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INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA
A palavra sociologia vem da fusão de dois termos: societas, termo em latim que significa sociedade, e logos,
termo grego que significa estudo, ciência. Sociologiasignifica o estudo científico da sociedade, o estudo das
formas de convivência humana. 

A Sociologia estuda as relações sociais e a forma de associação. É uma disciplina que considera as interações que
ocorrem na vida em sociedade: envolve o estudo dos grupos e dos fatos sociais, das divisões em classes e
camadas, da mobilidade social e da interação entre as pessoas e grupos que a constituem. Em síntese, a Sociologia
é uma ciência que estuda a sociedade por meio da observação do comportamento humano.

A Sociologia é uma Ciência Social. É importante ressaltar que os métodos utilizados nas Ciências Sociais são
diferentes dos métodos utilizados nas Ciências Naturais. Estas empregam vários métodos precisos – cálculos,
previsibilidade, demonstrações. Já as Ciências Sociais empregam processos quantitativos e de observação.

O objetivo das Ciências Sociais é ampliar o conhecimento sobre o ser humano em suas interações sociais. A
Sociologia revela a sociedade como ela é de fato, não como ela deveria ser. O propósito da Sociologia é o de
contribuir para uma melhor compreensão a respeito da sociedade, o que permite que medidas sejam tomadas para
melhorar a vida daqueles que dela fazem parte.

O estudo sistemático da sociedade humana se iniciou na Antiguidade. O grande filósofo grego Aristóteles (384-322
a.C.), autor de Política, afirmou que “o homem nasce para viver em sociedade”

INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA
No sentido etimológico, a psicologia seria a ciência da alma ou o estudo da
alma. Teles (2003) define a psicologia como a ciência que busca compreender o
homem e seu comportamento, para facilitar a convivência consigo próprio e com os o
outro. “Pretende-se fornecer subsídios para que ele saiba lidar consigo e com as
experiências de vida.” (pág. 9). Como destaca Figueiredo (2005) psicologia não existe
no singular. O que há são inúmeras maneiras de conceber o campo do “psicológico” e
outras tantas maneiras de se inserir nesse campo, intervindo nele, praticando
“psicologia”.
Entre as maneiras de pensar o “psicológico” há mesmo quem pretenda descartar-se
desta denominação e dar preferência a outros conceitos, como “conduta” ou
“comportamento” entre os que se situam no campo do psicológico, há também os que
pretendem fazer outra coisa que não “psicologia” como, por exemplo, “psicanálise”.
A psicologia é um conjunto de diversos domínios. Alguns psicólogos realizam
pesquisa básica, alguns fazem pesquisa aplicada, e alguns prestam serviços
profissionais. “A psicologia se desenvolveu a partir da biologia e da filosofia, com o
objetivo de se tornar uma ciência que descreve como pensamos, sentimos e agimos.”
(Myers, 1999, pág. 1). Em psicologia não há um acordo na metodologia, e não há uma
terminologia comum; existe uma diversidade enorme de orientações teórico-
metológicas.
O objeto de estudo da psicologia tem variado ao longo do tempo e sua pré-história
confunde-se com a própria historia da filosofia. Antes de 300 a.C., o filósofo grego
Aristóteles teorizou sobre temas como aprendizagem e memória, motivação e emoção,
percepção e personalidade.
Para que se tenha noção da extensão do campo da Psicologia, eis algumas questões,
apontadas por Teles (2003), que lhe são pertinentes:
• Como aprendemos?
• Como se dá o desenvolvimento físico, motor, emocional, social, intelectual da
criança?
• O que é a crise da adolescência?
• Que fatores influem no desenvolvimento?
• Que são emoções? Elas são inatas ou adquiridas?
• Por que nos lembramos e esquecemos?
• Como se desenvolve o pensamento?
• Qual a ligação entre pensamento e linguagem?
• Como se dá a resolução de problemas?
• Qual a influência do grupo sobre os indivíduos?
• Como se desenvolve a personalidade?
• Como se dá percepção?
• Quais são os fatores responsáveis pelos diversos tipos de retardamento mental?
• O que motiva o comportamento?
• Como explicar as diferenças individuais?
• Quais as causas dos desvios de comportamento?
• Como atuar sobre o desajustamento?
• Qual a influência dos valores e das atitudes na percepção dos indivíduos?
• Como estimular a criatividade das pessoas?
Segundo Campos (1996), a história da ciência psicológica vem mostrando que a
atuação do psicólogo jamais é neutra e responde a demandas que se inscrevem em um
contexto político, econômico, social e cultural, estando sujeita a suas especificidades.
O homem é um animal essencialmente diferente de todos os outros. Não apenas
porque raciocina, fala, ri, chora, opõe o polegar, cria, faz cultura, tem autoconsciência,
e consciência de morte. É também diferente porque o meio social é seu meio
específico. Ele deverá conviver com outros homens, numa sociedade que já encontra,
ao nascer dotada de uma complexidade de valores, filosofias, religiões, línguas,
tecnologias. (Telles, 2003, pág. 19).
Zanella (1999) demarca que a diversidade e complexidade da atuação do psicólogo
(afinal, são tantas as chamadas áreas de atuação: escolar, organizacional,
do esporte, clínica, jurídica, comunitária, etc.), tem revelado cada vez mais
inadequada a discussão sobre essas áreas de atuação tal qual vinha acontecendo, isto
é, como áreas estanques, separadas, com arcabouço técnico e teórico delimitado. A
autora defende que o local de atuação é demarcado, mas a atuação profissional deverá
ser necessariamente múltipla, posto que, é assim que se caracteriza a realidade.
Não é o lugar que define a postura de um profissional – embora nem todos pensem
assim – é antes a capacidade de refletir criticamente sobre teorias, métodos e práticas,
avaliando resultados e pensando a acerca das necessidades do país em que nos
encontramos. (Eizirik, 1988, pág. 33)
Só em uma época muito recente, surgiu o conceito de ciência tal como hoje é de uso
corrente, e só a partir da segunda metade do século XIX surgiram homens que
pretendiam reservar aos estudos psicológicos um território próprio, cujo êxito se fez
notar pelos discípulos e espaços conquistados nas instituições de ensino universitário
e de pesquisa. Só então passou a existir a figura do psicólogo e passaram a ser criadas
as instituições voltadas para a produção e transmissão de conhecimento psicológico.
(Figueiredo e Santi, 2004)
Para Teles (2003) acreditar que a psicologia deva ser ciência nos moldes daquelas que
se baseiam principalmente no método experimental, seria empobrecê-la por demais. O
ser humano tem reflexos, necessidades, impulsos, mas não instintos. A aprendizagem,
que significa mudança de comportamento como resultado da experiência, será básica
em todo o processo humano de ajustamento. “Ajustar-se significa aprender formas de
comportamento que permitam ao indivíduo adaptar-se às exigências internas e
externas que lhe são impostas.” (Telles, 2003, pág. 22)
Todos os grandes sistemas filosóficos desde a Antiguidade incluíam noções e
conceitos relacionados ao que hoje faz parte do domínio da psicologia científica,
como o comportamento, o espírito ou a alma do homem. Na Idade Moderna, físicos,
anatomistas, médicos e fisiólogos trataram de diversos aspectos do comportamento
involuntário e mesmo de comportamentos voluntários do homem. No século XIX
começou a se constituir as ciências da sociedade, como a Economia, a Política, a
História, a Antropologia, a Sociologia e a Lingüística. Essas ciências tratavam das
ações humanas e de suas obras. Quando Gomide (1984) analisa a formação acadêmica
em psicologia e suas deficiências, conclui que"não estamos formando profissionais
capazes de construir a psicologia, mas apenas de repeti-la pois o estudante apenas
aprende técnicas e busca o cliente para aplicá-las" (p. 74).
A reversão desse quadro requer que se eleja como princípio da formação profissional
não só ensinar as técnicas, mas também discutir, criticar e analisar o porquê de elas se
desenvolverem, em que época surgiram, para que propósitos serviram ou servem, ou
seja, buscar retomar com o aluno o processo de desenvolvimento histórico da ciência
com a qual vai trabalhar. A história como forma de apropriação do senso crítico.
A profissão de psicólogo esteve inicialmente ligada aos problemas de educação e
trabalho. O psicólogo “aplicava testes”: para selecionar o “funcionário certo” para o
“lugar certo”, para classificar o escolar em uma turma que lhe fosse adequada, para
treinar o operário, para programar a aprendizagem, etc. Todas essas funções ainda são
importantes na definição da identidade profissional do psicólogo; mas hoje, quando se
fala em psicólogo, o leigo logo pensa no psicólogo clínico, e quem se decide a estudar
psicologia quase sempre é com a intenção de se tornar um clínico. Embora durante
muitos anos essa especialização nem existisse legalmente, atualmente é a principal
identidade do psicólogo aplicado. (Figueiredo e Santi, 2004)
É cada vez mais freqüente que as teorias psicológicas se popularizem e sejam
assimiladas pelo linguajar popular e que cada vez mais pensem a cerca de si e dos
outros com termos emprestados das escolas psicológicas. E a psicologia popularizada,
segundo Figueiredo e Santi (2004) tem servido para sustentar a palavra de ordem
‘cada um na sua, pensando os seus problemas e defendendo os seus interesses e a sua
felicidade.’
Ao serem incorporadas à vida cotidiana de algumas camadas da população, “as
psicologias” convertem-se quase sempre numa visão de mundo altamente subjetivista
e individualista. Com isso, queremos dizer que mesmo as teorias psicológicas que não
se restringem à experiência imediata da subjetividade individualizada, como a
psicanálise, ao serem assimiladas pela sociedade, têm se tornado uma forma de manter
a ilusão da liberdade e da singularidade de cada um, em vez de compreender e
explicar o que há de ilusório nessas idéias. É assim que a psicologização da vida
quotidiana tem nos levado a pensar o mundo social e a nós mesmos a partir de uma
visão bem pouco crítica. (...) Certamente a tendência que tem mais crescido e
aumentado seu mercado recentemente é a das “terapias de auto ajuda“. Numa mistura
de concepções do senso comum ou baseadas em teorias psicológicas, em pressupostos
humanistas sobre a liberdade do homem e num estilo de administração empresarial
nitidamente comportamentalista, esse discurso (que soa como o de um pastor
protestante americano, e isto é mais do que uma coincidência) prega um paradoxal
reforçamento do “eu” com sua submissão a um conjunto de regras de gerenciamento
da própria vida. (Figueiredo e Santi, 2004, pág. 87-88).
A psicologia não é apenas a ciência do bem-estar, tendo como ponto de referência
uma sociedade bem comportada. Se a psicologia usa como parâmetros de normalidade
e de ajustamento os valores da classe dominante, então ela é, também, um veículo
ideológico.

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