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Pós‑Graduação em Educação

Coordenação Pedagógica

Direito Educacional e Políticas


Públicas em Educação

Material Complementar
Leituras
Complementares

Os textos a seguir selecionados para leitura e desenvolvimento acadêmico retratam as produções de pesqui‑
sadores da área. A leitura e a análise desses textos contribuem para o seu conhecimento, além de subsidiarem a
realização das avaliações, já que as questões são elaboradas também a partir deles.

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COELHO, M. I. De M. Vinte anos de avaliação da educação básica no Brasil: aprendizagens e desafios. Ensaio:
aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 59, p. 229‑258, abr./jun. 2008 Disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&pid=S0104‑40362008000200005&lng= pt&nrm=iso&tlng=pt>.
Acesso em: 18 maio 2012.

CURY, C. R. J. A educação básica como direito. Cadernos de Pesquisa, v. 38, n. 134, p. 293‑303, maio/ago.
2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/v38n134/a0238134.pdf>. Acesso em: 22 maio 2012.

_____. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 116,
jul.  2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100‑15742002000200010&script=sci_
arttext>. Acesso em: 18 maio 2012.

DUARTE, C. S. Direito público subjetivo e políticas educacionais. Disponível em: <http://www.scielo.br/


pdf/spp/v18n2/a12v18n2.pdf>. Acesso em: 18 maio 2012.

ESPÍNDOLA, M. D.Gestão local e efetivação do direito à educação. Disponível em: <http://www.anped.


org.br/reunioes/31ra/1trabalho/GT05‑3982‑‑Int.pdf>. Acesso em: 18 maio 2012.

FERREIRA, N. S. C. Repensando e ressignificando a gestão democrática da educação na “cultura globalizada”.


Educ. Soc., Campinas, v. 25, n. 89, p. 1227‑1249, set./dez. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/
es/v25n89/22619.pdf>. Acesso em: 18 maio 2012.

HÖLFING, E. de M. Estado e políticas (públicas) sociais. Cad. CEDES, Campinas v. 21, n. 55, nov. 2001. Dispo‑
nível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0101‑32622001000300003&script=sci_arttext>. Acesso
em: 18 maio 2012.

MORAES, S. C. de. Propostas alternativas de construção de políticas públicas em educação: novas esperanças de
solução para velhos problemas? Educar, Curitiba, n. 35, p. 165‑179, 2009. Disponível em: <http://ojs.c3sl.
ufpr.br/ojs2/index.php/educar/article/viewFile/13602/11122>. Acesso em: 18 maio 2012.

SAVIANI, D. Percorrendo caminhos na educação. Educ. Soc., Campinas, v. 23, n. 81, p. 273‑290, dez. 2002.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v23n81/13941.pdf>. Acesso em: 18 maio 2012.

SILVA, I. M. Da. A avaliação institucional e a gestão democrática na escola. Disponível em: <http://
www.anped.org.br/reunioes/30ra/trabalhos/GT05‑2830‑‑Int.pdf>. Acesso em: 17 maio. 2012.

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

1.
SOUSA, C. P. de. Limites e possibilidades dos programas de aceleração de aprendizagem. Cadernos de Pes‑
quisa, São Paulo, n. 108, p. 81‑99, nov. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/n108/a04n108.
pdf>. Acesso em: 17 maio 2012.

SUANNO, M. V. R. Auto‑avaliação institucional: princípios e metodologia do Grupo Focal. Disponível em:


<http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/avinst01.htm>. Acesso em: 17 maio 2012.

VIEIRA, S. L. Gestão, avaliação e sucesso escolar: recortes da trajetória cearense. Estudos Avançados, São
Paulo, v. 21, n. 60, maio/ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S
0103‑40142007000200004& lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 17 maio 2012.

Coordenação Pedagógica

2.
Afirmações

“Direito Educacional é o conjunto de normas, princípios, leis e regulamentos que versam sobre as relações
de alunos, professores, administradores, especialistas e técnicos, enquanto envolvidos, mediata ou imediatamente,
no processo ensino‑aprendizagem.”

“As fontes jurisprudenciais do Direito Educacional estão presentes nas decisões dos tribunais, ou seja, na
esfera jurídica com os acórdãos e as súmulas, também chamadas de enunciados. Igualmente, nas decisões dos
colegiados (Conselho de Educação), no campo administrativo com os pareceres das entidades educacionais, que
têm força de jurisprudência (jurisprudência administrativa).”

(JOAQUIM, N. Direito educacional: o quê? para quê? e para quem? Disponível em: <http://jus.com.br/
revista/texto/6794/direito‑educacional>. Acesso em: 18 maio 2012.)

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

3.
Vídeos

Os vídeos selecionados retratam de forma audiovisual os conceitos abordados nesta disciplina.

1. Irmão

Mostra a importância do planejamento no cotidiano das pessoas, bem como objetivos claros, metodologia
e avaliação.

2. Jogo

Destaca a necessidade de estratégias e metodologias no processo de planejamento.

3. Sinuca

Demonstra a importância do planejamento para o alcance de objetivos, bem como o cuidado com detalhes
que devem ser previstos e organizados antes do processo completado.

4. Foguete

Destaca os componentes necessários para o desenvolvimento de um bom planejamento, como persistência,


determinação e a importância das informações nesse processo.

5. Avaliação: prêmio ou punição

Charge que traz inúmeras reflexões a respeito do processo avaliativo como um todo. Mostra a radicalização
até as últimas consequências do processo avaliativo equivocado.

6. Avaliação institucional

Apresentação de slides que destaca a importância da avaliação institucional e da participação efetiva da


comunidade escolar no que diz respeito a reflexões e à busca de soluções mais adequadas, de acordo com
a realidade em que a instituição educacional está inserida.

7. Comercial de humanos

Mostra a importância do trabalho em conjunto para o alcance de objetivos comuns e a harmonia do grupo.

8. O ponto avaliar

Mostra as modalidades de avaliação de uma forma breve, questionando suas funções, reflexões que devem
partir dela, a ressignificação dos atos de aprender e ensinar, bem como os caminhos a serem tomados após
a avaliação.

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4.
9. A união faz a força

Demonstra a importância da união e do trabalho coletivo para a obtenção dos objetivos propostos. Desta‑
ca‑se a necessidade da participação da comunidade nas reflexões e decisões no âmbito educativo.

10. Orquestra

Mostra a importância da harmonia e do trabalho em grupo, mesmo que se tenha em mãos apenas materiais
ditos improváveis. O professor/diretor/pedagogo é como um maestro que rege uma orquestra com dife‑
rentes pessoas, de características diversas, com histórias e crenças próprias. Essas diferenças devem ser
levadas em conta na construção de um planejamento efetivo e de uma avaliação eficaz.

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

5.
Estudos de Casos

1. O papel e a função da direção

Na instituição de ensino, a direção procura resolver todos os problemas que aparecem no âmbito peda‑
gógico, demonstrando preocupar‑se com a aquisição do conhecimento por todos os estudantes. Para isso,
realiza uma avaliação institucional semestral com professores e funcionários para organizar um diagnóstico e
estabelecer meios de melhorias necessárias.
Analise essa questão registrando sua opinião acerca da postura da direção.

2. Os processos decisórios em instituições de ensino

Na instituição de ensino Y, por meio de avaliações periódicas, a direção procura envolver todos os professo‑
res, funcionários, pais, alunos e comunidade para discutir problemas, avanços, retrocessos e vitórias, embora
os recursos sejam escassos.
Essa postura ocorre de modo a estabelecer o parâmetro de ação para toda a comunidade educativa com
vistas à melhoria da qualidade de ensino.
Analise essa questão e registre sua opinião acerca dos processos decisórios em institui‑
ções de ensino.

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6.
Casos de Reforço

1. Instrumentos de tutela à educação

“A sociedade brasileira demorou a perceber que o princípio da igualdade de todos perante a lei não é
suficiente para que o direito à educação seja um direito de todos, pois não eliminava as desigualdades que
foram acumuladas, principalmente em relação ao negro no Brasil. Hoje, percebe‑se que a ação afirmativa
quer seja pública ou privada, promove a cidadania ativa dos segmentos excluídos no mercado de trabalho
e no sistema educacional.”
(JOAQUIM, N. Direito educacional: o quê? para quê? e para quem? Disponível em: <http://jus.com.br/
revista/texto/6794/direito‑educacional>. Acesso em: 18 maio 2012.)

2. Direito subjetivo e direito à educação

“Todas as grandes conquistas da história do direito, como a abolição da escravatura e da escravidão, a livre
aquisição da propriedade territorial, a liberdade de profissão e de consciência, só puderam ser alcançada
através de séculos de lutas intensas e ininterruptas. O caminho percorrido pelo direito em busca de tais con‑
quistas, [...] sempre pelos direitos subjetivos pisoteados, [...] violado o direito subjetivo, o titular defronta‑se
com uma indagação: deve defender seu direito, resistir ao agressor, em outras palavras, deve lutar, ou deve
abandonar o direito para escapar à luta? A decisão a este respeito só a ele pertence.”
(IHERING, R. V. A luta pelo Directo. Tradução de Richard Paul Neto. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1891, p.
8;13‑15).

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

7.
Temas
Transversais

Os temas transversais são importantes para ampliar e qualificar os conhecimentos adquiridos na disciplina
porque permitem interagir com outras temáticas.

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1. Modalidades de planejamento

Libâneo (1991) destaca três modalidade/níveis de planejamento:

xx Plano da escola – documento mais amplo, mais global. Expressa as orientações gerais de funciona‑
mento da instituição educativa, interligando‑o a documentos oficiais, envolve questões administrativas e
pedagógicas, organização didática, caracterização dos estudantes, contextualização, objetivos, estrutura
administrativa e organizacional. É o documento oficial que orienta todas as ações da escola e deve ser
elaborado por toda a comunidade educativa.

xx Plano de ensino – é a previsão de objetivos, conteúdos e metodologias para o semestre ou o ano e


deve responder às seguintes questões referentes a cada disciplina: por quê, para que e como?

xx Plano de aula – detalhamento do plano de ensino, é mais específico e prevê objetivos, conteúdos e
metodologias para uma aula ou um conjunto de aulas, especificando e sistematizando ideias. Deve ser
desenvolvido em uma sequência lógica. A existência de um planejamento não garante que realmente
ocorra o processo de ensino, pois requer que este esteja ligado continuamente à prática e que seja
revisto, analisado, avaliado e refeito permanentemente.
Algumas etapas importantes para a construção de um planejamento:

xx Análise do ambiente externo e interno – a análise do ambiente externo é a identificação de todos


os fatores que interferem na instituição de modo positivo ou negativo. No ambiente interno, é preciso
conhecer e analisar as principais qualidades e defeitos apresentados.

xx Diagnóstico – a partir das análises dos ambientes realizadas, é o momento de perceber qual é a real
posição da escola.

xx Definição da missão, da visão de futuro e valores – a definição das finalidades, do objetivo


com o trabalho desenvolvido, das crenças e convicções – é um fator orientador do trabalho, dos obje‑
tivos, das metas de forma a orientar a tomada de decisões.

xx Objetivos estratégicos – são os resultados a serem definidos pela missão e pelos valores.

xx Plano operacional – é a definição detalhada de todas as informações (número de pessoas, tarefas,


capacitação, procedimento) consideradas relevantes para atingir os objetivos.

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8.
xx Questões estratégicas – são os caminhos necessários para atingir as metas e os objetivos esta‑
belecidos.

xx Metas – são padrões de referência para o planejamento quantificando as ações.

xx Plano de ação – são as estratégias e instruções claramente dispostas com informações como: O
quê? Quando? Quem? Quanto? Quando?

xx Controle e avaliação – é processo contínuo de observar se as metas e os objetivos estão sendo


cumpridos. O desempenho e os orçamentos são checados e as informações são analisadas em con‑
junto com os responsáveis.
Dessa forma, são funções do planejamento, de acordo com Libâneo (1991):

xx explicitar diretrizes e procedimentos do trabalho docente;

xx expressar vínculos entre posicionamento filosófico, político pedagógico, profissional e as ações efetivas;

xx assegurar racionalização, organização e coordenação do trabalho;

xx prever objetivos, conteúdos e métodos;

xx assegurar unidade e coerência;

xx atualizar ações;

xx facilitar a preparação da ação.


Para que o planejamento atinja os principais objetivos de educar, deve apresentar as seguintes características,
de acordo com Haidt (2000):

xx sequência;

xx objetividade;

xx coerência;

xx flexibilidade.
Observa‑se, portanto, que o planejamento deve estar conectado à realidade em que estudantes, escola e
professores estão inseridos, levando em consideração experiências, vivências e exigências de cada sociedade.

O planejamento é um instrumento orientador das atividades educacionais como um todo. Libâneo (1991)
aponta os principais requisitos para esse planejamento:

xx Objetivos e tarefas da escola democrática – em um primeiro momento é importante estabe‑


lecer aonde se quer chegar, que direção a instituição educativa pretende tomar, que indivíduos quer
formar e para qual sociedade. A escola deve propiciar uma educação com qualidade para todos os
estudantes, assegurando a construção do conhecimento de modo crítico e consciente, além de envolver
a comunidade educativa como um todo nas decisões e ações dessa instituição.

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

9.
xx Exigências de planos e programas oficiais – o poder público tem inúmeras responsabilidades
para com a educação, dentre as quais se pode citar o provimento de recursos financeiros e matérias,
a elaboração de programas oficiais, que refletem uma base nacional comum que deve ser seguida em
todo o país. Ou seja, são diretrizes gerais utilizadas como referência para a construção do plano das
instituições e de professores que convertem aqueles, realizando um paralelo com a realidade, exigências
e especificidades locais.

xx Condições prévias dos estudantes para a aprendizagem – conhecer os estudantes, suas


experiências, conhecimentos, condições de rendimento, habilidades, problemas e realidade em que
estão inseridos é uma tarefa essencial para o professor e para a escola. Essas são situações que devem
basear o fazer pedagógico e servir de base para o trabalho da instituição e do professor.

xx Princípios e condições do processo de transmissão e assimilação ativa dos conteúdos


– observar em quais condições a escola está inserida, o que precisa e pode melhorar, que ferramentas
dispõe para o desenvolvimento do trabalho e qual o papel de cada um são situações que devem ser
observadas na construção e desenvolvimento de um planejamento.

2. O projeto político‑pedagógico da escola

A escola é um local histórico que influencia e é influenciada por inúmeros condicionantes sociais, políticos,
culturais e econômicos, portanto não pode ser uma propriedade unicamente de professores e diretores, deve
necessariamente envolver toda a comunidade educativa em seus processos de funcionamento e planejamento.
A construção da escola e de seus parâmetros de ação passa obrigatoriamente pelo projeto político‑pedagógico
(PPP), e sua constituição deve ser participativa e reflexiva. É um processo pedagógico porque é um fenômeno
educativo; é político, pois estabelece o papel da equipe gestora e pressupõe a construção de aprendizagens
coletivas compromissadas com a formação para a cidadania.

Alguns autores utilizam‑se da nomenclatura “projeto pedagógico” em detrimento de “projeto político‑peda‑


gógico”, no entanto, de acordo com o Artigo 12 da LDB n. 9.394/1996: “Os estabelecimentos de ensino terão
a incumbência de elaborar e executar a sua proposta pedagógica; e no Artigo 14 utiliza‑se a expressão projeto
pedagógico, portanto esses dois termos podem ser usados como equivalentes” (BRASIL, 1996).

A palavra “projeto” vem do latim projectu, que deriva do verbo projecere e significa lançar para diante, plano,
intento (FERREIRA, 1995). O PPP é o documento teórico metodológico que direciona o fazer pedagógico, dando
rumo à ação intencional educativa, visando à transformação da realidade. É a identidade, o plano global da escola.
Em termos teóricos, esse projeto deve proporcionar uma unidade entre a teoria e a prática, por meio da constru‑
ção e reflexão coletiva e da participação efetiva da comunidade escolar. Ou seja, “o Projeto Político Pedagógico e,
em suma, um instrumento clarificador da ação educativa da escola em sua totalidade” (VEIGA, 1994; 2004).

O PPP estabelece princípios, propostas de ação e diretrizes, a fim de organizar e sistematizar as atividades
desenvolvidas no interior da escola. Ele define as concepções de homem, conhecimento, mundo, educação,
cidadania, cultura, ensino, aprendizagem e avaliação que se pretende alcançar.

Vale lembrar que a escola não é um espaço isolado do mundo e deve responder questões como Que
indivíduo pretende‑se formar? Para qual sociedade? Com essa postura, rompe com o isolamento e mantém um
diálogo aberto e uma convivência em forma de parceria, abrindo‑se para a comunidade. A participação, nessa
perspectiva, amplia o debate político sobre as práticas e desmascara manifestações autoritárias.

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10.
O processo de construção do PPP deve ser permanente e resgatar a escola como um espaço de debate,
diálogo e reflexão coletiva, na busca da autonomia escolar e da melhoria na qualidade do ensino. Ele traz indica‑
ções para a organização do trabalho pedagógico e tem como alguns dos princípios norteadores igualdade, quali‑
dade, gestão democrática, liberdade e valorização do magistério. Conduz também indicações dos procedimentos
administrativos financeiros e comunitários, estruturando a escola como um todo.

Os elementos básicos constitutivos do PPP são: finalidades, estrutura organizacional, currículo, tempo escolar,
processo de decisão, relações de trabalho e avaliação. E as reflexões ocorrem acerca de diversas dimensões:
pedagógica, política, sociológica, antropológica, filosófica, psicológica, financeira, administrativa e jurídica. Essas
reflexões e decisões não podem ficar alheias as leis, portanto, o PPP deve ter seus alicerces nas bases legais, a
Constituição, a LDB, o Estatuto da Criança e do Adolescente, as Diretrizes Curriculares, além das leis orgânicas
dos municípios e dos estados em que a escola esta situada, entre outros.

Para que esse processo ocorra com clareza política, é necessário que o embate teórico aconteça, ou seja,
discussões e reflexões a respeito dos temas propostos. Deve‑se, em um primeiro momento, diagnosticar a reali‑
dade da escola, compreender as concepções, definir as ações e realizar a avaliação do processo, momentos eu
devem ser trabalhados de maneira interligada entre si e não fragmentada ou estanque.

O PPP não deve ficar apenas no campo das ideias, mas compreender e efetivar uma prática discutida e
refletida, tendo uma retroalimentação constante. Em suma, como afirma Libâneo,

[...] o PPP representa a oportunidade de a direção, a coordenação pedagógica, os professores e a comunidade,


tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens, organizar suas
ações, visando atingir os objetivos que se propõem (LIBÂNEO, 2001).

Referências

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Brasília, 20 dez. 1996.

FERREIRA, J. L. O populismo e sua história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.

HAIDT, R. C. Curso de didática geral. São Paulo: Ática, 2000.

LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.

______. Organização e gestão da escola. 4. ed. Goiânia: Alternativa, 2001.

VEIGA, I. Projeto político pedagógico: educação superior. Campinas: Papirus, 2004.

______. Participação e qualidade de ensino. Revista Paixão de Aprender da Secretaria Municipal da


Educação, Porto Alegre, n. 6, mar. 1994.

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11.
Temas
Emergentes

Os temas emergentes indicam temas atuais que enriquecem os conhecimentos da disciplina, pois permitem
identificar conceitos e fatos em evidência na sociedade.

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1. Avaliação

A avaliação vem ganhando destaque e relevância na atualidade pela necessidade cada vez maior de avaliar
o desempenho das escolas, das redes de ensino, dos professores e nas salas de aula. Essa avaliação não tem o
sentido de repreensão, humilhação para os piores resultados, mas, sim, o sentido de analisar os baixos desempe‑
nhos e os seus motivos, quais aspectos deverão ser verificados para que ocorram transformações reais.

A avaliação é um ato de extrema importância e tem a finalidade de reorganizar processos internos das
instituições de ensino. É por meio da avaliação que a escola pode refletir a respeito de seus resultados educa‑
cionais, observando questões como rendimento, frequência dos estudantes, metodologias utilizadas e satisfação
da comunidade. É um elemento imprescindível na realização dos objetivos educacionais expostos no projeto
político‑pedagógico, visto que não se pode se prender à estimativa do desempenho dos estudantes, sendo elas
internas ou externas.

A avaliação da instituição deve estar comprometida com a apropriação do conhecimento pelo estudante,
com o processo de ensino aprendizagem, clareando os problemas, redimensionando os entraves e melhorando
a qualidade do ensino. Além de analisar os fatores externos que influenciam o trabalho escolar. De acordo com
Fernandes (2002), a avaliação “implica um debate ético e político sobre os meios e os fins da educação. Assim,
ela poderá ser instrumento poderoso no processo de reconstrução da educação brasileira” (FERNANDES, 2002).
Dessa forma, é importante que a escola avalie o seu trabalho como um todo, desde os estudantes, passando por
pais, comunidade, desempenho dos professores, entre outros. Ela deve ter claro que a avaliação é um processo a
ser construído coletivamente, sendo percebida como diagnóstica, pois possibilita realizar um diagnóstico da situa‑
ção e promover ações para melhorias e mudanças significativas aperfeiçoando o projeto político‑pedagógico.

São itens a serem considerados no processo de avaliação da instituição:


xx participação na construção do PPP, do regimento escolar, bem como a forma com que as decisões
são tomadas;
xx atuação dos órgãos colegiados, como conselho de escola, grêmios estudantis, Associação de Pais,
Professores e Funcionários (APPF), o relacionamento e a integração com a comunidade;
xx proposta curricular;
xx aprendizagem dos estudantes;
xx metodologias de ensino;
xx planejamentos;
xx organização de espaço e tempo escolares;

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12.
xx processos de inclusão;
xx valorização do professor na escola;
xx recursos físicos e financeiros, entre outros.

De acordo com Fernandes (2002), a avaliação, no interior de uma proposta transformadora, aborda cinco
princípios:

1. Adesão voluntária – é a adesão de todos os segmentos educacionais, em reuniões para explicação


e discussão dos objetivos da avaliação.
2. Avaliação total e coletiva – é a avaliação de todos os setores da escola por todos (ou a maioria)
dos envolvidos, é uma ação conjunta que pode ser organizada por instrumentos de coleta.
3. Respeito à identidade da escola – a escola é uma organização social construída historicamente,
com especificidades que devem ser consideradas. É importante analisar todas essas informações e as
relações que permeiam a instituição para encontrar as respostas para os questionamentos levantados.
4. Unidade de linguagem – é a universalização da linguagem e do conhecimento dos documentos,
princípios, finalidades da escola.
5. Competência técnico‑metodológica – deve haver uma base teórica que sustente a avaliação e
dê legitimidade aos dados levantados.

É necessário observar, ainda como essa avaliação é realizada. Com base em quais princípios? Ocorre diá‑
logo? É realizada de maneira participativa e coletiva? Envolve princípios práticos e fundamentos teórico‑metodo‑
lógicos associados entre si? É consciente e coerente com a realidade em que a escola está inserida? É tratada
como um processo rigoroso? Deve‑se ainda destacar que a escola e a universidade estão sujeitas a avaliações
externas e que podem se utilizar destas para análise de seus caminhos, percalços e sucessos. Muitas cidades,
como é o caso de Curitiba, no Paraná, vem aplicando um exame municipal para controle e acompanhamento
do desenvolvimento dos estudantes da rede municipal de ensino. Observe na tabela a seguir os programas e as
políticas de avaliação instituídos pelo governo federal nas últimas décadas:

ANO PROGRAMA
1990 Sistema Nacional de avaliação da Educação Básica (Saeb)
1996 Exame Nacional de Cursos (Provão)
1998 Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
2002 Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja)
2003 Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes)
2005 Prova Brasil
2008 Provinha Brasil

2. Planejamento

Planejar e avaliar são processos utilizados em todas as atividades diárias e corriqueiras e que estão direta‑
mente ligadas entre si. Para exemplificar de uma maneira simples, imagine que somos convidados a uma festa.
Em seguida a esse convite, indagamos qual o tipo da festa? Como nos deslocaremos até o local? A que hora
voltaremos? Que roupa vestir? Iremos só ou acompanhados? O que faremos lá? O que diremos aos anfitriões?
E assim por diante. Esse “pensar na festa” é planejar e também avaliar, pois, quando nos perguntamos como
nos deslocaremos ao local, já estamos planejando (vamos de carro, moto, táxi, de carona) e automaticamente
avaliando se esta ou aquela seria a melhor alternativa.

Direito Educacional e Políticas Públicas em Educação

13.
Nesse planejamento (ir à festa), poderão surgir contratempos, limitações (o carro estraga ou o irmão pede
um favor) que exigirão outras estratégias e recursos (arrumar o carro, pedir emprestado, ajudar o irmão), o que
não implica necessariamente em desistência ou abandono do planejado. Ao voltarmos da festa, avaliamos se
foi boa, se fomos felizes, se estávamos adequadamente vestidos, se as companhias foram boas, estabelecemos
comparações com outras festas e reunimos elementos para festas futuras.

Embora no exemplo citado tenhamos planejado e avaliado os prós e contras, agimos de modo informal, o
que não é adequado quando falamos em educação. O planejamento e a avaliação voltados ao sistema de ensino
exigem reflexão, organização, sistematização, atenção e dedicação do professor. É uma forma de adquirir a visão
de futuro, porém sem esquecer o contexto em que está inserida a escola, nem que está interligado a um passado
e a um presente. É o prever situações e tomar decisões com a finalidade de superá‑las. Planejar não é mera
burocracia, é instrumento essencial tanto para o professor, quanto para o gestor, pois nos mostra a direção a
seguir, estabelecendo metas, diretrizes e prioridades. Permite conhecer o contexto em que a escola está inserida,
os recursos necessários para intervir e melhor avaliar, ou seja, nos proporciona uma visão estratégica da escola.
A avaliação proporciona momentos valiosos de construção com a finalidade de discutir, trocar ideias, repensar
situações problemas e articular formas adequadas de chegar ao que se pretende atingir (os objetivos).

Deve‑se ter claro que o planejamento precisa visar à atividade‑fim da escola, que é o processo de ensino,
no entanto, para que esse processo ocorra de maneira eficaz, as decisões administrativas, organizacionais e
financeiras da instituição devem, necessariamente, estar envolvidas no planejamento. Planejar significa pensar
antes de agir, trata‑se de uma ação racional, disciplinada e comprometida com os objetivos educacionais situados
no projeto político‑pedagógico da instituição. O planejamento é um instrumento essencial para o professor e o
gestor, pois mostra a direção a seguir, estabelece metas, diretrizes e prioridades. Além de permitir à comunidade
conhecer o contexto em que a escola está inserida, os recursos necessários para intervir e melhor avaliar, ou seja,
proporciona uma visão estratégica de ensino.

Cabe ao gestor da escola compartilhar, envolver e organizar a comunidade na construção do planejamento


da instituição democraticamente, favorecendo trocas e reflexões coletivas. Normalmente é o coordenador peda‑
gógico ou o pedagogo o responsável pelo processo de construção do planejamento, juntamente da equipe de
professores. O trabalho cooperativo enriquece o planejamento e a troca de experiências de forma positiva, além
de ser um momento de socialização, principalmente se todos puderem mostrar suas habilidades e forem respei‑
tados pelas diferenças. São as experiências que enriquecem e impulsionam os planejamentos. Para a organização
do planejamento é importante que gestor e professores conheçam as leis e políticas que permeiam a educação
como um todo. Além da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), do Plano Nacional de Educação (PNE),
do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), deve‑se ter conhecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs), que é referência para o ensino fundamental e médio de todo o Brasil, conhecer também o Currículo de
seu Estado/Município, pois o nível de detalhamento destes é maior e leva em consideração as características da
região. Essa ação deve, necessariamente, estar imbricada na convicção pedagógica e política dos profissionais
da educação.

Referências

FERNANDES, M. Avaliar a escola é preciso. Mas... que avaliação? In: VIEIRA, S. Gestão da escola: desafios a
enfrentar. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

AVALIAÇÃO. In: Houaiss, A.; VILLAR, S. M. de. Dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva,
2009.

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