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Resumo Perlingiere Perlingieri

Perlingiere inicia seu texto dizendo que o pagamento da obrigação natural não gera
nenhum outro efeito além da irrepetibilidade, (pontuação) além disso ressalta que o credor
natural fica impossibilitado de agir para o adimplemento e que o devedor natural não
precisa se comprometer com os deveres da boa-fé e da lealdade. Por esses motivos a
obrigação natural se diferencia da obrigação inexigível, uma vez que, esta é caracterizada
por uma série de obrigações preliminares.

Em seguida o autor admite a possibilidade da obrigação natural ser modificada ou


extinta, sendo necessário para isso observar quais formas modificativas ou extintivas
seriam coerentes com a obrigação natural. Perlingiere ainda ressalta que apesar de sua
limitada relevância jurídica, o comportamento do devedor pode agravar a obrigação
natural inexecutada ou até mesmo fazer nascer nova obrigação natural. Correto.

No tópico: situações naturais creditórias e debitórias e suas vicissitudes, o autor diz


que o fenômeno da obrigação natural caracteriza uma relação entre o credor e o devedor,
e que, essa relação, mesmo não sendo uma obrigação no sentido pleno, é relação que
pode ter efeitos jurídicos. Ou seja, Perlingieri admite a relevância da obrigação natural
mesmo anteriormente ao pagamento Ele argumenta que a relação adquire relevância
jurídica não no momento do adimplemento, mas sim em função do adimplemento. Diz
também que é em razão da socialidade e da moralidade da relação que precede o
adimplemento que a relação é executada e não é repetível, lembrando que se não fosse
assim apenas seria jurídica norma dotada de coação.

Correto. Comparar com a concepção de G. Tepedino. É verdade que a obrigação natural


não pode ser limitada conceitualmente a um mero pagamento que, justamente, a
extingue, o que equivaleria em negar praticamente a sua existência como “obrigação”.

A relevância jurídica da obrigação natural anterior ao pagamento (indiscutível, mas pouco


visível) significa que o dever moral ou social (Perlingieri), o dever de justiça (Varela) ou de
consciência (Ripert) são os fundamentos possíveis da irrepetibilidade, e não apenas a
constatação objetiva da inaplicabilidade da regra do pagamento indevido (art. 876).

Importante ressaltar que no caso do direito italiano, ao contrário do direito brasileiro


(artigos 882, 814 e 564, III), há um reconhecimento geral e expresso da relevância jurídica
dos deveres morais ou sociais, embora limitada a irrepetibilidade do pagamento, como
atesta a redação do artigo 2034: “não se pode repetir o que foi pago espontaneamente
em execução de um dever moral ou social, salvo se a prestação foi executada por um
incapaz”.

Perlingiere considera que embora de limitada relevância jurídica a obrigação


natural é passível com algumas formas de modificação e de extinção, para isso, deve-se
verificar no caso concreto quais dessas formas de modificação e extinção são possíveis.

Por fim, o autor dá um exemplo onde poderia haver tanto uma novação quanto uma
datio in solutum, porém, ressalta que a obrigação natural pode ser novada ou modificada
em outra obrigação natural, não em obrigação civil. Perfeito.

Mas porque “não” em obrigação civil? A conclusão do autor priva, praticamente, o


interesse da questão da novação, pois o que importa é a mudança, não do objeto ou dos
sujeitos, mas do vínculo. Lembrando que a novação do Código civil (art. 360) se limita ao
objeto e sujeitos.

Mais. Mudando, o devedor, o objeto da dívida prescrita (dinheiro por coisa, por exemplo) a
ser paga numa determinada data ao credor, a obrigação continua natural (embora
novada), tornou-se civil (novação de uma obriga natural em obrigação civil), ou se trata da
criação pura e simples de uma (nova) obrigação que não existia?

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