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» ed >, eT ; itt, 4 Coleccao Formagao Modular Automovel MAGNETISMO E ELECTROMAGNETISMO - MOTORES E GERADORES MOPPESSCEPRA/9 CEPRA Coleccao Titulo do Médulo Coordenagao Técnico-Pedagégica Direcgao Editorial Autor Maquetagem Propriedade 1° Edicao Depésito Legal Referéncias Formagao Modular Automével Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores € Geradores CEPRA — Centro de Formagao Profissional da Reparacdo Automével Departamento Técnico Pedagogico CEPRA - Direogao CEPRA - Desenvolvimento Curricular CEPRA — Nicleo de Apoio Grafico Instituto de Emprego e Formacdo Profissional Ay. José Malhoa, 11 - 1000 Lisboa Portugal, Lisboa, Fevereiro de 2000 148440/00 © Copyright, 2000 Todos os direitos reservados IEFP aay rail Pe ch "Produgo apoiada pelo Programa Operacional Formago Profissional e Emprego, cofinanciado pelo Estado Portugués, e pela Unido Europeta, através do FSE” “Ministerio de Trabalho e da Solidariedade ~ Secretaria de Estado do Emprego e Formagao” Magnetismo 6 Electtomagnetismol= Motores @ Geradores z A CEPRA INDICE DOCUMENTOS DE ENTRADA OBJECTIVOS GERAIS OBJECTIVOS ESPECIFICOS PRE-REQUISITOS CORPO DO MODULO 0-INTRODUCAO. - MAGNETISMO. 1.1 - IMANS... 1.2 - POLOS MAGNETICOS a snes 12 1.3 - CAMPOS MAGNETICOS wn sunssnsis 12 1.4 INTERACGAO ENTRE IMANS. sonnne 1B 1.5 - PERMEABILIDADE MAGNETICA se rene Mb 1.6 - METODOS DE MAGNETIZAGAO. ee 15 2 - ELECTROMAGNETISMO........ 2.1 - CAMPO MAGNETICO PRODUZIDO PELA CORRENTE. 2a 2.2 - ACGOES ENTRE AS CORRENTES 22 2.3 - SOLENOIDE..... 23 2.4 - ELECTROIMAN. — so 24 2.5 - SATURAGAO MAGNETICA so essen 2B 2.6 ~ INDUGAO ELECTROMAGNETICA none 2B 2.7 - TRANSFORMADORES ee 2a 2.7.1 - RELAGAO DE ESPIRAS ~ TENSAO E CORRENTE sonnei BAB, 2.7.2- NUCLEO DE FERRO. 214 2.8 - 0 AUTO ~ TRANSFORMADOR sos 2.14 3 - MOTORES E GERADORES.. 3.1 MOTORES ELECTRICOS. so en A 3.1.1 -O COLECTOR... tr rm sesso 36 Magnetismo e Electromagnetismo-Motores e Geradores indice A CEPRA 8.2 CONSTITUIGAO DO MOTOR a7 3.2.1 ~ GERADORES: 312 3.2.2 - DINAMOS 3.16 3.2.3 - ALTERNADOR . 3.16 BIBLIOGRAFIA DOCUMENTO DE SAIDA POS-TESTE. CORRIGENDA DO POS TEST! ANEXOS EXERCICIOS PRATICOS... GUIA DE AVALIACAO DOS EXERCICIOS PRATICOS... Magnetismo e Electromagnetismo-Motores e Geradores indice @OCEPRA DOCUMENTOS DE ENTRADA AcEPRA Objectivos Gerais e Especiticos OBJECTIVOS GERAIS E ESPECIFICOS No final deste médulo, o formando devera ser capaz de’ OBJECTIVO GERAL Identificar as diversas partes dum motor eléctrico e igualmente cum gerador, garantindo o bom funcionamento do motor eléctricn sabendo quais os factores mais importantes na manutengSo do motor. Deverd também comparar um motor eléctrico dum dinamo ou alternador quanto a sua fungdo e constituicao fisicas, eas suas aplicagées na in- diistria automével. OBJECTIVOS ESPECIFICOS 1. Tomando em conta, a constituigo da matéria tal como ela se apre- senta na natureza, distinguir os pélos magnéticos num iman, 2, Perante os diversos tipos de imans conhecidos, distinguir um elec- troiman dum iman permanente. 3, Com 0 conhecimento geral do comportamento dum iman, interpretar © significado das linhas de forga caracterizadas pela limalha de ferro na presenga dum campo magnético. : 4, Pela disposic&o da limalha de ferro na proximidade dum iman, inter- pretar o significado fisico de campo magnético. Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores E4 FCEPRA Objectivos Gerais e Especificos 5. Analisando 0 nucleo duma bobina saber distinguir com clareza um solendide de um electroiman e interpretar a disposig&o das linhas de forga criadas pela passagem e sentido de corrente eléctrica nas es- piras da bobina. 6. Através do conhecimento do funcionamento dum electroiman ou qualquer tipo de bobina com nicleo de ferro, interpretar o significado de histerese magnética e ciclo de histerese. 7, Construindo duas bobinas num Unico niicleo de ferro interpretar 0 significado de transformador e auto-transformador quanto a rela- 940 matematica de espiras no circuito primério e secundério. 8. Pelo conhecimento adquirido em méquinas eléctricas, distinguir com clareza um motor eléctrico de corrente continua dum dinamo enunci- ‘ando 0s principios basicos de funcionamento de cada maquina. 9. Desmontar e montar um motor ou dinamo sem qualquer ordem de divides quanto & estrutura de cada uma das pecas das méquinas, 10. Distinguir um dinamo dum alternador quanto a sua estrutura inter- ha e 20 seu funcionamento interpretando as vantagens e desvan- tagens do uso do alternador num automével. £2 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores Geradores (OCEPRA Pré-Requisitos PRE-REQUISITOS COLECGAO FORMAGAO MODULAR AUTOMOVEL [ewe oy a coranoas |leceratensen|| Soxicanwami |] excvonamecno.|[| Tense tuetee |) Cras ns ocr eres cones crop | maeemmnven | cones cmmsore ||ranasmnal wae | Meee) | ARSE, || mae |] Sean || kee Taman —e omwernoona || Se [Pence ec || eommnsrcors fecme |] tes, ~ cera” soe | sinonasce || tamesco raise || socagenderucie {| MEMES || srman ce Setrestiertsso || magso Paine ecagendeFartis |) scinton Commeagto cma |[memaconre][onemeecie]| —onmmer | [ema rom nice] want. ||ragse|[erease|| femns [|main| aacice sana oreo eas nspwnt][esteon tn] | vaioraatne]| sate oma de Dec] | ee Fncormert| Te Conionase yee Moetnica asotca eee * ‘Cana sen sistemas Sacréicon|| Domine | [Une srt | sama tera | Steen ders | | "Seats ge Oia sees cancer | [se denacres Mectrica cwsiea “|| concace mate Dannie Tapas osise ce cosesde || Reperactown Repro . Manteo * 2 {seapoe Opcads || Storms comGextio|| stomas crcne || Passe Poms Propanscs famed ecw Comencioras CET] | an > ces caturartese| | noptes de Mcinica |] runccnaren do || LnsrtoEspctea]| Freemans | procensos oe cone ‘Commas || AtomcvetparsoP. || Eqaparers con. ||" save cr ean ‘Debate Pree oe Fras] Tae A Cane ry ‘emcance Fade Bierce = Manarlogone || Nove ous Morslgis andeneiode || Mandenstos |) carats Mansi ee Feramenastécrea| | bream: IDAR trwoavtose |} exam Teco Orgone Otc “haomint 230 on Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores E3 CDcEPRA CORPO DO MODULO CAcEPRA 0 - INTRODUGAO ‘Sendo magnetismo e 0 electromagnetismo a base teérica e pratica da electricidade, 0 estudo da electricidade e do magnetismo sera realizado separadamente. CO estudo do magnetismo é diferenciado do da electricidade, pois 0 estudo desta Uit- ma implica 0 conhecimento quantitativo e qualitativo das matérias, como seja 0 célculo do consumo de energia eléctrica para uma dada kimpada com uma determinada po- tancia, implicando 0 estudo do magnetismo 0 conhecimento qualitativo das matérias, como seja 0 conhecimento dos principios ¢ leis que descrevem os principios fisicos do magnetismo. ‘© magnetismo tem sido utiizado, como exemplo, nas bussolas para indicar 0 polo norte magnético, permitindo que uma pessoa se oriente, pois qualquer que seja a po- sigéo da bussola, a sua agulha magnética apontara para o norte. © electromagnetismo tem sido utllizado, por exempio, nos relés electromagnéticos que utiizam a acgdo de um campo magnético para atrair um contacto mével até um contacto fixo para fechar um outro circuito. Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores Introducdo O41 @DcEPRA Magnetismo 4.-MAGNETISMO 1.1 -iMANS Uma das suas lendas conta que um pastor de nome Magnes encontrou nos campos de Magnésia, cidade da Asia Menor, um lugar onde a ponta de ferro do seu cajado era atraida por uma rocha Esta rocha recebeu o nome de magnetite, tendo a propriedade de atrair pedagos de ferro. As substancias que tinham este comportamento passaram a designar-se Fig, 1.1 -© pastor Magnes descobre a atracgao do ferro pela magnetite por magnetes ou Imans. Na natureza encontram-se elementos que possuem propriedades magnéticas, como sejam certos metais como o ferro, 0 cobaito e o niquel, sendo este tipo de materiais designados por imans naturais, Outros corpos, como por exemplo 0 a¢o, podem ser magnetizadas artificialmente, sendo ento designados por imans attificiais. Normaimente os materials magnéticos néo se comportam como imans, pois as suas moléculas esto espalhadas e orientadas de forma aleatéria, de modo a que 0 campo magnético total do material é nulo, ou seja, a resultante do campo magnético do conjunto de todas as moléculas é nula. Se todas a moléculas fores dispostas de forma a apontar para uma mesma direcgo a resultante do campo magnético individual de todas as moléculas néo sera nula, resultando na magnetizagao do material, como indica a fig. 1. Fig. 1.2 - Campo magnético om fungao orientagao das moléculas do material Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 44 Magnetismo 1.2 - POLOS MAGNETICOS De modo a estabelecer nas regras que explicam como os imans interagem entre si, atribui-se polaridades aos seus extremos. Em vez de se utiizar a designagao de polo positivo e polo negativo, como & utiizado na electricidade, utiiza-se a designagao de polo norte (N) e polo sul (S), em analogia com 0 uso da bussola magnética. As polaridades atribuidas a um iman esto representadas na fig. 1.3. ee Pere tianr tala Fig. 1.3 Atribuigdo de polaridade de um iman As polaridades de um iman sdo determinadas pelo alinhamento do iman com a direcga0 do campo magnético da terra, quando suspenso por uma corda. A extremidade do iman que apontar para polo norte geogréfico é designada por polo norte (N) € @ outra extremidade do iman é Sete Setter ‘Soo rain S 4 » n= an Fig. 2.9 - Comportamento das iithas de forga num electroiman Os solendides dos electroimans so feitas geralmente de fio de cobre esmaltado, sendo isolado por algodéo ou seda (© enrolamento de cada solendide pode ser feito directamente sobre 0 nucleo, depois de o revestir de uma substancia isolante e no magnética, outras vezes é executado separadamente ‘sobre um tubo de ebonite, cartao ou madeira. Enquanto 0 solendide for alimentado com corrente eléctrica 0 nucleo iré comportar-se como um iman. ‘Apés o corte de alimentacao de corrente eléctrica 0 nucleo perderd a sua propriedade magnética, ‘an tenha um material magnético temporério. sendo por isso essencial que 0 nucleo do electr Caso contréirio 0 electroiman manteré o magnetismo apés 0 corte de corrente eléctrica. Como um solendide alimentado com corrente eléctrica gera um campo magnético, se colocarmos uma barra de material magnético, como por exemplo, ferro, préximo do solendide, 2 barra de ferro é atraida para o interior do solendide, como é indicado na fig. 2.10. Uma barra de ferro ters atrafda para © interior do enrolamento do solendide. Fig, 2.10 - Atracgéo de um bocado de metal magnético por um solendide alimentado com corrente eléctrica Utiizando 0 fenémeno anteriormente referido, poderemos descrever o funcionamento de um relé electromagnético. Um relé electromagnético utiliza as propriedades do electroiman para fazer deslocar um nucleo ‘mével no seu interior. A fig. 2.11 exemplifca 0 funcionamento de um relé electromagnético utilizado como comando & distancia de um circuito eléctrico. Fechando o interruptor 1, 0 solendide é alimentado com corrente eléctrica gerando um campo magnético, que vai movimentar o nécleo através da sua Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 25 AcEPRA Electromagnetismo atracgo. Como a placa S esté solidéria com 0 nicleo, 0 seu movimento vai fechar o interruptor P, fechando o circuito eléctrico. Para abrir de novo o cirouito eléctrico, interrompe-se a alimentagao de corrente eléctrica do solendide, abrindo o interruptor |. Como 0 solendide nao é percorrido por corrente eléctrica, no gera um campo magnético, nao exercendo qualquer tipo de influéncia no nucleo movel, que por aceao de uma forga exterior, como por exemplo, uma mola, recua para posicéo inicial de repouso. Ao recuar para a posigdo de repouso a placa S que estd solidaria com 0 nucleo vai abrir 0 interruptor P, interrompendo a passagem de energia eléctrica no circuito eléctrico pe Comanda do Greuto eléetrica Solendide Nucleo Fig. 2.11 ~ Esquema de um relé electromagnético utlizado como comando a distancia de um circuito eléctrico Outro exemplo da utilizagdo de um electroiman € 0 sistema de comando de abertura de um electroinjector (fig. 2.12), ou seja um injector de comando eléctrico. © principio de funcionamento é idéntico ao do relé electromagnético apresentado anteriormente, mas neste caso 0 nécleo do solentide é solidario com a agulha do injector. Alimentando 0 solendide com corrente eléctrica faz levantar a agulha do injector, permitindo a passagem de combustivel. Cortando a corrente eléctrica a mola baixa a agulha do injector para a posigio de repouso, 26 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores: @DceEPRA Electromagnetismo 1+ Alimentagao eléetica 2- Salida de combustivel - Eniada de combustvel + Solendice ‘Nicleo magnético ‘Corpo da aguina guia do injector Mola ‘1 Alimentagao eléctrica 2—Nicleo magnético 3~Solendido 4~ Obturador da valvula 5-Mola Fig. 2.13 - Electrovéivula de regulagao Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 27 }CEPRA 2.5 - SATURACAO MAGNETICA Electromagnetismo Para aumentar a magnetizagdo de um electroiman, ou seja, aumentar o campo magnético gerado, tera que se aumentar a intensidade da corrente eléctrica que alimenta 0 solendide. ‘Aumentando para 0 dobro 0 valor da corrente eléctrica que alimenta 0 solendide, a intensidade do campo magnético aumenta também para o dobro, até atingir o ponto de saturagéio magnética. A partir do ponto de saturagdo magnética 0 ‘aumento do valor da corrente eléctrica que alimenta 0 solendide nao € proporcional ao do campo magnético, ou ‘aumentando para o dobro o valor da corrente ‘aumento seja, eléctrica, a intensidade do campo néo aumenta para o dobro, mas sim para um valor inferior. Quanto maior for a saturagdo do electroiman menor 6 0 aumento do campo magnético em fungao do aumento da corrente eléctrica, como Pode ser observado na fig. 2.14. Ponto de Saturacdo ~~ Magnetieacio ! Tntensidase de covete Fig. 2.14 ~ Magnetizagdo de um electroiman em fungso da corrente eléctrica que alimenta 0 solendide 2.6 — INDUGAO ELECTROMAGNETICA © fenémeno da indugdo electromagnética foi descoberto por Faraday em 1830, que demonstrou que, toda a variagdo de fluxo magnética através de um circuito desenvolve nele uma forga electromotriz, que se chama forca electromotriz d Através do fenémeno da _indugdo electromagnética, os campos magnéticos podem produzir correntes Podemos chegar a esta conclusdio com a seguinte experiéncia eléctricas. Pegue num tubo enrole um fio de cobre sua volta, ligand um galvanémetro aos dois extremos do fio de cobre. 28 Fig. 2.15 ~ Geragdo duma corente eléctrica ‘por meio de indugéo magnética Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores @cerra Electromagnetismo {$e introduzir um Iman em forma de barra no interior do tubo, iré veriicar que © ponteiro do galvanémetro desvia-se para um dos lados, acusando uma passagem de corrente, Introduzindo bruscamente o iman na bobine, o fluxo é atravessado rapidamente sendo este ‘9 momento que © ponteiro do galvanémetro ‘acusa um desvio em certo sentido (ver Figura 2.16). Fig. 2.16 - Indugao magnética Retirando rapidamente 0 iman, produz-se uma diminuigéo de fluxo e 0 galvanémetro ‘acusa também uma corrente instantanea, mas ‘agora de sentido contrario, (Figura 2.17). Fig, 2.17 - Movimentagdo dum iman através dum solenside No exemplo anterior a barra magnética é denominada de indutor por ser ela a responsavel pela origem da corrente induzida na bobine. A bobine denomina-se de induzido pois € nela que a corrente induzida toma lugar fazendo com que o galvanémetro detecte a passagem da corrente eléctrica. Pode-se observar um efeito semelhante se egarmos num iman em forma de ferradura e assar com um fio de cobre, cujos extremos estejam ligados @ um galvanémetro, por entre 8 polos do iman. © ponteiro do galvanémetro, vai oscilar, ora para um lado, ora para o outro. Neste caso 0 condutor de cobre € que é ‘movimentado. Fig. 2.18 — Criagao de comrentes induzidas Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 29 ‘Como pode perceber-se, a corrente produzida através destes processos é uma corrente varidvel que durante um determinado instante & positiva e no instante seguinte negativa e assim sucessivamente Variando 0 fluxo através das espiras duma bobine quer pelo movimento destas, quer pelo movimento do campo ou ainda pelo aumento ‘ou diminuigao da intensidade de campo, desenvolve-se no condutor constituinte da bobina, uma forga electromotriz induzida. Portanto, para se obter a produgo de correntes induzidas & necessério dispor de um campo magnético e de um circuito através do qual seja possivel variar 0 fluxo. ‘Ao iman, bobina ou electroiman dé-se o nome de indutor € ao circuito onde se produzem as correntes induzidas chama-se induzido. Electromagnetismo Fig. 2.19 ~ Comportamento da corrente eléctrica induzida Fig. 2.20 — Principio basico dum transformador eléctrico Quando 0 indutor é uma bobina ou um electroiman, a variago de fluxo pode obter-se por variago da corrente de excitagdo, estabelecendo ou interrompendo @ corrente. No momento em que se liga a corrente de excitacdo, o fluxo aumenta instantaneamente de zero a um certo valor, esta rapida variagao de fluxo desenvolve no induzido uma corrente instantanea que o galvanémetro G ira detectar. Quando a corrente € interrompida produz-se uma diminuigéio de fluxo, indicando o galvanémetro um novo desvio, mas de sentido contrério ao anterior. 2.10 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores @ceEPRA Electromagnetismo Portanto, se estabelecermos e interrompermos sucessivamente a corrente no indutor, constantemente se desenvolve no induzido correntes de indugao, ora noutro sentido ‘Se empregarmos corrente alternada para alimentar 0 indutor, isto 6, uma corrente que varia constantemente de sentido e passa por valores maximos nulos, ndo seré necessério qualquer interruptor, @ variagao de fluxo esta sempre assegurada pela propria natureza da corrente de excitagéo, obtendo-se no induzido uma corrente alternada, Fig. 2.21 ~ Transformador eléctrico ‘Se uma bobina for colocada nas proximidades da primeira e um instrumento de medida, como por exemplo um galvanémetro, for ligado aos seus terminals, verificard que ira aparecer uma corrente também varidvel nesta bobina. O niicleo de ferro macigo serve para intensificar a acg8o do campo magnético, aumentando o fluxo que passa para a segunda bobina, Através de uma corrente cria-se um campo electromagnético que, por sua vez, induz uma forga electromotriz na segunda bobina e o consequente aparecimento de uma corrente. 2.7 - TRANSFORMADORES: Um transformador @ uma maquina formada por dois circuitos eléctricos — primario & Secundério ~ ligados por um circuito magnético, que serve para transformar a tensdo das correntes alternadas ‘Se num dos circuitos eléctricos fizermos passar uma corrente alternada produzirmos variagdes de fluxo no outro circuito @, por conseguinte, forgas electromotrizes induzidas, ou seja uma tensao nos seus terminais que dependera das caracteristicas do circuito magnético, Magnetismno e Electromagnetismo - Motores Geradores 2.11 FCEPRA Electromagnetismo = Nucled de ferro Fig. 2.22 ~ Tipos de transformadores 2.7.1 — RELACAO DE ESPIRAS - TENSAO E CORRENTE A semethanga do que foi visto anteriormente, 0 calculo do fio duma bobina fica sujeita as leis sobre resistividade eléctrica, possuindo 0 fio maior ou menor secgdo conforme a corrente que ira percorrer seja respectivamente maior ou menor. Por outro lado, 0 numero de espiras duma bobina faz com que 0 fluxo electromagnético seja maior ou menor. Quando 0 enrolamento secundario possuir mais espiras do que 0 primério, a tenséo do secundario sera maior do que a do primério. Portanto, hé uma elevagao de tensao do primério para 0 secundario chamando-se neste caso de transformador — elevador. Inversamente, se 0 enrolamento secundario tiver menos espiras do que o primario, a tensao do secundario seré menor do que a do primério e o transformador sera um transformador redutor. Fig. 2.29 ~ Transformadores levadores de tensio e redutores de tenséo 2.12 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores netismo OD cEPRA Electromagnetismo Existe uma relagdo matematica que permite calcular a tensdo, corrente no primério ou ssecundario em fungo do nmero de espiras do primério e secundario, | Np - Numero de espiras do enrolamento primério mere Ng — Numero de espiras do enrolamento tb Vp _ls eprerP secundario Ns Ve Ip Vp ~ Tensao aos terminais do primario Vg — Tensdo aos terminais do secundario Ip— Corrente no priméirio Ig Corrente no secundario ‘A elevagéo ou diminuigao da tens8o 4, se lembrarmos que a tensdo induzida sobre uma bobina é, realmente, a soma das tensdes induzidas em cada uma das espiras cortadas pelas is linhas de fluxo. le 5 ‘Quanto maior 0 mundo de espiras mais tensdes individuais serdo induzidas, resultando numa tenséo total maior ie (© numero relativo de espiras dos enrolamentos (N )é chamado de relag3o de espiras do P| transformador e, normaimente & expresso na 7 forma de uma proporcéo, por exemplo, 10 10:1, 50:1. 1:20, etc. 0 Podemos observar através da equagéo, que se 0 secundério tiver 0 dobro e espiras do primério (relago de espiras de 1:2), a tenséo do secundério sera duas vezes maior que a 0 tenséo do primario, or Se 0 secundério possuir metade do némero de espiras do primario (relagdo de espiras 2:1), a tensao do secundario sera a metade da tensdo do primério, Analogamente ao que foi dito, 0 enrolamento de menor numero de espiras, e portanto menor tensdo, deve ter uma corrente maior. A relagdo entre o numero de espiras e as correntes do primario © do secundario 6 expressa pela equagéo he eile | SSE erd nea teen eto Nee. i : — Fig. 2.24 ~ Relagdes eléctricas num transformador Magnetismo e Electromagnetismo - Motores € Geradores 2.13 FCEPRA Electromagnetismo 2.7.2 - NUCLEO DE FERRO A finalidade do nucleo de ferro num transformador é proporcionar um caminho mais facil para as linhas de fluxo que acoplam os enrolamentos, permitindo o fluxo de mais linhas, que aumentam o acoplamento. O ndcleo, por sua vez, diminui a dispersao do fluxo. Os niicleos séo fabricados de maneiras materiais diferentes para controlar 0 valor do acoplamento e de eficiéncia do transformador. O ferro — silicio é o mais utlizado e € laminado para reduzir as perdas por correntes parasitas, Fig. 2.25 - Transformadores eléctricos Nucleos sélidos feitos de ferrite, que é uma composigao de limalha de ferro fundido, séio usados em transformadores que funcionam com altas frequéncias. ‘Sao geralmente utiizados em televisdes e em radiotécnia. 2.8 -O AUTO-TRANSFORMADOR Existe um tipo especial de transformador de niicleo de ferro que fisicamente, possui um Unico enrolamento. Funcionalmente, porém, 0 Unico enrolamento, Uma bateria de automével gera uma tensao de 12 V, contudo, & necessario uma tenso bastante superior para se obter a faisca, que inflama a mistura de gasolina e ar. E a bobina que transforma a corrente de baixa tensao em corrente de alta tensdo. A bobina utilizada no sistema de ignigdo ndo é mais do que um transformador, neste caso elevador de tensao cujo nimero de espiras no primério ¢ inferior ao numero de espiras no secundario. ‘A bobina de ignigao de um automével de tipo médio fornece 4s velas uma corrente com tensdes de ordem dos 24 kV. 2.14 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores ynetismo ODCEPRA Electromagnetismo ara + que se Fig. 2.26 - Bobina de ignigéio num automovel as. ‘Abobina funciona segundo 0 principio de que, quando a corrente eléctrica passa num enrola- mento de fio, gera-se um campo magnético, por outro lado, quando se interrompe um campo magnético, gera-se electricidade em qualquer enrolamento de fio dentro das linhas de forga do ‘campo magnético, A tens&o original sera aumentada se houver dois enrolamentos de fio, possuindo um deles muito mais espiras do que 0 outro. s dois enrolamentos da bobina rodeiam um nucleo de ferro macio que concentra o campo magnético. © enrolamento primério é constituido por algumes centenas de espiras de fio relat- vamente grosso. sao Este enrolamento consiitui a parte de baixa tensdo e recebe a corrente vinda da bateria, enrotamento secundério é constituido por milhares de espiras de fio fino (cerca de 2000 espi- ras). |__ Este enrolamento constitui a parte de alta tensdo e fornece a corrente ds velas. Quando se roda a chave de ignigao, a corrente eléctrica vinda da bateria atinge um dos termi- Neo nais da bobina, atravessa 0 enrolamento primario e sai pelo outro terminal do mesmo enrola- ‘mento para os platinados do distribuidor. so Estando os platinados fechados, passaré corrente através do enrolamento primario que por ‘Sua vez permitiré a magnetizagao da bobina. ‘Ao abrirem-se os platinados, a bobina encontra-se magnetizada. Ao interromper-se 0 campo aso Magnético, o magnetismo presente na bobina permite a geragao de uma corrente de alta ten- 0 S40 devido aos milhares de espiras que constituem o enrolamento secundario, Entéo, a corrente de alta tenso passa do enrolamento secundério para as velas através do som Aistribuidor e retoma das velas para a bobina através da carrogaria Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 2.15. COCEPRA Como Funciona a Bobina Qs conjuntos dos platinados, quando fecha- dos, permitem que a corrente passe através: do enrolamento primario da bobina. Quando os contactos dos platinados se abrem, 0 circuito é momentaneamente inter- rompido, gerando-se uma corrente de alta tenso no enrolamento secundario. Electromagnetismo Fig. 2.27 - Estrutura interna da bobina Enrolamento da Bobina © enrolamento primario da baixa tenséo ape- nas possui algumas centenas de espiras, 0 en- rolamento secundario possui milhares, Figura 2.27. Fig. 2.28 — Principio de funcionamento a bobina de ignicao Principio da Bobina A corrente de baixa tenso cria um campo magnético & volta de um niicieo e induz uma tensdo suficientemente elevada para fazer saltar a faisca. Fig. 2.29 - Bobina de ignio O fio grosso constitui o enrolamento primario e 0 fio fino, e de muitas voltas, 0 enrolamen- to secundério. 2.16 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores ri0, nét tice netismo CEPRA Electromagnetismo © fenémeno que determina a criago de uma corrente de alta tensao no enrolamento secundé- rio, apesar de partir de uma corrente de baixa tensdo no primério, é 0 fendmeno da indugao. ‘Quando uma espira corta (cruza) um campo magnético, induz nela uma corrente eléctrica. De facto, este 6 0 fenémeno observado nos geradores electromagnéticos como um alternador ou ‘um dinamo, 0s quais, convertendo a corrente em magnetismo ou magnetism em corrente, conseguem-se obler da corrente energia mecénica ou do movimento em energia eléctrica. ‘Como 6 0 caso do motor de arranque e do alternador. Fig. 2.30 Constituigao da bobina | O valor das correntes induzidas esta relacionada ‘com 0 ndimero de espiras que corta o fluxo mag- nético e também com o numero de linhas magné- ticas produzidas. Fig. 2.31 ~ Proceso de bobinagem duma bobi- ra de ignigao ‘Qualquer variagao que se der na corrente que circula pelo enrolamento priméirio estabelecera uma variacdo das linhas magnéticas e induzira, sobre as espiras do enrolamento secundario, uma corrente induzida, © numero de espiras do secundério determi naré_a tenséo obtida Fig. 2.32 — Linhas de forga numa bobina de ignicao L229 Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 2.17 |CEPRA Motores e Geradores 3 —MOTORES E GERADORES 3,1 - MOTORES ELECTRICOS | Uma das grandes aplicagdes do electromagnetismo ¢ a produgao de energia, Podemos transformar energia eléctrica em mecénica e vice-versa por efeito electromagnéti- 00, ‘Como iremos ver de seguida a constituigo de motores e geradores é bastante semelhante, variando a causa e 0 efeito, isto 6, nos motores a energia eléctrica imputada nos terminais do motor e traduzida ou convertida em energia mecénica de rotacdo do veio do motor. Por seu lado os geradores trabalham de maneira inversa sendo a energia mecanica de rotagao do velo causadora duma diferenca de potencial aos terminais do gerador. Podemos criar igualmente uma analogia entre transformadores e motores e geradores pois 0 ‘corpo induzido e indutor & comum aos dois apareihos eléctrioos diferindo o facto do transfor- mador possuir pegas mecdnicas totalmente fixas e os motores e geradores possuirem pegas | mecénicas fixas, e pegas moveis em relagéo ao rotor. Para 0 caso dos motores, a parte fixa do motor ¢ denominado de indutor ou estator e a parte mével toma 0 nome de induzido ou rotor. No caso dos dinamos, estes termos mantém-se ‘embora o processo seja inverso, Para 0 caso dos alternadores, a corrente produzida é alternada tomando denominagées dife- | rentes das anteriores. Assim, a parte fixa do alternador toma o nome de estator ou induzido e a parte mével do gera- dor toma o nome de rotor ou indutor. Coloque num campo magnético um fio de cobre que néo seja atravessado por corrente, de modo a ficar perpendicular as linhas de forga do ‘campo. Fig. 3.1 ~ Interaogao das linhas de for- ¢2 dum electroiman num fio condutor Nestas condigées, como nao passa corrente através do fio 0 condutor e 0 campo magnético No sofre qualquer alteracao Faga agora a seguinte experiéncia: ‘Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores 34 (OCEPRA Motores e Geradores t ‘Suspenda 0 fio de cobre grosso pelas suas exiremidades, por meio de fios de cobre muito Nos e flexiveis, ¢ ligue a ponta de cada um aos contactos metélicos que se encontram na ex- ; tremidade de uma ripa de madeira Ligue esses contactos aos terminais de uma pi- Iha, € mantenha a polaridade indicada. Verifique que, quando liga a corrente da pilha ao circuito, gera-se no fio de cobre um campo magnético, cujas linhas de forga se orientam como esta ilus- trado na figura. Fig. 3.2 ~ Principio basico de funcionamento ‘dum motor eléctrico As linhas de forga comportam-se como fios elésticos, procurando diminuir 0 seu comprimento, e evitar ondulagdes bruscas Devido a este efeito e a influéncia matua dos dois campos, (um com linhas de forga rectili- eas © outro com linhas de forga circulares), 0 fio de cobre 6 impulsionado por uma forga que procura deslocé-lo no sentido contrario 20 da maior concentrago das linhas de forga, Fig. 3.3 - Repulséo provocada pola corrente do fo eléctrico com o campo mag- rético permanente E este 0 principio de funcionamento do motor eléctrico. Em comparacéo, o iman em ferradura do exemplo serd 0 estator do motor e sera formado por um conjunto de bobinas que produzi- ro 0 campo electromagnético. O fio condutor correspondera ao veio rotativo do motor, que impuisionado pelas linhas de forga do campo. Regra da Mao Esquerda para Geradores e Regra da Mao Direita para Mo- tores ‘A regra da mao esquerda para geradores & comparada & regra da méo direlta para motores para motores a relagao entre geradores e motores 32 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores ae seradores Motores e Geradores o fi para ambas as regras, 0 dedo indicador d8 0 sentido do campo, 0 polegar 0 sentido de movi ex: mento do condutor, € 0 anelar 0 sentido do fluxo de corrente. snto | BD ne tine } seo | Fig. 3.4 Regra da mao esquerda e regra da méo direita | Na iustracdo, o movimento e o fluxo de corrente esto no mesmo sentido em ambas 2s maos | sendo os campos opostos. ‘Quando uma corrente passa através de um fio, inhas de forga circulares so produzidas em redor do fio, Figura 3.6. | Asilnhas de forga de um iman vo do ponto N para o pélo S. Pode notar-se que de um lado do fo as linhas de forga magnéticas estéo indo no mesmo sen tido do campo circular a0 reder do fio, no outro lado, esto em sentido oposto Devido ao sentido das linhas de fluxo que circundam 0 condutor, 2s linhas de fluxo entre os pélos do iman tendem a acumular-se no lado onde todas as linhas de fluxo correm no mesmo ura sentido zie TAF sero 00 * Isso produz um campo de linhas fortes que Gay) Sevens Jee so pouco espacadas e curvadas. fhe Sears tne As linhas tendem a endireitar-se © espacar- 80, €, ao fazerem isso, empurram O.COMdUOT 4. poe flo- Para fora do Angulo recto em relagdo 45 li- STPS ay ‘thas ati e fluxo no sentido do campo magnéti Sionwa 6a co. connerre os Fig, 3.5~ Sentidos das inhas de forga Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 33, FCEPRA Motores e Geradores ‘Segundo 0 que acabamos de estudar, o fio movimenta-se somente em linha recta, e para de ‘se mover quando atinge a parte fora do campo embora a corrente ainda esteja ligada. Um motor, na pratica deve produzir um movimento rotativo continuo. Para que 0 motor possua, de facto um movimento rotativo continuo & necessério produzir no seu veio uma forga basica de rotago que ¢ chamado de bindrio motor. Fig. 3.6 - Funcionamento do motor eléctrico Imagine em vez dum simples fio atravessado num campo magnético um enrolamento forma- do por uma simples espira possuindo um eixo central, Figura 3.6. ‘Se montarmos esta espira num campo magnético fixo e fornecermos corrente, as linhas de fluxo do campo em ambos os lados da espira fazem com que a espira funciona como uma alavanca possuindo uma forga que @ empurra os seus dois lados para sentidos opostos, ‘As forcas combinadas resultam em uma forga de torgo como se apresenta na Figura 3.7. Binario Fig. 3.7 ~ Comportamento das linhas de forca da espira com 0 campo ‘magnético gerado pelo iman permanente ‘Como ja foi dito num motor, o bindrio de forga é responsavel pelo movimento do rotor do mo- tor. Este binario de forga total depende de varios factores, incluindo a intensidade do campo, a in- tensidade de corrente presente no rotor e a construgao fisica do préprio rotor. Num motor, 0 binério determina a energia disponivel para se realizar um trabalho util, Quanto maior for 0 bindrio, maior sera a energia. Se o motor nao desenvolver binatio suficien- te para puxar a sua carga, ele cessard o seu trabalho. 34 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores eV cradores YYCEPRA Motores e Geradores de na- de ma mo- sin ien- ara que o motor gire sem parar ter de haver uma ligagdofisica de tal forma que 0 enro- lamento seja continuamente paralisado mantendo o bindrio constante & medida que 0 ro- tor do motor exerce © Seu movimento, Esse cispositivo tem nome de colector, (Figura 3.8). Fig. 3.8 - Motor eléctrico Note-se que, & medida que 0 rotor gira, 0 colector gira igualmente uma vez que esté soli- dério com 0 mesmo, sendo percorrido pelas escovas. Existe uma posicdo do rotor que nés damos 0 nome de posigao neutra onde 0 colector fica desligado das escovas 0 que no significa que 0 motor deixe de funcionar. Na realidade, a inéroia do rotor faz com que a posigao neutra seja ultrapassada fazendo ‘com que haja contacto eléctrico com 0 colector. Fig. 9.9 — Espira em movimento no interior «do campo magnético ‘Como se observa na Figura 3.9, 0 rotor continua a girar servindo 0 colector para inverter ‘© sentido da corrente para que o campo magnético interaja com o rotor produzindo um bi- Rario que mantém o rotor girando no mesmo sentido. Na Figura 3.10, assistinos ao momento em que o colector desliga-se das escovas — posi- Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores 35 CEPRA Motores e Geradores 0 neutra. A inércia do rotor leva-o para uma nova posigao onde 0 ciclo se repete. Até agora tem sido descrito as partes mais importantes que formam um motor elementar. Essas partes so, como jé foi dito, semelhantes aquelas estudadas nos geradores. Na pratica, 0 campo magnético pode ser fornecido por um iman permanente ou por um. electroiman. Duma forma ou de outra o indutor corresponde, tecnicamente a parte de ex- citagao magnética caso seja um man, ou electromagnética caso se trate de um electro- iman. Nos dois casos, 0 campo magnético consiste em linhas de fluxos magnéticas que formam tum circuito magnétice fechado. As lintas de fluxo partem do pélo norte do iman, estendem-se através do intervalo de ar formado entre os dois pélos do iman entram no pélo sul, e assim caminham através do Iman, retornando para o pélo norte. © condutor mével & colocado no intervalo de ar entre 0 pélos do iman estando assim num campo magnético, Fig. 3.10 - Passagem do colector pelas escovas © polarizagdo da espira Quando a energia (DC continua) é fornecida a espira através das escovas e do colector, um fluxo magnético também é constituid através do induzido. E esse fluxo da armadura que integra com 0 campo magnético fazendo com que o induzi- do produza binario accionando o motor. 36 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores (FJCEPRA Motores e Geradores 3.2 - CONSTITUIGAO DO MOTOR Até aqui, estudamos os principios do funcionamento dos motores de corrente continua ‘Ao aprendermos a operacdo eléctrica dos motores DC, também nos foram mostradas a maior parte das caracteristicas fisicas mais importantes dos motores DC. Estas caracteristicas incluem a armadura e 0 colector, 0 conjunto de escovas e 0 campo magnético, figura 3.11 inion eae tina aecarge —/ oto Indutor Fig. 3.11 ~ Constituigao dum motor eléctrico de corrente continua Os termos armadura e rotor so aplicados a parte do motor que a gira (0 veio). Quando se olha para o motor em funcionamento, normalmente se vé 0 seu eixo girando. O eixo 6 uma extensdo externa da armadura através do mecanismo do motor e da arma- ‘¢40, ao lado oposto do terminal do colector do motor. Um niicleo de armadura tipico se assemelha a um cilindro de metal sélido com fendas. Na verdade 0 nicleo € composto de laminas em ferro com silicio tal como foi estudado no caso do electroiman, (Qs pélos que contém as bobinas de campo, portanto 0 que constitui o indutor do motor a caracterizac&o por um niicleo laminado feito do mesmo material ferroso que o induzido. {As laminas do nicleo so cobertas com um verniz isolante e prensadas juntas de modo a que as perdas magnéticas sejam as menores possiveis dando assim 20 motor um rendi- mento maximo, Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores 37 Motores e Geradores Armadure Eixo A armaduca € 0 elemento rotative do motor DC. € montedo sobce um eixo de ago que também gira (© Colector “4 moneda no ‘mesma tixo # attim 4 tisicronizado automaticamente am seu tuncionamente, Fig. 3.12 — Estrutura do rotor do motor eléctrico de corrente continua © uso de ferro ~ silicio no material do nicleo reduz as perdas por histerese, (ver estado do electroiman) que ocorrem quando inversées do nicleo retardam as invers6es da corrente real As fendas formadas nos nucleos so usadas para posicionar as espiras compostas dos enro- lamentos. ‘As bobinas que formam o enrolamento de armadura cilindrica so enroladas em torno do ni- cleo da armadura, colocando-se os lados da bobina dentro das fendas do niicieo. Estas fendas sao isoladas com papel ou pano a fim de proteger os enrolamentos. Cada enrolamento € sempre igual a qualquer outro da armadura e 0 enrolamento final da ar- madura deve ser sempre perfeitamente simétrico. © ntimero de espiras serd igual de enrolamento para enrolamento para assim garantir um fun- cionamento uniforme do motor. Vela, pelo que foi dito, o némero de espiras tera de ser igual em cada bobina para que o cam- po gerado seja uniforme tal como o bindrio esteja em equilbrio. 38 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores FCEPRA Motores ¢ Geradores Enrolamentos coer fT] > Enrolamento em armedure bbbtica ellfndrice Cline Na semadura de enrolamento cilfadrico 0 nicieo da armadura 6 cilfndrico ¢ #8 ‘bobinas — que so normalmente pt-formadas — sf0 colocadas no sentido do Comprimento. Algumer vezes a+ detalhes dos enrolamentos nfo #80 ébvios & partir dda kImoles obtervacSo da armadure completa Ccolector Enrolamentos Cilindeo ‘Acmadure peéticn de um ‘nrolamento eilindrice Fig. 3.13 - Estrutura do colector Segmentos Parte mais eleveds se cobre (© colector por sua vez consiste em segmentos de condutores individuals normalmente 0 cobre, isolado entre si através de folhas finas em mica, ou mais usualmente o plastico ou vidro. Fig. 3.14 — Constituigao intema do colector (Os segments individuais com os seus isolantes de mica so montados em forma cilindri- cae fixos através de um aro de aperto. Os terminais das bobinas da armadura sao ligados nas partes mais elevadas dos seg- mentos do colector. Apés a montagem, a superficie do colector é tor- nada para se ter uma perfeita forma cilindrica € desgastada para se obter um acabamento liso (0 mais polido possivel por forma a garantir que haverd o minimo de fricgdo possivel entre a su- perficie de comutagao e as escovas. Eixo Fig, 3.15 ~ Rotor bobinado dum motor ‘Magnetismo e Electromagnetismo - Motores e Geradores 3.9 FCEPRA Motores e Geradores As escovas so 0s dispositives que ligam a parte fixa do motor ao veio através do colec- tor. As escovas sao feitas de um material de carbono mole contendo uma grande quantidade de grafite de modo a serem o melhor condutores possivel e néo provocarem o desgaste do colector. Nao se devem utilizar lubrificantes entre as escovas do colector pois a lubrificagdo entre estas partes provocaria 0 isolamento eléctrico do veio motor e o consequente mau funcio- namento do mesmo motor. Fig. 3.16 - Suporte de escovas As escovas so fixadas em montagens separadas conhecidas por suportes de escovas. Os suportes das escovas sao fixos em posigées determinadas e mantidos pelo mecanis- ‘mo do motor. Os suportes das escovas so geralmente feitos num material isolante plastico ou baqueli- te servindo de isolamento eléctrico entre os terminais do motor e blindagem externa As escovas so colocadas sem aperto em seus suportes e mantidas contra o colector através de moles. Assim, as escovas sao lives de se movimentarem em seus suportes podendo ajustarem- se seguindo as pequenas irregularidades da superficie do colector, Mota de sobre Fig. 3.17 Tipos de escovas para motores eléctricos 3.10 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores FCEPRA Motores e Geradores Motor de Arranque ‘A fungo do motor de arranque consiste em accionar o motor térmico do automével. No caso dos motores a gasolina, na sua maioria tém de atingit um minimo de 50 rotagdes por minuto para 0 ciclo caracteristico do motor se complete e o mesmo arranque. Para vencer toda a inércia do motor a gasolina, o motor de arranque deve possuir uma potén- cia considerével. Para ficarmos com uma ideia, 0 motor de arranque ¢ © componente eléctrico que provoca maior descarga a bateria, No momento do seu funcionamento consome entre 200A a 300 A em pouco mais de 3 se- gundos. (© motor de arranque funciona segundo o mesmo principio de qualquer outro motor eléctrico, isto 6, aproveitando a reacgo entre electroimans. Um motor eléctrico contém electroimans — bobinas de fio enrolado em ndcleos de ferro macio, as bobinas indutoras. A electricidade, ao passar através de cada bobina magnética 0 niicleo, formando um campo magnético com pélos norte e sul. Um motor de arranque & um motor de quatro pélos isto é, compdem-se de um conjunto fixo de bobinas geralmente quatro, dispostas geometricamente no interior do corpo do motor. ‘Agregado ao veio do motor, gira livremente o induzido que € constituido por uma série de bo- binas, cada uma unida a um par de laminas de cobre isotadas que formam 0 colector do indu- Zido. ‘A corrente passa através de escovas fixas - que estéo em contacto com 0 colector ~ para uma bobina do induzido. A atracgao e repulsdo entre os campos magnéticos das bobinas indutores e das bobinas do induzido faz girar este ultimo. ‘Assim, que o colector comeca a girar, as escovas fazem contacto com o par seguinte de lami- nas de cobre, ligadas a outra bobina do induzido, do que resulta a continuagao do movimento. Este processo mantém-se ininterruptamente, enquanto cada par de laminas do colector fizer contacto com as escovas. Desta forma, o induzido continua a girar, enquanto as escovas transmitem corrente a cada bobina do induzido. ‘Magnetismo e Electromagnetismo—Motores e Geradores 3.11 FCEPRA Motores © Geradores Indutor(estator} — Escovas Induzido ( rotor ) Comutador Colector Fig. 3.18 — Motor de arranque O circuito de comando do motor de arranque é composto pela bateria, interruptor da chave de ignig&o que permitem ligar a bobina de chamada do motor de arranque. Quando a bobina de chamada ¢ solicitada, esta fecha o circuito de poténcia que liga a bateria 20 motor eléctrico que pde em funcionamento 0 motor térmico do veiculo. A corrente fornecida as bobinas do induzido pelas escovas e pelo colector faz com que aque- le adquira um movimento rotativo, 3.2.1 - GERADORES © motor € uma maquina que converte electricidade em movimento, enquanto que 0 gerador faz justamente 0 oposto ~ 6 uma maquina que converte movimento em electricidade. Para executar trabalhos opostos, o motor e o gerador utlizam as mesmas partes essencials: Um enrolamento de campo fixo; ‘Uma armadura rotativa com um colector, e ‘Um conjunto de escovas. Se fornecermos corrente eléctrica a um gerador ele funcionaré como um motor e conduziré uma carga mecénica 3.42 Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores FCEPRA Motores e Geradores Por outro lado, se girarmos o eixo de um motor com uma fonte de energia mecénica tal como uma turbina a vapor ou por um motor a gasolina, ele funcionara como gerador. Existem dois tipos de geradores, aqueles que se comportam de modo inverso 20 tipo de moto- res que acabamos de descrever que so denominados os dinamos e por sua vez, os altema- dores que tém um principio de funcionamento ligeiramente diferente. Os dinamos compéem-se das seguintes partes principals: Os dinamos podem ser bipolares (dois pélos) ou multipolares (mais de dois pélos). INDUZIDO - E formado por um grande numero de espécies enrolados em volta de um nucleo de ferro que se pode mover em torno de um eixo; 0 nticleo do induzido chama-se ermadura, INDUTOR — E constituido por electroimans que produzem o indispensével cam- po magnético, COLECTOR ~ E um cilindro de laminas de cobre isolados entre si e montados To veio do induzido. A Figura 3.19 representa um indutor bipolar. O fluxo emitido pelo pélo N bifurca-se em dois para atravessar o entre-ferro e as duas metades da ar- madura. Fig. 3.19 - Dinamo bipolar Nas maquinas multipolares Figura 3.20 0 fluxo que sai por cada pélo N reparte-se pelos dois pélos $ vizinhos, —_ J Fig. 3.20 ~ Dinamo tetrapolar Magnetismo e Electromagnetismo—Motores eGeradores 3.13 |CEPRA Motores e Geradores Consideremos um electroiman em U, entre cujos pélos colocamos uma armadura de ferro em forma de anel com uma espira de cobre (Fig. 3.21). Se a armadura for animada de movimento de rotagdo, a espira serd atravessada por um fluxo variével que desenvolvera nela uma forga electromotriz induzida. Fig. 3.21 — Produgao de corrente Imaginemos a espira em varias posigdes durante uma rotagao completa. Nas posigSes 1 2 2 0 fluxo diminui desde um valor maximo até zero e a forga electromotriz tem um sentido que facilmente se determina pela regra do saca rolhas. Nas posigdes 2 2 3 fluxo aumenta de zero a um valor maximo, mas entra agora pela outra face da espira, a forga electromotriz conserva, portanto, o sentido anterior. Nas posighes 3 2 4 0 fluxo diminui desde um valor maximo até zero e a fora electromotriz muda de sentido. Nas posigdes 4 a 1 0 fluxo aumenta de zero a um valor maximo, mas atravessa a espira em sentido contrério, a forga electromotriz, conserva o sentido anterior. A forca electromotriz e a corrente tém, dois sentidos em cada rotagao completa, invertendo-se quando a espira passa pela linha LL" Todos os automéveis tém um gerador, sem o qual as necessidades de corrente num veiculo actual esgotariam em pouco tempo toda a carga armazenada na bateria. © gerador pode ser um dinamo, que gera corrente continua (CC) ou um alternador, que gera corrente alterna. Neste ultimo caso, o alteador tem agregado um dispositive que permite converter a corrente alternada gerada pelo alternador, em corrente continua Este dispositivo sera estudado com mais rigor em outros médulos. 3.14 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores FCEPRA Motores @ Geradores etre INTERIOR bO DINAMO a bois ave \, 0 cole fonece cp ieee Fig, 3.22 — Dinamo O dinamo consiste numa carcaga no interior do qual se encontram dois electroimans fi- xos conhecidos por indutores, formados cada um por uma massa forte e uma bobina in- dutora. Entre os electroimans situa-se um induzido que contém, geralmente 28 bobinas indepen- dentes. As extremidades de cada bobina estéo ligadas ao colector. 0 induzido esta montado sobre rolamentos e casquilhos e accionado pelo motor térmi- co do veiculo. Duas escovas de carvéo fixas esto, tal como vimos nos motores, continuamente em contacto com o colector. Quando a corrente passa através dos enrolamentos das bobinas indutoras, oria-se um campo magnético. Quando 0 induzido gira neste campo magnético gera-se uma corrente nos enrolamentos do induzido, Esta corrente deixa cada bobina através do colector e das escovas de carvao em contac- to com este. Magnetismo e Electromagnetismo — Motores e Geradores 3.15 AcEPRA Motores e Geradores Uma escova recebe corrente negativa, enquanto a outra escova recebe corrente positiva, pelo que a corrente gerada é continua. 3.2.2 - DINAMOS (0 dinamo 6 uma maquina que, por indugo electromagnética transforma a energia mecé- nica em energia eléctrica. E constituido por um indutor que produz 0 campo magnética e por um induzido onde se desenvolve a forga electromotriz, ‘A variagdo de fluxo através do induzido obtém-se por movimento do induzido ou do indu- tor. O indutor é um electroiman. Se for um iman permanente, @ maquina toma 0 nome espe- cial de magneto, dinamos desta espécie so utlizados em velocimetros. ‘As maquinas que se empregam industrialmente so os dinamos, pois os electroimans oferecem considerdveis vantagens sobre os imans permanentes. Os magnetos reser- vam-se para casos especiais de baixa poténcia, (0s dinamos podem ser destinados @ produgao de corrente continua ou de corrente alter- nada, e daqui resulta a classificagao Dinamos de correntes continua Alternador e corrente alternada 3.2.3 - ALTERNADOR (5 alternadores possuem uma constituicao diferente dos dinamos, uma vez que o induzido passa agora ser a parte fixa da maquina, 0 estator € o indutor passa a ser a parte mével da maquina, o rotor. Qs enrolamentos geradores do alternador que consti- tuem 0 induzido encontram-se no interior de um anel fixo de ferro macio denominado o estator. Fig. 9.23 ~ Estator do alternador 3.16 Magnetismo e Electromagnetismo ~ Motores e Geradores de arranque. 6 — Substituigéo das escovas do motor de arranque. 3 7 —Montagem do motor de arranque. 3 8 —Teste em bancada. 3 CLASSIFICACAO, 20 4 —_ Magnetismo e electromagnetismo - Motores e Geradores