Você está na página 1de 20

Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso

PJe - Processo Judicial Eletrônico

04/11/2021

Número: 1039211-85.2021.8.11.0041
Classe: AÇÃO POPULAR
Órgão julgador: VARA ESP. AÇÃO CIVIL PÚBLICA E AÇÃO POPULAR
Última distribuição : 04/11/2021
Valor da causa: R$ 10.000,00
Assuntos: Abuso de Poder
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
LUDIO FRANK MENDES CABRAL (AUTOR(A)) WANDER MARTINS BERNARDES (ADVOGADO(A))
ESTADO DE MATO GROSSO (REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
69343 04/11/2021 16:53 PETIÇÃO INICIAL Petição inicial em pdf
440
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___
VARA ESPECIALIZADA DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA E DE AÇÃO POPULAR DA
COMARCA DE CUIABÁ/MT

LUDIO FRANK MENDES CABRAL, Deputado Estadual, brasileiro,


casado, médico, portador do título de eleitor nº 011671941864, portador da cédula
de identidade RG n° 0564343 SJ/MT e inscrito no CPF/MF n° 396.387.741-34, com
endereço para comunicação processual na Avenida André Antônio Maggi, nº 06,
Setor A, Bairro CPA, Cuiabá/MT, por intermédio de seu procurador infra-assinado,
vêm, a respeitosa presença de Vossa Excelência, nos termos do artigo 1º e
seguintes da Lei nº 4.717/65, c/c artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal,
propor a presente

AÇÃO POPULAR COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

em face do ESTADO DE MATO GROSSO, pessoa jurídica de direito


público interno, inscrito no CNPJ nº 03.507.415/0001-44, com sede na Rua
Desembargador Carlos Avalone, S/Nº, Centro Político Administrativo, Cuiabá/MT,
CEP 78049-903, a ser citado na pessoa do Procurador-Geral do Estado, que pode
ser encontrado na Av. República do Líbano, 2.258, Jardim Monte Líbano,
Cuiabá/MT, da SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, e do SECRETÁRIO
DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, SR. ALAN RESENDE PORTO, encontrado na sede
da Secretaria de Estado de Educação, na Rua Engenheiro Edgar Prado Arze -
Centro Político Administrativo, Cuiabá - MT, 78049 -909, pelos fatos e fundamentos
a seguir aduzidos:

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 1
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
I. DO CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR

Tamanha é a importância da conservação do patrimônio público e da


garantia da idoneidade e moralidade da Administração Pública , e tamanha é a
transindividualidade deste direito fundamental que a Constituição Federal art. 5º,
inciso LXXIII), previu de maneira hipoteticamente expressa a utilização de ação
popular para proteção do patrimônio público e à moralidade administrativa:

Art. 5º. [...]: LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

Deste modo a Carta Magna admite como fundamento suficiente para a


ação popular a contrariedade do ato à moralidade administrativa, de modo que,
ainda que conforme à lei, o ato administrativamente imoral pode ser anulado.

A condição de cidadão, conforme fundamentos legais, jurisprudenciais e


doutrinários, se perfazem com a exibição bastante do título de eleitor (art. 1º, § 3º,
Lei 4717/65), em anexo (doc. 01)

A ilegalidade do ato se observa na conduta dos requeridos, ESTADO DE


MATO GROSSO, SEDUC. E SECRETÁRIO DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, que
violam, assiduamente, os Princípios da Administração Pública, em especial àqueles
contidos no inciso II e no caput do Art. 37 da Constituição Federal, contratando
reiteradamente milhares de profissionais sem a realização de concurso público,
descaracterizando o conceito de contrato temporário.

Isso por que, os requeridos, através de ato da Secretaria de Estado de


Educação, são responsáveis pela publicação do Edital Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT,
destinado à contratação temporária de profissionais para exercerem os cargos de
Professor, Técnico Administrativo Educacional e Apoio Administrativo Educacional,
que, no entender do requerente, fere a moralidade administrativa e pode trazer
prejuízos ao erário, por descumprir regras sobre urgência, necessidade e finalidade

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 2
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
de contratação sem concurso público na área de educação, além da ausência de
necessidade para tal medida.

Não bastassem tais alegações, Excelência, cumpre ainda informar que o


objeto da presente ação constitucional visa coibir a iminência de ato lesivo à
moralidade administrativa, de fundado caráter preventivo.

O Juízo da Fazenda Pública da comarca de Cuiabá-MT, a teor do artigo


5º, da lei número 4.717/1965 c.c. art. 52, parágrafo único do CPC, é competente
para processar e julgar a presente demanda, razão pela qual a presente Ação
Popular deve ser recebida e processada na forma da lei.

II. DOS FATOS

Nos últimos anos, o Estado de Mato Grosso por intermédio da Secretaria


de Estado de Educação vêm sistematicamente, por vontade livre e consciente de
seus gestores, violando aos Princípios da Administração Pública, em especial
àqueles contidos no inciso II e no caput do Art. 37 da Constituição Federal, ao
contratar reiteradamente milhares de profissionais sem a realização de concurso
público.

Segundo informações atuais constantes no Portal da Transparência do


Estado de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Educação possui, em
setembro/2021, ilógicos 15.701 (quinze mil setecentos e um) contratos temporários,
o que significa que absurdos 45,4% do total de 34.548 servidores da educação no
Estado foram contratados sem a realização de concurso público.

Informações extraídas do site: http://www.transparencia.mt.gov.br/-/despesas-por-orgao-e-vinculo Aba:


Pessoal / Despesas por órgão e vínculo / Setembro-2021 / Secretaria de Estado de Educação. Acesso em
28/10/2021.

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 3
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
Do exposto, ressai o que deveria ser uma exceção tornou-se uma regra.
Tal prática pelo Estado de Mato Grosso, como já mencionado, afronta Constituição
Federal. Este cenário alarmante por si só demonstra a urgente necessidade de
realização de concurso público para o provimento de cargos efetivos de servidores
da educação pública estadual, a fim de se reduzir o percentual de servidores
temporários, em relação à quantidade de servidores efetivos.

Importante registrar que o último concurso público realizado pela


SEDUC foi no ano de 2017. Trata-se do Edital n° 001/2017, em anexo (doc. 02)
para o provimento de vagas e cadastro de reserva para os cargos de Professor
da Educação Básica, Técnico Administrativo Educacional e Apoio
Administrativo Educacional, ainda vigente, possui aproximadamente 400
(quatrocentos) candidatos classificados que não foram nomeados, conforme
extrato de nomeações publicado no Portal da Secretaria de Estado de Gestão,
em anexo (doc.03).

Apesar do número de candidatos classificados não nomeados (400),


não serem suficientes para suprir a necessidade da administração
demonstrada pelo elevadíssimo número de contratos precários (15.701), a
preterição destes em relação aos contratos precários não só fere a moralidade
administrativa, como aos demais princípios que regem a Administração
Pública.

Não bastasse isso, as requeridas acharam por bem publicar no Diário


Oficial do Estado – IOMAT n° 28.113 (páginas 5 à 17), de 27/10/2021, o Edital de
Seleção - Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT, em anexo (doc. 04) contendo as normas e
instruções para a realização de Processo Seletivo Simplificado - PSS/2022,
destinado à seleção, formação de cadastro de reserva para contratação temporária
de profissionais para exercerem os cargos de Professor, Técnico Administrativo
Educacional e Apoio Administrativo Educacional, conforme cargos e/ou funções
disponíveis para cada unidade escolar do estado.

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 4
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
Conforme se depreende da análise do item 2 e seguintes do Edital,
referido seletivo visa contratar os mesmos cargos, objeto do Concurso Público –
Edital 001/2017, ainda vigente, que possui candidatos classificados que ainda não
foram nomeados.

Ao publicar referido certame, os requeridos violaram flagrantemente


princípios da administração pública, notadamente, o da legalidade e o da eficiência,
pois não cumpriram a sua função com a qualidade que é esperada dos agentes
públicos, que se materializada, com a reiterada contratação de profissionais
temporários, havendo ainda um verdadeiro passeio pela lei que descreve atos de
improbidade administrativa.

Ademais, Excelência, a publicação do Edital de Seleção - Nº


008/2021/GS/SEDUC/MT se deu em total afronta à sentença judicial, transitada em
julgado, exarada nos autos da Ação Civil Pública n° 4366-59.2012.8.11.0041, em
anexo (doc. 05) que tramita nesta DD. Vara Especializada de Ação Civil Pública e
Ação Popular, ajuizada pelo Ministério Público, autos estes que já apontava a
expressiva contratação de temporários desde o ano de 2004 quando este número
chegava a 10.000 (hoje 15.701). Vejamos trecho da r. decisão, em anexo (doc. 06):

Em sede recursal, a Quarta Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça


do Estado de Mato Grosso, em 25/04/2017, negou provimento ao recurso do Estado
de Mato Grosso, em anexo (doc. 07), e manteve a obrigação do Estado no tocante à
obrigação acima transcrita.

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 5
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
Deste modo, a publicação do Edital de Seleção - Nº
008/2021/GS/SEDUC/MT, não só feriu os princípios constitucionais que regem a
administração pública, como também é uma clara afronta ao próprio Poder
Judiciário, pois demonstram a vontade livre e consciente dos administradores
públicos em “fazer vistas grossas” à decisão judicial alhures, para continuar
contratando servidores temporários em detrimento da realização de Concurso
Público.

O que se percebe é que estamos diante da triste realidade onde, muito


embora a necessidade seja permanente (existem 15.701 temporários contratados,
foi publicado Edital de Seleção - Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT, para novos
contratados pelo período de até 02 anos), o Poder Público tenta valer-se de uma
falsa discricionariedade para justificar o injustificável.

Por fim, a seleção de temporários da educação, que anteriormente era


feito pelo PAS – Processo de Atribuição Seduc, onde o candidato se inscrevia para o
cargo pretendido diretamente no site da SEDUC, sem ônus para a administração
pública e candidatos, agora possui custos e fins arrecadatórios, conforme item
6.1.1 do Edital, e a seleção será feita por uma empresa privada, a saber: “Instituto
Nacional de Seleções e Concursos - Instituto Selecon”, contratada por dispensa de
licitação, em detrimento da própria SEDUC que tradicionalmente realiza sem ônus o
seletivo, e até de instituições públicas que poderam realizá-lo, como a UNEMAT,
UFMT, IFMT, dentre outras.

Toda situação acima narrada é tão absurda que não merece maiores
delongas do ponto de vista fático.

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 6
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
III. DO DIREITO

A. DA NECESSIDADE DE CONCURSO PÚBLICO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS


QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Inicialmente, insta observar que a Carta Magna, em seu artigo 37, caput,
elencou diversos princípios jurídicos, os quais devem ser observados e levados à
risca pelo agente público no desempenho da função administrativa, como se verifica
abaixo:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes


da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:

Referidos princípios constitucionais, que regem a Administração Pública,


não constituem meras recomendações aos gestores públicos, mas verdadeiros
mandamentos que devem ser observados na conduta administrativa.

Assim, embora se reconheça que a atividade administrativa tenha sua


parcela de atuação voltada para a oportunidade e conveniência, o gestor público não
pode, a pretexto de utilizar-se do poder discricionário que lhe é inerente, afrontar
frontalmente preceitos básicos da Constituição Federal.

A necessidade temporária deve ser interpretada não como aquela


decorrente da falta de planejamento da Administração, que não encetou as
diligências para suprir suas atividades rotineiras, mas sim àquelas imprevisíveis, que
não são próprias do Poder Público e que devem ser supridas apenas em
determinado momento para, posteriormente, desaparecerem.

Consoante notoriamente sabido e expressamente previsto no inciso II do


citado art. 37, determina, obriga, manda, sem nenhum espaço para
discricionariedade do administrador público, que a admissão de pessoal no serviço

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 7
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
público se dê necessariamente através de concurso público:
“Art. 37. […]

[…]

II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo
com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista
em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em
lei de livre nomeação e exoneração.”

No mesmo sentido a Lei Complementar Estadual n. 50/98, ao


estabelecer:

Art. 2º Para os efeitos desta lei Complementar, entende-se por


Profissionais da Educação Básica o conjunto de professores que
exercem atividades de docência ou suporte pedagógico direto a tais
atividades, incluídas as de coordenação, assessoramento pedagógico e de
direção escolar, e., funcionários Técnico Administrativo Educacional e
Apoio Administrativo, Educacional, que desempenham atividades nas
unidades escolares e na administração central do Sistema Público de
Educação Básica.
Art. 3º A carreira dos Profissionais da Educação Básica é constituída de:
a) Professor - composto das atribuições e atividades descritas no § 4º do
art. 5º desta lei complementar;
b) Técnico Administrativo Educacional - composto das atribuições e
atividades descritas no art. 9º desta lei complementar;
c) Apoio Administrativo Educacional - composto das atribuições e
atividades descritas no art. 9º desta lei complementar;
(...)
Art. 9º Para o ingresso na carreira dos Profissionais da Educação
Básica, exigir-se-á concurso público de provas ou de provas e títulos.

A exceção não, contudo se tornar regra. Tampouco serve para justificar


ampla liberdade para casos em que a administração entende sujeitos de contratação
temporária. Vejamos:

“Art. 37 (...)

(…)

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 8
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado
para atender a necessidade temporária de excepcional interesse
público”.

Nesse sentido, vale transcrever a lição do eterno mestre Hely Lopes


Meirelles, in verbis:

Obviamente, essas leis deverão atender aos princípios da razoabilidade e


da moralidade. Dessa forma, só podem prever casos que efetivamente
justifiquem a contratação. Esta, à evidência, somente poderá ser feita sem
processo seletivo quando o interesse público assim permitir. (MEIRELLES,
Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 23. ed. São Paulo: Malheiros
Editores, 1998. p. 364/365).

Conforme nos ensina o prof. JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO,


em “Manual de Direito Administrativo”, Lumen Juris Editora, 22ª edição, 2009, pg.
599, nos ensina que:

“Questão que tem gerado funda polêmica consiste na usual contratação por
entes públicos de servidores sem a prévia aprovação em concurso público.
Seja qual for a hipótese, é certo que semelhante recrutamento se
reveste de ilegalidade e, portanto, deve sujeitar-se à invalidação”.

Deste modo, não existe possibilidade de enquadrar os servidores


contratados sem processo seletivo nas exceções da lei, pois não se pode dizer que
há necessidade excepcional para manutenção de professor, técnico administrativo
educacional e apoio administrativo educacional! Caracterizam-se, assim, tais
contratos como irregulares sem necessidade de tecer maiores detalhes.

A diretiva constitucional é clara no sentido de determinar que a


prévia aprovação em concurso é a REGRA e o PRESSUPOSTO para ingresso
no serviço público. Isso ocorre porque o concurso é o instrumento que melhor
representa o sistema de mérito e, como tal, é capaz de concretizar os postulados
fundamentais da igualdade, moralidade administrativa e competição.

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 9
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
A publicação de edital para contratar temporários, quando o quadro atual
da SEDUC conta com 15.701 (45,4% do total) de servidores não concursados, É
IMORAL, e denota a necessidade do provimento destes cargos por concurso
público!

O caso em exame, não atende aos requisitos legais para permitir a


contratação temporária, o que está demonstrado pelo elevado número de contratos
temporários na SEDUC (15.701) para o exercício de cargo de professor e de
profissionais da área de educação (técnicos e apoio administrativo) é regra na
administração pública estadual, como também se vê pela publicação de seletivo
para temporários em detrimento da nomeação do restante dos classificados no
Edital n° 001/2017 (400), não restando outra alternativa a não ser a edição de
providência judicial com o fim de corrigir esta grave ilegalidade e abuso, o mais
prontamente possível

B. DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Pelos fundamentos acima expostos, desponta que os requeridos, por


vontade livre e consciente, contrataram vários prestadores de serviços para o
desempenho de funções que correspondem às atribuições legais de vários cargos
públicos, com o escopo de burlar o dever de promover o concurso público.

Esta manobra causa dano ao erário e viola os princípios da legalidade,


moralidade, impessoalidade, supremacia do interesse público, honestidade e
lealdade, incorrem em improbidade administrativa tipificada no artigo 11, caput, e
incisos I, II e V, da Lei n.º 8.429/92, senão vejamos:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os


princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole
os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às
instituições, e notadamente:

I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso


daquele previsto, na regra de competência;

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 10
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
II - retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;
(...)
V - frustrar a licitude de concurso público;

O desvio de finalidade dos contratos se enquadra na previsão do artigo


11, inciso I, da Lei de Improbidade Administrativa, e a não realização dos concursos
públicos necessários configura improbidade por força do artigo 11, incisos II e V, da
LIA.

Os requeridos não agiram e não agem de acordo com a lei, já que


realizaram e realizam contratações por prazo determinado fora das hipóteses de
necessidades temporárias de excepcional interesse público. Ademais, esta forma
incomum deve ser reservada aos casos particulares, excepcionais e não virar rotina.
Que excepcional interesse público é esse que dura há décadas?

Violaram ainda, flagrantemente os princípios da administração pública,


contidos no caput do Art. 37 da Carta Magna notadamente, o da legalidade e o da
eficiência.

Conforme o entendimento da Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro uma


administração eficiente pressupõe qualidade, presteza e resultados positivos,
constituindo, em termos de administração pública, um dever de mostrar rendimento
funcional, perfeição e rapidez dos interesses coletivos. Referida doutrinadora,
pontua ainda que o princípio da eficiência administrativa:

“apresenta dois aspectos: pode ser considerado em relação ao modo de


atuação de agente público, do qual se espera o melhor desempenho
possível de suas atribuições, para lograr os melhores resultados; e em
relação ao modo de organizar, estruturar, disciplinar a Administração
Pública, também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados
na prestação do serviço público.” (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito
Administrativo. São Paulo: Atlas, 2002.)

Neste sentido, o renomado doutrinador Prof. Celso Antonio Bandeira de


Mello, ensina com clareza o significado da violação de um princípio:

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 11
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
“Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A
desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico
mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave
forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio
atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de
seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e
corrosão de sua estrutura mestra." ("Curso de Direto Administrativo",
Malheiros Editores, 5ª ed., 1.994,, p. 451)

Percebe-se, igualmente, a violação a princípios na conduta descrita


(Publicação do Edital de Seleção - Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT – IOMAT n° n°
28.113, páginas 5 à 17, de 27/10/2021), pois os requeridos tiveram a vontade livre e
consciente de deixar de praticar o ato de ofício acima descrito, mesmo diante do alto
índice de contratos temporários, e consoante claramente se denota pelo histórico da
Ação Civil Pública n° 4366-59.2012.8.11.0041, que foi distribuída em 2012, a
Secretaria Estadual de Educação tem se valido do expediente da contratação
temporária de servidores há décadas!

A falta de responsabilidade em lidar com a coisa pública, no caso


presente caso não é um erro juridicamente tolerável. Isso decorre, certamente, da
falta de planejamento, do interesse na forma pessoal de contratação, da
precariedade do vínculo, da fragilidade do contratado na relação, e de interesses
políticos menores que cercam esse tipo de admissão irregular no serviço público.

Além disto, os gestores públicos não podem alegar inexistência de


previsão orçamentária para a realização do concurso público primeiro porque
se contratou o exorbitante número de 15.701 profissionais temporários, ao
custo mensal de R$48.869.314,76, bem como os itens 4.1 à 4.3 do edital de
temporários, ora combatido, demonstrar que a remuneração destes é a mesma
dos servidores efetivos. Isto é fato indicativo da existência de orçamento
suficiente para a nomeação por concurso público!

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 12
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
Informações extraídas do site: http://www.transparencia.mt.gov.br/-/despesas-por-orgao-e-vinculo Aba:
Pessoal / Despesas por órgão e vínculo / Setembro-2021 / Secretaria de Estado de Educação. Acesso em
28/10/2021.

A ação do requerido, em nenhum momento, foi orientada para


concretização material e efetiva da finalidade posta pela lei, segundo os cânones
jurídico-administrativos, e ainda, desrespeitou violentamente a margem humana de
falibilidade funcional. A ineficiência é de clareza solar.

Denota-se, no caso, a presença de todos os elementos caracterizadores


da improbidade empreendida, quais sejam:
1) sujeito ativo (agente público que concorreu para a prática
do ato de improbidade – Secretário de Estado de Educação: artigos 1.º
e 2.º da Lei n.º 8.429/92);
2) sujeito passivo (Administração Direta (SEDUC) –
entidade mencionada no art. 1.º, §5º da Lei n.º 8.429/92);
3) a ocorrência do ato danoso (contratação temporária em
afronta ao que dispõe o art. 37, IX, da CRFB); e
4) a presença do elemento subjetivo (dolo - o demandado

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 13
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
atuou em desvio de finalidade, buscando satisfazer interesse diverso do
previsto na norma legal de competência, agindo com plena consciência).

Isto posto, não resta sombra de dúvida, da comprovação as escâncaras


sobre o cometimento de atos de improbidade administrativa pelo gestor requerido,
razão pela qual se faz necessária a intimação do Ministério Público, para que tome
ciência do feito e promova as manifestações que entender devidas e apuração da
responsabilidade civil ou criminal, dos que nela incidirem, na forma do art. 6º, § 4º,
da Lei 4.717/65

C. EDITAL COM VÍCIOS DE LEGALIDADE

Além de violar o dispositivo constitucional que determina que a admissão


de pessoal no serviço público se dê necessariamente através de concurso público, o
Edital de Seleção - Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT, no item 14.3, proíbe, sem qualquer
amparo legal, que as pessoas pertencentes ao grupo de risco da Covid-19
participem da seleção. Senão vejamos:

14.3 Fica vedada a contratação de candidatos pertencentes ao


grupo de risco que necessitem de teletrabalho, conforme previsão do artigo
3º da PORTARIA Nº 662/2021/GS/SEDUC/MT, que atualiza medidas
excepcionais de caráter temporário, estabelecendo critérios de assiduidade
e retorno de todos os estudantes da Rede Estadual de Ensino, no âmbito da
Secretaria de Estado de Educação, publicada no D.O. de 08/10/2021 pág
16-19.

Isso significa dizer, Exmo. Juiz, que pessoas que se enquadrem como
idosos, hipertensos, diabéticos, com doença respiratória crônica (asma), doença
autoimune, gestantes, dentre outros, vacinadas ou não com imunizante da Covid-19
não poderão se inscrever no aludido processo seletivo para contratação de
temporários.

Como se sabe, o Art. 3º da Constituição Federal prevê como objetivo


fundamental da Republica Federativa do Brasil promover o bem de todos, sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 14
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
discriminação. No âmbito estadual, percebe-se que referida norma está transcrita
nos incisos VIII do Art. 3 que traz como princípios fundamentais e objetivos
prioritários do Estado o respeito à unidade da Federação, à Constituição Federal e à
inviolabilidade dos direitos e garantias fundamentais nos termos nela estabelecidos.

Além de violar os mandamentos constitucionais supracitados, o item 14.1


ao discriminar pessoas do grupo de risco, referido edital também afronta aos artigos
5° (igualdade), 6° (direito social ao trabalho), inciso I e caput do Art. 37, (princípios
da legalidade, moralidade, eficiência), 193 (ordem social), todos da Constituição
Federal:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
(...)
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,
a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na
forma desta Constituição.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros
que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
estrangeiros, na forma da lei;
(...)
Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como
objetivo o bem-estar e a justiça sociais.

Os atos da Administração Pública devem sempre pautar-se por


determinados princípios, entre os quais está o da legalidade. Neste sentido, cita-se o
ensinamento do Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello:

“(...) ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não
proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 15
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
autorize. Donde, administrar é prover aos interesses públicos, assim
caracterizados em lei, fazendo-o na conformidade dos meios e formas
nela estabelecidos ou particularizados segundo suas disposições.
Segue-se que a atividade administrativa consiste na produção de decisões
e comportamentos que, na formação escalonada do Direito, agregam níveis
maiores de concreção ao que já se contém abstratamente nas leis”.
(BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo, p.
108.)

Assim, ao impedir pessoas do grupo de risco (comorbidade) de participar


do seletivo simplificado, referido edital deve ser anulado por vício de legalidade.

IV. DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, requer as seguintes providências desse r.


Juízo:

IV.1 Dos Pedidos Liminares

De acordo com o art. 300, do CPC, “a tutela de urgência será concedida


quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou risco ao resultado útil do processo”.

Consoante se verifica da descrição fática desta demanda, encontram-se


presentes na espécie o fumus boni iuris e o periculum in mora, requisitos
obrigatórios autorizadores da concessão do mandado liminar:

I. o fumus boni iuris fica demonstrado pela documentação probatória


anexada a esta petição, como o extrato do Portal da Transparência do Estado que
demonstra que a SEDUC possui absurdos 15.701 (quinze mil setecentos e um)
contratos temporários, o que significa 45,4% do total de 34.548 servidores da
educação no Estado foram contratados sem a realização de concurso público, ao
custo de mensal (setembro/2021) de R$48.869.314,76 (quarenta e oito milhões,
oitocentos e sessenta e nove mil, trezentos e quatorze reais e setenta e seis
centavos).

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 16
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
Também resta demonstrado pela existência do Edital SEDUC n°
001/2017), ainda vigente, com candidatos classificados aos cargos de professores,
técnico administrativo educacional e apoio administrativo educacional não foram
nomeados, e mesmo assim os requeridos acharam por bem publicar no Diário
Oficial do Estado n° 28.113 (páginas 5 à 17), o Edital Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT
para contratar novos cargos temporários para os mesmos cargos do Edital Seduc -
001/2017, e remuneração dos efetivos (itens 4.1 à 4.3) eternizando a admissão
irregular na educação pública estadual.

Não bastasse isso, também se verifica pela sentença exarada nos


autos da Ação Civil Pública n° 4366-59.2012.8.11.0041, já transitada em julgado,
que determinou aos requeridos ESTADO E SEDUC a realização de concurso
público para a contratação dos cargos de professores, técnico administrativo
educacional e apoio administrativo educacional, bem como a abstenção novas
contratações temporárias.

Por fim, não menos importante, resta demonstrado, uma vez que,
apesar da necessidade de prévio concurso público para o preenchimento das vagas,
os requeridos optaram reiteradamente por fazer contratações temporárias, quando
ainda haviam vagas a serem preenchidas. Em razão disso, restou descumprida a
exigência constitucional de efetivação dos servidores públicos.

II. o periculum in mora também se encontra presente, vez que, caso a


tutela não seja prestada imediatamente, quando do provimento final, os atos ilegais,
eivados de desvio de finalidade, praticados pela parte Ré terão sido perpetuados ou
continuados, causando danos ao Estado Democrático de Direito, à legalidade, ao
erário e à própria educação, que teve em seus quadros pessoas de qualificação
duvidosa.

Com efeito, a permanência das pessoas que exercem ilegalmente as


funções professores, técnico administrativo educacional e apoio administrativo
educacional fará aumentar os prejuízos citados, inclusive aos cofres públicos, que
continuarão sendo esvaziados com pagamentos pelos trabalhos prestados por estes

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 17
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
profissionais, indevidamente.

Por conseguinte, requer-se a concessão de medida liminar, sob pena de


multa diária, além das medidas judiciais necessárias para a efetivação da tutela
específica, nos termos do art. 497 e seguintes, do CPC, para determinar ao Estado
do Mato Grosso:

a) Conceder a tutela de urgência pretendida, inaudita altera parte, a


fim de suspender imediatamente os efeitos do Edital Nº
008/2021/GS/SEDUC/MT, por afronta ao Art. 37, II da Constituição Federal c/c Art.
9º da Lei Complementar Estadual n. 50/98;

b) Determinar a nomeação dos candidatos que compõem o cadastro de


reserva e os candidatos habilitados do Concurso Público Seduc n° 001/2017, pois, a
publicação do Edital Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT somados aos atuais 15.701
contratos temporários da SEDUC, demonstram o direito subjetivo à nomeação
destes, e dotação orçamentária suficiente.

c) Determinar que os requeridos se abstenham de restringir a pessoas do


grupo de risco participar e ser contratada pela Administração Pública (item 14.3 do
Edital Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT) por infringir os Princípios Constitucionais da
Igualdade e da Legalidade.

d) Determinar que a contratação de novos temporários, se dê


justificadamente em condições de excepcional interesse público, e da maneira como
era anteriormente realizada, ou seja, diretamente pela SEDUC pelo PAS – Processo
de Atribuição Seduc.

IV.2 Dos Pedidos Principais

Diante do exposto, requer:

a) a citação dos requeridos para, querendo, contestar a presente ação no


prazo legal, sob pena de revelia, dispensando-se a realização de audiência

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 18
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK
preliminar de conciliação;

b) determinar a intimação do ilustre representante do Ministério Público,


para que tome ciência do feito e promova as manifestações que entender devidas e
apuração da responsabilidade civil ou criminal, dos que nela incidirem, na forma do
art. 6º, § 4º, da Lei 4.717/65;

c) a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em


especial a juntada de novos documentos, além do que se fizer necessário ao
completo esclarecimento dos fatos aqui versados, bem como seja reconhecida e
declarada, desde já, a inversão do ônus da prova;

d) a observância do disposto no art. 5º, LXXIII da CF, isto é, a dispensa


do pagamento de custas judiciais e ônus de sucumbência, pelo autor;

e) a condenação do réu a suportar os ônus decorrentes da sucumbência,


custas processuais e demais cominações de estilo, para a fixação de honorários
periciais e advocatícios, estes no valor de 20%, nos termos do art. 85, do CPC;

f) Julgar a presente Ação Popular totalmente procedente, a fim de


determinar a anulação do Edital Nº 008/2021/GS/SEDUC/MT, por afronta ao Art.
37, II da Constituição Federal c/c Art. 9º da Lei Complementar Estadual n. 50/98,
devendo a contratação de temporários ser realizada conforme o Art, 37, IX da CF,
sem a adoção de critérios que restrinjam pessoas do grupo de risco de participar
e/ou ser contratada pela Administração Pública, bem como ratificar as decisões
liminares concedidas.

g) Atribui-se à causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), para efeitos


fiscais

Termos em que pede deferimento,

Assinado eletronicamente por: WANDER MARTINS BERNARDES - 04/11/2021 16:53:31 Num. 69343440 - Pág. 19
https://clickjudapp.tjmt.jus.br/codigo/PJEDAZVWBKZNK