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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

PROGRAMA DE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL


EM SAÚDE DO ADULTO E IDOSO

CAMILA FRANÇA DE LIMA

O PAPEL DO ENFERMEIRO NA SEGURANÇA DO PACIENTE CIRÚRGICO


RESENHA CRÍTICA

Maceió-AL
202
SOUZA, Aline Tamiris Golçalves Souza et al. O PAPEL DO ENFERMEIRO NA
SEGURANÇA DO PACIENTE CIRÚRGICO. REV. SOBECC, SÃO PAULO. ABR./JUN. 2020;
25(2): 75-82

No artigo com o título supracitado, os pesquisadores abordam a temática da segurança


do paciente dentro do contexto do centro cirúrgico, tendo como objetivo conhecer o discurso
da equipe de enfermagem acerca das ações desenvolvidas por estes profissionais com
relação ao tema central.

A metodologia utilizada foi do tipo qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, sendo


entrevistadas 13 indivíduos, entre técnicos e auxiliares de enfermagem, aos quais foram
submetidos a uma entrevista com roteiro estruturado, e seus discursos então foram
analisados. Nesse ponto, apesar de que enquanto equipe a enfermagem tem seu papel
indispensável e eficaz, a ausência do discurso do profissional enfermeiro traz
questionamentos acerca da visão que o mesmo tem acerca de sua prática nesse contexto,
já que o enfermeiro possui atribuições privativas dentro da equipe.

As respostas dos profissionais deram origem a seis discursos, que foram discutidos ao
longo do trabalho. O primeiro deles aborda as questões sobre identificação e checagem
dos dados dos pacientes no centro cirúrgico. A identificação do paciente é por si só um
ponto do Segundo Desafio Global para a Segurança do Paciente, o que reforça sua
importância em qualquer que seja o ambiente de cuidado, especialmente quando se refere
a procedimentos anestésicos e cirúrgicos, que possuem grande complexidade, onde efeitos
adversos podem levar a morte ou dados temporários/permanentes (ABREU at al, 2019).

O segundo discurso identificado é a comunicação verbal entre equipe e paciente, onde


foi evidenciado a importância que a equipe atribui a comunicação a fim de evitar eventos
adversos. A comunicação eficaz é imprescindível para assistir os usuários da forma mais
eficiente, especialmente levando a realidade interdisciplinar do centro cirúrgico, pois muitos
profissionais estão envolvidos em um procedimento cirúrgico-anestésico e no meio de
tantas vozes é preciso alinhar e organizar as falas e também a escuta, a fim de promover
um ambiente laboral favorável e seguro para os pacientes (BRASIL, 2019).
A queda também foi percebida como um ponto importante a ser levado em
consideração pelos profissionais de enfermagem, pois devido a realidade do ambiente
cirúrgico predispõe a esse evento adverso, mesmo que o usuário não possua problemas
relacionados à locomoção ou qualquer risco de queda previamente, o procedimento
anestésico, o transporte em macas, posicionamento na mesa cirúrgica proporciona
oportunidades de ocorrer esse evento adverso, cujas repercussões são importantes e
evitáveis (VICTOR et al, 2017).

As rotinas estabelecidas em prol da segurança do pacientes foram valorizadas pelos


profissionais no quarto discurso, tendo como pressuposto as consequências do erro e as
possíveis falhas nesses protocolos, essa criticidade é importante para que haja valorização
e correta execução dos processos, ao mesmo tempo em leva a reavaliação e
consequentemente ajuste e melhoria das ações práticas que garantem a segurança do
paciente (FERREIRA, RIBEIRO, MENDONDA, AMARO, 2019).

Entre as atividades práticas citadas, nota-se a ausência de falas sobre a higienização


das mãos, prática simples e extremamente eficaz na prevenção de infecções relacionadas
à assistência em saúde, e sendo a infecção de sítio cirúrgico um dos eventos adversos
possíveis no contexto, é importante reforçar esta prática, não somente antes e durante, mas
após o procedimento cirúrgico (FERREIRA, RIBEIRO, MENDONDA, AMARO, 2019).

O centro cirúrgico é o local onde o processo anestésico-cirúrgico ocorre, porém inicia-


se desde o procedimento é acordado entre médico e paciente, então muitos outros setores
fazem parte desse momento, como ambulatório, clínicas e até mesmo setores de
emergência, seja qual for desses setores a participar existe a necessidade de comunicação
intersetorial, situação apontada no trabalho como quinto discurso, pois tais setores
possuem informações importantes que colaboram dentro do processo de segurança do
pacientes, desde a identificação de nome, alergias e afins, até o cumprimento de normas e
rotinas estabelecidas pelo serviço (TARTAGLIA et al, 2018).

Da mesma forma, que após saída do paciente do centro cirúrgico/SRPA, a


comunicação deve ser mantida, principalmente sobre cuidados pós-operatórios e
intercorrências durante o procedimento, proporcionando um segmento no cuidado ao
paciente eficiente e direcionado a suas singularidades.
Apesar da importância dos recursos humanos ser a mais destacada nos discursos, o
último abordou questões de equipamentos e sua implicação na segurança do paciente, e
de fato o correto funcionamento de insumos utilizados diminuem os riscos que o paciente
vem a correr, materiais como bisturis, eletrodos de retorno, macas, cadeiras de roda e
outros devem sofrer manutenção frequentemente com objetivo de garantir a integridade do
paciente, sendo o gerenciamento desses equipamentos função da equipe de enfermagem
(SOUZA et al, 2019).

O trabalho discorre bastante sobre a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica,


desenvolvida pela OMS, e nas falas dos profissionais é possível observar que essas rotinas
são valorizadas pelos profissionais como contributivas para integridade do paciente durante
os procedimentos anestésicos-cirúrgicos, contudo existem situações que perpassam esse
instrumento e vão além, incluindo a atividade de outros setores e até mesmo de recursos
físicos nesse contexto, dessa forma a complexidade da temática é ampliada, permitindo
novas reflexões e instigando novos questionamentos.

Ouvir uma categoria tão presente no ambiente do centro cirúrgico como a enfermagem
colabora com a valorização destes profissionais e melhoria de sua prática, pois nota-se que
muitas das atribuições que corroboram para a segurança do paciente são executadas por
estes profissionais, assim conhecer suas queixas e elogios é valioso e permite analisar,
refletir e induz o aperfeiçoamento das ações realizadas, conhecimento acerca das lacunas
existentes e busca por soluções para as mesmas.
Referências

ABREU, Ingrid et al . Cultura de segurança do paciente em centro cirúrgico: visão da


enfermagem. Rev. Gaúcha Enferm., Porto Alegre , v. 40, n. spe, e20180198, 2019
.Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-
14472019000200411&lng=en&nrm=iso. Acessado em 25 mar. 2021

Ferreira NCS, Ribeiro L, Mendonça ET, et al. Checklist de Cirurgia Segura:


Conhecimento e Utilização do Instrumento na Perspectiva dos Técnicos de
Enfermagem. Revista de Enfermagem do Centro Oeste Mineiro. 2019;9:e2608.
Disponóvel em: http://dx.doi.org/10.19175/recom.v9i0.2608. Acessado em 25 mar.
2021

Brasil. Ministério da Saúde. Segundo desafio global para a segurança do paciente:


Cirurgias seguras salvam vidas [Internet]. Brasil: Ministério da Saúde; 2009.
Disponível
em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_cirurgia_salva_
manual.pdf. Acessado em 25 de mar. 2021.

Victor MAG, et al. Quedas em pacientes cirúrgicos: subsídios para o cuidado de


enfermagem. Rev enferm UFPE on line., Recife, 11(Supl. 10):4027-35, out., 2017.
Disponível em: 10.5205/reuol.10712-95194-3-SM.1110sup201704. Acessado em 25
mar. 2021.

Tartaglia, Alexsandro et al. Comunicação, comportamentos destrutivos e segurança


do paciente. Rev. Sobecc, São Paulo. Out./dez. 2018; 23(4): 226-230.Disponível em:
10.5327/Z1414-4425201800040007. Acessado em 25 mar. 2021.

SOUZA, Itamara et al. Percepção do cliente no perioperatório sobre o cuidado de


enfermagem no centro cirúrgico. Revista Eletrônica Acervo Saúde, (26), e840.
Disponível em: https://doi.org/10.25248/reas.e840.2019. Acessado em 25 mar. 2021

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