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CAPÍTULO XIII A coisa julgada não é um efeito da sentença, mas uma

qualidade desses efeitos. Denomina-se “efeitos” as


FASE DECISÓRIA consequências jurídicas que da sentença podem advir e
-Sentença que dependerão do tipo de tutela postulado pelo autor,
-Recursos pois a sentença deve ficar adstrita a tal pretensão.

DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA Há três tipo de tutelas nos processos de conhecimento:


Seção I - Declaratória
Disposições Gerais -Constitutiva
-Condenatória
A sentença não põe mais fim ao processo. *Pontes de Miranda  + mandamental, executiva lato
sensu. Mas não podem ser consideradas categorias
Procedimento comum/ sincrético autônomas, e sim subespécies de tutela condenatória.

Tutela Declaratória

Fase Fase Aquela em que a pretensão do autor se limita a que o


Cognitiva/Conhecimento Executiva juiz declare a existência ou inexistência de uma relação
1ª fase--------2ªfase..................3ªfase...............4ªfase..........5ªfase
jurídica, ou autenticidade ou falsidade de um documento
Postulatória Saneamento Instrutória Decisória Execução
(19 CPC).
Todas as sentenças, ainda que condenatórias ou
Sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com
constitutivas, há sempre certo conteúdo declaratório,
fundamento nos art. 485 e 487, põe fim a fase cognitiva do
porque é preciso que o juiz declare quem tem razão.
procedimento comum, bem como extingue a execução.
Tem por finalidade afastar uma crise de incerteza. Ao
O réu é citado uma só vez.
proferir a sentença, o juiz apenas decidirá se a relação
existe ou não e se o documento é verdadeiro ou falso,
O CPC atual valeu-se da conjugação de dois critérios para
afastando a dúvida que gerava insegurança.
defini-la. Ela é o pronunciamento judicial que se identifica:
não produz nenhuma modificação, nem de uma situação
fática, nem de uma relação jurídica. O que ela faz é
 por seu conteúdo: que deve estar em consonância
solucionar uma incerteza, uma dúvida. (paternidade)
com o disposto nos artigos 485 e 487.
por sua aptidão ou de pôr fim ao processo, nos casos
Não pode ter como objeto fatos. (solucionar dúvida se
de extinção sem resolução de mérito, ou em que não há
determinada pessoa esteve ou não em determinado
necessidade de execução ou ainda nos processos de
lugar).
execução por título extrajudicial: ou à fase cognitiva, nos
casos de sentença condenatória, que exige subsequente
Art.20 CPC – É admissível a ação meramente
execução.
declaratória, ainda que tenha ocorrido violação de
Há outros pronunciamentos judiciais, nos quais o juiz
direito.
pode resolver o mérito, mas que não têm natureza de
Ex: dívida, que não foi paga pelo réu. O credor poderia
sentença.
ajuizar ação de cobrança, de conteúdo condenatório.
Mas o artigo reconhece interesse em que ele ajuíze
 Decisão interlocutória: proferidas no decurso de um
apenas ação declaratória, caso haja dúvida sobre a
processo, sem aptidão para finalizá-lo. E sem ainda pôr
existência da relação de crédito-débito. Pode ser que o
fim a fase de conhecimento em primeiro grau de
credor não queira, por ora, a condenação do devedor,
jurisdição. Cabe agravo de instrumento, não apelação.
mas apenas que sejam afastadas as dúvidas sobre a
existência da dívida. Proferida a sentença declaratória,
Ex; julgamento antecipado parcial de mérito, examina
apenas não se poderá mais negar que o débito existe.
com força definitiva um ou mais pedidos, ou parte deles.
Mas o credor não terá título executivo, não promovera a
Há necessidade que se prossiga com o processo em razão
execução do débito, o que dependera de ação
dos demais pedidos.
declaratória.
Ex: deferimento/indeferimento de tutela provisória.
Tem eficácia ex tunc.
Espécies de sentença:
Todas as sentenças de improcedência são declaratórias
- As que extinguem o processo sem resolução de mérito
negativas, declaram que o autor não tinha razão em sua
– 485
pretensão.
-As que resolvem o mérito, pondo fim ao processo ou à
fase cognitiva – 487
Tutela constitutiva

Tem por objeto a constituição ou desconstituição de


Efeitos principais da sentença
relações jurídicas sem o consentimento do réu. Não se
limitam a declarar se uma relação jurídica existe, mas o cumprimento ou execução da tutela concedida, mas
visam alterar as relações jurídicas indesejadas. não os efeitos reflexos, como os relativos às liminares.
Outro efeito reflexo é a condenação nas verbas de
Podem ser positivas ou negativas/desconstitutivas. sucumbência; ou a fixação do termo inicial para
Têm eficácia ex nunc. incidência de correção monetária sobre o valor fixado a
Não precisam ser executadas, já que produzem efeitos título de indenização por danos morais, nos termos da
por si mesmas. sumula 362 do STJ, que determina a partir do
arbitramento do valor, o que normalmente ocorre na
Tutela condenatória sentença.

Impõe ao réu uma obrigação, consubstanciada em título Outro efeito secundário é a hipoteca judiciaria – art.495.
executivo judicial. Possibilita o autor a valer-se de uma
sanção executiva para obter o seu cumprimento.
Impões uma obrigação que precisa ser cumprida. As Capítulos da sentença
demais sentenças não impõem obrigações, nem exigem A sentença forma um todo, porém é possível decompô-la
medidas de cumprimento, já que se efetivam por si em capítulos, cada qual contendo o julgamento de uma
mesmas. pretensão distinta.

Ao proferi-la, o juiz declara que o autor tem razão e Uma sentença pode examinar numerosas pretensões.
constitui o título executivo em seu favor, concedendo-lhe A possibilidade de considerar a sentença decomponível
a possibilidade de valer-se de meios executivos para em capítulos pode repercutir sobre inúmeras questões,
fazer cumprir a obrigação imposta. por exemplo, sobre as nulidades. Se ela for considerada
um todo único, vicio que a macule comprometerá o
Exige uma atividade do devedor para alcançar a sua todo. Mas, se for possível decompô-la em capítulos,
finalidade: exige que ele a cumpra, se não o fizer eventual vicio que afete um deles não prejudicará os
voluntariamente, a lei mune o credor para fazê-la demais.
cumprir e tornar concreto o seu comando.
Será possível então recorrer apenas daquele capítulo
Têm eficácia ex tunc, retroagem a data da propositura da determinado; ou, em caso de trânsito em julgado,
ação, sendo os juros de mora devidos desde a citação. postular a rescisão parcial da sentença.

- Tutela mandamental: subespécie das tutelas O mais importante na teoria dos capítulos é que eles
condenatórias. possam ser considerados autônomos, estanques, para
fins de recursos, ação rescisória, nulidades etc..
Aquela em que o juiz emite uma ordem, um comando,
que deve ser cumprido pelo réu. Cabe à lei estabelecer as
sanções aplicáveis para o descumprimento da ordem e
os mecanismos de que o juiz pode se utilizar para torná- Sentença terminativa
las efetivas. (sentenças em MS, 497/498) Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
Decisão sem mérito – vícios/irregularidades processuais
- Tutelas executiva lato sensu: subespécie de tutela
condenatória, que se distinguem por prescindirem de I - indeferir a petição inicial;
uma fase de execução. II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano
por negligência das partes;
Se a obrigação não for cumprida pelo devedor, o Estado III - por não promover os atos e as diligências que lhe
tomará as providencias necessárias para que o seja, incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30
independentemente dele. (ações de despejo, (trinta) dias;
possessórias – expedição de mandado sem necessidade
de instauração de fase executiva, nem do uso de meios s.631 stf
de coerção.) s240 stj

Efeitos secundários da sentença IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e


de desenvolvimento válido e regular do processo;
Não diretamente relacionadas à pretensão formulada. V - reconhecer a existência de perempção, de
Ex: em caso de improcedência, as liminares concedidas litispendência ou de coisa julgada; impedimentos
em favor do autor no curso do processo serão revogadas, processuais.
ainda que não tenha havido manifestação expressa do VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse
juiz a respeito, uma vez que aquilo que foi decidido em processual;
caráter provisório não pode substituir ao definitivo. VII - acolher a alegação de existência de convenção de
Haverá revogação, ainda que seja apresentada apelação arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua
com efeito suspensivo, já que a suspensão afeta apenas competência;
VIII - homologar a desistência da ação;
IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada propositura da nova ação depende da correção do vício
intransmissível por disposição legal; e que levou à sentença sem resolução do mérito.
X - nos demais casos prescritos neste Código.
§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada sem
Sentença terminativa a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos
honorários de advogado.
Extinção do processo sem julgamento do mérito não
haverá coisa julgada material § 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença
--> permite a renovação da demanda fundada em abandono da causa, não poderá propor nova
--> o réu será intimado da sentença para fazer prova em ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe
futuro processo em que não se corrija o vício processual ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em
identificado. coisa julgada formal/material-processual. defesa o seu direito.
Recurso; apelação. Perempção

Coisa julgada Sentença definitiva


Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:
Material
-De mérito: conteúdo material – vicio sanável I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na
-Processual: clausula de barreira- vicio processual reconvenção;
insanável- não pode renovar a demanda.
 Formal: vicio sanável – permite a renovação II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a
corrigindo o vício/irregularidade do processo (ex: ocorrência de decadência ou prescrição;
ilegitimidade da parte)
A prescrição e a decadência não são reconhecidas sem que
antes seja dada as partes oportunidade de manifestar-se. P. da
vedação da decisão surpresa – matérias de ordem pública –
não pode de ofício sem o contraditório.
§ 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte
será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo III - homologar: (acordo judicial ou extrajudicial)
de 5 (cinco) dias. a) o reconhecimento da procedência do pedido
formulado na ação ou na reconvenção;
§ 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as partes b) a transação;
pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na
III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e reconvenção.
dos honorários de advogado.
Extinção do processo com julgamento do mérito coisa
julgada material – pode ser objeto de ação rescisória – Recurso;
§ 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos apelação.
incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de
jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.

§ 4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art.
consentimento do réu, desistir da ação. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas
sem que antes seja dada às partes oportunidade de
§ 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a manifestar-se.
sentença.
Art. 332, § 1º O juiz também poderá julgar liminarmente
§ 6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por improcedente o pedido se verificar, desde logo, a
abandono da causa pelo autor depende de requerimento ocorrência de decadência ou de prescrição.
do réu.
Art. 488. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que sempre que a decisão for favorável à parte a quem
tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias aproveitaria eventual pronunciamento nos termos
para retratar-se. do art. 485.

(P.da instrumentalidade das formas/ economia


Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o processual – 282,§ 2º Quando puder decidir o mérito a
mérito não obsta a que a parte proponha de novo a ação . favor da parte a quem aproveite a decretação da
nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir
o ato ou suprir-lhe a falta. )
§ 1º No caso de extinção em razão de litispendência e
nos casos dos incisos I, IV, VI e VII do art. 485, a
O processo terá atingido sua finalidade principal se o juiz Requisitos essenciais da sentença
puder resolver o mérito, colhendo ou rejeitando a Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
pretensão (487). Se o processo for extinto sem resolver o Falta ou deficiência de um -Defeitos estruturais – nulidade da
mérito (485), ele não terá atingido a sua finalidade. sentença
Ausência completa de uma das pretensões – ineficácia parcial
Se o juiz teria de acolher uma preliminar arguida pelo réu
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a
na contestação (337), que levam à extinção sem
identificação do caso, com a suma do pedido e da
resolução do mérito, mas percebe que, não fosse a
contestação, e o registro das principais ocorrências
preliminar, seria possível julgar o mérito, pois já há nos
havidas no andamento do processo; (narração dos fatos)
autos todos os elementos para tanto, e a sentença seria
de improcedência – portanto favorável ao réu, a quem
Assegurar que lhe tenha tomado conhecimento do que há de
aproveita o acolhimento da preliminar - , o juiz prolatará relevante para o julgamento, garantia do devido processo legal,
a sentença de mérito, afinal ele já sabe que o pedido não que deverá ser observado sob pena de nulidade .
pode ser acolhido, melhor que já profira sentença
definitiva, que examine a questão de fundo.com isso o II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões
processo alcançara seu objetivo final, o que não ocorreria de fato e de direito; art.93,IX,CF
com a mera extinção sem resolução do mérito.
O que for decidido como como motivação não faz coisa julgada
Sempre que possível, vislumbrando o juiz a possibilidade material, podendo ser rediscutido em outros processos. A falta
de resolver o mérito, ainda que na ausência de de fundamentação tornará nula a sentença, cabendo ao juiz
pronunciar-se sobre todas as questões essenciais que possam
determinado requisito para concessão da tutela
repercutira sobre o resultado, sob pena de ser citra petita.
jurisdicional, deverá fazê-lo, desde que a sentença Art. 489,§1° – hipóteses em que não se considera
definitiva proteja igualmente aquela parte a que fundamentada não apenas a sentença, mas qualquer decisão
aproveitaria a sentença terminativa. judicial.

Quando a sentença pode ser proferida? (STF: é a fundamentação que confere legitimidade ao
magistrado para proferir um ato dotado de soberania)
Sentenças terminativas – podem ser proferidas a
qualquer tempo, bastando que o juiz verifique que não
*A Ação declaratória incidental deixou de ser regulamentada
há condições de prosseguir, pois o pedido não poderá ser pelo cpc/15. Assim, a questão prejudicial que for decidida não
apreciado. fundamentação será considerada acobertada pelo trânsito em
julgado diretamente desde que:
Sentenças de mérito: -Que o juiz seja competente para o julgamento de todas as
matérias.
- Que acolhe o pedido/ rejeita o pedido (487, I) -Que a resolução da demanda dependa da questão prejudicial .
* de início, antes que o réu seja citado (332)
*nos casos de revelia, em que haja presunção de III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões
veracidade, desde o momento em que ela tenha se principais que as partes lhe submeterem.
configurado – julgamento antecipado do mérito, 355, II.
É a parte final da sentença, em que o juiz decide se acolhe,
*após a contestação ou a réplica do autor, quando não
rejeita o pedido ou se extingue o processo, sem examiná-lo.
houver necessidade de outras provas – julgamento Somente o dispositivo da sentença de mérito se revestirá da
antecipado de mérito 355, I. autoridade da coisa julgada.
* após a conclusão da fase de instrução, depois de as
partes apresentarem suas alegações finais, na audiência Também será decidida do dispositivo da sentença a questão
de instrução e julgamento, nos casos em que houver prejudicial, apreciada incidentalmente, desde que preenchidos
necessidade de provas a respeito dos fatos os requisitos do 503, §1°, I,II,III. (com força de coisa julgada
controvertidos. material.)

Se houver mais de uma ação, embora único o processo, a


- As demais (487, II, III)
sentença, também deverá examinar todas as pretensões
formuladas. É o que ocorrerá havendo reconvenção e
*reconhecimento jurídico do pedido, renúncia – quando denunciação da lide.
o réu ou o autor assim dispuser, o que pode ocorrer a
qualquer momento
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão
*transação – a qualquer tempo
judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão,
*reconhecimento de prescrição e decadência – desde a
que:
data da propositura da demanda – reconhecimento
desde o início: improcedência liminar do pedido. Se
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de
ocorrer mais tarde – extinção com resolução de mérito.
ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a
questão decidida;
Seção II
Dos Elementos e dos Efeitos da Sentença
Será preciso que o juiz, ao aplicar a lei ou ato normativo ao nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
caso concreto, esclareça a pertinência da sua aplicação. Ao àqueles fundamentos;
proferir a sentença, o juiz desenvolve um raciocínio silogístico,
pois parte de uma premissa maior (o que dispões o É preciso que o juiz, ao aplicar determinado ato normativo
ordenamento jurídico) para uma premissa menor (o caso esclareça a pertinência daquela regra em relação ao caso
concreto) para poder extrair a conclusão. É preciso que a concreto, ele deverá fazê-lo quando invoca precedente ou
sentença indique com clareza em que medida aquela norma enunciado de súmula.
invocada pode funcionar como premissa maior, aplicável ao
caso concreto sub judice. Enunciados ENFAM
11) Os precedentes a que se referem os incisos V e VI do § 1º do
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem art. 489 do CPC/2015 são apenas os mencionados no art. 927 e
explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; no inciso IV do art. 332

É preciso que fique claro aquele que lê a sentença ou decisão a 9) É ônus da parte, para os fins do disposto no art. 489, § 1º, V
razão pela qual determinado conceito jurídico foi invocado e de e VI, do CPC/2015, identificar os fundamentos determinantes
que forma se aplica ao caso concreto. ou demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento
ou a superação do entendimento, sempre que invocar
III - invocar motivos que se prestariam a justificar jurisprudência, precedente ou enunciado de súmula.
qualquer outra decisão;

Não pode ser considerada como fundamentada uma decisão VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência
que se vale de um molde ou modelo genérico, que possa servir ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a
não apenas para aquela situação concreta, mas de forma geral. existência de distinção no caso em julgamento ou a
É preciso que o juiz fundamente sua decisão de maneira superação do entendimento.
específica para o caso em que ela foi proferida.
Ele deve justificar a razão de não os aplicar, demostrando que
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no não se ajustam ao caso concreto que está decidindo. *o juiz
processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão pode deixar de acolher jurisprudência ou precedente invocado
adotada pelo julgador; pela parte, por discordar da solução adotada, a menos que se
trate de precedente vinculante.
Nem sempre será necessário que o juiz se pronuncie sobre
todas as causas de pedir e fundamentos de defesa, pois se uma 318 STJ -Formulado pedido certo e determinado, somente o
das causas ficar desde logo demonstrada e for, por si só, autor tem interesse recursal em arguir o vício da sentença
suficiente para o acolhimento de pedido, o juiz proferirá ilíquida.
sentença de procedência, sem precisar examinar as demais, o
mesmo em relação aos fundamentos de defesa: se um só ficar
provado, e for suficiente para levar à improcedência do pedido,
§ 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve
o juiz poderá sentenciar, afastando a pretensão inicial, sem justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação
examinar os demais. O que não é possível é o juiz rejeitar a efetuada, enunciando as razões que autorizam a
pretensão do autor, sem examinar todos os fundamentos de interferência na norma afastada e as premissas fáticas
fato e de direito por ele invocados; ou acolher sem examinar que fundamentam a conclusão.
todos os fundamentos da defesa.
§ 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da
Não há necessidade de examinar questões que não guardam
conjugação de todos os seus elementos e em
relação com as pretensões formulada, já que elas não podem
ser consideradas capazes de infirmar a conclusão do julgador.
conformidade com o princípio da boa-fé.

A sentença deverá apreciar todas as questões preliminares que Art. 490. O juiz resolverá o mérito acolhendo ou
ainda não tenham sido examinadas, bem como as prejudiciais. rejeitando, no todo ou em parte, os pedidos formulados
*preliminares: aquelas cujo deslinde depende o julgamento do pelas partes.
mérito ou a extinção sem exame de mérito. (337) (procedência - improcedência) capítulos de sentença- sentença
*prejudiciais: aquelas cujo deslinde repercute no acolhimento objetivamente complexa
ou na rejeição do pedido
(paternidade nas ações de alimentos) Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia,
ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá
Enunciados ENFAM
desde logo a extensão da obrigação, o índice de
12) Não ofende a norma extraível do inciso IV do § 1º do art.
489 do CPC/2015 a decisão que deixar de apreciar questões
correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de
cujo exame tenha ficado prejudicado em razão da análise ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se
anterior de questão subordinante. for o caso, salvo quando:
13) O art. 489, § 1º, IV, do CPC/2015 não obriga o juiz a
enfrentar os fundamentos jurídicos invocados pela parte, I - não for possível determinar, de modo definitivo, o
quando já tenham sido enfrentados na formação dos montante devido;
precedentes obrigatórios. II - a apuração de o valor devido depender da produção
de prova de realização demorada ou excessivamente
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de dispendiosa, assim reconhecida na sentença.
súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a
apuração do valor devido por liquidação. *Prevalece o entendimento de que haverá nulidade,
§ 2º O disposto no caput também se aplica quando o sanável por ação rescisória, caso haja o trânsito em
acórdão alterar a sentença. julgado. Entendimento contrário sustenta que se trata de
vicio insanável, tornando a sentença ineficaz.
Defeitos da sentença
Os mesmos defeitos dos atos processuais, em geral podem EXCEÇÃO: há casos em que a lei autoriza o juiz a
também afetar as sentenças, mas há alguns que são típicos das conceder algo que não corresponde exatamente àquilo
sentenças.
que foi pedido, sem que sua sentença possa ser
considerada extra petita. (554 e 497)
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza
diversa da pedida, bem como condenar a parte em
quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi
Sentença condicional
demandado. *P.da inércia
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que
resolva relação jurídica condicional.
Princípio da congruência ou da adstrição refere-se à
necessidade do magistrado decidir a lide dentro dos Exclui a possibilidade de o juiz proferir sentença condicional –
limites objetivados pelas partes, não podendo proferir art. 322. O pedido tem que ser certo.
sentença de forma extra, ultra ou infra (citra) petita. No entanto, admite-se que a sentença possa decidir relação
Deve ficar adstrito à ação que foi proposta, observando jurídica condicional, que depende da verificação de evento
as partes, as causas de pedir e os pedido. Não pode futuro e incerto.
Não se confunde sentença condicional – em que a procedência
conceder pretensões em relação a pessoas que não
ou improcedência do pedido fica condicionada à verificação de
foram parte; nem fundamentar a sua pretensão em evento futuro e incerto – com sentença que decide relação
causas de pedir não formuladas ou conceder algo jurídica condicional, onde o juiz acolherá ou rejeitará o pedido,
diferente ou a mais do que foi postulado. mas a execução dependerá do implemento da condição.

Citra petita/infra – aquela em que o juiz não analisa toda Ex: contrato, em que o devedor se compromete a entregar ao
a extensão do pedido do autor, não aprecia um dos autor os peixes que caírem em sua rede, m determinado
pedidos quando houver cumulação. período. O juiz pode reconhecer o direito do autor de haver os
peixes já pescados e os que venham a ser pescados nos meses
subsequentes. É evidente que a entrega destes últimos ficará
- Embargos de declaração
condicionada a que o resultado da pesca seja favorável.,
- Apelação invocando omissão na sentença
devendo aplicar-se o art.514, que condiciona o início da
*Tribunal pode anular a sentença e determinar a execução à prova de que a condição se verificou.
restituição dos autos à instância de origem, para que
profira outra.
O juiz pode conceder ao autor benefício previdenciário
*Tribunal pode julgar o pedido não apreciado, em vez de
diverso do requerido na inicial, desde que preenchidos os
anular a sentença, desde que todos os elementos para
requisitos legais atinentes ao benefício concedido. Isso
tanto estejam nos autos. 1.013,III
porque, tratando-se de matéria previdenciária, deve-se
proceder, de forma menos rígida, à análise do pedido.
Não havendo recurso e a sentença transitar em julgado:
Assim, nesse contexto, a decisão proferida não pode ser
Ajuizar nova ação, reapresentando o pedido não
considerada como extra petita ou ultra petita. STJ. 2ª
apreciado.
Turma. AgRg no REsp 1367825-RS, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 18/4/2013 (Info 522).
Ultra petita – aquela em que o juiz concede mais do que
o autor pediu.
Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato
constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir
Se houver recurso, não haverá necessidade de o tribunal
no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em
declará-la nula, bastando-lhe que reduza a condenação
consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no
aos limites do que foi postulado. Se houver trânsito em
momento de proferir a decisão.
julgado, caberá ação rescisória, cujo objeto será apenas
desconstituir a sentença, naquilo que ela contenha de
Ex: no julgamento das ações possessórias, o juiz concede ao
excessivo. autor a medida possessória mais adequada para o caso
concreto.
Extra petita – aquela em que o juiz concede ao autor um Pode ocorrer que, no curso da ação, o tipo de agressão a posse
objeto diverso ou algo de natureza diferente da que foi se altere; o que antes era ameaça ou turbação se convola em
pleiteada, sem respeitar as partes, a causa de pedir ou o esbulho. Compete ao juiz, no momento da sentença, de ofício
pedido, tais como apresentados na petição inicial. ou a requerimento do autor, levar em consideração as
alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida
O juiz só pode inovar em relação aos fundamentos judicial mais adequada.
jurídicos do pedido, já que ele os conhece (jura novit
Da mesma forma, eventuais alterações legislativas, que possam
curia), mas não em relação aos fáticos, nem em relação ser aplicadas desde logo, devem ser consideradas pelo juiz, com
aos pedidos. a observação das ressalvas constitucionais de que a lei nova
pode retroagir em detrimento do ato jurídico perfeito e dos cumprimento provisório da decisão; a sentença de
direitos adquiridos. improcedência, em princípio, não gera direito à hipoteca
judiciária, mas ela pode ser constituída par assegurar o
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz pagamento da verba de sucumbência em que o autor vencido
ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. Contraditório + tenha sido condenado;
cooperação
- Que haja o registro, na forma da lei de Registros Públicos. A
hipoteca é direito real, e, como recai sobre imóveis, só se
Modificação/ Correção da sentença
considera constituída com o registro no cartório de registro de
imóveis. Só assim ela adquire eficácia erga omnes.
Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:
(princípio da inalterabilidade.)
Art. 495. A decisão que condenar o réu ao pagamento de
Não é a publicação no DO, mas em cartório, quando restitui ou prestação consistente em dinheiro e a que determinar a
autos, com sentença. E, quando ela é proferida e audiência de conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar
instrução e julgamento, à medida que vai ditando ao coisa em prestação pecuniária valerão como título
escrevente. constitutivo de hipoteca judiciária.

I - para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da § 1º A decisão produz a hipoteca judiciária:


parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; I - embora a condenação seja genérica;
II - ainda que o credor possa promover o cumprimento
A qualquer tempo, mesmo depois de transitado em julgado.
provisório da sentença ou esteja pendente arresto sobre
bem do devedor;
II - por meio de embargos de declaração.
III - mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito
suspensivo.
Recurso adequado para corrigir erro material, omissão,
contradição ou obscuridade. Ao saná-los, pode ocorrer que o
juiz altere a sentença. Mas não se admite que eles sejam § 2º A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante
usados para modificar a sentença, sem que ela padeça dos apresentação de cópia da sentença perante o cartório de
vícios supramencionados, para que o juiz possa reapreciar a registro imobiliário, independentemente de ordem
prova ou reavaliar as questões de mérito. judicial, de declaração expressa do juiz ou de
demonstração de urgência.
O erro material passível de ser corrigido de ofício (art.
463, I, do CPC/1973 - art. 494, I, do CPC/2015) e não § 3º No prazo de até 15 (quinze) dias da data de
sujeito à preclusão é o reconhecido primu ictu oculi (à realização da hipoteca, a parte informá-la-á ao juízo da
primeira vista, de maneira evidente), consistente em causa, que determinará a intimação da outra parte para
equívocos materiais sem conteúdo decisório que tome ciência do ato.
propriamente dito. STJ. 3ª Turma. REsp 1151982-ES, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/10/2012 (Info 507). § 4º A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará,
para o credor hipotecário, o direito de preferência,
O magistrado pode corrigir de ofício, mesmo após o quanto ao pagamento, em relação a outros credores,
trânsito em julgado, erro material consistente no observada a prioridade no registro.
desacordo entre o dispositivo da sentença que julga
procedente o pedido e a fundamentação no sentido da § 5º Sobrevindo a reforma ou a invalidação da decisão
improcedência da ação. STJ. 2ª Turma. RMS 43956-MG, que impôs o pagamento de quantia, a parte responderá,
Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 9/9/2014 (Info 547). independentemente de culpa, pelos danos que a outra
parte tiver sofrido em razão da constituição da garantia,
Hipoteca judiciária devendo o valor da indenização ser liquidado e
executado nos próprios autos.
Trata-se de efeito decorrente não apenas da sentença, mas de
decisão de mérito condenatória, nos casos em que houver
julgamento antecipado parcial de mérito.
É um direito real de garantia, e tem por finalidade atribuir ao Seção III
credor hipotecário direito de preferência sobre o produto da Da Remessa Necessária
excussão do bem gravado. Normalmente, é fruto de
Não é recurso
convenção, mas pode ser também judicial ou legal. A prevista
como efeito secundário das sentenças condenatórias é a
judicial. Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo
Pressupostos: tribunal, a sentença:

- Que haja sentença ou decisão condenatória em dinheiro ou I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito
em obrigação que se converta em prestação pecuniária, anda Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
que a condenação seja genérica, esteja pendente de recurso fundações de direito público;
dotado de efeito suspensivo ou esteja pendente aresto de bens
do devedor, ou ainda quando o credor possa promover o
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os Sumula 490 STJ: A dispensa de reexame necessário,
embargos à execução fiscal. quando o valor da condenação ou do direito
controvertido for inferior a sessenta salários-mínimos,
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a não se aplica a sentenças ilíquidas.
apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos
autos ao tribunal,
e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal
avocá-los-á. Seção IV
Do Julgamento das Ações Relativas às Prestações de
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal Fazer, de Não Fazer e de Entregar Coisa
julgará a remessa necessária.
Art. 497.  Na ação que tenha por objeto a prestação de
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido,
condenação ou o proveito econômico obtido na causa concederá a tutela específica ou determinará
for de valor certo e líquido inferior a: providências que assegurem a obtenção de tutela pelo
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as resultado prático equivalente.
respectivas autarquias e fundações de direito público;
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Parágrafo único.  Para a concessão da tutela específica
Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de destinada a inibir a prática, a reiteração ou a continuação
direito público e os Municípios que constituam capitais de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a
dos Estados; demonstração da ocorrência de dano ou da existência de
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais culpa ou dolo.
Municípios e respectivas autarquias e fundações de
direito público. Art. 498.  Na ação que tenha por objeto a entrega de
coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o
A dispensa do reexame necessário não se aplica a prazo para o cumprimento da obrigação.
sentenças ilíquidas.
Parágrafo único.  Tratando-se de entrega de coisa
determinada pelo gênero e pela quantidade, o autor
§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo
individualizá-la-á na petição inicial, se lhe couber a
quando a sentença estiver fundada em:
escolha, ou, se a escolha couber ao réu, este a entregará
individualizada, no prazo fixado pelo juiz.
I - súmula de tribunal superior;
497/498 – A lei busca dar ao juiz mecanismos para tornar
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou efetivas as determinações judiciais, que devem atribuir ao
pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de credor exatamente aquilo que ele obteria se o devedor
recursos repetitivos; cumprisse a sua obrigação. Art. 536, §1° - meios de coerção
para impor o cumprimento.
III - entendimento firmado em incidente de resolução de
demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção de Não havendo o cumprimento voluntário da obrigação, o juiz
competência (IAC); determinará as medidas coercitivas ou de sub-rogação
necessárias para a satisfação do credor. Se a obrigação for
fungível, o juiz poderá determinar os dois tipos de medida; se
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante
for infungível, apenas as coercitivas, já que a obrigação não
firmada no âmbito administrativo do próprio ente pode ser prestada por terceiro. Os principais meios de coerção
público, consolidada em manifestação, parecer ou estão enumerados no art. 536, § 1º, do CPC.
súmula administrativa.
Não havendo cumprimento específico da obrigação, ou de
Sumula 45 STJ: No reexame necessário é defeso ao providência que assegure resultado equivalente, e sendo
tribunal agravar a condenação imposta à fazenda infrutíferas as medidas determinadas, ou existindo
requerimento do credor, haverá conversão em perdas e danos,
pública. - reformatio in pejus Ø
prosseguindo-se na forma dos arts. 523 e ss., do CPC

Sumula 253 STJ: O art. 557 do CPC, que autoriza o relator Art. 499.  A obrigação somente será convertida em
a decidir o recurso, alcança o reexame necessário. perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a
Da decisão da remessa necessária é cabível recurso. tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado
Julgamento monocrático. prático equivalente.

Sumula 325 STJ: A remessa oficial devolve ao Tribunal o Art. 500.  A indenização por perdas e danos dar-se-á sem
reexame de todas as parcelas da condenação suportadas prejuízo da multa fixada periodicamente para compelir o
pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de réu ao cumprimento específico da obrigação.
advogado.
Art. 501.  Na ação que tenha por objeto a emissão de
declaração de vontade, a sentença que julgar procedente
o pedido, uma vez transitada em julgado, produzirá
todos os efeitos da declaração não emitida. A coisa julgada guarda semelhança com a preclusão,
tanto que alguns a denominam de “preclusão máxima”.
Sentenças proferidas nos processos em que a pretensão do A diferença é que a coisa julgada pressupõe
autor é de que o réu emita uma declaração de vontade, que ele encerramento do processo, enquanto a preclusão
se recusa a lançar. consiste na impossibilidade de modificação do ato
Ex: réu se comprometeu a celebrar com o autor um contrato,
judicial, contra o qual não caibam mais recursos. Mas o
ou emitir uma declaração. Cumpridas o termo ou as condições
aspecto formal da coisa julgada não esclarece sobre a
impostas, o réu se recusa a prestar a declaração prometida.
(transferir ao autor um veículo depois da última parcela paga). possibilidade de repropositura de idêntica ação,
porquanto se restringe ao processo em que a sentença
ou acordão foi proferido.
Seção V
Da Coisa Julgada Todos os tipos de sentença (as que resolvem o mérito e
as que extingue o processo sem examiná-lo, ficam
Um dos direitos e garantias fundamentais – art.5°, XXXVI, sujeitas a coisa julgada formal, seja no âmbito da
CF – estabelece que a lei não pode retroagir, em prejuízo jurisdição voluntaria, seja no da contenciosa.
dela, ou seja, as decisões judiciais não podem mais ser
alteradas, a partir de um determinado ponto, do Coisa julgada material
contrário, a segurança jurídica sofreria grave ameaça.
Consiste não mais na possibilidade de modificação da
A função da coisa julgada é assegurar que os efeitos decisão n processo em que foi proferida, mas na
decorrentes das decisões judiciais não possam mais ser projeção externa dos seus efeitos, que impede que a
modificados, se tornem definitivos. mesma ação, já decidida em caráter definitivo, volte a ser
discutida em outro processo. Se presta a trazer
Coisa julgada não é um dos efeitos da sentença, mas uma segurança jurídica aso litigantes.
qualidade deles.
A coisa julgada material pressupõe decisão de mérito,
Eficácia da sentença ≠ Imutabilidade de seus efeitos que aprecie a pretensão posta em juízo, favorável ou
desfavoravelmente ao autor, pois se o juiz extinguir o
O trânsito em julgado está associado a impossibilidade processo sem resolução de mérito (meramente
de novos recursos contra a decisão. Há casos em que ela terminativa), a renovação da demanda não implicará
já produz efeitos, pode ser executada, mas não há ainda rediscussão do que foi decidido, mas nova tentativa de
o trânsito em julgado, pois eventuais recursos ainda obter do judiciário um exame do pedido.
pendentes não são dotados de eficácia suspensiva. A
eficácia da decisão ou sentença não está Guarda estreita relação com o fenômeno litispendência,
necessariamente condicionada ao trânsito em julgado, que também pressupõe duas ações idênticas, mas em
mas à inexistência de recursos dotados de efeito curso, ao passo que, na coisa julgada, uma delas já foi
suspensivo. julgada em caráter definitivo.

Formas de manifestação da coisa julgada


Elementos da ação;
Há duas espécies: a formal e a material.
-Partes A coisa julgada material constitui
Mas isso não é tecnicamente exato, porque a coisa -Causa de pedir óbice a nova ação, que tenha os
julgada é um fenômeno único. Então essas duas espécies -Pedido
mesmos 3 elementos, já julgada.
são formas de manifestação do mesmo fenômeno.
A alteração de qualquer um dos elementos, modifica a ação e afasta a
coisa julgada material.
1-Formal: imutabilidade dos efeitos da sentença no
processo em que foi proferida;
Tipos de decisão que se revestem da autoridade da
coisa julgada
2-Material: imutabilidade dos efeitos da decisão de
mérito em qualquer outro processo.
Todas estão sujeitas a coisa julgada formal. Mas nem
todas as decisões impedirão a renovação de idêntica
ação, nem todas estão sujeitas a coisa julgada material.
Coisa julgada formal
1ª condição: que seja;
É a manifestação da coisa julgada no processo em que a - Decisão interlocutória
sentença ou o acordão foi proferido, impossibilitando a - Sentença com exame de mérito
modificação da sentença ou acordão, não cabendo mais - Acordão
recursos, seja porque foram esgotadas as possibilidades
recursais, seja porque o recurso adequado não foi 2ª condição: decisão dizer respeito a processo de
interposto no prazo legal. conhecimento.
Limites objetivos da coisa julgada
Não há que se falar em coisa julgada material da
sentença que encerra o processo de execução, porque Consiste no problema de identificar o que efetivamente
ela não é de mérito. O mérito na execução consiste na não pode mais ser discutido em outros processos. A coisa
pretensão em obter satisfação a um direito, não uma julgada é qualidade dos efeitos da decisão de mérito –
sentença. A sua função, na execução, é apenas dar por 502.
terminado o processo, sem dar uma resposta à Mas nem todo o conteúdo da decisão tornar-se-á
pretensão posta em juízo. indiscutível, mas tão somente aquilo que ficar decidido a
respeito da pretensão formulada – 504.
Também não há coisa julgada material nas decisões que
apreciam tutelas provisórias, já que elas não resolvem o Art. 502.  Denomina-se coisa julgada material a
mérito. autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de
mérito não mais sujeita a recurso.
1- Coisa julgada “rebus sic stantibus”
Decisão de mérito = no sentido amplo, abrange decisões
Expressão que traduz ideia de as coisas permanecerem interlocutórias, sentenças e acórdãos.
iguais, idênticas.
Decisão interlocutória que examina parcialmente o
Regra: coisa julgada material = questão definitivamente mérito – julgamento antecipado parcial do mérito
julgada.
Art. 503.  A decisão que julgar total ou parcialmente o
Mas há certas situações, expressamente previstas em lei, mérito tem força de lei nos limites da questão principal
em que a imutabilidade dos efeitos da decisão só expressamente decidida.
persiste enquanto a situação fática que a enseja
permanecer a mesma, ficando autorizada a modificação, § 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de
desde que haja alteração fática superveniente. questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente
Ex: art.533, §3°, ações de alimentos e ações no processo, se: coisa julgada excepcional.
indenizatórias por ato ilícito
I - dessa resolução depender o julgamento do mérito;
A regulamentação do direito material é de ordem tal a
impedir que a questão fique definitivamente julgada, II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e
uma vez que o valor da pensão está sempre efetivo, não se aplicando no caso de revelia;
condicionado à capacidade do devedor, e à necessidade
do credor, podendo ser revisto sempre que uma ou outra III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da
se alterarem. Diante disso, a coisa julgada deve adapta- pessoa para resolvê-la como questão principal.
se, adquirindo o caráter rebus sic stantibus.

A sentença que examina a pretensão de alimentos é § 2o A hipótese do § 1o não se aplica se no processo
definitiva, enquanto não sobrevier alteração fática, que houver restrições probatórias ou limitações à cognição
justifique a sua revisão. A todo tempo, mesmo depois da que impeçam o aprofundamento da análise da questão
sentença definitiva, há possibilidade de rediscutir e rever prejudicial.
o valor, desde que haja alteração fática. Não é possível
modificá-la, mantida as circunstâncias originárias. Enunciado 438 FPPC - É desnecessário que a resolução expressa
da questão prejudicial incidental esteja no dispositivo da
O art.505, I, estende essa solução às demais situações decisão para ter aptidão de fazer coisa julgada.
em que haja relações jurídicas continuativas.
Art. 504. Não fazem coisa julgada:
2- Coisa julgada “secundum eventum litis”
I - os motivos, ainda que importantes para determinar o
Há casos em que o legislador exclui a coisa julgada alcance da parte dispositiva da sentença;
material, conforme o fundamento utilizado pelo juiz,
ainda que ele tenha examinado a pretensão posta em II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento
juízo. da sentença.

Ação civil publica / ação popular  haverá coisa julgada A sentença tem 3 partes: relatório, fundamentação e o
material, quando houver improcedência de provas dispositivo. Só o dispositivo da sentença/decisão interlocutória
(art.16 lei 7.347/85 e art.18 da lei 4.717/65); mas haverá, fica acobertado pela autoridade da coisa julgada material, a
se houver sentença de procedência, ou de improcedência fundamentação e a verdade dos fatos não.
por qualquer outro fundamento, que não a insuficiência
ou deficiência de provas. *há possibilidade de, em outro processo, se rediscutir aquilo
que o juiz examinou na fundamentação da sua sentença?
Art. 505.  Nenhum juiz decidirá novamente as questões Os fatos que o réu apresentar para fundamentar o seu pedido
já decididas relativas à mesma lide, de que a pretensão inicial seja desacolhida não constituem um
salvo: dos elementos da ação. São elementos identificadores da ação
I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, os fatos em que se baseia a pretensão do autor, mas são
sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, aqueles em que a defesa está fundada. Por isso, caso acolhida a
pretensão do autor, reputam se repelidas todas as defesas que
caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi
o réu apresentou, como as que ele poderia ter deduzido e não o
estatuído na sentença; fez.
II - nos demais casos prescritos em lei.

Limites subjetivos da coisa julgada


Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as Coisa julgada e as questões prejudiciais
quais é dada, não prejudicando terceiros.
-autor Antes do mérito, o juiz deve examinar as chamadas
-réu prévias, as preliminares e as prejudiciais.
-denunciado
-chamado ao processo As preliminares são as questões processuais, cujo
acolhimento impede o exame de mérito – 337.
*mas não ao assistente simples.

A coisa julgada pode beneficiar terceiros, mas não prejudicá-


As questões prejudiciais são os pontos controvertidos
los. cujo deslinde repercutirá sobre o julgamento do mérito.
Ex: ação de alimentos – paternidade controvertida –
CC- Art. 274.  O julgamento contrário a um dos credores questão prejudicial – juiz na fundamentação deve
solidários não atinge os demais, mas o julgamento favorável entender se o réu é ou não pai do autor.
aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor
tenha direito de invocar em relação a qualquer deles. O acolhimento de uma preliminar impede o julgamento
de mérito. Já o exame da questão prejudicial não
Coisa julgada in utilibus
impede, mas repercute sobre o teor da decisão, podendo
Limite subjetivo da coisa julgada
Interpartes - regra
levar ao acolhimento ou à rejeição dos pedidos
Ultra partes - alguém que não participou formulados.
Erga omnes - todos os jurisdicionados
A questão prejudicial não constitui o mérito da demanda.
No entanto, para que o juiz possa decidir o mérito, ele
Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo
terá de, previamente, passar pela questão prejudicial, e o
as questões já decididas a cujo respeito se operou a
que concluir repercutirá no resultado.
preclusão.
Ela é uma espécie de premissa sobre a qual assenta o
Perda da faculdade de praticar o ato
Temporal - passou o prazo
julgamento, pois versa sobre a existência ou inexistência
Consumativa - ato já foi praticado de relação jurídica que subordina o que será decidido a
Lógica- já se praticou ato incompatível com o que se deseja respeito da questão principal. É apreciada
praticar incidentalmente no processo.

Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, As questões prejudiciais poderão ser decididas com força
considerar-se-ão deduzidas e repelidas todas as de coisa julgada material, desde que preenchidos
alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao determinados requisitos. No exemplo da ação de
acolhimento quanto à rejeição do pedido. alimentos, ele declarará a paternidade do réu em relação
ao autor, com força de coisa julgada material. A questão
*Eficácia preclusiva da coisa julgada prejudicial, embora decidida incidentalmente, é julgada
*Princípio do deduzível ou do dedutível – reputar-se-ão em caráter definitivo.
apreciadas não apenas as matérias deduzidas, mas as
dedutíveis pelas partes. Requisitos:
1-Que o réu ofereça contestação – 503,II;
Elementos da ação:
-Partes
-Causa de pedir (fato que motiva a pretensão) 2-Que da resolução da questão prejudicial dependa o
-Pedido exame de mérito;

A decisão que rejeita o pedido, fundado em determinado fato, 3-Que o juízo seja competente para conhecê-la; se o juiz
não pode mais ser rediscutida, depois do trânsito em julgado. for incompetente, mas a incompetência for relativa, não
Mas é possível formular o mesmo pedido, com fundamento em haverá óbice, pois esta pode ser modificada por força da
outro fato, distinto daquele anterior, pois sendo a causa de conexão que há entre a questão prejudicial e a principal.
pedir distinta, não haverá reiteração de ações, mas uma nova.
4-Que a questão seja expressamente examinada; o juiz
deverá concluir pela existência ou insistência da relação
jurídica que constitui a prejudicial. Melhor será que o juiz Durante dois anos a contar do trânsito e julgado da
decida no dispositivo e não na fundamentação. última decisão proferida no processo, há possibilidade de
ajuizamento da ação rescisória, quando ainda é possível
5-Que não haja restrições probatórias ou limitações à desconstituí-la. Mas, ultrapassado esse prazo, não
cognição que impeçam o aprofundamento da análise da haveria mais como afastá-la, nem mesmo naquelas
questão prejudicial. As questões decididas em caráter situações em que manifesto o equívoco na decisão
provisório, em cognição limitada ou superficial não judicial, ou evidentes os danos que poderiam dele
receberão solução definitiva. decorrer.

Mas isso não afasta o risco de, por meio da coisa julgada,
A coisa julgada e a justiça da decisão poderem ser eternizadas situações tão nocivas, ou ainda
mais, que aquelas que adviriam da rediscussão posterior
 Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo da decisão. Por isso, há alguns anos, tem se falado na
em que interveio o assistente, este não poderá, em relativização da coisa julgada.
processo posterior, discutir a justiça da decisão...
Trata-se da possibilidade de, em situações excepcionais,
Imutabilidade da decisão afastar a coisa julgada, mesmo, que já tenha sido
- Coisa julgada  imutabilidade do que ficou decidido no ultrapassado p prazo de rescisória.
dispositivo da sentença.
- Justiça da decisão  imutabilidade do que ficou O fundamento teórico é a existência de direitos e
decidido na fundamentação da sentença. garantias fundamentais tão ou mais importantes do que
a coisa julgada, que não poderia prevalecer se
A justiça da decisão está associada ao assistente simples, confrontada com eles.
terceiro que ingressa no processo porque tem interesse Exemplos que podem ilustrar situações em que a coisa
jurídico em que a sentença seja favorável a uma das julgada deverá ser afastada, ainda que ultrapassado o
partes. Ele não é, ao final, alcançado pela coisa julgada prazo da AR.
material, porque não é dele a relação jurídica que se - Ações de investigação de paternidade: quando
discute o processo. Mas, nos termos do art. 123, não posterior a realização de exame de DNA que comprova
poderá mais rediscutir, em processos futuros, a justiça da que o resultado do processo não retrata a verdade dos
decisão, aquilo que o juiz tenha decidido n fatos. Se, de um lado, há direito à segurança jurídica, de
fundamentação da sentença, no processo em que ele outro, há o direito individual das pessoas de figurarem
interveio. como filhos ou pais de quem efetivamente o são.

- Indenizações a que foi condenada a Fazenda Pública;


Coisa julgada e a legitimidade extraordinária em relação a imóveis desapropriados, tendo sido
constatada a superestimação dos valores, do que
Na legitimidade extraordinária, aquele que figura como decorreria prejuízo aos cofres públicos.
parte não é titular do direito alegado. Conquanto esteja
em juízo em nome próprio, postula ou defende direito Parece que o remédio jurídico mais adequado para
alheio – substituição processual. afastar a coisa julgada nesses casos será a AR, que,
verificadas as condições já mencionadas, poderá ser
O substituído não é parte, pois não figura como autor ou ajuizada mesmo depois do prazo normal de dois anos, ou
réu. Mas haverá coisa julgada tanto para o substituto a ação declaratória de ineficácia da sentença ou acordão.
quanto para o substituído, embora não tenha sido parte.
Uma vez que o substituído será atingido pela coisa
julgada, a lei lhe faculta o ingresso como assistente
litisconsorcial. DA AÇÃO RESCISÓRIA

Mecanismos para afastar a coisa julgada Esgotados os recursos, a sentença transita em julgado.
Não é mais possível rediscuti-la nos mesmos autos, pois
O CPC prevê mecanismos pelos quais se pode afastar a haverá coisa julgada formal, que afeta todas as
coisa julgada, seja desconstituindo-a, seja declarando-lhe sentenças, terminativas ou definitivas. Se o julgamento
a inexistência. Tais mecanismos são: for de mérito, haverá também a coisa julgada material
sobre todas as decisões de mérito, que projeta seus
 Ação rescisória (966); efeitos fora do processo e impede que as partes
 Impugnação ao cumprimento de sentença, rediscutam em qualquer outro aquilo que tenha sido
(quando o objeto for desconstituir ou declarar decidido sobre os pedidos.
ineficaz o título);
 Ação declaratória de ineficácia
Em casos excepcionais, porém, a lei permite a utilização
de ação autônoma de impugnação, cuja finalidade é
Relativização da coisa julgada
desconstituir a decisão de mérito transitada em julgado.
Nela, ainda é possível postular a reapreciação daquilo
que foi decidido em caráter definitivo. Trata-se da ação sentença é proferida apenas para extinguir o processo,
rescisória. mas não é ela que confere obrigatoriedade ao
acordo. Por isso, o que deve ser rescindido não é a
Não se trata de um recurso, pois pressupõe que todos já sentença, mas o ato de disposição de direito
se tenham esgotado. Exige que tenha havido o trânsito homologado. Ou seja, o objeto da rescisão é a transação,
em julgado da decisão de mérito. Consiste em uma ação ou ato de disposição dos litigantes. Como a transação ou
cuja finalidade é desfazer o julgamento já tornado disposição é negócio jurídico civil, a rescisão opera-se na
definitivo. forma da lei civil, que prevê hipóteses de nulidade ou
anulabilidade dos atos jurídicos em geral. Em caso de
Ela não cabe em qualquer circunstância. O art. 966 nulidade, caberá a ação declaratória, e em caso de
enumera as hipóteses de cabimento. Pode-se dizer, de anulabilidade, ação anulatória.
maneira geral, que é o veículo adequado para suscitar
nulidades absolutas que contaminaram o processo ou a São elas as adequadas para impugnar acordo em
decisão. O rescindido é a decisão (rectius, o seu separação consensual, partilha de bens ou a transação.
dispositivo). Mas,
como o processo se caracteriza por ser uma sequência de Decisões que reconhecem prescrição e decadência
atos interligados e coordenados, que se sucedem no
tempo e visam ao provimento jurisdicional, a existência Elas põem fim ao processo, com resolução de mérito; no
de um vício no seu curso pode entanto, não julgam a pretensão do autor. Por isso, são
contaminar todos os atos subsequentes e, por chamadas falsas sentenças de mérito: a lei as considera
conseguinte, a decisão de mérito. de mérito para que possam revestir-se da coisa julgada
material.
A rescisória só servirá para desconstituí-la quando o vício
de que ela ou o processo padecem persistir mesmo A cassação de tais decisões, depois do trânsito em
depois do trânsito em julgado. Há nulidades que não julgado, exige ação rescisória, e não a anulatória ou
sobrevivem ao final do processo. Quando ele se encerra, declaratória, porque estas só cabem quando a
elas se sanam. Por exemplo: se o processo for conduzido intervenção do juízo é meramente homologatória, sem
por um juiz suspeito, cumpre às partes reclamar, conteúdo decisório. O reconhecimento da prescrição ou
arguindo a suspeição; ou ela é acolhida, o que ensejará o da decadência decorre de um pronunciamento judicial,
refazimento dos atos decisórios, se necessário, ou não é em que o juízo verifica os prazos e examina a existência
acolhida, ou nem mesmo suscitada, caso em que o vício de causa suspensiva ou interruptiva. Não há apenas
desaparece. manifestação de vontade das partes, mas efetiva decisão
judicial. Daí o cabimento da rescisória.
Quando o vício é daqueles que desaparecem quando o
processo se encerra, não cabe a ação rescisória. Ela exige Ações declaratórias de ineficácia
que a nulidade seja absoluta, que se prolongue para além
do processo.
A ação rescisória cabe quando o processo ou a decisão
contiver uma nulidade absoluta. Superado o prazo, o
Outros mecanismos de impugnação das sentenças
vício que os contamina estaria sanado, pois até as
transitadas em julgado
nulidades absolutas têm um limite para serem alegadas.
Ações anulatórias ou declaratórias de nulidade (art. 966,
§ 4º, do CPC) Mas tem-se admitido uma categoria de vícios mais
graves, que não se sanariam nem com o transcurso in
Há dois outros mecanismos, além da rescisória, pelos albis do prazo das ações rescisórias. Os processos e as
quais se pode impugnar uma sentença transitada em decisões que os contenham seriam ineficazes. Não se
julgado. Um deles é a ação anulatória ou declaratória de trata de inexistência física ou material, pois a sentença
nulidade, prevista no art. 966, § 4º, do CPC que cabe foi proferida e pode estar produzindo efeitos, mas de
contra os atos de disposição de direitos, praticados pelas ineficácia decorrente de um vício insanável, o que enseja
partes ou por outros participantes do processo e não a ação rescisória, mas a declaratória de ineficácia, a
homologados pelo juízo, bem como os atos querela nullitatis insanabilis, que, diferentemente
homologatórios praticados no curso da execução. daquela, não tem prazo. É proposta em primeiro grau de
Sempre que a sentença for apenas de homologação, jurisdição, e não no tribunal, como a rescisória.
como ocorre quando há
acordo entre os litigantes, a ação rescisória não será o Como não há unanimidade doutrinária sobre a admissão
mecanismo adequado para impugnação, mas as ações da ação declaratória, nem sobre os atos ineficazes, o
anulatórias ou declaratórias de nulidade, previstas para Superior Tribunal de Justiça tem admitido certa
os atos jurídicos em geral. fungibilidade entre as duas ações, isto é, tem autorizado
o ajuizamento da rescisória, mesmo naquelas situações
O que torna obrigatória a transação não é a em que se poderia concluir pela falta de um pressuposto
homologação judicial, mas o acordo de vontades. A processual de eficácia, desde que ajuizada dentro do
prazo decadencial.
Outras situações em que não cabe a rescisória Ação rescisória contra decisões que não são de mérito

Além das situações mencionadas, em que a ação


adequada para cassar a sentença é a anulatória, a Como visto, só cabe ação rescisória contra decisões de
declaratória de nulidade (art. 966, § 4º) ou a querela mérito, porque só elas fazem coisa julgada material. No
nullitatis insanabilis, há outras situações em que não será entanto, há duas exceções previstas em lei, tratadas no
possível a ação rescisória, porque não há coisa julgada art. 966, § 2º: “Nas hipóteses previstas nos incisos do
material. ‘caput’, será rescindível a decisão transitada em julgado
que, embora não seja de mérito, impeça:
É o caso das sentenças meramente extintivas, que põe I — nova propositura da demanda; ou
fim ao processo, sem resolução de mérito. Há falta de II — admissibilidade do recurso correspondente”.
interesse para a rescisória, porque não há coisa julgada e
a demanda pode ser reproposta. Para entendê-las, é preciso lembrar que o juiz pode
proferir uma sentença de extinção sem resolução de
Mais complexa é a questão do cabimento da rescisória mérito, sem força de coisa julgada material, mas que
nas ações de alimentos. A sentença que julga o pedido impede a repropositura da mesma ação. São as hipóteses
decide relação continuativa, que se prolonga no tempo. previstas no art. 486, § 1º, e também as de coisa julgada
Por isso, está sujeita a modificações, alteradas as ou perempção. Diante da vedação à repropositura,
circunstâncias fáticas que ensejaram a fixação originária admite-se a ação rescisória, que também será cabível
dos alimentos. Há a todo tempo a possibilidade de contra a decisão que impeça a
postular-se a revisão ou exoneração dos alimentos, admissibilidade de recurso pendente.
desde que ocorra algum fato que o justifique. Daí dizer-
se que a coisa julgada é rebus sic stantibus, que persiste Para que se compreenda essa segunda exceção, tome-se
enquanto permaneceram as condições que ensejaram a um exemplo: o Tribunal não admitiu a apelação por
fixação dos alimentos originariamente. Em princípio, não intempestividade ou falta de preparo. Com isso, a
seria de admitir-se a rescisória, já que a sentença pode sentença transitou em julgado. Caberia ação rescisória
ser revista. Contudo, há um caso em que não há como contra a decisão que negou seguimento ao recurso ou
afastá-la: se não ocorrer nenhuma modificação dos fatos não o conheceu? A resposta, em princípio, seria negativa,
— o que impediria a propositura da revisão —, mas a porque, se o recurso não foi admitido ou conhecido,
sentença originária tiver sido proferida com um vício ou prevaleceu a sentença de primeiro grau e a rescisória só
em alguma das circunstâncias do art. 966 do CPC. poderia ter por objeto a sentença, e não a decisão de
inadmissão do recurso. No entanto, pode ser que a
sentença não contenha nenhum dos vícios elencados no
Não cabe ação rescisória contra as sentenças que
art. 966, que não seja possível encaixá -la em nenhuma
julgarem as ações civis públicas improcedentes por
das hipóteses de cabimento. É possível que o vício esteja
insuficiência de provas, ou improcedentes as ações
não na sentença (ou decisão interlocutória de mérito),
populares, porque nesses casos não há coisa julgada
mas na decisão que indeferiu ou não conheceu do
material (são hipóteses de coisa julgada secundum
recurso. Pode ser que a sentença não esteja fundada em
eventum litis).
erro de fato, mas a decisão que não admitiu o recurso,
sim, porque o considerou intempestivo ou sem preparo
Tampouco contra sentenças que extinguem a execução, quando não o era. Não há outra solução
já que não são sentenças de mérito, mas se limitam a dá- senão admitir a rescisória não da decisão de mérito, mas
la por finda. da decisão interlocutória que não admitiu o recurso,
permitindo-se agora que o recurso seja processado e a
Também não cabe ação rescisória das decisões, das sentença reexaminada pelo Tribunal. Antes mesmo da
sentenças e dos acórdãos proferidos nos JECs – art.59 da entrada em vigor do CPC atual, o Superior Tribunal de
lei 9.099/95. Justiça já vinha admitindo a rescisória, em situações
como essas.
Ação rescisória contra decisão i nterlocutória de mérito
Nesse sentido: “Precedentes da Corte considerando
Como já foi visto, o CPC autoriza que o mérito seja admissível a rescisória quando não conhecido o recurso
julgado não apenas na sentença, mas também em por intempestividade, autorizam o mesmo entendimento
decisão interlocutória, no caso de julgamento antecipado em caso de não conhecimento da
parcial (art. 356), quando um ou alguns dos pedidos, ou apelação por deserção” (STJ — 3ª Turma, REsp 636.251,
parte deles, tenham ficado incontroversos ou estejam Rel. Min. Menezes Direito).
em condições de serem apreciados. Essas decisões
interlocutórias de mérito, esgotados os recursos, são Ou ainda:
alcançadas pela autoridade da coisa jugada material. Por “Comprovada a tempestividade do recurso por certidão,
isso, o art. 966 prevê o cabimento da ação rescisória cujo conteúdo foi admitido pelo réu, caracteriza -se o
contra elas, referindo-se a “decisão” em sentido amplo, erro de fato, autorizando a
abrangendo as decisões interlocutórias, as sentenças e os rescisão do julgado” (RSTJ — 3ª Turma, REsp 122.413).
acórdãos.
Juízo rescindente e juízo rescisório
1. O interesse
O art. 974, do CPC, ao estabelecer que “julgando Só tem interesse em propô-la aquele que puder auferir
procedente o pedido, o tribunal rescindirá a decisão, algum proveito da rescisão, alguma melhora de sua
proferirá, se for o caso, novo julgamento (...)”, aponta situação, caso o julgamento anterior seja rescindido e
para a existência de dois momentos: o juízo rescindente, outro seja proferido em seu lugar.
aquele em que o órgão julgador rescinde a decisão
impugnada; e o juízo Para isso, é preciso que o autor da ação rescisória não
rescisório, em que, se for o caso, procede-se a novo tenha obtido o melhor resultado possível no processo
julgamento. cujo julgamento se quer rescindir. Flávio Yarshell ensina
que “é também a partir do que foi julgado no dispositivo
Por meio do juízo rescindente, o órgão julgador vai da sentença que se determina o interesse de agir na ação
desconstituir aquilo que, da decisão de mérito,foi rescisória, havendo grande afinidade desse tema com o
alcançado pela coisa julgada material: o dispositivo da do interesse recursal: o que justifica a impugnação, de
decisão de mérito, já transitada em julgado. Não podem um modo geral, é o julgamento desfavorável e cuja
ser objeto de ação rescisória as outras partes da decisão modificação possa levar, por alguma forma, a situação
ou sentença, elencadas no art. 504 do CPC (os motivos e mais favorável do que aquela imposta à parte
a verdade dos fatos; em síntese, a fundamentação). Não ‘sucumbente’”7.
havendo coisa julgada sobre elas, não existe interesse
para a rescisória. Só o dispositivo é que se torna imutável É possível que ambos os litigantes tenham interesse em
e pode ser objeto dela. ajuizá-la, havendo sucumbência recíproca. E ambos
poderão postular a rescisão com o mesmo fundamento.
O juízo rescisório pressupõe que tenha sido acolhida, ao Assim, por exemplo, se a sentença é extra petita, tanto o
menos em parte, a pretensão rescindente. Afinal, se autor quanto o réu podem requerer a rescisão por essa
nenhuma parte do dispositivo tiver sido desconstituída, razão.
não haverá razão para uma nova decisão. Se apenas uma
parte for desconstituída, o novo julgamento referir-se-á 2. O trânsito em julgado como condição indispensável
tão somente a ela; se todo o julgamento anterior for para o ajuizamento da ação rescisória
desconstituído, o órgão julgador promoverá novo
julgamento, que abrangerá integralmente os limites Enquanto não há trânsito em julgado, a decisão deverá
objetivos e subjetivos da lide originária, mas que deles ser impugnada por meio do recurso adequado. Só
não poderá desbordar. Os limites do novo julgamento na quando não for mais possível a interposição do recurso,
ação rescisória são os limites da lide originária. Ainda que após o trânsito, surgirá o interesse de agir para a ação
a decisão rescindida seja uma sentença, o tribunal que rescisória.
julgar a ação rescisória terá competência para promover
o novo julgamento, em substituição ao anterior. Mas não é necessário que se tenham esgotado todos os
recursos possíveis, enquanto o processo ainda estava
Natureza jurídica da ação rescisória pendente, bastando que ele tenha se encerrado,
exaurindo-se, por preclusão, as oportunidades para
A sua natureza primordial é desconstitutiva. Isso porque recorrer.
toda ação rescisória tem de ter o juízo É possível a rescisória de uma sentença, ainda que contra
rescindente, o pedido de desconstituição total ou parcial ela, no prazo apropriado, não tenha sido interposto
do julgamento anterior transitado em julgado. recurso nenhum. Basta apenas que tenha havido o
Mas, além dele, quando for o caso, a rescisória poderá trânsito em julgado. Sem ele, falta interesse de agir,
ter também o juízo rescisório, em que o tribunal porque por meio dos recursos ainda é possível obter a
proferirá novo julgamento da questão anteriormente cassação da decisão.
decidida. O juízo rescisório pode ter qualquer tipo
de natureza: condenatória, constitutiva ou declaratória. Mas Flávio Yarshell lembra que “partindo-se da premissa
E, sendo condenatória, pode ainda ter natureza de que o julgamento de mérito é passível de
mandamental ou executiva lato sensu. decomposição em capítulos, e suposto que esses
capítulos guardem autonomia entre si, é perfeitamente
Requisitos de admissibilidade possível admitir a propositura de ação rescisória ainda na
pendência da relação processual em que originalmente
A ação rescisória vem tratada no art. 966 do CPC, que editada a decisão rescindenda. A preclusão desta,
enumera variados requisitos de admissibilidade, que portanto, não coincide necessariamente com a extinção
poderiam ser agrupados em duas grandes categorias: os do processo em que editada”.
comuns a todas as ações, como o preenchimento das
condições da ação rescisória — interesse e legitimidade; Tal hipótese pressupõe que tenha havido recurso parcial,
e os requisitos específicos. Cada um deles será objeto de que um capítulo da sentença seja objeto do recurso e
um item específico. outro não. Sendo autônomos, o segundo transitará em
julgado e permitirá, desde logo, o
As condições da ação rescisória ajuizamento da ação rescisória.
atingidos pela desconstituição da sentença; a menos que
Não haverá interesse para a ação rescisória se as partes, pretenda tão somente a desconstituição de um capítulo
por força de negócio jurídico superveniente, modificaram autônomo, que diga respeito só a um dos autores, caso
a situação jurídica decorrente da sentença. Como, em em que só ele será incluído.
regra, ela regula situações que dizem
respeito a direitos disponíveis, nada impede que as Quanto aos sucessores, não há nenhuma novidade. Em
partes, depois dela e mesmo do trânsito em julgado, caso de falecimento, alienação ou cessão dos direitos
transijam, caso em que a relação jurídica passará a ser decorrentes da decisão, a rescisória será proposta pelos
regulada pelo acordo, e não mais pela sentença. ou em face dos sucessores.

Como o julgamento de mérito pode ser cindido, já que o 2. A legitimidade do terceiro juridicamente prejudicado
juiz pode, em julgamento antecipado parcial, apreciar um O terceiro que tem interesse jurídico é aquele que
dos pedidos e deixar para apreciar os demais na poderia ter ingressado no processo, na qualidade de
sentença, a parte poderá ajuizar ação rescisória apenas assistente.
contra a decisão interlocutória de mérito já transitada
em julgado, ainda que o processo prossiga para o exame Há dois tipos de assistência: a simples e a litisconsorcial.
dos demais pedidos. Mas, se quiser, poderá aguardar a Na simples, o terceiro não é titular da relação jurídica
sentença e o exame das pretensões restantes, porque o discutida em juízo, mas de relação a ela interligada ou
direito à rescisória só se extingue depois de dois anos a conexa. Por isso, o assistente simples não é atingido pela
contar do trânsito em julgado da última decisão coisa julgada material, o que, em princípio, afastaria o
proferida no processo (art. 975). seu interesse para ingressar com a ação rescisória.

3. A legitimidade Mas se a sentença lhe for desfavorável, será atingido


Vem estabelecida no art. 967 do CPC: “Tem legitimidade pela justiça da decisão, que, conquanto não se confunda
para propor a ação rescisória: com a coisa julgada, impede que as questões decididas
I — quem foi parte no processo ou o seu sucessor a na fundamentação da sentença sejam
título universal ou singular; reexaminadas em outros processos. Ou seja, em relação
II — o terceiro juridicamente interessado; ao assistente simples, a sentença projeta seus efeitos
III — o Ministério Público: a) se não foi ouvido no para fora do processo, não sob a forma de imutabilidade
processo, em que lhe era obrigatória a intervenção; b) decorrente da coisa julgada, mas da justiça da decisão
quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou (CPC, art. 123). Por isso, parece-nos que terá interesse e
de colusão das partes, a fim de fraudar a lei; c) em outros legitimidade para a rescisória. Em contrapartida, se o
casos em que se imponha sua atuação; terceiro interessado não ingressou como assistente
IV — aquele que não foi ouvido no processo em que lhe simples, não é atingido pela justiça da decisão e não tem
era obrigatória a intervenção”. interesse em ajuizá-la.

Cada um merece exame em item específico: Aquele que poderia ingressar como assistente
litisconsorcial será alcançado pela coisa julgada,
1. Quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título ingressando ou não, razão pela qual estará legitimado a
universal ou singular propor a ação rescisória.

As partes são os principais legitimados da ação rescisória. 3. O Ministério Público


Por partes entende-se o autor e o réu da ação originária
e aqueles que, em razão de intervenção de terceiros, O art. 967, III, letras a, b e c, enumera as hipóteses de
assumiram essa qualidade. É o caso do denunciado e dos legitimidade do Ministério Público: se não foi ouvido no
chamados ao processo. Nessas duas hipóteses, a processo, em que lhe era obrigatória a intervenção;
intervenção de terceiro adquire natureza de verdadeira quando a decisão rescindenda é o efeito de simulação ou
ação. O denunciado e os chamados figurarão como colusão das partes, a fim de fraudar a lei, ou em outros
litisconsortes do denunciante e do chamante. casos em que se imponha sua atuação.

As partes da ação rescisória não ocuparão Elas referem-se à situação em que ele não atuou como
necessariamente os mesmos polos que ocuparam na parte, pois se foi autor ou réu poderá valer-se do art.
ação originária: é possível que o autor da rescisória tenha 967, I. Não o tendo sido, poderá ajuizar a rescisória em
figurado como réu desta, e vice-versa. razão de nulidade do processo, exatamente por sua não
intervenção, nos casos em que ela é obrigatória; e
Salvo a hipótese de que o dispositivo da decisão possa mesmo quando a sua participação como fiscal da ordem
ser cindido em capítulos autônomos, haverá jurídica não era necessária, mas verifica-se que houve
necessidade de citação de todos aqueles que figuraram simulação ou colusão, que as partes se uniram para
no polo oposto, na ação originária. Se o réu desta for o obter, por meio do processo, um resultado ilegal ou
autor da rescisória, no polo passivo deverá incluir todos fraudulento. Por fim, poderá ajuizá-la também nos
os autores, porque eles serão outros casos em que a lei imponha sua atuação. Já foi
decidido, por exemplo, que “o MP também está
legitimado a pedir a rescisão de sentença em que há de impedimento, pois se a incompetência foi relativa ou
comprometimento de interesses públicos indisponíveis” o juiz suspeito, o vício terá se sanado no curso do
(RSTJ 98/23). processo. A rescisória será admitida, ainda que a
nulidade não tenha sido suscitada no seu curso.
Em todos os casos, deverão figurar no polo passivo da
rescisória os autores e réus da ação originária, já que Se o juiz impedido participou do julgamento em órgão
todos serão afetados. colegiado, a rescisória será cabível se o seu voto
repercutiu sobre o julgamento, se o influenciou. Se foi
4. Aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era voto isolado, cuja alteração não afetaria o resultado, não
obrigatória a intervenção há razão para cogitar da rescisão.

Há casos em que a lei determina a intervenção Se, no julgamento da rescisória, for reconhecida a
obrigatória de determinadas pessoas ou entes no incompetência absoluta do juízo ou Tribunal que
processo. É o caso, por exemplo, do curador especial em prolatou a decisão, haverá a cassação da decisão por eles
favor do réu revel citado fictamente ou do réu revel proferida, com a determinação de remessa dos autos ao
preso. Se eles não forem ouvidos e o juiz proferir decisão juízo ou Tribunal competente. Parece-nos que, nessa
de mérito desfavorável ao curatelado, eles estarão hipótese, não haverá a possibilidade de se proceder ao
legitimados a propor ação rescisória. juízo rescisório, desde logo, porque cumprirá que,
primeiro, haja a decisão do órgão competente.
Hipóteses de cabimento (CPC, art. 966)
3. Sentença que resulta de dolo ou coação da parte
O art. 966 enumera os fundamentos em que deve se vencedora em detrimento da parte vencida, ou de
embasar a ação rescisória. O rol é taxativo e não simulação ou colusão entre as partes, a fim de fraudar a
comporta ampliações, nem utilização da analogia, para lei
hipóteses não expressamente previstas. Nos próximos
itens, cada uma das situações será examinada Haverá dolo da parte vencedora quando ela engana o juiz
separadamente. ou a parte contrária para influenciar o resultado do
julgamento, e coação quando ela incute no adversário
1. Prevaricação, concussão ou corrupção do juiz prolator fundado temor de dano iminente e considerável à sua
da decisão pessoa, à sua família ou a seus bens. Para que possa
ensejar a rescisória, é preciso que isso tenha sido
A prevaricação é o ato de “retardar ou deixar de praticar, determinante para o resultado e que aquele que violou o
indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra dever de lealdade e boa-fé, ou fazendo uso de ardis para
disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou induzir a erro o adversário, ou fazendo uso da coação,
sentimento pessoal” (CP, art. 319). A concussão consiste tenha
em “exigir, para si ou para outrem, direta ou saído vitorioso.
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida” (CP, Barbosa Moreira formula os seguintes exemplos: “o
art. 316). E a corrupção passiva em “solicitar ou receber, autor obstou a que o réu tomasse conhecimento real da
para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda propositura da ação, ou de qualquer modo o levou a ficar
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão revel; o litigante vitorioso criou empecilhos, de caso
dela, vantagem indevida, ou aceitar a promessa de tal pensado, à produção de prova que sabia vantajosa para o
vantagem” (art. 317). adversário, subtraiu ou inutilizou documento por este
junto aos autos. Não basta a simples afirmação de fato
Não é preciso que o juiz tenha sido condenado em inverídico, sem má-fé, nem o silêncio acerca de fato
processo crime. A existência do ilícito pode ser desfavorável relevante, nem a abstenção de produzir
demonstrada na própria rescisória. Não haverá prova capaz de beneficiar a parte contrária”9.
incompatibilidade entre sentença penal absolutória e a
procedência da ação rescisória por esse fundamento. Acolhido o pedido de rescisão da decisão, cumprirá ao
Mas, se o juiz tiver sido condenado na esfera criminal, o órgão julgador verificar se já é possível formular o juízo
ilícito não mais poderá ser rediscutido na rescisória. rescisório, proferindo nova decisão, que substitua a
primeira, o que nem sempre ocorrerá: por exemplo, se o
Se for perpetrado por juiz integrante de órgão colegiado, dolo ou coação foi usado para impedir que o réu tomasse
a rescisória só será acolhida se o voto dele afetou o conhecimento real da ação, será necessário que o
resultado. processo retome da fase de citação, prosseguindo a
partir daí. Se o dolo ou coação foi usado para obstar a
2. Impedimento do juiz ou incompetência absoluta do produção de provas, o processo reiniciará a partir dessa
juízo fase.

Para que o processo e a decisão sejam válidos é preciso A colusão é o conluio entre as partes, que utilizam o
que o juízo seja competente e o juiz imparcial. Mas só processo para fins ilícitos. Vem tratada no art. 142 do
haverá nulidade em caso de incompetência absoluta ou CPC: “Convencendo-se, pelas circunstâncias, de que
autor e réu se serviram do processo para praticar ato julgado. Se o acórdão o apreciou, ofende a coisa julgada
simulado ou conseguir fim vedado por lei, o juiz proferirá e enseja a rescisória.
decisão que impeça os objetivos das partes, aplicando,
de ofício, as penalidades da litigância de má-fé”. Imagine- Outra situação é a da sentença penal condenatória,
se, por exemplo, que alguém queira fugir da obrigação posterior à sentença civil de improcedência transitada
de pagar seus credores, e se conluie com um amigo para em julgado. Não há conflito de coisas julgadas, porque as
que ajuíze ação como credor preferencial, para ter pretensões e as partes são diferentes nas duas ações.
prioridade no recebimento. O juiz, descoberta a colusão, Entretanto, haverá a questão da possibilidade de
extinguirá o processo sem resolução de mérito. executar a primeira apesar da segunda. A questão é
bastante controvertida, mas parece-nos que, enquanto
Se ele não conseguiu obstar a colusão, qualquer não for rescindida a sentença civil, não será possível
prejudicado ou o Ministério Público poderão ajuizar a promover a execução civil da sentença penal
rescisória. Mas não as partes, por faltar-lhes interesse, já condenatória.
que eram envolvidas na fraude.
5. Violar manifestamente norma jurídica
Em regra, não haverá juízo rescisório, porque bastará
que o órgão julgador casse a sentença, sem que profira Não se admite a rescisão por injustiça da sentença ou por
outra no lugar. inadequado exame das provas. É indispensável que haja
A simulação ocorre quando uma das partes se valer dos afronta direta e induvidosa à norma jurídica (ou a
expedientes enumerados no art. 167, §§ 1º e 2º, do princípio geral do direito), de natureza constitucional ou
Código Civil, aplicando-se a ela as mesmas regras da infraconstitucional.
colusão.
A ofensa pode ser à norma material (error in judicando)
4. Decisão que ofender a coisa julgada ou à norma processual (erro in procedendo), o que, em
regra, terá influência decisiva sobre o juízo rescisório. Se
Não pode haver novo pronunciamento judicial sobre o erro foi de julgamento, será, em princípio, possível que
pretensão já examinada por decisão transitada em o órgão julgador já profira a nova decisão, em
julgado e acobertada pela autoridade da coisa julgada substituição à anterior; mas se o erro for processual,
material. Nem mesmo a lei pode retroagir para haverá necessidade de que o processo originário seja
prejudicá-la. Por isso, uma nova decisão, que reforme o retomado no ponto em que foi perpetrado o erro capaz
decidido pela anterior, poderá ser rescindida. Se ela de influir no julgamento. Caberá rescisória se o error in
reafirmar a anterior, o problema, em princípio, não se procedendo for cometido na própria decisão, ou em fase
colocará, pois não haverá ofensa à coisa julgada. anterior, desde que sobre ela repercuta.Por exemplo, no
indeferimento de provas que a lei autorizava e que
É bastante controversa a questão de qual das decisões poderiam ter influído no resultado.
deva prevalecer, caso não haja rescisão da segunda.
Vicente Greco Filho suscita interessante questão: “(...) o Não se considera violação manifesta da norma jurídica a
da validade da sentença proferida decisão que deu a ela uma interpretação razoável, ainda
com ofensa à coisa julgada e que não foi rescindida que não predominante, ou ainda que divergente de
porque se passaram os dois anos de decadência da ação outras dadas pela doutrina e jurisprudência. Nesse
rescisória”. A solução dada por ele é: “Não rescindida, a sentido, a Súmula 343 do STF: “Não cabe ação rescisória
despeito de ofender a coisa julgada, a segunda sentença por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão
terá eficácia como título autônomo, mesmo que seja rescindenda se tiver baseado em texto legal de
contraditória com a primeira sentença. Portanto, será interpretação controvertida nos tribunais”. É preciso que
executada, sem que o juiz da execução possa evitar a sua a decisão seja incompatível com a norma jurídica, não
eficácia, porque o trânsito em julgado da segunda podendo haver coexistência lógica das duas.
impede que se discuta a sua validade”10. Essa opinião é
partilhada, entre outros, por Flávio Yarshell 11. Mas caberá a ação rescisória, se a decisão não der ao
texto de lei interpretação razoável, isto é, der uma
Não nos parece, porém, que seja a melhor solução: em interpretação que absolutamente não se conforma com
caso de coisas julgadas antagônicas, há de prevalecer a o texto literal da lei ou com o seu espírito. Nesse sentido,
primeira, pois a segunda foi prolatada quando já havia já foi decidido: “O que o art. 485, V, do CPC, (atual art.
decisão definitiva a respeito. Essa é a solução sugerida 966, V) reclama para a procedência da rescisória é que o
por Nelson e Rosa Nery: “Ultrapassado o prazo do CPC julgado rescindendo, ao aplicar determinada norma na
495 e havendo conflito entre duas coisas julgadas decisão da causa (portanto, ao fazer incidir sobre o litígio
antagônicas, prevalece a primeira sobre a segunda, norma legal escrita), tenha violado seu sentido, seu
porque esta foi proferida com ofensa àquela (CPC 471)”. propósito: sentido e propósito que, como não pode
deixar de ser, admitem e até mesmo impõem variada
Situação interessante de rescisória por ofensa ao inciso compreensão do conteúdo do imperativo legal, ao longo
IV do art. 966 é do acórdão prolatado em apelação do tempo e ao sabor de circunstâncias diversas da ordem
intempestiva. Se já havia sido ultrapassado o prazo de social, que a jurisprudência não pode simplesmente
recurso, a sentença estava transitada em ignorar ou mesmo negligenciar” (RSTJ 27/247).
réu daquela. A prova nova não é aquela cuja constituição
Vale lembrar que a norma afrontada tinha de estar em operou-se após a decisão transitada em julgado, mas
vigor no momento em que a decisão foi proferida. Não cuja existência, embora anterior, era ignorada pelo autor
cabe rescisória se a decisão é incompatível com lei da ação rescisória, ou de que ele não pôde fazer uso, por
superveniente, embora estivesse em consonância com a circunstâncias alheias à sua vontade. Se deixou de ser
lei vigente à época de sua prolação. Também se exige apresentada por culpa da parte, que agiu com desídia ou
que a afronta à lei tenha influenciado o julgamento, pois, negligência, porque ela era acessível, não cabe a
do contrário, faltará interesse para postular a rescisão. rescisória. É preciso ainda que o documento seja tal que
possa assegurar, por si só, pronunciamento favorável.
Cabe, ainda, ação rescisória, com fulcro nesse inciso,
contra decisão baseada em enunciado de súmula ou 8. Fundada em erro de fato, verificável do exame dos
acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos autos
que não tenha considerado a existência de distinção
entre a questão discutida no processo e o padrão De acordo com os parágrafos do art. 966, haverá erro
decisório que lhe deu fundamento, cabendo ao autor, quando a decisão admitir um fato inexistente, ou quando
sob pena de inépcia, demonstrar a distinção entre a considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido.
situação fática sub judice e aquela usada como padrão Para que caiba a rescisória, é indispensável que o fato
(art. 966, § 5º). não represente ponto controvertido, sobre o qual o juiz
deveria ter se pronunciado.
6. Se fundar em prova cuja falsidade tenha sido apurada
em processo criminal, ou seja, demonstrada na própria É indispensável que ele possa ser verificável do exame
ação rescisória dos autos. Não se admite, na ação rescisória fundada no
inciso VIII, sejam produzidas novas provas do erro. Este já
É indispensável que a prova falsa tenha sido deve estar comprovado de plano.
determinante do resultado, que este não possa subsistir A rescisória fundada em erro de fato não autoriza ao
sem ela. Se o julgamento está fundado em vários órgão julgador que reexamine as provas dos autos para
elementos ou provas variadas, e a falsidade de uma delas verificar se a decisão foi ou não a mais adequada: “O erro
não seja decisiva para o resultado, não haverá razão para autorizador da rescisória é aquele decorrente da
a rescisória. desatenção ou omissão do julgador quanto à prova, não,
pois, o decorrente do acerto ou desacerto do julgado em
A lei processual não distingue entre falsidade material e decorrência da apreciação dela” (Bol. AASP 1678/Supl., p.
ideológica. Considera-se irrelevante que ela pudesse ter 6).
sido detectada no processo de conhecimento no qual foi
proferida a sentença que se quer rescindir. Só cabe a rescisória se a existência ou inexistência do
fato não tiver sido expressamente apreciada pela
A falsidade pode dizer respeito a todos os tipos de prova decisão. Se o juiz, no julgamento, concluiu pela
— documental, pericial ou testemunhal — e sua existência, ou inexistência do fato, equivocadamente,
apuração será feita em processo criminal, ou na própria isso não enseja a rescisória. O que a enseja é o erro que
ação rescisória. Se no primeiro, a sentença que passou despercebido do juiz, seja quando ele não
reconhecer a falsidade deverá estar transitada em reconheceu na decisão um fato que, de acordo com os
julgada, o que torna a hipótese rara, diante do prazo de elementos dos autos, comprovadamente ocorrera; ou
dois anos. Mas, mesmo que seja absolutória, a falsidade quando reconheceu um fato que, de acordo com os
poderá ser demonstrada na rescisória. mesmos elementos, comprovadamente não ocorrera.

Formulado o juízo rescindente, caberá ao órgão julgador É preciso que o juiz não tenha se pronunciado e levado
verificar se já é possível promover outro julgamento, em em conta elementos dos autos por si sós suficientes para
substituição ao primeiro, afastada a prova cuja falsidade comprovar que um fato que ele considerou existente não
se apurou. Haverá situações em que não será possível. ocorreu, ou vice-versa.
Por exemplo, se o juiz julgou antecipadamente o mérito,
considerando desnecessárias outras provas, já que havia Procedimento da ação rescisória
prova documental suficiente. Apurada falsidade, pode
tornar-se necessária a abertura de instrução, o que 1. Competência
impedirá o juízo rescisório.
A ação rescisória de sentença deve ser proposta perante
.7. Depois do trânsito em julgado, o autor obtiver prova o Tribunal que teria competência para julgar recursos
nova, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer contra ela; se de acórdão, a competência será do mesmo
uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento Tribunal que o proferiu, mas o julgamento será feito por
favorável um órgão mais amplo. Por exemplo: para rescindir
acórdão proferido por três desembargadores, a ação
O autor, a que alude o dispositivo legal, não é o da ação rescisória deverá ser julgada por turma composta de
originária, cuja decisão se pretende rescindir, mas o da cinco; se o acórdão foi proferido por cinco, a rescisória
própria rescisória, que pode ter figurado como autor ou será julgada por sete.
por unanimidade de votos. No entanto, não haverá
2. Petição inicial restituição em caso de desistência ou de extinção por
abandono.
A petição inicial deve conter os requisitos do art. 319 do
CPC e indicar os três elementos da ação: as partes, o Quando o autor for o Ministério Público, pessoa jurídica
pedido e a causa de pedir. de direito público, Defensoria Pública ou beneficiário da
justiça gratuita, não haverá necessidade de caução. A
Ao formular o pedido, o autor poderá cumular a Súmula 175 do STJ estabelece: “Descabe o depósito
pretensão ao “juízo rescindente” e ao “juízo rescisório”, prévio nas ações rescisórias propostas pelo INSS”. Tal
se caso. Nem sempre será o caso de cumulação das duas solução estende-se às demais autarquias e pessoas
coisas. Haverá aqueles em que bastará rescindir o jurídicas de direito público.
julgado, sem necessidade de proferir outro em
substituição, como no caso de segunda sentença O depósito prévio de 5% não pode ultrapassar 1.000
proferida quando já havia outra anterior, transitada em salários-mínimos.
julgado; há outros, ainda, em que o juízo rescisório não
poderá ser feito pelo mesmo órgão que fez o 4. Indeferimento da inicial
rescindente, como no caso da rescisão por
incompetência absoluta do juízo. O art. 968, § 3º, do CPC autoriza o indeferimento da
inicial nas mesmas situações em que isso ocorre nos
Mas, como ensina Flávio Yarshell, “conquanto a lei diga outros processos (CPC, art. 330). Também haverá o
que ao autor compete, na elaboração da petição inicial, indeferimento se não for recolhida a caução exigida pelo
cumular ao pedido de desconstituição o de novo art. 968, II, do CPC.
julgamento da causa, é de se reputar como implícito o
pedido relativo ao chamado juízo rescisório, na exata O relator tem poderes para indeferir a inicial, cabendo
medida da procedência do juízo rescindente. Não haveria agravo interno para o órgão que seria o competente para
sentido em se desconstituir a decisão de mérito e, a julgar a ação. Nesse sentido, é a decisão publicada em
pretexto de que não teria havido pedido de novo RSTJ 148/511. Discute-se sobre a possibilidade de algum
julgamento, o tribunal interromper aí seu julgamento”13. recurso contra o indeferimento da inicial pela Turma.
O pedido do juízo rescisório está implícito no do juízo Parece-nos que não, já que não cabe apelação, porque
rescindente, quando for o caso, apesar da redação do não houve sentença, mas acórdão, pois se trata de ação
art. 968, I, do CPC. de competência originária do tribunal. E o agravo interno
só cabe quando houver decisão monocrática do relator.
A rescisão pode englobar a decisão toda, ou apenas um
dos seus capítulos, caso em que somente estes serão Além de indeferir a inicial, o tribunal também pode
substituídos pela nova decisão. proferir a improcedência liminar, desde que presentes as
hipóteses do art. 332 do CPC.
A causa de pedir deve corresponder a uma ou mais das
hipóteses do art. 966. 5. Tutela provisória

3. Caução O art. 969 passou a regulamentar expressamente o


assunto, ao determinar que “a propositura da ação
O art. 968, II, obriga o autor a “depositar a importância rescisória não impede o cumprimento da decisão
de 5% sobre o valor da causa, que se converterá em rescindenda, ressalvada a concessão de tutela
multa, caso a ação seja, por unanimidade de votos, provisória”.
declarada inadmissível ou julgada improcedente”. Sem o
depósito, a inicial será indeferida. A concessão da tutela provisória há de ser excepcional,
uma vez que há decisão transitada em julgado.
Essa exigência torna relevante a fixação do valor da
causa, que deverá corresponder ao proveito econômico Para o deferimento da tutela de urgência é indispensável
que se obterá com a desconstituição do provimento a plausibilidade do pedido de rescisão e o risco de
judicial. É possível, mas nem sempre certo, que coincida prejuízo irreparável ou de difícil reparação, caso o
com o valor da causa antecedente, com o acréscimo de cumprimento da decisão não seja suspenso. Cumpre ao
correção monetária. Se o interessado pretender rescindir relator da ação rescisória apreciar o pedido de liminar.
integralmente uma sentença condenatória, o valor da
rescisória coincidirá com o da condenação corrigida. 6. Citação e defesa
Mas, se quiser rescindir apenas a parte referente aos
honorários advocatícios fixados na sentença, o valor Estando em termos a inicial, o relator determinará a
deverá ser o deles. citação dos réus, assinalando-lhes o prazo nunca inferior
a quinze nem superior a trinta dias para, querendo,
Caso a rescisória venha a ser julgada procedente, o apresentar resposta. Questão altamente controversa é a
dinheiro será restituído ao autor. Também haverá da aplicação dos arts. 180, 183, 185 e 229 do CPC, que
restituição se o resultado lhe for desfavorável, mas não determinam a duplicação do prazo quando os réus forem
o Ministério Público, a Fazenda Pública, a Defensoria prosseguir, com a inclusão de novos julgadores em
Pública, ou litisconsortes com advogados diferentes de número suficiente para uma potencial reversão do
escritórios distintos, em processo que não seja resultado, em sessão a ser designada, se não for possível
eletrônico. A redação do art. 970 dá a impressão de que o prosseguimento na mesma sessão. Trata-se da técnica
não se aplicam, pois o dispositivo já concede ao juiz certo de julgamento implementada pelo art. 942 do CPC, que
arbítrio na fixação do prazo, facultando-lhe ampliá-lo, se estende às ações rescisórias (art. 942, § 3º, I).
conforme o caso, até trinta dias. Mas o STF, por
sua primeira turma, decidiu que o art. 188 ( atual 180) é 9. O juízo rescisório — a quem cabe fazer
aplicável à ação rescisória, sob o fundamento de que o
prazo do art. 970 é legal, e não judicial (STF, 1ª Turma, RE O julgamento da ação rescisória pode ser dividido em
94.960-7/RJ, Rel. Min. Rafael Mayer). dois momentos: aquele em que o tribunal verificará se é
caso de rescindir a decisão; e o posterior, que depende
Não há peculiaridade quanto à citação, que poderá ser do acolhimento do primeiro, em que se decidirá se é
feita pelos meios previstos em lei. Se os réus forem caso de promover o novo julgamento, passando-se a ele,
revéis, não haverá a presunção de veracidade decorrente em caso afirmativo.
da revelia, uma vez que já existe sentença transitada em
julgado. Ainda que o réu não conteste, o autor não se A rescisória pode ter por objeto decisão interlocutória,
exime do ônus de comprovar as hipóteses do art. 966. sentença ou acórdão, que sejam, em regra, de mérito. Se
contra a decisão ou sentença não foi interposto recurso,
Admite-se a reconvenção, desde que presentes os ou os recursos interpostos nem foram conhecidos, é ela
requisitos do art. 343 do CPC. É possível, por exemplo, que transita em julgado, e a rescisão será dela; se foi
que uma das partes ajuíze a rescisória para desconstituir interposto recurso, conhecido, o acórdão a substituirá,
os capítulos da sentença que lhe foram desfavoráveis e tenha ele mantido ou reformado a decisão de primeiro
que seu adversário reconvenha, postulando a grau. Por isso, é ele que transita em julgado e será objeto
desconstituição dos demais. de rescisão.
Apresentada ou não a resposta, o processo seguirá pelo
procedimento comum. Se houver necessidade de provas, Cumpre ao órgão julgador da ação rescisória proferir o
o órgão julgador poderá delegar a competência para novo julgamento quando for o caso, isto é, quando isso
colhê-la ao órgão que proferiu a decisão rescindenda, for necessário e possível.
com prazo de um a três meses para a devolução dos
autos. Por exemplo: quando ela tem por fundamento a
existência de coisa julgada, em processo anterior (art.
Concluída a instrução, será aberta vista, sucessivamente, 966, IV), rescindida a sentença, não será proferida outra.
ao autor e ao réu pelo prazo de dez dias, para razões Da mesma forma, sendo objeto da rescisória a
finais. Em seguida, os autos irão ao relator, procedendo- incompetência absoluta será preciso verificar se tal
se ao julgamento (CPC, art. 973). incompetência é do tribunal que prolatou o acórdão (no
processo originário), caso em que o órgão julgador da
7. A intervenção do Ministério Público rescisória, depois de rescindir a sentença, enviará os
autos ao tribunal competente; ou se é do juízo de
O Ministério Público só intervirá na ação rescisória como primeiro grau, caso em que, após a rescisão da sentença,
fiscal da ordem jurídica quando preenchidos os requisitos remeterá os autos ao juízo de primeiro grau competente,
da sua intervenção, estabelecidos no art. 178 do CPC para que profira nova decisão.
(art. 967, parágrafo único).
A competência para proferir o juízo rescisório é do
8. O julgamento mesmo órgão que fez o juízo rescindente, não
importando que a rescisão seja de sentença ou de
Depois de colhidas as manifestações das partes e do acórdão.
Ministério Público, quando for o caso de sua intervenção,
a ação rescisória será julgada, na forma do art. 974 do Rescindida a decisão não será o juízo que a prolatou
CPC. Cumprirá ao tribunal, em caso de procedência, quem proferirá outra no seu lugar, mas o Tribunal que a
rescindir a decisão (juízo rescindente) e, se for o caso, rescindiu. Não há ofensa ao duplo grau de jurisdição, pois
promover o novo julgamento (juízo rescisório). A caução se está diante de um caso de competência originária do
será restituída ao autor. Também o será, caso haja tribunal.
improcedência, ou a rescisória seja considerada
inadmissível, mas não por unanimidade de votos. Se a Ficam ressalvados os casos de rescisão por
improcedência ou incompetência, em que haverá necessidade de remessa
rejeição for unânime, o autor perderá em favor do réu a ao Tribunal ou ao juízo competente.
caução, a título de multa, nos termos do art. 968, II, do
CPC. 10. Cabe recurso do acórdão que julgar a rescisória?

Quando o resultado da ação rescisória for a rescisão da Se ele padecer de erro material, obscuridade, omissão ou
decisão por votação não unânime, o julgamento deverá contradição, cabem embargos de declaração; e eventual
recurso extraordinário ou especial, nos casos dos arts. Se o recurso não for admitido ou conhecido, o que
102, III e 105, III, da CF. transita em julgado é a sentença (ou decisão
interlocutória de mérito). Por essa razão, seria de contar-
11. E rescisória de rescisória? se o trânsito em julgado desde o momento em que se
verificou a causa que tornou o recurso inadmissível. Por
Se a ação rescisória for julgada pelo mérito, e o acórdão exemplo: se era intempestivo, desde o término do prazo
padecer de algum dos vícios enumerados no art. 966, do legal para interposição; se não foi recolhido o preparo,
CPC, será possível ajuizar rescisória da rescisória. Um desde o momento em que se tornou deserto.
exemplo: pode ocorrer que, por em equívoco, o Tribunal
reconheça a existência de decadência e julgue a No entanto, a aplicação desse princípio poderia trazer
rescisória extinta, com resolução de mérito. Mais tarde, graves problemas, pois, às vezes, o Tribunal poderia levar
se verifique que houve erro na contagem do prazo. Será mais de dois anos para proferir o acórdão. Se este for de
possível rescindir o acórdão proferido na primeira não conhecimento — e considerando que o recurso não
rescisória. admitido equivale a não interposto — o trânsito em
julgado retroagiria mais de dois anos, o que impediria a
Prazo parte prejudicada de valer-se da rescisória.

O art. 975, do CPC, estabelece que “o direito à rescisão Por essa razão, o Superior Tribunal de Justiça já vinha
se extingue em dois anos contados do trânsito em decidindo: “Segundo entendimento que veio a
julgado da última decisão proferida no processo”. A prevalecer no Tribunal, o termo inicial para o prazo
Súmula 401 do Superior Tribunal de Justiça acrescenta decadencial da ação rescisória é o primeiro dia após o
que “o prazo decadencial da ação rescisória só se inicia trânsito em julgado da última decisão proferida no
quando não for cabível qualquer recurso do último processo, salvo se se provar que o recurso foi interposto
pronunciamento judicial”. por má-fé do recorrente” (RSTJ 102/330). Mesmo que o
recurso não seja conhecido, o termo inicial do prazo da
O prazo se justifica por razões de segurança jurídica: não rescisória não retroagirá, mas será contado depois do
seria razoável que, por tempo indefinido, se pudesse trânsito em julgado da última decisão, salvo
desconstituir decisão transitada em julgado. demonstrada má-fé. É o que estabelece a já mencionada
Súmula 401 do STJ. Essa solução foi expressamente
Há duas exceções ao prazo de dois anos a contar do acolhida pelo art. 975, caput, do CPC, que ainda
trânsito em julgado da última decisão: a hipótese do art. solucionou outra questão, relevante no CPC atual. O
966, VII, em que o prazo será contado da data da julgamento do mérito pode ser cindido, nos casos em
descoberta da prova nova, observado o prazo que houver o julgamento antecipado parcial, previsto no
máximo de cinco anos contado do trânsito em julgado da art. 356. O juiz pode proferir decisão interlocutória de
última decisão proferida no processo; e a hipótese de mérito, julgando um ou alguns dos pedidos, ou parcela
simulação ou colusão, em que o prazo da rescisória para deles, em caráter definitivo, no curso do processo,
o terceiro prejudicado e para o Ministério Público, que determinando o seu prosseguimento em relação aos
não interveio no processo, correrá a partir do momento demais pedidos. Se não houver agravo de instrumento
em que ambos têm ciência da simulação ou colusão. contra a decisão interlocutória de mérito, ela transitará
em julgado. A coisa julgada material será cindida,
O prazo do art. 975 tem natureza decadencial, pois a constituindo-se em etapas. Primeiro, transitará a decisão
ação é desconstitutiva dos julgados anteriores. Aplica-se interlocutória de mérito e, posteriormente, a sentença.
a regra geral do art. 240, § 4º, do CPC: o despacho que
ordena a citação interrompe o prazo, mas, se esta for Caso isso ocorra, o prazo para a ação rescisória será de
feita dentro do período estabelecido em lei, a eficácia dois anos do trânsito em julgado da última decisão
interruptiva retroage à data da propositura da ação. proferida no processo, e não do trânsito em julgado de
Também retroage se houver atraso na citação, por fato cada uma das decisões de mérito proferidas no seu
que não possa ser imputado ao autor. curso. Mesmo que o juiz profira uma decisão
interlocutória de mérito e que ela transite em julgado,
Apesar de o prazo ser decadencial, ele se prorroga até o somente quando o processo se encerrar, com o trânsito
primeiro dia útil subsequente, quando expirar durante o em julgado da última decisão nele proferida, é que fluirá
período de férias, recesso, ou cair em feriado ou em dia o prazo da ação rescisória.
que não haja expediente forense (art. 975, § 1º).
Caso prazo se encerre em dia não útil, haverá
O termo inicial é o trânsito em julgado da última decisão prorrogação para o primeiro dia útil subsequente, como
proferida no processo. Quando o recurso for conhecido, decidiu o STJ em RE. 1.112.864, ao qual foi dada eficácia
o acórdão substitui a sentença e ele é que será de recurso repetitivo.
rescindido. Assim, o prazo começará a partir do dia
seguinte ao último dia que as partes tinham para CAPÍTULO XIV
interpor outros recursos contra ele. DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
Não é possível discutir temas preclusos. Legitimidade para a liquidação

Para a execução, é indispensável título líquido que A liquidação pode ser requerida tanto pelo credor
permita a identificação do quantum debeatur. O título quanto pelo devedor. A legitimidade deste deriva do
líquido é aquele que indica a quantidade de bens ou interesse em pagar, para obter a extinção da obrigação,
valores que constituem a obrigação. Ela deve constar do quando necessária a apuração do quantum.
próprio título, podendo, quando muito, exigir cálculos
aritméticos para apurá-la. Mas, na liquidação da sentença condenatória genérica
proferida nas ações civis públicas, somente o credor
O título executivo extrajudicial há de ser sempre líquido. estará legitimado, porque o devedor não terá condições
Se o quantum debeatur não resultar diretamente da de saber quem são as vítimas, e quais os danos que cada
leitura do que dele consta, ou de cálculos aritméticos, ele qual sofreu. A iniciativa é do credor, pois cabe a ele
perderá a sua eficácia executiva. Não existe liquidação de provar que tem tal qualidade, demonstrando ser uma
título extrajudicial. das vítimas do dano objeto da ação.

Já a sentença pode ser ilíquida. Para que possa ter início Natureza da liquidação
a execução, é indispensável que passe por prévia
liquidação, para que se apure o quantum. Há dois tipos de processo em nosso ordenamento: o de
conhecimento e o de execução. Em qual dessas
Sempre que na fase cognitiva for prolatada sentença categorias inclui-se a liquidação? Entre os processos de
condenatória ilíquida, antes de ter início a fase de conhecimento, já que serve para que o juiz diga qual é o
cumprimento de sentença, haverá uma etapa quantum debeatur, não para que tome providências
intermediária, de liquidação. Se o título for sentença satisfativas, ou medidas que visem afastar uma situação
penal condenatória, antes do início da execução, haverá de perigo.
a liquidação dos danos.
Há, no entanto, enorme controvérsia sobre a natureza do
Das diversas espécies de liquidação ato judicial que julga a liquidação. A lei é expressa em
atribuir-lhe natureza de decisão interlocutória, e não
mais de sentença, como anteriormente. Mas discute-se
A Lei n. 8.898/94 atribuiu ao exequente, nos casos em se teria caráter declaratório ou constitutivo. Não pode
que o débito pode ser apurado por cálculo, o ônus de, ao ser condenatório porque a fase de liquidação pressupõe
requerer a execução, juntar memória discriminada do prévia condenação. Mas o título só estará constituído
débito. Com isso, restaram apenas duas formas de após a liquidação, ou já existia anteriormente, limitando-
liquidação. se a liquidação a declarar o quantum debeatur?

O CPC atual as manteve, como liquidação por Parece-nos que a razão está com aqueles que atribuem à
arbitramento e de procedimento comum. A elas, deve-se liquidação natureza meramente declaratória. O art. 515
acrescentar um tipo especial previsto no Código do - considera título executivo judicial a decisão civil e a
Consumidor: a apuração do quantum devido às vítimas, sentença penal transitada em julgado, sem exigir que
quando proferida sentença condenatória genérica nas sejam líquidas. O título já existe desde a condenação
ações civis públicas para a defesa de interesses transitada em julgado (no cível nem é necessário o
individuais homogêneos. São essas as três formas de trânsito). A liquidação é indispensável porque, sem a
liquidação que persistem em nosso ordenamento apuração do quantum, não é possível executar, mas não
jurídico. é ela que constitui o título executivo.

Fase de liquidação Já a liquidação da sentença condenatória genérica na


ação civil pública tem caráter constitutivo, pois serve
Tal como o cumprimento de sentença, a liquidação não para que as vítimas comprovem sua qualidade,
constitui um novo processo, mas apenas uma fase do demonstrando que se enquadram naquela situação
processo único, sincrético. jurídica indicada na sentença genérica.

Essa fase de liquidação vem regulada no CPC, arts. 509 a Contra o ato judicial que aprecia a liquidação, qualquer
512. O devedor não será citado, mas intimado na pessoa que ela seja, o recurso cabível será o agravo de
de seu advogado para acompanhá-la (arts. 510 e 511, do instrumento (art. 1.015, parágrafo único, do CPC).
CPC). Se for revel, não haverá necessidade de intimá-lo,
conforme art. 346 do CPC. No entanto, se a liquidação Liquidação provisória
for de sentença penal condenatória, arbitral ou
estrangeira, como não há nenhum processo civil de Nos casos em que se admite a execução provisória, será
conhecimento precedente, o devedor será citado, pois é possível também liquidação provisória, caso a sentença
a primeira vez que comparece ao juízo cível. não seja líquida.
Enquanto há recurso pendente, desprovido de efeito Nos termos da Súmula 318 do STJ, “Formulado pedido
suspensivo, o credor já poderá promover a execução, e, certo e determinado, somente o autor tem interesse
se a sentença for ilíquida, a prévia liquidação, para recursal em arguir o vício da sentença ilíquida”.
apurar o quantum debeatur. Se o recurso for provido, a
liquidação e a execução subsequente ficarão sem efeito e
as partes deverão ser restituídas à situação anterior.

O art. 512 do CPC prevê ainda a possibilidade de CÁLCULO DO CONTADOR


promover a liquidação, mesmo que esteja pendente
recurso provido de efeito suspensivo. A ideia parte do Não é necessária a liquidação, quando o quantum
pressuposto acertado de que a liquidação não se debeatur puder ser apurado por simples cálculo
confunde com a execução e de que nela ainda não é aritmético. Cumpre ao credor, ao requerer a execução,
tomada nenhuma providência concreta satisfativa. apresentar memória discriminada do cálculo do débito,
Mesmo que a execução não possa ter início, será possível indicando de forma especificada os itens da cobrança e
promover a liquidação, com o que se ganhará tempo; os acréscimos de correção monetária, juros e outros
enquanto o recurso tramita no órgão ad quem, poderá fixados na condenação (art. 524, do CPC).
ter curso a apuração do quantum debeatur no órgão a
quo. Essa solução trouxe preocupação com a possibilidade de
o credor cobrar mais do que seria devido, ao apresentar
Essa liquidação é feita por conta e risco de quem a os cálculos. O juiz deve examiná-los e, de ofício,
propuser, já que haverá o risco de reversão do determinar a correção de eventuais erros. Mas nem
julgamento, com a perda das despesas até então sempre terá condições de fazê-lo. Também há a
realizadas com a liquidação. Por isso, cumpre ao possibilidade de o devedor defender-se, por objeções de
requerente ponderar os prós e contras dessa liquidação pré-executividade ou impugnação, cuja apresentação
antecipada. Se ele acha, por exemplo, que são remotas prescinde de prévia garantia do juízo, pela penhora.
as possibilidades de acolhimento do recurso, valerá a
pena dar início à liquidação, com o que haverá Quando tiver dúvida, o juiz poderá valer-se de
considerável ganho de tempo; mas se o risco de contabilista do juízo, que terá o prazo máximo de trinta
provimento é grande, talvez não valha a pena. dias para efetuar a verificação dos cálculos, exceto se
outro prazo lhe for determinado. Não se trata do retorno
Como ela deve processar-se no órgão a quo, enquanto os da liquidação por cálculo do contador, pois o juízo não
autos principais estão no órgão ad quem para exame do decidirá, ao final, se os cálculos do credor estão corretos
recurso, será necessário extrair autos suplementares. ou incorretos.

Enquanto pende o curso, a liquidação pode até ser Teve o legislador o cuidado de evitar que, nessa fase que
concluída e decidida. A partir do momento em que o antecede o início da execução, possa surgir algum
recurso for julgado, e não couber nenhum outro com incidente que, sob vias transversas, obrigue o juízo a
efeito suspensivo, poder-se-á passar à execução; mas decidir a respeito do quantum debeatur, o que acabaria
enquanto pender recurso com tal efeito, ela não poderá por ressuscitar a liquidação por cálculo do contador. A
ter início. solução encontrada foi fazer prevalecer o valor
apresentado pelo credor, cumprindo ao devedor
Vedação de sentença ilíquida defender-se, impugnando-o, para que então o juízo
possa decidir qual é o quantum debeatur. Mas, para que
Somente os títulos judiciais podem ser ilíquidos. Mesmo não haja prejuízo ao executado, conquanto a execução
assim, há casos em que o legislador os veda se faça pelo valor indicado pelo credor, a penhora far-se-
expressamente. Dispõe o art. 491 do CPC: “Na ação á pelo valor que o juiz entender adequado, até que, no
relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que curso da execução, ele decida qual é efetivamente o
formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo quantum, podendo então mandar ampliar ou reduzir a
a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, penhora.
a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a
periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, Os §§ 3º a 5º do art. 524 tratam da hipótese de os
salvo quando: I — não for possível determinar, de modo cálculos a serem apresentados pelo credor, no início da
definitivo, o montante devido; II — a apuração do valor execução, dependerem de dados existentes em mãos do
devido depender da produção de prova de realização devedor ou de terceiros, caso em que o juiz, a
demorada ou excessivamente dispendiosa, assim requerimento dele, poderá requisitá-los, concedendo
reconhecida na sentença”. Mesmo nos casos em que se prazo de até trinta dias para cumprimento. Se a
admite pedido genérico (art. 324, § 1º, do CPC), a diligência for descumprida pelo devedor, o juiz
sentença deve ser líquida. Só se admitirá que não o seja considerará corretos os cálculos do credor; se
nas hipóteses dos incisos I e II do art. 491, quando então descumprida por terceiro, poderá ficar caracterizado
será necessária a liquidação. crime de desobediência.

LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO


apurada quando da sentença. O juiz condenará o réu a
É aquela que se presta à apuração do valor de um bem arcar com todos os danos e despesas de tratamento da
ou serviço. A única tarefa é a apuração desse valor, o que vítima.
demandará a apresentação de pareceres e documentos
elucidativos pelas partes e, se isso não for suficiente, a Mas a apuração do quantum exigirá a demonstração de
nomeação de um perito. Não há nenhum fato novo a ser fatos novos, relacionados à extensão dos danos e dos
demonstrado. cuidados exigidos pela vítima.

Por exemplo: o juiz condena o réu a pagar ao autor Na petição inicial, o autor os apresentará e eles
indenização correspondente ao aluguel do imóvel por ele constituirão a causa de pedir da liquidação, à qual o juiz
indevidamente ocupado, durante doze meses. A deverá ater-se, sob pena de proferir julgamento extra
sentença é ilíquida porque não se sabe qual é o aluguel petita. O procedimento da liquidação por artigos é o
daquele imóvel. A liquidação será feita por arbitramento comum, ainda que a fase de conhecimento tenha
porque a única coisa a ser feita é apurá-lo. Para tanto, as observado o especial.
partes podem valer-se de pareceres, documentos e, caso
necessário, haverá a nomeação do perito. O réu será intimado para apresentar contestação, sob
pena de presumirem-se verdadeiros os fatos novos
A diferença da liquidação de procedimento comum é relacionados ao quantum debeatur. Todos os meios de
que, nesta, há necessidade de prova de fatos novos, que prova serão admitidos, podendo o juiz determinar prova
vão além da simples apuração do valor do bem ou do técnica e designar audiência de instrução e julgamento.
serviço.
Ao final, proferirá decisão interlocutória, julgando a
Dispõe o art. 509, I, do CPC que a liquidação será feita liquidação. Poderá considerar provados, total ou
por arbitramento quando determinado por sentença ou parcialmente, os fatos novos, declarando líquida a
convencionado pelas partes ou quando o exigir a obrigação e apontando o quantum debeatur.
natureza do objeto da liquidação.
Nada impede que seja realizada mais de uma liquidação
Muitas vezes, ao proferir a sentença condenatória, o juiz pelo procedimento comum, nos casos em que há danos
estabelece a forma pela qual se fará a liquidação. Mas que se manifestam ou se agravam ao longo do tempo. Na
isso não tem caráter definitivo: mesmo que nela conste o primeira, serão apurados os danos que até então se
arbitramento, pode ser necessária a de procedimento apresentaram e, oportunamente, os outros, que se
comum, caso se constate a necessidade da prova de manifestaram posteriormente.
fatos novos.
A liquidação é julgada por decisão interlocutória
Requerido — pelo credor ou devedor — o arbitramento,
o juiz, não sendo possível decidir de plano, após a A liquidação é apenas uma fase intermediária entre a
intimação das partes para apresentação de pareceres e condenatória e a executiva. Ora, só pode ser considerado
documentos elucidativos, nomeará um perito e fixará sentença o ato que põe fim ao processo ou à fase
prazo para a entrega do laudo. As partes poderão condenatória. O que julga a liquidação, não se
formular quesitos e indicar assistentes técnicos. enquadrando em nenhuma dessas categorias, é decisão
interlocutória. O recurso adequado para impugná-la é o
O procedimento a ser observado é o mesmo previsto agravo de instrumento (art. 1.015, parágrafo único).
para a prova pericial. Prevalece o entendimento de que
não há honorários advocatícios na liquidação por Ao proferir a decisão, o juiz examinará a pretensão
arbitramento, já que não se discutem fatos novos (RSTJ formulada pelo requerente, que é a de declaração do
142/387). valor devido. Se, ao longo da liquidação, foram colhidos
elementos suficientes e produzidas as provas
LIQUIDAÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM necessárias, ele declarará líquida a obrigação. Se as
provas forem insuficientes, e o juiz, ao final, não puder
É aquela em que há necessidade de comprovação de indicar o valor, julgará a liquidação extinta, sem apurar o
fatos novos, ligados ao quantum debeatur. Dispõe o art. quantum, o que não impedirá o requerente de ajuizar,
509, II: “pelo procedimento comum, quando houver mais tarde, uma nova, já que só a decisão que declara o
necessidade de alegar e provar fato novo”. quantum debeatur não pode mais, esgotados os
recursos, ser discutida.
Por fato novo entende-se não o que tenha ocorrido após
a sentença, mas o que não tenha sido apreciado, quando Admite-se ainda (embora exista controvérsia a respeito)
do julgamento, e que diga respeito ao quantum. a possibilidade de o juiz declarar líquida a obrigação no
montante zero. É o que ocorrerá, por exemplo, quando
Por exemplo: o art. 324, II, do CPC permite sentença ajuizada liquidação pelo procedimento comum de
genérica, quando não é possível determinar, de modo sentença penal condenatória e colhidas todas as provas,
definitivo, as consequências do ato ou fato ilícito. Por o juiz concluir que a vítima não sofreu dano nenhum, não
vezes, a vítima sofre lesões cuja extensão não pode ser teve nenhum prejuízo.
tornar-se indispensável no seu curso. Haverá liquidação
Liquidação de sentença genérica em ação civil pública incidente.

Há um terceiro tipo de liquidação: a da sentença genérica É o que ocorrerá, por exemplo, sempre que não houver
proferida em ação civil pública, ajuizada para a defesa de mais a possibilidade de execução específica de obrigação,
interesses individuais homogêneos. e a conversão em perdas e danos (ou quando o credor
preferir essa forma).
A Lei n. 8.078/90 atribui legitimidade extraordinária a
determinados entes para a ação civil pública em defesa A obrigação, até então líquida, tornar-se-á ilíquida, já que
desses interesses, o que não afasta a legitimidade será necessário apurar as perdas e danos.
ordinária das próprias vítimas para ajuizar ação individual
de reparação de danos. Na liquidação incidente, o exequente indicará os danos
que pretende ver ressarcidos, e o juiz determinará as
Proposta ação civil pública, como não se sabe quem são provas necessárias para comprová-los. Ao final, proferirá
as vítimas, quantas são e qual é a extensão dos danos, o decisão interlocutória, indicando o quantum debeatur, e
juiz, em caso de procedência, proferirá sentença a execução prosseguirá, na forma do art. 523 do CPC.
genérica, que condenará o réu ao pagamento de
indenização a todas as pessoas que comprovarem
enquadrar-se na condição de vítimas do ato ou fato Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de
discutido. A sentença não só é ilíquida; ela nem sequer quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a
nomeia as pessoas a serem indenizadas, limitando-se a requerimento do credor ou do devedor:
genericamente condenar o réu a pagar a todos aqueles
que comprovem ser vítimas do evento. I - por arbitramento, quando determinado pela sentença,
convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do
Por exemplo: um dos legitimados extraordinários propõe objeto da liquidação;
ação de reparação de danos causados por determinado
produto farmacêutico que, posto à venda no mercado de II - pelo procedimento comum, quando houver
consumo, era nocivo à saúde. O juiz, se acolher o pedido, necessidade de alegar e provar fato novo.
condenará genericamente o réu a ressarcir todas as antiga liquidação por artigos
vítimas que usaram o medicamento.
§ 1º Quando na sentença houver uma parte líquida e
Na fase de liquidação, que haverá de ser sempre outra ilíquida, ao credor é lícito promover
individual, a vítima precisará demonstrar não apenas a simultaneamente a execução daquela e, em autos
extensão dos danos, mas, antes de tudo, que eles são apartados, a liquidação desta.
provenientes daquele produto nocivo. A liquidação não
servirá apenas para apurar o quanto se deve à vítima, Por exemplo: uma sentença proferida em ação de reparação de
mas para permitir que esta comprove a sua condição. danos pode condenar o réu a pagar os danos emergentes,
correspondentes aos gastos que ele teve, em determinado
valor, e em lucros cessantes, a serem apurados em liquidação.
Dadas essas peculiaridades, esse tipo de liquidação difere
O credor pode promover simultaneamente a execução da parte
das tradicionais — por arbitramento e pelo líquida, e, em autos apartados, a liquidação da outra parte.
procedimento comum — do CPC, pois, ao contrário
delas, pode ser julgada improcedente, caso não se
§ 2º Quando a apuração do valor depender apenas de
comprove que o liquidante foi vítima do acidente e
cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde
sofreu danos. Na liquidação comum, a condição de
logo, o cumprimento da sentença.
vítima há de ter sido provada na fase condenatória, ao
passo que nesta, há de ser demonstrada na liquidação.
§ 3º O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e
Ela formará um processo autônomo (não apenas uma colocará à disposição dos interessados programa de
fase), ajuizado pelas vítimas individuais, e para o qual o atualização financeira.
réu deve ser citado.
§ 4º Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou
A decisão final não será meramente declaratória, como modificar a sentença que a julgou.
nas outras formas de liquidação, mas constitutiva, pois só
a partir dela cada vítima obterá título executivo. Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará
as partes para a apresentação de pareceres ou
Liquidações no curso da fase de execução documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não
possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se,
Nos itens anteriores, examinou-se a liquidação como no que couber, o procedimento da prova pericial.
uma fase do processo sincrético, intermediária entre a
condenatória e a executiva. Mas, às vezes, a liquidação, Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz
conquanto desnecessária antes da execução, pode determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu
advogado ou da sociedade de advogados a que estiver
vinculado, para, querendo, apresentar contestação no
prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no
que couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste
Código.

Art. 512. A liquidação poderá ser realizada na pendência


de recurso, processando-se em autos apartados no juízo
de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido
com cópias das peças processuais pertinentes.
Liquidação provisória.

Súmula 344 STJ - A liquidação por forma diversa da


estabelecida na sentença não ofende a coisa julgada.

Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia,


ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá
desde logo a extensão da obrigação, o índice de
correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de
ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se
for o caso, salvo quando:

I - não for possível determinar, de modo definitivo, o


montante devido;
II - a apuração de o valor devido depender da produção
de prova de realização demorada ou excessivamente
dispendiosa, assim reconhecida na sentença.

§ 1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a


apuração do valor devido por liquidação.
§ 2º O disposto no caput também se aplica quando o
acórdão alterar a sentença.

Pedidos

Certo e determinado = sentença deve ser específica =


liquida

Certo e determinável = sentença pode ser genérica =


ilíquida
Art. 324.  O pedido deve ser determinado .regra

§ 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:


I - nas ações universais, se o autor não puder individuar
os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, desde logo, as
consequências do ato ou do fato;
III - quando a determinação do objeto ou do valor da
condenação depender de ato que deva ser praticado
pelo réu
O que é execução?

A função do Poder Judiciário é solucionar os conflitos de


interesses. Há alguns que, levados a juízo, se resolvem
pelo simples pronunciamento judicial, sem necessidade,
para a satisfação do titular do direito, de algum tipo de
comportamento do obrigado. Mas há casos em que ela
depende de um comportamento, de uma ação ou
omissão do réu. O titular da obrigação só se satisfará se o
réu cumprir uma prestação, de fazer, não fazer, entregar
coisa ou pagar.

O Estado, por meio da lei, mune o judiciário dos poderes


para impor o cumprimento, ainda que contra a vontade
do devedor, no intuito de satisfazer o credor.

Para que o Estado-juiz possa desencadear a sanção


executiva, fazendo uso dos mecanismos previstos em lei,
para satisfação da obrigação, é preciso que esteja dotada
de um grau suficiente de certeza.

Esse grau de certeza é dado pelo título executivo. A lei


considera como tais alguns documentos extrajudiciais,
produzidos sem a intervenção do judiciário, mas aos
quais reconhece esse grau suficiente de certeza. Esses
documentos permitirão a instauração do processo de
execução n ausência deles, o titular da obrigação deve
ingressar em juízo com um processo de conhecimento
para que o judiciário reconheça a ele o direito de fazer
Execução cumprir a obrigação. Se o fizer e o devedor não a
satisfazer espontaneamente, terá início a fase de
Há dois tipos de execução: cumprimento da sentença (ou faze de execução).

- Cumprimento de sentença: execução fundada em título Instrumentos da sanção executiva


judicial, que constitui, em regra, uma fase subsequente
ao processo de conhecimento, na qual tenha sido De que meios pode se valer o judiciário para promover a
proferida sentença que reconhece a exigibilidade de uma satisfação do credor?
obrigação.
-- Os de Sub-rogação: são aqueles em que o Estado-juiz
- Processo autônomo de execução: fundada em título substitui o devedor no cumprimento. Ex: apreende bens
executivo extrajudicial, que implica a formação de um suficientes do patrimônio do devedor e paga o credor.
novo processo.
-- Os de Coerção: coagir o devedor a cumprir aquilo que
O cumprimento de sentença sempre será precedido de não queria espontaneamente. Ex: fixar multas diárias.
um processo civil de conhecimento, salvo quando Pode ser utilizado para o cumprimento de todos os tipos
fundado em sentença arbitral, penal condenatória ou de obrigação, é particularmente útil naquelas de caráter
estrangeira que tem natureza de processo autônomo, no personalíssimo, que, por sua natureza, não podem ser
entanto as regras aplicáveis são as do cumprimento de objeto de sub-rogação.
sentença, pois o título é judicial.

Processo de conhecimento pode ser:


- Condenatório
- Constitutivo
- Declaratório Mecanismos para compelir o devedor a cumprir a
obrigação
Só a sentença do processo condenatório, em regra, dá
ensejo à execução, com ressalva as sentenças O art. 536, § 1º, do CPC enumera alguns meios de que o
declaratórias ou constitutivas em que se reconhece a juiz pode valer-se para alcançar o cumprimento
exigibilidade do cumprimento de uma obrigação. específico da obrigação ou resultado prático equivalente:
Nos outros dois, a sentença cumpre-se “Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá
automaticamente, sem nenhuma providência do réu. determinar, entre outras medidas, a imposição de multa,
a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o concreto para decidir o montante razoável. Tem ele
desfazimento de obras e o impedimento de atividade ampla liberdade de modificar o valor da multa, de ofício
nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de ou a requerimento das partes, quando verificar que ela
força policial”. Esses poderes o juiz pode empregar tanto se tornou insuficiente ou excessiva. Pode ainda alterar-
no cumprimento das obrigações de fazer ou não fazer lhe a periodicidade. As alterações podem ocorrer mesmo
como no de entregar coisa. que a multa tenha sido fixada em sentença transitada em
julgado. O trânsito impede a rediscussão do que o juiz
Além disso, o descumprimento fará com que o devedor decidiu a respeito da pretensão, mas não dos meios de
incorra nas sanções do art. 77, § 2º, imputadas aos que coerção utilizados para fazer com que o devedor cumpra
perpetram atos atentatórios à dignidade da justiça. aquilo que lhe foi imposto.

Podem ainda ser aplicáveis, se presentes as hipóteses do Quando a execução estiver fundada em título
art. 774, caput, as penas por ato atentatório à dignidade extrajudicial, o juiz também poderá fixar livremente a
da justiça, previstas no parágrafo único do mesmo multa, ao despachar a inicial. É o que diz o art. 806, § 1º,
dispositivo legal. do CPC, em relação às obrigações de entrega de coisa:
“Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia
Dentre os mecanismos mencionados, interessa-nos a de atraso no cumprimento da obrigação, ficando o
multa, pela importância de que se reveste e pelas respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele
questões que suscita. insuficiente ou excessivo”. E o art. 814: “Na execução de
obrigação de fazer ou de não fazer, fundada em título
extrajudicial, ao despachar a inicial, o juiz fixará multa
A multa por período de atraso no cumprimento da obrigação e a
data a partir da qual será devida”.
É mecanismo de coerção para pressionar a vontade do
devedor renitente que, temeroso dos prejuízos que Mas o juiz só terá essa liberdade se a multa não tiver sido
possam advir ao seu patrimônio, acabará por cumprir convencionada pelas próprias partes no título executivo
aquilo a que vinha resistindo. extrajudicial, caso em que deverá prevalecer o acordo.
Mesmo assim, o juiz terá o poder de reduzi-la, se
Dentre os vários meios de coerção, a multa, que se verificar que é excessiva; mas não de aumentá-la, caso a
assemelha às astreintes do direito francês, é dos mais repute insuficiente, por força do que dispõe o art. 814,
eficientes. parágrafo único.

A lei não a restringe às execuções de obrigação Essa liberdade do juiz deriva de a multa não ser punição,
infungível. Elas podem ser fixadas em todas as execuções mas meio de coerção, de pressão sobre a vontade do
de obrigação de fazer ou não fazer e de entregar coisa, devedor.
fungível ou infungível. E, diante do que dispõe o art. 139,
IV, do CPC, até mesmo nas obrigações que tenham por A multa reverte sempre em proveito do credor,
objeto prestação pecuniária, portanto as obrigações por prejudicado pelo atraso ou inadimplemento.
quantia, ainda que nesse caso a incidência de multa deva
ser excepcional e subsidiária, apenas nos casos em que Momento para a fixação
os meios de sub-rogação tenham se mostrado
insuficientes (ver a respeito no Livro III, Capítulo 5, item O juiz só fixará a multa depois de impor ao réu o
5). O que as caracteriza é serem periódicas, o que as faz cumprimento da obrigação de fazer, não fazer ou
cada vez maiores, enquanto permanece a inércia do entregar coisa. Isso pode ocorrer logo no início do
devedor. O juiz fixará um prazo para o cumprimento da processo, se ele deferir tutela provisória, impondo ao réu
obrigação e poderá estabelecer multa periódica (em alguma dessas obrigações e concedendo-lhe prazo para
regra, diária) para a hipótese de inadimplemento. Ela cumpri-la, ou então, na sentença condenatória.
incidirá a cada dia de atraso, pressionando o devedor até
que satisfaça a obrigação. Mesmo que ele não o faça na sentença, poderá
determiná-la posteriormente, na fase de execução, e de
A finalidade da multa é coercitiva, não repressiva ou ofício.
punitiva. Ela não constitui sanção ou pena.
Na execução de título extrajudicial, o juiz a fixará quando
Fixação da multa despachar a inicial. Se não fizer, poderá fixá-la
posteriormente, a qualquer momento no curso da
Nos cumprimentos de sentença, a multa é fixada pelo execução, quando se fizer necessária.
juiz, que deve considerar qual o valor razoável para
compelir o devedor a cumprir a obrigação. Não pode ser Quanto à obrigação de pagamento de quantia certa,
irrisório, sob pena de não pressionar a vontade do parece-nos que o juiz só deverá se valer da multa quando
devedor; nem tão elevado, que o credor acabe os meios de sub-rogação não se mostrarem eficazes, ou
preferindo que a obrigação não seja cumprida e que o porque o devedor oculta maliciosamente os bens, ou
devedor permaneça inerte. Caberá ao juiz avaliar o caso porque causa embaraços ou dificuldades à sua
constrição. Não faz sentido o juiz deles valer-se quando prejudicado e poderá ter por causa também o
ficar evidenciado que o executado não oculta ou sonega cumprimento parcial superveniente da obrigação ou a
bens, mas apenas não os possui. existência de justa causa para o descumprimento.

Cobrança da multa Também de ofício ou a requerimento da parte, o juiz


poderá aumentar o valor da multa se verificar que ela se
Decorrido o prazo para o cumprimento da obrigação sem tornou insuficiente.
que ela tenha sido satisfeita, incidirá a multa. O prazo
começa a correr do momento em que o devedor for Valor da multa
intimado. Na vigência do CPC/73 foi editada a Súmula
410 do Superior Tribunal de Justiça, que determinava o Muito se discutiu se o valor da multa estaria limitado
início da contagem do prazo a partir da intimação pessoal pelo da obrigação principal. A lei civil estabelece que as
do devedor, não bastando a do advogado: “A prévia cláusulas penais não podem ultrapassar o valor da
intimação pessoal do devedor constitui condição obrigação. Mas a multa não é cláusula penal, e a lei não
necessária para a cobrança de multa pelo impõe limites. Porém, não se pode admitir que ela
descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”. ultrapasse os limites do razoável, e se isso acontecer, o
Diante do que dispõe o art. 513, § 2º, I, do CPC/2015, a juiz deve reduzi-la a um montante tal que não constitua
intimação deve ser feita na pessoa do advogado fonte de enriquecimento indevido para o credor.
constituído, só havendo necessidade de intimação Verificando o juiz que ela já correu por tempo suficiente,
pessoal quando o executado não tiver advogado ou for deve dar por encerrada a incidência, reduzindo-a ao
assistido pela Defensoria Pública. Assim, a súmula não razoável. Cumpre ao credor, então, requerer outros
pode mais ser aplicada. meios de coerção ou a conversão em perdas e danos.

Quando fixada em decisão ainda não definitiva, como na


antecipação de tutela, a multa poderá desde logo ser Espécies de execução
cobrada, em caráter provisório, devendo ser depositada
em juízo. Entretanto, o seu levantamento só deverá ser 1-Mediata e imediata
autorizado após o trânsito em julgado da sentença 2-Específica
favorável à parte (art. 537, § 3º). A cobrança far-se-á, 3-Por título judicial ou extrajudicial
assim, por execução provisória, aplicando-se as regras a 4-Cumprimento definitivo ou provisório de sentença
ela concernentes e com a particularidade de que o valor
obtido nessa execução deverá ficar depositado, não
podendo ser levantado nem mesmo com a prestação de 1-Mediata e imediata
caução, senão depois que a sentença que confirmar a
tutela provisória transitar em julgado. Mediata: Aquela que se aperfeiçoa com a instauração de
um processo, no qual o executado deve ser citado.
Ao fixar a multa, o juiz estabelecerá o prazo razoável de Imediata: Aquela que se realiza sem novo processo,
cumprimento, findo o qual ela passará a incidir. Se, como uma sequência natural da fase de conhecimento
fixada em tutela provisória, a sentença vier a ser de que olhe antecede. (execuções por título judicial, salvo as
improcedência, ela ficará sem efeito, aplicando-se o art. fundadas em sentença arbitral, penal condenatória ou
520, II, do CPC. Se a sentença confirmar a tutela estrangeira).
provisória e transitar em julgado, a execução tornar-se-á
definitiva. 2-Específica

Havendo retardo, a multa será devida pelos dias de Aquela em que se busca a satisfação da pretensão do
atraso. Pode ocorrer que o devedor permaneça inerte autor tal como estatuída no título executivo.
por longo tempo, com o que o valor da multa torne-se
excessivo. O credor, por vezes, deixa de requerer a A efetividade da execução exige que, em caso de
conversão em perdas e danos ou qualquer outra inadimplemento do devedor, o credor consiga alcançar
providência na expectativa de que ela se torne maior a resultado o mais próximo possível daquele que obteria
cada dia, trazendo-lhe proveito financeiro. Havendo caso a obrigação tivesse sido satisfeita
conversão em perdas e danos, o credor poderá executar espontaneamente.
cumulativamente a indenização e a multa. Se o devedor assumiu a obrigação de fazer, não fazer ou
entregar coisa, a execução deve assegurar-lhe meios
Mas, verificando o juiz que ela se tornou excessiva, 0para exigir o cumprimento específico da obrigação,
poderá reduzi-la a parâmetros razoáveis, alterar a sua reservando a conversão para perdas e danos apenas para
periodicidade ou até mesmo excluí-la, mesmo que tenha a hipótese de o cumprimento específico tornar-se
sido fixada em sentença transitada em julgado. Não se impossível, ou para quando o credor proferi-la.
justifica que ela se torne fonte de enriquecimento sem
causa. Não há direito adquirido do credor à multa, que Art. 497.   Na ação que tenha por objeto a prestação de
não é condenação, mas meio de coerção. A redução fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido,
poderá ser determinada de ofício ou a requerimento do concederá a tutela específica ou determinará
providências que assegurem a obtenção de tutela pelo As duas técnicas de que se vale o legislador para a
resultado prático equivalente. execução são a sub-rogação e a coerção. O uso delas
poderá variar, conforme a obrigação seja fungível ou
Parágrafo único.   Para a concessão da tutela específica infungível.
destinada a inibir a prática, a reiteração ou a
continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é Se fungível, as duas técnicas poderão ser utilizadas: a de
irrelevante a demonstração da ocorrência de dano ou da coerção e a de sub-rogação. Se alguém é contratado para
existência de culpa ou dolo. pintar um muro e não o faz, ao promover a execução o
credor poderá requerer que o juiz fixe uma multa diária,
Art. 498.   Na ação que tenha por objeto a entrega de que sirva para pressioná-lo a cumprir o prometido
coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o (coerção); ou pedir ao juízo que determine que a
prazo para o cumprimento da obrigação. obrigação seja cumprida por terceiro, às custas dele (sub-
rogação).
Parágrafo único.  Tratando-se de entrega de coisa
determinada pelo gênero e pela quantidade, o autor Quando a obrigação for infungível, só se poderá fazer uso
individualizá-la-á na petição inicial, se lhe couber a dos meios de coerção, já que não é possível que outrem
escolha, ou, se a escolha couber ao réu, este a entregará a realize no lugar do devedor. Não pode haver a sua
individualizada, no prazo fixado pelo juiz. substituição (sub-rogação), no cumprimento do
determinado.
Art. 499.   A obrigação somente será convertida em
perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a Providências que assegurem resultado prático
tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado equivalente
prático equivalente.
O art. 497, caput, do CPC dá ao juiz poderes de
Art. 536.   No cumprimento de sentença que reconheça a determinar, nas ações que tenham por objeto, o
exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz cumprimento de obrigações de fazer ou não fazer,
poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação providências que assegurem a obtenção da tutela pelo
da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente ao do adimplemento.
resultado prático equivalente, determinar as medidas
necessárias à satisfação do exequente. Há casos em que não há como compelir o devedor a
§ 1º Para atender ao disposto no  caput, o juiz poderá cumprir a obrigação na forma convencionada, mas é
determinar, entre outras medidas, a imposição de multa, possível determinar outra medida, que alcance resultado
a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o prático equivalente.
desfazimento de obras e o impedimento de atividade
nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de Por exemplo: a ré, fabricante de veículos, comprometeu-
força policial. se a entregar ao autor um carro. Quando da sentença,
ele não é mais fabricado. Em vez de determinar a
Para a obtenção de tutela específica, o juiz pode valer-se conversão em perdas e danos, o juiz pode condenar a ré
dos instrumentos de sub-rogação e de coerção, salvo se a a entregar um veículo equivalente, mesmo que isso não
obrigação for personalíssima, caso em que a sub-rogação tenha sido pedido na petição inicial.
se inviabiliza.
O autor formula um pedido específico. Não sendo
A execução específica é aquela que objetiva fazer com o possível atendê-lo, o juiz verificará, antes da conversão
que devedor cumpra exatamente aquilo que foi em perdas e danos, se não há alguma providência que
convencionado, sem conversão em perdas e danos. Só possa alcançar resultado equivalente. Em caso
faz sentido nas obrigações de fazer, não fazer ou afirmativo, ele a concederá, ainda que não coincida com
entregar coisa. O art. 497 do CPC trata das primeiras: “na o pedido inicial, impossível de satisfazer.
ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de
não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a
tutela específica da obrigação ou, se procedente o Conversão em perdas e danos
pedido, determinará providências que assegurem a
obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente”. A conversão em perdas e danos fica reservada para duas
As de entrega de coisa vêm tratadas no art. 498: “na hipóteses, enumeradas no art. 499 do CPC: a) quando se
ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao tornar impossível a execução específica (por exemplo,
conceder a tutela específica, fixará o prazo para o quando o bem a ser restituído perdeu-se, ou quando a
cumprimento da obrigação”. obrigação de fazer é infungível e o devedor recusa-se,
apesar dos meios de coerção, a cumpri-la) e não há
O processo de execução será eficiente quando der ao providência que assegure resultado prático equivalente;
credor satisfação a mais próxima possível daquilo que ele b) quando o credor requerer a conversão, porque o
teria, caso o devedor tivesse cumprido espontaneamente devedor não cumpre especificamente a obrigação. Só é
a obrigação. dado ao credor requerê-la se houver efetiva recusa do
devedor. O credor não pode preferir a conversão se o
devedor estiver disposto a cumprir a obrigação
específica. Da mesma forma que o credor não é obrigado Afora essas hipóteses, o cumprimento será definitivo,
a aceitar prestação diferente da que foi avençada, o ainda que haja agravo de instrumento pendente contra a
devedor não pode ser compelido, para desonerar-se, a decisão que julgou a impugnação.
cumpri-la diferentemente do contratado.
A execução por título extrajudicial será sempre definitiva.
Súmula 317 – STJ -É definitiva a execução de título
3-Por título judicial ou extrajudicial extrajudicial, ainda que pendente apelação contra
sentença que julgue improcedentes os embargos.
Títulos judiciais – 515: execução imediata, sem novo
processo. Tanto na definitiva como na provisória, se houver
reversão do julgado, e disso advirem prejuízos para o
Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: (formação devedor, o credor responderá objetivamente pelos
de processo autônomo) danos, que deverão ser por ele ressarcidos.
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a
debênture e o cheque; Diferenças entre cumprimento definitivo e provisório
II - a escritura pública ou outro documento público
assinado pelo devedor; Art. 520.   O cumprimento provisório da sentença
III - o documento particular assinado pelo devedor e por impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo
2 (duas) testemunhas; será realizado da mesma forma que o cumprimento
IV - o instrumento de transação referendado pelo definitivo...
Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela
Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou
por conciliador ou mediador credenciado por tribunal;
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese Peculiaridades do cumprimento provisório;
ou outro direito real de garantia e aquele garantido por
caução; - Corre por conta e risco do credor, que assume
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; responsabilidade pela reversão do julgado, pois ainda há
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; recurso pendente. Caso a sentença seja reformada,
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, cumprir-lhe-á ressarcir os danos que causou, o que
decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos prescinde de prova de culpa. Essa regra pode ser aplicada
acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; também ao cumprimento definitivo e à execução por
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da título extrajudicial;
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; - Caso haja a reversão, seja pela reforma ou pela
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou anulação da sentença, as partes serão repostas ao status
extraordinárias de condomínio edilício, previstas na quo ante, e os danos serão liquidados nos mesmos autos;
respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral,
desde que documentalmente comprovadas; - O cumprimento provisório de sentença, tal como o
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de definitivo, realiza-se nos autos em que o título foi
registro relativa a valores de emolumentos e demais constituído. Mas, como eles encontram-se no órgão ad
despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados quem para apreciação do recurso, se o processo não for
nas tabelas estabelecidas em lei; eletrônico, há necessidade de novos autos, constituídos
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição pela petição que dá início à fase de cumprimento de
expressa, a lei atribuir força executiva. sentença, acompanhadas das peças enumeradas no
art.522. pú.

4-Cumprimento definitivo ou provisório de sentença - No cumprimento provisório, o credor deve prestar


caução, mas apenas para o levantamento de depósito
- Cumprimento provisório em dinheiro e a prática de atos que importam
transferência de posse ou alienação de propriedade ou
Espécie que só diz respeito ao cumprimento de sentença, de outro direito real, ou dos quais possa resultar grave
pois a execução de título extrajudicial é sempre dano ao executado.
definitiva. Ver mais sobre caução em art. 520, IV e 521.

O cumprimento de sentença será provisório quando *Não há necessidade de caução no início à execução,
fundo em decisão judicial não transitada em julgado nem para proceder à penhora ou avaliação do bem.
(decisão interlocutória de mérito, nos casos de Prestada, o credor poderá levantar dinheiro e promover
julgamento antecipado parcial do mérito, sentença ou a expropriação de bens. Mas caso a sentença seja
acórdão sobre os quais ainda pende recurso não provido modificada ou anulada, a caução garantirá o devedor dos
de efeito suspensivo – ver art. 520) e também de tutela prejuízos.
provisória, nos temos do 297, pú.
Há casos em que, apesar de provisório o cumprimento de já que há sempre o risco de reforma. Por isso, nela se
sentença, o credor poderá praticar tais atos mesmo sem exige caução para os atos que importem levantamento
prestar caução. O legislador a dispensa quando a de dinheiro, transferência de posse ou alienação de
necessidade do credor for premente, ou a possibilidade domínio ou que possam trazer grave dano ao executado.
de reversão do julgado for menos provável. Dispensa – Mas, mesmo nesses casos, a caução poderá ser
art. dispensada nas hipóteses do art. 521.

EXECUÇÃO QUANTO AO FUNDAMENTO


Fundamentos Características EXECUÇÃO QUANTO ÁS PRESTAÇÕES
Não formam um
novo processo, Execução Execução
mas apenas uma imediata – título autônoma – título
EXECUÇÃO DE Emanados do fase, razão pela judicial extrajudicial
TÍTULO JUDICIAL poder judiciário. qual dispensam a Obrigação de Arts. 536 e 537 Arts. 814 e
(cumprimento de Art.515 citação do réu, fazer ou não fazer seguintes
sentença) salvo se fundadas Obrigação de Art. 538 Arts. 806 e
em sentença entrega de coisa seguintes
penal, arbitral ou Obrigação por Arts. 523 a 527 Art. 824
estrangeira. quantia certa
EXECUÇÃO DE Documentos não Constituem um
TÍTULO provenientes do novo processo,
EXTRAJUDICIAL judiciário, aos em que o réu
quais a lei atribui deverá ser citado. Cumprimento das sentenças condenatórias em obrigação de
eficácia executiva. fazer, não fazer ou entregar coisa
Art. 784.
Os dispositivos do CPC que versam sobre o cumprimento
de sentença são:
EXECUÇÃO QUANTO AO CARÁTER
Natureza da
■o art. 497, que trata do cumprimento da sentença
atividade Regra -520 a 522 condenatória em obrigação de fazer ou não fazer;
executiva ■o art. 498, que trata do cumprimento de sentença
Autônoma: condenatória em obrigação de entrega de coisa;
prescindível o ■os arts. 523 e ss., que tratam do cumprimento de
prévio processo sentença condenatória em obrigação de pagar;
de conhecimento, ■os arts. 528 e ss., que tratam do cumprimento de
porque a lei sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
Título executivo outorga eficácia Execução prestar alimentos;
extrajudicial executivas a definitiva
■os arts. 534 e ss., que tratam do cumprimento de
certos títulos,
atribuindo-lhes a sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de
certeza pagar quantia certa contra a Fazenda Pública.
necessária para O INÍCIO DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
desencadear o
processo de São dois os requisitos fundamentais do cumprimento de
execução. sentença: o título executivo judicial e o inadimplemento
Imediata: sem Cumprimento do devedor. Constituído o título, manda a lei que, a
processo definitivo: se a requerimento do exequente, seja dado ao devedor um
autônomo, o que decisão de
prazo de quinze dias para que efetue voluntariamente o
pressupões previa mérito, sentença
pagamento. Se o fizer, nem sequer terá início a fase
atividade ou acordão já
cognitiva, sem a houver transitado executiva, pois a obrigação foi cumprida. Se não, passar-
Título executivo qual o direito não em julgado. se-á à fase de cumprimento de sentença, com expedição
judicial adquire a certeza de mandado de penhora e avaliação. O montante da
necessária para Cumprimento condenação será acrescido de multa de dez por cento do
que se possa provisório: se a débito.
invadir, decisão, sentença
coercitivamente o ou acordão tiver O prazo para pagamento voluntário
patrimônio do sido impugnado
devedor. por recurso, sem
O legislador concede ao devedor o prazo de 15 dias para
efeito suspensivo;
ou nos casos de adimplir voluntariamente a obrigação. Nesse ínterim,
efetivação de não se admite a prática de atos satisfativos, pois a
tutela provisória. execução não teve início. O prazo é um tempo que se dá
ao devedor para, ponderando as desvantagens de uma
Cumprimento provisório ≠ Cumprimento definitivo execução subsequente, cumprir a obrigação. Conquanto
persista controvérsia a respeito desse prazo, parece-nos
Ambos se processam do mesmo modo, com a diferença que ele há de ser considerado de natureza processual, já
de que o provisório corre por conta e risco do exequente, que fixado por lei processual, em caráter mandamental,
para a prática de determinado ato com repercussões no pessoalmente a dar andamento ao feito. Na inércia, o
processo, sob pena de multa. Assim, a contagem deverá processo será extinto.
ser feita considerando apenas os dias úteis.
Mas na fase executiva é diferente. A inércia do credor
A iniciativa do credor não implica extinção, mas em remessa dos autos ao
arquivo. Constituído o título executivo judicial, o credor
Caberá ao credor a iniciativa de dar início à fase de tem um prazo para promover a execução. Qual? A
cumprimento de sentença. Bastará apresentar petição Súmula 150 do STF estabelece que a pretensão executiva
requerendo a intimação do devedor para pagar o débito prescreve no mesmo prazo que a condenatória. O
no prazo de 15 dias, sob pena de, não o fazendo, ter mesmo prazo que o autor tinha para promover a ação,
início a fase de cumprimento de sentença, com a terá para executar. Por exemplo: a vítima de acidente de
expedição de mandado de penhora e avaliação de bens. trânsito tem o prazo de três anos para pedir indenização
Não se trata de uma petição inicial, que tenha de em face do causador do acidente. Se não o fizer, a
preencher os requisitos do art. 319 do CPC, pois não pretensão condenatória estará prescrita. Se o fizer, e
haverá um novo processo. No entanto, é preciso que obtiver uma sentença condenatória, constituído o título
nela o credor tome algumas providências. Deve: e sendo possível iniciar a execução, fluirá novo prazo de
três anos, desta feita para a execução. Esse prazo
■ apresentar demonstrativo discriminado e atualizado do começa a correr a partir da data em que se tornar
cálculo do débito, indicando quais os itens que o possível o requerimento de início do cumprimento de
compõem, na forma dos incisos do art. 524 do CPC. Caso sentença, a que alude o art. 523, caput, do CPC. Se o
não haja o pagamento no prazo, o débito será acrescido credor, por inércia, não promover a execução nesse
de multa e de honorários advocatícios de fase executiva, prazo, terá havido prescrição intercorrente. E se ele a
ambos de 10% do débito; promover, mas abandoná-la, voltará a correr o prazo de
prescrição intercorrente.
■recolher as custas iniciais da execução, quando a lei
estadual de custas o exigir; Iniciada a execução, ela será suspensa por um ano caso o
executado não possua bens penhoráveis. Nesse
■ indicar, se possível, quais os bens que deseja ver interregno, como a suspensão não decorre da inércia do
penhorados. A prioridade de indicação de bens é do exequente, o prazo de prescrição ficará suspenso. Após
credor, e se ele já tiver ciência de algum bem sobre o esse prazo, deve o exequente tomar as medidas
qual a penhora possa recair, deve indicá-lo desde logo. necessárias para tentar localizar o executado ou bens
Se não o fizer, o oficial de justiça diligenciará, na penhoráveis. Se, passado um ano de suspensão, o
tentativa de localizar algum bem penhorável. exequente não o fizer, os autos serão arquivados e
começará a correr o prazo de prescrição intercorrente
Esse requerimento, a que alude o art. 523, antecede a (art. 921, §§ 1º, 2º e 4º). No entanto, só começará a
intimação do executado para pagamento do débito no correr após um ano de suspensão, e desde que não haja
prazo de 15 dias. Caso haja o pagamento, a fase de manifestação do exequente. Se ele se manifestar,
cumprimento de sentença não terá início. Caso não haja requerendo as providências necessárias para tentar
pagamento, a fase de cumprimento terá início, sem a localizar o executado ou bens que possam ter sido
necessidade de novo requerimento, com a expedição adquiridos no período, não correrá a prescrição
desde logo de mandado de penhora e avaliação, intercorrente.
iniciando-se automaticamente o prazo de 15 dias para
impugnação. O débito, vencido o prazo de 15 dias, será Caso ela ocorra, o juiz deverá decretá-la de ofício.
acrescido da multa de 10% e dos honorários da fase Contudo, por força do princípio do contraditório, deverá
executiva, também de 10%. antes ouvir as partes a respeito, concedendo-lhes prazo
de 15 dias para manifestação (art. 921, § 5º, do CPC).
Prescrição intercorrente
A inércia do credor em promover a execução ou em dar- DA DEFESA DO EXECUTADO EM JUÍZO
lhe andamento implicará a oportuna remessa dos autos
ao arquivo. O credor, porém, pode, a qualquer A forma de defesa do executado, por excelência, é a
momento, dar início ou continuidade à fase executiva. impugnação. Admitem-se, ainda que excepcionalmente,
Mas há um limite: ele perderá a pretensão executiva se as exceções e objeções de pré-executividade, embora
deixá-la prescrever. A execução de título judicial não é tenham perdido quase toda a sua utilidade, já que tanto
mais um processo, mas tão somente uma fase, porém na execução por título extrajudicial quanto no
admite-se a chamada prescrição intercorrente, que cumprimento de sentença o oferecimento de embargos
recebe essa denominação por verificar-se não antes, mas ou de impugnação dispensa a prévia penhora, depósito
no curso do processo. ou caução.

Não é possível, em princípio, prescrição intercorrente Impugnação


durante a fase de conhecimento, porque, se o autor ficar
inerte por mais de trinta dias, o juiz o intimará 1-Natureza
A defesa do devedor no cumprimento de sentença não é interno ao processo, o que justifica que o dispositivo
feita pela ação autônoma de embargos, mas por meio da supramencionado se aplique.
impugnação.
Não há necessidade, para a impugnação, de prévia
Os embargos são ação autônoma e constituem um garantia do juízo, pela penhora ou pelo depósito do bem,
processo independente, autuado em apartado. A como estabelece expressamente o art. 525, caput, do
impugnação, ao contrário, não será ação autônoma, mas CPC.
incidente da fase de cumprimento de sentença. Não será
ação incidental, como os embargos, mas incidente 3-Efeito suspensivo
processual, julgado por decisão interlocutória.
Em regra, a impugnação, tal como os embargos, não é
Há uma única hipótese em que ela será ação incidental: dotada de efeito suspensivo. Enquanto ela se processa, a
quando tiver por objeto a declaração de inexistência ou execução prossegue e pode alcançar a fase de
extinção do débito (art. 525, VII). Porque, se o juiz emitir expropriação.
essa declaração, sua decisão revestir-se-á da autoridade
da coisa julgada material. Ele não decidirá apenas No entanto, excepcionalmente, o juiz pode concedê-lo.
questões processuais, mas a existência do direito Os requisitos são os mesmos para que ele o conceda nos
material, do crédito que embasa a execução, caso em embargos:
que a impugnação adquirirá a natureza de ação
incidente. Não de processo autônomo, já que será ■que haja requerimento do impugnante;
sempre incidental à execução: tanto que o juiz proferirá
ao final decisão interlocutória, e não sentença. ■que o juízo esteja garantido com penhora, caução ou
depósito suficientes;
A impugnação terá natureza de mero incidente nas
hipóteses do art. 525, I a VI, e de ação incidente na do ■que seja relevante a sua fundamentação, isto é, que
inciso VII. sejam verossímeis as alegações;

Seja uma coisa ou outra, o seu processamento far-se-á ■que o prosseguimento da execução seja
nos autos da execução, e não em apenso ou em manifestamente suscetível de causar ao executado grave
apartado. dano de difícil ou incerta reparação.

2-Prazo A concessão de efeito suspensivo não impede a


efetivação de atos de substituição, reforço ou redução de
O prazo para que o devedor apresente impugnação é de penhora e avaliação de bens.
15 dias, a contar do transcurso in albis do prazo de 15
dias para pagamento voluntário, independentemente de 4-Restrição às matérias alegáveis
penhora ou nova intimação. Serão dois prazos de 15 dias
distintos: primeiro, o de 15 dias para o pagamento Na execução por título extrajudicial, não há restrições às
voluntário do débito — nesse momento, não teve início defesas alegáveis nos embargos, o que se justifica
ainda a fase de cumprimento de sentença, que nem porque ela não foi precedida de processo anterior.
sequer começará se houver o pagamento voluntário — e
o segundo prazo, também de 15 dias, para oferecer O mesmo não ocorre com a impugnação, na qual a
impugnação, já iniciada a fase de cumprimento de cognição é restrita, no plano horizontal: existem
sentença, quando não houve o pagamento voluntário. O limitações quanto às matérias alegáveis.
requerimento do exequente, a que alude o art. 523 e que
deve preencher os requisitos do art. 524, deverá O legislador enumera os temas que podem ser objeto da
anteceder a intimação do executado para pagamento impugnação, e o devedor não pode fundá-la em outros,
voluntário em 15 dias. Vencido esse prazo, não previstos, sob pena de ser rejeitada de plano. A fase
automaticamente e sem necessidade de novo executiva foi precedida de fase de conhecimento, e não
requerimento ou intimação, será expedido mandado de seria razoável admitir que o devedor pudesse alegar
penhora e avaliação e passará a correr o prazo de 15 dias defesas que ou já foram apreciadas na fase cognitiva, ou
para impugnação. deveriam ter sido alegadas e não o foram.

O art. 229 do CPC, que determina a dobra de prazo em O rol de defesas alegáveis está no art. 525, § 1º, do CPC.
caso de litisconsórcio com advogados diferentes aplica-se São elas:
ao prazo de impugnação. Não ao de embargos, que é
sempre simples, porque eles têm natureza de ação - Falta ou nulidade de citação, se, na fase de
autônoma e criam novo processo. O prazo não é interno conhecimento, o processo correu à revelia
à execução, mas externo. A situação é diferente na O processo é um só, e há uma única citação: aquela que
impugnação que não constitui ação, nem processo se realiza na fase de conhecimento. A falta ou nulidade
autônomo, mas incidente (ou ação incidente, na hipótese dela, quando o réu permanecer revel, acarretará a
do art. 525, VII). O prazo para apresentá-la é sempre
ineficácia da sentença ou do acórdão contra ele
proferidos. Ou seja, do título executivo judicial. - Penhora incorreta ou avaliação errônea
A penhora e a avaliação do bem poderão ser prévias ou
O executado, tendo tomado conhecimento da execução, posteriores à impugnação. Se prévias, os eventuais
poderá opor-se por meio de impugnação que, nessa equívocos deverão ser alegados na impugnação. Se
hipótese, adquirirá as características de verdadeira posteriores, serão alegados por simples petição, no prazo
querela nullitatis insanabilis. Se acolhida, será de 15 dias a contar da comprovada ciência do fato ou da
reconhecida a ineficácia de título, e o juiz determinará o intimação do ato, nos termos do art. 525, § 11. Como a
retorno do processo à fase de conhecimento, impugnação não exige prévia penhora e o prazo para
restituindo-se ao réu a oportunidade para oferecer apresentá-la corre automaticamente do término do
contestação. prazo para pagamento voluntário, é possível que a
penhora e a avaliação sejam posteriores, caso em que
- Ilegitimidade de parte eventuais vícios ou equívocos deverão ser arguidos no
Essa será uma alegação mais comum quando a execução prazo de 15 dias após a ciência do fato ou ato.
tiver por fundamento sentença penal condenatória. Por
exemplo, se a vítima quiser executar o patrão, por danos - Excesso de execução ou cumulação indevida de
decorrentes de crime praticado pelo empregado. execuções

Todavia, também poderá ocorrer quando o título for a O excesso ocorre quando o credor postula montantes ou
sentença civil, quando se quiser executar sentença prestações superiores aos que são efetivamente devidos.
condenatória contra o fiador, que não participou nem foi O art. 917, § 2º, do CPC enumera quais são as hipóteses:
condenado na fase cognitiva, por exemplo. ■quando o exequente pleiteia quantia superior à do
título;
- Inexequibilidade do título ou inexigibilidade da ■quando recai sobre coisa diversa daquela declarada no
obrigação título;
São várias as razões pelas quais o título pode ser ■quando se processa de modo diferente do que foi
inexequível ou a obrigação inexigível. Por exemplo, determinado no título;
sentença homologatória de acordo, no qual ficaram ■quando o exequente, sem cumprir a prestação que lhe
convencionadas certas datas para o pagamento, o corresponde, exige o adimplemento da prestação do
exequente deu início à fase executiva antes do executado;
vencimento previsto. Se o título é inexequível ou a ■se o exequente não provar que a condição se realizou.
obrigação inexigível, falta interesse de agir
O rol merece críticas porque as duas últimas hipóteses
- Inexigibilidade decorrente de declaração de não são de excesso de execução, mas de inexigibilidade
inconstitucionalidade do título.
Uma das hipóteses de inexigibilidade do título vem
expressamente mencionada no art. 525, § 12: “Para A cumulação indevida de execuções ocorre quando há
efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, pretensões executivas cumuladas, sem a observância das
considera-se também inexigível a obrigação reconhecida exigências do art. 327 do CPC.
em título executivo judicial fundado em lei ou ato
normativo considerado inconstitucional pelo Supremo - Excesso de execução e excesso de penhora. Distinções
Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou O que pode ser objeto de impugnação é o excesso de
interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo execução, a cobrança de valores ou prestações maiores
Supremo Tribunal Federal como incompatível com a ou diferentes das que constam do título. Com ela não se
Constituição Federal, em controle de constitucionalidade confunde o excesso de penhora, que ocorre quando o
concentrado ou difuso”. credor cobra o que é devido, mas a penhora acaba
recaindo sobre bens de valor superior ao do débito. Não
Esse dispositivo autoriza o reconhecimento da há excesso na cobrança, mas na garantia. Havendo
inexigibilidade da sentença ainda que transitada em apenas excesso de penhora, não é necessária a
julgado, fundada em lei (ou ato normativo) declarada impugnação, bastando às partes, a qualquer tempo,
inconstitucional, ou que deu a essa lei (ou ato normativo) postular a redução àquilo que seja suficiente para
interpretação que foi tida como incompatível com a garantia do crédito.
Constituição Federal. No entanto, para que a sentença
possa ser reconhecida como inexigível, é preciso que a - Necessidade de o executado declarar o valor que
declaração de inconstitucionalidade preceda o trânsito entende correto
em julgado. Se ela for posterior, só caberá ação O art. 525, § 4º, do CPC contém salutar determinação.
rescisória. Mas, nesse caso, o prazo da rescisória não Trata-se de exigência para que o juiz receba a
será de dois anos a contar do trânsito em julgado da impugnação, fundada em excesso de execução: “Quando
sentença, mas de dois anos a contar do trânsito em o executado alegar que o exequente, em excesso de
julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal execução, pleiteia quantia superior à resultante da
Federal, em controle concentrado ou difuso de sentença, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que
constitucionalidade. entende correto, apresentando demonstrativo
discriminado e atualizado de seu cálculo”. Essa é uma Mas a impugnação não se presta a que o devedor alegue
exigência também nos embargos (art. 917, § 3º, do CPC). causas modificativas ou extintivas que poderiam ter sido
Se o executado não cumprir a determinação e o excesso alegadas na fase de conhecimento. O juiz só as
de execução for o único fundamento da impugnação, ela conhecerá se forem supervenientes. Se podiam ter sido
será rejeitada liminarmente. Se houver outros alegadas e não o foram, será aplicável o art. 508 do CPC:
fundamentos, a impugnação será recebida, mas a “Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-
alegação de excesso de execução não será examinada. O se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e as
Superior Tribunal de Justiça tem se mostrado rígido no defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento
cumprimento à exigência legal. quanto à rejeição do pedido”.

- Incompetência absoluta ou relativa do juízo da Por exemplo, a prescrição que pode ser alegada na fase
execução executiva é a da execução (Súmula 150 do STF), não da
É na impugnação que o executado deve arguir a pretensão cognitiva, porque esta deveria ter sido alegada
incompetência do juízo, seja ela absoluta ou relativa. na fase de conhecimento.
Dificilmente será possível arguir a incompetência, se o
título for sentença civil condenatória, já que ela teria de Rol taxativo ou exemplificativo?
ter sido alegada na fase cognitiva. Contudo, se o título
executivo judicial for de outra espécie, como a sentença Discute-se se o rol do art. 525, § 1º, que enumera as
penal condenatória, a sentença arbitral, estrangeira etc., matérias alegáveis em impugnação, é taxativo ou
a incompetência deverá ser alegada em impugnação. Já o exemplificativo.
impedimento e a suspeição do juiz devem ser alegados
por simples petição, observado o disposto nos arts. 146 e É temerário considerá-lo taxativo, porque não é possível
148 do CPC. privar o devedor da possibilidade de alegar outras
defesas, que não tenham sido imaginadas pelo
- Qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, legislador. A limitação imposta por lei às matérias
desde que superveniente alegáveis tem por finalidade evitar que, em cumprimento
A lei dá alguns exemplos, como o pagamento, novação, de sentença, o devedor tenha oportunidade de rediscutir
compensação, transação ou prescrição, desde que coisas que, ou já foram discutidas na fase de
superveniente à sentença. conhecimento, ou deveriam ter sido deduzidas e não o
foram. Mas não impede que o devedor apresente defesa
Essa é a hipótese em que a impugnação terá por fim superveniente, ainda que não prevista expressamente no
discutir a existência do débito. rol.

A única em que ela, por versar sobre matéria de fundo, Inexistência de restrição quanto à profundidade da
terá natureza de ação incidente, e não de mero incidente cognição
processual, uma vez que aquilo que o juiz declarar a
respeito do débito terá de se tornar definitivo, por força A impugnação, conquanto limitada no que concerne à
da coisa julgada material. Não seria aceitável que o juiz, extensão das matérias alegáveis, não sofre restrições
na impugnação, reconhecesse o pagamento e declarasse quanto à profundidade da cognição judicial. O juiz não a
extinto o débito, sem caráter definitivo. decidirá em um juízo de mera verossimilhança ou
plausibilidade, em cognição superficial, mas autorizará as
Quando ele acolhe a impugnação, reconhecendo a provas necessárias para formar a sua convicção em
inexistência do débito, terá de extinguir a execução. Ao caráter definitivo.
fazê-lo, não proferirá uma decisão interlocutória, mas
verdadeira sentença, com força definitiva. Todos os meios lícitos de prova são admitidos na
impugnação. O juiz poderá, se necessário, determinar
Mas o juiz pode acolher apenas em parte a impugnação, perícia e designar audiência para a colheita de prova oral.
declarando o débito parcialmente inexistente. Se o fizer,
não haverá sentença, porque a execução prosseguirá As regras sobre a produção de provas são as mesmas que
quanto ao saldo remanescente. A impugnação será se aplicam ao processo de conhecimento em geral.
julgada por decisão interlocutória. Ainda assim, o que for
decidido a respeito do crédito não mais poderá ser Procedimento
rediscutido. Nessa situação, a impugnação tem natureza
de ação incidente, ainda que não constitua processo A impugnação é formulada por petição dirigida ao juízo
autônomo. A decisão interlocutória proferida pelo juiz da execução. Não há necessidade de todos os requisitos
terá força de sentença e se revestirá da autoridade da do art. 319 do CPC, já que não haverá um novo processo,
coisa julgada material. O mesmo ocorrerá em caso de mas tão somente um incidente no bojo da execução. Mas
improcedência da impugnação. As causas extintivas, é indispensável que o impugnante formule com clareza a
impeditivas ou modificativas alegadas pelo devedor, sua pretensão e os fundamentos que a embasam e que
ainda que afastadas por decisão interlocutória, não devem enquadrar-se nas hipóteses do art. 525, § 1º, do
poderão ser novamente alegadas em ação autônoma. CPC.
Cumpre ao impugnante requerer, se o desejar, a arguição, contado da comprovada ciência do fato ou da
concessão de efeito suspensivo, que não poderá ser intimação do ato”. As matérias alegáveis são aquelas
concedido de ofício pelo juízo. Como se trata de mero relativas ao cumprimento de sentença, que não puderam
incidente, não haverá recolhimento de custas. ser alegadas em impugnação porque supervenientes a
ela.
Recebida a impugnação, o juiz intimará o impugnado
(exequente) para, querendo, apresentar resposta, no Exceções e objeções de pré-executividade
prazo de quinze dias. Conquanto a lei não mencione o
prazo, por aplicação do princípio da isonomia, há de No CPC/15 passou-se a admitir que o executado
presumir-se que seja o mesmo que para o oferecimento alegasse, na própria execução, sem embargos, aquelas
da impugnação. defesas que, por serem de ordem pública, deveriam ter
sido conhecidas pelo juiz de ofício.
Em seguida, o juiz verificará se está ou não em condições
de julgar o incidente. Em caso afirmativo, ele o fará; em A tal incidente, que não tinha previsão legal expressa, a
caso negativo, determinará as provas necessárias. doutrina denominou “exceção de pré-executividade”; de
início, servia apenas para que o devedor alegasse
O incidente é sempre julgado por decisão interlocutória, matérias de ordem pública. O nome era infeliz, já que as
salvo se, do acolhimento das alegações do devedor, defesas que podem ser conhecidas de ofício são objeções
resultar a extinção da execução. Se ele alegar alguma e não exceções. Daí porque o incidente seria mais bem
causa extintiva, como pagamento ou prescrição, e o juiz a denominado “objeção de pré-executividade”.
acolher, a consequência inexorável será a extinção da
execução, e então o ato decisório haverá de ser Com o tempo, doutrina e jurisprudência passaram a dar a
qualificado como sentença. Do contrário, se a execução esse tipo de incidente uma extensão maior do que de
ainda prosseguir, será decisão interlocutória, e o recurso início. Se antes, apenas objeções poderiam ser alegadas,
adequado será o agravo de instrumento. posteriormente passou-se a admitir o uso desse mesmo
mecanismo para apresentar defesas que pudessem ser
O juiz só fixará honorários advocatícios na impugnação se conhecidas prima facie, por não dependerem de provas
ela for acolhida, com a consequente extinção da que já não estivessem previamente constituídas.
execução, pois, se desacolhida, não haverá novos
honorários, além daqueles fixados em favor do credor no É o caso, por exemplo, do pagamento: não seria razoável
início da fase de cumprimento de sentença. Nesse que o executado que pagou e está munido de recibo
sentido, decidiu a Corte Especial do Superior Tribunal de tenha de ter os seus bens penhorados, para só então
Justiça, ao examinar recursos repetitivos no REsp alegar a extinção da obrigação.
1.134.186, de 3 de agosto de 2011, Rel. Min. Luiz Felipe
Salomão, o que culminou com a edição da Súmula 519, Tais incidentes passaram a admitir a alegação de defesas
que assim dispõe: “Na hipótese de rejeição da que, conquanto não cognoscíveis de ofício, poderiam ser
impugnação ao cumprimento de sentença, não são comprovadas prima facie, por documentos. Com isso, a
cabíveis honorários advocatícios”. par das objeções de pré-executividade, admitiram-se
verdadeiras exceções de pré-executividade.
O Enunciado 50 da ENFAM dispõe que “o oferecimento
de impugnação manifestamente protelatória ao A condição para que sejam recebidas e processadas é
cumprimento de sentença será considerado conduta que a defesa possa ser comprovada prima facie. Se a
atentatória à dignidade da Justiça (art. 918, III, parágrafo questão fática depender de prova, o juiz não a receberá,
único, do CPC/2015), ensejando a aplicação da multa determinando que a questão seja remetida à
prevista no art. 774, parágrafo único”. impugnação.

Matéria superveniente No CPC atual, tanto no cumprimento de sentença quanto


na execução por título extrajudicial, a apresentação de
A lei não exige, como condição para o oferecimento da defesa — por impugnação no primeiro, por embargos na
impugnação, que tenha havido prévia penhora ou segunda — independe de prévia garantia do juízo pela
avaliação. Também não prevê a possibilidade de nova penhora. Em razão disso, desapareceu quase todo o
impugnação, caso a penhora ou a avaliação venham a interesse para a oposição de exceções ou objeções de
ocorrer posteriormente à apresentação da impugnação pré-executividade. Não nos parece, porém, que esses
oferecida nos 15 dias contados a partir do vencimento do mecanismos devam desaparecer por completo, pois
prazo para pagamento voluntário. A solução, caso isso podem continuar tendo alguma utilidade. Por exemplo,
ocorra, é dada pelo art. 525, § 11: “As questões relativas quando transcorrido o prazo da impugnação ou dos
a fato superveniente ao término do prazo para embargos in albis houver matéria superveniente ou não
apresentação da impugnação, assim como aquelas sujeita à preclusão, que não tenha sido examinada pelo
relativas à validade e à adequação da penhora, da juiz, o interessado poderá valer-se de tais incidentes para
avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser alegá-las. Os arts. 518 e 525, § 11, do CPC, indicam a
arguidas por simples petição, tendo o executado, em possibilidade de apresentação de defesa no próprio bojo
qualquer dos casos, o prazo de 15 dias para formular esta da execução, sem impugnação ou embargos.
- Fase expropriatória
No entanto, a utilidade desses incidentes ficou muito
reduzida. Uma vez que, para se defender, seja por meio Não há diferenças entre a fase expropriatória na
da impugnação no cumprimento de sentença, seja por execução do cumprimento de sentença e na execução
meio de embargos, no processo de execução, o por título extrajudicial. Os dispositivos do Livro II da Parte
executado não sofre mais nenhuma constrição, não se Especial do CPC, já examinados, aplicam-se
justifica mais a utilização das objeções e exceções de pré- supletivamente.
executividade, a menos que não seja mais possível ao
executado valer-se dos meios tradicionais de defesa (por Peculiaridades do cumprimento de sentença
exemplo, porque já transcorreu o prazo) para alegar condenatória por ato ilícito
alguma matéria que ainda possa ser arguida.
A obrigação imposta na sentença que condena aquele
- O procedimento das exceções e objeções de pré- que pratica ato ilícito é de pagamento de quantia certa.
executividade
A lei não as previu. Não há, portanto, um procedimento Sua execução far-se-á na forma dos arts. 523 e ss. do
por ela estabelecido. Serão suscitadas por simples CPC. Há, no entanto, algumas peculiaridades que
petição, podendo o juiz determinar a autuação em justificam tratamento em capítulo à parte.
apenso — se a juntada puder tumultuar o andamento do
processo. É comum que, do ato ilícito, resulte a condenação ao
pagamento de uma pensão, à própria vítima, quando do
Não há prazo para suscitá-las, mas elas só terão utilidade fato resultar incapacidade de trabalho; ou aos herdeiros
quando o devedor perder o prazo de impugnação ou de dela, quando, por força da morte da vítima, ficarem
embargos e quiser alegar matérias supervenientes ou privados de subsistência.
não sujeitas à preclusão.
Como o pagamento das prestações é periódico,
Os incidentes, segundo entendimento doutrinário e preocupou-se o legislador em garantir o recebimento: o
jurisprudencial amplamente majoritário, não têm efeito juiz poderá ordenar, a requerimento do exequente, que
suspensivo, que nem mesmo a impugnação e os o devedor constitua um capital, cuja renda assegure o
embargos têm. Apresentada a petição, cumprirá ao juiz pagamento mensal da pensão (CPC, art. 533, caput).
verificar se a matéria alegada é daquelas que podem ser Caberá ao juiz verificar, no caso concreto, se a medida é
discutidas em objeção ou exceção de pré-executividade, adequada e oportuna, e se consiste na melhor forma de
isto é, se são apenas questões de direito ou de fato que assegurar o pagamento.
prescindam de outras provas. Se não for, indeferirá de
plano o incidente. Se sim, determinará que o credor seja O capital, que poderá ser representado por imóveis ou
intimado para manifestar-se, fixando prazo razoável. direitos reais sobre imóveis, títulos da dívida pública ou
Ouvido o credor, o juiz decidirá, não sendo possível, aplicações financeiras em banco oficial, permanecerá
pelas razões já mencionadas, a abertura de instrução. Se inalienável e impenhorável enquanto durar a obrigação.
o convencimento do juiz depender de provas, ele
extinguirá o incidente. O § 2º do art. 533 do CPC autoriza o juiz a substituir “a
constituição do capital pela inclusão do exequente em
Em regra, as exceções e objeções de pré-executividade folha de pagamento de pessoa jurídica de notória
serão julgadas por decisões interlocutórias, contra as capacidade econômica, ou, a requerimento do
quais o recurso adequado será o de agravo de executado, por fiança bancária ou garantia real, em valor
instrumento. Há, porém, a possibilidade de, em razão do a ser arbitrado de imediato pelo juiz”. Essa solução é
acolhimento, a execução ser extinta. Por exemplo: o mais eficaz como forma de assegurar o pagamento,
devedor pode alegar que o título está prescrito ou que é quando a condenação recai sobre pessoa jurídica, de
inexequível. Acolhidas as alegações, o juiz extinguirá a notória solvibilidade.
execução, por sentença.
O § 3º do art. 533 autoriza a parte a requerer, conforme
■ Objeções: — matérias de ordem pública, cognoscíveis as circunstâncias, redução ou aumento da prestação. A
de ofício pelo juiz a qualquer tempo e que não se doutrina civilista controvertia sobre a possibilidade de,
sujeitam à preclusão; — independe de penhora; — em caso de indenização por ato ilícito, havendo
apresentada por simples petição; — prova pré- modificação das necessidades do credor, ou das
constituída, não sendo admissível a instauração de possibilidades do devedor, alterar-se o valor da pensão
instrução. fixada.

■ Exceções: — matérias que não podem ser apreciadas Tal possibilidade só era admitida, em princípio, nos
pelo juiz de ofício. Exemplo: pagamento superveniente; alimentos decorrentes do direito de família, isto é, das
— independe de penhora; — suscitável por simples relações de parentesco, ou provenientes de casamento
petição; — prova pré-constituída, não sendo admissível a ou de união estável. Ainda na vigência do CPC anterior,
instauração de instrução. como lembrava Carlos Roberto Gonçalves: “Corrente
contrária sustentava, no entanto, que os alimentos
devidos em consequência da prática de um ato ilícito, Cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade
embora não se confundam com os devidos em razão do de obrigação de pagar quantia certa contra a fazenda
direito de família, tendo caráter indenizatório, de pública
ressarcimento, sujeitam-se à revisão, havendo
modificações nas condições econômicas, consoante A execução de que trata o CPC é aquela promovida
dispunha o art. 602, § 3º, do CPC. Nesse sentido decidiu a contra a Fazenda Pública, em que ela figura como
Terceira Câmara do Superior Tribunal de Justiça, no devedora. A ajuizada pela Fazenda, na condição de
julgamento do REsp 22.549-1-SP, em 23-3-93, tendo credora, é execução fiscal, regulada pela Lei n. 6.830/80.
como relator o Min. Eduardo Ribeiro. O aludido o art. A expressão “Fazenda Pública” abrange União, Estados,
602, § 3º, do estatuto processual civil foi, porém, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações
transformado em art. 475-Q pela Lei n. 11.232, de 22 de públicas.
dezembro de 2005, que também modificou a redação do
mencionado § 3º, que não se refere mais a redução ou A execução por quantia contra a Fazenda pode estar
aumento do ‘encargo’, mas sim da ‘prestação’. Optou o fundada em título judicial ou extrajudicial. Durante muito
legislador, desse modo, por admitir expressamente que a tempo controverteu-se sobre a possibilidade de estar
‘prestação’ alimentícia decorrente da prática de um ato fundada em título extrajudicial, mas a questão ficou
ilícito pode, independentemente da situação da garantia superada com a edição da Súmula 279 do STJ: “É cabível
ou do encargo, sofrer redução ou aumento, se sobrevier a execução por título extrajudicial contra a Fazenda
modificação nas condições econômicas das partes”. Pública”.

Diante do que dispõe expressamente o art. 533, § 3º, não Impossibilidade de penhora de bens
pode mais haver dúvida quanto à possibilidade de
alterar-se a prestação mensal da pensão alimentícia de O ato mais característico das execuções por quantia certa
cunho indenizatório, fixada em razão de condenação por é a penhora de bens, afetados a uma futura
ato ilícito, caso sobrevenha alteração nas condições do expropriação.
ofensor ou do ofendido.
Os bens da Fazenda, por serem públicos, não podem ser
Em razão disso, a coisa julgada será rebus sic stantibus. expropriados, sendo, por essa razão, impenhoráveis. É o
que dispõem o art. 100 e seus parágrafos da Constituição
De sentença penal condenatória, sentença arbitral e Federal.
sentença estrangeira
A execução por quantia não será feita, portanto, com a
A peculiaridade no cumprimento desses tipos de constrição e oportuna expropriação de bens, mas por
sentença é que não terá havido fase de conhecimento meio de precatórios judiciais.
antecedente na esfera cível. Nem anterior citação do
devedor. A execução contra a Fazenda Pública tem muito pouco
de execução forçada, já que não são praticados atos
Será indispensável que ele seja citado, embora se trate satisfativos, ao menos de maneira direta. O que há é uma
de execução fundada em título judicial. requisição que o Poder Judiciário dirige à Fazenda, para
que esta efetue o pagamento dos débitos, respeitada a
Pode ser que o título já seja líquido, caso em que será ordem dos precatórios.
promovida diretamente a execução, que constituirá um
processo autônomo, no qual o devedor deverá ser A intimação e a possibilidade de oposição de
citado, para pagar em quinze dias, sob pena de multa de impugnação — prazo
10% e expedição de mandado de penhora e avaliação. O
procedimento será o dos arts. 523 e ss., com a única Constituído o título judicial, a Fazenda será intimada, não
peculiaridade de que, em vez de intimação do executado para pagar ou nomear bens à penhora, mas para
na pessoa do advogado para efetuar o pagamento, oferecer impugnação no prazo de trinta dias (CPC, art.
haverá a citação. 535). O prazo corre a partir da intimação da Fazenda na
pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa
Pode ainda ocorrer que, antes da execução, seja ou meio eletrônico. Como a Fazenda não pode pagar,
necessária a liquidação por arbitramento ou de não há o prazo para pagamento voluntário previsto no
procedimento comum. Se assim for, o devedor será art. 523, caput, nem a incidência da multa, prevista no
citado para acompanhá-la; apurado o quantum art. 523, § 1º.
debeatur, será intimado para fazer o pagamento do
débito, no prazo de quinze dias, sob pena de multa de A não oposição de impugnação
10% e expedição de mandado de penhora e avaliação.
A Fazenda Pública pode não apresentar impugnação,
Ainda que essa execução possa constituir um novo caso em que será expedido o precatório, requisitando-se
processo, já que não há nenhum outro precedente, a o pagamento por intermédio do presidente do tribunal
execução far-se-á na forma dos arts. 523 e ss. do CPC. competente. Ou, quando se tratar de obrigação de
pequeno valor, por ordem do juiz, dirigida à autoridade
na pessoa de quem o ente público foi citado para o o julgamento antecipado se não houver provas a
processo, será requisitado o pagamento, que deverá ser produzir.
realizado no prazo de dois meses a contar da entrega da
requisição, mediante depósito na agência do banco O precatório
oficial mais próxima da residência do exequente. Nesses
casos, não serão devidos honorários advocatícios pela Não havendo impugnação, ou sendo rejeitadas as
Fazenda Pública, nos termos do art. 1º-D da Lei n. arguições da executada, será expedido o precatório
9.494/97. (salvo os casos de pequeno valor), que consiste em uma
requisição dirigida pelo presidente do tribunal
A impugnação competente, que deverá mencionar a natureza do
crédito para que a Fazenda Pública efetue o pagamento,
Tal como nos cumprimentos de sentença de obrigação respeitando a ordem cronológica de chegada.
por quantia certa em geral, a impugnação não se
prestará a que a Fazenda alegue qualquer tipo de defesa, O pagamento será feito na ordem de apresentação do
como ocorre nos embargos à execução por título precatório e à conta do respectivo crédito. Mesmo os
extrajudicial. Haverá limitações justificáveis pela créditos alimentares serão sujeitos a precatório, mas
preexistência da fase cognitiva. Aquilo que foi, ou que terão preferência de pagamento. A Súmula 144 do STJ
poderia ser alegado como defesa e não foi, na fase de dispõe que “os créditos de natureza alimentícia gozam
conhecimento, não mais poderá ser alegada na fase de de preferência, desvinculados os precatórios de ordem
cumprimento de sentença. Daí as restrições às matérias cronológica dos créditos de natureza diversa”. Haverá
alegáveis, enumeradas no art. 535 do CPC: duas ordens cronológicas: a dos precatórios ordinários,
I — falta ou nulidade da citação, se o processo correu à referentes a dívidas não alimentares; e os
revelia; extraordinários, que gozam de preferência sobre os
II — ilegitimidade de parte; ordinários, emitidos para pagamento de dívidas
III — inexequibilidade do título ou inexigibilidade da alimentares.
obrigação;
IV — excesso de execução ou cumulação indevida de O art. 100, § 6º, da Constituição Federal estabelece a
execuções; medida a ser tomada, caso o precatório não seja
V — incompetência absoluta ou relativa do juízo da respeitado. Se o credor for preterido no seu direito de
execução; preferência, o presidente do tribunal, que expediu a
VI — qualquer causa modificativa ou extintiva da ordem, poderá, depois de ouvido o chefe do Ministério
obrigação, como pagamento, novação, compensação, Público, ordenar o sequestro da quantia necessária para
transação ou prescrição, desde que supervenientes ao satisfazer o débito.
trânsito em julgado da sentença.
Recebido o requisitório, a Fazenda Pública deverá incluir
O art. 535, § 5º estabelece que: “Para efeito do disposto no orçamento verba suficiente para o respectivo
no inciso III do ‘caput’ deste artigo, considera-se também pagamento, sob pena de o credor preterido requerer o
inexigível a obrigação reconhecida em título judicial sequestro ou representar ao Procurador-Geral da
fundado em lei ou ato normativo considerado República ou de justiça para que promova ação
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou objetivando a intervenção.
fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato
normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como As questões referentes ao pagamento dos precatórios,
incompatível com a Constituição Federal, em controle de aos cálculos e à extinção da execução são afetas ao juízo
constitucionalidade concentrado ou difuso”. Fica da execução. O presidente do tribunal limita-se a fazer a
ressalvado, porém, que esse dispositivo só se aplica requisição do pagamento, por meio do precatório, e a
quando a decisão do Supremo Tribunal Federal for decidir sobre eventual pedido de sequestro e de
anterior ao trânsito em julgado da sentença, nos termos intervenção no Estado ou no Município.
do art. 535, § 7º, do CPC.
A dispensa do precatório na execução de pequeno valor
As hipóteses de cabimento de impugnação no
cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública O art. 100, § 3º, da Constituição Federal, com a redação
coincidem quase integralmente com as de cabimento da que lhe foi dada pela Emenda Constitucional n. 62, de 9
impugnação, no cumprimento de sentença em geral (art. de dezembro de 2009, criou a possibilidade de promover
525, § 1º). a execução contra a Fazenda Pública, sem a necessidade
de expedição de precatório. Trata-se das execuções de
O procedimento é o mesmo da impugnação em geral, obrigações definidas em leis como de pequeno valor. As
com a ressalva de que, como prazo de apresentação é de execuções contra a Fazenda Pública da União serão de
trinta dias, e não de quinze, o prazo para impugná-los pequeno valor se versarem sobre obrigações de até 60
será também de trinta dias. O juiz verificará a salários-mínimos, nos termos do art. 17, § 1º, da Lei n.
necessidade ou não de produção de provas, 10.259/2001. Já as execuções contra a Fazenda Estadual
determinando as que forem necessárias, ou promovendo e Municipal serão de pequeno valor conforme for
estabelecido em lei editada pelo próprio ente federado,
nos termos do art. 87 do Ato das Disposições devedor solvente em contra devedor insolvente se no
Transitórias. Enquanto não for editada tal lei, serão curso daquela verificar-se que o patrimônio do devedor é
consideradas tais as de valor até 40 salários-mínimos, insuficiente para fazer frente aos seus débitos.
para a Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, e até
30 salários-mínimos, para a Fazenda dos Municípios, Procedimento — as duas fases
permitindo o parágrafo único a renúncia, pelo credor, do
que exceder a esse montante, caso prefira promover a A execução por quantia contra devedor insolvente
execução independentemente do precatório. pressupõe sempre uma fase prévia, cuja finalidade é
obter a declaração de insolvência do devedor. Essa
Portanto, a execução de pequeno valor é a de até 60 primeira fase tem natureza cognitiva, e não executiva.
salários-mínimos, se contra a Fazenda da União, 40
salários-mínimos, contra a Fazenda dos Estados e do Há grande semelhança com o que ocorre nos processos
Distrito Federal, e 30 salários-mínimos, contra a Fazenda de falência: antes de iniciar-se a execução coletiva, há
Municipal, salvo, em relação às duas últimas, se já uma fase inicial de declaração da quebra.
houver lei do ente federado disciplinando a questão de
outro modo. A primeira fase, de cunho cognitivo, conclui-se com a
sentença que, se for de procedência, declarará a
Sendo a obrigação limitada a esses valores, o insolvência do devedor e permitirá o início da execução
procedimento não dependerá da expedição de coletiva.
precatório, bastando ao juiz que emita uma requisição de
pagamento — chamada requisição de pequeno valor Mas há uma diferença fundamental entre os requisitos
(RPV) — a ser cumprida pela Fazenda Pública no prazo de da falência da empresa e da declaração de insolvência
2 meses, sob pena de sequestro de bens (art. 17, caput, civil: a primeira será decretada, bastando que se prove a
da Lei n. 10.259/2001). Promovida a execução de impontualidade do devedor ou a prática de atos de
pequeno valor, a Fazenda será intimada para, em 30 dias, falência. De acordo com o art. 94 e incisos da Lei n.
opor impugnação. Não a opondo, ou sendo as alegações 11.101/2005, a quebra será decretada quando o devedor
rejeitadas, em vez de haver a expedição do precatório, não pagou dívida líquida, certa e exigível, de valor
será emitida pelo próprio juiz a requisição para superior a quarenta salários-mínimos, na data aprazada,
pagamento, dirigida à autoridade competente para ou praticou atos de falência. Não é relevante que o
realizá-lo, a ser cumprida em 2 meses. Sendo a execução passivo do devedor ultrapasse, ou não, o ativo. A quebra
de pequeno valor, ainda que não haja impugnação, serão será decretada mesmo que este supere aquele, desde
devidos honorários advocatícios, havendo, assim, uma que haja impontualidade ou atos falimentares.
exceção à regra do art. 1º-D da Lei n. 9.494/97, como
decidiu o STF no RE 420.816/PR. Já a insolvência civil pressupõe que, na fase cognitiva,
fique demonstrado que os débitos do devedor
ultrapassam o seu ativo.

Execução por quantia certa contra devedor insolvente Por isso, a primeira fase do procedimento é necessária
para que o credor procure fazer a demonstração do
O CPC atual não trata da execução por quantia contra estado de insolvência e para que o devedor tenha a
devedor insolvente. No entanto, o art. 1.052 estabelece oportunidade de fazer a prova contrária.
que, até a edição de lei específica, elas permanecem
reguladas pelo Livro II, Título IV, da Lei n. 5.869, de 11 de Nas hipóteses do art. 750 do CPC de 1973, a insolvência
janeiro de 1973. será presumida, mas a presunção é relativa (juris
tantum), cumprindo ao devedor afastá-la.
Os limites a que se propõe o presente curso justificam
que se examine esse tipo de execução de forma bastante A primeira fase — declaração de insolvência
resumida, com a finalidade única de dar uma breve
noção de seu funcionamento ao leitor. Requerida pelo credor

O que há nela de peculiar é não ser feita de modo Qualquer credor quirografário pode requerer a
individual, em benefício de um ou alguns credores, mas declaração de insolvência do devedor, esteja munido de
de forma coletiva, em proveito da universalidade deles. título executivo judicial ou extrajudicial. Mas é preciso
que seja quirografário. Ao preferencial não se reconhece
Decretada a insolvência do devedor, todo o seu interesse em postular a declaração de insolvência,
patrimônio servirá para o pagamento dos credores, porque, dada a natureza de seu crédito, ele tem
respeitadas as suas forças e as preferências de crédito. garantias de prioridade no recebimento. Mas ele pode
renunciar à preferência, se deseja formular o
O processo de execução contra devedor insolvente é requerimento.
autônomo e resulta de uma prévia declaração de
insolvência do devedor, requerida por um ou mais Ainda que o devedor esteja em estado de insolvência,
credores. Não é possível converter a execução contra qualquer credor, quirografário ou preferencial, pode
preferir tentar valer-se da execução por quantia certa contra ele promovidas que estejam em curso serão
contra devedor solvente, em vez de postular a remetidas ao juízo da insolvência.
declaração de insolvência, tal como qualquer credor de
devedor comerciante pode preferir, havendo As atribuições do administrador estão previstas nos arts.
impontualidade, promover a cobrança individual do 763 a 767 do CPC de 1973.
crédito, em vez de postular a decretação da quebra.
Na segunda fase, de execução coletiva propriamente
Tendo o credor requerido a insolvência, o juiz mandará dita, serão arrecadados os bens do devedor, verificados e
citar o devedor para, em dez dias, opor embargos. Como classificados os créditos, de acordo com a preferência.
essa primeira fase é de conhecimento, tem-se
reconhecido que, conquanto a lei se refira a “embargos”, Posteriormente, serão alienados judicialmente, e os
a defesa do devedor terá natureza de verdadeira credores serão pagos, observadas as respectivas
contestação, e não de ação autônoma, como a expressão prelações.
“embargos” poderia sugerir.

Na contestação, o devedor poderá valer-se das defesas TÍTULO II


do art. 475-L do CPC de 1973, se o título for judicial, ou DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA
do art. 745 do CPC de 1973, se extrajudicial, que sejam CAPÍTULO I
compatíveis com o pedido de declaração de insolvência. DISPOSIÇÕES GERAIS
Além disso, o devedor poderá alegar que não se encontra
em estado de insolvência, cabendo-lhe provar que tem Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo
bens suficientes. as regras deste Título, observando-se, no que couber e
conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II
O devedor poderá ilidir o pedido de insolvência, da Parte Especial deste Código.
depositando em juízo o valor do crédito, tal como ocorre
nos processos de falência. Isso não impedirá que o juiz § 1º O cumprimento da sentença que reconhece o dever
acolha os embargos e julgue improcedente a pretensão de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a
do autor; mas, se ele afastá-los e acolher o pedido inicial, requerimento do exequente.
não declarará a insolvência, mas autorizará o credor a
levantar o valor depositado. § 2º O devedor será intimado para cumprir a sentença:

Se houver necessidade, o juiz determinará as provas I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado
necessárias para formar a sua convicção, designando, se constituído nos autos;
for o caso, audiência de instrução e julgamento.
II - por carta com aviso de recebimento, quando
A primeira fase será concluída com sentença, no prazo de representado pela Defensoria Pública ou quando não
dez dias. Em caso de procedência, será declarada a tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a
insolvência do devedor, passando-se à segunda fase do hipótese do inciso IV;
processo.
Mesmo que o devedor tenha procurador constituído, haverá
Insolvência requerida pelo devedor ou seu espólio necessidade de intimá-lo por carta se o requerimento do credor
para início do cumprimento de sentença for feito após um ano
Tal como a falência, a insolvência também pode ser do trânsito em julgado da sentença.
declarada a pedido do devedor. Bastará que apresente
III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art.
uma petição dirigida ao juiz, indicando a relação dos
246, não tiver procurador constituído nos autos;
credores, de seus bens, acompanhada de um relatório de
seu estado patrimonial, com a indicação das causas que
IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver
determinaram a insolvência (CPC de 1973, art. 760).
sido revel na fase de conhecimento.
A declaração judicial de insolvência
Necessidade de prévia intimação do executado para que
passasse a fluir o prazo de 15 dias
Nos termos do art. 761 do CPC de 1973, a insolvência
será declarada por sentença na qual o juiz:
§ 3º Na hipótese do § 2º, incisos II e III, considera-se
■nomeará, dentre os maiores credores, um
realizada a intimação quando o devedor houver mudado
administrador da massa;
de endereço sem prévia comunicação ao juízo,
■ mandará expedir edital, convocando os credores para
observado o disposto no parágrafo único do art. 274.
que apresentem, no prazo de vinte dias, a declaração do
crédito, acompanhada do respectivo título.
§ 4º Se o requerimento a que alude o § 1º for formulado
após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a
Essa sentença provocará o vencimento antecipado de
intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de
todas as dívidas do devedor, e ao juízo da insolvência
carta com aviso de recebimento encaminhada ao
concorrerão todos os credores. As execuções individuais
endereço constante dos autos, observado o disposto COMPETÊNCIA
no parágrafo único do art. 274 e no § 3º deste artigo. Art. 516.  O cumprimento da sentença efetuar-se-á
perante:
§ 5º O cumprimento da sentença não poderá ser
promovido em face do fiador, do coobrigado ou do I - os tribunais, nas causas de sua competência originária;
corresponsável que não tiver participado da fase de comp. Funcional- absoluta
conhecimento.
II- o juízo que decidiu a c
Art. 514.  Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a ausa no primeiro grau de jurisdição; comp. Funcional –
absoluta
condição ou termo, o cumprimento da sentença
dependerá de demonstração de que se realizou a
condição ou de que ocorreu o termo. III - o juízo cível competente, quando se tratar de
sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de
sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo
Art. 515.  São títulos executivos judiciais, cujo
Tribunal Marítimo.
cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos Ver as regras gerais do art. 46 e ss. A competência será
previstos neste Título: absoluta ou relativa, conforme a regra aplicável a caso
concreto.
I - as decisões proferidas no processo civil que
reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar
O art. 516, III, alude ao “acórdão proferido pelo Tribunal
quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
Marítimo”, contudo, essa parte deve ser desconsiderada,
pois essa decisão não é título judicial em razão do veto
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
presidencial ao art. 515, X, do CPC.
III - a decisão homologatória de autocomposição
Parágrafo único.  Nas hipóteses dos incisos II e III, o
extrajudicial de qualquer natureza;
exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do
executado, pelo juízo do local onde se encontrem os
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em
bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde
relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores
deva ser executada a obrigação de fazer ou de não
a título singular ou universal;
fazer, casos em que a remessa dos autos do processo
será solicitada ao juízo de origem.
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas,
emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por
Flexibilização: a ação só pode ocorrer em um dos juízos
decisão judicial;
concorrentes previamente estabelecidos por lei,
escolhidos não por contrato ou eleição, mas por opção
VI - a sentença penal condenatória transitada em
do credor. O credor que optar por um dos juízos
julgado;
concorrentes deverá requerer o cumprimento da
sentença no juízo escolhido, que solicitará ao de origem a
remessa dos autos. O juízo escolhido receberá a petição
VII - a sentença arbitral;
desacompanhada dos autos do processo, cumprindo-lhe
verificar se é mesmo competente para o cumprimento da
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior
sentença. em caso afirmativo, fará a solicitação ao juízo
Tribunal de Justiça;
de origem, que os remeterá. Ao final, os autos serão
arquivados no juízo onde correi a execução. Se o juízo
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a
onde ocorreu o processo de conhecimento não quiser
concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior
remeter os autos, por entender que o solicitante não é
Tribunal de Justiça; cumprimento de sentença na 1ª
competente, deverá suscitar conflito de competência.
instancia JF
ATENÇÃO ao 528, §9°.
X - (VETADO).
*execução – competência – art.781
§ 1º Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado
no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a Protesto da decisão judicial transitada em julgado
liquidação no prazo de 15 (quinze) dias. Art. 517. A decisão judicial transitada em julgado poderá
ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de
§ 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto
estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que no art. 523. (15 dias)
não tenha sido deduzida em juízo.
§ 1º Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente
apresentar certidão de teor da decisão.

§ 2º A certidão de teor da decisão deverá ser fornecida


no prazo de 3 (três) dias e indicará o nome e a
qualificação do exequente e do executado, o número do CAPÍTULO II
processo, o valor da dívida e a data de decurso do prazo DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DA SENTENÇA QUE
para pagamento voluntário. RECONHECE A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR
QUANTIA CERTA
§ 3º O executado que tiver proposto ação rescisória para
impugnar a decisão exequenda pode requerer, a suas Decisão sujeita a recurso desprovido de efeito suspensivo
expensas e sob sua responsabilidade, a anotação da
propositura da ação à margem do título protestado. Art. 520.  O cumprimento provisório da sentença
impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo
§ 4º A requerimento do executado, o protesto será será realizado da mesma forma que o cumprimento
cancelado por determinação do juiz, mediante ofício a definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime:
ser expedido ao cartório, no prazo de 3 (três) dias,
contado da data de protocolo do requerimento, desde I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente,
que comprovada a satisfação integral da obrigação. que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os
danos que o executado haja sofrido;
Nem todo título executivo judicial pode ser protestado. É
preciso, primeiro, que se trate de decisão judicial, o que II - fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou
afasta, por exemplo, a possibilidade de protesto de anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as
sentença arbitral. Além disso, é preciso que a decisão partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais
tenha transitado em julgado. O art. 515, I, não exige, prejuízos nos mesmos autos;
para caracterização do título judicial, que a decisão
proferida no processo civil tenha transitado em julgado. III - se a sentença objeto de cumprimento provisório for
Mesmo sem o trânsito, já haverá título executivo judicial, modificada ou anulada apenas em parte, somente nesta
que permitirá a execução provisória, se não houver mais ficará sem efeito a execução;
recurso dotado de efeito suspensivo. Todavia, para o
protesto é indispensável o trânsito em julgado. Além IV - o levantamento de depósito em dinheiro e a prática
disso, como há expressa alusão ao prazo do art. 523, o de atos que importem transferência de posse ou
protesto ficará restrito às decisões que reconheçam a alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos
obrigação do pagamento de quantia líquida, certa e quais possa resultar grave dano ao executado,
exigível. dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de
plano pelo juiz e prestada nos próprios autos.
Para que o protesto se efetive, bastará ao exequente
apresentar certidão de teor da decisão, comprovando o *requerimento ou não do executado: juiz determinará de
trânsito em julgado e o transcurso do prazo do art. 523. ofício quando se apresentarem as situações de risco.
Tal certidão deverá ser fornecida pelo Ofício no prazo de
três dias e deverá indicar o nome e a qualificação do § 1º No cumprimento provisório da sentença, o
exequente e do executado, o número do processo, o executado poderá apresentar impugnação, se quiser, nos
valor da dívida e a data de decurso do prazo para termos do art. 525.
pagamento voluntário. Satisfeita integralmente a
obrigação, o executado poderá requerer ao juiz que, no § 2º A multa e os honorários a que se refere o § 1o do art.
prazo de três dias, expeça ofício ao tabelionato, 523 são devidos no cumprimento provisório de sentença
determinando o cancelamento do protesto. Caso, ainda, condenatória ao pagamento de quantia certa.
o executado tenha ingressado com ação rescisória da
decisão, ele pode pedir a anotação da propositura da § 3º Se o executado comparecer tempestivamente e
ação à margem do título protestado. depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da
multa, o ato não será havido como incompatível com o
Art. 518. Todas as questões relativas à validade do recurso por ele interposto.
procedimento de cumprimento da sentença e dos atos
executivos subsequentes poderão ser arguidas pelo § 4º A restituição ao estado anterior a que se refere o
executado nos próprios autos e nestes serão decididas inciso II não implica o desfazimento da transferência de
pelo juiz. Defesa = impugnação posse ou da alienação de propriedade ou de outro direito
real eventualmente já realizada, ressalvado, sempre, o
Art. 519.  Aplicam-se as disposições relativas ao direito à reparação dos prejuízos causados ao executado.
cumprimento da sentença, provisório ou definitivo, e à
liquidação, no que couber, às decisões que concederem § 5º Ao cumprimento provisório de sentença que
tutela provisória. reconheça obrigação de fazer, de não fazer ou de dar
coisa aplica-se, no que couber, o disposto neste Capítulo.

Art. 521. A caução prevista no inciso IV do art.


520 poderá ser dispensada nos casos em que:
I - o crédito for de natureza alimentar, Mas naquilo que não for incompatível, aplicam-se as regras do
independentemente de sua origem; Livro II da Parte Especial do CPC, como, por exemplo, as
relativas à penhora e avaliação.
II - o credor demonstrar situação de necessidade;
O prazo previsto no art. 523, caput, do Código de
III – pender o agravo do art. 1.042;  Processo Civil, para o cumprimento voluntário da
Agravo em recurso especial ou extraordinário, que cabe quando obrigação, possui natureza processual, devendo ser
o Presidente ou Vice do Tribunal de origem indeferir o RE ou R. contado em dias úteis. STJ. 3ª Turma. REsp 1.708.348-RJ,
Extraordinário, em juízo prévio de admissibilidade. Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/06/2019
(Info 652).
IV - a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver
em consonância com súmula da jurisprudência do No mesmo sentido, ou seja, de que se trata de prazo
Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de processual, veja: O prazo comum para cumprimento
Justiça ou em conformidade com acórdão proferido no voluntário de sentença deverá ser computado em dobro
julgamento de casos repetitivos. no caso de litisconsortes com procuradores distintos, em
autos físicos. STJ. 4ª Turma. REsp 1.693.784-DF, Rel. Min.
O termo “sentença” neste inciso não pode ser Luis Felipe Salomão, julgado em 28/11/2017 (Info 619).
interpretado restritivamente, porque cumprimento de
sentença no novo CPC é cumprimento de decisão § 1o Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo
judicial. do caput, o débito será acrescido de multa de 10% (dez
por cento) e, também, de honorários de advogado de
Parágrafo único.  A exigência de caução será mantida 10% (dez por cento).
quando da dispensa possa resultar manifesto risco de
grave dano de difícil ou incerta reparação. 520, § 2º A multa e os honorários a que se refere o §
1o  do art. 523 são devidos no cumprimento provisório de
Art. 522.  O cumprimento provisório da sentença será sentença condenatória ao pagamento de quantia certa.
requerido por petição dirigida ao juízo competente.
§ 3º Se o executado comparecer tempestivamente e
Parágrafo único.  Não sendo eletrônicos os autos, a depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da
petição será acompanhada de cópias das seguintes peças multa, o ato não será havido como incompatível com o
do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada recurso por ele interposto.
pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade
pessoal: No cumprimento de sentença, serão devidos novos
honorários advocatícios, relacionados a essa fase, que
I - decisão exequenda; não se confundem com os fixados na sentença
condenatória. A matéria já era objeto da Súmula 517 do
STJ: “São devidos honorários advocatícios no
II - certidão de interposição do recurso não dotado de cumprimento de sentença, haja ou não impugnação,
efeito suspensivo; depois de escoado o prazo para pagamento voluntário,
que se inicia após a intimação do advogado da parte
III - procurações outorgadas pelas partes; executada”. O art. 523, § 1º, estabelece que, iniciado o
cumprimento de sentença, o débito será acrescido de
IV - decisão de habilitação, se for o caso; honorários advocatícios de 10%. Diante da determinação
legal, os honorários da fase executiva nem sequer
V - facultativamente, outras peças processuais precisam ser fixados pelo juiz, devendo o exequente já
consideradas necessárias para demonstrar a existência acrescentá-los ao cálculo do débito. Esses honorários
do crédito. serão devidos, no mesmo montante, ainda que se trate
de cumprimento provisório da sentença (art. 520, § 2º).

CAPÍTULO III Na impugnação, porém, só serão cabíveis honorários


DO CUMPRIMENTO DEFINITIVO DA SENTENÇA QUE advocatícios em caso de acolhimento desta, com
RECONHECE A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR extinção da execução, conforme Súmula 519 do Superior
QUANTIA CERTA Tribunal de Justiça.

Procedimento: § 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto


Art. 523.  No caso de condenação em quantia certa, ou já no caput, a multa e os honorários previstos no §
fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela 1o incidirão sobre o restante.
incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença
far-se-á a requerimento do exequente, sendo o § 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento
executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 voluntário, será expedido, desde logo, mandado de
(quinze) dias, acrescido de custas, se houver. penhora e avaliação, seguindo-se os atos de
expropriação.
§ 3º Quando a elaboração do demonstrativo depender
O cumprimento de sentença condenatória em quantia de dados em poder de terceiros ou do executado, o juiz
certa se inicia com a expedição de mandado de penhora poderá requisitá-los, sob cominação do crime de
e avaliação. Não há distinção entre tais atos na execução desobediência.
por título judicial ou extrajudicial. Aplicam-se, pois, as
regras do Livro II da Parte Especial do CPC, examinadas § 4º Quando a complementação do demonstrativo
no capítulo anterior. Também se aplicam as mesmas depender de dados adicionais em poder do executado, o
regras já examinadas na execução por título extrajudicial juiz poderá, a requerimento do exequente, requisitá-los,
à intimação da penhora. fixando prazo de até 30 (trinta) dias para o cumprimento
da diligência.
A base de cálculo sobre a qual incidem os honorários
advocatícios devidos em cumprimento de sentença é o § 5º Se os dados adicionais a que se refere o § 4º não
valor da dívida (quantia fixada em sentença ou na forem apresentados pelo executado, sem justificativa, no
liquidação), acrescido das custas processuais, se houver, prazo designado, reputar-se-ão corretos os cálculos
sem a inclusão da multa de 10% pelo descumprimento da apresentados pelo exequente apenas com base nos
obrigação dentro do prazo legal (art. 523, § 1º, do dados de que dispõe.
CPC/2015).
A multa de 10% prevista no art. 523, § 1º, do CPC/2015 Defesa do executado em juízo
NÃO entra no cálculo dos honorários advocatícios. Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o
A multa de 10% do art. 523, § 1º, do CPC/2015 não pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze)
integra a base de cálculo dos honorários advocatícios. Os dias para que o executado, independentemente de
10% dos honorários advocatícios deverão incidir apenas penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios
sobre o valor do débito principal. STJ. 3ª Turma. REsp autos, sua impugnação.
1757033-DF, Rel. Min. Ricardo Villas BôasCueva, julgado
em 09/10/2018 (Info 636). § 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:

Art. 524.  O requerimento previsto no art. 523 será I - falta ou nulidade da citação se, na fase de
instruído com demonstrativo discriminado e atualizado conhecimento, o processo correu à revelia;
do crédito, devendo a petição conter:
II - ilegitimidade de parte;
I - o nome completo, o número de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da
Jurídica do exequente e do executado, observado o obrigação;
disposto no art. 319, §§ 1o a 3o;
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea;
II - o índice de correção monetária adotado;
V - excesso de execução ou cumulação indevida de
III - os juros aplicados e as respectivas taxas; execuções;

VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da


IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção execução;
monetária utilizados;
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da
V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o obrigação, como pagamento, novação, compensação,
caso; transação ou prescrição, desde que supervenientes à
sentença.
VI - especificação dos eventuais descontos obrigatórios
realizados; § 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará
VII - indicação dos bens passíveis de penhora, sempre o disposto nos arts. 146 e 148.
que possível.
§ 3º Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229.
§ 1º Quando o valor apontado no demonstrativo
aparentemente exceder os limites da condenação, a § 4º Quando o executado alegar que o exequente, em
execução será iniciada pelo valor pretendido, mas a excesso de execução, pleiteia quantia superior à
penhora terá por base a importância que o juiz entender resultante da sentença, cumprir-lhe-á declarar de
adequada. imediato o valor que entende correto, apresentando
demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo.
§ 2º Para a verificação dos cálculos, o juiz poderá valer-se
de contabilista do juízo, que terá o prazo máximo de 30 § 5º Na hipótese do § 4 o, não apontado o valor correto
(trinta) dias para efetuá-la, exceto se outro lhe for ou não apresentado o demonstrativo, a impugnação será
determinado. liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o
seu único fundamento, ou, se houver outro, a
impugnação será processada, mas o juiz não examinará a Se ela for anterior ao trânsito julgado, eu alego em
alegação de excesso de execução. impugnação.

§ 6º A apresentação de impugnação não impede a § 15.  Se a decisão referida no § 12 for proferida após o
prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação
podendo o juiz, a requerimento do executado e desde rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em
que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal
suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus Federal.
fundamentos forem relevantes e se o prosseguimento da
execução for manifestamente suscetível de causar ao Art. 526.  É lícito ao réu, antes de ser intimado para o
executado grave dano de difícil ou incerta reparação. cumprimento da sentença, comparecer em juízo e
oferecer em pagamento o valor que entender devido,
§ 7º A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § apresentando memória discriminada do cálculo.
6º não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de
reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos § 1º O autor será ouvido no prazo de 5 (cinco) dias,
bens. podendo impugnar o valor depositado, sem prejuízo do
levantamento do depósito a título de parcela
§ 8º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação incontroversa.
disser respeito apenas a parte do objeto da execução,
esta prosseguirá quanto à parte restante. § 2º Concluindo o juiz pela insuficiência do depósito,
sobre a diferença incidirão multa de 10% (dez por cento)
e honorários advocatícios, também fixados em 10% (dez
§ 9º A concessão de efeito suspensivo à impugnação por cento), seguindo-se a execução com penhora e atos
deduzida por um dos executados não suspenderá a subsequentes.
execução contra os que não impugnaram, quando o
respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao § 3º Se o autor não se opuser, o juiz declarará satisfeita a
impugnante. obrigação e extinguirá o processo.

§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à Art. 527.  Aplicam-se as disposições deste Capítulo ao
impugnação, é lícito ao exequente requerer o cumprimento provisório da sentença, no que c
prosseguimento da execução, oferecendo e prestando,
nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser CAPÍTULO IV
arbitrada pelo juiz. DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A
EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS
§ 11.  As questões relativas a fato superveniente ao É outra forma de cumprimento especial de sentença,
término do prazo para apresentação da impugnação, prevista no CPC. Existem três formas de promovê-la: a
assim como aquelas relativas à validade e à adequação convencional, prevista no art. 528, § 8º, do CPC; a
da penhora, da avaliação e dos atos executivos especial, prevista no art. 528, caput e §§ 1º a 7º; e a por
subsequentes, podem ser arguidas por simples petição, desconto em folha, prevista no art. 529.
tendo o executado, em qualquer dos casos, o prazo de 15
(quinze) dias para formular esta arguição, contado da A convencional é a que se processa como cumprimento
comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. de sentença condenatória em quantia certa, observado o
procedimento estabelecido pelo art. 523 e ss. A especial
§ 12.  Para efeito do disposto no inciso III do § 1 o deste é aquela na qual o devedor será intimado pessoalmente
artigo, considera-se também inexigível a obrigação para pagar em três dias, comprovar que já o fez ou
reconhecida em título executivo judicial fundado em lei provar a impossibilidade de fazê-lo, sob pena de ser
ou ato normativo considerado inconstitucional pelo decretada a sua prisão civil. E a por desconto é aquela
Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou em que o devedor, funcionário público, militar, diretor
interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo ou gerente de empresa, ou empregado, terá a prestação
Supremo Tribunal Federal como incompatível com alimentícia descontada de sua folha de pagamento.
a Constituição Federal, em controle de
constitucionalidade concentrado ou difuso. Execução de alimentos pelo procedimento tradicional

§ 13.  No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo O credor de alimentos pode sempre preferir a execução
Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em pelo método tradicional, com a penhora e expropriação
atenção à segurança jurídica. de bens. Às vezes, em razão da relação de parentesco ou
decorrente de casamento ou união estável, ele quer
§ 14.  A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no receber, mas não quer que o devedor corra o risco de ser
§ 12 deve ser anterior ao trânsito em julgado da decisão preso. Bastará então que proponha a execução na forma
exequenda. convencional.
Como a Súmula 309 do Superior Tribunal de Justiça e o Feita a intimação pessoal do devedor, ele terá o prazo de
art. 528, § 7º, do CPC só permitem a execução especial três dias para tomar uma entre três condutas possíveis.
do art. 528, caput, para os débitos que compreendam as Poderá:
três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e
as que se vencerem no curso do processo, se o ■pagar, caso em que o cumprimento de sentença será
exequente pretende prestações anteriores só poderá extinto;
valer-se do procedimento convencional. A prestação de ■provar que já pagou, caso em que também haverá
alimentos prescreve atualmente em dois anos (art. 206, § extinção;
2º, do CC). ■ justificar a impossibilidade de efetuar o pagamento. Se
for essa a escolha, o juiz terá de dar ao executado
Execução especial de alimentos oportunidade de fazer prova do alegado, instituindo uma
espécie de pequena instrução no bojo da execução, com
É a que vem regulada no art. 528 do CPC, cujo caput a possibilidade até de designar audiência de instrução e
aduz: “No cumprimento de sentença que condene ao julgamento. A comprovação da impossibilidade do
pagamento de prestação alimentícia ou de decisão executado servirá apenas para afastar a prisão. Mas o
interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento devedor não ficará isento do pagamento das prestações,
do exequente, mandará intimar pessoalmente o devedor que poderão ser executadas na forma convencional, com
para, em três dias, pagar o débito, provar que o fez ou penhora de bens. Ainda que comprovada a
justificar a impossibilidade de efetuá-lo”. impossibilidade, o juiz da execução não poderá reduzir o
valor das prestações futuras, o que só poderá ser
O credor não poderá valer-se da execução especial para determinado em ação revisional de alimentos.
exigir todo o crédito de alimentos, mas apenas os três
últimos, vencidos antes do ajuizamento da execução, e Se o devedor, no prazo de três dias, não fizer nem uma
os que se forem vencendo no seu curso. É o que dispõe o coisa nem outra, isto é, não pagar, provar que pagou ou
art. 528, § 7º, e a Súmula 309 do STJ. As anteriores terão comprovar a impossibilidade de pagamento, o juiz, além
de ser cobradas por execução convencional, respeitado o de mandar protestar o pronunciamento judicial,
prazo prescricional de dois anos, a contar dos respectivos decretar-lhe-á a prisão civil.
vencimentos.
Prisão civil do devedor de alimentos
O que há de mais característico nesse tipo de execução
especial é a possibilidade de prisão civil do executado, Desde que o Supremo Tribunal Federal afastou a prisão
caso no prazo de três dias não tome uma das civil do depositário infiel, a do devedor de alimentos
providências a que se refere o caput do art. 528. Por essa tornou-se a única hipótese de prisão por dívida (CF, art.
razão é que a sua intimação deve ser pessoal, não 5º, LXVII). Ela não constitui pena, mas meio de coerção.
podendo ser feita na pessoa do advogado constituído, Tanto que, feito o pagamento, o devedor será
como no cumprimento de sentença em geral. imediatamente posto em liberdade.

A execução especial pode ser utilizada tanto em relação a A prisão civil não pode ser decretada de ofício, mas
alimentos fixados em cognição sumária, provisórios ou depende do requerimento do credor; por razões
provisionais, como definitivos, fixados por sentença, mas pessoais, e dadas as ligações que mantém ou manteve
desde que decorrentes do direito de família, isto é, de com o devedor, ele pode não desejar que ela seja
parentesco, casamento ou união estável. As ações em decretada. Há controvérsias quanto à possibilidade de o
que se pede a condenação do réu ao pagamento de Ministério Público a requerer, nos casos em que
prestação alimentícia podem ter procedimento especial intervenha. Parece-nos que, pela mesma razão, não se
ou comum. Terão procedimento especial, quando há justifica que o faça, cabendo tão somente ao exequente
prova pré-constituída da obrigação alimentar. Se houver a iniciativa.
prova de parentesco, união estável ou casamento, terão
rito especial, no qual é admissível a concessão de liminar A prisão pode ser decretada tanto na execução especial
de alimentos provisórios. Quando não houver prova pré- de alimentos definitivos como provisórios ou
constituída, como, por exemplo, na ação de alimentos provisionais.
proposta contra aquele que não reconheceu a
paternidade do autor, correrá pelo procedimento O CPC prevê que o prazo dela é de um a três meses (CPC,
comum, sem alimentos provisórios. Os alimentos de art. 528, § 1º). Mas o CPC anterior fixava o mesmo prazo,
caráter indenizatório, que decorrem de ato ilícito, e ainda assim prevalecia o entendimento de que deveria
quando o réu é condenado a pagar pensão à vítima ou a valer o prazo estabelecido na Lei de Alimentos, de até
seus herdeiros, em caso de incapacidade ou morte, são sessenta dias (art. 19, da Lei n. 5.478/68). Embora o CPC
executados na forma convencional, sem possibilidade de de 1973 e o atual sejam posteriores, a Lei de Alimentos é
prisão do devedor. especial e deve prevalecer sobre a geral. Nesse sentido:
“É ilegal a prisão do devedor de pensão alimentícia por
Procedimento prazo superior ao previsto na Lei de Alimentos (60 dias),
pois esta, em face do princípio da especialidade das
normas, prevalece sobre o prazo prisional previsto no mesmo título judicial dê ensejo às duas formas de
Código de Processo Civil” (RT 854/345). cumprimento de sentença: a especial, para cobrança das
prestações mais recentes, e a comum, para cobrança das
A prisão deverá ser cumprida em regime fechado, mas o mais antigas. Assim, o executado será intimado para
preso ficará separado dos presos comuns. pagar as primeiras, provar que as pagou ou justificar a
impossibilidade, em três dias, sob pena de prisão, e
O § 5º do art. 528 esclarece que “o cumprimento da também será intimado para pagar o débito mais antigo,
pena não exime o executado do pagamento das no prazo de 15 dias, sob pena de multa e penhora de
prestações vencidas e vincendas”, que poderão ser bens, não havendo nenhuma incompatibilidade
cobradas na forma convencional, com penhora de bens.
Mas o devedor não pode ser preso mais de uma vez, Art. 528.  No cumprimento de sentença que condene ao
pelas mesmas prestações. Ele poderá ser preso pagamento de prestação alimentícia ou de decisão
novamente se não efetuar o pagamento das novas, que interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento
se forem vencendo. do exequente, mandará intimar o executado
pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito,
O CPC atual afasta qualquer dúvida sobre a possibilidade provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-
da prisão civil quando a execução de alimentos estiver lo.
fundada em título extrajudicial, estabelecendo que o art.
528, §§ 2º a 7º, aplica-se também a ela (art. 911, § 1º Caso o executado, no prazo referido no caput, não
parágrafo único, do CPC). efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não
apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o
O desconto em folha juiz mandará protestar o pronunciamento judicial,
aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.
Foi previsto no art. 529 do CPC: “Quando o executado for
funcionário público, militar, diretor ou gerente de § 2o Somente a comprovação de fato que gere a
empresa, ou empregado sujeito à legislação do trabalho, impossibilidade absoluta de pagar justificará o
o exequente poderá requerer o desconto em folha de inadimplemento.
pagamento da importância da prestação alimentícia”.
§ 3o Se o executado não pagar ou se a justificativa
A comunicação será feita por ofício a empresa ou apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar
empregador. Do ofício, constarão os nomes do credor, protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1 o,
do devedor, a importância e o tempo de duração da decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três)
prestação. meses.

Esse é o meio mais eficiente de executar a prestação § 4o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo
alimentícia, embora só seja possível quando o devedor o preso ficar separado dos presos comuns.
tem emprego fixo.
§ 5o O cumprimento da pena não exime o executado do
Possibilidade de cumulação de execuções com pagamento das prestações vencidas e vincendas.
procedimento especial e convencional

É comum que o exequente postule, no mesmo processo, § 6o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o
a execução de parcelas mais recentes, pelo cumprimento da ordem de prisão.
procedimento especial, e de parcelas mais antigas, pelo
procedimento convencional. § 7o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do
alimentante é o que compreende até as 3 (três)
O procedimento do art. 528, caput, é diferente do prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as
cumprimento de sentença do art. 528, § 8º. No primeiro, que se vencerem no curso do processo.
o devedor é intimado a pagar em três dias, provar que o
fez, ou justificar a impossibilidade de fazê-lo, sob pena de § 8o O exequente pode optar por promover o
prisão. No segundo, o devedor é intimado para pagar em cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos
15 dias, sob pena de multa e penhora. Por conta disso, termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso
pende enorme controvérsia doutrinária e jurisprudencial em que não será admissível a prisão do executado, e,
a respeito da viabilidade de cumulação das duas recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito
pretensões executivas. Em edições anteriores, sustentou- suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente
se que ela era inviável. Mas uma reflexão mais levante mensalmente a importância da prestação.
aprofundada a respeito leva à conclusão oposta. O
credor de alimentos não pode ficar prejudicado por § 9o Além das opções previstas no art. 516, parágrafo
questões de natureza processual se ele tem a receber único, o exequente pode promover o cumprimento da
valores mais recentes, que podem ser cobrados pela sentença ou decisão que condena ao pagamento de
forma especial, e mais antigos, que só podem ser prestação alimentícia no juízo de seu domicílio.
exigidos pela forma convencional. Nada obsta a que o
Na execução de alimentos pelo rito do art. 733 do § 2o O cumprimento definitivo da obrigação de prestar
CPC/1973 (art. 528 do CPC/2015), o executado é alimentos será processado nos mesmos autos em que
intimado pessoalmente para, em 3 dias: a) pagar o tenha sido proferida a sentença.
débito; b) provar que o fez (provar que já pagou a
dívida); ou c) justificar a impossibilidade de efetuá-lo Art. 532.  Verificada a conduta procrastinatória do
(provar que não tem condições de pagar). É possível que executado, o juiz deverá, se for o caso, dar ciência ao
o devedor justifique a impossibilidade de pagar por meio Ministério Público dos indícios da prática do crime de
de testemunhas? SIM. Em tese, é possível que isso seja abandono material.
feito por meio de prova testemunhal. Neste caso, as
testemunhas terão que ser ouvidas obrigatoriamente no Art. 533.  Quando a indenização por ato ilícito incluir
prazo de 3 dias. Na execução de alimentos pelo rito do prestação de alimentos, caberá ao executado, a
art. 733 do CPC/1973 (art. 528 do CPC/2015), o requerimento do exequente, constituir capital cuja renda
executado pode comprovar a impossibilidade de assegure o pagamento do valor mensal da pensão.
pagamento por meio de prova testemunhal, desde que a
oitiva ocorra no tríduo previsto para a justificação. STJ. 3ª § 1o O capital a que se refere o caput, representado por
Turma. REsp 1.601.338-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas imóveis ou por direitos reais sobre imóveis suscetíveis de
Cueva, Rel. para acórdão Min. Nancy Andrighi, julgado alienação, títulos da dívida pública ou aplicações
em 13/12/2016 (Info 599). financeiras em banco oficial, será inalienável e
impenhorável enquanto durar a obrigação do executado,
Art. 529.  Quando o executado for funcionário público, além de constituir-se em patrimônio de afetação.
militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado
sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá § 2o O juiz poderá substituir a constituição do capital pela
requerer o desconto em folha de pagamento da inclusão do exequente em folha de pagamento de pessoa
importância da prestação alimentícia. jurídica de notória capacidade econômica ou, a
requerimento do executado, por fiança bancária ou
§ 1o Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à garantia real, em valor a ser arbitrado de imediato pelo
empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de juiz.
crime de desobediência, o desconto a partir da primeira
remuneração posterior do executado, a contar do § 3o Se sobrevier modificação nas condições econômicas,
protocolo do ofício. poderá a parte requerer, conforme as circunstâncias,
redução ou aumento da prestação.
§ 2o O ofício conterá o nome e o número de inscrição no
Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do § 4o A prestação alimentícia poderá ser fixada tomando
executado, a importância a ser descontada por base o salário-mínimo.
mensalmente, o tempo de sua duração e a conta na qual
deve ser feito o depósito. § 5o Finda a obrigação de prestar alimentos, o juiz
mandará liberar o capital, cessar o desconto em folha ou
§ 3o Sem prejuízo do pagamento dos alimentos cancelar as garantias prestadas.
vincendos, o débito objeto de execução pode ser
descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de
forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, CAPÍTULO V
contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A
50% (cinquenta por cento) de seus ganhos líquidos. EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA
CERTA PELA FAZENDA PÚBLICA
É admissível o uso da técnica executiva de desconto em
folha de dívida de natureza alimentar ainda que haja Art. 534.  No cumprimento de sentença que impuser à
anterior penhora de bens do devedor. STJ. 3ª Turma. Fazenda Pública o dever de pagar quantia certa, o
REsp 1.733.697-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em exequente apresentará demonstrativo discriminado e
11/12/2018 (Info 640). atualizado do crédito contendo:

Art. 530.  Não cumprida a obrigação, observar-se-á o I - o nome completo e o número de inscrição no Cadastro
disposto nos arts. 831 e seguintes. de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica do exequente;
Art. 531.  O disposto neste Capítulo aplica-se aos II - o índice de correção monetária adotado;
alimentos definitivos ou provisórios. III - os juros aplicados e as respectivas taxas;
IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção
§ 1o A execução dos alimentos provisórios, bem como a monetária utilizados;
dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o
em julgado, se processa em autos apartados. caso;
VI - a especificação dos eventuais descontos obrigatórios
realizados.
§ 1o Havendo pluralidade de exequentes, cada um deverá reconhecida em título executivo judicial fundado em lei
apresentar o seu próprio demonstrativo, aplicando-se à ou ato normativo considerado inconstitucional pelo
hipótese, se for o caso, o disposto nos §§ 1o e 2o do art. Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou
113. interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo
Supremo Tribunal Federal como incompatível com
§ 2o A multa prevista no § 1o do art. 523 não se aplica à a Constituição Federal, em controle de
Fazenda Pública. constitucionalidade concentrado ou difuso.

Art. 523, § 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no § 6o No caso do § 5o, os efeitos da decisão do Supremo
prazo do caput, o débito será acrescido de multa de 10% Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, de
(dez por cento) e, também, de honorários de advogado modo a favorecer a segurança jurídica.
de 10% (dez por cento).
§ 7º A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no §
Art. 535.  A Fazenda Pública será intimada na pessoa de 5º deve ter sido proferida antes do trânsito em julgado
seu representante judicial, por carga, remessa ou meio da decisão exequenda.
eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e
nos próprios autos, impugnar a execução, podendo § 8º Se a decisão referida no § 5º for proferida após o
arguir: trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação
rescisória, cujo prazo será contado do trânsito em
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal
conhecimento, o processo correu à revelia; Federal.
II - ilegitimidade de parte;
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da
obrigação;
IV - excesso de execução ou cumulação indevida de
CAPÍTULO VI
execuções;
DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A
V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da
EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, DE NÃO FAZER
execução;
OU DE ENTREGAR COISA
VI - qualquer causa modificativa ou extintiva da
Seção I
obrigação, como pagamento, novação, compensação,
Do Cumprimento de Sentença que Reconheça a
transação ou prescrição, desde que supervenientes ao
Exigibilidade de Obrigação de Fazer ou de Não Fazer
trânsito em julgado da sentença.
Art. 536.  No cumprimento de sentença que reconheça a
§ 1º A alegação de impedimento ou suspeição observará
exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz
o disposto nos arts. 146 e 148.
poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação
da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo
§ 2º Quando se alegar que o exequente, em excesso de
resultado prático equivalente, determinar as medidas
execução, pleiteia quantia superior à resultante do título,
necessárias à satisfação do exequente.
cumprirá à executada declarar de imediato o valor que
entende correto, sob pena de não conhecimento da
arguição. § 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá
determinar, entre outras medidas, a imposição de multa,
§ 3º Não impugnada a execução ou rejeitadas as a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o
arguições da executada: desfazimento de obras e o impedimento de atividade
nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de
I - expedir-se-á, por intermédio do presidente do tribunal força policial.
competente, precatório em favor do exequente,
observando-se o disposto na Constituição Federal; § 2º O mandado de busca e apreensão de pessoas e
coisas será cumprido por 2 (dois) oficiais de justiça,
II - por ordem do juiz, dirigida à autoridade na pessoa de observando-se o disposto no art. 846, §§ 1o a 4o, se houver
quem o ente público foi citado para o processo, o necessidade de arrombamento.
pagamento de obrigação de pequeno valor será realizado
no prazo de 2 (dois) meses contado da entrega da § 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé
requisição, mediante depósito na agência de banco quando injustificadamente descumprir a ordem judicial,
oficial mais próxima da residência do exequente. sem prejuízo de sua responsabilização por crime de
desobediência.
§ 4º Tratando-se de impugnação parcial, a parte não
questionada pela executada será, desde logo, objeto de § 4º No cumprimento de sentença que reconheça a
cumprimento. exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer,
aplica-se o art. 525, no que couber.
§ 5º Para efeito do disposto no inciso III do caput deste
artigo, considera-se também inexigível a obrigação
§ 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao § 1º A existência de benfeitorias deve ser alegada na fase
cumprimento de sentença que reconheça deveres de de conhecimento, em contestação, de forma
fazer e de não fazer de natureza não obrigacional. discriminada e com atribuição, sempre que possível e
justificadamente, do respectivo valor.
Astreintes
Art. 537.  A multa independe de requerimento da parte e § 2º O direito de retenção por benfeitorias deve ser
poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela exercido na contestação, na fase de conhecimento.
provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde
que seja suficiente e compatível com a obrigação e que § 3º Aplicam-se ao procedimento previsto neste artigo,
se determine prazo razoável para cumprimento do no que couber, as disposições sobre o cumprimento de
preceito. obrigação de fazer ou de não fazer.

§ 1o O juiz poderá, de ofício ou a requerimento,


modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda
ou excluí-la, caso verifique que:

I - se tornou insuficiente ou excessiva;

II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial


superveniente da obrigação ou justa causa para o
descumprimento.

§ 2o O valor da multa será devido ao exequente.

§ 3º A decisão que fixa a multa é passível de


cumprimento provisório, devendo ser depositada em
juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito
em julgado da sentença favorável à parte.

§ 4o A multa será devida desde o dia em que se


configurar o descumprimento da decisão e incidirá
enquanto não for cumprida a decisão que a tiver
cominado.

§ 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao


cumprimento de sentença que reconheça deveres de
fazer e de não fazer de natureza não obrigacional.

É necessária a prévia intimação pessoal do devedor para


a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação
de fazer ou não fazer antes e após a edição das Leis nº
11.232/2005 e 11.382/2006, nos termos da Súmula n.
410 do STJ.
Súmula 410-STJ: A prévia intimação pessoal do devedor
constitui condição necessária para a cobrança de multa
pelo descumprimento da obrigação de fazer ou não
fazer. STJ. Corte Especial. EREsp 1.360.577-MG, Rel. Min.
Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 19/12/2018 (Info 643).

Seção II
Do Cumprimento de Sentença que Reconheça a
Exigibilidade de Obrigação de Entregar Coisa

Art. 538. Não cumprida a obrigação de entregar coisa no


prazo estabelecido na sentença, será expedido mandado
de busca e apreensão ou de imissão na posse em favor
do credor, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel.

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