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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Centro de Ciências da Matemática e da Natureza


Instituo de Química
Aluno: João Henrique Ozon Cunha
Matrícula: 21114070011
Matéria: Química II – Experimental

Transesterificação – Produção do Biodiesel

1. Introdução

O biodiesel é um combustível produzido por meio da redução dos ácidos graxos


presentes nas oleaginas , sendo considerado uma matriz energética de fontes
renováveis. No Brasil, existem diversas oleaginosas que podem ser utilizadas para a
sua geração, como óleo da mamona, canola etc. (TOLMASQUIM, 2003).

A reação química para obtenção deste biocombustível é conhecida como reação


de transesterificação, onde o triglicerídeo reage com um álcool simples e obtém um
éster (que constituem o biodiesel) e glicerol como produtos finais, conforme mostra a
Figura 1 (ENCARNAÇÃO, 2007). Os ésteres são compostos orgânicos oxigenados
que têm a fórmula geral RCOOR' (ou RCO 2R'), onde R é um grupo alquila, em que
um grupo carbonila está ligado ao grupo alcoxila ( OR). Apesar de serem pouco
reativos e com baixa polaridade molecular, são muito inflamáveis (SOLOMONS,
2021).

Figura 1: Reação de transesterificação tendo o metanol como agente oxidante (ENCARNAÇÃO, 2007).

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Este tipo de produção permitiu oferecer um tipo de combustível mais adaptável as


diversas fontes de combustão, anteriormente movidas à base de derivados do
petróleo. O biodiesel pode ser utilizado de forma pura ou misturado aos demais
combustíveis fósseis, promovendo uma oferta de preços mais competitivos
(TOLMASQUIM, 2003). A Associação de Produtores de Biodiesel do Brasil
(APROBIO) listou vantagens e desvantagens do seu uso como fonte de energia, de
acordo com a Tabela 1.

Tabela 1: Vantagens e desvantagens do uso do biodiesel como matriz energética (APROBIO, 2021).

USO DO BIODIESEL COMO MATRIZ ENERGÉTICA


PRÓS CONTRAS
• Baixos índices de poluição, colaborando • Risco de diminuição das reservas
com a sustentabilidade no país. florestais do nosso planeta devido alto grau de
desmatamento de florestas para dar espaço
• Gera emprego e renda no campo, para a plantação de grãos.
diminuindo o êxodo rural.
• Aumento no preço dos produtos
• Utilização de uma fonte de energia derivados de matéria-prima (leite de soja, óleos,
renovável, dependendo da plantação de grãos carne, rações para animais, ovos etc.) utilizadas
oleaginosos no campo. na fabricação deste combustível, tendo em vista
sua vasta utilização.
• Substituição gradativa de uma fonte não
renovável (petróleo). • Cristalização em baixas temperaturas.
• Produzido em larga escala e com uso de
tecnologias, o custo de produção pode ser mais
baixo do que os derivados de petróleo.

2. Objetivo

Este relatório visa apresentar os resultados gerados na primeira amostragem


experimental de Química II, do Curso de Graduação de Química da Universidade
Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, através da observação do experimento de
produção do biodisel, utilizando óleo de soja reciclado e etanol como reagentes.

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3. Materiais

Durante o experimento, foram utilizados os seguintes equipamentos e reagentes:


01 solução de óleo de soja (tri-oleil-glicerol) usado; 01 solução de álcool etílico
(etanol); 01 solução de hidróxido de sódio (catalisador); 01 solução de ácido
clorídrico; 01 papel-filtro; 01 funil para líquido; 01 funil de vidro para sólido; 01 funil de
separação; 01 baqueta; 01 Erlenmeyer; 01 Becker; 01 Placa de aquecimento; 01
Suporte universal de laboratório com 01 argola e 01 garra metálica.

4. Método

Foi realizada uma reação química de transesterificação, reagindo o óleo de


cozinha usado de origem vegetal com um álcool primário. A primeira etapa foi
constituída pelos processos físicos de filtração e destilação, para remoção dos
sólidos em suspensão no óleo de cozinha e remoção de água. Os processos físico-
químicos compõem a segunda etapa deste experimento, preparando uma solução de
álcool etílico e hidróxido de sódio.
A base serve como catalisador da reação, ou seja, é uma substância que
acelera a velocidade da reação sem ser consumida (ATKINS, 2018). Esta solução foi
adicionada ao óleo filtrado e destilado no erlenmeyer colocado em banho-maia sobre
uma placa de aquecimento numa temperatura máxima de 60ºC durante 40 minutos.
Após o término deste processo, a solução é transferida para um funil de
separação, sendo observado um sistema bifásico. A fase mais leve representa o
oleato de metila, o biodiesel, já a fase mais densa representa o glicerol. Após toda a
remoção do produto decantado, o biodiesel passa por um processo de remoção de
resíduos, com adição de uma solução aquosa de ácido clorídrico, realizando um
novo processo de filtragem.

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5. Resultados e Discussão

Para realização de uma análise quantitativa do experimento, foram consideradas


as teorias de representação e balanceamento das equações químicas, conhecida
como a ciência da estequiometria. Nesta teoria, os coeficientes estequiométricos de
uma reação química balanceada são interpretados com base nas quantidades
relativas que reagem ou são produzidos (ATKINS, 2018), onde os resultados
experimentais estão listados na Tabela 2. A equação química global da reação
experimental é:

NaOH
C57H104O6(l) + 3CH4O(l) 3C19H36O2(l) + C3H8O3(l)

ANÁLISE QUANTITATIVA DO EXPERIMENTO


Variáveis Fórmulas Óleo de soja Metanol Biodiesel Glicerol
Massa molar-Mm
885,43 32,04 296,49 92,09
(g.mol-1)
Valor tabelado
Densidade-d
0,92 0,79 0,87 1,26
(g/mL)
Massa da Mm x n, sendo o
Equação Química coeficiente 885,43 96,12 889,47 92,09
Global-M (g) estequiométrico
Massa dos V x d, onde V é o
45,75 11,08 - -
reagentes-Mr (g) volume utilizado
Massa dos V x d, onde V é o
- - 45,24 15,12
produtos-Mp (g) volume gerado.
Mr-(M x Mr/M),
Massa de onde representam
reagente em o cálculo - 6,08 - -
excesso-ME (g) estequiométrico da
reação
Quociente do
produto da massa
Rendimento da
de óleo e biodiesel 98,45
reação (%)
com a massa de
óleo

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6. Conclusão

Conclui-se que o método de produção de um biocombustível com o álcool em


excesso produz uma eficiência acima de 90%. Devido a sua versatilidade, produção
através de resíduos reutilizados e com menos impactos ambientais negativos, o
biodiesel pode ser uma opção mais barata no mercado consumidor.
Recomenda-se a utilização de uma catalisador com menor poder de geração de
resíduos, visto os riscos de saponificação ao utilizar uma base mais alcalina ou
produzir uma solução de caráter mais ácido ao utilizar um ácido com alto grau de
protonização.

7. Questionário

7.1) Que outro tipo de catalisador poderia ser usado nesta reação ? Por quê ele
não foi utilizado ?
Resposta: Ácido forte ou enzima. Alteração no índice de acidez do produto final e alto
custo de catalisador no mercado, respectivamente.

7.2) Como podemos explicar a necessidade deste excesso de metanol ?


Resposta: Promover a reação completa de redução do triglicerídeo reagente.

7.3) O que há nesta fase mais densa e escura ?


Resposta: glicerol e resquício da catálise.

7.4) Qual a importância em se tirar os resquícios de base do biodiesel ?


Resposta: Correção de meio básico e evitar saponificação do biocombustível.

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7.5) Quais os fatores influenciam a velocidade da reação ?


Resposta: Fatores físico-químicos dos reagentes (temperatura, pressão e polaridade
das ligações químicas) e presença de catalisadores em um sistema.

8. Referência Bibliográfica

ATKINS, P.W.; JONES, Loretta. Princípios de química: questionando a vida


moderna e o meio ambiente. 7.ed. Porto Alegre: Bookman, 2018.

SOLOMONS, T. W. Graham; et al. Química orgânica: volume 1. 12.ed. Rio de


Janeiro: LTC, 2021.

TOMALSQUIM, M. T. (organizador); et al. Fontes renováveis de energia no Brasil.


1.ed. Rio de Janeiro. Interciência: CENERGIA, 2003.

ENCARNAÇÃO, Ana Paula Gama. Geração de biodiesel pelos processos de


transesterificação e hidroesterificação: uma avaliação econômica . Dissertação.
Rio de Janeiro. Escola de Química: UFRJ, 2007. Disponível em:
<http://www.tpqb.eq.ufrj.br/download/biodiesel-via-trans-e-hidroesterificacao.pdf>.
Acesso em: 15/09/2021.

Biodiesel. Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil. Disponível


em: <https://www.aprobio.com.br/>. Acesso em: 15/09/2021.
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9. Anexos

ANEXO I – Memorial de Cálculos

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