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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE


INSTITUTO DE ENSINO A DISTÂNCIA

Tema:

A responsabilidade dos Pais na Formação da consciência moral dos filhos

Nome e Código do Estudante:

Curso de: Português


Disciplina: Ética Social
Ano de Frequência:
Nome do Docente:

Nampula, Julho DE 2021


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1.A Responsabilidade Dos Pais Na Formação Da Consciência Moral Dos Filhos

Qualquer agir humano inclui a imputabilidade das responsabilidades. A responsabilidade não se


escolhi do conjunto de todos aqueles elementos que compõem a facto e actos éticos. A
imputabilidade nete caso é vista como uma condição dos actos morais através da qual se pode
atribuir aos sujeitos racional e livre a sua causa, isto quer dizer, os homens são livres e
consequentemente são atribuídos a imputabilidade pelos seus actos.

De todas as maneiras sugestivas apresentadas sobre a responsabilidade, não se pode deixar de


lado a realidade verificada em quase todas as sociedades o facto de admitir-se que todos
indivíduos são e tem responsabilidade ou mesmo pode ser imputados responsabilidade perante a
execução dum acto ético. Na responsabilidade moral e social considera-se que todos actos
executados sejam da responsabilidade dum indivíduo duma sociedade.

A responsabilidade social é algo muito mais ainda pois, esta, aparece associados a liberdade, a
vontade, ao conhecimento e outros elementos de valores éticos que um grupo social assume no
seu seio como elementos de factos éticos para a conservação e preservação das camadas etária
da sua população.

1.1.Educaçao ético-moral dos Pais

A consciência é equiparada a razão enquanto dar a conhecer o Bem e o mal , associa-se a


vontade livre do agir humano e enquanto acata o Bem e rejeita o Mal. É um algo inato, que
nasce com o individuo num aspecto rudimental duma maneira simples ou adquirido pelo facto
desta tender a evoluir nos aspectos da interação dos factos vividos. É uma propriedade ou estado
psicológico, a sua categorização é muito complexa, mas esta existe no
intelecto do homem e ajuda ano acto ético, na medida em que auxilia a vontade a comprir a lei
moral e pode ser conquistada progressivamente.

A formação da consciência é uma conjuntura de associação de vários factores tais como; o


conhecimento, a observação, a aprendizagem e a interacção social. A capacidade da consciência
leva-nos a distinção dos valores éticos Bom e Maus, responsáveis, actos positivo e negativos no
seio duma moldura Humana, independentemente das circunstâncias criadas.
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Nos como pais temos a responsabilidade de educar os nossos tendo em conta os direitos e deveres na
vida integral física e moral de todos, no gozo dos mesmos perante a lei de independentemente da cor,
raça, sexo, origem, lugar, religião, grau parentesco, posição social, estado civil dos pais ou profissão.
Nessa responsabilidade de ensinar os nosso filhos envolve, respeitar os vizinhos, cumprimentar os mais
velhos, ajudar as pessoas, não descriminar as pessoas.

Segundo Comel (2003) traduz que:

“a pessoa humana, por nascer em condições de profunda dependência física e


emocional, vai necessitar de ajuda e participação dos dois componentes que foram
essenciais à geração dela. O calor da afeição e a transmissão do amor devem ser
passados diariamente aos filhos, através de sorrisos, abraços, gestos e continuar quando
estes se tornam adultos, pois as crianças que são amadas e aceitas têm condições de
desenvolver-se melhor” (pg.80).

O autor deste trabalho sustenta que:

“a família é responsável pelo crescimento harmonioso das crianças e educar as


novas gerações nos valores éticos, morais e sociais. A família e o estado
assegura a educação integral das crianças formando nos valores nacionais,
amor a pátria, respeito pelos símbolos nacionais, respeito e solidariedade
social. Os pais e os demais intervenientes no processo da educação devem
educar no âmbito do não descriminação das pessoas portadoras de deficiência,
aos órfãos”.

Conforme crescem, as crianças continuam a esperar que os pais demonstrem seu amor por elas.
Passam. Assim, a compreender melhor esse amor através das atitudes vivenciadas em casa,
através dos gestos do cuidado e do carinho. Aceitá-las integralmente é a nascente de onde fluiu o
amor.

Dessa forma, tanto o pai quanto a mãe colaboram para a formação e desenvolvimento físico,
psíquico, moral e ético dos filhos, cabendo à mãe um papel mais flexível, passando noções de
afecto e segurança; já, ao pai cabe o papel de formação de carácter e da personalidade.

A personalidade da criança se formará com auxílio de ambos os pais, conforme dito, mas em
cada fase da vida, esses papéis mudam. Nesse sentido íIçami Tiba afirma que na fase
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gestacional, o pai exerce papel secundário, pois não participa activamente, enquanto a mãe já
está mais presente na vida do filho nessa fase: A mulher começa a avançar em seu papel de mãe
já durante a gravidez Acompanha o desenvolvimento do bebé, sente seus movimentos, observa
suas mudanças corporais etc. Cada vez mais a mãe vai conhecendo o bebé e construindo o
vínculo com ele enquanto o pai observa tudo de fora, confuso sem saber como participar mais
ativamente dessa construção.

A necessidade da constante actuação dos pais, não se encerra com a infância. Para Torello
(2008), destaca a necessidade da presença dos pais, tanto para a criança, como para o
adolescente. Segundo ele, os filhos sentem a necessidade de ambos os pais e, sobretudo, da
vitalidade e do senso comum da mãe. À margem de toda e qualquer especulação ou polémica
científica, bastaria que pai e mãe actuassem em comum e de forma criativa, que se
completassem um ao outro espontaneamente e que tivessem em conta que nenhum deles pode
ser substituído pelo outro. A presença activa do pai revela-se cada vez mais necessária para um
crescimento equilibrado dos filhos.

2.Formaçao moral da consciência dos filhos

Consciência é a capacidade que o homem tem de conhecer de modo imediato, os seus estados,
sentimentos, impressões , intuições, etc.

Significa que consciência o acto pelo qual o homem reconhece pessoalmente o que deve fazer na
ordem moral e como procedeu anteriormente nesta mesma ordem ( Hortelano 1970:44)

No sentido ético, considera-se consciência como a capacidade de julgar sobre os valores do acto
humano em termo de Bem e Mal.

De finace, apresenta também a sua definição, para ele a consciência é a reflexão que o homem
faz sobre a responsabilidade, isso significa que o homem tem capacidade de julgar que alguns
actos são feitos e devem ser feitos, são errados, podem ser feitos como também não devem ser e
outras ainda devem ser considerados neutros.

A natureza da consciência é o intelecto, adciona-se também a componentes de ordem afectiva.


Em relação ao inetlecto, porque a pessoa humana tem necessidade de certos objectivos na vida e
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esses podem ser exterior a si, o homem é consciente em relação a si mesmo ou dá-se conta de,
para realizar certas coisas. A consciência amadurecer com a experiência vivida.

Quer dizer, o acto de conhecer maduro ou simplesmente a consciência madura sempre formula
perguntas para identificar a causa de agir quer antes, quer depois, isso acto refere-se a razão, a
intelegência e pelo espirito humano de querer conhcer o algo.

Formar a consciência é educar os sentidos e atitudes, visando alcançar as virtudes. A Moral da


Consciência dos filhos desde sempre admitiu-se que seja inata e adquirida.

Consciência moral é a atenção do sujeito ao valor moral das suas acções, para julgar se elas são
boas ou más. Esta atenção ou capacidade de avaliar a moralidade dos actos diz respeito tanto às
acções já efectuadas como àquelas que se estão a realizar e às que serão realizadas futuramente.

A consciência moral é a voz da nossa consciência ou juiz interior que nos obriga, nos acusa ou
repreende enquanto sujeitos livres e racionais, capazes de responder pelos próprios actos ou de
avaliar os actos alheios. Assim, a consciência moral desempenha o papel de:

 Crítica – porque nos proíbe, impede ou condena de praticar uma acção má.

 Norma – pois, nos manda aquilo que devemos fazer

Etapas do desenvolvimento da consciência moral segundo Piaget

Segundo Piaget, a moralidade numa pessoa desenvolve- se à medida que a inteligência humana
se vai desenvolvendo, seguindo um processo delineado por três etapas fundamentais:

 1ª Etapa: Moral de Obrigação (entre 2 a 6 anos)

Nesta etapa a criança presta um respeito absoluto às normas e não possui capacidade intelectual
para compreender a razão de ser de uma norma.

Reina a moral de obrigação/ ou heteronomia, onde ela vive numa atitude unilateral de respeito
absoluto para com os mais velhos e as normas são totalmente exteriores a si.

 2ª Etapa: Moral de Solidariedade (entre 7 e os 11 anos)


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A criança nessa fase substitui o respeito unilateral e absoluto aos adultos pelo respeito mútuo e a
noção de igualdade entre todos. Forma-se nessa etapa o sentimento de “honestidade” e de
“justiça”. Reina a moral de solidariedade entre os iguais.

 3ª Etapa: Moral de Equidade ou autonomia (a partir dos 12 anos)

O adolescente é capaz de formar seus princípios morais e criar suas próprias regras de
comportamento. Aparece o altruísmo, o interesse pelos outros e a compaixão.

Etapas do desenvolvimento da consciência moral segundo Kohlberg

Kohlberg divide o desenvolvimento da consciência moral em três níveis.

 1º Nível – Pré-convencional (pré-moral)

As normas são representadas tendo em conta as consequências: castigo ou prémio. As pessoas


respeitam as normas sociais, mas receiam o castigo se não as cumprirem ou esperam uma
recompensa pelo seu cumprimento.

 2º Nível: Convencional

Procura-se responder às expectativas dos outros e manter a ordem estabelecida ou ordem


convencional. As pessoas respeitam as normas sociais porque consideram importante que cada
um desempenhe o seu papel numa sociedade moralmente organizada.

 3º Nível – Pós-convencional (Moral de Princípios)

Existe neste nível o esforço de definir valores e princípios de validade universal, acima das
convenções sociais. Estabelece que as pessoas se preocupam com um juízo autónomo e com o
estabelecimento de princípios morais universais.

3.A liberdade de agir dos filhos

Liberdade é um valor central nas sociedades democráticas. Mas não apenas isso: nas sociedades
democráticas modernas, “ser livre” é direito almejado por todos e prazer a ser usufruído na
esfera privada.
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Os jovens, assim como os adultos, em particular os filhos se vêem convocados a se subjetivarem


tendo a liberdade como um valor que pauta desejos e relações, e que marca as concepções de
felicidade e realização pessoal (Mattos, 2012).

Segundo Marx & Engels (2003, pg. 130), no período de transformação da criança em adulto,
a adolescência é marcada por mudanças profundas. Na busca para desenvolver independência, é
natural que o filho procure mais a companhia dos amigos e menos a da família, exija
privacidade, tome decisões sozinho e teste limites. Mesmo que isso o exponha a risco de
sofrimento, o adolescente precisa liberdade para vivenciar experiências novas.  

A gente quer proteger os filhos de tudo, mas quando percebemos que eles caem, levantam e
continuam, nos damos conta de que não há melhor forma de aprender do que errar. O que se
pode fazer é estar disponível, acolher, dizer “da próxima vez tu acerta”.

1.4.Perda dos valores morais

Verifica-se na sociedade actual uma incrível perda de valores, que se traduz em vidas cada vez
mais desorientadas e vazias. Mas pior que a perda de valores é a adopção de novos valores, que
nos levam a estilos de vida fáceis, vulgares, frívolos, iludidos, também eles vazios. As escolas
são cada vez menos, os chamados modelos ideais de transmissão de valores às nossas crianças,
elas estão a ficar desprovidas de valores.

Os pais constituem o agente da socialização mais influente no que se refere à aquisição de


comportamentos e atitudes nas práticas diárias das crianças e jovens, ora se as crianças chegam à
escola sem valores como: a honestidade, a lealdade, a camaradagem, a dignidade, o respeito
mútuo, qual é o papel dos professores? Devem eles, estar preparados para cumprir as suas
responsabilidades, não só em relação a si próprios, mas fundamentalmente junto daqueles a
quem devem servir, ou seja, as crianças e os jovens, contudo, não é fácil modificarem-se
comportamentos e atitudes, é sem dúvida uma tarefa a exigir um empenhamento diversificado de
todos os que a diferentes níveis têm responsabilidades na estruturação da educação para os
valores.

Perante uma realidade social que é pouco apelativa para o respeito de valores, qual o significado
e que repercussões vai ter na formação do aluno, falar-lhe em responsabilidade, lealdade,
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compreensão, respeito pelo outros, em aquiescência e respeito pelas regras estabelecidas ou em


equidade de oportunidades, a serem aplicadas durante a sua presença nas actividades escolares,
quando a criança, no seu dia-a-dia, em casa, nos transportes, na rua do seu bairro, no centro
comercial, no supermercado, na praia?, é constantemente ?bombardeada? de anti-valores, ou
seja de comportamentos que são o completo antagónico do que devem ser os valores íntegros do
ser humano.

Perguntamos, então qual o papel da escola? Deve a escola ser reestruturada de base e ter em
atenção a educação para os valores, ou deve procurar atingir resultados acima de qualquer valor,
ou seja, devemos educar as nossas crianças para a vitória, ou devemos preocuparmo-nos com a
educação de valores como o respeito, a dignidade, a lealdade. A educação é um dever só da
escola ou, a família desempenha um papel preponderante neste processo? O que se verifica é que
a família procura desculpabilizar o insucesso escolar dos seus filhos com a escola, a família no
nosso entender deve assumir a principal culpa do insucesso escolar, tal como do insucesso de
transmissão de valores que os seus filhos seguirão pelo seu percurso de vida, visto ser ela o
principal agente de transmissão de comportamentos.

Numa sociedade em que impera a insolência, o desrespeito, a ofensa, a afronta, a escola assume
um papel preponderante, os professores são os principais agentes capazes de lutar contra a atonia
que reina fora das escolas, devem ser vistos como o riqueza da sociedade e não como meros
meios de emissão de conhecimentos.

A família tem pois, que assumir as suas responsabilidades na educação dos seus filhos, e não
exonerar essas funções na escola, mais propriamente nos professores, contudo os pais, a família,
vêem os professores, que ensinam e educam os seus filhos, peças de um processo que se
comutam irreflectidamente.

A educação nos valores e para os valores é uma urgência na nossa sociedade, enquanto a família
estiver de costas voltadas para com os professores, estarão de costas voltadas para com os seus
filhos.
A educação para os valores deve ser então, equacionada, mas o mesmo só será possível quando a
sociedade se unir em torno desta amarga realidade a que estamos constrangidos.

5.O problema ético-moral dos cidadãos


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A ética se refere à reflexão crítica sobre o comportamento humano, reflexão que interpreta,
discute e problematiza, investiga os valores, princípios e o comportamento moral, à procura do
“bem”, da “boa vida”, do “bem-estar da vida em sociedade”, sociedade esta que, em nossos dias,
tem como característica marcante o individualismo, a competitividade, tornando ainda mais
necessária uma reflexão crítica, para a busca de um maior comprometimento e respeito entre
indivíduos e suas ações.

A tarefa da ética é a procura e o estabelecimento das razões que justificam o que "deve ser feito"
e não o "que pode ser feito", a procura das razões de fazer ou deixar de fazer algo, de aprovar ou
desaprovar algo, do que é bom e do que é o mal, do justo e do injusto. Ela pode ser considerada
como uma questão do que é certo e do que é errado.

O papel que a razão pode desempenhar na ética constitui o ponto crucial levantado pela
afirmação de que é subjetiva. A inexistência de um misterioso domínio de fatos éticos objetivos
não implica a inexistência de raciocínio. Assim, o que tem de se demonstrar para dar à prática,
fundamentos sólidos é que o raciocínio ético é possível.

A ética, tendo na razão sua fundamentação primeira, orienta o agir, ou seja, coordena as ações
práticas do indivíduo. Partindo desse pressuposto pode-se entender que é possível contribuir
para o desenvolvimento integral e interdisciplinar do ser humano. A ética aborda esta realidade,
considerando todas as formas sociais em que atuam os indivíduos e os diferentes fatores que
influenciam seu atuar. As experiências humanas são, assim, observadas na sua diversidade e
totalidade. O conhecimento ético forma-se, então, a partir de dados reais, o que lhe permite
compreender o que existe, de concreto, em termos de normas e comportamentos numa
determinada sociedade.

A partir daí, o indivíduo procura identificar as práticas que se justificam, e merecem ser
conservadas, e as que precisam ser excluídas para garantir um comportamento humano aceitável.
Os parâmetros para esta definição são os princípios e valores universais, válidos e capazes de
fazer o bem para todos. Estes princípios buscam definir em que consiste o “fim” e o “bem” que
deve ser buscado pelo homem e, conseqüentemente, incorporado em seu agir moral. Enquanto a
ética centra-se no terreno teórico, estudando para oferecer o conhecimento, a moral refere-se às
ações práticas.
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Referencias Bibliográficas

Boff. L. S. J. (2005). A personificação do pai. Campinas: Véus.

Comel, N. E. D. (2003).  Paternidade Responsável. 2. ed. Curitiba: Juruá.

Felipe, J. F. A. (2000).  Adoção, guarda, investigação de paternidade e concubinato. 10. ed. Rio
de Janeiro: Forense,.

Marx, K & Engels, F. (2003). A sagrada família: ou a crítica da Crítica contra Bruno Bauer e
consortes. Trad. Marcelo Backes. São Paulo: Boitempo.

Mattos, A. R. (2012). Liberdade, um problema do nosso tempo: os sentidos de liberdade para


os jovens no contemporâneo. Rio de Janeiro: FGV.

Silva, J. C. (2000). Conversando sobre Ética e Sociedade. 7ª ed. Petrópolis Vozes.

Tiba, I. (2002). Quem ama educa. São Paulo: Editora Gente.

Váquez, A. S. (2002). Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Winnicott, D W. (1999). Os Bebês e suas Mães. Traduzido por Jefferson Luiz Camargo. 2. ed.
São Paulo: Martins Fontes.

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