar,
velho é isto, se cansa fácil.
Pedro saiu e me olha como se querendo falar algo, talvez o
tivessem cooptado, liguei a TV de volta e vi Lia atender o celular,
olhar para o aparelho, e o cobrir.
Sorri, Pedro deveria ter ligado, mas o sistema de Guta estava
em todas as câmeras e apenas aceso ela e penso como um velho,
prestes a cair em uma armadilha, olhando as câmeras, recuando o
131
tempo e vendo ela chegar e Sergio e o senhor Machado chegarem,
ela olhar para o pai e falar.
— A ideia dele é seria pai.
— Sei filha, mas quer ficar com o velho?
— Não, é gente boa, mas não é meu tipo pai.
— Certo, o que temos aqui?
— Um local para gravar entrevistas, duas por vez, 3
laboratórios de gravação de personagens, e toda a estrutura que
gera o conteúdo dele.
— Ele parece ter milhares de pessoas trabalhando para ele.
— É um burro de carga pai, daqueles que o senhor falava que
temos de ter em nossas empresas, pois eles a levam nas costas.
— Pensei que ele estava ficando velho.
— Ele está velho. – Sergio.
Eu olhava a imagem, e por outra TV, via o atual, onde eles
olhavam tudo que tinha lá, e penso no quanto aquilo era para
facilitar, mas não fazia falta para mim, era para eles, eu em casa
acesso Guta e tiro todas as musicas do canal, e começo a pensar no
que fazer, foi uma amostra do que faríamos, apenas isto.
O material de Brunão ainda estava publicado, sem editar, eu
pego as vestes na van e filmo tudo de novo, crio uma nova Maria,
faço testes, e chego ao que queria, uma Guta personagem, estranho
como eu preferi o que fiz, ao que estava gravado.
Poderia ser algo para que eu pulasse fora, continuava a tentar
ligar para Lia, para não dizerem que eu desisti, eu ouvia o telefone
ao fundo, pela TV e olho em volta, e falo.
— Tá paranoico.
Velho com vícios de velho, vejo Sergio chegar no escritório da
Espelho, acessar e desligar Guta.
Sorri, desativei o segundo caminho e cancelei todas as
entradas que não fossem as minhas no canal.
Eu tomo um banho, o telefone ainda tentava no automático,
sem ninguém atender, caio a cama e durmo, as vezes o sonho é
grande demais para um velho.
Eu dormi, e era próximo das 9 da noite, quando o meu
telefone toca, atendo sonolento.
— Tá onde? – Lia.
132
— Dormindo, tentei lhe ligar, não me atendeu, tentei ir na
sede no centro, o rapaz disse que não poderia subir no domingo,
não sabia desta regra, acho que Pedro também voltou para casa,
pois tentamos subir e não nos deixaram subir, tentei lhe ligar, como
não atendeu, vim para casa, acho que peguei no sono.
— Não iriamos filmar?
— Parte do dia era no centro, então acho que vou aproveitar
e descansar, amanha tem mais coisas a fazer.
— Tirou as musicas do ar?
— Algo deu problema na Guta da sede da Carlos Gomes, mas
como não consegui subir, não sei.
Acordei e fui levantando, eu chego a sala, olho Guta parada e
olho em volta, olho o local e apenas sorri, alguém tentando me
vigiar, olho em volta e falo.
— Um café Guta. – Olho a hora e falo ao telefone – vou
desligar Lia, se quiser aparece, mas a idade pesou hoje. – Desliguei o
telefone.
Não vi nada, mas era o normal, e Guta me cumprimenta.
— Boa noite senhor João, algo mais?
— Poderia me dar a ordem das filmagens que não foram
feitas hoje?
Ela liga a TV e olho as filmagens e apenas pego um papel ao
armário e olho em volta.
— Mudou as coisas de lugar Guta?
— Câmeras de gravação, colocadas, alterou 8 peças do lugar.
— As que instalei, não lembro, mas deixa eu pegar o café.
Fui a cozinha, para não dar espaço a resposta e na Geladeira
estava a resposta.
“As câmeras colocadas na noite anterior.”
Não falei nada e ela complementou
“Por Pedro Ribas na noite, enquanto vocês dormiam”
Chego a sala e pergunto.
— Como está o sistema de segurança Guta.
— Normal.
— Isola a entrada e saída de dados pela sede da Carlos
Gomes.
— Feito.
133
Dou 10 segundos, contando no dedo e falo.
— Câmeras da sede 2, no celular, quero olhar o que vou fazer
lá hoje. – Eu tentava desviar a atenção, mas poderiam ainda estar
me monitorando, mas começo a olhar a imagem da outra sede, e
ainda estavam lá Pedro, Lia e Sergio.
“Transcreva em silencio Guta!”
Começo a olhar eles e ver que estavam tentando entender o
problema e li a frase transcrita de Sergio.
“Ele fez um contrato que o permita entrar e sair a qualquer
hora, então se quiserem pular fora, não terá custos, ele pelo jeito
realmente acredita na ideia.”
“Acha que os vídeos saíram pois desativamos a Guta local?” –
Lia.
“Quando desativei, posso ter feito sem sentir, mas o sistema
dele é realmente por voz, reconhecimento de face e senha, três
sistemas de segurança para ter acesso aos dados, podemos perder
tudo se tentarmos!” – Sergio.
“Acham que ele não desconfiou?”
“Pode ter desconfiado, mas certeza é outra coisa, as vezes a
interpretação de um porteiro, não discutimos, transferimos culpa!”
– Fala Lia olhando Pedro.
O espelho ao fundo me falava, velho, sorri por dentro por 3
semanas me senti vivo, agora o apunhalar pelas costas, me sentia
um caco, algo ainda tentava manter a moral alta, mas as palavras
estavam a cada momento mais pesadas.
Olho a van na garagem, entro nela e dirijo ate o estúdio de
gravação, e verifico como estavam as demais musicas, eu fiz a voz
de outras 14 musicas e passo a meu primo as outra que gostaria, e
sabia que estava pedindo demais.
Saio com os arquivos, acerto o local e olho para a rua, vou ao
Agua Verde, sento em uma lanchonete na avenida Getúlio Vargas e
peço um refrigerante. Eu olho para a chave da van, teria de dirigir
com calma, e voltar para casa, mas sai no impulso.
Olho o carro na vaga e peço uma cerveja, algo para beliscar, e
quando o celular toca novamente apenas atendo, já estava
alcoolizado.
— Boa noite Lia.
134
— Não me atende a campainha?
— To na Agua Verde Lia.
— Disse que poderia aparecer.
— Desculpa, esqueci, acho que dormi demais a tarde, e estou
apenas a pensar no que posso fazer, tomando uma cerveja.
— Precisava falar com você.
— Tô no Bastards na Iguaçu.
Levantei do bar, pedi a conta e andei uma quadra e pouco e
entrei no Bastards, e peço uma porção de Bacon com uma cerveja.
Eu já não sabia o que falaria, mas eu estava a ouvir as
pessoas, personagens surgem assim, tem gente que os tira do ar, eu
os tiro das ruas de Curitiba.
Era perto das duas da manha, o local já vazio, encerrando
quando vi Lia e Sergio entrarem ali.
Eu tentei demonstrar normalidade, mas deve ter ficado
evidente que não achei.
— Juntos? – Perguntei, pois ela não teria como te pego ele, e
ido para minha porta.
— Pensei em conversar na sua casa, mas bebendo?
— Ouvindo as pessoas a volta, eu sou um velho, tenho de
entender os novos termos na boca dos jovens.
— E vem ao local dos jovens?
— Bacon, dos melhores da cidade. – Falei.
— Mas preciso falar.
— Sentem.
— Não poderia ser em um local discreto.
— Está vazio, não vejo problemas do local.
Os dois sentaram e Sergio tentava ficar quieto, na minha
cabeça estava a afirmação dele de que estávamos tendo um caso, e
a reação calma do pai dela, me parece olhando de fora, tudo
combinado.
— Queria falar antes com você, mas não vai dar certo João.
— Sem problemas, lembra, não se apaixone.
— Sei que nem tudo foi apenas sexo.
— Com certeza foi muito mais que apenas sexo Lia, foi o
montar de uma empresa e de uma reputação.

135
— Certo, mas não tô pronta para a pressão que meu pai está
fazendo para me afastar, e tem de saber, eu vou acabar me afastar
um pouco da empresa que montou.
— Quer ajuda ainda no seu canal, pois sabe que ali era
apenas personagens.
— Meu pai disse que tínhamos de esvaziar o local, que ele
não iria apoiar esta ideia.
— Então explica não terem deixado eu subir, mas sem
problemas, nada do que tem lá não se compra de novo.
— Ele quer que esvazie, não vai ficar com aquilo. – Sergio.
Lia olha para Sergio que se cala.
— Sei que esperava algo organizado ali.
— Sim, apenas tentava me organizar sem custos, pelo jeito
não vai dar certo.
— E pensava no que? – Lia tentando mudar de assunto.
— Apenas tomava uma cerveja, ter dormido parte da manha
e quase a tarde toda, me faz achar que o dia esta começando, e
tudo tá fechando.
— Quem iriamos entrevistar hoje?
— Ainda bem que foi você que deu o cano, não eu. – Falei
olhando ela, que me olha intrigada.
— Quem?
— O atual governador.
Ela olha o relógio e sorrio e falo.
— Esta hora não vou ligar para ele.
Sergio que olhava nós dois fala.
— E vai aceitar fácil o fim?
— Fim, ainda não é o fim, isto é dentro de uma semana,
quando posso sumir e vocês verão apenas o que estiver na internet.
— Vai sumir? – Lia.
— Descansar, 40 anos retribuídos com um pé na bunda,
então é hora de descansar.
Eu peço a conta e chamo um aplicativo, e vou para casa,
chego a ela e o vizinho fala que tinham arrombado a porta e
assaltado a casa.
Olho a policia e pergunto o que levaram, vi que as TVs, Guta,
as coisas de gravação, as coisas normais em um roubo.
136
Pelo celular, verifico que tentavam ainda entrar na conta de
Guta, mas era de segurança máxima, olho os arquivos de vídeo
salvos num provedor de conteúdo, todos lá, olho os dados e estava
tudo redondo, mas iria parar.
Eu troco a senha de acesso do Youtube, e subo, a cama ainda
estava ali, teria de me reorganizar.
Acho que a decepção era grande, e apenas fecho a casa e vou
dormir, depois da policia apenas constatar o roubo.

137
Acordo cedo, vou ao trabalho, e
passo um recado para Pedro e ele me
responde que tinha conseguido outro
emprego, e que teria de achar alguém para
tocar o projeto.
Subo e olho a mesa, faço o prospecto
do dia, e vi o redator chegar a mim e falar
que iriam antecipar minha saída uma semana, que teria o acerto na
segunda seguinte no sindicato.
— Preciso cumprir o dia de hoje?
— Não, foi bom trabalhar com você João, cumprimos ordens.
Apenas olho o senhor, era sedo, eu fora antes da hora para
sair mais tempo no almoço, a saída seria mais melancólica do que
pensei, ninguém nem veria eu sair, depois de 40 anos.
Eu olho as baias, guardo as minhas coisas, esvazio os meus
contatos, esvazio meus arquivos pessoais da maquina, tiro todos os
históricos da maquina, seja de acessos ou senhas, apenas me
levanto e saio.
Eu atravesso a rua e pergunto se poderia pelo menos tirar as
coisas do escritório da Espelho, o rapaz olha as instruções e fala que
tudo já estava separado na garagem, eu entro e olho tudo
amontoado, e apenas peço uma mudança e tiro dali, para minha
casa, era pouca coisa.
Sento em casa e olho que eles tentaram com Guta, aquela
dali, mas a entrada na rede estava na minha casa.
Eu peço coisas pelo aplicativo, e pago via sistema, aquele dia,
não havia entrado nenhum vídeo, e obvio, muitos se perguntavam
se algo havia acontecido.
Era meio dia quando eu com a fantasia de Zezinho gravo o
vídeo e coloco direto no sistema, avisando que aquele dia não
entraria os vídeos, pois haviam assaltado o local de produção e sem
equipamento estava apenas fazendo um aviso para ficar no ar pelas

138
próximas horas, até voltar ao normal, após o aviso, 6 horas das
novas musicas e depois o aviso repetia.
O espelho do corredor me chamava de velho e eu olho a
entrega começar a trazer TV, outro eletrônico, e outra linha de
câmeras, eu novamente estava a montar as coisas, e sabia que
parte das coisas não estavam ali, a estrutura de montagem de
Maria, de Guta, mas peço algumas coisas a mais, o computador
novo começa a rodar as coisas, a baixar os aplicativos de
funcionamento e entro novamente no Youtube, a confirmação de
tripla segurança, fazia estar com os dados seguros.
Eu pego os contatos de ligo para os entrevistados e me
desculpo, explico, obvio que o assessor do governador foi estupido,
mas não era eu procurando eles para gravar, eles estavam
querendo atenção.
Quando se olha algo como o que estava acontecendo, parecia
normal, eles pularam fora, mas eu confirmei muitas coisas, e o
colocar em operação novamente pareceu mais cansativo, era
refazer.
A inteligência artificial “Guta”, era um sistema que não tinha
nome, cada um nomeara com um nome de interesse, Maria
Augusta, uma filha que perdi na adolescência, então os nomes eram
homenagens, para me manter na lucides, então quando a renomeei
de Maria Augusta, era para mim a mesma coisa, mas agora com
sistema mais moderno, a ultima tinha 2 anos, e agora iria por algo
mais moderno.
Eu não queria montar ali, mas queria ver se entendia tudo
que faria, e era próximo das 2 da tarde quando chego de aplicativo
no endereço que deixara a Van.
Ela estava inteira ainda, não façam isto, mas não tinha
carteira, pego a van e vou a Pinhais, um terreno que o corretor
esperava a entrada para me apresentar.
Eu acerto a compra e estaciono o carro ali, entro e peço a
ligação de agua e luz, e com calma olho o local, ali fora uma casa
simples, com um barracão de sitio, que depois alguém fechou as
paredes, para algo mais, que nem perguntei o que, começo a olhar
em volta, muita sujeira, com calma eu caminha a rua e perguntando

139
se conheciam alguma diarista, me indicaram uma, que marquei para
o dia seguinte.
Eu peço um aplicativo e volto para o Bacacheri, liguei para a
empresa que trouxera do centro para ali a mudança e no fim do dia,
estava transferindo para Piraquara, e quando de volta ao local,
começo a arrumar as coisas.
Quando escureceu eu apenas vou a cama e adormeço, ainda
não tinha luz.

140
Acordo muito cedo, os rapazes da
energia chegam perto das 8 da manha, eu
estava já sem bateria do celular, pois olhar
para ele, e tentar acompanhar as coisas a
noite, quando coloquei na tomada, o
celular tocou.
Eu atendi e era Lia.
— Bom dia João, não me atende
mais?
— Bateria as vezes acaba menina.
— Saiu e não se despediu.
— Quem manda ninguém estar lá para me despedir.
— E vai montar onde o local de gravação.
— Eu devo estar na minha faze ruim, cheguei em casa no
domingo e tinham assaltado o sobrado, dormi, fui a repartição e me
mandaram embora, acho que tenho de me centrar antes.
— E vamos voltar a ativa quando?
— Não sei ainda, tenho de acalmar, e por mais que as pessoas
falem que não estamos colocando nada, os vídeos continuam sendo
indicados, quem me levou a “Guta” do sobrado, acabou parando a
colocação dos vídeos, eu não sei ainda o que perdemos, pois muita
coisa não tinha sido colocado, e não esta mais lá, talvez tenha de
refazer.
— E está onde?
— Piraquara, vendo algo que não vai dar em nada.
— Tentando algo?
— Nem sei se você ainda tá no esquema, Pedro pulou fora,
sei lá, é muita coisa dando errado. – Eu as vezes até sentia como ser
verdade.
— Pensando em me por para correr?
— Apenas tentando entender, eu fiz tudo, e o que consegui?
— Um canal relevante.
Não respondi e apenas falei.

141
— Agora deixa eu falar com o proprietário do sitio, acho que
vou virar dono de sitio.
Desligo e começo a olhar a moça a frente, faço sinal para ela,
apresento a casa e ela começa a limpar a casa, enquanto eu começo
a montar as coisas no barracão, vi eles ligarem a agua, o que
facilitava agora o viver na casa.
Quando começo a instalar as câmeras, pois eu não estava
querendo ter uma dissonância de comportamento, eu fui montando
as peças, tinhas as divisões, eu caminhei duas quadras e comprei
tinta verde, luz de led, quando volto, começo a pintar tudo, das
paredes, dos pisos, então ia fechando a primeira mão de tinta,
começo a montar na entrada as câmeras, e os refletores, que poria
no barracão, iria criar algo mais profundo, e fico a ler como mudar
fundo de cromaqui, e por mais que desse um pouco mais de
trabalho, teria de evita as sombras, luz dedicada a isto, olho as
câmeras, e quando ao meio dia, passo a terceira mão de tinta,
parecia que o lugar mudara de cara, entregam um armário, onde
coloco as roupas dos personagens, as mascaras, as maquiagens,
coloco o espelho e lavo o pequeno banheiro ao fundo, mudou de
cheiro, mas teria de com calma reformar ele.
A senhora terminou a limpeza, marquei para ela o fazer três
vezes por semana, e quando a noite começava a chegar, fechei a
entrada, liguei o computador e começo a gravar algumas coisas.
Primeiro colocando as minhas entrevistas nos pontos de Lia,
segundo, trocando as gravações de Maria por minha versão da
Maria, gravei após o João Maluco, para substituir, depois o
Meteorologista Maluco, e começo a colocar as novas musicas no
prospecto, colocando as que eu tinha feito a voz da Maria, pela
manha, as que eu tinha colocado a voz de João Maluco, na tarde,
coloco as da Jaqueline, a noite, e a madrugada com as do Boêmio.
Coloco estas para compilar e troco de roupa, e gravo a minha
versão de Maria Augusta, para colocar no lugar de Guta, e
amanhecia quarta quando eu termino de por para compilar, e peço
a “Maria Augusta”, para fazer as inserções, que já estavam prontas,
e fui dormir.

142
Acordo e já era próximo do meio dia,
não tinha uma cafeteira ali ainda, então tive
de preparar meu café, a muito não o fazia.
Eu estava sentado a olhar os dados, e
começam a comentar os vídeos, e o que era
um inicio de dia, já tinha os comentários
comentando a previsão de tempo para
hoje.
Seis dos sete que deveria ter pela manha, estavam ali, então
para quem acostumara a nos ouvir, parecia algo voltando ao
normal, eu não atendi o telefonema de Lia, as vezes temos de
afastar o que nos pode fazer dependentes, termino de editar Maria
Augusta e programo para o dia seguinte.
Marco com o pessoal do estúdio, e fui para lá para mudar as
vozes dos dois que tinham feito no primeiro dia.
Quando volto por volta das 6 da tarde, evitei passar em casa,
pois alguém poderia estar me esperando, indo ao sitio direto.
Eu olho o terreno, daria para plantar algumas coisas, e resolvi
que cuidaria do terreno, e plantaria mudas de arvores, mas teria de
ter as mudas e preparar o terreno.
Olho o prospecto do segundo canal, que estava criando para
Pedro, e que nomeara de João e Maria, e começo a refazer os
quadros que Pedro havia gravado, onde deveria ter interação de
Jaqueline com Guta, agora seria com a Maria Augusta, as gravações
que seriam ainda inseridas, com participação de Pedro e Lia,
regravo tanto Maria como João, e mais uma madrugada que se
estende, coloco as coisas para compilar, eu escrevo as musicas, e
com os bits de som de fundo, faço canto com a vozes variadas, de
Jaqueline e Maria, algo bem primitivo, acerto os horários e coloco
as chamadas que Carlos em passou e programo para começarem as
10:25 a programação que sabia estar gravada para uma semana,
cansado, cai a cama.

143
Acordo e vou ao Agua Verde, pego a
van e vou para casa no Bacacheri, subo e
vejo que estava tudo calmo demais, eu olho
os detalhes da casa, e olho para o outro
lado da rua, e vejo um carro parado e
observando as coisas, paranoia, eu pego
minha carteira e caminho até a rua João
Gualberto, e entro em um tubo e pego o
ônibus, não sei se teriam como me seguir, mas eu não iria facilitar,
eu vi que quando cheguei a centro, o Celular toca e atendo.
— Bom dia?
— Bom dia, tá sumido João? – Lia.
— Tentando ainda concertar os atrasos, pois tem muita gente
que não consigo entrevistar.
— Pelo jeito pensando ainda no projeto.
— Não, pensando nas desculpas para os participantes, já que
em 15 dias, acaba as ideias, e as pessoas já pularam fora, agora vão
saber que minhas ideias eram rasas.
— Vi que tirou minhas entrevistas.
— Tive de refazer com o pouco que tinha pois se perdeu
muito, mas ainda não estou confiante para encarar as pessoas de
frente.
— E não vai me ajudar na minha pagina?
— Perguntei isto no domingo, lembra?
— Sei que induzi que iria sair, pois a pressão do meu pai está
grande ainda.
— Quando puder aceitar, fala, antes não adianta Lia, vai
apenas ser dor de cabeça.
— E pelo jeito voltou a criar em casa.
— Sim.
Parei em uma auto escola no centro e pergunto quanto era
para tirar uma carteira de motorista, soube que teria de me dedicar
algum tempo para ter a carteira.

144
Eu depois pego um aplicativo e vou ao Champagnat, olho o
gerente que confirma o investimento, teria de achar um motorista,
pois iria entrevistar enquanto andávamos.
Fui ver a reforma do carro, e ele estava sendo preparado, a
ideia era simples de ter, de executar nem tanto, já que partia da
ideia de ter uma sala tipo de jatinho particular, dentro da van, com
as 4 cadeiras voltadas a uma mesinha central, e enquanto o piloto
girava, entrevistava as pessoas.
Soube que teria mais uma semana para ter aquilo pronto,
mas os programas estando todos no ar, evitou problemas de saída
de patrocínios.
Eu olho os dados e imaginei as pessoas achando pesado, elas
queriam estar naquilo, mas não fazer o pesado.
Tento o reagendar do governador, e vi que a ausência de Lia
ali, fez o governador perder o interesse, eles queriam os meios de
comunicação influentes ao lado deles, não um editor velho
desempregado.
Eu nunca soube, desde criança, enfrentar os nãos, eu os
desviava, as vezes chegava a apanhar, mas não parava, mas sabia
quando se recebia um não, era não, apenas desviava ao lado, mas
agora, velho, me sentia sem esta energia de desviar.
Vou para o sobrado no Bacacheri, olho o quarto, ajeito ele
como se estivesse fazendo ali as gravações, mas sem sistema no
local, apenas monto a farsa, e próximo das 8 da noite, saio
novamente no sentido do centro com um aplicativo.
Eu vou a segunda vez, à visita aos cemitérios da cidade, eu
queria as imagens, os rostos curiosos, e próximo da meia noite,
sento a praça do Gaúcho, olho em volta, o óculos filmava, então de
qualquer forma teria o conteúdo.
Se alguém sabia quem eu era não sabia, mas o meu
entrevistado chega a mesa, atual presidente da Embaixadores do
Samba, escola de samba da cidade, explico para ele como
funcionava a entrevista, se ele topava, e começo a fazer as
perguntas, e próximo da uma e meia da manha, pegou um
aplicativo, e retorno a Piraquara.
Eu vou ao barracão ao fundo, troco de roupa e filmo as falas
de Bruxa Tarada, de As noites de Zezinho e Vampiro Impotente,
145
terminando a sequencia de 7 dias de cada, e edito a entrevista com
o presidente da escola de samba, como uma entrevista do Boêmio.
Edito e coloco para converter e vou dormir.
As vezes queria ser pais frio referente a sentimentos, mas
talvez o corpo sonhara por uma semana, e agora sozinho a cama
estava estranhando novamente.

146
Acordo, e olho para o pessoal que
montaria o resto das armações no
barracão, e começariam a trocar as telhas,
não queria chuva no local.
As vezes não achava saber o que
estava fazendo, pois tudo parecia confuso,
e no meio de tudo isto, as ideias
fervilhavam, comprei uma segunda cafeteira, e coloquei no sistema,
começava a remontar ali a estrutura, e não sabia ainda confiar no
local.
Eu olho para a calma do local, parecia outro lugar, mas muita
gente se perguntava quem mudara para ali, e obvio, eu não iria me
esconder, e no fim da manha colocam a entrada do sitio, a placa
dizendo “Estúdio de Gravação O Espelho”.
Eu termino de editar os vídeos, e coloco as quatro sequencias
a passar que entrariam no cronograma, então o que parecia algo
simples depois de feito, teve o trabalho dos músicos, anunciando as
Aventuras de Zezinho 6 minutos antes do programa pela musica,
depois o anuncio da caricatura feita por Carlos e por fim, as 11 e
meia da noite, entraria o programa.
Quando estava montando as coisas, duas coisas me chamam
atenção, a quantidade de seguidores fora do país chega a dois
milhões de pessoas, poderiam até ser brasileiros, mas com certeza
eram pessoas que falavam português, e a segunda coisas que
estranho, era a proposta direta do Youtube de criar uma linha de
membros, sabia que as coisas tinham quatro pontos de recursos, e
usava apenas duas por enquanto.
Estava a olhar os dados, quando o telefone toca e o vizinho
do sobrado me liga, falando que entraram pela segunda vez lá.
Eu começava a não querer parar, pego um aplicativo e vou ao
sobrado, era tarde, e ao contrario da vez anterior, que as gravações
iam para a internet e não deixavam backup, o que fez as imagens
quando desligaram a luz para entrar, apagar as câmeras, agora
147
ficara no sistema online o que havia acontecido, eu falo com o
policial e mostro as imagens do pessoal roubando a casa.
O senhor entendeu como se o proprietário tivesse querendo
resolver aquilo.
Não sabia quem era a pessoa da imagem, mas ficou evidente
que eles chegam e tocam a campainha, quando ninguém atende,
eles desligam a luz, e esvaziam tudo no quarto de gravação, eles
nem passaram em outra peça, pela gravação e o policial me olha e
pergunta o que tinha naquela peça e falo.
“Gravaçao dos programas do canal “O Espelho”.
O policial me olha e fala.
— Daqui que saem as imagens para o programa?
— Sim.
— Foram diretos a sala de gravação, entendi, roubaram no
domingo, fora do ar na segunda, volta ao ar, estão novamente o
tentando parar, vamos investigar senhor, as vezes achamos que é
apenas um assalto, mas eles vieram com endereço certo para
esvaziar.
Os policiais saem e na RPC é anunciado que pela segunda vez
na semana, assaltam e roubam todos os equipamentos do canal de
internet O Espelho, mas que o proprietário afirmou que os vídeos já
estão salvos para manter o funcionamento por 7 dias.
Eu olhei e pensei, eles falam assim e alguém deve pensar, ele
deve ter uns 3 ou 4 vídeos, mas a verdade do que estava criando era
assustador.
Pois para funcionar 7 dias, eu precisava de 196 vídeos de 15
minutos, mais 26 musicas e 28 aberturas dos programas.
Sento a cama, e olho para a peça vazia, levaram tudo, até o
que eles não sabiam para que funcionava, estava sentado quando o
telefone toca e era Carlos.
— Como está João?
— Tentando não levar para o pessoal.
— Acha que foi alguém querendo lhe parar?
— Se olhar que no quarto ao lado, tem um relógio da minha
falecida, esquecido ali a 10 anos, de ouro, e assaltaram duas vezes a
casas e não o levaram.
— E vai fazer o que?
148
— Eu sei que as pessoas não entendem, mas para criar, era
mais fácil quando tinha contato com as pessoas, estou a menos de
uma semana afastado e não vejo saída.
— Eu terminei algumas caricaturas e parece que não vão
usar.
— Eu estou com uma entrevista com a Lia, que eu não
coloquei no ar, mas vou por.
— Não teme estes malucos.
— Não sei se preciso temer, mas pode ser que tenha de parar
aos poucos o canal.
— Queria acelerar e vai parar?
— Quando se fala em canal a ideia era ter 4 canais no
Youtube, para juntos serem um canal de Internet, 24 horas com
coisas entrando no ar, mas ninguém que me dar espaço.
— Mas sozinho não consegue.
— Sim, mas sozinho eu não consigo.
— E não se preocupa? – Carlos.
— Eu tenho de ter ideias, e parado eu não consigo, estou
inerte sentado a cama, pois me roubaram o equipamento de novo.
— Vou lhe passar as caricaturas, qualquer coisas, sabe onde
me achar.
Estava sentado quando o interfone toca, olho pela janela alta
e apenas destravo o portão, desço com calma a escada e olho Lia
ali.
— Não parece feliz.
— Tenho motivo para estar feliz?
— Seu canal está bombando.
— Não tenho nem sinal de banda larga, pois levaram tudo,
não tenho computador para verificar, não tenho uma cafeteria para
tocar um café, as vezes realmente queria sumir.
Ela chega a minha frente e fala.
— E não vai pedir ajuda?
— Não estava pensando em ir tão longe, isto não me agrada
em nada, e fazer o que, pensa em ter entrevistado Pedro, para o
lançar no streamer, e ele não fica, você ainda vou tentar salvar
parte da entrevista, pois estava pronta e se perdeu.
— Mas parece abatido.
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— O que precisa Lia, eu não tô para conversa hoje.
— Queria ver se estava bem.
— Hoje não tô nem para conversa.
— Se cuida, não sei se viu as noticias?
Eu viro a mão e ela olha em volta, nenhuma TV, nenhum sinal
de internet rápida, nenhum equipamento de filmagem e fala.
— Certo, não lhe deixaram nada nem para saber das coisas,
mas se cuida, tem muita gente querendo seu bem.
— O problema, é que tenho um milhão de pessoas distantes
torcendo por mim, e tem 3 ou 4 perto, querendo me puxar o
tapete, vou ter de enrolar e guardar todos os tapetes.
Ela saiu, eu subi ao quarto, ajeitei a cama, um banho e cama.

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Quando se acorda e tenta não correr
para onde se quer correr, confirmo com a
empregada que iria a outra casa terminar
de limpar, que entregariam moveis e
eletrodomésticos, eu olho os dados e saio a
caminhar, talvez não estivesse com pressa,
eu desço a rua e ao lado do Graciosa Clube,
pego a esquerda, e caminhando chego ao Hugo Lange, sento em
uma panificadora e peço um café, eu olho os dados e mais uma vez,
as coisas estavam fora do normal, pois quando se paga um dólar, a
cada mil visualizações, pode parecer pouco, mas quando se chega a
milhões de visualização, a coisas começa a mudar, e quando o seu
conteúdo, gera visualizações em mais de uma nação, eles ampliam
os recebimentos, e estranho, era como se por um lado, alguém não
quisesse que fosse a frente, por outro, que tudo que criei, estava
gerando retorno, olhando agora, mais de 4 milhões de seguidores,
com os 50 primeiros vídeos, com mais de dois milhões d
visualizações completas, começava a assustar.
Estava a tomar café na Augusto Stresser, e viu um grupo de
adolescentes entrar, estranho, pois uma moça vira para o rapaz e
fala quase que imitando Jaqueline fala.
— Desgruda Zezinho!
Os demais sorriram, e não sei, esta sensação é estranha, criar
uma frase, e ser usada por adolescentes.
Fiquei a observar os jovens e vi que eles estavam usando
frases que sabia qual canal tinha os inspirado, um para tirar sarro do
outro.
O senhor da padaria me olha e fala.
— Se estiverem atrapalhando, peço para falarem mais baixo.
— Deixa as crianças, mas as vezes estranho as frases.
— Esta cidade está maluca, tem gente falando assim com esta
voz estranha o dia inteiro.

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— Custos de ficarmos velhos é ver os jovens inventarem
modas que não entendemos senhor.
Tomei o café, sai dali e fui ao centro, comprei um notebook e
sentei na praça de alimentação do Estação Shopping e fiquei a olhar
as noticias, como o governador não me deu atenção, eu não
retornei as tentativas, então quando o assessor do Governador me
liga apenas disse que teríamos de marcar mais a frente, alguém
havia assaltado o local que produzíamos duas vezes em menos de
uma semana, então estávamos reestruturando, mas para a semana
seguinte, já teríamos alo.
Eu estava ali quando vi Sergio chegar a mesa que eu estava e
falar serio.
— O que tem feito, todos só falam de você.
— Nada, me pararam, mas a maquina demora para parar.
— E como acreditar em você.
— Não precisa acreditar, acabei de desmarcar pela terceira
vez o governador, assim como outras entrevistas.
— Não entendo, afastado, sem fazer nada e não param de
falar de você.
— Acho que não estão falando de mim, e sim de um canal
que deve parar pois ele precisa de muito conteúdo para funcionar.
— Acho que não entendeu João, eles estão falando de você,
Lia achou que iriam correr atrás dela para as entrevistas, mas não
estão fazendo, não entendi porque não estão correndo.
— Nem eu, dois assaltos me fizeram parar.
— E o que via ai no computador?
— Procurando um sitio, velho, vou tocar um sitio na região
metropolitana, e acalmar a alma.
— Vai nos deixar em paz?
— Não passo perto de você, você que vive grudado em mim
Sergio, então não me culpe.
O rapaz sai, eu olho ao longe e vi que outros me olhavam,
subo e vou ao estacionamento, subo por um e desço por outro, e
peço um aplicativo e da rua dos fundos, vou a Piraquara.
Chego ao sitio, e a senhora me fala que estragaram algumas
coisas, até um trator.

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Sorri, eu não sabia dirigir direito, mas olho o terreno ao
fundo, e vou treinar o como funciona o trator, e aro toda a parte do
fundo, que tinha um pequeno arame farpado para a rua ao fundo.
Eu olho o local e depois da terceira passagem, agora com algo
mais fino, a terra parecia boa para plantar, e com calma chego a
entrada, onde haviam entregue mudas e começo as plantar rente
ao fundo, de três em três metros, laranjeiras de 5 tipos, depois
algumas frutíferas, e olho o barracão ao fundo, mas estava no
trator, e a casa estava limpa, eu olho o loca e estranhei aquele
pessoa a entrada.
Pego o trator e faço o arar de mais um trecho e ajeitar, ao
fundo o pessoal começa a demarcar onde ergueriam o muro rente a
calçada do lado oposto do terreno, ao lado da rua, vi que agora
estava mais ajeitado, o arar revirava a terra, que tinha um mato
baixo. Estaciono o trator, as pessoas ainda me olhavam, e desço e
olho o senhor Machado, ao lado dele o editor do jornal.
— Boa tarde, estão perdidos aqui?
— Vai mesmo virar dono de sitio?
— Vamos entrar, ainda nem tem muitos moveis na casa, mas
a geladeira e a cafeteria já entregaram.
Entramos e o senhor Machado fala.
— Deve estar estranhando.
— Sim, uma semana pede para me afastarem antes do
tempo, e agora está a minha porta, bem longe de onde moro, e sei
que poucos sabem onde fica este sitio.
O senhor entrou olhando e fala.
— Não montou nada aqui ainda.
— Estou pensando se vale o esforço.
— Porque pensando?
— Se continuar como está, não vou precisar continuar, eu
queria uma renda, mas as vezes estes dados me assustam, e era
para ser apenas uma distração, não uma escravidão.
— E o que lhe fez pensar em uma escravidão.
— Quando lhe param, e você viu que parado, você ganha
quase o mesmo que em movimento, me mostra que posso fazer
bem mais calmo.

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— E não vai reagir, alguns querem você forçando a porta. – O
senhor Machado.
— Senhor, o que me fez mexer-se foi a possibilidade de
ganhar um dinheiro a mais, um pé de meia a mais.
— E desistiu?
— Não, mas não preciso receber todo mês o que recebi na
ultima semana, para viver bem, então tenho apenas de acalmar a
alma, e fazer lentamente.
— Pelo jeito está ocultando algo.
— Sim, me convidaram a pouco a ir a São Paulo, para
participar de um programa de um canal, e vou usar isto para ver
como eles estão recebendo o meu trabalho.
— E vai apenas passear.
— As mudas de frutífera que plantei aqui, demoram uns 5
anos, para estar em tamanho de dar frutas.
— Sabe que não nos deu alternativa. – Machado.
— Sei que me mandaram embora sem nem se preocupar
senhor, apenas números, entendo.
— E o que tem neste terreno? – Machado.
— Não lhes interessa senhor, não entendo o que vieram fazer
aqui, a última vez que me distraíram, por sinal quem foi conversar
comigo enquanto me assaltavam, foi sua filha, mas nada aqui, tem
nem potencia de gravação, é apenas uma casa de madeira antiga,
dois quartos, esta sala simples e uma cozinha, apenas isto, mas o
que precisam, estava preparando o solo para plantar as mudas
frutíferas que comprei.
— Acha que não paramos espertinhos? – Machado.
— Sei disto, por isto, vou a São Paulo, e se não voltar, não vou
me sentir culpado, uma pena, mas recomeçar, é fácil, quando se
está no começo de tudo, e principalmente neste momento, que
tenho de comprar tudo de novo mesmo, então a minha duvida,
refaço, se refaço, aqui ou em São Paulo.
Os dois saíram e vi que ficou gente na rua, começava a acha
que me daria mal.
A senhora sai, eu olho o barracão ao fundo, pego as caixas
que tudo veio para aquele local e guardo tudo, eu começa a revirar

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minha carteira, nada, abro meu celular e sim, estava sinalizado, eu
sorri da cara de idiota que o espelho ao fundo me refletindo fez.
Eu olho as caixas e olho o celular, começo a sentir medo,
velho com medo, que merda.
Eu olho em volta e no fundo, ao fundo do barracão, eu olho
as caixas de agua vazias, e coloco as coisas ali, caixa a caixa, e
quando vou a casa, eu estava cansado, com a sensação que a vida
estava prestes a correr pelos meus dedos.
Eu deito, estava quieto, ouço os ruídos da minha cabeça, e
com calma no escuro, levanto da cama, e vejo as sombras do lado
de fora, olho os cantos, vou ao banheiro simples, no escuro, não era
uma boa ideia, ando até a peça ao lado, no escuro, sinto a fumaça,
eu olho a fumaça subir rápido, tinham colocado fogo do lado de
fora, e pelo jeito eles foram ao barracão, não tinha nada, mas com
calma, saio pela janela do quarto do fundo, escorro ao chão, e me
arrasto para o mato ao fundo.
Se ouvia gente ao longe, mas quando os vizinhos começaram
a sair, para olhar, se ouviu os tiros para cima, e os carros saem pela
rua ao fundo.
Eu fiquei quieto, a carteira ao bolso, caminho até as caixas
d’agua no fundo dos barracões, coloco os HDs numa mochila e saio
pelo fundo, sem olhar para traz, eu não usaria o celular ali, e o
desligo.
Sento ao fundo e cansado, entro em um motel de beira de
estrada, peço um quarto e descanso.

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Acordo e pego um taxi para o
aeroporto, compro uma passagem para São
Paulo e sem pensar, saio da cidade.
Eu nem vi as noticias, quando chego
em São Paulo, compro um celular, vou a um
hotelzinho de bairro, após me instalar, me
saio para comprar um Autômato de
controle, era próximo do meio dia, quando
começo a repor os vídeos na internet, e apenas confirmo a ida a um
Podcast.
Eu olho o rapaz me recebe surpreso, apenas falo que não
entendi ainda o que estava acontecendo, mas que pelo que via das
noticias, ainda bem que sai da região antes do que pensava sair.
O programa vai ao ar e ficamos trocando ideias sobre os
personagens, sobre os assuntos descontraídos, sobre as formas
rápidas e demoradas de criação, mas que no momento estava
parado, pois eles queriam me parar, e que embora a policia
registrasse os casos, não prendia ninguém, uma hora poderia
aparecer morto, e eles vão dizer que foi um assalto, para não
acreditarem nesta versão.
Eu não queria saber qual o resultado de tudo, mas eu vou a
região que estava com diária paga por 7 dias, e compro uma
câmera, algumas mascaras, uma tela verde, e monto uma sala
improvisada para os personagens, e crio a versão de cada um deles
em São Paulo, marco uma entrevista com o Governador de São
Paulo, e quando ele topa, mostrava que realmente estava muito
além do meu controle aquilo, eu marco com o governador, com um
deputado, com um candidato a presidência, e na noite faço as três
entrevistas.
Depois disto, apenas cama e calma nessa hora.

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Acordo cedo e vou ao restaurante do
local, tomar um café e vi a atendente
perguntar se era João Roger Junior,
estranhei e apenas concordei, ela sorri e
pergunta se poderia tirar uma foto, fico
tenso com a foto, mas concordo, estranho
como ela saiu falando alto, feliz, estranho
isto.
Olho a noticia que tomava a TV no Bom dia Brasil, o incêndio
na casa de João Roger Junior em Piraquara, fundador do Canal O
Espelho, que os vizinhos falaram que um grupo chegou, colocou
fogo e saiu, dando tiros para o alto.
A reportagem destaca que eu não estava na casa, pois tinha
ido a São Paulo para uma entrevista, e que a policia tentava
entender os atentados contra o senhor.
Quando se fala em ir a São Paulo, vi que mais 3 canais
queriam aproveitar que estava na cidade, para me entrevistar, e eu
via como uma publicidade do canal.
Estranho as ideias longe de casa estarem a toda, e com calma
anotei em uma folha os testos dos personagens, estava pensando
em gravar, mas saio dali e vou a um segundo programa, e por fim,
no fim da tarde, mais 3 entrevistas, e volto ao quarto e gravo os
prospectos, eu por telefone contratei o montar de uma nova casa, e
que estaria lá para ver como ficou no próximo domingo.
Eu estava querendo fugir dali, aquela cidade poderia ser mais
agitada, mas não era para mim.
Eu adormeço o segundo dia.

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Terceiro dia em São Paulo, eu
marquei com 3 pessoas pela manha, 4 pela
tarde e 3 pela noite para as entrevistar.
Eu fiz todas as entrevistas, penso que
deveria ter um local para manter o sistema
funcionando, que nem precisava eu passar
perto, mas precisava.
Verifico um sistema antigo, mas que permitia o uso do
sistema que usava sempre, e por numa nuvem, disponibilizando nos
horários programados.
Uma vez feito, colocado na nuvem com uma programação, e
iria ao ar, independente de estar morto.
Não gostava deste pensamento, mas eles tentavam sempre
parar as transmissões, e não parecia fazer sentido.
Naquela noite eu fiz todas as edições dos programas, e
começo a por no ar, era perto das 6 da manha, quando acerto a
conta, e vou ao aeroporto e retorno, mas olho para a calma daquela
manha, não queria problemas, mas era obvio, quando se colocava
entrevistas de pessoas em São Paulo, induzia que lá estava.
Eu me instalo em num motel através de um acordo, e
próximo das 10 da manha eu adormeço, não era duas, estava
acordando e olhando em volta, meio assustado, até a cabeça me
localizar, onde estava.
Eu pego um aplicativo e volto para Piraquara, mas entro no
terreno por onde sai, pelos fundos, vi o pessoal erguendo os muros,
a casa, e olho os materiais, olho o mestre de obra e pergunto se
alguém perguntava se estava por perto, disse para dizer que não me
vira, que passo as ideias por telefone, fui a caixa de agua, e começo
a pega as coisas e montar a região de filmagem e por fim, entregam
o quarto computador em duas semanas, estava ficando chata esta
coisa de comprar e recomprar.
Olho os materiais e começo a criar uma historia, pensando
em uma para cada semana, apenas ficção.
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Eu no meio da tarde vou ao sindicato, acertar meu
afastamento, se não me esperavam ali, problema deles, alguns me
perguntam se estava bem, se sabia quem estava me atacando, não
daria corda nisto.
Acerto que me gerava o dinheiro de anos na conta, e caminho
até o calçadão, as vezes sentia como se alguém tivesse algo contra
mim, e juro, não lembro de ter gerado tanto ódio, mas como dizem,
quem faz esquece, quem sofre não, poderia ser algo neste sentido,
sento ao bar e tomo um chope, e quando deu oito da noite, fui a
entrevista do governador, que parecia interessado em falar que ele
tinha interesse em desvendar quem estava promovendo os ataques.
Eu no fim da entrevista, vou para o Motel, não para casa,
começava a pensar em vender a casa.
Edito a entrevista, reparo nos números, começavam a
acalmar, então talvez tivessem começando a enjoar.
Eu coloco as entrevistas no sistema e com o espelho do teto
me chamando de velho, adormeço.

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Amanheço, vou a sala que tinha
conseguido naquele motel, confirmo com o
proprietário se poderia montar ali um local
de filmagem, peço algumas coisas.
Eu coloco em uma peça que ninguém
nem usava naquele local, paredes verdes,
iluminação, e quando deu 2 da tarde, com a
chegada dos pedidos de câmera e mascaras
eu começo a fazer o que eu achava ser possível, algo chamado O
Espelho Distorcido, era uma versão do mesmo, com as desventuras
das noites da cidade, mas tentando usar uma abordagem
internacional, não apenas local. E se por um lado tínhamos a parte
engraçada, ali eram vídeos de Zezinho escapando da Loira
Fantasma, aprendendo a comer alho, para ir a certas festas na
cidade, para desviar vampiros, evitar certos horários nos cemitérios
para não cruzar com os zumbis, criando naquela tarde, entrando a
noite, chegando a madrugada, um canal de nome Espelho
Distorcido e era 6 e meia da manha do dia seguinte, quando começo
a olhar os vídeos mal dormira, mas começava a por no novo canal,
colocava indicações e recomendações nos dois canais a mais, mas
não assinava a autoria.

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E com o cronograma colocado no sistema, passo a todo os
contatos de publicidade, se tinha uma coisa que aquilo gerava, era o
retorno publicitário.
Estava acabado, mas com os prospetos noturnos financiados,
os prospetos da tarde financiados, os da manha em parte, e os da
noite, começando a entrar interessados, se tinha uma coisa que
consegui com esta perseguição que não entendia, era a sensação de
que a ideia poderia não durar, mas se durasse 6 meses, eu teria
colocado no bolso, mais do que os 40 anos de trabalho.
Isto me motivava, mostrar a mim mesmo que não estava
morto, estava tentando dizer ao espelho que não estava velho.
Era perto das 11 da manha, ainda não havia dormido, e
Durigan entra pela porta e me olha.
— Tem de descansar rapaz.
— Tentando fazer sem mostrar onde estou fazendo.
— Entendi que existe perigo, mas aqui tem segurança.
— Ninguém morre por um emprego senhor.
— Certo, mas estamos com os quartos cheios, em plena
quarta feira, o que mostra o valor da publicidade, foi um teste
inicial, as vezes não funciona, mas com certeza, esta aposta deu
certo.
— Agradeço a confiança.
— Todos falando que deve estar parado, e o rapaz da
recepção me fala que produziu a noite inteira.
— As vezes a ideia, deveria estar pronta a uma semana, e não
foi acabada, pois tive problemas.
— Mas pelo jeito vai reagir.
— Sim, a semana que vem começa com entrevista de dois
governadores, e alguns políticos, para dar outra conotação, e vãos
ver se eles se acalmam.
— Porque acha que estão atacando.
— Porque sou um nada, sozinho, sem parente influente e eles
querem apenas dizer, mandamos.
O senhor pede a conta, faz a transferência das publicidades,
após isto, vou ao sobrado no Bacacheri, ninguém viu a produção,
mas agora tinha duas semanas de gravações, e parecer inerte,
poderia dar outra conotação.
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Chego em casa e vou a cama, era começo da tarde e estava
pregado.
Pior é cair a cama e não conseguir dormir.
Mas descansei o corpo, e não sabia o caminho a tomar, era
hora de tirar uma semana de férias, e me preparar para quando
voltasse, e não era problema me afastar, e esta semana, poderia me
vir a dar mais ideias.
Tinham coisas que precisava de uma semana, tinha coisas que
não teria como acelerar, e tinha coisas que mesmo que me
tirassem, seria apenas o fim de mais um sonho.

162
Há uma semana, sai de férias, agora
descendo de novo no aeroporto, pego um
aplicativo e vou a Piraquara, olho a casa,
pelo menos ela estava inteira, olho o
barracão, ainda pintado e agora com
portas, olho as caixas de agua, e sorrio, as
coisas ainda estavam ali, talvez o estar para
fora, sem pintura, chamando toda atenção, fez ninguém mexer.
Eu olho a casa e vejo que tinha um recado abaixo da casa,
uma arapuca, uma declaração, não sei.
Olho as coisas que entregaram e apenas colocaram na sala, as
vezes ser velho, é deixar para depois, mas para quem havia saído do
sol de Fortaleza, e se depara com caixas, tempo nublado e sem nada
a fazer, estranho aquele dia, deveria estar uns 24 graus, me parecer
frio inicialmente, mas já acostumaria o corpo novamente.
Quando abro a primeira caixa, eram coisas que pedi na China,
sorri, as mascaras de algo que fez sucesso a uns 10 anos, uma serie
Coreana, nem me lembro o nome, termos em Inglês eu não gravo,
nem sei porque.
Eu olho aquelas mascaras e sorrio, hora de deixar de ser
bonzinho.
Será que saberia não ser bom?
As vezes eu temo o caminho, e tudo que preciso, é me
centrar, eu olho os dados que tinha, e começo a editar os vídeos
que fiz, as imagens que filmei, e faço todos os personagens, com
fundo dos pontos turísticos em Fortaleza, preparo metade das
entrevistas, para entrarem a partir da semana seguinte, todas com
celebridades que encontrei em Fortaleza, dando um ar de que
estava longe.
Me olho no espelho, corado, de barba e cabelo agora
pintados de negro, coloco os óculos, olho toda a bagunça, e começo
organizar.

163
Passo mensagem para os patrocinadores, e confirmo que
estávamos todos nos planos e que estaria logo na cidade.
Eu peço a meu primo se poderia me passar as novas musicas
que estava longe.
Recebo elas, e olho as caricaturas transformadas em bonecos
manipuláveis que chegaram e faço um vídeo para cada uma das 12
musicas do Canal João e Maria, fazendo todas os seres, baterista,
guitarrista, vocalista, baixista, o personagem João, o Maria e o
Jaqueline, colocando nos vídeos, as duas outras vozes que não
estavam lá, era perto das 6 da tarde, quando coloco no sistema o
entrar das musicas.
Me visto e saio, indo ao Bacacheri, sento no Costelão
Bacacheri e com calma como naquele inicio de noite.
Olho as noticias no celular, e olho para as pessoas do local, o
vizinho de sobrado, passa por mim como se não me conhecesse, um
bom sinal.
Com calma tento me situar, não saberia se voltaria para casa,
mas estava a fim de jogar com as pessoas. Mas velhos são péssimos
jogadores.
Eu começo a fazer as anotações, e os números daquele canal,
começavam a ficar gigantes, o surgir de cortes sobre meus canal, a
cada dia, fazia o próprio Youtube me dar visualizações e indicações,
pois gerava mais gente trabalhando na plataforma.
Juro que se soubesse que poderia ganhar isto na internet, não
teria esperado tanto tempo para começar, alguns falam que o boom
dela foi a 10 anos atrás, sinal que estes deveriam estar bem melhor
do que aparentam.
Eu as vezes tentava me desligar desta cidade, mas tudo me
trazia de volta para cá, então o jantar e sair a caminhar as ruas que
cresci, parecia algo normal para mim, mesmo velho, quando
caminho as ruas do Hugo Lange, me sinto a criança que correu por
estas ruas, nem todas asfaltadas na época, casas mais simples, de
pessoas a rua, hoje eram sistemas de segurança lhe vigiando,
seguranças olhando atravessado, gente na rua, somente nas ruas
principais, e poucas, a maioria com vestes que lembravam
empregados, não patrões. Eu olho o caminho e paro na rua Schiller,

164
quantas lembranças boas, um local que era usado pelos jovens,
hoje, é apenas uma área de lazer, sem as pessoas.
Verdade, o país esta envelhecendo, os bairros mais antigos,
virando empresas, e eu sento a praça e olho em volta, as vezes o
caminho nos indicava caminhos, as vezes, mostrava que eu não
servia para a paz, aquilo ali, era o que muitos desejavam no fim de
suas vidas, mas não no fim da minha vida, lembro da minha imagem
no espelho, posso me olhar no celular, e o que o celular mostrava
era a casca, não o interno.
Mas não confundam, eu não sou de grandes rompantes de
grande atividade, de aventuras impossíveis, eu apenas não gosto
nem do muito agitado, e não suporto, o parado.
Eu estava olhando em volta e o telefone toca, estranho, mas
é que por uma semana ele esteve desligado e sem carga.
— Boa Noite, quem? – Falo como se não soubesse.
— Me esqueceu João.
— Acho que não entendi nada do que esta acontecendo, mas
precisando de algo?
— Você longe e tudo continua a funcionar, não sei o que meu
pai andou aprontando, pois ele e Sergio foram chamados a depor e
não me falaram sobre o que aconteceu, e você distante, acho que
quando se quebra a casca, não se volta a ela. – Lia.
— Não entendi. – Não tinha entendido mesmo.
— Você me falou que todos tiravam sarro de mim pelas
costas, eu duvidei na hora, mas hoje é claro isto para mim.
— Só não entendo você me ligando.
— Só hoje atendeu.
Fiquei quieto e ouvi algo que eu duvidava, poderia ser apenas
mais uma arapuca.
— Eu tendo negar João, que me deixei enredar, mas não vai
me ouvir falar disto muito.
— Porque não?
— Você parece um burro de carga, não é como os demais que
ficam me fazendo as vontades.
Pensei antes de falar.
— Se quer um funcionário, contrata Lia.
— Não me entende.
165
Sorri por dentro e falo.
— Está fazendo o que agora Lia?
— Vai dizer que está por perto?
— Acho que vocês não me entendem, lembra de como fazia
as imagens?
— Sim, fundo de tela.
Ela sorri e fala.
— Mas eles não conseguem o mesmo efeito.
— Eles sabem fazer, eu não, para lhe explicar o que meu erro
acertou Lia.
— Mas está perto?
— Perguntei o que estava fazendo, não respondeu.
— Nada, pensando em o que fazer hoje a noite.
— Já jantei, então teria de ser algo que não fosse passar pelo
estomago. – Falei.
— E onde lhe encontro?
— Não entendo esta sua posição Lia...
— Não vem com este papo de que é velho, não cola...
— Sai pelo portão, caminhamos até a avenida. – Falei.
Ela pareceu parar de falar, não sei o que ela fez, mas ela surge
na janela de casa, e olha para mim.
— Mas onde esta?
— Onde os olhos veem pela janela e não acreditam ser.
— Mas...
— Estamos perdendo tempo Lia.
Ela olha para alguém dentro, não sei o que ela fez, mas sai
pela porta depois de um tempo, ela deveria sair sempre de carro,
não a pé, me olha e caminha parecendo querer acreditar que era eu
e falo.
— Viu como estava longe?
Ela sorri e me encara, me mede e fala.
— Mudou de visual.
Estico a mão e caminhamos até a Itupava a frente, sentamos
no Porks e ela fala.
— E todos achando que está longe.
— Estou longe, longe dos olhos.
— E hoje está por perto?
166
— Eu estava pensando em ir a Florianópolis e passar mais
uma semana lá.
— Tem abandonado alguns personagens.
— Sim, não era para eu fazer todos, sabe disto.
— E nem parou para conversar.
— Vocês me colocaram para correr, estranho quando se
coloca para correr, a pessoa corre e continuam a seguindo.
— E resolveu se esconder?
— Estava pensando se batia a porta, mas seu pai poderia
atender.
— Certo, estava ali, mas não ia ligar?
— Pensando se valia o esforço.
— E vamos fazer o que?
— Não sei, pegar um avião para longe.
— To falando serio João.
— Eu também, preciso de mais uma semana, para acalmar a
alma, uma semana em Fortaleza não ajudou, uns dias em São Paulo,
não adiantou.
— E porque quer acalmar?
— Porque eu estava a cama quando eles colocaram fogo na
casa, sai pela janela, tossindo, mas como a fumaça de casa velha era
grande, não me viram se arrastar para o fundo do terreno, então se
me querem morto, como acalmar Lia?
— E quem fez isto?
— Com certeza ninguém, são todos senhores de família e
com reputação Ilibada, então estou tentando achar onde vou viver.
— E pensando em se esconder em uma chácara.
— Não, em algum lugar caro, que nem seu pai tenha dinheiro
para ir.
— Se esconder onde o dinheiro lhe permite.
— Queria paz, mas não sei viver em paz, olhava em volta e
um bairro assim, morto, sem gente a rua, com ruas preservadas e
cuidadas, sem gente, não é meu lugar.
— E pretende ir a Florianópolis.
— Vim lhe convidar a ir junto, mas sei que tens
compromissos.
— Estava ali pensando em me convidar a fugir com você?
167
— Sair passear.
— E o que preciso para isto, pois tenho de me arrumar.
— Descabelada é mais linda do que eu, e todo o resto, pode
se comprar no caminho.
Ela sorri e fala.
— Se iríamos quando?
— As 7 da manha.
— Mas...
— Eu vou beber até lá, você que escolhe.
— Sempre mandando.
— Convidando, pode dizer não.
— E porque quer sair rápido?
— Porque amanha todos vão falar do João e Maria, e é bom
não estar perto.
— Não para mesmo?
— Lia, meu salario não era ruim no Jornal, anos para chegar a
ele, mas me gerava perto de 286 mil reais ano, cada um dos canais,
está me gerando 200 mil dólares por semana, porque tenho de
desistir?
Ela me olha e fala.
— E queria me ajudar a chegar a isto.
— Você, se aliou a Sergio, me tirou Pedro, e me colocaram
para correr, então quando lhe convido a fugir, é algo irracional, mas
como falou, não vamos falar disto, não é?
Ela desvia para a porta a visão, depois me segura as mãos
sobre a mesa e fala.
— As vezes as pessoas acham que os demais, tem de se
manter na parte social que nasceram.
— Seu pai nasceu pobre, veio do interior, seu avo construiu o
que ele tem, mas seu avô fez isto quando já tinha 40 anos, seu pai já
tinha 10 quando mudou de vida, então esta parte, é apenas discurso
Lia.
— Acha que eles param?
— Se não pararem, eu me mudo para Orlando, compro uma
casa, e faço de lá, eu não preciso de mais de 50 mil dólares para
conseguir sobreviver lá, sou sozinho.
— E por sua segurança, faria.
168
— Sim, pois aqui sou conhecido, lá, não, apenas um brasileiro
a mais que comprou uma casinha lá.
— E pelo jeito não gosta desta ideia.
— Meu inglês é péssimo.
Ela sorri e fala.
— Tem gente olhando nós na mesa. – Lia.
— Eu não vivo para os outros Lia.
— Certo, gente da repartição, mas não sei se lhe
reconheceram.
— Fui mandado embora, ninguém nem me mandou um boa
sorte, um se cuida, então não vou sofrer por eles, que deveriam
estar migrando para o Streamer e estão esperando o barco afundar.
— E pelo jeito não quer ficar a mão.
— Estou colocando os dois imóveis que tenho na cidade a
venda, o sobrado e uma chácara que nem usei direito, mas não
gosto de lugares que me lembram que sou mortal.
— E vai fazer seu canal como?
— Não entendeu?
— Sua posição não.
— Eu recebia a cada ano, trabalhando para seu pai e os sócios
dele, algo que para a sociedade a volta, é um bom salario, hoje,
ganho por mês, digamos que nas ultimas 3 semanas, salario de 15
anos trabalhando para seu pai, e foram apenas 3 semanas.
— Mas isto não dura para sempre.
— Tentei comprar um sitio no local, colocaram fogo com eu lá
dentro, não sei quem foi Lia, mas mortos não gastam, então minha
posição é manter-se vivo.
— Não quero fugir João.
— Sei disto, mas as vezes, é bom ouvir um não uma segunda
vez, para ter certeza que não ficou nada para traz.
— Não vai insistir?
— Não, sabe disto.
— E vai beber apenas?
— Seus amigos devem estar chegando ai.
Ela me olha estranho, mas eu vi eles pelo vidro ao fundo, já
que a noite do lado de fora, tornava eles em parte espelhos para se
localizar.
169
— Perdida por aqui Lia? – Uma moça.
— Sim, viemos tomar uma cerveja.
— Amigo novo?
A olho, ela não pareceu me reconhecer, mas o rapaz ao lado
fala me encarando.
— Ouvi que estava em Fortaleza. – O rapaz esticando a mão,
apertei e apenas falei.
— Vim tomar uma cerveja, estou vendendo minhas coisas na
cidade, e amanha me instalo em Florianópolis.
— Dizem que enriqueceu.
— Não tive tempo ainda para isto.
— Estão juntos? – A moça que não sabia o nome.
— Não, ela me deu o fora. – Falei sorrindo, Lia olha
atravessado e a moça sorriu.
— Mas falávamos do que? – Lia.
— Lhe convidava para ir a Florianópolis e falou que não iria.
— E vai estar onde lá?
— Ainda penas um hotel, depois providencio algo melhor,
com calma, não quero comprar algo inflacionado pela pressa, ainda
sou pobre.
— E vai pela manha mesmo?
— Sim, e como falei, amanha é dia de por todos em
polvorosa, então estar longe é sempre melhor.
Deu duas da manha, me despedi e sai, tinha certeza interna
que seria assim, mas não quer dize que queria que fosse, velho
também sente, e as vezes, todos os jovens, olham eles e falam que
não pode ser verdadeiro, pois somos velhos, como se isto fosse
quase contagioso. E é cômica esta frase, pois velhice pode não ser
contagiosa, mas é inevitável.
Vou a um hotel na região do aeroporto e me instalo, peço
para me acordarem sedo, e seis horas, estava levantando, pegando
o pouco que tinha e fui ao aeroporto.

170
Quando se fala deste dia, não sei,
algo que não deveria acontecer, e que não
sei ainda o que aconteceu, mas eu estava
na fila de embarque, todos ouvem aquele
barulho e sinto o calor me atravessar, olho
para trás e olho aqueles olhos me olhando,
juro que não entendi, mas senti o corpo
sentido a bala e caindo, bati a cabeça na região do balcão e não sei,
desacordei.
Acordo olhando uma luz, sabia estar vivo, pois doía tudo, não
sabia onde estava, mas a dor estava grande, resmungo e alguém
algo que mal ouvi, pois parecia muito distante.
— Ele está saindo da anestesia senhor.
— Amarra forte, não temos como parar agora.
A dor foi insuportável, mas estavam tirando algo, e o misto de
dor, a sensação de ser cortado, ardido, coceira foi estranha, quando
o senhor fechou, o anestesista volta a me aplicar algo, leve, e sinto a
dor ir diminuído, assim como a consciência.
As vezes tentamos entender o que está acontecendo, mas ela
estar ali, armada, e atirar em mim, não parecia fazer sentido, não
mesmo, não entendo, e por mais que tentasse, não parecia se
encaixar, fugi do perigo e acabei dentro dele.
Os pensamentos de um monte de coisas, pareciam perder o
sentido, se antes tinha motivos, agora não tinha, e o velho, agora
seria um velho que levou um tiro, não mais apenas um velho.

171
Acordar na UTI, tentar olhar para o
lado e não ver nada, tentar me mexer,
preso a cama, um enfermeiro me olha e
fala algumas coisas, que concordo com a
cabeça.
Um médico olha todos os meus
dados, mas mantiveram eu ali, por 15 dias,
tudo que preparei, deveria estar fora do ar, tudo que pensei, parado
e perdendo o tempo, estas coisas tem momento, não se faz após.
Eu depois de 15 dias fui transferido para um quarto, e quando
no quarto dia ali, me deparo com meu primo entrando pela porta,
pensei que ninguém iria aparecer.
— Está melhor primo? – Luciano.
— Sim, não entendi nada ainda.
— Aquela Lia foi presa em flagrante no dia, ela não falou nada
após ver você cair, ela parecia querer lhe matar.
— Também não entendi, pensei que ela não fosse o
problema.
— E está como?
— Vivo, sem saber o que foi feito de todo meu esforço, pois
baleado, depois do decimo quinto dia, tudo parou.
— Sim, mas ninguém entendeu o que está acontecendo, e se
todos achavam que o problema é um, pareceu algo diferente.
Não sabia o que falar e perguntei.
— Mas como estão as coisas?
— Quando o canal Oficial parou de ter novidade, o sistema
tendo a introdução, e a musica, não sei se por defeito ou por ser o a
repetição real, está reprisando cada evento, mas isto apenas coloca
mais gente olhando aquela ideia, e aquelas animações, garantiram
alguns contratos novos para a banda.
— Alguém tem de se dar bem.
— E pelo jeito agora já pode falar, vim dois dias, estava
dormindo.
172
— Eu perdi toda noção de tempo aqui dentro.
— Se recupera, pois tem coisa que ninguém entendeu.
— Espero ter entendido errado.
— Acha que tem um motivo?
— Quando você quebra a casca de proteção de alguém, e não
se vende a esta pessoa, as vezes, gera problema.
— Quem manda querer ficar com a princesa.
— O sapo sempre quer a princesa. – Falei.
Foram mais 15 dias ali, quando sai, entendi que poucos
tiveram acesso, talvez a policia me dando escolta, me explicasse
mais do que o normal.
Chego a casa no Bacacheri, e vejo repórter, gente a rua e olho
meu primo e pergunto.
— Me explique?
— Todos viram que você estava sendo atacado, mas se sua
morte era esperava não sei, ela deu apenas um tiro.
— Ela estava com uma lagrima no rosto, estanho alguém
chorando por dentro lhe querer matar, mas isto não explica este
pessoal a entrada.
— Todos querem sua declaração, se antes, você entrevistava,
eles querem suas palavras, suas entrevistas dadas a outros, gerou
para os que o fizeram, muitas visualizações nos últimos dias.
— Mas...
— Sei que não entendeu, não sei para onde queria ir, mas
acho que daqui a um hospital é mais fácil.
Tento não falar com ninguém, o tumultuo na rua, juro, velho
não serve para virar a peça principal de nada.
Me olho no espelho, na entrada do sobrado, e apenas tento
me achar naquele senhor, estava mais magro, se estava corado
quando voltei, agora estava branco, barba mal feita, cabelo cortado,
como se tivessem passado uma maquina nele, nem sei porque.
A casa estava arrumada, chego a sala e sento.
Olho em volta e Luciano fala.
— Tem de se cuidar, e sei que não está entendendo nada, se
atualiza e nos falamos amanha.
— Se estiver vivo, nos falamos.
— Menos primo, menos.
173
Ligo a TV e vi a reportagem sobre a volta para casa depois de
42 dias, do criador do Canal O Espelho, que sofrera um tiro a
queima roupa de Lia Machado, repórter, com quem João tinha esta
parceria que criara o Canal.
Eu olho os números do canal e parece que estou ainda em
alta e não entendo, não teria como criar conteúdo no estado que
estava, parecia que nada seria mais como era, eu mecho a mão
esquerda, e ela estava tremula, foi o braço que levou o tiro.
Eu olho o espelho, e este senhor, não era eu, pego o protetor
na forma de esparadrapo, coloco no local do tiro, e vou a um banho,
demorado, para tirar direito todo o cheiro do hospital.
Eu olhava pela janela e tinha policia a frente, não estava
entendendo, juro que não estava entendendo, pois não fui eu que
pedi para sair, eles me colocaram para fora, talvez fosse a minha
sinceridade no encarar a verdade, não sei, não fazia sentido, muito
menos aquela lagrima nos olhos me olhando, o tiro foi pelas costas,
vi ela apenas quando me viro ao som, sentindo a dor.
Chego ao quarto e olho que se colocasse João O Espelho,
tinham milhares de vídeos sobre o assunto.
Olho os números, assustadores, como o povo gostava de uma
tragédia, muitas mensagens que pareciam sinceras nos
comentários, desejando melhoras.
Abro o e-mail e os números do Youtube estavam
assustadores, mas tinha um texto em inglês, que tive de traduzir,
que falava que trapaceara com o aplicativo, pois mesmo baleado,
estava com entradas no canal, o que era uma mecanização do
sistema que não gostariam, que teriam de desmonetizar a partir do
momento que começaram a repetir os vídeos.
Meu inglês não era dos melhores, então eu apenas respondi
nada educado, dizendo que estava saindo do hospital hoje, e que se
era esta forma de tratar pessoas internadas, as dando motivos para
desistir, que a pessoa que escreveu aquilo, deveria pedir a conta,
pois animal, que não respeita nem os atingidos a bala,
covardemente pelas costa, não deveriam representar uma
plataforma daquelas.
Eu sou velho, sai que eles deveriam estar revoltados, pois o
que não se falava, é que nos 15 dias após meu balear, com eu
174
inconsciente, no hospital, tive diariamente, mais de 80 milhões de
visualizações, então em quinze dias, eles tiveram depósitos que
somaram mais de um milhão e duzentos mil dólares na minha
conta, e eles pagaram bem abaixo da media, então inventaram um
motivo.
Eu não sou de ficar quieto, mas não queria morrer, e talvez
sair daquilo fosse o melhor.
Vou dormir, tentando não pensar, mas estava difícil.

175
Quando acordo, tem um e-mail do
representante me desfilhando do Youtube,
pois quebrara as regras do acordo.
Eu apenas olho para os demais e não
respondo, tinha apenas um canal aberto
ainda, que nem devem ter notado, mas
não iria reagir, iria deixar a poeira baixar.
Quando o telefone toca, e não sabia
quem era, mas o rapaz fala do outro lado.
— Senhor João Roger Junior?
— Sim, quem?
— Igor 3K, teríamos como conversar.
— Sim, no que posso ajudar senhor.
— Não entendi, o Youtube tirou todos seus vídeos no dia
seguinte a sair do hospital.
— Quando eles não querem nos dar voz, eles nos tiram as
pernas.
— Não entendi. – Igor no telefone.
— Eles me pagaram por 15 dias dos últimos 42 dias de
visualizações, afirmam que feri o contrato, e como não sou de ficar
quieto, quando pedi satisfação no meu primeiro dia fora, eles me
desfilharam, isto tira todos meus canais do ar, ao mesmo tempo.
— E quer falar sobre isto em algum lugar?
— Eles não querem ouvir Igor, um velho, que passou o
sistema deles para trás, eles odeiam isto.
— E vai apenas aceitar.
— Tenho de estar bem para entrar numa guerra.
— Estou deixando as portas abertas senhor João, para por
sua versão das coisas.
— Agradeço, mas é hora de deixar a poeira baixar, e quando a
levantar de novo, não sei a merda que vai dar.
Eu desliguei e olhei o e-mail do Youtube e apenas respondi
com uma gargalhada gravada, e não sei o que o rapaz achou, mas
ficou bem obvio, eu era maluco.
176
Pensa em você dormir pensando em fazer conteúdo, acordar
pensando em recomeçar a vida.
Recomeçar não, terminar a vida, já não tinha idade para
começar nada muito trabalhoso.
Eu tinha um problema, e este estava em ter patrocínios que
não teria mais, ainda bem que a mais de 30 dias não os recebia.
Eu estava sentado a olhar a parede quando o interfone toca e
vi Luciano e Carlos entrarem.
— O que aconteceu? – Luciano.
— Estavam esperando eu sair do hospital para desfilhar o
canal por ter quebrado regras internas da empresa.
— E o que fez de irregular? – Carlos.
— Eu não entendo inglês Carlos, a ponto de ler aquele
contrato e saber o que está lá escrito, mas algo sobre ter usado
meio eletrônico automático, para alimentar meu canal.
— E vai recorrer?
— Eles não me desmonetizaram, eles me desfilharam.
— E pelo jeito esta pensando.
— Sim, esperando que alguém pense, mas pode ser que não
pensem.
— Por quê?
— Porque eles teriam de pagar o tempo que desmonetizaram
antes de me desfilhar.
— E porque acha que eles tem interesse nisto.
— Para eles, trocado, para mim, mais de dois milhões de
dólares.
— Acha que eles pensam melhor?
— Não, para fazer parte da plataforma, basicamente
aceitamos todas as regras deles, lembro disto como ontem, quer
desmobilizar alguém, o prende a uma organização.
— Todos estão se perguntando sobre o canal, não sei o que
falar.
— Também não, eu vou esperar, tenho certeza que se alguém
pensar, eles me passam uma forma de voltar, se não pensarem,
paciência, é apenas uma de tantas empresas, que com o tempo
deixará de existir, pois não ouve o meio em que foi criada.
— E o que podemos fazer. – Luciano.
177
Eu acesso o computador, e baixo os vídeos que havia feito e
falo.
— Põem no site da banda.
— Tinha backup de tudo?
— Se não confio no vizinho, iria confiar em uma empresa do
outro lado da América?
Luciano sorri e fala.
— E vai escrever mais coisas para musicar?
— Eu tenho de me recuperar primo.
Os dois saíram e tomei o remédio, me deu sono e adormeci.

178
Eu fiquei mais duas semanas no
molho, quando um e-mail vindo do Youtube
referente a revogação da desfiliação, se me
comprometesse a não mecanizar o sistema,
eu não respondi, talvez o me tocar que era
apenas uma plataforma.
Eu com calma, estava colocando na
minha pagina, de O Espelho, os vídeos, nas sequencias que eram
feitas, não dava a mesma repercussão, não me gerava dinheiro isto,
apena trabalho, mas sentia-se meio desmotivado, o que me
motivava era mostrar meu valor, eles viram e alguém chega a me
dar um tiro.
A policia já não estava mais na entrada, o que para mim era
bom a nível de liberdade, mas me dava a sensação de que entrariam
no local e terminariam de me matar.
As semanas foram passando e fazia dois meses da minha
desfiliação e um rapaz toca a campainha e pede para falar comigo.
Estranhei, mas as vezes vinha alguém querendo saber o que
faria, e não sabia, mas com o tempo, até estas pessoas estavam
escasseando.
O senhor se apresentou e falou ser do Youtube, e queriam a
minha posição sobre porque não voltou quando permitido, se teria
algo que o faria voltar.
Acho que o rapaz não sabia de nada, então tentei não
ofender, mas acho que as pessoas não estão preparados, nunca,
para a sinceridade.
— Não estou ganhando nada fora, mas se quando alguém cria
um canal, que gera ao Youtube, muito dinheiro, pois eles não me
pagariam em um mês, três milhões de dólares se não tivessem
ganhando dinheiro, em um canal que criava conteúdo, e
simplesmente desmonetizam enquanto estou no hospital, numa
UTI, apenas para um Norte Americano dizer, estes indiozinhos tem
de fazer o que queremos, isto me desmotiva rapaz, e obvio, quando
179
alguém faz isto e não ficamos quietos, a mesma pessoa que manda
você vir aqui, vai mandar você me desfilhar, então não vejo motivos
de estarmos conversando.
— Mas afirmam que o senhor...
— Eu estava internado, se um sistema dá erro e você não está
a frente dele, eles entendem mais disto que eu, mas sabem como
funciona, não me venham com papo, cobraram patrocínio e
receberam eles por mais de 30 dias, sem me pagar um centavo. E
por ultimo, aquela regra, fala em direito a defesa, se eles não
respeitam o que escrevem, como posso confiar minhas criações a
estes senhores?
— Mas...
— Não tenho paciência para recomeçar do zero, e como um
canal novo, seria o que aconteceria, então, não sei, talvez um dia,
mas não tenho vontade de voltar.
O rapaz saiu, e não sei o que ele iria escrever, mas eu as vezes
queria alguém me provando que estava errado, ou talvez se eu
tivesse morrido, estivesse ainda no ar as coisas, pois eles não teriam
de pagar ninguém.
Deu 5 meses da minha saída do hospital e olho para os
recursos, e penso no que faria, eu ainda estava apenas vegetando, e
vi o rapaz novamente a entrada, não entendi o que ele queria, mas
veio com um senhor ao lado, não sabia quem era, mas já estava de
saco cheio, e talvez por os dois para correr, apenas fosse a diversão
do dia.
— Bom dia senhor João.
— Bom?
— Este é Jonathan Filt, do escritório de São Paulo, do
Youtube.
Estiquei a mão e o senhor me olha aos olhos, talvez ele
esperasse alguém novo, fácil de conversar, e fala em um português
arrastado.
— Desculpa a intromissão, mas me pediram para resolver o
problema de pessoas saindo do Youtube, e alguns estão dizendo
que não estamos entendendo vocês e me mandaram de San Bruno
na Califórnia tentar entender, e o senhor Maycon me indicou o
senhor para entender, juro que esperava alguém mais jovem.
180
— Não entendo o que fazem aqui, apenas isto.
— Me falaram que você tinha um canal e foi desmonetizado e
caiu fora, e queria entender o que aconteceu.
— Senhor, se não sabe o que aconteceu, não tem o que fazer,
se sabe, está mentindo, então porque perder tempo com você?
— Porque parece tão agressivo.
— Certo, pensa em você, pessoa física, criar um canal, colocar
lá conteúdo a partir do seu computador pessoal, pois eu trabalhava,
e não queria perder tempo colocando na hora exata, apenas
programei para colocar o vídeo, na hora exata que foi determinado,
por 39 dias, que foi o tempo entre o fundar e o levar um tiro, que
quase me matou, meu conteúdo sai de um seguidor, para 7 milhões
e trezentos mil seguidores, mas porque levei um tiro e não desativei
minha secretaria eletrônica, que controla a casa, ela quando deu os
15 dias, eu ainda na UTI, ela recomeça os vídeos, então vim a saber
que vocês me desmonetizaram todos os vídeos, por este motivo,
covardes, que nem respeitam o contrato que nos fazem assinar,
pois isto é motivo maior, e mesmo que não fosse, teria direito a
defesa, mas quando indago sobre isto, no dia que saio do hospital,
vocês apenas me mandam um e-mail me desfilhando, eu sai pois
pensei que tratava com uma empresa seria, e não um bando de
crianças, se os demais estão saindo, não sei, eu sai por este motivo,
e você sabe disto, ou se não sabe, não lhe deram acesso, então é
apenas palavras ao vento.
Olhei o senhor e ele me olha.
— Mas então estava na fase de experimentação, sabe que
nesta fase podem lhe desfilhar a qualquer momento.
— Entendi isto, sem motivo, sem porquês, e pior, ainda
mandam alguém me encher o saco, para voltar, não tenho motivo
para voltar para um sistema que não respeita quem gera o dinheiro
que eles arrotam ter.
— Mas...
— Passar bem senhor, se veio me convencer que estou
errado, para que veio?
Levantei e chego a porta, o senhor sai, e não tinha o que
fazer, estava irritado.

181
Vi os dois saírem, não sei o que falaram, mas não estava
querendo voltar ao que era, entendi que não me chamariam de
volta, e teria de achar uma forma de gerar atenção e recursos.
Eu olho minha pagina na Internet, estava lá todo o conteúdo,
mas não tinha quase nada de acesso ou visualização, e não tinha um
meio de usar o que havia criado.
Eu pela primeira vez me sinto irritado de verdade, talvez a
certeza que não teria volta, me irritava muito.

182
Fazia um ano que estava vivendo dos
recursos, pensa em alguém que queria ir
aos Estados Unidos, parado em casa,
dinheiro na conta, contatos detonados,
toda uma ideia jogada no lixo.
Eu estava prestes a sai, quando vi
aquele rapaz de novo a porta, mas não
sabia o que eu queria.
— Boa tarde senhor João, sei que não tivemos um começo
bom, mas pelo jeito quando achei que eles entenderiam,
terminaram de isolar as informações.
— O que precisa rapaz?
— Sei que não entende minha posição senhor João, mas eu
queria a volta do canal, mas parece que alguém não quer isto, e
pesou bastante o que falou ao senhor, ele ficou irritado.
— Como digo, quando me tratam como inferior, eu não baixo
a guarda, eu tinha um projeto, com parceiros, com publicidade, com
investimentos, com estrutura própria para fazer por um ano, estou
a um ano parado, um ano tendo de dar desculpas a pessoas que
acreditaram na ideia, mas porque eu levei um tiro, o Youtube me
tirou do ar, sem explicação, eles vão dizer, que estava em faze de
avaliação, e nem chego a perguntar quem avalia os canais, pois
alguém com likes e comentários positivos em português em 6
nações, era algo a eles pensarem, numa noite estava eu, saído do
hospital, lendo as mensagens me desejando melhoras, na manha
seguinte, não tenho nem o canal, e eles querem se dizer humanos?
— Fala com raiva as vezes.
— Garanto que se fosse um norte americano, eles não fariam
isto, pois a justiça lá funciona, mas um indiozinho no Brasil, porque
não ferrar né.
— Não entendo eles, mandam reconsiderar, mas sem ceder
nada, e pelo jeito não quer isto.

183
— Pensa em alguém, de 60 anos, eu, fazer novamente um
canal e quando chegar aos 45 dias, eles apenas cancelarem, porque
não querem aquilo.
— Não quer passar por isto de novo.
— Levei um tiro porque aquilo deu certo.
— E ninguém resolveu o caso ainda.
— Os juízes da cidade, são todos da roda de amigos do pai da
moça, acha que vai dar em alguma coisa? – Falei.
— E não colocou a boca no mundo porque?
— Se eles querem não me dar voz, eles podem prejudicar
mais alguém, e não vi os grandes se mexerem para influenciar pela
minha volta, eles sabem o que assinaram e com um canal novo, eles
sabem bem porque seria uma causa perdida.
— E não quer voltar mesmo?
— Teria algo real, pois começar do zero não tenho paciência.
— Um canal de conteúdo próprio, da cidade.
— Não entendi.
— Senhor, hora de forçar os que ainda usam imagens geradas
por eles, com parte de seus vídeos, virar passado.
— Sei que fui grosso, mas não sei se devo voltar.
— Eles se irritaram com pessoas perguntando como você fez
para colocar vídeos, mesmo em coma.
— Eles querem o que, que fique na frente do computador
inserindo vídeos, tenho de criar conteúdo rapaz.
— Mas 15 dias de conteúdo deixou muitos que se dizem
expertises nisto, sem entender.
— As vezes duvido das minhas ideias.
— E o que faria se fosse recomeçar.
— Todos os vídeos, eram referente há um ano atrás, teria de
começar tudo de novo.
— E teria interesse?
— Tô entrando na arapuca, espero que não queiram me
fechar nela.
— Sempre desconfiado.
— Sim, mas não entendi a sua ideia. Pegamos o carro e
vamos conversando enquanto vamos a algum lugar.
— Não entendi.
184
— Pelo menos este ano me serviu para tirar minha carteira de
motorista, devolvi o primeiro carro, mas o segundo, ainda está
parado.
— Não entendi.
— Está de carro?
— Sim.
— Me dá uma carona e me explica sua ideia.
— Pelo jeito queria uma forma, mas não conseguiu pensar
em uma para voltar.
— Sou velho, acho que o senhor veio falar com um jovem e se
depara com um velho, que faz algo que eles devem forçar você a
tentar de tempos em tempos.
— Porque acha que eles o fazem?
— Dizem que para casa centavo que eles pagam, eles ganham
quantos?
— 10!
— Pensa que eles me pagaram por 54 dias mais de 3 milhões
de dólares.
O rapaz para, me olha e fala.
— Está dizendo que eles arrecadaram apenas com você, mais
de 30 milhões de dólares.
— Os dados que não me faziam e não fazem sentido, eu
chego a 7,3 milhões de seguidores, todos em países de língua
portuguesa, mais de 5 milhões em outras nações, mas a maioria nos
de língua portuguesa, não na minha nação, estava ainda crescendo
no Brasil, então sei que eles faturavam muito, pois não estamos
falando de Brasil, e sim Portugal e Macau.
— E nem pensaram.
— Deveria ter ficado quieto, não ter lido o e-mail, e teriam
revogado e teria voltado, mas você fica internado, e está querendo
voltar e ouve merda, acaba falando demais.
Fomos a Piraquara, e o rapaz olha o barracão e os pontos
montados, e aquela van, quando eu abro a porta dos fundos, ele
olha o local para entrevista, montado na van, pronta para uso, mas
ainda com os plásticos.
— Queria começar a fazer algo mais elaborado.
— Eu queria quem me deu o tiro, em destaque aqui.
185
— E ela pelo jeito não entendeu.
— Não sei o que ela pensou.
Entramos e mostrei os locais de filmagem, e os pontos de
criação, as mascaras, as câmeras, tudo montado, mas tudo parado.
— Esta dizendo que está parado, pois não tem onde publicar.
— Em parte sim, e não pretendo sair correndo atrás de quem
não me quer mais.
— E teria como fazer algo?
— Não sei qual a ideia que tem, pois o meu problema, é que
eu criei três canais, dois eles desfilharam e um, eu não coloco nada
a mais de um ano.
— Porque não?
— Porque ele me gera recursos, e quando voltar a fazer, não
quero eles o cancelando.
— E porque criou ele?
— Espelho Distorcido, era o canal numero 3, que estava
apenas com uma semana de conteúdo, quando levei o tiro.
— E não quer perder este?
— Se olhar meu site, eu uso os vídeos de lá, mas como não
tinha ainda colocado como parte do que criara, ninguém teve como
afirmar, mesmo os personagens em parte sendo os mesmos, e os
métodos os mesmos.
— E deixou um canal abandonado?
— Sempre digo, eu não fazia para ganhar dinheiro, mas não
era para levar um tiro.
— E este local?
— Um ano de poeira ao chão. Mas qual a ideia, pois todos me
odeiam, pois eu crio neste local, sozinho, conteúdos curtos de 15
minutos, que ocupavam 3 grades de canal.
— Entendo que um anexo, não vai lhe fazer por algo aqui,
mas não entendi, todos falaram que você tinha desmontado.
— Eu desmontei, duas vezes, a casa do fundo, não era nova,
eu estava dormindo ao quarto quando chegaram e colocaram fogo
na casa.
— E ninguém deu apoio?

186
— O apoio é apenas politica, quando sai do hospital todos
queriam estar na foto, um ano após, se me derem um tiro, ninguém
vai ver de volta.
— Sabe que todos da cidade, que não conhecem sua historia,
tem uma visão diferente de você.
— Este é outro problema, eu não sei como eles me enxergam.
— E ouviria?
— Sim, o que acha que eles pensam de mim.
— Tem pelo menos três versões deste dono do Espelho, um é
um velho, que não respeita as religiões, tira sarro de tudo, que
explora os funcionários, e nem os deixa aparecer.
Sorri, estes nem me conheciam mesmo.
— O segundo, um jovem disfarçado de mil caras, que criou o
personagem João, para poder viver bem, sem aparecer, estes lhe
acham um misto de gênio e curitibano, aquele que se dá bem mais
o mundo não enxerga.
— Estes também não me conhecem.
— Nenhuma das três famas, falam disto daqui senhor João, é
nítido que eles não sabem quem é você, mas o terceiro, um senhor,
que foi repórter e que é um braço dos grandes meios de
comunicação que estão migrando para o Streamer.
— Talvez a junção das três cheguem perto do que fiz, eu sou
um velho repórter, 40 anos de repartição jornalística, de office-boy
a cronista, católico, que após a morte de minha filha, me afastei um
pouco, não queria brigar com Deus, e quando minha esposa faleceu,
não teria mais por quem pedir, então me afastei de vez, pois Deus
para mim sempre me deu mais do que precisava, mas me deu até
perdas insubstituíveis para me mostrar que sou apenas um entre
bilhões. – Olhei em volta, as vezes eu não tinha certeza do todo –
Criei personagens, estranho que no dia que estava feliz, pois via
jovens repetindo nos bares, lanchonetes, as frases de meus
personagens, levo um tiro, que não entendi ainda – penso um
pouco e falo – e quando você cresce, lógico que tem gente
financiando, pensa que se considerar as visualizações, eu recebia
mais de três patrocinadores, do que o que o Youtube me pagava.
— E teve de parar tudo.

187
— Sim, sem canal, como posso querer ir a frente, eu tenho 60
anos, levar um tiro jovem, já meche com tudo, velho, foi diferente,
talvez vocês tenham feito o que Deus determinou, e somente no
futuro entenderão, pois eu cheguei a fazer na minha cabeça, uma
serie de 6 tiros, onde cada personagem passaria pelo que passei, e
cada um reagiria de uma forma.
— E não tinha onde por algo assim.
— Deus os poupando de minhas ideias.
O rapaz olha em volta e pergunta.
— E por um ano ficou tudo parado mesmo?
— Eu queria reação, mas quando há um ano, todos falam
apenas uma vez do problema, e mudam de assunto, era sinal que
eles acharam melhor eu fora do mercado.
— E não se preocupou.
— Eu em 52 dias, ganhei o equivalente entre publicidade e
Youtube, 30 anos de recebíveis no local em que trabalhava.
— Um pé de meia que o permite olhar de fora e esperar.
— Eu desapontei parceiros, quando levei o tiro e fui excluído.
— E pelo jeito tem medo de voltar.
— Tenho medo de ficar parado e virar parte dos moveis, não
mais da vida, mas você foi lá três vezes, e nenhuma ficou para eu
desabafar, talvez se alguém ficasse, eu tivesse desabafado e
procurado uma saída, então deixei o ano correr.
— Já ouviu falar sobre a linha Twitch?
— Sim, mas ali é Live, eu não sou bom em Lives.
— Temos agora contas de conteúdo, mas tem de ver se tem
interesse.
— Tenho de pensar, pelo jeito mudou de empresa.
— Eles me colocaram para solucionar problema que não tinha
como solucionar, mas isto me fez ver que existem formadores de
conteúdo, que apenas saíram, não ficaram implorando.
— E porque eu?
— Acho que você é um dos casos mais arrasadores do
Youtube, e poucos sabem quem você é, eles e nem eu, entendemos
como você fazia todo aquele conteúdo.

188
— O problemas é que um ano após, tenho de reformular
tudo, aquilo que quando se esta fazendo vai se mudando aos
poucos, quando paramos, temos de refazer tudo.
— E não gostaria de tentar?
— Me passa as regras, desta vez vou ler elas antes de entrar
de cabeça, vou pensar com carinho.
O rapaz me estica o cartão e olho, não havia entendido, mas
com certeza, as vezes precisávamos de um empurrão.
Ele sai, eu continuava desconfiado, o tiro me tirou parte da
confiança, entro na Van, coloco para carregar o sistema elétrico
dela, verifico os dados. Crio uma conta com um nome especifico,
após isto saio com a van, com as câmeras, para o centro de Curitiba.
O surgir daquela van na empresa que fez a plotagem, fez
Rogerio, o rapaz que a fez, me olhar.
— Vai mudar?
— Apenas pensando, tenho de mudar a estética externa, e
preciso da sua ajuda.
— Pelo jeito esta ideia não deu certo.
— Ou certo demais.
— E o que pretende?
— A pergunta, qual película seria mais refletiva, a ponto de
parecer um espelho, existe esta película?
— Algo diferente de tudo.
Pego o computador e coloco a imagem que eu queria e o
rapaz sorri e fala.
— Voltando aos vivos?
— Acho que vou tentar.
Deixei a van ali e caminho até o largo da ordem, sento a mesa
e espero Carlos, pedindo um Joelho de Porco.
Ele me olha e fala.
— Querendo conversar?
— Sim, sei que não gosto de falar disto, mas preciso, sei que
as vezes, sou bicho do mato.
— As vezes? – Carlos em tom sarcástico.
— Me reservo a meu canto, sei que alguns me querem em
publico, e superei meus medos, levei um tiro.
— Mas o que quer falar?
189
— Saber como você acha que as pessoas olhavam aquele O
Espelho, pois parece que cada um gerou uma visão.
— Estranho pois se analisar todo tempo de duração, foi uma
explosão, que estava se anunciando, mas não aconteceu, não com o
canal no ar João, acho que fora não sei como foi, mas na cidade, foi
como se tivessem nos tirado algo que nos destacava.
— E como eles viam o canal, pois eu apenas criava.
— Algo que eles queriam ver, estranho pois se falar com cada
idade, com cada grupo, eles tem uma visão diferente, acho que isto
explica o resultado no Brasil, mas não sei o que viam fora daqui.
— Certo, mas eles falavam o que do conteúdo?
— Infantil, divertido, pervertido, arrogante, engraçado,
desequilibrado, louco, sem graça. – Vi ele parar de falar como se
pensasse – sei que as vezes parecem palavras que não deveriam
andar juntas, mas é que existem personagens infantis, em textos
sérios, existem loucuras em assuntos sérios, até a ausência de
graça, não era uma critica, ou na maioria das vezes não era critico,
então não tenho ideia, do que eles sentiam.
— E o que sentia? – Estava querendo saber as posições.
— As vezes tinha vergonha de falar fazer parte, pois não era
vem feito. – Carlos me olhando.
Sorri, pois isto era o que eu sentia, e porque os demais não
viram como algo mal feito, porque parecia algo diferente.
Eu tomei uma cerveja, e sorri, eu não sabia se queria fazer
algo, mas talvez isto que precisasse.
Eu pego um guardanapo e começo a desenhar nele, sem
escrever, apenas desenhar e Carlos fala.
— Pelo jeito vamos voltar ao assinto.
— Mudar, não vou fazer algo falando, sou João, antigo
Espelho, pois eu não quero este tipo de publico.
— Certo, quer algo em que nível?
— Vou lhe passar 4 personagens, são 4 princesas, e 4 bruxas,
mas os rostos de bruxas serão as princesas, e as das princesas, serão
as bruxas, ainda não tenho 7 princesas e 7 bruxas, mas isto, é
criando que surge.
— Vai criar para onde?

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— Quero tentar criar algo, e que pode parecer estranho, mas
quero estar lendo e acompanhando os comentários, sei que alguns
não querem palavrões, então terei de tentar não ser eu.
— Não entendi.
— Sei disto. – Comemos, e agradeci Carlos e saio a caminhar,
chego ao estúdio e olho meu primo e apenas alcanço uma lista de
letras, e ele sorri, não fala nada, pois eu não dei tempo, saio dali e
caminho até a Americana, estava quase fechando, olho o que tinha
no site e pergunto se o rapaz tinha algo no estoque, ele olha e me
confirma e me consegue uma de cada uma, a das princesas e com
uma sacola, caminho até em casa.
Eu olho a sala e não sei, parecia algo estranho, mas coloco as
duas telas de fundo, como fiz a primeira filmagem, e começo a
gravar, mas eu queria fazer algo que parecesse sequencial, e não
apenas algo montado, eu gravo sequencial, até as 6 da manha, onde
as bruxas eram pessoas com assuntos sérios e abordagem seria, as
princesas, assuntos como processar, se dar bem, acabar com o
príncipe, e coisas assim, sorrio, e quando as 6 da manha, tomei um
café e cai na cama, era cansaço.
Quando acordei, foi com a mensagem por e-mail, do meu
primo passando duas das musicas, eu crio um vídeo de colocando as
marionetes e cantando com cada voz, e montado o primeiro dia,
precisava montar pelo menos 6 dias, e estranho como gostava de
criar, agora um conteúdo sequencial, que nem precisava ser
sequencial, mas quando colocasse no ar, era para parecer online.
Eu criei os espaços e li as regras de publicidade, mas estava
na regra, perguntei para alguns poucos, e sabia que quando no
inicio poucos dariam atenção, mas como tive dois parceiros que
toparam fazer, eu começo a pensar no como faria.
E obvio, algumas coisas seriam no susto, e não sabia se
saberia fazer assim, mas tentaria.
Gravar apenas duas participações por dia, fazia dar mais
trabalho, então eu quando cheguei ao quinto dia de gravações, eu,
um desconhecido, passo para os contatos do canal ainda aberto, o
convite para estar na Live, no Face e Instagram coloquei o convite.
Era oito da noite quando coloquei a gravação no Twitch, e
comecei a comentar e seguir o pessoal, interagindo nos silêncios de
191
passagem, e começo a acompanhar, mas o tempo inteiro de
mascara, e por 6 horas fiquei em Live, e quando desliguei fui dormir,
e sabia que teria de ter a calma da vez anterior.
Quando acordo verifico como deixar o conteúdo da Live
anterior disponível durante o dia.
Olho o relógio e peço uma comida.
Fiz isto por 7 dias, e não sei, embora tivesse a cada dia mais
interações, não era o que eu gostava, precisava ficar ali, fazendo de
conta que era tudo ao vivo.
O anuncio de 3 dias de parada, não foi algo que gostaram,
mas não iria entrar na paranoia, e como era um personagem, não
era eu, mas começava a entrar dinheiro dos patrocínios, e quando
tudo começa a girar, fica mais fácil.
Eu estava tão invisível como antes, apenas estava colocando
parte dos demais a fazerem coisas e obvio, não sabia o que seria
deste conteúdo, e no canal do Espelho Invertido no Youtube, coloco
os cortes da Live.
No primeiro dia de folga, eu vou pegar a Van, e começo por ir
a três locais, e marcar com as pessoas, e quando no sétimo dia, no
interior da Van, parada no Largo, com permissão, eu entrevisto o
pessoal do Motorocker ao vivo, pela primeira vez um programa ao
vivo, mas direto do largo da ordem, no segundo dia, no mesmo
lugar, entreviste Anacrônica, e depois Blindagem.
Entrevistas ao vivo, em local publico, com o povo a volta,
naquele espaço especial, gera um bom conteúdo.
Estava chegando em casa depois da entrevista com o
Blindagem e o rapaz estava a porta e me cumprimenta.
— Bom dia, podemos falar um pouco.
— Tô pregado, se não demorar muito.
— Você os dá um nó, criou um personagem que em nada tem
de bom, para entrevistar os demais, se nos primeiros 7 dias,
estavam achando bom, agora, eles mandaram lhe parabenizar.
— Vão me tirar do ar quando? – Falei serio e o rapaz sorriu.
— Gosta de uma guerra, mas ainda não estão pensando em
lhe tirar, agora entendo o poder, e deve entender onde querem que
mude as coisas.
— Na publicidade.
192
— Sim.
— A pergunta continua, vão fazer o mesmo?
— Não sede?
— Eles me pagam menos do que recebia no Youtube, e
querem me proibir a publicidade?
— Apenas alertando onde eles não estão felizes.
— Então começa a mudar de posição rapaz?
— Não, mas se não o alertar, depois não vai poder dizer que
não falei, eu não ganho o que você ganha, você tem o dom senhor
João, mas eu nem reparei muito nas publicidades, mas eles
notaram.
— Certo, vou mudar um pouco, mas isto quer dizer, me
preparar para parar de volta.
— Não sabe fazer pela metade?
— Pela metade não atinge eles.
Fui dormir, pois estava cansado.

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Um mês se passa, e olho aquele
senhor a entrada do meu sobrado, quando
voltava para casa após almoço, e ele fala
com aquele sotaque que entregava ser
norte americano.
— Boa tarde senhor João Junior,
poderíamos conversar?
— Subimos e conversamos. – Falei olhando Jonathan Filt me
olhar, eu sei o que falei, ele não sei.
Eu entro e peço um café a secretaria eletrônica e olho o
senhor que parecia pensar.
— Senhor João Junior, vim apenas avisar que alguém no
Califórnia mandou cancelar seu desfilhar, e não sei ainda porque.
Olho o senhor e penso se falava e apenas olho a maquina me
servir um capuchino, depois do almoço é bom um café para não
descer muito a concentração.
— Deve estar estranhando eu aqui?
— Sim, acho que já faz uns 8 meses que esteve aqui.
— Nos pôs para fora, naquele momento.
— Algo que posso ajudar?
— Não quer mesmo voltar para nosso plataforma.
— Não é isto, mas queria desafiar quem demora 13 meses
para mudar de ideia, viver sem comer e beber por este tempo.
— Ele seguem o regra do contrato.
Apenas olhei o senhor, eu não queria discutir, mas mandaram
o senhor ali para mandar me informar o que um e-mail poderia
resolver então fiquei olhando para ele.
— Eles querem lhe propor pagar 4,5 dólares a cada mil likes,
se os der exclusividade.
— Se não aceitar exclusividade me desfilham novamente?
— Não disse isto.
— Se posso voltar a tentar, vou pensar no voltar, mas eu sou
daqueles que acho de exclusividade tira publico.
194
— Não entendi.
— No mundo de hoje, fechar portas, reduz publico, deixar
elas abertas, amplia publico.
Ficou evidente que o senhor não entendeu, me esticou uma
folha com as dicas de como desbloquear minha conta.
Sento e olho o computador, o senhor sai e não sei,
novamente estavam me cercando, e quem sempre se dava mal, o
velho ao espelho.
Mas eu desbloqueio o canal, isto já deixava todo o conteúdo
anterior disponível, alguns desfilharam-se, pois não existia mais o
canal, mas as vezes não precisa muito, as vezes, uma ideia chula,
mas eu fiz cortes do Twitch, no meu canal.
Eu olho no armário, olho as mascaras e sorrio.

Quando eu no fim daquela tarde eu escrevo os textos, eu


inicio a Live do Twitch, com a mascara do Zezinho e vou mostrando
as mascaras e explicando como eu criava cada personagem, e que
enquanto tinha gente que perdia tempo no criar de personagens
complexos, os meus eram simples, pois eram apenas eles.
Eu crio pela primeira vez, no fim da Live, que não durou duas
horas, a gravação das oito personagens, e quando no fim do dia,
madrugada, começo para outros, programo minha automato de
conteúdo para colocar elas entre as 14 e as 21 horas, de hora em
hora, filmo um único personagens anunciando todas as
personagens, e pego as 4 musicas que iria por na Live da semana
seguinte e coloco nas entradas das personagens.
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Eu vou dormir, e não sei, eles poderiam dizer que estava
novamente exagerando.
Eu precisava apenas me provar que não estava velho demais,
e se antes, queria me aposentar, agora, não tinha mais como o
fazer.
Sonho com tudo que fiz e por mais que todos não vissem,
agora era eu criando para mim mesmo.
Não consegui dormir, e vou ao estoque e pego as mascaras e
começo a organizar, e coloco no esquema.

Eu começo a filmar, e a por fundo, e quando era próximo das


18 horas novamente, eu coloco a nova programação e o que era um
canal recém feito, estava com vídeos entrando a cada hora, por 16
horas seguidas, então obvio, aquele computador que analisa
produtividade, começa a destacar novamente o canal, e com as
mascaras, eu começo a Live e agora falando dos demais
personagens, e comentando e trocando ideias, fazia crescer o
conjunto de gente nas duas plataformas, e estranhamente, pessoas
trocando ideias reais, na plataforma.
Eu avanço mais de 10 horas de Live e amanhecia de novo, eu
pregado, quando encerro a Live e vou dormir.

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Eu tenho produzido muito, mas as
vezes esqueço de me cuidar, e os últimos 6
meses voaram, estou me dando bem em
fazer as coisas em paralelo, estranho estar
na minha cidade, e aos poucos, ter as
entrevistas, as divagações, as aventuras,
todas agora aos poucos, nas três
plataformas, Piraquara esta produzindo por 3 dias, e muita gente na
lista de entrevistas, mas como sou alguém local, não tenho pressa
de conquistar o mundo, não porque seja paciente, mas sou velho.
As vezes tenho de me ater ao que tem acontecido a volta,
tento ser eu, mas ainda só, talvez a verdade seja mais cruel, sou
alguém que envelheceu, sei trabalhar, mas já não tem espaço para
mais que isto.
Eu tenho de considerar que Lia pegou 8 anos, não morri,
tentativa não é assassinato para a lei brasileira, um quarto da pena
e estará a rua, e vou daqui a pouco ter de me cuidar para atravessar
a rua de novo, olho a planilha e ela me diz que tenho 52
personagens, quando me aposentei, resolvi empregar mais gente,
poucos sabem meu rosto, o que me gera a tranquilidade de
caminhar a rua.
Infelizmente trabalho, pois é a única coisa que me resta.

Fim.

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