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A partir da leitura do texto de Cohn (Antropologia da Criança), descreva como se dá a


formação de uma pessoa Xikrin, mostrando a noção de paternidade e a passagem da infância
para a vida adulta.

Atenção: utilize a paráfrase, redija um texto coeso e coerente em seu próprio estilo; respostas
majoritariamente compostas por trechos copiados (seja lá de onde for) serão zeradas. Se você
tem dúvidas sobre o que configura plágio, acesse:
http://www.noticias.uff.br/arquivos/cartilha-sobre-plagio-academico.pdf

Para os Xikrin, comunidade indígena que vive no interior do Estado do Pará, a formação de um
novo indivíduo depende da conjunção, basicamente, de três elementos: o corpo, o “karon” e o
ritual de identidade social.

O corpo do feto vai se formado, na barriga da mãe, gradualmente, por meio de várias relações
sexuais. Não há, portanto, a concepção em um momento específico – e pode, inclusive, haver
a participação de mais de um homem nessa construção (o que permite também que o novo
indivíduo tenha também mais de um pai).

A esse corpo vincula-se, ainda durante a gravidez, o “karon” (que pode ter seu equivalente a
“alma” ou “espírito”), que permanece vivo após a morte do corpo. Quanto mais novo e menor
o indivíduo, menor também a sua capacidade de “prender” ou “segurar” o “karon”, que
experiencia passeios e aventuras enquanto o corpo dorme. É importante, por isso, cuidar para
que uma criança não se zangue e o seu “karon” afaste-se e não consiga voltar.

A junção dessa matéria acumulada com o elemento “karon” não é suficiente, ainda, para dar
formar uma nova pessoa. Logo após o parto, o(s) pai(s) da criança reconhece(m) e é(são)
reconhecidos como tal, por meio de uma cerimônia pública, que concede à criança nome e
prerrogativas identitárias. É necessário, para expandir as relações sociais da criança, que a
escolha do nome e que essas prerrogativas sejam dadas por membros da comunidade que não
tenham contribuído para a formação corpórea do novo indivíduo. Crianças que tenham
falecido antes de terem a oportunidade de passar pelo ritual, não são passíveis de receber o
tratamento funerário de uma pessoa completa.

A ligação material e a conexão entre um novo indivíduo e seus pais e mãe começa durante a
gestação, mas não se encerra com o parto – dura, na verdade, a vida toda e é especialmente
“testada” em momentos difíceis ou de crise. Em especial, nos primeiros meses de vida, quando
o corpo da criança ainda está se formando (e apresenta aspecto mais frágil e mole), pais e mãe
devem dedicar-se mais cuidadosamente ao trato do bebê, respeitando sua condição para
evitar qualquer tipo de violência ou má formação no novo ser ainda em construção.

A chegada de uma criança marca também a passagem dos genitores, quando se tratando de
um primeiro filho, da infância para a vida adulta. Essa transição é explicitada em suas peles por
meio de pinturas que transmitem todo tipo de informação social sobre uma pessoa. Há,
basicamente, três grandes “tipos” de pintura, que variam a depender do gênero: aquelas que
são feitas em crianças; aquelas exclusivas de pais e mães; e, aquelas reservadas à velhice, que
é alcançada quando não se tem mais filhos (ou quando os filhos de seus filhos nascem).

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