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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

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VOL. 21 | N. 36 | 2016 | http://dx.doi.org/10.15448/1980-3710.2016.2

Crédito: Divulgação | Diana Jurgielewicz


Dossiê TV Pública
Kitsch: ética,Rammstein
Caravaggio, estética e TV Pública:
Hipermodernidade, sociabilidade A cidade, a vidaenervosa
Manifestações mídias e
e Madonna
gosto popular e tecnologias
Culturas e Regionalidades
digitais alternativas
as doenças mentais
Ticiano Paludo
Solange Wajnman ErikaLuiza
Ana Oikawa
Coiro Moraes e Nádia Maria Weber Santos AntonioCristina
Denise Brasil eAyres
Samira
Gomes
Moratti
e Roberto
Frazão Ramos

P.79
P. 115
01 PORTO ALEGRE | v. 21 | n. 36 | 2016 | pp. 03-16
Sessões do Imaginário P.89
P. 27 P.127
P. 126
Recebido em 30 de dezembro de 2016. Aprovado em 30 de dezembro de 2016.

Resumo Abstract

Ensino de Jornalismo: O artigo registra as principais fontes


bibliográficas sobre o ensino de Jor-
The article registers the main bibli-
ographical sources concerning the

referências para a nalismo, no Brasil e em Portugal, no


período de 2000 a 2016, que está em
education of journalism in Brazil and
in Portugal, between the years 2000

formação acadêmica sintonia com o tempo referente às


discussões a respeito das diretrizes
and 2016, which is in fine tune with
the time referent to the discussions
curriculares e sua implantação em related to the curriculum guidelines
nosso país, bem como ao “Tratado and its implementation in our coun-
Education of Journalism: da Amizade”. Uma pesquisa biblio- try, well as the “Tratado da Amizade”.
gráfica e documental foi realizada A bibliographical and documentary
references to the para o levantamento das referências research was performed to list the
academic formation existentes nos portais de universi- existing references in universities’
dades, nos sites de editoras e divul- portals, editors’ websites and pub-
gadas na internet. As referências lished on the internet. The Brazil-
bibliográficas brasileiras e portugue- ian and Portuguese bibliographical
sas indicadas neste texto são aque- references indicated on this text
las selecionadas entre as várias fon- are those selected among several
Claudia Peixoto de Moura1
tes reveladas na busca inicial, cujas sources revealed in the initial search,
escolhas estão vinculadas ao meu which were elected according my
interesse específico pela pesquisa specific interest by the research of
sobre o ensino para uma formação the education for a qualified for-
qualificada e com dimensões sociais. mation and with social dimensions.
AUTORA CONVIDADA
Palavras-chave Keywords
Jornalismo; ensino; formação Journalism; education; academic
acadêmica; fontes bibliográficas. formation; bibliographical sources.V

03 PORTO ALEGRE | v. 21 | n. 36 | 2016 | pp. 03-16


DOI: http://dx.doi.org/10.15448/1980-3710.2016.2.26197
Sessões do Imaginário
Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

Considerações iniciais obtidos em instituições de ensino superior nos dois área. As fontes bibliográficas indicadas são resultadas
O convite para participar desta edição da revis- países5. O tratado assegura uma mobilidade para os de estudos desenvolvidos em instituições de ensino,
ta motivou a retomada de um tópico constante no estudantes e os diplomados brasileiros e portugue- de pesquisa e em entidades profissionais, publicadas
debate sobre o Ensino de Comunicação. No presen- ses, atingindo igualmente a área de Comunicação6. em livros e coletâneas. Também foram levantadas as
te texto, o foco está direcionado ao Ensino de Jorna- Com base nestes aspectos, o artigo foi pensado e revistas científicas nas quais a temática da edição ver-
lismo, que também é um assunto relevante e vincu- tem como proposta registrar as principais fontes biblio- sava sobre o ensino da Comunicação e do Jornalismo.
lado ao meu interesse pelas discussões a respeito da gráficas sobre o ensino de Jornalismo, no Brasil e em Maria Elisabete Antonioli defendeu sua tese de dou-
formação em Comunicação1. Isto pode ser observa- Portugal, no período de 2000 a 2016, sintonizado com torado, na ECA/USP, em 2002, mas parte da pesquisa foi
do no relatório intitulado O Processo de Bolonha e a o tempo referente às discussões sobre as diretrizes cur- publicada com o título Ensino de Jornalismo e Legislação
Formação de Comunicadores: as diretrizes curriculares riculares e sua implantação em nosso país, bem como Educacional, quatro anos mais tarde. Em um dos oito
para os cursos no Brasil e em Portugal2, no qual ocor- com o “Tratado da Amizade”. Para tanto, foi realizada tópicos apresentados, a autora estabelece uma relação
reu um levantamento das referências bibliográficas uma pesquisa bibliográfica e documental, possibili- entre mercado de trabalho e ensino, na qual a forma-
brasileiras e portuguesas a respeito da formação em tando um levantamento das referências existentes nos ção do “jornalista necessita obrigatoriamente, constan-
Jornalismo. Para a Sessões do Imaginário, o artigo foi portais de universidades, nos sites de editoras e divul- te atualização, face às necessidades da realidade que
elaborado com o intuito de ser uma continuação de gadas na internet. Evidentemente, as referências indi- vivencia comprometida com a globalização, e ainda,
parte do estudo anterior, com o material devidamen- cadas neste texto são aquelas selecionadas entre várias de uma educação continuada, não prevista em anos
te atualizado, possibilitando o registro das novas fon- fontes reveladas na busca inicial. Assim, as referências anteriores” (Antonioli, 2006, p. 94). Ressalta a forma-
tes referentes ao ensino na área para a formação3 de bibliográficas brasileiras e portuguesas apresentadas ção teórico-crítica, além da prática do Jornalismo, para
profissionais em uma sociedade em transformação. a seguir constituem um acervo que está vinculado ao um exercício profissional responsável, ético e reflexivo.
Brasil e Portugal são países parceiros em vários meu interesse específico pela pesquisa a respeito de Em 2003, foi editada uma coletânea denominada
segmentos, sendo o ensino superior uma das possibi- propostas de ensino para uma formação qualificada. Retrato do Ensino em Comunicação no Brasil, organiza-
lidades para a realização de um curso, ou parte dele, da em quatro capítulos, contendo em seus anexos as
por alunos em processo de mobilidade acadêmica. Referências brasileiras Diretrizes Curriculares aprovadas para a área. A obra
As alterações provocadas pelo Processo de Bolonha Diversas obras foram utilizadas na pesquisa biblio- é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Estudos
foram implantadas em Portugal, país integrante da gráfica realizada entre 1995 e 2000, para o desenvol- Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), com
Comunidade Europeia, assim como influenciaram al- vimento da tese de doutorado defendida no Brasil, um dos textos abordando “A pesquisa e o Ensino nas
guns projetos acadêmicos no Brasil, que apresentam já indicada anteriormente, em uma nota. Os livros e Escolas de Comunicação”, de autoria de Maria Imma-
características do documento em questão. Além disso, coletâneas abordavam questões referentes aos cur- colata Vasallo de Lopes. O modelo pedagógico é pro-
o “Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, entre rículos mínimos e à formação acadêmica, adotados jetado no currículo dos cursos, regido por saberes e
a República Federativa do Brasil e a República Portu- no país. A partir de 2000, novas obras foram editadas habilidades explicitadas nas disciplinas teóricas, espe-
guesa”, foi firmado em 20014. O documento oficial es- no Brasil, sendo alguns aspectos registrados a seguir cíficas e práticas. Assim, o modelo de formação está
tabelece tanto a “Cooperação no Domínio do Ensino com a finalidade de retratar a tendência da produ- implícito nas “relações entre concepções de Comuni-
e da Pesquisa” como o “Reconhecimento de Graus e ção bibliográfica a respeito do ensino de Comunica- cação e de educação presentes no modelo pedagógi-
Títulos Acadêmicos e de Títulos de Especialização”, ção com o advento das Diretrizes Curriculares para a co das escolas” (Lopes, 2003, p. 284 – grifo da autora).

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Conforme Lopes, há cinco orientações para a for- Marques de Melo editou duas coletâneas, entre ou- Outra publicação vinculada à INTERCOM reuniu oito
mação do comunicador, identificadas como modelos tras obras publicadas no período. A Pedagogia da Co- textos debatidos no XXVIII Ciclo de Estudos Interdisci-
difusionista, sistêmico, ideológico, informacional, cultu- municação: matrizes brasileiras, de 2006, apresenta qua- plinares da Comunicação e no II Colóquio Brasil-Estados
ral, além do tipo de relação adotada que foi categoriza- tro capítulos compostos por artigos de pesquisadores Unidos, ambos realizados no Rio de Janeiro, em 2005,
do7 como de dependência, de apropriação e de inven- vinculados a várias instituições de ensino superior. como eventos de seu Congresso anual. A questão do
ção. Para ela, “os modelos de formação têm um modo Em sua Introdução, Melo aborda “o campo acadêmi- ensino e da pesquisa em Comunicação foi o tema cen-
de existência mais prática que teórica, mais difusa que co da Comunicação”, iniciando com o marco referen- tral do Congresso, que resultou na coletânea Comuni-
integrada, e operam através de ideologias/culturas cial para “o processo de institucionalização social da cação: ensino e pesquisa, editada em 2008. Participei da
profissionais que cada escola legitima e dos modelos profissão informativa” (Melo, 2006, p. 13) ocorrido na referida obra com um texto a respeito da temática, in-
educativos que guiam o processo de ensino-aprendiza- Europa. Um panorama com as primeiras iniciativas titulado “A pesquisa em Comunicação: o elo entre Gra-
gem” (2003, p. 286). Outra questão é a formação de um europeias para a formação acadêmica em Jornalismo duação e Pós-Graduação”. O trabalho teve como obje-
comunicador “generalista” ou “especialista”, que está indicou as “ciências da imprensa” como orientação tivo apresentar a possível integração entre Graduação
relacionada ao “confronto entre o modelo humanista para os cursos que se estabeleceram a partir do século e Pós-Graduação na área da Comunicação, sob ponto
de ensino, identificado com a formação ‘integral’ acima XIX, na Alemanha, Suíça e França. No século XX, a for- de vista da formação acadêmica. Para tanto, foram en-
da aquisição de habilidades, e o modelo tecnicista, que
mação superior em Jornalismo foi ampliada para Co- focadas a implantação dos currículos para a Graduação
tem por base a especialização e os saberes instrumen-
municação Social, abrigando outras profissões como e a origem dos Cursos de Pós-Graduação, as tendências
tais” (Lopes, 2003, p. 287 – grifos da autora). Além disso,
Publicidade e Relações Públicas. Atualmente, as re- curriculares para uma formação integradora, e as expe-
Lopes abordou os dois eixos da reflexão teórica sobre
flexões teóricas a respeito do campo comunicacional riências relatadas em documentos oficiais como forma
o “fazer” comunicação para a formação acadêmica.
revelam um embate entre o saber e o fazer midiático. de estabelecer a integração. Neste contexto, a pesqui-
A revista científica Comunicação & Sociedade, edita-
O Campo da Comunicação no Brasil, obra editada sa em Comunicação é valorizada, tanto em atividades
da pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP),
no segundo semestre de 2005, enfocou a temática “Dis- em 2008, está dividida em três capítulos, sendo que científicas quanto no ensino das profissões midiáti-
curso e prática no ensino da Comunicação” mediante um deles aborda as disciplinas consolidadas como cas, se inserida na estrutura curricular da Graduação.
um dossiê com textos de pesquisadores brasileiros e Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Pú- Em 2006, ocorreu o I Endecom – Fórum Nacional
estrangeiros. Também apresentou um tópico dedicado blicas, apresentando a institucionalização do campo em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação,
à memória do campo comunicacional e os dilemas ob- em termos científicos e profissionais. Melo introduz evento comemorativo aos 40 anos da ECA/USP, e aos
servados entre a universidade e a sociedade na Amé- o assunto afirmando que “criam-se instâncias de ‘po- 30 anos da INTERCOM, resultando em um livro deno-
rica Latina. O referido texto, de José Marques de Melo, der simbólico’ (Bourdieu) na academia, que denotam minado Ensino de Comunicação: qualidade na Formação
aborda a necessidade de o pensamento comunicacio- a busca de convergência” (Melo, 2008, p. 7) nos es- Acadêmico-Profissional, publicado um ano mais tarde.
nal considerar as identidades culturais para possibilitar paços fragmentados dos cursos e das profissões. Os Igualmente, participei do evento e da coletânea, apre-
estudos com “uma tradição autóctone, marcada pela espaços acadêmicos têm fomentado uma produção sentando os “Padrões de Qualidade para o Ensino de
capacidade coletiva dos nossos povos de se atualizarem e acumulação do conhecimento, visando delinear Comunicação no Brasil”, com o registro das antigas
historicamente sem renunciar ao ethos latino-america- “as tendências do saber legitimado sobre o campo lutas, do movimento nacional, do programa de qua-
no” (Melo, 2005, p. 152). Parte de seu conteúdo foi poste- da comunicação no Brasil” (Melo, 2008, p. 9), a partir lidade para o Jornalismo, das diretrizes curriculares
riormente publicado no livro de 2006, indicado a seguir. do inventário realizado por diversos pesquisadores. e da avaliação para o curso de Comunicação Social.

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A coletânea também traz um texto de Eduardo lente’ (ou ‘comunicador’), capaz de assumir qualquer fases são apresentadas na obra – o ensino do Jorna-
Meditsch, que versa sobre “A Qualidade do Ensino na profissão ou papel social a partir apenas da graduação lismo online e as plataformas para o ensino em rede.
Perspectiva do Jornalismo: dos anos 1980 ao início do [...]” (Meditsch, 2008, p. 31), não o preparando profis- No final de 2007, a Rede PROCAD10, com o tema “O
novo século”, indicando de forma crítica que “a dimi- sionalmente. Isto exige projetos pedagógicos que dis- ensino de Jornalismo na Era da Convergência Tecnoló-
nuição da duração dos cursos, e a criação de um ciclo tingam “a profissão (com suas funções exclusivas) das gica – grades curriculares, planos de ensino e deman-
básico de dois anos (que daria direito a um diploma eventuais ocupações (funções compartilhadas com das profissionais”, foi criada reunindo pesquisadores de
de “Estudos de Formação Geral”) são vistos como no- outras profissões) que um jornalista pode exercer em programas de pós-graduação. Em 2010, ocorreu o lança-
vos movimentos para ampliar o número de matrículas sua vida laboral e social” (Meditsch, 2008, p. 33). Enalte- mento da coletânea Ensino de Jornalismo em tempos de
e diplomas no país às custas da qualidade do ensino” ce o movimento na área do Jornalismo em relação ao convergência, organizada por Elias Machado e Tattiana
(Meditsch, 2007, p. 137). O autor salientou a representa- seu campo acadêmico, com a consolidação de grupos Teixeira, com os primeiros resultados da Rede, apresen-
ção da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), do de pesquisa em universidades e em entidades preo- tados em duas partes – uma teórica e outra direcionada
Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) cupadas com a questão do ensino e da formação ba- às práticas do ensino em Jornalismo. Mais uma publica-
e da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores de Jor- seada em competências teóricas, técnicas e práticas. ção merece destaque – O Ensino de Jornalismo na era da
nalismo (SBPJor) no debate sobre a avaliação da qua- Elias Machado é outro autor de vários textos e or- convergência: conceitos, metodologias e estudos de casos
lidade do ensino. Neste mesmo ano, o FNPJ lançou a ganizador de obras que abordam a temática. A publica- no Brasil, editada em 2011. O livro está dividido em três
Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo (REBEJ)8, em ção O Ensino do Jornalismo em redes de alta velocidade: partes: Fundamentos Teórico-Metodológicos; Estudos
formato eletrônico, que trata de temas relacionados metodologias & software, organizada por Elias Machado do projeto do PROCAD; Estudos de Casos no Brasil.
às áreas interdisciplinares do ensino de Jornalismo. e Marcos Palácios, em 2007, é resultado do Projeto PRO- A primeira parte é composta por quatro artigos,
A FENAJ organizou duas coletâneas a respeito da NEX9 e trata de metodologias de ensino do Jornalismo sendo o de Tattiana Teixeira, intitulado “Projetos Pe-
Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que in- na Web, mediante discussões teóricas e práticas peda- dagógicos em Tempos de Mudança no Jornalismo:
teressa à sociedade. A primeira é composta por textos gógicas. No artigo “O Ensino de Jornalismo em Tempos desafios e alternativas”, um texto que remete a uma
oficiais da entidade, artigos e pequenos ensaios, sen- de Ciberespaço”, Machado afirma que “no processo de reflexão sobre os caminhos e os compromissos cole-
do publicada em 2002, com o apoio da Universidade formação continua, seja de um jovem estudante de tivos envolvendo instituições, docentes e discentes.
Federal de Santa Catarina, pela Cátedra FENAJ-UFSC graduação, seja do pós-doutor, a prática da pesquisa O comprometimento institucional, para a mudança
de Jornalismo para a Cidadania, e sua segunda edi- deve orientar a inserção de cada membro das comu- e a inovação, pode ampliar o conhecimento e viabi-
ção está disponível online, no endereço <www.fenaj. nidades de ensino-aprendizagem nos diferentes tipos lizar uma nova perspectiva à formação profissional,
org.br>. Outra coletânea foi publicada em 2008, com de laboratório mantidos pelas instituições de ensino de concebendo “currículos que sejam em si mesmos
artigos de autores de três segmentos: acadêmicos, ju- Jornalismo” (2007, p. 17-18). Para o autor, este tempo de convergentes” (Teixeira, 2011, p. 26) para dar condi-
ristas, profissionais. No segmento Academia, há um ciberespaço necessita de cursos de Jornalismo adapta- ções à crítica do fazer jornalístico. Assim, “buscar a
texto de Meditsch sobre as “Novas e velhas tendên- dos à “uma prática mediada pelas tecnologias digitais” inovação, a partir da pesquisa que possibilite, a um
cias: os dilemas do ensino de Jornalismo na socieda- que exige “uma cultura de pesquisa entre professores só tempo, discussão + experimento + aprendizado
de da informação”, no qual afirma que “o importante e alunos e da capacidade da instituição para superar crítico + informação” (Teixeira, 2011, p. 27) caracteri-
seria consolidar as competências específicas, ao invés o paradigma dos planos de estudo fragmentados em za projetos pedagógicos com a interação de saberes
de cair na tentação de formar um ‘jornalista poliva- disciplinas isoladas” (Machado, 2007, p. 20). Duas ên- para a compreensão das variadas dimensões sociais.

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A segunda parte agrupa textos referentes à Rede saberes teórico-metodológicos; invenções labora- Mais uma obra é resultado de uma tese de dou-
PROCADJOR11 e a terceira parte apresenta artigos se- toriais-experimentais; estudos avançados. Aponta a torado, publicada em 2013, por Enio Moraes Júnior,
lecionados do I Seminário Nacional de Ensino de Jor- preocupação com o equilíbrio entre teoria e prática, com o título Formação de Jornalistas: elementos para
nalismo, ocorrido na Universidade Federal de Santa envolvendo “os atores do processo de ensino-apren- uma pedagogia de ensino do interesse público. Trata de
Catarina (UFSC), em Florianópolis, no ano de 2010. É dizagem (docentes, alunos e coordenadores)” (Lima, um diálogo entre formações superiores estabelecidas
interessante ressaltar que esta coletânea possui um 2012, p. 51) para a construção coletiva da proposta. a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais, no Bra-
artigo do pesquisador brasileiro, Francisco Gilson Re- A obra Ser Jornalista no Brasil: identidade profissio- sil, e do Protocolo de Bolonha, em Portugal, com uma
bouças Pôrto Jr. (2011), intitulado “Brasil e Portugal: nal e formação acadêmica, publicada em 2013, tem abordagem direcionada à cidadania visando profissio-
uma perspectiva comparativa sobre a história da for- como base a dissertação de mestrado e a tese de dou- nais de Jornalismo para o desenvolvimento humano,
mação em Jornalismo”, com os modelos profissio- torado de Fernanda Lima Lopes. Aborda questões a sendo apresentada em seis capítulos com discussões
nais e o ensino praticado na área, em ambos países. respeito da identidade jornalística, da cronologia do teóricas e aspectos empíricos. Na opinião do autor,
Em 2012, há duas publicações de Santa Catarina. ensino e sua relação com a profissão, da obrigatorie-
Eduardo Meditsch, autor de referência na área, come- dade do diploma e a formação superior com as dire-
Para a parcela da população que acompanhou
mora os 30 anos de docência com a obra Pedagogia trizes curriculares para o curso. Exatamente esta últi-
ou participou dos debates, discutir as Diretrizes
e pesquisa para o Jornalismo que está por vir, apresen- ma questão é registrada, com as palavras da autora:
Curriculares foi uma oportunidade para refletir
tando uma perspectiva autoral, na medida em que
sobre a cidadania nacional e, ao mesmo tem-
relata as memórias e a história vivida no campo do Não se vislumbra entre as recomendações do
po, exercitá-la. Desejável seria uma participação
Jornalismo, bem como suas experiências que funda- Projeto Pedagógico uma preocupação com o
maior, mais plural, e que a cidadania brasileira
mentam as reflexões a respeito do ensino e de sua desenvolvimento e o exercício intelectual de
conhecimento(s) que não seja(m) necessaria- fosse mais inclusiva. Mas, paradoxalmente, cabe,
trajetória acadêmica. A outra publicação catarinense,
mente aplicado(s). Mesmo que atividades di- em parte, à educação e à imprensa fomentarem
Ensinar Comunicação: desafios pedagógicos no ensino
dáticas para incentivar a pesquisa e a extensão essa participação (Moraes Júnior, 2013, p. 101).
de Jornalismo e Publicidade, organizada por Jacques
Mick e Samuel Lima, trata das experiências acadêmi- estejam incorporadas nas propostas, além de
cas do Curso de Comunicação da IELUSC – Associa- haver sugestões para se fomentar a integração O ensino do interesse público para uma atuação
ção Educacional Luterana Bom Jesus e está dividi- com a pós-graduação, a tendência em reforçar profissional de jornalistas é um compromisso afirmado,
da em três partes – Ensino de Comunicação; Ensino a identidade do jornalista como um profissio-
conforme Moraes Júnior, que ressalta a relevância de
de Jornalismo; Ensino de Publicidade e Propaganda. nal prático e técnico é o traço que mais so-
uma pedagogia para uma formação superior, desenvol-
O texto da Parte 1, “A concepção coletiva e ino- bressai no documento (Lopes, F., 2013, p. 233).
vendo nos alunos a capacidade de articulação de ques-
vadora do Projeto Pedagógico”, de Samuel Lima,
tões relacionadas ao humanismo com as competências
aborda uma breve história e os conceitos adotados A crítica ao documento está ancorada nas ob-
na construção do projeto. Para Lima, “[...] a sublime técnicas e específicas características do Jornalismo.
servações sobre o jornalista contemporâneo, bem
tensão entre ‘tradição’ e ‘aventura’ conformaria um como nas discussões a respeito da identidade do Enio Moraes Júnior, Luciano Victor Barros Maluly e
novo espaço de ensino e experimentação, a partir da Jornalismo e os saberes para a formação profissio- Dennis de Oliveira organizaram a coletânea Antes da
configuração da nova matriz curricular [...]” (2012, p. nal e os fazeres característicos da profissão, contex- pauta: linhas para pensar o ensino do Jornalismo no sé-
47), com quatro eixos fundamentais: humanidades; tualizando historicamente seu lugar na sociedade. culo XXI, que foi publicada também em 2013, conten-

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do oito textos de autores brasileiros e portugueses. Jornalismo no século XXI”, que traz a síntese de vários senvolvidos em instituições de ensino, de pesquisa e
Reflexões sobre as possibilidades interdisciplinares tópicos relacionados à formação acadêmica na área. em entidades profissionais. No caso das revistas cien-
em um cenário de constantes mudanças foram apre- Outro é de Eduardo Meditsch, denominado “A apli- tíficas, foram selecionadas aquelas edições nas quais a
sentadas, apontando para uma formação adequada cação das novas diretrizes curriculares: oportunida- temática versava sobre o ensino de Comunicação ou
ao momento no qual determinados caminhos e dire- de para o reencontro do Ensino de Jornalismo com o de Jornalismo. As Actas de eventos foram consultadas,
trizes curriculares estão em vigor. A relação entre os que foi perdido em sua História”, que revela determi- mas não utilizadas no levantamento bibliográfico, pois
dois países é inspiradora para pesquisas comparativas. nados aspectos da formação iniciando com a situação continham textos publicados posteriormente em cole-
O texto “Brasil e Portugal: problemáticas e orien- norte-americana, depois europeia e, por fim, a latino- tâneas. Os dados históricos a respeito da criação dos
tações no ensino do Jornalismo”, de Nancy Nuyen Ali -americana. Também registra uma história (secreta) cursos em Portugal não serão abordados, devido ao
Ramadan, registra a trajetória da autora na temáti- na qual a primeira formação ocorreu em Jornalismo fato das publicações já registrarem o assunto com de-
ca da formação acadêmica, com a tese de doutorado e, posteriormente, passou a ser em Comunicação So- talhes. O enfoque deste item está na formação acadê-
(2000) referente aos formadores de jornalistas, em que cial com habilitações. No caso das recentes Diretrizes mica concebida pelos autores selecionados para o tra-
pesquisou os professores e seu entendimento da ati- Curriculares, a formação volta a ser em Jornalismo, balho, sendo o ensino de Jornalismo privilegiado em
vidade jornalística. Posteriormente, realizou estudos sendo o documento oficial reproduzido parcialmente relação ao de comunicação nas fontes bibliográficas.
em nível de pós-doutorado (2009), para “tentar com- no artigo. Meditsch afirma que há uma reorientação O autor Adriano Duarte Rodrigues foi responsável
preender as mudanças pedagógicas advindas com o para os projetos pedagógicos, significando “a sua va- pela implantação do primeiro curso superior em Co-
Protocolo de Bolonha, na Europa, e comparar peda- lorização, dando-lhe coerência e sentido na formação municação Social no país14. Em 1988, publicou a obra
gogicamente as realidades educacionais brasileira e profissional de jornalistas como produtores intelec- intitulada O Campo dos Media, na qual há um tópico
portuguesa” (Ramadan, 2013, p. 118). Isto possibilitou tuais. [...] o jornalista, como intelectual, necessita de dedicado ao ensino universitário na área. Aborda a
um estudo comparado entre os cursos da Universida- uma sólida capacidade de interpretação da realida- questão do saber generalista ou específico, afirman-
de do Minho, em Portugal, e da Universidade de São de e de uma ampla cultura geral” (2015, p. 82), sendo do que “a formação universitária em comunicação
Paulo, no Brasil. Esta pesquisa se aproxima do estudo o papel da universidade para o futuro do Jornalismo. social não se reduz à aprendizagem das técnicas des-
que desenvolvi no pós-doutoramento (2009), na Uni- tas profissões. É antes de mais a formação numa área
versidade de Coimbra, em Portugal, com docentes e Referências portuguesas específica e especializada do saber moderno nas ci-
discentes de ambos países, citado no início do texto. Um levantamento bibliográfico foi realizado para ências humanas” (Rodrigues, p. 1988, p. 182). Indica
A obra O ensino de comunicação frente às Diretrizes documentar as fontes editadas a respeito do Ensino de o paradigma comunicacional e os eixos genealógico,
Curriculares12, organizada por Fernando Ferreira Almei- Comunicação em Portugal. Foram encontradas obras, discursivo e tecnológico para a formação universitária.
da, Robson Bastos da Silva e Marcelo Briseno Marques coletâneas e periódicos que retratam alguns aspectos Merece destaque o estudo realizado por Mário
de Melo, faz parte de um projeto desenvolvido pela da formação acadêmica na área, publicadas no perí- Mesquita e Cristina Ponte sobre a Situação do Ensino
INTERCOM, denominado Seminário sobre o Ensino de odo de implantação do Processo de Bolonha. Apenas e da Formação Profissional na área do Jornalismo, cujo
Graduação em Comunicação Social (ENSICOM)13. O livro, duas fontes datam de um período anterior, mas foram relatório encontra-se disponível no site: <http://www.
no formato e-book, possui dois textos sobre a forma- consideradas por serem relevantes para uma contex- bocc.ubi.pt>. Algumas obras a seguir relacionadas fa-
ção em Jornalismo, sendo um de autoria de José Mar- tualização à proposta do artigo. A produção biblio- zem referência a este estudo, elaborado em 1996-97,
ques de Melo (2015), intitulado “Desafios do ensino do gráfica registrada a seguir é resultado de estudos de- para a Representação da Comissão Europeia em Portu-

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gal. Em sua nota introdutória, está especificado como Quanto à oferta de disciplinas voltadas ao desen- ta polivalente e generalista pressupõem uma cultura
objetivo proceder a um levantamento da referida situ- volvimento da pesquisa, o “traço comum a estes cursos humanística e uma competência cultural, comunica-
ação em Portugal, tanto no ensino universitário e poli- é a rarefacção de cadeiras de âmbito metodológico de cional, profissional e tecnológica” (Mesquita, 2004, p.
técnico, como nas atividades dos centros de formação suporte a investigações” (Mesquita; Ponte, 1996-1997, 191 – grifo do autor). Cada uma é descrita, sendo que
especializados nesta área. O relatório está dividido texto do relatório). Os cursos de comunicação são cons- a competência comunicacional “apela ao conjunto de
em capítulos, e há uma síntese conclusiva a respei- tituídos pelo ensino do Jornalismo, da Publicidade e da disciplinas que, em especial, a partir dos anos sessenta,
to da situação encontrada, a qual pode ser resumida Comunicação Institucional (Relações Públicas, Comuni- se designam por ‘ciências da comunicação’ e que con-
nos seguintes tópicos: cursos generalistas; o predomí- cação Empresarial e outras). Apesar das especificidades, vocaram, numa perspectiva transdisciplinar, saberes
nio das Ciências da Comunicação; a coexistência com a fundamentação teórica está relacionada a disciplinas provenientes da psicologia, da sociologia, da antropo-
a publicidade e a comunicação institucional; a insufi- comuns, pertencentes às Ciências Sociais e Humanas e logia, da linguística e da semiologia” (Mesquita, 2004,
ciência da área específica do Jornalismo; a problemá- às Ciências da Comunicação. Os resultados do relatório p. 192 – grifo do autor). A qualificação dos profissionais
tica europeia; finalizando com as perspectivas futuras. serviram de base para várias considerações, em estudos da comunicação, tais como de Jornalismo, de Publi-
Alguns aspectos apontados na parte conclusiva desenvolvidos por autores dedicados ao ensino da área. cidade e de Relações Públicas, requer uma formação
do relatório são relevantes para o presente estudo. Foi Em 2003, José Rebelo publicou a obra denomi- acadêmica e uma definição de perfis adequados
constatado que nada A Comunicação: temas e argumentos, com um às exigências das sociedades contemporâneas.
dos tópicos tratando do ensino e da investigação na A revista Comunicação e Sociedade, de núme-
o Jornalismo surge, na maior parte dos casos, inte- área em Portugal. Faz referência aos mestrados, que ro 5, editada em Portugal em 2004, enfoca o Ensi-
grado em cursos de Ciências da Comunicação ou “vão-se impondo como continuidade natural das li- no do Jornalismo e apresenta vários artigos sobre
de Comunicação Social, que possuem um tronco cenciaturas. A exemplo da FCSH/UNL que, também a formação na área. Entre eles estão os textos do
comum de duração variável, situação que ocorre aqui, foi pioneira, iniciaram-se cursos de mestra- brasileiro Eduardo Meditsch e dos portugueses Ma-
em todas as universidades privadas e na maioria do” (Rebelo, 2003, p. 136) em diversas universidades. nuel Pinto, Joaquim Fidalgo e Fernando Cascais, que
do ensino universitário público, com a exceção Em sua opinião, inicialmente, houve uma influên- possuem informações relacionadas ao presente es-
de duas licenciaturas (Jornalismo na Universidade cia de conhecimentos estrangeiros, porém a expec- tudo. O artigo de Meditsch relata uma experiência
de Coimbra e Novas Tecnologias da Informação tativa é estudar objetos da sociedade portuguesa. brasileira de formação em Jornalismo para a práxis
na de Aveiro) e de alguns cursos do Politécnico Outra publicação de Mário Mesquita foi a obra in- profissional, com base na concepção da prática pro-
(Mesquita; Ponte, 1996-1997, texto do relatório). titulada O Quarto Equívoco – o poder dos media na so- posta por Paulo Freire. Meditsch já foi referenciado an-
ciedade contemporânea, com a primeira edição em teriormente, por ser um pesquisador da área no Brasil.
Além disso, para a análise dos cursos houve uma 2003 e a segunda em 2004. Dividida em cinco partes, O ensino do Jornalismo em Portugal é referido por
“distribuição das disciplinas por quatro áreas de saber – apresenta a questão do ensino e sua relação com o Manuel Pinto, que registra seu percurso histórico, no qual
Ciências Sociais e Humanas, Ciências da Comunicação, exercício profissional no tópico destinado às pers-
Estudos sobre os Media e Jornalismo”, possibilitando pectivas. As competências são abordadas a partir da a formação universitária em Ciências da Comu-
verificar que “as cadeiras respeitantes às duas primeiras seguinte questão: “que tipo de formação devem pos- nicação ou Comunicação Social surge bastan-
áreas constituem o «núcleo duro» de todos os cursos exis- suir os jornalistas?” O autor responde indicando que te tarde, em Portugal – nos anos subsequentes
tentes” (Mesquita; Ponte, 1996-1997, texto do relatório). “os requisitos fundamentais da formação do jornalis- à Revolução de Abril de 1974 – mas, ainda assim,

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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

antes de surgirem cursos universitários especifi- jornalísticos. Este último poder-se-á ainda subdi- Em 2005, o autor português Nelson Traquina edi-
camente centrados no campo jornalístico. Na ver- vidir entre as disciplinas teórico-epistemológicas ta no Brasil as obras Teorias do Jornalismo, porque as
dade, foi apenas em 1993 que foi criado o Curso e as disciplinas de pendor prático-experimental. notícias são como são (volume I) e Teorias do Jornalis-
de Jornalismo da Faculdade de Letras da Univer- mo. A tribo jornalística – uma comunidade interpretativa
sidade de Coimbra, a que se seguiu, já em 2000,
As mudanças na formação e na profissão foram apre- transnacional (volume II). São seis capítulos no primeiro
o de Jornalismo e de Ciências da Comunicação,
sentadas, assim como a interação teoria e prática, finalizan- volume, versando sobre a definição do Jornalismo, sua
na Universidade do Porto (Pinto, 2004, p. 50). trajetória histórica, a problemática da profissão, o cam-
do com questões sintonizadas à Declaração de Bolonha.
po e as teorias da área. A identidade profissional (ethos)
Joaquim Fidalgo analisa um perfil socioprofissio-
Descreve o papel do Sindicato Nacional de Jorna- indica como se deve ser e estar no Jornalismo. “A ideo-
nal dos jornalistas portugueses, em função do nú-
listas e o contexto político da época. Aponta que o pri- logia jornalística e a sociedade fornecem igualmente
mero de profissionais, gênero, faixa etária, formação
meiro curso, criado na Universidade Nova de Lisboa, um ethos que define para os membros da comunidade
acadêmica, para um melhor Jornalismo. Em sua opi-
serviu de exemplo a outros, que nasceram “integrados jornalística que o seu papel social é de informar os ci-
nião, “embora continue a não ser exigido qualquer
em escolas ou faculdades ligadas às humanidades e às dadãos e proteger a sociedade de eventuais abusos de
diploma de estudos superiores em domínios das
ciências sociais, valorizando as componentes históri- poder, [...]” (Traquina, 2005a, p. 202). Conforme o autor,
Ciências da Comunicação para aceder à carreira pro- os cursos superiores “contribuíram para uma mudança
co-filosófica, linguística, sociológica e tecnológica. Em
fissional de jornalista, nos anos mais recentes pode profunda” na qual o Jornalismo português está asso-
grande parte dos cursos assim concebidos, funcionava
dizer-se que a quase totalidade de novos jornalistas ciado “a um compromisso com os ideais da profissão
um tronco comum nos dois primeiros anos, com opções
tem sido recrutada entre os diplomados do setor” (Fi- e não a afirmação de convicções políticas” (Traquina,
ou variantes nos dois ou três anos finais” (Pinto, 2004,
dalgo, 2004, p. 69). A tendência é um maior número 2005a, p. 209). Um dos itens da obra é o desenvolvi-
p. 52), nos quais passaram a coexistir as especialida-
de jornalistas, uma presença maior do sexo feminino mento do ensino universitário na área.
des de Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade, etc.
e de profissionais mais jovens atuando no mercado. No segundo volume, há quatro capítulos que fo-
Os cursos foram criados em instituições universitá-
E Fernando Cascais aborda o ensino a partir das ram organizados em duas partes: “uma comunida-
rias e em instituições de ensino politécnico, públicas e
privadas. Com a instalação de cursos de pós-gradua- atividades e do posicionamento do Centro Protocolar de interpretativa” e “uma comunidade interpretativa
ção, houve uma alteração. Conforme Pinto (2004, p. 54 de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR). transnacional”. A primeira parte é norteada por duas
– grifos do autor), Aponta problemas no ensino superior em Portugal, questões: a compreensão do ser jornalista; e do ser
que necessitam de debates. “A relação do campo do notícia. A segunda parte apresenta análises pautadas
recortam-se, no percurso do ‘caso português’, três Jornalismo com a globalizante Comunicação não será pela problemática da AIDS e por estudos sociológicos.
círculos concêntricos. Caminhando do mais para o um dos menores problemas. Mesmo que não haja fra- O autor adotou Bourdieu para definir o campo jorna-
menos abrangente, temos, em primeiro lugar, o cír- turas (entre Jornalismo e Comunicação, entre universi- lístico, que implica, além de outros aspectos, na “exis-
culo da formação sócio-humanística e cultural clás- dade e profissão, entre formação teórica e prática, en- tência de um grupo especializado que afirma possuir
sica; segue-se o círculo das ciências que incidem tre ensino e tarimba) sentem-se fissuras” (Cascais, 2004, um monopólio de conhecimentos ou saberes espe-
na ‘problemática da comunicação’; e, finalmente, p. 93)15. O crescimento da oferta de cursos prejudica a cializados” (Traquina, 2005b, p. 19). Aborda os saberes
no centro, o círculo correspondente aos estudos consolidação dos conhecimentos para a atividade. de reconhecimento, de procedimento e de narração

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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

como competências jornalísticas, para constituir “o listas dividem-se hoje entre os mais antigos membros, Outra obra oriunda de um estudo realizado em ní-
saber de produzir notícias. Ser jornalista é saber não formados na ‘tarimba’ diária das redacções e os mais vel de pós-graduação é a do autor Joaquim Fidalgo,
só elaborar a notícia: é ter uma perspicácia profissio- jovens (sobretudo mulheres), credenciados pela forma- denominada O Jornalista em Construção. O livro, pu-
nal, [...]” (Traquina, 2005b, p. 45) para produzir notícias ção académica” (Graça, 2007, p. 63 – grifo da autora). blicado em 2008, é uma parte de sua tese de douto-
com critérios específicos da cultura da área. A evolu- Em sua opinião, isto ocorre porque “grande parte ramento e está organizada em dois capítulos, caben-
ção da “tribo” revela quatro tendências, com base em dos dirigentes reconhece que as escolas ensinam téc- do ao segundo a questão do modelo de formação,
estudos publicados por outras fontes: uma expansão, nicas e regras básicas indispensáveis à boa prática da na perspectiva de uma especialidade “detentora de
um rejuvenescimento, uma feminização e um au- profissão, mas criticam nos estudantes a falta de cultu- um ‘saber’ e um ‘saber-fazer’ (e ‘saber-como-fazer’)
mento da escolaridade e da formação universitária. ra geral, o fraco espírito de criatividade e a imprepara- próprios, [...]” (Fidalgo, 2008, p. 110 – grifos do autor).
Sara Meireles Graça publicou em 2007 a obra intitu- ção para as reais exigências da profissão” (Graça, 2007, Apresenta aspectos históricos a respeito da formação
lada Os Jornalistas Portugueses: dos problemas da inser- p. 125). A autora condena o fato de jornalistas profis- na área e da construção da profissão, analisando as
ção aos novos dilemas profissionais. O livro é resultado de sionais serem recrutados pelas escolas para a docência, dificuldades ocasionadas pelos condicionamentos po-
sua dissertação de mestrado e contém um tópico desti- uma vez que os saberes técnicos do ofício são reprodu- líticos. Aponta o acesso à profissão não condicionado
nado à análise da questão da escolaridade dos jornalis- zidos sem uma reflexão. Registra a história da criação à obtenção de um diploma, “embora se insistisse pro-
tas portugueses. A situação acadêmica apresentada faz gressivamente nas vantagens de alguma formação,
dos cursos superiores, apontando uma orientação mais
parte do II Inquérito Nacional aos Jornalistas Portugue- menos por razões de aprendizagem técnica e mais por
generalista com variadas saídas profissionais. A quali-
ses, realizado em 1997, e revela os valores percentuais alargamento tanto de uma cultura geral como de uma
dade dos cursos, a sua adequação às necessidades do
a respeito da formação específica na área e o acesso à capacidade de compreender a sociedade e de agir no
mercado de trabalho, a massificação do ensino supe-
atividade. A autora afirma que são aceitas “a ‘tarimba’ seio dela com um sentido de responsabilidade basea-
rior, os programas curriculares abrigando Jornalismo,
e a prática da actividade sem exigências académicas, do em valores profissionais” (Fidalgo, 2008, p. 127).
Relações Públicas, Publicidade, são pontos criticados.
para além da escolaridade obrigatória, como critérios- Com a proliferação dos cursos e uma formação espe-
Também aborda os novos dilemas profissionais
-base de acesso à profissão, [...]” (Graça, 2007, p. 43 – gri- cializada, o exercício da profissão passou a ser garanti-
fo da autora), marcada por um enquadramento legal. que estão vinculados à formação superior na área. do a jovens jornalistas diplomados. Em uma nota final,
O ingresso se dá pela prática e colaboração volun- E conclui afirmando que “a comunidade académica Fidalgo (2008, p. 181 – grifos do autor) indica como um
tária, “apesar da crescente pressão dos licenciados em tenta alimentar um ideário profissional baseado na dos domínios essenciais para a profissão “a sua reivin-
fechar o mercado de trabalho sobre si” (Graça, 2007, p. reflexão e no questionamento, enquanto as empre- dicação de um corpo próprio de conhecimentos e de
51). A consolidação no exercício profissional não possui sas procuram, sobretudo, um funcionário polivalente saber”, que é significativo à identidade profissional.
“definições claras sobre quais os saberes, habilitações e generalista, devidamente adaptado às longas jor- Em 2008, a edição da revista Media & Jornalismo,
ou competências exigíveis ao bom desempenho pro- nadas de trabalho” (Graça, 2007, p. 171). Há uma de- de número 13, tem como foco ‘Um século de ensino
fissional no interior das empresas mediáticas portu- sarticulação entre a reflexão acadêmica e as práticas do Jornalismo’, apresentando artigos a respeito da te-
guesas” (Graça, 2007, p. 51). Portanto, são as relações executadas nas empresas jornalísticas, cujos modelos mática. Fernando Cascais escreve sobre o “Ensino do
estabelecidas com as empresas que determinam o in- exigem uma capacidade técnica. A obra ainda possui Jornalismo em Portugal. História de um fracasso dos
gresso e a permanência no Jornalismo, e não uma for- anexos com os dados quantitativos resultantes de es- jornalistas”, relatando a formação dentro do processo
mação específica ou um saber acadêmico. “Os jorna- tudos desenvolvidos junto a jornalistas de Portugal. de profissionalização. Segundo o autor,

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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

ensino do Jornalismo não coincide com ensino cesso (estudantes, empresas, profissionais e socie- na reflexão com aportes do campo da comunicação;
para o Jornalismo. O primeiro pressupõe um corpo dade civil) não houve reacção visível ao nível dos ór- de estudo e práxis da mídia com ações relativas aos
de saberes e de técnicas suficientemente consoli- gãos de comunicação social (Marinho, 2008, p. 129). processos tecnológicos ou de produção de conteú-
dadas para serem transmitidos, configurando-se dos; de disciplinas do campo das Ciências Sociais e
numa formação exclusiva ou prioritária na forma- Porém, há interesse em discutir a questão da for- Humanas; de disciplinas do campo das Artes. Coelho
ção de novos profissionais. Pelo contrário, a se- mação em Jornalismo, da preparação dos profissio- também aborda aspectos da formação acadêmica, do
gunda expressão abre acesso a diversos tipos de nais para o desempenho de suas tarefas, consideran- acesso à profissão, das características dos cursos (es-
formação, isto é, torna o exercício profissional in- do a dimensão formal do ensino superior e a informal tatuto18, vagas, localização dos estabelecimentos de
definido, [...] (Cascais, 2008, p. 55 – grifos do autor). do exercício da atividade. A qualidade do Jornalismo ensino), indicando a necessidade de uma reflexão so-
está relacionada à sua prática e à sua formação. E a bre a situação do ensino de Jornalismo em Portugal.
A definição de um corpo de conhecimentos, de qualidade do ensino está associada à investigação na Em 2015, foi publicada a tese de doutorado de San-
saberes, é difícil devido ao fato do Jornalismo neces- área, fomentada pelos cursos de pós-graduação. “A dra Marinho, com o título Jornalismo e Formação em
sitar de uma formação multidisciplinar, polivalente, relação entre formação/ensino e investigação é fun- Mudança: modelos e construções na análise do caso por-
diversificada, transversal. O autor relata a história do damental. O incremento da actividade editorial, [...] tuguês. A obra encontra-se disponível em www.cecs.
ensino do Jornalismo, em um ambiente político con- pode ser indício de um maior interesse por esta área uminho.pt e está fundamentada em uma pesquisa teó-
turbado que atrasou a formação superior na área. de investigação [...], uma tendência que teria de ser rica e uma pesquisa empírica, com a aplicação de um
acompanhada e verificada” (Marinho, 2008, p. 140). modelo de análise. Jornalismo, sociedade e mudança
Também, em 2008, uma coletânea foi editada com
O debate sobre a temática tende a eliminar a dico- são as dimensões trabalhadas, havendo oito pressu-
o nome Os media em Portugal nos primeiros cinco anos
tomia entre os universos acadêmico e profissional. postos que norteiam a reflexão. Marinho apresenta
do século XXI, pertencente à coleção Comunicação e
A coletânea (Moraes Júnior; Maluly; Oliveira, 2013) uma obra de fôlego e defende uma “formação abran-
Sociedade, e vinculada ao projeto Mediascópio – Es-
já citada nas Referências Bibliográficas Brasileiras tam- gente, cultura geral, curiosidade e espírito crítico, acom-
tudo da Reconfiguração do Campo da Comunicação e bém possui textos de autores portugueses. Um artigo
dos Media em Portugal16. Vários artigos constituem a panhamento da actualidade e prática da profissão, no
que chama a atenção é o de Pedro Coelho, denomi-
obra, sendo um deles relacionado à temática, com o âmbito do curso, mas também fora dele” (2015, p. 40).
nado “Números e factos do ensino superior de Jor-
título: “A formação em Jornalismo: sinais e problemas O ensino superior em Portugal e, especificamente, a
nalismo em Portugal: de como o excesso de procura
de um debate latente”, de Sandra Marinho. No início do formação em Jornalismo foram alterados com a imple-
resultou em excesso de oferta”, pois revela dados do
texto, a autora afirma que sistema de ensino português em relação à formação mentação do Processo de Bolonha. Este fato é observa-
de jornalistas. Com a apresentação de tabelas, valo- do na investigação que aprofunda a medição da qualida-
o tema da formação dos jornalistas ganhou alguma res absolutos e percentuais, o autor demonstrou uma de do Jornalismo e de sua formação. A autora considera
visibilidade no final de 2004, com a publicação do tipologia para os 31 cursos selecionados17 na pesqui-
Relatório sobre a Implementação do Processo de sa, envolvendo critérios que definem a relação espe- a formação em Jornalismo pelo Ensino Superior
Bolonha na Área do Conhecimento da Comunica- cífica dos planos curriculares com o Jornalismo, em numa encruzilhada: entre uma profissão (a de jor-
ção. No imediato, registram-se, no meio académico, termos: de dimensão teórica e prática; de laborató- nalista) que está a mudar, cujas mudanças é preci-
algumas reacções, mas sem grande expressão no rios e ateliers jornalísticos com ações na mídia (meios so acompanhar, para reflectir sobre elas e perce-
espaço público. Dos restantes implicados no pro- clássicos e novos media); de análise da mídia baseada ber qual a melhor maneira de as integrar; do outro

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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

lado, uma outra profissão (a de professor/forma- * Ensino: formação teórico-crítica, interdisciplinar; Tanto as referências brasileiras como as portugue-
dor), igualmente em mudança, e também atra- com saberes e fomento à pesquisa; para a incorpora- sas apresentam dimensões semelhantes considerando
vessada por contradições; e, no outro vértice des- ção de - cultura geral, interesse público, desenvolvi- os quatro agrupamentos, principalmente o Ensino, os
te triângulo, a Sociedade (Marinho, 2015, p. 455). mento humano, dimensões sociais, cidadania e identi- Egressos e as Necessidades para a formação em Jor-
dades culturais; nalismo. A diferença maior está no grupo das Tensões,
A avaliação da qualidade da formação em Jorna- que são reflexos das preocupações dos autores. Neste
lismo foi o caminho escolhido pela pesquisadora. Para * Tensões: modelo humanista X tecnicista, saber sentido, as referências brasileiras estão centradas nos
ela, “tanto a Formação como a Profissão prestam um X fazer, teoria X prática, graduação X pós-graduação; saberes/teorias (humanistas) e sua relação com os faze-
serviço à Sociedade, com o objectivo de melhorar a res/práticas (técnicas); e as fontes portuguesas estão fo-
vida dos cidadãos” (Marinho, 2015, p. 457). Afirma ain- * Egressos: habilidades profissionais, produtores in- cadas na profissão/Jornalismo (jornalista) e sua relação
da que “a natureza das mudanças é que terá de ditar telectuais, interpretação da realidade; com a universidade/Comunicação (professor). Isto signi-
a natureza do seu acompanhamento, necessariamente fica que as dimensões existentes nos quatro grupos fa-
reflexivo, pela formação” (Marinho, 2015, p. 461), sendo * Necessidades: qualidade de formação, atualiza- zem parte dos debates promovidos por pesquisadores,
relevante “estudar melhor a relação entre ‘a qualidade ção do ensino, educação continuada, atenção à mu- docentes e discentes. As referências brasileiras e por-
do Jornalismo’ e a ‘qualidade da formação’” (Marinho, dança, inovação. tuguesas podem colaborar para se pensar a formação
2015, p. 464), uma vez que “a formação deve ser garan- acadêmica em um momento de mudanças sociais, de
tia de uma prática jornalística com qualidade, essencial - Referências portuguesas – segmentadas em qua- novos olhares sobre a área e a profissão, de implantação
aos cidadãos” (Marinho, 2015, p. 465). Isto se traduz tro grupos: de diretrizes curriculares no Brasil, tendo como foco um
em um desafio para o futuro do ensino do Jornalismo. ensino de qualidade para um Jornalismo qualificado.
* Ensino: curso abrangente, com reflexão, multidis-
Considerações finais ciplinar; com saberes e fomento à pesquisa; para a incor- Referências
poração de – cultura geral, humanismo, ciências sociais ALMEIDA, Fernando Ferreira; SILVA, Robson Bastos da;
Vou finalizar o texto reafirmando a existência de ou-
e humanas, ciências da comunicação, práticas e técnicas; MELO, Marcelo Briseno Marques de (Orgs.). O ensino
tras publicações que contribuem para o debate sobre o
Ensino de Jornalismo. As selecionadas para o artigo apre- de comunicação frente às Diretrizes Curriculares.
* Tensões: teoria X prática, universidade X profis- São Paulo: INTERCOM, 2015.
sentam tópicos que chamaram a minha atenção devi-
são, Jornalismo X Comunicação, jornalista X professor;
do a aspectos relacionados às propostas pedagógicas,
conforme as Diretrizes Curriculares e o Processo de Bolo- ANTONIOLI, Maria Elisabete. Ensino de Jornalismo e
* Egressos: habilidades e competências, papel so- Legislação Educacional. São Paulo: L’Editora, 2006.
nha. Com base nestas observações, é possível ressaltar
cial, responsabilidade, compreensão da sociedade;
as seguintes dimensões para a formação em Jornalismo:
CASCAIS, Fernando. O ensino do/para o jornalismo e
* Necessidades: qualidade de formação, co- a formação profissional. Comunicação e Sociedade,
- Referências brasileiras – segmentadas em quatro
nhecimento, atenção à mudança, criatividade. Braga, Portugal, revista 5, p. 85-93, 2004.
grupos:

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bra: MinervaCoimbra, 2004. para pensar o ensino do Jornalismo no século XXI. São
(Dedicação Exclusiva), em nível de graduação e de
Paulo: ECA/USP, 2013.
pós-graduação, na Faculdade de Comunicação Social
MICK, Jacques; LIMA, Samuel (Orgs.) Ensinar Comuni- - FAMECOS/PUCRS. Integrante da Comissão Coorde-
cação: desafios pedagógicos no ensino de Jornalis- REBELO, José. A Comunicação: temas e argumentos. nadora do Programa de Pós-Graduação em Comu-
mo e Publicidade. Chapecó: Argos, 2012. Coimbra: MinervaCoimbra, 2003. nicação - PPGCOM/PUCRS (Av. Ipiranga, 6681, Parte-

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Ensino de Jornalismo: referências para a formação acadêmica

non, CEP: 90.619-900, Porto Alegre/RS, Brasil). E-mail: 8 Lopes utiliza a categorização elaborada por Jesús – UNL, e apresentava como características uma base
cpmoura@pucrs.br. Martim Barbero. em Ciências da Comunicação, uma orientação ge-
neralista, e várias saídas profissionais.
2 A tese de doutorado, defendida em 2000, na Escola 9 Periódico científico classificado como B3 no sistema 16 Tarimba é a formação do jornalista na prática e ex-
de 2Comunicações e Artes, da Universidade de São Qualis – CAPES, disponível em http://www.fnpj.org. periência profissional, sem cursos ou diplomas.
Paulo (ECA/USP), já abordou o assunto, originando br/rebej
uma obra intitulada O Curso de Comunicação Social no 17 Em 2000, foi publicada a obra A comunicação e os
Brasil: do currículo mínimo às novas diretrizes curricula- 10 O projeto está vinculado à Rede Latinoamericana media em Portugal (1995-1999): cronologia e leitura de
res, publicada em 2002. para o Desenvolvimento de Metodologias e Softwa- tendências, que antecedeu o volume de 2008.
res para o Ensino de Jornalismo em Redes de Banda
3 O estudo foi desenvolvido em nível de Pós-Douto- Larga, que obteve financiamento da Fundação de 18 Em 1993, surgiu “na Faculdade de Letras da Univer-
ramento, na Universidade de Coimbra, com o apoio Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e do sidade de Coimbra e permanece, ainda hoje, como
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e o único curso com programa específico em Jornalis-
Grande do Sul (FAPERGS), no período de janeiro de Tecnológico (CNPq). mo oferecido pela Universidade Pública” (COELHO,
2008 a julho de 2009.
2013, p. 86).
11 Programa Nacional de Cooperação Acadêmica, da
4 Formação superior e formação acadêmica estão sen- CAPES, financiou o projeto para o período 2008-2011, 19 Universidades públicas; universidades privadas; po-
do utilizadas como sinônimos. Para os dois termos, en- com pesquisadores de três regiões do Brasil (Sul, Su- litécnicos públicos; politécnicos privados.
tende-se como formação uma capacitação em nível deste e Nordeste).
superior, que dá condições de uma habilitação profis-
sional fundamentada em estudos de caráter teórico
12 Sigla da Rede beneficiada com o programa.
e prático, mediante abordagens científicas e técnicas.
13 Participei da publicação como autora do texto: “Os
5 Decreto nº 3.927, de 19 de setembro de 2001 (Dispo- desafios da Implantação das Diretrizes Curriculares
nível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em Nacionais no Curso de Relações Públicas”.
dezembro de 2016).
14 O primeiro Ensicom ocorreu em 2001. Em 2003, o pro-
6 Respectivamente, Título III – Item 3 – artigos 33 a 38, e jeto originou o livro Retrato do Ensino da Comunicação
Título III – Item 4 – artigos 39 a 45, do referido Decreto. no Brasil, já citado. Depois, houve um intervalo de al-
guns anos sem ocorrer nos Congressos da INTERCOM.
7 Mais informações sobre Reconhecimento, Mobilida- O Ensicom foi retomado em 2012.
de e Cooperação Internacional no site: http://www.
dges.mctes.pt/DGES/pt/Reconhecimento/Mobilida- 15 Foi criado em 1979, na Faculdade de Ciências Sociais
de/Mobilidade_para_PT.htm e Humanas – FCSH, da Universidade Nova de Lisboa

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