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CURSO: DIREITO

PROVA
PERÍODO: 2018.2 OBJETIVA
PROFESSOR: ADRIANO COSTA 1
1º PERÍODO
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL III – CONTRATOS

Marcar mais de uma opção acarreta a perda da questão. Os itens falsos devem ser justificados.

01. Mévio e Tício eram colegas de trabalho no mesmo escritório de advocacia. Mévio, após muito estudar, conseguiu
ser aprovado em concurso público da área jurídica e foi obrigado a se mudar para outra cidade. Decidiu, então, vender
grande parte dos seus bens em razão da mudança, inclusive seu automóvel. Tício concordou em adquirir o veículo por
R$ 50.000,00 e o negócio foi celebrado no último dia de 2017, tendo o comprador depositado essa quantia 5 dias
depois. As partes acertaram que o carro seria entregue quando Mévio viajasse para assumir em definitivo o novo
cargo, o que ocorreu no dia 1ºde março deste ano. No dia da final da última Copa do Mundo (15/7, domingo), Tício não
conseguiu dar partida no veículo ao tentar sair com ele. Logo no dia seguinte, guinchou o automóvel até uma oficina
automotiva de boa reputação. Após cuidadosa análise, o mecânico lhe informou que ocorrera pane geral no motor,
causada por defeito de fabricação, e que o serviço de reparo integral do carro não sairia por menos de R$ 10 mil,
incluídas as peças e a mão de obra. Tendo em vista o caso em exame, julgue cuidadosamente os enunciados a seguir:
I. Ainda que existisse cláusula contratual expressa eximindo Mévio de qualquer responsabilidade por defeitos no automóvel, é
certo que a mesma seria nula de pleno direito, uma vez que a garantia contra defeito oculto grave decorre de norma legal cogente
e obrigatória. FALSO. A cláusula de renúncia, em contratos paritários e não consumeristas, é admitida desde que os
contratantes estejam de boa-fé. O enunciado estaria correto caso se tratasse de contrato de adesão (CCB, art. 424) ou
de consumo,regido pelo Código do Consumidor.
II. Com base nos fatos apresentados, pode-se inferirque Tício não tem direito a ser indenizado por perdas e danos.
VERDADEIRO. O vendedor somente fica obrigado a indenizar perdas e danos quando já tinha conhecimento prévio
do defeito (CCB, 443),e tal fato não foi informado no relato do caso. Amá-fé não se presume.
III. O Código Civil assegura a Tício a possibilidade de escolher uma das seguintes opções: desfazimento do contrato com
restituição integral daquantia paga; ficar com o veículo e exigir a soma necessária para o conserto do motor; ou devolver o carro a
Mévio e exigir sua substituição por outro de mesma marca, modelo e ano. FALSO. O comprador pode optar entre a rejeição
da coisa (via ação redibitória) ou mantê-la e exigir o abatimento no preço (via ação estimatória), mas não lhe assiste o
direito de pleitear a substituição da coisa por outra. Essa última opção só há nos contratos de consumo. CCB, 442
IV. Se Tício já estivesse na posse do automóvel quando de sua aquisição, o prazo para reclamar contra Mévio pela pane no motor
seria de 15 dias contados a partir de 15 de julho. VERDADEIRO. CCB, 445 caput.
V. Mévio não tem nenhuma obrigação jurídica perante Tício, uma vez que o prazo da garantia legal já havia se exaurido quando
do surgimento do problema no automóvel. FALSO. O prazo da garantia legal é de 180 dias contados da tradição, em se
tratando de bem móvel. Portanto, iniciou-se dia 01/03 e iria até 01/09. Como o aparecimento do problema se deu em
15/7, Tício estava protegido contra o vício redibitório. CCB, 445 §1º.
Quantos e quais deles são falsos? (A) um (B) dois (C) três (D) quatro (E) todos

02. Julgue cuidadosamente os itens subsequentes:


I. Paulo se obrigou a ceder a terceiro o seu corpo, depois de morto, em contrapartida ao pagamento de mil reais aos seus
herdeiros. Nesse caso, esse contrato será válido somente se a disposição do corpo tiver objetivo científico. FALSO. A integridade
física integra os direitos da personalidade, de modo que atos de disposição do próprio corpo não podem ter fins
econômicos ou comerciais (CCB, 13e 14). Neste caso o negócio é nulo de pleno direito.
II. Na estipulação em favor de terceiro, o estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro designado no contrato,
exceto se houver oposição do outro contratante. FALSO. O estipulante pode alterar o beneficiário independentemente da
anuência do outro contratante (CCB, 438).
III. Nos contratos bilaterais com prestações recíprocas, qualquer dos contratantes poderá valer-se da exceção do contrato não
cumprido pararecusar a suaprestação, pelo fato deo outro não ter cumprido sua parte. VERDADEIRO.CCB 476.
IV. Maurício, pretendendo vender um violino, publicou anúncio em um sitede vendas, apresentando a marca do instrumento e as
especificações, inclusive o ano de fabricação, o modelo e o estado de conservação. Anexou a fotografia do instrumento e fez
constar do anúncio o preço no valor de dois mil reais. Vários contatos foram feitos, sendo que, no mesmo dia em que foi divulgada
a publicidade, Vanildo, músico profissional, se dirigiu à residência de Maurício, com os dois mil reais em dinheiro, para aquisição
do bem. Acontece que Maurício, impressionado com o grande número de contatos feitos em decorrência da publicação do
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DISCIPLINA: DIREITO CIVIL III – CONTRATOS

anúncio, declarou para Vanildo que não realizaria a venda naquele momento, pois gostaria de aguardar uma oferta mais
vantajosa. Nesse caso, pode-se afirmar que é direito potestativo de Maurício manifestar arrependimento pela oferta, sem
qualquer consequência jurídica. FALSO. A oferta ao público realizada por Maurício (CCB 429) equivale à proposta, sendo
portanto obrigatória para o proponente (CCB 427). Para que ele tivesse direito de arrependimento, isso deveria ser
ressalvado no próprio anúncio (429§ único). Logo, Vanildo poderia dele cobrar perdas e danos.
V. Na situação do item anterior, houve celebração do contrato, já que a oferta ao público equivale à proposta e foi aceita por
Vanildo, sendo, portanto, obrigatória para Maurício.VERDADEIRO. Vide fundamentação do item anterior.
Quantos e quais deles são falsos? (A) um (B) dois (C) três (D) quatro (E) todos

03. Identifique a alternativa incorreta:


(A) Maria, necessitando transportar uma substância ilícita para Manaus, contrata Pedro, piloto de um avião de pequeno porte. A
substância ilícita estava escondida em um fundo falso na mala de Maria. Pedro desconhecia a presença desse material durante o
voo. Ao chegarem a Manaus, foram surpreendidos pela polícia que identificou a substância ilícita nos pertences de Maria. Neste
caso, o contrato de transporte é válido, pois o motivo ilícito não era comum a ambas as partes. VERDADEIRO. Pedro estava de
boa-fé, logo o contrato é válido em relação a ele(CCB, art. 166, III).
(B) A teoria contratual adotada pelo Código Civil de 2002 é caracterizada por certa diminuição da autonomia da vontade, com a
consagração de princípios de ordem pública, a exemplo da função social do contrato, sendo lícito às partes a estipulação de
contratos atípicos não previstos na referidacodificação. VERDADEIRO. CCB 425.
(C) Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. No que tange à contratação entre ausentes, cabe ressaltar,
adotou-se em nosso direito a teoria da expedição. A aceitação vincula o aceitante, a não ser que, juntamente com ela, chegue ao
conhecimento do proponente aretratação daquele,no negócio entre ausentes. VERDADEIRO. CCB 433, 434 e 435.
(D) A boa-fé dá origem a obrigações não constantes expressamente do contrato. Em razão da conduta das partes, surgem,
independentemente da vontade destas, os denominados “deveres laterais” quepodem servir de fundamento para pretensões no
âmbito da relação contratual. VERDADEIRO. O princípio da boa-fé objetiva (CCB 422) atua já antes mesmo do negócio ser
celebrado (fase pré-contratual) e gera deveres além dos expressamente pactuados – os “deveres anexos ou laterais”,
cuja violação acarreta a chamada “violação positiva do contrato”.
(E) A promete a B que C irá prestar-lhe serviço, e B, com base nesse compromisso, celebra contrato. No caso, ocorre a chamada
estipulação em favor deterceiro. FALSO. No caso trata-se de promessa de fato de terceiro (CCB 439 e 440).

04. Aponte o item falso:


(A) O contrato preliminar deve conter, exceto quanto à forma, todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Cabe
lembrar, porém, quesão vedadas cláusulas contratuais queversem sobre herançade pessoa viva(pacta corvina).
VERDADEIRO. CCB 426e 462.
(B) As restrições decorrentes de tombamento ou desapropriação do imóvel alienado ensejam evicção, se comprovado que o ato
administrativo era anterior à venda e dele o adquirente não tinha conhecimento. VERDADEIRO. Na evicção, é essencial que o
motivo jurídico da perda da coisa adquirida onerosamente seja preexistente ao contrato e ignorado pelo comprador.
Se este assumiu o risco de perder o bem, celebrou contrato aleatório e não faz jus à proteção legal (CCB 457).
(C) Quanto à classificação, pode-se afirmar que contratos comutativos são os de prestações certas e determinadas, que geram
equivalência ao menos aproximada dos deveres entre as partes; contratos consensuais são os que se formam unicamente pelo
acordo devontades, independentementeda entrega da coisa. VERDADEIRO.
(D) O venire contra factum proprium proíbe que uma pessoa faça contra outra o que não faria contra si mesma, consistindo em
aplicação do mesmo princípio inspirador da exceptio non adimpleti contractus. FALSO. O venire contra factum proprium
consiste na proibição do comportamento contraditório por um dos contratantes, que ao mudar sua postura negocial
surpreende o outro e lhe causa algum prejuízo. Essa figura decorre do princípio da boa-fé objetiva e nada tem a ver
com a exceção do contrato não cumprido, que por sua vez provém do princípio do equilíbrio (justiça) contratual.
(E) Nos contratos de adesão, as cláusulas ambíguas devem ser interpretadas em benefício do aderente;nas ofertas ao público, em
regra, sua revogação depende deressalva desta possibilidadena própria oferta realizada.VERDADEIRO. CCB 423e 429§ ún.