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J ORNALISMO ALÉM DA FÓRMULA :

a supervalorização do referencial estrangeiro e o


desprezo às experiências brasileiras

Jorge Kanehide Ijuim

Universidade Federal de Santa Catarina

2014

1
Índice nos meios de produção e comercialização de
bens culturais, entre outros aspectos. Com
1 Herança funcional-positivista 2 a elevação dos níveis de alfabetizados e o
2 Apreciações apressadas 4 crescimento econômico, as novas sociedades
3 Desprezo aos brasileiros 6 industriais – de produção e de consumo –
Considerações finais 7 desenvolveram uma indústria cultural e, por
Referências 7 consequência, a comunicação de massa.
Fruto desse contexto, a imprensa deixa de
Resumo
ser atividade artesanal e de impacto restrito
na população, para converter-se em empre-
O presente trabalho visa contribuir para a
endimento industrial e de ampliado alcance
reflexão em torno de um fazer jornalístico
de audiência. Dessa forma, incorpora às
que supera o noticiário demarcado por ma-
suas ações os mesmos moldes de fabrica-
nuais de redação. As narrativas alternati-
ção – com equipamentos que lhe dão veloci-
vas aos modelos consagrados têm recebido
dade e permitem maiores tiragens, com mé-
denominações como jornalismo literário ou
todos e processos mais eficazes – e, acima de
jornalismo narrativo e, por vezes, são justifi-
tudo, assimila o pensamento predominante
cados por referencial estrangeiro. Sem des-
da época, que impõe racionalidade e eficiên-
cartar a importância de tais referências, pre-
cia ao fazer jornalístico.
tendo aqui destacar o equivocado desprezo
Esse pensamento vigente se traduz nas re-
às experiências brasileiras e, para tanto, pro-
dações na forma de padronizações de pro-
ponho a discussão das contribuições de Raul
cedimentos para a constituição de modelos
Pompéia e de João do Rio para a construção
até hoje praticados. Como salienta Cremilda
desse jornalismo além da fórmula.
Medina (1995, p. 177-178),
Palavras-chave: Fundamentos do jorna-
lismo, Narrativas jornalísticas, Gêneros jor- o Jornalismo, inscrito na trajetória
nalísticos, História do jornalismo. nitidamente assinalada pela Mo-
dernidade, foi construindo sua lin-
1 Herança funcional-positivista guagem segundo os postulados da
racionalidade que vem desaguar,
grandes transformações sociais, inici-
S
A almente na Europa, a partir da Revolu-
ção Industrial e por decorrência da Moder-
como outras formas de codificação
do real, em fórmulas gramaticais
do século XIX.
nidade, foram marcadas pelas intensas con-
centrações urbanas e pelas mudanças nas re- Os princípios funcionais-positivistas im-
lações de produção e de trabalho, bem como pulsionaram, naquele momento, tanto as prá-
0
ticas científicas quanto a prática comunicaci-
Texto originalmente publicado no livro Gêneros
onal, que, ao mesmo tempo, se disciplinaram
jornalísticos: teoria e práxis, Edifurb, 2012.
0
Doutor em Ciências da Comunicação/Jornalismo metodologicamente. Para a mesma autora,
pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade
de São Paulo. E-mail: ijuim@cce.ufsc.br. no século XIX se propõem gra-
máticas, presentes na pesquisa do
Jornalismo além da fórmula 3

conhecimento científico quanto na lismo como serviço público, advêm dos es-
de captação e na narrativa da con- forços pela modernização da imprensa (e da
temporaneidade e se difundem nos sociedade). Outros, no entanto, esbarram em
meios de comunicação social (Me- mal entendidos que hoje encontram várias
dina, 2008, p. 18). objeções. Do compromisso com a verdade,
por exemplo, há a interpretação simplista na
A racionalidade cartesiana e o positivismo crença de que a imprensa publica a verdade.
de Comte foram determinantes para o es- Do distanciamento entre sujeito e objeto, de-
tabelecimento de modelos jornalísticos que corre o preceito da objetividade, pelo qual o
podem ser comparados a fórmulas matemá- sujeito-jornalista-observador deve eximir-se
ticas. Por um lado, os estudos sobre o de qualquer laço subjetivo no trato com o ob-
universal-particular de Descartes, que o leva- jeto – coisa? – observado (como se a relação
ram à criação do seu método dedutivo, dis- do jornalista fosse com objetos, quando a ri-
ciplinou o homem ocidental a crer na pos- gor se depara com fenômenos sociais).
sibilidade de que tudo pode ser fragmen- Ao discorrer sobre as teorias do jorna-
tado – classificável – para ser tratado isola- lismo, Nelson Traquina (2005a, p. 146-149)
damente – em profundidade?. Se isso é pos- explicita um momento de expansão da im-
sível, pode-se também haver a separação en- prensa e a criação das agências de notícias.
tre sujeito e objeto. Por outro aspecto, o es- Uma vez que um ‘centro gerador’ de notícias
tado positivo, de Comte, é um regime defini- tinha a responsabilidade de distribuir grande
tivo da razão, em que a observação é a única quantidade de informação para destinos di-
base possível do conhecimento acessível à versificados e distantes, essas agências opta-
verdade, adaptado sensatamente às necessi- ram pela produção de notícias pretensamente
dades reais. Ou seja: isentas e objetivas – sem qualquer resquício
de opinião ou traço pessoal. Com seu mote
a eficácia científica de qualquer “as notícias são como são porque a realidade
modo, seja a abstração racional, assim as determina”, a chamada “teoria do
seja o laboratório experimental, espelho” configurou um modelo em que se
depende da relação direta ou in- acreditava obter no relato jornalístico o “es-
direta com os fenômenos observa- pelho da realidade”. Esta teoria nos eviden-
dos. A investigação científica só é cia a aplicação de princípios que, por um
positiva se o pesquisar opera com lado, era conveniente e prática, no sentido
o que é (Medina, 2008, p. 19). econômico, mas que por outro incorria na vi-
são reducionista da crença de que é possível
Disso decorre uma série de códigos socio- “retratar a realidade” como ela é (positiva).
culturais adotados pelos órgãos de imprensa Experiências como esta foram disseminadas
e por seus trabalhadores – editores, jornalis- e prevaleceram no ocidente por muito tempo,
tas. Princípios legítimos como o de liber- incorporadas às rotinas das redações.
dade de imprensa – direito à informação –, Como ressalta Traquina (2005b, p. 31-
como o de compromisso com a verdade, in- 60), os jornalistas desenvolveram uma “cul-
formação e não propaganda, exatidão, jorna- tura profissional”, uma vez que conquis-

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4 Jorge Kanehide Ijuim

taram uma competência específica. Por Brasileira de Estudos Interdisciplinares da


isso, têm uma maneira de ver e de expres- Comunicação, que carrega a mesma sigla –,
sar o mundo, guiados por esta cultura de de trabalho intitulado Jornalismo Literário:
uma “tribo” – uma comunidade interpreta- um gênero em expansão, no qual fez levanta-
tiva transnacional. Em seus estudos, que mento quantitativo dos artigos sobre o tema
envolveram análises pelos pontos de vista apresentados nos próprios encontros da In-
econômico e ideológico, Traquina nos lem- tercom. A autora constatou que, entre 2001
bra da natural possibilidade de homogenei- e 2006, foram submetidos 27 trabalhos com
zação do pensar e do agir dos integrantes esse mote e, ao final, sugere que o gênero
dessa tribo. encontra-se em fase de consolidação.
Justamente essa cultura – que disciplinou Ao analisar esse artigo, como também vá-
rotinas e estabeleceu gramáticas próprias – rios dos apontados pela pesquisadora, ob-
criou fórmulas para o agir e o pensar dos jor- servo que a amostra reflete uma significa-
nalistas. Tais rotinas e fórmulas estão geral- tiva quantidade de outros trabalhos produzi-
mente consubstanciadas em manuais de re- dos no país, nos quais pude constatar alguns
dação, os quais, assumidos de maneira acrí- pontos que pretendo relativizar:
tica, acarretam numa coleção de objeções
feitas à imprensa atualmente: jornais pare- a) toda narrativa jornalística diversa aos
cidos; repetição de pautas em vários perió- modelos consagrados – a notícia – é ro-
dicos, por vezes com a mesma abordagem; tulada de jornalismo literário;
falta de profundidade; banalização do ser hu- b) grande parcela dos artigos publicados a
mano, entre tantas outras. respeito do tema é fundamentada na ex-
Um jornalismo além dos cânones desta periência norte-americana, em especial
cultura profissional tem sido uma de minhas no Novo Jornalismo, dos anos 1960.
principais preocupações como pesquisador.
Compartilho com muitos outros a busca de Com relação ao primeiro ponto, em
caminhos alternativos a um jornalismo além grande número de artigos que tratam do
das fórmulas, como mencionei. Tenho en- assunto, a justificativa para essa nomeação
contrado, em tantos trabalhos, várias deno- se dá por argumentos como profundidade,
minações nesse sentido, como narrativas jor- imersão, humanização do relato, uso de per-
nalísticas, jornalismo narrativo, jornalismo sonagens, utilização de recursos da litera-
literário. Nessa busca, no entanto, tenho ob- tura. Ao mesmo passo, pretende-se, com a
servado algumas “meias-verdades”, que pre- exploração de tais recursos, superar a efeme-
tendo discutir no decorrer deste texto. ridade de um jornalismo raso e desconexo
da realidade. Como decorrência, a funda-
mentação teórica de tais argumentos está –
2 Apreciações apressadas
na grande maioria das vezes – sustentada no
A pesquisadora Monica Martinez expôs, em Novo Jornalismo norte-americano.
2008, no 31o Congresso Brasileiro de Ciên- Pela bibliografia destacada em tais traba-
cias da Comunicação – também chamado In- lhos, devo presumir que estes acataram a ar-
tercom, por ser promovido pela Sociedade gumentação de alguns autores respeitados (e

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consagrados) que construíram teorização e ções de trabalho, entre tantos outros relevan-
abordagens mais amplas, mas que, por uma tes. Se havia estímulo à voz autoral de seus
“apreciação apressada”, estão sendo inter- repórteres, por consequência, havia a liber-
pretados de forma equivocada. Em outros dade estilística. Seus jornalistas produziam
casos, também no campo das conjecturas, longas reportagens, com riqueza de detalhes
alguns autores – igualmente respeitados – e experimentavam textos que exploravam os
acreditam, com a certeza positiva, que o jor- recursos da literatura, como as reportagens-
nalismo literário praticado aqui é exclusiva- conto de João Antonio.
mente a transplantação do New Journalism Dois autores que estudaram em profun-
no país. Minha grande preocupação, por- didade a revista Realidade foram José Sal-
tanto, é que tais “apreciações apressadas” se vador Faro (1999) e Edvaldo Pereira Lima
transformem de vez na falácia da “generali- (2008). Ambos são cuidadosos ao abordar o
zação apressada”, atribuição ao todo o que é assunto, e conjecturam a possível ligação de
típico de uma parte. Realidade ao Novo Jornalismo. No entanto,
O equívoco não é novo. A revista Reali- não é difícil encontrar papers que afirmam
dade, lançada em 1966, representa um marco categoricamente esta associação.
no jornalismo brasileiro, pela inovação e por Em sua dissertação de mestrado, a pesqui-
romper com os modelos preponderantes na sadora Vaniucha de Moraes1 apresentou en-
época. trevista com cinco jornalistas da equipe ini-
Nos anos 1950, órgãos de imprensa como cial da revista (1966-1968): Mylton Severi-
o Diário Carioca e o Jornal do Brasil pas- ano, José Hamilton Ribeiro, José Carlos Ma-
saram por modernização em seu maquiná- rão, Lana Nowikov e Carlos Azevedo. Todos
rio, o que lhes permitiu a oportunidade de foram unânimes ao afirmar que não foram in-
implantar novos projetos gráficos. Também fluenciados pelo new journalism. Severiano
foi oportuna a reformulação de seus pro- foi enfático: “Não conhecíamos o Novo Jor-
jetos editoriais, com a importação do mo- nalismo. Fomos conhecer Norman Mayler e
delo norte-americano – noticiário mais am- Gay Talese nos anos 70, quando já estáva-
plo, frases curtas, padronização de lingua- mos na imprensa alternativa”2 .
gem e estilos, entre outros. Foi inaugurada Dos anos 1960 ao início do século 21,
ali a fase dos manuais de redação e a criação a menção do jornalismo literário persiste.
da figura do copidesque – profissional encar- Ao ser lançada, em 2006, a revista Piauí
regado de reescrever os textos de maneira a colocou-se como uma revista de reportagens
uniformizar o material jornalístico. “para quem gosta de ler”, como frisou um de
Realidade, com periodicidade mensal, seus criadores, João Moreira Sales. Textos
surge como uma revista de reportagens. Eli- 1
Vaniucha de Moraes defendeu a dissertação “Re-
mina o cargo de copidesque e, por isso, cada alidade (re)vista: O papel do intelectual na concep-
uma das reportagens mantinham a “cara” do ção de um projeto revolucionário” no Programa de
seu autor. Em plena ditadura militar, sua re- Mestrado em Jornalismo pela Universidade Federal
volução envolvia a abordagem de temas tidos de Santa Catarina (UFSC), em dezembro de 2010.
2
Trecho da entrevista concedida por Mylton Seve-
como tabus para a época, como as questões riano, em dezembro de 2009, a Vaniucha de Moraes.
de gênero, o aborto, as minorias, as condi-

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densos, abordagem com profundidade, liber- nho fosse publicado, a partir de 1981, numa
dade estilística, temas não necessariamente coleção de dez volumes. Com o lançamento
factuais, entre outras características, são su- de Obras de Raul Pompéia, editada pela Ci-
ficientes para ser classificada como “jorna- vilização Brasileira, Coutinho transformou
lismo literário”. o escritor de um livro num escritor de uma
No congresso da Intercom realizado em obra. Reuniu suas crônicas publicadas em
Santos (SP), Vitor Necchi (2007), da Pontifí- vários jornais do sudeste brasileiro, especi-
cia Universidade Católica do Rio Grande do almente entre 1880 e 1894, como o Jornal
Sul (PUCRS), promoveu uma discussão inte- do Commércio, Revista Ilustrada, Diário de
ressante com seu trabalho A (im)pertinência Minas e O Estado de S.Paulo.
da denominação jornalismo literário. Após A pesquisadora Márcia Barbosa Vianna
refletir sobre o fenômeno com ênfase nos pri- (2008), por sua vez, descobriu Afrânio Cou-
meiros anos do século 21, questiona a efi- tinho e desenvolveu uma tese vigorosa sobre
cácia da denominação, com base em depoi- a obra de Pompéia. Com isso, identificou o
mento de jornalistas que supostamente fa- escritor também como historiador e, especi-
zem jornalismo literário na atualidade. En- almente, como jornalista.
tre seus entrevistados, estavam Eliane Brum Contemporâneo de Machado e Bilac,
(revista Época) e o próprio João Moreira Sa- Pompéia descreveu as cenas brasileiras com
les, que relativizam o uso do termo. Por isso, a primazia do escritor e o espírito do jorna-
ao final, o autor sugere – como já no título lista. Foi inovador ao romper com o Parna-
do trabalho – a impertinência da expressão sianismo, a corrente literária vigente, estabe-
jornalismo literário. lecendo uma poética alternativa a seus tra-
balhos; exerceu a crítica às questões sociais,
como experimentou o impressionismo e per-
3 Desprezo aos brasileiros
meou suas crônicas com a militância polí-
Apesar de discordar com as argumentações tica. Em “Carnaval do Recife”, por exem-
que embasam os vários casos citados aqui, plo, descreve a aglomeração dos foliões com
respeito tais pontos de vista, porque consi- a chegada dos blocos à praça, com suas fan-
dero que são esforços válidos na busca de tasias coloridas e os rostos pintados – de
diversificação ao que chamei de “jornalismo branco e de preto. A rigor, Pompéia discute
além da fórmula”. O que mais incomoda, no a miscigenação racial e os preconceitos. Em
entanto, é o desprezo e o desrespeito às ex- “O céu e o inferno”, monta um cenário com
periências brasileiras. Nas linhas a seguir, chamas e caldeiras, Lúcifer e Belzebu – o in-
vou discorrer sobre algumas contribuições ferno –, para dissimular os bastidores da po-
de dois brasileiros que deixaram um legado lítica nacional.
rico e que, deliberadamente ou não, no meu Inegavelmente, Raul Pompéia, com sua
entender, suas práticas estão incorporadas na sutileza ou arrebatamento, contribuiu com o
cultura profissional da “tribo brasileira”. estabelecimento do que conhecemos como
Para qualquer brasileiro, Raul Pompéia um gênero jornalístico genuinamente brasi-
(1863-1895) é o autor de O Ateneu. E só. Só leiro: a crônica.
até que o intenso trabalho de Afrânio Couti- Se Pompéia foi o escritor com vocação

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jornalística para fazer a leitura de mundo por fazer jornalístico, não podemos prescin-
suas crônicas, João Paulo Barreto, ou sim- dir do método cartesiano.
plesmente João do Rio (1881-1921), rompeu
com a imprensa constituída no século XIX • Nem todo texto jornalístico que su-
para inaugurar uma nova fase: a reportagem. pere as formas consagradas deve ser ro-
João do Rio instituiu a figura do repórter, que tulado, necessariamente, como jorna-
vai à rua para vivê-la, senti-la, com a mente lismo literário. Reportagem, simples-
e o coração abertos para captar, no cotidiano, mente, pode ser a expressão segura e
a informação, a matéria-prima para a expres- prudente para caracterizar um jorna-
são do Rio de Janeiro do início do século XX. lismo bem feito.
Em A alma encantada das ruas (Barreto, • Tampouco o jornalismo literário pra-
2008), onde estão reunidas várias de suas ticado em nosso país, como por Fer-
crônicas, João do Rio passeia pelos mercado- nando Morais ou Zuenir Ventura, tem
res de livros, encontra os músicos ambulan- seu embasamento no New Journalism.
tes ou os trabalhadores da estiva, passando Tenho convicção de que aprendemos
pelos velhos cocheiros e as pelas mariposas muito com Tom Wolfe ou Gay Talese,
de luxo. Crônicas. João do Rio transforma mas estes não podem ser as únicas refe-
suas crônicas em reportagens, porque foi às rências para a compreensão de narrati-
ruas para buscá-las. vas diferenciadas.
Raul Pompéia e João do Rio, cada um em
seu tempo e a sua maneira, souberam con- • Para a compreensão e o aperfeiçoa-
tar histórias do cotidiano, com leveza, po- mento de um jornalismo que supere
esia, crítica e ousadia, ao mesmo tempo. as críticas da imprensa atual – rela-
Suas vidas e seus trabalhos são contribuições tos apressados e superficiais, descone-
que, deliberadas ou não, estão incorporadas xos da realidade, falta de profundidade
à cultura profissional desta tribo de jornalis- –, não podemos negligenciar a tradição
tas brasileiros. brasileira. Vale persistir no aprofunda-
mento dos estudos em torno dos jorna-
Considerações finais listas que deixaram valiosas contribui-
ções à cultura profissional da tribo bra-
Após esta exposição, ouso apontar algumas sileira.
inferências sobre alguns aspectos aqui discu-
tidos:
Referências
• Ao defender um jornalismo “além da Barreto, J.P.(2008). A alma encantada das
fórmula”, absolutamente não descarto ruas. 2. ed. São Paulo: Martin Claret.
toda a experiência acumulada pela co-
munidade jornalística em pautar, apu- Faro, J.S. (1999). Revista Realidade, 1966-
rar, investigar, checar, entrevistar, redi- 1968: tempo da reportagem na im-
gir e editar. Para a consecução do nosso prensa brasileira. Porto Alegre: Ulbra.

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8 Jorge Kanehide Ijuim

Lima, E.P. (2008). Páginas ampliadas: o terpretativa transnacional. v. 2. Floria-


livro-reportagem como extensão do jor- nópolis: Insular.
nalismo e da literatura. Barueri/SP:
Editora Manole. Vianna, M.A.B. (2008). Crônicas de Raul
Pompéia: um olhar sobre o jornalismo
Martinez, M. (2008). “Jornalismo Literário: literário do século XIX. 211 f. Tese
um gênero em expansão” in: Congresso (Doutorado em Letras) – Departamento
Brasileiro de Ciências da Comunica- de Filosofia, Letras e Ciências Huma-
ção, 31., Natal. Anais eletrônicos... nas da Universidade de São Paulo.
São Paulo: Intercom.

Medina, C. (2008). Ciência e jornalismo: da


herança positivista ao diálogo dos afe-
tos. São Paulo: Summus.

_____. (1995). “Novas estratégias de comu-


nicação” in: Medina, C. & Greco, M.
(Orgs). Sobre vivências no mundo do
trabalho: novo pacto da Ciência, vol.
4. São Paulo: ECA/USP, CNPq, p. 177-
180.

Moraes, V. (2010). Realidade (re)vista: O


papel do intelectual na concepção de
um projeto revolucionário. Dissertação
de Mestrado. Florianópolis: Programa
de Mestrado em Jornalismo – Universi-
dade Federal de Santa Catarina.

Necchi, V. (2007). “A (im)pertinência da


denominação jornalismo literário” in:
Congresso Brasileiro de Ciências da
Comunicação, 30. Santos. Anais ele-
trônicos. São Paulo: Intercom. Dispo-
nível em Intercom. Acesso em 15 maio
2010.

Traquina, N. (2005a). Teorias do jorna-


lismo: porque as notícias são como são.
v. 1. 2. ed. Florianópolis: Insular.

_____. (2005b). Teorias do jornalismo: a


tribo jornalística – uma comunidade in-

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