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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE

FURG

ESCOLA DE ENGENHARIA

Engenharia Mecânica

GRUPO:
Jéssica Acosta Brum1
Marcos Bruno Gonçalves2
PROFESSOR:
Kleber Eduardo Bianchi

RELATÓRIO DO DIMENSIONAMENTO DO FATOR DE SEGURANÇA DE


PARAFUSOS EM UM RESERVATÓRIO CILINDRICO
AVALIAÇÃO DA 2a ÁREA DA DISCIPLINA DE ELEMENTOS DE MÁQUINAS

1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho consiste na análise e resolução de um problema de Uniões
Parafusadas, onde o equipamento estudado é um reservatório cilíndrico para ar
comprimido com tampas fixadas por oito parafusos, representado na Figura 1. O objetivo
é encontrar o fator de segurança adequado para estas juntas parafusadas, considerando as
especificações fornecidas para o sistema.

Figura 1. Reservatório Cilíndrico de Ar comprimido

1. Graduanda de Engenharia Mecânica – FURG. Matricula: 107487. E-mail: jbrum97@gmail.com


2. Graduando de Engenharia Mecânica – FURG. Matricula: 118873. E-mail:
bruno.c.goncalves26@gmail.com
2. METODOLOGIA
O desenvolvimento do problema teve como base a ordem das questões propostas.
Os dados foram disponibilizados na ordem, como observado abaixo:
1) A Figura 1 mostra um reservatório cilíndrico para ar comprimido, sujeito à
pressão barométrica de 16 bar, com tampas fixadas, cada uma, por oito
parafusos (apenas dois são mostrados). As extremidades são idênticas. O
corpo cilíndrico do reservatório apresenta comprimento de 800 mm e diâmetro
de 400 mm.
Com base nessas informações, responda e justifique:
a). Os parafusos sofrem tração?
b). Em caso afirmativo, qual o valor dessa solicitação?
c). Os parafusos sofrem cisalhamento?
d). Em caso afirmativo, qual o valor dessa solicitação?
2). Considerando que a pressão barométrica interna flutue de 0 a 16 bar, verifique
a segurança do parafuso em fadiga, considerando:
a) parafuso com rosca em toda a haste, b) carga puramente axial, c) tampas
de ferro fundido (E = 110 GPa) e cilindro de aço (E = 210 GPa), d) módulo
de elasticidade do parafuso: E = 210 GPa, e) critério de Gerber, f) classe do
parafuso: 8.8 e g) união desmontável.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento consistiu na consulta do material
de aula, disponibilizada na plataforma AVA, apoio do livro texto Mechanical Engineering
Design (Shigley) e, como ferramenta, o programa Excel para tornar os cálculos mais
dinâmicos.
3. DESENVOLVIMENTO
1.a) Sim, a pressão interna do reservatório atua em todas as direções, empurrando a tampa
do reservatório para cima e submetendo os parafusos a tração.
1.b) A carga de tração em cada parafuso é obtida através da seguinte fórmula:
1
𝑃 = 8 × 𝑝 × 𝐴𝑐 eq. 1

Onde,
𝑝 − 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 𝑛𝑜 𝑟𝑒𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑡ó𝑟𝑖𝑜

𝐴𝑐 − Á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜
1
− 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠ã𝑜 𝑝𝑒𝑙𝑜 𝑛° 𝑑𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎𝑓𝑢𝑠𝑜𝑠
8
1 𝜋
𝑃 = 8 × 16 ∙ 105 × 4 × 400² eq.2

𝑃 = 25,14 𝑘𝑁/𝑝𝑎𝑟𝑎𝑓𝑢𝑠𝑜

1.c) O cisalhamento ocorre onde o objeto está sujeito ao efeito de forças que atuam em
sentidos opostos, mas com a mesma direção, analisando o problema proposto
identificamos que essa condição se aplicada, pois o parafuso está preso em placas
horizontais no sentido vertical, as placas estão sujeitas a forças no sentido horizontal,
derivadas da pressão interna do reservatório, por conta disso é possível afirmar que há
efeito de cisalhamento ocorrendo nos parafusos.
É importante salientar que o os parafusos estão sujeitos a uma pré-carga, com o
valor igual a ¾ da sua tensão de prova, isso gera um efeito de compressão das placas em
torno do furo anulando os efeitos da concentração de tensão. Esse critério foi adotado
considerando que o material analisado é dúctil e que o efeito da pré-carga não será
relaxado.
1.d) A tensão de cisalhamento é dada pela seguinte equação:
𝑃 𝑃
𝜏= =
𝐴 𝜋𝑑 2 /4
25,14 𝐾𝑁/𝑝𝑎𝑟𝑎𝑓𝑢𝑠𝑜
𝜏=
𝑑2
𝜋×
4
A tensão de cisalhamento no parafuso é dada em função do seu diâmetro, mas se
adotarmos um critério conservativos podemos dizer que a tensão de cisalhamento tem
que ser menor ou no máximo igual ao valor da pré-carga, para que não haja deformação
plástica no reservatório.
2) A questão 2 pede a verificação da segurança do parafuso em fadiga.
Para obter uma ampla gama de resultados para analise, foi realizado o cálculo para
todas as dimensões de parafuso que compreendem a classe 8.8, ou seja, do M16 ao M36.
Com isso, foi calculada a rigidez do cilindro de aço e da tampa de ferro utilizando
Eq. 3 e a rigidez do conjunto foi obtida pela equação de associação de molas, Eq. 4.

Eq. 3

Eq. 4

CILINDRO DE AÇO
E (GPa) 210
d (mm) 16 20 24 30 36
D (mm) 24 30 36 45 54
t (mm) 25
Tabela 1. Dados para calcular rigidez
TAMPAS DE FERRO
E (GPa) 110
d (mm) 16 20 24 30 36
D (mm) 24 30 36 45 54
t (mm) 25
Tabela 2. Dados para calcular rigidez

Os valores de rígidez para K1( rigidez do cilindro de aço), K2(rigidez das tampas
de ferro) e Km( a rigidez global da região de agarre) expressos em N/mm, constam na
tabela abaixo.
M16 M20 M24 M30 M36
k1[N/mm] 6185439 8441207 10971204 15275668,67 20187091
k2[N/mm] 3239992 4421585 5746821 8001540,73 10574190
Km [N/mm] 2126245 2901665 3771351 5251011,10 6939312
Tabela 3: Rigidez para diversos tamanhos de parafuso

A área de contato do parafuso foi calculada a partir dos diâmetros analisados.

M16 M20 M24 M30 M36


Ad [mm²] 201,06 314,15 452,38 706,85 1017,87
Tabela 4. Área de contato

Para calcular a rigidez do parafuso devemos considerar que os componentes


unidos, tampa e cilindro, possuem módulos de elasticidade diferentes e, com isso, a
fórmula utilizada apresenta uma associação de molas.

Eq. 5

Onde:
At – Área de tração de tensão;
E – Módulo de elasticidade do parafuso;
lt – Comprimento de porção rosqueada de agarre;
ld – Comprimento de porção útil.
Os valores de lt e ld foram obtidos a partir de um passo a passo do livro e as
dimensões de arruela, correspondentes aos tamanhos de parafuso estudados, foram
retiradas da tabela A-31 do Shigley.
1° Passo – Obter comprimento de porção rosqueada de agarre (Lt):

Figura 2. Espessura da arruela.


Aplicando 𝐿𝑇 = 2𝑑 + 6𝑚𝑚 :

Lt [mm] 38 46 54 66 78
Tabela 5. Comprimento rosqueada de agarre.

2° Passo – Comprimento total da união (L)


A espessura total da união será:
𝐿 = 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝑇𝑎𝑚𝑝𝑎 + 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝐶𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜 + 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎 𝐴𝑟𝑟𝑢𝑒𝑙𝑎 Eq. 6

Figura 3. Espessuras da Tampa e do cilindro na união parafusada.

Além da classificação correspondente ao parafuso de encaixe, com range de 16 à


36, a arruela tem as especificações N, R e W, onde N significa estreito, R é regular e W
quer dizer largo.
Arruela Espessura
[mm]
16N 3,5
16R 4
16W 4,6
20N 4
20R 4,6
20W 5,1
24N 4,6
24R 5,1
24W 5,6
30N 5,1
30R 5,6
30W 6,4
36N 5,6
36R 6,4
36W 8,5
Tabela 6. Espessuras de arruela
Com essa ampla faixa de tamanhos para parafuso e arruela, obtivemos os
resultados de L, relacionados ao tamanho do parafuso, apresentados na tabela abaixo.

N R W
L16 53,5 54 54,6
L20 54 54,6 55,1
L24 54,6 55,1 55,6
L30 55,1 55,6 56,4
L36 55,6 56,4 58,5
Tabela 7. Espessura total

3° Passo – Comprimento de porção útil


𝑙𝑑 = 𝐿 − 𝐿 𝑇 Eq. 7
Subtraindo os resultados da Tabela 7 pelos valores da Tabela 5 adquirimos os
seguintes valores de porção útil.

ld
ld16 15,5 16 16,6
ld20 8 8,6 9,1
ld24 0,6 1,1 1,6
ld30 -10,9 -10,4 -9,6
ld36 -22,4 -21,6 -19,5
Tabela 8. Porção útil

Observasse que ld30 e ld36 são dimensões negativas, ou seja, seu comprimento
de agarre é inferior ao comprimento de porção rosqueada, portanto insuficientes para
compor o projeto.
4° Passo – Comprimento de porção rosqueada
𝑙𝑡 = (𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑎 𝑡𝑎𝑚𝑝𝑎 + 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜) − 𝑙𝑑 Eq. 8
lt
lt16 34,5 34 33,4
lt20 42 41,4 40,9
lt24 49,4 48,9 48,4
lt30 60,9 60,4 59,6
lt36 72,4 71,6 69,5
Tabela 9. Porção rosqueada

Observando os resultados obtidos, concluímos que os parafusos da série M24 são


os mais adequados para o projeto, por possuírem a maior área de porção de agarre. Agora
é possível aplicar a fórmula da rigidez, visto que já se sabe os valores de ld e lt e, a área
de tração de tensão pode ser encontrada na tabela 8.1 do Shigley.
At24 353 mm² 0,000353 m²
Tabela 10. Área de tração de tensão.
24N 24R 24W
Kb[10³N/mm] 1486,52 1489,8 1493,09
Tabela 11. Rigidez do parafuso M24.

Com a constante de rigidez do conjunto (km) e a constante de rigidez do parafuso


(kb), podemos aplicar a fórmula da constante de rigidez da união.
𝑘𝑏 Eq. 9
𝐶=
𝑘𝑚 + 𝑘𝑏

C
Série N R W
24 0,2827 0,2832 0,2836
Tabela 12. Constante de Rigidez da união.

Sabendo da constante da rigidez da união é possível realizar os para encontrar o


fator de segurança do parafuso.
Os valores de resistência mínima de tração e de prova foram obtidos na tabela
8.11 do Shigley.

Se 162 MPa
Sut 830 MPa
Sp 600 MPa
Tabela 13. Resistências

Para aplicar Gerber é necessário encontrar a tensão de pré-carga (𝜎𝑖 ) e a tensão


de (𝜎𝑎 ).
Eq. 10
𝜎𝑖 = 0,75 × 𝑆𝑝

𝜎𝑖 = 450 𝑀𝑃𝑎

𝐶×𝑃 Eq. 11
𝜎𝑎 =
2𝐴𝑡

N R W
σa24 10,06749 10,083421 10,0994
Tabela 14. Tensão alternante

Agora é possível aplicar a fórmula de Sa.

Eq. 12

𝑆𝑎 = 92,37 𝑀𝑃𝑎
𝑆𝑎
𝑛𝑓 = Eq. 13
𝜎𝑎

N R W
nf24 9,211073 9,1965191 9,181965
Tabela 15. Fator de Segurança

Arredondando, temos um fator de segurança do parafuso igual à 10.


4. CONCLUSÃO
Em nossas considerações finais, ressaltamos os seguintes pontos no
desenvolvimento do trabalho:
I. Ao aplicar os diâmetros o menor diâmetro da classe 8.8, ou seja, o M16, na
fórmula de tensão de cisalhamento, podemos confirmar que a tensão não
ultrapassa a tensão de pré-carga, assim como previsto no item C da questão 1.
II. Realizar os cálculos com todos os diâmetros nos possibilitou um estudo mais
aprofundado sobre os efeitos da tensão nos parafusos.
III. As classes N, R e W de arruelas não provocaram grandes diferenças nos
resultados, portanto, para o caso estudado, qualquer uma das arruelas poderia ser
utilizada.

5. REFERÊNCIAS
SHIGLEY. Elementos de Máquinas de Shigley: Projeto de Engenharia Mecânica.
Editora: AMGH LTDA. Porto Alegre, RS. 2011.

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