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Prof.

Leonardo dos Santos Arpini


Direito Penal – Dos crimes contra a pessoa. Aula 00

Aula 00 – Dos crimes


contra a pessoa.
Técnico, Analista, Agente e Escrivão –
2020
Prof. Leonardo dos Santos Arpini

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Direito Penal – Dos crimes contra a pessoa. Aula 00

Sumário
SUMÁRIO 2

APRESENTAÇÃO 4

COMO ESTE CURSO ESTÁ ORGANIZADO 6

DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 8

DOS CRIMES CONTRA A VIDA (ART. 121 A 128, CP). 8


Vida humana intrauterina e extrauterina. 8
HOMICÍDIO (ART. 121, CP). 10
Homicídio simples (Art. 121, caput, CP). 10
Homicídio privilegiado. (Art. 121, §1º, CP). 14
Homicídio qualificado (art. 121, §2º, CP). 18
Feminicídio (art. 121, §2º, VI, §2º-A, I e II, e §7º CP). 28
Homicídio funcional (art .121, §2º, VII, CP). 32
Homicídio Híbrido. 36
Homicídio culposo (art. 121, §§3º, 4º e 5º, CP). 40

INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO. 45

INFANTICÍDIO 51

ABORTO 55

Introdução. 55
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124, CP). 56
Aborto provocado por terceiro (art. 125 e 126, CP) . 58
Forma majorada (art. 127, CP). 60
Aborto necessário e Aborto no caso de gravidez resultante de estupro. 60
ADPF 54 . 61

DAS LESÕES CORPORAIS. 64

LESÃO CORPORAL. 64
Lesão grave (art. 129, §1º, CP). 67
Lesão gravíssima (art. 129, §2º, CP). 68
Lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3º, CP). 70
Lesão corporal dolosa privilegiada (art. 129, §4º, CP). 72
Substituição da pena (art. 129, §5º, CP). 72
Lesão corporal culposa (art. 129, §6º, CP). 73
Violência doméstica (art. 129, §§9º a 11). 74
Lesão corporal funcional (art. 129, §12º,CP). 77

QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 78

LISTA DE QUESTÕES 97

GABARITO 107

RESUMO DIRECIONADO 108

HOMICÍDIO 108

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INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO OU A AUTOMUTILAÇÃO. 111

INFANTICÍDIO 112

ABORTO. 113

LESÃO CORPORAL. 115

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Apresentação

Olá, tudo bem? Muito prazer em conhecê-lo. Sou o professor Leonardo


dos Santos Arpini, mais conhecido como “Arpini”. Seja muito bem-vindo
ao meu curso! Aqui na DIREÇÃO CONCURSOS sou o encarregado de
lecionar as disciplinas de Direito Penal e Direito Processual Penal.
Caso não me conheça, além de professor de curso preparatório, sou
Advogado, pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela
Faculdade Damásio/SP. Me dedico ao estudo global do ordenamento
jurídico pois, assim como vocês, estou engajado no caminho dos
concursos públicos. Então, contem comigo para qualquer dúvida que
vocês possuam sobre seu estudo e que esteja ao meu alcance.
Iniciaremos uma prazerosa jornada no estudo do Direito Penal e estaremos juntos até a sua
APROVAÇÃO, combinado? Tenha a certeza de que vamos encurtar esse caminho!
É com muita satisfação e alegria que inicio este curso de DIREITO PENAL. A programação de aulas, que
você verá mais adiante, foi concebida especialmente para a sua preparação focada nos concursos de TÉCNICO
E ANALISTA DOS DIVERSOS TRIBUNAIS FEDERAIS, ESTADUAIS E ELEITORAIS DO PAÍS E, TAMBÉM
PARA OS CARGOS DE AGENTE E ESCRIVÃO DA POLÍCIA CIVIL, FEDERAL E RODOVIÁRIA FEDERAL.
Tomei por base os últimos editais de cada um desses cargos, e cobriremos TODOS os tópicos exigidos naquela
ocasião, ok? Nada vai ficar de fora, este curso deve ser o seu ÚNICO material de estudo! E você também não
perderá tempo estudando assuntos que não serão cobrados na sua prova. Ou seja, vamos direcionar seu estudo
da melhor forma, para que você estude de modo totalmente focado e aumente as suas chances de aprovação!!

Nesta matéria você terá:

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Acesso direto ao professor


para você sanar suas dúvidas DIRETAMENTE conosco sempre que precisar

Você nunca estudou DIREITO PENAL para concursos? Não tem problema, este curso também te
atende. Nós veremos toda a teoria que você precisa e resolveremos centenas de exercícios para que você possa
praticar bastante cada aspecto estudado. Fique à vontade para me procurar no fórum de dúvidas sempre que
for necessário.

Caso você queira tirar alguma dúvida antes de adquirir o curso, basta me enviar um direct pelo Instagram:

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Conheça ainda as minhas outras redes sociais para acompanhar de perto o meu trabalho:

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Como este curso está organizado


Para cobrir os aspectos exigidos na minha disciplina, o nosso curso está organizado da seguinte forma:

Aula Data Conteúdo do edital

00 11/05 Crimes contra a pessoa.

Aplicação da Lei Penal (Princípios aplicáveis ao direito penal;


Aplicação da lei penal; Princípios da legalidade e da anterioridade; A lei
penal no tempo e no espaço; Tempo e lugar do crime; Lei penal excepcional,
01 26/05 especial e temporária; Territorialidade e extraterritorialidade da lei penal;
Pena cumprida no estrangeiro; Eficácia da sentença estrangeira; Contagem
de prazo; Frações não computáveis da pena; Interpretação da lei penal;
Analogia; Irretroatividade da lei penal; Conflito aparente de normas penais.)

02 10/06 Crimes contra a Dignidade Sexual.

- 22/06 Teste a sua direção

O fato típico e seus elementos. Crime consumado e tentado. Pena da


tentativa. Ilicitude e causas de exclusão. Excesso punível. Culpabilidade.
03 07/07
Elementos e causas de exclusão. Imputabilidade penal. Concurso de
pessoas. Concurso de crimes

04 22/07 Crimes contra o patrimônio.

- 03/08 Teste a sua direção

05 18/08 Crimes contra a administração pública

06 02/09 Crimes contra a fé pública.

07 16/09 Inquérito Policial.

08 01/10 Ação Penal

09 16/10 Prova

- 26/10 Teste a sua direção

10 10/11 Prisão e liberdade provisória

Procedimento comum ordinário e sumário e Rito dos crimes de


11 25/11
responsabilidade funcionário público.

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12 10/12 Procedimento do Júri.

Que tal já iniciarmos o nosso estudo AGORA? Separei um conteúdo muito útil para você nesta aula
demonstrativa. Trata-se deste tema macro do edital:

DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

Este tema DESPENCA nas provas de concursos! Portanto, mãos à obra!

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DOS CRIMES CONTRA A PESSOA


DOS CRIMES CONTRA A VIDA (ART. 121 a 128, CP).
Vida humana intrauterina e extrauterina.

Meu amigo(a), talvez a mais óbvia, mas não menos profunda, afirmação que podemos destacar no seio
do Direito Penal, é que a vida humana compõe o núcleo central dos valores protegidos, tanto pela Constituição
Federal como pelo Código Penal.

Então, para darmos início ao nosso estudo, precisamos nos debruçar sobre os conceitos de vida humana
intrauterina e extrauterina, para que, a partir daí possamos identificar em que momento a norma penal passa
a tutelar o crime de homicídio, infanticídio, aborto e outros mais que serão objeto de estudo em nossa primeira
aula.

Assim, sob a ótica do Direito Penal, a vida intrauterina tem início a partir da gravidez, sendo nesse sentido,
a lição do Professor Damásio de Jesus1:

“A proteção penal ocorre desde a fase em que as células germinais se fundem, com a resultante
constituição do ovo, até aquela em que se inicia o processo de parto”. (p.122).

Então, caríssimo, a partir do momento em que o direito penal resolve proteger a vida intrauterina, que é
resguardada desde o início da gravidez, já nos permitimos pensar no crime aborto (que será objeto de estudo
mais adiante – previsto nos artigos 124 a 127, do CP), que é a interrupção da gravidez humana com a
consequente expulsão e morte do feto, pressupondo, dessa forma, o estado gravídico.

Por outro lado, meu caro estudante, devemos estabelecer, também, o marco inicial da vida extrauterina,
para que, a partir daí possamos delimitar a linha divisória entre ambos os conceitos, pois é de extrema
relevância para o Direito Penal.

Como mencionei a você anteriormente, a tutela criminal do nascituro é descrita no crime de aborto.
Entretanto, após o nascimento, ocorrendo a eliminação da vida do neonato, podemos estar diante dos crimes
de infanticídio (art.123, do CP – que confesso a você que é de rara ocorrência) ou de homicídio (art. 121, CP) em
sua forma dolosa ou culposa.

Ainda ronda os penalistas o imbróglio pela definição exata de quando se inicia a vida extrauterina.
Entretanto, meu amigo(a), para o seu concurso, você deve saber a posição majoritária (da qual também faço
parte), prevalente tanto no meio dos estudiosos do direito penal como dos Tribunais Superiores.

1
JESUS, Damásio Evangelista de. Direito Penal: parte geral. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. v.1.

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Assim, o início da vida extrauterina se dá com o início das primeiras contrações expulsivas, em que o feito
começa o procedimento de saída ou, com a primeira incisão efetuado pelo médico no ventre da mulher, no caso
de cesariana. Nesse sentido, lecionam André Estefam2, Luiz Régis Prado3 e Rogério Sanches Cunha4.

“Entendi então, professor! Mas e agora, quando se dá o fim da vida?”

Meu caro estudante, o fim da vida humana encontra-se claramente delimitado em nosso ordenamento
jurídico, mais precisamente no artigo 3º da Lei nº 9.434 de 1997, que cuida do transplante de órgãos.

O artigo 3º assim dispõe:

Art. 3º - A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante
ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica, constata e registrada por dois
médicos não participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de critérios
clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina.

Dessa forma, caríssimo, o fim da vida humana extrauterina se dá com a morte encefálica e, para que fique
mais fácil a sua visualização para todos esses conceitos que lhes apresentei anteriormente, deixo o esquema
abaixo para você:

Intrauterina

VIDA HUMANA Extrauterina

Morte encefálica

Dessa forma, encerramos por aqui nossos conceitos iniciais e introdutórios sobre a vida humana, razão
pela qual, a partir do próximo tópico passaremos a analisar os crimes em espécie.

Não saia daí!!

2
ESTEFAM, André. Direito Penal. vol. 02. Parte especial (121 a 234-B), 6. ed. Saraiva, 2019.
3
PRADO, Luiz Régis. Curso de direito penal brasileiro: parte especial. São Paulo: RT, 2003.
4
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte especial (arts. 121 ao 361) – 9. ed. ver. ampl. e atual. –
Salvador: JusPODIVM, 2017.

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Homicídio (art. 121, CP).


Salve, meu amigo(a), concurseiro(a)! Tenho certeza de que você está a todo vapor para iniciarmos o
estudo dos crimes em espécie. Então, não percamos tempo e vamos dar início ao conteúdo.

Para esse momento inaugural, me cabe trazer a você a definição de homicídio dada pelo Pai do direito
penal brasileiro, Nelson Hungria5:

“O homicídio é o tipo central dos crimes contra a vida e é o ponto culminante da orografia dos crimes. É
o crime por excelência. É o padrão da delinquência violenta ou sanguinária, que representa como que
uma reversão atávica às eras primevas, em que a luta pela vida, presumivelmente, se operava com o
uso normal dos meios brutais e animalescos. É a mais chocante violação do senso moral médio da
humanidade civilizada”.

Dada essa breve lição acerca do crime de homicídio, precisamos apresentar para você um retrato do
crime do art. 121 do Código Penal. Ao analisarmos a redação do referido dispositivo, podemos verificar que o
homicídio pode ser desmembrado da seguinte forma:

Homicídio doloso simples (art. 121, caput, CP);


Homicídio doloso privilegiado (art. 121, §1º, CP);

Homicídio doloso qualificado (art. 121, §2º, CP);

Homicídio culposo (art. 121, §3º);

Homicídio culposo majorado (art. 121, §4º, primeira parte, CP);

Homicídio doloso majorado (art. 121, §4º, segunda parte e §6º, CP).

Também, meu(a) jovem, você deve ter em mente que, diante do teor da redação do art. 1º da Lei
8.072/90, é hediondo o homicídio simples, ainda que por um só agente, praticado em atividade típica de grupo
de extermínio (de pouca incidência na prática) e o homicídio qualificado.

E, por fim, o homicídio culposo, em razão da pena mínima abstratamente cominada (1 ano de
detenção), permite o benefício da suspensão condicional do processo, desde que preenchidos os requisitos do
artigo 89 da Lei dos Juizados Especiais Criminais.

Homicídio simples (Art. 121, caput, CP).


Meu amigo(a), nós, que vivemos diuturnamente o mundo dos concurso públicos sabemos o quanto é
necessário nos familiarizarmos com a letra seca da lei, pois ela compõe cerca de 80% das questões de provas.

5
HUNGRIA, Nelson. Comentários ao Código Penal, ed. de 1942, v. V, p.23.

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Então, nada melhor do que iniciarmos o estudo do homicídio simples a partir da redação do artigo 121, caput,
do CP, porém, antes disso, vamos fazer uma breve introdução acerca do Código Penal.
O nosso Código Penal é dividido, inicialmente, em dois grandes grupos, quais sejam:

 Parte Geral (art. 1º a 120);


 Parte Especial (art. 121 a 359-H).

Cada uma dessas partes é dividida em vários títulos, entretanto, o que você precisa ter em mente
nesse momento é que todos os crimes do CP (inclusive o homicídio) são tratados dentro da parte especial. O
homicídio vem especificamente tratado no Título I (dos crimes contra a pessoa) e, inaugura, também, o capítulo
I do referido título, ao tratar “Dos crimes contra a vida”.
Veja só:

Agora que nos situamos dentro do Código Penal, vamos ao estudo pormenorizado da figura do
homicídio simples.

Vamos lá?! Preste atenção no quadro abaixo:

Homicídio simples (isso é o nome do crime – você pode encontrar em prova a expressão nomem iuris)

Art. 121. Matar alguém (esse é nosso preceito primário, que possui conteúdo determinado, que se verifica através
do verbo “matar”)
Pena - reclusão, de seis a vinte anos (esse é nosso preceito secundário, que possui conteúdo determinado, que
se verifica através dos parâmetros numéricos abstratos – pena de 6 a 20 anos).

A partir do quadro que apresentei a você, vamos extrair todas as informações necessárias para que
você entenda por completo a figura do homicídio e enfrente qualquer questão no seu concurso.

Inicialmente, o bem jurídico tutelado, pela norma penal do artigo 121 do CP é a vida humana
extrauterina (conceito já estudado por nós no início da nossa aula).

O crime de homicídio está classificado como um crime comum, meu caro!

“Mas professor, o que significa crime comum? ”

São aqueles que podem ser praticados por qualquer pessoa, ou seja, meu caro estudante, o sujeito ativo
do crime (o homicida) pode ser qualquer pessoa do povo.

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Pode ser que você esteja um pouco confuso nesse momento, mas para deixar mais clara suas ideias,
permita-me uma pergunta: “Você já assistiu a série ‘la casa de papel’?” Se ainda não assistiu, aqui vai um spoiler:
os personagens possuem nomes de cidades. Agora, se você já assistiu e sabe disso, permita-me apresentar
nosso personagem “Austin” que será romantizado durante todo o nosso estudo para facilitar seu aprendizado.

Suponha que Austin, com o emprego de uma arma de fogo desfere dois disparos contra Dallas e, por
decorrência dos disparos efetuados Dallas vem a óbito. Dessa forma, não temos dúvida de que estamos diante
do crime de homicídio doloso.

“Doloso, professor?”

Isso mesmo, meu jovem! Nesse caso estamos diante de um homicídio doloso, pois retratei a você uma
situação em que Austin (com ânimo de matar) desferiu dois disparos de arma de fogo contra Dallas, e esse, por
conta dos disparos acabou falecendo.

Agora, suponha que Austin, engenheiro, acaba por projetar uma casa sem alicerces suficientes e
provoca a morte do futuro morador. Nesse caso, estamos diante de um homicídio culposo, na modalidade de
imperícia, que é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão.

Assim, a partir desses dois breves exemplos você já tem plena ciência de que o homicídio pode ser
praticado tanto de forma dolosa (direta – quando o agente criminoso quer o resultado morte; ou dolo eventual
– quando o agente assume o risco de produzir o resultado) e, também de forma culposa, através da
imprudência, negligência e imperícia (que serão melhor analisadas quando falarmos especificamente acerca do
homicídio culposo).
Então, meu caro, a classificação que cuida da forma dolosa ou culposa do homicídio é chamada de
elemento subjetivo. Em outras palavras: sempre que perguntarem a você a respeito do elemento subjetivo de
qualquer crime, você automaticamente deve pensar se aquele crime é praticado de forma dolosa ou culposa.
Você lembra o que nós estudamos juntos no início da nossa aula sobre o marco final da vida humana?
Aposto que sim! Então, meu caro, a partir da necessidade do resultado morte (da vítima) necessário para a
consumação do crime, estamos diante de um crime material.

“Mas, professor, o que seria o crime material?”


É aquele em que a figura criminosa prevê conduta e resultado e, para que haja a consumação do crime, é
necessária a produção do resultado.

No caso do homicídio, o art. 121 do CP, prevê a conduta matar e, consequência disso, é que haja a morte
da vítima para que ocorra a consumação do crime. Em não havendo morte, estaremos diante da figura da
tentativa.

Voltando ao exemplo do nosso personagem Austin. No momento em que Dallas morreu em decorrência
dos disparos, estamos diante de um homicídio consumado (art. 14, inciso I, do Código Penal). Por outro lado,
caso Dallas tivesse sobrevivido aos disparos, Austin seria acusado de um homicídio tentado (art. 14, II, do CP),
em que não houve a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade.

Agora que já analisamos algumas das nuances presentes no crime de homicídio, vamos verificar como
esse conteúdo vem sendo cobrado em concurso!

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Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Escrivão e de Inspetor de
Polícia - Tarde

Dos crimes contra a pessoa, destacam-se aqueles que eliminam a vida humana, considerada o bem jurídico
mais importante do homem, razão de ser de todos os demais interesses tutelados, merecendo inaugurar a
parte especial do nosso Diploma Penal. Considerando os crimes contra a vida, assinale a alternativa
INCORRETA.
A) A vida é tratada nesse tópico tanto na forma intra (biológica) quanto extrauterina, protegendo-se, desse
modo, o produto da concepção (esperança de homem) e a pessoa humana vivente.

B) O dolo do homicídio pode ser direto (o agente quer o resultado) ou eventual (o agente assume o risco de
produzi-lo).

C) A Lei nº 13.104/2015 inseriu o inciso VI no art. 121 do Código Penal: o feminicídio, entendido como a morte
de mulher em razão da condição do sexo feminino (leia-se, violência de gênero quanto ao sexo).

D) Infanticídio, segundo dispõe o Diploma Penal Brasileiro, é matar o próprio filho independentemente da
condição fisiopsicológica do sujeito ativo.
E) Três são as formas de praticar o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio: nas duas primeiras hipóteses
(induzimento e instigação), temos a participação moral; já na última (auxílio), material.

Resolução: ao nos depararmos com a redação das alternativas acima expostas, podemos verificar que,
conforme estudamos anteriormente, a vida humana é protegida tanto na sua forma intrauterina como
extrauterina. Também mencionei a vocês acerca das formas como o homicídio pode ser praticado, sendo tanto
de forma dolosa (dolo direito ou eventual) e de forma culposa. No tocante as alternativas restante, nos
próximos tópicos vou esmiuçar para você as figuras do feminicídio, infanticídio e induzimento, auxílio e
instigação ao suicídio, posto que este último foi alterado pela Lei Anticrime. O importante da questão ora
analisada é que você perceba como esses tópicos que estudamos no início da nossa aula são cobrados em
concurso. Para tanto, a assertiva errada é letra “D”, pois o infanticídio requer a presença do estado puerperal
da mãe que mata seu próprio filho.

Gabarito: Letra D.

O tipo objetivo do crime de homicídio, ou seja, a conduta de “matar alguém”, pode ser praticada de forma
livre, razão pela qual, há infindáveis formas pelas quais se pode causar a morte de uma pessoa. O exemplo em
que Austin desferiu dois disparos de arma de fogo em Dallas é um exemplo pelo qual se pode ocasionar a morte
de forma direta. Agora, imagine que Austin tenha mantido Dallas em um local onde este não pudesse
sobreviver por conta da temperatura ou qualidade do ar. Nesse caso, estamos diante de um meio indireto de
causar a morte da vítima.

Outra classificação que me cabe apresentar a vocês, é a de que o crime de homicídio pode ser praticado
de forma plurisubssistente, ou seja, pode ser praticado por meio de vários atos. A conduta do agente criminoso
pode ser fracionada. Desse modo, meu amigo(a), pense na situação em que o indivíduo inicia o ato de matar
com o emprego de uma faca e, não conseguindo o resultado morte com o artefato cortante, mune-se de uma

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arma de fogo e efetua disparos em direção da vítima. Veja que a conduta de matar foi desdobrada em mais de
um ato, sendo a primeira delas com o emprego de uma faca e, logo em seguida, com uma arma de fogo.
De antemão já quero lhe deixar tranquilo, pois, cada uma dessas classificações será alocada em uma
tabela de fácil memorização para você ao final do estudo do crime de homicídio e, será assim, também, ao final
do estudo de cada uma das figuras dos crimes contra a vida!

Então, para encerrarmos o estudo da figura do homicídio simples, vamos ver como essas classificações
estão sendo questionadas nas provas de concurso.

Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA Prova: FUNCAB - 2016 - PC-PA - Escrivão de Polícia Civil

O homicídio é doutrinariamente classificado como crime:

A) de dano. material e instantâneo de efeitos permanentes.

B) vago. permanente e multitudinário.

C) próprio, de perigo individual e consumação antecipada.


D) de concurso necessário, comum e de forma livre.

E) de mão própria, habitual e de forma vinculada.

Resolução: antes de iniciarmos a resolução da questão, também quero dizer a você que cada uma das
assertivas serão analisadas pormenorizadamente em momento oportuno, quando adentrarmos ao capítulo
“Questões comentadas pelo professor”. Nesse momento, nosso estudo precisa fluir e ser o mais técnico e
preciso possível, razão pela qual, vamos analisar a resposta correta seguiremos com mais conteúdo. Então,
meu jovem, a partir dos ensinamentos até agora propostos, podemos perceber que o crime de homicídio é um
crime de dano (pois obrigatoriamente deverá haver um dano ao bem jurídico tutelado – vida), é material (pois
exige a produção do resultado no mundo exterior – morte), é instantâneo de efeitos permanentes (seu
resultado ocorre instantaneamente, sem prolongar-se no tempo, embora suas consequências subsistam
perenemente).

Gabarito: Letra A.

Certo, doutor(a)! Encerramos por aqui nosso estudo sobre a figura do homicídio simples.

A partir de agora passaremos a analisar a figura do homicídio privilegiado.

Por fim, guarde todos esses conceitos que estudamos até o momento, pois ele valerá para todas as
modalidades de homicídio.

Homicídio privilegiado. (Art. 121, §1º, CP).


Assim como no tópico passado, vamos iniciar nosso estudo sobre o homicídio privilegiado a partir do
texto da lei! Venha comigo!

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Homicídio simples
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob
o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir
a pena de um sexto a um terço.

Inicialmente, a partir da redação do parágrafo primeiro do art. 121 do Código Penal, podemos verificar
que o homicídio privilegiado (terá sua pena reduzida de 1/6 a 1/3 e, também, não é considerado crime hediondo)
consubstancia-se no ato de matar alguém por motivos nobres (de relevante valor moral ou social) ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.

“Professor, você falou matar alguém por motivos nobres. É isso mesmo?”
É isso mesmo que você leu, meu amigo(a) e vou provar para você!

O motivo de relevante valor social ou moral, se trata do homicídio praticado por valores nobres,
fazendo com que o homicida tenha sua reprimenda penal atenuada por conta dessa característica que reveste
o ato.

Entretanto, precisamos dividir esse requisito em duas partes: 1ª) a primeira hipótese é do indivíduo
que mata alguém por questões de relevante valor moral, ou seja, por motivos de interesse pessoal do agente
criminoso.

“Um exemplo, professor!”.

Certo, meu caro! É agora que nossos amigos entrarão em cena. Suponha que Austin tenha uma filha
chamada El Paso, e que Dallas acaba por estupra-la. Dessa forma, Austin, furioso pelo ato cometido pelo
criminoso Dallas, se mune de uma arma de fogo e sai a caça do estuprador de sua filha. Ao encontra-lo, Austin
desfere três disparos em regiões vitais do corpo e Dallas vem a óbito por conta dessa conduta.

Assim, a partir desse exemplo, não temos dúvida de que Austin cometeu um homicídio contra Dallas,
entretanto, tal conduta criminosa se originou de um fato anterior, qual seja, o estupro de Dallas contra sua filha
El Paso. Dessa forma, tal valor moral está intimamente ligado ao interesse pessoal de Austin em matar o
estuprador de sua filha.
Outra forma de homicídio por relevante valor moral é a eutanásia, ou “boa morte”/homicídio piedoso,
que se trata da conduta praticada por uma pessoa que antecipa a morte de outra gravemente enferma. Assim,
não há dúvida de que estão diante do crime de homicídio praticado por relevante valor moral, razão pela qual,
se trata da figura privilegiada do art. 121, §1º, do CP.

Também a outra modalidade de homicídio privilegiado: 2ª) aquele cometido por relevante valor
social, ou seja, que digam respeito a motivos ligados a questões de interesse coletivo, como matar alguém que
tenha traído a pátria.

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Por fim, temos como forma de privilégio, também elencada no art. 121, §1º, do CP, o homicídio
praticado sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
Quanto a essa figura, nós penalistas, costumamos chama-la de “homicídio emocional”.
Entretanto, para que essa figura ocorra, quatro requisitos são necessários, de forma
cumulativa, no momento da conduta. Vamos descobrir quais são?! Venha comigo!

Estado de violenta emoção

Que a violenta emoção seja dominante no agente criminoso

Que haja uma injusta provocação da vítima (não se traduz necessariamente em agressão, mas
compreende qualquer conduta desafiadora e injuriosa).

Que a reação do homicida seja imediata, ou seja, praticada logo em seguida a provocação
recebida.

Assim, meu amigo(a) concurseiro(a), imagine que Austin, esteja sendo injuriado ou, mesmo sem justo
motivo, tenha sido agredido por Dallas. A partir desse cenário Austin acaba sendo tomado pela emoção,
comprometendo completamente seu juízo de compreensão e, ato contínuo a provocação de Dallas, desfere
contra ele uma facada e acaba matando-o. Dessa forma, estamos diante da figura criminosa do homicídio
privilegiado praticado sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
Para tanto, você deve ficar atento que a conduta homicida deve ser praticada imediatamente após a
provocação, pois do contrário, não há que se falar em homicídio privilegiado.

“Nos exemplifique, Arpini!”.

Certo! Vamos lá! Imagine que Austin tenha sido agredido injustamente por Dallas em um bar.
Entretanto, passado horas do ocorrido, Austin dirige-se até sua casa, mune-se de uma faca e vai à caça de
Dallas. Dessa forma, Austin acaba por encontrar Dallas ainda no bar em que se iniciou a confusão. Assim, Austin,
lhe desfere quatro facadas no peito e a vítima vem a óbito na bancada do bar. Nesse caso, não há que se falar
em homicídio privilegiado, podendo, até mesmo, tipifica-lo à luz do homicídio qualificado (art. 121, §2º, do CP).
Porém, nesse caso, Austin poderá ser beneficiado pela atenuante do artigo 65, inciso II, alínea “c”, do CP, veja
só:

Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).

III - ter o agente:(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade
superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;

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Desse modo, tendo em vista a injusta agressão perpetrada por Dallas, o homicida Austin poderá ser
beneficiado pela referida atenuante.
Então, tudo entendido até agora?! Tenho a certeza que sim!

Uma última informação para que possamos fechar por completo o estudo da figura privilegiada (que
na verdade, terminologicamente falando, de forma mais técnica, se trata de uma causa de diminuição de pena)
é que, verificado no caso concreto a presença dos requisitos do §1º - relevante valor moral ou social, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, é obrigatória a redução de pena
do agente criminoso, pois se trata de direito público subjetivo do réu.

“Mas professor de que forma será feita a redução nesses casos?”


Então, meu(a) jovem, nesse caso, a redução será feita em seu maior vetor quando mais longe o
homicida fique da consumação do crime e, em sentido oposto, menor será o redutor quando mais perto chegar
da consumação do crime. Isso que acabei de lhes explicar diz respeito ao iter criminis (caminho do crime), que
será melhor explorado nas nossas próximas aulas quando eu tratar com vocês sobre Direito Penal Parte Geral.

Para darmos uma descontraída, peço que você não se assuste, pois até o final da nossa aula, será
derramado um pouco mais de sangue entre Austin e Dallas.
Já que não temos tempo a perder, vamos ver como esse assunto vem sendo cobrado em concurso!

Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos poderá ser beneficiado pela incidência de causa de
diminuição de pena.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: a partir de tudo que estudamos até agora, meu amigo(a), devemos nos recordar sobre o requisito
temporal para a configuração do homicídio privilegiado. Na questão em análise, verificamos que a conduta de
Carlos não se deu imediatamente após a injusta provocação de Paula, razão pela qual, não há que se falar na
incidência do privilégio do art. 121, §1º do CP.
Gabarito: ERRADO.

Ano: 2018 Banca: VUNESP

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Maria e Mariana, ambas nascidas com genitais femininos, auto identificadas e socialmente reconhecidas como
mulheres, convivem em união estável e monogâmica. Ocorre que Maria, às escondidas, passa a manter
relações sexuais com José. Mariana flagra Maria em ato sexual com José e, nesse contexto, Maria provoca
injustamente Mariana, dizendo a José, em tom de escárnio, que Mariana é “xucra, burra e ruim de cama”, e que,
além disso, Mariana “gosta de ser traída e não tomará qualquer atitude, por ser covarde e medrosa”. Embora
nunca tenha praticado ato de violência doméstica, Mariana é tomada por violenta emoção e dispara projétil de
arma de fogo contra a cabeça de Maria, que morre imediatamente.
É correto afirmar que Mariana praticou:

A) ato típico, mas amparado por causa excludente de ilicitude.

B) homicídio qualificado, por meio insidioso.

C) feminicídio.

D) homicídio privilegiado.

E) homicídio qualificado, por motivo torpe.

Resolução: então, caríssimo, já conseguiu identificar o gabarito? Aposto que sim! Então, a partir da análise do
caso exposto pela banca, podemos notar que Mariana praticou homicídio privilegiado, pois estão presente os
quatro requisitos necessários da segunda parte do §1º do art. 121, do CP (sob o domínio de violenta emoção,
logo em seguida a injusta provocação, da vítima).

Gabarito: Letra D.

Assim, doutor(a), encerramos mais um tópico importantíssimo sobre a figura do homicídio.


Como nossa caminha ainda é longa, mas, sem dúvida, extremamente prazerosa, vamos iniciar no próximo
tópico o estudo do homicídio qualificado.

Homicídio qualificado (art. 121, §2º, CP).


Dando continuidade ao nosso estudo e, mantendo um padrão de apresentação das figuras
criminosas, vou trazer para você a redação do art. 121, §2º do CP e todos os seus sete incisos, que contemplam
as mais diversas qualificadoras pelas quais se podem ser praticados um homicídio.

Veja comigo:

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo futil;

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III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Pois bem! A partir de agora vamos analisar uma por uma das qualificadoras acima mencionadas.

Antes de mais nada, perceba, concurseiro(a), caso o homicida incorra na norma penal incriminadora
do artigo 121,§2º, CP, sua pena será muito maior do que aquela para o homicídio simples. O patamar de pena
para o homicídio qualificado é de 12 a 30 anos.
Lembre-se, por fim, que o homicídio qualificado é considerado crime hediondo, conforme o artigo 1º
da Lei 8.072/90, bem como, suas qualificadoras podem ser de natureza objetiva ou subjetiva, as quais
verificaremos ao longo da nossa aula.
Prosseguindo!

ART. 121, §2º, I, do Código Penal.


A qualificadora do inciso I – mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe
(qualificadora de ordem subjetiva), deve, necessariamente, repartida. Quando falamos da qualificadora da
paga ou promessa de recompensa, nós, penalistas, o tratamos por uma nomenclatura diferente e que você
deve se familiarizar, pois poderá aparecer na sua prova. Esse é o “Homicídio Mercenário”.

Nesse caso, o agente criminoso executa o crime movido pela ganância do lucro, é dizer, em troca de
alguma recompensa prévia ou na expectativa de recebimento (também conhecido como sicário).

Essa é uma figura que só ocorre se houver o concurso de duas ou mais pessoas, ou seja, caríssimo,
nesse caso, necessariamente deve haver o executor do crime e o mandante.

O que será que o Austin vai aprontar dessa vez, já tem alguma ideia, meu amigo(a)?

Imagine a seguinte situação: Austin, um mercenário/matador de aluguel é contratado por San


Antonio, que encomenda a morte de Dallas por conta de uma dívida existente entre ambos. Dessa forma, Austin
sai a caça de Dallas e o encontra em uma via pública, então, ato contínuo, Austin, em poder de uma pistola
efetua cinco disparos em direção a cabeça de Dallas que, por sua vez, vem a óbito por conta dos disparos. Assim,
Austin, tendo cumprido com o serviço para o qual foi contratado, recebe de San Antonio, a quantia de
R$10.000,00 (dez mil reais) pelo homicídio.

Então, meu amigo(a), a partir deste cenário, não há dúvida de que estamos diante de um homicídio
qualificado praticado mediante o pagamento de uma recompensa (R$10.000,00 para Austin). Também, meu
caro, se San Antonio tivesse feito apenas promessa de pagamento e Austin tivesse praticado o homicídio, tal
circunstância já seria suficiente para caracterizar o crime em tela.

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A partir deste cenário, eu lhe pergunto, meu amigo(a): você acha que a qualificadora (que é prevista
para o executor do crime) se comunica para o mandante (aquele que paga pelo crime)?
A resposta não é tão simples assim. Entre os estudiosos do direito penal não há um consenso sobre
tal circunstância ser comunicável ou não. Entretanto, para o seu concurso, você deve levar em conta o que
dispõe a jurisprudência dos Tribunais Superiores.

Saiba que a 6ª Turma do STJ, em julgamento recente, no bojo do REsp 1.785.797/SP, Rel. Min. Laurita
Vaz, DJe 17/12/19, entendeu que a qualificadora referente a paga ou promessa de recompensa possui caráter
dúplice, aplicando-se tanto ao agente que promete ou efetua o pagamento quanto àquele que executa o
crime.
Superada a primeira análise da qualificadora, vamos em frente!

A parte final do inciso primeiro do art. 121, §2º, do CP, trata da figura do homicídio praticado por
motivo torpe.

Para tanto, considera-se motivo torpe todo aquele motivo abjeto/repugnante.

Imagine a situação em que Austin mate seus pais motivado pelo desejo de permanecer com a herança
vultosa que ambos deixariam ao findarem sua peregrinação terrestre. Nesse caso, a motivação do crime
praticado por Austin, torna o crime qualificado por motivo torpe, ao executar seus pais para ficar com a herança.
Entendida essa primeira parte, vamos descobrir como os concursos estão questionando acerca desse
ponto específico do nosso estudo.

Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Na situação considerada, em que Paula foi vitimada por Carlos por motivação torpe, caso haja vínculo familiar
entre eles, o reconhecimento das qualificadoras da motivação torpe e de feminicídio não caracterizará bis in
idem.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: a partir da situação apresentada pela banca examinadora, podemos verificar a necessidade do
candidato ter conhecimento acerca do que significa a qualificadora do motivo torpe. Ainda, no tocante ao
feminicídio, mais adiante será objeto de estudo em nossa aula. Por outro lado, já lhes adianto que duas
qualificadoras podem concorrer ao mesmo tempo na prática do homicídio, como é o caso da situação

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hipotética da questão em análise. Certamente você já deve ter ouvido falar em homicídio duplamente
qualificado, triplamente qualificado e etc.

Gabarito: CERTO.

Assinale a alternativa incorreta.

A) É possível a aplicação da interpretação analógica no tipo de homicídio qualificado pelo fato de o crime ter
sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.

B) O fato de a vítima de homicídio doloso ter mais de sessenta anos constitui circunstância agravante, prevista
no artigo 61 do Código Penal, considerada na segunda fase de aplicação da pena.

C) No homicídio doloso qualificado pela motivação torpe, é possível reconhecimento da atenuante genérica do
cometimento do crime por motivo de relevante valor moral.

D) O homicídio híbrido é admitido pela jurisprudência, desde que a circunstância qualificadora tenha caráter
objetivo.

E) O homicídio é qualificado pela conexão quando cometido para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou a vantagem de outro crime.

Resolução: primeiro quero dar-lhes uma dica, meu amigo(a). Sempre que a questão lhe pedir a incorreta grife
essa expressão para condicionar o seu cérebro a saber que existem, ao menos, quatro alternativas corretas e
apenas uma errada. A partir disso, nos interessa sabermos especificamente o texto da alternativa letra “A”, em
que ela afirma, corretamente, ser possível a aplicação da interpretação analógica no tipo de homicídio
qualificado pelo fato de o crime ter sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro
motivo torpe. No tocante a interpretação analógica, sugiro que você adquira nossos cursos de direito penal,
pois dedico uma aula somente para o estudo da aplicação da lei penal e seus desdobramentos, e por
consequência o estudo da interpretação analógica. Mas, para compreendermos a questão em análise, podemos
verificar o erro a partir da redação da letra “B” pois, caso a vítima seja maior de 60 anos, não há que se falar em
agravante a ser aplicada, e sim em causa de aumento de pena, do art.121, §º 7º, inciso I, do CP.

Gabarito: Letra B.

Ano: 2000 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: CESPE - 2000 - Polícia Federal - Agente
Federal da Polícia Federal

Julgue o seguinte item.

As qualificadoras de paga e promessa de recompensa do crime de homicídio comunicam-se ao mandante.

( ) Certo

( ) Errado

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Resolução: através do estudo concretizado até o momento, verificamos que a qualificadora da paga e
promessa de recompensa se comunica ao mandate do crime, não ficando apenas na seara do executor do
crime.

Gabarito: CERTO.

Então, guerreira(o), encerramos por aqui o estudo da figura do homicídio qualificado do art. 121, §2º,
inciso I, do CP.

ART. 121, §2º, II, CP


Dando seguimento, o inciso II, do art. 121, §2º, assim dispõe:

II - por motivo futil;

O motivo fútil é aquele de menor importância, desproporcional, insignificante em relação a situação


fática que se apresenta, razão pela qual, tal motivo não pode ser confundido com o motivo torpe (repugnante).
Para clarear seu aprendizado, imaginemos a situação em que Austin se encontra no interior de um bar
jogando uma partida de sinuca com Dallas. Passadas horas da jogatina, Austin enfurecido por não ter vencido
Dallas durante as disputas, verifica que há uma garrafa de vidro ao seu alcance, momento em que a apanha e
logo em seguida golpeia Dallas mortalmente na cabeça.

Diante desse cenário, o motivo propulsor da conduta de Austin é completamente desproporcional a


situação fática pois, bastava que esse treinasse mais durante algum tempo para voltar a enfrentar Dallas e
vencê-lo em uma disputa de sinuca, e não acabar com a vida do seu adversário.
Tudo entendido até agora?? Tenho certeza que sim! Caso tenha ficado alguma dúvida, não hesite em
me procurar aqui pelo canal de dúvidas do Direção ou em minhas redes sociais.

ART. 121, §2º, III, CP


Dando continuidade, outra forma pela qual o homicídio qualificado pode ser praticado é através do
emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa
resultar perigo comum.

Antes de iniciarmos, preciso deixar claro a você que essa qualificadora possui natureza objetiva. Ao
final do estudo do crime de homicídio, farei uma tabela com a natureza jurídica de cada uma delas para melhor
visualização do seu estudo.
O homicídio praticado com o emprego de veneno, só é capaz de qualificar a conduta caso a substância
seja ministrada de forma sorrateira, ou seja, de uma forma que a vítima não perceba que está ingerindo a
substância. Também lhe adianto, meu caro, que você poderá encontrar essa modalidade de homicídio redigida
no seu concurso como “Venefício”.

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Por outro lado, caso o veneno seja ministrado na vítima com o emprego de força, estaremos diante
de outro meio cruel, alcançado pela expressão genérica trazida ao final do inciso que estamos analisando.
Também, presente no inciso III, caríssimo, está o emprego de fogo ou explosivo, como meio de
alcançar a morte da vítima, que revela o modo especialmente perverso escolhido pelo agente.

Já a asfixia é o impedimento da passagem do ar pelas vias respiratórias ou pulmões, por qualquer meio
mecânico, como enforcamento, afogamento, esganadura ou sufocação.

Imagine, meu(a) jovem, a situação em que Austin, para matar Dallas o estrangula com uma corda.
Assim, atestada a causa da morte por asfixia, não tenhamos dúvida de que Austin responderá pelo homicídio
qualificado com o meio executório da asfixia.
Ainda, dando prosseguimento ao nosso estudo, é necessário verificarmos a hipótese do homicídio
qualificado praticado mediante tortura. Nesse caso, meu amigo(a), a tortura só tem o condão de qualificar o
homicídio se o resultado morte era o alvo do assassino, tendo escolhido o sofrimento atroz da vítima para
chegar a morte. Em sentido oposto, no caso de o agente atuar com dolo apenas em relação à tortura, ou seja,
o indivíduo queria causar um grave sofrimento físico ou mental na vítima e esta, por sua vez, acaba falecendo,
estaremos diante da figura da tortura com resultado morte, crime preterdoloso previsto no art. 1º, §3º, da Lei
9.455/97.
E, para encerramos mais um inciso, a última qualificadora diz respeito aos meios que podem resultar
perigo comum, entendendo-se por aqueles que produzem risco a um número indeterminado de pessoas.

Assim, podemos resumir os meios de execução da seguinte forma.

MEIOS DE EXECUÇÃO

Veneno – desde que ministrado de forma sorrateira

Fogo ou explosivo – temos aqui, o triste exemplo ocorrido no DF, em que dois indivíduos atearam fogo
em um índio que dormia num banco nas proximidades da Esplanada.

Emprego de asfixia – mecânica (esganadura, sufocamento...) e tóxica (gases deletérios)

Emprego de tortura – utilizado como forma de chegar ao resultado morte

Perigo comum – meios que produzam risco a um número indeterminado de pessoas.

Meio insidioso ou cruel – o item 38 da Exposição de Motivos do CP traduz o que vem a ser meio insidio
ou cruel no seguinte sentido: meio dissimulado na sua eficiência maléfica, e este, ou seja, o cruel, o
que aumenta inutilmente o sofrimento da vítima, ou revela uma brutalidade fora do comum ou em
contrates com o mais elemenetar sentimento de piedade.

Então, agora está na hora de testarmos nossos conhecimentos!

Veja como os concursos cobram de forma exaustiva o crime de homicídio:

Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE

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Constitui homicídio qualificado o crime

A) cometido contra deficiente físico.

B) praticado com emprego de arma de fogo.


C) concretizado com o concurso de duas ou mais pessoas.

D) praticado com o emprego de asfixia.

E) praticado contra menor de idade.

Resolução: a partir de todo nosso estudo compartilhado até o momento, conseguimos identificar que, a partir
da redação do art. 121, §2º, III, o homicídio é qualificado quando praticado com o emprego de asfixia, seja ela
mecânica ou tóxica.

Gabarito: Letra D.

Ano: 2015 Banca: CEFET-BA

Miquelino Boa Morte, em razão de motivo abjeto, praticou delito de homicídio contra Angelino Boa Vida. Para
tanto, Miquelino misturou, na presença e sob a ciência de Angelino, em um recipiente, água e substância
venenosa, obrigando, sem possibilidade de reação, sua vítima a ingerir tal substância, conduta que ocasionou,
após sofrimento do envenenado, o seu óbito. Miquelino Boa Morte praticou:

A) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e com emprego de veneno.

B) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.
C) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e com emprego de veneno.

D) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.

E) As alternativas, “a", “b", “c" e “d" são incorretas.

Resolução: a partir da situação hipotética elencada no enunciado da nossa questão, verificamos a presença de
apenas uma qualificadora. Em que pese o uso do veneno, meu caro, você deve lembrar que o veneno só é apto
a qualificar o homicídio se for ministrado de forma sorrateira. Dessa forma, responde o agente apenas pela
pratica de homicídio pelo motivo torpe.
Gabarito: Letra E.

ART. 121, §2º, IV, CP

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Muito bem, meu amigo(a), avançamos muito no nosso estudo, mas nossa jornada ainda passará pelo
estudo de outro crimes. Nem pense em desistir! Vamos em frente! Saiba que estou junto com você nessa
caminhada!

Agora passaremos ao estudo dos modos de execução do homicídio qualificado.

Vejamos a redação do artigo, 121, §2º, inciso IV, do CP.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
[...]
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido;

Nesses casos, caríssimo estudante, o agente criminoso age no intuito de evitar uma oportuna e,
eventualmente eficaz reação da vítima frente à sua conduta, buscando surpreende-la ou engana-la pela
situação.
No que diz respeito à traição, se trata de um ataque súbito e sorrateiro, podendo ser tanto física como
moral. Suponha que Austin, querendo matar Dallas, emprega-se de um bastão de beisebol e, mortalmente o
golpeia, pelas suas costas, diretamente em sua cabeça, causando sua morte instantaneamente (traição física).
Por outro lado, pensemos na situação em que Austin convida Dallas para usarem algum tipo de entorpecente,
visando, após o uso, mata-lo com mais facilidade (traição moral).

Nesse sentido, é a lição do colega Rogério Greco6, vejamos:

“Há diferença, para fins de identificação da traição, entre o golpe efetuado nas costas da vítima e aquele
praticado pelas costas. Pelas costas configura-se a traição, quando o agente ataca a vítima por trás,
sem que ela possa percebê-lo. (p.162).

Saiba que você poderá encontrar essa figura em sua prova nomeada como “Proditório” (homicidium
proditorium).
Seguindo adiante, temos a figura da emboscada e, por essa, o sinônimo de tocaia, razão pela qual, o
sujeito passivo não percebe o ataque do ofensor, que se encontra escondido. O homicídio praticado pela
premeditação é denominado ex insidiis.

6
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial, volume II: introdução à teoria da parte especial: crimes contra
a pessoa / Rogério Greco. – 11. ed. Niterói, RJ: Impetus, 2014.

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Você também precisa ficar atento à figura da dissimulação, que nada mais é do que a ocultação dos
próprios desígnios. Aqui, meu caro, também estamos diante de uma figura que se divide em moral ou material.
Moral, por exemplo, quando o agente dá falsas mostras de amizade para ganhar a confiança da vítima. Material,
quando o homicida se utiliza de disfarce.

Então, para finalizarmos o estudo da qualificadora em análise, a fórmula genérica contida na parte
final outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. Por dificuldade, a vítima possui
alguma possibilidade de defesa. Já, por outro lado, ao tornar impossível a defesa, o agente criminoso elimina
completamente qualquer possibilidade de defesa da vítima. Imagine que Austin acabe matando Dallas
enquanto esse dormia. Dessa forma, Austin tornou impossível a defesa da vítima, incidindo a parte final da
qualificadora em tela.

Vejamos como os concursos estão questionando acerca dessa forma de homicídio:

Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE

A respeito de crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

A) responderá pela prática de crime contra a vida o agente que anuncia produtos ou métodos abortivos.
B) responderá por homicídio qualificado o agente que matar para assegurar a execução, ocultação, impunidade
ou vantagem de uma contravenção penal.

C) o crime de homicídio admite interpretação analógica no que diz respeito à qualificadora que indica meios e
modos de execução desse crime.

D) o agente que matar sua empregadora por ter sido dispensado sem justa causa responderá por feminicídio,
haja vista a vítima ser mulher.

Resolução: inicialmente, meu amigo(a), cada uma dessas figuras apresentadas nas alternativas da questão
serão objeto de estudo ainda nessa aula. Dessa forma, você conseguirá responder a todas as questões ora
propostas quando chegar ao capítulo destinado as respectivas resoluções. Entretanto, nesse momento vamos
nos concentrar no que estudamos juntos até agora. Pois bem, quando mencionei para vocês as qualificadoras
dos incisos III e IV, dei uma pincelada sobre a interpretação analógica, então, verificando a parte final dos
respectivos incisos, o crime de homicídio pode ser praticado de diversas formas que possam resultar perigo
comum (III) ou dificultar ou tornar a defesa do ofendido (IV). A prova disso, meu amigo(a) é o exemplo que dei
anteriormente em que Austin mata Dallas enquanto ele está dormindo. O legislador não previu expressamente
a qualificadora “matar alguém dormindo”, mas caso o crime seja praticado dessa forma, ele poderá, via
interpretação analógica, se amoldar ao final do inciso IV, do art. 121,§2º, do CP.

Gabarito: Letra C.

Certo, meu querido(a), encerramos mais uma das qualificadoras acerca do homicídio. Peço
gentilmente que fique comigo, pois ainda temos mais algumas qualificadoras para analisarmos.

E, não se esqueça, essa é mais uma qualificadora de ordem objetiva.

ART. 121, §2º, v, CP

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A figura do inciso V, nos traz o homicídio praticado para assegurar a execução, ocultação, a
impunidade ou vantagem de outro crime.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
[...]
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

A partir da leitura do dispositivo acima exposto, doutor(a), estamos diante do homicídio por conexão
ou conexivo. Nesse caso, sempre que houver a incidência da qualificadora, haverá a presença de um outro
crime que está intimamente ligado ao homicídio.

Já lhe adianto que essa figura possui natureza subjetiva, ou seja, está ligada aos motivos íntimos que
levaram o agente a cometer o ato criminoso.
Já que Austin mostrou-se um criminoso nato até o presente momento, vou poupá-lo de mais uma
confusão e, assim, trarei a vocês o exemplo claro do colega penalista, Professor Rogério Greco, citado
anteriormente.

“Quando se busca assegurar a ocultação, o que se pretende, na verdade, é manter desconhecida a


infração penal praticada, a exemplo do marido que mata a única testemunha que o viu enterrar o corpo
de sua mulher, também morta por ele. Já quando o agente via assegurar a impunidade, a infração
penal é conhecida, mas sua autoria ainda se encontra ignorada, a exemplo da hipótese do agente que
mata também a única testemunha que presenciou o homicídio cujo corpo fora deixado em um local
público. Quanto à vantagem de outro crime, conforme esclarece Hungria “o propósito do agente é
garantir a fruição de qualquer vantagem, patrimonial ou não, direta ou indireta, resultante de outro
crime”, como no caso daquele que mata o seu companheiro de roubo, para que fique, sozinho, com o
produto do crime”. (p.164).

Antes de encerrarmos o estudo do homicídio conexivo, quero lhe mostrar como isso vem sendo
cobrado em concurso pois, logo em seguida, teremos um tópico especial para tratar de uma inovação legislativa
ocorrida em 2015, que inseriu a qualificadora do feminicídio.

Ano: 2018 Banca: UEG

De acordo com o Código Penal, há homicídio qualificado quando for cometido

A) por grupo de extermínio.

B) para assegurar a impunidade de outro crime.


C) estando o ofendido sob a imediata proteção da autoridade.

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D) contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.

E) por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança.

Resolução: meu amigo(a), analisando o enunciado que a banca nos traz, vemos a necessidade de nos
familiarizarmos com a letra seca da lei pois, com uma leitura concentrada do art.121, do CP, eu garanto que
você acertaria essa questão e somaria mais esse ponto valioso na sua prova. Dessa forma, a partir da redação
do art. 121,§2º, V, do CP, temos a qualificadora do homicídio conexivo, nos leva a assinalarmos a segunda
alternativa.

Gabarito: Letra B.

Como narrei para vocês anteriormente, a partir de agora vamos abrir outro tópico específico para
estudo de uma inovação legislativa de 2015 e que possui muita incidência em concurso.

Beba uma água, respire fundo, se concentre e vamos adiante! Não se esqueça, estou com você até o
final!

Feminicídio (art. 121, §2º, VI, §2º-A, I e II, e §7º CP).


Antes de iniciarmos o estudo do feminicídio propriamente dito, é necessário que saibamos que tal
figura se trata de uma inovação legislativa que sobreveio ao Código Penal no ano de 2015, inserindo a
qualificadora do inciso VII ao art. 121,§2º e, também, o seu complemento no §2º-A do mesmo artigo.

Pois bem, doutor(a), o feminicídio é o homicídio praticado contra mulher por razões da condição do
sexo feminino. Mas agora você deve estar se perguntando, “o que são razões da condição de sexo feminino”?
Bem, meu amigo(a), o §2º-A nos traz essa definição, afirmando que considera-se que há razões de condição do
sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar e, também, quando houver menosprezo
ou discriminação à condição de mulher.

Em resumo, meu caro!

FEMINICÍDIO

Violência doméstica e familiar Menosprezo ou discriminação


à condição de mulher.

Ou seja, a partir do quadro resumo, podemos verificar que há duas modalidades de feminicídio. Então,
agora, vamos estudar cada uma das modalidades.

A primeira trata do feminicídio praticado por situação de violência doméstica e familiar e, para tanto,
é necessário que nos socorramos dos conceitos de violência doméstica elencados no art. 5º da Lei Maria da
Penha (11.340/06).

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Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação
ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e
dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas,
com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Então, a partir do texto legal e da definição apontada anteriormente, trag0-lhes um exemplo do


colega André Estefam:

“Pode-se dizer, dessa forma, que o feminicídio decorrente de violência doméstica ou familiar
consubstancia o ato de matar a ofendida por meio de conduta relacionada com dominação de
gênero, isto é, de comportamento que pressuponha, por parte do agressor (seja homem ou
mulher), postura de superioridade em face da vítima, subjugando-a ou colocando-a em situação
de vulnerabilidade.

Cite-se, como exemplo desta modalidade do crime, o ato de matar a (atual ou ex) esposa,
companheira, noiva ou namorada, por questões ligadas ao relacionamento, como ciúmes ou
inconformismo com eventual intenção de terminar a relação “ (2019, p.147)

Também, caríssimo concurseiro(a), o feminicídio pode ser caracterizado por menosprezo à condição
da mulher, que se verifica em situações nas quais o homicida desdenha do gênero da vítima, causando-lhe a
morte.

Uma pena que Austin ainda não tenha desistido da vida do crime. Infelizmente, nosso personagem
acabou cometendo um feminicídio.

“E como isso aconteceu, professor?”.

Trafegando com seu automóvel pela Avenida Paulista, Austin acabou sendo abalroado por Katy e,
inconformado pela manobra que a vítima fez e que acabou causando o acidente. Austin, desqualificando-a por
ser uma mulher no volante, mune-se de uma faca que tinha no interior do seu automóvel e acaba matando a
vítima.

Nesse caso, não há dúvida que de que estamos diante de um feminicídio por menosprezo à condição
de mulher, visto que Austin menosprezou as capacidades automobilísticas da vítima.

“Professor, uma pergunta. A vítima necessariamente precisa ser mulher ou o transgênero também pode
ser vítima?”
Boa pergunta!! Vejo que você está muito concentrado e focado na matéria.

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Respondendo a sua pergunta, doutor(a), o sujeito passivo (vítima/ofendido) poderá ser mulher (por
expressa previsão legal) e, também os transgêneros, em conformidade com o entendimento do Supremo
Tribunal Federal (firmado em 1º de maio de 2018 no julgamento da ADI 4.275). O transgênero é a pessoa que
se identifica com um gênero diferente daquele que corresponde ao seu sexo atribuído ao nascer. Tal conceito
abarca o travesti e o transexual.

Agora, meu caro(a), preste bem atenção no que vamos estudar.

O feminicídio, por si só, é qualificadora do homicídio, fazendo com que recaia sob o autor que matou
nessas condições, uma pena de 12 a 30 anos. Pois bem, não fosse apenas esses patamares de pena que pode
receber o autor, esse fato ainda terá um acréscimo de 1/3 até a metade, se for praticado durante a gestação ou
nos três meses posteriores ao parto, contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos,
com deficiência ou portadora de doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de
vulnerabilidade física ou mental, na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima e, por
fim o descumprimento das medidas protetivas de urgência.

Vamos recordar do exemplo do Professor André Estefam? Então, para que você compreenda essa
figura que aumenta a pena de 1/3 até metade, basta que a vítima do exemplo do colega tenha 60 anos e essa
circunstância seja de conhecimento do agente criminoso.
Assim, o agente responderia por feminicídio (que possui pena de 12 a 30 anos) mais o acréscimo de
pena de 1/3 até a metade pela idade avançada da vítima.

FEMINICÍDIO

Qualificadora (art. 121, §2º, VII, §2º-A, I e II) Causa de aumento de pena (art. 121, §7, CP).

Violência doméstica e familiar durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores


ao parto

Menosprezo ou discriminação contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de


60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de
à condição de mulher.
doenças degenerativas que acarretem condição
limitante ou de vulnerabilidade física ou mental

na presença física ou virtual de descendente ou de


ascendente da vítima

em descumprimento das medidas protetivas de


urgência

Aposto que você lembra que, sempre ao final do estudo das qualificadoras, eu apresento a vocês a
natureza de cada uma delas. No caso do feminicídio há uma divergência entre os estudiosos do direito penal e
os Tribunais Superiores.

É claro que, para a primeira fase do seu concurso, é necessário nos apegarmos às posições
consolidadas dos tribunais superiores.

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Portanto, há no mundo dos penalistas aqueles que entendem que se trata de qualificadora de
natureza objetiva (Guilherme Nucci), outros entendem que se trata de ordem subjetiva (Damásio
Evangelista de Jesus) e, por fim, aqueles que entendem que ela é de ordem objetiva-subjetiva (André
Estefam).

Em que pese a interessante discussão entre os estudiosos, o Superior Tribunal de Justiça, no


julgamento do Habeas Corpus nº 433.898/SP, definiu que a qualificadora do feminicídio é de ordem objetiva.

Isso é o que você precisa ter em mente para enfrentar qualquer questão no seu concurso. Vamos
resolver algumas? Bora, meu amigo(a)!

No que tange aos crimes dolosos contra a vida, assinale a alternativa CORRETA.

A) A qualificadora do feminicídio incide em todos os casos em que a vítima for mulher.

B) O homicídio qualificado-privilegiado é crime hediondo.

C) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite a antecipação terapêutica do parto de fetos como
microcefalia.
D) O emprego de tortura pode qualificar o crime de homicídio ou caracterizar crime autônomo, dependendo
do dolo do agente e das circunstâncias do caso concreto.
E) A prática da “roleta russa” caracteriza o crime de instigação ao suicídio.

Resolução: meu amigo(a), nos interessa o conteúdo apresentado na assertiva “A”. Você recorda da pergunta
que me fez anteriormente? Aposto que sim! Então, a partir do que estudamos juntos, a assertiva é tentadora
para que assinalemos, pois fala “em todos os casos em que a vítima for mulher” – assim, ela está tratando a
qualificadora como uma forma geral e não no contexto em que haja violência doméstica e familiar contra a
mulher ou, ainda, menosprezo pela condição do sexo feminino.

Gabarito: Letra D.

Quanto aos crimes contra a vida, assinale a opção CORRETA:

A) A expressão “durante ou logo após o parto" impede a caracterização do infanticídio se a conduta for
praticada mais de 24h após o parto ter sido concluído.

B) Se “A" induz “B" a se matar, mas “B" apenas experimenta lesões leves, “A" pratica delito de auxílio ao suicídio,
na forma tentada.

C) Para a realização do aborto com o consentimento da gestante, em caso de gravidez resultante de estupro, o
médico precisa de autorização judicial.

D) Apressar a morte de quem esteja desenganado configura homicídio com relevante valor social.

E) Ao autor de homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino da vítima aplica-
se circunstância qualificadora.

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Resolução: e ai, meu amigo(a), já sabe qual é a alternativa correta? Nesse caso, como estamos tratando de
feminicídio, nos interessa a análise da assertiva letra “E”. Portanto, podemos afirmar seguramente que ao autor
de um homicídio contra mulher por razões da condição de sexo feminino, estamos falando de um feminicídio.

Gabarito: Letra E.

Em relação aos crimes contra a vida, é correto afirmar que

A) a genitora que mata o neonato, sob o estado puerperal e logo após o parto, responderá por homicídio
duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio insidioso.

B) para configuração do homicídio privilegiado, previsto no art. 121, § 1o, do Código Penal, basta que o agente
cometa o crime sob o domínio de violenta emoção.

C) nas lesões culposas verificadas entre os mesmos agentes, é possível aplicar a compensação de culpas.
D) o feminicídio, previsto no art. 121, § 2o, inciso VI, do Código Penal, exige que o crime seja praticado contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino envolvendo violência doméstica ou familiar ou menosprezo
ou discriminação à condição de mulher.

E) o agente que pratica autolesão responderá pelo crime de lesões corporais com atenuação da pena de 1/3 a
2/3, a depender da natureza da lesão.

Resolução: meu(a) colega, já conseguiu identificar o erro da questão? Vamos resolvê-la juntos quando
adentrarmos ao capítulo das questões comentadas pelo professor, pois terei um amplo espaço para tratar com
vocês acerca de cada uma individualmente. Entretanto, nesse momento nos interessa o conteúdo apresentado
pela alternativa “D”, que retrata todo o conteúdo estudado por nós até o presente momento, razão pela qual,
o feminicídio exige que o a morte tenha ocorrido por razões da condição de sexo feminino, envolvendo violência
doméstica ou familiar ou, também, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Gabarito: Letra D.

A partir da análise dessas questões, meu amigo(a), fechamos o estudo acerca do feminicídio e vamos
adentrar em mais uma das previsões do art. 121, do CP.

Homicídio funcional (art .121, §2º, VII, CP).


Então, doutor(a), iniciamos o nosso estudo sobre a figura do homicídio funcional, previsto no artigo
121,§2º, VII, do Código Penal.

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:

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VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função
ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro
grau, em razão dessa condição:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Para tanto, é necessário complementarmos a referida previsão legal a partir das autoridades que
estão elencadas nos artigos 142 e 144 da Constituição Federal, vejamos:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são
instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob
a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos
poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes
órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital.

Nesses casos, meu amigo(a), é necessário que as vítimas acima elencadas estejam no exercício de sua
função ou que, embora não se encontrem em situação de serviço, seja o fato cometido em decorrência da
função.

Não obstante, ainda, a qualificadora terá incidência quando o ato perpetrado pelo agente criminoso
for contra cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até o terceiro grau dos servidores públicos acima
elencados, em razão dessa condição, ou seja, somente em função desse vínculo familiar.
Então, dessa forma, você deve ficar atento ao fato de que, a circunstância não terá aplicação se o fato
não guardar relação com a atividade exercida pela vítima (ou seu familiar).

Outra informação que precisa estar clara em sua mente, meu amigo(a), é que a conduta pode ser
cometida contra tais pessoa, mesmo quando fora de serviço, desde que o comportamento se dê em
decorrência da atividade por elas exercida.

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Vejamos como os concursos estão cobrando esse tipo de conteúdo.

Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Escrivão de Polícia Civil

A policial Michele Putin, na noite de 14 de março de 2018, quando retornava para sua casa, após liderar uma
exitosa operação contra o tráfico de entorpecentes na comunidade de “Miracema do Norte”, foi abordada por
dois homens armados e friamente assassinada. Num fenomenal trabalho investigatório, a Polícia Civil logrou
êxito em identificar os assassinos como sendo os irmãos Jorge e Ernesto Petralha, apurando que tal homicídio
se deu em represália pelas prisões ocorridas quando da citada operação policial.
Diante desse quadro, podemos asseverar que os assassinos responderão por:

A) Feminicídio, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VI CP.

B) Homicídio funcional, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VII CP.

C) Homicídio qualificado por motivo fútil, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.

D) Homicídio qualificado por motivo torpe, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.

Resolução: a partir da leitura do enunciado acima exposto, bem como, por já estarmos munidos de conteúdo
suficiente para responder a questão proposta, podemos verificar que na situação acima, a policial Michele Putin
foi vítima de um homicídio funcional, sendo que tal informação é confirmada pela parte final do enunciado, “se
deu em represália pelas prisões ocorridas quando da citada operação policial”.

Gabarito: Letra B.

Ano: 2018 Banca: FCC


O Código Penal qualifica o homicídio doloso quando praticado contra servidores públicos, no exercício de
atividade de segurança pública. Podem, dentre outros, ser vítimas do crime

A) integrantes do sistema prisional, da Força Nacional de Segurança Pública e do corpo de bombeiros militares.

B) policiais civis, policiais federais e promotores de justiça criminais.

C) policiais rodoviários federais, policiais militares e juízes com competência criminal.

D) policiais civis, policiais federais e promotores ou procuradores que atuam no combate ao crime organizado.
E) policiais civis e militares na ativa ou aposentados.

Resolução: a partir do que estudamos juntos, meu caro amigo(a), conhecendo o art. 121,§2º, VII e, também os
artigos 142 e 144 da CF/88, podemos identificar que promotores de justiça, juízes de direito e procuradores não
estão elencados nos artigos mencionados, razão pela qual, somente os integrantes da polícia penal (agentes
penitenciários), da Força Nacional e do Corpo de Bombeiros podem ser sujeitos passivos do crime de homicídio
funcional. Por fim, meu amigo(a), não quero que você faça confusão com à condição de “aposentado”

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apresentado na assertiva “E”, pois, conforme leciona a maioria dos estudiosos do Direito Penal, a figura do
homicídio funcional não abarca os servidores públicos aposentados.
Gabarito: Letra A.

Certo, meu amigo(a), dessa forma, encerramos o estudo acerca do homicídio funcional.

Agora que encerramos o estudo o homicídio qualificado, vou deixar-lhes uma tabela didática para a
memorização do conteúdo:

HOMICÍDIO QUALIFICADO (ART. 121, §1º DO CP).

Inciso I Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por


outro motivo torpe;

Inciso II Por motivo fútil;

Inciso III Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia,


tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
possa resultar perigo comum;

Inciso IV À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação


ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a
defesa do ofendido;

Inciso V Para assegurar a execução, a ocultação, a


impunidade ou a vantagem de outro crime.

Inciso VI Feminicídio – Contra mulher por razões da condição


de sexo feminino - §2-A – considera-se que há
razões de condição do sexo feminino quando o
crime envolve: I – violência doméstica e familiar; II –
menosprezo ou discriminação à condição de
mulher.

Inciso VII contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e


144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública,
no exercício da função ou em decorrência dela, ou
contra seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)

Vamos, a partir desse momento, analisar a figura do homicídio híbrido.

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Homicídio Híbrido.
Certo, meu querido(a) estudante! A partir desse momento vamos analisar o popularmente conhecido
“homicídio híbrido”, em outras palavras, o homicídio qualificado-privilegiado.
“Como assim, professor? Qualificado-Privilegiado, não entendi!”

Pois bem, para que possamos entender essa figura, é necessário que você se recorde, inicialmente,
da figura do homicídio privilegiado o art. 121, §1º, do CP. Lembrou? Para visualizarmos melhor, trarei
novamente o texto legal.

Homicídio simples
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena
de um sexto a um terço.

Também, é importante lembrar do exemplo em que Austin mata Dallas, o estuprador de sua filha.
Lembrou-se né? Então, nesse caso estamos diante do homicídio privilegiado.
Entretanto, suponha que para matar Dallas, Austin tenha se utilizado de veneno, ministrado
sorrateiramente em uma bebida e que logo em seguida em a causar a morte de Dallas. Você se recorda que o
veneno, quando ministrado sem que a vítima tenha conhecimento, é um meio de execução que qualifica o
homicídio.

Dessa modo, meu amigo(a), Austin responderá por homicídio qualificado-privilegiado. Pois, ao matar,
por relevante valor moral, Dallas (o estuprador de sua filha), utilizou-se de veneno, que é um meio apto a
qualificar o crime de homicídio.

Mas, ATENÇÃO, para o que vou lhes ensinar agora. As qualificadoras referidas no artigo 121 do
Código Penal só serão aptas a combinar com o privilégio, caso sejam se ordem OBJETIVA. Então, em sentido
contrário, uma qualificadora de ordem subjetiva (como, por exemplo, o motivo fútil) não será apta a combinar
com o privilégio.

Vamos a uma tabela que ficará mais fácil a nossa memorização para o concurso:

ART. 121, §1º, CP ART. 121, §2º, CP

Motivo de relevante valor social Motivo torpe – qualificadora de ordem subjetiva

Motivo de relevante valor moral Motivo fútil – qualificadora de ordem subjetiva

Domínio de violenta emoção, logo em seguida a Meios de execução – qualificadoras de ordem


injusta provocação da vítima objetiva (art. 121, §2º, III, CP).

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Atenção: Todas essas são de ordem subjetiva Modos de execução – qualificadoras de ordem
objetiva (art. 121, §2º, IV, CP).

Vínculos finalísticos (art. 121, §2º, V) – qualificadora


de ordem subjetiva

Feminicídio – Há divergência doutrinária. Os


tribunais entendem que é objetiva.

Agentes de segurança Pública – ordem subjetiva.

Com emprego de
veneno, fogo, explosivo,
asfixia, tortura ou outro
meio insidioso ou cruel,
ou de que possa resultar
perigo comum

Qualificadoras
compatíveis
com o
homicídio
privilegiado.
Com emprego de Contra a
veneno, fogo, mulher por
explosivo, asfixia,
tortura ou outro razões da
meio insidioso ou condição de
cruel, ou de que
possa resultar sexo
perigo comum; feminino

Então, a partir da análise do quadro proposto, o homicídio qualificado-privilegiado só poderá existir


se o privilégio do art. 121, §1º, CP, for combinado com as qualificadoras de ordem objetiva.
Entendido? Vamos ver como os concursos estão cobrando esse conteúdo.

A condenação por homicídio privilegiado qualificado é possível na hipótese em que

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A) o crime for cometido com emprego de fogo.

B) o crime for qualificado pela motivação fútil.

C) o crime for qualificado pela vingança.


D) o agente embriagado agir por motivo irrelevante.

E) a vítima atingida for pessoa diversa da que se pretendia matar por questão de ódio.

Resolução: a partir do que o enunciado da questão nos indaga, é possível verificarmos que o homicídio
qualificado privilegiado só poderá ocorrer quando estiverem presentes uma qualificadora de ordem objetiva
juntamente com o privilégio. Já conseguiu identificar o gabarito, meu amigo(a)? Claro que sim! Nesse caso, a
única qualificadora possível de combinar com o privilégio é o emprego de fogo (art. 121, §2º, III, CP).

Gabarito: Letra A.

No crime de homicídio doloso é majoritário o entendimento que admite a coexistência das circunstâncias
privilegiadas (art. 121, § 1°, do CP), todas de natureza subjetiva, com as qualificadoras de natureza objetivas
insertas no art. 121, § 2°, do Código Penal.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: conforme estudamos até o presente momento, é correto afirmarmos que é possível a coexistência
de qualificadoras de ordem objetiva com as de ordem subjetivas (do privilégio), gerando o homicídio híbrido.

Gabarito: CERTO.

Outra indagação que você poderá encontrar na sua caminhada dos concursos é de o homicídio
híbrido/ qualificado-privilegiado, é ou não hediondo.

Então, quero deixar claro todas as possibilidades acerca do homicídio e assim encerramos o estudo
por completo desse crime tão importante.

Primeiramente, o homicídio simples, praticado em atividade típica de grupo de extermínio e o


homicídio qualificado (por qualquer uma das qualificadoras) seja ele consumado ou tentando, será hediondo,
conforme o artigo 1º da Lei 8.072/90.

Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Código Penal,
consumados ou tentados:

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I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII)

A hediondez torna mais rigorosa as regras para concessão de benefícios acerca dos crimes nela
elencados.

Se você tiver interesse, poderá adquirir o curso de legislação penal especial, aqui na plataforma do
Direção Concurso, e conferir a aula sobre crimes hediondos gravada por mim.

Então, superada essa primeira parte. A principal celeuma envolvendo o homicídio diz respeito em ser
ou não hediondo o homicídio híbrido.

Afirmo para vocês, com toda a certeza, caso você seja questionado no seu concurso nesse sentido,
afirme categoricamente: O HOMICÍDICO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO NÃO É HEDIONDO. Isso já foi
amplamente debatido pelos tribunais superiores e consolidou-se que o crime de homicídio praticado nessas
condições não é hediondo.

Em resumo:

HOMICÍDIO HEDIONDO

Simples em atividade típica de grupo de extermínio Sim

Qualificado Sim

Híbrido/Qualificado-privilegiado Não

Então, vejamos essa questão para o cargo de Analista do TJDFT:

Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-DFT Prova: CESPE - 2015 - TJ-DFT - Analista Judiciário -
Judiciária

Acerca dos crimes previstos na parte especial do Código Penal, julgue o item a seguir.
De acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes, o chamado homicídio privilegiado-qualificado,
caracterizado pela coexistência de circunstâncias privilegiadoras, de natureza subjetiva, com qualificadoras, de
natureza objetiva, não é considerado crime hediondo.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: dessa forma, a partir da tabela que construímos juntos, é possível afirmarmos que o homicídio
privilegiado-qualificado não é hediondo.

Gabarito: CERTO.

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Certo, meu amigo(a) concurseiro(a), sou grato por esse estudo compartilhado com você e, dessa
forma, encarramos por completo o estudo do crime de homicídio.
Espero que tenha atendido todas as suas expectativas e, mais uma vez, você está livre para me
procurar nas redes sociais para estreitarmos nossa relação de estudo!

Porém, quero que você continue aqui comigo, pois iremos dar início a uma nova figura criminosa do
direito penal.

Até lá!

Homicídio culposo (art. 121, §§3º, 4º e 5º, CP).


Seguimos com o nosso plano de estudo e agora passamos a analisar a figura do homicídio culposo.
Então, vejamos o que diz o art. 121, §3º, do Código Penal.

Homicídio culposo
§ 3º Se o homicídio é culposo:
Pena - detenção, de um a três anos.

Nesse caso, estamos diante da morte causada pelo agente através de manifesta imprudência,
negligência ou imperícia, ou seja, o agente homicida deixa de empregar a atenção ou diligência que era capaz,
causando o resultado lesivo morte, porém jamais aceito ou requerido.

Imprudência É quando o agente age sem os cuidados que o caso


requer.

Negligência É a ausência de precaução (conduta negativa). Difere


da imprudência (conduta positiva)

Imperícia Falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou


profissão.

Vamos exemplificar, caro concurseiro (a)!

Assim, lhes trago um exemplo do professor Rogério Greco:

“Assim, imagine-se a hipótese em que o agente, pai de uma criança de 3 anos de idade, morador
do 14º andar de um prédio de apartamentos, deixe de colocar o necessário dispositivo de
segurança em suas janelas e varanda (rede de proteção). Seu filho, que por um instante não
estava sendo observado, debruça-se no parapeito da janela e cai, morrendo com a queda.

No caso em exame, o pai deixou de observar o seu dever objetivo de cuidado, não tendo a
preocupação necessária de colocar as redes de proteção, devendo responder, portanto, pela morte

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de seu filho, a título de culpa independentemente do raciocínio que se possa realizar a respeito da
possibilidade de aplicação do perdão judicial, que veremos mais adiante.” (2014, p.168).

Dessa forma, para que possamos falar em punição pela prática de crime culposo, é necessário
verificarmos a previsibilidade do criminoso. Ou seja, se o fato escapar totalmente à sua previsibilidade, o
resultado não lhe pode ser atribuído, mas, sim, ao caso fortuito ou a força maior.

Para que você não fique confuso, vou lhes trazer a lição de Nelson Hungria, o qual já lhe afirmei ser o
Pai do Direito Penal.

Vejamos:

“Existe previsibilidade quando o agente, nas circunstâncias em que se encontrou, podia, segundo
a experiência geral, ter-se representado, como possíveis, as consequências do seu ato. Previsível
é o fato cuja possível superveniência não escapa à perspicácia comum. Por outra palavras: é
previsível o fato, sob o prisma penal, quando a previsão de seu advento, no caso concreto, podia
ser exigida do homem normal, do homo medius, do tipo comum de sensibilidade ético-social”.

Portanto, agora que já analisamos as figuras descritas no art. 121, §3º, do CP, é necessário sabermos
que o homicídio culposo ainda pode ser praticado de forma majorada.
Dessa forma, o §4º, do art. 121, prevê o aumento de 1/3 da pena nas seguintes hipóteses:

a) se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; e


b) se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
consequências do seu ato, ou foge para evitar a prisão em flagrante.
Quando estamos diante da inobservância da regra técnica de cuidado, é o caso do agente que,
mesmo tendo os conhecimentos das técnicas necessárias para o exercício da sua profissão, arte ou ofício, não
os utiliza por leviandade.
Imagine a seguinte situação, meu amigo(a): Austin, técnico em construção, constrói um muro
divisório no terreno de sua residência que faz divisa com a casa de Dallas. Entretanto, o muro construído vem
a ruir e causar a morte de Dallas, por ter sido construído sem a observância das regras técnicas de cuidado.
Assim, parece-nos evidente que nesse caso haverá a incidência da figura do homicídio culposo majorado.
A outra forma que o homicídio culposo pode ser praticado se dá quando o agente deixa de prestar o
imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato ou foge para evitar a prisão em
flagrante.

Dessa forma, o mais importante a saber para o seu concurso é que a majoração pela omissão de
socorro só ocorrerá caso o agente tenha matado alguém por negligência, imprudência e imperícia. Em sentido
contrário, caso o agente não tenha agido com culpa e mesmo assim deixa de prestar socorro à vítima, haverá o
crime autônomo de omissão de socorro do art. 135, do CP.

Então, para encerrarmos o estudo do homicídio culposo, ainda nos resta ver apenas a figura do perdão
judicial. Para tanto, o §5º assim está redigido.

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Homicídio culposo
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da
infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária

Pensemos juntos, meu amigo(a). Imagine que Austin, que possui porte legal de arma de fogo, chegue
em casa apressado e, de forma negligente, retira a sua arma da cintura e a coloca sob o sofá da sala, partindo,
logo em seguida, ao banheiro. Sua filha menor El Paso, ao avistar a arma de fogo, começa a brincar com ela. A
arma, por acidente acaba disparando, atingindo-o mortalmente. Austin, ao escutar o estampido, se lembra que
deixou a arma sob o sofá e, ato contínuo, sai em disparada do banheiro para a sala da residência. Chegando ao
cômodo, encontra sua filha morta. Então, caríssimo, nos perguntemos: será que Austin queria a morte da sua
filha El Paso? Evidente que não! Dessa forma, as consequências do fato são muito maiores do que qualquer
pena criminal que possa advir dessa conduta, razão pela qual, o juiz poderá aplicar-lhe o perdão judicial.
Também, é importante que você saiba que o perdão judicial (art. 121, §5º, do CP) é uma causa de
extinção da punibilidade, conforme o artigo 107, inciso IX, do CP:

Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:


IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.

Preste ação, e veja como essa circunstância vem sendo cobrada em concurso.

Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2013 - PC-SP - Escrivão de Polícia Civil

A hipótese do art. 121, § 5.º do CP, doutrinariamente denominada de perdão judicial, aplica-se ao homicídio
A) cometido por relevante valor moral.

B) culposo.

C) privilegiado (caso de diminuição de pena).


D) cometido sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
E) cometido por relevante valor social.

Resolução: então, meu amigo(a), aposto que você já matou essa questão e certamente ela é ponto positivo na
sua prova. Ao analisarmos o enunciado da questão, ela nos exige termos o conhecimento específico da letra
seca de todos os elementos que compõe o art. 121, CP. A partir da letra seca da lei e, também de tudo que
estudamos até o momento, confio com 100% de certeza que estamos com o mesmo gabarito na cabeça! E ai,
já sabe qual é? Isso mesmo, se você pensou na letra “b” acerto em cheio, pois é somente no caso de homicídio
culposo que podemos falar acerca da aplicação do perdão judicial.

Gabarito: Letra B.

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Caríssimo, eu agradeço sua presença até o momento e tenho certeza que avançamos muito em nosso
estudo. Assim, estamos caminhando para o final do estudo do crime de homicídio, nos restando apenas estudar
figura do art. 121, §6º, do CP e, também o homicídio híbrido.

ART. 121, §6º, CP


Seja, muito bem-vindo, meu(a) querido(a) estudante!
Dando continuidade aos nossos estudos, agora vamos tratar sobre o homicídio praticado por milícia
privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

Pois bem! Inicialmente, ao verificarmos o texto legal, podemos notar que não estamos diante da
figura do homicídio qualificado e, sim do homicídio majorado.

“O que significa majorante, professor?”

Meu amigo(a), as majorantes estão espalhadas pelo Código Penal, mas, para que você possa
identifica-la como tal, basta focar no aspecto fracionário que ela nos apresenta. Em outras palavras, sempre
que alguma disposição do Código Penal estiver se expressando em forma de fração, estaremos diante de uma
majorante (caso a pena seja aumentada para mais) ou uma minorante (caso a pena seja diminuída). Você,
também, poderá encontrar por outra terminologia, como, por exemplo, causa de aumento (significa
majorante) e causa de diminuição (minorante).

Exemplifico:

CAUSA DE AUMENTO = MAJORANTE

CAUSA DE DIMINUIÇÃO = MINORANTE

Então, para fixarmos de vez esses conceitos, vamos juntos, fazer a leitura do art. 121, §6º, do CP.

Art. 121.
Aumento de pena
§ 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

Dessa forma, verificamos que se trata de uma majorante pois o texto está assim redigido “a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) até a metade”. Caso fosse inserida a palavra ‘diminuída’ em substituição de
‘aumentada’ estaríamos diante de uma minorante (ou causa de diminuição).

Fácil, não é mesmo?!


A partir de agora, precisamos definir o que é grupo de extermínio e milícia privada.

Por grupo de extermínio, meu caro, estamos diante da reunião de “justiceiros” que atuam a margem
da legalidade, ou seja, justificam a prática dos seus crimes a partir da premissa de ausência ou leniência do

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Estado em punir as pessoas conforme a lei. Dessa forma, acabam promovendo uma matança generaliza contra
pessoas que, no ponto de vista do grupo, são marginais e criminosos.
Por outro lado, ainda, há a figura da milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviços de
segurança. Essas milícias atuam principalmente em comunidades carentes, a pretexto de exercerem a
segurança do local, buscando “restaurar a paz e a ordem” que supostamente tenham desaparecido do local. A
figura torna-se passível de punição, pois os integrantes da milícia ignoram a segurança pública do Estado, como
se ela não existisse.

Sendo assim, doutor(a), caso o homicídio seja praticado por ambos os grupos, estaremos olhando
para homicídios majorados. Certamente, esse homicídio poderá ser qualificado, caso o grupo de extermínio ou
milícia privada, mate, por exemplo, por motivo fútil e, junto a isso, haverá, também a incidência da majorante
anteriormente apresentada.

Vamos fazer algumas questões? Venha comigo!

Ano: 2014 Banca: ACAFE

De acordo com o Código Penal assinale a alternativa correta.


A) A pena para quem pratica homicídio qualificado será aplicada de 12 (doze) a 20 (vinte) anos de reclusão.
B) Se o agente comete o crime de homicídio impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um
terço até a metade.

C) A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial
data anterior à da denúncia ou queixa.
D) A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) até a metade se o crime de homicídio for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

E) A sentença que conceder perdão judicial será considerada para efeitos de reincidência.

Resolução: a partir do que estudamos até o momento, podemos eliminar algumas alternativas por estarem em
desacordo com a legislação penal vigente. Ao analisarmos, por exemplo, a letra “A”, eu sei que você tem a
ciência de que a pena para o homicídio qualificado é de 12 a 30 anos, e não 20. Também, você também se
recorda que o redutor aplicado para o homicídio privilegiado não é o que vem elencado na letra “B’. E ,por fim,
a letra “D” nos traz a hipótese do homicídio majorado praticado por milícia privada, que você também já sabe
que o aumento é de 1/3 e não de 1/6.

Gabarito: Letra C.

Dessa forma, meu amigo(a), superamos o parágrafo 6º do art. 121, do CP e passemos a analisar uma
figura muito explorada em concurso, também relativa ao crime de homicídio.

Então, venha comigo!

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Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a


automutilação.
Certo, concurseiro(a), a partir desse momento vamos dar início ao estudo da figura do art.122, do CP,
recentemente alterado pela Lei Anticrime (Lei 13.964/19).
Então, sem tempo a perder, vamos a análise do dispositivo legal. Quero que você o leia atentamente!

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Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação


Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio
material para que o faça
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
§ 3º A pena é duplicada:
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de
rede social ou transmitida em tempo real.
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual.
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código.
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra
quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não
pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste
Código.

Feita a leitura do dispositivo, vamos analisa-lo pormenorizadamente.

O tipo penal prevê as condutas de induzir, instigar ou prestar auxílio material, a alguém para
suicidar-se ou automutilar-se.

“Mas, professor, o que significa cada um dos verbos que você mencionou?”
Vamos lá, meu caro! Vou exemplificar para você no formato de tabela.

INDUZIMENTO Ela acontece quando o agente criminoso faz nascer


na vítima o desejo de suicidar-se ou auto mutilar-se.

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No induzimento, nem passa pela cabeça da vítima


cometer alguma das duas atrocidades.

Ela acontece quando o criminoso reforça uma


INSTIGAÇÃO vontade preexistente da vítima em suicidar-se ou
automutilar-se.

Nesse caso, o agente fornece a vítima meios


AUXÍLIO MATERIAL necessários para ela se suicidar ou auto mutilar-se,
emprestando instrumentos letais

Vamos as nossas situações hipotéticas, meu amigo(a)!

Imagine que Austin induza Dallas a se suicidar e este, vem a cometer o ato fatal. Nesse casso,
podemos verificar que nunca passou pela cabeça de Dallas se suicidar, entretanto, convencido por Austin,
resolve ceifar sua própria vida. Assim, não há dúvida de que Austin responderá pelo crime em tela.

De outro modo, suponha que Dallas está com inúmeros problemas em sua vida pessoal e,
infelizmente, acha que não encontrará solução para nenhum deles, vindo, por conseguinte, passar pela sua
cabeça a hipótese de ceifar a sua vida. Após ter isso em mente Dallas informa Austin que pensou em suicidar-
se. Austin, ao ouvir o pronunciamento de Dallas, fomenta tal ideia, instigando-o a se suicidar e, então, Dallas
decide suprimir sua vida, razão pela qual, suicida-se.
Assim, a partir da situação em tela, podemos perceber que Austin também responderá pelo crime em
análise, entretanto, incorrendo no verbo instigação, pois Dallas já estava pré-disposto a tirar a sua vida.

Por fim, imagine que Austin tenha emprestado um revólver para que Dallas tirasse sua vida. Pois bem,
caso Dallas venha a se suicidar, Austin também responderá pelo crime em tela, mas agora na modalidade
prestar auxílio.

Tudo isso que Austin cometeu também será caracterizado como crime caso o indivíduo venha a se
automutilar.
“Arpini, mas o que é automutilação?”

Tal definição, caríssimo(a), fica por conta da psiquiatria7 que classifica automutilação como: qualquer
comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio.
Saiba que o crime em análise é apenado de 6 meses a 2 anos de reclusão. Por ostentar uma pena
máxima de 2 anos de reclusão (de forma abstrata) é considerada uma infração penal de menor potencial
ofensivo, conforme o artigo 61 da Lei 9.099/95. Só mais uma coisinha, caríssimo, a lei do JECrim também foi
objeto de aula no curso de legislação penal especial. Que tal nos encontrarmos por lá também? Pense com
carinho!

7
PRO – AMITI – Serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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Também, o crime ora em estudo pode ser considerado um crime comum, ou seja, aquele que pode
ser praticado por qualquer pessoa.
Há também, uma divergência sobre o crime ser formal ou de mera conduta. Entretanto, ainda
prevalece no meio dos penalistas que é um crime formal!

“O que é um crime formal professor?”

Meu caro, em sentido oposto ao crime material que estudamos no homicídio, o crime formal é aquele
que prevê conduta e resultado, entretanto, não há necessidade de ocorrência do resultado para que o crime
exista para o mundo jurídico, bastando apenas a conduta.

Dessa forma, realizadas as condutas anteriormente analisadas, o crime estará consumado.


Ainda, o crime do art. 122 só poderá ser praticado de forma dolosa (direto ou eventual), não havendo
previsão acerca da punição culposa.
Encerrado o estudo do caput, passamos a analisar o que dispõe os parágrafos e incisos do referido
artigo.

Você deve saber que, se da automutilação ou do fato de a vítima tentar-se suicidar, ela acabar
resultado com lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos do §1º do art. 122, a pena será de
reclusão de 1 a 3 anos.
Agora, se houver a consumação do suicídio ou se da automutilação resultar a morte, a reclusão será
de 2 a 6 anos.

Já o §3º, nos traz a hipótese em que a pena para o crime em tela será duplicada, se tal crime for
praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil. As definições de torpeza e futilidade são as que já estudamos
quando da análise do homicídio. Dessa forma, meu amigo(a), basta você os transportá-los para cá. Já o motivo
egoístico é aquele sentimento de indiferença que o autor do crime tem para a vítima, no momento de induzi-
la, instiga-la ou prestar-lhe auxílio para que ceife sua vida ou se automutile.

“Professor, você falou em pena duplicada. Nesse caso, posso concluir que se trata de uma majorante?”.
Com certeza, caríssimo! Acertou em cheio. Além das hipóteses fracionárias apresentadas pelo CP
para caracterizar uma majorante, ele também nos traz tais definições a partir da nomenclatura “duplicada”.
Saiba, também, que será duplicada a pena para o criminoso que tenha como alvo uma vítima menor
de idade, ou que tenha diminuída a capacidade de resistência.

Imagine que Austin tenha feito com que Dallas ingerisse bebida alcoólica ao ponto de que este ficasse
em um estado de alteração psíquica que não seja possível oferecer resistência e, logo em seguida Dallas vem a
se suicidar. Dessa, forma conseguimos visualizar que Austin responderá pelo crime na sua forma majorada.

Agora, meu amigo(a), você lembra daquele infeliz brincadeira que rondou o território brasileiro e
acabou vitimando inúmeras crianças?

Veja essa imagem:

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Pois bem, os §§4º e 5º do referido artigo foram inseridos no texto penal para coibir tal prática,
dispondo que se as condutas que estudamos anteriormente, serão penalizadas de forma dobrada se for
realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real.

De outra banda, a pena será aumentada em metade se o agente criminoso for líder ou coordenador
de grupo ou de rede virtual.

E, para encerrarmos o estudo do crime do art. 122 do CP, você precisa ficar atento aos §§6º e 7º.

O §6º dispõe que se do crime resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é cometido contra
menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência,
responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código (a figura será objeto de estudo logo em
seguida).

Circunstância objetiva – ou seja, o agente deve ter


conhecimento que a vítima conta com menos de 14
MENOR DE 14 ANOS
anos na prática do crime. Dessa forma incidirá a
figura em tela.

Deverá ser averiguada em cada caso concreto, a


partir de exames psicológicos sob a vítima para aferir
ENFERMIDADE OU DEFICIÊNCIA MENTAL
se a enfermidade ou deficiência mental foi apta a
macular o discernimento da vítima.

Agora, quero que você redobre sua atenção. Peço que você leia atentamente o §2º do artigo 122 e,
logo em seguida o §7º. A partir disso, vou formular a tabela abaixo para clarear seu estudo.

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CONDUTA – SUICÍDIO CONSUMADO /


VÍTIMA
AUTOMUTILAÇÃO CONSUMADA

Menor de 14 anos HOMICÍDIO

Enfermidade ou deficiência mental HOMICÍDIO

Não pode oferecer resistência HOMICÍDIO

Perceba, meu amigo(a), nos casos em que as vítimas forem as pessoas elencadas na coluna da
esquerda e, a conduta praticada pelo agente consume o resultado suicídio e automutilação com morte, o
indivíduo não responderá pelo crime do art. 122 do CP e, sim pelo crime de HOMICÍDIO MAJORADO do art.
121, §4º, CP.

Vejamos como os concursos estão questionando o assunto da nossa aula:

No que se refere aos crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

A) o homicídio funcional é aquele delito praticado contra autoridade ou agente membro das forças armadas,
policiais federais em geral, policiais civis ou militares, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou, ainda, contra seu cônjuge, companheiro
ou parente até o segundo grau, em razão dessa condição, incidindo pena privativa de liberdade de doze a vinte
anos de reclusão.

B) a prática de feminicídio na presença de descendente, ascendente ou colateral da vítima implica no aumento


da pena de um sexto a um terço.
C) é incompatível o crime de homicídio simples tentado com o caráter hediondo.

D) a pena é duplicada para crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio praticado contra vítima
menor ou com diminuição da capacidade de resistência.

Resolução: meu amigo(a), ao analisarmos a questão em tela, precisamos no deter aos detalhes. Então,
perceba que, como eu falei para você anteriormente, a Lei Anticrime alterou substancialmente o crime do art.
122, do CP, inserindo a figura da automutilação, até então inexistente e, também inserindo novos patamares
de pena privativa de liberdade a depender de como fora praticada a conduta pelo agente. Assim, por se tratar
de uma inovação legislativa, eu vou dar um conselho a você (e eu sei que o concurseiro, as vezes não gosta
disso, mas preciso lhe falar): decore as formas de como se dará o aumento de pena no art. 122 (duplicada,
aumentada de metade, aumentada até o dobro). Veja o que diz a assertiva letra “D”, “a pena é duplicada”,
desse modo, é necessário saber o texto seco do art. 122, do CP.

Solução das demais alternativas:


a) conforme o artigo 121, §2º, inciso VII, o parentesco do cônjuge ou companheiro, para que haja a incidência
da qualificadora, é até o terceiro grau e não até o segundo conforme apresentado pela assertiva.

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b) primeiramente a causa de aumento é de 1/3 até a metade e, também, não há previsão legal expressa acerca
da presença dos parentes colaterais da vítima.

c) nesse caso, poderá haver compatibilidade, desde que o crime seja praticado em atividade típica de grupo e
extermínio.

Gabarito: Letra D.

Certo, meu amigo(a), encerramos por aqui o estudo de mais uma figura típica. Assim, no próximo
capítulo veremos outro crime de suma importância para o nosso estudo no mundo dos concursos.

Infanticídio
Seja muito bem-vindo, concurseiro(a)!

A partir desse momento vamos dar início ao estudo da figura do infanticídio, um crime que, em termos
práticos ocorre pouco, entretanto, para concursos é importantíssimo.

Primeiro, vamos ao texto legal. Venha comigo!

Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:

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Pena - detenção, de dois a seis anos.

Leu com atenção, meu caro? Tenho certeza que sim!


A partir da leitura do dispositivo em análise, podemos verificar que o crime é semelhante ao crime de
homicídio, porém, se reveste de elementos especializantes, quais sejam: “o próprio filho, durante ou logo após o
parto, sob a influência do estado puerperal”.

Partindo dessa primeira premissa, podemos verificar que, diferentemente dos crimes estudados
anteriormente, o infanticídio é um crime próprio, ou seja, o oposto de um crime comum!

“Certo, professor! Mas o que é um crime próprio?”

Meu(a) querido(a) estudante, crime próprio é aquele que só pode ser praticado por um sujeito ativo
que ostenta uma condição especial.

“Tudo bem, professor! Mas qual é o elemento especializante do infanticídio?”


Ao lermos atentamente o dispositivo, vamos perceber que o sujeito ativo, ou seja, aquele que pratica
a conduta, só pode ser a mãe (parturiente), que mata o seu filho, durante ou logo após o parto, sob a influência
do estado puerperal.

Pois bem, ao mesmo tempo que o infanticídio é um crime próprio quanto ao sujeito ativo, também
será quanto ao sujeito passivo (vítima), que só pode ser o filho da homicida.

Também, assim como o homicídio, é um crime material pois, para a consumação, é necessário que
ocorra a morte do neonato.

“Certo. Então, professor, quer dizer que a mãe que mata o filho durante ou logo após o parto comete o
infanticídio?”

Quase isso meu amigo(a), se a mãe matar o filho durante ou logo após o parto, ela responderá por
homicídio (simples ou qualificado). Ela só responderá pelo infanticídio se estiver presente o elemento o estado
puerperal.

“Mas o que é o tal ‘estado puerperal’, Arpini?”

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Para tal conceito, nós, penalistas, precisamos nos socorrer da medicina e Jorge de Rezende8, assim
define o estado puerperal:

Puerpério, sobreparto ou pós-parto, é o período cronologicamente variável, de âmbito impreciso,


durante o qual se desenrolam todas as manifestações involutiva e de recuperação da genitália
materna havidas após o parto. Há, contemporaneamente, importantes modificações gerais, que
perduram até o retorno do organismo às condições vigentes antes da prenhez. A relevância e a
extensão desses processos são proporcionais ao vulto das transformações gestativas
experimentas, isto é, diretamente subordinadas à duração da gravidez.

É, meu amigo(a), nada fácil esse conceito mas, a doutrina penal tratou de enquadrá-lo ao direito
penal, vejamos:
Para Paulo José da Costa Júnior9 “a mulher, abalada pela dor obstétrica, fatigada, sacudida pela
emoção, sofre um colapso do senso moral, uma liberação de instintos perversos, vindo a matar o próprio filho”.

Vamos exemplificar!

Imagine que Houston, esposa de Austin, venha dar à luz a El Paso, e a parturiente, dominada por uma
forte carga hormonal decorrente do parto e pós-parto, acabar por matar sua filha, estrangulando-a
mecanicamente. Nesse caso, estamos diante da figura do infanticídio e não do homicídio, tendo em vista a
presença dos elementos especializantes.

O que você também precisa saber, é o grau de intensidade do estado puerperal, pois caso seja de grau
mínimo, podemos estar diante do homicídio da mãe contra o filho(a). Se for de grau máximo, a mãe poderá ser
considerada inimputável (quando é incapaz de entender o caráter ilícito do fato no momento da conduta).

“Professor, mas como saberemos o grau do estado puerperal e quanto tempo perdura?”
Meu amigo(a), de forma abstrata, não há como sabermos. Tais informações só poderão ser extraídas
a partir de perícia psicológica realizada na parturiente a partir da ocorrência do fato concreto.

Saiba, também, que o infanticídio só poderá ser praticado na forma dolosa (dolo direto ou eventual),
não havendo previsão de infanticídio culposo.
Certo, caríssimo! Antes de encerrarmos mais um crime, vamos analisar como os concursos estão
questionando o referido crime.

Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: PC-AC Prova: IBADE - 2017 - PC-AC - Escrivão de Polícia Civil

Abigail, depois de iniciado parto caseiro, mas antes de completá-lo, sob influência do estado puerperal, mata o
próprio filho. Abigail praticou crime de:

8
REZENDE, Jorge de. O puperpério. In: REZENDE, Jorge de et al. (Coord.). Obstetrícia, p.373.
9
COSTA JÚNIOR, Paulo José da. Curso de direito penal, v.2, p.18.

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A) consentimento para o aborto

B) homicídio

C) homicídio qualificado.
D) infanticídio.

E) autoaborto.

Resolução: a partir das informações extraídas do enunciado e, também, do visto até o momento, Abigail será
autora do crime de infanticídio.

Gabarito: Letra D.

Ano: 2013 Banca: FUNCAB Órgão: PC-ES Prova: FUNCAB - 2013 - PC-ES - Escrivão de Polícia

Maria, que estava sob a influência do estado puerperal, em face de ter acabado de dar à luz, estando sonolenta
pela medicação que lhe fora ministrada, ao revirar na cama, acabou sufocando seu filho, que se encontrava ao
seu lado na cama, matando-o. Logo, Maria:
A) deverá responder pelo crime de homicídio doloso.

B) deverá responder pelo crime de homicídio culposo.

C) deverá responder pelo crime de infanticídio doloso.


D) deverá responder pelo crime de infanticídio culposo.

E) não deverá responder por crime algum, pois foi um acidente.

Resolução: analisando o enunciado da questão, podemos verificar que Maria não quis causar a morte do seu
filho e, em que pese a banca tentasse induzir o candidato a erro falando sobre o estado puerperal, não há que
se falar em infanticídio, mas em homicídio culposo.

Gabarito: Letra B.

Ano: 2008 Banca: ACAFE Órgão: PC-SC Prova: ACAFE - 2008 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

Configura crime de infanticídio o ato de:


A) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após.

B) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o
parto ou logo após.
C) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o parto ou logo após.

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D) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.

Resolução: você deve estar atento ao momento em que ocorre o crime de infanticídio. Se o crime ocorrer antes
do parto, estaremos diante do crime de aborto. Se o crime for depois do parto, podemos estar diante do
homicídio. O infanticídio requer durante ou logo após.

Gabarito: Letra D.

E assim, avançamos ainda mais no nosso estudo. Encerramos o estudo de mais uma figura criminosa.

No próximo capítulo vamos iniciar o estudo do crime de aborto e suas respectivas nuances.

Aguardos vocês!

Aborto
Meu(a) querido(a) colega, seja muito bem-vindo a mais um capítulo do nosso estudo compartilhado.
A partir de agora, vamos iniciar o estudo do aborto. Entretanto, precisamos estabelecer algumas
premissas antes de adentrarmos nas figuras criminosas propriamente ditas.

Introdução.
Para um dos grandes estudiosos do Direito Penal, o colega Júlio Fabrini Mirabete10, “o aborto é a
interrupção da gravidez com a destruição do produto da concepção”.

A partir dessa lição, você precisa saber para o seu concurso que a gestação (para a órbita jurídica) tem
início com nidação, que é a implantação do óvulo fecundado no endométrio com a sua fixação no útero
materno.

10
MIRABETE, Júlio Fabrini. Manual de Direito Penal, Parte Especial, v.2, p. 62.

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Dessa forma, o aborto visa tutelar a vida humana intrauterina.

Aposto que você lembra do início do nosso estudo, sobre a vida humana intrauterina e extrauterina.
Então, avancemos!

Nesse momento, farei uma tabela para ilustrar a você todas as espécies de aborto.

Aquele que normalmente é causado por problemas


Natural
de saúde da gestante (não é crime)

Pode ser decorrente de traumas, quedas, acidentes


Acidental
(em regra, não se trata de crime)

Criminoso Previsto nos artigos 124 a 127, do CP

Legal/permitido Art. 128, CP

Cometido por razões de miséria e incapacidade de


Miserável/econômico
sustento do infante (não exime o agente de pena)

Ocorre quando há comprovados riscos de o feto


Eugenésico nascer com graves anomalias, sejam físicas ou
psíquicas (não foi acolhida pela nossa lei).

Quando há interrupção de gravidez extraconjugal (é


Honoris causa
crime).

Ovular Praticado até a oitava semana de gestação

Embrionário Praticado até a décima quinta semana de gestação

Praticado posteriormente a decima quinta semana


Fetal
de gestação

A partir de agora iniciaremos o estudo dos crimes em espécie.

Venha comigo!

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124, CP).
Como será a regra do nosso estudo, iniciaremos a análise do crime em tela a partir do art. 124 do
Código Penal.

Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento


Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: (Vide ADPF 54)
Pena - detenção, de um a três anos.

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Nos debruçando acerca da redação do art. 124 do CP, já lhes adianto, querido(a), esse dispositivo
prevê duas formas de aborto. A primeira delas é o autoaborto quando a própria gestante realiza a manobra
abortiva e, a segunda, o aborto praticado com o seu consentimento (terceiro que irá realizar a manobra
abortiva).

Mulher grávida que, quimicamente, mecanicamente


ou fisicamente, provoca nela mesma, a interrupção
da gravidez, destruindo a vida intrauterina. Imagine
que Houston, esposa de Austin está grávida e,
AUTOABORTO
conscientemente ingere o medicamento CITOTEC
(abortivo) e vem a causar a morte do feto. Nesse
caso, Houston incorrerá nas sanções do art. 124, do
CP.

Nesse caso, o terceiro realiza a manobra abortiva


com a concordância da vítima. Imagine que Houston,
grávida, se dirige até uma clínica abortiva e contrata
CONSENTIR A GESTANTE NO ABORTAMENTO um médico para realizar a manobra. Nesse caso,
Houston responderá pelo crime do art. 124.
Entretanto, o médico responderá pelo crime do art.
126, do CP (aborto praticado por terceiro).

“Professor, não entendi. Caso a vítima peça para um terceiro realizar a manobra abortiva sob ela, esse
terceiro responderá por um crime diferente, isso?”.

É isso mesmo, caríssimo(a).

Essa é uma exceção pluralística à teoria monista (adotada pelo art. 29, do CP).

A regra no ordenamento jurídico penal é que se, duas pessoas praticam um crime, elas responderam
juntas pelo mesmo crime na medida de sua culpabilidade (por exemplo, duas pessoas que praticam um crime
de furto, irão responder conjuntamente pelo art. 155 do CP, que prevê o furto).
Entretanto, alguns casos excepcionais no Código Penal, como também o crime de corrupção ativa e
passiva (que será objeto de estudo em nossas próximas aulas), tratam de exceções pluralistas, ou seja, nesse
caso do aborto, a gestante responderá pelo crime do art. 124 e o terceiro pelo crime do artigo 126, do CP.
Vejamos a seguinte questão:

Ana, após realizar exame médico, descobriu estar grávida. Estando convicta de que a gravidez se deu em
decorrência da prática de relação sexual extraconjugal que manteve com Pedro, seu colega de faculdade, e
temendo por seu matrimônio decidiu por si só que iria praticar um aborto. A jovem comunicou a Pedro que
estava grávida e pretendia realizar um aborto em uma clínica clandestina. Pedro, por sua vez, procurou Robson,

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colega que cursava medicina, e o convenceu a praticar o aborto em Ana. Assim, alguns dias depois de combinar
com Pedro, Robson encontrou Ana e realizou o procedimento de aborto.
Sobre a questão apresentada, é correto afirmar que a conduta de Ana se amolda ao crime previsto no

A) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126, do Código Penal (aborto provocado por terceiro com
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.

B) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124, segunda parte, do Código Penal. Já Pedro responderá como
partícipe no crime de Ana.
C) art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro sem
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.

D) art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como partícipe no crime de Ana.
E) art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como participe no crime de Ana.

Resolução: a partir do que estudamos até o presente momento, percebemos a clara incidência da exceção
pluralística a teoria monista. Dessa forma, Ana responderá pelo crime do art. 124. Robson pelo 126 e Pedro
será partícipe, do crime de Robson, por ter auxiliado moralmente a conduta criminosa.

Também, concurseiro(a), é necessário que você saiba que esse crime só é punido de forma dolosa
(seja o dolo direto ou eventual), não há previsão para a figura culposa.

Ainda, trata-se de crime material, ou seja, exige a morte do feto para que o crime esteja consumado,
pouco importando se a morte do produto da concepção ocorreu fora ou dentro do ventre materno.

Dessa forma, encerramos a análise do crime em tela. No próximo tópico iniciamos o estudo do art.
125, do CP.
Não saia daí!

Aborto provocado por terceiro (art. 125 e 126, CP).


Dando seguimento ao nosso estudo, venha comigo, doutor(a), pois agora vamos analisar o art. 125
do Código Penal.

Veja o que dispõe o texto legal:

Aborto provocado por terceiro


Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

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Pena - reclusão, de três a dez anos.

Meu amigo(a), assim como todos os crimes ora estudados até o momento, a figura do art. 125 tutela
a vida (em sua forma intrauterina).

Ainda, estamos diante de um crime comum, aquele que você já está careca de saber!

“Claro, professor! O crime comum é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa!”.

Isso mesmo, meu(a) caro(a), na mosca!

Quanto ao sujeito passivo (a vítima do crime) nesse cenário ela é dúplice, pois além de vitimar o
produto da concepção (o feto), a gestante também é vítima, pois a figura do art. 125, o terceiro pratica a
manobra abortiva sem o consentimento da gestante.

A conduta do agente criminoso consiste em interromper, de forma violenta e com intenção, uma
gestação, destruindo o produto da concepção, sem o consentimento válido da gestante.
O crime, nesse caso, também é material, ou seja, é necessário que ocorra a morte do feto.
Por fim, o crime só é punido à título de dolo (direto ou eventual – quando o agente assume o risco de
produzir o resultado). Não há previsão para figura culposa.

Aposto que você não imaginou que iriamos passar tão rápido por essa figura criminosa. Pois é! Mas já
encerramos seu estudo. Vamos adiante!
Outra forma do terceiro praticar o crime de aborto é com o consentimento da gestante, conforme o
artigo 126, do CP.
Analise comigo:

Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54)
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos,
ou é alienada ou debil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou
violência

Tenho certeza que você tem fresquinho na sua memória o que estudamos logo no início do trato do
aborto, esse é o crime do art. 126 que mencionei a você sendo a exceção pluralística a teoria monista. Então,
tudo o que vimos para o art. 124, do CP, deve ser transportado para cá, razão pela qual, quando o terceiro
realizar a manobra abortiva na gestante com o seu consentimento, o terceiro responderá pelo crime do art. 126
e a gestante pelo artigo 124, tendo como vítima apenas o produto da concepção.

Quanto ao parágrafo único, veja-se que, a gestante ser menor de quatorze anos é uma circunstância
objetiva, ou seja, o agente criminoso deve ter conhecimento de tal circunstância.

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Certo meu caro, encerramos por aqui as figuras do aborto, nos restando ainda analisarmos a figura
majorada e o aborto legal.
Vamos em frente!

Forma majorada (art. 127, CP).

Vejamos o que o art. 127, do CP nos diz:

Forma qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em
conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de
natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

Em que pese a impropriedade do nomem iuris (forma qualificada), se trata, na verdade, de uma
majorante (causa de aumento de pena). Recorde-se da dica fracionária que dei a você!
Você precisa ter em mente que essa causa de aumento de pena só pune com maior rigor as figuras
dos artigos 125 e 126, anteriormente estudadas.

“Professor, porque o art. 124 não é abarcado pela majorante?”


Lembre-se, doutor(a), o direito penal não pune a autolesão (nesse caso, o autoaborto), nem o ato de
matar-se.

Nesse caso, meu amigo(a), diferentemente do que ocorre nos casos anteriores em que é necessária a
morte do feto, aqui, para que haja a majoração da pena, basta que a gestante sofra lesão grave ou que venha a
morrer.

Então, caminhando para o final, agora passaremos a analisar as hipóteses em que o Código Penal
disciplinou como legais a ocorrência do aborto!
Avante, meu amigo(a)!

Aborto necessário e Aborto no caso de gravidez resultante de estupro.

Vamos a análise do art. 128, do Código Penal. Quero, mais uma vez, que você leia com atenção o
dispositivo.

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54)
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando
incapaz, de seu representante legal.

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Leitura feita, vamos avançar!

Para que as hipóteses legais de aborto estejam configuradas e não haja punição para a gestante ou
para o terceiro, são necessários o preenchimento de algumas condições.

Vejamos cada uma delas a partir da tabela abaixo:

ABORTO NECESSÁRIO ABORTO SENTIMENTAL.

Quando não há outro meio de salvar a vida da


Quando a gravidez resulta de estupro.
gestante.

Não é necessário o consentimento da gestante ou


É necessário o prévio consentimento da gestante.
autorização judicial.

O aborto deve ser praticado por médico Deverá ser realizado por médico

Que a gravidez seja decorrente de estupro.


Deve haver o perigo de vida para a gestante e não Entretanto, o médico pode se recusar a realizar o
meramente perigo para a saúde. procedimento caso não se convença das alegações
da gestante

Não houver outro meio disponível para salvar a


vida da gestante.

Certo, caríssimo! A partir desse quadro, conseguimos clarear o nosso estudo acerca das excludentes
de ilicitude do art. 128, ou seja, das hipóteses em que o Código Penal não considera crime a prática do aborto.

Por fim, ainda nos resta analisarmos a ADPF 54, sobre o aborto do feto anencefálico.

ADPF 54.

Inicialmente, meu amigo(a), a sigla ADPF significa “Arguição de descumprimento de preceito


fundamental”.

Houve, no Brasil, uma discussão acerca da possibilidade ou não do aborto de feto acéfalo. Por feto
acéfalo, caríssimo(a), entende-se a ocorrência de malformação congênita do embrião, feto ou recém-nascido,
hipótese em que este não possui parte vital do sistema nervoso central.

Assim, a discussão em torno da possibilidade ou não de aborto do feto acéfalo foi parar no órgão de
cúpula do Poder Judiciário (o Supremo Tribunal Federal). Desse modo houve, por parte da CNTS –
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, a impetração da ADPF, que posteriormente veio a ser
distribuída sob o nº 54.

Assim, ao julgar a ADPF 54, o Supremo Tribunal Federal decidiu que, diante de uma deformação
irreversível do feto, há de se lançar mão dos avanços médicos-tecnológicos, postos à disposição da humanidade
não para simples inserção no dia-a-dia, de sentimentos mórbidos, mas, justamente, para fazê-los cessar. No
caso da anencefalia, a ciência médica atua com margem de certeza igual a 100%. Dados merecedores da maior
confiança evidenciam que fetos anencefálicos morrem no período intrauterino em mais de 50% dos casos. A

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gestante convive diuturnamente com a triste realidade e a lembrança ininterrupta do feto, dentro de si, que
nunca poderá se tornar um ser vivo.

Em outras palavras, meu amigo(a), o Supremo Tribunal Federal entendeu que o aborto de feto
comprovadamente anencefálico não constitui crime. Sendo assim, a conduta do médico que realiza a manobra
abortiva, deve ser considerada penalmente atípica.

Desse modo, essas são as formas de aborto não puníveis no Brasil:

Se a gravidez é
decorrente de
estupro

ABORTO
NÃO
PUNÍVEL
Se for caso de
Se a gravidez
feto anencéfalo,
representa
conforme o
risco de vida a
etendimento do
gestante
STF.

Veja como isso foi cobrado em concurso, caríssimo!

A Suprema Corte tratou do tema antecipação do parto ou interrupção da gravidez na ADPF 54 em que foi
postulada a interpretação dos arts. 124 e 126 do Código Penal – autoaborto e aborto com o consentimento da
gestante – em conformidade com a Constituição Federal, quando fosse caso de feto anencéfalo. Após julgar
procedente a ação, o Colendo Tribunal declarou que a ocorrência de anencefalia nos dispositivos invocados
provoca a

A) exclusão da antijuridicidade.

B) exclusão da tipicidade.

C) exclusão do concurso de crimes.


D) aplicação de perdão judicial.

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E) inexigibilidade de conduta diversa.

Resolução: a partir do que acabamos de ver acerca da ADPF 54, é possível notarmos que a única assertiva que
se encaixa ao exposto pelo Supremo Tribunal Federal, é a da atipicidade da conduta do médico que realiza a
manobra abortiva no feto comprovadamente anencefálico.

Gabarito: Letra B.

Dessa forma, meu amigo(a), encerramos por aqui o nosso estudo sobre o crime de aborto!

No próximo capítulo tratarei do último crime com maior incidência em concursos públicos, que
inaugura o capítulo II, do Código Penal. Vamos tratar, mais precisamente do crime de lesões corporais.

Aguardo, você! Até lá!

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Das lesões corporais.


Lesão corporal.
Seja muito bem-vindo, meu amigo(a)!

Dando continuidade ao nosso estudo, a partir de agora mergulharemos no mundo das lesões corporais e
todas as suas espécies.

Sendo assim, vamos dar início a análise do texto legal disposto no Código Penal.
Quero que você leia o artigo 129, seus incisos e parágrafos com muita atenção.

Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incuravel;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu
o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena
de um sexto a um terço.
Substituição da pena

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§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão corporal culposa
§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art. 121
deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de
1990)
Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9 o
deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006)
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº
13.142, de 2015)

Feita a nossa primeira leitura acerca do dispositivo, vamos tratar de desmembrar o crime de lesões
corporais.

Inicialmente, o crime de lesões corporais visa proteger a incolumidade pessoal do indivíduo em vários
aspectos, dentre eles, a saúde corporal, fisiológica e mental (atividade intelectiva, volitiva ou sentimental).
Sendo assim, é possível dividirmos as lesões corporais quanto ao elemento subjetivo (dolo – direto ou
eventual) e intensidade.

Vejamos:

QUANTO AO ELEMENTO SUBJETIVO QUANTO À INTENSIDADE

Dolosa simples (caput) Lesão leve (caput)

Dolosa qualificada (§§ 1º, 2º e 3º) Lesão grave (§1º)

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Dolosa privilegiada (§§4º e 5º) Lesão gravíssima (§2º)

Culposa (§6º) Seguida de morte (§3º).

Veja, caríssimo, assim como estudamos exaustivamente durante toda essa aula, o crime de lesões
corporais também é um crime comum, pois pode ser praticado por qualquer pessoa. Entretanto, quero que
você fique atento a duas exceções. Nos artigos 129, §1º, IV e art. 129, §2º, V, necessariamente o sujeito passivo
deverá ser mulher.
“Mas porque nesses casos estamos diante do sujeito passivo necessariamente mulher?”

Explico, doutor(a)! Na hipótese do art. 129, §1º, IV a lesão corporal resulta aceleração do parto, razão
pela qual, necessariamente o sujeito passivo deve ser uma pessoa do sexo feminino. Também, o art. 129, §2º,
V, resulta abortamento e, dessa forma, também é necessário que o sujeito passivo seja mulher.

Art. 129, §1º, IV Resulta aceleração do parto

Art. 129, §2º, V Resulta abortamento

A conduta perpetrada pelo agente, necessariamente, deve ser a ofensa à integridade corporal ou à
saúde alheias, seja causando uma enfermidade, quer agravando a que já existe. A dor sofrida pela vítima é
dispensável para a configura do crime de lesão corporal.

Durante o estudo de outras figuras criminosas, falei a você sobre o elemento subjetivo, o ânimo do
agente para a prática da conduta. Dessa forma, a lesão corporal admite tanto a modalidade dolosa (seja de
forma direta –quando o agente quer a lesão; ou eventual – quando assume o risco de produzir o resultado).
como culposa.

Preste atenção, meu amigo(a)!

DOLO CULPA PRETERDOLO

Caput e §§1º e 2º §§6º e 7º §§1º, 2º e 3º

Você também deve lembrar, assim como estudamos no início do nosso encontro, a lesão corporal é
mais uma espécie de crime material, pois, para a sua consumação é necessário que ocorra e lesão ou o prejuízo
a saúde alheia.

Ademais, é possível notarmos a partir da redação do art. 129 do CP que, a lesão corporal possui várias
naturezas, dentre elas, a lesão corporal leve, grave, gravíssima e seguida de morte.

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A lesão corporal leve é a que utilizamos como conceito de exclusão, ou seja, se a lesão no for seguida
de morte, gravíssima ou grave, será então, lesão leve.

Lesão grave (art. 129, §1º, CP).


Nesse caso, estamos diante de lesões corporais qualificadas pelo resultado.

“E quais são esses resultados, professor?”


Vamos analisa-los a partir desse momento.

Lesão corporal de natureza grave


§ 1º Se resulta:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos.

O inciso I trata da incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias. Dessa forma,
meu amigo(a), entende-se por ocupação habitual qualquer atividade corporal, não necessariamente ligada ao
trabalho.
“Mas professor, como é atestado a natureza das lesões corporais para sabermos em qual natureza ela se
encaixa?”
Caríssimo, excelente pergunta!

Mais adiante, iniciaremos o nosso curso de Processo Penal, onde estudaremos o tema do exame de
corpo de delito. Esse exame é obrigatório para todas as infrações penais que deixam vestígios, sendo o caso da
lesão corporal. Dessa forma, é a partir desse exame que será atestada a natureza das lesões.
Então, caso a vítima tenha sofrido lesões corporais, no primeiro momento ela será submetida ao
exame de corpo de delito e, posteriormente, no prazo de 30 dias, será submetida novamente, para analisarmos
a presença ou não de lesões corporais de outras naturezas.

O inciso II, que trata do perigo de vida, deverá ser comprovado mediante perícia, doutor(a), pois a
simples região corporal em que a lesão foi praticada, por si só, não é capaz de indicar o perigo de vida.

O inciso III traz a figura da debilidade permanente de membro (por exemplo, braço, perna, mão e etc),
sentido (por exemplo, paladar, tato, audição) ou função (por exemplo, respiratória, neurológica e etc). A lesão
corporal grave dessa natureza diz respeito a redução ou enfraquecimento da capacidade funcional de membro,
sentido ou função, cuja recuperação seja incerta e por tempo indeterminado, mas, é claro que não significa que
será de forma perpétua.

Finalizando o §1º, o inciso IV, traz a figura de aceleração de parto. Entretanto, para a incidência dessa
qualificadora da lesão corporal, é necessário que o criminoso que lesiona a vítima tenha ciência de que esta
encontra-se em situação gravídica.

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Certo, meu amigo(a)!

Vejamos como está a incidência desse conteúdo em concurso!


O treino é de suma importância para nossa aprovação!

Vamos em frente!

Ano: 2017 Banca: FEPESE Órgão: PC-SC Prova: FEPESE - 2017 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

De acordo com o Código Penal, a incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias, caracteriza
o crime de:

A) lesão corporal simples.

B) lesão corporal leve.

C) lesão corporal grave.

D) lesão corporal gravíssima.

E) lesão corporal seguida de morte.

Resolução: a partir do que estudamos até o momento, é possível verificarmos que a incapacidade para
ocupações habituais, por mais de 30 dias caracteriza o crime de lesão corporal grave, conforme o art. 129, §1º,
I, do CP.

Gabarito: Letra C.

Encerramos o estudo do §1º do art. 129. Agora, passaremos ao estudo da lesão corporal de natureza
gravíssima.

Desse modo, para que você grave de forma mais fácil todas as hipóteses de lesão corporal grave,
resolvi preparar a tabela abaixo:

Lesão corporal grave I – Incapacidade para as ocupações habituais, por


mais de trinta dias;
Art. 129, §1º, do CP
II – Perigo de vida;

III – Debilidade permanente de membro, sentido


ou função;

IV – Aceleração de parto;

Lesão gravíssima (art. 129, §2º, CP).


Dando seguimento ao nosso estudo, doutor(a), você deve, inicialmente, ter em mente que a
nomenclatura “gravíssima” não consta da letra da lei. A referida foi apelidada dessa forma pelos estudiosos do
direito penal.

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Feita essa premissa, vamos a redação do dispositivo.

§ 2° Se resulta:
I - Incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incuravel;
III perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos.

Por incapacidade permanente para o trabalho, ao contrário do que ocorre com o inciso I, do §1º, do
art. 129, a figura em tela é a incapacidade para o trabalho, permanente e de forma absoluta, prolongada no
tempo e sem nenhuma previsibilidade de cessação. Também, nesse caso, é imperioso que a gravidade da lesão
limite a vítima para desempenhar qualquer trabalho e não apenas a que eventualmente exercia no momento
das lesões.
Já a enfermidade incurável (inciso II), trata da alteração permanente da saúde em geral por processo
patológico. Assim, estamos diante de uma transmissão intencional de uma doença para qual não existe cura
no atual estágio da medicina.
Por perda ou inutilização de membro, sentido ou função (inciso III), ao contrário da situação
anteriormente estudada por nós, aqui há uma perda total de um membro (braço, perna, mão e etc), sentido
(paladar, tato, audição) ou função (neurológica, por exemplo).
Já, quanto ao inciso IV, meu amigo(a), verificamos a presença da deformidade permanente, ou seja,
aqui, estamos diante de um dano estético permanente, capaz de gerar uma impressão vexatória para a vítima
(um desconforme para quem olha e uma humilhação para a vítima).
“Mas professor, hoje, com cirurgias plásticas avançadas, talvez se possa rever o quadro da deformidade.
Como ficaria a lesão nesse caso?”
Certo, doutor(a). A cirurgia plástica foi objeto de amplo debate entre os penalistas e também entre os
Tribunais Superiores. O que você precisa saber para o seu concurso é que, em que pese a cirurgia plástica possa
reverter o quadro deixado pela lesão, o crime não será excluído e permanecerá sendo punível o agente autor
da lesão gravíssima.

Encerrando a lesão gravíssima, o inciso V, que trata como qualificadora a lesão corporal capaz de
causar o abortamento. Saiba que, o resultado abortamento, deverá se dar à título de culpa. Dessa forma, o
crime que estamos analisando é preterdoloso.

PRETERDOLOSO

Culpa no consequente (resultado agravado –


Dolo no antecedente (causar lesão)
abortamento – causado por culpa).

Vamos testar nosso conhecimento até aqui? Certo, vamos lá!

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De acordo com o Artigo 129 do Código Penal Brasileiro, trata-se de lesão corporal de natureza gravíssima:

A) Aceleração de parto.

B) Debilidade pede membro, sentido ou função.


C) Deformidade permanente.

D) Perigo de vida.

Resolução: então, meu amigo(a), a partir da leitura do enunciado da questão é de suma importância que
tenhamos o conhecimento do texto seco da lei. Ao relatar as hipóteses de lesão corporal de natureza
gravíssima, devemos nos socorrer do art. 129, §2º, do CP. Ao analisarmos o referido rol, podemos notar que a
lesão corporal de natureza gravíssima que lá está prevista e se encontra elencada na questão é deformidade
permanente.

Gabarito: Letra C.

Desse modo, para que você grave de forma mais fácil todas as hipóteses de lesão corporal gravíssima,
resolvi preparar a tabela abaixo:

Lesão corporal gravíssima I – Incapacidade permanente para o trabalho;

Art. 129, §2º, do CP II – Enfermidade incurável;

III – Perda ou inutilização do membro, sentido ou


função;
IV – Deformidade permanente;

V – Aborto.

Seguindo o nosso estudo, chegou o momento de tratarmos da lesão corporal seguida de morte, do
art. 129, §3º, do Código Penal.

Lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3º, CP).


Intervalo rápido e já estamos de volta.

Tome uma água, respire fundo e venha comigo.

Pois bem, caríssimo(a), vejamos o que o Código Penal nos diz no art. 129, §3º, CP.

Lesão corporal seguida de morte


§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu
o risco de produzí-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

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Meu amigo(a), nós, penalistas costumamos chamar esse figura de homicídio preterdoloso
(nomenclatura que você poderá encontrar no seu concurso). Na lesão corporal seguida de morte ou homicídio
preterdoloso, o ânimo do agente é voltado apenas para lesionar a sua vítima, entretanto, acaba por matá-lo
culposamente.

Vejamos um exemplo real.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais11 já reconheceu lesão corporal seguida de morte na conduta de
seguranças de supermercado que abordam de forma ríspida, humilhante e agressiva um octogenário, em razão
de suspeitarem haver ele deixado de pagar o produto que adquirira, fato que teria acarretado distúrbio psíquico
na vítima que caiu, desfalecida, no estacionamento do estabelecimento comercial, vindo a falecer pouco
depois, cometem o crime de lesão corporal seguida de morte.

Feitas as necessárias considerações, vejamos uma questão acerca do tema:

A lesão corporal seguida de morte não se confunde com o homicídio culposo, pois, na primeira situação,
chamada de homicídio preterdoloso, ocorre o dolo. Nesse caso, o autor tem a intenção de provocar a lesão
corporal, mas não a morte da vítima.
( ) Certo
( ) Errado

Resolução: conforme a situação problema que nos é apresentada no enunciado em tela, realmente, a lesão
corporal seguida de morte não se confunde com o homicídio culposo. Lembre-se do que falei a você sobre o
homicídio preterdoloso (as bancas gostam dessa terminologia, pois ela é menos usual para o candidato e assim
fica mais fácil de confundi-lo). Portanto, é sabido por nós que, na lesão corporal seguida de morte o agente
criminoso não quer a morte, mas apenas a lesão.

Gabarito: CERTO.

Ano: 2009 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-RN Prova: CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil

Na situação hipotética acima descrita, Kaio cometeu crime de

11
TJMG, JM 170/368.

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A) homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

B) homicídio doloso simples.

C) lesão corporal seguida de morte.


D) homicídio culposo.

E) lesão corporal culposa.

Resolução: verificando a situação hipotética proposta pela banca, é possível observarmos o dolo de Kaio
apenas em lesionar seu desafeto Lúcio. Assim, o traumatismo craniano (resultado agravador) foi culposo, pois
não era querido, razão pela qual, não há que se falar em homicídio. Estamos diante de uma lesão corporal
seguida de morte.

Gabarito: Letra C.

Tudo entendido, meu amigo(a). Certo!


Então, agora, caríssimo(a), vamos ver uma figura bastante conhecida por nós.

Você lembra do homicídio privilegiado, lá do comecinho do nosso estudo? Tenho certeza que sim. Assim,
analisaremos a lesão corporal privilegiada.
Venha comigo!

Lesão corporal dolosa privilegiada (art. 129, §4º, CP).


Primeiramente, passemos a análise do texto legal.

Diminuição de pena
§ 4° Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena
de um sexto a um terço.

Meu amigo(a), para que possamos avançar no nosso estudo, sendo o mais sistemático e técnico possível,
posso lhe garantir que tudo que aprendemos sobre o homicídio privilegiado se aplica para a lesão corporal
dolosa privilegiada, dessa forma, seguimos em frente com o nosso conteúdo.

Substituição da pena (art. 129, §5º, CP).


Vejamos o que dispõe o artigo 129, §5º, do CP.

Leiamos juntos e com muita atenção!

Substituição da pena

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§ 5° O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis:

I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;


II - se as lesões são recíprocas.

A partir da leitura que acabamos de realizar acerca do dispositivo, concluímos que em caso de lesões
corporais que não sejam graves (lembre-se meu amigo(a), só iremos conseguir medir a extensão das lesões
através de exame de corpo de delito e, também, a lesão corporal leve é nossa válvula de escape, sendo sempre
residual, certo?!) e tenha ocorrido em uma das hipóteses do parágrafo 4º (por exemplo, uma lesão corporal leve
por relevante valor moral), o juiz poderá substituir a pena de detenção (uma das espécies do gênero pena) pela
multa.

Outra forma que o juiz pode substituir a pena de detenção pela de multa é caso as lesões sejam recíprocas.
O Professor Damásio de Jesus, em sua obra, traz o seguinte exemplo para lesões recíprocas: “ambos os
agentes se ferem e um agiu em legitima defesa: absolve-se um e conda-se o outro, com o privilégio”.

Certo, querido(a)! Estamos caminhando para o final do nosso estudo.

Agora, veremos a hipótese de lesão corporal culposa!

Lesão corporal culposa (art. 129, §6º, CP).


Para continuarmos familiarizados com a letra da lei, abro, mais uma vez, o tópico com o texto legal.

Lesão corporal culposa


§ 6° Se a lesão é culposa: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)
Pena - detenção, de dois meses a um ano.
Aumento de pena
§ 7o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se ocorrer qualquer das hipóteses dos §§ 4o e 6o do art.
121 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.720, de 2012)
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.(Redação dada pela Lei nº 8.069, de
1990)

Quanto a lesão culposa, caríssimo, você deve ter em mente que, a natureza do resultado (lesão leve, grave
ou gravíssima) não irá interferir no enquadramento típico da conduta. Em outras palavras, será lesão corporal
culposa o dano à saúde ou integridade corporal de terceiro, provocado por imprudência, negligência ou
imperícia, tanto nos casos em que ocorrer apenas um hematoma (lesão leve), resultar perigo de vida (lesão
grave) ou deformidade permanente (lesão gravíssima).

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Também, você deve sabe que a pena da lesão culposa será aumentada em 1/3 (um terço) quando ocorre
quaisquer das hipóteses do artigo 121, §4º,do CP (“se o crime resulta de inobservância de regra técnica de
profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
consequências do seu ato, ou foge para evitar a prisão em flagrante”), está lembrado, meu querido amigo(a)?
São exatamente as situações que estudamos anteriormente no crime de homicídio. Você se lembra do nosso
amigo Austin que, naquela ocasião havia construído um muro? Pois bem, basta que a queda do muro não cause
a morte, mas apenas lesões e, estaremos diante dessa figura!

Já o perdão judicial, que está previsto no §8º, se reveste das mesmas nuances daquele que estudamos,
também, no crime de homicídio. Ou seja, na lesão culposa, dá-se o perdão judicial quando as consequências da
infração atingirem o próprio agente de uma forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.

Imagine a situação em que Houston, esposa de Austin, efetua uma manobra em seu veículo e,
inadvertidamente, atropela sua filha El Paso, causando-lhe ferimento. É a típica situação de aplicação do
perdão judicial para a lesão corporal.

Encerrada essa figura da lesão culposa, adiante estudaremos as lesões no âmbito doméstico.

Siga firme aí! Estamos quase no fim do nosso estudo!

Violência doméstica (art. 129, §§9º a 11).


Qual é nosso primeiro passo, meu amigo(a)? Aposto que você já sabe! Isso mesmo, vamos analisar as
disposições do Código Penal acerca do tema.

Violência Doméstica (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)


§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou
com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
§ 11. Na hipótese do § 9o deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido
contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006)

Feita a nossa leitura, verificamos que são duas as hipóteses que fazem surgir a figura em questão:

A) Relação de parentesco, casamento ou convivência entre sujeitos ativo e passivo;


B) A relação doméstica, de coabitação ou de hospitalidade.

Ainda, é de suma importância que você saiba que é dispensável a coabitação entre o autor do fato e a
vítima, bastando existir a referida relação parental. Assim, se numa confraternização de família, que há muito

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não se reunia, um irmão, vindo de Estado longínquo, agride o outro, ferindo-o na sua saúde física ou mental,
terá praticado o crime de violência doméstica12.
Pois bem, meu amigo(a), o dispositivo que estamos estudando está intimamente ligado com a Lei Maria
da Penha (Lei nº 11.340/06) e, como precisamos ter o máximo de informações possíveis para nossa aprovação,
vou lhes dar algumas informações valiosas sobre a incidência da Lei Maria da Penha.

Vamos lá!

1) Violência doméstica (art.5º da Lei Maria da Penha, com ou sem vínculo familiar) e/ou familiar contra a
mulher (sujeito passivo).

2) Condições cumulativas de incidência da Lei Maria da Penha: 1) Deve ser praticada uma violência nas
formas do artigo 7º da Lei + 2) Dentro de uma das situações de vulnerabilidade do artigo 5º (I – violência
doméstica; II – violência familiar; III – violência afetiva – praticada em uma relação íntima de afeto. São
alternativas entre elas e não cumulativas) +3) Contra sujeito passivo mulher (em sua identidade de gênero).

3) Formas de violência do artigo 7º:

I – Física: vis corporalis;

II – Psicológica: maior exemplo aqui é a ameaça;


III – Sexual: maior exemplo aqui é o estupro;
IV – Patrimonial: abrange a mera subtração (furto) de bens da mulher e também de destruição (dano)
de bens da mulher;

V – Moral: a prática de quaisquer crimes contra a honra.

Ex: Um filho furta a mãe, em tese, aplicaria a escusa absolutória (art. 181, II, CP). Entretanto, nesse
caso houve violência patrimonial contra mulher em ambiente familiar. E agora? A Lei Maria da Penha não
afasta expressamente a incidência das escusas absolutórias. Com base no art. 12 do CP, o STJ entendeu
que continua tendo aplicação as escusas absolutórias mesmo com a incidência da Lei Maria da Penha (RHC
42.918/RS). A única lei penal extravagante que afastou expressamente a exclusão de escusa absolutória
foi o estatuto do idoso (art. 95 da Lei 10.741/03), que também acabou acrescentando o inciso III, no artigo
183 do CP. Esse foi o paradigma de lei que afastou expressamente as escusas.
4) Situações de vulnerabilidade do artigo 5º:

I – Violência doméstica: predomina o critério espacial, o lugar onde praticado a violência. É o espaço de
convívio permanente de pessoas (com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas a este
espaço). OBS: Prevalece que a empregada doméstica ou a diarista podem ser sujeito passivo da lei maria da
penha, caso tenham sofrido violência dentro do espaço doméstico.

II – Violência familiar: aquela em que o agressor e a ofendida são unidos por laços de três naturezas:

12
STJ, RHC 50.026-PA, rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T. j. 3/08/2017 – Informativo nº 609.

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a) naturais/consanguíneo/biológico;
b) afinidade/vínculo/parentesco;
c) por vontade expressa (casamento) /adoção; + pessoas que são ou se consideram aparentadas por
laços sócio afetivos (mãe de criação).

III – Violência por relação íntima de afeto: É aquela em que o agressor e a ofendida convivam ou tenham
convivido (ex marido, namorado, tudo), independente de coabitação. A relação de namoro entra aqui. Súmula
600 do STJ, diz que independe de coabitação para configurar qualquer das hipóteses de violência do art. 5º
entre agressor e ofendida. Orientação do STJ: tratando-se de relação pretérita, basta que a violência tenha
sido praticada em razão da relação rompida (nexo causal), pouco importando quanto tempo transcorreu
desde a separação.

Veja como todas essas informações são sintetizadas no quadro abaixo:

Formas de violência doméstica (art. 7º da Lei Física;


11.340/06)
Sexual;

Psicológica;

Moral;
Patrimonial.

Situações de vulnerabilidade (art. 5º da Lei Violência doméstica;


11.340/06).
Violência familiar (laços biológicos, afinidade, por
vontade expressa);

Relação íntima de afeto (lembre-se que a


coabitação é dispensável.

Requisitos cumulativos para a incidência da Lei Uma das formas de violência do art. 7
Maria da Penha
+
Dentro de uma das situações de vulnerabilidade do
art. 5º

+
Sujeito passivo mulher (em sua identidade de
gênero).

Certo, meu amigo(a), agora caminhamos para o estudo da última figura da nossa primeira aula.
Tratarei com vocês, no próximo tópico sobre a lesão corporal funcional.

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Lesão corporal funcional (art. 129, §12º,CP).


“Certo, professor! Já sei que você irá iniciar nosso estudo através da letra da lei!”

Acertou em cheio, doutor(a)! Quanto mais próximo estivermos da letra da lei, mais aumentam suas
chances de aprovação. Acredite nisso!

Vamos lá!

§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição, a pena é aumentada de um a dois terços. (Incluído pela Lei nº
13.142, de 2015)

Feita a breve leitura do disposto, quero que você recorde tudo que aprendemos acerca do homicídio
funcional. Pois bem, está lembrado, meu caro?! Mais uma vez, eu afirmo a você com todas as letras. Tudo que
você aprendeu acerca do homicídio funcional é aplicado de forma idêntica para a lesão corporal.

Igualmente ao homicídio, a lesão corporal funcional também é hedionda, elencada no art. 1º, inciso I-A,
da Lei 8.072/90 (que será objeto de estudo em nossas próximas aulas).
Certo, meu amigo(a), dessa forma encerramos nosso estudo sobre os principais crimes contra a vida que
são objeto de questionamento em concursos

Saiba que eu fico amplamente ao seu dispor nas redes sociais. Venha manter contato para que possamos
estreitar nosso estudo e alçarmos voos cada vez maiores!

Siga firme nos seus estudos!

Um forte abraço!
Fique com Deus!
Até próxima!

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Questões comentadas pelo professor


1) Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Escrivão e de Inspetor
de Polícia - Tarde
Dos crimes contra a pessoa, destacam-se aqueles que eliminam a vida humana, considerada o bem jurídico
mais importante do homem, razão de ser de todos os demais interesses tutelados, merecendo inaugurar a
parte especial do nosso Diploma Penal. Considerando os crimes contra a vida, assinale a alternativa
INCORRETA.

A) A vida é tratada nesse tópico tanto na forma intra (biológica) quanto extrauterina, protegendo-se, desse
modo, o produto da concepção (esperança de homem) e a pessoa humana vivente.
B) O dolo do homicídio pode ser direto (o agente quer o resultado) ou eventual (o agente assume o risco de
produzi-lo).

C) A Lei nº 13.104/2015 inseriu o inciso VI no art. 121 do Código Penal: o feminicídio, entendido como a morte
de mulher em razão da condição do sexo feminino (leia-se, violência de gênero quanto ao sexo).

D) Infanticídio, segundo dispõe o Diploma Penal Brasileiro, é matar o próprio filho independentemente da
condição fisiopsicológica do sujeito ativo.

E) Três são as formas de praticar o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio: nas duas primeiras hipóteses
(induzimento e instigação), temos a participação moral; já na última (auxílio), material.

Resolução:

A – conforme estudamos no início da nossa aula, a vida humana é analisada sob o prisma intrauterino e
extrauterino. A figura do homicídio só poderá ocorrer quando for direcionada a morte da vida humana
extrauterina.

B – conforme estudamos anteriormente, o crime de homicídio poderá ser praticado tanto por dolo direto como
por dolo eventual.

C – conforme estudamos anteriormente, o feminicídio é a qualificadora que incide quando o crime é praticado
contra mulher por razões do sexo feminino, em casos de violência doméstica e menosprezo à condição de
mulher. O termo mulher é empregado em sentido amplo, abarcado a identidade de gênero da vítima.

D – o infanticídio é quando a mãe, sob a influência do estado puerperal, mata o próprio filho, durante o parto
ou logo após.

E – as condutas de induzimento e instigação é quando há participação do agente de forma a fazer nascer na


vítima o intento criminoso ou quando a vítima já estava pré-disposta a ceifar sua vida. O auxílio é material,
quando, por exemplo, o agente criminoso empresa uma arma para a vítima se suicidar.

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Gabarito: Letra D.

2) Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA Prova: FUNCAB - 2016 - PC-PA - Escrivão de Polícia Civil

O homicídio é doutrinariamente classificado como crime:


A) de dano. material e instantâneo de efeitos permanentes.

B) vago. permanente e multitudinário.

C) próprio, de perigo individual e consumação antecipada.

D) de concurso necessário, comum e de forma livre.

E) de mão própria, habitual e de forma vinculada.

Resolução
A – O homicídio é um crime de dano pois, exige uma lesão ou risco de lesão a vida da vítima (bem jurídico
tutelado). Também é instantâneo de efeitos permanentes pois, seu resultado ocorre instantaneamente, sem
prolongar-se no tempo.

B – Crime vago são aqueles que possuem um sujeito passivo indeterminado (por exemplo, o tráfico de drogas,
em que seu sujeito passivo é a coletividade, ou seja, um ente despersonalizado), em sentindo diverso ao
homicídio que possui um sujeito passivo determinado. O homicídio é um crime instantâneo e não permanente,
pois este último é aquele em que a consumação se prolonga no tempo (por exemplo, tráfico de drogas no verbo
nuclear “ter em depósito” – art. 33, caput, da Lei 11.343/06). Crime multitudinário é aquele em que há um
número exacerbado de autores.

C – Crime próprio é aquele em que o sujeito ativo deve ostentar uma condição especial para a existência do
crime como, por exemplo, o infanticídio que estudamos anteriormente. Já o homicídio, por outro lado, é crime
comum. Não há classificação de perigo individual. Crime de consumação antecipada é a definição para o crime
formal. O homicídio se trata de crime material.
D – Crime de concurso necessário é aquele que necessariamente precisa de um número específico de agentes
criminosos para existência (por exemplo, associação criminosa – art. 288, CP – é necessária três pessoas para a
associação). O homicídio é crime de concurso eventual, podendo ser praticado individualmente ou em mais
pessoas. Por fim, o homicídio é crime de forma livre, pois pode ser praticado a partir de várias condutas (p.ex.
disparo de arma de fogo, facadas, enforcamento e etc).
E – Crime de mão própria é, também, aquele que só pode ser praticado por sujeito ativo que ostenta uma
condição especial como, por exemplo, o infanticídio. Crime habitual é aquele que necessita de uma
habitualidade na prática da conduta para haja a consumação. Crime de forma vinculada é aquele que só pode
ser praticado como expressamente previsto no tipo penal. O homicídio não se enquadra em nenhuma das
classificações em análise.

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Gabarito: Letra A.

3) Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos poderá ser beneficiado pela incidência de causa de
diminuição de pena.

( ) Certo
( ) Errado

Resolução: o homicídio privilegiado (art.121, §1º, CP) somente incide quando o crime é cometido por relevante
valor moral ou social ou, sob o domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta provocação da vítima. No
caso em tela, não há que se falar em privilégio por conta do lapso temporal transcorrido. O homicídio foi
praticado muito tempo depois após a provocação.

Gabarito: ERRADO.

4) Ano: 2018 Banca: VUNESP

Maria e Mariana, ambas nascidas com genitais femininos, auto identificadas e socialmente reconhecidas como
mulheres, convivem em união estável e monogâmica. Ocorre que Maria, às escondidas, passa a manter
relações sexuais com José. Mariana flagra Maria em ato sexual com José e, nesse contexto, Maria provoca
injustamente Mariana, dizendo a José, em tom de escárnio, que Mariana é “xucra, burra e ruim de cama”, e que,
além disso, Mariana “gosta de ser traída e não tomará qualquer atitude, por ser covarde e medrosa”. Embora
nunca tenha praticado ato de violência doméstica, Mariana é tomada por violenta emoção e dispara projétil de
arma de fogo contra a cabeça de Maria, que morre imediatamente.
É correto afirmar que Mariana praticou:

A) ato típico, mas amparado por causa excludente de ilicitude.


B) homicídio qualificado, por meio insidioso.

C) feminicídio.
D) homicídio privilegiado.

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E) homicídio qualificado, por motivo torpe.

Resolução:

A – não há como se falar em excludente de ilicitude, pois estas ocorrem somente nos casos previstos em lei (art.
23, CP), não sendo o caso da situação hipotética em tela.

B – não há como se falar em homicídio qualificado pelo meio insidioso, visto esse meio não foi utilizado na
conduta da homicida.

C – também não há como se falar em feminicídio pois, em que pese haja uma relação monogâmica entre autora
e vítima, a morte não se deu por violência doméstica e menosprezo à condição de mulher.

D – a situação hipotética trata exatamente de um homicídio privilegiado (art.121, §1º, CP).

E – o crime não se amolda ao homicídio qualificado, muito menos fora praticado por motivo abjeto/repugnante
(torpe).

Gabarito: Letra D.

5) Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.
Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Na situação considerada, em que Paula foi vitimada por Carlos por motivação torpe, caso haja vínculo familiar
entre eles, o reconhecimento das qualificadoras da motivação torpe e de feminicídio não caracterizará bis in
idem.

( ) Certo
( ) Errado

Resolução: conforme estudamos anteriormente, não há impedimento para que em mesmo crime de homicídio
haja a incidência de mais de uma qualificadora. Como, por exemplo, o indivíduo que mata a sua vítima com
emprego de veneno para assegurar a impunidade de outro crime. Nesse caso, há duas qualificadoras presentes.

Gabarito: CERTO

6) Assinale a alternativa incorreta.

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A) É possível a aplicação da interpretação analógica no tipo de homicídio qualificado pelo fato de o crime ter
sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.
B) O fato de a vítima de homicídio doloso ter mais de sessenta anos constitui circunstância agravante, prevista
no artigo 61 do Código Penal, considerada na segunda fase de aplicação da pena.

C) No homicídio doloso qualificado pela motivação torpe, é possível reconhecimento da atenuante genérica do
cometimento do crime por motivo de relevante valor moral.

D) O homicídio híbrido é admitido pela jurisprudência, desde que a circunstância qualificadora tenha caráter
objetivo.

E) O homicídio é qualificado pela conexão quando cometido para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou a vantagem de outro crime.

Resolução:

A – é possível a interpretação analógica, visto que o homicídio não esgota suas possibilidades de ocorrência
apenas no rol do art. 121, §2º, do CP.

B – nesse caso não estamos diante de uma agravante e sim de uma majorante, conforme o artigo 121, §4º, CP.
C – nesse caso, é possível o reconhecimento do motivo torpe com a atenuante (e não privilégio =
minorante/causa de diminuição) do crime ter sido praticado por motivo de relevante valor social ou moral (art.
65,III “a”, CP).

D – conforme estudamos anteriormente, o homicídio híbrido somente incide nos casos em que as
qualificadoras sejam de ordem objetiva (meios e modos de execução).

E – conforme estudamos anteriormente, o homicídio por conexão (art. 121, §2º, V, CP), se da nos casos em que
é cometido para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outro crime.

Gabarito: Letra B.

7) Ano: 2000 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: CESPE - 2000 - Polícia Federal -
Agente Federal da Polícia Federal
Julgue o seguinte item.

As qualificadoras de paga e promessa de recompensa do crime de homicídio comunicam-se ao mandante.

( ) Certo
( ) Errado

Resolução: conforme estudamos anteriormente, a jurisprudência pacificou ou entendimento de que a


qualificadora da paga ou promessa de recompensa (homicídio mercenário – sicário) se comunica ao mandante.

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Gabarito: CERTO.

8) Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE

Constitui homicídio qualificado o crime

A) cometido contra deficiente físico.

B) praticado com emprego de arma de fogo.


C) concretizado com o concurso de duas ou mais pessoas.

D) praticado com o emprego de asfixia.

E) praticado contra menor de idade.

A – é modalidade de homicídio majorado (art. 121, §4º, CP).

B – não está prevista expressamente no CP como qualificadora. A arma de fogo é instrumento utilizado no
crime.
C – não está previsto no art. 121 do CP penal o concurso de duas ou mais pessoas como qualificadora do crime
de homicídio.
D – Sim. O homicídio praticado por meio de asfixia é um dos meios executórios do homicídio (art. 121, §2º, III)

E – não é hipótese de homicídio qualificado. É hipótese de homicídio majorado (art. 121,§4º, CP).

Gabarito: Letra D.

9) Ano: 2015 Banca: CEFET-BA


Miquelino Boa Morte, em razão de motivo abjeto, praticou delito de homicídio contra Angelino Boa Vida. Para
tanto, Miquelino misturou, na presença e sob a ciência de Angelino, em um recipiente, água e substância
venenosa, obrigando, sem possibilidade de reação, sua vítima a ingerir tal substância, conduta que ocasionou,
após sofrimento do envenenado, o seu óbito. Miquelino Boa Morte praticou:

A) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e com emprego de veneno.

B) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.

C) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e com emprego de veneno.

D) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.
E) As alternativas, “a", “b", “c" e “d" são incorretas.

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Resolução: Miguelino cometeu homicídio qualificado apenas pelo motivo torpe (abjeto/repugnante). Não há
que se falar na qualificadora do veneno pois, Miguelino obrigou a vítima a ingerir a substância e, como já
estudamos o veneno só qualifica o homicídio se ministrado de forma insidiosa.

Gabarito: Letra E.

10) Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE

A respeito de crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

A) responderá pela prática de crime contra a vida o agente que anuncia produtos ou métodos abortivos.

B) responderá por homicídio qualificado o agente que matar para assegurar a execução, ocultação, impunidade
ou vantagem de uma contravenção penal.

C) o crime de homicídio admite interpretação analógica no que diz respeito à qualificadora que indica meios e
modos de execução desse crime.

D) o agente que matar sua empregadora por ter sido dispensado sem justa causa responderá por feminicídio,
haja vista a vítima ser mulher.

Resolução:
A – nesse caso o agente responderá pela contravenção penal do art. 20 da lei de contravenções penais.

B – o indivíduo que matar alguém para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de uma
contravenção penal, responderá tão somente pelo crime de homicídio, visto que a qualificadora em tela é para
crimes e não contravenção penal.
C – conforme estudamos anteriormente, o homicídio admite a interpretação analógica para as qualificadoras
que indicam meios e modos de execução.

D – nesse caso, podemos estar diante de um motivo fútil, mas não há que se falar em feminicídio.

Gabarito: Letra C.

11) Ano: 2018 Banca: UEG


De acordo com o Código Penal, há homicídio qualificado quando for cometido

A) por grupo de extermínio.

B) para assegurar a impunidade de outro crime.

C) estando o ofendido sob a imediata proteção da autoridade.


D) contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.

E) por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança.

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Resolução:

A- nesse caso o homicídio é majorado, conforme o artigo 121, §6º, CP.


B – nesse caso o homicídio é qualificado, conforme o art. 121, §2º, V, CP.

C – não está elencada como qualificadora do art. 121, §2º, do CP.

D – nesse caso, o homicídio é majorado, conforme o art. 121, §4º, CP.

E – nesse caso, o homicídio é majorado, conforme o art. 121, §6º, CP.

Gabarito: Letra B.

12) No que tange aos crimes dolosos contra a vida, assinale a alternativa CORRETA.

A) A qualificadora do feminicídio incide em todos os casos em que a vítima for mulher.

B) O homicídio qualificado-privilegiado é crime hediondo.

C) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite a antecipação terapêutica do parto de fetos como
microcefalia.

D) O emprego de tortura pode qualificar o crime de homicídio ou caracterizar crime autônomo, dependendo
do dolo do agente e das circunstâncias do caso concreto.

E) A prática da “roleta russa” caracteriza o crime de instigação ao suicídio.

Resolução:
A – a qualificadora do feminicídio só incide nos casos em que houver violência doméstica ou menosprezo à
condição da mulher. Mulher, por si só não é apta a qualificar o homicídio.
B – conforme já estudamos anteriormente, o homicídio híbrido não é considerado hediondo.

C – A jurisprudência do STF admite o aborto de feto anencéfalo.

D – nesse caso, é necessário analisarmos como foi praticada a tortura. Se ela foi empregada para matar a vítima,
estaremos diante do homicídio qualificado mediante tortura. Por outro lado, se a intenção do agente era
somente causar sofrimento físico ou psíquico na vítima e, de forma exagerada a vítima acaba morrendo,
estamos diante da tortura com resultado morte.

E – a prática não é apta a caracterizar a instigação ao suicídio.

Gabarito: Letra D.

13) Quanto aos crimes contra a vida, assinale a opção CORRETA:


A) A expressão “durante ou logo após o parto" impede a caracterização do infanticídio se a conduta for
praticada mais de 24h após o parto ter sido concluído.

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B) Se “A" induz “B" a se matar, mas “B" apenas experimenta lesões leves, “A" pratica delito de auxílio ao suicídio,
na forma tentada.
C) Para a realização do aborto com o consentimento da gestante, em caso de gravidez resultante de estupro, o
médico precisa de autorização judicial.

D) Apressar a morte de quem esteja desenganado configura homicídio com relevante valor social.

E) Ao autor de homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino da vítima aplica-
se circunstância qualificadora.

Resolução:

A – não necessariamente pois, é preciso verificar o grau de intensidade do estado puerperal e seu período de
duração.
B – nesse caso, não há que se falar em tentativa, mas no crime de lesões corporais leve consumado.

C – nesse caso não é necessária autorização judicial. O aborto em caso de gravidez resultante de estupro é uma
causa excludente de ilicitude.

D – estamos diante da figura do induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.


E – quando o homicídio for praticado contra mulher por razões da condição do sexo feminino, aplica-se a
qualificadora do feminicídio.

Gabarito: Letra E.

14) Em relação aos crimes contra a vida, é correto afirmar que


A) a genitora que mata o neonato, sob o estado puerperal e logo após o parto, responderá por homicídio
duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio insidioso.

B) para configuração do homicídio privilegiado, previsto no art. 121, § 1o , do Código Penal, basta que o agente
cometa o crime sob o domínio de violenta emoção.

C) nas lesões culposas verificadas entre os mesmos agentes, é possível aplicar a compensação de culpas.
D) o feminicídio, previsto no art. 121, §2º , inciso VI, do Código Penal, exige que o crime seja praticado contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino envolvendo violência doméstica ou familiar ou menosprezo
ou discriminação à condição de mulher.

E) o agente que pratica autolesão responderá pelo crime de lesões corporais com atenuação da pena de 1/3 a
2/3, a depender da natureza da lesão.

Resolução:
A – a mãe que mata seu filho, sob o estado puerperal, logo após o parto responderá por infanticídio.

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B – nesse caso, é necessário que o crime ocorra sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima.
C – não existe compensação de culpas em direito penal.

D – conforme estudamos anteriormente, a assertiva retrata todos os requisitos necessários para aplicação da
qualificadora do feminicídio.

E – a autolesão não é punida pelo direito penal.

Gabarito: Letra D.

15) Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Escrivão de Polícia Civil

A policial Michele Putin, na noite de 14 de março de 2018, quando retornava para sua casa, após liderar uma
exitosa operação contra o tráfico de entorpecentes na comunidade de “Miracema do Norte”, foi abordada por
dois homens armados e friamente assassinada. Num fenomenal trabalho investigatório, a Polícia Civil logrou
êxito em identificar os assassinos como sendo os irmãos Jorge e Ernesto Petralha, apurando que tal homicídio
se deu em represália pelas prisões ocorridas quando da citada operação policial.
Diante desse quadro, podemos asseverar que os assassinos responderão por:

A) Feminicídio, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VI CP.

B) Homicídio funcional, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VII CP.

C) Homicídio qualificado por motivo fútil, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.
D) Homicídio qualificado por motivo torpe, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.

Resolução:

A – não há que se falar em feminicídio, pois a motivação do crime não fora por violência doméstica ou
menosprezo à condição de mulher.

B – analisando a situação hipotética, verifica-se que a situação retrata um típico homicídio funcional, conforme
o art. 121, §2º, VII, CP.
C – não há que se falar em motivo fútil (desproporcional), pois a motivação de Jorge e Ernesto era represália a
operação bem sucedida da policial.

D - não há que se falar em motivo torpe (abjeto/repugnante), pois a motivação de Jorge e Ernesto era represália
a operação bem sucedida da policial.

Gabarito: Letra B.

16) Ano: 2018 Banca: FCC

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O Código Penal qualifica o homicídio doloso quando praticado contra servidores públicos, no exercício de
atividade de segurança pública. Podem, dentre outros, ser vítimas do crime
A) integrantes do sistema prisional, da Força Nacional de Segurança Pública e do corpo de bombeiros militares.

B) policiais civis, policiais federais e promotores de justiça criminais.

C) policiais rodoviários federais, policiais militares e juízes com competência criminal.

D) policiais civis, policiais federais e promotores ou procuradores que atuam no combate ao crime organizado.

E) policiais civis e militares na ativa ou aposentados.

Resolução:

A – a assertiva está de acordo com o art. 144, da Constituição Federal.

B – promotores de justiça criminais não fazem parte do rol do art. 144, da CF/88.
C – juízes com competência criminal não fazem parte do rol do art. 144, CF/88.

D – promotores ou procuradores que atuam no combate ao crime organizado não estão presentes no rol do
art. 144, CF/88.

E – há divergência entre os estudiosos do direito penal sobre a possibilidade de caracterização de homicídio


funcional contra servidores aposentados. A banca tratou a questão como incorreta.

Gabarito: Letra A.

17) Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2013 - PC-SP - Escrivão de Polícia Civil
A hipótese do art. 121, § 5.º do CP, doutrinariamente denominada de perdão judicial, aplica-se ao homicídio
A) cometido por relevante valor moral.

B) culposo.

C) privilegiado (caso de diminuição de pena).

D) cometido sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.

E) cometido por relevante valor social.

Resolução:

A – o perdão judicial somente é aplicado para os casos expressamente autorizados por lei. A lei não autoriza a
aplicação do perdão judicial para o homicídio cometido por relevante valor moral.

B – o perdão judicial somente é aplicado para os casos expressamente autorizados por lei. A lei autoriza a
aplicação do perdão judicial para o homicídio culposo.

C- o perdão judicial somente é aplicado para os casos expressamente autorizados por lei. A lei não autoriza a
aplicação do perdão judicial para o homicídio privilegiado.

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D - o perdão judicial somente é aplicado para os casos expressamente autorizados por lei. A lei não autoriza a
aplicação do perdão judicial para o homicídio privilegiado.
E - o perdão judicial somente é aplicado para os casos expressamente autorizados por lei. A lei não autoriza a
aplicação do perdão judicial para o homicídio privilegiado.

Gabarito: Letra B.

18) Ano: 2014 Banca: ACAFE

De acordo com o Código Penal assinale a alternativa correta.

A) A pena para quem pratica homicídio qualificado será aplicada de 12 (doze) a 20 (vinte) anos de reclusão.

B) Se o agente comete o crime de homicídio impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um
terço até a metade.
C) A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial
data anterior à da denúncia ou queixa.

D) A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) até a metade se o crime de homicídio for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
E) A sentença que conceder perdão judicial será considerada para efeitos de reincidência.

Resolução:

A – a pena do homicídio qualificado é de 12 a 30 anos de reclusão.

B – o redutor de pena é de 1/6 a 1/3.

C – trataremos do assunto de prescrição em aulas posteriores, mas saiba que: a prescrição é quando o Estado
(pelo decurso do tempo + sua inércia), perde o direito de punir o agente criminosos. Art. 110, §1º, CP.
D – a pena nesse caso é aumentada de 1/3 até a metade.

E – a sentença que concede perdão judicial não é apta a gerar reincidência.

Gabarito: Letra C.

19) A condenação por homicídio privilegiado qualificado é possível na hipótese em que

A) o crime for cometido com emprego de fogo.


B) o crime for qualificado pela motivação fútil.

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C) o crime for qualificado pela vingança.

D) o agente embriagado agir por motivo irrelevante.


E) a vítima atingida for pessoa diversa da que se pretendia matar por questão de ódio.

Resolução:

A – o homicídio qualificado privilegiado só ocorre quando houver a fusão entre uma o privilegio e uma
qualificadora de ordem objetiva (meios e modos de execução – incisos III e IV, do art. 121, do CP). Desse modo
o fogo é uma qualificadora de ordem objetiva, compatível com o privilégio.

B - o homicídio qualificado privilegiado só ocorre quando houver a fusão entre uma o privilegio e uma
qualificadora de ordem objetiva (meios e modos de execução – incisos III e IV, do art. 121, do CP). Desse modo
a motivação fútil é uma qualificadora de ordem subjetiva.
C - o homicídio qualificado privilegiado só ocorre quando houver a fusão entre uma o privilegio e uma
qualificadora de ordem objetiva (meios e modos de execução – incisos III e IV, do art. 121, do CP). A vingança
não é prevista como qualificadora.

D - o homicídio qualificado privilegiado só ocorre quando houver a fusão entre uma o privilegio e uma
qualificadora de ordem objetiva (meios e modos de execução – incisos III e IV, do art. 121, do CP). Agir por
motivo irrelevante, pode ser considerado motivo fútil, que será qualificadora de ordem subjetiva.

E - o homicídio qualificado privilegiado só ocorre quando houver a fusão entre uma o privilegio e uma
qualificadora de ordem objetiva (meios e modos de execução – incisos III e IV, do art. 121, do CP). Desse modo
o ódio poderá ser motivação torpe, que se trata de qualificadora de ordem subjetiva.

Gabarito: Letra A.

20) No crime de homicídio doloso é majoritário o entendimento que admite a coexistência das circunstâncias
privilegiadas (art. 121, § 1°, do CP), todas de natureza subjetiva, com as qualificadoras de natureza objetivas
insertas no art. 121, § 2°, do Código Penal.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: conforme estudamos durante nossa aula, os requisitos necessários para existência do homicídio
privilegiado qualificado ou vice-versa, é que as qualificadoras sejam de ordem objetiva a combinar com o
privilégio.

Gabarito: CERTO.

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21) Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-DFT Prova: CESPE - 2015 - TJ-DFT - Analista Judiciário
- Judiciária
Acerca dos crimes previstos na parte especial do Código Penal, julgue o item a seguir.
De acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes, o chamado homicídio privilegiado-qualificado,
caracterizado pela coexistência de circunstâncias privilegiadoras, de natureza subjetiva, com qualificadoras, de
natureza objetiva, não é considerado crime hediondo.

( ) Certo

( ) Errado

Resolução: conforme estudamos anteriormente, a existência do homicídio híbrido (qualificado/privilegiado) só


se dará nos casos em que houver a coexistência de uma qualificadora de ordem objetiva concomitantemente
com o privilégio. Vimos, também, que a referida figura não se trata de crime hediondo.

Gabarito: CERTO.

22) No que se refere aos crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

A) o homicídio funcional é aquele delito praticado contra autoridade ou agente membro das forças armadas,
policiais federais em geral, policiais civis ou militares, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou, ainda, contra seu cônjuge, companheiro
ou parente até o segundo grau, em razão dessa condição, incidindo pena privativa de liberdade de doze a vinte
anos de reclusão.
B) a prática de feminicídio na presença de descendente, ascendente ou colateral da vítima implica no aumento
da pena de um sexto a um terço.

C) é incompatível o crime de homicídio simples tentado com o caráter hediondo.

D) a pena é duplicada para crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio praticado contra vítima
menor ou com diminuição da capacidade de resistência.

Resolução:

A – o homicídio inclui parentes até o terceiro grau, conforme o art. 121, VII, CP.

B - o aumento é de 1/3 até a metade, conforme o art. 121, §7º, incisos III, CP.

C – não é incompatível caso o homicídio simples seja praticado em atividade típica de grupo de extermínio (art.
1º, inciso I, da Lei 8.072/90.

D – a pena é duplicada, conforme o artigo 122, §3º, CP.

Gabarito: Letra D.

23) Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: PC-AC Prova: IBADE - 2017 - PC-AC - Escrivão de Polícia Civil

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Abigail, depois de iniciado parto caseiro, mas antes de completá-lo, sob influência do estado puerperal, mata o
próprio filho. Abigail praticou crime de:
A) consentimento para o aborto

B) homicídio

C) homicídio qualificado.

D) infanticídio.

E) autoaborto.

Resolução:

A – a partir da leitura do enunciado, verifica-se que a referida assertiva não se amolda a situação problema.

B – a partir da situação apresentada no enunciado, não há como se falar em homicídio, tendo em vista a
presença de elementos especializantes.

C - a partir da situação apresentada no enunciado, não há como se falar em homicídio qualificado, tendo em
vista a presença de elementos especializantes.

D – a partir da situação apresentada no enunciado, verifica-se que a mãe, durante o parto, sob a influência do
estado puerperal, mata o próprio filho, incorre nas sanções do crime de infanticídio.
E – a partir da situação apresentada no enunciado, não há como se falar em autoborto (previsão do art. 124, do
CP).

Gabarito: Letra D.

24) Ano: 2013 Banca: FUNCAB Órgão: PC-ES Prova: FUNCAB - 2013 - PC-ES - Escrivão de Polícia

Maria, que estava sob a influência do estado puerperal, em face de ter acabado de dar à luz, estando sonolenta
pela medicação que lhe fora ministrada, ao revirar na cama, acabou sufocando seu filho, que se encontrava ao
seu lado na cama, matando-o. Logo, Maria:

A) deverá responder pelo crime de homicídio doloso.


B) deverá responder pelo crime de homicídio culposo.
C) deverá responder pelo crime de infanticídio doloso.

D) deverá responder pelo crime de infanticídio culposo.

E) não deverá responder por crime algum, pois foi um acidente.

Resolução:

A – Maria não poderá responder pelo crime de homicídio doloso, pois ela não queria matar o seu filho.

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B – Maria responderá pelo crime de homicídio culposo, mesmo em estado puerperal, pois ela causou a morte
do seu filho culposamente, ao se revirar na cama e acabar sufocando-o.
C – Não responderá por infanticídio, pois o resultado morte não adveio da “vontade de matar” de Maria.

D – Não há previsão no Código Penal de infanticídio culposo.

E – Maria será responsabilizada por homicídio culposo.

Gabarito: Letra B

25) Ano: 2008 Banca: ACAFE Órgão: PC-SC Prova: ACAFE - 2008 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

Configura crime de infanticídio o ato de:

A) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após.
B) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o
parto ou logo após.
C) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o parto ou logo após.

D) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.

Resolução:
A – a expressão “para ocultar desonra própria” não está prevista expressamente no art. 123, do CP.
B - a expressão “para ocultar desonra própria” não está prevista expressamente no art. 123, do CP.
C – a expressão “antes” do parto não diz respeito ao crime de infanticídio. Caso o crime ocorra antes do parto,
estaremos diante da figura do aborto.

D – a assertiva reúne todas as elementares do crime de infanticídio, elencados no art. 123, do CP.

Gabarito: Letra D.

26) Ana, após realizar exame médico, descobriu estar grávida. Estando convicta de que a gravidez se deu em
decorrência da prática de relação sexual extraconjugal que manteve com Pedro, seu colega de faculdade, e
temendo por seu matrimônio decidiu por si só que iria praticar um aborto. A jovem comunicou a Pedro que
estava grávida e pretendia realizar um aborto em uma clínica clandestina. Pedro, por sua vez, procurou Robson,
colega que cursava medicina, e o convenceu a praticar o aborto em Ana. Assim, alguns dias depois de combinar
com Pedro, Robson encontrou Ana e realizou o procedimento de aborto.

Sobre a questão apresentada, é correto afirmar que a conduta de Ana se amolda ao crime previsto no

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A) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126, do Código Penal (aborto provocado por terceiro com
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.

B) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124, segunda parte, do Código Penal. Já Pedro responderá como
partícipe no crime de Ana.

C) art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro sem
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.
D) art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como partícipe no crime de Ana.

E) art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como participe no crime de Ana.

Resolução: - conforme estudamos anteriormente, podemos verificar que Ana praticou o crime de aborto
consentido (Art. 124, segunda parte, do CP). Por outro lado, Robson, praticou o crime de aborto com o
consentimento da gestante (art. 126, CP). E, por fim, Pedro (que convenceu) Robson, responde como partícipe
do crime.

Gabarito: Letra A.

27) A Suprema Corte tratou do tema antecipação do parto ou interrupção da gravidez na ADPF 54 em que foi
postulada a interpretação dos arts. 124 e 126 do Código Penal – autoaborto e aborto com o consentimento da
gestante – em conformidade com a Constituição Federal, quando fosse caso de feto anencéfalo. Após julgar
procedente a ação, o Colendo Tribunal declarou que a ocorrência de anencefalia nos dispositivos invocados
provoca a
A) exclusão da antijuridicidade.

B) exclusão da tipicidade.
C) exclusão do concurso de crimes.

D) aplicação de perdão judicial.


E) inexigibilidade de conduta diversa.

Resolução: conforme estudamos anteriormente, o STF, ao debruçar-se sobre o tema (ADPF 54) de antecipação
de manobra abortiva para feto comprovadamente acéfalo, decidiu que, nesses casos, o fato é atípico, ou seja,
não é considerado crime.

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Gabarito: Letra B.

28) Ano: 2017 Banca: FEPESE Órgão: PC-SC Prova: FEPESE - 2017 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

De acordo com o Código Penal, a incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias, caracteriza
o crime de:
A) lesão corporal simples.

B) lesão corporal leve.

C) lesão corporal grave.

D) lesão corporal gravíssima.

E) lesão corporal seguida de morte.

Resolução:
A – a lesão corporal simples/leve não engloba a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias.

B – a lesão corporal simples/leve não engloba a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias.
C – a lesão corporal grave abarca a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias (art. 129, §1º,
I, CP).
D – a lesão corporal gravíssima não engloba a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias.

E – a lesão corporal seguida de morte não engloba a incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30
dias

Gabarito: Letra C.

29) De acordo com o Artigo 129 do Código Penal Brasileiro, trata-se de lesão corporal de natureza gravíssima:

A) Aceleração de parto.

B) Debilidade permanente de membro, sentido ou função.

C) Deformidade permanente.

D) Perigo de vida.

Resolução:

A – a aceleração de parto é lesão corporal de natureza grave.

B – a debilidade permanente de membro, sentido ou função é lesão corporal de natureza grave.


C – a deformidade permanente é lesão corporal de natureza gravíssima.

D – perigo de vida é lesão corporal de natureza grave.

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Gabarito: Letra C.

30) A lesão corporal seguida de morte não se confunde com o homicídio culposo, pois, na primeira situação,
chamada de homicídio preterdoloso, ocorre o dolo. Nesse caso, o autor tem a intenção de provocar a lesão
corporal, mas não a morte da vítima.
( ) Certo

( ) Errado

Resolução: conforme estudamos durante o decorrer da aula, a lesão corporal seguida de morte (também
chamada de homicídio preterdoloso) é quando o agente tem dolo para a lesão mas, por exacerbar sua conduta,
acaba causando a morte do agente sem querer tal resultado.

Gabarito: CERTO.

31) Ano: 2009 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-RN Prova: CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia
Civil

Na situação hipotética acima descrita, Kaio cometeu crime de

A) homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

B) homicídio doloso simples.

C) lesão corporal seguida de morte.

D) homicídio culposo.
E) lesão corporal culposa.

Resolução: conforme estudamos durante o decorrer da aula, a lesão corporal seguida de morte (também
chamada de homicídio preterdoloso) é quando o agente tem dolo para a lesão, mas por exacerbar sua conduta,
acaba causando a morte do agente sem querer tal resultado.

Gabarito: Letra C.

Agradeço, mais uma vez a sua companhia!


Encerramos nosso primeiro encontro por aqui!

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Aguardo a sua presença em nossa próxima aula.


Bons estudo! Fiquei com Deus!
Até lá,
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Lista de questões
1) Ano: 2018 Banca: FUNDATEC Órgão: PC-RS Prova: FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Escrivão e de Inspetor de
Polícia - Tarde

Dos crimes contra a pessoa, destacam-se aqueles que eliminam a vida humana, considerada o bem jurídico
mais importante do homem, razão de ser de todos os demais interesses tutelados, merecendo inaugurar a
parte especial do nosso Diploma Penal. Considerando os crimes contra a vida, assinale a alternativa
INCORRETA.
A) A vida é tratada nesse tópico tanto na forma intra (biológica) quanto extrauterina, protegendo-se, desse
modo, o produto da concepção (esperança de homem) e a pessoa humana vivente.

B) O dolo do homicídio pode ser direto (o agente quer o resultado) ou eventual (o agente assume o risco de
produzi-lo).

C) A Lei nº 13.104/2015 inseriu o inciso VI no art. 121 do Código Penal: o feminicídio, entendido como a morte
de mulher em razão da condição do sexo feminino (leia-se, violência de gênero quanto ao sexo).

D) Infanticídio, segundo dispõe o Diploma Penal Brasileiro, é matar o próprio filho independentemente da
condição fisiopsicológica do sujeito ativo.
E) Três são as formas de praticar o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio: nas duas primeiras hipóteses
(induzimento e instigação), temos a participação moral; já na última (auxílio), material.

2) Ano: 2016 Banca: FUNCAB Órgão: PC-PA Prova: FUNCAB - 2016 - PC-PA - Escrivão de Polícia Civil
O homicídio é doutrinariamente classificado como crime:

A) de dano. material e instantâneo de efeitos permanentes.


B) vago. permanente e multitudinário.

C) próprio, de perigo individual e consumação antecipada.

D) de concurso necessário, comum e de forma livre.

E) de mão própria, habitual e de forma vinculada.

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3) Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.

Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos poderá ser beneficiado pela incidência de causa de
diminuição de pena.

( ) Certo
( ) Errado

4) Ano: 2018 Banca: VUNESP

Maria e Mariana, ambas nascidas com genitais femininos, auto identificadas e socialmente reconhecidas como
mulheres, convivem em união estável e monogâmica. Ocorre que Maria, às escondidas, passa a manter
relações sexuais com José. Mariana flagra Maria em ato sexual com José e, nesse contexto, Maria provoca
injustamente Mariana, dizendo a José, em tom de escárnio, que Mariana é “xucra, burra e ruim de cama”, e que,
além disso, Mariana “gosta de ser traída e não tomará qualquer atitude, por ser covarde e medrosa”. Embora
nunca tenha praticado ato de violência doméstica, Mariana é tomada por violenta emoção e dispara projétil de
arma de fogo contra a cabeça de Maria, que morre imediatamente.

É correto afirmar que Mariana praticou:


A) ato típico, mas amparado por causa excludente de ilicitude.

B) homicídio qualificado, por meio insidioso.


C) feminicídio.

D) homicídio privilegiado.
E) homicídio qualificado, por motivo torpe.

5) Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE

Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz,
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois
de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos,
Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.
Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item.

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Na situação considerada, em que Paula foi vitimada por Carlos por motivação torpe, caso haja vínculo familiar
entre eles, o reconhecimento das qualificadoras da motivação torpe e de feminicídio não caracterizará bis in
idem.

( ) Certo

( ) Errado

6) Assinale a alternativa incorreta.

A) É possível a aplicação da interpretação analógica no tipo de homicídio qualificado pelo fato de o crime ter
sido praticado mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.

B) O fato de a vítima de homicídio doloso ter mais de sessenta anos constitui circunstância agravante, prevista
no artigo 61 do Código Penal, considerada na segunda fase de aplicação da pena.

C) No homicídio doloso qualificado pela motivação torpe, é possível reconhecimento da atenuante genérica do
cometimento do crime por motivo de relevante valor moral.
D) O homicídio híbrido é admitido pela jurisprudência, desde que a circunstância qualificadora tenha caráter
objetivo.

E) O homicídio é qualificado pela conexão quando cometido para assegurar a execução, a ocultação, a
impunidade ou a vantagem de outro crime.

7) Ano: 2000 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Polícia Federal Prova: CESPE - 2000 - Polícia Federal - Agente
Federal da Polícia Federal

Julgue o seguinte item.

As qualificadoras de paga e promessa de recompensa do crime de homicídio comunicam-se ao mandante.


( ) Certo

( ) Errado

8) Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE


Constitui homicídio qualificado o crime

A) cometido contra deficiente físico.

B) praticado com emprego de arma de fogo.


C) concretizado com o concurso de duas ou mais pessoas.

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D) praticado com o emprego de asfixia.

E) praticado contra menor de idade.

9) Ano: 2015 Banca: CEFET-BA

Miquelino Boa Morte, em razão de motivo abjeto, praticou delito de homicídio contra Angelino Boa Vida. Para
tanto, Miquelino misturou, na presença e sob a ciência de Angelino, em um recipiente, água e substância
venenosa, obrigando, sem possibilidade de reação, sua vítima a ingerir tal substância, conduta que ocasionou,
após sofrimento do envenenado, o seu óbito. Miquelino Boa Morte praticou:

A) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e com emprego de veneno.

B) Homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.

C) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e com emprego de veneno.

D) Homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e mediante recurso que tornou impossível a defesa do
ofendido.
E) As alternativas, “a", “b", “c" e “d" são incorretas.

10) Ano: 2019 Banca: CESPE / CEBRASPE

A respeito de crimes contra a pessoa, é correto afirmar que


A) responderá pela prática de crime contra a vida o agente que anuncia produtos ou métodos abortivos.

B) responderá por homicídio qualificado o agente que matar para assegurar a execução, ocultação, impunidade
ou vantagem de uma contravenção penal.
C) o crime de homicídio admite interpretação analógica no que diz respeito à qualificadora que indica meios e
modos de execução desse crime.
D) o agente que matar sua empregadora por ter sido dispensado sem justa causa responderá por feminicídio,
haja vista a vítima ser mulher.

11) Ano: 2018 Banca: UEG

De acordo com o Código Penal, há homicídio qualificado quando for cometido

A) por grupo de extermínio.


B) para assegurar a impunidade de outro crime.

C) estando o ofendido sob a imediata proteção da autoridade.

D) contra pessoa menor de quatorze ou maior de sessenta anos.

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E) por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança.

12) No que tange aos crimes dolosos contra a vida, assinale a alternativa CORRETA.

A) A qualificadora do feminicídio incide em todos os casos em que a vítima for mulher.

B) O homicídio qualificado-privilegiado é crime hediondo.

C) A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite a antecipação terapêutica do parto de fetos como
microcefalia.

D) O emprego de tortura pode qualificar o crime de homicídio ou caracterizar crime autônomo, dependendo
do dolo do agente e das circunstâncias do caso concreto.

E) A prática da “roleta russa” caracteriza o crime de instigação ao suicídio.

13) Quanto aos crimes contra a vida, assinale a opção CORRETA:

A) A expressão “durante ou logo após o parto" impede a caracterização do infanticídio se a conduta for
praticada mais de 24h após o parto ter sido concluído.

B) Se “A" induz “B" a se matar, mas “B" apenas experimenta lesões leves, “A" pratica delito de auxílio ao suicídio,
na forma tentada.
C) Para a realização do aborto com o consentimento da gestante, em caso de gravidez resultante de estupro, o
médico precisa de autorização judicial.

D) Apressar a morte de quem esteja desenganado configura homicídio com relevante valor social.
E) Ao autor de homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino da vítima aplica-
se circunstância qualificadora.

14) Em relação aos crimes contra a vida, é correto afirmar que

A) a genitora que mata o neonato, sob o estado puerperal e logo após o parto, responderá por homicídio
duplamente qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por meio insidioso.

B) para configuração do homicídio privilegiado, previsto no art. 121, § 1o , do Código Penal, basta que o agente
cometa o crime sob o domínio de violenta emoção.

C) nas lesões culposas verificadas entre os mesmos agentes, é possível aplicar a compensação de culpas.

D) o feminicídio, previsto no art. 121, § 2o , inciso VI, do Código Penal, exige que o crime seja praticado contra
a mulher por razões da condição de sexo feminino envolvendo violência doméstica ou familiar ou menosprezo
ou discriminação à condição de mulher.

E) o agente que pratica autolesão responderá pelo crime de lesões corporais com atenuação da pena de 1/3 a
2/3, a depender da natureza da lesão.

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15) Ano: 2018 Banca: FUMARC Órgão: PC-MG Prova: FUMARC - 2018 - PC-MG - Escrivão de Polícia Civil

A policial Michele Putin, na noite de 14 de março de 2018, quando retornava para sua casa, após liderar uma
exitosa operação contra o tráfico de entorpecentes na comunidade de “Miracema do Norte”, foi abordada por
dois homens armados e friamente assassinada. Num fenomenal trabalho investigatório, a Polícia Civil logrou
êxito em identificar os assassinos como sendo os irmãos Jorge e Ernesto Petralha, apurando que tal homicídio
se deu em represália pelas prisões ocorridas quando da citada operação policial.
Diante desse quadro, podemos asseverar que os assassinos responderão por:

A) Feminicídio, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VI CP.


B) Homicídio funcional, conduta tipificada no art. 121, § 2°, VII CP.

C) Homicídio qualificado por motivo fútil, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.
D) Homicídio qualificado por motivo torpe, conduta tipificada no art. 121, § 2°, II CP.

16) Ano: 2018 Banca: FCC

O Código Penal qualifica o homicídio doloso quando praticado contra servidores públicos, no exercício de
atividade de segurança pública. Podem, dentre outros, ser vítimas do crime
A) integrantes do sistema prisional, da Força Nacional de Segurança Pública e do corpo de bombeiros militares.

B) policiais civis, policiais federais e promotores de justiça criminais.

C) policiais rodoviários federais, policiais militares e juízes com competência criminal.


D) policiais civis, policiais federais e promotores ou procuradores que atuam no combate ao crime organizado.

E) policiais civis e militares na ativa ou aposentados.

17) Ano: 2013 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2013 - PC-SP - Escrivão de Polícia Civil

A hipótese do art. 121, § 5.º do CP, doutrinariamente denominada de perdão judicial, aplica-se ao homicídio
A) cometido por relevante valor moral.

B) culposo.

C) privilegiado (caso de diminuição de pena).


D) cometido sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.

E) cometido por relevante valor social.

18) Ano: 2014 Banca: ACAFE

De acordo com o Código Penal assinale a alternativa correta.

A) A pena para quem pratica homicídio qualificado será aplicada de 12 (doze) a 20 (vinte) anos de reclusão.

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B) Se o agente comete o crime de homicídio impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um
terço até a metade.

C) A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de
improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial
data anterior à da denúncia ou queixa.

D) A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) até a metade se o crime de homicídio for praticado por milícia privada,
sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

E) A sentença que conceder perdão judicial será considerada para efeitos de reincidência.

19) A condenação por homicídio privilegiado qualificado é possível na hipótese em que


A) o crime for cometido com emprego de fogo.

B) o crime for qualificado pela motivação fútil.

C) o crime for qualificado pela vingança.

D) o agente embriagado agir por motivo irrelevante.


E) a vítima atingida for pessoa diversa da que se pretendia matar por questão de ódio.

20) No crime de homicídio doloso é majoritário o entendimento que admite a coexistência das circunstâncias
privilegiadas (art. 121, § 1°, do CP), todas de natureza subjetiva, com as qualificadoras de natureza objetivas
insertas no art. 121, § 2°, do Código Penal.

( ) Certo
( ) Errado

21) Ano: 2015 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: TJ-DFT Prova: CESPE - 2015 - TJ-DFT - Analista Judiciário -
Judiciária
Acerca dos crimes previstos na parte especial do Código Penal, julgue o item a seguir.
De acordo com a doutrina e a jurisprudência dominantes, o chamado homicídio privilegiado-qualificado,
caracterizado pela coexistência de circunstâncias privilegiadoras, de natureza subjetiva, com qualificadoras, de
natureza objetiva, não é considerado crime hediondo.
( ) Certo

( ) Errado

22) No que se refere aos crimes contra a pessoa, é correto afirmar que

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A) o homicídio funcional é aquele delito praticado contra autoridade ou agente membro das forças armadas,
policiais federais em geral, policiais civis ou militares, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou, ainda, contra seu cônjuge, companheiro
ou parente até o segundo grau, em razão dessa condição, incidindo pena privativa de liberdade de doze a vinte
anos de reclusão.

B) a prática de feminicídio na presença de descendente, ascendente ou colateral da vítima implica no aumento


da pena de um sexto a um terço.

C) é incompatível o crime de homicídio simples tentado com o caráter hediondo.

D) a pena é duplicada para crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio praticado contra vítima
menor ou com diminuição da capacidade de resistência.

23) Ano: 2017 Banca: IBADE Órgão: PC-AC Prova: IBADE - 2017 - PC-AC - Escrivão de Polícia Civil

Abigail, depois de iniciado parto caseiro, mas antes de completá-lo, sob influência do estado puerperal, mata o
próprio filho. Abigail praticou crime de:

A) consentimento para o aborto


B) homicídio
C) homicídio qualificado.

D) infanticídio.

E) autoaborto.

24) Ano: 2013 Banca: FUNCAB Órgão: PC-ES Prova: FUNCAB - 2013 - PC-ES - Escrivão de Polícia

Maria, que estava sob a influência do estado puerperal, em face de ter acabado de dar à luz, estando sonolenta
pela medicação que lhe fora ministrada, ao revirar na cama, acabou sufocando seu filho, que se encontrava ao
seu lado na cama, matando-o. Logo, Maria:
A) deverá responder pelo crime de homicídio doloso.

B) deverá responder pelo crime de homicídio culposo.


C) deverá responder pelo crime de infanticídio doloso.

D) deverá responder pelo crime de infanticídio culposo.

E) não deverá responder por crime algum, pois foi um acidente.

25) Ano: 2008 Banca: ACAFE Órgão: PC-SC Prova: ACAFE - 2008 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

Configura crime de infanticídio o ato de:

A) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou
logo após.

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B) matar, para ocultar desonra própria e sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o
parto ou logo após.
C) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, antes, durante o parto ou logo após.

D) matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.

26) Ana, após realizar exame médico, descobriu estar grávida. Estando convicta de que a gravidez se deu em
decorrência da prática de relação sexual extraconjugal que manteve com Pedro, seu colega de faculdade, e
temendo por seu matrimônio decidiu por si só que iria praticar um aborto. A jovem comunicou a Pedro que
estava grávida e pretendia realizar um aborto em uma clínica clandestina. Pedro, por sua vez, procurou Robson,
colega que cursava medicina, e o convenceu a praticar o aborto em Ana. Assim, alguns dias depois de combinar
com Pedro, Robson encontrou Ana e realizou o procedimento de aborto.
Sobre a questão apresentada, é correto afirmar que a conduta de Ana se amolda ao crime previsto no

A) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 126, do Código Penal (aborto provocado por terceiro com
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.
B) art. 124, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124, segunda parte, do Código Penal. Já Pedro responderá como
partícipe no crime de Ana.

C) art. 125, segunda parte, do Código Penal (consentimento para o aborto). Robson, por sua vez, tem sua
conduta subsumida ao crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro sem
consentimento). Já Pedro responderá como partícipe no crime de Robson.

D) art. 124, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 126 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como partícipe no crime de Ana.
E) art. 126, primeira parte, do Código Penal (autoaborto). Robson, por sua vez, tem sua conduta subsumida ao
crime previsto no art. 124 do Código Penal (aborto provocado por terceiro com consentimento). Já Pedro
responderá como participe no crime de Ana.

27) A Suprema Corte tratou do tema antecipação do parto ou interrupção da gravidez na ADPF 54 em que foi
postulada a interpretação dos arts. 124 e 126 do Código Penal – autoaborto e aborto com o consentimento da
gestante – em conformidade com a Constituição Federal, quando fosse caso de feto anencéfalo. Após julgar
procedente a ação, o Colendo Tribunal declarou que a ocorrência de anencefalia nos dispositivos invocados
provoca a

A) exclusão da antijuridicidade.

B) exclusão da tipicidade.

C) exclusão do concurso de crimes.


D) aplicação de perdão judicial.

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E) inexigibilidade de conduta diversa.

28) Ano: 2017 Banca: FEPESE Órgão: PC-SC Prova: FEPESE - 2017 - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil

De acordo com o Código Penal, a incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias, caracteriza
o crime de:

A) lesão corporal simples.

B) lesão corporal leve.

C) lesão corporal grave.

D) lesão corporal gravíssima.

E) lesão corporal seguida de morte.

29) De acordo com o Artigo 129 do Código Penal Brasileiro, trata-se de lesão corporal de natureza gravíssima:

A) Aceleração de parto.
B) Debilidade permanente de membro, sentido ou função.

C) Deformidade permanente.
D) Perigo de vida.

30) A lesão corporal seguida de morte não se confunde com o homicídio culposo, pois, na primeira situação,
chamada de homicídio preterdoloso, ocorre o dolo. Nesse caso, o autor tem a intenção de provocar a lesão
corporal, mas não a morte da vítima.

( ) Certo

( ) Errado

31) Ano: 2009 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-RN Prova: CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil

Na situação hipotética acima descrita, Kaio cometeu crime de


A) homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

B) homicídio doloso simples.

C) lesão corporal seguida de morte.

D) homicídio culposo.

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E) lesão corporal culposa.

Gabarito
1. D 17. B
2. A 18. C
3. Errado 19. A
4. D 20. Certo
5. Certo 21. Certo
6. B 22. D
7. Certo 23. D
8. D 24. B
9. E 25. D
10. C 26. A
11. B 27. B
12. D 28. C
13. E 29. C
14. D 30. Certo
15. B 31. C
16. A

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Resumo direcionado
A seguir, meu amigo(a) segue um resumão que eu preparei com tudo o que vimos de mais importante nesta
aula. Espero que você já tenha feito o seu resumo também, e utilize o meu para verificar se ficou faltando colocar
algo.

Homicídio

Intrauterina

VIDA HUMANA Extrauterina

Morte encefálica

Art. 121. Matar alguém (esse é nosso preceito primário, que possui conteúdo determinado, que se verifica através
do verbo “matar”)

Pena - reclusão, de seis a vinte anos (esse é nosso preceito secundário, que possui conteúdo determinado, que se
verifica através dos parâmetros numéricos abstratos – pena de 6 a 20 anos).

ESTADO DE VIOLENTA EMOÇÃO

Que a violenta emoção seja dominante no agente criminoso

Que haja uma injusta provocação da vítima (não se traduz necessariamente em agressão, mas compreende
qualquer conduta desafiadora e injuriosa).

Que a reação do homicida seja imediata, ou seja, praticada logo em seguida a provocação recebida.

MEIOS DE EXECUÇÃO

Veneno – desde que ministrado de forma sorrateira

Fogo ou explosivo – temos aqui, o triste exemplo ocorrido no DF, em que dois indivíduos atearam fogo em
um índio que dormia num banco nas proximidades da Explanada.

Emprego de asfixia – mecânica (esganadura, sufocamento...) e tóxica (gases deletérios)

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Emprego de tortura – utilizado como forma de chegar ao resultado morte

Perigo comum – meios que produzam risco a um número indeterminado de pessoas.

FEMINICÍDIO

Violência doméstica e familiar Menosprezo ou discriminação


à condição de mulher.

FEMINICÍDIO

Qualificadora (art. 121, §2º, VII, §2º-A, I e II) Causa de aumento de pena (art. 121, §7, CP).

Violência doméstica e familiar durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao


parto

Menosprezo ou discriminação contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60


(sessenta) anos, com deficiência ou portadora de
à condição de mulher.
doenças degenerativas que acarretem condição
limitante ou de vulnerabilidade física ou mental

na presença física ou virtual de descendente ou de


ascendente da vítima

em descumprimento das medidas protetivas de urgência

Imprudência É quando o agente age sem os cuidados que o caso


requer.

Negligência É a ausência de precaução (conduta negativa). Difere da


imprudência (conduta positiva)

Imperícia Falta de aptidão técnica para o exercício de arte ou


profissão.

CAUSA DE AUMENTO = MAJORANTE

CAUSA DE DIMINUIÇÃO = MINORANTE

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ART. 121, §1º, CP ART. 121, §2º, CP

Motivo de relevante valor social Motivo torpe – qualificadora de ordem subjetiva

Motivo de relevante valor moral Motivo fútil – qualificadora de ordem subjetiva

Domínio de violenta emoção, logo em seguida a Meios de execução – qualificadoras de ordem objetiva
injusta provocação da vítima (art. 121, §2º, III, CP).

Atenção: Todas essas são de ordem subjetiva Modos de execução – qualificadoras de ordem objetiva
(art. 121, §2º, IV, CP).

Vínculos finalísticos (art. 121, §2º, V) – qualificadora de


ordem subjetiva

Feminicídio – Há divergência doutrinária. Os tribunais


entendem que é objetiva.

Agentes de segurança Pública – ordem subjetiva.

HOMICÍDIO HEDIONDO

Simples em atividade típica de grupo de extermínio Sim

Qualificado Sim

Híbrido/Qualificado-privilegiado Não

CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA

Crime de ação livre (pode ser praticado de qualquer forma)

Crime Comum

Crime material

Crime de dano ou de lesão

Instantâneo de efeitos permanentes

Concurso eventual

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Plurisubssistente.

Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a


automutilação.
Ela acontece quando o agente criminoso faz nascer na
vítima o desejo de suicidar-se ou auto mutilar-se. No
INDUZIMENTO
induzimento, nem passa pela cabeça da vítima cometer
alguma das duas atrocidades.

Ela acontece quando o criminoso reforça uma vontade


INSTIGAÇÃO
preexistente da vítima em suicidar-se ou automutilar-se.

Nesse caso, o agente fornece a vítima meios necessários


AUXÍLIO MATERIAL para ela se suicidar ou auto mutilar-se, emprestando
instrumentos letais

Circunstância objetiva – ou seja, o agente deve ter


MENOR DE 14 ANOS conhecimento que a vítima conta com menos de 14 anos
na prática do crime. Dessa forma incidirá a figura em tela.

Deverá ser averiguada em cada caso concreto, a partir


de exames psicológicos sob a vítima para aferir se a
ENFERMIDADE OU DEFICIÊNCIA MENTAL
enfermidade ou deficiência mental foi apta a macular o
discernimento da vítima.

CONDUTA – SUICÍDIO CONSUMADO /


VÍTIMA
AUTOMUTILAÇÃO CONSUMADA

Menor de 14 anos HOMICÍDIO

Enfermidade ou deficiência mental HOMICÍDIO

Não pode oferecer resistência HOMICÍDIO

CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA

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Crime de força livre (pode ser praticado por qualquer meio)

Crime comum

Crime material

Crime de dano ou lesão

Crime instantâneo de efeitos permanentes

Concurso eventual

Plurissubsistente

Infanticídio

CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA

Crime de forma livre

Crime próprio (só pode ser praticado pela mãe)

Crime material

Crime de dano ou de lesão

Crime instantâneo de efeitos permanentes

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Concurso eventual

Plurissubsistente

Aborto.
Aquele que normalmente é causado por problemas
Natural
de saúde da gestante (não é crime)

Pode ser decorrente de traumas, quedas, acidentes


Acidental
(em regra, não se trata de crime)

Criminoso Previsto nos artigos 124 a 127, do CP

Legal/permitido Art. 128, CP

Cometido por razões de miséria e incapacidade de


Miserável/econômico
sustento do infante (não exime o agente de pena)

Ocorre quando há comprovados riscos de o feto


Eugenésico nascer com graves anomalias, sejam físicas ou
psíquicas (não foi acolhida pela nossa lei).

Quando há interrupção de gravidez extraconjugal (é


Honoris causa
crime).

Ovular Praticado até a oitava semana de gestação

Embrionário Praticado até a décima quinta semana de gestação

Praticado posteriormente a decima quinta semana


Fetal
de gestação

Mulher grávida que, quimicamente, mecanicamente


ou fisicamente, provoca nela mesma, a interrupção da
gravidez, destruindo a vida intrauterina. Imagine que
AUTOABORTO Houston, esposa de Austin está grávida e,
conscientemente ingere o medicamento CITOTEC
(abortivo) e vem a causar a morte do feto. Nesse caso,
Houston incorrerá nas sanções do art. 124, do CP.

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Nesse caso, o terceiro realiza a manobra abortiva com


a concordância da vítima. Imagine que Houston,
grávida, se dirige até uma clínica abortiva e contrata
CONSENTIR A GESTANTE NO ABORTAMENTO um médico para realizar a manobra. Nesse caso,
Houston responderá pelo crime do art. 124.
Entretanto, o médico responderá pelo crime do art.
126, do CP (aborto praticado por terceiro).

ABORTO NECESSÁRIO ABORTO SENTIMENTAL.

Quando não há outro meio de salvar a vida da


Quando a gravide resulta de estupro.
gestante.

Não é necessário o consentimento da gestante ou


É necessário o prévio consentimento da gestante.
autorização judicial.

O aborto deve ser praticado por médico Deverá ser realizado por médico

Que a gravidez seja decorrente de estupro.


Deve haver o perigo de vida para a gestante e não Entretanto, o médico pode se recusar a realizar o
meramente perigo para a saúde. procedimento caso não se convença das alegações da
gestante

Não houver outro meio disponível para salvar a


vida da gestante.

CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA

Crime de forma livre

Crime próprio (nos casos do art. 124) Comum (nos demais casos – art. 125 e 126)

Crime material

Crime de dano ou lesão

Instantâneo de efeitos permanentes

Concurso eventual

Plurissubsistente

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Lesão corporal.
QUANTO AO ELEMENTO SUBJETIVO QUANTO À INTENSIDADE

Dolosa simples (caput) Lesão leve (caput)

Dolosa qualificada (§§ 1º, 2º e 3º) Lesão grave (§1º)

Dolosa privilegiada (§§4º e 5º) Lesão gravíssima (§2º)

Culposa (§6º) Seguida de morte (§3º).

Art. 129, §1º, IV Resulta aceleração do parto

Art. 129, §2º, V Resulta abortamento

DOLO CULPA PRETERDOLO

Caput e §§1º e 2º §§6º e 7º §§1º, 2º e 3º

PRETERDOLOSO

Culpa no consequente (resultado agravado –


Dolo no antecedente (causar lesão)
abortamento – causado por culpa).

CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DO CRIME

Crime de forma ou ação livre

Crime comum

Crime material

Crime de dano ou lesão

Instantâneo de efeitos permanentes

Concurso eventual

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Plurissubsistente.

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