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Tido como uma das escolas literárias mais importantes, o 

Modernismo em Portugal foi
um movimento artístico que trouxe uma nova forma de produzir e consumir a arte e as
suas várias facetas, tendo três fortes e principais características: a revolução, a
inovação e a ousadia. O Orfismo corresponde à primeira fase do modernismo em
Portugal, sendo que recebeu esse nome devido à revista Orpheu.
A revista Orpheu foi fundada por um grupo de artistas plásticos e escritores, entre eles
Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Raul Leal, Luís de
Montalvor e Ronald de Carvalho. Esta revista serviu como uma espécie de porta-voz
dos precursores do modernismo, extremamente influenciados pelas modernas
correntes europeias, e teve início em 1915, época em que a Europa estava mergulhada
nos conflitos da Primeira Guerra Mundial. Sob o clima de forte tensão, os intelectuais
ligados à revista Orpheu tinham como objetivo encontrar novas formas de expressão
literária, formas estas que deixassem para trás o diminuto meio cultural português. No
resto da Europa, correntes estéticas como o Futurismo e o Cubismo ganhavam força e,
influenciados pelos valores dessas vanguardas, os orfistas lançavam um olhar para o
mundo e para as suas inovações tecnológicas, rompendo definitivamente com o
passado e a sua feição simbolista. Com isto, a 24 de março de 1915, sai a 1ª edição da
revista Orpheu, com o propósito de preencher o desejo de comunicar com a arte.
Esgota ao fim de três semanas, mas não devido a uma aceitação do público. Excluindo
o público de eleição, que muito agradado ficou com a ideia vanguardista, o mesmo não
se passou com o público em geral, donde recebeu árduas críticas. Após o lançamento
da 2ª edição de Orpheu, a 28 de junho do mesmo ano, eram evidentes as marcas desta
que se notavam no ambiente literário e político português. O terceiro número, já em
provas tipográficas, não saiu por falta de financiamento, pelo que só veio a ser
publicado em meados dos anos 80.
Tendo sido a mais icónica revista literária portuguesa de todo o século XX, e
seguramente a que exerceu uma influência mais duradoura, Orpheu foi também uma
publicação efémera, onde, nas suas páginas, poesia e prosa reinventavam-se numa
linguagem radical para espantar e incomodar. Ficou então considerada o marco inicial
do modernismo em Portugal, tendo marcado a história da literatura portuguesa do
século XX. Os seus protagonistas ficaram conhecidos como A Geração de Orpheu.
Em suma, Orpheu foi o primeiro grande momento de afirmação das vanguardas
modernistas em Portugal, pelo que os seus efeitos se fazem sentir até aos nossos dias.
Foi, ainda, o ano do aparecimento da revista Orpheu que deu lugar à irradiação de uma
nova poesia portuguesa e, ao mesmo tempo, à construção de uma nova língua
portuguesa, permitindo questionar o Homem e os seus abismos e levar a limites
desconhecidos a invenção da escrita e da palavra.
Sofia Luís, Nº 25;
Mª Carolina Rodrigues, Nº 19;
12º CTB

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