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ELETROMAGNETISMO

Capítulo 1 – Revisão de Cálculo Vetorial (parte 4)

(http://www.math.umd.edu/, 2020)
Prof. Denivaldo Pereira da Silva
Mat-T1: (2020/1)
1.7 – Fluxo total de um Campo Vetorial
O campo vetorial ⃗ ao atravessar uma superfície fechada S, defini
um grandeza escalar chamada fluxo total Φ. O fluxo total é o resultado da
diferença entre o fluxo que entra no volume V da superfície fechada menos
o fluxo que sai dessa superfície.
O fluxo total Φ pode ser calculado, para uma ⃗=
superfície fechada S, por meio de uma integral de
superfície do campo vetorial ⃗. Por conversão, o versor
, normal a cada elemento diferencial de superfície , ⃗ ⃗.
aponta para fora da superfície.

Φ= ⃗. [1.55]

O fluxo total definido em


[1.55] só é válido para uma
superfície fechada que delimita um
volume, embora o conceito de fluxo S
de um campo vetorial possa
também ser aplicado a superfícies
abertas, como por exemplo o fluxo Fig. 1.15 – Superfície fechada S, subdividida em
que atravessa a área de uma elementos diferenciais de superfície atravessada por
um campo vetorial ⃗. Fonte: Modificada de ZAHN (2003)
espira.
2
1.8 - Divergente
O divergente (div) de uma função vetorial fornece como resultado
um escalar que quantifica o fluxo líquido (total) por unidade de volume que
trafega por um superfície fechada.

S S
S
Fig. 1.16 – Superfície fechada S atravessada por certa quantidade de linhas do campo vetorial ⃗,
sendo o divergente (div) relacionado com o fluxo total que atravessa essa superfície. Fonte:
Modificada de VASCONCELOS (2020).

 Fluxo (total ou líquido) e o divergente são positivos se as linhas de campo


saem da superfície fechada. Neste caso, o interior dessa superfície contém
uma fonte (source) de campo ou de linhas de campo.
 Fluxo e o divergente são negativos se as linhas de campo entram na
superfície fechada. Neste caso, o interior dessa superfície contém um
sumidouro (sink) de campo ou de linhas de campo.
 Fluxo e divergente são nulos quando o fluxo líquido é nulo, ou seja, a
quantidade de fluxo que entra na superfície é a mesma que sai dessa
superfície. 3
A palavra divergente (ou divergência), em eletromagnetismo, está
relacionada com o fato das linhas de campo saírem da superfície
fechada (ou dela divergirem) quando o fluxo for positivo.

1.8.1 – Coordenadas Retangulares


Considere um elemento de volume Δ = Δ Δ Δ representado
na Fig. 1.17(a) e (b) que é atravessado por um campo vetorial ⃗.
O divergente será calculado no ponto P ( , , ) descrito na
Fig. 1.17(b), para as componentes ⃗ , ⃗ e ⃗ ,
respectivamente nas faces 1, 1’, 2, 2’, 3 e 3’
do elemento de volume Δ .
2
1′ ̂
2 ⃗ 3′
1 3 ̂ 3
1 ̂
̂
2′
(b)
(a)
Fig. 1.17 – Elemento de volume Δ em coordenadas cartesianas: (a) atravessado por um campo
vetorial ⃗ para o qual é calculado o divergente no ponto P ( , , ) situado no centro do elemento Δ .
Fonte: Modificada de IDA (2015). 4
Φ= ⃗. = (̂ ! ). ( ̂ !) + (̂ !% ). ( ̂ !% )
[1.56]
#! #!%

+ ( & ). ( &) + ( &% ). ( &% ) + (̂ ' ). ( ̂ ') + (̂ '% ). ( ̂ '% )


#& #&% #' #'%

, onde ! = !% = [1.58(a)]
Δ
! = ( + , , ) [1.57(a)] = = [1.58(b)]
2 & &%
Δ
!% = ( , , ) [1.57(b)] = =
2 ' '%
[1.58(c)]
Δ
& = ( , , + ) [1.57(c)]
)1 e )1+ : - ./0121 /
3
+
3
2 &
a &
Δ 3
+
3
&% = ( , , ) &
a
&
2
[1.57(d)]
3 3
Δ )2 / )2+ ∶ - ./0121 / &
a + &
' = ( , + , )
2
[1.57(e)] 3 3
&
a + &
Δ
'% = ( , , ) [1.57(f)] Δ Δ
2 )3 / )3+ ∶ - ./0121 / a +
2 2
3 3
&
a + &
5
Aplicando-se nas equações [1.57] uma aproximação (expansão)
de primeira ordem, por série de Taylor, em torno do ponto P ( , , ),
obtém-se

Δ Δ 6 , ,
! = + , , ≅ , , + [1.59(a)]
2 2 6
Δ Δ 6 , ,
!% = , , ≅ , , [1.59 (b)]
2 2 6

Δ Δ 6 , ,
& = , , + ≅ , , + [1.59 (c)]
2 2 6

Δ Δ 6 , ,
&% = , , ≅ , , [1.59 (d)]
2 2 6

Δ Δ 6 , ,
' = , + , ≅ , , + [1.59 (e)]
2 2 6

Δ Δ 6 , ,
= , , ≅ , ,
[1.59 (f)]
'%
2 2 6 6
Substituindo as equações [1.58] e [1.59] em [1.56] e calculando as
seis integrais nos limites de integração citados anteriormente, obtém-se seis
parcelas de fluxo que atravessam as faces 1, 1’, 2, 2’, 3 e 3’ do elemento de
volume Δ . Assim,
Δ 6 , ,
Φ! ≅ , , + Δ Δ [1.60(a)]
2 6

Δ 6 , ,
Φ!% ≅ , , + Δ Δ [1.60 (b)]
2 6

Δ 6 , ,
Φ& ≅ , , + Δ Δ [1.60 (c)]
2 6

Δ 6 , ,
Φ&% ≅ , , + Δ Δ
[1.60 (d)]
2 6

Δ 6 , ,
Φ' ≅ , , + Δ Δ
2 6
[1.60 (e)]

Δ 6 , ,
Φ'% ≅ , , + Δ Δ [1.60 (f)]
2 6 7
Somando-se as equações [1.60 (a)-(f)] para computar o fluxo total Φ
e sabendo-se que Δ = Δ Δ Δ , obtém-se
6 , , 6 , , 6 , ,
Φ= ⃗. =Δ +Δ +Δ
6 6 6
[1.61]

No limite, quando o elemento de volume Δ tendo a zero, define-se o


divergente do campo vetorial ⃗ como

∮ ⃗. 6 , , 6 , , 6 , ,
div ⃗ = lim = + + [1.62]
3F→H Δ 6 6 6

Em coordenadas cartesianas, usando o operador nabla ∇


6 6 6
∇. ⃗ = ̂ + ̂ + ̂ , , + ̂ , , + , , [1.63]
6 6 6

=;> >, ?, @ =;? >, ?, @ =;@ >, ?, @


89:; = <. ; = + + [1.64]
=> =? =@
Em coordenadas cartesianas o divergente é calculado como um produto
escalar entre o operador nabla e um campo vetorial ⃗, mas é apenas nesse
caso, pois em coordenadas cilíndricas e esféricas é necessário aplicar a
propriedade distributiva entre todos os elementos de ∇ e ⃗ .
8
1.8.2 – Coordenadas Cilíndricas
Para determinar o divergente de um campo vetorial em
coordenadas cilíndricas, poder-se-ia desenvolver o procedimento descrito no
capítulo 1.8.1 e que envolve cálculos de fluxos para um elemento de volume
Δ . Deixa-se para os alunos, como exercício, essa tarefa.
Nesta apostila, opta-se por determinar o divergente a partir da
equação [1.63], usando o operador nabla e o campo vetorial ⃗ em
coordenadas cilíndricas.
6 K 6 6
∇. ⃗ = J + + J L+K M+ [1.65]
6J J 6K 6

6 J 6 L 6 K 6 M 6 6
=J L +J + M +K + + [1.66(a)]
6J 6J 6J 6J 6J 6J

K 6 J 6 L 6 K 6 M 6 6
+ L +J + M +K + + [1.66(b)]
J 6K 6K 6K 6K 6K 6K

6 J 6 L 6 K 6 M 6 6
+N L +J + M +K + + [1.66(c)]
6 6 6 6 6 6
9
A partir das equações [1.7(a)-(c)], obtém-se
6 J
= 0 [1.67(a)] 6 K
6J = 0 [1.67(b)]
6J

6 6 6 6 J
= = = 0 [1.67(c)] =K
6K
[1.67(d)]
6J 6K 6

6 K 6 J 6 K
= J [1.67(e)] = 0 [1.67(f)] = 0 [1.67(g)]
6K 6 6
Substituindo-se as equações [1.67(a)-(g)] nas equações
[1.66(a)-(c)], obtém-se o divergente em coordenadas cilíndricas como

= ;P Q Q = ;R = ;@ Q = P;P Q = ;R = ;@
<. ; = + ;P + + = + + [1.68]
=P P P =R =@ P =P P =R =@

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1.8.3 – Coordenadas Esféricas
Para determinar o divergente de um campo vetorial em
coordenadas esféricas, também pode-se desenvolver o procedimento
descrito no capítulo 1.8.1, que envolve cálculos de fluxos para um elemento
de volume Δ , bem como o procedimento exposto no capítulo 1.8.2 e que
envolve desenvolver a propriedade distributiva entre todos os elementos de
∇ e ⃗ em coordenadas esféricas. Deixa-se ambos os procedimentos como
exercício e apresenta-se abaixo o divergente de um campo vetorial ⃗ em
coordenadas esféricas.

Q = ST ;S Q = ;W sin W Q = ;R
<. ; = T + + [1.69]
S =S S sin W =W S sin W =R

Para saber mais:


 Cálculo Vetorial e Aplicações. Kleber Daum Machado, 2014, cap. 3.3.
 Electromagnetic Field Theory: A Problem Solving Approach. Markus Zahn,
2003, cap. 1.4.3.
 Engineering Electromagnetics. Nathan Ida. 3 ed. 2015, cap. 2.3.2.
 Foundations of Classical Mechanics. P. C. Deshmukh, 2019, cap. 2.2 e 10.3.

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Propriedades envolvendo funções vetoriais ⃗ e X e uma função
escalar Φ para o cálculo do divergente:

<. ; + X = <. ; + <. X [1.70(a)]

<. Φ; = <Φ . ; + Φ(<. ;) [1.70(b)]

Exercício 1.6 – Seja ; = & & ̂ 2 & & ̂ + & , calcule <. ; no ponto
P (1,-1,1) usando a equação [1.63], em coordenadas cartesianas.
Resposta: ∇. ⃗ = 2 &
4 &
+ &
; ∇. ⃗(1, 1,1) = 7 ( ⃗ é uma fonte)

Exercício 1.7 – Seja o campo vetorial ⃗=J sin K J + J& K + cos K ,


calcule <. ; usando a equação [1.68], em coordenadas cilíndricas.

Resposta: ∇. ⃗ = 2 sin K + cos K

\]⃗
Exercício 1.8 – Seja [ = o campo elétrico gerado por uma carga pontual,
]^
\]⃗
sendo uma constante. Prove que ∇. = 0 para todo r ≠ 0.
]^

Dica: aplicar equação [1.70(b)], considerando Φ = 1 b' e ⃗ = 1⃗ = r 1̂


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1.8.4 – Teorema do Divergente
Se agora tomarmos uma superfície fechada S macroscópica
formada por muitos elementos de volume Δ , exposta na Fig. 1.18(a),
observa-se que as contribuições de fluxos para elementos de volume
situados no interior do objeto macroscópico serão nulas, pois cada fluxo
positivo que sai de um elemento de volume interior se cancela com o fluxo
negativo que adentra no elemento de volume adjacente, conforme Fig.
1.18(b). Portanto, contribuições não nulas para o fluxo total Φ somente são
obtidas a partir das faces de elementos de volume que formam o contorno
externo do volume macroscópico V, ou seja, que formam a superfície S
(externa).

Δ !
Δ &
(b)

(a) & ⃗

!
! = &

Fig. 1.18 – (a) Volume macroscópico V formado por muitos elementos de volume Δ ;
(b) elementos de volume Δ ! e Δ & adjacentes atravessados por um campo vetorial ⃗.
Fonte: Modificada de ZAHN (2003) 13
Assim, se somarmos todas as contribuições de fluxo dos
elementos de volume Δ e aplicarmos a equação [1.61] para computarmos o
fluxo total Φ, obtém-se
e

Φ= ⃗. = lim = f(∇. ⃗)Δ d = ∇. ⃗


3F→H
d→e dg! h
Logo,

i= l mj =
;. k n. ; mo [1.71]
j
p

Teorema do divergente: o fluxo total Φ associado a um campo vetorial ; é


computado como a integral de volume do divergente do campo vetorial ; ou
como a integral de superfície deste mesmo campo para a superfície S
fechada que envolve o volume V.

 O teorema do divergente possibilita a “conversão” entre


integrais de superfície e integrais de volume, que é útil no
simplificação de equações ou para reescrevê-las em formatos
mais adequados ao desenvolvimento da teoria clássica do
eletromagnetismo.
 Este teorema também é conhecido como teorema de Gauss ou
teorema de Gauss - Ostrogradski. 14
Exercício 1.9 – Verifique o teorema do divergente para o campo vetorial
⃗= ̂+ ̂+ = 11̂ . Admita que o campo ⃗ emana do ponto (0,0,0) que
coincide com um dos vértices de uma superfície fechada formada por
retângulos que define um volume V limitado em 0 ≤ ≤ 2, 0 ≤ ≤ r / 0 ≤ ≤ s,
conforme Fig. 1.19.

Fig. 1.19 –Superfície fechada S cujo volume V é atravessado por um campo vetorial
⃗ informado no exercício 1.9. 15
Fonte: Modificada de ZAHN (2003)

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