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O que é Alzheimer?

.A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se caracteriza


por perda progressiva de funções cognitivas, as quais se associam a
alterações do comportamento e incapacidade funcional.

Os sintomas cognitivos mais frequentes da doença de Alzheimer incluem a


perda de memória, dificuldade em planear ou resolver problemas, dificuldade
em compreender imagens visuais e relações espaciais, e dificuldade em
executar tarefas familiares.

A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema


nervoso central começa a dar errado.

Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos


neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa
toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do
cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral,
essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de
estímulos sensoriais e pensamento abstrato. Por mais que a grande maioria
dos pacientes desenvolva sintomas clínicos quando idosos, aproximadamente
6% dos acometidos mostram início precoce desse tipo de demência.
Causas da doença de Alzheimer

A fisiopatologia na doença de
Alzheimer implica a acumulação de
proteínas no cérebro que se
designam de proteínas amiloide e
tau.

Apesar da idade ser o principal fator


de risco para o desenvolvimento da
doença de Alzheimer, considera-se
que existem outros fatores implicados.

Outros fatores de risco que contribuem para o desenvolvimento da doença de


Alzheimer são: fatores de risco vasculares, presença de um ou mais alelos E4
do gene da apolipoproteina (APOE4), baixa escolaridade, história familiar para
doença de Alzheimer, traumatismos crânio-encefálicos moderados ou severos
e distúrbios do sono (insonia e síndrome de apneia obstrutiva do sono).

Em relação à genética o fator de risco mais poderoso é o genótipo APOE, mais


especificamente o alelo E4. No entanto, a sua utilização não está recomendada
na prática clínica diária, uma vez que representa um fator de risco e não possui
valor determinístico.

Quando se avalia um doente com doença de Alzheimer, especialmente se têm


início precoce (antes dos 65 anos) há sempre a preocupação de corresponder
a uma forma familiar. No entanto, a grande maioria destes doentes terá uma
forma esporádica da doença. Apesar de já terem sido identificadas mutações
com hereditariedade autossómica dominante em 3 genes, estas representam
apenas 0,6% do total dos doentes com doença de Alzheimer.
Estágio (fases) da doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer costuma evoluir para vários estágios de forma lenta e
inexorável, ou seja, não há o que possa ser feito para barrar o avanço da
doença. A partir do diagnóstico, a sobrevida média das pessoas acometidas
por Alzheimer oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido
em quatro estágios:

• Estágio 1 (forma inicial): alterações na memória, na personalidade e nas


habilidades visuais e espaciais.

• Estágio 2 (forma moderada): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e


coordenar movimentos. Agitação e insônia.

• Estágio 3 (forma grave): resistência à execução de tarefas diárias.


Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora
progressiva.

• Estágio 4 (terminal): restrição ao leito. Mutismo. Dor à deglutição. Infecções


intercorrentes.
Sinais e sintomas na doença de Alzheimer
O reconhecimento dos sinais e sintomas de apresentação da doença de
Alzheimer são fundamentais para o diagnóstico e tratamento dos doentes.

Os sinais e sintomas podem subdividir-se em sintomas cognitivos, sintomas


neuropsiquiátricos e achados ao exame neurológico.

1. Sintomas cognitivos
A perda de memória é o sintoma cognitivo mais característico da doença de
Alzheimer. No entanto, há outos sintomas cognitivos que também podem ser
precoces e restritivos, como problemas de linguagem, apatia, alteração de
personalidade ou dificuldade em planear e resolver problemas.

Nos estádios iniciais da doença a memória recente episódica é a mais


comprometida, enquanto a memória do passado está relativamente
preservada. À medida que a doença progride todos os aspetos da memória
episódica são comprometidos. A memória de trabalho e a memória semântica
são relativamente preservadas até estádios mais avançados da doença.

Os problemas de linguagem, em especial a dificuldade em encontrar palavras é


um sintoma inicial frequente, mas habitualmente pouco expressivo.

A dificuldade em planear e resolver problemas é habitualmente um sintoma


precoce ao invés da dificuldade em perceber imagens visuais e suas relações
espaciais, que aparece posteriormente.

2. Sintomas neuropsiquiátricos
Os doentes com doença de Alzheimer apresentam uma grande variedade de
sintomas neuropsiquiátricos. Quando aparecem tendem a agravar com a
progressão da doença, no entanto são também flutuantes e podem não estar
presentes sistematicamente. A identificação e tratamento destes sintomas é
fundamental porque têm importantes implicações no cuidador e são motivo
frequente de institucionalização.

As alterações de comportamento mais precoces incluem a apatia, depressão,


ansiedade e irritabilidade. Outros sintomas neuropsiquiátricos que ocorrem
mais tardiamente são as alterações do apetite, distúrbio do sono, desinibição,
alucinações ou delírio. Um outro sintoma, que também pode ser precoce e que
é de difícil controle, é a anosognosia que corresponde à perda de consciência e
negação sobre a própria doença e suas limitações.
3. Achados ao exame neurológico
O exame neurológico, à exceção da avaliação do estado mental, é
habitualmente normal na doença de Alzheimer. Alguns doentes com a
progressão da doença desenvolvem sinais de parkinsonismo. Mais tardiamente
no curso da doença alguns reflexos, designados de reflexos primitivos e que
traduzem lesão cerebral, podem surgir.

Diagnóstico na doença de Alzheimer


O diagnóstico da doença de Alzheimer à semelhança de outras demências
neurodegenerativas pressupõe a utilização de critérios de diagnóstico e a
realização de exames complementares (MCDT).

Especificamente o diagnóstico pressupõe as seguintes etapas:

1. Colheita da história clínica

A história clínica é fundamental para a orientação da estratégia de diagnóstico.


Deve ser sempre complementada por um familiar ou cuidador.

2. Exame neurológico e exame físico geral

Na maior parte dos casos o exame físico é normal. No entanto, podem existir
alterações que podem orientar para outros diagnósticos e podem evidenciar
outras doenças concomitantes.

3. Avaliação cognitiva

Este item pressupõe a realização de testes específicos que permitam identificar


a presença de compromisso em uma ou mais funções cerebrais. É
especialmente importante nas fases inicias da doença e deverá ser sempre
realizada por especialistas em neuropsicologia.

4. Avaliação do impacto nas atividades de vida diária

A incapacidade nas atividades de vida diária é um critério fundamental para o


diagnóstico de demência e inclui uma das etapas fundamentais da entrevista
com o doente e o cuidador.

5. Avaliação do impacto das alterações psicológicas e comportamentais

São vários os sintomas psicológicos e comportamentais que contribuem para a


doença e sobrecarga do cuidador. A sua identificação é fundamental para o
tratamento correto.
6. Exames analíticos

Os exames laboratoriais (análises) são fulcrais na avaliação inicial para excluir


potenciais causas de declínio cognitivo, bem como doenças concomitantes.

7. Exames imagiológicos

Qualquer doente com suspeita de demência deve realizar um estudo de


imagem. A Tomografia Computorizada (TC ou TAC) cerebral é o exame mais
frequentemente utilizado e permite identificar a maioria das causas tratáveis.
Em casos específicos poderão utilizar-se estudos adicionais, nomeadamente
Ressonância Magnética (RM) cerebral, tomografia por emissão de positrões
(PET) e tomografia por emissão de fotão único (SPECT).

Como evolui a doença de Alzheimer?


Nas fases moderadas a avançadas da doença os doentes vão ficando
progressivamente dependentes com necessidade de apoio na satisfação das
suas necessidades básicas, podem não reconhecer os familiares e apresentar
comportamentos desajustados.

Na fase terminal o doente pode chegar a um estado vegetativo, sem


verbalização, incontinente e acamado.

Complicações na doença de Alzheimer


As complicações mais temidas na doença de Alzheimer ocorrem na fase
terminal da doença. Nesta fase há risco de múltiplas complicações que incluem
o risco de aspiração com as dificuldades em deglutir, a desnutrição, imobilidade
com úlceras de pressão, trombose venosa profunda e infeções.

Na maioria dos casos, são estas complicações a causa de morte nos doentes
com doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer tem cura?


Atualmente, não existe nenhum tratamento que seja capaz de reverter a
doença de Alzheimer. Contudo, há várias estratégias farmacológicas e não
farmacológicas, de segurança e de planeamento futuro, bem como a
referenciação a estruturas comunitárias, que são importantes na promoção do
bem-estar do doente.
Tratamento na doença de Alzheimer
O tratamento implica uma abordagem multidisciplinar (Neurologia, Psiquiatria,
Fisiatria, Nutrição, Cuidados Primários, Cuidados Paliativos, Psicologia).

Entre as estratégicas terapêuticas incluem-se a terapia cognitiva, sendo esta


eficaz se dirigida a funções previamente adquiridas, mas é ineficaz em
domínios não adquiridos. Poderá ser benéfica nos primeiros anos, mas tende a
tornar-se ineficaz com a evolução da doença.

A terapêutica farmacológica específica inclui os anti-demenciais, que


correspondem aos inibidores da colinesterase. Estes medicamentos (ou
remédios) aumentam a acetilcolina na fenda sináptica que é um
neurotransmissor que está diminuído na doença de Alzheimer. Atualmente,
estão disponíveis três medicamentos inibidores da colinestarase, são eles o
donepezilo, rivastigmina e a galantamina. Estes fármacos não modificam a
progressão da doença e o seu efeito é essencialmente sintomático, situação
que deverá ser esclarecida aos doentes e cuidadores para lhes permitir ter uma
expectativa real do seu benefício. Deverão ser monitorizados periodicamente a
eficácia, bem com efeitos laterais (ou adversos) ao longo da evolução da
doença.

Nos estádios moderados ou severos poderá ser equacionada a utilização de


uma outra classe de medicamentos, a memantina isolada ou em associação
com os inibidores da colinesterase.

O tratamento dos sintomas comportamentais e psicológicos da demência é


fundamental e poderão ser equacionadas intervenções não farmacológicas ou
farmacológicas, nomeadamente a utilização de medicamentos como
antidepressivos, ansiolíticos ou antipsicóticos.

O doente deve ser acompanhado por um cuidador de forma a tomar a


medicação proposta de acordo com as instruções do seu médico neurologista
(especialista em neurologia), nunca se automedicando ou tentando qualquer
tipo de tratamento caseiro ou natural ou terapias alternativas sob pena de
poder agravar o seu quadro clínico.

Como cuidar de pessoas com Alzheimer?


O papel do cuidador é fundamental no apoio ao doente. À semelhança das
outras demências, a doença de Alzheimer associa-se a uma significativa
incapacidade física, social e psiquiátrica dos doentes e a um desgaste e
sobrecarga dos cuidadores.
O cuidador, quando é familiar, experimenta vários sentimentos, entre os quais
se incluem o sofrimento e a revolta decorrentes da doença, bem como a
confrontação com a potencial inversão de papéis.

O cuidador deverá manter-se emocional e fisicamente saudável e cuidar de si


próprio.

Poderá obter apoio junto da Associação Portuguesa dos Familiares e Amigos


dos Doentes de Alzheimer.

Em caso de agravamento dos sintomas ou da ocorrência de nova


sintomatologia o cuidador deve procurar o médico neurologista (especialista em
neurologia) de modo a orientar o doente e, deste modo, evitar possíveis
complicações.

Prevenção
Atualmente podemos atuar em cinco áreas de prevenção de demência que
terão muito mais efeito se realizadas conjuntamente, e mais eficazes se
iniciadas precocemente:

• Atividade física apropriada para idade (de preferencia atividade aeróbica);

• Alimentação balanceada e voltada para alimentos naturais – dieta do


mediterrâneo, alimentos ricos em ômega 3;

• Prevenção de fatores de risco vascular como controlar diabetes, hipertensão,


dislipidemias. Evitar tabagismo, álcool em excesso;

• Atividade intelectual: testes, exercícios mentais, manutenção atividade


profissional, programa de reabilitação cognitiva;

• Preservação das relações sociais e familiares (convivência interpessoal,


manutenção e reforço de vínculos afetivos).

Ainda não existem remédios milagrosos ou procedimentos definitivos, porém a


medicina tem evoluído rapidamente na busca dos melhores recursos para
tratar e prevenir o Alzheimer.
Dentro do cérebro: Uma viagem interativa

Alzheimer’s Association

https://www.alz.org/br/passeio-pelo-c%C3%A9rebro-interativo.asp

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