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Física 1 - 2020-1 - Noturno

Lista 1
Professores: Valentina Martelli e Gabriel Landi

Data de entrega: 18/03 (quarta-feira)

Para a resolução da lista, deixe bem claro o ponto de partida; diga explicitamente
como você interpretou do enunciado e/ou faça diagramas. Especifique sua escolha de
referencial. Na hora de escrever a resposta, não se esqueça das unidades. E use algarismos
significativos. Incentivamos que você discuta os problemas com seus colegas. Mas lembre-
se: a redação final é individual. A entrega das listas (impressas) é realizada diretamente
ao Professor/Professora responsável da sua turma.
1. (0,5 pontos) Raio do horizonte de evento: Quando um objeto de massa M é
suficientemente comprimido numa certa região do espaço, ele se torna um buraco
negro se seu raio se tornar menor que o raio de Schwarzschild Rs . Nesse caso, Rs
determina o horizonte de eventos do qual nem mesmo a luz é capaz de escapar (é por
isso que o buraco negro é negro). O raio de Schwarzschild pode depender apenas da
massa M do objeto, da constante gravitacional G e da velocidade da luz c. Usando
apenas análise dimensional, encontre uma relação para o raio de Schwarzschild Rs
em função dessas três grandezas. Se você der uma busca por “raio de Schwarzschild”,
você verá que essa análise está quase correta. Comparada com a análise da teoria
da relatividade, ela erra apenas por um fator 2.
Solução: Como vimos em aula, para resolver este tipo de problema basta supor que
Rs = M α Gβ cγ ,
onde α, β, γ são parâmetros que devem ser fixados para garantir que o lado esquerdo e direito da
equação tenham as mesmas unidades. Usando
m3 m
[M ] = kg [G] = , [c] = ,
kg · s2 s
obtemos β 
m3 (m)3β+γ (kg)α−β

m γ
m = (kg)α = .
kgs2 s (s)γ+2β
Para eliminar kg e s, colocamos γ = −2β e α = β. Com isso o lado direito se reduz a mβ .
Portanto, temos que escolher β = 1. Assim, concluímos que o raio de Schwarzschild deve ser
MG
Rs = .
c2
Isso está muito próximo da resposta correta, derivada usando a teoria da relatividade Geral, que é
2M G
Rs = .
c2

2. (1 ponto) Estrutura hiperfina do átomo de hidrogênio: Uma das bases


para a radioastronomia é a chamada estrutura hiperfina do átomo de hidrogênio,
que consiste na existência de dois níveis de energia muito próximos entre si, cuja
separação é dada por
4gp ~4
∆E = , (1)
3mp m2e c2 a4
onde gp = 5, 59 é o chamado de fator giromagnético do próton, ~ = h/2π é a
constante de Planck, mp e me são as massas do próton e do elétron, c é a velocidade
da luz e a é o raio de Bohr. Você não precisa saber exatamente o que significam
essas constantes (mas isso não te impede de fazer uma busca e descobrir mais sobre
elas!). O objetivo deste exercício é te treinar a lidar com expressões envolvendo
muitos parâmetros e muitas unidades.

(a) Faça análise dimensional e verifique que as dimensões da Eq. (1) estão de fato
corretas.
(b) Calcule ∆E em Joules (cabe a você buscar os valores de todas as constantes;
preste atenção que existem duas constantes de Planck, h e ~ = h/2π).
(c) Calcule ∆E em elétron-Volts.
(d) Calcule a frequência de transição ν = ∆E/h e o comprimento de onda λ = c/ν.
Mostre que λ ' 21 cm.

Por essa razão, essa linha de emissão é conhecida como “linha de 21cm do hidro-
gênio”. O motivo pelo qual ela é importante é por que o valor de λ é conhecido
com uma precisão incrível. Assim, ela funciona como uma assinatura do átomo
de hidrogênio: se ajustamos um telescópio para detectar somente nessa frequência,
então pontos brilhantes representam regiões ricas em hidrogênio. Essa é uma das
maneiras que se usa para determinar a posição de estrelas e galáxias.
Solução: (a) As constantes envolvidas no problema são

~ = 1, 054 × 10−34 J · s,

me = 9, 109 × 10−31 kg,

mp = 1, 672 × 10−27 kg,

c = 2, 997 × 108 m/s,

a = 5, 291 × 10−11 m.

onde Joule é definido como J = kg · m2 /s2 . Em termos de análise dimensional, o lado direito da
Eq. (1) será, portanto,
4
kg · m2 kg · m2
  m −2
(kg)−1 (kg)−2 (m)−4 . = = J,
s s s2
o que, de fato, tem dimensão de energia.
(b) Usando os valores das constantes listadas acima, obtemos

∆E = 9, 419 × 10−25 J.

(c) A relação entre eV e J é:

1 eV = 1, 602 × 10−19 J, ou 1 J = 6, 242 × 1018 eV.

Utilizando isso no resultado do item (b) obtemos

∆E = 5, 879 × 10−6 eV.

(d) A frequência é escrita em termos da “outra” constante de Planck

h = 2π~ = 6, 622 × 10−34 J · s,

Com isso obtemos


∆E
ν= = 1, 422 GHz.
h
Isso corresponde a um comprimento de onda
c
λ= = 21, 071 cm,
ν
que é o famoso “21 cm”.

3. (1 ponto) Profundidade de um poço: Para estimar a profundidade de um poço


você solta uma pedra e mede quanto tempo até ouvir o barulho da queda. Suponha
que o tempo seja ∆t = 2 s.

(a) Qual a melhor estimativa que podemos fazer para a altura do poço se despre-
zamos o tempo que o som demora para chegar até o seu ouvido? (Use g = 10
m/s2 ).
(b) Suponha agora que a velocidade do som é finita (tome vs = 330 m/s). Obtenha
uma expressão geral relacionando a altura do poço com o tempo ∆t. Em seguida
aplique essa expressão para o caso ∆t = 2 s e compare com o item anterior.
Solução: (a) Supondo que o atrito é desprezível, a altura h do poço estará relacionada com o
tempo de queda ∆t de acordo com
g∆t2
h=
2
Para ∆t = 2 s obtemos
h = 20 m.

(b) Quando a velocidade do som não é desprezível, o tempo total entre largar a pedra e escutar o
eco será dividido em duas partes. O primeiro intervalo t1 se refere à queda e será dado por
s
gt21 2h
h= −→ t1 = .
2 g

Em seguida, temos o eco. Como o som se propaga com velocidade constante, obtemos
h
h = vs t2 −→ t2 = .
vs
O tempo total será dado, portanto, por
s
2h h
∆t = t1 + t2 = + .
g vs

O que nós queremos, na verdade,


√ o contrário: queremos h em função de ∆t. Podemos inverter
essa relação definindo z = h. Isso leva a uma equação quadrática em z:
r
2
z 2 + vs z − vs ∆t = 0.
g
Escolhemos a solução positiva (pois z > 0), temos
s
vs vs2
z = −√ + + vs ∆t.
2g 2g

Voltando finalmente para h = z 2 , obtemos


 s 2
vs vs2
h= −√ + + vs ∆t .
2g 2g

Para o caso de ∆t = 2 s, obtemos


h = 18, 87 m.
Comparando com o item (a), vemos que quando supomos que vs é infinita, estamos superestimando
a altura do poço.
4. (1 ponto) Um maquinista irresponsável: Um maquinista de um trem de pas-
sageiros, que se move com velocidade v1 , avista a sua frente, à uma distância d,
um trem de carga que viaja nos mesmos trilhos e no mesmo sentido, mas com ve-
locidade menor v2 . Para evitar uma colisão ele freia o seu trem, aplicando-lhe uma
desaceleração a. Mostre que não haverá colisão se a > (v2 − v1 )2 /(2d).
Solução: Se tomamos um referencial no ponto onde o maquinista vê o outro trem pela primeira
vez e começa a frear. A partir deste ponto, a posição da dianteira do primeiro trem será dada por
at2
x1 (t) = v1 t −
.
2
O 2o trem, por outro lado, se move com velocidade constante. A posição da traseira do 2o trem
em função do tempo será, portanto, dada por
x2 (t) = d + v2 t.

Queremos saber se os trens colidem ou não. Colidir significa que haverá algum tempo t > 0 tal que
x1 (t) = x2 (t). Se não houver nenhum t onde isso é verdade, então eles não irão colidir. Igualando
as duas expressões, obtemos
at2
v1 t − = d + v2 t.
2
Resolvendo para t obtemos
(v2 − v1 ) 1p
t=− ± (v2 − v1 )2 − 2ad.
a a
Nós não queremos que os trens colidam. Por isso não queremos que hajam soluções reias. Para
que isso aconteça, devemos então ter
(v2 − v1 )2 − 2ad < 0,
ou
(v2 − v1 )2
a> .
2d
Se a desaceleração for maior que esse valor, não haverá colisão.
Alternativamente, podemos tomar um referencial movendo-se na traseira do 2o trem, com velo-
cidade v2 . Neste o 1o trem estará se movendo inicialmente com velocidade v1 − v2 . A colisão
ocorrerá no instante t quando
at2
(v1 − v2 )t − = d,
2
que é a mesma equação acima.
Uma forma mais direta de resolver o problema é usar a equação de Torricelli,
vf2 − vi2 = −2a(xf − xi ),
onde o sinal de menos já vem do fato de que estamos tomando a aceleração como negativa. No
referencial em movimento com o 2o trem, o 1o trem começa com vi = v1 − v2 . E queremos que
quando xf − xi = d, ele esteja com velocidade final vf = 0 (para que não haja colisão). Com isso
obtemos
−(v1 − v2 )2 = −2ad,
que já fornece a resposta desejada.

5. (0,5 pontos) Medindo a aceleração da gravidade I: Terrabolistas espaciais


pousam em um planeta do nosso sistema solar. Para estimar a constante gravitacio-
nal, eles arremessam uma pedra verticalmente com velocidade inicial v0 e observam
que ela demora um tempo ∆t para retornar ao solo. Supondo que não haja atrito,
qual a expressão relacionando g com v0 e ∆t?
Solução Tomando um sistema de coordenadas tendo o solo como origem, a equação que descreve
o movimento da pedra será
gt2
x(t) = v0 t − .
2
Estamos interessados no instante ∆t onde ela retorna ao solo; ou seja, tal que x(∆t) = 0. Impondo
essa condição, obtemos
2v0
g= .
∆t

6. (1 ponto) Medindo a aceleração da gravidade II: O método desenvolvido


no problema anterior tem a desvantagem de que você precisa saber a velocidade
inicial v0 , o que na prática nem sempre é viável. Um método alternativo consiste
em lançar uma pedra para cima e medir os dois instantes de tempo t1 e t2 (quando
ela está subindo e depois descendo) pelos quais a pedra passa por uma certa altura
z. Mostre que
2z
g= . (2)
t1 t2
Solução Assim como no problema anterior, temos
gt2
x(t) = v0 t − .
2
Mas agora estamos interessados nos dois instantes de tempo t1 e t2 pelos quais a pedra passa por
uma certa altura z. Isso leva a uma equação do segundo grau,
gt2 2v0 2z
z = v0 t − ou t2 − t+ = 0.
2 g g
Lembre-se que sempre podemos fatorar uma equação quadrática na forma

0 = (t − t1 )(t − t2 ) = t2 − (t1 + t2 )t + t1 t2 .

Comparando com a equação acima, vemos que


2z
t1 t2 = ,
g
e, portanto,
2z
.g=
t1 t2
Com esse método podemos estimar g sem saber a velocidade inicial, usando apenas um cronômetro
(e sabendo a altura z).

7. (1,5 pontos) Elevador precisando de manutenção: Um elevador sobe com


aceleração constante a. No momento que sua velocidade atinge v0 , um parafuso se
solta do teto do elevador. Calcule o tempo que demora para o parafuso atingir o
chão do elevador, supondo que o chão e o teto estão separados de uma altura h.
Solução: A posição do chão, a partir do instante em que o parafuso se solta, é
at2
xc (t) = v0 t + .
2
Já a posição do parafuso, a partir do mesmo instante, será
gt2
xp (t) = h + v0 t − .
2
Estamos interessados em saber qual o tempo t∗ onde ambas vão coincidir:
at∗2 gt∗2
v0 t∗ + = h + v0 t∗ − .
2 2
Resolvendo para t∗ , obtemos s
∗ 2h
t = .
a+g
Esse resultado faz sentido: ele aumenta com h e diminui com a aceleração do elevador (a) e da
gravidade (g). Se a → 0 ainda obtemos algo finito graças a g. Se tanto a → 0 e g → 0, o tempo
tende a infinito (pois nesse caso o parafuso e o elevador continuam se movendo com velocidade
constante).

8. (1,5 pontos) Posição, velocidade e aceleração: A velocidade em função do


tempo para uma partícula movendo-se em uma dimensão está ilustrada na Fig.
abaixo.

(a) Qual a aceleração média nos intervalos AB, BC e CE?


(b) Quão longe está a partícula da sua distância inicial após 10 s?
(c) Qual a distância total percorrida após 10 s?
(d) Esboce a posição da partícula em função do tempo.
Solução: (a) A aceleração é a derivada da velocidade,
dv
a= .
dt
Como a velocidade varia linearmente em cada intervalo, podemos calcular a derivada como ∆v/∆t.
Temos, portanto,
15 − 5 10
aAB = = m/s,
3−0 3
aBC = 0,
−15 − 15 30 15
aCE = =− =− m/s.
10 − 6 4 2

(b) A posição da partícula em função do tempo pode ser escrita como


t2


xA + vA t + aAB2
, 0 ≤ t < tB ,


x(t) = xB + vB (t − tB ), tB ≤ t < tC ,


 2
xC + vC (t − tC ) + aCE (t−t C)
, t ≥ tC ,

2

onde vA,B,C e xA,B,C são as velocidades e posições da partícula nos instantes A, B e C nos tempos
tA = 0, tB = 3 s e tC = 6 s. As velocidades podem ser lidas diretamente do gráfico: vA = 5 m/s,
vB = vC = 15 m/s. Já as posições podem ser obtidas das próprias equações acima, impondo o fato
de que a posição deve ser uma função contínua. Por exemplo, se usarmos o resultado da primeira
linha em tB = 3 s temos que obter xB . Portanto,
aAB t2B
xB = x(tB = 3) = xA + vA tB + = xA + 30 m.
2
O valor de xA em si é arbitrário, pois refere-se à origem do sistema de coordenadas. Sem perda
de generalidade, podemos colocar xA = 0. Fazendo a mesma coisa para xC , obtemos

xC = xB + vB (tC − tB ) = 75 m.

No instante tE = 10 s a posição da partícula será, portanto,


aCE (tE − tC )2
x(tE ) = xC + vC (tE − tC ) + = 75 m.
2
Ou seja, a posição é a mesma que no instante tC . Isso ocorre por que a partir de tD = 8 s a
velocidade inverte de sinal e a partícula passa a se mover para trás. A distância percorrida no
intervalo CD será, portanto, idêntica à distância percorrida no intervalo DE (já que a aceleração
é constante).
(c) A distância total percorrida pela partícula leva em conta tanto os deslocamentos com x > 0
quanto com x < 0. Até o tempo tD a velocidade sempre foi positiva e portanto a partícula andou
sempre na mesma direção. Assim, temos
aCE (tD − tC )2
xD = xC + vC (tD − tC ) + = 90m.
2
Já entre os instantes tD e tE , a partícula passa a se deslocar para trás. Como visto no item
anterior, a distância percorrida nesse intervalo será (em módulo) igual à distância xD − xC :

|xE − xD | = xD − xC = 15 m.

Portanto, a distância total percorrida será

xD + |xE − xD | = 105 m.

(d) A posição em função do tempo está esboçada no gráfico abaixo:

��

��
� (�)

��

��


� � � � � ��
� (�)

9. (1,5 pontos) Uma criança entediada: Uma criança entediada (e com sérios
problemas de disciplina) está atirando ovos de cima de um viaduto nos carros que
passam embaixo. Por causa de uma curva, a criança só passa a conseguir ver os
carros quando eles estão a 50 m de distância. A altura do viaduto é de 10 m e todos
os carros estão a 40 km/h. Nesse problema você pode usar g = 10 m/s2 .

(a) O objetivo é calcular quanto tempo τ , depois de avistar o carro, que a criança
deve soltar o ovo para atingir o capô (que está a 1 m de altura do chão). Assuma
primeiro que o ovo é solto com velocidade inicial nula. Obtenha uma expres-
são relacionando τ com todos os parâmetros acima. Em seguida, substitua os
valores.
(b) Assuma agora que o ovo pode ser arremessado com velocidade inicial v0 . Supo-
nha que a criança escolhe jogá-lo 4 s após avistar o carro. Qual deve ser o valor
de v0 para que ele atinja o alvo? Preste atenção para o sinal de v0 .
(c) E se ela joga após 1, 5 s?
Solução: É mais fácil começar estabelecendo uma relação geral entre todas as variáveis envolvidas
no problema. Tomamos um referencial no chão com a origem na curva onde o carro se torna visível.
Contamos o tempo a partir do instante que a criança avista o carro. A posição do carro em função
do tempo será, portanto,
xc (t) = vc t,
onde vc = 40 km/h é a velocidade do carro. Com isso calculamos o tempo tc que demora para o
carro ficar logo abaixo da ponte; ou seja, para o carro andar xc = 50m:
xc
tc = = 4, 5 s.
vc
O ovo será lançado τ segundos depois da criança primeiro avistar o carro. Escolhemos um refe-
rencial vertical orientado para cima e tendo o chão como origem. Portanto, a posição vertical do
ovo em função do tempo, será,
g
yovo (t) = h + v0 (t − τ ) − (t − τ )2 ,
2
onde h = 10 m é a altura do viaduto e v0 é a velocidade inicial com que o ovo é arremessado.
Note que, da forma como escolhemos o sistema de coordenadas, v0 > 0 significa que o ovo foi
atirado para cima e v0 < 0 significa que ele foi atirado para baixo. Além disso, repare que por
uma questão de consistência, essa expressão só é definida para t > τ (pois τ é o instante quando
o ovo é arremessado).
O objetivo da criança é que no tempo tc , onde o carro se encontra abaixo do viaduto, a altura
do ovo seja yovo = ycapô = 1 m (o que significa que o ovo atingirá o alvo). Portanto, obtemos a
seguinte relação:
g
ycapô = h + v0 (tc − τ ) − (tc − τ )2 .
2
Essa é uma relação geral entre a velocidade inicial v0 e o tempo τ que a criança deve esperar para
atirar o ovo. Todos os outros parâmetros são conhecidos.

(a): Se v0 = 0 obtemos
2
(tc − τ )2 =
(h − ycapô ).
g
Essa é uma equação quadrática e portanto contém duas soluções,
r
2
τ = tc ± (h − ycapô ).
g
Para escolhermos qual solução tomar, temos que lembrar que por construção devemos ter τ < tc .
Assim, tomamos a solução negativa:
r
2
τ = tc − (h − ycapô ) = 3, 16 s.
g
Ou seja, após avistar o carro a criança deve esperar 3,16 s para soltar o ovo.

(b): Dado τ = 4 s, queremos obter v0 . Da expressão geral obtida acima chegamos a


g (h − ycapô )
v0 = (tc − τ ) − = −15, 5 m/s.
2 tc − τ
A velocidade inicial é negativa, o que significa que o ovo foi atirado para baixo. Isso faz sentido:
se o ovo é solto com v0 = 0, então τ = 3, 16 s (item (a)). Se queremos esperar mais tempo (4 s),
então precisamos compensar atirando o ovo com uma velocidade inicial.
(c): Aplicando a mesma expressão do item (b) mas com τ = 1, 5 s, obtemos
v0 = 12 m/s.
Nesse caso a velocidade é positiva: a criança quer atirar o ovo cedo demais e portanto precisa
arremessá-lo para cima primeiro.

10. (0,5 ponto) Derivadas e integrais:

(a) A posição de uma partícula viajando pela galáxia é dada por

x(t) = At42 ,

onde A é uma constante. Qual a dimensão de A? Calcule a velocidade e a


aceleração correspondentes.
(b) Uma partícula é sujeita a uma aceleração

a(t) = αt,

onde α é uma constante. Qual a dimensão de α? Encontre a velocidade e


a posição em função do tempo. Deixe sua resposta em termos da posição e
velocidades iniciais da partícula.
Solução: (a) Para que x tenha dimensão de metros, devemos ter

[A] = m/s42 .

Para calcular a velocidade e aceleração, lembramos da expressão vista em sala de aula:


d n
t = ntn−1 .
dt
Com isso obtemos
dx d
v= = A t42 = 42At41 e
dt dt
e
dv
a= = (42 × 41)At40 .
dt
Solução: (b) Para que [a] = m/s2 devemos ter

[α] = m/s3 .

Para calcular a velocidade e a posição, devemos integrar a aceleração. Lembrando que


Zb
bn+1 − an+1
tn dt = ,
n+1
a

obtemos
Zt Zt
αt2
v(t) = v0 + a(t0 )dt0 = v0 + α t0 dt0 = v0 + .
2
0 0
onde v0 é a velocidade inicial da partícula. Integrando mais uma vez obtemos
Zt
x(t) = x0 + v(t0 )dt0
0

Zt Zt
0 α
= x0 + v0 dt + t02 dt0
2
0 0

3
αt
= x0 + v0 t + .
6

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