Você está na página 1de 10

ELETROMAGNETISMO

Capítulo 1 – Revisão de Cálculo Vetorial (parte 5)

(http://www.math.umd.edu/, 2020)
Prof. Denivaldo Pereira da Silva
Mat-T1: (2020/1)
1.9 – Rotacional (curl)
O rotacional está relacionado com a circulação C de um campo
vetorial ao longo de um caminho fechado L. Assim,
⃗ ⃗ ⃗

= ⃗. ⃗ [1.72]

(a) (b)

Fig. 1.20 – Circulação de um campo vetorial ⃗ . (a) circulação máxima ; (b) circulação nula.
Fonte: autoria própria (2020).

A circulação C pode ter diversos significados físicos dependendo do


tipo de campo vetorial usado na equação [1.72]. Se, por exemplo, o campo
vetorial ⃗ for uma força ⃗ atuando sobre um objeto, a sua circulação C
significará um consumo de energia ou o trabalho para mover o objeto. Por
outro lado, se o campo vetorial for um campo elétrico , conforme
estudaremos nos próximos capítulos, a circulação poderá representar uma
força eletromotriz. Porém, independente do significado físico, a circulação C
atingirá o seu máximo valor quando o vetor ⃗ atuar paralelamente ao
elemento diferencial ⃗ e será nula quando o vetor ⃗ atuar
perpendicularmente ao elemento diferencial ⃗, conforme Fig. 1.20. 2
O rotacional (rot) é definido como a integral de linha da circulação C de
um campo vetorial ⃗ por unidade área, quando o elemento de superfície ∆ , que
delimita o percurso L fechado, tende a zero e aponta na direção normal para
onde ocorre a máxima circulação. Assim,

∮ ⃗. ⃗ ⃗
⃗ = lim

[1.73]
∆ →
Uma simples forma de determinar a
direção e o sentido do vetor unitário é utilizar a
regra da mão direita conforme Fig. 1.21:
curvando-se os quatro dedos (indicador, médio,
alunar e mínimo) ao longo do percurso orientado Fig. 1.21 - Regra da mão direita usada
, o polegar esticado indicará a direção e o para indicar a direção e o sentido do
sentido do vetor normal à superfície e que ⃗ . Fonte: modificada de SCHEY
corresponde à mesma direção e o sentido de (2005).

1.9.1 – Coordenadas Retangulares


O rotacional de um campo vetorial ⃗, sendo também um vetor,
poderá ser decomposto, em coordenadas cartesianas, como
⃗=( ⃗). ̂ + ( ⃗). !̂ + ( ⃗). "# [1.74]

3
Seja ⃗(&, ', +) = $ ̂+ % !̂ + ="
# e ⃗ = & ̂ + ' !̂ + + "#, em
coordenadas cartesianas. A partir da Fig. 1.22, a circulação $% no plano &', ao
longo do caminho fechado orientado ()* (, é + + ∆,.2 ´´ *´´
2 4 )´
$% = ⃗. ⃗ = 1 $ ̂. ̂ & + 1 % !̂. !̂ ' + (', +)
3 2
32453
5 3 <̂
+ − ∆,.2
+1 ̂. ̂ & + 1 *´
$ % !̂. !̂ ' [1.75] (´´ )´´
4 5 !̂
A partir do teorema do valor médio para (´
integrais e desde que ∆& ≪ & e ∆' ≪ ',
2 ′
∆'.
1 $ &, ', 0 & ≅ $ &, ' − 2 , 0 . ∆&
[1.76(a)] ;
:
3
4
1 % (&, ', 0) '≅ % & + ∆&.2 , ', 0 . ∆' [1.76(b)]
2
5
∆'.
1 $ (&, ', 0) &≅− $ &, ' + 2 , 0 . ∆&
[1.76(c)]
Fig. 1.22 – Circulação nos planos yz, xz e
4
3 xy associados, respectivamente à
1 % (&, ', 0) '≅− % & − ∆&.2 , ', 0 . ∆' [1.76(d)] ( ⃗). ̂, ( ⃗). !̂ e ( ⃗). "#. Fonte:
5 modificada de IDA (2015)

4
Aplicando-se, em $ , uma expansão de primeira ordem por série de
Taylor, entorno do ponto central P &, ', 0 ,respectivamente, nas equações
[1.76(a)-(d)], obtém-se,
2
∆'. ∆'. @ $ &, ', 0
1 $ &, ', 0 & ≅ $ &, ' − 2 , 0 . ∆& ≅ $ &, ', 0 − 2 ∆& [1.77(a)]
3 @'
4 @ &, ', 0
& + ∆&.2 , ', 0 . ∆' ≅ &, ', 0 + ∆&.2
%
1 % (&, ', 0) ' ≅ % % ∆' [1.77(b)]
2 @&
5
∆'. ∆'. @ $ &, ', 0
1 $ (&, ', 0) & ≅ − $ &, ' + 2 , 0 . ∆& ≅ − $ &, ', 0 + 2 ∆& [1.77(c)]
4 @'
3 @ &, ', 0
& − ∆&.2 , ', 0 . ∆' ≅ − &, ', 0 − ∆&.2
%
1 % (&, ', 0) ' ≅ − % % ∆' [1.77(d)]
5 @&
Somando-se as quatro equações [1.77(a)-(d)], obtém-se a circulação
total $%
@ &, ', 0 @ &, ', 0
$% = ⃗. ⃗ ≅ %
∆&∆' −
$
∆& ∆'
@& @'
[1.78]
32453

Substituindo-se a equação [1.78] em [1.73], tomando-se o limite


quando a área ∆A= = ∆&∆' tende a zero, a componente do rotacional ⃗ ao
longo do eixo z é E. LM⃗ ∮N OEP OEQ
BCD E = GHI = − [1.79]
F ∆JF →K ∆JF OQ OP
5
Aplicando-se o procedimento desenvolvido nas equações [1.75] a
[1.79], na Fig. 1.22, para a determinação da circulação $= no plano &+, ao
longo de um caminho fechado orientado (′)′*′ ′(′ e, posteriormente,
usando novamente a equação [1.73], obtém-se
OEQ OEF
BCD E = − [1.80]
P OF OQ
E, a seguir, aplicando-se novamente, na Fig. 1.22, o procedimento
supracitado para a determinação da circulação %= no plano '+, ao longo de
um caminho fechado orientado (′′)′′*′′ ′′(′ ’ e, posteriormente, usando
novamente a equação [1.73], obtém-se
OEF OEP
BCD E Q = −
OP OF
[1.81]

Somando-se as equações [1.79] a [1.81] para contabilizar o rotacional


BCD E do campo vetorial E ao longo dos eixos x, y e z, obtém-se
OEF OEP OEQ OEF OEP OEQ
BCD E = − ̂+ − !̂ + − "# [1.82]
OP OF OF OQ OQ OP
Na forma matricial, usando o ̂ !̂ "#
operador R, o rotacional BCD E é BCD E = R × E = O O O
calculado pelo produto vetorial OQ OP OF [1.83]
R × E. $ % =
6
1.9.2 – Coordenadas Cilíndricas
Para a obtenção do rotacional em coordenadas cilíndricas, é
aplicável uma abordagem de modo similar àquela desenvolvida para
coordenadas cartesianas apresentada anteriormente nesta presente seção
de capítulo. Assim, supondo a existência de circulações em torno de
elementos de superfície cilíndrica da Fig. 1.12, o rotacional de E no sistema
de coordenadas cilíndricas será

T OEF OEW OEY OEF T O OEY


BCD E = − X+ − V# + XEW − "# [1.84]
U OV OF OF OX U OX OV

X XV# "#
Na forma matricial, usando o T O O O
operador R, o rotacional de E é BCD E = R × E =
U OX OV OF
[1.85]

Y XEW =

7
1.9.3 – Coordenadas Esféricas
E agora supondo a existência de circulações em torno de
elementos de superfície esférica da Fig. 1.13, o rotacional de E no sistema
de coordenadas esféricas será

T O(EW sin \) OE] T T OEB O BEW T O OEB


BCD E = − ̂+ − \# + E] − V#
B sin \ O\ OV B sin \ OV OB B OB O\

[1.86]

Na forma matricial, usando o ̂ \_ B sin \ V#


T O O O
operador R, o rotacional de E é BCD E = R × E =
B^ sin \ OB O\ OV
` BE] B sin \ W
[1.87]
Para saber mais:
 Cálculo Vetorial e Aplicações. Kleber Daum Machado, 2014, cap. 3.3.
 Engineering Electromagnetics. Nathan Ida. 3 ed. 2015, cap. 2.3.4.
 Electromagnetic Field Theory: A Problem Solving Approach. Markus
Zahn, 2003, cap. 1.5.2.
 Div, Grad, Curl, and All That - An Informal Text on Vector Calculus.
Harry Moritz Schey, 4th ed., 2005, cap. 3. 8
Conclusão:
 o rotacional BCD E de um campo vetorial E é também um campo
vetorial;
 O módulo do rotacional fornece a máxima circulação do campo
vetorial E por unidade de área em dado ponto;
 A direção e o sentido do rotacional são os mesmos de uma
superfície orientada cujo vetor normal ab aponta na direção e
sentido da máxima circulação em um dado ponto;
Dado dois campos vetoriais E e c e um campo escalar Φ,
seguem algumas propriedades importantes :

R× E+c =R×E+R×c
[1.88(a)]

R × ΦE = (RΦ) × E + Φ(R × E) [1.88(b)]

R ×(E × c)= c. R E − c R. E − E. R c + E R. c [1.88(c)]

R.(E × c)= c. R × E − E. R × c [1.88(d)]

9
Exercício 1.10 – Dado o campo vetorial ⃗ = & e + e ̂ − 2' e + e !̂ + &' e +"# em
coordenadas cartesianas, calcule o rotacional de ⃗ no ponto P = (1,-1,1),
usando a equação [1.82] ou a [1.83].
Respostas: ∇ × ⃗ = 2&'+ + 4' e + <̂ + (2& e + − ' e +)ĥ
∇ × ⃗(1, −1,1) = 2<̂ + ĥ

Exercício 1.11 – Calcule o rotacional do campo vetorial ⃗ do exercício 1.7,


em coordenadas cilíndricas, usando a equação [1.84] ou a [1.85].

F sin j + Uk X + kUF − cos j "#


T
Resposta: ∇ × E = −
U

Exercício 1.12 – Demonstre, em coordenadas cartesianas, que


R × Rφ = K para φ sendo um campo escalar.

Exercício 1.13 – Demonstre, em coordenadas cartesianas, que


R.(R × E)= K para E sendo um campo vetorial.
As equações citadas nos exercícios 1.12 e 1.13 são fundamentais para
simplificações de problemas de campo em Eletromagnetismo. Tais
equações são válidas considerando que φ e E são contínuas, pelo
menos, até derivações parciais de segunda ordem. 10

Você também pode gostar