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Como gerir então a medicação de um idoso?

Alguns conselhos práticos para pessoas


idosas, cuidadores formais e informais.

Os medicamentos são parte integrante da vida da maioria dos nossos idosos, permitindo
manter sob controlo as várias doenças crónicas de que padecem, contribuindo para uma
melhoria da sua qualidade de vida. Contudo, por vezes a quantidade de medicamentos que um
idoso toma diariamente é tão elevada que obriga a uma organização e administração com
cuidados acrescidos por parte do idoso e de quem dele cuida, de forma a garantir que não há
erros nas doses, nos horários ou na troca de medicamentos.

De seguida deixamos-lhe alguns conselhos sobre esta matéria consoante os diferentes contextos
em que o idoso se movimenta:

Nas consultas no centro de saúde com o seu médico e enfermeiro de família e/ou no
hospital ou outra instituição de saúde:
- As consultas de rotina no centro de saúde são o momento ideal para utentes e profissionais
de saúde comunicarem sobre vários aspetos: a medicação atual, a sua eficácia, a adesão ou
não ao tratamento, possíveis efeitos secundários, interações entre diferentes medicamentos,
indicações e prescrições de outros médicos especialistas que seguem o utente a nível
hospitalar e/ou privado, e para esclarecer qualquer tipo de dúvida;
- Sempre que possível ou for necessário, a pessoa idosa deve fazer-se acompanhar por
familiar ou cuidador, para assim saberem qual o seu estado de saúde, que medicamentos vai
tomar, para quê, qual a dose, durante quanto tempo, se existem efeitos secundários,
interações com outros medicamentos, de que forma devem ser tomados (por exemplo, se os
comprimidos podem ser esmagados ou têm de ser tomados
inteiros), ou qualquer outro assunto pertinente.

Nas idas à farmácia com o seu farmacêutico:


- Sempre que for à farmácia “aviar” uma receita, sugira ao seu farmacêutico que escreva
na caixa do medicamento correspondente, as indicações do médico no que respeita à
dose e à hora da toma de cada medicamento;
- Sugerimos, se possível, que vá sempre à mesma farmácia, pois será uma excelente
maneira de criar uma relação de confiança com o farmacêutico que, para além de passar
a conhecer o estado de saúde do idoso, pode ajudá-lo sempre que tiver alguma dúvida.

E lá em casa: Como organizar toda a medicação?


Há alguns princípios a ter em atenção e que poderão fazer toda a diferença…
- Em casa, necessita de ter um modo de organização que possa facilmente cumprir de forma
segura a toma correta, à hora certa de todos os medicamentos que o idoso necessita. Pelo
seu caracter mais prático, há cada vez mais idosos que utilizam caixas com pequenas
divisórias (pequeno-almoço, almoço, jantar, deitar) para organizar a toma diária dos seus
medicamentos;
- Em opção, poderá ser usado um quadro (feito numa folha de papel à mão ou desenhado
no computador) onde constem todos os nomes dos medicamentos, para que servem,
incluindo uma pequena descrição dos mesmos, a hora da toma e um local para colocar um
“certo” depois de cada toma. Igualmente prático, este quadro tem ainda a vantagem de
poder ser guardado, criando-se assim um histórico.

E o que fazer a tantas caixas de medicamentos…


- Independentemente do método que utiliza para organizar os medicamentos do idoso,
guarde sempre todas as caixas desses mesmos medicamentos. Para além de preservar a
informação sobre a toma que os farmacêuticos escrevem sobre a mesma, acrescente a data
em que o idoso tomou esses comprimidos e algumas observações pertinentes como, por
exemplo, se foi bem ou mal tolerado;
- Ainda, quando guardar as caixas, guarde também o folheto informativo que é essencial se
necessitar de tirar alguma dúvida relacionada com efeitos secundários, interações
medicamentosas ou sobredosagem. Para facilitar o seu armazenamento, poderá espalmá-las
e guardá-las numa caixa reservada exclusivamente para esse efeito.

E nunca é de mais relembrar que a toma deve ser sempre à hora certa…
- Para ser eficaz, um tratamento requer que todos os medicamentos sejam tomados à
mesma hora todos os dias. Se decidiu organizar os medicamentos em caixas adequadas
para o efeito, estes já podem estar divididos para a hora das diferentes refeições. Também
será estrategicamente importante manter essa caixa junto do lugar da mesa onde o idoso
normalmente realiza as refeições para evitar o esquecimento;
- Em casos mais específicos poderá haver a possibilidade de programar o telemóvel ou o
despertador para lembrar a hora da toma, de forma a assegurar que o idoso não falhe a toma
de nenhum medicamento. Se o cuidador estiver em casa com o idoso pode administrar o
medicamento, se não, poderá informar o idoso relativamente à hora do alarme e qual o
medicamento a tomar. Se esse sistema for muito complicado para o idoso, e caso não esteja
em casa, o cuidador poderá agendar um lembrete no seu telemóvel e ligar para o idoso nessa
hora, dizendo-lhe qual o medicamento que deve tomar.

E tomar sempre a dose certa…


- Constatamos muitas vezes que as pessoas idosas deixam de tomar um medicamento
porque se sentem melhor ou porque acham que o medicamento pode estar a fazer bem a
uma coisa mas mal a outra. O cuidador deve certificar-se que o idoso respeita a toma diária
dos seus medicamentos e que não tomou decisões como diminuir, aumentar ou alterar a
dosagem de um medicamento, sem antes falar com o seu médico assistente ou outro
profissional da equipa de saúde, para avaliarem a sua situação de saúde concreta.

Muita atenção ao prazo de validade dos medicamentos!


-É essencial que a pessoa idosa e o seu cuidador tenham atenção aos prazos de validade
dos diferentes medicamentos que o idoso está a tomar. Sugerimos que organize
mensalmente os medicamentos que tem em casa, levando para a farmácia todos os que se
encontram fora de prazo de validade ou que o idoso deixou de tomar de forma definitiva.
Pode guardar as caixas para o tal “arquivo” que falamos anteriormente, mas o conteúdo das
caixas deve ser devolvido à farmácia.

Por último, relembramos que o uso correto da medicação é fundamental para a


manutenção e recuperação da saúde de qualquer pessoa e, em especial, da pessoa
idosa. Neste sentido deixamos como recomendações gerais:

1. Mantenha os medicamentos nas embalagens originais, pois assim é mais fácil controlar a
data de validade dos mesmos e evita que se misturem com outros medicamentos. Mas, se
preferir colocar os medicamentos em caixas para o efeito, as chamadas caixas porta-
medicação, prefira sempre as que tenham tampa e utilize caixas diferentes para diferentes
tipos de medicamentos (por exemplo, material de penso, medicamentos orais ou
medicamentos de inalar). A medicação deve ser sempre guardada em caixa de plástico com
tampa, visto que as caixas de madeira e de papelão não são indicadas para o efeito, pois
podem favorecer a formação de fungos. Mantenha os medicamentos em local seco, arejado,
longe do sol e principalmente em local fora do alcance das crianças. Evite guardar
medicamentos nos armários da casa de banho, pois a humidade pode estragar a medicação.

2. Para facilitar o processo e para evitar erros, dentro das caixas da medicação, os
medicamentos devem estar divididos pelas horas crescentes ou períodos do dia em que
devem ser administrados (exemplo: manhã, tarde, noite e nunca manhã, noite e tarde). As
referidas caixas podem ser separadas por dia da semana, ou também, uma caixa por cada
dia da semana.

3. No caso da pessoa idosa não saber ler, os medicamentos podem ser agrupados e, na sua
caixa, desenhar, por exemplo, um relógio com a indicação dos ponteiros e das horas a que
devem ser tomados ou outra figura que remeta para a fase do dia (por exemplo, uma chávena
de café para a manhã ou pequeno-almoço ou uma cama para a noite ou jantar). Sempre que
seja possível, deve-se evitar medicações durante a madrugada para não interromper o
descanso da pessoa idosa e/ou do seu cuidador.

4. Se o número de medicamentos for muito elevado, otimize a sua organização, desenvolvendo


um plano de medicação diária, que será uma espécie de agenda do dia onde colocará em
cada hora o nome do medicamento e a hora exata em que este deve ser tomado. Afixe o dito
plano num lugar visível, onde a pessoa idosa passe frequentemente, como por exemplo, na
porta do frigorífico. Nesse plano poderá também colocar um “visto” na medicação já dada,
evitando assim aquelas dúvidas, se já tomou ou não o(s) medicamento(s).

5. Deixe somente a última “guia de tratamento para o utente” (a do lado direito da receita
médica) junto à caixa de medicamentos. Isto evita confusão quando há troca de
medicamentos ou receitas, e facilita a consulta em caso de dúvida ou quando solicitado por
qualquer profissional de saúde.

6. Para evitar confusões e erros, devolva sempre os medicamentos que já não utiliza à sua
farmácia, para serem devidamente tratados, ou se não o fizer, guarde-os noutro lugar, bem
longe da sua medicação diária e fora do alcance das crianças.

7. Se a pessoa idosa tiver dificuldade em engolir comprimidos ou se for alimentada por sonda
nasogástrica, converse com o seu médico e/ou enfermeiro de família sobre a possibilidade de
dissolver os comprimidos em água ou em sumos. É também importante saber se há alimentos
que devem ser evitados pelo facto de poderem interagir com a medicação. Nalguns casos, em
que está presente o hábito de beber álcool é
importante discutir com a equipa de saúde, se esse consumo pode manter-se mediante
determinadas regras ou se deverá ser abandonado.

8. Não utilize como referência para dar os medicamentos a cor dos comprimidos pois as cores
dos comprimidos podem mudar consoante o laboratório onde são produzidos.

9. E nunca se esqueça: não guarde em casa medicamentos fora de validade e não


acrescente, diminua, substitua ou retire medicamentos sem antes consultar a equipa de
saúde que o segue. E já agora, não use medicamentos que foram receitados para outra
pessoa, mesmo que essa pessoa tenha um problema de saúde semelhante ao seu.

10. Se após tomar um medicamento a pessoa idosa apresentar alguma reação


estranha/possíveis efeitos secundários ou interação entre medicamentos, avise logo que
possível a equipa de saúde.

11. Informe os profissionais de saúde sobre todos os medicamentos que a pessoa idosa
toma, sejam ou não de prescrição de médica, sem esquecer os chamados produtos de
saúde (chás, vitaminas e suplementos). Cuidado com os produtos naturais, como os chás de
plantas medicinais, pois estes podem alterar a ação da medicação que a pessoa idosa está
a tomar.

12. Se conduz veículos ou manipula máquinas ou utensílios de cozinha, convém perguntar se


algum medicamento que a pessoa idosa anda a tomar ou tenha sido prescrito pode afetar o
seu estado de alerta ou a sua destreza manual.

13. Se a pessoa idosa vai de viagem lembre-se de informar a sua equipa de saúde. Há
medicamentos que requerem cuidados adicionais em função do destino ou do meio de
transporte.

14. Em caso de qualquer dúvida e sempre que precisar de ajuda para organizar a medicação
solicite-a à equipa multidisciplinar de saúde, esta com certeza estará disponível para ajudar

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