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Felipe Pires 823212 Agressão

Problema 2 –
Obj.1 – Descrever protozoários
O grupo dos protozoários é constituído por cerca de 60.000 espécies conhecidas, das
quais 50% são fósseis e o restante ainda vive até hoje; destes, aproximadamente 10.000
espécies são parasitos dos mais variados animais e apenas algumas dezenas de espécies
infectam o homem.
Os protozoários pertencem ao reino Protozoa e são distribuídos em sete filos:
Sarcomastigophora, Apicomplexa, Ciliophora, Microspora, Labyrinthomorpha, Ascetospora e
Myxospora; dentre esses, apenas os quatro primeiros têm interesse em parasitologia humano.
Os protozoários englobam todos os organismos protistas, eucariotas, unicelulares, sem
diferenciação em tecidos. Constitui-se de única célula que, para sobreviver, realiza todas as
funções mantenedoras da vida: alimentação, respiração, reprodução, excreção e locomoção.
 Para cada função existe uma organela própria, como, por exemplo:
 Núcleo: bem definido e revestido por uma membrana nuclear. Alguns protozoários têm
apenas um núcleo, outros têm dois ou mais núcleos semelhantes.  Os ciliados possuem dois
tipos de núcleo - macronúcleo (vegetativo e relacionado com a síntese de RNA e DNA) e
micronúcleo (envolvido na reprodução sexuada e assexuada);
 Aparelho de Golgi: síntese de carboidratos e condensação da secreção proteica;
 Retículo endoplasmático: a) liso  síntese de esteroides; b) granuloso  síntese de
proteínas;
 Mitocôndria: produção de energia; ausente em alguns grupos de espécies;
 Cinetoplasto: uma mitocôndria especializada rica em DNA;
 Lisossomas: permite a digestão intracelular de partículas;
 Microtúbulos: formam o citoesqueleto. Participam dos movimentos celulares (contração e
distensão) e na composição de flagelos e cílios;
 Flagelos, cílios e pseudópodos: locomoção e nutrição;
 Corpo basal: base de inserção de cílios e flagelos;
 Axonema: eixo do flagelo;
 Citóstoma: permite ingestão de partículas.

 Morfologia dos protozoários


Os protozoários apresentam grandes variações, conforme sua fase evolutiva e meio a que
estejam adaptados. Podem ser esféricos, ovais ou mesmos alongados. Alguns são revestidos de
cílios, outros possuem flagelos, e existem ainda os que não possuem nenhuma organela
locomotora especializada. Dependendo da sua atividade fisiológica, algumas espécies possuem
fases bem definidas. Assim temos:
 Trofozoíto – é a forma ativa do protozoário, na qual ele se alimenta e se reproduz por
diferentes processos.
 Cisto e oocisto – são formas de resistência. O protozoário secreta uma parede
resistente (parede cística) que o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em fase de
latência (os cistos podem ser encontrados em tecidos ou fezes dos hospedeiros; os oocistos são
encontrados em fezes do hospedeiro e são provenientes de reprodução sexuada).
 Gameta – é a forma sexuada, que aparece em espécies do filo Apicomplexa. O
gameta masculino é o microgameta e o feminino é o macrogameta.
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 Biologia dos protozoários


 Reprodução:
Encontram-se os seguintes tipos de reprodução:
- ASSEXUADA:
 Divisão binária ou cissiparidade: consiste na divisão de uma célula em duas por
mitose, cada uma com o mesmo genoma da “célula-mãe” (com o mesmo DNA ou material
genético da "célula-mãe").  O processo inicia-se com a replicação do DNA, em que cada nova
cadeia se liga à membrana celular que, então se invagina e acaba por dividir a célula em duas,
num processo chamado citocinese;
 Brotamento ou gemulação: caracteriza-se pelo aparecimento de brotos ou gemas, que
surgem e crescem ligados ao organismo inicial e que podem, ou não, dele se desprender em
certa época da vida;
 Endogenia: é formação de duas ou mais células-filhas por brotamento interno;
 Esquizogonia: divisão nuclear seguida de divisão do citoplasma, constituindo vários
indivíduos isolados simultaneamente. Na realidade, existem três tipos de esquizogonia:
(1) merogonia (produz merozoítos); (2) gametogonia (produz microgametas); e (3) esporogonia
(produz esporozoítos).

- SEXUADA:
 Conjugação: no filo Ciliophora ocorre união temporária de dois indivíduos, com troca
mútua de materiais celulares;
 Singamia ou fecundação: no filo Apicomplexa ocorre união de microgameta (masculino)
e macrogameta (feminino) formando o zigoto, o qual pode dividir-se formando certo número de
esporozoítos.

 Nutrição:
Quanto ao tipo de alimentação, os protozoários podem ser:
 Holofíticos ou autotróficos – são os que, a partir de grãos ou pigmentos citoplasmáticos
(cromatóforos), conseguem sintetizar energia a partir da luz solar (realizam fotossíntese).
 Holozóicos ou heterotróficos – ingerem partículas orgânicas de origem animal, digerem-nas e,
posteriormente, expulsam os metabólitos. Essa ingestão se dá por meio de fagocitose (ingestão
de partículas sólidas) ou pinocitose (ingestão de partículas pequenas).
 Saprozóicos – “absorvem” substâncias orgânicas de origem vegetal, já decompostas e
dissolvidas em meio líquido.
 Mixotróficos – quando são capazes de se alimentar por mais de um dos métodos acima
descritos.

 Excreção:
Pode ser feita por meio de dois mecanismos:
 Difusão dos metabólitos através da membrana;
 Expulsão dos metabólitos através de vacúolos contráteis.
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 Respiração:
Podem-se encontrar dois tipos principais de respiração:
 Aeróbicos – são os protozoários que vivem em meio rico em oxigênio;
 Anaeróbicos – são os protozoários que vivem em ambientes pobres em oxigênio (como os
parasitos do trato digestivo).

 Locomoção:
A movimentação dos protozoários é feita com auxílio de uma ou associação de duas ou
mais das seguintes organelas:
 Pseudópodos;
 Flagelos;
 Cílios;
 Microtúbulos subpeliculares que permitem a locomoção por flexão, deslizamento ou ondulação.

 Sistemática:
Os protozoários pertencem ao reino Protozoa e são distribuídos em sete filos, dos quais os
quatro seguintes possuem interesse em parasitologia humana:
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1 – Filo Sarcomastigophora: apresentam núcleo simples; presença de flagelos, pseudópodos ou


ambos.
2 – Filo Apicomplexa: apresentam complexo apical (constituído por anel polar, micronemas,
conoide, roptrias e microtúbulos subpeliculares – visível apenas em microscópio eletrônico),
presença de plastídio não fotossintético (apicoplasto); ausência de cílios; e todos são parasitos.
3 – Filo Ciliophora: apresentam macro e micronúcleos; presença de cílios.
4 – Filo Microspora: formam esporos unicelulares com um esporoplasma (esse esporoplasma
entra na célula hospedeira através de um canal denominado filamento polar); apresentam divisão
por esquizogonia e esporogonia formando os esporos; não apresentam mitocôndria e são
parasitos intracelulares obrigatórios.

 Subfilo Mastigophora:
Mastigophora é um dos subfilos de Sarcomastigophora, juntamente com Sarcodina e
Opalinata. O subfilo Mastigophora engloba os protozoários com um ou mais flagelos. Em
contraste à membrana celular simples (ou plasmalema) das amebas, os flagelados são
recobertos por uma película, um envelope composto por uma ou mais membranas celulares,
frequentemente reforçadas nas suas superfícies internas por microtúbulos.
 Esse tipo de revestimento torna os flagelados menos flexíveis que as amebas: enquanto
estas podem emitir pseudópodos, os flagelados usualmente mostram-se com uma forma
específica.
Muitos flagelados são autotróficos como as plantas, outros são heterotróficos ou
facultativos, e outros, ainda, parasitos de interesse médico ou agropecuário.
No subfilo Mastigophora, três classes são reconhecidas: Dinoflagellata,
Phytomastigophorea e Zoomastigophorea. Contudo, os flagelados de interesse médico estão
distribuídos em três das nove ordens da Classe Zoomastigophorea: Kinetoplastida,
Diplomonadida e Trichomonadida (será evidenciado, portanto, a ordem Kinetoplastida).
A ordem Kinetoplastida reúne flagelados com um ou dois flagelos que tipicamente
emergem de uma bolsa flagelar. Há uma única mitocôndria, e o DNA mitocondrial frequentemente
aparece condensado em uma região próxima aos corpúsculos basais do flagelo. Essa região,
contendo o DNA mitocondrial, é chamada cinetoplasto.
Duas subordens são aceitas: Bodonina e Trypanosomatina, com uma única família,
Trypanosomatidae.

 Família Trypanosomatidae:
Os nove gêneros desta família reúnem parasitos obrigatórios; dentre eles, dois contêm
espécies com importância médica: Leishmania e Trypanosoma.
 Os gêneros Blastocrithidia, Crithidia, Herpetomonas, Leptomonas e Rhynchoidomonas são
monóxenos e têm como hospedeiros habituais apenas invertebrados, geralmente insetos.
 O gênero Phytomonas é parasito de plantas, sendo transmitido pela saliva de hemípteros
fitófagos.
 Os gêneros Leishmania, Endotrypanum e Trypanosoma são parasitos heteróxenos de
vertebrados, sendo transmitidos por insetos hematófagos.
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Os tripanossomatídeos apresentam uma alternância de formas celulares em seus ciclos


biológicos, graças ao complexo fenômeno da diferenciação celular. (esse pleomorfismo é
particularmente evidente na transição entre hospedeiros vertebrados e invertebrados, mas
também pode ocorrer dentro de um mesmo hospedeiro, como uma adaptação fisiológica ao
ambiente específico ou em antecipação à próxima etapa do ciclo).
OBS  para descrever essas formas celulares, uma nomenclatura especifica faz
referencia à exteriorização e ponto de emergência do flagelo do corpo celular, à existência e
extensão de membrana ondulante, à posição do cinetoplasto relativa ao núcleo e às porções
anterior e posterior da célula, e ao formato geral da célula.  O sufixo mastigota é utilizado para
indicar “flagelo”.
 Diante disso, as formas celulares dos ciclos dos tripanossomatídeos são:

A  Promastígota – forma alongada com cinetoplasto anterior ao núcleo; o flagelo torna-se


livre a partir da porção anterior da célula.
B  Opistomatígota – forma alongada com cinetoplasto posterior ao núcleo; o flagelo
estende-se internamente através do corpo celular e emerge da extremidade anterior deste.
C  Epimastígota – forma alongada com cinetoplasto justanuclear e anterior ao núcleo;
possui pequena membrana ondulante lateralmente disposta.
D  Tripomastígota – forma alongada com cinetoplasto posterior ao núcleo; o flagelo
forma uma extensa membrana ondulante e torna-se livre na porção anterior da célula.
E  Coanomastígota – célula em forma de pera ou grão de cevada; o cinetoplasto acha-se
anterior ao núcleo, com o flagelo emergindo anteriormente de um reservatório em forma de
colarinho.
F  Amastígota – forma arredondada ou oval, com flagelo curto que não se exterioriza.
G  Paramastígota – forma intermediária às formas pró e opistomastigo; com cinetoplasto
justanuclear.
H  Esferomastígota – forma arredondada, com flagelo livre, representando uma transição
entre a forma amastigota e as formas flageladas.
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OBS – Em todas as formas celulares dos ciclos biológicos de Trypanosomatidae, o flagelo


origina-se próximo ao cinetoplasto, e uma bolsa flagelar está presenta no ponto em que o flagelo
emerge do corpo celular.  Uma “membrana ondulante” visível em tripomastigotas e
epimastigotas é formada como um estiramento da membrana celular por ação mecânica do
flagelo que, após emergir da bolsa flagelar, percorre a superfície extracelular da membrana
citoplasmática, aderida fortemente à mesma.

Obj.2 – Descrever morfologia, ciclo biológico, mecanismos de transmissão,


patogenia, sintomatologia, profilaxia e tratamento da Doença de Chagas
O Trypanosoma cruzi é o protozoário agente etiológico da doença de Chagas
(tripanossomíase americana, ou esquizotripanose) que constitui uma antroponose frequente nas
Américas, principalmente na América Latina.

 Morfologia:
O T. cruzi possui em seu ciclo biológico nos hospedeiros vertebrado e invertebrado varias
formas evolutivas.
 Hospedeiro Vertebrado:
Nos hospedeiros vertebrados e na cultura de tecidos são encontradas intracelularmente as
formas amastigotas e extracelularmente as formas tripomastigotas presentes no sangue
circulante.
À microscopia eletrônica, observa-se em
todas as formas evolutivas do T. cruzi uma
organela especial, o cinetoplasto, que constitui uma
mitocôndria modificada, rica em DNA. (a analise
deste DNA extracelular é um dos parâmetros
utilizados na caracterização molecular de diferentes
amostras ou cepas de T. cruzi).
 Os tripomastigotas sanguíneos
apresentam variações morfológicas denominadas
polimorfismo que guardam correlações importantes com outras características fisiológicas do
parasito.  Experiências em camundongos mostraram que ao longo da infecção, diferentes
populações de T. cruzi apresentam tripomastigotas sanguíneos delgados, intermediários, largos
ou muito largos.
As formas delgadas seriam mais infectantes para células e para camundongos,
desenvolvendo parasitemias mais precoces, porém mais sensíveis à ação de anticorpos
circulantes. Sendo assim, tripomastigotas delgados seriam destruídos por anticorpos ou
desapareceriam da circulação para cumprir novo ciclo celular.
Por outro lado, as formas largas, menos infectantes, demorariam mais a penetrar
nas células, desenvolvendo parasitemias mais tardias, porém mais resistentes à ação de
anticorpos circulantes e por isso capazes de permanecer mais tempo na corrente circulatória.
Além disso, os tripomastigotas delgados são menos capazes de desenvolver no vetor que
os tripomastigotas largos.  Os tripomastigotas delgados parasitam, durante a fase aguda, de
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preferência células do sistema mononuclear fagocitário


(SMF) do baço, fígado e medula óssea (são chamadas
de cepas “macrofagotrópicas”). Já as cepas que
apresentam predomínio de formas largas têm tropismo
para células musculares lisa, cardíaca e esquelética
(são denominadas “miotrópicas”).

 As formas delgadas do parasito seriam relativamente mais frequentes no início da


infecção do hospedeiro vertebrado, quando ainda não existe uma imunidade humoral específica
contra o parasito. Gradualmente estas formas seriam substituídas pelas formas largas, menos
sensíveis a ação de anticorpos e que, portanto, passariam a predominar na fase mais tardia da
infecção, quando a imunidade já se estabeleceu.

 Hospedeiro Invertebrado:
No hospedeiro invertebrado, são encontradas inicialmente formas arredondadas com
flagelo circundando o corpo, denominadas esferomastígotas presentes no estômago e intestino
do triatomíneo; formas epimastígotas são presentes em todo o intestino; e tripomastígotas
presentes no reto.  O tripomastígota metacíclico constitui a forma mais natural de infecção
para o hospedeiro vertebrado.

 Ciclo Biológico:
O ciclo biológico do T. cruzi é do tipo heteroxêmico passando o parasito por uma fase de
multiplicação intracelular no hospedeiro vertebrado (homem e mamíferos pertencentes a sete
ordens diferentes) e extracelular no inseto vetor (triatomíneos).

 No hospedeiro Vertebrado:
Amastigotas, epimastígotas e tripomastígotas interagem com células do hospedeiro
vertebrado e apenas as epimastígotas não são capazes de nelas se desenvolver e multiplicar.
Considerando o mecanismo natural de infecção pelo T. cruzi, os tripomastígotas
metacíclicos eliminados nas fezes e urina do vetor, durante ou logo após o repasto sanguíneo,
penetram pelo local da picada e interagem com células do SMF da pele ou mucosas.
- Neste local, ocorre a transformação dos tripomastígotas em amastígotas, que aí se
multiplicam por divisão binária simples longitudinal.
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A seguir, ocorre a diferenciação dos amastígotas em tripomastígotas, que são liberados


da célula hospedeira caindo no interstício.  Estes tripomastígotas caem na corrente circulatória,
atingem outras células de qualquer tecido ou órgão para cumprir novo ciclo celular, sendo
destruídos por mecanismos imunológicos do hospedeiro ou serem ingeridos por triatomíneos,
onde cumprirão seu ciclo extracelular.
OBS – no inicio da infecção do vertebrado (fase aguda), a parasitemia é mais elevada,
podendo ocorrer morte do hospedeiro. Na espécie humana, a mortalidade nesta fase da infecção
ocorre principalmente em crianças.
 Quando o hospedeiro desenvolve resposta imune eficaz, diminui a parasitemia e a
infecção tende a se cronificar.  Na fase crônica, o número de parasitas é pequeno na
circulação. A evolução e o desenvolvimento das diferentes formas clínicas da fase crônica da
doença de Chagas ocorrem lentamente, após 10 a 15 anos de infecção ou mais.

O processo de interação entre o parasito e as células do hospedeiro vertebrado ocorre por


dois mecanismos, ambos envolvendo uma interação precoce com os lisossomas da célula
hospedeira. (1) No primeiro, denominado endocitose (ocorre com epimastigotas) e com
participação ativa de ambos, ocorre fusão direta de lisossomas com a membrana do parasito no
local em que este se aproxima originando o vacúolo parasitário. (2) No segundo mecanismo
(ocorre com tripomastigotas) é observada uma invaginação da membrana plasmática do parasito
sem participação ativa do citoesqueleto da célula hospedeira.

A interação entre o parasito e a célula hospedeira ocorre em três fases sucessivas:


1 – Adesão celular  quando ambos se reconhecem e o contato membrana-membrana
ocorre;
2 – Interiorização e formação do vacúolo parasitário (PV)  quando ocorre a formação de
pseudópodes e a consequente formação do PV. A concentração de Ca++ tem sido também
considerada um fator importante na penetração do parasita na célula hospedeira e facilita a
chegada dos lisossomas para as proximidades do parasita chegando mesmo a fazer parte da
membrana do vacúolo fagocitário;
3 – Fenômenos intracelulares  quando as formas epimastígotas são destruídas dentro do
vacúolo fagocitário (fagolisossoma) e os tripomastígotas sobrevivem resistindo as ações das
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enzimas lisossômicas e desenvolvendo-se livremente no citoplasma da célula, onde se


transformam em amastígotas (duas horas após a interiorização) ai permanecendo por 24-35h.
- Em cultivo do T. cruzi em macrófagos foi verificado que os amastígotas se multiplicam por
divisão binária simples longitudinal, a cada 12 horas, num total de nove gerações, totalizando
cerca de 540 parasitos, que a seguir se diferenciam em tripomastígotas por um mecanismo
denominado "alongamento" e passando antes por estágios intermediários de epimastigotas.
- A célula hospedeira, repleta de parasitos, se rompe, liberando no interstício os
tripomastígotas ou mesmo amastígotas que ainda não se diferenciaram, além de detritos
celulares da célula hospedeira.

 No hospedeiro Invertebrado:
Os triatomíneos vetores se infectam ao ingerir as formas
tripomastígotas presentes na corrente circulatória do hospedeiro
vertebrado durante o hematofagismo.
No estômago do inseto eles se transformam em formas
arredondadas (esferomastígotas) e epimastígotas.  No intestino
médio, os epimastígotas se multiplicam por divisão binária simples.
 No reto, porção terminal do tubo digestivo, os epimastígotas se
diferenciam em tripomastígotas (infectantes para os vertebrados),
sendo eliminados nas fezes ou na urina.  Esta é a descrição
clássica adotada para o ciclo do T. cruzi no invertebrado.
Outros estudos revelaram que os tripomastígotas
sanguíneos ingeridos se transformariam no estômago do vetor em
organismos arredondados, denominados esferomastígotas,
circundados ou não por flagelo
e que têm um importante papel
no ciclo biológico do vetor.
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 Estes esferomastígotas poderiam se transformar em tripomastígotas metacíclicos


infectantes, ou em epimastígotas de dois tipos: epimastígotas curtos, capazes de se multiplicar
por divisão binária simples e então se transformar novamente em esferomastígotas que dariam os
tripomastígotas metacíclicos; ou epimastígotas longos, que não se multiplicam e nem se
diferenciam para tripomastígotas metacíclicos.

 Mecanismos de Transmissão:
 Transmissão pelo vetor – é o mecanismo de transmissão que tem maior importância
epidemiológica. A infecção ocorre pela penetração de tripomastigotas metacíclicos (eliminados
nas fezes ou na urina de triatomíneos, durante o hematofagismo) em solução de continuidade da
pele ou mucosa íntegra.
 Transfusão sanguínea – constitui o segundo mecanismo de importância epidemiológica
na transmissão da doença de Chagas. Esta importância é maior ainda nas grandes cidades, onde
é alta a prevalência da infecção.
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 Transmissão congênita – a transmissão ocorre quando existem ninhos de amastigotas


na placenta, que liberariam tripomastigotas que chegariam à circulação fetal.
 Acidentes de laboratório – podem ocorrer entre pesquisadores e técnicos que trabalham
com o parasito, seja em sangue de animais, vetores, pessoas infectadas e na cultura do parasito.
A contaminação pode se dar por contato do parasito com a pele lesada, mucosa oral ou ocular ou
autoinoculação.
 Transmissão oral – pode acontecer em várias situações: na amamentação; animais
ingerindo triatomíneos infectados; canibalismo entre diferentes espécies de animais; pessoas
ingerindo alimentos contaminados com fezes ou urina de triatomíneos infectados (como o açaí).
 Coito – nunca foi comprovado na espécie humana. Há apenas relato de encontro de
tripomastigotas em sangue de menstruação de mulheres chagásicas e no esperma de homens
infectados.
 Transplante – este mecanismo de transmissão pode desencadear fase aguda grave,
pois o individuo que recebe um órgão transplantado infectado faz uso de drogas
imunossupressoras e, consequentemente, torna-se menos resistente à infecção.

 Transmissão pelo vetor e representação do ciclo biológico:

 Patogenia:
Na doença de Chagas são inúmeros os fatores que atuam direta ou indiretamente no
aparecimento das lesões produzidas pelo T. cruzi. Alguns são devidos ao parasito (eventos
iniciais na relação parasito-hospedeiro dependentes de mecanismos ligantes específicos,
polimorfismo, tropismo celular, virulência do clone, cepa ou raça do parasita, reinfecção,
infecções mistas, seleção clonal, etc) outros são inerentes ao hospedeiro (constituição genética,
sexo, idade, raça, resposta imunitária, nutrição, tipos de células que interagem com o parasito,
como macrófagos profissionais e células não permissíveis, células musculares, neuróglia central
e periférica, fibroblasto, mastócitos e outros).
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 Isso demonstra que na doença de Chagas, assim como outras doenças parasitárias, os
mecanismos pelos quais o T. cruzi determina as lesões devem ser multifatoriais e deles
depende o aparecimento ou não das formas automoclínicas da doença, ou seja: a forma
indeterminada, a forma cardíaca sintomática ou não, a forma digestiva (megaesôfago e
megacólon) ou a forma nervosa, além das formas mistas.

 Fase Aguda:
A partir da porta de entrada (chagoma de inoculação, por exemplo) o T. cruzi pode
parasitar qualquer célula. As mais frequentemente parasitadas são: macrófagos, células de
Schwann, micróglia, fibroblastos, células musculares lisas estriadas e outras.
Durante a fase aguda da infecção o macrófago deve ser a célula que tem mais chances de
adesão. Nesta fase, o parasito ao se multiplicar pode sofrer degeneração, como também a célula
hospedeira, ocorrendo liberação do mesmo no interstício seja na forma de amastígota,
epimastígota ou tripomastígota, bem como de organelas citoplasmáticas da célula hospedeira.

Devido a estes imunógenos íntegros ou degenerados e a


outras substâncias liberadas pela célula hospedeira surge uma
inflamação aguda focal estabelecendo-se, já na segunda semana,
uma imunidade. Mesmo assim, os parasitos não são detidos no foco
inflamatório inicial, indo parasitar aleatoriamente qualquer órgão.
 Na fase aguda o coração pode ser lesado intensamente. De
fato, o parasitismo é muito grande e se encontram ninhos de
amastígotas nas células musculares, nos histiócitos, nos fibroblastos, nas células gliais e
raramente nos neurônios dos plexos nervosos.
A miocardite surge em correspondência com os ninhos rompidos. O exsudato inflamatório
que predomina é o de células mononucleadas, como linfócitos, macrófagos e por vezes
granulócitos neutrófilos e eosinófilos.  A presença de focos inflamatórios é proporcional aos
ninhos de parasitas presentes. Deste modo, a inflamação, de início focal, pode se estender a todo
órgão, tornando-se difusa, grave e podendo levar a morte, como acontece, por exemplo, na
miocardite chagásica aguda ou meningoencefalite.
Macroscopicamente há aumento da área cardíaca devido ao hidropericárdio e ao próprio
coração que se mostra globoso, flácido e muito congesto em consequência da inflamação que
acomete simultaneamente os três folhetos: pericárdio, miocárdio e endocárdio.

 Fase Crônica:
→ Forma indeterminada: Os indivíduos que sobrevivem à fase aguda assintomática ou
sintomática evoluem para a fase crônica e podem permanecer assintomáticos ou com infecção
latente (forma indeterminada) por vários anos ou durante toda sua vida.
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→ Forma Cardíaca: Alguns pacientes podem 20 a 30 anos após a infecção apresentar a


cardiopatia chagásica crônica (CCC) sintomática que pode levá-lo a morte.
- Macroscopicamente o coração mostra-se: (1) aumentado de volume e mais pesado do que o
normal (cardiomegalia com peso de 550g em média); (2) congesto com espessamentos
nodulares branco-peroláceos no epicárdio ao longo das coronárias; (3) hipertrofia das paredes
ventriculares e atriais; (4) dilatação dos anéis das válvulas tricúspide e mitral; e (5) presença da
chamada lesão vorticilar ou aneurisma de ponta.
- Histologicamente observa-se: (1) uma miocardite crônica fibrosante em focos sistematizados
e uma fibrilopoese difusa intersticial interfascicular; (2) despopulação neuronal grave devido à
perineurite, periganglionite e ganglionite; (3) fenômenos regressivos intensos das miocélulas
(lesão de Magarinos Torres); e (4) raros ninhos de amastígotas.

→ Forma Digestiva: O tubo digestivo, ainda durante a fase aguda da infecção, também é
atingido pelo T. cruzi que parasita, ao acaso, as células musculares, os fibroblastos e
principalmente o sistema nervoso intramural (plexos de Meissner e Auerbach).

Dependendo do grau e da extensão das lesões é que


surgem os primeiros sinais de incoordenação motora
acompanhados de alterações da secreção e absorção.
Somente nos casos mais graves, 10 a 20 anos após a
infecção inicial, é que surge em 20% a 30% dos pacientes o
megaesôfago e o megacólon.
Entende-se por “megas”, dilatações permanentes e
difusas de vísceras ocas ou de canais (ureter, por exemplo),
acompanhados ou não de alongamento da parede, não
provocados por obstrução mecânica e cujo substrato
anatômico seria a despopulação neuronal intrínseca do órgão.
 Morfologicamente a víscera oca com mega mostra:
- Macroscopicamente: (1) dilatação permanente e as vezes alongamento (dólico); (2)
espessamento das musculares; (3) alterações da mucosa (polipose, leucoplasia, ulceração); (4)
porção terminal sem lesão aparente.
- Microscopicamente: as lesões são mais características e constantes: (1) parasitismo
acentuado na fase aguda das células musculares e dos plexos nervosos. Este é mais raro na fase
crônica; (2) miosite, periganglionite, ganglionite, perineurite e neurite em focos sistematizados
com predominância das células mononucleadas; (3) fibrilopoese focal e difusa, não relacionada
diretamente com os focos inflamatórios; (4) hipertrofia das células musculares íntegras,
principalmente da camada muscular interna; (5) inflamação crônica da mucosa e a submucosa,
às vezes com ulcerações e/ou perfurações.
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Muitos são os fatores patogenéticos e fisiopatológicos, entre eles o mais importante


seria a denervação parassimpática tanto no coração quanto nos megas chagásicos.
- Todavia, além da denervação nos megas, muitos outros fatores entram em jogo na
gênese das lesões, como: (1) alterações morfofuncionais das glândulas do intestino que secretam
vários tipos de hormônios; (2) alterações do reflexo peristáltico intrínseco com relação ao
extrínseco; (3) alterações para mais ou para menos da neurossecreção dos gânglios simpáticos
(catecolaminas, indolaminas), que permanecem íntegros interferindo na motilidade e
condutibilidade das células musculares; (4) fibrose difusa, presente tanto na CCC quanto nos
megas e responsável, com toda probabilidade, pela incapacidade contrátil do órgão.
 Tanto nos megas quanto na CCC fibrosante  a neoformação colagênica aumenta
com o tempo durante a evolução da doença e modifica profundamente a fisionomia anatômica do
órgão levando-o a disfunção.

 Sintomatologia:
 Fase aguda:
Pode ser sintomática ou assintomática (mais frequente). A fase aguda inicia-se através das
manifestações locais, quando o T. cruzi penetra na conjuntiva (sinal de Romaña) ou na pele
(chagoma de inoculação). Essas lesões aparecem em 50% dos casos agudos dentro de 4-10 dias
após picada do barbeiro, regredindo em um ou dois meses. Concomitantemente, os linfonodos
satélites são comprometidos e no conjunto forma-se o complexo cutâneo e/ou conjuntivo-
linfonodal.
- O sinal de Romaña se caracteriza por edema bipalpebral, unilateral, congestão
conjuntival, linfadenite-satélite, com linfonodos aumentados, celulite do tecido gorduroso
periorbitário e palpebral e presença de parasitos intra e extracelulares em abundância.
- O complexo cutâneo-linfonodal caracteriza-se pelo aparecimento, em qualquer parte
do corpo, do chagoma primário (caracterizado pela inflamação aguda local na derme e
hipoderme, no ponto de inoculação do parasito) e da linfadenite-satélite.
As manifestações gerais são representadas por:
Febre; edema localizado e generalizado; poliadenia; hepatomegalia; esplenomegalia; e, às
vezes, insuficiência cardíaca e perturbações neurológicas.

 Fase crônica Assintomática:


 Forma indeterminada: Após a fase aguda, os sobreviventes passam por um longo período
assintomática (10 a 30 anos). Esta fase é a chamada de forma indeterminada (latente) e é
caracterizada é caracterizada por: (1) positividade de exames sorológicos e/ou parasitológicos;
(2) ausência de sintomas e/ou sinais da doença; (3) ECG convencional normal; (4) coração,
esôfago e cólon radiologicamente normais.

 Fase crônica Sintomática:


 Forma cardíaca: Na cardiopatia chagásica sintomática, o fato clinico principal é a insuficiência
cardíaca congestiva (ICC) e isto se deve: à diminuição da massa muscular que se encontra muito
destruída devido à substituição por áreas de fibrose interrompendo fibras e fascículos; à
destruição do SNA simpático e parassimpático; e ao próprio exsudato inflamatório em atividade.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Além da insuficiência cardíaca, devido ao retardamento da circulação e da hipóxia, são


frequentes os fenômenos tromboembólicos.  Os trombos cardíacos são frequentes, mas
também podem se formar nas veias dos membros inferiores (a partir desses trombos,
desprendem-se êmbolos que podem originar infartos no coração, pulmões, rins, baço, encéfalo,
etc, causando assim a morte súbita).
O comprometimento do sistema autônomo regulador das contrações cardíacas traz como
consequência uma grande variedade de perturbações, tanto na formação dos estímulos como na
sua propagação.
Quando os mecanismos de compensação cardíacos tornam-se incapazes de
superar as deficiências de sua força de contração, surge o quadro de ICC, que se traduz
clinicamente por:
Dispneia de esforço, insônia, congestão visceral e edema dos membros inferiores  evoluindo
para dispneia contínua, anasarca e morte. (pacientes com este quadro apresentam cardiomegalia
intensa).

 Forma digestiva: As manifestações digestivas são representadas pelos megas, nas quais
aparecem alterações morfológicas e funcionais importantes, como, por exemplo, a incoordenação
motora (aperistalse, discinesia) caracterizando o megaesôfago e o megacólon.
 Os sintomas principais do megaesôfago são:
Disfagia, odinofagia, dor retroesternal, regurgitação, pirose, soluço, tosse e sialose.
 O megacólon compreende as dilatações dos cólons (sigmoide e reto), são mais frequentes
e surgem depois do megaesôfago. O sintoma mais frequente do megacólon é a obstipação. Além
disso, é frequentemente associado ao megaesôfago e este fato agrava em muito a desnutrição.
As complicações mais graves do megacólon são a obstrução intestinal e a perfuração, esta
levando à peritonite.

 Forma nervosa: O mecanismo patogênico básico nesta forma clinica seria a denervação.
Admite-se, todavia, que na fase crônica da doença a perda ou diminuição dos neurônios possa
ser consequência da isquemia devido à ICC e arritmias cardíacas, bem como de processos
autoimunes.

 Forma mista: É atribuída aos casos em que o paciente apresenta superposição de alterações
clínicas de mais de uma das formas clínicas anteriormente mencionadas.

 Profilaxia:
A profilaxia da doença de Chagas está intimamente ligada à melhoria das condições de
vida do camponês, bem como a modificação do hábito secular de destruição da fauna e da flora.
Sabe-se que para se alcançar isto será necessário modificar a estrutura agrária brasileira e a
educação sanitária.
 Atualmente, as medidas que podem ser sugeridas são:
 Melhoria das habitações rurais  Frequentemente, em algumas fazendas dá-se grande
importância à construção de um estábulo novo, a aquisição de novas máquinas, etc., mas o
casebre onde mora o empregado continua sendo de pau-a-pique, barro e coberto de sapé. Nas
Felipe Pires 823212 Agressão

situações em que não for possível construir casa simples, de alvenaria, aquelas que suportam
uma reforma poderiam ser rebocadas e caiadas. Não se pode perder de vista, no entanto, que a
melhoria habitacional é também uma medida paliativa no que diz respeito ao controle da doença
de Chagas, desde que não seja acompanhada de mudanças de comportamento do morador. A
melhoria habitacional deve estender-se ainda aos seus anexos (galinheiros, chiqueiros, paióis,
currais etc.), entendendo-se domicílio + peridomicílio como uma unidade epidemiológica.
 Combate ao barbeiro  Existem hoje várias técnicas que podem ser aplicadas contra os
insetos em geral. Com relação aos triatomíneos, o seu combate por meio de inseticidas
eficientes promove em curto prazo a eliminação do principal modo de transmissão.
 Controle do doador de sangue  Sabendo-se que a transfusão sanguínea e o segundo
modo de transmissão de importância epidemiológica, a sua profilaxia é feita com base nos
seguintes critérios:
- seleção dos doadores por exames sorológicos (ELISA, IUFI, RHA, RFC) e exclusão dos
positivos ou suspeitos;
- adição ao sangue de violeta-de-genciana ou, principalmente, o cristal-violeta na concentração
de 1:4000. Essas drogas, 24 horas após a adição, são as "únicas substâncias capazes de efetuar
a quimioprofilaxia da transmissão do T. cruzi, por transfusão de sangue", sendo ao mesmo tempo
isentas de efeitos colaterais.
 Controle de transmissão congênita  A rigor, todo recém-nascido de mãe com sorologia
positiva para T. cruzi deveria ser examinado imediatamente após o nascimento, para pesquisa de
IgM anti-T. cruzi e, caso positivo, tratar imediatamente.
 Vacinação  A vacinação da doença de Chagas ainda está em fase de estudos, com
resultados grandemente contraditórios e pouco promissores. Até o presente momento, foram
desenvolvidos numerosos trabalhos procurando encontrar-se uma vacina eficaz.

 Vê-se, portanto, que a profilaxia da doença de Chagas deve ser feita integrando-se
vários métodos: (1) melhoria da habitação, com adequada higiene e limpeza da mesma; (2)
combate ao triatomíneo por meio de inseticidas e outros métodos auxiliares (combate biológico
etc.); (3) identificação e seleção dos doadores de sangue ou esterilização do sangue pela violeta-
de-genciana.

 Tratamento:
Entre as inúmeras drogas testadas, duas têm sido usadas, com cautela e
acompanhamento criterioso. São o nifurtimox (Lampit) e o benzonidazol (Rochagan). Estes
medicamentos são indicados especialmente nos casos agudos que tenham ocorrido por
transmissão natural, por transfusão sanguínea ou acidental, reagudização por qualquer droga ou
doença imunossupressora e na prevenção da transmissão por transplantes de órgãos.
De toda a forma, o objetivo é, precocemente, diminuir ou eliminar a infecção, o que tem
sido mais fácil durante a fase aguda ou infecção recente.  Nos casos crônicos, apesar da pouca
eficiência dos medicamentos, aconselha-se o seu emprego, principalmente em crianças ou nos
acometidos com a forma indeterminada da doença ou formas cardíacas ou digestivas leves,
visando melhoria do prognóstico do paciente.
Felipe Pires 823212 Agressão

Deve-se, por outro lado, esclarecer ao paciente o período prolongado de uso, as reações
de toxicidade que provocam e que diminuindo a parasitemia e os ciclos endógenos haverá, pelo
menos, a possibilidade de redução das lesões.
 Nifurtimox - age contra as formas sanguíneas e parcialmente contra as formas teciduais.
É administrado via oral, sob forma de comprimido na dose 8 a 12mg/kg por dia, até 90 dias.
 Benzonidazol - possui efeitos apenas contra as formas sanguíneas. Deve ser
empregado em comprimidos, por via oral, na dose de 5 a 8mg/kg por dia, durante até 60 dias.
Muitos estudos têm sido conduzidos na procura de terapias alternativas para o
tratamento da doença de Chagas. Alguns deles, como o uso dos derivados azólicos ou de
citocinas associadas ao benzonidazol (imunoquimioterapia) em modelos experimentais,
representam potenciais tratamentos para a infecção.  Os azólicos inibem a síntese do
ergosterol que é um dos constituintes de membrana do parasito.

Obj.3 – Descrever morfologia, ciclo biológico, mecanismos de transmissão,


patogenia, sintomatologia, profilaxia e tratamento da Malária
A malária continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo.
Estima-se que a doença afeta cerca de 300 milhões de pessoas nas áreas subtropicais e tropicais
do planeta, resultando em mais de um milhão de mortes a cada ano, na grande maioria, crianças.
Também conhecida como paludismo, febre palustre, impaludismo, maleita ou sezão.
 Agente etiológico: os parasitos causadores de malária pertencem ao filo Apicomplexa,
família Plasmodiidae e ao gênero Plasmodium.  Atualmente são conhecidas cerca de 150
espécies causadoras de malária, das quais apenas quatro espécies parasitam exclusivamente os
humanos: Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae e P. ovale. Este último ocorre apenas
em regiões restritas do continente africano. Recentemente, outra espécie, o P. Knowlesi, tem
sido associada a casos clínicos de malária no continente asiático.

 Morfologia:
Os plasmódios variam individualmente em tamanho, forma e aparência, de acordo com o
seu estágio de desenvolvimento e com suas características específicas.
 As formas evolutivas extracelulares, capazes de invadir as células hospedeiras
(esporozoítos, merozoítos, oocineto), possuem um complexo apical formado por organelas
conhecidas como roptrias e micronemas, diretamente envolvidas no processo de interiorização
celular. À microscopia eletrônica, estas formas do parasito apresentam uma membrana externa
simples e uma membrana interna dupla, que é fenestrada e incompleta, principalmente na
extremidade anterior, onde está localizado o complexo apical.  Este está ausente nas formas
intracelulares (trofozoítos, esquizontes e gametócitos).

 Esporozoíto: é alongado e apresenta núcleo central único. Sua estrutura interna é


semelhante nas diferentes espécies de plasmódio. Sua membrana é formada por duas camadas
sendo a mais externa formada principalmente pela proteína CS, a qual participa de diversas
interações celulares durante o ciclo vital do parasita.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Forma exoeritrocítica:
 Trofozoíto: após a penetração do esporozoíto no
hepatócito, ocorre a perda das organelas do complexo apical e o
parasito se torna arredondado. Esta forma é chamada trofozoíto
e após sucessivas divisões celulares dará origem ao esquizonte
tissular (ou criptozoíto), composto por uma massa
citoplasmática e milhares de núcleos filhos. O seu tamanho varia
de 30 a 70um de diâmetro e isto provoca aumento do tamanho do
hepatócito infectado.

 Merozoíto: independente da sua origem, se pré-eritrocítica ou sanguínea, os merozoítos


são células similares e capazes de invadir somente hemácias. Estruturalmente, assemelham-se
aos esporozoítos, sendo, porém menores e arredondados, e tendo uma membrana externa
composta por três camadas.
 Formas eritrocíticas: compreendem os estágios de trofozoítos jovem, trofozoíto
maduro, esquizonte e gametócitos.
 Microgameta: célula flagelada originária do processo de exflagelação, sendo constituída
de uma membrana que envolve o núcleo e o único flagelo.
 Macrogameta: célula que apresenta uma estrutura proeminente na superfície, por onde
se dá a penetração do microgameta (fecundação).
 Oocineto: forma alongada de aspecto vermiforme, móvel, contendo núcleo volumoso e
excêntrico.
 Oocisto: estrutura esférica; Apresenta grânulos pigmentados em seu interior; Está
envolto por uma cápsula e apresenta tamanho único em infecções de baixa densidade e
dimensões múltiplas nas infecções intensas.  Em infecções antigas, a parede do oocisto se
mantém aderida ao intestino médio, tornando-se quitinosa. Um único pode produzir 1.000
esporozoítos.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Ciclo Biológico:
 Hospedeiro Vertebrado – Humanos
A- Fase pré-eritrocítica
1 – A infecção malárica inicia-se quando esporozoítos infectantes são inoculados nos
humanos, pelo inseto vetor anopheles. Os esporozoítos são móveis, apesar de não
apresentarem cílios ou flagelos (essa mobilidade esta intimamente associada a proteínas de
superfície do parasito).
Durante um repasto sanguíneo infectante, poucos esporozoítos são inoculados sob a pele
do hospedeiro e podem permanecer ali por algumas horas. Cerca de uma hora após a infecção,
aproximadamente 50% dos esporozoítos inoculados deixam o local da picada e alcançam o
sangue ou os vasos linfáticos.
2 – Os esporozoítos de Plasmodium podem entrar em células hospedeiras sem nelas se
desenvolverem. Isto propicia a sua migração por diferentes células, antes que ocorra a infecção
de um hepatócito, com consequente formação de um vacúolo parasitóforo.
Contudo, somente no hepatócito se processa o desenvolvimento parasitário.  Uma
hipótese aventada para explicar a chegada do parasito ao hepatócito é a de que o esporozoíto,
pela sua capacidade de migrar por diferentes células, atravesse as células de Kupffer ou células
endoteliais, passando pelo espaço de Disse, até atingir os hepatócitos.
Felipe Pires 823212 Agressão

OBS – Acredita-se que o contato dos esporozoítos com células que expressam elevados
níveis de proteoglicanos contendo cadeias de heparan-sulfato ativem o inicio do processo de
invasão, ao passo que o contato com células que expressem menores quantidades destas
moléculas resulte em migração contínua por células.  Evidências experimentais demonstraram
que a proteína CS participa ativamente deste processo (uma região altamente conservada dessa
molécula – região II – liga-se a proteoglicanos na superfície dos hepatócitos, possibilitando a
invasão).
3 – Após invadir o hepatócito, os esporozoítos se diferenciam em trofozoítos pré-
eritrocíticos. Estes se multiplicam por reprodução assexuada do tipo esquizogonia, dando
origem aos esquizontes teciduais, e posteriormente a milhares de merozoítos que invadirão os
eritrócitos.
Os merozoítos formados durante a fase exoeritrocítica são liberados do fígado para a
circulação sanguínea por meio de estruturas vesiculares denominadas merossomos e não por
ruptura direta do hepatócito infectado.  Esses merossomos se deslocam para os sinusoides
hepáticos garantindo a liberação de merozoítos vivos diretamente na circulação sanguínea.
Esta primeira fase do ciclo é denominada exoeritrocítica, pré-eritrocítica ou tissular e,
portanto, precede o ciclo sanguíneo do parasito.  O desenvolvimento nas células fígado requer
aproximadamente uma semana para o P. falciparum e P. vivax e cerca de duas semanas para o
P. malariae.

3.1 (OBS) – Nas infecções por P. vivax e P.


ovale, o mosquito vetor inocula populações
geneticamente distintas de esporozoítos: algumas se
desenvolvem rapidamente, enquanto outras ficam em
estado de latência no hepatócito, sendo por isso
denominadas hipnozoítos.
Estes hipnozoítos são responsáveis pelas
recaídas tardias da doença, que ocorrem após
períodos variáveis de incubação, em geral dentro de
45 a 90 dias, para a maioria das cepas de P. vivax,
podendo prolongar-se por seis ou mais meses.  As
recaídas são, portanto, ciclos pré-eritrocíticos e
eritrocíticos consequentes da esquizogonia tardia de
parasitos dormentes no interior dos hepatócitos.
Felipe Pires 823212 Agressão

B- Fase eritrocítica
4 – Inicia-se quando os merozoítos tissulares invadem os eritrócitos. A interação dos
merozoítos com o eritrócito envolve o reconhecimento de receptores específicos.  Para o
P. falciparum, o principal receptor são as glicoforinas (glicoproteínas presentes no eritrócito) e
para o P. vivax, a glicoproteína do grupo sanguíneo Duffy.
- Além disso, o P. vivax invade apenas reticulócitos, enquanto o P. falciparum invade
hemácias de todas as idades. Já o P. malariae invade preferencialmente hemácias maduras.
5 – O desenvolvimento intraeritrocítico do parasito se dá por esquizogonia, com
consequente formação de merozoítos que invadirão novos eritrócitos. Depois de algumas
gerações de merozoítos sanguíneos, ocorre a diferenciação em estágios sexuados, os
gametócitos, que não mais se dividem e que seguirão o seu desenvolvimento no mosquito vetor,
dando origem aos esporozoítos.
6 – O ciclo sanguíneo se repete sucessivas vezes, a cada 48 horas, nas infecções pelo
P. falciparum, P. vivax e P. ovale, e a cada 72 horas, nas infecções pelo P. malariae.
A fonte de nutrição de trofozoítos e esquizontes sanguíneos é a hemoglobina, porém
alguns componentes metabólicos necessários ao seu desenvolvimento são procedentes do
plasma: glicose, metionina, biotina, certas purinas e pirimidinas, fosfato e ácido paraminobenzóico
(PABA).
OBS – A ingestão da hemoglobina se faz através de uma organela especializada, o
citóstoma.
7 – Após o término da esquizogonia e o rompimento das hemácias parasitadas, o
pigmento malárico (produto da digestão da Hb pelo vacúolo digestivo) acumulado no citoplasma
do eritrócito é liberado no plasma e posteriormente fagocitado pelas células de Kupffer no fígado
ou pelos macrófagos do baço e de outros órgãos.

 Hospedeiro Invertebrado – Inseto


1 – Durante o repasto sanguíneo, a fêmea do anofelino ingere as formas sanguíneas do
parasito, mas somente os gametócitos serão capazes de evoluir no inseto, dando origem ao
ciclo sexuado ou esporogônico.
Felipe Pires 823212 Agressão

No intestino médio do mosquito, fatores como temperatura inferior a 30°C e aumento do pH


por baixa pressão de CO, estimulam o processo de gametogênese (gametócitos se transformam
em gametas extracelulares) poucos minutos após a ingestão do sangue.
2 – O gametócito feminino transforma-se em macrogameta e o gametócito masculino, por
um processo denominado exflagelação, dá origem a oito microgametas.  Em 20-30 minutos
ocorrerá fecundação (um microgameta fecundará um macrogameta), formando o ovo (ou zigoto).
 Dentro de 24 horas após a fecundação, o zigoto passa a movimentar-se por contrações do
corpo, sendo denominado oocineto.  Este atravessa a matriz peritrófica (membrana que
envolve o alimento) e atinge a parede do intestino médio, onde se encista na camada epitelial do
órgão, passando a ser chamado oocisto.
3 – Inicia-se então o processo de divisão esporogônica e, após um período de 9 a 14
dias, ocorre à ruptura da parede do oocisto, sendo liberados os esporozoítos formados durante a
esporogonia.  Estes serão disseminados por todo o corpo do inseto através da hemolinfa até
atingir as células das glândulas salivares.
Estes esporozoítos atingirão o canal central da glândula e ingressarão no ducto salivar
para serem injetados no hospedeiro vertebrado, juntamente com a saliva, durante o repasto
sanguíneo infectante.

 Hábitat:
O hábitat varia para cada fase do ciclo dos plasmódios humanos: no homem  as formas
infectantes, os esporozoítos circulam brevemente na corrente sanguínea. Na etapa seguinte o
parasito se desenvolve no interior do hepatócito posteriormente, nos eritrócitos; no inseto
vetor  as diferentes formar evolutivas desenvolvem-se sucessivamente no interior da matriz
peritrófica, no intestino médio, na hemolinfa e nas glândulas salivares.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Mecanismos de Transmissão:
A transmissão natural da malária ocorre quando fêmeas de mosquitos anofelinos (gênero
Anopheles), parasitadas com esporozoítos em suas glândulas salivares, inoculam estas formas
infectantes durante o repasto sanguíneo.
- As fontes de infecção humana para os mosquitos são pessoas doentes ou mesmo indivíduos
assintomáticos, que albergam formas sexuadas do parasito. Primatas não humanos podem
funcionar como reservatórios de P. malariae.
 Apesar de infrequente, a infecção malárica pode ser transmitida acidentalmente, como
resultado de transfusão sanguínea, compartilhamento de seringas contaminadas e
acidentes em laboratório.
 A infecção congênita pode ocorrer com consequências graves para o feto ou recém-
nascido. Nestes casos, o ciclo exoeritrocítico não é observado.

 Patogenia:
Apenas o ciclo eritrocítico assexuado é responsável pelas manifestações clinicas e
patologia da malária.  A passagem do parasito pelo fígado (ciclo exoeritrocítico) não é
patogênica e não determina sintomas.
A destruição dos eritrócitos e a consequente liberação dos parasitos e de seus metabólitos
na circulação provocam uma resposta do hospedeiro, determinando alterações morfológicas e
funcionais observadas no indivíduo com malária.  Os possíveis mecanismos determinantes das
diferentes formas clínicas da doença baseiam-se, fundamentalmente, na interação dos seguintes
fenômenos patogênicos:
A. Destruição dos eritrócitos parasitados;
B. Toxicidade resultante da liberação de citocinas;
C. Sequestro dos eritrócitos parasitados na rede capilar, no caso específico do P. falciparum;
D. Lesão capilar por deposição de imunocomplexos, no caso do P. malariae.

A. Destruição dos eritrócitos parasitados –


O processo de destruição dos eritrócitos em maior ou menor grau participa do
desenvolvimento da anemia. Entretanto, na maior parte dos casos, a anemia não se correlaciona
com a parasitemia, indicando que a sua gênese seja devida a outros fatores, entre os quais se
podem citar:
 Destruição de eritrócitos não parasitados pelo sistema imune ou por aumento da
eritrofagocitose esplênica;
 Participação de auto anticorpos com afinidades tanto para o parasito como para o eritrócito;
 Disfunção da medula óssea estimulada por ação de citocinas (diseritropoiese).

B. Toxicidade resultante da liberação de citocinas –


Durante a fase aguda da malária, ocorrem ativação e mobilização de células
imunocompetentes que produzem citocinas que agirão direta ou indiretamente sobre o parasito,
mas que podem ser nocivas para o hospedeiro.
 A febre, por exemplo, é resultado da liberação de pirogênio endógeno pelos monócitos
e macrófagos, ativados por produtos do parasito.
Felipe Pires 823212 Agressão

Estas citocinas estão associadas a muitos dos sintomas da malária aguda, particularmente
a febre e o mal-estar. A concentração de diversas citocinas, especialmente TNF-α, está elevada
tanto na malária causada por P. vivax quanto à por P. falciparum.
Acredita-se que esta citocina atue de forma direta sobre o endotélio e, de forma indireta,
induzindo moléculas de citoaderência. Como consequência da lesão endotelial, pode haver
extravasamento de líquido para o espaço intersticial de estruturas nobres, como os alvéolos e
glomérulos, produzindo manifestações de malária grave pulmonar e renal, respectivamente.
Outras ações tóxicas das citocinas já foram demonstradas na malária grave. Sua ação
inibitória da gliconeogênese é responsável pela hipoglicemia, e seus efeitos sobre a placenta
são responsáveis pela gravidade da malária na gestação, tanto para a mãe quanto para o feto.
- Já foi demonstrado que as citocinas aumentam a produção de óxido nítrico pelos
leucócitos, músculo liso, micróglia e endotélio vascular, através da enzima sintase.  Sendo o
óxido nítrico um potente inibidor da função celular, esta substância tem sido recentemente
implicada na patogenia de algumas complicações da malária grave, principalmente o coma.

C. Sequestro de eritrócitos parasitados na rede capilar –


Durante o desenvolvimento esquizogônico sanguíneo, o P. falciparum induz uma série de
modificações na superfície da célula parasitada, que permitem a sua adesão a parede endotelial
dos capilares. Este fenômeno de citoaderência é mediado por proteínas do parasito expressas
na superfície dos eritrócitos infectados, formando protuberâncias ou knobs.
O fenômeno de adesão celular também é observado entre eritrócitos parasitados e não
parasitados, formando as chamadas "rosetas". As moléculas envolvidas na formação de
"rosetas" incluem certos carboidratos dos grupos sanguíneos A/B e CD36.
 A citoaderência endotelial e o fenômeno de formação de rosetas ocorrem principalmente
nas vênulas do novelo capilar de órgãos vitais (substância branca do cérebro, coração, fígado,
rins, intestino).
Dependendo da intensidade, podem levar a obstrução da microcirculação e consequente
redução do fluxo de oxigênio, metabolismo anaeróbico e a acidose láctica.  São alvos
dessa agressão o cérebro, os rins e o fígado, cujos danos são responsáveis pelas complicações
de malária cerebral, insuficiência renal aguda e hepatite, tão comuns nos quadros de malária
grave.
Pode ocorrer ainda lesão no endotélio capilar, alterando a sua permeabilidade e
desencadeando a cascata da coagulação que pode complicar com fenômenos hemorrágicos
graves.
OBS – O sequestro dos eritrócitos parasitados representa, pelo menos em parte, um
mecanismo de escape do parasito, evitando a sua destruição no baço.

D. Lesão capilar por deposição de imunocomplexos –


Em infecções crônicas por P. malariae é descrita a ocorrência de glomerulonefrite
transitória e autolimitada, a qual se apresenta com síndrome nefrótica.
 A lesão glomerular é produzida pela deposição de imunocomplexos e componentes do
complemento nos glomérulos, alterando a sua permeabilidade e induzindo perda maciça de
proteína.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Sintomatologia:
O período de incubação da malária varia de acordo com a espécie de plasmódio, sendo:
9-14 dias para o P. falciparum; 12-17 dias para o P. vivax; 18-40 dias para o P. malariae; e
16-18 dias para o P. ovale.
 Fase sintomática inicial → caracteriza-se por mal-estar, cefaleia, cansaço e mialgia,
precedendo a clássica febre da malária.  O ataque paroxístico agudo (acesso malárico),
coincidente com a ruptura das hemácias ao final da esquizogonia, é geralmente acompanhado de
calafrios e sudorese.  Essa fase dura de 15 min há 1 hora, sendo seguida por fase febril,
podendo atingir 41°C ou mais.  Após um período de 2 a 6 horas, ocorre efervescência da febre
e o paciente apresenta sudorese profusa e fraqueza intensa.  Depois de algumas horas, os
sintomas desaparecem e o paciente sente-se melhor.
 Fase febril intermitente → a febre assume um caráter intermitente relacionado com o
tempo de ruptura de uma quantidade suficiente de hemácias contendo esquizontes maduros.
Portanto, a periodicidade dos sintomas é relacionada ao tempo de duração dos ciclos eritrocíticos
de cada espécie de plasmódio:
- 48 horas para P. falciparum, P. vivax e P. ovale (malária terçã);
- 72 horas para P. malariae (malária quartã).

 Malária não complicada:


As manifestações clínicas mais frequentemente observadas na fase aguda são comuns às
quatro espécies que parasitam os humanos. Em geral, os acessos maláricos são acompanhados
de intensa debilidade física, náuseas e vômitos. Ao exame físico, o paciente apresenta-se
pálido e com baço palpável.
Felipe Pires 823212 Agressão

A anemia, apesar de frequente, apresenta-se em graus variáveis, sendo mais intensa nas
infecções por P. falciparum.  Estima-se que cerca de 20% dos pacientes com malária tenham
hematócrito inferior a 35% na fase aguda da doença. Durante a fase aguda da doença é comum à
ocorrência de herpes simples labial.
Quadros prolongados de infecção podem produzir a síndrome de esplenomegalia
tropical (uma manifestação crônica da malária), que pode ocorrer em alguns adultos jovens
altamente expostos a transmissão.  Esses indivíduos apresentam volumosa esplenomegalia,
hepatomegalia, anemia, leucopenia e plaquetopenia.
 Proteinúria acentuada, hipoalbuminemia e edema podem ocorrer em infecções não
tratadas pelo P. malariae (síndrome nefrótica da malária quartã).

 Malária grave e complicada:


Adultos não imunes, bem como crianças e gestantes, podem apresentar manifestações
mais graves da infecção, podendo ser fatal no caso de P. falciparum.  A hipoglicemia, o
aparecimento de convulsões, vômitos repetidos, hiperpirexia, icterícia e distúrbio da
consciência são indicadores de pior prognóstico e podem preceder as seguintes formas clinicas
da malária grave e complicada:
 Malária cerebral: estima-se que ocorre em cerca de 2% dos indivíduos não imunes,
parasitados pelo P. falciparum. Os principais sintomas são uma forte cefaleia, hipertermia,
vômitos e sonolência.  Em crianças ocorrem convulsões. O paciente evolui para um quadro de
coma, com pupilas contraídas e alteração dos reflexos profundos.
 Insuficiência renal aguda: caracteriza-se pela redução do volume urinário a menos de
400ml ao dia e aumento da ureia e da creatinina plasmáticas.  É mais frequente em adultos e
tem sido descrita como a complicação grave mais frequente de áreas de transmissão instável,
como o Brasil.
 Edema pulmonar agudo: é particularmente comum em gestantes e inicia-se com
hiperventilação e febre alta. As formas mais graves caracterizam-se por intensa transudação
alveolar, com grave redução da pressão arterial de oxigênio (síndrome da angústia respiratória
do adulto).
 Hipoglicemia: mais frequente em crianças, ocorre geralmente em associação com outras
complicações da doença, principalmente a malária cerebral. Os níveis de glicose sanguínea são
inferiores a 30mg/dl e a sintomatologia pode estar ausente ou ser mascarada pela sintomatologia
da malária.
 Icterícia: definida como coloração amarelada da pele e mucosa, em decorrência do aumento
da bilirrubina sérica.  Pode resultar de hemólise excessiva ou de comprometimento da função
hepática na malária grave.
 Hemoglobinúria: caracterizada por hemólise intravascular aguda maciça, acompanhada por
hiperhemoglobinemia e hemoglobinúria, ocorre em alguns casos de malária aguda e também em
indivíduos que tiveram repetidas formas de malária grave por P. falciparum.
 O paciente apresenta urina colúria acentuada, vômitos biliosos e icterícia intensa. 
Necrose tubular aguda com insuficiência renal é a complicação mais frequente e que pode levar a
morte.
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 Profilaxia:
 Medidas de proteção individual –
Chamada profilaxia de contato, consiste em evitar o contato do mosquito com a pele do
homem. Como o anofelino tem, em geral, hábitos noturnos de alimentação, recomenda-se evitar
a aproximação às áreas de risco após o entardecer e logo ao amanhecer do dia.
O uso de repelentes nas áreas expostas do corpo, telas nas portas e janelas e dormir com
mosquiteiros. Medicamentos ou alimentos que promovem sudorese com odor forte, como a
tiamina e o alho, têm também sido usados para repelir o mosquito. Entretanto, essas estratégias
só se aplicam a situações especiais, como para pessoas que eventualmente visitam as áreas
endêmicas.

 Quimioprofilaxia –
Como não é disponível uma vacina ou uma droga profilática causal para a malária, a ação
esquizonticida sanguínea de alguns antimaláricos tem sido usada como forma de prevenir as
suas manifestações clínicas. A situação no Brasil é muitíssimo diferente da África, aqui, tanto o
P. falciparum quanto o P. vivax são prevalentes e devem receber abordagem diferenciada, quanto
ao uso de drogas antimaláricas.
A profilaxia da malária é centrada na orientação para o diagnóstico e tratamento precoces
(na presença de qualquer sinal suspeito) e nas medidas de proteção individual, para reduzir a
probabilidade de picada de mosquito.
Como medida de curto prazo, a quimioprofilaxia pode ser recomendada apenas para
viajantes internacionais e grupos especiais que viajam para áreas de intensa transmissão, como
militares, missionários, diplomatas ou qualquer outro trabalhador vinculado a projetos específicos,
cuja duração não ultrapasse o período de dois meses. Indivíduos esplenectomizados, por serem
mais suscetíveis a infecção mais grave, devem também ser considerados prioritários.
 As drogas sugeridas no Brasil para a quimioprofilaxia são a mefloquina (250mg
semanalmente) e a doxiciclina (100mg/dia). O tratamento deve ser iniciado uma semana antes
do deslocamento para o local de destino e interrompido após quatro semanas do regresso a área
de origem. Não atuam sobre esporozoítos ou formas hepáticas (hipnozoítos) do P. vivax. Seu
índice terapêutico é baixo, isto é, a dose efetiva está muito próxima da dose tóxica.

 Medidas coletivas –
- Medidas de Combate ao Vetor Adulto  Através da borrifação das paredes dos domicílios
com inseticidas de ação residual. (Esta medida baseia-se no conhecimento de que os
anofelinos costumam repousar nas paredes após o repasto sanguíneo, nos casos de contato
endofílico). No entanto, já foi demonstrado o hábito exofílico dos vetores, principalmente nas
áreas de garimpo da Amazônia. Além disso, nessas áreas, as pessoas costumam morar em
barracos cobertos com lonas plásticas e sem paredes. Assim, em vez de borrifação de paredes,
tem sido praticada a nebulização espacial com inseticidas no peridomicílio.
- Medidas de Combate às Larvas  Através de larvicidas. Devido à extensão das bacias
hidrográficas existentes nas áreas endêmicas e ao risco de contaminação ambiental com
larvicidas químicos, esta estratégia tem sido pouco aplicada. Mais recentemente, o controle
Felipe Pires 823212 Agressão

biológico de larvas, utilizando o Bacilus turigiensis e o B. sphericus, tem sido proposto e


parece ser uma boa medida para se atingir o objetivo sem prejudicar a biodiversidade local.
- Medidas de Saneamento Básico  Para evitar a formação de "criadouros" de mosquitos,
surgidos principalmente a partir das águas pluviais.
- Medidas para Melhorar as Condições de Vida  Através da informação, educação e
comunicação, a fim de provocar mudanças de atitude da população com relação aos fatores que
facilitem a exposição à transmissão e maior adesão às medidas preconizadas para seu controle.

 Tratamento:
Antes do surgimento da resistência do P. falciparum a cloroquina, esta droga era utilizada
para as quatro espécies de plasmódios que parasitam o homem. Hoje, além da cloroquina, o
P. falciparum apresenta resistência a diversos outros antimaláricos.
O tratamento da malária visa à interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela
patogenia e manifestações clínicas da infecção. Entretanto, pela diversidade do seu ciclo
biológico, é também objetivo da terapêutica proporcionar a erradicação de formas latentes do
parasito no ciclo tecidual (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale, evitando assim as
recaídas tardias.
 As principais drogas antimaláricas são classificadas:
- pelo seu alvo de ação no ciclo biológico do parasito em esquizonticidas teciduais ou
hipnozoiticidas (cura radical do P. vivax e P. ovale), esquizonticidas sanguíneos (promovem a
cura clínica), gametocitocidas (bloqueia a transmissão) e esporonticidas (impede a infecção
pelos esporozoítos). Infelizmente, até o momento, nenhuma droga deste último grupo é disponível
para uso em humanos.
- pelo seu grupo químico.

 Tratamento das malárias causadas por P. vivax, P. ovale e P. malariae:


As malárias causadas pelo P. vivax, P. ovale e P. malariae, também chamadas malárias
benignas, devem ser tratadas com a cloroquina.  (Esta droga é ativa contra as formas
sanguíneas e também contra os gametócitos dessas espécies. Entretanto, não possui nenhuma
ação contra os seus ciclos teciduais). Em geral, a cloroquina é de baixa toxicidade, sendo muito
bem tolerada pelos pacientes e inócua quando utilizada na gravidez.
 Para se conseguir a cura radial da malária causada pelo P. vivax ou P. ovale é
necessária a associação de um equizonticida tecidual, a primaquina, para atuar sobre os seus
hipnozoítos.
A primaquina  é ativa contra os gametócitos de todas as espécies de plasmódios
humanos. Portanto, o seu uso contribui ainda para bloquear a transmissão da malária para o
mosquito vetor. Outra característica atribuída a essa droga é a sua capacidade de agir como
profilática causal, ou seja, destruir os esporozoítos antes de sua interiorização nos hepatócitos.
Nesse caso os indivíduos teriam que fazer uso constante do medicamento, quanto estiverem
expostos á transmissão. Entretanto, pela sua toxicidade, principalmente nas pessoas com
deficiência da enzima G6PD, não se recomenda colocar em pratica essa ação da primaquina.
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 Tratamento da malária causada pelo P. falciparum:


Após o surgimento da resistência do P. falciparum a cloroquina, constantes mudanças têm
sido observadas no perfil de resposta deste plasmódio aos antimaláricos convencionais. No
Brasil, a partir de 2007, o Ministério da Saúde (MS) tem recomendado a associação de artemeter
+ lumefantrina e de artesunato + mefloquina (essas associações são contraindicadas no
primeiro trimestre de gravidez; devem ser usadas no segundo e terceiro trimestre).
Embora eficaz contra o P. falciparum, a combinação de quinina + doxiciclina está
associada à menor adesão dos pacientes e à maior frequência de efeitos colaterais. Por isso,
representa atualmente o esquema de segunda escolha para o tratamento dessa espécie de
Plasmodium, devendo ser indicada quando não há disponibilidade ou indicação dos esquemas
contendo derivados de artemisinina (como artemeter e artesunato).
Para os casos graves de malária por P. falciparum indicam-se os derivados da
artemisinina como primeira opção e quinina como opção alternativa.  Para ambas as
escolhas, deve-se associar outro antimalárico, como por exemplo, um antibiótico com ação
antimalárica, tais como a clindamicina ou dixiciclina.

 Tratamento das infecções mistas:


- Para pacientes com infecção mista causada por P. falciparum + P. vivax, o tratamento
deve incluir medicamento esquizonticida sanguíneo eficaz para o P. falciparum, associado à
primaquina, como esquizonticida tecidual, visando a eliminação dos hipnozoítos.
- Se a infecção mista é causada pelo P. falciparum + P. malariae, o tratamento deve ser
dirigido apenas para o P. falciparum.

Obj.4 – Descrever morfologia, ciclo biológico, mecanismos de transmissão,


patogenia, sintomatologia, profilaxia e tratamento da Amebíase
A Entamoeba histolytica é o agente etiológico da amebíase, importante problema de saúde
pública que leva ao óbito anualmente cerca de 100.000 pessoas, constituindo a segunda causa
de mortes por parasitoses. Apesar da alta mortalidade, muitos casos de infecções assintomáticas
são registrados.

 Classificação: A classificação das amebas que vivem no intestino humano é a seguinte:


Reino - Protozoa; Filo - Sarcomastigophora; Subfilo - Sarcodina; Superclasse - Sardocina; Classe
- Lobosea; Ordem - Aemoebida; Família – Entamoebidae; e gêneros - Entamoeba, Iodamoeba e
Endolimax.
Todas as espécies do gênero Entamoeba vivem no intestino grosso de humanos
ou de animais, à exceção da Entamoeba moshkoviskii, que é uma ameba de vida livre.  As
espécies de ameba pertencentes ao gênero Entamoeba foram reunidas em grupos diferentes,
segundo o número de núcleos do cisto maduro ou pelo desconhecimento dessa forma. São eles:
1 – Entamoeba com cistos contendo oito núcleos (também chamada grupo coli);
2 – Entamoeba de cistos com quatro núcleos (também chamada grupo hystolytica);
3 – Entamoeba de cisto com um núcleo;
4 – Entamoeba cujos cistos não são conhecidos ou não possuem cistos.
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 Morfologia:
As amebas se distinguem umas das outras pelo tamanho do trofozoíto e do cisto, pela
estrutura e pelo número dos núcleos nos cistos, pelo número e formas das inclusões
citoplasmáticas (vacúolos nos trofozoítos e corpos cromatóides nos cistos).
Usualmente, encontramos os trofozoítos no intestino, nas úlceras, nas fezes diarréicas;
por sua vez, os cistos imaturos ou maduros (bi ou tetranucleados) estão presentes nas fezes
normais.

 Assim, as morfologias das espécies que ocorrem no homem são:


 E. Coli  citoplasma do trofozoíto não é diferenciado em endo e ectoplasma; o núcleo
apresenta a cromatina grosseira e irregular e o cariossoma grande e excêntrico. O cisto
apresenta-se como uma pequena esfera, contendo até oito núcleos, com corpos cromatóides
finos, semelhantes a feixes ou agulhas.
 E. hartmanni  é pequena, com ecto e endoplasma diferenciados. A estrutura nuclear é
semelhante à da E. histolytica. O cariossoma é pequeno (punctiforme), às vezes é visto no centro
do núcleo, porém é mais comumente visto em posição ligeiramente excêntrica. Os cistos
apresentam quatro núcleos. A estrutura nuclear dos cistos é semelhante à dos trofozoítos,
embora os núcleos sejam menores e a cromatina mais fina.
 Outras  Iodamoeba butschilii; Endolimax nana; Entamoeba gingivalis; Dientamoeba fragilis.

 E. histolytica  por ser patogênica, será descrita em detalhes, em cada uma de suas
fases: trofozoíto ou forma vegetativa, cisto ou forma de resistência, pré-cisto e metacisto.
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- Trofozoíto: mede de 20 até 40μm, mas pode chegar a 60μm nas formas obtidas de
lesões tissulares (forma invasiva); Geralmente tem um só núcleo, bem nítido nas formas coradas
e pouco visível nas formas vivas.  Apresenta-se pleomórfico, ativo, alongado, com emissão
contínua e rápida de pseudópodes, grossos e hialinos;  costuma imprimir movimentação
direcional, parecendo estar deslizando na superfície, semelhante a uma lesma.
Quando proveniente de casos de disenteria, é comum encontrar eritrócitos no citoplasma; o
trofozoíto não invasivo ou virulento apresenta bactérias, grãos de amido ou outros detritos em seu
citoplasma, mas nunca eritrócitos.  O citoplasma apresenta-se em ectoplasma, que é claro e
hialino, e endoplasma, que é finamente granuloso, com vacúolos, núcleos e restos de substâncias
alimentares .
- Pré-Cisto: é uma fase intermediária entre o trofozoíto e o cisto. É oval ou ligeiramente
arredondado, menor que o trofozoíto.  O núcleo é semelhante ao do trofozoíto.  No
citoplasma podem ser vistos corpos cromatóides, em forma de bastonetes, com pontas
arredondadas.
- Metacisto: é uma forma multinucleada que emerge do cisto no intestino delgado, onde
sofre divisões, dando origem aos trofozoítos.
- Cistos: são esféricos ou ovais. Em preparações sem coloração ou a fresco, eles
aparecem como corpúsculos hialinos, claros, às vezes de coloração palha, com as paredes
refringentes.  Os núcleos são pouco visíveis;  o cariossoma, pequeno, está situado no centro
do núcleo.  Os corpos cromatóides, quando presentes nos cistos, têm a forma de bastonetes ou
de charutos, com pontas arredondadas. Às vezes apresentam-se como massas de formas
regulares; seu número é variável, mas, em geral, de 1 a 4.
Encontramos também no citoplasma dos cistos regiões de reservas de glicogênio, também
chamadas "vacúolos de glicogênio".  Na microscopia eletrônica, os trofozoítos da E. histolytica
se caracterizam pela ausência de mitocôndria, aparelho de Golgi, retículo endoplasmático,
centríolos e microtúbulos, que são organelas diferenciadas e encontradas nas células eucariotas.

 Ciclo Biológico:
Os trofozoítos da E. histolytica normalmente vivem na luz do intestino grosso podendo,
ocasionalmente, penetrar na mucosa e produzir ulcerações intestinais ou em outras regiões do
organismo, como fígado, pulmão, rim e, mais raramente, no cérebro.
OBS – Carboidratos, principalmente a glicose ou seus polímeros, fazem parte do
metabolismo do parasito.
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Os trofozoítos de E. histolytica, tendo como ambiente normal o intestino grosso, são


essencialmente anaeróbios. Contudo, amebas são hábeis para consumir oxigênio, podendo
crescer em atmosferas contendo até 5% de oxigênio.
OBS – O catabolismo da glicose difere consideravelmente da maioria das células
eucariotas animais, pois não possuem mitocôndrias, citocromos e ciclo do ácido cítrico. Na
glicose anaeróbica operam enzimas não usuais, sendo produzido sob estas condições etanol,
CO2, e ATP.
 A locomoção se dá através de pseudópodes;
 A ingestão de alimentos se dá por fagocitose (partículas sólidas: hemácias, bactérias
ou restos celulares) e por pinocitose (ingestão de partículas líquidas);
 A multiplicação se dá através de divisão binária dos trofozoítos.

O ciclo é monoxênico.  No ciclo, encontramos uma série de estágios: trofozoíto, pré-


cisto, cisto e metacisto.
1 – O ciclo se inicia pela ingestão dos cistos maduros, junto de alimentos e água
contaminados.
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Esses cistos passam pelo estômago, resistindo à ação do suco gástrico, chegam ao final
do intestino delgado ou início do intestino grosso, onde ocorre o desencistamento, com a saída
do metacisto, através de uma pequena fenda na parede cística.
2 – Em seguida, o metacisto sofre sucessivas divisões nucleares e citoplasmáticas,
dando origem a quatro e depois oito trofozoítos, chamados trofozoítos metacísticos. Estes
trofozoítos migram para o intestino grosso onde se colonizam.
3 – Em geral, ficam aderidos à mucosa do intestino, vivendo como um comensal,
alimentando-se de detritos e de bactérias.
Sob certas circunstâncias, ainda não muito bem conhecidas, podem desprender da
parede e, na luz do intestino grosso, principalmente no cólon, sofrer a ação da desidratação,
eliminar substâncias nutritivas presentes no citoplasma, transformando-se em pré-cistos;
 Em seguida, secretam uma membrana cística e se transformam em cistos, inicialmente
mononucleados.  Através de divisões nucleares sucessivas, se transformam em cistos
tetranucleados, que são eliminados com as fezes normais ou formadas. Geralmente não são
encontrados em fezes liquefeitas ou disentéricas.

 Ciclo Patogênico:
Em situações que não estão bem conhecidas, o equilíbrio parasito-hospedeiro pode ser
rompido e os trofozoítos invadem a submucosa intestinal, multiplicando-se ativamente no
interior das úlceras e podem, através da circulação porta, atingir outros órgãos, como o fígado e,
posteriormente, pulmão, rim, cérebro ou pele, causando a amebíase extraintestinal.
 O trofozoíto presente nestas úlceras é denominado forma invasiva ou virulenta. Na
intimidade tissular, não forma cistos, são hematófagos e muito ativos.
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 Mecanismos de Transmissão:
O mecanismo de transmissão ocorre através de ingestão de cistos maduros com
alimentos (sólidos ou líquidos).  O uso de água sem tratamento, contaminada por dejetos
humanos, é um modo frequente de contaminação; ingestão de alimentos contaminados (verduras
cruas - alface, agrião; frutas - morango) é importante veículo de cistos.
 Alimentos também podem ser contaminados por cistos veiculados nas patas de baratas
e moscas (essas também são capazes de regurgitar cistos anteriormente ingeridos).
 Além disso, falta de higiene domiciliar pode facilitar a disseminação de cistos dentro da
família. Os "portadores assintomáticos" que manipulam alimentos são os principais
disseminadores dessa protozoose.

 Patogenia e Virulência:
Amebíase é a infecção do homem causada pela Entamoeba histolytica, com ou sem
manifestação clínica. O inicio da invasão amebiana é resultante da ruptura ou quebra do
equilíbrio parasito-hospedeiro, em favor do parasito.  São inúmeros os fatores ligados ao
hospedeiro: localização geográfica, raça, sexo, idade, resposta imune, estado nutricional, dieta,
alcoolismo, clima e hábitos sexuais.
Sabe-se que a evolução da patogenia ocorre através da invasão dos tecidos pelos
trofozoítos invasivos e virulentos. Tudo indica que a E. histolytica tem um efeito letal direto
sobre a célula, necessitando, para isso, que haja inicialmente uma forte adesão entre a ameba e
a célula que será lesada. Esta adesão parece estar mediada por lectinas contidas na superfície
das amebas, sendo auxiliadas por formações filopódicas que ampliam a adesão, logo seguida
pela fagocitose.
 Uma vez vencida a barreira epitelial, os movimentos amebóides e a liberação de
enzimas proteolíticas (hialuronidase, protease e mucopolissacaridases) favorecem a progressão e
destruição dos tecidos. Parece que a ameba tem certas dificuldades em penetrar na mucosa
intestinal intacta, havendo fortes indicações de que a ameba penetre inicialmente nas regiões
intraglandulares.
 Uma vez invadida a mucosa, os trofozoítos se multiplicam e prosseguem penetrando
nos tecidos sob a forma de microulcerações em direção à muscular da mucosa, com escassa
reação inflamatória.
 Na submucosa, as amebas podem progredir em todas as direções, determinando
inicialmente a típica ulceração chamada "botão de camisa" ou "colo de garrafa".
As lesões amebianas são mais frequentes no ceco e na região retossigmóidea. As úlceras
variam muito em tamanho e forma e podem estender-se a grandes proporções do intestino
grosso com comprometimento de toda a parede intestinal com consequente perfuração levando a
peritonite fecal.

OBS – Ocasionalmente, os trofozoítos podem induzir uma resposta inflamatória


proliferativa com formação de uma massa granulosa, chamada "ameboma". Essa formação não
é comum na amebíase.
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As amebas podem penetrar nos vasos sanguíneos e, através da circulação porta, atingir
primeiramente o fígado, que é o principal órgão com acometimento extraintestinal, formando
abscessos ou, mais propriamente, "necrose coliquativa".  Podem também atingir o pulmão e
mais raramente o cérebro.  Atingem ainda, em certas circunstâncias, a pele e as regiões anal
ou vaginal (períneo).
OBS – A E. histolytica induz respostas celular e humoral em humanos e animais, mas isto
não é indicativo de imunidade efetiva após a infecção.  A existência de reação de tipo imediato
na pele, a elevação de títulos de IgE e as IgE específicas antiamebianas sugerem a ocorrência de
anafilaxia.  Também é observada hipersensibilidade retardada, paralelamente com a amebíase
hepática. Essas observações são consistentes com o papel da imunidade mediada por células.

 Sintomatologia:
 Formas assintomáticas;
 Formas sintomáticas;
 Amebíase intestinal – a) disentérica; b) colites não disentéricas; c) amebomas; d) apendicite
amebiana.
 Complicações e sequelas da amebíase intestinal: perfuração, peritonites, hemorragia,
invaginação, colites pós-disentéricas e estenoses;
 Amebíase extraintestinal;
 Amebíase hepática – a) aguda não supurativa; b) abscesso hepático ou necrose coliquativa;
 Amebíase cutânea;
 Amebíase em outros órgãos – pulmão, cérebro, baço, rim, etc;
 Complicações do abscesso hepático: ruptura, infecção bacteriana e propagação pata outros
órgãos.

 Período de incubação – muito variável: de sete dias ate quatro meses, e é bastante
difícil de ser determinado. No entanto, mais comumente situa-se entre 2 a 4 semanas.

Amebíase Intestinal:
- Formas Assintomáticas ou Infecção assintomática da amebíase:
Enquadra-se neste caso a grande maioria das infecções humanas pela E. histolytica: 80%
a 90% são completamente assintomáticas e a infecção é detectada pelo encontro de cistos no
exame de fezes.
É a forma mais encontrada no Centro-Sul do país. Estima-se que somente 10% das
infecções assintomáticas sejam produzidas pela E. histolytica.

- Formas Sintomáticas:
 Colites não disentéricas –
É uma das formas clínicas mais frequentes no nosso meio. A colite não disentérica se
manifesta por duas a quatro evacuações, diarréicas ou não, por dia, com fezes moles ou
pastosas, às vezes contendo muco ou sangue.  Pode apresentar desconforto abdominal ou
cólico. Raramente há manifestação febril.
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O que caracteriza esta forma no nosso meio é a alternância entre a manifestação clínica e
períodos silenciosos, com funcionamento normal do intestino. A maioria das amebas provenientes
deste quadro clínico foi identificada como E. dispar.
 Forma disentérica – Colites Amebianas –
A disenteria amebiana aparece mais frequentemente de modo agudo, acompanhada de
muco ou de sangue, cólicas intensas, tenesmo, náuseas, vômitos, podendo haver calafrio e febre.
Nos casos mais graves observam-se inúmeras evacuações mucossanguinolentas, febre elevada
e persistente, prostração, dor abdominal e grave desidratação.
Ao exame físico pode-se encontrar além de distensão abdominal e hepatomegalia, sinais
de irritação peritoneal, ou seja, abdome agudo, que pode ser devido à perfuração intestinal. Estes
pacientes podem estar com o quadro de síndrome de resposta inflamatória sistêmica (sepse).

Amebíase Extraintestinal:
E. histolytica pode se localizar em qualquer parte do corpo, tal como pulmões, cérebro,
trato geniturinário e fígado, sendo este ultimo o mais frequente.
Abscesso amebiano no fígado é a forma mais comum da amebíase extraintestinal. Pode
ser encontrada em todos os grupos de idade, com predominância em adultos com 20 a 60 anos;
É mais frequente em homens do que em mulheres.
As principais manifestações clínicas do abscesso hepático amebiano são
representadas pela tríade: dor, febre e hepatomegalia. A dor se localiza no quadrante superior
direito do abdome, com hepatomegalia dolorosa em 90% dos pacientes. Inclui, entre outros
sintomas, febre intermitente e irregular, variando de 38°C a 40°C com calafrio, anorexia e
perda de peso.
 Complicações torácicas são comuns, causando amebíase pleuropulmonar e, às
vezes, pericardites. A ruptura do abscesso ocorre em cerca de 8% dos pacientes. Os abscessos
pulmonares e cerebrais são raros, principalmente este último, e ocorrem em geral quando há
ruptura do abscesso hepático.

 Profilaxia:
Está intimamente ligada à engenharia e à educação sanitária. Contudo, mesmo nos países
desenvolvidos, ainda encontramos grande disseminação da E. histolytica, indicando ser o
"portador assintomático" o grande responsável. Seria de grande valia o exame frequente dos
"manipuladores de alimentos" para detecção e tratamento de algum possível "portador
assintomático" que estivesse atuando como fonte de infecção.
 Contudo, esse objetivo só será conseguido após uma intensa e extensa campanha de
educação sanitária, envolvendo-se todo o pessoal responsável pela área de saúde pública.
 Outro fator profilático importante é o combate às moscas, especialmente M. domestica
e a Chrysomya sp., que frequentam lixos, dejetos humanos e também alimentos dentro das
casas.
 No ambiente doméstico, é possível evitar a ingestão de cistos viáveis, procurando lavar
bem e tratar todos os alimentos crus. As verduras devem ser mergulhadas por 15 minutos
numa solução de 0,3g de permanganato de potássio para 10L de água ou 3 gotas de iodo por litro
de água. Com esse procedimento, os cistos morrem. Em seguida, lavar em agua corrente, limpa.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Tratamento:
Os medicamentos utilizados no tratamento da amebíase podem ser divididos em três
grupos:
1) Amebicidas que atuam diretamente na luz intestinal;
2) Amebicidas tissulares;
3) Amebicidas que atuam tanto na luz intestinal como nos tecidos.

1) Amebicidas que atuam diretamente na luz intestinal:


São os que têm uma ação direta e por contato sobre a E. histolytica aderidas à parede ou
na luz do intestino. Neste grupo estão relacionados:
 Derivados da quinoleína, diiodo-hidroxiquinoleína, iodocloro-hidroxiquinoleína e
cloridroxiquinoleína.
 Antibióticos: paramomicina e eritromicina.
 Outros derivados: furoato de diloxamina, clorobetarnida e clorofenoxarnida.
São também utilizados os medicamentos de síntese, como Falmonox (Teclosan), que são
dicloroacetamídicos utilizados por via oral.

2) Amebicidas de ação tissular:


Atuam na parede do intestino e no fígado. São compostos de cloridrato de emetina,
cloridrato de diidroemetina e cloroquina, e esta última só atua no fígado. A emetina e a
diidroemetina são usadas por via intramuscular; são muito tóxicas e só usadas quando os outros
medicamentos não derem bons resultados.

3) Amebicidas que atuam tanto na luz intestinal como nos tecidos:


Antibióticos são utilizados isolados ou principalmente em combinações com outros
amebicidas  tetraciclinas e seus derivados, clorotetraciclina e oxitetraciclinas; eritromicina;
espirarnicina e pararnomicina.
Derivados imidazólicos  estão incluídos neste grupo os amebicidas mais efetivos e mais
usados: metronidazol, ornidazol, nitroimidazol e seus derivados, secnidazol e tinidazol.
(O metronidazol é, sem dúvida, um dos amebicidas mais usados; é muito bem tolerado,
sendo hoje praticamente a droga de escolha para tratamento tanto da amebíase intestinal como
hepática).
No caso de portadores assintomáticos ou de colites não disentéricas, são indicados os
medicamentos de ação direta na luz intestinal, como o teclosan e etofamida, e, em muitos casos,
toma-se necessário repetir o tratamento.
Na amebíase extraintestinal, principalmente no abscesso hepático, o medicamento de
escolha tem sido o metronidazol. Nos casos que não apresentam bons resultados, aconselha-se
associá-lo à emetina ou diidroemetina e antibióticos.
Felipe Pires 823212 Agressão

Obj.5 – Descrever os mecanismos de ação dos fármacos antiprotozoários


 Antimaláricos:
 Cloroquina:
Efetivo contra as formas eritrocíticas de todas as quatro espécies de plasmódios.
Sua principal ação antimalárica deriva da inibição da heme-polimerase, a enzima que polimeriza o
heme livre tóxico em hemozoína. Isso envenena o parasita e evita que utilize os aminoácidos da
proteólise da hemoglobina.

 Quinina:
Efetivo contra as formas eritrocíticas de todas as quatro espécies de plasmódios.
Seu mecanismo de ação é idêntico ao da cloroquina, porém a quinina não está tão extensamente
concentrada no plasmódio quanto a cloroquina, então outros mecanismos também podem estar
envolvidos.

 Mefloquina:
Não possui efeito nas formas hepáticas dos parasitas.
A mefloquina age da mesma maneira que a quinina e, com frequência, é combinada com a
pirimetamina.

 Lumefantrina:
Seu mecanismo de ação provavelmente consiste em prevenir a desintoxicação do parasita
pelo heme.

 Fármacos que alteram o metabolismo do folato:


As sulfonamidas e as sulfonas inibem a síntese do folato pela competição com o ácido p-
aminobenzoico. A pirimetamina e o proguanil inibem a di-hidrofolato redutase, impedindo a
utilização do folato na síntese de DNA. Juntas, causam bloqueio da via do folato em pontos
diferentes, apresentando, dessa maneira, ação sinérgica.

 Primaquina:
Ativa sobre os hipnozoítos hepáticos.
Possui ação gameticida e é o fármaco antimalárico mais efetivo para evitar a transmissão das
quatro espécies de plasmódios.
A primaquina pode ser convertida em intermediários eletrofílicos que agem como
mediadores da oxirredução. Tal atividade pode gerar espécies reativas de oxigênio ou interferir no
transporte de elétrons na mitocôndria no parasita.

 Artemisinina e compostos relacionados:


Os derivados de artemisinina, que incluem o artesunato e o arteméter.
Esses fármacos não têm efeitos nos hipnozoítos hepáticos.
O mecanismo de ação provavelmente se dá através da inibição da ATPase dependente de Ca2+
do parasita.
Felipe Pires 823212 Agressão

É provável que para exercer seus efeitos esse fármaco tenha que passar por uma cisão
redutora da ponte de endoperóxido. Essa cisão é feita pelo ferro heme reduzido, que é produzido
no interior do vacúolo digestivo altamente ácido (VD) do parasito, durante a sua digestão da
hemoglobina.
A artemisinina ativada poderá gerar radicais livres que alquilam e oxidam proteínas e
possivelmente lipídeos nos eritrócitos parasitados.

 Atovaquona:
Atua primariamente inibindo a cadeia de transporte mitocondrial de elétrons (cadeia
respiratória) do parasita, possivelmente imitando o substrato natural ubiquinona.
Em combinação com o fármaco antifolato proguanil tem um efeito antimalárico sinérgico.

 Amebicidas:
 Metronidazol:
É ativado pelos microrganismos anaeróbicos para um composto que danifica o DNA,
provocando, então, apoptose em células parasitárias.
O metronidazol recebe elétrons de ferredoxinas. O recebimento de 1 elétron dá origem a
um nitrorradical aniônico altamente reativo, que destrói os organismos suscetíveis mediante a
ação do radical sobre o DNA e possivelmente sobre outras biomoléculas vitais.

 Tinidazol:
É similar ao metronidazol em seu mecanismo de ação e nos efeitos adversos, porém é
eliminado mais lentamente, com meia-vida de 12-14 horas.

 Diloxanida:
Tem ação amebicida direta, afetando os parasitas antes do encistamento.

 Paromomicina:
A paromomicina tem o mesmo mecanismo de ação da neomicina e da canamicina (ligação
à subunidade 30S do ribossomo).
Pode ser usada em combinação com o metronidazol.

 Tripanossomicidas:
 Suramina:
Esse fármaco liga-se firmemente às proteínas plasmáticas do hospedeiro, e o complexo
entra no tripanossomo por endocitose, de onde é liberado pelas proteases lisossômicas.
Ele inibe as principais enzimas parasitárias, induzindo a destruição gradual das organelas, de
forma que os microrganismos são eliminados da circulação após um breve intervalo.

 Pentamidina:
É rapidamente captada pelos parasitas por um transportador dependente de energia de
alta afinidade e acredita-se que interaja com seu DNA.
Felipe Pires 823212 Agressão

 Melarsoprol:
Penetra no SNC em concentrações elevadas, onde será capaz de destruir o parasita.

 Eflornitina:
Inibe a enzima ornitina descarboxilase do parasita, impedindo desse modo a síntese de
putrescina, um precursor das poliaminas necessário para a divisão celular.

 Nifurtimox e Benzonidazol:
Tanto o nifurtimox quanto o benzonidazol são ativados por uma nitrorredutase mitocondrial
dependente de NADH, levando à geração intracelular de radicais nitro aniônicos que são
responsáveis pelos efeitos tripanocidas.

 Usados na Leishmaniose:
 Estibogliconato de sódio:
O mecanismo de ação não está esclarecido, porém o fármaco pode acentuar a produção
de radicais livres de oxigênio tóxicos no parasita.

 Miltefosina:
O fármaco induz a fragmentação do DNA e a apoptose nos parasitas.

 Anfotericina B:
A anfotericina forma complexos com os precursores do ergosterol na membrana
plasmática, dando origem a poros que permitem a entrada de íons na célula.

 Usados na Tricomoníase:
 Metronidazol e Tinidazol:
É ativado pelos microrganismos anaeróbicos para um composto que danifica o DNA,
provocando, então, apoptose em células parasitárias.

 Usados na Giardíase:
 Metronidazol:
É ativado pelos microrganismos anaeróbicos para um composto que danifica o DNA,
provocando, então, apoptose em células parasitárias.

 Usados na Toxoplasmose:
O tratamento de escolha é a pirimetamina-sulfadiazina; com a trimetoprima-
sulfametoxazol ou as combinações de pirimetamina com clindamicina, claritromicina ou
azitromicina.

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