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Exercício cumprimento de sentença e execução.

1. Em cumprimento de sentença de alimentos foi penhorado o único imóvel do


devedor, um automóvel, 40% de seu salário, R$ 60.000,00 depositados em
caderneta de poupança, duas televisões e uma bolsa Louis Vuitton. O
devedor, inconformado insurgiu-se contra a constrição patrimonial sob o
argumento de que o imóvel não pode ser penhorado pois é bem de família,
único imóvel que possui e destinado à sua moradia; o automóvel é utilizado
como UBER; a caderneta de poupança é absolutamente impenhorável, bem
como as TVs que guarnecem a sua residência e a bolsa é bem de uso
pessoal. O juiz acolheu todas as alegações do devedor. Está correta essa
decisão? Justifique.

R: Esta decisão realizada pelo juiz não está correta, pois apesar das alegações
acerca do imóvel e automóvel do devedor realmente serem bens de família, por
conta de ser local de moradia e o veículo de uso profissional, pois a sumula 364 do
STF abrange em seu conteúdo, pessoas solteiras, separadas ou viúvas. As
alegações acerca da caderneta de poupança, as televisões e a bolsa serem bens
impenhoráveis não correspondem com a realidade da legislação em vigor, devido
ao fato de no art. 833 do CPC em seu inciso II e III que apenas moveis e bens de
uso pessoal que não possuam um elevado valor são impenhoráveis, bem como
apenas cadernetas de poupança que possuam um limite de 40 salários mínimos
são absolutamente impenhoráveis.

2. No caso de o credor não encontrar bens do devedor a serem penhorados, é


possível requerer a apreensão da carteira de motorista, cartão de crédito ou
passaporte do devedor? Se a resposta for afirmativa, sob qual fundamento?

R: Segundo o entendimento da 4ª turma do STJ, é possível realizar a apreensão


de tais itens do devedor em caso de não se haver itens para realizar a penhora,
como um meio atípico de cobrança, como um meio coercitivo para o mesmo realizar
o pagamento da dívida de créditos, pois não viola nenhum dos direitos do devedor.

3. O médico de João atestou a necessidade de realizar cirurgia bariátrica como


tratamento de obesidade mórbida com a finalidade de reduzir peso de seu
paciente. No entanto, o médico cometeu um erro deixando João
incapacitado para o trabalho por 30 dias e ocasionando um prejuízo de R$
15.000,00 a João. João promoveu pedido de indenização. Obteve êxito e a
sentença transitou em julgado. João, além de ingressar com o cumprimento
de sentença quer adotar medidas que coíba o executado de comprar bens
e fazer financiamento. Há esta possibilidade prevista no CPC?

R: Segundo o descrito no art. 139, IV do CPC, incumbe ao juiz “determinar todas


as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias
para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham
por objeto prestação pecuniária”. Assim, existe tal possibilidade segundo a
legislação em vigor. Mas no caso em questão, João deverá aguardar o pagamento
de seu médico por meio de cumprimento de sentença. Caso o mesmo não realizar
tal ato judicialmente, onde se for constatado que o sujeito possuía bens para
satisfazer a dívida, quando terminadas as outras formas para conseguir cumprir
sua dívida, poderá então o juiz de forma proporcional impor tal medidas.

4. João dos Santos estava passando por dificuldades financeiras na sua


empresa razão pela qual dirigiu-se ao banco dos Necessitados S/A e acabou
por firmar um contrato de abertura de crédito no importe de R$ 300.000,00.
Nesta ocasião, a referida instituição financeira fez João assinar uma nota
promissória, além do contrato. João dos Santos não conseguiu pagar a sua
dívida na data aprazada. O banco, então, promoveu a execução da nota
promissória. João dos Santos foi citado e está desesperado frente a
possibilidade de penhora de seus bens. Você foi contratado como advogado
de João e apresentará a competente insurgência à execução. Qual a matéria
de direito que deverá ser alegada?

R: Em decorrência do processo de execução de nota provisória, o devedor entrará


com Embargos à Execução, dentro de um prazo de 15 dias. A matéria a ser alegada
é de que a nota promissória está em desacordo com o art. 783 do CPC, pois
segundo a Súmula 258 do STJ, o título executivo vinculado ao contrato de abertura
de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a qual
originou.

5. Renan José emprestou a quantia de R$ 50.000,00 para sua amiga Marina


da Silva. Na data avençada para o pagamento Marina não conseguiu quitar
sua dívida. Renan procurou um advogado que convidou Marina para uma
reunião onde acabaram por fazer um acordo que foi referendado pelos
advogados de Renan e Marina. Marina comprometeu-se a pagar a dívida em
5 parcelas de R$ 10.000,00, no entanto, também não o fez. Qual a
providência que Renan José deverá adotar a fim de receber seu crédito?

R: Renan José poderá adentrar a justiça com uma ação de cobrança contra o
devedor, onde o mesmo devera pagar todos os valores devidos com os juros legais,
além das correções monetárias segundo os art. 389 do CPC “Não cumprida a
obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de
advogado.” e 786 do CPC “A execução pode ser instaurada caso o devedor não
satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo.”

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