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Questões de estudo de texto – A teoria de mediação de Vygotsky

Marco Moreira

01 – Que tipo de problematização é apresentada pelo autor sobre as premissas


vygotskyanas acerca do desenvolvimento cognitivo?

R- Fala que o desenvolvimento não pode ser entendido sem referência ao


contexto social e cultural no qual ele ocorre. Portanto, é na socialização que se
dá o desenvolvimento dos processos mentais superiores.

02 – Qual o papel da mediação e da mediação simbólica no processo de


desenvolvimento das funções mentais superiores? E de que forma elas
ocorrem?

R- É pela mediação que se dá a internalização (reconstrução interna de uma


operação externa) de atividades e comportamentos sócio-históricos e culturais
e isso é típico do domínio humano. Ou seja, a conversão de relações sociais
em funções mentais superiores não é direta, é mediana. E essa mediação
inclui o uso de instrumentos e signos.

03 – O que são instrumentos e signos, como são desenvolvidos e qual sua


relação nas mediações?

R- Um instrumento é algo que pode ser usado para fazer alguma coisa.
Um signo é algo que significa alguma outra coisa.

As sociedades criam não só instrumentos, mas também sistemas de signos.


Ambos são criados ao longo da história das sociedades e modificam,
influenciam seu desenvolvimento social e cultural. Para Vygotsky, é na
interiorização de instrumentos e sistema de signos produzidos culturalmente
que dá o desenvolvimento cognitivo. Portanto, é na combinação do uso de
instrumentos e signos permite o desenvolvimento de funções mentais ou
processos psicológicos superiores.

04 – Como o papel da interação social é discutido no texto?

R- Diferentemente de Piaget, que focaliza o indivíduo, unidade de análise de


Vygotsky se baseia na interação entre os indivíduos, sendo a interação social o
veículo fundamental para a transmissão dinâmica do conhecimento social,
histórica e culturalmente construído. É a reciprocidade entre os participantes,
num envolvimento ativo que gera experiências e conhecimentos durante o
intercâmbio, em termos qualitativos e quantitativos.

05 – Apresente e discuta os “significados”.

R- Significado está diretamente relacionando com a interação social, pois o


signo é o que identifica as coisas, singularizando-as diante de uma quantidade
infinita de outras coisas, outros objetos. Vale salientar que, os significados são
contextuais podendo ter diferenciações no seu entendimento em culturas
dessemelhantes, ou até mesmo, dentro de uma mesma cultura em que nem
todos os indivíduos tiveram as mesmas oportunidades de captar significados
para tais signos em interações sociais. Significar é de fundamental importância
para o desenvolvimento humano, pois é a mediadora das relações intra e
interpessoais.

06 – O que são os processos interpessoais e intrapessoais?

R- Vygotsky afirma que, todas as funções mentais superiores se originam como


relações entre os seres humanos. Sendo os instrumentos e os signos
construções sócio-históricas e culturais, o sujeito se desenvolve cognitivamente
internalizando essas construções. A partir da constante utilização dos signos,
ocorre no sujeito uma modificação das operações psicológicas das quais ele se
torna capaz, assim como o contínuo aprendizado na utilização dos
instrumentos opera uma ampliação na gama de atividades nas quais ele pode
aplicar suas novas funções psicológicas. Portanto, na Lei de Dupla Formação
de Vygotsky, o desenvolvimento das funções mentais superiores passa por
uma fase externa, em nível social (interpessoal) e depois acontece no interior
da própria criança (intrapessoal). Conclui-se que, para Vygotsky as relações
entre os seres humanos é que originam todas as funções mentais superiores.

07 – Qual a importância da fala na teoria de Vygotsky? O que seria a fala social


e a fala egocêntrica?

R- Vygotsky entende a linguagem como o mais importante sistema de signos


para o desenvolvimento da criança, pois libera a mesma de vínculos
contextuais imediatos. Sendo assim, a partir do desenvolvimento da linguagem,
a criança entra no processo de descontextualização e na abstração,
permeando o pensamento conceitual e proposicional. Logo, o desenvolvimento
da fala corresponde um aspecto importante do desenvolvimento da linguagem,
e, por consequência, do desenvolvimento cognitivo. A partir do momento em
que a inteligência prática e a fala convergem, visto que as duas se
desenvolvem paralelamente, resulta na fala egocêntrica. Esta deriva da fala
social e representa a utilização da linguagem para mediar ações. Essa fala é
utilizada pela criança para solucionar um problema em questão, ou quando a
mesma está posta diante de uma dificuldade cognitiva. Vale ressaltar que ela
não está associada com o pensamento egocêntrico e é, geralmente, audível e
compreensível ao observador externo. A fala social refere-se ao estágio
primeiro da linguagem e é entendida como a linguagem da comunicação. Logo,
ela aparece antes da fala egocêntrica.

08 – Qual a relação entre a inteligência prática e a inteligência abstrata e


instrumentos e signos?
R- A inteligência prática refere-se ao uso de instrumentos, no sentido que estes
são orientados externamente e constituem um meio pelo qual a atividade
humana externa é dirigida para o controle e domínio da natureza. Neste
sentido, o indivíduo ainda não atingiu a inteligência abstrata. No que se refere a
última (inteligência abstrata), esta se associa à utilização de signos e sistemas
de signos, que são orientados internamente, constituindo-se um meio da
atividade humana interna dirigido para o controle do próprio indivíduo.

09 – Apresente e discuta a Zona de desenvolvimento Proximal. ZDP

R- A zona de desenvolvimento proximal pode se entendida, com relação à


percepção de Vygotsky a partir da zona de desenvolvimento real e potencial. A
primeira faz referência àquela criança que é capaz de resolver problemas de
maneira independente, onde a mesma conseguiu atingir o desenvolvimento. Já
a zona de desenvolvimento potencial entende que a criança ainda não é capaz
de resolver um problema de forma independente, precisando do auxílio de
outra pessoa, que geralmente é um adulto. Portanto, ela ainda está no
processo de maturação. Vale ressaltar que a zona de desenvolvimento
proximal representa a região na qual o desenvolvimento cognitivo ocorre; é
dinâmica e está constantemente mudando, contando com a interação social
para isso.

10 – Qual o método experimental utilizado por Vygotsky?

R- Diferente dos experimentos da sua época, Vygotsky propunha um método


experimental que não consistia em quantificar respostas. Para ele o importante
era eliminar processos, e, por isso, o sujeito deveria se envolver nas mais
diversas tarefas. Surge, sob essa perspectiva, o método  "genetico -
experimental", feito a partir de três técnicas. A primeira consistia em introduzir
dificuldades nas tarefas realizadas pelo indivíduo para quebrar o método
rotineiro de resolução de problemas. A segunda já objetivava que o indivíduo
resolvesse problemas a partir de recursos externos que lhes fossem dados e
que poderiam ser usados de inúmeras maneiras. Por fim, a última  das técnicas
objetivava que a criança realizasse problemas fora do seu campo de
conhecimento já dominado. Em todas as técnicas, o importante era o processo,
não os resultados, sendo esta uma característica de Vygotsky vinda de sua
influência marxista. 

11 – Como se dá o processo de formação de conceitos? Quais as formações


intelectuais apontadas? Descreva-as.

R- Os processos de formação de conceito começa na fase precoce da infância,


mas as funções intelectuais só são amadurecidas, configuradas e
desenvolvidas na purberdade. Antes disso são somente embriões. Esse
processo se dá a partir do agrupamento de duas raízes genéticas, uma
originária dos agrupamentos, indo até os pseudo-conceitos, e outra dos
conceitos potenciais. A fusão dessas duas linhas dá origem a formação de
conceitos.

As formações intelectuais apresentadas são três. A primeira trata da agregação


desorganizada, que é o primeiro passo na formação de conceitos, quando
ocorre o agrupamento de objetos que se diferem, sem que haja organização.
Ocorre um amontoado de objetos isolados que se aglutinaram ao acaso, a
partir do estágio de desenvolvimento do pensamento que consiste na tentativa
e no erro, seguindo-se do estágio de organização realizada no campo visual da
criança. A segunda formação intelectual apresentada é a do pensamento por
complexos, quando os objetos passam a ser agrupados a partir das relações
que de fato existem entre eles. Essa formação é caracterizada por uma
sequência de estágios que resultam na generalização formada na mente da
criança. Forma-se a abstração, ponte para o pensamento adulto. Por fim,
existem os conceitos potenciais, quando os traços abstratos não se perdem,
mas são sintetizados permitindo a aparição do conceito verdadeiro.
12 - De que forma a aprendizagem e o ensino são discutidos no texto com
base em Vygotsky?

R- Para Vygotsky, a aprendizagem é uma condição para o desenvolvimento.


Logo, o ser humano se desenvolve porque aprende. Para ele, a interação
social gera a aprendizagem que deve ocorrer no que ele chama de ZDP, Zona
de Desenvolvimento Proximal. Essa sua teoria olha para o desenvolvimento de
forma prospectiva, sobre o que será aprendido. Por esta razão, o único bom
ensino para Vygotsky é aquele que dirige o desenvolvimento cognitivo, que o
orienta na ZDP, parte que, para ele, é a mais importante do desenvolvimento,
sendo uma ponte no processo de maturação, que permite a intervenção
pedagógica, sendo essa última essencial, uma vez que a aprendizagem não se
dá apenas por imersão no meio, sendo necessária a intervenção ativa, sem a
qual o indivíduo não se desenvolve. Por isso a importância do professor na
teoria de Vygotsky, que serve de mediador entre o aluno e o conhecimento a
ser adquirido, sendo responsável por um intercâmbio de significados na ZDP,
consumando o ensino quando o aluno e o professor compartilham significados.
Sem essa interação social, intervenção pedagógica ou sem esse intercâmbio
de significados, não há ensino, nem aprendizagem. Logo, não há
desenvolvimento cognitivo.

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