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FICHAMENTO ACADÊMICO

O que é um fichamento1?
É um conjunto dos dados relevantes de alguma coisa, geralmente anotados, arrolados em fichas, folhas
avulsas etc. O fichamento constitui um valioso recurso de estudo, de que lançam mão pesquisadores,
para a realização de uma obra didática, científica ou de outra natureza e sua função primordial é registrar
informações que poderão serem utilizadas futuramente. Os fichamentos na esfera acadêmica podem ser
feitos em folha de papel almaço em sua forma manuscrita (nunca em folhas de caderno) ou folhas brancas
em meio digital. É importante seguir um formato padrão para que o estudo do texto aconteça de modo
organizado e metódico em sua mente. Primeiramente, vocês devem ler o texto no mínimo duas vezes,
sublinhando as partes mais importantes (verificar a técnica da sublinha nesse livro) ou fazendo esquemas
pessoais para compreensão em seu caderno. Em seguida, é preciso registrar o título do texto estudado
(as informações bibliográficas completas segundo as normas da ABNT); resumo do texto; anotações sobre
tópicos da obra; citações diretas; e comentários. Ademais, é importante inserir algumas referências
bibliográficas que se destacaram no texto. Vejam o exemplo a seguir:

FICHAMENTO ACADÊMICO
Referência Bibliográfica: TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São
Paulo: Brasiliense, 1993.

1 Referências: GARCEZ, Lucília H. Do C. Técnica de redação. O que é preciso saber para escrever bem. São Paulo: Martins Fontes. 2.
ed, 2004.
MEDEIROS, J. Bosco. Redação científica. A prática de fichamentos, resumos e resenhas. São Paulo: Atlas. 6. ed., 2004.
Autora
Maria Amélia de Almeida Teles é uma das idealizadoras do projeto Promotoras Legais Populares e
ainda integrante do Conselho Consultivo do Centro Dandara. É militante feminista histórica, diretora da
União de Mulheres de São Paulo, autora de inúmeros artigos sobre e livro sobre o assunto.
Resumo:
O trabalho da autora baseia-se em análise de textos e na sua própria vivência nos movimentos
feministas, como um relato de uma prática. A autora divide seu texto em fases históricas
compreendidas entre Brasil Colônia (1500-1822), Império (1822-1889), República (1889-1930), Segunda
República (1930-1964), Terceira República e o Golpe (1964-1985), o ano de 1968, Ano Internacional da
Mulher (1975), além de analisar a influência externa nos movimentos feministas no Brasil. Em cada um
desses períodos é lembrado os nomes das mulheres que mais se sobressaíram e suas atuações nas lutas
pela libertação da mulher. A autora trabalha ainda assuntos como as mulheres da periferia de São Paulo,
a participação das mulheres na luta armada, a luta por creches, violência, participação das mulheres na
vida sindical e greves, o trabalho rural, saúde, sexualidade e encontros feministas. Depois de suas
conclusões onde, entre outros assuntos tratados, faz uma crítica ao pós-feminismo defendido por
Camile Paglia, indica alguns livros para leitura.
Citações:
“uma das primeiras feministas do Brasil, Nísia Floresta Augusta, defendeu a abolição da
escravatura, ao lado de propostas como educação e a emancipação da mulher e a instauração
da República” (p.30)
“a mulher buscou com todas forças sua conquista no mundo totalmente masculino” (p.43)
“na justiça brasileira, é comum os assassinos de mulheres serem absolvidos sob a defesa de
honra” 132)
Comentários:
A obra traz a reflexão de que houve muita omissão sobre o passado das mulheres e sua luta
pela conquista do seu espaço. Isso pode ocorrer devido ao fato de o homem querer sempre ser
superior, competir e deixa sempre explicito, sua força e seus méritos um tanto contestáveis.
A obra é recomendável para análises do papel da mulher na sociedade, pois contém fatos reais
e um grande número de exemplos.

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