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ATIVIDADE INDIVIDUAL

Matriz de atividade individual

Disciplina: Contabilidade Financeira Módulo:

Aluno: Juliana Araújo Rocha Turma: 0521-1_33

Tarefa: Relatório Contábil Magazine Luiza

Introdução

A rede de varejo Magazine Luiza S.A. nasceu em 1957, na cidade de Franca, interior de São
Paulo, a partir do sonho de um casal de vendedores Luiza e Pelegrino de desenvolver um
comércio para gerar emprego para toda a família. A empresa se expandiu pelo interior do
Brasil; se consolidou como uma das grandes varejistas brasileiras, a partir de sua entrada
no mercado de São Paulo; buscou abrangência regional e transformação digital.
Atualmente opera 1.113 lojas físicas, distribuídas em 819 cidades e 21 estados e vêm se
posicionando no mercado como plataforma digital de varejo.

Em um cenário de constante evolução é fundamental que os steakholders conheçam e se


apropriem de informações em relação a real situação patrimonial e econômico-financeira
da empresa, a fim de subsidiar a tomada de decisões estratégicas. Tais indicadores trazem
aos investidores segurança de que determinado investimento trará o retorno esperado.
Neste sentido, o objetivo desse relatório é converter dados em informações, por meio da

análise das demonstrações contábeis da Magazine Luiza S.A. entre os anos 2019 e 2020, e
identificar seu desempenho, setores mais rentáveis, bem como aqueles que necessitam de
maiores recursos para maximização de sua gestão financeira. Através das informações do
Balanço Patrimonial (BP) e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), será feita a
avaliação dos seguintes tópicos:

 análise horizontal;

 análise vertical;

 cálculo dos índices de liquidez;

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 cálculo da estrutura de capital;

 cálculo da lucratividade;

 cálculo da rentabilidade e

 conclusão sobre a situação econômica e financeira da empresa.


Análise horizontal

Segundo FRANCO (1992, p. 93):


Analisar significa transformar as demonstrações contábeis em partes de
forma que melhor se interprete os seus elementos. Interessa conhecer
primordialmente dois aspectos do patrimônio, quais sejam, o econômico e
o financeiro. A situação econômica diz respeito à aplicação do capital e
seu retorno e a situação econômica diz como a empresa está em relação a
seus compromissos financeiros.

A análise horizontal evidencia a evolução ou involução dos componentes das demonstrações


contábeis ao longo dos exercícios sociais avaliados. Demonstra a variação dos itens, de modo a
construir uma tendência em relação a situação econômica e financeira da entidade. As fontes
principais para esta análise são o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração dos Resultado
do Exercício (DRE).
O Balanço Patrimonial (BP) proporciona informações referentes à posição patrimonial e
financeira da entidade em determinada data, por meio das origens (passivo – capital de
terceiros e patrimônio líquido – capital próprio) e aplicações (ativos) de recursos.
O passivo e patrimônio líquido demonstra a origem dos recursos investidos no ativo. O
capital de terceiros é composto do que gera endividamento na empresa, dividindo-se em
passivo circulante (despesas de curto prazo – vence dentro de 12 meses) e passivo não
circulante (despesas de longo prazo – vence após 12 meses). Já o patrimônio líquido é
representado pelo capital próprio – investimento dos acionistas acrescido do lucro das
operações.
O ativo mostra o que de concreto existe na empresa, as aplicações dos recursos capitados
junto aos acionistas ou capitais de terceiros. São divididos em ativos circulantes – capital de
giro e ativo não circulante.

A Demonstração dos Resultado do Exercício (DRE) apresenta informações relativas à

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situação econômica da entidade, por meio da confrontação de despesas e receitas, para
fins de análise de lucratividade em determinado período. Trás em seu relatório a receita
operacional líquida deduzida de custos específicos gerando o lucro bruto, que por sua vez,
deduzida de despesas operacionais, despesas financeiras e tributos geram o lucro líquido,
base para distribuições nos resultados e investimentos.

A análise horizontal demonstra o aumento do ativo total em 2020 de 19,79%, quando


comparado ao ano de 2019. O ativo circulante, capital de giro, contribuiu de maneira mais
expressiva para este aumento, sendo que o caixa da empresa aumentou em 608% em
2020. Foi observado ainda que a empresa realizou aplicações financeiras no ano de 2020
de maneira mais tímida, quando comparado ao ano anterior.

Em relação aos passivos, observamos que a principal causa de endividamento da empresa


são os empréstimos, representando em 2020, um aumento de 20.239%.

O patrimônio líquido não teve uma porcentagem marcante para os ativos totais,
apresentando uma sensível queda de 3,2%.

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Em relação a DRE podemos verificar a evolução da Receita Operacional Líquida em 41,3%
de um exercício para o outro. No entanto, apesar de apresentar uma maior receita
operacional no ano de 2020, ao final das deduções o lucro líquido foi menor em relação ao
ano anterior em 135%.

Análise vertical

Em análise vertical evidenciamos o montante de cada item do demonstrativo financeiro em


relação ao seu referente total. Demonstra onde a empresa concentrou a maior parte de suas
aplicações e possibilita a visualização do percentual do lucro em relação a venda.

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Apesar evidenciarmos, em uma análise horizontal, o aumento do ativo total de 19,79% no
ano de 2020 em relação a 2019, não percebemos a mesma expressividade quando
consideramos a uma análise vertical. O balanço de ativos em análise vertical mostra um
aumento dos ativos circulantes de 65,3% para 66,3% em 2020 e a redução do ativo não
circulante de 34,6% para 33,6%.

Em relação aos passivos, percebemos que em 2020 os passivos circulantes representaram, em


análise vertical, a maior fatia do endividamento da empresa com 51,6%, enquanto os passivos
não circulantes e o patrimônio líquido representaram respectivamente 15,5% e 32,8%. Em
2019 não observamos a mesma tendência. Os passivos circulantes e o patrimônio líquido
estiveram praticamente equiparados com respectivamente 38,7% e 40,6%, enquanto os
passivos não circulantes representaram 20,6% do montante. Ao longo do período percebe-se
independente de análise vertical ou horizontal que os empréstimos e financiamentos seguem
tendo uma relevância significativa para os números da empresa.

Finalmente, a DRE sob análise vertical, sofre uma pequena alteração em seu lucro líquido
com tendencia positiva na variação de 2019 para 2020 de 3,5%.

Cálculo dos índices de liquidez

Os índices de liquidez trazem a habilidade da empresa em honrar seus compromissos,


liquidando suas dívidas com terceiros, medindo a base financeira da empresa. Esta
capacidade possui interdependência com um adequado gerenciamento de seu ciclo
financeiro através do controle de seus ativos e passivos.

Os tipos de liquidez são:

 Liquidez Imediata: capacidade de cobrir as dívidas do passivo circulante de forma


imediata, com as disponibilidades do caixa da empresa (liquidez imediata =
disponível/passivo circulante).

 Liquidez Corrente: capacidade de transformar o ativo circulante e liquidar as


dívidas do passivo circulante em curto prazo (liquidez corrente = ativo
circulante/passivo circulante).

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 Liquidez Seca: capacidade de utilizar o ativo circulante, sem considerar o estoque,
para liquidar as dívidas do passivo circulante (liquidez seca = (ativo circulante -
estoque) /passivo circulante).

 Liquidez Geral: capacidade de transformar o ativo circulante e o realizável a longo


prazo, cobrindo as dívidas de curto e longo prazo, do passivo circulante e do
exigível a longo prazo (liquidez geral = (ativo circulante + realizável a longo prazo) /
(passivo circulante + passivo não circulante)).

No exercício de 2020, a empresa apresentou uma liquidez imediata de 0,11, o que indica
que para cada R$ 1,00 de dívida a curto prazo, a empresa possui disponível R$ 0,11. Apesar
disto, evidenciamos uma melhora no índice em relação a 2019 que era de 0,025.
Os demais índices de liquidez apresentam boa perspectiva, ainda que o índice de liquidez
seca em 2020 tenha sido de 0,8, menor que 1, mas ainda considerado normal de acordo
com a média nacional.

Cálculo da estrutura de capital

Os índices de estrutura de capital determinam a saúde financeira da empresa, na medida


em que demonstram como se efetiva a captação de recursos a depender de capital próprio
ou de terceiros, oferecendo ou não risco. Boas decisões empresariais diminuem o custo de
capital da empresa atraindo melhores investimentos.

A análise da estrutura de capital toma apresenta os seguintes índices em sua composição:

 endividamento geral = (passivo circulante + passivo não circulante) /ativo total

 composição do endividamento = passivo circulante/ (passivo circulante + passivo

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não circulante)

 imobilização do capital próprio = (ativo não circulante - realizável a longo prazo) /


patrimônio líquido

 imobilização de recursos não correntes = (ativo não circulante - realizável a longo


prazo) / (patrimônio líquido + passivo não circulante)

 passivo oneroso sobre ativo = (passivo circulante financeiro + passivo não


circulante) /ativo total

Na análise da Magazine Luiza S.A. identificamos pelos índices apresentados acima que,
ocorreu um sensível aumento do endividamento geral da empresa, com necessidade de
aporte de capital de terceiros na ordem de 67%, o que demonstra fator de risco alto. Em
relação ao ano anterior, percebemos ainda que a composição de seu endividamento em
curto prazo, a imobilização do capital próprio, bem como a imobilização de recursos não
correntes também sofreram aumento em relação ao ano anterior em respectivamente,
12%, 15% e 11%. Tais índices indicam inexistência de recursos próprios para cobrir os
investimentos com dependência financeira dos recursos de terceiros, comprovado
também pela inalteração do índice de passivo oneroso apresentado ao longo de 2019 para
2020 pela Magalu.

Cálculo da lucratividade

O índice de lucratividade é um indicador responsável por apontar as margens auferidas


pelo negócio, basicamente a sua capacidade de gerar lucro, a partir da análise da eficiência

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operacional dos produtos ou projetos.

Do ano 2019 para o ano 2020 identificamos queda das margens bruta, operacional e
líquida, demonstrando menores receitas para pagamentos de despesas e por
consequência, geração dos lucros e retorno sobre faturamentos.

Cálculo da rentabilidade

Os índices de rentabilidade é o indicador que determina se a empresa é ou não rentável,


por meio de suas métricas.

De acordo com os índices de rentabilidade, os resultados em 2020 apresentaram uma


piora considerável. O lucro líquido caiu em torno de 50% em relação ao ano anterior,
demonstrando uma taxa de 5,35% e, de acordo com seu payback a empresa precisaria em
torno de 36 anos a mais do que em 2019 para recuperar seus investimentos.

Conclusão sobre a situação econômica e financeira da empresa

A Magazine Luiza, assim como muitas empresas, foi colocada à prova no ano de 2020. A maior
pandemia do século obrigou a “gigante” do varejo a fechar suas portas. A prioridade passou a
ser saúde; segurança do público em geral e de seus colaboradores, mas também, a
manutenção dos empregos e continuidade dos negócios. Assim, a Magalu passou a um
planejamento estratégico financeiro agressivo, com redução de salários de diretores e
conselheiros; suspensão de contratos e redução de jornadas e salários; bem como
renegociação de contratos de aluguel e prestação de serviços. Aliado a isto, o propósito de
digitalização e aposta no mercado e-commerce tornou-se prioritário e fundamental. E assim
como mostram os números já apresentados, a despeito de cifras altas de financiamentos e

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empréstimos; quedas em relação ao ano anterior de seus indicadores financeiros a empresa
seguiu com bons índices de liquidez, baixo percentual de despesas e expressivos aumentos de
46% de faturamento bruto, impulsionado pelo mercado e-commerce. A situação da empresa
vem em uma crescente, com ganho consistente de mercado, ritmo acelerado do mercado
online e forte geração de caixa operacional, de modo que, é altamente recomendável o
investimento na empresa Magazine Luiza S.A.

Referências bibliográficas

ABBAGNANO, Nicola, OLIVEIRA, Antonieta Elisabete Magalhães, SALIM, Jean Jacques [et
al.] Contabilidade financeira – Rio de Janeiro: EDITORA FGV.

DFP - Demonstrações Financeiras Padronizadas - 31/12/2020 - MAGAZINE LUIZA S.A


Disponível em: file:///C:/Users/uni27433/Downloads/MGLU_DF_4T20%20(1).pdf. Acesso
03/07/2021.

FRANCO, Hilário. Estrutura, análise e interpretação de balanços. 15. ed. São Paulo: Atlas,
1992.

MAGAZINE LUIZA S.A. Disponível em: https://ri.magazineluiza.com.br/Default.aspx. Acesso


03/07/2021.

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