UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL CUNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CASSILÂNDIA CURSO DE AGRONOMIA

Alimentos para Bovinos
Prof. Dr. Elson Martins Coelho

Alimentos para bovinos

ALIMENTAÇÃO: PRINCÍPIOS BÁSICOS

Prof. Dr. Elson Martins Coelho

As substâncias presentes nos alimentos ingeridos e que são importantes para a nutrição do organismo animal incluem os carboidratos (constituem cerca de 75% da matéria seca da forragens e são a principal fonte de energia para os ruminantes); as proteínas, os sais inorgânicos, as vitaminas e a água. Nos ruminantes o mecanismo de digestão dos alimentos é bastante peculiar pelo fato destes animais possuírem o estômago composto. O estômago dos ruminantes é dividido em quatro compartimentos que são o rúmen, o retículo, o omaso e o abomaso. Cada um possui uma função digestiva específica: o rúmenretículo funciona como uma câmara de fermentação, o omaso é o local de absorção e o abomaso tem uma função digestiva enzimática. Para que o rúmen-retículo funcione como câmara de fermentação, é necessário que determinadas condições sejam mantidas como: temperatura, pH e a presença de microorganismos. O aparelho digestivo tem como principal função digerir e absorver os alimentos e excretar os produtos não aproveitados pelo organismo. Consta de um conduto alimentar que compreende boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) e intestino grosso (ceco, colo e reto) e de glândulas acessórias que são as glândulas salivares, o pâncreas e o fígado (Leão, 1988). A fermentação microbiana ocorre no intestino grosso da maioria dos animais, principalmente no ceco e no colo, mas, nos ruminantes ocorre a fermentação prégástrica, ou seja, antes que o bolo alimentar passe para outras partes do aparelho digestivo. Observa-se (Quadro 1) as diferenças da capacidade do apare-lho digestivo entre várias espécies, destacando a grande capacidade volumétrica do estômago dos bovinos.

1

Alimentos para bovinos
aglandular e uma

Os ruminantes possuem o estômago composto que compreende uma parte parte glandular que corresponde ao estômago dos

Prof. Dr. Elson Martins Coelho

monogástricos. A parte aglandular compreende o rúmen, o retículo e o omaso, sendo que nos dois primeiros ocorre a fermentação microbiano, onde as bactérias e protozoários produzem enzimas capazes de hidrolizar proteínas, lipídios e carboidratos, inclusive a celulose. A parte glandular corresponde ao abomaso onde a digestão é feita através do suco gástrico (Silva e Leão, 1979). O fato dos ruminantes possuírem o estômago composto traz algumas vantagens com relação aos monogástricos tais como: a) utilização de alimentos fibrosos consideravelmente maior que em outro herbívoro, ou que nos suínos. b) síntese das vitaminas do complexo B e vitamina K o que torna os ruminantes independentes do fornecimento externo destas vitaminas e dificilmente sofrem carências delas; c) síntese de proteínas a partir de compostos nitrogenados não protéicos. Existem também algumas desvantagens: a) perda de energia na fermentação pré-gástrica; b) perda de nitrogênio, em forma de amônia; c) na hidrólise das proteínas no rúmen perdem-se alguns aminoácidos essenciais; d) a absorção de açucares no ruminante parece quase nula. Aproximadamente 70 a 85% de matéria seca digestível da ração é digerida pelos microorganismos do rúmen. Alguns compostos ou nutrientes merecem uma citação especial, e assim, os carboidratos constituem de um modo geral, cerca de 75% da matéria seca das forragens e consequentemente, a principal fonte de energia para os ruminantes. Dentre eles destaca-se a celulose que é um carboidrato estrutural básico das plantas e está presente em quase todas elas, e é um dos mais abundantes compostos orgânicos, útil aos ruminantes. A utilização desta grande fonte de energia é desejável e necessária para suprir essas espécies. A celulose é utilizada pelos ruminantes através de um processo indireto, qual seja, hospedando microorganismos no rúmen, capazes de hidrolizar a celulose, com fornecimento de energia. As partes lenhosas das plantas, isto é, os caules, as hastes de folhas, as cascas, os sabugos, contém uma substância indigesta chamada lignina, que ocorre intimamente associada com a celulose. Além de não digerida, a lignina interfere na digestibilidade dos outros nutrientes. Seu teor aumenta com o decorrer do ciclo

2

Alimentos para bovinos

vegetativo ou idade das plantas. Tem sido sugerido que a lignificação de forrageiras é o fator mais importante, que limita a produtividade animal. (Noller, 1997) Outro carboidrato importante, muito presente nos grãos dos cereais, é o amido que é praticamente todo digerido pelo ruminante, ou seja, apresenta um coeficiente de digestibilidade próxima a 100%, portanto muito importante à nutrição de bovinos. Quantidades razoáveis de carboidratos solúveis tais como glicose, frutose e sacarose (muito encontrado na cana-de-açúcar) estão presentes nas forragens e são completamente digeridos no apare-lho digestivo dos ruminantes. Outro aspecto importante da nutrição de ruminantes, que é oportuno mencionar se refere a degradação e síntese de proteína. Ocorre, devido à presença de microorganismo na rúmen, que são capazes de realizar a degradação de proteína e de outros compostos nitrogenados não protéicos e a subsequente síntese de proteína microbiana. Portanto, o sistema digestivo dos ruminantes permite uma menor dependência da qualidade da proteína da ração em comparação ao do monogástrico. Neste caso, pode até utilizar fonte de nitrogênio não protéico, como por exemplo a uréia. A proteína da dieta ingerida é degradada pelos microorganismos do rúmen, em uma proporção que dependerá das características da fonte protéica e da ração; os compostos nitrogenados liberados são utilizados na síntese de biomassa microbiana. Dessa forma, a proteína que atinge o abomaso e intestino do animal, para ser digerida e absorvida, é composta de duas frações: a proteína da dieta que não foi degradada no rúmen (PNDR) e a proteína microbiana (PM) que foi sintetizada no rúmen. A soma destas frações, corrigida pelo coeficiente de absorção da proteína no intestino delgado, representa a proteína disponível para o animal. (Silva, 1992) Pelo exposto pode-se tirar algumas conclusões de ordem prática: a) é importante manter a estabilidade das condições do rúmen, por conseqüência a da população microbiana. Portanto, mudanças bruscas e rápidas da dieta, são indesejáveis, pois, podem provocar distúrbios no rúmen, prejudicando o desempenho animal. Adaptação às mudanças alimentares devem ser realizadas; b) devido a presença dos microorganismos no rúmen, os bovinos podem ser alimentados de nitrogênio não protéico, como o da uréia, pois são capazes de utilizar esse nitrogênio para a produção de proteína; c) devido ao aumento do teor de lignina nas plantas, com o aumento da sua idade é absolutamente importante evitar que os bovinos sejam alimentados com forrageiras em estágio adiantado de maturação;

Prof. Dr. Elson Martins Coelho

3

Dr. minerais e vitaminas. Prof.Alimentos para bovinos d) para a devida nutrição dos microorganismos do rúmen e ou dos bovinos. Elson Martins Coelho 4 . proteína ou outros compostos nitrogenados. o suprimento alimentar deve ser devidamente equilibrado em fontes de energia.

uma vez que um hectare pode produzir grande quantidade de forragem. A capineira permite a utilização intensiva da terra. o Taiwan. deve-se ter a preocupação de cruzar pé com ponta.CAPINEIRA A capineira é uma pequena área cultivada com gramíneas de elevada capacidade de produção. aração e gradagem. Para plantio desta forrageira. Ao distribuir as mudas no sulco. I . cujos os principais cultivares são o napier. que são cortadas e picadas.0m. Consideram-se de 10 a 15 animais adultos/ha.0 ha de capineira. A calagem deve ser realizada antes da aração em toda a área. entretanto atualmente a mais indicada é o capim-elefante (Pennisetum purpureum. 5 . de acordo com a análise do solo. Portanto. O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa (nov. o pioneiro. a amostragem de solo é o primeiro passo a ser dado. a dez. serão necessárias 3 a 4 toneladas de mudas para formação de 1. e o fertilizante fosfatado colocado no fundo do sulco de plantio. Schum). Nesse caso. Elson Martins Coelho Os alimentos volumosos constituem os produtos ou subprodutos utilizados na alimentação dos bovinos. na época de sua implantação ou formação e. o porto rico. o mineiro ou mineirão.). é preciso um bom preparo do solo com destoca (se necessária). normalmente são baixos em energia e contêm mais de 18% de fibra bruta na matéria seca. na época de sua utilização. em sulcos de 15 a 20 cm de profundidade e espaçamento de 0. Muitas espécies foram utilizadas para formação de capineira. para fornecer alimento verde ou na forma de silagem aos animais. Formação da Capineira Alguns aspectos são de fundamental importância para se obter sucesso no uso do capim-elefante para corte. plana ou com declividade suave e próxima ao local de fornecimento aos animais. após a escolha adequada da área. o vruckwona e o cameroon. posteriormente.80 a 1. Plantar mudas de 3 a 4 meses de idade. A capineira deve ser vista como uma cultura que exige correção da acidez e do alumínio tóxico do solo (calagem) e adubação adequadas. Dr.Alimentos para bovinos ALIMENTOS VOLUMOSOS Prof. que deve ser bem drenada.

sendo o primeiro em outubro/novembro. Dr. serem cobertas com aproximadamente 10 cm de terra. o segundo em dezembro/janeiro e o terceiro em março/abril. rente ao solo. antes do 1º corte (quando as plantas estiverem ainda com pequeno porte . Todos os cortes também podem ser destinados à produção de silagem. para não prolongar sua maturidade. é que o capim deve receber cortes em intervalos mais curtos. evitando. ou seja. é nesse período que deve ser manejado para produção de forragem. O capim do 1º e 3º cortes deve ser fornecido aos animais em seu estado natural.Alimentos para bovinos A utilização de mudas mais velhas. em seguida. Caso não seja possível a realização de algum corte na capineira para fornecimento aos animais.40 cm) e 15 dias após o 1o e 2o cortes. plantar duas fileiras de mudas dentro do sulco. implica dobrar a quantidade de mudas. pode-se realizar um pastejo leve na capineira. perdas de seus valores nutricionais. que são as mais comuns. As mudas devem ter as pontas retiradas e. sendo uma forrageira tropical. para que os animais venham a consumir as folhas. no momento do plantio. consequentemente. e. O segundo. Aplicar 40 kg de N/ha 6 . Manejo e Utilização da Capineira O primeiro ponto a se considerar é que o capim-elefante. depois de picado. (Quadro 1) Prof. aplicar de 10 a 15 t de esterco/ha e realizar adubação nitrogenada em cobertura. Elson Martins Coelho A capineira deve receber pelo menos 3 cortes no período das 'águas'. possui seu maior potencial de crescimento no período das 'águas' ou de 'verão'. mesmo assim. o capim deve ser cortado e deixado no campo. Nesse caso. Portanto. cortar o caule que restou. Após cada corte. enquanto o capim do 2º corte é destinado à produção de silagens.

plantio e manutenção do canavial são simples. g .produz grande quantidade de massa por área. entre elas: a .está entre as primeiras plantas forrageiras na produção de energia/área. h . d . b . II . na época seca do ano. Realizar anualmente análise de solo. apresentando de 2 a 3% na matéria seca. magnésio. Dr. a relação de 25 vacas/ha. um canavial pode ser utilizado até 8 anos.consumo da cana pelos animais não é alto (de 20 a 25 kg/vaca/dia com suplemento concentrado). f .maior acúmulo de açúcares com a maturação da planta.para fins forrageiros. alimentadas durante 150 dias. drenados.pobre em proteína.pobre em alguns minerais como fósforo.CANA-DE-AÇÚCAR A cana-de-açúcar constitui um recurso forrageiro muito importante para a alimentação dos bovinos. Elson Martins Coelho 7 .fácil manejo. chegando a 120 t/ha.Alimentos para bovinos para cada adubação. 2 . zinco e manganês. Apresenta algumas desvantagens: a . Apresenta uma série de vantagens. c .Escolha da variedade: Considerar para a escolha variedades que tenham alta produção. c . com o solo úmido.para altos níveis de produção (leite ou carne) deve ser evitada como único volumoso. e . de preferência em solos mais férteis. boa brotação de soqueira e bom perfilhamento e que sejam ricas em açúcar.Escolha da área: A área deve ser próxima ao curral. b .pronta para utilização no período seco. Formação do Canavial 1 . com topografia plana ou ligeiramente inclinada (até 20%). enxofre. d . resistentes Prof. visando ao monitoramento da fertilidade do solo. tendo em vista a necessidade de calagem e os níveis de fósforo e potássio.baixo custo de produção. Considera-se para o dimensionamento. colheita e preparo.

para colheita após um ano. para solos férteis. Utilizar mudas ou toletes com 8 a 12 meses de idade. sendo uma de ciclo de maturação precoce (corte no início do período seco) e outra de ciclo médio ou médio-tardia. Cobrir as mudas dentro do sulco com aproximadamente 10 cm de terra. Dr. e bem incorporado ao solo. Os fertilizantes devem ser distribuídos no fundo do sulco de plantio. Fazer aração e gradagem. A adubação orgânica é recomendada.20 a 1. O espaçamento entre os sulcos deve ser de 1. Fazer sulcos profundos de 25 a 30 cm. 'cana de ano e meio'. utilizando-se de sulcadores ou arados. utilizando-se de 10 a 15 t/ha de esterco. plantio em setembro/outubro.30m. Tratos culturais 8 . O calcário deve ser distribuído em todo o terreno. Características de variedades de cana aparecem no Quadro 1. Realizar calagem e adubação fosfatada e potássica. numa proporção que garanta de 15 a 18 gemas/metro. duas variedades. para solos mais pobres e áreas em declive. distribuídas também nos sulcos. realizar plantio em nível e construir carreadores ou estradas. cuja colheita começa a partir da metade do período seco. de acordo com a análise do solo. antes da aração.0m. Gastam-se em torno de 10 t de mudas/ha. plantar em janeiro a março. pelo menos. Elson Martins Coelho 3 . com 3 a 4 gemas.Alimentos para bovinos ao tombamento. para evitar trânsito nas áreas plantadas. a pragas e doenças. para colheita após 16 a 22 meses após o plantio. Prof.Plantio Consideram-se duas épocas para plantio de cana: 'cana de ano'. Devem-se utilizar. e de 1.

com capinas feitas com enxada. antes desta operação. deve ser sempre suplementada com algum alimento concentrado ou mistura deles. etc. a cana deve ser evitada. objetivando reduzir capinas. Dr. realizar adubação de cobertura na base de 50 a 60 kg de N/ha. Uma das formas de se utilizar deste volumoso com sucesso é através da chamada cana + uréia. Para o preparo e fornecimento dessa mistura. com podão ou enxada. e. preferencialmente. Quando se deseja altos níveis de produção. visando aos ajustes da correção e adubação.00. podendo ser deixada espalhada. se faz necessário. incorporado com arado ou escarificador. É recomendado a adubação nitrogenada a solos pobres em matéria orgânica. a uma distância de aproximadamente 40 cm de ambos os lados das fileiras. em torno de 60 dias após o plantio. neste caso. Manejo da Cana-soca A palhada do canavial não deve ser queimada. Elson Martins Coelho cultivador ou herbicida. A adubação nitrogenada interfere no teor de açúcar da planta. visando à descompactação do solo e à incorporação do calcário e fertilizante fosfatado quando aplicados. A escarificação entre as fileiras do canavial é indicada. Devido a suas limitações nutricionais. visando à maior utilização desta forrageira pelos bovinos. Do plantio ao Prof. retirar suas folhas secas. sulcador ou escarificador.Alimentos para bovinos Manter o canavial livre de ervas daninhas. Utilização da Cana A cana deve ser cortada rente ao solo. dependendo das condições locais.Preparo da mistura uréia + fonte de enxofre: 9 . através da análise de solo. Utilizar esterco na quantidade de 10 a 15 t/ha. Pode ser utilizada para os bovinos como único volumoso ou misturada a outros volumosos como capim. 1º corte. deixando-as espalhadas sobre o solo. O monitoramento. aumentar teor de matéria orgânica e reduzir perdas de água do solo. A adubação química deve ser utilizada após o início das "águas". o N pode ou não ser recomendado. seguir o roteiro abaixo: a . à base de 300 a 400 kg da fórmula 20. Podem-se utilizar o arado. silagens.20.

permitir livre acesso dos animais à água e aos minerais. usando um regador plástico. fornecer 1. . fornecendo na 1ª semana 0. . d .é importante a inclusão de uma fonte de enxofre. . Misturar bem antes de fornecer aos animais. . Prof. Dissolver a mistura uréia + fonte de enxofre em 4 litros de água.Este sistema de arraçoamento permite mantença e ou pequenos desempenhos no ganho de peso e produção de leite. . e . para 100 kg de cana picada.não fornecer cana + uréia para animais em jejum.fazer adaptação dos animais.Colher a cana. . e picá-la integralmente (caule e folhas). e as bactérias do rúmen apresentam a capacidade de converter este nitrogênio em proteína microbiana.fornecer a mistura em cocho coberto ou perfurado.Fornecimento aos animais: fazer adaptação dos animais. e distribuir uniformemente sobre a cana picada.readaptar os animais no caso de interrupção do tratamento. . em mistura com a cana/uréia (quadro 2). Elson Martins Coelho 10 . para 100 kg de cana. Misturar bem com auxílio de uma enxada. eliminando as folhas secas.5 kg da mistura uréia + fonte de enxofre.Cuidados necessários: .a uréia constitui uma fonte de nitrogênio não-protéico. pelo fato de a cana ser pobre neste mineral e ser importante para a síntese de proteína em nível de rúmen. ou 8 partes de uréia + 2 partes de sulfato de cálcio.0 kg da mistura. Para maiores produções. b . utilizando a energia da cana.). Dr.jogar fora a sobra no cocho do dia anterior. . etc. fora do alcance dos animais. farelos.Alimentos para bovinos . Do 8o dia em diante. recomenda-se o uso de alimentos energéticos e ou protéicos (milho.observar os animais com regularidade.proporção da mistura: 9 partes de uréia + 1 parte de sulfato de amônio. Utilizar sulfato de amônio ou sulfato de cálcio (gesso agrícola). c . sorgo. ensacar e guardar em local seco.

tem valores nutritivos superiores às palhas de gramíneas e é tanto melhor quanto mais folhas possuir. devido às peculiaridades de seu aparelho digestivo.Palha de feijão: é constituída de hastes e folhas. Apesar de serem normalmente pobres na sua composição química. É aconselhado o fornecimento triturada em mistura com outros alimentos. Devem ser utilizados para mantença ou pequenos desempenhos dos animais. b . Principais restos culturais a . 11 . Deve ser fornecida inteira aos animais com livre acesso. subprodutos ou restos culturais. são normalmente disponíveis em nível de propriedade.Alimentos para bovinos Prof. são capazes de utilizar uma série de resíduos. para evitar pisoteio. Dr. com baixa digestibilidade da matéria seca. os debulhadores de milho devem separar. Do total da planta colhida.RESTOS CULTURAIS Os ruminantes. podendo ser utilizados na alimentação dos bovinos. fibrosos. a palha do sabugo. Elson Martins Coelho III . 53% correspondem às palhas e 47% às sementes. inúteis a outros animais. O uso dos restos culturais deve estar relacionado à praticidade no seu manuseio. além dos grãos. Para seu melhor aproveitamento. à disponibilidade de mão-de-obra e de equipamentos.Palha de milho: constitui a palha da espiga do milho. e sabe-se que aproximadamente 33% da espiga é constituída de palha e sabugo. devendo ter uma proteção (cerca de varas) em volta do material empilhado.

devendo ser evitada para animais de alta produção. podendo ser fornecida picada diretamente aos animais ou na forma de silagem. Deve ser picada em picadeiras estacionárias ou mesmo em picadeiras acopladas ao trator (com carretas). reservando-se as hastes mais grossas para o uso como muda.Bagaço de cana: é um volumoso de baixa qualidade. f . Para se ter uma melhor forragem. recomenda-se a utilização apenas do terço superior. seu uso deve ser restrito a animais de menor exigência ou de baixos desempenhos. limitando seu uso.Palha de arroz: é o produto resultante da bateção do arroz e é constituída da haste e do cacho com alguma semente.Alimentos para bovinos c . com alta porcentagem de fibra. no caso de fornecimento direto aos animais. e .Palha de soja: as sobras da colheita de soja constituem alimentos grosseiros. Deve ser picado em picadeiras.Ponta de cana: recomenda-se seu uso para praticamente todas as categorias de bovinos. d .Rama de mandioca: a rama ou parte aérea da mandioca é um resto cultural com bom valor nutritivo. g . a palha poderá ser armazenada em medas. para seu aproveitamento. haverá necessidade de ceifar a planta rente ao solo. Seu aproveitamento pelos bovinos é muito baixo. para o enfardamento como feito para feno. sendo bem aceita pelos animais. Dr. h . o que requer o uso de conjuntos apropriados. Prof. A quantidade produzida está em torno de 15 a 18 % da produção total do canavial. Quando a colheita do arroz é manual. Elson Martins Coelho 12 . A produção de rama pode chegar a 30 t/ha aos 16 a 18 meses de plantio. para transportar o material diretamente aos cochos. presente na "mandioca-brava". A rama de mandioca possui uma substância tóxica (ácido cianídrico). como se faz para feno. No caso de colheita mecânica. recomenda-se deixar a rama "murchar" ao sol durante um dia. As pontas de cana de canaviais queimados também podem ser utilizadas. logo após a extração do caldo. Para que este princípio tóxico se torne inócuo.Palha de trigo: é o produto resultante após a colheita dos grãos e pode ser manuseada semelhante à palha de arroz. portanto sem problemas para seu uso. O processo de ensilagem diminui consideravelmente a toxidez.

pode aumentar o consumo mas não a digestibilidade. representada pelos carboidratos estruturais (celulose e hemicelulose). quando utilizado para silagem. deve-se picar o material em uma picadeira. Os tratamentos térmico e de pressão podem ser eficientes. O mecânico. amônia gasosa e uréia. mas são onerosos.Alimentos para bovinos A parte aérea da mandioca pode ser também transformada em farelo. além da alta porcentagem de frações indigeríveis como lignina e sílica. Diversos tratamentos foram propostos. Elson Martins Coelho valor nutritivo é relativamente alto. O tratamento químico tem sido o mais proposto. Os principais produtos químicos utilizados são: hidróxido de sódio. Pode ser fornecido aos animais juntamente com outros alimentos ou misturado (5%) ao capim-elefante. Uso do hidróxido de sódio (NaOH) 13 . No Quadro 1 aparece a composição de alguns restos culturais. O farelo assim produzido deve ser ensacado e armazenado em lugar arejado. de cálcio. Devido a estes fatos. através da fragmentação ou moagem. de amônia. Dr. torna limitados a digestibilidade e o consumo voluntário dos restos culturais. elevação de pressão e químico. deixar secar bem ao sol e depois passar em um desintegrador ou moinho. entre eles podem-se citar: mecânico. Tratamento de restos culturais O baixo valor nutritivo das palhas decorre do fato de apresentarem baixos teores de proteína e minerais e apresentarem elevados teores de fibra. térmico (vapor). Em conseqüência. muitos técnicos sugerem submeter estes materiais a um tratamento prévio por época de sua utilização. pelos bovinos. Para tal. cujo Prof.

Dr.Visa ao aumento da digestibilidade do resto cultural. Prof.Alimentos para bovinos . Elson Martins Coelho 14 .

melhores resultados foram obtidos com 5 kg em 100 kg de matéria seca de palha. bem moído. haverá aceleração e vantagem no processo de amonização. além da solução acima.preparar uma solução de uréia a 7% (7 kg em 100 l de água).5 a 3. . Observação: . Usar a soja.cobrir com lona plástica e vedar bem.molhar uniformemente a palha. aplicados através de solução com 200 l de água. Uso de amônia anidra (gasosa): .a amonização visa ao aumento da digestibilidade. . na proporção de 3 kg para 100 kg de palha.Alimentos para bovinos Procedimento: Prof. . . podendo ser utilizada em 4 semanas.visa ao aumento da digestibilidade e à incorporação de nitrogênio na fração fibrosa.distribuir a solução com regador sobre a palha previamente picada. Procedimento: .deixar durante 20 a 24 horas.cobrir com lona plástica e vedar bem.deixar em tratamento durante 15 dias. misturando-a bem. Procedimento: . Uso de uréia . na proporção de 65 l de solução para 100 kg de palha.esperar 40 a 50 dias para abrir e fornecer aos animais. . incorporada à palha.passar a palha numa picadeira ou utilizar o material enfardado. .5% (base de matéria seca). 15 . Dr.tem sido obtido aumento de 30% na digestibilidade. .injetar a amônia na proporção de 2. for utilizado grão de soja cru. .passar a palha numa picadeira. .Se. Elson Martins Coelho . à incorporação de nitrogênio e à preservação (impede fungos e leveduras) do material. .

Elson Martins Coelho 16 . Dr.Alimentos para bovinos Prof.

. Deve ser fornecido na forma de fubá. ALIMENTOS CONCENTRADOS Constituem os produtos e subprodutos utilizados na alimentação dos bovinos. Normalmente entra na proporção de 60% a 80% nas misturas concentradas.Alimentos para bovinos Observações: Prof.a umidade ideal do material é em torno de 30% (umidecimento é aconselhável a materiais muito secos). sempre em mistura com uma fonte protéica. bem aceito pelos animais. (Nunes.é aconselhado também o tratamento de fenos de baixa qualidade. Dr. baixo teor de fibra. 1991) I .quanto menor a temperatura mais tempo deve durar o tratamento. 17 . estercos e camas de animais e as fontes de nitrogênio nãoprotéico. Classificam-se em concentrados energéticos e protéicos.GRÃOS Existem basicamente 3 grãos mais importantes na alimentação dos bovinos: o milho. com moagem de média a grossa. Incluem a maioria dos farelos de oleaginosas. Incluem a maioria dos grãos alimentícios e seus subprodutos e as gorduras e óleos de origem animal e vegetal. rico em provitamina A (milho amarelo). Os primeiros são altamente energéticos e apresentam menos de 20% de proteína bruta. 1 .Milho grão É considerado o mais importante alimento energético e possui as seguintes características principais: excelente fonte de energia. Elson Martins Coelho . normalmente são alimentos com alto teor de proteína e ou energia e que contêm baixos teores de fibra na matéria seca. . produz grande quantidade de energia por unidade de área. o sorgo e a soja. Os protéicos são alimentos contendo teores elevados de proteína bruta (acima de 20%). subprodutos da indústria animal.

devendo ser limitado seu uso em até 40% em misturas concentradas ou até 1. Possui a enzima uréase. 3 . Os dois ingredientes podem ser fornecidos separadamente. um pouco mais de proteína e é menos palatável. Abaixo a descrição sucinta dos mais utilizados: 18 . caso contrário. no momento do tratamento. utilizados na alimentação dos animais. pois. pois está sujeito à rancificação. Deve ser fornecido triturado. mas apresenta-se com menor teor de energia. e por esse motivo deve ser evitada sua mistura com uréia. Dr. Para fornecimento aos animais. devido a sua riqueza em óleo. entretanto. Pode substituir o milho nas rações para as diversas categorias de bovinos. É rico em extrato etéreo (gordura).Alimentos para bovinos 2 .Sorgo grão Prof. portanto constitui um excelente alimento. II . É uma cultura muito indicada para regiões com restrição de chuva. Elson Martins Coelho O sorgo é bastante semelhante ao milho. este procedimento é necessário quando se tratar de fornecimento aos monogástricos (quadro 1).5 kg para bovinos adultos (ação laxativa). Não há necessidade de tostar os grãos de soja para fornecimento aos bovinos. deve ser triturado e compor misturas com alimentos protéicos. ocorrerá a hidrólise da uréia com desprendimento de amônia e gás carbônico. o mais rápido possível.SUBPRODUTOS INDUSTRIAIS Existe um considerável número de subprodutos industriais.Soja grão O grão de soja possui altos teores de energia e de proteína.

consistindo no pericarpo. para extração de seu óleo.farelo Prof. para extração do seu óleo. Deve ter no mínimo 25% de PB. após processo industrial. após processo industrial.Amendoim-farelo (solvente) Produto resultante das sementes de amendoim moídas.Algodão . 6 .Algodão . para extração do seu óleo.farelo desengordurado (solvente) Produto obtido do processo de extração do óleo do farelo de arroz integral. com adição de casca.Algodão .caroço Produto proveniente da indústria de algodão. Deve ser fornecido inteiro aos animais. Dr. Constitui excelente alimento para os bovinos.Arroz . 19 .farelo integral (gordo ou cru) Proveniente exclusivamente do processo normal de obtenção.farelo com casca Produto resultante do caroço de algodão moído. película que cobre o grão. fragmentos de casca. Deve ter no mínimo 13% de PB e 14% de extrato etéreo. Deve ter no mínimo 40% de proteína bruta (PB) 2 . Elson Martins Coelho Produto resultante do caroço de algodão moído. Altamente energético e protéico. Mínimo: 45% de PB 5 . 4 . após processo industrial. gérmen.Arroz . Mínimo: 16% de PB. 3 .Alimentos para bovinos 1 . após retirada das plumas. desde que não ultrapasse 25% de fibra bruta.

para obtenção da farinha de trigo. na década de 60 e 70. após processo industrial. obtido no processo de industrialização para produção de açúcar.21 Parte do grão de milho que fica após extração da maior parte do amido.Milho . Elson Martins Coelho Produto resultante das sementes de girassol moídas.Melaço em pó Produto obtido após processo industrial de desidratação do melaço xaroposo.Soja . Mínimo: 44% de PB. Dr.Alimentos para bovinos 7.farelo de glúten . É um alimento energético. 9 . após o processo industrial.farelo (solvente) Produto resultante dos grãos de soja moídos. no processo de produção do amido ou do xarope. Foi muito utilizado em mistura com uréia. Mínimo: 28% de PB. do glúten e do gérmen. Mínimo: 50% ou 60% de PB. do gérmen e do farelo. 10 . para extração do seu óleo. Deve ter no máximo 26% de umidade.50/60 Resíduo obtido após remoção da maior parte do amido.farelo de glúten .Milho . farelo (solvente) Prof. devendo entrar nas misturas concentradas (até 5%) ou 20 . 8 .farelo Subproduto resultante da moagem do trigo. para extração de seu óleo. no processo de produção de amido ou do xarope. 11 .Melaço de cana Líquido xaroposo. na proporção de 9:1. Mínimo: 21% de PB. Mínimo: 14% de PB 12 .Trigo . após processo industrial.Girassol. 13 .

de seus cortes ou de ambos. obtido pela cocção do peixe integral. nãodecompostas obtidas do abate de aves.Penas . Gerais) possui a seguinte composição: MS = 97%. com ou sem extração do óleo. 16 . Pouco utilizada na alimentação de bovinos.farinha Produto seco e moído. Possui em torno de 20% de PB. 14 .Alimentos para bovinos adicionado ao volumoso. 15 .farinha Produto resultante do processamento do sangue fresco altamente protéico. Mínimo: 40% de PB. Dr. Elson Martins Coelho 21 . Altamente protéica. deve ser isenta de cascos e chifres. com 80% de PB.Polpa de cervejaria (seca) Subproduto obtido da fermentação da cerveja. PB = 2%. Mínimo: 55% de PB.farinha hidrolisada Subproduto resultante da cocção sob pressão de penas limpas.5%.Peixe . 19 . P = 0.Carne .Carne . 17 . com 80% de PB. Ca= 4. objetivando aumentar a palatabilidade. Prof. depois de passar por processo de desidratação.Sangue . O melaço em pó produzido no país (M. Mínimo: 60% de PB. NDT = 70%.farinha Produto oriundo do processamento industrial de tecidos animais.farinha de carne e ossos Constituída pela farinha de carne mais ossos. 18 .14%.

Ossos autoclavados . a planta da mandioca é dividida em parte aérea (hastes e folhas) e parte subterrânea (raízes tuberosas e feculentas).Alimentos para bovinos 20 . Elson Martins Coelho Produto obtido pelo cozimento de ossos em vapor sob pressão. Dr. Dentre outros fatores. Mínimo: 15% de fósforo. ao se processar a desidratação da mandioca parcial ou total. pode-se fornecê-la fresca aos animais.Ossos calcinados . variando de 10 a 35 t/ha de raízes e de 8 a 30 t/ha de parte aérea. Isso basta para eliminar grande parte do princípio tóxico da mandioca-brava. III . Quando se trata de mandioca-brava. por 24 horas. tornando-a inofensiva aos animais.farinha Produto obtido pela calcinação de ossos. Toda mandioca possui um princípio tóxico. Quando se trata de mandiocamansa. Consiste em picá-la e deixála bem espalhada ao ar livre. sendo válido tanto para raiz como para a parte aérea. da fertilidade do solo e do cultivar plantado.farinha Prof. 1992) 22 .RAÍZES E TUBÉRCULOS Para fins práticos. sua produção depende de condições climáticas. secados e triturados. Deve apresentar no máximo 10% de PB e no mínimo 10 % de fósforo. 21 . sem nenhum problema. o envenenamento dos animais pode ser evitado. (Carvalho.

Dr. não convém fornecê-la em estado fresco.Preparo das raízes e sua utilização na alimentação Prof. as raízes devem ser lavadas. as raízes tornam-se praticamente inutilizáveis. as raízes devem ser trituradas ou picadas. farelo ou silagem. lavar. a fim de retirar a terra aderida.Alimentos para bovinos 1 .empilhar os sacos sobre estrado de madeira. 2 . 1992) 23 . picar e fornecer imediatamente as raízes aos animais.se a mandioca for brava.se for mandioca-mansa. pois o amido sofre rapidamente uma hidrólise. Eliminar as que tiverem coloração escura. se deixar risco. (Carvalho.picá-las em pedaços de mais ou menos 5 cm de comprimento por 1. ainda. porque não se conservam bem em estado fresco. é preciso observar os seguintes passos: . . em local arejado. . depois de seca. .Fresca É uma das formas que a raiz pode ser fornecida aos animais. é porque está seco.ensacá-la diretamente ou transformá-la em farelo.5 cm de largura. . de tal forma que se tenha 5 a 7 kg/m2. Possui muito amido. em um terreiro cimentado. .colher e lavar as raízes em um tambor ou caixa. e as experiências mostram que pode ser incluída na formulação de rações de todos os animais. como se faz na secagem de café.verificar se o material está seco (14% de umidade). colher. Qualquer que seja sua destinação (fornecimento imediato aos animais ou conservação).espalhá-las sobre uma lona ou em um terreiro cimentado. formando pequenas leiras. deve ser picada e parcialmente secada. para fornecimento direto (fresca) ou para conservação sob a forma de raspa seca. Antes. seguida de fermentação. três dias após a colheita. . Em clima quente. Alguns cuidados devem ser tomados: . desmanchando-as periodicamente. mas pobre em proteína. . Uma vez limpas. Elson Martins Coelho A raiz de mandioca é rica em energia. em uma máquina de fazer raspas ou numa picadeira de capim.Raspa seca Para desidratar as raízes ao sol. 3 . jogando jatos d’água. ou.passar o rodo no sentido de maior comprimento do terreiro. Um método prático é tomar um pedaço de raiz e riscar no piso como se fosse giz.

lavar. compactar. picar.ao abrir o silo. em misturas de concentrados (sem desvantagens). Tem substituído o milho.não abrir o silo antes de 30 dias. com no mínimo 10 cm. da Prof. (farelo.Alimentos para bovinos O tempo necessário para a secagem depende da umidade do ar. encher e fechar o silo. .colher. em geral.cobrir com lona plástica (vedando bem) e sobrepor uma camada de terra. por isso aconselha-se a construção de silos pequenos.). . Elson Martins Coelho incidência de sol e do revolvimento do material no terreiro. não expor muito a parte ensilada que não vai ser retirada logo. . como indicado anteriormente. 2 cm. 1992) A silagem deve ser fornecida aos bovinos. misturada a alimentos protéicos lactação. A raspa ou farelo deve ser fornecida aos bovinos. .encher o silo o mais rápido possível.fazer canaleta para proteger o silo contra entrada de água. . . durando. no processo de desidratação. de 2 a 3 dias. no máximo. lavar e selecionar as raízes.compactar bem o material a cada camada de 20 cm postas no silo.fechar todo o espaço do silo e dar ao topo uma forma abaulada. . . Dr. em mistura com outros alimentos volumosos e concentrados (quadro 1). 4 . etc. na rapidez das operações de colher. tanto para engorda como para vacas em 24 . O segredo da boa silagem está. uréia.Ensilada Para obtenção de uma boa silagem os seguintes passos devem ser observados: .amontoar as raízes limpas perto da picadeira e picá-las imediatamente em pedaços de. sobretudo. (Carvalho.

é utilizado pelos ruminantes. através do fornecimento de energia e cadeias de carbono 25 . este equivalente é somado à proteína bruta de outros alimentos. devido à presença da enzima uréase normalmente presente no rúmen. que desdobra a uréia em amônia e gás carbônico.4% de nitrogênio. É importante ressaltar que o uso da uréia apresenta-se como uma tecnologia poupadora.25 = 281%. apesar de estar na forma de NNP. Quimicamente. em cálculo de ração. Assim. pelo fato de não possuir proteína. e passa a ser utilizada pelo organismo animal. permitindo a economia de outros alimentos. É calculada multiplicando-se o teor percentual de nitrogênio por um fator 6. que. o equivalente protéico da uréia é 45 x 6. branco. Isto ocorre.Alimentos para bovinos IV . A uréia contém de 45% a 46. Elson Martins Coelho A uréia é um composto orgânico sólido. Fatores que influenciam a utilização da uréia Carboidratos As fontes e a quantidade de carboidratos na ração são os fatores mais importantes para a síntese de proteína microbiana pelos microorganismos do rúmen. os microorganismos (microflora) presentes no rúmen passam a utilizar essa nova fonte de nitrogênio. a proteína microbiana ocorre em nível de rúmen.25. sem comprometer a produtividade dos animais. Os carboidratos. é classificada como amida.URÉIA Prof. daí ser considerada um composto nitrogenado não-protéico (NNP). Para fins práticos. Utilizam o nitrogênio amoniacal para a síntese de proteína microbiana. através do processo normal da digestão (esquema 1). Portanto. cristalizado e solúvel em água e álcool. Denomina-se "equivalente protéico" a composição nutricional da uréia. Dr. Daí.

Proteínas O nível de proteína na ração afeta a conversão de NNP em proteína microbiana. Alguns pesquisadores chamam a atenção para o início da redução de utilização da uréia. quando o teor de proteína bruta da ração total (base MS) excede a 14%. Os carboidratos diferem-se amplamente nesta função.). Por outro lado. Uma suplementação acima deste nível representa uma perda de nitrogênio. Portanto. Estes.Alimentos para bovinos ao sistema ruminal. sendo o menos efetivo de todos a celulose e o mais efetivo o amido (presente nos grãos dos cereais. é indispensável a presença de proteína verdadeira. propiciam a síntese de proteína. A relação comumente indicada é de 10 a 12 partes de nitrogênio para 1 parte de enxofre (N:S). juntamente com a amônia. A maior utilização da uréia ocorre com a presença de proteínas menos degradadas ou de baixa solubilidade. pois certas proteínas são muito pouco degradadas no rúmen. devido a sua composição em aminoácidos. Outro fator importante é a qualidade da proteína da ração. muitos trabalhos mostram que animais jovens recebendo rações contendo uréia tiveram crescimentos menores. O amido. provenientes da degradação da proteína. quando comparados com aqueles que receberam proteína verdadeira. Enxofre Para a síntese de proteína microbiana. raiz de mandioca. Bezerros a partir de 2 meses de idade estão teoricamente aptos para utilizarem a uréia. além do seu alto valor energético. Prof. Utilização da uréia A uréia pode ser utilizada na ração de todas as categorias de bovinos. a adição de enxofre resulta em maior aproveitamento de nitrogênio. As proteínas também fornecem energia ao sistema. A sacarose (presente na cana-de-açúcar) e os açúcares do melaço apresentam valores intermediários. são importantes para a utilização da amônia pelos microorganismos. devido à menor formação de amônia. Elson Martins Coelho 26 . quando se fornece uma ração pobre em enxofre (como exemplo cana/uréia). é hidrolisado em tempo mais hábil para o aproveitamento da amônia. etc. Dr. seja de origem vegetal ou animal. é importante a presença de enxofre(S) em nível de rúmen. Contudo.

. . Abaixo. fazer adaptação pelo menos durante 2 semanas. .Alimentos para bovinos Há limites de utilização da uréia pelos ruminantes. . caso contrário. em casos especiais. com possível morte.a quantidade de uréia não deve ser superior a 1% da matéria seca total da ração. merecem maior atenção no fornecimento por parte dos produtores. Dr. Estes limites estabelecidos apresentam certa margem de segurança e. durante pelo menos uma semana. . a adaptação dos animais ao uso da uréia. quando devidamente utilizada. Deve ser sempre recomendado à alimentação dos bovinos. .fazer misturas bem homogêneas. principalmente considerando o aspecto econômico.observar os animais com regularidade. como a utilização com minerais. para cada 100 kg de peso vivo do animal. Misturas com altos teores de uréia.1% de uréia na cana-de-açúcar picada. No caso de intoxicação.em mistura com minerais. poderá ocorrer intoxicação do animal. um ponto é de fundamental importância. . forçar o animal à ingestão imediata de 10 litros de vinagre e repetir após 2 a 3 horas com mais 5 litros. podem ser reestudados.até 40% de uréia numa mistura de sais minerais. 27 .considerar como limite máximo 40g de uréia por dia.realizar adaptação dos animais. Entretanto. . a uréia não deve ultrapassar 3% numa mistura de concentrados. algumas regras práticas para a utilização da uréia: . Prof. A uréia. .fornecer os alimentos com uréia em cocho coberto ou perfurado. Elson Martins Coelho pois.5 kg de uréia por tonelada de material a ser ensilado. . dever-se-á realizar nova adaptação.não fornecer concentrado com uréia em rações líquidas ('sopão'). traz grandes vantagens.o NNP proveniente da uréia não deve ser maior do que 33% do nitrogênio total da ração. qual seja. para evitar acúmulo de água. . interrompendo o uso por mais de 3 dias.permitir livre acesso dos animais à água e aos minerais. com aumento gradativo da uréia.de um modo geral. o que deve ser respeitado. . Cuidados no fornecimento de uréia .

A serragem e o cepilho constituem também material inferior. com aproximadamente 60% de NDT. palhadas trituradas. em torno de 16 t de cama.4% de cálcio e 1. Os tipos de material de cama mais utilizados são: a casca de arroz (moída ou inteira). se retira. 60% de NDT. 16. ainda com o risco de possuírem pregos. sendo que a maior fração nitrogenada está na forma de ácido úrico. mas pode ser considerada uma fonte regular de energia. A proteína bruta da cama de frango normalmente está entre 18 a 22%. 2. serragem e cepilho de madeira. Utilização da cama de frango 28 . rico em sílica e de baixa digestibilidade.3% de proteína bruta. O restante está na forma protéica. O ideal seria o uso de sabugo ou feno de capim triturado. após a engorda dos frangos. manejo da cama e tempo de armazenagem. com aproximadamente 60% do N total. arames.EXCREMENTOS DE AVES Prof. principal fração nitrogenada.Alimentos para bovinos V . Seu valor energético vai depender muito do tipo de material da cama. Seus teores em cálcio e fósforo são consideráveis. número de aves/m2. A produção nas granjas avícolas é significativa. É recomendável a análise periódica das camas. Sua composição química varia de acordo com o tipo e quantidade de cama. apesar de ser muito utilizada. de fezes e de penas das aves e de restos de ração. Elson Martins Coelho Os ruminantes possuem a capacidade de utilizar eficientemente o nitrogênio. para uma maior segurança na formulação das rações. constitui um material pobre. À semelhança da uréia. Dr. o ácido úrico constitui uma fonte de NNP. de um galpão com 10 mil aves. Dois materiais se destacam na alimentação dos bovinos: a cama de frango e as fezes secas de galinha.8% de fósforo. uma vez que. Apresenta a seguinte composição química (base matéria seca): 85% de matéria seca. A casca de arroz. 21. sabugo e feno de capim triturado. excretada pelas aves. o que reduz a necessidade na suplementação. proveniente do ácido úrico. Cama de frango A cama de frango é uma mistura. constituída da cama propriamente dita (material distribuído no piso dos galpões).8% de fibra bruta. etc.

Entretanto. no momento da ensilagem. determinado com novilhos em confinamento. Prof. pois o valor do esterco de aves poderá ser alterado em alguns dias. devido ao desprendimento de nitrogênio pela amonificação. deve ser evitada para bezerros de até 60 dias de idade e vacas de alta produção de leite. entretanto. quando possui em torno de 60% de matéria seca (40% de umidade). Assim. Outra maneira de se utilizar da cama de frango é misturada à forragem. Entretanto. Aspectos de sanidade Não há indicações de que o homem. Elson Martins Coelho entretanto. promove o aumento da matéria seca. 1977) (quadro 1) A cama de frango pode ser ensilada pura. ingerindo carne ou leite de animais alimentados com cama de frango. e ganho de peso ocorreram com 13. de 29 . Também não foi constatada doença como resultante do uso de cama de frango em gado de leite. da proteína bruta e da digestibilidade da matéria seca. quanto mais fresca for a cama. categorias com baixo desempenho ou em mantença podem receber exclusivamente a cama misturada ou volumoso. recomendam-se até 50% para bois em engorda e animais em recria e no máximo 40% para vacas em lactação. Outro aspecto da armazenagem é o tempo. sendo que ocorre uma boa fermentação. o melhor consumo da silagem. é mais recomendada às silagens de capim. Trabalho mostra que o aumento gradativo (até 25%) de cama de frango ao capim-elefante. maior será o teor de N e por conseqüência de proteína bruta. Na cama de frango úmida e armazenada a granel podem ocorrer alto aquecimento e risco de combustão espontânea.7% de cama de frango. tenha tido problemas de saúde. Em misturas concentradas (com milho e farelos). (Lavezzo.Alimentos para bovinos A cama de frango pode ser utilizada em todas as categorias de bovinos. Pode ser utilizada na produção de silagem de milho ou sorgo. no processo de ensilagem. Dr.

Para vacas em lactação recebendo ração em que o farelo de algodão foi substituído pela cama. a sobrevivência deles. devido a sua menor aceitabilidade por parte dos animais. Elson Martins Coelho 30 . em análises já realizadas. Durante a armazenagem ou ensilagem da cama. até mesmo.8% de cálcio e de 2. A acidez desenvolvida no material ensilado (fermentado) também contribui para esse fato. que poderiam causar algum problema à saúde do animal. Contudo.9% a 7. Sua utilização pode seguir basicamente as orientações para o uso de cama de frango. Têm sido encontrados valores de 22. penas das aves e restos de ração. intoxicação pelo (alto nível) cobre foi observada em ovinos alimentados exclusivamente com cama.6% de fósforo (base matéria seca). MINERAIS Os minerais constituem nutrientes de vital importância na nutrição dos bovinos. Potencialmente. Prof. pois. na forma suplementar. A ensilagem também pode ser feita com fezes frescas. o que não ocorreu com os bovinos. contudo sempre observando o consumo ou aceitabilidade por parte dos animais. as camas de frango podem ser patogênicas. apresentam teores de proteína bruta. de 6. temperaturas elevadas ocorrem no interior do material estocado.0 a 2. foram constatados bactérias e fungos. Dr. o que sem dúvida constitui uma prática aconselhável. objetivando a manutenção. Normalmente. constituindo uma forma de inibir o desenvolvimento desses microorganismos. concluiu-se que não houve mudanças nas características do leite. animais de corte recebendo cama de frango não mostraram na gordura sinais de drogas. Fezes secas de galinha criada em gaiola Esterco de galinha é uma mistura de excremento. Sua produção anual está na faixa de 10 a 12 kg/poedeira. o desempenho dos bovinos e. à base de 50% de cada. É necessária sua presença na dieta de todas as categorias. de cálcio e de fósforo maiores do que a cama de frango. juntamente com uma forrageira.7% a 26. As fezes devem ser fornecidas secas. e sua utilização tem sido mais restrita. Por outro lado.Alimentos para bovinos corte e caprinos.6% de proteína bruta.

seu excesso pode apresentar toxidez nos bovinos. ferro. cloro. selênio. uma vez que o organismo animal tem baixa capacidade de armazená-lo. Os microminerais são: zinco. A falta de sódio na dieta provoca vários sintomas: 31 . possuem baixos níveis de sódio. por outro lado. potássio. 1952) As pastagens. não sendo capazes de atender às exigências dos bovinos. manganês e molibdênio. Os macrominerais são: sódio. Além do mais. Destes. (Barcelos. Em função das necessidades quantitativas do animal. cálcio. Macrominerais 1 . e. fósforo. em geral. cobalto.Sódio (Na) e Cloro (Cl) O sódio é elemento universalmente deficiente entre todos os minerais essenciais aos ruminantes. nenhuma ração comumente usada para bovinos fornece quantidade satisfatória deste mineral. A deficiência dos minerais provoca as chamadas doenças carenciais (Quadro 1). Elson Martins Coelho participaram de maneira efetiva.Alimentos para bovinos Na constituição do organismo animal. 15 são considerados como essenciais. magnésio e enxofre. sendo indispensável ao perfeito funcionamento do organismo animal. os elementos minerais são classificados em macronutrientes ou macrominerais e micronutrientes ou microminerais. cobre. pelo menos 27 elementos minerais Prof. Dr. iodo.

madeira.redução do apetite e apetite depravado (ingestão de pedra. enquanto o leite possui 1. . .Potássio (K) É um mineral essencial à vida e se encontra muito presente nos músculos e na pele. 4 .apetite anormal pelo sal. As necessidades dos animais são atendidas pelo fornecimento de cloreto de sódio (sal comum). essencial para a digestão gástrica. 3 . o fósforo é o mineral mais encontrado no corpo animal (8 a 10 g/kg de peso vivo). . Dr. os animais são capazes de fazer grandes caminhadas .depravação do apetite.enfraquecimento acentuado e decréscimo na produção de leite. A maior parte do cálcio do organismo se encontra nos ossos e dentes. É o terceiro elemento mais encontrado no corpo animal (4 g/kg de peso vivo).2 g/kg. . É importante a relação cálcio e fósforo (em geral 2:1) e níveis adequados de vitaminas D2 ou D3 para a melhor absorção e utilização do cálcio. Os solos normalmente são pobres deste elemento. 2 . . Elson Martins Coelho 32 . etc. o cálcio se apresenta na proporção de 13 a 18 g/kg de peso vivo. Prof.baixo índice de fertilidade do rebanho.). ossos.perda de apetite e de peso.Fósforo (P) Depois do cálcio. O cloro é um dos principais elementos do fluido extracelular e possui uma função importante na formação do ácido clorídrico. Alguns sintomas de deficiência: . que faz o animal chegar ao ponto de ingerir terra.baixa produção de leite e decréscimo no ganho de peso dos bezerros. pelo qual os bovinos têm grande avidez. A carência destes minerais causa o raquitismo em animais jovens e osteomalácia (ossos fracos) em adultos. refletindo em pastagens sem condições de atender às exigências totais dos bovinos.Cálcio (Ca) No organismo animal.Alimentos para bovinos para ingeri-lo.

portanto sem necessidade de sua suplementação. fraqueza. redução do apetite. Elson Martins Coelho paralisia muscular. 1988).Alimentos para bovinos Sua carência pode provocar: parada do crescimento. geralmente as forragens contêm consideravelmente mais potássio do que a exigida pelo gado de leite (NAS. 33 . degeneração dos órgãos vitais e desordens nervosas. Dr. rigidez e Prof. (Barcelos 1992) Apesar de sua importância.

2 . devido a seu baixo teor no sangue. Incidência de endo e ectopa-rasitos e ocorrência de perda de sangue podem conduzir à deficiência. Microminerais 1 .Alimentos para bovinos 5 . entretanto pode ser freqüente em bezerros na fase de aleitamento.Ferro (Fe) Presente na hemoglobina e apresenta importante função na respiração celular. 34 .Zinco (Zn) Possui muitas funções. contudo é recomendável sua suplementação. entre os sintomas de deficiência. cisteína e cistina e nas vitaminas tiamina e biotina. O sintoma mais característico é a anemia. o que merece atenção especial. além do enxofre presente nas misturas minerais. apesar de níveis normais de Ca e P. entre elas estar associado aos hormônios reprodutivos. São raros os casos de deficiência em animais adultos. um reforço à base de 10 a 12 partes de nitrogênio para uma parte de enxofre. 6 . destacam-se o ressecamento e a escamação da pele. Dr. e. Em dietas pobres desse mineral. como cana/uréia. como a metionina. É um ativador de enzimas e importante na síntese de gordura do leite. Possui uma importante função na síntese de proteínas.Enxofre (S) É um elemento presente nos aminoácidos sulfurosos. portanto com funções no desenvolvimento dos ossos e dentes. Elson Martins Coelho Está intimamente associado ao cálcio e fósforo. recomenda-se. Normalmente. não é comum a ocorrência de deficiência de magnésio. As pastagens em solo de cerrado são normalmente deficientes. A deficiência de magnésio causa uma doença denominada "tetania das pastagens". em nível de rúmen.Magnésio (Mg) Prof.

. como: "mal-de-colete". 8 .Alimentos para bovinos 3 . papeira ou papo. 7 . "peste de secar". entretanto sua carência causa principalmente deficiência reprodutiva e retenção de placenta durante o parto. supressão do cio em vacas e queda do libido nos reprodutores. Sua deficiência causa anemia. e. com função primordial na síntese dos hormônios nesta glândula. 5 . Sem a sua presença na dieta.Cobalto (Co) Faz parte da composição molecular da vitamina B12. Sua deficiência causa o bócio. 4 .Manganês (Mn) Sua absorção é baixa pelo organismo animal. em termos práticos. 6 . que.Selênio (Se) Inicialmente. Dr. Doença carencial de cobalto ocorre com vários nomes regionais. Elson Martins Coelho Presente nos glóbulos vermelhos do sangue.Cobre (Cu) Prof. 35 . não há síntese desta vitamina em nível de rúmen. anemia. Não é necessária sua inclusão nas misturas minerais. foi estudado como sendo um elemento tóxico. etc. "mal-defastio". sendo importante para a reprodução e. para a sobrevivência das crias. mantém estreita relação com o ferro e o molibdênio.Molibdênio (Mo) Estudado mais sobre sua toxidez. perda de peso ocorrem devido a sua deficiência.Iodo (I) Presente na tireóide. queda da fertilidade e da produção de leite. durante a gestação. não tem ocorrido sua deficiência. em casos extremos. pode resultar em morte dos animais. Sintomas como falta de apetite.

36 . farelo. A mistura mineral deve estar disponível a todas as categorias do rebanho. farelos. dependendo da categoria e das quantidades de concentrado fornecido. distribuídos nas pastagens e ou nos currais ou estábulos. para ser misturada ao cloreto de sódio (sal comum). pois isto implica conhecimento. etc. O fornecimento das misturas minerais pode ser realizado das seguintes formas: a . dois tipos de misturas minerais disponíveis: uma mistura completa ou "pronta para uso". Elson Martins Coelho Recomendam-se que as misturas minerais sejam adquiridas de empresas especializadas.) preparados na propriedade. Evitar "pacotinhos milagrosos" com prescrições para serem incluídos apenas no sal comun. Dr. c . chamadas misturas múltiplas. respectivamente. Neste caso.Adicionadas à uréia e a alimentos "palatabilizantes" (fubá de milho. utilização de equipamentos específicos e pequenas quantificações de certos minerais. Existem. Permitem mantença de animais em recria (machos e fêmeas). basicamente. de preferência cobertos. visando à melhor utilização do pasto seco (maior digestibilidade e consumo). Recomendadas para o período de inverno. em geral. para que ocorra a real mineralização do rebanho. b . É aconselhado que sua aquisição seja de empresas estabelecidas.adicionadas à uréia. tem sido recomendado de 1 a 4%.). durante todo o ano. e uma outra mais concentrada. registradas e idôneas. para evitar entrada e acúmulo de água no cocho.Alimentos para bovinos Fornecimento das Misturas Minerais Prof. na qual estão presentes todos os ingredientes.adicionadas aos concentrados (milho. Os animais têm livre acesso às misturas e consumo à vontade. evitando-se sua formulação e preparo em nível de propriedade rural. e devem-se utilizar cochos cobertos e furados. etc.fornecidas exclusivamente em cochos. O Quadro 2 fornece as proporções recomendadas e o esquema de adaptação dos animais. na proporção de 60 a 70 partes de sal mineral para 40 a 30 partes de uréia. Merecem cuidados especiais de adaptação dos animais. d .

O consumo voluntário esperado é da ordem de 300 g/animal adulto/dia. 37 . durante o período de inverno. os padrões de registro das misturas minerais destinadas a bovinos. mesmo que em pequenas proporções. através da Portaria nº 33 de 22/04/91. Permite mantença ou pequenos ganhos de animais em recria (machos e fêmeas) e engorda. que devem ser respeitados pelos fabricantes (Quadro 3).Alimentos para bovinos Prof. Padrões de Misturas Minerais A Secretária Nacional de Defesa Agropecuária do MAARA estabeleceu. visando à melhor utilização do pasto seco (maior digestibilidade e consumo). Existem misturas minerais/uréia/palatabilizantes já prontas e comercialmente disponíveis. Esta proposta é melhor do que a anterior (sal/uréia). pois os animais consomem mais a mistura e proporciona a ingestão de outros nutrientes. Dr. aves e suínos. Elson Martins Coelho Fornecer à vontade em cochos cobertos e furados.

definindo os procedimentos relativos a suplementos minerais. .Alimentos para bovinos Prof.2 %. estabelece que o suplemento mineral contenha no mínimo 20% e no máximo 35% de uréia e que. comparando-os com os padrões legais. com inclusão de uréia para bovinos. .que o teor de cloreto de sódio não ultrapasse a 60%. Dr. Entre os procedimentos principais. para gado de leite.que o teor de flúor não pode exceder 0. Para gado de corte não é permitida a redução dos minerais com a inclusão da uréia. em sua forma definitiva ou como precursoras. . Elson Martins Coelho Atenção: Além dos padrões mínimos.que é proibido o uso de fosfato de rocha. Em 30/06/95. diminuídos do percentual da uréia. VITAMINAS PARA BOVINOS As vitaminas são compostos orgânicos existentes nos alimentos. É oportuno esclarecer que o produtor deve observar os teores dos minerais explícitos na embalagem. e necessárias em quantidades mínimas ao 38 .que o cálcio e fósforo tenham uma relação mínima de 1:1. os minerais da formulação sejam aqueles determinados (Portaria 33). a portaria estabelece: . a Secretaria de Desenvolvimento Rural baixou a Instrução Normativa no 2.

Contudo. as diversas vitaminas têm funções diferenciadas no organismo dos animais. que diferem as vitaminas do grupo lipossolúvel (A. como as bactérias. K) das vitaminas do grupo hidrossolúvel (complexo B e C). Dr. como há entre os carboidratos. um determinado grupo definido de substâncias. ou seja. 39 . à perfeita nutrição e As vitaminas até agora conhecidas são diferentes em estrutura química. as proteínas e os lipídios. D. As vitaminas são classificadas em dois grupos: aquelas solúveis em solventes de gordura e são grupadas sob a denominação de vitaminas lipossolúveis. como. incluindo os mais simples. não constituindo. e aquelas outras solúveis em água. a função. com funções altamente especializadas. crescimento. as vitaminas lipossolúveis somente são requeridas por organismos multicelulares complexos.Vitaminas lipossolúveis Há uma correlação entre a absorção de vitaminas lipossolúveis e a digestão e absorção dos lipídios. Elson Martins Coelho 1 .Alimentos para bovinos saúde. (Vilela. local de absorção. portanto. As vitaminas do complexo B possuem papel enzimático fundamental nas reações intermediárias do metabolismo comum a todos os organismos. Não há relação de identificação química entre elas. 1979) Quadro 1 Prof. que recebem a denominação de vitaminas hidrossolúveis. Devido às suas diferentes estruturas químicas. E. Existem algumas características básicas. à produção e reprodução dos animais. cujo mecanismo e função são ainda desconhecidos. excreção e armazenamento.

que é o de suprir o recém-nascido desta vitamina. provocando ausência de cio ou cios irregulares. As silagens e os fenos não são fontes satisfatórias de caroteno. armazena-o no fígado. para isso. no caso dos bovinos. abortos e retenção de placenta. são desdobrados em vitamina A. as respostas do animal ao caroteno são lentas. é preciso que os bezerros recebam esse alimento em quantidades apropriadas. sendo recomendável a administração da própria vitamina. No caso da desmama precoce ou redução no fornecimento de leite. Este composto é comumente designado de provitamina A. Neste último caso. É provável que os bezerros nasçam com reduzida reserva de vitamina A. o concentrado que recebem deve ser enriquecido com vitamina A. mas sob a forma do caroteno. em menor escala. embora não sejam fornecedoras da vitamina. (Vilela. Esta conversão pode piorar mais ainda. No entanto ela não ocorre como vitamina A propriamente dita em produtos vegetais. Dr. Bezerros com deficiência de vitamina A apresentam aspecto doentio. são susceptíveis a doenças do aparelho respiratório (pneumonia) e digestivo (diarréia). após 60 a 90 dias de idade. uma vez que esse é destruído em grande parte. O milho amarelo (grão) é fonte abundante de caroteno e pode prestar razoável contribuição ao fornecimento da vitamina. em quantidades necessárias. Entretanto. e. no caso de deficiência protéica e mesmo quando há carência da própria vitamina. 1979) O organismo animal depois de transformar o caroteno em vitamina A.Alimentos para bovinos a . durante o processo de fermentação ou de desidratação. que a encerra em teores adequados. principalmente na mucosa intestinal. Em vacas. porque o organismo pode transformá-lo na vitamina ativa. mas suas necessidades são atendidas pelo leite. Elson Martins Coelho Todos os animais requerem uma fonte dietética de vitamina A. em outros tecidos. com elevado índice de mortalidade. visto que as rações são constituídas principal ou inteiramente de alimentos de origem vegetal. a carência dessa vitamina interfere no processo reprodutivo. Esses. 40 . e é desta forma que as exigências de vitamina A dos animais podem ser supridas.Vitamina A e Caroteno Prof. Os animais jovens a requerem em níveis elevados. são ricas em seus precursores (carotenos). Daí vem uma das importantes funções do colostro. A eficiência da conversão de caroteno em vitamina A é bastante baixa. As forragens verdes.

Por outro lado. vacas em estabulação completa devem receber vitamina D adicional. Isso porque a luminosidade solar (raios ultravioletas) converte os esteróis cutâneos em vitamina D3. sem receber sol. é muito remota ou mesmo inexistente a Prof. Entretanto. se o animal receber alimentos verdes de boa qualidade. b . é dispensável o fornecimento suplementar da vitamina. principalmente no caso de vacas boas produtoras de leite. Mesmo na época de seca. Dr. pois o leite não é fonte suficiente. é improvável casos de deficiências. se o alimento básico provém de capineira. há de ser prevista a possibilidade de deficiência.Vitamina D É importante para o metabolismo do cálcio.Alimentos para bovinos No período de boas pastagens. desempenhando papel relevante na formação do esqueleto e produção de leite. silagens. Nas nossas condições usuais de manejo do rebanho. em quantidade suficiente para atender às necessidades do animal. se bezerros são alojados em bezerreiros. 41 . Os fenos curados ao sol são fontes ricas dessa vitamina. fenos e palhadas. Da mesma forma. cuja forragem esteja madura (com poucas folhas). Elson Martins Coelho possibilidade de carência da vitamina A. é indispensável que tenham essa vitamina em seu alimento.

volumoso de baixa qualidade. e a vitamina K2 é sintetizada por bactérias do rúmen. 2 . como as do complexo B (tiamina. piridoxina. portanto. são sintetizadas no rúmen. 3 . bem como de se encontrar fisiologicamente relacionada com o selênio (micromineral importante na reprodução). inositol. Não chega a ser problema prático na criação. e a vitamina C é sintetizada nos tecidos dos animais. niacina.Vitaminas Hidrossolúveis As vitaminas desse grupo. em condições normais. 42 . a vitamina que deveria merecer um pouco de atenção seria a vitamina A. em condições normais de criação. ácido pantotênico. pode ser avaliado que. Aparentemente. palhadas). biotina. praticamente não existem possibilidades de deficiências dessa vitamina.Vitamina K A vitamina K está presente em grande quantidade nas forragens verdes.Outros comentários Com base nas pesquisas. especialmente no caso de rebanho leiteiro. Assim. os ruminantes têm as suas necessidades vitamínicas atendidas pelos alimentos naturais e pela síntese que ocorre no rúmen e nos tecidos. d . na dieta dos bovinos. já que pode ser deficiente em determinadas situações (pastagem seca. A necessidade de dietas ou fontes dietéticas de vitaminas do complexo B não tem sido estabelecida para os ruminantes em condições normais de alimentação. Elson Martins Coelho A importância da vitamina E está no fato de atuar como antioxidante biológico. pois é abundante nas forragens e nos grãos das misturas de concentrados. é necessária a presença desse micromineral no rúmen.Vitamina E Prof. ácido fólico. Dr. colina). É oportuno observar que o cobalto faz parte da molécula da vitamina B12. cianocabalanina. ou seja. de um modo geral.Alimentos para bovinos c . riboflavina. para a sua síntese.

mesmo assim em situações especiais. as características da água e o estado fisiológico do animal. Há dados disponíveis que evidenciam o fato de que temperaturas extremas afetam o consumo de água.Alimentos para bovinos Conclui-se que não há necessidade de amplas suplementações vitamínicas Prof. adicionadas à ração ou mesmo injetável em quantidades de acordo com as recomendações do fabricante. entre eles o consumo de matéria seca. resfriando-se a água de 31. O consumo de dietas contendo substanciais teores de cloreto de sódio. (NRC. a ingestão de alimentos com alto teor de umidade diminui o consumo voluntário de água. os referidos dados mostram que. para a digestão. Dr. para proporcionar um ambiente para o desenvolvimento do feto e para transporte de nutrientes aos tecidos do corpo. bem como a taxa respiratória e o desempenho do animal. as condições climáticas (temperatura e umidade do ar). 1988) A quantidade de água ingerida pelos bovinos é influenciada por vários fatores. como por exemplo. A temperatura da água também afeta o consumo de água pelos bovinos e seus desempenhos. denominadas "núcleos". Sob altas temperaturas ambientais (acima de 30ºC). pois o problema praticamente restringe-se à vitamina A. o consumo de água reduz- 43 . Entretanto. Elson Martins Coelho na alimentação dos rebanhos brasileiros.1 para 18. e. ÁGUA PARA OS BOVINOS A água é considerada um nutriente essencial para os bovinos. maior será o consumo de água. com o uso de niacina. quanto maior for a temperatura e menor a umidade do ar. 1979) Nos casos especiais têm de se considerar as vacas leiteiras de alta produção. (Vilela. Assim. bicarbonato de sódio ou proteína também está associado com o maior consumo de água. O consumo de água é altamente afetado pela composição da dieta. pois tem ocorrido resposta a certas vitaminas. a composição da dieta. absorção e metabolismo dos nutrientes. para eliminação dos excrementos e excesso do calor corporal. de um modo geral.3ºC. É necessária para a manutenção dos fluidos corporais e promover o correto balanço dos íons. prontas para uso. É oportuno mencionar que existem comercialmente disponíveis misturas minerais vitamínicas. As vitaminas são ministradas aos bovinos. altas concentrações de cloreto de sódio na água diminuem seu consumo e tornam-se tóxicas na concentração de 2%. O consumo de água é positivamente correlacionado com o consumo de matéria seca.

5% mais leite do que vacas que recebem água duas vezes ao dia (quadro 1).6 a 4. Com temperaturas variando de 17 a 27ºC. Existem outras variáveis dentro da espécie que afetam o consumo de água: se o animal precisa de alimento somente para a mantença. Elson Martins Coelho 44 . especialmente durante os 3 últimos meses de gestação. consome mais água via forragem. ou para engordar. Prof. Esta diferença está principalmente relacionada com o hábito de alimentação do gado zebu. O zebu tem um hábito de pastejo com maior grau de seletividade do que o europeu e. Vacas leiteiras com água à disposição bebem 18% mais e produzem 3. o gado zebu (Bos indicus) bebe menos água do que o gado europeu (Bos taurus).Alimentos para bovinos se de 3.157) x (produção de leite em kg/dia)] + [(0. (ARC. e este aumento foi crescente quando a temperatura da água passou de 1 para 39ºC. Dr. 1988) aumenta em 36%.99 + [(1. Por outro lado. e ganho de peso em gado de corte (NRC. ou para gestar e ou para lactação.271) x (consumo de matéria seca em kg/dia)] + [(0. assim: Consumo de água (kg/dia) = 15.106) x (temperatura mínima diária em graus C)]. Outros trabalhos confirmam que aquecimento da água durante o inverno aumenta o seu consumo por vacas de leite.90±0. A restrição natural. 1980) Vacas gestantes consomem mais água do que as não gestantes. Os trabalhos concluem que os gastos com o aquecimento ou esfriamento da água são maiores do que a que se obtém de retorno financeiro. o mesmo acontecendo com vacas não lactantes. ou para crescer. aguadas de difícil acesso e distantes. a taxa de respiração sofre redução de 10 a 12%.05 ± 0.5 kg/dia. isto é. O NRC(1988) propõe uma equação para estimar o consumo de água por vacas em lactação.20 ± 0. contribui para baixar a produção de leite.023) x (consumo de sódio em g/dia)] + [(1. a estimativa de requerimento de água pelos bovinos é de 3.5 a 5. com isto.5 kg de água/kg de matéria seca da dieta.58 ± 0.

Elson Martins Coelho A água fornecida aos animais deve ser limpa e estar disponível à vontade.Alimentos para bovinos Prof. O Quadro 2 apresenta consumo de água para bovino de corte. mas são substâncias capazes de promover o aumento da eficiência alimentar e do desempenho dos bovinos de corte. Dr. São divididos em dois grupos: aditivos e anabolizantes. Ainda. PROMOTORES DE CRESCIMENTO Os promotores de crescimento não são considerados alimentos. é oportuno lembrar que vacas no final de gestação e início de lactação são os animais que necessitam de maior quantidade de água. Aditivos 45 . Os bebedouros devem ser de fácil acesso e estar próximos aos animais.

Dr.Ácido lasalocídico . . informa que as reações no desempenho de animais alimentados com ionóforos (aditivos) dependem do tipo da dieta. Níveis recomendados do princípio ativo para animais confinados: . Alvarenga (1991). . diminui o consumo sem promover diminuição no ganho de peso.aumentam a digestão de amido. apenas dois estão disponíveis no país e aprovados para serem adicionados à dieta alimentar de bovinos de corte.300 miligramas/cabeça/dia. ou para aumentar a taxa de ganho de peso em gado recriado ou terminado a pasto (Cesar.diminuem a degradação da proteína em nível de rúmen. . Com relação à resposta animal. Em dietas à base de grãos (caso de animais em confinamento). Observação: estes aditivos são extremamente tóxicos para eqüinos. São eles: a) Monensina sódica: fabricado no Brasil e comercializado sob o nome de Rumensin. Já em dietas com quantidades maiores de forragens. . . à dieta alimentar de bovinos em confinamento. Tem-se encontrado acima de 10% no aumento da eficiência alimentar. modificando seu metabolismo. entretanto.Monensina sódica . 1986). Existem vários tipos de ionóforos.inibem a ocorrência de timpanismo. em dosagens recomendadas. Ambos possuem o mesmo mecanismo de ação e afetam os processos metabólicos. Anabolizantes 46 . Entretanto.aumentam o consumo de dietas com alta fibra e baixa energia.200 miligramas/cabeça/dia. . Esses ionóforos são antibióticos capazes de atuar na fermentação do rúmen. b) Ácido lasalocídico: fabricado no Brasil e comercializado sob o nome de Taurotec. melhorando assim a conversão alimentar. quando adicionados.diminuem a incidência de desordens metabólicas (prevenção de acidose). porém pelo aumento no ganho de peso com o mesmo consumo. a conversão alimentar também melhora. .modificam a digestibilidade da fibra. Elson Martins Coelho eficiência alimentar. para seu uso. seguir as orientações prescritas pelo fabricante. tais como: . mencionando outros autores.provocam mudanças na população microbiana do rúmen.Alimentos para bovinos Os aditivos são ionóforos que foram desenvolvidos para aumentar a Prof.

sem necessidade de período de carência após serem implantados. Existem basicamente 4 categorias de implantes (Cesar. Apesar desta proibição. junto às autoridades governamentais. São mundialmente condenados por serem cancerígenos.após a implantação. Sabe-se que o uso de vários destes compostos são utilizados. É oportuno mencionar que as entidades de classe dos criadores têm feito esforços. Dr. de um modo geral. Testosterona. Entre eles. Steeroid. um acréscimo de 6 a 12% no ganho de peso dos animais. Os criadores se baseiam em vários argumentos favoráveis à liberação do uso. cuja aplicação é feita através da introdução sob a pele da orelha do animal. aumentando o potencial de crescimento dos bovinos. . são hormônios de origem natural ou sintética.Alimentos para bovinos Prof.A. fazendo com que haja liberação do hormônio de crescimento. em larga escala. d) Implantes condenados que causam problemas para a saúde humana à base de Estilbestrol como o Stimplant. devido a seu uso em diversos países e ao interesse manifestado pelos criadores pela liberação de alguns destes implantes. Hexatette e Viguen. estes promotores de crescimento estão proibidos legalmente de serem fabricados e utilizados no Brasil (Portaria MAARA 51/91). no U. Elson Martins Coelho Também chamados de 'implantes'. Apresentam-se. devido a não oferecerem risco à saúde humana. Compudose e Impulso. normalmente.são utilizados por países desenvolvidos. b) Implantes de origem natural (hormônios naturais) como o Synovex. podem-se citar os hormônios à base de: 17 Beta Estradiol. Austrália. tornam-se oportunos comentários a respeito do assunto. após serem implantados (normalmente 60 dias). progesterona. c) Implantes de origem natural combinado com sintético como o Forplix e Revalor. podendo mencionar: . Atualmente. Argentina e México.. 1986): a) implantes de origem sintética (hormônios sintéticos) como o Zeranol e o Trembolone. 47 . Estes hormônios tendem a ser os mais aceitos pela maioria dos países.S. Necessitam de período de carência. Nova Zelândia. Zeranol e Trembolona. no sentido de que sejam liberados alguns destes compostos. O uso destes implantes tem promovido. na forma de 'pellet'. com atuação glandular. Canadá. os níveis de hormônios na carne são freqüentemente mais baixos do que aqueles encontrados em gado não tratado.

Prof. Comparação da concentração de hormônios femininos em relação a 500g de carne de bovinos implantados.são encontrados naturalmente em outros alimentos com teores superiores à carne de animais implantados. Exemplos: * 1 ovo de galinha contém 200 vezes mais hormônio. Dr.000 vezes mais atividade estrogênica. * 1 colher de sobremesa de óleo de soja contém 2.Alimentos para bovinos . Elson Martins Coelho 48 . * 1 copo de leite contém entre 3 a 5 vezes mais.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful