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GESTÃO

TECNOLÓGICA
E INOVAÇÃO

Ramiro Cordova Junior


Conceitos de ciência,
tecnologia e inovação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Conceituar ciência, tecnologia e inovação.


„„ Identificar a relação existente entre a ciência, a tecnologia e os pro-
cessos de inovação.
„„ Expressar alguns dos desafios estratégicos relacionados à ciência e à
tecnologia que influenciam na capacidade de inovação das empresas.

Introdução
Devido à crescente complexidade que envolve os processos de inovação,
as soluções tecnológicas e a elaboração de novos conceitos dependentes
da tecnologia resultam em inovações menos impactantes. Para superar
os problemas tecnológicos que podem surgir no processo de inovação,
é importante a combinação de conhecimentos de mais de uma fonte, ou
seja, de campos científicos diferentes. Engenheiros e cientistas procuram
resolver seus problemas tecnológicos por meio da ciência para aumentar
a eficiência do ponto de vista de inovação. A ciência permite compre-
ender os fenômenos naturais e resolver os problemas tecnológicos que
ocorrem durante o processo de pesquisa e de desenvolvimento, também
conhecido como P&D.
É importante entender os efeitos da convergência entre ciência, tecno-
logia e inovação. A inovação é um processo que combina conhecimento
com novas ideias criativamente, e o conhecimento gerado dessa com-
binação pode ser complexo e pedir uma investigação dos fatores que
afetam a convergência do conhecimento tecnológico em inovação. O
conhecimento da relação existente entre ciência e tecnologia é essencial,
pois ambas trabalham em conjunto para o benefício mútuo.
Neste texto, serão apresentados os conceitos de ciência, tecnologia
e inovação, bem como suas relações. Além disso, alguns desafios serão
2 Conceitos de ciência, tecnologia e inovação

apresentados às empresas, de modo que possam usá-los para aprimorar


seus processos de inovação.

O que é ciência
Ciência é um sistema de aquisição de conhecimento que utiliza a observação
e a experimentação para descrever e explicar os fenômenos naturais. O
termo também se refere ao corpo organizado de conhecimento que as pessoas
adquirem usando esse sistema. Em outras palavras, a ciência geralmente
descreve qualquer campo de estudo sistemático ou conhecimento adquirido.
Segundo o dicionário Aurélio, a definição da palavra ciência é: “Conjunto de
conhecimentos fundados sobre princípios certos”.
A maioria das investigações científicas usa alguma forma de método
científico, isto é, algum processo para projetar e executar experimentos.
Isso ajuda a minimizar possíveis experimentos e perspectivas errôneas, além
de aumentar a confiança na precisão dos resultados. O método científico é
uma ordem lógica e racional de etapas pelas quais os cientistas chegam às
conclusões sobre o mundo ao seu redor, além de ajudar a organizar os pensa-
mentos e os procedimentos dos cientistas para que possam ter confiança nas
respostas encontradas.
O método científico pode ser dividido em cinco etapas:

„„ Observação ― é a primeira etapa e pode ser chamada também de


pesquisa. Após a definição do tema, é necessário coletar informações
existentes sobre o assunto em livros, em artigos, na internet e em meios
não oficiais. A tendência é que, quanto maior for a quantidade de infor-
mações que embasem a pesquisa, maior será sua qualidade. Professores
e bibliotecários também são importantes suportes na orientação da
pesquisa.
„„ Hipótese ― pode-se dizer que a hipótese é uma possível solução para um
problema baseada no conhecimento prévio das informações existentes
e na própria pesquisa. A hipótese é uma declaração simples que define
o que o cientista acha que será o resultado da sua experiência. A etapa
de observação é projetada para ajudar a expressar um problema de
pesquisa em uma única pergunta, e o experimento deve ser projetado
para testar essa hipótese.
„„ Predição ― nesta etapa, o cientista pode demonstrar que sua hipótese
é verdadeira. Tanto a previsão como a hipótese não podem ser altera-
Conceitos de ciência, tecnologia e inovação 3

das ao longo da pesquisa, mesmo que os resultados dos experimentos


mostrem que o pesquisador estava equivocado.
„„ Experimento ― esta é a parte do método científico que testa sua
hipótese. Um experimento é uma ferramenta que o cientista desenvolve
para descobrir se suas ideias estão corretas ou erradas. Ela é a parte
mais importante do método científico, pois é o processo lógico que
permite que os cientistas aprendam sobre o mundo.
„„ Conclusão ― a etapa final do método científico é a conclusão, isto é,
um resumo do experimento no qual os resultados são expostos conforme
a hipótese testada. Existem duas opções para as conclusões: a rejeição
ou a não rejeição da hipótese.

O que é tecnologia
A tecnologia é o uso do conhecimento científico para fins práticos ou aplicações,
seja na indústria ou no nosso cotidiano. Basicamente, sempre que usamos
nosso conhecimento científico para alcançar algum propósito específico,
nós estamos usando tecnologia. Ela geralmente envolve um equipamento
específico que pode ser incrivelmente simples, deslumbrantemente complexo,
ou simplesmente qualquer coisa a partir da descoberta da roda, incluindo os
computadores e os smartphones.
Há muitos tipos de tecnologia que podem variar do mais simples ao mais
complexo. Uma delas é a tecnologia mecânica, que inclui rodas, câmeras,
alavancas, engrenagens, cintos e motores. A roda é possivelmente um dos
avanços tecnológicos mais importantes na história humana e, ainda assim,
ela é bastante simples.
Nós aplicamos a tecnologia em quase tudo o que fazemos em nossas vidas,
seja no trabalho, na comunicação, no transporte, na aprendizagem, na fabrica-
ção, na criação de produtos, na proteção de dados, ou na escalação dos negócios.
A tecnologia é um conhecimento humano que envolve ferramentas, materiais
e sistemas, e sua aplicação resulta em artefatos ou produtos. Se a tecnologia
for bem aplicada, ela pode beneficiar a sociedade; se ela for incorretamente
aplicada, pode causar danos severos.
Muitas empresas estão usando a tecnologia para se manterem competitivas,
criando novos produtos e serviços por meio da tecnologia e usando-a para
entregar esses produtos e serviços aos seus clientes no prazo estabelecido.
Um bom exemplo são as empresas de telefonia móvel, que usam tecnologia
de ponta para criar novos smartphones e outros dispositivos eletrônicos para
4 Conceitos de ciência, tecnologia e inovação

se manterem na competição. Essa vantagem competitiva é obtida por meio do


emprego da tecnologia avançada.
A tecnologia é dinâmica e continua melhorando continuamente. Passamos
da Revolução Industrial para a Era da informação; durante a Era industrial,
as empresas com grandes somas de capital tinham o potencial de empregar
ferramentas tecnológicas caras para ganhar vantagem competitiva, enquanto as
pequenas empresas tinham menos potencial porque não podiam despender da
fabricação ou do processamento de ferramentas tecnológicas caras. Contudo,
o avanço da tecnologia criou um novo ambiente econômico que depende da
informação, ou seja, a Era da informação passou a fornecer um ambiente de
trabalho diferente, e isso ajudou as pequenas empresas a ganhar posição em
mercados altamente competitivos.
Atualmente, é possível ter contato com diferentes tipos de tecnologia.
Existem diversas categorias tecnológicas que se atualizam constantemente.
Elas são normalmente classificadas conforme sua área de atuação, como
comunicação, construção, veicular, médica, transporte e negócios.

O que é inovação
A inovação pode ser definida como o processo de implementação de novas
ideias para criar valor para uma organização, o que pode significar a criação
de um novo serviço, sistema, processo, ou o aprimoramento de algum desses
elementos. Ela também pode ser a descontinuação de um serviço, um sistema
ou um processo ineficiente ou desatualizado. A inovação é mais do que uma
invenção, pois permite o sucesso comercial e aumenta tanto a eficiência quanto
os lucros das organizações.
As organizações podem inovar de diferentes maneiras:

„„ uma fábrica pode melhorar sua eficiência de produção;


„„ a pesquisa e o desenvolvimento podem desenvolver novas tecnologias
para um produto;
„„ o departamento de operações de determinado serviço pode encontrar
uma melhor maneira de atender os clientes;
„„ o marketing pode definir um novo modelo de negócios.

Empresas bem-sucedidas normalmente combinam esses diferentes tipos


de inovação para se manterem competitivas no mercado. Como a inovação
pode aumentar a probabilidade de obterem sucesso, as empresas inovadoras
Conceitos de ciência, tecnologia e inovação 5

criam processos de trabalho mais eficientes, aumentando sua produtividade


e seu desempenho.
Portanto, com base nos conceitos apresentados, podemos sintetizar a relação
entre a ciência, a tecnologia e a inovação em termos práticos, como sugerido
abaixo na Figura 1.

Figura 1. Síntese dos conceitos de ciência, de tec-


nologia e de inovação.
Fonte: adaptada de Queiroz (2015).

A convergência entre ciência, tecnologia e


inovação
Ao longo dos últimos anos, os limites existentes entre indústrias e mercados
com a ciência e a tecnologia foram transpostos com a disseminação da cultura
da inovação nas organizações. Esse fenômeno de aproximação é conhecido
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como convergência, isto é, a combinação de diferentes campos de conhe-


cimento ou diferentes fontes de inovação em vez de depender de campos
exclusivos ou fontes de conhecimento. Hacklin (2008) vê a convergência como
uma ação sequencial de ciência, tecnologia, mercados e indústrias relacionadas
entre os níveis de conhecimento com a ciência e a tecnologia atuando como
acionadores de mais estágios de convergência.
O objetivo principal da ciência é criar novos conhecimentos e resolver pro-
blemas fundamentais ao desenvolver leis e teorias científicas que descrevem e
explicam as causas e os efeitos dos fenômenos da natureza. Portanto, o resultado
da pesquisa científica raramente é diretamente aplicável ao lançamento de
novos produtos no mercado. Mesmo em indústrias com intensivos na pesquisa
científica (como as indústrias químicas ou farmacêuticas), o conhecimento
científico dos institutos de pesquisa é dificilmente aplicado imediatamente.
Por outro lado, o conhecimento tecnológico é mais adequado para satisfazer
as tendências tecnológicas e as necessidades do mercado do que o conheci-
mento científico. A tecnologia é necessária não só ao estabelecer e analisar
alternativas para alcançar um determinado objetivo de P&D, mas também ao
prever possíveis problemas e resolvê-los durante um processo de inovação.
Em suma, a ciência atua como uma ação exploratória em P&D, enquanto a
tecnologia visa uma recombinação efetiva do conhecimento existente e da
sua melhoria prática.
Novos paradigmas surgem ao convergir essas duas fontes de conhecimento
distintas ― especialmente durante o processo da inovação no qual os profis-
sionais envolvidos podem ser inspirados e estimulados pela convergência entre
as fontes cruzadas de conhecimento. Uma vez que fornece ideias fundamentais
e ajuda a encontrar métodos eficazes para a resolução de problemas com um
objetivo tecnológico, o uso da ciência permite um processo de inovação mais
eficiente quando as organizações desenvolvem novos produtos ou adaptam
as novas tecnologias. Além disso, o conhecimento tecnológico pode fornecer
insumos para entender suas tendências e suas necessidades no mercado,
enquanto a ciência básica contribui para o desenvolvimento de soluções que
atendam essas necessidades e requisitos. Neste ponto, a colaboração dos en-
genheiros e dos cientistas em P&D é complementar, maximizando a sinergia
de convergência.
Uma das características impactantes para as organizações que buscam
a convergência da ciência e da tecnologia é a capacidade diferenciada de
cada uma para lidar com o conhecimento científico que, assim como a ca-
pacidade científica, pode ser determinada pelo nível das atividades de P&D
das organizações que ajudam a compreender os fenômenos fundamentais da
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ciência e a acumular o conhecimento científico. Por um lado, as organizações


industriais geralmente realizam suas atividades de inovação a partir de uma
perspectiva tecnológica, e a falta de experiência dessas empresas em lidar com
o conhecimento científico causa dificuldades para se engajar nas atividades
de P&D baseadas no domínio da ciência. Em outras palavras, o baixo nível de
capacidade científica resulta em organizações com problemas para utilizar esse
conhecimento e impede que elas estabeleçam atividades de P&D baseadas na
convergência entre ciência e tecnologia. As organizações que se concentraram
na pesquisa básica acumulam naturalmente conhecimento científico que,
consequentemente, fortalece sua capacidade científica e permite identificar
o conhecimento científico mais adequado para fins de inovação. Portanto,
n o nível de capacidade científica determina se as organizações podem se
beneficiar ou não desta convergência.
Outro fator que pode influenciar a relação entre a convergência e a inova-
ção resultante é a possibilidade de propagação do conhecimento científico
através de formas. Tanto a ciência como a tecnologia trocam, interagem
e convergem uns com os outros através de formas diretas e indiretas. Um
exemplo de formas diretas é a obtenção e a citação de artigos de periódicos,
livros didáticos ou manuais, enquanto um exemplo de forma indireta é o co-
nhecimento acumulado que ocorre através do contato informal e da mobilidade
dos pesquisadores, principalmente em nível regional. Em comparação com o
conhecimento tecnológico (que geralmente é descrito em formas codificadas),
o conhecimento científico é considerado mais tácito, o que resulta em formas
indiretas de acúmulo de conhecimento que têm um efeito consideravelmente
forte na compreensão do regime científico em relação às maneiras diretas.
Sendo assim, a comunicação informal com os cientistas ajuda os inovadores
a compreender melhor as disciplinas científicas. Para permitir essa comuni-
cação, é importante estar localizado na proximidade de institutos de pesquisa
científica, como universidades ou institutos de pesquisa patrocinados pelo
governo, pois a localização ajuda a aumentar a chance de formular redes de
colaboração entre cientistas e engenheiros. Essas redes e contatos informais
auxiliam na compreensão profunda da ciência e de sua aplicação prática.
A maturidade do conhecimento científico empregado pode afetar os resultados
da inovação. A ciência ajuda a solucionar problemas tecnológicos e a acumular
conhecimento inovador. No entanto, há um intervalo de 10 a 20 anos entre os
avanços da ciência e suas aplicações tecnológicas, e o principal motivo dessa
diferença é a acessibilidade e a organização do conhecimento científico. Ele
somente é acessível aos pesquisadores que realizam diretamente seus estudos,
e ainda não disponibilizado sob a forma de conhecimento sistematicamente
8 Conceitos de ciência, tecnologia e inovação

organizado. Consequentemente, outros pesquisadores não podem acessá-lo facil-


mente e, mesmo que a informação estivesse disponível, levaria uma quantidade
significativa de tempo e de custos para que os pesquisadores a internalizassem.

Estratégia de inovação nas empresas


O avanço da tecnologia consolida uma tendência de desenvolvimento com
grande potencial. Além disso, como existe a expectativa desses avanços no
cotidiano das pessoas baseada nas inovações de produtos, de serviços e de pro-
cessos organizacionais, o investimento em tecnologia é crucial neste contexto.
Apesar dos investimentos maciços em gerenciamento de tempo e dinheiro,
a inovação ainda é uma busca frustrante em muitas empresas. As iniciativas
de inovação frequentemente falham, e os inovadores bem-sucedidos dificil-
mente sustentam seu desempenho. Por que é tão difícil construir e manter a
capacidade de inovar? Os motivos são muito mais profundos do que a causa
comumente citada: uma falha na execução. O problema com os esforços de
melhoria da inovação está enraizado na falta de uma estratégia de inovação.
A estratégia não é mais do que um compromisso com um conjunto de
políticas ou comportamentos coerentes, que se reforçam mutuamente e visam
atingir um objetivo competitivo específico. As boas estratégias promovem o
alinhamento entre diversos grupos dentro de uma organização e ajudam a
concentrar seus esforços em torno dos objetivos e das prioridades esclarecidas.
As empresas definem regularmente sua estratégia de negócios geral ―isto é,
seu escopo e posicionamento ― e especificam como várias funções (como
marketing, operações, finanças e P&D) a apoiarão. Entretanto, muitas empresas
não se atentam à importância de articular novas estratégias para alinhar seus
esforços de inovação com suas estratégias de negócios.
A capacidade de inovação de uma organização decorre de um sistema
de inovação, ou seja, de um conjunto coerente de processos e estruturas
interdependentes. Esse conjunto dita como a empresa procura soluções ino-
vadoras para seus problemas, além de mostrar como ela é responsável tanto
pela sintetização de ideias em conceitos de negócios e projetos de produtos
quanto pela seleção dos projetos que serão financiados. Uma empresa sem
estratégia de inovação não poderá tomar decisões de troca e escolher todos
os elementos do sistema de inovação.
O cenário ideal não é a imitação de um sistema de inovação de outra
empresa. Não há um sistema que se encaixe em todas as empresas igualmente
bem ou que funcione em todas as circunstâncias, e é um erro acreditar que o
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sistema adotado pela Apple funcionará em sua organização. Uma estratégia


de inovação explícita ajuda você a projetar um sistema para corresponder às
suas necessidades competitivas específicas.
Sem uma estratégia de inovação, as diferentes partes de uma organiza-
ção podem facilmente acabar por causa de suas prioridades conflitantes,
mesmo que a empresa possua uma estratégia comercial clara. Enquanto os
representantes de vendas ouvem diariamente sobre as necessidades urgentes
dos maiores clientes, o marketing visualiza oportunidades para alavancar a
marca por meio de produtos complementares ou expandir a participação de
mercado através de novos canais de distribuição; as cabeças das unidades de
negócios focam em seus mercados-alvo e em suas pressões específicas de
P&L, e os cientistas e os engenheiros de pesquisa e desenvolvimento tendem
a ver oportunidades em novas tecnologias. Essas diversas perspectivas são
fundamentais para a inovação bem-sucedida, mas o poder da diversidade pode
se tornar autodestrutivo sem uma estratégia para integrá-las e alinhá-las em
torno de prioridades comuns.
Assim como existem diversos fatores associados ao processo de inovação
que podem culminar em falhas, há muitos desafios que devem ser superados
nas organizações. No entanto, algumas questões básicas desse processo podem
nortear a inovação e auxiliá-la no seu êxito. Segue abaixo oito conceitos básicos
e importantes para auxiliar na superação desses desafios:
Encontrar uma ideia ― isto é historicamente fácil. As ideias estão em
toda parte, e qualquer pessoa que possa analisar detalhadamente um problema
por uma hora pode apresentar ideias possíveis para solucioná-lo. A criatividade
raramente é o desafio mais difícil.
Prototipagem ― e diferença entre uma ideia e um protótipo é enorme.
É necessário realizar, ou seja, fazer algo que represente a ideia, pois ela não
poderá se concretizar até que seja possível mostrar sua manifestação. Apesar
de anos de esforço dedicado, milhares de mentes brilhantes concebem ideias
brilhantes e falham por não prototipar com êxito. A prototipagem pode ser
desempenhada através de diferentes modelos; um deles é a prototipagem no
papel, que permite a elaboração de interfaces gráficas com diferentes níveis
de detalhes, que podem variar desde um desenho básico feito a mão em um
pedaço de papel até um esboço mais elaborado. Outra técnica de prototipagem
bastante conhecida é o modelo de volume, que utiliza impressora 3D e permite
representar o produto final com aparência semelhante ao desejado no final do
processo. Existe também a técnica de encenação, que ajuda nas simulações de
interações entre pessoas, além de ser muito útil em um serviço, por exemplo.
A simulação de ambientes ou relações interpessoais também são opção,
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pois permitem analisar um ou mais aspectos de um serviço. A técnica que


utiliza estes conceitos é chamada de protótipo de serviços.
Patrocínio ― Mesmo com um belo protótipo, os recursos são necessários
para transformar o protótipo em um produto. Portanto, é importante reali-
zar articulações com possíveis investidores, preferencialmente com aqueles
alinhados às ideias inovadoras. O feedback deles é de extrema importância.
Reproduzir ― fazer uma peça não é o mesmo que fazer mil; ou seja, ter
uma inovação e ter uma inovação que pode ser reproduzida economicamente
são coisas distintas. Embora o software seja geralmente mais simples no que
diz respeito à reprodução, muitas inovações não o são. Em relação à web, a
reprodução geralmente significa uma escala, e é importante saber quantos
usuários a solução suporta acessando determinado recurso. Este é um conjunto
de habilidades técnicas diferentes em relação à criação do protótipo.
Alcançar um cliente ― nesta etapa, é necessário um conjunto de habilida-
des capazes de fazer com que uma inovação bem-sucedida mude drasticamente.
Agora, é preciso informar aos potenciais clientes que sua inovação existe,
fazê-los se interessar por sua criação e convencê-los a pagar por ela. Pode
parecer que essas habilidades não combinam com o pensamento inovador, mas
o desafio neste momento é a persuasão, não a criação. Até agora, a maioria
dos inovadores está deliberadamente se escondendo do mundo com medo do
roubo de suas ideias.
Vencer os concorrentes ― toda ideia tem concorrentes. Mesmo que a
ideia consiga atingir clientes com sucesso, os concorrentes tentarão alcançá-
-la. Durante a guerra contra a eletricidade, Thomas Edison torturou animais
para convencer o mundo que sua corrente contínua era mais segura do que a
corrente alternada (AC) de Westinghouse ― as duas tecnologias eram igual-
mente perigosas. Posicionar, anunciar, e distribuir um produto, bem como
fazer parcerias e assinar promoções, é complexo, imprevisível e pode ter pouca
relação com a qualidade da ideia que está sendo vendida.
Timing ― este é um grande desafio. Várias coisas podem acontecer todos
os dias e se tornarem mais importantes que o lançamento de uma inovação.
Imagine o que aconteceu com todas as empresas que anunciaram seu novo
produto mundialmente no dia 11 de setembro de 2001 (dia do ataque terrorista
às Torres Gêmeas em Nova Iorque). Ninguém conhece seus nomes e produtos,
e muitas delas não tiveram recursos para realizar outro lançamento. A Segunda
Guerra Mundial também teve um impacto enorme na inovação; muitas ideias
não relacionadas à guerra foram destruídas por anos. Logo, o timing afeta os
lançamentos de produtos, os negócios, o custo de produtos e dezenas de outras
decisões fundamentais para as inovações.
Conceitos de ciência, tecnologia e inovação 11

Monitorar ― É sempre necessário manter o controle das operações e


das finanças proativamente para que seja possível se antecipar a possíveis
problemas.
A pressão por resultados rápidos nas empresas faz com que seja necessário
se apropriar de métodos de criação cada vez mais ágeis. Além da agilidade,
outro ponto importante é a mitigação de riscos de insucesso no desenvolvi-
mento de um produto ou serviço. A abordagem denominada design thinking
colabora no processo de entendimento de parâmetros e de padrões essenciais
para criar melhores produtos ou serviços, podendo ser aplicada em diversos
cenários pelos mais diversos recursos. A popularização da ideia do desing
thinking aplicada aos negócios costuma ser creditada à duas personalidades
do Vale do Silício: David Kelley, professsor da Universidade de Stanford que
fundou a consultoria de inovação IDEO, e seu colega Tim Brown, atual CEO
dessa consultoria.

Conheça mais detalhes sobre a abordagem que auxilia


agilmente no desenvolvimento de novos produtos ou
serviços, chamada de Design Thinking (ENDEAVOR BRASIL,
2015):
Você pode encontrar mais informações em seu website:

https://goo.gl/KxM4vj

ENDEAVOR BRASIL. Design Thinking: ferramenta de inovação para empreendedores.


Endeavor, São Paulo, 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/design-thinking-
-inovacao/>. Acesso em: 10 nov. 2017.
HACKLIN, F. Management of convergence in innovation: strategies and capabilities
for value creation beyond blurring industry boundaries. Berlin: Springer Science &
Business Media, 2008.
12 Conceitos de ciência, tecnologia e inovação

QUEIROZ, A.D. Política de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento de


Santa Catarina. SlideShare, Restinga Seca, 2015. Disponível em: < https://pt.slideshare.
net/AntnioDiomriodeQueiroz/2013-poltica-de-cti-para-o-desenvolvimento-de-santa-
-catarina-comitiva-russa>. Acesso em: 10 nov. 2017.

Leituras recomendadas
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