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DIREITO TRIBUTÁRIO NA CONSTITUIÇÃO E NO STF

MARCELO ALEXANDRINO & VICENTE PAULO

IMUNIDADES

As imunidades são verdadeiras limitações à competência


tributária das pessoas políticas, obstando a própria atividade
legislativa impositiva sobre determinados bens, pessoas e serviços.
Pode-se afirmar, simplificadamente, que caracteriza a imunidade o
fato de a Constituição, diretamente, excluir parcela da competência
das pessoas políticas que, não fosse a regra imunizante, estariam
aptas a instituir tributo sobre aquele ato, fato ou pessoa.
As imunidades tratadas no art. 150 da CF/88 referem-se
exclusivamente a impostos. Entretanto, a Constituição prevê
também imunidade para contribuições de seguridade social
(art. 195, § 7); imunidade sobre todos os tributos (exceto o IOF) nas
operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou
instrumento cambial (art. 153, § 5°); e até imunidade para taxas (CF,
art. 5, XXXIV - “são a todos assegurados, independentemente do
pagamento de taxas...”).
Cabe, ainda, registrar que, com a edição da EC 33/2001,
o art. 149, § 2°, I, da Constituição passou a estabelecer uma
imunidade geral, abrangendo todas as contribuições sociais e
contribuições de intervenção no domínio econômico, sobre as
receitas decorrentes de exportação.

CADERNO DE DIREITO TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO


(NÃO SEI O AUTOR)

É importante frisar que as principais imunidades referem-se a


impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes
que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note:
a. Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária
(entidades beneficentes de assistência social). Observação: a
expressão “são isentas de...” indica impropriedade
terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo
de imunidade.

MANUAL DE DIREITO TRIBUTÁRIO


LUIZ FELIPE SILVEIRA DIFINI

O Art. 195, § 7º, institui imunidade (embora incorretamente a nomine


isenção) de contribuição social para a seguridade em favor das
entidades beneficentes de assistência social que atendam às
exigências estabelecidas em lei.
Há imunidade à contribuição previdenciária das aposentadorias e
pensões concedidas pelo regime geral de previdência social (Art. 195,
II com a redação da E.C. 20). O art. 40, § 18, acrescentado pela E.C.
42 criou hipótese de imunidade dos proventos de aposentadoria e
pensões concedidas pelo regime próprio dos servidores públicos
titulares de cargo efetivo até o limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social (fixado pelo Art. 5º
da EC. 41 em R$ 2.400,00 e atualizado pelos mesmos índices
aplicados aos benefícios do regime geral de previdência social). Em
face da decisão do STF nas medidas cautelares nas ADIns 3.128 e
3.105, tal imunidade se aplica (diante do princípio da isonomia) a
todas as aposentadorias de servidores públicos e pensões de seus
dependentes, independente da pessoa jurídica a que pertencem e da
sua concessão antes ou depois da vigência da EC 41.

DIREITO TRIBUTÁRIO – COL. OAB NACIONAL


FERNANDO F. CASTELLANI

Imunidade de contribuições especiais (Art. 149, § 2º, I)


A CF estabelece uma importante regra de imunidade aplicável a
algumas das contribuições especiais. Para as contribuições especiais
sociais e para as contribuições de intervenção no domínio econômico
há a previsão de imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação de
bens ou serviços, nos termos do art. 149, § 2º, I da CF.
Em outras palavras, a CF distingue as receitas auferidas pelo sujeito
passivo. As receitas decorrentes de operação de exportação, e apenas
exportação, serão imunes.
A imunidade específica prevista para as operações de exportação tem
o objetivo de estimular as operações com o mercado externo. Essas
operações são importantes para o mercado brasileiro e, com isso, merecem
o presente estímulo. Aqui vale a seguinte máxima: o Brasil deve exportar
produtos e serviços, e não tributos! Com a imunidade, o produto
brasileiro fica mais barato, mais competitivo e, portanto, são maiores as
operações e as vendas.

Imunidade de contribuições especiais sociais para custeio da


seguridade social (Art. 195, § 7º, da CF)
Nos termos do Art. 195, § 7º da CF, não haverá incidência de
contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social sobre as
receitas de instituições beneficentes de assistência social.
É importante perceber que a CF utiliza a expressão “são isentas”.
Isso, contudo, não pode gerar dificuldade. O benefício, em tal caso, é, sem
dúvida, imunidade tributária.