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DIREITO CIVIL

PONTO 1: Cláusula Penal


PONTO 2: Formação dos contratos
PONTO 3: Arras
DIREITO CIVIL PONTO 4: Extinção
PONTO 5: Classificação dos contratos
PONTO 6: Vícios redibitórios

1. Cláusula Penal:

Estrutura da cláusula penal:


Espécies Causas Disp. legal efeitos
Compensatória: - inadimplemento total da obrigação Art. 410 CP ou obrigações
- inadimplemento clausula específica Art. 411 CP + obrigações.
Moratória: - mora Art. 411 CP + obrigações.

INADIMPLEMENTO: pode ser classificado de duas maneiras:


- absoluto e relativo (há a possibilidade de cumprir a obrigação após o vencimento.
Caso positivo – inadimplemento relativo. Caso negativo – inadimplemento absoluto).
- Total e parcial: (leva-se em consideração quanto da obrigação foi cumprida) – critério
matemático.
Previsão: art. 389, CC: esses quatros elementos que são automáticos, basta a
caracterização de que é credor.
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

Cláusula penal tem natureza jurídica contratual, ou seja, só pode ser exigida se tiver
previamente contratada. O ato de contratação pode se dar no ato de celebração do negócio ou
no curso da sua execução.

A Cláusula Penal é sinônimo de multa. É considerada limitada, porque o art. 4121 do


CC expressamente estabelece que ela não pode ser superior a obrigação principal.

A CP, por sua vez, é considerada estanque porque simplesmente se opera.

1 Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal.
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A CP é considerada coercitiva, sua função é compelir o cumprimento da obrigação na
data do vencimento.

É considerada imutável, porque há a idéia de que uma vez estabelecida ela não possa
ser alterada. Só que essa imutabilidade é “relativa”, conforme alguns autores. Pois pode ser
alterada em dois casos: acordo entre as partes (bilateral) e nos termos do art. 413, CC (por
determinação judicial).

Altera-se uma cláusula contratual por três mecanismos:


- acordo (manifestação vontade bilateral);
- unilateral (uma das partes altera a cláusula);
- determinação judicial.

Portanto, podendo a cláusula penal ser alterada por duas maneiras de alteração da
cláusula contratual entende-se que ela não é tão imutável.

Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido
cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza
e a finalidade do negócio.

A aplicação do art. 413, CC, não é de oficio, deve ser suscitado pelas partes.

Espécies de cláusula penal:

- compensatória: - inadimplemento total da obrigação – art. 410 → CP ou obrigações


- inadimplemento cláusula específica – art. 411 → CP + obrigações.

- moratória: - mora – art. 411 - CP + obrigações.

- Hipótese do art. 410, CC:


Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da
obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor.

Neste caso, o credor irá escolher se ele quer o implemento da cláusula penal ou da
obrigação.
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Esta cláusula penal normalmente é vinculada as obrigações de fazer.


Ex: contratou cantor para realizar show. No dia do show, ele não comparece, terei o
direito de exigir o implemento da multa no valor ou a prestação do show em outra data. Neste
caso, o percentual viável da multa será de 100% do valor do show.

Trata-se de inadimplemento relativo.

- Hipóteses do art. 411, CC:


Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra
cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o
desempenho da obrigação principal.

O credor poderá exigir a cláusula penal mais a obrigação.

O percentual razoável para implementação da cláusula penal:


- se a relação for de natureza civil, o percentual tem que ser = ou < 100% (art. 412, CC).
- Se a relação for consumerista tem que ser = ou < 2% (CDC).
- Se a relação for condominial. = ou < 2%. (Art. 386, CC).

Há decisões que entendem ser inconstitucional a cláusula penal de 2%, uma vez que
não atinge os objetivos, não compele o pagamento.

Trata-se de inadimplemento relativo.

2. Formação dos contratos:

Existem três etapas de formação contratual prevista no CC (a lei não exige que se passe
por todas as etapas, ou seja, a sua ocorrência dependerá do caso concreto).

1) Tratativas:
- Proposta individualmente (art. 427):
Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza
do negócio, ou das circunstâncias do caso.
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A proposta obriga, sob pena de ter que ressarcir os prejuízos causados para outra parte
(perdas e danos). A responsabilidade civil tem natureza, neste caso, extracontratual ou
aquiliana.

Art. 4282, CC traz hipóteses de exclusão da responsabilidade.

- Oferta ao público (art. 429):


Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se
o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos.

Obriga o ofertante, sob pena de perdas e danos, responsabilidade civil extracontratual.


A diferença é que a proposta é individual e a oferta é ao público.

Ex: classificados – oferta ao público. Leilão – oferta ao público de natureza civil.

Art. 431, CC:


Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova
proposta.

O legislador fixa 4 critérios para não aceitação: fora do prazo, com adições, restrições
ou modificações.

Obs: a expressão contra-proposta, tecnicamente não existe, pois a expressão é nova proposta.

O art. 434, CC trabalha com teorias que definem o aceite.


Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto:
I - no caso do artigo antecedente;
II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
III - se ela não chegar no prazo convencionado.

No art. 434, caput, refere que o que vale para efeito de aceite é a teoria da expedição
– o aceite vale a partir do momento em que foi postado/enviado/expedido – regra.

2 Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:


I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-se também presente a pessoa que contrata por
telefone ou por meio de comunicação semelhante;
II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente;
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado;
IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente.
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Exceções:
- Retratação (inciso I): aceite expedido e em seguida ou junto retira sua eficácia.
- Teoria da cognição (inciso II): o aceite vale quando o proponente tomou
conhecimento.
- Teoria da recepção (inciso III): o aceite vale se foi recebido dentro do prazo. (AR
assinado dentro do prazo).

Caso se utilize as teorias de exceção deve estar especificado no contrato.

Obs:
Proponente ou policitante: quem emite a proposta.
Oblato ou policitado: quem aceita ou recebe a proposta.

2) Contratos preliminares (art. 462, CC):


O contrato preliminar serve para garantir a celebração do contrato definitivo
posteriormente.

Encontra-se na parte geral dos contratos, ou seja, pode-se celebrar um contrato


preliminar de qualquer espécie.

Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a
ser celebrado.

Só não precisa ter a forma do contrato definitivo, os demais requisitos deve ter o
contrato preliminar.

Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele
não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo,
assinando prazo à outra para que o efetive.

Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadimplente,
conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação.
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Inadimplente da obrigação preliminar, o Juiz irá converter o contrato preliminar em
definitivo. A quebra dos contratos preliminares irá impor a responsabilidade civil contratual.

Pode ter no contrato preliminar cláusula de arrependimento (eficácia recíproca).


Porém, atualmente, se entende que cláusulas de arrependimento em contrato preliminares só
podem ser consideradas válidas se tiverem associadas a uma sanção (por exemplo, multa).
Porque do contrário, implicam direito a renúncia a direito essencial do contrato (garantia).

O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente (obrigatório). Os


contratos preliminares são formais, têm forma própria.

3) Contratos definitivos (art. 481):


São vinte contratos definitivos, por exemplo: compra e venda, cláusulas especiais,
troca, contrato estimatório, doação, empréstimo, depósito, fiança, seguro, transporte,
compromisso.

Os contratos típicos mais os contratos atípicos previstos no art. 4253, CC geram


responsabilidade civil contratual.

3. Arras:

As arras (sinônimo de sinal) podem encontrar-se nas tratativas, nos contratos


preliminares e definitivos.

Existem dois tipos de arras:

- Confirmatórias: são as mais pesadas, porque não admitem arrependimento.


Caso uma das partes der causa ao não adimplemento do contrato, tem direito ao valor
das arras + perdas e danos.
As arras confirmatórias são a regra.

Art. 418, CC: Garante direito as arras.

3 Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.
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Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se
a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua
devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos,
juros e honorários de advogado.

Art. 419, CC: Garante as perdas e danos.


Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras
como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos,
valendo as arras como o mínimo da indenização.

- Penitenciais: são mais brandas, porque prevêem a possibilidade de arrependimento.


Se uma das partes der causa ao não adimplemento do contrato, o efeito é o valor das
arras somente, sem direito a perdas e danos.
Devem estar expresso que são penitenciais, pois são exceções.

Art. 420, CC, trata das arras penitenciais.


Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal
terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem
as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.

4. Extinção:

Rescisão – nulidade: - absoluta;


- relativa.

Resilição – desinteresse: - unilateral;


- bilateral (distrato).

Resolução – excessiva onerosidade;


e/ou
– inadimplemento.

Resilição – desinteresse: - unilateral – art. 473 (denúncia previa);


- bilateral (distrato – art. 472, CC).
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►Resilição:

- Resilição bilateral:
Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.

- Resilição unilateral:
Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante
denúncia notificada à outra parte.

Se uma das partes não tem mais interesse no negócio, o mínimo é que notifique a
outra.

Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos
consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo
compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.

O CC estabeleceu uma regra e exceção, porém, não há prazo estabelecido no artigo.

►Resolução:
Art. 4744 e art 475 – cláusula resolutiva.

- Resolução por inadimplemento (art. 475, CC):


Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o
cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.

A premissa que se leva em consideração é que inadimplemento gera perdas e danos.

Excepcionalmente, o contrato não será cumprido e o seu inadimplemento não irá gerar
perdas e danos – art. 476 e art. 477, CC.
Da Exceção de Contrato não Cumprido
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o
implemento da do outro.

Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu
patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à
prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la.

4 Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial.
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Ou seja, pode a outra inadimplir sem que isso implique em perdas e danos.

– Excessiva onerosidade (art. 478, CC): Teoria da Imprevisão.


Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e
imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à
data da citação.

Caracterizados os requisitos do art. 478, CC, pode-se pedir a resolução do contrato, é


uma forma de extinção. Mas, para evitar a resolução é aplicação da Teoria da Imprevisão como
forma de revisar o negócio.

Os requisitos do art. 478, CC, são:


1) caracterização de uma relação de natureza civil com equilíbrio no inicio;
2) caracterização de prestações continuadas, sucessivas;
3) caracterização de elemento superveniente;
4) elemento imprevisível ou extraordinário;
5) excessiva onerosidade, excessiva vantagem.

O art. 480, CC, trata da resolução por excessiva onerosidade. Permite a alteração do
negócio.
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua
prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva.

►Rescisão:
Hipóteses da teoria geral do Código Civil, uma vez que não há um capítulo específico
para rescisão.

Nulidade:

- Absoluta (arts. 166 e 167, CC):

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
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V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e
na forma.

- Relativa (art. 171, CC):


Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.

5. Classificação dos contratos:

- Quanto às obrigações:

►Unilaterais e Bilaterais:
-Unilaterais: obrigações para uma das partes.
Ex: comodato, a fiança, doação, mandato, depósito.

- Bilaterais (sinalagmáticos): obrigações para ambas as partes.


Ex: compra e venda, locação, transporte, seguro, compromisso, doação com encargo.

Obs:
Todo o contrato, sem exceção, é um negócio jurídico bilateral. Todos os contratos,
necessariamente, presumem bilateralidade na sua formação. Mas na classificação podem ser
unilaterais e bilaterais, dependo da sua obrigação.

►Contratos Gratuitos ou Onerosos: critério é a existência do deslocamento patrimonial.


- Gratuitos: a existência de deslocamento patrimonial só para uma das partes.
Ex: doação, fiança, mandato, comodato, depósito.

- Onerosos: a existência de deslocamento patrimonial para ambas as partes.


Ex: compra e venda, locação, transporte, contrato de trabalho.

O deslocamento patrimonial se entende patrimônio e material também.


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Pode-se dizer que todo contrato unilateral é gratuito e todo contrato bilateral é
oneroso. Exceto o mútuo feneratício (mútuo a juros) que é unilateral e oneroso.

- Quanto aos efeitos:

►Consensuais ou Reais: o critério é a partir do momento em que produzem efeitos.


- Consensuais: produzem efeitos a partir do consenso.

- Reais: produzem efeitos a partir da entrega da coisa. Mero acordo de vontade não é
suficiente.

Só existem três contratos reais: empréstimo (mútuo e comodato), depósito e o


estimatório. Os demais são todos consensuais (produzem efeitos a partir do consenso).

► Comutativos e aleatórios: o critério é a certeza e equilíbrio nos contratos.


- Comutativos: há um equilíbrio nas prestações.

- Aleatórios: há incerteza nas prestações. Exs: compra de safra (coisas futuras que ainda não
existem), contratos de compra de ações na bolsa de valores (há um risco).

Há duas expressões que são muito utilizadas para definir o contrato aleatório:

-Emptio spei – art. 458, CC - risco na existência das coisas futuras.


Art. 458. Se o contrato for aleatório, por dizer respeito a coisas ou fatos futuros, cujo risco de não
virem a existir um dos contratantes assuma, terá o outro direito de receber integralmente o que lhe foi
prometido, desde que de sua parte não tenha havido dolo ou culpa, ainda que nada do avençado venha a existir.

- Emptio rei speratae – art. 459, CC - risco quanto a oscilação da quantidade.


Art. 459. Se for aleatório, por serem objeto dele coisas futuras, tomando o adquirente a si o risco de virem a
existir em qualquer quantidade, terá também direito o alienante a todo o preço, desde que de sua parte não tiver
concorrido culpa, ainda que a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada.

Parágrafo único. Mas, se da coisa nada vier a existir, alienação não haverá, e o alienante restituirá o preço
recebido.

Neste caso, se não colher nada, não se pagará nada.


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- Quanto a forma:

►Contratos Solenes e Não solenes:


- Solene: há formalidade exigida na lei quanto a solenidade. Ex: fiança, doação e compra e
venda de bens imóveis, seguro, todas as cláusulas especiais de compra e venda.

- Não solene: não há exigência nenhuma na lei.


A regra é liberdade formal de contrato.

Obs:
Locação não é solene, só será solene se tiver o prazo de 10 anos.

6. Vícios redibitórios (a partir do art. 441, CC):

Vício redibitório é sinônimo de defeitos ocultos. Defeito porque torna impróprio o uso
ou porque diminui consideravelmente o valor do objeto. É oculto porque é prévio e não
poderia ser identificado pelo exame da pessoa média.

Só acontece se o contrato for oneroso, não se fala em vicio redibitório em contratos


gratuitos. Também só para contratos comutativos.

Eles geram uma garantia para o adquirente. Já para o alienante eles são uma obrigação
de fazer.

Os vícios redibitórios não estão atrelados a uma transferência de domínio, pois há


vícios redibitórios em contrato de locação, em doação com encargo.

Possibilita para o adquirente duas alternativas:

- abatimento do preço: ação cabível é quanti minoris.

- extinção do contrato e devolução do objeto – ação redibitória.


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Essas ações são consideradas alternativas, ou seja, o adquirente irá escolher uma ou
outra. Porém excludentes, escolhe uma abre mão da outra.

A boa-fé do alienante não isenta responsabilidade. Se o adquirente conseguir


caracterizar má-fé do alienante permite cumular as perdas e danos.

Os prazos para propositura das ações: art. 445, CC. Prazo decadencial.
Art. 445. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias
se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o
prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.

O problema está no §1º do art. 445, pois o legislador buscou o prazo do CDC – que
começa a contar da ciência e não da entrega.
Art. 445, § 1º. Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do
momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e
de um ano, para os imóveis.

Portanto, trata de uma exceção. Se o vício for tão oculto que não puder ser
identificado no prazo de 30 dias ou de 1 ano, ainda assim, poderá se valer da garantia. O prazo
neste caso começa a contar da ciência do vício. Havendo uma extensão do prazo, tendo mais
180 dias para bens móveis e mais 1 ano para bens imóveis. Apenas prorrogou o prazo.

Art. 445, § 2º. Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os
estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo
antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.

No art. 446, CC, refere que a garantia da lei deve ser somada a garantia do contrato.
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o
adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de
decadência.

Este artigo equivale ao art. 505 do CDC.

5 Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.

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