Você está na página 1de 2

Faculdade de Letras e Ciências Sociais

Departamento de Arqueologia e Antropologia


Licenciatura em Antropologia
Antropologia Política
Docente: Agostinho Manganhela
Discente: Joana Mussica
2° Ano/2° Semestre

Referência bibliográfica

Cardoso, Sérgio. 1995. Fundações de uma Antropologia Política (o caminho comparativo na


obra de J.-W. Lapierre). Revista de Antropologia. 38 (l): 7-47.

Cardoso (1995) destaca e comenta a renovação metodológica da antropologia política proposta


pelo trabalho de J .W. Lapierre no final dos anos 60. E procura mostrar sua originalidade e
interesse em meio aos vários balanços críticos que reavaliam os rumos da disciplina.

Segundo o autor a obra de Lapierre permite apreender os impasses e os caminhos que se abrem
para a antropologia política, o livro também permite sondar com maior nitidez a direcção e as
dificuldades de sua reorientação. Lapierre parte da definição do campo do político e responder à
questão relativa ao seu fundamento mostrando a vinculação desse género de regulação social, sua
génese, aos processos de inovação social.

Segundo o autor, Quanto ao projecto de constituição da ciência este lhe parece condicionado ao
atendimento de dois requisitos. De um lado, a exigência de uma delimitação nítida de seu campo.
Aqui analisa longamente as definições do político mobilizadas com maior freqüência nas
pesquisas, buscando mostrar em cada caso a insuficiência dos enunciados em face dos requisitos
De outro lado, o estabelecimento da disciplina estaria condicionado à compreensão adequada do
enquadramento metodológico requerido pelas operações científicas que no caso da antropologia
o método comparativo, seus alvos serão os "procedimentos dicotómicos" que constitui um
verdadeiro pecado da antropologia política, pois poderia ser explicado apenas por razões de
ordem histórica: trata-se de um procedimento "ideológico" e "etnocêntrico"

Segundo o autor, A antropologia política operaria, num domínio fundamentalmente homogéneo


cujas variações, advindas das situações diversas em que se encontram as diferentes sociedades,
seriam o objecto das comparações metódicas a que se dedica a ciência. Portanto, Lapierre
pretende abrir caminho para uma nova antropologia política.

Segundo o autor, os contornos os contornos da proposta metodológica de Lapierre na


constituição da antropologia política, parece equívoca e desconcertante. Pois a sua acusação dos
procedimentos dicotómicos pensa-se apenas como desobstrução de um caminho estabelecido. O
método desta antropologia é comparativo. Pois o olhar novo que Lapierre se propõe lançar sobre
a disciplina se oferece efectivamente como um olhar turvo. O ponto que e considera central
aparece em seu texto vago e nebuloso, desfocado, pois parece difícil dar qualquer contorno nítido
ou catalisar consenso na antropologia para o que nos é proposto sob a rubrica de "método
comparativo". Portanto, o método comparativo mesmo discutido nas suas pretensões ou cercado
de cautelas no seu exercício, nunca foi efetivamente recusado ou mesmo relegado a um plano
secundário pelos grandes investigadores. Os diferentes enquadrarnentos dados ao exercício das
comarações carregam implicações episternológicas diversas.

Segundo o autor, uso dos procedimentos comparativos, começa a se firmar nos anos 40 a
antropologia política, a certeza da homogeneidade dos sistemas sociais e a postulação da
integração funcional da totalidade dos aspectos de uma sociedade quando considerados em
sincronia. E, no entanto, Lapierre acredita suficiente afirmar que uma antropologia política
verdadeiramente científica está comprometida com o método comparativo. A divisão do campo
do político em apenas duas categorias, por sobre sua extracção ideológica e etnocêntrica, mas
esta foi o impute que veio a evocar a inscrição de seu projecto em todo um esforço de
reorientação da antropologia política a que se assistiu nos anos 60.

Você também pode gostar