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INSTITUTO TEOLÓGICO QUADRANGULAR

A HISTÓRIA DE JONAS E NAUM


JESSYCA LILIAN DIAS SILVA

Ipatinga, Setembro de 2021


INSTITUTO TEOLÓGICO QUADRANGULAR

A HISTÓRIA DE JONAS E NAUM


JESSYCA LILIAN DIAS SILVA

A história de Jonas e Naum apresentada à disciplina


Hermenêutica do Curso Livre em Teologia, Instituto
Teológico Quadrangular – Unidade Ipatinga.
Professor: Pr. Zaquel

Ipatinga, Setembro de 2021


A HISTÓRIA DE JONAS

Jonas, é o profeta que ficou conhecido por uma das histórias mais famosas
da Bíblia contada no Velho Testamento, a qual relata o fato ilustre de Jonas ter sido
engolido por um grande peixe ao fugir da ordem do Senhor. Desse ocorrido foi
gerado uma expressão usada pelas pessoas para descrever sua história: “o profeta
fujão”.

Acredita-se que a história de Jonas narrada no livro da Bíblia que leva o seu
nome, tenha sido escrito por ele mesmo ou que ele tenha sido a fonte primária do
autor, o qual escreveu para o povo do Reino do Norte (Israel) durante o reinado de
Jeroboão II (793 – 753 a.C), época de grande expansão territorial e comercial.

O nome Jonas de origem hebraica Yonah e em latim Ionas, significa


“pomba”, o que de fato se aplica na vida dele, por ser alguém chamado por Deus
para levar uma mensagem a outra nação, como um “pombo correio”. Jonas, filho de
Amitai, natural de uma pequena aldeia chamada Gate-Hefer na terra de Zebulom na
Galileia, situada nas vizinhanças de Nazaré (residência de Jesus, de quem Jonas
era um “sinal”), foi um profeta que profetizou a restauração das fronteiras de Israel
durante o reinado de Jeroboão II (2 Re 14:25; Jn 1:1).

Certo dia, vendo Deus que a cidade de Nínive estava corrompida pela
maldade e pelo pecado, ordenou que Jonas fosse para lá pregar e oferecer
arrependimento para o povo daquela cidade, os alertando sobre uma destruição
vindoura da parte do próprio Deus. Mas Jonas teve uma atitude contrária,
desobedeceu a Deus e fugiu.

Nínive era capital do império Assírio, uma das maiores potencias da época e
inimiga de Israel. Na época de Jonas, essa cidade ficou conhecida por ser
constituída por um povo pagão e perverso, sanguinários, que torturava os
prisioneiros (cortava pés e mãos, orelhas e narizes e vazava os olhos dos cativos,
fazia pirâmides com a cabeça dos prisioneiros, serrava as pessoas ao meio, fazia
escalpo, jogava óleo fervendo), e também invadiam e despojava outras regiões.
Portanto, a desobediência de Jonas pode ser explicada, mas não justificada.
Provavelmente além do medo, sendo Jonas patriótico, lutava com os sentimentos
que nutria contra Nínive, desejando que Deus os destruísse, por serem uma ameaça
para o seu povo. Então, o profeta tenta fugir para longe desse propósito de Deus.

De sua localidade atual, ele desceu à cidade Jope (um dos principais portos
da região na época que ficava na costa do mediterrâneo), ali ele comprou uma
passagem e embarcou em um navio para Társis, um lugar totalmente oposto de
Nínive (Jn 1:3). A cidade de Társis era uma das mais remotas da época, ficando
cerca de 4 mil quilômetros de distância de Jope. Essa viagem de navio demoraria
cerca de 1 ano, ou seja, era o lugar perfeito para alguém se esconder.

Durante a viagem, Deus enviou uma grande tempestade que afetou toda
embarcação (Jn 1:4). Os marinheiros oraram para seus deuses e após realizaram
procedimentos para tentar salvar o navio, o capitão encontrou Jonas dormindo no
porão do barco. Acordando Jonas, o capitão pediu a ele que invocasse o seu Deus
na tentativa de se salvarem. Ainda em meio ao caos, Jonas confessou que o motivo
da tempestade era que ele estava fugindo e desobedecendo a Deus. Assim, Jonas
convenceu os marinheiros de lançarem ele ao mar para que a tempestade se
acalmasse.

Ao ser arremessado ao mar, imediatamente a tempestade se apaziguou.


Jonas foi engolido por um grande peixe, onde ficou alojado por três dias e três noites
(uma referência a morte de Cristo onde ao terceiro dia ressuscitou: “Pois, como
Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do
homem três dias e três noites no seio da terra” (Mt 12:40).

O termo em hebraico e em grego usado na Septuaginta para “grande peixe”,


é apenas um termo genérico para “mostro do mar”, “criatura marítima” ou “peixes de
grande tamanho”, não necessariamente (mas possivelmente um baleia. Estudiosos
afirmam ser uma baleia pelo fato de se tratar de um mamífero, que é um animal de
sangue quente que respira ar e periodicamente vem à tona para respirar, o que teria
proporcionado a Jonas o oxigênio de que ele precisava, enquanto o calor do corpo
do animal teria evitado que o profeta tivesse uma hipotermia.

Dentro do peixe, em arrependimento Jonas orou a Deus (oração encontrada


no capítulo 2 de Jonas, composta por salmos, mostrando que ele era conhecedor
das Escrituras). Logo, Deus ordenou que o peixe vomitasse o profeta em terra firme,
e Jonas obedeceu a Deus, partindo para Nínive.

Jonas cumpriu o seu chamado, durante um dia percorreu Nínive e anunciou


ao povo que a cidade seria destruída dentro de 40 dias, um sermão que provocou
um arrependimento e uma comoção nacional. O rei proclamou um jejum e todos
abandonaram seus maus caminhos, se vestindo de luto e clamando a Deus por
perdão. Vendo isso, Deus decidiu não destruir Nínive (Jn 3:3-10).

O profeta ficou profundamente irritado com Deus por ele não ter destruído
aquela cidade, a ponto de pedir que Deus tirasse a sua vida (Jn 4:3), mas mediante
a suas atitudes erradas, Deus o repreende e lhe ensina sobre sua misericórdia e
amor. Assim o livro de Jonas se encerra com um sermão de Deus ao profeta. A
Bíblia não apresenta mais nenhuma referência sobre ele no Velho Testamento, nem
mesmo acerca de sua morte, sendo apenas citado no Novo Testamento por Jesus a
respeito de seu tempo dentro do grande peixe.

A HISTÓRIA DE NAUM

O livro de Naum encontrado no antigo testamento, possui três capítulos e foi


escrito por volta de 663 a 612 a.C. É considerado por alguns estudiosos como a
continuação do livro de Jonas. Escrito pelo próprio Naum, é um livro de profecias
com uma única temática, a ruína de Nínive (antiga capital assíria na Mesopotâmia,
na região hoje ocupada pelo Iraque).

Não existe muita informação a respeito de Naum, além dos fatos revelados
em seu livro. Ele é o sétimo dos Profetas Menores e seu nome em hebraico significa
“consolação” o que se relaciona com a perspectiva sobre seu livro. Apesar de ter
foco na destruição de Nínive, a missão de Naum trouxe um certo “conforto”,
“consolo” para o povo de Judá, pois por volta de 100 anos antes, este império havia
invadido e destruído o reino do Norte (Israel).

Não é retratado o local de sua origem na Bíblia, mas acreditam-se que a


cidade de Carfanaum (bastante conhecida no tempo dos evangelhos por ser um
lugar onde Jesus morou durante seu ministério terreno) por ter o significado de
aldeia de Naum, seria um possível local de sua origem.

Naum foi o profeta escolhido para anunciar a destruição da cidade de Nínive,


pois o povo havia retornado as mesmas práticas pecaminosas, as quais um dia eles
se arrependeram e Deus os perdoara por meio da pregação do profeta Jonas, cerca
de 150 anos antes (Na 3:1-4). A diferença é que Jonas levou aquele povo uma
mensagem de arrependimento, que resultou na misericórdia de Deus que poupou a
cidade (Jn 3:4-10), mas agora Naum estava transmitindo uma sentença divina contra
essa cidade, que se encontrava novamente corrompida pela maldade.

Muito além de palavras de um nacionalista (pois podemos perceber que


Naum escreveu em forma poética, utilizando imagens e simbolismo e com um tom
hostil, essa profecia implicava na destruição da maior potência da época, onde o
juízo de Deus seria derramado sobre Nínive e nem mesmo alianças militares, nem
poder econômico, ou até mesmo líderes, descritos como príncipes, chefes, pastores
e nobres, seriam suficientes para salvar esta nação. E assim se fez, poucos anos
depois a cidade foi destruída.

O QUE HÁ EM COMUM NA HISTÓRIA DE JONAS E NAUM?

Em ambas histórias, é tratado o mesmo tema: a destruição da cidade de Nínive.


Tanto Jonas quanto Naum, foram o instrumento usado por Deus para levar sua
mensagem ao povo daquela cidade, a qual em épocas diferentes seria destruída por
causa dos mesmos pecados, tais como: orgulho, opressão, crueldade, violência,
mentiras, roubo, adultério, prostituição e feitiçaria.

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