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Hugo Goes

Manual de Direito
Huao Goes

teoria e questões
11a edição
Atualizado conforme o Decreto 8.499/2015; as Leis 13.161/2015, 13.169/2015,
13.183/2015, 13.189/2015; e a Medida Provisória 696/2015.

(I
Ferreira
Rio de Janeiro
2016
Copyright © Editora Ferreira Ltda., 2006-2016.

11• edição, 2016.

Equipe editorial
Capa e diagramação: Preparação e revisão:
Nívia Bellos Andrea Regina Oliveira Almeida
Thais Xavier Ferreira Pâmela Isabel Oliveira

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G543m
11. ed.

Goes, Hugo Medeiros de, 1968-


Manual de direito previdenciário: teoria e questões I Hugo Goes.- 11.
ed.- Rio de Janeiro: Ed. Ferreira, 2016.
880 p. (Concursos)

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-7842-339-1

1. Previdência social - Legislação - Brasil. 2. Seguridade social - Legislação


-Brasil. 3. Serviço público-Brasil-Concursos. I. Título. 11. Série.
15-28088 CDU: 349.3(81)

Editora Ferreira
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À minha esposa, Rosana, com amor, simplesmente
por existir em minha vida.
Aos meus filhos, Joaquim e Leon, motivo de imenso
amor, alegria e felicidade.
Aos meus pais, Joaquim Goes (in memoriam) e
Maria Marta (in memoriam), que, apesar de todas as
dificuldades enfrentadas, plantaram a semente.

111
Apresentação ....................... .... ...... ..... .. .. ... ... ... ... ............ .. ........ .... ..... ... XXVII
Siglas e abreviaturas ..... .. ... .. ........... .... ... .................... ............. ...... ..... ... ... XXIX

Capítulo 1 - Seguridade Social ....................................................................... 1


Origem e evolução legislativa da Previdência Social no Brasil .................. 1
1.1 Lei Eloy Chaves e as Caixas de Aposentadorias e Pensões ................ 1
1.2 Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs) ................................ 3
1.3 FUNRURAL ................................................................................ 4
1.4 Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) ............................. 4
1.5 Novos benefícios previdenciários ................................................... 4
1.6 Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS) ....... 5
1.7 Instituto Nacional do Seguro Social- INSS .................................... 5
1.8 Ministério do Trabalho e Previdência Social ................................... 6
1.9 Leis básicas da Previdência Social ................................................. 6
1.10 Arrecadação e fiscalização das contribuições previdenciárias .......... 7
1.11 A Previdência Social nas Constituições Federais ............................. 8
1.12 Superintendência Kacional de Previdência Complementar-
PREVIC ..................................................................................... 12
1.13 Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público
Federal - FUNPRESP ................................................................. 12
2 Conceituação ..................................................................................... 14
2.1 Saúde ......................................................................................... 15
2.2 Assistência Social ........................................................................ 15
2.3 Previdência Social ............................ ........................................... 15
2.3.1 Regime Geral de Previdência Social .................................... 16
2.3.2 Regimes Próprios de Previdência Social dos servidores
públicos e n1ilitares ............................................................ 16

v
Manual de Direito Previdenciário

2.3.3 Previdência Complementar ................................................ 21


3 Princípios constitucionais da Seguridade Social ................................... 23
3.1 Universalidade da cobertura e do atendimento (CF, art. 194,
parágrafo único, l) ...................................................................... 24
3.2 Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as
populações urbanas e rurais (CF, art. 194, parágrafo único, II) ...... 25
3.3 Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e
serviços (CF, art. 194, parágrafo único, III) ................................... 25
3.4 Irredutibilidade do valor dos benefícios (CF, art. 194, parágrafo
único, IV) .................................................................................. 26
3.5 Equidade na forma de participação no custeio (CF, art. 194,
parágrafo único, V) ..................................................................... 31
3.6 Diversidade da base de financiamento (CF, art. 194, parágrafo
único, VI) ................................................................................... 31
3.7 Caráter democrático e descentralizado da administração -gestão
quadripartite (CF, art. 194, parágrafo único, VII) .......................... 34
3.8 Preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço (CF,
art. 195, §5°) ............................................................................... 35
3.9 Anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, §6°) ............................... 35
3.10 Solidariedade (CF, art. 3°, I, e caput do art. 195) ............................ 37
4 Dispositivos constitucionais referentes à Previdência Social .................. 37
4.1 Caráter contributivo ................................................................... 38
4.2 Filiação obrigatória ..................................................................... 38
4.3 Equilíbrio financeiro e atuarial .................................................... 38
4.4 Garantia do benefício mínimo ..................................................... 39
4.5 Atualização monetária dos salários de contribuição ...................... 39
4.6 Preservação do valor real dos benefícios ....................................... 40
4.7 Contagem recíproca do tempo de contribuição ............................. 40
4.8 Proibição de critérios diferenciados para concessão de
aposentadoria ............................................................................. 41
4.9 Sistema especial de inclusão previdenciária .................................. 42
4.10 Previdência Complementar facultativa ......................................... 43
5 Organização da Seguridade Social ....................................................... 43
5.1 Conselho Nacional de Previdência Social- CNPS ......................... 44
5.1.1 Cornposição do CNPS ....................................................... 44
5.1.2 Competência do CNPS ...................................................... 45

Hugo Goes VI
5.1.3 Competência dos órgãos governamentais ............................ 46
5.1.4 Publicidade das resoluções ................................................. 46
5.1.5 Reuniões do CNPS ............................................................ 46
5.1.6 Estabilidade no emprego dos representantes dos
trabalhadores .................................................................... 46
Conselhos de Previdência Social - CPS ........................................ 47
5.2
5.2.1 Con1posição ...................................................................... 47
5.3 Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS ..................... 47
5.3.1 Composição do CRPS ........................................................ 48
5.3.2 Juntas de Recursos ............................................................ 49
5.3.3 Câmaras de Julgamento ..................................................... 49
5.3.4 Conselho Pleno ................................................................. 50
5.3.5 Gratificação dos membros do CRPS ................................... 50
Exercícios de Fixação . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . .. . . . . .. . . . . . 50

Capítulo 2 - Legislação Previdenciária ...... .................................................. ... 63


1 Lei e legislação . . . .. . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . .. . .. . .. . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . .. .. . . . . .. . . . . . . 63
2 Fontes ............................................................................................... 63
3 Autonomia ........................................................................................ 67
4 Aplicação ........................................................................................... 68
5 Vigência . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 70
6 Hierarquia ......................................................................................... 71
7 Interpretação ..................................................................................... 73
8 Integração . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . .. . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 73
8.1 Analogia .................................................................................... 74
8.2 Princípios gerais da Seguridade Social .......................................... 74
8.3 Princípios gerais do Direito ......................................................... 74
8.4 Equidade .................................................................................... 74
Exercícios de Fixação ............................................................................... 75

Capítulo 3 - Regime Geral de Previdência Social ...... ........................... ............. 77


1 Introdução . . . . ... .. .. . . . . .. .. . . . . . . . . . . . . . . .. . .. ... . .. . . . . . .. . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . 77
2 Beneficiários do Regime Geral de Previdência Social ............................ 77
2.1 Segurados obrigatórios ................................................................ 79
2.1.1 Segurado en1pregado ........................................................ 80

VIl
Manual de Direito Previdenciário

2.1.2 Segurado empregado doméstico ......................................... 92


2.1.3 Segurado trabalhador avulso ............................................. 94
2.1.4 Segurado especial .............................................................. 97
2.1.4.1 Regime de economia familiar ................................ 98
2.1.4.2 Local da residência do segurado especial ................ 99
2.1.4.3 Produtor rural ...................................................... 99
2.1.4.4 Pescador artesanal ............................................... 101
2.1.4.5 Cônjuge, companheiro e filho maior de 16 anos de
idade .................................................................. 102
2.1.4.6 Não descaracterização da condição de segurado
especial ............................................................... 103
2.1.4.7 Membro do grupo familiar que possui outra fonte
de rendimento .. .. . . . . .. . . ... . . . . .. .. . . . .. .. .. . . . . . . . . . . .. . .. . . . . .. 104
2.1.4.8 Data da exclusão do segurado especial .................. 106
2.1.4.9 Comprovação da atividade rural .......................... 107
2.1.5 Segurado contribuinte individual ..................................... 108
2.1.6 Situações específicas ........................................................ 125
2.1.6.1 Dirigente sindical ................................................ 125
2.1.6.2 Aposentado que volta a trabalhar ......................... 126
2.1.6.3 Trabalhador que exerce mais de uma atividade ...... 126
2.1.6.4 Enquadramento realizado pela fiscalização ........... 127
2.2 Segurado facultativo .................................................................. 127
2.3 Dependentes .. .............................................................. ............. 129
2.3.1 Cônjuge .......................................................................... 130
2.3.2 Companheira e companheiro ........................................... 131
2.3.3 Companheiros homossexuais .............................. ............. 133
2.3.4 Filhos ..... ............ ............... .... ........ .................... .......... ... 134
2.3.5 Equiparados a filhos ........................................................ 136
2.3.6 Os pais ............................................................................ 139
2.3.7 Irmãos ............................................................................ 139
3 Filiação do segurado ......................................................................... 140
4 Inscrição do segurado ....................................................................... 140
5 Inscrição do dependente ................................................................... 142
5.1 Comprovação do vínculo e da dependência econômica ................ 142
6 Trabalhadores excluídos do RGPS ...................................................... 144
Exercícios de Fixação .............................................................................. 145

Hugo Goes VIII


Sumário

Capítulo 4- Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente .. 159


l Manutenção da qualidade de segurado ............................................... 159
2 Direitos preservados durante o período de graça .. ...... ... . . ..... .. ......... .... 162
3 Perda da qualidade de segurado .. ...... .. .. ... . .. ... .... .... .. ........ ... .. . . ..... ...... 163
3.1 Efeitos da perda da qualidade de segurado .................................. 164
4 Contribuinte individual em débito com a Previdência ......................... 165
5 Perda da qualidade de dependente .. ...... ..... ...... ......................... ......... 167
Exercícios de Fixação .............................................................................. 171

Capítulo 5 - Prestações do Regime Geral de Previdência Social .... .... .. .. .. .. ........ 175
Conceitos introdutórios .................................................................... 177
1.1 Carência ................................................................................... 178
1.1.1 Contagem do período de carência ..................................... 178
1.1.2 Contagem da carência para o segurado especial ................. 182
1.1.3 Benefícios sujeitos a carência ............................................ 184
1.1.4 Perda da qualidade de segurado ........... ......................... .... 185
1.1.5 Regra de transição ........................................................... 186
1.2 Salário de benefício (SB) .............. .... .......... ............... ................. 189
1.2.1 Cálculo do salário de benefício ......................................... 189
1.2.2 Cálculo do salário de benefício para segurados filiados ao
RGPS até 28/11/99 ........................................................... 194
1.2.3 Salário de benefício do segurado que contribuir em razão
de atividades concomitantes ............................................. 196
1.2.4 Fator previdenciário ........................................................ 197
1.3 Limites da renda mensal do benefício ......................................... 200
1.3.1 Reajustamento do teto do RGPS ....................................... 201
1.3.2 Revisão do teto do RGPS nas Emendas Constitucionais
20/1998 e 41/2003 ............................................................ 202
1.4 Reajustamento do valor do benefício .......................................... 203
1.5 Data de pagamento dos benefícios .............................................. 205
1.6 Acidente do trabalho ................................................................. 207
1.6.1 Hipóteses equiparadas a acidente do trabalho .................... 208
1.6.2 Nexo técnico epidemiológico ............................................ 209
1.6.3 Comunicação do Acidente de Trabalho- CAT .................. 209
1.6.4 Dia do acidente ................................................................ 210

IX
Manual de Direito Previdenciário

1.6.5 Estabilidade no emprego .................................................. 210


2 Benefícios do RGPS ........................................................................... 211
2.1 Aposentadoria por invalidez ...................................................... 211
2.1.1 Verificação da incapacidade .............................................. 211
2.1.2 Doença preexistente ......................................................... 213
2.1.3 Beneficiários .................................................................... 213
2.1.4 Carência .......................................................................... 214
2.1.5 Renda mensal inicial ........................................................ 214
2.1.6 Data de início da aposentadoria por invalidez .................... 217
2.1.7 Cessação do benefício ...................................................... 218
2.1.8 Situação trabalhista do empregado .................................... 219
2.2 Aposentadoria por idade ............................................................ 221
2.2.1 Perda da qualidade de segurado ....................................... 224
2.2.2 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela
retorna . . . .. . . . . . . . . . .. . . . . . . . . .. . .. . . . . . . .. . . . . . . . . . . . .. . . . . ... . . . .. . . . ... .. . . . . . . 225
2.2.3 Aposentadoria compulsória .............................................. 225
2.2.4 Beneficiários ................................................................... 226
2.2.5 Carência ......................................................................... 226
2.2.6 Renda mensal inicial ........................................................ 227
2.2.7 Data de início do benefício ............................................... 228
2.2.8 Cessação do benefício ...................................................... 228
2.3 Aposentadoria por tempo de contribuição .................................. 230
2.3.1 Aposentadoria do professor .............................................. 231
2.3.2 Beneficiários ................................................................... 232
2.3.3 Carência ......................................................................... 233
2.3.4 Renda mensal inicial ........................................................ 234
2.3.5 Aposentadoria proporcional ............................................. 235
2.3.6 Direito adquirido ............................................................ 236
2.3.7 Tempo de contribuição .................................................... 237
2.3.8 Prova do tempo de contribuição ....................................... 242
2.3.9 Contagem recíproca de tempo de contribuição .................. 246
2.3.10 Período de atividade do contribuinte individual alcançado
pela decadência ............................................................... 249
2.3.11 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela
retorna . . .. . . . . . . . . . . . . ............................. ..... ................ ...... . . . . 250
2.3.12 Data de início do benefício ............................................... 250

HugoGoes X
Sumário

2.3.13 Cessação do benefício ...................................................... 251


2.4 Aposentadoria especial .............................................................. 252
2.4.1 Comprovação da exposição .............................................. 254
2..4.2 Agentes nocivos ............................................................... 255
2.4.3 Conversão de tempo entre atividades especiais .................. 258
2.4.4 Conversão de tempo especial para comum ........................ 260
2.4.5 Impossibilidade de conversão de tempo comum para
especial . . . . . . . . . . . . . . . . ..... ... . . . . . .. .. . . .. . .. . . . . . . .. .. . .. . . . . . . . . . . . . .. ... . . . . . 262
2.4.6 Beneficiários ................................................................... 263
2.4.7 Carência ......................................................................... 264
2.4.8 Renda mensal inicial . .. .. ... .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. .... .. . .. .. .. .. . .. .. .. . .. 264
2.4.9 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela
retorna . . ... ... .. . . .... .... ... . . ..... . . . . . . .... . . . . . . . ... . .. . ....... ... .. . . . .. . . . .. 264
2.4.10 Data de início do benefício ............................................... 265
2.4.11 Cessação do benefício ...................................................... 265
2.4.12 Previsão constitucional .................................................... 266
2.5 Aposentadoria da pessoa com deficiência .... .... ..................... ....... 267
2.5.1 Aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com
deficiência .. . .. ...... ... .... .... . .. . ......... ..... . ........................ ... ... 268
2.5.1.1 Segurado que, após a filiação ao RGPS, torna-
se pessoa com deficiência, ou tem seu grau de
deficiêncja alterado .. .. .. . .. .... .. . .......... ........ ...... .. . .. 269
2.5.1.2 Conversão do tempo de contribuição especial para
fins de aposentadoria por tempo de contribuição
da pessoa com deficiência .................................... 270
2.5.2 Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência ........... 272
2.5.3 Beneficiários ................................................................... 273
2.5.4 Carência .......................................................................... 274
2.5.5 Renda mensal inicial ........................................................ 274
2.6 Auxílio-doença ......................................................................... 275
2.6.1 Requerimento ................................................................. 275
2.6.2 Verificação da incapacidade ............................................. 275
2.6.3 Doença preexistente ......................................................... 276
2.6.4 Segurado que exerce mais de uma atividade ...................... 276
2.6.5 Beneficiários ................................................................... 277
2.6.6 Carência .................. :...................................................... 277
2.6.7 Renda mensal inicial ........................................'................ 278

XI
Manual de Direito Previdenciário

2.6.8
Data de início do benefício ............................................... 278
Cessação do benefício ...................................................... 279
2.6.9
Prazo para recuperação da capacidade .............................. 280
2.6.10
2.6.11
Contagem do período de auxílio-doença como tempo de
contribuição .................................................................... 281
2.6.12 Situação trabalhista do empregado ................................... 282
2.7 Auxílio-acidente ....................................................................... 283
2.7.1 Situações que dão direito ao auxílio-acidente .................... 284
2.7.2 Situações que não dão direito ao auxílio-acidente .............. 287
2.7.3 Perda da audição ............................................................. 287
2. 7.4 Beneficiários . . . . . . . . . ... . . .. . . . .. . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. . . . . ... . . . . . . . . . . . . . 288
2.7.5 Acumulação .................................................................... 289
2.7.6 Carência ......................................................................... 290
2.7.7 Renda mensal inicial ........................................................ 290
2.7.8 Data de início do benefício ............................................... 291
2.7.9 Cessação do benefício ...................................................... 292
2.8 Salário-família .......................................................................... 292
2.8.1 Beneficiários ................................................................... 293
2.8.2 Carência ......................................................................... 294
2.8.3 Renda mensal do benefício ............................................... 294
2.8.4 Pagamento do salário-família ........................................... 295
2.8.5 Data de início do benefício ............................................... 297
2.8.6 Suspensão do benefício .................................................... 297
2.8.7 Cessação do benefício ...................................................... 298
2.9 Salário-maternidade .................................................................. 299
2.9.1 Parto .............................................................................. 299
2.9.2 Aborto não criminoso ..................................................... 300
2.9.3 Adoção de criança ........................................................... 301
2.9.4 Beneficiários ................................................................... 301
2.9.5 Situação da desempregada ................................................ 302
2.9.6 Carência ......................................................................... 303
2.9.7 Renda mensal do benefício ............................................... 303
2.9.8 Pagamento do salário-maternidade ................................... 305
2.9.9 Incidência de contribuição previdenciária ......................... 306
2.9.10 Requerimento do benefício .............................................. 307
2.9.11 Acumulação .................................................................... 307

Hugo Goes XII


Sumário

2.9.12 Período de duração .......................................................... 308


2.9.13 Programa Empresa Cidadã ............................................... 309
2.9.14 Suspensão do benefício .................................................... 309
2.9.15 Cessação do benefício ...................................................... 309
2.9.16 Óbito do beneficiário ....................................................... 310
2.10 Pensão por morte ...................................................................... 310
2.1 0.1 Morte presumida ............................................................. 312
2.10.2 Beneficiários ................................................................... 315
2.10.3 Óbito ocorrido após a perda da qualidade de segurado ....... 322
2.10.4 Carência ......................................................................... 323
2.10.5 Renda mensal inicial ........................................................ 323
2.10.6 Cessação do pagamento da cota individual ........................ 325
2.10.7 Cessação do benefício ...................................................... 327
2.11 Auxílio-reclusão ....................................................................... 329
2 .11.1 Beneficiários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . 334
2.11. 2 Carência ......................................................................... 334
2.11.3 Requerimento do benefício ............................................... 334
2.11.4 Conversão em pensão por morte ....................................... 335
2.11.5 Renda mensal inicial ........................................................ 335
2.11.6 Data de início do benefício ............................................... 336
2.11. 7 Período de duração .. .. .. .. .. .. .. .. . .. .. .. .. .. .. .. . .. . .. .. .. .. .. .. .. .. ....... 336
2.11.8 Suspensão do benefício .................................................... 337
2.11.9 Cessação do pagamento da cota individual ........................ 337
2.11.10 Cessação do benefício ..................................................... 337
2.12 Abono anual ............................................................................. 338
2.12.1 Forma de cálculo ............................................................. 339
2.12.2 Quando é pago ................................................................ 340
3 Serviços do RGPS ............................................................................. 340
3.1 Habilitação e reabilitação profissional ........................................ 340
3.1.1 Beneficiários ................................................................... 341
3.1.2 Carência ......................................................................... 341
3.1.3 Processo de habilitação e reabilitação profissional .............. 341
3.1.3.1 Fornecimento de equipamentos ........................... 342
3.1.3.2 Programação profissional .................................... 342
3.1.3.3 Conclusão do processo ........................................ 342
3.1.4 Obrigação das empresas ................................................... 343

XIII
Manual de Direito Previdenciário

3.2 Serviço social ........................................................................... 344


3.2.1 Beneficiários ................................................................... 344
3.2.2 Carência ......................................................................... 344
3.2.3 Regras gerais ................................................................... 345
4 Acun1tJlação de benefícios ................................................................. 345
5 Valores que podem ser descontados dos benefícios .............................. 347
6 Recebimento de benefício por meio de procuração .............................. 349
7 Benefício devido a beneficiário civilmente incapaz .............................. 350
8 I)esaposentação ................................................................................ 351
Exercícios de Fixação .............................................................................. 352

Capítulo 6 - Empresa e empregador doméstico: conceito previdenciário .....•..•.... 375


E1npresa ........................................................................................... 375
1.1 Equiparados a empresa .............................................................. 376
2 En1pregador doméstico ..................................................................... 377
Exercícios de Fixação .............................................................................. 378

Capítulo 7 - Financiamento da Seguridade Social ........................................... 381


1 Contribuição da União ..................................................................... 383
2 Receitas das contribuições sociais ...................................................... 383
2.1 Natureza jurídica das contribuições sociais ................................. 384
2.2 Competência para instituição das contribuições sociais ............... 387
2.3 Contribuições sociais previdenciárias ......................................... 388
2.3.1 Contribuição previdenciária do segurado .......................... 388
2.3.1.1 Contribuição do empregado, empregado doméstico
e trabalhador avulso ............................................ 388
2.3.1.2 Contribuição do trabalhador rural contratado por
produtor rural pessoa física por pequeno prazo ..... 392
2.3.1.3 Contribuição do contribuinte individual ............... 393
2.3.1.4 Contribuição do segurado especial ....................... 403
2.3.1.5 Contribuição do segurado facultativo ................... 407
2.3.1.6 Arrecadação e recolhimento das contribuições dos
segurados ........................................................... 409
2.3.2 Contribuição previdenciária da empresa ........................... 410

Huao Goes Vil/


Sumário

2.3.2.1 Contribuição da empresa sobre a remuneração de


empregados e trabalhadores avulsos . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . 411
2.3.2.2 Contribuição da empresa sobre a remuneração de
contribuintes individuais ..................................... 413
2.3.2.3 Contribuição da empresa sobre serviços prestados
por cooperados por intermédio de cooperativas de
trabalho .............................................................. 416
2.3.2.4 Contribuição da empresa para o RAT (antigo SAT)
············································································ 418
2.3.2.5 Contribuição adicional ao RAT para o custeio da
aposentadoria especial ......................................... 424
2.3.2.6 Instituições financeiras ........................................ 426
2.3.2.7 Desoneração da folha de pagamento ..................... 427
2.3.2.7.1 Desoneração da folha de pagamento a
partir de Ol/12/2015 ............................. 430
2.3.2.8 Contribuição da associação desportiva que
mantém equipe de futebol profissional .................. 433
2.3.2.9 Contribuição da agroindústria ............................. 434
2.3.2.10 Contribuição do produtor rural pessoa jurídica ..... 435
2.3.2.11 Contribuição do empregador rural pessoa física .... 436
2.3.2.12 Contribuição da empresa optante pelo Simples
Nacional ............................................................. 437
2.3.2.13 Contribuição patronal do microempreendedor
individual ........................................................... 438
2.3.2.14 Entidade beneficente de assistência social que
atenda às exigências estabelecidas em lei ............... 439
2.3.2.15 Resumo das contribuições previdenciárias
patronais ............................................................ 439
2.3.2.16 Contribuição da empresa para outras entidades e
fundos (terceiros) ................................................ 443
2.3.3 Contribuição previdenciária do empregador doméstico ..... 444
2.3.3.1 Dedução da contribuição previdenciária do
empregador doméstico no imposto de renda ......... 446
2.3.4 Contribuição previdenciária decorrente de ação
trabalhista ...................................................................... 446
2.4 Contribuições sociais não previdenciárias .................................. 448
Manual de Direito Previdenciário

3.2 Serviço social ........................................................................... 344


3.2.1 Beneficiários ................................................................... 344
3.2.2 Carência ......................................................................... 344
3.2.3 Regras gerais ................................................................... 345
4 Acumulação de benefícios ................................................................. 345
5 Valores que podem ser descontados dos benefícios .............................. 347
6 Recebimento de benefício por meio de procuração .............................. 349
7 Benefício devido a beneficiário civilmente incapaz .............................. 350
8 Desaposentação ................................................................................ 351
Exercícios ele Fixação .............................................................................. 352

Capítulo 6- Empresa e empregador doméstico: conceito previdenciário ............. 375


l Empresa ........................................................................................... 375
1.1 Equiparados a empresa .............................................................. 376
2 Empregador don1éstico ..................................................................... 377
Exercícios de Fixação .............................................................................. 378

Capítulo 7- Financiamento da Seguridade Social ........................................... 381


1 Contribuição da União ..................................................................... 383
2 Receitas das contribuições sociais ...................................................... 383
2.1 Natureza jurídica das contribuições sociais ................................. 384
2.2 Competência para instituição das contribuições sociais ............... 387
2.3 Contribuições sociais previdenciárias ......................................... 388
2.3.1 Contribuição previdenciária elo segurado .......................... 388
2.3.1.1 Contribuição do empregado, empregado doméstico
e trabalhador avulso ............................................ 388
2.3.1.2 Contribuição elo trabalhador rural contratado por
produtor rural pessoa física por pequeno prazo ..... 392
2.3.1.3 Contribuição do contribuinte individual ............... 393
2.3.1.4 Contribuição do segurado especial ....................... 403
2.3.1.5 Contribuição do segurado facultativo ................... 407
2.3.1.6 Arrecadação e recolhimento das contribuições dos
segurados ..... .......... .. . . .... .. .... ... . . . . . ... . . ... . . . . ... . . . .. . . 409
2.3.2 Contribuição previdenciária da empresa ........................... 4l0

Hugo Goes XIV


Sumário

2.3.2.1 Contribuição da empresa sobre a remuneração de


empregados e trabalhadores avulsos ..................... 411
2.3.2.2 Contribuição da empresa sobre a remuneração de
ccntribuintes individuais ..................................... 413
2.3.2.3 Contribuição da empresa sobre serviços prestados
por cooperados por intermédio de cooperativas de
trabalho .............................................................. 416
2.3.2.4 Contribuição da empresa para o RAT (antigo SAT)
............................................................................ 418
2.3.2.5 Contribuição adicional ao RAT para o custeio da
aposentadoria especial ......................................... 424
2.3.2.6 Instituições financeiras ........................................ 426
2.3.2.7 Desoneração da folha de pagamento ..................... 427
2.3.2.7.1 Desoneração da folha de pagamento a
partir de 01/12/2015 ............................. 430
2.3.2.8 Contribuição da associação desportiva que
mantém equipe de futebol profissional .................. 433
2.3.2.9 Contribuição da agroindústria ............................. 434
2.3.2.10 Contribuição do produtor rural pessoa jurídica ..... 435
2.3.2.11 Contribuição do empregador rural pessoa física .... 436
2.3.2.12 Contribuição da empresa optante pelo Simples
Nacional ............................................................. 437
2.3.2.13 Contribuição patronal do microempreendedor
individual . . . . . .. . .. . . . . . . . . . . . . .. . ... . . .. ... .. . . .... . .. . .. . .. . . .. . . . 438
2.3.2.14 Er:tidade beneficente de assistência social que
atenda às exigências estabelecidas em lei ............... 439
2.3.2.15 Resumo das contribuições previdenciárias
patronais .. .. . . . .. . . . . .. .. .. .. .. .. ... .. . .... ... .. .. .. . .. . .. .. .. .. . . .. 439
2.3.2.16 Contribuição da empresa para outras entidades e
fuados (terceiros) ................................................ 443
2.3.3 Contribuição previdenciária do empregador doméstico ..... 444
2.3.3.1 Dedução da contribuição previdenciária do
empregador doméstico no imposto de renda ......... 446
2.3.4 Contribuição previdenciária decorrente de ação
trabalhista .. ... . . . ........ ... . . ... . . . . . . . . .. . . . . .............. ........... .. ... .. 446
2.4 Contribuições sociais não previdenciárias .................................. 448

XV
Manual de Direito Previdenciário

2.4.1 COFINS ......................................................................... 449


2.4.2 CSLL .............................................................................. 449
2.4.3 PIS/PASEP ...................................................................... 450
2.4.4 PIS/PASEP-Importação e COFINS-Importação ................. 451
2.4.5 Contribuição sobre a receita de concursos de prognósticos ... 451
3 Receitas de outras fontes ................................................................... 452
4 Salário de contribuição ..................................................................... 454
4.1 Conceito ele salário ele contribuição ............................................ 455
4.2 Parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição ... 456
4.2.! Parcelas integrantes do salário ele contribuição .................. 457
4.2.2 Parcelas não integrantes do salário de contribuição ............ 475
4.3 Proporcionalidade .................................................................... 496
5 Obrigações da empresa e dos demais contribuintes ............................. 497
5.1 Obrigações da empresa .............................................................. 497
5.2 Obrigação dos demais contribuintes ........................................... 498
6 Prazo de recolhiinento ...................................................................... 500
7 Recolhitnento fora do prazo: juros e tnulta ........................................... 501
7.1 Juros de rnora ........................................................................... 502
7.2 Multa de mora .......................................................................... 502
7.3 Multas de lançamento de ofício .................................................. 504
7.3.1 Agravamento da multa de ofício ....................................... 504
7.3.2 Redução da multa de ofício .............................................. 505
Exercícios de Fixação ............................................................................. 506

Capítulo 8 - Retenção e responsabilidade solidária .. .. .. ........ ........................... 523


Retenção de 11% ............................................................................... 523
l.l Procedimento da retenção ......................................................... 524
1.2 Hipóteses de incidência da retenção ........................................... 525
1.3 Empresa optante pelo Simples Nacional ...................................... 527
1.4 Cooperativa de trabalho ............................................................ 528
1.5 Empresas beneficiadas pela desoneração da folha de pagamento ... 528
1.6 Jurisprudência a respeito da retenção de 11% .............................. 528
2 Responsabilidade solidária ................................................................ 530
2.1 Responsabilidade solidária na construção civil ............................ 531

Hugo Goes XVI


Sumário

2.1.1 A responsabilidade solidária na construção civil será


elidida ............................................................................. 533
2.2 Empresas que integram grupo econômico .................................. 534
2.3 Produtores rurais integrantes de consórcio simplificado .............. 534
2.4 Operador portuário e OGMO .................................................... 535
2.5 Administradores públicos .......................................................... 535
2.6 Ato praticado sem apresentação da CND .................................... 536
2.7 Situações nas quais não há responsabilidade solidária .................. 536
3 Responsabilidade dos administradores de pessoas jurídicas de direito
privado ............................................................................................ 536
Exercícios de Fixação .............................................................................. 538

Capítulo 9 - Obrigações acessórias .. .. .. .. .. .. .. ... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 543


1 GFIP ............................................................................................... 545
2 Folha de pagamento .. .. .. .. .. .. .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 546
3 Contabilidade ... . .. . . . . .. . . . . . .. . . ... . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . . .. . . . .. . . . . .. . 547
4 Matrícula da empresa .. .. .. .. .. .. . .. . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 548
5 Matrícula de obra de construção civil .. .. .. .. .. .. .. .... .. .. .. .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. .. 549
6 Matrícula do produtor rural pessoa física e do segurado especial ......... 550
7 Obrigações acessórias específicas .. .... .. .... .. .. .. .. .. .. .. .. .. . .. .. .. .. .. .. ... .. .. .. ... 550
7.1 Dos municípios ......................................................................... 550
7.2 Das instituições financeiras ....................................................... 550
7.3 Dos cartórios de registro civil e de pessoas naturais ..................... 551
7.4 Órgãos públicos, autarquias, fundações e empresas públicas ........ 551
7.5 Segurado especial ...................................................................... 551
8 Prazo de arquivamento de documentos .............................................. 552
Exercícios de Fixação .. . . . . . . . .. ..... .. . .. .. . . .. .... .. . . . . . . .. . . . . . . . . .. .. . . . . . . . . . . . .. . .. . . . . . . . .. 553

Capítulo 10- Competência para arrecadar, fiscalizar e cobrar .......................... 557


1 Competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil ...................... 557
2 Competência do INSS ................... ........................................ ........ .... 557
3 Exame da contabilidade .................................................................... 558
Exercícios de Fixação .............................................................................. 559

XVII
Manual de Direito Previdenciário

Capítulo 11 - Constituição do crédito previdenciário ...... ......... ..... .... ......... ..... .. 561
1 Lançamento por homologação ........................................................... 561
2 Confissão de dívida tributária ........................................................... 563
2.1 GFIP ........................................................................................ 563
2.2 Lançamento de débito confessado .............................................. 564
3 Lançamento de ofício ....... ......... ..... ............... ......... ........................... 565
3.1 Auto de Infração ....................................................................... 565
3.2 Notificação de Lançamento ....................................................... 566
Exercícios de Fixação .............................................................................. 567

Capítulo 12- Parcelamento ........................................................................ 569


Condições para formalização do parcelamento ................................... 569
2 Prestações mensais acrescidas de juros ............................................... 570
3 Contribuições que não podem ser objeto de parcelamento ................... 570
4 Reparcelamento .. .. .. .. . . .. . ... .. .. .. .... . . . .. . .. .. .. .. . .. .. . . ... . .. .. . .... .. . . .. .. .. ... .... . . . 570
5 Rescisão do parcelamento .................................................................. 571
6 Parcelamentos concedidos a Estados, Distrito Federal ou municípios ... 571
Exercícios de Fixação .............................................................................. 571

Capítulo 13- Compensação, restituição e reembolso ...................................... 575


1 Compensação ................................................................................... 575
1.1 Compensação de valores referentes à retenção de contribuições
previdenciárias na cessão de mão de obra e na empreitada ........... 576
1.2 Impossibilidade de compensação de créditos relativos às contribuições
previdenciárias com débitos de outros tributos federais ...................... 576
1.3 Compensação de ofício .............................................................. 577
2 Restituição ....................................................................................... 578
2.1 Restituição de valores referentes à retenção de contribuições
previdenciárias na cessão de mão de obra e na empreitada ........... 579
2.2 Restituição de contribuições para terceiros (SESC, SESI, SENAI,
SENAC, SEBRAE etc.) ............................................................... 580
3 Acréscimo de juros . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. ... .. .. .. . .. . .. .. . . . . . . . . . .. .. .. .......... .... .. .. . .. 580
4 Reembolso ....................................................................................... 581
5 Discussão administrativa .................................................................. 581
Exercícios de Fixação . . . . . . . . . . . ... .. .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . .. .. .. . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . .. ..... . . .. . . . 582

Hugo Goes XVIII


Sumário

Capítulo 14- Decadência e prescrição ......................................................... 585


l Distinção entre decadéncia e prescrição ............................................. 585
2 Decadência e prescrição no custeio previdenciário .............................. 585
2.1 Decadência em relação às contribuições previdenciárias .............. 586
2.2 Período de atividade do contribuinte individual alcançado pela
decadência . . . . . . . . . . . .. . . .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . .. . . . . . . . . . . .. .. . . .. . . . . . .. . . . . . 592
2.3 Prescrição em relação às contribuições previdenciárias ................ 593
2.4 Prescrição na restituição e compensação de contribuições ........... 597
3 Decadência e prescrição em matéria de benefícios ............................... 598
3.1 Decadência ............................................................................... 598
3.2 Prescrição ................................................................................. 601
3.3 Acidente do trabalho ................................................................. 602
3.4 Anulação de ato administrativo relativo à concessão de benefício ... 603
Exercícios de Fixação ............................................................................. 604

Capítulo 15 -Isenção de contribuições ......................................................... 607


1 Isenção ou imunidade? ..................................................................... 607
2 Exigências estabelecidas em lei .......................................................... 608
3 Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social .............. 611
3.1 Certificação de entidade de saúde ............................................... 612
3.2 Certificação de entidade de educação ......................................... 613
3.3 Certificação de entidade de assistência social .............................. 614
3.4 Competência para concessão da certificação ............................... 614
3.5 Cancelamento da certificação ..................................................... 615
4 Requisitos para a concessão da isenção ............................................... 616
5 Contribuições isentas ........................................................................ 617
6 Suspensão do direito à isenção ........................................................... 617
Exercícios de Fixação .............................................................................. 618

Capítulo 16- Prova de inexistência de débito ................................................ 621


Competência para a emissão .............................................................. 621
2 Exigência daCND ou da CPD-EN ..................................................... 622
2.1 Da empresa ............................................................................... 622
2.2 Do proprietário de obra de construção civil ................................ 624

XIX
Manual de Direito Previdenciário

2.3 Do incorporador ....................................................................... 626


3 Prazo de validade ............................................................................. 626
4 Verificação da autenticidade .............................................................. 626
5 Possibilidades de emissão da CND c da CPD-EN ................................ 627
6 Falta de apresentação de GFIP ........................................................... 628
7 Divergência entre os valores declarados na GFIP e os efetivamente
recolhidos ........................................................................................ 628
8 Estados, Distrito Federal c municípios ............................................... 629
9 Ato praticado sem apresentação da CND ........................................... 630
Exercícios de Fixação .............................................................................. 630

Capítulo 17- Crimes contra a Previdência Social ........................................... 633


Apropriação indébita previdenciária .................................................. 633
1.1 Conduta típica .......................................................................... 634
1.2 Desnecessidade do ânimo de apropriação para a configuração do
delito ....................................................................................... 636
1.3 Ben1 jurídico tutelado ................................................................ 638
1.4 Sujeitos ativo e passivo .............................................................. 638
1.5 Pena ......................................................................................... 639
1.6 Extinção da punibilidade .......................................................... 640
1.7 Ação penal ............................................................................... 643
1.8 Aplicação do princípio da insignificância ................................... (}44
2 Sonegação de contribuição previdenciária .......................................... 646
2.1 Conduta típica .......................................................................... 646
2.2 Pena ......................................................................................... 647
2.3 Extinção da punibilidade ........................................................... 647
2.4 Ação penal ............................................................................... 648
2.5 Bem jurídico tutelado e sujeitos ativo e passivo ........................... 649
3 Falsificação de documento público .................................................... 649
4 Outros criines .................................................................................. 650
5 Regras gerais .................................................................................... 651
6 Restriçôes ........................................................................................ 651
7 Apreensão de docun1entos ................................................................. 652
Exercícios de Fixação .............................................................................. 653

Hugo Goes XX
Sumário

Capítulo 18 - Infrações à legislação previdenciária ......................................... 659


1 Valores das multas ............................................................................ 659
l.l Infrações relacionadas à GFIP .................................................... 662
1.2 Falta de inscrição de segurado ................................................... 663
1.3 Falta de comunicação de acidente de trabalho ............................. 663
1.4 Infrações relacionadas à GPS ..................................................... 666
1.5 Instituições financeiras ............................................................. 666
1.6 Órgão gestor de mão de obra ..................................................... 667
1.7 De1nais infrações ...................................................................... 667
2 Circunstâncias agravantes da penalidade ........................................... 668
3 Gradação das multas ........................................................................ 668
4 Auto de Infração - AI ....................................................................... 669
Exercícios de Fixação .. . . .. .. . . . . . . . . . . . . ... . . . .. . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. . . . . . . . . .. . .. . . .. . . . . . . . . 669

Capítulo 19- Recursos das decisões administrativas ...................................... 673


1 Processo relativo ao custeio previdenciário ......................................... 673
1.1 Competência para julgar o processo ........................................... 673
1.2 Impugnação .............................................................................. 674
1.3 Recurso dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais .... 675
1.3.1 Recurso voluntário .......................................................... 676
1.3.2 Recurso de ofício ............................................................. 676
1.4 Recurso dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais ............. 677
1.5 Esquema gráfico do processo administrativo fiscal ...................... 677
2 Processo relativo aos benefícios previdenciários .................................. 678
2.1 Instâncias recursais ................................................................... 678
2.2 Efeito dos recursos .................................................................... 678
3 Renúncia à instância administrativa .................................................. 679
Exercícios de Fixação .............................................................................. 679

Capítulo 20 - Dívida ativa: inscrição e execução judicial .................................. 683


1 Inscrição .......................................................................................... 683
2 Prerrogativas do crédito previdenciário . . . . . .. .. . .. . . .. .. . . . ... .. . ... ........ .. ...... 684
3 Requisitos da Lei de Execução Fiscal . . . . . . . . . . .. . ...... ...... ... .... .. ........ .... .. .. 684
4 Protesto de título . . ............ .......... ....................... ......... ............ .. ........ 685

XXI
Manual de Direito Previdenciário

5 Indicação de bens à penhora ............................................................. 685


6 Leilão judicial de bens penhorados .................................................... 685
7 Parcelamento do valor da arrematação ............................................... 686
8 Adjudicação do bem penhorado ........................................................ 687
9 Concordância com valores divergentes ............................................... 687
Exercícios de Fixação ............................................................................. 688

Capítulo 21 - Estrutura do INSS .................................................................. 691


l Estrutura organizacional ................................................................... 691
2 Direção e norneação .......................................................................... 692
Exercícios de Fixação . . . . . . . . . . . . . .. . .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . .. .. . . . . . . . . . . . . . .. . . . 693

Capítulo 22 - Regime Próprio de Previdência Social ................. ........ ............... 695


Beneficiários do RPPS ....................................................................... 696
2 Custeio do RPPS . .. . . . . .. . .... .. . . . . . . .. . . .. .. . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. . . . . . . . . .. . . . .. . . . . .. .. . 698
2.1 Contribuição dos servidores ativos ............................................. 698
2.2 Contribuição de aposentados e pensionistas ................................ 702
2.3 Contribuição do ente federativo ................................................. 704
3 Aposentadorias do RPPS . . .. .. . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . .. . . . . 704
3.1 Cálculo dos proventos de aposentadoria ..................................... 705
3.2 Aposentadoria compulsória ....................................................... 706
3.3 Aposentadoria por invalidez ...................................................... 707
3.4 Aposentadoria voluntária por idade e tempo de contribuição ....... 709
3.5 Aposentadoria voluntária por idade ........................................... 709
3.6 Aposentadoria do professor ....................................................... 710
3.7 Aposentadoria especial .............................................................. 711
3.8 Aposentadoria especial de servidor público policial ..................... 712
4 Regras de transição para concessão de aposentadoria .......................... 713
4.1 Servidores ingressos até 16/12/1998 ............................................ 713
4.1.1 Regra do art. 3° da EC 47/2005 ......................................... 713
4.1.2 Regra do art. 2° da EC 41/2003 ......................................... 714
4.2 Servidores ingressos até 31/12/2003 ............................................ 717
4.2.1 Regra do art. 6° da EC 41/2003 ......................................... 717
4.2.2 Regra do art. 6°-A da EC 41/2003 ...................................... 717
4.3 Direito de opção pela regra mais vantajosa .................................. 718

HugoGoes XXII
Sumário

4.4 Quadro-resumo das aposentadorias voluntárias .......................... 718


5 Pensão por morte do RPPS ................................................................ 720
6 Benefício especial para os servidores federais que aderirem à Funpresp ..... 722
7 Outros benefícios ............................................................................. 724
8 Reajustamento dos benefícios ............................................................ 725
9 Limite máximo dos benefícios do RPPS ............................................. 726
lO Possibilidade de aplicação de teto equivalente ao do RGPS .................. 727
ll Abono de permanência ..................................................................... 730
12 Um único RPPS por ente federativo ................................................... 731
Exercícios de Fixação .............................................................................. 732

Capítulo 23 - Previdência dos militares das Forças Armadas ............................ 737


l Introdução ....................................................................................... 737
2 Transferência para a inatividade remunerada ..................................... 738
2.1 Reserva remunerada .................................................................. 738
A pedido ......................................................................... 738
2.1.1
2.1.2 Ex officio ......................................................................... 739
2.2 Reforma ................................................................................... 742
2.2.1 A pedido ......................................................................... 742
2.2.2 Ex officio ......................................................................... 742
2.3 Renda mensal dos proventos da inatividade ................................ 743
3 Pensão 1nilitar .................................................................................. 744
3.1 Contribuintes obrigatórios da pensão militar .............................. 744
3.2 Contribuição para a pensão militar ............................................ 744
3.3 Beneficiários da pensão militar .................................................. 745
3.4 Valor da pensão militar ............................................................. 746
3.5 Rateio da pensão militar ............................................................ 746
3.6 Data do início da pensão militar ................................................. 747
3.7 Pensão militar para filhas maiores de 21 anos c capazes ............... 747
4 Reajustamento dos benefícios com base na paridade entre ativos e
inativos ............................................................................................ 747
5 Dos limites dos proventos .................................................................. 748
6 Contribuição para a assistência médico-hospitalar e social do militar ... 748
Exercícios de Fixação .............................................................................. 749

XXIII
Manual de Direito Previdenciário

Capítulo 24 - Previdência complementar ...................................................... 751


Previdência complementar privada .................................................... 751
l.l Entidades Fechadas de Previdência Complementar- EFPC ......... 753
l.l.l Entidades fechadas criadas por patrocinador ..................... 754
1.1.2 Entidades fechadas criadas por instituidor ........................ 754
1.1.3 Órgãos regulador e fiscalizador ......................................... 755
1.1.4 Estrutura mínima para o funcionamento .......................... 755
1.1.5 Custeio das entidades fechadas ......................................... 756
1.1.5.1 Regimes financeiros ............................................ 756
1.!.5.2 Contribuições normais e extraordinárias .............. 757
1.1.5.3 Resultado superavitário ....................................... 757
1.1.5.4 Resultado deficitário ............................................ 757
1.1.5.5 Demonstrações contábeis e avaliações atuariais ..... 758
1.2 Entidades Abertas de Previdência Complementar- EAPC ........... 758
1.3 Beneficiários dos planos de previdência complementar ................ 759
1.4 Planos de benefícios .................................................................. 760
1.4.1 Planos de benefícios de entidades fechadas ........................ 761
!.4.1.1 Benefício proporcional diferido- Vesting .............. 761
Portabilidade ......................................................
1.4.1.2 762
Resgate ...............................................................
1.4.1.3 763
1.4.1.4 Autopatrocínio .................................................... 765
1.4.2 Planos de benefícios de entidades abertas .......................... 765
1.4.2.1 Planos individuais ............................................... 766
1.4.2.2 Planos coletivos ................................................... 766
1.4.2.3 Resgate e portabilidade nas entidades abertas ........ 767
2 Previdência Complementar Pública ................................................... 767
2.1 Hxação do teto do RGPS para aposentadorias e pensões do RPPS ... 768
2.2 Instituição do regime ................................................................ 770
2.3 Forma de constituição da entidade ............................................. 770
2.4 Modalidade dos planos de benefícios .......................................... 770
2.5 Base de cálculo da contribuição do participante .......................... 771
2.6 Contribuição do patrocinador .................................................... 772
2.7 Funpresp .................................................................................. 772
Exercícios de Fixação . .. . . . . . . .. . . . . . ... .. . .. . . . .. . . . . . . . . . . .............. .... . . ... ... .... . . . ...... 775

Hugo Goes XXIV


Sumário

Capítulo 25 - Assistência Social ....... ............. ..................... ......................... 779


Conceito .......................................................................................... 779
2 Objetivos ......................................................................................... 779
3 Princípios ........................................................................................ 780
4 Diretrizes ......................................................................................... 780
5 Organização e gestão ........................................................................ 781
5.1 Competência da União .............................................................. 783
5.2 Competência dos estados ........................................................... 783
5.3 Competência do Distrito Federal e dos municípios ...................... 784
5.4 Instâncias deliberativas ............................................................. 784
5.4.1 Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) ............... 785
5.4.2 Competência do CNAS .................................................... 786
6 Benefícios e serviços ......................................................................... 787
6.1 Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) ......................... 787
6.2 Benefícios eventuais .................................................................. 792
6.3 Programas de assistência social .................................................. 793
6.4 Projetos de enfrentamento da pobreza ........................................ 793
6.5 Serviços .................................................................................... 793
Exercícios de Fixação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. . . .. .. . . . .. . . . . . . . . .. . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . .. . .. .. .. . . . . 794

Capítulo 26 - Saúde ......... ...................... ....................... ... ...... .................. 797


1 Introdução ....................................................................................... 797
2 Princípios e diretrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . ....... ... . . . ... ... . .. . . . .... .. ... . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . 797
3 Sistema Único de Saúde (SUS) ........................................................... 799
3.1 Objetivos e atribuições do SUS ................................................... 799
3.2 Organização, direção e gestão .................................................... 801
4 Serviços privados de saúde . . . . . . . . . .. .. . . ... . . . .. . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . .. . . ... . . . . .. 802
4.1 Participação complementar da iniciativa privada no SUS ............. 803
5 Aplicação de recursos em ações e serviços públicos de saúde ............... 803
Exercícios de Fixação . ....... ....... ... .... ..... .. . . . . .. .... .. .. . . . .......... ............. .. .. . .... 805

XXV
Manual de Direito Previdenciário

Capítulo 27 - Competência para julgamento das ações previdenciárias .... ....... .. . 809
1 Benefícios previdenciários comuns .................................................... 809
1.1 Reconhecimento de união estável ............................................... 810
1.2 Juizados Especiais Federais ........................................................ 811
1.3 Desnecessidade de prévio requerimento administrativo como
condição da ação previdenciária ................................................. 812
2 Benefícios acidentários ...................................................................... 814
3 Benefício de prestação continuada da assistência social ....................... 817
4 Ação de execução fiscal ..................................................................... 818
5 Execução de contribuições previdenciárias na Justiça do Trabalho ....... 819
6 Mandado de Segurança ..................................................................... 820
7 Ação Civil Pública . . . . . . . ... . .. . . .. . . .. . . .. .. . . . ... . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. . . . . .. . . . . ... . . . . . . . . 822
8 Benefícios da Previdência Complementar ........................................... 822
Exercícios de Fixação . . . . . .. . . . . .. .. .. . . . .. .. .. ... . . .. .. .. . . . . . .. . .. . . . . .. . . . .. . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. 823

Capítulo 28 - Súmulas Previdenciárias ... ...... ........... ..... .... ............................ 825
1 Súmulas do Supremo Tribunal Federal .............. ..... ... . ... . . . . . .. . .. .. . . . .. . . .. 825
2 Súmulas do Superior Tribunal de Justiça ............................................ 827
3 Súmulas da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais
Federais . ... .. ...... ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. .. . . . . . .. . . ... .. . . . .. . . ... ... ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 829
Exercícios de Fixação . . .. . .. .. ....... ... . . . . . .. . . ... . . ....... .... ... .. ..... ... . . . . . . . . . .. ... . .. .... 834

Capítulo 29 - Seguro-desemprego do pescador artesanal ..... .......... ........ .. ..... . 837


1 Introdução ....................................................................................... 837
2 Financiamento do benefício . .. . .. .. .. ........... ... ... . ... . ... . . . ........ .. . . . . . . . . . . . ... 838
3 Concessão do benefício . . . . . . . . . . . . .. . .. ............................. ..... ..... ... .. . . .. . .. . 838
4 Prazo máximo de duração do benefício . .. . ... . . . . . . . .. . . . .. . .. . . . . . .. . . . .. . .. . . . . . .. 839
5 Acumulação com outros benefícios . . .. . . . . ... . . . ............ .. . . . . .. .. .. . . . . ... . .. . . .. 839
6 Cancelamento do benefício ............................................................... 840
Exercícios de Fixação .............................................................................. 841

Gabarito dos exercícios ... .... .. .... ...... .. ... .. .. ........ ... ..... ........... ... ................... 843
Referências bibliográficas •......... .. .... .... ........ ..... ............ ...... ..... .. ...... ... ... .... 845

HugoGoes XXVI
A presente obra contempla o custeio da Seguridade Social e as prestações
(benefícios e serviços) da Previdência Social. O seu escopo principal é o estudo do
Regime Geral de Previdência Social, mas também inclui aspectos dos Regimes Pró-
prios de Previdência Social, Previdência Complementar, Assistência Social e Saúde.
Escrita em linguagem bastante simplificada, a obra tem finalidade essen-
cialmente didática. Destina-se, principalmente, à preparação para concursos
públicos, contemplando todo o assunto relativo ao Direito Previdenciário cobrado
pelas instituições organizadoras. Ao fim de cada capítulo, constam exercícios
propostos pelo autor e questões de provas de vários concursos, proporcionando
ao leitor a aferição do sea aprendizado e possibilitando uma comparação entre o
texto estudado e o raciocínio das instituições organizadoras.
As linhas mestras da obra são os textos constitucionais e legais, a jurispru-
dência do STF e do STJ e a tendência das instituições organizadoras. Nos temas
controversos, é sempre apontado o entendimento mais seguro a ser seguido em
prova de concurso. Sem se perder em lucubrações e extensas discussões doutri-
nárias, este manual busca, a um só tempo, a completude e a concisão, fornecendo
ao candidato a cargo público informação rápida, segura e direcionada.
Primamos por uma rigorosa atualização da matéria, ponto particularmente
crítico neste ramo do Direito, tendo em vista a profusão de normas previdenciá-
rias, de todos os níveis e fontes, diuturnamente produzidas.
Esperamos que o presente trabalho possa, de alguma forma, contribuir
com o sucesso de seus leitores.

Bons estudos.
Hugo Medeiros de Goes

XXVII
ADC - Ação Declaratória de Constitucionalidade
ADCT -Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
ADln - Ação Direta de Inconstitucionalidade
AI - Auto de Infração
CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho
CEI - Cadastro Específico do INSS
CF - Constituição Federal
CND - Certidão Negativa de Débito
CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais
CNPJ- Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
CNPS - Conselho Nacional da Previdência Social
COFINS- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
CP - Código Penal
CPD-EN- Certidão Positiva de Débito com Efeitos de Negativa
CPMF - Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira
CRPS - Conselho de Recursos da Previdência Social
CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
EAPC - Entidade Aberta de Previdência Complementar
EC - Emenda Constitucional
EFPC - Entidade Fechada de Previdência Complementar
FAT- Fundo de Amparo ao Trabalhador
FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
FNDE - Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional
GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social

. XXIX
Manual de Direito Previdenciário

GPS- Guia da Previdência Social


IN - Instrução Normativa
INSS- Instituto Nacional do Seguro Social
IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados
IRPJ - Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
LC - Lei Complementar
LDC - Lançamento de Débito Confessado
MTPS - Ministério do Trabalho e Previdência Social
NFLD -Notificação Fiscal de Lançamento de Débito
OGMO - Órgão Gestor de Mão de Obra
PAT- Programa de Alimentação do Trabalhador
PIS/PASEP- Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação
do Patrimônio do Servidor Público
PPP - Perfil Profissiográfico Previdenciário
RAT -Riscos Ambientais do Trabalho
RE - Recurso Extraordinário
REsp - Recurso Especial
RFB - Secretaria da Receita Federal do Brasil
RGPS - Regime Geral de Previdência Social
RPPS - Regime Próprio de Previdência Social
RPS - Regulamento da Previdência Social
SELIC - Sistema Especial de Liquidação e Custódia
STF - Supremo Tribunal Federal
STJ - Superior Tribunal de Justiça
SUS - Sistema Único de Saúde
TST - Tribunal Superior do Trabalho

Hugo Goes XXX


í Origem e evolução legislativa da Previdência Social no Brasil

No Brasil, as primeiras formas de proteção social deram-se através das


Santas Casas de Misericórdia, sendo a de Santos a mais antiga, fundada em 1543.
Também merecem registro a criação do Montepio para a Guarda Pessoal de D.
João VI (1808) e do Montepio Geral dos Servidores do Estado- Mongeral (1835).
Todavia, considera-se como marco inicial da Previdência Social brasileira
a Lei Eloy Chaves (1923).

1.1 Lei Eloy Chaves e as Caixas de Aposentadorias e Pensões

A doutrina majoritária considera como marco inicial da Previdência Social


brasileira a Lei Eloy Chaves (Decreto Legislativo 4.682, de 24/01/1923). Esta Lei
instituiu as Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs) para os ferroviários. Asse-
gurava, para esses trabalhadores, os benefícios de aposentadoria por invalidez,
aposentadoria ordinária (equivalente à atual aposentadoria por tempo de contri-
buição), pensão por morte e assistência médica. Os beneficiários eram os empre-
gados e diaristas que executavam serviços de caráter permanente nas empresas de
estrada de ferro existentes no país. Os regimes das CAPs eram organizados por
empresa. Na década de 20, do século passado, as CAPs ganharam popularidade
e proliferaram-se, chegando ao número de 183 (cento e oitenta e três). A primeira
empresa a criar uma caixa de aposentadoria e pensões foi a Great Western do Brasil.
Atualmente, comemora-se o aniversário da Previdência Social Brasileira
no dia 24 de janeiro, em alusão à Lei Eloy Chaves (que é de 24 de janeiro de 1923).
Antes da Lei Eloy Chaves, já havia o Decreto Legislativo 3.724, de 1919, sobre
o seguro obrigatório de acidente do trabalho. Já havia também algumas leis con-
cedendo aposentadorias para algumas categorias de trabalhadores (professores,
Manual de Direito Previdenciário

empregados dos Correios, servidores públicos etc.). Assim, embora a doutrina


considere a Lei Eloy Chaves como marco inicial da previdência brasileira, não é
correto afirmar que ela seja o primeiro diploma legal sobre Previdência Social. A
Lei Eloy Chaves ficou conhecida como marco inicial da Previdência Social Brasileira
devido ao desenvolvimento e à estrutura que a previdência passou a ter depois do
seu advento.
É comum, em provas de concursos, aparecerem algumas questões acerca
da Lei Eloy Chaves. Na resolução dessas questões, o :andidato deve ter cuidado:
se a questão afirmar que antes dessa lei não existia nenhuma legislação em maté-
ria previdenciária no Brasil, deve-se considerar a questão como ERRADA. Nesse
sentido, confira duas questões de provas de concursos:

01. (Promotor de Justiça/MPE/ES/Cespe/2010) Antes co Decreto Legislativo 4.682, de


24/1/1923, conhecido como Lei Eloy Chaves, não existia nenhuma legislação em
matéria previdenciária no Brasil. Por esse motivo, o dia 24 de janeiro é considerado
oficialmente o dia da previdência social.

02. (Procurador do Estado de Alagoas/Cespe/2009) A doutrina majoritária consi-


dera como marco inicial da previdência social brasileira a publicação do Decreto
Legislativo 4.682/1923, mais conhecido como Lei EloyChaves, que criou as caixas
de aposentadoria e pensões nas empresas de estradas de ferro existentes, sistema
mantido e administrado pelo Estado, sendo certo que, antes da referida norma,
não havia no Brasil diploma legislativo instituidor de aposentadorias e pensões.

A instituição organizadora considerou as duas questões acima como ERRA-


DAS, pelo mesmo motivo: embora considerada como marco inicial da previdência
brasileira, a Lei Eloy Chaves não foi o primeiro diploma legal sobre Previdência
Social no Brasil.
Em 1926, o Decreto Legislativo 5.109 estendeu os benefícios da Lei Eloy
Chaves aos empregados portuários e marítimos.
Em 1928, por força do Decreto 5.485, os trabalhadores das empresas de
serviços telegráficos e radiotelegráficos foram abrangidos pelo regime da Lei
Eloy Chaves.
Em 1930, por meio do Decreto 19.497, foram instituídas as CAPs para os
empregados nos serviços de força, luz e bondes.
A administração das CAPs ficava a cargo dos empregadores. O Estado,
mediante lei, apenas estabelecia as regras de funcionamento. A administração

HugoGoes 2
Seguridade Social

estatal da previdência social somente passou a ocorrer a partir do surgimento


dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs).

1.2 Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs)

Até 1930, como visto, a tendência era os regimes previdenciários se organi-


zarem por empresa, por meio das CAPs. Na década seguinte, no entanto, houve a
unificação das CAPs em Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs).
Os IAPs eram autarquias de nível nacional, centralizadas no governo fede-
ral, organizadas em torno de categorias profissionais.
Enquanto as CAPs eram organizadas por empresas, os IAPs eram organi-
zados por categorias profissionais. Os IAPs abrangiam classes de trabalhadores
no âmbito nacional.
A partir de 1933, dentre outros, surgiriam os seguintes institutos:
• 1933 - IAPM - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos
(criado pelo Decreto 22.872/33);
• 1934- IAPC- Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários
(criado pelo Decreto 24.273/34);
• 1934 - IAPB - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários
(criado pelo Decreto 24.615/34);
• 1936 - IAPI - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários
(Lei 367/36);
• 1938 - IPASE - Instituto de Pensões e Assistência dos Servidores do
Estado (Decreto-Lei 288/38);
• 1938- IAPETEC- Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Emprega-
dos em Transportes e Cargas (Decreto-Lei 651/38);
• 1939- Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Operários Estivadores
(Decreto-Lei 1.355/39);
• 1945- Por força do Decreto-Lei 7.720, de 9 de julho de 1945, o instituto dos
estivadores foi incorporado ao IAPETEC, que passou a se chamar Instituto
de Aposentadorias e Pensões dos Estivadores e Transportes de Cargas;
• 1953 - Por força do Decreto 34.586/53, foram unificadas todas as CAPs
de empresa ferroviárias e serviços públicos, surgidas a partir da Lei Eloy
Chaves, dando origem ao Instituto dos Trabalhadores de Ferrovias e
Serviços Públicos (IAPFESP).

3 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Vale registrar que, ao final dos anos 50, quase a totalidade da classe traba-
lhadora (com vínculo empregatício) já estava filiada a um plano de Previdência
Social (ou seja, filiada a um dentre os vários IAPs).
Em 1954, o Decreto 35.448 aprovou o Regulamento Geral dos Institutos de
Aposentadorias e Pensões, uniformizando todos os princípios gerais aplicáveis
a todos os IAPs.

1.3 FUNRURAL

Em 1963, tem início a proteção social na área rural: a Lei 4.214/63 criou o
Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL).
Em 1971, a Lei Complementar 11 instituiu o Programa de Assistência ao
Trabalhador Rural (PRORURAL). Por meio desse programa, o trabalhador rural
tinha direito à aposentadoria por velhice, invalidez, pensão e auxílio-funeral,
todos no valor de meio salário mínimo. Não havia contribuição por parte do tra-
balhador. O FUNRURAL passou a ser uma autarquia, tendo a responsabilidade
de administrar o PRO RURAL.

1.4 Instituto Nacional de Previdência Social (INPS)

Em 1o de janeiro de 1967, com o surgimento do Instituto Nacional de Previdên-


cia Social (INPS), foram unificados os Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPs).
O INPS foi criado pelo Decreto-Lei 72/66. Este decreto-lei é de 21/11/1966,
mas só entrou em vigor no primeiro dia do segundo mês seguinte ao de sua publi-
cação, ou seja, no dia 01/01/1967.

1.5 Novos benefícios previdenciários

Em 1963, a Lei 4.266 instituiu o salário-família.


Em 1972, a Lei 5.859 incluiu os empregados domésticos como segurados
obrigatórios da Previdência Social.
Em 1974, a Lei 6.136 incluiu o salário-maternidade entre os benefícios
previdenciários e a Lei 6.179 criou o amparo previdenciário para as pessoas com
idade superior a 70 anos ou inválidos, no valor de meio salário mínimo.

Hugo Goes 4
Seguridade Social

Em 1975, a Lei 6.226 estabeleceu a contagem recíproca do tempo de ser-


viço em relação ao serviço público federal e na atividade privada, para efeito de
aposentadoria.

i .6 Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS)

Em 1977, por meio da Lei 6.439, foi instituído o Sistema Nacional de Pre-
vidência e Assistência Social (SINPAS), tendo como objetivo a integração elas
atividades da previdência social, da assistência médica e ela assistência social. O
SINPAS agregava as seguintes entidades:
• INPS - Instituto Nacional ele Previdência Social, que tratava ela conces-
são e manutenção dos benefícios;
lAPAS - Instituto de Administração Financeira ela Previdência e Assis-
tência Social, que cuidava da arrecadação, da fiscalização e da cobrança
das contribuições previdenciárias;
• INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência
Social, que prestava assistência médica;
• LBA- Fundação Legião Brasileira de Assistência, que prestava assistên-
cia social à população carente;
• FUNABEM- Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, que execu-
tava a política voltada para o bem-estar do menor;
DATAPREV - Empresa de Processamento de Dados da Previdência
Social, que cuida do processamento de dados da previdência Social;
CEME - Central de Medicamentos, que distribuía medicamentos, gra-
tuitamente ou a baixo custo.

A Lei 8.689, de 27/07/1993, extinguiu o INAMPS; posteriormente, a LBA,


a FUNABEM e a CEME também foram extintas; a DATAPREV continua em
atividade, sendo empresa pública vinculada ao Ministério do Trabalho e Previ-
dência Social.

i .7 Instituto Nacional do Seguro Social - INSS

A Lei 8.029, de 12/04/1990, criou o Instituto Nacional do Seguro Social -


INSS, autarquia federal vinculada ao então Ministério do Trabalho e Previdência
SociaL mediante a fusão do lAPAS com o INPS.

s Caoítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

1.8 Ministério do Trabalho e Previdência Social

A partir de 1° de fevereiro de 1961, o Ministério do Trabalho, Indústria e


Comércio passou a denominar-se Ministério do Trabalho e Previdência Social
(Lei 3.782/1960, art. 10). Pela primeira vez, a Previdência Social Brasileira adquiria
status de Ministério.
Em 1974, foi criado o Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS),
desvinculado do Ministério do Trabalho (Lei 6.036, de 1° de maio de 1974).
A Lei 8.028, de 12 de abril de 1990, extinguiu o Ministério da Previdência
e Assistência Social e restabeleceu o Ministério do Trabalho e Previdência Social.
A Lei 8.490, de 19 de novembro de 1992, extinguiu o Ministério do Traba-
lho e Previdência Social e restabeleceu o Ministério da Previdência Social (MPS)
e o Ministério do Trabalho.
A Medida Provisória 813, de lo de janeiro de 1995, transformou o Minis-
tério da Previdência Social (MPS) em Ministério da Previdência e Assistência
Social (MPAS).
A Lei 10.683, de 28/5/2003, reorganizou os Ministérios; o Ministério da
Previdência e Assistência Social (MPAS) passou a ser denominado Ministério
da Previdência Social (MPS). Atualmente, a assistência social está vinculada ao
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
A Medida Provisória 696, de 2 de outubro de 2015, alterou a Lei 10.683/2003
para, entre outras medidas, promover a fusão do Ministério do Trabalho e Emprego
com o Ministério da Previdência Social, dando origem, mais uma vez, ao Minis-
tério do Trabalho e Previdência Social.

1.9 Leis básicas da Previdência Social

Em 1954, o Decreto 35.448 aprovou o Regulamento Geral dos Institutos de


Aposentadorias e Pensões, uniformizando todos os princípios gerais aplicáveis
a todos os IAPs.
Em 1960, a Lei 3.807, Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), padro-
nizou o sistema assistencial e criou novos benefícios como o auxílio-natalidade,
auxílio-funeral e auxílio-reclusão. Este diploma não unificou os IAPs então exis-
tentes, mas criou normas uniformes para o amparo a segurados e dependentes
dos vários Institutos existentes.

HugoGoes 6
Em 1976, por meio do Decreto 77.077, foi aprovada a Consolidação das Leis
da Previdência Social (CLPS). A CLPS tinha a função de agregar, em um mesmo
corpo normativo, todas as leis previdenciárias existentes; era algo semelhante a
um Código Previdenciário.
Em 1979, o Decreto 83.080 aprova o Regulamento dos Benefícios da Pre-
vidência Social (RBPS) e o Decreto 83.081 aprova o Regulamento de Custeio da
Previdência Social (RCPS).
Em 1984, por meio do Decreto 89.312, foi aprovada nova Consolidação das
Leis da Previdência Social (CLPS).
Em 24/07/1991, entraram em vigor as duas leis básicas da Seguridade Social
(que, nos dias atuais, ainda continuam vigorando): a Lei 8.212, que institui o plano
de custeio da Seguridade Social e a Lei 8.213, que dispõe sobre os planos de bene-
fícios da previdência social. As duas leis foram regulamentadas pelos Decretos
356/91 (custeio) e 357/91 (benefícios), ambos de 07/12/1991.
Os Decretos 611 e 612, ambos de 21/07/1992, substituíram os Decretos
357/91 e 356/91, respectivamente.
Os Decretos 2.172 e 2.173, ambos de 05/03/1997, substituíram os Decretos
611/92 e 612/92, respectivamente.
O Decreto 3.048, de 06/05/1999 (que, nos dias atuais, ainda vigora), aprova
o Regulamento da Previdência Social, revogando os Decretos 2.172/97 e 2.173/97.

1.1 O Arrecadação e fiscalização das contribuições previdenciárJas

Inicialmente, a arrecadação e fiscalização das contribuições previdenciárias


era uma atribuição do lAPAS. Como vimos alhures, houve uma fusão do lAPAS
com o INPS, dando origem ao INSS. A partir desse momento, as contribuições
previdenciárias passaram a ser arrecadadas e fiscalizadas pelo INSS.
A Lei 11.098, de 13/01/2005, atribui ao Ministério da Previdência Social
competências relativas à arrecadação, fiscalização, lançamento e normatização
de receitas previdenciárias e autoriza a criação da Secretaria da Receita Previden-
ciária no âmbito do referido Ministério.
A Lei 11.457, de 16/03/2007, extinguiu a Secretaria da Receita Previdenciária.
Esta Lei entrou em vigor no dia 02/05/2007. A partir desta data, as contribuições
previdenciárias passaram a ser arrecadadas e fiscalizadas pela Secretaria da Receita
Federal do Brasil (RFB).

7 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

1.11 A Previdência Social nas Constituições Federais

A primeira Constituição a trazer a expressão aposentadoria foi a de 1891,


que instituiu a aposentadoria para os funcionários públicos em caso de invalidez,
custeada integralmente pelo Estado. O art. 75 da Constituição de 1891 determi-
nava o seguinte:

Art. 75. A aposentadoria só poderá ser dada aos funcioná-


rios públicos em caso de invalidez no serviço da Nação.

A Constituição de 1934 foi a primeira a estabelecer, em texto constitucional,


a forma tripartite de custeio, determinado a "instituição de previdência, mediante
contribuição igual da União, do empregador e do empregado, a favor da velhice,
da invalidez, da maternidade e nos casos de acidentes de trabalho ou de morte"
(art. 121, §1°, "h"). Essa foi também a primeira Constituição a utilizar a expressão
previdência. Aqui, não se usou o termo Previ1ência Social, mas apenas previdência.
A Constituição de 1937 teve por particularidade a utilização da expressão
seguro social. Essa Constituição previu a instituição de seguros de velhice, de
invalidez, de vida e para os casos de acidentes do trabalho. Nesse sentido, confira
o seguinte dispositivo da Constituição de 1937:

Art. 137. A legislação do trabalho observará, além de outros,


os seguintes preceitos:
(... )
I) assistência médica c higiênica ao trabalhador c à gestante,
assegurado a esta, sem prejuízo do salário, um período de
repouso antes e depois do parto;
m) a instituição de seguros de velhice, de invalidez, de vida
e para os casos de acidentes do trabalho;
n) as associações de trabalhadores têm o dever de prestar
aos seus associados auxílio ou assistência, no referente às
práticas administrativas ou judiciais relativas aos seguros
de acidentes do trabalho e aos seguros sociais.

A Constituição de 1946 foi a primeira a utilizar a expressão Previdência


Social em seu texto. Essa Constituição estabeleceu uma previdência, mediante
contribuição da União, do empregador e do empregado, em favor da maternidade
e contra as consequências·da doença, da velhice, da invalidez e da morte. Nesse
sentido, confira o seguinte dispositivo da Constituição de 1946:

Hugo Goes 8
Seguridade Social

Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social


obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que
visem a melhoria da condição dos trabalhadores:
( ...)
XIV - assistência sanitária, inclusive hospitalar e médica
preventiva, ao trabalhador e à gestante;
XV assistência aos desempregados;
XVI - previdência, mediante contribuição da União, do
empregador e do empregado, em favor da maternidade e
contra as consequências da doença, da velhice, da invalidez
e da morte;
XVII - obrigatoriedade da instituição do seguro pelo
empregador contra os acidentes do trabalho.

Em 1965, a Emenda Constitucional li acrescentou à Constituição de 1946


o princípio da preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço, segundo
o qual nenhuma prestação de serviço de caráter assistencial ou de benefício com-
preendido na previdência social poderá ser criada, majorada ou estendida sem a
correspondente fonte de custeio total. Esse importante princípio da Seguridade
Social foi repetido pelas Constituições posteriores.
A Constituição de 1967 acrescentou como riscos sociais a doença e o
desemprego. Previu a criação do seguro-desemprego. Confira alguns dispositivos
da Constituição de 1967 relacionados à Previdência Social:

Art. 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os


seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei,
visem à melhoria, de sua condição social:
(. .. )
II- salário-família aos dependentes do trabalhador;
( ... )
XI - descanso remunerado da gestante, antes e depois do
parto, sem prejuízo do emprego e do salário;
( ... )
XVI- previdência social, mediante contribuição da União,
do empregador e do empregado, para seguro-desemprego,
proteção da maternidade e, nos casos de doença, velhice,
invalidez e morte;

9 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

XVII- seguro obrigatório pelo empregador contra aciden-


tes do trabalho;
(... )
XX- aposentadoria para a mulher, aos trinta anos de traba-
lho, com salário integral;
(... )
§ lo Nenhuma prestação de serviço de caráter assistencial
ou de benefício compreendido na previdência social será
criada, majorada ou estendida, sem a correspondente fonte
de custeio total.
§ 2° A parte da União no custeio dos encargos a que se
refere o no XVI deste artigo será atendida mediante dota-
ção orçamentária, ou com o produto de contribuições de
previdência arrecadadas, com caráter geral, na forma da lei.

Em 1981, a Emenda Constitucional 18, que alterou a CF/1967, concedeu


aposentadoria privilegiada para o professor e para a professora após 30 e 25 anos
de serviço, respectivamente.
Em 5/10/1988, foi promulgada a atual Constituição Federal. Como novi-
dade, a Constituição de 1988 destina um capítulo inteiro (artigos 194 a 204) para
tratar da Seguridade Social,_entendida como o gênero do qual são espécies a pre-
vidência social, a assistência social e a saúde. As contribuições sociais passaram
a custear as ações do Estado nestas três áreas, e não mais somente no campo da
Previdência Social. A primeira Constituição Brasileira a adotar a expressão Segu-
ridade Social foi a de 1988.
A Emenda Constitucional20, de 15 de dezembro de 1998, estabeleceu pro-
fundas mudanças na previdência social, dentre as quais podemos citar as seguintes:
• Salário-família e auxílio-reclusão passaram a ser devidos somente aos
beneficiários de baixa renda;
• Estabeleceu novas regras para as aposentadorias dos servidores públicos;
• Determinou que a lei não poderá estabelecer qualquer forma de conta-
gem de tempo de contribuição fictício;
• A aposentadoria por tempo de contribuição dos professores de ensino
superior perdeu o privilégio de cinco anos a menos no tempo de contribui-
ção, passando a obedecer à regra geral (35 para homem, 30 para mulher);

Hugo Goes 10
::,egunaaae ::,ooa1

• Permitiu que a cobertura do risco de acidente do trabalho seja atendida


concorrentemente pelo RGPS e pelo setor privado, o que depende de
regulamentação mediante lei ordinária;
• A aposentadoria proporcional foi extinta para quem começou a traba-
lhar a partir da data da publicação da emenda.

A Emenda Constitucional4l, de 19 de dezembro de 2003, publicada no Diá-


rio Oficial da União no dia 31/12/2003, também promoveu profundas mudanças
nas regras dos Regimes Próprios de Previdência Social - RPPS (previdência dos
servidores públicos ocupante de cargo efetivo). Destaco as seguintes mudanças:
• Determinou a incidência de contribuição sobre os proventos de aposen-
tadorias e pensões concedidas pelo RPPS que superem o limite máximo
estabelecido para os benefícios do RGPS, com percentual igual ao esta-
belecido para os servidores titulares de cargos efetivos;
• Alterou a forma de cálculo da pensão por morte, que passou a ser igual:
(I) ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até o limite
máximo estabelecido para os benefícios do RGPS, acrescido de 70%
da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou
(li) ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo
em que se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido para os
benefícios do RGPS, acrescido de 70% da parcela excedente a este limite,
caso em atividade na data do óbito;
• Excluiu do texto constitucional a paridade entre ativos e inativos. A pari-
dade assegurava que os proventos de aposentadoria e pensão por morte
fossem reajustados na mesma proporção e na mesma data, sempre que se
modificasse a remuneração dos servidores em atividade;
• Fim da integralidade dos proventos de aposentadoria para servidores que
ingressarem no serviço público a partir da vigência da EC 41/2003. No cál-
culo da aposentadoria desses servidores titulares de cargo efetivo, ampa-
rados por RPPS, será considerada a média aritmética simples das maiores
remunerações, utilizadas como base para as contribuições do servidor aos
regimes de previdência a que esteve vinculado, correspondentes a 80% de
todo o período contributivo desde a competência julho de 1994 ou desde
a do início da contribuição, se posterior àquela competência.

A Emenda Constitucional 47, de 5 de julho de 2005, modificou algumas


regras de transição que tinham sido estabelecidas pela Emenda Constitucional
41/2003. Essa emenda, entre outras coisas, também modificou a contribuição dos

11 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

aposentados e pensionistas dos regimes próprios de previdência, nos casos em


que o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante. Para
estes, a contribuição incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposenta-
doria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os
benefícios do RGPS.
Em relação ao RGPS, uma das principais alterações da Emenda Cons-
titucional 47/2005 foi permitir que a lei crie um sistema especial de inclusão
previdenciária para atender a trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda
própria que se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de
sua residência, desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes
acesso a benefícios de valor igual a um salário mínimo (CF, art. 201, §12). Esse
sistema especial de inclusão previdenciária terá alíquotas e carências inferiores
às vigentes para os demais segurados do Regime Geral de Previdência Social.

1.12 Superintendência Nacional de Previdência Complementar-


PREVI C

A Lei 12.154, de 23/12/2009, criou a Superintendência Nacional de Previdên-


cia Complementar- PREVIC, autarquia de natureza especial, dotada de autonomia
administrativa e financeira e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério do
Trabalho e Previdência Social, com sede e foro no Distrito Federal e atuação em
todo o território nacional. A PREVIC atuará como entidade de fiscalização e de
supervisão das atividades das entidades fechadas de previdência complementar e
de execução das políticas para o Regime de Previdência Complementar operado
pelas entidades fechadas de previdência complementar.

1.13 Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público


Federal - FUNPRESP

A Lei 12.618, de 30 de abril de 2012, institui o Regime de Previdência


Complementar para os servidores públicos titulares de cargo efetivo da União,
suas autarquias e fundações, inclusive para os membros do Poder Judiciário, do
Ministério Público da União e do Tribunal de Contas da União. De acordo com
o art. 4° da referida Lei, a União está autorizada a criar as seguintes entidades
fechadas de previdência complementar:

HugoGbes 12
Seguridade Social

I - a Fundação de Previdência Complementar do Servidor


Público Federal de Poder Executivo (Funpresp-Exe), para
os servidores púbLcos titulares de cargo efetivo do Poder
Executivo, por meiD de ato do Presidente da República;
li a Fundação d•c Previdência Complementar do Servidor
Público Fede-a! do Poder Legislativo (Funpresp-Leg), para
os servidores públ:cos titulares ele cargo efetivo elo Poder
Legislativo e elo Tribunal ele Contas da União e para os
membros deste Tribunal, por meio de ato conjunto dos Pre-
sidentes da Cãmara dos Deputados e do Senado Federal; e
III a Fundação de Previdência Complementar do Servidor
Público Federal do Poder Judiciário (Funpresp-Jud), para
os servidores púbEcos titulares de cargo efetivo e para os
membros do Poder Judiciário, por meio de ato do Presi-
dente do Supremo Tribunal Federal.

Para os servidores púbiicos federais ocupantes de cargos efetivos que tive-


rem ingressado no serviço púSlico a partir do início da vigência do Regime de
Previdência Complementar acima referido, independentemente de sua adesão
aos respectivos planos de benefícios, aplica-se o limite máximo estabelecido para
os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) às aposentadorias e
pensões a serem concedidas pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da
União. Para os que já tinham ingressado no serviço público antes da vigência da
Funpresp, o teto do RGPS somente será aplicado mediante sua prévia e expressa
opção (CF, art. 40, §16). Atualmente, o teto dos benefícios do RGPS·é R$4.663,75.
De acordo com o art. 30 da Lei 12.618/2012, considera-se instituído o Regime
de Previdência Complementar de que trata esta Lei a partir da data da publicação
pelo órgão fiscalizador da autorização de aplicação dos regulamentos dos planos de
benefícios de qualquer das entidades (Funpresp-Exe, Funpresp-Leg e Funpresp-Jud). O
órgão fiscalizador das entidades fechadas de previdência complementar é a PREVIC.
No Diário Oficial da União do dia 04/02/2013, foi publicada a Portaria MPS/
PREVIC/DITEC 44/2013, com o objetivo de aprovar o Regulamento do Plano
Executivo Federal, administrado pela Fundação de Previdência Complementar
do Servidor Público Federal do Poder Executivo- Funpresp-Exe. Assim, a partir
do dia 04/02/2013, começa a vigência da Funpresp-Exe, para os servidores federais
titulares de cargo efetivo do Poder Executivo.
No Diário Oficial da União do dia 07/05/2013, foi publicada a Portaria MPS/
PREVIC/DITEC 239/2013 com o objetivo de aprovar o Regulamento do Plano de

13 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Benefícios do Poder Legislativo Federal- LegisPrev, administrado pela Fundação


de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo -
Funpresp-Exe. Assim, a partir do dia 07/05/2013, começa a vigência da Funpresp
para os servidores públicos titulares de cargo efetivo do Poder Legislativo Federal
e para os membros do Tribunal de Contas da União.
No Diário Oficial da União do dia 14/10/2013, foi publicada a Portaria MPS/
PREVIC/DITEC 559/2013, com o objetivo de aprovar o Regulamento do Plano de
Benefícios do Judiciário da União, do Ministério Público da União e do Conselho
:t\acional do Ministério Público, a ser administrado pelê, Fundação de Previdência
Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário - Funpresp-Jud.
Assim, a partir do dia 14/10/2013, começa a vigência Funpresp-Jud para os servidores
públicos titulares de cargo efetivo do Poder Judiciário Federal, para os magistrados
federais e para os membros do Ministério Público da União e do Conselho Nacional
do Ministério Público.

2 Conceituação

A Seguridade Social, nos termos do art. 194 da Constituição Federal, "com-


preende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social".
A Seguridade Social engloba, portanto, um conceito amplo, abrangente,
universal, destinado a todos que dela necessitem, desde que haja previsão na
lei sobre determinado evento a ser coberto. É na verdade, o gênero do qual são
espécies a Previdência Social, a Assistência Social e a Saúde. 1

1 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. 17• ed. São PauJ.o: Atlas, 2002, pp. 45-46.

HugoGoes 14
Seguridade Social

2.1 Saúde

Nos termos do art. 196 da Constituição Federal, "a saúde é direito de todos
e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à
redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação".
Os serviços públicos de saúde serão prestados gratuitamente: para usufruir
de tais serviços, não é necessário que o paciente contribua para a Seguridade Social.
A saúde é direito de todos: assim, não pode o Poder Público se negar a
atender determinada pessoa em razão de suas condições financeiras. Qualquer
pessoa, pobre ou rica, pode dirigir-se a um hospital público e ser atendida.
O Poder Público prestará os serviços de saúde à população de forma direta
ou através de convênios ou contratos com instituições privadas. Esses contratos
e convênios serão celebrados, preferencialmente, com as entidades filantrópicas
e as sem fins lucrativos.

2.2 Assistência Social

Nos termos do art. 203 da Constituição Federal, a assistência social será pres-
tada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à Seguridade Social.
Assim, esse ramo da Seguridade Social irá tratar de atender os hipossuficientes,
destinando pequenos benefícios a pessoas que nunca contribuíram para o sistema.
A assistência social é regulamentada pela Lei 8.742/93 (Lei Orgânica da
Assistência Social- LOAS). O principal benefício da assistência social é o benefício
de prestação continuada: trata-se de uma renda mensal de um salário mínimo
concedida à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais e
que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de
tê-la provida por sua família (art. 20 da LOAS). Nos termos do §3° do art. 20 da
LOAS, "considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de
deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um
quarto) do salário mínimo".

2.3 Previdência Social

A Previdência brasileira é formada por dois regimes básicos, de filiação obri-


gatória, que são o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e os Regimes Próprios

15 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

de Previdência Social dos servidores públicos e militares. Há também o Regime de


Previdência Complementar, ao qual o participante adere facultativamente.

Regimes --)- Regime Geral de Previdência Social


-)- Básicos (filiação
obrigatória) --)- Regimes Próprios de Previdência Social

->- Pública
Regimes de -)-
Quanto à natureza
Previdência jurídica
Regime de -> Privada
-)-
Previdência
Complementar -> Aberta
(facultativo) -+ Quanto à possibi-
!idade de acesso
-)- Fechada

O objetivo principal desta obra é o estudo do Regime Geral de Previdência


Social. Todavia, os Regimes Próprios e a Previdência Complementar também
serão, sinteticamente, analisados a seguir:

2.3.1 Regime Geral de Previdência Social

Nos termos do art. 201 da Constituição Federal, o Regime Geral de Previ-


dência Social (RGPS) tem caráter contributivo e é de filiação obrigatória. Esse é o
regime de previdência mais amplo, responsável pela proteção da grande maioria
dos trabalhadores brasileiros. As regras relativas ao RGPS serão detalhadas nos
capítulos seguintes.

2.3.2 Regimes Próprios de Previdência Social dos servidores


públicos e militares

Os beneficiários de Regime Próprio de Previdência Social - RPPS são os


magistrados, ministros e conselheiros dos Tribunais de Contas, membros do
Ministério Público, militares e servidores públicos ocupantes de cargo efetivo de
quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municí-
pios, incluídas suas autarquias e fundações.
Nos termos do art. 40 da Constituição Federal, "aos servidores titulares
de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de

HugoGoes 16
Seguridade Social

caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público,


dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que pre-
servem o equilíbrio financeiro e atuarial". A aposentadoria dos magistrados (CF,
art. 93, VI), dos membros do Ministério Público (CF, 129, §4"), dos ministros e
conselheiros de Tribunais de Contas (CF, arts. 73, §3" e 75), e a pensão de seus
dependentes também observarão o disposto no art. 40 da Constituição Federal.
No tocante aos militares da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Territórios, a Constituição Federal simplesmente estabelece que a lei disporá sobre
a transferência do militar para a inatividade (CF, arts. 42, §l" e 142, §3", X). Em
relação aos membros das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), estas
regras são definidas pela Lei 6.880/80, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares.
Vale ressaltar que nem todos os servidores públicos civis são amparados
por regime próprio. Para que saibamos quais os servidores que são amparados
por regime próprio, é necessário que verifiquemos como se organiza a adminis-
tração pública:

-)o Direta

-)o Autarquias
Administração
~ Fundações Públicas
Pública
-)o Indireta
~ Empresas Públicas

-)o Sociedades de Economia Mista

Não são amparadas por regime próprio as pessoas físicas que trabalham em
empresas públicas e em sociedades de economia mista. Estas são seguradas do RGPS.
Os servidores da administração direta, das autarquias e das fundações
públicas podem ser:

--> Ocupante de cargo efetivo

Ocupante, exé:lusivamertte, de cargo em comissão declarado


Servidor em lei de lívtenomeação eexorieraçãó .
Público
-)o Contratado.por tempo.determinado

-> Ocupante de emprego público

17 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Dentre esses, apenas os servidores ocupantes ele cargo efetivo podem ser
amparados por regime próprio. Os demais (os ocupantes de cargo em comissão,
cargo temporário ou emprego público) são segurados obrigatórios do RGPS. Nesse
sentido, confira--se o seguinte julgado do STF:

EMENTA: Agravo regimental no recurso extraordinário. Ser-


vidor ocupante de cargo em comissão, cargo temporário ou
emprego público. Lei no 9.717/98. Regime geral da previdên-
cia (art. 40, § 13). Ausência de violação do princípio federa-
tivo ou da imunidade tributária recíproca. ADI no 2.024. l.
Esta Corte já decidiu que: (i) a Constituição do Brasil não
confere às entidades da federação autonomia irrestrita para
organizar o regime previdenciário de seus servidores; (i i) por
se tratar de tema tributário, a matéria discutida nestes autos
pode ser disciplinada por norma geral, editada pela União,
sem prejuízo da legislação estadual, suplementar ou plena,
na ausência de Lei federal (ADI no 2.024, Relator o Ministro
Sepúlveda Pertence, DJ de 22/06/10). 2. É da jurisprudência
do Supremo Tribunal que o princípio da imunidade tribu-
tária recíproca (CF, art. 150, inciso VI, alínea a) ainda que
se discuta a sua aplicabilidade a outros tributos que não os
impostos - não pode ser invocado na hipótese de contribui-
ções previdenciárias. 3. Agravo regimental não provido. 2

Dentre os ocupantes de cargo efetivos, para fins meramente didáticos, ainda


podemos fazer a seguinte divisão:

-)· Da União

Servidor ocupante
Dos Estados e do Distrito Federal .
de cargo efetivo

->- Dos Municípios

A União, o Distrito Federal e todos os estados da Federação já possuem


Regime Próprio de Previdência Social. Assim, os ocupantes de cargo efetivo da
União, do Distrito Federal e dos estados são amparadDs por regime próprio, por-
tanto não são segurados do RGPS.

2 STF, RE 388373 AgR/PA, Rel. Min. Dias Toffoli, Djc-209, de 24/10/2012.

Hugo Goes 18
Seguridade Social

Mas há vários municípios que não possuem regime próprio de previdência.


Assim, os ocupantes de cargo efetivo dos municípios podem ou não ser amparados
por Regime Próprio de Previdência Social. Se o município possuir regime próprio,
os seus servidores ocupantes de cargo efetivo serão amparados por este regime
e, por conseguinte, ficam excluídos do RGPS. Mas se o município não possuir
regime próprio, os seus servidores ocupantes de cargo efetivo serão segurados
obrigatórios do RGPS.
Caso a pessoa amparada por regime próprio venha a exercer, concomitan-
temente, uma ou mais atividades abrangidas pelo RGPS, tornar-se-á segurada
obrigatória do RGPS em relação a estas atividades. Nesta situação, esta pessoa
será segurada dos dois regimes (próprio e geral) e, caso cumpra os requisitos
previstos em lei, poderá vir a ter duas aposentadorias: uma concedia pelo RGPS
e outra pelo regime próprio.

Exemplo:
}oaqúim, alé!Ude oc\lpar QCaígO efetivo de p~ocuradpr fé<J.eral, é professor
de,uma universic\~4~:Rr:iva,!ia. Nesta situa5ão,Joaquim, ~m razão.de exercer
o, cargo. de procútadqt federal;.és(!guradci o,brigatório.do Regime·Rróprip
de Rrevidêncla da União; e erora@9 â.e ~er ·professorde.u:maunitersidade
privada; é segurado obrigatóriod().RGPS:Assim, Joaqúimseiáobrigado a
pagâr co,hti::ibuiÇõe~ ptevi4epciát~aspar~os dóis regill\es;.tend<:> também
a possibilidade de vir a têhduas aposentadorias (uma.do .tégime próprio
e O\ltl'a•doRGPS);

O militar ou o servidor público titulal' de cal'go efetivo da União, dos Esta-


dos, do Distrito Federal e dos municípios, filiado a regime próprio de previdência,
permanecerá vinculado ao regime previdenciário de origem nas seguintes situa-
ções: (a) quando cedido, com ou sem ônus para o cessionário, a órgão ou entidade
da administração direta ou indireta de outro ente federativo; e (b) durante o afas-
tamento do cargo efetivo para o exercício de mandato eletivo. Nestas situações,
estes trabalhadores continuam excluídos do RGPS.

·Exemplo:
>, .:·>., ,': .>:·,'-" >·'; , , , :·;·~·''', ";<·''"~:J;;:;:~~'';.:;(~~Yci.:,'/''•,~·;\\j /'1-_:~;.',·",{~;jy~:':'·~':"(f"c;,_~J:,'
J<>ã?,:~ . .og~}?~~~~; ~?}~tg?·ê~.f~tix~,:~f·ª~~é.&~~O,".~}\:R·c
·· atuatlriérifé~ est4/c~a~ao'~o Es.tâ&ti'p~:P~~hâm~u~o;.ôe·
. co1llfssão.de s;cre{átiO de s~~~~~ª~a p~~lic~: N~Stâ"~ Ção, 1)óão. co ri- ·.
tinu~ vincuiacío'ad J1egHne"f$t&Ptl9 ~e :~le~iaéiici? ;t\i,tr~i~Q,. vaie. dizer,
c'lihtiii\iã·etcl~íaoaoitGPS'r: .·. ··· :~·~· r; ...•.. ,., ....•; ;,, •... •

19 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Como visto, o servidor ocupante de cargo efetivo, amparado por regime próprio,
que se afasta do cargo para exercer mandato eletivo, continua vinculado ao regime
próprio de origem e, por conseguinte, excluído do RGPS. Contudo, o exercente de
mandato de vereador, que ocupe, concomitantemente, o cargo efetivo e o mandato
filia-se ao regime próprio, pelo cargo efetivo, e ao RGPS, pelo mandato eletivo.

Exemplo:
Lucas, servidor ocupante de cargo efetivo no âmbito federal, em razão
da compatibilidade de horários, exerce, concomitantemente, ma~dato de
vereador. Nesta situação, Lucas, em razão de exercício do cargo efetivo, é
segurado obrigatório do Regime Próprio de Previdência da União; e em
razão do exercício do mandato de vereador, é segurado obrigatório do
RGPS. Assim, Lucas será obrigado a pagar contribuições previdenciárias
para os dois regimes, tendo também a possibilidade de vir a ter duas apo-
sentadorias (uma do regime próprio e outra do RGPS).

O Regime Próprio de Previdência Social, para ser considerado como tal,


terá que garantir aos seus segurados, no mínimo, as aposentadorias e pensão por
morte previstas no art. 40 da Constituição Federal. Assim, os regimes próprios
devem garantir, no mínimo, os seguintes benefícios:

-> Aposentadoria por invalidez

-> Aposentadoria por tempo de contribuição


. Benefícios que os
regimes próprios são
-> Aposentadoria por idade
obrigados a oferecer
aos seus seguràdos
-> Àposentadoria compulsória

-)o Pensão por morte

A Lei 9.717/98 estabelece as regras gerais para a organização e o funcio-


namento dos Regimes Próprios de Previdência Social. De acordo com esta Lei,
compete à União, por intermédio do Ministério do Trabalho e Previdência Social,
a orientação, supervisão e o acompanhamento dos Regimes Próprios de Previ-
dência Social, bem como o estabelecimento e a publicação dos parâmetros e das
diretrizes gerais previstos nesta Lei (art. 9°, I e II). Com base nesta competência,
o Ministério do Trabalho e Previdência Social editou a Orientação Normativa
MPS/SPS 2/2009, tendo como objetivo estabelecer, de forma mais detalhada, as
regras para a organização e funcionamento dos regimes próprios de previdência.

Hugo Goes 20
Seguridade Social

2.3.3 Previdência Complementar

O Regime de Previdência Complementar é facultativo. A pessoa tem a pos-


sibilidade de entrar no sistema, de nele permanecer e dele retirar-se, dependendo
de sua vontade. 3 Trata-se de uma faculdade dada à sociedade de ampliar seus ren-
dimentos quando da aposentação. 4 No entanto, a adesão a este regime não exclui
a obrigatoriedade da filiação ao RGPS ou, no caso de militar ou servidor titular
de cargo efetivo, ao regime próprio.
Quanto à possibilidade de acesso ao regime, as entidades de previdência
complementar são classificadas em fechadas e abertas (LC, !09/2001, art. 4").
As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de socieda-
des anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter
previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único,
acessíveis a quaisquer pessoas físicas (LC 109/2001, art. 36).
De acordo com o art. 31 da Lei Complementar 109/2001, as entidades
fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e
fiscalizador, exclusivamente:
I. aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servido-
res da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, entes
denominados patrocinadores; e
II. aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissio-
nal, classista ou setorial, denominadas instituidores.

As entidades fechadas organizar-se-ão sob a forma de fundação ou socie-


dade civil, sem fins lucrativos (LC 109/2001, art. 31, §l ").
A pessoa física que adere ao Regime de Previdência Complementar
denomina-se participante (LC 109/2001, art. 8°, I).
O participante ou seu beneficiário em gozo de benefício de prestação con-
tinuada chama-se assistido (LC 109/2001, art. 8", I I).
As empresas e os Entes Federativos (União, Estados, Distrito Federal e
municípios), que instituam entidades fechadas de previdência complementar, em
benefícios de seus empregados ou servidores, recebem o nome de patrocinadores.

3 MARTINS, Sérgio Pinto. Op. cit., p. 471.


4 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previder~ciário. 4" ed. Rio de janeiro: lmpetus, 2004, p. 18.

21 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

As mais conhecidas Entidades de Previdência Complementar I~echada são


a PREVI (dos empregados do Banco do Brasil) e a PETRUS (dos empregados da
Petrobras). Nesses dois exemplos, o Banco do Brasil e a Petrobras são os patroci-
nadores; os seus empregados são os participantes.
As pessoas jurídicas de caráter profissional, que instituam Entidades Fecha-
das de Previdência Complementar, são denominadas de instituidoras.
Nas Entidades de Previdência Complementar I~echadas, os planos ele
benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos
patrocinadores ou associados dos instituidores (LC 109, art. 16). Mas a adesão do
participante é sempre facultativa (LC, 109, art. 16, §2").
As Entidades de Previdência Complementar podem ter natureza jurídica
pública ou privada.
As de natureza pública, previstas na CF/88, art. 40, §§14 a 16, são Entidades
Fechadas de Previdência Complementar, que podem ser instituídas pela União,
Estados, Distrito Federal e municípios, restritas aos servidores públicos ocupantes
de cargo efetivo que sejam vinculados a Regime Próprio de Previdência.
A União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, desde que insti-
tuam Regime de Previdência Complementar para os seus respectivos servidores
titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões
a serem concedidas pelo regime próprio, o limite máximo estabelecido para os
benefícios elo RGPS (CF, art. 40, §14).
No entanto, somente mediante sua prévia e expressa opção, o teto do RGPS
poderá ser aplicado ao servidor titular de cargo efetivo que tiver ingressado no
serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente
Regime de Previdência Complementar (CF, art. 40, §16).
A entidade de previdência complementar privada pode ser aberta ou
fechada. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado
de forma autônoma em relação ao Regime Geral de Previdência Social, será facul-
tativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado
(CF, art. 202).
As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais
previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previ-
ciência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como,
à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes
(CF, art. 202, §2°).

HugoGoes 22
Seguridade Social

É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União,


Estados, Distrito Federal e municípios, suas autarquias, fundações, empresas públi-
cas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade
de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal
poderá exceder a do segurado (CF, art. 202, §3°).
Lei complementar disciplinará a relação entre a União, Estados, Distrito
r~ederal ou municípios, inclusive suas autarquias, fundações, sociedades de econo-
mia mista e empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto patrocina-
doras de entidades fechadas de previdência privada, e suas respectivas entidades
fechadas de previdência privada (CF, art. 202, §4°). Esta lei complementar também
será aplicada, no couber, às empresas privadas permissionárias ou concessionárias
de prestação de serviços públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas
de previdência privada (CF, art. 202, §5°). A Lei Complementar 108/2001 regula-
menta os mandamentos previstos nos §§4° e 5° do art. 202 da Constituição Federal.
O quadro a seguir resume o aqui estudado a respeito da Previdência Com-
plementar:

-~ Aberta·
Previdência ~ Privada (CF, art. 202)
Complementar ~ Fechada
(caráter facultativo)
-> Pública (CF, art. 40, §§14, 15 e 16) -r Fechada

3 Princípios constitucionais da Seguridade Social

De acordo com as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, "princípio


é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele,
disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes
o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exa-
tamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe
confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios
que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que
há por nome sistema jurídico positivo". 5

5 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 17' ed. São Paulo: Malheiros,
2004, pp. 841-842.

23 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Os princípios da Seguridade Social encontram-se em vários dispositivos da


Constituição Federal. É, porém, no parágrafo único do art. 194 da Constituição
que a maioria desses princípios está inserida. 6 Embora esse dispositivo constitu-
cional utilize a expressão objetivos, na verdade, estão enumerados ali verdadeiros
princípios constitucionais; tanto é assim que a Lei 8.212/91, art. 1°, parágrafo único,
denomina-os de princípios e diretrizes.
Os princípios constitucionais da Seguridade Social são os seguintes:

3.1 Universalidade da cobertura e do atendimento (CF, art. 194,


parágrafo único, I)

Por universalidade da cobertura,entende-se que a proteção social deve


alcançar todos os riscos sociais que possam gerar o estado de necessidade. Riscos
sociais são os infortúnios da vida (doenças, acidentes, velhice, invalidez etc.), aos
quais qualquer pessoa está sujeita.
A universalidade do atendimentOí tem por objetivo tornar a Seguridade
Social acessível a todas as pessoas residentes no país, incl~sive e~trí!ngeiras.
Com relação à saúde, esse princípio é aplicado sem nenhuma restrição. No
tocante à assistência social, será aplicado para todas aquelas pessoas que necessitem
de suas prestações. E no tocante à Previdência Social, por ter caráter contributivo,
todos, desde que contribuam para o sistema, podem participar. Para atender a
esse princípio constitucional, foi criada, no Regime Geral de Previdência Social,
a figura do segurado facultativo. Assim, todos, mesmo que não exerçam atividade
remunerada, têm a cobertura previdenciária; para tanto, é necessário contribuir
para o sistema previdenciário.

6 Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos
e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base
nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
li - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
!li -seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V- equidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento;
VII- caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com partici-
pação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

Hugo Goes 24
Seguridade Social

3.2 Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços entre as


populações urbaras e rurais (CF, art. 194, parágrafo único, 11)

Esse princípio vem corrigir defeitos da legislação previdenciária rural que


sempre discriminava o trabalhador rural.
A uniformidade diz respeito às contingências que irão ser cobertas. A
equivalência refere-se ao aspecto pecuniário dos benefícios ou à qualidade dos
serviços, que não serão ne:::essariamente iguais, mas equivalentes. 7
Quando se fala e:n uniformidade, equivale dizer, portanto, que as mes-
mas contingências (morte, velhice, maternidade etc.) serão cobertas tanto para
os trabalhadores urbanos como para os rurais. Como exemplo de equivalência,
o valor mensal dos benefícios previdenciários que substituam o rendimento do
trabalho do segurado (urbano ou rural) nunca será inferior a um salário mínimo
(CF, art. 201, §2°). 8

3.3 Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e


serviços (CF, art 194, parágrafo único, 111)

A seletividade atua na delimitação do rol de prestações, ou seja, na escolha


dos benefícios e serviços a serem mantidos pela Seguridade Social, enquanto a dis-
tributividade direciona a atuação do sistema protetivo para as pessoas com maior
necessidade, definindo o grau de proteção. 9 Os benefícios da assistência social, por
exemplo, serão concedidos apenas aos necessitados; os benefícios salário-família
e o auxílio-reclusão só serão concedidos aos beneficiários de baixa renda (atual-
mente, para aqueles que tenham renda mensal inferior ou igual a R$ 1.089,72).10
Assim, compete ao legislador- com base em critérios equitativos de soli-
dariedade e justiça social e segundo as possibilidades econômico-financeiras do
sistema - definir quais be:1efícios serão concedidos a determinados grupos de
pessoas, em razão de especificidades que as particularizem.
Como se observa, esse princípio procura amenizar os efeitos do princípio
da universalidade. Destarte, os princípios da universalidade e da seletividade
devem ser aplicados de forma harmônica e equilibrada.

7 MARTINS, Sérgio Pinto. Op. cit., pp. 77-78.


8 § 2° Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado
terá valor mensal inferior ao salário mínimo.
9 BALERA, Wagner. Noções PrEliminares de Direito Previdenciário. São Paulo: Quarticr Latin, 2004, p. 87.
10 Valor atualizado, a partir de 1°/01/2015, pela Portaria MPS/MF 13, de 09/01/2015.

25 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

3.4 Irredutibilidade do valor dos benefícios (CF, art. 194,


parágrafo único, IV)

Na doutrina, não há consenso a respeito do significado do princípio da


irredutibilidade do valor dos benefícios, aplicado à Seguridade Social. Parte da
doutrina entende que seu objetivo é preservar o valor real do benefício. 11 Outra
parte entende que a sua finalidade é, simplesmente, impedir a diminuição do
valor nominal do benefício. 12
A interpretação que o Regulamento da Previdência Social (art. 1o, parágrafo
único, IV) dá a este princípio da Seguridade Social é a de que seu objetivo é a
preservação do poder aquisitivo do benefício, ou seja, a preservação do valor real.
Mas para o STF, não havendo diminuição do valor nominal, não procede
a alegação de ofensa ao princípio da irredutibilidade. Nesse sentido, confira o
seguinte julgado da Suprema Corte:

EMENTA: Servidor público militar: supressão de adicional


de inatividade: inexistência, no caso, de violação às garan-
tias constitucionais do direito adquirido e da irredutibili-
dade de vencimentos (CF, art. 37, XV). É da jurisprudência
do Supremo Tribunal que não há direito adquirido a regime
jurídico e que a garantia da irredutibilidade de vencimentos
não impede a alteração de vantagem anteriormente perce-
bida pelo servidor, desde que seja preservado o valor nomi-
nal dos vencimentos. 13

É verdade que a jurisprudência supra é relativa a proventos de inatividade de


servidor público militar. Mas a irredutibilidade do valor dos benefícios é princípio
equivalente ao da irredutibilidade dos vencimentos dos servidores públicos (CF,
art, 37, XV). Confira, agora, um julgado do STF a respeito de benefício do RGPS:

EMENTA: Previdência social. Irredutibilidade do benefício.


Preservação permanente de seu valor real.- No caso não houve
redução do benefício, porquanto já se firmou a jurisprudência

11 Esta é a posição defendida por Fábio Zambitte Ibrahim (2008, p. 58), Marcelo Leonardo Tavares (2004,
p. 5), Kerlly Huback Bragança (2006, p. 14), Ivan Kertzman (2005, p. 27), !talo Romano Eduardo e Jeane
Tavares Aragão Eduardo (2008, p. 20).
12 Esta é a posição defendida por Sérgio Pinto Martins (2002, p. 78), Carlos Alberto Pereira de Castro e João
Batista Lazzari (2008, p. 101), Daniel Machado da Rocha e José Paulo Baltazar Júnior (2006, p. 40).
13 STF, AI-AgR 618777/RJ, Rei. Min. Sepúlveda Pertence, 1• T., DJ 03/08/2007.

HugoGoes 26
Seguridade Social

desta Corte no sentido de que o princípio da irredutibilidade é


garantia contra a redução do "quantum" que se recebe, e não
daquilo que se pretende receber para que não haja perda do
poder aquisitivo em decorrência da inflação. - De outra parte,
a preservação permanente do valor real do benefício e, por-
tanto, a garantia contra a perda do poder aquisitivo - se faz,
como preceitua o artigo 201, § 2", da Carta Magna, conforme
critérios definidos em lei, cabendo, portanto, a esta estabelecê-
-los. Recurso extraordinário não conhecido. 14

Nesse mesmo sentido, colaciono a seguinte decisão do Tribunal Regional


Federal da 4• Região:

PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. URV. CONVERSÃO DOS BENE-


FÍCIOS. PRINCÍPIO DA IRREDUTIBILIDADE. INEXISTÊNCIA
DE VIOLAÇÃO. l. Não há que se falar em inconstitucionali-
dade do termo "nominal" do inciso I, do artigo 20, da Lei
n" 8.880/94, a partir da decisão exarada pelo Plenário do
Excelso Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE
n" 313.382-9/SC. 2. Não havendo demonstração da ocorrên-
cia de redução do valor nominal do benefício (em moeda
corrente), não procede a alegação de ofensa ao princípio da
irredutibilidade preconizado no art. 194, IV da CF/88. 15

Nessa linha de raciocínio, o princípio da irredutibilidade assegura apenas


que o benefício legalmente concedido- pela Previdência Social ou pela Assistên-
cia Social- não tenha seu valor nominal reduzido. 16 Assim, uma vez definido o
valor do benefício, este não pode ser reduzido nominalmente, salvo se houve erro
na sua concessão.
Fica claro que, conforme a jurisprudência predominante no STF, o prin-
cípio da irredutibilidade veda apenas a redução do valor nominal dos benefícios.
Mas se o benefício for concedido em desacordo com a lei, até mesmo o valor
nominal poderá ser reduzido. O STF entende que "a redução de proventos de

14 STF, RE 263252/PR, Rei. Min. Moreira Alves, 1' T., DJ 23/06/2000. Vale frisar que a redação original do
§2° do art. 201 da CF corresponde à atual redação do §4• do mesmo artigo.
15 Agr. Regimental na Apelação Cível, Processo 2003.71.00.082188-8, DJ 28/09/2005, p. 1024.
16 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Op. cít., p. 90.

27 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

aposentadoria, quando concedida em desacordo com a lei, não ofende o princípio


da irredutibilidade". 17
Vale ressaltar que, em relação aos benefícios previdenciários, o §4° do art. 201
da Constituição Federal, assegura "o reajustamento dos benefícios para preserva-lhes,
em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos em lei".
Assim, em relação aos benefícios previdenciários, o princípio da irre-
dutibilidade (CF, art. 194, parágrafo único, IV) é garantia contra a redução do
valor nominal, e o §4° do art. 201 da Carta Magna assegura o reajustamento
para preservar o valor real. Mas estes dois dispositivos constitucionais têm
significados distintos, não devendo ser confundidos. O primeiro é o princípio da
irredutibilidade, aplicado à Seguridade Social (engloba benefícios da previdên-
cia e da assistência social). O segundo é o princípio da preservação do valor real
dos benefícios, aplicado somente à Previdência Social. O princípio da irreduti-
bilidade, por si só, não assegura reajustamento de benefícios. O que assegura o
reajustamento dos benefícios do RGPS, de acordo com critérios definidos em lei
ordinária, é o princípio da preservação do valor real dos benefícios, previsto no
§4° do art. 201 da Constituição. A separação desses dois princípios fica evidente
no seguinte julgado do STF:

EMENTAS: (...) 2. PREVIDÊNCIA SOCIAL. Reajuste de benefí-


cio de prestação continuada. Índices aplicados para atuali-
zação do salário de benefício. Arts. 20, § 1° e 28, §5°, da Lei
no 8.212/91. Princípios constitucionais da irredutibilidade do
valor dos benefícios (Art. 194, IV) e da preservação do valor
real dos benefícios (Art. 201, § 4°). Não violação. Precedentes.
Agravo regimental improvido. Os índices de atualização dos
salários de contribuição não se aplicam ao reajuste dos bene-
fícios previdenciários de prestação continuada.18

Esse tema também tem gerado polêmicas em provas de concursos públicos.


A título de exemplo, vejamos três questões que abordam o tema em tela:

17 STF, MS 25552/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJ 30/05/2008.


18 STF, AI-AgR 590177/SC, Rel. Min. Cezar Peluso, 2' T., D] 27/04/2007, p. 96.

Hugo Goes 28
Seguridade Social

O1. (Juiz Federal/TRF-1 "/Cespe/20 13) Com relação à seguridade social e seus princípios; assinale
a opção correta.

a) A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos pode-


res públicos e da sociedade destinadas a assegurar os· direitos relativos ao trabalho, 'à
saúde, à previdência e à assistência ·social.
b) A 'gestão tripartite do sistema previdenciário, com participação dos trabalhadores, dos
empregadores e dos aposentados e decorrente do caráter democrático e descentralizado·
da administração, garante a segurança e a moralidade na administração desse sistema.
c) O equilíbrio financeiro e atuarial do sistema previdenciário consiste na observação dos cri-
térios que preservem a sua solvência financeira, de modo a fornecer segurança e tranquili-
dade aos segurados e garantir o fomento público em situações de instabilidade econômica.
d) Constituem objetivos da seguridade social a universalidade e a uniformidade da cober-
tura e do atendimento e a inequidade na forma de participação no .custeio.
e) Segundo a jurisprudência majoritária do STF, o princípio da irredutibilidade do valor dos
benefícios refere-se apenas ao valor nominal desses benefícios, não resultando na garantia
da concessão de reajustes periódicos, característica relativa à preservação do valor real.
Gabarito: E
02. (Defensor Público/Rondônia/Cespe/20 12) Com relação aos princípi?s e objetivos que norteiam
a seguridade social no Brasil, assinale a opção correta.

a) Com relação à seletividade e distributividade na prestação dós benefícios


< • ~ ' .1; '
'· ' ' '
e serviços,
~ '
o
legislador ordinário deve escolher os eventos que serão cobertos pela previâêÍKia sócia!,
levando em conta as possibilidades econômicas dos segurados.
b) As populações urbanas e rurais devem receber tratamento unifor~e e equivalente com
relação aos benefícios e serviços, .de forma a repararjnjustiça .l1istódca c:om os trabalha-
dores rurais, porém, devido à reduzida capacidade de contribl.liç?o desses tr~balhadores,
a concessão dos benefícios deve exigir um maior período~e çar~nçi.a... ··• · · .·
c) A irredutibilidade do valor dos ben~fícibs tem como es~op6'fi~~antir que<~:ren4a dos
benefícios previdenciários prese~e seu valor real segundo ctitétios est~belead6s por
lei, sem qualquer vinculação ao salário mínimo, dada avedaÇâo'de sciavincul~Ç~() para
qualquer fim.
d) No que concerne à diversidade da base de financiamento, a seguridade social deve ser·
financiada por toda a sociedade, de forma direta, mediante contribuições provenientes
do trabalhador, da empresa e da entidade a ela equiparada, da União e dos demais segu-
rados e aposentados da previdência social e, ainda, das contribuições sobre a receita de
concursos de prognósticps:
e) O custeio da seguridade social deve ser equânime, dadas .as possibiHdades de cada u.m.
Lei complementar g<lrapte às, e!llpresas o repasse do ,custo ,da contrib1Iição aos p~(!ÇOS
praticados no merd&,; . , ·' · . ' • · .. ·. ·

Gabarito: C

29 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

03. (Juiz clp Trabalho/TRT-1"/FCC/2011) Está(ão) entre os princípios da seguridade social:


a) o caráter democrático e descentralizado da admin:stração, mediante gestão quadri-
partite, com necessária participação de trabalhadores, empregadores, aposentados e
Governo em órgãos públicos colegiados e de execução direta das ·prestações.
b) a irredutibilidade do valor dos benefícios, restrita ao aspecto nominal.
c) a uniformidade e equivalência dos benefícios, à exceçã:J dos oferecidos à população rural.
d) a.seletividade e contributividade na prestação dos benefícios e serviços.
e) a universalidade da proteção, quanto aos eventos sociais cobertos e ao atendimento da
população.
Gabarito: E

Na questão 01, o examinador manda julgar a letra E "segundo a jurisprudên-


cia majoritária do STF". Por isso, essa foi a alternativa considerada como correta,
pois, de acordo com a jurisprudência do STF, o princípio da irredutibilidade do
valor dos benefícios refere-se apenas ao valor nominal.
Na letra C da questão 02, o enunciado n2.o faz nenhuma referência à
jurisprudência. Além disso, a assertiva refere-se, especificamente, à "renda dos
benefícios previdenciários". A Lei 8.213/91 estabelece como sendo um dos prin-
cípios da Previdência Social a "irredutibilidade do valor dos benefícios de forma
a preservar-lhes o poder aquisitivo" (art. 2°, V). Por esses motivos, a letra C da
questão 02 foi considerada correta.
Na letra B da questão 03, o enunciado não faz nenhuma referência à juris-
prudência. Por isso, a banca examinadora considerou o enunciado da letra B
errado, já que o gabarito dessa questão foi a letra E.
Diante das questões transcritas, podemos observar que quando a questão
faz referência à jurisprudência do STF, o candidato deve considerar que o prin-
cípio da irredutibilidade do valor dos benefícios assegura apenas que o benefício
legalmente concedido não tenha seu valor nominal reduzido.
Todavia, se a questão de concurso não fizer nenhuma referência à jurispru-
dência, afirmando simplesmente que o princípio da irredutibilidade do valor dos
benefícios visa à preservação do seu poder aquisitivo, o candidato deve considerar
a questão como verdadeira, pois, apesar de não ser a orientação do STF, este é o
entendimento dado pela redação do art. l parágrafo único, IV, do Regulamento
0
,

da Previdência Social.
Se a questão tratar, especificamente, de benefícios previdenciários, sem
fazer nenhuma referência à jurisprudência, o candidato também deve considerar
que o princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios visa à preservação do

HugoGoes 30
Seguridade Social

poder aquisitivo do benefício, ou seja, a preservação do seu valor real, pois isso é
o que estabelece a Lei 8.213/91, em seu art. 2°, V.

3.5 Equidade na forma de participação no custeio (CF, art. 194,


parágrafo único, V)

Esse princípio é um desdobramento do princípio da igualdade (CF/88, art.


5°) que consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na
medida de suas desigualdades. Tratar com igualdade os desiguais seria aprofundar
as desigualdades; não é esse o objetivo da Seguridade Social.
Em relação ao custeio da Seguridade Social, significa dizer que quem tem
maior capacidade econômica irá contribuir com mais; quem tem menor capaci-
dade contribuirá com menos.
Seguindo essa orientação, o §9o do art. 195 da CF (na redação dada pela EC
47, de 5/7/2005) dispõe que as contribuições para a Seguridade Social a cargo das
empresas poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da
atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa
ou da condição estrutural do mercado de trabalho.
A Lei 8.212/91 prevê alguns exemplos de equidade: as contribuições das
empresas têm alíquotas maiores que a dos segurados, as instituiçôes financeiras
contribuem para a Seguridade Social com alíquotas mais elevadas do que as empre-
sas em geral, já as microempresas e empresas de pequeno porte contribuem de
forma mais simplificada e favorecida (Lei Complementar 123/2006), os segurados
empregados, trabalhadores avulsos e empregados domésticos têm alíquotas pro-
gressivas (8%, 9% ou ll%)- quanto maior a remuneração maior será a alíquota.
Apesar de existir na legislação previdenciária alguns exemplos de equidade
na forma de participação no custeio da Seguridade Social, este princípio constitu-
cional não é uma norma de eficácia plena. Trata-se de uma norma programática:
é uma meta a ser alcançada, e não uma regra concreta.

3.6 Diversidade da base de financiamento (CF, art. 194,


parágrafo único, VI)

A Seguridade Social tem diversas fontes de custeio, assim, há maior segu-


rança para o sistema, em caso de dificuldade na arrecadação de determinadas
contribuições, haverá outras para lhes suprir a falta.

31 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

De acordo com o caput do art. 195 da Constituição Federal, a Seguridade


Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos
da lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos municípios, e das seguintes contribuições sociais:
I. do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma
da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste ser-
viço, mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro;
li. do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não
incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo
Regime Geral de Previdência Social;
III. sobre a receita de concursos de prognósticos.
IV. do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele
equiparar.

O §4° do art. 195 da Constituição Federal ainda prevê que "a lei poderá
instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguri-
dade social, obedecido o disposto no art. 154, I". Ou seja, além das contribuições
sociais previstas nos quatro incisos do caput do art. 195 da Constituição Federal,
outras fontes de custeio da Seguridade Social poderão ser instituídas. Trata-se,
aqui, das chamadas contribuições residuais. Para que estas contribuições sejam
instituídas, é necessário que se obedeça ao disposto no art. 154, I, da Constitui-
ção Federal, cuja redação é a seguinte: "Art. 154. A União poderá instituir: I -
mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que
sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados nesta Constituição".
O STF entende que, em relação às novas contribuições para a Seguridade
Social, aplica-se somente a primeira parte do inciso I do artigo 154 da Carta Magna.
Ou seja, contribuição para a Seguridade Social que não esteja prevista nos quatro
incisos do art. 195 da CF só pode ser criada mediante lei complementar. Pode,
contudo, ter base de cálculo e fato gerador idênticos aos de impostos. No tocante
à não cumulatividade, o STF entende que essa exigência só pode dizer respeito à
técnica de tributação que afasta a cumulatividade em impostos polifásicos como

Hugo Goes 32
Seguridade Social

o ICMS e o IPI. A cumulativídade não ocorre em contribuição cujo ciclo de inci-


dência é monofásico. Nesse sentido, confira o seguinte julgado da Suprema Corte:

EMENTA: Contribuição social. Constitucionalidade do


artigo 1°, I, da Lei Complementar no 84/96. - O Plenário
desta Corte, ao julgar o RE 228.321, deu, por maioria de
votos, pela constitucionalidade da contribuição social, a
cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive coopera-
tivas, incidente sobre a remuneração ou retribuição pagas
ou creditadas aos segurados empresários, trabalhadores
autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, objeto do
artigo 1°, I, da Lei Complementar no 84/96, por entender
que não se aplica às contribuições sociais novas a segunda
parte do inciso I do artigo 154 da Carta Magna, ou seja, que
elas não devam ter fato gerador ou base de cálculos pró-
prios dos impostos discriminados na Constituição. - Nessa
decisão está ínsita a inexistência de violação, pela contri-
buição social em causa, da exigência da não cumulativi-
dade, porquanto essa exigência - e é este, aliás, o sentido
constitucional da cumulatividade tributária- só pode dizer
respeito à técnica de tributação que afasta a cumulatividade
em impostos como o ICMS e o IPI - e cumulatividade que,
evidentemente, não ocorre em contribuição dessa natu-
reza cujo ciclo de incidência é monofásico -, uma vez que
a não cumulatividade no sentido de sobreposição de inci-
dências tributárias já está prevista, em caráter exaustivo;
na parte final do mesmo dispositivo da Carta Magna, que
proíbe nova incidência sobre fato gerador ou base de cál-
culo próprios dos impostos discriminados nesta Constitui-
ção. - Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido.
Recurso extraordinário não conhecido.19

Em suma, se a contribuição para a Seguridade Social estiver prevista nos


quatro incisos do art. 195 da Constituição Federal, ela poderá ser instituída
mediante lei ordinária. Em caso contrário, só poderá ser instituída mediante lei
complementar. Nesse sentido, confira a seguinte decisão do STF:

CoNSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CoNTRIBUIÇÕES sociAis.


CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS

19 STF, RE 258470/RS, Rel. Min. Moreira Alves, !• T, DJ 12/05/2000.

33 Capítulo 1
JURÍDICAS. Lei n<> 7.689, de 15.12.88. L Contribuições para-
fiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção
e contribuições corporativas. CF, art. 149. Contribuições
sociais de seguridade social. CF, arts. 149 e 195. As diversas
espécies de contribuições sociais. li. A contribuição da Lei
no 7.689, de 15.12.88, é uma contribuição social instituída
com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições
do art. 195, I, li, III, da Constituição, não exigem, para a
sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do
parágrafo 4" do mesmo art. 195 é que exige, para a sua ins-
tituição, lei complementar, dado que essa instituição deverá
observar a técnica da competência residual da União (CF,
art. 195, § 4°; CF, art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei
complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não
são impostos, não há necessidade de que a lei complementar
defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (CF,
art. 146, III, "a"). Ill. Adicional ao imposto de renda: clas-
sificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita
integrar o orçamento fiscal da União. O que importa é que
ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei
no 7.689/88, art. 1°). V. Inconstitucionalidade do art. 8°, da
Lei no 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade
(CF, art, 150, III, "a") qualificado pela inexigibilidade da
contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação
da lei (CF, art. 195, § 6°). Vigência e eficácia da lei: distinção.
VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido,
declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8° da
Lei no 7.689, de 1988. 20

3.7 Caráter democrático e descentralizado da administração-


gestão quadripartite (CF, art. 194, parágrafo único, VIl)

Nos termos do art. 10 da Constituição Federal, "é assegurada a participação


dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgão públicos em que seus
interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação".
Em harmonia com esse dispositivo constitucional, a CF, art. 194, parágrafo único,
VII, assegura, para a Seguridade Social, "caráter democrático e descentralizado

20 STF, RE 138284/CE, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, DJ 28/12/92. Na época em que esta deci-
são foi proferida, o art. 195 da CF só tinha três incisos. O inciso IV foi incluído pela EC 42/2003.

HugoGoes 34
da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalha-
dores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgão colegiados".
De acordo com este princípio, a gestão dos recursos, programas, planos,
serviços e ações, nas três áreas da Seguridade Social, em todas as esferas de poder,
deve ser realizada mediante discussão com a sociedade.
Podemos citar como exemplo da materialização desse princípio a criação
do Conselho Nacional de Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 3°); do Conselho
Nacional de Assistência Social (Lei 8.742/93, art. 17); e do Conselho Nacional de
Saúde (Lei 8.080/90).

3.8 Preexistência do custeio em relação ao benefício ou serviço


(CF, art. i95, §5°)

Nos termos do §5° do art. 195 da Constituição Federal, "nenhum benefício


ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a
correspondente fonte de custeio total".
Esse princípio tem como objetivo assegurar o equilíbrio financeiro da
Seguridade Social: o caixa da Seguridade Social só pode pagar o benefício se
existir dinheiro para isso.
Perceba-se que esse princípio se aplica não somente à Previdência Social,
mas à Seguridade Social como um todo. Assim, será inconstitucional a lei que criar
um benefício, previdenciário ou assistencial, sem também criar a fonte de custeio.
O Supremo Tribunal Federal possui entendimento de que o art. 195, §5°, da
CF/88, somente diz respeito à Seguridade Social financiada por toda a sociedade,
sendo alheio às entidades de previdência privada (RE 583687 AgR/RS, Rel. Min.
Ellen Grade, 2a Turma, DJe-076, 25/04/2011).

3.9 Anterioridade nonagesimal (CF, art. i95, §6°)

As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social só


poderão ser exigidas depois de decorridos noventa dias da data da publicação da
lei que as houver instituído ou modificado (CF, art. 195, §6°). Trata-se, aqui, do
princípio da anterioridade nonagesimal, também conhecido como princípio da
noventena ou da anterioridade mitigada.

35 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

As modificações que estão sujeitas à anterioridade nonagesimal são as que


representem uma efetiva onerosidade para o contribuinte. As modificações menos
onerosas ao contribuinte podem ser aplicadas desde a entrada em vigor da lei nova.
O princípio da anterioridade nonagesimal tem como objetivo proteger o contri-
buinte contra o fator surpresa. A noventena é o tempo necessário para que o contribuinte
ajuste seu planejamento financeiro, visando ao pagamento da contribuição.
Para os demais tributos, com algumas exceções, além da anterioridade
nonagesimal, aplica-se também o princípio da anterioridade anual (ou anteriori-
dade do exercício). De acordo com o princípio da anterioridade anual, os tributos
não podem ser cobrados no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada
a lei que os instituiu ou aumentou (CF, art. 150, III, "b"). Para as contribuições
destinadas à Seguridade Social, o princípio da anterioridade anual não se aplica.
Para estas contribuições, aplica-se apenas a anterioridade nonagesimal.
O STF entende que a lei que se limita simplesmente a mudar o prazo de
recolhimento da contribuição social (ou de qualquer outro tributo) não se submete
ao princípio da anterioridade nonagesimal (também não se submete à anterioridade
anual). Para firmar este entendimento, o STF editou a súmula 669: "norma legal que
altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da
anterioridade". Neste mesmo sentido, confira o seguinte julgado da Suprema Corte:

EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PRO-


CESSUAL CIVIL. PIS. FINSOCIAL. PRAZO DE RECOLHIMENTO.
ALTERAÇÃO PELA LEI N° 8.218, DE 29/08/91. ALEGADA CON-
TRARIEDADE AO ART. 195, §6°, DA CONSTITUIÇÃO FEDE-
RAL. 1. Examinando questão idêntica, decidiu a 1" Turma:
"Improcedência da alegação de que, nos termos do art. 195,
§ 6°, da Constituição, a lei em referência só teria aplicação
sobre fatos geradores ocorridos após o término do prazo
estabelecido pela norma. A regra legislativa que se limita
simplesmente a mudar o prazo de recolhimento da obriga-
ção tributária, sem qualquer repercussão, não se submete
ao princípio da anterioridade. Recurso extraordinário
conhecido e provido". 2. Precedentes de ambas as Turmas,
nos quais têm sido rejeitados os argumentos em contrário,
ora renovados pela agravante. 3. Agravo improvido. 21

21 STF, RE-AgR 274949/SC, Rel. Min. Sydney Sanches, DJ 27/03/1998, p. 514.

Hugo Goes 36
Seguridade Social

Questão polêmica, :::.respeito da aplicação da anterioridade nonagesimal, é a


data de início da contagem dos 90 dias no caso de uma contribuição para a Seguri-
dade Social ter sido majorada por Medida Provisória. Poderíamos entender que a
noventena só seria iniciada a partir da data da publicação da lei de conversão. Mas o
STF entende que "o prazo nonagesimal (CF, art. 195, §6°) é contado a partir da publi-
cação da Medida Provisória que houver instituído ou modificado a contribuição". 22

3.10 Solidariedade (CF, art. 3°, I, e caput do art. 195)

"Construir uma sociedade livre, justa e solidária": esse é um dos objetivos


fundamentais da República Federativa do Brasil (CF/88, art. 3°, I).
Em harmonia com esse princípio constitucional, o caput do art. 195 da
CF/88 estabelece que "a seguridade social será financiada por toda a sociedade,
de forma direta e indireta, nos termos da lei." Aqueles que têm melhores condi-
ções financeiras devem contribuir com uma parcela maior, os que têm menores
condições financeiras contribuem com uma parcela menor, os que ainda estão
trabalhando contribuem para o sustento dos que já se aposentaram ou estejam
incapacitados para o trabalho, enfim, vários setores da sociedade participam do
esforço arrecadatório em benefício das pessoas mais carentes.
É esse princípio que permite que as pessoas portadoras de deficiência e
os idosos com mais de 65 anos, quando não possuem meios de prover a própria
manutenção e nem de tê-la provida por sua família, sejam amparados pela assis-
tência social através do benefício de prestação continuada, que corresponde a
uma renda mensal de um salário mínimo, mesmo sem nunca terem contribuído
para a Seguridade Social.
Esse princípio também justifica, por exemplo, o fato de um trabalhador
que, no seu primeiro dia de trabalho, sofreu um acidente e ficou definitivamente
incapaz para o trabalho, se aposentar por invalidez, mesmo sem ter qualquer
contribuição recolhida para a Seguridade SociaL

4 Dispositivos constitucionais referentes à Previdência Social

Os princípios constitucionais da Seguridade Social também são aplicados à


Previdência Social, já que esta é parte integrante daquela. Há, no entanto, alguns

22 STF, RE-AgR 453490/SP, Rei. Mín. Ricardo Lewandowskí, I' T, Dj 10/1112006, p. 817.

37 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

dispositivos constitucionais que são aplicados, de forma restrita, à Previdência


Social. São os seguintes:

4.1 Caráter contributivo

A Previdência Social, nos termos do art. 201 da Constituição Federal, tem


caráter contributivo. 23 Assim, para fazer jus aos benefícios previdenciários é
necessário que o segurado contribua financeiramente para o regime.
Das três áreas integrantes da Seguridade Social (previdência social, assis-
tência social e saúde), a única que tem caráter contributivo é a Previdência Social.
Saúde e assistência social independem de contribuição. Ou seja, nestes
segmentos, o beneficiário não precisa comprovar qualquer tipo de recolhimento
para a Seguridade Social. Apesar de serem prestadas independentemente de
contribuição, a saúde e a assistência social possuem fontes de custeio, que são
oriundas das contribuições sociais arrecadadas de toda a sociedade.

4.2 Filiação obrigatória

O art. 201 da Constituição Federal menciona que a filiação à Previdência


Social é obrigatória. Assim, exercendo o trabalhador algwna atividade remunerada
abrangida pelo RGPS, será obrigatoriamente filiado a este regime previdenciário.
No tocante àquelas pessoas que não exercem atividade remunerada, a
Constituição permite a filiação de forma facultativa.

4.3 Equilíbrio financeiro e atuarial

O caput do art. 201 da Constituição Federal também determina que, em


relação à Previdência Social, sejam observados critérios que preservem o equilí-
brio financeiro e atuarial do sistema.
Equilíbrio financeiro é a garantia de equivalência entre as receitas auferida;;
e as obrigações do regime previdenciário em cada exercício financeiro.

23 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de
filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial.

Hugo Goes 38
Seguridade Social

Equilíbrio atuarial é a garantia de equivalência, a valor presente, entre o


fluxo das receitas estimadas e das obrigações projetadas; apuradas atuarialmente,
a longo prazo.

4.4 Garantia do benefício mínimo

Nos termos do art. 201, §2°, da CF/88, "nenhum benefício que substitua
o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor
mensal inferior ao salário mínimo".
De acordo com esse dispositivo constitucional, os benefícios que não podem
ter renda mensal inferior ao salário mínimo são somente aqueles que substituem
o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho. Assim, benefícios como
salário-família e o auxílio-acidente podem ter renda mensal inferior ao salário
mínimo, pois nestes casos, o beneficiário recebe, concomitantemente, o benefício
previdenciário (pago pelo INSS) e o rendimento do seu trabalho (pago pela
empresa). Os citados benefícios não substituem a renda mensal do trabalhador,
por isso, podem ser inferiores ao salário mínimo.
Assim, não terão valor inferior ao salário mínimo os benefícios de presta-
ção continuada pagos pela Previdência Social correspondentes a aposentadorias,
auxílio-doença, auxílio-reclusão (valor global) e pensão por morte (valor global).

4.5 Atualização monetária dos salários de contribuição

Todos os salários de contribuição considerados para o cál-


culo de benefício serão devidamente atualizados, na forma
da lei (CF/88, art. 201, § 3°).

A Lei 8.213/91, art. 29-B, regulamenta esse dispositivo constitucional, deter-


minando que "os salários de contribuição considerados no cálculo do valor do
benefício serão corrigidos mês a mês de acordo com a variação integral do índice
Nacional de Preços ao Consumidor- INPC, calculado pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE".

39 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

4.6 Preservação do valor real dos benefícios

Em relação à Previdência Social, além da irredutibilidade do valor dos bene-


fícios (CF, art. 194, parágrafo único, IV), a Constituição Federal também assegura
"o reajustamento dos benefícios para preserva-lhes, em caráter permanente, o
valor real, conforme critérios definidos em lei" (CF, art. 201, §4°).
"O Supremo Tribunal já fixou o entendimento de que a Constituição Federal
assegurou tão somente o direito ao reajuste do benefício previdenciário, atribuindo
ao legislador ordinário a fixação de critérios para a preservação de seu valor real
-o que foi implementado pelas Leis 8.212 e 8.213/91" (STF, RE 459.794, Rel. Min.
Ellen Gracie, DJ 30/09/2005).
De acordo com as regras vigentes, o valor dos benefícios em manutenção
será reajustado, anual mente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, pro
rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do último reajustamento,
com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, apurado pela
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (Lei 8.213/91,
art. 41-A, caput).

A adoção do INPC, como índice de reajuste dos benefícios


previdenciários, não ofende a norma do art. 201, §4°, da
Carta de Outubro (STF, RE 376.145, Rei. Min. Carlos Britto,
DJ 28/11/2003).

4.7 Contagem recíproca do tempo de contribuição

Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recí-


proca do tempo de contribuição na administração pública
e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que
os diversos regimes de previdência social se compensarão
financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei
(CF, art. 201, § 9°).

A Previdência Social é composta por dois regimes básicos: o RGPS e os


Regimes Próprios de Previdência. A pessoa que, por exemplo, contribuiu durante
um determinado período para o RGPS e que, posteriormente, se filiou a um
regime próprio, para se aposentar pelo regime próprio, poderá computar o seu
tempo de contribuição para o RGPS. Na situação inversa, o segurado também

Hugo Goes 40
Seguridade Social

terá assegurada a contagem recíproca. Nesses casos, para fins de concessão dos
benefícios, os diferentes regimes de previdência se compensarão financeiramente.
O tempo de serviço rural também pode ser objeto de contagem recíproca
de tempo de contribuição, para fins de concessão de aposentadoria em regime
próprio de previdência, desde que sejam recolhidas as respectivas contribuições
previdenciárias. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STF:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. SERVIDOR PÚBLICO. PRE-


VIDENCIÁRIO. CONTAGEM RECÍPROCA. ART. 201, § 9°, DA
CONSTITUIÇÃO. TEMPO DE SERVIÇO RURAL. CONTRIBUI-
ÇÕES. INSTITUIÇÃO. ALEGADA OFENSA AO ART. 146, III, 'A' E
AO ART. 154, I, DA CoNSTITUIÇÃO. AusÊNCIA DE PREQUES-
TIONAMENTO. ENUNCIADOS 282 E 356 DA SÚMULA/STF.
COMPROVAÇ.:\0 DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES.
NECESSIDADE. PRECEDENTES. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NO
ART. 5°, XXXVI, DA CoNSTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA. No que
diz respeito à aposentadoria no serviço público, a pacífica
jurisprudência desta Corte entende que o art. 201, § 9°, da
Constituição subordina o aproveitamento do tempo de
serviço rural à prova do recolhimento das contribuições
devidas. Agravo regimental a que se nega provimento. 24

O benefício resultante de contagem recíproca de tempo de contribuição será


concedido e pago pelo sistema a que o interessado estiver vinculado ao requerê-lo,
e calculado na forma da respectiva legislação (Lei 8.213/91, art. 99):

4.8 Proibição de critérios diferenciados para concessão de


aposentadoria

É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de


aposentadoria aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, ressalvados
os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde
ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência,
nos termos definidos em lei complementar (CF/88, art. 201, §1°- redação dada
pela EC 47, de 5/7/2005).

24 STF, AI 735130 AgR/RS, Rei. Min. Joaquim Barbosa, 2' Turma, DJe-069, 11/04/2011.

41 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Esse dispositivo constitucional proíbe o legislador ordinário de adotar regras


diferenciadas para concessão de aposentadorias para os beneficiários do RGPS,
evitando, assim, favorecimentos indevidos e assegurando tratamento equânime
a todos os segurados. Esse princípio também é aplicado aos regimes próprios
(CF/88, art. 40, §4°).
A Constituição abre, no entanto, uma exceção, no sentido de assegurar um
tratamento diferenciado aos trabalhadores que exercem atividades em condições
que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados
portadores de deficiência.
Os trabalhadores que exercem atividades em condições que prejudiquem a
saúde ou a integridade física, em razão da exposição a agentes nocivos (químicos,
físicos ou biológicos), têm sua capacidade laborativa recuzida mais rapidamente.
Por isso, têm direito a uma aposentadoria especial, que será devida, uma vez
cumprida a carência exigida, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante quinze, vinte
ou vinte e cinco anos. A aposentadoria especial conced:da pelo RGPS é regulada
pelos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91.
A aposentadoria diferenciada a ser concedida aos segurados portadores de
deficiência foi introduzida pela Emenda Constitucional47, de 5/7/2005. Essa apo-
sentadoria foi regulamentada pela Lei Complementar 142, de 8 de maio de 2013.

4.9 Sistema especial de inclusão previdenciária

O §12 do art. 201 da Constituição Federal (na redação dada pela EC 47)
permite a criação, mediante lei, de um sistema especial de inclusão previdenciá-
ria para atender a trabalhadores de baixa renda e àqueles sem renda própria que
se dediquem exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência,
desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a bene-
fícios de valor igual a um salário mínimo.
O §l3 do art. 201 da CF (acrescentado pela EC 47) dispõe que o sistema espe-
cial de inclusão previdenciária de que trata o §12 terá alíquotas e carências inferiores
às vigentes para os demais segurados do Regime Geral de Previdência Social.
Em atendimento parcial aos dispositivos constitucionais acima citados,
o §2° do art. 21 da Lei 8.212/91 estabelece o seguinte:

§ zo No caso de opção pela exclusão do direito ao benefício


de aposentadoria por tempo de contribuição, a alíquota de

Hugo Goes 42
Seguridade Social

contribuição incidente sobre o limite mínimo mensal do


salário de contribuição será de:
I- 11% (onze por cento), no caso do segurado contribuinte
individual, ressalvado o disposto no inciso II, que trabalhe
por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou
equiparado e do segurado facultativo, observado o disposto
na alínea b do inciso I! deste parágrafo;
II- 5% (cinco por cento):
a) no caso do microempreendedor individual, de que trata o
art. 18-A da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro
de 2006; e
b) do segurado facultativo sem renda própria que se dedi-
que exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua
residência, desde que pertencente a família de baixa renda

Pode-se dizer que o §2° do art. 21 da Lei 8.212/91 criou, em parte, o sistema
especial de inclusão previdenciária. De acordo com esse dispositivo legal, as alí-
quotas são reduzidas, mas não há redução na carência.

4.10 Previdência Complementar facultativa

Como o RGPS possui um limite máximo para a renda mensal dos benefícios,
aqueles que desejam complementar seus rendimentos deverão, facultativamente,
aderir a alguma entidade de Previdência Complementar aberta ou fechada, cus-
teada por contribuições adicionais (CF/88, art. 202).

5 Organização da Seguridade Social

Conforme dispõe a Constituição Federal, art. 194, VII, a gestão adminis-


trativa da Seguridade Social é quadripartite, com participação dos trabalhadores,
dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgão colegiados.
As áreas de saúde, previdência social e assistência social serão organizadas
em conselhos setoriais, com representantes da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos municípios e da sociedade civil.
São órgãos colegiados da Seguridade Social: o Conselho Nacional da Pre-
vidência Social (CNPS), os Conselhos de Previdência Social (CPS), o Conselho

43 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

de Recursos da Previdência Social (CRPS), o Conselho Nacional de Assistência


Social (CNAS) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Neste capítulo será estudado o CNPS, os CPS e o CRPS. O CNAS será
estudado no capítulo referente à Assistência Social.

5.1 Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS

O CNPS, órgão superior de deliberação colegiada, criado pela Lei 8.213/91 (art.
3°), possui como objetivo precípuo o estabelecimento do caráter democrático e des-
centralizado da gestão administrativa, com a participação do governo e da sociedade.

5.1.1 Composição do CNPS

b,repi:esel1.tànt~s do .
~~'%/nó'tedei~f' ', :·

Os membros do CNPS e seus respectivos suplentes serão nomeados pelo


presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade civil man-
dato de 2 (dois) anos, podendo ser reconduzidos, de imediato, uma única vez (Lei
8.213/91, art. 3°, §1 °).
Os representantes dos trabalhadores em atividade, dos aposentados, dos
empregadores e seus respectivos suplentes serão indicados pelas centrais sindicais
e confederações nacionais (Lei 8.213/91, art. 3°, §2°).

Hugo Goes 44
Seguridade Social

5.i .2 Competência do CNPS

De acordo com o disposto no art. 296 do Regulamento da Previdência Social


(RPS), compete ao Conselho Nacional de Previdência Social:

estabelecer diretrizes gerais e apreciar as decisões de


políticas aplicáveis à previdência social;
II - participar, acompanhar e avaliar, sistematicamente, a
gestão previdenciária;
III - apreciar e aprovar os planos e programas da previdên-
cia social;
IV - apreciar e aprovar as propostas orçamentárias da pre-
vidência social, antes de sua consolidação na proposta orça-
mentária da Seguridade Social;
V - acompanhar e apreciar, mediante relatórios gerenciais
por ele definidos, a execução dos planos, programas e orça-
mentos no âmbito da previdência social;
VI - acompanhar a aplicação da legislação pertinente à pre-
vidência social;
VII- apreciar a prestação de contas anual a ser remetida ao Tri-
bunal de Contas da União, podendo, se for necessário, contratar
auditoria externa;
VIII - estabelecer os valores mínimos em litígio, acima dos
quais será exigida a anuência prévia do procurador-geral ou
do presidente do INSS para formalização de desistência ou
transigência judiciais;
IX - elaborar e aprovar seu regimento interno;
X - aprovar os critérios de arrecadação e de pagamento dos
benefícios por intermédio da rede bancária ou por outras
formas; e
XI - acompanhar e avaliar os trabalhos de implantação e
manutenção do Cadastro Nacional de Informações Sociais.

45 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

5.1.3 Competência dos órgãos governamentais

De acordo com o disposto no art. 5" ela Lei 8.213/91, compete aos órgãos
governamentais:
I - prestar toda e qualquer informação necessária ao ade-
quado cumprimento das competências do CNPS, forne-
cendo inclusive estudos técnicos;
li - encaminhar ao CNPS, com antecedência mínima ele 2
(dois) meses do seu envio ao Congresso Nacional, a proposta
orçamentária da Previdência Social, devidamente detalhada.

5.1.4 Publicidade das resoluções

As decisões proferidas pelo CNPS deverão ser publicadas no Diário Oficial


ela União (Lei 8.213/91, art. 4°, parágrafo único).

5.1.5 Reuniões do CNPS

O CNPS reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por mês, por convocação de seu
presidente, não podendo ser adiada a reunião por mais de 15 (quinze) dias se houver
requerimento nesse sentido ela maioria elos conselheiros (Lei 8.213/91, art. 3°, §3°).
Poderá ser convocada reunião extraordinária por seu presidente ou a reque-
rimento de um terço de seus membros, conforme dispuser o regimento interno
do CNPS (Lei 8.213/91, art. 3°, §4°).
As ausências ao trabalho elos representantes dos trabalhadores em atividade,
decorrentes das atividades do Conselho, serão abonadas, computando-se como jornada
efetivamente trabalhada para todos os fins e efeitos legais (Lei 8.213/91, art. 3°, §6°).

5.1.6 Estabilidade no emprego dos representantes dos


trabalhadores

Aos membros do CNPS, enquanto representantes dos trabalhadores em


atividade, titulares e suplentes, é assegurada a estabilidade no emprego, da nome-
ação até um ano após o término do mandato ele representação, somente podendo
ser demitidos por motivo de falta grave, regularmente comprovada através de
processo judicial (Lei 8.213/91, art. 3°, §7°).

Hugo Goes 46
Seguridade Social

5.2 Conselhos de Previdência Social - CPS

Os CPS são unidades descentralizadas do CNPS. Funcionam junto às


gerências executivas do INSS (RPS, art. 296-A).
Nas cidades onde houver mais de uma gerência executiva, o CPS será ins-
talado naquela indicada pelo gerente regional do INSS cujas atribuições abranjam
a referida cidade.
Os CPS terão caráter consultivo e de assessoramento, competindo ao CNPS
disciplina r os procedimentos para o seu funcionamento, suas competências, os crité-
rios de seleção dos representantes da sociedade e o prazo de duração dos respectivos
mandatos, além de estipular por resolução o regimento dos CPS.

5.2.1 Composição

Os CPS serão compostos por dez conselheiros e respectivos suplentes, desig-


nados pelo titular da gerência executiva na qual for instalado, assim distribuídos:

4 representantes do
gov:erno federal.

-~ 2 dos emp,regado,r~s
CPS
6 representantes da
-~ 2 dos emprega,dos
sóciedade, sendo:

-)- 2 dos aposentados e pensionistas

Os representantes dos trabalhadores, dos aposentados e dos empregadores


serão indicados pelas respectivas entidades sindicais ou associações representativas.

5.3 Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS

O Conselho de Recursos da Previdência Social- CRPS, colegiado integrante


da estrutura do Ministério do Trabalho e Previdência Social, é órgão de controle
jurisdicional das decisões do INSS, nos processos referentes a benefícios a cargo
desta Autarquia (RPS, art. 303).

47 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

Antes da edição da Lei 11.457/2007, o CRPS também tinha competência


para julgar matérias de interesse dos contribuintes referentes às contribuições pre-
videnciárias. Mas atualmente, por força do art. 25 da Lei ll.457 /2007, o processo
administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias regula-se pelas
normas do Decreto 70.235/72. De acordo com o art. 25 do Decreto 70.235/72, o
julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos admi-
nistrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (I) em primeira
instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ); e (II)
em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

5.3.1 Composição do CRPS

-> 2 representantes do governo


Vinte e nove Juntas
de Recursos - tendo
-)- -} 1 representante das empresas
cada uma a seguinte
composição
-> l representante dos trabalhadores

CRPS -)- 2 representantes do governo


Quatro Câmaras de
Julgamento - tendo
-)- -)- 1 representante das empresas
cada urna a seguinte
composição
-} 1 representante dos trabalhadores

-)- Conselho Pleno

O CRPS é presidido por representante do Governo, com notório conheci-


mento da legislação previdenciária, nomeado pelo ministro de Estado da Previ-
dência Social, cabendo-lhe dirigir os serviços administrativos do órgão.
O mandato dos membros do CRPS é de dois anos, permitida a recondução,
atendidas às seguintes condições:
I. os representantes do Governo são escolhidos entre servidores federais,
preferencialmente do Ministério do Trabalho e Previdência Social
ou do INSS, com curso superior em nível de graduação concluído
e notório conhecimento da legislação previdenciária, que prestarão

Hugo Goes 48
Seguridade Social

serviços exclusivos ao CRPS, sem prejuízo dos direitos e vantagens


do respectivo cargo de origem;
II. os representantes classistas, que deverão ter escolaridade de nível
superior, exceto re:;:>resentantes dos trabalhadores rurais, que deverão
ter nível médio, são escolhidos dentre os indicados, em lista tríplice,
pelas entidades de classe ou sindicais das respectivas jurisdições, e
manterão a condição de segurados do RGPS; e
III. o afastamento do representante dos trabalhadores da empresa empre-
gadora não constitui motivo para alteração ou rescisão contratual.

O conselheiro afastado por qualquer das razões elencadas no Regimento


Interno do CRPS, exceto quando decorrente de renúncia voluntária, não poderá
ser novamente designado para o exercício desta função antes do transcurso de
cinco anos, contados do efetivo afastamento.
Compete ao ministro de Estado da Previdência Social aprovar o Regimento
Interno do CRPS.

5.3.2 Juntas de Recursos

As Juntas de Recursos têm a competência para julgar, em primeira instân-


cia, os recursos interpostos contra as decisões prolatadas pelos órgãos regionais
do INSS, em matéria de intere>se de seus beneficiários.
As Juntas de Recursos, presididas por representante do Governo, são com-
postas por quatro membros, denominados conselheiros, nomeados pelo ministro
de Estado da Previdência Social, sendo dois representantes do Governo, um das
empresas e um dos trabalhadores.

5.3.3 Câmaras de Jui•Jamento

As Câmaras de Julgamento, com sede em Brasília, têm a competência para


julgar, em segunda instância, os recursos interpostos contra as decisões proferi-
das pelas Juntas de Recursos que infringirem lei, regulamento, enunciado ou ato
normativo ministerial.
As Câmaras de Julgamento são presididas por representante do Governo e
são compostas por quatro membros, denominados conselheiros, nomeados pelo
ministro de Estado da Previdência Social, sendo dois representantes do Governo,
um das empresas e um dos trabalhadores.

49 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

5.3.4 Conselho Pleno

O Conselho Pleno tem a competência para uniformizar a jurisprudência


previdenciária mediante a emissão de enunciados, ad referendum do ministro de
Estado da Previdência Social.

5.3.5 Gratificação dos membros do CRPS

I. O presidente do Conselho definirá o número de sessões


mensais, que não poderá ser inferior a dez, de acordo com o
volume de processos em andamento.
li. A gratificação de relatoria por processo relatado com
voto corresponderá a um cinquenta avos do valor da retri-
buição integral do cargo em comissão do grupo Direção
.e Assessoramento Superior prevista para o presidente da
câmara ou junta a que pertencer o conselheiro; e
III. O valor total da gratificação de relatoria do conselheiro
não poderá ultrapassar o dobro da retribuição integral do
cargo em comissão previsto para o presidente da câmara ou
junta que pertencer.

Exercícios de Fixação

OI. (SEGER-ES/Cespe/2013) Acerca do conceito, da origem e da evolução legislativa


da seguridade social brasileira, assinale a opção correta.
a) A previdência social, conforme a CF, deve cuidar de proteger a maternidade,
mas não trata da questão da gravidez.
b) Para garantir ao atendimento do objetivo de realização do bem-estar e da jus-
tiça social, o Estado brasileiro atribuiu à seguridade social brasileira caráter
contributivo, sendo imprescindível a contribuição para se ter direito aos benefí-
cios do sistema, tais como o de aposentadoria, saúde pública e assistência social.
c) A Constituição de 1934 foi a primeira a dispor sobre aposentadoria, insti-
tuindo-a para os funcionários públicos em caso de invalidez no serviço.
d) A Constituição de 1937 foi a primeira a prever a forma tripartite de custeio da pre-
vidência, realizada com contribuições do Estado, do empregado e do empregador.
e) Apesar de não ser a primeira norma a tratar de seguridade social, a Lei Eloy
Chaves (Decreto Legislativo no 4.682/1923) é considerada pela doutrina majo-
ritária o marco inicial da previdência social brasileira.

Hugo Goes 50
Seguridade ~ocial

02. (DPE-TO/Cespe/2013) Considerando o conceito, a organização e os princípios da


seguridade social no Brasil, assinale a opção correta.
a) Apesar de ser regida pelo princípio da universalidade da cobertura e do aten-
dimento, a seguridade social só é acessível a brasileiros que residem no país.
b) A assistência social atende os hipossuficientes, por meio da concessão de
benefícios, independentemente de contribuição.
c) No Brasil, a seguridade social é caracterizada por uma administração demo-
crática e descentralizada, mediante gestão quadripartite, com participação, nos
órgãos colegiados, dos trabalhadores, empregadores, pensionistas e do governo.
d) O princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às
populações urbanas e rurais sempre norteou a seguridade social brasileira,
e, desde a criação da previdência social no país, não há discriminação entre
trabalhadores urbanos e rurais.
e) Para que o usuário possa usufruir dos serviços públicos de saúde será neces-
sária a contribuição mensal ao SUS.

03. (AFPS/ESAF/2002) Assinale a opção correta entre as assertivas abaixo relacionadas


à gestão da Seguridade Social, nos termos da Constituição Federal.
a) A gestão da Seguridade Social ocorre de forma centralizada, monocrática,
quadripartite.
b) A gestão da Seguridade Social ocorre de forma descentralizada, monocrática,
quadripartite.
c) A gestão da Seguridade Social ocorre de forma centralizada, colegiada, qua-
dripartite.
d) A gestão da Seguridade Social ocorre de forma descentralizada, colegiada,
tripartite.
e) A gestão da Seguridade Social ocorre de forma descentralizada, colegiada,
quadripartite.

04. (AFPS/ESAF/2002) Pedro, menor carente, de 12 anos, e Paulo, empresário bem-


-sucedido, de 21 anos, desejam participar de programas assistenciais (Assistência
Social) e de saúde pública (Saúde).
De acordo com a situação-problema apresentada acima, é correto afirmar que:
a) Pedro e Paulo podem participar da Assistência Social.
b) Só Pedro pode participar da Saúde.
c) Pedro só pode participar da Assistência Social.
d) Paulo pode participar da Assistência Social.
e) Pedro e Paulo podem participar da Saúde.

51 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

05. (AFPS/ESAF/2002) À luz da 'competência constitucional da Previdência Social,


julgue os itens abaixo que são de competência da Previdência Social:
I. cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada.
li. salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de
baixa renda.
III. pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou compa-
nheiro e dependentes.
IV. a promoção da integraç:io ao mercado de trabalho.
a) Todos estão corretos.
b) Somente IV está incorreto.
c) I e li estão incorretos.
d) I e III estão incorretos.
e) III e IV estão incorretos.

06. (PFN/ESAF/2006) Quanto aos principias constitucionais da Seguridade Social, é


correto afirmar.
a) a universalidade da cobertura e do atendimento significa a cobertura de todos
os riscos, chamados riscos sociais, que podem atingir as pessoas que vivem em
sociedade e que todos os residentes e domiciliados no território nacional- bra-
sileiros e estrangeiros- devem ser atendidos pelo Sistema de Seguridade Social.
b) a seletividade refere-se à escolha dos beneficiários que serão atendidos pelo Sis-
tema da Seguridade Social, enquanto que a distributividade define o papel de
distribuição efetiva de renda reconhecido à Seguridade Social.
c) o princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios, segundo a orienta-
ção do Supremo Tribunal Federal, significa a irredutibilidade do valor real,
protegendo-os do fenômeno inflacionário.
d) o princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às popula-
ções urbanas e rurais não abrange o valor econômico dos benefícios do traba-
lhador rural, que podem ser menores em razão das características do trabalho
desenvolvido, conforme legislação própria.
e) a garantia do caráter democrático e descentralizado da administração é o
princípio materializado na gestão tripartite - empregadores, aposentados e
Governo - nos órgãos colegiados.

Huao Goes 52
Seguridade Social

07. (Juiz do Trabalho/TRT da 7• Rcgião/ESAF/2005) No contexto da Seguridade


Social, com base na Constituição Federal, é correto afirmar que
a) a Seguridade Social é um conjunto integrado de ações de iniciativa exclusiva
dos poderes públicos destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previ-
dência e à assistência social.
b) o direito à moradia está compreendido entre os bens jurídicos tutelados pela
Seguridade Social.
c) é princípio constitucional expresso relativamente à Seguridade Social o atendi-
mento integral à população, com prioridade para as atividades preventivas.
d) a previsão constitucional de participação dos aposentados, dos trabalhadores
e dos empresários na gestão administrativa da Seguridade Social evidencia o
seu caráter democrático e descentralizado.
e) o financiamento da Seguridade Social é feito somente de forma indireta pela
sociedade, mediante recursos provenientes unicamente dos orçamentos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

08. (Fiscai/INSS/Cespe/1998) A respeito da seguridade social e de seus princípios


informativos, julgue os itens a seguir.
I. O princípio da preexistência do custeio em relação ao benetício ou serviço
admite apenas uma única exceção, identificável nas prestações da assistência
social, para cujo acesso não há necessidade de qualquer contribuição por
parte do segurado.
II. O princípio da tríplice forma de custeio, que estatui a obrigação dos entes
públicos, empregados e empregadores para a seguridade social, admite, como
única exceção, a receita dos concursos de prognósticos, facultando-se à União,
mediante lei complementar, instituição de outras contribuições, a partir de
fatos geradores contemplados pela legislação fiscal.
III. As contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social apenas
serão exigíveis no exercício seguinte ao da publicação da lei que as houver
instituído ou modificado, de acordo com o princípio da anualidade, que
limita o poder de tributar.
Os itens que estão errados são:
a) I e Il b) IIeiii
c) I e Ili d) todos
e) nenhum

53 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

09. (Fiscal! I NSS/Cespe/ 1997) Com relação à seguridade social, julgue os itens abaixo.
I. A Lei E!oy Chaves (Decreto Legislativo 4.682/23) foi o grande marco da
Previdência Social no Brasil. No entanto, alguns institutos jurídicos secun-
dários existentes hoje, nas modernas legislações, já haviam sido concebidos
no Brasil, por instrumentos legais, muito antes.
I!. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) resultou da fusão do INPS e do
INAMPS, competindo-lhe, entre outras atribuições, promover a arrecada-
ção, a fiscalização e a cobrança das contribuições incidentes sobre a folha de
salários e demais receitas a elas vinculadas, n2. forma da legislação em vigor.
I I J. A preexistência do custeio total em relação ao benefício ou serviço da
seguridade social é fator indispensável; sem o custeio, não há benefício ou
serviço de seguridade. Porém, esse princípio não impede que a assistência
social seja prestada independentemente de contribuição do beneficiário à
seguridade social.
Os itens que estão certos são:
a) I e II
b) li e III
c) I e IIl
d) todos
e) nenhum

10. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) A seguridade social compre-


ende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da
sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos a:
I. saúde;
I I. educação;
III. habitação;
IV. assistência social;
v. previdência social.
Estão corretos os itens:
a) IV e V apenas.
b) I, II e V apenas.
c) I, IV e V apenas.
d) II, III e IV apenas.
e) I, II, III e IV apenas.

HugoGoes 54
Seguridade Social

11. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) O art. 201, §4" da Constituição


Federal de 1988 assim dispõe: "É assegurado o reajustamento dos benefícios para
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios definidos
em lei".
Tal dispositivo disciplina a manutenção do valor real dos benefícios previdenciá-
rios, que consiste em:
a) assegurar reajustamento de modo que a renda mensal seja equivalente ao
número de salários mínimos da renda mensal inicial, na data de início do
benefício.
b) reajustar o benefício de acordo com a variação inflacionária, de modo a evitar
diminuição injusta do seu poder de compra, variação esta que será fixada em lei.
c) corrigir, monetariamente, todos os salários de contribuição considerados no
cálculo do benefício.
d) adotar critérios de reajustamento dos benefícios previdenciários fixados
anualmente pelo Poder Judiciário.
e) aplicar o mesmo índice de reajustamento vigente na data de início do benefí-
cio a todo o período de reajuste, durante a existência do benefício.

12. (Analista Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) NÃO está correto afirmar que


a Previdência Social rege-se pelo seguinte princípio ou objetivo:
a) universalidade da cobertura e do atendimento.
b) uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços a populações urbanas
e rurais.
c) sistema contributivo de capitalização.
d) seletividade e distributividade na prestação dos benefícios.
e) irredutibilidade do valor dos benefícios.

13. (Técnico do Seguro Social/INSS/FCC/2012) É correto afirmar que a Seguridade


Social compreende
a) a Assistência Social, a Saúde e a Previdência Social.
b) a Assistência Social, o Trabalho e a Saúde.
c) o Sistema Tributário, o Lazer e a Previdência Social.
d) a Educação, a Previdência Social e a Assistência Social.
e) a Cultura, a Previdência Social e a Saúde.

55 Caoítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

14. (DPE-AM/FCC/2013) Conforme dispõe a Constituição da República Federativa


do Brasil, compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade
social, com base no objetivo de
a) universalidade da cobertura e singularidade no atendimento.
b) unidade na base do financiamento e custeio.
c) equidade na forma de participação no custeio.
d) centralização na administração, com direção única em todas as esferas de
governo.
e) diversidade dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais, em
razão das suas peculiaridades.

15. (DPE-RR/Cespe/2013) Com base no que dispõe a CF sobre a seguridade social,


assinale a opção correta.
a) A seguridade social é financiada por, entre outros recursos, os provenientes
da contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equipa-
rada na forma da lei, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos
do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe
preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.
b) Compete ao poder público, nos termos da lei, organizar a seguridade social
com base na uniformidade da cobertura e do atendimento.
c) Compete ao poder público, nos termos da lei, organizar a seguridade social
com base no seguinte objetivo: caráter democrático e descentralizado da
administração, mediante gestão tripartite, com participação dos trabalhado-
res, dos empregadores e dos aposentados.
d) A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de inicia-
tiva dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos
relativos à saúde, à previdência, à assistência social e à moradia.
e) A equidade na forma de participação no custeio não constitui objetivo
expresso, mas implícito, a ser perseguido pelo poder público na organização
da seguridade social.

16. (ATA/MF/ESAF/2009) Assinale a opção correta entre as assertivas abaixo rela-


cionadas à organização e princípios constitucionais da Seguridade Social.
a) Diversidade da base de financiamento é objetivo da Seguridade Social.
b) O valor dos benefícios pode ser diminuído gradativamente.
c) Pode haver benefícios maiores para a população urbana em detrimento da rural.
d) A gestão da Seguridade Social é ato privativo do Poder Público.
e) Os serviços previdenciários devem ser sempre o mesmo, independente do
destinatário.

Hugo Goes 56
Seguridade Social

17. (TRT-S•/Cespe/2013) Excetuados determinados setores da economia, verifica-se,


no financiamento da seguridade social, que os empregadores, em geral, pagam uma
contribuição previdenciária incidente sobre folha de remuneração de pessoal, em
percentual superior ao deduzido dos vencimentos dos trabalhadores respectivos.
Essa diferenciação decorre
a) da igualdade de contribuintes.
b) da seletividade tributária.
c) da equivalência de benefícios.
d) da individuação das participações nos custos.
e) da equidade na forma de participação no custeio.

18. (Procurador Federal/Cespe/2004) Julgue os seguintes itens:


I. A universalidade da cobertura e do atendimento implica que qualquer pessoa
pode participar da proteção social patrocinada pelo Estado. Em relação à
previdência social, o caráter contributivo restringe essa abrangência apenas
àqueles que contribuem para o sistema. Por esse motivo, foi criado o segurado
facultativo, com vistas a atender ao mandamento constitucional.
II. Decorre do princípio da equidade na forma de participação no custeio, a
possibilidade de as contribuições do empregador, da empresa ou de entidade
a ela equiparada poderem ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em
razão da atividade econômica ou da utilização intensiva de mão de obra.
III. A solidariedade é principio fundamental que norteia o sistema de seguridade
social, possibilitando que aqueles que têm melhores condições financeiras
contribuam com uma parcela maior para o financiamento do bem-estar de
toda a coletividade.
Os itens que estão certos são:
a) I e II b) IIeiii
c) I e III d) todos
e) nenhum

57 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

19. (Juiz Federal!TRF da 5" Região/Cespe/2004) Julgue os seguintes itens:


I. O postulado da universalidade da cobertura e do atendimento significa que
o poder público deve organizar a seguridade social de modo a garantir os
benefícios respectivos a todos os residentes no país, observadas as pecu-
liaridades e as especificidades que, nos termos da lei, possam justificar a
concessão de benefícios distintos a segurados urbanos e rurais.
II. O princípio da seletividade na prestação de serviços e benefícios corresponde à
noção de que compete ao legislador- com base em critérios equitativos de soli-
dariedade e justiça social e segundo as possibilidades econômico-financeiras
do sistema definir quais benefícios serão concedidos a determinados grupos
de pessoas, em razão de especificidades que as particularizem.
III. À luz dos princípios da isonomia e da equidade na forma de participação do
custeio das atividades da seguridade social, ao legislador não é permitido fixar,
para empresas ou entidades a elas equiparadas, alíquotas ou bases de cálculo
diferenciadas em razão da atividade econômica desenvolvida.
Os iteris que estão errados são:
a) I e li b) li e Ili
c) I e III d) todos
e) nenhum

20. (Receita Federal!ESAF/2012) Assinale a opção incorreta. Compete ao Poder


Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes
objetivos:
a) universalidade da cobertura e do atendimento, de modo.
b) prevalência dos benefícios e serviços às populações rurais.
c) seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços.
d) irredutibilidade do valor dos benefícios.
e) equidade na forma de participação no custeio.

21. (Advogado da União/Cespe/2004) Julgue os seguintes itens:


I. O regime de previdência privado, de caráter complementar e organizado de
forma autônoma, é obrigatório para os entes da federação que optem pelo limite
máximo do valor dos benefícios previstos no RGPS para o seu regime próprio.
li. As entidades fechadas de previdência complementar podem ser públicas ou
privadas, conforme a natureza dos patrocinadores ou instituidores e dos seus
participantes.
III. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de inicia-
tiva privativa do Poder Executivo, destinadas especificamente ao custeio da
previdência social do trabalhador, seja ele público ou privado.

Hugo Goes 58
Seguridade Social

Os itens que estão errados são:


a) I e II b) IIeiii
c) I e III d) todos
e) nenhum

22. (TRF-S•/FCC/2012) Considerando as normas constitucionais que tratam do


financiamento da Seguridade Social, os benefícios ou os serviços que são por ela
prestados poderão ser criados, majorados ou estendidos
a) sem que haja a previsão da correspondente fonte de custeio total.
b) desde que haja a previsão da correspondente fonte de custeio total.
c) desde que haja a previsão da correspondente fonte de custeio total, apenas
para os benefícios e os serviços prestados pela previdência social.
d) sem que haja a previsão da correspondente fonte de custeio total, exceto para
os serviços de assistência à saúde, cuja criação, majoração ou extensão depen-
dem da previsão de fonte de custeio total.
e) desde que haja a previsão da correspondente fonte de custeio total, apenas
para os benefícios e serviços prestados pela assistência social.

23. (AFRF/ESAF/2005) Sobre a previdência social, na Constituição de 1988, marque


a única opção correta.
a) A Constituição Federal, ao disciplinar o sistema especial de inclusão previden-
ciária para atender a trabalhadores de baixa renda, autoriza que esse sistema
tenha alíquotas inferiores às vigentes para os demais segurados do regime geral
de previdência social, mas veda a fixação de prazos de carência inferiores.
b) As condições contratuais previstas nos estatutos das entidades de previdência
privada integram o contrato de trabalho dos participantes.
c) Desde que haja expressa previsão legal, o aporte de recursos pela União a
entidade de previdência privada de suas empresas públicas, feito na condição
de patrocinadora, sob a forma de contribuição normal, pode corresponder
até ao dobro da contribuição do segurado.
d) A Constituição Federal embora permita, para fins de aposentadoria, a conta-
gem recíproca do tempo de contribuição na administração pública e na ativi-
dade privada, veda a aplicação desse instituto em relação à atividade privada
rural, pela impossibilidade, nesse caso, de compensação financeira dos dife-
rentes regimes de previdência social.
e) A lei complementar que disciplinar a relação entre a União, Estados, Distrito
Federal ou Municípios, incluídas as suas autarquias, fundações, sociedades
de economia mista, e suas respectivas entidades fechadas de previdência pri-
vada, aplicar-se-á às empresas privadas concessionárias de prestação de serviço
público, quando patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada.

59 Capitulo 1
Manual de Direito Previdenciário

24. (AFRF/ESAF/2005) Sobre a seguridade social, na Constituição de 1988, marque


a única opção correta.
a) A seguridade social será financiada com recursos, entre outros, provenientes
de contribuições do trabalhador e demais segurados da previdência social,
incidentes, inclusive, sobre aposentadorias e pensões concedidas pelo regime
geral de previdência social.
b) Nenhum benefício da seguridade social poderá ser criado ou majorado sem
a correspondente fonte de custeio total, salvo os de caráter emergencial para
atendimento de calamidade pública.
c) O pescador artesanal que exerça a sua atividade em regime de economia
familiar, ainda que possua até três empregados permanentes, contribuirá
para a seguridade social mediante aplicação de uma alíquota sobre o resul-
tado da comercialização da produção.
d) A contribuição para financiamento da seguridade social paga pela empresa poderá
ter alíquota diferenciada em razão da utilização intensiva da mão de obra.
e) É vedada, pela Constituição Federal, a transferência de recursos para o Sistema
Único de Saúde e ações de assistêntia social da União para os estados.

25. (Analista/TRF da 3• Região/FCC/2007) Considere as seguintes assertivas a respeito


do regime geral de previdência social:
I. Em regra, é vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na qua-
lidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de
previdência.
II. Para efeito de aposentadoria não é assegurada a contagem recíproca do tempo
de contribuição na administração pública e na atividade privada rural.
III. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao
salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão
em benefícios, nos casos e na forma da lei.
IV. Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento
do trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.
De acordo com a Constituição Federal brasileira, está correto o que se afirma
APENAS em
a) I, II e III b) I e !!I
c) I, III e IV d) II, lii e IV
e) III e IV

HugoGoes 60
Seguridade Social

26. (Analista/TRF da 3" ::\egião/FCC/2007) A contribuição social sobre a receita de


concursos de prognósticos é um exemplo específico do princípio constitucional da:
a) Diversidade da base de financiamento.
b) Caráter democráti.co e descentralizado da administração.
c) Seletividade e dist:ibutividade na prestação dos benefícios e serviços.
d) Universalidade da cobertura.
e) Equidade na forma de participação no custeio.

27. (Analista/IR F da Y Região/FCC/2007) Ao se conceder o benefício assistencial


da renda vitalícia ao idoso ou ao deficiente sem meios de subsistência estará sendo
aplicado, especificamente, o princípio da:
a) Equidade na forma de participação no custeio.
b) Universalidade do atendimento.
c) Universalidade da cobertura.
d) Distributividade na prestação dos benefícios e serviços.
e) Diversidade da base de financiamento.

28. (Advogado/Nossa Caixa/FCC/2011) O princípio da universalidade da cobertura


prevê:
a) que os benefícios são concedidos a quem deles efetivamente necessite, razão
pela qual a Seguridade Social deve apontar os requisitos para a concessão dos
benefícios e serviços.
b) a participação equitativa de trabalhadores, empregadores e Poder Público no
custeio da seguridade social.
c) que o benefício legalmente concedido pela Previdência Social não pode ter o
seu valor nominal reduzido.
d) que a proteção social deve alcançar todos os eventos cuja reparação seja pre-
mente, a fim de manter a subsistência de quem dela necessite.
e) que não há um único benefício ou serviço, mas vários, que serão concedidos
e mantidos de forma seletiva, conforme a necessidade da pessoa.

61 Capítulo 1
Manual de Direito Previdenciário

29. (Analista/TRF da 4" Região/FCC/2007) Para um trabalhador que não possua


dependentes, o benefício salário-família não será concedido; para o trabalhador
que se encontre incapaz temporariamente para o trabalho, por motivo de doença,
não será concedida a aposentadoria por invalidez, mas auxílio doença. Nesses casos,
está sendo aplicado, especificamente, o princípio constitucional da:
a) seletividade na prestação dos benefícios e serviços.
b) universalidade na cobertura e no atendimento.
c) equidade na forma de participação no custeio.
d) diversidade da base de financiamento.
e) democratização e descentralização da administração.

30. (Analista/TRF ela 2 • Região/FCC/2007) Contribuem para a seguridade social, da


mesma forma, aqueles que estão em iguais condições contributivas. As empresas
NÃO contribuem ela mesma forma que os trabalhadores, em conformidade, espe-
cificamente, com o princípio da:
a) universalidade.
b) seletividade na prestação de benefícios e serviços.
c) equidade na forma de participação no custeio.
d) irredutibilidade do valor dos benefícios.
e) natureza democrática e descentralizada da administração.

31. (Analista/TRF da 2" Região/FCC/2007) A receita da seguridade social não está


adstrita a trabalhadores, empregadores e Poder Público. Essa assertiva relacionada
a receita da seguridade social está baseada, especificamente, ao princípio da:
a) natureza democrática e descentralizada da administração.
b) diversidade da base de financiamento.
c) universalidade da cobertura e do atendimento.
d) equidade na forma de participação no custeio.
e) seletividade e distributividade na prestação dos benefícios.

Hugo Goes 62
í Lei e legislação

A palavra legislação é entendida como sendo um conjunto de leis acerca de


determinada matéria. Já a palavra lei tem um sentido estrito e outro amplo. Lei, no
sentido estrito (stricto sensu), é a norma jurídica elaborada pelo Poder competente
para legislar (Poder Legislativo). Lei, em sentido amplo (lato sensu), compreende o
conjunto de normas, de diversas hierarquias, desde a norma constitucional até as
normas complementares (como decretos, portarias, instruções normativas etc.).
Legislação significa, portanto, um conjunto de leis em sentido amplo. Assim,
a legislação previdenciária é o conjunto de normas referentes ao funcionamento
do sistema previdenciário, tais como: os dispositivos constitucionais que tratam
do tema previdenciário, as leis, os regulamentos, os decretos, portarias, instruções
normativas, as circulares, as resoluções etc.

2 Fontes

Fontes são os modos de expressão do direito. Nos sistemas de direito escrito,


como o nosso, a principal fonte do direito é a lei, entendida como ato emanado do
Poder Legislativo. As outras fontes apenas subsidiam a fonte principal.
Seguindo essa lógica, o Direito Previdenciário tem como fontes principais a
Constituição Federal, emendas constitucionais, leis complementares, leis ordinárias,
leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções do Senado.
Os tratados, convenções e outros acordos internacionais também são fontes
do Direito Previdenciário. Tratam-se de ajustes bilaterais ou multilaterais cele-
brados entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil, tratando
especificamente de Previdência Social, e que regulam as relações jurídicas entre
as Nações em matéria de direitos em vias de aquisição ou adquiridos, quando o

63
Manual de Direito Previdenciário

trabalhador deixa um território e passa a trabalhar em outro. Compete privati-


vamente ao presidente da República celebrar tratados, convençôes e atos interna-
cionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional (CF, art. 84, VIII). Enquanto
não estiver completo todo o procedimento constitucional para a incorporação do
tratado ao direito interno, não haverá qualquer produção doméstica de efeitos do
ato firmado pelo presidente da República.
Os tratados internacionais em geral dependem, para efeito de sua ulterior
execução no plano interno, de uma sucessão causal e ordenada de atos revesti-
dos de caráter político-jurídico, assim definidos: (a) aprovação, pelo Congresso
Nacional, mediante decreto legislativo, de tais convençôes; (b) ratificação desses
atos internacionais, pelo chefe de Estado, mediante depósito do respectivo instru-
mento; (c) promulgação de tais acordos ou tratados, pelo presidente da República,
mediante decreto, em ordem a viabilizar a produção dos seguintes efeitos básicos,
essenciais à sua vigência doméstica: (l) publicação oficial do texto do tratado e
(2) executoriedade do ato de direito internacional público, que passa, então - e
somente então- a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno (STF,
CR 8279 AgR, Rei. Min. Celso De Mello, DJ 10/08/2000).
As leis delegadas serão elaboradas pelo presidente da República, que deverá
solicitar a delegação ao Congresso Nacional (CF, art. 68).
Em caso de relevância e urgência, o presidente da República poderá adotar
medidas provisórias, com força de lei ordinária, devendo submetê-las de imediato
ao Congresso Nacional (CF, art. 62). As medidas provisórias perderão eficácia, desde
a edição, se não forem convertidas em lei ordinária no prazo de sessenta dias, pror-
rogável uma única vez por igual período (CF, art. 62, §§ 3° e 7°).
Os decretos legislativos são editados pelo Congresso Nacional, no uso de
sua competência exclusiva, não se sujeitando à sanção do presidente da República.
Em matéria previdenciária, os decretos legislativos mais importantes são aqueles
que aprovam os tratados internacionais firmados pelo presidente da República
(CF, art. 49, I).
Resolução é norma jurídica que integra o processo legislativo (CF, art. 59,
VII). Não se sujeitam à sanção do presidente da República. Em matéria previ-
denciária, as resoluções do Senado mais importantes são aquelas que suspendem
a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão
definitiva do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 52, X). Como exemplo, cita-se o
caso em que o STF declarou a inconstitucionalidade da alínea "h", inciso I, artigo
12, da Lei 8.212/91 nos autos do recurso extraordinário 351.717-l. Tal declaração
de inconstitucionalidade do STF motivou o Senado Federal a editar a Resolução

Hugo Goes 64
Legislação Previdenciária

26/2005 suspendendo a execução da mesma alínea "h", inciso I, artigo 12, da Lei
8.212/91. Existem também resoluções da Câmara do Deputados e do Congresso
Nacional, mas que não apresentam relevo específico em nossa disciplina.
As fontes secundárias do Direito Previdenciário são os atos normativos ema-
nados do Poder Executivo e compreendidos na legislação previdenciária, tais como
decretos, regulamentos, portarias, ordens de serviço, instruções normativas, orien-
tações normativas, circulares, resoluções etc. Esses atos são normas complementares
à lei. Diz-se que são complementares porque se destinam a completar o texto das
leis. Como regras jurídicas de categoria inferior, limitam-se a completar, não podem
inovar ou de qualquer forma modificar os textos da norma que complementam.

Constituição Federal, emendas constitu-


cionais, leis complémentares, leis ordi-
-~ Principais -~ nárias, leis delegadas, medidas provisó-
rias; decretos legislativos, resoluções do
Fontes do Direito Senado e tratados internacionais.
Previdenciário
Decretos: regulamentos; portarias, ordens
Secund~rias de s~rvi,ço, instruçõf.!S porm~tivas, qrienta-
ções normativas, circrilares,;í:es?luções eté.

A jurisprudência e a doutrina também exercem importante papel ao ana-


lisar as disposições da Previdência Social, mas a verdadeira fonte é a legislação.
A jurisprudência é o conjunto de soluções dadas pelo Poder Judiciário às
questões de direito, quando no mesmo sentido, ou seja, uniforme. Não pode ser
considerada como fonte formal do Direito Previdenciário, pois não se configura
como norma obrigatória, mas apenas como caminho predominante em que os tri-
bunais entendem aplicar a lei, suprimindo, inclusive, eventuais lacunas desta última.
Todavia, de acordo com a Emenda Constitucional 45, de 08/12/2004, o
Supremo Tribunal Federal (STF) poderá editar enunciado de súmula com efeito
vinculante. A citada Emenda Constitucional acrescentou à Constituição Federal
o art. 103-A, que tem a seguinte redação:

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofí-


cio ou por provocação, mediante decisão de dois terços
dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria
constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publi-
cação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração

65 Capítulo2
Manual de Direito Previdenciário

pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e


municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancela-
mento, na forma estabelecida em lei.

O art. 103-A da Constituição Federal foi regulamentado pela Lei 11.417/2006.


Assim, as Súmulas Vinculantes do STF também passam a integrar o rol das fontes
principais do Direito, já que o Poder Judiciário, quar::do do julgamento das lides,
está obrigado a aplicá-las.
Há, porém, diferença entre a súmula comum, que o STF edita comumente,
e as súmulas vinculantes. A primeira é uma mera síntese de decisões da Corte
sobre normas. Já as súmulas vinculantes são uma norma de decisão. Ou seja, elas
têm poder normativo.
De acordo com o disposto no art. 131 da Lei 8.213/91, o ministro da Previ-
dência Social poderá autorizar o INSS a formalizar a desistência ou abster-se de
propor ações e recursos em processos judiciais sempre que a ação versar matéria
sobre a qual haja declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, súmula
ou jurisprudência consolidada do STF ou dos tribunais superiores.
A doutrina é a produção de doutores, juristas e estudiosos do direito, cons-
tituída pela elaboração de conceitos, explicação de institutos jurídicos, métodos de
interpretação, enfim, de sistematização que vamos encontrar na literatura relativa
ao direito. Também se constitui em valioso critério para a análise do Direito Pre-
videnciário, mas não pode dizer que venha a ser urna de suas fontes, justamente
porque os juizes não estão obrigados a observar a doutrina nas suas decisões,
tanto que a doutrina muitas vezes não é pacífica, tendo posicionamentos opostos. 25
Temos várias leis sobre Previdência Social. As principais são as Leis 8.212/91
(custeio) e 8.213/91 (benefícios); as Leis Complementares 108 e 109, ambas de
29/5/2001, determinam regras sobre Previdência Complementar; o Decreto
3.048/99 aprova o Regulamento da Previdência Social; a Instrução Normativa
INSS 77, de 21/01/2015, estabelece critérios a serem adotados pela área de benefício;
a Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009, dispõe sobre normas gerais de
tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas
à Previdência Social.

25 MARTINS, Sérgio Pinto. Op. cit., pp. 60-61.

Hugo Goes 66
Le<::Jl~ld<,.du nevlaencldfla

3 Autonomia
Do ponto de vista científico, não se deve falar em autonomia de nenhum
ramo do Direito, que é uno. Didaticamente, porém, é conveniente dividir-se 0
26
Direito em ramos, com o objetivo de facilitar o estudo.
A questão da autonomia deste ou daquele ramo do Direito costuma ser
colocada em torno de reais ou supostas especificidades ou propriedades de um
dado conjunto de normas jurídicas, que possam distingui-lo dos demais setores
do Direito. 27
Em relação à autonomia do Direito Previdenciário, há duas teorias: a pri-
meira afirma que a Previdência Social encontra-se no âmbito do Direito do Tra-
balho; a segunda sustenta a autonomia didática deste ramo do Direito.
Todavia, o entendimento dominante é que há autonomia do Direito Pre-
videnciário, mostrando que esse ramo do Direito não se confunde com o Direito
do Trabalho.
A Constituição de 1988 acaba com tal celeuma, ao estatuir um capítulo
próprio para a Seguridade Social, no qual constam várias disposições sobre
Seguridade Social, abrangendo a Previdência Social, assistência social e saúde,
tornando-o totalmente desvinculado do Direito do Trabalho, que teve suas dispo-
sições incluídas no Capítulo II ("Dos Direitos Sociais") do Título li ("Dos Direitos
e Garantias Fundamentais"), no art. 7°.
Conclui-se, portanto, que o Direito Previdenciário é reconhecido como
ramo autônomo do Direito, relativamente às outras áreas da ciência jurídica, em
razão de possuir um objeto próprio de estudo e princípios e conceitos particulares,
diversos dos que informam outros ramos do Direito. Possui ainda normas especí-
ficas sobre seu objeto, destacando-se as Leis 8.212/91 e 8.213/91. Nesse sentido, vale
conferir trecho do voto do Ministro do STF Luiz Fux, nos autos do RE 586.453/SE:

Direito do Trabalho e Direito Previdenciário são ramos tão dis-


tintos que, para o Direito do Trabalho, a competência exclusiva
é da União Federal legislar; e, para o Direito Previdenciário, a
competência é concorrente; então, não é a mesma coisa.

26 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 21' ed. São Paulo: Malhciros, 2002, p. 54.
27 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 8' ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 6.

67 Capítulo 2
Manual de Direito Previdenciário

4 Aplicação
Havendo duas ou mais normas sobre a mesma matéria, começa a surgir o
problema de qual deve ser aplicada.
Estes conflitos são resolvidos através dos critérios da hierarquia, da espe-
cialidade e da cronologia.
De acordo com o critério da hierarquia, a norma superior prevalece sobre
a inferior. Pelo critério da especialidade, a norma específica prevalece sobre a genérica.
De acordo com o critério da cronologia, a norma posterior prevalece sobre a anterior.
A resolução do conflito segue a ordem citada: primeiro aplica-se o critério
da hierarquia, não sendo possível a resolução do conflito através deste critério,
utiliza-se o critério da especialidade, ainda não sendo possível a resolução do
conflito, utiliza-se, então, o critério da cronologia.
No Direito Previdenciário vamos encontrar a aplicação da norma mais favo-
rável ao segurado na interpretação do texto legal, que muitas vezes é disciplinada
pela própria lei. Normalmente, na legislação ordinária, principalmente quanto
aos benefícios, costuma-se encontrar a expressão o que for mais vantajoso para o
beneficiário. Trata-se, aqui, do in dubio pro misero. Observamos tal orientação no
inciso VI do art. 124 da Lei 8.213, quando menciona que não é possível a acumu-
lação de mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o
direito de opção pela mais vantajosa.
O art. 122 da Lei 8.213 menciona que "se mais vantajoso, fica assegurado o
direito à aposentadoria, nas condições legalmente previstas na data do cumpri-
mento de todos os requisitos necessários à obtenção do benefício, ao segurado que,
tendo completado 35 anos de serviço, se homem, ou 30 anos, se mulher, optou
por permanecer em atividade".
Por exemplo, a Lei 9.876/99 promoveu profundas mudanças na forma de
cálculo das aposentadorias. O segurado que já tinha direito à aposentadoria antes
da vigência da referida lei tem direito de, a qualquer momento, requerer o benefí-
cio com base nas regras de cálculo anteriores. Ou seja, a lei nova não prejudicará
o direito que foi adquirido com base nas regras anteriores à sua vigência (CF, art.
5°, XXXVI). Seguindo essa linha de raciocínio, a jurisprudência do STJ, em sin-
tonia com orientação consolidada do STF, é pacífica no sentido de que, para fins
de aposentadoria, deve ser aplicada a legislação vigente à época da implementação
dos requisitos necessários à concessão do benefício. 28

28 STJ, AR 1743/SC, Rei. Min. Laurita Vaz, 3' Seção, DJe 07/12/2009.

HugoGoes 68
Legislação Previdenciária

Contudo, vale frisar que o fato de um segurado já estar filiado ao regime


previdenciário não representa direito adquirido a regras que vierem a ser revogadas
antes que ele tenha implementado todos os requisitos necessários à obtenção do
benefício. O STF entende que não há direito adquirido a regime jurídico. Nesse
sentido, confira o seguinte julgado da Suprema Corte:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. CÁLCULO. SISTEMA


HÍBRIDO. DECRETO 89.312/84 E LEI N° 8.213/91. REGIME
TURÍDICO. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. 1. É firme a
jurisprudência desta Corte no sentido de que descabe alegar
direito adquirido a regime jurídico. Improcede a pretensão
da recorrente de conjugar as vantagens do novo sistema com
aquelas aplicáveis ao anterior, para efeito de revisão de bene-
fício. 2. Agravo regimental improvido. 29

O STJ também entende que não existe direito adquirido à preservação de


regime jurídico. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

AGRAVO REGIMENTAL. PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO DEVIDO


NOS MOLDES DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DO PREEN-
CHIMENTO DOS REQUISITOS. 1. Prevalece nesta Corte Oenten-
dimento de que inexiste "direito adquirido à preservação de
regime jurídico previdenciário já revogado, devendo ser apli-
cada a lei vigente à época em que foram implementados os
requisitos para a obtenção do benefício" (AgRg no Agravo de
Instrumento no 1.137.665/RJ). 2. Agravo regimental a que se
nega provimento. 30

Nos casos em que depois de concedido o benefício entra em vigor uma lei
mais favorável ao segurado, não ocorre a retroação da lei nova para aumentar
o valor do benefício concedido com base na lei antiga. Nesse sentido, confira o
seguinte julgado do STF:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO ACI-


DENTE. LEI NOVA. AUMENTO DO BENEFÍCIO. RETROAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I- Ü benefício pre-
vidençiário de aposentadoria por invalidez deve ser regido

29 STF, AI 654807 AgR/SP, Rei. Min. Ellen Grade, DJe 148 06/08/2009.
30 STJ, AgRg no REsp 1107647/RS, Rei. Min. Jorge Mussi. 5' T., DJe 07/12/2009.

69 Capítulo 2
pela lei vigente à época de sua concessão. 11 - Impossibilidade
de retroação de lei nova para alcançar situações pretéritas.
IIl -Agravo regimental improvido. 31

5 Vigência
Vigência é o período que vai do momento em que a norma entra em vigor
até o momento em que é revogada, ou em que se esgota o prazo prescrito para
sua duração.
Lei vigente, ou lei em vigor, é aquela que é suscetível de aplicação, desde
que se façam presentes os fatos que correspondem à sua hipótese de incidência. 32
Se uma lei é vigente pode, por isto mesmo, incidir. Para tanto basta que se
concretize o seu suporte fático. Em outras palavras, basta que aconteça a situação
de fato nela prevista, para que a lei incida. E se incide, pode e deve ser aplicada. 33
Publicada a lei, é preciso identificar em que momento ela passa a ter vigência
e até quando vigorará, bem como o espaço em que irá viger.
Se a lei expressamente determinar, sua vigência pode iniciar na data de sua
publicação, o que é muito comum ocorrer. Todavia, o início de sua vigência pode
ser postergado. Pelo art. 1° do Decreto-Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às nor-
mas do Direito Brasileiro), uma lei começa a ter vigência em todo o país 45 dias
depois de publicada, salvo se dispuser de outro modo (o que, geralmente, acontece).
Se, publicada a lei, sua vigência só tiver início em data futura, dá-se o vaca tio
legis (período compreendido entre a data da publicação até sua entrada em vigor).
Durante o vacatio legis, a norma já é válida (já pertence ao ordenamento), mas
não é vigente. Assim, nesse período, ela convive com normas que lhe são contrá-
rias, que continuam válidas e vigentes até que ela própria comece a viger, quando,
então, as outras estarão revogadas.
Assim, validade e vigência não se confundem. Uma norma pode ser válida
sem ser vigente, embora a norma vigente seja sempre válida.
Em regra, a norma vigente é eficaz (apta a produzir efeitos), mas nem sem-
pre isso acontece. Normalmente, as leis previdenciárias entram em vigor na data
de sua publicação, com eficácia imediata, mas certos dispositivos, tanto do Plano

31 STF, AI 634246 AgR I SP, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, D)e 191, de 09/10/2009.
32 AMARO, Luciano. Op. cit., p. 187.
33 MACHADO, Hugo de Brito. Os princípios jurídicos da tributação na Constituição de 1988. 5• ed. São
Paulo: Dialética, 2004, p. 101.

Hugo Goes 70
Legislação Previdenciária

de Custeio como do de Benefícios, necessitam ser complementados pelo regula-


mento, e só a partir da existência deste terão plena eficácia.
Quando foram editadas as Leis 8.212 e 8.213, embora ambas tenham entrado
em vigor na data de suas publicações (25/07/91), muitos de seus dispositivos só
passaram a ter eficácia com a edição de seus regulamentos por meio dos Decretos
356 e 357, o que somente foi feito em 07/12/91.
O §6° do art. 195 da Constituição Federal estabelece que as contribuiçôes
sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social somente podem ser exigidas
após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver insti-
tuído ou modificado. Aqui, a Constituição não proíbe a vigência da lei que institui
ou majora contribuições para a Seguridade Social nos 90 dias posteriores à sua
publicação, mas tão somente adia por 90 dias a sua eficácia. Não se trata, aqui,
de vaca tio legis, pois nesse caso o deslocamento ocorre entre vigência e eficácia e
não entre publicação e vigência.
Assim, a lei instituidora de contribuição social destinada ao financiamento
da Seguridade Social pode entrar em vigor na data de sua publicação, mas a sua
eficácia só iniciará após decorridos 90 dias da data de sua publicação.
Percebe-se, portanto, que a lei pode estar em vigor sem estar plenamente
apta a produzir efeitos (vigente, mas não eficaz), mas jamais poderá produzir
efeitos jurídicos sem estar em vigor. 34

6 Hierarquia
A hierarquia das normas é a ordem de graduação entre estas, segundo uma
escala decrescente, na qual a norma superior é substrato de validade da norma
inferior. A norma superior prevalece sobre a inferior.
A legislação previdenciária, portanto, é submetida à seguinte hierarquia:
1°) Constituição Federal;
2°) Lei complementar, lei ordinária, medida provisória, lei delegada,
decretos legislativos, resoluções do Senado e tratados internacionais;
3°) Decretos (editados pelo presidente da República);
4°) Portarias (expedidas pelo ministro da Previdência ou da Fazenda);
5°) Outras normas internas da administração (instruções normativas,
ordens de serviço etc.).

34 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 3' ed. São Paulo: Método, 2009, p. 225.

71 Capítulo 2
Manual de Direito Previdenciário

Há, porém, uma discussão na doutrina a respeito da existência ou não de


hierarquia entre lei complementar e lei ordinária (e os atos que têm a mesma força
que esta - a lei delegada e a medida provisória).
Para alguns autores, a lei complementar seria superior à lei ordinária: a lei
complementar só pode ser aprovada por maioria absoluta, enquanto a lei ordi-
nária pode ser aprovada por maioria simples, isso seria um sinal certo da maior
ponderação que o constituinte quis ver associado à lei complementar.
Há outros que procuram demonstrar que, como o âmbito de competência
de uma lei complementar é diferente do de uma lei ordinária, não há hierarquia
entre elas: o que se exige é apenas que cada qual fique em seu âmbito e não invada
o outro. Caso ocorra essa invasão, uma delas prepondera não por uma vertica-
lidade, mas por contrariar limites horizontais. Assim, não haveria hierarquia
entre lei complementar e lei ordinária, haveria apenas diferença material (maté-
ria tratada por uma e por outra) e formal (diferença de quorum para aprovação)
entre as espécies normativas, ambas encontrando fundamento de validade na
Constituição e não uma na outra. Filio-me a esta corrente, ou seja, entendo que
não existe hierarquia entre lei complementar e lei ordinária.
Os tratados internacionais, via de regra, possuem status de lei ordinária. Já
os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem apro-
vados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais
(CF, art. 5°, §3°).
Ressalvada a hipótese do §3° do art. 5° da Constituição Federal, a jurispru-
dência do STF é pacífica no sentido de que, após regular incorporação ao direito
interno, o tratado internacional adquire posição hierárquica idêntica à de uma
lei ordinária, não podendo, portanto, disciplinar matéria reservada a lei comple-
mentar (ADI 1480 MC/DF e RE 80004/SE).
De acordo com o art. 85-A da Lei 8.212/91, "os tratados, convençôes e outros
acordos internacionais de que Estado estrangeiro ou organismo internacional e o
Brasil sejam partes, e que versem sobre matéria previdenciária, serão interpreta-
dos como lei especial". Ou seja, os tratados serão considerados como lei especial
e não como lei geral. Assim, baseado no critério da especialidade, havendo con-
flito entre a lei interna e o tratado, prevalece a norma especial (o tratado) sobre a
norma geral (lei interna).

Hugo Goes 72
Legislação Previdenciária

7 Interpretação

A interpretação decorre da análise da norma jurídica que vai ser aplicada


aos casos concretos. Interpreta é descobrir o sentido e o alcance da norma jurí-
dica. Toda lei está sujeita à interpretação, não apenas as obscuras e ambíguas.
A hermenêutica jurídica é a ciência da interpretação das leis. Como toda
ciência, tem os seus método.s. Os estudiosos enumeram, comumente, os seguintes
métodos de interpretação:
a) Gramatical - també:n chamada literal, porque consiste em exame do
texto normativo sob o ponto de vista linguístico, analisando a pontuação,
colocação das palavr<:s na frase, a sua origem etimológica etc.
b) Sistemática - parte do pressuposto de que uma lei não existe isolada-
mente e deve ser interpretada em conjunto com as outras pertencentes
à mesma província do direito. Assim uma norma no âmbito da Segu-
ridade Social deve ser interpretada de acordo com os princípios que
regem a Seguridade Social.
c) Histórica - baseia-se na investigação dos antecedentes da norma, do
processo legislativo, a fim de descobrir o seu exato significado. Decorre
da observação da evolução do instituto sobre o qual versa a norma,
com base neste citério, pode-se entender o sentido da norma vigente,
considerando-se as normas anteriores.
d) Teleológica- busca descobrir o fim almejado pelo legislador, a finalidade
que se pretendeu atingir com a norma.

8 Integração
Integração é a busca de outra norma, aplicável, por adaptação, ao caso con-
creto, na ausência de noroa e.:;pecífica. Quando não existe no sistema jurídico
uma norma para o caso que se tem a resolver, a interpretação torna-se insuficiente.
:\leste caso, o aplicador da lei utiliza-se da integração.
Portanto, a interpretação pressupõe a existência de norma expressa e especí-
fica para o caso que se tem para resolver. Já a integração se cogita quando se esteja
na ausência de norma expressa e específica para o caso.
Integrar significa completar, inteirar as lacunas da lei. O intérprete fica
autorizado a suprir as lacunas existentes na norma jurídica por meio da utilização
de técnicas jurídicas.

73 Capítulo 2
Manual de Direito Previdenciário

As ferramentas utilizadas na integração são: a analogia, os princípios gerais


da Seguridade Social, os princípios gerais do Direito e a equidade.

8.1 Analogia

Mediante a analogia, o aplicador da lei, diante de lacuna desta, busca solu-


ção para o caso em norma pertinente a casos semelhantes, análogos.
Fala-se muito em interpretação analógica, porém, analogia não é interpre-
tação, mas integração.
O §I o do art. 108 do CTN não admite o emprego da analogia para a exigência
de tributo não previsto em lei.

8.2 Princípios gerais da Seguridade Social

Não se conseguindo a solução para o caso pela analogia, recorre-se, então,


aos princípios gerais da Seguridade Social, que se encontram na Constituição
Federal (arts. 194 a 204).

8.3 Princípios gerais do Direito

Princípios gerais do Direito são aqueles que fornecem as principais diretrizes


do ordenamento jurídico, responsáveis pela fundação de toda a construção jurídica.
A fonte mais importante destes princípios é a Constituição. Podem ser men-
cionados os princípios da igualdade perante a lei (CF, art. 5°, caput), irretroatividade
das leis (CF, art. 5°, XXXVI), pessoalidade da pena (CF, art. 5°, XLV), contraditório
e ampla defesa (CF, art. 5°, LV), liberdade profissional (CF, art. 5°, XIII) etc.

8.4 Equidade

Equidade significa o abrandamento do rigor da lei. É um meio de humanizar


a aplicação da lei. Quando autorizado a decidir por equidade, o juiz aplicará a norma
que estabeleceria se fosse legislador. Pode-se dizer, então, que a equidade é uma forma
de se aplicar o Direito, mas sendo o mais próximo possível do justo para as partes.
O §2° do art. 108 do CTN não permite a utilização da equidade para a
dispensa do pagamento de tributo devido.

Hugo Goes 74
Legislação Previdenciária

Exercícios de Fixação

32. (Físcal/INSS/Cespe/1998) Em relação ao direito da seguridade social e a seus


princípios próprios, julgue os itens seguintes.
I. O direito da seguridade social, detentor de reconhecida autonomia em relação
a outros ramos da ciência jurídica e situado no âmbito do direito público, tem
como fontes formais a Constituição, as leis complementares e ordinárias, os
decretos e outros atos normativos expedidos pelo Poder Executivo.
I I. Quando mais de uma norma previdenciária for aplicável à mesma situação
de fato, ensejando a concessão de benefícios, prevalecerá a que menos custos
acarrete à previdência social.
III. Na hipótese de contradição entre dispositivo da Lei 8.213/91, que trata dos
Planos de Benefícios da Previdência Social, e preceito inserido no decreto
que a regulamentou, será aplicável a norma mais favorável ao interesse da
autarquia previdenciária.
Os itens que estão errados são:
a) I e li b) li e lii
c) I e Ili d) todos
e) nenhum

33. Julgue os seguintes itens:


I. Havendo conflito entre a Lei 8.212, de 24/7/91, que cuida do custeio da seguri-
dade social, e a Lei 8.213, de Í4/7/91, que dispõe sobre os Planos de Benefícios
da Previdência Social, a respeito da concessão de um benefício do Regime
Geral de Previdência Social, há de prevalecer o disposto na Lei 8.213/91.
I I. As contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social somente
podem ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da
lei que as houver instituído ou modificado.
Ill. Não pode uma lei que cuide de matéria previdenciária entrar em vigorantes
de noventa dias da data de sua publicação.
Os itens que estão certos são:
a) I e li b) IIeiii
c) I e lii d) todos
e) nenhum

75 Capítulo 2
Manual de Direito Previdenciário

34. Em regra, a lei que cuida de matéria previdenciária entra em vigor em todo País:
a) Na data de sua publicação.
b) Noventa dias após a data de sua publicação.
c) Quarenta e cinco dias depois de publicada, salvo se dispuser de outro modo.
d) Se institui contribuições para a seguridade social, entrará em vigor cento e
vinte dias após sua publicação.
e) Mesmo que a lei determine em seu texto de forma diferente, ela entrará em
vigor quarenta e cinco dias após sua publicação.

35. (Juiz Federal/TRF da 5" Região/Cespe/2004) A respeito das regras de interpretação


e de eficácia das normas previdenciárias, julgue os itens a seguir.
I. Apesar das notórias dificuldades de caixa verificadas pela seguridade social- as
quais inclusive têm justificado sucessivas alterações na legislação ordinária e
constitucional-, a interpretação da legislação respectiva há de se conformar à
diretriz teleológica fundamental da proteção aos segurados. Como expressá o
desse critério, por exemplo, o direito à aposentadoria por tempo de serviço
estará preservado ao segurado nas condições legalmente previstas na data do
cumprimento dos requisitos correspondentes, ainda que opte ele por continuar
em atividade e desde que tal condição lhe seja mais vantajosa.
II. Por aplicação do postulado da anterioridade da lei, expressão da dimensáo
substantiva da cláusula do devido processo legal, as normas definidoras
de contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social ape-
nas terão eficácia depois de 90 dias da data da publicação das leis que as
houverem instituído.
III. Embora incorporados à ordem jurídica interna com status de leis ordinárias,
os tratados, as convenções e outros acordos internacionais de que sejam
partes Estado estrangeiro ou organismo internacional e o Brasil, e que
versem acerca de matéria previdenciária, serão considerados, para fins de
interpretação, como leis especiais.
Os itens que estão certos são:
a) I e II b) li e III
c) I e III d) todos
e) nenhum

HugoGoes 76
i Introdução

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é o regime de previdência


mais amplo, responsável pela cobertura da maioria dos trabalhadores brasileiros.
Toda pessoa física que exerça alguma atividade remunerada é, obrigatoriamente,
filiada a este regime previdenciário, exceto se esta atividade já gera filiação obri-
gatória a determinado Regime Próprio de Previdência.

2 Beneficiários do Regime Geral de Previdência Social

Beneficiários são os titulares do direito subjetivo de gozar das prestações


previdenciárias. Ou seja, é toda pessoa física que recebe ou possa vir a receber
alguma prestação previdenciária (benefício ou serviço). É o gênero do qual são
espécies os segurados e os dependentes.
Assim, não pode o beneficiário (segurado ou dependente) ser pessoa jurídica.
Beneficiário é sempre pessoa física. A pessoa jurídica será contribuinte, pois, nos
termos da lei, pagará certa contribuição à Seguridade Social.
Segurado é a pessoa física filiada ao RGPS, podendo ser classificado como
segurado obrigatório ou facultativo, dependendo se a filiação for decorrente do
exercício de atividade laboral remunerada, ou não.
O dependente está vinculado ao RGPS em razão do seu vínculo com o segu-
rado. A partir do momento em que o segurado deixa de manter qualquer relação
com o RGPS (por exemplo: perda da qualidade de segurado), o dependente deixa
de estar sob o manto da proteção previdenciária. 35

35 DUARTE, Marina Vasques. Direito Previdenciário. 3• ed. Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2004, p. 27.

77
Manual de Direito Previdenciário

Uma mesma pessoa física pode assumir, ao mesmo tempo, a condição de


segurado e de dependente da Previdência SociaL É o que ocorre, por exemplo,
quando ambos os cônjuges exercem atividade remunerada abrangidas pelo RGPS:
cada um dos cônjuges é segurado em razão da atividade remunerada que exerce
e é dependente em razão do vínculo conjugal.

->- Empregado

-J- E:npregado doméstico

-:> Obrigatórios -1- Contribuinte individual

-+ T::-abalhador avulso

-1- E>pecial

-:> Facultativos

Cônjuge, companheiro(a) e
Beneficiários
filho(a) não emancipado(a)
do Regime
de qualquer condição, menor
Geral de
de 21 anos ou inválido ou que
. Previdência
·Classe I -+ tenha deficiência intelectual
Social.
o·;:t mental que o torne abso-
luta ou relativamente inca-
paz, assim declarado judi-
cialmente.
-:>
Classe li -1- qs pais
Irmão não emancipado, de
qualquer condição, menor
de 21 anos ou inválido ou
que tenha deficiência inte-
Çlasse!II
-1- lectual ou inerital que o
~torne absoluta ..ou :relativa-
mente incapaz, assim decla-
nado judicialmente.

Hugo Goes 78
Regime Geral de Previdência Social

2.i Segurados obrigatórios

Segurados obrigatórios são aqueles que a filiação ao RGPS não depende de


suas vontades: a lei é que os obriga a se filiarem. Há as seguintes espécies de segu-
rados obrigatórios: empregado, empregado doméstico, contribuinte individual,
trabalhador avulso e segurado especial.

De forma genérica, pode-se dizer que é aquele que presta serviço


de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não even-
Empregado
tual, com subordinação e mediante remuneração. Todavia, a lei
enquadra uma série de outros trabalhadores nesta categoria.
É aquele que presta serviço de natureza contínua, mediante
Empregado
remuneração, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta,
doméstico
em atividade sem fins lucrativos.
É aquele que, sindicalizado ou não, presta serviços, de natureza
urbana ou rural, a diversas empresas, sern vínculo empregatício,
Trabalhador
com a intermediação obrigatória do sindicato da categoria ou,
avulso
quando se tratar de atividade portuária, do órgão gestor de.mão
de obra (OGMO).
A pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado
urbano ou rut~l próximo a ele que, individualmente ou em
regime. de economia,f<lll;liliar, exercem as atividades de produtor
rural (podendo ser/proprietário, usufrutuário, possuidor; assen-
tado, parceiro ou meeiro outorgados, comodatário ou arrenda-
tário rurais) ou de pescador artesanal ou a este assemelhado, e
façaJ!l dessas atividades o principal meio de vida, bem como seus
Especial
respectivos cônjuge ou companheiro, filhos maiores de 16 anos
de idàde OU a estes equjparados que, C~J!lprovadàmente, traba-
lhem com o grupo familiar; Se o prodtitonural exploraa: ativi-
dade agropecuária; para se enquadrar como seguràdó especial,
a área da proprieda.de f.\lralnão pode ser superior a A módulos
fis~a~s. N{as se explora atividade de seringueiro ou de extrativista
vegetal, não hálimitê í.ie área.

· Os .seguradas àri~ê~i'<>tP:rente'<derion;flP,~~G~·,~p.px;~~~~~~·-"~lUtô­
.. ;Contribuinte .nomg ~.<:N\lipa;,-ad~..·~··aJitônol\1191;a pa~t~f'.~~;~~lt!·t%~~:;l?:9·~r:força
. :individual. dá. I:ei. 9.876, forá~.i;;.()I),sidetéldos u!Úa''\it)Jçí\ categoria4;·~<J:ssa-
·. rani.a ser chamados de contribui,Qte im:l~yjdtlaL , · · · ·

79 Capítulo 3
Manual de Direitó Previdenciário

2.1.1 Segurado empregado

A Legislação Previdenciária define o segurado empregado utilizando, a


princípio, uma definição genérica, enquadrando-o inicialmente conforme conceito
semelhante ao da Legislação Trabalhista (art. 3° da CLT), para, a seguir, especi-
ficar situações casuísticas em relação às quais a previdência confere o mesmo
efeito jurídico.3 6
Assim, filia-se obrigatoriamente ao RGPS, na qualidade de segurado
empregado:

I. aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa,


caráter não eventual, com subordinação e mediante remuneração.
Trata-se de conceito semelhante ao da legislação trabalhista (art. 3° da CLT),
com a inclusão do rurícola. Para fins previdenciários, não há distinção entre o
empregado urbano ou rural. Tal distinção existia antes da Constituição de 1988. 37
Serviço prestado em caráter não eventual é entendido como aquele rela-
cionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa (RPS,
art. 9°, §4°). Assim, um encanador, contratado por uma instituição financeira,
para consertar um cano que estourou, presta um serviço eventual, pois esse tipo
de serviço não está relacionado de forma direta nem indireta com as atividades
normais da empresa contratante. Nesse caso, trata-se de uma atividade ocasional.
Subordinação significa o trabalhador estar sujeito ao poder de direção
do empregador. O empregado se sujeita a receber ordens do empregador, a ser
comandado pelo empregador.
Se os serviços prestados pelo trabalhador são eventuais, este não é empre-
gado, mas sim trabalhador eventual. Se não houver a subordinação, o trabalhador
também não será considerado empregado, e sim trabalhador autônomo. Tanto o
trabalhador eventual como o autônomo também são segunidos obrigatórios do
RGPS, porém como contribuintes individuais.
O empregado presta serviço mediante remuneração. O empregado tem
o dever de prestar os serviços e o empregador, em contrapartida, deve pagar a
remuneração em retribuição aos serviços prestados. Assim, o empregado não é
um prestador de serviço voluntário.

36 TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 6• ed. Rio de janeiro: Lumen Juris, 2004, p. 57.
37 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Op. cit., p. 133.

Hugo Goes 80
Regime Geral de Previdência Social

O salário é um dos pressupostos da relação de emprego (CLT, arts. 2° e 3°).


Assim, sem salário, o contrato que tenha por objeto uma prestação pessoal de
serviços jamais poderá ser classificado como de emprego.
De acordo com art. 1o da Lei 9.608/98, serviço voluntário é a atividade não
remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou
a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais,
educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutuali-
dade. Esse tipo de serviço será exercido mediante a celebração de termo de ade-
são entre a entidade, pública e privada, e o prestador do serviço voluntário, dele
devendo constar o objeto e as condições de seu exercício (art. 2° da Lei 9.608/98).
O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza
trabalhista, previdenciária ou afim (parágrafo único do art. 1° da Lei 9.608/98).
Voluntário é, por exemplo, o serviço prestado com finalidade altruística
ou religiosa ou, ainda, com o objetivo de aprimorar conhecimentos científicos: o
prestador de serviços não é remunerado pela entidade a quem os presta, inexis-
tindo entre ambos relação de emprego. 38
O trabalhador voluntário não é segurado obrigatório do RGPS, podendo,
se assim desejar, ser segurado facultativo.

II. aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, por


prazo não superior a três meses, prorrogável, presta serviço para
atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular
e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviço de outras
empresas, na forma da legislação própria.
Trata este dispositivo do trabalhador temporário, regido pela Lei 6.019/74.
O trabalhador temporário presta serviço à empresa de trabalho temporário, cuja
atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente,
trabalhadores devidamente qualificados. Assim, ocorre uma operação triangular,
em virtude da qual a empresa contratada fornece pessoal para trabalhar sob o
poder de comando da empresa contratante.
O trabalho temporário é utilizado apenas em duas situações: para atender à
necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acrés-
cimo extraordinário de serviços. Substituição de pessoal é o caso, por exemplo, em
que a empresa contrata, por intermédio da empresa de trabalho temporário, um
trabalhador temporário para substituir uma pessoa que está em férias ou que ficou

38 SUSSEKIND, Arnaldo. Curso de Direito do Trabalho. 2• ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2004, p. 412.

81 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

doente. Acréscimo extraordinário de serviço ocorre, por exemplo, quando uma


empresa comercial, durante as festas de Natal e Ano Novo, em razão do aumento
de suas vendas, contrata trabalhadores temporários.
O contrato entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora
ou cliente, com relação a um mesmo empregado, não poderá exceder de três
meses, salvo autorização conferida pelo órgão local do Ministério do Trabalho
(Lei 6.019/74, art. 10). O Ministério do Trabalho e Emprego editou a Portaria
789/2014, estabelecendo a possibilidade de prorrogação do prazo de três meses
nos seguintes casos:

Art. 2" Na hipótese legal de substituição transitória de pes-


soal regular e permanente, o contrato poderá ser pactuado
por mais de três meses com relação a um mesmo empre-
gado, nas seguintes situações:
I - quando ocorrerem circunstâncias, já conhecidas na data
da sua celebração, que justifiquem a contratação de traba-
lhador temporário por período superior a três meses; ou
II - quando houver motivo que justifique a prorrogação de
contrato de trabalho temporário, que exceda o prazo total
de três meses de duração.
Parágrafo único. Observadas as condições estabelecidas
neste artigo, a duração do contrato de trabalho temporá-
rio, incluídas as prorrogações, não pode ultrapassar um
período total de nove meses.
Art. 3" Na hipótese legal de acréscimo extraordinário de
serviços, será permitida prorrogação do contrato de traba-
lho temporário por até três meses além do prazo previsto
no art. 10 da Lei 6.019, de 3 de janeiro de 1974, desde que
perdure o motivo justificador da contratação.

A empresa de trabalho temporário deverá solicitar as autorizações previstas


nos arts. 2° e 3° da Portaria 789/2014 por meio da página eletrônica do Ministério
do Trabalho e Previdência Social.
O trabalhador temporário não deve ser confundido com o trabalhador
eventual, que também é segurado obrigatório do RGPS, porém, na qualidade de
contribuinte individual. Trabalhador eventual é aquele que presta serviço de natu-
reza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação
de emprego (Lei 8.213/91, art. li, V, "g").

HugoGoes 82
Regime Geral de Previdência Social

Também não se confunde o contrato de trabalho temporário com o contrato


por prazo determinado. No primeiro, o trabalhador temporário é empregado da
empresa de trabalho temporário, embora preste serviços no estabelecimento do
tomador de serviços ou cliente. No contrato por prazo determinado, o empregado
presta serviços nas próprias dependências do seu empregador. De acordo com o §2°
do art. 443 da CLT, "o contrato por prazo determinado só será válido em se tra-
tando: (a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação
do prazo; (b) de atividades empresariais de caráter transitório; e (c) de contrato
de experiência". No entanto, a Lei 9.601/98 permite o contrato por prazo deter-
minado, sem que se observem as restrições previstas no §2° do art. 443 da CLT,
desde que: (a) o contrato seja instituído mediante convenção ou acordo coletivo
de trabalho; e (b) as admissões representem acréscimo no número de empregados.
A empresa de trabalho temporário exerce função distinta da chamada
agência de emprego. Esta só coloca trabalhadores no mercado, mas não os remu-
nera, nem estabelece vínculo de trabalho com o obreiro por ela intermediado,
ao passo que a empresa de trabalho temporário tem contrato de trabalho com o
trabalhador temporário, que é por ela remunerado.
A empresa de trabalho temporário também se diferencia da empresa ter-
ceirizada. Tanto uma como outra colocam seus obreiros para prestarem serviços
nas dependências da empresa tomadora dos serviços. A diferença é que no caso da
empresa de trabalho temporário, os trabalhadores ficam a disposição da empresa
tomadora por no máximo três meses (podendo esse prazo ser prorrogado), para
atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente
ou a acréscimo extraordinário de serviço; já no caso da empresa terceirizada, não
há limite de prazo, nem há vinculação a substituição de pessoal ou a acréscimo
extraordinário de serviço. Outra diferença é que, na terceirização, os serviços são
executados sob o poder de comando dos dirigentes ou prepostos da firma ter-
ceirizada, enquanto no trabalho temporário, o poder de comando é da empresa
tomadora dos serviços. 39 Os casos de terceirização ocorrem com mais frequência,
por exemplo, nos serviços de vigilância, de asseio e conservação etc.
Essas confusões devem ser evitadas, embora tanto o trabalhador tempo-
rário, como o empregado contratado por prazo determinado, corno também o
empregado de uma empresa terceirizada sejam todos segurados empregados.

III. o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para


trabalhar como empregado no exterior, em sucursal ou agência de

39 SUSSEKIND, Arnaldo. Op. cit. p. 210.

83 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sede e admi-


nistração no País.
Por exemplo: Rosana, pessoa física domiciliada no Brasil, foi contratada, no
Brasil, por uma empresa brasileira denominada Banco Alfa S/A, para trabalhar
como empregada, em uma agência bancária situada na Argentina e pertencente ao
referido banco. Nessa situação, Rosana é segurada empregada do RGPS.

IV. o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para


trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior
com maioria do capital votante pertencente a empresa constituída
sob as leis brasileiras, que tenha sede e administração no País e cujo
controle efetivo esteja em caráter permanente sob a titularidade
direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no
País ou de entidade de direito público interno.
Por exemplo: a empresa Beta S. A. é constituída sob as leis brasileiras, tem
sede e administração no Brasil e seu controle efetivo está, em caráter permanente,
sob a titularidade direta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no Brasil. A
empresa Beta S. A. detém a maioria do capital votante da empresa Alfa S.A., que é
domiciliada na Argentina. Pablo, boliviano domiciliado no Brasil, foi contratado
no Brasil para trabalhar na Argentina como empregado da empresa Alfa S.A.
Nessa situação, Pablo é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de empregado.
Domicílio da pessoa jurídica é o lugar onde funciona sua respectiva dire-
toria e administração. Domicílio da pessoa física é o lugar onde ela estabelece a
sua residência com ânimo definitivo.

V. aquele que presta serviço no Brasil à missão diplomática ou à repar-


tição consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordina-
dos, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não
brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro ampa-
rado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão
diplomática ou repartição consular.

HugoGoes 84
Regime Geral de Previdência Social

Exemplo:
João é empregado do Consulado dos Estados Unidos, em funcionamento na
cidade do Recife. Nessa situação, João pode ou não ser segurado empregado
do RGPS. Se João br estrangeiro, sem residência permanente no Brasil,
está excluído do RGPS; se João for brasileiro, mas esteja amparàdo por
um regime de previdência dos Estados Unidos, também está excluído do
RGPS. No entanto, se João for brasileiro e não for amparado por regime
de previdência dos Estados Unidos, então será segurado empregado do
RGPS; se João for estrangeiro, com residência permanente no Brasil, e não
for amparado por regime de previdência dos Estados Unidos, então, nessa
situação João também será segurado empregado do RGPS.

VI. o brasileiro civil que trabalha para a União no exterior, em organis-


mos oficiais internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo,
ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se amparado por
regime próprio de previdência social.
Para ser segurado empregado é necessário que o trabalhador trabalhe, no
exterior, para a União, em organismos oficiais internacionais dos quais o Brasil
seja membro efetivo (exemplo: ONU, OIT etc.). Se o obreiro trabalhar diretamente
para o organismo oficial internacional, nessas mesmas condições, também será
segurado obrigatório do RGPS, porém, na categoria de contribuinte individual.
Assim, a diferença reside no contratante do serviço: quando o brasileiro
civil é contratado pela União, para prestação do serviço em organismo oficial
internacional, é segurado empregado; quando trabalha para o próprio organismo
oficial internacional, é contribuinte individual.
O dispositivo exclui o brasileiro militar, pois este tem Regime Próprio de
(•

Previdência.

VII. o brasileiro civil que presta serviços à União no exterior, em reparti-


ções governamentais brasileiras, lá domiciliado e contratado, inclu-
sive o auxiliar local de que tratam os arts. 56 e 57 da Lei 11.440/06,
este desde que, em razão de proibição legal, não possa filiar-se ao
sistema previdenciário local;
Por exemplo: Lucas, brasileiro domiciliado em Paris, foi contratado, na
França, pela União (Governo Federal brasileiro) para trabalhar na embaixada

85 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

brasileira em funcionamento naquele País. Nessa situação, Lucas é segurado


empregado do RGPS.
É incluído neste dispositivo a figura do auxiliar local, que é o brasileiro
ou o estrangeiro admitido para prestar serviços ou desempenhar atividades de
apoio que exijam familiaridade com as condiçôes de vida, os usos e os costumes
do país onde esteja sediado o posto (Lei 11.440/06, art. 56). Assim, o auxiliar local
pode ser brasileiro ou estrangeiro, mas a Legislação Previdenciária brasileira só
abrange o auxiliar local de nacionalidade brasileira.
Em regra, as relaçôes trabalhistas e previdenciárias concernentes aos auxi-
liares locais serão regidas pela legislação vigente no país em que estiver sediada a
repartição (Lei 11.440/06, art. 57, caput). Serão, contudo, segurados da Previdência
Social brasileira (RGPS) os auxiliares locais de nacionalidade brasileira que, em
razão de proibição legal, não possam filiar-se ao sistema previdenciário do país
de domicílio (Lei 11.440/06, art. 57, §1°).
Assim, para ser segurado empregado do RGPS, além de ter nacionalidade
brasileira, o auxiliar local tem que estar proibido de se filiar a regime previden-
ciário do País onde reside. Essa proibição deve ser em razão da lei daquele País.
O dispositivo exclui o brasileiro militar, pois este tem Regime Próprio de
Previdência.

VIII. o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desa-


cordo com a Lei 11.788/08.
Se o estágio for regular, ou seja, se estiver de acordo com os critérios pre-
vistos na Lei 11.788/08, o estagiário não será segurado obrigatório elo RGPS,
podendo, se assim desejar, ser segurado facultativo. No entanto, a manutenção
de estagiários em desconformidade com a Lei 11.788/08 caracteriza vínculo de
emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da
legislação trabalhista e previdenciária. 40 Ou seja, prestando serviço em desacordo
com a lei, o estagiário será considerado segurado obrigatório elo RGPS, na condi-
ção de segurado empregado.
Não cria vínculo empregatício de qualquer natureza o estágio que observa
os seguintes requisitos: (I) matrícula e frequência regular do educando em curso de
educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial
e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação
de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; (II) celebração de termo

40 Lei 11.788/08, art. 15.

HugoGoes 86
Regime Geral de Previdência Social

de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de


ensino; (III) compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aque-
las previstas no termo de compromisso. O descumprimento de qualquer destes
requisitos ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza
vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os
fins da legislação trabalhista e previdenciária. 41

IX. o servidor da União, estado, Distrito Federal ou município, incluídas


suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.
É segurado do RGPS, como empregado, o servidor que exerce, de modo
exclusivo, cargo em comissão, sem ocupar cargo efetivo que o vincule a RPPS.
Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STF:

EMENTA: Agravo regimental no recurso extraordinário.


Administrativo. Ocupantes de cargo em comissão. Filia-
ção ao Regime Geral de Previdência Social. Advento da EC
no 20/98. Direito adquirido a regime jurídico previdenciá-
rio. Inexistência. Precedentes. 1. Os ocupantes de cargo em
comissão de forma exclusiva estão sujeitos ao regime geral
de previdência social. 2. É pacífica a jurisprudência desta
Corte de que não há direito adquirido a regime jurídico,
inclusive o previdenciário. 3. Aplica-se à aposentadoria a
norma vigente à época do· preenchimento dos requisitos
para a sua concessão. 4. Agravo regimental não provido. 42

Mas se, porventura, um servidor ocupante de cargo efetivo, amparado


por RPPS, ocupar um cargo em comissão, mesmo que seja em outra esfera de
governo, permanecerá vinculado ao regime próprio de origem e, por conseguinte,
excluído do RGPS.
O disposto neste item também se aplica ao ocupante de cargo de ministro
de Estado, de secretário estadual, distrital ou municipal, sem vínculo efetivo com
a União, Estados, Distrito Federal e municípios, suas autarquias, ainda que em
regime especial, e fundações.

41 Lei 11.788/08, art. 3°.


42 STF, RE 409295 AgR/RS, Rei. Min. Dias Toffoli, DJe 146,29/07/2011.

87 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

X. o servidor do estado, Distrito Federal ou município, bem como o


das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo,
desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por Regime Pró-
prio ele Previdência Social.
Os únicos servidores públicos civis que podem ser amparados por Regime
Próprio de Previdência são os ocupantes de cargo efetivo. No entanto, os entes
federativos (estado, DF ou município) não estão obrigados a criar regime próprio
para amparar esses servidores. Caso o ente federativo não institua, mediante lei,
tal regime previdenciário, os ocupantes de cargo efetivo serão segurados obriga-
tórios do RGPS, na qualidade de segurados empregados.
O dispositivo não faz referência aos servidores ocupantes de cargo efetivo
da União porque eles são amparados por Regime Próprio de Previdência e, desse
modo, excluídos do RGPS.

XI. o servidor contratado pela União, estado, Distrito Federal ou


município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações,
por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da
Constituição Federal.
O inciso IX do art. 37 da Constituição dispõe que "a lei estabelecerá os casos
de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público". A Lei 8.745/93 traça os critérios para a realização
dessas contratações.
O servidor contratado por tempo determinado, independentemente da
esfera de governo onde trabalhe (União, estado, DF ou município), é segurado
obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado.

XII. o servidor da União, estado, Distrito Federal ou município, incluí-


das suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público.
O regime de emprego público é disciplinado pela Lei 9.962/2000. O art. 1o
dessa Lei prevê que esses servidores serão regidos pela Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) e o art. 2° dispõe que a contratação desse pessoal deverá ser pre-
cedida de concurso público de provas ou de provas e títulos, conforme a natureza
e a complexidade do emprego.
A estabilidade, após três anos de efetivo exercício, prevista no art. 41 da
Constituição Federal, não se aplica ao servidor ocupante de emprego público, mas
somente ao ocupante de cargo efetivo.

Hugo Goes 88
Regime Geral de Previdência Social

O servidor ocupante de emprego público, independentemente da esfera de


governo onde trabalhe (União, estado, DF ou município), é segurado obrigatório
do RGPS, na qualidade de segurado empregado.

XIII. o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços nota-


riais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como
aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social, em con-
formidade com a Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994; 43
Nos termos do art. 20 da Lei 8.935/94, "os notários e os oficiais de regis-
tro poderão, para o desempenho de suas funções, contratar escreventes, dentre
eles escolhendo os substitutos, e auxiliares como empregados, com remuneração
livremente, ajustada e sob o regime da legislação do trabalho".
Antes de 21111/94, esses trabalhadores eram amparados por Regime Pró-
prio de Previdência. :\lo entanto, os que foram contratados a partir de 21/11/94
são, obrigatoriamente, segurados do RGPS. Àqueles que foram contratados antes
de 21/11/94, foi dada a opção de continuarem vinculados ao regime próprio ou
aderirem ao RGPS.
Os escreventes e auxiliares de cartórios, quando vinculados ao RGPS, são
segurados empregados. Já aqueles que lhes contratam (ou seja, os titulares de
serviços notariais e de registro) são contribuintes individuais.

XIV. o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal,


desde que não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social.
Exercentes de mandato eletivo são: vereador, prefeito, deputado estadual,
deputado distrital (no caso do DF), governador, deputado federal, senador e pre-
sidente da República.
Esses mandatários são, em regra, segurados obrigatórios do RGPS, na
categoria de segurado empregado. No entanto, se um servidor público amparado
por Regime Próprio de Previdência for eleito para exercer um desses mandatos,
nessa situação, continuará vinculado ao regime próprio de origem e, desse modo,
excluído do RGPS.

43 Lei 8.935/94 - Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previ-
dência social, de âmbito federal,.e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas
diversos. .
Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direi-
tos c vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta Lei.

89
Manual de Direito Previdenciário

O senador, deputado federal ou suplente que assim o requerer, no prazo de


trinta dias do início do exercício do mandato, participará do Plano de Seguridade
Social dos Congressistas (Lei 9.506/97, art. 2°). A filiação a esse plano é de índole
facultativa. Se o congressista decidir se filiar ao PSSC, ele fica excluído do RGPS.
Assim, não será filiado ao RGPS o congressista federal (deputado federal ou sena-
dor) que optar por se filiar ao Plano de Seguridade Soc~al dos Congressistas, nos
moldes do art. 2° da Lei 9.506/97.
Uma atenção especial deve ser dada à situação ?revidenciária dos verea-
dores. Isso porque há o permissivo constitucional da acumulação de subsídios
do mandato eletivo com a remuneração do cargo efetivo, desde que haja compa-
tibilidade de horários (CF, art. 38, III). Se o vereador não tiver nenhum vínculo
efetivo com o serviço público, filia-se somente ao RGPS. Contudo, se ele exercer,
concomitantemente, mandato eletivo e cargo efetivo er:1 ente federativo que pos-
sui RPPS, filia-se ao RGPS, pelo mandato eletivo, e ao RPPS, pelo cargo efetivo.
Mas se o ente federativo no qual ele exerce o cargo efetivo não possuir RPPS, o
servidor/vereador será filiado ao RGPS em relação a ambas as atividades exercidas
(Lei 8.213/91, art. 11, §2°).
Não havendo compatibilidade de horários, para exercer a vereança, o ser-
vidor terá que se afastar do cargo, sendo-lhe facultado optar pela sua remunera-
ção (CF, art. 38, II e III). Neste caso, se o ente federativo onde ele exerce o cargo
efetivo possuir RPPS, independentemente de ter ou não optado pela remuneração
do cargo, o servidor/vereador continuará vinculado somente ao RPPS de origem.
Neste mesmo caso, se o ente federativo não possuir RPPS, o servidor/vereador
filia-se somente ao RGPS.

XV. o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em


funcionamento no Brasil, salvo quando çoberto por Regime Pró-
prio de Previdência Social.
Por exemplo: as organizações internacionais como a Organização d2.s
Nações Unidas (ONU) ou a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que
contratam empregados para trabalhar em suas repartições em funcionamento no
Brasil. Nessa situação, esses trabalhadores são segurados obrigatórios do RGPS,
na categoria de segurado empregado. Porém, se forem amparados por Regiree
Próprio de Previdência Social, estarão excluídos do RGPS.

XVI. o trabalhador rural contratado por produtor rural pessoa física, na


forma do art. 14-A da Lei 5.889/73, para o exercício de atividades

HugoGoes 90
Regime Geral de PrevldénCia ~oCial

de natureza temporária por prazo não superior a dois meses den-


tro do período de um ano.
De acordo com o art. 14-A da Lei 5.889/73, o produtor rural pessoa física
poderá realizar contratação de trabalhador rural por pequeno prazo para o exer-
cício de atividades de natureza temporária.
A contratação de trabalhador rural por pequeno prazo que, dentro do
período de um ano, superar dois meses fica convertida em contrato de trabalho
por prazo indeterminado (Lei 5.889/73, art. 14-A, §1°).
Nas situações em que o produtor rural pessoa física, enquadra-se como
segurado especial, ele também pode utilizar-se de empregados por pequeno prazo.
Neste caso, as contratações ocorrerão em épocas de safra, à razão de, no máximo,
120 pessoas/dia no ano civil, em períodos corridos ou intercalados ou, ainda, por
tempo equivalente em horas de trabalho (Lei 8.213, art. 11, §7°).
O trabalhador rural contratado por produtor rural pessoa física, por
pequeno prazo para o exercício de atividades de natureza temporária, filia-se ao
RGPS como segurado empregado.

XVII. o aprendiz, maior de 14 e menor de 24 anos, ressalvado o portador de


deficiência, ao qual não se aplica o limite máximo de idade, sujeito à
formação técnica-profissional metódica, sob a orientação de entidade
qualificada, conforme disposto nos arts. 428 e 433 da CLT.
É proibido qualquer trabalho a menores de 16 anos de idade, salvo na
condição de aprendiz, a partir dos 14 anos (CF, art. 7°, XXXIII e CLT, art. 403).
Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por
escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar
ao maior de 14 e menor de 24 anos inscrito em programa de aprendizagem formação
técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral
e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a
essa formação (CLT, art. 428). A idade máxima de 24 anos não se aplica a aprendizes
portadores de deficiência (CLT, art. 428, §5°).
A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira
de Trabalho e Previdência Social, matrícula e frequência do aprendiz na escola,
caso não haja concluído o ensino médio, e inscrição em programa de apren-
dizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação
técnico-profissional metódica. Nas localidades onde não houver oferta de ensino

91 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

médio, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a frequência à escola, desde


que ele já tenha concluído o ensino fundamental.
O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois)
anos, exceto quando se tratar de aprendiz portador de deficiência. Ao menor
aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo hora.
O aprendiz é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado
empregado (Instrução Normativa RFB 971/2009, art. 6°, li).
O aprendiz é o único segurado que pode filiar-se ao RGPS com menos de
16 anos de idade.

XVIII. o diretor empregado de empresa urbana ou rural, que, parti-


cipando ou não do risco econômico do empreendimento, seja
contratado ou promovido para cargo de direção de sociedade anô-
nima, mantendo as características inerentes à relação de emprego.
Os diretores das sociedades anônimas podem ser: diretor empregado ou
diretor não empregado. Ambos são segurados obrigatórios do RGPS, sendo que o
diretor empregado é segurado empregado (Lei 8.213/91, art. 11, I, "a") e o diretor
não empregado é contribuinte individual (Lei 8.213/91, art. 11, V, "f"). O Regula-
mento da Previdência Social diferencia um do outro, nos seguintes termos:
Diretor empregado: aquele que, participando ou não do risco econômico
do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das
sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego
(RPS, art. 9°, §2°).
Diretor não empregado: aquele que, participando ou não do risco econômico
do empreendimento, seja eleito, por assembleia geral dos acionistas, para cargo
de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes
à relação de emprego (RPS, art. 9° §3°).

2.í .2 Segurado empregado doméstico

É aquele que presta serviços de forma contínua, subordinada, onerosa e


pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial
destas, por mais de 2 (dois) dias por semana (Lei Complementar 150/2015, art. 1°).
É vedada a contratação de menor de 18 (dezoito) anos para desempenho
de trabalho doméstico (Lei Complementar 150/2015, art. 1°, parágrafo único).

Hugo Goes 92
Regime Geral de Previdência Social

A continuidade do serviço é o primeiro pressuposto do emprego doméstico.


Se para a caracterização da relação de emprego genérica exige-se a não eventu-
alidade (art. 3" da CLT), para o vínculo de emprego doméstico faz-se necessário
que a prestação de serviços tenha natureza contínua. A continuidade pressupõe
a ausência de interrupção, enquanto a não eventualidade diz respeito ao serviço
que se vincula aos fins normais da atividade da empresa.
Nos termos da Lei Complementar 150/2015, para que haja continuidade é
necessário que haja prestação de serviços por mais de 2 (dois) dias por semana.
Comprovando-se o labor por somente dois dias na semana, configura-se o caráter
descontínuo da prestação de trabalho. Se a prestação do serviço doméstico for
descontínua (é o caso da diarista), o trabalhador não será empregado doméstico,
mas sim contribuinte individual.
O segundo pressuposto do emprego doméstico é a subordinação. O empre-
gado doméstico está sujeito ao poder de direção do empregador. O empregado
se sujeita a receber ordens do empregador, a ser comandado pelo empregador.
O terceiro pressuposto do emprego doméstico é a onerosidade. O empre-
gado doméstico presta serviço mediante remuneração. O empregado doméstico
tem o dever de prestar os serviços e o empregador doméstico, em contrapartida,
deve pagar a remuneração em retribuição aos serviços prestados.
O quarto pressuposto do emprego doméstico é a pessoa !idade. Dessa forma,
não pode o empregado doméstico se fazer substituir por outro trabalhador. Sendo
personalíssima a obrigação de prestar os serviços, não se transmite a herdeiros
e sucessores.
Atividade sem fins lucrativos também é um critério de caracterização da
relação de emprego doméstico. Mesmo que os pressupostos acima mencionados
estejam presentes, mas se o trabalhador passa a ser utilizado em atividade gera-
dora de lucro para o empregador, passa a ser considerado segurado empregado.
Por exemplo, caso a dona de casa determine à sua doméstica que a auxi-
lie na confecção de doces e salgados para vendas, esta segurada deixará de ser
enquadrada como doméstica e passará a ser segurada empregada. A sua patroa,
por conseguinte, será equiparada a empresa perante a previdência e não empre-
gadora doméstica.
Imagine, por exemplo, que um caseiro de sítio de veraneio trabalha
tomando conta da casa e arredores, bem como realizando tarefas de manutenção
em geral. Neste caso, será empregado doméstico. Em outra hipótese, em que este
caseiro, além de tomar conta da casa e realizar a manutenção das instalações,

93 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

cultiva hortaliças e cria animais destinados à venda, não há de se falar em vín-


culo doméstico, eis que presente a atividade lucrativa. Da mesma forma, se um
profissional liberal, um advogado, por exemplo, tem seu local de trabalho anexo
à sua residência, e um empregado se encarrega da limpeza dos dois ambientes (a
casa e o escritório), este não poderá ser considerado doméstico, dada a finalidade
lucrativa da atividade profissional ali desenvolvida.
Outro pressuposto do emprego doméstico é que o serviço seja prestado a
uma pessoa física ou a uma família. Assim, quando o serviço é prestado a uma
pessoa jurídica, não há o que se falar em empregado doméstico.
O local onde o serviço é prestado também assume importância. Para o
trabalhador ser considerado empregado doméstico é necessário que o serviço seja
prestado no ambiente familiar do empregador. Se este vier a utilizar seu empre-
gado doméstico fora do ambiente familiar, o trabalhador assumirá a condição de
segurado empregado.
Note-se, porém, que o âmbito residencial não se restringe ao ambiente
interno da casa da família, podendo se estender até às atividades externas, desde
que direcionadas ao bem-estar da família, como, por exemplo, o motorista parti-
cular. O âmbito residencial também alcança o imóvel onde o patrão e sua família
passam temporada ou fins de semana (p. ex.: casa de campJ). Assim, é doméstico
e não rurícola o empregado que presta serviço em sítio destinado ao lazer do seu
proprietário e no qual não se empreende atividade com fins lucrativos. 44
Assim, a questão do âmbito residencial deve ser interpretada de forma sis-
temática, e não literal. O que se considera essencial é que o espaço de trabalho se
refira ao interesse pessoal ou familiar, apresentando-se aos sujeitos da relação de
emprego em função da dinâmica estritamente pessoal ou familiar do empregador.

2.1.3 Segurado trabalhador avulso

É aquele que, sindicalizado ou não, presta serviços de natureza urbana ou


rural, sem vínculo empregatício, a diversas empresas, com a intermediação obri-
gatória do sindicato da categoria ou, quando se tratar de atividade portuária, do
órgão gestor de mão de obra (OGMO).
O aspecto mais importante na caracterização deste segurado é a intenne-
diação obrigatória do sindicato da categoria ou do OGMO.

44 SUSSEKIND, Arnaldo. Op. cit. p. 156.

HugoGoes 94
Regime Geral de PrevldenCia ::.oCial

Na atividade portuária, quem faz a intermediação é o OGMO, nas demais


atividades, a intermediação será feita pelo sindicato da categoria profissional.
Assim, o sindicato ou o OGMO interpõe-se entre o trabalhador avulso e
o requisitante do serviço, organizando a prestação laborativa, negociando preço,
recrutando trabalhadores e repassando a cota correspondente a cada obreiro. 45
Embora haja a intermediação obrigatória do sindicato ou do OGMO, para
ser trabalhador avulso, não é obrigado que o obreiro seja sindicalizado. O sindicato
pode intermediar a prestação de serviços de trabalhadores avulsos que não sejam
sindicalizados. De acordo com o art. 8°, V, da Constituição Federal, "ninguém
será obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato".
Se o trabalhador prestar serviço, sem vínculo empregatício, a diversas
empresas, sem a intermediação do sindicato ou do OGMO, não será considerado
trabalhador avulso. Nesta hipótese, será considerado contribuinte individual.
Mas, caso seja celebrado contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho entre
trabalhadores e tomadores de serviços, o disposto no instrumento precederá o
órgão gestor e dispensará sua intervenção nas relações entre capital e trabalho no
porto (Lei 12.815/2013, art. 32, parágrafo único).
O trabalhador avulso presta serviço sem vínculo de emprego, pois não há
subordinação nem com o sindicato ou OGMO, muito menos com as empresas
para as quais presta serviços, dada inclusive a curta duração. 46
Os serviços prestados pelo trabalhador avulso podem ter natureza urbana ou
rural. Assim, tanto pode ser um carregador de bagagem em porto que, sem vínculo
empregatício, presta serviços por intermédio do OGMO, como um trabalhador
rural que presta serviços, sem vínculo empregatício, por intermédio do sindicato
dos trabalhadores rurais, fazendo carga e descarga de produtos na fazenda.
São considerados trabalhadores avulsos:
L o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva,
conferência e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco;
II. o trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive
carvão e minério;
III. o trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios);
IV. o amarrador de embarcação;
V. o ensacador de café, cacau, sal e similares;

45 TAVARES, Marcelo Leonardo. Op. cit., p. 64.


46 MARTINS, Sérgio Pinto. Op. cit., p. 114.

95 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

VI. o trabalhador na indústria de extração de sal;


VII. o carregador de bagagem em porto;
VIII. o prático de barra em porto;
IX. o guindasteiro; e
X. o classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias
em portos.

O§ l" do art. 40 da Lei 12.815/2013 conceitua cada uma das atividades por-
tuárias previstas no item I da relação acima, nos seguintes termos:
• Capatazia - a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações
dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte
interno, abertura de volumes para conferência aduaneira, manipulação,
arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarca-
ções, quando efetuados por aparelhamento portuário;
• Estiva- a atividade de movimentação de mercadorias nos conveses ou nos
porões das embarcações principais ou auxiliares, incluindo transbordo,
arrumação, peação e despeação, bem como o carregamento e a descarga
das mesmas, quando realizados com equipamentos de bordo;
• Conferência de carga- a contagem de volumes, anotação de suas caracte-
rísticas, procedência ou destino, verificação do estado das mercadorias,
assistência à pesagem, conferência do manifesto e demais serviços cor-
relatos, nas operações de carregamento e descarga de embarcações;
• Conserto de carga - o reparo e a restauração das embalagens de mer-
cadoria, nas operações de carregamento e descarga de embarcações,
reembalagem, marcação, remarcação, carimbagem, etiquetagem, aber-
tura de volumes para vistoria e posterior recomposição;
• Vigilância de embarcações- a atividade de fiscalização da entrada e saída
de pessoas a bordo das embarcações atracadas ou fundeadas ao largo, bem
como da movimentação de mercadorias nos portalós, rampas, porões,
conveses, plataformas e em outros locais da embarcação; e
• Bloco - a atividade de limpeza e conservação de embarcações mercantes
e de seus tanques, incluindo batimento de ferrugem, pintura, reparo de
pequena monta e serviços correlatos.

Hugo Goes 96
Regime Geral de Previdência Social

2.1.4 Segurado esoecial

Os trabalhadores que são considerados como segurados especiais estão


definidos no próprio texto constitucional. O §8° do art. 195 da Constituição
Federal determina um tratamento diferenciado a ser dado a estes trabalhadores,
nos seguintes termos:

§ 8° O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais


e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônju-
ges, que exerçam suas atividades em regime de economia
familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para
a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota
sobre o resultado da comercialização da produção e farão
jus aos benefkios nos termos da lei.

O inciso VII do art n da Lei 8.213/91 define o segurado especial na forma


esquematizada no quadro a seguir:

1. agropecuária em área cone


Segurado espe- -~ -> tínua ou não de até 4 módu-
cial é a~ pessoa a) produtor, seja· proprietá-
los fiscais;
física residente rio, usttfrutu~rio, possui-
no imóvel rural dor, assentado, parceiro
2. de seringueiro ou'extrativista
ou em aglome- ou meeiro outorgados,
vegetal na çoléta e extràção,
rado urbano ou ·comodatário ou arrenda-
de modo sustentável, de
rural próximo tário Í:urais, que explore ->
recursos natJ.úais renová-
a ele que, indi- atividade: ·
veis; efaça dessas atividades
vidualmente ou o principal meio de vida;
em regime de
economia fami- -+ b) pescador artesanal ou a este assemelhado. quetáça da pesca
liar, ainda que profissão habitual oú principal meio de vída; ·
com . o auxílio
eventual de ter- c) cônjuge, companheiro, bem como filho maior .d~.l6 anos de
ceiros, na con- -~ idade ou a e~te equiparado, do segurado de que tratam as alíneas
dição de: "a" e "b", que, comprovadamente, tenham participação ativa nas
atividades rurais ou pesqueiras artesanais do grupo familiar.

O segurado especial recebe essa denominação em razão de ter tratamento


favorecido em relação aos demais segurados: (a) enquanto os outros segurados
pagam suas contribuições previdenciárias incidentes sobre seus salários de contri-
buição, o segurado especial contribui com uma alíquota reduzida (2,1%) incidente
sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (b) para os

97 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

demais segurados terem direito aos benefícios previdenciários, é necessário cum-


prir a carência, que cor responde a um número mínimo de contribuições mensais,
para o segurado especial, a carência não é contada em número de contribuições,
mas em número de meses de efetivo exercício de atividade rural ou pesqueira,
ainda que de forma descontínua.
Assim, embora haja previsão legal a respeito da contribuição previden-
ciária do segurado especial (Lei 8.212/91, art. 25, I e II), ele faz jus aos benefícios
previdenciários mesmo que não apresente contribuições recolhidas. Terá apenas
que comprovar o tempo mínimo de efetivo exercício de atividade rural ou pes-
queira, ainda que de forma descontínua, igual ao número de meses correspon-
dentes à carência do benefício requerido (Lei 8.213/91, art. 39, I).
Nas condições acima descritas, o valor da renda mensal dos benefícios
previdenciários aos quais faz jus o segurado especial é de um salário mínimo.
Se desejar um benefício de valor maior, o segurado especial, além da contri-
buição obrigatória, pode contribuir, facultativamente, com a alíquota de 20%
sobre o salário de contribuição e cumprir a carência exigida (Lei 8.212/91,
art. 25, §1°). Mas somente terá renda mensal superior ao salário mínimo se con-
tribuir sobre salário de contribuição superior a um salário mínimo.
O segurado especial somente terá direito à aposentadoria por tempo de
contribuição se contribuir, facultativamente, com alíquota de 20% sobre o salário
de contribuição.

2.1.4.1 Regime de economia familiar

Para que o produtor rural e o pescador artesanal sejam considerados segu-


rados especiais, é necessário que exerçam suas respectivas atividades individual-
mente ou em regime de economia familiar.
Entende-se como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho
dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao desenvolvi-
mento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua
dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes (Lei
8.213/91, art. 11, §1°).
O grupo familiar poderá utilizar-se de empregados contratados por prazo
determinado ou de trabalhadores autônomos, à razão de, no máximo, 120 pessoas
por dia no ano civil, em períodos corridos ou intercalados ou, ainda, por tempo
equivalente em horas de trabalho, não sendo computado nesse prazo o período

HugoGoes 98
de afastamento em decorrência da percepção de auxílio-doença (Lei 8.213/91,
art. 11, §7°).
Para verificar se a quantidade de trabalhadores contratados pelo segurado
especial ultrapassa ou não o limite estabelecido em lei, multiplica-se a quantidade
de trabalhadores pela quantidade de dias trabalhados. O resultado dessa multi-
plicação não pode superar 120.

2.1.4.2 Local da residência do segurado especial

Uma das condições necessárias para que a pessoa física possa enquadrar-se
como segurado especial é que seja residente no imóvel rural ou em aglomerado
urbano ou rural próximo a ele.
Considera-se que o segurado especial reside em aglomerado urbano ou
rural próximo ao imóvel rural onde desenvolve a atividade quando resida no
mesmo município de situação do imóvel onde desenvolve a atividade rural, ou
em município contíguo ao que desenvolve a atividade rural (RPS, art. 9°, §20).

2.1.4.3 Produtor rural

O produtor rural que exerce atividade agropecuária (agricultura ou pecuá-


ria) somente será considerado segurado especial se a área da propriedade for de
no máximo 4 módulos fiscais (o módulo fiscal varia de um município para outro).
Se superior a isso, o produtor rural torna-se contribuinte individual.
O número de módulos fiscais de um imóvel rural será obtido dividindo-se
sua área aproveitável total pelo módulo fiscal do município (Lei 4.504/64, art. 50,
§3°). Constitui área aproveitável do imóvel rural a que for passível de exploração
agrícola, pecuária ou florestal (Lei 4.504/64, art. 50, §4°).
Exercendo o produtor rural a atividade de seringueiro ou extrativista vege-
tal, não existe limitação de área para que ele seja considerado segurado especial.
Entende-se por extrativismo o sistema de exploração baseado na coleta e extração,
de modo sustentável, de recursos naturais renováveis (Lei 9.985/2000, art. 2°, XII).
Uso sustentável é a exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade
dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a bio-
diversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e eco-
nomicamente viável (Lei 9.985/2000, art. 2°, XI).

99 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

Para efeito da caracterização do segurado especial, entende-se por:


I. Proprietário - aquele que tem a faculdade de usar, gozar e dispor
do imóvel rural, e o direito de reavê-lo do poder de quem quer que
injustamente o possua ou detenha (CC, art. 1.228).
Il. Usufrutuário - aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural,
tem direito à posse, ao uso, à administração ou à percepção dos frutos,
podendo usufruir o bem em pessoa ou mediante contrato de arren-
damento, comodato, parceria ou meação.
III. Possuidor- aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade de imóvel rural (CC, art. 1.196). É, assim,
aquele que possui o imóvel rural como seu, não em nome de outrem.
IV. Assentado - é o beneficiário do programa de reforma agrária.
V. Parceiro outorgado - aquele que tem contrato, escrito ou verbal, de
parceria com o proprietário da terra ou detentor da posse e desenvolve
atividade agrícola, pastoril o,u hortifrutigranjeira, partilhando lucros
ou prejuízos.
VI. Meeiro outorgado - aquele que tem contrato, escrito ou verbal, com
o proprietário da terra ou detentor da posse e da mesma forma exerce
atividade agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira, partilhando ren-
dimentos ou custos.

A diferença entre o parceiro e o meeiro é que o primeiro aufere lucros e o


segundo rendimentos, dividindo-os com o proprietário da terra. Lucro é o resul-
tado positivo obtido no exercício, ou seja, as receitas menos as despesas. Rendi-
mento é tudo o que foi recebido, vale dizer, o faturamento total.
VIL Comodatário - aquele que, por meio de contrato, escrito ou ver-
bal, explora a terra pertencente à outra pessoa, por empréstimo
gratuito, por tempo determinado ou não, para desenvolver ativi-
dade agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira.
VIII. Arrendatário - aquele que, comprovadamente, utiliza a terra,
mediante pagamento de aluguel, em espécie ou in natura, ao pro-
prietário do imóvel rural, para desenvolver atividade agrícola,
pastoril ou hortifrutigranjeira, individualmente ou em regime de
economia familiar.

Hugo Goes 100


Regime Geral de Previdência Social

2.1.4.4 Pescador artesanal

Considera-se pescador artesanal aquele que, individualmente ou em regime


de economia familiar, faz da pesca sua profissão habitual ou meio principal de
vida, desde que:

I - não utilize embarcação; ou


ll utilize embarcação de pequeno porte, nos termos da Lei
n" 11.959, de 29 de junho de 2009.

De acordo com a Lei 11.959/2009, art. lO,§ 1°, as embarcações que operam
na pesca comercial se classificam em:

I - de pequeno porte: quando possui arqueação bruta AB


igual ou menor que 20 (vinte);
li - de médio porte: quando possui arqueação bruta- AB
maior que 20 (vinte) e menor que 100 (cem);
III- de grande porte: quando possui arqueação bruta- AB
igual ou maior que 100 (cem).

Assim, para o pescador ser considerado segurado especial, ele deve, indi-
vidualmente ou em regime de economia familiar, fazer da pesca sua profissão
habitual ou meio principal de vida, desde que: (a) não utilize embarcação; ou (b)
utilize embarcação com arqueação bruta menor ou igual a 20 (vinte).
Será considerado como contribuinte individual o pescador que trabalha
em regime de parceria, meação ou arrendamento, em embarcação que possui
arqueação bruta maior que 20 (RPS, art. 9°, § 15, XI).
Arqueação bruta (AB) é a expressão do tamanho total de uma embarcação,
de parâmetro adimensional, determinada de acordo com o disposto na Convenção
Marítima Internacional sobre Arqueação de Navios (1969) e normas nacionais,
sendo função do volume de todos os espaços fechados.
Considera-se assemelhado ao pescador artesanal aquele que realiza ativi-
dade de apoio à pesca artesanal, exercendo trabalhos de confecção e de reparos
de artes e petrechos de pesca e de reparos em embarcações de pequeno porte ou
atuando no processamento do produto da pesca artesanal (RPS, art. 9°, § 14-A).
O pescador profissional que exerça sua atividade exclusiva e ininterrupta-
mente, de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar,
fará jus ao benefício de seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo

101 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

mensal, durante o período de defeso de atividade pesqueira para a preservação


da espécie (Lei 10.779/2003, art. 1°). Cabe ao INSS receber e processar os reque-
rimentos e habilitar os beneficiários. Para fazer jus ao seguro-desemprego, o pes-
cador não poderá estar em gozo de nenhum benefício decorrente de programa de
transferência de renda com condicionalidades ou de benefício previdenciário ou
assistencial de natureza continuada, exceto pensão por morte e auxílio-acidente
(Lei 10.779/2003, art. 2°, §1 °).

2.1.4.5 Cônjuge, companheiro e filho maior de 16 anos de idade

Não é somente o chefe da família que é considerado segurado especial,


mas também o seu cônjuge ou companheira e seus filhos maiores de 16 anos de
idade ou a eles equiparados que, comprovadamente, trabalhem com o grupo
familiar respectivo.
Para serem considerados segurados especiais, o cônjuge ou companheiro
e os filhos maiores de 16 anos ou os a estes equiparados deverão ter participação
ativa nas atividades rurais do grupo familiar (Lei 8.213/91, art. 11, §6°). Contudo,
o STJ tem entendido que a certidão de casamento, que atesta a condição de lavra-
dor do cônjuge da segurada, constitui início razoável de prova documental, para
que ela comprove sua condição de rurícola e de segurada especial. Nesse sentido,
confira o seguinte julgado:

AÇÃO RESCISÓRIA. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR


IDADE. RURÍCOLA. INEXIGIBILIDADE DO DEPÓSITO PREVISTO
PELO ART. 488, li, DO CPC. DOCUMENTO NOVO. CERTIDÃO
DE CASAMENTO. SOLUÇÃO PRO MISERO. INÍCIO DE PROVA
MATERIAL CORROBORADO POR PROVA TESTEMUNHAL.
PEDIDO PROCEDENTE. (... ) 2. A certidão de casamento,
que atesta a condição de lavrador do cônjuge da segurada,
constitui início razoável de prova documental, para fins de
comprovação de tempo de serviço. Deve se ter em mente que
a condição de rurícola da mulher funciona como extensão
da qualidade de segurado especial do marido. Se o marido
desempenhava trabalho no meio rural, em regime de econo-
mia domiciliar, há a presunção de que a mulher também o
fez, em razão das características da atividade - trabalho em
família, em prol de sua subsistência 3. Diante da prova teste-
munhal favorável e não pairando mais discussões quanto à
existência de início suficiente de prova material da condição

HugoGoes 102
Regime Geral de Previdência Social

de rurícola, a autora se classifica como segurada especial,


protegido pela lei de benefícios da previdência social - art.
11, inciso VII, da Lei no 8.213/91. 4. Pedido procedente. 47

É proibido qualquer trabalho a menores de 16 anos de idade, salvo na con-


dição de aprendiz, a partir dos 14 anos (CF, art. 7°, XXXIII e CLT, art. 403). Mas
nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o art. 7°, XXXIII, da
Constituição "não pode ser interpretado em prejuízo da criança ou adolescente
que exerce atividade laboral, haja vista que a regra constitucional foi criada para
a proteção e defesa dos trabalhadores, não podendo ser utilizada para privá-los
dos seus direitos" (RE 537.040, Rei. Min. Dias Toffoli).

2.1.4.6 Não descaracterização da condição de segurado especial

De acordo com o art. 11, §8°, da Lei 8.213/91, não descaracteriza a condição
de segurado especial:

I - a outorga, por meio de contrato escrito de parceria, mea-


ção ou comodato, de até 50% de imóvel rural cuja área total
não seja superior a 4 módulos fiscais, desde que outorgante e
outorgado continuem a exercer a respectiva atividade, indivi-
dualmente ou em regime de economia familiar;
li - a exploração da atividade turística da propriedade
rural, inclusive com hospedagem, por não mais de 120 dias
ao ano;
III - a participação em plano de previdência complementar
instituído por entidade classista a que seja associado em razão
da condição de trabalhador rural ou de produtor rural em
regime de economia familiar;
IV - ser beneficiário ou fazer parte de grupo familiar que
tem algum componente que seja beneficiário de programa
assistencial oficial de governo;
V- a utilização pelo próprio grupo familiar, na exploração
da atividade, de processo de beneficiamento ou industria-
lização artesanal;

47 STJ, AR 2011/SP, Rei. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 3• Seção, D)e 03/02/2010.

103 Capftulo 3
Manual de Direito Previdenciário

VI -a associação em cooperativa agropecuária ou de cré-


dito rural; e
VIl - a incidência do Imposto Sobre Produtos Industriali-
zados - IPI sobre o produto das atividades desenvolvidas
nos termos do§ 12 do art. 11 da Lei 8.213/91.

Conforme o§ 12 do art. 11 da Lei 8.213/91, a participação do segurado espe-


cial em sociedade empresária, em sociedade simples, como empresário individual
ou como titular de empresa individual de responsabilidade limitada de objeto ou
âmbito agrícola, agroindustrial ou agroturístico, considerada microempresa nos
termos da Lei Complementar 123/2006, não o exclui de tal categoria previdenciária,
desde que, mantido o exercício da sua atividade rural na forma estabelecida na Lei
8.213/91, art. 11, VII e§ to, a pessoa jurídica componha-se apenas de segurados de
igual natureza [ou seja, apenas de segurados especiais] e sedie-se no mesmo Muni-
cípio ou em Município limítrofe àquele em que eles desenvolvam suas atividades.
Em regra, nos contratos de parceria ou meação, somente o outorgado
(quando exerce a atividade individualmente ou em regime de economia familiar)
é segurado especial. Todavia, à luz do art. 11, §8°, I, da Lei 8.213/91, também será
considerado segurado especial o outorgante que tenha imóvel rural com área
total de, no máximo, quatro módulos fiscais, que ceder em parceria, meação ou
comodato até 50% do imóvel rural, desde que outorgante e outorgado continuem
a exercer a atividade individualmente ou em regime de economia familiar.

2.1.4. 7 Membro do grupo familiar que possui outra fonte de rendimento

De acordo com o art. 12, §10, da Lei 8.212/91, não é segurado especial o
membro de grupo familiar que possuir outra fonte de rendimento, exceto se
decorrente de:

I - benefício de pensão por morte, auxílio-acidente ou


auxílio-reclusão, cujo valor não supere o do menor bene-
fício de prestação continuada da Previdência Social (vale
dizer, desde que não supere um salário mínimo);
II - benefício previdenciário pela participação em plano de
previdência complementar instituído por entidade classista
a que seja associado em razão da condição de trabalhador
rural ou de produtor rural em regime de economia familiar;

Hugo Goes 104


Regime Geral de Previdência Social

lll - exercício de atividade remunerada em período não


superior a ~20 dias, corridos ou intercalados, no ano civil,
observado o disposto no§ l3 do art. 12 da Lei 8.212/91;'18
!V - exercido de mandato eletivo de dirigente sindical de
organização da categoria de trabalhadores rurais;
V - exercício de mandato de vereador do município onde
desenvolve a atividade rural, ou de dirigente de cooperativa
rural constituída exclusivamente por segurados especiais,
observado o disposto no §13 do art. 12 da Lei 8.212/91; 49
VI - parceria ou meação outorgada na forma e condições
estabelecidas no inciso! do§ 9o do art. 12 da Lei 8.212/91; 50
VII - atividade artesanal desenvolvida com matéria-prima
produzida pelo respectivo grupo familiar, podendo ser uti-
lizada matéria-prima de outra origem, desde que a renda
mensal obtida na atividade não exceda ao menor benefício
de prestação continuada da Previdência Social; e
VIII- atividade artística, desde que em valor mensal infe-
rior ao mer.or benefício de prestação continuada da Previ-
dência Social.

Se um dos membros da família tiver outra fonte de rendimento, mas a


atividade rural dos out::-os for executada em regime de economia familiar, estes
serão considerados segurados especiais. Somente o membro que tem outra fonte
de rendimento é que deixa de ser segurado especial. É o caso, por exemplo, de
uma mãe que é professora na escola da região rural e ganha um salário mínimo.
A mãe não é considerada segurada especial, mas os filhos e o marido, se exerce-
rem a atividade rural em regime de economia familiar, serão segurados especiais.
O STJ tem entendido que para fins de concessão de aposentadoria rural
por idade, o trabalho urbano exercido pelo cônjuge não descaracteriza o regime
de economia familiar, desde que não seja suficiente para a manutenção do núcleo
familiar. 51 Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

48 Lei 8.212/91, art. 12, §13. O disposto nos incisos III e V do §10 e no §14 deste artigo não dispensa o recolhi-
mento da contribuição devida em relação ao exercício das atividades de que tratam os referidos incisos.
49 Idem.
50 Lei 8.212/91, art. 12, §9" NLo descaracteriza a condição de segurado especial:(!) a outorga, por meio de
contrato escrito de parceri,,, meação ou comodato, de até 50% de imóvel rural cuja área total não seja
superior a 4 módulos fisca;.s, desde que outorgante e outorgado continuem a exercer a respectiva ativi-
dade, individualmente ou em regime de economia familiar;( ... )
51 STJ, AgRg no REsp 980782!Sf', Rei. Min. Napoleão Nunes Maia filho, 5• T., Dje 04/10/2010.

105 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO. ADMISSIBILIDADE DE RECURSO REPRE·
SENTATIVO DA CONTROVl~RSIA. SOBRESTAMENTO. NÃo
APLICAÇÃO, NO CASO. APOSENTADORIA RURAL. VÍNCULOS
URBANOS. CÔNJUGE. SUFICIÊNCIA PARA MANUTEN~:ÃO DO
NÚCLEO FAMILIAR. PROVA. REEXAME. iMH)SSIBILlDADE.
[... ] 2. É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que
o exercício de atividade urbana, por parte do cônjuge varão,
não descaracteriza, por si só, a qualidade de segurada espe-
cial da mulher. 3. O trabalho urbano desemp·=nhado pelo
cônjuge não descaracteriza a condição de segurada especial
da autora, desde que não se mostre suficiente à manutenção
do núcleo familiar. [... ]5 2

2.1.4.8 Data da exclusão do segurado especial

De acordo com o art. 11, §10, da Lei 8.213/91, o segurado especial fica
excluído dessa categoria:

I. a contar do primeiro dia do mês em que: (2.) deixar de satisfazer as


condições gerais estabelecidas para ser segurado especial, ou outorgar
mais 50% do imóvel rural, para fins de parcelia, meação ou comodato;
(b) se enquadrar em qualquer outra categoría de segurado obrigató-
rio do RGPS, ressalvadas as exceções supracitadas que não geram a
perda do enquadramento; (c) se tornar segurado obrigatório de outro
regime previdenciário; e (d) participar de sociedade empresária, de
sociedade simples, como empresário individual ou como titular de
empresa individual de responsabilidade limitada em desacordo com
as limitações impostas pelo§ 12 do art. 11 da Lei 8.213/91.
II. a contar do primeiro dia do mês subsequente ao da ocorrência,
quando o grupo familiar a que pertence exceder o limite de: (a) con-
tratação de empregados por prazo determinado ou de trabalhador
eventual, à razão de no máximo 120pessoas por dia no ano civil; (b)
120 dias, corridos ou intercalados, no ano civil, de exercício de ati-
vidade remunerada; e (c) 120 dias ao ano de exploração da atividade
turística da propriedade rural, inclusive com hospedagem.

52 STJ, AgRg no REsp 1267186/ RS, Rei. Min. Og Fernandes, 6" Turma, Dk 0·1110/2012.

Hugo Goes 106


Regime Geral de Previdência Social

De acordo com o§ 12 do art. 11 da Lei 8.213/91, a participação do segu-


rado especial em sociedade empresária, em sociedade simples, como empresário
individual ou como titular de empresa individual ele responsabilidade limitada
de objeto ou âmbito agrícola, agroindustrial ou agroturístico, considerada
microempresa nos termos da Lei Complementar 123/2006, não o exclui de tal
categoria previdenciária, desde que, mantido o exercício da sua atividade rural
na forma do inciso VII do caput e do§ lo, a pessoa jurídica componha-se apenas
de segurados de igual natureza e sedie-se no mesmo município ou em município
limítrofe àquele em que eles desenvolvam suas atividades.

2.1.4.9 Comprovação da atividade rural

De acordo com o art. art. 106 da Lei 8.213/91, a comprovação do exercício


de atividade rural será feita, alternativamente, por meio de:

I - contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho


e Previdência Social;
li - contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
III - declaração fundamentada de sindicato que represente
o trabalhador rural ou, quando for o caso, de sindicato ou
colônia de pescadores, desde que homologada pelo Insti-
tuto Nacional do Seguro Social-INSS;
IV - comprovante de cadastro do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária - INCRA, no caso de pro-
dutores em regime de economia familiar;
V - bloco de notas do produtor rural;
VI - notas fiscais de entrada de mercadorias emitidas pela
empresa adquirente da produção, com indicação do nome
do segurado como vendedor;
VII - documentos fiscais relativos a entrega de produção
rural à cooperativa agrícola, entreposto de pescado ou outros,
com indicação do segurado como vendedor ou consignante;
VIII - comprovantes de recolhimento de contribuição à Pre-
vidência Social decorrentes da comercialização da produção;
IX - cópia da declaração de imposto de renda, com indica-
ção de renda proveniente da comercialização de produção
rural; ou
X -licença de ocupação ou permissão outorgada pelo Incra.

107 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

Além dos documentos supra, o Regulamento da Previdência Social (art. 62,


§2°, II, 'T') ainda admite como prova de exercício da atividade rural a "certidão
fornecida pela Fundação Nacional do Índio- FUNAI, certificando a condição do
índio como trabalhador rural, desde que homologada pelo INSS".
O STJ entende que o rol de documentos descrito no art. 106 da Lei 8.213/91
é meramente exemplificativo, e não taxativo, aceitando como início de prova mate-
rial do tempo de serviço rural as certidões de óbito e de casamento, qualificando
como lavrador o cônjuge da requerente de benefício previdenciário (STJ, AgRg
no Ag 1399389/GO, Rel. Min. Laurita Vaz, 5• Turma, DJe 28/06/2011). O STJ já
se manifestou pela aceitação, a título de início de prova material, de documentos
relativos à qualificação do então marido da autora, mesmo diante da separação
ou do divórcio do casal, quando as informações contidas na documentação foi
confirmada pela prova testemunhal. 5 3
O STJ também tem entendido que a declaração sindical não homologada
pelo INSS, pura e simples, não constitui início razoável de prova material, porém
quando acompanhada de robusta prova testemunhal poderá, em razão das pecu-
liaridades que envolvem o trabalho rural, constituir início de prova material apto
a suprir os requisitos do art. 106 da Lei 8.213/91, ainda mais por se tratar de mero
rol exemplificativo. 54
É firme a orientação jurisprudencial do STJ no sentido de que, para concessão
de aposentadoria por idade rural, não se exige que a prova material do labor agrí-
cola se refira a todo o período de carência, desde que haja prova testemunhal apta
a ampliar a eficácia probatória dos documentos, como na hipótese em exame (STJ,
AR 3986/SP, Rei. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 01/08/2011).

2.1.5 Segurado contribuinte individual

Contribuinte individual é categoria de segurado criada pela Lei 9.876/99,


reunindo as antigas espécies de segurados empresário, autônomo e equiparado
a autônomo.
Assim, filia-se obrigatoriamente ao RGPS, na qualidade de contribuinte
individual:

53 STJ, AgRg no AREsp 47907/MG, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, Ofe 28/03/2012.
54 STJ, AgRg no REsp 1083346 I PB, Rei. Min. Og Fernandes, 6' T., Dje 16/11/2009.

HugoGoes 108
Regime Geral de Previdência Social

I. a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuá-


ria, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área
superior a 4 módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4
módulos fiscais ou atividade pesqueira ou extrativista, com auxílio de
empregados cu por intermédio de prepostos; ou ainda quando deixar
de satisfazer as condiçôes para ser segurado especial.
Aqui, apesar de exercer atividade agropecuária, pesqueira ou extrativista,
a pessoa física não se en::=.uadra como segurado especial, em razão da existência
de, pelo menos, um dos seguintes motivos: (a) a área do imóvel rural é superior
a 4 módulos fiscais; (b) possui empregados permanentes; (c) exerce a atividade
por intermédio de preposto; ou (d) deixou de satisfazer qualquer outra condição
para ser segurado especial.

li. a pessoa físia:, proprietária ou não, que explora atividade de extração


mineral garimpo -, em caráter permanente ou temporário, direta-
mente ou por intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empre-
gados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;
De acordo com a redação original do inciso VII do art. 12 da Lei 8.212/91,
o garimpeiro, quando exercia suas atividades individualmente ou em regime de
economia familiar, era considerado segurado especial. Mas conforme a legislação
atualmente em vigor, em nenhuma hipótese o garimpeiro será enquadrado como
segurado especial.
Garimpeiro é toda pessoa física de nacionalidade brasileira que, indivi-
dualmente ou em form2. associativa, atue diretamente no processo da extração
de substâncias minerais garimpáveis (Lei 11.685/2008, art. 2°, 1).
Nos termos do art. 4" da Lei 11.685/2008, os garimpeiros realizarão as
atividades de extração de substâncias minerais garimpáveis sob as seguintes
modalidades de trabalho: (I) autônomo; (II) em regime de economia familiar;
(111) individual, com formação de relação de emprego; (IV) mediante contrato de
parceria, por instrumento particular registrado em cartório; e (V) em cooperativa
ou outra forma de associativismo.
Se o garimpeiro realiza sua atividade com formação de relação de
emprego, obviamente, será segurado empregado. Nos demais casos, o garimpeiro
enquadra-se como contribuinte individual.
Vale frisar que é proibido o trabalho do menor de 18 (dezoito) anos na ati-
vidade de garimpagem (Lei 11.685/2008, art. 13).

109 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

III. o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de viela


consagrada, de congregação ou de ordem religiosa.
Os ministros de confissão religiosa são aqueles que consagram sua vida a
serviço de Deus e do próximo, com ou sem ordenação, dedicando-se ao anúncio
de suas respectivas doutrinas e crenças, à celebração dos cultos próprios, <1 orga-
nização das comunidades e à promoção de observância das normas estabelecidas,
desde que devidamente aprovados para o exercício de suas funções pela autoridade
religiosa competente. São, por exemplo, os padres, pastores, bispos.
Os membros do instituto de viela consagrada, de congregação ou ordem
religiosa são os que emitem ou professam voto (promessa feita pelos religiosos),
devidamente aprovado pela autoridade religiosa competente. São, por exemplo,
as freiras, freis e monges.
Não se considera como remuneração direta ou indireta os valores despen-
didos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro
de confissão religiosa, membros ele instituto de viela consagrada, de congregação
ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência
desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade
do trabalho executado (Lei 8.212/91, art. 22, §13). Os valores despendidos, ainda
que pagos de forma e montante diferenciados, em pecúnia ou a título de ajuda
de custo de moradia, transporte, formação educacional, vinculados exclusiva-
mente à atividade religiosa não configuram remuneração direta ou indireta (Lei
8.212/91, art. 22, § 14, II). Nesse caso, já que não recebem remuneração, a base de
cálculo das contribuições previdenciárias destes religiosos será o valor por eles
declarado, observados os limites mínimo e máximo do salário de contribuição
(IN RFB 971/2009, art. 55, §11).

IV. o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial


internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domi-
ciliado e contratado, salvo quando coberto por Regime Próprio de
Previdência Social.
Trata-se de brasileiro civil que presta serviço no exterior a organismos ofi-
ciais internaciona_is, como ONU, OIT etc., ainda que contratado e domiciliado
no exterior.
Aqui, o contratante do serviço é o próprio organismo oficial internacional. Se
o trabalhador fosse contratado pela União, para prestação do serviço em organismo
oficial internacional, seria segurado empregado, e não contribuinte individual.

HugoGoes 110
Regime Geral de Previdência Social

O dispositivo exclui o brasileiro militar, pois este tem Regime Próprio de


Previdência.

V. o titular de firma individual urbana ou rural, considerado empresá-


rio individual pelo art. 931 do Código CiviL
Trata-se da pessoa que explora uma atividade empresarial em nome pró-
prio sem constituir sociedade, porém com registro na Junta ComerciaL Não há
separação entre o patrimônio pessoal do titular e o patrimônio da empresa, ou
entre dívidas pessoais e dívidas da empresa.

VI. o diretor não empregado e o membro de conselho de administração


na sociedade anônima.
Os diretores das sociedades anônimas podem ser: diretor empregado ou
diretor não empregado. Ambos são segurados obrigatórios do RGPS, sendo que
o diretor empregado é segurado empregado e o diretor não empregado é contri-
buinte individual. O Regulamento da Previdência Social diferencia um do outro,
nos seguintes termos:
Diretor empregado: aquele que, participando ou não do risco econômico
do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das
sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego
(RPS, art. 9°, §2°).
Diretor não empregado: aquele que, participando ou não do risco econômico
do empreendimento, seja eleito, por assembleia geral dos acionistas, para cargo
de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes
à relação de emprego (RPS, art. 9° §3°).
O conselho de administração das sociedades anônimas é composto por,
no mínimo, três acionistas, pessoas físicas (Lei 6.404/76, art. 140). Em regra, a
sociedade anônima não é obrigada a ter conselho de administração. Todavia, nas
sociedades anônimas de capital aberto, nas com capital autorizado e nas de econo-
mia mista, a existência de conselho de administração é obrigatória. Os membros
do conselho de administração da sociedade anônima são segurados obrigatórios
do RGPS, na categoria de contribuinte individual.

VIL o membro de conselho fiscal de sociedade por ações.


O conselho fiscal da sociedade por ações (sociedade anônima ou companhia)
será composto de, no mínimo, três e, no máximo, cinco membros, e suplentes

111 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

em igual número, acionistas ou não, eleitos pela Assembleia Geral (Lei 6.404/76,
art. 161, §1").
Toda sociedade anônima será obrigada a ter um conselho fiscal (Lei
6.404/76, art. 161), e todos os seus membros serão segurados obrigatórios do RGPS,
na categoria de contribuinte individual (RPS, art. 9°, §15, V).

VIII. todos os sócios, nas sociedades em nome coletivo e de capital e


indústria.
Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome cole-
tivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações
sociais (Código Civil, art. 1.039). Assim, as dívidas da empresa podem ser cobra-
das integralmente de qualquer dos sócios, razão que torna esse tipo de sociedade
quase que inexistente.
A administração da sociedade em nome coletivo compete exclusivamente
aos sócios (Código Civil, art. 1.042), razão pela qual a legislação previdenciária
considera todos os sócios como segurados contribuintes individuais (já que são
os administradores da empresa, o trabalho remunerado é presumido).
Na sociedade de capital e indústria há dois tipos de sócios: o capitalista, que
entra com o capital e responde pelas obrigações sociais de modo ilimitado; e o sócio
de indústria, que entra apenas com o seu trabalho e não responde por nada. Tanto
os sócios capitalistas como os de indústria são segurados obrigatórios do RGPS,
na categoria de contribuinte individual. Com o advento do novo Código Civil (Lei
10.406/2002), essa sociedade deixou de ter previsão expressa na legislação civil.

IX. o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decor-


rente de seu trabalho e o administrador não empregado na socie-
dade limitada, urbana ou rural.
O capital social da sociedade limitada divide-se em quotas, iguais ou desi-
guais, cabendo uma ou diversas a cada sócio (Código Civil, art. 1.055). Os adminis-
tradores da sociedade limitada podem ser sócios ou não (Código Civil, art. 1.061).
O que a legislação previdenciária chama de sócio gerente é o sócio que
é designado, no contrato social ou em ato separado, para ser administrador da
sociedade limitada. Esse sócio sempre é segurado obrigatório do RGPS, na cate-
goria de contribuinte individual, pois a condição de sócio administrador torna
presumido o trabalho remunerado.

Hugo Goes 112


Regime Geral de Previdência Social

O que a legislação previdenciária chama de administrador não empregado


é a pessoa física que, mesmo sem ser sócia, é designada, no contrato social ou em
ato separado, para ser administrador da sociedade limitada, porém, sem vínculo
empregatício. Aqui também o trabalho remunerado é presumido, sendo o admi-
nistrador segurado obrigatório do RGPS, como contribuinte individual.
O sócio que participa do capital da sociedade limitada, mas não é designado,
no contrato social ou em ato separado, como administrador chama-se simples-
mente de sócio cotista. Aqui o trabalho não é presumido, sendo necessária para o
sócio cotista ser considerado contribuinte individual a comprovação de retirada
ele pro labore (remuneração decorrente do trabalho). Não havendo a comprovação
de retirada de pro labore, e se o sócio cotista desejar ser segurado elo RGPS, será
inscrito como segurado facultativo.

X. o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associa-


ção ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o
síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção
condominial, desde que recebam remuneração.
Cooperativas são sociedades sem objetivo de lucro, constituídas em bene-
fício dos associados. A cooperativa será administrada por uma Diretoria ou
Conselho ele Administração, composto exclusivamente ele associados eleitos pela
Assembleia Geral (Lei 5.764/71, art. 47). Esses associados eleitos para cargo de
direção, quando remunerados, serão segurados obrigatórios do RGPS, na cate-
goria de contribuinte individual. Mas o associado à cooperativa de trabalho ou
de produção, mesmo sem fazer parte da sua administração, também pode ser
considerado contribuinte individual. Esse caso será analisado mais adiante.
O associado eleito para cargo de direção em associações ou entidades afins,
quando remunerado, também é considerado contribuinte individual. Não se inclui
na hipótese aqui prevista os diretores dos sindicatos (dirigentes sindicais), já que
eles mantêm, durante o exercício do mandato, o mesmo enquadramento no RGPS
de antes da investidura no cargo.
O síndico de condomínio, quando remunerado, é contribuinte individual.
Caso ele não receba remuneração direta, mas seja isento da taxa condominial,
também será contribuinte individual, pois essa isenção corresponde a uma remu-
neração indireta destinada a retribuir o seu trabalho. Nesse sentido, confira o
seguinte julgado do STJ:

113 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O PRO LABORE


E SOBRE A ISENÇÃO DA QUOTA CONDOMINIAL DOS SÍNDI-
COS. ART. 1° DA LEI COMPLEMENTAR N° 84/96. CONDOMÍ-
NIO. CARACTERIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. LEI N" g.8;6/g9.
INCIDÊNCIA. I - É devida a contribuição social sobre o
pagamento do pro labore aos síndicos de condor:ünios imo-
biliários, assim como sobre a isenção da taxa condominial
devida a eles, na vigência da Lei Complementar no 84/96,
porquanto a Instrução Normativa do INSS nc 06/96 não
ampliou os seus conceitos, caracterizando-se o condomí-
nio como pessoa jurídica, à semelhança das cooperativas,
mormente não objetivar o lucro e não realizar exploração
de atividade econômica. II - A partir da promulgação da
Lei no 9.876/99, a qual alterou a redação do art. 12, inciso
V, alínea "f", da Lei no 8.212/91, com as posteriores modi-
ficações advindas da MP n" 83/2002, transformada na Lei
11° 10.666/2003, previu-se expressamente tal exação, confir-

mando a legalidade da cobrança da contribuição previden-


ciária. III - Recurso especial improvido. 55

Já o síndico, que além de não ser remunerado paga a taxa de condomínio,


não é segurado obrigatório, podendo ser, se assim desejar, segurado facultativo.
O quadro a seguir resume as hipóteses estudadas nos itens V a X, que se
referem às pessoas físicas que exercem funções de direção nas empresas ou nas
entidades equiparadas à empresa:

'Membro do conselho de administração


Membro do conselho fi$cal ..
.· Sótü">~gerente
Soci~~dade limitada Sócio-cotista que recebe pro labore
.1\.dminisú·ador não sócio e não empregado
~.9Gied~4~ em ):roine coletivo . .. rodolos sócios .
. sa~~9Ú~:~#éip#Üe.i{\dústlüL· • iJ;'o\:í~ddá sÕC;i~s .. . •..
Fifsh~:indi~iclu~l ·•0titular(o ~mptesário individual)

55 STJ, REsp 4!1832/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, 1• T, Dj 19/12/2005, p. 211.

Hugo Goes 114


Keg1me lleral ae vrev1aenc1a )OCial

Cooperativa, associações ou eriti- Associàdo eleito para cargo de direção, desde


dades afins que seja remunerado
Condomínio Síndico, desde que seja remunerado

XI. quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter even-


tual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego.
Esse dispositivo cuida do trabalhador eventual, que é a pessoa física que presta
serviços esporádicos. Esse obreiro não se fixa a uma fonte de trabalho, é contratado
para trabalhar diante de uma situação específica, ocasional (trocar uma instalação
elétrica, consertar o encanamento etc.). Terminado o trabalho, o eventual não retoma
mais à empresa, vai à busca de outros trabalhos em empresas distintas.
Diferentemente do empregado, no serviço prestado pelo trabalhador even-
tual não há a continuidade. Porém, de forma semelhante ao empregado, o traba-
lhador eventual é um trabalhador subordinado (está sujeito ao poder de direção
do contratante).
Assim, são exemplos de trabalhador eventual o pintor que é contratado para
pintar uma parede, o eletricista contratado para trocar uma instalação elétrica, o
encanador contratado para consertar um encanamento etc.

XII. a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica
de natureza urbana, com fins lucrativos ou não.
Este é o autônomo propriamente dito. O trabalho prestado pelo trabalhador
autônomo pode ter natureza contínua, porém sem subordinação, pois ele trabalha
por conta própria, assumindo os riscos de sua atividade econômica.
O elemento fundamental que distingue o trabalhador autônomo do empre-
gado é a subordinação: empregado é trabalhador subordinado (está sujeito ao poder
de direção do empregador), ao passo que o autônomo não é subordinado.
A expressão com fins lucrativos ou não refere-se à atividade do tomador
do serviço, daquele para quem o autônomo presta o serviço, que pode ser uma
empresa ou uma família, e não a atividade em si do próprio autônomo.
São exemplos de trabalhador autônomo: o dentista, o médico, o contador, o
advogado etc. Nada impede, porém, que os profissionais aqui elencados trabalhem
como empregados, bastando, para isso, que eles prestem seus serviços de forma
não eventual e com subordinação.

115 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

Se um advogado, por exemplo, for contratado para prestar serviço para uma
empresa três vezes por semana, sempre nos mesmos dias e horários predeterminados,
será considerado empregado, e não autônomo. Diversamente, será considerado tra-
balhador autônomo, se couber ao próprio advogado definir os dias e os horários em
que prestará os serviços, conforme sua conveniência ou sua agenda.

XIII. o aposentado ele qualquer regime previdenciário nomeado magis-


trado classista temporário da Justiça do Trabalho, na forma dos
incisos II do §I" do art. 111 ou III do art. 115 ou do parágrafo único
do art. 116 da Constituição Federal, ou nomeado magistrado da
Justiça Eleitoral, na forma dos incisos II do art. 119 ou III do §1" do
art. 120 da Constituição Federal.
Esse dispositivo cuida do juiz classista temporário da Justiça elo Trabalho
e do magistrado temporário ela Justiça Eleitoral.
Antes da Emenda Constitucional 24, dentre os órgãos da Justiça do Tra-
balho, havia as Juntas de Conciliação e Julgamento, que eram compostas de um
juiz do trabalho (juiz togado), e dois juízes classistas temporários, representantes
dos empregados e dos empregadores. A Emenda Constitucional 24, de 9/12/99,
extinguiu a categoria de magistrado classista temporário da Justiça do Trabalho,
entretanto, assegurou o cumprimento dos mandatos dos juízes classistas que já
tinham sido nomeados. Como o mandato dos juízes classistas era de três anos,
conclui-se que não há mais juiz classista na Justiça do Trabalho.
Já os magistrados temporários da Justiça Eleitoral estão previstos nos arts.
119, II, e 120, §1", III, da Constituição Federal. De acordo com esse dispositivo
constitucional, cabe ao presidente da República nomear dois juízes para o TSE
(Tribunal Superior Eleitoral) e dois juízes para cada TRE (Tribunal Regional
Eleitoral), dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral. Os
juízes dos Tribunais Eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por dois anos,
no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos (CF, art. 121, §2").
Aquele que já é aposentado (pelo RGPS ou por regime próprio) e passa a
exercer a atividade de juiz temporário, torna-se segurado obrigatório do RGPS,
na qualidade de contribuinte individual.
Porém, aquele que ainda não é aposentado, quando nomeado como
magistrado temporário da Justiça Eleitoral, mantêm o mesmo enquadramento
no RGPS de antes da investidura no cargo (RPS, art. 9", §11). Assim, se antes
da investidura no cargo de juiz Eleitoral, o advogado era, por exemplo, segu-
rado empregado, permanecerá, após a investidura no cargo, sendo segurado

Hugo Goes 116


Regime Geral de Previdência Social

empregado. Mas se antes da investidura no cargo ele já era aposentado, passa a


ser contribuinte individual.
Atente-se, porém, que não se trata aqui de juízes de carreira (integrantes da
carreira da Magistratura), e sim de juízes temporários. Os juízes de carreira são
segurados de Regimes Próprios de Previdência e, desta forma, excluídos do RGPS.

XIV. o cooperado de cooperativa de produção que, nesta condição, presta


serviço à sociedade cooperativa mediante remuneração ajustada ao
trabalho executado.
Cooperativa, urbana ou rural, é a sociedade de pessoas, sem fins lucrativos,
com forma e natureza jurídica próprias, ele natureza civil, não sujeita à falência,
constituída para prestar serviços a seus associados (Lei 5.764/71).
Cooperativa de produção, espécie de cooperativa, é a sociedade que, por
qualquer forma, detém os meios de produção e seus associados contribuem com
serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens (IN
RFB 971/2009, art. 210).
Considera-se cooperado o trabalhador associado a cooperativa, que adere
aos propósitos sociais e preenche as condições estabelecidas no estatuto dessa
cooperativa.
O cooperado de cooperativa de produção é enquadrado no RGPS como
segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. No entanto, vale
frisar que não descaracteriza a condição de segurado especial a associação em
cooperativa agropecuária ou de crédito rural (Lei 8.213/91, art. 11, §8°, VI). Assim,
se diversos segurados especiais organizarem-se em forma de cooperativa de produ-
ção, para juntos ganharem competitividade, não serão considerados contribuintes
individuais, pois, neste caso, manterão a qualidade de segurados especiais.

XV. o trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta


serviços a terceiros.
O dispositivo anterior cuidou do trabalhador associado à cooperativa de pro-
dução. Esse dispositivo cuida do trabalhador associado à cooperativa de trabalho.
Cooperativa de trabalho, espécie de cooperativa também denominada
cooperativa de mão de obra, é a sociedade formada por operários, artífices, ou
pessoas da mesma profissão ou ofício, ou de vários ofícios de uma mesma classe,
que, na qualidade de associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio
(IN RFB 971/2009, art. 209).

117 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

A cooperativa de trabalho intermedeia a prestação de serviços de seus coo-


perados, expressos em forma de tarefa, obra ou serviço, com os seus contratantes,
pessoas físicas ou jurídicas, não produzindo bens OJ serviços próprios.
O cooperado, seja de cooperativa de produção ou de trabalho, é segurado
obrigatório do RGPS na categoria de contribuinte individual.

XVL o condutor autônomo de veículo rodoviário, assim considerado


aquele que exerce atividade profissional sem vínculo empregatício,
quando proprietário, coproprietário ou promitente comprador de
um só veículo.
Cuida esse dispositivo da pessoa que tem táxi, ônibus, caminhão, cami-
nhonete, perua, micro-ônibus etc., e se utiliza do seu veí:::ulo para prestar serviços
a terceiros.

XVII. aquele que exerce atividade de auxiliar de condutor autônomo de


veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colabora-
ção, nos termos da Lei 6.094/74.
De acordo com o art. 1o da Lei 6.094/74, é facultada ao condutor autônomo
de veículo rodoviário a cessão do seu automóvel, em regime de colaboração, no
máximo a dois outros profissionais. Não haverá qualquer vínculo empregatício
nesse regime de trabalho, devendo ser previamente acordada, entre os interes-
sados, a recompensa por essa forma de colaboração (Lei 6.094/74, art. 1°, §2°).
Os auxiliares de condutores autônomos de veículos rodoviários contri-
buirão para a Previdência Social de forma idêntica as dos condutores autônomos
(Lei 6.094/94, art. 1°, §1°). Assim, ambos são segurados obrigatórios do RGPS na
categoria de contribuinte individual.
Por exemplo: João é proprietário de um táxi cedido, em regime de colabora-
ção, a Marcos e a Lucas, que atuam como seus auxiliares. João utiliza o automóve~
das 6 às 14 horas; Marcos, das 14 às 22 horas; Lucas, C.as 22 horas de um dia até
as 6 horas do dia seguinte. Assim, o táxi roda durante 24 horas por dia. Nessa
situação, João, Marcos e Lucas são segurados obrigatórios do RGPS na categoria
de contribuinte individual.

XVIII. aquele que, pessoalmente, por conta própria e a seu risco, exerce
pequena atividade comercial em via pública ou de porta em porta,
como comerciante ambulante, nos termcs da Lei 6.586/78.

Hugo Goes 118


Regime Geral de Previdencía ~oCial

De acordo com o art. 1" da Lei 6.586/78, "considera-se comerciante ambu-


lante aquele que, pessoalmente, por conta própria e a seus riscos, exerce pequena
atividade comercial em via pública, ou de porta em porta".
Também conhecido como camelô ou mascate, o comerciante ambulante
é o mercador que vende nas ruas, em geral nas calçadas, bugigangas ou outros
artigos, apregoando-os de modo típico.

XlX. aquele que presta serviço de natureza não contínua, por conta própria,
a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, sem fins lucrativos.
A pessoa da qual cuida esse dispositivo é muito parecida com o segurado
empregado doméstico, afastando-se dessa categoria pelo fato de não haver con-
tinuidade na prestação dos seus serviços.
Aqui, os serviços também são prestados a uma pessoa física ou a uma famí-
lia, no âmbito residencial do contratante, em atividades que não visam lucro para
o contratante. Porém, não há a continuidade dos serviços prestados.
A pessoa que presta esse tipo de serviço é normalmente conhecida como
diarista.
Nos termos do art. 1° da Lei Complementar 150/2015, para que haja conti-
nuidade é necessário que o serviço doméstico seja prestado ao mesmo empregador
por mais de 2 (dois) dias por semana. Comprovando-se o labor por somente dois
dias na semana, configura-se o caráter descontínuo da prestação de serviço. Se a
prestação do serviço doméstico for descontínua (é o caso da diarista), o trabalha-
dor não será empregado doméstico, e sim contribuinte individual.

XX. o notário ou tabelião e o oficial de registros ou registrador, titular


de cartório, que detêm a delegação do exercício da atividade nota-
rial e de registro, não remunerados pelos cofres públicos, admitidos
a partir de 21 de novembro de 1994.
De acordo com o art. 3° da Lei 8.935/94, "notário, ou tabelião, e oficial de
registro ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem
é delegado o exercício da atividade notarial e de registro".
Titulares de serviços notariais e de registro são, por exemplo, os tabeliães
de notas, os tabeliães de protesto de títulos, os oficiais de registro de imóveis, os
oficiais de registro de títulos e documentos, os oficiais de registro civis das pes-
soas naturais etc.

119 Capítulo3
Manual de Direito Previdenciário

O art. 40 da Lei 8.935/94 determina que "os notários, oficiais de registro,


escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e
têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos".
Por Previdência Social de âmbito federal entenda-se o Regime Geral de Previ-
dência Social (RGPS).
Assim, os titulares de cartório admitidos a partir de 21/ll/94 (data do iní-
cio da vigência da Lei 8.935/94) são segurados obrigatórios do RGPS na categoria
de contribuinte individual. Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado do STF:

EMENTA: [ ... ] Oficial de Registro de Imóveis. Cargo exer-


cido em caráter privado. Submissão ao regime geral da
Previdência Social. Possibilidade. Precedentes. 1. A juris-
prudência desta Corte assentou que os serviços de registros
públicos, cartorários ou notariais, são exercidos em caráter
privado, natureza jurídica essa que se aplica tanto aos titu-
lares dos cartórios, como a seus servidores. 2. Por conse-
guinte, a eles não se aplica o regime previdenciário próprio
dos servidores públicos, mas, sim, o regime jurídico único
da Previdência Social. [.. .].5 6

XXI. aquele que, na condição de pequeno feirante, compra para revenda


produtos hortifrutigranjeiros ou assemelhados.
A pessoa física que compra, por exemplo, frutas e verduras com o objetivo
de revendê-las em feiras livres também é considerada contribuinte individuaL

XXII. a pessoa física que edifica obra de construção civiL


Esse dispositivo cuida da pessoa física que habitualmente edifica obra de
construção civil com fins lucrativos. Assim, será contribuinte individual o cons-
trutor profissional, e não quem constrói sua própria casa.

XXIII. o médico-residente de que trata a Lei 6.932/81.


Residência médica, conforme disposto no art. 1° da Lei 6.932/81, é a moda-
lidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos
de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob a
responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação
de profissionais médicos.

56 STF, AI 667424 ED I SC, Rei. Min. Dias Toffoli, DJc-175, 05/09/2012.

Hugo Goes 120


Regime Geral de Previdência Social

O médico-residente que desenvolve suas atividades de acordo com a Lei


6.932/81 é considerado segurado obrigatório do RGPS na categoria de contribuinte
individual. Mas se prestar os serviços em desacordo com a Lei 6.932/81 será consi-
derado segurado empregado (Instrução Normativa RFB 971/2009, art. 6", XXV).

XXIV. o pescador que trabalha em regime de parceria, meação ou arren-


damento, em embarcação de médio ou grande porte, nos termos
da Lei 11.959, de 2009.
De acordo com a Lei 11.959/2009, art. 10, §]",as embarcações que operam
na pesca comercial se classificam em:

I- de pequeno porte: quando possui arqueação bruta- AB


igual ou menor que 20 (vinte);
II - de médio porte: quando possui arqueação bruta AB
maior que 20 (vinte) e menor que 100 (cem);
III - de grande porte: quando possui arqueação bruta - AB
igual ou maior que 100 (cem).

Assim, será considerado como contribuinte individual o pescador que


trabalha em regime d·e parceria, meação ou arrendamento, em embarcação
que possui arqueação bruta maior que 20 (vinte).
Arqueação bruta (AB) é a expressão do tamanho total de uma embarcação,
de parâmetro adimensional, determinada de acordo com o disposto na Convenção
Marítima Internacional sobre Arqueação de Navios (1969) e nonnas nacionais,
sendo função do volume de todos os espaços fechados.

XXV. o incorporador de que trata o art. 29 da Lei 4.591/64.


Incorporação imobiliária é a atividade exercida com o intuito de promover
e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto
de edificações compostas de unidades autônomas (Lei 4.591/64, art. 28, parágrafo
único). Unidades autônomas são, por exemplo, cada um dos apartamentos de um
edifício residencial, cada uma das salas de um edifício empresarial, cada uma das
casas de um condomínio fechado etc.
Incorporador é a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que embora
não efetuando a construção, compromisse ou efetive a venda de frações ideais
de terreno objetivando a vinculação de tais frações a unidades autônomas, em
edificações a serem construídas ou em construção sob regime condominial, ou

121 Capítulo3
Manual de Direito Previdenciário

que meramente aceite propostas para efetivação de tais transações, coordenando


e levando a termo a incorporação e responsabilizando-se, conforme o caso, pela
entrega, a certo prazo, preço e determinadas condições das obras concluídas (Lei
4.591/64, art. 29).
O incorporador tanto pode ser pessoa física como pessoa jurídica. Mas só será
segurado obrigatório do RGPS, na categoria de contribuinte individual, o incorpo-
rador pessoa física. O incorporador pessoa jurídica é contr~buinte, e não segurado.
Por exemplo: João é proprietário de um terreno e decide nele construir
um edifício residencial. João vende frações ideais desse terreno a diversas outras
pessoas, vinculando tais frações a apartamentos residenciais (unidades autôno-
mas) a serem construídos, responsabilizando-se pela entrega de tais apartamen-
tos residenciais, dentro de um prazo contratualmente acertado, a cada um dos
compradores. Nessa situação, João é considerado um incorporador pessoa física,
mesmo que não seja construtor. Assim, para construir o edifício residencial, João
poderá contratar uma construtora. João, na hipótese aqui citada, será segurado
obrigatório do RGPS, na categoria de contribuinte individual.

XXVI. o bolsista da Fundação Habitacional do Exército contratado em


conformidade com a Lei 6.855/80.
A Fundação Habitacional do Exército (FHE) integra o Sistema Financeiro
da Habitação (SFH), tendo por objetivo gerir a Associação de Poupança e Emprés-
timo- POUPEx (Lei 6.855/80, art. 1°, §2°).
De acordo com o art. 22 da Lei 6.855/80, "a Fundação Habitacional do
Exército - FHE, mediante concessão de Bolsa de Complementação Educacio-
nal ou Bolsa de Iniciação Profissional, conforme o caso, poderá utilizar-se, sem
vínculo empregatício, pelo tempo necessário ao término do respectivo curso, ou
pelo prazo máximo de 2 (dois) anos, contados da data de sua conclusão, de servi-
ços de estudante-estagiário, de nível universitário, ou de recém-diplomados, de
mesmo nível". Esses bolsistas (estagiários) são segurados obrigatórios do RGPS
(Lei 6.855/80, art. 22, parágrafo único).
Os estágios, em geral, são disciplinados pela Lei 11.788/08. O estagiário
que presta serviço de acordo com a Lei 11.788/08 não é segurado obrigatório do
RGPS. Mas o estagiário da Fundação Habitacional do Exército é um caso espe-
cífico, regido por uma lei específica (Lei 6.855/80), a qual determina que ele seja
segurado obrigatório do RGPS.

HugoGoes 122
Regime Geral de Prevtdencta ~ocial

Obedecendo ao disposto no parágrafo único do art. 22 da Lei 6.855/80,


o Regulamento da Previdência Social (RPS) enquadrou o bolsista da Pundação
Habitacional do Exército como segurado contribuinte individual.

XXVII. o árbitro e seus auxiliares que atuam em conformidade com. a


Lei 9.615/98.
A Lei 9.615/98 institui normas gerais sobre desporto. Assim, esse dispositivo
cuida do árbitro de jogos desportivos e seus auxiliares.
De acordo com o parágrafo único do art. 88 da Lei 9.615/98, os árbitros e
seus auxiliares não terão qualquer vínculo empregatício com as entidades des-
portivas diretivas onde atuarem, e sua remuneração como autônomos exonera
tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas.
Assim, o árbitro de jogos desportivos e seus auxiliares são trabalhadores
autônomos e, por conseguinte, segurados obrigatórios do RGPS na categoria de
contribuinte individual.

XXIII. o membro de conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei


8.069/90, quando remunerado.
A Lei 8.069/90 dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Em
seu art. 132, essa Lei determina que "em cada Município haverá, no mínimo, um
Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade local
para mandato de três anos, permitida uma recondução".
Nos termos do art. 134 da Lei 8.069/90, "Lei Municipal disporá sobre local,
dia e horário de funcionamento do.Conselho Tutelar, inclusive quanto à eventual
remuneração de seus membros". Assim, o membro do Conselho Tutelar pode, ou
não, ser remunerado, dependendo do que determinar a lei municipal.
Quando remunerado, o membro do Conselho Tutelar é segurado obrigatório
do RGPS, na categoria de contribuinte individual. Não sendo remunerado, e não
estando vinculado a qualquer Regime de Previdência Social, poderá se inscrever
como segurado facultativo, se assim desejar.

XXIX. o interventor, o liquidante, o administrador especial e o diretor


fiscal de instituição financeira.
A Lei 6.024/74 dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de
instituições financeiras. De acordo com o art. 1° dessa lei, as instituições financeiras
privadas e as públicas não federais, assim como as cooperativas de crédito, estão

123 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

sujeitas à intervenção ou à liquidação extrajudicial, em ambos os casos efetuada


e decretada pelo Banco Central do Brasil.
Se as anormalidades existentes nos negócios sociais da instituição financeira
forem suficientes para justifiCar uma intervenção, o Banco Central nomeará um
interventor, com amplos poderes de gestão (Lei 6.024/74, art. 5°).
Se a situação em que se encontra a instituição financeira exigir uma liqui-
dação extrajudicial, o Banco Central nomeará um liquidante, com amplos poderes
de administração e liquidação, especialmente os de verificação e classificação dos
créditos, podendo nomear e demitir funcionários, fixando-lhes os vencimentos,
outorgar e cassar mandatos, propor ações e representar a massa em Juízo ou fora
dele (Lei 6.024, art. 16).
Aquele que é nomeado pelo Banco Central para administrar uma institui-
ção financeira em estado de intervenção ou de liquidação é segurado obrigatório
do RGPS, na categoria de contribuinte individual.

XXX. o Microempreendedor Individual - MEI de que tratam os arts.


18-A e 18-C da Lei Complementar 123/06, que opte pelo reco-
lhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples
Nacional em valores fixos mensais.
Considera-se Microempreendedor Individual - MEl o empresário indi-
vidual que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até
R$60.000,00, optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar
pela sistemática de recolhimento aplicada ao MEl (LC 123/06, art. 18-A, §1°).
No caso de início de atividades, o limite máximo da receita bruta para que
o empresário individual se enquadre como MEl será de R$5.000,00 multiplicados
pelo número de meses compreendido entre o início da atividade e o final do res-
pectivo ano-calendário, consideradas as frações de meses como um mês inteiro.
Não poderá optar pela sistemática de recolhimento aplicada ao MEl o
empresário individual: (a) que possua mais de um estabelecimento; (b) que par-
ticipe de outra empresa como titular, sócio ou administrador; (c) que contrate
empregado; ou (d) cuja atividade seja tributada pelos anexos IV ou V da Lei
Complementar 123/06, salvo autorização relativa a exercício de atividade isolada
na forma regulamentada pelo Comitê Gestor.

HugoGoes 124
Regime Geral de Previdência Social

Observação:
Em regra, para que o empresário individual possa optar pela sistemática
de recolhimento aplicada ao MEl, ele não pode contratar empregados
(LC 123/06, art. 18-A, §4<•, IV). Todavia, poderá se enquadrar como MEI
o empresário individual que possua um único empregado que receba
exclusivamente 1 (um) salário mínimo ou o piso salarial da categoria
profissional (LC 123/06, art. 18-C).

O Microempreendedor Individual MEl é segurado obrigatório do RGPS,


:1a qualidade de contribuinte individual (RPS, art. 9°, V, "p").

XXXI. O médico participante do Projeto Mais Médicos para o Brasil


De acordo com o art. 20 da Lei 12.871/2013, o médico participante do Projeto
..Vlais Médicos para o Brasil enquadra-se como segurado obrigatório do RGPS,
::1a condição de contribuinte individual. Mas, nos termos do parágrafo único do
::eferido artigo, são ressalvados dessa obrigatoriedade os médicos intercambis-
tas: (I) selecionados por meio de instrumentos de cooperação com organismos
internacionais que prevejam cobertura securitária especítlca; ou (li) filiados a
:-egime de seguridade social em seu país de origem, o qual mantenha acordo
:nternacional de seguridade social com a República Federativa do Brasil.

2.1.6 Situações específicas

Aqui, serão vistos alguns casos específicos de enquadramento do segurado


obrigatório junto ao Regime Geral de Previdência Social.

2.1.6.1 Dirigente sindical

O dirigente sindical mantém, durante o exercício do mandato, o mesmo


enquadramento no RGPS de antes da investidura no cargo (Lei 8.212/91, art. 12, §5°).

Exemplo 1:
Mateus, empregado do Banco Alfa, passou a exercer o mandato de pre-
sidente do sindicato dos bancários. Nesta situação, independentemente
de sua remuneração ser paga pelo sindicato, pelo banco on por ambos,
Mateus continua sendo segurado obrigatório do RGPS como empregado.

125 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

Exemplo 2:
Joaquim, pequeno produtor, residente no imóvel rural com área de 3 módu-
los fiscais, explora atividade agropecuária em regime de economia familiar.
Nessa condição, Joaquim é segurado obrigatório do RGPS coino segurado
especial. Passando a exercer o mandato de presidente do sindicado dos
trabalhadores rurais do seu município, ele manterá a condição de segu-
rado especial, ainda que receba alguma remuneração paga pelo sindicato.

2.1.6.2 Aposentado que volta a trabalhar

O aposentado por qualquer Regime de Previdência Social que exerça ativi-


dade remunerada abrangida pelo RGPS é segurado obrigatório em relação a essa
atividade, ficando sujeito às contribuições destinadas ao custeio da Seguridade
Social (Lei 8.212/91, art. 12, §4" e art. 13, §1"). Confira, nesse sentido, o seguinte
julgado do St'F:

EMENTA: Contribuição previdenciária: aposentado que


retoma à atividade: CF, art. 201, § 4°; L. 8.212/91, art. 12:
aplicação à espécie, mutatis mutandis, da decisão plenária
da ADin 3.105, red.p/acórdão Peluso, DJ 18/2.105. A con-
tribuição previdenciária do aposentado que retoma à ati-
vidade está amparada no princípio da universalidade do
custeio da Previdência Social (CF, art. 195); o art. 201, § 4°,
da Constituição Federal remete à lei os casos em que a con-
tribuição repercute nos benefícios. 57

Nessa linha de raciocínio, o aposentado por qualquer regime de previdência


que exerça ou venha a exercer cargo em comissão, cargo temporário, emprego
público ou mandato eletivo vincula-se, obrigatoriamente, ao RGPS, pois todas
estas atividades são abrangidas pelo RGPS.

2.1.6.3 Trabalhador que exerce mais de uma atividade

Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade


remunerada sujeita ao RGPS, será obrigatoriamente filiado em relação a cada umc.
dessas atividades (Lei 8.212/91, art. 12, §2°).

57 STF, RE 437640/RS, Rei. Min. Sepúlveda Pertence, DI de 02/03/2007.

HugoGoes 126
'''-~'"''- ..................................... ~.~-··-·- ---·-·

2.1.6.4 Enquadramento realizado pela fiscalização

Se o Auditor Fiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte


individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche os
pressuposto da relação de emprego, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e
efetuar o enquadramento como segurado empregado (RPS, art. 229, §2"). Nesse
sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCLZRIO - INSS FISCALIZAÇ,\0 AUTUAÇÃO -


POSSIBILIDADE - VíNCULO EMPREGATÍCIO. A fiscalização
do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher
contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ele
julgue com vínculo empregatício. Caso discorde, a empresa
dispõe do acesso à justiça do Trabalho, a fim de questionar
a existência do vínculo. Recurso provido. 5 8

2.2 Segurado facultativo

O segurado facultativo é uma espécie de segurado cuja filiação ao RGPS


depende exclusivamente de sua vontade. A lei não o obriga a filiar-se.
Pode filiar-se ao RGPS como segurado facultativo, mediante contribuição,
a pessoa física maior de dezesseis anos de idade, desde que não esteja exercendo
atividade remunerada que o enquadre como segurado obrigatório do RGPS ou
de Regime Próprio de Previdência Social.
É vedada a filiação ao RGPS, na qualidade de segurado facultativo, de pessoa
participante de Regime Próprio de Previdência Social, salvo na hipótese de afasta-
mento sem vencimento e desde que não permitida, nesta condição, contribuição
ao respectivo regime próprio. A Lei 8.112/90, art. 183, §3", assegura ao servidor
licenciado ou afastado sem remuneração a manutenção da vinculação ao regime
do Plano de Seguridade Social do servidor público, mediante o recolhimento
mensal da respectiva contribuição. Todavia, a Lei 8.112/90 aplica-se somente aos
servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas fede-
rais. Assim, pode-se afirmar que o servidor público ocupante de cargo efetivo da
União que esteja licenciado sem remuneração não pode filiar-se como segurado
facultativo ao RGPS. No tocante aos servidores ocupantes de cargo efetivo dos
Estados, Distrito Federal e municípios, será possível a filiação como segurado

58 STJ, REsp 236279/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, 1' T, DJ 20/03/2000.

127 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

facultativo do RGPS somente na hipótese de afastamento sem vencimento e desde


que não permitida, nesta condição, contribuição ao respectivo regime próprio.
Também é vedada a filiação facultativa ao RGPS de servidor público apo-
sentado, qualquer que seja o Regime de Previdência Social a que esteja vinculado
como aposentado (IN INSS 77/2015, art. 55,§ 4", II).
A filiação na qualidade de segurado facultativo representa ato volitivo,
gerando efeito somente a partir da inscrição e do primeiro recolhimento.
A filiação do segurado facultativo não pode retroagir. Não é permitido o
pagamento de contribuiçôes relativas a competências anteriores à data da inscrição.
Após a inscrição, o segurado facultativo somente poderá recolher contri-
buiçôes em atraso quando não tiver ocorrido perda da qualidade de segurado.
O Regulamento da Previdência Social (art. 11, §l") apresenta uma lista de
pessoas que podem filiar-se na qualidade de segurado facultativo:
I. a dona de casa;
I I. o síndico de condomínio, quando não remunerado;
III. o estudante;
IV. o brasileiro que acompanha cônjuge que presta serviço no exterior;
V. aquele que deixou de ser segurado obrigatório da Previdência Social;
VI. o membro de conselho tutelar de que trata o art. 132 da Lei 8.069/90,
quando não esteja vinculado a qualquer Regime de Previdência Social;
VII. o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa de acordo
com a Lei 11.788/08;
VIII. o bolsista que se dedique em tempo integral a pesquisa, curso de
especialização, pós-graduação, mestrado ou doutorado, no Brasil
ou no exterior, desde que não esteja vinculado a qualquer Regime
de Previdência Social;
IX. o presidiário que não exerce atividade remunerada, nem esteja
vinculado a qualquer Regime de Previdência Social;
X. o brasileiro residente ou domiciliado no exterior, salvo se filiado
a regime previdenciário de país com o qual o Brasil mantenha
acordo internacional; e
XI. o segurado recolhido à prisão sob regime fechado ou semiaberto,
que, nesta condição, preste serviço, dentro ou fora da unidade
penal, a uma ou mais empresas, com ou sem intermediação da

Hugo Goes 128


Regime Geral de Previdência Social

organização carcerária ou entidade afim, ou que exerce atividade


artesanal por conta própria.

Cabe ressaltar que a lista supramencionada é meramente exemplificativa.


Na verdade, para a pessoa física poder filiar-se como segurado facultativo, basta
cumprir os seguintes requisitos: (I) ser maior de dezesseis anos de idade; e (I I) não
ser segurado obrigatório do RGPS ou de Regime Próprio de Previdência Social.

2.3 Dependentes

De acordo com o art. 16 da Lei 8.213/91, os dependentes do segurado, con-


siderados beneficiários do RGPS, dividem-se em três classes:
Classe I: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emanci-
pado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente
incapaz, assim declarado judicialmente;
• Classe II: os pais;
• Classe III: o irmão, não emancipado, de qualquer condição, menor de 21
anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne
absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente.

A Lei 13.146, de 6 de julho de 2015, deu uma nova redação aos incisos I e
III do art. 16 da Lei 8.213/91. A nova redação é a seguinte:

I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não


emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e
um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual
ou mental ou deficiência grave;
[... ]
III- o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor
de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência
intelectual ou mental ou deficiência grave;

Mas a Lei 13.146/2015, conforme o seu art. 127, somente entrará em vigor
após decorridos 180 dias de sua publicação oficial. A Lei 13.146/2015 foi publicada
no Diário Oficial da União no dia 7 de julho de 2015.

129 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

Os dependentes de uma mesma classe concorrem em igualdade de co::J-


dições, ou seja, o benefício (pensão por morte ou auxílio-reclusão) será dividido
em cotas iguais. Quando o direito de um dependente cessar, a sua cota reverterá
em favor daqueles que permanecerem com o direito.
A existência de dependente de qualquer das classes exclui do direito às
prestações os da classe seguinte. Por exemplo: Marcos, segurado do RGPS, faleceu
e deixou, ainda vivos, sua esposa, dois filhos não emancipados menores de 21 anos,
e sua mãe, que dele dependia economicamente. A pensão por morte deixada por
Marcos será dividida, em partes iguais, entre sua esposa e os dois filhos. Pelo fato
de pertencer à classe Il, a mãe de Marcos não terá direito à pensão por morte, pois
existem dependentes da classe L Se não existissem dependentes da classe I, a mãe
de Marcos seria a única pensionista.

2.3.1 Cônjuge

Cônjuges são o marido e a mulher, unidos pelo casamento. Assim, tanto


a esposa do segurado como o marido da segurada são beneficiários do RGPS na
condição de dependentes.
O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebe pensão de
alimentos concorrerá em igualdade de condições com os dependentes da classe I (Lei
8.213/91, art. 76, §2°). Equipara-se à percepção de pensão alimentícia o recebimento de
ajuda econômica ou financeira sob qualquer forma (IN INSS 77/2015, art. 371, § 1°).
Assim, em caso de separação - seja judicial ou de fato - ou de divórcio, o
fator determinante para a manutenção da qualidade de dependente é o recebi-
mento de pensão alimentícia. Entretanto, de acordo com o entendimento do STJ,
"a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão
previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica
superveniente" (Súmula 336 do STJ). Esse entendimento também se aplica aos
casos de divórcio. Nesse sentido, confira o seguinte .iulgado do STJ:

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL t\0 RECURSO ESPE-


CIAL. PENSÃO POR MORTE DE SERVIDOR PÚbLICO REQUERIDA
POR EX-CÔNJUGE. RENÚNCIA AOS ALIMENTOS POR OCASIÃO
DO DIVÓRCIO NÃO IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO.
SÚMULA 336/STJ. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA SUPER-
VENIENTE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. AGRAVO REGIMEN-
TAL DESPROVIDO. 1. Consoante disposto na S;lmula 336/STJ:

HugoGoes 130
1\C:':::;~IIIIC \,JÇIOI U\;.. I 1"-VI'\,...1'--'''-''-"" .._,...,.._.,....,,

a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial


tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido,
comprovada a necessidade econômica superveniente. 2. O só
fato de a recorrente ter-se divorciado do falecido e, à época,
dispensado os alimentos, não a proíbe de requerer a pensão
por morte, uma vez devidamente comprovada a necessidade. 59

De acordo com a jurisprudência do STJ, comprovada a dependência econô-


mica em relação ao de cujus, o cônjuge separado judicialmente faz jus ao benefício
de pensão pós-morte do ex-cônjuge, ainda que não receba pensão alimentícia. 60

2.3.2 Companheira e companheiro

De acordo com o §3° do art. 16 da Lei 8.213/91, considera-se companheira


ou companheiro a pessoa que, sem ser casada, mantém união estável com o
segurado ou com a segurada. Assim, para fins previdenciários, companheira é
a mulher que mantém união estável com o segurado. Companheiro é o homem
que mantém união estável com a segurada (RPS, art. 16, §5°).
Considera-se união estável aquela configurada na convivência pública,
contínua e duradoura entre o homem e a mulher, estabelecida com intenção de
constituição de família (RPS, art. 16, §6°, e Código Civil, art. 1.723, caput).
Ao regular a união estável, o Código Civil aplicou a este tipo de constitui-
ção de família os impedimentos do casamento, ressalvando, porém, que a união
estável se constituirá, ainda que um dos companheiros ou ambos sejam separados
apenas de fato (CC, art. 1.723, §1 °).
De acordo com o disposto no art. 1.521 do Código Civil, não podem casar:
(I) os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; (II) os
afins em linha reta; (III) o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado
com quem o foi do adotante; (IV) os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais
colaterais, até o terceiro grau inclusive; (V) o adotado com o filho do adotante; (VI)
as pessoas casadas; (VII) o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio
ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.
Podemos dizer, então, que, em regra, as pessoas impedidas de se casar
também são impedidas de constituir união estável. Nesta linha de raciocínio,

59 STJ, AgRg no REsp 1015252/RS, Rei. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 25/04/2011.
60 STJ, AgRg no AREsp 101062/ RJ, Rei. Min. Humberto Martins, 2• Turma, DJe 13/12/2012.

131 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

as pessoas casadas, em regra, não podem constituir união estável. Todavia, se a


pessoa casada for separada de fato ou judicialmente, embora impedida de se casar,
poderá constituir união estável (CC, art. 1.723, §1°).
Assim, para que reste caracterizada a união estável, é necessário que se
façam presentes as seguintes condições: (a) convivência pública, contínua e dura-
doura entre o homem e a mulher, estabelecida com intenção de constituição de
família; e (b) ambos os companheiros sejam solteiros, separados judicialmente,
divorciados, viúvos ou separados de fato.
Saliente-se, portanto, que é permitido o reconhecimento da união estável
entre pessoas separadas de fato ou separadas judicialmente. Exclui-se, contudo,
da figura jurídica da união estável o que a doutrina chama de concubinato. Con-
cubina é a mulher com quem o cônjuge adúltero tem encontros periódicos fora
do lar. Assim, ocorrendo o óbito do segurado, a sua concubina não terá direito à
pensão por morte. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STF:

COMPANHEIRA E CONCUBINA- DISTINÇÃO. Sendo o Direito


uma verdadeira ciência, impossível é confundir institutos,
expressões e vocábulos, sob pena de prevalecer a babei.
UNIÃO ESTÁVEL- PROTEÇÃO DO ESTADO. A proteção do
Estado à união estável alcança apenas as situações legítimas
e nestas não está incluído o concubinato. PENSÃO- SERVI-
DOR PÚBLICO - MULHER- CONCUBINA - DIREITO. A titu-
laridade da pensão decorrente do falecimento de servidor
público pressupõe vínculo agasalhado pelo ordenamento
jurídico, mostrando-se impróprio o implemento de divisão
a beneficiar, em detrimento da família, a concubina. 61

Diante do exposto, conclui-se que poderá ser concedida pensão por morte,
apesar do instituidor ou dependente (ou ambos) serem casados com outrem, desde
que comprovada a separação de fato ou judicial e a vida em comum.
O art. 372 da IN INSS 77/2015 regula a situação em que cônjuge e compa-
nheiro pleiteiam pensão por morte do mesmo instituidor nos seguintes termos:

Art. 372. Na hipótese de cônjuge e companheiro habilita-


dos como dependentes no benefício de pensão por morte do
mesmo instituidor, o cônjuge deverá apresentar declaração

til STF, RE 397762/BA, Rei. Min. Marco Aurélio, 1' T., D/12/09/2008.

Hugo Goes 132


Regime Geral de Previdência Social

específica contendo informaçào sobre a existência, ou não,


da separação de fato, observando que:
havendo declaração de que niio houve a separação de
fato, o cônjuge terá direito à pensão por morte mediante a
apresentação:
a) da certidão de casamento atualizada na qual não conste
averbação de divórcio ou de separação judicial;
b) de pelo menos um documento evidenciando o convívio
com o instituidor ao tempo do óbito;
II - havendo declaração de que estava separado de fato, o
cônjuge terá direito à pensão por morte, desde que apresente,
no mínimo, um documento que comprove o recebimento de
ajuda financeira sob qualquer forma ou recebimento de pen-
são alimentícia.
caput, estará afas-
§ lo Na situação prevista no inciso I do
tado o direito do companheiro, ainda que haja a apresenta-
ção de três documentos na forma do § 3° do art. 22 do RPS.
§ 2° Na situação prevista no inciso II do caput, será devido
o benefício de pensão por morte desdobrada para o côn-
juge e para o companheiro que comprovar a união estável
ao tempo do óbito.

No caso de ação judicial que tenha como objetivo o reconhecimento de união


estável, o Supremo Tribunal Federal firmou sua jurisprudência no sentido de que,
quando o INSS figurar como parte ou tiver interesse na matéria, a competência é
da justiça federal. 62 Ou seja, se o objetivo do reconhecimento da união estável é o
recebimento de pensão por morte a ser paga pelo RGPS, sendo o INSS parte ou
possuidor de interesse na causa, a ação será processada e julgada na justiça federal.

2.3.3 Companheiros homossexuais

De acordo com o art. 130 da IN INSS 77/2015, o companheiro ou a com-


panheira do mesmo sexo de segurado inscrito no RGPS integra o rol dos depen-
dentes e, desde que comprovada a união estável, concorre, para fins de pensão por
morte e de auxílio-reclusão, com os dependentes preferenciais (dependentes da

62 STF, RE 545199 AgR I RJ, Rel. Min. Ellcn Gracie, 2 'T., D)c-237, 18/12/2009.

133 Capitulo 3
Manual de Direito Previdenciário

classe I). Veja que não há necessidade ele comprovação de dependência econômica,
bastando comprovar a união estável.
A Portaria MPS 513/2010, art. ] estabelece que, :10 âmbito do RGPS, os
0
,

dispositivos da Lei 8.213/91 que tratam de dependentes para fins previdenciá-


rios devem ser interpretados de forma a abranger a união estável entre pessoas
do mesmo sexo. Nessa mesma direção já se posicionou o STF, reconhecendo a
legitimidade ético-jurídica da união homoafetiva como entidade familiar. Nesse
sentido, confira o seguinte julgado da Suprema Corte:

RECONHECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DA UNL'\0 HOMOA-


FETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR. - Ü Supremo Tribunal
Federal - apoiando-se em valiosa hermenêutica construtiva
e invocando princípios essenciais (como os da dignidade
da pessoa humana, da liberdade, da autodeterminação, da
igualdade, do pluralismo, da intimidade, da não discrimina-
ção e da busca da felicidade) - reconhece assistir, a qualquer
pessoa, o direito fundamental à orientação sexual, havendo
proclamado, por isso mesmo, a plena legitimidade ético-
-jurídica da união homoafetiva como entidade familiar,
atribuindo-lhe, em consequência, verdadeiro estatuto de
cidadania, em ordem a permitir que se extraiam. em favor de
parceiros homossexuais, relevantes consequências no plano
do Direito, notadamente no campo previdenciário, e, tam-
bém, na esfera das relações sociais e familiares. 1...]63

2.3.4 Filhos

Para ser beneficiário do RGPS, na condição de dependente do segurado,


o filho (não emancipado, menor de 21 anos ou inválido ou que tenha deficiência
intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim decla-
rado judicialmente) pode ser de qualquer condição. Assim, não há distinção entre
filhos legítimos, ilegítimos, incestuosos, adulterinos ou adotados.
Confusão frequente sobre o filho dependente diz respeito aos filhos maiores
de 21 até 24 anos de idade que sejam universitários ou estejam cursando escola
técnica de 2° grau. Para fins de imposto de renda, o contribuinte pode incluir
estes filhos em sua declaração como sendo seus dependentes. Todavia, para efeitos
previdenciários, este fato é irrelevante: qualquer filho maior de 21 anos somente

63 STF, RE 477554 AgR/MG, Rel. Min. Celso de Mello, 2" T., DJe-164, 25/·JS/2011.

HugoGoes 134
Regime Geral de Previdência Social

manterá a condição de dependente se for inválido ou se tiver deficiência intelec-


tual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado
judicialmente. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do ST):

PREVIDENCIÁHIO. PENSÃO POR MORTE. DEPENDENTE. FILHO.


ESTUDANTE DE CUHSO UNIVERSITARIO. PRORHOGAÇt\0 DO
BENEFÍCIO ATÉ OS 24 ANOS DE IDADE. iMPOSSIB!I.lDADE.
PRECEDENTE. I - O pagamento de pensão por morte a filho
de segurado deve restringir-se até os 21 (vinte e um) anos de
idade, salvo se inválido, nos termos dos arts. 16, I, e 77, §2",
li, ambos da Lei n" 8.213/91. li - Não há amparo legal para
se prorrogar a manutenção do benefício a tllho estudante de
curso universitário até os 24 (vinte e quatro) anos de idade.
Precedente. Recurso provido. 64

De acordo com o disposto no art. 5" do novo Código Civil, "a menoridade
cessa aos I 8 anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os
atos da vida civil". Apesar disso, para fins previdenciários, os filhos, as pessoas a
eles equiparadas e os irmãos que não se emanciparem continuam sendo dependen-
tes do segurado até os 21 anos de idade. A redução promovida pelo novo Código
Civil da maioridade de 21 para 18 anos (aquisição da plena capacidade civil), em
nada altera a situação dos dependentes previdenciários (filhos, equiparados a filhos
e irmãos). Isto porque o art. 16 da Lei 8.213/91 não fala em capacidade, mas em
menor de 21 anos, não tendo sido revogado pelo Código Civil neste particular. 65
No caso de filho inválido, mesmo que seja maior de 21 anos, continua sendo
dependente do segurado, desde que não seja emancipado. Todavia, se a emanci-
pação ocorrer por motivo de colação de grau em curso superior, o filho inválido
não perde a condição de dependente.
A invalidez tem de existir no momento em que implementado o requisito
exigido como condição para a concessão do benefício. Assim, a pensão por morte
somente será devida ao filho e ao irmão cuja invalidez tenha ocorrido antes da
emancipação ou de completar a idade de vinte e um anos, desde que reconhecida
ou comprovada, pela perícia médica do INSS, a continuidade da invalidez até a
data do óbito do segurado (RPS, art. 108). Por exemplo: Joaquim, segurado do
RGPS, faleceu, deixando um filho de 22 anos de idade chamado João. Um ano

64 STJ, REsp 638589/SC, Rei. Min. Felix Fischer, S• T, D) 12/12/2005, p. 412.


65 SETTE, André Luiz Menezes Azevedo. Direito Previdenciário Avançado. Belo Horizonte: Mandamentos,
2004, I'· 185.

135 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

após a morte de Joaquim, João tornou-se inválido. Nessa situação, João não tem
direito à pensão por morte.
Situação diferente é a do dependente que recebe benefício de pensão por
morte na condição de menor e que, no período anterior à emancipação, ou antes
de completar 21 anos de idade, torna-se inválido. Nessa hipótese, o dependente terá
direito à manutenção do benefício, independentemente da invalidez ter ocorrido
antes ou após o óbito do segurado. Por exemplo: Madalena, segurada do RGPS,
faleceu, deixando um filho de 15 anos de idade chamado Pedro. A partir da data
do óbito de Madalena, Pedro passou a receber pensão por morte. Aos 17 anos,
Pedro tornou-se inválido. Quando Pedro tornou-se inválido, ele ainda não era
emancipado. Nessa situação, Pedro receberá a pensão por morte enquanto durar
a invalidez, mesmo depois de completar 21 anos de idade.
No caso ele filho que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne
absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente, mesmo que
seja maior de 21 anos, continua sendo dependente do segurado. Caso já tenha
sido reconhecida judicialmente tal situação, para considerar este filho como bene-
ficiário na qualidade de dependente não será necessária a realização de perícia
médica. Para tal fim, a declaração judicial já é suficiente.
O exercício de atividade remunerada, inclusive na condição de microempre-
endedor individual, não impede a concessão ou manutenção da parte individual
ela pensão do dependente com deficiência intelectual ou mental ou com deficiência
grave (Lei 8.213/91, art. 77, § 6°). Ou seja, mesmo que passe a exercer atividade
remunerada, esse filho permanece com a qualidade de dependente mantida.

2.3.5 Equiparados a filhos

Equiparam-se aos filhos, mediante declaração escrita do segurado, com-


provada a dependência econômica, o enteado e o menor sob tutela, desde que
não possuam bens suficientes para o próprio sustento e educação (RPS, art. 16,
§3"). Enteado é o filho de um matrimônio anterior em relação ao cônjuge ou
companheiro atual. Tutela é o encargo conferido a uma pessoa civilmente capaz
para que esta administre os bens ou a conduta de um menor de idade. De acordo
com o art. 1.728 do Código Civil, os filhos menores são postos em tutela: (a) com
o falecimento dos pais, ou sendo estes julgados ausentes; e (b) em caso dos pais
decaírem do poder familiar.

Hugo Goes 136


Regime Geral de Previdência Social

Para o enteado ou o me:10r sob tutela ser beneficiário do RGPS, na quali-


dade de dependente, é necessário que os seguintes requisitos sejam preenchidos
de forma cumulativa: (a) declaração escrita do segurado; (b) comprovação de
dependência econômica; e (c) o menor não possuir bens aptos a garantir-lhe o
sustento e educação. Preenchidos estes requisitos, o enteado e o menor sob tutela
passam a pertencer à lista dos dependentes preferenciais (classe I).
Os menores sob guarda judicial foram excluídos do rol dos dependentes
equiparados a filho, conforme se verifica do art. 16, §2°, da Lei 8.213/91, com nova
redação dada pela Lei 9.528/97. Com a exclusão do menor sob guarda, restaram
apenas enteado e menor sob tutela que, para fins previdenciários, podem ser
equiparados a filho.
Mas vale salientar que, de acordo com o §3° do art. 33 da Lei 8.069/90
(Estatuto da Criança e do Adolescente), "a guarda confere à criança ou adoles-
cente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive
previdenciários".
Percebe-se, portanto, que há um conflito entre as normas estabelecidas no
art. 16, §2°, da Lei 8.213/91 (na redação dada pela Lei 9.528/97) e o §3° do art. 33
61 Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).
No âmbito do STJ, o tema é controverso. A 1• Seção vem entendendo que
o Estatuto da Criança e do Adolescente deve prevalecer, mantendo o menor sob
guarda no rol dos equiparados a filho, conforme pode ser visto no seguinte julgado:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO EM


MANDADO DE SEGURANÇA. PENSÃO POR MORTE. MENOR
SOB GUARDA JUDICIAL. APLICABILIDADE DO ESTATUTO
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - ECA. INTERPRETAÇÃO
COMPATÍVEL COM A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E COM
O PRINCÍPIO DE PROTEÇÃO INTEGRAL DO MENOR.
1. Caso em que se discute a possibilidade de assegurar
benefício de pensão por morte a menor sob guarda judicial,
em face da prevalência do disposto no artigo 33, § 3°, do
Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, sobre norma
previdenciária de natureza específica.
2. Os direitos fundamentais da criança e do adolescente têm
seu campo de incidência amparado pelo status de prioridade
absoluta, requerendo, assim, uma hermenêutica própria com-
prometida com as regras protetivas estabelecidas na Consti-
tuição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

137 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

3. A Lei 8.069/90 representa política pública de proteção


à criança e ao adolescente, verdadeiro cumprimento da
ordem constitucional, haja vista o artigo 227 da Constitui-
ção Federal de 1988 dispor que é dever do Estado assegurar
com absoluta prioridade à criança e ao adolescente o direito
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profis-
sionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade
e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los
a salvo de toda forma de negligência, discriminação, explo-
ração, violência, crueldade e opressão.
4. Não é dado ao intérprete atribuir à norma jurídica con-
teúdo que atente contra a dignidade da pessoa humana e,
consequentcmente, contra o princípio de proteção integral
e preferencial a crianças e adolescentes, já que esses postu-
lados são a base do Estado Democrático de Direito e devem
. orientar a interpretação de todo o ordenamento jurídico.
5. Embora a lei complementar estadual previdenciária do
Estado de Mato Grosso seja lei específica da previdência
social, não menos certo é que a criança e adolescente tem
norma específica, o Estatuto da Criança e do Adolescente que
confere ao menor sob guarda a condição de dependente para
todos os efeitos, inclusive previdenciários (art. 33, § 3°, Lei
no 8.069/90), norma que representa a política de proteção ao
menor, embasada na Constituição Federal que estabelece o
dever do poder público e da sociedade na proteção da criança
e do adolescente (art. 227, caput, e § 3°, inciso li).
6. Havendo plano de proteção alocado em arcabouço sistêmico
constitucional e, comprovada a guarda, deve ser garantido o
benefício para quem dependa economicamente do instituidor.
7. Recurso ordinário provido. 66

Já as Turmas da 3" Seção (5" e 6" Turmas), por outro lado, continuam enten-
dendo que, em face da alteração introduzida no art. 16, §2°, da Lei 8.213/91, pela Lei
9.528/97, o §3° do art. 33 da Lei 8.069/90 não se aplica aos benefícios previdenciários,
que são regidos por legislação própria. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPE-


CIAL. PENSÃO POR MORTE. MENOR SOB GUARDA. ANÁLISE

66 STJ, RMS 36034 I tvn: Rel. Min. Benedito Gonçalves, I' Seção, Dje 15/04/2014.

HugoGoes 138
Regime Geral de Previdência Social

DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. L


É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de ser
indevida pensão por morte a menor sob guarda se o óbito
do segurado tiver ocorrido sob a vigência da MP !1° 1.523/96,
posteriormente convertida na Lei n" 9.528/97. Precedentes.
[... ]6C

Em prova de concurso público, como não há consenso na jurisprudência,


o candidato deve seguir a literalidade do art. 16, §2°, da Lei 8.213/91, na redação
dada pela Lei 9.528/97. Ou seja, o candidato deve considerar que o menor sob
guarda não é beneficiário do RGPS na condição de dependente.

2.3.6 Os pais

A segunda classe de dependentes indui os genitores (o pai e a mãe) do


segurado (Lei 8.213/91, art. 16, ll).
Para fins de concessão de benefícios, os pais devem comprovar a depen-
dência econômica e a inexistência de dependentes preferenciais. Nesse sentido,
confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. DEPENDENTES.


PAIS. CoMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. LEI
8.213/91. L Conforme firme jurisprudência desta Corte, a
dependência econômica da mãe do segurado falecido, para
fins de percepção de pensão por morte, não é presumida,
devendo ser comprovada. [... )68

2.3.7 Irmãos

A terceira classe de dependentes refere-se ao irmão não emancipado, de


qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou que tenha deficiência inte-
lectual ou mental, que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado
judicialmente (Lei 8.213/91, art. 16, lll).
Para fins de concessão de benefícios, os irmãos devem comprovar a depen-
dência econômica e a inexistência de dependentes das classes I e li.

67 STJ, AgRg no REsp 1141788/ RS. Ministro Rogerio Schietti Cruz, 6• Turma, Dje 24/11/2014.
68 STJ, AgRg no AREsp 136451/ MG, Rel. Min. Castro Meira, 2• Turma, Dje 03/08/2012.

139 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

3 Filiação do segurado

hliação é o vínculo que se estabelece entre pessoas que contribuem para


Previdência Social e esta, elo qual decorrem direitos e obrigações.
Para o segurado obrigatório- a filiação decorre automaticamente, elo exer-
cício ele atividade remunerada.
O exercício de atividade prestado ele forma gratuita ou voluntária não gera
filiação obrigatória à Previdência Social.
Para o segurado facultativo a filiação decorre da inscrição formalizada
com o pagamento da primeira contribuição.
A filiação elo trabalhador rural contratado por produtor rural pessoa física,
por prazo de até dois meses dentro do período de um ano, para o exercício de
atividades de natureza temporária, decorre automaticamente de sua inclusão na
GF!P, mediante identificação específica. Mas vale frisar que o Decreto 8.373, de 11
de dezembro de 2014, instituiu o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações
Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas - eSocial. As informações prestadas por
meio do eSocial substituirão as constantes na GFIP, na forma a ser disciplinada
no Manual de Orientação do eSocial (Decreto 8.373/2014, art. 2°, §3°). O referido
Manual, que já foi publicado, estabelece que as informações prestadas por meio
do eSocial substituirão as informaçôes constantes da GHP, de acordo com a regu-
lamentação específica da Secretaria da Receita Federal do Brasil e do Conselho
Curador do FGTS, representado pela Caixa Econômica Federal na qualidade de
agente operador elo FGTS.

4 Inscrição do segurado

Inscrição é a formalização do cadastramento do segurado junto ao Regime


Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros
elementos necessários e úteis a sua caracterização. Pode-se dizer que a inscrição
é o ato que materializa a filiação.
Onde e como se inscrever:

Preenchimento dos documentos que o habilite


Empregado ao exercício da atividade, formalizado pelo con- Na empresa
trato de trabalho.

Hugo Goes 140


Regime Geral de Previdência Social

Preenchimento dos documentos que o habilite ao No OGMO ou


Trabalhador
exercício da atividade, formalizado pelo cadas- no sindicato da
avulso
tramento e registro no sindicato ou OGMO. categoria
Empregado Apresentação de documento que comprove a No INSS
doméstico existência de contrato de trabalho.
Apresentação de documento que caracterize a
Contribuinte
sua condição ou o exercício de atividade profis- No INSS
individual
sional, liberal ou não.

Especial Apresentação de documento que comprove o No INSS


exercício de atividade rural.
Apresentação de documento de identidade e
Facultativo declaração de que não exerce atividade que o No INSS
enquadre como segurado obrigatório.

Aquele que exerce, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada


sujeita ao RGPS, será obrigatoriamente filiado e inscrito em relação a cada uma
dessas atividades (RPS, arts. 9°, §13 e 18, §3°).
Em regra, a inscrição do segurado exige a idade mínima de 16 anos. Mas no
caso do menor aprendiz, a inscrição pode ser feita a partir dos 14 anos de idade.
;á no caso do empregado doméstico, a inscrição só poderá ser feita a partir dos
18 anos de idade, pois, conforme o parágrafo único do art. 1° da Lei Complemen-
tar 150/2015, é vedada a contratação de menor de 18 anos para desempenho de
trabalho doméstico.
A inscrição do segurado especial será feita de forma a vinculá-lo ao res-
?ectivo grupo familiar e conterá, além das informações pessoais, a identificação
da propriedade em que desenvolve a atividade e a que título, se nela reside ou o
Município onde reside e, quando for o caso, a identificação e inscrição da pessoa
responsável pelo grupo familiar (Lei 8.213/91, art. 17, § 4°).
O segurado especial integrante de grupo familiar que não seja proprie-
tário do imóvel rural ou da embarcação em que desenvolve sua atividade deve
informar, no ato da inscrição, conforme o caso, o nome e o CPF do parceiro ou
meeiro outorgante, arrendador, comodante ou assemelhado (RPS, art. 18, § 8°).
O produtor rural pessoa física, poderá realizar contratação de trabalhador
rural por pequeno prazo para o exercício de atividades de natureza temporária.
Entende-se por pequeno prazo aquele limitado a 2 (dois) meses dentro do período
de 1 (um) ano. A filiação e a inscrição deste trabalhador na Previdência Social

141 Capítulo 3
IVIUIIUOI UC LJIIt'llU í!l-!VfUeflCiano

decorrem, automaticamente, da sua inclusão pelo em ::Jregador na Guia de Reco-


lhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Servico e Informações à Previdência
Social- GFIP (Lei 5.889/73, art. 14-A). Mas vale frisar que o Decreto 8.373, de ll
de dezembro de 2014, instituiu o Sistema de Escritura.;ão Digital das Obrigações
Fiscais, Previdenciárias e 'I'rabalhistas - eSocial. As informaçôes prestadas por
meio do eSocial substituirão as constantes na GFIP, :~a forma a ser disciplinada
no Manual ele Orientação elo eSocial (Decreto 8.373/2014, art. 2", §3"). O referido
Manual, que já foi publicado, estabelece que as informações prestadas por meio
elo eSocial substituirão as informaçôes constantes da GFIP, ele acordo com a regu-
lamentação específica ela Secretaria ela Receita Feder;:.! elo Brasil e do Conselho
Curador elo FGTS, representado pela Caixa Econômica Federal na qualidade de
agente operador do FGTS.
Presentes os pressupostos da filiação, admite-se <: inscrição post mortem do
segurado especial. Para os demais segurados é vedada a inscrição post mortem.

5 Inscrição do dependente
Incumbe ao dependente promover a sua inscrição quando do requerimento
do benefício a que estiver habilitado (Lei 8.213/91, art 17, §l ").

5.1 Comprovação do vínculo e da dependência economica

A dependência econômica do cônjuge, elo comp:mheiro, da companheira


e do filho (não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos de idade
ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental, que o torne absoluta ou
relativamente incapaz, assim declarado judicialmente) é presumida e a dos demais
dependentes deve ser comprovada (Lei 8.213/91, art. 1.S, §4°).
A certidão de casamento apresentada pelo cônjuge, na qual não conste
averbação de divórcio ou de separação judicial, constitui documento bastante e
suficiente para comprovação do vínculo (IN INSS 77/2015, art. 370, I).
Não havendo registro de separação ou do clivércio na certidão ele casa-
mento, mas se o cônjuge, volitivamente, declarar que se encontrava separado
de fato do instituidor ao tempo do óbito, ele deverá comprovar o recebimento de
pensão alimentícia ou de ajuda econômica ou financeir2 sob qualquer forma (IN
INSS 77/2015, art. 370, li).

Hugo Goes 142


Regime Geral de Previdência Social

A companheira e o companheiro são beneficiários do RGPS, na condição


de dependente, desde que comprovem a união estável. Para estes dependentes, não
há necessidade de comprovação de dependência econômica, pois esta é presumida
para os dependentes de primeira classe. Já os dependentes das classes II e III, bem
como o enteado e o menor sob tutela, devem comprovar a dependência econômica.
De acordo com o disposto no §3° do art. 22 do RPS, para comprovação do
vínculo (união estável) e da dependência econômica, conforme o caso, devem ser
apresentados no mínimo três dos seguintes documentos:
a) certidão de nascimento de filho havido em comum;
b) certidão de casamento religioso;
c) declaração do imposto de renda do segurado, em que conste o interes-
sado como seu dependente;
d) disposições testamentárias;
e) declaração especial feita perante tabelião;
f) prova de mesmo domicílio;
g) prova de encargos domésticos evidentes e existência de sociedade ou
comunhão nos atos da vida civil;
h) procuração ou fiança reciprocamente outorgada;
i) conta bancária conjunta;
j) registro em associação de qualquer natureza, onde conste o interessado
como dependente do segurado;
l) anotação constante de ficha ou livro de registro de empregados;
m) apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro
e a pessoa interessada como sua beneficiária;
n) ficha de tratamento em instituição de assistência médica, da qual conste
o segurado como responsável;
o) escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em nome de
dependente;
p) declaração de não emancipação do dependente menor de vinte e um
anos; ou
q) quaisquer outros que possam levar à convicção do fato a comprovar.

O STJ tem entendido que a comprovação da dependência econômica dos


pais em relação aos filhos pode se dar por prova testemunhal. 69

69 STJ, AgRg no AREsp 38149/PR, Rei. Min. Og Fernandes, Dje 11/04/2012.

143 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

6 Trabalhadores excluídos do RGPS

Os militares, os magistrados, os ministros e conselheiros dos Tribunais de


Contas, os membros do Ministério Público e os servidores civis ocupantes de cargo
efetivo de quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos
municípios, bem como os das respectivas autarquias e fundações, sâo excluídos
do Regime Geral de Previdência Social RGPS, desde que amparados por Regime
Próprio de Previdência Social.
O militar ou o servidor público titular de cargo efetivo da União, dos Esta-
dos, do Distrito Federal e dos municípios, filiado a Regime Próprio de Previdência,
permanecerá vinculado ao regime previdenciário de origem nas seguintes situa-
ções: (a) quando cedido, com ou sem ônus para o cessionário, a órgão ou entidade
da administração di reta ou indireta de outro ente federativo; e (b) durante o afas-
tamento do cargo efetivo para o exercício de mandato eletivo. Nestas situaçôes,
estes trabalhadores continuam excluídos do RGPS.

Exemplo:
João é ocupante do cargo efetivo de delegado de Polícia Federal, mas,
atualmente, está cedido ao Estado de Pernambuco, ocupando o cargo em
comissão de secretário de Segurança Pública. Nesta situação, João con-
tinua vinculado ao Regime Próprio de Previdência da União, vale dizer,
continua excluído do RGPS.

Como visto supramencionado, o servidor ocupante de cargo efetivo, ampa-


rado por regime próprio, que se afasta do cargo para exercer mandato eletivo,
continua vinculado ao regime próprio de origem e, por conseguinte, excluído do
RGPS. Contudo, o exercente de mandato de vereador, que ocupe, concomitante-
mente, o cargo efetivo e o mandato filia-se ao regime próprio, pelo cargo efetivo,
e ao RGPS, pelo mandato eletivo.

Exemplo:
Lucas, servidor ocupante de cargo efetivo no âmbito federal, em razão
da compatibilidade de horáriq, exj.'!rce, co!lc()mita!ltewent~~Jn'\~~~t<?. de
vereador. Nesta situação, Lucas, em ra:zâ9 àe.exercício do canso,efetivo, é
segurado obrigatório do Regime Próprio de Previdência da União,.e em
razão do exercício do mandato de vereador, é segurado o~rigatÓrio do
RGPS. Assim, Lucas será obrtgido ~ pagaf;&lntiibuiÇõ~s pté<ciid~~éi.arfas
para os dois regimes, tendo também a. pos.sibilidade de vir ater duas apo-
sentadorias (uma do regime próprio e outra do RGPS).

Hugo Goes 144


Regime Geral de Previdência Social

Exercícios de Fixação

36. (Técnico da Receita Federal/ESAF/2006) Segundo a consolidação administrativa


das normas gerais de tributação previdenciária c de arrecadação das contribui-
ções sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária- SRP, deve
contribuir obrigatoriamente na qualidade ele "segurado empregado":
( ) o diretor empregado que seja promovido para cargo de direção de sociedade
anônima, mantendo as características inerentes à relação ele trabalho?
( ) o trabalhador contratado em tempo certo, por empresa ele trabalho temporário?
( ) aquele que presta serviços de natureza contínua, mediante remuneração,
à pessoa, à família ou à entidade familiar, no âmbito residencial desta, em
atividade sem fins lucrativos?
a) Sim, sim, sim
b) Sim, não, não
c) Sim, não, sim
cl) Sim, sim, não
e) Não, não, não

37. (Juiz do Trabalho/TRT da 11" Região/FCC/2007) É segurado obrigatório do Regime


de Previdência Social como:
a) empregado, o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial
internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e
contratado, salvo se coberto por regime próprio de previdência.
b) empregado, o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal,
desde que não vinculado a regime próprio de previdência social.
c) segurado especial, o garimpeiro e a pessoa física que explore atividade agro-
pecuária, diretamente ou por intermédio ele prepostos, com contratação,
ainda que descontínua, de colaboradores.
d) contribuinte individual, o brasileiro civil que trabalha para a União, no exte-
rior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil
seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado
na forma da legislação vigente do país de domicílio.
e) empregado, o dirigente sindical, independentemente do enquadramento no
Regime Geral de Previdência Social que mantinha antes do exercício do man-
dato eletivo.

145 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

38. (Analista/TRF da 2" Região/FCC/2007) Dentre outros, é segurado da Previdência


Social na categoria de contribuinte individual,
a) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior.
b) aquele que presta serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não even-
tual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
c) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em
legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de
substituição de pessoal regular e permanente.
d) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada,
de congregação ou de ordem religiosa.
e) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluindo suas
autarquias e fundações, ocupantes de cargo ou função pública.

39. (Médico-perito do INSS/FCC/2006) Considera-se empregado toda pessoa física:


a) que prestar serviços de natureza eventual ou não a empregador, com exclusi-
vidade, sob a dependência deste e mediante salário.
b) que prestar serviços de natureza eventual a empregador, sob a dependência
deste e mediante salário.
c) ou jurídica que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a
dependência deste e mediante salário.
d) que prestar serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependên-
cia deste e mediante salário.
e) ou jurídica que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, com
exclusividade, sob a dependência deste e mediante salário.

40. (Técnico da Receita federal/ESAF/2006) Não está previsto, em caso algum, como
segurado empregado obrigatório da Previdência Social do Brasil.
a) o trabalhador contratado no exterior para trabalhar no Brasil em empresa
constituída e funcionando em território nacional segundo as leis brasileiras
com salário estipulado em moeda estrangeira.
b) o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado no exterior, em sucursal ou em agência de empresa constitu-
ída sob as leis brasileiras e que tenha sede e administração no País.
c) o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para traba-
lhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, com maioria de
capital votante pertencente a empresa constituída sob as leis brasileiras, que
tenha sede e administração no País e cujo controle efetivo esteja em caráter
permanente sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domicilia-
das e residentes no Brasil.

HugoGoes 146
Keg1me Geral ae r-rev1aene~a :>üUdl

d) o estrangeiro que presta serviços no Brasil a missão diplomática ou a repar-


tição consular de carreira estrangeira, ainda que sem residência permanente
no Brasil, e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da
respectiva missão diplomática ou da repartição consular.
e) o menor aprendiz, com idade de quatorze a dezoito anos, ainda que sujeito à
formação técnico-profissional metódica, sob a orientação de entidade quali-
ficada, nos termos da lei.

41. (Juiz do Trabalho/TRT da 5" Região/Cespe/2006) Não é segurado empregado da


previdência social:
a) brasileiro que trabalhe para a União no exterior, em organismo oficial inter-
nacional do qual o Brasil é membro efetivo, domiciliado e contratado fora do
Brasil, e não segurado da previdência social do país em que esteja trabalhando.
b) brasileiro domiciliado no Brasil, mas ajustado para trabalhar em sucursal de
uma grande empresa de mineração brasileira no exterior.
c) brasileiro domiciliado e ajustado no Brasil para trabalhar em empresa importa-
dora de equipamentos de informática, com sede no exterior, mas cuja maioria
do capital votante pertença a grande empresa brasileira de capital nacional.
d) brasileiro que trabalhe na Bélgica, em organismo oficial internacional do
qual o Brasil seja membro efetivo, contratado e domiciliado naquele país, e
que não esteja vinculado ao regime de previdência social belga.
e) brasileiro que preste serviço, no Brasil, a missão diplomática belga, tenha
residência permanente no país, e que não esteja amparado pela legislação
previdenciária belga.

42. (DPE-RR/Cespe/2013/Adaptada) É considerado segurado obrigatório da previ-


dência social como
a) contribuinte individual o brasileiro civil que trabalhe no exterior para orga-
nismo oficial internacional de que o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá
domiciliado e contratado e coberto por regime próprio de previdência social.
b) trabalhador avulso quem preste, a diversas empresas, com vínculo emprega-
tício, serviço de natureza urbana ou rural definidos em regulamento.
c) empregado aquele que preste serviço de natureza urbana ou rural à empresa,
em caráter eventual ou não, sob sua subordinação e mediante remuneração.
d) empregado o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no exterior
para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional
no exterior.
e) empregado doméstico aquele que presta serviços de forma contínua, subordi-
nada, onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, no
âmbito residencial destas, por mais de 2 (dois) dias por semana.

147 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

43. (Defensor Público/DPE-T"O/Cespe/2013) Acerca das normas que regulam os


segurados e dependentes do RGPS, assinale a opção correta.
a) O defensor público estadual que assumir cargo de ministro de Estado, será consi-
derado, durante o período em que exercer o cargo em comissão, segurado obriga-
tório do RGPS, ficando temporariamente excluído do regime próprio de origem.
b) Apesar de não poder ser dependente, a pessoa jurídica, por contribuir para a pre-
vidência social, é considerada beneficiário na qualidade de segurado obrigatório.
c) O segurado que exerça mais de uma atividade abrangida pelo RGPS deve filiar-se
corno segurado obrigatório em relação a cada uma dessas atividades, não sendo
possível, entretanto, que ostente, ao mesmo tempo, a qualidade de dependente.
d) Considere que uma empresa, durante as festividades de final de ano, contrate,
pelo período de dois meses, trabalhadores para atender ao aumento extra-
ordinário de serviço. Nessa situação, esses trabalhadores temporários serão
filiados obrigatórios do RGPS na qualidade de segurado empregado.
e) Deputado federal será sempre filiado obrigatório do RGPS, na condição de
segurado empregado.

44. (AFPS/ESAF/2002) Não é segurado facultativo da Previdência Social:


a) pessoa participante de regime próprio de previdência.
b) a dona de casa.
c) o síndico de condomínio, quando não remunerado.
d) aquele que deixou de ser segurado obrigatório da previdência social.
e) o bolsista que se dedique em tempo integral à pesquisa.

45. (AFPS/ESAF/2002) A respeito do regime geral de previdência social e da classifi-


cação dos segurados obrigatórios, assinale a assertiva incorreta.
a) Como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à
empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remune-
ração, inclusive como diretor empregado.
b) Como trabalhador avulso- quem presta serviço de natureza urbana ou rural, a
diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória
do órgão gestor de mão de obra ou do sindicato da categoria.
c) Como contribuinte individual- o ministro de confissão religiosa e o membro
de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa.
d) Como empregado o titular de firma individual urbana ou rural.
e) Como contribuinte individual - o diretor não empregado e o membro de
conselho de administração de sociedade anônima.

HugoGoes 148
Regime Geral de Previdência Social

46. (SEGER-ES/Cespe/2013) A respeito das normas que tratam elos segurados elo
RGPS e dos regimes próprios de previdência social (RPPS) e de seus dependentes,
assinale a opção corrrla.
a) Atendidas as condições previstas na lei de regência, é possível a filiação de
estrangeiros ao RGPS. Entre os brasileiros natos, ficam excluídos desse regime
todos os servidores civis ocupantes de cargo efetivo da União, de estado, do
Distrito Federal cu de município.
b) A CF faculta a filiação ao RGPS ou ao respectivo RPPS aos servidores ela
União, de estado, do Distrito Federal ou de município que ocupem, exclusi-
vamente, cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público.
c) O pequeno produtor rural que exerça suas atividades em regime de economia
familiar será filiado obrigatório do RGPS na condição de segurado especial,
enquanto seus filhos maiores e cônjuge que trabalhem na mesma condição
serão filiados obrigatórios do RGPS como segurados empregados.
d) É obrigatória a filiação ao RGPS de pessoa física que exerça atividade remu-
nerada, salvo se, por conta dessa atividade, já for vinculada a algum RPPS.
e) Os beneficiários do RGPS classificam-se como segurados e dependentes.
A lei, entretanto, disciplina a inscrição apenas elos segurados, ficando seus
dependentes dispensados da inscrição, mesmo no momento elo requerimento
elo benefício a que fizerem jus.

47. (TRF-5"/Cespe/2013) Em relação ao regime geral da previdência social, assinale


a opção correta.
a) Não se requer prova ele dependência econômica para que cônjuge, compa-
nheira, companheiro, filho não emancipado com menos de vinte e um anos
de idade ou pais do segurado façam jus aos benefícios previde;1ciários na con-
dição de seu dependente.
b) O menor de quatorze anos de idade pode ser segurado facultativo do regime
geral da previdência social, desde que não esteja exercendo atividade remu-
nerada que o enquadre como segurado obrigatório.
c) É permitida a filiação ao regime geral da previdência social, na qualidade de
segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio previdenciário.
d) O segurado que deixa de exercer atividade remunerada abrangida pela previ-
dência social mantém a qualidade de segurado até doze meses após a cessação
das contribuições, independentemente do pagamento de novas contribuições.
e) O servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com
a União, suas autarquias ou fundações públicas, é considerado segurado
facultativo da previdência social.

149 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

48. (DPE-RR/Cespe/2013) Assinale a opção correta no que se refere aos dependentes


do RGPS.
a) A dependência econômica ele todos os dependentes elo segurado deve ser
comprovada.
b) f~ considerado beneficiário elo RGPS, na condição de dependente do segu-
rado, o irmão não emancipado, de qualquer condição, com menos de vinte c
cinco anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o
torne absoluta ou relativamente incapaz.
c) Avós de segurado podem ser considerados beneficiários do RGPS, na condi-
ção de seus dependentes.
d) O enteado e o menor tutelado equiparam-se ao filho mediante apresentação
de declaração pelo dependente e comprovação da dependência econômica, na
forma estabelecida em regulamento.
e) São considerados beneficiários do RGPS, na condição de dependentes do
segurado, o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não eman-
cipado inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne
absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente.

49. (Analista Legilativo/AL-PB/FCC/2013/Adaptada) A Lei no 8.213/91 institui o Plano


de Benefícios da Previdência Social, inserindo o Regime Geral da Previdência
Social, tendo como beneficiários segurados e dependentes. Nos termos do referido
diploma legal, é INCORRETO afirmar que
a) será segurado obrigatório como empregado o exercente de mandato eletivo
federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de
previdência social.
b) será segurado obrigatório como empregado doméstico aquele que presta ser-
viços de forma contínua, subordinada, onerosa e pessoal e de finalidade não
lucrativa à pessoa ou à família, no âmbito residencial destas, por mais de 2
(dois) dias por semana.
c) será beneficiário do Regime Geral, como dependente do segurado, o irmão
não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou
inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta
ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente.
d) são excluídos do Regime Geral de Previdência Social, desde que amparados
por regime próprio de previdência social, o servidor civil ocupante de cargo
efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Muni-
cípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações.
e) será segurado facultativo na qualidade de segurado especial, o ministro de
confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congrega-
ção ou de ordem religiosa.

HugoGoes 150
Regirne Geral de Previdência Social

50. Com relação às normas que regem o RGPS, assinale a opção correta.
a) A idade mínima para a filiaçiío no RGPS é dezesseis anos de idade, não pre-
vendo a lei qualquer exceçiío.
b) Considera-se presumida, não necessitando, portanto, de comprovação, a
dependência econômica do cônjuge, do companheiro, da companheira, dos
pais e dos filhos não emancipados.
c) A perda da qualidade de segurado implica a perda automática das contribui-
ções efetuadas no período anterior, para fins de carência.
d) Para efeito do cálculo do salário de benefício na aposentadoria por tempo de
contribuição, o valor do fator previdenciário será inversamente proporcional
ao tempo de contribuição.
e) É vedada a contratação de menor de !8 (dezoito) anos para desempenho de
trabalho doméstico.

51. (Receita Federal/ESAF/2012) É segurado facultativo da Previdência Social:


a) a pessoa física que explora atividade agropecuária, em área superior a quatro
módulos fiscais.
b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mine-
ral - garimpo.
c) o ministro de confissão religiosa.
d) a dona-de-casa, o síndico de condomínio não remunerado, o estudante e
outros aludidos em lei ou em regulamento.
e) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a
Lei no 11.788, de 25 de setembro de 2008.

52. (Técnico do Seguro Social/INSS/FCC/2012) Márcio é administrador, não-


-empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada XYZ, e recebe
remuneração mensal pelos serviços prestados. Nessa situação, Márcio
a) não é segurado obrigatório da previdência social.
b) é segurado facultativo da previdência social.
c) é segurado especial da previdência social.
d) é contribuinte individual da previdência social.
e) é segurado eventual da previdência social.

151 Capítulo3
Manual de Direito Previdenciário

53. (TRT-20"/FCC/2012) Considera-se segurado obrigatórío do regime geral, como


empregado, o
a) exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não
vinculado a regime próprio de previdência social.
b) associado eleito para cargo de direção em cooperativa.
c) síndico eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que
receba remuneração.
d) membro de conselho de administração ele sociedade anônima.
e) exercente de atividade econômica de natureza urbana, por conta própria,
com fins lucrativos ou não.

54. Assinale a alternativa em que o segurado descrito não é considerado contribuinte


individual.
a) O pequeno feirante, que adquire para revenda produtos hortifrutigranjeiros
ou assemelhados.
b) A pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica remune-
rada de natureza urbana, com fins lucrativos ou não.
c) O trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta serviços a
terceiros.
d) O síndico ou representante eleito para exercer, sem remuneração, atividade
de direção condominial.
e) Aquele que presta serviço de natureza não contínua, por conta própria, a pes-
soa ou família, no âmbito residencial desta, sem fins lucrativos.

55. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) Antônio Walas, devido à sua


notória experiência no mercado financeiro, recebeu proposta para ser diretor-
-empregado de um grande banco ele investimentos, com direito a participação
direta nos resultados da empresa. Caso Antônio aceite a proposta, sua inscrição
no Regime Geral de Previdência Social será:
a) obrigatória, como empregado.
b) obrigatória, como contribuinte individual.
c) obrigatória, como segurado especial.
d) facultativa, por ter deixado de ser segurado obrigatório.
e) facultativa, como associado eleito para cargo de direção remunerada.

Hugo Goes 152


Regime Geral de Previdência Social

56. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) Carlos Afonso foi contratado


pela esposa de um fazendeiro para ser seu motorista. Sua função é transportá-la
da propriedade rural onde mora para os locais que ela desejar, cumprindo jornada
diária de 6 (seis) horas de trabalho, com uma folga semanal. A inscrição de Carlos
no Regime Geral de Previdência Social será obrigatória, na qualidade de:
a) empregado. b) empregado doméstico.
c) trabalhador avulso. d) contribuinte individual.
e) segurado especial.

57. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) A Previdência Social é o seg-


mento da Seguridade Social que visa a proporcionar os meios indispensáveis à
subsistência da pessoa humana, quando ocorrer certa contingência prevista em
lei. São beneficiários das prestações previdenciárias:
a) somente os segurados.
b) segurados e seus dependentes.
c) toda e qualquer pessoa que já tiver contribuído para a Previdência Social, pelo
menos com 01 (uma) contribuição mensal, sendo indiferente o período de tal
recolhimento.
d) aqueles que sofrerem riscos sociais, tais como incapacidade laborativa e idade
avançada, independente de contribuição à Previdência Social.
e) todos os brasileiros, independente de contribuição à Previdência Social.

58. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) São dependentes do segurado


do Regime Geral de Previdência Social:
a) todos aqueles que dependam economicamente do segurado, sendo irrele-
vante o vínculo conjugal ou consanguíneo.
b) todos aqueles indicados como dependentes, nos termos da legislação tributá-
ria do imposto de renda.
c) as pessoas designadas pelo segurado para serem dependentes.
d) cônjuge, companheiro(a), filho( a) não emancipado(a), de qualquer condição,
menor de 21 anos ou inválido(a), pais, irmão(ã) não emancipado(a), de qual-
quer condição, menor de 21 anos ou inválido(a).
e) cônjuge, companheiro(a), filho(a) não emancipado(a), de qualquer condição,
menor de 18 anos ou inválido(a), pais, irmão(ã) não emancipado(a), de qual-
quer condição, menor de 18 anos ou inválido(a).

153 Caoítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

59. (Técnico Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) A inscrição do(a) companheiro(a)


do segurado no Regime Geral de Previdência Social será promovida, na qualidade
de dependente, quando do requerimento do benefício a que tiver direito. Para a
comprovação do vínculo e da dependência econômica do(a) companheiro(a), é
suficiente a apresentação de:
a) certidão de nascimento de filho havido em comum.
b) prova testemunhal de que o segurado e o dependente mantêm ou mantive-
ram união estável.
c) disposições testamentárias, prova de mesmo domicilio c conta bancária con-
junta.
d) declaração do(a) companheiro(a) de que viveu uma relação de companheirismo
com o segurado, mesmo que esta tenha terminado anos antes do ato de inscrição.
e) sentença homologatória em procedimento judicial de justificação que se presta
a colher prova testemunhal, em juízo, da existência da união estável.

60. (Analista Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) É segurado facultativo do Regime


Geral de Previdência Social o:
a) ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada,
de congregação ou de ordem religiosa.
b) pescador artesanal que exerça sua atividade individualmente ou em regime
de economia familiar.
c) prestador de serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma
ou mais empresas, sem relação de emprego.
d) estudante.
e) síndico de condomínio, desde que receba remuneração.

61. (TRT-2•/Cespe/2012) Considere que, após a morte de Cláudio, seus familiares


tenham procurado a Previdência Social para promoverem a inscrição como
dependentes do "de cujus" a fim de requererem os benefícios a que tem direito.
Nessa situação, é exigida prova de dependência econômica para a inscrição de:
a) Filho inválido com mais de 21 anos.
b) Enteado menor de 21 anos.
c) Companheira que mantinha união estável com o segurado.
d) Filho menor de 21 anos.
e) Cônjuge.

Hugo Goes 154


1\C':::fllil"- .._..._,~, ......,.._, ·-·--~

62. Julgue os itens abaixo:


I. Todo servidor público da União é amparado por regime próprio de previ-
dência social.
Il. Todo servidor público ocupante de cargo efetivo é amparado por regime
próprio de previdência social.
III. Um servidor, ocupante exclusivamente de cargo comissionado no governo
do estado de Pernambuco, é segurado obrigatório do Regime Geral de Pre-
vidência Social, na condição de contribuinte individual.
Os itens que estão errados são:
a) I e li b) li c !I I
c) I e lil d) lodos
e) nenhum

63. (TRT-6•/FCC/2012) Nos termos da Lei n" 8.21311991, NÃO são beneficiários do
Regime Geral de Previdência Social, na condi~~ão de dependentes elo segurado:
a) os seus pais.
b) o seu irmão inválido de 30 anos.
c) o seu irmão não emancipado menor de 21 anos.
d) o companheiro que mantém união estável.
e) o enteado menor ainda que não comprovada a dependência econômica do
segurado.

64. (TRT-4•/FCC/2012) É segurado obrigatório do regime geral de previdência social


o servidor público
a) ocupante de cargo em comissão federal, mesmo que tenha vínculo efetivo
com a União.
b) ocupante de cargo em comissão federal, que tenha vínculo efetivo com Muni-
cípio que dispõe de regime próprio.
c) titular de cargo efetivo na União que exerce concomitantemente atividade abran-
gida pelo regime geral, independentemente do valor de seus vencimentos.
d) que ocupa, exclusivamente, cargo efetivo na União, quando seus vencimentos
não superem o teto do regime geral.
e) que ocupa, exclusivamente, cargo efetivo na União, mesmo quando seus ven-
cimentos superem o teto do regime geral.

155 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

65. (DPE-AC/Cespe/2012) f: segurado obrigatório da previdência social, como empregado,


a) o trabalhador que presta serviço de natureza rural a diversas empresas sem
vínculo empregatício.
b) a pessoa física que presta serviço de natureza eventual, no âmbito residencial
da pessoa que contrate o serviço, em atividades sem fins lucrativos.
c) a pessoa física que presta, em caráter eventual, serviço de natureza rural a empresa.
d) o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem reli-
giosa.
e) o servidor público federal ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efe-
tivo com a União.

66. (Procurador Federal/Cespe/2004) Quanto âs normas aplicáveis aos beneficiários


da previdência social, julgue os seguintes itens.
I. Os beneficiários do regime geral de previdência social (RGPS) podem ser
divididos em três grupos: os segurados, os dependentes e os pensionistas.
I I. Considere a seguinte situação hipotética: João, que é empregado registrado
em uma indústria de pneus e segurado do RGPS, tem um filho, Carlos, que
tem 23 anos de idade e é estudante universitário. Nessa situação, Carlos é
segurado na qualidade de dependente de João.
III. A inscrição de dependente é promovida por meio do requerimento do benefício
a que o beneficiário tiver direito, mediante apresentação da certidão de nasci-
mento ou de casamento para os casos de filho ou cônjuge, respectivamente.
Os itens que estão errados são:
a) I e II b) li e III
c) I e III d) todos
e) nenhum

67. (TRF-2"/FCC/2012) Sidney é segurado especial da Previdência Social. Em sua


propriedade rural em Resende - R), além da atividade agropecuária, ele passou
também a explorar a atividade turística, inclusive com hospedagem. Considerando
que a exploração turística com hospedagem ocorre apenas nos meses de Dezembro
e Janeiro, em razão das festas Natalinas, segundo a Lei no 8.212/91, esta exploração
a) descaracteriza a condição de segurado especial em razão do turismo com
hospedagem, tendo em vista que a dupla atividade é permitida na modalidade
do turismo simples.
b) descaracteriza a condição de segurado especial em razão da dupla atividade
desenvolvida.
c) não descaracteriza a condiçjo de segurado especial, desde que a hospedagem
não ultrapasse 120 dias ao ano.

HugoGoes 156
Regime Geral de Previdência Social

d) não descaracteriza a condição de segurado especial, desde que a hospedagem


não ultrapasse 180 dias ao ano.
e) descaracteriza a condição de segurado especial porque a hospedagem ultra-
passou os 30 dias ao ano permitido na legislação.

68. (Juiz Federal!TRF da 5" Região/Cespe/2004) Considerando as regras do regime


geral da previdência social (RGPS) que tratam da condição de segurado, julgue
os itens subsequentes.
I. Na condição de segurado especial, podem se inscrever, facultativamente, no
RGPS, entre outros, a dona ele casa, o síndico ele condomínio não remune-
rado, o estudante com 16 anos ou mais c o brasileiro que acompanha cônjuge
ao exterior.
!I. O estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empre-
gado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria elo capital votante
pertença a empresa brasileira de capital nacional, é segurado obrigatório da
previdência social, na condição de empregado.
III. Os trabalhadores avulsos e eventuais são segurados obrigatórios ela previ-
dência social, equiparados ao trabalhador autônomo.
Os itens que estão errados são:
a) I e II b) II e III
c) I e III d) todos
e) nenhum

69. (TRT-1•/FCC/2012) A respeito elos dependentes no regime geral ele previdência


social, é correto afirmar:
a) A dependência de cônjuges e filhos deve ser comprovada, e a de companheira(o)
é presumida.
b) A dependência econômica ele cônjuges e filhos é presumida, e a ele companheira(o)
eleve ser comprovada.
c) A existência ele pais exclui elo direito às prestações os irmãos elo segurado.
d) A dependência da esposa é presumida e a do marido eleve ser comprovada por
atestado ele invalidez perante a perícia médica oficial.
e) A dependência do filho estudante ele curso universitário cessa aos 24 (vinte e
quatro) anos de idade.

157 Capítulo 3
Manual de Direito Previdenciário

70. (TST/FCC/2012) São beneficiários do Regime Geral da Previdência Social, na


condição de dependentes do segurado:
a) os ascendentes até o terceiro grau, desde que comprovada a dependência eco-
nômica.
b) o irmão até completar 18 anos ou inválido, independentemente de comprova-
çüo da dependência econômica.
c) o menor tutelado independentemente de comprovaçiio da dependência eco-
nômica.
d) o cônjuge e a companheira, desde que comprovada a dependência econômica.
e) u filho não emancipado inválido independentemente de comprovaçiio de
dependência econômica.

71. (AFRF/ESAF/2005) A Lei de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), no art.


16, arrola como beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição
de dependentes do segurado, exceto.
a) o cônjuge.
b) a companheira e o companheiro.
c) os pais.
d) o filho não emancipado, de qualquer condição, inválido ou menor de 21 (vinte
e um) anos ou, se estudante, menor de 25 (vinte e cinco) anos.
e) o irmão não emancipado, de qualquer condiçiio, inválido ou menor de 21
(vinte e um) anos.

Hugo Goes 158


Capítulo 4

Manutenção e perda das qualidades


de segurado e de dependente

1 Manutenção da qualidade de segurado

A qualidade de segurado decorre da filiação da pessoa física à Previdência


Social. A filiação à Previdência Social decorre automaticamente do exercício de
atividade remunerada para os segurados obrigatórios e da inscrição formalizada
com o pagamento da primeira contribuição para o segurado facultativo (RPS,
art. 20, parágrafo único).
Assim, ordinariamente, mantém a qualidade de segurado, aquele que per-
manecer exercendo atividade remunerada reconhecida pela lei como de filiação
obrigatória ao RGPS (se segurado obrigatório) ou enquanto estiver recolhendo
regularmente as contribuições previdenciárias (se segurado facultativo).
Todavia, há situações nas quais o segurado, mesmo sem exercer atividade
remunerada e sem recolher contribuições, mantém a qualidade de segurado por
certo período. É o que se chama período de graça ou manutenção extraordinária
da qualidade de segurado.
De acordo com o art. 13 do Regulamento da Previdência Social (e com o
art. 15 da Lei 8.213/91), mantém a qualidade de segurado, independentemente
de contribuições:
I. sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;
II. até doze meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a
cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade
remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou
licenciado sem remuneração;
III. até doze meses após cessar a segregação, o segurado acometido de
doença de segregação compulsória;

159
Manual de Direito Previdenciário

IV. até doze meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;


V. até três meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças
Armadas para prestar serviço militar; e
VI. até seis meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

O prazo de manutenção da qualidade de segurado será contado a partir do


mês seguinte ao das ocorrências previstas nos incisos II a VI mencionados (IN
INSS 77/2015, art. 137, § 1").
Passemos agora ao comentário de cada uma destas situações:

L sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício.


Se, por exemplo, a pessoa vinha recebendo aposentadoria (ou qualquer outro
benefício do RGPS) e vem a falecer, os seus dependentes terão direito a pensão
por morte, pois, na data do óbito, o falecido encontrava-se com a qualidade de
segurado mantida.

II. até 12 meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a


cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade
remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou
licenciado sem remuneração.
Este prazo será prorrogado para até 24 meses, se o segurado já tiver pago
mais de 120 contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda da quali-
dade de segurado (Lei 8.213, art. 15, §1 "). Estes dois prazos (12 ou 24 meses) serão
acrescidos de mais 12 meses para o segurado desempregado, desde que compro-
vada essa situação pelo registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e
Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 15, §2").
A condição de desempregado pode ser comprovada, dentre outras formas:
(I) comprovação do recebimento do seguro-desemprego; ou (II) inscrição cadas-
tral no Sistema Nacional de Emprego - SINE, órgão responsável pela política de
emprego nos estados da federação (IN INSS 77/2015, art. 137, § 4°).
O STJ tem entendido que a ausência de anotação de contrato de trabalho na
carteira profissional do segurado não é suficiente para comprovar a sua situação
de desempregado, uma vez que a mencionada ausência não tem o condão de afas-
tar possível exercício de atividade remunerada na informalidade?0 O STJ tam-
bém tem entendido que a ausência de registro perante o Ministério do Trabalho

70 ST), AgRg no Ag 1407206/PR, Rei. Min. Maria Thcreza de Assis Moura, DJe 26110/2011.

HugoGoes 160
Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

e Previdência Social poderá ser suprido quando for comprovada a situação de


desemprego por outras provas constantes dos autos, inclusive a testemunhal. 71
Verifica-se, portanto, que o período de graça do segurado que deixa de
exercer atividade remunerada, ou que esteja suspenso ou licenciado sem remu-
neração, pode ser:
a) De 12 meses- para o segurado com menos de 120 contribuições mensais;
b) De 24 meses - para o segurado com mais de 120 contribuições men-
sais, ou para o segurado com menos de 120 contribuições mensais que
comprovar que permanece na situação de desemprego;
c) De 36 meses - para o segurado com mais de 120 contribuições men-
sais que comprovar que permanece na situação de desemprego.

Imagine, por exemplo, o segurado que, por motivo de doença, afastou-se de


suas atividades trabalhistas, passando a receber auxílio-doença. Enquanto estiver
em gozo de benefício, manterá a qualidade de segurado nos termos do inciso I do
art. 15 da Lei 8.213/91. Se após a cessação do auxílio-doença, o segurado voltar a
exercer atividade remunerada, não há mais o que falar em período de graça, pois
o segurado volta a pagar contribuições previdenciárias. Mas se após o término
do auxílio-doença, o segurado não voltar a trabalhar (deixar de exercer atividade
remunerada), iniciará um novo período de graça (de 12,24 ou 36 meses, conforme
o caso) contado a partir da data da cessação do benefício.

III. até 12 meses após cessar a segregação, o segurado acometido de


doença de segregação compulsória.
Enquanto durar a segregação, o segurado estará em gozo de benefício por
incapacidade, mantendo a qualidade de segurado em ra~ão disto. Após cessar a
segregação, o segurado mantém esta qualidade por mais 12 meses.

IV. até 12 meses após o livramento, o segurado detido ou recluso.


O segurado detido ou recluso, que antes de ser preso era segurado do
Regime Geral de Previdência Social, mantém a esta qualidade até 12 meses após
o livramento. Durante o período em que estiver preso, ele também mantém a
qualidade de segurado.

71 STJ, AgRg na Pet 8694 I PR, Rei. Min. Jorge Mussi, 3' Seção, DJe 09/10/2012.

161 Capítulo4
JVIdflUdl ae u1re1ro nev1aenCJano

V. até 3 meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças


Armadas para prestar serviço militar.
A prestação de serviço militar citada na lei é a do serviço militar obriga-
tório, que suspende o contrato de trabalho dos segurados empregados (CLT, art.
472). Aquele que já era segurado antes de prestar o serviço militar obrigatório
permanece nessa condição durante o período junto às Forças Armadas. Após o
licenciamento, ainda mantém a qualidade de segurado por mais três meses.

V I. até 6 meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.


Atrasando o recolhimento de suas contribuições previdenciárias por até
6 meses, o segurado facultativo ainda permanece com a qualidade de segurado
mantida. Todavia, se atrasar o recolhimento de suas contribuições por 7 meses
consecutivos, perde a qualidade de segurado.
Vale frisar que o segurado facultativo, após a cessação do benefício po:-
incapacidade e salário-maternidade, terá o período de graça pelo prazo de doze
meses (IN INSS 77/2015, art. 137, § 7°). Ou seja, enquanto o segurado facultativo
estiver recebendo salário-maternidade ou benefício por incapacidade (auxílio-
-doença, por exemplo), ele mantém a qualidade de segurado com base no inciso
I do art. 15 da Lei 8.213/91. Após o término desses benefícios, ele ainda manterá a
qualidade de segurado, independentemente de contribuições, por mais doze meses.
O segurado obrigatório que, durante o gozo de período de graça de 12, 24
ou 36 meses, conforme o caso, se filiar ao RGPS na categoria de facultativo, ao
deixar de contribuir nesta última, terá direito de usufruir do período de graça de
sua condição anterior, se mais vantajoso (IN INSS 77/2015, art. 137, § 8°).
O segurado obrigatório que, durante o período de manutenção da qualidade
de segurado decorrente de percepção do benefício por incapacidade, salário-
-maternidade ou da condição de detido ou recluso, se filiar ao RGPS na categoria
de facultativo, terá direito de usufruir do período de graça decorrente da sua
condição anterior, se mais vantajoso (IN INSS 77/2015, art. 137, §9°).

2 Direitos preservados durante o período de graça

Durante período de graça, em regra, o segurado conserva todos os seus


direitos perante a Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 15, §3°). Como exceção 2
esta regra, o direito ao salário-família cessa, automaticamente, pelo desemprego
do segurado (RPS, art. 88, IV).

HugoGoes 162
Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

O período de graça não é contado para fins de carência. Em regra, também


não é contado como tempo de contribuição.
Todavia, o período de graça conta como tempo de contribuição nos
seguintes casos: (a) período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença
ou aposentadoria por invalidez, entre períodos de atividade (RPS, art. 60, III);
(b) período em que o segurado esteve recebendo benefício por incapacidade por
acidente do trabalho, intercalado ou não (RPS, art. 60, IX); (c) período em que a
segurada esteve recebendo salário-maternidade (RPS, art. 60, V).
O período de licença-maternidade conta, inclusive, para fins de carência,
pois incide contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade.

3 Perda da qualidade de segurado

A perda da qualidade de segurado é a extinção da relação jurídica existente


entre o segurado e a Previdência Social, acarretando, por conseguinte, a caduci-
dade dos direitos inerentes a essa qualidade.
O reconhecimento da perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia
seguinte ao do vencimento da contribuição do contribuinte individual relativa ao
mês imediatamente posterior ao término dos prazos acima fixados (RPS, art. 14).

Exemplo:
Joaquim, segurado facultativo, recolheu suas contribuições previdenciá-
rias relativas aos meses de março de 2014 a janeiro de 2015. A partir de
fevereiro de 20J5, Joaquim não recolheu mais nenhuma contribuição.
Quando ocorrerá a perda da qualidade de segurado?
a) O segurado facultativo mantém a qualidade de segurado, indepen-
dentemente de contribuições, por até 6 meses após a cessação das
contribuições;
b) No caso em tela, esse prazo de 6 meses começa a ser contado a partir
de fevereiro de 2015 e termina em julho de 2015;
c) O mês imediatamente posterior ao término do prazo de 6 meses é o
mês de agosto de 2015;
d) A data de vencimento da contribuição relativa ao mês de agosto de
2015 é o dia 15/09/2015;
e) Assim, o dia que Joaquim perderá a qualidade de segurado será o dia
16/09/2015.

163 Capítulo4
Manual de Direito Previdenciário

No exemplo anterior, se Joaquim, no dia 15/09/2015, tivesse recolhido a


contribuição previdenciária relativa ao mês de agosto de 2015, ele não teria perdido
a qualidade de segurado.

3.1 Efeitos da perda da qualidade de segurado

Em regra, a perda da qualidade de segurado importa em caducidade dos


direitos inerentes a essa qualidade (Lei 8.213/91, art. 102, caput). No entanto, esta
regra comporta algumas exceções:
a) A perda da qualidade de segurado não prejudica o direito à aposenta-
doria para cuja concessão tenham sido preenchidos todos os requisitos,
segundo a legislação em vigor à época em que estes requisitos foram
atendidos (Lei 8.213/91, art. 102, §1").
b) A perda da qualidade de segurado não será considerada para a con-
cessão das aposentadorias por tempo de contribuição e especial (Lei
10.666/2003, art. 3°).
c) Na hipótese de aposentadoria por idade, a perda da qualidade de
segurado não será considerada para a concessão desse benefício,
desde que o segurado conte com, no mínimo, o tempo de contri-
buição correspondente ao exigido para deito de carência na data do
requerimento do benefício (Lei 10.666/2003, art. 3°, §1°).

Exemplo:
Sebastiana trabalhou como empregada da empresa Moda Moderna Ltda.,
durante o período de 24/03/1984 a 30/08/2000. A partir de setembro de 2000,
ela não exerceu mais nenhuma atividade remunerada, nem recolheu contri-
buições como segurada facultativa. Em 19/04/2011, Sebastiana completou 60
anos de idade. Neste caso, mesmo tendo perdido a qualidade de segurada, ela
terá direito à aposentadoria por idade, pois tem a idade mínima exigida por
lei (60 anos para mulher) e cumpriu a carência de 180 contribuições mensais.

Não será concedida pensão por morte aos dependentes do segurado que
falecer após a perda desta qualidade, salvo se preenchidos os requisitos para
obtenção da aposentadoria (Lei 8.213/91, art. 102, §2"). No exemplo acima, caso,
após a data de aniversário de 60 anos, Sebastiana venha a falecer, antes de se apo-
sentar, os seus dependentes terão direito à pensão por morte, pois já tinham sido
preenchidos os requisitos para obtenção da aposentadoria. Se falecer após a data

Hugo Goes 164


Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

do início da aposentadoria, os dependentes, obviamente, também terão direito


à pensão por morte. A respeito desta matéria, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENcr,\ruo. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO


ESPECIAL. BENEFÍCIO DE PENSÃO POR MORTE. ÜE CUJUS.
l'EHDA DA QUALIDADE DE SEGURADO. PoSS!Bll.IDADE DE
DEFERIMENTO DA PENSÍ\.0, NOS TERMOS DO ART. 102 DA LEI
N° 8.213/91, SE RESTAR COMPROVADO O ATENDIMENTO DOS
REQUISITOS PARA CONCESSí\0 DE APOSENTADORIA, ANTES
DA DATA DO FALECIMENTO. l. É assegurada a concessão do
benefício de pensão por morte aos dependentes do de cujos
que, ainda que tenha perdido a qualidade de segurado,
tenha preenchido os requisitos legais para a obtenção de
aposentador;a, antes da data do falecimento. 2. Embargos
de divergência conhecidos, porém, rejeitados. 72

4 Contribuinte individual em débito com a Previdência

Com base no art. 15 da Lei 8.213/91, o segurado facultativo é o único que


perderá a qualidade de segurado por deixar de recolher contribuição (art. 15, VI).
Baseando numa interpretação literal do referido dispositivo legal, o segurado obri-
gatório (contribuinte individual, por exemplo) que continua exercendo suas ativi-
dades laborais, mas deixou de recolher suas contribuições previdenciárias, está em
débito com a previdência social, mas não deveria perder a qualidade de segurado
em razão do não recolhimento das contribuições. No entanto, o INSS entende de
forma diversa, como se pode verificar no art. 378 da IN INSS 77/2015, in verbis:

Art. 378. Caberá a concessão nas solicitações de pensão por


morte em que haja débito decorrente do exercício de ativi-
dade do segurado contribuinte individual, desde que com-
provada a manutenção da qualidade de segurado perante o
RGPS na data do óbito.
§ 1o A manutenção da qualidade de segurado de que trata
o caput far-se-á mediante, pelo menos, uma contribuição
vertida em vida até a data do óbito, desde que entre uma
contribuição e outra ou entre a última contribuição reco-
lhida pelo segurado em vida e o óbito deste, não tenha

72 STJ, EREsp 524006/MG, Rei. Min. Laurita Vaz, DI 30/03/2005, p. !32.

165 Capítulo4
Manual de Direito Previdenciário

transcorrido o lapso temporal a que se refere o art. 137,


observadas as demais condiçôes exigidas para o benefício.
§ 2" Não será considerada a inscrição realizada após a morte
do segurado pelos dependentes, bem como não serão consi-
deradas as cont ribuiçôes vertidas após a extemporânea ins-
crição para efeito de manutenção da qualidade de segurado.
§ 3" O recolhimento das contribuições obedecerá às regras
de indenização constantes nos arts. 25 c 28.

O lapso temporal ao qual se refere o art. 137 da IN I:\JSS 77/2015 é o período


de graça (o mesmo que é previsto no art. 15 da Lei 8.213/91). Em outras palavras, o
art. 378, §1<>, da IN 77/2015 está dizendo que o contribuinte individual perde a qua-
lidade de segurado se atrasar o recolhimento de suas contribuições por um período
superior a 12, 24 ou 36 meses, conforme o caso, ainda que durante tal período ele
continue exercendo a atividade remunerada. Para I~Kilitar o entendimento destr~
controvertido tema, vamos analisar a seguinte situação hipotética:

João, segurado contribuinte individual, trabalhava por conta própria,


sem relação de trabalho com empresas. No período de março de 2007 a
dezembro de 2008, ele recolheu todas suas contribuições previdenciárias,
mas a partir de janeiro de 2009 deixou de recolhê-las, embora tenha con-
tinuado o exercício de sua atividade trabalhista até a data do seu óbito,
que ocorreu em fevereiro de 2013. Nessa situação, os dependentes de João
terão direito ao benefício da pensão por morte?

Na situação acima exposta, com base no art. 378 da IN INSS 77/2015, os


dependentes não teriam direito à pensão por morte, pois entre a última contribui-
ção recolhida pelo segurado em vida e o óbito deste, transcorreu um lapso temporal
superior ao período de graça (previsto no art. 15, li, da Lei 8.213/91). Mesmo que,
após a morte do segurado, os dependentes recoll:_essem as contribuições que o
segurado deixou de recolher, ainda assim, os dependentes não teriam direito ao
benefício. O INSS entende que, na data do seu óbito, João não tinha a qualidade
de segurado. Na data do óbito, João continuava exercendo atividade remunerada
abrangida pelo RGPS, mas o INSS entende que ele não era mais segurado (já tinha
perdido esta qualidade). Para o INSS, a qualidade de segurado do contribuinte
individual não decorre do simples exercício de atividade remunerada.
Ora, para quem exerce atividade remunerada, a filiação ao RGPS é com-
pulsória (CF, art. 201). Assim, não faz o menor sentido uma pessoa, estando no
exercício de atividade remunerada, perder a qualidade de segurado. Só deveria

Hugo Goes 166


Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

perder tal qualidade se deixasse de exercer a atividade por um prazo superior aos
previstos no art. 15 da Lei 8.213/91.
No entanto, a Turma Nacional de Uniformização da jurisprudência dos
Juizados Especiais Federais (TNU) também tem entendimento semelhante ao do
INSS, como se pode observar no seguinte julgado:

Ementa: PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. CoNTRI-


BUINTE INDIVIDUAL. RECONHECIMENTO DA QUALIDADE DE
SEGURADO PELO S!iv!PLES EXERCÍCIO DE ATIVIDADE INFOR-
MAL. REGULARIZAÇAO POST MOWfEM DO RECOLHIMENTO
DAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. INCIDENTE PRO-
VIDO. 1. Este Colegiado possui entendimento consolidado
no sentido de que a qualidade de segurado do contribuinte
individual não decorre do simples exercício de atividade
remunerada, mas do concomitante recolhimento das con-
tribuições exigíveis. Assim, revela-se incabível, para fins de
obtenção de pensão por morte, a regularização do recolhi-
mento das contribuições posteriormente ao óbito. [.. .]''

Para fins de prova de concurso público, sugiro que o candidato acompanhe


os entendimentos dados pela TNU e pela IN INSS 77/2015, art. 378. Contudo, vale
frisar que tais entendimentos não se aplicam ao segurado contribuinte individual
que presta serviço a empresas, posto que com o advento da Lei 10.666/2003 ares-
ponsabilidade pela arrecadação e pelo r,ecolhimento das contribuições previden-
ciárias dos contribuintes individuais a serviço das empresas foi transferida para o
âmbito destas (Lei 10.666/2003, art. 4°).74 Neste caso, a t~llta de recolhimento das
contribuições não pode prejudicar o contribuinte individual, pois a responsabi-
lidade pelo recolhimento não é do segurado, mas sim da empresa.

5 Perda da qualidade de dependente

De acordo com o art. 17 do RPS, a perda da qualidade de dependente ocorre:


I. para o cônjuge: (a) pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe
for assegurada a prestação de alimentos; (b) pela anulação do casamento;
(c) pelo óbito; ou (d) por sentença judicial transitada em julgado;

73 TNU, PEDILEF200563020132909, Rei. juíza Federal Simone dos Santos Lemos Fernandes, DOU 09/12/2011.
74 TNU, PEDILEF 200633007144762, Rei. Juiz Federal Vladimir Santos Vitovsky, DOU 18/05/2012.

167 Capítulo4
Manual de Direito Previdenciário

II. para a companheira ou companheiro, pela cessação da união estável


com o segurado ou segurada, enquanto não lhe t(Jr garantida a pres-
tação de alimentos;
III. para o filho e o irmão, de qualquer condição, ao completarem vinte
e um anos de idade, salvo se inválidos, desde que a invalidez tenha
ocorrido antes:
a) de completarem vinte e um anos de idade;
b) do casamento;
c) do início do exercício de emprego público efetivo;
d) da constituição de estabelecimento civil ou comercial ou da exis-
tência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor
com dezesseis anos completos tenha economia própria; ou
e) da concessão de emancipação, pelos pais, ou de um deles na falta
do outro, mediante instrumento público, independentemente de
homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se
o menor tiver dezesseis anos completos.
IV. para os dependentes em geral:
a) pela cessação da invalidez; ou
b) pelo falecimento.

Para que o filho e o irmão mantenham a qualidade de dependentes é


necessário que eles sejam não emancipados, menores de 21 anos ou inválidos ou
tenham deficiência intelectual ou mental, declarada judicialmente, que os tornem
absoluta ou relativamente incapazes (Lei 8.213/91, art. 16, I e III).
Vale frisar que as alíneas "b" a "e" do inciso III do art. 17 do RPS configu-
ram hipóteses de emancipação, previstas no parágrafo único do art. 5° do Código
Civil. A colação de grau em curso de ensino superior também é uma hipótese de
emancipação (Código Civil, parágrafo único, art. 5'\ IV), mas não está relacionada
no inciso III do art. 17 do RPS.
O inciso III do art. 17 do RPS pode ser resumido da seguinte forma: o filho
ou o irmão não inválido que perdeu a qualidade de dependente em razão de ter
completado 21 anos de idade ou da emancipação (exceto colação de grau em curso
de ensino superior), se ficar inválido após tal evento, não recuperará a qualidade
de dependente perdida. Ou seja, uma vez perdida a qualidade de dependente, esta
não será recuperada em razão da invalidez superveniente.

Hugo Goes 168


Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

Vale dizer, não se recupera a qualidade de dependente quando a invalidez do


filho ou do irmão ocorre depois de completar 21 anos de idade. Não se considera
dependente o menor de 21 anos que se emancipou antes de tornar-se inválido,
salvo se a emancipação decorreu de colação de grau em curso de ensino superior.
A colação de grau em curso de ensino superior é uma causa de emancipa-
ção (Código Civil, art. 5°, parágrafo único, IV), mas o filho inválido mantém a
qualidade de dependente mesmo que a invalidez tenha ocorrido depois da colação
de grau em curso do ensino superior (RPS, art. 17, III).

Exemplo 1:
João, filho de um segurado do RGPS, tornou-se inválido aos 19 anos de
idade. Quando ele tinha 27 anos de idade, seu pai faleceu. Nesse caso, João
terá direito à pensão por morte, pois a invalidez se deu antes de completar
21 anos.

Exemplo 2:
Francisco, filho de um segurado do RGPS, casou aos 17 anos de idade e
tornou-se inválido aos 19 anos de idade. Quando Francisco tinha 22 anos
de idade, seu pai faleceu. Nesse caso, Francisc() não terá direito à pensão
po~ morte, pois a invalidez ocorreu depois da emancipação.

Exemplo 3:
Pedro, filho de um segurado do RGPS, tem 19 an;s de idade, não é inválido e
o
nem tem deficiência mental ou intelectual, mas já é casado. Caso ocorra óbito
do seu pai, Pedro não terá direito a receber pensão por morte, poisnãótern a
qualidade de dependente, já que é emancipado emdecorrência do casamento.

Exemplo4:
Marcos, filho de segurado do RGPS, colou grau em curso de ensino supe-
rior quando tinha 19 anos de idade e ficou inválido quando tinha 20 anos
de idade. Nesse caso, ele manterá a qualidade dependente mesmo. após
completar 21 anos de idade.

De acordo com o art. 77, § 2°, li, da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei
13.135/2015, a emancipação não é motivo para a cessação da cota individual da
pensão por morte que o filho ou irmão esteja recebendo. Assim, para a obtenção
do benefício, no momento do óbito do segurado, o filho não poderá ser emanci-
pado. Caso haja emancipação posterior ao óbito, tal fato será irrelevante, podendo
o filho manter o benefício até os 21 anos de idade.

169 Capítulo4
Manual de UJreJto l.)revJdencíàrío

Exemplo:
Na data da óbito do segurado Paulo, o seu filho Pedrinho, que não é inválido
nem tem deficiência mental ou intelectual, tinha 17 anos de idade. Depois
da morte do seu pai, Pedrinho ficou recebendo o benefício de pensão por
morte. Se Pedrinho casar antes de completar 21 anos de idade, ele conti-
nuará recebendo o benefício até completar 21 anos, pois a emancipação
não é causa de cessação da cota individual da pensão por morte.

O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebe pen-


são de alimentos mantém a qualidade de dependente (Lei 8.213/91, art. 17, §2° e
art. 76, §2"). A respeito deste tema, o STJ tem um entendimento mais favorável à
mulher divorciada ou separada judicialmente. De acordo com a Súmula 336 do
STJ, "a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à
pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade eco-
nômica superveniente".
Os quadros a seguir resumem o que foi estudado neste capítulo.

Segurado em gozo de S l' . d


benefício em 1m1te e prazo

a) Tendo até 120 contribuições: 12 meses;


O segurado que deixar b) Tendo mais de 120 contribuições: 24
de exerc~r atividade meses. Após a cessação de
remunerada abrangida Obs.: ambos os prazos serão acresci- benefício por inca-
pela Previdência Social dos de 12 meses se o segurado estiver pacidade ou após a
ou estiver suspenso ou desempregado, desde que comprove cessação das con-
licenciado sem remu- esta situação por registro em órgão tribuições
neração próprio do Ministério do Trabalho e
Previdência Social.
Segurado detido ou
12 meses Após o livramento
recluso
Após cessação das
Segurado facultativo 6 meses
contribuições
Segurado incorporado
3 meses Após licenciamento
às Forças Armadas
Segurado acometido de
Após cessar a segre-
doença de segregação 12 meses
compulsória gação

Hugo Goes 170


Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

a) Pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for


assegurada a prestação de pensão alimentícia;
Para o cônjuge b) Pela anulação do casamento;
c) Pelo óbito; ou
d) Por sentença judicial transitada em julgado.
Para a companheira Pela cessação da união estável com o segurado ou segurada,
ou companheiro enquanto não lhe for garantida pensão alimentícia.
Ao completarem 21 anos de idade, salvo se inválidos, desde
que a invalidez tenha ocorrido antes: (a) de completarem vinte
e um anos de idade; (b) do casamento; (c) do início do exer-
cício de emprego público efetivo; (d) da constituição de esta-
belecimento civil ou comercial ou da existência de relação de
Para o filho ou irmão
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis
de qualquer condição
anos completos tenha economia própria; ou (e) da concessão
de emancipação, pelos pais, ou de um deles na falta do outro,
mediante instrumento público, independentemente de homo-
logação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o
menor tiver dezesseis anos completos.
Para os dependentes a) Pela cessação da invalidez; ou
em geral b) Pelo falecimento.

Exercícios de Fixação

72. (Médico-perito/INSS/FCC/2006) A respeito da manutenção e perda da qualidade


de segurado é correto afirmar que:
a) a perda da qualidade de segurado acarreta o reinício da contagem do prazo
de carência para obtenção de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e
aposentadoria especial.
b) o segurado que estiver recebendo benefício por incapacidade mantém essa
qualidade durante seis meses após a cessação do benefício, independente-
mente do retorno à atividade remunerada.
c) a perda da qualidade de segurado não será considerada para a concessão de auxí-
lio-doença, aposentadoria especial e aposentadoria por tempo de contribuição.
d) é irrelevante para a concessão da aposentadoria por idade, desde que o segu-
rado comprove a carência exigida para obtenção do benefício.
e) o segurado facultativo tem um período de graça de seis meses, prazo que
poderá ser prorrogado por doze meses se comprovada a situação de desem-
prego perante o Ministério de Trabalho e Emprego.

171 Capítulo4
Manual de Direito Previdenciário

73. (Analista/TRF da 2" Região/FCC/2007) De acordo com a Lei 8.213/91, mantém a


qualidade de segurado, independentemente de contribuições,
a) até três meses após a cessação das contribuições, o segurado que estiver sus-
penso ou licenciado sem remuneração.
b) até seis meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
c) até seis meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de
exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social.
d) até dez meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença ele
segregação compulsória.
e) até vinte e quatro meses após o livramento, o segurado detido ou recluso.

74. (AFRF/ESAF/2005) No Regime Geral ela Previdência Social, é incorreto afirmar


que, nas situações abaixo elencadas, mantém a qualidade ele segurado, indepen-
dentemente de contribuições:
a) Até 6 (seis) meses após o livramento, o segurado detido ou recluso.
b) Até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar
de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver
suspenso ou licenciado sem remuneração.
c) Até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de
doença de segregação compulsória.
d) Até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças
Armadas para prestar serviço.
e) Sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício.

75. (AFRF/ESAF/2002) A respeito da manutenção e perda da qualidade de segurado,


assinale a opção incorreta.
a) Mantém a qualidade de segurado, independentemente ele contribuições sem
limite de prazo para quem está em gozo de benefício.
b) Mantém a qualidade de segurado, até 12 (doze) meses após a cessação das
contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abran-
gida pela Previdência Social.
c) Mantém a qualidade de segurado, até 12 (doze) meses após a cessaçào das con-
tribuições, o segurado que estiver licenciado com ou sem remuneração.
d) Mantém a qualidade de segurado, até 12 (doze) meses após a cessação das
contribuições, o segurado que estiver suspenso.
e) Mantém a qualidade de segurado, até 12 (doze) meses após cessar a segrega-
ção, o segurado acometido de doença de segregação compulsória.
Manutenção e perda das qualidades de segurado e de dependente

76. (DPE-AM/FCC/2013) Conforme previsão contida no Plano de Benefícios da Pre-


vidência Social- Lei :.1" 8.213/91 -mantém a qualidade de segurado, independente
de contribuições,
a) quem está no gozo de benefício, limitado ao prazo máximo de 24 (vinte e
quatro) meses.
b) até 6 (seis) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças
Armadas para prestar o serviço militar.
c) até 24 (vinte e quatro) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso.
d) até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
e) até 18 (dezoito) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de
doença ele segregação compulsória.

77. (Analista Previdenciário/INSS/Cesgranrio/2005) Tício, marido de Martha, faleceu,


em julho de 2004, desempregado. Havia trabalhado como empregado, durante
20 (vinte) anos, para a empresa "Carro dos Sonhos Ltda.", tendo terminado o seu
contrato de trabalho com a referida empresa em julho de 1999. Em agosto de 2004,
Martha formulou requerimento administrativo de pensão por morte em uma
Agência da Previdência Social e teve seu pedido indeferido. A correta justificativa
para o indeferimento da pensão por morte nesse caso é:
a) perda da qualidade de segurado do instituidor da pensão.
b) ausência de inscrição de Martha como dependente designada por Tício, antes
de seu falecimento.
c) o fato de que Martha não comprovou a sua dependência econômica de Tício,
requisito este inéispensável para qualificação do cônjuge como dependente.
d) o fato de Martha não ser segurada do Regime Geral de Previdência social.
e) o fato de o período de carência fixado por lei para concessão de pensão por
morte não ter sido cumprido.

78. (TRT-1"/FCC/2012) Mantém a qualidade de segurado, independentemente de


contribuições, por até
a) 36 (trinta e sei>) meses, quem está em gozo de auxílio-doença.
b) 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
c) 36 (trinta e seis) meses, o segurado desempregado, desde que tal situação esteja
comprovada por registro no Ministério do Trabalho e Emprego ou outro meio
admitido e tenham sido vertidas mais de 120 (cento e vinte) contribuições sem
interrupÇão que tenha acarretado a perda da qualidade de segurado.
d) 3 (três) meses após o livramento, o segurado detido ou recluso.
e) 12 (doze) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças
Armadas para prestar serviço militar.

173 Capítulo4
Manual de Direito l)revidenciário

79. (TRF-2"/ FCC/2012) Adamastor é segurado facultativo da Previdência Social c está


enfrentando graves problemas financeiros que o impossibilitaram de recolher as
devidas contribuiçôes dos últimos quatro meses. Neste caso, em regra, Adamastor
a) mantém a qualidade de segurado, até dez meses após a cessação das contri-
buiçôes.
b) não manterá a qualidade de segurado, uma vez que a Lei no 8.213/1991 res-
guarda esta qualidade até três meses após a cessação das contribuições.
c) não manterá a qualidade de segurado, uma vez que a Lei no 8.213/1991 res-
guarda esta qualidade até dois meses após a cessação das contribuições.
d) mantém a qualidade de segurado até seis meses após a cessação das contri-
buiçôes.
e) não manterá a qualidade de segurado, uma vez que a Lei n" 8.213/1991 res-
guarda esta qualidade até trinta dias após a cessação das contribuiçôes.

Hugo Goes 174


Capítulo 5

····Presfà.Qões. . da.••·•~~gfrifre;:·ffiêPal•· ·de


Previdêrtcia Social; ' . ' ' I

O RGPS compreende as seguintes prestações, expressas em benefícios e


serviços:

Aposentadoria por inva-


~
lidez

~ Aposentadoria por idade

Aposentadoria por tempo


~
de contribuição

~ Aposentadoria especial
Quâ.titoao
~
tseguraclo Ap()sentaôoria da pessoa
~
com deficiência
~ Benefícios
.Prestações ~ Auxílio" doença
doRGPS
~ Au~ílio~acidente

~ Sal~.rio,família

~ Salário-maternidade

-> 9,!!~~fg.~Ç!; ..
.· -+ Pensão por morte
•d . :.·.e.··. .n.··.a. . e. :n. t.e
...·e.··r.
r:· ·
. .·•. -+ Auxíil. o:::redusão
-+ R;ê~b~Íita:ção profissional

-+ ·s~ivJÇti~'sodaf

175
Manual de Direito Previdenciário

Observação:
• Prestação é o gênero, benefício e serviço são as espécies.
• Benefícios são prestações pecuniárias, ou seja, pagas em dinheiro.
• Serviços são bens imateriais postos à disposição dos beneficiários.
• Os benefícios de pensão por morte e auxílio-reclusão são direitos dos
dependentes do segurado. Os demais benefícios são direitos do segurado.
• A reabilitação profissional e o serviço social são serviços prestados tanto
ao segurado como aos seus dependentes.

Distribuiçáo dos benefícios, segundo a categoria dos beneficiários:

Aposentadoria
Sim Sim Sim Sim Não
por invalidez
Aposentadoria
Sim Sim Sim Sim Não
por idade

Aposentadoria
por tempo de Sim Sim Sim (Obs. 1) Obs. 2 Não
contribuição
Aposentadoria
Sim Não Não (Obs. 3) Não Não
especial
Aposentadoria
por tempo de
contribuição Sim Sim Sim (Obs. 1) Obs. 2 Não
da pessoa com
deficiência

Aposentadoria
por idade da
Sim Sim Sim Sim Não
pessoa com
deficiência

Auxílio-doença Sim Sim Sim Sim Não

Auxílio-acidente Sim Sim Não Sim Não

Salário-família Sim Sim Não Não Não

Hugo Goes 176


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Salário-
Sim Sim Sim Sim Não
maternidade

Pensão por
Não Não Não Não Sim
morte
Auxílio-reclusão Não Não Não Não Sim

Observação:
1) O segurado contribuinte individual, que trabalhe por conta própria, sem
relação de trabalho com empresa ou equiparado, o microempreendedor
individual e o segurado facultativo que contribuam com a alíquota de 11%
ou 5% sobre um salário mínimo não farão jus à aposentadoria por tempo
de contribuição (Lei 8.213/91, art. 18, §3°), nem à aposentadoria por tempo
de contribuição da pessoa com deficiência (RPS, art. 70-B e art. 199-A).
2) O segurado especial somente terá direito à aposentadoria por tempo de
contribuição e à aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com
deficiência se contribuir, facultativamente, com a alíquota de 20% sobre o
salário de contribuição (RPS, art. 39, §2°, II e art. 70-B, parágrafo único).
3) A pessoa física filiada a cooperativa de trabalho ou de produção, mesmo
sendo considerada contribuinte individual, faz jus ao benefício da apo-
sentadoria especial.

Distribuição dos serviços, segundo a categoria dos beneficiários:

Reabilitação
Sim Sim Sim Sim Sim
profissional

Serviço Social Sim Sim Sim Sim Sim

1 Conceitos introdutórios

Antes de adentrarmos no estudo de cada uma das prestações do RGPS, é


necessário que conheçamos alguns conceitos introdutórios.

177 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

1.1 · Carência

Nos termos do art. 24 da Lei 8.213/91, "período de carência é o número


mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça
jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses
de suas competências".
Assim, enquanto não se completar o período de carência de determinado
benefício o segurado não terá direito ao seu recebimento, por ser uma das con-
dições para seu deferimento.

1.1.1 Contagem do período de carência

Empregado, émpregado doméstico e tra-


Data de filiação ao RGPS
balhador avulso
Data do efetivo recoJ1imento da primeira
Contribuinte individual e facultativo,
contribuição sem atraso, não sendo consi-
inclusive o segurado especial que contri-
deradas para efeito de carência as contri-
bui, facultativamente, com 20% sobre o
buições recolhidas com atraso referentes a
salário de contribuição
competências anteriores a essa data
Segurado especial que não contribui,
A partir do efetivo exercício da atividade
facultativamente, com 20% sobre o salá-
rural, devidamente comprovada
rio de contribuição

Para efeito de carência, considera-se presumido o recolhimento das con-


tribuições do segurado empregado, do empregado domés~ico, do trabalhador
avulso e, relativamente ao contribuinte individual que preEta serviço a uma ou
mais empresas, a partir da competência abril de 2003, as contribuições dele des-
contadas pelas empresas (RPS, art. 26, § 4").
De acordo com o art. 34, I, da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei Com-
plementar 150/2015, no cálculo do valor da renda mensal do benefício, inclusive o
decorrente de acidente do trabalho, serão computados para o segurado empregado,
inclusive o doméstico, e o trabalhador avulso, os salários de co::üribuição referentes
aos meses de contribuições devidas, ainda que não recolhidas pela empresa ou pelo
empregador doméstico, sem prejuízo da respectiva cobrança e da aplicação das
penalidades cabíveis. Além disso, conforme o art. 27, I, da Lei 8.213/91, na redação
dada pela Lei Complementar 150/2015, para cômputo do período de carência, serão

HugoGoes 178
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

consideradas as contribuições referentes ao período a partir da data de filiação ao


RGPS, no caso dos segurados empregados, inclusive os domésticos, e dos trabalha-
dores avulsos. Com base nesses dispositivos, entendo que, para efeito de carência,
também passa a ser presumido o recolhimento das contribuições do segurado
empregado doméstico. Assim, mesmo que o empregador doméstico não recolha as
contribuições do empregado doméstico, este não será prejudicado.
Para efeito da carência dos demais segurados, é necessária a comprovação
do efetivo recolhimento das contribuiçôes.
Alguns períodos da vida funcional do trabalhador podem ser contados
como tempo de contribuição, mesmo sem ter havido a efetiva contribuição.
Todavia, embora contem como tempo de contribuição, esses períodos não contam
para efeito de carência.
A título de exemplo, relacionamos abaixo alguns períodos que contam como
tempo de contribuição, mas não contam para efeito de carência:
I. o tempo de serviço militar, obrigatório ou voluntário;
Il. o tempo de serviço do segurado trabalhador rural anterior à com-
petência novembro de 1991. Nesse período, o trabalhador rural não
contribuía para a previdência social;
III. contribuições recolhidas com atraso relativas a competências ante-
riores à data do recolhimento da primeira contribuição sem atraso
dos segurados contribuinte individual e facultativo.

Exemplo:
Rosa na, comprovadamente, trabalhou na condição de empregada rural no
período de 03/1971 a 03/1991, sem recolhimento de contribuições previden-
ciárias. No período de 04/2005 a 04/2015, ela trabalhou como empregada
do Banco Alfa S.A. Nesse caso, Rosana já tem 30 anos de contribuição,
mas ainda não pode aposentar-se por tempo de contribuição, pois não tem
a carência de 180 contribuições mensais.

No exemplo acima, os 20 anos que Rosana exerceu a atividade rural, como


foram anteriores a 11/1991, contam como tempo de contribuição (mesmo sem o
recolhimento das contribuições), mas não contam para efeito de carência.
No caso de contribuinte individual, especial e facultativo, para cômputo do
período de carência, só serão consideradas as contribuições realizadas a contar da
data do efetivo pagamento da primeira contribuição sem atraso (Lei 8.213/91, art.

179 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

27, II). No entanto, sendo paga a primeira contribuição sem atraso, as contribui-
ções referentes a competências posteriores, mesmo que sejam pagas com atraso,
serão consideradas para efeito de carência.
Por força de decisão judicial proferida na Ação Civil Pública - ACP
2009.71.00.004103-4, para benefícios requeridos a partir de 19 de setembro de 2011,
fica garantido o cômputo, para fins ele carência, do período em gozo de benefício
por incapacidade, inclusive os decorrentes de acidente do trabalho, desde que
intercalado com períodos de contribuição ou atividade:

I - no período compreendido entre 19 de setembro de 2011


a 3 de novembro de 2014 a decisão judicial teve abrangência
nacional; e
II - a partir de 4 de novembro de 2014 a decisão passou a
ter abrangência restrita aos residentes nos Estados dos Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, observada a deci-
são proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso
Especial 1.414.439-RS.

No Recurso Especial 1.414.439-RS, o STJ decidiu ser possível considerar


o período em que o segurado esteve no gozo de benefício por incapacidade
(auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez) para fins de carência, desde que
intercalados com períodos contributivos. Confira, a seguir, a ementa do referido
Recurso Especial:

PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPE-


CIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.
CÔMPUTO DO TEMPO DE BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE
COMO PERÍODO DE CARÊNCIA. POSSIBILIDADE, DESDE QUE
INTERCALADO COM PERÍODO DE EFETIVO TRABALHO. POS-
SIBILIDADE DE EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER ANTES
DO TRÂNSITO EM JULGADO. EFEITOS ERGA OMNES LIMITA-
DOS À COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR.

1. Ação civil pública que tem como objetivo obrigar o INSS


a computar, como período de carência, o tempo em que
os segurados estão no gozo de benefício por incapacidade
(auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez).
2. O acórdão recorrido _julgou a lide de modo fundamen-
tado e coerente, não tendo incorrido em nenhum vício que

Hugo Goes 180


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

desse ensejo aos embargos de declaração e, por conseguinte,


à violação do art. 535 do Código de Processo Civil.
3. É possível considerar o período em que o segurado esteve
no gozo de benefício por incapacidade (auxílio-doença ou
aposentadoria por invalídez) para fins de carência, desde
que intercalados com períodos contributivos.
4. Se o período em que o segurado esteve no gozo de bene-
fício por incapacidade é excepcionalmente considerado
como tempo ficto de contribuição, não se justifica interpre-
tar a norma de maneira distinta para fins de carência, desde
que intercalado com atividade laborativa.
5. Possibilidade de execução da obrigação de fazer, de
cunho mandamental, antes do trânsito em julgado e inde-
pendentemente de caução, a ser processada nos moldes do
art. 461 do Código de Processo Civil.
6. Prevalece nesta Corte o entendimento de que a sentença
civil fará coisa julgada erga omnes nos limites da competên-
cia territorial do órgão prolator, nos termos do art. 16 da Lei
no 7.347/85, alterado pela Lei no 9.494/97.
7. O valor da multa cominatória fixada pelas instâncias
ordinárias somente pode ser revisado em sede de recurso
especial se irrisório ou exorbitante, hipóteses não contem-
pladas no caso em análise.
8. Recurso especial parcialmente provido? 5

O Supremo Tribunal Federal decidiu nos autos do RE 583.834/PR-RG, com


repercussão geral reconhecida, que devem ser computados, para fins de concessão
de aposentadoria por invalidez, os períodos em que o segurado tenha usufruído
do benefício de auxílio-doença, desde que intercalados com atividade laborativa.
A Suprema Corte vem se pronunciando no sentido de que o referido entendimento
se aplica, inclusive, para fins de cômputo da carência, e não apenas para cálculo
do tempo de contribuição. 76
A respeito do tempo de serviço do trabalhador rural, antes da Lei 8.213/91
(antes de novembro de 1991), o STJ entende que, mesmo sem o recolhimento das
respectivas contribuições, este período conta como tempo de contribuição, mas
não conta para efeito de carência. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

75 ST), REsp 1414439 I RS, Rei. Min. Rogerio Schietti Cruz, 6' Turma, D)e 03/11/2014.
76 STF,RE 771577 AgR/ SC, Rei. Min. DiasToffoli, I' turma, D)e-213, Divulg 29/10/2014, Public30/10/2014.

181 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

AGRAVO REGIMENTAL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADO-


RIA POH TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE RURAL EXERCIDA
ANTES DA LEI N° 8.213/91. CONTRIBUJÇ,\0. DESNECESSI-
DADE. 1. A legislação previdenciária permite a contagem do
tempo de serviço efetivamente prestado em atividade rural,
antes da Lei n" 8.213/91, sem o recolhimento das respectivas
contribuiçôes, para fins de obtenção de aposentadoria por
tempo de serviço, exceto para efeito de carência. 2. Para que
o segurado faç·a jus à aposentadoria por tempo de serviço
somando-se o período de atividade agrícola com o trabalho
urbano sem contribuição, impõe-se que a carência tenha
sido cumprida durante o tempo de serviço como trabalha-
dor urbano. 3. Agravo regimental improvido. 77

1.1.2 Contagem da carência para o segurado especial

Para o segurado especial, considera-se período de carência o tempo mínimo


de efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, igual ao
número de meses necessário à concessão do benefício requerido (RPS, art. 26, §1°).
Assim, o período de carência do segurado especial não é contado em número
de contribuições previdenciárias recolhidas, e sim em número de meses de efetivo
exercício na atividade rural. Todavia, se o segurado especial fizer a opção por con-
tribuir, facultativamente, com a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição,
será dele exigido o recolhimento das contribuições.
De acordo com o disposto no art. 106 da Lei 8.213/91, a comprovação do
exercício de atividade rural será feita, alternativamente, por meio de:

I - contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho


e Previdência Social;
I I -contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
li I -declaração fundamentada de sindicato que represente
o trabalhador rural ou, quando for o caso, de sindicato ou
colônia de pescadores, desde que homologada pelo INSS;
IV comprovante de cadastro do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária - INCRA, no caso de pro-
dutores em regime de economia familiar;
V - bloco de notas do produtor rural;

77 ST), AgRg no REsp 706790/PR, Rei. Min. Paulo Gallotti, 6• T, D) 13/06/2005, p. 373.

Hugo Goes 182


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

VI - notas fiscais de entrada de mercadorias, de que trata o


§ 7° do art. 30 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, emitidas
pela empresa adquirente da produção, com indicação do
nome do segurado como vendedor;
VII - documentos fiscais relativos a entrega de produção
rural à cooperativa agrícola, entreposto de pescado ou outros,
com indicação do segurado como vendedor ou consignante;
VIII -comprovantes de recolhimento de contribuição à Pre-
vidência Social decorrentes da comercialização da produção;
IX- cópia da declaração de imposto de renda, com indica-
ção de renda proveniente da comercialização de produção
rural; ou
X -licença de ocupação ou permissão outorgada pelo Incra.

Além dos documentos supra, o Regulamento da Previdência Social (art. 62,


§2°, li, "1") ainda admite como prova de exercício da atividade rural a "certidão
fornecida pela Fundação Nacional do Índio- FUNAI, certificando a condição do
índio como trabalhador rural, desde que homologada pelo INSS".
O STJ entende que "a prova exclusivamente testemunhal não basta à
comprovação da atividade rurícola, para efeito da obtenção de benefício previ-
denciário" (Súmula 149 do STJ). Contudo, a prova testemunhal pode ser usada
para reforçar a eficácia das provas documentais. Nesse sentido, confira o seguinte
precedente do STJ:

AGRAVO REGIMENTAL - PREVIDENCIÁRIO - BENEFÍCIOS


- TRABALHADOR RURAL - INÍCIO DE PROVA MATERIAL. I
- A certidão de casamento, onde o marido aparece como
lavrador, é início razoável de prova material, sendo apta à
comprovação da condição de rurícola para efeitos previden-
ciários. li - A prova material não precisa necessariamente
referir-se ao período equivalente à carência do benefício,
desde que a prova testemunhal amplie a sua eficácia proba-
tória. Agravo regimental desprovido. 78

78 STJ, AgRg no REsp 496686/SP, Rei. Min. Felix Fischer, S• T, D) 28/10/2003, p. 336.

183 CapítuloS
Manual de Jir"'ito Previdenciário

1.1.3 Benefícios sujeitos a carência

Carência
Aposentadoria por idade, por tempo
de contribuição, especial e da pessoa Em regra, 180 contribuições mensais.
com deficiência.
Aposentadoria por invalidez e auxí-
Em regra, 12 contribuições mensais.
1io-doença.
Para as seguradas contribuinte indivi-
Salário-maternidade. dual, especial e facultativa: lO contribui-
ções mensais.

As prestações (benefícios e serviços) que não constam da tabela da página


anterior independem de carência. Em relação ao salário-maternidade, apenas os
segurados contribuintes individuais, especiais e facultativos necessitam cumprir
carência. Os segurados empregados, empregados domésticos e trabalhadores
avulsos terão direito ao salário-maternidade sem ser exigida qualquer carência.
Já vimos que para o segurado especial, a carência é o número de meses de
efetivo exercício da atividade rural, ainda que de forma descontínua, necessário para
a concessão de um benefício. Assim, para ter direito ao salário-maternidade, por
exemplo, o segurado especial não precisa comprovar o recolhimento de 10 contri-
buições mensais: basta comprovar lO meses de efetivo exercício de atividade rural.
Em caso de parto antecipado, o período de carência do salário-maternidade
será reduzido em número de contribuições equivalentes ao número de meses em
que o parto foi antecipado.
Não será exigida a carência de 12 contribuições para a aposentadoria por
invalidez e para o auxílio-doença motivados por acidente de qualquer natureza
ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segu-
rado que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das seguintes doenças:
tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia
grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopa-
tia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência
imunológica adquirida (aids) ou contaminação por radiação, com base em con-
clusão da medicina especializada (Lei 8.213/91, art. 26, II c/c art. 151).
Em se tratando de aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, para
que haja a dispensa da carência, não é necessário que o acidente seja acidente de

Hugo Goes 184


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

trabalho. A lei refere-se a acidente de qualquer natureza ou causa. Entende-se


como acidente de qualquer natureza ou causa aquele ele origem traumática e
por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos ou biológicos), que acarrete
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução
permanente ou temporária da capacidade laborativa.

1.1.4 Perda da qualidade de segurado

Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuiçôes anteriores a essa


perda somente serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar,
a partir da nova filiação ao RGPS, com, no mínimo, um terço do número de contri-
buições exigidas para o cumprimento da carência do benefício a ser requerido. Essa
exigência, contudo, não se aplica aos benefícios de aposentadoria por idade, especial
e por tempo de contribuição, pois a partir da vigência da Lei 10.666/2003, a perda
da qualidade de segurado não será considerada para a concessão destes benefícios.
Conclui-se, portanto, que quando se trata de aposentadoria por idade, por
tempo de contribuição e especial, as contribuições efetuadas antes da perda da
qualidade de segurado sempre serão contadas para fins de carência.
Todavia, nos casos em que seja exigida carência para a concessão dos bene-
fícios de aposentadoria por invalidez, auxílio-doença e salário-maternidade, as
contribuições anteriores à perda da qualidade de segurado somente serão compu-
tadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova filiação
ao RGPS, com, no mínimo, um terço do número de contribuições exigidas para
o cumprimento da carência do respectivo benefício.

Observação:
Joaquim inscreveu-se no RGPS como segurado facultativo e recolheu, sem
atraso, lO contribuições mensais. Em virtude de dificuldades financeiras,
passou 9 meses sem recolher suas contribuições, perdendo, assim, a quali-
dade de segurado. Passadas as dificuldades financeiras, Joaquim voltou a
contribuir, readquirindo a qualidade de segurado. Após ter recolhido mais
3 contribuições mensais, Joaquim adoeceu, ficando incapacitado para suas
atividades habituais por mais de 15 dias. A enfermidade que incapacitou o
segurado não está relacionada na lista de doenças em que a carência é dis-
pensada. Nesta situação, Joaquim não terá direito ao auxílio-doença, pois
a partir da nova filiação não recolheu, no mínimo, um terço do número
de contribuições exigidas para o cumprimento da carência do benefício.

185 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

No exemplo anterior, para ter direito ao auxílio-doença, seria necessário


que Joaquim, após a nova filiação, tivesse recolhido, no mínimo, 4 contribuiçôes
mensais, o que corresponderia a um terço do número de contribuições exigidas
para o cumprimento da carência do auxílio-doença. Só assim, poderia aproveitar,
para fins de carência, as 10 contribuições recolhidas em período anterior à perda
da qualidade de segurado. Neste caso, seriam contadas 14 contribuições mensais,
superando as 12 contribuições exigidas para efeito da carência do auxílio-doença.

1.1.5 Regra de transição

No caso das aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial, a


carência será de 180 contribuições mensais para os segurados inscritos depois da
vigência da Lei 8.213, de 24/07/91. 'Todavia, para os segurados inscritos na Previ-
dência Social Urbana até 24/07/91, bem como para os trabalhadores e emprega-
dores rurais antes amparados pela Previdência Social Rural, observa-se a regra
de transição prevista no art. 142 da Lei 8.213/91. A regra de transição levará em
conta o ano em que o segurado implementar todas as condições necessárias à
obtenção do benefício, de acordo com a seguinte tabela:

1991 60 meses
1992 60 meses
1993 66meses
1994 72 meses
1995 78 meses
1996 90 meses
1997 96 meses
1998 102 meses
1999 108 meses
2000 114 meses
2001 120 meses
2002 126 meses
2003 132 meses
2004 138 meses
2005 144meses
2006 150 meses
2007 156 meses

HugoGoes 186
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

2008 162 meses


2009 168 meses
2010 174 meses
2011 180 meses

Para fins de enquadramento na tabela prevista no art. 142 da Lei 8.213/91,


a quantidade de contribuições a ser exigida para efeito de carência é a corres-
pondente ao ano de aquisição de todas as condições necessárias à obtenção da
aposentadoria. Vale dizer, não se obrigará que a carência seja o tempo exigido na
data do requerimento do benefício, salvo se coincidir com a data da implemen-
tação das condições.

Observação:
Joaquim, segurado inscrito no RGPS em 20/07/1991, completou 65 anos de
idade em 05/01/2007. Em novembro de 2007, ele completou a quantidade de
156 contribuições mensais recolhidas. Em janeiro de 2008, ele protocolizou
o requerimento de sua aposentadoria por idade. Assim, no ano de 2007,
Joaquim já havia implementado todas as condições necessárias à obten-
ção da aposentadoria por idade. Embora tenha requerido a aposentadoria
somente em 2008, o período de carência exigido é de 156 contribuições
mensais (carência correspondente ao ano de 2007), em respeito ao direito
adquirido. Nessa situação, Joaquim terá direito a receber aposentadoria
por idade a partir da data do requerimento do benefício.

Segundo entendimento do STJ, o inscrito no RGPS até 24/7/1991, mesmo


que nessa data não mais apresente condição de segurado, caso restabeleça relação
jurídica com o INSS e volte a ostentar a condição de segurado após a Lei 8.213/1991,
tem direito à aplicação da regra de transição prevista no art. 142 do mencionado
diploma, devendo o requisito da carência, para a concessão de aposentadoria
urbana por idade, ser definido de acordo com o ano em que o segurado implemen-
tou apenas o requisito etário- e não conforme o ano em que ele tenha preenchido,
simultaneamente, tanto o requisito da carência quanto o requisito etário. Nesse
st>nlido, confira o seguinte julgado:

PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR


IDADE URBANA. PREENCHIMENTO SIMULTÂNEO DOS REQUI-
SITOS. DESNECESSIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO DO ART. 142
DA LEI DE BENEPÍCIOS. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO E PROVIDO.

187 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

1. Tendo a parte recorn.cnte sido filiada ao sistema antes da


edição da Lei 8.213/1991, a ela deve ser aplicada, para fins
de cômputo de carência necessária à concessão da aposen-
tadoria por idade, a rçgra de transição disposta no art. 142
da Lei de Benefícios.
2. Deve beneficiar-se da regra de transiçáo o segurado que
estava vinculado ao Regime Ccral da Previdência Social,
mas que, por ocasião da nova Lei náo mantivesse a quali-
dade de segurado, desde que retorne ao sistema.
J. A implementaçào dos requisitos para a aposentado-
ria por idade urbana pode dar-se em momentos diversos,
sem simultaneidade. 1'\'las, uma vez que o segurado atinja o
limite de idade fixado, o prazo de carência está consolidado,
não podendo mais ser alterado. A interpretação a ser dada
ao art. 142 da referida Lei deve ser finalística. em confor-
midade com os seus objetivos, que estão voltados à prote-
çáo do segurado que se encontre no período de transiçáo
ali especificado, considerando o aumento da carência de 60
contribuições para 180 e que atinjam a idade nele fixada.
4. Com o advento da Lei 10.666/2003, que passou a disci-
plinar especitlcamente a questão da dissociaçào dos requi-
sitos para obtenção do benefício, a nova sistemática não t~1z
distinção entre o tempo anterior c o posterior à perda da
qualidade de segurado.
5. O acórdão recorrido deve ser reformado, porque está
em dissonância com a jurisprudência do STJ que admite a
aplicação do art. 142 combinado com o§ 1° do art. 3° da Lei
10.666/2003.
Observância do incidente de uniformização de jurispru-
dência, Pet 7.476/PR.
6. O segurado que não implementa a carência legalmente exi-
gida quando atingido o requisito etário, pode cumpri-la pos·
teriormente pelo mesmo número de contribuições previstas
para essa data. Não haverá nesta hipótese um novo enqua-
dramento na tabela contida no art. 142 da Lei 8.213/1991,
como entendeu o Tribunal a quo.
7. Recurso especial conhecido e provido, determinando-se ao
INSS que refaça a contagem da carência com base na data em
que a segurada atingiu a idade mínima. Inversão do ônus da

Hugo Goes 188


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

sucumbência. Honorários advocatícios fixados em lO% sobre


o valor da condenação. 79

1.2 Salário de benefíci9 (SB)

Salário de benefício é o valor básico utilizado para cálculo da renda men-


sal inicial dos benefícios, exceto o salário-família, a pensão por morte, o salário-
-maternidade e o auxílio-reclusão.
Em outras palavras, o salário de benefício é a base de cálculo das aposen-
tadorias, do auxílio-doença e do auxílio-acidente. A partir dessa base é que será
calculado o valor da renda mensal inicial desses benefícios, por meio de aplicação
de percentuais previstos em lei. Por exemplo: a renda mensal inicial do auxílio-
-doença corresponde a 91% do salário de benefício. Assim, se o salário de benefício
calculado for o equivalente a R$1.000,00, a renda mensal inicial do auxílio-doença
será de R$910,00.
O salário-maternidade e o salário-família não são calculados com base no
salário de benefício. Têm uma forma de cálculo diferenciada, que será estudada
no tópico específico.
No tocante à pensão por morte c ao auxílio-reclusão, a legislação previden-
ciária não vinculou a forma de cálculo destes benefícios diretamente ao salário
de benefício. Mas, como veremos mais adiante, indiretamente, seus valores estão
relacionados com o salário de benefício.

1.2.1 Cálculo do salário de benefício

Média aritmética simples dos maiores salário de con-


Aposentadoria por idade, apo- tribuição correspondentes a 80% de todo o período
sentadoria por tempo de con- contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário.
tribuição e aposentadoria da Na aposentadoria por idade e na aposentadoria da pes-
pessoa com deficiência. soa com deficiência, o fator previdenciário só será apli-
cado se resultar em renda mensal de valor mais elevado.
Aposentadoria por invalidez, Média aritmética simples dos maiores salário de con-
aposentadoria especial, auxí- tribuição correspondentes a 80% de todo o período
lio-doença e auxílio-acidente. contributivo.

79 STJ, REsp 1412566/ RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, 2' Turma, OJc 02/04/2014.

189 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Salário de contribuição é a base de cálculo da contribuição previdenciária


do segurado, sobre a qual incidirá a alíquota estabelecida em lei para determinar
o valor de sua contribuição mensal. Por exemplo: Rosana, segurada facultativa,
recolheu sua contribuição previdenciária, referente ao mês de março de 2005, no
valor de R$200,00. Isso significa que o salário de contribuição de Rosana, refe-
rente ao mês ele março de 2005, foi R$1.000,00, pois a alíquota de contribuição
do segurado Ü1cultativo é de 20% (vinte por cento) sobre o respectivo salário de
contribuição (Lei 8.212/91, art. 21).
Considera-se período contributivo: (!) para o empregado, empregado
doméstico e trabalhador avulso: o conjunto de meses em que houve ou deveria
ter havido contribuição em razão do exercício de atividade remunerada sujeita
a filiação obrigatória ao RGPS; (II) pam os demais segurados, inclusive o facul-
tativo: o conjunto de meses de efetiva contribuição ao RGPS (RPS, art. 32, §22).
Para o cálculo do salário de benefício só serão considerados os 80% maiores
salários de contribuição do segurado. Assim, os 20% menores salários de ccm-
tribuição serão descartados para fins desse cálculo. Por exemplo: para calcular o
salário de benefício referente a uma aposentadoria por invalidez de um segurado
que conta com 150 contribuições mensais, faz-se uma média aritmética dos 120
maiores salários de contribuição. É assim porque 80% de 150 é igual a 120.
Quando se trata de aposentadoria por tempo de contribuição, para efeito do
cálculo do salário de benefício, faz-se a média aritmética dos 80% maiores salários
de contribuição e, em seguida, multiplica-se essa média pelo fator previdenciário.
Mas o segurado poderá optar pela não incidência do fator previdenciário quando
o total resultante da soma de sua idade e de seu tempo de contribuição, incluídas
as frações, na data de requerimento da aposentadoria, for igual ou superior a:

r~!t~lil~fl-y"'
Até 30/12/2018 95 85
De 31/12/2018 a 30/l2/2020 96 86
De 31/12/2020 a 30/l2/2022 97 87
35 30
De 31/12/2022 a 30/12/2024 98 88
De 31/12/2024 a 30/l2/2026 99 89
A partir de 31/12/2026 100 90

Hugo Goes 190


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Para eleito de enquadramento na tabela, o tempo mínimo de contribuição


do professor e da professora que comprovarem exclusivamente tempo de efetivo
exercício de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio
será de, respectivamente, 30 e 25 anos, e serão acrescidos cinco pontos à soma da
idade com o tempo de contribuição (Lei 8.213/91, art. 29-C, § 3").

Exemplo:
Em dezembro de 2015, Ofélia completou 55 anos de idade e 25 anos de
contribuição como professora do ensino fundamental. Nesse caso, para fins
de enquadramento na tabela, Ofélia tem 85 pontos (25 + 55 + 5). Assim,
em dezembro de 2015, ela já pode optar pela não incidência do fator pre-
videnciário no cálculo de sua aposentadoria por tempo de contribuição.

Ao segurado que alcançar o requisito necessário ao exercício da opção pela


não incidência do fator previdenciário e deixar de requerer a aposentadoria por
tempo de contribuição, será assegurado o direito à opção com a aplicação da pon-
tuação exigida na data do cumprimento do requisito (Lei 8.213/91, art. 29-C, § 4°).
Para os benefícios de aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial,
auxílio-doença e auxílio-acidente, o salário de benefício é a média aritmética dos
80% maiores salários de contribuição. Não há a aplicação do fator previdenciário.
Tratando-se de aposentadoria por idade e de aposentadoria da pessoa com
deficiência, o INSS calculará o salário de benefício de duas formas diferentes: a
primeira, aplicando o fator previdenciário; a segunda, sem a aplicação do fator
previdenciário. Será concedido ao segurado o que resultar mais vantajoso.
Todos os salários de contribuição utilizados no cálculo do salário de bene-
fício serão reajustados, mês a mês, de acordo com a variação integral do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente ao período decorrido a partir
da primeira competência do salário de contribuição que compõe o período básico
de cálculo até o mês anterior ao do início do benefício, de modo a preservar os
seus valores reais (CF, art. 201, §3°, e RPS, art. 33). Assim, para fins de cálculo do
salário de benefício, o primeiro procedimento a ser adotado é a atualização de
todos os salários de contribuição compreendidos no período básico de cálculo.
Depois que estes salários de contribuição estiverem devidamente atualizados,
escolhe-se os 80% maiores e faz-se uma média aritmética. Se o benefício a ser
concedido for aposentadoria por invalidez, aposentadoria especial, auxílio-
-doença ou auxílio-acidente, o valor do salário de benefício será o resultado da
referida média aritmética. No caso de aposentadoria por tempo de contribuição

191 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

ou aposentadoria por idade, para calcular o salário de benefício, ainda teremos


que multiplicar a citada média aritmética pelo fator previdenciário. Vale frisar,
contudo, que na aposentadoria por idade a multiplicação pelo fator previdenciário
somente ocorrerá se isso for mais vantajoso para o segurado.
Imagine-se, por exemplo, um segurado que, após recolher 200 contribuições
mensais para o RGPS, ficou temporariamente incapacitado para o trabalho. por
mais de 15 dias consecutivos. Nesse caso, o segurado terá direito ao recebimento
do benefício de auxílio-doença, que será calculado da seguinte forma:
1" passo: atualizar, com base no IN PC, todos os 200 salários de contribuição;

2" passo: escolher os 80% maiores salários de contribuição (ou seja, escolher
os 160 maiores salários de contribuição, pois 80% de 200 = 160);
3" passo: somar os valores dos 160 salários de contribuição que foram
escolhidos;
4" passo: dividir o resultado obtido no passo anterior por 160 (aqui, encon-
tramos o valor do salário de benefício);
5" passo: multiplicar o resultado obtido no passo anterior por 91% (aqui,
encontramos o valor da renda mensal inicial do auxílio-doença). Mas vale frisar
que o auxílio-doença não poderá exceder a média aritmética simples dos últimos
doze salários de contribuição, inclusive no caso de remuneração variável, ou, se
não alcançado o número de doze, a média aritmética simples dos salários de con-
tribuição existentes (Lei 8.213/91, art. 29, § lO).
O valor do salário de benefício não será inferior ao de um salário mínimo,
nem superior ao limite máximo do salário de contribuição na data de início do
benefício.
Não será considerado, no cálculo do salário de benefício, o aumento dos
salários de contribuição que exceder o limite legal, inclusive o voluntariamente
concedido nos 36 meses imediatamente anteriores ao início do benefício, salvo
se homologado pela Justiça do Trabalho, resultante de promoção regulada por
normas gerais da empresa, admitida pela legislação do trabalho, de sentença nor-
mativa ou de reajustamento salarial obtido pela categoria respectiva (Lei 8.213/91,
art. 29, § 4").
Se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefício por
incapacidade, considerar-se-á como salário de contribuição, no período, o salário
de benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, reajustado nas
mesmas épocas e nas mesmas bases dos benefícios em geral, não podendo ser infe-
rior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contribuição.

Hugo Goes 192


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Para o:-. gurado empregado, inclusive o doméstico, o trabalhador avulso e o


segurado espc·.:ial, o valor mensal do auxílio-acidente integra o salário de contri-
buição, para fi :1s de cálculo do salário de benefício de qualquer aposentadoria (Lei
8.213/91, art. ,J c/c art. 34, II). No caso de segurado especial que não contribui,
facultativamente, com alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, o valor
da aposentadoria será: um salário mínimo somado ao valor do auxílio-acidente
vigente na data de início da referida aposentadoria (RPS, art. 36, § 6°).
No cálculo do salário de benefício dos segurados empregado, empregado
doméstico e trabalhador avulso, serão considerados os salários de contribuição
referentes aos meses de contribuições devidas, ainda que não recolhidas pela
empresa ou pelo empregador doméstico. Para os demais segurados somente serão
computados os salários de contribuição referentes aos meses de contribuição efe-
tivamente recolhida (Lei 8.213/91, art. 34).
Ao segurado empregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador avulso que
tenham cumprido todas as condições para a concessão do benefício pleiteado, mas
não possam comprovar o valor de seus salários de contribuição no período básico
de cálculo, será concedido o benefício de valor mínimo, devendo esta renda ser
recalculada quando da apresentação de prova dos salários de contribuição (Lei
8.213/91, art. 35).
Para o segurado empregado doméstico que, mesmo tendo satisfeito as con-
dições exigidas para a concessão do benefício requerido, não possa comprovar
o efetivo recolhimento das contribuições devidas, será concedido o benefício de
valor mínimo, devendo sua renda ser recalculada quando da apresentação da
prova do recolhimento das contribuições.
Para os benefícios que independem de carência, com exceção do salário-
-família e do ouxílio-acídente, será pago o valor mínimo de benefício quando não
houver salário de contribuição no período básico de cálculo.
O salário de benefício do segurado especial, em regra, consiste no valor
equivalente ao salário mínimo (Lei 8.213/91, art. 29, §6°). Contudo, quando o
segurado especial contribui, facultativamente, com 20% sobre o salário de con-
tribuição, o seu salário de benefício será calculado usando-se as mesmas regras
adotadas para os demais segurados.

193 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

1.2.2 Cálculo do salário de benefício para segL.rados filiados ao


RGPS até 28/11/99

Conforme o art. 3° da Lei 9.876/99, para o segurado filiado à Previdência


Social até o dia anterior à data de publicação desta Lei (dia 28/ll/1999), que vier
a cumprir as condições exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral
de Previdência Social, o salário de benefício será calculado da seguinte forma:

Aposentadoria por idade e aposen- Média aritmética simples dos maiores salários
tadoria por tempo de contribuição. de contribuição correspondentes a 80% de todo
o período contributivo decorrido desde a com-
petência julho de 1994, multiplicada pelo fator
previdenciário.
Na aposentadoria por ida:ie, o fator previdenciá-
rio só será aplicado se resultar em renda mensal
de valor mais elevado.
Aposentadoria por invalidez, apo- Média aritmética simples dos maiores salários
sentadoria especial, auxílio-doença de contribuição correspo::1dentes a 80% de todo
e auxílio-acidente. o período contributivo decorrido desde a com-
petência julho de 1994.

Percebe-se que para os segurados que se filiaram à Previdência Social até


28/11/99, véspera da publicação da Lei 9.876/99, só serãc considerados para o
cálculo do salário de benefício os salários de contribuiçãc referentes às compe-
tências de julho de 1994 em diante. As competências anteriores a julho de 1994
são, assim, desprezadas para efeito do cálculo do salário de benefício.
Tratando-se de aposentadoria por idade, por tem?o de contribuição e
aposentadoria especial, para apuração do valor do salário de benefício, contando
o segurado com menos de 60% de contribuições no período decorrido de julho
de 1994 até a data do início do benefício - DIB, o divisor a ser considerado no
cálculo da média aritmética simples dos oitenta por cento maiores salários de
contribuição de todo o período contributivo desde julho de 1994 não poderá ser
inferior a 60% desse mesmo período (Lei 9.876/99, art. 3", §2").
Imagine-se, por exemplo, um segurado que em fevereiro de 2011 completou
35 anos de contribuição, sendo que desses 35 anos de contribuição, apenas 7 anos e
6 meses (que correspondem a 90 contribuiçôes) ocorreram a partir de julho de 1994.
Ou seja, no período de julho de 1994 a fevereiro de 2011 (período de 200 meses),
ele só recolheu 90 contribuições (as outras contribuições foram recolhidas antes

Hugo Goes 194


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

de julho de 1994). No cálculo da aposentadoria por tempo de contribuição desse


segurado, como o número de contribuições a partir de julho de 1994 é menor que
60% do numero de meses a partir de julho/1994 (90 é menor que 60% de 200), em
cumprimento ao §2" do at. 3" da Lei 9.876/99, faz-se a média aritmética utilizando
o divisor mínimo de 120 (pois 200 x 60% = 120). Assim, a aposentadoria por tempo
de contribuição desse segurado seria calculada da seguinte forma:
1° passo: atualizar, com base no INPC, todos os salários de contribuição
compreendidos no período de julho de 1994 a fevereiro de 20ll (que nesse exem-
plo são 90 salários de contribuição);
2° passo: escolher os 80% maiores salários de contribuição compreendidos
no período de julho de 1994 a fevereiro de 2011 (ou seja, escolher os 72 maiores
salários de contribuição, pois 80% de 90 = 72);
3" passo: somar os valores dos 72 salários de contribuição que foram escolhidos;
4" passo: dividir o resultado obtido no passo anterior por 120;
5" passo: multiplicar o resultado obtido no passo anterior pelo fator pre·
videnciário.
A forma de cálculo acima exposta, baseada no §2° do art. 3° da Lei 9.876/99,
é aceita pelo STJ como legal, como se pode verificar no seguinte julgado:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA URBANA POR IDADE. REVI-


s,\o. SALÁRIO DE BENEFÍCIO. MÉDIA ARITMIÍTICA SIMPLES.
DI\' ISOR. NÚMERO DE CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
A In. 3", § 2°, DA LEI N° 9.876/99· L A tese do recorrente no sen-
tido de que, no cálculo da renda mensal inicial de seu bene-
fício previdenciário, deve ser utilizado como divisor mínimo
para apuração da média aritmética dos salários de contri-
hui\~ào o número efetivo de contribuições, não tem amparo
legal. 2. Quando o segurado, submetido à regra de transição
prevista no art. 3", § 2", da Lei no 9.876/99, não contribui, ao
menos, pelo tempo correspondente a 60% do período básico
de cúlculo, os salários de contribuição existentes são soma-
dos e o resultado dividido pelo número equivalente a 60%
(sessenta por cento) do período básico de cálculo. 3. Recurso
especial a que se nega provimento. 80

80 ST), REsp 111434:> I RS, Rel. Min. Maria 1hereza de Assis Moura, 6' Turma, DJe 06/12/2012.

195 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Vale frisar que a regra do §2° do art. 3° da Lei 9.876/99 aplica-se somente
para aposentadoria por idade, por tempo de contribuição e aposentadoria especial.
Ou seja, para os demais benefícios, não há a exigência de divisor mínimo no cál-
culo da média aritmética. Assim, no exemplo anterior, se em vez de aposentar-se
por tempo de contribuição, o segurado tivesse sido aposentado por invalidez, o
benefício seria calculado da seguinte forma:
1" passo: atualizar, com base no INPC, todos os salários de contribuição
compreendidos no período de julho de 1994 a fevereiro de 2011 (que nesse exem-
plo são 90 salários de contribuição);
2" passo: escolher os 80% maiores salários de contribuição compreendidos
no período de julho de 1994 a fevereiro de 2011 (ou seja, escolher os 72 maiores
salários de contribuição, pois 80% de 90 = 72);
3o passo: somar os valores dos 72 salários de contribuição que foram escol h idos;
4° passo: dividir o resultado obtido no passo anterior por 72.

i .2.3 Salário de benefício do segurado que contribuir em razão de


atividades concomitantes

De acordo com o art. 32 da Lei 8.213/91, o salário de benefício do segurado


que contribuir em razão de atividades concomitantes será calculado com base na
soma dos salários de contribuição das atividades exercidas na data do requeri-
mento ou do óbito, ou no período básico de cálculo, observado o disposto no art.
29 e as normas seguintes:

I - quando o segurado satisfizer, em relação a cada ativi-


dade, as condições do benefício requerido, o salário de
benefício será calculado com base na soma dos respectivos
salários de contribuição;
II - quando não se verificar a hipótese do inciso anterior,
o salário de benefício corresponde à soma das seguintes
parcelas:
a) o salário de benefício calculado com base nos salários de
contribuição das atividades em relação às quais são atendi-
das as condições do benefício requerido;
b) um percentual da média do salário de contribuição de
cada uma das demais atividades, equivalente à relação
entre o número de meses completo de contribuição e os do
período de carência do benefício requerido;

HugoGoes 196
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

[[[ - quando se tratar de benefício por tempo de serviço


[tempo de contribuição!, o percentual da alínea "b" do
inciso li será o resultante da relação entre os anos comple-
tos de atividade c o número de anos de serviço [anos de
contribuição] considerado para a concessão do benefício.

A jurisprudência do STJ concorda com a forma de cálculo supra, conforme


se pode verificar no seguinte julgado:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMEN-


TAL. RECURSO ESPECIAL. AT!V!DADES CONCOMITANTES
(SúMULA 83/STJ). REEXAME DE MATÉRIA FÁT!CO-PROBA-
TÓIUA. IMPOSSIBILIDADE (SÚMULA 7/STJ). l. Conforme
jurisprudência desta Corte, o exercício da enfermagem em
mais de um estabelecimento distinto não pode ser conside-
rado como uma única atividade, mas, sim, como ativida-
des concomitantes. 2. Para que haja direito ao cálculo da
aposentadoria com base na soma dos salários de contribui-
ção, é preciso comprovar o exercício de atividades conco-
mitantes durante todo o tempo de serviço considerado para
a concessão da aposentadoria, nos termos do art. 32 da Lei
no 8.213/1991. [... ]81

O disposto no supramencionado art. 32 da Lei 8.213/91 não se aplica ao


segurado que, em obediência ao limite máximo do salário de contribuição, con-
tribuiu apenas por uma das atividades concomitantes. Também não se aplica ao
segurado que tenha sofrido redução do salário de contribuição das atividades
concomitantes em respeito ao limite máximo desse salário.

1.2.4 Fator previdenciário

O fator previdenciário será calculado considerando-se a idade, a expectativa


de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar, mediante
a fórmula:

J= Tcxa x[l+ (Id+Tcxa)J


Es 100

81 STJ, :\gRg no REsp 1060219 I RS, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, 6" Turma, D)e 19/10/2012.

197 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

onde:
f= fator previdenciário;
Es =expectativa de sobrevida no momento da <õ.posentadoria;
Te = tempo de contribuição até o momento da a~1csentadoria;
Id = idade no momento da aposentadoria; e
a= alíquota de contribuição correspondente a 0,31.

A expectativa de sobrevida do segura do na idadE da aposentadoria será


obtida a partir da tábua completa de mortalidade construída pela Fundação Ins-
tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para toda a população brasi-
leira, considerando-se a média nacional única para ambos os sexos. Apenas para
termos uma ideia a respeito dessa tábua, abaixo, relacionamos algumas idades
com suas respectivas expectativas de sobrcvida:
Tábua.de expectativa de vida IBGE 2013- ambos os sexos

45 anos 34,1 anos 56 anos 24,9 anos


46 anos 33,2 anos 57 anos 24,1 anos
47anos 32,3 anos 58 anos 23,3 anos
48 anos 31,5 anos 59 anos 22,6 anos
49 anos 30,6 anos 60 anos 21,8 anos
50 anos 29,8 anos 61 anos 21,0 anos
51 anos 29,0 anos 62 anos 20,3 anos
52 anos 28,1 anos 63 anos 19,6 anos
53 anos 27,3 anos 64 anos 18,8 anos
54 anos 26,5 anos 65 anos 18,1 anos
55 anos 25,7 anos 66 anos 17,4 anos

Para efeito de cálculo do fator previdenciário, ac te:11po de contribuição do


segurado serão adicionados:
I. cinco anos, quando se tratar de mulher; ou
li. cinco ou dez anos, quando se tratar, respectivamente, de professor
ou professora, que comprovem exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educa:;:ão infantil e no ensino
fundamental e médio.

Hugo Goes 198


1-'restaçoes ao Kegune uerctr ue nevruerruct .)Uuctr

O cálculo do fator previdenciário pode resultar num valor maior, igual


ou menor que um. Sendo maior que um, elevará o valor do salário de benefício;
sendo menor que um, reduzirá o valor do salário de benefício; sendo igual a um,
não interterirá no valor do salário de benefício.
Na fórmula do fator previdenciário, a idade e o tempo de contribuição
encontram-se no numerador, enquanto a expectativa de sobrevida encontra-se
no denominador. Assim, quanto maiores forem a idade e o tempo de contribui-
ção, maior será o fator previdenciário e, consequentemente, maior será o salário
de benefício. Em contrapartida, quanto maior for a expectativa de sobrevida,
menor será o fator previdenciário e, consequentemente, menor será o salário de
benefício. Em suma, pode-se dizer que quanto mais tempo o segurado demorar
na atividade, maior será o fator previdenciário.
Vejamos alguns exemplos a respeito do fator previdenciário:
Exemplo 1: Maria Marta, 47 anos de idade, contribui para a previdência
desde os 17 anos de idade, contando com 30 anos de contribuição. Sua
expectativa de sobrevida, de acordo com a tabela do IBGE, é de 32,3 anos.
Qual é o valor do fator previdenciário?
Resposta:
Es = 32,3;
Te = 30 + 5 = 35 (acréscimo para mulheres);
Id = 47;
a= 0,31.

f = 35 X 0,31 (l (47 + 35 X 0,31) j Ü


32,3 X + 100 = ' 53
Exemplo 2: Joaquim José, 65 anos de idade, após completar 34 anos de contribui-
ção, requereu aposentadoria por idade. Sua expectativa de sobrevida, de acordo
com a tabela do IBGE, é de 18,1 anos. Qual é o valor do fator previdenciário?
Resposta:
Es = 18,1;
Id = 65;
Te= 34;
a= 0,31.
f= 34 X 0,31 X (
1 + (65 + 34 X 0,31) ] = 1 Ü2
18,1 100 )

199 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

O Plenário do STF, no julgamento da ADI 2.111-MC/DF, entendeu consti-


tucional o fator previdenciário previsto no art. 29, caput, incisos e parágrafos, da
Lei 8.213/1991, com redação dada pelo art. 2° da Lei 9.876/1999. 82

1.3 Limites da renda mensal do benefício

A regra é que a renda mensal do benefício não terá valor inferior ao do


salário mínimo (hoje, R$788,00), nem superior ao limite máximo do salário de
contribuição (hoje, R$4.663,75), 83 respeitados os direitos adquiridos.
No entanto, esta regra admite as seguintes exceções:
a) No caso de aposentadoria por invalidez, quando o segurado necessitar
da assistência permanente de outra pessoa, ele terá direito a um acrés-
cimo de 25% no valor de sua aposentadoria, podendo, nesse caso, o
limite máximo da renda mensal do benefício superar o limite máximo
do salário de contribuição;
b) O salário-maternidade das seg1,1radas empregada e trabalhadora avulsa
consiste numa renda mensal igual à sua remuneração integral, limitada
ao subsídio dos ministros do STF (CF, art. 248), podendo, assim, ser
superior ao limite máximo do salário de contribuição;
c) O auxílio-acidente, o salário-família, o abono de permanência em
serviço e o auxílio-suplementar poderão ter valor inferior ao do salário
mínimo. Isso ocorre, porque esses benefícios não substituem a renda
mensal do trabalhador. O segurado recebe o benefício previdenciário,
pago pelo INSS, e também recebe, simultaneamente, o rendimento do
seu trabalho;
d) A parcela a cargo do RGPS dos benefícios por totalização, concedidos
com base em acordos internacionais de Previdência Social, poderão ter
valor inferior ao do salário mínimo. Isso ocorre quando o segurado
recebe parte do seu benefício pelo regime brasileiro (RGPS) e outra
parte por regime estrangeiro. Por exemplo: João Marcos trabalhou 16
anos vinculado à Previdência Social uruguaia e 19 anos vinculado ao
RGPS. Com base num acordo internacional, a previdência social uru-
guaia arcará com uma parcela da aposentadoria devida a João Marcos
e o RGPS arcará com a outra parcela, proporcionalmente ao período

82 STF, ADI 2.111-MC/DF, Rel. Min. Sydney Sanches, DJ 05/12/2003, p. 17.


83 Valor atualizado, a partir de 1°/0112015, pela Portaria MPS/MF 13, de 09/01/2015.

Hugo Goes 200


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

cumprido em cada país. Essa parcela a cargo do RGPS pode ser inferior
ao salário mínimo.
e) O auxílio-doença do segurado que exercer mais de uma atividade abran-
gida pelo RGPS será devido mesmo no caso de incapacidade apenas
para o exercício de uma delas. Nessa hipótese, o valor do auxílio-doença
poderá ser inferior ao salário mínimo desde que somado às demais
remunerações recebidas resultar valor superior a este (RPS, art. 73, §4°).
Isso é possível porque, nesse caso, o auxílio-doença não está substituído
renda mensal do trabalhador, pois este ainda contará com o rendimento
da atividade para a qual não se incapacitou.

Assim, não terão valor inferior ao salário mínimo os benefícios de presta-


ção continuada pagos pela Previdência Social correspondentes a aposentadorias,
auxílio-doenç1 (em regra), auxílio-reclusão (valor global) e pensão por morte
(valor global).
Nos casos de auxílio-reclusão e de pensão por morte, a cota individual de
cada dependente pode ser inferior ao salário mínimo. O que não pode ser inferior
ao salário mínimo é o valor global do benefício.
Não confundir os limites da renda mensal do benefício com os limites do
salário de benefício. No tocante ao salário de benefício, em nenhuma hipótese
poderá ser inferior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário
de contribuição.

1.3.1 Reajustamento do teto do RGPS

O teto do RGPS (limite máximo do salário de benefício e do salário de con-


tribuição) é reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo,
com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor- IN PC. No entanto, nos
anos de 1998 e 2003, a regra geral foi excepcionada: as emendas constitucionais
20/1998 e 41/2003 fixaram novos tetos para o RGPS, aumentando-os acima da
variação do INPC.

201 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

1.3.2 Revisão do teto do RGPS nas Emendas Constitucionais


20/1998 e 41 /2003

As Emendas Constitucionais 20/l998 e 41/2003 promoveram um aumento


expressivo no teto do RGPS. O art. 14 da EC 20/98 elevou o teto de R$1.081,50 para
R$1.200,00. O art. 5° da EC 41/2003 elevou o teto de R$1.869,34 para R$2.400,00.
No julgamento do RE 564354/SE, o STF decidiu que os tetos previstos na EC 20/98
e na EC 41/2003 aplicam-se aos benefícios concedidos antes da vigência dessas
normas que tiveram o salário de benefício limitado ao teto em vigor na data da
concessão. Confira o julgado:

EMENTA: DIREITOS CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO.


REVISÃO DE BENEFÍCIO. ALTERAÇAO NO TETO DOS BENEFÍ-
CIOS DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA. REFLEXOS NOS
BENEFÍCIOS CONCEDIDOS ANTES DA ALTERAÇi\0. EMEN-
DAS CONSTITUCIONAIS N° 20/1998 E 41/2003. DIREITO
INTERTEMPORAL: ATO JURÍDICO l'Eil.I'EITO. NECESSIDADE
DE INTERPRETAÇÃO DA LEI INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊN-
CIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS
LEIS. RECURSO EXTRAORDINAIUO A QUE SE KEGA PROVI-
MENTO. [... ] 2. Não ofende o ato jurídico perfeito a aplicação
imediata do art. 14 da Emenda Constitucional n" 20/1998 e
do art. 5" da Emenda Constitucional n" 41/2003 aos benefí-
cios previdenciários limitados a teto do regime geral de pre-
vidência estabelecido antes da vigência dessas normas, de
modo a que passem a observar o novo teto constitucional.
3. Negado provimento ao recurso extraordinário. 84

Em decorrência da referida decisão do STF, o INSS reconheceu o direito à


recomposição, nas datas das emendas constitucionais 20/98 e 41/2003, do valor
dos benefícios limitados ao teto na sua data de início. Vale frisar que somente terão
direito à revisão os benefícios que tiveram o seu valor limitado pelo teto em vigor
na data da concessão. Não terão direito à revisão, dentre outros, os benefícios com
data de início posterior a 31/12/2003 (data da publicação da EC 41/2003).

84 STF, RE 564354/SE, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJc-030, l·l/02/2011.

Hugo Goes 202


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Exemplo:
Tiago aposentou-se em outubro de 2.003. Se o RGPS não tivesse um teto, a
renda mensal inicial de sua aposentadoria seria R$2.000,00, mas por causa
do teto da época, esta ficou limitada a R$1.869,34. Esse segurado terá direito
à revisão do valor de sua aposentadoria. Nesse caso, será aplicado o teto
de R$2.400,00 (fixado pela EC 41/2003), e o valor da renda mensal inicial
da aposentadoria, em vez de R$1.869,34, será R$2.000,00.

A aposentadoria cujo salário de benefício tenha sido inferior ao teto do


RGPS não terá direito à revisão aqui comentada. Nesse sentido, confira-se o
seguinte julgado do STF:

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRA-


ORDINÁRIO COM AGRAVO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMEN-
TAL. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. 1. A alteração
do teto do salário de contribuição não enseja reajuste nos
mesmos índices dos benefícios de prestação continuada.
Precedentes. 2. índices de reajustes da renda mensal de
benefício. Ofensa constitucional indireta. 3. Agravo regi-
mental ao qual se nega provimento. 85

1.4 Reajustamento do valor do benefído

Obtida a renda mensal inicial do benefício, este valor deve ser reajustado
periodicamente de modo a preservar o valor real do benefício.
De acordo com o disposto no §4° do art. 201 da Constituição Federal, "é
assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter per-
manente, o valor real, conforme critérios definidos em lei".
Em obediência a esse dispositivo constitucional, o art. 41-A da Lei 8.213/91
determina que o valor dos benefícios em manutenção seja reajustado, anualmente, na
mesma data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas
datas de início ou do último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços
ao Consumidor- INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística- IBGE. Para benefícios que estão sendo reajustados pela primeira vez, o
índice será aplicado de forma proporcional entre a data da concessão e a do primeiro
reajustamento. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

85 STF, ARE 707813 ED I RS, Rei. Min. Cármen Lúcia, DJe-199, 10/10/2012.

203 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVI-


DENCIÁRIO. REAJUSTE DE BENEFÍCIO. ÍNDICE INTEGRAL. LEI
N" 8.213/91. lMPOSSIBILIDADE. 1. Em observância ao art. 41
da Lei no 8.213/91 e à legislação que se lhe seguiu, no pri-
meiro reajuste da renda mensal inicial, deve-se adotar o cri-
tério da proporcionalidade levando-se em conta a data da
concessão do benefício. Tendo o benefício sido concedido
após a promulgação da Constituição, incabível a aplicação
do índice integral no primeiro reajuste. 2. Agravo regimen-
tal a que se nega provimento. 86

A jurisprudência do STF é de que, embora o segurado tenha direito ao


reajuste dos benefícios, esse se dará nos moldes e critérios previstos na lei, que
definirá, inclusive, os índices de correção monetária aplicáveis e os períodos de
sua incidência. 87 O STF já decidiu que "a adoção do INPC, como índice de reajuste
dos benefícios previdenciários, não ofende a norma do art. 201, §4°, da Carta de
Outubro". 88 O STJ também firmou o entendimento de que, a partir da entrada
em vigor da Lei 11.430/2006, que acrescentou o art. 41-A à Lei 8.213/91, aplica-se
o INPC para reajuste de benefício previdenciário. 89
Os benefícios do RGPS serão reajustados na mesma data de reajuste do
salário mínimo, mas não necessariamente pelo mesmo índice de reajuste do salário
mínimo. Em janeiro de 2015, por exemplo, os benefícios do RGPS foram rea-
justados em 6,23% (Portaria MPS/MF 13/2015), enquanto o salário mínimo foi
reajustado em 8,84% (Decreto 8.381/2014).
Não há que se confundir o preceito constitucional da manutenção do valor
real do benefício (CF, art. 201, §4°) com equivalência em número de salários míni-
mos. Manter o valor real do benefício significa reajustá-lo de acordo com a variação
inflacionária, de modo a evitar diminuição injusta do seu poder de compra. Não
foi intenção do legislador constituinte vincular aquela garantia ao valor do salário
mínimo. Apenas no período em que vigorou o art. 58 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (entre a data de publicação da Constituição de 1988
e a entrada em vigor das Leis 8.212/91 e 8.213/91), o valor dos benefícios previden-
ciários foi fixado em número de salários mínimos. Ademais, esta regra transitória

86 STJ, AgRg no Ag 905050/SP, Rei. Min. Vasco Della Giustina, 6• Turma, DJe 01/07/2011.
87 STF, RE 537616 AgR I PR, Rei. Mln. Dias Toffoli, DJe-025, 06/02/2012.
88 STF, RE 376145/SC, Rei. Min. Carlos Britto, 1' T, DJ 28/11/2003, p. 15.
89 STJ, EDcl no AgRg no REsp 1146478/ RS, Rei. Min. Laurita Vaz, 5' Turma, DJe 31/10/2012.

Hugo Goes 204


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

teve aplicação apenas em relação aos benefícios iniciados antes da vigência da


Constituição de 1988. 90 Nesse sentido, confira a seguinte Súmula do STF:

Súmula 687: A revisão de que trata o art. 58 do Ato das


Disposi~:ões Constitucionais Transitórias não se aplica aos
benefícios previdenciários concedidos após a promulgação
da constituição de 1988.

A respeito desta matéria, confiram também os seguintes julgados da


Suprema Corte:

EMENTA: Benefício previdenciário: vinculação ao salário


mínimo como critério permanente de reajuste: inconstitu-
cionalidade, por violação do art. 7", IV, CF, salvo no período
coberto pelo art. 58 ADCT, que se encerrou com "a implan-
tação do plano de custeio e benefícios" (L. 8.213/91). 91
EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIOS. PRE-
VISÃO LEGAL. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO AO
SALÁRIO MÍNIMO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROTELATÓ-
RIO. MULTA. AGRAVO IMPROVIDO. I- 0 art. 41, li, da Lei n°
8.213/1991 e suas sucessivas alterações não violam o disposto
no art. 194, IV e 201, § 2°, da Carta Magna. Precedentes. II
- Após a ediçáo das leis de custeio e benefícios da previdên-
cia social, impossível a revisão de benefícios previdenciários
vinculada ao salário mínimo. Precedentes. III - Recurso
protelatório. Aplicação de multa. IV - Agravo regimental
improvido. 92

í .5 Data de pagamento dos benefícios

Os benefícios com renda mensal superior a um salário mínimo serão pagos


do primeiro ao quinto dia útil do mês subsequente ao de sua competência, obser-
vada a distribuição proporcional do número de beneficiários por dia de pagamento
(Lei 8.213/91, art. 41-A, §2°).

90 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Op. cit., p. 462.
91 STF, RE 234779/RJ, Rei. Min. Sepúlveda Pertence, I' T. DJ 16/04/99, p. 28.
92 STF, AI 594561 AgR/MG. Rei. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 152, de 13/08/2009.

205 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Os benefícios com renda mensal no valor de até t:m salário mínimo serão
pagos no período compreendido entre o quinto dia útil que anteceder o final
do mês de sua competência e o quinto dia útil do mês subscquente, observada a
distribuição proporcional dos beneficiários por dia de pagamento (Lei 8.213/91,
art. 41-A, §3").
Para efeito de pagamento de benefício, considera-se dia útil aquele de expe-
diente bancário com horário normal de atendimento.
O primeiro pagamento do benefício serú efetuado até 45 dias após a data
da apresentação, pelo segurado, da documentaçào necessária à sua concessào (Lei
8.213/91, art. 41-A, §5°).
O pagamento de parcelas relativas a benefícios efetuado com atraso, inde-
pendentemente de ocorrência de mora e de quem lhe deu causa, deve ser corrigido
monetariamente desde o momento em que restou devido, pelo mesmo índice
utilizado para os reajustamentos dos benefícios do RGPS, apurado no período
compreendido entre o mês que deveria ter sido pago c o mês do efetivo pagamento
(RPS, art. 175). Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMEN-


TAL EM RECURSO ESPECIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS
PARCELAS PAGAS EM ATRASO RELATIVAS A DÉBITO PREVI-
DENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO INPC A PARTIR CA ENTRADA
EM VIGOR DA LEI N° 11.430/2006. l. A partir da entrada em
vigor da Lei no 11.430/2006, que acrescentou o art. 41-A à
Lei no 8.213/91 e fixou o INPC como índice de reajuste dos
benefícios, deve esse índice ser também aplicado para a cor-
reção monetária das parcelas pagas em atraso, nos termos
do art. 31 da Lei no 10.741/2003 (Estatuto do Idoso). Pre-
cedentes desta Corte. 2. Agravo Regimental desprovido. 93

Em regra, os pagamentos dos benefícios de prestaçào continuada da previdência


social não poderão ser antecipados. Contudo, excepcionalmente, nos casos de estado
de calamidade pública decorrente de desastres naturais, reconhecidos por ato do
Governo Federal, o INSS poderá, nos termos de ato do ministro de estado da Previ-
dência Social, antecipar aos beneficiários domiciliados nos respectivos municípios: (I)
o cronograma de pagamento dos benefícios de prestaçáo continuada previdenciária e
assistencial, enquanto perdurar o estado de calamidade; e (I I) o valor correspondente
a uma renda mensal do benefício devido, excetuados os temporários, mediante opção

93 STJ, AgRg no REsp 1133328/SC, Rei. Min. Napoleão Nunes Ivlaia Filho, 5' T., D}e 22/02/2010.

Hugo Goes 206


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

dos benefl.ciários (RPS, art. 169, §1°). O valor antecipado será ressarcido de forma
parcelada, mediante desconto da renda do benefício.

1.6 Acidente do trabalho

Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a ser-


viço da empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho
do segurado especial, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que
cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade
para o trabalho (Lei 8.213/91, art. 19).
Consideram-se ainda acidente do trabalho (Lei 8.213/91, art. 20):

I - doença profissional, assim entendida a produzida


ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a
determinada atividade e constante da respectiva relação
elaborada pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social;
II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou
desencadeada em função de condições especiais em que
o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente,
constante da relação mencionada no inciso L

A relação de agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do


trabalho encontra-se no anexo II do Regulamento da Previdência Social (RPS).
·~

Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na citada


relação resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com
ele se relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la acidente do
trabalho (Lei 8.213/91, art. 20, §2°).
Não são consideradas como doença do trabalho (Lei 8.213/91, art. 20, §1 o):
a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em
que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de expo-
sição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

207 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

1.6.1 Hipóteses equiparadas a acidente do trabalho

De acordo com o art. 21 da Lei 8.213/91, equiparam-se também ao acidente


do trabalho:

I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha


sido a causa única, haja contribuído diretamente para a
morte do segurado, para redução ou perda da sua capaci-
dade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção
médica para a sua recuperação;
li - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário
do trabalho, em consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por
terceiro ou companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo
de disputa relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de
terceiro ou de companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortui-
tos ou decorrentes de força maior;
III - a doença proveniente de contaminação acidental do
empregado no exercício de sua atividade;
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do
local e horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a
autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa
para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo
quando financiada por esta, dentro de seus planos para
melhor capacitação da mão de obra, independentemente do
meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de proprie-
dade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou
deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção,
inclusive veículo de propriedade do segurado.

Hugo Goes 208


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satis-


fação de outras necessidades !lsiológicas, no local do trabalho ou durante este, o
empregado é considerado no exercício do trabalho (Lei 8.213/91, art. 21, 1").

1.6.2 Nexo técnico epidemiológico

A perícia médica do INSS considerará caracterizada a natureza acidentá ria


da incapacidade quando constatar ocorrência de nexo técnico epidemiológico entre
o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a atividade da empresa ou do
empregado doméstico e a entidade mórbida motivadora da incapacidade elencada
na Classificação Internacional de Doenças - CID, em conformidade com o dis-
posto na Lista B do anexo li elo Regulamento da Previdência Social (Lei 8.213/91,
art. 21-A). Ou seja, o nexo técnico epidemiológico- NTE permite que a perícia
médica elo INSS reconheça determinada incapacidade como acidentária, mesmo
que a empresa ou o empregado doméstico não tenham feito nenhuma Comuni-
c-z\ção de Acidente de Trabalho- CAT à Previdência Social. Mas a empresa ou o
empregador doméstico poderão requerer a não aplicação do nexo técnico epide-
miológico, de cuja decisão caberá recurso com efeito suspensivo, da empresa, do
empregador doméstico ou do segurado, ao Conselho de Recursos da Previdência
Social (Lei 8.213/91, art. 2l·A, §2°).
Por exemplo, se o segurado tem LER (lesão por esforço repetitivo), e é digi-
tador, já poderá a Previdência assumir o benefício como acidentário, mesmo sem
a CAT. Este novo procedimento é de especial importância para as doenças ocupa-
cionais, nas quais as empresas apresentam grande resistência à emissão da CAT.
Reconhecidos pela perícia médica do INSS a incapacidade para o trabalho
e o nexo entre o trabalho e o agravo, serão devidas as prestações acidentárias a
que o beneficiário tenha direito (RPS, art. 337, §5°).
Sendo o benefício caracterizado como acidentário, durante o afastamento do
trabalho o segurado faz jus ao depósito do FGTS e goza de estabilidade no emprego
por 12 meses após a cessação do auxílio-doença. Sendo o benefício caracterizado
como comum (não acidentá rio), tais direitos não lhe são assegurados.

1.6.3 Comunicação do Acidente de Trabalho- CAT

A empresa ou o empregador doméstico deverão comunicar o acidente do


trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência

209 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa


variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de contribuição,
sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência
Social (Lei 8.213/91, art. 22). Receberão cópia fiel desta comunicação o acidentado
ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria
(Lei 8.213/91, art. 22, §1").
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la:
a) o próprio acidentado ou seus dependentes;
b) a entidade sindical competente;
c) o médico que assistiu o acidentado; ou
d) qualquer autoridade pública.

Quando a comunicação não é feita pela empresa, as pessoas acima rela-


cionadas poderão formalizá-la, independentemente de prazo. A comunicação
formalizada por estas pessoas não isenta a empresa da responsabilidade pela
ausência da comunicação no prazo legal.

1.6.4 Dia do acidente

Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do


trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade
habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for realizado o
diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro (Lei 8.213/91, art. 23).

1.6.5 Estabilidade no emprego

O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo


mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa,
após a cessação do auxílio-doença acidentário, independentemente de percep-
ção de auxílio-acidente (Lei 8.213/91, art. 118). Nesse sentido, confira o seguinte
julgado do STF:

EMENTA: l. Acidente do trabalho: manutenção do con-


trato de trabalho: L. 8.213/91, art. 118, caput (constitucio-
nalidade). Na ADin 639, 02.06.2005, Joaquim Barbosa, o
Supremo Tribunal julgou q:mstitucional o wput do art.

Hugo Goes 210


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

118 da L. 8.213/91 -que garante a manutenção do contrato


de trabalho, em caso de acidente do trabalho, pelo prazo
mínimo de doze meses, após a cessação do auxílio-doença,
independentemente da percepção de auxílio-acidente. O
Tribunal assentou que o dispositivo não afronta o inciso I
do art. 7° da Constituição Federal, porque não versa sobre
regime de estabilidade, nem contraria o artigo lO do ADCT,
porque não dispõe sobre proteção de emprego, matérias
reservadas à lei complementar. 94

2 Benefícios do RGPS

Neste tópico, estudaremos as regras aplicáveis a cada benefício disponibi-


lizado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

2.1 Aposentadoria por invalidez

A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida a carência exigida,


quando for o caso, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de
auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabili-
tação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga
enquanto permanecer nessa condição (art. 42 da Lei 8.213/91).

2.1.1 Verificação da incapacidade

A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá da verificação da


condição de incapacidade, mediante exame médico-pericial a cargo da previdência
social, podendo o segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico
de sua confiança. Concluindo a perícia médica pela existência de incapacidade
total e definitiva para o trabalho, a aposentadoria por invalidez será concedida.
Todavia, havendo prognóstico de recuperação para a atividade anterior ou outra,
o benefício a ser concedido deve ser o auxílio-doença.
Quando se discute a concessão de aposentadoria por invalidez na via
judicial, a Jurisprudência tem entendido que o magistrado não deve limitar-se à
análise ao laudo médico-pericial, podendo levar em conta outros elementos dos

94 STF, AI-AgR 544031/MG, Rei. Min. Sepúlveda Pertence, I' T. DJ 20/04/2006.

211 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

autos que o convençam da incapacidade permanente para qualquer atividade


laboral. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

AGRAVO REGIMENTAL. PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIOS EM


ESPIÍCIE. APOSENTADORIA POR INVAI.lDEZ. INCAPACI-
DADE PARCIAL. ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL DE ORIGEM
EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE.
ENUNCIADO 83/STJ. l. A jurisprudência desta Corte
orienta-se no sentido de reconhecer que a concessão da
aposentadoria por invalidez deve considerar não só os ele-
mentos previstos no art. 42 da Lei no 8.213/91, bem como
os aspectos socioeconômicos, profissionais e culturais do
segurado, ainda que o laudo pericial só tenha concluído
pela sua incapacidade parcial para o trabalho. Nesse pano-
rama, o Magistrado não estaria adstrito ao referido laudo,
podendo levar em conta outros elementos dos autos que
o convençam da incapacidade permanente para qualquer
atividade laboral. 2. A decisão adotada pelo e. Tribunal de
origem encontra-se em consonância com a jurisprudência
firmada nesta Corte Superior de Justiça. 3. Agravo regi-
mental a que se nega provimento. 95

Para que seja concedido o benefício de aposentadoria por invalidez, não há


necessidade de concessão prévia de auxílio-doença. A incapacidade para o traba-
lho insuscetível de reabilitação, em alguns casos, pode ser constatada de imediato
pelo médico-perito, em face da gravidade das lesões à integridade física ou mental
do indivíduo. No entanto, nem sempre é possível verificar a incapacidade total
e definitiva de imediato. Por isso, na maioria das vezes, concede-se inicialmente
ao segurado o benefício de auxílio-doença e, posteriormente, concluindo-se pela
impossibilidade de retorno à atividade laborativa, transforma-se o benefício inicial
em aposentadoria por invalidez.
A concessão de aposentadoria por invalidez, inclusive mediante transforma-
ção de auxílio-doença, está condicionada ao afastamento de todas as atividades.
A aposentadoria por invalidez é um benefício provisório, pois o segurado
pode, em certos casos, recuperar-se. Por isso, o segurado aposentado por inva-
lidez está obrigado, sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame
médico a cargo da previdência social, processo de reabilitação profissional por ela

95 AgRg no Ag 1370949/RJ, Rcl. Min. Adilson Vieira Macabu, 5' Turma, DJe 02/06/2011.

Hugo Goes 212


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

prescrito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico


e a transfusão de sangue, que são facultativos (Lei 8.213/91, art. 101). Os exames
médico-periciais serão realizados bienalmente (RPS, art. 46, parágrafo único). No
entanto, o aposentado por invalidez estará isento desses exames após completar
60 anos de idade. Mas a referida isenção não se aplica quando o exame tem as
seguintes finalidades:

I- verificar a necessidade de assistência permanente de outra


pessoa para a concessão do acréscimo de 25% sobre o valor
do benefício, confórme dispõe o art. 45 da Lei 8.213/91;
li - verificar a recuperação da capacidade de trabalho,
mediante solícita~~ão do aposentado que se julgar apto;
III - subsidiar autoridade judiciária na concessão de cura-
tela, conforme dispõe o art. 110 da Lei 8.213/91.

O Estatuto do Idoso assegura ao idoso enfermo o atendimento domiciliar


pela perícia médica do INSS, pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado
de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde- SUS,
para expedição do laudo de saúde necessário ao exercício de seus direitos sociais
e de isenção tributária (Lei 10.741/2003, art. 15, §6°).
O aposentado por invalidez que se julgar apto a retornar à atividade deverá
solicitar a realização de nova avaliação médico-pericial.

2.1.2 Doença preexistente

A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao RGPS


não lhe conferirá direito à aposentadoria por invalidez, salvo quando a incapaci-
dade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão
(§2° do art. 42 da Lei 8.213/91).

2.1.3 Beneficiários

Todos os segurados têm direito à aposentadoria por invalidez.

213 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.1.4 Carência

O período de carência para a concessão da aposentadoria por invalidez


é, em regra, de 12 contribuiçôes mensais. Todavia, a concessão independe de
carência nos casos em que a incapacidade for decorrente de acidente de qualquer
natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos
de segurado que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das seguintes
doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepa-
topatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante,
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefro-
patia grave, estado avançado ela doença ele Paget (osteíte deformante), síndrorne
da deficiência imunológica adquirida (aids) ou contaminação por radiação, com
base em conclusão da medicina especializada (Lei 8.213/91, art. 26, li c/c art. 151).
Em casos de acidente, para que haja a dispensa da carência, não é necessário
que seja acidente de trabalho. A lei refere-se a acidente de qualquer natureza ou
causa. Entende-se como acidente de qualquer natureza ou causa aquele de origem
traumática e por exposição a agentes exógenos (físicos, químicos ou biológicos),
que acarrete lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda
ou a redução permanente ou temporária da capacidade laborativa.
Para o segurado especial, basta a comprovação do exercício de atividade
pelo período equivalente ao número de meses correspondente à carência do
benefício requerido.
Havendo perda da qualidade de segurado, para habilitar-se novamente ao
benefício da aposentadoria por invalidez, o segurado não necessitará cumprir a
carência de mais 12 contribuiçôes mensais. A regra prevista no parágrafo único
do art. 24 da Lei 8.213/91 permite a contagem das contribuiçôes anteriores, desde
que o segurado implemente, a partir da nova filiação, um terço do número de
contribuiçôes exigidas para o cumprimento da carência do benefício. Para a apo-
sentadoria por invalidez, isso representa quatro contribuições mensais.

2.1.5 Renda mensal inicial

Em regra, a renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez corres-


pende a 100% do salário de benefício.
Para o segurado especial que não contribui facultativamente, a renda mensal
da aposentadoria por invalidez é de um salário mínimo. Mas quando precedida
de auxílio-acidente, a aposentadoria por invalidez do segurado especial que não

Hugo Goes 214


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

contribui facultativamente corresponde a um salário mínimo somado ao valor do


auxílio-acidente vigente na data de início da referida aposentadoria (RPS, art. 36, §6°).
Caso o segurado especial tenha optado por contribuir, facultativamente,
com 20% sobre o salário de contribuição, a renda mensal da aposentadoria por
invalidez será calculada de forma igual à aplicada para os demais segurados,
correspondendo, neste caso, a 100% do salário de benefício.

a) Renda mensal da aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-


-doença
A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por trans-
formação de auxílio-doença será de 100% do salário de benefício que serviu de
base para o cálculo da renda mensal inicial do auxílio-doença, reajustado pelos
mesmos índices de correção dos benefícios em geral. Nesse sentido, confira o
seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPE-


CIAL. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDA DE AUXÍ-
LIO-DOENÇA. RENDA MENSAL INICIAL. APLICAÇÃO DO ART.
36, §7°, DO DECRETO N° 3.048/99· PRECEDENTES. INOVAÇÃO
RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Consoante entendimento
firmado por este Tribunal Superior, no caso de o benefício da
aposentadoria por invalidez ser precedido de auxílio-doença,
a renda mensal será calculada a teor do art. 36, §7°, do Decreto
no 3.048/99, ou seja, o salário de benefício da aposentadoria
por invalidez será de 100% (cem por cento) do valor do salá-
rio de benefício do auxílio-doença anteriormente recebido,
reajustado pelos índices de correção dos benefícios previden-
ciários. Precedentes. 2. Em sede de embargos de declaração
ou agravo regimental, é inviável a inovação de tese recursal.
3. Agravo regimental a que se nega provimento. 96

Quando o acidentado do trabalho estiver em gozo de auxílio-doença, o


valor da aposentadoria por invalidez será igual ao do auxílio-doença se este, por
força de reajustamento, for superior a 100% do salário de benefício (§2° do art. 44
da Lei 8.213/91). Na prática, isso dificilmente ocorrerá, tendo em vista que a renda
mensal do auxílio-doença é de 91% do salário de benefício e a da aposentadoria
por invalidez é de 100% do salário de benefício.

96 STJ, AgRg no REsp 1089135/MG, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, DJe 02/06/2011.

215 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

b) Acréscimo de 25%
O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da
assistência permanente de outra pessoa será acrescido de 25%, podendo chegar,
assim, a 125% do salário de benefício. O acréscimo será devido, ainda que o valor
da aposentadoria ultrapasse o limite máximo do salário de contribuição. Esse
acréscimo cessará com a morte do aposentado, não sendo incorporado ao valor
da pensão por morte.
O anexo I do Regulamento da Previdência Social relaciona as situações em
que o aposentado por invalidez terá direito à majoração de 25% na renda mensal
de seu benefício. São as seguintes:
l. Cegueira total.
2. Perda de nove dedos das mãos ou superior a esta.
3. Paralisia dos dois membros superiores ou inferiores.
4. Perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for
impossível.
5. Perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível.
6. Perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for
impossível.
7. Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgâ-
nica e social.
8. Doença que exija permanência contínua no leito.
9. Incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

A concessão do acréscimo de 25% depende do requerimento do segurado


aposentado por invalidez. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. ADICIO-


NAL DE 25%. INOVAÇÃO DA LEI N" 8.213/1991. NECESSIDADE DE
REQUERIMENTO. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
1. Nos termos do artigo 45 da Lei de Benefícios, o segurado
aposentado por invalidez que necessitar de assistência perma-
nente de outra pessoa, fará jus a um acréscimo de 25%. 2. Se
na época em que concedida a aposentadoria ao recorrente não
havia previsão legal de acréscimo, somente a partir do surgi-
mento da nova regra, mediante requerimento da parte inte-
ressada e comprovada a necessidade, nasce para o segurado o
direito ao complemento. 3. O advento da norma autorizativa,

216
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

por si, não impõe à Previdência o dever de revisar as aposenta-


dorias em manutenção, haja vista a exigência de que o benefi-
ciado necessite de assistência de outrem. Com efeito, a aferição
de tal circunstância depende, sem dúvida, da iniciativa do pró-
prio interessado. 4. Recurso especial irnproviclo_9 7

c) Salário de benefício
Para a aposentaê.oca por invalidez, o salário de benefício é a média arit-
mética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de
todo o período contributivo.
No cálculo do salário de benefício da aposentadoria por invalidez não se
aplica o fator previdenciário.
Para o segurado filiado à Previdência Social até 28/11/99, véspera da publi-
cação da Lei 9.876/99, só serão considerados para o cálculo do salário de benefício
os salários de contribuição referentes às competências de julho de 1994 em diante.
As competências anteriores a julho de 1994 são, assim, desprezadas para efeito do
cálculo do salário de benefício.

2.1.6 Data de irício da aposentadoria por invalidez

L Quando for precedida de auxílio-doença: dia imediato ao da cessação


do auxílio-doença.
IL Quando não for precedida de auxílio-doença:
a) Para o segurado empregado: a contar do 16° dia do afastamento
da atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se
entre o afaEtamento e a entrada do requerimento decorrerem mais
de 30 dias; e
b) Para os demais segurados: a contar da data do início da incapaci-
dade ou da data de entrada do requerimento, se entre essas datas
decorrerem mais de 30 dias.

Conforme jurisprudência do STJ, o termo inicial do benefício de aposen-


tadoria por invalidez, quando não houver sido precedido por auxílio-doença, e
na ausência de prévio requerimento administrativo, é a data da citação do INSS,

97 ST), REsp 1104004/RS, Rei. Mia. Jorge Mussi, 5·' T., DJc Ol/02/2010.

217 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

dado ser este o momento em que a autarquia previdenciaria toma efetivo conhe-
cimento da pretensão do beneficiário, autor da ação judicia!.9 8
Durante os primeiros 15 dias de afastamento da atividade por motivo de
invalidez, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o salário (Lei 8.213/91,
art. 43, §2°).

2.1 .7 Cessação do benefício

O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade terá


sua aposentadoria automaticamente cancelada, a partir da data do retorno (Lei
8.213/91, art. 46).
Mas se a recuperação da capacidade de trabalho co aposentado por invali-
dez for verificada mediante avaliação da perícia médica do INSS, o art. 47 da Lei
8.213/91 manda que seja observado o seguinte procedimento:

I. quando a recuperação for total e ocorrer dentro de cinco anos conta-


dos da data do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-
-doença que a antecedeu sem interrupção, o benefício cessará:
a) de imediato, para o segurado empregado que tiver direito a retornar
à função que desempenhava na empresa ao se aposentar, na forma
da legislação trabalhista, valendo como documento, para tal fim, o
certificado de capacidade fornecido pela Previdência Social; ou
b) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxí-
lio-doença e da aposentadoria por invalidez, para os demais
segurados; e
II. quando a recuperação for parcial ou ocorrer após cinco anos (contados
da mesma forma do item I), ou ainda quando o segurado for declarado
apto para o exercício de trabalho diverso de qual habitualmente exer-
cia, a aposentadoria será mantida, sem prejuízo da volta à atividade:
a) pelo seu valor integral, durante seis meses contados da data em
que for verificada a recuperação da capacidade;
b) com redução de 50%, no período seguinte de seis meses; e
c) com redução de 75%, também por igual período de seis meses, ao
término do qual cessará definitivamente.

98 STJ, AgRg no Ag 1090820 I SI', Rei. Min. Marco Aurélio Bellizze, s• Turma, Dje 25/10/2012.

Huqo Goes 218


Prestações do Regime Geral ae nev1ue11ua Ju'-•ao

Recuperada a capacidade laborativa, o segurado já pode retornar ao tra-


balho, mesmo nos casos em que ainda fique por certo período recebendo a apo-
sentadoria por invalidez. Assim, há casos em que é permitido o aposentado por
invalidez retornar ao trabalho, sem prejuízo do recebimento da aposentadoria (são
os casos previstos nos itens I, "b", e li, acima vistos). Trata-se das denominadas
mensalidades de recuperação, que procuram assegurar ao segurado um retorno
à atividade com certa tranquilidade.
Além das hipóteses previstas acima, a aposentadoria por invalidez também
cessará em razão da morte do segurado.

2.1.8 Situação trabalhista do empregado

De acordo com o art. 475 da CLT, "o empregado que for aposentado por
invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho durante o prazo fixado pelas
leis de previdência social para a efetivação do benefício".
Recuperando o empregado a capacidade de trabalho e sendo a aposenta-
doria cancelada, ser-lhe-á assegurado o direito à função que ocupava ao tempo
da aposentadoria, facultado, porém, ao empregador, o direito de indenizá-lo por
rescisão do contrato de trabalho (CLT, art. 475, §1°).
No campo do Direito do Trabalho há a seguinte discussão: se a aposenta-
doria por invalidez for cancelada após cinco anos, contados da data do início da
aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu sem interrup-
ção, o empregado terá direito a retornar ao emprego?
Nos termos do art. 475 da CLT, no caso de aposentadoria por invalidez,
o contrato de trabalho fica suspenso "durante o prazo fixado pelas leis de previ-
dência social para a efetivação do benefício". Todavia, a atual redação do art. 101
da Lei 8.213/91 não estabelece prazo para a efetivação da aposentadoria por inva-
lidez. Assim, se for verificada a recuperação da capacidade de trabalho, mesmo
após cinco anos, a aposentadoria por invalidez poderá ser cancelada. Portanto,
a efetivação da aposentadoria por invalidez nunca ocorrerá e, por conseguinte,
enquanto o benefício durar, não haverá o término do contrato de trabalho.
Todavia, há quem pense diferente. Arnaldo Süssekind entende que a Lei
8.213/91 estabeleceu o prazo máximo gerador da suspensão do contrato de tra-
balho em cinco anos. Para ele, a matéria em foco está explicitada no art. 47 da
precitada lei que faz a seguinte distinção: para o empregado que se reabilitar
antes de cinco anos, a aposentadoria cessa de imediato; já para o empregado que

219 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

se reabilitar depois do quinquênio, a lei assegura a manutenção da aposentadoria


por mais algum tempo (18 meses). Assim, na opinião deste jurista, "a empresa só
estará obrigada a readmitir o empregado quando a recuperação da capacidade de
trabalho verificar-se durante a suspensão do contrato de trabalho; isto é, na flu-
ência dos cinco anos em que esteve afastado dos serviços da empresa usufruindo
o benefício previdenciário"Y 9
A jurisprudência também não é pacífica a respeito desta discussão, como
podemos observar nas súmulas abaixo transcritas:

Súmula 160 do TST: Cancelada a aposentadoria por inva-


lidez, mesmo após cinco anos, o trabalhador terá direito
de retornar ao emprego, facultado, porém, ao empregador,
indenizá-lo na forma da lei.
Súmula 217 elo STF: Tem direito de retornar ao emprego
ou ser indenizado em caso ele recusa do empregador, o
empregado que recupera a capacidade ele trabalho dentro
de cinco anos, a contar da aposentadoria, que se torna defi-
nitiva após esse prazo.

Incapacidade permanente e total para o trabalho e insuscetível de


Fato gerador reabilitação para o exercício de·. atividade que lhe garanta a sub-
sistência.
Beneficiários Todos os segurados.
Em regra, 12 contribuições mensais. Todavia, quando a invalidez
for decorrente de acidente, doença profissiomd ou do trabalho ou
Carência
de alguma doença especificada em lista elaborada pelos Mhlisté-
rios da Saúde e da Previdência-Social, não será exigida a carência.
I. Não precédida de auxílio~ doença - 100% do SB;
li. Precedida de auxílio-doença - 100% do SB que serviu de base
para o cálculo da renda mensal inicial do auxílio-doença, reajus-
Renda mensal
tado pelos mesmos índices de correção dos benefícios em geral;
inicial
Será acrescida de 25%, se o segurado necessitar da assistência per-
manente de outra pessoa. Nesse caso, poderá ultrapassar o limite
máximo do salário de contribuição.

99 SUSSEKIND, Arnaldo. Op. cit. p. 294.

Hugo Goes 220


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

I. Precedida de auxílio-doença - dia imediato ao da cessação do


auxílio -doença.
II. Não precedida de auxílio-doença:
a) para o segurado empregado: a contar do 16° dia do afasta-
Data do início mento da atividade ou a partir da data da entrada do requeri-
do benefício mento, se entre o afastamento e a entrada do requerimento
decorrerem mais de 30 dias; e
b) para os demais segurados: a contar da data do início da incapa-
cidade ou da data da entrada do requerimento, se entre essas datas
decorrerem mais de 30 dias.
Retorno voluntário à atividade;
Cessação do
Recuperação da capacidade laborativa; e
benefício
Morte do segurado.

2.2 Aposentadoria por idade

A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência


exigida, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta),
se mulher (Lei 8.213/91, art. 48).
Os limites de idade são reduzidos para 60 (sessenta) e 55 (cinquenta e cinco)
anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres, refe-
ridos na alínea "a" do inciso I, na alínea "g" do inciso V e nos incisos VI e VII do
art. 11 da Lei 8.213/91, bem como para os garimpeiros que trabalhem, compro-
vadamente, em regime de economia familiar.
Assim, os limites de idade são reduzidos em cinco anos qtiando se trata
dos seguintes trabalhadores:
a) Empregado rural (Lei 8.213/91, art. ll, I, "a");
b) Trabalhador que presta serviço de natureza rural, em caráter eventual,
a uma ou mais empresas, sem relaçüo de emprego (Lei 8.213/91, art. 11,
v, "g");
c) Trabalhador avulso rural (Lei 8.213, art. li, VI);
d) Segurado especial (Lei 8.213/91, art. ll, VII); e
e) Garimpeiro que trabalhe, comprovadamente, em regime de economia
familiar (CF, art. 201, §7°, II).

Atente-se para o fato de que o garimpeiro não é segurado especial, mas


contribuinte individual. Todavia, o garimpeiro beneficia-se da redução de cinco

221 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

anos da idade exigida para a aposentadoria por idade, desde que trabalhe em
regime de economia familiar.
Para beneficiar-se da redução de cinco anos na aposentadoria por idade,
o trabalhador rural deve comprovar o efetivo exercício de atividade rural, ainda
que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento
do benefício ou, conforme o caso, ao mês em que cumpriu o requisito etário, por
tempo igual ao número de meses de contribuição correspondente à carência do
benefício pretendido (RPS, art. 51, §1").
Segundo entendimento do STJ, não se deve exigir do segurado rural que
continue a trabalhar na lavoura até as vésperas do dia do requerimento do bene-
fício de aposentadoria por idade, quando ele já houver completado a idade neces-
sária e comprovado o tempo de atividade rural em número de meses idêntico ú
carência do benefício. 100
Caso o trabalhador rural não alcance o tempo mínimo de atividade rural
para fins de aposentadoria, poderá somar este tempo a outros em quaisquer ati-
vidades para fins de aposentadoria por idade pela regra geral. Nesse caso, fará )11s
ao benefício ao completar 65 anos de idade, se homem, e 60 anos, se mulher (Lei
8.213/91, art. 48, §3<>). O cálculo da renda mensal do benefício será apurado com
base no salário de benefício, considerando-se como salário de contribuição mensal
do período como segurado especial o limite mínimo de salário de contribuição
da Previdência Social (Lei 8.213/91, art. 48, §4°).
Ao interpretar os §§3<> e 4° do art. 48 da Lei 8.213/91, incluídos pela Lei
11.718/2008, o STJ tem entendido que, se o trabalhador rural, ao atingir a idade
prevista para a concessão da aposentadoria por idade rural (60 anos, se homem,
e 55 anos, se mulher), ainda não tenha alcançado o tempo mínimo de atividade
rural exigido na tabela de transição prevista no art. 142 da Lei 8.213/1991, poderá,
quando completar 65 anos, se homem, e 60 anos, se mulher, somar, para efeito de
carência, o tempo de atividade rural aos períodos de contribuição sob outras cate-
gorias de segurado, para fins de concessão de aposentadoria por idade "híbrida",
ainda que inexistam contribuições previdenciárias no período em que exerceu
suas atividades como trabalhador rural. A modalidade "híbrida" foi introduzida
pela Lei 11.718/2008 para permitir uma adequação da norma para as categorias
de trabalhadores urbanos e rurais, possibilitando ao segurado especial a soma
do tempo de atividade rural sem contribuições previdenciárias ao tempo de con-
tribuição em outra classificação de segurado, com a finalidade de implementar

100 STJ, AgRg no REsp 1302112 I SI', Rei. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 1' Turma, DJe 29/06/2012.

Hugo Goes 222


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

o tempo necessário de carência. Com isso, o legislador permitiu ao rurícola o


cômputo de tempo rural como período contributivo, para efeito de cálculo e
recebimento da aposentadoria por idade. Assim, sob o enfoque da atuária, não
se mostra razoável exigir do segurado especial contribuição para obtenção da
aposentadoria por idade híbrida, relativamente ao tempo rural. Por isso, não se
deve inviabilizar a contagem do trabalho rural como período de carência. Nesse
sentido, confira o seguinte julgado:

PROCESSUAL CI\'IL E PREVIDENCIARIO. RECURSO ESPECIAL.


APOSENTADORIA POR IDADE HÍBRIDA. VIOLAÇ,\0 DO ARTIGO
535 DO CPC. N,\o CARACTERIZAÇAO. jULGAMENTO EXTRA
PET!TA. NÃO OCORR!~NCIA. ARTIGO 48, §§ 3° E 4" DA LEI
8.213/1991, CoM:\ REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.718/2oo8. ÜBSER-
VÂNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

l. A Lei 11.718/2008 introduziu no sistema previdenciá-


rio brasileiro uma nova modalidade de aposentadoria por
idade denominada aposentadoria por idade híbrida.
2. Neste caso, permite-se ao segurado mesclar o período
urbano ao período rural e vice-versa, para implementar a
carência mínima necessária e obter o benefício etário híbrido.
3. Não atendendo o segurado rural à regra básica para apo-
sentadoria rural por idade com comprovação de atividade
rural, segundo a regra de transição prevista no artigo 142 da
Lei 8.213/1991, o§ 3° do artigo 48 da Lei 8.213/1991, intro-
duzido pela Lei 11.718/2008, permite que aos 65 anos, se
homem e 60 anos, mulher, o segurado preencha o período
de carência faltante com períodos de contribuição de outra
qualidade de segurado, calculando-se o benefício de acordo
com o § 4° do artigo 48.
4. Considerando que a intenção do legislador foi a de per-
mitir aos trabalhadores rurais, que se enquadrem nas cate-
gorias de segurado empregado, contribuinte individual,
trabalhador avulso e segurado especial, o aproveitamento
do tempo rural mesclado ao tempo urbano, preenchendo
inclusive carência, o direito à aposentadoria por idade
híbrida deve ser reconhecido.
5. Recurso especial conhecido e não provido. 101

IOI STJ, REsp 1367479/ RS, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, 2• turma, Dje 10/09/2014.

223 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

De acordo com o art. 143 da Lei 8.213/91, o trabalhador rural (enquadrado


como empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual ou segurado espe-
cial) pode requerer aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo,
durante quinze anos, contados a partir da data de vigência desta Lei (25/07/1991),
desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que descontínua, no
período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de
meses idêntico à carência do referido benefício. Assim, durante este período, a
concessão da aposentadoria por idade para estes trabalhadores rurais independe da
comprovação de qualquer recolhimento de contribuição previdenciária. O período
de quinze anos chegou ao seu término no dia 25 de julho de 2006. Todavia, para
o trabalhador rural empregado, o art. 2" da Lei 11.718/2008 prorrogou este prazo
até 31 de dezembro de 2010. Esta prorrogação também se aplica ao trabalhador
rural enquadrado na categoria de segurado contribuinte individual que presta
serviços de natureza rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem
relação de emprego (Lei 11.718/2008, art. 2", parágrafo único).

2.2.1 Perda da qualidade de segurado

A perda da qualidade de segurado não será considerada para a concessão da


aposentadoria por idade, desde que o segurado conte com, no mínimo, o número
de contribuições mensais exigido para efeito de carência na data do requerimento
do benefício (Lei 10.666/2003, art. 3°, §1 °).

Exemplo 1:
Maria trabalhava como empregada da empresa BetaS,A, desde Ol/03/1980.
Em 01/03/1995, foi demitida e, a partir da.data.d.ademissão,rtãoexer-çeu
mais nenhuma atividade remunerada neni:contdbuiu como segurada
facultativa para a Previdência Social. Eni 2011, Mària:éorrtpletóu 60 a:nos
de idade. Nessa situação, ela terá direito à aposentadori;:tpor idad~, mesmo
tendo perdido a qualidade de segurada, pois conta corri 180 contribuições
mensais (período de 01(03/80 a 01/03/95).
Exemplo 2:
Joaquim b:Xerceu a:üvida:de remunerada e co11friou1para li Previdência dos
16 aos 3l'anos de idade. Assim, quando co&pletar 65 arios deidade, ele
terá direito à aposentadoria por idade, mesmo que, a partir dos 31 anos
de idade, nunca mais exerça atividade remunerada:.

HugoGoes 224
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

2.2.2 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela retoma

O aposentado por idade pode continuar exercendo atividade remunerada.


O STF já decidiu que a aposentadoria voluntária não extingue o vínculo de empre-
go.102 O retorno à atividade não prejudica o recebimento de sua aposentadoria,
que será mantida no seu valor integral. Retornando à atividade, o aposentado será
obrigado a contribuir para a previdência. A contribuição incidirá sobre a remu-
neração que ele receber em decorrência do seu trabalho, e não sobre os proventos
da aposentadoria.
De acordo com o disposto no §2° do art. 18 da Lei 8.213/91, "o aposentado
pelo RGPS que permanecer em atividade sujeita a este Regime, ou a ele retornar,
não fará jus à prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercí-
cio dessa atividade, exceto ao salário-família e à reabilitação profissional, quando
empregado". Em contradição com a Lei 8.213/91, o art. 103 do Regulamento da
Previdência Social (Decreto 3.048/99) garante à segurada aposentada que retornar
à atividade o direito ao salário-maternidade. No entanto, este dispositivo do
Regulamento está em consonância com o inciso XVIII do art. 7° da Constituição
Federal, que assegura para as trabalhadoras a licença à gestante, sem prejuízo do
emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias. A aposentada que retoma
à atividade é uma trabalhadora. Se durante a licença-maternidade ela não tivesse
direito ao recebimento do salário-maternidade, haveria o prejuízo do salário, que
é expressamente vedado pelo inciso XVIII do art. 7" da Constituição Federal.

2.2.3 Aposentadoria compulsória

A aposentadoria por idade pode ser requerida pela empresa, desde que o
segurado tenha cumprido a carência, quando este completar 70 anos de idade,
se do sexo masculino, ou 65, se do sexo feminino. Nesse caso, aposentadoria por
idade será compulsória, sendo garantida ao empregado a indenização prevista na
legislação trabalhista, considerada como data da rescisão do contrato de trabalho
a imediatamente anterior à do início da aposentadoria.
Na situação aqui descrita, a aposentadoria é compulsória sob o ponto de
vista do segurado. A empresa pode requerer, mas não é obrigada a requerer a apo-
sentadoria do segurado com 70 anos de idade (homem) ou 65 (mulher). Assim,
do ponto de vista da empresa, a aposentadoria não é compulsória.

102 STF, AD!n 1721/DF, Rei. Min. Carlos Britto, DJ 29/06/2007. p. i"'.

225 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.2.4 Beneficiários

Todos os segurados têm direito à aposentadoria por idade.

2.2.5 Carência

Em regra, a carência exigida para a concessão da aposentadoria por idade


é de 180 contribuições mensais (Lei 8.213/91, art. 25, li). Todavia, para os segu-
rados inscritos na Previdência Social Urbana até 24/07/91, bem como para os
trabalhadores e empregadores rurais antes amparados pela Previdência Social
Rural, observa-se a regra de transição prevista no art. 142 da Lei 8.213/91.
Para o segurado especial, considera-se período de carência o tempo mínimo
de efetivo exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, igual ao
número de meses necessário à concessão do benefício requerido. Assim, para
o segurado especial, a carência não será contada em número de contribuições
mensais, mas em número de meses de efetivo exercício de atividade rural. Portanto,
para ter direito à aposentadoria por idade, além de ter a idade mínima exigida, o
segurado especial também deve comprovar o exercício de atividade rural, ainda
que de forma descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento
do benefício, igual ao número de meses correspondentes à carência do benefício
requerido (Lei 8.213/91, art. 39, I). Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RCRAL POR IDADE.


REQUISITOS: IDADE ECOMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA
NO PERÍODO IMEDIATAMENTE ANTERIOR AO REQUERIMENTO.
ARTS. 26, I, 39, I, E 143, TODOS DA LEI N" 8.213/1991. DISSO-
CIAÇÃO PREVISTA NO § 1° DO ART. 3° DA LEI N° 10.666/2003
DIRIGIDA AOS TRABALHADORES URBANOS. PRECEDENTE DA
TERCEIRA SEÇÃO. I. A Lei no 8.213/1991, ao regulamentar o
disposto no inc. I do art. 202 da redação original de nossa
Carta Política, assegurou ao trabalhador rural denominado
segurado especial o direito à aposentadoria quando atin-
gida a idade de 60 anos, se homem, e 55 anos, se mulher (art.
48, § 1°). 2. Os rurícolas em atividade por ocasião da Lei de
Benefícios, em 24 de julho de 1991, foram dispensados do
recolhimento das contribuições relativas ao exercício do
trabalho no campo, substituindo a carência pela compro-
vação do efetivo desempenho do labor agrícola (arts. 26, I
e 39, I). 3. Se ao alcançar a faixa etária exigida no art. 48,

Hugo Goes 226


Prestaçôes do Regime Geral de Previdência Social

§ 1", da Lei n" 8.213/91, o segurado especial deixar de exer-


cer atividade como rurícola sem ter atendido a regra de
carência, não fará jus à aposentação rural pelo descumpri-
mento de um dos dois únicos critérios legalmente previstos
para a aquisição do direito. 4. Caso os trabalhadores rurais
não atendam à carência na forma especificada pelo art.
143, mas satisfaçam essa condição mediante o cômputo de
períodos de contribuição em outras categorias, farão jus ao
benefício ao completarem 65 anos de idade, se homem, e 60
anos, se mulher, conforme preceitua o§ 3" do art. 48 da Lei
de Benefícios, incluído pela Lei n" 11.718, de 2008. 5. Não
se mostra possível conjugar de modo favorável ao trabalha-
dor rural a norma do§ 1" do art. 3" da Lei n" 10.666/2003,
que permitiu a dissociação da comprovação dos requisitos
para os benefícios que especificou: aposentadoria por con-
tribuição, especial e por idade urbana, os quais pressupõem
contribuição. 6. Incidente de uniformização desprovido. 103

2.2.6 Renda mensal inicial

A renda mensal inicial da aposentadoria por idade corresponde a 70% do


salário de benefício, acrescido de 1% deste para cada grupo de 12 contribuições
mensais, até o máximo de 100% do salário de benefício.

Exemplo:
João começou a contribuir para a previdência, como segurado facultativo,
na data em que completou 45 anos de idade. Quando completou 65 anos
de idade, João requereu a aposentadoria por idade. Foram computadas
240 contribuições mensais recolhidas pelo segurado. Nesse caso, a renda
mensal do benefício será de 90% do salário de benefício (70% + 20%), pois
João contribuiu durante 20 anos.

Para o cálculo do salário de benefício da aposentadoria por idade, a aplicação


do fator previdenciário é facultativa. Na verdade, o INSS fica obrigado a fazer dois
cálculos: o primeiro, aplicando o fator previdenciário; o segundo, sem aplicar o
fator previdenciário. Será concedido ao segurado aquele que lhe for mais vantajoso.

103 STJ, Pet 7476/PR, Rel.lvlin. Napoleão Nunes Maia Filho, Djc 25/04/2011.

227 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Para o segurado especial que não contribui facultativamente, a renda mensal


da aposentadoria por idade é de um salário mínimo. Mas quando precedida de
auxílio-acidente, a aposentadoria por idade do segurado especial que não contribui
facultativamente corresponde a um salário mínimo somado ao valor do auxílio-
-acidente vigente na data de início da referida aposentadoria (RPS, art. 36, §6°).
Caso o segurado especial tenha optado por contribuir, facultativamente,
com 20% sobre o salário de contribuição, a renda mensal da aposentadoria por
idade será calculada de forma igual à aplicada para os demais segurados.

2.2.7 Data de início do benefício

A aposentadoria por idade será devida:


I. Para os segurados empregado e empregado doméstico:
a) A partir da data do desligamento do emprego, quando requerido
no prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
b) A partir da data do requerimento, quando não houver desligamento
do emprego ou quando for requerida depois de 90 dias, contados
da data do desligamento.
I I. para os demais segurados, a partir da data da entrada do requerimento.

Como se pode ver, para requerer aposentadoria por idade, o segurado não
precisa desligar-se do emprego.
É bastante comum o segurado ingressar com ação no Judiciário, com pedido
de benefício previdenciário, sem que antes tenha havido o prévio requerimento
administrativo. O STJ tem entendido que o termo inicial dos benefícios previden-
ciários, quando ausente prévia postulação administrativa, é a data da citação do
INSS, dado ser este o momento em que a autarquia previdenciária toma efetivo
conhecimento da pretensão do beneficiário, autor da ação judicial.104 Esse enten-
dimento também deve ser aplicado à aposentadoria por idade.

2.2.8 Cessação do benefício

As aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial concedidas


pelo RGPS são irreversíveis e irrenunciáveis (RPS, art. 181-B). No entanto, o segurado

104 STJ, AgRg no REsp 698757 I SP, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, 6• Turma, DJe 01/08/20!2.

228
Prestações do Regime Geral de Prevídéncía Social

pode desistir do seu pedido de aposentadoria desde que manifeste esta intenção e
requeira o arquivamento definitivo do pedido antes da ocorrência do primeiro de
um dos seguintes atos: (I) - recebimento do primeiro pagamento do benefício; ou
(II)- saque do respectivo FGTS ou PIS (RPS, art. 181-B, parágrafó único).
Assim, a aposentadoria por idade tem caráter definitivo, somente cessando
com a morte do segurado. Contudo, o STJ tem admitido a renúncia à aposen-
tadoria sob regime geral para efeito de aproveitamento elo respectivo tempo de
contribuição em Regime Próprio de Previdência Social. Nesse sentido, confira o
seguinte julgado do STJ

PIU?.VIDENCI.<Í.RIO. MUDANÇA DE REGIME PRF.VIDFNCii,-


RIO. RENÚNCIA ,\ APOSENTADORIA ANTERIOR COM O
APROVEITA.'>!ENTO DO RESPECTIVO TEMPO DE CONTRIBUI-
ÇAO. POSSIBILIDADE. DIREITO DISPONÍVEL. DEVOLUÇÃO
DOS VALOR:lS PAGOS. NÃO OBRIGATORIEDADE. RECURSO
IMPROVIDO. l. Tratando-se de direito disponível, cabível a
renúncia à aposentadoria sob regime geral para ingresso em
outro estatt:tário. 2. "O ato de renunciar a aposentadoria
tem efeito ex nunc e não gera o dever de devolver valores,
pois, enquanto perdurou a aposentadoria pelo regime geral,
os pagamentos, de natureza alimentar, eram indiscutivel-
mente deviC.os" (REsp 692.628/DF, Rei. Min. Nilson Naves,
DJ de 5/9/05). 3. Recurso especial improvido. 105

O STJ também tem admitido a renúncia à aposentadoria por idade, na


qualidade ele rurícola, para efeito de recebimento de aposentadoria por idade mais
vantajosa, ele natureza urbana. Nesse sentido:

PREV!DENC:ÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RENÚNCIA A BENE-


FÍCIO PREVIDENCIÁRIO. POSSIBILIDADE. DIREITO PATRI-
MONIAL DISPONÍVEL. ABDICAÇÃO DE APOSENTADORIA POR
IDADE RURAL PARA CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR
IDADE URBANA. 1. Tratando-se de direito patrimonial dis-
ponível, é cabível a renúncia aos benefícios previdenciários.
Precedentes. 2. Faz jus o Autor à renúncia da aposentado-
ria que atu:::.lmente percebe - aposentadoria por idade, na
qualidade de rurícola - para o recebimento de outra mais

105 STJ, REsp 663336/MG, Rei. Min. Arnaldo Esteves Lima, 5' T, DI 07/02/200H, p. I.

229 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

vantajosa aposentadoria por idade, de natureza urbana. 3.


Recurso especial conhecido c provido. 106

Segundo o entendimento do STJ, a renúncia à aposentadoria, para fins de


aproveitamento do tempo de contribuição e concessáo de novo benefício, seja
no mesmo regime ou em regime diverso, não importa em devolução dos valores
percebidos, pois enquanto perdurou a aposentadoria pelo regime geral, os paga-
mentos, de natureza alimentar, eram indiscutivelmente devidos. 107

;;.~z}+[i{~;f:\,é·f;;~;:<;~ .{,;;.,, ·' r Q~à"drti·i'~~l.ln1:6·i.: Apéiserttadorlí,t)?Ôt'i&í:d~r;{·' '


Idade de 65 anos, se homem, ou 60, se mulher.
A idade será reduzida para 60 anos, se homem, ou 55, se mulher, para
Fato gerador
o trabalhador rural, para o segurado especial e para o garimpeiro que
trabalha em regime de economia familiar ~CF, art. 201, §7°, II).
Beneficiários Todos os segurados.
Em regra, 180 contribuições mensais. Para os segurados inscritos até
Carência
24/07/91, observa-se a regra de transição prev~sta no art. 142 da Lei 8.213/91.
Renda 70% do SB + 1% do SB para cada grupo de 12 contribuições mensais,
mensal não podendo superar 100% do SB.
L Para os segurados empregado e empregado doméstico:
a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerido no
prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
Início do
b) a partir da data do requerimento, quando não houver desligamento
benefício
do emprego ou quando for requerida depois de 90 dias, contados da
data do desligamento.
li. Para os demais segurados, a partir da data de entrada do requerimento.
Cessação do
Somente com a morte do segurado.
beneficio

2.3 Aposentadoria por tempo de contribuição

A aposentadoria por tempo de contribuição, uma vez cumprida a carên-


cia exigida, será devida ao segurado que completar 35 anos de contribuição, se
homem, e 30 anos de contribuição, se mulher (CF, art. 201, §7°, I).
No RGPS, não há exigência de idade mínima para a concessão de aposenta-
doria por tempo de contribuição. Embora a idade mínima (de 60 anos para homem
e 55 para mulher) constasse do projeto original da Emenda Constitucional20/98,

106 STJ, REsp 310884/RS, Rei. Min. Laurita Vaz, S• T, D) 26/09/2005, p. 433.
107 STJ, REsp 1113682/SC, Rei. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, s• T., D)e 26/04/2010.

Hugo Goes 230


r-I t:')lel)-Vt:') UV 1\t'~llllt:: \..Jt:'IOI Ut' r lt'VIUt:::'ll\..10 ...)V\..101

a proposta foi rejeitada pelo Congresso Nacional. A exigência cumulativa de idade


e tempo de contribuição só existe nos regimes próprios de Previdência Social. No
RGPS, aposentadoria por tempo de contribuição e aposentadoria por idade são
benefícios distintos, cada um com seus respectivos requisitos.

2.3.1 Aposentadoria do professor

Para o professor que comprove, exclusivamente, tempo de efetivo exercí-


cio em função de magistério na educação infantil, no ensino fundamental ou no
ensino médio, o requisito da aposentadoria por tempo de contribuição será de
30 anos de contribuição para o homem e de 25 para a mulher (CF, art. 201, §8°).
Para efeito da redução de cinco anos na aposentadoria por tempo de con-
tribuição, considera-se função de magistério a exercida por professor, quando
exercida em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modali-
dades, incluídas, além do exercício da docência, as funções de direção de unidade
escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico (RPS, art. 56, §2°).
No julgamento da ADin 3772, o STF entendeu que as atividades de exercício
de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico
também terão o tempo de contribuição reduzido em cinco anos, desde que exer-
cidas por professores. 108
Considera-se, também, como tempo de serviço para concessão de aposenta-
doria de professor: (I) -o de serviço público federal, estadual, do Distrito Federal
ou municipal; (li) - o de benefício por incapacidade, recebido entre períodos de
atividade; (III)- o de benefício por incapacidade decorrente de acidente do tra-
balho, intercalado ou não.
A redução de cinco anos no tempo de contribuição é concedida somente aos
professores que exerçam o magistério na educação infantil, no ensino fundamental
ou no ensino médio. Assim, o professor universitário não tem direito a aposentar-se
com o tempo de contribuição reduzido. A aposentadoria por tempo de contribuição
dos professores universitários obedece à regra aplicada aos demais segurados do
RGPS (35 anos de contribuição para os homens e 30 para as mulheres).
A comprovação da condição de professor far-se-á mediante a apresentação:
(I) -do respectivo diploma registrado nos órgãos competentes federais e estaduais,
ou de qualquer outro documento que comprove a habilitação para o exercício do

108 STF, ADI 3772/DF, Rei. Orig. Min. Carlos Britto, Rei. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, data do
julgamento 29/10/2008.

231 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

magistério, na forma de lei específica; e (II)- dos registros em Carteira Proflssio-


nal e/ou Carteira de Trabalho e Previdência Social complementados, quando for o
caso, por declaração elo estabelecimento de ensino onde foi exercida a atividade,
sempre que necessária essa informação, para efeito e caracterização do efetivo
exercício da função de magistério.
í: vedada a conversão de tempo de serviço de magistério, exercido em qual-
quer época, em tempo de serviço comum.

Exemplo:
Rosana trabalhou durante 20 anos como professora de uma escola de
ensino fundamental. Posteriormente, Rosana deixou de ser professora e
passou a ser empregada do Banco Alfa, onde trabalhou por um período de
4 anos e, em seguida, foi demitida. Hoje, por estar desempregada, Rosa na
inscreveu-se como segurada facultativa, mas ainda não recolheu nenhuma
contribuição. Nessa situação, para aposentar-se por tempo de contribuição,
Rosa na terá de contribuir, ainda, por mais 6 anos, completando, assim, 30
anos ele contribuição. Os 20 anos de contribuição, efetuados na condição
de professora, serão contados sem nenhum acréscimo.

É firme o entendimento do STF no sentido de que, para efeito de aposentadoria,


não é possível a conversão do tempo de magistério em tempo de exercício comum.109

2.3.2 Beneficiários

Em regra, todos os segurados do RGPS têm direito à aposentadoria por


tempo de contribuição. Todavia, é necessário que duas ressalvas sejam feitas:
l) O segurado especial só tem direito a este benefício se contribuir, facul-
tativamente, com a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição.
2) O segurado contribuinte individual, que trabalhe por conta própria,
sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, o microem-
prcendedor individual c o segurado facultativo que contribuam com
a alíquota de 11% ou 5% sobre um salário mínimo, não farão jus à
aposentadoria por tempo de contribuição (Lei 8.213/91, art. 18, §3°).

109 STF, ARE 703S51 AgR I RS, Rei. M in. Dias Toffoli, I' Turma, DJe-239, Divulg 05/12/2012, Public 06/12/2012.

Hugo Goes 232


f':' ções do Regime Geral de Previdência Social

2.3.3 Cat"é

Em regra, a' , '· ·,ia exigida p<;ra ,, , oncessão da aposentadoria por tempo
de contribuição é' l.' i: nmtribuiçôcs nc nsais. Todavia, para os segurados ins-
critos na Previdênc í~1 Social Urbana até 2,1 /U7/9l, bem como para os trabalhadores
e empregadores rurais antes amparados pda Previdência Social Rural, observa-se
a regra de transição pre\·ista no art. 142 da Lei 8.213/91.
De acordo com o art. 3" da Lei 10.666/2003, a perda da qualidade de segurado
não será considerada para a concessão da aposentadoria por tempo de contribuiçào.
Assim, perdendo a qualidade de segurado e, posteriormente, readquirindo essa qua-
lidade, o segurado poderá aproveitar, para efeito da carência da aposentadoria por
tempo de contribuiçào, todas as suas contribuições anteriores, sem a exigência de
ter que recolher um número de contribui~~iíes equivalente a um terço dessa carência.
Por exemplo: Joaquim, após 32 anos de serviço, foi demitido da empresa
Delta S.A. Há 4 anos que Joaquim está desempregado. Assim, ele já perdeu a qua-
lidade de segurado. Hoje, Joaquim decidiu inscrever-se no RGPS como segurado
facultativo. Nessa situaçào, para ter direito à aposentadoria por tempo de contri-
buição, basta que Joaquim contribua por mais 3 anos. Os 32 anos de contribuição,
anteriores à perda da qualidade de segurado, serão considerados para fins de
carência e de tempo de contribuição.
Antes da vigência da Lei 10.666/2003, de acordo com o exemplo acima
citado, para que Joaquim aproveitasse, para efeito da carência, os 32 anos de
contribuição anteriorc~ :\ perda da qualidade de segurado, teria que, após a nova
filiaçào, recolher 60 contribuições mensais (5 anos de contribuição), o equivalente
a um terço da carência exigida para a apo~cntadoria por tempo de contribuição.
É possível o segurado efetuar 180 contribuições mensais no período de
15 anos. Assim, a exigência de uma carência de 180 contribuições mensais seria,
aparentemente, contraditória, pois o tempo de contribuição exigido é de 35 anos
de contribuição para o homem e 30 anos ck contribuição para a mulher. Mas não
há contradiçào, pois nem tudo que é considerado como tempo de contribuiçào
pode ser aproveitado para efeito de carênc:·
Por exemplo: Rosana, após exercer a medicina por um período de 20
anos, comprovou perante o INSS o exercício autônomo da atividade de médica,
inscreveu-se no RGPS como contribuinte individual e recolheu todas as suas
contribuições em atraso. Nesse caso, Rosana contará com 20 anos de tempo de
contribuição, mas para efeito de carência nenhuma contribuição será contada.
Isso ocorre porque para o contribuinte individual, o período de carência é contado

233 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

da data do efetivo recolhimento da primeira contribuição sem atraso, não sendo


consideradas para esse fim as contribuições recolhidas com atraso referentes a
competências anteriores.
No exemplo acima citado, todas as contribuições recolhidas por Rosana
estavam em atraso. Quando Rosana recolher sua primeira contribuição sem atraso,
a partir dessa data começa a contar o seu período de carência.

2.3.4 Renda mensal iniCial

O valor da renda mensal inicial da aposentadoria por tempo de contribuição


é de 100% do salário de benefício.
Para a aposentadoria por tempo de contribuição, o salário de benefício é a
média aritmética simples dos maiores salários ele contribuição correspondentes
a 80% de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator previdenciário.
Para o segurado filiado à Previdência Social até 28/11/99, véspera da publi-
cação da Lei 9.876/99, só serão considerados para o cálculo do salário de benefício
os salários de contribuição referentes às competências de julho de 1994 em diante.
As competências anteriores a julho de 1994 são, assim, desprezadas para efeito do
cálculo do salário de benefício.
O segurado que preencher o requisito para a aposentadoria por tempo
de contribuição poderá optar pela não incidência do fator previdenciário, no
cálculo de sua aposentadoria, quando o total resultante da soma de sua idade e
de seu tempo de contribuição, incluídas as frações, na data de requerimento da
aposentadoria, for:

pata do requeritnento .da Idade +tempo de . Te1~po mfnimo de


aposent~doria por
tempo .. contribuiçã~ contribuição
de contribuição· Homeni Mulher Homem Mulher
Até 30/12/2018 95 85
De 3lll2/2018 a 30/12/2020 96 86
De 3l/12/2020 a 30/12/2022 97 87
35 30
De 31/12/2022 a 30/12/2024 98 88
De 31/12/2024 a 30/12/2026 99 89
A partir de 31/12/2026 100 90

HugoGoes 234
Prestações do Hegirne Geral de Previdência Social

Para efeito de enquadramento na tabel.a, o tempo mínimo de contribuição


do professor e da professora que comprovarem exclusivamente tempo de efetivo
exercício de magistério na educação int~mtil e no ensino fundamental e médio
será de, respectivamente, 30 e 25 anos, e serão acrescidos cinco pontos à soma da
idade com o tempo de contribuição (Lei 8.213/91, art. 29-C, § 3°).

Exemplo:
Em dezembro de 2015, Asdrúbal completou 60 anos de idade e 30 anos
de contribuição como professor do ensino médio. Nesse caso, para fins de
enquadramento na tabela, Asdrúbal tem 95 pontos (60 + 30 + 5). Assim, em
dezembro de 2015, ele já pode optar pela não incidência do fator previden-
ciário no cálculo de sua aposentadoria por tempo de contribuição.

Ao segurado que alcançar o requisito necessário ao exercício da opção pela


não incidência do fator previdenciário e deixar de requerer a aposentadoria por
tempo de contribuição, será assegurado o direito à opção com a aplicação da pon-
tuação exigida na data do cumprimento do requisito (Lei 8.213/91, art. 29-C, § 4°).

2.3.5 Aposentadoria proporcional

A aposentadoria proporcional foi extinta pela Emenda Constitucional


20/98. No entanto, em virtude das regras de transição da EC 20, os segurados
filiados ao RGPS até 16/12/98 (somente estes) ainda têm direito à aposentadoria
com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
De acordo com o §1° do art. 9° da Emenda Constitucional20/98, o segu-
rado que se tenha filiado ao RGPS até 16/12/98 (data da publicação da EC 20) pode
aposentar-se com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, quando
atendidas as seguintes condiçôes:
I. contar com 53 anos de idade, se homem, e 48 anos de idade, se mulher;
li. contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma de:
a) 30 anos, se homem, e 25 anos, se mulher; e
b) um período adicional de contribuição equivalente a 40% do
tempo que, em 16/12/98 (data da publicação da EC 20), faltaria
para atingir o limite de tempo constante da alínea anterior. Esse
período adicional é conhecido como pedágio.

235 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

A renda mensal da aposentadoria proporcional será equivalente a 70% do


salário de benefício, acrescido de 5% por ano de contribuição que supere a soma
dos tempos de contribuição previstos no item li, até o limite de 100°1<>.
Como se observa, a aposentadoria proporcional é concedida aos segurados
filiados ao RGPS até 16/12/98 que cumpram três requisitos:
1) Idade mínima: 53 anos, se homem, 48 anos, se mulher.
2) Tempo de Contribuição mínimo: 30 anos de contribuição, se homem,
25 anos de contribuição, se mulher.
3) Pedágio: um período de contribuição adicional equivalente a 40% do
tempo que, em 16/12/98, faltava para atingir o limite de 30 anos de
contribuição, se homem, e 25 anos de contribuição, se mulher.

Por exemplo: em 16/12/98, Maria Marta, empregada de um supermercado,


contava com 20 anos de contribuição e 41 anos de idade. Isso significa que, em
16/12/98, faltavam 5 anos para Maria Marta atingir 25 anos de contribuição.
Portanto, para ter direito à aposentadoria proporcional, Maria Marta terá de
cumprir um pedágio de 2 anos (40% de 5 anos). Nesse caso, no dia 16/12/2005,
Maria Marta terá direito à aposentadoria proporcional, pois nessa data contará
com 48 anos de idade, 27 anos de contribuição e terá cumprido o pedágio. O valor
da aposentadoria proporcional será de 70% do salário de benefício. No entanto,
se Maria Marta decidir trabalhar mais um ano, deixando para se aposentar em
16/12/2006, a renda mensal da aposentadoria será de 75% do salário de benefício.

2.3.6 Direito adquirido

De acordo com o art. 3° da Emenda Constitucional20, "é assegurada a con-


cessão de aposentadoria e pensão, a qualquer tempo, aos servidores públicos e aos
segurados do regime geral de previdência social, bem como aos seus dependentes,
que, até a data da publicação desta Emenda (16/12/98), tenham cumprido os requisitos
para a obtenção destes benefícios, com base nos critérios da legislação então vigente".
É importante, portanto, que conheçamos os requisitos da legislação anterior
à EC 20. No tocante à aposentadoria por tempo de serviço, aos 30 anos de serviço,
se homem, e aos 25 anos de serviço, se mulher, o segurado já podia requerer o
benefício, independentemente de sua idade. A renda mensal inicial do benefício
era de 70% do salário de benefício, acrescido de 6% para cada novo ano completo
de atividade (além dos 30 ou 25), até o máximo de 100% do salário de benefício.

Hugo Goes 236


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Antes da Emenda 20, o salário de benefício também era calculado de forma


diversa: consistia na média aritmética simples de todos os últimos salários de ccm-
tribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da
entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não
superior a 48 (quarenta e oito) meses. Naquela época não existia fator previdenciário.
Assim, o segurado que em 16/12/98 já contava com 30 ou 25 anos de serviço,
homem ou mulher respectivamente, tem o direito de requerer, a qualquer tempo,
aposentadoria com renda mensal proporcional ao tempo de serviço computado
até aquela data, com base nos critérios da legislação então vigente.

2.3.7 Tempo de ccntríbuíção

De acordo com o disposto no art. 4° da Emenda Constitucional 20/98, ''o


tempo de serviço considerado pela legislação vigente para efeito de aposentadoria,
cumprido até que a lei discipline a matéria, será contado como tempo de contribui-
ção". Deverá, contudo, ser observado o disposto no art. 40, §10, da Constituição
Federal: "a lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de
contribuição fictício".
Como ainda não foi aprovada a lei específica que defina o que deve ser con-
siderado como tempo de contribuição, consideram-se ainda aplicáveis os conceitos
de tempo de serviço para esse fim. Enquanto a lei específica sobre o assunto não é
aprovada, a legislação previdenciária, em especial o Regulamento da Previdência
Social (RPS), determina algumas diretrizes, as quais serão aqui estudadas.
Considera-se tempo de contribuição o tempo, contado de data a data, desde
o início até a data do requerimento ou do desligamento de atividade abrangida
pela Previdência Social, descontados os períodos legalmente estabelecidos como de
suspensão de contrato de trabalho, de interrupção de exercício e de desligamento
da atividade (RPS, art. 59). Em razão dessa presunção, cabe ao contribuinte indi-
vidual comprovar a interrupção ou o encerramento da atividade pela qual vinha
contribuindo, sob pena de ser considerado em débito no período sem contribuição.
De acordo com o art. 60 do Regulamento da Previdência Social, até que
lei específica discipline a matéria, são contados como tempo de contribuição,
entre outros:

I - o período de exercício de atividade remunerada abran-


gida pela Previdência Social urbana e rural, ainda que ante-
rior à sua instituição, respeitado o disposto no inciso XVII;

237 Cmítulo 'i


Manual de Direito Previdenciário

II o período de contribuição efetuada por segurado depois


de ter deixado de exercer atividade remunerada que o enqua-
drava como segurado obrigatório da Previdência Social;
III- o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-
-doença ou aposentadoria por invalidez, entre períodos de
atividade;
IV -o tempo de serviço militar, salvo se }á contado para
inatividade remunerada nas Forças Armadas ou auxi-
liares, ou para aposentadoria no serviço público federal,
estadual, do Distrito Federal ou municipal, ainda que
anterior à filiação ao Regime Geral de Previdência Social,
nas seguintes condições:
a) obrigatório ou voluntário; e
b) alternativo, assim considerado o atribuído pelas Forças
Armadas àqueles que, após alistamento, alegarem impera-
tivo de consciência, entendendo-se como tal o decorrente
de crença religiosa e de convicção filosófica ou política,
para se eximirem de atividades de caráter militar;
V- o período em que a segurada esteve recebendo salário-
-maternidade;
VI - o período de contribuição efetuada como segurado
facultativo;
VII - o período de afastamento da atividade do segurado
anistiado que, em virtude de motivação exclusivamente
política, foi atingido por atos de exceção, institucional ou
complementar, ou abrangido pelo Decreto Legislativo 18,
de 15 de dezembro de 1961, pelo Decreto-Lei 864, de 12 de
setembro de 1969, ou que, em virtude de pressões osten-
sivas ou expedientes oficiais sigilosos, tenha sido demitido
ou compelido ao afastamento de atividade remunerada no
período de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988;
VIII- o tempo de serviço público federal, estadual, do Distrito
Federal ou municipal, inclusive o prestado a autarquia ou a
sociedade de economia mista ou fundação instituída pelo
Poder Público, regularmente certificado na forma da Lei
3.841, de 15 de dezembro de 1960, desde que a respectiva cer-
tidão tenha sido requerida na entidade para a qual o serviço
foi prestado até 30 de setembro de 1975, véspera do início da
vigência da Lei 6.226, de 14 de junho de 1975;

Hugo Goes 238


Prestações do Regime Geral de Prevtdencta ::,octal

IX- o período em que o segurado esteve recebendo benefí-


cio por incapacidade por acidente do trabalho, intercalado
ou não;
X- o tempo de serviço do segurado trabalhador rural ante-
rior à competência novembro de 1991;
XI - o tempo de exercício de mandato classista junto a
órgão de deliberação coletiva em que, nessa qualidade,
tenha havido contribuição para a Previdência Social;
XII - o tempo de serviço público prestado à administração
federal direta e autarquias federais, bem como às estaduais,
do Distrito Federal e municipais, quando aplicada a legislação
que autorizou a contagem recíproca de tempo de contribuição;
XIII - o período de licença remunerada, desde que tenha
havido desconto de contribuições;
XIV - o período em que o segurado tenha sido colocado
pela empresa em disponibilidade remunerada, desde que
tenha havido desconto de contribuições;
XV - o tempo de serviço prestado à Justiça dos Estados,
às serventias extrajudiciais e às escrivanias judiciais, desde
que não tenha havido remuneração pelos cofres públicos e
que a atividade não estivesse à época vinculada a Regime
Próprio de Previdência Social;
XVI - o tempo de atividade patronal ou autônoma, exercida
anteriormente à vigência da Lei 3.807, de 26 de agosto de
1960, desde que indenizado conforme o disposto no art. 122;
XVII - o período de atividade na condição de empregador
rural, desde que comprovado o recolhimento de contribui-
ções na forma da Lei 6.260, de 6 de novembro de 1975, com
indenização do período anterior;
XVIII - o período de atividade dos auxiliares locais de
nacionalidade brasileira no exterior, amparados pela Lei
R.745, de 1993, anteriormente a 1° de janeiro de 1994, desde
que sua situação previdenciária esteja regularizada junto ao
Instituto Nacional do Seguro Social;
XIX - o tempo de exercício de mandato eletivo federal,
estadual, distrital ou municipal, desde que tenha havido
contribuição em época própria e não tenha sido contado

239 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

para efeito de aposentadoria por outro regime de Previ-


dência Social;
XX- o tempo de trabalho em que o segurado esteve exposto
a agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associa-
~~ão ele agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física;

XXI o tempo de contribuição efetuado pelo servidor


público: (a) ocupante, exclusivamente, de cargo em comis-
são declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (b)
ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, nüo
esteja amparado por Regime Próprio de Previdência Social;
e (c) contratado por tempo determinado, nos termos do
inciso IX do art. 37 da Constituiçüo Federal; e
XXII - o tempo exercido na condição de aluno-aprendiz
referente ao período de aprendizado profissional realizado
em escola técnica, desde que comprovada a remuneração,
mesmo que indireta, à conta do orçamento público e o vín-
culo empregatício.

Não será computado como tempo de contribuição o já considerado para


concessão de qualquer aposentadoria do RGPS ou de outro regime de Previdência
Social (RPS, art. 60, §1 °).
Não será computado como tempo de contribuição, para efeito de conces-
são de aposentadoria por tempo de contribuição, o período em que o segurado
contribuinte individual (que trabalhe por conta própria, sem relação de traba-
lho com empresa ou equiparado, ou que seja microempreendedor individual)
ou facultativo tiver contribuído com a alíquota de 11% ou de 5% sobre o salário
mínimo, salvo se tiver complementado as contribuições mediante o recolhimento
da diferença entre o percentual pago e o de 20%, acrescido de juros (Lei 8.213/91,
art. 55, §4°). Este período também não será computado como tempo de contri-
buição, para efeito dos benefícios previstos em Regimes Próprios de Previdência
Social, salvo se complementadas as contribuições mediante o recolhimento da
diferença entre o percentual pago e o de 20%, acrescido de juros moratórios (Lei
8.213/91, art. 94, §2°).
O tempo de serviço do segurado trabalhador rural, anterior à data de início
de vigência da Lei 8.213/91, será computado independentemente do recolhimento
das contribuições a ele correspondentes, exceto para efeito de carência (Lei
8.213/91, art. 55, §2°). Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

Hugo Goes 240


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. PRE-


VIDENCIÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL CELETISTA.
APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. CÔMPUTO DA
ATIVIDADE RURAL EXERCIDA ANTES DA EDIÇi\0 DA LEI
N° 8.213/91. DESNECESSIDADE DO RECOLHIMENTO DE
CONTRIBUIÇÔES. CONCESS},O DOS EXCEPCIONAIS EFEITOS
INFRINGENTES - APLICABILIDADE, IN CASU CONTRADIÇi\0
MANIFESTA. RESPEITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA
DEFESA. EMBARGOS DECLARATÓRIOS ACOLHIDOS PARA JUL-
GAR O PEDIDO RESCISÓRIO PROCEDENTE. l. Para a conta-
gem do tempo de serviço visando a aposentadoria integral
urbana, torna-se desnecessária a comprovação do recolhi-
mento da contribuição previdenciária se o período de ati-
vidade rural a ser acrescido foi exercido, exclusivamente,
antes da edição da Lei n" 8.213/91, consoante dispõe o seu
art. 55,§ 2". Precedentes do STJ. 2. Embargos de declaração
acolhidos para julgar procedente o pedido rescisório. 110

O STJ também entende que é imprescindível o recolhimento das contribuições


previdenciárias referentes ao labor rural posterior à Lei 8.213/1991, caso lhe deseje
reconhecer e computar tempo de contribuição para fins de aposentadoria urbana. 111
Para fins de concessão de benefícios do RGPS, os períodos de vínculos que
corresponderem a serviços prestados na condição de servidor estatutário somente
serão considerados mediante apresentação de Certidão de Tempo de Contribui-
ção fornecida pelo órgão público competente, salvo se o órgão de vinculação do
servidor não tiver instituído Regime Próprio de Previdência Social.
A comprovação do tempo de serviço, inclusive mediante justificação
administrativa ou judicial, só produzirá efeito quando baseada em início de
prova material, não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal, salvo na
ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito (Lei 8.213/91, art. 55, §3").
Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA


POR IDADE RURAL. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. INEXISTÊN-
CIA. DECLARAÇi\0 DE EX-EMPREGADOR. 1. "1. 'A comprova-
ção do tempo de serviço para os efeitos desta Lei, inclusive
mediante justificação administrativa ou judicial, conforme

110 ST), E Del na AR 2510/SP, Rei. Min. Adilson Vieira Macabu, D)e 16/06/2011.
111 ST), AgRg no REsp 1247841/ SC, Rei. Min. Maria Thcreza de Assis Moura, 6• Turma, D)e 01/10/2012.

241 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

o disposto no artigo lOS, só produzirá efeito quando


baseada em início de prova material, não sendo admitida
prova exclusivamente testemunhal, salvo na ocorrência de
motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto
no Regulamento.' (artigo 55, § 3°, da Lei no 8.213/91). 2. O
início de prova material, de acordo com a interpretação
sistemática da lei, é aquele feito mediante documentos que
comprovem o exercício da atividade nos períodos a serem
contados, devendo ser contemporâneos dos fatos a com-
provar, indicando, ainda, o período c a função exercida
pelo trabalhador." (REsp no 280.402/SP, da minha Relato-
ria, in DJ 10/9/2001). 2. A 3" Seção desta Corte firmou-se
no entendimento de que a simples declaração prestada em
favor do segurado, sem guardar contemporaneidade com
o fato declarado, carece da condição de prova material,
exteriorizando, apenas, simples testemunho escrito que,
legalmente, não se mostra apto a comprovar a atividade
laborativa para fins previdenciários (EREsp no 205.885/SP,
Relator Ministro Fernando Gonçalves, in DJ 30/10/2000). 3.
Recurso provido. 112

2.3.8 Prova do tempo de contribuição

Os dados constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais- CNIS,


relativos a vínculos, remunerações e contribuições, valem como prova de: (I) filia-
ção à Previdência Social; (li) tempo de serviço ou de contribuição; e (III) salário
de contribuição.
Assim, o INSS utilizará as informações constantes no CNIS sobre os víncu-
los e as remunerações dos segurados, para fins de cálculo do salário de benefício,
comprovação de filiação ao RGPS, tempo de contribuição e relação de emprego
(Lei 8.213/91, art. 29-A, caput).
O segurado poderá solicitar, a qualquer momento, a inclusão, exclusão
ou retificação das informações constantes do CNIS, com a apresentação de
documentos comprobatórios dos dados divergentes (Lei 8.213/91, art. 29-A, §2°).
Informações inseridas de modo extemporâneo no CNIS, independente-
mente de serem inéditas ou retificadoras de dados anteriormente informados,
somente serão aceitas se corroboradas por documentos que comprovem a sua

112 STJ, REsp 524140/SP, Rei. Min. Hélio Quaglia Barbosa, 6·1~ DJ 28/05/2007, p. 404.

HugoGoes 242
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

regularidade. Conforme o §3° do art. 19 do RPS, considera-se extemporânea a


inserção de dados:
I. relativos à data de início de vínculo, sempre que decorrentes de docu-
mento apresentado após o transcurso de até cento e vinte dias do prazo
estabelecido pela legislação, cabendo ao INSS dispor sobre a redução
desse prazo;
II. relativos a remunerações, sempre que decorrentes de documento apre-
sentado: (a) após o último dia do quinto mês subsequente ao mês da
data de prestação de serviço pelo segurado, quando se tratar de dados
informados por meio da GFIP; 113 e (b) após o último dia do exercício
seguinte ao que se referem as informações, quando se tratar de dados
informados por meio da Relação Anual de Informações Sociais- RAIS;
Ill. relativos a contribuições, sempre que o recolhimento tiver sido feito
sem observância do estabelecido em lei.

Não constando do CNIS informações sobre contribuições ou remunerações,


ou havendo dúvida sobre a regularidade do vínculo, motivada por divergências
ou insuficiências de dados relativos ao empregador, ao segurado, à natureza do
vínculo, ou à procedência da informação, esse período respectivo somente será
confirmado mediante a apresentação pelo segurado da documentação compro-
batória solicitada pelo INSS.
Para suprir omissão do empregador, para corroborar informação inserida
ou retificada extemporaneamente ou para subsidiar a avaliação dos dados do
CNIS, servirá como prova de tempo de contribuição:
I. para os trabalhadores em geral, os documentos seguintes:
a) o contrato individual de trabalho, a Carteira Profissional, a Carteira
de Trabalho e Previdência Social, a carteira de férias, a carteira
sanitária, a caderneta de matrícula e a caderneta de contribuições
dos extintos institutos de aposentadoria e pensões, a caderneta de
inscrição pessoal visada pela Capitania dos Portos, pela Superinten-
dência do Desenvolvimento da Pesca, pelo Departamento Nacional
de Obras Contra as Secas e declarações da Secretaria da Receita
Federal do Brasil;

113 A GFIP será substituída pelo eSocial, na forma a ser disciplinada no Manual de Orientação do eSocial
(Decreto 8.373/2014, art. 2•, § 3•).

243 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

b) certidão de inscrição em órgão de fiscalização profissional, acom-


panhada do documento que prove o exercício da atividade;
c) contrato social e respectivo distrato, quando for o caso, ata de
assembleia geral e registro de empresário; ou
d) certificado de sindicato ou órgão gestor de mão de obra que agrupa
trabalhadores avulsos;
li. de exercício de atividade rural, alternativamente:
a) contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previ-
dência Social;
b) contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
c) declaração fundamentada de sindicato que represente o trabalhador
rural ou, quando for o caso, de sindicato ou colônia de pescadores,
desde que homologada pelo INSS;
d) comprovante de cadastro do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária - INCRA;
e) bloco de notas do produtor rural;
f) notas fiscais de entrada de mercadorias emitidas pela empresa
adquirente da produção, com indicação do nome do segurado como
vendedor;
g) documentos fiscais relativos a entrega de produção rural à coope-
rativa agrícola, entreposto de pescado ou outros, com indicação do
segurado como vendedor ou consignante;
h) comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência Social
decorrentes da comercialização da produção;
i) cópia da declaração de imposto de renda, com indicação de renda
proveniente da comercialização de produção rural;
j) licença de ocupação ou permissão outorgada pelo INCRA; ou
l) certidão fornecida pela Fundação Nacional do Índio - FUNAI,
certificando a condição do índio como trabalhador rural, desde
que homologada pelo INSS. '

Os documentos utilizados como prova de tempo de serviço ou de contri-


buição devem ser contemporâneos dos fatos a comprovar e mencionar as datas de
início e término e, quando se tratar de trabalhador avulso, a duração do trabalho
e a condição em que foi prestado. Na falta de documento contemporâneo podem
ser aceitos declaração do empregador ou seu preposto, atestado de empresa ainda

/44
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

existente, certificado ou certidão de entidade oficial dos quais constem os dados


que se queira provar, desde que extraídos de registros efetivamente existentes e
acessíveis à fiscalização previdenciária.
A comprovação realizada mediante justificação administrativa ou judicial
só produz efeito perante a Previdência Social quando baseada em início de prova
material, não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal. A prova material
somente terá validade para a pessoa referida no documento, não sendo permitida
sua utilização por outras pessoas.
A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que as declarações prestadas
pelos ex-empregadores somente podem ser consideradas como início de prova
material quando contemporâneas à época dos fatos alegados. 114
O STJ tem entendido que a sentença trabalhista será admitida como início
de prova material, apta a comprovar o tempo de serviço, apenas nos casos em que
tenha sido fundada em elementos que evidenciem o labor exercido na função e o
período alegado pelo trabalhador na ação previdenciária. Nesse sentido, confira
o seguinte julgado:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDEN-


CIÁRIO. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO POR MEIO
DE SENTENÇA TRABALHISTA. MERO RECONHECIMENTO DA
RELAÇÃO DE TRABALHO POR PARTE DO RECLAMADO. AUSÊN-
CIA DE ELEMENTOS DE PROVAS A SUBSIDIAR O PEDIDO. I.
"A sentença trabalhista será admitida como início de prova
material, apta a comprovar o tempo de serviço, caso ela tenhà
sido fundada em elementos que evidenciem o labor exercido
na função e o período alegado pelo trabalhador na ação pre-
videnciária. Precedentes das Turma que compõem a Terceira
Seção" (EREsp 616.242/RN, 3• Seção, Rei. Min." Laurita
Vaz, DJ 24/10/2005). li. In casu, a sentença trabalhista tão
somente homologou acordo firmado entre as partes, no qual
o reclamado reconheceu relação de emprego do reclamante,
não tendo sido juntado, porém, qualquer elemento que evi-
denciasse, na ação trabalhista, que ele houvesse prestado ser-
viço na empresa e no período alegado na ação previdenciária.
Agravo' regimental desprovido. 115

114 STJ, EREsp 314908/SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Dje 12/02/2010.
115 STJ, AgRg no REsp 1128885/ PB, Rei. Min. Felix Fischer, 5' T. DJe 30/ll/2009.

245 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Quando corroborada pelo conjunto fático-probatório, a sentença trabalhista ,


será admitida como início de prova material, mesmo que o INSS não tenha inte-
grado a lide. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL


EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. APOSENTADORIA POR IDADE.
RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO. SENTENÇA
TRABALHISTA. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. AGRAVO DES-
PROVIDO. l. Para Iins de reconhecimento de tempo de ser-
vi~~o,a sentença trabalhista será admitida como início de
prova material, ainda que a Autarquia não tenha integrado
a lide, quando corroborada pelo conjunto fático-probató-
rio carreado aos autos. Precedentes desta Corte. 2. Agravo
Regimental do INSS desprovido. 116

No.entanto, vale frisar que o STJ entende ser impossível a utilização de sen-
tença trabalhista homologatória de acordo judicial como início de prova material,
se não fundada em outros elementos que comprovem o labor apontado. 117
Não será admitida prova exclusivamente testemunhal para efeito de com-
provação de tempo de serviço ou de contribuição, salvo na ocorrência de motivo
de força maior ou caso fortuito. Assim, será dispensado o início de prova material
quando houver ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito.
Caracteriza motivo de força maior ou caso fortuito a verificação de
ocorrência notória, tais como incêndio, inundação ou desmoronamento, que
tenha atingido a empresa na qual o segurado alegue ter trabalhado, devendo ser
comprovada mediante registro da ocorrência policial feito em época própria ou
apresentação de documentos contemporâneos dos fatos, e verificada a correlação
entre a atividade da empresa e a profissão do segurado (RPS, art. 143, §2°).

2.3.9 Contagem recíproca de tempo de contribuição

De acordo com o §9° do art. 201 da Constituição Federal, "para efeito de


aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na
administração pública e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os
diversos regimes de previdência social se compensarão financeiramente, segundo

116 ST), AgRg no Ag 1382384/SP, Rei. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, D)e 27/06/2011.
117 ST), AgRg no AREsp 25553/ PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6• Turma, DJe 13/08/2012.

Hugo Goes 246


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

critérios estabelecidos em lei ". 118 Nos termos do art. 96 da Lei 8.213/91, o tempo
de contribuição será contado de acordo com a legislação pertinente, observadas
as normas seguintes:
L não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições
especiais;
I I. é vedada a contagem de tempo de serviço público com o de atividade
privada, quando concomitantes;
III. não será contado por um sistema o tempo de serviço utilizado para
concessão de aposentadoria pelo outro;
I V. o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação
à Previdência Social só será contado mediante indenização da con-
tribuição correspondente ao período respectivo, com acréscimo de
juros moratórios de 0,5% ao mês e multa de 10%.

Segundo o entendimento do STJ, o segurado que manteve dois vínculos


concomitantes com o RGPS - um na condição de contribuinte individual e
outro como empregado público- pode utilizar as contribuições efetivadas como
contribuinte individual na concessão de aposentadoria junto ao RGPS, sem
prejuízo do cômputo do tempo como empregado público para a concessão de
aposentadoria sujeita ao Regime Próprio, diante da transformação do emprego
público em cargo público. No caso analisado pelo STJ, o contribuinte possuía
dois vínculos com o Regime Geral, um na condição de contribuinte individual e
outro como empregado público, regido pela CLT. Entretanto, o tempo de serviço
e as contribuições recolhidas na condição de contribuinte individual não se con-
fundem com o vínculo empregatício mantido como servidor público. Assim, não
há óbice para utilizar o tempo prestado ao estado no regime celetista para fins de
aposentadoria estatutária e as contribuições como contribuinte individual na con-
cessão da aposentadoria previdenciária por tempo de contribuição, não havendo
falar em violação ao princípio da unicidade de filiação. Ademais, o art. 96 da Lei
8.213/1991 veda apenas que o mesmo lapso temporal, durante o qual o segurado
exerceu simultaneamente uma atividade privada e outra sujeita a regime próprio
de previdência, seja computado em duplicidade, o que não é o caso, pois não há
contagem em duplicidade, uma é decorrente da contratação celetista, e outra da
condição de contribuinte individual. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

118 A compensação financeira entre os regimes de previdência foi regulamentada pela Lei 9.796/99.

247 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONTRI-


BUINTE INDIVIDUAL. CONDIÇÔES INSALUBRES. TEMPO DE
SERVIÇO COMO EMPREGADO PÚBLICO PELO REGIME DA CLT.
PosSIBILIDADE. [ ... ] 2. Não há óbice para utilizar o tempo
prestado ao estado no regime celetista para fins de aposen-
tadoria estatutária e as contribuições como contribuinte
individual na concessão da aposentadoria previdenciária
por tempo de contribuição, não havendo falar em violação
ao princípio da unicidade de filiação. 3. Na verdade, o art.
96 da Lei 8.213/91 veda apenas que o mesmo lapso tempo-
ral, durante o qual o segurado exerceu simultaneamente
uma atividade privada e outra sujeita a regime próprio de
previdência, seja computado em cluplicidade, o que não é
o caso dos autos. Não há contagem em duplicidade, uma é
decorrente da contratação celetista, e outra ela condição de
contribuinte individual. Agravo regimental improvido. 119

A jurisprudência do STF é no sentido de que o servidor que laborou em


condições insalubres, quando regido pelo regime celetista, pode somar esse
período, ainda que convertido em tempo de atividade comum, com a incidência
dos acréscimos legais, ao tempo trabalhado posteriormente sob o regime esta-
tutário, inclusive para fins de aposentadoria e contagem recíproca entre regimes
previdenciários distintos. 120
No período anterior a novembro de 1991, o trabalhador rural não estava
obrigado a recolher contribuição para a Previdência Social. Apesar disso, para
fins de concessão dos benefícios do RGPS, o tempo de serviço prestado pelo
trabalhador rural anteriormente à competência novembro de 1991, sendo devi-
damente comprovado, conta como tempo de contribuição, exceto para efeito de
carência. Mas para fins de contagem recíproca, este tempo de serviço somente
será reconhecido mediante a indenização (RPS, art. 123, parágrafo único). Nesse
sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. TRABALHADOR RURAL.


APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. ATIVIDADE
RURAL ANTERIOR À LEI N° 8.213/91. CÔMPUTO. RECOLHI-
MENTO DE CONTRIBUIÇÔES. NECESSIDADE. PRECEDENTES DO
STJ E DO STF. PEDIDO RESCISÓRIO IMPROCEDENTE. 1. Para

119 STJ, AgRg no REsp 1444003 I RS, rEL. Min. Humberto Martins, 2' Turma, Dje 15/05/2014.
120 STF, RE603581 AgR I SC, Rei. Min. Dias Toffoli, 1• turma, Dje-238, Divulg03/12/2014, Public 04/12/2014.

248
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

a contagem recíproca de tempo de contribuição, mediante a


junção do período prestado na administração pública com
a atividade rural ou urbana, faz-se necessária a indenização
do período rural exercido anteriormente à Lei no 8.213/91. 2.
Ação julgada improcedente. 121

O STF também segue o mesmo entendimento, conforme se verifica no


seguinte julgado:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. PREVIDENCIÁRIO. TRABALHA-


DOR RURAL. CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO. PERÍODO
ANTERIOR À EDIÇÃO DA LEI N" 8.213/91. APOSENTADORIA
VOLUNTÁRIA. EXIGÊNCIA DE PRÉVIO RECOLHIMENTO DE CON-
TRIBUIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DO PRE-
SIDENTE DO TCU. PRECEDENTES. SEGURANÇA DENEGADA. I
- É inadmissível a contagem recíproca do tempo de serviço
rural para fins de aposentadoria no serviço público sem que
haja o recolhimento das contribuições previdenciárias corres-
pondentes. II -Precedentes. III- Segurança denegada.122

A aposentadoria resultante de contagem recíproca de tempo de contribuição


será concedida e paga pelo regime previdenciário a que o interessado estiver vincu-
lado ao requerê-la, e calculada na forma da respectiva legislação (Lei 8.213/91, art. 99).

2.3.10 Período de atividade do contribuinte individual alcançado


pela decadência

O contribuinte individual que pretenda contar como tempo de contribuição,


para fins de obtenção de benefício no RGPS ou de contagem recíproca do tempo
de contribuição, período de atividade remunerada alcançada pela decadência
deverá indenizar o INSS (Lei 8.212/91, art. 45-A).
O valor da indenização corresponderá a 20%: (I) da média aritmética sim-
ples dos maiores salários de contribuição, reajustados, correspondentes a 80% de
todo o período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994; ou (II)
da remuneração sobre a qual incidem as contribuições para o Regime Próprio
de Previdência Social a que estiver filiado o interessado, no caso de indenização

121 STJ, AR 2510/SP, Rei. Min. Arnaldo Estcves Lima, 3' Seção, Dje 01/02/2010.
122 STF, MS 26461/DF, Min. Ricardo Lewandowski, Dje 043, de 05/03/2009.

249 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

para fins da contagem recíproca de tempo de contribuição, observado o limite


máximo do salário de contribuição.
Sobre os valores apurados incidirão juros moratórios de 0,5% ao mês, capi-
talizados anualmente, limitados ao percentual máximo de 50%, e multa de 10%.

2.3.11 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela retoma

O segurado aposentado por tempo de contribuição pode continuar exer-


cendo atividade remunerada. O STF já decidiu que a aposentadoria voluntária
não extingue o vínculo de emprego. 123 O retorno à atividade não prejudica o
recebimento de sua aposentadoria, que será mantida no seu valor integral. Retor-
nando à atividade, o aposentado será obrigado a contribuir para a previdência.
A contribuição incidirá sobre a remuneração que ele receber em decorrência do
seu trabalho, e não sobre os proventos da aposentadoria.
De acordo com o disposto no §2° do art. 18 da Lei 8.213/91, "o aposentado
pelo RGPS que permanecer em atividade sujeita a este Reg~me, ou a ele retornar,
não fará jus a prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercício
dessa atividade, exceto ao salário-família e à reabilitação profissional, quando
empregado". Em contradição com a Lei 8.213/91, o art. 103 do Regulamento da
Previdência Social (Decreto 3.048/99)garante à segurada aposentada que retornar
à atividade o direito ao salário-maternidade.

2.3.12 Data de início do benefício

A aposentadoria por tempo de contribuição será devida:


I. Para os segurados empregado e empregado doméstico:
a) A partir da data do desligamento do emprego, quando requerido
no prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
b) A partir da data do requerimento, quando não houver desligamento
do emprego ou quando for requerida depois de 90 dias, contados da
data do desligamento;
II. Para os demais segurados, a partir da data da entrada do requerimento.

123 STF, AD!n 1721/DF, Rei. Min. Carlos Britto, DJ 29/06/2007, p. 84.

HugoGoes 250
Prestações do Regime Geral de PrevldenCia ~oc1a1

Como se pode ver, para requerer aposentadoria por tempo de contribuição,


o segurado não precisa desligar-se do emprego.

2.3.13 Cessação do benefício

As aposentadorias por idade, tempo de contribuição e especial concedidas


pelo RGPS são irreversíveis e irrenunciáveis (RPS, art. 181-B). No entanto, o segu-
rado pode desistir do seu pedido de aposentadoria desde que manifeste esta intenção
e requeira o arquivamento definitivo do pedido antes da ocorrência do primeiro
de um dos seguintes atos: (I) -- recebimento do primeiro pagamento do benefício;
ou (li)- saque do respectivo FGTS ou PIS (RPS, art. 181-B, parágrafo único).
Assim, a aposentadoria por tempo de contribuição teria caráter definitivo,
só cessando com a morte do segurado. Contudo, o STJ tem admitido a renúncia
à aposentadoria sob regime geral para efeito de aproveitamento do respectivo
tempo de contribuição em Regime Próprio de Previdência Social. Confira, nesse
sentido, o seguinte julgado do STJ:

Previdenciário. Aposentadoria. Direito à renúncia. Expedi-


ção de certidão de tempo de serviço. Contagem recíproca.
Devolução das parcelas recebidas. 1. A aposentadoria é
direito patrimonial disponível, passível de renúncia, por-
tanto. 2. A abdicação do benefício não atinge o tempo de
contribuição. Estando cancelada a aposentadoria no regime
geral, tem a pessoa o direito de ver computado, no serviço
público, o respectivo tempo de contribuição na atividade
privada. 3. No caso, não se cogita a cumulação de bene-
fícios, mas o fim de uma aposentadoria e o consequente
início de outra. 4. O ato de renunciar a aposentadoria tem
efeito ex mmc e não gera o dever de devolver valores, pois,
enquanto perdurou a aposentadoria pelo regime geral, os
pagamentos, de natureza alimentar, eram indiscutivel-
mente devidos. ::;. Recurso especial improvido. 124

124 ST), Resp 692628/DF, Rei. ,\1in. Nilson Naves, 6' T. DJ 05/09/2005, p. 515.

251 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Homem: 35 anos de contribuição.


Mulher: 30 anos de contribuição.
Há redução de 5 anos para o professor ou a professora que comprove,
Fato gerador
exclusivamente, tempo de efetivo exercício em função de magistério
na educação infantil, no ensino fundamental ou no ensino médio
(CF, art. 201, §8°).
Todos os segurados, exceto:
l) O segurado especial que não contribua, facultativamente, com alí-
quota de 20% sobre o salário de contribuição;
Beneficiários 2) O segurado contribuinte individual, que trabalhe por conta pró-
pria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e o segu-
rado facultativo que contribuam com a alíquota de 11% sobre um
salário mínimo.
Em regra, 180 contribuições mensais. Para os segurados inscritos até
Carência 24/07/91, observa-se a regra de transição prevista no art. 142 da Lei
8.213/91.
Renda mensal 100% do salário de benefício.
L Para os segurados empregado e empregado doméstico:
a) a partir da data do desligame~to do emprego, quando requerido no
prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
Início do b) a partir da data do requerimento, quando não houver desligamento
benefício do emprego ou quando for requei:ido depois de 90 dias, contados da
data do desligamento.
II. Para os demais segurados, a partir da data de entrada do requeri-
mento.
Cessação do
Somente com a morte do segurado.
benefício

2.4 Aposentadoria especial

A aposentadoria especial, uma vez cumprida a carência exigida, será devida


ao segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, este somente
quando cooperado 111 ia do a cooperativa de trabalho ou de produção, que tenha
trabalhado durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso, sujeito a
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física (RPS, art. 64).
A concessão da aposentadoria especial dependerá da comprovação, durante
o período mínimo de quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso:

I - do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem


intermitente; e

Hugo Goes 252


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

li - da exposição do segurado aos agentes nocivos quími-


cos, físicos, biológicos ou a associação de agentes prejudi-
ciais à saúde ou à integridade física.

Consideram-se condições especiais que prejudiquem a saúde e a integridade


física aquelas nas quais a exposição ao agente nocivo ou associação de agentes
presentes no ambiente de trabalho esteja acima dos limites de tolerância estabele-
cidos segundo critérios quantitativos ou esteja caracterizada segundo os critérios
da avaliação qualitativa. A avaliação qualitativa de riscos e agentes nocivos será
comprovada mediante descrição:

I -das circunstâncias de exposição ocupacional a determi-


nado agente nocivo ou associação de agentes nocivos pre··
sentes no ambiente de trabalho durante toda a jornada;
II de todas as fontes e possibilidades de liberação dos
agentes mencionados no item anterior; e
III - dos meios de contato ou exposição dos trabalhadores,
as vias de absorção, a intensidade da exposição, a frequên-
cia e a duração do contato.

Como exceção à regra geral, a presença no ambiente de trabalho de agentes


nocivos reconhecidamente cancerígenos em humanos, listados pelo Ministério
do Trabalho e Previdência Social, será suficiente para a comprovação de efetiva
exposição do trabalhador (RPS, art. 68, § 4°). Nesse caso, não se leva em conside-
ração o critério quantitativo. A simples existência do agente seria potencialmente
suficiente para produzir a patologia e, portanto, não haveria nível seguro de expo-
sição. Sendo assim, uma vez exposto, teria direito o segurado ao tempo especial.
Considera-se tempo de trabalho permanente aquele que é exercido de forma
não ocasional nem intermitente, no qual a exposição do empregado, do trabalha-
dor avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do
bem ou da prestação do serviço (RPS, art. 65).
O termo intermitente significa algo que para e recomeça (sofre interrup-
ções). O que não sofre interrupções é ininterrupto. O que sofre várias interrupções
é intermitente.
Para o segurado ter direito à aposentadoria especial, a exposição aos refe-
ridos agentes n~civos, além de ocorrer de forma não ocasional, também deve
ocorrer de forma não intermitente.

253 Capítulo 5
Entende-se por não ocasional nem intermiten~e a jornada de trabalho na
qual não houve interrupção ou suspensão do exercício de atividades com expo-
sição aos agentes nocivos, ou seja, não foi exercida de forma alternada, atividade
comum e especial.
Vale frisar, porém, que também são considerados períodos de trabalho sob
condições especiais, para fins de concessão de aposentadoria especial, os períodos
de descanso determinados pela legislação trabalhista, inclusive férias, os de afas-
tamento decorrentes de gozo de benefícios de auxílio-doença ou aposentadoria
por invalidez acidentários, bem como os de recebimento de salário-maternidade,
desde que, à data do afastamento, o segurado estivesse exercendo atividade consi-
derada especial. Mas os períodos de afastamento decc-rrentes de gozo de benefício
por incapacidade de espécie não acidentária não serão considerados como sendo
de trabalho sob condições especiais (IN INSS 77/2015, art. 291, parágrafo único).
O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, a efetiva expo-
sição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes
prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo perícdo equivalente ao exigido
para a concessão do benefício. Assim, o fato de pertencer a certa categoria pro-
fissional não é suficiente para definir o direito à aposentadoria especiaL Cada
segurado deve comprovar a efetiva exposição aos agentes nocivos.
Neste benefício, não existe distinção de tempo de trabalho entre homens
e mulheres: todos devem trabalhar durante quinze, vinte ou vinte e cinco anos,
conforme o caso, sujeitos a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física.
A legislação previdenciária não faz exigência de idade mínima para a con-
cessão da aposentadoria especial.

2.4.1 Comprovação da exposição

A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será


feita mediante formulário, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em
laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do traba-
lho ou engenheiro de segurança do trabalho (RPS, art. ó8, §3°). A cooperativa de
trabalho e a empresa contratada para prestar serviços mediante cessão ou emprei-
tada de mão de obra elaborarão o referido formulário co o base nos laudos técnicos
de condições ambientais de trabalho emitidos pela empresa contratante, quando
o serviço for prestado em estabelecimento da contratante (RPS, art. 68, § 11).

Hugo Goes 254


Prestaçoe' do Kegtrne uerat ae nev•ue'''-'a ->v-.oa•

No referido laudo técnico, deverão constar informações sobre a existência


de tecnologia de proteção coletiva ou individual, e de sua eficácia, e deverá ser
elaborado com observância das normas editadas pelo Ministério do Trabalho e
Previdência Social e dos procedimentos estabelecidos pelo INSS. A empresa que
não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos exis-
tentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento
de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará
sujeita às penalidades previstas na legislação.
O INSS estabelecerá os procedimentos para fins de concessão de aposen-
tadoria especial, podendo, se necessário, confirmar as informações contidas no
mencionado laudo técnico.
A empresa deverá elaborar e manter atualizado o perfil profissiográfico do
trabalhador, contemplando as atividades desenvolvidas durante o período laboral,
documento que a ele deverá ser fornecido, por cópia autêntica, no prazo de trinta
dias da rescisão do seu contrato de trabalho, sob pena de sujeição às sançôes previs-
tas na legislação aplicável. Considera-se perfil profissiográfico o documento com o
histórico laboral do trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, que, entre
outras informações, deve conter o resultado das avaliações ambientais, o nome dos
responsáveis pe~a monitoração biológica e das avaliações ambientais, os resultados de
monitoração biológica e os dados administrativos correspondentes. O trabalhador
ou seu preposto terá acesso às informações prestadas pela empresa sobre o seu perfil
profissiográfico, podendo inclusive solicitar a retificação de informações quando
em desacordo com a realidade do ambiente de trabalho, conforme orientação esta-
belecida em ato do Ministro de Estado da Previdência Social.
Nas avaliações ambientais, deverão ser considerados, além do disposto
no Anexo IV do RPS, a metodologia e os procedimentos de avaliação estabe-
lecidos pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do
Trabalho- FUNDACENTRO. Na hipótese de não terem sido estabelecidos pela
FUNDACENTRO a metodologia e procedimentos de avaliação, cabe ao Ministério
do Trabalho e Previdência Social definir outras instituições que os estabeleçam.

2.4.2 Agentes nocivos

São consideradas condições especiais que prejudicam a saúde ou a inte-


gridade física, a exposição a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos ou à
associação desses agentes, em concentração ou intensidade e tempo de exposição

255 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

que ultrapasse os limites de tolerância ou que, dependendo do agente, torne a


simples exposição em condição especial prejudicial à saúde.
A relação desses agentes nocivos consta do anexo IV do Regulamento da
Previdência Social (RPS). Os agentes nocivos não arrolados no anexo IV do RPS
não serão considerados para fins de concessão da aposentadoria especial.

· Rêgtihtl-~erito .tla. Ptefidê't~fi<1. S.oéial- A.nei()lV


·· ÇlassÜi~a~tã~;4o~:Ágen!~s . ~Q~~y().s · .·y··....
~
.· . . ·. . '.·.
'
:...
Agentes }{o'd~os •r · Teinpo de
·. "" . .. . .·· . . :~. .' . . ... expOsiÇão
,, ' ,." <:·:·;' ., ..
Age~t~s qtiÍtrticÓs ·
Arsênio e seus compostos 25 anos
Asbestos 20 anos
Benzeno e seus compostos tóxicos 25 anos
Berílio e seus compostos tóxicos 25 anos
Bromo e seus compostos tóxicos 25 anos
Cádmio e seus compostos tóxicos 25 anos
Carvão mineral e seus derivados 25 anos
Chumbo e seus compostos tóxicos 25 anos
Cloro e seus compostos tóxicos 25 anos
Cromo e seus compostos tóxicos 25 anos
Dissulfeto de carbono 25 anos
Fósforo e seus compostos tóxicos 25 anos
Iodo 25 anos
Manganês e seus compostos 25 anos
Mercúrio e seus compostos 25 anos
Níquel e seus compostos tóxicos 25 anos
Petróleo, xisto betuminoso, gás natural e seus derivados 25 anos
Sílica livre 25 anos

HugoGoes 256
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Outras substâncias químicas:


GRUPO I estireno; butadieno-estireno; acrilonitrila; 1-3 butadieno;
cloropreno; mercaptanos, n-hexano, diisocianato de tolueno (TDI);
aminas aromáticas
GRUPO II -- aminas aromáticas, aminobifenila, auramina, azatio-
prina, bis (clorometil) éter, 1-4 butanodiol, dimetanosulfonato (mile-
ran), ciclofosfamida, cloroambucil, dietilestil-bestrol, acronitrila,
nitronaftilamina 4-dimetil-aminoazobenzeno, benzopireno, beta-pro- 25 anos
piolactona, biscloroetileter, bisclorometil, clorometileter, dian i zidina,
diclorobenzidina, dietilsulfato, dimetilsulfato, etilenoamina, etileno-
tiureia, fenacetina, iodeto de metila, etilnitrosuréias, metileno-ortoclo-
roanilina (moca), nitrosamina, ortotoluidina, oxime-talona, procarba-
zina, propanosultona, 1-3-butadieno, óxido de etileno, estilbenzeno,
diisocianato de tolueno (TDI), creosoto, 4-aminodifenil, benzidina,
betanaftilamina, estireno, 1-doro-2, 4- nitrodifenil, 3-poxipro-pano
Agentés físicos
Ruído - exposição a Níveis de Exposição Normalizados (NEN) supe-
25 anos
riores a 85 dB(A)
Vibrações (trabalhos com perfuratrizes e marteletes pneumáticos) 25 anos
Radiações ionizantes 25 anos
Temperaturas anormais 25 anos
Pressão atmosférica anormal 25 anos
Agentes bioló!l:icCI~
Micro-organismos e parasitas infectocontagiosos vivos e suas toxi-
nas, nas atividades abaixo relacionadas:
(a) trabalhos em estabelecimentos de saúde em contato com pacientes
portadores de doenças infecto-contagiosas ou com manuseio de mate-
riais contaminados; (b) trabalhos com animais infectados para trata-
25 anos
mento ou para o preparo de soro, vacinas e outros produtos (c) traba-
lhos em laboratórios de autópsia, de anatomia e anátomo-histologia;
(d) trabalho de exumação de corpos e manipulação de resíduos de ani-
mais deteriorados; (e) trabalhos em galerias, fossas e tanques de esgoto;
(f) esvaziamento de biodigestores; (g) coleta e industrialização do lixo
Ass~ciação de agehtes
Físicos, químicos e biológicos (mineração subterrânea cujas ativida-
20 anos
des sejam exercidas afastadas das frentes de produção).
Físicos, químicos e biológicos (trabalhos em atividades permanentes
15 anos
no subsolo de minerações subterrâneas em frente de produção).

257 Capítulo 5
1V1anua1 ae U1re1to Previdenciário

Na tabela anterior, constata-se que, na maioria dos casos relacionados,


a aposentadoria especial ocorre aos 25 anos de exposição aos agentes nocivos.
O direito à concessão de aposentadoria especial aos 15 e aos 20 anos aplica-se
somente às seguintes situações:
I. quinze anos: trabalhos em mineração subterrânea, em frentes de
produção, com exposição à associação de agentes físicos, químicos ou
biológicos;
I I. vinte anos:
a) trabalhos com exposição ao agente químico asbestos (amianto);
b) trabalhos em mineração subterrânea, afastados das frentes de pro-
dução, com exposição à associação de agentes físicos, químicos ou
biológicos.
Conforme a jurisprudência do STJ, os róis contidos nos decretos regulamen-
tadores do serviço de caráter especial são meramente exemplificativos, cabendo
o enquadrainento do labor mesmo nos casos não previstos, desde que o recor-
rente demonstre a efetiva exposição a fatores de risco. 125 Seguindo essa linha de
raciocínio, o STJ tem entendido que mesmo em face da ausência do agente nocivo
eletricidade no rol previsto nos decretos regulamentadores, a atividade exposta
ao referido agente pode ser reconhecida como especial, tendo em vista o caráter
meramente exemplificativo dessas listas. 126
Nos termos da jurisprudência do STJ, o fato de a empresa fornecer ao
empregado Equipamento de Proteção Individual (EPI) não afasta, por si só, o
direito ao benefício da aposentadoria com a contagem ele tempo especial, devendo
ser apreciado caso a caso. 127

2.4.3 Conversão de tempo entre atividades especiais

Para o segurado que houver exercido duas ou mais atividades sujeitas a


condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física, sem completar
em qualquer delas o prazo mínimo exigido para a aposentadoria especial, os
respectivos períodos serão somados após conversão, devendo ser considerada a
atividade preponderante para efeito de enquadramento. Na referida conversão,

125 STJ, AgRg no REsp 1277986/AL, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, D)e 09/11/2011.
126 ST), AgRg no REsp 1284267/RN, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, Dle 15/02/2012.
127 STJ, AgRg no AREsp 174282/ SC, Rei. Min. Humberto Martins, 2' Turma, D)e 28/06/2012.

HugoGoes 258
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

não serão considerados os períodos em que a atividade exercida não estava sujeita
a condições especiais. A mencionada conversão será feita segundo a tabela abaixo:

De 15 anos 1,33 1,67


De20 anos 0,75 1,25
De 25 anos 0,60 0,80

Exemplo:
Joaquim trabalhou, durante 3 anos, em atividade permanente no subsolo de
minerações subterrâneas em frente de produção. Após deixar essa atividade,
Joaquim trabalhou, durante 20 anos, exposto a radiações ionizantes. De
acordo com o anexo IV do RPS, a primeira atividade exercida por Joaquim
enseja aposentadoria especial aos 15 anos de trabalho, e a segunda, aos 25
anos. A atividade preponderante é a segunda. Nas duas atividades, Joaquim
trabalhava na qualidade de empregado. Nessa situação, Joaquim já tem
direito à aposentadoria especial, pois os 3 primeiros anos de trabalho serão
convertidos utilizando-se o fator 1,67 (de 15 anos para 25 anos). Assim, os 3
primeiros anos de trabalho valem 5 anos (3 x 1,67). Somados aos 20 anos de
trabalho em que o segurado esteve exposto a radiações ionizantes, atinge-se
o total de 25 anos. Dessa forma, está garantida a aposentadoria especial.

A conversão ele tempo entre atividades especiais também pode ser feita pela
utilização de simples regra de três, segundo critérios matemáticos. Aproveitando o
exemplo acima: Joaquim trabalhou 3 anos numa atividade em que a aposentadoria
especial ocorre aos 15 anos de twbalbo. Convertendo esses 3 anos para uma aposen-
tadoria especial ele 25 anos, quantos anos valem o tempo de trabalho de Joaquim?
Resposta:

Tempo necessário para Tempo trabalhado/


··Atividade
a aposentadoria convertido
Na qual ocorreu o trabalho 15 anos 3 anos
Para qual o tempo
25 anos Te
será convertido

Tempo convertido (Te) = (25 x 3) + 15 = 5 anos


Tempo total = 5 + 20 = 25 anos

259 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.4.4 Conversão de tempo especial para comum

A conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo de


atividade comum dar-se-á de acordo com a seguinte tabela:

, .; .·; ;;;;.M'~~J.~~pl~f<t4?~::~J . v • , •• ... . . . . • .

,rviiiih~r {pi)~;~t))'5:\i' •·. · ' .f~#oJií€ijf:{pãf;f·3#j


De 15 anos 2,00 2,33
De 20 anos 1,50 1,75
De 25 anos 1,20 1,40

Como se pode ver, os fatores de conversão são diferentes quando se trata de


homem ou de mulher. Isso ocorre porque a conversão aqui vista dá-se para fins de
concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, benefício este que exige
35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos de contribuição, se mulher. Esta é
a razão para que o fator de conversão do homem seja maior.
A caracterização e a comprovação do tempo de atividade sob condições
especiais obedecerão ao disposto na legislação em vigor na época da prestação do
serviço (RPS, art. 70, §1"). As regras de conversão de tempo de atividade sob con-
dições especiais em tempo de atividade comum aplicam-se ao trabalho prestado
em qualquer período. Nesse sentido, confira o seguinte julgado do STJ:

PREVIDENCitÍ.RlO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMEN-


TAL NO RECURSO I•SPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO
DE SERVIÇO. LABOR PRESTADO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS.
CONVERSÃO E~l TEMPO COMUM. POSSIBILIDADE. l. A teor
da jurisprudt'ncia do STJ, o trabalhador que tenha efetiva-
mente exercido sua atividade laboral em condições espe-
ciais, ainda que posteriores a maio de 1998, tem direito
adquirido, prote);ido constitucionalmente, à conversão do
tempo de servico. de torrna majorada, para fins de aposen-
tadoria. 2. Agra\·o regimental a que se nega provimento. 128

128 STJ, AgRg no REsp 746102/SI'. Rei. ~I in. Og Fernandes, 6' T., DI e 07/12/2009.

Hugo Goes 260


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Exemplo:
Helena,· após 20 anos de trabalho na produção e processamento de
benzeno, foi demitida da empresa Alfa S.A. Há 4 anos Helena está
desempregada. Hoje, Helena decidiu inscrever-se no RGPS como
segurada facultativa. De acordo com o anexo IV do RPS, segurado
exposto a benzeno e seus compostos tóxicos tem direito a aposentado-
ria especial aos 25 anos de trabalho. Nessa situação, Helena não terá
direito à aposentadoria especial, mas para ter direito à aposentadoria
por tempo de contribuição, terá de contribuir durante mais 6 anos,
pois os 20 anos de atividade especial serão convertidos em tempo
de atividade comum utilizando-se o fator 1,2 (de 25 para 30 anos).
Assim, os 20 anos de atividade especial valem 24 anos de atividade
comum. Quando somados aos 6 anos de contribuição como segu-
rada facultativa, atingirá o total de 30 anos de contribuiçfw. Desta
forma, estará garantida a aposentadoria por tempo de contribuição.

A conversão de tempo de atividade especial em tempo de atividade comum


também pode ser feita pela utilização de simples regra de três. Vejamos como fica
o tempo de atividade especial de Helena após ser convertido em tempo comum:

Especial 25 anos 20 anos


Comum 30 anos Te

Tempo convertido (Te) = (30 x 20) ..,. 25 = 24 anos


Tempo total = 24 + 6 = 30 anos

Para fins de contagem recíproca de tempo de contribuição entre regimes


previdenciários, é vedada a conversão de tempo de atividade sob condições
especiais em tempo de atividade comum (Lei 8.213/91, art. 96, I). Aproveitando
o exemplo acima: se Helena for aprovada em concurso público e passar a ser ser-
vidora ocupante de cargo efetivo, amparada por regime próprio de previdência,
os 20 anos de atividade exercida sob condições especiais serão considerados como
tempo de contribuição para o regime próprio, porém, sem a conversão, ou seja,
sem nenhum acréscimo. Contudo, na situação ora comentada, o STF entende que
o INSS não pode negar-se a emitir a certidão com o tempo convertido, cabendo

261 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

apenas à entidade responsável pelo regime próprio opor-se à conversão do tempo


especial em tempo comum. Nesse sentido, confira o seguinte precedente:

EMENTA: I. O servidor público tem direito à emissão pelo


INSS de certidão de tempo de serviço prestado como
celetista sob condiçôes de insalubridade, periculosidade
c penosidade, com os acréscimos previstos na legislação
previdenciária. 2. A autarquia não tem legitimidade para
opor resistência ú emissão da certidão com ~'undamento na
alegada impossibilidade de sua utilização para a aposenta-
doria estatutúria; requerida esta, apenas a entidade à qual
incumba deferi-la é que poderia se opor à sua concessão. 129

No caso ele servidor público que era celetista (contribuía para o RGPS) e que,
posteriormente, passou a ser estatutário (passando a contribuir para o RPPS), se
ficar comprovado o exercício de atividades especiais no período que ele era cele-
tista, o STF posiciona-se a favor da contagem especial (conversão de tempo especial
para comum) do respectivo período. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDI-


NÁRIO. SERVIDOR PúBLICO. APOSENTADORIA. CONTAGEM
DO TEMPO DE SERVIÇO PÚBLICO PRESTADO POR SERVIDOR
CELETISTA ANTES DA PASSAGEM PARA O REGIME ESTATU-
TÁRIO. PRECEDENTES. 1. Consoante a firme Jurisprudência
do Supremo Tribunal Federal, se comprovado o exercício
de atividade considerada insalubre, perigosa ou penosa,
possui o servidor direito à contagem especial do respectivo
período. 2. Agravo Regimental desprovido. 130

2.4.5 Impossibilidade de conversão de tempo comum para especial

Não é possível converter-se tempo de atividade comum para especial. Se a


intenção do segurado for requerer aposentadoria especi<:J, será necessário que todo
o tempo de atividade seja especial. Para a concessão de aposentadoria especial é
imprescindível o exercício de trabalho sujeito a condições especiais durante todo
o tempo a ser considerado.

129 STF, RE 433305/PB, Rei. Min. Scpúlveda Pertence, J• T, DJ !0/03!2006.


1_30 STF, RE 363064 AgR/RS, Rei. Min. Ayres Britto, 2• Turma, DJe-227, 25/11/2010.

Hugo Goes 262


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Assim, o trabalhador que tenha desenvolvido atividade comum c especial


poderá requerer aposentadoria por tempo de contribuição, sendo, para esse fim,
o tempo trabalhado em condiçôcs especiais convertido em tempo comum.

Exemplo:
Leon trabalhou como empregado de uma empresa comercial, durante 14
anos, sem nenhuma exposição a agentes nocivos. Após ser demitido do
primeiro emprego, Leon trabalhou mais 15 anos como empregado de um
hospital, tendo contato com pacientes portadores de doenças infecto-con-
tagiosas e manuseio de materiais contaminados. Essa segunda atividade
dá direito à aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho. Nessa situa-
ção, Leon ainda não tem direito à aposentadoria especial, pois os 14 anos
de atividade comum não podem ser convertidos para atividade especial.
Todavia, Leon já tem direito à aposentadoria por tempo de contribuição,
pois os 15 anos de trabalho em atividade especial serão convertidos para
tempo comum, utilizando-se o fator 1,4. Assim, os 15 anos de atividade
especial valem 21 anos de atividade comum. Somados aos 14 anos que Leon
trabalhou na empresa comercial, atinge o total de 35 anos de contribuição.
Desta forma, estará garantida a aposentadoria por tempo de contribuição.

Vamos fazer a conversão do tempo especial de Leon utilizando regra de três:

Tempo Iiecessário para a Tempo trabalhado/


Atividade
aposentado dá conveX:tidó
Especial 25 anos 15 anos
Comum 35 anos Te

Tempo convertido (Te) = (35 x 15) .;.- 25 = 21 anos


Tempo total= 21 + 14 = 35 anos

2.4.6 Beneficiários

São beneficiários da aposentadoria especial:


a) segurado empregado;
b) trabalhador avulso; e
c) contribuinte individual, este somente quando cooperado filiado a
cooperativa de trabalho ou de produção.

263 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.4.7 Carência

Em regra, a carência exigida para a concessão da aposentadoria especial é


de 180 contribuições mensais. Todavia, para os segurados inscritos na Previdência
Social Urbana até 24/07/91, bem como para os trabalhadores e empregadores rurais
antes amparados pela Previdência Social Rural, observa-se a regra de transição
prevista no art. 142 da Lei 8.213/9!.

2.4.8 Renda mensal inicial

A renda mensal inicial da aposentadoria especial é de 100% do salário de benefício.


Para a aposentadoria especial, o salário de benefício é a média aritmética
simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo o
período contributivo. Para este benefício não é aplicado o fator previdenciário.
Para o segurado filiado à Previdência Social até 28/11/99, véspera da publi-
cação da Lei 9.876/99, só serão considerados para o cálculo do salário de benefício
os salários de contribuição referentes às competências de julho de 1994 em diante.
As competências anteriores a julho de 1994 são, assim, desprezadas para efeito do
cálculo do salário de benefício.

2.4.9 Aposentado que permanece em atividade ou que a ela retorna

O segurado em gozo de aposentadoria especial que retornar à atividade ou


operações que o sujeitem aos agentes nocivos, ou nela permanecer, na mesma ou
em outra empresa, qualquer que seja a forma de prestação do serviço, ou categoria
de segurado, terá sua aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data
do retorno à atividade.
Naturalmente, se retornar ao trabalho em atividade comum, isto é, sem a
exposição habitual e contínua a agentes nocivos, não sofrerá nenhuma sanção.
Nesta hipótese, o retorno à atividade não prejudica o recebimento de sua apo-
sentadoria, que será mantida no seu valor integral. Retornando à atividade, o
aposentado será obrigado a contribuir para a previdência. A contribuição incidirá
sobre a remuneração que ele receber em decorrência do seu trabalho, e não sobre
os proventos da aposentadoria.

HugoGoes 264
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

2.4.10 Data de início do benefício

Para a data de início da aposentadoria especial, adotam-se os mesmos cri-


térios utilizados para as aposentadorias por idade e por tempo ele contribuição.
Assim, a aposentadoria especial será devida:
I. Para o segurado empregado:
a) A partir da data do desligamento do emprego, quando requerido
no prazo de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
b) A partir da data do requerimento, quando não houver desligamento
do emprego ou quando for requerida depois de 90 dias, contados da
data do desligamento;
II. Para o trabalhador avulso e o contribuinte individual, este último
somente quando cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou de
produção: a partir da data da entrada do requerimento.

Atente-se, entretanto, para o fato de que o segurado em gozo de aposenta-


doria especial não pode permanecer em atividade sujeita a condições que prejudi-
quem a sua saúde ou a sua integridade física, sob pena de cessação do benefício. Ou
seja, não pode exercer atividade que o exponha aos agentes nocivos previstos no
anexo IV do RPS. Mas pode continuar trabalhando, inclusive na mesma empresa,
desde que não esteja exposto a esses agentes nocivos.

2.4.11 Cessação do benefício

De acordo com o art. 181-B do Regulamento da Previdência Social (RPS), a


aposentadoria especial é irreversível e irrenunciável. Assim, em regra, só cessará
com a morte do segurado.
Todavia, de acordo com o parágrafo único do art. 69 do RPS, o segurado
que retornar ao exercício de atividade ou operação que o sujeite aos riscos e agentes
nocivos constantes do Anexo IV do RPS, ou nele permanecer, na mesma ou em
outra empresa, qualquer que seja a forma de prestação do serviço ou categoria
de segurado, será imediatamente notificado da cessação do pagamento de sua
aposentadoria especial, no prazo de sessenta dias contado da data de emissão da
notificação, salvo comprovação, nesse prazo, de que o exercício dessa atividade ou
operação foi encerrado. Além disso, o STJ tem admitido a renúncia à aposentadoria

265 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

sob regime geral para efeito de aproveitamento do respectivo tempo de contribui-


ção em Regime Próprio de Previdência Social. 131

2.4.12 Previsão constitucional

Os critérios diferenciados adotados na concessão da aposentadoria especial


amparam-se no §l" do art. 20l da Constituição Federal:
Cl~, art. 201, §1": "t vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados
para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdên-
cia social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados
portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar" (redação
dada pela EC 47, de 2005).
De acordo com o art. 15 da Emenda Constitucional 20/98, "até que a lei
complementar a que se refere o art. 201, §l ",da Constituição Federal, seja publi-
cada, permanece em vigor o disposto nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213, de 24 de julho
de 1991, na redação vigente à data da publicação desta Emenda". Assim, mesmo
sendo a Lei 8.213/91 uma lei ordinária, os seus artigos 57 e 58 foram recepcio-
nados pela Emenda Constitucional 20/98 com status de lei complementar. Dessa
forma, a partir de 16/12/98 (data de publicação da EC 20), os artigos 57 e 58 da
Lei 8.213/91 somente podem ser alterados mediante lei complementar.
A Constituição Federal também assegura aposentadoria com condições
privilegiadas para os trabalhadores rurais e para os que exerçam suas atividades
em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro
e o pescador artesanal (CF, art. 201, §7", li). Também são assegurados requisitos
diferenciados para os professores da educação infantil e do ensino fundamental e
médio (CF, art. 201, §8"). Mas a aposentadoria desses trabalhadores não é denomi-
nada pela Lei 8.213/91 como aposentadoria especial. Para os trabalhadores rurais,
a redução de 5 anos no requisito idade ocorre quando se trata de aposentadoria por
idade. Para os professores, a redução de 5 anos no tempo de contribuição ocorre
quando se trata de aposentadoria por tempo de contribuição.

131 STJ, REsp 663.336/MG, Rei. Min. Arnaldo Esteves Lima, 5' 'I~ DJ 07/02/2008, p. I.

Hugo Goes 266


Prestaçoes ao tu~yu,,e \.Jt.:'l a1 uc , 1c: v IU\..1 1\,..IU _.'""".._ ......

Exposição contínua e habitual a agentes nocivos físicos, quí-


Fato gerador micos ou biológicos, prejudiciais à saúde ou à integridade
física, durante 15, 20 ou 25 anos.
Segurados empregados e trabalhador avulso;
O cooperado, filiado a cooperativa de trabalho ou de produ-
Beneficiários
ção, embora seja contribuinte individual, também tem direito
ao benefício;
Em regra, 180 contribuições mensais. Para os segurados ins-
Carência critos até 24/07/91, observa-se a regra de transição prevista no
art. 142 da Lei 8.213/91.
Renda mensal 100% do salário de benefício.
I - Para o segurado empregado:
a) a partir da data do desligamento do emprego, quando reque-
rido no praw de 90 dias, contados da data do desligamento; ou
b) a partir da data do requerimento, quando não houverdes-
Início do benefício
ligamento do emprego ou quando for requerido depois de 90
dias, contados da data do desligamento.
Il- Para o trabalhador avulso e o cooperado filiado a cooperativa
de trabalho ou de produção: a partir da data do requerimento ..
Em regra, com a morte do segurado, mas também cessará se
Cessaç~o do
o segurado retornar a atividade que o sujeite àos agentes noci-
benefício
vos, que prej'L!~iquem sua saltde ou integridade física.

2.5 Aposentadoria da pessoa com deficiência

No tocante aos segurados portadores de deficiência, o § 1o do art. 201 da


Constituição Federal prevê a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a
concessão de aposentadoria, nos termos definidos em lei complementar.
A Lei Complementar 142, de 8 de maio de 2013, regulamentou o§ 1° do art.
201 da Constituição Federal, no tocante à aposentadoria da pessoa com deficiência
segurada do Regime Geral de Previdência Social- RGPS.
A aposentadoria da pessoa com deficiência pode ser por tempo de contri-
buição ou por idade.

267 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.5.1 Aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com


deficiência

A aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deflciência, cum-


prida a carência, é devida ao segurado empregado, inclusive o doméstico, trabalhador
avulso, contribuinte individual e facultativo, que cumpra os seguintes requisitos:

I- aos vinte e cinco anos de tempo de contribuição na con-


dição de pessoa com deficiencia, se homem, e vinte anos, se
mulher, no caso de segurado com deficíencia grave;
li aos vinte c nove anos de tempo de contribuição na con-
dição de pessoa com def1ciencia, se homem, e vinte e qua-
tro anos, se mulher, no Clso de segurado com deficiencia
moderada; e
III- aos trinta e três a nos de tempo de contribuição na con-
dição de pessoa com deficiência, se homem, e vinte e oito
anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência leve.

Para uma melhor memorizaç<lo, repito os requisitos acima por meio de


uma tabela:

Grave 25 20
Moderada 29 24
Leve 33 28

O segurado especial, desde que recolha contribuições com alíquota de 20%


sobre o salário de contribuição, durante os períodos supramencionados, também
terá direito à aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência.
O grau de deficiência serú atestado por perícia própria do Instituto Nacio-
nal do Seguro Social - INSS, por meio de instrumentos desenvolvidos para esse
fim (LC 142/2013, art. 5°).
A existência de deficiência anterior à data da vigência da Lei Complemen-
tar 142/2013 deverá ser certificada, inclusive quanto ao seu grau, por ocasião
da primeira avaliação, sendo obrigatória a fixação da data provável do início da
deficiência. A comprovação de tempo de contribuição na condição de segurado
com deficiência em período anterior à entrada em vigor da Lei Complementar

HugoGoes 268
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

142/2013 não será admitida por meio de prova exclusivamente testemunhal. A


Lei Complementar 142/2013 foi publicada no Diário Oficial da União no dia
09/05/2013 e, conforme o seu artigo 11, entrou em vigor após decorridos 6 (seis)
meses de sua publicação oficial.
É assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na condição
de segurado com deficiência relativo à filiação ao RGPS, ao regime próprio de
previdência do servidor público ou a regime de previdência militar, devendo os
regimes compensar-se financeiramente (LC 142/2013, art. 9°, II).

2.5.1.1 Segurado que, após a filiação ao RGPS, torna-se pessoa com deficiência, ou
tem seu grau de deficiência alter·ado

Para o segurado que, após a filiação ao RGPS, tornar-se pessoa com defici-
ência, ou tiver seu grau de deficiência alterado, o tempo de contribuição será pro-
porcionalmente ajustado e os respectivos períodos serão somados após conversão,
conforme as tabelas abaixo, considerando o grau de deficiência preponderante:

De 20 anos 1,00 1,20 1,40 1,50


De 24 anos 0,83 1,00 1,17 1,25
De 28 anos 0,71 0,86 1,00 1,07
De 30 anos 0,67 0,80 0,93 1,00

De 25 anos 1,00 1,16 1,32 1,40


De 29 anos 0,86 1,00 1,14 1,21
De 33 anos 0,76 0,88 1,00 1,06
De 35 anos 0,71 0,83 0,94 1,00

269 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Dica:
Não precisa memorizar a tabela acima. Para calcular o multiplicador de
uma forma rápida e simples, basta dividir o "tempo para" pelo "tempo de".
Por exemplo, para encontrar o multiplicador da conversão de um tempo
de 25 anos para 33 anos, basta dividir 33 por 25, que é igual a 1,32.

O grau ele deficiência preponderante será aquele em que o segurado cumpriu


maior tempo de contribuição, antes ela conversão, e servirá como parâmetro para
defini r o tempo mínimo necessário para a aposentadoria por tempo de contribui-
ção da pessoa com deficiência e para a conversão (RPS, art. 70-E, § 1°). Quando
o segurado contribuiu alternadamente na condição de pessoa sem deficiência e
com deficiência, os respectivos períodos poderão ser somados, após aplicação da
conversão (RPS, art. 70-E, § 2").

Exemplo:
João trabalhou 30 anos como empregado da empresa Delta S.A., na condi-
ção de pessoa com deficiência. Durante os primeiros 8 anos de trabalho, a
deficiência tinha grau leve e nos 22 anos seguintes, grau moderado. Nesse
caso, o grau de deficiência preponderante é o moderado, cuja aposentado-
ria exige, para homem, 29 anos de contribuição. Os primeiros 8 anos serão
multiplicados por 0,88, para fins de ajuste (de 33 para 29), resultando em
7,04 anos. Depois do ajuste, o segurado passa a ter 29,04 anos de contribui-
ção (7,04 + 22 == 29,04). Como a aposentadoria do homem com deficiên-
cia moderada exige, no mínimo, 29 anos de contribuição e João já conta
com 29,04 anos, conclui-se que ele já adquiriu direito à aposentadoria.

2.5.1.2 Conversão do tempo de contribuição especial para fins de aposentadoria por


tempo de contribuição da pessoa com deficiência

A redução do tempo de contribuição da pessoa com deficiência, prevista na Lei


Complementar 142/2013, não poderá ser acumulada, no tocante ao mesmo período
contributivo, com a redução assegurada aos casos de atividades exercidas sob condi-
ções especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física (LC 142/2013, art. 10).
É, contudo, garantida a conversão do tempo de contribuição cumprido em
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do segurado,
inclusive da pessoa com deficiência, para fins da aposentadoria por tempo de

HugoGoes 270
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

contribuição da pessoa com deficiência, se resultar mais favorável ao segurado,


conforme tabela abaixo:

Tempo a
convertev'
De 15 anos 1,00 1,33 1,60 1,67 1,87
De 20 anos 0,75 1,00 1,20 1,25 1,40
De 24 anos 0,63 0,83 1,00 1,04 1,17
De 25 anos 0,60 0,80 0,96 1,00 1,12
De 28 anos 0,54 0,71 0,86 0,89 1,00

De 15 anos 1,00 1,33 1,67 1,93 2,20


De 20 anos 0,75 1,00 1,25 1,45 1,65
De 25 anos 0,60 0,80 1,00 1,16 1,32
De 29 anos 0,52 0,69 0,86 1,00 1,14
De 33 anos 0,45 0,61 0,76 0,88 1,00

Dica:
Não precisa memorizar a tabela anterior. Para calcular o multiplicador de
uma forma rápida e simples, basta dividir o "tempo para" pelo "tempo de".
Por exemplo, para encontrar o multiplicador da conversão de um tempo
de 20 anos para 29 anos, basta dividir 29 por 20, que é igual a 1,45.

271 Capitulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Exemplo:
Mateus foi, durante 10 anos, empregado do Hospital Alfa S.A., onde tra-
balhava corno operador de máquina de Raio-X, com efetiva exposição a
radiações ionizantes. Esse tipo de atividade dá direito à aposentadoria
especial aos 25 anos de contribuição. Em seguida, Mateus ficou durante 2
anos desempregado, época em que adquiriu deficiência sensorial leve. Nos
últimos 20 anos, Ma teus trabalha como empregado da empresa Beta S.A.,
sem nenhuma exposição a agentes nocivos, mas continua sendo portador
de deficiência de grau leve. Nesse caso, a aposentadoria exige, para homem,
33 anos de contribuição. Para efeito de conversão do tempo especial (de
25 para 33), os primeiros 10 anos serão multiplicados por 1,32, resultando
em 13,2 anos. Depois da conversão, o segurado passa a ter 33,2 anos de
contribuição (13,2 + 20 = 33,2). Como a aposentadoria do homem com
deficiência leve exige, no mínimo, 33 anos de contribuição e Mateus já
conta com 33,2 anos, conclui-se que ele já adquiriu direito à aposentadoria.

É vedada a conversão do tempo de contribuição ela pessoa com deficiência


para fins de concessão ela aposentadoria especial (RPS, art. 70-F, § 2°).

2.5.2 Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência

A aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, cumprida a carência,


é devida ao segurados aos 60 (sessenta) anos ele idade, se homem, e 55 (cinquenta e
cinco) anos de idade, se mulher, independentemente do grau de deficiência, desde
que cumprido tempo mínimo de contribuição ele 15 (quinze) anos e comprovada
a existência de deficiência durante igual período (RPS, art. 70-C).
Para uma melhor memorização, repito os requisitos acima por meio de
uma tabela:

15 anos, desde que compro-


vada a existência de deficiência Independe do grau 60 55
durante igual período.

Para fins da aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, é assegurada


a conversão do período de exercício de atividade sujeita a condições especiais que
prejudiquem a saúde ou a integridade física, cumprido na condição de pessoa

Hugo Goes 272


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

com deficiência, exclusivamente para efeito de cálculo do valor da renda mensal,


vedado o cômputo do tempo convertido para fins de carência (RPS, art. 70-F, §3").

2.5.3 Beneficiários

Todos os segurados que, mediante perícia própria do INSS, sejam conside-


rados como pessoas com deficiência são beneficiários da aposentadoria da pessoa
com deficiência de que trata a Lei Complementar 142/2013.
Contudo, vale frisar que, para o segurado especial ter direito à aposentadoria
por tempo de contribuição da pessoa com deficiência, é necessário que ele reco-
lha contribuições com alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, durante
os períodos de contribuição exigidos para fins de concessão dessa aposentadoria
(RPS, art. 70-B, parágrafo único). O segurado contribuinte individual que tra-
balhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, o
microempreendedor individual e o segurado facultativo que contribuam com a
alíquota de 11% ou 5% sobre um salário mínimo não farão jus à aposentadoria
por tempo de contribuição da pessoa com deficiência (RPS, art. 199-A, § 1").
Para o reconhecimento do direito à aposentadoria de que trata a Lei Com-
plementar 142/2013, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impe-
dimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os
quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
A concessão da aposentadoria por tempo de contribuição ou por idade ao
segurado que tenha reconhecido, em avaliação médica e funcional realizada por
perícia própria do INSS, grau de deficiência leve, moderada ou grave, está condi-
cionada à comprovação da condição de pessoa com deficiência na data da entrada
do requerimento ou na data da implementação dos requisitos para o benefício
(RPS, art. 70-A).
É facultado ao segurado com deficiência optar pela percepção de qualquer
outra espécie de aposentadoria do RGPS que lhe seja mais vantajosa (LC 142/2013,
art. 9°, V).

273 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

2.5.4 Carência

A carência exigida para a concessão da aposentadoria da pessoa com del1-


ciência, seja por idade ou por tempo de contribuição, é de 180 contribuições mensais
(RPS, art. 29, Il; art. 70-B e art. 70-C).
Vale, contudo, frisar que a Lei Complementar 142/2013 não prevê a neces-
sidade de cumprimento de carência para a concessào da aposentadoria da pessoa
com deficiência. De acordo com a referida lei complementar, bastaria comprovar
o tempo de contribuição. O cumprimento do período de carência é uma exigência
elos artigos 70-B e 70-C do Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99).
Temos aqui mais um caso polêmico, em que o Regulamento extrapolao texto legal.

2.5.5 Renda mensal inicial

No caso ela aposentadoria por tempo de contribt:ição da pessoa com clel1-


ciência, a renda mensal inicial será de lOO% elo salário de benefício.
No caso da aposentadoria por idade ela pessoa com deficiência, a renda
mensal inicial será de 70% mais 1% do salário de benefício por grupo de 12 con-
tribuições mensais. O valor dessa aposentadoria não pode exceder a 100% do
salário de benefício.
No cálculo do salário de benefício da aposentadoria da pessoa com deficiência,
seja por idade ou por tempo de contribuição, o fator previdenciário somente será
aplicado se resultar em renda mensal de valor mais elevado (LC 142/2013, art. 9°, I).

I - 25 anos de tempo de contribuição, se homem, e 20 anos, se


mulher, no caso de segurado com deficiência grave;
li - 29 anos de tempo de contribuição, se homem, e 24 anos, se
mulher, no caso de segurado com deficiência moderada;
II1 - 33 anos de tempo de contribuição, se homem, e 28 anos, se
Fato gerador
mulher, no caso de segurado com deficiência leve; ou
IV - 60 anos de idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher,
independentemente do grau de deficiência, desde que cumprido
tempo mínimo de contribuição de 15 anos e comprovada a exis-
tência de deficiência durante igual período.
Todos os segurados que, mediante perícia própria do INSS, sejam
Beneficiários
considerados como pessoas com deficiência.

HugoGoes 274
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Carência 180 contribuições mensais.


I - No caso da aposentadoria por tempo de contribuição: lOO%
do SB.
Renda mensal II - No caso da aposentadoria por idade: 70% do SB + 1% do SB
para cada grupo de 12 contribuições mensais. Não pode superar
lOO% do SB.

2.6 Auxílio-doença

O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando


for o caso, o período de carência exigido, ficar incapacitado para o seu trabalho ou
para a sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos (Lei 8.213/91, art. 59).
Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da
atividade por motivo de doença ou de acidente de trabalho ou de qualquer natu-
reza, caberá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral (Lei
8.213/91, art. 60, §3°).

2.6.1 Requerimento

Em regra, o auxílio-doença é requerido pelo próprio segurado. Todavia, é


facultado à empresa protocolar requerimento de auxílio-doença ou documento
dele originário de seu empregado ou de contribuinte individual a ela vinculado
ou a seu serviço, na forma estabelecida pelo INSS (RPS, art. 76-A). A empresa que
<ldotar este procedimento terá acesso às decisões administrativas a ele relativas
(RPS, art. 76-A, parágrafo único).

2.6.2 Verificação da incapacidade

A incapacidade para o trabalho deve ser comprovada através de exame


re<llizado pela perícia médica do INSS. Mas, nos casos de impossibilidade de rea-
lização de perícia médica pelo órgão ou setor próprio competente, assim como
de efetiva incapacidade física ou técnica de implementação das atividades e de
atendimento adequado à clientela da previdência social, o INSS poderá, sem ônus
para os segurados, celebrar, nos termos do regulamento, convênios, termos de
execução descentralizada, termos de fomento ou de colaboração, contratos não
onerosos ou acordos de cooperação técnica para realização de perícia médica,

275 CapítuloS
Manual de Direito Previdenciário

por delegação ou simples cooperação técnica, sob sua coordenação e supervisão,


com órgãos e entidades públicos ou que integrem o Sistema Único de Saúde (Lei
8.213/91, art. 60, §5°).
O segurado em gozo de auxílio-doença está obrigado, independentemente
de sua idade e sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico
a cargo da Previdência Social, processo de reabilitação profissional por ela pres-
crito e custeado e tratamento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a
transfusão de sangue, que são facultativos (RPS, art. 77). Não cessará o benefício
até que seja dado como habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe
garanta a subsistência ou, quando considerado não recuperável, for aposentado
por invalidez (Lei 8.213/91, art. 62).
O STJ tem entendido que é devido o auxílio-doença ao segurado conside-
rado parcialmente incapaz para o trabalho, mas suscetível de reabilitação profis-
sional para o exercício de outras atividades laborais. 132
A Previdência Social deve processar de ofício o benefício, quando tiver
ciência da incapacidade do segurado sem que este tenha requerido auxílio-doença
(RPS, art. 76).

2.6.3 Doença preexistente

Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao RGPS já por-


tador de doença ou lesão invocada como causa para a concessão do benefício,
salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento
dessa doença ou lesão.

2.6.4 Segurado que exerce mais de uma atividade

O auxílio-doença do segurado que exercer mais de uma atividade abrangida


pela Previdência Social será devido mesmo no caso de incapacidade apenas para
o exercício de uma delas, devendo a perícia médica ser conhecedora de todas as
atividades que o mesmo estiver exercendo. Nesta hipótese, o auxílio-doença será
concedido em relação à atividade para a qual o segurado estiver incapacitado,
considerando-se para efeito de carência somente as contribuições relativas a essa
atividade. Todavia, se nas várias atividades o segurado exercer a mesma profissão,
será exigido de imediato o afastamento de todas.

132 STJ, AgRg no AREsp 220768/ PB, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, 2·' Turma, DJe 12/ll/2012.

Hugo Goes 276


Prestações do Regime Geral de Previdência Social

Ocorrendo o afastamento de apenas uma ou algumas atividades, mas não


de todas, o valor do auxílio-doença poderá ser inferior ao salário mínimo, desde
que somado às demais remunerações recebidas resultar valor superior a este (RPS,
art. 73, §4").
Constatada, durante o recebimento do auxílio-doença, a incapacidade do
segurado para cada uma das demais atividades, o valor do benefício deverá ser
revisto com base nos respectivos salários de contribuição.
Quando o segurado que exercer mais de uma atividade se incapacitar defini-
tivamente para uma delas, deverá o auxílio-doença ser mantido indefinidamente,
não cabendo sua transformação em aposentadoria por invalidez, enquanto essa
incapacidade não se estender às demais atividades.

2.6.5 Beneficiários

Todos os segurados têm direito ao auxílio-doença.

2.6.6 Carência

O período de carência para a concessão do auxílio-doença é, em regra, de


12 contribuições mensa[s. Todavia, a concessão independe de carência nos casos
em que a incapacidade for decorrente de acidente de qualquer natureza ou causa,
de doença profissional o·.1 do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após
filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das seguintes doenças: tuberculose
ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neo-
plasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave,
doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado
avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imu-
nológica adquirida (aids) ou contaminação por radiação, com base em conclusão
da medicina especializada (Lei 8.213/91, art. 26, li c/c art. 151).
Em casos de acidente, para que haja a dispensa da carência, não é necessá-
rio que seja acidente de trabalho. A lei refere-se a acidente de qualquer natureza
ou causa.
Para o segurado especial, basta a comprovação do exercício de atividade
pelo período equivalente ao número de meses correspondente à carência do
benefício requerido.

277 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

Havendo perda da qualidade de segurado, para habilitar-se novamente


ao auxílio-doença, o segurado não necessitará cumprir a carência de mais 12
contribuições mensais. A regra prevista no parágrafo único do art. 24 da Lei
8.213/91 permite a contagem das contribuições anteriores, desde que o segurado
implemente, a partir da nova 6liação, um terço do número de contribuições exi-
gidas para o cumprimento da carência do benefício. Para o auxílio-doença, isso
representa quatro contribuiçôes mensais.

2.6.7 Renda mensal inicial

A renda mensal inicial do auxílio-doença corresponde a 91% do salário


de benefício.
Quando se trata de auxílio-doença, o salário de benefício é a média arit-
mética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de
todo o período contributivo.
Para o segurado 6liado à Previdência Social até 28/11/99, véspera da publi-
cação da Lei 9.876/99, só serão considerados para o cálculo do salário de benefício
os salários de contribuição referentes às competências de julho de 1994 em diante.
As competências anteriores a julho de 1994 são, assim, desprezadas para efeito do
cálculo do salário de benefício.
O auxílio-doença não poderá exceder a média aritmética simples dos últi-
mos doze salários de contribuição, inclusive no caso de remuneração variável, ou,
se não alcançado o número de doze, a média aritmética simples dos salários de
contribuição existentes (Lei 8.213/91, art. 29, §10).
Para o segurado especial, a renda mensal do auxílio-doença é de um salário
mínimo. Todavia, caso o segurado especial tenha optado por contribuir, faculta-
tivamente, com a alíquota de 20% sobre o salário de contribuição, a renda mensal
do benefício será calculada de forma igual à aplicada para os demais segurados.

2.6.8 Data de início do benefício

O auxílio-doença será devido:

I - ao segurado empregado, a partir do 16° dia do afasta-


mento da atividade ou a partir da data de entrada do reque-
rimento, se entre o afastamento e a data de entrada do
requerimento decorrerem mais de 30 dias; e

Hugo Goes 278


Prestaçoes do Regime Geral de Previdência Social

li - aos demais segurados, a partir do início da incapaci-


dade ou da data de entrada do requerimento, se entre essas
datas decorrerem mais de 30 dias.

Tratando-se de segurado empregado, se requerido até o 30° dia elo afasta-


mento, o auxílio-doença será devido a contar do 16" dia elo afastamento da ativi-
dade. É assim porque durante os primeiros 15 dias consecutivos ele afastamento da
atividade por motivo de doença ou de acidente de trabalho ou de qualquer natureza,
caberá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral (Lei 8.213/91,
art. 60, §3°). Quando o auxílio-doença for requerido pelo empregado após o 30° dia
do afastamento, o benefício será devido a contar da data do requerimento.
Para os demais segurados, se requerido até o 30° dia do afastamento, o
auxílio-doença será devido a partir da data do início da incapacidade. Quando
requerido após o 30° dia do afastamento, o benefício será devido a contar da data
do requerimento.
Quando o empregado acidentado não se afastar do trabalho no dia do aci-
dente, os 15 dias de responsabilidade da empresa pela sua remuneração integral
são contados a partir da data do afastamento.
Cabe à empresa que dispuser de serviço médico próprio ou em convênio
o exame médico e o abono das faltas correspondentes aos primeiros 15 dias de
afastamento. A empresa somente deverá encaminhar o segurado à perícia médica
da Previdência Social quando a incapacidade ultrapassar 15 dias (Lei 8.213/91,
art. 60, §4°).

2.6.9 Cessação do benefício

O auxílio-doença cessa:
a) pela recuperação da capacidade para o trabalho;
b) pela transformação em aposentadoria por invalidez;
c) pela transformação em auxílio-acidente de qualquer natureza, neste
caso se, após a consolidação decorrente de acidente de qualquer
natureza, resultar sequela que implique redução da capacidade para o
trabalho que habitualmente exercia; ou
d) com a morte do segurado.

O segurado que durante o gozo do auxílio-doença vier a exercer atividade


que lhe garanta subsistência poderá ter o benefício cancelado a partir do retorno

279 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

à atividade (Lei 8.213/91, art. 60, § 6°). Mas caso o segurado, durante o gozo do
auxílio-doença, venha a exercer atividade diversa daquela que gerou o benefício,
deverá ser verificada a incapacidade para cada uma das atividades exercidas (Lei
8.213/91, art. 60, § 7").

Exemplo:
Joaquim, empregado de uma fábrica de agrotóxicos, está recebendo auxí-
lio-doença, pois ficou incapacitado para o trabalho por mais de 15 dias
consecutivos. A incapacidade foi motivada por uma "bronquite crônica
asmática". Durante o gozo do auxílio-doença, Joaquim passou a exercer
pequena atividade comercial como vendedor ambulante. Nesse caso, deverá
ser analisada a sua incapacidade em relação a cada uma das atividades por
ele exercidas. Se ficar constatado que ele já está apto a exercer ambas as
atividades, o auxílio-doença será cancelado. Mas se ficar constatado que
ele continua incapacitado para a atividade que exerce na fábrica de agrotó-
xicos, o auxílio-doença continuará serldo pago em relação a essa atividade.

O segurado em gozo de auxílio-doença, insuscetível de recuperação para


sua atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilitação profissional
para exercício de outra atividade, não cessando o benefício até que seja dado como
habilitado para o desempenho de nova atividade que lhe garanta a subsistência
ou, quando considerado não recuperável, seja aposentado por invalidez.

2.6.10 Prazo para recuperação da capacidade

O INSS poderá estabelecer, mediante avaliação médico-pericial, o prazo


que entender suficiente para a recuperação da capacidade para o trabalho do
segurado, dispensada nessa hipótese a realização de nova perícia.
Caso o prazo concedido para a recuperação se revele insuficiente, o segu-
rado poderá solicitar a realização de nova perícia médica, na forma estabelecida
pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social.
O documento de concessão do auxílio-doença conterá as informações
necessárias para o requerimento da nova avaliação médico-pericial.
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

2.6.11 Contagem do período de auxílio-doença como tempo de


contribuiçã:::J

De acordo com o art. 60 do RPS, até que lei específica discipline a matéria,
são contados como tempo de contribuição, entre outros:
a) o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença ou apo-
sentadoria por invalidez, entre períodos de atividade;
b) o período em que o segurado esteve recebendo benefício por incapaci-
dade por acidente do trabalho, intercalado ou não;

Assim, se o período de auxílio-doença transcorrer entre períodos de atividade,


sempre será contado como tempo de contribuição. Mas não sendo entre períodos
de atividade, somente será contado como tempo de contribuição se for decorrente
de acidente de trabalho. Todavia, para fins de carência, o período de auxílio-doença
não será contado, mesmo que seja decorrente de acidente do trabalho.
Mas vale frisar que, no tocante ao período no qual o segurado esteve em gozo
de benefício por incapacidade, o STJ tem entendido que, além de contar como tempo
de contribuição, também é possível a contagem para fins de carência, desde que
intercalado com períodos contributivos. Nesse sentido, confira o seguinte julgado:

PREVIDENC:ÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. PERÍODO


DE GOZO DE AUXÍLIO-DOENÇA. CôMPUTO PARA FINS DE
CARÊNCIA. CABIMENTO.

1. É possível a contagem, para fins de carência, do período


no qual o segurado esteve em gozo de benefício por incapa-
cidade, desde que intercalado com períodos contributivos
(art. 55, II, da Lei 8.213/91). Precedentes do STJ e da TNU.
2. Se o tempo em que o segurado recebe auxílio-doença é
contado como tempo de contribuição (art. 29, § 5°, da Lei
8.213/91), consequentemente, deve ser computado para fins
de carência. É a própria norma regulamentadora que per-
mite esse cômputo, como se vê do disposto no art. 60, III,
do Decreto 3.048/99.
3. Recurso especial não provido.133

133 STJ, REsp 1334467 I RS, Re .. !vlin. Castro Meira, 2' Turma, DJe 05/06/2013.

281 Capítulo 5
Manual de Direito Previdenciário

O Supremo Tribunal Federal decidiu nos autos do RE 583.834/PR-RG, com


repercussão geral reconhecida, que devem ser computados, para fins de concessão
de aposentadoria por invalidez, os períodos em que o segurado tenha usufruído
do benefício de auxílio-doença, desde que intercalados com atividade laborativa.
A Suprema Corte vem se pronunciando no sentido de que o referido entendimento
se aplica, inclusive, para fins de cômputo da carência, e não apenas para cálculo
do tempo de contribuição. 134

2.6.12 Situação trabalhista do empregado

Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da ativi-


dade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado
o seu salário integral (Lei 8.213/91, art. 60, §3°). Assim, neste período, ocorre a
interrupçüo do contrato de trabalho.
A partir do 16° dia do afastamento da atividade, o segurado empregado
em gozo de auxílio-doença será considerado pela empresa como licenciado (Lei
8.213/91, art. 63). Assim, neste caso, ocorre a suspensão do contrato de trabalho,
pois não há pagamento de salário pela empresa.
De acordo com o disposto no art. 118 da Lei 8.213/91, "o segurado que
sofreu acidente do trabalho tem garantida, pelo prazo mínimo de doze meses, a
manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-
-doença acidentário, independentemente de percepção de auxílio-acidente".

Incapacidade temporária para o trabalho ou para a ativi-


Fato gerador
dade habitual por mais de 15 dias consecutivos.
Beneficiários Todos os segurados.
Em regra, 12 contribuições mensais. Todavia, quando a
incapacidade for decorrente, doença profissional ou do
Carência trabalho ou de alguma doença especificada em lista elabo-
rada pelos Ministérios da Saó.de e da Previdência Social,
não será exigida a carência.
91% do salário. de benefício, nã() pc;dendo exceder a média
ar~tmética dos últimosl2 saládos'de contribuição ou, se
Renda mensal
não alcançado o numero de 12, a.média aritmética dos
salários de contribuição existentes:

134 STF, RE 771577 AgR I SC, Rei. Min. Dias Toffoli, 1' turma, D)e-213, Divulg 29/l0/2014, Public 30/10/2014.

HugoGoes 282
Prestações do Regime Geral de Previdência Social

I - ao segurado empregado, a partir do 16° dia do afas-


tamento da atividade ou a partir da data dê entrada do
requerimento, se entre o afastamento e a data de entrada
Início do benefício do requerimento decorrerem mais de 30 dias; e
li - aos demais segurados, a partir do início da inca