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FICHA TÉCNICA

Autores - Jayr dos Santos Filho e Leonardo Oliveira Leal


Revisão de texto – Rosemere Chaves dos Santos
Capa e diagramação – Jayr dos Santos Filho
Fotografia - Ministério de Comunicação da Pib Paciência
Os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão
Internacional (NVI), exceto passagens bíblicas com edições
citadas.

Dados Internacionais de Catalogação na


Publicação (CIP)
FILHO, Jayr dos Santos & LEAL, Leonardo
Oliveira. “SENHOR DE TUDO! Princípios
de Mordomia Cristã em Esdras e
Neemias”. Rio de Janeiro: Primeira Igreja
Batista em Paciência. 2021. 72 pág.

1.Teologia 2. Vida Cristã 3. Mordomia


Cristã

Todos os colaboradores acima são membros da


Primeira Igreja Batista em Paciência e cedem
gentilmente seus direitos autorais à PIB Paciência.

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta


obra poderá ser reproduzida ou transmitida por
qualquer forma ou quaisquer meios (eletrônico ou
mecânico), sem a permissão escrita dos autores. Serão
permitidas citações deste material, desde que citada a
fonte.

Diagramação voltada para acesso por smartphone.


APRESENTAÇÃO
Somos a geração do vírus que mudou o ritmo e a forma do
mundo! E neste ambiente, nos reconhecemos como
marcados pelo desafio de nos adaptarmos. É o desafio da
adaptação a novas tecnologias, quer na comunicação, quer
no cotidiano.

E esse ajuste vem de todas as direções! A palavra do


momento é “online”! Compras online, trabalho online,
consulta médica online, culto online, aula online, terapia
online... Até a nossa revista da EBD, impressa no papel,
virou ebook, distribuído de forma online!

Você deve estar se perguntando: onde vamos parar? Penso


que temos duas opções. A primeira, negarmos que estamos
entrando num novo tempo, rotulando tudo de “mundanismo”,
no esforço isolado de voltarmos à prática do passado. Outra
opção será entender esse novo momento e encarnarmos
nele a proposta bíblica para o homem hodierno. O texto que
colocamos em suas mãos, através de seu smartphone, tablet
ou notebook é um convite para vivermos o desafio de
encarnarmos hoje o Senhorio de Cristo, de forma online e
offline. O SENHOR DE TUDO pode atuar em todas as áreas
de nossas vidas, tornando nossa existência nesta geração,
de forma: relevante, impactante e diferenciada!

Nossos personagens bíblicos principais, Esdras e Neemias,


viajaram séculos, até chegarem em nossos dias através da
escrita de nossos dois autores, Pr. Jayr e Pr. Leonardo, para
nos ajudar a “buscar e cumprir a lei do Senhor, e para
ensinar os seus decretos e as suas leis” (Ed 7.10 - ARA)

Que seja uma leitura online ou offline, mas que proporcione a


você, mobilização para uma vida transformadora!
NOSSOS AUTORES

Receba o quarto E-book publicado pela Primeira Igreja Batista


em Paciência, voltado para o ensino trimestral de nossa EBD
online. Este esforço sinaliza nosso desejo de investir no
ensino contextualizado da Palavra de Deus, bem como na
valorização de nosso próprio potencial humano.

Os autores do texto aqui oferecido são: nosso líder espiritual


e pastor sênior, Jayr dos Santos Filho e nosso pastor auxiliar,
líder da Base de Adoração, Leonardo de Oliveira Leal.

O conhecimento bíblico/teológico, além do comprometimento


pessoal de ambos, resultou na compilação de um material de
linguagem clara e aplicável ao contexto cultural urbano,
oferecendo boa aplicabilidade do texto bíblico ao tema da
mordomia cristã. Nosso desejo é que o estudo deste E-book,
seja na leitura particular, seja na exposição dominical, edifique
a todos; proporcionando mais conhecimento da Palavra de
Deus, gerando uma membresia sólida no conhecimento
bíblico e vigorosa espiritualmente, tornando-O SENHOR DE
TUDO!

Primeira Igreja Batista em Paciência


AGRADECIMENTO
Para que este material chegasse em suas mãos, um time de
voluntários se prontificou a trabalhar generosamente para
oferecer ao nosso público interno e externo o melhor que
tinha a entregar, como prova de sua prática na mordomia
cristã.

SENHOR DE TUDO é um E-book produzido na soma de


diversas mãos. Composto por uma equipe de voluntários,
que, escrevendo, editando, fotografando, diagramando,
corrigindo texto, catalogando, distribuindo, entre outros,
oferecem a sua ajuda, para que você seja edificado e
encorajado a viver sua total entrega de vida a Ele!

Nossa gratidão aos autores dos capítulos, Pr. Jayr e Pr.


Leonardo. À Rosemere, Cristielle, Mauro, Gabrielly Blay,
Millena, Joana e Carlito, que botaram a mão na massa,
colaborando com a produção deste E-book. Sem esquecer
de cada professor e aluno da Escola Bíblica Dominical, alvo
de todo este esforço. A Deus toda gratidão, glória e louvor!

Rio de Janeiro, 05 de abril de 2021.


SUMÁRIO

Ficha técnica 2

Apresentação 3

Nossos autores 4

Agradecimento 5

Sumário 6

Capítulo 1 – Senhor de todos os recursos 8

Capítulo 2 – Senhor das reconstruções 13

Capítulo 3 – Senhor de recomeços 18

Capítulo 4 – Senhor libertador 23

Capítulo 5 – Senhor de excelência 27

Capítulo 6 – Senhor de nossos sonhos 31

Capítulo 7 – Senhor de nossa vida profissional 38

Capítulo 8 – Senhor de nossas decisões 45

Capítulo 9 – Senhor de nossos relacionamentos 52

Capítulo 10 – Senhor de nossa mobilização 58

Capítulo 11 – Senhor sobre nossa vigilância cristã 63

Capítulo 12 – Senhor de nossas mentes 68


SENHOR DE TODOS
OS RECURSOS!
CAPÍTULO 1

Senhor de todos os recursos


(Ed. 1.1-11)
Introdução

Passou o tempo de exílio, profetizado por Jeremias(1).


Através do rei Ciro, Deus mostra como usa governantes
incrédulos para cumprimento dos Seus propósitos. O Senhor
ordena o retorno do Seu povo com a tarefa de reconstruírem
o templo. Em contrapartida, observamos que Ele próprio
providencia todos os recursos necessários para essa grande
obra.

1. O SENHOR DE TUDO age no momento certo (v. 2)

O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma


grande parte da nobreza, oficiais militares e inclusive o rei,
são levados para o Exílio em Babilônia(2). Precisamente 11
anos depois, em 587 a.C., houve uma nova rebelião no reino
de Judá, que ocorreu a consequente destruição de Jerusalém
e seu Templo totalmente.

Ciro, o atual rei da Babilônia na época de retorno dos


exilados, tinha como filosofia uma política de respeito às
culturas dos povos que conquistava. Sendo assim, permitiu
aos hebreus que retornassem à sua terra de origem e aos
seus costumes religiosos. Com isso, esperava obter lealdade
dos subjugados(3). Nesse processo de apontamento de
prioridade na restauração dos cultos religiosos, Deus
desperta o rei Ciro para prover todos os recursos
necessários.

Pr. Leonardo de Oliveira Leal é o autor dos capítulos 1 a 5. Formado em


Teologia pelo Seminário Teológico Batista Guenther Krieger, bacharel em
Sistemas de Informação pela Universidade Castelo Branco e Pós Graduando
em Ciências da Religião, pela Faculdade Batista de Minas Gerais. Atua como
pastor auxiliar da Pib em Paciência
Assim como o Senhor despertou o rei Ciro e o encarregou de
tomar à frente da reconstrução do templo, precisamos manter
atenção ao chamado de Deus para seus propósitos por meio
de pessoas improváveis. Nosso papel é orarmos por esses
líderes, para que sejam usados por Ele e nos direcionem
corretamente a alcançarmos os objetivos estabelecidos pelo
Senhor.

2. Seu povo é chamado a contribuir (v. 3, 4)

Ciro convoca todos os judeus, de todos os lugares, a


colaborarem com ouro e prata. A obra seria feita através dos
próprios recursos e também das próprias mãos. Isso fez
separação entre aqueles que de fato se mantiveram firmes na
promessa, que seriam trazidos de volta do cativeiro. O Senhor
não contou com o povo babilônico, suas riquezas e recursos
humanos para o seguimento das obras, mas esperou uma
resposta daqueles que eram verdadeiramente aliançados com
Ele.

A providência de Deus dirige pessoas para contribuírem. O


despertar vem de Deus, mas o agir cabe a nós, com os
recursos que forem necessários entregarmos para
cumprimento dos Seus planos. Alguns farão serviços
específicos na casa de Deus, mas a contribuição para o que
precisa ser feito cabe a todos que ouvem a voz do Senhor.

O Espírito de Deus foi quem operou no coração do povo, que


voluntariamente ofertou para o novo templo (v. 5) e se preparou
para a longa viagem. Isso nos ensina que todo aquele que
segue a voz de Deus, entrega de coração seus recursos
disponíveis e habilidades em favor de propósitos maiores no
Reino.

Você é visto por Deus como um destes fiéis, que tem


disponibilizado seus recursos para o Senhor?

Muitas vezes, Deus dirigiu pessoas que não eram do Seu povo
como instrumentos importantes da Sua obra. Assim foi no
êxodo da escravidão(5), ou no início da proclamação do
Evangelho pela igreja primitiva(6). Com isso, podemos
entender que ninguém é excluído de participar dos planos feitos
por Deus. Todo aquele que se colocar à disposição poderá ser
usado de alguma forma.

9
A mobilização do povo de Deus em favor da Sua obra leva
outros a aprenderem a contribuir. O exemplo de fidelidade e
resposta à convocação que nos é feita, para envolvimento
direto, é nosso maior exemplo.

4. O dono de todas as coisas (v. 7-11)

O primeiro capítulo de Esdras finaliza narrando a enorme


fortuna devolvida, retirada do templo de Jerusalém anos antes,
entregue à Sesbazar, príncipe de Judá. Tudo foi contabilizado
por Ciro. Os judeus não poderiam restaurar a adoração no
templo sem o mobiliário designado, que era singular e
simbólico.

Embora a estrutura do Templo fora totalmente destruída, Deus


os fez lembrar, através dos utensílios do passado, que
princípios fundamentais precisam ser resgatados e valorizados.
Com isso também o povo foi encorajado a restabelecer seu
culto ao Senhor, na terra que retornava. Como nosso Deus não
é representado por uma imagem, como as divindades pagãs,
Ciro deu esse presente especial aos judeus cativos.

3. O exemplo de fidelidade que ensina (v. 6)

O retorno contou com cerca de 50.000 judeus (cons. 2.64, 65).


A maioria do povo resolveu permanecer na Babilônia, onde
muitos já estavam estabelecidos(4). Esses estavam em
condição de ajudar os que pretendiam retornar. Até vizinhos
não-judeus (ou gentios) colaboraram.

Destacamos com isso o poder do Eterno de encorajar a todos.


Nos esforços em avançarmos na obra, sempre perceberemos
Sua mão movimentando as peças necessárias para que
tenhamos êxito. Quando nossa contribuição ou doação de
tempo parecerem pouco, temos conosco o Deus que
movimenta Céus e Terra.

Dessa forma cremos no princípio que tudo aquilo que parece


pouco em nossa entrega, Ele multiplica de maneira abundante
e mostra que tudo será possível para quem tem fé.

10
Conclusão

O nosso Deus verdadeiramente é o Senhor de todas as coisas!


Por isso, envolva-se na obra respondendo ao chamado que te
foi feito e seja sempre generoso na caminhada. O que faltar, Ele
vai prover! E aquilo que você colocar à disposição d'Ele, verá o
cumprimento das Suas promessas em prosperidade.

Para refletir

Quais são as formas de demonstrarmos cooperação e


fidelidade na obra do Senhor?

1.Jeremias 25.11,12: Cumprirei naquela terra tudo o que falei contra ela, tudo o que está escrito
neste livro e que Jeremias profetizou contra todas as nações. Porque os próprios babilônios
serão escravizados por muitas nações e grandes reis; eu lhes retribuirei conforme as suas ações
e as suas obras".
2.2 Reis 24.10-14: Naquela ocasião os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançaram
até Jerusalém e a cercaram, Enquanto seus oficiais a cercavam o próprio Nabucodonosor veio à
cidade. Então Joaquim, rei de Judá, sua mãe, seus conselheiros, seus nobres e seus oficiais se
entregaram; todos se renderam a ele. No oitavo ano do reinado do rei da Babilônia, ele levou
Joaquim como prisioneiro. Conforme o Senhor tinha declarado, Nabucodonosor retirou todos os
tesouros do templo do Senhor e do palácio real, quebrando todos os utensílios de ouro que
Salomão, rei de Israel, fizera para o templo do Senhor.
3.SCHAMA, Simon. A história dos judeus. São Paulo: Cia. Das Letras, 2015. pp. 51-2.
4.Jeremias 29.4-7:Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os
exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: "Construam casas e habitem
nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas;
escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em
casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não
diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao
Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade
dela".
5.Êxodo 11.3: O Senhor tornou os egípcios favoráveis ao povo, e o próprio Moisés era
tido em alta estima no Egito pelos conselheiros do faraó e pelo povo.
6.Atos 2.47: louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes
acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos.

11
SENHOR DAS
RECONSTRUÇÕES!
Senhor das reconstruções
(Ed. 3.1 a 4.24)
Introdução

O povo judeu chegou em Jerusalém para o grande desafio de


retornar do exílio babilônico e assim, recomeçar a vida na terra que o
Senhor prometera a seus antepassados. Além dos desafios de uma
viagem sujeita a saqueadores, doenças, e gestão dos recursos para
a obra, inimigos em oposição semearam desânimo e tiveram
sucesso em paralisar aquele projeto durante anos.

Neste capítulo vamos aprender alguns princípios através dos


elementos do templo que foram construídos e dos inimigos que
foram usados para interromper aquele propósito divino.

1. Edificação do altar e o restabelecimento das festas fixas


(3.1-7)

O altar foi o primeiro a ser edificado na reconstrução do Templo em


Jerusalém pelos que escolheram, em unidade de espírito, separar-se
dos judeus que decidiram ficar na Babilônia.

Basicamente, uma estrutura ou um lugar elevado em que se


ofereciam sacrifícios ou se queimava incenso em adoração ao Deus
verdadeiro. A palavra hebraica mizbéahh (altar) deriva do verbo
radical zaváhh (abater; sacrificar) e refere-se assim basicamente a
um abatedouro, ou a um lugar de sacrifícios.

Além do altar, naquele primeiro momento foram restabelecidas as


festas fixas, instituídas ao povo em seus primórdios, assim como os
holocaustos diários. A visão de prioridade que o Senhor deu a Josué
e seus irmãos, sacerdotes, e Zorobabel foi fundamental para que
aqueles que estavam regressando para sua terra pudessem também
retornar a Ele próprio em observância da Lei. Suas raízes
precisavam ser reavaliadas nesse tempo de restauração com Deus.
A comunhão com Ele vem através da nossa obediência às suas
palavras.
13
Assim como o altar daquele tempo renovaria a ideia de sacrifício
ao verdadeiro Deus, precisamos entender que nossa comunhão
hoje com Ele também requer sacrifícios. Pela graça não temos
que sacrificar mais animais ou nossos próprios corpos. Afinal,
Cristo se ofereceu como sacrifício perfeito em nosso lugar (7).
Todavia, importante é destacar que a caminhada cristã requer
de nós o sacrifício de não permitirmos que nossa natureza
pecaminosa vença nossa busca constante pela santificação (8) e
que a adoração vem primeiro que a construção.

2. Os Alicerces (v. 3.8-13)

No segundo ano da vinda dos exilados para Jerusalém, após


levantarem o altar, os alicerces do novo templo são lançados na
primavera, com grande cerimônia e emoções mistas. Os
fundamentos do novo Templo era o prenúncio da grande obra
que avançava sobre a total devastação, anos atrás ocorrida. No
comentário da Bíblia Shedd é destacado que neste terceiro
capítulo os israelitas aprenderam que a pedra fundamental de
uma nação é a verdadeira religião que, primeiro cuida do altar
(lugar de sacrifício e oração) e entende que nada fica de pé a
não ser aquilo que esteja firme no Senhor(9).

Curiosa foi a mistura de emoções naquela ocasião, em que


enquanto uns se alegravam pelo lançamento dos alicerces,
outros choravam. O que eles estavam construindo não se
aproximaria do tamanho e da grandeza do primeiro Templo. Isto
é registrado pelo profeta Ageu no capítulo 2, versículo 3, do seu
livro: “Quem há entre vós que, tendo ficado, viu esta casa na
sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é esta como
nada diante dos vossos olhos, comparada com aquela?”

Alguns choravam porque compararam o novo templo com a


glória daquele que existia antes. Outros se regozijavam porque
o novo templo era muito maior do que o cativeiro na Babilônia e
do que não terem nenhum templo. Essas duas perspectivas são
verdadeiras. Ambas as emoções são válidas, e se completam.
Este é o caminho da vida. Porém, não é bom olhar para o
passado, sem mantermos a esperança de que o melhor está por
vir, como foi profetizado em Ageu 2.9 (10). O próprio Deus, na
pessoa de Jesus Cristo, visitou aquele Templo reconstruído
diversas vezes, 500 anos mais tarde.

O passado pode ser inspiração para as reconstruções da nossa

14
vida, mas nunca o fundamento. Podemos, pela fé em Deus,
esperarmos realizações maiores à frente! E isso não implicará
sempre em algo materialmente maior que antes, mas com
certeza em propósito divino, espiritual, além do que esperamos.

3. Os Inimigos (cap. 4)

Opositores àquela grande obra se levantaram, impedindo a


edificação do templo e da cidade. Não tiveram sucesso
completo na tentativa que fizeram de se infiltrar e sabotarem
com palavras de desânimo (v. 1-5). Anos depois, como nova
tentativa, enviaram cartas para as autoridades de acusação
contra os habitantes de Judá e Jerusalém (v. 6-8). Anos mais
tarde recorreram, por influência, a quem de fato tinha o poder
para isso, o rei da Babilônia, sucessor de Ciro, Artaxerxes (v.24).

A obra do templo ficou paralisada por cerca de 15 anos (534-


520) e provavelmente foi um tempo de profundo desânimo para
aqueles que partiram da Babilônia, esperançosos por viverem a
promessa de um tempo de paz e bênçãos do Senhor. Com base
em Ageu 1.4 (11), parece que nesse período os judeus voltaram
para a construção e decoração de suas próprias casas.

Alguns estudiosos apontam que essa interrupção pode ter


sinalizado um exemplo de falta de fé dos encarregados da obra,
que deveriam ter continuado firmes desde o início da oposição,
e Deus certamente teria tornado possível a conclusão do
trabalho. Isso nos faz refletir sobre a importância de avançarmos
em meios às dificuldades colocadas à nossa frente em nossa
caminhada cristã, sejam por inimigos carnais ou espirituais.
Palavras de desânimo não podem nos parar, pois o nosso
combustível sempre deve ser a fé em Deus.

Conclusão

Aprendemos neste capítulo que antes de lançarmos nossos


esforços em realizarmos qualquer tipo de trabalho (serviço),
precisamos estar com nossos corações voltados para o Senhor
da obra (adoração). Importante também é entendermos que
precisamos avançar, mesmo diante das circunstâncias
contrárias. O Deus que nos convoca para reconstruções tem
todo o poder para superar nossas expectativas.
15
Para refletir

Como podemos permanecer otimistas em meio às dificuldades nas


reconstruções em nossas vidas?

7.Hebreus 10.14: porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão
sendo santificados.
8.Romanos 12.1: Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
9.BÍBLIA, Português. Bíblia Shedd. 2ª edição. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e
Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil (SBB); São Paulo, SP: Vida Nova, 1997.
10.Ageu 2.9: A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e
neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos.
11.Ageu 1.4: Porventura é para vós tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa
fica deserta?

16
SENHOR DE
RCOMEÇOS!
Senhor de recomeços
(Ed. 5.1-3; Ag.1-15)
Introdução

Quinze anos se passaram desde que a obra do templo foi


interrompida. Deus usa as vozes dos profetas Ageu e Zacarias para
dirigir seu discurso de ação aos líderes e homens fundamentais da
comunidade de Judá.
Neste capítulo aprenderemos que o SENHOR DE TUDO é o Senhor
de recomeços, que encoraja com sua presença e distribui suas
bênçãos a todos que se dispõem em obediência.

1. O SENHOR DE TUDO quebra o silêncio (Ed. 5.1-3)

O povo de Judá se perdeu em meio ao decreto de paralisação das


obras do Templo. Descansaram da possibilidade de clamarem a
Deus, que os chamou para a missão. O rei Artaxerxes, que
determinou a interrupção da obra, não estava mais no governo.
Agora o poder estava com Dario, o medo1.

Nesse momento o Senhor traz correção espiritual de rumo através


dos profetas Ageu e Zacarias. Essa pregação deveria produzir
resultados como um novo início, sem se importar com a oposição. O
Deus que proveu os recursos e os encorajou, era o mesmo que
agora os chamava para tomarem a atitude de saírem do marasmo e
se posicionarem à disposição.
O próprio Espírito do Senhor era a garantia que eles não estavam
sozinhos para recomeçar a tarefa. De muitas formas vemos na Bíblia
o chamado do Senhor para obras grandiosas contando com Sua
ajuda. O homem que recebe responsabilidades de Deus sempre
poderá contar com o auxílio d'Ele.

Se você desenvolver seus olhos espirituais, também verá o propósito


de Deus em querer hoje um novo posicionamento, de compromisso e
fidelidade, para que a obra de Deus avance! Ele pode contar com
você?

18
Perdemos quando nos colocamos à frente do Senhor. Nossos
ganhos não duram quando deixamos Ele de fora da nossa vida.
No Novo Testamento nosso mestre Jesus reafirmou essa
verdade de priorizarmos o Reino dos céus3. Paulo também assim
o fez na sua carta aos Filipenses4.

4. Mãos à obra! (Ag. 12-15)

A mensagem foi bem recebida pelos líderes, com convicção


verdadeira. Trouxe ânimo para eles fazerem a vontade de Deus.
A promessa da permanência d'Ele no processo (v. 13) foi a
garantia que aquele empreendimento era algo espiritual, não
apenas uma obra carnal. Três
2. Exortação contra a negligência (Ag. 1.1-5)

O profeta Ageu desmascara de forma clara o falso ponto de vista


da sua época. A obra de Deus se tornou secundária, na espera
de soluções dos problemas econômicos (v. 2). Além disso, o
povo de Judá se ocupava mais em buscar o bem estar próprio,
construindo e reformando suas casas, do que concluírem o
templo.

Os exilados retornados naquela época diziam que não tinham


recursos para restaurar a casa do Senhor. Todavia, no versículo
4, o texto deixa entendido pelo profeta, que conhecia as reais
condições do povo. Eles reformaram suas casas com forros de
fino acabamento, das paredes com madeiramento caro,
enquanto o Templo estava nos alicerces.

Essa advertência da parte de Deus, por meio de Ageu, nos


ensina que não podemos negligenciar as más condições da Casa
do Senhor. O papel de cuidar do Templo onde Ele é adorado
continua sendo do seu povo. Tanto quanto nos esforçamos física
e financeiramente para nosso conforto, devemos observar as
necessidades da nossa casa espiritual.

3. Desafios à ação (Ag. 7-11)

Novamente o povo de Judá é avisado sobre considerar seus


caminhos e retomar a construção da casa de Deus. O SENHOR
DE TUDO declarou que isso O agradaria e seria para Sua
glorificação (v. 8).

19
Entendermos que tudo aquilo que nos foi proposto é para a
exaltação a Deus, nos desprende de realizações motivadas por
vaidade ou interesses pessoais. O verdadeiro valor do nosso
esforço não tem a ver com a gente, e sim com Ele!

No versículo 9, Ageu afirma a mensagem de Deus, relativa à


causa espiritual da pobreza. As bênçãos materiais que o Senhor
prometera ao Seu povo ainda não tinham se concretizado no
retorno à terra prometida2. Por isso, como consequência, eles
estavam desiludidos e desanimados. A explicação foi que aquele
que não prioriza o SENHOR DE TUDO, e seus propósitos,
impede que Suas bênçãos o alcance.
semanas depois da profecia de Ageu, a pedra fundamental foi
posta. Nesse meio tempo, dedicaram-se a preparar o terreno e
material para recomeçarem as obras no local do Templo.

O comentário bíblico Moody5 afirma que essa forma de


encorajamento já havia sido usada para outros homens (como,
por exemplo em Ex. 3.12; Jr. 1:8)6. Além de continuar sendo a
mais pacífica de todas as promessas feitas aos servos de todo
mundo pelo Senhor Jesus Cristo7.

Todas as boas intenções e propósitos do povo de Deus vem


d'Ele próprio. Ele dá vigor e estratégias para todos os que
querem fazer a Sua vontade. Fundamental é, movidos pela Sua
voz, sermos encorajados a continuarmos na certeza que o
SENHOR DE TUDO sempre estará conosco. Isso produz fé em
nós para ofertarmos à obra e colocarmos a força dos nossos
braços, convictos que sua fidelidade estará presente sempre!

Conclusão

Para a liderança e o restante do povo também não foi diferente.


Deus quer recomeçar propósitos, mas Ele conta com a nossa
fidelidade em dizimar e ofertar, para testemunhamos novos
começos!

Para isso precisamos ouvir sua voz e obedecê-la. Todos os dias


somos despertados pela Palavra de Deus para permanecermos
fiéis ao chamamento da obra de Cristo.

Bom recomeço!

20
Para refletir

Pensando em nossa igreja, quais são as formas de ajudarmos


nas necessidades estruturais do Templo?

Cantor: Delino Marçal: Sou grande!

5.MOODY. Comentário bíblico. Ageu.


6.Êxodo 3.12: E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando
houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte. 7.Jeremias 1.8: Não temas diante
deles; porque estou contigo para te livrar, diz o Senhor.
8.Mateus 28.20: Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

21
SENHOR
LIBERTADOR!
Senhor libertador
(Ed. 6.19-22)
Introdução

No capítulo 6 de Esdras, acompanhamos o desfecho que houve da


carta enviada por Tatenai, governador da região, ao rei Dario. Em
Esdras 5, as obras de reconstrução foram reativadas sem a
permissão do rei. A resposta oficial do rei foi de completo
favorecimento à obra do Templo.

Cerca de cem anos depois, o povo de Deus celebra a Páscoa juntos.


Eles, que viveram situações horríveis e dias de desesperança e dor,
podiam contemplar o cumprimento da promessa de restauração e
libertação do cativeiro. Observamos que é inútil lutar contra a obra
de Deus. O Senhor em sua soberania não permite que nossos
inimigos triunfem para sempre.

1. A Páscoa (v. 19)

Isto aconteceu em 21 de Abril de 515 a.C, cinco semanas depois da


dedicação do novo Templo. A Páscoa judaica é conhecida pelos
judeus como Pessach, palavra do hebraico que significa passagem.
A primeira aconteceu no contexto da escravidão dos hebreus no
Egito.

Aconteceu pouco antes da execução da décima praga, que o anjo da


morte visitou o Egito e matou todos os primogênitos daquela terra.
Esse anjo da morte só não passou pelas casas daqueles que haviam
seguido as ordens de Javé, realizando a festa da forma conforme
havia sido ordenada. Após a décima praga, os hebreus foram libertos
da escravidão e autorizados a retornarem para Canaã.

Aquela memória trazia ao povo a lembrança dos grandes feitos do


Senhor no passado, e esperança de nossas realizações no futuro. O
Senhor encheu o coração do seu povo de alegria. Ele é aquele que
restaura a nossa sorte e nos dá a vontade de viver, lembrando que o
SENHOR DE TUDO é o nosso libertador!

23
2. A unidade dos obreiros do templo (v. 20)

A purificação dos sacerdotes e levitas, com o restabelecimento do


serviço no Templo, são destaques importantes também. Naquele
primeiro culto os
esforços de todos era fundamental. A demonstração de colaboração
entre eles apontava para a observância da Lei em unidade e serviço
em favor de todos.

O texto aponta para o serviço de ambos com a mesma motivação e


dedicação. Isso nos ensina que todos os convocados para a missão
de servirem o povo de Deus, precisam buscar um mesmo
pensamento e sentimento. Objetivos alcançados em unidade
permitirão caminhos mais curtos e satisfatórios para todos. Deus
nos liberta de uma vida egoísta e nos ensina o valor das conquistas
em unidade.

3. Libertação para todos (v.21)

Dois grupos de judeus são mencionados. Aqueles que retornaram


da Babilônia e os que ficaram na terra durante o exílio, se
misturando com povos pagãos1. Para aquela primeira celebração da
Páscoa todos estavam convidados, reafirmando sua fé e esperança
no Deus de seus antepassados.

Casamentos mistos (com pessoas de outros povos) e adoração a


deuses falsos, eram práticas daqueles judeus que ficaram na terra
de Judá. Sendo assim, o convertido achava uma porta aberta para
retorno a Deus. O arrebanhamento dos desgarrados no
cumprimento da promessa também era plano do Eterno.

Nosso Deus tem poder para nos libertar de velhas práticas


pecaminosas e nos possibilitar o retorno. Ele declarou ao seu povo
de Israel que permite o cativeiro, mas em Si próprio previdenciária
salvação e justiça2.

4. Alegria! (v. 22)

A Páscoa seguiu com a celebração da Festa dos Pães Asmos. Sete


dias com alegria, porque Deus tinha mudado o coração do rei da
Assíria a favor do povo, para lhes fortalecer as mãos na obra da
casa de Deus. O povo celebrou em gratidão e reconhecimento do
agir de Deus.

24
Haverão tempos de dificuldades e trabalhos intensos em nossas
vidas, mas quando eles acabarem, devemos celebrar ao Senhor.
Mantermos corações disciplinados à gratidão a Deus pelo que Ele
fez e também pelo que fará é importante. Entregamos o nosso
melhor a Ele sempre, não somente por gratidão, mas também em fé,
crendo no Seu poder para mudar as mais difíceis situações de
nossas vidas.

Por isso, diante das lutas da vida, celebre também as vitórias,


mesmo que tida como pequenas, pois isso vai além da gratidão,
mas, penetra no ambiente da fé!

Conclusão

Se os filhos de Deus estão dispostos a confiar n'Ele, mesmo em


meio a oposição, Deus os libertará e lhes dará mais do que eles
pedem. A Páscoa lembrou ao povo do Seu poder libertador. E
naquela ocasião reafirmava para eles que tudo permanecia da
mesma forma: Ele é soberano e cumpre suas promessas.

Viva isso, pela fé!

Para refletir

Como podemos nos manter confiantes nas promessas de Deus em


situações difíceis na vida?

1.2 Reis 17.33: Adoravam o Senhor, mas também prestavam culto aos seus próprios deuses,
conforme os costumes das nações de onde haviam sido trazidos.
2.Oséias 6.1: Venham, voltemos para o Senhor. Ele nos despedaçou, mas nos trará cura; ele
nos feriu, mas sarará nossas feridas.

25
SENHOR DA
EXCELÊNCIA!
Senhor da excelência
(Ed. 7.1-10)
Introdução

O capítulo 7 de Esdras aponta para uma divisão na história, que


estudiosos apontam a época descrita no livro de Ester. Esdras pediu
autorização ao rei para voltar da Babilônia para Jerusalém. Ele
percebeu que o povo precisava de orientação espiritual.

Vamos refletir nessa lição sobre a importância de atendermos ao


envio do Senhor em favor das necessidades dos outros. À medida
que nos entregamos em excelência experimentaremos sua provisão
e cuidado constantes.

1. O Deus da provisão (v. 6)

O rei persa tinha grande consideração por Esdras, que


provavelmente teve uma posição especial em sua corte. Alguns
sugerem que ele possa ter alcançado algo comparável ao secretário
de Estado para os assuntos dos judeus.

Deus sempre zelou pelo caráter e qualificações daqueles que o


servem em cargos oficiais. Consideramos, por exemplo, as notáveis
qualificações de Moisés e de Paulo, que teriam posições
importantes como líderes no Antigo e no Novo Testamento,
respectivamente.

A posição política e social de Esdras influenciou diretamente na


decisão do rei, que lhe proveu tudo necessário para sua viagem.
Entendemos que todo aquele que se percebe em alguma posição
instituída por Deus terá o Seu favor.

Creia! Na sua caminhada de entrega em favor do Evangelho, o


SENHOR DE TUDO proverá todos os recursos necessários para
cumprir a sua vocação.

27
2. O Deus do cuidado (v. 9)

As viagens daquela época eram grandes desafios. Fosse pela terra


ou por mar, o viajante era obrigado a enfrentar dificuldades e
perigos. Risco de
morte nos passos alpinos, escassez de alimentos, a falta de boas
acomodações, naufrágios, ataques de saqueadores, higiene
inadequada, excesso de calor ou frio, entre outros.

O trajeto percorrido por Esdras era perigoso. Uma rebelião havia


começado no Egito e a primavera era a época em que os exércitos
antigos começavam suas campanhas. Todavia, o relato bíblico é
que o retorno de Esdras para Jerusalém durou 4 meses, sobre o
testemunho que “a boa mão de seu Deus estava sobre ele”.

Uma lição que aprendemos nesse trecho é sobre o cuidado que


Deus tem com os que estão mobilizados em favor dos Seus
propósitos. Não só nesse capítulo, como em episódios anteriores,
Esdras declarou a bondade de Deus em concluir com êxito seus
intentos. Da mesma forma podemos confiar que o Deus que nos
chama, também provê recursos. Ele nos livrará dos perigos à
frente.

3. A missão de ensinar (v. 10)

Esdras foi enviado a Jerusalém para estar com os judeus que


retornaram da Babilônia. Fazia parte de sua missão ensinar a lei de
Deus aos que não a conheciam (v.25). Missão difícil e de muita
responsabilidade. Para isso, ele estabeleceu um propósito pessoal:
buscar a Lei do Senhor, cumpri-la e ensiná-la; nessa ordem.

O primeiro passo de Esdras foi se dispor a buscar a Lei de Deus.


Ninguém realiza a missão de ensinar, se primeiro sua vida não for
influenciada pelo que aprender.

O Apóstolo Paulo escrevendo para Timóteo o admoesta contra


aqueles que se passavam por mestres da lei, mas, sequer
compreendiam o que ensinavam1. Aprender é processo contínuo
na vida de quem ensina.

Para cumprir a Lei do Senhor, Esdras escolheu o caminho da


dependência do SENHOR DE TUDO. Constantemente é relatado.

28
estar em oração e jejum, humilhando-se diante de Deus e
intercedendo pelo povo, que, observando seu exemplo, se dispôs a
buscar a vontade do Senhor2.

O Apóstolo Paulo aconselha Timóteo para ensinar a doutrina de


Cristo sendo exemplo3. Nosso proceder fala mais que nossas
palavras Todo cristão é convocado a fazer o trabalho de um
Esdras, a fim de tornar a Palavra de Deus conhecida às pessoas
de sua própria comunidade. Aqueles que têm recebido de Deus
disposição, habilidade e a responsabilidade de ensinar, que
busque conhecer cada vez mais a Palavra do Senhor. Procure
cumpri-la, não na sua força, mas na dependência de Deus, e a
ensine com temor e dedicação4.

Conclusão

O povo precisava de ajuda espiritual. Esdras não somente reteve


essa informação, mas agiu como instrumento para resolvê-la. Sua
dedicação no preparo e as confirmações de Deus, através da
provisão e cuidado, o impulsionaram a seguir em frente.

Esse exemplo ensina a nos entregarmos em favor dos outros, da


melhor forma que pudermos. Compreendermos que servimos ao
Deus que nos garante um processo guardado por Ele, é a garantia
que sempre valerá à pena nossa excelência.

Para refletir

Como podemos servir a Deus e aos outros com o nosso melhor?

1.1 Timóteo 1.3-4: Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para
ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a
mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus,
que é pela fé.
2.Esdras 8.21; 9.5; 10.1-6.
3.1 Timóteo 4.12: Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis
na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza.
4.Romanos 12.7b: se é ensinar, ensine;

29
SENHOR DE NOSSOS
SONHOS!
Senhor de nossos sonhos!
Texto bíblico: Ed 7.11-26
Introdução

Entramos em uma etapa muito linda do estudo do livro de Esdras,


onde o personagem que dá nome ao livro, viaja da capital persa
para Jerusalém com a segunda leva de judeus. Agora o objetivo é
reconstruir o Templo de Jerusalém.

Aqui encontramos o efeito da ação soberana do Deus Eterno,


Senhor de tudo! Consequência de sua atuação direta na vida do rei
Artaxerxes, todos os recursos materiais e permissões políticas
foram concedidas à Esdras, para que ele executasse a vontade de
Deus. Porém, essa concretização do sonho de reconstruir o Templo
de Jerusalém implicaria em exigências e resultados sobre a vida do
povo de Deus.

Nada diferente do que ocorre conosco, quando pedimos a


intervenção do Senhor de Tudo, e Ele viabiliza tal sonho. Porém,
para a sua concretização, teremos de vivenciar ajustes, por parte
de nossas vidas à sua vontade, bem como teremos a certeza de
suas bênçãos.
Senão vejamos...

1. Exigências para a realização de nossos sonhos

Vivemos em uma sociedade consumista, que experimenta vários


tipos de sonhos. Eles podem ser desde desejos para o simples
consumo, expectativas existenciais, que estão ligados a
realizações pessoais, até sonhos que fazem parte dos sonhos que
o próprio Senhor de Tudo planeja para nós.
Neste momento da sua vida, quais sonhos motivam você a viver?
Saiba que, para todos eles, sempre haverá exigências e resultados.
Foi assim com aquela geração do ano de 457 a.c, que estava
ansiosa pela reconstrução do Templo de Jerusalém. Será assim
conosco também.

. Deus exige voluntariedade do seu povo (v.13)

"Estou decretando que qualquer israelita em meu reino, inclusive


sacerdotes e levitas, que desejar ir a Jerusalém com você, poderá
fazê-lo”.

PFEIFFER e EVERETT (2019) citam que do capítulo 6 para o


capítulo 7 há um espaço de tempo de 58 anos. É exatamente neste
intervalo cronológico que ocorre a história de Ester.

Esdras é levantado por Deus, de dentro da corte persa, na posição


semelhante à de um Secretário de Estado para assuntos ligados ao
povo judeu. O Senhor de Tudo usa da influência política de Esdras
para promover a sua vontade soberana. Tudo estava disponível,
mas Deus sonda o espírito de voluntariedade do seu povo, em
pleno cativeiro.

Apesar de cativa, aquela geração já estava estruturada na capital


persa, com judeus atuando desde o palácio real, até toda rede de
infraestrutura do Reino, seja no comércio, na agricultura ou na
administração. E o desafio lançado era: quem se dispõem a deixar o
conforto de Assur (ou Nínive), para atravessar o deserto e ajudar a
reconstruir o Templo?

Hoje não temos uma cidade ou talvez um templo de alvenaria para


construir. Diferente disso, temos um Reino espiritual a instaurar, a
semear com nossas próprias vidas. E o desafio da voluntariedade
está lançado pelo SENHOR DE TUDO em Mateus 10: “Chamando
seus doze discípulos, deu-lhes autoridade para expulsar espíritos
imundos e curar todas as doenças e enfermidades”. (v.1) ... “Por
onde forem, preguem esta mensagem: ‘O Reino dos céus está
próximo”. (v.7) ... “Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos.
Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as
pombas. Tenham cuidado, pois os homens os entregarão aos
tribunais e os açoitarão nas sinagogas deles ``. (v.16,17) ... “Mas
quando os prenderem, não se preocupem quanto ao que dizer, ou
como dizer. Naquela hora lhes será dado o que dizer, pois não

32
serão vocês que estarão falando, mas o Espírito do Pai de vocês
falará por intermédio de vocês ``. (v.19,20) ... “Todos odiarão vocês
por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”.
(v.22)

Como você vê, não é um convite para um piquenique, mas o


desafio de trilhar diariamente a jornada voluntária no discipulado
com Jesus. Você é um voluntário? Qual será a sua resposta?

. Deus exige desprendimento do seu povo (v.15,16)

“Além disso, você levará a prata e o ouro que o rei e seus


conselheiros
voluntariamente ofereceram ao Deus de Israel, cuja habitação está
em Jerusalém, juntamente com toda a prata e ouro que você
receber da província da Babilônia, bem como as ofertas voluntárias
do povo e dos sacerdotes para o templo do Deus deles em
Jerusalém.”
Veja que o texto é claro afirmando que Deus pôde lançar mão
integralmente do que Artaxerxes tinha para entregar à Esdras. E
veja que não foi pouco! PFEIFFER e EVERETT (2019) citam a
quantia de cem talentos de prata (cerca de US $100.000), cem
coros de trigo (22.000 litros), cem batos de vinho e de
azeite (2.631 litros). A pergunta é, se o ímpio rei persa pode ser
obediente a Deus, devolvendo toda essa riqueza ao Senhor, os
servos do Todo Poderoso também seriam, trazendo seus dízimos e
suas ofertas?

Você tem sido fiel em devolver a Deus aquilo que é devido?

MORRIS (2018, pág.16,17) conta que no início do seu casamento o


sustento deles era integralmente de seu ministério como itinerante.
Assim, quanto mais convites no mês, maior a possibilidade de
ofertas para cobrir seus gastos mensais.

Ele diz ter aprendido a ser fiel dizimista desde cedo, inclusive
dizimando antes de qualquer gasto – isso é praticar as “primícias”.
Pois bem, naquele mês só tinham um único convite. Ele se
preparou, se consagrou e fez o seu melhor naquela pequena igreja.
No final do culto o pastor daquela pequena igreja ficou
entusiasmado pela oferta que surgira para o pregador... foi uma
única oferta, mas exatamente o valor para cobrir o seu mês inteiro!

Por que Robert Morris vivenciou aquela experiência de fé com

33
Deus? Porque ele e sua esposa Debbie ousaram se desprender dos
bens materiais, confiando que Deus os sustentaria.

Você está pronto para oferecer a Deus a sua voluntariedade e


desprendimento das coisas materiais, para confiar que Deus suprirá
todas as suas necessidades?

. Deus exige prática da Palavra (v.25b)

O contexto é a designação que Esdras recebera, de criar um


sistema judicial capaz de julgar e ordenar o povo, com o aval do rei.
Para isso ele deve governar sobre “todo povo que está além do
Eufrates”, ou seja, todo
judeu desta região. Para isso, Esdras terá de ensinar a todos a lei do
Senhor.

Como vimos no capítulo passado, Esdras estava preparado para


isso, pois ele havia decidido no seu coração “dedicar-se a estudar a
Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e
mandamentos aos israelitas”. Ed 7.10.

Estamos diante de um princípio bíblico. Para ensinar, Esdras precisa


conhecer e viver o que ensinaria. Da mesma forma, para
participarmos dos sonhos de Deus para as nossas vidas e para essa
geração, temos de conhecer a Palavra de Deus e vivermos essa
Palavra!

Você tem crescido no conhecimento da Palavra de Deus? Você tem


crescido na prática da Palavra de Deus?

2. Resultados da realização de nossos sonhos

Sim! Depois de atendermos as exigências ou requisitos para a


realização dos sonhos, vem os resultados! Glória a Deus por isso!

. Deus providencia restituição (v.19)

“Entregue ao Deus de Jerusalém todos os utensílios que foram


confiados a você para o culto no templo de seu Deus”.

Há um dado interessante aqui. Na versão Contemporânea de


Almeida, Artaxerxes diz estar “restituindo” esses utensílios ao
Templo de Jerusalém, ou seja, devolvendo o que fora tomado. Mas
no capítulo 1.7 a 9 isso já havia sido feito por Ciro. Naquela ocasião,

34
"ao todo foram, na verdade, cinco mil e quatrocentos utensílios de
ouro e de prata. Sesbazar trouxe tudo isso consigo quando os
exilados vieram da Babilônia para Jerusalém”. (1.11)

Sendo assim, provavelmente, o que está acontecendo no cap.7.19,


ou se refere a uma dádiva a mais, feita por Artaxerxes, para a
celebração do culto judaico, ou estamos diante de uma reparação
feita pelo novo rei persa, referente a utensílios que deixaram de ser
devolvidos pela administração do rei Ciro, saqueados por
Nabucodonosor do Templo de Jerusalém (KIDNER, 1985, p.65).

De uma forma, ou de outra, estamos diante de um Deus que sempre


cumpre as suas promessas! Se nos arrependermos de nossos
pecados,
abandoná-los e nos consagrarmos a Ele, o Senhor de Tudo nos
perdoa e restituiu o que fora perdido!

. Deus providencia suprimento (v.15,16)

“Além disso, você levará a prata e o ouro que o rei e seus


conselheiros voluntariamente ofereceram ao Deus de Israel, cuja
habitação está em Jerusalém, juntamente com toda a prata e ouro
que você receber da província da Babilônia, bem como as ofertas
voluntárias do povo e dos sacerdotes para o templo do Deus deles
em Jerusalém”.

O fato é tão volumoso que fica impossibilitado para qualquer ser


humano não compreender que é Deus quem está agindo através do
rei Artaxerxes. Além de deixar claro a devolução, o rei o faz com o
coração adorador. “Você levará a prata e o ouro que o rei e seus
conselheiros voluntariamente ofereceram ao Deus de Israel”.

Também o texto descreve que Deus supre tudo o que será


necessário para a tarefa designada. Eles teriam todo o recurso
necessário!

Você entende o que Deus está dizendo? Se você se voluntariar em


segui-lo, for fiel a Ele na entrega de sua vida material, e se apegar à
Palavra, “o meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de
acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus”. (Fl 4.19)

. Adoração (v.27,28a)

”Bendito seja o Senhor, o Deus de nossos antepassados, que pôs

35
no coração do rei o propósito de honrar desta maneira o templo do
Senhor em Jerusalém, e que, por sua bondade, levou o rei, os seus
conselheiros e todos os seus altos oficiais”.

Um princípio bíblico - Sempre que respondemos com atos de fé ao


Senhor de Tudo, no seu tempo, Ele realiza grandes feitos. Isto
sempre produz em nós uma alegria espiritual tão grande, que
explode de nossos lábios em forma de adoração a Ele.

Sendo assim, o que você tem produzido com seus lábios será uma
radiografia da sua vida com Deus. Se você tem exalado louvor e
adoração, será prova de que Deus tem tido domínio e controle de
sua vida. Se seus lábios têm exalado amargura e murmuração, o
Eterno ainda não tem realizado a sua Santa vontade em sua vida.
. Encorajamento (v.28b)
“Como a mão do Senhor meu Deus esteve sobre mim, tomei
coragem e reuni alguns líderes de Israel para me acompanharem”.
Esse é o destaque final neste texto. Sempre que testemunhamos o
agir de Deus sobre nossas vidas, gera em nós um natural
encorajamento ao ponto de nos impulsionar a seguir na direção do
Eterno. Nos voluntariar para seguir a Jesus confiando a Ele toda a
nossa vida, inclusive em fidelidade em nossas finanças, e
obedecendo a sua Palavra, o Eterno sempre nos recompensa com
suas bênçãos!

Conclusão
Que nossas vidas testemunhem esse avivamento espiritual,
produzido pelo confronto de nossas vidas individualizadas pelo
egoísmo, com o amoroso agir de Deus em nossas histórias, nos
surpreendendo com seus feitos inegáveis de poder, nos
constrangendo a adorá-lo e servi-lo.

Para refletir
Na sua opinião, quais os maiores obstáculos para as pessoas
confiarem as suas vidas financeiras nas mãos de Deus, ao ponto de
serem fiéis a Ele?

KIDNER, Derek. “Esdras e Neemias, introdução e comentário”. Série Cultura Bíblica. Trad. Gordon Chown.
São Paulo: Nova Vida & Mundo Cristão, 1985. 197p.
MORRIS, Robert. “Uma vida abençoada”. Rio de Janeiro: Luz às Nações. 2010. 194p.
PFEIFFER, CHARLES F. & EVERETT F. Harrison. “Comentário Bíblico Moody”. Vol. 1 – Genesis à Malaquias”.
São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2019

36
SENHOR DE NOSSA
VIDA PROFISSIONAL!
Senhor de nossa vida profissional!
Texto bíblico: Ed 8.15 a 34

Introdução

Avançamos no estudo do livro de Esdras, e chegamos a um


episódio rico em ensino e aplicação para a nossa vida
profissional.

No capítulo 8, Esdras está atarefado de conduzir da Babilônia até


Jerusalém, uma enorme fortuna em forma de jóias e utensílios de
ouro, prata e bronze polido. Porém há grandes riscos pela frente.
Riscos em questão de segurança contra emboscadas feitas por
inimigos, como risco na lisura de tal entrega. Deste texto
buscaremos encontrar princípios sobre o Senhorio de Cristo para
a nossa vida profissional.

1. O ponto inicial de tudo! (8.21-23)

Esdras e seu povo chegam ao rio que corre para Aava (8.15),
quando se constata que não há entre eles filhos de Levi. Então
providenciam quem possa servir no templo. Porém, logo entrarão
em terras perigosas, oportunas para emboscadas feitas por
inimigos. Por isso, convoca ali mesmo um jejum. (8.21-23)

O que podemos extrair de lições sobre esse ato de jejuar, segundo


este texto?

a. O jejum tem um objetivo central (v.21a) - nos humilharmos e


buscarmos diante da face de Deus. Aquela geração de judeus
precisava desesperadamente da boa mão de Deus, e só
clamando por misericórdia é que a encontrariam.

b. O jejum precisa de ter um alvo específico e relevante


(v.21b,22) – no caso vivido era a travessia que logo fariam
em terras estrangeiras.

38
O jejum é uma prática presente também no Novo Testamento, que
deve ser absorvida por nós, cristãos do século 21.E não faltam
motivos específicos e relevantes para nós buscarmos a face de
Deus.

c. O jejum tem um resultado esperado (v.23) – “Assim jejuamos, e


pedimos isso ao nosso Deus, e ele nos atendeu”!

Precisamos associar constantemente a prática da oração, tal como


feito durante o jejum, com a dinâmica de nossa vida profissional.

2. Senhor da nossa conduta profissional (8.24-30)

Os que receberam aquela tarefa eram sacerdotes, homens da


religião. Mas foram atarefados de cuidar do transporte de valores
financeiros elevados, e prestar-lhes conta de tudo. Se este episódio
fosse vivido hoje, como você imaginaria esses sacerdotes judeus
transportando tais valores? Teríamos que colocar neles coletes à
prova de bala, armas poderosas e muita munição, todos protegidos
em vários carros fortes, com a escolta armada, tudo com cobertura
via satélite. Mas, perceba que tal tarefa secular foi desenvolvida
com senso de missão, à serviço de Deus.

Isso nos faz pensar que nossas tarefas, aparentemente seculares,


também estão à serviço do Reino de Deus. Implica em reafirmar o
conceito bíblico do Antigo Testamento, quando Deus atarefou Adão
e Eva de administrarem a terra (Gn 1.26 e 28), aquela era uma
missão divina, confiada ao homem. Da mesma forma, sua
profissão deve ser vivida espiritualmente, como uma missão diante
de Deus!

No Novo Testamento encontramos o mesmo conceito para a vida


profissional do cristão. O texto do Novo Testamento nos lembra que
trabalhamos para Deus, seja na função de líder ou liderado,
desenvolvendo produtos ou serviços para a administração da terra.
Porém, antes de tudo, produzimos para glorificar a Deus! Por isso,
devemos fazer sempre o melhor, pois trabalhamos como quem
desempenha uma missão diante de Deus, à serviço de pessoas.
(Ef 6.5-9; 1Pd 2.18-22)

O Pr. Carlito Paes afirma que “nossa excelência glorifica a Deus e


honra as pessoas”.

39
Vejamos que orientações o texto nos dá para a nossa vida
profissional.

a. Devemos nos capacitar profissionalmente ao máximo, para


desempenharmos nossa tarefa (v.24)

O texto diz que Josué fez uma seleção entre os homens que
estavam disponíveis, separando os mais capacitados. Esses foram
honrados em servir a Deus através daquela importantíssima missão.
Isso nos ensina que devemos manter a prática de sempre estarmos
buscando o aperfeiçoamento profissional, cada um em sua área.

Outro fato do texto é que eles eram sacerdotes, e não guerreiros.


Mesmo assim, provavelmente, por terem alguma afinidade com a
missão, foram selecionados para o cargo, claramente pelo perfil
moral que possuíam para aquela responsabilidade. Ou seja, eles
tiveram um valor agregado em seu perfil.

Em dias de tanto desemprego, podemos ver no texto uma sugestão


valiosa. Além de buscarmos o aperfeiçoamento profissional,
devemos buscar identificar pontos fortes em nosso perfil e
desenvolvê-los. Especialistas em recursos humanos são unânimes
ao destacar algumas características que somam em qualquer equipe
profissional: espírito de liderança, criatividade, boa comunicação,
flexibilidade, busca por conhecimento, pró atividade, bom uso do
tempo, entre outros.

b. Devemos desenvolver nossa prática profissional sempre


respaldada em transparência

Os versos 25 e 26 mostram isso. As expressões como começam os


dois versos são ricas: “pesei diante deles...” (...) “pesei e os
entreguei”. A atitude de Josué em registrar tudo o que estava sendo
confiado às mãos dos sacerdotes era um ato transparência e
retidão. O que protegeria tanto o que atarefava, como ao que era
atarefado de tal missão.

Veja como o tema da transparência é tão relevante, que em nível de


Brasil, a sociedade impôs à necessidade de um instrumento de
consulta dos gastos federais. Daí a existência do Portal da
Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União, que tem
exatamente o objetivo de prestação de contas dos gastos públicos
federais.

40
No cenário internacional existem instituições não governamentais
que atuam com o apoio da ONU, visando o monitoramento de
governos e
instituições particulares, com o objetivo de garantir a transparência
e retidão de políticas e condutas de seus executivos. Entre essas
organizações, estão a Transparência Internacional, Greenpeace,
Anistia Internacional, Freedom House, entre outras.

Mas, apesar de tudo isso existir no mundo macro de nossas


sociedades, nada adiantará, se, no mundo micro de nossa
existência, individualmente não exercermos tal vigilância e
prestação de contas de nossos negócios e ações.
“Quem anda direito tema ao Senhor, quem segue caminhos
enganosos o despreza” (Pv 14.2)

c. Devemos trabalhar sempre praticando a prestação de


contas (v.29-34)

Alguém poderia pesar ter sido falta de confiança nos sacerdotes


comissionados de fazerem tal entrega, mas o zelo de Esdras em
contar e registrar todos os bens e seus valores, bem como a lisura
dos sacerdotes em entregar em mãos dos responsáveis, mediante
conferencia detalhada e conferida, permitiu que tal missão fosse
completada com sucesso, para a glória de Deus!

Houve tempo em que as igrejas batistas tinham a prática de seus


tesoureiros receberem os valores em espécie sozinhos, levá-los
para as suas casas sozinhos, e contá-los também sozinhos. Isso
era funcional, mas os expunham a todo tipo de questionamentos e
suspeitas, o que gerava na vida comunal das igrejas muito mal-
estar, acusações e fofocas.

Se tudo em nossas vidas orbita em torno do Reino de Deus,


inclusive a nossa prática profissional, devemos lidar com
transparência e lisura em tudo o que fizermos.

41
d. Devemos trabalhar sempre dependendo da boa mão de
Deus (v.31,32)

Interessante que os sacerdotes são enviados, fazem todo


empenho possível para realizarem sua missão, são zelosos nos
detalhes, e no final, reconhecem que tudo foi permitido pela boa
mão de Deus!

Isso nos ensina que:

1. Como já observado, toda aquela travessia perigosa foi


antecedida por uma entrega total a Deus! No canal de Aava eles
se consagraram a Deus. Que seu dia de trabalho seja iniciado com
uma entrega total à vontade de Deus!

2. Do início até o fim, eles reconheceram: “a mão do nosso Deus


esteve sobre nós, e ele nos protegeu do ataque de inimigos e
assaltantes pelo caminho”. (v.31) Que ao entrar e ao sair de
nossos ambientes de trabalho, sejamos marcados pela presença
da boa mão de Deus, nos livrando de ciladas e inimigos.

3. Para quem faz tal travessia, experimentando o cuidado de Deus,


no final, sempre descansa no Senhor! “Assim chegamos a
Jerusalém, e ficamos descansando...”. (v.3) Que apesar de nossos
esforços, a percepção da presença de Deus seja motivo de nosso
descanso.

Conclusão

Tal como foi com aquela geração de israelitas, hoje, o Senhor de


Tudo se disponibiliza em abençoar nossa jornada profissional, se
confiarmos n’Ele desde o primeiro ao último passo, se nos
aplicarmos a atuarmos em busca da excelência, tal como que
trabalha para ele, não somente para os homens, experimentando
lisura e retidão em toda forma de negócio.

O resultado será o mesmo... Descansaremos em Deus!


Bom trabalho!

42
Para refletir

Cite duas ações práticas sugeridas neste capítulo para aplicar na


vida profissional.

43
SENHOR DE NOSSAS
DECISÕES!
Senhor de nossas decisões!
Texto bíblico: Ed 10. 1-17
Introdução

Nossas vidas são marcadas por decisões. Não apenas por


decisões fundamentais, como a escolha de uma profissão,
casamento ou tema similar. Mas também por pequenas escolhas
diárias, que vão delineando quem de fato nós somos.

Sim. Nossas vidas são marcadas por decisões! A questão é: quem


influencia as nossas escolhas? O que fundamenta as nossas
decisões?
No texto de hoje encontraremos as dicas bíblicas para tomarmos
decisões seguras em nossas vidas!

1. A decisão do momento

Para tratar sobre tomada de decisões, nos deparamos logo de


início como uma situação tremendamente delicada.

Os exilados, descentes dos que chegaram a Jerusalém, a cerca de


oitenta anos antes, trazidos por Zorobabel, não foram zelosos na
observância das Escrituras. Adotaram a prática de buscar mulheres
dos povos vizinhos, para casamento de seus filhos.

Quando informado de que esta prática se tornara decorrente entre


aqueles judeus, Esdras sentiu-se profundamente quebrantado,
pela percepção do pecado cometido (cap.9). Seu quebrantamento
tocou o coração de seus liderados e alcançou toda a nação.

Antes de tratarmos sobre o foco deste capítulo, que é o Senhorio


de Cristo nas tomadas de nossas decisões, precisamos responder
à questão ética deste contexto. Qual a razão para a orientação dos
judeus desfazerem seus casamentos, mandando as mulheres
estrangeiras e seus filhos de volta às suas famílias de origem?

45
a. Foi uma escolha respaldada na opção de obedecer uma
recomendação bíblica, para aquele contexto histórico. O divórcio
era permitido pela Lei de Moisés “por causa da dureza do coração
do povo” (Mt 19.8; Dt 24.1-4). E como tudo indica que aquelas
mulheres não eram esposas, mas sim
concubinas, a atitude foi considerada como uma ação de
reparação à casamentos ilícitos pela Lei de Moisés.

b. Em uma primeira visão pode parecer que se trate de uma


postura de preconceito racial. Em nossos dias seria manchete de
jornais. Mas, o comentário do texto da Bíblia Shedd (1998,
pag.680) aponta que não se caracterizou em ato racista, pois
“todos os antigos povos de Canaã eram semíticos, e o vizinhos
que agora estavam invadindo Jerusalém também o eram”.
Pessoalmente identifico com um ato característico de um
etnocentrismo.

c. Hoje, a missiologia orienta que, no encontro do Evangelho com


culturas que praticam o casamento poligâmico, a Palavra de Deus
seja apresentada, mas não imposto a ruptura das estruturas
familiares poligâmicas. A orientação é que, ao longo do tempo,
com o surgimento de novas gerações, o Evangelho seja absorvido,
gradativamente, por essa nova cultura, ao ponto de surgirem
novos casamentos monogâmicos. Isso impede que o Evangelho
venha causar a desestruturação social de uma etnia (NICHOLLS,
2013)

2. Como tomar decisões de forma segura

Se existem alguns aspectos fundamentais para o Senhorio de


Cristo em nossas vidas, certamente a tomada de decisões está na
lista dos mais importantes!
E o que podemos encontrar neste texto bíblico, que nos ensine
sobre a mordomia cristã nas tomadas de decisões?

a. Busque a face de Deus em oração (v.1a)

“Enquanto Esdras estava orando e confessando, chorando


prostrado diante do templo de Deus...”

Não são poucas as vezes em que somos confrontados a tomar


decisões que nos agradará ou não, ou ainda, que agradará a uns
e desagradará a outros. Faz parte da vida, principalmente se
estivermos em posição de liderança sobre alguém ou alguns.

46
Esdras estava diante de uma geração de judeus, em que muitos
estavam com suas vidas e famílias estruturadas, de forma
contrária à orientação divina.

Diante disto, Esdras, sente o peso da liderança administrativa e


espiritual do povo que se afastava de Deus. Sua reação foi orar e
confessar tal pecado a Deus (10.1)

Seja a escolha de uma profissão, o pedido de um namoro, uma


prova seletiva a realizar, entre outros, em qualquer momento de
empasse ou tomada de decisão, a oração deve ser o primeiro
passo a ser dado por um cristão. E de uma forma especial a
oração de confissão, de rendição. No caso da geração de Esdras
havia um pecado específico a reconhecer. Se for o caso, que se
confesse, movido por arrependimento. Mas, caso não haja um ato
pecaminoso a ser confidenciado, que se confesse a simples
verdade de necessitarmos de uma orientação específica. A
confissão de dependência nos conectará direto ao coração de
Deus.

“Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado;


um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás”.
Salmos 51:17

b. Assegure-se na Palavra

Esdras, que era escriba, conhecia as Escrituras Sagradas. E


especialmente para aquele empasse nacional, sua mente está
fixada na orientação bíblica de Deuteronômio 7. 3 e 4: “Não se
casem com pessoas de lá. Não deem suas filhas aos filhos delas,
nem tomem as filhas delas para os seus filhos,
pois elas desviariam seus filhos de seguir-me para servir a outros
deuses e, por causa disso, a ira do Senhor se acenderia contra
vocês e rapidamente os destruiria”.

Sempre que houver dúvida quanto à o que fazer, busque


compreender o que o ensino bíblico orienta. E como visto no
capítulo 5 do nosso E-book, Esdras já há bom tempo estava
comprometido em “dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a
praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos
israelitas”. (7.10). Só que, para isso, você também precisa
conhecer a Bíblia de forma profunda.

47
c. Ouça os conselhos de pessoas confiáveis (v.2-4)

Secanias, um dos líderes próximos a Esdras, disse a ele: "Fomos


infiéis ao nosso Deus quando nos casamos com mulheres
estrangeiras procedentes dos povos vizinhos. Mas, apesar disso,
ainda há esperança para Israel.
Façamos agora um acordo diante do nosso Deus, e mandemos de
volta todas essas mulheres e seus filhos, segundo o conselho do
meu senhor e daqueles que tremem diante dos mandamentos de
nosso Deus. Que isso seja feito em conformidade com a Lei.
Levante-se! Esta questão está em suas mãos, mas nós o
apoiaremos. Tenha coragem e mãos à obra! " (10.2-4)

Deus usou pessoas ao redor de Esdras para confirmar o que Ele


estava lhe falando ao coração durante a sua busca pela oração, em
acordo com tudo que as Escrituras Sagradas já diziam. O que lhe
encorajou a dar o próximo passo para uma tomada de decisão
segura...

d. Discirna o certo e o errado a partir do ponto de vista de outras


pessoas confiáveis (v.5)

“Esdras levantou-se e fez os sacerdotes principais e os levitas e todo


o Israel jurarem que fariam o que fora sugerido. E eles juraram.”

Uma das maneiras de Deus nos ajudar a entender a sua vontade


para as nossas vidas, também é através das pessoas que nos
cercam, desde que sejam homens e mulheres espirituais. Sim, pois,
“Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito
de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque
elas são discernidas espiritualmente.
Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por
ninguém é discernido (1 Co 2:14,15).

Esdras além de ouvir Secanias, também percebeu que aqueles que


estavam ao seu redor sinalizavam na mesma direção, em sintonia
com o que Deus lhe falara em oração, de acordo com a Palavra de
Deus, tal como aconselhado pelo homem de Deus.

Por isso, ouça o ponto de vista de quem está ao seu redor, seja seus
pais, seus líderes espirituais ou pessoas maduras que te amam. Se
houver consonância com a voz do Espírito ouvida na oração, na

48
leitura da Bíblia e no aconselhamento recebido, ande para o
próximo passo...

e. Posicione-se! (v.10-12)

Uma das piores atitudes de um (a) líder é não tomar uma posição
em horas de crises. Isso pode ocorrer no trabalho, em casa, na
igreja ou no grupo familiar. Neste momento, se o (a) líder divaga
no direcionamento, alguém se levantará em seu lugar, o que
também poderá trazer efeitos colaterais, fora da vontade de Deus.

O que gera essa dificuldade de posicionamento na hora de uma


crise? Muitas vezes ocorre por indecisão, devido não saber o
próximo passo a dar. Os passos citados acima não são uma
receita de bolo, um passo a passo mágico, mas poderá nortear
você ao longo de sua jornada cristã aprender a discernir a vontade
de Deus.

3. O resultado de uma decisão correta

Vamos olhar para o texto bíblico e tentar encontrar quais são


alguns dos resultados de uma decisão correta.

a. Quebrantamento espiritual

Sem dúvida alguma, ninguém poderia imaginar que a simples


argumentação de um homem, ou sua provável influência política,
causaria um impacto tão grande em toda uma nação, ao ponto de
haver uma comoção nacional e genuíno arrependimento em
centenas de chefes de famílias, ao ponto de romperem com suas
esposas concubinas e seus respectivos filhos. Só mesmo o poder
de Deus, em resposta à oração e arrependimento para provocar tal
resposta.

Quando um cristão é dirigido por Deus a tomar decisões corretas,


pode se tornar um caminho para o derramar da graça e
intervenção de Deus entre os homens!

b. Orientação correta do povo

Que maravilha é ver a história de um povo que ouve e aceita a


orientação correta para as suas vidas! Imagine isso em seu
trabalho, em sua casa, em seu ambiente estudantil. Vai gerar um
avivamento espiritual!
49
O profeta disse no passado que “o meu povo foi destruído por falta
de conhecimento”. (Os 4.6) Mas, imagine o contrário? Se ao invés
de falta de conhecimento, houver conhecimento e cumprimento da
vontade de Deus? A Bíblia nos diz indiretamente que “o meu povo
será construído, edificado, fortalecido! Se houver a tomada correta
de decisões em nossas vidas.

c. Benção de Deus

Entre os resultados de uma decisão correta está a benção de Deus.


A promessa é: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se
humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus
caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a
sua terra”. (2 Cr 7:14)

Conclusão

Você deseja que Deus seja Senhor de Tudo na sua vida, inclusive
nas suas decisões? Renda-se a Ele e seja as pistas sugeridas aqui,
para que você experimente qual seja a “boa, perfeita e agradável
vontade de Deus”. (Rm 12.2)

Para refletir

Entre as pistas sugeridas neste capítulo, para que um cristão


entenda a vontade de Deus, na sua opinião, qual vem a ser a que
você mais usa?

NICHOLLS, Bruce J. Contextualização, uma Teologia do Evangelho e Cultura. São Paulo: Vida Nova,
2013, 96p.

50
SENHOR DE NOSSOS
RELACIONAMENTOS!
Senhor de nossos relacionamentos!
Texto bíblico: Ne 1.1-11;2.1-10

Introdução

Uma das características dos nossos relacionamentos sociais de


hoje é a marca da solidão e do isolamento, gerado por contatos
superficiais. Quem de nós não tem, ou conhece pessoas que
possuem milhares de “amigos virtuais” nas redes sociais? Porém,
quantos desses “milhares” são verdadeiramente amigos para a
hora da aflição?
Você conseguiria listar em sua mente, agora, dez nomes de
amigos (as), aos quais você nutri contato constante, significativo e
relevante em sua vida? O SENHOR DE TUDO também quer reinar
na área de nossos relacionamentos pessoais.

Neemias abre seu livro nos mostrando como combater esse


isolamento e solidão em nossos relacionamentos pessoais, e
desenvolver contatos que honre e glorifique Seu nome. Entre os
ensinos de Neemias, estão os princípios que seguem:

1. Não se esquecer de sua origem (1.2-4)

Neemias fazia parte de uma geração de exilados, em terra


estranha e em um novo contexto. Todavia, pela boa mão de Deus,
encontrava-se com um ofício privilegiado. Ele era copeiro do rei,
cargo de confiança, com estabilidade e em situação confortável.
Facilmente poderia ter se esquecido da sua origem, de seus
amigos, e do seu povo. Porém, mesmo assim ele se informou e se
inquietou com as notícias de Jerusalém (1.2-4). Neemias não se
esqueceu de sua origem!

Veja o sentimento do salmista (137. 5,6) diante do risco de se


esquecer da sua história, de seus amigos e do seu povo: “Que a
minha mão direita definhe, ó Jerusalém, se eu me esquecer de ti!

52
Que a língua se me grude ao céu da boca, se eu não me lembrar
de ti, e não considerar Jerusalém a minha maior alegria”!
(Sl.137:5,6)

Um alerta! Facilmente podemos esquecer de nossos contatos do


passado ou do presente. Corremos o risco de esquecer de nossos
amigos e amigas. Basta ocorrer um natural afastamento de
atividades ou algum
problema de relacionamento, que esses contatos tendem a se
esfriar, e em alguns casos, literalmente morrer! Se isso acontece
com relacionamentos entre pessoas, as quais vemos e tocamos,
muito mais, então, corremos o mesmo risco em nosso
relacionamento com Deus, que é o Espírito. Risco de um
afastamento, de um entristecimento, e até mesmo de um
falecimento na relação com Deus!

Veja as recomendações bíblicas:

“Tenham cuidado! Não esqueçam o Senhor que os tirou do Egito,


da terra da escravidão. (Dt 6.12)

“Não aconteça que, depois de terem comido até ficarem


satisfeitos, de terem construído boas casas e nelas morado, de
aumentarem os seus rebanhos, a sua prata e o seu ouro, e todos
os seus bens, o seu coração fique orgulhoso e vocês se esqueçam
do Senhor, do seu Deus, que os tirou do Egito, da terra da
escravidão”. (Dt 8:12-14)

Aplicação – Em nosso relacionamento com Deus, corremos o risco


de pensar que Deus se esquece de mim, ou de você. Nós é que
esquecemos d’Ele. Quando, na verdade, Ele apenas se esquece
de nossos pecados (Is 49.14,16 e 43.25).

2. Praticar confissão de pecados e intercessão pelos seus


(1.5-11)

Diante das tristes notícias que Neemias acabara de receber a


respeito de seus amigos em Jerusalém, ele se inspira na oração
feita por Salomão, na dedicação do Templo (2 Cr 6). Ali, Salomão,
ao dedicar o Templo, orou adorando a Deus, confessando pecados
e pedindo o cumprimento da promessa feita a seu pai, Davi, de
que se houvesse arrependimento e conversão, Deus atendesse as
orações feitas ali.

53
De igual forma, o reconstrutor dos muros de Jerusalém ora
adorando a Deus (v.5), como também confessa seus pecados e do
seu povo (v.5,6). Por essa razão ele suplica para que se cumprisse
a promessa de perdão feita a Moisés (v.8-11).

O autor aos Hebreus, no capítulo 13, trabalha na mesma ideia.


Para ele, o ato de lembrar de pessoas de nossos relacionamentos,
bem como lembrar de praticar para estes atos de amor, fecundam
em nós a bênção de Deus em nossos relacionamentos. O autor
aos Hebreus nos recomenda: “não esqueçais da hospitalidade”
(v.2); “lembrai-vos dos presos e maltratados (v.3); “lembrai-vos dos
vossos guias” (v.7); “não vos esqueçais de fazer o bem” (v.16).

Provavelmente entre os nossos contatos pessoais, existam amigos


e amigas que precisam ser lembrados neste momento. Pessoas
queridas que precisam de uma intercessão, que mova os céus,
mas que também nos mova, ao ponto de gerar uma reação dentro
de nós. Reação essa que nos impulsione a expressarmos atos
práticos de amor, que testemunhem do nosso genuíno sentimento
por elas, como também de Deus!

Neemias nos ensina que lembrar de nossos amigos é questão


básica para que possamos interceder e agirmos em seu favor.

3. Desenvolver relacionamentos profundos em prol do Reino


de Deus (2.1-10)

O texto diz que Neemias tinha antigos amigos, como Hanani e


alguns de Judá
(v.2), e novos amigos, como o rei Artaxerxes e a rainha (2.1-2). Em
ambos os casos, encontramos Neemias desenvolvendo seus
relacionamentos de forma significativa e relevante para o momento
histórico em que ele vivia.

Neemias tinha a capacidade de nutrir relacionamento significativo e


relevante com antigos e novos amigos. E você?

Há quem só tenha amigos de contatos antigos, por não conseguir


desenvolver novos relacionamentos. Há quem só tenha amigos de
contatos recentes, por não conseguir nutrir antigos interesses. E
ainda há os que não tem amigos, nem antigos, muito menos atuais,
por total dificuldade em desenvolver contato com o próximo. Em
todos os casos, o problema está na falha em conectar-se com o
outro, gerando uma carência em seus relacionamentos.

54
Que dicas Neemias nos dá para produzirmos relacionamentos
relevantes?

Manter contato

Muitas pessoas perdem o interesse em outras pessoas por um


excesso de interesse próprio, o que é um erro!

Neemias, mesmo estando na corte, em contato direto com o rei


Artaxerxes, se interessou por seu amigo Hanani. Por isso, manteve
o canal de comunicação aberto com ele. Isso nos sugere que
devemos dar passos mais profundos em relação aos que
desejamos nutrir relacionamentos mais significativos. Nos
aproximarmos, como também permitirmos tal aproximação.

Interesse no que o outro tem a dizer

Hanani não tinha o que falar sobre a corte, os costumes e gostos


da realeza. E provavelmente não estava trajado com roupas do
novo ambiente de Neemias. Mesmo assim, Neemias se interessou
pelo que estava no coração de seu amigo. A sua essência era o
que Neemias buscava!

Quando escolhemos determinada pessoa, entre muitas outras, para


ser nosso amigo, nossa amiga, é porque encontramos em algum
momento da vida, algo que nos conectou a essa pessoa. Se você
deseja nutrir essa amizade, valorize essa conexão! O que a outra
pessoa tem a dizer. O que a outra pessoa traz no coração.

Sensibilidade

Neemias se sensibilizou com Hanani, tal como o rei Artaxerxes se


sensibilizou com Neemias. Veja que, Neemias nem tinha falado e o
amigo rei notou seu semblante caído, e desejou alegrá-lo.
Sensibilidade ao lidar com o próximo, exige de nós, a capacidade
de olhar para o outro, e não somente para nós mesmos.

Construir rede de relacionamentos do bem

Mesmo não estando com seu wifi ligado, ou conectado nas redes
sociais de nossos dias, Neemias também tinha suas redes
relacionais. Ele articulou seus contatos para identificar a situação

55
de Jerusalém, bem como lançou mão de seus contatos pessoais
para levantar os meios necessários para o projeto de sua vida – o
soerguimento dos muros de Jerusalém.

Para quem quer desenvolver relacionamentos significativos, deve


ter objetivos da mesma forma relevantes. E como diz uma sábia
amiga de minha esposa, “as pessoas se juntam conforme as suas
cabeças”, logo, quem anda com você, valoriza fatos como você. E
nada melhor para

aprofundar relacionamentos do que trabalharmos juntos em prol


de um bem maior. Neste caso, o Reino de Deus está coberto de
propostas maiores. Seja na promoção da igualdade social, nos
direitos humanos, na obra social ou missionária, no socorro
humanitário, enfim, o Reino de Deus está repleto de bons e nobres
motivos para interligarmos contatos de pessoas que pensam como
a gente! E nisto, faremos a vontade daquele que é SENHOR DE
TUDO!

Conclusão

O SENHOR DE TUDO deseja que você o coloque com dono de


seus contatos. Para isso, Ele precisa ser entronizado como o
principal dos seus relacionamentos. E como consequência, tal
como Neemias, que possamos desenvolver relacionamentos
profundos e relevantes para as pessoas, e consequentemente,
para o Reino de Deus.

Para refletir

Este capítulo destacou algumas dicas sugeridas por Neemias para


produzirmos relacionamentos relevantes. Cite a que representa
maior desafio para a sua vida!

56
SENHOR SOBRE
NOSSA
MOBILIZAÇÃO!
Senhor de nossa mobilização!
Texto bíblico: Ne.2.11 a 4.23
Introdução

Em dias como esses, em que o individualismo e egoísmo imperam


nas relações interpessoais, torna-se fundamental refletirmos sobre
a mordomia cristã voltada para a cooperação. Afinal de contas, o
SENHOR DE TUDO conta com a nossa mobilização, como
indivíduos e como Corpo de Cristo. E sem cooperação, não haverá
mobilização.

Neemias continua nos ensinando, e neste capítulo, ele trata sobre


como motivar e mobilizar o povo de Deus para a missão de
construir o Reino de Deus.

1. A mobilização é antecedida pela análise do momento (2.11-


16)

O texto nos ensina que, inicialmente, Neemias reserva para si a


oportunidade de visualizar, com seus próprios olhos (sem a
influência de outros olhares), a realidade do muro e da cidade. Ele
busca ter a melhor compreensão possível daquele momento.

Para que haja a mobilização de um grupo, e aqui pensaremos em


termos de igreja local, precisamos em primeiro lugar da
compreensão do nosso momento.

Como Pib em Paciência temos o foco da mobilização de todos nas


células, além de fortalecer os atuais ministérios com lideranças
capacitadas. Visamos desenvolver a visão missionária e social do
Corpo, o que permitirá atuarmos na transformação de nossa
comunidade, com ações coordenadas, contribuindo como igreja
nas maiores carências de nossa localidade.

O segundo passo dado por Neemias foi de apresentar a sua visão

58
aos seus conterrâneos, incluindo-se no problema e na solução
sugerida! Veja comigo o verso 17:

“Então eu lhes disse: Vocês estão vendo a situação terrível em


que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram
destruídas pelo fogo. Venham, vamos reconstruir o muro de
Jerusalém, para que não fiquemos mais nesta situação
humilhante.” (2.17)
No que diz respeito aos recursos financeiros, temos o grande
desafio de inspirar e conscientizar nossa membresia a passar de
30% para 70% de dizimistas. Para isso, além de ensino bíblico e
orientação pastoral, queremos contribuir com capacitação e
orientação em empreendedorismo, ajudando parte de nossa
membresia desempregada, ou subempregada, a ter seu sustento,
viabilizando a manutenção da igreja através da fidelidade nos
dízimos e ofertas.

E então? Você quer somar com a sua igreja? Quer ser parte da
resposta ao desafio de colaborarmos para a transformação
espiritual e social de nossa comunidade?

2. A mobilização se realiza com o engajamento de todos


(2.17-18)

“Então eu lhes disse: Vocês estão vendo a situação terrível em


que estamos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram
destruídas pelo fogo. Venham, vamos reconstruir o muro de
Jerusalém, para que não fiquemos mais nesta situação
humilhante.
Também lhes contei como Deus tinha sido bondoso comigo e o
que o rei me tinha dito. Eles responderam: ‘Sim, vamos começar a
reconstrução’. E se encorajaram para esse bom projeto”.

Neemias os convoca à missão de reconstruírem os muros. A


única opção foi essa… A cooperação de todos!

Na continuação do texto (3.1) diz que Eliasibe, o sumo sacerdote,


toma para si a responsabilidade, e se engaja na obra. Isso inspira
seus colegas sacerdotes, que também se mobilizam para ajudar.
Até aqui são apenas esses. Parece poucos demais, mas, foi o
que Neemias precisou para que acontecesse o milagre! No final
do capítulo 3 encontramos a citação de outros trinta e sete grupos
familiares que decidiram cooperar com a obra.

59
Não encontramos aqui simplesmente um grande grupo de
cooperadores, mas um grande corpo especializado! Estavam alí
ourives, perfumistas, sacerdotes (menos os nobres dos tecoítas,
v.8), homens judeus dalém do Eufrates, maiorais das famílias e sua
filhas, a equipe de liderança de Neemias, além se sua própria
família, os servos do templo, e diversos grupos profissionais.

Agora, observe os verbos citados na Bíblia Almeida Revista e


Atualizada: “junto dele”, 4 vezes; “depois dele”, 11 vezes; ao seu
lado”, 8 vezes;

‘reparar”, 31 vezes; “edificar”, 6 vezes; “restaurar”, 6 vezes. Sem


dúvida alguma, o povo decidiu cooperar, mobilizando-se naquela
grande obra!

O detalhe está em Eliasibe. Em nosso contexto da Pib em


Paciência, quem será o primeiro a comprometer-se, como um
cooperador desta grande obra?

No ambiente da Denominação Batista há o Plano Cooperativo, que


é a ajuda voluntária de cada Igreja Batista com um valor mensal,
voltado para a manutenção da obra batista, tanto na esfera
associacional, regional e nacional. Com este recurso se investe nos
colégios, hospitais e instituições sociais, além de apoiar a estrutura
denominacional. Além deste esforço, nós, batistas brasileiros,
cooperamos anualmente com ofertas missionárias, sendo no mês
de março para missões mundiais e em setembro para missões
nacionais. Juntos mantemos nos campos missionários mais de 250
missionários.

3. A mobilização se concretiza quando respondemos aos


opositores ou não mobilizados (4.1-3)

No capítulo 4 os opositores se levantaram e zombaram dos alvos


estipulados pelos judeus. Acredite! Estes estarão entre nós
também!

Como respondê-los?

a. Orando, expondo-os diante do Senhor! Ne 4.4,5 e v.9

Ao invés de Neemias entrar em debate acirrado com Sambalate e

60
Tobias, ele escolheu a melhor estratégia - oração e guardas em
todos os pontos vulneráveis do muro! a oração ainda continua
sendo a melhor forma de responder aos ataques de Satanás e seus
mensageiros.

b. Trabalhando com todo empenho! Ne 4.6

Leia isso! “Nesse meio tempo fomos reconstruindo o muro, até que
em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o
povo estava totalmente dedicado ao trabalho”.

c. Mobilizando todo povo para trabalhar, confiando em Deus, e cada


um vigiando em sua própria área de ação! Ne 4.18-20

“e cada um dos construtores trazia na cintura uma espada enquanto


trabalhava; e comigo ficava um homem pronto para tocar a
trombeta.
Então eu disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: "A
obra é grande e extensa, e estamos separados, distantes uns dos
outros, ao longo do muro.
Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta, juntem-se a nós ali.
Nosso Deus lutará por nós! "

Conclusão

O SENHOR DE TUDO oferece a mim e a você a oportunidade de


participar do maior empreendimento da Terra, que é a edificação da
sua Igreja, plantando os valores do Reino de Deus, em nossas
vidas, germinando-os em toda a Terra! Cabe agora a resposta de
cada um de nós… Cabe agora a sua resposta: Você quer se engajar
na fileiras dos que reconstroem os muros?

Bem-vindo à obra!

Para refletir

Neste capítulo, o sacerdote Eliasibe foi reconhecido por sua atitude


de ser o primeiro voluntário para a grande obra de reconstrução do
muro, inspirando a centenas de outras pessoas. Em nossos dias,
que atitude você poderá tomar para inspirar outros a se mobilizarem
também na obra que fazemos na Pib em Paciência?

61
SENHOR SOBRE
NOSSA VIGILÂNCIA
CRISTÃ!
Senhor sobre nossa vigilância
cristã!
Texto bíblico: Ne.6. 1-14 e 7.1-3
Introdução

A grande temática dos capítulos 6 e 7 não está tanto no que eles


fizeram, mas, sim nos cuidados que tomaram ao realizarem tudo o
que fizeram.
Vem daí o ensino compartilhado neste penúltimo capítulo do
nosso E-book. Como cristãos, seguidores do Senhor Jesus, e
participantes da obra que realizamos na igreja local, temos de
realizar todas as nossas ações, tomando sempre os cuidados
necessários sugeridos aqui.

Mas, que cuidados são esses?

1. Não deixarmos brechas para o inimigo (6.1-2)

A obra da reconstrução do muro estava quase concluída, restando


pequenos detalhes, mas o principal ainda não havia sido feito, que
era a colocação das portas, o que efetivaria a segurança da
cidade. Neste momento, paralisar a obra para reunir-se com
Sambalate, Tobias e Gesém, seus declarados adversários, seria
um ato de imprudência. E Neemias foi prudente!

Você já ouviu o dito popular que diz: “brasileiro só fecha a porta


depois de roubado”? Pois, então, é semelhante o erro que muitas
vezes permitimos ao inimigo quando, ainda sem concluir
totalmente uma etapa de nossa construção, a interrompemos ou
adiamos seu término, para nos distrairmos com outros objetivos.

Na vida cristã o apóstolo Pedro nos adverte sobre esse risco. Ele
diz: “Sede sóbrios, vigiai, o vosso adversário, o diabo, anda em
derredor…” (1 Pe 5.8,9)

Pense em quanto esforço é investido na construção de uma

63
família, de uma carreira acadêmica ou profissional, no
relacionamento de uma amizade, na edificação de uma vida cristã…
Realizar grandes esforços, por longos anos, e descuidar-se de
detalhes, poderá colocar tudo a perder! Por isso, a
contemporaneidade do alerta apostólico: Sede sóbrio e vigiai!
Neemias estava em alerta. E você?

2. O que fazer diante das ciladas (6.2-14)

Ao refletir sobre a mordomia, no aspecto de nossa vigilância cristã,


não podemos deixar de pensar sobre o que fazer diante de certas
adversidades…

a. Discernir a intenção dos opositores.

Diante do convite malicioso dos inimigos de Neemias, ele discerniu


corretamente, pois disse: “Porém intentavam fazer-me mal”. É como
o provérbio bíblico diz: “os propósitos do coração do homem são
águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona” (Pv
20.5)

O cristão pode desenvolver sensibilidade espiritual para ouvir a voz


de Deus e discernir os fatos diante de si. essa é a promessa bíblica:
“quem é espiritual discerne todas a coisas, e ele mesmo por
ninguém é discernido; pois “quem conheceu a mente do Senhor para
que possa instruí-lo? Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1 Co
2.14-16)

b. Não parar a missão para deter-se em pequenos detalhes (v.3)

A resposta de Neemias para os seus opositores foi: “Estou


executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a
obra para ir encontrar-me com vocês" (6.3)

O fundamento de tal resposta está no que Neemias entende estar a


fazer - uma grande obra! Por essa razão não poderia parar. Se você
entende que está engajado num grande projeto de Deus, não se
distraia com as setas da oposição! Prossiga!

Veja a recomendação do apóstolo Paulo: “Fiel é esta palavra, e


quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os
que crêem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais

64
coisas são excelentes e úteis aos homens. Evite, porém,
controvérsias tolas, genealogias, discussões e contendas a respeito
da lei, porque essas coisas são inúteis e sem valor.

Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma e duas vezes.


Depois disso, rejeite-o.” Tito 3.8-10
c. Identificar as estratégias do inimigo

1. Houve pressão psicológica, por meio de cinco cartas dirigidas ao


rei, distorcendo os fatos a respeito da construção do muro. (6.4-9)

2. Houveram calúnias (6.6-9)

3. Ocorreram traições por parte de liderados (6.10-12)

4. Além de indução ao pecado (6.13-14)

Diante deste quadro, você, que está fazendo parte de um grande


projeto, que entende que não pode parar diante das estratégias de
satanás, deve identificar em seu contexto, quais têm sido as
artimanhas do inimigo contra você e seu desafio. Firme-se na
Palavra e posicione-se como um cristão aprovado.

3. Manter a atenção constante no inimigo (7.1-3)

Neste esforço de não perder de vista o nosso adversário, está o


cuidado para não ser surpreendido. O que aprendemos com
Neemias aqui?

a. O capítulo 7 começa concluindo o que está por terminar no


capítulo 6 - as portas! No capítulo 7 elas são colocadas e decretado
a vitória sobre as ciladas dos opositores do povo judeu.

Devemos concluir o que começamos!

b. Mas, não basta fechar as portas. É preciso montar guarda sobre o


muro, para antecipar as investidas do opositor. Surge então a
questão: quem seria digno de montar guarda? “Hananias, homem
fiel e temente a Deus, mais do que os outros!”

A característica de Hananias em ser fiel e temente, não acentua sua


capacidade, mas sim sua dependência de Deus. Isso sim, o qualifica
para estar em posição de alerta contra o inimigo. Que você seja

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diferenciado, diferenciada, entre muitos, por confiar em Deus e
depender Dele, como o Senhor de tudo!

Conclusão

Tal como na muralha de Jerusalém, hoje, devemos montar guarda


em
nossa vida cristã e na obra que fazemos juntos, pois, “a obra é
grande e extensa, e estamos separados, distantes uns dos outros,
ao longo do muro. Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta,
juntem-se a nós ali. Nosso Deus lutará por nós" ( Ne 4. 19,20)

Para refletir

Em nossos dias, que ações devemos tomar para “vigiar os muros


de nossas construções”?

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SENHOR DE NOSSAS
MENTES
Senhor de nossas mentes!
Texto bíblico: Ne.8.1 a 9.38
Introdução

Desde sempre a atenção divina era quanto ao contato do seu povo


com as nações estrangeiras. Seu olhar era na influência negativa
que o povo judeu sofreria, correndo o risco e terem suas mentes
cheias de pensamentos e costumes locais.

Porém, encontramos aqui, nos capítulos 8 e 9, a quebra de um


paradigma. Um antídoto para a vulnerabilidade da mente judaica,
onde o povo não seria mais influenciado. Pelo contrário, se tornaria
capaz de influenciar positivamente as nações vizinhas. Isso se deu
a partir do seu encontro com as Escrituras Sagradas. Não de uma
forma mágica, rápida e barata, mas, fruto de um encontro da
Palavra Eterna com a mente e alma do seu povo. O SENHOR DE
TUDO agora, de fato, seria Senhor de suas mentes e emoções.
Isso representou conversão! Isso representou avivamento!

Como se deu essa metamorfose mental naquela geração judaica?


Como podemos em nossos dias experimentar essa transformação
da mente?

1. Os efeitos da Palavra que transforma a mente (Cap 8)

Era o início do mês de setembro. No dia 10 aconteceria o Dia da


Expiação e logo em seguida, no dia 15, a Festa dos Tabernáculos.
Neste cenário, toda congregação dos judeus estava presente, e
Esdras, o escriba, lê as Escrituras, começando às 6 horas da
manhã, indo até o meio dia, ininterruptamente, intercalando com
outros sete levitas. Leitura e explicação, com aplicações à vida
diária do povo, de forma que, ao longo de todos aqueles dias de
festas, o povo se encontrou com a Palavra, como nunca aquela
geração experimentara.

O verso 8 deixa claro que o povo entendeu as Escrituras e se

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quebrantou pela consciência de pecado. Por isso, chorava
compulsivamente. Este fenômeno nos traz a seguinte pergunta:
quais são os efeitos gerados na vida de um crente pelo encontro
com a Palavra?

a. Passamos a ter prazer em ouvir a Palavra de Deus (8.3)

Como dito acima, foi uma leitura de cerca de 6 horas seguidas, e


“os ouvidos do povo estavam atentos ao livro da Lei” (v.4b).

Responda de forma rápida, sem elaborar sua resposta, mas de


forma sincera e espontânea: nestes últimos dias, o que mais lhe
trouxe prazer para a sua mente? Seja por algo lido, ouvido ou
praticado?

A resposta daquela geração de exilados, para essa pergunta,


seria uma convicta afirmação de regozijo por encontrar-se com a
Palavra de Deus!

b. Somos confrontados e encorajados pela Palavra de Deus


(8.8)

O encontro com as Escrituras foi tão vívido, que aqueles homens


e mulheres choravam pelo reconhecimento de pecado. Tiveram
de ser consolados pelos que ministravam o ensino bíblico. No
final daquela manhã, foram motivados a retornarem às suas
barracas, a comerem e se refazerem, pois aquele dia era para ser
festivo, “pois a alegria do Senhor é a nossa força” (v.10)

Eles tinham “problemas de sobra”, desde adaptações com a nova


realidade, com os povos vizinhos e com a política externa, com o
rei Artaxerxes. Todavia, aquele encontro com o Deus da Palavra
os encorajaria a enfrentar tudo e todos! O mesmo que ocorre em
nossos dias, quando nos encontramos com as Escrituras. Ela nos
confronta e encoraja e prosseguirmos!

E por falar nisso, qual foi o seu último encontro com a Palavra,
que tenha sido intenso e confrontativo? Não me refiro à leitura
para uma gincana bíblica, ou feita para o cumprimento de uma
tarefa ou hábito diário. Mas, falo de um encontro com o texto, em
que ele salta do papel, e domina a sua mente, que lhe inquieta,
que ao longo do dia lhe persegue, ao ponto de lhe colocar no
canto do octógono, lhe desafiando a algo novo com Deus!

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c. Somos surpreendidos por nossas próprias confissões de
pecados (8.9)

Aquela geração deveria estar surpresa consigo mesma, pois, não


encontramos esse perfil de culto judaico nas Escrituras. Qual foi a
sua última oração feita assim?
d. Somos motivados a partilhar do pão com os que não tem o
que comer (8.12)

Sim! Ali também havia injustiça social, como descrito no capítulo 5


do livro de Neemias. Judeus explorando judeus, emprestando a
juros e comprando-os como escravos. O problema foi confrontado
por Neemias, mas ainda havia sequelas no capítulo 8, pois várias
famílias não tinham o que comer.

O quebrantamento me aproxima de Deus e do meu semelhante. Por


isso, aquela geração de exilados foi desafiada a dividir o que tinha,
tal como nós, hoje, também somos convocados a partilhar do pão
com o próximo necessitado.

2. O conteúdo de uma oração que muda a mente (9.5-17)

O que acontece em uma oração de confissão, que seja capaz de


provocar uma transformação interior na vida de um cristão? Qual o
conteúdo desta oração?

Olhando para o texto de Neemias 9 percebemos os seguintes


elementos:

a. Exaltação ao Nome de Deus v.5,6

À frente da congregação estavam os levitas: Jesua, Cadmiel, Bani,


Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías. Eles estavam
na escadaria chamando o povo a dizer: “Levantem-se e louvem o
Senhor, o seu Deus, que vive para todo o sempre. "Bendito seja o
teu nome glorioso! A tua grandeza está acima de toda expressão de
louvor. Só tu és o Senhor. Fizeste os céus, e os mais altos céus, e
tudo que neles há, a terra e tudo o que nela existe, os mares e tudo
o que neles existe. Tu deste vida a todos os seres, e os exércitos
dos céus te adoram.” (9.5,6)

A oração que muda a mente é iniciada com a exaltação ao


SENHOR DE TUDO!

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Por uma razão! Quando eu mergulho a minha mente na adoração
e exaltação do Todo Poderoso, meus pensamentos são
conectados à quem Ele é. E isso muda a minha perspectiva de
vida, pois já não está mais em jogo o que eu posso fazer, mas,
sim, o que Ele planeja realizar através de mim.

b. Afirmação da Aliança, v.7,8

Tudo começa em Deus. Ele elege a Abraão, o tira de Ur dos


caldeus, o reconhece como um homem fiel, e por isso, lhe faz
promessas. O final do verso 8 afirma que Deus cumpre as
promessas pois é fiel!

Como vemos, a oração que muda a mente, alinha a vida do crente


à vontade de Deus, ao ponto de despertar no SENHOR DE TUDO
o ato de proferir e cumprir suas promessas!

c. Recordação dos grandes feitos do Senhor por seu povo,


v.9,15

Essa é uma oração transformadora de mentes e comportamentos,


pois ativa a lembrança dos grandes feitos do Senhor.

Releia os versos 9 a 15. Relacione os diversos atos divinos,


recordados por aquela geração de exilados, e motive-se a trazer à
sua própria memória os grandes atos redentores feitos pelo Divino
em sua vida e sua família.

Porque isso transforma a mente? Porque nos remete ao que Ele


ainda pode fazer no presente e no futuro!

d. Reconhecimento de Deus como perdoador, v.16,17

Apenas em reconhecer os pecados cometidos, aquela geração de


judeus relaciona-se com o divino, com base em quem Ele é: “Mas
tu és um Deus perdoador, um Deus bondoso e misericordioso,
muito paciente e cheio de amor. Por isso não os abandonaste” (Ne
9.17)

e. Renovação da Aliança, v.38

"Em vista disso tudo, estamos fazendo um acordo, por escrito, e


assinado por nossos líderes, nossos levitas e nossos
sacerdotes".(Ne 9.38)

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Essa declaração e termo assinado era mais do que uma confissão
de reconhecimento do pecado. Era um compromisso de vida
assumido para o presente e para o futuro!

Você reconhece diante de quem está? O SENHOR DE TUDO nos


convida a assumir um novo pacto de vida com Ele, para tudo que
será vivido nos próximos capítulos de nossa história.

Conclusão

Se a geração de Esdras e Neemias pode reconhecer o quão longe


estava de Deus, e arrependida, pode rogar a misericórdia do
SENHOR DE TUDO, isso mostra que podemos também, pois
“graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos,
pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada
manhã; grande é a tua fidelidade”!
(Lm 3.22,23).

Para refletir

Na sua opinião quais são os maiores inimigos de nossas mentes,


que se opõem ao domínio de Deus em nossas vidas?

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