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Amore nella caffetteria

Escrita por @Love_sugamon / Beta @Orniyoon / MSGCoffeeshop


TO Em vermelho, estão as alterações feitas de erros ortográficos, de pontuação e concordância verbal cometidos.

TO Em azul, estão as alterações de sentido e conexão de parágrafos e frases, trocas de palavras redundantes e
qualquer outra alteração que tenha sido feito para a melhor leiturabilidade da sua fanfic.

SINOPSE: Jisung sabia que não deveria confiar naquele motoqueiro jovem estranhamente
educado quando o viu pela primeira vez, mas agora que já estava totalmente rendido a ele
mesmo depois de tão pouco tempo, um triste questionamento vinha para atormentar os
seus dias: fugir ou não fugir? Eis a questão.

NOME DO CAPÍTULO: Paixão de verão

CONTEÚDO DO TEXTO:

As temporadas de meio e final de ano para Han Jisung eram como o inferno na
terra.
Desde que se entendia por gente, ele via que a cada seis meses, a cafeteria da qual
seu pai era dono, recebia a visita de inúmeros motoqueiros viajantes que, por algum motivo,
sempre escolhiam aquele lugar como o ideal para suas primeiras refeições do dia.
Quando era criança, Han tinha medo todas as vezes que ouvia o barulho estridente
das grandes motos, além das vozes altas dos homens velhos e barbudos conversando
dentro da loja, então se escondia embaixo da cama e ficava lá até não ouvir mais nada, ou
até que seu pai o achasse e arrastasse-o pelo braço, dizendo para não ser tão medroso.
Era de se esperar que assim que Jisung completasse seus dezesseis anos, o
senhor Han tivesse a brilhante ideia de colocá-lo para ajudar no balcão. Na maior parte do
tempo não era um trabalho ruim, estavam em uma cafeteria entre um posto de gasolina e
um hotel barato que mais tinha cara de motel, frequentemente eram visitados por famílias
felizes no meio de viagens, levando seus cachorrinhos alegres, por casais apaixonados
depois de um boa noite no motelzinho de quinta, querendo um café cheio de doces pela
manhã, até por solitários, viajando consigo mesmos em busca de novas experiências.
Saber de suas histórias era mágico para ele, querer saber qual era a sensação de
largar tudo e seguir por aí, dentro de um carro, sem de preocupar tanto com o amanhã, era
o que sempre assolava Jisung, mas parecia que o seu destino era sempre estar preso lá,
aguentando as cantadas idiotas de motoqueiros de passagem.
Agora que tinha vinte e um anos e trabalhava como balconista e garçom, já estava
acostumado a receber tantos elogios direcionados ao seu corpo bonito, daqueles velhos
babões com suas alianças a mostra, porém confessava que ainda sentia um arrepio sempre
que ouvia o roncar dos motores das motocicletas nas proximidades da cafeteria.
Era Julho, fazia um calor infernal mesmo que fossem oito da manhã, e Jisung só
queria estar deitado em seu tapete bem em baixo de seu ventilador de teto com balanço
estranho, no entanto tinha que estar ali anotando vários pedidos de café com pães e
ignorando os pedidos de beijinhos, para o bem de sua sanidade mental.
— A cada ano que se passa, você parece mais bonito, Jisungie. — Ele sabia que
estava demorando demais para que o velho Shin falasse alguma coisa, o chamando por um
apelido que nunca foi permitido por si. — Há seis meses você não estava com uma bunda
tão redondinha.
Pretendia ignorar como fizera todas as vezes, realmente queria ignorar, mas o tapa
que recebeu o deixou tão surpreso e desnorteado, que até deixou cair seu pequeno
caderno de pedidos sobre a mesa. Jisung nunca desejou tanto estar casa quanto agora,
entretanto se entrasse lá a essa hora, com certeza, seu pai o mataria.
— Deixem o garoto em paz, bando de velhos depravados. Ele não é para o bico de
vocês.
Foi a primeira vez que Han ouviu uma voz tão novinha no meio de todos aqueles
homens com seus quarenta ou cinquenta anos de idade. Ela vinha do meio de um trio de
jovens perdidos por ali, era de um garoto bonito que agora se levantava e seguia em sua
direção, com os olhos de gato e os lábios cheinhos, fofos e contraditórios às marcas de
machucados recém cicatrizados que levava no rosto.
— Vamos lá, eu vou te ajudar com esses imbecis. — Tocou seu braço, como se
quisesse puxá-lo para o balcão sem exercer tanta força.
— Ah, Minho, não acabe com a nossa diversão desse jeito — Shin reclamou com
um sorrisinho no rosto, mesmo que em sua testa estivesse escrito o quanto adoraria tirar o
garoto de seu caminho. Mas não o faria, Minho era imprevisível, tinha uma arma muito bem
escondida em algum lugar da cintura, que ninguém sabia, e um canivete na jaqueta,
possuía noções de luta, e se pararmos bem para pensar, ele não teria chance nenhuma
contra um garoto tão jovem.
— Eu agradeço, senhor, mas não preciso de ajuda. É o meu trabalho.
— Eu não estou perguntando se você está precisando, estou dizendo que vou te
ajudar. — Tomou o pequeno caderno caído na mesa para si e seguiu até atrás do balcão,
sem ser permitido, fazendo com que Jisung o seguisse as pressas.— A não ser que você
goste de ser tratado como uma garçonete vadia, que vende bebidas alcoólicas em bares de
esquina e, eventualmente, o próprio corpo.
Minho não o olhava enquanto falava, seus olhos estavam concentrados demais nas
anotações em suas mãos e nos lanches cheirosos sobre a bancada.
— O senhor não pode fazer o meu trabalho. Por favor, volte para o seu lugar. —
Optou por ignorar a última frase do homem, tentando ser o mais educado que sua força de
vontade permitia.
— Eu estou te fazendo um favor, pare de reclamar e prepare os pratos, eu vou
servi-los.
Aquele cara era definitivamente um louco. Jisung nem acreditou quando o viu levar
todos os pedidos, um por um, em suas respectivas mesas, quase sair no tapa com um dos
homens ali — fato que o caracterizava como péssimo garçom — e, ao final, pedir apenas
um pãozinho a mais por seus trabalhos prestados. Quase como um cavalheiro, mas com
sorriso cafajeste no rosto, que deixavam o atendente desconfiado.
— Espero que esteja satisfeito com o meu trabalho, gracinha. Não vou te pedir nada
por isso, mas se quiser me chamar para tomar um café. — Deu os ombros, querendo
insinuar que estava se auto convidando para um próximo encontro.
— Se o senhor os serviu, foi porque quis, eu disse que não precisava da sua ajuda.
Com licença. — E deu as costas ao balcão, entrando por uma porta que dava na cozinha da
casa e era o lugar onde os lanches eram guardados e produzidos, sem antes deixar de ver
o riso convencido de Minho, do qual ele sabia que não se veria livre tão cedo. Na sua
humilde opinião, sua vida não poderia ficar pior.
[•••]
O pai de Jisung estava animado demais naquela noite. A melhor temporada de
vendas para ele havia chegado, uma semana inteira lucrando tudo que poderiam ganhar em
dois ou três meses, apenas às custas daqueles velhotes mortos de fome que, por algum
motivo, passavam muito tempo consumindo dentro da cafeteria.
Sung sabia que o motivo era ele, além da boa comida, é claro. Não que fosse
narcisista ou algo assim, no entanto passar horas naquele lugar, sentindo sua pele queimar
sobre os olhares de alguns daqueles homens, era o suficiente para ter certeza, e por isso,
ele odiava ver o seu pai tão feliz por eles.
— Por que está com essa cara, hm? — O homem puxou uma de suas grandes
bochechas para chamar sua atenção. Estavam na mesa de jantar e o garoto havia enrolado
com seu prato durante bons minutos. — Acaso não está feliz de termos tantos clientes?
— Eu estou, pai. É que… algo aconteceu hoje.
— Alguém saiu sem pagar? — Suspirou cansado, ao realmente constatar que seu
pai só se preocupava com lucros acima de qualquer coisa.
— Não. Foi comigo. — Mexeu um pouco mais na comida. — Aquele homem que eu
falei ao senhor há alguns meses, voltou a falar coisas para mim.
— E por que está reclamando para mim? Deveria aproveitar a atenção que tem para
arrancar mais dinheiro desses coroas idiotas. — O mais velho riu, enquanto Jisung não
poderia estar mais perplexo com a resposta que recebeu.
— Está falando sério? Eu estou dizendo que ele voltou a me assediar e o senhor ri?
— Por que você está sendo tão dramático, Jisung-ah? Eles só disseram umas
coisinhas sobre o seu corpo, qual é o problema? Devem achá-lo bonito. Você sempre teve
umas curvinhas femininas, com certeza isso é atraente para eles e olhar não tira pedaço. —
Deu os ombros.
— E se um dia, eles me tocassem? — Os olhos do garoto estavam vermelhos,
encharcados, enquanto ele implorava a si mesmo que não chorasse pela negligência de
seu pai.
— Garoto, preste atenção. Olhe para onde nós estamos, olhe esse fim de mundo. —
Usou um talher para apontar o lado de fora da casa pela janela. — Acha que é fácil viver
aqui? Acha que se você não tiver dinheiro no bolso, alguém vai te ajudar só porque tem um
rosto bonitinho ou porque é um bom vizinho? Ninguém liga pra ninguém, Jisung. E é por
isso que precisamos tirar máximo de dinheiro que pudermos dos clientes que aparecem
aqui. Se eles te tocarem? Que se dane, cobre por isso porque nós precisamos sobreviver.
— Está sugerindo que eu me torne...? Não, isso só pode ser uma brincadeira.
— Você nunca me enganou, descobri que você gostava de macho há anos, quem
sabe você seja tão bom quanto a sua irmã.
Jisung se levantou da mesa com tanta pressa que sua cadeira caiu atrás de si,
apenas teve o trabalho de passar por cima dela e seguir até a porta da cozinha, querendo
sair da casa.
— Aonde pensa que vai? Volte aqui! — O mais velho seguiu o filho dentro do
cômodo, porém era tarde e ele já estava caminhando no vazio do terreno em volta da casa.
— Saia andando sozinho por aí e depois não venha reclamar comigo que foi pego a força
por um desses motoqueiros, garoto estúpido.
Han finalmente chorou na metade do caminho. Tanto que suas pernas fraquejaram e
ele caiu de joelhos no meio do nada, com as mãos apertando o vazio do chão, se
machucando no asfalto, no entanto não haveria dor que fosse tão forte quanto a de seu
peito naquele momento. Ele não queria morrer, nunca teve a mínima vontade de desistir da
sua vida cem por cento, Jisung só queria sentir um abraço de alguém que o dissesse que ia
tirá-lo e que sua vida ia ser boa no final. Mas não tinha ninguém.
— Está perdido no próprio quintal? — Se assustou ao ouvir uma voz atrás de si e
limpou rapidamente o rosto, respirando fundo com o nariz ainda entupido antes de olhar
quem era. — Se te ajuda, a sua casa fica atrás da única cafeteria que tem por aqui.
O sorriso cínico de Minho o fez cogitar se realmente deveria confiar nele. Porém, por
que não entrar na brincadeira? Já estava fodido mesmo.
— Na verdade, eu vim te procurar. Falei pro meu pai que você me ajudou hoje, e ele
gostou tanto do seu serviço que quer te contratar. O problema é que o único uniforme que
nós temos disponível é feminino, então espero que você não se incomode em usar uma
saia e uma blusa decotada. — Por mais que tivesse escutado o início daquela frase com o
rosto sério, Minho riu no final.
— Ah, eu não vejo problema nisso, minhas coxas vão ficar lindas se estiverem livres,
mas espero que eu não precise usar uma calcinha também. Você sabe, eu tenho um pau
muito grande, talvez não dê certo. — Foi a chave para fazer Jisung rir, mesmo que só um
pouquinho.
— Claro, claro, eu posso dar um jeito nisso. Mas vai ser uma pena porque eu tenho
uma com um lacinho atrás que ficaria perfeita.
— Você tem? — O olhar sugestivo do moreno foi o suficiente para que percebesse
que sua frase soou um tanto estranha.
— Não! Ela não é minha. Era umas das coisas que minha irmã deixou para trás em
seu quarto, assim como o uniforme.
— Era? — Se agachou ao lado do garoto sentado no chão, para igualar as alturas.
— É, ela não mora mais aqui, se mudou para outro país há mais de dois anos. Sinto
falta dela. — Suspirou, limpando o nariz na barra da camisa.
— Por isso você estava chorando quando eu cheguei? — Jisung não queria
conversar sobre a sua vida com um estranho, mas estava tão sobrecarregado de tudo que
precisava desabafar, e o motoqueiro seria o responsável por ouvir suas lamúrias.
— Na verdade, foi o meu pai. Eu falei sobre o que aconteceu hoje, só que ele disse
que não via problema com o fato deles gostarem do meu corpo e que talvez eu pudesse me
aproveitar disso para tirar mais dinheiro dos homens. Porque é mais fácil pra mim já que eu
"gosto de macho". — Fez aspas com uma das mãos, voltando a enxugar pequenas
lágrimas recentes.
— Então ele está dizendo pra você virar um prostituto? Não sei qual é a palavra
certa, mas, uau, que pai bosta você tem.
— Você consegue entender o quanto eu me sinto horrível? Eu denunciei um assédio
ao meu pai e ele me mandou deixar que isso continue acontecendo se for por dinheiro. — A
essa altura já era difícil novamente segurar as lágrimas.
— Eu nunca passei por isso, mas eu sei como se sente, não é a primeira vez que
esses caras agem assim. — Ele se cansou de estar apoiado sobre as pernas, e então se
sentou no chão também. — Sabe, não são todos eles que fazem isso, mas os que fazem
gostam de pessoas indefesas, não importa se é homem ou mulher. Você tem que se impor,
cara, não pode deixar eles te pegarem assim. Se um daqueles idiotas desse um tapa na
minha bunda, eu juro que cortaria ele em pedacinhos. — Jisung sorriu singelamente. Por
que estava confiando naquele louco?
— É diferente para mim. Se eu perder clientes, meu pai perde dinheiro, e se ele
descobrir que foi por minha culpa, estarei morto. Ou por apanhar dele ou de fome, mas com
certeza morto.
— Você deveria fazer que nem a sua irmã e meter o pé.
— Eu não tenho dinheiro. Meu pai me dá uma porcentagem do que vendemos por
trabalhar, só que é pouca coisa e quando estamos no inverno, no período de vendas baixas,
ele me pede emprestado para comprar comida e alguns materiais. E nunca devolve. Ele
fazia o mesmo com a minha irmã, como éramos em três, e ela ainda tinha um cachorrinho
comilão, tudo ficava mais difícil. Por isso quando ela achou alguém disposto a dar muito
dinheiro, simplesmente se deixou levar.
— Então a sua irmã fugiu com um cara rico?
— Ela me disse que eles tinham uma relação de coleguismo distante, mas o meu pai
nunca acreditou nisso. Já eu, por mais que em todas as vezes que ele vinha aqui eu sabia
que ia ouvir eles transarem do banheiro, tinha certeza que não eram nada além de
desconhecidos que se tornaram amigos. Minha irmã precisava de dinheiro e ele precisava
se aliviar, só que com o tempo, ele deve ter se sensibilizado por ela e decidiu ajudá-la a sair
daqui para ter uma vida melhor, até duvido que eles estejam juntos agora. Eu tenho muito
medo de voltar a passar tanta dificuldade ao ponto de ter que vender o meu corpo,
principalmente porque eu sinto que mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer, e talvez eu
não tenha a sorte que minha irmã teve.
— E se você fugisse comigo?
Por um longo tempo, Jisung ficou encarando-o com seus olhos grandes arregalados,
piscando inúmeras vezes, ainda esperando que o outro dissesse algo além daquilo.
— Você está falando sério? — Seus olhinhos se abriram ainda mais — se é que
aquilo era possível — quando recebeu um aceno positivo do rapaz. — Você é doido. Eu mal
te conheço!
— Você pode me conhecer melhor, vou ficar mais alguns dias por aqui. Além do
mais, você não precisa ficar comigo, eu te levo pra fora desse lugar e você vai onde quiser
depois. Conheço muita gente e posso até te arrumar um emprego decente. — Era uma
proposta estranhamente tentadora, Han ousava admitir. Entretanto ele não ia se deixar levar
tão fácil assim.
— Eu sei lá, não conheço você. Talvez eu pense sobre isso depois. — Ditou bem
receoso, obviamente cogitando negar.
Sorrateiramente, Minho se aproximava do corpo de Jisung, mantendo os olhos dele
fixos em si. Conseguia sentir a respiração quente bater contra o seu rosto de tão perto que
estavam e jurava que, se fizessem um pouco mais de silêncio, poderia ouvir o coração
alheio pulsando lentamente.
— A luz da sala de jantar lá de casa já foi apagada. — Han apontou para trás de si
com o queixo, fazendo Minho virar-se para olhar.
— E o que isso significa? — questionou Minho, quando tornou a olhar para frente.
— Que o meu pai está se preparando pra dormir, então eu posso entrar em casa
sem ouvir os sermões que ele tem para me dar. Preciso voltar para casa. — Levantou-se do
chão e limpou a parte de trás da calça, sendo acompanhado pelo outro.
— Mas se ele já foi dormir, por que você precisa ir agora? — O segurava pelo braço,
pedindo silenciosamente que ficasse.
— Porque eu preciso acordar cedo amanhã, nós abrimos ás sete, e bem antes disso
tudo precisa estar pronto. — Esticou o corpo, aproveitando para arrumar os cabelos meio
bagunçados. — Obrigado por ter conversado comigo hoje, espero te ver amanhã. — O
sorriso que esboçou foi simples, mas sincero. — Se chegar cedinho, talvez eu te ofereça
um café por conta da casa.
E se afastou, voltando a andar na direção de sua casa. Ele não conseguiu ver o
sorriso de Minho em resposta ao seu, porém de alguma maneira, ele sabia que veria o
rapaz lá no dia seguinte.
[•••]
Dizer que Jisung havia acordado feliz aquela manhã seria um belo exagero,
entretanto podia-se dizer que ele estava mais animado ao sair da cama do que em qualquer
outro dia de verão. Minho esteve na porta da cafeteria desde as seis da manhã, para ser
sincero, nem sequer tinha dormido por uma ansiedade boba — e pelos gritos de uma
discussão no quarto ao lado — e agora estava com sono até seu último fio de cabelo, mas
nada melhor para despertar do que uma xícara cheinha de expresso.
— Você realmente levou a sério quando te falei para chegar cedo. — O sorriso com
que recebeu ele hoje foi muito melhor do que a expressão carrancuda do dia anterior.
— Não sou de brincar quando o assunto é ganhar coisas de graça. Você me
ofereceu um café por conta da casa, esqueceu? — Se apoiou no balcão, observando os
lanches recém feitos.
— Não esqueci, só não sabia que ia chegar tão cedo assim. — Esperou que a
máquina terminasse de colocar o café na xícara, aproveitando também para tomar o seu já
que não tinha ninguém ali. — Então, estamos quites.
— E se eu te ajudar de novo, você vai me recompensar mais uma vez?
— Eu agradeço, mas não precisa me ajudar de novo, está tudo bem. Eu não vou
deixar acontecer o mesmo de ontem. — Deu um grande gole no café, roubando um
pãozinho de coco. — E também não posso ficar te dando café grátis todo dia.
— E quem disse que eu ia pedir outro café? — Minho aproximou seu rosto
rapidamente do de Jisung, chegando a assustar o garoto quando se escorou totalmente no
balcão.
— Se está pensando em me pedir para fugir com você, repito que está louco. Eu
não vou.
— Você nem me deixou completar. Se você não quer fugir, não vou te obrigar, mas...
— Antes que Minho pudesse terminar sua frase, o típico som do sininho de porta de loja
soou, anunciando a entrada do que pareciam ser os colegas do Lee, que estavam sentados
com ele no dia anterior. Ele suspirou ao ver que suas expressões ainda eram emburradas.
— São seus amigos, não são? — assentiu, com uma carinha de desgosto. — Por
que não está feliz em vê-los?
— Porque eles são namorados e estão brigados desde ontem. — Revirou
fortemente os olhos. — Não sei o que houve, mas o Changbin veio parar no meu quarto,
porque eles tinham discutido no meio da noite.
— E qual deles é o Changbin? — Jisung se apoiou no balcão também, para se
aproximar mais do Lee e sussurrar, curioso. Não que fosse fofoqueiro ou algo assim.
— O moreno mais baixinho, que daqui a pouco vai se levantar e vir aqui porque é
bem impaciente. Ele vai pedir um latte caprichado e uma caixa de rosquinhas, todas com
cobertura rosa e sem nenhum tipo de confeito em cima, porque o Felix odeia confeito, mas
ama rosa. — Deu seu último gole no café, já meio frio. — O Changbin sempre vai tentar
fazer algo assim pra fazer as pazes com o namorado, é esperto da parte dele, mostra como
ele lembra dos gostos do outro nos mínimos detalhes.
— É fofo. — Jisung sorriu fraquinho, tentando olhar disfarçadamente para o loiro nas
primeiras mesas, que achava ser o tal Felix. — Não achei que vocês, motoqueiros viajantes,
eram tão românticos. Não sabia nem que vocês tinham relacionamentos fixos, já que ficam
rodando pelo mundo, conhecendo tanta gente.
— Você não está falando de monstros, garoto. Não é porque saímos por aí deixando
outras coisas fixas para trás que não conseguimos gostar de alguém, tem vários desses
caras que tem família e se juntam a nós apenas duas vezes por ano quando temos algumas
convenções e etc. Mas quando fica longe assim é difícil durar sem ter que engolir uns
sapos, eles se perdem mesmo pelo caminho, esquecem da aliança que tem no dedo só de
ver qualquer vadia disponível na beira da estrada. O relacionamento deles tá firme porque
eles estão assim, juntos o tempo inteiro, e por mais que, às vezes, algumas desgraças
aconteçam, isso é o que mais importa pro amor acontecer. Acha que um deles precisaria
pedir o perdão do outro se eles fossem se ver daqui há meses?
Jisung olhava o rapaz com um carinho imenso enquanto ele expressava suas
opiniões, mesmo que não usasse palavras tão bonitas ou não tivesse seu tom de voz mais
aveludado, era gostoso ouvi-lo falar sobre o amor.
— E lá vem ele. — Guiou seus olhos ao rapaz moreno que vinha na direção dos
dois, olhando a vitrine.
— Eu preciso de um capuccino e de um latte, bem caprichado — ditou sem tirar os
olhos do vidro, alto o suficiente para que o atendente ouvisse. Seu sorriso se iluminou
quando conseguiu achar o que queria. — Você, por favor, conseguiria fazer uma caixa
dessas para mim, só com cobertura cor-de-rosa? — Apontou as rosquinhas nas bandejas,
que por sorte do homem não estavam confeitadas, e então Han sorriu cúmplice para Minho
por constatar que ele realmente estava certo.
— Claro que posso, senhor. Avisarei assim que seus pedidos estiverem prontos.
Tentaria seu máximo para escolher os doces mais bonitos dali e as mais lindas
xícaras de café, afinal, o que não faria pela reconciliação de um casal?
— Eu não ganhei nenhum tratamento especial vindo da sua parte e eu cheguei aqui
super cedinho. Deveria te denunciar por privilegiar os outros clientes? Você nem me chama
de senhor mais. — Minho esperou que o amigo saísse dali— sem nem ter o dado um oi, o
que era um ultraje — para reclamar com o garçom, que já estava de costas, separando as
cápsulas de café.
— Tenho cada vez mais medo dos prêmios que quer tirar de mim. Já ganhou um
café e também...
— O café foi você que me ofereceu! Eu só aceitei. Você está me caluniando, Jisung.
— O citado riu das birras do outro homem.
— Tá, isso fui eu, sim. Mas, se me ajudasse de novo, você ia me pedir algo que não
disse porque seu amigo chegou. — Se aproximou de Minho de novo quando apoiou a caixa
de rosquinhas no balcão, com todas cor-de-rosa já separadas, e uma fita de mesma cor. —
O que era?
Um beijo.
Era nisso que Lee Minho vinha pensando desde o dia anterior, no momento em que
seus olhos caíram sobre lábios bonitos de Han. Todavia ele estava tão sensível naquela
hora, o rosto ainda molhado do choro e o coração, com certeza, doendo, preferiu respeitar o
tempo dele, mesmo que seu tempo estivesse implorando por isso.
— Queria que saísse comigo, de moto. — Seu desejo não era de todo mentira.
— É claro que não. E se você me sequestrar? Esse é o típico filme de suspense
clichê, onde o mocinho da história se ferra porque não vê o perigo óbvio. — Terminou o laço
sobre a caixa, colocando-a em cima de uma bandeja.
— Eu poderia ter te sequestrado ontem, sabia? Estava de noite e estávamos
sozinhos, longe da sua casa, era muito mais fácil. Mas essa não é a minha intenção, eu
realmente quero sair com você, te mostrar só um pouquinho do que é a minha vida. —
Jisung virou de costas para si, por um instante, para pegar os cafés prontos e colocá-los na
bandeja também.
— Vai ter que me ajudar muito para me convencer a sair com você. — Empurrou um
pouco o pedido em sua direção. — Pode começar servindo os seus amigos.
Quando ele tocou a campainha que avisava que o pedido estava pronto, Minho nem
acreditou em si mesmo quando sustentou a bandeja e saiu de frente do balcão, indo na
direção dos risinhos de seus queridos colegas. Estava mesmo servindo de empregado
gratuitamente à mando de um garoto que mal conhecia? Talvez estivesse mesmo meio
louco, mas algo o dizia que seria recompensado por aquilo, no final.
[•••]
A cada vez que a moto acelerava mais um pouco, Jisung tinha seus fios de cabelos
que escapavam no capacete mais bagunçados com a força do vento, no entanto ele
gostava do friozinho na barriga que estava sentindo. O medo do novo que assolava o seu
coração, desde que aceitou um passeio ao pôr do sol do lado de Minho, sumia aos
pouquinhos, se arriscava até a soltar os braços da cintura do rapaz, jogando-os para o alto
— não por muito tempo, com receio de cair — e gritar o quanto aquilo era divertido para si,
sabendo que ninguém o ouviria naquele fim de mundo.
Estavam juntos há horas, desde quando se encontraram pela manhã, porque Minho
queria garantir que Jisung ficaria seguro mesmo no meio daqueles coroas babacas, depois
de descobrir que seu pai o havia deixado sozinho com a loja. Na tarde, que era mil vezes
mais fraca em relação ao resto do dia, Han tentou a todo custo ensinar o rapaz a fazer um
café na máquina, porém o resultado foi completamente desastroso, e por isso ele desistiu
de mostrar o seu mundo para o Lee, optando apenas por deixar que ele fizesse o mesmo
consigo.
E, bem, lá estava ele.
— Acho melhor a gente parar — falou o mais alto que pode para que o outro ouvisse
mesmo com o capacete.
— Quer voltar para casa? — Ouviu a resposta vir junto ao assobio do vento.
— Não, eu só quero parar um pouco.
Desta vez ele não ouviu nenhuma resposta, apenas sentiu que estavam ficando
mais lentos e próximos dos cantos da pista, onde pararam.
— Eu nunca fiquei com tanta saudades de pisar no chão quanto estou agora. — Han
respirou fundo e apoiou as mãos nos joelhos.
— Está arrependido? — Lee foi mais ousado do que ele, se sentou no chão batido e
passou a observar as cores bonitas misturadas no céu.
— Não, só estou um pouco assustado ainda. Talvez um copo de água resolva. —
Tomou coragem para fazer o mesmo, sem ligar para a calça suja, já que seria ele mesmo
quem lavaria.
— Continua achando que não deveria confiar em mim?
— Eu confio em você agora muito mais do que já confiei em alguém desde que saí
do ensino médio ou até antes. Não sei se pode parecer muito pra você, mas pra mim é.
— Parece bastante para mim. Você não parece ser do tipo de pessoa que confia em
alguém sem conhecer ele por no mínimo dez anos — gracejou, conseguindo tirar um risinho
do moço.
Por um tempo, ambos ficaram em um silêncio encarando o Sol se pôr no final da
longa estrada. Jisung se arrastou preguiçosamente pelo chão e apoiou parte do corpo no
peito de Minho, permitindo-se relaxar um pouco enquanto ouviu as batidas desregradas do
coração abaixo de si. Era um contato estranhamente romântico para ele, no entanto seria
uma grande mentira se dissesse que não estava gostando.
— Jisung? — foi respondido com um resmungo. — O que você faria se eu te
pedisse um beijo agora?
Pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas, Han o encarou com os olhos
arregalados, sem dizer nada, com a esperança de que tivesse ouvido errado ou que talvez
aquilo fosse uma brincadeira. Entretanto não era, e ele soube disso quando sentiu a boca
de Minho junto a sua, enquanto a mão dele segurava seu rosto e o puxava para perto,
aprofundando o contato. Virou seu corpo totalmente para frente e então se permitiu ser
tocado pelo outro, sentia a mão que tocava a sua cintura devagar, mas não se incomodava
com tal ato, era como se os braços de Minho o fizessem sentir protegido. Gostava daquilo.
— Eu vou embora — a voz baixinha do Lee soou em meio a uma respiração falha,
próxima a seu ouvido quando se separaram.
— Já? O sol acabou de sumir, por acaso está medo do escuro? Ou, sei lá, se
transforma em algum ser sobrenatural durante a noite? — Voltou a se apoiar em seu peito,
dando um risinho fraco.
— Yah, você me viu ontem à noite, bobinho. Mas não é disso que eu estou falando.
— Afastou o garoto um pouco apenas para que pudesse segurar seu rosto e olhar
diretamente para os seus olhos. — Eu vou embora daqui, da cidade, hoje, durante a
madrugada. Preciso continuar minha viagem.
— Já? — repetiu a mesma pergunta de antes, porém agora tinha um rostinho triste.
— Você disse que ficaria aqui por alguns dias.
— É, mas eu preciso ir. Não tenho mais tanto dinheiro disponível assim para
continuar parado aqui.
— Mas se você vai continuar viajando, vai continuar gastando.
— Eu vou para casa da minha mãe dessa vez, ela mora em Jeju. É longe daqui,
você deve saber, é uma viagem enorme na estrada e mais algumas horas de balsa, por isso
sairemos tão cedo. Vai gastar quase todo resto de dinheiro que tenho, mas pelo menos eu
vou ter onde ficar. — Minho suspirou ao terminar de falar, porque a expressão de Jisung
não mudava por nada.
— E quando você vai voltar de lá?
— Em sete dias ou dez, talvez, mas eu não vou passar por aqui. Essa é uma via de
mão única, as pessoas que passam estão indo para aquela direção e não voltando. Seria
tecnicamente impossível. — Sem dizer nada, Han se afastou dele e se encolheu contra o
próprio corpo.
— Então a gente nunca mais vai se ver?
— Não precisa ser tão pessimista assim, podemos nos ver no futuro, se você ainda
estiver aqui. — Sentiu seu abraço por trás, além de alguns selares em seu pescoço e, por
um instante, permaneceu novamente em silêncio. — Estávamos em um momento tão bom
e eu estraguei tudo não foi? Me desculpa.
— Eu vou estar sempre aqui. — Sua voz não era nem um pouco esperançosa
quando respondeu a primeira frase de Minho. — Vendo todo mundo ir embora. Minha mãe
me deixou, minha irmã foi embora, os meus amigos, que antes viam aqui me visitar,
seguiram seus próprios rumos há tempos, e agora você, mas eu continuei aqui porque esse
é a droga do meu destino — falava com um biquinho adorável nos lábios, que seria mais
fofo se não fosse tão triste. — Você fez eu me sentir tão bem, Minho. Em dois dias, você fez
mais pela minha vida do que eu já devo ter feito, porque eu não senti medo do amanhã, eu
me senti mais feliz do que nunca e... Eu me apaixonei. — Riu de si mesmo, apertando os
olhos e acabando por forçar que sua primeira lágrima caísse. — É uma droga eu ser tão
fodidamente emocionado. Eu não deveria estar aqui chorando como um bezerro
desmamado por você seguir a sua vida, eu não deveria nem te conhecer.
— Mas você se apaixonou por mim. — Lee tinha um sorriso bobo no rosto, querendo
que o outro admitisse aquilo mais uma vez.
— Em dois dias, o que significa que você tem uma conversa muito boa. Eu acho que
no momento em que, ontem, você se sentou comigo no chão e tentou resolver os meus
problemas, mesmo sem me conhecer, eu senti que os meus dias não seriam mais
completos se eu não tivesse você ao meu lado. — Se rendeu novamente aos braços do
rapaz, apoiando o rosto em seu antebraço. — Mas é egoísta da minha parte te implorar
para ficar só porque eu me apaixonei. — Suspirou, tentando controlar sua avalanche de
emoções. — Isso tudo que eu acabei de falar foi tão bobinho, né? "Não consigo mais viver
sem você ao meu lado" — ironizou o que disse com uma voz tosca. — Que coisa ridícula.
Me desculpe por te submeter a isso.
Admitia que havia se apegado muito rápido ao rapaz por ter sido compreendido
depois de tanto tempo, o encarava como uma solução, ou quem sabe só um refúgio, para o
seu futuro assustador, e por isso, vê-lo indo embora, sem esperanças de voltar, deixava-no
mal.
— Sabe, eu gosto muito de histórias de amor à primeira vista, Jisung.
— Você está falando sério? — Levantou um pouco o rosto para encarar o de Minho,
enxergando que o sorriso bobinho ainda permanecia ali.
— Sim. Aquela pessoa que você olha e de alguma maneira sabe que ela é o amor
da sua vida. É legal sentir isso, não é nem um pouco bobo ou infantil. — Fez um carinho na
bochecha do Han.
— Você já se apaixonou por alguém tão rápido assim?
— É claro que já, todo mundo já deve ter passado por isso. A melhor delas não foi
há tanto tempo assim, eu comecei a gostar de um garoto muito bonito que eu encontrei
chorando, por acaso, em um estacionamento, e que me ofereceu um uniforme feminino
para vestir. Como eu poderia não me apaixonar por alguém que gostaria de me ver com
uma saia e uma calcinha de lacinho?
Talvez a coisa que Minho mais gostasse de fazer, a partir daquele dia, era Jisung rir
depois de tê-lo visto chorando.
— Você é tão bobo, acho que nunca vou conseguir te levar a sério. — Por um
instante, ele agarrou ao braço do Lee e inalou seu perfume, como se tentasse guardar na
mente todos os pequenos detalhes de sua intensa paixão de verão.
— Eu acho que preciso ir. Tenho que dormir mais cedo para estar acordado durante
a madrugada. — Beijou o pescoço de Han e o segurou mais forte em seus braços, antes de
se levantar. — Você... Não estaria interessado em conhecer o meu quarto antes que eu vá?
— O que eu iria ver de tão interessante no seu quarto?
— Acho que nada de mais, mas pelo menos você poderá se despedir de mim. —
Novamente conseguiu fazer o garoto sorrir, um pouco sem graça dessa vez.
— Meus ancestrais conservadores devem estar se revirando no túmulo. — Estendeu
a mão para pegar a de Minho como apoio para se levantar.
— Não ligue tanto para eles agora. — Estendeu o capacete já de cima da moto. — É
melhor se arrepender de ter feito do que de não ter.
[...]
Quando Jisung tateou a mesinha ao lado da cama e acendeu um celular eram duas
da manhã, estava absurdamente frio naquele quarto, o vento que vinha da janela
entreaberta batia diretamente em suas costas nuas e marcadas, e ele nem sequer havia
percebido que era tão gelado ali dentro. O outro lado da cama estava vazio e uma pequena
fresta de luz incomodava diretamente seus olhos, ela vinha da porta e só não era maior
porque Minho estava escorado nela, olhando curioso para algo no corredor.
— Yah — chamou a atenção do amante, que só fez colocar a cabeça para dentro do
quarto novamente.
— Estava tendo uma briga no quarto do lado. — O sorriso largo estampado em seu
rosto era contraditório à sua frase. — E o Changbin tá pelado no meio do corredor.
— Mentira!
— É verdade! Vem aqui ver. — Abriu um pouco mais à porta, o oferecendo lugar
para se apoiar.
— Não, eu não quero. Estourei minha cota de homens nus por hoje.
— É uma pena para você, porque eu vou colocar ele para dormir aqui. — Colocou o
rosto para fora de novo. — Ei, peladão. Entra aí.
Foi difícil para Jisung não rir ao ouvir o outro, principalmente quando viu o citado
antes realmente aparecer sem usar nada além da própria mão à frente do corpo.
— O que houve dessa vez? — Minho fechou a porta atrás de si.
— O de sempre. Eu falei uma grande besteira, então ele surtou e me colocou para
fora do quarto no meio de um boquete, cara — choramingou, bagunçando os próprios
cabelos. — Vou começar a fazer greve de silêncio para ele não me arrancar um pedaço
fora.
— Você está exagerando. — Foi até a próxima sacola de roupas para procurar um
peça decente que pudesse emprestar.
— Você por acaso já viu o tamanho dos dentes dele? Ele parece um coelho fofinho,
mas é daqueles que arranca o seu saco fora. — Pegou no ar as peças que foram jogadas
por Minho. — Mas sabia que quando eu vi ele todo bravinho daquele jeito, eu fiquei duro
para caralho? Não sei o que houve.
— O que houve é que vocês, loucos, foram feitos um para o outro. — Deu um
peteleco na testa do amigo. — Agora vai no banheiro tomar um banho frio ou bate uma, sei
lá. Só não faz barulho que eu estou com visita. — Changbin não havia nem reparado no
garoto sentado na cama, de tão imerso em seus próprios problemas.
— Ah, o cara da cafeteria. Nossa, você passou a noite de ontem falando dele de um
jeito tão bobinho, que eu achei que ia pedir o garoto em casamento antes de comer ele,
mas que bom que deu tudo certo. — Deu os ombros, mostrando um sorrisinho sincero ao
atendente antes de entrar no banheiro que ficava no canto do quarto.
— O seu amigo...
— É um língua grande, né? Eu sei, depois ele me pergunta o motivo de brigar tanto
com o namorado. — Lee sentou na cama, observando o rostinho amassado junto aos fios
todos desgrenhados.
— Ele parecia tão polido hoje de manhã. Agora imaginar ele sendo educado chega a
ser engraçado.
— Bom, eu acho que com isso não iremos mais sair às três horas, o que me dá
tempo de sobra para dormir. Mas acho melhor você aproveitar que estamos acordados e ir
para casa. Vai ser melhor do que de manhã, assim ninguém irá te ver. — Pousou a mão
sobre a bochecha do rapaz e ali fez um carinho singelo.
— Eu não vou para casa. — O movimento da mão automaticamente parou, fazendo
com que Han abrisse os olhos por ora fechados e visse a face confusa de Minho.
— Como não?
— Eu não quero ir e não vou. — O sorriso que tinha denunciava que aquilo era
simples de entender. — Hoje, estranhamente, eu senti uma vontade enorme de ir à Jeju.
Desde que se conheceram, pela primeira vez, Minho foi o responsável por arregalar
os olhos, sem entender exatamente onde Jisung queria chegar.
— Você está dizendo que quer ir embora comigo?
— Se à proposta ainda estiver de pé, sim.
— Mas como? Você estava tão triste hoje de tarde porque eu iria embora, e ontem
você me chamou de louco por te pedir isso. — Ele ainda estava custando a acreditar.
— É, mas eu mudei de ideia.
— Do nada? — Até se afastou um pouco do outro de tão confuso que estava.
— Não foi "do nada", Minho. O que nós tivemos aqui, nesta cama, me fez ter a
certeza que eu não posso fazer mais nada da minha vida sem você. Quem sabe eu me
arrependa depois, daqui há uma semana talvez, mas tudo que eu quero agora é estar ao
seu lado, porque é você que me faz sentir seguro.
— Você tem certeza disso? Mesmo tendo um medo do cacete de andar de moto e
mesmo sabendo que vai ter que aguentar esses dois bestas que se amam, discutindo a
viagem toda, você tem absoluta certeza?
— Para ser sincero, eu não tenho. Mas é melhor se arrepender de ter feito do que
de não ter — repetiu a mesma frase dita por ele antes, aumentando seu sorriso quando
Minho finalmente se contentou com a ideia, abraçando-o com força enquanto enchia seu
rosto de beijos.
— Eu prometo que vou tentar ser a melhor pessoa do mundo para você e vou te
proteger de todo mal, e também não vou deixar que ninguém te toque. — Ele segurou o
queixo de Jisung com as duas mãos, apenas para observá-lo de pertinho.
— Você não precisa me prometer nada. Só fique do meu lado e vai ficar tudo bem.
— Se encolheu nos braços do Lee e aproveitou os selares que recebeu nos cabelos,
olhando o céu e a estrada vazia pela janela enquanto entregava-se ao sono devagar.
Sabia que alguma hora, ele precisaria levantar dali para dar uma passada em sua
casa antes que o seu pai acordasse, pegar um dinheiro para se virar, pegar umas mudas de
roupa e, quem sabe, uns lanches, mas por agora, ele só queria ficar protegido no abraço de
Minho, sentindo-se a pessoa mais especial do mundo.